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Numero do processo: 10730.901737/2009-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2005
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas.
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2005 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2005 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 17 37 /2 00 9- 05 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 462 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 273/274 dos autos: Tratase da Declaração de Compensação Eletrônica nº 01476.86547.210306.1.3.043208– nãohomologada – de crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins do período de junho05, conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 36). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou, Manifestação de Inconformidade (fls. 3 a 11) alegando, em resumo, que: reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; firmou contratos a preços prédeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL e CERJ/AMPLA, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 463 3 as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao PIS e à Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006 SFF/ANEEL, juntado ao presente recurso; equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao PIS/Cofins nãocumulativos; ao perceber a falha retificou a contabilidade, apresentou o PER/DCOMP em tela, mas olvidou de retificar a DCTF; ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. A Recorrente apresentou, com a sua manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 12/35); (ii) despacho decisório (fls. 36 e 263/265); (iii) resolução ANEEL (fls. 38); (iv) contrato Furnas (fls. 39/95); (v) contrato Gerasul (fls. 96/152); (vi) Ofício e despachos ANEEL (fls. 153/157); (vii) contrato CERJ/AMPLA (fls. 158/231); (viii) Ofício 1431/2006 da ANEEL (fls. 232/234); (ix) comprovante de arrecadação (fls. 235 e 257); (x) DCTF retificadora (fls. 236/238); (xi) PER/DCOMP (fls. 239/256 e 258/262);(xii) tela do sistema (fl. 268). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2005 PREÇO PREDETERMINADO. SUBSISTÊNCIA. ATÉ A PRIMEIRA ALTERAÇÃO. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do caráter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Não sendo caso de exceção, o contrato regido com cláusula de reajuste com base no IGPM, sucedâneo do IPCr. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2005 OFÍCIO ANEEL. IRRELEVÂNCIA NO DOMÍNIO DE NORMA TRIBUTÁRIA. Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 464 4 O acórdão da primeira instância (fls. 272/281) consignou, em seus fundamentos, que nos contratos de fornecimento de energia elétrica firmados pelo contribuinte foram atendidos os requisitos legais para a adoção do regime cumulativo, presentes na IN SRF nº 658/2006, nos artigos 1º e 2º, II, e no artigo 10, XI, b, da Lei 10.833/03, os quais excepcionaram as receitas decorrentes de contrato de prestação de bens e serviços do regime da nãocumulatividade. Tais requisitos são: (i) receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; (ii) contrato firmado antes de 31/10/03; (iii) contrato para período superior a um ano; (iv) preço prédeterminado. Consignou haver, no entanto, um requisito para permanência neste regime: a manutenção do preço prédeterminado, pois a lei impõe a exclusão do regime cumulativo quando da primeira alteração no preço do fornecimento. Analisando contrato por contrato, a primeira instância entendeu que, devido à presença de cláusulas de reajuste em todos eles, foi devida a inclusão das receitas oriundas destes contratos, cada um a partir do respectivo momento de reajuste, no regime da não cumulatividade. Concluiu, por isso, que foi correta a adoção do regime da nãocumulatividade pelo contribuinte no período de junho de 2005, descabendo a alegação de erro e o pedido de troca para o regime cumulativo, sendo também descabido, portanto, o reconhecimento do crédito alegado, visto que inexistente. O acórdão registrou, ainda, que o Ofício nº 1431/2006 da ANEEL não possui o condão de alterar essa conclusão, pois se trata de ato de mera comunicação, e não de ato normativo capaz de complementar a legislação tributária nos termos do artigo 100 do CTN. Assim, admitir que altere dispositivos legais e a base de cálculo de tributo feriria o princípio da legalidade. Além disso, a autoridade subscritora não possuiria competência para interpretar ou alterar legislação tributária. Quanto a seu conteúdo, consignou ser contraditório e ambíguo, por admitir uso de índice (IGPM) que não reflete a variação dos custos de produção e dos insumos utilizados, mas um índice geral de preços de toda a economia. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/05/2013 (vide AR à fl. 285 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/06/2013, Recurso Voluntário (fls. 287/318). Em seu recurso, o contribuinte iniciou informando ter ressaltado em sua Manifestação de Inconformidade que as receitas auferidas com os contratos se submetiam e teriam continuado submetidas ao regime cumulativo, de acordo com os artigos 10, XI, b, e 15 da Lei nº 10.833/03, o item 3.1 da IN SRF nº 21/79 e o artigo 3º, § 3º da IN SRF nº 658/2006 e o Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL (Doc. 06 da Manifestação de Inconformidade – fls. 232/234). Alegou que o acórdão da DRJ foi incorreto, e que deve ser reformado, pelas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, e pelas adiante sintetizadas. Primeiramente, apontou a nulidade do acórdão por omissão quanto à violação do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Alegou que a primeira instância se recusou a apreciar o item 3.3.2 da Manifestação de Inconformidade, no tocante à argumentação de que as conclusões do Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL devem ser consideradas neste julgamento, por força do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em observância ao disposto no artigo 79, § 1º, do DecretoLei nº 5.844/43, a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 465 5 inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL se comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido. Tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de petição e do devido processo legal presentes na Constituição Federal, o que ensejaria a nulidade do acórdão por força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e seria o entendimento doutrinário e da jurisprudência administrativa. Alegou, no mérito, que o acórdão merece reforma, pois o próprio teria reconhecido que os contratos sob exame se enquadraram, inicialmente, no regime cumulativo. Quanto ao entendimento de que não cumpriram o requisito para permanência, o recorrente combateuo com a afirmação de que a própria Secretaria da Receita Federal já definiu, no subitem 3.1 da IN SRF nº 21/79, que a previsão contratual de reajuste não afasta o caráter predeterminado do preço, pois visa apenas a preservar o valor da moeda da data da celebração. Isto também teria sido reconhecido em julgamentos efetivados pelo Poder Judiciário e em normas editadas pelos poderes da União. O recorrente alegou, ainda, que o Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL não visou à produção de efeitos tributários, mas à emissão de constatações técnicas. Assim, dentro de sua competência regulatória, a ANEEL teria certificado que os reajustes contratuais não superam os acréscimos dos custos de produção e dos insumos utilizados. Os efeitos tributários seriam meras decorrências. Alegou, por fim, que, ainda que se afaste a prova técnica da ANEEL, o reajuste, pelo IGPM, não teria o condão de desnaturar o caráter predeterminado do preço, pois servia apenas para preservar o poder aquisitivo da moeda. Invocou precedentes do CARF que, em relação aos mesmos contratos sob exame, teriam reconhecido ser devido o enquadramento no regime cumulativo. Insistiu, com esses fundamentos, que as receitas dos contratos se enquadram no artigo 10, XI, b, da Lei nº 10.833/2003, pedindo, ao final, a reforma do acórdão para fins de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada, ou, ao menos, a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Não apresentou documentos novos com o recurso. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da preliminar de nulidade Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 466 6 Conforme acima narrado, o contribuinte apresentou em seu recurso pleito preliminar de nulidade do acórdão tendo em vista que este teria se recusado a apreciar o item 3.3.2 da Manifestação de Inconformidade, no tocante à argumentação de que as conclusões do Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL devem ser consideradas neste julgamento, por força do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em observância ao disposto no artigo 79, § 1º, do DecretoLei nº 5.844/43, a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL se comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido. Argumenta, então, que tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de petição e do devido processo legal presentes na Constituição Federal, o que ensejaria a nulidade do acórdão por força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Entendo que não assiste razão ao contribuinte neste ponto, conforme será devidamente demonstrado a seguir. De leitura da decisão recorrida, verificase que esta trouxe consistente arrazoado apto a fundamentar o entendimento ali apresentado, no sentido de que “o Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica”, como consignado na própria ementa do acórdão. Nesse contexto, entendo que não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, pois encontrase devidamente motivada. De outro norte, entendo que não merece guarida o argumento do contribuinte no sentido de que a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL caso comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício. Isso porque, embora o referido ofício possua conteúdo que favorece a tese de defesa do Recorrente, não possui efeito vinculante. Logo, a observância do teor deste Ofício não é impositiva aos julgadores administrativos, que possuem autonomia na análise do impacto que as informações ali inseridas terão em suas razões de decidir. Nesse contexto, por entender que a decisão recorrida não se encontra maculada pelo vício da nulidade, afasto a preliminar apresentada pelo contribuinte. 2. Do mérito Consoante acima narrado, o cerne da presente contenda é identificar se as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, que tinham o IGPM como índice de reajuste, estão sujeitas ao regime cumulativo ou nãocumulativo. Em outras palavras, cingese à interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em decorrência do superveniente art. 109 da Lei nº 11.196/05, sendo necessário decidir se o reajuste dos contratos apresentados pelo contribuinte (IGPM) leva à descaracterização dos mesmos como "preço predeterminado". Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 467 7 Como é cediço, o regime nãocumulativo da COFINS foi instituído pela Lei nº 10.833/2003, a qual trouxe exceções em seu art. 10, inclusive as descritas no seu inciso XI, as quais mantiveramse sob o manto do regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Tais exceções, inclusive, foram estendidas ao PIS, por meio do inciso V do art. 15, também da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; Ou seja, com base na legislação acima transcrita, sujeitarseiam ao regime da cumulatividade as receitas relativas a contratos de fornecimento de bens ou serviços, desde que os contratos possuam preço predeterminado, tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano. No caso ora analisado, é incontroverso que os contratos firmados pela Recorrente são anteriores a 31/10/2013 e que possuem prazo superior a um ano. É o que se infere, inclusive, da passagem da decisão recorrida abaixo reproduzida: Depreendese dos dispositivos citados que a adoção do regime cumulativo para certas receitas dependem dos seguintes requisitos, tendo em vista o caso sub examine: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. contrato firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para período superior a 1 (um) ano; 4. preço predeterminado. A contribuinte firmou com 3 (três) empresas, contratos de fornecimento de energia elétrica, cujas cópias encontram0se nos autos. A análise de tais contratos permite inferir as informações sintetizadas no quadro a seguir: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 468 8 XX Em juízo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizado com os requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, concluise que os mencionados contratos atendem às exigências da lei para que a contribuinte possa adotar o regime cumulativo para as receitas daí derivadas. (...). Ou seja, a própria DRJ reconheceu que os contratos analisados atendem aos requisitos indicados nos itens 1 a 4 acima. Apesar disso, entendeu que o contribuinte não faria jus à apuração da COFINS pelo regime cumulativo, por entender que não teria sido atendido o requisito referente à "permanência no regime", visto que a legislação impõe a exclusão do regime cumulativo quando da primeira alteração do preço do fornecimento. Embasou o seu entendimento na IN SRF nº 658/2006, que trata do preço predeterminado. Sendo assim, analisando cada um dos contratos, entendeu que a permanência no regime cumulativo teria findado com a aplicação do reajuste contratual, todos realizados com base no IGPM. Também resta incontroverso nos presentes autos, portanto, que o índice de reajuste adotado em tais casos foi o IGPM. Para a solução da presente lide, então, imprescindível que se identifique o que deve ser considerado como preço predeterminado. Sobre o assunto, a IN/SRF nº 468/2004, já revogada, assim dispunha: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Ato contínuo, foi publicada a Lei nº 11.196/2005, que admitiu expressamente exceções à descaracterização do preço predeterminado, ao assim dispor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Ou seja, o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, não será considerado para fins de descaracterização do preço predeterminado. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 469 9 Ainda sobre o assunto, foi editada a IN nº 658/2006, que revogou a IN/SRF nº 468/2004, ao assim dispor: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições. A Lei nº 9.069/1995, mencionada acima, por seu turno, assim dispõe: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; O que se encontra em discussão, portanto, é se a adoção do IGPM retiraria do preço descrito em seu contrato o caráter de predeterminado, nos moldes do que dispõe o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 e as demais normas acima indicadas. Segundo a decisão recorrida, a resposta seria positiva, visto que a adoção do reajuste com base no IGPM configuraria, no seu entendimento, "a primeira alteração no preço do fornecimento". Discordo da conclusão ali indicada. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 470 10 Consoante narrado acima, o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 trazia como requisito para a permanência no regime cumulativo apenas que o contrato tivesse preço predeterminado, não trazendo nenhuma restrição relativa aos reajustes. O limitador em questão veio inicialmente através da IN/SRF nº 468/2004. Ocorre que não poderia a referida IN trazer restrição não disposta em lei, visto que assim procedendo findou por aumentar a alíquota tributária aplicada ao contribuinte, em total desrespeito ao princípio da Legalidade. Até porque, importante mencionar que, quando da edição da Lei nº 10.833/2003, encontravase em vigor a IN 21/79, que assim dispunha acerca do preço predeterminado: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. Logo, inferese que, ao adotar o termo "preço predeterminado", pretendia a Lei nº 10.833/2003 seguir a previsão legal disposta na IN 21/79 supra transcrita, vigente à época. Eventual alteração dessa interpretação, portanto, somente poderia ser realizada por norma de mesma hierarquia ou superior. Destaquese, outrossim, que não se está aqui afastando a aplicação da IN/SRF nº 468/2004 por inconstitucionalidade, o que seria vedado pela súmula nº 02 deste Conselho. Estáse, em verdade, reconhecendo a sua total inaplicabilidade face ao disposto na Lei nº 10.833/2003, norma de hierarquia superior, cuja observância é obrigatória por este Conselho. