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Numero do processo: 10983.912108/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 08 /2 00 9- 21 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912108/200921 Acórdão n.º 1102000.547 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – código 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912108/200921 Acórdão n.º 1102000.547 S1C1T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912108/200921 Acórdão n.º 1102000.547 S1C1T2 Fl. 5 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912108/200921 Acórdão n.º 1102000.547 S1C1T2 Fl. 6 5 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 19706.000079/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO
TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação
dada pela lei nº 9.711/98, configura-se
como hipótese legal de substituição
tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável
tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando
diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha
arrecadado em desacordo com a lei.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam
sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de
Liquidação e de Custódia - SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91,
e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO.
Os relatórios de Co-Responsáveis
e de Vínculos são partes integrantes dos
processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer
quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período
do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-001.656
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento
ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriana Sato
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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Empresas em geral Recorrente TELEVISÃO MORENA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 495 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 29/03/2006, cuja ciência do recorrente ocorreu em 03/404/22006. De acordo com o relatório Fiscal de fls.73 e seguintes, constituem os fatos geradores da presente NFLD: Lev R11: Retenção NF Ari Domingos da Silva: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão obra da empresa Ari Domingos da Silva, CNPJ 00.916.036/000110 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como reforma/ pintura de edificações/ abertura de valas/ etc. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 09/1999 a 11/2004, estão sujeitos A. retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R12: Ret. Canadá Serviços Empresariais: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Canadá Serviços Empresariais — CNPJ 37.550.928/0001/ 50 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor da nota fiscal de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Na nota fiscal consta a informação da cessão de mãodeobra para realização de serviços temporários (conservação ). Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R13: Ret. NF Jacqueline B. Gonçalves: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Jacqueline B. Gonçalves ME , CNPJ 02.464.743/00148 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de Segurança e Vigilância em eventos produzidos pela empresa contratante. Os serviços de segurança executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 0• 5/2001 a 12/2001, estão sujeitos a retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R14: Ret. NF EMBRASHOW: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa EMBRASHOW Prod. Prom. e Representação – CNPJ 0253.495.891/000241 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei e. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação do conjunto Fat. Family. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 03/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R16: Ret. NF ICOM A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa ICOM Imagens e Comunicação LTDA CNPJ 00.422.859/000199 e deixou de reter e recolher dimportância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98. Foram executados serviços de realização de shows e eventos conforme discriminado no anexo 16. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 02/1999 a 04/2000, estão sujeitos à retenção de 11%. Lev R17: Ret. NF Josimar Promoções. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Josimar promoções artísticas LTDA CNN 01.092.550/000140 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de shows e eventos conforme discriminado no anexo 17. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 04/2004 e 12/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R18: Ret. NF Luiz Batista. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Luiz Dias Batista — CNPJ 01.595.433.0001/08 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como instalações hidráulicas/ Elétricas, reforma/ de edificações/ etc. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 02/1999 a 09/2003, estão sujeitos a. retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R19: Ret. NF Luart . A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Luart Prod. e eventos CNPJ 01.518.209/000104 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 496 5 conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação da Cantora Sandra de Sá. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 11/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referese tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R20: Ret. NF OPEC A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa OPEC — Organização, promoção de eventos e congresso LTDA CNPJ 02.175.267000145 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de eventos conforme discriminado no anexo 20. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 11/2004 A 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%.Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços prestados. Lev R21: Ret. NF ENOKADI A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa INST. ENOKADI Org. Plan. De Proj. Sociais – CNPJ 03.112.560/000126 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de produção, coordenação do evento — Concurso Beleza MS2004, conforme discriminado no anexo 21. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 11/2004 A 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços prestados. Lev R23: Ret. NF Projeto 2001 A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Projeto 2001 Com. e Prestação Serviços — CNPJ 05.274.546/000154 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil Reforma e Manutenção da Praça Ary Coelho em Campo Grande/MS, com fornecimento de material pela contratante. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 08/2003, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R24: Ret. NF R.A. Brandão. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa R.A. Brandão Produções Artísticas CNPJ 05.772.756/0001 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 72 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°.9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação da Cantora Sandra de SA. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 11/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referese tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R26: Ret. NF UNIMED A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Unimed Cuiabá CNPJ 03.533.726/000188 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços médicos intermediados por cooperativa de trabalhos médicos. Os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, realizados no período de 01/2000 a 02/2000, estão sujeitos à retenção de 11%, Lev R 27: Ret. NF JM AMORINI ME. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa JM AMORIM —ME — CNPJ 04. 167.387/000126 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como instalações Elétricas. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 01/2003 a 06/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R28: Ret. NF MEGA SEGURANÇA LTDA . A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Mega Segurança LTDA — CNPJ 04. 951. 122/000114 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de Segurança e Vigilância em eventos produzidos pela empresa contratante. Os serviços de segurança executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 05/2002 a 04/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos ,referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R31: Ret. Cardoso e Cardoso. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Cardoso e Cardoso Ltda. CNPJ 03.953.111/000100 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços médicos. Os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, realizados no período de 01/2003 a 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 497 7 A Recorrente apresentou impugnação juntada às fls.121/352, juntando documentos que não foram apresentados a fiscalização, e, alegando em síntese: ilegitimidade dos co responsáveis; decadência; inexigência da retenção de 11% pelos seguintes motivos: ARI DOMINGOS BATISTA E LUIZ BATISTA: Tratamse de serviços de pintura e reparos realizados por empreitadas prestadas pessoalmente pelos sócios das empresas, que sequer possuem funcionários (Docs. 05/07) e, além disso, alguns deles não atingem o limite mínimo estabelecido pelo INSS para recolhimento em documento de arrecadação, hipóteses em que a IMPUGNANTE fica dispensada de efetuar a retenção de 11%, conforme estabelecido pelo art. 157 da referida IN; CANADÁ SERVIÇOS EMPRESARIAIS: se tratam de serviços de conservação, mas, sim, de serviços realizados por um Orgão Gestor de mãodeobra (Doc. 05), por conseguinte, não estava a IMPUGNANTE obrigada a realizar a respectiva retenção de acordo com o artigo 185 da IN 100/2003. ICOM IMAGENS E COMUNICAÇÃO: Os serviços prestados pela ICOM — Imagens e Comunicação Ltda. consistem em assessoria organizacional, planejamento administrativo e financeiro, incluindo a elaboração da estrutura logística de eventos (Docs. 09111), além de assessoria empresarial administrativa e financeira perante a Rede Globo (Docs.12/13). Para que não restem dúvidas a esse respeito, a IMPUGNANTE apresenta os respectivos Contratos de Prestação de Serviços. Logo, tratamse de serviços prestados mediante empreitada e não mediante cessão de mãodeobra, tendo em vista que não são continuos e os empregados da contratada não são colocados à disposição da IMPUGNANTE. EMBRASHOW PRODUÇÕES, PROMOÇÕES E REPRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS S/C LTDA., JOSIMAR PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA. ENOKADI, LUART PRODUÇÕES E EVENTOS e R.A. BRANDÃO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS: conforme contrato (Doc. 14), os serviços prestados pela empresa EMBRASHOW consistem na apresentação de dois shows com o conjunto "FAT FAMILY", com datas e duração estabelecidas no contrato (cláusula 1), sendo os pagamentos da equipe de trabalho da contratada de responsabilidade do artista e desta contratada (cláusula 6). Da mesma forma, os serviços prestados pela empresa JOSIMAR PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA (Docs. 15) consistem na organização de toda a estrutura para o evento denominado "SHOW DE VERÃO", com data única fixada no contrato (cláusula 1). Os serviços prestados pela empresa ENOKADI (Doc. 16), referemse à prestação de serviços de seleção e direção artística de candidatas para o evento denominado "BELEZA MS", com data única fixada no contrato (cláusula 1). Já os serviços prestados pelas empresas LUART PRODUÇÕES E EVENTOS e R.A. BRANDÃO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS (Docs. 17) dizem respeito à realização de show da cantora Sandra de Sá, com datas préestabelecidas (cláusula 1.1). A cessão de mãodeobra envolve interesse da contratante nos empregados da empresa prestadora do serviço (a terceirização da mãodeobra), enquanto a empreitada pressupõe interesse, única e tão somente, no serviço concluído, ou seja, há um fim contratualmente estabelecido. Desta forma, resta comprovado que os serviços examinados neste tópico também são serviços prestados mediante empreitada e não cessão de mãodeobra, tendo em vista que não são continuos e os empregados da contratada não são colocados à disposição da IMPUGNANTE. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 CARDOSO & CARDOSO: trataremse de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada que estão dispensados da retenção, conforme art. 157, da IN INSS 100/03. JACQUELINE B. GONÇALVES, MEGA SEGURANÇA LTDA., OPEC ORGANIZAÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS E CONGRESSO LTDA., UNIMED CUIABÁ Projeto 2001 COM. e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA. E JM AMORIM ME.: Tendo em vista que a retenção previdenciária constitui uma obrigação acessória, a suposta falta desse procedimento pela IMPUGNANTE ensejaria, apenas e tãosomente, a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória e jamais a cobrança da Contribuição Previdenciária devidamente paga pelas prestadoras de serviço. da impossibilidade de se utilizar a selic como taxa de juros moratórios; Após a apresentação da impugnação com documentos, o Setor de Contencioso administrativo retornou os autos à fiscalização para manifestarse sobre os documentos juntados. Ás fls.356/361 consta uma informação fiscal, onde o fiscal apresenta uma planilha com suas sugestões de exclusão dos levantamentos R14, R16, R17, R19, R20, R21, R23 e R24 e das competências 06/99 e 01/2003 do levantamento R18. Após a informação fiscal, o processo foi encaminhado ao auditor fiscal que realização a fiscalização para se pronunciar. Ás fls.372/379 o Auditor Fiscal apresentou sua informação fiscal no sentido de excluir os levantamentos R19, R21 e as competências 06/99 e 01/2003 do levantamento R18. A Recorrente foi cientificada da segunda informação fiscal e apresentou manifestação. Após a manifestação sobre a informação fiscal a recorrente interpôs uma petição pleiteando a aplicação da Súmula Vinculante n° 8, no que tange a decadência das contribuições anteriores a 29/03/2001. A 4ª Turma da DRFBJ julgou o lançamento procedente em parte, para excluir do lançamento: Lev . R 11 — Ret. NF Ari Domingos da Silva — período de 09/1999 a 11/00 e 13/2000; Lev. R14 Ret. NF EMBRASHOW — período de 05/2003; Lev. R16 Ret. NF ICOM — período de 02/1999 a 04/2000; Lev. R17 Ret. NF Josimar Promoções — período de 04/2004 a 12/2004; Lev. R 18— Ret. NF Luiz Batista — período de 02/1999 a 01/2003; Lev. R19 Ret. NF Luart — período de 11/2004; Lev. R 21 Ret. NF ENOKADI — período de 06/2004; Lev. R24 Ret. NF R. A. Brandão — período de 12/2004; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 498 9 Lev. R26 Ret. NF UNIMED CUIABÁ — período de 01/2000 a 02/2000; Lev. R31 Ret. Cardoso & Cardoso Ltda. — no período de 01/2003 a 07/2005. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: exclusão dos sócios da NFLD; ARI DOMINGOS DA SILVA ME – Lev. R 11: se referem a serviços de pintura e reparos realizados por empreitada e pelo próprio sócio. LUIZ DIAS BATISTA – Lev R18: os valores não atingiram o limite mínimo do documento de arrecadação, os serviços prestados foram de manutenção e prestados pelo próprio sócio; Lev. R13, R20, R23, R27 e R28: a NFLD atribuiu, de forma indiscriminada, responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, que foram devidamente recolhidas; taxa selic sem previsão legal. Após o recurso voluntário a Recorrente interpôs uma petição requerendo o conhecimento da mesma como aditamento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas no Recurso Voluntário, não sendo matéria de análise o aditamento ao recurso voluntário. O período de autuação dos gestores está claramente delimitado na CORESP – RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS, que acompanha a notificação. Tal relação de coresponsáveis, anexadas aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os dirigentes no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A NFLD foi lavrada somente contra a pessoa jurídica e no momento, não se fala em coresponsabilidade pelo crédito constituído. Tratase apenas de uma informação que poderá ser utilizada futuramente pela própria Administração ou pelo Judiciário, nos limites impostos pela lei . Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para o pagamento do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração e servem para relacionar todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 499 11 No que tange ao levantamento R11 (Ari Domingos Silva), os documentos apresentados não comprovaram em todas as competências que a empresa contratada não possuiu empregados e que o faturamento no mês anterior foi inferior a duas vezes o limite máximo da salário de contribuição. No mais, a retenção estava acima do limite em todas as NF levantadas, e, sendo empreitada ou cessão de mãodeobra, o serviço de construção civil estará sujeito a retenção, não assistindo razão a Recorrente. Quanto as competências mantidas do levantamento R18, melhor sorte também não assiste a Recorrente haja vista que não houve a comprovação, em todas as competências de que o trabalho foi executado pelo sócio da empresa contratada e que o faturamento no mês anterior foi inferior a duas vezes o limite máximo da salário de contribuição. No mais, a retenção estava acima do limite em todas as NF levantadas, e, sendo empreitada ou cessão de mãodeobra, o serviço de construção civil estará sujeito a retenção. No que tange aos levantamentos R13 (Jacqueline B. Gonçalves Me – serviços de segurança e vigilância), R20 (Opec – eventos), R23 (Projeto 2001 construção civil/ conserto e manutenção de praça), R27 (JM Amorim construção civil/ elétrica), R28 (Mega Segurança – segurança e vigilância) os mesmos também devem ser mantidos haja vista que nestes tipos de prestação de serviço, a retenção se presume feita, ficando a empresa contratante diretamente responsável pela importância que deixou de arrecadar, conforme disposto no § 5° do art. 33 da Lei n°8.212/91. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003152/2004-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO.
Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins,
o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a
de crédito escritural do imposto Estadual.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC.
Face a expressa determinação legal, é inadmissível a atualização monetária
dos valores ressarcidos da Cofins Não-Cumulativa, devendo o ressarcimento
de tais créditos se dar pelo valor nominal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento parcial ao recurso no sentido de excluir, na apuração do ressarcimento, a incidência da contribuição PIS sobre a cessão de créditos do ICMS. Pelo voto de qualidade negar provimento a correção, pela Selic, do valor ressarcido. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento ao recurso em relação a correção pela taxa Selic a partir da ciência do Despacho Decisório da DRF de origem. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Face a expressa determinação legal, é inadmissível a atualização monetária dos valores ressarcidos da Cofins NãoCumulativa, devendo o ressarcimento de tais créditos se dar pelo valor nominal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso no sentido de excluir, na apuração do ressarcimento, a incidência da contribuição PIS sobre a cessão de créditos do ICMS. Pelo voto de qualidade negar provimento a correção, pela Selic, do valor ressarcido. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento ao recurso em relação a correção pela taxa Selic a partir da ciência do Despacho Decisório da DRF de origem. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 20/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 380101.041 S3TE01 Fl. 289 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de créditos, relativo ao saldo credor de COFINS não cumulativa, que constam em declarações de compensação. O interessado discorda da glosa parcial, oriunda da tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegando que a fiscalização não teria apontado o dispositivo legal infringido ao identificar estas receitas não submetidas à tributação, o que acarretaria na nulidade da decisão em comento, pois tal procedimento equivaleria à formalização de um lançamento, o que tornaria obrigatória a expressa indicação do dispositivo legal infringido. Argumenta, ainda, que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, e se tratariam de mero ingresso, recuperação de despesa/custo, decorrente da sistemática de apuração deste imposto. Finalmente, o interessado pleiteia, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, dos créditos em questão, desde a data da sua constituição até o efetivo ressarcimento. Isso posto, requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade, com o reconhecimento da nulidade da decisão combatida e do direito a todo o crédito pleiteado, sem as glosas impugnadas, corrigido monetariamente. Após a apresentação da manifestação de inconformidade, foi acrescentado a este processo o pedido de fl. 221, cujo valor foi integralmente ressarcido, conforme se verifica pela cópia de tela do sistema SIAFI anexada na fl. 232”. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência de alienação de direitos classificados no ativo circulante. A matéria que não for expressamente contestada, tornase definitiva na esfera administrativa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Solicitação Indeferida”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 240 a 258, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Por fim REQUER: Por todo o exposto, a Recorrente requer seja dado provimento a este recurso para o fim de: a) reconhecer o direito ao crédito pleiteado, sem a necessidade de incluir na formação da base de cálculo da COFINS devida, o montante do saldo credor do ICMS transferido a terceiros, seus fornecedores, para pagamento de insumos utilizados no processo de industrialização; e, b) determinar que o montante de seus créditos a serem ressarcidos, inclusive os já reconhecidos, seja atualizado com a aplicação da Taxa SELIC, desde a data de protocolização dos pedidos de ressarcimento até a data em que ditos montantes se tornarem disponíveis para a Requerente. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 380101.041 S3TE01 Fl. 290 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, a interessada requereu o ressarcimento da COFINS NãoCumulativa, referente ao trimestre abriljunho/2004, no valor de RS 2.830.421,09, sendo reconhecido pela DRF/Novo Hamburgo (Despacho Decisório DRF/NHO/2005) o valor de R$ 2.512.864,30 (glosa de R$ 317.556,79), conseqüentemente a compensação foi homologada até o limite do referido crédito. Inconformada com a decisão exarada no Acórdão nº 1013.113, da 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre, que indeferiu a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório DRF/NHO, fls. 159, apresentou o recurso voluntário, objetivando a reforma do referido acórdão, para que seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado, sem a necessidade de incluir na formação da base de cálculo da COFINS devida o montante do saldo credor do ICMS transferido a terceiros e que os créditos sejam atualizados com a aplicação da Taxa SELIC, desde a data de protocolização dos pedidos. Do exame das peças que compõem o presente processo, constatase que a matéria controversa se refere a (i) receita proveniente da cessão de créditos de ICMS à terceiros, não incluída na apuração da base de cálculo e (ii) atualização dos créditos pela taxa SELIC. No que tange a cessão de créditos do ICMS, cuja “receita” a recorrente não incluiu na base de cálculo da Cofins NãoCumulativa, devese analisar, à luz do art. 1º da Lei nº 10.833/20031, se essa transferência do saldo credor do ICMS se reveste da natureza jurídica de receita, pois só assim é possível a incidência da COFINS. 1 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Sobre a matéria em debate, a autoridade autuante assim se manifestou: “[...] Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que a fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, nos meses de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004, conforme reconhecido pela própria fiscalizada em atendimento ao nosso Termo de Solicitação de informações e Documentos n° 01, de 03/03/2005. A fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito de ICMS. Essa operação equiparase a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e origina receita tributável, devendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. [...] Na cessão de créditos de ICMS, há também a alienação do crédito fiscal, porém de forma separada das mercadorias que o originaram. Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estarseia proporcionando ao contribuinte um benefício sem amparo legal. Ou seja, a incidência do PIS e da COFINS na cessão de créditos de ICMS a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Convém ressaltarmos que tais valores devem compor a base de cálculo das referidas contribuições mesmo na hipótese de não transitarem por conta de resultado, visto que é irrelevante, para fins de apuração do faturamento, a denominação ou classificação contábil das receitas auferidas. [...]” Por seu turno, a recorrente fundamentou sua defesa alegando que, em síntese: “[...] Se os eminentes julgadores tivessem tido a cautela de observar as normas elementares de contabilidade, constatariam, sem maior esforço, que a sistemática de contabilização do ICMS que foi, inclusive, tomada por base pelo legislador, quando adotou a não cumulatividade para a COFINS faz com que os saldos credores apurados pelo contribuinte fiquem consignados em conta do Ativo (ICMS a Recuperar), os quais podem ser VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 380101.041 S3TE01 Fl. 291 7 utilizados para abatimento dos valores do mesmo tributo, apurados como devidos sobre operações próprias, ou transferidos a terceiros em operações de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, que foi o que ocorreu no caso concreto. [...] Por qualquer ângulo que se examine a questão, a conclusão a que se chega é no sentido de que, o montante do ICMS registrado no ativo da Recorrente, utilizado para pagamento a fornecedores, está longe de se constituir em receita, razão pela qual não pode ser mantida a Decisão em comento que, nessa parte, glosou parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos da COFINS. Ora, se a empresa possui um direito de crédito no seu ativo e o utiliza para pagamento de bens que também vão integrar o seu ativo (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), não se pode conceber como correta a pretensão do Fisco no sentido de que essa forma de pagamento deveria ser considerada como receita, para fins de inclusão desse valor na formação da base de cálculo da COFINS. Com todas as vênias, é simplesmente absurda a argumentação da Câmara Julgadora da DRF/POA no sentido de que dita transferência de crédito equiparase a uma verdadeira alienação de direitos a título oneroso e, por isso, deve ser considerado como uma receita, para sofrer a incidência da COFINS. A prevalecer como correto tal entendimento o que a Recorrente espera que não ocorra qualquer valor integrante do ativo do contribuinte que vier a ser utilizado para pagamento de fornecedores, vai acabar sendo considerado como receita e integrar a base de cálculo dessa contribuição. Para avaliar a gravidade do procedimento do Fisco, basta imaginar que, sob tal ótica, caso a empresa tivesse utilizado "duplicatas a receber" para quitar um débito com um seu fornecedor, ela, então, deveria considerar tal valor como receita. Vejam, eminentes Julgadores que, até hoje, em momento algum, pelo que se tem conhecimento, o Fisco teria utilizado tal entendimento para impor aos contribuintes a adoção de procedimento dessa natureza, ainda mais quando, como no presente caso, se pretende instituir um fato gerador sem previsão legal. [...]” (grifos acrescidos) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Para o deslinde da presente contenda, necessário se faz compreender as disposições do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se encontra os contornos do que seria a receita tributável. Neste dispositivo legal está estabelecido que a matéria a ser tributada é a “receita auferida pela pessoa jurídica”, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Portanto, o elemento delimitador da matéria é a condição de “Receita”. Em vista disso, conhecer a natureza jurídica da “cessão de créditos de ICMS a terceiros” e, desse modo, seu regime jurídico, é condição para caracterizála como receita ou não, na acepção do art. 1º da Lei nº 10.833/2003, para fins de tributação da Cofins. Desse modo, há de se questionar se a cessão de créditos a terceiros é uma receita ou se é tão somente um ingresso de recursos que teve origem na recuperação de custo por pagamento de tributo embutido no preço do insumo adquirido. De plano, considerese que o crédito do ICMS, em sua origem, é um incentivo fiscal concedido pelo legislador no sentido de eliminálo na formação do preço da mercadoria exportada, desonerandoo em relação às compras de insumos utilizados em produtos efetivamente exportados, como forma de incentivar às vendas da produção nacional ao exterior. Com esta sistemática, o legislador permitiu a utilização de um crédito mesmo que não haja débito a ser compensado, uma vez que a saída para o exterior não é tributada. Devese ter em mente que o estudo dos fatos jurídicos deve ser norteado pelas normas jurídicas e, a partir de então, estabelecer sua natureza. No caso em comento, é indubitável que se trata de saldo credor escritural de ICMS, sendo esta a sua natureza, cujo regime jurídico a reger sua utilização é àquele disposto na Lei Complementar nº 87/96 e às diversas leis estaduais que tratam do referido imposto. Lei Complementar nº 87, de 13 /09 /1996: Art. 24. A legislação tributária estadual disporá sobre o período de apuração do imposto. As obrigações consideramse vencidas na data em que termina o período de apuração e são liquidadas por compensação ou mediante pagamento em dinheiro como disposto neste artigo: I as obrigações consideramse liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de período ou períodos anteriores, se for o caso; II se o montante dos débitos do período superar o dos créditos, a diferença será liquidada dentro do prazo fixado pelo Estado; III se o montante dos créditos superar os dos débitos, a diferença será transportada para o período seguinte. Art. 25. Para efeito de aplicação do art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento do sujeito passivo. Para este mesmo efeito, a lei estadual poderá determinar que se leve em conta o conjunto dos débitos e créditos de todos os estabelecimentos do sujeito passivo no Estado. § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 380101.041 S3TE01 Fl. 292 9 representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, prevenir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado. O fato é que o crédito acumulado de ICMS gerado por um contribuinte, na compreensão do art. 1º da Lei nº 10.833/2003, não é receita e nem pode ser a ela equiparado, pois possui natureza jurídica diversa. Nessa direção é a posição da CSRF no acórdão nº 02/03783 2ª Turma, de 11 de fevereiro de 2009, abaixo colacionado: “CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita”. Por derradeiro, resta analisar a questão relativa à aplicação da taxa Selic ao crédito pleiteado. Quanto à alegada incidência da Selic sobre a parte deferida, cabe rejeitála, por expressa disposição legal. É que e o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente, na hipótese de ressarcimento da Cofins NãoCumulativa, qualquer “atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. A vedação também se aplica ao Pis/Pasep Não Cumulativo, conforme inciso VI do art. 15 da mesma Lei. Assim, diante de expressa determinação legal, é inadmissível a aplicação de correção monetária aos créditos não aproveitados na escrita fiscal, por insuficiência de débitos no respectivo período de apuração, devendo o ressarcimento de tais créditos se dar pelo valor nominal. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, excluindo da base de cálculo da Cofins NãoCumulativa a receita proveniente da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Quanto a correção, pela Selic, do valor ressarcido, nego provimento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 380101.041 S3TE01 Fl. 293 11 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Em que pese o excelente voto apresentado pelo Ilustre Relator, dele divirjo quanto à correção pela taxa SELIC dos valores restituídos. Entendo que, ante o disposto no artigo 13 da Lei nº 10.833/2003, embora não seja prevista a correção monetária de créditos de COFINS nãocumulativa, dois motivos autorizam a correção, o um: o STJ possui jurisprudência reiterada de que tal correção será devida sempre que a sua utilização for indevidamente obstada pela entidade fiscal (REsp 1.034.398/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 22.4.2008; REsp 1.019.047/SC, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 24.4.2008; EREsp 430.498/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 7.4.2008; REsp 891.367/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 22.2.2007); o dois: pelo teor do artigo legal tenho que essa correção não se opera somente até a opção do contribuinte em restituir tais valores por conta das normas gerais de contabilidade. Assim expressa o artigo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, o artigo diz que o aproveitamentos dos créditos não ensejará atualização monetária, quer por meio de restituição, quer compensação. Em termos contábeis o aproveitamento de um crédito escritural (que nada tem a ver com o crédito tributário) dáse pelo seu valor nominal em respeito ao Princípio do Registro pelo Valor Original que determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional. Corresponde esse, ao valor nominal lançado na contabilidade e insusceptível de correção. Mas quando há a opção de aproveitamento desse crédito não há sentido em negar lhe a correção. O aproveitamento do crédito deixa de ser escritural quando o aproveitamento não é realizado por conta de mera operação contábil, opção do contribuinte. É importante distinguir duas situações: a) aquela em que o aproveitamento do crédito não se deu imediatamente por opção ou por impossibilidade imputável ao próprio contribuinte; e b) aquela em que o contribuinte esteve impedido de efetuar o aproveitamento por oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, considerado ilegítimo. Quanto a segunda questão é preciso reconhecer o direito do contribuinte a corrigir seus créditos escriturais, e isto não apenas em homenagem ao princípio da proibição do locupletamento sem causa (ou com base em causa ilegítima), como também por ser forma de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade, ou seja, feita a opção efetiva de compensar o crédito a contribuinte Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 A atualização monetária é devida porque não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria e isso não está previsto no texto do artigo 13, supracitado. O caso presente deve ser visto com esse enfoque porquanto também aqui o aproveitamento dos créditos não foi permitido pelo Fisco, obrigando o contribuinte a demandar o reconhecimento do seu direito, como fez essa turma. Não teria sentido, nessas circunstâncias, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarretou sobre o valor real do seu crédito escritural. Assim, deveria ser autorizado o cômputo da correção monetária do valor do crédito escritural durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão administrativa, que afasta o referido óbice. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Conselheiro Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado dig italmente em 23/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10925.000023/2009-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE NOTIFICAÇÃO A TODAS AS PARTES.
No Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas de todos os atos praticados, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Anulada a Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2803-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, que seja dada ciência da autuação fiscal aos demais integrantes do grupo econômico e após, dar prosseguimento ao processo administrativo fiscal com prolatação de nova decisão de primeiro grau.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, que seja dada ciência da autuação fiscal aos demais integrantes do grupo econômico e após, dar prosseguimento ao processo administrativo fiscal com prolatação de nova decisão de primeiro grau. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE NOTIFICAÇÃO A TODAS AS PARTES. No Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas de todos os atos praticados, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, que seja dada ciência da autuação fiscal aos demais integrantes do grupo econômico e após, dar prosseguimento ao processo administrativo fiscal com prolatação de nova decisão de primeiro grau. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 23 /2 00 9- 92 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 494 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 495 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela J.S. MÁQUINAS LTDA. ME em face da decisão que julgou parcialmente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 59/72), os valores lançados referemse à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, e, ainda, cota patronal incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais. 3. A constituição do presente crédito visa prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa, enquanto não julgados os atos excludentes e, por tratarse, em tese, de fraude, foi lançado o período de 01/2003 a 12/2007, conforme o art. 149, VII, e 150, § 4º, do CTN. 4. A fiscalização considerou que a autuada faz parte de um grupo de empresas denominado GRUPO INDUGEL, composto pelas empresas INDUGEL INDUSTRIAL LTDA; J.J. MÁQUINAS LTDA ME E K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. 5. Pelo que consta do relatório, durante visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social (GFIP), informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo descrição “GRUPO IDUGEL”. Foram observados também na recepção do estabelecimento, do fiscalizado, “banners”, quadros com foto estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. 6. Ademais, verificase que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, pela ocorrência, em tese, de prática de crime e foi efetuada Representação Fiscal para exclusão do SIMPLES. 7. O auditor fiscal concluiu da seguinte forma: “Embora a empresa tenha feito opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, foram constatadas várias irregularidades em suas atividades que a impediriam de optar pelo regime. Tal fato baseiase na constatação feita por este fisco de que o contribuinte atua basicamente como empresa de cessão de mãodeobra, ou seja, embora declare como ramo de atividade "FABRICAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS PARA MOINHOS, SILOS E CEREALISTAS", ela na prática cede mão Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 496 4 deobra para outra indústria do mesmo "grupo" e ramo de atividade IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, J.S. e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Outro fato caracterizador é que os sócios gerentes da empresa tomadora de mãodeobra IDUGEL INDUSTRIAL LTDA , na pessoa do Sr. José Schazmann e da Sra. Silvaria Marques Schazmann, são também responsáveis, por procuração, pela administração da J.S. e de uma terceira empresa KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA — ambas, conforme contrato social, com sóciosgerentes distintos. Em anexo cópia de procurações e de outros documentos (fls. 91 a 112). Também, verificase pelos documentos anexos que as três empresas compõem um grupo, denominado "GRUPO IDUGEL". 8. Na mesma ação fiscal, em razão das faltas cometidas pelo contribuinte, foram lavrados os seguintes autos de infração (fl. 71): “12.1 AI DEBCAD 37.129.2255 por deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil — RFB, configurandose em infração ao disposto no artigo 32, inciso I, da Lei 8.212191, combinado com o artigo 225, inciso I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048199; 12.2 AI DEBCAD 37.129.2263 por apresentar livro "diário e razão" dos exercícios de 2002 a 2007 contendo informação diversa da realidade ou que omite informação verdadeira, caracterizado por escrituração contábil irregular e que não atende a legislação comercial em vigor, configurandose em infração ao disposto na Lei n° 8.212191, artigo 33, parágrafo 3°, combinado com o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048199.” 9. O acórdão (fl. 421) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais. EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES. DECADÊNCIA. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 497 5 Devese lavrar o competente AutodeInfração para prevenir a decadência, tendo sua exigibilidade suspensa, enquanto não definitivamente julgado o ato excludente. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O AutodeInfração devidamente motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa, é ato administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, sendo descabida a arguição de nulidade do feito. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA EM PARTE. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplica se a regra geral disposta no art. 173, I, do CTN. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; e os depoimentos deveriam ter sido apresentados sob forma de declaração escrita, juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. Dada a existência de determinação legal expressa, as intimações são endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 10. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário ratificando os argumentos expostos em sede de impugnação: “a) Preâmbulo. Por interpretação do agente fiscal, foi excluída do regime simplificado de tributação e autuada no valor correspondente aos tributos (impostos e contribuições) apurados com base no regime de tributação normal. Do ato de exclusão, foram apresentadas Defesas, que ainda tramitam, e foi surpreendida com a emissão de Autos de Infrações. Não há como Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 498 6 admitir qualquer validade ao AI em comento, conforme fundamentos a seguir; b) 1. Da exclusão do SIMPLES. Referese a ato de exclusão do regime simplificado de tributação de que trata a Lei n° 9.317/96. Retroagiu seus efeitos a partir de 01.01.2003; c) 1.1 Dos fatos. O grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si, seus filhos e netos, explora o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais. Com a evolução do negócio e por interesse familiar, optaram pela separação das atividades e com o fracionamento da cadeia produtiva. A empresa Idugel (José Schazmann e esposa) é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a KF Montagens e JS Máquinas). JS Máquinas (mãe e irmã de José Schazmann), ora Requerente, é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente). KF (Karine e Felipe, filhos de José Schazmann) é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, JS e outras empresas participantes da cadeia produtiva. Não há nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como a terceirização de atividades como no caso não se traduz em cessão de mãodeobra. A legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas pelas empresas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação; d) 1.2. Delimitação Temporal da Exclusão. Ilegalidade do Ato. O ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/01/2003), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Cita o Parecer Sacat, que trata apenas de exclusão do Simples Nacional. Portanto, é ilegal a extensão para período posterior a 30.06.2007; e) 1.3. Da Incompatibilidade das, Excludentes. São incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, como leva a crer na fundamentação. Ou seja, ou elas existem e daí há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mãode obra no relacionamento, ou inexiste a empresa JS, por vício de formação, que, repitase não é o caso em tela. Desta forma, caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 499 7 exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da requerente, na forma do art. 59 do Decreto 70.235/72; f) 1.4. Prazo para Anular Constituição Empresarial. Decadência. A empresa JS é constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. O art. 45, parágrafo único, do Código Civil, prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas. Portanto, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação; g) 1.5. Prova de Fato. Efeitos. Ilegalidade na Retroatividade. As situações fáticas apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há como se alterar posteriormente. O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fático probatória; h) 1.6. Tributação Retroativa com Efeito Confiscatório. A cobrança retroativa dos tributos tem efeito confiscatório, sob o aspecto da capacidade contributiva. Ato Declaratório excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. A Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal; i) 1.7. Impossibilidade de Aplicação de Sanção Administrativa ao Contribuinte. O ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 500 8 majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime; j) 1.8. Falta de Amparo Legal à Autuação Fiscal. A atuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN. Entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal; k) 1.9. Inexistência de Locação de MãodeObra. Locação/Cessão de Mão de Obra x Empreitada. Em que pese à semelhança dos institutos da locação/cessão de mãodeobra e da empreitada, não podem ser confundidos. No conceito de cessão de mãodeobra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mãodeobra. No conceito de empreitada, o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa. Portanto, apesar do serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso Idugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Assim, não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação; 1) 1.10. Inexistência de Interpostas Pessoas. Sócios Verdadeiros. Não há qualquer demonstração de não serem as sócias Elita e Cláudia as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas à Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1.018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. As sócias tem legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela empresa, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficientes a mantêlas; m) 1.11. Falta de Amparo Legal à Exclusão do Simples. Não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação; n) 1.12. Prova. Período Incompatível. A autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 501 9 01/01/03 a 30/06/07 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, sendo inservíveis para tal. o) 1.13. Endereço. Imóvel Dividido. O local utilizado pelas empresas JS e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme pode ser verificado em planta anexa, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades por blocos "A" e "B";. p) 1.14. Faturamento. Legalidade. KnowHow. A empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schazmann, como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa JS. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Daí o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Também há casos de parceria que a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a JS pelo fornecimento de acessórios. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados; q) 1.15. Contabilidade. Regularidade. A existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da JS perante a IDUGEL. Assim, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão; r) 1.16. Jurisprudência Acerca do Caso. Apresenta julgado do Conselho de Contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 502 10 s) 1.17. Considerações Finais. A interpretação dada pelo agente fiscal inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses; t) 2. Do vício formal do Ato Administrativo. Transcreve parte do art. 142 do CTN (atividade administrativa vinculada e obrigatória); Decreto n° 70.235/92 — art. 10 (sobre autode infração) e art. 11 (sobre notificação de lançamento) e, ainda, art. 293 do Regulamento da Previdência Social (autode infração). Foi emitido autodeinfração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado. Por terem naturezas jurídicas distintas, o autodeinfração e notificação de débito — não há como admitir a utilização de uma no lugar de outra. Emitido sob a forma de autodeinfração é eivado de vícios insanáveis que o torna totalmente imprestável a qualquer finalidade tributária. Não há, como narrado, consignado a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida. Existem apenas os "fundamentos legais das rubricas". No entanto, em se tratando de AI, há que constar a infração e a pena. Há que ser considerado que o montante correspondente à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas. A única hipótese de utilização do valor da própria contribuição para a penalidade é a do art. 284, II, do RPS, que transcreve. Portanto, nulo o presente AI, por não preenchimento dos requisitos legais à sua validade, e cola aos autos decisões do Conselho de Contribuintes; u) 3. Cerceamento de defesa. Há cerceamento de defesa na medida que ainda pendentes intimações fiscais, objeto de impugnações administrativas não decididas. Consta no Relatório Fiscal (itens 4.3 a 4.9) diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte bem como se foram as mesmas tomadas como base de emissão de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Insinua o agente fiscal descumprimento às intimações, o que não é verdadeiro. Requer a nulidade do presente AI; v) 4. Nulidade do Processo Administrativo. Sustenta a autoridade fiscal lançamento de ofício com base no art. 149, VII, do CTN, que prevê que o lançamento deverá se efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa e o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade superior. Por essa razão, há que ser reconhecida a nulidade do presente, por falta de cumprimento de exigência legal; x) 5. Decadência. O prazo decadencial para o Fisco proceder à apuração de diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. Logo o período de 01 a 12/2003 foi atingido pela decadência, na forma do art. 173do CTN, que transcreve, e cola aos autos jurisprudência sobre o tema. Requer a aplicação da decadência às competências anteriores a 01/2004, inclusive; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 503 11 w) 6. Inexistência de fraude. Traz o conceito fiscal de fraude, art. 72 da Lei n° 4.502/64. A fraude só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias. E para a sua configuração é necessária a demonstração do animus de lograr, ou seja, o agente fiscal tem o dever de provar o intuito de fraude pelo contribuinte. No presente caso, não há como admitir a existência de fraude, razão pela qual impossível à manutenção do presente auto, pois ausente a hipótese do art. 149, VII, do CTN; y) 7. In Dúbio Pro Reo. O AI em tela decorre da interpretação do agente fiscal que entendeu haver fraude no planejamento tributário adotado pela Impugnante, entendimento equivocado conforme elementos supra mencionados. Traz o art. 112 do CTN, que é a aplicação do brocardo in dúbio pro reo. O Conselho de Contribuintes é pacífico nesse sentido. Desta forma, devese aplicar referido dispositivo e cancelar totalmente o AI; z) Nulidade do Auto de Infração. Em que pese a expedição de ato sob a modalidade de Auto de Infração, consta como penalidade o valor equivalente ao tributo em questão e assim não poderia ter sido apurada. Recolheu seus tributos sob o regime simplificado e requer o reconhecimento da nulidade do AI bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica; aa) S. Pedido. Diante de todo exposto, requer que seja julgada totalmente procedente a presente impugnação, reconhecendo as nulidades arguidas e, no mérito, reconhecida a improcedência do AI; bb) 9. Provas. Requer a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para a sua oitiva. Requer, ainda, a apresentação de documentos durante a fase de instrução. É o relatório.” 11. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 504 12 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS PRELIMINARES DO PROCEDIMENTO FISCAL 2. A fiscalização entendeu que a autuada faz parte de um grupo de empresas denominada GRUPO INDUGEL, composto pelas seguintes empresas: “IDUGEL INDUSTRIAL LTDA Constituição: 06/02/1995 Objeto Social: Projetos, fabricação, comércio, montagem e manutenção de máquinas e equipamentos industriais Número de Empregados: Média no período fiscalizado: 03 —Atual: 02 Optante pelo SIMPLES até 31/12/2001 J S MÁQUINAS LTDA ME Constituição: 15/01/1997 Objeto Social: Fabricação e comercialização de máquinas, equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas Número de Empregados: Média no período fiscalizado: 20 — Atual: 26 Optante pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME Constituição: 15/10/2003 Objeto Social: Fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos industriais Número de Empregados: Média no período fiscalizado: 18 —Atual: 23 Optante pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 505 13 3. Conforme dispõe o relatório fiscal, diversos fatores levaram a caracterização do grupo, como segue: a) Número de empregados superior à declarada em GFIP; b) Uniforme com identificação GRUPO IDUGEL; c) Banners, quadros com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual; d) Quadros da composição societária das Empresas e demonstrando o grau de parentesco entre as mesmas; e) Mesmo endereço para as três Empresas; f) Exame da Contabilidade das Empresas. Verificase que a IDUGEL é responsável praticamente por toda a atividade industrial, compreendendo a aquisição de insumos, matériaprima, materiais de embalagem, energia e as JS e KF são fornecedoras de mãodeobra. Apresenta quadros elaborados a partir dos balanços patrimoniais e demonstrações de resultado de exercício, demonstrando o faturamento, custos, folha de pagamento e número de empregados por empresa. 4. Além disso, foram identificados diversos pagamentos cruzados entre as componentes do grupo, ou seja, uma empresa efetuando pagamento devido por outra. Bem como, foram realizados vários pagamentos realizados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares, referentes a compromissos assumidos por terceiros. Tais pagamentos tiveram como registro contábil apenas a saída de numerário de contas bancárias e como destino a entrada de caixa, não registrando a realidade ocorrida. 5. Acrescentese que a empresa efetuou pagamentos “extrafolha” aos seus empregados, valores esses além dos que constavam em folha de pagamento. 6. Pelo exposto, a fiscalização demonstrou de fato a existência do grupo. Posto que o grupo é caracterizado pela manutenção das personalidades jurídicas autônomas, e, apenas operacionalmente, é que há a comunhão de recursos materiais e de pessoal. 7. Há caracterização do grupo econômico, conforme art. 2º, parágrafo 2º, do DecretoLei n ° 5.452 (CLT): “§ 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” 8. Desse modo, as empresas sujeitamse à responsabilidade solidária na forma como disposta pelo artigo 30, IX, da Lei n.º 8.212/91, abaixo transcrito: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 506 14 “IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;” 9. Cumpre destacar que, compulsando os autos, verificase que não foram juntados aos autos os termos de sujeição passiva solidária, bem como que a Decisão de primeira instância não foi encaminhada para os contribuintes enquadrados pelo fisco como pertencentes ao mesmo grupo econômico, e, portanto, partes interessadas no processo fiscal. 10. Dessa forma, me posiciono no sentido de que, como o Fisco entendeu que há caracterização de formação de grupo econômico, é necessária a ciência de todos os contribuintes que constam do auto de infração como pertencentes ao grupo, para que não seja preterido o direito de defesa. 11. O art. 5°, LV, da Constituição Federal estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Fiscal Tributário. 12. Nesse caminho, nunca é demais lembrar que no Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas de todos os atos praticados. Vejase que, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. 13. O inciso I, do artigo 23, do citado Decreto, dispõe taxativamente acerca da necessidade de intimação do contribuinte (responsáveis) no que tange a toda e qualquer decisão que tenha relevância em sua esfera de interesses. E mais ainda, pelo citado dispositivo somente reputase válida a intimação se “provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, de declaração escrita de quem o intimar”. É dizer: a validade do ato pressupõe a ciência do intimado. 14. Em observância ao devido processo legal é que o art. 749, da INSRP nº 3/2005, estabelece quanto à necessidade de empresas integrantes do mesmo grupo econômico serem notificadas quando responsáveis entre si por cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: “Art. 749 . Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência.” 15. Destaco, ainda, porque importante, que, uma vez instalado o contraditório administrativo, os atos da administração devem ser pautados pelo conceito do devido processo legal, respeitando normas procedimentais e oportunizando sempre o cidadão o direito ao contraditório e a ampla defesa, sem que seja surpreendido por esta ou aquela decisão da autoridade julgadora. 16. Ademais, os atos praticados pela administração geraram prejuízos aos contribuintes, uma vez que não tiveram efetivamente a oportunidade de se defender das razões Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10925.000023/200992 Acórdão n.º 2803002.428 S2TE03 Fl. 507 15 e fundamentos produzidos pelo fisco em relação à caracterização do grupo econômico e da constituição do crédito pelo fiscal. Razões essas que levam à anulação da decisão, ora combatida. 17. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece da seguinte forma: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações.” 18. Sendo assim, voto por anular a decisão de primeira instância, como medida saneadora do processo, para que a autoridade fiscal notifique os demais integrantes do grupo econômico, em respeito ao disposto nos artigos 23 e 59 do Decreto 70.235/72, combinado com o art. 749, da INSRP nº 3/2005. CONCLUSÃO 19. Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial para anular a decisão de primeira instância, que seja dada ciência da autuação fiscal aos demais integrantes do grupo econômico e após, dar prosseguimento ao processo administrativo fiscal com prolatação de nova decisão de primeiro grau. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13749.001435/2008-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Constatado que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, capaz de provocar a nulidade da decisão proferida em primeiro grau administrativo.
