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Numero do processo: 13984.002710/2007-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 27 10 /2 00 7- 74 Fl. 394DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240300.699, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração n° 37.103.7719, às fls. 01, decorrente de descumprimento de obrigação acessória, por apresentação da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 09/2007, sendo o valor da multa aplicada de R$ 7.079,17 (sete mil, setenta e nove reais e dezessete centavos), conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13 a 15. A multa foi apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. No período de 01/2006 a 09/2007 a empresa tinha entre 101 a 500 segurados, sendo que nessas competências a multa foi limitada a 10 (dez) vezes o valor mínimo, conforme Art. 32 parágrafo 40 da Lei 8.212 de 24.07.91 e Art. 284, inc. I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99. Em nenhuma competência o valor da multa aplicada ultrapassou o valor mínimo, conforme previsto no art. 284, inc. I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99. Outrossim, a multa aplicada correspondeu a 100% (cem por cento) da contribuição devida, que está demonstrada por competência, levandose em consideração o valor da contribuição devida, apurada com base no Salário de Contribuição dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais (Administradores, Autônomos) e na Contribuição Descontada dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais, conforme o Relatório anexo. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 27 a 59, com Anexos às fls. 60 a 64. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, fls. 67/80, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão n° 0712.581. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 83/115, onde alegou em apertada síntese: preliminarmente, dentre outros, nulidade do AI; vício da intimação; inexigibilidade da multa, e no mérito, ausência de Infração; duplicidade da cobrança; gradação da multa; relevação da multa; e não aplicação da multa. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 310/331, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA – NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Fl. 396DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N° 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32 A, LEI N° 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA – ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 335/342, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação multa mais benéfica ao contribuinte. Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Naquela ocorrência, consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações cm que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 345/347, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o cálculo da multa. O Contribuinte foi devidamente citado às fls. 351, apresentando Contrarrazões às fls. 354/358, alegando, inicialmente, não servir o acórdão utilizado pela União como paradigma por não haver similitude fática entre ele e o acórdão recorrido. Alegou, ainda, caráter confiscatório e intensão do Fisco que “fossem abatidos da multa isolada os valores exigidos a título de multa lançados em NFLD apartada”. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 11 5 Às fls. 364/375, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, alegando estarem prequestionadas as seguintes matérias: nulidade de intimação por vícios formais – ausência de entrega pessoal; excesso de multa e inexigibilidade da multa. Às fls. 3386, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso, pois não foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7º a 9º do artigo 67 do RICARF. Consignou que o recorrente sequer apresentou divergências entre o aresto atacado e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF para análise. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Contribuinte arguiu em sede de contrarrazões o não preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso fazendário, por entender que os paradigmas trazidos pela União não guardam identidade com a matéria do acórdão, sendo o primeiro acórdão com entendimento ao acórdão recorrido, e o segundo paradigma utilizando o mesmo raciocínio adotado no acórdão a quo, devendo aplicar a multa calculada como mais benéfica ao contribuinte. Compulsando o Exame de admissibilidade, observo que as diferenças de conteúdo fático são meramente acidentais, sendo a questão central do debate, e essencial, é a tese jurídica de aplicação da multa de acordo com a Retroatividade Benigna. A divergência nitidamente fica por conta da aplicação e interpretação da legislação ordinária no que compete ser e como aplicar a Retroatividade Benigna prevista no CTN. Observo que no caso em tela o Recurso da Procuradoria logrou êxito em comprovas os requisitos exigidos no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Sendo assim, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração n° 37.103.7719, às fls. 01, decorrente de descumprimento de obrigação acessória, por apresentação da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 09/2007, sendo o valor da multa aplicada de R$ 7.079,17 (sete mil, Fl. 398DF CARF MF 6 setenta e nove reais e dezessete centavos), conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13 a 15. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao Contribuinte. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 12 7 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 400DF CARF MF 8 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 13 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 402DF CARF MF 10 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13984.002710/200774 Acórdão n.º 9202005.280 CSRFT2 Fl. 14 11 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 404DF CARF MF 12 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.003488/2007-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Numero da decisão: 9202-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLUBE DE CAMPO FAZENDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 34 88 /2 00 7- 09 Fl. 314DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI NFLD DEBCAD nº 37.032.7624, à efl. 02, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 29/08/2007, com relatório fiscal às efls. 35 a 40. O lançamento visou à constituição de créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, decorrentes de retenções previdenciárias, efetuadas pela Sociedade na condição de tomador de serviços, incidentes, à razão de 11%, sobre o valor das notas fiscais de prestadores de serviços. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 114.757,54, consolidado na data de 27/08/2007, para o período de apuração de 01/02/1999 a 31/12/2002. A NFLD foi impugnada, às efls. 43 a 56, em 28/09/2007. Já a 12ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão nº 1617.264, prolatado em 27/05/2008, às efls. 112 a 119, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 10/07/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 123 a 137, argumentando, em síntese que: § haveria extinção dos créditos tributários exigidos em face da decadência do direito de o fisco constituílos, tomando por base a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN; § extintos os créditos tributários lançados, deve ser determinado o arquivamento da representação para fins penais a eles correspondente. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento em 29/09/2011, resultando no acórdão 280301.208, às efls. 205 a 212, que tem a seguinte ementa: LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA SOBRE PARTE DO LANÇAMENTO. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização relativamente às competências de 02/1999 até 12/2001, inclusive. 3. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13839.003488/200709 Acórdão n.º 9202005.375 CSRFT2 Fl. 315 3 empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Estão decadentes as competências de 02/1999 até 12/2001, inclusive, restando íntegras para o lançamento, as competências de 01/2002 até 12/2002, tudo em conformidade com as disposições contidas no inciso I do art. 173 do CTN. RE da Fazenda Nacional Intimada, em 26/10/2011 (efl. 214), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs, às efls. 215 a 234, recurso especial de divergência RE ao citado acórdão, em 24/11/2011, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF no tocante à decadência, com efeito sobre a competência de 12/2001. Diverge o recorrido em não proceder à contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, entendimento exposto nos acórdãos paradigmas nº 2401 01.759 e nº 2302001.180 que levariam à manutenção do período de apuração de 12/2001 entre os alcançados pela fiscalização. Em sua fundamentação, a Procuradora reafirma a contagem do prazo decadencial pelo art. 173, inc. I, do CTN, seja pela prévia falta de pagamento de contribuições, seja pela existência de prática, em tese, do ilícito fiscal de apropriação previdenciária nos termos do art. 168A do Código Penal, haja vista que as contribuições lançadas são referentes a retenções, pela alíquota de 11%, efetuadas pela Sociedade sobre a base de cálculo das notas fiscais dos prestadores de serviços e que não foram recolhidas até o encerramento da ação fiscal. Por fim, requer que o RE seja conhecido e provido para que seja reformado o acórdão para que siga o entendimento esposado no paradigma, mantendose a integralidade do lançamento, sobretudo da competência de dezembro de 2001. O RE da Procuradora foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300294/2013, às efls. 266 a 269, em 23/04/2013. entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante à divergência exposta, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 271) do acórdão nº 280301.208, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste, em 13/06/2014 (efl. 272), tendo apresentado contrarrazões em 24/06/2014, às efls. 274 a 278. Fl. 316DF CARF MF 4 Em seu contraarrazoado, argumenta que o acórdão recorrido atendeu à Súmula Vinculante nº 08 do STF, a qual vincula as decisões do CARF, e que também descabe recurso especial de divergência contra acórdão que aplique Súmula do CARF ou com base em paradigma cuja tese haja sido superada quando da sua interposição. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. De início, cabe ressaltar que o contraarrazoado da contribuinte não trouxe argumentos suficientes para que não se aprecie o RE da Fazenda, pois a Súmula Vinculante nº 08 do STF não trata da contagem do prazo decadencial do art. 173 do CTN, mas sim da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que definia como decenal prazo decadencial para a exigência de créditos relativos à previdência social. Além disso, os paradigmas citados no RE não se encontram superados e inexiste menção a qualquer súmula do CARF que trate de decadência no acórdão recorrido. A discussão sobre a decadência cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fazendo com que não tenha havido decadência relativamente ao período de apuração de dezembro de 2001. Conclusão Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13839.003488/200709 Acórdão n.º 9202005.375 CSRFT2 Fl. 316 5 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que se reforme o acórdão recorrido, considerando não decaído o direito de constituição do crédito tributário relativo aos fatos ocorridos em dezembro de 2001. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.906411/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 64 11 /2 00 9- 61 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.906411/200961 Acórdão n.º 1402002.577 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902790/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 90 /2 01 2- 36 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.001. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902790/201236 Acórdão n.º 3302004.160 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.005801/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a .31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESTINADO À ACRESCENTAR FUNDAMENTAÇÃO SOBRE PONTO OMITIDO NO ACÓRDÃO N° 3301-00.311, DE 20 DE OUTUBRO DE 2009, SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO, CUJA EMENTA SERÁ ASSIM REDIGIDA:
"PIS E COFINS. ISENÇÃO - RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As
receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000.
PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP), PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei nº 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e
compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Normativa regulamentadora impor tal exigência, sob pena declarar o pedido como não declarado.
REPETIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Cofins
apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente"
Numero da decisão: 3301-000.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de acrescentar à fundamentação do acórdão n" 3301-00.311, julgado na sessão de 20 de outubro de 2009, sobre ponto que teria sido omitido no acórdão,
incluindo-o, inclusive na ementa, sem alteração do resultado, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a .31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESTINADO À ACRESCENTAR FUNDAMENTAÇÃO SOBRE PONTO OMITIDO NO ACÓRDÃO N° 3301-00.311, DE 20 DE OUTUBRO DE 2009, SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO, CUJA EMENTA SERÁ ASSIM REDIGIDA: "PIS E COFINS. ISENÇÃO - RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP), PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei nº 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Normativa regulamentadora impor tal exigência, sob pena declarar o pedido como não declarado. REPETIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Cofins apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado. Recurso Voluntário Provido Parcialmente"
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ISENÇÃO - RECEITAS.. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cotins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/1.2/2000. PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP), PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL..A Lei n" 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituiçã compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatorianunte fbrmuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Norma .• regulamentadora impor tal exigência, sob pena declarar o pedido comi 01" 4,‘ declarado. REPETIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Colins apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado, Recurso Voluntéu io Provido Parcialmente" Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de acrescentar à fundamentação do acórdão n" 3301-00.311, .julgado na sessão de 20 de outubro de 2009, sobre ponto que teria sido omitido no acórdão, incluindo-o, inclusive na ementa, sem alteração do resultado, nos termos do voto do relator. Wbdrigo o ta Possas - Presidente .-- #NPA tono rdos P"o Lisboa tear- ) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relatar), José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuida-se de embargos de declaração em face do acórdão n" 3301-00..3i desta 1" Turma Ordinária da 3" Câmara do CARF, referente ao pedido de restituição \ PIS/COHNS incidentes sobre as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, tendo colegiado provido parcialmente o recurso, nos termos da ementa é a seguir transcrita: "Assunto Normas. de Administração Tributária Período de apuração 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa PIS e COFINS ISENÇÃO — RECEITAS ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cotins, tornando-se isenta dessa contribuição somente a parti, de 22/12/2000 .REPETIÇÃO. DCOMP, HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e Coibis apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22/12/2000 a 31/12/2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ ou compen.sação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a 3 Processo n" 10875 005801/2003-87 S3-C3TI Adm.% n "3301-00.648 Fl 494 compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado. Recurso Voluntário Provido Parcialmente." De acordo com os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional, com fulcro nos arts. 64, inciso I e 65 e seguintes do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n" 256, de 22/06/2009, o acórdão teria sido omisso quanto à formalização do pedido de restituição formulado pela embargada, pois, de acordo com a DRF houve descumprimento do disposto nos arts.. 20 e 30 da IN SRF n° .360, de 24.09.200.3, que "Será considerado não . fbrmulado o pedido de restituição e não declarada a compensação". Da mesma forma concluiu a DM (fls, 446/451): "8. Portanto, tendo em conta que a contribuinte não observou a .fbrina prevista na legislação aplicável, nem justificou a não- apresentação do Pedido Eletrônico relativa aos recolhimentos posteriores a 19 de dezembro de 1998, considera-se não- fbrinulado o Pedido de Restituição apresentado, relativo aos recolhimentos efetuadas posteriormente àquela data, conforme consta no Parecer da DRF de origem. 9. Destaque-se que a inobservância da forma fixada enseja a não-apreciação do pedido de restituição. Ou seja, ao considerar como não-formulado o pedido, deixa-se de apreciar o correspondente pleito, ainda que se trata de contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal 10. Dessa fornza, a petição interposta contra o Despacho da DRF de origem que indeferiu o pleito da contribuinte, não inaugura o contencioso administrativo, no que se refere aos créditos relativos aos recolhimentos posteriores a 19 de dezembro de 1998, na medida em que esta Delegacia de Julgamento não tem competência para apreciá-los. Nesse contexto, em relação àqueles fatos geradores, a petição apresentada pela contribuinte submete-se ao rito processual previsto na Lei n" 9,784, de 1999. Desta forma, apesar do julgado fazer referência à DCOMP, apresentação desse documento, e, apesar da recorrente ter argumentado em seu esse ponto, o acórdão omitiu a apreciação do mesmo. É o relatório, ive a— sobre Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os embargos foram opostos tempestivamente, bem como atendidas as demais condições de admissibilidade previstas nos arts, 64 e 65 do RI/CARF, por este motivo o mesmo deve ser conhecido. Demonstrada a omissão, vez que o acórdão não se pronunciou sobre à formalização do pedido de restituição/compensação, devendo ser acrescentado ao mesmos os seguintes fundamentos: Em relação à não utilização de Formulário PER/DCOMP, a recorrente assim se manifestou em seu recurso (fl. 459): "O que se pretende, com as informações acima, é esclarecer os motivos da não utilização do Formulário PER/DCOMP 1 1, alegado no r. Acórdão. Tratava-se, na ocasião, de direito de crédito da ora recorrente, pacifico na sua ótica, todavia submetido à revogação por instrumento inadequado, Medida Provisória Tendo em vista tal "revogação" sucederam-se ações judiciais de várias empresas e, em especial Ação Direta de Inconstitucionalidade (2.348-9 DF) com vistas à Declaração de Inconstitucionalidade dos dispositivos da Medida Provisória em questão. Tratando-se de questão polêmica, necessariamente deveria submeter-se à análise de matéria de direito, o que torna inaplicável o pedido via PER/DC(1'UP. A decisão ressalva aplicação ao caso da lei 9 784 e esclarece que o rito processual a que a petição se submete é o deste diploma legal. A ora Recorrente invoca a aplicação, também, dos dispositivos do Decreto 70.235/72 e dos Regimentos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior . de Recursos Fiscais." Portanto, claro está que o pedido de restituição/compensação não o ser formulados vis sistema eletrônico PER-DCOMP, pois, os créditos aqui discutidos nã. e -.4n1 pacíficos, devendo a matéria de direito ser submetida à análise e apreciação da Administra'''. Desta forma, a questão que se coloca é sobre a possibilidade do contribuinte fazer o Pedido de Restituição em formulário de papel, ao invés de se valer do sistema eletrônico "PERD/COMP", conforme arts. 2" e 3' da N SRF n" 360, de 24.09.2003, que "Será considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação". Como sabido, a atual sistemática de repetição de indébito, incluída tanto a restituição como a compensação, é hoje disciplinada pela Lei n" 9.430/96, que no seu art.. 74 estabelece o procedimento para se apurar tal direito do contribuinte, (Jo Processo n" 10875 00580112003-87 S3-C3T1 Acórdão n " 3301-00,6 ,18 Fl. 495 No tocante a forma com tal direito há de se pleitear, o § 1" do art, 74 apenas estabelece que a pretensão será efetuada mediante "a entrega, pelo sujeito passivo, de declatação", nos seguintes termos: "Ar! 74. O .sujeito passivo que apurar crédito, inclusive as judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.. § 1 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão ialbrinações relativas aos créditos utilizados e aos respectivas débitos compensados." Como se vê, a lei regente não determina a obrigatoriedade do pedido administrativo ser feito pela via eletrônica, não obstante o enorme ganho de agilidade que tal dispositivo propicia. Conseqüentemente, ao meu ver, não poderia a Instrução Normativa regulamentadora da matéria, restringir onde a lei não o fez, obrigando o contribuinte a expressar sua pretensão através dum único meio. Mas a IN não vilipendia apenas o basilar direito de petição. Ela vai mais além. Os Pedidos de Restituição não formulados via PERDCOMP para a IN e a decisão recorrida serão considerados "pedidos não formulados", ou seja, não sujeitos ao Processo Administrativo Tributário Federal, Mais uma vez o alargamento dos termos da lei é gritante, pois para a Lei n° 9,430/96 apenas nas hipóteses previstas no seu § 12° é que a restituição/compensação deve ser declarada como "não formulada", ali não constando com hipótese legal a formulação em papel da pretensão. Portanto, acolhem-se os embargos opostos pela Fazenda Nacional, devendo os fundamentos acima expendidos serem acrescidos aos fundamentos do acórdão embargado, sem alteração do resultado, bem como para que seja acrescentada à ementa o seguinte: "PROCESSO TRIBUTÁRIO OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL.A Lei n" 9,430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e compensaçi -, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente .fol nul pelo meio elen &leo, não podendo a Instrução N regulamentadora impor tal exigência, sob pena .4".•• () pedido como "não declarado" 5
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000850/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202-004.022 - CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201- 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente".