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto, consoante decisões consubstanciadas nas ementas dos RESP nº 1089998RJ e RESP nº 1169088, respectivamente: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 471 11 anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. De outro norte, em razão dos problemas ocasionados pela IN nº 468/2004, que trazia restrições de forma ilegal e sem qualquer ressalva, foi editada a Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005 e a IN/SRF nº 658/2006, as quais trouxeram exceções à restrição atinente aos reajustes. Até porque, não fazia sentido a descaracterização do contrato como tendo preço predeterminado nos casos em que havia mero reajuste por índice de atualização monetária. Isso porque, a aplicação de um índice de correção não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, mas apenas o confirma, visto que mantém o valor atualizado de acordo com a realidade do momento, contrapondose aos efeitos da inflação. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 472 12 De toda sorte, não há como se entender aplicáveis a Lei nº 11.196/2005 e a IN/SRF nº 658/2006 ao caso vertente, uma vez que ditas normas são posteriores ao período objeto dos presentes autos, que trata do período de apuração de março de 2005. Como se não bastasse, ainda que o período em discussão fosse posterior à entrada em vigor de ditas normas, a interpretação que faço destas tampouco se coaduna com a conclusão obtida pela decisão recorrida, consoante será demonstrado a seguir. Nos termos do parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006: "O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado". O inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, por sua vez, dispõe que o reajuste também poderá ser realizado, além da variação acumulada do IPCr disposta no caput, em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Percebese, portanto, que a norma não limita a não descaracterização do preço predeterminado à adoção de um índice específico, bastando que o índice adotado nos contratos não seja superior às referências descritas no art. 27 da Lei nº 9.069/1995. Ademais, vale destacar que o II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995 admite, como alternativa ao IPCr (o dispositivo legal fala em poderá), os critérios de custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nesse contexto, entendo que, ao mencionar o referido dispositivo legal, pretendia o legislador admitir, da mesma forma, não apenas o IPCr (disposto no caput do art. 27), como também o disposto em seu inciso II, parágrafo 1º. De outra parte, é pertinente mencionar que o IPCr, índice expressamente previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, e que também era geral, foi extinto, tendo sido substituído por outros índices, como o IGPM. Entendo, então, que o índice de atualização adotado em contrato, para que seja admitido para fins do disposto no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 (preço predeterminado), não deverá corresponder necessariamente a um índice específico de alguma categoria, setor ou produto. Até porque, na prática, seria inviável a existência de índices diversos para cada categoria, setor ou produto, o que geraria uma infinidade de índices. O que se precisa perquirir, na verdade, é se o índice adotado pelo contribuinte no caso concreto representa percentual condizente com a sua atividade, para que seja admitido como mero reajuste em contraponto à inflação, mantendo, assim, a característica de preço predeterminado do contrato, não correspondendo a índice superior aos balizamentos constantes do art. 27 da Lei nº 9.096/1995 (IPCr, extinto e substituído por outros índices, e demais índices adotados em função do custo da produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados). E, no caso concreto em análise, concluo que o IGPM atende a tais requisitos. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 473 13 Até porque, como bem ressaltou o contribuinte em seu recurso, a ANEEL, por meio do Ofício nº 1431/2006, em resposta à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE, informou que o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal, por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico. Tanto que a ANEEL indica em seu site que o reajuste para atualização monetária dos contratos deste setor deve considerar o IGPM. Nessa ótica, entendo que o IGPM, como bem esclareceu a ANEEL, reflete a variação de preços do setor elétrico, enquadrandose, portanto, nos requisitos dispostos tanto na Lei nº 11.196/2005 quanto na IN/SRF nº 658/2006, visto que é um dos índices gerais que veio substituir o extinto IPCr. Até porque, exigir um índice específico para cada produto representaria, na verdade, uma tentativa de negar aplicabilidade à própria exceção atinente aos reajustes, visto que é muito improvável que haja um índice de atualização aplicável a determinado produto/setor específico. O que a norma buscou evitar é que fossem adotados índices que representassem aumentos superiores aos observados em determinada atividade, o que poderia representar uma verdadeira revisão do seu valor, ou seja, um ganho superior à mera recomposição do valor monetário da moeda. Não é, contudo, o que se vê na hipótese dos autos, em que fora adotado pelo contribuinte o índice oficial admitido pela União Federal, conforme orientação da ANEEL, justamente em razão da sua correlação com as variações de preços atinentes especificamente ao setor elétrico. Ou seja, a adoção do IGPM buscou apenas manter o equilíbrio contratual, não representando uma revisão do preço inicialmente pactuado. Tanto é assim que a própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, que teve como objeto a avaliação da incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos do art. 10, inciso XI, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei nº 11.196/2005, através da qual pronunciouse expressamente no sentido de que a incidência do PIS e da COFINS, nos contratos licitados antes de 31/10/2003, permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado. Em razão da sua relevância, trazse a seguir passagem da referida Nota Técnica: (...). Diante da nova conceituação de preço predeterminado, trazida pela IN SRF nº 486/2004 exclusivamente para fins de PIS/PASEP e COFINS, temse que a existência de cláusula de reajuste no contrato seria causa de indeterminação do preço a partir do momento em que aplicado o reajuste, passando então a receita decorrente a ser submetida ao regime novo da nãocumulatividade. É, portanto, evidente o conflito entre a regulamentação existente (IN SRF nº 21/79 e IN SRF nº 486/2004). Percebese que a Secretaria da Receita Federal, mediante ato de natureza jurídica meramente complementar, nos termos do art. 100, I, do CTN, estabeleceu restrições e limitação que não se encontram previstas na Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, hialina a violação ao princípio da legalidade, segundo o qual a atividade administrativa está condicionada à observância da lei, pois na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, não devendo sua atividade violar a lei, regulamento ou outro ato normativo. (...). Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 474 14 FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 0.069/95. Dessa forma, com o novo comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, a ocorrência de mero reajuste de preços, efetuados especificamente nas condições descritas na Lei nº 9.069, art. 27, parágrafo 1º, II, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/98. (...). Portanto, com a edição da Lei nº 11.196/2005, qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado, permanecendo a receita decorrente de tais contratos no regime da tributação cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS. (...). Por todo o exposto, concluímos que: a) as receitas decorrentes dos Contratos Iniciais e Bilaterais, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, enquadramse nas disposições do art. 10, inciso XI, letra "b", da Lei nº 10.833/2003, uma vez que são contratos assinados por prazo superior a 1 (um) ano, com preço predeterminado, cujo reajuste anual, calculado com base em índices oficiais (IGPM), não descaracteriza o caráter de preço predeterminado, devendo, por conseguinte, tais receitas permanecerem sujeitas às normas da legislação do PIS/PASEP e da COFINS, vigentes anteriormente à edição da Lei nº 10.833/2003, ou seja, no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/1998. (...). Reforça o entendimento acima exposto o fato de que o contribuinte, no caso em análise, não poderia firmar contrato em valor predeterminado sem que fizesse constar cláusula de reajuste, nem poderia escolher outro índice que não o IGPM, ainda que correspondesse à variação relativa ao seu produto específico. Por força da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações), a cláusula de reajuste do preço deverá constar necessariamente tanto do ato convocatório do processo de licitação quanto do instrumento contratual. E, no caso de contrato no setor de energia elétrica, o índice a ser adotado deveria ser o IGPM, conforme orientação da ANEEL. Até porque, é importante salientar que não poderia a Recorrente se distanciar de orientação da ANEEL sobre o tema, visto ser este o órgão regulador da sua atividade, inclusive quando considera que a determinação da tributação a ser adotada impacta diretamente o preço da tarifa adotada pela Recorrente, tema este que se sujeita ao controle direto da ANEEL. Nesse contexto, entendo que as receitas do Recorrente decorrentes dos contratos firmados antes de 30/10/2003, ainda que o preço seja reajustável pelo IGPM, deveriam ter sido tributadas pelo regime da cumulatividade. É válido destacar, inclusive, que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já se manifestou neste mesmo sentido, consoante se extrai da ementa a seguir transcrita (Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão nº 3302001.659 publicado em 22/11/2012): Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 475 15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 476 16 cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Recurso Voluntário Provido. Por oportuno, é válido trazer à tona trecho do voto vencedor proferido pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Conforme se depreende do voto do ilustre Conselheiro Relator2, em seu entender, o IGPM não pode ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. O nobre julgador aceitou a interpretação do conceito de “prédeterminado” nos termos da Instrução Normativa nº 658/06 (que é o dispositivo utilizado para a desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: (...). E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: (...). Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 477 17 § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d. Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica3, mas apenas a manutenção do poder de moeda4. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “pré determinado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. É pertinente destacar, inclusive, que esta decisão restou mantida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, à unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016). A seguir, transcrevemse passagens do voto proferida pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora do referido processo, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: (...) Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 478 18 econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições. (...). Com a cláusula 11, temse claro que o reajuste ora aventado não teve como pretensão a alteração do preço prédeterminado do contrato, mas apenas a atualização desse preço já estipulado com a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM – oficial. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 479 19 prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço predeterminado. (...) Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete à ANEEL zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 480 20 Diante de todo o acima exposto, entendo que assiste razão ao contribuinte em seu argumento de mérito, reconhecendo o seu direito de recolher, no que tange às receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente à 30/10/2003, ainda que possuam cláusula de reajuste pelo IGPM, a COFINS com base no regime cumulativo. Ressaltese, por fim, que os valores a serem compensados deverão se sujeitar à validação por parte da unidade de origem, quando da execução do presente julgado, razão pela qual o provimento que ora se defere é parcial, devendo ser homologada a compensação no limite do direito creditório reconhecido. Ademais, não é demais mencionar que o pleito do contribuinte está sendo deferido apenas parcialmente também em razão do reconhecimento realizado por ele próprio em sua manifestação de inconformidade, no sentido de que parte da compensação efetuada fora indevida, pois usou taxa Selic acumulada em percentual incorreto. 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar a preliminar apresentada pelo contribuinte e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte à tributação pelo regime da cumulatividade, homologar a compensação pleiteada no limite do direito creditório reconhecido. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões sobre a interpretação da norma tributária quanto à manutenção da condição de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou não cumulativo da incidência da Contribuição para a COFINS. A meu sentir, o reajuste pelo IGPM, a princípio, não reflete o custo de produção, nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Em reforço ao entendimento de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção, transcrevese excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303003.373, da lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 481 21 "Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção." Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10730.901737/200905 Acórdão n.º 3002000.219 S3C0T2 Fl. 482 22 Ainda assim, contratos que utilizam índices de correção tais como o IGPM podem ser considerados contratos de preços predeterminados, contudo, para tanto, o contribuinte deve demonstrar que a correção pelo índice eleito leva a um resultado igual ou inferior ao resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fato que, no presente processo, não foi comprovado. Nesse ponto, relembrese que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Quanto ao entendimento manifestado pela Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, entendo não socorrer ao contribuinte, pois a esta Agência compete tão somente a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que a competência para manifestarse sobre questões tributárias pertence à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Receita Federal do Brasil. Assim, considero que são aplicáveis ao caso a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007. Ademais, também entendo que as normas citadas limitaramse a regular o que já estava previsto em lei, não havendo, por conseguinte, modificação do conceito de "preço predeterminado" e, portanto, estes atos infralegais estão em consonância com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; com o art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e com o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 373 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para a COFINS deve incidir no regime não cumulativo. Diante disso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720458/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/12/2011
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL.
Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa previamente ao início do procedimento fiscal, não caberá multa de ofício.
Numero da decisão: 3302-005.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa previamente ao início do procedimento fiscal, não caberá multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 779 1 778 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.720458/201277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.726 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO JOÃO PAULO II Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa previamente ao início do procedimento fiscal, não caberá multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 04 58 /2 01 2- 77 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 780 2 Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 714728: DO LANÇAMENTO O importador, através da DI nº 24501560, registrada em 28.12.2011, submeteu a despacho os bens discriminados nas Adições desse documento, ao amparo de imunidade tributária, desembaraçados por força de liminar concedida em Mandado de Segurança impetrado em Vara Cível Federal/SP. O Auditor da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo (IRFSP) procedeu à lavratura dos Autos de Infração, parte integrante deste processo, visando resguardar os direitos da Fazenda Nacional, relativamente ao II e IPI incidentes sobre as mercadorias importadas, não beneficiadas por imunidade/isenção tributária. O primeiro AI levantou a cobrança do imposto de importação (II), no valor de R$ 72.831,38, e o segundo a cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI), no montante de R$ 86.922,41, totalizando o crédito tributário a soma de R$ 280.217,32. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, alegando, em resumo: 1. Direito de recorrer administrativamente A imunidade tributária está sendo discutida judicialmente, não devendo ser abordada na via administrativa, nos termos do artigo 38 da Lei nº 6.830, de 1980, contudo essa norma trata de Mandado de Segurança, Repetição do Indébito e Ação Anulatória de Débito, todas direcionadas à Dívida Ativa, donde se conclui que apenas as ações judiciais promovidas com a finalidade de suspender a exigibilidade de Dívida Ativa (MS), de cancelar essa Dívida ou de restituir tributo (anulatória e ação de repetição) é que importam em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou em desistência do recurso acaso interposto. O Mandado de Segurança impetrado não teve o objetivo de anular um lançamento já efetuado, mas sim o de evitar a sua ocorrência (o presente lançamento, contra o qual se insurge). O contribuinte discute judicialmente um direito subjetivo, no caso a imunidade, o que não o impede de discutir administrativamente aspectos formais do AI e também aspectos materiais, distintos dos contidos na ação judicial, sem que colidam entre si (transcreve ementa do E.Tribunal Regional Federal da 3a Região). 2. Direito à isenção do II e IPI cumprimento de requisitos: Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 781 3 Ainda que não se reconheça a imunidade do II e IPI incidentes sobre as mercadorias importadas, a operação encontrase beneficiada por isenção de tributos, ao amparo dos artigos 2º, alínea “b”, e 3º da Lei nº 8.032, de 1990 (isenções do II e IPI às importações realizadas por instituições de educação ou de assistência). Transcreve ementa de Decisão da RFB nº 66, de 24.04.2000. Os requisitos exigidos pela legislação ordinária para o gozo da isenção estão expressos no artigo 39 do RA, Decreto nº 4.543, de 2002, tendo sido fielmente cumpridos pela defendente, a saber: a) natureza assistencial da fundação: É entidade de assistência social, sem fins lucrativos, conforme dispõe o artigo 6º de seu estatuto social; tem por objetivo: a execução de serviços de radiodifusão, em quaisquer de suas modalidades, e demais serviços de telecomunicação em geral; a produção e veiculação de programas em emissoras de rádio e tv e de outros meios de comunicação; a promoção, manutenção e apoio a atividades educacionais, sociais e culturais; a promoção de intercâmbio de atividades e ações com instituições públicas e privada que fomentem a educação e a cultura, etc. Para o bom desenvolvimento de suas atividades assistenciais, no caso em questão, dos serviços de radiodifusão, efetivou a importação de diversos equipamentos, que se destinam específica e exclusivamente a esses objetivos sociais da fundação. Enumera alguns de seus projetos e apresenta dados de sua atuação de 2004 a 2007, dentre eles: Casa do Bom Samaritano, Instituição Canção Nova, Posto Médico Padre Pio e Projeto Geração Nova PROGEN. b) Não distribuição patrimonial: Os artigos 1º e 5º do estatuto social da Fundação dispõem: “...não distribuirá dividendos, lucros, superávites e participações do seu patrimônio, de que natureza foram, a quem quer que seja.” Cita, ainda, os artigos 23 e 28 desse ato, onde está expressamente vedada a percepção, pelos dirigentes da Fundação, de remuneração ou de quantias a qualquer título ou a participação sob qualquer forma nos resultados da mesma, exceto pelos seus empregados ou prestadores autônomos de serviços. Acrescenta que, conforme consignado no Demonstrativo de Receitas e Despesas do exercício de 2006 (anexado à defesa) a Fundação não remunerou os seus dirigentes (demonstração das despesas com pessoal campo remuneração de dirigentes igual a zero). c) Aplicação dos recursos no país e cumprimento dos demais requisitos: O artigo 19 do seu estatuto determina que a totalidade dos recursos seja integralmente aplicada na manutenção e consecução de seus objetivos sociais. A nota 08 que acompanha o Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados de 2006 (anexada à defesa) atesta essa aplicação. As demonstrações contáveis foram devidamente apresentadas à RFB e o fiel cumprimento da entrega regular de declarações de tributos e demais documentos, comprobatórios do recolhimento de tributos e contribuições podem ser verificadas no próprio sistema desse órgão. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 782 4 As mercadorias importadas destinamse às programações de rádio e TV, atividades previstas em seu estatuto social. E, finalmente, está prevista no estatuto da Fundação a destinação do seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo do benefício, no caso de encerramento de suas atividades. 3. Ilegalidade da aplicação da taxa Selic: A taxa Selic reflete a liquidez dos recursos financeiros no mercado monetário, sendo um indicador da taxa média de juros nas operações chamadas overnight e sua meta é de, a um tempo, cobrir a defasagem da moeda ocasionada pela inflação e remunerar os investidores. Dessa forma, verificase que a taxa SELIC possui, concomitantemente, a natureza de juros remuneratórios, bem como de correção monetária de títulos federais. A taxa Selic não foi criada por lei ordinária, mas simplesmente teve o uso estabelecido por ela. Verificase, portanto, que a lei ordinária que estabeleceu o seu uso é contrária à lei complementar (artigo 161, §1º do CTN), que dispõe que os juros serão de 1%. A inconstitucionalidade de tal aplicação já foi declarada pelo STJ, mediante acórdão proferido nos autos do Recurso Especial nº 215.881, de 17.02.2000. 4. Pedido: Diante do exposto requer seja acolhida a presente impugnação para: anular os AI lavrados, em face da isenção do II e do IPI a que faz jus a Fundação, ao amparo do artigo 2º da Lei nº 8.032, de 1990; ou para afastar a taxa Selic, ilegalmente aplicada. Em 16 de agosto de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu em não conhecer o mérito da presente ação administrativa, em face da concomitância de objeto com processo judicial em curso, no tocante aos lançamentos do II e do IPI incidentes sobre as mercadorias importadas e em julgar devida a cobrança dos juros de mora, e, por maioria de votos, em julgar cabível a cobrança da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento dos impostos. Intimada da decisão em 09.10.2013 (fls.730), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05.11.2013 (fls. 732765), alegando, em síntese, os seguintes tópicos: (i) cabimento do recurso voluntário; (ii) impossibilidade de constituição definitiva do crédito; (iii) nulidade da decisão combatida, por não guardar relação com os fatos dos autos e por ausência de fundamentação e motivação; (iv) inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 38, da Lei nº 6.830/80 ao presente caso, inocorrência de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa diferença de fundamentos entre a ação judicial e a defesa apresentada; (v) imposto de importação II e IPI a isenção da Recorrente quanto a esses impostos em função de sua natureza assistencial; (vi) multa de ofício. É o relatório. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 783 5 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 09.10.2013 (fls.730) e protocolou Recurso Voluntário em 05.11.2013 (fls. 732765) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Preliminar: II.1 O cabimento do presente recurso A Recorrente noticia que recebeu a notificação nº 13/419 comunicando o resultado do acórdão e, informando ser incabível a interposição de recurso para a segunda instância, naquilo que couber à matéria discutida judicialmente. Vejamos o teor da notificação: Segue anexa, para ciência, cópia do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação interposta pela interessada. Desta forma, restou definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário discutido, posto que a impugnação interposta pela interessada não foi conhecida neste mister, dada a existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial. Não obstante, o presente processo administrativo fiscal aguarda decisão do Poder Judiciário, circunstância em que a exigibilidade do crédito tributário constituído administrativamente mantémse suspensa. Convém esclarecer que é incabível a interposição de recurso para a segunda instância naquilo que couber à matéria discutida judicialmente. Se protocolado pedido nestes termos, este deverá ter seu seguimento negado em despacho do titular desta Alfândega. Alega que a obstrução quanto análise das matérias arguidas no Recurso Voluntário fere o princípio do processo legal e do direito de recurso. Cita o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72 como fundamento para sustentar o processamento integral do recurso e, consequente análise de todas as matérias. Em que pese os argumentos suscitados pela Recorrente, entendo que o assunto tratado neste tópico não merece enfrentamento, considerando que não houve por parte da fiscalização despacho negando seguimento ao recurso voluntário, ainda que parcial. Aliás, referida matéria não é de competência deste conselho, devendo, se caso fosse, ser tratada diretamente na unidade de origem. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 784 6 Deste modo, uma vez que houve o regular processamento do recurso voluntário, resta prejudicado a análise do pedido realizado pela Recorrente. II.2 A Impossibilidade de constituição definitiva do crédito A Recorrente se insurge novamente quanto aos termos da notificação anteriormente tratada. Segundo ela, o crédito tributário não poderia estar definitivamente constituído, posto que na esfera administrativa, somente após o trânsito em julgado do processo é que haverá a constituição definitiva do crédito. Referida matéria não é de competência deste conselho, devendo, se caso fosse, ser tratada diretamente na unidade de origem. II.3 Nulidade da decisão por não guardar relação com o presente processo. A Recorrente alega que a decisão proferida pela turma de piso não guarda relação com o presente caso, pois (i) constou no v.acórdão que a Recorrente teria ajuizado ação judicial que tramitou perante a 23ª Vara da Justiça Federal, quando na verdade, o Mandado de Segurança que discute a imunidade tramitou perante a 5ª Vara; (ii) o acórdão fala em concomitância ainda que parcial, ao ressaltar que a ação trata ainda das contribuições sociais, quando o objeto da lide é apenas e tão somente a imunidade a impostos; (iii) que o acórdão expressamente informa que sentença foi proferida em 03/02/2009, fato este que jamais poderia ter ocorrido, posto que o Mandado de Segurança 0016685582.2011.403.6100, só foi distribuído em 15/09/2011, sendo impossível embasar a decisão numa sentença proferida anteriormente ao ajuizamento da ação; (iv) no v. acórdão constou que haveria concomitância, ainda que parcial, posto que além dos impostos aqui envolvidos a ação também discutira a imunidade às contribuições sociais, ao passo que o objeto da ação é apenas e tão somente a imunidade a impostos, tanto que o objeto deste processo administrativo se restringe a estes tributos; e (iv) a sentença transcrita fala em PIS/COFINSImportação, focando sua análise na necessidade de se possuir ou não o CEBAS. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, entendo que os vícios suscitados não se prestam para decretar a nulidade da decisão recorrida. Inicialmente vale registrar que a concomitância foi aplicada considerando a impetração do Mandado de Segurança 0016685582.2011.403.6100, trâmite perante a 5ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, tanto é que o relator "a quo" colacionou parte da sentença e liminar proferida nestes autos. Assim, o fato dele (julgador) ter equivocamente citado que o processo judicial tramitou perante a 23ª Vara e que a sentença foi proferida em data diversa, não acarreta nulidade da decisão, tratando de mero erro sanável e, que não acarretou nenhum cerceamento de defesa ao contribuinte. Com relação a matéria suscitada no item "iv", está relacionada a matéria meritória e será analisada posteriormente. Já em relação ao item "v", a Recorrente não explicitou qual o prejuízo da decisão ter mencionado PIS/COFINSimportação, considerando que ela tratou dos impostos exigidos nestes autos, tratando, na verdade, de argumento genérico, de cunho meramente argumentativo. No mais, nenhum dos pontos levantados pela Recorrente enseja a aplicação das normas previstas nos artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 785 7 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Deixo, assim, de acolher o pedido de nulidade realizado pela Recorrente. II.4 Nulidade da decisão recorrida A Recorrente alega nulidade da decisão de recorrida por ausência de fundamento e motivação quanto a análise do preceito normativo previsto no artigo 38, da Lei nº 6.830/80. Ao contrário do que alegou a Recorrente, não vejo que o acórdão recorrido seja passível de nulidade, considerando que a i. julgadora "a quo" fundamentou e motivou a aplicação da concomitância ao presente caso. É o que se extraí do voto, a saber: Como se observa dos trechos transcritos do processo judicial, a isenção dos tributos (II e IPI vinculado à importação) incidentes sobre as mercadorias importadas pela Fundação, destinadas aos serviços de radiodifusão e televisão, foi sim objeto de apreciação por aquela autoridade, que, em resumo, assim se manifestou sobre a questão: a) a isenção de tributos concedida às entidades de educação e de assistência social é tratada pela pessoa política instituidora do tributo, através de lei específica, impedindo o surgimento do crédito tributário, através da inibição da ocorrência do fato gerador; b) o Regulamento Aduaneiro concede isenção de imposto sobre a importação às entidades de assistência social, desde que a mercadoria importada não tenha similar nacional. Da mesma forma, o Decreto 4.544/2002 prevê a isenção de IPI em benefício das entidades assistenciais, estabelecendo a mesma condição. A exceção à regra da isenção tem como fundamento a proteção da indústria nacional; c) assim, não há qualquer inconstitucionalidade ou ilegalidade na cobrança de IPI e de imposto sobre importação, quando as mercadorias importadas possuírem similar nacional, pois a regra isentiva expressamente exclui o benefício fiscal nas importações desses produtos. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 786 8 Cumpre assinalar, finalizando este tópico (Concomitância de objeto com a ação judicial), que o artigo 1º, § 2º, do Decreto lei nº 1.737, de 20.12.1979, e o artigo 38, parágrafo único da Lei n.º 6.830, de 22.09.1980, preconizam que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança ou ação anulatória de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Ora, resta patente que a decisão recorrida contém fundamentos legais e motivação que explicitam o posicionamento adotado pela i. julgadora de piso para decidir pela aplicação da concomitância, como é caso da súmula CARF nº 01 e do DecretoLei n° 1.737 de 20/12/1979. Aliás, a aplicação do artigo 38, da Lei nº 6.830/80 é estranha ao processo, considerando que o Auto de Infração limitouse à exigir os tributos e consectários legais. Em nenhum momento do lançamento fiscal fora cogitada a aplicação da referida norma. Neste cenário, entendo que a decisão recorrida não carece de fundamento e motivação, devendo, assim, ser afastado o pedido de nulidade formulado pela Recorrente. III Mérito III.1 Renúncia à esfera administrativa Meritoriamente, melhor sorte não assiste à Recorrente. Isto porque, o mérito da autuação, em relação a incidência do imposto de importação II e IPI nas operações sob análise, foi levada pelo contribuinte à apreciação pelo Poder Judiciário, independemente se na ação judicial a Recorrente pretendeu afastar a incidência dos tributos com fundamento na imunidade tributária e, aqui discutese a não incidência dos tributos pelo instituto da isenção. O próprio contribuinte afirma categoricamente existir concomitância em relação a exigência dos tributos incidentes na importação: Visando afastar a ocorrência de ato coator na iminência de ser praticado, consistente na exigência do Imposto de Importação II e Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI para liberação de mercadorias no desembaraço aduaneiro, impetrou a ora Recorrente Mandado de Segurança Preventivo de nº 001685582.2011.4.03.6100 junto à 5ª Vara Federal de São Paulo, sob a alegação de que referidos tributos não seriam devidos em razão da imunidade a ela aplicável. Ressaltase, desde já, que nesta ação (frisese, de natureza preventiva) discutiuse tão somente a imunidade tributária a que faz jus a Recorrente aos tributos incidentes na importação, por constituir efetiva entidade de assistência social cumpridora dos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional e pelo fato de que os referidos bens importados seriam utilizados exclusivamente em suas finalidades socias. Confirmando o quanto noticiado anteriormente, transcrevese trechos da liminar citada na decisão combatida: “Tratase de mandado de segurança no qual a impetrante almeja, em sede de cognição sumária, assegurar o regular desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas, discriminadas às fls. 04/05, sem a incidência do Imposto de Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 787 9 Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins importação e PISimportação. Fundamentando a pretensão, sustentou ser descabido o recolhimento das exações supracitadas, haja vista ser entidade de assistência social sem fins lucrativos e preencher os requisitos necessários ao gozo da imunidade tributária.” “...Da análise da farta documentação apresentada, é certo que a impetrante atende aos requisitos preceituados nos incisos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com ressalva à previsão contida em seu inciso II. De acordo com o referido inciso II, a entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção pretendida, deve ser portadora de Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Nesse sentido, cumpre asseverar ser a impetrante, tão somente, registrada no Conselho Nacional de Assistência Social, conforme documento de fls. 422, não possuindo o mencionado Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. .....” Portanto, houve a renúncia de sua discussão no âmbito administrativo, conforme disposto no art. 1º, §2º, do Decretolei nº 1.737/1979 e no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980. Em face dessa opção, o tratamento a ser dispensado ao presente processo no âmbito administrativo quanto ao mérito da questão é o previsto no Parecer Normativo (PN) Cosit n.º 07, de 22/08/2014, o qual conclui que, in verbis: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, Fl. 787DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 788 10 mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n° 70.235, l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1. de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n° 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit n° 3. de 14 de fevereiro de 1996.(grifei) (destaquei) Este é, inclusive, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 789 11 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Verificase que o disposto na alínea “a” do referido Parecer Normativo estabelece a renúncia ou desistência às instâncias administrativas, quando da propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto da autuação. No presente caso, em razão de parte dos argumentos ofertados na peça de defesa, temse caracterizada a situação de que trata a alínea “a” da conclusão do Parecer Normativo Cosit n.º 07, de 22/8/2014. Deste modo, correta a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação apresentada pela Recorrente. III.2 Multa de Ofício Ao contrário do explicitou a Recorrente, o procedimento fiscal tem início com o começo do despacho aduaneiro da mercadoria importadora e, não com o lançamento fiscal. É o que se extrai do inciso III, do artigo 7º, do Decreto nº 70.235/72. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O lançamento referiuse as Declarações de Importação registradas em 28.12.2011, cujo desembaraço aduaneiro ocorreu por força da medida liminar concedida em 17.11.2011, no Mandado de Segurança nº 001685582.2011.4.03.61.00, da 5ª Vara Federal de São Paulo/SP. O lançamento foi efetuado para cobrança de R$ 86.922,41 de Imposto sobre Produtos Industrializados, R$ 72.831,38 de Imposto de Importação, ambos em valores originais, acrescidos ainda de juros de mora e multa de ofício de 75%. Depreendese que a decisão que suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários ocorreu antes do registro da DI, não estando, pois, a recorrente sob procedimento fiscal, de acordo com os artigos 411, 413 e 450, §1º do Decreto nº 91.030/85 e artigo 7º, inciso III do Decreto nº 70.235/72, tornando, assim, inexigível a multa de ofício, nos termos do artigo 63, da Lei nº 9.430/96. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 15771.720458/201277 Acórdão n.º 3302005.726 S3C3T2 Fl. 790 12 Neste cenário, considerando que a decisão judicial foi proferida antes do início do procedimento fiscal, inexigível a multa de ofício. IV Conclusão Diante do exposto, voto por (i) rejeitar as preliminares; (ii) conhecer parcialmente do recurso voluntário e, parte conhecida dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720781/2013-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 07 81 /2 01 3- 38 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13603.720781/201338 Acórdão n.º 1001000.580 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 45 a 65) interposto contra o Acórdão nº 0354.173, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 38 a 41), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 07 (data de registro em 18/03/2013), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 09/01/2013. A opção foi indeferida em virtude de existirem débitos de DASN – MULTA ATRASO/FALTA (código da receita 594) referentes aos períodos de apurações 01/07/2008 e 05/05/2009 no valor de R$200,00, os quais não se encontravam com a exigibilidade suspensa; com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dos débitos a pessoa jurídica interessada ingressou em 18/03/2013 com a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, alegando, em síntese, que efetuou o pagamento dos débitos. Solicita o enquadramento no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando que adimplemento de todos os débitos dentro do prazo devido não ocorreu em virtude de falha do sistema eletrônico ao fornecer informações a respeito dos acréscimos legais e que, em Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13603.720781/201338 Acórdão n.º 1001000.580 S1C0T1 Fl. 4 3 virtude de sua boa fé, do interesse social por trás das operações da empresa merece ter sua opção deferida. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente admite que os seus débitos não estavam todos devidamente quitados ao final do prazo para opção pelo regime simplificado. No entanto, pede a reconsideração do indeferimento da opção alegando que o não pagamento se deu por culpa do sistema eletrônico que não forneceu informações de forma clara o suficiente. Ora, conforme cediço, é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, e não se tenha qualquer dúvida quanto à importância social e econômica de qualquer atividade produtiva na subsistência e desenvolvimento dos que integram o seu meio, é função, e obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Em outras palavras, não cabe aos julgadores deste Conselho fazerem considerações de ordem política ou social e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicálas aos casos que lhes são postos à análise. Desta feita, considerando que o contribuinte consente que quitou seus débitos apenas após vencido o prazo para opção do SIMPLES, e que não trouxe qualquer elemento probatório ou justificativa capaz de eximilo desta responsabilidade, não há que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pela Simples Nacional para o ano de 2013 em virtude da existência de débitos que a interessada contesta, alegando que fez o pagamento. Não assiste razão à manifestante. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13603.720781/201338 Acórdão n.º 1001000.580 S1C0T1 Fl. 5 4 A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) (grifos acrescidos) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) §2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. §3º O disposto no § 2º não se aplica às empresas em início de atividade. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13603.720781/201338 Acórdão n.º 1001000.580 S1C0T1 Fl. 6 5 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) §7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) (grifos acrescidos) No caso em exame, os recolhimentos de fls. 11 e 12 nos valores de R$13,49 cada, atestam que somente em 20/02/2013, portanto após o prazo limite de 31/01/2013 permitido pela legislação, a empresa litigante completou o pagamento dos débitos da MULTA ATRASO/FALTA da DASN (código da receita 594), referentes aos períodos de apurações 01/07/2008 e 05/05/2009, que motivaram o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013. (...)" Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902820/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 28 20 /2 01 0- 80 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10840.902820/201080 Acórdão n.º 1301003.236 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo da CSLL: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos da CSLL ." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10840.902820/201080 Acórdão n.º 1301003.236 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior da CSLL, referente ao período de apuração de 30/11/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10840.902820/201080 Acórdão n.º 1301003.236 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660336/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 36 /2 01 2- 63 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660336/201263 Acórdão n.º 3401004.739 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000288/2002-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE POR MEDIDA JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO.
