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Numero do processo: 19395.720068/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL
Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA..
Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL
Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA..
Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação.
Numero da decisão: 3302-006.734
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA.. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA.. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação.
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Recorrente ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA.. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL Para cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA.. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre a exportação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 00 68 /2 01 2- 92 Fl. 1974DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente de ação fiscal levada a efeito contra a empresa qualificada em epígrafe, anteriormente denominada PRIDE DO BRASIL LTDA, e que resultou na lavratura dos autos de infração de Cofins e de PIS não cumulativos, fls. 1471/1476 e 1477/1481 respectivamente, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento nos períodos de apuração 01/2007 a 12/2007. Exigese, para o PIS, principal de R$ 2.117.090,99, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 4.757.473,70 e, no caso da Cofins, contribuição de R$ 9.751.449,35, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 21.913.211,94. Integra o auto de infração o “Termo de Constatação Fiscal” de folhas 1200 a 1203, do qual trancrevi o trecho abaixo: A PRIDE DO BRASIL LTDA celebrou, em 26/09/2002, um contrato de prestação de serviços, em anexo, com a PRIDE FORAMER SAS (FORAMER), sociedade constituída de acordo com as leis da França, com sede na Rua Grange Dame Rose BP 100 78140 Velizy Villacoublay, França. De acordo com a cláusula 1.01 o objeto do contrato era a prestação de serviços com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos contratos da FORAMER no Brasil, em anexo (todos os contratos são com a PETROBRAS), incumbindo à prestadora todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 3 3 A cláusula 1.07 do referido contrato dispõe que os serviços devem ser prestados no Brasil. O contrato teve aditamentos em 01/07/2004, 01/07/2005, 01/10/2005, 31/01/2006, 01/03/2006 e 01/04/2006, todos em anexo. Contudo, não houve alteração quanto ao local em que os serviços foram realizados. Os contratos são cristalinos em estabelecer que os serviços são prestados no território brasileiro. Contudo, os valores recebidos a título de prestação de serviços, relativo aos contratos supramencionados, são tratados como Receita de Exportação de Serviços. Esclarece o fiscal que a autuação decorreu da desclassificação de receitas auferidas pela interessada como “receitas de exportação” tendo em vista que os serviços em questão foram prestados em território nacional “com pagamento através de divisas nacionais oriundos da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A PETROBRAS, com sede na cidade do Rio de Janeiro/Brasil”. Consequentemente, entendeu o fiscal que a empresa não faz jus à imunidade prevista no inciso I, § 2°, art. 149 da Constituição Federal, devendo incidir PIS e COFINS sobre a receita decorrente da prestação dos serviços do contrato entre a autuada e a FORAMER, conforme valores descritos na tabela de folha 1202. Cientificada em 16.05.2012 a interessada apresentou em 14.06.2012 a impugnação de folhas 1.498 a 1.523 na qual alega que: Preliminarmente, tendo em vista que a Impugnante tomou ciência das autuações no dia 16 de maio de 2012, os débitos exigidos com relação aos meses de janeiro a maio de 2007 (ou pelo menos parte de maio) devem ser julgados improcedentes, uma vez que fulminados pela decadência prevista pelo artigo 150, §4°, do CTN. No mérito, que o artigo 149, §2°, inciso I, da Constituição, com a redação conferida pela Emenda Constitucional n° 33/2001, prevê a imunidade de contribuições sociais, tal como o PIS/COFINS, para as exportações. Conforme se infere desse dispositivo, as receitas decorrentes de exportação estão imunes às contribuições sociais como o PIS/COFINS, sejam elas receitas de exportação de serviços ou mercadorias. A i. autoridade autuante fundamenta as autuações em excertos obtidos de livro do eminente Leandro Paulsen, segundo o qual a exportação se configura apenas quando o “produto", frisese produto, saia do pais para integrarse à economia interna de outro país (página 2 do Termo de Constatação Fiscal). Essa justificativa não é adequada para fundamentar a desqualificação das exportações realizadas, na medida em que, Fl. 1976DF CARF MF 4 no caso da IMPUGNANTE, se exportaram serviços e não produtos. Em outras palavras, a IMPUGNANTE exportou "bens" intangíveis que, por isso mesmo, não têm a constituição física de um produto, sendo inadequado e materialmente impossível aferir se esses "bens" intangíveis ultrapassaram a fronteira do Brasil para se integrar à economia de outro país. De todo modo, uma coisa é certa: o serviço foi prestado para a FORAMER, residente fiscal na França, a quem coube o benefício material e imaterial advindo dos serviços prestados. Em outras palavras, os serviços prestados integraram a economia francesa, pois beneficiaram diretamente a FORAMER. Assim, mesmo sob a justificativa utilizada pela i. autoridade autuante, não há como se desqualificar as exportações realizadas e, por conseguinte, aplicação da regra de imunidade de PIS/COFINS na exportação. Na infrutífera tentativa de justificar a autuação, a i. autoridade autuante delimita o território aduaneiro segundo o Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009), decreto esse que não se aplica aos fatos geradores autuados, i.e. 2007. De todo modo, a definição legal do território aduaneiro brasileiro não ajuda em nada a pretensão da i. autoridade autuante, uma vez que, como já ressaltado, a prestação de serviços in casu, mesmo efetivada no Brasil, teve seus efeitos integrados no benefício aferido pela FORAMER em território francês. Outrossim, como se observa da leitura do objeto do próprio contrato de prestação de serviços apresentado durante a fiscalização, os serviços prestados pela Impugnante foram, em grande parte, desenvolvidos na Zona Econômica Exclusiva, onde se encontra a plataforma relevante da tomadora dos serviços, a FORAMER. Tal fato, Ilmos. Srs. Julgadores, podese dizer, é até notório, pois é nessa zona onde a Petrobras aloca as plataformas afretadas, entre ao quais se encontram as de propriedade da FORAMER. Sendo a Zona Econômica Exclusiva área fora do território brasileiro, como dispõe a Lei n. 8.617/93, totalmente equivocada a afirmação da fiscalização de que os serviços prestados pela Impugnante foram desenvolvidos em território brasileiro, o que, também sob esse ângulo, demonstra a improcedência da autuação ora questionada. Ainda, sem qualquer respaldo dos fatos ou da legislação aplicável, a i. autoridade autuante busca afastar a imunidade com base na desconsideração da FORAMER e na alegação de que a IMPUGNANTE seria remunerada com pagamento de divisas nacionais oriundas da Petrobras. Nada mais distante do contexto fático e jurídico existente!!! Alega a fiscalização que; "não há que se falar em receita de exportação, uma vez que se trata de receita comum decorrente da atividade exercida pela empresa no Brasil, com pagamento através de divisas nacionais oriundos da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS, com sede na cidade do Rio de Janeiro/Brasil". Conforme demonstrado, a IMPUGNANTE tem contrato com a FORAMER, de modo que toda nota fiscal de exportação de Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 4 5 serviços emitidas em face da FORAMER era paga por essa última em moeda estrangeira devidamente convertida para o Real mediante a celebração dos competentes contratos de câmbio. Diante do exposto, resta evidente que as justificativas utilizadas pela autoridade autuante para formalizar os lançamentos ora combatidos são completamente dissociadas da realidade dos fatos envolvidos e do direito aplicável, de forma que os autos de infração lavrados devem ser julgados integralmente improcedentes, eis que evidente a aplicação da imunidade de PIS e COF1NS às receitas da Impugnante em discussão. Na remota hipótese de se entender que as receitas decorrentes dos serviço prestados à FORAMER não seriam alcançadas pela imunidade analisada no item anterior, o que se admite apenas para argumentar, persistiriam outras normas a afastar a incidência do PIS/COFINS no caso concreto. A esse respeito, o artigo 14 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001 determina que as receitas decorrentes de serviço prestados a nãoresidentes, que representem ingresso de divisas, estão isentas do PIS/COFINS. Ora, no presente caso os serviços foram, de fato, prestados a nãoresidente fiscal no país com o consequente ingresso de divisas, conforme atestam os contratos de câmbio anexos. Assim é que as receitas auferidas pela Impugnante na prestação de serviços a FORAMER estão indubitavelmente isentas do PIS/COFINS, de forma que os autos combatidos são integralmente improcedentes. Lembrese que esses dispositivos foram reproduzidos pelo artigo 5°, inciso I da Lei n° 10.637, de 2002, e pelo artigo 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003 que criaram a nãocumulatividade de tais contribuições: Nesse passo, quer no regime cumulativo ou no nãocumulativo, a regra é que as receitas decorrentes de serviços prestados a não residentes que representem ingresso de divisas estão isentas do PIS/COFINS. No presente caso, tendo em vista que (a) os serviços foram prestados pela Impugnante à FORAMER, nãoresidente, como a própria fiscalização reconhece no Termo de Constatação Fiscal; e (b) que as divisas ingressaram no país, como os contratos de câmbio anexos comprovam, forçoso é concluir que a isenção de PIS e COFINS, comentada acima é aplicável à Impugnante, sendo totalmente improcedentes os autos de infração lavrados. No Perguntas e Respostas da DIPJ 2012, a Receita Federal reconhece expressamente a isenção ora analisada. O que importa é que o tomador dos serviços seja residente no exterior, sendo irrelevante o local da prestação de serviços. Fl. 1978DF CARF MF 6 Por todo o exposto, fica claro que, quer com base em nossa Carta Magna, quer com respaldo nos dispositivos infraconstitucionais transcritos, as receitas ora tributadas não estão sujeitas ao PIS/COFINS. Na pouco provável e remota hipótese de os lançamentos serem mantidos, ainda que parcialmente, melhor sorte ainda não recairá sobre essa exigência, na medida em que os débitos de PIS/COFINS eventualmente confirmados devem necessariamente ser compensados pelos créditos de PIS/COFINS detidos pela IMPUGNANTE, nos termos da sistemática de apuração dessas contribuições segundo o regime nãocumulativo. Por fim, não pode a IMPUGNANTE deixar de salientar também que, após a lavratura dos autos de infração ora guerreados, o fisco não pode exigir juros de mora sobre as multas de ofício lançadas, eis que não há base legal para tanto. Em 7 de fevereiro de 2013, através do Acórdão de Impugnação n° 1252.614, a 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, devendose exonerar os lançamentos de PIS e Cofins referentes aos períodos de apuração fevereiro, março e abril de 2007. Entendeu a Turma que: ü Para os períodos de apuração de fevereiro e posteriores, ante a constatação da existência de pagamentos antecipados (fls. 1752 a 1761) e tratandose de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, é de se aplicar a regra decadencial do §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que determina que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considera se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito; ü Considerandose que a ciência ao Auto de Infração deuse em 16/05/2012, encontravase decaído o direito de lançar as contribuições referentes às competências fevereiro, março e abril de 2007, devendo se anular os lançamentos correspondentes; ü Para a competência janeiro/2007, não tendo ocorrido pagamento de PIS ou Cofins é de se aplicar a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional; ü Os lançamentos referentes ao período de apuração janeiro/2007 serão mantidos, uma vez que, inexistindo pagamento, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2008; ü A Decisão da 7a RF aplicase exatamente à situação aqui apresentada. A Pride Foramer, empresa com domicílio na França, celebrou contratos de prestação de serviços de perfuração com a PETROBRÁS. A Cláusula 1.2 (fl. 1207 e 1330) dos contratos estabelece que “a CONTRATADA poderá, a seu exclusivo critério, constituir empresa no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, para a qual será cedido o presente CONTRATO, nos termos da Cláusula Décima Quarta deste CONTRATO, observado ainda o disposto no Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 5 7 item 12.3 e seu subitem”. Desta feita, em 13/03/2001 foi constituída a PRIDE DO BRASIL, atualmente denominada ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA, tendose aditado os contratos entre a FORAMER e a Petrobras para cessão do objeto destes à PRIDE DO BRASIL (fl. 1243 e 1366). Contratos posteriores (fl. 1259 e fl. 1382) foram firmados entre a PRIDE DO BRASIL e a Petrobrás, mas sempre com a interveniência da PRIDE FORAMER SAS; ü Expediente da autuada, formulado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 1, confirma que “a Pride do Brasil e a Pride Foramer são empresas do Grupo Pride”. Assim sendo a execução de serviços pela PRIDE DO BRASIL decorrentes de contratos firmados entre a Petrobrás e a FORAMER não caracteriza a exportação de serviços, uma vez que os contratos foram firmados com a Petrobrás, que por meio destes contratos importou serviços da FORAMER, empresa domiciliada na França. Por conveniência operacional a FORAMER constituiu empresa no Brasil, não cabendo aqui falar em exportação de serviço uma vez que a FORAMER e PRIDE BRASIL são coligadas, agindo a sucursal brasileira como executora dos serviços contratados com a empresa estrangeira. Em suma, correto a autoridade fiscal ao concluir que a PRIDE DO BRASIL (atual ENSCO) não prestou serviço ao exterior, mas à Petrobrás, empresa domiciliada no pais, sendo as receitas decorrentes dos referidos contratos integrantes da base de cálculo do PIS e da Cofins; ü Da análise dos Dacon apresentados pela interessada ao longo de 2007, verificase que, de fato resta em todos os meses saldo não aproveitado tanto do PIS quanto da Cofins. Ocorre que a interessada optou por transportar a saldo ao final do exercício de 2007 para janeiro de 2008, o que inviabiliza sua utilização para abatimento dos valores lançados, uma vez que, qualquer que fosse o valor utilizado, haveria redução do saldo final disponível; ü No que se refere à cobrança dos juros, enganase a interessada ao afirmar que estão sendo cobrados sobre a multa lançada. O juros são calculados sobre o principal lançado, independentemente da multa de ofício. A Empresa ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA foi cientificada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 09/03/2013, às efolhas 1.772. A Empresa ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 25/03/203, de folhas 1.773 a 1.820. Foi alegado em resumo: ü Em 16 de maio de 2012, a Recorrente teve ciência da lavratura de dois autos de infração exigindolhe a monta total de R$26.670.685,64 (incluindo juros e multa de 75%) a título de Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”) em decorrência da Fl. 1980DF CARF MF 8 desconsideração das exportações de serviços. Na equivocada interpretação da fiscalização autoridade autuante, não se trataria de exportação de serviços, pois os serviços seriam oferecidos à Foramer (nãoresidente) teriam sido prestados em território brasileiro; ü As justificativas apresentadas à lavratura dos autos de infração ora combatidos revelam claramente o desconhecimento do i. agente fazendário autuante sobre a forma e natureza dos serviços prestados pela Recorrente à Foramer, da sua atuação como mandatária dessa sociedade, e ate mesmo das obrigações decorrentes dos contratos celebrados pela Petrobras com a Recorrente e com a Foramer. O agente autuante ignora o fato de que os já aludidos contratos foram celebrados por partes distintas e possuem objetos absolutamente diferentes, e “transfere” obrigações previstas no contrato de afretamento entre a Foramer e a Petrobras, para a Recorrente, que não é parte contratante daquele, e assim por diante; ü Conforme o referido termo de constatação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, a Recorrente teria reportado o seu entendimento de receita de exportação, qual seja: “ífe acordo com a legislação pátria, a “Receita de Exportação” corresponde ao acréscimo patrimonial auferido por exportador em transações (e.g prestação de serviços e venda de mercadorias) com terceiros que não tenham residência fiscal no BrasiE. Na sequência, usou o já mencionado excerto do livro eminente Leandro Paulsen como substrato para o entendimento favorável ao Fisco; ü Dito isso, cumpre registrar que a fundamentação encontrada no acórdão ora recorrido é baseada em decisão proferida pela DISIT da 7a Região Fiscal. Naquela oportunidade, a DISIT se manifestou no sentido de que não perfaz o conceito de exportação os serviços prestados a empresa estrangeira que possui estabelecimento (e não subsidiária, coligada, controlada ou parte relacionada) em território nacional. Utilizando terminologia comum em discussões de direito tributário internacional, a DISIT se manifestou no sentido de que não serão considerados exportados os serviços prestados a estabelecimentos permanentes que empresas estrangeiras eventualmente possuam em território nacional. Em outros termos, entende a DISIT que a partir do momento em que o tomador dos serviços possui estabelecimento permanente em território nacional, um dos requisitos à configuração de exportação de serviços não restara atendido: que o tomador seja nãoresidente; ü Há três contratos distintos disciplinando as relações comerciais entre a Recorrente, Foramer e a Petrobras, a saber: (i) contrato de afretamento de plataforma celebrado entre a Foramer e a Petrobras (do qual a Recorrente não faz parte); (ii) contrato de prestação de serviços de perfuração, celebrado entre a Pettrobras e a Recorrente (do qual a Foramer não faz parte); e finalmente (iü) contrato de prestação de serviços logísticos e de apoio relacionados com a embarcação afretada, celebrado entre a Foramer e a Recorrente (do qual a Petrobras não faz parte). A presente autuação diz respeito exclusivamente a esse último contrato; Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 6 9 Frente ao exposto, alega: ü Preliminar de decadência; ü Imunidade das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços; ü Isenção das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços; ü Do descabimento da fundamentação da decisão ora recorrida; ü Do descabimento da autuação. Da duplicidade de entendimento; ü Do abatimento de crédito doo PIS/COFINS; ü Da impossibilidade jurídica de cobrar juros sobre a multa de ofício. Diante de todo o exposto, a Recorrente requer que o presente recurso ordinário seja recebido e processado, para que, ao final, os autos de infração aqui combatidos sejam declarados improcedentes e a decisão ora recorrida seja reformada integralmente, reconhecendose: i. preliminarmente, o julgamento da improcedência dos créditos tributários lançados no período de janeiro a maio de 2007, tendo em vista a constatação de sua decadência, nos moldes do artigo 150, §4° do CTN; ii. a improcedência integral das duas autuações, tendo em vista que as receitas autuadas decorrem inequivocamente da exportação de serviços, estando imunes e/ou isentas do PIS e da COFINS; iii. na mais que remota hipótese de se julgar que as receitas de exportação estariam sujeitas ao PIS/COFINS, devese compensar os respectivos débitos com os créditos de PIS/COFINS existentes; iv. na pouco provável hipótese de o lançamento ser mantido, mesmo que parcialmente, a não aplicação de juros sobre as multas de ofício lançadas, tendo em vista a completa ausência de base legal que fundamente esse incremento do valor das multas. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional juntou contrarrazões de folhas 1.848 a 1.864. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Fl. 1982DF CARF MF 10 Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A Empresa ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA foi cientificada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 09/03/2013, às efolhas 1.772. A Empresa ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 25/03/203, de folhas 1.773 a 1.820. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. Do Recurso de Ofício. ü Exoneração dos lançamentos de PIS e Cofins referentes aos períodos de apuração fevereiro, março e abril de 2007. Do Recurso Voluntário. ü Preliminar de decadência; ü Imunidade das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços; ü Isenção das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços; ü Do descabimento da fundamentação da decisão ora recorrida; ü Do descabimento da autuação. Da duplicidade de entendimento; ü Do abatimento de crédito do PIS/COFINS; ü Da impossibilidade jurídica de cobrar juros sobre a multa de ofício. Passase à análise. Do Recurso de Ofício: Exoneração dos lançamentos de PIS e Cofins referentes aos períodos de apuração fevereiro, março e abril de 2007. Deixase de apreciar o Recurso de Ofício, por não atingir o limite de alçada, ora vigente. Preliminar de decadência. É alegado nos itens 33 a 37 do Recurso Voluntário: De acordo com o artigo 146, iii, "b" da Constituição Federal, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência. Em nosso sistema, coube ao CTN, norma alçada à natureza de lei complementar, Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 7 11 disciplinar o instituto da decadência do direito do Fisco de lançar tributos. Na sistemática adotada pelo CTN, o PIS e a COFINS são classificados como tributos cujo lançamento se dá por homologação, uma vez que o contribuinte apura o “quantum” devido e o recolhe, independente de qualquer prévio exame da autoridade administrativa, de forma que essa última, em verificação posterior, homologa o cálculo realizado pelo contribuinte ou dele discorda, lançando então a diferença, podendo ainda ocorrer a homologação tácita do lançamento. Logo, de acordo com o parágrafo 4o do artigo 150 do CTN, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso a autoridade administrativa não homologue expressamente o cálculo realizado pelo contribuinte e decorram 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, operase a chamada homologação tácita. Por meio de tal homologação, o fisco concorda tacitamente com a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. Assim é que, após o decurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da data de ocorrência do fato gerador, ocorre a decadência do direito de o fisco cobrar os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como dispõe o referido art. 150, §4° do CTN abaixo transcrito para pronta referência: (...) Conforme se extrai do dispositivo acima transcrito, a pretensão do Fisco em constituir (lançar) tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese automaticamente com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da dam de ocorrência do fato gerador desses tributos. Note que a qualificação de determinado tributo como sujeito ao lançamento por homologação está relacionado com o fato de a legislação atribuir a responsabilidade pela antecipação do imposto ao contribuinte, nos exatos termos do caput do artigo 150 acima transcrito, independendo tal configuração da efetiva antecipação do tributo (i.e., do efetivo desembolso financeiro). Tomase por esteio o enunciado da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal e o Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008. A interpretação da Receita Federal do Brasil (RFB) sobre o art. 150 do CTN é a de que o lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Não havendo pagamento, não se cumpre o requisito básico disposto no mencionado artigo, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 1984DF CARF MF 12 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) Dessa forma, conforme se observa na transcrição acima, entendese que a lei atribuiu requisito ao lançamento por homologação, qual seja, a antecipação do pagamento. Assim, não basta que a legislação determine o pagamento antecipado do tributo para que se caracterize o lançamento por homologação, mas sim, que haja efetivamente o pagamento. Não atendida a condição, não se pode configurar o lançamento por homologação e, neste caso, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, a contagem do prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A interpretação da RFB foi manifestada pela Cosit nas Soluções de Consulta Interna nº 16, de 5 de junho de 2003; 23, de 24 de agosto de 2004; e 26, de 1º de novembro de 2005. Em suma, havendo pagamento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150 do CTN; não havendo pagamento, aplicase a regra do art. 173 do mesmo Código. Nesse mesmo sentido concluiu a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, ao analisar a decadência das contribuições previdenciárias. No referido parecer, a PGFN registra entendimentos dos então Conselhos de Contribuintes no sentido de que “se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse com a ocorrência do fato gerador, na forma disciplinada pelo § 4º do art. 150 do CTN (...)”. Ressaltase que consta do item 36 desse parecer, a seguir transcrito, que os Conselhos estariam começando a mudar o entendimento: (...) 36. Os Conselhos de Contribuintes, no entanto, começam a mudar o entendimento. Aplicouse recentemente o art. 173, I, do CTN, em caso de lançamento de ofício, no qual não houve pagamento. Refirome ao Recurso RP/ 203123287. Entendeu o Conselho que deve se verificar se o contribuinte recolheu valores no período fiscalizado. Na existência do recolhimento, deve se aplicar o § 4º do art. 150 do CTN. Na inexistência de recolhimentos, deve ser aplicado o art. 173, I, do mesmo CTN. De igual modo, decidiuse no Recurso RD/204130232, bem como no RD/203115797. (...) Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 8 13 Ao final conclui o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Em que pese o entendimento da RFB e o da PGFN sobre o tema, observase, nos julgados do Conselho de Contribuintes (CC), atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que o posicionamento predominante nesse órgão é no sentido de se contar o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a partir da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Não obstante, em recente apreciação de recurso impetrado pela PGFN contra o acórdão CC nº 10514777, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, deu provimento ao mencionado recurso, com a publicação do acórdão CSRF nº 910100460, no sentido de aplicar a regra do art. 173, I do CTN, no caso de inexistência de pagamento. Prescreve o art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifei). O artigo 173 do Código Tributário Nacional estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário via lançamento extinguese após 5 (cinco) anos. Estabelecido o quantum do prazo, é curial verificar seu dia de início. Podemos destacar três hipóteses: (i) primeiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, forte no artigo 173, inciso I, do CTN; Fl. 1986DF CARF MF 14 (ii) segundo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, forte no artigo 173, inciso II, do CTN; (iii) terceiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em a Fazenda deveria ter homologado o lançamento, forte no artigo 150, §4º, do CTN; Uma vez que que a ciência ao Auto de Infração deuse em 16/05/2012, encontravase decaído o direito de lançar as contribuições referentes às competências fevereiro, março e abril de 2007, devendose anular os lançamentos correspondentes. Isso porque, consta dos autos, efolhas 1.676 a 1.679 consta os pagamentos (darfs) referentes a esses três meses. Decidese NÃO CONHECER do pleito referente às competências fevereiro, março e abril de 2007 porque já foi contemplado em sua exata extensão pelo Acórdão de Impugnação. Para a competência janeiro/2007, por não ter ocorrido pagamento de PIS ou Cofins é de se aplicar a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Para a competência Maio/2007 não há decadência, pois a ciência ao Auto de Infração deuse em 16/05/2012. Imunidade das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços. É alegado nos itens 59 e 60 do Recurso Voluntário: Não obstante, conforme se passa a demonstrar, a receita pelos serviços prestados pela RECORRENTE à FORAMER deve ser considerada como de exportação e, desta forma, abrangida pela imunidade e/ou pela isenção. Isso porque o artigo 149, §2°, inciso I, da Constituição, com a redação conferida pela Emenda Constitucional n. 33/2001, prevê a imunidade de contribuições sociais, tal como o PIS/COFINS, para as exportações, nos seguintes termos: (...) § 2" As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” (destaques da RECORRENTE) Conforme se infere desse dispositivo, as receitas decorrentes de exportação estão imunes às contribuições sociais como o PIS/COFINS, sejam elas receitas de exportação de serviços ou mercadorias. Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 9 15 A questão de fundo que se impõe no presente tópico é saber se houve ou não a exportação de serviços. Temos os seguintes fatos: ü A Pride Foramer, empresa com domicílio na França, celebrou contratos de prestação de serviços de perfuração com a PETROBRÁS; ü A Cláusula 1.2 (fl. 1207 e 1330) dos contratos estabelece que “a CONTRATADA poderá, a seu exclusivo critério, constituir empresa no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, para a qual será cedido o presente CONTRATO, nos termos da Cláusula Décima Quarta deste CONTRATO, observado ainda o disposto no item 12.3 e seu subitem”; ü Em 13/03/2001 foi constituída a PRIDE DO BRASIL, atualmente denominada ENSCO DO BRASIL PETROLEO E GAS LTDA, tendose aditado os contratos entre a FORAMER e a Petrobras para cessão do objeto destes à PRIDE DO BRASIL (fl. 1243 e 1366); ü Contratos posteriores (fl. 1259 e fl. 1382) foram firmados entre a PRIDE DO BRASIL e a Petrobrás, mas sempre com a interveniência da PRIDE FORAMER SAS. No item 67 do Recurso Voluntário é alegado que a RECORRENTE tem contrato com a FORAMER, de modo que toda nota fiscal de exportação de serviços emitidas em face da FORAMER era paga por essa última em moeda estrangeira, devidamente convertida para o Real mediante a celebração dos competentes contratos de câmbio. O contrato firmado entre a recorrente e a FORAMER, com as emendas vigentes à época do fato gerador, estabelecia as seguintes obrigações e condições, entre outras: Cláusula 1, “SERVIÇOS”: 1.01 O presente Contrato tem por objeto ser uma extensão dos contratos de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou 'workover' de poços de petróleo e/ou gás (verticais, direcionais e horizontais) firmados originalmente pela TOMADORA no Brasil e simultaneamente cedidos pela TOMADORA à PRESTADORA, de forma que a PRESTADORA realize a prestação dos serviços descritos nestes instrumentos à TOMADORA, sendo a PRESTADORA remunerada para tanto. Parágrafo Único. Também encontrase inserida no objeto do presente contrato a prestação de serviços pela PRESTADORA à TOMADORA com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto de contratos de afretamento firmados pela TOMADORA com seus clientes no Brasil, incumbindo à PRESTADORA todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações. Fl. 1988DF CARF MF 16 1.05 A PRESTADORA deve prestar seus serviços utilizando seu próprio pessoal. A PRESTADORA indicará os profissionais que prestarão os serviços descritos no item 1.01. 1.07 Os serviços referidos neste artigo devem ser prestados no Brasil. cláusula 4, “OBRIGAÇÕES DA PRESTADORA”: As obrigações e responsabilidades da PRESTADORA são as seguintes: 4.01 Atuar como agente da TOMADORA no Brasil e providenciar os devidos trâmites e registros, junto aos órgãos oficiais competentes, para a regularização da permanência e operação das embarcações da TOMADORA no Brasil. 4.03 proporcionar no Brasil, às embarcações afretadas, o apoio logístico para os serviços auxiliares e de apoio que sejam necessários para assegurar seu uso pelos clientes da TOMADORA segundo as condições aqui estabelecidas. 4.04 Tomar as providencias necessárias para a entrada e a permanência das embarcações no Brasil, junto às autoridades brasileiras competentes, assim como para a entrada legal de quaisquer sobressalentes, equipamentos ou materiais necessários para a operação das embarcações. 4.05 Seguir rigorosamente a recomendações dos fabricantes dos equipamentos efetuando as manutenções previstas em seus manuais de operação, que deverão estar previstas no plano de manutenção preventiva das embarcações. 4.06 Conduzir suas operações em estrita observância dos padrões internacionais de segurança, higiene, e medicina do trabalho, responsabilizandose pelas infrações cometidas. Fornecer por sua conta e manter em perfeitas condições de operação os equipamentos de segurança de acordo com o plano de segurança aprovado pela Administração do país de registro da embarcação e pela boa prática nos serviços de perfuração/completaçã/avaliação/workover. 4.07 Conduzir as embarcações com estrita observância às lei, normas, regulamentos e portarias, bem como às instruções emanadas da Capitania dos Portos ou de outras autoridades competentes, notadamente aquelas que dizem respeito ao despejo de óleo e outros resíduos das embarcações para o mar, respondendo, em conseqüência, por quaisquer ônus decorrentes de infração de tais leis, normas, regulamentos, portarias e instruções. 4.08 Responsabilizarse e arcar com o ônus pela retirada de qualquer equipamento, material etc, caído no fundo do mar, que, devido a sua natureza e tamanho, devam ser removidos do fundo do mar, desde que por culpa da PRESTADORA. A PRESTADORA eximirá a TOMADORA de qualquer culpa e reembolsará toda e qualquer despesa que a mesma venha a efetuar em decorrência de ação da PRESTADORA. Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 10 17 cláusula 5, “OBRIGAÇÕES DA TOMADORA”: As obrigações e responsabilidades da PRESTADORA são as seguintes: 5.01 Operar e manter as embarcações em bom estado, no que concerne ao caso e maquinas, e adequadamente equipadas. 5.02 Empreender e custear qualquer manutenção e reparo de vulto das embarcações. (Grifo e negrito nossos) A prestação contratada, bem se vê pelos termos empregados, foi a mais ampla possível, de modo que ficou a empresa brasileira, ora recorrente, incumbida de levar a cabo praticamente todas as atividades inerentes aos 3 contratos firmados. Nesse sentido, algumas ponderações se fazem necessárias: 1. Os 3 contratos, firmados entre PETROBRÁS, a recorrente e PRIDE FORAMER SAS, possuem entrelaçamentos em seus objetos. Esse entrelaçamento fica ainda mais evidente ao se estabelecer a relação entre os contratos PETROBRÁSPRIDE FORAMER e |PRIDE FORAMER 1recorrente; 2. As cláusulas acima deixam claro que o contrato PRIDE FORAMER recorrente decorreu da necessidade de se efetivar os contratos iniciais celebrados entre a PETROBRÁS e a PRIDE FORAMER; 3. A cláusula 1.01 diz que o contrato é uma extensão dos contratos de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou 'workover' de poços de petróleo e/ou gás (verticais, direcionais e horizontais) firmados originalmente pela TOMADORA no Brasil e simultaneamente cedidos pela TOMADORA à PRESTADORA, de forma que a PRESTADORA realize a prestação dos serviços descritos nestes instrumentos à TOMADORA; 4. Já o parágrafo único, informa que está inserida no objeto do presente contrato a prestação de serviços pela interessada à PRIDE FORAMER com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto de contratos de afretamento firmados pela PRIDE FORAMER com seus clientes no Brasil (PETROBRÁS), incumbindo à Interessada todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das respectivas embarcações. O contrato entre PRIDE BRASIL e PRIDE FORAMER não se limita apenas aos aspectos relacionados à manutenção do afretamento, mas também aos contratos de prestação de serviços firmados pela FORAMER com a PETROBRÁS. Com isso, a PRIDE FORAMER recebe pagamentos da Petrobrás a título de afretamento, sem incidência de IRRF (Lei 9.481/97, art. 1°) ou PIS/COFINS (Lei 10.865, art. 8°, §14), e remunera sua coligada nacional por serviços que beneficiam a PETROBRÁS, a Fl. 1990DF CARF MF 18 título não só de operação e manutenção das embarcações, mas também a título de “extensão dos contratos de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou 'workover' de poços de petróleo e/ou gás (...) cedidos pela tomadora (FORAMER) à prestadora (autuada)”. Neste sentido, não se pode admitir que se trate efetivamente de uma exportação de serviços quando sua principal beneficiária é a PETROBRÁS. A contratação de terceiros para prestar serviços em estabelecimento permanente, não configura exportação de serviços por parte desse terceiro. Sendo os serviços prestados no Brasil e tendo como beneficiária empresa brasileira, não existe exportação de serviços, não incidindo a imunidade constitucional e tampouco a isenção da MP 215835/01. Conforme o entendimento manifestado na Solução de Consulta DISIT SRRF 7a RF n° 290/01, com a Plataforma, a recorrente constituiu estabelecimento, filial, sucursal ou agência da FO\RAMER no Brasil, de modo que ainda que se considerasse que os serviços eram efetivamente prestados a ela, não se configuraria a exportação. Diz a Disit, na fundamentação da Decisão que “devemos ter em mente que a exportação, salvo disposição em contrário, se refere a uma operação pela qual uma pessoa (jurídica ou física), estabelecida em país estrangeiro, adquire mercadoria ou se utiliza de serviço fornecido ou prestado por pessoa (física ou jurídica) estabelecida no País. É característica essencial que a destinatária seja pessoa estabelecida apenas e tãosomente em país estrangeiro. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre in casu a exportação. Destarte, para que haja exportação, é condição essencial que a pessoa estrangeira não seja estabelecida no Brasil, sob pena de a operação não se traduzir em real ingresso de moeda no País”. A plataforma arrendada constitui estabelecimento permanente da FORAMER no Brasil, não se caracterizando a exportação de serviços, nos termos da solução de consulta SRRF 7a RF DISIT n.° 290, de 2001. O Acórdão de Impugnação, esclarece que, para haver exportação de serviços “é característica essencial que a destinatária seja pessoa estabelecida apenas e tãosomente em país estrangeiro. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre in casu a exportação. Destarte, para que haja exportação, é condição essencial que a pessoa estrangeira não seja estabelecida no Brasil, sob pena de a operação não se traduzir em real ingresso de moeda no País”. O contrato de afretamento ajustado entre a FORAMER e a Petrobrás (o qual é visceralmente entrelaçado com aquele firmado entre a autuada e a FORAMER), define atribuições à primeira que vão além da mera disponibilização da plataforma. Tal contrato envolvia uma série de obrigações sob responsabilidade e controle do locador (FORAMER), e a contratação da autuada para realizálos é prova disso. Portanto, é sim aplicável ao caso em apreço o entendimento manifestado na Solução de Consulta DISIT SRRF 7a RF n° 290/01. A prestação de serviços pela autuada à sua coligada estrangeira, nas plataformas que ela arrenda à Petrobrás, não configura exportação de serviços, não incidindo a imunidade constitucional nem a isenção legal. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 11 19 Isenção das Contribuições referentes ao PIS e da COFINS aplicável à exportação de serviços. Os mesmos argumentos desenvolvidos no tópico anterior, ausência de exportação, se aplicam ao presente tópico. Do descabimento da fundamentação da decisão ora recorrida. É alegado nos itens 85 e 86 do Recurso Voluntário: Como já mencionado, a fundamentação à decisão ora recorrida é absolutamente lacônica. Em arrepio ao artigo 31 do Decreto n° 70.235/72, o julgador de primeira instância administrativa nem sequer chegou a ponderar as razões apresentadas pelo agente fazendário para promover a autuação em face dos argumentos de defesa suscitados pela RECORRENTE. Nesse contexto, requer a RECORRENTE que a aludida decisão seja retomada ao ilmo. julgador de primeira instância administrativa, para que corrija as omissões encontradas, nos exatos termos do artigo 31 do Decreto n° 70.235/72, sob pena de sua declaração de nulidade conforme artigo 59, H, desse mesmo diploma legal. Pois bem. A autoridade julgadora utiliza literalmente menos de uma página (considerando inclusive a transcrição de decisão da DISIT) para fundamentar a manutenção da autuação. Dentre outros pontos, as seguintes questões não foram sequer mencionadas: (i) todas as condições previstas na legislação à fruição da imunidade/isenção de PIS e COFINS restaram atendidas; (ii) as operações realizadas entre a RECORRENTE, a FORAMER e a PETROBRAS são operacionalizadas por 3 contratos distintos, celebrados por partes diferentes e com objetos diversos, sendo que a autuação somente diz respeito às operações celebradas entre a RECORRENTE e a FORAMER; (Ui) a remuneração dos serviços prestados pela RECORRENTE à FORAMER tem origem no exterior; (iv) a FORAMER não possui nem nunca possuiu estabelecimento em território nacional; e (v) a PETROBRAS nunca promoveu o pagamento dos serviços prestados pela RECORRENTE à FORAMER. O artigo 31 do Decreto n° 70.235/72, assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A argumentação não procede. O Acórdão de Impugnação enfrentou satisfatoriamente a questão de fundo, apresentando suas pontuais razões para fulminar a principal tese arguida na impugnação, ou seja a não ocorrência da exportação de serviços. Fl. 1992DF CARF MF 20 Para tanto, lastrou sua decisão no entendimento balizado da Receita Federal do Brasil, através da solução de consulta SRRF 7a RF DISIT n.