Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.002875/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1994 a 10/11/1994
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA.
Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas, decai em 5 (cinco) anos, contados a partir do respectivo fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/11/1994 a 31/12/1996
DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
O dissídio jurisprudencial que enseja o conhecimento do recurso especial consiste na interpretação divergente da mesma norma, efetuada por órgãos judicantes distintos, aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não há, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos - recorrido e paradigma - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto, ou, mesmo apreciando a mesma questão, tenham contemplado circunstâncias fáticas distintas.
Recurso Especial do Sujeito Passivo Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-009.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1994 a 10/11/1994 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas, decai em 5 (cinco) anos, contados a partir do respectivo fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/11/1994 a 31/12/1996 DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. O dissídio jurisprudencial que enseja o conhecimento do recurso especial consiste na interpretação divergente da mesma norma, efetuada por órgãos judicantes distintos, aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não há, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos - recorrido e paradigma - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto, ou, mesmo apreciando a mesma questão, tenham contemplado circunstâncias fáticas distintas. Recurso Especial do Sujeito Passivo Não Conhecido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.002875/2001-16
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6105530
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-009.800
nome_arquivo_s : Decisao_10830002875200116.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830002875200116_6105530.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8014968
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650660954112
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-02T14:40:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-02T14:40:13Z; Last-Modified: 2019-12-02T14:40:13Z; dcterms:modified: 2019-12-02T14:40:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-02T14:40:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-02T14:40:13Z; meta:save-date: 2019-12-02T14:40:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-02T14:40:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-02T14:40:13Z; created: 2019-12-02T14:40:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-02T14:40:13Z; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-02T14:40:13Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.002875/2001-16 Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303-009.800 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 13 de novembro de 2019 Recorrentes FAZENDA NACIONAL UNILEVER BRASIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1994 a 10/11/1994 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas, decai em 5 (cinco) anos, contados a partir do respectivo fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/11/1994 a 31/12/1996 DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. O dissídio jurisprudencial que enseja o conhecimento do recurso especial consiste na interpretação divergente da mesma norma, efetuada por órgãos judicantes distintos, aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não há, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos - recorrido e paradigma - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto, ou, mesmo apreciando a mesma questão, tenham contemplado circunstâncias fáticas distintas. Recurso Especial do Sujeito Passivo Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 28 75 /2 00 1- 16 Fl. 1700DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.800 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.002875/2001-16 (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidam os presente autos de Auto de Infração para a formalização da determinação e da exigência de IPI, lavrado em 11/11/1999 originalmente no processo 10830.8887/99-32, abrangendo os períodos de apuração de 1-01/1994 a 3-07/1999, em decorrência da constatação de erro de classificação fiscal e/ou alíquota na saída de condicionadores e cremes para pentear, hidratante e tratamento para cabelos, "Creme Pond's Capsule 7 ml" e "Creme Pond's Gelolho 14 g". O lançamento foi totalmente impugnado. A DRJ/Carnpinas, por meio da decisão monocrática DRJ/CPS/002970/2000 (e-fls. 956 a 1003). Sobreveio recurso voluntário (e- fls. 1.070 a 1.143), por meio do qual o sujeito passivo ofereceu preliminar de decadência do direito de constituição de crédito tributário e de nulidade do lançamento em decorrência de erros na apuração do crédito tributário e da ausência de capitulação legal para a penalidade imposta. No mérito, controverteu a classificação fiscal dos condicionadores, dos produtos para a conservação e cuidados da pele e dos produtos Creme Pond's Cápsula 7 ml e o Creme Pond's Gelolho. A extinta Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário parcialmente procedente, para rejeitar as nulidades arguidas; acolher a preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional no período anterior a 11/11/94; cancelar o lançamento atinente à classificação fiscal dos condicionadores, e; manter o lançamento no que concerne À classificação fiscal dos cremes de beleza e dos produtos Creme Hidratante Seda Hidraloe 500 gr., Creme para Pentear Seda Ceramidas 300 ml. e Creme de Tratamento Seda Ceramidas 500 gr.. O Acórdão nº 303-30.619 (e-fls. 1193 a 1.236) recebeu a seguinte ementa:, por unanimidade de votos, acolheu a argüição de decadência de parte do débito lançado, relativo ao período anterior a 11/11/1994, e, quanto a classificação: IPI. DECADÊNCIA. No caso de lançamento de diferença de tributos, em que foi efetuado pagamento parcial, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, parágrafo 4°, contando-se o prazo decadencial a partir da data da ocorrência do fato gerador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os condicionadores que devem ser aplicados depois do xampu e enxaguados em seguida, ajudando a desembaraçar, sendo, portanto, também cremes rinse, devem ser classificados no código TIPI/88 3305.90.0100 e no Ex 01 do código TIPI/96 3305.90.00. 0 Creme Hidratante Seda Hidraloe 500 gr., o Creme para Pentear Seda Ceramidas 300 ml. e o Creme de Tratamento Seda Ceramidas 500 gr., produtos da recorrente, classificam-se no código TIPI/88 3305.90.9900 e no código TIPI/96 3305.90.00. Fl. 1701DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.800 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.002875/2001-16 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos Creme Pond's Cápsula 7 ml e o Creme Pond's Gelolho, de fabricação da recorrente, classificam-se no código 3304.99.0100 da TIPI/88 e 3304.99.10 da TIPI/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Regularmente intimada do Acórdão nº 303-30.619, a Representação Jurídica da Fazenda Nacional ofereceu recurso especial (e-fls. 1.239 a 1.243) com fulcro no art. 5°, inc. II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147 de 25 de junho de 2007, suscitando dissídio jurisprudência em face do Acórdão nº 203- 07.647, quanto à regra de contagem do prazo decadencial. O apelo foi admitido à CSRF pelo Despacho nº 122/2005 (e-fls. 1.268 a 1.270). O feito foi contrarrazoado (e-fls. 1.365 a 1.370). O sujeito passivo insiste na correção da decisão recorrida quanto à contagem do prazo decadencial, pugnando pela manutenção da parte que declarou a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01 de janeiro a 10 de novembro de 1.994, com a exclusão dos respectivos valores do auto de infração. O sujeito passivo também interpôs recurso especial (e-fls. 1.371 a 1.390), suscitando dissídio jurisprudencial quanto à classificação fiscal dos condicionadores denominados de creme hidratante Seda hidraloe 500g, creme para pentear Seda ceramidas 300m1 e creme de tratamento Seda ceramidas 500 g, e também dos produtos de beleza. Por meio do Despacho nº 152/2006 (e-fls. 1.397 a 1.399), a Presidente da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao apelo, exclusivamente, em relação à classificação fiscal dos produtos creme hidratante Seda Hidraloe 500gr.; creme para pentear Seda ceramidas 300m1, e; creme de tratamento Seda ceramidas 500gr. O requerimento de agravo (e-fls. 1.417 a 1.420) desse Despacho não foi conhecido por ter sido intempestivo, cfe. Despacho nº 9303-031 – 3ª Turma (e-fls. 1.430 a 1.432). O pedido de reconsideração deste Despacho tampouco foi conhecido, cfe. Despacho nº S/Nº - 3ª Turma (e.fls. 1.680). Em 21/12/2018, o sujeito passivo retornou aos autos, requerendo a juntada de documentos (e-1.683 a 1.694), que, no seu entender, subsidiariam o julgamento por este Colegiado. É o extenso Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. 1 Recurso Especial do Procurador 1.1 ADMISSIBILIDADE O recurso especial da Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 1702DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.800 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.002875/2001-16 1.2 MÉRITO A matéria da divergência interpretativa suscitada pela Fazenda Nacional, nesta fase recursal, restringe-se à contagem do prazo decadencial de que dispõe o Fisco dispunha para a constituição do crédito tributário em discussão. Segundo, seu entendimento, o prazo qüinqüenal deve ser contado a partir da data de homologação do lançamento do crédito tributário. Assim, o prazo decadencial só começaria a correr após decorridos cinco anos da data do fato gerador, somados mais cinco anos, totalizando 10 (dez) anos. A decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário, referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, dentre eles o IPI, foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, Código de Processo Civil, nos termos do julgamento do REsp nº 973.733/SC, cuja ementa assim dispôs: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Ora, de acordo com essa decisão, para os casos em que há antecipação de pagamento por conta das parcelas do tributo devido, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser efetuada, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da data do respectivo fato gerador; já para os casos em que o contribuinte não efetua quaisquer antecipações, a contagem deve ser efetuada nos termos do art. 173, inciso I, desse mesmo Código, ou seja, seja a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido constituído. No presente caso, os lançamentos abrangem a reclassificação dos produtos para higiene e tratamento capilar, em que se adotou a alíquota de 10%, alterada para 30%, e dos produtos para conservação e cuidados da pele, em que a alíquota usada, de 30%, foi modificada pela Autoridade Autuante para 40%. Portanto, havia ocorrido pagamento e a autuação refere-se a diferenças de impostos. Tratando-se de lavratura ocorrida em 10/11/1999 (cfe. e-fls. 431), o lançamento somente poderia ter abrangido fatos geradores ocorridos a partir de 10/11/1994. Assim, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), c/c a decisão do STJ, no REsp nº 973.733/SC, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser feita nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, a partir das datas dos respectivos fatos geradores, conforme decidiu o Colegiado da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Fl. 1703DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.800 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.002875/2001-16 2 Recurso Especial do Sujeito Passivo 2.1 ADMISSIBILIDADE Em seu recurso especial, o sujeito passivo argumenta que o recorrido Acórdão nº 303-30.619, na parte que manteve a autuação quanto ao "Creme hidratante Seda Hidraloe 500 gr.”; ao “Creme para Pentear Seda Ceramidas 300 ml” e ao “Creme de Tratamento Seda Ceramidas 500 gr.", divergiu dos acórdãos 203-03.641, 203-01.939, 303-29.173 e 303-29.178. O Acórdão nº 203-03.641 tratou da classificação fiscal dos produtos denominados xampu-condicionador "Top Secret" e "Lokura" e da deo-colônia "Lokura", que, segundo a Fiscalização, deveriam ser classificados nas posições 3305.90.9900 e 3303.00.0200, respectivamente, com alíquota de 77%, e não na pretendida pela recorrente, posições 3305.10.9900 e 3307.20.0100, respectivamente, com alíquota de 10%. A decisão recebeu a seguinte ementa: 1PI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL - Produtos que tragam no rotulo a palavra "condicionador" poderão ser considerados "xampu", caso seja exarado parecer pelo Departamento Técnico Normativo da Secretaria de Vigilância Sanitária. Deo-colônia é um produto classificado na categoria de desodorante e que deve conter na sua fórmula um agente antimicrobiano, que confira características bacterostáticas ao produto. Recurso provido, em parte. A par da evidente dessemelhança entre esses produtos e aqueles sobre cuja classificação fiscal a decisão recorrida se debruçou, constato que, nem o “xampu- condicionador”, muito menos a “deo-colônia” receberam da decisão indicada como paradigma a classificação fiscal almejada pelo sujeito passivo. Assim, ainda que se pudesse relevar a dessemelhança dos produtos e estabelecer uma base de comparação entre os arestos, eventual divergência que daí emergisse em nada aproveitaria o recorrente, que classificou os produtos em quetão na TIPI como "preparações capilares/Outras", no código "3305.90.00 — TIPI/96" e "3305.90.0100 — TIPI/88", tributando-os no Ex desses códigos como "Creme Rinse", à aliquota de 10%. O Acórdão nº 203-01.939, também indicado como paradigma, por sua vez, está assim ementado: IPI - COSMÉTICOS - CLASSIFICAÇÃO FISCAL NA TIPI - Os Certificados de Registros de produtos, expedidos pelo Ministério da Saúde, através da Divisão Nacional de Vigilância Sanitária de Cosméticos - DICOP devem ser considerados, eis que se trata de Órgão técnico que analisa a composição química de cada um deles Assim, como nos produtos certificados constam as expressões "produtos de higiene", "produtos desodorantes", "desodorante colônia" e que é "destinado a perfumar o corpo e combater os odores da transpiração", é obvio que se trata de desodorante sendo, pois, correta a classificação fiscal adotada pela Recorrente Recurso provido. Transcrevo o parágrafo inicial do voto condutor da decisão, com o objetivo de atestar as distinções fáticas havidas entre os arestos paragonados: O objeto da pendenga fiscal é relativo à classificação fiscal dos produtos que a Recorrente adquire, para comercialização, os quais o AFTN autuante entendeu como "água-decolônia" e o contribuinte como "desodorante corporal". Fl. 1704DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.800 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.002875/2001-16 Como se vê, a decisão indicada como paradigma não tratou da classificação fiscal de produtos que ao menos se assemelhassem aos Creme hidratante Seda Hidraloe 500 gr.”; ao “Creme para Pentear Seda Ceramidas 300 ml” e ao “Creme de Tratamento Seda Ceramidas 500 gr. De que trata a presente lide. É noção comezinha, em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto-me ao Acórdão n o CSRF/01-0.956, de 27/11/89: “Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1 o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Quanto aos demais acórdãos indicados como paradigma 303-29.173 e 303- 29.178, são imprestáveis como representativos de divergência porquanto terem sido prolatados pela mesma recorrida 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. À míngua de comprovação do dissídio interpretativo suscitado, o recurso especial do sujeito passivo não merece conhecimento. 3 Conclusão Com base no recém exposto, voto por conhecer do recurso especial fazendário, para, no mérito, negar-lhe provimento. Quanto ao recurso especial do sujeito passivo, voto por não lhe conhecer, em razão da falta de comprovação da divergência jurisprudencial suscitada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001351/2002-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
CONTRARIEDADE A LEI. INOCORRÊNCIA.
O depósito administrativo de garantia recursal deve ser computado para efeitos de cálculo dos valores a serem quitados com base na MP 38/2002, sobretudo considerando que o referido depósito foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-004.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (presidente). .
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 CONTRARIEDADE A LEI. INOCORRÊNCIA. O depósito administrativo de garantia recursal deve ser computado para efeitos de cálculo dos valores a serem quitados com base na MP 38/2002, sobretudo considerando que o referido depósito foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13005.001351/2002-18
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6101719
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.511
nome_arquivo_s : Decisao_13005001351200218.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 13005001351200218_6101719.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (presidente). .
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
id : 8005458
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650668294144
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-25T20:19:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-25T20:19:46Z; Last-Modified: 2019-11-25T20:19:46Z; dcterms:modified: 2019-11-25T20:19:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-25T20:19:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-25T20:19:46Z; meta:save-date: 2019-11-25T20:19:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-25T20:19:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-25T20:19:46Z; created: 2019-11-25T20:19:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-11-25T20:19:46Z; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-25T20:19:46Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13005.001351/2002-18 RReeccuurrssoo Especial do Procurador AAccóórrddããoo nnºº 9101-004.511 – CSRF / 1ª Turma SSeessssããoo ddee 06 de novembro de 2019 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo DIMON DO BRASIL TABACOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 CONTRARIEDADE A LEI. INOCORRÊNCIA. O depósito administrativo de garantia recursal deve ser computado para efeitos de cálculo dos valores a serem quitados com base na MP 38/2002, sobretudo considerando que o referido depósito foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (presidente). . AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 13 51 /2 00 2- 18 Fl. 309DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 Relatório O presente processo tem origem no Mandado de Segurança nº 93.0008061-0, o qual havia sido impetrado pela Recorrente para garantir seu direito à utilização integral de prejuízo inflacionário, verificado em seu balanço, que decorreu da diferença ente os índices IPC e o BTNF, a partir do ano-calendário de 1991. Contudo, antes que o julgamento do Mandado de Segurança retro mencionado se tornasse definitivo, a contribuinte requereu a desistência do feito, pois teria interesse em aproveitar o benefício concedido pelo Governo Federal, por meio da Medida Provisória nº 38/2002, publicada em 15 de maio de 2002, que possibilitou o pagamento do crédito discutido com exclusão de multa e significativa redução nos juros de mora. Concomitantemente ao curso da ação mandamental já referida, o sujeito passivo foi autuado pelo Fisco Federal, por conta da dedução integral da correção monetária negativa relativa à diferença entre o IPC e o BTNF na apuração da base de cálculo da CSLL, referente ao exercício de 1993, sem observância às limitações de dedução impostas pelo art. 3º da Lei nº 8.200/91. Esta autuação deu origem ao processo administrativo nº 13005.000219/96-35, que foi definitivamente encerrado em fevereiro de 2000, com decisão administrativa desfavorável ao contribuinte, o que levou à inscrição do respectivo débito tributário em Dívida Ativa da União Federal, sob o nº 00600004237-38. Registre-se que, a autuada depositou o valor total do débito tributário da seguinte forma: - 30% do valor atualizado em discussão, nos autos do processo administrativo nº 13005.000219/96-35, para possibilitar o seguimento do recurso voluntário interposto naqueles autos; - 70% (restantes) foram depositados nos autos do Mandado de Segurança nº 93.0008061-0, buscando-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em virtude da cassação da segurança que havia sido concedida em primeiro grau pelo TRF4ª. A contribuinte aderiu então a anistia prevista pela MP nº 38/2002, requerendo, para tanto, o cálculo do valor do débito tributário que seria anistiado. Contudo, discordando do critério adotado pelo Fisco no cálculo do referido débito, a contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 2 a 21), protocolada em 30 de setembro de 2002, dando início ao processo em epígrafe, alegando que: a) houve erro de cálculo na alocação do valor convertido em renda, por parte da Procuradoria, posto que ela deduziu o valor convertido em renda do débito fiscal sem subtrair deste parcela de juros e multa que foram anistiados pela MP nº 38/2002; b) contesta a cobrança de honorários advocatícios mascarados – segunda a impugnante - sob a denominação de “encargos legais”, no valor de 20% do total da exigência fiscal, limitada a 50% do valor da multa, cuja base legal utilizada pela Procuradoria teria sido o artigo 57 da MP nº 66 de 29 de agosto Fl. 310DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 de 2002, que de forma retroativa previu a inclusão dos encargos legais no cálculo do valor devido pelo contribuinte. A DRJ decidiu (e-fls. 68 a 69) não conhecer da Impugnação da contribuinte, determinando o arquivamento do processo, sob alegação de que os requisitos previstos na Instrução Normativa SRF nº 202/02, que somente admite que o valor impugnado decorra de inexatidões ou erro de cálculo, não teriam sido preenchidos, e que a defesa da impugnante não estaria resguardada pela IN SRF nº 202/02 porque os débitos da contribuinte já estavam inscritos em dívida ativa e sob a administração da Procuradoria da Fazenda Nacional de Santa Cruz do Sul, devendo assim, a Impugnação ser apresentada àquela repartição. Na sequência a contribuinte impetrou Mandado de Segurança com pedido liminar (e-fls. 107 a 123), protocolado em 06 de dezembro de 2002, endereçado à Vara Única da Seção Judiciária de Santa Cruz do Sul – RS, defendendo que a Delegacia da Receita Federal em Santa Cruz do Sul teria violado o direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como o princípio da legalidade (MP nº 66/02, art. 22 c/c Decreto nº 70.235/72) quando determinou o arquivamento dos autos sem abrir prazo para que a contribuinte interpusesse recurso voluntário. A liminar foi deferida (e-fls. 124 a 125), em 10 de dezembro de 2002. Posteriormente, em 25 de abril de 2003, sobreveio a sentença (e-fls. 129 a 132) julgando procedente o Mandado de Segurança. O Recurso Voluntário (e-fls. 71 a 95), protocolado em 20 de dezembro de 2002, foi então analisado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que sob o acórdão nº 103-21.627 (e-fls. 137 a 141), de 13 de maio de 2004, tomou conhecimento do recurso por força de sentença judicial e, corrigindo a instância, determinou a remessa dos autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, para que apreciasse o recurso voluntário como impugnação. Veja-se a ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - CORREÇÃO DE INSTANCIA - Inexistindo nos autos decisão de primeira instância prevista na alínea "a" do artigo 25 do Decreto n° 70.235/72, corrige- se a instância devolvendo-se à repartição competente para apreciação das alegações de defesa, em homenagem ao duplo grau de jurisdição e restabelecendo-se o adequado rito processual, esculpido no PAF. A competência dos Conselhos de Contribuintes é para apreciar, no grau de recurso, as razões de inconformidade com a decisão da primeira instância. A 1ª Turma da DRJ de Santa Maria/RS, em 04 de março de 2005, sob o acórdão nº 3.587 (e-fls. 145 a 153), acolheu como impugnação o recurso voluntário do contribuinte, por determinação judicial, contudo não conheceu da defesa por falta de competência. Acompanhe-se a ementa de tal decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: DELEGACIA DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA A competência atribuída às Delegacias de Julgamento da Receita Federal pelo art. 22 da MP n° 66, de 2002, diz respeito apenas à análise de impugnação que verse, exclusivamente, sobre divergência de valor do crédito tributário constituído de oficio. Fl. 311DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 Ato contínuo, a empresa recorreu de tal decisão, interpondo novo Recurso Voluntário (e-fls. 155 a 170). Em 23 de fevereiro de 2006, a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sob o acórdão nº 103-22.298 (e-fls. 189 a 197), determinou a remessa dos autos ao órgão julgador a quo para deslinde do mérito. Verifique-se a ementa: DRJ. COMPETÊNCIA. ART. 22 DA MP 66/2002. Estão submetidas ao rito prescrito pelo Decreto 70.235/72, no qual as DRJ respondem pelo julgamento em primeira instância, as divergências de valor relativas à liquidação de débitos constituídos ex officio, segundo norma de caráter exonerativo, nos termos do art. 22 da Medida Provisória 66/2002. Novo acórdão (nº 18-5.975 – e-fls. 200 a 207) foi proferido pela 1ª Turma da DRJ de Santa Maria/RS, em 06 de dezembro de 2006, que decidiu pela improcedência da solicitação do contribuinte. Veja-se a ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 Ementa: ANISTIA. APLICAÇÃO DA NORMA INSTITUIDORA A norma que concede anistia de multa e juros alcança apenas os encargos incidentes sobre o saldo do débito existente na data de sua edição. NORMA LEGAL. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade e legalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. Inconformada, ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA, na posição de sucessora de DIMON DO BRASIL TABACOS LTDA, interpôs Recurso Voluntário (e-fl. 212 a 230) repisando os argumentos de sua impugnação. Em 25 de abril de 2007, a 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, sob o acórdão nº 103-22.985 (e-fls. 251 a 260), por voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário. Acompanhe-se a ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 Ementa: DEPÓSITO ADMINISTRATIVO. PAGAMENTO SOB AS REGRAS DA MEDIDA PROVISÓRIA 38/2002 Sob pena de ofensa ao principio da isonomia, o depósito administrativo de garantia recursal deve ser computado para efeitos de cálculo dos valores a serem quitados com base na MP 38/2002, ainda mais se a exigência daquele depósito foi considerada inconstitucional pelo STF. Fl. 312DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 Irresignada, a PGFN interpôs Recurso Especial (e-fls. 264 a 268), recebido por este Conselho em 27 de novembro de 2007. Em sua defesa, a recorrente alega contrariedade à lei e à evidência da prova, alegando mais especificamente que o acórdão recorrido teria contrariado o art. 43, §3º do Decreto nº 70.235/72, o art. 156, VI do CTN e o art. 11 da MP nº 038/2002 (que consta no art. 22 da MP nº 66, de 2002 e equivalente 15 da Lei nº 10.637, de 2002). O Despacho de Admissibilidade (e-fls. 270 a 271) deu seguimento ao recurso atestando estarem satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade. A recorrida apresentou Contrarrazões (e-fls. 276) sem questionar a admissibilidade do recurso especial, e no mérito, repisou seus argumentos do recurso voluntário. É o relatório Fl. 313DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei, Relator. Conhecimento Conforme o despacho de admissibilidade de p. 270/271, o recurso especial da Fazenda Nacional de p. 264/268 é tempestivo, bem como que teria sido demonstrado, “fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à lei, consoante disposto no § 1º, do art. 15, do RICSRI”, razão pela qual foi dado seguimento ao recurso especial interposto. Não há dúvidas de que a decisão recorrida não foi unânime. Quanto à contrariedade à lei, a Procuradoria apontou adequadamente os dispositivos do art. 43, § 3º do Decreto 70.235/72, o art. 156, VI, do CTN e o art. 11, da MP 038/2002, como contrariados. Há de ser conhecido, portanto, o Recurso Especial da PGFN. No mérito, o v. acórdão recorrido, especificamente o voto vencedor, asseverou, segundo o recurso especial em análise, que (i) a desconsideração dos valores do depósito administrativo equivaleria a estabelecer tratamento desigual em relação aos contribuintes que arrolaram bens em garantia. Também ponderou que (ii) a conversão de depósito em renda não foi regular, pois a existência da ação judicial implicaria a transferência do depósito à conta judicial, ao término do processo administrativo; e, por fim, que (iii) o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da exigência de depósito para recorrer administrativamente. Inicialmente, vejamos o disposto no art. 156, VI do CTN: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI – a conversão de depósito em renda;” Com a devida vênia, se a conversão do depósito em renda tivesse sido regular, não se discutiria que o respectivo crédito tributário estaria extinto. A questão é que o acórdão recorrido entendeu pela conversão irregular. Ora, se a conversão foi irregular, não poderia extinguir o respectivo crédito tributário. Desta forma, sob essa ótica, não se vê contrariedade à lei que justifique o conhecimento do recurso especial interposto. Passemos ao disposto no art. 11, da MP 38/2002: “Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. Fl. 314DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/LEIS/L9779.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/LEIS/L9779.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/2158-35.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/2158-35.htm#art11 Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 § 1º Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I - as multas, moratórias ou punitivas; II - relativamente aos juros de mora, exclusivamente, o período até janeiro de 1999, sendo devido esse encargo a partir do mês: a) de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; b) seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos ou parcelados na forma do caput, e renunciar a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. § 3º A opção pelo parcelamento referido no caput dar-se-á pelo pagamento da primeira parcela, no mesmo prazo estabelecido para o pagamento integral. § 4º Aplica-se o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, observada a regulamentação editada por esse órgão.” Como se observa do dispositivo legal acima transcrito, tem-se no referido art. 11, da MP 38/2002, as condições para que os contribuintes aderissem ao parcelamento previsto, com benefícios fiscais. Não trata sobre a existência de depósitos judiciais ou a forma como deverão ser tratados para fins de parcelamento. O v. acórdão recorrido, ao tratar do depósito judicial, menciona, tão somente, que desconsiderá-lo, em comparação a situações em que contribuintes arrolaram bens como condição para a interposição de recurso voluntário, equivaleria a um tratamento desigual. Tais fatos não estão retratados no art. 11 acima transcrito. Prosseguindo, a insurgência da Procuradoria decorre do v. acórdão 103-22.985, de 25 de abril de 2007, ora recorrido, que tem a seguinte ementa: Ementa: DEPÓSITO ADMINISTRATIVO. PAGAMENTO SOB AS REGRAS DA MEDIDA PROVISÓRIA 38/2002. Sob pena de ofensa ao princípio da isonomia, o depósito administrativo de garantia recursal deve ser computado para efeitos de cálculo dos valores a serem quitados com base na MP 38/2002, ainda mais se a exigência daquele depósito foi considerada inconstitucional pelo STF. No voto vencedor, de p. 260, o i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto defende que “desconsiderar os valores do depósito para efeito de apuração do montante a ser pago com base na norma exonerativa em tela seria estabelecer tratamento que ofende a isonomia em relação a outros contribuintes que, alternativamente ao depósito, arrolaram bens em garantia. Nesse último caso, para efeito de Fl. 315DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 usufruto dos benefícios previstos na MP 38/2002, o débito em litígio seria considerado em sua integralidade.” Em outras palavras, o arrolamento de bens não permite que parte do crédito tributário em discussão seja reduzida do valor total, pois apenas tem a função de cumprir requisito de procedibilidade para a subida do recurso voluntário do contribuinte para apreciação em segunda instância administrativa. Ou seja, nessas condições, o contribuinte que optasse pelas reduções trazidas pela MP 38/2002 para fins de quitar seu débito tributário, teria vantagem na apuração do saldo a pagar. No caso concreto, ao contrário, com a imputação do depósito recursal de 30% ao débito objeto do recurso voluntário, restou para ser “beneficiado” pelo disposto na MP 38/2002 o “saldo de 70%” do crédito em discussão. Sob esse aspecto, não há dúvidas, constata-se, de fato, prejuízo para o contribuinte que fez o depósito recursal em dinheiro. A questão, contudo, é saber se a conversão do depósito recursal em renda, ao término da fase administrativa do contencioso tributário, atende à legislação de regência. Nesse aspecto, a Procuradoria trouxe em seu recurso especial o disposto no art. 43, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 como um dos fundamentos para a admissibilidade de seu recurso especial por contrariedade de lei. Veja-se: “Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicando-se, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (...) § 3° Após a decisão final no processo administrativo fiscal, o valor depositado para fins de seguimento do recurso voluntário será: (Vide Medida Provisória nº 2.176-79, de 2001) a) devolvido ao depositante, se aquela lhe for favorável; (Vide Medida Provisória nº 2.176-79, de 2001) b) convertido em renda, devidamente deduzido do valor da exigência, se a decisão for contrária ao sujeito passivo e este não houver interposto ação judicial contra a exigência no prazo previsto na legislação. (Vide Medida Provisória nº 2.176-79, de 2001) Na primeira parte da alínea b, acima transcrita, está o entendimento que deseja a Procuradoria seja o prevalente: que após a decisão final no processo administrativo fiscal, o valor depositado para fins de seguimento do recurso voluntário seja convertido em renda, com dedução do valor da exigência. Fl. 316DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2176-79.htm#art32%C2%A73 Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 Contudo, a alínea b não se encerra nesse ponto; esse procedimento só deverá ocorrer se o sujeito passivo “não houver interposto ação judicial contra a exigência no prazo previsto na legislação”. Voltemos ao v. acórdão recorrido, no qual o i. Conselheiro Leonardo assevera que: “(...) Com o trâmite final do processo administrativo, a existência de ação judicial implicaria na necessidade do montante depositado como garantia de instância ser transferido à conta de deposito judicial, onde seria adicionado ao valor restante do débito.” Está reconhecido pelo i. Conselheiro que havia um processo judicial em trâmite e, mais, que nesse processo já havia conta judicial aberta com depósito da outra parte do débito tributário em discussão. O processo judicial em questão é o Mandado de Segurança nº 93.00.08061-0/RS, no qual o contribuinte discutia o “direito à dedução da diferença do BTN/IPC”, ou seja, discutia- se os efeitos de expurgo inflacionário nas demonstrações financeiro-contábeis da empresa. Já em fase recursal, no âmbito do E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, optou o contribuinte em fazer o depósito judicial do valor em discussão (70% faltante), o que se deu em 31 de julho de 2000, com o intuito de suspender a exigibilidade do crédito tributário em discussão. Ou seja, nos termos da citada alínea b, do § 3º, do art. 43, do Decreto 70.235/72, invocado pela própria Procuradoria, o depósito recursal de 30%, convertido em renda em 29.05.2000, conforme disposto no próprio recurso especial interposto, não deveria ter sido imputado ao débito tributário com o término do processo administrativo mediante conversão, mas remetido ao Juízo no qual se discutia a totalidade do crédito tributário em questão, para ter a destinação correta com o término da discussão judicial, ou seja, em renda da União ou ao contribuinte, em caso de decisão favorável. Por certo que o ato de converter em renda e imputar os valores convertidos ao crédito tributário devido pelo contribuinte não é passível de reversão. Mas é certo, por outro lado, que a Receita Federal pode recalcular os benefícios da MP 38/2002 pela totalidade do débito do contribuinte, apurar o quantum debeatur e, posteriormente, imputar os valores depositados, seja os 30% a título de depósito recursal, seja os 70%, feito no processo judicial e, deste cálculo, verificar se ainda há algum débito do contribuinte e cobrá-lo ou se não há débito do contribuinte e, assim, exonerá-lo definitivamente pela extinção do crédito tributário com base na opção prevista na MP 38/2002. Por fim, para explicitar o entendimento deste Julgador, é certo que o valor depositado a título de depósito recursal, se tivesse sido encaminhado para depósito em conta judicial, teria sido corrigido pela variação da Taxa Selic até o momento de sua utilização para Fl. 317DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.511 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13005.001351/2002-18 fins dos benefícios da MP 38/2002 e, desta forma, para se manter a coerência, tal determinação deve ser observada no cálculo a ser realizado pela Receita Federal para fins de apuração do quantum debeatur. Desta forma, a própria legislação utilizada como fundamento do recurso especial, ao contrário do disposto no recurso em questão, determinava que o depósito recursal deveria ter sido transferido ao Juízo e não convertido em renda, pois o tributo objeto do depósito ainda estava em discussão judicial não finalizada. Ou seja, o acórdão recorrido está em consonância com a legislação apontada como contrariada. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido. É o voto (documento assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010242/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Numero da decisão: 2202-005.848
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.010242/2010-98
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6110001
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.848
nome_arquivo_s : Decisao_15504010242201098.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 15504010242201098_6110001.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
id : 8023519
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650674585600
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T19:20:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-10T19:20:44Z; Last-Modified: 2019-12-10T19:20:44Z; dcterms:modified: 2019-12-10T19:20:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-10T19:20:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T19:20:44Z; meta:save-date: 2019-12-10T19:20:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T19:20:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-10T19:20:44Z; created: 2019-12-10T19:20:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-12-10T19:20:44Z; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T19:20:44Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15504.010242/2010-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.848 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2019 Recorrente VERA DE OLIVEIRA NUNES FIGUEIREDO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Os rendimentos do trabalho devem ser submetidos ao ajuste anual por meio de informação na DIRPF, ainda que tenha ocorrido retenção por parte da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) - DRJ/BHE, que julgou procedente lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 02 42 /2 01 0- 98 Fl. 98DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.848 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010242/2010-98 de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2008 (fls. 41 e ss), face à apuração das seguintes infrações, conforme circunstanciado pela decisão contestada à fl. 71: -Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais (UNESCO - PNUD/ONU), no valor de R$ 55.000,00. Enquadramento legal: arts. 1º a 3º e 8º da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134, de 1990; art. 6º da Lei nº 9.250, de 1995; art. 1º e 15 da Lei nº 10.541, de 2002; arts.49 a 53, 55, inciso VII e 995 do RIR/1999. A autoridade lançadora complementa a descrição dos fatos informando que conforme Decreto 3.000/99, os rendimentos do funcionário do PNUD/ONU somente são isentos nos casos em que seus nomes sejam relacionados e informados à RFB por tais organismos como integrantes das categorias por ela especificadas. Quaisquer outros rendimentos percebidos quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. - Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$6.660,00, recebidos da fonte pagadora Belo Horizonte Prefeitura. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte no valor de R$1.104,85. Não obstante impugnada (fls. 01/13), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 70/76), em acórdão cuja ementa teve a seguinte redação: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (UNESCO). CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura pelo contribuinte de ação judicial antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não conhecendo da impugnação apresentada. (ADN nº 3/96). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 05/12/2012 (fls. 86/95), repisando, em linhas gerais, os termos da impugnação e se irresignando contra o entendimento da vergastada, alegando em síntese, que: - os valores recebidos da UNESCO são isentos do imposto de renda, conforme atos normativos e jurisprudência que refere; - o crédito tributário referente a esses valores está suspenso, pois impetrou MS º 2005.38.00.027141-9 junto à 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, no qual postula o reconhecimento da ilegalidade da tributação pelo IRPF dos rendimentos recebidos de agências especializadas da ONU; - havendo efetuado depósito integral do crédito tributário, não são devidas as cobranças de juros e multa sobre esses montantes; - esqueceu de informar na declaração de ajuste os valores percebidos da Prefeitura de Belo Horizonte, e tentou retificar mas os sistemas da RFB não o permitiram, aduzindo, ainda, que já houve a retenção na fonte sobre tais rendimentos. Postula ao final, seja declarada a insubsistência do lançamento. Fl. 99DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.848 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010242/2010-98 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém deve ser apenas em parte conhecido. Consoante já relatado, a contribuinte tem mandado de segurança nº 2005.38.00.027171-9 impetrado junto à Justiça Federal de Belo Horizonte onde solicita “que seja assegurado o direito líquido e certo de não se sujeitar à incidência do imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos de agências especializadas ligadas à ONU, tendo em vista o disposto na Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas e no Acordo Básico de Assistência Técnica”. Necessário destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange matéria que se apresenta litigiosa neste julgamento, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalecente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal. De fato, a concomitância traduz-se em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em voto-vista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/05/2008), o qual discutiu a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380/80, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que também se revelam aplicáveis no particular: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Tem-se aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. (...) Não vislumbro, por isso, qualquer desproporcionalidade na cláusula que declara a prejudicialidade da tutela administrativa se o contribuinte optar por obter, desde logo, a proteção judicial devida. Destarte, muito embora as razões recursais trazidas, o fato é que as decisões judiciais prolatadas no âmbito do mandado de segurança nº 2005.38.00.027171-9 deverão ser simplesmente cumpridas pela administração tributária federal, sendo despicienda eventual manifestação deste Colegiado sobre o tema, bem como o prosseguimento do exame do mérito do presente litígio, nesse aspecto. Fl. 100DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.848 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010242/2010-98 Tem-se por afastada, assim, a apreciação pelo Colegiado da incidência do imposto de renda sobre as verbas percebidas pela recorrente, cerne deste contencioso administrativo. Por outro lado, a interessada contesta a cobrança de juros e multa de ofício sobre os valores lançados pela fiscalização quanto à matéria supra referida, tendo em vista haver, alegadamente, realizado o depósito integral dos montantes envolvidos. Ora, cabe reconhecer a existência do enunciado sumular citado pela interessada, o qual assim dispõe: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Tal Súmula é vinculante para toda a administração tributária federal, por força da Portaria MF nº 277/18, não havendo controvérsia acerca do tema que exija deliberação desta Turma, pois na cobrança de juros sobre o crédito tributário em relevo, caso comprovado nos autos judiciais o depósito integral, deverá ser observado por aquela, necessariamente, a prescrição sumular. E, quanto à multa incidente sobre os valores questionados, havendo depósito judicial vinculado a feito ajuizado anteriormente à constituição do crédito tributário, inexiste ilícito a dar ensejo à sua cobrança, sendo desnecessário, mais uma vez, pronunciamento nesta instância administrativa acerca da questão, tendo em vista o disposto no art. 151 do CTN. Quanto aos rendimentos recebidos da Prefeitura de Belo Horizonte, confessadamente recebidos e não declarados pela recorrente, não há reparos a fazer na vergastada. Consoante explicado naquela decisão, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, e dos arts. 832 e 833 do Decreto nº 3.000/99, então vigente, era necessário que houvesse sido comprovado erro – e não mero ‘esquecimento’, como alude a interessada – na elaboração da declaração, e que houvesse pedido de retificação anterior à autuação. Não se verificando tal situação na espécie, e devendo ser os rendimentos em comento, ainda que tenham sofrido retenção do imposto antecipada pela fonte pagadora, submetidos à tributação no ajuste anual, de acordo com os arts. 7º e 8º Lei nº 9.250/95, c/c os termos da Lei nº 7.713/88, impende ser mantido o lançamento no tocante a esse ponto. Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000084/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO.
