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Numero do processo: 11543.005654/2002-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: I. Do Pedido Inicial 1.O presente processo tem origem na Declaração de Compensação, anexada às fls. 01/02, onde pleiteia o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ — e da Contribuição Social RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 05 65 4/ 20 02 -8 9 Fl. 4543DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 3 2 sobre o Lucro Líquido — CSLL, referentes ao anocalendário de 2001, nos respectivos valores de R$ 22.428.129,73 e de R$4.425.886,56, e consequente compensação com débitos de diversas naturezas, conforme pode ser visto às fls. 01/02, 23/24, 38/39, 53/54, 69/70 e 88/89; II. Esclarecimentos Adicionais 2.Alegando desconhecimento na legislação vigente do procedimento adequado para a retificação de pedido de compensação anteriormente protocolizado, a recorrente, mediante requerimento, datado de 14/05/2003, às fls. 87, solicitou a desconsideração da Declaração de Compensação de fls. 23, relativa aos débitos de PIS e COFINS do mês de dezembro/2002, e a devida substituição pela nova Declaração onde se destacam os novos valores de débitos relativos a estes tributos; III. Da Diligência do Órgão de 1ª Instância 3.Com o intuito de corroborar a exatidão das informações prestadas e complementares a instrução processual, a interessada foi intimada, em 05/08/2004, a teor dos documentos de fls. 116/123, a apresentar os comprovantes de retenção na fonte, dos demonstrativos das fontes pagadoras, código de retenção e valores retidos, do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, do Livro Razão, entre outros elementos; 4.Atendendo o solicitado, a recorrente, mediante requerimento, apresentou o que se segue: 4.1 os Anexos I e II, às fls. 129 e 130/131, os quais demonstram, respectivamente, a existência do imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos no montante de R$19.643.354,70 e aquele retido pelas demais pessoas jurídicas no valor de R$2.784.775,03; 4.2 as cópias do LALUR, as quais foram acostadas às fls. 133/155; 4.3 O demonstrativo, às fls. 132, que explica a origem do valor total de IRRF mencionado no item 4.1 deste relatório, ora pleiteado como crédito, a título de saldo negativo de IRPJ — Ano Base 2001; 4.4 As cópias de DARF e "informes de rendimentos", acostados às fls. 196/249, que comprovam o imposto de renda retido pelas demais pessoas jurídicas que comprovam o valor de R$2.784.775,03, 4.5 Informa ter apresentado, a teor do requerimento de fls. 193, na forma de 09 pastas, ao AFRF diligenciante, os comprovantes anuais de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte relativos ao imposto retido por órgãos públicos no montante de R$19.643.354,70; 5.O fisco registrou, às fls. 255, que a interessada, em atendimento ao Termo de Intimação supra mencionado, conforme documentos de fls. 127/155, apresentou o demonstrativo de retenção de imposto de renda da fonte de órgãos públicos e das demais pessoas jurídicas, originais e cópias do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR – atinentes ao anocalendário de 2001, declaração concernente a utilização do crédito pleiteado, originais e cópias do Livro Diário Geral e a indicação de pessoas com poderes para prestar esclarecimentos; Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 4 3 IV. Da Instrução do Processo 6.O órgão a quo ao verificar que os créditos alegados na Declaração de Compensação constante do Processo n° 11543.000906/200364, têm a mesma origem daqueles citados no presente processo, transferiu os débitos tributários daquele processo para este, conforme pesquisas no sistema da RFB — Secretaria da Receita Federal do Brasil, às fls. 107/109, de forma a possibilitar uma análise em conjunto dos mesmos; 7.Foram anexadas, às fls. 156/178, cópias das fichas relevantes relativas a DIPJ 2002 Ano Calendário 2001, onde se destacam o saldo credor declarado de R$ 22.428.129,73, às fls. 163, e a base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$4.425.886,56, às fls. 168; 8.Pesquisas de DIRF, conforme cópias de fls. 180/190, declarados por várias sociedades empresárias onde o beneficiário é a recorrente, bem como cópia da DCTF relativa ao PIS e COFINS do 4° trimestre de 2002, às fls. 191/192; V. Do Parecer Denegatório 9.Em procedimento de análise da Declaração de Compensação acima referida, a Delegacia da Receita Federal de Vitória — SEORT/ES, exarou o Parecer n°. 230/2005, anexado às fls. 253/265, onde constata que a interessada pretende verlhe reconhecido o direito aos créditos mencionados no capítulo I deste relatório; 10. Neste mesmo documento defere parcialmente o pleito da interessada e apresenta as suas razões de decidir na forma que se seguem: 10.1 os valores constantes da Ficha 11 da DIPJ/2002, às fls. 159/162, foram cotejados com a Demonstração do Lucro Real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes escriturados na Parte A Livro de Apuração do Lucro Real, às fls. 138/153, em atendimento ao disposto no art. 13 da Instrução Normativa n° 93/97, sem apresentarem divergências; 10.2 de acordo com as informações prestadas na Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2002, ano calendário 2001 às fls. 163, e Ficha 17 — Cálculo da CSLL, a recorrente apurou saldos negativos de IRPJ e CSLL decorrentes exclusivamente dos valores retidos destes tributos o que permitiu concentrar a análise nestes recolhimentos; 10.3 compulsado o documento de fls. 129 — Anexo I — fonte retidos por órgãos públicos — verificouse que foram elencadas as retenções efetuadas por órgão público desde janeiro de 1997 até o ano calendário de 2001, exclusivamente para o exercício em tela, o que não é factível, visto que somente poderia ter sido utilizado para efeito de dedução o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que tivessem integrado a base de cálculo do imposto devido; 10.4 além do fato acima, destacou que a recorrente foi constituída somente em 19/08/1998, conforme consulta ao sistema CNPJ, às fls. Fl. 4545DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 5 4 179, o que inviabilizaria a utilização de créditos relativos ao ano calendário 1997; 10.5 que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, já foi objeto de declarações de compensação constantes dos Processos n° 11543.004393/200107 e 11543.004718/200224, configurando, portanto, pedido em duplicidade, conforme cópia acostada à fl. 252; 10.6 conclui que as retenções, citadas no Anexo I, às fls. 129, a serem consideradas no saldo negativo de IRPJ e CSLL restringemse àquelas relativas ao ano calendário 2001, e perfazem, respectivamente, o montante de R$3.561.589,07 e R$ 794.528,09; 10.7 no intuito de verificar a consistência das informações constantes do Anexo I, acima referido, o AFRF parecerista consultou os sistemas da RFB onde levantou as declarações de imposto de renda, referente ao anocalendário de 2001, retido na fonte enviadas pelas fontes pagadoras órgãos públicos em que a recorrente, consideradas a matriz e suas filiais, figurou como beneficiária, conforme pode ser visto às fls. 180/181 e 183/189; 10.8 Da análise das referidas DIRF restou comprovado, a teor da planilha de fls. 260, em relação ao IRPJ e CSLL, os valores, respectivos, de R$3.429.335,20 e R$814.776,20, devendo ser ressaltado, que, em relação ao IRPJ, o valor apurado é inferior àquele citado no item 10.6 deste relatório; 10.9 esclarece, contudo, que no presente processo foi reconhecido apenas o valor de R$794.528,09, tendo em vista que a administração do crédito alegado cabe exclusivamente à recorrente, a qual indicou na declaração de compensação a sua intenção de utilizar somente este valor para efeito de crédito, cumprindo tão somente à autoridade Fiscal modificar as pretensões creditórias quando estas forem desprovidas de certeza e liquidez; 10.10 do exame do Anexo II, às fls. 130/131, no qual consta os valores retidos, a título de IRPJ, pelas demais pessoas jurídicas, constatouse, conforme planilha de fls. 261/262, a retenção de apenas R$2.405.149,30; 10.11 reconstituiu a Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ 2002, a fim de determinar o valor do saldo negativo de IRPJ, com base nas retenções acima corroboradas, tendo elaborado o quadro abaixo que resume a decisão proferida: Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 6 5 10.12 Aplicou o mesmo procedimento a Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2002, a fim de quantificar a importância do saldo negativo de CSLL, com base nas retenções acima corroboradas, tendo elaborado o quadro abaixo que resume a decisão proferida: 10.13 por fim, ressalta que a solicitação de retificação de Declaração de Compensação, apresentada em 14/05/2003, às fls. 87/89, em face da alegação de erro material na declaração do valor dos débitos referentes à COFINS e ao PIS, pertinentes ao período de apuração de dezembro de 2002, não pode ser aceita, tendo em vista que estes débitos não sofreram alterações na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF — conforme pode ser visto às fls. 191/192; 10.14 Conclui pelo reconhecimento creditório parcial, relativo aos saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurados no ano calendário de 2001, nos respectivos valores de R$ 5.834.484,50 e de R$ 794.528,09, devendo ainda ser homologada a compensação declarada solicitada nos termos da legislação de regência até o limite deste valor; VI. Da Manifestação de Inconformidade 11.A Interessada tomou ciência do Parecer SEORT n° 230/2005 de fl. 253/265 e do Despacho Decisório de fl. 265 em 29/04/2005, conforme demonstra o AR de fls. 282; 12.A Interessada se insurge contra o disposto no Parecer supra mencionado que indeferiu o seu pedido de compensação, apresentando, em 24/05/2005, sua Manifestação de Inconformidade, às fls. 286/303, instruída com os documentos de fls. 304/349, alegando, em síntese, o que se segue: i) Da Desnecessidade de Apresentação do Comprovante da Retenção dos Tributos Emitido pela Fonte Pagadora dos Rendimentos 12.1 A recorrente apresentou ao fisco diversos documentos comprobatórios das retenções de IRPJ e CSLL feitos pelos órgãos públicos entre 1998 e 2001, sendo importante destacar que, a teor da petição de fls. 193, também foram apresentados "os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte relativos ao imposto retido por órgãos públicos...", o que afasta o entendimento da decisão quanto a falta de documentos que comprovem as retenções; Fl. 4547DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 7 6 12.2 Ressalta que a disponibilização dos referidos comprovantes é expressamente atestada pela decisão proferida pela DRF VitóriaES, como se verifica do seguinte trecho: “Em atendimento ao Termo de Intimação, a contribuinte, mediante termo de entrega às fls. 127/155, apresentou o demonstrativo de retenção de imposto de renda da fonte de órgãos públicos e das demais pessoas jurídicas, originais e cópias do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR atinentes ao ano calendário de 2001, declaração concernente a utilização do crédito pleiteado, originais e cópias do Livro Diário Geral..."(negritei) 12.3 Cita ementas do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, as quais consolidam o entendimento no sentido de que os documentos, apresentados pela recorrente, nos autos, são suficientes para comprovar a legitimidade do crédito que se pretende compensar; 12.4 Informa que a Solução de Consulta — SRRF 4ª RF — n° 20 de 20/05/2002, tem o entendimento que os registros contábeis, em conjunto com outros documentos fiscais, são meios hábeis para comprovar a retenção; 12.5 Argumenta que se a DRF Vitória homologou a compensação no que se refere as retenções ocorridas em 2001, com base nos documentos apresentados pela recorrente, não restam dúvidas de que os mesmos documentos seriam suficientes para comprovar as retenções ocorridas entre 1998 e 2000; 12.6 Que a DRF Vitória realizou um cotejo entre os valores informados pela documentação apresentada e os dados contidos nos sistemas internos da RFB tendo constatado uma diferença irrisória inferior a 3% o que demonstra a legitimidade dos créditos da recorrente, sendo imperioso que a mesma sistemática seja adotada para os anos 1998 a 2000; 12.7 Requer a reforma da decisão homologando integralmente os seus débitos tendo em vista que os documentos de retenção apresentados pela recorrente são legítimos para comprovar o crédito em exame; 12.8 Requer, ainda, a realização de diligência para que sejam analisados os documentos contábeis da recorrente, bem como para que sejam analisados os sistemas internos da RFB; ii) Da Desnecessidade de Informação dos Valores Retidos em cada AnoBase. Legalidade da Informação dos Valores Retidos nos Anos de 98, 99 e 2000. Da DIPJ do AnoBase 2001 12.9 A DRF Vitória fundamenta a não consideração dos IRRF, relativos aos anos calendário 1998 a 2000, com base no art. 526 do RIR/99, entretanto, tal dispositivo legal não faz qualquer restrição nesse sentido, apenas informa que o contribuinte pode compensar o imposto devido com as retenções ocorridas, deixando de fazer qualquer menção à necessidade de informar as retenções nas DIPJ's dos respectivos anosbase em que elas ocorreram; Fl. 4548DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 8 7 12.10 Em outras palavras, não existe a obrigatoriedade de informação das retenções do IRPJ e CSLL nas DIPJ's dos anosbase em que elas ocorreram, segundo o artigo supra mencionado; 12.11 Da mesma forma, a Instrução Normativa RFB no 93/1997, em seu artigo 38, § 2°, inciso III, autoriza expressamente a compensação do imposto de renda pago indevidamente nos anos anteriores, contra parcelas devidas nos anos posteriores; 12.12 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuinte em que este manifesta o entendimento de que o direito à compensação não pode ser negado nos casos em que as DIPJ's contenham erros, como ocorreu no presente caso; 12.13 Requer a reforma da decisão, de forma a acolher integralmente o crédito compensado, tendo em vista que não existe qualquer norma que proíba a utilização das retenções de IRPJ e CSSL ocorridas em 1998, 1999 e 2000, no anobase de 2001, pois não existe dispositivo legal que a obrigue a declarar os valores retidos nas DIPJ' s dos anos calendário em que ocorreram as retenções; iii) Da Suposta Impossibilidade de Compensação dos Créditos Anteriores A Constituição da Requerente (19/08/1998) 12.14 Confirma que a recorrente foi constituída na data de 19/08/1998; entretanto, após este evento, ela incorporou outra empresa (Xerox do Brasil Ltda), inscrita no CNPJ sob o n° 29.231.386/000100, como comprovam os documentos de incorporação anexados às fls. 316/336; 12.15 Dessa forma, as retenções de IRPJ e de CSLL, sofridas pela empresa incorporada em período anterior a 19/08/1998, passaram a ser de titularidade da recorrente. iv) Da Inexistência de Compensação do Crédito em Exame contra Débitos dos Processos n° 11543.004393/200107 e 11543.004718/200224 12.16 A decisão recorrida informa a impossibilidade de compensação do saldo negativo de IRPJ e CSSL, referente ao ano de 2000, tendo em vista que esse crédito já teria sido compensado contra outros débitos referentes aos processos em epígrafe, entretanto, resta demonstrado o equívoco do fisco na medida em que esses processos tratam de outro crédito da recorrente diverso dos saldos negativos de IRPJ e CSLL examinados nos presentes autos; 12.17 Esclarece que os saldos negativos de IRPJ e CSLL, ora em exame, referemse as retenções dos mesmos tributos ocorridas no momento do pagamento das notas fiscais emitidas pela recorrente pela venda de bens e serviços aos diversos órgãos públicos em todo o território nacional, enquanto o saldo negativo de IRPJ objeto dos processos em epígrafe referese as retenções de IRPJ sobre operações de mútuo e aplicações financeiras de titularidade da recorrente, conforme se verifica das cópias anexadas às fls. 338/349; 12.18 Portanto, não existe a duplicidade de compensações entre o crédito discutido nos presentes autos e o crédito objeto dos processos em epígrafe, razão pela qual da decisão recorrida deve ser reformada também neste aspecto; Fl. 4549DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 9 8 2. Em sessão de 17 de julho de 2007, a 9ª Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, julgou não homologada a compensação excedente pleiteada na Manifestação de Inconformidade (fls. 287/304) relativa aos saldos credores de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL de exercícios anteriores, permanecendo, pois, inalterada a decisão de 1ª instância, nos termos do Acórdão nº 1215.113 (fls. 357/376), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DO IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2001 DEDUTIBILIDADE. IRRF. RETENÇÃO DE CSLL. COMPOSIÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Somente se admite como redução do Imposto de Renda e CSLL devidos ao final do período de apuração, os valores retidos de IR e CSLL incidente sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto do mesmo exercício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PEDIDO DE DESNECESSIDADE. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Dispensável a produção complementar de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente deslinde do feito. Solicitação Indeferida" 3. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 419/430) em 11/04/2008 (AR de 31/03/2008, fls. 400), reiterando as razões já expostas em sede de manifestação de inconformidade (fls. 287/304) e centrou seu pedido para que seja homologada integralmente a compensação referente aos créditos dos anosbase de 1998 a 2000. 4. Em 25/05/2011, a contribuinte apresentou às fls. 275/293 razões aditivas ao Recurso Voluntário para: reforçar as questões fáticas e os argumentos constantes do recurso e juntar documentação hábil a comprovar que (i) sofreu as retenções ao longo dos anos de 1998 a 2001; (ii) as receitas sobre as quais incidiram as retenções compuseram seu resultado tributável; (iii) os valores retidos não foram compensados em suas declarações, gerando créditos em seu favor; (iv) a compensação dos créditos foi pleiteada dentro do prazo previsto no art. 168 do CTN. Fl. 4550DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 10 9 5. Finalmente, às fls. 4512/4514, a Recorrente anexou planilhas discriminando todos os pagamentos recebidos por órgão públicos contabilizados nos anos de 1998, 1999 e 2000, bem como das respectivas retenções sofridas; resumo do total do valor recebido pelos órgãos públicos e as retenções sofridas nos anos de 1998, 1999 e 2000, discriminando os tipos de documentos fiscais emitidos pela Recorrente que deram suporte aos pagamentos; quadros demonstrativos das faturas compensadas nos anos de 1998, 1999 e 2000; e planilhas que identificam os órgãos públicos (clientes) para os quais não foram localizados os documentos fiscais correspondentes às retenções sofridas durante todos os anos de 1998, 1999 e 2000. É o relatório. Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Compensação de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL em períodos anteriores 7. Conforme relatado, a Recorrente nos anoscalendário de 1998 a 2001 a empresa auferiu receitas de órgãos públicos e de entes privados, os quais retiveram tributos (IRPJ e CSLL) sobre os valores faturados. 8. Nesses anos, a contribuinte, equivocamente, deixou de informar as retenções na DIPJ e, diante da impossibilidade prática de se ressarcir, apropriou esses valores na DIPJ de 2002, referente ao anocalendário de 2001 e controlou as importâncias em sua escrita contábil (fls. 132). 9. Consigna que a soma dos créditos relativos a IRRF retido pelos órgãos públicos ainda não apropriados, atualizada até dezembro de 2001, montou a importância de R$ 19.643.354,70, e o retido pelas demais pessoas jurídicas montou R$ 2.784.775,03 e, ao ser apropriada na DIPJ 2002 (anocalendário 2001), resultou em saldo negativo de IRPJ de R$ 22.428.129,73. 10. Já a soma dos créditos de CSLL retida pelos órgãos públicos ainda não apropriados, atualizada até dezembro de 2001, totalizou a importância de R$ 4.425.886,56 e, ao ser apropriada na DIPJ 2002 (anocalendário 2001), resultou em base de cálculo negativa de CSLL de R$ 4.425.886,56. 11. Assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 12. No mais, ainda que a Recorrente não tenha efetuado a retificação das declarações correspondentes aos períodos anteriores, tal circunstância não pode, por si só, obstar o legítimo direito de crédito do contribuinte. Exceção à essa regra se dá justamente Fl. 4551DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 11 10 diante de três hipóteses: (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os tributos retidos na fonte relativos aos exercícios anteriores já tiverem sido compensados; (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Em que pese a Recorrente tenha apresentado documentação fiscal e contábil relativamente aos anos de 1997 a 2001, a douta autoridade fiscal e, posteriormente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro DRJ/RJOI, entenderam, com fundamento nos artigos 34 e alínea "c" do artigo 37 da Lei nº 8.981/95, não ser possível a compensação de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL em períodos anteriores. Assim, focaram a análise do direito creditório relativo ao anocalendário de 2001, DIPJ 2002. 15. No entanto, contrariamente ao exposto pelas autoridades fiscais, não há na legislação vedação a compensação de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ em períodos anteriores. Em nome das regras de hermenêutica e melhor técnica legislativa não é possível presumir tal vedação a partir da leitura do artigo 74 "caput", §1º e rol taxativo do §3º, da Lei nº 9.430/96, tampouco do artigo do artigo 37, §3º, alínea "c", da Lei n° 8.981/95 (opção pela apuração do lucro real anual). 16. Diante das premissas supra delineadas (itens 11 a 13), é inequívoco que as provas e o correspondente direito de crédito decorrente das retenções realizadas em períodos anteriores merecem ser apreciados e, para evitar eventual duplicidade na homologação dos créditos, a autoridade deveria ter determinado a reunião desse processo com o Processo n° 11543.004393/200107 (principal que contempla as declarações de compensação contidas no Processo nº 11543.004718/200224) e de eventuais outros que tratem do período e matéria em questão, até por eficiência, economia processual e busca da verdade material. 17. Notese que, o documento juntado às fls. 215 que apresenta a retenção na fonte promovida por órgãos públicos no período de 1997 a 2001 tem fática conexão com o processo nº 11543.004393/200107. Quando da análise das alegações trazidas em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 287/304) e Recurso Voluntário (fls. 419/430), é possível verificar nítida contradição argumentativa, visto que tanto o presente caso como o Processo nº 11543.004393/200107 tratam de períodos de apuração coincidentes (1997 a 2001) e dos créditos decorrentes das retenções na fonte de IRPJ efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas no curso do anos de 1997 a 2001. 18. Não há dúvidas que, nesses autos e no Processo nº 11543.004393/200107, os créditos pleiteados são originários tanto de retenções na fonte de IRPJ efetuadas por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. A simples análise das declarações de compensação (fls. 01/02, 23/24, 38/39, 53/54, 69/70 e 88/89) deixam isso claro. 19. Ademais, as declarações de compensação contemplam não só o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ como também a base de cálculo negativa de CSLL. Nesse sentido, mesmo tendo as autoridades fiscais analisado e homologado os créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ relativos ao anocalendário de 2000, no escopo do Processo nº 11543.004393/200107, cabe aqui ser analisado o crédito Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 12 11 decorrente da base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário de 2000, juntamente com os períodos anteriores, anoscalendário de 1998 e 1999. 20. Relativamente ao anocalendário de 1997, a Recorrente esclareceu às fls. 277 e 283, que as retenções de IRPJ e CSLL, quando do recebimento dos valores pagos por órgãos públicos, foram sofridas pela Xerox Brasil Ltda e não pela ora Recorrente. Consignou que o saldo negativo do ano de 1997 não compõe o saldo do ano de 2001, tendo sido utilizado para absorver imposto do anocalendário de 2000 e, portanto, estaria fora do escopo desse processo (valores que compõe o saldo do ano de 2001 (1998 a 2000)). 21. Independentemente dos valores terem composto ou não o saldo negativo de 2001 (vide argumento de fls. 283), a Recorrente foi constituída somente em 19/08/1998, conforme consulta ao sistema CNPJ, às fls. 179, o que, por si só, inviabilizaria a utilização de créditos relativos ao ano calendário 1997. 22. No mais, em análise às retenções sofridas no ano de 2000 pela Xerox do Brasil Ltda (sucedida) no âmbito do Processo nº 11543.004393/200107, restou evidenciado que: (i) a Junta Comercial do Estado do Espírito Santo certificou o registro de incorporação da Xerox Brasil Ltda pela Xerox Comércio e Indústria Ltda. (ora Recorrente) em 18/03/2003 (fls. 317/320); (ii) o pedido de restituição e os protocolos dos pedidos de compensação foram realizados pela ora Recorrente entre os anos de 2001 e 2002, datas anteriores a incorporação ocorrida 18/03/2003. 23. Logo, não poderia a Xerox Comércio e Indústria Ltda. (ora Recorrente) se beneficiar das retenções sofridas pela Xerox Brasil Ltda. antes de existir ou mesmo antes do evento de incorporação que gerou o direito à sucessão. A documentação judicial anexada pela contribuinte (fls. 381/385) em nada muda essa realidade. 24. Diante do exposto e da nítida relação entre esses autos e o Processo nº 11543.004393/200107, devem ser baixados em diligência para que a DRJ/RJOI analise e responda os quesitos que serão aqui formulados, bem como para que reúna esses casos e outros, que porventura envolvam os períodos de 1998 a 2001 e tratem de restituição e/ou compensação de saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL decorrente das retenções efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas, para apreciação em conjunto. II. Comprovação das Retenções na Fonte 25. Considerando a necessidade de baixar em diligência os presentes autos para avaliar o direito creditório relativo aos períodos de 1998 a 2001, cabe aqui tecer algumas considerações sobre a questão probatória atinente às retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas. 26. De acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." Fl. 4553DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 13 12 27. Importante salientar, em consonância com o consagrado princípio da verdade material, que a efetiva ocorrência da retenção pode ser comprovada tanto através do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte como a partir das consultas aos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL, para a matriz e filiais, conforme códigos de receita 6147, 6190 (beneficiários órgãos públicos), 6800, 3426 e 5273 (aplicações financeiras, swap e fundos de investimento), ofícios dos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção e por meio dos registros contábeis, fiscais e documentação que lhe sirva de suporte. 28. No caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, ainda que a autoridade fiscal não localize em seus sistemas os comprovantes de retenção, mas o contribuinte apresente documentação comprobatória idônea, deve a douta unidade fiscal a quo certificarse junto ao outro ente estatal. 29. Esse raciocínio tem amparo nos artigos 36 e 37 da Lei n 9.784/1999, que estabelecem: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 30. A aplicação desses dispositivos não exclui o fato da Recorrente ter o dever de apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que compõe as retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos. 31. A documentação apresentada pela Recorrente no curso do processo, bem como as robustas provas anexas às petições de fls. 02/274, 275/293 e 4512/4514 (itens 4 e 5), devem ser consideradas e analisadas pela autoridade de 1ª instância. 32. E mais, deixar de considerar a documentação apresentada pelo contribuinte sem a devida motivação e diligência, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e do contraditório efetivo, previstos nos artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil CPC/2015), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 33. Tanto no processo administrativo como no processo judicial, garantir o contraditório é assegurar que a decisão seja fruto de um processo participativo e cooperativo, onde todos seus atores trabalhem juntos, por mais que busquem resultados diferentes. 34. Para a construção democrática do resultado do processo é preciso garantir a devida análise argumentativa e probatória, condição sine qua non para trazer satisfatividade às decisões proferidas e evitar o litígio no âmbito do Poder Judiciário. O Estado é um só e o custo do contencioso é suportado por todos os cidadãos brasileiros. 35. A utilização dessas diretrizes de forma subsidiária e supletiva ao processo administrativo tributário (artigo 15, do CPC/2015) é capaz de melhor garantir a busca da verdade material e trazer eficiência processual. Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 11543.005654/200289 Resolução nº 1201000.385 S1C2T1 Fl. 14 13 36. Diante do exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Realize a diligência do presente feito em conjunto com a do Processo nº 11543.004393/200107 e outros que porventura envolvam os períodos de 1998 a 2001, e tratem da restituição ou compensação de saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL decorrente das retenções efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas; (ii) Segregue a análise e composição dos valores relativos ao suposto direito creditório da ora Recorrente decorrente do saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL nos anos de 1998 a 2001, considerando tanto os montantes retidos por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. O objetivo é evitar duplicidades e garantir que os documentos hábeis e idôneos apresentados pela contribuinte sejam avaliados e considerados nos limites dos pedidos formulados nos recursos, conforme fundamentação apresentada nos itens 27 a 35, bem como seja verificada a inclusão das respectivas receitas na base de cálculo do IRPJ; (iii) É inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal tem o dever de realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte, com fundamento nas INs RFB n°s 460/04 e 94/97, bem como de buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e oficiar os órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; (iv) Em virtude da ausência de contestação em sede de Recurso Voluntário dos valores relativos ao anocalendário de 2001, considero a questão incontroversa. Portanto, mantidas as importâncias indicadas na decisão da DRJ/RJOI relativas aos créditos de saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário de 2001. Tais valores devem ser considerados no mapeamento a ser realizado no curso da diligência. 37. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 4555DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.907373/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/05/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907373/201074 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.293 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 73 /2 01 0- 74 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.907373/201074 Acórdão n.º 3201003.293 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.404, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.907373/201074 Acórdão n.º 3201003.293 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.907373/201074 Acórdão n.º 3201003.293 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10830.907373/201074 Acórdão n.º 3201003.293 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15885.002296/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. PROPRIETÁRIO DA OBRA. EMPREITADA TOTAL. PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA. TITULARIDADE.
O proprietário de obra de construção civil, quando contrata a execução de obra de construção civil mediante contratos de empreitada total, tem responsabilidade solidária com a empresa construtora, pelas contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a mão-de-obra utilizada, mormente quando não se comprova nenhuma das condições para a elisão da referida responsabilidade.
A condição de proprietária fiduciária de obras de construção civil, competente para realizar operações de aquisição, arrendamento e venda de imóveis destinados às pessoas físicas arrendatárias, implica a titularidade da mesma para todos os efeitos, como demonstram os contratos de compra e venda de imóvel e de produção de empreendimento habitacional e as averbações no Registro Imobiliário.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA JURÍDICA. CONTABILIDADE. OMISSÕES DE FATOS GERADORES. AFERIÇÃO INDIRETA. ÁREA CONSTRUÍDA E PADRÃO DA OBRA.
É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão-de-obra utilizada na execução de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, obtida através de aferição indireta, com base na área construída, e no padrão da obra, em razão da falta do registro do real movimento das remunerações pagas pela execução da obra.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS.
A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.