° 290, de 2001, que elege como característica essencial que a destinatária seja pessoa estabelecida apenas e tãosomente em país estrangeiro. Se a adquirente da mercadoria ou usuária do serviço é pessoa que funcione no País, mediante estabelecimento, filial, sucursal ou agência, na verdade, não ocorre in casu a exportação. Prosseguindo na análise, o Acórdão de Impugnação cotejou esse entendimento com os fatos trazidos aos autos e assim concluiu: Por conveniência operacional a FORAMER constituiu empresa no Brasil, não cabendo aqui falar em exportação de serviço uma vez que a FORAMER e PRIDE BRASIL são coligadas, agindo a sucursal brasileira como executora dos serviços contratados com a empresa estrangeira. Em suma, correto a autoridade fiscal ao concluir que a PRIDE DO BRASIL (atual ENSCO) não prestou serviço ao exterior, mas à Petrobrás, empresa domiciliada no pais, sendo as receitas decorrentes dos referidos contratos integrantes da base de cálculo do PIS e da Cofins. Logo, entendese que os requisitos do artigo 31 do Decreto n° 70.235/72 foram atendidos. Segundo ainda a Recorrente, as seguintes questões não foram sequer mencionadas: (i) todas as condições previstas na legislação à fruição da imunidade/isenção de PIS e COFINS estaram atendidas; A partir do momento em que o Acórdão de Impugnação afasta a condição de exportação de serviços, com base na solução de consulta SRRF 7a RF DISIT n.° 290, de 2001, que elege como característica essencial que a destinatária seja pessoa estabelecida apenas e tão somente em país estrangeiro, a questão foi suoerada. (ii) as operações realizadas entre a RECORRENTE, a FORAMER e a PETROBRAS são operacionalizadas por 3 contratos distintos, celebrados por partes diferentes e com objetos diversos, sendo que a autuação somente diz respeito às operações celebradas entre a RECORRENTE e a FORAMER; Tratase de assunto colateral. Contudo, a informação não procede. Nas palavras da Douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, folhas 10, que endosso: A prestação contratada, bem se vê pelos termos empregados, foi a mais ampla possível, de modo que ficou a empresa brasileira, ora recorrente, incumbida de levar a cabo praticamente todas as atividades inerentes aos 3 contratos firmados1 (tanto as atividades embutidas no afretamento quanto as relativas aos 2 contratos de prestação de serviços). O contrato entre PRIDE BRASIL e PRIDE FORAMER (acima transcrito e mencionado no TVF), não se limita apenas aos aspectos relacionados à manutenção do afretamento, mas também aos contratos de Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 12 21 prestação de serviços firmados pela FORAMER com a PETROBRÁS. Com isso, a PRIDE FORAMER recebe pagamentos da Petrobrás a título de afretamento, sem incidência de IRRF (Lei 9.481/97, art. 1°) ou PIS/COFINS (Lei 10.865, art. 8°, §14), e remunera sua coligada nacional por serviços que beneficiam a PETROBRÁS, a título não só de operação e manutenção das embarcações, mas também a título de “extensão dos contratos de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou 'workover' de poços de petróleo e/ou gás (...) cedidos pela tomadora (FORAMER) à prestadora (autuada)”. Neste sentido, não se pode admitir que se trate efetivamente de uma exportação de serviços quando sua principal beneficiária é a PETROBRÁS, em que pese a triangulação acima faça com que os valores pagos à autuada provenham imediatamente da coligada francesa e apen mediatamente da Petrobrás. Sendo os serviços prestados no Brasil e tendo como beneficiária empresa brasileira, não existe exportação de serviços, não incidindo a imunidade constitucional e tampouco a isenção da MP 2158 35/01. (iii) a remuneração dos serviços prestados pela RECORRENTE à FORAMER tem origem no exterior; A DRJ considerou que a recorrente constitui estabelecimento, filial, sucursal ou agência da FORAMER no Brasil, de modo que ainda que se considerasse que os serviços eram efetivamente prestados a ela, não se configuraria a exportação, independentemente da origem da remuneração dos serviços prestados. (iv) a FORAMER não possui nem nunca possuiu estabelecimento em território nacional; A DRJ considerou que por conveniência operacional a FORAMER constituiu empresa no Brasil, uma vez que a FORAMER e PRIDE BRASIL são coligadas, agindo a sucursal brasileira como executora dos serviços contratados com a empresa estrangeira. Em suma, correto a autoridade fiscal ao concluir que a PRIDE DO BRASIL (atual ENSCO) não prestou serviço ao exterior, mas à Petrobrás, empresa domiciliada no pais, sendo as receitas decorrentes dos referidos contratos integrantes da base de cálculo do PIS e da Cofins. (v) a PETROBRAS nunca promoveu o pagamento dos serviços prestados pela RECORRENTE à FORAMER. A DRJ considerou que a recorrente constitui estabelecimento, filial, sucursal ou agência da FORAMER no Brasil, de modo que ainda que se considerasse que os serviços eram efetivamente prestados a ela, não se configuraria a exportação, independentemente do destino da remuneração dos serviços prestados. Do descabimento da autuação. Da duplicidade de entendimento. O presente lançamento não apresenta nenhuma incoerência com o lançame nto efetuado no processo administrativo 19395.720141/201226. Fl. 1994DF CARF MF 22 No processo administrativo 19395.720141/201226 são exigidas exações referentes ao IRPJ e contribuições reflexas referentes a uma outra classe de receitas da autuada, que não foram declaradas como renda. Nas palavras da Douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, folhas 15, que endosso: O que se discute lá é se os ingressos verificados na contabilidade da autuada eram reembolsos por despesas feitas à conta de terceiros, ou se eram receitas próprias. A fiscalização entendeu que tais valores integravam o custo dos serviços prestados pela recorrente, e deviam ser computados como receita. Não importava, ali, esquadrinhar quem seria a real beneficiária dos serviços, mas apenas definir a natureza dos ingressos. O fato dos ingressos serem provenientes de exportação ou não, é irrelevante naquele caso, pois o que se busca é o impacto sobre o lucro da autuada. Aqui, diferentemente, a questão é saber se uma outra parcela dos ingressos da recorrente (que não se confunde com a parcela analisada no outro processo) provém de exportações ou não. Só neste processo esta distinção tem relevância. Não há, portanto, duplicidade de entendimentos ou contradições. Do abatimento de crédito do PIS/COFINS. É alegado nos itens 105 a 107 do Recurso Voluntário: A RECORRENTE está sujeita ao regime não~cumulativo do PIS/COFINS, de tal sorte que as contribuições devidas em cada mês resultam do encontro de créditos e débitos dessas contribuições. E, haja vista o determinado pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as quais autorizam que o crédito não aproveitado em um mês seja aproveitado em meses subsequentes, sem qualquer correção/atualização, fará a RECORRENTE jus ao previsto em lei. Assim é que, na improvável hipótese de ser confirmada a sujeição das receitas de exportação à incidência do PIS/COFINS. os débitos correspondentes devem ser compensados pelos créditos então existentes. Apenas após esse encontro de créditos e débitos, eventual saldo remanescente de débitos seria passível de ser exigido. Diante disso, caso se julgue que as receitas de exportação são tributáveis pelo PIS/COFINS, essas devem ser imputadas na apuração das contribuições devidas em cada mês de 2007, e apenas a exigência de eventuais débitos excedentes pode ser mantida. Endossando o entendimento do Acórdão de Impugnação, folhas 08: Da análise dos Dacon apresentados pela interessada ao longo de 2007, verificase que, de fato resta em todos os meses saldo não aproveitado tanto do PIS quanto da Cofins. Ocorre que a interessada optou por transportar a saldo ao final do exercício Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 19395.720068/201292 Acórdão n.º 3302006.734 S3C3T2 Fl. 13 23 de 2007 para janeiro de 2008, o que inviabiliza sua utilização para abatimento dos valores lançados, uma vez que, qualquer que fosse o valor utilizado, haveria redução do saldo final disponível. Da Não Incidência de Juros de Mora sobre a Multa Lançada de Ofício. A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de REJEITAR prejudicial de decadência e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 1996DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.900252/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.567, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 25 2/ 20 06 -6 5 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900252/200665 Resolução nº 1201000.567 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/06/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002008/2004-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/08/2002
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo art. 101, II, "a" e III, "b", da Constituição Federal. (Súmula IV 2, do 2° Conselho de
Contribuintes).
PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMÉRCIO VAREJISTA
DE AUTOMÓVEIS (SUBSTITUÍDOS). EXCLUSÃO DO IPI DA BASE
DE CÁLCULO.
A exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da Cofins somente aproveita a contribuinte do aludido imposto (o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento. Consectariamente, a referida dedução, prevista no art.
3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se assume a legalidade da IN SRF n" 54/2000.
(Precedentes do STJ. REsp 665126/SC)
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.011
Decisão: ACORDAM os membros da 1º câmara / 1º turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade devo, em negar provimento ao recurso
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA TEREZA MARTINEZ LÓPEZ
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10805.002008/2004-31 Recurso n" 153.613 Voluntário Acórdão n" 2101-00.011 — I" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2009 Matéria Restituição/Compensação Recorrente FIORELLI COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA, Recorrida DRJ em Campinas - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/08/2002 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo art. 101, II, "a" e III, "b", da Constituição Federal. (Súmula IV 2, do 2° Conselho de Contribuintes). PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMÉRCIO VAREJISTA DE AUTOMÓVEIS (SUBSTITUÍDOS). EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO. A exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da Cotins somente aproveita a contribuinte do aludido imposto (o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento. Consectariamente, a referida dedução, prevista no art. 3", § 2", I, da Lei n" 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se assume a legalidade da IN SRF n" 54/2000. (Precedentes do STJ. REsp 665126/SC) Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n° 10805.002008/2004-3 I S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00.011 Fl. 95 ACORDAM os membros da 1" câmara / 1" turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade devo, em negar provimento ao recurso. (- ANTOA-Ws LIM Presidente MARIA TER SA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Carlos Alberto Donassolo (Suplente) e Domingos de Sá Filho. Relatório Trata-se de pedido de restituição formalizado pela contribuinte em 13/10/2004, relativamente a recolhimentos feitos a titulo de PIS e de Cofins pela matriz — CNPJ n" 51.196.855/0001-70, correspondentes aos períodos de apuração de junho/2000 a agosto/2002, por entender ser indevida a inclusão do IPI na base de cálculo das referidas contribuições. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, em parte, o relatório que compõe a decisão recorrida: "Trata-se de Pedido de Restituição de I, protocolado em 13/10/2004, no valor de R$(..), correspondente a recolhimentos feitos a título de Programa de Integração Social — PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cafins, relativos aos períodos cie apuração de junho/2000 a agosto/2002, conforme planilha de cálculo às .fls.3/31. A interessada alegou cobrança a maior das contribuições por meio do § 1 0 (10 art. 3" da Instrução Normativa n°54, de 19 de maio de 2000 (indevida inclusão do IPI na base de cálculo). A DRF em Santo André emitiu o Despacho Decisório de fls. 44/46, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que, de acordo com a legislação, não há que se cogitar da exclusão do valor do IPI da base de cálculo do PIS e da Cotins. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 18/11/2005 (fl. 47v), a interessada apresentou nianifestação de inconformidade em 16/12/2005 (fls. 48/52), na qual alega: 2 Processo n" 10805.002008/2004-3 I S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.011 Fl. 96 4. Desde logo, verifica-se que a decisão atacada, é de plano contestável, visto que, a autoridade recorrida obrou por não apresentar qualquer justificativa clara e inequívoca das razões de seu indeferimento, limitando-se singela e sinteticamente, primeiro, a reproduzir os textos de lei referidos pelo contribuinte, nos quais — diga-se — embasou sua justa pretensão, obstaculizando desta .feita, seu direito líquido e certo de ver restituído contribuição que recolheu a maior, depois, por argumentar que valor das contribuiçães é devido porque o IPI está incluído no corpo da nota fiscal. 5. De rigor o cerne da questão, está na adequada e acurada interpretação do amplo espectro de normas e dispositivos legais reguladores do PIS e da Colins, deliberadamente citado pelo contribuinte, os quais, desde sua criação, ou seja, com o advento da Lei Complementar 70/91, não admitem a inclusão do JPI em sua base de cálculo (..) 7. COM o advento da Medida Provisória de n" 1.991-18 de 09/06/2000, posteriormente reeditada sob o n" 2.158-35, de 24/08/2000, restou modificada a firma de exigência do PIS e da Co fins, através do enunciado constante do parágrafo único de seu artigo 43, de onde se extrai a premissa de incumbir ao Fabricante/Montadom na condição de fornecedor do produto, cobrar do contribuinte, que no caso é sua rede autorizada, para posterior recolhimento aos cofies da receita Federal, em procedimento conhecido como "Substituto Tributário". Assim, tango o PIS como a Cofins, passaram a ser previamente calculados sobre o preço de compra dos concessionários, conforme determinação expressa aludida em sobredito artigo de lei. 8. Contudo, o recolhimento das contribuições em comento, sofreu significativa mudança, com graves prejuízos ao bolso do contribuinte, quando a Receita Federal editou a Instrução Normativa de n" 54/2000, em especial no seu artigo 3", parágrafo 1", onerando de forma ilegal e abusiva, a cobrança dessa contribuição pois incluiu na base de cálculo do PIS e da Colins, o valor do IPI, distorcendo assim o conceito contábil e legal do preço de venda de um veículo componente do .fitturamento, posto que, tal imposto já se mostra agregado ao custo do veículo adquirido pela manifestante para futura coniercialização. 9. A ilegalidade da inclusão do IPI na base de cálculo para recolhimento do PIS e da Cotins, nos 27 (vinte e sete meses) em que esteve vigendo a Instrução Normativa 54/2000, é patente e defesa em lei, na medida em que é princípio comezinho de direito que uni ato iafralegal, e de cunho meramente regulamentador, conio na espécie, não possui o condão de alterar a base cle cálculo de tributos já previainente instituídos e regrados em lei própria, vindo a ferir flagrantemente o princípio da legalidade, insculpido no artigo 5", inciso I da Constituição Federal, bem como o da hierarquia das leis, disposto no mesmo diploma Maior, por ocasião de seu enunciado de n°59. 711 3 Processo n" 10805.002008/2004-31 S2-C1T1 Acórd5o n." 2101-00.011 Fl. 97 10.Unia Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal tem seu campo de atuação/vigéncia dentro dos limites da administração direta, não podendo atingir os contribuintes que, como particulares que são, só fazem, ou deixam de fazer em virtude de lei. E nesse particular, é bom .frisar que o próprio Governo Federal, por ocasião da edição da Medida Provisória 2.158-35, não autorizou a inclusão do IPI na base de cálculo para efeito de recolhimento das contribuições em tela, não podendo assim, mera Instrução Normativa criar essa obrigação junto ao contribuinte. 11. Mas não é só isso, para espancar de vez com qualquer dúvida que ainda exista acerca da legitimidade/legalidade do pleito visando a restituição desse valor recolhido a maior, cumpre registrar que, com a edição da Lei n" 10.485/02, também conhecida como PIS e Co fins não cumulativa, em vigor desde 01 de novembro de 2002, o legislador, em seu artigo 1" reconheceu Oabuso daquela Instrução Normativa, voltando a excluir o IPI para efeito do recolhimento da base cie cálculo do PIS e da Co fins. 12. Ademais a pretensão da manifestante em ver restituído esses valores pecuniários recolhidos a maior por conta desta esdrúxula e ilegal inclusão do IPI, mostra-se ainda mais genuína e legítima, dada a pacifica natureza indireta do tributo IPI, pois o contribuinte, como concessionário que é, quando adquire veículos da Montadora/ Fabricante, o .faz mediante seu .faturamento, o que equivale a dizer, haver uma nítida operação de compra e venda entre as partes. Como o ciclo de tal tributo se encerra nesta operação, é evidente que o concessionário acaba sendo o eletivo contribuinte de fato do IPI, até porque é ele quem acaba arcando com o valor de tal tributo, que já vem embutido no preço da mercadoria, muito embora não seja ele o consumidor fina" (destaques do original) Por meio do Acórdão DRJ/CPS n° 05-20.330, de 28 de novembro de 2007, os Membros da Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP decidiram, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/08/2002 Veículos. Substituição. Base de Cálculo. A base de cálculo da Cofins„segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n" 1.991-15, de 2000, é o preço de venda do fabricante ou importador, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2000 a 31/08/2002 \\, ( 4 Processo n" 10805.002008/2004-31 S2-C1 Ti Acórdão n." 2101-00.011 Fl. 98 Veículos. Substituição. Base de Cálculo. A base de cálculo da Co fins, segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n" 1.991-15, de 2000, á o preço de venda do fabricante ou importador, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Solicitação indeferida". Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente, alega que (i) em momento algum pleiteou a declaração de inconstitucionalidade de lei; (ii) é legitima sua pretensão de restituir o valor supostamente pago a maior de PIS e de Cofins em virtude da inclusão do 1PI em suas bases de cálculo. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ, Relatora Com o presente pedido de restituição a contribuinte buscou a recuperação de valores supostamente pagos a maior a título de PIS e de Cofins, sob o argumento de que a IN SRF n" 54/2000 alterou a base de cálculo dos tributos, o que fere o principio da legalidade e a hierarquia das leis. Muito embora a contribuinte tenha tentado dar outra denominação à sua pretensão, o fato é que tenciona que a administração ignore legislação vigente, à qual está vinculada. O órgão competente para declarar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de uma norma legislativa é o Judiciário, e não é outra a pretensão da contribuinte senão que se reconheça a ilegalidade/inconstitucionalidade da IN n" 54/2000, afirmando que sua intenção, na verdade, é o contrário, é que a legislação seja aplicada. Há casos em que inexistem dúvidas quanto à não aplicabilidade da lei frente à interpretação da Constituição Federal, razão pela qual, algumas matérias têm sido objeto de apreciação pelos julgadores administrativos. Não se pode esquecer, primeiramente, que a Constituição é uma lei, denominada Lei Fundamental, e, por conseguinte, nada impede que o contribuinte invoque tal ou qual dispositivo constitucional para alegar que a lei ou o ato administrativo contraria o disposto na Constituição. Atinai, há unia gama de interpretações possíveis para uma mesma norma jurídica, cujo espectro deve ser reduzido a partir da aplicação dos valores fundamentais consagrados pelo ordenamento jurídico. A liberdade dos Conselhos de Contribuintes está na interpretação dos fatos concretos envolvidos pelo processo administrativo, na aplicação de jurisprudência - de acordo com o entendimento de cada julgador, visto que sua aplicação não é obrigatória em todos os casos, mas sempre se pautando no que determina a Lei. 5 Processo n" 10805.002008/2004-31 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.011 Fl. 99 Por outro lado, devemos lembrar que as decisões administrativas são espécies de ato administrativo e, como tal, sujeitam-se ao controle do Judiciário. Se, por acaso, a fundamentação do ato administrativo baseou-se em norma inconstitucional, o Poder que tem atribuição para examinar a existência de tal vício é o Poder Judiciário. Afinal, presumem-se constitucionais os atos emanados do Legislativo ou mesmo do Executivo, e, portanto, a eles vinculam-se as autoridades administrativas. Diante dos fatos, e considerando a Súmula n" 2 do Segundo Conselho de Contribuintes', não é este o foro ou instância competente para a discussão da constitucionalidade das leis. Cabe ao órgão administrativo, tão-somente, aplicar a legislação em vigor, tal como procedido pelo agente fiscal. Desse modo, as referidas argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade deverão ser feitas perante o Poder Judiciário, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo fiel cumprimento das leis. De qualquer forma, considerando que o STJ já se manifestou sobre a matéria, melhor sorte no resta à contribuinte se analisarmos o mérito da questão, e para tanto, peço vênia para transcrever a ementa do REsp 665126/SC, da lavra do Min. Luiz Fux, que esclarece sobremaneira o equivoco da contribuinte: "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3", § 2", I. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. I. A Instrução Normativa SRF n" 54/2000, revogado pela IN SRF n" 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento do contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (limitadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória n" 1.991-15/2000, atual MP n" 2.158-35/2001, editada antes da Emenda Constitucional n"32,). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.991-15/2000, e artigo 3", capta, da IN S'RF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitou-se a defini-lo como o preço do produto acrescido cio valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgéncia especial dirige-se ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3`; da Instrução Normativa SRF n" 54/2000, em virtude do disposto no inciso I, do § 2`; do artigo 8`; da Lei n."9.718/98, verbis: 1 SÚMULA N" 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. ( 6 Processo n" 10805.002008/2004-31 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.011 Fl. 100 § 2" Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2 0, excluem-se da receita bruta; 1 - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e hztennunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;" 4.A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.`5. 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n." 346.084-6/PR, do Ministro limar Ga/vão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § I", cio artigo 30, da Lei n." 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou 'aturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de niercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesnza assentada, afastou-se a argüição de inconstitucionalidade do artigo 80, da Lei n." 9.718/98, mantendo-se a 'rigidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, delicadas em seu § 20, 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as "vendas canceladas", Os "descontos incondicionais", o "IPI" e o "ICMS" cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e cia contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerenteniente, elucidam z a quaestio iuris: "... o regime de substituição tributária envolve uma presunção cie fato gerador. O .fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 30, § 2", I, da Lei n°9.718/98, especialmente no que diz respeito à exclusão do IPL Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IN. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele - .fabricante - deve a titulo de PIS e COFINS. Para isso, ele - fabricante - deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo .fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do .faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão ).‘)7 Processo n° 10805.002008/2004-31 S2-Cut Acórdão n.° 2101-00.011 Fl. 101 prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do (..) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluí-lo, para fins de determinar o .fituraniento do fabricante, pois, de outra forma, estar-se-ia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo .fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa Ó a apuração do "'aturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final, Logo, quando se pergunta qual o .faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele - revendedor - deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor .final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o fituramento (base de cálculo) de cada 11171 deles. Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3", § I", I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3", § I", I, refere-se apenas a pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado 110 documento .fiscal." (fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFIN,S. somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o .fabricante), quando da apuração de seu próprio .faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9.Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3"„' 2", I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, ( 8 Processo rf 10805.002008/2004-31 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.011 Fl. 102 não contribuintes rlo IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. (negrito não do original) 10. Recurso especial a que se nega provimento." Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 de março de 2009. MARIA TERE s(e,-4" MARTINEZ LÓPEZ 9
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Numero do processo: 10166.729151/2011-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Se o acórdão recorrido não aplica determinada súmula CARF, e o paradigma indicado, em situação fática semelhante, longe de contrariar dita súmula CARF, expressamente a aplica, o Recurso Especial deve ser conhecido, desde que atendidos os demais pressupostos regimentais de admissibilidade.
AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR.
Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal.
Numero da decisão: 9202-007.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que não conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Se o acórdão recorrido não aplica determinada súmula CARF, e o paradigma indicado, em situação fática semelhante, longe de contrariar dita súmula CARF, expressamente a aplica, o Recurso Especial deve ser conhecido, desde que atendidos os demais pressupostos regimentais de admissibilidade. AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que não conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 51 /2 01 1- 75 Fl. 426DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão nº 2301005.039, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 ª Seção, proferido na sessão do dia 11 de maio de 2017, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 PENSÃO ALIMENTÍCIA. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. As normas do direito de família não condicionam a fixação de alimentos à separação judicial dos cônjuges. Com o trânsito em julgado da sentença homologatória do acordo de separação de fato com prestação de alimentos não compete aos órgãos fazendários reexaminarem o direito dos alimentandos. Recurso Voluntário Provido Na origem, tratase de lançamento para cobrança de IRPF relativo ao ano calendário 2006, em razão da glosa de dedução de pensão alimentícia e despesas médicas e com educação dos alimentandos Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional destaca os seguintes pontos: In casu, o ponto fulcral da sustentação do contribuinte é que os Acordos Homologados Judicialmente apresentados são hábeis, idôneos e suficientes para a dedução declarada, devendo a autoridade administrativa tão somente acatálos, pois decorrem de decisão judicial. Aduz que as situações particulares para as suas homologações são exclusivamente da alçada do Poder Judiciário; a questão da dissolução da sociedade conjugal não tem qualquer relação com a obrigação de prestar alimentos. (...) O fato de estar de posse da homologação judicial não lhe dá direito automático à dedução fiscal, querendo fazer crer que o Poder Judiciário analisou todas as suas peculiaridades privadas (dissolução da sociedade conjugal, coabitação de alimentante e alimentando, além de outras enumeradas nesta Decisão) e, mesmo assim, assentou o Acordo como hábil para benefício tributário. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10166.729151/201175 Acórdão n.º 9202007.638 CSRFT2 Fl. 427 3 A não dissolução da sociedade conjugal, conjugada com a coabitação (que pode ser sim provada), é elemento hábil de cognição da não existência de rompimento do vínculo marital e das responsabilidades que dele decorrem. Tais condições particulares demonstram a ausência de interesse em agir, uma vez que a postulação de alimentos que estão sendo providos, normal e regularmente, carece de necessidade, apontando de forma patente para caso de mera liberalidade ou de interesse em benefício fiscal. Apresenta como paradigma o acórdão 2402005.493, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal ou o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com os alimentandos, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro aos familiares e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade. O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. JUROS E MULTA DE MORA. TERMO INICIAL PARA A FLUÊNCIA Não há incidência de multa de mora em relação a créditos tributários decorrentes de lançamento de ofício. O termo inicial para a fluência de juros de mora está relacionado ao vencimento do prazo para o pagamento do tributo. Recurso Voluntário Negado.. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 357/362, foi dado seguimento ao REsp nos seguintes termos: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Fl. 428DF CARF MF 4 De fato, as decisões em comento divergiram sobre a possibilidade de dedução de pensão alimentícia, homologada judicialmente, quando não se verifique a efetiva dissolução da sociedade conjugal. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 372/397, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela PGFN e caso seja conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial pela PGFN é tempestivo devendo ser observado os demais requisitos de admissibilidade. A discussão diz respeito a possibilidade de dedução de pensão alimentícia, homologada judicialmente, quando não se verifique a efetiva dissolução da sociedade conjugal. 1. Preliminar de não conhecimento O Contribuinte, em suas contrarrazões requer o não conhecimento do REsp interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, § 3º do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O Contribuinte destaca que o acórdão recorrido se baseou integralmente no entendimento da Súmula CARF nº 98 (vigente à época), transcrita abaixo: Súmula CARF nº 98 A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula revogada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Acórdão recorrido: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10166.729151/201175 Acórdão n.º 9202007.638 CSRFT2 Fl. 428 5 As normas do direito de família não condicionam a fixação de alimentos à separação judicial dos cônjuges. Com o trânsito em julgado da sentença homologatória do acordo de separação de fato com prestação de alimentos não compete aos órgãos fazendários reexaminarem o direito dos alimentandos. O paradigma a época da análise, aplica a Súmula. Assim, apesar de revogada posteriormente, a Súmula CARF nº 98 estava vigente à época dos fatos tempus regit actum. Nesse sentido, voto em não conhecer do Recurso Especial interposto pela PGFN. Mérito Da leitura dos autos e das informações apresentadas pela Fiscalização se observa os seguintes pontos: · que não houve propriamente a dissolução da sociedade conjugal; · de acordo com o cadastro junto a SRFB, os cônjuges preencheram suas declarações com o mesmo endereço, logo viviam em coabitação; Assim, entendido que está mantido o vínculo conjugal, destaco o voto da Ilma. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, proferido no acórdão nº 9202007.118: Ocorre que, quando mantido o vínculo conjugal, as relações familiares de mútuo sustento são regidas no âmbito da família, não havendo qualquer necessidade de intervenção jurídica. Ora, o direito surge para tutelar bens jurídicos, como dito anteriormente, assim, não havendo violação ao bem jurídico, não há que se falar em tutela jurídica. Com isso, observase que o pagamento da pensão alimentícia, quando mantido o vínculo conjugal, embora não proibido pelo direito; pois no direito privado é permitido fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, em decorrência do princípio da autonomia da vontade; possui cunho convencional e não obrigatório. Cabe salientar que importa ao direito de família o cumprimento da obrigação legal de pagar alimentos, pois o seu descumprimento enseja, inclusive, a prisão por dívida, o que não ocorre diante do inadimplemento de uma obrigação convencional. Assim, no presente caso, pois a pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade. Fl. 430DF CARF MF 6 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No acórdão recorrido, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, considerandose que as normas do direito de família não condicionam a fixação de alimentos à separação judicial dos cônjuges. A Fazenda Nacional, por sua vez, visa rediscutir a possibilidade de dedução a título de pensão alimentícia, quando não há dissolução da sociedade conjugal. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 98, e que o paradigma indicado pela Fazenda Nacional estaria a contrariar dita súmula. Ademais, alega a inexistência de similitude fática entre os julgados em confronto. De plano, esclareçase que o acórdão recorrido, proferido posteriormente à edição da Súmula CARF nº 98, sequer a menciona, portanto qualquer conclusão no sentido de que dito julgado teria adotado o entendimento esposado naquele enunciado teria de vir acompanhado de fundamentação nesse sentido, e isso implicaria adentrar ao mérito do recurso, o que é vedado em sede de aferição acerca do conhecimento do apelo. Assim, não se confirmando que o acórdão recorrido aplicou entendimento de súmula, não há que se falar em descumprimento do art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF, como aventou o Contribuinte em Contrarrazões. Por outro lado, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 2402005.493 aplica a Súmula CARF nº 98, o que se confirma pela simples leitura de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal ou o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com os Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10166.729151/201175 Acórdão n.º 9202007.638 CSRFT2 Fl. 429 7 alimentandos, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro aos familiares e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade. O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98." (grifei) Ora, se o paradigma aplicou a Súmula CARF nº 98, obviamente que não a contrariou, de sorte que é plenamente apto a demonstrar a alegada divergência, portanto mais uma vez se equivoca o Contribuinte, desta feita ao defender a aplicação do art. 67, § 12, inciso III, do Anexo II, do RICARF, inaplicável ao caso. Quando à alegada ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, esta também não se confirma, conforme será demonstrado. A Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 2402005.493, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal ou o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com os alimentandos, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro aos familiares e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade. O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. JUROS E MULTA DE MORA. TERMO INICIAL PARA A FLUÊNCIA Não há incidência de multa de mora em relação a créditos tributários decorrentes de lançamento de ofício. O termo inicial para a fluência de juros de mora está relacionado ao vencimento do prazo para o pagamento do tributo. Recurso Voluntário Negado." (grifei) Fl. 432DF CARF MF 8 A leitura da ementa já permite constatar a similitude fática entre os julgados, visto que, tal como no acórdão recorrido, o paradigma trata de dedução, da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, de valores pagos a título de pensão alimentícia, em decorrência de acordo homologado judicialmente, quando não verificada a dissolução da sociedade conjugal. Enquanto no acórdão recorrido decidiuse pela possibilidade da dedução, no paradigma a conclusão foi em sentido oposto. Assim, resta demonstrada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, acompanhando a Relatora, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001552/2003-13
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Ano-calendário: 2002
AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
POSSIBILIDADE.
Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência.
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Não se conhece de matéria, suscitada em recurso voluntário, que consta em debate pelo contribuinte no Judiciário.
DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. EXIGIBILIDADE
SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO.
INAPLICABILIDADE.
É inaplicável o lançamento da multa de oficio no caso de auto de infração lavrado quando a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito judicial do montante integral anterior ao inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo.
NORMAS PROCESSUAIS. JUROS. TAXA SELIC. DEPÓSITO JUDICIAL
INAPLICABILIDADE.
A realização de depósito judicial do valor integral do crédito tributário, dentro do prazo de vencimento do tributo, afasta a aplicação da Taxa Selic, posto que o valor depositado é disponibilizado ao credor desde a data da realização do depósito, pelo que não se configura mora nesta hipótese.
Recursos de Oficio negado e Voluntário Provido na Parte Conhecida.
Numero da decisão: 2101-000.195
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: 1 - em negar provimento ao recurso de oficio; 2 — rejeitar a preliminar de nulidade; 3 - não conhecer do recurso voluntário relativamente à
matéria em discussão concomitante com o Poder Judiciário. 4 — em dar provimento ao recurso, em relação aos juros de mora sobre o valor depositado. Fez sustentação oral, pela recorrente, o
Dr. Spencer Daltro de Miranda Filho OAB/RJ 17.615.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Ano-calendário: 2002 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Não se conhece de matéria, suscitada em recurso voluntário, que consta em debate pelo contribuinte no Judiciário. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável o lançamento da multa de oficio no caso de auto de infração lavrado quando a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito judicial do montante integral anterior ao inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. NORMAS PROCESSUAIS. JUROS. TAXA SELIC. DEPÓSITO JUDICIAL INAPLICABILIDADE. A realização de depósito judicial do valor integral do crédito tributário, dentro do prazo de vencimento do tributo, afasta a aplicação da Taxa Selic, posto que o valor depositado é disponibilizado ao credor desde a data da realização do depósito, pelo que não se configura mora nesta hipótese. Recursos de Oficio negado e Voluntário Provido na Parte Conhecida.