Numero da decisão: 2802-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que seja realizado novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Constatado que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, capaz de provocar a nulidade da decisão proferida em primeiro grau administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que seja realizado novo julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 14 35 /2 00 8- 35 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de notificação de lançamento, fls. 05 a 07, formalizada para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao exercício financeiro de 2007, ano calendário de 2006, em virtude da constatação da dedução indevida das despesas médicas, no valor de R$ 49.300,00. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: “OS RECIBOS EMITIDOS POR FÁBIO DUARTE PERES, YIOKO BREDOFF SILVA OHARA, JULIANA CLAUSEN CORREA E FRANCISCA EUGENIA DINIZ PEREIRA NÃO INFORMAM O BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS, NEM O ENDEREÇO DO BENEFICIÁRIO DOS PAGAMENTOS DOS SERVIÇOS, PORTANTO ESTÃO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA.” Foi apresentada impugnação, fls. 01 a 04, da qual se extrais os seguintes pontos de defesa, em resumo: • a Declaração foi preenchida no estrito cumprimento do mandamento legal; • foi obrigada a realizar procedimentos fisioterápicos e odontológicos, deduzindo seus pagamentos; • não há previsão legal expressa no sentido de determinar quais informações devem constar no recibo; • quando a autoridade fiscal tiver dúvida, deverá intimar o contribuinte a apresentar elementos adicionais ou proceder diligências, para verificar a veracidade dos recibos; • não foi intimada para apresentar elementos adicionais, nem realizou diligência para verificar a idoneidade dos recibos apresentados; • a autoridade fiscal não aplicou a prudência ao caso, pois não procurou buscar a veracidade dos fatos; cita jurisprudência; • não há que se falar em inversão de ônus da prova; • com intenção de sanar o suposto vício alegado pela autoridade fiscal nos recibos apresentados, relaciona os endereços dos profissionais que lhe prestaram os serviços, onde se comprovará serem idôneos; • apresenta os comprovantes das despesas. Examinando o assunto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), fls. 44 a 53, entendeu que: “[...] INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DOCUMENTOS E PRESTAR ESCLARECIMENTOS. A interessada alega que não foi intimada para apresentar elementos adicionais, nem realizou diligência para verificar a idoneidade dos recibos apresentados, e quando a autoridade fiscal tiver dúvida, deverá intimar o contribuinte a apresentar elementos adicionais ou proceder diligências, para verificar a veracidade dos recibos. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.001435/200835 Acórdão n.º 2802002.302 S2TE02 Fl. 70 3 Independentemente de ter sido, ou não, chamada pela RFB para apresentar esclarecimentos ou para trazer outros documentos, informase que não houve prejuízo ao seu direito de ampla defesa e ao devido processo legal. O pedido de prévios esclarecimentos e apresentação de documentos não é obrigatório e também não é requisito para o lançamento de ofício, e a sua falta não invalida o lançamento efetuado, conforme a legislação que regulamenta o assunto, Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, especificamente acerca do início do procedimento de ofício [art. 844]. [...] Efetivamente, na fase processual, que se inicia com a impugnação tempestiva, pode o sujeito passivo exercer na plenitude o seu direito de defesa, trazendo as razões de fato e de direito que embasem suas pretensões, de molde que não deve ser acolhida a arguição de nulidade fundada na falta de intimação para esclarecimentos prévios. Devese ainda dizer que com o lançamento de ofício efetuado, mediante a Notificação Fiscal ora impugnada, é que se permite ao contribuinte conhecer as exigências tributárias que lhe são imputadas, bem como apresentar sua impugnação, com a instauração do contraditório e reverência à ampla defesa que será exercitada na plenitude neste processo de contencioso fiscal. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Tratase de glosa de despesas médicas por falta de comprovação, no valor total de R$ 49.300,00, relacionados no quadro a seguir: [...] A questão da prova das despesas médicas deve ser analisada, nos termos da primeira parte do art. 29 o Decreto n° 70.235/1972, à luz dos seguintes elementos, critérios e princípios, colhidos na legislação do imposto de renda pessoa física, na doutrina e na jurisprudência administrativas: [...] 4) Ônus da Prova: regra geral, ao fisco cabe provar as alegações sobre omissão de rendimentos e, ao contribuinte, a prova dos fatos que reduzem o crédito tributário (art. 333 do CPC), competindolhe, portanto, desincumbirse do ônus da prova das despesas médicas deduzidas, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no Decreto Lei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Ari. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei 11" 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É decorrência da regra geral do direito, segundo a qual quem alega alguma coisa deve comprovála, pois não seria lícito que a parte se beneficiasse do alegado com base apenas em meras afirmações. Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. Contrario sensit, não se desincumbe do ônus da prova o contribuinte que apenas declara o fato e o pagamento da despesa. É o que se passa a demonstrar a seguir. 5) Natureza do Recibo e da Declaração de Pagamento: Esses documentos contêm uma declaração de fato, o que faz com que tenham aptidão para provar a declaração, mas não o fato declarado, conforme dicção do parág. único do art. 368 do Código de Processo Civil e parág. único do art. 219 do Código Civil/2002; [...] Em síntese, como não há presunção de veracidade, perante o Fisco, do recibo e da declaração de pagamento, a este documento atribuise ordinário valor probatório. Assim, com base nos princípios da persuasão racional e do livre convencimento, e, considerando que, conforme dispositivos do Código Civil retrocitados, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, concluise que, desde que haja motivos relevantes, é legítima a exigência, pelo Fisco, de elementos complementares a este documento, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados, não se exigindo, para tanto, a infirmação da autenticidade e veracidade do recibo e da declaração de pagamento. Os motivos para tanto serão tratados no item 7 abaixo. [...] 7.1 Despesas médicas de valor expressivo: ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções de despesas médicas que tenham valor expressivo individualmente ou em conjunto. E sabido que, em regra, os tratamentos de saúde mais onerosos são mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presumese que, nesses casos, em regra, é viável, e possível, a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como os documentos retrocitados (exames laboratoriais, cheques, etc). [...] 8. Todo o exposto leva a concluir que a declaração particular ou pública de pagamento, por si só: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.001435/200835 Acórdão n.º 2802002.302 S2TE02 Fl. 71 5 8.1 Não tem eficácia probatória para fins de dedução do imposto de renda pessoa física, quando: 8.1.1 Não preencher os requisitos objetivos do art. 8º § 2º da lei 9.250/95 [...]. [...] 8.1.2.1 tiver valor expressivo, e, além disso, o contribuinte, devidamente intimado, não tiver apresentado elementos subsidiários nem comprovado a impossibilidade de fazêlo [...]; 8.1.2.2 referirse a serviço prestado por profissional reconhecidamente inidôneo por meio de súmula administrativa, o que está de acordo com Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...] 8.2 Por outro lado, tem eficácia probatória, para fins de dedução do imposto de renda pessoa física, a declaração particular ou pública de pagamento que preencha os requisitos objetivos do art. 8º § 2º da lei 9.250/95 e que se refira a despesa médica de pequena monta, condizente com o serviço prestado, tendo ou não o contribuinte sido intimado a apresentar elementos subsidiários [...]. [...] Com base na legislação, critérios e princípios expostos, conclui se por: I) Considerar ineficazes os cinqüenta e oito Recibos emitidos por Fábio Duarte Peres (fls. 08 a 22), no valor total de R$ 21.000,00, porque representam valores expressivos, com base nos fundamentos contidos nos itens 4; 5 e 7.1 do presente voto, e a necessidade de tratamento contido neste documento caberia ter sido comprovada por meio de prescrição médica. II) Considerar ineficazes os dez Recibos emitidos por Yoko Bredof S Ohara (fls. 23 a 25), no valor total de R$ 9.000,00 porque representam valores expressivos, com base nos fundamentos contidos nos itens 4; 5 e 7.1 do presente voto, e a necessidade de tratamento contido neste documento caberia ter sido comprovada por meio de prescrição médica. III) Considerar ineficazes os doze Recibos emitidos por Francisca Eugênia Diniz (fls. 26 a 29), no valor total de R$ 10.300,00, porque representam valores expressivos, com base no fundamentos contidos nos itens 4; 5 e 7.1 do presente voto. IV) Considerar ineficazes os dez Recibos emitidos por Juliana Claussen Correa (fls. 30 a 32), no valor total de R$ 9.000,00, porque representam valores expressivos, com base nos fundamentos contidos nos itens 4; 5 e 7.1 do presente voto. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Em suma, deve ser mantida totalmente a glosa de despesas médicas no montante de R$ 49.300,00.” Cientificado em 27/04/2011, fls. 56, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 23/05/2011, fls. 57 a 62, apresentado as seguintes alegações a seguir transcritas, na parte essencial ao assunto discutido: apõemse ao acórdão supracitado a preliminar de nulidade, pois o mesmo afronta primeiramente aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e do devido processo administrativo e também ao que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao fundamentar a manutenção do lançamento de ofício do imposto em fato diverso do descrito na Notificação de Lançamento, preterindo o direito de defesa da impugnante; observa que a notificação baseouse no fato do descumprimento de uma formalidade em relação aos recibos apresentados e a decisão dos julgadores se baseou no fato de os recibos se referirem a despesas de valores consideráveis; a decisão nestes termos além de não analisar os argumentos de defesa da impugnante, não permitiu que a mesma se defendesse adequadamente, pois na notificação que recebeu não foram mencionados os fatos que mantêm a decisão do lançamento a que se impugna; não se pode admitir que um cidadão, contribuinte, seja notificado para se defender de uma acusação e a decisão que sustenta a punição respectiva à acusação sofrida se utilize de novos fatos e de novas acusações as quais o cidadão não foi chamado a se defender; o que se extrai do confronto do fundamento descrito na Notificação de Lançamento e as razões de decidir constantes do acórdão é uma verdadeira afronta aos princípios já colacionados da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal administrativo e também dos pressupostos de racionalidade e razoabilidade a que devem seguir tais procedimentos e decisões tomadas pela Administração Pública; é de se ver que os julgadores basearam sua decisão em fatos, motivos e em pressupostos legais totalmente diversos dos explicitados na Notificação de Lançamento que originou o processo administrativo contencioso. Não merecendo, portanto, permanecer constituído o acórdão. não obstante assistir razão ao órgão responsável pela fiscalização da exação aqui tratada quanto ao descumprimento da exigência de falta do nome dos beneficiários dos serviços, bem como o endereço dos beneficiários, tal vício formal foi sanado logo quando da impugnação ao lançamento de ofício, visto que junto a sua peça de defesa a requerida apresentou os documentos necessários para solucionar o defeito dos documentos quanto às referidas formalidades, descabendo, portanto, a manutenção do respectivo lançamento. Tal conclusão se chega tendo em vista a competência fiscalizadora, não obstante sua extrema importância e eficiência, se reduzir a necessidade de o declarante apresentar, em caso de dúvida levantada pelo órgão competente, os documentos imprescindíveis para provar o que alegam na declaração. Assim, ao apresentar o nome dos beneficiários dos serviços, bem como o endereço dos beneficiários, sanado foi por inteiro o vício reclamado na notificação, não existindo mais, desta feita, os motivos que a levaram a efeito. concluise que a constituição do crédito tributário não deve prosperar, pois, conforme já fundamentado e demonstrado, falta congruência entre os fatos relatados na Notificação de Lançamento que formaliza o crédito tributário e os fundamentos da decisão que mantém o referido lançamento, eivando de vícios todo o procedimento administrativo; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.001435/200835 Acórdão n.º 2802002.302 S2TE02 Fl. 72 7 além do mais, os motivos que geraram o crédito tributário por meio da Notificação de Lançamento já não mais existem, perdendose o objeto do lançamento de ofício, o que por óbvio extingue o crédito tributário; requer o acolhimento da preliminar, nos termos apresentados, tornando nulo os efeitos da decisão e o acórdão que mantêm indevidamente o crédito tributário; sejam considerados válidos os recibos e as respectivas declarações apresentadas pela impugnante, a fim de seja sanado os vícios formais encontrados nos recibos apresentados no procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual; seja julgada procedente a impugnação, visto que os documentos acima referidos suprem as exigências feitas na Notificação de Lançamento e, consequentemente, seja desconstituído o crédito tributário em favor da União. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente alega que a decisão recorrida baseouse em fatos, motivos e em pressupostos legais totalmente diversos dos explicitados na Notificação de Lançamento que originou o processo administrativo, não permitindo, assim, que se defendesse adequadamente. Alega também que os argumentos de defesa apresentados na impugnação não foram analisados pelos julgadores de primeira instância. Diante disso, entende a solução dada ao contencioso em primeiro grau administrativo causoulhe cerceamento do direito de defesa. Sobre o assunto, assim dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...]. Conforme relatado, a notificação de lançamento se fundamentou na constatação de que os recibos das despesas médicas apresentados pelo contribuinte NÃO INFORMAM O BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS, NEM O ENDEREÇO DO BENEFICIÁRIO DOS PAGAMENTOS DOS SERVIÇOS, PORTANTO ESTÃO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, o colegiado julgador de primeira instância entendeu que, por envolverem valores considerados expressivos, o exame das despesas médicas glosadas ensejariam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, entre as quais a apresentação, pelo contribuinte, de elementos Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 complementares ao recibo de pagamento, tais como exames laboratoriais, cheques, etc. Diante disso, considerou ineficazes todos os recibos acostados aos autos pelo impugnante. Ao levar em consideração que as despesas médicas glosadas necessitariam de maior comprovação, a decisão de primeira instância aumentou as exigências comprobatórias requeridas pela autoridade lançadora. A respeito do assunto, convém transcrever o seguinte excerto do voto que conduziu o Acórdão nº 2802001.900, proferido por esta 2ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, em sessão realizada dia 19/09/2012, relator: Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso: “Não obstante seja louvável a preocupação do julgador de primeira instância, o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, desta forma, não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que permitam eventual deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal.” No caso concreto, depreendese que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, ocasionando preterição do direito de defesa do sujeito passivo, capaz de provocar a nulidade do Acórdão nº 0423.261 – 3ª Turma da DRJ/CGE, em face do princípio do duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal. A recorrente também alega que a decisão de primeiro grau não atacou os argumentos expostos na peça impugnatória. Nesse sentido, observase que, embora o acórdão contestado tenha destacado que os recibos que não preencham os requisitos objetivos do art. 8º § 2º da lei 9.250, de 1995, não têm eficácia probatória para fins de dedução do imposto de renda pessoa física, também se observa que o relator do voto do acórdão recorrido não se manifestou quanto à alegação apresentada pelo impugnante de que os vícios apontados pelo lançamento de ofício teriam sido sanados. Tal falha revela omissão contida no voto proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, a qual deverá ser sanada, sob pena de violação ao princípio do duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal. Pretende a recorrente que seja desconstituída a exigência formalizada pela notificação do lançamento, sob a alegação “falta congruência entre os fatos relatados na Notificação de Lançamento que formaliza o crédito tributário e os fundamentos da decisão que mantém o referido lançamento, eivando de vícios todo o procedimento administrativo”. Observese que, por força do § 1º do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, a nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Diante dessa determinação legal, não há como acolher essa pretensão da recorrente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.001435/200835 Acórdão n.º 2802002.302 S2TE02 Fl. 73 9 Voto por declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que seja realizado novo julgamento. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10480.726448/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
Ementa:
GANHO DE CAPITAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CONTRATO PERFEITO E ACABADO.
Nos termos da legislação de regência (parágrafo 1º do art. 27 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, e parágrafo 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988), a promessa de compra e venda, na circunstância em que inexiste condição suspensiva, inclui-se dentre as hipóteses que demandam apuração de ganho de capital.
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO IMPOSTO. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em postergação do pagamento do imposto na situação em que o imposto que deixou de se pago no momento correto não foi quitado em momento posterior.
DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE.
A exclusão de valor correspondente a receita auferida em virtude de redução de passivo tributário, decorrente de remissão de encargos e anistia de penalidades, revela-se indevida na circunstância em que o ato instituidor do benefício não a autoriza de forma expressa.
ERRO DE FATO. ALEGAÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
Ainda que, em homenagem ao princípio da verdade material, supere-se o fato de que a alegação da ocorrência de erro na apuração do montante tributável não foi trazida em sede de impugnação, é necessário que sejam reunidos aos autos elementos hábeis e idôneos capazes de comprovar a efetiva ocorrência do erro em questão.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2).
Numero da decisão: 1301-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CONTRATO PERFEITO E ACABADO. Nos termos da legislação de regência (parágrafo 1º do art. 27 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e parágrafo 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988), a promessa de compra e venda, na circunstância em que inexiste condição suspensiva, incluise dentre as hipóteses que demandam apuração de ganho de capital. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO IMPOSTO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em postergação do pagamento do imposto na situação em que o imposto que deixou de se pago no momento correto não foi quitado em momento posterior. DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE. A exclusão de valor correspondente a receita auferida em virtude de redução de passivo tributário, decorrente de remissão de encargos e anistia de penalidades, revelase indevida na circunstância em que o ato instituidor do benefício não a autoriza de forma expressa. ERRO DE FATO. ALEGAÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Ainda que, em homenagem ao princípio da verdade material, superese o fato de que a alegação da ocorrência de erro na apuração do montante tributável não foi trazida em sede de impugnação, é necessário que sejam reunidos aos autos elementos hábeis e idôneos capazes de comprovar a efetiva ocorrência do erro em questão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 64 48 /2 01 2- 05 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 414 2 INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 415 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2009, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) exclusão indevida do lucro líquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, relativa a diferimento de ganho na venda de imobilizado; e ii) exclusão indevida do lucro líquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, relativa a receita proveniente da redução de multas, juros e encargo legal prevista na Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 312/327), por meio da qual argumentou: que os autos de infração deveriam ser julgados conjuntamente; que o lançamento seria nulo em virtude de erro na apuração da base de cálculo dos tributos, vez que não foram deduzidos os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL; que o ganho de capital, reconhecido em 2009, foi oferecido à tributação no ano seguinte, pois a compra e venda do imóvel só foi concretizada com o registro no cartório em 3 de março de 2010; que o lançamento deveria ter considerado a postergação do imposto, conforme art. 247 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; que, não encontrando tempo hábil para incluir débitos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, optou por valerse dos benefícios previstos na Medida Provisória nº 470, de 2009, que a seu ver constituiu apenas uma extensão da Lei nº 11.941, de 2009; que, tendo por base o art. 4º, parágrafo único, da citada lei, excluiu do lucro líquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a parcela equivalente à redução das multas, juros e encargos legais que obteve em face da vantagem prevista no art. 3º da Medida Provisória nº 470, de 2009; que, a prevalecer o entendimento da Fiscalização, tornarseia “letra morta” o disposto no § 2º do art. 3º da Medida Provisória nº 470, de 2009, uma vez que a tributação da redução das multas e juros anularia o benefício advindo de liquidação dos débitos com os prejuízos fiscais e com as bases de cálculo negativas da CSLL; que a Medida Provisória nº 470, de 2009, perdeu sua eficácia, o que reforçaria a tese de que nada mais era do que uma extensão da Lei nº 11.941, de 2009; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 416 4 que admitir tratamento desigual entre os que aderiram ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, e aqueles beneficiados pela Medida Provisória nº 470, de 2009, seria violar o princípio constitucional da isonomia; que a multa aplicada teria caráter confiscatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 1138.333, de 09 de outubro de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do procedimento fiscal. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. REALIZAÇÃO. Considerase efetivada ou realizada a venda de uma unidade imobiliária quando contratada a operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. CONDIÇÕES. Considerase postergada a parcela do imposto relativo a determinado período base, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto correspondente, com os devidos acréscimos legais. (Parecer Normativo Cosit nº 2/96.) MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/2009. EFEITOS. A Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009, não autorizou a exclusão do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, da parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal prevista no art. 3º dessa MP. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 417 5 Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, somente são admitidas as exclusões devidamente autorizadas na legislação tributária. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 379/398), por meio do qual sustenta: que, relativamente ao ganho de capital na venda de imóvel, a decisão recorrida não se ateve à situação fática comprovada e à própria legislação que trata do reconhecimento de receitas na alienação imobiliária, por ela mesmo aduzida; que o suposto tributo devido sobre o ganho de capital foi apurado de forma incorreta, tendo o agente fiscal autuante desconsiderado a necessidade de recompor o lucro real do período e a submissão do referido ganho à tributação no período subseqüente; que, no tocante à exclusão, do lucro líquido, dos valores decorrentes da redução de multas, juros e encargos legais, prevista na Medida Provisória nº 470/2009, a decisão recorrida não observou a conjuntura na qual se deu a aprovação da referida medida, bem como a norma expressa nela consignada a respeito de sua relação instrínseca com a Lei nº 11.941/2009; que, ainda que assim não fosse, o valor utilizado como base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL, considerou, indevidamente, parcela de multa e juros relativa aos processos administrativos nºs 19647.007822/200648 e 19647.021256/200849, cujo parcelamento nos termos da Medida Provisória nº 470/2009 foi indeferido; que a multa de ofício aplicada se mostra confiscatória. É o Relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 418 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 17/24), foram imputadas à Recorrente as seguintes infrações: i) exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de ganho de capital na venda de imobilizado (R$ 1.227.345,81); e ii) exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de receita referente à redução de multa, juros e encargo legal, decorrente de adesão ao parcelamento previsto na Medida Provisória nº 470, de 2009 (R$ 48.953.776,85). Passo, pois a apreciar as razões trazidas em sede de recurso voluntário. GANHO DE CAPITAL Destaco, inicialmente, que a ora Recorrente alterou a sua linha de argumentação ao longo de todo o processo fiscal. Com efeito, no curso da ação fiscal informou que a exclusão do ganho de capital se deu em virtude do fato de a quitação ter ocorrido no ano calendário seguinte (fls. 57). Na impugnação, além de afirmar que as autoridades fiscais não efetuaram a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, sustentou que, no caso, “o negócio que gerou o resultado tributável somente se efetivou em 2010 com a lavratura e correspondente registro dela no Cartório de Registro de Imóveis.” Na ocasião, protestou, ainda, pela aplicação das disposições do parágrafo 2º do art. 247 do RIR/99, atinentes à postergação do pagamento do imposto. Em sede de recurso, servindose das disposições normativas e legais referenciadas pela decisão de primeiro grau, a alegação é de que o negócio realizado estava submetido à condição suspensiva, pois, “apesar da assinatura do Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra de Bem Imóvel e Outras Avencas ter ocorrido em 24 de novembro de 2009, a alienação do imóvel e o recebimento de seu valor pela Recorrente somente seriam verificados após a apresentação dos documentos relacionados na cláusula 5.1 do instrumento firmado.” Reitera, ainda, por meio da peça recursal, o argumento de que deveriam ser aplicadas as disposições do parágrafo 2º do art. 247 do RIR/99. Não merecem guarida os argumentos trazidos pela Recorrente. Em primeiro lugar, resta incontroverso