Numero da decisão: 2401-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelo devedor principal e solidário e, no mérito, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. PROPRIETÁRIO DA OBRA. EMPREITADA TOTAL. PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA. TITULARIDADE. O proprietário de obra de construção civil, quando contrata a execução de obra de construção civil mediante contratos de empreitada total, tem responsabilidade solidária com a empresa construtora, pelas contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a mão-de-obra utilizada, mormente quando não se comprova nenhuma das condições para a elisão da referida responsabilidade. A condição de proprietária fiduciária de obras de construção civil, competente para realizar operações de aquisição, arrendamento e venda de imóveis destinados às pessoas físicas arrendatárias, implica a titularidade da mesma para todos os efeitos, como demonstram os contratos de compra e venda de imóvel e de produção de empreendimento habitacional e as averbações no Registro Imobiliário. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA JURÍDICA. CONTABILIDADE. OMISSÕES DE FATOS GERADORES. AFERIÇÃO INDIRETA. ÁREA CONSTRUÍDA E PADRÃO DA OBRA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão-de-obra utilizada na execução de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, obtida através de aferição indireta, com base na área construída, e no padrão da obra, em razão da falta do registro do real movimento das remunerações pagas pela execução da obra. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelo devedor principal e solidário e, no mérito, negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. PROPRIETÁRIO DA OBRA. EMPREITADA TOTAL. PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA. TITULARIDADE. O proprietário de obra de construção civil, quando contrata a execução de obra de construção civil mediante contratos de empreitada total, tem responsabilidade solidária com a empresa construtora, pelas contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a mãodeobra utilizada, mormente quando não se comprova nenhuma das condições para a elisão da referida responsabilidade. A condição de proprietária fiduciária de obras de construção civil, competente para realizar operações de aquisição, arrendamento e venda de imóveis destinados às pessoas físicas arrendatárias, implica a titularidade da mesma para todos os efeitos, como demonstram os contratos de compra e venda de imóvel e de produção de empreendimento habitacional e as averbações no Registro Imobiliário. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA JURÍDICA. CONTABILIDADE. OMISSÕES DE FATOS GERADORES. AFERIÇÃO INDIRETA. ÁREA CONSTRUÍDA E PADRÃO DA OBRA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão deobra utilizada na execução de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, obtida através de aferição indireta, com base na área construída, e no padrão da obra, em razão da falta do registro do real movimento das remunerações pagas pela execução da obra. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 22 96 /2 00 8- 28 Fl. 573DF CARF MF 2 A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelo devedor principal e solidário e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad n.º 37.080.8959, que constitui o crédito referente às contribuições sociais relativas à parte patronal e dos empregados (não descontada), incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais, a segurados caracterizados como empregados, e ainda sobre salário decontribuição aferido na construção civil (CUB – Custo Unitário Básico), perfazendo, inicialmente, o montante de R$ 1.944.611,96 (incluindo multa e juros vide fls. 04), abrangendo o período de 06/2000 a 01/2007. Conforme se depreende do Relatório Fiscal (fls. 33/38), os fatos geradores foram apurados à partir de remunerações da mãodeobra empregada na execução de obras de construção civil, contratadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) com a autuada SAT Engenharia e Comércio Ltda, sob a forma de empreitada total. Para tanto, foram analisados recibos de pagamento, notas fiscais, relatórios financeiros, folhas de pagamento de obras, rescisões trabalhistas, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), contratos de empreitada, dentre outros. Registrese que parte dos pagamentos identificados não foram declarados em GFIP, e houve caracterização de segurados nos termos da legislação que rege a matéria. Notese ainda que foi adotado o expediente da aferição indireta da mãode obra, com base na área construída e padrão com as deduções regularmente previstas, convertidas em área regularizada , em razão de a contabilidade não registrar o real movimento das remunerações e dos faturamentos, conforme relatório de análise contábil constante dos autos, evidenciandose diversos fatos geradores omitidos da contabilidade. Nessa esteira dos acontecimentos, imputouse responsabilidade solidária à CEF – proprietária da obra –com fundamento no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, art. 220 do Decreto nº 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) e art. 181, I da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005 (DOU de 15/07/2005). Foram ainda analisados documentos apreendidos judicialmente, conforme autos do processo nº 2003.61.08.0126184 da 3ª Vara Federal de BauruSP. Os valores apurados estão demonstrados, por estabelecimento, em diversos relatórios, conforme recibo de arquivos entregues ao contribuinte (fls. 31/32), fazendose referência ainda ao relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Foram anexadas cópias de: planilhas de cálculo de saláriodecontribuição e avisos para regularização de obras (ARO). A Caixa Econômica Federal (CEF), na condição de responsável solidária, foi cientificada da NFLD em 07/05/2007 (vide Aviso de Recebimento –AR de fl. 50), e apresentou sua IMPUGNAÇÃO, tempestivamente, em 22/05/2007, alegando em síntese : ausência de responsabilidade solidária que a condição de devedora solidária para com a SAT Engenharia imputada à CEF não procede, pela razão de que esta não é a proprietária das obras, e sim o FAR – Fundo de Arrendamento Residencial. Fl. 575DF CARF MF 4 que a lei nº 10.188/2001 instituiu o Programa de Arrendamento Residencial, visando a atender à necessidade de moradia da população de baixa renda, autorizando a CEF a criar um fundo financeiro dotado de segregação patrimonial e contábil, destinado ao programa. O parágrafo 3° do artigo 2.º da lei estabelece que "os bens e direitos integrantes do patrimônio do fundo a que se refere o caput, em especial os bens imóveis mantidos sob a propriedade fiduciária da CEF, bem como seus frutos e rendimentos, não se comunicam com o patrimônio desta". Reforça ainda que tais bens "não integram o ativo da CEF", pertencendo de fato ao fundo, o qual, por não ter personalidade jurídica, tem a CEF como seu agente operacional (fiduciário). que a SAT Engenharia foi contratada pelo FAR, por intermédio da CEF, para a construção de empreendimentos residenciais; não se podendo falar em solidariedade da CEF com a construtora, já que o fundo (FAR) é o verdadeiro proprietário e que deveria ser notificado como solidário. Como estipulado nos contratos de compra e venda, "C.4 — OS IMÓVEIS DO EMPREENDIMENTO ANTES MENCIONADO INTEGRARÃO O PATRIMÔNIO DO FUNDO FINANCEIRO DO PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL — PAR, INSTITUÍDO PELA MEDIDA PROVISÓRIA NO 1823/99 E SERÃO OBJETO DE ARRENDAMENTO DESTINADO A POPULAÇÃO ALVO DEFINIDA EM LEI."(grifos nossos) que a CEF é apenas gestora do patrimônio do FAR, não podendo ser responsabilizada solidariamente pelo crédito discutido, pelo que se pede o cancelamento da presente NFLD em nome da CEF. Do cerceamento de defesa – dilação do prazo para defesa administrativa que no contexto das ações judiciais (processos n.º 2003.61.08.0126184 e 2007.61.08.004240 1) movidas pela SAT Engenharia, cujo objeto é a restituição de documentos necessários à defesa administrativa, pede que a dilação de prazo ali concedida seja estendida ao devedor solidário (o FAR ou a CEF, caso não seja reconhecida a exclusão da responsabilidade desta última), sob pena de cerceamento de defesa. Junta a impugnante cópias de: procuração, contratos de compra e venda de imóvel e de produção residencial, folhas de registro de imóveis (fls. 54/99), dentre outros. Já a SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA foi cientificada do encerramento da devolução dos documentos apreendidos nos autos da ação nº 2003.61.08.0126184, em curso perante a 3ª Vara de Bauru na data de 07/10/2009, conforme AR de fls. 186, iniciandose nessa data a contagem do prazo para apresentação de sua Impugnação. Foram juntadas, pela Unidade de Origem, cópias de atos processuais judiciais, especialmente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) em apelação (fls. 181/183) no processo nº 2007.61.08.0042401, datada de 11/03/2011 que trata de Medida Cautelar cujo objeto era a devolução de todos os documentos apreendidos e ainda retidos pela fiscalização , procuração, contrato social e alterações, dentre outros. Às fls. 194/195, consta despacho de 02/09/2011, da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, dando notícia de que: (i) na apelação, o Tribunal decidiu que o prazo para interposição de defesa administrativa tivesse início a partir da data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou da data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último; (ii) a fiscalização informou que os documentos foram devolvidos totalmente; (iii) a data de da intimação da decisão do TRF3 nos autos n.º 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, não havendo registro, no sistema de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 4 5 protocolo de documentos e processos (Cdoc e Comprot), de interposição de recurso administrativo até a presente data; e por fim (iv) sugeriu a aplicação da Súmula Vinculante n.º 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), com posterior cobrança do crédito remanescente. Consta às fls. 198/200 Despacho Decisório (DD) reconhecendo parcialmente a decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF e Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, pelo que, com base no art. 150 e § 4º do CTN, foram excluídas as competências de 06/2000 a 03/2002. De acordo com o DD e o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), às fls. 201/202, remanesce o crédito em R$1.848.461,81(principal, juros e multa, a valores de 19/04/2007). Ressalta o despacho que houve defesa administrativa tempestiva apresentada pelo responsável solidário (CEF), tendo sido tanto a empresa como a responsável solidária devidamente intimadas do conteúdo do DD (vide fls. 2011/213 e 281). Da intimação referente ao despacho Decisório (fls. 198/200) e do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR, a devedora principal SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., apresentou peça de IMPUGNAÇÃO, protocolizada em 22/12/2011 (fls. 221/269), com o seguinte teor: Preliminar – da tempestividade da defesa administrativa que, nos termos do acórdão na ação judicial n.º 2007.61.08.0042401, o prazo para interposição da defesa iniciase a partir da efetiva entrega da documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não foram devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO –, as quais seriam imprescindíveis para a defesa do contribuinte, alega que não iniciou o prazo para defesa. que a presente impugnação/manifestação é feita por cautela, para não se ver imputada de omissa ou inerte em sua defesa administrativa, apesar da não entrega das DISO à impugnante. Outras matérias alegadas que a contribuição do SAT/RAT está com a exigibilidade suspensa. que os embargos de declaração na ação judicial n.º 2007.61.08.0042401 impõem efeito suspensivo em sua decisão. que a fiscalização realizada foi irregular e precária, devendo ser anulada. que não foram devolvidas as DISO à empresa, impossibilitando a verificação dos dados apurados e lançados pela fiscalização. que foi irregular o procedimento e critérios de cálculo dos valores devidos por aferição indireta, para as obras que relaciona. que é indevida a inclusão dos sócios da empresa como solidários, no pólo passivo da execução fiscal. que é indevida a imposição de multa superior a 20%. que deve ser cancelada a NFLD. Fl. 577DF CARF MF 6 que deve ser permitida a juntada posterior de documentos. Assim, às fls. 282/283 consta despacho da DRF/BAURU/SACAT, de 29/12/2011, informando que em relação ao Acórdão proferido pelo TRF3 no processo nº 2007.61.08.0042401, entende que: a) o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi concluído em 23/09/2009, tendo o sujeito passivo recebido em 07/10/2009 a comunicação da devolução mencionada; e b) a data de intimação dessa decisão ocorreu o dia 28/03/2011. Ato contínuo, os presentes autos são encaminhados ao setor de fiscalização, para apreciação das alegações da autuada, e para ratificar ou retificar as informações quanto à devolução dos documentos apreendidos. Em resposta, consta a Informação Fiscal de fls. 286/287, de 29/02/2012, informando que as alegações acerca da não devolução de todos os documentos já haviam sido feitas no processo judicial, e ali respondidas, atendendo ao ofício da Procuradoria (PRFN). Em síntese, transcreve a Informação Fiscal da época (05/11/2009), segundo a qual “não consta relacionadas nas atas de abertura de todas as caixas objeto de apreensão judicial a descrição DISO’S de obras”. Em anexo, consta o Ofício 75/2009 PRFN/SP, a Informação Fiscal da época e todos os elementos comprobatórios relativos à apreensão e à devolução dos documentos (vide fls. 288/467). Por fim, consta despacho de encaminhamento do processo à DRJ, ante as alegações do sujeito passivo quanto à tempestividade da impugnação, pela suposta falta de devolução das DISO, e para apreciar a defesa apresentada pelo responsável solidário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1444.816 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 475/488, não conhecendo da Impugnação oposta pela devedora principal em face de sua intempestividade e negando provimento à impugnação oposta pela CEF (responsável solidária). Recordese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. PROPRIETÁRIO DA OBRA. EMPREITADA TOTAL. PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA. TITULARIDADE. O proprietário de obra de construção civil, quando contrata a execução de obra de construção civil mediante contratos de empreitada total, tem responsabilidade solidária com a empresa construtora, pelas contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a mãode obra utilizada, mormente quando não se comprova nenhuma das condições para a elisão da referida responsabilidade. A condição de proprietária fiduciária de obras de construção civil, competente para realizar operações de aquisição, arrendamento e venda de imóveis destinados às pessoas físicas arrendatárias, implica a titularidade da mesma para todos os efeitos, como demonstram os contratos de compra e venda de imóvel e de produção de empreendimento habitacional e as averbações no Registro Imobiliário OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA JURÍDICA. CONTABILIDADE. OMISSÕES DE FATOS GERADORES. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 5 7 AFERIÇÃO INDIRETA. ÁREA CONSTRUÍDA E PADRÃO DA OBRA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mãodeobra utilizada na execução de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, obtida através de aferição indireta, com base na área construída, e no padrão da obra, em razão da falta do registro do real movimento das remunerações pagas pela execução da obra. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. A defesa apresentada fora do prazo legal estipulado somente instaura a fase litigiosa se for suscitada a sua tempestividade, observandose que a negativa de seu acolhimento afasta a apreciação das demais questões argüidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO apresentada pela responsável solidária, mantendo a imputação quanto à solidariedade; e REJEITAR a PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE suscitada pela autuada (devedora principal), para não conhecer da sua impugnação, por intempestiva; mantendose o crédito tributário exigido, nos termos do voto proferido. À Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte e a Responsável Solidária, nos termos da legislação em vigor, intimandoos para pagamento do crédito mantido, salvo a interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no prazo legal, restrito ao tema da imputação de solidariedade – para a responsável solidária, e tão somente em relação à argüição de tempestividade – para a autuada/devedora principal. A devedora principal – SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA foi intimada do resultado do julgamento em 27/05/2014, conforme AR de fls. 498/499 e inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 502/550, em 18/06/2014, reitera os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, inclusive no mérito. Já a devedora solidária – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL foi intimada do resultado do julgamento em 16/05/2014, conforme AR de fls. 496/497 e, também inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 552/558, em 17/06/2014, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1.DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A devedora principal – SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. foi cientificada da r. decisão em debate, no dia 27/05/2014, conforme AR de fl. 498/499, e apresentou seu recurso voluntário, tempestivo, em 18/06/2014. Já a devedora solidária – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL foi intimada do resultado do julgamento em 16/05/2014, conforme AR de fls. 496/497 e, também inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 552/558, em 17/06/2014 Assim, CONHEÇO DE AMBOS OS RECURSOS já que presentes os requisitos de admissibilidade. 1.DAS PRELIMINARES 1.1 – DO RECURSO VOLUNTÁRIO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA A Caixa Econômica Federal, reitera os argumentos apresentados na instância a quo, razão pela qual adoto in totum as razões de decidir da decisão de piso. Alega em síntese que não pode ser devedora solidária da SAT Engenharia, pela razão de que não era proprietária das obras, e sim o FAR – Fundo de Arrendamento Residencial. Continua o raciocínio mostrando que a lei nº 10.188/2001 instituiu o Programa de Arrendamento Residencial, visando a atender à necessidade de moradia da população de baixa renda, autorizando a CEF a criar um fundo financeiro dotado de segregação patrimonial e contábil, destinado ao referido programa. O parágrafo 3° do artigo 2.º da lei estabelece que "os bens e direitos integrantes do patrimônio do fundo a que se refere o caput, em especial os bens imóveis mantidos sob a propriedade fiduciária da CEF, bem como seus frutos e rendimentos, não se comunicam com o patrimônio desta". Reforça ainda que tais bens "não integram o ativo da CEF", pertencendo de fato ao fundo, o qual, por não ter personalidade jurídica, tem a CEF como seu agente operacional (fiduciário). Conforme amplamente esclarecido no v. Acórdão ora recorrido, referidas alegações não possuem o condão de descaracterizar a condição de proprietária das obras que lhe foi atribuída. O fundamento a reforçar esse entendimento reside na já citada Lei nº 10.188/2001, que instituiu o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) convertida à partir das Medidas Provisórias (MP) n.º 1.823/1999, 1.864/99, 1.944/99, e 2.135/2000, que após as sucessivas e infindáveis reedições e convalidações de atos, traz os conceitos e prescrições aplicáveis ao caso em comento. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 6 9 Ensina, a referida legislação, que a CEF é a gestora operacional do programa (art. 1º e § único); que integram o patrimônio do fundo os bens imóveis adquiridos e mantidos sob a propriedade fiduciária da CEF, não se comunicando com o patrimônio desta (art. 2º e § 3º); que a alienação dos imóveis pertencentes ao patrimônio do fundo será efetivada diretamente pela CEF (art. 2º e § 7º); que compete à CEF realizar as operações de aquisição, arrendamento e venda de imóveis (art. 4º e § único); que o arrendamento residencial tem por objeto o arrendamento com opção de compra de bens imóveis adquiridos para esse fim específico, sendo arrendatária a pessoa física habilitada mediante contrato com a CEF (art. 6º, caput e § único); que o contrato de aquisição de imóveis pelo arrendador [CEF], bem como o de transferência do direito de propriedade ao arrendatário (pessoa física arrendatária), serão celebrados por instrumento particular com força de escritura pública (art. 8º); em caso de inadimplemento no arrendamento, sem pagamento dos encargos em atraso, configurase o esbulho possessório que autoriza o arrendador [CEF] a propor a competente ação de reintegração de posse (art. 9º); aplicase, no que couber, a legislação do arrendamento mercantil (art. 10). A decisão de piso, ora adotada em sua integralidade, esclarece que os conceitos de propriedade fiduciária, propriedade resolúvel e arrendamento mercantil estão interligados e postos há muito tempo, pela legislação brasileira. Cita como exemplo, que em se tratando de financiamento imobiliário, a lei nº 9.514/97 regula a “alienação fiduciária de coisa imóvel”, dispondo, em seu art. 22, que a alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Complementa tal conceito com o explicitado no art. 23: Constituise a propriedade fiduciária de coisa imóvel mediante registro, no competente Registro de Imóveis, do contrato que lhe serve de título. Parágrafo único. Com a constituição da propriedade fiduciária, dáse o desdobramento da posse, tornandose o fiduciante possuidor direto e o fiduciário possuidor indireto da coisa imóvel. Assim, passo a reproduzir as razões de decidir do Acórdão atacado: Depreendese, assim, que os elementos contratuais e fáticos sob análise estão todos aí presentes. De fato, a SAT Engenharia foi contratada – no âmbito do programa (PAR) – pela CEF, para a construção dos empreendimentos residenciais em tela. Analisandose os autos, especialmente os contratos de compra e venda (fls. 57/102), incluindo os respectivos registros imobiliários, não se pode concordar com a alegação da recorrente de que o verdadeiro proprietário de cada obra seria o fundo financeiro (FAR), e que este é quem deveria ser notificado como solidário. O objeto do contrato é a operação de compra e venda de imóvel e de produção de empreendimento residencial, no qual figuram como vendedora e construtora a SAT Engenharia, e como compradora e contratante a CEF. A CEF, além de compradora do imóvel, qualificase como gestora do programa (PAR), nos moldes do disposto na MP nº 1.823/99 (depois lei nº 10.188/2001), Fl. 581DF CARF MF 10 atuando operacionalmente em nome do fundo financeiro instituído, mesmo porque este não era dotado de personalidade jurídica. Na cláusula contratual que descreve cada imóvel adquirido, mencionase que os imóveis do empreendimento antes mencionado integrarão o patrimônio do fundo financeiro do programa de arrendamento residencial — PAR, destinado à população alvo. Isso não significa que a propriedade da obra teria como titular o próprio fundo financeiro. Definitivamente, não. Apenas a insere no contexto de segregação patrimonial e contábil em relação ao patrimônio da CEF, que é o arrendador ou credor imobiliário, em relação às pessoas que iriam adquirir as unidades residenciais. Tratase do conceito de “afetação patrimonial”, o qual, a pretexto de modernizar e conferir maior grau de segurança ao sistema de financiamento imobiliário, estipula que os bens afetados ao desenvolvimento de um empreendimento ou incorporação imobiliária não se confundem com o patrimônio do empreendedor ou incorporador. É mecanismo de proteção ao mutuário ou pessoa física adquirente do imóvel, na medida em que se vê protegido de riscos externos à sua relação jurídica específica, vale dizer, entre a pessoa física e o empreendedor imobiliário. Explicando melhor. Os imóveis adquiridos pela CEF – e destinados ao arrendamento residencial – não se comunicam com seu patrimônio geral, por força de lei. Não são passíveis de eventual execução por quaisquer credores da Caixa Econômica Federal, por mais privilégios que possam ter. Eles estão afetados à finalidade do programa residencial. O que não significa que estariam sem titularidade; ao contrário, embora tenham autonomia jurídica em relação ao patrimônio restante, prevenindose riscos patrimoniais estranhos ao arrendamento residencial, permanecem sob a titularidade da CEF, ainda que desdobrada no âmbito da propriedade fiduciária (resolúvel com o adimplemento integral do contrato), lembrando denominarse fiduciante o possuidor direto e fiduciário o possuidor indireto do imóvel, que é dado em garantia. Assim está disposto ao final dos contratos de compra/venda e produção, na cláusula 13.ª, em que figura a CEF como compradora do imóvel, gestora do PAR e detentora da propriedade fiduciária do empreendimento residencial a ser construído. Vêse que a aquisição de cada imóvel foi feita pela CEF, visando ao empreendimento residencial, composto de unidades a serem arrendadas a pessoas físicas mediante contratos destas com aquela. Essa foi a condição fática e jurídica existente durante toda a execução do empreendimento. O que denota sua condição de proprietária das obras, tal como consta inclusive nas averbações do registro imobiliário. Bem assim a contratação, pela própria CEF, da SAT Engenharia para a execução da obra, conforme cláusula 2.ª e parágrafo único dos contratos supra mencionados: a produção (ou recuperação) do empreendimento será de inteira responsabilidade da construtora, sendo sua obrigação arcar com todos os custos da obra, tais como: a compra dos materiais, contratação da mãodeobra e recolhimento de encargos sociais trabalhistas, previdenciários e tributos incidentes. Denotase aqui a contratação sob regime de empreitada total. Inequívoco, pois, o enquadramento da CEF como proprietária das obras em questão, por deter sua titularidade e tal como definido na legislação ao longo do período da presente notificação. Da mesma forma, inequívoca a contratação da empresa construtora sob o regime de empreitada total. Vejamse: Lei nº 8.212/91: Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 7 11 Art. 30. [omitido] (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Decreto n.º 3.048/99: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. §2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. §3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 583DF CARF MF 12 III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (grifos nossos) Vejamse ainda as disposições e definições de algumas das instruções normativas relativas ao período em tela e à época do lançamento: Instrução Normativa INSS/DC n° 69/2002 – (DOU de 15/05/2002) Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, considerase: (...) XXIII contrato de empreitada o contrato celebrado entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para execução de obra de construção civil, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; (...) XLVIII proprietário a pessoa física ou jurídica detentora da titularidade do imóvel; (...) Art. 27. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI do art. 30 daLei nº 8.212, de 1991, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; Instrução Normativa SRP nº 03/2005 (DOU de 15/07/2005) Art. 181. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal na construção civil: I o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino de unidade imobiliária, pessoa jurídica ou física, quando contratar a execução da obra mediante empreitada total com empresa construtora, definida no inciso XX do art. 413, observado o disposto no § 3º deste artigo, ressalvado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 178; (...) Art. 413. Considerase: (...) XXVIII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 8 13 ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; (...) XXXIII proprietário do imóvel, a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade do imóvel; De todo o exposto, podese concluir pela correta responsabilização solidária da CEF em relação aos créditos ora constituídos, incidentes sobre a execução das obras de construção civil relacionadas, nos termos da legislação supracitada. Não se encontrando nos autos nenhuma comprovação quanto à elisão dessa solidariedade imputada, é improcedente o pedido de cancelamento da presente NFLD em nome da CEF. Já em relação ao alegado cerceamento de defesa, referente à dilação do prazo para apresentação de sua defesa administrativa, como bem desenvolvido no Acórdão de 1ª instância, o qual como já mencionado, adoto como a devedora solidária alega que no contexto das ações judiciais (processos n.º 2003.61.08.0126184 e 2007.61.08.0042401) movidas pela SAT Engenharia, cujo objeto era a restituição de documentos necessários à defesa administrativa, teria também direito à dilação de prazo concedida ao devedor principal, sob pena de cerceamento de defesa. Sua assertiva está, em tese, correta. A dilação do prazo para defesa administrativa foi efetivamente concedida pela Justiça Federal, e logicamente encerrado, conforme disposições legais. Notase que a CEF tomou conhecimento de todo o andamento do processo administrativo, sendo inclusive intimada – junto com o contribuinte – de despachos que referenciavam a data estabelecida pela Justiça Federal (isto é, a intimação do acórdão do TRF 3) para o início do prazo para impugnação. No seu caso, de uma nova impugnação, uma vez que já havia apresentado sua defesa administrativa, dentro do prazo legal, e que foi devidamente apreciada, como abordado em tópico acima. Teve vista dos autos, a qualquer tempo, tendo até mesmo solicitado cópias de todo o processo, conforme comprova documento de fl. 214. Ocorre que não há nos autos, qualquer apresentação ulterior de defesa, por parte da CEF, além da impugnação tempestiva em que questiona sua condição de solidária, e que já foi apreciada neste voto, pelo que fica prejudicado esse pedido, diante de sua total inércia processual, não se podendo falar em cerceamento de defesa. 1.2 – DO RECURSO VOLUNTÁRIO – DEVEDORA PRINCIPAL Da petição da devedora principal argüição de tempestividade e seus efeitos preliminar A autuada aduz que a impugnação é tempestiva, isto é, teria sido apresentada para afastar alegação de omissão ou inércia em apresentar defesa administrativa. Fl. 585DF CARF MF 14 Isto porque, de acordo com o Acórdão do processo judicial n.º 2007.61.08.0042401, o início do prazo para interposição da defesa contarseia a partir da efetiva entrega da documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não teriam sido devolvidos todos os documentos apreendidos em especial as DISO´S reputadas imprescindíveis para a defesa do contribuinte, não teria se encerrado, ainda, o prazo para impugnação. Assim, como foi argüida a tempestividade, cabe analisar suas circunstâncias e os seus efeitos. A primeira questão a ser definida é o termo inicial para apresentação da defesa administrativa. Apesar da ciência da NFLD em 27/04/2007, o desdobramento do processo n.º 2007.61.08.0042401 – Medida Cautelar visando à devolução dos documentos apreendidos pela fiscalização – postergou tal início. Este ficou definido, conforme decisão do Tribunal (TRF3), como sendo a data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou a data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último. O procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi encerrado em 23/09/2009, com ciência à interessada em 07/10/2009. É o que comprova o expediente enviado à empresa e Aviso de Recebimento (AR) de fls. 185/186. Também foi informado desse encerramento o Juízo pertinente, em 05/01/2010, conforme Ofício de fls. 188/189. A seu turno, a data de intimação da decisão do TRF3 nos autos n.º 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, conforme atestado às fls. 194/195. Assim, este foi considerado o marco inicial para a interposição de defesa administrativa relativa à NFLD lavrada. A segunda questão a ser apreciada – diante das alegações da autuada –aborda a devolução ou não da totalidade dos documentos apreendidos, em especial as DISO, para fins de validar ou não aquele procedimento de devolução. Pelo despacho de fl. 185, encaminhouse o processo à Fiscalização, a fim de esclarecer acerca da devolução da documentação anteriormente retida. No despacho às fls. 196/197, da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, dentre outras, consta a informação de que todos os documentos apreendidos foram devolvidos totalmente (cópia de fls. 58/62). Importa destacar – neste momento – que o presente processo nº 15885.002293/200894 é conexo com o de nº 15885.002296/200828. Na verdade, podese até dizer que há relação de continência entre os processos, pois há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de um, por ser mais amplo, abrange ou contém o do outro. Ambos tratam da lavratura de contribuições incidentes sobre obras de construção civil, trazendo como sujeitos passivos a autuada (contribuinte) e a CEF (responsável solidária). As circunstâncias fáticas são exatamente as mesmas (incluindo as basesdecálculo), com a parte patronal lançada no primeiro; e a parte do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) lançada no segundo, por haver ação judicial questionando sua constitucionalidade. A Informação Fiscal de fls. 286/287, anotando que alegações acerca da não devolução de todos os documentos já haviam sido feitas no processo judicial, e ali respondidas, atendendo a ofício da Procuradoria (PRFN). Em síntese, ali consta a transcrição de Informação Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 9 15 Fiscal da época (05/11/2009), segundo a qual “não consta relacionadas nas atas de abertura de todas as caixas objeto de apreensão judicial a descrição DISO’S de obras”. Ainda de acordo com tais expedientes e anexos comprobatórios, não constava a descrição de DISOs nas atas de aberturas de todas as caixas de documentos apreendidos. Em outras palavras, não se registram DISOs nos "termos de comparecimento e abertura de volumes” ou em “atas de devolução e retenção de volumes”, os quais discriminam o conteúdo das caixas. Destacase que os trabalhos de abertura, triagem e posterior devolução do material apreendido foram notificados à empresa e acompanhados por seus representantes, devidamente habilitados (mediante procurações) para tanto, quando lhe convinha. É o que se depreende do contido nesses autos, incluindo “listas de comparecimento para a retirada da documentação apreendida”, e planilhas de “controles da retirada das caixas e documentos apreendidos”, todas rubricadas por representantes da empresa. E mais. Naquela Informação Fiscal já era consignada a improcedência das alegações de cerceamento de defesa, haja vista não constar no material relacionado nenhuma DISO de obra; além do registro de que todos os documentos foram devolvidos à empresa, sejam os originais, sejam as cópias daqueles que ficaram retidos. Fica ressaltado, mais uma vez, que tais elementos de convicção ora indicados foram todos colhidos com a ciência e participação do sujeito passivo, constam de vários outros processos oriundos da mesma ação fiscal, os quais são conexos entre si, possuem identidade de partes e objetos, e foram contestados em conjunto, como se depreende de suas peças de defesa. Daí a razão por que foram reunidos – todos os processos da autuada – para receber julgamento uniforme, de maneira a atender aos princípios da economia processual e celeridade, sem qualquer prejuízo aos do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Em síntese, quanto ao aspecto da devolução (ou não) da documentação anteriormente apreendida, a partir do que consta nos mencionados autos, não há comprovação da veracidade das alegações da autuada. Ao contrário, tudo indica que foram efetivamente devolvidos todos os documentos da empresa, com regular finalização do procedimento de devolução, e que não havia DISOs ali relacionados, afastandose qualquer possibilidade de prejuízo procedimental ou cerceamento de defesa. Voltase, então, à contagem do prazo para a defesa administrativa. Nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), a impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias da data de intimação da exigência, instaurando a fase litigiosa do procedimento: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15 – A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (sem grifos no original) Fl. 587DF CARF MF 16 Por seu turno, o artigo 23 do mesmo Decreto nº 70.235/72 disciplina a intimação e define que se considera feita na data da ciência do intimado: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (sem grifos no original) Como se verifica nos autos, especificamente no despacho de 02/09/2011 (fls. 194/195), não houve interposição de recurso administrativo até aquela data; relembrando que a data de início do prazo para defesa – estipulado pela Justiça Federal – era 28/03/2011. A petição apresentada pela empresa, a pretexto de IMPUGNAÇÃO, foi protocolizada somente em 21/11/2011, ou seja, nitidamente fora do prazo legal supracitado; concluindose – de forma inequívoca – pela sua intempestividade. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada, situação em que será cabível o julgamento da tempestividade da impugnação argüida pelo Impugnante.Cita se: Art.56. (omissis) (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos nossos) No presente caso, conforme já exposto, para a devedora principal, esta decisão limitarseá a julgar a preliminar de tempestividade da impugnação apresentada, a qual deve ser rejeitada, haja vista a indubitável protocolização da defesa após o transcurso do prazo legal. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15885.002296/200828 Acórdão n.º 2401005.182 S2C4T1 Fl. 10 17 Em conseqüência, deixase de apreciar as demais matérias tratadas no recurso voluntário, para as quais não se instaurou a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para conhecer de ambos os recursos e no mérito NEGARLHES PROVIMENTO, mantendo incólume o v. Acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 589DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720035/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
LUCROS NO EXTERIOR DE CONTROLADA. ART. 74 DA MP 2.158-35/2001. CONSTITUCIONALIDADE. ADI 2.588/DF. RE 541.090/SC.