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202-004.022 - CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201- 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 08 50 /2 00 8- 35 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 537 2 A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada apenas quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que a excluíram. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões em relação à multa isolada do carnê leão. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 538 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de fls. 258 e seguintes, exigindolhe o imposto de renda das pessoas físicas no valor de R$ 2.965.399,66, acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e de 150%, dependendo da infração capitulada, multa exigida isoladamente e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Aponta o Auditor Fiscal que constatou duas infrações: I omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnê leão, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, aplicandolhe a multa qualificada, de 150%, e II omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, enquadrandoa, basicamente, no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicando a multa de 75%. Além disso, foi lançada a multa isolada pela falta de antecipação/recolhimento do imposto, a título de carnêleão. No Relatório Fiscal (fl. 279), anexo ao Auto de Infração, a autoridade competente, em resumo, descreve que: a) a base de cálculo para a infração "omissão de rendimentos decorrentes de recebimentos de pessoas físicas" corresponde ao informado pelo contribuinte em DIRPF relativas aos exercícios de 2004 e 2005, apresentadas em 30/09/2008, já sob ação fiscal iniciada; b) havendo a perda da espontaneidade, cabe a cobrança de multa de ofício sobre os rendimentos informados, que deve ser qualificada com base na reiteração da conduta, ausência de outras DIRPF, altos valores movimentados em conta corrente, conhecimento e vontade consciente em eximirse da obrigação tributária, citando o artigo 71 da Lei nº 4.502/64; c) a base de cálculo da infração decorrente de "depósitos bancários com origem não comprovada" provém da análise de extratos bancários, do Banco Bradesco. O contribuinte alega que a origem dos depósitos seria o desconto de cheques, apresentando planilhas, porém desacompanhadas de documentação comprobatória; d) os valores declarados em DIRPF, que correspondem à primeira infração, foram descontados mês a mês do total de depósitos bancários apurados, na consideração da segunda infração; e) a conta bancária era individual e observouse limites mínimos previstos nos parágrafos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para a pessoa física; Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 539 4 f) foi utilizado o expediente da RMF pois o contribuinte apresentou apenas os extratos da conta corrente, não o fazendo, voluntariamente, em relação à conta poupança vinculada. Cientificado da exigência fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação nas fls. 306 e ss. Ao analisar sua manifestação de inconformidade, a DRJ em São Paulo II/SP, decidiu manter integralmente o lançamento, em resumo dispondo que: não se vislumbra nos autos qualquer vício que possa comprometer o lançamento; a lei 9.430/96 dá suporte à infração relativa à omissão caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; constituem base de cálculo do imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoas físicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, conforme lei 7.713/88; é cabível o lançamento de multa isolada sobre a falta de recolhimento do carnê leão, concomitante com a multa de ofício; a multa de ofício foi corretamente qualificada; as multas de ofício não têm natureza confiscatória e correta a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Cientificado dessa decisão em 08/04/2009, conforme Aviso de Recebimento na fl. 359, o contribuinte apresentou recurso voluntário, conforme protocolo na fl. 369, em 04/05/2009. Em sede de recurso, sustenta, em suma, que: a) a fiscalização não embasou clara e corretamente a imposição tributária, caracterizandose cerceamento de defesa. b) trata da presunção aplicada aos depósitos bancários. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) a penalidade aplicada tem efeitos confiscatórios. d) incabível ao caso a aplicação da penalidade qualificada. e) ilegítima a exigência das multas isolada e de ofício, concomitantemente. f) inaplicáveis os juros moratórios sobre a multa, cabendo aplicálos apenas sobre o valor principal. PEDE que seu recurso seja conhecido e reformado o Acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) NULIDADE DA AUTUAÇÃO Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 540 5 Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. Importante manifestar o entendimento da “instrumentalidade das formas”, pelo que transcrevo o seguinte: “Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) No recurso foi transcrito o artigo 10 do PAF sem apontar exatamente qual requisito formal deixouse de observar na autuação. A alegação de nulidade é genérica. Diz ainda que o auto de infração contém "uma série de dispositivos legais" que criaram obstáculos a seu entendimento. A infração referente aos rendimentos recebidos de pessoas físicas pela trabalho sem vínculo empregatício está enquadrada nas Leis nº 7.713/88 e 8.134/90 e em quatro artigos do RIR/1999. Essa sequer foi discutida no recurso. A infração relativa aos depósitos bancários está enquadrada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e em um artigo do RIR/1999. As multas aplicadas estão enquadradas na Lei nº 7.713/88 e no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com alteração posterior, além de uma referência ao artigo 106 do CTN. Não vejo qualquer confusão ou inviabilidade do pleno exercício de defesa, sem considerar que existe um Relatório Fiscal, anexo, que descreve toda a ação, os enquadramentos, os valores, com planilhas, e as conclusões. Rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. MÉRITO Conforme se procurou relatar, existem duas infrações no auto de infração. Em relação aos rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, o recorrente não faz nenhuma alusão, mesmo porque, os valores foram retirados de DIRPF relativas aos exercícios de 2004 e 2005 (fls. 06 e 11), entregues por ele em 30/09/2008, já sob ação fiscal, que fora iniciada em 18/10/2007, como se observa na ciência do MPF, fl. 04. Importante citar a Súmula CARF nº 33: Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 541 6 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, os valores foram lançados de ofício, com a aplicação de multa. Em relação aos depósitos bancários sem origem comprovada, a fiscalização consignou em seu relatório que apesar do contribuinte alegar que eram decorrentes de operações de descontos de cheques, entregando uma planilha (fl. 185 e ss.) onde procurava vincular os depósitos com cheques e "taxas de juros", nenhum documento, nem mesmo os cheques, fora apresentado. De fato, a partir dessa planilha não se pode ter certeza da veracidade das informações, pois nada comprova qual era a taxa de juros do negócio, se 3% e não 4% ou 5%, e qual foi o "valor negociado", uma vez que, repito, nenhum documento foi apresentado. No recurso alegase que não seria possível fazer lançamento baseado apenas em presunção, a partir de depósitos bancários. O lançamento foi lastreado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Havendo resposta, porém desacompanhada de qualquer documentação, foi feito o lançamento com base na presunção estabelecida no dispositivo legal. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 542 7 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifei) Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 419 e ss.) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegações genéricas ou desacompanhadas de documentação comprobatória não podem ilidir a presunção legalmente estabelecida. Se efetuava operações comerciais de desconto de cheques o contribuinte deveria manter cópias dos contratos celebrados e dos cheques descontados, para comprovar a origem dos depósitos. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da CSRF, citada, está superada, como se observa na Súmula acima transcrita. Ademais vejamos: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 543 8 Acórdão 9202004.279 – 2ª Turma Sessão de 19 de julho de 2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. É claro o artigo 42, acima transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Destaco que ao totalizar mensalmente os depósitos bancários, a fiscalização excluiu do montante os valores que foram tributados como rendimentos recebidos de pessoas físicas (planilha, fl. 282). Citese: Nas planilhas abaixo demonstramos os valores que devem compor a infração OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, correspondendo à diferença entre o total de depósitos bancários não comprovados e os rendimentos informados na DIRPFs 2004 e 2005. DA MULTA DE OFÍCIO. 75%. O Contribuinte questiona a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, reputandoa inconstitucional e confiscatória. Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Bem, a fundamentação legal está clara no Auto de Infração, fl. 276, de onde transcrevo "Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150%. Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.439/96". Constatadas as infrações à legislação tributária, aplicamse as multas legalmente previstas. No caso, como expressamente indicado, aplicouse a multa prevista no dispositivo legal transcrito. A atividade administrativa de lançamento de tributos é vinculada à lei, não cabendo às autoridades administrativas aplicarem outros percentuais, não previstos na lei tributária. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 544 9 Quanto ao cabimento da legislação tributária federal e sua compatibilidade com a Constituição de 1988, citese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. 150%. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) A motivação para a qualificação da multa foi a seguinte, conforme Relatório Fiscal (fl. 281): Em relação aos rendimentos recebidos de pessoa física, informados em declaração após o início do procedimento fiscal, justificase a majoração da multa, nos termos do art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda. A reiteração da conduta ..., os altos valores movimentados em sua conta corrente e declarados posteriormente, demonstram conhecimento da obrigação e a vontade consciente de eximirse... Vejamos que a multa foi qualificada apenas em relação a uma das infrações. Em relação aos depósitos bancários aplicouse a multa de 75%. Mas o Auditor usou como um dos motivos "os altos valores movimentados". Não faz sentido. Também não faz sentido que do montante dos depósitos mensais tenha excluído os valores de rendimentos voluntariamente declarados e sobre eles aplique a multa qualificada. E se o contribuinte não declarasse? Tudo seria tributado como depósitos com origem não comprovada e a multa seria a de 75%. Como ele declarou, aplicouse a multa mais gravosa sobre a parcela declarada. Declarar, no caso, serviu para dobrar a penalidade. Ainda, reiteração não é argumento para qualificação de multa. O contribuinte pode acreditar, sem dolo, ter direito a determinada isenção ou dedução. Decorridos vários exercícios, o Fisco atua de ofício e reclassifica os rendimentos declarados como isentos ou glosa a dedução. Não se demonstra qualquer conduta dolosa ou fraude. Nesse exemplo, não Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 545 10 haveria porque qualificar a multa, ainda que a infração fosse observada em quatro ou cinco anos seguidos. Dessa feita, entendo pela desqualificação da multa, sobre a infração capitulada como "omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício", por discordar dos motivos apresentados pela fiscalização. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO O entendimento que vinha expressando, neste aspecto, era no sentido de ser preciso contextualizar a situação analisada, para se verificar as conseqüências e sanções a serem aplicadas, dentre as previstas no nosso ordenamento jurídico. A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor, demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa de 75%, chamada “multa de ofício”, que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A conduta realizada pelo contribuinte, pelo que do processo consta, evidencia contraditório exigirse dele, nesse contexto, o recolhimento do IRPF antecipado (carnê leão). Embora pudesse ser, hipoteticamente, desdobrada em etapas, a conduta do contribuinte possui indissociável unidade lógica. Assim, sua segmentação, para fins de aplicação de penalidade, implicaria em injustificável bis in idem, pois significaria a aplicação de duas sanções sobre o mesmo suporte fático. Outrossim, tendo em vista que a interpretação do regime de aplicação de penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo reproduzido: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Entendia que não se pode, desse modo, interpretar literalmente cada enunciado, desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto fático. Da mesma forma a natureza punitiva do vínculo estabelecido pela autoridade fiscal exige que, dentre as alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte. Registrava que a alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 546 11 percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida no decorrer do ano calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê leão ou de estimativas, e a segunda quando verificada omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Desta feita, encerrado o ano calendário, não haveria o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnê leão devido durante o ano calendário. Nada obstante, esse era o entendimento já assentado no âmbito deste Conselho. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]” (Processo n.º 10909.000897/200786; Acórdão n.º 210100.281, 2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário provido. (Processo n.º 18471.000571/200586; Acórdão n.º 2802002.160, 2013) MULTA ISOLADA – DUPLA INCIDÊNCIA – A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas deve ser punida com a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Indevida sua exigência conjunta com a multa de ofício por declaração inexata, com a mesma base de Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 547 12 cálculo.(CSRF/0400105,de 22/09/2005, da 4ª Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) Contudo, em recente Acórdão, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no seguinte sentido: Acórdão 9202004.022 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2016 MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. Nesse Acórdão, entendeuse que a Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, não deixa dúvidas, no sentido de que estão tipificadas duas multas: uma pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual, e outra, isolada, pela falta do pagamento mensal, a título de antecipação. Ainda, que a "vasta jurisprudência do CARF", dizia respeito a exigências anteriores à legislação ora aplicada, ou seja, a "fatos geradores anteriores a 2007, proferidos à luz da redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". Dessa feita, ressalvado meu entendimento pessoal, é mister curvarme ao expressado pela Câmara Superior, em solução de divergência, como medida de eficiência, economicidade, segurança e confiança nos julgamentos administrativos. Não obstante, se reconhecido que havia dúvidas quanto à aplicação das duas multas, para fatos geradores ocorridos antes da alteração promovida no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, como é o caso aqui em análise, cujos fatos geradores ocorreram em 2003 e 2004, a aplicação de penalidades deve ser da forma menos gravosa ao contribuinte. No Acórdão acima transcrito, inclusive, foi citado o seguinte Acórdão, como paradigma: Acórdão nº 2201002.718, de 09/12/2015: "MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 548 13 multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual."(destaquei) Em suma, considerando as datas dos fatos geradores aqui em análise, anteriores a 2007, indevida a exigência da multa isolada por falta de recolhimento mensal do carnê leão, concomitantemente com a multa de ofício. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" não é tributo, conforme conceito disposto em seu artigo 3º, o legislador quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme o CTN, no artigo 139, engloba tanto o tributo quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, conforme estabelecido em Súmula, de observância obrigatória. Vejamos: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16024.000850/200835 Acórdão n.º 2202003.755 S2C2T2 Fl. 549 14 Súmula CARF nº 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Pelo todo acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício sobre a infração capitulada como "omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício" para 75% e cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento de carnê leão. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722157/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 22 15 7/ 20 15 -9 3 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 3 2 Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: 1. O presente processo trata de Notificação de Lançamento, lavrada em face do contribuinte acima identificado, cópia às folhas 6 e seguintes, em decorrência da revisão da sua declaração de ajuste anual, exercício 2013, ano calendário 2012, que implicou apuração de Imposto de Renda Pessoa Física (receita 0211) no montante R$ 3.823,62, sujeito à multa de mora (20%) e juros legais, em face da constatação da infração de Compensação Indevida do IRRF, no montante de R$ 4.262,13, relativos à fonte pagadora Fell Confecções e Serviços Ltda. 2. Cientificada, em 20 de junho de 2015, AR às folhas 25, a interessada apresentou impugnação, em 20 de julho de 2015, às folhas 2 e seguintes, por intermédio de procurador, mandato as folhas 13, contestando a exigência, conforme se segue: · Alega que a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte deve ser mantida. Não obstante, requer sejam excluídos os respectivos rendimentos por pertencerem ao cônjuge. · Aduz que apresentou declaração do Imposto de Renda Original apurando imposto apagar de R$ 13.607,98, devidamente quitado, de modo que, feitos os ajustes, teria direito à restituição de imposto, e não imposto a pagar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. A alegação de erro no preenchimento da DIRPF revisada, desacompanhada de elementos probatórios, não autoriza a exclusão de rendimentos de aluguéis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do prazo legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e, em síntese, dispôs que: a) a mesma cobrança está sendo efetuada de seu cônjuge, por meio da Notificação de Lançamento n.º 2013/679530585755637; b) na mesma data do protocolo do recurso sob análise, foi realizado pedido nos autos do referido processo no sentido de assumir a totalidade dos rendimentos referente ao contrato de locação em questão; c) em 31/08/2012, conforme estipulado no contrato, findouse a locação do imóvel e o Sr. Odilon percebeu, naquele ano, oito meses de aluguel mensal de R$ 4.459,93, totalizando o valor de R$ 35.679,44; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 4 3 d) apesar de o aditivo não ter sido firmado, a locatária se mostrou intransigente e insistiu com o envio de informes de rendimentos errados; e) como a soma dos valores percebidos pelo impugnante estavam corretos, a DAA original, anocalendário 2012, foi preenchida levandose em consideração o Informe de Rendimentos Disponibilizado pela empresa ITWSPE, doc. 05; f) verificase erro na digitação na DAA tanto do nome da empresa "LTWSPE" quanto no total dos rendimentos tributáveis R$ 35.879,44, quando o valor correto seria R$ 35.679,44, por ser o resultado da multiplicação simples de oito meses de aluguel de R$ 4.459,93; g) requer a exclusão dos rendimentos e IRRF correspondente à Fonte Pagadora 04.929.701/00160 FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA OU BOB STORE CONFECÇÕES LTDA, bem como as respectivas retenções, por estar sendo objeto de cobrança em duplicidade de imposto. É o relatório. A contribuinte apresentou Contrato de locação comercial , fls. 57 e seguintes; Contrato de prestação de serviços e de administração de bens, fls. 68 e seguintes; Aditivo de Contrato de locação, fls. 71 e seguintes; 4ª Alteração do Contrato Social da LTWSPE Confecções LTDA, fls. 78 e seguintes; Comprovante de Rendimentos pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte da LTWSPE em nome de Odilon Lima (cônjuge da recorrente), fls. 83 e seguintes; Informações apresentadas em DIRF do anocalendário 2012 Fontes pagadoras, fls. 86 e seguintes; Relação anual dos alugueres recebidos ano de 2012, fls. 88 e seguintes; Cópia da petição protocolizada nos outros autos, fls. 90 e seguintes; Cópia da Notificação de Lançamento relativa ao cônjuge, fls. 95 e seguintes. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Consoante narrado, os presentes autos tratam da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte referente à Fell Confecções e serviços LTDA. Na Descrição dos fatos e enquadramento legal consta que "a contribuinte não apresentou todos os documentos e, em relação à fonte pagadora declarada com o CNPJ 04.929.701/000160, solicitados pelo Termo de Intimação, a DIRF apresentada por esta fonte pagadora não consta o contribuinte como beneficiário do IRRF, desta forma foi efetuada a glosa do valor declarado do IRRF". Aduz a recorrente que os rendimentos que ensejaram a retenção na fonte foram recebidos pelo seu esposo, Odilon, e decorreram de um Contrato de Locação Comercial do bem acima descrito com a Locatária BOB Store Confecções LTDA, CNPJ 04.929.701/000160 e, na mesma ocasião, firmou Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Bens com Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10730.722157/201593 Resolução nº 2201000.270 S2C2T1 Fl. 5 4 o Sr. Jorge N. Neiva Lordelo, cujo o objeto era a administração daquele contrato. Restou acordado um aluguel no valor de R$ 4.000,00. Posteriormente, após a assinatura do contrato de locação, a locatária alterou sua razão social para Fell Confecções e Serviços LTDA, mantendo a mesma inscrição no CNPJ. Em 01/02/2012, de forma unilateral, o representante da locatária enviou para a Administradora um Aditivo ao Contrato de Locação original, substituindo a locatária Bob Store Confecções LTDA (ou FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA) pela ITWSPE CONFECÇÕES LTDA, CPNJ 14.310.322/000141, fls. 71 e seguintes. Esclarece a contribuinte que a Fell Confecções é a única sócia da nova locatária ITWSPE Confecções, conforme se verifica da 4ª Alteração Contratual, fls. 78 e seguintes. Em 31/08/2012, conforme estipulado no contrato, findouse a locação do imóvel e o Sr. Odilon percebeu, naquele ano, oito meses de alugueres mensais de R$ 4.459,93, totalizando o valor de R$ 35.679,44. Acrescentou também a contribuinte que foram cometidos vários erros, nos informes de rendimentos, pela fonte pagadora, inclusive erro de digitação na DAA tanto no nome da empresa "LTWSPE", quanto no total dos rendimentos tributáveis R$ 35.879,44, mas não resta dúvida de que o valor correto é R$ 35.679,44, por ser a multiplicação simples dos oito meses de aluguel de R$ 4.459,93. Destaca a recorrente, além disso, que o seu cônjuge, conforme petição anexa, assumiu, em seu CPF, a totalidade dos rendimentos referente ao Contrato de Locação em questão. Nesse contexto, tendo em vista que está sendo realizada a mesma cobrança de seu cônjuge, com relação aos rendimentos dos alugueres do mesmo imóvel, no exercício de 2013, requer a contribuinte a completa exclusão de rendimentos declarados indevidamente e o respectivo IRRF daquela fonte pagadora. Reiterase que o esposo da recorrente foi também Notificado em razão da omissão de rendimentos de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, fls. 96, bem como da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, fls. 97, referente à mesma fonte e ao mesmo anocalendário sob análise. Convém destacar que a contribuinte é uma senhora de 89 anos, portadora do Mal de Alzheimer e seu marido um senhor de 90 anos de idade. Diante do exposto, considerando a possibilidade de duplicidade da exigência, converto o julgamento em diligência para a análise conjunta dos presentes autos com a Notificação de Lançamento n.º 2013/679530585755637. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720154/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.922
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 54 /2 01 2- 70 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.091. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722300/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 30 0/ 20 10 -9 4 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.297.2500, consolidado em 07/10/2010, em face da ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., no valor de R$ 18.183,86 (dezoito mil, cento e oitenta e três reais e oitenta e seis centavos), referente à multa por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com incorreções, omissões, ou inexatidões no período de 01/99 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/11 os fatos que ensejaram tal atuação se baseiam em documentos já existentes no Auto de Infração original (DEBCAD N° 35.675.4189), anulado pro vício formal. Sendo assim, o Auto de Infração aqui tratado, se configura como um lançamento substitutivo. A Fiscalização alega que o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a conseqüente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. A Recorrente apresentou Impugnação e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AIOA DEBCAD n.º 37.297.2500 (CFL 69) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 161/165, alegando, em síntese: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente, a presente Autuação, por conexão administrativa, terá provimento intimamente ligado com aquele a ser deferido no processo de n° 10166016223/200815, em que se discute o AI DEBCAD n° 35.675.4219, na medida em que, se considerada insubsistente a obrigação principal, não há como subsistir a obrigação acessória; Que o presente processo deve ser apensado ao que trata da obrigação principal, para conjunta tramitação, sob pena de nulidade; Que a autuação fiscal se mostrou irregular, baseada em insinuações e desprovidas de razoabilidade; Que as conclusões fiscais são ilegítimas posto terem sido alcançadas pela análise de dados realizada de forma tendenciosa. Que os critérios de aferição para conceber os valores apurados como não informados em GFIP ou levados a registros contábeis se deu de forma temerária quando se valeu de presunção alicerçada em bancos de dados utilizados apenas como meio de controle interno para apuração do salário de contribuição tido como devido; Que tais questões devem ser debatidas no processo de n° 10166.016223/200815 (obrigação principal) posto que seu resultado refletirá no resultado deste. A 3ª Turma Especial do CARF, por intermédio da Resolução nº 2803000.127, às fls. 167/174, por maioria de votos, entendeu pela conexão e determinou que os presentes autos fossem encaminhados à 1º TO da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, ou Turma responsável, para julgamento conjunto com processo nº 10166.016223/200815, com base no artigo 9º , § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nesse diapasão, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 Seção, ao analisar os autos já com as devidas conexões promovidas, mais uma vez converte o feito em diligência, por intermédio da Resolução nº 2302000.357, às fls. 178/181, tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, naquele feito, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Assim o julgamento foi convertido em diligência para que se aguarde o deslinde do processo nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão a ser proferida nestes autos. Ocorre que, da manifestação fiscal, em retorno da diligência solicitada nos autos nº 10166.016223/200815, a Recorrente não foi intimada a se manifestar, conforme pude constatar após análise daqueles autos. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Inicialmente cumprese ressaltar que a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, por intermédio da Resolução nº 2302000.357, às fls. 178/181, converteu o presente feito em diligência tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência, naquele feito, estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Ocorre que, após o retorno da referida diligência de fls.11.251/11.253, nos autos do processo nº 10166.016223/200815, ao invés de se promover a intimação da Empresa Recorrente para se manifestar sobre o retorno da diligência, o processo foi encaminhado para nova distribuição/sorteio de Relator, em virtude do anterior não mais pertencer ao colegiado do CARF (fls.11.256). Em seguida, os autos foram designados a esta relatoria (fls.11.263). Assim, novamente aquele feito foi convertido em diligência para intimar a Recorrente a se manifestar sobre a Informação Fiscal proferida. Nessa esteira de acontecimentos, diante da falta de intimação para manifestação da Recorrente naquele feito, e em observância ao princípio da ampla defesa e do contraditório, reitero a conversão do presente feito em diligência, para que se aguarde o deslinde do processo principal nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão aqui a ser proferida.. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000577/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004
PROVA PERICIAL. CONCLUSÃO DA NÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO QUE GARANTAM A APOSENTADORIA ESPECIAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL AO GILRAT.
Comprovando-se mediante prova pericial que os trabalhadores não se encontravam expostos a condições de trabalho que lhes garantia o benefício da aposentadoria especial, considera-se inocorrido o fato gerador da contribuição adicional àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho - GILRAT.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2402-005.862
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões em relação ao mérito o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ADICIONAL DA CONTRIBUIÇÃO AO GILRAT PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. Recorrente CUMMINS BRASIL LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PROVA PERICIAL. CONCLUSÃO DA NÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO QUE GARANTAM A APOSENTADORIA ESPECIAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL AO GILRAT. Comprovandose mediante prova pericial que os trabalhadores não se encontravam expostos a condições de trabalho que lhes garantia o benefício da aposentadoria especial, considerase inocorrido o fato gerador da contribuição adicional àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho GILRAT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 77 /2 00 7- 24 Fl. 8191DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões em relação ao mérito o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 8192DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por Turma do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, onde se decidiu devolver os autos à origem para realização de perícia técnica. O lançamento Conforme o relatório fiscal de fls. 485/503, a NFLD n. 35.684.5915 foi lavrada para exigência adicional para financiamento das aposentadorias especiais previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.° 8.213/91, o qual representa um acréscimo à contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (art. 22, inciso II, da Lei n.