O prazo decadencial para o lançamento de oficio do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento.
VALORES INCORRETOS NA DIPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA. IMPROCEDÊNCIA.
Os valores relativos ao cálculo de realização do lucro inflacionário somente podem ser retificados após o início de fiscalização caso seja demonstrado, com base em documentos, a incorreção dos valores informados na DIPJ.
INCONSTITUCIONALIDADE DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM 30%. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO PELO IMPROVIMENTO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de norma, mormente quando submetida à análise do Poder Judiciário e, ainda, quando a decisão judicial foi desfavorável ao contribuinte.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. POSSIBILIDADE.
São devidos os juros inclusive sobre tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial. Legalidade da utilização da taxa SELIC, nos termos da Lei n.° 9.065/1995. Súmula CARF nº 04.
Numero da decisão: 1401-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE POR MEDIDA JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. O prazo decadencial para o lançamento de oficio do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. VALORES INCORRETOS NA DIPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA. IMPROCEDÊNCIA. Os valores relativos ao cálculo de realização do lucro inflacionário somente podem ser retificados após o início de fiscalização caso seja demonstrado, com base em documentos, a incorreção dos valores informados na DIPJ. INCONSTITUCIONALIDADE DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM 30%. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO PELO IMPROVIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de norma, mormente quando submetida à análise do Poder Judiciário e, ainda, quando a decisão judicial foi desfavorável ao contribuinte. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. POSSIBILIDADE. São devidos os juros inclusive sobre tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial. Legalidade da utilização da taxa SELIC, nos termos da Lei n.° 9.065/1995. Súmula CARF nº 04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE POR MEDIDA JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. O prazo decadencial para o lançamento de oficio do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. VALORES INCORRETOS NA DIPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA. IMPROCEDÊNCIA. Os valores relativos ao cálculo de realização do lucro inflacionário somente podem ser retificados após o início de fiscalização caso seja demonstrado, com base em documentos, a incorreção dos valores informados na DIPJ. INCONSTITUCIONALIDADE DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM 30%. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO PELO IMPROVIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de norma, mormente quando submetida à análise do Poder Judiciário e, ainda, quando a decisão judicial foi desfavorável ao contribuinte. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. POSSIBILIDADE. São devidos os juros inclusive sobre tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial. Legalidade da utilização da taxa SELIC, nos termos da Lei n.° 9.065/1995. Súmula CARF nº 04. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 88 /2 00 2- 49 Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.375 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Resolução da anterior turma julgadora com os nossos acréscimos. I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 9697 com a exigência no valor de R$171.331,27 a titulo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e juros de mora, referente aos anoscalendário de 1996, apurado no regime de tributação com base no lucro real anual. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 Lucro inflacionário acumulado realizado adicionado a menor na demonstração do lucro real; Item 2 Compensação a maior do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real; Item 3 Compensação de prejuízo fiscal na apuração do lucro real superior a 30% (trinta por cento) do lucro real antes das compensações. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: . art. 195, art. 196, art. 417, art. 419, art. 420, inciso III do art. 502 e art. 503 do Regulamento do Imposto de Renda, previsto no Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994), parágrafo único Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.376 3 do art. 42 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e § 1 0 do art. 5°, § 1° do art. 7°, art. 12 e art. 15 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. Cabe esclarecer que o crédito está com a exigibilidade suspensa por força do Mandado de Segurança n° 95.00345714 com pedido de liminar, cujo objeto é compensação de prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994 sem a restrição legal impetrado na Seção Judiciária Federal de São Paulo/SP, fls. 4371. Houve concessão da medida liminar em 07.06.1995, fl. 42. Cientificada em 27.02.2002, fl. 96, a Recorrente apresentou a impugnação em 22.03.2003, fls. 99122, com as alegações abaixo sintetizadas. Expõe que o Auto de Infração é nulo, uma vez que está eivado do vicio de ilegalidade. Aduz que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, a exigência foi alcançada pela decadência, inclusive em relação à matéria que trata do lucro inflacionário decorrente da diferença do IPC/BTNF (§ 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional). Pertinente à recomposição do lucro inflacionário acumulado, defende que devem ser utilizados os percentuais corretos de realização do ativo em cada período. Procura demonstrar que a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal tem como conseqüência apenas a postergação de pagamento. Destaca a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre o valor do crédito tributário, cuja exigibilidade esteja suspensa, tendo em vista a concessão de liminar em mandado de segurança (§ 3° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, pede e espera a ora IMPUGNANTE seja recebida e acolhida in totum a presente IMPUGNAÇÃO, para: a) ser cancelada a exigência na sua totalidade, a titulo de IRPJ, juros e demais encargos, por decadência; b) refazer o cálculo do LID e do LI realizado nos anos de 1993 em diante, caso a decadência não seja acolhida, computandose nas apurações do lucro real dos períodosbase 1993, 1994 e 1995 o lucro inflacionário calculado com base no percentual de realização do ativo; c) recalcular a base de calculo dos prejuízos fiscais utilizada para a compensação exofficio, tratandoa como postergação; Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.377 4 e d) ou ainda, sempre ad argumentandum, caso não seja esse o entendimento de V.Sa., sejam cancelados, in totum, os respectivos juros de mora, como medida da mais lídima JUSTIÇA! Está registrado como resultado do Acórdão da 5' TURMA/DR.I/SPO/SP n° 07.356, de 21.06.2005, fls169179: "Lançamento Procedente em Parte", tendo em vista que foram refeitos os cálculos adotandose o percentual do ativo realizado em cada período. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO A MAIOR E SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Deve ser observada a realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. 0 lucro liquido ajustado pelas adições c exclusões previstas na legislação do imposto de renda pode ser compensado com os prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores, em até trinta por cento. Arts. 12e 15 da Lei n° 9.065/95. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996 Ementa: DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE POR MEDIDA JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. 0 prazo decadencial para o lançamento de oficio do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DECADÊNCIA Na formalização do lançamento há que se excluir da base de cálculo as parcelas do lucro inflacionário acumulado que deveriam ter sido realizadas em períodos já abrangidos pela decadência. JUROS DE MORA. São devidos os juros inclusive sobre tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial. Legalidade da utilização da taxa SELIC, nos termos da Lei n.° 9.065/1995. Notificada em 29.07.2005, fl. 185, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.08.2005, fls. 187214, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que houve preenchimento equivocado da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) do anocalendário de 1992, uma vez que analisando os registros no Livro Razão Analítico e no Livro Diário verificase que o saldo correto da diferença IPC/BTNF é devedor de Cr$206.227.309,00 ao invés do saldo credor equivocadamente informado de Cr$655.873.358,00. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.378 5 Tece comentários sobre a impossibilidade de instituição de empréstimo compulsório por medida provisório (art. 148 da Constituição Federal) e ainda a respeito da inconstitucionalidade do limite legal de compensação de prejuízos previstos na Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e na Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, de acordo com o art. 43 do Código Tributário Nacional. Solicita produção de todos os meios de prova. Conclui Diante do exposto, caso V. Sas. entendam necessária a produção de provas complementares, a RECORRENTE protesta, desde já, pela juntada de novos documentos, tais como Livros Razão Analítico e Diário Geral ou, alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para comprovação do quanto alegado. No mais, requer se dignem V. Sas. a dar integral provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida, em razão: (i) do transcurso "in albis" do prazo decadencial de 5 (cinco) anos e a extinção do crédito tributário (§4°, do artigo 150 e inciso V, do artigo 156, do Código Tributário Nacional, com a conseqüente anulação do Auto de Infração (a teor do que estabelece o Inc. I do art. 145 do CTN) e, ato continuo, a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade do pretenso crédito tributário; (ii) do equivoco destacado na Declaração de IRPJ, para que sejam aceitos os prejuízos fiscais da RECORRENTE (ao invés de lucros), bem como seu direito compensação integral, em homenagem ao principio da verdade material; (iii) da inconstitucionalidade da vedação do livre aproveitamento do prejuízo fiscal, para compensar com os lucros auferidos no período; (iv) do direito adquirido da RECORRENTE, posto que o prejuízo apresentado foi apurado ate 3L12.1994, na forma da legislação vigente época, antes, portanto da vedação imposta pela Lei n° 8.981 de 20.01.1995; e (v) da taxa SELIC não se aplicar para atualização de débitos, na remota hipótese que a RECORRENTE não acredita — de manutenção da a r. decisão combatida. Agindo assim, estarão V.Sas., distribuindo a costumeira JUSTIÇA! Deste relatório culminou com a conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de Origem realizasse a análise de diversos pontos levantados pelo recorrente, elaborando relatório conclusivo. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.379 6 A fiscalização da Delegacia, após intimação ao contribuinte, apresentou Informação Fiscal tecendo detalhadas considerações sobre os itens levantados no recurso e mantendo os valores levantados na autuação e já alterados na DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. As questões a serem decididas no presente processo, além da utilização de prejuízos fiscais em montante superior à trava de 30%, que está sendo discutida no âmbito judicial, prendemse, notadamente às alegações de divergências entre os valores apurados no auto de infração e os valores que o recorrente entende serem corretos de acordo com os seus registros contábeis e fiscais e, ainda, com relatório de assessoria solicitado pelo mesmo. Ao realizar a diligência solicitada por este CARF a fiscalização intimou a empresa a apresentar os registros fiscais e contábeis que demonstrassem a exatidão dos valores alegados no recurso voluntário. De posse dos documentos que foram apresentados e realizando o confronto entre as informações escrituradas e o alegado pelo recorrente a fiscalização elaborou detalhado relatório onde, ponto a ponto, apresenta as informações escrituradas, as normas legais vigentes e os motivos pelos quais não entende cabível a argumentação do recorrente. Devemos destacar que o recorrente foi devidamente cientificado da Informação Fiscal emitida no encerramento da diligência e, apesar de ter solicitado prorrogação de prazo para apresentação de contestação e outros documentos, não os apresentou nem se pronunciou decorridos seis meses do pedido, razão pela qual o processo foi encaminhado a este CARF para prosseguimento da análise do recurso. Passemos a analisar os pontos de divergência apresentados pela empresa em seu recurso: Decadência do Direito de lançar. Norma do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Em relação à decadência do direito de lançar o recorrente argumenta que o lançamento estaria decaído em razão de ter sido realizado mais de cinco anos após a ocorrência do fato gerador da obrigação, posto que deveria ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN, conforme abaixo: Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.380 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, no presente caso, que tratase de auto de infração relativo ao ano calendário 1996. Se fosse aplicável a regra do art. 150, poderíamos ver incidida a ocorrência de decadência. Ocorre, no entanto, que a referida regra aplicase aos casos de lançamento por homologação onde houve a antecipação do pagamento de tributo e, assim, a decadência se constitui no decurso do próprio prazo homologatório. Entretanto, no presente caso não ocorreu a hipótese de pagamento antecipado. Na verdade a empresa não apurou lucro tributável no referido ano, conforme consta de sua DIPJ, anexada às fls. 29/51. Não houve seque pagamento de estimativa no período. Desta forma, tornase inaplicável a norma citada pelo recorrente pela inexistência de pagamento antecipado sujeito à homologação no prazo de cinco anos. Para os casos onde inexiste a antecipação do pagamento aplicase a norma do art. 173, abaixo transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.381 8 que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. De acordo com a contagem de tempo estipulada por esta norma, sendo o tributo relativo ao anocalendário de 1996, o lançamento poderia ser lançado apenas no ano de 1997 e, assim o prazo decadencial iniciaria sua contagem em 01/01/1998, encerrandose apenas em 31/12/2002. Desta forma, constatase que não ocorreu a decadência do direito de lançamento da fazenda pública, tendo em vista que o lançamento foi realizado durante o ano se 2002. Do exposto não assiste razão ao recorrente neste ponto. Prejuízos da Recorrente. Período de 1991 a 1994. Preenchimento equivocado da DIPJ/1992. Diferença de correção IPC/BTNf. Com relação argumentação do recorrente acerca da existência de prejuízos não contabilizados dos anos de 1991 a 1994 e que teria havido o preenchimento incorreto da DIPJ/1992, provocando a existência de ajustes que levariam ao desfazimento do lançamento, caberia ao recorrente a prova cabal dos equívocos cometidos de forma a tornar insubsistente a autuação. Infelizmente, apesar de argumentação eloquente, a recorrente não logrou comprovar com documentos respectivos as razões dos alegados erros cometidos na apresentação de declarações ao fisco. Limitouse a se justificar no relatório da assessoria sem apresentar documentos e escrituração que demonstrase a incorreção de suas declarações. Neste sentido, andou bem a fiscalização quanto, em sua informação fiscal apresentada no cumprimento de diligência deste CARF assim se manifestou quanto a estes pontos de recurso apresentados pelo recorrente. Transcrevermos apensas trechos da informação fiscal de fls. 1213/1225, na qual baseamos nossa convicção e fundamentos de decidir. 