DACON. OBRIGATORIEDADE.
É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
Numero da decisão: 3302-007.688
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13986.000084/2010-67
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6100989
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.688
nome_arquivo_s : Decisao_13986000084201067.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13986000084201067_6100989.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8003810
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650698702848
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-29T17:34:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-29T17:34:23Z; Last-Modified: 2019-11-29T17:34:23Z; dcterms:modified: 2019-11-29T17:34:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-29T17:34:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-29T17:34:23Z; meta:save-date: 2019-11-29T17:34:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-29T17:34:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-29T17:34:23Z; created: 2019-11-29T17:34:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-11-29T17:34:23Z; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-29T17:34:23Z | Conteúdo => S3-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13986.000084/2010-67 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.688 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2019 Recorrente ELOIR TELLES DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 84 /2 01 0- 67 Fl. 30DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.688 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000084/2010-67 Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto excertos do relatório do Acórdão nº 3302-007.678, paradigma desta decisão. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo-se, assim, o lançamento fiscal que cobra unicamente a multa por atraso na entrega do DACON, nos termos da ementa abaixo: Ementa: DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Em sede recursal, a Recorrente alega erro no sistema de recepção eletrônica da administração tributária e que não há como fazer provas das tentativas de entrega da declaração porque o sistema não fornece mensagem de anormalidade, bem assim a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Fl. 31DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.688 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000084/2010-67 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, e, desta forma, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-007.678, da lavra do Conselheiro Walker Araujo, paradigma desta decisão: A Recorrente, por sua vez, transmitiu seu Dacon fora do prazo previsto, fato este incontroverso, sem comprovar documentalmente a existência de falha no sistema da Receita Federal que a de protocolar/apresentar o referido demonstrativo. Fl. 32DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.688 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000084/2010-67 outro lado, caso a Recorrente constatasse irregularidades no sistema, deveria ter procurado uma agência da Receita Federal e transmitir manualmente o Dacon e, em caso de negativo do exercício de seu direito, exigir documento do órgão sobre a recusa. Nada nesse sentido foi realizado. cenário, correto o lançamento fiscal. fim, não se aplica ao presente caso os ditames do artigo 138, do CTN, posto que sua incidência somente se aplica na hipótese de pagamento do tributo não recolhido, situação totalmente distinta deste processo, onde a exigência é oriunda de descumprimento de obrigação acessória e não existe na legislação norma que afasta a multa pelo referido instituto. , este Conselho já aprovou a Súmula 49 nos seguintes termos: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame as situações fáticas e jurídicas encontram correspondência com a verificadas na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720161/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativa. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições.
DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA.
A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS não cumulativo. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições.
DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA.
A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, no tocante à conta 53.200.000 para excluir os valores da base de cálculo do PIS e da COFINS e, quanto à conta 53.400.000, para reduzir a base de cálculo da exação para R$ 35.285.148,53.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativa. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP null BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS não cumulativo. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 16561.720161/2012-40
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117899
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-006.965
nome_arquivo_s : Decisao_16561720161201240.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720161201240_6117899.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, no tocante à conta 53.200.000 para excluir os valores da base de cálculo do PIS e da COFINS e, quanto à conta 53.400.000, para reduzir a base de cálculo da exação para R$ 35.285.148,53. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
id : 8039666
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650727014400
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-07T18:00:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-07T18:00:00Z; Last-Modified: 2019-12-07T18:00:00Z; dcterms:modified: 2019-12-07T18:00:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-07T18:00:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-07T18:00:00Z; meta:save-date: 2019-12-07T18:00:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-07T18:00:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-07T18:00:00Z; created: 2019-12-07T18:00:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; Creation-Date: 2019-12-07T18:00:00Z; pdf:charsPerPage: 2369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-07T18:00:00Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16561.720161/2012-40 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301-006.965 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2019 Recorrentes CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativa. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS não cumulativo. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 61 /2 01 2- 40 Fl. 15713DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. BASE DE CÁLCULO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A aplicabilidade da taxa SELIC sobre débitos fiscais está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, no tocante à conta 53.200.000 para excluir os valores da base de cálculo do PIS e da COFINS e, quanto à conta 53.400.000, para reduzir a base de cálculo da exação para R$ 35.285.148,53. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem sintetizar os momentos processuais e os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Fl. 15714DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Trata o presente dos lançamentos de ofício relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins não cumulativa – fls. 1654 a 1674) e ao Programa de Integração Social (PIS não cumulativo – fls. 1675 a 1695) referentes ao ano-calendário de 2008. O lançamento das contribuições para os diversos períodos somou R$ 91.725.912,82 (Cofins) e R$ 19.914.178,43 (PIS), valores acompanhados de multa de ofício de 75% e juros moratórios, totalizando R$ 199.950.427,82 e R$ 43.410.290,22, respectivamente. A autuada é empresa que atua na exploração do ramo de supermercados, com sede em São Paulo e ampla rede de lojas espalhada pelo Brasil, compreendendo o comércio de gêneros alimentícios em geral e demais mercadorias passíveis de venda nesse tipo de estabelecimento. Apura o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo Lucro Real e o PIS e Cofins pela sistemática não cumulativa. No Termo de Verificação e Encerramento – PIS e Cofins (fls. 1616 a 1653) está descrito o procedimento realizado e as conclusões obtidas. Os auditores-fiscais efetuaram a verificação do cumprimento das obrigações relativas ao PIS e a Cofins, intimando a empresa para apresentar a documentos, livros contábeis e explicações pertinentes, prorrogando os prazos de cumprimento quando solicitado. O lançamento fiscal decorreu da não inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins de lançamentos contábeis em contas diversas decorrentes de valores cobrados dos fornecedores, via de regra por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos mesmos. O Relatório descreve a forma adotada para operacionalizar os acordos feitos com os fornecedores, procurando sintetizar elementos relevantes dos contratos firmados e a prática operacional. Por variados motivos, os contratos estabelecem contrapartidas a serem pagas pelos fornecedores à empresa Carrefour Com. e Ind. LTDA, usualmente denominadas “bonificações”. A fiscalização constatou lançamentos contábeis que ocasionaram saldos negativos (devedores) em contas de receitas. O procedimento adotado pela empresa, ainda em conformidade com o Termo, se assemelhou ao de obtenção de um “resultado operacional” das bonificações. Foi constatado que a empresa reduziu a base de cálculo do PIS e Cofins, no grupo correspondente às receitas de bonificações, por meio de lançamentos no fechamento mensal das contas. Valores foram transferidos para contas contábeis não submetidas à tributação, a saber: conta de receitas financeiras (alíquota zero) e conta de despesas (redução do saldo devedor). Foram analisados os contratos com os fornecedores, que estabelecem as obrigações financeiras destes para com a rede supermercadista. A fiscalização discorre sobre a base legal do PIS e Cofins, estabelecida especialmente nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, como o total de receitas auferido, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, constatando a inexistência de fundamento para a exclusão de tais valores da base de cálculo das referidas contribuições. Desse modo, foi refeita a apuração, expurgando os efeitos dos lançamentos contábeis que resultaram em saldo devedor nas contas de receitas e considerando os valores de bonificações das contas que deveriam ser submetidas à tributação. O contribuinte foi cientificado em 19/12/2012. Em 15/01/2013, foi apresentada impugnação ao lançamento (fls. 1703 a 2473). A impugnante discorre sobre a prática de relacionamento com fornecedores estabelecida no ramo em que atua, no qual, visando atingir objetivos comuns, de exposição, divulgação dos produtos e crescimento das vendas, são feitos acordos comerciais (prática “trade marketing”), pelos quais os fornecedores concedem “bonificações” aos supermercados. Explica Fl. 15715DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 que não há bonificações em mercadorias. Trata-se de bonificações em dinheiro e bonificações com descontos. Os valores recebidos em dinheiro são submetidos à tributação do PIS e Cofins. No caso das bonificações com descontos, os valores acordados são reduzidos pela empresa nos pagamentos das duplicatas aos fornecedores. Considera que o Fisco tributou os valores sem analisar a natureza das contas em questão. Contesta o lançamento, em síntese, pelo seguinte: • As bonificações com desconto não podem ser consideradas “receita”. São, em geral, redutoras dos custos das mercadorias ou do passivo com veículos de comunicação e publicidade. Estão relacionadas à exposição dos produtos (gôndolas, espaços privilegiados), garantia de margem mínima em promoções de venda e a divulgação de materiais publicitários; • As bonificações com desconto são registradas temporariamente em contas de receita de bonificações e, após, debitadas; • No caso das bonificações com desconto em geral, houve erro nos lançamentos contábeis durante o ano de 2008. Foi creditada corretamente a conta “70.290.400 – Receitas Financeiras de Bonificação”, mas o débito deveria ter sido na conta “53.100.100 – Garantido Nacional”. Por isso, restaram saldos devedores nas contas de receita de bonificação (Bonificação Nacional e Bonificação Margem Garantida). Dessa forma, o resultado final das contas de receita de bonificação ficaria inalterado. Não houve lesão ao fisco; • Na conta Receitas Financeiras de Bonificação foram lançados valores descontados nas duplicatas pagas aos fornecedores. Se tais valores forem entendidos como receita, possuem natureza financeira. As receitas financeiras tiveram a alíquota do PIS e Cofins reduzida a zero pelo Decreto 5.442/05. Os descontos correspondem, em última instância, a reduções nos preços das mercadorias. Caracterizam-se como redutores dos custos de aquisição, não representando acréscimo patrimonial; • No grupo de contas correspondentes as bonificações com desconto decorrentes de inserção comercial ocorreu algo semelhante. As bonificações são temporariamente registradas na conta de receita “53.400.000 – Inserção Comercial”. Após, é feito o débito e creditada a conta de despesa “61.400.300 – Mídia Cooperativa – Repasse Fornecedores”. O saldo devedor na primeira decorreu de erro, ao ser lançado em duplicidade o débito. Não há efeito fiscal, uma vez que houve correspondente redução de despesa; • A conta Mídia Cooperativa contém valores de reembolso de despesas de publicidade e propaganda, descontados dos fornecedores nos pagamentos efetuados a eles, como recuperação de custos. Não se trata de ingressos definitivos e portanto, não estão abarcados pelo conceito de receita; • Alternativamente, se considerados receita, então os correspondentes gastos de publicidade e propaganda poderiam ser considerados créditos na sistemática não- cumulativa. Podem ser caracterizados como insumos, tratando-se de despesas essenciais e necessárias à consecução das atividades da requerente; • Em ambos os grupos de contas, se mantido o lançamento, houve duplicidade de tributação, uma vez que a base de cálculo contemplou o saldo negativo nas contas de receita, mais a integralidade dos valores nas contas em que ocorreram os respectivos creditamentos. A empresa protesta, ainda, contra a imposição dos juros pela aplicação da taxa Selic, uma vez que o STJ já tem reconhecido a sua improcedência para fins tributários. Fl. 15716DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Também questiona a abusividade da multa de ofício aplicada. Por fim, questiona a incidência de juros Selic sobre a multa. Solicita a realização de perícia, indicando Perito e quesitos, que abordam, entre outros, a natureza das contas objeto do lançamento e a existência ou não de duplicidade de imposição tributária no auto de infração. Requer o acolhimento integral da impugnação e a declaração da improcedência da exigência fiscal. O processo foi distribuído a esta DRJ/POA para apreciação. Constatou-se que a matéria em litígio estava bem delimitada. Entretanto a alegação de duplicidade parcial no lançamento mereceria melhor avaliação. As alegações na impugnação, referenciadas em documentação contábil, indicavam a possibilidade de existência da reclamada duplicidade, em particular no grupo de contas referenciado como bonificações com descontos em geral (que possuíam contrapartida de receitas em “receitas financeiras de bonificação” – 70.290.400). A empresa apresenta a correspondência entre os valores lançados a crédito na conta 53.100.100 – Garantido Nacional, e o débito de “fechamento” efetuado “por equívoco” na conta 53.100.000. – Bonificações Nacionais, tendo como consequência o saldo negativo gerado. Ficou evidenciada a necessidade de verificação adicional, em procedimento de auditoria, de modo a apurar o alegado pela empresa e os valores envolvidos. A impugnação se submete ao rito do Decreto 70.235/72 (que possui hierarquia de lei), estando revista a realização de diligências ou perícias nos seus arts. 18 e 29. Mais recentemente, o Decreto 7.574/11 também tratou do Processo Administrativo Fiscal, dispondo sobre o assunto em seus arts. 35 a 37. Desse modo, o processo foi remetido em diligência à Unidade jurisdicionante, para (fls. 2479 a 2484): a) Informar se existem outros lançamentos contábeis nas contas nºs 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif. Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores) que deveriam ser considerados para fins de tributação, ou somente aqueles realizados contra as contas nºs 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida), 53.100.100 (Garantido Nacional) e 53.400.000 (Inserção Comercial); b) Se pronunciar sobre a alegação da interessada de duplicidade na base de cálculo apurada em relação aos saldos devedores (negativos) das contas 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida) e 53.400.000 (Inserção Comercial) e os valores considerados para as contas 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores); c) Caso se entenda existente a duplicidade na apuração da base de cálculo, refazer a apuração do valor tributável e do principal das contribuições, extirpada a duplicidades verificada; Também foi determinada a ciência da empresa da diligência e de seu resultado, com a reabertura posterior do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação sobre a matéria objeto da diligência. A empresa foi intimada a apresentar documentação comprobatória, tendo entregue manifestação acompanhada de Parecer Técnico de Natureza Contábil e arquivos de registros contábeis. Os auditores-fiscais designados, da Demac-SPO, bem se desincumbiram da diligência, que resultou no Relatório Conclusivo de Diligência das fls. 2754 a 2765. A partir dos elementos apresentados na impugnação e dos arquivos contábeis, foi refeita a apuração, comprovando, em grande parte, o alegado quanto ao grupo de contas correspondente aos “descontos em geral”. Os débitos efetuados na conta 53.100.000 (Bonificações Nacionais) que correspondiam aos créditos da conta Fl. 15717DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 53.100.100 (Garantido Nacional) foram redirecionados, corrigindo o erro apontado pela empresa em seus lançamentos contábeis. Com isso, restaram alterados os saldos devedores da primeira conta. Em alguns meses, ficaram saldos devedores, bem inferiores aos inicialmente constatados, agora na conta 53.100.100. Com relação às contas correspondentes as bonificações com desconto de inserção comercial e a alegada reversão do saldo negativo em dezembro, foi feito ajuste reduzindo-se o saldo positivo no mês subsequente ao de julho, para o qual haveria saldo negativo. Assim, manteve-se inalterado o total anual. Porém, considerou-se que há contrapartida para os lançamentos que geraram saldos negativos (devedores) em conta de passivo, 45.340.020 – Propaganda Cooperada, que não transitou por resultado. As respostas aos itens da Diligência constam assim redigidas (fl. 2763): Resposta ao item (a): “Todas as partidas registradas nas contas contábeis 70.290.400 e 61.400.300 tiveram como contrapartidas as contas 53.100.000, 53.200.000, 53.100.100 e 53.400.000, vide quadros constantes às fls. 1.643/44 e 1.646/47”; Resposta aos itens (b) e (C): “A teor do relatado acima, os saldos negativos restantes após a correção dos erros cometidos pela empresa nos registros dos créditos e débitos entre as contas 53.100.000 e 53.100.100 não foram criados em razão de contrapartidas em contas incluídas nas bases de cálculo do PIS e da Cofins e, portanto, a glosa não resulta em duplicidade de tributação. Tendo em vista que os valores lançados se alteram, apresentamos a seguir os valores, mês a mês que indevidamente reduziram a receita tributável”. Os Quadros da fl. 2764 apresentam os novos valores apurados nas contas contábeis abrangidas. O Quadro da fl. 2765 apresenta a base tributável recalculada correspondente a infração objeto do lançamento. Cientificada, a empresa se manifesta às fls. 2767 a 2823. Em anexo, apresenta Parecer Técnico de Natureza Contábil, crítico ao relatório conclusivo de diligência. De início, considera acertada a redução da base tributável da conta 53.100.000 (reduzida de R$ 222.606.930,19 para R$ 15.174.534,05). Com fundamento no Parecer Técnico, ressalta que os saldos das contas 53.100.100 e 53.200.000 tiveram como contrapartida a conta 70.290.400, que foi integralmente tributada pela fiscalização, caracterizando bis in idem. No que respeita à conta 53.400.000, aponta que o relatório de diligência deixou de examinar o efetivo ajuste positivo feito ao final do ano-calendário, que reduziu o saldo para R$ 35.260.610,22. Além disso, aponta que os valores tiveram como contrapartida a conta 61.400.300, tributada no mesmo auto de infração. Se insurge contra a modificação do critério de aferição na diligência, que teria gerado agravamento da exigência em relação às contas 53.200.000 e 53.400.000. Argumenta que o verificado não é hipótese de revisão do lançamento prevista no art. 149 do CTN e que o Decreto 70.235/72 prevê tal exigência mediante Auto de Infração ou Notificação de Lançamento complementar. Para tal exigência, já teria se operado a decadência, uma vez que se trata de períodos de 2008. O Parecer técnico, por sua vez, explicita que está tratando dos valores redutores (base de cálculo da exigência de R$ 364 milhões), sendo que a impugnação já atacou a tributação das receitas de bonificações (R$ 636 milhões das bonificações em geral e R$ 210 milhões das bonificações de inserção comercial). Sobre a conta 53.400.000, indica que na apuração original não haviam sido incluídos valores até novembro, que Fl. 15718DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 na diligência somaram o valor de R$ 96 milhões, mais do que os R$ 84 milhões do mês de dezembro do original. Inovaria também a diligência ao efetuar ajustes que aumentaram a base na conta 53.200.000, que teriam majorado a exigência no mês de julho em R$ 143.703,76. Outro equívoco do relatório estaria em afirmar que não foram contestados os saldos negativos das contas 53.200.002 e 53.900.100, uma vez que nem foram objeto do auto de infração. Entende não terem sido examinados os lançamentos contábeis em profundidade, não se sustentando o argumento sobre os saldos não terem contrapartida nas contas 70.290.400 e 61.400.300. Sobre as respostas objetivas do relatório conclusivo de diligência, entende que a primeira confirmou o alegado, enquanto a segunda decorreria do exame superficial do apresentado. Apresenta demonstração, referendada no Parecer Contábil anterior, indicando que os movimentos contábeis positivos e negativos demonstram o efetivo saldo das contas e que a glosa dos valores negativos acabou por efetuar tributação em duplicidade. Após manifestação, o processo retorna a esta DRJ para julgamento. Cumpre informar, ainda, que é possível constatar que houve lançamento anterior para a mesma empresa, controlado no processo 16561-720.008/2012-12, envolvendo a matéria aqui abordada. O Carf baixou o processo em diligência em fevereiro de 2014. A decisão de piso, acórdão 10-52.164, da 2ª Turma da DRJ/POA, julgou parcialmente procedente a impugnação, acolhendo o resultado da diligência, conforme sintetiza a ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COFINS. VALORES RECEBIDOS SOB TÍTULOS DIVERSOS. INCIDÊNCIA. A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de descaracterizá-la como receita ou excluí-la do campo de incidência da contribuição. DESCONTOS CONDICIONAIS RECEBIDOS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA NO ATIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da COFINS inclui os descontos condicionais recebidos de fornecedores e não informados nas notas fiscais, por implicarem em redução do passivo sem contrapartida no ativo. Descontos incondicionais poderão ser excluídos da base de cálculo pelo vendedor/fornecedor, quando constarem dos documentos fiscais e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE FORNECEDORES. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. ERRO CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. REAPURAÇÃO. Equívoco contábil que originou lançamento a maior pode ser corrigido pela via da diligência. Cabe à autoridade fiscal proceder nova apuração da base tributável e a Fl. 15719DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 consequente revisão do cálculo se contatados valores a maior no lançamento original, não se constituindo em inovação, a qual somente estaria caracterizada se matéria nova fosse introduzida no novo exame. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado e não pago é constituído de ofício, com o acréscimo da multa de 75% do valor da contribuição não recolhida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. A incidência de juros moratórios sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme previsto na lei, abrange a multa de ofício não paga até a data do seu vencimento. (...) Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ determinou o reajuste das bases de cálculo, após a diligência, para o seguinte: Logo, diante da exoneração foi interposto recurso de ofício. Fl. 15720DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Por outro lado, inconformada, a empresa apresentou seu tempestivo recurso voluntário, e-fls. 2860-3032, requerendo a improcedência do lançamento. Ratifica as razões de sua impugnação e sustenta que: Houve agravamento da exigência sem a lavratura de novo auto de infração. O relatório conclusivo de diligência, adotado pela DRJ, aumentou a exigência fiscal relativa às contas contábeis 53.200.000 e 53.400.000. As bonificações em dinheiro foram incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS. As bonificações em descontos possuíam duas naturezas distintas: a) bonificações com descontos em geral, em razão da exposição de produtos em gôndolas e da garantia de uma margem mínima para a recorrente, independente de promoções realizadas no ponto de venda; e b) bonificações com descontos decorrentes da exposição dos produtos em materiais publicitários divulgados pela recorrente. As bonificações com descontos em geral são redutoras do custo das mercadorias vendidas e, por essa razão, não são consideradas receitas tributáveis. Já as bonificações com descontos decorrentes de inserção comercial são redutoras de um passivo da recorrente contra as agências de publicidade e veículos de comunicação. Na qualidade de mera redução de custos, também não devem compor a base de cálculo das contribuições. O saldo negativo em contas de receita de bonificação não gerou redução do imposto a pagar. Saldo devedor na conta 53.200.000 (bonificação margem garantida): a documentação acostada aos autos demostra que houve mero equívoco de classificação contábil, que não alterou a receita bruta consolidada da sociedade (base de cálculo das contribuições). A diligência fiscal, no entanto, analisou a documentação de forma equivocada, mantendo, no ponto, a exigência fiscal. Nos termos do parecer técnico, foi demonstrado que todos os valores registrados na conta 53.200.000 – bonificações nacionais tiveram como contrapartida um registro credor na conta 70.290.400 – receita financeira de bonificações, ou seja, os valores foram transferidos de uma conta para outra. Logo, é evidente que a contrapartida final dos valores credores registrados na conta 53.200.000 corresponde à conta contábil 70.290.400, que foi objeto da presente autuação. Caso a exigência sobre o saldo da conta 53.200.000 seja julgada procedente, haverá flagrante duplicidade de PIS e COFINS. O saldo devedor na conta 53.400.000 (inserção comercial): conforme parecer técnico apresentado, ficou demonstrado que os valores apenas transitaram temporariamente pela conta 45.340.020, retornando para a conta 53.400.000. Os demais valores registrados nessa conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado pela fiscalização. A decisão recorrida, no entanto, ignora as evidências apresentadas e conclui que o simples fato de existirem contrapartidas para a conta 45.340.020 – propaganda cooperada, seria prova cabal da inexistência de lançamentos em duplicidade. Ao exigir PIS e COFINS sobre a integralidade do saldo negativo da conta 53.400.000 sem atentar que a sua contrapartida final foi a conta 61.400.300 houve cobrança em duplicidade. Não incide PIS e COFINS sobre as bonificações em descontos, porque não são receitas, não houve acréscimo patrimonial. Caso prevaleça o entendimento de que são receitas, o que admite apenas para argumentar, trata-se de receita com natureza financeira, sujeita à alíquota zero do PIS e da COFINS. Não incide PIS e COFINS sobre as bonificações com descontos decorrentes de inserções comerciais, registradas na conta 61.400.300 (mídia – repasse fornecedores): na consecução de suas atividades, a recorrente elabora ou contrata agência para elaborar Fl. 15721DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 material publicitário com a divulgação dos produtos comercializados em suas lojas. Tais propagandas geram benefícios diretos e indiretos para a recorrente e seus fornecedores. Como resultado dessa geração de benefícios mútuos, a recorrente estabelece contratualmente com seus fornecedores a obrigação de reembolso dos custos de publicidade e propaganda. A forma de pagamento destas obrigações é por meio da concessão de descontos no pagamento de duplicatas devidas aos fornecedores. A decisão merece reforma pois: i) as bonificações correspondem a mera redução de custo das mercadorias; ii) caso assim não se entenda, resta claro que estas bonificações representam mero reembolso de despesas com publicidade e propaganda incorridas em benefício de terceiros, iii) caso se entenda que estes ingressos possuem a natureza de receita, as respectivas despesas de publicidade e propaganda são insumos utilizados na revenda de produtos, devendo ser consideradas como créditos de PIS e COFINS. É inaplicável a taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para essa finalidade. É abusiva a multa de ofício aplicada. Não incide juros Selic sobre a multa de ofício. A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, e-fls. 3041-3063. Esta turma de julgamento, entendeu pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: A Recorrente expressamente discorda do relatório de diligência fiscal quanto às contas 53.200.000 e 53.400.000, diligência, cujo relatório foi acolhido no acórdão da DRJ. Para a empresa, nessas duas contas remanescem equívocos contábeis que acarretam a duplicidade na exigência de PIS e de COFINS sobre um mesmo fato. Ressalto que constam nos autos dois laudos técnicos de perícia contábil, contratados e juntados pela empresa, os quais atestam a ocorrência desses desacertos. Em suma, os argumentos podem ser assim resumidos: I- O Parecer Técnico demonstrou que todos os valores registrados na Conta 53.200.000 tiveram como contrapartida um registro credor na Conta Contábil 70.290.400, ou seja, os valores foram transferidos da Conta Contábil 53.200.000 - Bonificações Nacionais para a Conta Contábil 70.290.400 - Receita Financeira de Bonificações. Portanto, para a empresa, restaria evidente que a contrapartida final dos valores credores registrados na conta contábil 53.200.000 é a Conta 70.290.400, que fora objeto do auto de infração. II- Com relação à Conta 53.400.000, o Parecer demonstrou que houve um equívoco, pois a Recorrente debitou valores da Conta 53.400.000 contra a Conta 61.400.300 (Mídia Coop - Repasse Fornecedores), o que resultou que: (i) a Conta 53.400.000 ficou com o saldo devedor (negativo); e (ii) o passivo registrado na Conta 61.400.300 foi reduzido. Ademais, os valores apenas teriam transitado temporariamente pela Conta 45.340.020, retornando para a Conta 53.400.000. E, os demais valores registrados nesta conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a Conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado no auto de infração em comento. Penso que os pontos elencados pela empresa são importantes e demandam investigação de sua veracidade, a despeito do r. trabalho anterior de diligência fiscal. Fl. 15722DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Isso porque, remanescem dúvidas quanto à composição da base de cálculo do auto de infração, no tocante a essas duas contas contábeis, sendo, por conseguinte, imperiosa a apuração e verificação desse quantum, nos termos que proponho a seguir. Assim, voto por converter novamente o processo em diligência para que a unidade de origem manifeste-se sobre a duplicidade de lançamentos nas contas 53.200.000 e 53.400.000, em face da controvérsia entre o relatório da diligência fiscal anterior e o parecer técnico-contábil da contribuinte. Solicita-se à autoridade fiscal que elabore relatório conclusivo quanto à existência ou não de duplicidade na apuração das bases de cálculo. Consequentemente, que refaça a apuração do valor tributável e do principal de PIS e COFINS, excluindo as duplicidades identificadas. O relatório conclusivo da diligência apontou a improcedência das alegações do Carrefour de que as glosas dos saldos devedores implicariam duplicidade de tributação: 2 Afirmamos, na diligência anterior, que todas as partidas registradas nas contas contábeis 70.290.400 e 61.400.300 tiveram como contrapartidas as contas 53.100.000, 53.200.000, 53.100.100 e 53.400.000. No entanto, nem todas as partidas a débito nas contas 53.200.000 e 53.400.000 fluíram para as contas 70.290.400 e 61.400.300, como asseverado pela defesa da empresa. 3 Embora os anexos ao laudo contábil juntado pela empresa não mostrem, pois não contam com as devidas contrapartidas, outras contas contábeis, além das mencionadas no item anterior foram afetadas com créditos provenientes das contas 53.200.000 e 53.400.000. 4 De qualquer forma, a comprovação do destino dos valores retirados em excesso das contas 53.200.000 e 53.400.000 é uma falsa controvérsia, isto porque a apuração da base de cálculo das contribuições se dá mediante a soma mensal de todas as receitas sujeitas à tributação. Saldos negativos reduzem indevidamente o total das receitas, independentemente da partida a crédito ter ocorrido em conta incluída no levantamento do montante tributável. O valor negativo gerado em uma das contas de bonificação reduz, na mesma proporção, as outras receitas apuradas no mês, e mais especificamente anula a receita apropriada na conta contábil que recebeu a contrapartida que gerou o saldo devedor. 5 Mesmo que todas as contrapartidas a crédito tivessem como destino contas que compuseram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, nem assim a glosa dos saldos devedores artificialmente produzidos pelo excesso do valor debitado implica duplicidade na tributação, ao contrário, resulta na correta apuração da base de cálculo das contribuições, isto porque o valor do saldo negativo não é tributado, mas sua manutenção reduz a receita na mesma medida. 6 Alguns exemplos gráficos ajudam a aclarar esse ponto: (...) 7 Acima, a receita tributável total, que deveria ser de R$ 30.000,00, fica reduzida em R$ 20.000,00, pela consideração de saldos negativos, surgidos em razão de débitos, cujas contrapartidas não se deram nas contas que figuram na apuração da receita tributável. Esse foi o procedimento adotado pela contabilidade da empresa na apuração da base de cálculo dos tributos discutidos neste processo. (...) Fl. 15723DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 8 Incluindo-se no cálculo as receitas constantes nas contas contábeis que receberam as contrapartidas a crédito, mas mantendo os saldos negativos, chegamos a base tributável de R$ 30.000,00. Os saldos negativos acabam por anular a receita transferida para outras contas contábeis. 9 Como se vê, tomar como correta a alegação da empresa, que afirma ocorrer duplicidade de tributação, equivaleria, em última análise, desconsiderar a receita tributável constante nas contas que receberam as partidas a crédito. A fiscalização, ao retirar os valores negativos, apenas corrigiu a apuração do quantum tributável. 10 A situação é diferente dos casos dos saldos devedores gerados em razão do comprovado equívoco em lançamentos contábeis, quando a empresa conseguiu demonstrar que acumulara créditos em determinada conta contábil e, por equívoco, efetuara o débito em uma segunda conta e lançara o respectivo crédito em uma terceira. Havia, por conseguinte, três contas contábeis envolvidas, e com a desconsideração dos saldos negativos, foram tributados tanto os valores que permaneceram nas contas que abrigaram as receitas de bonificação como também os que foram lançados na conta contábil que recebeu as contrapartidas a crédito. 11 Isso posto, não vemos procedência na alegação da empresa de que a glosa dos saldos devedores implicaria duplicidade de tributação. Por sua vez, o contribuinte discordou frontalmente do resultado da diligência, anexando aos autos novo parecer técnico de especialistas em contraposição ao trabalho fiscal: III. IMPROCEDÊNCIA DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA (A) Tributação em duplicidade: as contrapartidas dos saldos negativos glosados já compuseram a base tributável do auto de infração O saldo devedor nas Contas 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida) e 53.400.000 (Inserção Comercial) 15. Vale relembrar que a Requerente já apresentou vasta documentação nestes autos e Pareceres Técnicos elaborados por terceiros independentes demonstrando que todos os valores registrados nas Contas Contábeis 53.200.000 - Bonificações Nacionais e 53.400.000 - Inserção Comercial tiveram como contrapartida um registro credor nas Contas 70.290.400 - Receita Financeira de Bonificações e 61.400.300 (Mídia Coop - Repasse Fornecedores), cujos valores foram incluídos na base de cálculo objeto da presente autuação. 16. Nesse sentido, deve-se ter em mente que o presente Auto de Infração exige valores de PIS e de COFINS sobre (A) o saldo negativo das Contas de resultado 53.200.000 e 53.400.000 e também sobre (B) todos os valores creditados nas contas de resultado 70.290.400 e 61.400.300, que representam justamente as contrapartidas daquelas contas. 17. Portanto, é certo que a exigência de PIS e de COFINS sobre a integralidade dos saldos negativos das Contas 53.200.000 e 53.400.000 é indevido uma vez que as autoridades fiscais exigem as contribuições do PIS e da COFINS duas vezes sobre o mesmo fato contábil: a primeira sobre os débitos que geraram o saldo negativo e a segunda sobre o crédito dos mesmos valores nas Contas de bonificação. Todos esses fatos foram comprovados nestes autos e atestados por Pareceres Técnicos elaborados por terceiros independentes. Fl. 15724DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 18. Não obstante, o Relatório de Diligência limitou-se a afirmar que “o valor negativo gerado em uma das contas de bonificação reduz, na mesma proporção, as outras receitas apuradas no mês, e mais especificamente anula a receita apropriada na conta contábil que recebeu a contrapartida que gerou o saldo devedor”. 19. Tal entendimento não pode ser admitido na medida em que, conforme mencionado, as contrapartidas desses saldos negativos foram integralmente glosadas pela Fiscalização no presente processo. Ao glosar a receita correspondente às Contas 70.290.400 e 61.400.300, deveria a Autoridade Fiscal ter deixado de efetuar a glosa sobre os saldos negativos nas contas de resultado da Requerente para evitar a duplicidade do lançamento. Isso porque os saldos negativos em questão, na verdade, são meros lançamentos reflexos das contas de receita já tributadas nestes autos, o que torna necessário afastar a glosa sobre esses montantes. 20. Mas não é só isso. Também deve-se notar que as contas 53.200.000 e 53.400.000 são contas de resultado e, devido à sua natureza, deveriam ter como contrapartida contas patrimoniais da Requerente (contas de ativo e passivo). No entanto, por um equívoco interno da companhia, a contrapartida dessas contas foi registrada em contas de bonificação (também de resultado), cujo efeito é uma mera transferência de valores entre contas de resultado, sem impacto na apuração das contribuições ao PIS/COFINS. De fato, não há qualquer impacto nos lançamentos entre contas de resultado, mas uma mera transferência de saldos entre contas de mesma natureza. 21. Dessa forma, é certo que se os saldos negativos das contas de resultado 53.200.000 e 53.400.000 tiveram a sua contrapartida em outras contas de resultado (no caso, as contas de bonificação 70.290.400 e 61.400.300), não há de se falar em qualquer efeito fiscal na apuração tributária, uma vez que houve uma simples transferência entre contas de mesma natureza. Por isso, é evidente que os saldos negativos não anulam as receitas apuradas no mês, como pretendeu demonstrar a Fiscalização. 22. Nesse sentido, vale destacar o Parecer Técnico Contábil protocolado na data de 29.7.2014: “(...) caso o valor negativo de uma conta que afeta a base de cálculo do PIS e COFINS tenha uma contrapartida em outra conta de resultado, não há qualquer efeito final na apuração tributária. Sendo assim, se a glosa de valores nas contas contábeis 53.200.000 e 53.400.000 tiverem como contrapartida outras contas de resultado sujeitas à tributação, não há que se falar na necessidade de qualquer ajuste na base de cálculo do PIS e da COFINS.” 23. É de se destacar que o Relatório Conclusivo de Diligência não examinou em detalhes os lançamentos contábeis efetuados pela Recorrente e acabou por - mais uma vez - afirmar genericamente que não existe duplicidade de tributação no presente caso. Ora, se a Requerente apresentou documentos e diversos Pareceres Técnicos que demonstram a ausência de efeitos fiscais e duplicidade de tributação, a Fiscalização deveria ter ao menos se debruçado sobre esses documentos e apresentado contraprova para sustentar a sua posição. 24. A baixa dos autos em diligência teve o propósito de solucionar a dúvida levantada pelo próprio CARF acerca da existência de lançamento fiscal em duplicidade, tendo em vista os pareceres técnicos juntados pela Requerente. Fl. 15725DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Todavia, o novo relatório de diligência não trouxe elementos novos a estes autos e limitou-se a afirmar que não haveria equívocos na composição da base tributável em questão. 25. Conforme será demonstrado a seguir, o erro na composição da base de cálculo já foi exaustivamente demonstrado pela Requerente nestes autos e será novamente exposto em detalhes por um novo Parecer Técnico juntado à presente manifestação, confirmando que a exigência sobre o saldo negativo das Contas 53.200.00 e 53.400.000 produz dupla exigência de PIS e de COFINS sobre a mesma grandeza (bis in idem), o que não pode ser admitido. (B) Conta 53.400.000: Fiscalização deixou de analisar o ajuste positivo que reduz o saldo para apenas R$ 35.285.148,53 26. A Requerente já demonstrou nestes autos que os valores referentes à conta 53.400.000 possuem os seguintes registros contábeis: (i) tiveram como contrapartida a Conta 45.340.020 - propaganda cooperada - Passivo Transitória, retornando para a Conta 53.400.000 ao final do ano; ou (ii) tiveram como contrapartida lançamentos na Conta 61.400.300 (cujo saldo foi integralmente tributado), o que resultou em um saldo negativo na Conta 53.400.000 no valor de R$ 35.285.148,53. 