O STF, por meio da ADI 2.588/DF e do RE 541.090/SC, decidiu que é constitucional o art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, no que se refere à tributação das empresas controladas sediadas no exterior, tanto em país com tributação favorecida, quanto em país sem tributação favorecida.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
CONTROLADAS DIRETAS E INDIRETAS. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO.
O termo "controlada" constante no art. 74 da MP nº 2.158-35/2001 refere-se tanto às controladas diretas como às controladas indiretas, conforme intersecção com os arts. 116 c/c 243 da Lei nº 6.404/1976 e art. 1.098 do Código Civil, pois o que define o controle é o poder que uma sociedade exerce sobre a outra, não importando se este poder é exercido direta ou indiretamente.
DISPONIBILIZAÇÃO DO LUCRO. MOMENTO.
O art. 74 da MP nº 2.158-35/2001 também definiu o marco temporal para determinação da base de incidência do imposto de renda na avaliação de ganho oriundo de lucro apurado por controlada estrangeira, que é na data do balanço no qual os lucros tiverem sido apurados.
TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM CONTROLADA (DIRETA E INDIRETA) NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA NACIONAL. INAPLICABILIDADE DA CONVENÇÃO FIRMADA ENTRE O BRASIL E A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA.
O lucro auferido no exterior decorrente de investimento em controlada (direta ou indireta) é tributado na empresa brasileira em razão do acréscimo patrimonial ocorrido na empresa nacional. Como a convenção para evitar a dupla tributação da renda firmada entre o Brasil e a Áustria busca elidir a tributação por um país a uma empresa sediada em outro, não pode ser invocada para afastar a exação.
CONTROLADA INDIRETA. CONSOLIDAÇÃO NO BALANÇO DA CONTROLADA DIRETA.
A legislação determina a consolidação do(s) balanço(s) da(s) controlada(s) indireta(s) no balanço da controlada indireta (consolidação vertical), para apuração do lucro auferido no exterior pela empresa controladora.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE CONTROLADA ESTRANGEIRA. COMPROVAÇÃO.
Se não há prova concreta de prejuízo acumulado na subsidiária estrangeira, impende afastar argumento demandado pela recorrente.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
CSLL. TRIBUTAÇÃO.
A CSLL incidente sobre lucros apurados no exterior tem a mesma base legal de incidência do IRPJ, conforme redação do art. 21 da MP nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 1401-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Daniel Ribeiro Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em razão da ausência momentânea da Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ART. 74 DA MP 2.158 35/2001. CONSTITUCIONALIDADE. ADI 2.588/DF. RE 541.090/SC. O STF, por meio da ADI 2.588/DF e do RE 541.090/SC, decidiu que é constitucional o art. 74 da MP nº 2.15835/2001, no que se refere à tributação das empresas controladas sediadas no exterior, tanto em país com tributação favorecida, quanto em país sem tributação favorecida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CONTROLADAS DIRETAS E INDIRETAS. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. O termo "controlada" constante no art. 74 da MP nº 2.15835/2001 referese tanto às controladas diretas como às controladas indiretas, conforme intersecção com os arts. 116 c/c 243 da Lei nº 6.404/1976 e art. 1.098 do Código Civil, pois o que define o controle é o poder que uma sociedade exerce sobre a outra, não importando se este poder é exercido direta ou indiretamente. DISPONIBILIZAÇÃO DO LUCRO. MOMENTO. O art. 74 da MP nº 2.15835/2001 também definiu o marco temporal para determinação da base de incidência do imposto de renda na avaliação de ganho oriundo de lucro apurado por controlada estrangeira, que é na data do balanço no qual os lucros tiverem sido apurados. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM CONTROLADA (DIRETA E INDIRETA) NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA NACIONAL. INAPLICABILIDADE DA CONVENÇÃO FIRMADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 35 /2 01 2- 95 Fl. 5563DF CARF MF 2 ENTRE O BRASIL E A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA. O lucro auferido no exterior decorrente de investimento em controlada (direta ou indireta) é tributado na empresa brasileira em razão do acréscimo patrimonial ocorrido na empresa nacional. Como a convenção para evitar a dupla tributação da renda firmada entre o Brasil e a Áustria busca elidir a tributação por um país a uma empresa sediada em outro, não pode ser invocada para afastar a exação. CONTROLADA INDIRETA. CONSOLIDAÇÃO NO BALANÇO DA CONTROLADA DIRETA. A legislação determina a consolidação do(s) balanço(s) da(s) controlada(s) indireta(s) no balanço da controlada indireta (consolidação vertical), para apuração do lucro auferido no exterior pela empresa controladora. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE CONTROLADA ESTRANGEIRA. COMPROVAÇÃO. Se não há prova concreta de prejuízo acumulado na subsidiária estrangeira, impende afastar argumento demandado pela recorrente. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 CSLL. TRIBUTAÇÃO. A CSLL incidente sobre lucros apurados no exterior tem a mesma base legal de incidência do IRPJ, conforme redação do art. 21 da MP nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Daniel Ribeiro Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 5564DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.563 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em razão da ausência momentânea da Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que, por meio do Acórdão 1539.276, de 18 de dezembro de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 06 a 24), lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, em face da apuração de lucros auferidos no exterior, não computados no Lucro Real, conforme relatório fiscal. O enquadramento legal dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL encontramse às fls. 8 e 19, respectivamente. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 29 a 54), a ação fiscal foi assim relatada pelas autoridades fiscais: 1. INTRODUÇÃO – o contribuinte auditado é uma sociedade anônima de capital aberto, domiciliada em Concórdia/SC. No período fiscalizado, exercia a atividade econômica de “abate de pequenos animais” (CNAEFiscal 10.121/02), em 2007 e de “frigorífico – abate de suínos” (CNAEFiscal 10.121/03), em 2008, conforme atividade econômica informada pelo contribuinte nas DIPJ dos anoscalendário de 2007 e 2008; – nos anos auditados, o contribuinte optou pela tributação com base no lucro real, com apuração anual de IRPJ e de CSLL; 2. ORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DO CONTRIBUINTE NO EXTERIOR 2.1 Organograma do grupo societário – o organograma, apresentado em resposta ao TIF nº 03 de 01/04/2011, com a estrutura societária de controladas no exterior em 31/12/2007 e 31/12/2008, mostra que a Sadia S/A detinha 100% de 3 (três) controladas diretas no exterior: Sadia Fl. 5565DF CARF MF 4 International e Sadia Overseas sediadas nas Ilhas Cayman e Sadia GmbH sediada na Áustria; – o organograma apresenta a seguinte organização societária das empresas do grupo Sadia, envolvidas na presente autuação: – a controlada direta Sadia International (Ilhas Cayman) possuía cinco empresas sob o seu controle: detinha 100% de: Sadia Uruguay, Concórdia Foods UK (Reino Unido) e Sadia UK (Reino Unido); 95% da Sadia Alimentos (Argentina); e 60% da Sadia Chile. JCS (Juan Carlos Sena) e WFF (Walter Fontana Filho) possuem, cada uma, 2,5% da Sadia Alimentos (Argentina); – a controlada Sadia GmbH (Áustria), por seu turno, possuía seis controladas diretas: detinha 100% de: Sadia Foods GmbH (Alemanha), Sadia Japan; Sadia Panamá; Badi Ltd (Dubai); Qualy BV (Holanda); Wellax Food Logistics (Ilha da Madeira); e 60% da Investeast (Chipre). Possuía ainda duas controladas indiretas: Qualy BV (Holanda) e Concórdia Ltd (Moscou), pois: 1 – a Qualy BV (Holanda) detém 100% da Qualy Netherland; e 2 – a Invest East (Chipre) detém 100% da Concórdia Ltd (Moscou); – a Wellax Food Logistics (Ilha da Madeira possui 4 (quatro) escritórios de representação: Wellax Venezuela; Wellax Moscou; Wellax China e Wellax Turquia; – a Sadia Overseas (Ilhas Cayman) não possuía nenhuma controlada; – sobre a estrutura societária apresentada à fiscalização, o contribuinte esclareceu que: a) Sadia U.K Ltd. é a nova denominação social da Sadia Europe U.K. Ltd. (Resposta ao TIF nº 06 de 21/06/2011); b) a controlada indireta Badi Ltd. (Dubai), apesar de figurar no quadro societário apresentado pela fiscalizada, somente veio a ser criada em fevereiro de 2009, conforme Resposta ao TIF nº 08 de 27/07/2011, Ato Constitutivo da Badi Ltd. e Resposta ao TIF nº 19 de 09/05/2012; c) na resposta ao TIF nº 24 de 04/09/2012, o contribuinte informou que as empresas Investeast (Chipre) e Concórdia Limited (Rússia) iniciaram suas atividades em 2007; d) a controlada direta Sadia Overseas (Cayman) foi constituída em 2007, conforme Ato Constitutivo da Sadia Overseas traduzido (Resposta ao TIF nº 16 a 18 de 23/04/2012); e) conforme Resposta ao TIF nº 03 de 01/04/2011, não ocorreram reorganizações societárias envolvendo as subsidiárias da Sadia S/A nos anos auditados (2007 e 2008); 3. EXECUÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL – INTIMAÇÕES E RESPOSTAS – no que se refere aos lucros auferidos no exterior, foram realizadas as intimações demonstradas no quadro denominado Quadro 1: Termos e intimações (neste quadro, elaborado no corpo do TVF, estão discriminados: o nº do Termo; a data da ciência e os itens solicitados); – em atendimento às intimações, a empresa auditada apresentou as respostas relacionadas no denominado Quadro 2: Respostas às intimações, elaborado no corpo Fl. 5566DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.564 5 do TVF, em que são discriminados: o nº do Termo a que se refere; data da recepção da resposta e os itens apresentados; 4. DEMAIS DOCUMENTOS ANEXADOS PELA FISCALIZAÇÃO – ao presente processo, foram anexados pela fiscalização os seguintes documentos: DIPJ/2008 anocalendário 2007 DIPJ/2009 anocalendário 2008 Demonstrações financeiras divulgadas de 31/12/2007 Demonstrações financeiras divulgadas de 31/12/2008 Formulário 20F de 2007 Formulário 20F de 2008 5. EXAME DOS DEMONSTRATIVOS FINANCEIROS APRESENTADOS – a auditoria fiscal procedeu ao exame do cálculo da Equivalência Patrimonial dos anos 2007 e 2008, tomando por base os Demonstrativos Financeiros de 31/12/2007 em Reais e de 31/12/2008 em Reais das controladas no exterior e os Balanços Patrimoniais de 31/12/2007 e 31/12/2008 divulgados da Sadia S/A (Balanços Patrimoniais elaborados segundo regras comerciais brasileiras); – os saldos dos investimentos em controladas no exterior, detidos pela Sadia S/A, em 31/12/2006 e 31/12/2007 e considerados no exame da equivalência patrimonial, foram extraídos dos Demonstrativos financeiros de 31/12/2007 divulgados pela Sadia S/A, Nota Explicativa nº 10; – em 31/12/2006, os saldos de investimentos nas controladas Sadia GmbH e Sadia International Ltd. somavam R$1.191.837.000; – em 31/12/2007, os saldos de investimentos nas controladas Sadia GmbH, Sadia International Ltd. e Sadia Overseas Ltd somavam R$1.557.825.000; – para o ano de 2008, os saldos de investimentos em controladas no exterior foram extraídos dos Demonstrativos financeiros de 31/12/2008 divulgados pela Sadia S/A, Nota Explicativa nº 11. Assim, em 31/12/2008, os saldos de investimentos nas controladas Sadia GmbH, Sadia International Ltd. e Sadia Overseas Ltd. somavam 450.835.000; – no que tange aos resultados de Equivalência Patrimonial das controladas no exterior, o contribuinte registrou em seus Balanços Patrimoniais de 31/12/2007 e 31/12/2008 os seguintes valores em Reais: Quadro 5: Resultados de Equivalência Patrimonial das controladas diretas no exterior da Sadia S/A Data Sadia GmbH Sadia Intl. Sadia Overseas Total 31/12/2007 363.774.000 2.214.000 1.550.000 364.438.000 31/12/2008 1.190.705.000 35.567.000 499.000 1.155.637.000 Fl. 5567DF CARF MF 6 – com relação às controladas no exterior, o contribuinte obteve resultado positivo de equivalência patrimonial de R$364.438.000, em 2007, e resultado negativo de (R$1.155.637.000), em 2008; – com vistas à verificação da consolidação de resultados das controladas no exterior, a fiscalização procedeu ao exame da apuração da equivalência patrimonial, considerando, também, as controladas indiretas. Do exame realizado, concluise que os resultados das controladas indiretas foram consolidados em suas respectivas controladoras quando da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP); – os resultados de equivalência patrimonial apurados pela auditoria fiscal são próximos àqueles constantes nos demonstrativos publicados pelo contribuinte: resultado positivo de R$365.988.000 (2007) e resultado negativo de (R$1.106.990.000) (2008); Quadro 6: Verificação do cálculo da Equivalência Patrimonial das controladas no exterior 2007 e 2008 * 2007 INVESTIDA INVESTIDORA Identificação P.L TOTAL Identificação Participação Societária Saldo do Investimento Qualy B.V 2.793.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 2.793.000 Sadia Panamá 73.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 73.000 Investeast Limited (Chipre) 83.745.000 Sadia GmbH (Áustria) 60,00% 50.247.000 Wellax Food Logistics (I. da Madeira) 1.469.366.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 1.469.366.039 Sadia Foods GmbH (Alemanha) 3.296.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 3.296.000 Sadia Japan 279.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 279.000 Saldo de Investimentos detidos pela Sadia GmbH (Àustria) 1.520.322.039 Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial em Reais da Sadia GmbH (Áustria) 1.520.321.887 Sadia Uruguay 2.377.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 2.377.000 Sadia Chile 2.615.000 Sadia International (Cayman) 60,00% 1.569.000 Sadia Europe U.K (Reino Unido) 1.824.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 1.824.000 Sadia Alimentos (Argentina) 1.092.000 Sadia International (Cayman) 95,00% 1.037.400 Concordia Foods U.K. (Reino Unido) 1.542.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 1.542.000 Saldo de investimentos detidos pela Sadia International Ltd. (Cayman) 8.349.400 Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial em Reais da Sadia International (Cayman) 8.350.000 Sadia GmbH (Áustria) 1.466.773.926 Sadia S/A 100,00% 1.466.773.926 Sadia International (Cayman) 91.049.000 Sadia S/A 100,00% 91.049.000 Sadia Overseas (Cayman) 1.548.000 Sadia S/A 100,00% 0 Saldo de Investimentos detidos pela Sadia S/A 1.557.822.926 (a): Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial de 31/12/2007 da Sadia S/A 1.557.825.000 (b): Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial de 31/12/2006 da Sadia S/A 1.191.837.000 (a) (b): Equivalência Patrimonial na Sadia S/A em 31/12/2007 365.988.000 2008 Quadro 6: Verificação do cálculo da Equivalência Patrimonial das controladas no exterior 2007 e 2008 * INVESTIDA INVESTIDORA Identificação P.L TOTAL Identificação Participação Societária Saldo do Investimento Qualy B.V 8.612.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 8.612.000 Sadia Panamá 20.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 20.000 Investeast Limited (Chipre) 127.584.000 Sadia GmbH (Áustria) 60,00% 76.550.400 Fl. 5568DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.565 7 Wellax Food Logistics (I. da Madeira) 385.108.822 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 385.108.822 Sadia Foods GmbH (Alemanha) 3.095.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 3.095.000 Sadia Japan 566.000 Sadia GmbH (Áustria) 100,00% 566.000 Saldo de Investimentos detidos pela Sadia GmbH (Àustria) 456.728.222 Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial em Reais da Sadia GmbH (Áustria) 439.260.268 Sadia Uruguay 3.215.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 3.215.000 Sadia Chile 1.347.000 Sadia International (Cayman) 60,00% 808.200 Sadia Europe U.K (Reino Unido) 240.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 240.000 Sadia Alimentos (Argentina) 229.000 Sadia International (Cayman) 95,00% 217.550 Concordia Foods U.K. (Reino Unido) 2.277.000 Sadia International (Cayman) 100,00% 2.277.000 Saldo de investimentos detidos pela Sadia International Ltd. (Cayman) 67.577.500 Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial em Reais da Sadia International (Cayman) 6.657.000 Sadia GmbH (Áustria) 324.219.002 Sadia S/A 100,00% 324.219.002 Sadia International (Cayman) 126.616.000 Sadia S/A 100,00% 126.616.000 Sadia Overseas (Cayman) 2.047.000 Sadia S/A 100,00% 2.047.000 Saldo de Investimentos detidos pela Sadia S/A 450.835.000 (a): Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial de 31/12/2008 da Sadia S/A 450.835.000 (b): Saldo de investimentos no Balanço Patrimonial de 31/12/2007 da Sadia S/A 1.557.825.000 (a) (b): Equivalência Patrimonial na Sadia S/A em 31/12/2008 1.106.990.000 * Os valores do PL das investidas e o saldo do investimento das investidoras foram extraídos dos Balanços Patrimoniais expressos em Reais e elaborados conforme regras comerciais brasileiras. 6. RESULTADOS AUFERIDOS NO EXTERIOR PELA CONTROLADORA BRASILEIRA SADIA S/A 6.1 Resultados das controladas diretas e indiretas no exterior em 2007 e 2008 – conforme as demonstrações financeiras em Reais (BRL), elaboradas com base nas normas societárias brasileiras (Demonstrações financeiras em Reais das controladas no exterior de 2007 e 2008) e Balanços Patrimoniais divulgados de 31/12/2007 e 31/12/2008 da Sadia S/A, as controladas diretas e indiretas no exterior da Sadia S/A obtiveram os seguintes resultados em 2007 e 2008: Fl. 5569DF CARF MF 8 Quadro 7: Resultados dos Exercícios 2007 e 2008 das controladas diretas e indiretas da Sadia S/A no exterior 2007 INVESTIDA INVESTIDORA Identificação Resultado de Equivalência Patrimonial Resultado do Exercício antes dos Impostos Identificação Resultado de Equivalência Patrimonial Resultado do Exercício antes dos Impostos Qualy B.V 3.838.450 Sadia Panamá 231.325 448.054.468 446.551.139 Investeast Limited (Chipre) 3.529.637 3.529.637 Wellax Food Logistics (I. da Madeira) 452.572.297 Sadia Foods GmbH (Alemanha) 452.796 Sadia Japan 87.628 Sadia GmbH (Áustria) Sadia Uruguay 934.579 Sadia Chile 984.623 Sadia Europe U.K (Reino Unido) 1.704.674 Sadia Alimentos (Argentina) 173.014 Concordia Foods U.K. (Reino Unido) 1.714.353 Sadia International (Cayman) 1.759.000 17.450.000 Sadia GmbH (Áustria) 448.054.468 446.551.139 Sadia International (Cayman) 1.759.000 17.450.000 Sadia Overseas (Cayman) 1.549.916 Sadia S/A 364.438.000 798.850.000 Quadro 7: Resultados dos Exercícios 2007 e 2008 das controladas diretas e indiretas da Sadia S/A no exterior 2008 INVESTIDA INVESTIDORA Identificação Resultado de Equivalência Patrimonial Resultado do Exercício antes dos Impostos Identificação Resultado de Equivalência Patrimonial Resultado do Exercício antes dos Impostos Qualy B.V 4.016.202 Sadia Panamá 94.540 Investeast Limited (Chipre) 25.531.490 25.044.548 Wellax Food Logistics (I. da Madeira) 1.498.112.606 Sadia Foods GmbH (Alemanha) 998.857 Sadia Japan 158.848 Sadia GmbH (Áustria) 1.538.676.241 1.555.791.095 Sadia Uruguay 1.138.134 Sadia Chile 1.472.620 Sadia Europe U.K (Reino Unido) 1.559.136 Sadia Alimentos (Argentina) 1.056.795 Concordia Foods U.K. (Reino Unido) 1.597.954 Sadia International (Cayman) 4.260.000 6.489.000 Sadia GmbH (Áustria) 1.538.676.241 1.555.791.095 Sadia International (Cayman) 4.260.000 6.489.000 Sadia Overseas (Cayman) 4.667 Sadia S/A 1.156.637.000 3.210.036.000 – com base nos dados apresentados nos quadros 6 e 7 deste termo, podemos verificar que os resultados das controladas indiretas foram consolidados nas suas Fl. 5570DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.566 9 respectivas controladoras quando da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP). É o que determina a Instrução Normativa SRF nº 213 de 7 de outubro de 2002, em seu artigo 1º, § 6º (transcrito); – no caso da Wellax Food Logistics, controlada indireta da Sadia S/A a apresentar resultado mais significativo em 2007, observase que o seu lucro de R$452.572.297,00 está refletido no resultado do MEP de sua controladora, a Sadia GmbH, visto que esta registrou um resultado positivo de equivalência patrimonial de R$448.054.468; – os resultados de 2007 e 2008 das controladas indiretas Qualy B.V., Sadia Panamá, Investeast Ltd, Wellax Food Logistics, Sadia Food e Sadia Japan foram consolidados no resultado da controlada direta Sadia GmbH (Àustria) através da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP). Desta maneira, do resultado de 2007 da Holding austríaca, de R$446.551.139, R$448.054.468 são provenientes do reconhecimento do resultado da equivalência patrimonial oriundo daquelas controladas indiretas; – do mesmo modo, os resultados de 2007 e 2008 das controladas indiretas Sadia Urugay, Sadia Chile, Sadia Europe, Sadia Alimentos e Concórdia Foods foram consolidados no resultado de sua controladora Sadia International (Cayman) através do MEP. Deste modo, nos resultados da Sadia International já estão refletidos os resultados de suas controladas; 6.2 Diferenças entre os resultados dos demonstrativos em moeda/legislação comercial local e em reais/legislação comercial brasileira – no Termo de Intimação nº 18, o contribuinte foi intimado a esclarecer as divergências entre itens dos balanços patrimoniais e resultados apresentados em reais (em resposta ao Termo de Intimação nº 06) versus os dos documentos consularizados, apresentados em moeda estrangeira (em resposta ao Termo de Intimação nº 11); – em sua Resposta ao TIF nº 18 e 19 de 14/05/2012, o contribuinte esclareceu que ... para efeito da determinação do valor patrimonial do investimento pela equivalência patrimonial e consolidação, os balanços das empresas controladas foram elaborados com base nas práticas contábeis adotadas no Brasil, (...) As principais divergências entre as práticas contábeis brasileiras e as práticas contábeis adotadas localmente pelas subsidiárias no exterior referemse a: – Sadia GmbH: a legislação societária na Áustria trata os investimentos em controladas pelo custo de aquisição, enquanto pelas normas brasileiras os investimentos em controladas são atualizados pelo método de equivalência patrimonial, ocasionando diferenças pelo não reconhecimento do ganho ou perda (Equivalência Patrimonial) nos resultados das empresas investidas em contrapartida no ativo na conta de investimento. – Wellax Madeira: a legislação portuguesa permite contabilizar somente os resultados das operações liquidadas, não registrando os resultados das operações em aberto (não liquidadas). Para atender as regras de consolidação brasileira (Lei 11.638/07 e alterações), por ocasião da conversão das demonstrações contábeis da subsidiária Wellax Madeira, foram considerados os ganhos e perdas (rendimentos, variações cambiais ativas ou passivas, valor justo, entre outros) das operações financeiras não liquidadas. Fl. 5571DF CARF MF 10 – Sadia Foods: a legislação alemã não reconhece a adoção do diferido e exige que seja reconhecido no resultado do período. Para atender à legislação societária brasileira em 2007, no momento da conversão das Demonstrações Financeiras foi considerado no Ativo. Em 2008, foi apropriado no resultado de acordo com a alteração introduzida pela Lei nº 11.638/07 e alterações. – Sadia Uruguay: em função da não obrigatoriedade da elaboração das Demonstrações Contábeis no Uruguay, foi enviada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Declaração do Imposto de Renda que em virtude de sua peculiaridade diverge em alguns conceitos do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado. – Concórdia Foods: a principal causa divergente nos resultados de 2007 entre as demonstrações contábeis no Brasil e a Britânica decorreu em função da baixa de um recebível. – Sadia U.K.: a legislação britânica não reconhece a adoção do diferido e exige que seja reconhecido no resultado do período. Para atender a legislação societária brasileira em 2007, no momento da conversão das Demonstrações Financeiras foi considerado no Ativo. Em 2008, foi apropriado no resultado de acordo com a alteração introduzida pela Lei nº 11.638/07 e alterações. – como posto pelo contribuinte, pelo fato de a legislação comercial austríaca tratar os investimentos em controladas pelo custo de aquisição, não houve o reconhecimento, pelo MEP, do aumento patrimonial advindo da Wellax Food Logistics (Madeira), nos demonstrativos financeiros austríacos; – deste modo, segundo os Demonstrativos Financeiros traduzidos de 2007 da Sadia GmbH (Áustria), elaborados de acordo com as normas contábeis e comerciais daquele país, a empresa teve prejuízo de € 600.342,70 (resultado antes da tributação); – tais demonstrativos, quando traduzidos monetária e contabilmente para Reais e normas comerciais brasileiras, resultam num lucro de R$446.551.139, dos quais R$448.054.468 são provenientes do reconhecimento da equivalência patrimonial sobre suas investidas no exterior. Tal fato está demonstrado na DRE em Reais da Sadia GmbH de 2007; 7. DIREITO APLICÁVEL 7.1 Tributação em bases universais dos lucros auferidos no exterior – a Lei nº 9.249/95, em seu art. 25 (transcrito), determina que os lucros auferidos no exterior sejam computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas na ocasião do levantamento do balanço patrimonial de 31 de dezembro; – no que tange aos lucros auferidos por controladas no exterior, a mesma lei especifica, no § 2º do art. 25 (transcrito), o modo de apuração de tais lucros para fins de determinação do lucro real da controladora brasileira; – a norma legal estabelece que os lucros auferidos por controladas no exterior, a serem computados na apuração do lucro real da controladora brasileira, deverão ser apurados segundo as normas da legislação brasileira para, em seguida, serem adicionados ao lucro líquido da controladora brasileira; – os lucros líquidos auferidos por controladas no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil também se sujeitam à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme determina o art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001 (transcrito); Fl. 5572DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.567 11 – nos termos do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (transcrito), consideramse disponibilizados os lucros auferidos por controladas no exterior na data do balanço no qual tiverem sido apurados; – no caso sob exame, para fins de verificação dos resultados individuais e consolidados das controladas diretas e indiretas no exterior do contribuinte auditado, a auditoria fiscal considerou os demonstrativos elaborados conforme a legislação comercial e práticas contábeis adotadas no Brasil, expressos em Reais; – na verificação dos acréscimos patrimoniais das controladas no exterior, realizada pela auditoria fiscal, constatouse que foi aplicado o Método de Equivalência Patrimonial previsto no artigo 248 da Lei nº 6.404/76 e no artigo 384 do RIR/99; 7.2 Compensação de prejuízos em 2007 e 2008 – nossa legislação fiscal de tributação em bases universais admite a possibilidade de compensação de prejuízos contábeis, desde que no âmbito da mesma controlada ou coligada e desde que se tratem de prejuízos apurados conforme normas comerciais do país de domicílio da controlada ou coligada. É o que estabelecem os §§ 1º e 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 213 de 7 de outubro de 2002, transcrito: – no Termo de Intimação nº 11 (item 3), cuja ciência foi dada em 09/09/2011, intimamos o contribuinte a apresentar cópias traduzidas e consularizadas das Demonstrações Financeiras (Balanços e Demonstrações do Resultado do Exercício), de todas as controladas diretas e indiretas do exterior, de todos os exercícios desde o ano de constituição de tais controladas até o ano de 2008; – também através do mesmo termo (item 4), o contribuinte foi intimado a, no caso de prejuízos em qualquer uma das controladas diretas e indiretas, informar e demonstrar de forma individualizada por controlada, os prejuízos, o seu período de formação e o período de sua compensação, caso houvesse compensado tais prejuízos; – o contribuinte não apresentou os demonstrativos financeiros consularizados desde a data da constituição de suas controladas no exterior, fato que impossibilitou a fiscalização de levantar os prejuízos compensáveis nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002; – na resposta de 29/11/2011, o contribuinte apresentou a Planilha dos prejuízos das controladas no exterior (sintetizada no corpo do TVF), que contempla apenas o período de 2006 a 2008. – a norma fiscal permite a compensação dos prejuízos apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio e não dos prejuízos apurados com base na escrituração elaborada conforme a legislação comercial brasileira; – tendo em vista que não foram apresentadas à fiscalização informações nem demonstrações financeiras elaboradas no país de domicílio da Sadia GmbH (Áustria) e Sadia International (Cayman), que demonstrassem os prejuízos compensáveis, não foi possível proceder à verificação de tais prejuízos de exercícios anteriores a fim de dar cumprimento ao disposto nos §§ 1º e 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002; Fl. 5573DF CARF MF 12 – no que tange a tributos pagos no exterior, no caso da Sadia GmbH (Áustria), não houve recolhimento de tributo naquele país em face da Resposta de 29/11/2011 ao Termo de Intimação Fiscal nº 11, em que o contribuinte informou que as subsidiárias e controladas no exterior não apresentaram saldo de imposto de renda a pagar nos anoscalendário de 2007 e 2008. Cumpre recordar que aquela holding austríaca apurou um prejuízo de – € 600.342,70 naquele país, conforme Demonstrativos Financeiros consularizados de 2007 da Sadia GmbH (Áustria); – não houve tributo pago na Áustria e também não houve tributo pago na Ilha da Madeira pela controlada indireta Wellax Food Logistics, uma vez que essa sociedade encontrase estabelecida na Zona Franca da Ilha da Madeira e se beneficia de isenção do Imposto sobre a Renda português, referente às chamadas vendas incentivadas, que compreendem as vendas para empresas domiciliadas no território da Ilha da Madeira e as realizadas para compradores domiciliados fora do território português. Esses benefícios fiscais estão previstos no Decretolei nº 165/86 e no art. 33 do Estatuto de Benefícios Fiscais Português (Resposta ao Termo de Intimação nº 07 de 21/07/2011); 7.3 Tratados internacionais para evitar a dupla tributação – as convenções entre países para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre o rendimento não podem ser interpretadas ou empregadas como um tratado internacional destinado a garantir isenção de impostos; – tais acordos e convenções visam a evitar a dupla tributação jurídica. Vale, assim, dizer que o tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda, firmado entre dois Estados, não tem a finalidade de atribuir competência exclusiva a um dos Estados contratantes de tributar o lucro da pessoa jurídica domiciliada em seu território. O tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda visa, sim, a evitar a dupla tributação jurídica internacional; – a dupla tributação jurídica internacional está definida no capítulo introdutório dos “Comentários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): “1. A dupla tributação jurídica internacional pode ser geralmente definida como a incidência de impostos comparáveis em dois (ou mais) Estados, sobre o mesmo contribuinte, em relação ao mesmo objeto durante períodos idênticos. Seus efeitos prejudiciais sobre a troca de bens e serviços e a movimentação de capital, tecnologia e pessoas são tão bem conhecidos que raramente se faz necessário dar ênfase à importância da remoção dos obstáculos apresentados pela dupla tributação ao desenvolvimento de relações econômicas entre países. 2. Há muito, os países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico reconhecem a conveniência de esclarecer, padronizar e confirmar a situação fiscal de contribuintes que exerçam atividades comerciais, industriais, financeiras, ou de qualquer outro tipo, em outros países por meio da aplicação por todos os países de soluções comuns para casos idênticos de dupla tributação. 