3 Os resultados contábil e fiscal em 31/12/1996 3.1 Os resultados que se apresentam neste relatório foram transcritos dos documentos apresentados pela empresa sem que se procedesse ao exame documental para a competente conferência dos registros encontrados, os entregues após intimação fiscal para este procedimento de informação, e, até mesmo, sem a conferência das totalizações dos valores apresentados na escrituração contábil e nos demonstrativos patrimonial e de resultado; Somente se procurou observar a ocorrência de alguma irregularidade escritural prontamente identificável. 3.2 Conforme Balanço Patrimonial em 31/12/1996: Transcreve apuração do resultado da DIPJ Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.382 9 3.3 Portanto: Lucro líquido contábil no ano calendário de 1996, saldo credor, de R$79.104,67, para um prejuízo acumulado até 31/12/1995 de R$1.422.946,27. 3.4 Enquanto no Lalur se encontra como anotado: LALUR de 1996 (com a terminologia usada no Livro) Obs.: Para o ano calendário de 1996 não foram apresentados Livros Diário e Razão, e Balancetes mensais, que se usariam para a suspensão ou redução de recolhimentos por estimativa do IRPJ e CSLL, que permitisse conferir os lucros/prejuízos mensais anotados no Lalur Soma dos Lucros/Prejuízos Fiscais em 31/12/1996: R$403.334,94 Saldo Credor, portanto, Lucro 3.5 Ainda que intimada a empresa não apresentou a escrituração contábil de 1996, mas tão somente o Balanço Patrimonial do ano, e uma sucinta Demonstração de Resultado do Exercício. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.383 10 3.6 A DRE do ano, extremamente sucinta, não traz qualquer detalhamento que permitisse identificarse as atividades que geraram lucros ou prejuízos nos meses do ano de 1996 e que se totalizaram no Lalur, assim como os valores que compuseram para cada operação os montantes em cada mês do ano calendário. 3.7 O lucro fiscal do exercício de 1996 adotado no AI, conforme seu Termo de Constatação Fiscal, foi encontrado na Ficha 07 da DIRPJ do A.C. de 1996, a linha 27, “Lucro Real antes da compensação de Prejuízos”, no valor de R$403.335,44, muito próximo dos R$403.334,94 do Lalur. 3.8 Este lucro real do exercício não foi contestado pela empresa em suas impugnações, que relativo ao IRPJ calculado a partir deste somente manifestou a intenção de saldálo com o aproveitamento de prejuízos fiscais de anos anteriores, sem, entretanto, a trava dos 30%, se valendo de liminar obtida no Mandado de Segurança nº 95.00345714 na 12ª Vara Federal de S. Paulo, em vigor à época do levantamento fiscal em 2001, mas não mais agora, como tratado em tópico próprio deste relatório. 3.9 A empresa declarou opção pelo lucro real, regime de apuração anual, na DIPJ de 1997 para o A.C. de 1996. 4 O Lucro Inflacionário no AI 4.1 À época dos lançamentos fiscais em AI, 02/2002, encontravase no SAPLI: 4.2 E foi o LI realizado encontrado nesta Ficha de acompanhamento do Lucro Inflacionário, que a Secretaria da Receita Federal monta a partir do que a empresa informa em Declarações de ajuste anual do IRPJ e CSLL, que foi obtido o valor do LI realizado, 10% do LI diferido de períodos anteriores. 4.3 LI diferido acumulado ao longo de períodos anteriores, e reajustado monetariamente pelas disposições legais então vigentes até 31/12/1995. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.384 11 4.4 LI realizado que foi o adotado no AI, conforme o constante em seu Termo de Constatação Fiscal: . 4.5 Entretanto, por retificação de ofício na RFB, a situação no FAPLI foi alterada: 4.6 As diferenças entre os registros que se encontram no Sapli de 2002, quando dos levantamentos fiscais ora tratados, e os que se encontram nesta data, conforme observações que se encontra no subsistema “Histórico do Lucro Inflacionário” do Sapli, decorreu de alterações neste sistema de acompanhamento do prejuízo fiscal promovido de ofício pelo órgão julgador de primeira instância DRJ/SPO, conforme se anotou na motivação da retificação: “06 – Decisão de 1ª Instância no Processo 13808.000288/2002 49”. 4.7 Entretanto, as alterações do Sapli feitas pelo órgão julgador para os exercícios de 1993, 1994, 1995, e 1996, que produziram redução do Saldo do Lucro Inflacionário a Realizar em 31/12/1996, foram indevidamente afetadas pela suposição feita na DRJ que o sujeito passivo tivesse feito a obrigatória realização legal do Saldo dos LIs ao longo destes exercícios fiscais, assim devem ser desconsideradas as alterações feitas no Sapli pela DRJ, pois não ficou provado que tenham acontecido as realizações legais dos saldos dos LIs às épocas próprias e por iniciativa do sujeito passivo, donde se impõe considerar que o Saldo do LI correto em 31/12/1996 foi o adotado no AI, no valor de R$91.032,97. 4.8 O comparativo entre os registros do Sapli em 2002 e os correspondentes registros encontrados nesta data está apresentado no Anexo II desta IF. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.385 12 4.6 As diferenças entre os registros que se encontram no Sapli de 2002, quando dos levantamentos fiscais ora tratados, e os que se encontram nesta data, conforme observações que se encontra no subsistema “Histórico do Lucro Inflacionário” do Sapli, decorreu de alterações neste sistema de acompanhamento do prejuízo fiscal promovido de ofício pelo órgão julgador de primeira instância DRJ/SPO, conforme se anotou na motivação da retificação: “06 – Decisão de 1ª Instância no Processo 13808.000288/2002 49”. 4.7 Entretanto, as alterações do Sapli feitas pelo órgão julgador para os exercícios de 1993, 1994, 1995, e 1996, que produziram redução do Saldo do Lucro Inflacionário a Realizar em 31/12/1996, foram indevidamente afetadas pela suposição feita na DRJ que o sujeito passivo tivesse feito a obrigatória realização legal do Saldo dos LIs ao longo destes exercícios fiscais, assim devem ser desconsideradas as alterações feitas no Sapli pela DRJ, pois não ficou provado que tenham acontecido as realizações legais dos saldos dos LIs às épocas próprias e por iniciativa do sujeito passivo, donde se impõe considerar que o Saldo do LI correto em 31/12/1996 foi o adotado no AI, no valor de R$91.032,97. 4.8 O comparativo entre os registros do Sapli em 2002 e os correspondentes registros encontrados nesta data está apresentado no Anexo II desta IF. Apresenta extensa legislação que trata dos procedimentos de correção, contabilização e apresentação de informações. Ao final conclui: 6.3 Anteriormente ao Dec. 332/91 a correção monetária das demonstrações financeiras deveria obedecer à disciplina estabelecida no DecretoLei nº 2.341/87. 6.4 O sujeito passivo foi intimado na ação fiscal inicial que produziu o AI, e nesta diligência fiscal, a apresentar os demonstrativos de cálculo do Lucro Inflacionário e das diferenças IPC/BTNF, o que deixou de fazer nas duas oportunidades. 6.5 Se o tivesse feito deveria apresentar Demonstrativos que estivessem conformes com a legislação destacada para o justo levantamento dos valores relacionados às variações monetárias de suas demonstrações financeiras. Assim descrevendo as ações empreendidas pelo recorrente, demonstrando que não acompanharam as normas legais relativas ao tema, a fiscalização entendeu que não restaram comprovados os equívocos alegados pela empresa e que deveria ser mantida a autuação contra mesma. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.386 13 Compartilhando deste entendimento, após revisar os termos da diligência assim como as alegações do recorrente e diante de falta de provas suficientes a comprovar os erros cometidos e os valores que deveriam constar nas DIPJ da empresa, entendo assistir razão à fiscalização no que tange a exatidão dos cálculos realizados para fins de lançamento e, desta forma, adotando os fundamentos acima apresentados, objeto da informação fiscal emitida após a realização da diligência e sequer contestada pelo recorrente, voto, neste ponto por nega provimento ao recurso. Da Inconstitucionalidade do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais. Em relação a este ponto de discussão, em verdade não cabe a este CARF a apreciação do pedido. Conforme documentos do processo o contribuinte ingressou com ação judicial visando a discutir a inconstitucionalidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais. Poe esta razão o auto de infração objeto deste processo foi lançado com suspensão da exigibilidade. Conforme apresentado no resultado da diligência, temos o seguinte em relação à ação judicial. 7 A AÇÃO JUDICIAL (MS) nº 95.00345714 7.1 Em atendimento à intimação fiscal a empresa apresentou Certidão de Inteiro Teor da ação nº 95.00345714 da 12ª Vara Cível Federal de S. Paulo, que em 02/2002, na emissão do AI, produzia efeitos como liminar em Mandado de Segurança para permitir a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores a 1996, sem respeitar a trava dos 30%, razão porque o AI foi emitido com exigibilidade suspensa. 7.2 A Certidão apresentada certifica que a ação judicial originária do MS inicial transitou em julgado, afastando a pretensão da compensação de prejuízos fiscais sem limitação para o cálculo do IRPJ e CSLL a recolher, conforme pretendeu o contribuinte, e conforme chegou a fazer a partir do sucesso conseguido na decisão liminar inicial. 7.3 Com o transito em julgado no judiciário tem condições os créditos tributários levantados no AI de serem exigíveis, isto após o também trânsito em julgado no contencioso administrativo, podendo desde já ter seu status alterado nos sistemas da RFB, deixando de constar como afetado por pendência judicial. 7.4 A decisão última do judiciário na ação aqui referida foi proferida pelo próprio STF, que confirmou a constitucionalidade da trava dos 30% no aproveitamento dos prejuízos fiscais quando do cálculo do IRPJ e CSLL, e aplicou o entendimento para o recurso do contribuinte, a partir do reconhecimento que o tema suscitado podia ser tratado na esteira da repercussão geral de tema anteriormente decidido: Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.387 14 A irresignação não merece prosperar, uma vez que o Plenário desta Corte, em sessão realizada por meio eletrônico, concluiu, no exame do Recurso Extraordinário no 591.340/SP, Relator o Ministro Marco Aurélio, pela existência da repercussão geral do tema constitucional versado no presente feito. Na sessão Plenária de 25 de março de 2009, por sua vez, o Tribunal, ao apreciar o mérito do Recurso Extraordinário no 344.994/PR, Redator para acórdão o Ministro Eros Grau, concluiu pela constitucionalidade dos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 que limitaram em 30% a compensação dos prejuízos acumulados em anos bases anteriores para fins de apuração do lucro real e para determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro das empresas. Na ocasião, o Plenário assentou que a Lei nº 8.981/95 não teve incidência sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, afastandose, assim, as alegações de inobservância do princípio da irretroatividade e da garantia constitucional do direito adquirido. 7.5 Seguem anexas a esta IF a Certidão de Inteiro Teor e a decisão proferida no STF para a ação 95.00345714. Assim, nada mais há a analisar em relação ao presente ponto. Tendo sido objeto de julgamento pelo Poder Judiciário sendo declarada constitucional a norma que estabeleceu a limitação à dedução dos prejuízos fiscais, deve apenas ser reproduzido este entendimento e considerada correta a autuação que glosou a dedução dos prejuízos fiscais em montante superior a 30% do lucro tributável. Utilização da SELIC como taxa de juros. Em relação à alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC como índice de atualização monetária, a despeito da existência de precedentes judiciais em sentido contrário, conforme inclusive apresentados pelo recorrente, este conselho já solidificou seu entendimento no sentido da constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 04, conforme abaixo transcrita, que tem sua aplicação obrigatória neste Conselho enquanto não revogada. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos Acórdão nº 10194511, de 20/02/2004 Acórdão nº 10321239, de 14/05/2003 Acórdão nº 10418935, de 17/09/2002 Acórdão nº 10514173, de 13/08/2003 Acórdão nº 10807322, de 19/03/2003 Acórdão nº 20211760, de 25/01/2000 Acórdão nº 20214254, de 15/10/2002 Acórdão nº 20176699, de 29/01/2003 Acórdão nº 20308809, de Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 13808.000288/200249 Acórdão n.º 1401002.680 S1C4T1 Fl. 1.388 15 federais. 15/04/2003 Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003 Acórdão nº 30130738, de 08/09/2003 Acórdão nº 30331446, de 16/06/2004 Acórdão nº 30236277, de 09/07/2004 Acórdão nº 30131414, de 13/08/2004 Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003 À vista do exposto, neste ponto entendo por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.005532/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO DE TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. DESPESAS DE CURSOS PARTICULARES DE EMPREGADOS.