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LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Não se conhece de matéria, suscitada em recurso voluntário, que consta em debate pelo contribuinte no Judiciário. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável o lançamento da multa de oficio no caso de auto de infração lavrado quando a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito judicial do montante integral anterior ao inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. NORMAS PROCESSUAIS. JUROS. TAXA SELIC. DEPÓSITO JUDICIAL INAPLICABILIDADE. A realização de depósito judicial do valor integral do crédito tributário, dentro do prazo de vencimento do tributo, afasta a aplicação da Taxa Selic, posto que o valor depositado é disponibilizado ao credor desde a data da realização do depósito, pelo que não se configura mora nesta hipótese. Recursos de Oficio negado e Voluntário Provido na Parte Conhecida. O Processo n° 18471.001552/2003-13 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.195 Fl. 154 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: 1 - em negar provimento ao recurso de oficio; 2 — rejeitar a preliminar de nulidade; 3 - não conhecer do recurso voluntário relativamente à matéria em discussão concomitante com o Poder Judiciário. 4 — em dar provimento ao recurso, em relação aos juros de mora sobre o valor depositad • ez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Spencer Daltro de Miranda Filho OAB/RJ 17 • de. II MARCOS CÂNDI O residente • k ,(1)1 0- A TO 10 LISBOA A' SO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Relatório Adoto o relatório da DRJ-Rio de Janeiro 1/RJ (fls. 123/127), nos seguintes termos: "Trata-se do Auto de Infração de fls. 04/33, lavrado pela Delegacia de Fiscalização do Rio de Janeiro em 23/06/2003 (fl. 04), com ciência da Interessada em 24/06/2003 (/1. 04), no qual é informado que foi efetuado lançamento para prevenir a decadência, tendo sido apurado crédito tributário de CPMF, no valor de R$ 1.868.053,97, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. 2.No Auto de Infração, os fatos foram assim descritos: "001 - CPMF - MEDIDAS JUDICIAIS (A PARTIR DE 17/06/99) FALTA DE RECOLHIMENTO DA CPMF - MEDIDAS JUDICIAIS (A PARTIR DE 17/06/99) A presente empresa obteve através do processo N.2002.510105712-8, da 27 Vara Federal, autorização judicial. para depositar os. valores questionados, a titulo de CPMF, incidentes sobre o CONTRATO DE CAMBIO 2 Processo n° 18471.001552/2003-13 - Acórdão n.° 2101-00.195 S2-C1T1 Fl. 155 _ DE COMPRA- TIPO 03 (TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS DO EXTERIOR) em anexo, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Face ao exposto e em cumprimento da determinação contida no processo numero 10768.017853/2002-32, as fls.128, em anexo, procedemos o lançamento do credito tributário, conforme consta do presente auto de infração, para resguardar Os interesses da Fazenda Nacional, afastando-se o vicio da decadência. Fato Gerador Vai. Tributável Multa (%) 19/04/2002 R$491.593.150,00 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts.2°, 4°, 5°, 6° e 7°, da Lei n° 9.311/96 e Art. I° da Lei n.°9.539/97 c/c Art. I° da Emenda Constitucional n°21/99" 3. Inconformada, a Interessada, por meio de seu procurador (procuração de fl. 53) apresentou a Impugnação de fls. 36/51, com anexos de fls. 52/115, na qual requer a nulidade do Auto de 1 Infração, em virtude das intransponíveis deficiências na descrição dos fatos que deram origem à exigência fiscal, o que impossibilita o adequado exercício do direito de defesa e, se assim não entender o Julgador, seja julgado improcedente o Auto de Infração, porquanto aquele lançamento a débito realizado na sua conta bancária não deu ensejo à circulação escritural ou fisica de moeda, o que não proporciona a ocorrência do fato gerador da CPMF, e caso não concorde o Julgador com os pedidos anteriores, solicita que sejam julgados improcedentes a multa e os juros de mora, porquanto o depósito judicial foi efetivado antes do vencimento da obrigação de recolher a CPMF e, ainda, seja determinada a redução do valor do principal da CPMF para R$ 1.829.136,17, na medida em que o referido lançamento a débito na conta corrente da Impugnante foi de valor inferior àquele mencionado no Auto de Infração. As alegações apresentadas na Impugnação foram as seguintes, em síntese: '.* NULIDADE DO AUTO DE INFRA CÃO.,. 3.1 que, no Auto de Infração impugnado, foi apenas mencionado não ter a Impugnante recolhido a CPMF devida em virtude de contrato de câmbio de compra — Tipo 03 (transferências financeiras do exterior), sem ter sido, contudo, identificada a operação de câmbio questionada, o que, sem dúvida, impossibilita a Impugnante de conhecer a operação de câmbio a que se refere a exigência Fiscal questionada, impedindo-a de exercitar adequadamente o direito à ampla defesa; 3.2 que, adicionalmente, revela-se incompreensível a descrição dos fatos, na medida em que o processo judicial n° 2002.51.01.005712-8, mencionado no Auto de Infração, objetiv _____ 3 Processo n° 18471.001552/2003-13 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.195 Fl. 156 afastar a exigência de recolhimento de CPMF em virtude de lançamento a débito em conta corrente bancária; 3.3 que não menos relevante é ter-se presente que, na legislação de regência da CPMF, não consta a celebração de contrato de câmbio como sendo fato gerador dessa contribuição; 3.4 que, assim, impõe-se seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, por contrariedade aos artigos 10, inciso HL e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, pois não foram descritos os fatos que deram origem à exigência fiscal, prejudicando o direito de defesa da Impugnante; SÃO INDEVIDOS OS JUROS E A MULTA 3.5 que o processo judicial n° 2002.51.01.005712-8 é um mandado de segurança (doc. 03, fls. 79/100), no qual a Impugnante requereu a concessão de segurança para que o Delegado da Receita Federal se abstivesse de praticar qualquer ato de cobrança de CPMF, seja da Impetrante, seja do Banco ABN AMRO Real S/a, referente a lançamento a débito na conta- corrente n° 07000253 da Impugnante, da importância em reais correspondente a até US$ 237.596.519,60, destinada a contratação de contrato(s) de câmbio de compra simbólico(s), cujo objetivo é permitir o registro, no Registro de Operações Financeiras (ROF) do Banco Central do Brasil, de parte dos desembolsos originários do Contrato n° 1051/0C -BR, celebrado entre a Impugnante e o Banco Interamericano de Desenvolvimento; 3.6 que, no caso, o depósito judicial da importância de R$ 1.868.053,97, referente à CPMF que a autoridade impetrada pretendia cobrar em virtude da realização do mencionado lançamento a débito em conta-corrente bancária, foi realizado em 19/04/2002, conforme cópia do respectivo comprovante de depósito (doc. 04, fl. 102); 3.7 que o referido lançamento a débito na conta-corrente n° 0700253 da Impugnante, no Banco ABN AMR0 Real S/A, foi efetivado posteriormente em 24/04/2002, conforme comprova o extrato da referida conta-corrente bancária (doc. 05, fi. 104), onde há um lançamento a débito no valor de R$ 481.351.624,08, referente ao Contrato de Câmbio de Compra (doc. 06, fls. 106/108); 3.8 que, assim, o depósito judicial do valor correspondente à CPMF ocorreu antes da efetivação do referido lançamento a débito na conta corrente bancária, que, ao ver da autoridade impetrada, seria o fato gerador da CPMF, sendo importante frisar que o valor depositado a disposição do Juizo é idêntico ao valor da CPMF exigido no Auto de Infração; 3.9 que se o depósito judicial foi efetivado antes da ocorrência do pretenso fato gerador, nada é devido a título de juros e de multa, caso seja ao final julgado improcedente o mandamus, 4 Processo n° 18471.001552/2003-13 S2-C1 T1Acórdão n.° 2101-00.195 Fl. 157 porquanto não houve mora da Eletrobrás, que também é a ora Impugnante, sendo que, afinal, o depósito judicial foi efetivado antes de nascer a obrigação tributária questionada e, por conseqüência, antes do vencimento da obrigação de recolher a CPMF; 3.10 que há outra razão de direito para exclusão da multa exigida no Auto de Infração, vez que este se destinou a constituir o crédito tributário com a finalidade de evitar a decadência, o que implica não caber o lançamento da multa de oficio, a teor do que dispõe o artigo 63 da Lei n° 9.430/1996; O MÉRITO 3.11 que a Impugnante, no Processo n° 2002.51.01.005712-8, objetiva afastar a exigência de CPMF em montante idêntico ao valor da contribuição exigida no Auto de Infração ora impugnado; 3.12 que o lançamento a débito na referida conta corrente, quando da liquidação do contrato de câmbio de compra, não representou circulação escritural de moeda ou, ainda, a saída de divisas do Brasil, simplesmente porque a operação foi simbólica, destinada apenas e tão-somente a possibilitar o registro dos desembolsos do Contrato n° 1051/0C-BR, que transitaram pela extinta conta da Eletrobrás, na extinta agência do Banco Real S/A em Washington, no Registro de Operações Financeiras (ROF) do Banco Central do Brasil; 3.13 que outra comprovação de que os aludidos contratos de câmbio simbólicos e simultâneos e os respectivos lançamentos, também simbólicos e simultâneos, na conta bancária da Impugnante, não corresponderam à circulação escritural da moeda, é a informação contida na carta do Banco ABN AMRO Real Ltda. enviada à Impugnante (doc. 07, fls. 110/111), no sentido de que todos os valores que transitaram pela referida conta da Impugnante, na agência do Banco Real em Washington, foram sacados pela Impugnante até 16/07/1999, antes do fechamento da referida conta bancária; ERRO QUANTO AO VALOR DA CPMF EXIGIDA 3.14 que o referido lançamento a débito foi efetuado em 24/04/2002, no valor de R$ 481.351.624,08, conforme comprova o extrato da referida conta corrente (doc. 05, fl. 104) e respectivo contrato de câmbio (doc. 06, fls. 106/108), pertinente a US$ 204.830.478,33; 3,15 que se esse lançamento a débito na conta corrente da Impugnante desse origem à obrigação de recolher a CPMF, o que só se admite para argumentar, o valor da contribuição seria de R$ 1.829.136,17 (481.351.624,08 x 0,38%) e não de R$ 1.868.053,97, como consta no Auto de Infração, obtido pela multiplicação do equivocado valor tributável de R$ 491.593.150,00 por 0,38%. 5 Processo n° 18471.001552/2003-13 82-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.195 Fl. 158 4.É o Relatório." A DRJ do Rio de Janeiro (I) manteve o lançamento parcialmente procedente, afastando a multa de oficio (75%), bem como exonerou o crédito de CPFM no valor de R$38.917,80 (1868.053,97 — 1.829.136,17), mantendo-se o crédito tributário no valor de R$1.829.136,17, ou o que ensejou o necessário recurso de oficio, tendo em vista o crédito exonerado ser superior ao valor de alçada (R$1.000.000,00). A decisão recorrida está sintetizada nos termos da ementa de fls. 120/121, in verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 AÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO. CONCOMITÂNCIA PARCIAL DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial e parte da impugnação do contribuinte com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas desta parte da impugnação, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável o lançamento da multa de oficio no caso de auto de infração lavrado quando a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito judicial do montante integral anterior ao inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. É aplicável o lançamento de juros de mora no caso de auto de infração lavrado quando a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito do montante integral do crédito tributário, cabendocabendo ao fisco, no caso de decisão final da justiça favorável à União, cobrar o principal e os juros de mora pertinentes, levando em devida consideração o depósito efetuado. Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 2002 ERRO NO VALOR TRIBUTÁVEL. 6 Processo n° 18471.001552/2003-13 • Acórdão n.° 2101-00.195 S2-C1T1 Fl. 159 Verificado erro no valor tributável da CPMF, cabe a autoridade julgadora retificá-lo, desde que isto não signifique agravamento do lançamento." No recurso de fls. 140/148, protocolizado em 13/06/2007, tendo tomado ciência da decisão em 18/05/2007 (AR fls. 136), a recorrente reitera os argumentos de sua impugnação, frisando sobretudo ser absolutamente desnecessário o auto de infração pela impossibilidade de a União ter qualquer perda com decadência em relação ao valor depositado em Juizo, caso o mandamus seja julgado improcedente, e ainda, ser ilegal a exigência de juros de mora sobre o valor integralmente depositado. É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator Os recursos de oficio e voluntário atendem as condições necessárias de admissibilidade. O recurso de oficio deve ser negado por seus próprios fundamentos, porquanto a decisão recorrida pautou-se nos estritos limites impostos pelo art. 63, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação determinada pela MP no 2.158-35, de 2001, que expressamente afasta a multa de oficio quando a constituição do crédito tributário se destinar a prevenir a decadência "cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151, da Lei 5.172,...", combinado-se com o inciso II do mesmo artigo do CTN, o depósito do montante integral do crédito tributário suspende a sua exigibilidade. Em relação à divergência do valor da CPMF exigida, constatado que houve erro de cálculo, correta a decisão que exonerou o crédito indevidamente exigido. Desta forma nego provimento ao recurso de oficio. A preliminar de nulidade suscitada pela recorrente deve ser rejeitada, porquanto os fatos foram bem detalhados no Auto de Infração, tanto que possibilitou à Recorrente apresentar defesa a contento. - Em relação à opção do contribuinte pela via judicial, implica renúncia ou desistência da via administrativa, tendo em vista a prevalência da primeira sobre a segunda, devendo o processo administrativo seguir a solução definitiva dada ao processo judicial, é nesse sentido que a jurisprudência do colendo Segundo Conselho de Contribuintes caminhou, estando o assunto inclusive sumulado (Súmula n° 1), in verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." 7‘ies. Processo n° 18471.001552/2003-13 S2- C1T1Acórdão n.° 2101-00.195 Fl. 160 Portanto, não se conhece do recurso em relação às matérias submetidas á apreciação do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.51.01.005712-8, destinado à afastar a exigência do recolhimento de CPMF em virtude de lançamento a débito em conta corrente bancária. Entretanto, entendo assistir razão à recorrente quanto à exigência de juros de mora, devendo por isso o recurso ser conhecido parcialmente, vez que a exigência de juros de mora sobre o valor depositado não foi discutido na via judicial. De fato, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o depósito do seu montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, não havendo porque a incidência de juros, como aconteceu no caso. Tendo em vista a unificação dos Conselhos de Contribuintes operado por força da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 (DOU 28/05/2009), em um só órgão, atribuindo a segunda instância a este colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 48 da referida lei, nos seguintes termos: "Art. 48. O Primeiro, o Segundo e o Terceiro Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ficam unificados em um órgão, denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com competência para julgar recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Logo, em razão da unificação dos Conselhos de Contribuintes deve ser aplicada, inclusive, a Súmula n° 5 do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que afasta a exigência dos juros de mora quando existir depósito no montante integral, in verbis: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, conforme determina a Súmula n°5 do 1° CC." Portanto, uma vez que está comprovada a realização de depósito judicial do valor integral do crédito tributário, dentro do prazo de vencimento do tributo, deve ser afastada a aplicação da Taxa Selic, posto que o valor depositado é disponibilizado ao credor desde a data da realização do depósito, pelo que não se configura mora nesta hipótese. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, conhecer em parte do recurso voluntário, em razão da opção pela via judicial, e na parte conhecida dar-lhe provimento. ala das Sessões, -m 04 de junho de 2009. NTONI o LIS OA A' BO' 8
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724377/2015-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Nos termos do art. 65 do RICARF somente é cabível Embargos de Declaração se restar comprovada a existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão.
Sanada a obscuridade no voto condutor, vez que a ementa não consignou matéria discutida pelo colegiado.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO.
Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.
Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos)
Numero da decisão: 2002-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para retificação da ementa do acórdão nº 2002-000.139, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Nos termos do art. 65 do RICARF somente é cabível Embargos de Declaração se restar comprovada a existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão. Sanada a obscuridade no voto condutor, vez que a ementa não consignou matéria discutida pelo colegiado. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos)
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OBSCURIDADE. Nos termos do art. 65 do RICARF somente é cabível Embargos de Declaração se restar comprovada a existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão. Sanada a obscuridade no voto condutor, vez que a ementa não consignou matéria discutida pelo colegiado. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para retificação da ementa do acórdão nº 2002000.139, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 43 77 /2 01 5- 34 Fl. 92DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (efls. 85/86) opostos pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, cujo objeto era a isenção de seus provimentos vez que é portador de moléstia grave elencada na legislação. O acórdão 2002000.139 recebeu a seguinte ementa e dispositivo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. VERDADE MATERIAL Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos) PROCESSUAL. PROVA. PRECLUSÃO. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19985.724377/201534 Acórdão n.º 2002000.720 S2C0T2 Fl. 3 3 A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, a fim de que a decisão não contrarie os princípios da legalidade e da verdade material, que prevalecem sobre o formalismo processual. Decisão: (Acórdão 30130777 14/10/2003) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Por meio do despacho de efls. 89/90 a presidente desta Turma concluindo pela existência da obscuridade apontada, acolhendo os embargos e redistribuindo os autos a esta Relator, nos temos do art. 65 do RICARF. É o relatório. Voto Thiago Duca Amoni Relator. Conforme consta do relatório, tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional por meio do qual é pleiteado o saneamento de obscuridade apontada no voto deste relator, cujo mérito não reflete o teor da ementa. De fato, presente a obscuridade apontada pela Fazenda Nacional, vez que a ementa do voto condutor aborda o princípio da verdade material para afastar a preclusão de novas provas documentais apresentadas em sede de Recurso Voluntário, matéria esta não tratada no voto condutor e não discutida pelo colegiado. Desta forma, a ementa do acórdão nº 2002000.139, dever ter a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. VERDADE MATERIAL Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Fl. 94DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos) Diante do exposto, acolho os embargos, sem efeitos infrigentes, sanando a obscuridade apontada na ementa do acórdão nº 2002000.139, que deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000529/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando-se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art.219 do CPC.