° 8.212/91). Afirmase que a lavratura se deu em razão da empresa haver deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de controlar os riscos ocupacionais existentes e por fim, de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Segundo o fisco, foi realizada auditoria nas demonstrações ambientais mediante análise de Perfis Profissiográficos Previdenciários PPP; Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho LTCAT; Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA; Programa de Controle Médico da Saúde Ocupacional PCMSO; Comunicações de Acidentes de Trabalho CAT e demais documentos relacionados à comprovação do gerenciamento do ambiente laboral. Registra que no campo "ocorrência" da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social foi lançado código incompatível com as efetivas condições de trabalho observadas pela documentação apresentada. Mencionase que este campo indica a exposição ou não do trabalhador a agente nocivo que implique na concessão de aposentadoria especial pelo INSS. Diante da situação narrada, o fisco lançou por arbitramento o crédito referente ao financiamento da aposentadoria especial, com fundamento no art. 57, § 6.° da Lei n.° 8.213/1991, introduzido pelo art. 1.° da Lei n.° 9.732/1998. Ressaltase que as contribuições incidiram, exclusivamente, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados sujeitos às condições especiais de trabalho, com atuação no estabelecimento fabril. A seguir a autoridade fiscal passa a narrar as inconformidades verificadas nos documentos examinados, as quais resumo a seguir. a) Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP Fl. 8193DF CARF MF 4 A empresa não fornecia ao empregado quando da rescisão do contrato de trabalho o PPP, documento que abrange as atividades desenvolvidas pelo trabalhador, de modo que este pudesse fazer prova junto ao INSS do nível de exposição a agentes nocivos a que estava submetido. O descumprimento deste dever legal deu ensejo à lavratura do Auto de Infração AI n. 35.684.2720. Apresenta relação dos trabalhadores desligados para os quais a empresa não conseguiu comprovar a entrega do documento, o que, segundo o fisco, representa descaso do empregador para com a questão, tendose em conta o alto grau de incidência de acidentes de trabalho e a exposição dos empregados a diversos agentes nocivos. b) Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho LTCAT Afirmase que a empresa também deixou de apresentar este documento para todo o período exigido, obrigação legal a que se sujeitava desde 28/04/1995, exceto para o agente ruído, para o qual sempre houve esse dever. Para a autoridade lançadora constatase que a empresa não mensurou, por exemplo, a efetiva exposição dos trabalhadores ao agente físico ruído em relação aos limites de tolerância, já que para isso, deveria considerar o tempo de exposição e a intensidade (nível de ruído). c) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA Segundo o fisco, os PPRA apresentados indicam que a empresa reconhece a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho, tendo constado nos programas apresentados a necessidade de neutralizar ou atenuálos, mediante a utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva EPC e Equipamentos de Proteção Individual EPI. Todavia, relatase que a notificada não comprovou o controle eficaz sobre o uso de EPI, por não haver ficha individual por trabalhador até 2003, quando o próprio PPRA/2000 já apontava a necessidade de revisão no controle de fornecimento de protetor auricular. Indicase que a empresa já havia sido autuada pelo mesmo fato em ação fiscal pretérita. d) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO Registrase que na análise dos PCMO relativos ao período de 1999 a 2004 o mapeamento do risco ruído não abrange todas as áreas sujeitas ao agente nocivo, conforme detalhado no PPRA. Nesse sentido os setores não contemplados não possuem o gerenciamento relativo a este risco. O PCMSO de 2000 registra a incidência de Perdas Auditivas Induzidas pleo Ruído PAIR com origem no ambiente laboral. Esta afirmação é corroborada pelo Relatório Fiscal da Infração referente ao AI DEBCAD n°. 35.684.2711. Menciona que os dados extraídos do PCMSO não retroalimentaram o PPRA, que deveria ter sido alterado em função dos resultados dos exames clínicos realizados nos segurados expostos aos agentes nocivos. e) Comunicação de Acidente de Trabalho CAT A autoridade fiscal ressalta que empresa foi autuada por ter deixado de emitir a CAT para os casos de acidentes de trabalho sem afastamento e os agravamentos de doença Fl. 8194DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 4 5 ocupacional AI DEBCAD 35.684.2711, como referenciamos acima. Dentro do prazo regulamentar não apresentou defesa, tendo efetuado o recolhimento da multa. Tal fato, no entender do fisco, reflete o reconhecimento pela empresa da ineficácia dos seus programas de redução/neutralização dos agentes nocivos. d) Reclamatórias trabalhistas O elevado número de ações trabalhistas movidas contra a notificada, com objetivo do recebimento de insalubridade e periculosidade, dão conta da incapacidade da empresa de gerenciar os seu ambiente de trabalho quanto à redução dos agentes que prejudicam a saúde do trabalhador. Com base no artigo 233 do Decreto n.º 3048/99 e da IN INSS/DC n.º 100/03, foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos, de acordo com a documentação apresentada, ou seja, aqueles ligados aos setores da produção. Os valores apurados foram extraídos das folhas de pagamento fornecidas pela empresa, no período de 04/1999 a 11/2004, inclusive o décimo terceiro salário dos empregados horistas, conforme planilhas eletrônicas sob código de identificação 4100397009. A impugnação A empresa apresentou impugnação tempestiva de fls. 513/549, onde, em apertada síntese, alegou que: a) quando da apresentação da GFIP não declarou a existência de empregados sujeitos a condições de trabalho que lhe garantissem a aposentadoria especial, uma vez que estes não laboravam em ambientes que lhes desse direito ao mencionado benefício; b) o lançamento está incorreto, pois tomou como premissa presunções lastreadas apenas em documentos e laudos apresentados e na existência de reclamatórias trabalhistas; c) a empresa deixou de apresentar ao fisco os documentos PPP e LTCAT, razão pela qual foi autuada, no entanto, efetuou o recolhimento da multa; d) recolheu também a multa decorrente da conduta de apresentar o PPRA com irregularidades formais; e) No tocante a falta de encaminhamento da CAT no prazo legal, seguiu o mesmo proceder, com quitação da multa, todavia, em absoluto isso representa o reconhecimento da ineficácia de seus programas de proteção à saúde do trabalhador; f) os fatos narrados pelo fisco, no máximo, podem caracterizar indícios, mas não autorizam a automática presunção da existência de riscos, uma vez que não restou comprovado em momento algum a existência de segurados sujeitos a condições especiais de trabalho que gerassem a aposentadoria especial; g) inexiste relação lógica de antecedente e consequente entre a falta ou deficiência de um documento e a falta de gerenciamento do ambiente de trabalho; Fl. 8195DF CARF MF 6 h) a notificada já sofreu a punição pela falta de entrega de elementos ou pela sua apresentação deficiente mediante a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória; i) para prestigiar o princípio da verdade material, deveria o fisco, no decorrer da sua auditoria, verificar em que circunstâncias e quais empregados estariam permanentemente exposto a agentes nocivos; j) verificase que o crédito tributário foi lançado com base em simples presunção de que o ambiente ocupacional no qual se encontram seus empregados é de elevado grau de risco. Tal procedimento não é admitido pela doutrina, conforme texto citado; k) irregularidades formais no controle dos EPI não são suficientes para, por si só, descaracterizar o seu fornecimento pela notificada e a efetiva utilização pelos empregados; l) para a jurisprudência, não havendo ambiente insalubre ante o fornecimento dos EPI, é inadmissível o enquadramento do trabalho como especial, de modo que não há que se falar na existência de aposentadoria especial e muito menos na exigência do respectivo adicional; m) a existência de reclamatórias trabalhistas também não é suficiente para confirmar a presunção fiscal, posto que os laudos produzidos nestas ações ou concluem que as condições de trabalho são satisfatórias ou que os EPI eliminam o agente nocivo presente no ambiente fabril. Cita laudo em que o especialista menciona que o ruído se encontra dentro dos limites legais, além de que este agente é eliminado pelo uso de EPI; n) ainda que a contribuição fosse devida, não poderia ser incluída na base de cálculo a remuneração dos aprendizes matriculados no SENAI; o) há de se reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano de 1999; p) a taxa SELIC é inaplicável para fins tributários. A diligência O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência, de modo que o fisco se pronunciasse acerca da inclusão na base de cálculo dos valores pagos aos aprendizes encaminhados pelo SENAI. O fisco reconheceu como indevida a inclusão desses trabalhadores na apuração e propôs a retificação do lançamento. A empresa se manifestou no sentido de reafirmar o que já havia exposto e adicionar relatório técnico cuja conclusão é de que o uso de protetores auriculares atenuava a incidência do agente ruído a níveis aceitáveis. Ao final, requereu a declaração de improcedência da lavratura ou que seja deferido o seu pedido para realização de perícia técnica com a finalidade de comprovar suas alegações. Apresentou os quesitos e o seu assistente técnico. Fl. 8196DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 5 7 A decisão de primeira instância Na decisão de fls. 5.295/5.321, decidiuse pela procedência parcial do lançamento, acatando a sugestão de excluir da base de cálculo os valores correspondentes a pagamentos a aprendizes do SEBRAE. Acerca da utilização de EPI, o julgador da Secretaria da Receita Previdenciária ponderou que o uso do equipamento não garante a proteção ao trabalhador, sendo fundamental o monitoramento contínuo do ambiente laboral, em consonância com normas que regem a matéria. Afirmase que as autuações por descumprimento de obrigação acessória, embora não possam dar fundamento ao lançamento da obrigação principal, concorrem como elemento formador de convicção acerca do descumprimento de normas de proteção à saúde do trabalhador, como é o caso das CAT apresentadas fora do prazo. Alegouse ainda que o lançamento não foi apenas lastreado em aspectos formais, mas houve o aprofundamento da análise documental, onde se constatou que os relatórios de exames médicos, em especial no que tange ao controle de audiometria, revela de grande magnitude a incidência de Perda Auditiva Induzida por Ruído — PAIR. Acrescentouse que o fato da empresa de deixar de entregar Atestado de Saúde Ocupacional — ASO aos funcionários que tiveram exames alterados é mais uma evidência do acerto do fisco. Também tomouse como evidência do deficiente gerenciamento de riscos a existência de grande número de reclamatórias trabalhistas onde os demandantes exigiam adicional de insalubridade. Não foram acatados como provas da existência de