27. Nesse sentido, foi demonstrado que os valores que tiveram como contrapartida a Conta 45.340.020 (item “i” acima) apenas transitaram temporariamente pela Conta 45.340.020, retornando para a Conta 53.400.000. Assim, apenas os demais valores registrados nesta conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a Conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado pela Fiscalização. 28. Por esse motivo, quando se considera o efetivo ajuste positivo efetuado ao final do ano-calendário, verifica-se que tal procedimento reduziu o saldo negativo desta conta para apenas R$ 35.285.148,53. Portanto, além de todos os fatos já analisados no item anterior, a verdade é que o Relatório de Diligência deixa de examinar os valores debitados e creditados na referida conta, sem examinar o efetivo ajuste positivo efetuado ao final do ano-calendário que reduz o saldo negativo desta conta para apenas R$ 35.285.148,53. (C) Novo Parecer Técnico Contábil confirma a ausência de efeitos fiscais e duplicidade na glosa dos saldos negativos 29. É importante destacar que 3ª Câmara da 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamento do CARF entendeu ser necessária uma análise mais detalhada acerca dos documentos juntados aos autos e, especialmente, dos Pareceres Técnicos Contábeis que questionam a composição da base de cálculo do auto de infração. 30. A dúvida suscitada pelo CARF surgiu justamente em função do novo Parecer Técnico juntado pela Requerente nestes autos após a conclusão da primeira diligência, rebatendo os argumentos apresentados pelo Auditor Fiscal e comprovando a existência de duplicidade na composição da base de cálculo do auto de infração. 31. Nesse sentido, muito embora o novo Relatório de Diligência de fls. 3.091 a 3.095 não tenha explorado em detalhe o novo parecer juntado pela Requerente e os Fl. 15726DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 documentos juntados ao processo, a Requerente apresenta novo Parecer Técnico Contábil elaborado por terceiros independentes (doc. nº 3), o qual demonstra de forma minuciosa que a manutenção da exigência fiscal sobre os saldos negativos das contas de resultado representa duplicidade do lançamento fiscal (vide também o Anexo I do Parecer em formato não paginável). 32. O novo Parecer Técnico teve por objetivo complementar os demais pareceres juntados ao processo, realizando um detalhamento de todos os lançamentos contábeis e respectivas contrapartidas que compuseram o saldo negativo da conta 53.400.000, para ao final concluir que (A) a referida conta teve lançamentos reflexos na conta 61.400.300, já tributada no auto de infração, e que (B) as demais contrapartidas dos registros da conta 53.400.000 foram realizados na conta 45.340.020 de forma temporária, cujo o valor era retornado à conta 53.400.000 ao final do ano, de forma que o saldo negativo total ao final do período (R$ 35.285.148,53) era muito inferior ao saldo exigido pela Fiscalização nestes autos. 33. O parecer Técnico explica que os registros a débito e a crédito efetuados na conta 53.400.000 deveriam resultar em valor final equivalente a zero, uma vez que se tratam de valores de reembolso de despesas com publicidade. No entanto, por um equívoco interno, esses lançamentos foram realizados em duplicidade, o que gerou os saldos negativos em questão. 34. Nesse aspecto, o Parecer Técnico, em seu Anexo I, relaciona todos os lançamentos e contrapartidas que envolveram a conta 53.400.000, para concluir que de fato há exigência em duplicidade no presente auto de infração e que os saldos negativos não impactaram a apuração das contribuições ao PIS e à COFINS. 35. Aliás, vale notar que o próprio relatório de diligência reconheceu que nos casos em que efetivamente se verificou um equívoco contábil por parte da empresa, como é o caso das contas 53.200.000 e 53.400.000, a glosa dos saldos negativos se mostra indevida: “10. A situação é diferente dos casos dos saldos devedores gerados em razão do comprovado equívoco em lançamentos contábeis, quando a empresa conseguiu demonstrar que acumulara créditos em determinada conta contábil e, por equívoco, efetuara o débito em uma segunda conta e lançara o respectivo crédito em uma terceira. Havia, por conseguinte, três contas contábeis envolvidas, e com a desconsideração dos saldos negativos, foram tributados tanto os valores que permaneceram nas contas que abrigaram as receitas de bonificação como também os que foram lançados na conta contábil que recebeu as contrapartidas a crédito.” (não destacado no original) 36. Ademais, o Parecer técnico também indica que o saldo negativo efetivamente verificado na conta 53.400.000, após considerados os ajustes feitos nessa conta ao final do período, corresponde exclusivamente ao valor de R$ 35.285.148,53, montante inferior àquele glosado no presente auto de infração. Assim, tem-se que além de gerar evidente duplicidade de lançamento, a glosa dos saldos negativos foi feita sobre saldo notadamente superior aos efetivos valores registrados na conta contábil no final do período de apuração. 37. Portanto, considerando que o CARF entendeu haver dúvida quanto à duplicidade da exigência fiscal no caso concreto, e que (A) a Requerente já havia protocolado Parecer Técnico em 29.7.2014 demonstrando a improcedência da glosa dos saldos negativos e (B) o novo Parecer ora juntado indicou todos os lançamentos e Fl. 15727DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 contrapartidas efetuados à conta 53.400.000, confirmando a necessidade de cancelamento da referida glosa, a Requerente solicita que este CARF analise as informações trazidas a esses autos para que, ao final, determine o cancelamento do auto de infração nesse ponto. O novo Parecer Técnico teceu as seguintes conclusões: ❖ Ao exigir o estorno dos saldos devedores da Conta Contábil 53.400.000 a Fiscalização também não atentou para equívoco cometido pelo Carrefour ao efetivar registros a débito e a crédito em duplicidade, sem impacto na Base de Cálculo do PIS e da COFINS. O Saldo da referida Conta Contábil deveria ser, ao final do período igual a ZERO, no entanto, o saldo era sempre equivalente a registro manual que foi identificado como equivocado. ❖ A Contrapartida dos registros da Conta Contábil 53.400.000 era a Conta Contábil 45.340.020, cujo o valor era retornado à Conta Contábil 53.400.000 ao final do ano, de forma que o saldo negativo da Conta Contábil 53.400.000 ao final do período era muito inferior ao saldo negativo exigido pela Fiscalização. Alternativamente, a Contrapartida dos registros poderia ser a Conta Contábil 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado pela Fiscalização. ❖ Há registro de valores em sinais opostos aos registrados na Conta Contábil 61.400.300 na conta Contábil 61.410.000 que anularia o efeito dos registros contábeis efetivados se avaliados em conjunto. Então, houve a conversão novamente do julgamento em diligência, por remanescer controvertida a base tributável do PIS e da COFINS, porquanto o Carrefour expressamente afirma que houve equívocos contábeis nas contas 53.200.000 e 53.400.000, os quais geram duplicidade na exigência de PIS e de COFINS sobre um mesmo fato. Nessa oportunidade, foi solicitado à unidade de origem que: i) Intimasse o Carrefour a apresentar relatório contábil e fiscal no prazo de 90 dias (improrrogáveis) sobre as duplicidades alegadas nas contas 53.200.000 e 53.400.000, para: a) Conciliar os balancetes/razões contábeis com demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS, destacando as linhas em que foram computados os lançamentos contábeis a débito e crédito de contas de resultado do exercício, objetos da controvérsia. Os objetivos são os de: a.1) demonstrar que cada um dos valores devedores lançados nas bases de cálculo tem um correspondente credor, o que comprova que não reduziram indevidamente as bases de cálculo; e a.2) demonstrar que o somatório dos valores credores é maior do que o dos devedores e que a diferença corresponde à receita objeto da controvérsia. b) Os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS citados no item anterior devem ser conciliados com o DACON, DCTF e guias de recolhimento/PER-DCOMP. c) Elaborar quadro final que aponte a nova base tributável do PIS e da COFINS, após a exclusão das duplicidades defendidas/identificadas, quadro esse que consolide as Fl. 15728DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 seguintes informações: base de cálculo do auto de infração x base de cálculo mantida e valores lançados a título de PIS/COFINS X valores mantidos. ii) E se manifestasse sobre o relatório descrito no item i acima. iii) Em seguida, desse vista à Fazenda Nacional, também para manifestação. As informações foram prestadas pelo Carrefour, conforme e-fls. 3259 a 15.625. Juntado, além da documentação solicitada, novo parecer contábil. As suas conclusões são as seguintes: Ao exigir o estorno dos saldos devedores da Conta Contábil 53.400.000 a Fiscalização não atentou que realizaria a tributação em duplicidade, em contrapartida na conta 61.400.300 ou em registro na Conta Contábil 45.340.020, cujo o valor retornou à Conta 53.400.000 ao final do ano, de forma que o saldo negativo da Conta 53.400.000 ao final do período era muito inferior ao saldo negativo estornado. Os registros contábeis que negativaram a Conta 53.200.000, tiveram como contrapartida a conta 70.290.400 que foi integralmente tributada pela Fiscalização, sendo, portanto, impróprio a exigência de estorno dos valores negativos da referida conta contábil, sem adentrar nas questões jurídicas. No quadro abaixo é possível verificar que com relação as contas objeto de análise neste Relatório, somente o valor de R$ 35.260.610,22 teria reduzido a base tributável de forma imprópria. O relatório fiscal consta nas e-fls. 15626 a 15628. A autoridade acolheu a nova base da conta 53.200.000 (R$ 35.260.610,22), mas negou a alteração da base na conta 53.400.000: Saldos negativos da conta 53.400.000 3. O Relatório Contábil juntado nesta oportunidade pela empresa apresenta elementos semelhantes e conclusão idêntica ao manifestado em diligência anterior. 4. O mencionado Parecer demonstra a movimentação ocorrida entre as contas 54.400.000 e 61.400.300, e afirma que: “Diante dos registros equivocados efetivados entre a conta 53.400.000 e a conta 61.400.300, o montante que efetivamente deveria ser ofertado à tributação consiste na diferença entre os valores positivos e negativos registrados exclusivamente na conta 53.400.000, sem adentrar na questão atinente a tributação dos valores registrados na conta 61.400.300. Desta forma, o montante a ser tributado, consiste, exclusivamente no valor de R$ 35.285.148,53.” (fls. 30 do Relatório Contábil) 5. Não foi diferente a conclusão a que chegamos na diligência anterior. “Houve movimentação contábil entre as contas 53.400.000 e 61.400.300, porém não foram esses lançamentos que geraram os valores negativos. Conforme confirmado pela empresa, os saldos negativos foram produzidos em razão de débitos cujas contrapartidas deram-se na conta 45.340.020 – Propaganda Cooperada, a qual é conta de passivo, não transitando, portanto, pelo resultado e “Como afirmado acima, parte do saldo negativo que foi produzido na conta 53.400.000 foi revertida pelo crédito efetuado no mês de dezembro, proveniente de transferência de valor acumulado na conta 45.340.020” (fls. 08 e 09 do Relatório Conclusivo). Fl. 15729DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 6. Assim, nos afigura correta a afirmação de que o saldo devedor da conta 53.400.000, considerando-se a receita oferecida em dezembro de 2008, fica restrito ao valor de R$ 35.285.148,53, que deve ser glosado, posto que impactou a base de cálculo das contribuições. Saldos negativos da conta 53.200.000 7. O Relatório Contábil juntado pela empresa em resposta a esta diligência, assim explica os saldos negativos verificados nos meses de junho e setembro a dezembro de 2008: “No entanto, indica-se que o mesmo equívoco que ocorreu na Conta 53.100.000 também ocorreu na Conta 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida). Ou seja, a fiscalização utilizou o saldo da Conta 53.200.000 que estava devedor, como se receita fosse. Esse procedimento não merece prosperar uma vez que a contrapartida deste lançamento foi, efetivamente, uma conta de Receita Financeira, sendo claro que os valores autuados decorrem do efeito do registro a débito que teve como contrapartida a Conta 70.290.400.” 8. O Laudo Contábil faz, ainda, constar excertos do razão contábil da conta 53.200.000, demonstrando os valores movimentados entre essa conta e a de nº 70.290.400, o que demonstraria que tais transferências teriam gerado os saldos negativos. 9. Observando-se o razão da conta 53.200.000, para cada um dos meses que apresentaram saldos negativos, não se pode necessariamente alcançar a conclusão de que os valores retirados da conta mencionada e destinados a conta contábil 70.290.400 foram os responsáveis pelos saldos negativos, especialmente nos meses de junho, setembro e outubro. 10. Ao contrário, a intensa movimentação entre a conta 53.200.000 e a conta de ativo 22.000.000 - Bonificações a receber, após a transferência de valores para a conta 70.290.400, é a causa dos valores negativos. (juntamos o razão da conta 53.200.000, relativo ao último dia dos meses de junho e setembro a dezembro de 2008, em planilha Excel, de modo a facilitar a visualização) 11. Em nenhum dos casos de saldo negativo, apurados no transcorrer do procedimento fiscal, constatou-se débito e crédito em duplicidade, o que poderia ensejar a redução da receita aportada em excesso. O que se verificou foram equívocos contábeis, que consistiram em debitar valores superiores ao saldo da conta. 12. Reiteramos o que foi afirmado em diligência anterior, no sentido de que mesmo que todas as contrapartidas a crédito tivessem como destino contas que compuseram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, nem assim a glosa dos saldos devedores artificialmente produzidos pelo excesso do valor debitado implica duplicidade na tributação, ao contrário, resulta na correta apuração da base de cálculo das contribuições, isto porque o valor do saldo negativo não é tributado, mas sua manutenção reduz a receita na mesma medida. Dessa forma, a exclusão dos saldos negativos da conta 53.200.000 deve ser mantida. A empresa se manifestou sobre o relatório fiscal, nas e-fls. 15635 e seguintes, contestando o desacerto do relatório fiscal quanto a conta 53.400.000: (A) A incidência de PIS e de COFINS sobre a integralidade dos valores registrados na Conta 70.290.400 já abrange o saldo negativo registrado na Conta 53.200.000, o que resulta em duplicidade do lançamento fiscal; (B) O Processo Administrativo nº 16561.720008/2012-12, que trata de discussão idêntica à destes autos, envolvendo as mesmas contas contábeis, teve decisão Fl. 15730DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 reconhecendo a improcedência da glosa sobre os saldos da conta 53.200.000, entendimento este que deverá ser aplicado também nestes autos. 22. Nesse contexto, tendo sido comprovada a regularidade dos procedimentos adotados, requer-se sejam considerados parcialmente improcedentes os argumentos trazidos no novo Relatório de Diligência, com o cancelamento dos saldos negativos relacionados à conta 53.200.000, à exemplo do que se fez no Processo Administrativo nº 16561.720008/2012-12. Após a concessão de vista à PGFN, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. Os recursos de ofício e voluntário cumprem os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Preliminar Em preliminar, o Recorrente alega o agravamento da exigência sem a lavratura de novo auto de infração. Entende que o relatório conclusivo de diligência, adotado pela DRJ, aumentou a exigência fiscal relativa às contas contábeis 53.200.000 e 53.400.000. Dessa forma, o agravamento somente pode ocorrer mediante novo auto de infração, com intimação e abertura do prazo para impugnação. Finaliza, ressaltando a decadência para o lançamento complementar. A decisão de piso acatou o resultado da diligência, cancelando parte da autuação, motivo pelo qual foi interposto o recurso de ofício. Entendo que tal matéria não se resume a preliminar de mérito, mas sim representa o próprio mérito, motivo pelo qual será tratada no tópico Ajustes na base de cálculo – saldos negativos de contas deste voto. Delimitação da controvérsia – as contas de “bonificações com desconto” Dos fatos constituídos nestes autos, está-se diante de bonificações em descontos com duas naturezas, a primeira de “bonificações com descontos em geral” (conta 70.290.400), decorrente da exposição de produtos em gôndolas e da garantia de uma margem mínima para o Carrefour, independente de promoções realizadas no ponto de venda; e a segunda de “bonificações para inserção comercial” (conta 61.400.300), que são as bonificações com descontos decorrentes da exposição dos produtos em materiais publicitários divulgados pelo Recorrente. Entende que as “bonificações com descontos em geral” são redutoras do custo das mercadorias, ao passo que “as bonificações para inserção comercial” são redutoras de um Fl. 15731DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 passivo contra as agências de publicidade e veículos de comunicação. Ambas não devem compor a base de cálculo de PIS e COFINS por não se caracterizarem como “receitas”. As bonificações são tratadas em contratos entre os fornecedores e o Carrefour e têm caráter contraprestacional, por isso entendeu a fiscalização que devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. A delimitação da controvérsia sobre a natureza das contas de bonificação da Recorrente (valores descontados ou cobrados de fornecedores), as “bonificações com desconto”, foi bem feita pela DRJ, nos seguintes termos: Em apertada síntese, foram lançados valores cobrados de fornecedores e não incluídos na base de cálculo das contribuições. Tais valores referem-se a percentuais estabelecidos em contratos e implementados por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos mesmos. Cabe, de início, recuperar algumas informações. Os próprios contratos com fornecedores estabelecem, em regra, os valores ou percentuais e motivos dos descontos futuros. Constam dos autos vários documentos intitulados “Nota de Débito de Verba de Bonificação” que indicam, como padrão, o seguinte (exemplo na fl. 1458 desses autos): “3. DO PAGAMENTO/COBRANÇA 3.1. O valor total das bonificações, designado no item 1 deste contrato, deverá ser pago integralmente pelo fornecedor ao CARREFOUR até as datas de Vencimento acordadas para essa modalidade de bonificação através de desconto em duplicata. 3.2. Os contratos firmados com forma de pagamento CPFC serão descontados em qualquer duplicata a vencer do fornecedor na data acordada no item 4 – DO VENCIMENTO sem incidência de multa ou juros.” Os contratos firmados indicam os motivos e valores/percentuais. Assim consta estabelecido no acordo de compra entre as partes (ex. fl. 1869): É de se frisar que os objetos da autuação são apenas as denominadas pela empresa “bonificações com desconto”. Como indica a empresa, o que não é Fl. 15732DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 objeto de discordância, não há bonificações em mercadoria e as bonificações em dinheiro são tributadas. As justificativas são diversas para os repasses dos fornecedores, como, tomando- se por base as principais contas objeto da autuação: bonificações relativas a espaços privilegiados (ponto de gôndola, ponto extra, célula perecíveis), verbas incondicionais e bonificação internacional, foco preço e margem garantida e inserção comercial (publicidade). A fiscalização tributou as contas que receberam contrapartida das referidas contas de bonificações, ou seja, a conta 70.290.400 – receitas financeiras sobre bonificações incondicionais (conta de receita financeira – alíquota zero para o PIS e a Cofins) e a conta 61.400.300 – Mídia Cooperativa (conta de despesas gerais). Também foram tributados o saldo ou o restante das contas de bonificações, efetuados, em cada conta, os ajustes (por exemplo, como consta do Termo Fiscal – fl. 1648 – “2. Os valores de receita de bonificação da conta nº 53.100.100, que foram debitados e creditados na conta nº 70.290.400 estão incluídos nesta última”). Em alguns casos, restaram saldos devedores nas contas de bonificações, apesar de serem contas credoras, de receita. O saldo negativo em questão foi zerado, o que será objeto do próximo tópico. Como indica a impugnante, a “... relação entre os fornecedores de bens e os pontos de vendas é conhecida no mercado como ‘trade marketing’. Trata-se de importante estratégia das organizações para maximizar as vendas e diferenciar os seus produtos no ponto de venda” (fl. 1704). Assinala a empresa, ainda em sua peça impugnatória, que “As Bonificações com Descontos em Geral são redutoras do custo das mercadorias vendidas e, nos termos da legislação vigente e da jurisprudência dominante sobre a matéria, não são consideradas como receitas do ponto de vista jurídico-tributário. (...) Já as Bonificações com Descontos decorrentes de Inserção Comercial são redutoras de um passivo da Requerente contra as agências de publicidade e veículos de comunicação” (fl. 1705). Tal tipo de situação, efetivamente, nem é exclusiva nem nova no mercado, especialmente no ramo de supermercado/hipermercado. Cumpre registrar que não caberia aqui adentrar nos méritos ou propósitos das relações da empresa com seus fornecedores. Não caberia questionar o teor sinalagmático das relações celebradas. Interessa aqui a natureza dos valores envolvidos em relação às repercussões fiscais. Os termos utilizados não são fundamentais, sejam chamadas rapel, trade marketing, pedágio, bonificações em descontos, reduções de passivo, ou o que for, é essencial verificar se tais valores encontram-se contemplados nas hipóteses de incidência previstas. A composição da base de cálculo do PIS e da COFINS O art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, prescreve que o PIS e a COFINS incidem sobre “a receita ou o faturamento”. A Lei nº 9.178/1998 (regime cumulativo), no art. 2º, dispõe que o PIS e a COFINS incidem sobre o faturamento. O art. 3º e parágrafos listam as exclusões admitidas da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo. Por sua vez, as Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03 (regime não-cumulativo), nos seus art. 1º, estabelecem a incidência de PIS e COFINS sobre a totalidade das receitas percebidas Fl. 15733DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. E, no art. 1º, §3º de cada uma dessas Leis, estão listadas as taxativas hipóteses de exclusões possíveis da base de cálculo das contribuições. Cotejadas as disposições normativas, é necessária a delimitação do conceito de “faturamento” e “receita bruta”. O STF já fixou entendimento de que, para fins de definição da base de cálculo para a incidência de PIS e COFINS, “faturamento” e “receita bruta” são termos sin nimos e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, ou se a, é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Observe-se os precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830-AgR; RE 621.652-AgR; RE 371.258- AgR; AI 716.675-AgR- AgR; AI 799.578-AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Em suma, entende-se por “faturamento” e “receita bruta”, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, qual seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Por fim, saliente-se que as exclusões, deduções e isenções devem ser interpretadas restritivamente (art.111 do CTN), assim sendo, as Leis nº 9.718/98; 10.637/02 e 10.833/03, ao estabelecerem a sistemática do PIS e da COFINS, dispuseram expressamente as hipóteses de dedução e exclusão de alguns valores da base de cálculo desses tributos, hipóteses nas quais não se encontram os valores pagos como “bonificações com descontos”. Para o Recorrente, os descontos dos fornecedores (as contrapartidas dos fornecedores se dão por meio de descontos no pagamento das duplicatas) são reduções nos preços das mercadorias, não se caracterizando como receitas, fora, portanto, da incidência de PIS e COFINS. Registra contabilmente os valores em contas correspondentes às bonificações. Após, ou são mantidas, registrando saldo ao final do mês, ou são transferidas para contas de receitas financeiras (alíquota zero para as contribuições) ou ainda para outras contas que não registram receitas. Pelos acordos entre o Carrefour e os fornecedores, é possível que estes ocupem espaço privilegiado de vendas, em gôndolas e outros no interior dos estabelecimentos e ainda há garantia da manutenção de margem sobre vendas ou que receba destaque em tabloides ou propagandas de responsabilidade do contribuinte. Diante disso, os fornecedores oferecem a contrapartida financeira para o Recorrente. Contraditoriamente, o Recorrente, no caso dos recebimentos em dinheiro, oferece tais valores à tributação pelo PIS e pela COFINS. Para “descontos”, entende que a lógica não seria a mesma. Ressalte-se que os descontos concedidos não são dados no momento da entrada, uma vez que nas notas fiscais constam os valores integrais. Fl. 15734DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Impossibilidade de caracterização das “bonificações com desconto” como descontos incondicionais Nos termos do Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, bonificações são: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computando-se, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformando-se em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegando-se, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressalte-se que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. Enfim, tem-se que: não se caracterizam como descontos incondicionais os descontos concedidos apenas nos documentos de cobrança, sem o serem na nota fiscal de venda, não bastando que esta faça somente menção à possibilidade de serem eventualmente concedidos, conforme estabelecido genericamente em acordo comercial, tanto mais se a respectiva redução só for efetivada: i) se verificado o cumprimento, após a compra, de certas condições ou práticas pelo adquirente dos bens, em determinado espaço de tempo; ou ii) como compensação por alguma ação do adquirente (e.g.: reembolso por propaganda ou promoção efetuada), ou em razão de defeito constatado nas mercadorias que lhe foram entregues (em lugar da devolução a que teria direito), ambos após a compra e recebimento dos bens. Por conseguinte, os valores a eles correspondentes não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. bonificações concedidas em mercadorias caracterizam-se como descontos incondicionais, isto é, constituem parcelas redutoras da receita bruta de venda para fins de apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apenas quando Fl. 15735DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Por conseguinte, entendo que tais descontos não podem ser considerados descontos incondicionais nos termos da Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 3º, “a” e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 3º, “a”, pois os descontos incondicionais se referem a parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos (IN nº 51/1978, item 4.2). Nesse sentido, o acórdão n° 3401-003.419 (j. 17 de fevereiro de 2017), da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, referente ao período de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, decorrente de lançamento anterior contra o Carrefour, processo 16561-720.008/2012-12: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações de caráter contraprestacional (reposição de mercadorias, publicidade, posicionamento de produtos em lojas, reembolso por distribuição, etc.) ou de cunho comercial (garantia de margens de lucros, abertura de novas lojas, reformas, etc.) recebidas dos fornecedores, ainda que descritas em contrato como descontos, sujeitam-se à incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações de caráter contraprestacional (reposição de mercadorias, publicidade, posicionamento de produtos em lojas, reembolso por distribuição, etc.) ou de cunho comercial (garantia de margens de lucros, abertura de novas lojas, reformas, etc.) recebidas dos fornecedores, ainda que descritas em contrato como descontos, sujeitam-se à incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. Impossibilidade da classificação como receita financeira Ademais, não podem ser classificados como receitas financeiras, porque não decorrem da aplicação de recursos financeiros. São “receitas financeiras” os uros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Assim, os “descontos” concedidos ao Recorrente subsomem-se ao conceito de receita, por decorrerem de prestação de um serviço ou benefício fornecido. Não podem ser considerados como receitas financeiras, mas sim como receita da venda de bens e serviços, os valores recebidos em contrapartida da prestação de serviços ou venda de produtos. Fl. 15736DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Impossibilidade da classificação como redutores dos custos de aquisição Procede argumentando que, para o grupo de contas correspondente às bonificações com descontos em geral (Bonificações Nacionais, Garantido Nacional, Bonificação Margem Garantida e a conta Receita Financeira s/ Bonif. Incondic.), os lançamentos caracterizam-se como redutores dos custos de aquisição, não se caracterizando como receita. Entendo que também não há razão nessa alegação, diante da sua natureza de receita operacional, pois se trata de atividades realizadas e materializadas pela entrega de bens ou serviços, pelos quais houve remuneração, ou seja, são ingressos de recursos em contrapartida da entrega de bens ou serviços para fins de PIS e COFINS. Nesse sentido, esta Turma, no acórdão nº 3301-003.874, de Relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho, recentemente (28/06/2017), decidiu: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 BONIFICAÇÔES. PAGAS PELOS FORNECEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DE DESPESAS. NATUREZA DE RECEITA. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO. Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. E tal natureza lhe cabe, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Impossibilidade da classificação das “bonificações para inserção comercial” como reembolso de despesas Alega o Carrefour que a conta “Mídia Coorporativa” contém valores de reembolso de despesas de publicidade e propaganda, descontados dos fornecedores nos pagamentos efetuados a eles. São os contratos que estabelecem os percentuais relacionados à divulgação de produtos e uma série de gastos de Carrefour que serviriam para justificar os descontos no valor pago das duplicatas, como contratação de agência de publicidade, gráfica, distribuidora, salários dos funcionários do departamento de marketing, energia elétrica despendida para a atividade de desenvolvimento e veiculação de material publicitário etc. O Carrefour cobra a título de ‘inserções comerciais’, o percentual de 9% para: 1.D.1.2 – Referidos custos e despesas, terão por base os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, levando-se em consideração: a) levantamento de todos os gastos despendidos diretamente na elaboração, confecção e veiculação do material publicitário, Fl. 15737DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 tal como: contratação de agência de publicidade, gráfica e distribuidora, aquisição de materiais, entre outros gastos necessários de acordo com o meio publicitário; b) levantamento de todos os gastos despendidos na administração dos recursos necessários para o desenvolvimento e veiculação do material publicitário, tais como: salários de funcionários do Departamento de Marketing, energia elétrica, ligações telefônicas, espaço físico, materiais e depreciação de bens empregados pelo Departamento de Marketing do CARREFOUR BRASIL para esta atividade. Não merece guarida o pleito, uma vez que os acordos entre o Carrefour e os fornecedores fixam os percentuais de descontos, entretanto as despesas não guardam relação direta com os gastos em si. Assim, os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, diante da falta de correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. O fornecedor não contrata e paga a publicidade através da Recorrente, mas sim contrata a divulgação de seus produtos pelo próprio Carrefour. Além disso, como já tratado acima, integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil, nela se incluindo os valores de recuperação de despesas Impossibilidade da classificação das “bonificações para inserção comercial” como insumos para creditamento na sistemática não-cumulativa Os gastos de publicidade e propaganda não podem ser considerados créditos na sistemática não-cumulativa, uma vez que o objeto social da Recorrente é o comércio varejista e atacadista de produtos alimentícios em geral. Nos termos do art. 3º, II das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, o direito ao creditamento de insumos decorre da utilização na produção ou fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Ajustes na base de cálculo – saldos negativos de contas Alegou que houve duplicidade no lançamento, envolvendo as contas 53.100.000; 53.200.000 e a conta 53.400.000. Na DRJ, a diligência lá efetuada, apontou a duplicidade apenas quanto à conta 53.100.000. Ressalte-se novamente o teor da diligência: a) Informar se existem outros lançamentos contábeis nas contas nºs 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif. Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores) que deveriam ser considerados para fins de tributação, ou somente aqueles realizados contra as contas nºs 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida), 53.100.100 (Garantido Nacional) e 53.400.000 (Inserção Comercial); b) Se pronunciar sobre a alegação da interessada de duplicidade na base de cálculo apurada em relação aos saldos devedores (negativos) das contas 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida) e 53.400.000 (Inserção Comercial) e os valores considerados para as contas 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores); Fl. 15738DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 c) Caso se entenda existente a duplicidade na apuração da base de cálculo, refazer a apuração do valor tributável e do principal das contribuições, extirpada a duplicidades verificada; E as respostas: Resposta ao item (a): “Todas as partidas registradas nas contas contábeis 70.290.400 e 61.400.300 tiveram como contrapartidas as contas 53.100.000, 53.200.000, 53.100.100 e 53.400.000, vide quadros constantes às fls. 1.643/44 e 1.646/47”; Resposta aos itens (b) e (C): “A teor do relatado acima, os saldos negativos restantes após a correção dos erros cometidos pela empresa nos registros dos créditos e débitos entre as contas 53.100.000 e 53.100.100 não foram criados em razão de contrapartidas em contas incluídas nas bases de cálculo do PIS e da Cofins e, portanto, a glosa não resulta em duplicidade de tributação. Tendo em vista que os valores lançados se alteram, apresentamos a seguir os valores, mês a mês que indevidamente reduziram a receita tributável”. Logo, acolho o resultado da diligência da DRJ, para negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a identificação dos equívocos na conta 53.100.000 e seus reflexos na reapuração da base de cálculo de PIS e COFINS. Ainda quanto à base tributável do PIS e da COFINS, o Carrefour expressamente afirma que houve equívocos contábeis nas contas 53.200.000 e 53.400.000, os quais geraram duplicidade na exigência de PIS e de COFINS sobre um mesmo fato. A controvérsia, em suma, é a seguinte: I- Todos os valores registrados na Conta 53.200.000 tiveram como contrapartida um registro credor na Conta Contábil 70.290.400, ou seja, os valores foram transferidos da Conta Contábil 53.200.000 - Bonificações Nacionais para a Conta Contábil 70.290.400 - Receita Financeira de Bonificações. Portanto, para a empresa, restaria evidente que a contrapartida final dos valores credores registrados na conta contábil 53.200.000 é a Conta 70.290.400, que fora objeto do auto de infração. II- Com relação à Conta 53.400.000, houve um equívoco, pois o Carrefour debitou valores da Conta 53.400.000 contra a Conta 61.400.300 (Mídia Coop - Repasse Fornecedores), o que resultou que: (i) a Conta 53.400.000 ficou com o saldo devedor (negativo); e (ii) o passivo registrado na Conta 61.400.300 foi reduzido. Ademais, os valores apenas teriam transitado temporariamente pela Conta 45.340.020, retornando para a Conta 53.400.000. E, os demais valores registrados nesta conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a Conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado no auto de infração em comento. Em suma, a afirmação do contribuinte é a de que “o Auto de Infração exige valores de PIS e de COFINS sobre o saldo negativo das Contas de resultado 53.200.000 e 53.400.000 e também sobre todos os valores creditados nas contas de resultado 70.290.400 e 61.400.300, que representam justamente as contrapartidas daquelas contas.” Sobre a conta 53.400.000, a autoridade fiscal no relatório da última diligência determinada por esta Turma e o Carrefour convergem, com os fundamentos que acolho: Saldos negativos da conta 53.400.000 3. O Relatório Contábil juntado nesta oportunidade pela empresa apresenta elementos semelhantes e conclusão idêntica ao manifestado em diligência anterior. Fl. 15739DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 4. O mencionado Parecer demonstra a movimentação ocorrida entre as contas 54.400.000 e 61.400.300, e afirma que: “Diante dos registros equivocados efetivados entre a conta 53.400.000 e a conta 61.400.300, o montante que efetivamente deveria ser ofertado à tributação consiste na diferença entre os valores positivos e negativos registrados exclusivamente na conta 53.400.000, sem adentrar na questão atinente a tributação dos valores registrados na conta 61.400.300. Desta forma, o montante a ser tributado, consiste, exclusivamente no valor de R$ 35.285.148,53.” (fls. 30 do Relatório Contábil) 5. Não foi diferente a conclusão a que chegamos na diligência anterior. “Houve movimentação contábil entre as contas 53.400.000 e 61.400.300, porém não foram esses lançamentos que geraram os valores negativos. Conforme confirmado pela empresa, os saldos negativos foram produzidos em razão de débitos cujas contrapartidas deram-se na conta 45.340.020 – Propaganda Cooperada, a qual é conta de passivo, não transitando, portanto, pelo resultado e “Como afirmado acima, parte do saldo negativo que foi produzido na conta 53.400.000 foi revertida pelo crédito efetuado no mês de dezembro, proveniente de transferência de valor acumulado na conta 45.340.020” (fls. 08 e 09 do Relatório Conclusivo). 6. Assim, nos afigura correta a afirmação de que o saldo devedor da conta 53.400.000, considerando-se a receita oferecida em dezembro de 2008, fica restrito ao valor de R$ 35.285.148,53, que deve ser glosado, posto que impactou a base de cálculo das contribuições. Quanto à conta 53.200.000, entendo que a Recorrente logrou êxito em demonstrar que os saldos devedores da conta 53.200.000 não deveriam ser tributados, porquanto o saldo dessa conta que estava devedor, não se tratava de receita, uma vez que a contrapartida deste lançamento foi, efetivamente, uma conta de receita financeira. Assim, os valores registrados na conta 53.200.000 que resultaram em saldo devedor, tiveram como contrapartida um registro credor na conta 70.290.400, ou seja, os valores foram transferidos da conta 53.200.000 para a conta 70.290.400. Confira-se trecho do parecer técnico de e-fls. 15676-15678: O quadro abaixo indica que os valores transferidos para a Conta 70.290.400 são superiores ao saldo da Conta 53.200.000, induzindo a conclusão de que a sua não ocorrência indicaria o saldo positivo desta Conta. Logo, os valores transferidos para a Conta 70.290.400 negativaram o saldo da Conta 53.200.000 que já havia sido impactado por valores tributáveis. Fl. 15740DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 Os débitos à conta 53.200.000 que representaram transferência/reclassificação para a conta 70.290.400 foram efetuados em valores superiores ao saldo da conta 53.200.000, o que indica inverteram o saldo e ensejou na tributação por meio da conta 70.290.400. Desta forma, por ter sido a Conta 70.290.400 tributada por valores superiores nada mais coerente do que reduzir a apuração de PIS e COFINS pelos saldos negativos da Conta 53.200.000. Portanto, existe efeito dúplice, ao eliminar o negativo e manter o valor positivo. Na hipótese de reverter o registro contábil, apura-se que o valor a ser tributado seria uma redução da conta 70.290.400 no importe de R$ 139.819.212,95 e um acréscimo de R$ 120.913.945,74 na Conta 53.200.000, o que implicaria efetivamente na dedução que foi feita de R$ 18.905.267,21, conforme quadro abaixo: Ressalte-se que a fiscalização, na diligência, não trouxe elementos capazes de afastar as conclusões do Parecer Técnico, ônus que lhe cabia. Por conseguinte, dou parcial provimento ao recurso voluntário, no tocante à conta 53.200.000 para excluir os valores dessa conta da base de cálculo do PIS e da COFINS e, quanto à conta 53.400.000, para reduzir a base de cálculo da exação para R$ 35.285.148,53. Multa e Juros Fl. 15741DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-006.965 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16561.720161/2012-40 No tocante ao argumento da abusividade da multa de ofício aplicada com base no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, não cabe ao CARF discutir esse ponto por imperativo da Súmula nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Já a incidência da Taxa SELIC a título de juros de mora é objeto da Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Insurge-se também a empresa contra a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada. Tal questão também já está pacificada no âmbito deste Conselho, na Súmula n° 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Em suma, correta a aplicação dos juros SELIC, bem como a incidência de juros sobre multa de mora. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, no tocante à conta 53.200.000 para excluir os valores da base de cálculo do PIS e da COFINS e, quanto à conta 53.400.000, para reduzir a base de cálculo da exação para R$ 35.285.148,53 e, negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 15742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001425/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
A partir de 01 de outubro de 2002 as compensações de débitos deverão ser feitas por meio da Declaração de Compensação - DCOMP, não sendo possível a compensação por outra forma.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES.