COMPENSAÇÃO. COFINS.
Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-006.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do despacho decisório para considerar não prescrito o direito ao crédito relacionado aos pagamentos realizados entre 19/05/1999 e 15/07/2002 e (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo quanto a este período (19/05/1999 e 15/07/2002).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando-se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art.219 do CPC. COMPENSAÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art.219 do CPC. COMPENSAÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do despacho decisório para considerar não prescrito o direito ao crédito relacionado aos pagamentos realizados entre 19/05/1999 e 15/07/2002 e (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo quanto a este período (19/05/1999 e 15/07/2002). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 05 29 /2 00 7- 48 Fl. 537DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: A contribuinte aqui identificada requereu em 30/08/2007 junto à Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG, a compensação de valores recolhidos a título de Cofins nos períodos de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2002, alegando ganho judicial em processo no qual questionou a alteração da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei nº 9.718, de 1998 (documentos de fls. 01/92). Para uso do mesmo crédito, também transmitiu as Dcomp de fls. 187/241. A DRF Divinópolis, por intermédio do Despacho Decisório de 04/09/2008, às fls. 274/275, a par de ratificar entendimento da própria contribuinte de que o pedido não está amparado por medida judicial, deferiu parcialmente o pedido nos seguintes termos: em relação à parte dos pagamentos (anteriores a cinco anos da data da declaração de compensação), o direito de pleitear a compensação já estava prescrito; em relação aos demais pagamentos (não prescritos), apurouse crédito menor do que o reclamado, em virtude de a contribuinte não haver considerado, na base de cálculo, os faturamentos relativos à receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado (conta Rendas Diversas). Em seqüência, homologouse parcialmente as compensações, considerando o crédito de cada recolhimento, apurado conforme planilhas de fls. 265/272. Cientificada da decisão em 17/09/2008 (fl. 275v), a contribuinte manifestou sua inconformidade em 17/10/2008 (fls. 276/284), alegando, em síntese: em vista da decisão transitada em julgado que afastou a incidência das contribuições sobre a parcela de receitas que não corresponda ao faturamento, resta evidente que os valores dos recolhimentos sobre tais parcelas são classificados como “pagamento indevido de tributos administrados pela SRF”, e assim considerandose o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, manifestase o seu direito de compensar tais valores; cita o § 10 do art. 26 da Instrução Normativa nº 600/05 para inferir que, se ao contribuinte que tenha apresentado pedido de restituição à SRF antes do transcurso do referido prazo (cinco anos), é deferida a possibilidade de apresentar a Declaração de Compensação, obviamente que se o mesmo comprovar que estava discutindo judicialmente a questão da incidência tributária, através de Mandado de Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 538 3 Segurança, e o trânsito em julgado somente ter ocorrido em 2006, também poderá apresentar tal Declaração; cita, ainda, o parágrafo único do art. 219 do CPC, esposando o entendimento de que o início de ação judicial interrompe o prazo prescricional para a restituição dos valores indevidamente recolhidos; como os valores indevidamente recolhidos foram reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, e os recolhimentos foram efetuados após a impetração do Mandado de Segurança, tem a Requerente assegurado o direito à sua compensação, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes; sobre as glosas procedidas pela DRF na apuração do crédito, alega que o Mandado de Segurança impetrado garantiulhe o direito de que a Cofins incidisse apenas sobre o Faturamento e não sobre a Receita Bruta. Assim, as receitas não operacionais não seriam incluídas na base de cálculo da Cofins; a requerente possui imóveis em seu patrimônio, mas não tem por objeto social a locação de imóveis. Assim, as receitas decorrentes dos alugueis são não operacionais, devendo as mesmas ser excluídas da base de cálculo da Cofins; a requerente possui ainda Sucatas, que são materiais utilizados em suas instalações e equipamento, e que, após desgastados deixam de ter utilidade para a requerente e são descartados. Esta sucata é revendida, mas por não fazer parte da atividade da Requerente, a receita obtida nesta operação também não é receita operacional; com relação ao óleo queimado, a Requerente informa que possui máquinas e caminhões, e quando da troca do óleo dos mesmos, este material é armazenado e posteriormente vendido para empresa autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, para reciclagem evitando danos ao meio ambiente. . a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma preconizada no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, cumulado com o artigo 151 do CTN, até decisão final do presente processo. Ato contínuo, a DRJBELO HORIZONTE (MG) julgou a Manifestação de Inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO.COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Solicitação Indeferida. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Fl. 539DF CARF MF 4 Em seu Recurso Voluntário, a Empresa se insurgiu apenas quanto a dois pontos relacionados ao mérito, a saber: a) Não homologação das compensações realizadas com créditos anteriores à 5 (cinco) anos; e b) Homologação parcial das compensações realizadas por meio de Per/dcomp cujos créditos são advindos da receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. No processo se discute a não homologação de compensação fundada em ganho judicial no qual se questionou a alteração da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei nº 9.718, de 1998 (documentos de fls. 01/92). Dois pontos são controvertidos nos autos que levaram ao indeferimento parcial do pleito da Recorrente: a) Não homologação das compensações realizadas com créditos anteriores à 5 (cinco) anos por ocorrência de prescrição do direito creditório; e b) Para o período não prescrito, homologação parcial das compensações realizadas por meio de Per/dcomp, cujos créditos são advindos da receita com aluguel e vendas de sucatas e óleo queimado. Devidamente delimitada a lide, passase a análise das questões postas. Prescrição do Direito Creditório A Autoridade Fiscal constatou que parte dos pagamentos (anteriores a cinco anos da data da declaração de compensação em 30/08/2007), referente ao período de 10/02/1999 a 15/07/2002, já havia sido atingido pela prescrição, conforme consta no Despacho Decisório de 04/09/2008, às fls. 274/275. Neste ponto, a Recorrente se defende alegando que efetuou a compensação dos seus débitos, com créditos de COFINS, adquiridos em função da sentença proferida no processo 1999.38.00.018923l. Nesse processo decidiuse que a COFINS incidiria apenas sobre o Faturamento, e não sobre a base de cálculo ampliada pelo no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 , ensejando um crédito a ser aproveitado pelo contribuinte. Argumenta a Recorrente que houve a interrupção da prescrição por força do ajuizamento da ação judicial na qual se discutiu a questão da incidência tributária da COFINS apenas sobre o Faturamento. Assim, o prazo prescricional só começaria a correr após o trânsito em julgado da referida ação, qual seja em 2006, conforme disposto no art. 219 do Código de Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 539 5 Processo Civil e 202 do Código Civil. Uma vez que apresentou a Declaração de Compensação em 2007, nenhum dos seus pagamentos estaria atingido pela prescrição. Compulsando os autos, percebese que a referida ação trata de mandado de segurança preventivo impetrado em 19/05/1999 no qual se pede o afastamento da incidência das contribuições sobre as parcelas das receitas que não correspondam ao conceito de faturamento desde a data da impetração do MS. Independentemente do ajuizamento do mandado de segurança, a Recorrente continuou recolhendo as contribuições sobre a totalidade da receita bruta e depois que obteve provimento judicial favorável e transitado em julgado, apresentou Declaração de Compensação dentro do interstício de cinco anos a partir da data do trânsito em julgado. A Autoridade Tributária indeferiu o pedido de compensação sob o argumento de que teria ocorrido a prescrição dos valores recolhidos no período de 10/02/1999 a 15/07/2002, uma vez que já teriam transcorridos mais de 5 anos quando a empresa apresentou o pedido de compensação. Afirma também que o mandado de segurança não interrompeu o prazo prescricional uma vez que nele não se discutiu a restituição de direito creditório ou pedido de compensação de valores. Ocorre que o mandado de segurança utilizado pelo Contribuinte para afastamento do dispositivo legal (no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98) foi o da modalidade preventiva. Nessa modalidade, o Contribuinte antecipase ao início da cobrança do tributo, impetrando o mandado de segurança após a publicação da lei e antes da prática de ato administrativo ao qual pudesse ser atribuída a pecha de violador do direito líquido e certo. Uma vez ajuizada a demanda, se posteriormente o sujeito obtém a segurança em caráter definitivo para afastar a relação tributária decorrente do dispositivo legal questionado, todos os valores pagos indevidamente no transcorrer da ação geram um indébito passível de restituição/compensação que tem o seu prazo prescricional interrompido até que ocorra o trânsito em julgado da decisão. Caso prevalecesse o entendimento da Autoridade Fiscal, no sentido de não ocorrer a interrupção da prescrição, o Contribuinte ficaria a mercê da velocidade do judiciário para o deslinde do processo, ocorrendo o esvaziamento da tutela jurisdicional de conteúdo com risco de perecimento do direito pela prescrição. Assim, por força do provimento judicial, o Contribuinte tem direito sim a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos após o ajuizamento do mandado de segurança, por ventura existentes, independentemente desses temas terem sido discutidos no mandamus, com fundamento no art.219 do CPC, in verbis: Art. 219. A citação válida torna prevento o juizo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. (negritos nossos) Assim, aplicase ao caso o prazo prescricional previsto no inciso II do art.168 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) de cinco anos, a partir do trânsito em julgado da decisão para aqueles valores recolhidos indevidamente após o ajuizamento da ação, in verbis: Fl. 541DF CARF MF 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (negritos nossos) Aos valores recolhidos antes do ajuizamento do mandado de segurança (19/05/99) e não constante do pedido, confirmase a ocorrência de prescrição pela aplicação do prazo prescricional de restituição de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos estabelecidos nos arts.165. e 168, da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Lei nº5.172/66 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Dessa forma, afastase a ocorrência de prescrição para aqueles recolhimentos ocorridos no período de 19/05/99 a 15/07/2002, em consequência, deve o processo retornar à Unidade de Origem para que apure, por meio de novo despacho decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo nesse período. Glosa de créditos advindos da não inclusão de receita com aluguel, vendas de sucatas e óleo queimado na base da contribuição. Conforme já consignado, o Contribuinte propôs e obteve êxito em ação cujo pedido foi o reconhecimento do direito ao afastamento da incidência da COFINS sobre as parcelas das receitas que não correspondam ao conceito de faturamento, nos termos da LC nº 70/91, e a conseqüente declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº9.718/98. Com relação aos pagamentos não prescritos, a Autoridade Tributária entendeu que deveria compor a base de cálculo da COFINS os faturamentos relativos à receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado registrados na contabilidade da Recorrente. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Acórdão n.º 3402006.143 S3C4T2 Fl. 540 7 Segundo o entendimento do Auditor, o Mandado de Segurança impetrado garantiulhe o direito de que a Cofins incidisse apenas sobre o Faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Dessa forma, a exigência da contribuição deve ser afastada apenas sobre outras receitas não operacionais, inclusive receitas financeiras, devendo, por outro lado, incidir sobre as receitas registradas nas rubricas citadas por serem decorrentes da atividade econômica operacional típica da empresa. Consta no processo o objeto social da Recorrente (fl. 282) nos seguintes termos: “A exploração e o beneficiamento de jazidas minerais próprias no território nacional; indústria e comércio de brita, areia, cerâmica e/outros materiais básicos para construção civil; extração de minérios em jazidas de terceiros na condição de prestação de serviços; arrendamentos de jazidas minerais, de máquinas, equipamentos e instalações a terceiros ou de terceiros; podendo exercer paralelamente as atividades de transporte; indústria e comércio de produtos siderúrgicos e sucatas em geral; administração de projetos de reflorestamento próprios ou de terceiros e exportação de seus produtos.” (grifos não são do original) Resta evidente que as atividades de arrendamento de máquinas, equipamentos e instalações e comércio de sucatas fazem parte do seu objeto social. Se tais atividades são decorrentes da atividade econômica típica da empresa, devem compor o seu faturamento que servirá como base de cálculo da COFINS. Ademais, percebese que na contabilidade juntada aos autos as receitas decorrentes de aluguéis e sucatas são registradas assiduamente pela Recorrente e não de forma esporádica, o que confirma que se tratam, pois, de receitas inerentes a atividade empresarial típica da Recorrente. Nos termos da LC nº70/91 também há incidência da COFINS sobre a venda de óleo queimado, pois se trata no caso também de venda de subproduto compondo a base de cálculo da referida contribuição. Tal receita, da mesma forma, é registrada assiduamente pela Recorrente e não de forma esporádica, o que nos leva a crer que se trata, pois, de receita inerente a sua atividade empresarial típica. Ressaltese ainda, como bem disse o Julgador a quo, que o fato da atividade em questão não constar de seu contrato social, apesar de efetivamente exercida, não poderia uma irregularidade na situação jurídica oporse à Fazenda Pública, evitando a incidência de tributos, a teor do art. 118, I, do CTN. Ao refletir a atividade econômica em geral, consistente na realização de operações ou atividades, elevase o faturamento a verdadeiro espelho da efetividade empresarial, incluindo não apenas os empreendimentos mercantis, mas também aqueles que envolvam a prática de atos jurídicos com conteúdo econômico. Dessarte, entendo que a decisão judicial não se aplica sobre as receitas referentes a aluguel e venda de sucatas e óleo queimado, devendo, por isso, permanecer a cobrança da COFINS sobre tais parcelas de receitas. Fl. 543DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 544DF CARF MF
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Numero do processo: 13983.720233/2014-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Numero da decisão: 2002-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Recorrente WALTER LUIZ BOSIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública, que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 72 02 33 /2 01 4- 61 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 62 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 8/13), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$4.540,48 para saldo de imposto a pagar de R$13.318,16. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.11). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 20/11/2014, a NL foi objeto de impugnação, em 18/12/2014, às fls. 2/26 dos autos, na qual o contribuinte defende a dedutibilidade da pensão declarada, uma vez que decorrente de decisão judicial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 33/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O colegiado decidiu por restabelecer a pensão no valor parcial de R$27.546,69. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 5/5/2017 (fl. 41), sextafeira, o contribuinte apresentou, em 5/6/2017 (fl.44), recurso voluntário (fls. 44/56), no qual alega que a decisão recorrida não teria considerado a pensão incidente sobre os rendimentos pagos pelo INSS. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 63 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão alimentícia judicial declarada pelo contribuinte. Nesse tocante, a regra é que os pagamentos efetuados a esse título podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que sejam comprovados com documentação hábil, como dispõe o caput do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99 A autuação procedeu à glosa total do valor declarado, de R$31.918,82, por falta de comprovação de pagamento e ausência de decisão judicial. Ressalta que o dever do contribuinte teria sido exonerado em decisão proferida em 1998 (fl.11). Na apreciação da impugnação, o colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer o valor de R$21.546,69, consignando: Em sua defesa, o impugnante sustenta que faz jus à dedução, pois a verdadeira beneficiária sempre foi a Sra. Adelina Pereira Bósio, sua exesposa, sendo depositado apenas na conta da filha do casal, Sra. Adriana Pereira Bósio Francsak, porque a aquela beneficiária alegou não possuir condições de manter a conta corrente em seu nome, à época. Diante de tal quadro, a autarquia previdenciária informou à RFB a filha do casal como beneficiária. Assistelhe razão, em parte, no entanto. Compulsando os autos (fls. 1426), verificase que a real titular do benefício é, de fato, a Sra. Adelina Pereira Bósio, conforme explicitado na Decisão Judicial de folha 23. Contudo, nas bases de dados da Receita Federal do Brasil, há informação da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil de que os valores efetivamente descontados do impugnante montaram R$27.546,69, não os R$31.918,82 líquidos declarados (R$34.267,75– R$2.348,93 de reembolso; fl. 32). Não há nos autos qualquer outro elemento probatório de que os valores repassados a título de alimentos tenha sido diferente daquele informado pela fonte pagadora supracitada. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13983.720233/201461 Acórdão n.º 2002000.862 S2C0T2 Fl. 64 4 Portanto, a DRJ manteve a glosa parcial da pensão por falta de comprovação do seu efetivo pagamento. Agora, em seu recurso, além do comprovante de rendimento emitido pela Previ (fl.50), consignando o valor da pensão já acatado, o recorrente junta extrato de benefício do INSS, relativo ao anocalendário 2011, o qual demonstra o desconto de pensão no valor de R$6.721,06 (fl.51). Registro que com a soma dos rendimentos da Previ com os do INSS chega se ao montante dos rendimentos tributáveis declarados pelo recorrente (fl.12). Dessa feita, diante dessa prova, é de se reformar a decisão recorrida, sendo de se cancelar a glosa da pensão. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a glosa da pensão remanescente após a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720177/2012-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO.
Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte.