3. Este é o principal propósito do Modelo de Convenção Tributária sobre Rendimento e o Capital da OCDE, que proporciona meios para solucionar de maneira uniforme os problemas mais comuns que surgem na área de dupla tributação jurídica internacional. Conforme recomendação do Conselho da OCDE, os países membros ao concluir ou revisar convenções bilaterais, deverão observar esta Convenção Modelo, segundo a interpretação apresentada nos Comentários e levar em consideração as ressalvas ali contidas, devendo suas autoridades tributárias seguir os Comentários, conforme de tempos em tempos modificados, e segundo suas observações ali contidas, quando da aplicação e interpretação das Fl. 5574DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.568 13 disposições de suas convenções tributárias bilaterais baseadas na Convenção Modelo” (Grifos nossos) – ainda nos “Comentários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, no capítulo que trata do “Comentário ao Artigo 1 relativo às pessoas visadas”, Parágrafo 23, encontramos o disposto a seguir: “23. A utilização de sociedadesbase também pode ser tratada por meio de disposições que tratem de sociedades controladas no exterior. Um número significativo de países membros e nãomembros atualmente adota essa legislação. Embora o objetivo desse tipo de legislação varie consideravelmente entre os países, uma característica comum dessas normas, agora internacionalmente reconhecidas como instrumento legítimo de proteção da base tributária interna, é que resultam na tributação, pelo Estado Contratante, do rendimento atribuído à participação de seus residentes em certas entidades estrangeiras. Argumentase, por vezes, com base em certa interpretação de disposições da Convenção, como o parágrafo 1 do Artigo 7 e o parágrafo 5 do Artigo 10, que essa característica comum da legislação de controladas estrangeiras entraria em conflito com essas disposições. Pelas razões expostas no parágrafo 14 do Comentário ao Artigo 7 e 37 do Comentário ao Artigo 10, essa interpretação não está de acordo com a redação das disposições. Também não se sustenta quando as disposições são interpretadas em seu contexto. Assim, embora alguns países entendam ser útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das controladas estrangeiras não entra em conflito com a Convenção, esse esclarecimento não se faz necessário. Admitese que a legislação de controladas estrangeiras estruturada dessa maneira não é contrária às disposições da Convenção.” – assim, a pretensão do fisco brasileiro não recai sobre o contribuinte domiciliado na Áustria, a Sadia GmbH, cujo resultado de 2007 foi um prejuízo de € 600.342,70, mas, sim, sobre o lucro auferido no exterior pela controladora brasileira Sadia S/A por intermédio de suas controladas domiciliadas no exterior e que se considera disponibilizados na data do balanço, conforme art. 74 da MP nº 2.15835; – conforme previamente exposto no item 6.2 deste termo, os resultados da holding austríaca Sadia GmbH, quando apurados em conformidade com as normas comercias brasileiras, resultam num lucro de R$446.551.139, dos quais R$448.054.468 são provenientes do reconhecimento da equivalência patrimonial sobre suas investidas no exterior. Tal fato está demonstrado na DRE em Reais da Sadia GmbH de 2007. A diferença nos resultados apurados em cada país surge, sobretudo, em razão da inexistência do MEP nas regras comerciais austríacas, país onde os investimentos em controladas são registrados pelo custo de aquisição; – o parágrafo 1 do artigo 7 da Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital BrasilÁustria (Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976), dispõe que: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os Lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Fl. 5575DF CARF MF 14 Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente.” – no capítulo que trata do “Comentário ao Artigo 7” dos “Comentários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, título II “Comentários às disposições do Artigo”, Parágrafo 14, encontramos a seguinte orientação quanto à interpretação do Parágrafo 1 do Artigo 7: “14. O propósito do parágrafo 1 é limitar o direito de um Estado Contratante de tributar os lucros das empresas do outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um estado Contratante de tributar seus próprios residentes segundo as disposições referentes a empresas estrangeiras controladas contidas em sua legislação interna, embora o imposto incidente sobre esses residentes possa ser calculado por referência à parcela dos lucros de empresa residente no outro estado Contratante atribuída à participação desses residentes na empresa. O imposto exigido dessa forma por um Estado de seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se poderá dizer que está sendo exigido sobre tais lucros )vide também o parágrafo 23 do Comentário ao Artigo 1 e os parágrafos 37 a 39 do Comentário ao Artigo 10).” (Grifos nossos). – a legislação fiscal pátria, quando determina que os lucros auferidos no exterior por controladas domiciliadas em outros Estados sejam adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora brasileira, permite que o Estado contratante (Brasil) exerça o direito de tributar seu próprio residente, que é a controladora brasileira (Sadia S/A), segundo as disposições inerentes à matéria em sua legislação doméstica; 8. INFRAÇÕES APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO Lucros auferidos no exterior não disponibilizados no Brasil em 2007 e 2008 – a Fiscalização verificou, através das fichas 09A das DIPJ dos anos calendário 2007 e 2008, linha 05 (AC 2007) e linha 08 (AC 2008), em “Lucros disponibilizados no exterior”, que o contribuinte deixou de adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos no exterior pelas suas controladas diretas conforme determina o art. 25, § 2º, inciso II da Lei nº 9.429/95 (transcreve); – nos termos do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (transcrito), consideramse disponibilizados os lucros auferidos por controladas no exterior na data do balanço no qual tiverem sido apurados: – no caso sob exame, para fins de verificação dos resultados individuais e consolidados das controladas diretas e indiretas no exterior do contribuinte auditado, a auditoria fiscal considerou os demonstrativos elaborados conforme a legislação comercial e práticas contábeis adotadas no Brasil, expressos em Reais; – ante todo o exposto, e considerando os resultados constantes nos (Demonstrações financeiras em Reais das controladas no exterior de 2007 e 2008) assim como as informações declaradas pelo contribuinte na DIPJ dos anos calendário 2007 e 2008, fichas 35, a auditoria fiscal apurou lucros auferidos por controladas domiciliadas no exterior, não incluídos no lucro líquido da controladora brasileira para fins de apuração do lucro real, conforme quadro a seguir: Lucros das controladas no exterior não adicionados ao lucro líquido da controladora Sadia S/A (apurados conforme a legislação brasileira) 2007 2008 Fl. 5576DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.569 15 Identificação Resultado do Exercício antes dos Impostos Identificação Resultado do Exercício antes dos Impostos Sadia GmbH (Áustria) 446.551.139 Sadia GmbH (Áustria) Sadia International (Cayman) 17.450.000 Sadia International (Cayman) 6.489.000 Sadia S/A Sadia S/A – esses lucros são passíveis de disponibilização para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do fiscalizado, nos termos do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835; – ante o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN e Artigo 926 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), fazse necessário o lançamento de oficio do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre os lucros não disponibilizados do exterior, cuja base de cálculo totaliza R$464.001.139,00 (AC 2007) e R$6.489.000,00 (AC 2008), em cumprimento ao disposto no art. 25 e §§ da Lei 9.249/95; art. 249. inciso II e art. 394 do RIR/99 e arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; 9. FORMALIZAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 9.1 Processo administrativo fiscal (...) 9.2 Retificação do LALUR – em razão das infrações tributárias aqui apontadas, fica o contribuinte intimado a proceder às devidas retificações em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e no Registro de Apuração da Contribuição Social. A contribuinte, por seus procuradores devidamente constituídos (Instrumento de Mandato às fls. 4.923 a 4.927), apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 4.866 a 4.922), sob os seguintes argumentos: DOS FATOS – a Impugnante é pessoa jurídica de direito privado que se dedica à criação, produção e abate de aves, suínos, bovinos, industrialização e/ou comercialização de carnes innatura, produtos processados, massas, vegetais congelados e derivados de soja. Além de atender ao mercado interno, a Impugnante, à época dos fatos geradores, já era líder de exportação no segmento em que atuava e, para tanto, contava com subsidiárias ou escritórios de vendas em vários países da Europa, Ásia e América do Sul; – nos anoscalendário de 2007 e 2008, a Impugnante detinha participação no exterior de 100% (cem por cento) no capital social da SADIA INTERNACIONAL LTD (“SADIA INTERNATIONAL”), SADIA OVERSEAS (“SADIA OVERSEAS”) e da SADIA GMBH (“SADIA GMBH”), sediadas nas Ilhas Cayman e na Áustria, respectivamente, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – AnosCalendário 2007 e 2008; Fl. 5577DF CARF MF 16 – por sua vez, essas três empresas controladas diretas da Impugnante, nos anoscalendário de 2007 e 2008, detinham participações societárias em diversas empresas sediadas em outros países, em percentuais que variavam de 60% a 100%; – para ilustrar a situação em análise, a Impugnante apresenta quadro sumarizado descrevendo a organização societária das empresas do Grupo Sadia, envolvidas diretamente na presente controvérsia, no período em discussão, demonstrando que: 1) A SADIA GMBH (Áustria) detinha: a) 100% das empresas: Wellax (Ilha da Madeira); Sadia Foods (Alemanha), Sadia Panamá; Sadia Japão; Qualy BV (Holanda); b) 60% da Investeast (Chipre); 2) A SADIA INTERNATIONAL (Cayman) detinha: a) 100% das empresas: Sadia Uruguay, Sadia UK (Reino Unido) e Concórdia Foods UK (Reino Unido); b) 60% da Sadia Chile e; c) 95% da Sadia Alimentos (Argentina); – no desenvolvimento de suas atividades sociais, seja como fabricante de produtos alimentícios ou como controladora das sociedades acima indicadas, a Impugnante sempre adotou procedimentos fiscais e contábeis em estrita observância à legislação aplicável, bem como suas subsidiárias adotaram a legislação de seu domicílio – quando aplicável – nos termos da legislação brasileira; – como se verifica do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), as autoridades fiscais autuantes, de forma equivocada, entenderam que os lucros auferidos pela SADIA INTERNATIONAL LTD e SADIA GMBH deveriam ser adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em atenção ao disposto no art. 25, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.429/95; – a exigência de IRPJ e CSLL com relação aos lucros auferidos pela SADIA INTERNATIONAL e SADIA GMBH foi fundamentada essencialmente no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que determina a tributação de lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas no final de cada anocalendário, independentemente da efetiva disponibilização desses lucros à empresa brasileira; – a impugnante não pode concordar com qualquer das imputações realizadas pelas autoridades fiscais, em primeiro lugar, porque inocorreu a disponibilidade econômica ou jurídica da renda gerada pelas controladas diretas, já que não houve disponibilidade à empresa brasileira controladora, no caso a Impugnante; – essa matéria, tendo em vista sua relevância e constitucionalidade, é objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588/DF, que se encontra em fase final de julgamento e já conta com o voto de nove dos onze Ministros; – vale ressaltar o posicionamento dos Ministros Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski e Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Cezar Peluso que julgam a Ação Direta de Inconstitucionalidade totalmente procedente, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; – ademais, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário 611.584 (“Caso Caomo”), reconheceu a repercussão geral da discussão sobre a Fl. 5578DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.570 17 constitucionalidade do art. 74 e parágrafo único da MP 2.15835/2001, que estabelece que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Atualmente, aguardase julgamento do processo perante o Supremo Tribunal Federal; – além disso, tanto com relação à SADIA INTERNATIONAL (em parte) como em relação à SADIA GMBH (em relação a todo o lucro supostamente tributável), verificase que as autoridades fiscais ignoram o fato de que lucros das controladas indiretas devem primeiramente ser disponibilizados às controladas diretas no exterior para somente aí, então, serem passíveis de tributação no Brasil. No caso da SADIA GMBH, especialmente, pretendeu a Autoridade Fiscal submeter lucros à tributação no Brasil em relação ao ano de 2007, quando, na verdade, a empresa austríaca operou com prejuízo nesse ano; – ainda que fosse admissível, no caso específico da SADIA GMBH, sediada na Áustria, a tributação no Brasil dos lucros líquidos apurados em balanço gerencial consolidado, que considerasse as controladas indiretas mesmo antes de uma efetiva disponibilização de tais lucros para a empresa austríaca, haveria ainda a impossibilidade dessa tributação, tendo em vista a existência do Tratado para Evitar a Dupla Tributação celebrado entre o Brasil e a Áustria, de forma que não há que se falar na tributação dos lucros refletidos no Brasil por meio dessa controlada direta da Impugnante; – por fim, alegaram as autoridades fiscais que a Impugnante teria deixado de apresentar à fiscalização informações e demonstrações financeiras elaboradas no país de domicílio da SADIA GmbH (Àustria) e SADIA INTERNATIONAL (Cayman) que demonstrassem os prejuízos compensáveis. De fato, em razão da quantidade e antiguidade dos documentos solicitados pela fiscalização, somado ao prazo estipulado para tal apresentação, a Impugnante se viu impossibilitada de apresentar referidos documentos no curso da fiscalização. Contudo, nessa oportunidade, a Impugnante apresenta e comprova todos os documentos que demonstram a apuração dos prejuízos pelas suas controladas diretas e indiretas; – dessa forma, a Impugnante demonstrará abaixo a total improcedência do presente lançamento e a consequente necessidade da declaração da integral improcedência das exigências consubstanciadas nos autos de infração ora combatidos; DO DIREITO 1. Da Tributação dos lucros Auferidos por Controladas Indiretas no Exterior – antes de adentrar nessa discussão de mérito, é de extrema importância a análise do histórico da legislação tributária, estabelecendo a norma aplicável ao caso em discussão, a fim de determinar seu impacto na tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior, na forma estabelecida pelo art. 74 da MP 2.25835; 1.1. Evolução Legislativa do Regime de Tributação dos Lucros de Controladas e Coligadas no Exterior – até o final do anocalendário de 1995, a legislação brasileira adotava o princípio da territorialidade que, em apertada síntese, afastava do âmbito da tributação toda renda cuja fonte de produção fosse localizada no exterior; Fl. 5579DF CARF MF 18 – a promulgação da Lei nº 9.249 em 26 de dezembro de 1995 (“Lei 9.249/95”) veio alterar o cenário tributário brasileiro, vez que instituiu a tributação com base no critério da universalidade, pelo qual é considerada renda tributável pelo país de residência a totalidade auferida pelo contribuinte, independentemente do local de sua produção; – o art. 25 da Lei nº 9.249/95 (transcrito parcialmente) previu que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas, correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano, estabelecendo que os rendimentos e ganhos de capital seriam computados na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica à medida de sua percepção, ao passo que os lucros auferidos por controladas e coligadas seriam apurados nos respectivos balanços e adicionados ao lucro líquido da pessoa jurídica brasileira, para fins do lucro real, na proporção de sua participação; – a despeito de ter como objetivo regulamentar a Lei nº 9.249/95, a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa nº 38/96 que alterou a regra de tributação de lucros auferidos no exterior, ao dispor que os lucros somente deveriam ser adicionados ao lucro real da controladora ou coligada brasileira no momento da sua efetiva disponibilização. Determinou o § 1º do artigo 2º que “consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior”; – considerando que a Lei nº 9.249/95 somente produziu efeitos a partir do anocalendário de 1996, quando a Instrução Normativa nº 38/96 já havia sido editada, a tributação dos lucros auferidos no exterior foi, desde o início, alocada à data da efetiva disponibilização dos lucros à empresa brasileira; – além disso, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 16, trouxe regras complementares acerca da tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, em especial com relação a arbitramento de lucro no exterior, tratamento de resultados de aplicações financeiras e compensação de tributos pagos no exterior; – já a Lei nº 9.532/97 seguiu a mesma orientação prevista na Instrução Normativa nº 38/96 e, em consonância com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, previu a tributação dos lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, no momento da efetiva disponibilização para a controladora ou coligada brasileira (transcreve o art. 1º da referida lei); – posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, que, em seu artigo 74 (transcrito), alterou a sistemática de tributação dos lucros auferidos por controladas ou coligadas no exterior. De acordo com essa norma, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento; – essa regra passou a ter vigência a partir do anocalendário de 2002, mas a própria Medida Provisória determinou que os lucros relativos aos anoscalendário anteriores não disponibilizados à empresa brasileira deveriam ser considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, independentemente do efetivo recebimento pela investidora; – os critérios normativos da Medida Provisória nº 2.158/2001 podem ser assim sintetizados: Hipótese 1: materialidade: coligada ou controlada aufere renda/lucro 2: sujeito passivo: empresa brasileira Fl. 5580DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.571 19 3: momento: data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento" (caput) Consequência Disponibilização automática de lucros, sujeito à regulamentação infralegal para definição de critérios de disponibilidade para inclusão dos lucros auferidos do exterior na apuração do lucro real. – a Medida Provisória nº 2.15835/2001 não revogou a legislação anterior sobre a matéria, mas somente criou uma nova hipótese de disponibilização dos lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior; – continuam aplicáveis as disposições do artigo 25, § 2º da Lei nº 9.249/95, segundo os quais os lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior devem ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real, da empresa brasileira na proporção de sua participação no capital social da controlada ou coligada; – para aplicação do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, seria necessária a edição de regulamentação infralegal para a definição das regras para inclusão dos rendimentos provenientes do exterior na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; – assim, verificase, da simples leitura do caput do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que ao estabelecer “os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento”, existe uma norma jurídica de eficácia diferida; – visando regulamentar a tributação dos lucros auferidos pelas coligadas e controladas no exterior, a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa nº 213/02 que prevê os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes para fins de inclusão dos lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, trazendo operacionalidade e sentido, desde 2002, à tributação automática dos lucros no exterior; 1.2. Da Sistemática da Tributação no Brasil do lucro das controladas diretas e indiretas no exterior, nos termos da Instrução Normativa nº 213/02 – a Instrução Normativa nº 213/02 estabeleceu a regulamentação prevista no artigo 74 in fine da MP nº 2.158/01, a ser adotada pelos contribuintes para fins de inclusão dos lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior na base de cálculo do IRPJ e da CSLL (transcreve o art. 1º); essa nova norma administrativa regulamentar revogou expressamente a Instrução Normativa nº 38/96, porém reafirmou literalmente seus ditames quanto às hipóteses de equiparação a atos de disponibilização de lucros; – por outro lado, a Instrução Normativa 213/02 reiterou a orientação da Instrução Normativa nº 38/97 ao determinar que os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica na qual a controlada direta estrangeira detenha participação sejam consolidados no balanço da controlada direta estrangeira para efeitos de determinação do lucro real da empresa brasileira; Fl. 5581DF CARF MF 20 – é importante demonstrar os novos critérios normativos da Medida Provisória nº 2.158/2001 com a interpretação da Instrução Normativa nº 213/02: Hipótese 1: materialidade: coligada ou controlada aufere renda/lucro 2: sujeito passivo: empresa brasileira 3: momento: consolidação dos resultados das participações indiretas na pessoa jurídica com participação direta Solução Normativa (Consequência) Em 31 de dezembro de cada ano, inclusão dos lucros auferidos pela controlada no exterior na apuração do lucro real. – diante da demonstração de toda a evolução da legislação que envolve a matéria em debate, é de se concluir que devem ser observados todos os procedimentos contidos na Instrução Normativa nº 213/02 para fins de inclusão dos lucros auferidos por controladas diretas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob pena de violação ao princípio da segurança jurídica; – a Receita Federal do Brasil determinou, no § 5º do artigo 1º da Instrução Normativa nº 213/02 (transcrito), que seus lucros devem ser computados diretamente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma individualizada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país. Tratase de uma apuração individualizada sob uma visão horizontal; – ao tratar das controladas indiretas, a Receita Federal do Brasil determinou que seus lucros seriam consolidados no balanço da controlada direta (filial, sucursal, controlada ou coligada) para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da controladora, nos termos do art. 1º, § 6º da referida Instrução Normativa (transcritos). Tratase da consolidação vertical; – a consolidação vertical acontece quando a controlada direta tem qualquer tipo de participação em outras empresas coligadas ou controladas. Assim, de acordo com a regulamentação introduzida pela Secretaria da Receita Federal, os lucros das controladas diretas (SADIA GMBH e SADIA INTERNATIONAL) são adicionados ao lucro líquido da controladora brasileira; enquanto os lucros das controladas indiretas são consolidados na apuração dos lucros da controlada direta para, então, serem adicionados ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, da controladora brasileira; – assim, a sistemática de tributação dos lucros auferidos por controladas indiretas é clara: tanto os lucros como os impostos pagos devem ser consolidados na controlada direta (SADIA GMBH E SADIA INTERNATIONAL) para, então, serem sujeitos à tributação no Brasil (Impugnante); – daí decorrem duas importantes consequências: (i) lucros e prejuízos apurados por empresas organizadas em cadeia vertical necessariamente são consolidados no primeiro nível, de forma que os prejuízos apurados por uma controlada indireta ou mesmo pela controlada direta possam ser compensados com os lucros de outras controladas indiretas ou da própria controlada direta, resultando um lucro líquido tributável no Brasil nos termos da legislação vigente; e (ii) as regras de tributação aplicáveis à jurisdição em que se situa a controlada direta devem ser respeitadas, já que os lucros ali consolidados são ou serão Fl. 5582DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.572 21 necessariamente lucros da própria controlada direta antes que possa se cogitar em disponibilização de tais lucros para a controladora final no Brasil; – significa dizer que os lucros consolidados no primeiro nível serão tributados pela empresa brasileira como lucro dessa controlada no exterior, no caso dos autos, as empresas SADIA GMBH e SADIA INTERNATIONAL LTD, conforme o caso; – a Instrução Normativa nº 213/02, ao exigir a consolidação, no primeiro nível de controle, dos lucros auferidos pelas controladas indiretas, esclareceu dois aspectos, como dito anteriormente: (i) a necessidade de compensação de lucros e prejuízos entre as controladas diretas e indiretas, e (ii) a evidencia de que os lucros ou prejuízos de controladas serão necessariamente lucros ou prejuízos da própria controlada direta antes que possam ser considerados disponibilizados para a controladora brasileira; – não há de se confundir os esclarecimentos acima trazidos pela Instrução Normativa nº 213/02 com o momento em que os lucros das controladas indiretas devem ser considerados lucros passíveis de tributação no Brasil. Se tais lucros das controladas indiretas não foram ainda distribuídos ou de outra forma disponibilizados para a controlada direta, e não foram ainda refletidos em seu patrimônio líquido societário, nos termos dos princípios contábeis do país de residência da controlada ou coligada no exterior, não há que se falar em consideração de tais lucros na consolidação determinada pela referida Instrução Normativa para fins de tributação no Brasil; – o fato de a Áustria não aplicar o método da equivalência patrimonial para registrar em seus livros, segundo os princípios contábeis do país de residência, os lucros auferidos pelas subsidiárias (controladas e coligadas), como bem reconheceram as autoridades fiscais à fl. 23 do TVF, de fato resulta na impossibilidade de reconhecimento desses lucros no Brasil para fins fiscais; – dessa forma, não há como tributar tais lucros no Brasil, ainda não disponibilizados à empresa austríaca, controlada direta da Impugnante. Esse efeito decorre da própria sistemática da referida Instrução Normativa; – em suma, não poderia o artigo 74 da MP 2.158, cuidar, como não o fez, de controladas indiretas, quando seus lucros não tiverem ainda disponibilizados para a controlada direta no exterior. Ou seja, haverá tributação de lucros estrangeiros no Brasil somente se houver impacto contábil e fiscal nos livros da controlada ou coligada direta no exterior, caso em que se aplicará o artigo 74 da Medida Provisória 2.158 ou os tratados de bitributação celebrados pelo Brasil; – reforçando o argumento sobre a necessidade de uma disponibilização dos lucros para a controlada direta no exterior, para que o MEP possa ser aplicado com consistência na sistemática da Instrução Normativa nº 213/02, para impor tributação no Brasil, ressaltase que a própria Instrução Normativa nº 213/02, em seu artigo 14, § 6º, determina a consolidação, na controlada direta, de todos os tributos pagos pelas controladas indiretas no exterior, o que inclui os impostos retidos na fonte em distribuições de lucros para sócios na cadeia vertical. Essa consolidação no primeiro nível ocorre no mesmo momento em que são consolidados os lucros ou prejuízos para fins de tributação no Brasil. Faz sentido que a consolidação de lucros no primeiro nível, para fins de tributação no Brasil, ocorra no mesmo período em que houve uma disponibilização para o sócio (controlada direta), momento em que se incidiu, também, qualquer imposto de renda na fonte sobre tais disponibilizações (distribuição ou capitalização/reinvestimento dos lucros). Essa é a única Fl. 5583DF CARF MF 22 interpretação da Instrução Normativa nº 213/2002 coerente com os artigos 1º, § 6º, e 14, § 6º; – inferese da própria sistemática da Instrução Normativa nº 213/2002 que seria inconsistente incluir, na consolidação determinada pelo artigo 1º, § 6º, lucros de controladas indiretas ainda não disponibilizados aos sócios no exterior (seja por capitalização de tais lucros, seja por efetiva distribuição), quando não houve ainda sequer a hipótese de incidência do eventual imposto de renda retido na fonte sobre a distribuição ou disponibilização de tais lucros para a controlada direta; – é forçoso concluir que não há que se falar em tributação, no ano de 2007, de lucros auferidos no exterior por meio da SADIA GMBH, sediada na Áustria, já que esta apurou prejuízo contábil, em observância à legislação de seu domicílio e conforme bem evidenciaram as autoridades fiscais. O mesmo se aplica parcialmente em relação aos lucros da SADIA INTERNATIONAL e de suas controladas indiretas, cuja tributação está sendo exigida pelas autoridades fiscais; 2. As Convenções para Evitar Dupla Tributação e o Modelo de Tributação de Lucros Auferidos por Controladas Diretas e Indiretas no Exterior Estabelecido pelo Artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835 – não obstante os argumentos já expostos acima, as autoridades fiscais entenderam que os lucros auferidos pela SADIA GMBH, sediada na Áustria, deveriam ser disponibilizados à Impugnante ao final do anocalendário de 2007 e estariam sujeitos ao IRPJ e à CSLL, nos moldes do artigo 74 da MP 2.15835; – a acusação das autoridades fiscais parece ser de que a aplicação do artigo 7º do Tratado ÁustriaBrasil resta prejudicada, em virtude da legislação interna, que determina que os lucros auferidos por controladas no exterior sejam adicionados ao lucro líquido da controladora brasileira. A fiscalização no TVF, no entanto, não estende seu raciocínio para justificar tal potencial “prevalência” do artigo 74 da MP 2.15835 sobre as disposições do Tratado ÁustriaBrasil; – a Impugnante entende que tais argumentos jamais podem prosperar, sob pena de ofensa aos dispositivos do Tratado ÁustriaBrasil; 2.1. Comentários gerais sobre a aplicação de Tratados ao caso sob análise – o objetivo dos Tratados é evitar a dupla tributação da renda em operações econômicas internacionais, conforme entendimento uniforme da doutrina sobre tributação internacional. Nesse sentido, fazse importante traçar a distinção entre dupla tributação jurídica e dupla tributação econômica; – para essa finalidade, devese considerar a tributação da renda desde o seu auferimento pela subsidiária até a sua distribuição para a investidora; – como regra geral, o primeiro nível de tributação ocorre no momento em que a subsidiária é tributada em seu país de residência fiscal com relação aos lucros auferidos em sua atividade operacional, ou seja, tributação em razão da residência; – a nova tributação incide, geralmente, no momento em que a subsidiária distribui lucros para a investidora. Nesta etapa, é novamente a jurisdição de residência da subsidiária que determina um segundo nível de tributação, desta vez na fonte e cujo ônus financeiro é atribuível ao beneficiário dos rendimentos, isto é, tributação em razão de fonte de recursos; – até esse momento, observase que a mesma renda pode vir a ser tributada duas vezes, ou seja, em duas pessoas jurídicas distintas, pelo país de residência da subsidiária. A dupla tributação, neste cenário, corresponde à dupla tributação econômica, uma vez que o ônus financeiro é atribuível a duas pessoas distintas Fl. 5584DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.573 23 (subsidiária e investidora). Esta dupla tributação surge em um contexto puramente doméstico, resultante da aplicação da legislação doméstica de uma só jurisdição; – a distribuição de lucros pode, ainda, ser tributada em um terceiro nível pelo país de residência da investidora, a tributação em razão da residência. Nesse caso, temse que a mesma renda é tributada nas mãos da mesma pessoa: a investidora. Ou seja, os lucros (recebidos na forma de dividendos) que já foram tributados na subsidiária e na investidora pelo país de residência da subsidiária, são novamente reduzidos por um terceiro nível de tributação determinado pelo país de residência fiscal da investidora. A dupla tributação, nesse cenário, é considerada dupla tributação jurídica, uma vez que o ônus financeiro incide duplamente nas mãos da mesma pessoa, isto é, a investidora, e surge em um cenário internacional resultante da aplicação das legislações domésticas de duas jurisdições; – a dupla tributação econômica também pode ocorrer quando um determinado rendimento é atribuído a pessoas diferentes por força da legislação doméstica do Estados envolvidos. Nesta hipótese, a dupla tributação econômica surge em contexto internacional, mas como resultante da aplicação das legislações domésticas de duas jurisdições; – tratados que seguem a Convenção Modelo da OCDE são somente eficazes para mitigar a dupla tributação jurídica a não versam sobre a dupla tributação econômica, seja ela em contextos domésticos ou internacionais. Ou seja, tratados somente lidam com dupla tributação derivada da tributação imposta à mesma pessoa pelo país onde está localizada a fonte dos recursos e da tributação imposta pelo país de residência do beneficiário dos mesmos, tal como fora, inclusive, reconhecido pelo próprio TVF, como se verifica da seguinte transcrição retirada da fl. 21: “As convenções entre países para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre o rendimento não podem ser interpretadas ou empregadas como um tratado internacional destinado a garantir isenção de impostos. Tais acordos e convenções visam a evitar a dupla tributação jurídica. Vale, assim, dizer que o tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda, firmado entre dois Estados, não tem a finalidade de atribuir competência exclusiva a um dos Estados contratantes de tributar o lucro da pessoa jurídica domiciliada em seu território. O tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda visa, sim, a evitar a dupla tributação jurídica internacional”. (grifos da Impugnante) – no entanto, a própria OCDE reconhece, nos Comentários aos Artigos da Convenção Modelo, que a dupla tributação econômica é um obstáculo relevante ao desenvolvimento do investimento internacional que deve tentar ser solucionado pelos próprios Estados através de acordos bilaterais ou regras domésticas. Confira se: “49. O efeito combinado dos parágrafos 1 e 2 do Artigo 10 e Artigo 23 (Artigo 23A e 23B, conforme conveniente) é que o Estado de residência do acionista tem permissão de tributar dividendos surgidos no outro Estado, mas devendo creditar, contra seu próprio imposto sobre tais dividendos, o imposto exigido pelo Estado da fonte dos dividendos à alíquota fixada nos termos do parágrafo 2 do Artigo 10. Esse regime se aplica igualmente no caso de o beneficiário dos dividendos ser a controladora que receba dividendos de subsidiária; nesse caso, o imposto retido no Estado da subsidiária e creditado no Estado da controladora – é limitado a 5 por cento do montante total dos dividendos pela aplicação da alínea a) do parágrafo 2 do Artigo 10. Fl. 5585DF CARF MF 24 50. Essas disposições evitam, de maneira eficaz, a dupla tributação jurídica dos dividendos, mas não previnem a tributação recorrente de pessoas jurídicas em relação aos lucros distribuídos à controladora: primeiro à subsidiária e novamente à controladora. Essa tributação recorrente cria um obstáculo muito importante ao desenvolvimento dos investimentos internacionais. Vários Estados reconheceram esse fato e inseriram em sua legislação interna disposições interna disposições destinadas a contornar esse obstáculo. Além disso, com freqüência são inseridas disposições visando esse fim em convenções de dupla tributação. 