Nos termos da Súmula CARF nº 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual. Fatos geradores ocorridos antes do ano de 2007.
Numero da decisão: 1302-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A partir de 01 de outubro de 2002 as compensações de débitos deverão ser feitas por meio da Declaração de Compensação - DCOMP, não sendo possível a compensação por outra forma. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES. Nos termos da Súmula CARF nº 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual. Fatos geradores ocorridos antes do ano de 2007.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13984.001425/2006-55
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6104669
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-004.159
nome_arquivo_s : Decisao_13984001425200655.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 13984001425200655_6104669.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8012648
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650737500160
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-02T17:27:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-02T17:27:03Z; Last-Modified: 2019-12-02T17:27:03Z; dcterms:modified: 2019-12-02T17:27:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-02T17:27:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-02T17:27:03Z; meta:save-date: 2019-12-02T17:27:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-02T17:27:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-02T17:27:03Z; created: 2019-12-02T17:27:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-12-02T17:27:03Z; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-02T17:27:03Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13984.001425/2006-55 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-004.159 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de novembro de 2019 Recorrente INDÚSTRIA DE CARTÃO SBRAVATI LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A partir de 01 de outubro de 2002 as compensações de débitos deverão ser feitas por meio da Declaração de Compensação - DCOMP, não sendo possível a compensação por outra forma. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES. Nos termos da Súmula CARF nº 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual. Fatos geradores ocorridos antes do ano de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se, o presente processo administrativo, de Autos de Infração lavrados em face do contribuinte Indústria de Cartão Sbravati Ltda., ora Recorrente, no qual a fiscalização AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 14 25 /2 00 6- 55 Fl. 1007DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 constitui créditos tributários de IRPJ, referentes aos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2006, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. Também foi constituída multa isolada de 50% incidente as estimativas não recolhidas. De forma reflexa, foram constituídos créditos tributário, via Autos de Infração apartados, de CSLL, contribuição ao PIS e COFINS. Como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, foram identificadas, pelo agente autuante, diversas infrações, que deram ensejo à constituição dos créditos tributários ora em discussão. O acordão recorrido sintetizou de forma precisa a acusação fiscal, por isso, pede-se venia para transcrever o que constou daquela decisão. Veja-se: 1 - Do Auto de Infração do IRPJ: 1.1 - Item 01 do Auto de Infração: Outras Receitas Operacionais Omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de juros decorrentes da recuperação de despesas, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 366/376), no valor de RS 96.262,29, fato gerador ocorrido em 31/12/2003. Os dispositivos legais infringidos contam do referido auto, fls. 343. 1.2 - Item 02 do Auto de Infração - Recuperação ou Devolução de Custos/Deduções - omissão. Recuperação de despesas- Omissão. Falta de contabilização de recuperação de despesas, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito a tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 366/376), no valor de R$ 57.940,45, fato gerador em 31.12.2003. Os dispositivos legais infringidos contam do referido auto, fls. 343. 1.3 - Item 03 do Auto de Infração - Reduções Indevidas de Retenções/Antecipações de Imposto não comprovadas - Diferença IRPJ devida no ajuste anual - Estimativa mensal não recolhida. Diferença de Imposto de Renda devida no ajuste anual decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento de Estimativa Mensal, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 366/376), no valor de RS 95.249,44, fato gerador ocorrido em 31/12/2004. Os dispositivos legais infringidos contam do referido auto, fls. 344. 1.4 - Item 04 do auto de infração - Multas Isoladas - Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. Falta de Pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 366/3 76), nos valores e fatos geradores constantes na tabela abaixo. Os dispositivos legais infringidos constam do referido auto, fls. 345. O Recorrente, ao ser intimado das autuações, apresentou Impugnação Administrativa, contudo, concordou com alguns pontos apresentados pela fiscalização e, por isso, não se insurgiu em face deles. A delimitação do tema em litígio e os argumentos apresentados pelo Recorrente foram assim apontados no acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis (SC): 2 - Da Impugnação Inconformada a contribuinte apresenta impugnação ao Auto de Infração do IRPJ e seus reflexos às fls. 383 a 396 e anexos fls 397 a 409 e impugnação ao auto de infração da CSLL às fls. 410/411 e anexos às fls.412 a 452, onde alega que: 2.1 - Auto de Infração do IRPJ: Não são objetos de impugnação os autos de infração referentes ao PIS e a Cofins, alegando que os tributos foram recolhidos com redução da multa aplicada (50%) conforme cópia dos DARF s constantes em anexo. Fl. 1008DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 Que, concorda com as infrações contidas no Item 01 e 02 do Auto de Infração do IRPJ; Com relação às infrações 03 e 04 do auto de infração, as mesmas são objeto da presente impugnação. Com relação ao item 03 do AI, alega em síntese: Que é detentora dos saldos credores de IRPJ de exercícios anteriores junto a SRF, valores estes que referido órgão tem pleno conhecimento; Às fls. 388 e 389, apresenta quadro 01 e 02, alem de quadro da memória dos pagamentos e compensações; Alega que diante dos quadros demonstrativos das citadas fls. 388 e 389, está sem sombra de dúvida diante de um confisco indireto, inciso IV, do art. 150 da CF/88; Cita doutrinadores e acórdãos que tratam de confisco; Cita acórdão do Conselho de Contribuintes n° 102-45.592, sobre a aplicação concomitante da multa de ofício (inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96 concomitante com da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei 9.430/96), não é legitima quando incidentes sobre valores que compõem a mesma base calculo;(grifos da impugnante) Que em 31.12.2003 era detentora de um saldo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica a compensar no valor de RS 90.413,46. Que o dispositivo legal previsto no art. 231, incisos III e IV não ajusta-se aos fatos acima. Com relação ao item 04 do auto de infração, alega em síntese: Sem muitas delongas, desnecessário é tecer comentários da impropriedade de tal exigência, basta apenas transcrever decisões do Egrégio Conselho de Contribuintes do MF, que tratam da multa isolada por falta de pagamento por estimativa; (grifo da impugnante) Cita entendimento de Marco Aurélio Greco, alegando que fator relevante e diverso das hipóteses apontadas pelo referido mestre ocorre com a impugnante; (grifos da impugnante) As estimativas mensais foram efetivamente recolhidas sobre a base estipulada em lei, qual seja 8% sobre as receitas mensais; Que no final dos exercícios, apurou-se um lucro real inferior aos 8% (oito por cento) estimados sobre as receitas mensais, resultado. A (I) ficou com saldo de IRPJ a compensar nos exercícios seguintes, citando o Ato Declaratório SRF n° 3/2000, que trata da restituição ou compensação dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente em períodos subsequentes. A desconsideração dos saldos credores pela SRF dos créditos oriundos de estimativas efetivamente recolhidas (pagas em moeda corrente), com argumento de que as mesmas não foram informadas via PER/DCOM - IN n° 618/06. Tais desconsiderações revertem- se de medidas extrema e confiscatória, uma vez que só poderia ser articulado por LEI especifica, e não norma interna via Instruções Normativa.(grifo da impugnante) Cita ementa de acórdão do CC 103-20572, a qual afirma que encerrado o período de apuração do IR, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente a cominação de multas sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente recolhido. 2.2 - Auto de Infração da CSLL: Em se tratando de valores a recuperar conforme demonstrado no Auto de infração - Redução da Contribuição Social a Compensar ou a ser restituída, não há objeção a fazer.(grifo da Impugnante). Fl. 1009DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, aquela DRJ entendeu por bem julgar como improcedente a Impugnação Administrativa apresentada. Transcreve-se, neste sentido, a ementa do acórdão proferido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A partir de 01 de outubro de 2002 as compensações de débitos deverão ser feitas por meio da Declaração de Compensação - DCOMP, não sendo possível a compensação por outra forma. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. É devida a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal previsto no art. 29 da Lei 9.430/96, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2006 MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido tributo, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendo-se de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Verificado o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos (Lei n9 9.430, de 1996, arts. 29 e 44). CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixarem de recolher, no curso do ano-calendário, as parcelas devidas a título de antecipação (estimativa) do IRPJ sujeitam-se à multa de oficio de cinquenta por cento, aplica a isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ apurado no ajuste anual, não pago no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. Em vista disso, o lançamento da multa isolada é compatível com a exigência de tributo apurado ao final do ano-calendário, acompanhado da correspondente multa de oficio (Lei n9 9.430, de 1996, art. 44; e IN SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, arts. 19 e 16). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, traz três argumentos que, supostamente, teriam o condão de desconstruir a decisão combatida, qual sejam: (i) ausência de fundamentação legal do Auto de Infração e inovação do acórdão proferido pela DRJ; (ii) regularidade dos créditos (compensações); (iii) impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relator para julgamento. Este é o relatório. Fl. 1010DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 16/10/2009 (fl. 986), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 10/11/2009 (fls. 987 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA DELIMITAÇÃO DA DEMANDA EM DISCUSSÃO Como demonstrado alhures, ao apresentar sua Impugnação Administrativa, o Recorrente não se insurgiu contra todas as infrações apontadas pelo agente autuante. Pelo contrário, para algumas delas, houve concordância com os termos da autuação. O acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis deixou bem claro qual as matérias em discussão. Veja-se: A impugnante concorda com as infrações de n° 01 e 02 do Auto de Infração do IRPJ: Devido a infração 01, houve lançamentos decorrentes do PIS, Cofins e CSLL. e da infração do item 02 lançamento na CSLL. Além disto concorda com os valores que reduzem a CSLL (ver auto às fls. 361 a 365). Portanto permanecem no litígio as infrações aos itens O3 e 04 do Auto de infração, (...) Desta feita, é fincado nessa delimitação, nos argumentos apresentados pelo Recorrente e nas razões de decidir da DRJ, que se analisará o Recurso Voluntário. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Em sede preliminar, o Recorrente se manifesta pela nulidade do Auto de Infração e que o acórdão proferido pela DRJ teria inovado, ao trazer fundamentação legal que não constava daquele Auto. Aos olhos do Recorrente, ao argumentar que “o fundamento legal para as glosas teria sido o art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002, combinado com a IN SRF 210/2002, cujas prescrições determinaram que, a partir de 1° de outubro de 2002, as compensações realizadas pelo sujeito passivo passaram a ser feitas pela Declaração de Compensação – DCOMP”, o acórdão teria apresentado um fundamento que não consta do Auto de Infração combatido. Assim, afirma que o “auto de infração não encontra guarida por ausência de fundamento legal ou por incongruência entre os fatos narrados e a sua fundamentação, o que importa concluir, diga-se de novo, pela ausência de fundamentação legal do ato administrativo exarado.” Neste ponto, é bom deixar claro que não se tem certeza, da leitura dos argumentos apresentados, se o Recorrente está invocando a nulidade do Auto de Infração ou do próprio acórdão proferido pela DRJ. Fl. 1011DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 De toda sorte, sob qualquer prisma, entende-se que não se pode dar guarida ao apelo neste ponto. Explica-se. Em primeiro lugar, no que tange à suposta nulidade do Auto de Infração, por este não ter apresentado o fundamento legal para a constituição do crédito tributário, não se pode concordar com o Recorrente. Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, no “Item 03”, a fiscalização demonstrou que houve omissão de receitas, uma vez que o contribuinte “não efetuou corretamente os registros contábeis da receita decorrente da Ação de Mandado de Segurança n° 97.700l244-0 e das despesas de PIS e COFINS conforme pode ser verificado nas folhas do Livro Razão (fls. 256-257).” Concluindo que: (...) a omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de recuperação de despesas, no valor de R$ 57.940,45 conforme demonstrado na planilha de Apuração do Crédito de PIS Faturamento (fls. 197-205), gerou redução indevida do lucro sujeito à tributação e está sendo lançada através do Auto de Infração. A capitulação legal relativa à infração apurada encontra-se no corpo do Auto de Infração e reporta-se à época de ocorrência do fato gerador. E quando se analisa o Auto de Infração, não se tem dúvidas de que houve a correta capitulação legal da infração cometida, na medida em que a fiscalização indica como dispositivos infringidos os incisos III e IV do artigo 231 do então vigente Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). O dispositivo tinha a seguinte redação: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) III - do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Assim, não há que se falar em ausência de fundamentação legal no Auto de Infração combatido. Por outro lado, quando da apresentação da sua defesa (Impugnação), o argumento do Recorrente para desconstruir a ilação da fiscalização, foi que o valor apontado pela fiscalização como omitido “tem como origem um crédito referente ao saldo do IRPJ do ano anterior (2003) no valor de RS 90.413,46, que somado ao valor de R$ 4.835,98 a titulo de taxa selic sobre compensações, perfazem o valor da diferença encontrada pelo procedimento fiscal”. Contudo, como muito bem apontado pela DRJ, a fiscalização apontou que “estes valores não foram informados em DCTF, não foram compensados por meio de Declaração de Compensação - DCOMP, assim como não foram objeto de contabilização”. Justamente por conta desse apontamento, que a DRJ demonstrou que, em que pese o contribuinte ter alegado que fez a compensação do imposto, não poderia prevalecer o argumento do Recorrente, uma vez que “efetuou a compensação do referido valor do imposto, no caso Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido -CSLL sem a apresentação da devida Declaração de Compensação, cuja exigência se deu pelo art. 49 da Lei 10.637/2002 que alterou o art .74 da Lei 9.430/96”. Fl. 1012DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 A decisão da DRJ, assim, só citou o disposto na então vigente IN SRF 210/2002, para demonstrar que o procedimento realizado – compensação sem apresentação da DCOMP – não estava correta. O acórdão proferido deixou bem clara essa posição: Com a entrada em vigor da IN SRF 210, de 30 de setembro de 2002, a partir de 01 de outubro de 2002, as compensações realizadas pelo sujeito passivo passaram a ser feitas pela Declaração de Compensação – DCOMP, e não mais somente na escrituração contábil, mesmo que a contribuinte assim tivesse feito. Assim que, o contribuinte ao compensar os valores que entendia como créditos de anos anteriores, sem a correspondente entrega da Declaração ei Compensação - DCOMP, exigida pela fiscalização, correto está o procedimento fiscal o considerar não realizadas as referidas compensações s na contabilidade, se assim procedeu (art. 31 da IN SRF n° 460/2004). Portanto, REJEITA-SE a preliminar de nulidade apresentada pelo Recorrente, seja porque houve o devido apontamento do fundamento legal infringido no Auto de Infração, seja porque não houve qualquer inovação por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis quando proferiu o acórdão guerreado. DA OMISSÃO DE RECEITAS (ITEM 03 DO AUTO DE INFRAÇÃO). No Recurso Voluntário apresentado, o Recorrente insiste em argumentar que não houve omissão de receitas, na medida em que “efetuou as compensações diretamente nos recolhimentos efetuados, à dedução dos valores a recolher em cada competência.” Alega, assim, que é fato inconteste a “regularidade jurídica dos créditos que foram utilizados nas compensações”. Contudo, como demonstrado acima, à época dos fatos geradores, os pedidos de compensação deveriam ser formalmente apresentados via PerDcomp, o que não foi feito. O próprio contribuinte deixa claro esse ponto nas defesas apresentadas, tornando-o incontroverso. No Recurso Voluntário, mesmo tendo o acordão demonstrado o equívoco cometido, o único argumento que o Recorrente apresentou foi no sentido de que “a diferença entre o contribuinte que entrega a declaração e o que não entrega é o descumprimento de uma obrigação formal – cuja multa deve ser proporcional à conduta não praticada. Não diz a lei, em momento algum, que a compensação não declarada deve ser tida como inexistente”. Não se pode dar razão a este argumento, tendo em vista que a compensação de débitos só tem eficácia perante a Receita Federal do Brasil quando formalmente declarada pelo contribuinte. São inúmeros os precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confira-se, neste sentido, a ementa de um julgado proferido por este Tribunal Administrativo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DAS BASES ESTIMADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA AO FISCO. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada ao Fisco. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há que se manter a exação. (Acórdão nº 1301-000.981 – Sessão de 04/07/2012) Fl. 1013DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.159 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.001425/2006-55 Desta feita, sem maiores delongas, invocando os fundamentos lançados no acórdão recorrido transcritos no tópico acima, NEGA-SE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, na parte em que alega a ausência de omissão de receitas apontada no item 03 do Termo de Verificação Fiscal. DA CONCOMITÂNCIA DAS MULTAS. ISOLADA E DE OFÍCIO. Neste tópico do Recurso Voluntário, o Recorrente alega a impossibilidade de se aplicar, de forma concomitante, a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo e a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas no decorrer do ano-calendário fiscalizado. E, neste ponto, assiste razão ao Recorrente, na medida em que, no que tange aos fatos geradores anteriores a 2007 – a concomitância se mostra presente apenas nos anos- calendários de 2003 e 2004 – este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fixou o entendimento pela impossibilidade de cumulação das penalidades. Este entendimento restou, inclusive, sumulado. Confira-se: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Desta forma, sendo o teor da súmula de aplicação obrigatória pelos julgadores administrativos, deve-se DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para cancelar o Auto de Infração na parte em que aplicou a multa isolada nos anos-calendários de 2003 e 2004 (períodos em que se verifica a concomitância na aplicação das penalidades), com base no artigo 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996 (item 04 do Auto de Infração). (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 1014DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722216/2017-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012
CONTRATO DE CONCESSÃO. INDENIZAÇÃO. REVERSÃO DE BENS. MP Nº 579/2012 (Lei nº 12.783/2013). INCIDÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
Os resultados positivos apurados, decorrentes de indenização por reversão de bens, recebida em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, nos termos da MP nº 579/2012, convertida na Lei nº 12.783/2013, constituem ganho de capital e devem compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica.Tal reversão de bens mediante indenização não se confunde com a desapropriação, procedimento formal e típico, não se aplicando à espécie a hipótese de diferimento prevista no art. 31, § 4º, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, POSSIBILIDADE.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, ou seja, conduta diversa daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
null
A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos. Improvido o recurso voluntário em relação ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado à CSLL
Numero da decisão: 1402-004.214
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter os lançamentos de IRPJ e de CSLL referentes à infração "exclusões não autorizadas"; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de multa isolada de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paula Santos de Abreu, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 CONTRATO DE CONCESSÃO. INDENIZAÇÃO. REVERSÃO DE BENS. MP Nº 579/2012 (Lei nº 12.783/2013). INCIDÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Os resultados positivos apurados, decorrentes de indenização por reversão de bens, recebida em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, nos termos da MP nº 579/2012, convertida na Lei nº 12.783/2013, constituem ganho de capital e devem compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica.Tal reversão de bens mediante indenização não se confunde com a desapropriação, procedimento formal e típico, não se aplicando à espécie a hipótese de diferimento prevista no art. 31, § 4º, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, POSSIBILIDADE. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, ou seja, conduta diversa daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) null A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos. Improvido o recurso voluntário em relação ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado à CSLL
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 16682.722216/2017-94
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6118813
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1402-004.214
nome_arquivo_s : Decisao_16682722216201794.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 16682722216201794_6118813.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter os lançamentos de IRPJ e de CSLL referentes à infração "exclusões não autorizadas"; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de multa isolada de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paula Santos de Abreu, que davam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8044142
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650747985920
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-07T15:03:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-07T15:03:52Z; Last-Modified: 2020-01-07T15:03:52Z; dcterms:modified: 2020-01-07T15:03:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-07T15:03:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-07T15:03:52Z; meta:save-date: 2020-01-07T15:03:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-07T15:03:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-07T15:03:52Z; created: 2020-01-07T15:03:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; Creation-Date: 2020-01-07T15:03:52Z; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-07T15:03:52Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.722216/2017-94 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-004.214 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2019 Recorrente FURNAS - CENTRAIS ELÉTRICAS S/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 CONTRATO DE CONCESSÃO. INDENIZAÇÃO. REVERSÃO DE BENS. MP Nº 579/2012 (Lei nº 12.783/2013). INCIDÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Os resultados positivos apurados, decorrentes de indenização por reversão de bens, recebida em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, nos termos da MP nº 579/2012, convertida na Lei nº 12.783/2013, constituem ganho de capital e devem compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica.Tal reversão de bens mediante indenização não se confunde com a desapropriação, procedimento formal e típico, não se aplicando à espécie a hipótese de diferimento prevista no art. 31, § 4º, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, POSSIBILIDADE. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, ou seja, conduta diversa daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos. Improvido o recurso voluntário em relação ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado à CSLL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter os lançamentos de IRPJ e de CSLL referentes à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 22 16 /2 01 7- 94 Fl. 1036DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 infração "exclusões não autorizadas"; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de multa isolada de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paula Santos de Abreu, que davam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1037DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/REC em sessão de 12 de junho de 2018 (fls. 893/912)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquele Colegiado de 1º Piso, mantendo os lançamentos de IRPJ/CSLL e Multa Isolada perpetrados pelo Fisco, cuja infração foi assim descrita no AI de IRPJ (fls. 682/687), sendo que o de CSLL tem a mesma conformação (fls. 689/695): DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo descrição do TVF (fls. 647/677) com seus anexos (fls. 679/680), a infração estaria assim delimitada: “Por meio do item 3 do Termo de Intimação Fiscal No 03, datado de 11/01/2017, intimou-se Furnas a apresentar a documentação comprobatória das exclusões constantes na planilha intitulada “DOC_1_APURACAO_IRPJ_CSLL_2012”, apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal - TIF no 02 em 21/10/2016, correspondentes ao montante de R$ 1.259.459.405,05, informado na linha 87 da Ficha 9A (Outras Exclusões) da DIPJ 2013/2012. Em sua resposta Furnas informou que neste valor estavam inclusos R$ 908.298.292,12, referentes a “Ganho na Baixa RBNI Contrato 062 (Lei 12.783)”, prestando os seguintes esclarecimentos para justificar a exclusão: “Respostas ao Item 1: (...) Em 11 de setembro de 2011, o Governo Federal emitiu a Medida Provisória no 579, convertida na Lei 12.783, de 11 de janeiro de 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1038DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 2013, na qual determinou que as concessões de geração hidrelétrica alcançadas pelo art. 19 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995, poderão ser prorrogadas, a critério do Poder Concedente, uma única vez, pelo prazo de até 30 anos. Por meio da aludida Lei, as concessões de energia elétrica, tratadas nos artigos 17, § 5º, 19 e 22 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995, cujos prazos de vencimento ocorreriam a partir de 2015, foram prorrogadas por mais 30 anos, conforme condições estabelecidas na referida Lei e nos referidos aditivos aos Contratos de Concessão. A prorrogação considerou a antecipação do vencimento dessas concessões e assinatura de Termos Aditivos aos respectivos Contratos de Concessão com o Poder Concedente estabelecendo novas condições e pressupôs a aceitação expressa dos critérios de remuneração, alocação da energia e padrões de qualidade, constantes da Lei, estando ainda prevista a indenização dos ativos ainda não amortizados ou depreciados com base no valor novo de reposição (VNR). Desta forma, Furnas aceitou as condições de renovação antecipada das concessões previstas na legislação citada acima, assinando em dezembro de 2012, os contratos de prorrogação das concessões afetadas, passando todos os bens vinculados ao respectivo contrato para a União, sob a administração da Empresa. (...) Respostas ao Item 3: (...) Em 1º de novembro de 2012, o Ministério das Minas e Energia (MME) e o Ministério da Fazenda emitiram a Portaria Interministerial no 580, que fixaram os valores das indenizações dos ativos de geração e transmissão afetados pela Lei no 12.783/2013. A Aneel, através da Resolução Normativa no 596 de 19 de dezembro de 2013, estabeleceu regras para o cálculo das indenizações dos bens reversíveis ainda não depreciados ou amortizados, no âmbito da Lei no 12.783/2013. Furnas foi indenizada pelo governo no valor de R$ 2.878.027.799,89. A documentação que suporta esse registro foi a Portaria nº 580 do MME (DOC_2_A_6_1_PORT_580_MME_MF_INDENIZACAO_RBNI), que eu seu Anexo II, definiu o valor a ser indenizado a Furnas relativo aos ativos de transmissão RBNI, no montante de R$ 2.878.027.799,89. Para se chegar ao saldo líquido da operação, deve-se considerar o custo líquido patrimonial dos ativos de transmissão (montante de perdas RBNI) no montante de R$ 1.969.729.517,77 (ver informação descrita no item 1 desta TIF). Fl. 1039DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Abaixo, o resultado da operação entre os ativos de transmissão existentes na época e a indenização correspondente: Ativo de Transmissão – RBNI R$ 1.969.729.517,77 Indenização RBNI (R$ 2.878.027.799,89) Efeito na DRE (R$ 908.298.292,12) A indenização dos ativos não amortizados ou depreciados paga as empresas que optaram por renovar as suas concessões, impostas pelo poder público, no âmbito da Lei nº 12.783/2013 constitui mera recomposição patrimonial por desapropriação (reversão), ou seja, não constitui renda tampouco acréscimo ao patrimônio. A documentação que suporta o valor indenizado pelo Governo, é o DOC_2_A_6_2_EXCLUSOES_L87_F09A_INDENIZACAO_RBNI.” (grifei). Entretanto, este não é o entendimento encampado pela Fiscalização da RFB, como veremos adiante. É importante ressaltar que a Coordenação Geral de Tributação – COSIT da RFB, após se debruçar sobre esta matéria, manifestou, por meio da Nota Técnica nº 3, de 5 de fevereiro de 2013, abrangentes e imprescindíveis considerações, que, dada a relevância para o caso em tela, são reproduzidas a seguir: Nota Técnica no 3 – Cosit: “Foi encaminhada a esta Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), da Subsecretaria de Tributação e Contencioso (Sutri), da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para análise, a Nota nº 78/2013/COAPI/SUPOF/STN/MF-DF, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), no bojo da qual foi elaborado um breve histórico sobre as indenizações relativas a bens reversíveis não amortizados ou não depreciados ao tempo da reformulação das concessões de geração e de distribuição de energia elétrica promovida pela Medida Provisória nº 579, de 11 de setembro de 2012, convertida na Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013. 2. Informa-se na referida Nota que ocorreram reuniões no Ministério da Fazenda, envolvendo representantes da Secretaria do Tesouro Nacional, da Secretaria de Acompanhamento Econômico, da Secretaria da Receita Federal, do Ministério de Minas e Energia (MME), da Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com o objetivo de alinhar os entendimentos acerca das questões envolvendo essas indenizações. Todavia, informa-se, ainda, que não houve o almejado consenso acerca da matéria. 3. Por fim, a STN assevera considerar oportuno que o Ministério da Fazenda se posicione publicamente e adequado que seja editado um dispositivo legal que elucide a questão, evitando-se, assim, futuros Fl. 1040DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 questionamentos judiciais. Ademais, afirma não se opor à edição de ato legal, recomendando que, dada sua competência institucional, a RFB elabore uma proposta para definir o tratamento tributário das indenizações em referência. 4. Neste contexto, cuida esta Nota Técnica de analisar as repercussões tributárias decorrentes do pagamento, pelo poder concedente, das indenizações relativas a bens reversíveis das concessionárias do setor elétrico não amortizados ou não depreciados instituídas pela Medida Provisória nº 579, de 11 de setembro de 2012, convertida na Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013. 5. Nos termos do item 6 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 579, de 2012, EM Interministerial nº 37 MME/MF/AGU, por meio da citada norma instituiu-se “a faculdade de a União prorrogar as concessões vincendas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica pelo prazo máximo de até 30 (trinta) anos e as concessões de geração de energia termelétrica pelo prazo máximo de até 20 (vinte) anos, por uma única vez, desde que as atuais concessionárias aceitem as novas condições específicas relativas à observância do princípio da modicidade tarifária e à garantia da continuidade do suprimento de energia elétrica ao país”. 6. O Decreto nº 7.805, de 14 de setembro de 2012, que regulamentou a Medida Provisória em comento, antecipou o termo final das concessões que menciona, condicionando a prorrogação de tais concessões à aceitação, por parte das concessionárias, de novas regras a serem fixadas contratualmente. 7. Neste contexto, duas situações ocorreram: a) parte das concessionárias aceitou as novas regras e celebrou com o Poder Concedente contrato de prorrogação das concessões; b) parte das concessionárias não aceitou as novas regras, havendo a rescisão do contrato de concessão anteriormente fixado. 8. A antecipação do termo final dos contratos de concessão inicialmente celebrados, seguida de prorrogação ou rescisão contratual, fez restar para muitas concessionárias, ao tempo da antecipação, investimentos em bens reversíveis ainda não amortizados ou não depreciados. 9. Em razão disso, o § 2º do art. 8º e o § 2º do art. 15 da mencionada Medida Provisória nº 579, de 2012 (atuais § 2º do art. 8º e § 2º do art. 15 da Lei nº 12.783, de 2013), permitiram ao Poder Concedente pagar às concessionárias indenização correspondente a tais investimentos. 10. Posteriormente, a Portaria Interministerial nº 580/MME/MF, de 1º de novembro de 2012, fixou os valores das indenizações a serem pagas a diversas concessionárias de geração e de transmissão de energia elétrica, sendo tal Portaria embasada nos seguintes Fl. 1041DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 documentos: (i) Nota Técnica nº 396/2012-SRE da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 31 de outubro de 2012; (ii) Nota Técnica nº 388/2012-SRE da Aneel, de 25 de outubro de 2012; (iii) Cálculo do Valor Novo de Reposição - VNR de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de 22 de outubro de 2012; (iv) Nota Técnica nº 062/2012-ASSEC/GM-MME, do Ministério de Minas e Energia (MME); (v) Nota Técnica nº 063/2012-ASSEC/GM-MME, do MME; (vi) Nota nº 872/2012/COAPI/SUPOF/STN/MF-DF, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). 11. Após este relato, pode-se analisar a natureza jurídica das indenizações em referência e as repercussões tributárias decorrentes de seu pagamento. Da reversão de bens aplicados à prestação delegada de serviços públicos 12. Conforme salienta festejada doutrina jurídica administrativista, “a reversão é a passagem ao poder concedente dos bens do concessionário aplicados ao serviço, uma vez extinta a concessão” . 13. Os bens reversíveis, via de regra, são aqueles intrinsecamente relacionados com a prestação do serviço público, sendo a reversão de tais bens necessária para garantir a continuidade do serviço público e desejável porque, em regra, não ostentam qualquer utilidade para a concessionária alheia à prestação do serviço ao qual vinculados, especialmente no caso daqueles bens agregados ao solo, como usinas hidrelétricas, linhas de transmissão, etc. Da indenização pelos investimentos das concessionárias em bens reversíveis não amortizados ou não depreciados ao termo da concessão no âmbito do regime Geral de Concessões, Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 14. Conforme deixa entrever a Lei Geral de Concessões de Serviços públicos, Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ao termo final da concessão, seja pela expiração normal do prazo contratual ou por qualquer outra forma de extinção antecipada do contrato (encampação, rescisão, entre outros), o poder concedente avalia se a execução do contrato permitiu ao concessionário alcançar todo o retorno patrimonial avençado, que, em regra, preconiza para o concessionário o auferimento de valores suficientes para amortizar os investimentos efetuados, cobrir os custos e despesas incorridos, e sobejar determinado lucro. 15. Limitando a exposição à matéria perquirida nesta Nota Técnica, verifica-se que o art. 36 da Lei nº 8.987, de 1995, consigna regra específica para a avaliação, ao final da concessão, acerca da amortização dos investimentos efetuados pelas concessionárias, segundo a qual “a reversão no advento do termo contratual far-se-á com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido Fl. 1042DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido”. 16. Portanto, constata-se que já a norma que regula o regime geral de concessões de serviços públicos prevê a obrigatoriedade de indenização, pelo poder concedente, dos investimentos realizados pelas concessionárias em bens reversíveis não amortizados ou não depreciados ao termo final da concessão. (...) 34. Portanto, considerando-se que o valor das indenizações em lume a ser pago às concessionárias resulta da diferença entre o Valor Novo de Reposição do bem reversível e sua depreciação ou amortização acumulada, e considerando as supra expendidas características do cálculo de ambos os polos desta subtração, conclui-se que as indenizações previstas na Medida Provisória nº 579, de 2012, convertida na Lei nº 12.783, de 2013, não guardam relação, vinculação ou correspondência com as expectativas das concessionárias de auferimento de receitas ou de lucros com a realização de investimentos em bens reversíveis e, tampouco, com os valores que, autorizados ou fixados pelo órgão regulador, seriam auferidos pelas concessionárias como remuneração dos investimentos efetuados. 35. Esta conclusão parcial permite afastar das indenizações em estudo diversas naturezas jurídicas que poderiam ser aventadas em caso de análise perfunctória. 36. Com efeito, dada a desvinculação entre o valor das indenizações a ser pago às concessionárias e a recuperação dos investimentos por elas efetuados, pode-se concluir que as mencionadas indenizações não configuram mero ressarcimento do mencionado investimento. 37. Descarta-se ainda a possibilidade de a indenização ser considerada para reparar dano patrimonial, pois este seria devido em razão de uma lesão concreta que afeta um interesse relativo ao patrimônio da vítima, consistente na perda ou deterioração, total ou parcial, dos bens materiais que lhe pertencem, sendo suscetível de avaliação pecuniária e de indenização pelo responsável. No caso em questão, não há lesão ao patrimônio da concessionária. Portanto não se trata aqui de uma reparação de dano a bem patrimonial, mas decorrente de indenização pela alteração contratual. 38. Ademais, a constatação de que a apuração do montante das indenizações em comento desconsidera completamente as receitas ou os lucros que os bens revertidos potencialmente gerariam permite concluir que tais indenizações não constituem adiantamento de receitas, e, tampouco, compensação de lucros cessantes. 39. Aliás, em favor desta conclusão, milita o fato de, conforme as regras do regime geral de concessões, haver indenização pela reversão de bens não amortizados ou não depreciados mesmo no caso Fl. 1043DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 de extinção da concessão pela regular fluência do prazo contratual. Nesta hipótese, mesmo a concessionária já tendo auferido todas as receitas e lucros esperados com a realização do investimento, haveria indenização, o que corrobora a tese de que esta não decorre da cessação da produção de receitas ou de lucros consectária da extinção do contrato. 