Numero da decisão: 9101-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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EMPRESA VEÍCULO. Embargante NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 77 /2 01 2- 52 Fl. 4880DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de contradição que estaria presente no Acórdão nº 9101003.561, proferido por este colegiado na sessão de 05/04/2018. O acórdão embargado apresenta a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" (ou avalizarem a obtenção de empréstimos bancários por estas) com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores (ou propiciaram sua obtenção ao avalizar a obtenção de empréstimos bancários) que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas de amortização de ágio, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, também, por unanimidade de votos, em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das matérias relacionadas a (i) decadência, (ii) inexistência de norma que determine a adição das parcelas de ágio amortizadas da base da CSLL, (iii) Fl. 4881DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 4 3 multa isolada pelo não recolhimento de estimativas encerramento do ano calendário e concomitância, (iv) compensação de prejuízos fiscais e bases negativas; (v) incorreta recomposição dos saldos de prejuízo e base negativa pela fiscalização; (vi) juros sobre multa e (vii) solidariedade. Acordam, ainda, por maioria de votos, que a matéria multa qualificada não deve ser apreciada pelo colegiado de origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam que essa matéria deveria ser apreciada pela turma a quo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do §7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF). O alegado vício no acórdão embargado foi assim identificado pela contribuinte: Da Contradição do Conceito de "Confusão Patrimonial" adotado pelo Voto Vencedor com relação às Parcelas Advindas de Financiamentos Investidas na Aquisição da Embargante pelas Empresas Vitex, Howland e Bilimbi. Os embargos foram admitidos e encaminhados ao colegiado para exame de seu mérito, conforme o despacho exarado em 28/11/2018 pela Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às efls. 4869/4878. Para o processamento dos embargos, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: conforme se verifica do voto vencedor do acórdão embargado, em que pese tenha reconhecido a existência de diferença entre os contextos fáticos do presente caso (acórdão n° 1302001.980) e o acórdão paradigma, concluiu que referidos acórdãos apresentariam semelhanças no que interessaria à discussão jurídica suscitada; de acordo com o voto vencedor do acórdão embargado, a divergência jurisprudencial entre os acórdãos consistiria na análise do cumprimento do requisito: "a absorção do patrimônio da investida pela investidora" para que o ágio associado à aquisição de participação societária pudesse ser utilizado para fins tributário, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997. Confirase: [...]; notase dos trechos destacados acima, que o entendimento do voto vencedor partindo da premissa adotada no acórdão paradigma é que somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial supostamente exigida pela legislação para fins de aproveitamento tributário do ágio a empresa que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento (...) desembolsou os recursos para aquisição da participação societária"; posteriormente, o voto vencedor do acórdão embargado relata a origem dos recursos empregados pelas supostas empresas veículos Vitex, Hermosa, Bilimbi, Howland e Strelícia na aquisição da Embargante, in verbis: [...]; como se vê, no que diz respeito às empresas Vitex, Howland e Bilimbi, o voto vencedor do acórdão embargado reconhece expressamente que parte dos recursos Fl. 4882DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 5 4 utilizados para a aquisição da Embargante foram obtidos de financiamentos junto ao Credit Suisse, ou seja, adveio de recursos próprios (já que o empréstimos foi realizado por estas empresas); entretanto, em que pese o voto vencedor reconheça (i) que somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial a empresa que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento (...) desembolsou os recursos para aquisição da participação societária"; e (ii) que no caso concreto, parte dos recursos utilizados para aquisição da Embargante são provenientes de financiamentos (recursos tomados pelas adquirentes logo, recursos próprios) realizados pelas supostas empresasveículos, contraditoriamente, alega que no caso dos autos as investidoras reais não participaram da confusão patrimonial. Confirase: [...]; tratase de entendimentos, à toda evidência, absolutamente contraditórios; ora, se somente configura como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito "confusão patrimonial" a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária e, no presente caso, uma parcela dos recursos utilizados na aquisição da Embargante foram obtidos por meio de financiamentos (logo, recursos próprios dos tomadores do empréstimo) realizados pelas supostas empresasveículos como reconhecido pelo próprio Voto Vencedor, por certo que a confusão patrimonial está configurada, mesmo levandose em conta a interpretação equivocada do acórdão embargado; ademais, nem se alegue, como faz crer o Voto Vencedor do acórdão embargado, que os empréstimos só ocorreram porque as dívidas estariam garantidas por empresas de grande porte (Embargante e empresas pertencentes aos grupos que a controlavam); tal entendimento é equivocado e não deverá prosperar; primeiramente, vale lembrar que as supostas empresas veículos estavam obrigadas a seguir os princípios de contabilidade geralmente aceitos por força do artigo 177 da Lei das S/A. Dentre tais princípios, está o princípio da entidade, segundo o qual o patrimônio da sociedade deve ser completamente separado do patrimônio dos seus sócios e acionistas; logo, não restam dúvidas que os valores advindos dos empréstimos realizados pelas empresas Vitex, Howland e Bilimbi e investidos na aquisição da Embargante representam recursos próprios de tais empresas, não sendo possível confundilos com o patrimônio de seus grupos controladores em respeito ao princípio da entidade e, muito menos, de seus garantidores; isto porque, como se sabe, os fiadores não têm qualquer poder de decisão sobre o negócio que estão garantindo, pois são meros garantidores da obrigação assumida por terceiro; logo, o Voto Vencedor do acórdão embargado (i) ao entender que somente configura como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito "confusão patrimonial" a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária e, (ii) ao reconhecer que no presente caso, houve uma parcela dos recursos utilizada na aquisição da Embargante, obtida Fl. 4883DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 6 5 por meio de financiamentos (recursos próprios) realizados pelas Vitex, Howland e Bilimbi, mostrase contraditório à sua própria conclusão, vício que deve ser sanado, para que no fim seja consignado que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante, ao menos, no montante dos financiamentos realizados por tais empresas, restando cumprido o requisito da "confusão patrimonial"; mas não é só; insta pontuar, que o voto vencedor do acórdão embargado recai em outra contradição, ao alegar que "Quanto as demais matérias, não cabe a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciar antes que faça a Turma a quo, sob o risco de supressão de instância que pode vir a prejudicar alguma das partes". Confirase: [...]; isto porque, foi exatamente o que o Voto Vencedor fez ao enfrentar a matéria acerca dos recursos próprios oriundos de empréstimos, bem como da sua interpretação quanto aos garantidores de tais créditos, uma vez que referida matéria sequer foi enfrentada pelo acórdão n° 1302001.980, proferido pela Turma a quo; assim, a título argumentativo, caso esta E. CSRF entenda por não sanar a contradição, para reconhecer que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante, ao menos nas parcelas oriundas dos financiamentos (fato não abordado pela Turma Ordinária), é inequívoca a necessidade do retorno dos autos à Turma a quo, para que a Turma Ordinária aprecie os efeitos dos empréstimos na aquisição do investimento, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditória e ao duplo grau de jurisdição; ante o exposto, a Embargante requer sejam conhecidos e providos os Embargos de Declaração opostos, a fim de que seja sanada a contradição no Voto Vencedor do acórdão embargado, reformandose a decisão em questão, para reconhecer que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante ao menos nas parcelas oriundas dos empréstimos , restando cumprido o requisito da "confusão patrimonial; caso assim não se entenda, o que se alega a título argumentativo, requerse que tal matéria seja apreciada pela Turma a quo, sob pena de evidente supressão de instância. É o relatório. Fl. 4884DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Os presentes embargos devem ser rejeitados. Aliás, penso que eles já poderiam ter sido rejeitados no exame de admissibilidade, na forma do §3º do art. 65 do atual RICARF. O acórdão embargado não incorreu no vício de contradição (apontado pela contribuinte), e nem no vício de obscuridade (sugerido no despacho que admitiu os embargos). Desde o início, a controvérsia instaurada nestes autos diz respeito à possibilidade ou não de dedução de despesas com amortização de ágio, em razão de ter havido participação de empresas veículos nas operações societárias que envolveram a geração e o aproveitamento do ágio. O voto vencedor que orientou o acórdão embargado explicita bem os contornos da referida controvérsia: Conforme adiantei na abertura deste voto, o ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte SANTOS BRASIL, e condenado pela Fiscalização, de deduzir, nos anoscalendário 2006 a 2011, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, valores relativos a despesas de amortização de ágios registrados originalmente na contabilidade das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI. A controvérsia reside no fato de a Fiscalização ter considerado tais pessoas jurídicas como meras empresas veículos, desprovidas de recursos próprios para investir na aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL. Assim, a confusão patrimonial verificada ao final do processo de reorganização societária não seria apta a possibilitar o aproveitamento tributário do ágio, uma vez que não envolvia as reais investidoras adquirentes das ações com ágio. O voto que orientou a decisão de segunda instância administrativa (Acórdão nº 1302001.980, de 14/09/2016) também já apontava com precisão o tipo de controvérsia que havia se estabelecido nos presentes autos: DA INFRAÇÃO IMPUTADA Assim, essa é mais uma autuação que envolve discussões sobre a dedutibilidade da despesa com amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, sendo importante ressaltar que o caso sub examine não se configura como operação casasepara nem envolve discussão sobre ágio interno, já que se resume unicamente à alegação de uso de empresas veículos na situação retro mencionada. [...] Fl. 4885DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 8 7 Da leitura do TVF, constatase que a infração imputada à recorrente tem como ponto fulcral a alegação de que as pessoas jurídicas Vitex, Bilimbi, Howland, Strelícia e Hermosa eram empresas “veículos” e, assim entendendo, os autuantes concluem que não teria ocorrido a incorporação que autorizaria a dedutibilidade da despesa com amortização do ágio na recorrente, pois quem teria efetivamente pago o ágio seriam a Multi STS (Grupo Fink), a OPP Fund (Grupo Opportunity) e a PW237 (Grupo Dório) e, não, as pessoas jurídicas (controladoras) que foram incorporadas pela recorrente (controlada). Vejamos, então, alguns trechos do TVF: [...] No entanto, os autuantes alegam que as Vitex, Bilimbi, Hermosa, Howland e Strelicia não tiveram despesas com dirigentes nem de qualquer outro tipo, inclusive com empregados, o que as configurariam como “empresas veículos”. Assim, vejamos agora como foi enquadrada a conduta das controladoras pelo uso das ditas empresas veículos. Observo que me refiro a “ditas empresas veículos”, pois falta à expressão “empresa veículo” uma base conceitual doutrinária e jurisprudencial, mas principalmente legal, razão pela qual o sucesso da autuação depende basicamente da demonstração, pelos autuantes, de que tal conduta se configura em algum ilícito previsto em lei. O Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, desde o início esclarecia que as pessoas jurídicas tidas como empresas veículos, e que pagaram pelo ágio, eram empresas que não detinham capacidade patrimonial para fazer os investimentos que fizeram: 44. É importante, também, entendermos por que empresas recém constituídas, sem patrimônio, com baixo capital social, sem nome conhecido no mercado, que nunca tiveram empregados ou remuneraram seus administradores conseguiram levantar empréstimos bancários aproximados de R$ 306.000.000,00 (trezentos e seis milhões de reais) lastreados em Cédulas de Crédito Bancário — CCB por elas mesmas emitidas? 45. A resposta correta só poderia ser "devido às garantias e fiadores que estas CCB's possuíam". E tanto isto é verdade que no final das contas, em vista de suas incorporações pela Santos Brasil, os empréstimos contraídos acabaram sendo liquidados pela incorporadora, uma das fiadoras. E com recursos advindos da abertura de capital desta ocorrida em 17/10/2006. 46. E quais seriam os motivos para estes gastos desnecessários de tempo e dinheiro incorridos pelos Grupos Econômicos Opportunity, Fink e Dório? Seriam decisões enganosas, erros de estratégia ou coisas do tipo? Não. Analisandose as etapas vemos que todas as operações foram bem planejadas. Desde a oportunidade para aumentar a participação acionária em seguimento promissor, passando pela aquisição das empresas Vitex, Bilimbi, Strelícia, Hermosa e Howland, que comumente são chamadas no mercado como "empresas de prateleira", utilizaremnas como empresas veículos para transferência de recursos e do ágio decorrente da venda e compra de participações acionárias até a incorporação pela investida operacional. Os objetivos pretendidos eram as participações societárias e a amortização fiscal do ágio delas decorrente. Fl. 4886DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 9 8 Vale também registrar que o TVF traz um capítulo específico em que aponta o principal problema que a utilização de empresas veículos gera para a dedução do ágio, que é a não extinção das participações societárias detidas pelos reais investidores, ou seja, a falta da confusão patrimonial do investimento, conforme exigido pela lei: 8. DA NÃO EXTINÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DETIDAS PELOS INVESTIDORES OPPORTUNITY FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES E PW 237 PARTICIPAÇÕES NA SANTOS BRASIL 77. Como visto nos dispositivos legais acima tratados, a permissão legal para que a empresa resultante de reorganização societária de incorporação, fusão ou cisão, em que houver investimento em outra, adquirido com ágio, possa apropriar a amortização deste ágio como despesa dedutível, num prazo não inferior a 60 meses, impõe a absorção do patrimônio da incorporada, fusionada ou fundida. 78. De outra forma, no caso de permanecer o investimento, não se caracteriza a situação prevista na norma, que é de estabelecer uma regra de tributação para quando acontece a "confusão patrimonial do investimento", ou seja, o investimento adquirido com ágio se encontra com a investida que lhe deu causa. É o que nos ensina EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO ao tecer os seguintes comentários: [...]; 79. Desta feita, a dedução autorizada pelos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, decorrem do encontro num mesmo patrimônio da investida com o investimento, pago com ágio por ocasião da aquisição da participação societária, visto que o legislador entendeu que nesta situação o investidor perdeu o seu capital investido com ágio e, assim, poderia deduzir como despesa a "expectativa de rentabilidade" que ele havia pago por ocasião da aquisição societária. 80. Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que o ágio contabilizado tenha sido efetivamente suportado por alguma das pessoas que participa da "confusão patrimonial". O investidor deve se confundir com o seu investimento. 81. Assim, em outras palavras, no caso de uma incorporação, para que o ágio registrado seja dedutível nos termos dos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, deve a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento incorporar esse investimento, ou ser incorporada por ele. O ágio deve ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa. 82. Vejamos, resumidamente, a representação gráfica abaixo, que reproduz a sequência das reestruturações societárias no dia 30/05/2006: Começa com a situação existente no inicio do dia, a entrada da Bilimbi, Vitex, Hermosa, Howland e Strelícia no capital da Santos Brasil no correr do dia, e a incorporação destas pela controlada na noite deste mesmo dia. [...] Fl. 4887DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 10 9 83. Como se pode ver, no caso em tela, os Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237 não deixaram de existir e em nenhum momento perderam seus investimentos na Santos Brasil. 84. Assim, procedendo a uma série de "reestruturações societárias", dotadas apenas de atos formais desprovidos de racionalidade econômica, os Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237 conseguiram: i) permanecer com os seus investimentos na Santos Brasil intocados, apenas, agora, não mais apresentados contabilmente desdobrados em "investimento + ágio", e ii) constituir, na contabilidade da Santos Brasil, uma conta de ativo não circulante em valor igual ao ágio com que aumentaram ou adquiriram o seu controle acionário, de forma a poder amortizar esse ativo, no prazo previsto na legislação tributária, forçando as condições para reduzir o lucro tributável. 85. O único fim visado era a utilização do tratamento fiscal de redução da carga tributária na Santos Brasil, cujo permissivo condicionava à incorporação/fusão/cisão dos grupos Opp Fund, Multi STS ou PW 237 e a investida (Santos Brasil), ou viceversa. 86. Como não foi essa a situação ocorrida, nem era vontade dos detentores do controle acionário da Santos Brasil dela se desfazerem, engendrouse o artifício jurídico de interpor empresas pertencentes aos mesmos grupos econômicos, efêmeras (Vitex, Bilimbi, Strelícia, Howland e Hermosa), sem qualquer propósito negocial ou racionalidade econômica, aportar recursos financeiros para aquisição (aumento das participações já existentes ou aquisição de novas participações acionárias) com ágio por expectativa de rentabilidade futura, para logo em seguida, serem estas incorporadas pela sua controlada (Santos Brasil), e devolver as ações de sua emissão às suas controladoras originárias. 87. No comando dos artigos 7º da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99, a legislação tributária, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva existência e extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas (investidoras originais e investida); ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado de um negócio jurídico particular que culmina numa "confusão patrimonial" o ágio de si mesmo. 