51. O Comitê de Assuntos Fiscais considerou se seria apropriado modificar o Artigo 23 da Convenção para solucionar essa questão. Embora muitos Estados apoiassem a inserção dessa disposição na Convenção Modelo, ela deparou várias dificuldades, em consequência das diversas opiniões dos Estados e da variedade de soluções possíveis. Alguns Estados, temendo sonegação tributária, optaram por manter sua liberdade de ação e por resolver a questão apenas em sua legislação interna” (grifos nossos) – assim, é possível observar que as implicações negativas decorrentes da dupla tributação econômica tanto saltam aos olhos que até mesmo o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE já considerou alterar o artigo 23 da Convenção Modelo para inserir uma provisão que mitigue seus impactos; – não obstante, não houve consenso entre os países membros quanto ao formato a ser adotado. Desta forma, a OCDE somente enfatiza a recomendação, em seus Comentários aos Artigos da Convenção Modelo, para que os Estados desenvolvam técnicas para abrandar os impactos negativos da dupla tributação econômica; – utilizando o raciocínio da dupla tributação econômica e da dupla tributação jurídica ao modelo de tributação adotado pelo Brasil, verificase primeiramente que o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 estabeleceu que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, inclusive aqueles auferidos por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, de pessoas jurídicas brasileiras, serão adicionados ao lucro real da empresa brasileira ao final de cada anocalendário; – o artigo 1º da Lei nº 9.532/97, por sua vez, estabelece uma série de eventos pelos quais os lucros devem ser considerados disponibilizados à pessoa jurídica brasileira, tais como (i) a apuração em balanço, no caso de filial ou sucursal no exterior e (ii) o pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa brasileira, no caso de controladas ou coligadas no exterior; – não obstante, o artigo 74 da MP 2.15835 veio estabelecer que os lucros auferidos por controladas ou coligadas no exterior devem ser considerados disponibilizados para a pessoa jurídica no Brasil em 31 de dezembro de cada ano; – ou seja, os rendimentos auferidos por pessoas jurídicas brasileiras de suas controladas ou coligadas no exterior sofrerão, como regra geral, tributação em três diferentes níveis: (i) tributação dos lucros das controladas ou coligadas nas mãos destas e pelo seu país de residência, (ii) tributação dos lucros quando distribuídos à empresa brasileira, nas mãos destas, pelo país de fonte dos rendimentos (i.e., país de residência da empresa distribuidora dos lucros); e (iii) tributação dos lucros no Brasil quando disponibilizadas à empresa brasileira; – com o propósito de afastar a dupla tributação jurídica destes rendimentos, ou seja, a tributação do beneficiário pelo país de fonte e pelo seu país de residência, a aplicação de um tratado que segue a Convenção Modelo da OCDE deveria, a princípio, produzir os seguintes efeitos: Fl. 5586DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.574 25 (i) através do artigo 7º do Tratado, garantir a tributação exclusiva dos lucros auferidos pela controlada ou coligada ao seu país de residência, até que este lucro seja disponibilizado à empresa controladora brasileira; (ii) no momento da disponibilização do lucro à empresa controladora na forma de dividendos, permitir, através do artigo 10, que o país de fonte destes rendimentos sujeiteos a uma tributação limitada, bem como garantir que o país de residência do beneficiário conceda crédito ao imposto retido pelo país de fonte ou isenção fiscal; – assim, em aplicação estrita do artigo 7º dos Tratados, os lucros auferidos por uma subsidiária residente em um país com quem o Brasil possua um tratado em vigor somente podem estar sujeitos à tributação pelo IRPJ e CSLL quando efetivamente distribuídos à controladora brasileira na forma de dividendos. No entanto, caso o tratado em questão estabeleça um regime de isenção sobre dividendos, o Brasil estará, também nessa oportunidade, impedido de tributar estes rendimentos; – este é o tratamento fiscal que deve ser conferido aos lucros auferidos e dividendos distribuídos por subsidiárias de pessoas jurídicas brasileiras residentes na Áustria, como a Impugnante, por exemplo. Isto porque os artigos 7º, §1º e 23, §2º, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976 (“Tratado ÁustriaBrasil”), estabelecem, respectivamente, que: 7.1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 23.2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria a uma sociedade residente do Brasil que possua no mínimo 25% das ações do capital do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade no Brasil. – no caso em tela, as autoridades fiscais consideraram que os lucros auferidos pela SADIA GMBH, sediada na Áustria, deveriam ser disponibilizados à Impugnante ao final dos anoscalendário 2007 e 2008 e sujeitos ao IRPJ e à CSLL segundo os moldes do artigo 74 da MP 2.15835, em patente violação aos dispositivos do Tratado ÁustriaBrasil; – muito embora os fundamentos não tenham sido expostos de maneira clara no Termo de Verificação Fiscal, com a devida vênia, a linha de argumentação adotada pelas autoridades fiscais parece ir no sentido de que a dupla tributação oriunda da aplicação do artigo 74 da MP 2.15835 encontrase fora da alçada de proteção dos Tratados; – o que mais se destaca no caso em tela, e como também será demonstrado adiante (item 2.4) a tributação nos moldes do artigo 74 da MP 2.15853 acarretaria a ilógica inocuidade do regime de isenção previsto pelo Tratado ÁustriaBrasil. Isto porque, ainda que de forma indireta, Tratados que estabelecem o regime de isenção sobre dividendos são eficazes na prevenção da dupla tributação econômica em um contexto internacional. Ao evitar a dupla tributação jurídica, garantindo que os dividendos sejam somente tributados pelo país de fonte, o Tratado evita que ocorra o Fl. 5587DF CARF MF 26 segundo nível de tributação econômica, decorrente da aplicação das regras domésticas do país de residência da controladora; – no caso em tela, ainda que as autoridades fiscais tentem arguir a permissibilidade da dupla tributação econômica em um contexto internacional, sua vedação é consequência indireta da aplicação do Tratado ÁustriaBrasil; – também não restou claro no TVF se as autoridades fiscais estenderam seu raciocínio para justificar uma potencial “prevalência” do artigo 74 da MP 2.15835 sobre as disposições do Tratado ÁustriaBrasil; – não versam as autoridades fiscais sobre hierarquia das normas no ordenamento jurídico interno para, eventualmente, alegar que os tratados internacionais, ratificados pelo Brasil em pleno exercício de sua soberania, poderiam encontrarse em grau inferior às normas ordinárias; – caso o fizessem, é notório que o Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) e o Superior Tribunal Federal (“STF”) vêm consolidando o entendimento de que há uma paridade normativa entre atos internacionais e infraconstitucionais no direito interno. Ou seja, ao serem incorporados no direito interno, os tratados ou convenções internacionais encontramse no mesmo plano de validade, eficácia e autoridade em que se localizam as leis ordinárias. Por estarem no mesmo nível hierárquico de leis ordinárias, tratados ou convenções internacionais podem vir a prevalecer sobre leis ordinárias nos moldes das regras gerais de antinomia, quais sejam: em razão de critério cronológico ou critério de especialidade; – especificamente com relação aos tratados para evitar a dupla tributação, estes podem ser entendidos como de caráter especial, uma vez que estabelecem normas próprias para regular especificamente as relações entre o Brasil e o outro Estado Contratante. Estes tratados são, inclusive, referidos pelo Superior Tribunal de Justiça como “tratadoscontratos” (transcreve doutrina); – a posição consolidada no STJ e no STF é de que tratados que versam métodos para evitar a dupla tributação entre dois Estados devem ser considerados como de caráter especial em relação às normas gerais de tributação e, portanto, se sobrepõem a estas últimas (transcreve ementa do julgado); – essa é também a posição do E. Conselho de Contribuintes, como se verifica no Acórdão 10321.859, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e no Acórdão 10709.411, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; – não sendo esse o argumento utilizado pelas autoridades fiscais, resta concluir, com base na referência expressa ao parágrafo 14 dos Comentários aos Artigos da Convenção Modelo da OCDE na página 23 do Termo de Verificação Fiscal, que improcede, à raiz, a alegação de que o artigo 74 da MP 2.15835 é capaz de afastar a incidência do artigo 7º dos Tratados em virtude de ser considerada uma norma antiabusiva, com o que a Impugnante e esta Delegacia de Julgamento não podem concordar; 2.2 O Artigo 74 da MP 2.15835 e as Regras CFC – as autoridades fiscais sustentam que deve prevalecer a aplicação do artigo 74 da MP 2.15835 sobre qualquer outra disposição contida nos Tratados Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, como no caso em tela, a aplicação do artigo 7º do Tratado firmado entre Brasil e Áustria, contudo tal entendimento não é correto para o deslinde do litígio em questão, como se passa a demonstrar; Fl. 5588DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.575 27 – o artigo 7º da Convenção Modelo da OCDE, seguido pelo Brasil em seus Tratados em vigor e reproduzido em sua literalidade pelo tratado ÁustriaBrasil, determina que: “Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente” – essa norma impede um estado Contratante, isto é, o Brasil, de tributar os lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante, isto enquanto estes lucros permanecerem como lucros desta empresa, ou seja, antes de qualquer distribuição; – este propósito é expressamente refletido nos Comentários ao Artigo 7º da Convenção Modelo OCDE, ao estabelecer, no próprio parágrafo 14 referido pelas autoridades fiscais no termo de Verificação Fiscal, a não aplicabilidade do artigo 7º dos Tratados no contexto de aplicação de normas antiabusivas relacionadas aos lucros auferidos no exterior (ou normas CFC); – significa dizer que a OCDE estabelece uma exceção expressa e única à aplicação do artigo 7º dos Tratados, ou seja, a incidência de uma norma CFC. Nessa hipótese, poderá o país de residência do beneficiário tributar os lucros do não residente antes de sua efetiva tributação através de métodos para evitar planejamentos abusivos, como, por exemplo, a distribuição ficta ou presumida de dividendos; – é importante notar que as regras CFC possuem como único propósito a coibição de planejamentos abusivos. Referidas regras são adotadas em diversas jurisdições, porém são consistentemente direcionadas a determinados tipos de estruturação societária, beneficiários, rendas e investimentos; – justamente em razão de sua finalidade, as regras CFC, em geral, admitem que o contribuinte demonstre o efetivo propósito negocial ou intuito nãoabusivo da operação e, portanto, consiga pleitear perante as autoridades fiscais a não incidência destas normas ao seu caso concreto. Tratase da conhecida discussão sobre a necessidade de presunções legais admitirem a produção de prova em contrário; – é importante ressaltar algumas características principais das regras CFC atualmente em vigor em alguns países membros da OCDE (transcreve regras da Alemanha, Espanha, E.U.A, França, Itália e Reino Unido); – diferentemente dos modelos supramencionados, o artigo 74 da MP 2.15835 aplicase sem distinção a todas as empresas brasileiras que auferem lucros no exterior através de controladas ou coligadas, independentemente da localização ou tipo de renda auferida pelas mesmas; – neste contexto, ao contrário do que pretendeu fazer crer a fiscalização, o artigo 74 da MP 2.15835 não deve ser considerado uma norma antielisiva, na medida em que não teve como objetivo principal coibir planejamentos fiscais através de controladas ou coligadas no exterior (ou pelo menos não foi capaz de atingilo); Fl. 5589DF CARF MF 28 – a regra se aplica a todo e qualquer investimento no exterior realizado por empresas brasileiras através de controladas ou coligadas. De fato, essa regra veio meramente estabelecer o momento do fato gerador do IRPJ e da CSLL, isto é, o momento da disponibilidade; – não se pode atribuir ao artigo 74 da MP 2.15835 o caráter de norma CFC, já que ausente o foco específico em situações ou estruturações voltadas a planejamentos abusivos; – considerálo como tal seria afirmar que todas as empresas brasileiras que possuem investimentos em controladas ou coligadas no exterior praticam planejamentos fiscais abusivos, o que seria no mínimo absurdo, para não dizer, desde logo, que seria inconstitucional por violação aos princípios constitucionais (implícitos) da razoabilidade e da proporcionalidade (transcreve o entendimento do Professor Alberto Xavier e, no mesmo sentido, a lição de Luís Eduardo Schoueri); – nem mesmo é possível inferir tal classificação da exposição de motivos da MP 2.15834 (versão que antecedeu a MP 2.15835), já que esta não apresenta qualquer justificativa para o artigo 74; – concluise, portanto, que se admitir que o artigo 74 da MP 2.15835 é norma antiabusiva (ou CFC), é estabelecer presunção legal de que todas as empresas brasileiras que possuem investimentos em coligadas ou controladas no exterior praticam planejamentos com o principal objetivo de evasão ou elisão fiscal. Somente assim se justificaria o caráter antiabusivo da norma. Em outras palavras, inexiste razão para uma norma antiabusiva, caso inexista a presunção de abuso; – vale esclarecer que a presunção é construída através de um processo jurídico que objetiva tratar como verdadeiro um fato desconhecido. Segundo Gilberto Ulhôa Canto, o processo de construção de uma presunção de uma sequência histórica de fatos iguais, reincidentes e conhecidos. Assim, seria possível afirmar que os fatos que embasaram a criação da norma são os planejamentos utilizados com a finalidade exclusiva de redação da carga tributária global de uma operação comercial; – seria justo a lei, constatando uma prática reiterada de fatos abusivos, restringir operações que se qualifiquem como tal. Não se justifica, no entanto, que esta presunção seja aplicada jures et de jure. De fato, é pacífico na doutrina o entendimento de que as presunções absolutas não podem ser utilizadas na esfera tributária, como corroboram os ensinamentos de Maria Rita Ferragut, transcritos; – em se tratando de norma de direito tributário, não é possível admitir a sua aplicação sem a garantia dos direitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dentro dos quais está a possibilidade de apresentação de prova em contrário. Isso porque o Direito Tributário possui, como um de seus pontos basilares, a realidade dos fatos. É com base na realidade dos fatos que o legislador cria as hipóteses de incidência e estabelece os respectivos fatos geradores dos tributos. A doutrina majoritária é uníssona nesse sentido (transcreve trecho doutrinário); – admitindose a criação de uma presunção legal ou que não comporte prova em contrário, de forma a considerar ocorrido fato que se enquadre na hipótese de incidência de determinado tributo, vislumbrarseia notória ofensa a vários princípios constitucionais; – sob essa linha de argumentação, as pessoas jurídicas que detêm investimentos relevantes no exterior possuiriam o direito, garantido constitucionalmente, de demonstrar a existência de propósito negocial e substância de suas operações e, portanto, a não correspondência do seu caso concreto à generalidade da norma; Fl. 5590DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.576 29 – o artigo 74 da MP, 2.15835, ao abranger toda e qualquer operação, independentemente da motivação negocial do contribuinte e sem conceder a possibilidade de prova em contrário, criou uma hipótese de tributação de renda por ficção jurídica contrária ao nosso ordenamento. Transcreve lição de Tércio de Sampaio Ferraz Júnior, nesse sentido; – em suma, ao contrário do que pretendeu fazer crer a fiscalização, resta claro que o artigo 74 da MP 2.15835 não possui as características inerentes às regras CFC e, na realidade, somente estabeleceu o momento de ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL quanto aos lucros auferidos no exterior por empresa brasileira através de controladas ou coligadas residentes no exterior; – o artigo 74 da MP 2.15835 não poderia ser invocado como justificativa para a não aplicação do artigo 7º dos Tratados, como parece haver pretendido a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal. Essa conclusão é, inclusive, corroborada pelo voto da Relatora Sandra Faroni no Caso Eagle julgado pelo E. Conselho (cita trecho do voto); – portanto, o artigo 74 da MP 2.15835 não deve ser considerado como uma regra CFC, pois em consonância com o entendimento da OCDE refletido nos Comentários à Convenção Modelo, esta norma não é capaz de afastar a incidência do artigo 7º dos Tratados ratificados pelo Brasil e em vigor; – concluise que não sendo o artigo 74 da MP 2.15835 considerado uma norma antielisiva, não podem as autoridades fiscais pretender tributar os lucros auferidos no exterior e não distribuídos pela empresa sediada na Áustria, a SADIA Gmbh, país com o qual o Brasil possui Tratado em vigor em virtude das disposições dos artigos 7º destes acordos internacionais (transcreve conclusão de João Francisco Bianco, nesse sentido); – ainda que prevalecesse, no presente caso, o entendimento adotado pelo CARF no Caso Normus, no sentido de que o artigo 74 da MP 2.15835 deve ser considerado como uma regra CFC, haveria a necessidade de uma reclassificação do rendimento no Tratado, que deixa de ser considerado lucro da empresa estrangeira e, portanto, não mais sob o escopo da proteção do artigo 7º; – diante desse cenário, caberia determinar qual a nova natureza decorrente da aplicação da regra CFC e, consequentemente, conferirlhe o tratamento estabelecido no artigo pertinente do Tratado; – conforme ensina o Professor holandês Kees Van Raad, os Tratados são organizados na forma de regras distributivas, cujo único objetivo é determinar qual Estado Contratante possui o direito de tributar a renda em questão; – para garantia de validade de auto de infração da natureza do ora impugnado, a fiscalização deveria determinar o tipo de renda no caso concreto e qualificála dentre as regras distributivas do Tratado (i.e. na Convenção Modelo da OCDE, artigos 6º a 21). Não tendo realizado tal tarefa – e sem prejuízo de que venha a fazê lo mediante novo lançamento efetuado antes do prazo decadencial aplicável –, maculado fica o ato administrativo de lançamento ora impugnado, sendo certo que esse defeito não poderá ser sanado pelos ilustres julgadores por força da imutabilidade do lançamento, já que o erro de direito não autoriza essa requalificação, sob pena inclusive de ofensa ao art. 149 do CTN e de cerceamento do direito de defesa da ora Impugnante; 2.3. Artigo 7º versus Artigo 10º dos Tratados Fl. 5591DF CARF MF 30 – na hipótese de que ocorresse a reclassificação da renda pela fiscalização por força de regras CFC, deveria ser determinada qual outra regra distributiva se aplicaria à nova natureza da mesma; – este raciocínio é, inclusive, determinado pela OCDE nos parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10º, ao versar sobre os efeitos da aplicação de regras CFC pelo país de residência dos sócios/acionistas, a saber: “38. A aplicação de tal legislação ou regras, no entanto, traz complicações à aplicação do Artigo 23. Se o rendimento passar a ser atribuído ao contribuinte, então cada item do rendimento deve ser tratado sob uma das provisões relevantes da Convenção (lucros, juros, royalties). Se a importância é tratada como dividendo ficto/presumido então ele é claramente oriundo da empresa base, portanto constituindo rendimento do país daquela empresa. Mesmo assim, não é claro se o valor tributável deve ser considerado como dividendo sob o escopo do Artigo 10 ou como ‘outros rendimentos’ sob o escopo do Artigo 21. Algumas legislações ou regras determinam que o valor tributável seja tratado como dividendos com o resultado de que uma isenção determinada por uma Convenção, i.e., isenção por afiliação, é também aplicável a ele. É duvidoso se a Convenção exige que isto seja feito. Se o país de residência considera que este não é o caso ele pode enfrentar a alegação que está obstruindo a operação usual da isenção ao tributar o dividendo (na forma de ‘dividendo ficto/presumido’) antecipadamente. 39. Quando os dividendos forem de fato distribuídos pela empresa base, os dispositivos de uma convenção bilateral relativos a dividendos deverão ser aplicados normalmente porque há rendimentos de dividendo segundo o significado da Convenção. Portanto, o país de residência da empresa base pode sujeitar o dividendo a um imposto retido na fonte. O país de residência do sócio/acionista aplicar´os métodos normais para eliminar a dupla tributação (concessão, crédito tributário ou isenção tributária). Isso implica que o imposto retido na fonte sobre o dividendo deveria ser creditado no país de residência do acionista, mesmo se o lucro distribuído (o dividendo) tiver tributado anos antes de acordo com legislação CFC ou outras normas de efeito similar. Entretanto, a obrigação de conceder crédito nesse caso permanece duvidosa. Geralmente o dividendo como tal é isento de tributação (pois já fora tributado segundo a legislação ou normas pertinentes) e se poderia argumentar que não há base para um crédito tributário. Por outro lado, o objetivo do tratado seria frustrado se o crédito dos tributos pudesse ser evitado pela mera antecipação da tributação dos dividendos de acordo com a legislação em contrário. O princípio geral estabelecido acima sugeriria que o crédito deveria ser concedido, embora os detalhes possam depender de tecnicismos da legislação ou normas pertinentes, e o sistema para o crédito de tributos estrangeiros contra tributos internos, assim como das particularidade do caso (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação do ‘dividendo presumido’). Contudo, os contribuintes que recorrem a arranjos artificiais correm riscos em relação aos quais não podem ser totalmente salvaguardados pelas autoridades tributárias” (tradução livre) – com base nos Comentários acima referidos, a aplicação das regras CFC culminaria na reclassificação dos lucros como dividendos (artigo 10) ou outros rendimentos (artigo 21); – caso a reclassificação adequada correspondesse a dividendos, o país de residência da empresa investidora deveria tratálos como tal segundo as normas do artigo 10º, ou seja, conferir crédito ou isenção, conforme o Tratado. Muito embora a OCDE reconheça que esta obrigatoriedade não esteja expressamente refletida na Convenção Modelo, ela ressalva que o não cumprimento pode acarretar ao Estado a acusação de violação ao Tratado e, potencialmente, eventual denúncia do mesmo pelo outro Estado Contratante; Fl. 5592DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.577 31 – caso prevalecesse o entendimento pelos Nobres Julgadores de que o artigo 74 da MP 2.15835 deve ser considerado como uma norma CFC e o novo lançamento fosse efetuado, o tratamento fiscal atribuído pelo Tratado deixaria de ser o estabelecido no artigo 7º e passaria a ser o estabelecido pelo artigo 10º, ou seja, deveriam ser reclassificados como dividendos fictos/presumidos; – a classificação como dividendos, nesse caso, seria a mais coerente e a recomendada pela OCDE no item 38 dos Comentários ao Artigo 10º, conforme acima transcrito; – se o rendimento é reclassificado por ser considerado lucro já disponível à empresa brasileira, o artigo do Tratado que passa a ser aplicado é o seguinte ao próprio auferimento do lucro, qual seja, o que dispõe sobre sua distribuição; – ademais, se a norma interna é considerada CFC, seu objetivo é impedir o diferimento da tributação pela postergação da distribuição anual de dividendos. Assim, sob o âmbito do Tratado, atingese o objetivo da norma doméstica reclassificandose o rendimento para o artigo que trata da distribuição de dividendos (artigo 10º); – abstraindose a impossibilidade de essa reclassificação de rendimentos ser feita pelos órgãos julgadores administrativos, observase que foi este o racional utilizado pelos julgadores do CARF no Caso Normus consoante voto transcrito, parcialmente; – o Caso Normus referiase aos lucros auferidos por uma subsidiária da empresa brasileira na Hungria, situação na qual existia a Tratado BrasilHungria estabelecendo o regime de crédito como método para evitar a dupla tributação de dividendos entre esses dois países. Desta forma, a decisão acabou determinando a tributação dos lucros no Brasil ao final de cada anocalendário e a concessão do crédito do imposto pago na Hungria; – neste cenário, notese que a aplicação do artigo 7º ou do artigo 10º não faria diferença para a conclusão do caso, já que mesmo que a tributação no Brasil fosse considerada uma distribuição presumida de dividendos, o resultado seria o mesmo em razão da aplicação do sistema de crédito. Ou seja, os lucros (dividendos presumidos) seriam tributados no Brasil, porém sujeitos a crédito pelo imposto pago no exterior; – o Tratado ÁustriaBrasil, diferentemente da maioria dos demais Tratados celebrados pelo Brasil, é eficiente no caso concreto da ora Impugnante, uma vez que adota o sistema de isenção (ao invés de adotar somente o sistema de crédito estrangeiro) como método para evitar a dupla tributação no Brasil; – de acordo com o Tratado ÁustriaBrasil, a distribuição de dividendos por uma empresa residente na Áustria para a sua controladora brasileira poderá estar sujeita a imposto de renda na fonte pela Áustria à alíquota de 15%. Entretanto, de acordo com o Tratado ÁustriaBrasil tais rendimentos são isentos de tributação no Brasil (IRPJ e CSLL) como rendimentos da empresa controladora brasileira (art. 10º), desde que a empresa brasileira detenha 25% ou mais da participação societária na empresa austríaca; – dessa forma, concluise que, caso fosse aplicado o entendimento adotado na decisão do Caso Normus ao presente caso, o artigo 7º do Tratado BrasilÁustria não seria aplicável; porém, os lucros auferidos por uma empresa brasileira através de suas controladas ou coligadas residentes na Áustria deveriam ser então enquadrados Fl. 5593DF CARF MF 32 no Artigo 10º do Tratado e, portanto, seriam em qualquer caso isentos de tributação no Brasil; 2.4 Inocorrência da classificação do rendimento auferido através do MEP como “outros rendimentos” – Artigo 21 do Tratado ÁustriaBrasil – cabe apontar os motivos pelos quais os lucros em questão não devem ser reclassificados como “outros rendimentos” e, portanto, sujeitos ao tratamento previsto no artigo 21º dos Tratados; – para que as autoridades fiscais pudessem classificar o lucro desta maneira, teriam que suportar que o reconhecimento contábil do acréscimo patrimonial relacionado ao investimento no exterior – através do MEP – corresponderia a uma natureza jurídica de rendimento autônomo, desvinculado e independente de lucros ou dividendos auferidos no exterior. Esta interpretação, no entanto, seria despida de lógica; – o MEP é apenas um mecanismo contábil criado para refletir no balanço patrimonial da empresa investidora a atualização do custo do investimento registrado pelo valor histórico de aquisição. Para esse fim, os lucros e determinadas variações patrimoniais da investida são registrados à conta de resultados de investidora, conforme estabelece a Deliberação CVM nº 605, de 26 de novembro de 2009, transcrita; – esse reflexo contábil, a toda evidência, não pode ser considerado uma nova hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL. O lucro registrado na investidora brasileira derivado do MEP sempre terá uma origem que, esta sim, representa ou não o lucro passível de tributação nos termos dos Tratados, consoante entendimento de Alberto Xavier, reproduzido; – em outras palavras, não há como desvirtuar a natureza jurídica do acréscimo patrimonial da investidora brasileira – advindo do MEP – do próprio lucro auferido no exterior pela controlada ou coligada. O MEP é apenas um mecanismo contábil de reflexão, na investidora, do lucro auferido pela investida. Assim, se o lucro refletido na investidora pelo MEP possui classificação específica no Tratado (artigo 7º ou artigo 10º, como discutido anteriormente), não há como abstrair essa natureza jurídica para conferir ao resultado registrado através do MEP natureza jurídica própria, como se o MEP fosse, por si só, um rendimento passível de classificação independente no Tratado. Se fosse permitido, qualquer país criaria mecanismos contábeis para unilateralmente reclassificar no Tratado (ou retirar de seu âmbito) os itens de renda auferidos pelos residentes dos Estados Contratantes, o que levaria esses relevantes acordos internacionais a total inutilidade, pura e simplesmente; – seria um absurdo conceber que o MEP, criado como mero mecanismo contábil de reflexo de variações patrimoniais da investida, tivesse o condão de reclassificar o lucro auferido no exterior para “outros rendimentos” (artigo 21º) ou, menos ainda, afastar a aplicação do Tratado; – isto porque não se pode ignorar que estes lucros também permanecem como lucros da empresa estrangeira em seu país de residência, já que não foram distribuídos ao investidor. Por uma questão de soberania dos Estados, a legislação brasileira não possui alcance para retirar a condição de lucros da empresa estrangeira sob a perspectiva de seu Estado Contratante, de forma que não haveria como a lei brasileira afastar, unilateralmente, a situação desse lucro como lucro do residente do outro Estado Contratante; – ignorar o tratamento conferido pelo país de residência da subsidiária na ausência de um contexto de normas CFC, com base exclusivamente em um mecanismo de registro contábil, seria uma flagrante afronta ao Tratado; Fl. 5594DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.578 33 – a razão disso é, ao se considerar o passo a passo do modelo de tributação proposto pelo artigo 74 da MP 2.15835 no contexto de um Tratado que determine o sistema de isenção para dividendos, verificarse que a isenção que o Brasil se comprometeu a conceder tornarseia inócua, como demonstra o seguinte exemplo numérico; – Passo 1: Uma subsidiária integral de uma empresa brasileira residente em um país com o qual o Brasil possui um Tratado em vigor aufere lucros correspondentes a BRL 100,00. Estes lucros são tributados pelo país de residência da subsidiária ao final do anocalendário de 2012 à alíquota de 30% (imposto no país de residência da subsidiária: BRL 30,00) – Passo 2: Sob a metodologia do artigo 74 da MP 2.15835 de que os lucros são automaticamente “transferidos” à investidora brasileira e na ausência de aplicação do Artigo 7º do Tratado (na prevalência da argumentação do artigo 74 da MP 2.15835 como regra CFC), ao final do anocalendário de 2012 a controladora brasileira adiciona a sua base de cálculo de IRPJ e CSLL os lucros auferidos pela subsidiária no exterior (i.e. BRL 100,00 * 34% = BRL 34,00). Porém, com base na legislação doméstica, utiliza o imposto pago no país de residência da subsidiária como crédito para o imposto devido no Brasil, até o limite deste (saldo de imposto devido no Brasil: BRL 34,00 – BRL 30,00 = BRL 4,00); – Passo 3: No decorrer do anocalendário de 2013, a subsidiária determina o pagamento de dividendos à controladora brasileira. O Tratado permite que os dividendos estejam sujeitos à tributação na fonte, pelo país de residência da subsidiária, à alíquota de 15% (imposto de renda na fonte: BRL 15,00); – Passo 4: O Brasil deve, por força do Tratado, isentar os dividendos recebidos no Passo 3. Porém, esta isenção, na verdade, tornase inaplicável, pois esta mesma renda já havia sido tributada no Passo 2, i.e., quando reconhecida ao final do anocalendário de 2012 através da metodologia do artigo 74 da MP 2.15835; – desta forma, o Brasil, através da criação unilateral de um mecanismo contábil para refletir no balanço da empresa brasileira os lucros auferidos por subsidiária no exterior, anularia a isenção conferida pelo Tratado aos lucros distribuídos pela empresa residente no outro Estado Contratante; – assim, os lucros que deveriam estar isentos no Brasil acabariam sofrendo uma tributação antecipada, o que tornaria