40. Assim, as aludidas indenizações devem ser vistas como consequência da alteração de cláusulas contratuais firmadas ou da rescisão do contrato avençado, sendo erigido como parâmetro quantitativo a parcela dos investimentos feitos pelas concessionárias em bens reversíveis ainda não amortizados ou não depreciados à época do evento. 41. Evidencia esse entendimento o fato de que nesse tipo de concessão, na essência, os bens não são da concessionária, mesmo que esta os tenha construído, mas pertencem, isso sim, ao Estado. 42. Contudo, no modelo contábil no Brasil até a aprovação da Interpretação ICPC 01, as empresas concessionárias apenas reconheciam essa infraestrutura pública construída por elas como seu ativo imobilizado. No modelo contábil atual, a concessionária é apenas uma prestadora de serviços que recebe como remuneração o direito de explorar economicamente tal infraestrutura, recebendo o necessário para construir e manter o investimento. Tal alteração contábil demonstra que o bem construído nunca pertenceu à concessionária e reforça a tese de que a indenização é mero reflexo da alteração contratual. 43. Considerando-se todo o exposto nesta Nota, chega-se à conclusão que, em relação à natureza dessas indenizações, independentemente de sua denominação legal ou contratual, elas constituem receita da concessionária de energia elétrica, eis que são recebidas em razão da execução do contrato de concessão e ademais não representam acréscimo ao passivo da empresa. 44. Apresentadas todas estas considerações, pode-se analisar, separadamente, por tributos, as repercussões tributárias do pagamento das indenizações. Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 45. Em relação às repercussões tributárias relativas ao pagamento das indenizações a que se referem o § 2º do art. 8º e os §§ 1º e 2º da Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013, na tributação do IRPJ e CSLL, constata-se o que segue. 46. Sendo a indenização receita decorrente de alteração contratual, não há como escapar ao fato de que estas indenizações devem ser computadas tanto na apuração do lucro real, quanto na determinação da base de cálculo da CSLL, ressaltando que não caberia a retenção na fonte do imposto sobre a renda e da CSLL. Fl. 1044DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 47. Por outro lado, deve-se destacar que caso não haja a reversão dos bens não amortizados ou não depreciados à União (baixa do bem), resta naturalmente à empresa concessionária o direito de poder depreciar o bem nos termos da legislação tributária. (...) Portanto, de acordo com o entendimento da RFB, expressado por meio da referida Nota Técnica, as indenizações recebidas pelas concessionárias de energia elétrica de bem reversível, não amortizado ou não depreciado, em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, constituem receita não operacional, e, portanto, devem compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. VII. DA CONSULTA FORMULADA POR FURNAS: Além do mais, esta matéria já fora anteriormente objeto de consulta formulada pela própria contribuinte, no âmbito do processo administrativo no 16682.720079/2013-20, de 25 de janeiro de 2013, que culminou com a publicação da Solução de Consulta no 49, de 30 de abril de 2013, pela DISIT da SRRF 7ª RF, cuja ementa da decisão, em relação aos tributos exigidos no presente procedimento fiscal, transcreve-se a seguir: • SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 49, de 30/04/2013, da SRRF/7 ª RF/Disit: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ RESCISÃO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. INDENIZAÇÕES. BENS REVERSÍVEIS. INCIDÊNCIA. O valor recebido a título de indenização de bem reversível não totalmente depreciado ou amortizado, ao final do contrato de concessão, corresponde à receita não operacional, e deverá ser confrontado com o valor contábil do bem, assim entendido aquele que estiver registrado na escrituração, deduzido, se for o caso, da depreciação ou amortização acumulada, obtendo-se, assim, o resultado não operacional a ser computado na determinação do lucro real - base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EFEITOS DA CONSULTA. A consulta, se eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Essa proteção, no entanto, não alcança o prazo para recolhimento de tributos retidos na fonte (...) Fl. 1045DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Furnas, apesar de cientificada desta decisão por via postal em 31/07/2013, permaneceu inerte, deixando de efetuar as alterações necessárias em sua escrita fiscal e o recolhimento dos tributos devidos. Corroborando o entendimento aqui expressado, a Receita Federal, ao se manifestar em pelo menos duas outras ocasiões, proclamou taxativamente que os resultados positivos apurados, decorrentes de indenização por reversão de bens, recebida em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, constituem ganho de capital e devem compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme ementas a seguir: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 53, de 25/07/2013, da SRRF/4 ª RF/Disit: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ CONTRATO DE CONCESSÃO. INDENIZAÇÕES. BENS REVERSÍVEIS. INCIDÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. DIFERIMENTO. Os resultados positivos apurados, decorrentes de indenização por reversão de bens, recebida em razão de prorrogação por aditamento de contrato de concessão, constituem ganho de capital e devem compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica. A reversão de bens mediante indenização não se confunde com a desapropriação, procedimento formal e típico, não se aplicando à espécie a hipótese de diferimento prevista no art. 31, § 4º, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. (...) SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 22, de 19/09/2013, da Cosit: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Os valores recebidos a título de indenização decorrem da alteração de cláusulas contratuais firmadas ou da rescisão do contrato avençado, sendo erigido como parâmetro quantitativo a parcela dos investimentos feitos pelas concessionárias em bens reversíveis ainda não amortizados ou não depreciados à época do evento. Sendo a indenização receita decorrente de alteração contratual, deve ser computada tanto na apuração do lucro real, quanto na determinação da base de cálculo da CSLL. Caso não haja a reversão dos bens não amortizados ou não depreciados à União (baixa do bem), resta naturalmente à empresa concessionária o direito de poder depreciar o bem nos termos da legislação tributária. VIII. DO LANÇAMENTO FISCAL: Diante da análise dos documentos e esclarecimentos apresentados pela contribuinte, em conjunto com as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Fl. 1046DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Federais – DCTF, Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, constantes dos sistemas da RFB e referentes ao período abrangido pelo procedimento fiscal, apuraram-se valores que ensejaram o lançamento de crédito tributário, haja vista a não observância apropriada da legislação tributária então em vigor. Da Exclusão Indevida das Indenizações Recebidas por Furnas na Reversão de Bens do Ativo Não Circulante na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL: Tendo em vista as alegações de Furnas, em resposta ao TIF nº 03, cabe analisar se a reversão de bens, na forma delineada pela Lei nº 12.783/2013, caracterizar- se-ia como mera recomposição patrimonial por desapropriação, não constituindo renda tampouco acréscimo ao patrimônio, como entende a contribuinte. A desapropriação é procedimento formal que se distingue em três espécies: ordinária, urbana sancionatória, e para reforma agrária, todas previstas na Constituição Federal, nos arts. 5º, inciso XXIV, 182, § 4º, inciso III, e 184, respectivamente. Com caráter regulamentar da norma constitucional, destaca-se o Decreto-lei nº 3.365, de 21/6/1941, considerado a lei geral das desapropriações. Contudo, seja qual for a modalidade, a desapropriação sempre deverá ser calcada em necessidade ou utilidade pública, ou interesse social. A desapropriação ordinária, de que trata o art. 5º, inciso XXIV, da Constituição Federal, única das modalidades descritas que prevê indenização prévia em dinheiro, é procedimento administrativo e frequentemente judicial, de caráter formal, que se inicia pela fase declaratória, na qual é informada a utilidade pública ou interesse social do bem individualizado, sendo tal declaração objeto de decreto do poder executivo ou de lei. Nessa fase do procedimento fixa-se o estado em que se encontra o bem a ser desapropriado, confere-se ao poder público o direito de ter acesso ao objeto para fazer as averiguações que julgar necessárias e se estabelece marco temporal para que se proceda a fase executória, na qual, quer seja administrativa ou judicial, irá efetivar-se a integração do bem ao patrimônio do desapropriador. A reversão, ao final do contrato de concessão, por outro lado, consiste na transferência de bens utilizados na prestação de serviços públicos pela concessionária, regendo-se pelo art. 175 da Constituição Federal e pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995. Prevista desde o primeiro ato da concessão (edital), faz parte das cláusulas essenciais do contrato de concessão (art. 23 da Lei nº 8.987/1995), assim como as respectivas indenizações e as prorrogações do contrato. Resta evidente que, muito embora a reversão e a desapropriação visem, igualmente, a atender os interesses públicos e sociais e sujeitem-se ao pagamento de indenização, seus conceitos, assim como seus ritos, não se confundem. A desapropriação, constituindo-se em procedimento formal e típico, não comporta extensões analógicas, sendo impossível, portanto, sua equiparação à reversão de bens de titularidade de concessionárias de serviço público. Fl. 1047DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Sendo assim, afasta-se de antemão a incidência do art. 422 do Decreto nº 3.000, de 29/03/1999, não se aplicando à espécie a regra de diferimento da tributação presente no art. 31, § 4º, do Decreto-Lei nº 1.598/1977. Conforme amplamente demonstrado na Nota Técnica nº 3 da Cosit, reproduzida no tópico VI deste Termo de Verificação Fiscal, dada a desvinculação entre o valor das indenizações pagas às concessionárias do setor elétrico, relativas a bens reversíveis não amortizados ou não depreciados, instituídas pela Medida Provisória nº 579/2012, convertida na Lei nº 12.783/2013, e a recuperação dos investimentos por elas efetuadas, as mencionadas indenizações não configuram mero ressarcimento do mencionado investimento. Na verdade, as indenizações são receitas da concessionária de energia elétrica que decorrem de alteração contratual e, portanto, não há como escapar ao fato de que estas indenizações devem ser computadas tanto na apuração do lucro real, quanto na determinação da base de cálculo da CSLL. Para tanto, aplica-se a sistemática preconizada no art. 418 e parágrafos do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.0 00, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), anteriormente reproduzida no tópico V deste TVF. Desta forma, diante de tudo o que foi exposto no presente Termo de Verificação Fiscal, e tendo em vista as deduções indevidas na apuração do IRPJ e da CSLL no período 01/2012 a 12/2012, procedeu-se a glosa da exclusão indevida de R$ 908.298.282,12, referente ao ganho de capital apurado por Furnas, decorrente de indenização por reversão de bens, recebida em razão da prorrogação por aditamento ao Contrato de Concessão para transmissão de energia elétrica no 062/2001 – ANEEL (primeiro termo aditivo), datado de 04/12/2012, processada no item intitulado “Ganho Baixa RBNI Contrato 062/2001 (Lei 12.783)”, conforme se constata nos Demonstrativos de Apuração de IRPJ e CSLL do ano- calendário de 2012 (DOC_7_1_APURACAO_IRPJ_CSLL_2012) e LALUR no 024, período de 01/2012 a 12/2012 (DOC_3_1_LALUR_2012), apresentados pela contribuinte em resposta ao TIPF. Uma vez recalculados os montantes a pagar destes tributos, lançaram-se os respectivos créditos tributários” (destaques todos do original). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte acostou impugnação (fls. 716/748) aduzindo, de acordo com a síntese elaborada pela decisão a quo, aqui adotada: “a) inicialmente, alega que o valor da exclusão do Lucro Real (R$ 908.298.282,12) refere-se ao montante recebido a título de indenização por dano emergente, em virtude da indenização dos ativos não amortizados e não depreciados, tendo em vista a renovação antecipada dos contratos de concessão de transmissão de energia elétrica tratadas na MP nº 579/2012, convertida na Lei 12.783/2013; b) assinala que os diplomas legais possibilitaram a antecipação da prorrogação das concessões de transmissão então existentes, cujos vencimentos estavam previstos para ocorrer entre 2015 e 2017. Assim, explica em sua impugnação: "Para tanto, foram impostas diversas condições e assegurados determinados Fl. 1048DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 benefícios. Assim, ficou estabelecido que o Poder Concedente fixaria "tarifas e receitas iniciais" aplicáveis a partir da prorrogação, ficando estabelecido que os investimentos não amortizados e os equipamentos não depreciados, no presente caso os relativos à Rede Básica - Novos Investimento - RBNI, seriam, recompostos através de indenização arcada pelo Poder Concedente, sendo inclusive autorizada a utilização da Reserva Geral de Reversão - RGR para o pagamento da indenização em tela."; c) a empresa impugnante aponta aspectos típicos da concessão. Aduz que o concessionário desembolsa antecipadamente recursos financeiros para a prestação satisfatória do serviço. Em contrapartida às obrigações impostas, existe uma pluralidade de direitos reconhecidos ao concessionário, precipuamente no tocante ao retorno do investimento previamente realizado. Ainda, ressalta que o valor da tarifa cobrada aos usuários decorre de uma estimativa de custos totais necessários à prestação do serviço adequado durante o período de vigência do contrato, havendo uma projeção quanto ao montante dos investimentos, custos e lucros do concessionário. Então, a tarifa é fixada de modo a assegurar a amortização dos investimentos realizados, devendo ser apta a recompor os desembolsos realizados pelo concessionário em despesas de longo prazo. Dessa forma, é assegurada a depreciação dos bens necessários à exploração da concessão. Dessa forma, conclui: "Certo é que o bem depreciável envolveu desembolso pelo prestador do serviço público, sendo o custo do bem recuperado através da sua exploração durante a sua vida útil. Dessa sorte, antecipada a prorrogação de concessão e extirpada da tarifa a remuneração pelo ativo, por óbvio haverá resíduo a ser indenizado, vez que este não estará totalmente depreciado/amortizado." d) destaca que nas concessões de transmissão de energia elétrica, especificamente as transmissoras, tem jus à Receita Anual Permitida (RAP), regime tarifário da receita máxima permitida, devida a partir da entrada em operação comercial das instalações, cobrada diretamente dos usuários por meio da tarifa de uso e conexão das redes de transmissão (TUST). Até o advento da Lei nº 12.783/2013, a RAP das transmissoras incluía tanto a depreciação/amortização dos investimentos realizados, quanto à parcela específica destinada a custear a operação e manutenção do sistema. Após a prorrogação antecipada dos contratos, no que toca aos ativos considerados integralmente depreciados/amortizados, a remuneração das transmissoras passou a contemplar apenas a parcela destinada a remunerar a prestação da operação e manutenção dos ativos da União que se encontram sob sua tutela no denominado "regime especial de uso". A esse respeito se pronuncia a defesa: e) reafirma em vários pontos constituir-se indenização (fora do campo de incidência) a exclusão de receita realizada no cálculo do Lucro Real, glosada pela Fiscalização, como às fls. 730 e 731 da impugnação: Fl. 1049DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 "a indenização é absolutamente vinculada aos valores que foram retirados do campo patrimonial das concessionárias em razão de obrigações inerentes à concessão e não foram recompostos em decorrência do vencimento antecipado dos ajustes e reversão dos bens à União, que resultou em alteração da composição da tarifa." ou às fls. 732 e 733: "No novo regime, as transmissoras passaram a ser remuneradas somente pela operação e manutenção (O&M) dos ativos da União, não sendo considerados os valores remanescentes de amortização/depreciação destes ativos revertidos. ... Resta claro, desta forma, que a indenização visa à reparação de um dano emergente, pois tem a finalidade de repor o patrimônio da transmissora pelos investimentos realizados que não serão mas recompostos através da RAP do modelo anterior." ou às fls. 738 a 741 (em interpretação analógica do instituto da desapropriação, baseado em doutrina) "Uma vez que esta reversão é modalidade de desapropriação, certo é que a indenização por dano emergente percebida pelo concessionário de serviço público, mesmo que existente diferença entre o valor desta justa indenização e o valor residual contabilmente escriturado, está fora do campo de incidência do IRPJ e da CSLL" f) solicita o afastamento da multa isolada, que não pode ser exigida de forma concomitante com a multa de ofício ou a qualificada, conforme jurisprudência administrativa e judicial”. DA DECISÃO RECORRIDA Apreciando a lide (fls. 893/912), a 5ª Turma da DRJ/REC assentou que a Fiscalização considerou como indevida “a exclusão do Lucro Real no valor de R$ 908.298.282,12, no ano-calendário 2012. realizada pela Requerente. Aduz que o valor se refere a ganhos de capital decorrente de indenização por reversão de bens, recebida em razão da prorrogação do contrato de concessão para transmissão de energia elétrica, com base no entendimento em solução de consulta exarada pela Receita Federal do Brasil (RFB)”. A seguir traz aos autos a legislação que envolve a matéria, reproduz Soluções de Consulta e a Nota Técnica nº 3, todas da RFB e prossegue afirmando que, “não bastassem as soluções de consulta acima reproduzidas, que tratam do tema em lide neste processo, a RFB já se pronunciou a respeito desse caso específico da empresa ora impugnante, por meio da Solução de Consulta Nº 49 de 30/04/2013, da Divisão de Tributação da SRRF/7a.RF, constante do processo administrativo Nº 16682.720079/2013-20, em resposta à consulta formulada pelo próprio contribuinte, abaixo parcialmente transcrita”. (...) Diz mais o voto condutor: “dessa maneira, não prospera a tese da defesa no sentido de considerar a reversão dos bens como modalidade de desapropriação, com a particularidade de que a indenização é antecipada pelo mecanismo das tarifas ou dos preços, só sendo devido ao final o Fl. 1050DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 saldo, em caso de existência de bens não totalmente amortizados. A SC 49/2013 - Disit 7a.RF esclarece que a reversão e a desapropriação, muito embora visem, igualmente, a atender os interesses públicos e sociais e sujeitem-se ao pagamento de indenização, são institutos distintos, com regras próprias e não se confundem. A citada SC enfrentou essa questão”. (...). “Neste ponto, cumpre esclarecer que ao efetuar consulta ao Fisco, para elucidar dúvidas quanto a determinado dispositivo da legislação tributária relacionado a sua atividade, o contribuinte consulente fica vinculado a sua resposta. E como se vê, a resposta da SRRF 7a. RF conclui pela adição da ora discutida indenização à base de cálculo do IRPJ/CSLL, como receita não operacional”, e que, “a partir da entrada em vigor da Instrução Normativa RFB Nº 1.396, de 16/9/2013 (DOU 17/9/2013), as soluções de consulta e as soluções de divergência, atos administrativos expedidos pela Coordenação Geral de Tributação da RFB (Cosit), passaram a vincular, a partir da data de sua publicação, além do consulente, os contribuintes que se enquadram na mesma situação. Vejamos os termos estatuídos pela citada IN, com a redação da IN RFB Nº 1.434, de 30/12/2013”. Para concluir: “a Solução de Divergência da Cosit Nº 22, de 19/9/2013, foi publicada na vigência da IN 1.396, de 2013, vinculando assim os contribuintes enquadrados na hipótese por ela tratada. E essa SD Cosit não deixa dúvida a respeito da tributação da indenização aqui discutida, como se vê pela conclusão abaixo”.: A seguir, aprecia e mantém os lançamentos de multa isolada, finalizando por negar provimento integral à impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 INDENIZAÇÕES. NATUREZA CONTRATUAL. RECEITA NÃO OPERACIONAL. TRIBUTAÇÃO. O pagamento, pelo poder concedente, de indenizações relativas a bens reversíveis da concessionária do setor elétrico não amortizados ou não depreciados, instituídas pela MP 579/2012, convertida na Lei 12.783/2013, decorrem de alteração de natureza contratual e constituem receita não operacional da concessionária de energia elétrica. Sendo assim, devem ser computadas tanto na apuração do lucro real, quanto na determinação da base de cálculo da CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto/contribuição, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista na Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória, não recolhida ou recolhida a menor, com a multa de ofício incidente Fl. 1051DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 sobre o tributo apurado, ao final do ano-calendário, com base no lucro real anual. CSLL. REFLEXO Aplica-se a CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilha os mesmos elementos de prova e mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão a quo em 20/06/2018 (fls. 921), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 924/955) no qual, depois de rebater as ponderações e conclusões do acórdão recorrido perfilou seu entendimento sobre a matéria basicamente repisando as argumentações apostas quando da impugnação, concluindo (RV – fls. 955): A PGFN veio aos autos e apresentou contrarrazões (fls. 986/1027) tecendo comentários sobre as infrações presentes nos lançamentos e sobre a matéria tributável, alinhando sua posição com a da Fiscalização e a do acórdão de 1º Grau. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1052DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 20/06/2018 – fls. 921 – protocolização do RV em 19/07/2018 – fls. 922/923), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 957/980) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Os autos de infração contemplam dois lançamentos de IRPJ e de CSLL, a saber: 1. “exclusões não autorizadas na apuração do Lucro Real”; e, 2. “multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais”. Passo à análise da primeira infração. DAS EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Como visto no TVF (fls. 647/677), trata-se de lançamento nascido por ter entendido a Fiscalização que a contribuinte excluiu indevidamente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, valores recebidos da União em face de indenização de bens não amortizados ou não depreciados que eram utilizados na exploração das suas atividades. Referido pagamento ocorreu com base na Medida Provisória nº 579, de 2012, convertida na Lei nº 12.783, de 2013, a qual regulamentou as renovações de concessões no setor de energia elétrica. Impugnado o lançamento, a DRJ/REC, por sua 5ª Turma, os manteve na íntegra. Com o RV interposto, os autos subiram à apreciação deste Colegiado de 2ª Instância. O ponto central da discussão é verificar a legalidade da exclusão do montante de R$ 908.298.292,12 das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, valor esse que corresponde à rubrica contábil nominada pela recorrente como “Ganho na Baixa RBNI Contrato 062 (Lei 12.783)”. Principio pela leitura da legislação antes referida (Medida Provisória nº 579, de 2012), dentre as quais vale a pena citar as definições e exigências previstas nos art. 6º e 11 da referida MP: Art. 6º A partir de 12 de setembro de 2012, as concessões de transmissão de energia elétrica alcançadas pelo § 5º do art. 17 da Fl. 1053DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Lei nº 9.074, de 1995, poderão ser prorrogadas, a critério do poder concedente, uma única vez, pelo prazo de até 30 (trinta) anos, de forma a assegurar a continuidade, a eficiência da prestação do serviço e a modicidade tarifária. Parágrafo único. A prorrogação de que trata este artigo dependerá da aceitação expressa das seguintes condições pelas concessionárias: I - receita fixada conforme critérios estabelecidos pela Aneel; e II - submissão aos padrões de qualidade do serviço fixados pela Aneel. Art. 11. As prorrogações referidas nesta Lei deverão ser requeridas pelo concessionário, com antecedência mínima de 60 (sessenta) meses da data final do respectivo contrato ou ato de outorga, ressalvado o disposto no art. 5º. § 1º Nos casos em que o prazo remanescente da concessão for inferior a 60 (sessenta) meses da publicação da Medida Provisória nº 579, de 2012, o pedido de prorrogação deverá ser apresentado em até 30 (trinta) dias da data do início de sua vigência. § 2º A partir da decisão do poder concedente pela prorrogação, o concessionário deverá assinar o contrato de concessão ou o termo aditivo no prazo de até 30 (trinta) dias contados da convocação. § 3º O descumprimento do prazo de que trata o § 2o implicará a impossibilidade da prorrogação da concessão, a qualquer tempo. § 4º O contrato de concessão ou o termo aditivo conterão cláusula de renúncia a eventuais direitos preexistentes que contrariem o disposto nesta Lei. (negritado) Segundo a recorrente, teria aceitado as condições previstas na MP Nº 579/2012, convertida na Lei 12.783/2013, e que prevê a prorrogação por até trinta anos para renovação das concessões no âmbito do setor de transmissão de energia elétrica, cujos prazos de vencimento ocorreriam a partir de 2015. Ainda de acordo com a interessada, citada prorrogação considerou a antecipação do vencimento dessas concessões, estando prevista a indenização de ativos ainda não amortizados ou depreciados com base no valor novo de reposição. Alega, ainda, que a norma regulatória do regime geral de concessões de serviços públicos prevê a obrigatoriedade de indenização, pelo poder concedente, dos investimentos realizados pelas concessionárias em bens reversíveis não amortizados ou não depreciados ao termo final da concessão, pelo que essa indenização seria mera recomposição patrimonial por desapropriação, não constituindo renda, tampouco acréscimo ao patrimônio e, menos ainda, receita tributável. As respostas dadas pela recorrente às intimações feitas pelo Fisco bem resumem seu posicionamento e o da Autoridade Fiscal autuante (TVF – fls. 657/658): Fl. 1054DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Fl. 1055DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Em suma, pelo raciocínio da recorrente os R$ 908 milhões teriam caráter indenizatório, por isso ao largo da tributação de IRPJ e de CSLL. Para o Fisco, porém, adotando o posicionamento expresso pela Nota Técnica nº 3 – COSIT, independentemente da nomenclatura legal ou contratual, essas indenizações “constituem receita da concessionária de energia elétrica, eis que são recebidas em razão da execução do contrato de concessão e ademais não representam acréscimo ao passivo da empresa” (TVF – fls. 667). Pois bem, primordial e preliminarmente, necessário se faz definir qual a origem desta receita de R$ 908 milhões e compreender as justificativas fornecidas pela contribuinte para sua exclusão na apuração do IRPJ e da CSLL, consignada no seu LALUR (fls. 657/658), isto porque, como sabido, valores pagos pelo Poder Público, em casos de desapropriação, possuem regras próprias de tributação. Todavia, além disso, imperativo se verifique o tratamento tributário das indenizações pagas nos termos da Medida Provisória nº 579, de 2012, convertida na Lei nº 12.783, de 2013, à luz do regramento jurídico das reversões de bens de concessionárias. Ou seja, cabe separar as duas regras jurídicas, indenizações e reversões. No caso das empresas voltadas à área de energia elétrica, o art. 31 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 (em plena vigência e que dispôs sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previstos no art. 175, da CF) exige seja mantido pela concessionária o devido inventário e o registro dos bens vinculados à concessão, zelando pela integridade dos mesmos de modo a permitir o real cumprimento dos seus objetivos, traçando, de forma rígida, comportamentos a serem adotados por ambos os contratantes, notadamente para que o serviço público concedido seja prestado de modo a alcançar os interesses da coletividade, sempre lembrando que, extinta a concessão, retornam ao poder concedente todos os bens reversíveis, direitos e privilégios transferidos ao concessionário conforme previsto no edital e estabelecido no contrato. Reversão, então, pode ser singelamente definida como a entrega pelo concessionário ao Poder Concedente dos bens vinculados à concessão por ocasião do fim do contrato, de modo a permitir sua continuidade dos serviços prestados à população pelo próprio ente estatal ou outra concessionária/permissionária. Essa devolução constitui um corolário do contrato em que o concessionário se coloca transitoriamente em lugar do Poder Público concedente para a prestação de um serviço que incumbe a este. Isso leva a que somente os bens efetivamente atrelados ao contrato de concessão são passíveis de reversão. Do contrário, se quisesse o Poder Concedente apropriar- se de todos os bens da concessionária, indiscriminadamente, configurar-se-ia um autêntico processo de desapropriação, não só dos bens da empresa mas também do seu capital. Com essa reserva, é justo inferir que ao termo final do contrato de concessão o Poder Concedente pode recolher (de volta) o acervo vinculado ao contrato em condições regulares, capazes de assegurar a continuidade do serviço, e o Concessionário recobrar inteiramente o que fora investido durante o contrato na manutenção dos bens reversíveis. Em suma, conforme ensinamento de Afrânio de Carvalho sobre a natureza jurídica dos bens reversíveis: Fl. 1056DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 “...o direito positivo brasileiro atribui ao concessionário a propriedade dos bens da concessão. Torna-se, porém, necessário levar a indagação adiante para saber qual a natureza dessa propriedade. Será a propriedade comum? Para responder cumpre ponderar que os bens sôbre os quais recai a propriedade do concessionário estão sujeitos a reversão ao Estado no fim do prazo da concessão. A reversão dos bens ao Estado depende, por conseguinte do advento de um termo que extingue a propriedade do concessionário. Esta se coloca assim no âmbito dos artigos 123, 124 e 647 do Código Civil como propriedade resolúvel. Dêsses artigos o último parece ter sido redigido de propósito para apanhar o caso vertente, pois, deixando de falar em transferência original de bens, convém, à concessão, que não é comumente translativa. A resposta já havia sido dada com acêrto por Carlos de Carvalho no artigo 381 da Nova Consolidação das Leis Civis: "O domínio ou propriedade resolúvel pode resultar de concessão do poder público". A natureza resolúvel da propriedade do concessionário resulta, portanto, da cláusula de reversão de bens inerente ao contrato de concessão de serviço público. Essa cláusula importa na aposição de um têrmo resolutivo a todo negócio de transmissão de bens ao concessionário, quer o alienante seja o próprio concedente, quer seja outrem, como geralmente acontece. Ao passo que, na primeira alternativa, se configura um caso típico, na segunda, que é a mais freqüente na concessão, delineia-se um caso atípico de propriedade resolúvel. Com efeito, neste dá-se a peculiariadade de ser o têrmo resolutivo apôsto, não pelo alienante em seu benefício, mas pelo concedente para aderir a tôdas as futuras transmissões de bens em que o concessionário fôr o adquirente” (CARVALHO, Afrânio de. Propriedade dos bens da concessão. Revista de Direito administrativo. Rio de Janeiro, v. 44, p. 16-18, abr./jun. 1956 – apud contrarrazões da PGFN – fls. 992/993). Definição que se contrapõe frontalmente à de indenização, cuja característica principal é a “expropriação” do bem que é impingida ao indenizado pelo Poder Público sem que ele tenha possibilidade de reagir a tal medida, cabendo-lhe, somente, a recomposição patrimonial (nem sempre justa, embora a Constituição faça expressa referência a este requisito). Nesse caminhar, como os bens do concessionário lhe pertencem provisoriamente, ou, mais tecnicamente, em forma de “propriedade resolúvel”, incabível querer jungir nos mesmos conceitos reversão e indenização, porque, enquanto aquela advém de uma cláusula inerente aos contratos de concessão que estabelece a obrigação de o concessionário entregar os bens afetados ao serviço público para o poder concedente ao término da concessão, esta última, via expropriação (ou desapropriação), desassocia-se de qualquer contrato firmado entre a Administração Pública e um particular e não se vincula a termo algum, como ocorre com a reversão. Assim, embora a consequência final seja a de transferir para o Estado a propriedade de um bem, os institutos não podem jamais ser confundidos. Na reversão, tem-se um bem que já era do Estado e é transferido ao particular por força de lei e de contratos vinculantes que permitem a exploração de serviços que deveria o Fl. 1057DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Poder Público efetuar e que é concedido em caráter precário ao concessionário para que o faça e que, ao final da avença deve voltar ao concedente; no segundo caso – indenização – o bem expropriado nunca pertenceu ao Estado, que dele se apossa ostensivamente. É reconhecido que em todas as circunstâncias, ao final da concessão, o concessionário terá direito à indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido. (art. 36, da Lei nº 8.987/1995). Este desencaixe do Estado a favor da concessionária é, claramente, uma indenização que visa – aí sim – recompor o patrimônio da concessionária pelos gastos que teve para a manutenção da capacidade operacional e que não conseguiu recuperar pelo fim da concessão, sempre alertando que tal montante será sempre líquido de depreciações e amortizações, como, aliás, não poderia deixar de ser, já que tais rubricas reduziram ao longo do tempo as bases imponíveis dos tributos sujeitos ao lucro. Em forma sinótica: 1. Investimentos realizados pela concessionária ao longo do período de concessão – valor histórico; 2. (-) Depreciações/amortizações realizadas; 3. (=) Valor a ser indenizado De outro canto, o valor a que a concessionária fará jus na forma tratada pela MP nº 579/2012, tem como parâmetro de cálculo: 1 o valor novo de reposição (VNR) subtraído do saldo depreciado/amortizado dos bens (VNR – depreciação = indenização); 2. as amortizações e depreciações de bens reversíveis associadas à vida útil de tais bens, não tendo correlação com recuperação do investimento ou remuneração do capital aplicado nas concessões; e, 3. a indenização não está atrelada a ressarcimento ou recuperação do capital empregado pelo concessionário, sendo que a remuneração deste capital é feita por meio das tarifas cobradas dos consumidores. Em síntese, o regime jurídico das indenizações previstas na Medida Provisória nº 579, de 2012, tem ponto central o valor de reposição dos investimentos e não a remuneração do capital investido. Resumindo, enquanto a indenização prevista no artigo 36, da Lei nº 8.987/1995, matriz legislativa das concessões e permissões estatais de que trata o artigo 175, da Constituição Federal define que a concessionária apenas tem direito de receber, como decorrência da reversão, o valor correspondente ao custo histórico dos bens reversíveis afetados à execução do contrato de concessão, a MP nº 579/2012 cuida de outra faceta, dispondo a metodologia de, primeiro, a) calcular o valor atualizado dos bens reversíveis – representado pelo valor novo de reposição (VNR); depois, b) deduzir do VNR a parcela já amortizada ou Fl. 1058DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 depreciada, não cuidando, em momento algum, de c) recomposição do patrimônio investido, que, por óbvio, d) deveria ser apurado e limitado ao custo histórico dos bens reversíveis. Em outro dizer, parâmetros diferentes, sobre bases diferentes, com conceitos diferentes e resultados diferentes. No primeiro caso, valor histórico das aplicações (-) depreciações e amortizações ainda não realizadas: (=) recomposição do patrimônio efetivamente investido. No segundo, valor novo de reposição (-) saldos de depreciação e amortização: (=) valor que não tem qualquer correlação com a recomposição do valor histórico do patrimônio investido. Em um exemplo bem singelo: No primeiro caso (Lei nº 8.987/1995): 1. Investimentos realizados pela concessionária ao longo do período de concessão: 100 2. Depreciações/amortizações realizadas (60) 3. Valor da indenização prevista pelo art. 36, da Lei nº 8.987/1995 40 No segundo caso (MP nº 579/2012): 1. “Valor Novo de Reposição” (VNR) - bens reversíveis “atualizados” 150 2. Depreciações/amortizações vinculadas ao VNR (90) 3. Valor da indenização prevista pela MP nº 579/2012 60 Ora, a diferença é flagrante: de um lado, no primeiro exemplo, a indenização que devolve ao concessionário o que ele REALMENTE investiu patrimonialmente e não poderia mais se ressarcir pelo fim da concessão e reversão ao Poder Estatal concedente dos bens concedidos, no caso, 40; de outro lado, embora tenha investido somente 100 e tendo que receber para recompor seu patrimônio o montante de 40, efetivamente recebe 60, fruto da metodologia adotada que tomou o nominado VNR como base inicial. Com isso, é mais que evidente, recuperaria seu patrimônio desfalcado em 40 e ainda teria um “plus” de 20, ou seja, claramente uma receita. Posição bem apontada pela PGFN em suas contrarrazões (fls. 1007/1008): “Percebe-se, portanto, que o concessionário apenas tem direito de receber, como decorrência da reversão, o valor correspondente ao custo histórico dos bens reversíveis afetados à execução do contrato de concessão. Seguindo essa lógica, se o concessionário tiver submetido os bens reversíveis aos mecanismos da depreciação ou da amortização, durante o prazo da concessão, os valores depreciados/amortizados devem ser expurgados do valor da indenização. Com efeito, se não forem deduzidas do custo histórico dos bens Fl. 1059DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 reversíveis os valores relativos à depreciação/amortização já computados e usufruídos pelo concessionário, a consequência será um duplo benefício ao concessionário e, por conseguinte, um duplo ônus para o Poder Público e para a sociedade. No tocante ao Poder Público, tem-se que a depreciação ou a amortização significam diminuição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois a legislação dos referidos tributos permite a dedução dessas despesas para fins fiscais. Por seu turno, as cotas de depreciação ou amortização também podem servir de parâmetro para a fixação do valor das tarifas cobradas dos consumidores. Em outras palavras, o concessionário obtém a recomposição patrimonial pelo capital investido por meio das tarifas cobradas dos consumidores. O resultado dessas duas políticas de ressarcimento ao concessionário – uma fiscal e outra tarifária – é que o concessionário deduz da base de cálculo do IRPJ e da CSLL cotas de depreciação e amortização, ao mesmo tempo em que os consumidores pagam tarifas que servem para restituir o capital investido. Isso explica o porquê de haver indenização somente nos casos de bens reversíveis não depreciados ou amortizados, e, igualmente, porque é mandatório que o montante já depreciado ou amortizado seja deduzido do custo histórico dos bens reversíveis, no momento de fixar a indenização. Não obstante, imaginemos que seja atribuído ao bem reversível, ao final da concessão, um valor maior do que o custo histórico. Nessa situação, o concessionário pode nutrir expectativa de se beneficiar de eventual valorização do bem reversível, de modo a pleitear uma indenização que supere o custo histórico do bem? Essa sistemática se mostra completamente contraditória com o regime de concessões e o regime jurídico dos bens reversíveis. Conforme salientado anteriormente, os concessionários possuem a propriedade resolúvel dos bens reversíveis, ou seja, a propriedade de tais bens está vinculado ao termo do contrato de concessão. Disso resulta uma séria de consequências jurídicas, dentre elas o fato de que o seu direito de propriedade é limitado e intrinsecamente associado à exploração do serviço público. Tanto é assim que o concessionário não possui o direito de dispor do bem reversível, já que se pressupõe que este é indispensável à continuidade do serviço público e, por isso, deverá ser entregue ao Poder concedente ao final do contrato de concessão. Portanto, não há justificativa para que o concessionário seja “indenizado” por eventual avaliação dos bens reversíveis acima do custo histórico, visto que isso significaria pagar ao concessionário mais do que o valor que investiu”. (destacado no original) A respeito, pela sua proficiência, reproduzo excerto do voto condutor da decisão recorrida, em tudo aplicável (Ac. DRJ - fls. 902 – com destaque acrescido): “7.4. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão. Portanto, não acarreta qualquer Fl. 1060DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 aumento no patrimônio e, consequentemente, não há que se falar em incidência do IRPJ. 7.5. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização ultrapassar o valor do dano material verificado, ou quando se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (lucro cessante). A indenização que acarreta acréscimo patrimonial configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, ficará sujeita a tributação, a não ser que esteja excluída por isenção legal”. Antes de prosseguir, impende uma observação. Poderia ser alegado que a segunda metodologia seria mais justa por permitir recompor valores atualizados (de reposição) e não valores históricos, sempre sujeitos à corrosão inflacionária. Esta linha de pensamento tem lógica bem sustentável, mais ainda depois da convergência dos padrões contábeis brasileiros aos internacionais. Porém, como já dito rapidamente antes, esta “recomposição” atualizada do capital investido pela concessionária já ocorre por ocasião da fixação das tarifas de energia elétrica quando, “dentro” do que é pago pelos consumidores, está embutida variável que leva em conta tais aplicações de capital. Desse modo, com essa recomposição mais a pretendida pela recorrente, o benefício seria duplo, a uma pela fixação na tarifa, a duas pela utilização do valor de reposição para os cálculos indenizatórios. Assim, vejo que o valor de R$ 908.298.292,12 se amolda exatamente nestes termos, ou seja, “receita tributável”, posto que não comporta, em seu bojo, os requisitos insertos na Lei nº 8.987/1995 para ser tida como “indenização” e, por isso, ficar ao largo da tributação de IRPJ e de CSLL. A própria recorrente, por vias outras, assume se estar diante de receitas, ao responder a intimação fiscal (TVF – fls. 658): Que se confirma com a leitura das Demonstrações Financeiras da contribuinte referentes ao ano-calendário de 2012: fls. 213: Fl. 1061DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 No detalhe: De outro giro, milita em desfavor da recorrente o tratamento que deu a esta receita e o que deu às perdas pela reversão dos bens à União (mesma situação fática) em face da prorrogação contratual da concessão prevista na MP nº 579/2012, isto é, enquanto EXCLUIU do LALUR a receita de R$ 908 milhões, NÃO EXCLUIU as perdas de R$ 4.199.097.371,16. Ou seja, para a recorrente a receita (ganho) seria não tributável, por isso a excluiu do LALUR (cf. DIPJ - Ficha 09A – Linha 87). Em contrapartida, o custo (perda) seria dedutível, por isso não foi excluído na mesma Ficha. Veja-se (fls. 413): Tal procedimento, per si, bem demonstra o tratamento desigual dado pela recorrente aos fatos presentes nos autos, posto que, atreladamente ao valor da indenização discutida no presente processo administrativo os ativos avaliados pelo RBNI avaliados contabilmente em R$ 1.969.729.517,77 para fins da perda de R$ 4,1 bilhões, são os mesmos Fl. 1062DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 apontados pela contribuinte para a apuração da receita não operacional de R$ 908 milhões (indenização bens reversíveis). De qualquer modo, abstraindo o fato de a perda não ter sido incluída entre as adições do LALUR, fato é que, no que interessa, INEXISTE previsão legal a ensejar a exclusão das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL da receita aqui tratada, o que só poderia ocorrer caso houvesse legislação tributária autorizativa para tal procedimento em face da estrita reserva legal que cerca o Direito Público e especialmente o Direito Tributário-Fiscal. Não tendo a MP nº 579/2012 nem a sua conversão na Lei nº 12.783/2013 trazido qualquer mensagem neste sentido, incabível a tentativa de excluir o ganho da tributação, valendo destacar que a recorrente, embora tenha feito uma peça recursal bastante sólida em termos de argumentação, neste aspecto específico limitou-se às ponderações trazidas, não apontando “qual” dispositivo legal permitiria a exclusão pretendida. Finalmente, não pode ser olvidado, a recorrente já havia instado a Administração Tributária a se pronunciar, via consulta, a respeito do procedimento envolvendo a situação aqui elencada (SC nº 49 de 30/04/2013, da Divisão de Tributação da SRRF/7ª.RF, constante do processo administrativo nº 16682.720079/2013-20), obtendo em resposta a seguinte mensagem: Ante todo o exposto, carece de fundamento legal a exclusão das receitas não operacionais, no montante de R$ 908 milhões, de modo que, correto o procedimento da autoridade fiscal de recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e efetuar os lançamentos de ofício aqui apreciados. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à primeira infração – “exclusões não autorizadas na apuração do Lucro Real”. Fl. 1063DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 Analiso a seguir as segunda infração. DA MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS MENSAIS A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estar-se diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, infere-se que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registre-se, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minhas as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, deste CARF, que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 103-23.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela Fl. 1064DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever Fl. 1065DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduza-se ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Pela absoluta pertinência, vale reproduzir excerto do voto condutor exarado pela I. Conselheira e Presidente da CSRF, Adriana Gomes Rêgo no Acórdão nº 9101- 003.353 - Sessão de 17 de janeiro de 2018 acerca da matéria: “Em verdade, a lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. (...) Vê-se, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazê-lo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitando-se, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. (...) A vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do ano- calendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resultam falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Assim, a exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que Fl. 1066DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental, e pode ser exigida, sim, mesmo que encerrado o ano-calendário, porque pune- se a conduta de não recolhimento de uma obrigação tributária”. Entendimento que perfila com jurisprudência dominante no CARF, inclusive na Câmara Superior: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornou- se devida a estimativa. (Acórdão nº 9101- 002.777 - Sessão de 6 de abril de 2017). ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE PAGAMENTO A obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do ano- calendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação Nos casos de falta de recolhimento, falta de declaração em DCTF e não comprovação de compensação de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, incide a multa isolada. (Acórdão nº 9101-002.433 - Sessão de 20 de setembro de 2016). Por fim, saliente-se ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007 e aqui o período abrangido é 2012. Pelos motivos elencados, entendo deva ser mantido o lançamento perpetrado. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1 o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser Fl. 1067DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 33 do Acórdão n.º 1402-004.214 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722216/2017-94 objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN - e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Sendo, pois, os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo sido este julgado procedente, igual sorte devem colher as demais exigências presentes nos autos. CONCLUSÃO Assim, por tudo o que consta dos autos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos e a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1068DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113
score : 1.0
Numero do processo: 10880.736168/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012
PERT. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DATA DE INDICAÇÃO. REFORMATIO IN PEJUS
O Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), Lei nº 13.496, de 2017, é uma faculdade, cabe ao contribuinte aderir ou não às suas regras. A IN RFB nº 1711, de 2017, ao regulamentar o PERT estabeleceu no § 3º do art. 13 que os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL deveriam ser informados no prazo de consolidação, o qual ocorreu no período de 10 a 28 de dezembro de 2018, conforme IN RFB nº 1.855, de 2018. Somente após a indicação desses montantes tais créditos não mais poderiam ser utilizados sob qualquer forma ou a qualquer tempo. A não compensação de prejuízo fiscal e base negativa no lançamento de ofício, antes da indicação de tais créditos, além de contrariar o que foi pactuado, configuraria reformartio in pejus.
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada mesmo após o encerramento do período-base de incidência.
MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na consunção um dos crimes apresenta-se tão somente como meio necessário ao cometimento do crime fim, ocasião em que o fato previsto em norma mais abrangente é absorvido por outra menos abrangente. Na espécie, não há falar-se em consunção, haja vista a multa isolada não ser absorvida pela multa de ofício, tampouco pelo tributo devido ao final do período, porquanto tem suporte fático e legal distintos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
IRPJ. REFLEXO NA CSLL
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2012
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OPERAÇÃO E CAUSA LÍCITAS. PAGAMENTO DE PROPINA. CAUSA ILÍCITA.
Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa.
A operação e a causa devem ser lícitas. Pagamento de propina além de não encontrar acolhimento em nosso ordenamento jurídico vai de encontro aos requisitos de validade do negócio jurídico que exigem, dentre outros, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. Logo, não figura como causa lícita a justificar eventual pagamento e elidir o IR-Fonte.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. COMPATIBILIDADE.
Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, tais como, contabilização de custos/despesas indedutíveis, omissão de receita etc.. No IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE.
Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa.
Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO.
O IR-Fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora.
MULTA ISOLADA. IR-FONTE. ART. 9º DA LEI Nº 10.426, DE 2002.
A multa prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, no caso de falta de retenção ou recolhimento de imposto, visa manter a higidez do recolhimento de IR-Fonte no período estabelecido pela legislação. Em havendo descumprimento da legislação de regência, correta a sua aplicação, mesmo após o enceramento do período. Na espécie, permitir a compensação/subtração dos valores recolhidos posteriormente seria esvaziar a própria multa, porquanto seu objetivo é exatamente impedir que o sujeito passivo deixe de efetuar a retenção/recolhimento quando obrigado a fazê-lo ou o faço fora do prazo.
MULTA QUALIFICADA
Uma vez que os fatos apurados pela fiscalização, e assumidos pela própria recorrente, revelam que à época do fato gerador a conduta praticada atrai a incidência da multa qualificada, incabível a exoneração desta.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA.
Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis.
Numero da decisão: 1201-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: a) por unanimidade, manter a tributação de IRPJ/CSLL, bem como a multa isolada relativa às planilhas 3 e 4 por IR-Fonte não recolhido; b) por voto de qualidade, manter integralmente a tributação do IR-Fonte, a tributação da multa isolada sobre estimativas e a qualificação da multa sobre o IR-Fonte; vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Barbara Melo Carneiro, que afastavam a tributação da multa isolada sobre estimativas; a qualificação da multa sobre o IR-Fonte e a tributação de IR-Fonte sobre os pagamentos constantes das planilhas 5 a 8, beneficiários identificados; vencida a conselheira Barbara Melo Carneiro que afastava o IR-Fonte em maior extensão; c) por maioria; dar parcial provimento para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que negava o direito à compensação citada. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10880.736168/2017-07
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117674
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1201-003.307
nome_arquivo_s : Decisao_10880736168201707.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10880736168201707_6117674.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: a) por unanimidade, manter a tributação de IRPJ/CSLL, bem como a multa isolada relativa às planilhas 3 e 4 por IR-Fonte não recolhido; b) por voto de qualidade, manter integralmente a tributação do IR-Fonte, a tributação da multa isolada sobre estimativas e a qualificação da multa sobre o IR-Fonte; vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Barbara Melo Carneiro, que afastavam a tributação da multa isolada sobre estimativas; a qualificação da multa sobre o IR-Fonte e a tributação de IR-Fonte sobre os pagamentos constantes das planilhas 5 a 8, beneficiários identificados; vencida a conselheira Barbara Melo Carneiro que afastava o IR-Fonte em maior extensão; c) por maioria; dar parcial provimento para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que negava o direito à compensação citada. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
id : 8039158
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 PERT. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DATA DE INDICAÇÃO. REFORMATIO IN PEJUS O Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), Lei nº 13.496, de 2017, é uma faculdade, cabe ao contribuinte aderir ou não às suas regras. A IN RFB nº 1711, de 2017, ao regulamentar o PERT estabeleceu no § 3º do art. 13 que os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL deveriam ser informados no prazo de consolidação, o qual ocorreu no período de 10 a 28 de dezembro de 2018, conforme IN RFB nº 1.855, de 2018. Somente após a indicação desses montantes tais créditos não mais poderiam ser utilizados sob qualquer forma ou a qualquer tempo. A não compensação de prejuízo fiscal e base negativa no lançamento de ofício, antes da indicação de tais créditos, além de contrariar o que foi pactuado, configuraria reformartio in pejus. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada mesmo após o encerramento do período-base de incidência. MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na consunção um dos crimes apresenta-se tão somente como meio necessário ao cometimento do crime fim, ocasião em que o fato previsto em norma mais abrangente é absorvido por outra menos abrangente. Na espécie, não há falar-se em consunção, haja vista a multa isolada não ser absorvida pela multa de ofício, tampouco pelo tributo devido ao final do período, porquanto tem suporte fático e legal distintos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). IRPJ. REFLEXO NA CSLL O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2012 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OPERAÇÃO E CAUSA LÍCITAS. PAGAMENTO DE PROPINA. CAUSA ILÍCITA. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. A operação e a causa devem ser lícitas. Pagamento de propina além de não encontrar acolhimento em nosso ordenamento jurídico vai de encontro aos requisitos de validade do negócio jurídico que exigem, dentre outros, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. Logo, não figura como causa lícita a justificar eventual pagamento e elidir o IR-Fonte. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. COMPATIBILIDADE. Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, tais como, contabilização de custos/despesas indedutíveis, omissão de receita etc.. No IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE. Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa. Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO. O IR-Fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. MULTA ISOLADA. IR-FONTE. ART. 9º DA LEI Nº 10.426, DE 2002. A multa prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, no caso de falta de retenção ou recolhimento de imposto, visa manter a higidez do recolhimento de IR-Fonte no período estabelecido pela legislação. Em havendo descumprimento da legislação de regência, correta a sua aplicação, mesmo após o enceramento do período. Na espécie, permitir a compensação/subtração dos valores recolhidos posteriormente seria esvaziar a própria multa, porquanto seu objetivo é exatamente impedir que o sujeito passivo deixe de efetuar a retenção/recolhimento quando obrigado a fazê-lo ou o faço fora do prazo. MULTA QUALIFICADA Uma vez que os fatos apurados pela fiscalização, e assumidos pela própria recorrente, revelam que à época do fato gerador a conduta praticada atrai a incidência da multa qualificada, incabível a exoneração desta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650773151744
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-04T21:56:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-04T21:56:53Z; Last-Modified: 2019-12-04T21:56:53Z; dcterms:modified: 2019-12-04T21:56:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-04T21:56:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-04T21:56:53Z; meta:save-date: 2019-12-04T21:56:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-04T21:56:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-04T21:56:53Z; created: 2019-12-04T21:56:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; Creation-Date: 2019-12-04T21:56:53Z; pdf:charsPerPage: 2281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-04T21:56:53Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.736168/2017-07 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.307 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2019 Recorrente JBS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 PERT. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DATA DE INDICAÇÃO. REFORMATIO IN PEJUS O Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), Lei nº 13.496, de 2017, é uma faculdade, cabe ao contribuinte aderir ou não às suas regras. A IN RFB nº 1711, de 2017, ao regulamentar o PERT estabeleceu no § 3º do art. 13 que os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL deveriam ser informados no prazo de consolidação, o qual ocorreu no período de 10 a 28 de dezembro de 2018, conforme IN RFB nº 1.855, de 2018. Somente após a indicação desses montantes tais créditos não mais poderiam ser utilizados sob qualquer forma ou a qualquer tempo. A não compensação de prejuízo fiscal e base negativa no lançamento de ofício, antes da indicação de tais créditos, além de contrariar o que foi pactuado, configuraria reformartio in pejus. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada mesmo após o encerramento do período-base de incidência. MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na consunção um dos crimes apresenta-se tão somente como meio necessário ao cometimento do crime fim, ocasião em que o fato previsto em norma mais abrangente é absorvido por outra menos abrangente. Na espécie, não há falar- se em consunção, haja vista a multa isolada não ser absorvida pela multa de ofício, tampouco pelo tributo devido ao final do período, porquanto tem suporte fático e legal distintos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 61 68 /2 01 7- 07 Fl. 12639DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). IRPJ. REFLEXO NA CSLL O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2012 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OPERAÇÃO E CAUSA LÍCITAS. PAGAMENTO DE PROPINA. CAUSA ILÍCITA. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. A operação e a causa devem ser lícitas. Pagamento de propina além de não encontrar acolhimento em nosso ordenamento jurídico vai de encontro aos requisitos de validade do negócio jurídico que exigem, dentre outros, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. Logo, não figura como causa lícita a justificar eventual pagamento e elidir o IR-Fonte. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. COMPATIBILIDADE. Concomitância do IR-Fonte e IRPJ. Infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, tais como, contabilização de custos/despesas indedutíveis, omissão de receita etc.. No IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento. Tanto que a base de cálculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CONCOMITÂNCIA COM MULTA QUALIFICADA. COMPATIBILIDADE. Compatibilidade do IR-Fonte com a multa qualificada. A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º, era 35%. O fato desta alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995, e permanecido no mesmo patamar para o art. 61 da mesma lei é opção legislativa. Por mais onerosa que seja a alíquota de 35%, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez Fl. 12640DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplica-la ao argumento de dupla penalidade significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considera-lo inconstitucional. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. DEDUÇÃO DO VALOR RETIDO E RECOLHIDO. O IR-Fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. MULTA ISOLADA. IR-FONTE. ART. 9º DA LEI Nº 10.426, DE 2002. A multa prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, no caso de falta de retenção ou recolhimento de imposto, visa manter a higidez do recolhimento de IR-Fonte no período estabelecido pela legislação. Em havendo descumprimento da legislação de regência, correta a sua aplicação, mesmo após o enceramento do período. Na espécie, permitir a compensação/subtração dos valores recolhidos posteriormente seria “esvaziar” a própria multa, porquanto seu objetivo é exatamente impedir que o sujeito passivo deixe de efetuar a retenção/recolhimento quando obrigado a fazê-lo ou o faço fora do prazo. MULTA QUALIFICADA Uma vez que os fatos apurados pela fiscalização, e assumidos pela própria recorrente, revelam que à época do fato gerador a conduta praticada atrai a incidência da multa qualificada, incabível a exoneração desta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. Nos termos do arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 12641DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Acordam os membros do colegiado em conhecer do recurso voluntário e, no mérito: a) por unanimidade, manter a tributação de IRPJ/CSLL, bem como a multa isolada relativa às planilhas 3 e 4 por IR-Fonte não recolhido; b) por voto de qualidade, manter integralmente a tributação do IR-Fonte, a tributação da multa isolada sobre estimativas e a qualificação da multa sobre o IR-Fonte; vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Barbara Melo Carneiro, que afastavam a tributação da multa isolada sobre estimativas; a qualificação da multa sobre o IR-Fonte e a tributação de IR-Fonte sobre os pagamentos constantes das planilhas 5 a 8, beneficiários identificados; vencida a conselheira Barbara Melo Carneiro que afastava o IR-Fonte em maior extensão; c) por maioria; dar parcial provimento para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que negava o direito à compensação citada. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório JBS S/A, já qualificado nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 02-81.218, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília/DF, em 23 de agosto de 2018. 2. Trata-se de lançamentos de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda na Fonte (IR-Fonte), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Programa de Integração Social (PIS) referentes ao ano-calendário 2012, no montante consolidado de R$ 204.115.527,82, incluídos principal, juros de mora, multas isoladas e multas de ofício de 150%. 3. Foram apuradas as seguintes infrações: i) IRPJ e CSLL: omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais; despesas não necessárias; falta de pagamento do tributo sobre base de cálculo estimada em função da receita bruta e Fl. 12642DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução; ii) IR-Fonte: pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, contabilizadas ou não e multa em decorrência de falta de retenção do IR-Fonte. iii) COFINS e PIS, reflexos de IRPJ e CSLL: os valores decorrentes dessa infração não foram impugnados, mas sim incluídos em PER/DCOMP e transferidos para o processo nº 16151-720.039/2018-91 (e-fls. 8206; 8226). 4. Cientificada do lançamento, apresentou impugnação com as seguintes alegações, em síntese: i) não contestou mérito da acusação em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL, os quais foram incluídos em parcelamentos especiais (PERT), somente a compensação de prejuízos e base de cálculos utilizados no âmbito do PERT, bem como a compensação de tributo pago no exterior; ii) bis in idem em relação à multa isolada e a multa de ofício; iii) IR-Fonte em relação aos pagamentos a beneficiários não identificados, respectivas operações e sua causa; iv) dedução do IR-fonte recolhido decorrente das notas fiscais consideradas inidôneas, ilegitimidade para figurar no polo passivo do IR-Fonte; v) multa isolada por não recolhimento do IR-Fonte e a multa qualificada e vi) decadência. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Torna-se incontroverso o lançamento quando o contribuinte expressamente declara que não contesta o seu mérito. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO NO EXTERIOR. A legislação tributária não autorizou que imposto pago no exterior em um ano pudesse ser transferido para ser aqui compensado em outro anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2012 CAUSA DE PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. NÃO IDENTIFICADOS Deve ser mantido o lançamento do IRRF com base no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95, quando não identificada a causa ou o real beneficiário de pagamentos. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Não tendo ocorrido a denúncia espontânea, é dever da Fiscalização aplicar a multa qualificada, uma vez plenamente demonstrada e não constestada a conduta dolosa da impugnante. 6. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário em que alega, em síntese: Fl. 12643DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Preliminares i) a autoridade julgadora deixou de examinar: i) argumento subsidiário referente à decadência dos meses de JAN a NOV/2012, nos termos do art. 150, §4º do CTN, dado que a ciência do auto de infração ocorreu somente em DEZ/2017; ii) bem como a compensação com créditos de pagamentos efetuados no exterior nos anos- calendário 2011 e 2012; ii) diligência para confirmação de pagamentos havidos sem recibos ou comprovantes das respectivas operações, bem como para confirmação do IR- Fonte pago referente às notas fiscais consideradas inidôneas. Mérito Reitera os argumentos de primeira instância os quais serão analisados em detalhe no voto. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 9. Cinge-se a controvérsia a analisar, em preliminar, matérias que não teriam sido examinadas pela decisão de piso e pedidos de diligência e, no mérito, as infrações apuradas e as demais questões correlatas apresentadas. 10. Passo ao exame das preliminares. Preliminares Nulidade 11. Alega a recorrente nulidade do feito em razão de a autoridade julgadora não ter examinado a matéria referente à decadência e à compensação com créditos de pagamentos efetuados no exterior nos anos-calendário 2011 e 2012. 12. Em relação à compensação com créditos de pagamentos efetuados no exterior, a decisão de piso se manifestou sobre a matéria. O fato de o entendimento esposado no acórdão recorrido ser diverso do pretendido pela recorrente não enseja nulidade. Ademais, trata-se de questão de mérito que será analisada mais adiante. Decadência Fl. 12644DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 13. No tocante à decadência, sustenta que a ciência do auto de infração ocorreu em 20.12.2017, portanto, ao amparo do art. 150, §4º do CTN, estaria decaído o direito de o Fisco efetuar o lançamento nos meses de jan. a nov. de 2012. 14. No âmbito do processo administrativo tributário prevalece o entendimento de que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief). Nessa linha, conforme salienta Leandro Paulsen, a nulidade não decorre especificamente do descumprimento de requisito formal, mas sim do efeito comprometedor do direito de defesa assegurado ao contribuinte pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal. Afinal, continua o autor, as formalidades não são um fim em si mesmas, mas instrumentos que asseguram o exercício da ampla defesa. Nesse contexto, a "declaração de nulidade, portanto, é excepcional, só tendo lugar quando o processo não tenha tido aptidão para atingir os seus fins sem ofensa aos direitos do contribuinte". 1 15. Nos termos dos arts. 1º e 2º, §3º da Lei nº 9.4302 de 1996, o imposto de renda das pessoas jurídicas é determinado, regra geral, com base no lucro real por período de apuração trimestral. O legislador, entretanto, facultou à pessoa jurídica optar pela apuração anual, mediante o pagamento mensal sobre base de cálculo estimada. Nessa hipótese – apuração anual – o fato gerador ocorre em 31.12. de cada ano. Por outro lado, nos casos em que ficar caraterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação aplica-se a regra do art. 173 3 , I e não do art. 150 4 , §4º, ambos do CTN. 16. Tendo em vista que a decisão de piso não se manifestou diretamente sobre a decadência, necessário verificar se esse fato comprometeu direitos da recorrente, porquanto, conforme dito, as formalidades não guardam um fim em si mesmas. 17. A recorrente é optante pelo lucro real anual - tanto que lhe foi aplicada a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas -, com efeito, o fato gerador do IRPJ/CSLL ocorreu em 31.12.2012. 18. Aplicando-se a regra do prazo decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN tem- se como termo final para o Fisco efetuar o lançamento 31.12.2017. Por outro lado, nos termos do art. 173, I, tem-se como termo inicial 01.01.2014, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício 1 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 475 2 Lei nº 9.430, de 1996. Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pela pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. 3 CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 4 CTN. art. 150 [..] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 12645DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e final 31.12.2018. Tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 20.12.2017, não há falar-se em decadência independente da regra aplicada. 19. De acordo com a Súmula CARF – vinculante – nº 72, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN: Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 20. A súmula vinculante5, de acordo com o art. 18-A da Lei nº 10.5226, de 2002, deve ser observada por todos os órgãos da administração tributária federal. A Portaria MF nº 227 com a referida súmula foi publicada em 08.06.2018 e a decisão da DRJ proferida em 23.08.2018, portanto, aquele órgão julgador estava obrigado a seguir a orientação vinculante. O que significa dizer que a decisão não poderia ser diferente do exposto na respectiva súmula. 21. Ademais, ainda que não existisse a súmula vinculante, o que atrai a incidência do art. 173, I do CTN para fins de contagem de prazo decadencial é a caracterização da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E quanto a este ponto a decisão de piso corroborou a conduta dolosa da recorrente para manter a multa qualificada: Assim, não tendo ocorrido a denúncia espontânea, é dever da Fiscalização aplicar a multa qualificada, uma vez plenamente demonstrada e não contestada a conduta dolosa da impugnante. Cabe lembrar que a conduta dolosa da impugnante sequer poderia ser objeto de anistia, por força do disposto no art. 180, I, do CTN, razão pela qual é totalmente descabido o pleito da impugnante. 22. Como se vê, o voto condutor do acórdão recorrido entendeu haver conduta dolosa, razão pela qual manteve a multa qualificada, o que, nos termos da referida súmula vinculante nº 72, atrai a incidência do art. 173, I e não do art. 150, §4º, ambos do CTN. 5 Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI - deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Art. 75. Por proposta do Presidente do CARF, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica ou profissional habilitada à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. 6 Lei nº 10.522, de 2002. Art. 18-A. Comitê formado por integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional editará enunciados de súmula da administração tributária federal, observado o disposto em ato do Ministro de Estado da Economia, que deverão ser observados nos atos administrativos, normativos e decisórios praticados pelos referidos órgãos. (Incluído pelo Medida Provisória nº 881, de 2019) Fl. 12646DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 23. Oportuno observar ainda que a despeito de a recorrente ter alegado decadência, confessou 7 a dívida dos débitos de COFINS e PIS ao efetuar a compensação. Esses tributos cujos fatos geradores são mensais, caso não houvesse a conduta dolosa, poder-se-ia falar em decadência para alguns períodos. Embora este fato isolado não tenha aptidão para alterar o mérito da análise, demonstra que a recorrente estava ciente de que a matéria lançada não estava abarcada pela decadência, tanto que optou pela confissão de dívida. 24. Ante o exposto, a despeito de o acórdão recorrido não ter se manifestado sobre a matéria decadencial de forma direta, o fez de forma indireta ao tratar da matéria que atrai a incidência do art. 173, I do CTN. Nesses termos, entendo não ter havido prejuízo capaz de provocar a nulidade do feito, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade. Pedido de diligência 25. A recorrente aduz que o auto de infração envolve pagamentos sem os respectivos recibos ou quaisquer comprovantes das operações, fato amplamente exposto no TVF e no recurso voluntário. Aduz ainda que além do nome dos beneficiários apurados pela fiscalização nas respectivas planilhas (e-fls. 272) “a partir das delações e depoimentos das pessoas físicas, há provas dos beneficiários/comprovação da operação/causa dos fatos imponíveis”. 26. Nessa linha, postula realização de diligência consubstanciada em prova testemunhal ou diligência fiscal com intimação dos beneficiários que especifica, para que, à luz da verdade material, colha-se o fundamento do lançamento fiscal, quais sejam, os pagamentos. (e-fls. 267 e ss.). 27. Nas palavras da recorrente a essência da diligência seria, mediante a busca da verdade material, comprovar pagamentos perante os respectivos beneficiários; o que seria suficiente para elidir a imputação fiscal. Tal solicitação confronta-se com a valoração das provas existentes nos autos e a interpretação dos fatos pelo julgador. A meu ver, o feito está bem instruído e não carece de maiores provas, conforme veremos na análise do mérito. 28. A propósito, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.2358, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, aplicável também ao julgamento em segunda instância, a autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da defesa, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis. 7 Lei nº 9.430 de 1996. Art. 74 [...] § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8 Cf. Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 12647DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 29. É o caso. O feito está bem instruído com os elementos necessários para o julgamento. 30. Nesses termos, por entender prescindível, indefiro o pedido de diligência. 31. Rejeitada a preliminar e indeferido o pedido de diligência passo ao exame do mérito. Mérito Compensação de prejuízos e base de cálculos utilizados no âmbito do PERT 32. A recorrente não contestou o mérito do lançamento de IRPJ e CSLL, alega, entretanto, impossibilidade de a fiscalização compensar prejuízo fiscal e base negativa no lançamento, dado que tais montantes foram utilizados anteriormente no âmbito do PERT - Programa Especial de Regularização Tributária, Lei nº 13.496, de 2017, - e à época do lançamento não estavam disponíveis. 33. Para fundamentar o pleito invoca o § 6º do artigo 13 da IN RFB nº 1711, de 2017, no sentido de que o crédito utilizado não pode ser compensado sob “qualquer forma” ou “a qualquer tempo” na compensação com a base de cálculo do IRPJ/CSLL. 34. O pleito não merece prosperar. 35. A referida IN RFB nº 1711, de 20179, ao regulamentar o PERT estabeleceu no § 3º do art. 13 que os montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL deveriam ser informados no prazo de consolidação. Veja-se: IN RFB nº 1711, de 2017 Art. 4º A adesão ao Pert será formalizada mediante requerimento protocolado exclusivamente no sítio da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, até o dia 14 de novembro de 2017, e abrangerá os débitos indicados pelo sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1754, de 31 de outubro de 2017) § 1º Devem ser formalizados requerimentos de adesão distintos para: I - débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição e às contribuições devidas a terceiros, assim considerados outras entidades e fundos; e II - os débitos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. [...] § 3º Depois da formalização do requerimento de adesão, a RFB divulgará, por meio de ato normativo e em seu sítio na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento ou do pagamento à vista com utilização de créditos. 9 Lei nº 13.496, de 2017. Art. 15. A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no âmbito de suas competências, editarão os atos necessários à execução dos procedimentos previstos no prazo de trinta dias, contado da data de publicação desta Lei. Fl. 12648DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 [...] Art. 13. Na hipótese de opção pelo pagamento à vista ou pelo parcelamento com utilização de créditos de que tratam o inciso I do caput e o inciso II do § 2º do art. 3º, o sujeito passivo deverá, no prazo de que trata o § 3º do art. 4º, informar os montantes de prejuízo fiscal decorrentes da atividade geral ou da atividade rural e de base de cálculo negativa da CSLL, existentes até 31 de dezembro de 2015 e declarados até 29 de julho de 2016, que estejam disponíveis para utilização; e os demais créditos próprios, relativos a tributos, que serão utilizados para liquidação dos débitos. [...] § 6º Os créditos de que trata este artigo não podem ser utilizados, sob qualquer forma ou a qualquer tempo: I - na compensação com a base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da CSLL, salvo no caso de rescisão do parcelamento ou da não efetivação do integral pagamento à vista; ou II - em qualquer outra forma de compensação. PROGRAMA ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA (Pert) - PERGUNTAS E RESPOSTAS CONSOLIDAÇÃO 10 37. Em que momento vou informar a utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL? Somente na consolidação que o sujeito passivo deverá indicar os débitos a serem parcelados e os montantes de prejuízo, BCN ou outros créditos. 36. Portanto, somente após a indicação dos montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL tais créditos não mais poderiam ser utilizados sob qualquer forma ou a qualquer tempo. O prazo para a referida indicação ocorreu no período de 10 a 28 de dezembro de 2018, conforme IN RFB nº 1.855, de 2018: IN RFB nº 1.855, de 2018 Art. 2º A prestação das informações de que trata o art. 1º refere-se aos parcelamentos e pagamentos à vista relativos aos demais débitos administrados pela RFB, conforme os termos do inciso II do § 1º do art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017. Art. 3º O sujeito passivo que optou pelo pagamento à vista ou pelo parcelamento dos demais débitos de que trata o caput do art. 2º deverá indicar, exclusivamente no sítio da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, nos dias úteis do período de 10 a 28 de dezembro de 2018, das 7 horas às 21 horas, horário de Brasília: I - os débitos que deseja incluir no Pert; II - o número de prestações pretendidas, se for o caso; III - os montantes dos créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se for o caso; e [...] Art. 4º Os créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL a serem indicados deverão corresponder aos saldos disponíveis para utilização após deduzidos os valores já utilizados em: 10 http://receita.economia.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/parcelamentos- especiais/programa-especial-de-regularizacao-tributaria/perguntas-e-respostas-atualizado.pdf Fl. 12649DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 I - compensação com base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da CSLL em períodos anteriores à data da prestação das informações de que trata esta Instrução Normativa; ou II - outras modalidades de pagamento ou de parcelamento. § 1º O sujeito passivo deverá efetuar a baixa, na escrituração fiscal, dos créditos decorrentes de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da CSLL utilizados na forma prevista nesta Instrução Normativa. 