Os valores pagos a transportadores autônomos estão sujeitos às contribuições para o SEST e o SENAT.
O valor gasto pela empresa com a educação de seus funcionários não integrará o salário de contribuição apenas na hipótese em que comprovada a observância dos requisitos estabelecidos pela regra isentiva.
Numero da decisão: 2201-004.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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DESPESAS DE CURSOS PARTICULARES DE EMPREGADOS. Os valores pagos a transportadores autônomos estão sujeitos às contribuições para o SEST e o SENAT. O valor gasto pela empresa com a educação de seus funcionários não integrará o salário de contribuição apenas na hipótese em que comprovada a observância dos requisitos estabelecidos pela regra isentiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 55 32 /2 00 8- 17 Fl. 255DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 199/204) apresentado em face do Acórdão nº 0928.727, da 5ª Turma da DRJ/JFA (fls. 186/194), que manteve integralmente o lançamento fiscal Debcad nº 37.145.4484, pela qual foram constituídos créditos tributários relativos a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). De acordo com o relatório fiscal (fls. 26/34), foram lançadas contribuições a cargo da empresa destinadas ao INCRA, SEBRAE, SESI E Salário Educação incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como as destinadas ao SEST e SENAT referente à contribuição do transportador rodoviário. Os fatos geradores seriam relacionados à contratação de serviços de transporte de passageiros, fretes e carretos, e aos reembolsos efetuados aos empregados de despesas com cursos particulares. Em sede de impugnação (fls. 109/158), a empresa autuada alegou, em síntese: 1. Prejuízo ao contraditório e à ampla defesa pela falta de juntada dos papeis de trabalho que serviram de base para os levantamentos realizados. 2. Na base de cálculo relativa aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais foram incluídos valores relativos a locação de equipamentos, sobre os quais não incide as contribuições exigidas (SEST e SENAT). 3. Os reembolsos efetuados aos empregados foram realizados ao amparo da hipótese de exclusão de que trata o art. 28,, § 9º, 't', da Lei nº 8.212, de 1991. A decisão de primeira instância administrativa manteve integralmente o lançamento e dela tomou ciência o sujeito passivo em 20/04/2010 (fl. 197). O recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 19/05/2010 (fls. 199/204) e nele foram reiterados os argumentos de impugnação acrescentandose apenas a invocação do princípio da razoabilidade, uma vez que o prazo para que a recorrente analisasse todo o trabalho fiscal seria insuficiente. Neste Conselho, o julgamento do recurso foi convertido em diligência pela Resolução nº 2403000.128, da 3ª TO/4ª Câmara/2ª Seção (fls. 210/219), para que a unidade de origem prestasse esclarecimentos sobre o estabelecimento centralizador, o domicílio tributário e a realização de arrolamento de bens em face de filial. A resposta da fiscalização está no documento de fls. 237/238. Intimada acerca da diligência realizada, a empresa autuada não se manifestou (fl. 250). Retornando a este Colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10640.005532/200817 Acórdão n.º 2201004.602 S2C2T1 Fl. 256 3 Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme foi destacado no relatório, a peça recursal reiterou os argumentos apresentados na impugnação, limitandose a acrescentar a invocação de violação ao princípio da razoabilidade, uma vez que o prazo para análise do trabalho fiscal seria insuficiente. Quanto a esse aspecto, embora a doutrina e a jurisprudencial nacional tenha sobremaneira valorizado a aplicação dos princípios na solução de conflitos e na integração de normas legais, fato é que, administrativamente, seara bastante adstrita à ideia de legalidade, as normas de ordem cogente não podem ser afastadas pela invocação de princípios. Ou seja, havendo dispositivo legal em vigor regulando a matéria, ele não pode deixar de ser aplicado pela invocação de um princípio, especialmente um dotado de tão grande carga de subjetividade como é o da razoabilidade. Na hipótese em análise, o prazo para impugnar o lançamento e recorrer da decisão de primeira instância administrativa constam expressamente do normas em vigor e, por isso, a autoridade fiscal, cuja atividade é plenamente vinculada, não pode deixar de observá las. Ademais, deve ser registrado que o interstício de duração do procedimento de fiscalização não transcorre apenas em benefício da autoridade fiscal, mas também do contribuinte fiscalizado, já que parte dele é consumido na concessão de prazos para que ele forneça os documentos e informações solicitados pelo agente fazendário. Por outro lado, em regra, e este é o caso desse processo, o lançamento encontrase suportado em documentos e informações fornecidos pelo contribuinte, o que permite pressupor que ele conhece o seu conteúdo. Superada essa questão, considerando o caráter genérico dos demais argumentos apresentados, e também em consideração à excelência e completude da decisão de piso, adoto como minhas suas razões de decidir: A Impugnante alega, em síntese, a não observância pela autoridade lançadora dos princípios de ampla defesa e contraditório, legalidade, publicidade e principio da razoabilidade, requerendo a nulidade da presente autuação e no mérito entende comprovado não ter ocorrido diversas hipóteses de incidência. Porém, equivocase, apresentando argumentos insuficientes para cancelamento ou nulidade da autuação como requer. Inicialmente, alega que a Auditoria Fiscal deixou de disponibilizar para a defesa os documentos elaborados para o levantamento impedindo, assim a utilização Fl. 257DF CARF MF 4 do direito de defesa o que ofenderia os princípios da ampla defesa e .do contraditório. Alega posteriormente, que a Auditoria Fiscal faz exigência de apresentação de grande volume de documentos sem concessão de prazo razoável para cumprimento o que ofenderia o principio da razoabilidade. No entanto, verificase, compulsando os autos que esta autuação, lavrada nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, não apresenta qualquer vicio, defeito ou irregularidade que acarretasse a sua nulidade, nos termos dos dispositivos 59 a 61 previsto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. O procedimento fiscal está pautado pelo principio da legalidade, além do que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, à luz do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a veri.ficar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Auditoria Fiscal praticou os atos de fiscalização em conformidade com as prerrogativas e limites estabelecidos na legislação tributária e previdenciária, em respeito ao principio da legalidade objetiva. Para tanto, executou os procedimentos fiscais concernentes ao objeto da fiscalização, fixado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF; exigiu do sujeito passivo o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na legislação aplicável; constituiu o crédito tributário, por meio de Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP, ao constatar a falta de recolhimento das contribuições sociais a Outras Entidades e Fundos referentes aos procedimentos de auditoria indicados. Executou os procedimentos fiscais de maneira a assegurar ao sujeito passivo o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Nesse sentido, lavrou documentos de constituição de crédito tributário que atendam à forma e ao conteúdo estabelecidos na legislação previdenciária, especificou no Relatório Fiscal, os fatos geradores da obrigação principal, os períodos a que se referem, a técnica utilizada na apuração da basedecálculo, as alíquotas aplicadas, os fundamentos legais da exação exigida, bem como os documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador; e, cientificou o sujeito passivo de todos os documentos e relatórios do Auto de Infração. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10640.005532/200817 Acórdão n.º 2201004.602 S2C2T1 Fl. 257 5 Quanto aos "papéis de trabalho" questionado pela Impugnante, constante no item VIII, 1.2 do Relatório Fiscal, tratase de tarefa desenvolvida pelo Auditor Fiscal dentro do sistema Safis Sistema de Auditoria Fiscal, programa desenvolvido em linguagem Delphi, que tem a finalidade de subsidiar o Auditor Fiscal em diversas tarefas no desenvolvimento de procedimentos fiscais no sujeito passivo. Seu foco de ação é o lançamento do crédito previdenciário, decorrente de obrigações tributárias principais e acessórias, auxiliando o Auditor desde o cálculo do montante devido pelo sujeito passivo até a formalização do encerramento da auditoria fiscal: E nele que são desenvolvidos grande parte dos trabalhos do Auditor Fiscal, migrando o produto do seu trabalho, de forma integrada, a outros sistemas dentro da Receita Federal do Brasil. O programa contempla rotinas de importação de carga, ativação de procedimento fiscal, atualização de cadastro, criação de códigos de levantamento, lançamento de fatos geradores, etc. Portanto, ao concluir os trabalhos desenvolvidos dentro do sistema Safis são gerados os relatórios que integram a presente autuação, não sendo, os "papéis de trabalho" um dos relatórios como entendido. equivocadamente pela Impugnante e sim uma tarefa desenvolvida, criação de levantamentos, para a realização dos lançamentos dentro do sistema de Auditoria Fiscal. Equivocada, portanto, a Impugnante ao alegar a não observação do principio da publicidade prestigiado pela Lei n° 9.784/99 que estabelece, em seu art. 2°, parágrafo único, inciso IV, o critério de "divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição" e no art. 46 desse mesmo diploma legal que "Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito 6. privacidade, à honra e à imagem." O Auditor Fiscal também garantiu ao sujeito passivo o exercício do devido processo legal, informandoo, por escrito, acerca do prazo, do local e dos requisitos essenciais para a apresentação de defesa eficaz, com vistas ao desenvolvimento regular do processo administrativofiscal. Quanto aos prazos para apresentação da documentação, cabe destacar que durante o procedimento fiscal, foram emitidos termos para formalizar o inicio dos procedimentos fiscais e a intimação para apresentação de documentos, e foram observados, aspectos gerais para a correta elaboração desses termos processuais. O inicio da AuditoriaFiscal Previdenciária (AFP), no âmbito da RFB, é formalizado através da ciência do Termo de Inicio, que tem por finalidade cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. Podem ser emitidos, ainda, no decorrer da ação fiscal vários termos entre eles a Intimação para apresentação de documentos e informações, que Fl. 259DF CARF MF 6 tem por finalidade intimar o sujeito passivo a exibir documentos, e a prestar esclarecimentos ou informações de interesse do fisco, no decorrer do procedimento fiscal. O prazo fixado pelo Auditor Fiscal, para que o sujeito passivo apresente a documentação e as informações solicitadas, será de vinte dias, inclusive para os arquivos digitais, ressalvado o caso das informações e documentos que digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou em declarações apresentadas a administração tributária, que são de cinco dias úteis contados da data da ciência do respectivo termo. Assim sendo, concluise que os prazos foram razoáveis e em consonância com o previsto nas normas. Pela emissão do TIAF (fls. 20/21) consta que "a partir de 11/01/2008". Foram emitidos vários Termos de Intimação Fiscal (Termo de Intimação Fiscal n° 01 a 05/2008) concedendo o prazo de 05 dias úteis e o Termo de Intimação Fiscal n° 06/2008, estabelecendo o prazo para atendimento "11/12/2008", com ciência pelo sujeito passivo em 01/12/2008. Dessa forma, compulsando os autos, constatase o respeito aos princípios mencionados. Quanto ao mérito, a Impugnante defende que foram tributadas diversas operações não sujeitas ao recolhimento de contribuições sociais. Aponta em relação às contribuições para o Serviço Social do Transporte SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT (contribuição do transportador autônomo — recolhida pela empresa) que os fatos geradores levantados relativos aos pagamentos efetuados a pessoas físicas mediante notas fiscais, conforme item 1.1 do Relatório Fiscal, foram incluídas indevidamente as operações de locação de equipamentos que não se constituem hipótese de incidência das contribuições sociais pretendidas, citando o art. 69, § 2° e o art. 139 § 9 0, da IN n° 03/2005 e argumenta que para a ocorrência do fato gerador das contribuições devidas à Previdência Social não basta o simples pagamento ou remuneração a pessoa física, sendo necessário que o pagamento ou remuneração decorra de efetiva prestação de serviços de frete, carreto ou transporte. Porém, não trouxe comprovação de sua alegação. Notese que, assim prevê a Lei n° 8.706 de 14/09/93 em seu artigo 7°, como também o artigo 10 do Decreto n° 1007 de 13/12/93, que dispõe sobre as contribuições compulsórias devidas ao Serviço Social do Transporte (Sest) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), citados no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 14: Art. 7° As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1° de janeiro de 1994, serão compostas: II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10640.005532/200817 Acórdão n.º 2201004.602 S2C2T1 Fl. 258 7 Art. 1 As contribuições compulsórias previstas nos incisos I e II do art. 7° da Lei no 8.706, de 14 de setembro de 1993, são devidas a partir de I° de janeiro de 1994 as entidades e nos percentuais abaixo indicados: ao Serviço Social do Transporte (Sest): b) 1,5% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos; ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat): b) 1,0% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos. Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente ã remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, Ms termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. Cabe ressaltar que foram apurados os fatos geradores constantes da escrituração contábil, dos recibos de pagamentos e das notas fiscais, os quais foram comparados com informações constantes da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social — GFIP e após a analise fiscal constatouse que os fatos geradores apontados, relacionados ao Serviço Social do Transporte SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, quadro de fls. 18, não constaram das GFIP apresentadas pela empresa. Em relação as afirmações apresentadas pela Impugnante na tentativa de demonstrar que os reembolsos efetuados aos empregados referentes às despesas de cursos particulares se enquadram nas hipóteses de exclusão da alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, não trouxe a comprovação dos fatos, através de elementos ou documentos confirmando as suas alegações, diferentes dos apresentados e já analisados pela Auditoria Fiscal, onde foi concluído por esta tratarse de cursos de educação e capacitação concedidos em desconformidade com a legislação, tributando os valores custeados pelo sujeito passivo, e lavrando os autos de infração cabíveis. Cabe enfatizar que o valor que a empresa despende na educação de seus funcionários é um beneficio normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Para que esse beneficio não integre o saláriode contribuição, é necessária a observação dos requisitos: que os valores não sejam pagos em substituição à parcela salarial; que sejam extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que digam respeito somente a despesas com educação que estejam amparadas pela legislação. A Lei n° 9.394, de 20/12/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional) com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.741, de 16/07/2008, classifica a composição dos níveis escolares em educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e superior. Ressaltese que pela Lei no 11.741/2008, que promoveu alterações e inclusões no Capitulo III da Lei n° 9.394/1996, foi inserida a Educação Profissional Tecnológica de Fl. 261DF CARF MF 8 Graduação e Pósgraduação, ao lado dos demais cursos superiores, com os quais não se confunde. Em relação aos cursos serem disponíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa devem ser verificadas, de forma detalhada, as regras de acesso ao beneficio. O intuito legal é que a empresa tenha um tratamento equânime em relação a todos os seus empregados e dirigentes. Sendo assim, interpretando a alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei n° 8.212/91, podese concluir que o custo relativo à educação superior (graduação e pós graduação) de que trata o Capitulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 1996, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, ou seja, o valor não está alcançado pela exclusão prevista na alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei n° 8.212/91, pelo que se enquadra como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212/91; e, o custo relativo aos cursos profissionalizantes de nível superior, graduação e pósgraduação de que trata o inciso III, § 2°, art. 39 da Lei n° 9.394/96, introduzido pela Lei n° 11.741/08 (e somente estes cursos, dentre os demais cursos superiores) é passível de não incidência de contribuição previdenciária nos termos da alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, além dos demais cursos denominados pela Lei como sendo de nível básico, inclusive os de educação profissional, desde que atendidos os demais requisitos da Lei. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.928046/2009-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2004
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 46 /2 00 9- 27 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 205 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.270, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 16940.32619.070705.1.3.042912. Da síntese dos fatos Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 206 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 42 a 50), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 16940.32619.070705.1.3.042912), na data de 07/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de COFINS 58561, referente à competência de jun 05, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 15/01/2004, no valor de R$ 8.875,70 (código de receita: 6912). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 9, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 10, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 11 a 13, tempestivamente, conforme fls. 41, com a juntada de documentos de fls. 14 a 40, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/4º trimestre (dez). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 17.598,72, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 8.723,02. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 Ementa: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 207 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 139/2012" (efl. 51) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 52), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 53 a 200). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 208 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 209 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 06.01.2014 (efl. 202), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 210 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 211 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 212 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS 58561, competência jun05, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 213 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 214 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 215 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 216 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/12/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/12/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 217 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 218 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.928046/200927 Acórdão n.º 3001000.477 S3C0T1 Fl. 219 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912270/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 70 /2 01 2- 74 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912270/201274 Acórdão n.º 3201003.798 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.643, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912270/201274 Acórdão n.º 3201003.798 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912270/201274 Acórdão n.º 3201003.798 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912270/201274 Acórdão n.º 3201003.798 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920375/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo (relator), André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo (relator), André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo (relator), André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 20 37 5/ 20 09 -2 0 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 3 2 O Contribuinte, na data de 24/07/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 21098.18194.240709.1.3.048628 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 36.847,22 do período de apuração 06/2008, acrescido de multa e juros moratórios (total R$ 48.524,10), com crédito, também, de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 01/2008, na data de 19/02/2008. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 23/10/2009 (Fls. 7), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de COFINS do mês 01/2008. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 9), requerendo a revisão do Despacho Decisório nos seguintes termos: CONFORME PODE SER VERIFICADO NA DCTF RETIFICADORA ENTREGUE EM 30/07/2009 N° RECIBO 06.27.35.38.9764 REFERENTE JANEIRO/2008 (fls. 20/21) 0 VALOR DE DÉBITO DE COFINS DEVIDO NO MÊS FOI DE R$ 59.787,14 E EXISTEM 3 PAGAMENTOS CUJO VALOR DOS DARF'S SÃO R$ 950,28 (n° pgto. 44260236413) R$ 2.173,23 (n° pgto. 44260236510) / R$ 98.372,50 (n° pgto. 44260236715) TOTALIZANDO R$ 101.496,01. VALOR TOTAL PAGO DO DÉBITO = R$ 59.787,14. PORTANTO, VALOR PAGO A MAIOR DE R$ 41.708,87. ESTE VALOR ATUALIZADO EM 16,34% NA DATA DE TRANSMISSÃO DA PER/DCOMP (24/07/2009) FOI PARA 48.524,10 QUE ORA FOI COMPENSADO NO MÊS JUNHO/2008 (ver fl.5 Dcomp 21.098.18194.240709.1.3.048628 e fl.21 DTCF JUNHO/2008 ENTREGUE 30/07/2009). SOLICITAMOS, PORTANTO, QUE SEJAM CONSIDERADOS OS PAGAMENTOS DE R$ 950,28 E R$ 2.173,23 ALÉM DOS R$ 98.372,50 PARA VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR E POSTERIOR COMPENSAÇÃO. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade sintetizando seus fundamentos na ementa assim elaborada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008 RESTITUIÇÃO. VALORES INDICADOS NO PER/DCOMP Deixase de homologar a compensação quando o valor do recolhimento havido por maior que o devido não foi inserido no PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.90) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que houve mudança em 2008 da sistemática de apuração e recolhimento da COFINS, de cumulativo em 2007 para não cumulativo em 2008. Devido a essa mudança, ocorreu erro na forma de apuração da COFINS, com recolhimento de valor a maior que o devido, mas, devidamente corrigido com a apresentação de DCTF’s retificadoras do período de janeiro a junho de 2008. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica da PER/DCOMP nº 21098.18194.240709.1.3.048628, com data de 24 de julho de 2009, a compensação de débito de COFINS do período 06/2007, com crédito de COFINS do período 01/2008 em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF. Discordando do Despacho Decisório que foi desfavorável ao seu pedido, aborda o fato de ter transmitido DCTF retificadora referente ao período 1º Semestre de 2008 na data de 30/07/2009 e que esta declaração não foi levada em consideração na análise de seu pleito. A DRJ/RPO (4ª Turma) negou provimento a Manifestação de Inconformidade aduzindo que: “Analisando a controvérsia do direito creditório, verificase de plano que a autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada. Isso porque, conforme está claro no despacho decisório, existe um débito, confessado pela própria contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em valor pelo menos igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição”. Em grau de recurso voluntário a contribuinte insiste no direito ao crédito pleiteado, que as provas carreadas aos autos demonstram plenamente que houve um pagamento a maior que o devido. De forma inversa não foram consideradas quando da emissão do despacho decisório e também, não reconhecidas pela autoridade julgadora de primeiro grau. Tratase efetivamente da apresentação de DCTF retificadora transmitida na data de 30/07/2009, quando o despacho decisório fora elaborado com data de 30/10/2009, além de, também, estar amparada em seus registros contábeis. A evidência que se extrai das declarações da Recorrente carreadas aos autos, confrontadas com os fundamentos contidos no Despacho Decisório e literalmente convalidadas pela decisão de primeiro grau, é de que o fisco se valeu apenas da DCTF original, desconsiderando totalmente a DCTF retificadora. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 5 4 Se a DCTF retificadora por si só não é elemento suficientemente capaz de aferir liquidez e certeza ao crédito pleiteado, mas somado aos demais elementos de provas trazidos ao processo, constituem não só mero valor indicativo, mas demonstram falhas no sistema que no momento oportuno não se atentou para a existência de novos valores da COFINS para o período envolvido, janeiro de 2008. A 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, já firmou entendimento ao confirmar decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. De outro norte vem o acórdão nº 3201003.071, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Sessão de 27/07/2017, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 6 5 À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 7 6 Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Voto Vencedor Conselheiro Redator Marcos Roberto da Silva Como se depreende do Relatório, tratase de PER/DCOMP acima identificada, transmitida em 24/07/2009, na qual a recorrente declarou débitos de COFINS com créditos, também de COFINS, recolhidos a maior que o devido em DARF. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.920375/200920 Resolução nº 3401001.391 S3C4T1 Fl. 8 7 O despacho decisório da DERAT/SP de 23/10/2009 indeferiu o pedido afirmando que o respectivo DARF já havia sido integralmente utilizado para extinguir débitos da recorrente. Entretanto, a recorrente alega ter havido uma DCTF Retificadora entregue em 30/07/2009, ou seja, depois da transmissão da PER/DCOMP, porém antes da emissão do despacho decisório. Diante dos fatos acima relatados, em especial a identificação de DCTF Retificadora transmitida com data anterior a emissão do Despacho Decisório, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores dos débitos de COFINS constantes da DCTF Retificadora referente à Janeiro/2008, entregue em 30/07/2009, recibo número 06.27.35.38.97 64 correspondem aos efetivos valores de COFINS devidos nesta competência. Confrontar os débitos de COFINS confirmados no item 1 com os pagamentos efetuados em DARF na competência Janeiro/2008 referente a COFINS. Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 21098.18194.240709.1.3.048628. Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 169DF CARF MF
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