controle dos agentes nocivos no local de trabalho os laudos produzidos em processos judiciais, por se tratarem de situações específicas e restrito às partes. Quanto ao relatório encaminhado juntamente com aditamento da defesa, o julgador alega que foi produzido quando a empresa já se encontrava em ação fiscal e o estudo se prolonga para competências não abrangidas pela NFLD. Afirmase ainda que o procedimento de auditoria fiscal, não teve o objetivo de atribuir ineficiência aos equipamentos de proteção individual e coletiva, a imposição do débito presente se deu em face do mau gerenciamento dos riscos ocupacionais como ficou demonstrado pela auditoria. Segundo o julgador monocrático, as normas internas de gerenciamento de risco mostramse ineficazes quando são colocadas de frente com a alta incidência de PAIR, com as ações trabalhistas e com o não cumprimento das normas cogentes aplicáveis à matéria. O pedido de perícia foi indeferido sob o argumento de que não teria utilidade para solução da lide uma vez que os quesitos formulados já são contemplados pela descrição do fisco, além que a verificação de fatos atuais não alteraria a irregularidade de condições de trabalho pretéritas. A decadência suscitada não foi reconhecida e, quanto à aplicação da taxa Selic, foi considerada em conformidade com ordenamento tributário pátrio. Fl. 8197DF CARF MF 8 Em razão da desoneração acatada na decisão monocrática, foi necessária a homologação pela Chefia do Serviço da Receita Previdenciária, autoridade superior, conforme consignado à fl. 5.321. O recurso voluntário Cientificado da decisão em 12/08/2005, fl. 5.327, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 17/10/2005, fls. 5.335/5.419. A empresa postula inicialmente o recebimento do recurso, uma vez que acompanhado da guia recursal, além de ser tempestivo. Acerca da tempestividade, alega inicialmente a suspensão do prazo para recorrer pela própria RFB e, depois, por força de liminar, concluindo que na data da protocolização ainda não havia precluído o seu direito de interpor o recurso. A seguir, relata os fatos processuais ocorridos até a decisão de primeira instância e suscita a nulidade da decisão de primeira instância, de modo que seja produzida a prova pericial e efetuada análise acurada do relatório técnico acostado na defesa aditiva. Argumenta que a recorrente não pode ser compelida ao recolhimento do adicional à contribuição social para a Seguridade Social, pois seus empregados não estavam expostos ao agente ruído em patamar superior ao previsto pela legislação previdenciária, como restou demonstrado no relatório técnico elaborado por peritos, o qual, foi sumariamente rejeitado pelo julgador a quo juntamente com o pedido de perícia, configurando ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa, além do cerceamento ao seu direito de defesa. Refuta a presunção levada a efeito pela fiscalização, sob a alegação de que o relatório técnico demonstrou empiricamente que nenhum funcionário da recorrente estaria exposto a níveis de ruídos acima dos previstos pela legislação previdenciária. Enfatiza que, partindose da premissa adotada na decisão recorrida no sentido de que a prova (relatório técnico) teria sido produzida somente após o inicio da fiscalização, o próprio lançamento padeceria de vicio, pois a autoridade lançadora também não teria como presumir a existência do agente ruído no período anterior ao inicio da ação fiscal. Assevera que o anexo V do relatório técnico comprova que havia a efetiva entrega dos EPI aos funcionários que atuavam no parque fabril e que estes poderiam requisitar os equipamentos quantas vezes necessitassem. Menciona ainda que realizava palestras regulares sobre a importância da sua utilização, além de aplicar sanções disciplinares aos empregados que descumprissem as regras de segurança. Advoga que a falta do monitoramento contínuo dos riscos, caso tivesse sido demonstrada pelo fisco não poderia dar margem à incidência do adicional em questão, uma vez que a suposta ausência de monitoramento não é fato gerador do tributo, o qual somente se concretiza diante da exposição de trabalhadores a condições de trabalho que dêem ensejo à aposentadoria especial. No que diz respeito aos descumprimentos de obrigações acessórias, alerta que não podem levar à exigência de tributo sem que tenha ocorrido o fato gerador previsto em lei, mormente quando há prova exatamente em sentido contrário. Argumenta que os exames de audiometria realizados pela recorrente foram elaborados levando em conta a Tabela Merluzzi, a qual por não considerar todas as causas de Fl. 8198DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 6 9 perda de audição não pode ser utilizada para uma análise segura. Nesse sentido, as demonstrações constantes nos Anexos III e IV da NFLD se mostram inadequadas. Sustenta que o número de ações trabalhistas contra a recorrente também não é um critério seguro para se concluir acerca da falta de gerenciamento dos riscos ambientais. O acesso ao Judiciário é garantido a todos e o exercício desse direito não pode ser tomado como evidência para dar suporte a acusação fiscal combatida. Demais disso, segue, em grande parte das referidas ações trabalhistas, a recorrente acostou provas periciais comprovando a salubridade do local de trabalho das reclamantes, que não foram sequer analisadas pelo fisco. Assegura que as razões de decidir expostas no aresto atacado não devem ser mantidas, uma vez que o julgador monocrático, não obstante tenha reconhecido a preocupação da empresa com a questão de segurança, afirma que o mundo ideal apresentado na defesa divergiria do mundo fático, dada a ineficácia do gerenciamento dos riscos, alta incidência de PAIR, ações trabalhistas e não cumprimento das obrigações acessórias atinentes à prevenção contra os agentes nocivos no ambiente laboral. Insiste em afirmar que a apreciação da questão pelo órgão a quo parte de premissas vagas e que não levaram a uma acurada análise técnica do relatório acostado, a qual seria imprescindível para o deslinde da contenda. Suscita a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano de 1999 e a inaplicabilidade da taxa Selic para fins tributários. Por fim, pede a declaração de improcedência do lançamento ou realização de perícia, para qual indica assistente técnico e se reporta aos quesitos formulados na defesa complementar. Contrarrazões Às fls. 5.429/5.439 foram juntadas contrarrazões apresentadas pela Delegaria da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Guarulhos/SP rebatendo as razões recursais, em especial alegando que: a) não houve o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, haja vista que o laudo pericial acostado foi apreciado, conforme se pode ver dos itens 43 a 49 decisão notificação; b) o pedido de perícia foi indeferido mediante fundamentada análise baseada nos elementos fornecidos pela autoridade lançadora, bem como nos demais documentos constantes dos autos, ficando claro que no contexto do trabalho de auditoria foram exauridos formulados no pedido de perícia técnica; c) o relatório pericial acostado partiu de amostragens de campo e certificados de calibração emitidos a partir de 11/2004, inexistindo elementos no referido documento que desfaçam as perdas auditivas já consolidadas no tempo; d) não há como acatar a desconsideração dos documentos que comprovam a ocorrência de moléstias do trabalho em razão da inadequação do método utilizado pela própria empresa (Tabela Merluzzi); Fl. 8199DF CARF MF 10 e) ainda que a empresa tenha tomado providências no sentido de aprimorar o gerenciamento ambiental, os fatos pretéritos permanecem inalterados, o que justifica o lançamento, o qual tomou como fundamento as práticas omissivas pelas quais a recorrente foi autuada anteriormente, a exemplo de não fornecer o ASO aos segurados com exames alterados, não efetuar comunicações de acidentes de trabalho e não entregar o PPP. A diligência determinada pelo CRPS A 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS entendeu cabível a conversão do julgamento em diligência, fls. 5.451/5.467. A determinação foi no sentido de que fosse realizada análise pericial do ambiente de trabalho no estabelecimento fabril da recorrente, respondendose aos quesitos formulados pela recorrente e se atestando ou não a existência de gerenciamento eficaz e adequado do seu ambiente laboral que impeça a exposição dos trabalhadores a agentes nocivos a sua integridade física. A diligência deveria ainda esclarecer se existiria anterior benefício de aposentadoria especial concedido a empregados da recorrente e se há correlação entre os benefícios acidentários ou previdenciários concedidos e a presença de agentes nocivos que dêem direito à aposentadoria especial. O resultado da diligência Em atendimento à diligência, o fisco manifestouse às fls. 5.477/5.479, onde relata que uma análise do ambiente laboral, mediante visita in loco, não teria serventia, haja vista que a situação atual poderia não refletir as condições existentes quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, o auditor sugeriu que os autos fossem encaminhados a médico perito do INSS para que se pronunciasse acerca do gerenciamento dos riscos no ambiente de trabalho com base nos exames médicos efetuados nos empregados da recorrente e outros elementos. O Médico do Trabalho e Perito do INSS emitiu o parecer técnico de fls. 5.531/5.667, onde, após longo arrazoado concluiu que: "Nos levantamentos por amostragem que procedemos nesta gerência, constatamos o enquadramento em alguns casos, para períodos até 05 de Março de 1997, no Anexo III, do Decreto 53.831/64831/64, sob o código 1.1.6, por exposição a níveis de pressão sonora superiores a 80 dB(A), de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente. Mister se faz ressaltar, no entanto que as análises que concluíram pela concessão não levaram em consideração o uso de Equipamentos de Proteção Individual, protetores auriculares, apesar de consignado nos laudos que ensejaram o enquadramento. Em outras análises o enquadramento foi negado em função de informações constantes do Perfil Profissiográfico Previdenciário de que os resultados dos níveis de pressão sonora foram obtidos por similaridade, contrariando os atos normativos vigentes à época da análise, especificamente a Instrução Normativa INSS 118, de 14 de Abril de 2005, DOU de 18.04.05, em • seu artigo 161, § 30, inciso III." Fl. 8200DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 7 11 O Médico do Trabalho indicado como assistente técnico da empresa emitiu seu lado de fls. 5.681 e segs., no qual o profissional se propôs a analisar os 34 processos judiciais ajuizados contra a empresa entre 2001 e 2006, onde se discute indenização por danos ou reintegração ao emprego. Foi objeto do laudo também o Programa de Proteção Auditiva PPA da empresa do ano de 2007. A manifestação do sujeito passivo A empresa se manifestou sobre o parecer do Perito do INSS às fls. 7.741/7.755, ali expõe que as respostas apresentadas no documento comprovam que a empresa gerenciava adequadamente os riscos do ambiente de trabalho e que os seus empregados não estavam expostos a agentes nocivos que lhe garantisse a concessão do benefício de aposentadoria especial, assim não seria devido o adicional lançado. Pede a juntada de manifestação do seu assistente técnico acerca do laudo elaborado pelo Perito do INSS. Os autos retornaram para julgamento pelo CARF. É o relatório. Fl. 8201DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Análise da admissibilidade já foi efetuada quando do julgamento no CRPS, tendo sido considerado tempestivo o recurso. Mantenho este entendimento. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 8202DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 8 13 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, a ciência do lançamento, que abrange o período de 04/1999 a 11/2004, ocorreu em 21/01/2005. Tendose em conta que o lançamento se refere apenas ao adicional do GILRAT é de se concluir que havia antecipação do pagamento para a contribuição principal, o que nos conduz a aplicação da regra do § 4.º do art. 150 do CTN para a contagem da decadência. Nesse sentido, devem ser afastadas pela decadência as competências de 04 a 12/1999. Mérito O tributo em questão é o adicional à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT, previsto para financiamento da aposentadoria especial, conforme previsão dos arts. 57 da Lei n.º 8.213/1991, verbis: Art.57.A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. O art. 58 da mesma Lei estabelece condições para que o segurado obtenha o benefício e ao mesmo tempo estabelece obrigações acessórias a serem cumpridas pelo empregador, no sentido de comprovar se há exposição aos agentes prejudiciais à saúde do trabalhador durante sua permanência na empresa e as providências adotadas para reduzir ou eliminar a intensidade dos agentes nocivos. Eis a sua dicção: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 8203DF CARF MF 14 § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) O fisco observou o descumprimento de diversos deveres da empresa relacionados ao gerenciamento dos riscos do ambiente laboral, como a falta de apresentação do LTCAT, PPP, ASO e apresentação de CAT fora do prazo legal, além de alto índice de reclamatórias trabalhistas fundamentadas na falta de pagamento do adicional de insalubridade. Diante da falta de apresentação de documentos essenciais ao gerenciamento dos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, a autoridade lançadora efetuou o lançamento da contribuição por arbitramento, conforme se observa desse excerto do relatório fiscal: "VI— ANÁLISE DOS FATOS E ARBITRAMENTO Por todo o exposto, concluímos que a empresa não pôde comprovar que gerencia adequadamente os riscos ocupacionais existentes em sua unidade fabril, de modo a assegurar que os trabalhadores não se expõem a agentes nocivos capazes de comprometer sua saúde ou integridade física, tendo em vista que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar um adequado gerenciamento dos riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho pelas inúmeras falhas e incoerências apontadas, mas evidenciam a existência de agentes nocivos prejudiciais à saúde ou à integridade física dos trabalhadores, portanto, não foi possível validar a informação prestada em GFIP de que os trabalhadores não sofrem exposição. Fl. 8204DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 9 15 Assim, nos termos do artigo 233 do Decreto 3048/99 e da IN INSS/DC 100/03, foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos, de acordo com a documentação apresentada, ou seja, aqueles ligados aos setores da produção . Os valores apurados foram extraídos das folhas de pagamento fornecidas pela empresa, no período de 04/99 a 11/04, inclusive o décimo terceiro ,salário, dos empregados horistas, conforme planilhas eletrônicas sob código de identificação 4100397009,. 1 Dos cálculos efetuados e os fatos geradores Os valores mensais que serviram de base para a presente NFLD, encontramse devidamente discriminados no Relatório de Lançamento, que compõe este processo. 2 — Das alíquotas aplicadas As alíquotas aplicadas na apuração dos créditos previdenciários estão discriminadas, por competência, no anexo "DAD — Discriminativo Analítico do Débito", que integra esta NFLD. 2 % para as competências de 04/99 a 08/99. 4 % para as competências de 09/99 a 02/00. 6 % para as competências de 03/00 em diante, inclusive, os décimos terceiros salários. 3 — Da Fundamentação Legal Além dos dispositivos legais citados no corpo deste relatório, fundamentase também o presente débito, na legislação constante do Anexo "Fundamentos Legais do Débito —FLD". " O sujeito passivo para afastar o arbitramento adotado pelo fisco, buscou fazer prova em contrário mediante a juntada de relatório técnico de fls. 1.663 e segs., o qual não foi acatado pelo órgão de primeira instância, em razão de se referir a período não coincidente com o fato gerador. Inconformada, a empresa requereu em recurso voluntário a possibilidade de realização de prova pericial, a qual foi concedida pela 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS em decisão de fls. fls. 5.451/5.467. Da parte do fisco foi indicado para elaboração de laudo técnico Médico Perito do INSS, o qual se pronunciou em documento de fls. 5.531/5.667. Assim, verifiquemos as principais conclusões a que chegou o perito indicado pela Fazenda, posto que caso seu parecer seja favorável à empresa não haverá necessidade de maiores investigações, pois assim Fl. 8205DF CARF MF 16 haveria reconhecimento da existência de gerenciamento eficaz dos riscos presentes no ambiente laboral da fiscalizada. Inicialmente o perito menciona que, como o principal risco envolvido era o ruído, analisou resultados de audiometrias para o período de 1999 a 2004. Depois afirma que procedeu à análise sequencial de 419 audiometrias que evidenciaram a perda auditiva de 41 trabalhadores. Acerca da utilização de EPI, o laudo registra: "Durante a diligência, observandose as atividades executadas pelos paradigmas, verificouse o uso dos seguintes Equipamentos de Proteção Individual: protetores auriculares dos tipos concha e inserção luvas de PVC botas de segurança creme protetor para as mãos óculos de proteção Por ocasião dessa vistoria às dependências da Empresa recorrente, os informantes, em consenso, confirmaram o uso e a orientação sobre a obrigatoriedade da utilização destes EPIs, e que havia regularidade quanto às trocas dos mesmos. Confirmamos, outrossim, que todos os citados EPIs possuíam Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho, em conformidade com o disposto na Lei do Ministério do Trabalho de n. 6.514, de 22 de Dezembro de 1977, na Portaria n. 3.214, de 8 de Junho de 1978, em sua Norma Regulamentadora de n. 6, subitem 6.9.3. Tivemos acesso a recibos de entrega de EPIs, que evidenciam o uso e as trocas dos equipamentos acima elencados, bem como aos testes de performance desses protetores auditivos." Continuando o perito relata a compatibilidade entre as medições realizadas no ambiente de trabalho em 2007 e aquelas verificadas nos levantamentos ambientais constantes dos PPRA do período de 1999 a 2004 e os valores obtidos dos níveis de ruídos constantes nos laudos para fins de obtenção de beneficio por aposentadoria especial. Acerca das perdas auditivas constatadas pela análise dos exames médicos, o perito assim se pronunciou: " Em face do exposto foram encontrados 91,46% de exames dentro dos limites aceitáveis, 1,79% de exames com Perda Auditiva não Sugestiva de PAIRO e 6,75% dos trabalhadores com Perdas Sugestivas de PAIRO." Fl. 8206DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 10 17 Ao responder a quesito proposto pela autoridade lançadora acerca da existência de trabalhadores expostos a ruído acima do limite do tolerância, o perito pronunciou se: " 6. Informe o Sr. Fiscal e/ou Perito se os segurados indicados no item acima utilizarem EPIs permanecerão expostos a níveis de ruído superiores ao previsto na legislação previdenciária. Indique o Sr. Fiscal e/ou Sr. Perito quem seriam estes empregados. R. Depende dos níveis de pressão sonora e dos EPIs utilizados com os seus respectivos NRR (Níveis de Redução de Ruído), fornecidos pelos Certificados de Aprovação emitidos pelo Ministério do Trabalho. No caso em tela, e para o período de interesse no atual trabalho, os Certificados de Aprovação apresentados a este perito, bem como os colacionados aos laudos técnicos visando a obtenção de aposentadoria especial, constatamos que os EPIs fornecidos pela Defendente, protetores auriculares, eram efetivos em elidir os níveis de pressão sonora encontrados acima dos Limites de Tolerância estabelecidos pelos atos normativos vigentes à época da análise. Os obreiros expostos seriam aqueles que ativavamse nos setores fabris onde se evidencia ruído acima dos preconizados pelos Limites de Tolerância." O laudo indica ainda que os processos de concessão de aposentadoria especial não levaram em consideração o uso de EPI, embora os laudos que lhe fundamentaram mencionasse tal fato. Mencionase ainda que houve negativa do benefício quando informações constantes dos PPP indicaram que os resultados dos níveis de pressão sonora foram obtidos por similaridade, o que contrariava os atos normativos vigentes na época dos requerimentos. Das considerações feitas pelo perito indicado pelo fisco, é possível se inferir que não deve prevalecer o arbitramento levado a efeito no presente lançamento. As palavras do Médico do INSS não deixam dúvida de que a utilização de EPI pelos empregados, constatada em visita ao local de trabalho, atenuava a intensidade do agente ruído a níveis abaixo do limite legal de tolerância. Por outro lado, relata a existência de controle na entrega dos equipamentos de proteção, demonstrando que efetivamente havia medidas protetivas que atenuavam o agente nocivo, propiciando aos trabalhadores um ambiente laboral que não conduzia à concessão de aposentadoria especial. De outra banda, há de se ter como ponto relevante do laudo a conclusão de que as condições atuais do ambiente de trabalho são compatíveis com aquelas verificadas pela documentação referente ao período do lançamento. Assim, considerandose que o fato gerador do adicional de contribuição lançado é a exposição dos segurados a agentes nocivos a sua saúde que propiciem a concessão Fl. 8207DF CARF MF 18 do benefício da aposentadoria especial, entendo que o lançamento deva ser cancelado em razão da inocorrência da hipótese de incidência legalmente prevista. Conclusão Voto por conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 8208DF CARF MF
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