37. Como se vê, ao contrário do alegado, os créditos decorrentes de prejuízo fiscal e base negativa à época da consolidação não mais estavam disponíveis para utilização, porquanto utilizados no lançamento de ofício efetuado em 20.12.2017. 38. Por fim, não se pode olvidar que o PERT é uma faculdade, cabe ao contribuinte aderir ou não às suas regras. Nesse sentido, acatar o pleito da recorrente, além de contrariar o que foi pactuado, configuraria ainda reformartio in pejus, como bem observado na decisão de piso. Provavelmente, caso a fiscalização não tivesse efetuado a compensação, o que significaria uma cobrança maior de tributo com multa de ofício qualificada, a controvérsia nestes autos seria exatamente o contrário, ou seja, o porquê de a fiscalização não ter efetuado a compensação. 39. Ante o exposto nego provimento em relação à matéria. Compensação com tributos pagos no exterior 40. Em resumo, a recorrente postula a compensação de tributos pagos nos exterior nos anos-calendário de 2011 e 2012 com o IRPJ e CSLL ora exigidos. 41. Nos autos do processo nº 16561.720.168/2017-76, também distribuído a este relator, referente a auto de infração de IRPJ e CSLL, relativo ao ano-calendário 2012, foi analisada especificamente a compensação com impostos pagos no exterior nos anos-calendário 2009 a 2012. Nesses autos, cuja ciência ocorreu em 16.12.2017, o contribuinte foi intimado 11 vezes, e mesmo depois de transcorrido quase cinco anos ainda apresentava pendências em relação à documentação comprobatória. Peço especial atenção aos colegas em relação ao trecho abaixo colhido do Termo de Verificação, que versa sobre compensação de imposto pago no exterior: ATIVIDADES EXERCIDAS NO EXTERIOR LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL 2. Os tributos abrangidos pelo referido mandado são o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o período fiscalizado é de 01 de janeiro de 2012 a 31 dezembro de 2012; [...] 14. Direito aplicável – Lucros não Disponibilizados: 14.1 Compensação do Imposto pago no Exterior; Fl. 12650DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Em resposta ao item 1.11 do TI 01, protocolada em 02/08/2017, a intimada apresentou uma grande quantidade de cópias de guias de pagamentos no exterior, referentes a período de competência que compreende os anos de 2009 a 2012. A partir destas guias, a intimada elaborou uma lista “seca” englobando todos os pagamentos referentes aos diferentes períodos de competência e chegou ao total suposto de crédito para fins de compensação na apuração do imposto tributável no Brasil no montante de R$ 316.201.230,31. [...] Como a fiscalizada apresentou diversas guias de recolhimento cuja competência remete a anos-calendário passados (2009 a 2011), fizemos a intimação (TI 08), no sentido que a fiscalizada informasse onde mantinha o controle dos saldos de tributos sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital pagos no exterior a compensar com o que fosse devido no Brasil e que apresentasse estes saldos, vez que não mantinha esse controle na Parte B do LALUR, conforme prescrito no §15 do artigo 14 da Instrução Normativa citada acima. Transcrevo abaixo, a resposta da fiscalizada à esta intimação: 1) Esclarece que a companhia mantêm o controle em planilhas eletrônicas, que estão suportadas pelos documentos físicos consularizados; Tais valores não foram escriturados na parte "B" dos LALUR, conforme esclarecido no "item 1.10" em resposta anterior ao Termo de Ciência de Início de Fiscalização e de Intimação, enviado em 03/05/2017; Apresenta Anexo 08.1, controle dos saldos relativos aos tributos sobre o lucro, rendimentos e ganhos de capital pagos, no exterior a compensar, conforme apresentado no "item 1.11" em resposta anterior ao Termo de Ciência de Início de Fiscalização e de Intimação, enviado em 03/05/2017. Assim, o que a fiscalizada classifica como “controle dos saldos” nada mais é do que a “lista seca” a qual mencionamos no início deste tópico, sendo que a própria fiscalizada afirmou acima tê-la apresentado no item 1.11, em resposta ao TI 01. Tal lista resume-se no somatório de todos os recolhimentos ali contidos, independentemente da natureza ou competência (do ano-calendário) de cada um destes recolhimentos. Sem um efetivo controle de saldos fica impossível do fisco checar a origem, a quantidade utilizada para fins de compensação e o estoque de créditos para futuras compensações. Portanto, os recolhimentos informados não foram usados para fins de compensação. 42. Como se vê, a compensação pleiteada nestes autos já foi objeto de análise exauriente pela fiscalização e pela autoridade julgadora de primeira instância naqueles autos (16561.720.168/2017-76) e foi negada. A meu ver, esse pleito deve ser analisado naqueles autos e não neste. Ademais, considerado o quadro fático, não se pode afirmar que o crédito pleiteado goza, neste feito, da liquidez e certeza prevista no art. 170 11 do CTN, condição sine qua non para a compensação. 43. Ante o exposto nego provimento em relação à matéria. 44. Ante o exposto, considero sem reparos as glosas de despesas apuradas e nego provimento aos recursos voluntários em relação à matéria. 11 CTN. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 12651DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Multa isolada IRPJ, CSLL. Princípio da consunção. 45. Sustenta a recorrente a ocorrência de bis in idem a exigência da multa de ofício de 150% e a multa isolada de 50%, previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações. Sustenta ainda aplicação do princípio da consunção. 46. Nos termos dos arts. 1º e 2º, §3º da Lei nº 9.430 de 1996, o imposto de renda das pessoas jurídicas é determinado, regra geral, com base no lucro real por período de apuração trimestral. O legislador, entretanto, facultou à pessoa jurídica optar pela apuração anual, mediante o pagamento mensal sobre base de cálculo estimada. Nessa hipótese – apuração anual – o fato gerador ocorre em 31.12. de cada ano. Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pela pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. 47. Feita a opção pelo lucro real anual, a pessoa jurídica somente poderá deixar de efetuar o pagamento mensal se demonstrar, mediante balanço ou balancete de suspensão, levantados com observância das leis comerciais e fiscais, que o valor acumulado já pago excede o imposto devido no período ou no caso de apuração de prejuízo fiscal. Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. Fl. 12652DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 48. Com vistas a garantir o cumprimento do mandamento legal, em especial o recolhimento da estimativa, o legislador, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007, estabeleceu sanções específicas de acordo com a conduta praticada. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8 o da Lei n o 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 49. A multa de 75% é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, falta de declaração e declaração inexata, por exemplo, glosa de despesa, omissão de receita, e somente poderá ser exigida após o encerramento do ano-calendário, no caso de apuração anual (art. 44, I e §1º). Lembrando-se de que a multa será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 1964). 50. A multa de 50%, por sua vez, é devida nas hipóteses em que o legislador houve por bem especificar, in casu, falta de recolhimento da estimativa mensal, inclusive no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, e deverá ser exigida, isoladamente, tão logo encerrado o mês a que se refere a estimativa; daí o fato de poder ser exigida após o encerramento do ano-calendário (art. 44, II). 51. Caso o contribuinte, por exemplo, mesmo sabendo tenha prejuízo fiscal durante determinado mês, opte por não levantar balancete/balanço de suspensão, deverá recolher o tributo estimado; caso contrário está sujeito à multa isolada. Daí o lucro real anual ser uma opção e não imposição legal. Entretanto, ao fazer tal opção as regras devem ser obedecidas. 52. Como se vê, as multas têm suporte fático e legal diversos e são aplicadas em momentos distintos. O que significa dizer que é possível a convivência harmônica de ambas as multas, a de ofício (qualificada ou não) e a isolada; com efeito, não há falar-se em bis in idem. 53. O entendimento firmado na Súmula CARF nº 105 no sentido de que “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”, Fl. 12653DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 restou superado com a edição da Lei nº 11.488, de 2007 que atribuiu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996. 54. De igual forma não há falar-se em aplicação do princípio da consunção à espécie. A propósito, veja-se o conceito de consunção: Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicando-se somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicando-se o princípio major absorbet minorem. [...] A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta. Há consunção, quando o crime-meio é realizado como uma fase ou etapa do crime-fim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente 12 . 55. Verifica-se, pois, que na consunção um dos crimes apresenta-se tão somente como meio necessário ao cometimento do crime fim, ocasião em que o fato previsto em norma mais abrangente é absorvido por outra menos abrangente. Na espécie, não há falar-se em consunção, haja vista a multa isolada não ser absorvida pela multa de ofício, tampouco pelo tributo devido ao final do período, porquanto tem suporte fático e legal distinto. 56. Nesse sentido tem-se posicionamento este CARF, veja-se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. (Acórdão CARF 9101- 002.947, de 08 de junho de 2017). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. 12 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Volume 1- Parte Geral. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 211/213. Fl. 12654DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. (Acórdão CARF 9101-003.915, de 04 de dezembro de 2018) 57. Ante o exposto nego provimento em relação à matéria. IR-Fonte 58. Em relação ao IR-Fonte a recorrente destaca haver distinção entre os pagamentos efetuados por meio de pessoas jurídicas e os demais valores cujos fundamentos são delações premiadas envolvendo pessoas físicas (Lúcio Funaro, Delcídio do Amaral, Ivanildo, Silval Barbosa – planilhas 05 a 08, e-fls. 272-281). Assinala que nesse último caso, o qual abarca a maior parte dos pagamentos, “o único documento a comprovar o FATO IMPONÍVEL é uma planilha da Impugante [sic] que “AFIRMA” a realização do pagamento (planilhas de fls. 272 e ss).” É dizer, “não há recibos das “propinas” entregues a LÚCIO FUNARO, DELCÍDIO DO AMARAL, IVANILDO e SILVA [sic]”. 59. Nesse sentido, continua a recorrente, não pode haver a tributação de IR-Fonte sobre pagamento de propina, pois o ilícito não pode dar ensejo à tributação, conforme dicção do art. 3º do CTN. Na espécie, a expressão “sem causa” não se aplica, porquanto a causa está identificada: propina. Ademais, o tipo legal não especifica que a causa deve ser “legal”, mas sim que deve ser conhecida. Sustenta ainda que o IR-Fonte, com o reajuste da base de cálculo e alíquota de 35%, tem nítido caráter punitivo. 60. Por fim, em relação ao IR-Fonte, subsidiariamente, defende a dedução do IR- Fonte pago em relação às notas fiscais consideradas inidôneas; ilegitimidade passiva em razão do conhecimento dos destinatários dos montantes; necessidade de análise dos autos de infração lavrados em face dos beneficiários dos pagamentos objeto deste feito; impossibilidade de exigência concomitante de IR-Fonte com o IRPJ/CSLL lançados com base na alegação de redução indevida do lucro líquido; inexigibilidade de multa isolada por falta de retenção de IR- fonte (planilhas 3 e 4, e-fls. 270-271) após o encerramento do ano calendário. 61. O trecho abaixo transcrito, extraído do Termo de Verificação Fiscal, demonstra o Fl. 12655DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 procedimento adotado pela autoridade fiscal para apurar os valores objeto de tributação. Veja-se: 7.3.1. PAGAMENTO POR MEIO DE RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS - PLANILHA LÚCIO FUNARO; 301. Conforme já anteriormente relatado, no material que integrou a delação de dirigentes da JBS com o Ministério Público Federal (MPF), foi apresentada uma planilha contendo um fluxo de caixa entre a fiscalizada e o operador Lúcio Bolonha Funaro (ver tópico 4.5). Os pagamentos efetuados pela JBS eram destinados, segundo os colaboradores, a diversos agentes públicos que facilitavam o acesso da empresa a empréstimos junto a instituições financeiras estatais. [...] 304. A planilha n° 2 citada na resposta do contribuinte, reproduz parcela do fluxo de caixa demonstrado pelos delatores e vai abaixo reproduzida: [...] 318. [...]Existindo os pagamentos e não sendo comprovada a sua origem, a legislação tributária determina que nesta situação há a presunção de receita omitida. O Decreto 3.000/99 (RIR/99) dispõe, no inciso II, do artigo 281 [...] 321. Portanto, os valores repassados ao operador Lúcio Funaro, inseridos na planilha colada acima, estão sendo considerados receitas omitidas pela JBS por presunção legal, com base no inciso II do citado artigo. Excetua-se dessa condição os 8 repasses que favoreceram a empresa Global Trend a partir da conta bancária da Valdarco, toda a situação que envolve a offshore encontra-se em análise, dependendo de prova documental a ser apresentada pela fiscalizada sobre a sua constituição, propriedade e beneficiários, além da origem dos recursos que abasteceram tal conta. [...] 322. Legalizado os recursos por meio de sua tributação, cabe a incidência do imposto de renda pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, conforme determina o artigo 674 do mesmo RIR/99 e artigo 61, da Lei n° 8.981/95. [...] 323. Já mencionamos que a operação e sua causa a que se refere a legislação são, ambas, pertinentes ao fato motivador do pagamento, do qual se exige comprovação. Nos casos em que tais comprovantes não são apresentados, e havendo o pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, também haverá a incidência do imposto de renda na fonte de que trata o artigo 61 da Lei n° 8.981/95. 324. Da leitura do art. 674 do RIR/99, acima transcrito, depreende-se que a norma tributária determina à pessoa jurídica quando faz o pagamento atender a regras bem claras e simples. Deve identificar a quem paga, comprovar como paga, e por fim elucidar a causa do pagamento. Tais condicionantes devem ser atendidas, pois caso o pagamento reste não identificado por estes caracteres básicos, determina a lei que deverá ocorrer a tributação no responsável tributário que fez o pagamento. [...] 7.3.2. PAGAMENTO POR MEIO DE RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS - PLANILHA DELCÍDIO DO AMARAL; 331 - No material entregue pelos delatores ao Ministério Público Federal, foi anexado um fluxo de pagamentos para o ex-senador Deicídio do Amaral. Tais pagamentos decorreram de vantagens obtidas pelo grupo J&F na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pelo ex-senador, e na sua gestão junto ao executivo para excluir uma área do porto de Santos, de interesse do grupo J&F, de licitação pública, conforme afirmado pelos delatores. [...] 332. Por meio do Termo de Intimação nº 5, os valores repassados ao ex-senador Deicídio do Amaral foram objeto de pedido de esclarecimento à JBS, nos seguintes termos: [...] Fl. 12656DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 334. Novamente, os repasses efetuados em favor do ex-senador foi objeto de questionamento da fiscalização por meio do Termo de Intimação nº 6. A planilha elaborada pelos delatores foi anexada ao referido TIF 6 e denominada como DOC 1. Foram então requisitados esclarecimentos assim respondido pela JBS: [...] 337. Existindo os pagamentos e não sendo comprovada a sua origem, a legislação tributária determina que nesta situação há a presunção de receita omitida. O Decreto 3.000/99 (RIR/99) dispõe, no inciso II, do artigo 281 [...]. 339. A legislação interpreta estas ocorrências como presunção de receitas auferidas que não transitaram pela contabilidade, ou seja, receitas geradas pela atividade operacional da empresa que não foram submetidas à tributação. Nada mais correto do que este entendimento, pois dificilmente uma organização empresária aufere receitas fora da sua atividade produtiva. A presunção exposta no artigo 281 do RIR/99 permite ao contribuinte refutá-la, apresentando provas contrária ao seu entendimento, o que não ocorreu no presente caso. 340. Portanto, os valores repassados a agente público por meio de pessoas físicas e jurídicas, estão sendo considerados receitas omitidas pela JBS por presunção legal, com base no inciso II do citado artigo. 341. Legalizado os recursos por meio de sua tributação, cabe a incidência do imposto de renda pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, conforme determina o artigo 674 do mesmo RIR/99 e artigo 61, da Lei n° 8.981/95. 7.3.3. PAGAMENTO POR MEIO DE RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS - PLANILHA IVANILDO; 349. No Anexo 21 da delação, Valdir Aparecido Boni, Wesley e Joesley Batista discorrem sobre as suas relações com os governadores do estado do Mato Grosso do Sul. A legislação estadual permitia a concessão de benefícios fiscais para empresas que fizessem investimentos no Estado. Se valendo desta permissão, iniciou-se uma relação espúria entre os governos estaduais e os dirigentes da JBS, onde os primeiros concediam os benefícios ao segundo em troca de propinas. A partir de 2011, com a posse de André Puccinelli, o intermediário das vantagens passou a ser o Sr. Ivanildo da Cunha Mirada, empresário, tido como operador do governador André Puccinelli. [...] 353. Por meio do Termo de Intimação nº 5, os valores repassados ao operador Ivanildo, em proveito de André Puccinelli, foram objeto de pedido de esclarecimento à JBS, nos seguintes termos: [...] 355. Novamente, os repasses efetuados em favor lvanildo Miranda foi objeto de questionamento da fiscalização por meio do Termo de Intimação n° 6. As planilhas elaboradas pelos delatores foram anexadas ao referido TIF 6 e denominadas como DOC. 2, DOC. 3 e DOC. 4. Foram então requisitados esclarecimentos assim respondido pela JBS: [...] 356. Portanto, os recursos foram gerados na JBS, conforme reconhecido pela fiscalizada e pelos delatores, quando afirmam que "a JBS pagou propina de não menos que 150 milhões de reais. É de se registrar que uma parcela desses repasses foi acobertada por notas fiscais inidôneas registradas na contabilidade da JBS. Tais notas fiscais estavam registradas como despesas operacionais na contabilidade da JBS, a título de propaganda e publicidade, faculdades/cursos de línguas, feiras e eventos e pesquisas de mercado. Todas reduzindo o lucro contábil da fiscalizada. 357. Para os demais pagamentos constantes da planilha apresentada pelos delatores, informa a JBS que não possui os comprovantes, haja vista que foram efetuados por doleiros. Embora admita que os valores tiveram origem n4 JBS, relata que tais dispêndios não foram contabilizados. Fl. 12657DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 358. Não há como refutar a veracidade das alegações apresentadas pelos dirigentes da JBS ao Ministério Público Federal. Quando informam que houve uma intensa entrega de recursos ao operador lvanildo Miranda em contrapartida a vantagens obtidas junto ao governo do Estado do Mato Grosso do Sul, não só demostram uma contabilização paralela, registrada através da planilha apresentada na delação, como a vinculam às operações aparentemente lícitas feitas por meio de suas empresas. É o caso das notas fiscais inidôneas usadas para disfarçar o pagamento de propina. Estas sim, registradas na contabilidade oficial da fiscalizada. 362. Fato irrefutável é que a origem dos recursos vem da JBS. Tendo origem na empresa, a falta dos registros de saídas nos leva a conclusão de que tais valores estavam margem de sua contabilidade. Existindo os pagamentos e não sendo comprovada a sua origem, a legislação tributária determina que nesta situação há a presunção de receita omitida. [...] 366. Legalizados os recursos por meio de sua tributação, cabe a incidência do imposto de renda pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, conforme determina o artigo 674 do mesmo RIR/99 e artigo 61, da Lei n°8.981/95. O rendimento será considerado líquido, cabendo o seu reajustamento para apuração do rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto [...]. [...] 7.4. PAGAMENTO POR MEIO DE CONTRATO FICTÍCIO; 374. Através do Termo de Intimação Fiscal n°5, foi requisitado que a JBS informasse a forma como foram repassados recursos para o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa. Os recursos entregues ao ex-governador foram citados na delação dos dirigentes da JBS e eram uma contrapartida extensão do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso - PRODEIC, para as plantas industriais da empresa instalado no Estado, que gerou recolhimento à menor de ICMS159. Segundo os delatores, foram pagos R$ 10.000.000,00 por ano, entre 2012 e 2014. 375. Os referidos pagamentos constaram de uma planilha contendo todas as citações de repasses de recursos em espécie feitas pelos colaboradores. A parcela do ex-governador constou do item 9 da referida planilha. Em resposta ao questionamento da fiscalização a JBS informou o que se segue: [...] 376. Conforme resposta do contribuinte, uma parcela dos repasses feitos foi por meio de um contrato celebrado com a empresa Agropecuária Carolmila Ltda., no valor de R$ 7.500.000,00. 364. A JBS apresentou os lançamentos contábeis que envolveram tal transação. 377. Portanto, o contrato não tem valor jurídico. Serviu tão somente para acobertar a retirada de recursos da empresa para repassá-los a terceiros. 378. Com estas características, a legislação tributária determina que seja cobrado o Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa, conforme disposto no artigo 674 do mesmo RIR/99 e artigo 61, da Lei n° 8.981/95. 379. O IRRF cobrado sobre os repasses sem causa ou sem operação estão sujeitos à multa prevista no artigo 44, da Lei n° 9.430/96, reproduzido no artigo 957 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). Tais artigos determinam que, caso se configure evidente intuito de fraude, a penalidade será agravada. Portanto, caracterizada a fraude e a sonegação aplica-se a multa de 150% sobre a obrigação tributária constituída. 380. O intuito de disfarçar tal operação é evidente no presente caso. Dissimular o repasse de recursos por meio de contrato sem substância para lhe dar aparência de legalidade demonstra a intenção do fiscalizado. (Grifo nosso) Fl. 12658DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 62. Como se vê, os valores apurados pela fiscalização foram objeto de delação premiada, posteriormente foram confirmados em sede de intimação fiscal. 63. Observa-se ainda no trecho acima que os valores tributados pelo IR-Fonte foram, inicialmente, tributados na pessoa jurídica a título de omissão de receita, com exceção do pagamento efetuado a Silval Barbosa, o qual já estava contabilizado. Mesmo nesse último caso, por ser tratar de contrato fictício houve a desconsideração do contrato (pagamento sem causa /operação não comprovada) (e-fls. 256, 262) e a tributação do IR-Fonte. 64. Tem-se, portanto, a seguinte situação: a recorrente confirma os pagamentos em sede delação premiada, durante a ação fiscal e em sede de recurso alega que não há prova do pagamento. Trata-se de posicionamento totalmente contraditório (venire contra factum proprium). A contradição se revela mais nítida ainda no trecho a seguir, em que a recorrente opta por não contestar o mérito do lançamento de IRPJ e CSLL: No tocante ao lançamento de IRPJ/CSLL, a Recorrente, em linhas gerais, não contestou o mérito da acusação, cingindo a discussão sobre: (i) a impossibilidade da d. Fiscalização utilizar/compensar prejuízo fiscal e base negativa, dado que tais montantes foram utilizados anteriormente pela Recorrente no âmbito do PERT; (ii) e a necessidade de reapuração/compensação, uma vez que há créditos referentes a “guias pagas no exterior”, isto é, a título de imposto de renda pagos por controladas no exterior. Além da discussão acerca das multas. 65. Ora, se os pagamentos apurados pelo Fisco, frutos de delação premiada, foram tributados inicialmente como omissão de receita para fins de IRPJ e CSLL e a recorrente não os contestou, a toda evidência concordou com tais pagamentos. Portanto, não merece acolhimento o argumento de ausência de prova do pagamento. Mas não só por isso, mas principalmente porque os elementos probatórios constantes dos autos não deixam margem de dúvidas de que os pagamentos realmente ocorreram. 66. Em relação á tributação do IR-Fonte, o art. 61 da Lei 8.981, de 1995 estabelece: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (Grifo nosso) 67. Extrai-se do diploma legal três hipóteses distintas sujeitas à incidência do IR- Fl. 12659DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Fonte, todas cumulativas com o pagamento: i) beneficiário não identificado; ii) quando não comprovada a operação e iii) quando não comprovada a causa. 68. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que ensejou o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. 69. Nesse sentido, para comprovar tanto a operação quanto a causa não basta uma roupagem jurídica, registro contábil, tampouco a apresentação da nota fiscal, é indispensável que o contribuinte comprove de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da operação e a causa do pagamento. E mais, a operação e a causa devem ser lícitas, é dizer, não há falar-se que atividade ilícita, tal qual “propina”, possa figurar como causa de pagamento e, com efeito, elidir o IR-Fonte. 70. A argumentação da recorrente no sentido de que “a causa remota da tributação não exige ato lícito” e que na espécie há causa – “embora de caráter ilícito (pagamento de propina)” – vai de encontro aos requisitos de validade do negócio jurídico que exigem, dentre outros, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei 13 . Pagamento de propina é conduta que não tem acolhimento em nosso ordenamento jurídico. E não há argumentar-se em tributação de ato ilícito, porquanto, como veremos mais adiante, o que se tributa na fonte é o pagamento efetuado pela fonte pagadora recebido por terceiro, e não o ato ilícito praticado. 71. Em relação à concomitância do IR-Fonte e IRPJ/CSLL, têm-se infrações distintas. No IRPJ, a sociedade pratica o fato gerador, tais como, contabilização de custos/despesas indedutíveis, omissão de receita etc.. Ela é contribuinte e responde por fato gerador próprio. No IR-Fonte, essa mesma sociedade atua como fonte pagadora, ou seja, como responsável pelo recolhimento do imposto devido pelo beneficiário do pagamento 14 . Tanto que a base de calculo deve ser reajustada considerando a alíquota de 35%, vez que o pagamento efetuado é considerado líquido. Portanto, é possível uma convivência harmônica entre ambas as infrações. 72. Isso posto, não há falar-se em ilegitimidade passiva da recorrente em razão do conhecimento dos destinatários dos pagamentos efetuados porquanto, a despeito da identificação dos beneficiários, tais pagamentos revelaram-se sem causa lícita ou decorrentes de operação não comprovada. 13 Lei nº 10.406, de 2002. Código Civil. Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. 14 CTN. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 12660DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 73. Em relação a eventuais autos de infração em face dos contribuintes destinatários desses pagamentos, o que poderia configurar bis in idem, cumpre esclarecer que, conforme exposto acima, este feito refere-se tão somente às infrações apuradas pela recorrente. É dizer, a discussão nestes autos versa sobre a tributação na fonte pagadora em relação a pagamento a beneficiário não identificado, operação ou causa não comprovada. Em relação à eventual tributação nas pessoas físicas (bis in idem) e compensação com o valor aqui tributado é matéria que deve ser discutida naqueles autos e não nestes, por ocasião da liquidação. 74. Quanto ao suposto antagonismo do IR-Fonte com a multa qualificada e o seu caráter punitivo, o argumento ganha força em face da onerosidade da alíquota de 35%, a qual se agrava com o reajustamento da base de cálculo. Concordo que se trata de uma tributação onerosa. No entanto, esta era a alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º. O fato desta última alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995 e aquela permanecido no mesmo patamar é opção legislativa. 75. Por mais onerosa que seja a alíquota, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo 15 não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplicá-la à hipótese vertente, ao argumento de dupla penalidade, significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considerá-lo inconstitucional, o que é vedado a este CARF. 76. Partindo da premissa de que tributo não é sanção, o IR-Fonte retido e recolhido pela fonte pagadora, e que não tenha sido objeto de compensação, referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada deve ser deduzido do IR-Fonte lançado de ofício. Na verdade, esse valor deveria ter sido deduzido por ocasião do lançamento. O fato de o pagamento efetuado estar sujeito ao IR exclusivamente na fonte 16 significa que esse pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual, ou seja, o IR-Fonte decorrente desse pagamento não poderá ser deduzido na declaração de ajuste do beneficiário, o que não configura óbice à dedução do valor retido e recolhido por ocasião do pagamento pela fonte pagadora. 15 CTN. Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 16 IN. RFB nº 1500, de 1994. Art. 12. Consideram-se rendimentos tributados exclusivamente na fonte os não sujeitos a antecipação para fins de ajuste anual, cuja retenção e recolhimento tenham sido efetuados pela fonte pagadora. [...] Art. 20. Consideram-se rendimentos sujeitos à tributação definitiva os não sujeitos a antecipação para fins de ajuste anual, cujo recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio sujeito passivo. Fl. 12661DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 77. A recorrente questiona ainda multa isolada por falta de retenção de IR-Fonte após o encerramento do ano calendário, e, caso seja mantida, requer a subtração dos valores retidos na fonte nas NFs. 78. A hipótese descrita no art. 9o da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, estabelece sujeitar-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 1996, duplicada na forma de seu § 1 o , quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referida multa é calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. 79. Tal qual a multa isolada de IRPJ/CSLL, essa multa visa manter a higidez do recolhimento de IR-Fonte no período estabelecido pela legislação. Em havendo descumprimento da legislação de regência, correta a sua aplicação, mesmo após o enceramento do período. Na espécie, permitir a compensação/subtração dos valores recolhidos posteriormente seria “esvaziar” a própria multa, porquanto seu objetivo é exatamente impedir que o sujeito passivo deixe de efetuar a retenção/recolhimento quando obrigado a fazê-lo ou o faço fora do prazo. Aqui, vale a essência do racional aplicado no tópico acima sobre a multa isolada de IRPJ e CSLL. 80. Ante o exposto nego provimento em relação à matéria. Multa qualificada 81. Alega a recorrente que o presente lançamento só foi possível em razão da boa-fé dos colaboradores junto ao MPF (na delação premiada), bem como da Companhia em aderir ao acordo de leniência. “Assim, apenar a recorrente com a multa de 150% significa prejudicar aquele que, de boa-fé, na intenção de corrigir sua conduta errada no passado, vem perante as Autoridades para delatar ocorrências”. 82. Como a própria recorrente assume, a “conduta errada” praticada no passado e trazida aos autos pela fiscalização revela que houve fraude, sonegação e conluio das partes envolvidas, fatos sobejamente provados nos autos e que dispensam maiores digressões. 83. Como visto acima, nos termos do art. 44, §1º da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações, deve ser aplicada a multa qualificada nas hipóteses em que apurada sonegação, fraude ou conluio. Não obstante a recorrente reconheça conduta errada praticada no passado, bem como boa-fé em aderir ao acordo de leniência, tal reconhecimento tem o condão de suplantar o ordenamento jurídico tributário, principalmente o art. 144 do CTN cujo teor determina que o “lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” 84. Isso posto, uma vez que os fatos apurados pela fiscalização, e assumidos pela Fl. 12662DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 própria recorrente, revelam que à época do fato gerador a conduta praticada atrai a incidência da multa qualificada, incabível a exoneração desta. 85. Nestes termos nego provimento à matéria. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício 86. Sustenta o recorrente, nos termos da legislação de regência, a improdência dos juros de mora pela taxa Selic. 87. Em relação a esta matéria este CARF consolidou sua jurisprudência no sentido contrário ao da pretensão da recorrente, conforme súmula vinculante nº 108. Veja-se: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). (Grifo nosso). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Tributação reflexa. 88. No tocante à aplicação das regras do IRPJ à CSLL, o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, estabelece aplicar-se à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, veja-se: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (Grifo nosso). 89. Nesse sentido, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Conclusão 90. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, tão somente para deduzir do IR-Fonte lançado de ofício o IR-fonte retido e recolhido, e não compensado, pela fonte pagadora referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Fl. 12663DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com a devida vênia ao voto do ilustre conselheiro relator, abro divergência para apresentar as razões pelas quais entendo que deve ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário. Em primeiro lugar, cabe mencionar que a corrupção deve ser duramente combatida, uma vez que ela proporciona efeitos nefastos na sociedade, sobretudo em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira. No âmbito do ordenamento jurídico brasileiro, há diversos mecanismos de combate à corrupção, sendo alguns preventivos e outros reativos. Com relação aos mecanismos reativos, há que se citar que diversas são as condutas de corrupção que são tipificadas como crime, dentre as quais podemos destacar o peculato (art. 312 do Código Penal), o emprego irregular de verbas ou rendas públicas (art. 315 do Código Penal), a concussão (art. 316 do Código Penal), o excesso de exação (art. 316, §1º, do Código Penal), a corrupção passiva (art. 317 do Código Penal), a prevaricação (art. 319 do Código Penal), a advocacia administrativa (art. 321 do Código Penal), a corrupção ativa (art. 333 do Código Penal), o impedimento, perturbação ou fraude de concorrência (art. 335 do Código Penal), dentre outras. Cumpre citar também as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional, que estão previstas na Lei n. 8.429/92, a dita Lei de Improbidade Administrativa, bem como as normas que tratam da responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências, previstas na Lei n. 12.846/13, a chamada Lei Anticorrupção. Dessa forma, há uma série de disposições normativas que tem por objetivo punir quem pratique atos que possam ser enquadrados como corrupção. Ocorre que tais punições se encontram sobretudo no âmbito do Direito Penal e Direito Administrativo, sendo que o Direito Tributário expressamente não pode ser utilizado para fins de punir uma conduta ilícita ou não desejável. Nessa linha, o artigo 3º do Código Tributário Nacional, ao determinar o conceito de tributo, prevê expressamente que o tributo não constitui "sanção de ato ilícito", conforme observado abaixo: Fl. 12664DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Tal menção se faz importante na medida em há que se levar em conta que embora as condutas descritas ao longo do processo sejam reprováveis, deve-se ter em mente que o Direito Tributário não é o meio para que tais condutas sejam punidas. No tocante à aplicação do artigo 61 da Lei n. 8.981/95 ao presente caso, é fundamental ter em conta que os beneficiários estão identificados, que é o cerne para incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme abaixo: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Ainda que o parágrafo primeiro do referido dispositivo legal disponha sobre a incidência de tal imposto de renda na fonte quando não for comprovada a operação ou a sua causa, entendo que houve causa, ainda que ela seja ilícita. Como decorrência, manifesto aqui a minha divergência no sentido de não incidência do imposto de renda exclusivo na fonte no presente caso. Ainda que tenha sido vencido com relação à questão da incidência do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa, ressalto aqui meu posicionamento de qual tributação deve ser aplicada de forma sistemática com a tributação dos beneficiários, que costumeiramente têm sido autuados a título de IRPF pelas autoridades fiscais. Nesse sentido, verifica-se que no presente caso que está sendo cobrado o Imposto de Renda na Fonte sobre os valores pagos a beneficiários identificados, na medida em que se trata de pagamento sem causa. Tal entendimento já foi consubstanciado em diversos outros Acórdãos do CARF (a título de exemplo, nos Acórdãos n. 9101-003.341, 1302-002.087, 1301-003.019, 1301-002.618). Assim, o CARF vem aplicando o tratamento tributário previsto no artigo 61 da Lei n. 8.981/95 sobre os pagamentos feitos pelas construtoras às prestadoras de serviço, tal qual a pessoa jurídica da qual o Recorrente é titular. Fl. 12665DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-003.307 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.736168/2017-07 Como resultado da aplicação do referido dispositivo, os julgados decidiram que a tributação da renda deve ser feita exclusivamente no âmbito da pessoa jurídica, que é a fonte pagadora, ou seja, a decisão optou por aplicar uma tributação mais alta, tanto em termos de alíquota nominal mais alta quanto em termos de impossibilidade de nenhuma dedução dos rendimentos. Vale destacar que na seara da pessoa física, o artigo 47 da Lei n. 7.713/88 dispõe que os rendimentos ou ganhos de capital pagos a beneficiários não identificados são tributados exclusivamente na fonte, "in verbis": Art. 47. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta por cento, todo rendimento real ou ganho de capital pago a beneficiário não identificado. Como decorrência lógica do referido dispositivo legal, fica claro que sabendo-se que houve a tributação do rendimento segundo o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 (tributação exclusivamente na fonte), não há que se falar em nova tributação de tal rendimento na pessoa física. A eventual nova tributação de uma renda, que tinha sido sujeita a uma tributação exclusiva na fonte, configura um "bis in idem", uma vez que se está tributando novamente uma renda sujeita à tributação exclusiva na fonte. Não há como interpretar tal tributação de uma maneira não sistemática, caso contrário estar-se-ia transformando uma tributação exclusiva na fonte em tributação retida na fonte por antecipação. A interpretação da tributação da renda de forma segregada implica o descumprimento claro do texto legal do artigo 61 da Lei n. 8.981/95 e do artigo 47 da Lei n. 7.713/88. Destaque-se, ainda, que se fosse analisada uma potencial antinomia entre o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 e os artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, merece ser citado o artigo 2º, §1º, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decreto-lei n. 4.657/42), pelo qual se estabelece que "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior". Logo, considerando que o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 é posterior aos artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, no caso de antinomia, deve valer a tributação exclusiva na fonte prevista no artigo 61 da Lei n. 8.981/95. Recorrendo-se, mais uma vez, à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, verifica-se que o artigo 2º, §2º, da referida lei prevê que lei nova que estabeleça disposições especiais não revoga nem modifica a lei anterior, ou seja, a regra do artigo 61 da Lei n. 8.981/95 (que estabelece a tributação exclusiva na fonte) deve ser aplicável ao caso concreto por ser mais específica que a regra dos artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88. Com base no exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 12666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000067/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Inexistindo demonstração de preterição do direito de defesa, especialmente quando o contribuinte exerce a prerrogativa de se contrapor a acusação fiscal ou aos termos da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável, não se configura qualquer nulidade.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o lançamento sido efetivado no quinquídio legal não ocorre a decadência.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006
TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. LANÇAMENTO.