a isenção acordada completamente inócua. Ou seja, esta interpretação encontrase despida de qualquer coerência, pois não haveria sentido um Tratado estabelecer uma isenção a um lucro que estivesse, anteriormente à sua distribuição, sujeito à tributação. Não há como isentar algo em um momento posterior à tributação em um momento anterior; – não há o que se falar em concessão de crédito a imposto pago no exterior em um contexto de isenção. Crédito e isenção são métodos alternativos para evitar a dupla tributação. Como demonstrado no exemplo acima, considerar a aplicação concomitante destes métodos é interpretação desprovida de lógica jurídica e matemática. Um torna o outro ineficaz; – temse que o afastamento da aplicabilidade dos Tratados e a conseqüente incidência de IRPJ e CSLL ao final da cada anocalendário no contexto de um Tratado que estabelece um sistema de isenção para dividendos, como é o caso do Tratado ÁustriaBrasil, resultaria em uma evidente violação ao sistema de aplicação das normas do Tratado, bem como às obrigações através dele assumidas pelo Fl. 5595DF CARF MF 34 governo brasileiro, uma vez que esta prática anularia os benefícios que o Brasil se comprometeu a conceder; – este efeito e sua inconsistência com o direito tributário internacional foi, inclusive, destacado no voto vencido do Conselheiro Carlos Pelá no Caso Normus, conforme transcrito; – as discussões da ADIn sobre a constitucionalidade do artigo 74 da MP 2.15835 analisam se o acréscimo patrimonial de investimento no exterior através do MEP acarretaria a disponibilização econômica ou jurídica destes lucros ao investidor brasileiro. Esse entendimento foi adotado pelos Ministros Nelson Jobim, Eros Grau, Carlos Ayres Britto e César Peluzo, usandoo como suporte para sustentar a constitucionalidade do artigo 74 da MP 2.15835; – nenhum dos votos proferidos sustentou que o reflexo contábil dos lucros da empresa estrangeira impacta a natureza jurídica desses lucros. Ademais, nenhum dos Ministros negou a condição dos lucros auferidos no exterior como lucros das próprias subsidiárias no exterior, ainda que refletidos no Brasil através do MEP; – os votos proferidos na ADIn versam exclusivamente sobre a constitucionalidade da tributação pelo IRPJ e CSLL em 31 de dezembro de cada ano e em nenhum momento dispõe sobre a relação entre a sistemática estabelecida pelo artigo 74 da MP 2,15835 e os Tratados; – enquanto a ADIn cuida apenas da constitucionalidade atribuída à determinação de 31 de dezembro de cada anocalendário como o momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, a discussão relacionada à aplicação do artigo 7º dos Tratados para repelir referida tributação antes de uma efetiva distribuição diz respeito à natureza jurídica do item de rendimento auferido pela empresa brasileira e sua classificação no Tratado; – são análises distintas e a discussão referente à aplicação do Tratado Áustria Brasil sobre o resultado refletido por equivalência patrimonial na empresa brasileira não deve ser prejudicada por eventual decisão final na ADIn confirmando que o resultado da equivalência patrimonial sobre o investimento no exterior é passível de gerar imediata disponibilização econômica ou jurídica da renda para o investidos brasileiro; – diante do exposto, é possível concluir que a pretensão das autoridades fiscais jamais poderia prosperar, na medida que: (i) não podem ser incluídos os lucros pelas controladas indiretas da Impugnante, tendo em vista que a controlada Sadia GMBH não reconhece tais lucros em seu patrimônio líquido enquanto não disponibilizados, nos termos da legislação societária austríaca. Ou seja, como a controlada SADIA GMBH apurou prejuízo contábil, não haveria que se falar em lucro a ser disponibilizado para a Impugnante; (ii) afastamento do Artigo 7º do Tratado BrasilÁustria somente seria admissível no caso de o artigo 74 da MP 2.15835 ser considerado uma norma anti elisiva; (iii) se, de fato, o artigo 74 da MP 2.15835 tem caráter antielisivo, o que não se admite, os lucros auferidos pela SADIA GMBH na Áustria deveriam ser reclassificados como dividendos e, portanto, isentos no Brasil por força do Artigo 10º; e (iv) e, por fim, caso seja questionada a aplicação do Tratado com base no argumento de que o reconhecimento contábil dos lucros auferidos no exterior através do MEP transfere a titularidade destes lucros para a investidora brasileira, a Fl. 5596DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.579 35 tributação destes lucros corresponderia a uma aplicação ilógica e incoerente do Tratado ÁustriaBrasil, bem como uma flagrante violação ao mesmo; 3. Da inexistência de lucro tributável na SADIA INTERNATIONAL relativo aos anos de 2007 e 2008 em virtude da compensação de seus prejuízos auferidos no exterior. – igualmente não deve prosperar a alegação das autoridades fiscais de que a SADIA INTERNATIONAL supostamente teria deixado de adicionar, ao lucro líquido, os lucros auferidos no exterior nos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores de R$17.450.000,00 e R$6.489.000,00, respectivamente; – a SADIA INTERNATIONAL apurou prejuízo relevante no anocalendário de 2004, no valor de R$34.061.624,47, conforme se depreende da Demonstração de Resultados de 2004 (Doc. Anexo) e Relatório de Administração de 2004 (Doc. Anexo), publicado no sítio da Comissão de Valores Imobiliários (“CVM”); – após a compensação em 2005 e 2006 do prejuízo apurado em 2004, o saldo remanescente de prejuízo da SADIA INTERNATIONAL, passível de compensação em 2007 era de R$25.528.689,50, conforme quadro demonstrativo abaixo: Sadia International S/A Valores em R$ Ano Lucro/(Prejuízo) do Exercício Lucro/(Prejuízo) acumulado 2004 34.061.624,47 34.061.624,47 2005 5.059.994,00 29.001.630,47 2006 3.472.940,97 25.528.689,50 – o saldo de prejuízos da SADIA INTERNATIONAL em 2006 era suficiente para absorver o lucro tributável apurado em 2007 e 2008, o qual soma R$23.939.000,00 (somatório de R$17.450.000,00 relativo a 2007, e de R$6.489.000,00 relativo a 2008); – o quadro abaixo demonstra a conciliação da conta de lucros/prejuízos acumulados da SADIA INTERNATIONAL, considerando os lucros por ela auferidos, especialmente nos anos de 2001 a 2003 (conforme Demonstrações de Resultados e Relatórios de Administração de 2001 a 2003 – Doc. Anexo), os quais foram integralmente tributados no Brasil nos anos em que foram auferidos: Período PL Lucro/Prejuízo Variação Cambial sobre Lucro Acumulado Lucro/Prejuízo Acumulado 2001 115.265.000,00 49.390.000,00 113.176.326,29 2002 159.244.000,00 22.730.000,00 65.617.944,00 156.064.270,00 2003 141.127.000,00 19.003.000,00 36.540.223,00 138.527.047,00 2004 99.459.000,00 34.062.000,00 7.393.985,00 97.071.062,00 2005 93.445.000,00 5.060.000,00 10.792.264,00 91.338.798,00 2006 88.835.000,00 3.473.000,00 7.901.212,00 86.910.586,00 2007 91.049.000,00 18.869.000,00 16.325.001,00 89.454.585,00 2008 126.616.000,00 2.706.000,00 32.352.255,00 124.512.840,00 Fl. 5597DF CARF MF 36 – diante de uma simples análise dos balanços da SADIA INTERNATIONAL em 31.12.2007 e 31.12.2008 (cópias já acostadas no curso da fiscalização), verificase um relevante lucro acumulado, o qual decorre do fato de que até 2003 essa empresa apurou lucro, que foi integralmente oferecido à tributação no Brasil para fins de IRPJ e CSLL; 4. Da impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício – todos os débitos tributários exigidos pelas autoridades fiscais através de autos de infração são acrescidos de multa de ofício e após a lavratura dos autos de infração essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic, com amparo não na lei, mas no Parecer MF nº 28, de 2 de abril de 1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, transcrito; – o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, transcrito, utilizado como base legal pela Cosit para sustentar a incidência de juros sobre as multas de ofício trata tãosomente de incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil, não havendo margem para qualquer interpretação acerca da possibilidade da incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas pelas autoridades fiscais (cita jurisprudência do Carf, inclusive da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que tais multas não são atualizáveis); – o procedimento adotado pelo Fisco somente seria válido nos casos em que a multa aplicada pelas autoridades fiscais correspondesse ao valor principal do débito fiscal, como dispõe o artigo 43 da Lei nº 9.430/96, transcrito; IV. DO PEDIDO – diante de todo o exposto, caso não se entenda por bem afastar a exigência levada a efeito em razão de a controlada SADIA GMBH ter apurado prejuízo contábil, o que resulta na inexistência de lucro a ser disponibilizado para a Impugnante, ainda assim requerse sejam julgados improcedentes os autos de infração que deram origem ao presente processo, cancelandose, integralmente, os créditos de IRPJ e CSLL em exigência, reconhecendose, especialmente: (i) a não inclusão dos lucros auferidos pelas controladas indiretas da Impugnante tendo em vista que a controlada SADIA GMBH não reconhece tais lucros em seu patrimônio líquido enquanto não disponibilizados, nos termos da legislação societária austríaca; (ii) alternativa e sucessivamente, a aplicação do Tratado BrasilÁustria para afastar a exigência de tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior por meio da SADIA GMBH; e (iii) a existência e compensação de prejuízos da SADIA INTERNATIONAL, apurados no ano de 2004, os quais são suficientes para absorver todo o lucro gerado por essa controlada estrangeira nos anos de 2007 e 2008; – na remota hipótese de ser mantido o lançamento em qualquer extensão, requer a Impugnante seja reconhecida a inaplicabilidade de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício aplicada, na esteira da remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o tema. Em 6 de fevereiro de 2013, a BRF – BRASIL FOODS S.A (sucessora de SADIA S.A), pessoa jurídica de direito privado com sede na Rua Jorge Tzachel, nº 475, Bairro Fazenda, na cidade de Itajaí, Estado de Santa Catarina, vem aos autos para expor e requer o quanto segue: – em 31 de dezembro de 2012 foi aprovada a incorporação da empresa Sadia S.A pela BRF – BRASIL FOODS S.A, conforme consta da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A realizada nesta mesma data (Doc. 01), bem como Fl. 5598DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.580 37 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da BRF – BRASIL FOODS S.A realizada em 18 de dezembro de 2012 (Doc. 02); – tendo em vista a extinção da Sadia S.A, nos termos do art. 219, inciso II da Lei nº 6.404/76, bem como a sucessão de seus direitos e obrigações pela BRF – BRASIL FOODS S.A, nos termos do artigo 227 da mesma Lei, requer a alteração da denominação social para que conste como autuada a BRF – BRASIL FOODS S.A. Em 2 de agosto de 2013, a contribuinte informou que em 9 de abril de 2013 foi aprovada a alteração da denominação de BRF – Brasil Foods S.A. para BRF S.A, conforme consta da Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada (doc. 01). (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1539.276, de 18 de dezembro de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 2.588. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO FICTA PARA A CONTROLADORA NO BRASIL Os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior, para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do artigo 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e dos artigos 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR MEIO DE CONTROLADAS INDIRETAS. Serão considerados de forma individualizada os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas e coligadas. É indiferente, para efeito de aplicação da legislação tributária e societária, que seja direto ou indireto o controle por parte da pessoa jurídica tributada no Brasil. Considerase ocorrido o fato gerador do tributo devido no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados os lucros auferidos no exterior por controladas indiretas, independentemente de ter havido sua efetiva disponibilização ou distribuição. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. CONTROLADAS INDIRETAS SITUADAS EM TERCEIRO PAÍS Fl. 5599DF CARF MF 38 Os lucros auferidos por controlada indireta situada em país diferente daquele com o qual o Brasil firmou tratado internacional não se sujeitam às regras desse tratado que excluem a competência tributária do Brasil, ainda que a controladora direta da sociedade que gerou os lucros esteja sediada no país com o qual se firmou o tratado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. A legislação fiscal brasileira de tributação em bases universais admite a possibilidade de compensação de prejuízos contábeis, desde que no âmbito da mesma controlada ou coligada e desde que se tratem de prejuízos apurados conforme normas comerciais do país de domicílio da controlada ou coligada, conforme estabelecido nos §§1º e 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 213 de 7 de outubro de 2002. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que as exigências tiveram o mesmo suporte fático. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 04/01/2016 (efls. 5.274) e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 02/02/2016 (efls. 5.276 a 5.334), conforme recibo de efl. 5.276 e termo de análise de solicitação de juntada de efl. 5.491, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário (efls. 5.494 a 5.554), pugnando pela manutenção da autuação fiscal. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 5600DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.581 39 MÉRITO Enfrentarei as questões na ordem estabelecida pela recorrente, as quais passo a resumir conforme consta nas razões de recurso voluntário, reproduzidas nas contrarrazões da PGFN (efl. 5.497 e 5.498): (a) o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não poderia ser utilizado como fundamento para incluir na apuração do IRPJ e da CSLL os resultados obtidos por intermédio das controladas indiretas; (b) os valores tributados com fundamento no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, correspondem ao lucro da controlada no exterior, e não da empresa brasileira autuada; (c) o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, viola o § 1º do art. 7 do Tratado para evitar dupla tributação firmado entre o Brasil e a Áustria; (d) tem direito à compensação de prejuízos apurados por sua controlada SADIA INTERNATIONAL; e (e) impossibilidade de incidência de juros sobre a multa. Pois bem. Tributação de Lucros no Exterior Preliminarmente, convém traçar breve histórico legislativo acerca da tributação dos lucros no exterior e o propósito estabelecido pelo legislador nacional: Em 2001, foi editada a Lei Complementar nº 104, com fins de introduzir o § 2º no art. 43 do CTN, que assim dispôs: Art. 43. (...) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Com a redação acima, estava consignada possibilidade de norma legal prever o momento da incidência do imposto de renda sobre lucros auferidos no exterior. Assim, foi publicada a redação contida na MP 2.15835/2001, que, além de replicar a possibilidade de aplicação das regras do IRPJ à CSLL (art. 21), estabeleceu o momento da disponibilização dos lucros do exterior (art. 74), vejase: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Fl. 5601DF CARF MF 40 Lei nº 9.249, DE 1995, os arts. 15 A 17 da Lei nº 9.430. de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. (...) Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Com a redação acima, "fecharamse as portas" para os planejamentos abusivos em relação ao momento da tributação dos lucros do exterior; por outro lado, porém, permitiuse aos contribuintes travar batalhas incessantes na busca da adequação da aplicação da norma supracitada com o propósito das regras CFC, mormente em relação ao tratamento igualitário às empresas coligadas com aquele despendido às empresas controladas, no que tange ao momento da disponibilidade dos lucros, conforme redação do alusivo art. 74 da MP 2.15835/2001. Em razão disso, o STF foi acionado para se manifestar acerca da constitucionalidade do referido art. 74. Sem querer adentrar na discussão emergida com a referida ordem judicial, o STF definiu o caso conforme o que segue1: 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); (...) Quanto às controladas sediadas em países sem tributação favorecida e as coligadas situadas em países com tributação favorecida, o STF não se manifestou na referida ADI 2.588/DF, deixando uma lacuna jurisprudencial no tratamento dispensado a estas empresas. 1 extraído, no dia 11/09/2017, do seguinte endereço eletrônico: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=630053 Fl. 5602DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.582 41 Após isso, no julgamento dos recursos extraordinários RE 541.090/SC (que analisou a situação de uma controlada residente em país sem tributação favorecida) e RE 611.586/PR (que analisou a situação de uma controlada residente em país com tributação favorecida "paraíso fiscal") o STF se manifestou pela possibilidade de aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2001 a controladas sediadas em país sem tributação favorecida. Vejase a ementa dos dois precedentes: Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. 1. No julgamento da ADI 2.588/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados “paraísos fiscais”); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados “paraísos fiscais”). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art. 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA EM PAÍS DE TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA OU CLASSIFICADO COMO “PARAÍSO FISCAL”. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à Fl. 5603DF CARF MF 42 submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. 3. No caso em exame, a empresa controlada está sediada em país inequivocamente classificado como “paraíso fiscal”. Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. Do resultado do julgamento, confirmouse a constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. A única ressalva encontrase no entendimento estabelecido pelo STF, no julgamento da ADI 2.588/DF, e diz respeito às coligadas residentes em países sem tributação favorecida, o que não é o caso deste processo. Controladas Diretas e Indiretas Voltando ao argumento da recorrente quanto à incidência do art. 74 MP nº 2.15835/2001 às controladas indiretas, vêse pela redação legal que não há diferenciação entre controladas diretas e controladas indiretas. O art. 25 da Lei 9.249/1995 determina que os lucros das controladas no exterior deverão ser adicionados ao lucro líquido da controladora: Lei nº 9.249, de 1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: Fl. 5604DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.583 43 I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real;(...) (destaquei). A Lei das SAs (nº 6.404/1976) deu tratamento igualitário a ambos os tipos de sociedades, não fazendo discriminação de tratamento entre elas. Vejase nos art. 116 c/c 243: Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. (...) Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. (...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. O Código Civil também classifica as controladas em diretas e indiretas, não diferenciando o tratamento (art. 1.098): Art. 1.098. É controlada: I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; Fl. 5605DF CARF MF 44 II a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. Como se pode ver, o que define o controle de uma sociedade por outra é o poder que aquela exerce sobre esta. E este poder independe se ambas as sociedades estão ligadas diretamente ou indiretamente, por meio de outras sociedades. Assim, entendo correto o entendimento da fiscalização de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 aplicase às controladas indiretas. Consolidação de Balanços Quanto à consolidação do balanço da controlada indireta na controlada direta, chamada de consolidação vertical, tenho a afirmar que a consolidação é apenas uma técnica fiscal para apuração do lucro auferido do exterior que é determinada pela legislação brasileira, com base no método de equivalência patrimonial, e independe da consolidação contábil no balanço da controlada direta. Veja na redação do § 6º do art. 1º da SRF 213/2002: § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil.(destaquei) Ou seja, a falta de previsão legal alienígena de consolidação contábil no país sede da controlada direta, no caso, a Áustria, não impede a tributação dos lucros auferidos pela controladora brasileira em relação às controladas direta e indireta(s). Dúvidas poderiam surgir quanto à aplicação do § 5º do art. 1º da SRF 213/2002, que proíbe a consolidação dos balanços das controladas, veja a redação: § 5º Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do art. 4º desta Instrução Normativa. Em uma primeira análise, poderseia questionar se não há conflito entre os § 5º, que proíbe a consolidação dos balanços das controladas, e o § 6º, que impõe a consolidação. Mas, em uma análise mais percuciente do que dispõem as normas legais, percebese que o § 5º trata da consolidação horizontal, que é aquela existente entre controladas existentes em um mesmo nível hierárquico da controladora, ou seja, as controladas diretas. Ou seja, enquanto o § 5º proíbe que sejam consolidados os balanços das controladas diretas entre si, o § 6º determina que os balanços das controladas indiretas sejam Fl. 5606DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.584 45 consolidados em sua controladora direta, ou seja, no caso, a controlada direta da empresa sediada no Brasil. Desta forma, concluise que não há conflito de normas entre o § 5º e o § 6º do art. 1º da IN SRF 213/2002. Caso não fosse, não faria sentido o propósito do art. 74 da MP nº 2.158 35/2001, de tornar disponibilizado o lucro da controlada no exterior (direta ou indireta) no momento da apuração do seu balanço, pois empresas controladas (diretas) no exterior deixariam de consolidar o balanço de suas controladas (indiretas) para diferir a tributação do IRPJ e da CSLL no Brasil, o que contraria frontalmente o desígnio da regra do referido artigo 74. Tratado BrasilÁustria Quanto à aplicação do Tratado BrasilÁustria para exonerar a tributação do lucro auferido pela recorrente quanto sua controlada direta Sadia GMBH e, eventualmente de suas controladas indiretas, em razão da consolidação de seus balanços na Sadia GMBH, entendo que deve ser afastado o pedido da recorrente, como se verá adiante. Em relação ao pedido de aplicação do art. 7º da Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação, firmada entre o Brasil e a Áustria, convém inicialmente trazer a referida previsão normativa: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de administração e os encargos gerais de direção assim realizados. Fl. 5607DF CARF MF 46 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. 6. O disposto nos parágrafos 1 a 5 também se aplica aos rendimentos recebidos pelo "Stille Gesellschafter" de uma "Stille Gesellschaft" da lei austríaca. O acordo firmado entre o Brasil e a Áustria teve como propósito evitar a dupla tributação de uma mesma hipótese de incidência, quer dizer, intenta evitar que mais de um país tribute a mesma pessoa por um mesmo evento ocorrido em determinado aspecto temporal e referente a um mesmo tributo. Para se aplicar um tratado, entretanto, devese ter em mente a existência de elementos de conexão entre o país da renda e o país que tem direito à tributação. A conexão é avaliada de acordo com o critério de residência ou fonte do país de tributação ou de auferimento do rendimento. Caso não exista tal elemento de conexão, o tratado não pode ser aplicado. Desta forma, podese inferir que uma legislação não pode ter eficácia para tributar um ente residente em outro país, em razão da falta de conexão. Se fosse assim, estarseia ampliando seu poderdever de tributação. Como se pode verificar na redação do art. 74 da MP 2.15835/2001, o que se está tributando é a receita da empresa localizada no Brasil, e não uma empresa localizada no exterior. A lei interna objetiva tributar uma renda ficta da própria empresa brasileira tributação do residente , a partir de uma base estimada sobre o lucro apurado pela empresa residente no exterior. O professor Marco Aurélio Greco adota a seguinte linha, que é seguida por este relator: Para Marco Aurélio Greco, uma vez que o referido artigo 74 estabelece a tributação de uma variação positiva de patrimônio da empresa brasileira, não haveria base para se falar em bloqueio da tributação prevista neste dispositivo em função da aplicação do art. 7º das convenções internacionais assinadas pelo Brasil, já que, em nenhum momento, se estaria tributando lucros da empresa residente no outro país. Em sua visão, mesmo nos casos em que determinada convenção prevê a isenção dos dividendos pagos para residentes e domiciliados no Brasil, não estaria afastada a tributação do art. 74, uma vez que, como dito acima, seu entendimento é no sentido de que esta regra prevê a tributação de um acréscimo patrimonial ocorrido no Brasil e não do resultado ainda não distribuído pela empresa brasileira. 2 Se não fosse assim, a redação do art. 74 da MP 2.15835/2001 não teria sentido de existir, pois se trata de Lei editada posteriormente à celebração do Acordo Brasil x Áustria (no ano de 1976). Assim, seria um despautério entender que aquela norma representasse letra morta no ordenamento jurídico nacional. 2 GRECO, Marco Aurélio; ROCHA, Sergio Andre. Tributação Direta: Imposto sobre a Renda. In: UCKMAR, Victor et al. Manual de Direito Tributário Internacional. São Paulo: Dialética:2012, p. 407408 Fl. 5608DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.585 47 Outrossim, como as normas CFC advieram bem depois da celebração Acordo Brasil x Áustria (1976), não cabe o argumento de que o art. 7º dos Tratados tinha como objetivo impedir a aplicação das regras CFC aos países signatários. E nem se pode argumentar que a tributação de uma renda ficta ou, conforme alega a recorrente, renda presumida, deve ser afastada por contrariar o primado do imposto aqui em referência, que é de tributar a renda efetiva, pois se sabe que existem situações em que a apuração do imposto de renda prescinde da necessidade, ou não, do acréscimo patrimonial para se tributar, ou não, a renda, como é o caso da depreciação acelerada incentivada e dos preços de transferência. Enfim, pelo que percebo na ideia da lei, é que se você exerce influência suficiente na empresa ligada, a ponto de poder solicitar a qualquer momento o lucro apurado pela controlada no exterior, é que tal lucro se torna disponível no momento da apuração do resultado desta controlada. Para ser bem mais claro, apesar do exemplo um pouco inusitado, se a controladora pode (tem poder para) efetuar um telefonema para a empresa no exterior e determinar que se distribua o lucro, é porque tal lucro está disponível. No mesmo sentido, em voto proferido por meio do Acórdão 1402002.321, da sessão de 04/10/2016, da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, o Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto concluiu que o art. VII não se aplica a casos como o aqui discutido, pois a tributação não recai sobre o lucro da empresa sediada no exterior, mas sim sobre o lucro da empresa brasileira: Ora, a parte desses dispositivos que diz que “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” não pode ser entendida de maneira desvinculada da parte seguinte: “a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado”. Tratase da forma que as ConvençõesModelo escolheram para dizer que o país da fonte só pode tributar o lucro do seu não residente se este exercer atividade neste país por intermédio de um estabelecimento permanente. Isso porque é possível que uma atividade seja exercida sem um grau de conexão tal com o país da fonte que seja capaz de qualificálo no escopo do conceito de estabelecimento permanente contido nos artigos 5º daquelas mesmas ConvençõesModelo. Ainda assim, existe a conexão e o país da fonte poderia querer exercer sua jurisdição no sentido de tributar os correspondentes lucros. A regra daqueles dispositivos impede, então, que o país da fonte exerça essa jurisdição. (...) A redação do artigo 7º das Convenções sobre Dupla Tributação foi elaborado para se impedir que sejam tributados na fonte receitas (“lucros” – profits) remetidas ao país de residência, sem que haja uma presença efetiva da empresa no outro país, a não ser que o rendimento seja abrangido nos outros itens específicos do tratado. Logo, se houver um estabelecimento permanente (no que se remete ao art. 5º da CDT, que define os critérios para este fim), ou houver uma subsidiária ou controlada, os lucros também podem ser tributados pelo país em que eles são gerados. Desta forma, devese afastar tal argumento da recorrente. Fl. 5609DF CARF MF 48 Dividendos Presumidos artigo 10 do Tratado Quanto à aplicação do artigo 10 c/c o artigo 23 do tratado, entendo também que não se aplica ao caso concreto. Apenas em homenagem à dialética tendo em vista que o tratado não se aplica ao caso , mesmo que se entendesse que os lucros disponibilizados fictamente por força do art. 74 MP nº 2.15835/2001 tivessem natureza de dividendos presumidos, sujeitos ao art. 10 dos Tratados, e não ao art. 7º, há que se avaliar o seguinte: O par. 2º do art. 23 do Tratado permite a isenção no país de residência (Brasil), razão pela qual não haveria tributação remanescente aqui no Brasil. 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria a uma sociedade residente do Brasil que possua no mínimo 25% das ações do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade no Brasil. Entretanto, não se poderia aplicar o dispositivo legal acima ao caso concreto. Isto porque a empresa Sadia GMBH não reconheceu em sua contabilidade o resultado apurado por suas controladas, principalmente a Wellax Food Logistics, residente na Ilha da Madeira, que apurou o lucro mais significativo no ano de 2007. A consolidação pelo MEP do resultado das controladas indiretas na controlada direta Sadia GMBH foi efetuada somente para fins fiscais, e, digase, somente foi feita durante o procedimento fiscal, não tendo qualquer pertinência com a consolidação de balanços das sociedades que aqui se está discutindo. Desta forma, é de se concluir: se o resultado das controladas indiretas não foi reconhecido pela Sadia GMBH, é de se afirmar que a Sadia GMBH não recebeu os dividendos das controladas indiretas a ponto de se enquadrar tal pretendida isenção do par. 2º do art. 23 do Tratado. Diante disso, impendese afastar o argumento da recorrente quanto à aplicação do artigo 10 c/c o artigo 23 do tratado. Lucros da Controlada ou Lucros da Controladora? Em seguimento aos argumentos, a recorrente alega que os lucros tributados pela fiscalização, nos termos do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 correspondem ao lucros auferidos pela controlada situada no exterior, e não aos lucros da própria recorrente. Não entendo assistir razão à recorrente. A técnica para a tributação dos lucros no exterior decorre da mesma regra contábil estabelecida no ordenamento jurídico pátrio. Ela decorre do método da equivalência patrimonial, técnica contábil que utiliza como parâmetro, na sociedade investidora, a variação patrimonial existente na empresa investida. Entretanto, há uma divergência no tratamento tributário dispensado às relações entre investidora e investida situadas dentro do território nacional e investidora e investida situadas, respectivamente, dentro e fora do território nacional. Fl. 5610DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.586 49 Quando ambas as empresas (investidora e investida) situamse no território nacional, a legislação fiscal, que decorre da apuração contábil, determina que os efeitos decorrentes da avaliação pelo MEP sejam neutralizados, garantindo assim a inbitributalidade dos tributos internos (IRPJ e CSLL) sobre um mesmo fato gerador. Pois, partese da premissa de que o lucro decorrente da receita da equivalência patrimonial decorre de um lucro que já fora tributado na sociedade investida. Desta forma, a receita de equivalência patrimonial é excluída na apuração do lucro real, por meio de exclusão no Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real). Por outro lado, a neutralidade entre empresa investidora no Brasil e investida no exterior não se faz presente ao menos, não se pode partir da mesma premissa atinente às empresas nacionais . Desta forma, entendeu o legislador que, apesar da variação patrimonial surgida com o aumento do patrimônio líquido da investida no exterior, e apesar de sua consequente exclusão da base de cálculo do IRPJ (e também da CSLL), a legislação interna determina a adição do valor do lucro auferido pela investidora em seu livro fiscal de apuração do IRPJ (e da CSLL). Desta forma, o que se está tributando não é o lucro auferido pela controlada situada no exterior, mas sim da controladora nacional. E mais, a legislação interna permite que se compense o tributo pago no exterior, conforme o art. 26 da Lei nº 9.249/1995 abaixo destacado: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Ou seja, de certa forma, o tratamento é muito parecido àquele atribuído quando investidora e investida estão no território nacional. Isto porque, caso a legislação alienígena estabeleça alíquota de tributação idêntica à nacional, a empresa investidora não terá tributo a pagar, situação em que a isonomia se mostra mais patente. Assim, afasto o argumento da recorrente. Artigo 43 do CTN A recorrente aposta na ilegalidade da norma combatida (art. 74 da MP 2.158 35/2001), em detrimento ao art. 43 do CTN, alegando que não há variação patrimonial que possa ensejar a tributação. O § 2º do art. 43 estabeleceu o seguinte: § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se Fl. 5611DF CARF MF 50 dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. O art. 74 da MP 2.15835/2001 nada mais fez do que estabelecer o momento da disponibilização do lucro no exterior, base de incidência do IRPJ. Além disso, o STF proferiu decisão reconhecendo a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.15835/2001 em relação aos lucros do exterior decorrentes de participação em controladas diretas e indiretas sediadas em países com ou sem tributação favorecida, conforme as já citadas decisões proferidas por meio da ADI 2588/DF e do RE 541.090/SC. Desta forma, afasto o pedido da recorrente. Prejuízos de períodos anteriores Quanto à Sadia Internacional, alega a recorrente que deveria ser aceito o prejuízo contábil auferido em períodos anteriores (ac 2004 prejuízo de R$ 34.061,624,47) aos objeto do lançamento (2007 e 2008). Como em 2005 e 2006 apurou lucro, sobraria um saldo de prejuízo de 25.528.689,50 para o ano de 2007. A DRJ, por sua vez, desconsiderou o prejuízo supostamente apurado pela ora recorrente, por entender que a empresa não apresentou elementos suficientes para sua comprovação (efl. 5.263): Por meio do Termo de Intimação nº 11 (item 3), cuja ciência foi dada em 09/09/2011, a contribuinte foi intimada a apresentar cópias traduzidas e consularizadas das Demonstrações Financeiras (Balanços e Demonstrações do Resultado do Exercício), de todas as controladas diretas e indiretas do exterior, de todos os exercícios desde o ano de constituição de tais controladas até o ano de 2008, todavia o contribuinte não os apresentou, fato que impossibilitou a fiscalização de levantar os prejuízos compensáveis os termos dos §§ 1º e 2º do art. 4º da IN SRF 213/2002. Juntamente com a impugnação foram trazidos aos autos planilhas Demonstração do Resultado do Exercício em reais e Relatórios da Administração que não se prestam para comprovação da compensação pretendida. Convém reiterar que a norma fiscal permite a compensação de prejuízos apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio e não dos prejuízos apurados com base na escrituração elaborada conforme a legislação comercial brasileira. Dessa forma, persistindo a não apresentação das demonstrações financeiras elaboradas no país de domicílio da Sadia International (Cayman), que demonstrassem os prejuízos compensáveis, permanece a impossibilidade de se proceder à verificação dos alegados prejuízos de anos anteriores, a fim de dar cumprimento ao disposto nos §§ 1º e 2º do art. 4º da IN SRF nº 21/2002, razão pela qual o pleito da contribuinte não pode ser acolhido. No recurso voluntário, a empresa não apresentou outros elementos para comprovar suas alegações. Desta forma, por concordar com a fundamentação da DRJ, adotoa como razão de decidir. Fl. 5612DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201295 Acórdão n.º 1401002.198 S1C4T1 Fl. 5.587 51 Aplicação do Tratado à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A recorrente alega que o tratado entre Brasil e Áustria também se estende à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou seja, a não incidência de tributação sobre lucros auferidos em países que mantêm acordo com o Brasil se aplica também à CSLL. Por concluir que o tratado entre Brasil e Áustria não pode ser aplicado ao caso concreto e pela íntima relação de causa e efeito, mormente em razão do disposto no art. 21 da MP nº 2.15835/2001 (reproduzido abaixo), a manutenção da autuação do IRPJ quanto aos lucros do exterior aplicase também à CSLL, devendo ser mantida a tributação: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Juros sobre Multa de Ofício Quanto ao pedido de afastamento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescemse juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Fl. 5613DF CARF MF 52 Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Assim, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 5614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000319/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/05/2005
MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
A falta de intimação da empresa para a apresentação de documentos em seu estabelecimento eleito como centralizador macula o lançamento por vício material, na medida em que cerceou o direito de defesa da contribuinte, o que torna nulo o procedimento fiscal desde a sua origem (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A falha no procedimento atinge a própria motivação do ato administrativo.
O poder judiciário, através de decisão judicial transitada em julgado, reconheceu como válido o domicílio fiscal eleito pela empresa.
Numero da decisão: 2401-005.186
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencido o relator que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/05/2005 MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A falta de intimação da empresa para a apresentação de documentos em seu estabelecimento eleito como centralizador macula o lançamento por vício material, na medida em que cerceou o direito de defesa da contribuinte, o que torna nulo o procedimento fiscal desde a sua origem (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A falha no procedimento atinge a própria motivação do ato administrativo. O poder judiciário, através de decisão judicial transitada em julgado, reconheceu como válido o domicílio fiscal eleito pela empresa.
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VALE COMBUSTÍVEL Recorrente MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/05/2005 MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A falta de intimação da empresa para a apresentação de documentos em seu estabelecimento eleito como centralizador macula o lançamento por vício material, na medida em que cerceou o direito de defesa da contribuinte, o que torna nulo o procedimento fiscal desde a sua origem (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A falha no procedimento atinge a própria motivação do ato administrativo. O poder judiciário, através de decisão judicial transitada em julgado, reconheceu como válido o domicílio fiscal eleito pela empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 19 /2 00 8- 59 Fl. 825DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 826 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencido o relator que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 827 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão monocrática proferida pelo Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro Centro, por meio da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0766/2006, de 30/10/2006, cujo dispositivo declarou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 625/637). Transcrevo a ementa do julgado: SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. As hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pelos empregadores aos segurados com os quais mantenha relação jurídica laboral estão definidas no Art. 28, § 9°, da Lei 8.212/91. Os benefícios fiscais devem ser expressamente definidos, tendo como inspiração o Art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). LANÇAMENTO PROCEDENTE 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 269/278, que o processo administrativo é composto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.7451, relativa à contribuição previdenciária de 20%, correspondente à parte da empresa, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados no período de 07/2002 a 05/2005. 2.1 De acordo com o agente tributário, o lançamento de ofício deuse com base nas remunerações concedidas aos segurados empregados, a título de pagamento de vale combustível, conforme registros na conta contábil 2.1.2.00.23076 (VR VALES LTDA), para os quais a empresa fiscalizada, devidamente intimada, deixou de apresentar os documentos comprobatórios da natureza indenizatória de tais pagamentos efetuados aos trabalhadores. 3. Cientificado por via postal, em 25/08/2006, segundo fls. 516, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 519/538). 4. Intimada em 09/11/2006 por via postal da decisão de primeira instância, conforme fls. 638, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 08/12/2006 (fls. 665/686). Em síntese, o apelo recursal contém os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve intacta o crédito tributário: (i) os fatos geradores anteriores a julho/2001 foram alcançados pela decadência, segundo a contagem do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional (CTN); (ii) em nenhum momento a recorrente se furtou à apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fazendária, tendo colocado à disposição a documentação comprobatória da legalidade dos lançamentos contábeis a Fl. 827DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 828 4 título de valecombustível, que, no entanto, não restou analisada; (iii) a fiscalização afastou de maneira injustificada e imotivada o valor probante da escrita contábil da empresa, na medida em que a contabilidade não foi considerada imprestável; (iv) houve equívoco do agente lançador no exame das folhas de pagamento de salários, dada a divergência entre as informações constantes dos arquivos digitais e dos documentos impressos; (v) os valores apurados pela fiscalização destinamse ao custeio do combustível do automóvel utilizado pelo trabalhador no desempenho de sua atividade laboral, não configurando verba de natureza remuneratória, mas sim indenizatória; e (vi) em prol da verdade material, pugna pela juntada da documentação que acompanha a peça recursal. 5. Ressalto que à época, sob o amparo de decisão judicial em ação de segurança, foi dispensado o depósito recursal de 30% da exigência fiscal, substituído pelo arrolamento de bens (fls. 641/664 e 783/785). 6. Na sequência da instrução processual, e previamente ao envio à instância recursal, o Serviço de Contencioso Administrativo da extinta Delegacia da Receita Previdenciária determinou a baixa dos autos à autoridade lançadora para exame dos comprovantes e das notas/recibos a título de "valecombustível" juntados pela recorrente no apelo recursal e, se fosse o caso, detalhar as competências e os valores para fins de retificação do débito (fls. 778). 6.1 A diligência foi cumprida nos termos propostos pela unidade preparadora, manifestandose o agente fazendário, contudo, no sentido de que a documentação apresentada não constituía prova suficiente da natureza indenizatória das despesas de combustível custeadas pela empresa (fls. 780). 7. Por meio de petição protocolada em 14/05/2013, a recorrente solicitou a juntada das seguintes cópias de documentos (fls. 787/821): (i) Laudo Técnico Pericial acerca do arquivo utilizado pela fiscalização; (ii) acórdão com certidão de trânsito em julgado reconhecendo como domicílio fiscal da empresa o município diverso daquele em que foi procedida a fiscalização; e (iii) comprovantes que outras fiscalizações foram realizadas no domicílio fiscal da empresa, na cidade de Rio das Flores (RJ). É o relatório. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 829 5 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 9. De início, esclareço que resultantes da mesma ação fiscal foram lavrados inúmeros autos de infração e notificações de débito em face do sujeito passivo, com formalização em separado (fls. 272/273). Alguns dos processos administrativos estão sendo julgados nesta mesma sessão do Colegiado, a exemplo dos Processos nº 12267.000318/2008 12 e 12267.000340/200854. 10. À vista disso, com a finalidade de manter a congruência decisória, há uma questão preliminar que impõe enfrentála antes de qualquer outra matéria do recurso voluntário. 11. Tratase da decisão judicial prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF/2ª Região), no processo autuado originalmente sob o nº 2003.51.01.0224300, já com trânsito em julgado, em que o Poder Judiciário considerou procedente o pedido da pessoa jurídica, ora recorrente, para declarar como domicílio tributário a sua sede empresarial, localizada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Rio das Flores RJ (fls. 791/798). 12. Neste recurso voluntário, assim como nos demais processos julgados em conjunto, a questão do domicílio fiscal do contribuinte não foi matéria trazida explicitamente ao debate pela recorrente. 13. Por outro lado, no final do ano de 2006, quando da protocolo do recurso voluntário, a recorrente não estava amparada por qualquer provimento judicial favorável proveniente da ação cadastrada sob nº 2003.51.01.0224300, o que veio a acontecer somente com o acórdão do TRF/2ª Região, proferido em meados de 2007, o qual reformou a sentença de primeiro grau. Alguns meses depois, transitou em julgado a ação sob procedimento ordinário movida contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 14. A existência de fato ou direito superveniente, a que alude o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cuja prova documental é aceita em momento processual ao ato de impugnação ou recursal, é circunstância que não pode ser ignorada pelo julgador para fins de assegurar o exercício pelo sujeito passivo dos seus direitos no contencioso administrativo tributário. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 830 6 15. Pois bem. Não é qualquer vício que impõe a invalidade do ato administrativo, porquanto a declaração de nulidade pressupõe a comprovação e/ou demonstração do prejuízo efetivo ao sujeito passivo. 16. Quando do início do procedimento de fiscalização levado a cabo no contribuinte, e isso está explicado no Relatório Fiscal (item 11, às fls. 274/276), a empresa questionou a determinação do agente fazendário para apresentação de documentos na sua filial da cidade do Rio do Janeiro, em razão de que o seu domicílio fiscal, conforme indicado no respectivo contrato social, localizavase no estabelecimento sede situado na cidade de Rio das Flores (RJ), onde (fls. 407/411): "se encontravam concentrados os documentos, livros e registros contábeis da empresa, que , como matriz, centraliza o acervo da mesma com o objetivo, inclusive, de facilitar a concomitância dos procedimentos fiscais em todas as esferas (federal, estadual e municipal)". 16.1 Segundo reclamou a empresa fiscalizada, tal situação fática e jurídica acabava por inviabilizar o fornecimento integral da documentação requisitada pelo Fisco no endereço da filial da empresa na cidade do Rio de Janeiro. 16.2 Em que pese os argumentos, o pleito do contribuinte foi indeferido administrativamente, com apoio em parecer da Procuradoria Geral Federal, que sustentou que a solicitação já era objeto de demanda judicial, na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, com tramitação na Vara Federal do Rio de Janeiro, cuja sentença havia julgado improcedente a alteração do domicílio fiscal (fls. 412/422). 17. Diante da posição da Administração Tributária, a fiscalização prosseguiu na cidade do Rio de Janeiro, considerando o agente fazendário a filial ali situada como estabelecimento centralizador, local em que a empresa deveria manter à disposição os elementos necessários ao procedimento fiscal, direcionando todas as intimações para apresentação de documentos naquele local (fls. 276, "in verbis"): (...) Portanto, a documentação deverá ser apresentada e ficar à disposição da fiscalização, durante todo o curso da ação fiscal, no estabelecimento centralizador, que, no caso da MI Montreal, está situado na R. São José 90 9° andar Centro Rio de Janeiro/RJ como se encontra expresso no corpo de todos os TIAD's emitidos e, em especial, no TIAD 11. (...) 18. Ocorre que, diferentemente de outros fatos geradores auditados na mesma ação fiscal, na presente situação a empresa durante o procedimento fiscal não suscitou a impossibilidade material de exibição à fiscalização dos documentos comprobatórios dos pagamentos de valecombustível na filial da pessoa jurídica localizada na Rua São José, cidade do Rio de Janeiro, conforme ordenado pela autoridade lançadora. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 831 7 18.1 Em nenhum momento, segundo a documentação que instrui os autos, a empresa fiscalizada invocou, relativamente à aquisição de valecombustível para alguns segurados empregados, que os documentos comprobatórios da natureza indenizatória estavam arquivados na sede empresa, situada no município de Rio das Flores (RJ), tornandose impraticável o seu deslocamento devido ao expressivo volume e ao espaço físico reduzido disponível no local indicado pela autoridade fiscal. 18.2 A título de exemplo, o agente fiscal fez solicitação específica por intermédio do item 9 do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 18, de 23/05/2006 (item 4.3.6, do Relatório Fiscal), com respeito aos documentos relacionados ao vale combustível, cujas despesas foram lançadas na conta contábil 2.1.2.00.23076 (fls. 188/189). A resposta da empresa foi, no mínimo, lacônica, sem lastro em documentação, a seguir copiada (fls. 1.039, do Processo nº 12267.000318/200812): (...) 9. As despesas com combustível visam a atender aos deslocamentos de funcionários, por solicitação de certos clientes (Petrobrás, Transpetro, etc.). (...) 19. Embora a fiscalização tenha sido realizada no estabelecimento filial situado na cidade do Rio de Janeiro, portanto em local distinto do estabelecimento centralizador eleito pela pessoa jurídica, localizado no município de Rio das Flores (RJ), a empresa fiscalizada forneceu e/ou colocou à disposição do agente fazendário inúmeros outros documentos relacionados aos fatos geradores objeto de auditoria tributária, tais como a escrituração contábil e as folhas de pagamento (fls. 496/508). 20. É verdade que a declaração de validade do domicílio eleito pelo sujeito passivo, conforme acórdão do TRF/2ª Região, impacta diretamente nos atos praticados pela fiscalização que, desprovidos de justificação válida, desconsideram o estabelecimento da empresa localizado no município de Rio das Flores (RJ) como aquele onde a pessoa jurídica deveria manter os elementos necessários aos procedimentos fiscais, com obrigação legal de disponibilizálos à fiscalização sempre que solicitados. 21. Porém, ainda que o lançamento de ofício esteja escorado na existência de conduta omissiva da empresa na apresentação de documentação, com fulcro no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não estou convencido, no caso particular em apreço, que o vício no procedimento fiscal irradiou efeitos com respeito aos fundamentos adotados para o lançamento de ofício, o que ensejaria a necessidade de decretação da invalidade do ato administrativo. 22. Aparentemente, a falta de apresentação da documentação comprobatória da natureza não remuneratória do valecombustível no curso do procedimento fiscal, que deu justificativa ao lançamento de ofício, não mantém conexão com a postura do agente lançador de exigir os documentos exclusivamente no estabelecimento da empresa localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 832 8 23. Em consequência, no caso sob exame, não há elementos seguros que a conduta do agente fazendário representou efetivamente prejuízo ao autuado no que tange ao cumprimento da intimação fiscal, a ponto de justificar a decretação da nulidade do ato administrativo do lançamento. Decadência 24. Afirma a recorrente que operouse a decadência dos débitos com vencimento entre 01 a 07/2001, dada a ciência do lançamento em 25/08/2006, ou seja, depois de transcorridos cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, conforme preceitua o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 25. A toda a evidência, a recorrente atrapalhouse nos seus argumentos de defesa, visto que o período do lançamento fiscal compreende as competências de 07/2002 a 05/2005 (fls. 09/11). 26. Quando da notificação do lançamento, em 25/08/2006, não havia escoado o prazo decadencial de cinco anos na contagem do § 4º do art. 150 do CTN, nem de qualquer outra forma de cômputo do lapso temporal quinquenal. Logo, não há que se falar em decadência do crédito tributário. Mérito 27. As alegações de defesa quanto à existência de falhas do agente lançador no exame dos dados constantes nas folhas de pagamento disponibilizadas pela recorrente são irrelevantes para o deslinde do julgamento do recurso voluntário, eis que o lançamento fiscal pautouse exclusivamente nas importâncias de valecombustível escrituradas na contabilidade da empresa. 28. Não há dúvidas que os livros contábeis servem de prova tanto a favor quanto contra o contribuinte, quando mantidos com observância das formalidades legais. Porém, a comprovação dos fatos nele registrados demanda a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo a natureza do lançamento contábil (fls. 694/728). Nesse sentido, o art. 26 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º). (...) Fl. 832DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 833 9 29. O pagamento de auxílio combustível aos segurados empregados pode ou não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme as condições da política da empresa para concessão dessa parcela aos trabalhadores. É fundamental identificar se os pagamentos têm origem "para" ou "pelo" trabalho. 30. O valecombustível não será tributado pela contribuição previdenciária apenas quando destinado a cobrir despesas dos empregados com utilização de veículo próprio para o desempenho de atividades laborativas, em que não há acréscimo patrimonial para os segurados contemplados com tal benefício. Nessa hipótese, o pagamento dáse para o trabalho, e não é fornecido como contraprestação pelo trabalho. 31. Para colocar a salvo da incidência tributária, é imprescindível a comprovação da realização de despesas com combustível no interesse do empregador, mediante gastos despendidos com o uso de veículo particular pelo trabalhador beneficiado. 32. Aduz a recorrente no recurso voluntário que o valecombustível é concedido aos trabalhadores, os quais utilizam seus próprios veículos no interesse de atividades da empresa, mediante uso de cartão eletrônico com comparecimento diretamente nos postos de abastecimento, evitandose que portem dinheiro. 33. Nada mais fez a fiscalização do que intimar a empresa a apresentar a documentação que respaldava os pagamentos, com o fim de demonstrar a natureza indenizatória da verba. Contudo, a fiscalizada deixou de exibir os documentos no curso do procedimento fiscal. 34. Com a finalidade de demonstrar a natureza indenizatória dos pagamentos efetuados aos segurados empregados, a recorrente acostou aos autos cópias de faturas, relação de beneficiários do valecombustível e, por amostragem, contratos de prestação de serviços "Vale Combustível Smart" para fornecimento de cartões eletrônicos e senhas (fls. 731/773). 35. Os documentos acostados pela recorrente são insuficientes para demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer em face da exigência fiscal, porque não comprovam que as pessoas ali enumeradas efetivamente utilizam veículo particular para execução das tarefas laborais externas, tampouco a documentação revela um mínimo controle individual de fornecimento de combustível atestando que o valor repassado equivale a uma recomposição do patrimônio inicial do segurado empregado, desfalcado devido à realização de trabalho no interesse do empregador. 36. Destarte, não merece reforma a decisão de piso que manteve a exigência do crédito tributário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, AFASTO a preliminar, REJEITO a decadência e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 833DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 834 10 Voto Vencedor Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Peço vênia ao Ilustre Relator para divergir do seu ponto de vista quanto à preliminar de nulidade do lançamento por vício material. Conforme bem observado no bojo do voto do Relator, o lançamento de ofício encontrase respaldado na existência de conduta omissiva da empresa no que concerne à apresentação de documentação, com a inversão do ônus probatório quanto à natureza não remuneratória das parcelas apuradas pelo agente fiscal a título de pagamento de vale combustível, de acordo com o que determina o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ocorre que agente fiscal exigiu a apresentação da documentação na filial da empresa localizada em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador do acervo contábil e fiscal, devidamente indicado no contrato social, no qual mantinha toda a documentação necessária requerida pela fiscalização. Destaquese ainda que o domicílio tributário eleito pelo contribuinte foi devidamente reconhecido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do processo nº 2003.51.01.0224300, como a sede da empresa localizada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Rio das Flores – RJ. Referida decisão judicial, já transitada em julgado, confirma a falta de validade dos atos praticados pela fiscalização quanto à desconsideração do estabelecimento da empresa concentrador dos documentos necessários aos procedimentos fiscais, os quais estariam disponibilizados à fiscalização quando solicitados. Nesse diapasão, a forma como restou conduzido o procedimento fiscalizatório, no meu modo de ver, não foi a mais razoável e eficiente na comunicação da fiscalização com o contribuinte no que tange a intimação para apresentação de documentos, o que é pressuposto indispensável à validade do lançamento, conforme preceitua o artigo 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Com efeito, o modo como desenvolvida a ação fiscal, além de desrespeitar as normas relativas ao procedimento fiscal quanto à apresentação de documentos, que em regra ocorre no estabelecimento matriz centralizador da empresa, dificultou, sobremaneira, os esclarecimentos que se faziam necessários, principalmente tendo em vista a complexidade da Fl. 834DF CARF MF Processo nº 12267.000319/200859 Acórdão n.º 2401005.186 S2C4T1 Fl. 835 11 fiscalização e o grande volume da documentação envolvida, o que compromete diretamente a fundamentação sob a qual foi respaldada a infração. Assim, considerando os fatos expostos e todos os elementos trazidos aos autos, entendo que a falta de intimação da empresa para a apresentação de documentos em seu estabelecimento centralizador, reconhecido judicialmente, macula o lançamento por vício material, na medida em que cerceou o direito de defesa da contribuinte, o que torna nulo o procedimento fiscal desde a sua origem, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar para reconhecer a nulidade do lançamento de ofício, por vício material. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 835DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900824/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 24 /2 01 1- 30 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.900824/201130 Acórdão n.º 3301004.239 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.125. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.900824/201130 Acórdão n.º 3301004.239 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900824/201130 Acórdão n.º 3301004.239 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 13853.000028/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2001, 2002
IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO MEDIANTE RETIFICADORA. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade julgadora apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da declaração de IRPJ original, tendo o
contribuinte apresentado DIPJ retificadora, desde que sua finalidade seja comprovar o erro cometido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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COMPENSAÇÃO Recorrente USINA BATATAIS SA ACUCAR E ALCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO MEDIANTE RETIFICADORA. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade julgadora apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da declaração de IRPJ original, tendo o contribuinte apresentado DIPJ retificadora, desde que sua finalidade seja comprovar o erro cometido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13853.000028/200317 Acórdão n.º 140200.566 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório USINA BATATAIS SA ACUCAR E ALCOOL recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto (SP) em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em 11/05/2003 a interessada aviou a declaração de compensação de fls. 01/02 visando a restituição do valor de R$ 25.952,44 ao pressuposto de pagamento a maior de Imposto de RendaPessoa Jurídica (IRPJ), sendo R$ 21.325,46 referente ao ano calendário de 2001 e R$ 4.626,98 relativo ao anocalendário de 2002. Concomitantemente, objetivou a compensação desse crédito com parcelas do imposto de renda retido na fonte, concernentes a rendimentos do trabalho assalariado e remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica, relativas ao período de apuração de fevereiro de 2003, vencidas em 12/02/2003. O feito se fez acompanhado de cópias de atas de assembléias gerais que aprovam seu estatuto social e de procuração. Em abril de 2004 a Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto intimou a interessada para apresentação de cópias dos balanços patrimoniais de 2001 a 2003, da conta do IRPJ a recuperar dos meses de dezembro de 2002 a março de 2004 e do livro “razão analítico” que expressasse e a movimentação da conta referenciada no anocalendário de 2002. Em atendimento, a requerente ingressou com a resposta e documentos de fls. 27/67. Adveio o despacho decisório de fls. 343/347 reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 92.319,24 a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Quanto ao anocalendário de 2001 o despacho em foco fez expressa referência a outro despacho decisório, exarado nos autos do processo administrativo nº 13853.000189/200211. Referido processo, a propósito, encontrase na Agência da Receita Federal em Batatais/SP desde 21/06/2006, fl. 230. Pela cópia daquele despacho, encartada às fls. 22/23, vêse que foi reconhecido o direito creditório contra a Fazenda Nacional, por conta de saldo negativo de IRPJ desse anocalendário de 2001, na importância de R$ 245.755,18 que, subtraídas de autocompensações efetuadas pela própria contribuinte (compensações sem DARF e sem processo), resultou na quantia líquida de R$ 98.874,45. Seguiramse as homologações parciais das compensações que tomaram em conta os créditos reconhecidos, tanto aquela indicada no presente processo, como também aquela outra versada no processo acima citado e, ainda, as declaradas nos processos nºs. 13853.000198/200317, 13853.000194/200224, 13853.000192/200235, 13853.000190/200246, 13853.000249/200290, 13853.000032/200377, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13853.000028/200317 Acórdão n.º 140200.566 S1C4T2 Fl. 3 3 13853.000203/200287, 13853.000090/200309 e 13853.000226/200291, daí resultando a cobrança do crédito tributário (débito fiscal) remanescente, fls. 74/75. Em suma: o direito creditório foi reconhecido em dois processos, enquanto o encontro de contas se deu, além destes, também em outros nove. Regularmente cientificada, a interessada ingressou com duas peças recursais, tempestivas, uma apresentada no processo administrativo nº 13853.000090/200309 e outra no processo administrativo nº 13853.000226/200291. Despachei à fl. 83 no sentido de que as resistências fossem transportadas para o presente processo ou, alternativamente, a juntada de cópias, de forma a possibilitar o julgamento nestes autos, já que o direito creditório aqui foi reconhecido (ao menos aquele que se refere ao anocalendário de 2002), advindo, então, o encarte de cópias às fls. 84/228. No inconformismo atinente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, apresentado no processo nº 13853.000090/200309, a recorrente argumenta, em síntese, que o seu crédito é, realmente, de R$ 92.319,24, porém, não procede a cobrança de débito fiscal remanescente em vista de ter sido extinto pelo crédito de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, consoante detalhadamente demonstrado na manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 13853.000226/200291. Já na tocante ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, cujo inconformismo foi apresentado no processo nº 13853.000226/200291, a recorrente aduz, em síntese, que cometeu erro no preenchimento da DIPJ, não sendo informado o crédito de R$ 62.995,23 de imposto que lhe foi retido por fontes pagadoras quando de recebimentos de aplicações financeiras, conforme informes de rendimentos anexados. Assim, face ao erro na prestação de informações, constou na “linha 18” da “ficha 12” da DIPJ o saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 245.755,18, sendo o valor correto R$ 308.750,41. Em decorrência, apresentou DIPJ retificadora, cópia anexada, e requer a revisão das compensações vinculadas ao crédito em epígrafe, bem como, o cancelamento da cobrança e a juntada de novos documentos. A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. INCOMPETÊNCIA. Caracteriza novo do pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública formulado na manifestação de inconformidade. Solicitação indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13853.000028/200317 Acórdão n.º 140200.566 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de recolhimentos do IRPJ dos anos de 2001 e 2002. O pleito do contribuinte foi indeferido pela DRF de origem sob o fundamento de que todo o valor originalmente pleiteado nas DIPJ foram reconhecidos e compensados. O contribuinte apresentou então manifestação de inconformidade, alegando erro no preenchimento da DIPJ/2001, para justificar seu pleito. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância, da lavra do ilustre julgador Jose Sergio Gomes: Como visto, não há litígio no concernente aos indébitos fiscais originariamente peticionados, quais sejam, R$ 92.319,24 a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 e R$ 245.755,18 (valor bruto, anterior às autocompensações) por conta do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, vez que a autoridade fiscal reconheceu, contra a Fazenda Nacional, direito a essas exatas cifras. Após a ciência do resultado totalmente favorável, que se deu em 06/07/2004, e ante a cobrança de débitos fiscais que não foram anulados no encontro das contas, em face da insuficiência dos créditos postulados, e reconhecidos, a contribuinte transmitiu pela internet, em 13/07/2004, nova Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para aumentar o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2001 ao patamar de R$ 308.750,41, inserindo na “linha 13” da “ficha 12A" o imposto de renda na fonte na ordem de R$ 62.995,23, fls. 131 e 133. Certo, por sua vez, que a Recorrente apresentou os informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras, porém só o fez com suas manifestações de inconformidade, e isso em data de 22/07/2004, posteriormente, portanto, às decisões administrativas. Sem adentrar em juízo quanto a possibilidade de retificação da DIPJ e do lastro, em tese, na pretensão do IRRF espelhado pelos informes de rendimentos trazidos às fls. 126/130, encontrase aflorado um novo pedido. Como tal, não há de ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque a autoridade fiscal fora alijada, seja porque falece competência a esta Turma para apreciação originária, a ver pelos artigos 174 e 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro de Estado da Fazenda nº 95, de 30 de abril de 2007: “Art. 238. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbe, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) VI decidir sobre a concessão de regimes aduaneiros especiais e pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13853.000028/200317 Acórdão n.º 140200.566 S1C4T2 Fl. 5 5 (...) “Art. 174. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (...) III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. (ênfase acrescida) (...) Art. 175. Às turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a III do artigo anterior.” Finalmente, quanto ao pedido de juntada posterior de documentos, há que se observar os requisitos previstos nos §§ 4°a 6º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. Com tais razões, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. Peço vênia para discordar do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Os fundamentos da decisão estariam corretíssimos, caso o contribuinte houvesse mesmo apresentado novo pleito. Penso que não: o pedido do contribuinte permaneceu o mesmo, qual seja, reconhecimento de direito creditório do IRPJ anoscalendário 2001 e 2002. Na peça recursal o contribuinte alega ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ/2002, ano de 2001, tendo apresentado provas desse erro e consequentemente a DIPJ retificadora. Veja que no pleito original o contribuinte não informa o valor total do saldo negativo e sim o valor que pretendia compensar. Registrese que não há que se falar em retificação do lançamento original, isso porque a retificação não alterou o valor do IRPJ devido e sim do saldo negativo de recolhimento, em razão de não ter informado corretamente o valor do IRFonte. Portanto, cabível a apreciação do pleito (mérito) pela DRJ. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras, e suas respectivas provas, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10880.679898/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 98 /2 00 9- 85 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 25971.98955.180607.1.3.040025, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma e que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679898/200985 Acórdão n.º 2201004.321 S2C2T1 Fl. 85 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 86DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679898/200985 Acórdão n.º 2201004.321 S2C2T1 Fl. 86 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 88DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. Tampouco foram juntadas aos autos as DCTF retificadoras, a qual foi, conforme informações disponíveis nos sistemas da RFB, apresentada em 02/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679898/200985 Acórdão n.º 2201004.321 S2C2T1 Fl. 87 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 90DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679898/200985 Acórdão n.º 2201004.321 S2C2T1 Fl. 88 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000597/2009-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000597/200953 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.027 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CRÉDITOS DE TERCEIRO Recorrente DILELI & SILVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 05 97 /2 00 9- 53 Fl. 202DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ Curitiba, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte acima qualificada. A interessada apresentou PER/DCOMP em 08/2008 (fls. 7), pleiteando créditos constantes do processo 13956.000170/200641, que a legislação considera não ter natureza tributária, por ter origem em títulos públicos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. A DRF de origem indeferiu o pleito, sob argumento de não existir previsão legal para extinção de créditos tributários mediante compensação com títulos públicos emitidos pela Eletrobrás. Devido à proibição normativa à compensação desse tipo de crédito, foi formalizado no presente processo lançamento de multa de ofício isolada de 75%, com base no art. 18 da Lei n.° 9.430/1996. Por bem descrever os fatos ocorridos até este momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Trata o processo de lançamento de R$ 7.135,07 de multa de 75%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 23/27, em virtude de compensações consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório da DRF/Maringá, emitido no Processo Administrativo n.° 13956.001189/200876 (fls. 18/21), decorrente de crédito que adviria de cautela de obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cuja restituição foi solicitada em processo administrativo distinto (n.° 13956.000170/200641); o fundamento legal da autuação encontrase descrito às fls. 25/26. Cientificada em 24/03/2009 (fl. 30), a interessada enviou, pela via postal, em 22/04/2009 (fl. 31), a impugnação de fls. 32/50, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. Em preliminar, fazendo menções à doutrina e à jurisprudência, alega, no item 'II. 1 Da multa confíscatória', que a exigência em debate estaria ferindo o que prevê o art. 150, IV da Constituição Federal de 1988, ou seja, a penalidade aplicada teria efeito de confisco; por seu turno, sob o título 'II.2 Da ilegalidade da Selic', argumenta que, no caso, é induvidosa e necessária a exclusão da cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic. Como matéria de mérito, no item 'III. 1 Do incomprovado dolo de sonegação fiscal', diz (fl. 40): 'Após induzir a contribuinte sistematicamente ao erro, conforme exaustivamente demonstrado, provado e comprovado, a fiscalização olvidando o disposto no § único do artigo 142, CTN atividade plenamente vinculada, tenta aplicar a pecha de sonegação, a um executivo como interposta pessoa, sem prova convincente da existência de ação dolosa'; na seqüência, tece considerações sobre o que significaria 'o evidente intuito de fraude', culminando por afirmar inexistir razão para se aplicar, no caso, a multa qualificada de 150%. Já, no item 'III.3 Do princípio da proporcionalidade na aplicação da penalidade pecuniária', depois de fazer comentários sobre princípios constitucionais (legalidade e proporcionalidade), bem como sobre a aplicação de multa de 150%, em razão de evidente intuito de fraude, afirma (fl. 45): 'portanto, compulsandose a documentação que faz parte de todo o processo administrativo envolvendo as Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10950.000597/200953 Acórdão n.º 1002000.027 S1C0T2 Fl. 3 3 respectivas empresas, em nenhum momento conseguese comprovar a ação doloso (sic) dos respectivos sócios, ou que os mesmos pudessem ter a intenção deliberada de formação de grupo econômico como pretende a fiscalização fazendária.' Por fim, requer que se reconheça a nulidade do lançamento, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. À fl. 63, despacho da ARF/Umuarama atestando a tempestividade da impugnação." A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 20/08/2008,18/09/2008, 20/10/2008 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas na legislação que regula o processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CAUTELAS ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Considerada nãodeclarada a compensação em face da pretensão de utilização de crédito nãoadministrado pela Secretaria da Receita Federal, aplicável a multa isolada na forma prevista na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 142. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 204DF CARF MF 4 A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ na terça feira, dia 08/12/2009 (efl. 140) e apresentou seu recurso voluntário somente na sextafeira, dia 08/01/2010 (efl. 142), portanto, um (01) dia após o vencimento do prazo, o Recurso Voluntário é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.001291/2001-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001.
As informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001.
Numero da decisão: 2102-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
ASSINADO DIGITALMENTE
José Raimundo Tosta Santos - Presidente à época da reimpressão em PDF
ASSINADO DIGITALMENTE
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Relator
Acórdão reimpresso em PDF, depois de formalizado em papel em 2010, por solicitação da Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF
EDITADO EM 02/12/2010
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001. As informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001.
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De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001. As informações da CPMF podem ser utilizadas para constituir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes da publicação da Lei nº 10.174/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 12 91 /2 00 1- 31 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 138 2 ASSINADO DIGITALMENTE José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da reimpressão em PDF ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Acórdão reimpresso em PDF, depois de formalizado em papel em 2010, por solicitação da Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF EDITADO EM 02/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 120 a 133, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 93 a 115, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 04 a 07 dos autos, lavrado em 23/07/2001, relativo ao anocalendário 1998, com ciência da RECORRENTE em 23/07/2001, conforme declaração no rosto do auto de infração (fl. 04). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 239.608,85, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 05, o lançamento teve origem na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários a descoberto. Intimada a apresentar a origem dos depósitos constantes do Termo de Constatação e de Intimação nº 01 e do Termo de Retificação do Termo de Constatação e de Intimação nº 01, a RECORRENTE deixou de comproválos, ficando, portanto, mantida a presunção de omissão de receitas nos termos do artigo 21 da Lei 9.532/97. Conforme o Termo de Início de Fiscalização de fls. 08 e 09, durante a ação fiscal, a RECORRENTE foi intimada, em 27/03/2001, para: (i) apresentar os extratos relativos à conta bancária no Banco Itaú que deram origem à movimentação financeira; (ii) para comprovar a origem dos recursos nela depositados; e (iii) para apresentar comprovante de entrega da declaração de rendimentos do anocalendário 1998. De acordo com o Termo de Constatação e de Intimação nº 01 (fls. 12 e 13), ao analisar os extratos bancários de fls. 20 a 50 entregues pela RECORRENTE, a autoridade Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 139 3 fiscal elaborou relação de fls. 14 a 19, indicando, mês a mês, os depósitos de origem não comprovada durante o anocalendário 1998. Assim, intimou a RECORRENTE, em 17/05/2001, para apresentar as origens dos referidos depósitos. Em 30/05/2001, a RECORRENTE apresentou documento de fl. 51, assinado em conjunto com Marcél Terezan (CPF nº 120.812.67845) através do qual declara que toda a movimentação bancária relativa a depósitos junto ao Banco Itaú S/A, durante o anocalendário 1998, na conta corrente nº 2166304, nos valores indicados na relação elaborada pela autoridade fiscal (fls. 14 a 19), seriam de origem e de responsabilidade de Sr. Marcél Terezan. Contudo, não apresentou qualquer documento que embasasse tal alegação. Em 19/07/2001, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Retificação do Termo de Constatação e de Intimação nº 01 (fls. 52 e 53), através do qual constatou a existência de erros de soma dos depósitos de origem não comprovada, referentes aos meses de agosto a dezembro de 1998, constantes na relação de fls. 14 a 19. Assim, foi efetuada a retificação de tais valores, bem como foi procedida a exclusão dos cheques devolvidos durante todo o anocalendário 1998 (fls. 54 a 67), sendo elaborado novo quadro demonstrativo (fl. 54) o qual indica o valor líquido dos depósitos. A RECORRENTE foi novamente intimada para se manifestar a respeito dos novos valores apurados pela fiscalização. Por não haver resposta da RECORRENTE, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração, com base no valor líquido dos depósitos (fl. 54), que totalizou R$ 428.024,52, sendo apurado o valor do imposto de renda de R$ 113.386,74, conforme demonstrativo de fl. 06, sujeito à aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios, conforme demonstrativos de fl. 07. DA IMPUGNAÇÃO Em 20/08/2001, a RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 71 a 89, por meio da qual expôs a seguinte matéria de defesa: Nulidade – ilegitimidade passiva O agente autuante ignorou a declaração conjunta prestada pela RECORRENTE e pelo Sr. Marcel Terezan (fl. 90), na qual os signatários afirmam que os recursos transitados pela contacorrente movimentada no Banco Itaú S/A pertencem exclusivamente ao Sr. Marcel Terezan. Sem o aprofundamento da investigação, o auto de infração perde o atributo da certeza, pois há fundada dúvida sobre a titularidade do rendimento indiretamente tributado. A adoção da indigitada presunção legal, neste contexto, impediu que a real sujeição passiva fosse revelada. Assim sendo, no mínimo, faltou iniciativa fiscal no sentido de revelar a verdade material, princípio esse de observância obrigatória também na fase de fiscalização. Estando comprovado que o Sr. Marcel Terezan supriu a contacorrente bancária em foco, concluise que o lançamento de ofício em questão é nulo de pleno direito por Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 140 4 erro na eleição do sujeito passivo, tecnicamente denominada de ilegitimidade passiva, tendo em conta que a contribuinte autuada não é a titular do rendimento indiretamente tributado. Nulidade – autuação centrada em prova ilícita Para a RECORRENTE, a exigência fiscal está calcada em prova obtida ilicitamente, posto que, no período autuado (1998), os depósitos bancários estavam protegidos pelo sigilo bancário. Para garantir a instituição da CPMF, o Poder Executivo concordou com a introdução, na Lei instituidora da nova contribuição, de um dispositivo vedando a utilização das informações conhecidas a partir dos seus recolhimentos para alimentar a fiscalização de outro tributo, mediante a inserção do § 3° ao art. 11 da Lei 9.311/96. Se esses dados estão protegidos pelo sigilo, o uso para a instrução dos procedimentos fiscais de Imposto de Renda, indiscutivelmente, tipifica a ilicitude da prova utilizada, com ofensa direta ao art. 50, inciso LVI, da Constituição Federal. E continua a RECORRENTE a defender que com esse artifício ilegal, o Fisco pretende contornar dois obstáculos intransponíveis, a saber: (i) o acesso aos extratos bancários distantes do seu poder, pois a Lei 9.311/96, como visto, impede; e (ii) o sigilo sobre a sua movimentação bancária. Essa diretriz fiscal, além da sua manifesta deslealdade, obriga o fiscalizado a participar na formação de uma prova ilícita, posto que, além de franquear os seus dados, vêse forçado a revelar os dados de terceiros, pois em toda movimentação bancária há sempre um terceiro envolvido. Portanto, reconhecer o impedimento no uso dessa prova ilícita transcende o âmbito do controle da legalidade do ato administrativo de lançamento. A pretensa defesa do interesse público, vislumbrada no também imaginário crédito tributário, não pode ser apontada como justificativa para a desconsideração das leis. Irretroatividade da Lei nº 10.174/01 Para a RECORRENTE, não se pode alegar que o impedimento estabelecido pela Lei 9.311, de 24 de outubro de 1996, foi afastado pela Lei n° 10.174, publicada em 10.01.2001, de forma retroativa. É inquestionável que a irretroatividade das leis pátrias se insere no contexto das garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal de 1988, irretroatividade essa, no plano geral, vedada pelo art. 5º, inciso XXXVI. No caso concreto, o sigilo dos dados armazenados no âmbito da CPMF estava assegurado pelo § 3º, do art. 11, da Lei 9.311/96. O comando desse § 3º não deixa nenhuma dúvida a esse respeito, ao dispor: “a Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos”. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 141 5 Portanto, a tentativa do Fisco em utilizar as movimentações bancárias do ano calendário de 1998, além da ilicitude na formação da prova, traduz uma indiscutível ofensa ao princípio da irretroatividade das leis. Portanto, a RECORRENTE tem como certo que a permissão conferida ao Fisco para a utilização livre dos dados provenientes da CPMF só deve alcançar as operações bancárias ocorridas a partir de 10.01.2001, pois esta foi a data de publicação da Lei nº 10.174/01, que mediante a alteração na redação do § 3°, do art. 11, da Lei 9.311/96, tornou teoricamente possível a utilização dos dados da CPMF para a fiscalização de outros tributos. Assim, não poderia o Fisco utilizar os dados da CPMF correspondentes às vislumbradas movimentações bancárias do anocalendário de 1998, o que resulta na aplicação retroativa da mencionada Lei 10.174/01. Também não se pode afirmar que o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001, sob a alegação de que tal dispositivo permite a aplicação imediata da lei que contemple novos poderes de investigação. Em primeiro plano, ela não leva em conta o obstáculo intransponível da irretroatividade das leis tributárias, princípio esse que, em reforço enfático à previsão contida no art. 5º, inciso XXXVI, foi especialmente destacado no art. 150, inciso III, alínea “a”, da Constituição. Diante desse óbice constitucional, o § 1° do art. 144 do CTN não pode conferir efeito retroativo à Lei nº 10.174/01. Ademais, a aplicação do § 1° do art. 144 do CTN só tem lugar quando não existir lei protegendo os dados pretéritos, o que não ocorre no caso vertente, posto que, como visto, por disposição expressa contida no § 3º, do art. 11, da Lei 9.311/96, estava vedada a utilização dos dados originários dos recolhimentos da CPMF para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. Defendeu que o § 3º, do art. 11, da Lei nº 9.311/96, por ter natureza especial, não pode ser alterado por uma norma geral, como é o caso da regra contida no § 1° do art. 144 do CTN. Portanto, a RECORRENTE concluiu que, no presente caso, seria ilícita a prova centrada nos depósitos bancários. Os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos Entre as novas presunções legais de renda instituídas pela Lei n° 9.430, de 1996, encontrase os depósitos em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular não consiga comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações – art. 42 da lei citada. Essa presunção legal, pelo menos no tocante às pessoas físicas, encontra sérios obstáculos técnicos para a sua instituição e posteriormente para sua concreção. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 142 6 Afirmou que a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Portanto, entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção. No que tange às pessoas físicas, essa inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Vale dizer, nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Vários são os motivos que impedem a materialização dessa correlação lógica. Em primeiro lugar, não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos: o fato desconhecido pode ser de outra natureza. Ademais, a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda. Afirmou que depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Portanto, só o fluxo teria a conotação de acréscimo patrimonial. Nesse sentido, citou jurisprudências do antigo Conselho de Contribuintes, bem como o teor da súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR, a qual disciplinava ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Dessa forma, concluiu que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Posto isso, a RECORRENTE defende que, no tocante à pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 93 a 115 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 143 7 Ementa: NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A presunção contida no artigo 42 da Lei 9.430/96 indica que o titular da conta de depósitos deve responder pelos recursos nela movimentados, quando não ficar comprovado que pertencem a terceira pessoa. In casu, sendo a contribuinte a única titular da conta bancária e não tendo demonstrado, mediante documentação hábil, ser outro o real beneficiário dos depósitos que foram objeto da presente autuação, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva. NULIDADE. PROVAS ILÍCITAS. SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há, Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 144 8 portanto, obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, foram rebatidas as alegações da RECORRENTE, sintetizadas adiante: Do julgamento das preliminares pela DRJ: Em relação à nulidade arguida, apontou que as causa que ensejam a nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. No presente caso, o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e foi dado ao contribuinte o direito de defesa. Temse, ainda que na lavratura do auto de infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n°70.235, de 1972. (i) Ilegitimidade passiva Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva, a DRJ esclareceu que, conforma consta dos extratos bancários (fls. 20 a 50), a RECORRENTE é titular exclusiva da conta corrente n° 216304, da agência 0658 do Banco Itaú S/A, no ano de 1998. Assim, como a presunção contida no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996 indica que é o titular da conta corrente o responsável pela comprovação de origem dos créditos havidos, sob pena de ser lhe imputada a omissão de rendimentos. Assim, caso o responsável pela movimentação financeira não seja o contribuinte titular da conta, é seu o ônus comprovar o fato, e não do Fisco. Desta forma, a simples declaração apresentada pela RECORRENTE (fls. 51 e 90), desprovida de efetiva comprovação da origem dos recursos, coincidente em datas e valores, não constitui meio de prova suficiente e eficaz para afastar a omissão de rendimentos a ela imputada. É fato incontestável, pela documentação acostada nos autos, que interessada é a titular da conta 216304, mantida junto ao Banco Itaú S/A, pelo que não se configura a alegada ilegitimidade passiva. Portanto, procedente a fiscalização que autuou na pessoa da impugnante os rendimentos omitidos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, referentes à conta bancária de titularidade da interessada; não havendo que se falar em ilegitimidade passiva, e por conseguinte, em nulidade do lançamento. (ii) Prova ilícita Quanto ao argumento de que o lançamento foi efetuado com informações colhidas de forma ilícita, em razão do impedimento disciplinado pelo § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96, a autoridade julgadora esclareceu que a própria autuada forneceu os extratos relativos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 145 9 à sua conta corrente junto ao Banco Itaú S/A n° 216304 (fls. 20 a 50), não tendo sido necessária a emissão de requisição de informações diretamente às instituições financeiras, por parte da Fiscalização. Ademais, registrou que a Lei n° 10.174, de 09/01/2001, mediante a alteração do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24/10/1996, ampliou os poderes de investigação do fisco, ficando autorizada a instauração de procedimento de fiscalização referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, ou qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF, observandose o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações posteriores. Apontou que o § 3º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001 prevê expressamente que o fornecimento de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo. Percebese ainda que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, poderia solicitar às instituições bancárias extratos das contas de depósito do interessado, sem que isso caracterizasse quebra de sigilo bancário (art. 6° da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, afirmou que o acesso do Fisco aos dados de movimentação financeira independe de autorização judicial, desde que haja procedimento de fiscalização em curso ou processo administrativo instaurado, encontrandose plenamente legitimado pelo ordenamento jurídico. Pelas normas vigentes, a utilização das informações obtidas junto às instituições financeiras pela Autoridade Fiscal, além de amparada legalmente, não se constitui em quebra de sigilo bancário, mas apenas a sua transferência ao Fisco, que, por força de lei, é obrigado a conserválo. Sobre o tema, citou os arts. 918, 998 e 999 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), bem como os arts. 8º, 9º e 10 do Decreto nº 3.724/2001 (que regulamenta o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). (iii) Irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 No que se refere à arguição de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 aos fatos geradores anteriores à data de publicação da mencionada lei, a DRJ afirmou que a matéria deve ser examinada à luz do art. 144 do CTN. O caput deste dispositivo legal põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. Apontou que o § 1° do art. 144, ao regular matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Assim, autorizada a instauração do procedimento de fiscalização, a partir de informações sobre a movimentação bancária relativas à CPMF, caso seja detectada qualquer infração cujo fato gerador seja anterior à vigência da Lei n° 10.174/2001, esta infração pode ser objeto de lançamento. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 146 10 Sobre o tema, a autoridade julgadora mencionou o entendimento doutrinário, citou acórdãos do STJ, além de afirmar que a posição já se encontrava consolidada no âmbito administrativo em razão da decisão proferida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.021) e da publicação do Parecer PGFN/CAT/Nº 649/2003 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Do julgamento do mérito pela DRJ: Por entender que a RECORRENTE não comprovou as origens dos créditos em sua conta corrente, a DRJ manteve o lançamento sob o argumento de que a autoridade fiscal tem autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte, havendo a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, caberia à RECORRENTE refutar a presunção contida na lei mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 09/05/2006, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 119, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 120 a 133, em 26/05/2006. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE repetiu os mesmos argumentos de sua impugnação, razão por que opto por não repetir o resumo já feito em trecho anterior deste relatório. E por tais razões, requereu a total reforma da decisão de primeira instancia. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 05 e com os Termos de Constatação de fls. 12/13 e 52/54 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 147 11 de a RECORRENTE não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente no valor total de R$ 428.024,52, durante o anocalendário 1998. Mesmo intimada diversas vezes durante a ação fiscal, a RECORRENTE afirmou apenas que os valores depositados em sua conta corrente nº 216304, na agencia 0658 do Banco Itaú S/A, pertenciam ao Sr. Marcel Terezan, conforme declaração assinada conjuntamente com este (fl. 51). Quando da apresentação de sua impugnação de fls. 71 a 89, a RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos que ocasionaram o presente lançamento através de documentação hábil e idônea. Ocorre que a RECORRENTE limitouse a declarar que o presente lançamento seria nulo e arguir que simples depósitos bancários não sustentariam a presunção legal de omissão de receitas, sem, contudo, trazer aos autos qualquer prova de suas alegações. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, também não trouxe aos autos qualquer documentação capaz de embasar suas alegações. Em suas razões de apelo, a RECORRENTE, em síntese, alegou,: (i) a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001; (ii) ilegalidade da aplicação de presunções para justificar a incidência de tributo; (iii) que havia comprovado durante toda fase de instrução que não obteve qualquer ganho, não podendo se falar em qualquer disponibilidade econômica, pois os valores que transitaram pela sua conta bancária nunca foram seus, visto que pertenciam exclusivamente a terceiro. Em princípio, quanto às alegações de inconstitucionalidade sobre a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à competência deste órgão de julgamento, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta forma, a teor do disposto na Súmula nº 02, o CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, sobre este mesmo tema que envolve a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001, esclareçase que tal matéria também é sumulada, razão pela qual invoco a Súmula nº 35 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Quanto à alegação da RECORRENTE de que o lançamento seria improcedente, pois havia se baseado em mera presunção de omissão de rendimento, cumpre esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 148 12 conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso, ao contrário do que afirmou a RECORRENTE em seu recurso. Apesar da perfeita indicação de quais valores se pedia justificativa de origem (conforme fls. 14 a 19 e fl. 54 dos autos), a RECORRENTE, mesmo intimada por duas vezes (fls. 13 e 53), não comprovou a origem dos depósitos efetuados na referida conta. Após a primeira intimação, a RECORRENTE apresentou declaração de que toda movimentação bancária relativa a depósitos junto ao Banco Itaú S/A, na conta nº 216304, durante o ano calendário 1998, seriam de origem e de responsabilidade do Sr. Marcel Terezan (fl. 51). Ora, é frágil a defesa da RECORRENTE, pois tenta justificar que os recursos creditados em sua conta pertenciam a terceiro a partir de simples declaração assinada pela RECORRENTE e pelo Sr. Marcel Terezan, sem que fosse apresentado qualquer documento, hábil e idôneo, capaz de comprovar tais alegações. O terceiro também não era correntista em conjunto com a RECORRENTE. Inexiste, portanto, qualquer documento ou indício de prova de origem dos depósitos bancários, que pela quantidade e valores, deveriam ter merecido cuidadoso acompanhamento por parte da RECORRENTE. Importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o tema: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 149 13 julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 150 14 AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento visto que existe previsão legal que autoriza o Fisco tributar os depósitos de origem não comprovadas. A RECORRENTE deveria comprovar a origem dos créditos através de documentação hábil e idônea, não sendo bastante simples declaração de que os valores depositados em conta corrente de sua titularidade não lhes pertenciam. Ademais, e por fim, não se pode defender respeito à súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR, uma vez que o presente lançamento foi efetuado com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, conforme julgado abaixo transcrito: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR E DECRETOLEI NO 2.471, DE 1988. INAPLICABILIDADE A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, bem como o Decretolei no 2.471, de 1988, não se aplicam aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. Recurso voluntário negado. (recurso voluntário nº 155870; 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 11/09/2008)” Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13839.001291/200131 Acórdão n.º 2102001.023 S2‐C1T2 Fl. 151 15 Fl. 159DF CARF MF
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