88. No presente caso, não houve a requerida unificação patrimonial. Os Reais Investidores: Opp Fund, Multi STS, RK Participações e PW 237, detentores das ações da Santos Brasil tentaram se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação; praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentarem a mesma estruturação societária de antes. Tudo não passando de um estratagema para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal. 89. De sorte que, se considerarmos a participação societária que os Investidores: Opp Funçk Multi STS, RK Participações e PW 237 possuíam na Santos Brasil em decorrência do exercício do Contrato de Compra de Ações, em 30/05/2006, essa mesma participação continuou existindo ao final do processo de reestruturação. Fl. 4888DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 11 10 Mas o que é importante ficar claro, no contexto dos presentes embargos, é que as questões relativas aos recursos aplicados no pagamento do ágio (tanto aos recursos diretamente repassados pelos reais investidores às empresas veículos, quanto aos recursos obtidos por estas no mercado financeiro, a partir de empréstimos contraídos com garantias e fianças dos reais investidores), e que guardam relação direta com a identificação dos "reais investidores", foram plenamente examinadas, na forma da controvérsia que se apresentou. O que se considerou, em resumo, é que esses recursos não pertenciam "verdadeiramente" às empresas veículos, nem mesmo aqueles contraídos por empréstimos tomados pelas empresas veículos junto ao Credit Suisse, mas com garantias e fianças dadas pelos reais investidores e pela própria investida. O voto vencedor que orientou o acórdão embargado não poderia ser mais claro em relação a isso: Os recursos empregados pelas empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI na aquisição de ações da SANTOS BRASIL, em 30/05/2006, tiveram as seguintes origens: VITEX R$ 163.652.256,54 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 21.827.733,00 foram integralizados como aumento de capital pela RK PARTICIPAÇÕES, empresa que detinha 99,99% das ações da VITEX. As empresas VITEX, RK PARTICIPAÇÕES e MULTI STS pertenciam ao grupo econômico FINK, controlado pela família Klien. HERMOSA R$ 9.348.909,00 foram integralizados como aumento de capital pela RK PARTICIPAÇÕES, empresa que detinha 99,99% das ações da HERMOSA. As empresas HERMOSA, RK PARTICIPAÇÕES e MULTI STS pertenciam ao grupo econômico FINK, controlado pela família Klien. HOWLAND R$ 39.665.793,10 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 5.500.000,00 foram integralizados como aumento de capital pela PW 237, empresa que detinha 99,99% das ações da HOWLAND. As empresas HOWLAND e PW 237 pertenciam ao grupo econômico DÓRIO, controlado por Dório Ferman. STRELICIA R$ 98.392.655,00 foram integralizados como aumento de capital pela PW 237, empresa que detinha 99,99% das ações da STRELICIA. As empresas STRELICIA e PW 237 pertenciam ao grupo econômico DÓRIO, controlado por Dório Ferman. BILIMBI Fl. 4889DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 12 11 R$ 118.397.291,34 foram obtidos por empréstimo junto ao CREDIT SUISSE (garantias e fianças da SANTOS BRASIL e de seus grupos controladores); R$ 585.000,00 foram integralizados como aumento de capital pela CITRINO, empresa que detinha 99,99% das ações da BILIMBI. As empresas BILIMBI, CITRINO e OPP FUND pertenciam ao grupo econômico OPPORTUNITY. Vêse, portanto, que as empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI não dispunham de lastro patrimonial próprio para custear o investimento realizado em ações da SANTOS BRASIL. Elas inclusive tinham sido recentemente constituídas, com irrisório capital social e sem quaisquer atividades até sua participação na reorganização societária vivenciada pela contribuinte. A participação destas pessoas jurídicas nas operações de aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL somente foi possível porque elas receberam recursos das verdadeiras adquirentes: OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. Tampouco os recursos recebidos por meio de empréstimo concedido pelo CREDIT SUISSE pertenciam verdadeiramente a estas empresas. Os valores milionários somente foram emprestados pela instituição bancária porque a dívida estaria garantida por empresas de grande porte (a contribuinte e empresas pertencentes aos grupos que a controlavam), que tinham lastro patrimonial para garantir o pagamento dos valores concedidos. Tanto isso procede que a verdadeira devedora dos valores emprestados pelo banco CREDIT SUISSE sempre foi a própria contribuinte. Como a sequência de operações societárias já estava totalmente arquitetada de antemão, já se sabia que as empresas VITEX, HOWLAND e BILIMBI seriam extintas por incorporação exatamente no mesmo dia em que viessem a receber os valores liberados pelo CREDIT SUISSE (30/05/2006). Assim, já era esperado que a dívida com o banco fosse honrada não pelos credores formais, mas pela SANTOS BRASIL, tanto porque ela era uma das fiadoras dos empréstimos quanto porque viria a ser a sucessora universal das obrigações das empresas incorporadas. E, de fato, foi a contribuinte que saldou tal dívida, em 17/10/2006 (menos de cinco meses após a liberação dos empréstimos), com recursos advindos da abertura de seu capital. Tais circunstâncias inclusive infirmam a alegação feita pela contribuinte de que a participação das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI teria se dado por exigência da entidade bancária, que desejaria isolar o crédito em sociedades "limpas" e "sem passado". Perguntase: qual seria a utilidade de serem os credores originários empresas "limpas" se não tinham qualquer patrimônio a garantir as dívidas e ainda se já se sabia de antemão que uma das sociedades "com passado" (a própria contribuinte) é que viria a ser a responsável por pagar as obrigações? Nenhuma, obviamente. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 13 12 observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a contribuinte recorrida não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio oriundo das operações de aquisição de suas próprias ações. Como não foram as pessoas jurídicas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI que desembolsaram o valores que deram origem aos ágios contábeis, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Os numerários que pagaram pela aquisição das ações da contribuinte recorrida saíram dos ativos das reais investidoras, OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. Mesmo a fração dos recursos que adveio de empréstimo bancário somente teve sua obtenção viabilizada porque estas reais adquirentes e a contribuinte SANTOS BRASIL tinham lastro para garantir seu pagamento ao banco CREDIT SUISSE. As empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI, embora constem formalmente como as adquirentes das ações da contribuinte, não tinham lastro econômico para efetivamente realizarem algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação dos ágios. Pertencia às empresas OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237 a capacidade econômica para levar adiante os negócios de aquisição das participações societárias e foram efetivamente estas empresas que desembolsaram recursos para a aquisição das ações da contribuinte. Também pertencia a estas empresas e à SANTOS BRASIL a solidez e a robustez necessárias para alavancar a concessão de empréstimos milionários, por meio da prestação de suficientes garantias e fianças. (destaques acrescidos) Ao longo do processo, ao tratar desses empréstimos, a contribuinte já vinha alegando que "os fiadores não tem qualquer poder de decisão sobre o negócio que estão garantindo". Que eles "são meros garantidores da obrigação, a qual, caso não venha ser adimplida pelo devedor principal, o será pelo seu solidário" (p. 52 do recurso voluntário da contribuinte). E agora nessa fase de embargos ao acórdão de recurso especial, ela invoca o Princípio da Entidade, pedindo para que se reconheça "que as empresas Vitex, Howland e Bilimbi foram as investidoras reais da Embargante ao menos nas parcelas oriundas dos empréstimos , restando cumprido o requisito da confusão patrimonial". O que a contribuinte pretende, na verdade, é rediscutir a matéria, e isso está fora do escopo dos embargos de declaração. Não há nenhuma contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Está bem claro no acórdão embargado as razões pelas quais as empresas que tomaram os referidos empréstimos (VITEX, HOWLAND e BILIMBI) não foram consideradas como reais investidores. A afirmação de que "somente pode figurar como investidora originária ou real em cumprimento ao requisito da confusão patrimonial a empresa que efetivamente Fl. 4891DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 14 13 acreditou na mais valia do investimento e desembolsou os recursos para aquisição da participação societária" deve ser examinada no contexto de toda a argumentação apresentada pelo acórdão embargado, e não isoladamente, como fez a contribuinte, na pretensão de demonstrar a alegada contradição. Em nenhum momento o acórdão embargado dá a ideia de que o simples desembolso seria suficiente para a identificação do real investidor. Aliás, não há nenhuma dúvida de que o desembolso se deu por aquele que detinha a titularidade do recurso naquele exato momento (ou seja, pelas empresas veículos). O que sempre se questionou e se examinou ao longo deste processo foi todo o conjunto dos fatos e da forma de obtenção dos recursos que possibilitaram o pagamento do ágio. Não há nenhuma dúvida sobre as razões pelas quais a alegada titularidade dos recursos desembolsados pelas empresas veículos (seja os recursos recebidos por empréstimo, seja os recebidos por integralização de capital) não serviu para que essas empresas fossem consideradas como os reais investidores. E os embargos de declaração não podem ser utilizados para rediscutir essas questões. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos, o que não ocorre aqui. Os embargos não tem por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte; ou ainda, não cabem embargos para afastar uma errônea conceituação do termo "desembolso" (o qual a embargante pretende que seja entendido como "saída direta de dinheiro"), tomado isoladamente e em desacordo com o racional empregado pelo voto embargado. Desse modo, rejeito os embargos em relação a este primeiro ponto. Da mesma forma, não se constata a segunda contradição apontada pela contribuinte. A alegação da contribuinte é de que, embora o acórdão embargado tenha determinado o retorno do processo à Turma a quo (segunda instância), para evitar a supressão de instância em relação a algumas matérias, ele acabou enfrentando diretamente "a matéria acerca dos recursos próprios oriundos de empréstimos, bem como da sua interpretação quanto aos garantidores de tais créditos", matéria que não teria sido examinada naquela fase processual anterior. Quanto a esse ponto, é preciso registrar que a decisão de segunda instância apresenta relatório minucioso, onde descreve todo o conjunto de fatos que levaram o Fisco a não aceitar a dedutibilidade do ágio. E o voto que orientou a referida decisão, ao afastar as hipóteses de simulação, abuso de direito e fraude à lei, validou todo o conjunto das operações societárias engendradas para a formação e o aproveitamento do ágio. A conclusão foi no sentido de que "se a aquisição tivesse se dado diretamente pela OPP Fund, Multi STS, RK e PW237, os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 não vedariam o aproveitamento do ágio na recorrente caso ela incorporasse essas empresas", e que "o fundamento central da autuação – que Vitex, Bilimbi, Hermosa, Howland e Strelícia eram Fl. 4892DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201252 Acórdão n.º 9101004.012 CSRFT1 Fl. 15 14 'empresas veículos' – demonstrouse frágil para justificar a desconsideração dos atos por elas praticados". Para a decisão de segunda instância, portanto, já que a aquisição direta poderia gerar o mesmo efeito fiscal, não haveria nenhum problema no emprego das referidas "empresas veículos", incluindose aí o seu histórico e as condições em que elas se apresentavam, a forma de obtenção dos recursos para pagamento do ágio, a incorporação delas pela recorrente, etc. Mas o acórdão embargado reverteu essa decisão, com fartos fundamentos para demonstrar que o ágio somente poderia ser deduzido se a aquisição tivesse se dado diretamente pelos reais investidores, com a incorporação destes (e não com a incorporação de empresas veículos). Vale novamente destacar que nunca esteve em questão a titularidade, do ponto de vista jurídico/formal, dos recursos desembolsados para o pagamento do ágio (seja os recursos recebidos por empréstimo, seja os recebidos por integralização de capital). O que sempre se questionou e se examinou ao longo deste processo foi todo o conjunto dos fatos e da forma de obtenção dos recursos que possibilitaram o pagamento do ágio, com a posterior incorporação das empresas veículos (e não dos reais investidores). E em relação a isso, não há nenhuma lacuna na decisão de segunda instância. Ela examinou todo o conjunto das operações societárias, validandoas, e considerou que o ágio poderia ser deduzido a partir da incorporação das empresas veículos, ao passo que o acórdão embargado decidiu justamente ao contrário disso. O acórdão embargado determinou o retorno dos autos para apreciação de matérias que realmente não foram tratadas naquele julgamento: (i) decadência, (ii) inexistência de norma que determine a adição das parcelas de ágio amortizadas da base da CSLL, (iii) multa isolada pelo não recolhimento de estimativas encerramento do ano calendário e concomitância, (iv) compensação de prejuízos fiscais e bases negativas; (v) incorreta recomposição dos saldos de prejuízo e base negativa pela fiscalização; (vi) juros sobre multa e (vii) solidariedade. Mas não procede a alegação de que há questões pendentes de julgamento em relação à titularidade dos recursos obtidos por empréstimos, que não se diferencia da titularidade dos recursos recebidos por integralização de capital. Como já esclarecido, a titularidade destes recursos (que a contribuinte tenta agora defender invocando o Princípio da Entidade), nem mesmo foi contestada pelo acórdão embargado (do ponto de vista jurídico formal). Desse modo, também rejeito os embargos de declaração em relação ao segundo ponto. Em resumo, voto por CONHECER e REJEITAR os Embargos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 4893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005792/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO.
Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 57 92 /2 00 5- 98 Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.178 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1148 a 1155) interposto pelo Contribuinte, em 28 de outubro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 10 46.337 (fls. 1142 a 1145), de 19 de setembro de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 265 a 277) apresentada pelo Contribuinte. Com o objetivo de elucidar o caso e por economia economia processual, adoto e cito o relatório do referido Acórdão: A empresa acima identificada protocolou Pedido de Ressarcimento (PER) em 30/08/2005 (fl. 3), solicitando o valor de R$ 5.091.553,73, decorrente de créditos de Cofins não cumulativa – exportação correspondente ao segundo trimestre de 2004. Após, transmitiu declarações de compensação (Dcomp), aproveitando valores do crédito em questão. A interessada tem como objeto principal a exploração de frigorífico, com atividades de abate, especialmente de bovinos e ovinos, e preparação de carnes, desossa e subprodutos do abate, bem como enlatados em geral. Uma parcela da produção é exportada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), através do Despacho Decisório das fls. 229 a 243, apreciou o pleito e reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento no valor de R$ 4.890.681,95, homologando parcialmente as Dcomps até o limite do crédito reconhecido. A glosa somou R$ 200.871,95. Com base nos livros fiscais e arquivos digitais de custos e notas, foram confrontados os valores de compras registrados na escrita fiscal e os valores informados no Dacon. Quadro constante do despacho decisório contém os valores obtidos por código fiscal. As devoluções de vendas aproveitadas como base de cálculo para o crédito foram redistribuídas para crédito do mercado interno, uma vez que apenas os valores das vendas que ensejaram o recolhimento da contribuição poderão, quando da devolução, serem aproveitadas na formação do crédito. Também discorrese sobre a legislação que permite aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial, previsto, originalmente, nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. A empresa foi cientificada da decisão em 12/08/2010 (fl. 246). Em 13/09/2010, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 265 a 311). Argumenta que os coeficientes utilizados para distribuição do crédito entre Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.179 3 aqueles vinculados ao mercado interno e ao mercado externo encontramse corretos. Questiona os critérios adotados pela administração para apurar os custos. Entende que, existente o direito a apuração de créditos para as empresas exportadoras, não há que se restringir o seu pleno aproveitamento. Argumenta que os agentes fiscais, no âmbito administrativo, devem tomar suas decisões com base na verdade real, não decidindo por livre convencimento. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente para convalidar as compensações e pedidos de ressarcimento realizados pela empresa. A Derat/SP, na primeira folha da manifestação, apõe anotação indicando carência na documentação para atestar a regular habilitação dos procuradores. Em 28/09/2010 (fl. 315) a empresa apresenta documentação complementar “reratificando os poderes” dos procuradores. A Derat/SP junta a documentação, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade, e encaminha à DRJ para apreciação. É o relatório. Diante da decisão proferida pela DRJ, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.337 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.180 4 O Contribuinte apresentou PER/DCOMP de créditos de COFINS não cumulativa exportação referente ao segundo trimestre de 2004. A autoridade administrativa fiscal, por intermédio do Despacho Decisório (fls 229 e seguintes) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e consequente compensação por entender que quando da devolução, apenas os valores das vendas que ensejaram o recolhimento da contribuição dão ensejo a crédito. No recurso voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Manifestação de Inconformidade, alegando que (fls. 1153): “(...) todos os coeficientes utilizados pela recorrente para redistribuição entre crédito vinculado à receita tributada no mercado interno e receita de exportação, foram aplicados corretamente, não devendo prevalecer o entendimento consignado no acórdão ora recorrido” Diante desta afirmação requer, em nome da busca da verdade real, do princípio da confiança, que seja reformada a decisão e homologado totalmente as compensações realizadas. Na interposição da Manifestação de Inconformidade, bem como do Recurso Voluntário, o Contribuinte não apresenta de forma pontual o alegado direito de crédito e sem confrontar o que assim ficou consignado no Despacho Decisório (fls. 231): Após análise dos documentos solicitados nos Termos de Intimação e dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, elaboramos planilhas demonstrativas da composição dos custos, de apuração da base de cálculo das contribuições, planilhas de apuração de créditos, onde consta o valor a ser ressarcido. As glosas efetuadas originaramse de custos lançados a maior, considerando o confronto entre os valores lançados no DACON e os constantes de seus registros contábeis Tomandose por base os maiores valores lançados a título de créditos conforme abaixo demonstrados e do rateio proporcional indevido dos valores referentes à devolução de vendas no mercado interno. (...) CÁLCULO DO CRÉDITO – DA REDISTRIBUIÇÃO DOS CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES DE VENDAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA Conforme art. 3º, inciso VIII da Lei nº 10.833/2003, pode o contribuinte apurar créditos oriundos de devoluções consignadas nestas rubricas. Contudo para que tenha direito a este crédito, é necessário que a saída desta mercadoria tenha sido originalmente tributada pela respectiva alíquota, ou seja, 1,65% (caso do PIS), ou 7,6% (caso da COFINS). Entendo, neste caso, não assistir razão ao Contribuinte, pois não comprova o seu direito ao crédito e não contesta o exposto no Despacho Decisório, apenas, de forma genérica requer crédito de COFINS. Acredito oportuno, para não restar dúvida desse entendimento, citar trecho da decisão ora recorrida que bem expressa a questão (fls. ): A empresa se insurge contra as restrições impostas ao pleno aproveitamento dos créditos pelos exportadores. Cita, sem se aprofundar no questionamento, o crédito Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.181 5 presumido. As pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, definidas na Lei, podem descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos insumos utilizados na sua fabricação quando adquiridos de pessoas físicas, portanto, mesmo em operações sem incidência da contribuição. A Lei 10.833/03, que criou a sistemática nãocumulativa da Cofins concedeu, originalmente, benefício de crédito presumido as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal. Embora tenha sido necessário apurálo separadamente, nada é dito sobre a existência de repercussão específica do crédito presumido apurado no ressarcimento do período em questão. Ressaltese que o aproveitamento do crédito presumido para dedução da contribuição devida está previsto na lei e foi aceito na auditoria realizada. Por fim, com relação à devolução de vendas, também não possui razão a interessada. As vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições, sendo deduzidas dentro do próprio mês. Já para devoluções, é prevista a apuração de créditos, via de regra em meses subsequentes, uma vez que o valor da venda devolvida sofreu a incidência de Cofins. Vejase os textos da legislação: (...) A possibilidade de ressarcimento e compensação prevista na Lei 10.833/03, art. 6º, referese aos créditos associados à receita de exportação. Assim, os créditos são apurados separadamente, entre mercado interno e exportação. A possibilidade de rateio do art. 3º, § 8º combinado com art 6º, § 3º da mesma Lei referese aos custos, despesas e encargos comuns. No caso da devolução de venda, o crédito é específico em relação ao PIS ou Cofins apurado na operação, portanto, decorrente do mercado interno. São estas as operações, para as quais foi apurado PIS e Cofins, cujas devoluções são passíveis de creditamento e, portanto, vinculadas diretamente ao mercado interno. A legislação de regência, no caso a Lei nº 10.833/2003 estabelece de forma precisa que o Contribuinte pode se creditar de devolução, desde que seja devolução de venda e que esta venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, obviamente que tenha sido tributada. Assim prescreve a referida Lei: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 20 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Assim, diante da legislação e dos autos do processo, voto por negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 13807.005792/200598 Acórdão n.º 3301005.714 S3C3T1 Fl. 1.182 6 Fl. 1182DF CARF MF
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