Incidem contribuições devidas à Seguridade Social, destinados ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE MULTA DE MORA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
A multa de mora é definida objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório (Súmula CARF n.º 2).
MULTA. LANÇAMENTO ANTERIOR A MEDIDA PROVISÓRIA 449. LEI 11.941. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN.
Súmula CARF n.º 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N.º 4.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei.
Numero da decisão: 2202-005.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se observe o cálculo da multa mais benéfica, nos termos da Súmula CARF nº 119.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mario Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Inexistindo demonstração de preterição do direito de defesa, especialmente quando o contribuinte exerce a prerrogativa de se contrapor a acusação fiscal ou aos termos da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável, não se configura qualquer nulidade. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquídio legal não ocorre a decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. LANÇAMENTO. Incidem contribuições devidas à Seguridade Social, destinados ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE MULTA DE MORA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. A multa de mora é definida objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório (Súmula CARF n.º 2). MULTA. LANÇAMENTO ANTERIOR A MEDIDA PROVISÓRIA 449. LEI 11.941. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Súmula CARF n.º 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N.º 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 14120.000067/2009-39
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117650
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-005.803
nome_arquivo_s : Decisao_14120000067200939.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 14120000067200939_6117650.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se observe o cálculo da multa mais benéfica, nos termos da Súmula CARF nº 119. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mario Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
id : 8039106
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650784686080
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-11T23:49:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-11T23:49:58Z; Last-Modified: 2019-12-11T23:49:58Z; dcterms:modified: 2019-12-11T23:49:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-11T23:49:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-11T23:49:58Z; meta:save-date: 2019-12-11T23:49:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-11T23:49:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-11T23:49:58Z; created: 2019-12-11T23:49:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-12-11T23:49:58Z; pdf:charsPerPage: 2096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-11T23:49:58Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 14120.000067/2009-39 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.803 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2019 Recorrente FRIGORÍFICO PERI LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Inexistindo demonstração de preterição do direito de defesa, especialmente quando o contribuinte exerce a prerrogativa de se contrapor a acusação fiscal ou aos termos da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável, não se configura qualquer nulidade. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquídio legal não ocorre a decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. LANÇAMENTO. Incidem contribuições devidas à Seguridade Social, destinados ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE MULTA DE MORA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. A multa de mora é definida objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 67 /2 00 9- 39 Fl. 342DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório (Súmula CARF n.º 2). MULTA. LANÇAMENTO ANTERIOR A MEDIDA PROVISÓRIA 449. LEI 11.941. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Súmula CARF n.º 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N.º 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se observe o cálculo da multa mais benéfica, nos termos da Súmula CARF nº 119. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mario Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Fl. 343DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 321/331), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 295/315), proferida em sessão de 24/02/2010, consubstanciada no Acórdão n.º 04-19.688, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte à impugnação (e-fls. 252/272), mantendo-se o crédito tributário de contribuições devidas à seguridade social correspondente à rubrica Terceiros, destinada ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma, por ser matéria reservada privativamente ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. A fiscalização lavrará notificação fiscal débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. VALIDADE. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO A omissão do sujeito passivo em apresentar seus documentos contábeis autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produto rural, com base na quantidade de bovinos abatidos pelo sujeito passivo, informada por órgão oficial. RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR INTERPOSIÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso. AFERIÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA A nova multa é mais benéfica para os contribuintes, o que dá ensejo ao efeito retroativo, nos termos do art. 106 do CTN, cuja aplicabilidade deve ser aferido matematicamente. Deve se comparar a conduta do sujeito passivo segundo a sistemática anterior e a atual e aplicar a multa mais benigna. Se da comparação, resultar mais benéfico a aplicação da sistemática antiga, o Auto de Infração deve ser na forma anterior, ou seja com Código de Fundamento Legal, CFL 68. Se da comparação, resultar mais benéfico a aplicação da sistemática nova, dever ser lançado Auto de Infração de Obrigação Principal, também na forma atual, somente com a imposição da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, pois o Auto de Infração de Obrigação Acessória com Código de Fundamento Legal, CFL 78 somente é aplicável quando há recolhimento. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N.º 11.941/2009 – APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA Fl. 344DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 A análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. DILAÇÃO PROBATÓRIA Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção, apenas das hipóteses do § 4.º, do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, no Procedimento Fiscal n.º 0140100.2008.00571, DEBCAD 37.222.169-6, para fatos geradores com competências de 06/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, com o procedimento iniciado em 23/01/2009 (e-fl. 246), com auto de infração juntamente com as peças integrativas lavrado em 16/04/2009 (e-fls. 2/35 e 247/249), com Relatório Fiscal juntado aos autos (e-fls. 36/39; 285/288), com crédito tributário na data do auto de infração calculado com juros e com multa no valor de R$ 685.990,24 (sendo R$ 390.826,91 de principal), tendo o contribuinte sido notificado em 30/04/2009 (e-fls. 2 e 248), foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação (e-fls. 295/315), pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de processo de crédito com exigência de contribuições sociais previdenciárias referentes à rubrica Terceiros (SENAR), constituído através de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n.º 37.222.169-6 (fls. 01/34) [e-fls. 2/35] lançado na data de 30/04/2009 em face do sujeito passivo acima identificado, no valor de R$ 685.990,24, consolidado em 16/04/2009, por intermédio da Auditoria Fiscal realizada por LEONILDO LIBÉRIO ALVES DA SILVA. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 35/38) [e-fls. 36/39], e complementos integrantes, o crédito teve por fato gerador as contribuições sociais incidentes sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas. A base de cálculo foi apurada a partir do exame Notas Fiscais, Notas Fiscais de Produtor e nos Livros de Registros de Entradas. A Auditoria Fiscal informou que as contribuições lançadas e as suas bases de cálculo não foram declaradas na GFIP, entretanto há liminar judicial concedida no Mandado de Segurança 2000.60.00.005770-7. Deixou-se de elaborar e encaminhar Representação Fiscal para Fins Penais. O presente Auto de Infração foi lavrado para prevenir a decadência. Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada pessoalmente em 30/04/2009 (fl. 1) [e-fl. 2]. INCIDENTES COM REPERCUSSÃO PROCESSUAL Houve a substituição do Relatório Fiscal por incorreções consoante Termo de Cientificação (fl. 287) [e-fl. 289], do sujeito passivo em 03/07/2009. As contribuições lançadas e as suas bases de cálculo não foram declaradas na GFIP, fato este que configura, em tese, a prática de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária. Desta forma, será encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente para as providências cabíveis. Consta dos autos que o contribuinte desenvolve atividades de abate de bovinos, indústria e comércio de carnes e derivados, bem como a substituição do relatório fiscal, especialmente, para excluir a informação de que não seria encaminhada representação fiscal para fins penais e que haveria liminar em favor do contribuinte, vez que, posteriormente, a fiscalização constatou que a liminar foi cassada em reexame necessário. Fl. 345DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente em 01/06/2009 (e-fls. 252/272). Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada (e-fls. 295/315), pelo que peço vênia para reproduzir: O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 01/06/2009 (fls. 250/270) [e-fls. 252/272], com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: 1) Nulidade em virtude de fundamentação genérica Os dispositivos de lei invocados como fundamentos legais são incompletos e não permitem saber de forma clara qual a legislação que instituiu o fato gerador, a co- responsabilidade, o critério quantitativo, o percentual de juros e o valor da multa. 2) Nulidade do arbitramento As divergências nos Livros 13 e 14 quanto ao registro de notas fiscais de entrada de mercadoria, configura mero erro material, passível de correção, visto que os demais elementos estão perfeitamente lançados. Não foi intencional (consciente), até porque, como bem destacou a Auditoria Fiscal, a empresa está amparada por liminar judicial concedida nos autos n.º 2000.60.00.005770-7, o que demonstra que as divergências supostamente existentes constituem mero erro material. 3.1) Impossibilidade de tributar pessoa jurídica com base no art. 25-A e da inaplicabilidade do art. 30, inciso IV O recorrente é Pessoa Jurídica, não é sujeito passivo da contribuição prevista no art. 25-A, que se refere apenas e tão somente ao empregador rural pessoa física, o que caracteriza a ilegalidade da exação com sua consequente nulidade. Ademais, não é aplicável no presente caso o art. 30, inciso IV, porque a responsabilidade prevista no art. 12, inciso V, alínea “a”, corresponde a rubrica “Contribuinte Individual” e não ao SENAR. 3.2) Inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV A obrigação subsidiária contida no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/91 é manifestamente inconstitucional porque foi instituída por Lei Ordinária ao invés de Lei Complementar conforme exigida no art. 146 da Constituição Federal de 1988. 3.3) Inconstitucionalidade em atribuir responsabilidade por meio de Decreto A responsabilidade tributária contida no parágrafo 7.º do Decreto n.º 3.048/99 é inconstitucional porque somente poderia ser instituída mediante Lei Complementar, nos termos do art. 146 da Constituição Federal de 1988. 3.4) Nulidade da multa de mora A empresa recorrente está amparada em liminar concedida em processo judicial, o que faculta ao Fisco efetuar o lançamento do tributo para afastar a ocorrência da decadência, mas afasta a aplicação da multa de mora, nos termos do art. 63 da Lei n.º 9.430/96, evidenciado em diversas decisões administrativas. 3.5) Nulidade da fundamentação com relação a multa de mora A legislação utilizada para exação da multa de mora foi revogada pela MP n.º 449, de 03 de dezembro de 2008, que prescreveu a aplicação nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, penalidade menos severa conforme ditames do CTN, Art. 106. PEDIDO 1) Nulidade do lançamento 2) Improcedência do Lançamento do crédito tributário 3) Refazimento da fundamentação legal com concessão de novo prazo para defesa 4) Solicita que as intimações sejam enviadas para o endereço do escritório profissional. 5) Produção de prova por todos os meios em direito admitidos Fl. 346DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ (e-fls. 295/315), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências do contribuinte por meio de razões baseadas nos seguintes tópicos: a) Apreciação de inconstitucionalidade e ilegalidade; b) Decisões administrativas e judiciais; c) Nulidade em virtude de fundamentação genérica – validade do lançamento fiscal; d) Nulidade do arbitramento; e) Impossibilidade de tributar pessoa jurídica com base no art. 25-A e da inaplicabilidade do art. 30, inciso IV; f) Inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV; g) Inconstitucionalidade em atribuir responsabilidade por meio de Decreto; h) Nulidade da multa de mora – Efeitos da ação judicial no processo administrativo; i) Multa de mora e de ofício; j) Obrigatoriedade de aferição da multa mais benéfica; k) procedimento de aferição; l) capitulação legal da nova sistemática de apuração da infração; m) comunicação processual; n) aplicação da multa mais benéfica; o) dilação probatória. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário, interposto em 30/04/2010 (e-fls. 321/331), o sujeito passivo reitera termos da impugnação e postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de acolher as preliminares; superadas as preliminares, seja o lançamento declarado insubsistente, no todo ou em parte; ou, seja afastada a multa qualificada (se ainda restar matéria tributável). Na peça recursal aborda os seguintes capítulos: a) Decadência; b) Juros com efeito de confisco; e c) Cálculos apresentados no AI de forma errônea. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. É o que importa relatar. Passo a fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário, ainda que no caso concreto denominado de “impugnação”, atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 06/04/2010, e-fl. 320, protocolo recursal em 30/04/2010, e-fl. 321), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário (e-fls. 321/331). Fl. 347DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de nulidade Observo que a defesa alega que o auto de infração, assim como a decisão de primeira instância, seria nulo por inexistência de justa causa para a lavratura da autuação por inocorrência de ilicitude. Diz que os “dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, tem-se como ilegítima a autuação, devendo por isso, ser declarada nula”. Pois bem. Não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível”. Veja-se, outrossim, que os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Em outras palavras, o lançamento está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no lançamento fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos discriminativos e outros elementos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado, tanto que exerceu seu direito de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto à interpretação dada para as provas e a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e o recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo. Discordar dos fundamentos, das razões do lançamento, bem como das razões de decidir da DRJ, não torna os respectivos atos nulos, mas sim passíveis de enfrentamento das razões recursais no mérito, o que será delineado neste acórdão no momento próprio da apreciação do mérito. Fl. 348DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Em suma, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer vício, inexiste nulidade, inexiste qualquer error in procedendo. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Inicialmente, conheço da temática envolvendo a decadência, por ser uma prejudicial de mérito. - Decadência A defesa advoga que se operou a decadência, pois os “títulos cobrados no auto de infração são de 2004 a 2006”, de modo que decaiu o direito de efetivar o lançamento. Pois bem. A controvérsia dos autos remonta em sua gênese ao lançamento de ofício decorrente da constatação, pela fiscalização, a partir da análise da escrita fiscal do contribuinte, de que a fiscalizada deixou de recolher as contribuições para a Seguridade Social referentes à rubrica Terceiros (SENAR), incidentes sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas, nas competências 06/2004 a 12/2004, 13/2004, 01/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, tendo o contribuinte sido notificado em 30/04/2009 (e-fls. 2 e 248). Desta forma, não há que se falar em decadência, pois, ainda que se tenha a plena consciência de que o tributo possui fato gerador instantâneo, bem como mesmo compreendendo como aplicável o § 4.º do art. 150 do CTN 1 , tem-se, de modo muito nítido, que não ocorreu o lustro decadencial, haja vista que a competência mais antiga é 06/2004 e a notificação do lançamento se efetivou em 30/04/2009 (e-fls. 2 e 248). Sendo assim, rejeito a prejudicial de decadência. - Juros com efeito de confisco A defesa advoga que os juros aplicados tem efeito de confisco. Posteriormente, diz que a multa é absolutamente inaceitável, pois “ao aplicar tal infração tem apenas a intenção de prejudicar o contribuinte e não a fim de fazê-lo cumprir sua obrigação.” Pois bem. Observo que o recorrente no capítulo em tela quer discutir juros e, também, a multa de ofício. Primeiro, no que pertine aos juros de mora, não vejo reparos a serem tecidos na decisão hostilizada para a referida irresignação, sendo tema objeto de enunciado da Súmula CARF n.º 4, nestes termos: “A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no 1 Art. 150, § 4.º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, (...). Fl. 349DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” No caso específico de débitos para com a Fazenda Nacional, a adoção da taxa de referência SELIC, como medida de percentual de juros de mora, foi estabelecida pela Lei n.º 9.065, de 20/06/1995, nestes termos: Art. 13. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6.º da Lei n.º 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n.º 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n.º 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Trata-se de temática já superada e, atualmente, sumulada. Aliás, o cálculo dos juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, está, hodiernamente, previsto, de forma literal, no art. 61, § 3.º, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Noutro giro, no que se refere à multa, ela é definida objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício, quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. Trata-se de aplicação da lei, restando legítimo a fixação conforme preceito normativo. No mais, o julgador administrativo está impedido de reduzi-la, com fulcro em tese constitucional de confisco, pois é vedado ao Colegiado declarar a inconstitucionalidade de norma legal. Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por sua vez, como houve mudança legislativa, deve-se aplicar a multa mais benéfica, seja a da legislação atual ou a da legislação pretérita, importando que se observe o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN 2 . Veja-se que as competências da autuação estão compreendidas no interregno da vigência do art. 35, I, II, III, da Lei n.º 8.212, com redação dada pela Lei n.º 9.876, de 1999, por conseguinte é de momento anterior a Medida Provisória n.º 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009, que deu nova redação para o preceito legal sancionador em referência da Lei n.º 8.212. Neste diapasão, deve-se considerar a retroatividade benigna, se for o caso, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo, por ocasião do pagamento ou do parcelamento, conforme a situação, haja vista que os percentuais da multa do art. 35 da Lei n.º 8.212, com redação dada pela Lei n.º 9.876, de 1999, variam em função do prazo do pagamento do crédito tributário/previdenciário, de modo que a comparação com a disciplina da nova lei somente poderá ser aferida por ocasião do pagamento ou parcelamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, consoante o art. 2.º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 14/2009. 2 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 350DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 A penalidade mais benéfica, no caso concreto, é passível de aplicação ex officio, consoante disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 14, de 04 de dezembro de 2009, combinado com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 2009, incluído pela Instrução Normativa RFB n.º 1.027, de 2010. Observe-se, inclusive, que, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações de natureza previdenciária (principais ou acessórias), deve-se adotar posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única, quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por considerar ser a sistemática mais benéfica ao contribuinte, com lastro na proibição do bis in idem, pelo que deve se observar os processos conexos em relação a mesma ação fiscal. Veja-se que nessa sessão de julgamento estão sendo apreciados, em conjunto, os Processos ns.º 14120.000063/2009-51, 14120.000069/2009-28 e 14120.000066/2009-94, todos decorrentes da mesma fiscalização. Tome-se, por diretriz, inclusive, o disposto na Súmula CARF n.º 119, nestes termos: “No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996.” (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, com parcial razão o contribuinte neste capítulo, devendo-se observar o cálculo da multa mais benéfica, se cabível, a ser realizado no momento do pagamento ou parcelamento. - Cálculos apresentados no AI de forma errônea A defesa, ainda, alega que os “cálculos apresentados no auto de infração foram feito de forma errônea não respeitando a própria Lei 8.212/91, pois, nos cálculos devem conter apenas o salário base, devendo ser excluído diversos benefícios, tais divergências entre a GFIP e a folha de pagamento foi em decorrência de tal fato.” Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Inicialmente, veja-se, inclusive, que a tese de impugnação é diferente do recurso voluntário interposto. Deveras, o presente processo é de contribuições devidas à seguridade social correspondente à rubrica Terceiros, destinada ao SENAR, e, neste sentido, a peça impugnatória caminhou rebatendo o tema de forma específica, em alguns capítulos próprios, tendo a decisão de piso, no entanto, aduzido que (e-fls. 302/309): Nulidade do arbitramento Em matéria tributária, arbitramento é a forma de constituição de crédito, que pode empregar diferentes procedimentos, dentre eles o método de aferição indireta, que é permitida quando o sujeito passivo for omisso em relação às informações que deveria prestar ou quando as informações por ele prestadas não merecerem fé, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional: (...). Embora alegue mero erro material, é fato admitido pelo próprio sujeito passivo que deixou de apresentar à auditoria fiscal alguns de seus livros contábeis (Livros Fl. 351DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 Diário e Razão dos exercícios de 2004, 2005 e 2006 e as Notas Fiscais de Entrada do período de 01/02/2005 a 28/02/2005; apresentou parcialmente as Notas Fiscais de Entrada dos períodos de 01/04/2005 a 31/07/2005 – Auto de Infração lavrado no processo n.º 14120.000068/2009-83, não contestado no mérito), — e que também há diferenças entre os valores dos documentos e lançado nos respectivos livros, conforme informado pela Auditoria Fiscal, “os dados referentes aos emitentes destas notas fiscais escrituradas nos Livros de Registro de Entradas ns.º 13 e 14 são divergentes dos dados que constam no documento fiscal” (fl. 284). Essa conduta omissão/erro autoriza a fiscalização a usar meios indiretos/subsidiários de prova do fato gerador e de cálculo das contribuições de acordo com o art. 33, §§ 2.º e 3.º, da Lei 8.212/91, em sua redação original: (...). À luz deste artigo e do art. 148 do CTN, extrai-se que a competência para realizar o arbitramento é da autoridade lançadora, que, à época, era o Auditor Fiscal da Previdência Social (art. 8.º da Lei 10.593/2002). Conclui-se que, atendidos os pressupostos legais do arbitramento – omissão do sujeito passivo e razoabilidade do critério – fica afastada a tese de invalidade do lançamento e o ônus da prova quanto à inexistência do fato gerador passa a ser do sujeito passivo. Impossibilidade de tributar pessoa jurídica com base no art. 25-A e da inaplicabilidade do art. 30, inciso IV Este tópico originou-se da verificação no relatório FLD — Fundamentos Legais do Debito (fl. 31-32), de referência legal da rubrica “402 — Terceiros — SENAR” que segundo argumento da defesa não lhe é pertinente. Cabe esclarecer que a fundamentação legal contempla todas as hipóteses de incidência que terão a incidência de contribuições sociais para a rubrica referida, mas não significa que houve a ocorrência no lançamento em exame, ou seja, há o fundamento legal de todos os possíveis fatos geradores, o que não vicia o lançamento, pois segundo a boa técnica consagrada no processo civil, a defesa deve se contrapor aos fatos que lhe foram imputados, pois a simples relação de outros dispositivos legais não traz nenhum prejuízo para a intelecção da exação fiscal. Inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV Apesar da omissão da defesa quanto à matéria objeto de ação judicial, cujo ônus foi estabelecido no DECRETO N.º 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972, que regula o processo administrativo fiscal: “Art. 16. A impugnação mencionará: V – se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei n.º 11.196, de 2005)” Da pesquisa no sítio do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região pode-se o argumento da defesa “a obrigação subsidiária contida no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/91 é manifestamente inconstitucional porque foi instituída por Lei Ordinária ao invés de Lei Complementar conforme exigida no art. 146 da Constituição Federal de 1988” com o teor da decisão exarado no Processo n.º 2000.60.00.005770-7, PAUTA: 09/06/2008 JULGADO: 09/06/2008 NUM. PAUTA: 00071, nos seguintes termos: “CONSTITUCIONALIDADE. 1. A Lei n. 8.212/91, art. 25, com a redação dada pela Lei n. 10.256, de 09/07/91, institui a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da produção. Por outro lado, a Lei n. 8.870, de 15/04/94, art. 25, com redação dada pela Lei n. 10.256, de 09/07/01, estabelece a contribuição do empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Em síntese, tanto o segurado especial, quanto o produtor rural pessoa física e o produtor rural pessoa jurídica, sujeitam-se à contribuição sobre o resultado da comercialização de sua produção. Essa contribuição deve ser arrecadada e recolhida pelo adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, em conformidade com o art. 30, III e IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 9.528, de 10/12/97. 2. Essa contribuição goza de fundamento constitucional, pois o art. 195, I, a, da Constituição da República, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 25/12/98, prevê que ‘a receita ou o faturamento’ sujeitam-se à incidência da exação. Não há como negar que ambos os conceitos (receita, faturamento), por sua generalidade, abrangem a noção mais restrita de ‘resultado da produção’ constante do § 8.º do mesmo dispositivo, segundo o qual esta se sujeitaria ao financiamento dos benefícios devidos ao segurado especial. Por essa razão, não é necessária a edição de lei complementar (CR, art. 195, § 4.º, bastando a ordinária (CR, art. 150, I). Por outro lado, tratando-se de Fl. 352DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 contribuição, não incide o impedimento à bitributação concernente exclusivamente aos impostos (CR, art. 154, I). Como a Constituição da República estabelece o financiamento equitativo por toda a sociedade da Seguridade Social, tanto as entidades rurais como as urbanas podem ser eleitas como sujeitos passivos da exação (CR, art. 195, caput, combinado com o inciso V do parágrafo único do art. 194). Precedente do TRF da 3.ª Região. 4. Reexame necessário e apelação providos.” Dada a conexão da matéria ora impugnada com a referida ação judicial, deve-se reconhecer que inevitável será o reflexo da sua decisão ao presente processo. A Lei n.º 6.830, de 22/09/80, que trata da cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública assim dispõe: “Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (...) A interposição de ação judicial pelo contribuinte, responsável ou substituto tributário nem sempre suspende a exigibilidade do crédito tributário. Essa suspensão somente ocorre nas hipóteses previstas nos incisos II, IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, a seguir reproduzidas: (...). Nos casos em que o crédito tributário objeto da ação judicial não se encontra com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, a autoridade administrativa poderá proceder ao lançamento fiscal, tendo o processo tramitação normal, inclusive quanto aos atos executórios. Havendo a suspensão dessa exigibilidade, a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido que a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar e lançar o crédito tributário, pois essa suspensão refere-se ao crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, estando suspensos tão-somente os atos executórios da cobrança. O lançamento tributário constitui atividade obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade civil, criminal e administrativa, e busca garantir o direito do Fisco, em face da decadência. Deverá ser lavrada notificação fiscal das contribuições que estão sendo discutidas em juízo em processo apartado das demais contribuições devidas pela empresa, estando ou não suspensa a exigibilidade do crédito tributário, exceto quando houver liminar, antecipação de tutela ou decisão com comando expresso impedindo a fiscalização de constituir o crédito previdenciário, caso em que deverá ser encaminhada Informação Fiscal à Procuradoria com vistas à revogação da decisão judicial. Portanto, como o presente crédito não se encontra com a sua exigibilidade suspensa, pois ainda não houve o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, que tem por conteúdo, objeto e causa de pedir idênticos a esta rubrica deste processo, não se deve conhecer desta parcela da impugnação pela renúncia do contencioso administrativo. Inconstitucionalidade em atribuir responsabilidade por meio de Decreto O comando normativo combatido tem o seguinte dispositivo expresso no DECRETO N.º 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999: “Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto n.º 4.032, de 2001) § 7.º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I - pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam sub-rogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9.º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III”. Conforme já salientado em tópico anterior, não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. Fl. 353DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passa-se na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa abster-se de cumpri-las e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. (...) A realização do lançamento nos casos em que o contribuinte esteja protegido por medida judicial, não implica violação de direito individual e sim, resguardo do crédito tributário em relação à decadência. Caso não se efetue o lançamento no curso do prazo decadencial e a ação judicial não seja decidida em definitivo nesse prazo, a Fazenda Nacional não mais poderá exercer o seu direito. A suspensão da exigibilidade prevista no CTN refere-se ao crédito tributário regularmente constituído e não à possibilidade de a autoridade administrativa efetuar o lançamento. Assim, o que se impede é a cobrança do crédito tributário quando esse se encontra com exigibilidade suspensa. Portanto, a Fazenda Pública não está impedida de proceder ao ato administrativo de lançamento. Ressalte-se que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário mediante lançamento é, reconhecidamente, um direito potestativo e não pode ser obstado por qualquer procedimento de iniciativa do sujeito passivo. Atualmente, existe expressa previsão legal que autoriza o lançamento mesmo com a ocorrência de causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, no intuito de evitar a caducidade do direito de constituí-lo. Tal disposição consta do artigo 63 da Lei n.º 9.430 de 1996, com a redação dada pela MP n.º 2.158-35 de 2001: (...). No presente processo, constatou-se que a liminar em Mandado de Segurança concedida no Processo n.º 2000.60.00.005770-7 foi cassada em reexame necessário conforme pesquisa no sítio do Tribunal Regional Federal 3° Região já colacionada em tópico anterior. Foram oferecidos embargos de declaração que teve a seguinte apreciação pelo Tribunal competente: “2000.60.00.005770-7 248773 AMS-MS ANOTAÇÕES.- DUPLO GRAU APRES. EM MESA JULGADO: 26/01/2009 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO. DESCABIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. MANIFESTAÇÃO DO ÓRGÃO JURISDICIONAL SOBRE A MATÉRIA CONTROVERTIDA.” A partir das informações extraídas das decisões, pode-se tomar como termo de referência a “data da decisão judicial que considerou devido o tributo ou contribuição”, 08/06/2008, visto que o embargo de declaração julgado improcedente em 26/01/2009 não teve efeito suspensivo. Assim, não há nenhuma repercussão no lançamento da multa de mora, visto que, no vencimento do prazo, 30 dias após à publicação da primeira decisão, é anterior à data do lançamento, ocorrida em 30/04/2009. Todavia, no recurso voluntário, o recorrente não volta aos específicos debates. Limita-se a dizer que a base de cálculo do lançamento sobre a folha dos segurados empregados conteria excesso. Este seria identificado a partir de benefícios pagos que não seriam base de cálculo para contribuições sociais. A questão é que o tema dos segurados empregados não é Fl. 354DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.803 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14120.000067/2009-39 objeto destes autos, competindo à temática ao Processo n.º 14120.000063/2009-51, também julgado nessa sessão. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, conheço do recurso, rejeito e preliminar de nulidade e a prejudicial de decadência e, no mérito, dou-lhe provimento parcial para que se observe o cálculo da multa mais benéfica, se cabível, a ser realizado no momento do pagamento ou parcelamento, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 14/2009 combinado com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 2009, incluído pela Instrução Normativa RFB n.º 1.027, de 2010, em síntese, seguindo a Súmula CARF n.º 119. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para que se observe o cálculo da multa mais benéfica, nos termos da Súmula CARF n.º 119. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962712/2008-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cumprir as providências delineadas no voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.962712/2008-75
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6103980
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Dec 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.047
nome_arquivo_s : Decisao_10880962712200875.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880962712200875_6103980.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cumprir as providências delineadas no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
id : 8011024
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650792026112
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-03T05:22:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-03T05:22:10Z; Last-Modified: 2019-12-03T05:22:23Z; dcterms:modified: 2019-12-03T05:22:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:51a73aa1-5225-4a23-b4e8-32ba99e1cce8; Last-Save-Date: 2019-12-03T05:22:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-03T05:22:23Z; meta:save-date: 2019-12-03T05:22:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-03T05:22:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-03T05:22:10Z; created: 2019-12-03T05:22:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-12-03T05:22:10Z; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-03T05:22:10Z | Conteúdo => 00 SS33--TTEE0033 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10880.962712/2008-75 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3003-000.047 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 16 de outubro de 2019 AAssssuunnttoo PER/DCOMP RReeccoorrrreennttee IMDEPA ROLAMENTOS IMPORTACAO E COMERCIO LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cumprir as providências delineadas no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de manifestação de inconformidade prolatado pela 6ªª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo. A matéria de fundo diz respeito a pedido de compensação de suposto crédito de COFINS, período de apuração janeiro/2004, em razão de pagamento indevido. Transcrevo o relatório elaborado pela instância a quo: Trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 3 – a numeração de referência é RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 71 2/ 20 08 -7 5 Fl. 142DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.047 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962712/2008-75 sempre a da versão digital do processo), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, qual seja R$ 218.784,64, referente à Cofins, código de receita 2172, do período de apuração janeiro/2004. Cientificada do despacho decisório em 05/01/2009 (fl. 4), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 28/01/2009 (fls. 11/13), na qual alega que, tendo apurado a COFINS do mês Janeiro de 2004 no valor de R$ 213.704,22 para pagamento em 13/02/2004, efetuou o pagamento no valor de R$ 218.784,64 em 13/02/2004, ficando com um crédito no valor de R$ 5.080,42, crédito este objeto do Pedido de Compensação em referência, não confirmado pela Receita Federal, porém existente, proveniente do recolhimento a maior. O crédito não confirmado pela Receita Federal se deu ao fato de a Manifestante ter preenchido e apresentado a DCTF do 1º trimestre de 2004 com informações incorretas referente à apuração da COFINS de Janeiro/2004, tendo informado como débito apurado e crédito vinculado o valor de R$ 218.784,64, quando na verdade o valor apurado da COFINS do período de Janeiro de 2004 foi de R$ 213.704,22. A manifestante solicita ainda a retificação de ofício da DCTF, uma vez que o despacho decisório impossibilitaria a ela promover tal retificação. O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de não haver certeza e liquidez do crédito em razão de falta de provas do crédito. Inconformada, a Recorrente apresentou este Apelo reiterando, em suma, as matérias apostas na manifestação de inconformidade. Traz em sede recursal documentos de e-fls. 78 à 140, que supostamente garantem direito creditório pleiteado. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Da Prova em Recurso Voluntário É certo que este Colegiado assentou o entendimento, à esteira da jurisprudência deste Conselho, que na excepcionalidade de processo originário de PER/DCOMP cujo despacho decisório tenha sido proferido eletronicamente, far-se-á um cotejo analítico da matéria alegada em manifestação de inconformidade e, em grau de exceção, aceitar a produção de provas na fase recursal, desde que mantenham correlação lógica com o mérito em julgamento. Fl. 143DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.047 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962712/2008-75 A Recorrente apresentou em fase recursal documentos de e-fls. 78 à 140, dentre os quais destaco folhas do Livro Razão Analítico às fls. 101/102 do período de apuração em análise. Pelo império da Verdade Material, urge o recebimento das provas no sentido da jurisprudência desta Corte, em decisão proferida pela 1ª Turma da CSRF, esboçado nos autos do PAF 10835.901327/200988, em voto da relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. - Grifos no original. Com relação aos documentos acostados aos autos, fazem referência ao período de apuração que a Recorrente alega existir direito credor entendo que são capazes de demonstrar razoável verossimilhança nas alegações da Recorrente. Sendo pelo exposto, entendo que pelo respeito às instâncias e no objetivo de não suprimi-las, o melhor caminho a ser adotado perfilha pela aplicação do art. 16, §4º, Decreto 70.235/1972 com a determinação de que sejam os autos convertidos em diligência para que a instância de piso possa avalia-los e proferir acórdão com os elementos probatórios que ora encontram-se nos autos. Nestes termos, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem no sentido de que sejam tomadas as seguintes providências: a) Que sejam apreciados os documentos de e-fls. 78 à 140 para: b) Verificação nos lançamentos do Razão Analítico o provisionamento da COFINS no período de apuração 01/2004; c) Que seja contrastado o valor recolhido em relação ao crédito pleiteado para verificação do valor devido a título de COFINS no PA 01/2004; d) Que seja apurada a consistência dos registros contábeis juntados aos autos face à documentação que lhes dêem lastro, sem prejuízo de intimação do contribuinte para que traga elementos probatórios para a verificação. e) Elaboração de relatório da análise dos documentos juntados em Recurso Voluntário que descreva se há direito creditório; f) Que seja dada ciência ao contribuinte, pelo prazo de 30 dias, sobre o resultado da diligência; g) O retorno dos autos a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