que a promessa de compra e venda incluise dentre as hipóteses que demandam apuração de ganho de capital, haja vista as disposições do parágrafo 1º do art. 27 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e do parágrafo 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, abaixo reproduzidas. DecretoLei nº 1.598, de 1977 Art 27 O contribuinte que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá, para efeito de determinar o lucro real, manter, com observância das normas seguintes, registro permanente de estoques para determinar o custo dos imóveis vendidos: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 419 7 [...] § 1º O lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando, contratada a venda, ainda que mediante instrumento de promessa, ou quando implementada a condição suspensiva a que estiver sujeita a venda. Lei nº 7.713, de 1988 Art. 3º [...] § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. No caso vertente, descabe falar em existência de condição suspensiva capaz de atrair a aplicação do disposto no inciso I do art. 117 do Código Tributário Nacional no negócio realizado. A cláusula referenciada pela Recorrente como representativa da condição suspensiva, efetivamente não tem tal natureza, vez que apenas estabelece que a VENDEDORA (a autuada) deve entregar ao COMPRADOR, até a data da lavratura da escritura pública definitiva de venda e compra, os documentos e as certidões ali especificados. A rigor, o documento de fls. 341/346 não contempla condição de qualquer natureza, eis que sua cláusula sexta (DA IRRETRATABILIDADE E IRREVOGABILIDADE) consigna: 6.1 O presente instrumento, por vontade expressa das partes que ora renunciam ao direito de arrependimento, é firmado em caráter irretratável e irrevogável, que não só as obrigam como a seus herdeiros ou sucessores a qualquer título, conferindo direito real oponível a terceiros, observado o disposto nos arts. 1.417 e 1.418 do Código Civil, podendo o COMPRADOR, uma vez pago o preço ajustado na cláusula segunda acima, pleitear a adjudicação do imóvel. (GRIFOS DO ORIGINAL) Não merece acolhimento, também, a alegação de ocorrência, no presente caso, de mera postergação. Isto porque só se pode falar em postergação de pagamento do imposto na circunstância em que a exação que deixou de ser paga em determinado momento foi, em período posterior, devidamente recolhida. Na situação sob apreciação, entretanto, como bem ressaltou a autoridade julgadora de primeira instância, a Recorrente sequer apurou, no ano seguinte ao da ocorrência da infração (2010), IRPJ e CSLL a pagar. Absolutamente equivocada a afirmação da Recorrente no sentido de que “não há qualquer impedimento ao fato de no anocalendário de 2010 não ter sido apurado IRPJ e CSLL a pagar, como foi maliciosamente aludido na decisão recorrida”. À evidência, não se trata de referência “maliciosa”, mas, sim, de questão matemática, pois, como já dito, se o tributo que deixou de ser pago em dado momento, não foi quitado em período posterior, não Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 420 8 existe postergação, e sim redução indevida do lucro líquido na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ademais, como também destacado pela decisão recorrida, a inclusão, no ano calendário de 2010, do montante não tributado no ano de 2009, se deu por meio de declaração retificadora entregue após o início do procedimento fiscal, o que, considerado o disposto no art. 21 do DecretoLei nº 1.967, de 1982, não produz qualquer efeito. Enganase mais uma vez a Recorrente quando sustenta que a retificação se deu de forma espontânea visto que nenhuma fiscalização havia sido iniciada em relação ao anocalendário de 2010. Como é cediço, a exclusão de espontaneidade a que alude o parágrafo 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, diz respeito aos atos anteriores ao início do procedimento fiscal, e, no caso vertente, o ato (anterior) questionado pela Fiscalização está representado pela alienação de imobilizado ocorrida no ano de 2009, e não a entrega da declaração retificadora relativa ao anocalendário de 2010. Acolher a tese da Recorrente representaria, em última análise, transformar toda e qualquer infração apurada de ofício pela autoridade administrativa em mera postergação do pagamento do imposto, o que efetivamente não encontra qualquer respaldo na legislação de regência. E mais, no presente caso, uma denominada “postergação” sem pagamento de qualquer valor em período posterior. Com o devido respeito, a tese tangencia o absurdo. REDUÇÃO DE ENCARGOS – MP Nº 470, DE 2009 Sustenta a Recorrente que a decisão recorrida, ao manter as exigências decorrentes da desconsideração da exclusão do lucro líquido da receita auferida com a redução de encargos, limitouse a declarar que tal possibilidade não foi apresentada na Medida Provisória que instituiu os benefícios. Nessa linha, assinala: Não obstante, ao assim concluir, os ilustres julgadores ignoraram todo o pressuposto fático que determinou a expedição da Medida Provisória n. 470, bem como a previsão contida em seu art. 3º e, ainda, a falta de razoabilidade no oferecimento de anistia concomitante com a tributação das próprias parcelas anistiadas, o que equivaleria a ludibriar o contribuinte que incluiria seus débitos na anistia e no ano seguinte, quando da apuração do lucro real, tomaria conhecimento de que o benefício implicaria, em verdade, em mais tributos a recolher! Nada mais absurdo! Para a Recorrente, a Medida Provisória em referência nada mais era do que uma extensão do “REFIS da CRISE”, editada com o objetivo de ampliar o prazo para que os contribuintes pudessem optar pelo parcelamento dos seus débitos em um prazo mais elástico. Diz que, caso tivesse incluído os débitos no “REFIS da CRISE”, os valores relativos às reduções não seriam tributados, mas, tendo incluído esses mesmos débitos no parcelamento trazido pela MP Nº 470, deve levar tais débitos à tributação, fato que revela flagrante violação do Princípio da Isonomia. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 421 9 Equivocase a Recorrente. Não se trata de simples declaração da Turma Julgadora de primeiro grau de que a possibilidade de exclusão não foi prevista na Medida Provisória instituidora do benefício, mas, sim, de efetiva reafirmação, na linha da peça de autuação, de que a exclusão promovida pela fiscalizada não encontra amparo na legislação de regência. Como é cediço, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, toda e qualquer exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, exige autorização prevista na legislação tributária. No caso vertente, estamos diante de benefício fiscal, representado por remissão de juros moratórios e anistia de penalidades pecuniárias, o que impõe que se faça uma interpretação estreita do ato legal que o instituiu. A Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009, que, por não ter sido convertida em lei, perdeu a sua eficácia, concedeu benefício específico às pessoas jurídicas possuidoras de débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, com incidência de alíquota zero ou como não tributados – NT. O referido ato possibilitou que os débitos em questão fossem pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. Trouxe, ainda, a possibilidade de os citados débitos serem liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente. Esses, portanto, foram os benefícios trazidos pela referida Medida Provisória. Como se vê na reprodução abaixo, o ato legal que serviu de suporte para que a contribuinte reduzisse o seu passivo tributário não lhe autorizou a excluir na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal. Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009 [...] Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 422 10 noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de vinte e cinco por cento e nove por cento, respectivamente. § 4º A opção pela extinção do crédito tributário na forma deste artigo não exclui a possibilidade de adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Não se trata de “falta de razoabilidade no oferecimento de anistia concomitante com a tributação das próprias parcelas anistiadas”, mas, sim, de ausência de análise adequada, por parte da Recorrente, da extensão dos benefícios introduzidos pela norma autorizativa, isto é, não cuidou a contribuinte de avaliar que, no caso da Medida Provisória nº 470, apesar de ter sido possível reduzir a zero os débitos referentes às multas de ofício, às multas de mora e aos encargos legais; e a dez por cento os correspondentes às multas isoladas e aos juros de mora, sendo possível, ainda, liquidar os débitos remanescentes por meio da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, não houve autorização por parte do mesmo ato para que a pessoa jurídica deixasse de tributar a receita representativa da redução do passivo tributário. O fato de a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal não poder ser excluída do lucro liquido na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL não representou, como quer crer a Recorrente, anulação dos benefícios e, muito menos, tentativa de “ludibriar” os contribuintes. A questão, como dito, limitase a uma adequada avaliação da amplitude da renúncia objetivada pelo Poder Tributante. Para fins meramente didáticos, tomese por exemplo uma pessoa jurídica que tinha registrado em seu passivo uma obrigação relativa a juros de mora não recolhidos no montante de 100 unidades de moeda. Aderindo ao benefício, ela deixaria de transferir ao estado 90 unidades de moeda, vez que a norma introdutora do benefício concedeu remissão de 90% total dos juros moratórios. Isto não quer dizer que a renúncia do erário alcançou esse mesmo montante, pois, inexistindo norma autorizando a exclusão da receita auferida com a redução do passivo, o contribuinte deverá recolher um total de 34% (admitindose a incidência de adicional) a título de IRPJ e CSLL, isto é, o benefício efetivo (ou, visto por outra ótica, o tamanho da renúncia fiscal) foi, no exemplo, de 59,4 unidades de moeda. Enganase também a Recorrente quando afirma que a MP 470 é uma mera “extensão do REFIS da CRISE, editada com o objetivo de ampliar o prazo para que os contribuintes pudessem optar pelo parcelamento dos seus débitos em um prazo mais elástico”. Com efeito, a Lei nº 11.941, de 2009, que, supõese, representa o REFIS da CRISE na linguagem utilizada pela Recorrente, foi publicada no Diário Oficial da União em 28 de maio de 2009. De acordo com o seu artigo 7º, a opção pelo pagamento a vista ou pelos Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 423 11 parcelamentos de débitos na forma por ela estipulada deveria ser efetivada até o último dia útil do 6º mês subseqüente ao da sua publicação, isto é, até 30 de novembro de 2009. O artigo 3º da Medida Provisória nº 470, por sua vez, estabeleceu essa mesma data (30 de novembro de 2009) como limite para que os contribuintes pagassem ou parcelassem seus débitos com base nas suas disposições. Assim, diferentemente do sustentado pela Recorrente, resta claro que a faculdade prevista no parágrafo 4º do art. 3º da Medida Provisória nº 470 (possibilidade de adesão concomitante ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009) não se presta para confirmar a alegação de que referida Medida nada mais foi do que uma extensão da Lei nº 11.941, de 2009. Reafirmam, ainda, o entendimento ora esposado, os seguintes elementos: i) a exposição de motivos da Medida Provisória nº 470, na parte em que importa transcrever, não traz qualquer referência às disposições da Lei nº 11.941, de 2009; EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS – MP 470 [...] 6. O art. 3º permite que pessoas jurídicas que tenham débitos originados do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT, possam parcelálos. 6.1 Os §§ 1º e 2º do art. 3º estabelecem que estes mesmos débitos possam, adicionalmente: I ser parcelados em até 12 (doze) meses com reduções dos acréscimos de ofício e moratórios; II ser quitados mediante utilização do saldo de prejuízos fiscais e base negativa da contribuição social desde que apurados e declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil até a data da publicação desta Medida Provisória. 6.2 Estas propostas têm como objetivo oferecer instrumentos para liquidação destes débitos fiscais, que muitas vezes têm valores vultosos, tendo sido gerados desde a década de 80, em decorrência de decisões proferidas pelo Poder Judiciário, inseridoos na capacidade de geração de recursos das empresas devedoras, ou mediante aproveitamento de créditos tributários apurados em períodos anteriores. ii) as remissões e anistias concedidas por um e por outro ato eram distintas (conforme reproduções abaixo), cabendo destacar que, relativamente aos juros de mora, a redução permitida pela Lei nº 11.941 era no máximo de 45%, enquanto que na MP nº 470 tal redução foi de 90%, o que, de certo modo, justifica o tratamento diferenciado no que diz respeito à tributação da receita decorrente do desaparecimento do passivo; Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009 [...] Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 424 12 Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] LEI Nº 11.941, DE 2009 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. [...] § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 425 13 II – parcelados em até 30 (trinta) prestações mensais, com redução de 90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; III – parcelados em até 60 (sessenta) prestações mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 30% (trinta por cento) das isoladas, de 35% (trinta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; IV – parcelados em até 120 (cento e vinte) prestações mensais, com redução de 70% (setenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 25% (vinte e cinco por cento) das isoladas, de 30% (trinta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou V – parcelados em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais, com redução de 60% (sessenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 20% (vinte por cento) das isoladas, de 25% (vinte e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal. [...] § 7o As empresas que optarem pelo pagamento ou parcelamento dos débitos nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido próprios. iii) sendo distintas as situações, descabe falar em violação ao princípio da isonomia; iv) como observado pela Recorrente, a Lei nº 11.941, de 2009, também contemplou os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, porém, diante do fato de que os benefícios trazidos por ela eram distintos dos que foram instituídos pela MP 470, caberia à contribuinte avaliálos em contexto comparativo, visto que em conformidade com inciso II do art. 2º da citada Lei nº 11.941, ela não estava obrigada a consolidar todos os débitos que decorressem desse aproveitamento indevido. Cabe destacar que, ainda que refutados todos os argumentos aqui expendidos, a exclusão promovida pela Recorrente revelase absolutamente indevida, eis que ausente na norma que serviu de suporte para utilização dos benefícios fiscais autorização nesse sentido. Inovando em relação aos argumentos trazidos por meio da peça impugnatória, a Recorrente afirma ter havido erro de fato na elaboração da peça de autuação, “na medida em que o agente fiscal, para calcular os tributos que deveriam ser exigidos considerou, para o fim de composição das bases de cálculo, os valores anistiados correlatos aos Processos Administrativos ns. 19647.007822/200648 e 19647.021256/200849, cujo parcelamento nos termos da referida Medida Provisória n. 470/2009 foi indeferido (docs. Anexos 1 e 2).” Tratandose, pois, de matéria não suscitada em sede de impugnação, ela sequer deveria ser conhecida, ex vi do disposto no art. artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 426 14 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Esclareço ainda que a contribuinte não especificou os montantes que, a seu ver, deveriam ser excluídos do montante a tributar, eis que, em virtude do indeferimento do parcelamento, não foram “anistiados”. Não trouxe, também, documentos contábeis comprobatórios de que valores cujo parcelamento foi indeferido foram considerados no montante tributado de ofício. Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, aprecio os documentos aportados ao processo pela Recorrente. Como DOC. 01, a contribuinte anexou cópia de um TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL e de um DESPACHO DECISÓRIO (fls. 399/401) que, pelo que foi possível depreender, trataram do indeferimento da inclusão, no parcelamento previsto na MP 470/2009, de determinados débitos. Observo, contudo, que o processo referenciado nos citados documentos (14766.000595/201036) foi protocolizado em 04 de outubro de 2010, conforme pesquisa efetuada no sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda (COMPROT). Os registros contábeis auditados e que deram causa à imputação da infração, por sua vez, foram efetuados em 30 de setembro e em 31 de outubro de 2009 (Termo de Encerramento de Ação Fiscal – fls. 22), logo, resta evidente que os referidos registros contábeis não contemplaram os valores objeto do indeferimento no processo administrativo nº 14766.000595/201036. Não é razoável supor que, em 2009, a contribuinte “baixou” passivos tributários que só foram objeto de pedido de parcelamento em 2010. O denominado DOC. 2, referenciado pela contribuinte na peça recursal, é constituído por um TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, supostamente lavrado nos autos do processo administrativo nº 19647.014279/200988 e de um denominado ANEXO ÚNICO. O Termo de Informação Fiscal, embora diga respeito a uma proposta de indeferimento de pedido parcelamento formalizado com base na MP 470, não faz referência a qualquer valor e não é conclusivo, eis que desacompanhado do despacho decisório correspondente. O Anexo Único, por sua vez, trata, apenas, de pedido de utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, datado de 30 de julho de 2010, e diz respeito a benefício trazido pelo art. 81 da Lei nº 12.249, de 2010 (possibilidade de as pessoa jurídicas que, dentro do prazo, optaram pelo parcelamento previsto na MP 470, utilizarem prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL relativos aos períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 2009 para liquidar as correspondentes prestações). Para arrematar, cabe ressaltar que, conforme assinalado no item 25 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 05 do Termo e 21 do processo), o débito objeto de parcelamento que foi investigado pela Fiscalização referese à dívida com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no montante de R$ 83.640.637,75, e foi integralmente quitado por R$ 565.583,25, em virtude dos benefícios, em doze parcelas, no período de 30 de novembro de 2009 a 23 de setembro de 2010. O montante objeto de questionamento por parte da Fiscalização (R$ 48.953.776,85) diz respeito à parcela que foi reduzida a título de multa de Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10480.726448/201205 Acórdão n.º 1301001.254 S1C3T1 Fl. 427 15 mora (cem por cento), juros de mora (noventa por cento) e encargo legal (cem por cento), isto é, a parcela da dívida reduzida por meio da utilização de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL (R$ 34.121.277,25) não foi questionada pelas autoridades fiscais. Não são hábeis, portanto, os documentos juntados ao processo pela Recorrente para fundamentar a alegação de ocorrência de erro de fato na determinação da matéria tributável. PENALIDADE CONFISCATÓRIA A alegação da Recorrente no sentido de que a multa aplicada (75%) possui nítido caráter confiscatório, como é cediço, não pode ser objeto de apreciação, haja vista o disposto na súmula nº 2, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10735.901067/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/09/2005
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/09/2005 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 67 /2 01 1- 93 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901067/201193 Acórdão n.º 3202000.801 S3C2T2 Fl. 113 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ II), que julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ/RJ II, verbis: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – nãohomologada de débito de CSLL (cód. 248401), relativo ao período de apuração de jul/07, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS (cód. 6912), recepcionada pela RFB em 31/08/2007, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 15). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/04), alegando em resumo que: 1. constatou ter efetuado pagamento a maior de PIS/Cofins no período de apuração de agosto de 2005; 2. mas, nem retificou sua Dacon, nem apresentou DCTF retificadora, gerando inexistência de crédito e a não homologação da compensação declarada; 3. apresenta em anexo a DCTF e a Dacon retificadoras. A contribuinte requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901067/201193 Acórdão n.º 3202000.801 S3C2T2 Fl. 114 3 Em sua decisão, a DRJ/RJ II, por unanimidade, houve por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2005 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde alega em síntese: (a) Ter apresentado DACON e DCTF retificadoras, ainda que após a ciência do despacho decisório; (b) A existência de seu crédito; e (c) A necessidade de diligência para a comprovação do seu crédito; Junta a Recorrente ao recurso voluntário cópias do Livro Razão demonstrando os créditos por ela aproveitados, bem como de contrato de locação e nota fiscal de compra de energia elétrica. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Entendo que o Despacho Decisório eletrônico que indeferiu a compensação realizada pela Recorrente não traz qualquer fundamentação para o seu indeferimento. Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito à compensação, mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRF que denegou o pedido do contribuinte. Está, portanto, plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, verbis: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901067/201193 Acórdão n.º 3202000.801 S3C2T2 Fl. 115 4 Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Adoto a fundamentação do conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, a seguir descrita. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o objeto de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. O Despacho Decisório, ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, não homologar a compensação declarada, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901067/201193 Acórdão n.º 3202000.801 S3C2T2 Fl. 116 5 Em vista de tudo o que foi exposto, e diante do cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF, voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico, inclusive. O processo deverá retornar a DRF competente para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 36902.000042/2003-85
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração:01/03/2001 a 30/03/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91.
LEI 12.024/09 - ANISTIA DOS AGENTES PÚBLICOS
São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação da Lei 12.024/09, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2302-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração:01/03/2001 a 30/03/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. LEI 12.024/09 - ANISTIA DOS AGENTES PÚBLICOS São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação da Lei 12.024/09, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. LEI 12.024/09 ANISTIA DOS AGENTES PÚBLICOS São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação da Lei 12.024/09, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 90 2. 00 00 42 /2 00 3- 85 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 36902.000042/200385 Acórdão n.º 2302002.454 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada em face do agente público (Prefeito) em decorrência da Prefeitura Municipal de Porto Seguro não ter observado, no período de 03/2001 a 03/2002, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da prefeitura municipal informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Na ocasião, foi aplicada a multa estabelecida no art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 284, inciso II e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 com redação dada pelo Decreto 4.729/03, cujos conteúdos normativos imputam o percentual de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. Cientificada da autuação, o autuado deixou transcorrer o prazo sem qualquer manifestação (fl. 26). À fl. 26 consta a decisão de 1ª instância a qual ratificou a multa aplicada (ar. 284, inciso II, do RPS aprovado pelo Decerto nº 3.048/99), julgando procedente a autuação. Intimado do julgado (fl. 28), interpôs, em tempo hábil, recurso voluntário (fls. 31/32) alegando que embora o Município de Porto Seguro tenha enviado ao Banco do Brasil a relação de funcionários admitidos para cadastramento do PASEP, a instituição financeira demorou para efetuar o cadastramento motivo pelo qual ensejou o atraso nas informações prestadas mediante GFIP. Ressaltou o contribuinte que o próprio programa do imposto não aceita a inclusão dos funcionários a não ser com o número do PASEP. Assegurou, ainda, ausência de prejuízo por parte do INSS, já que todos os recolhimentos foram efetuados. Por fim, pleiteou a desconstituição da multa. Encaminhados os autos ao CARF, o Conselheiro Marcos André Ramos Vieira converteu o julgamento em diligência determinando que o INSS analisasse a documentação acostada pelo Recorrente (fl. 69). Após duas diligências, foi constatado pelo chefe da seção do contencioso administrativo de Itabuna/BA que houve correção das GFIP's e que o motivo da incerteza decorreu do fato de ser comum as prefeituras municipais efetuarem os lançamentos contábeis pelo regime de caixa e as folhas de pagamento e serem elaboradas pelo regime de competência. Sugeriu, pelo bom senso e pelo princípio da razoabilidade, a correção da falta (fl. 112). Intimado o contribuinte para se manifestar sobre a diligência (fls. 69), não apresentou qualquer manifestação (fls. 114/115/116/117). Encaminhados os autos ao Conselho, mais uma vez foi convertido o julgamento em diligência com a finalidade de a Receita Federal verificar qual o momento ocorreu a correção da falta: se antes ou depois do auto de infração (fl. 125). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 Às fls. 128/129, informou a Receita Federal que auto de infração deveria ser considerado improcedente por força da publicação da Lei nº 12.024/09 cujo art. 12 anistiou os agentes públicos penalizados pelo art. 41 da Lei nº 8.212/01. Devolvidos os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 131), segue o julgamento. Eis o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 36902.000042/200385 Acórdão n.º 2302002.454 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Tratase de julgamento após diligência realizada pela Receita Federal, tal como exposto no relatório acima. O Auto de Infração em análise consiste no fato da Prefeitura Municipal de Porto Seguro não ter observado, no período de 03/2001 a 03/2002, a norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade de informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. No entanto, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação foi imposta ao gestor público, conforme documentos anexados às fls. 19/20. Ocorre que, em meados de 2009, com a publicação da Lei nº 12.024/09, foram anistiados os agentes públicos penalizados pelo art. 41 da Lei 8.212/91, assim prescreve: "Art. 12 São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação desta Lei, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009." Tendo em vista que a infração imputada ao gestor público decorre do art. 41 da Lei nº 8.212/90, norma revogada pela Lei nº 12.024/09, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, não há razão para prosseguir com a cobrança em face do Sr. José Ubaldino Alves Pinto Júnior, dirigente da Prefeitura Municipal de Porto Seguro. Por todo o exposto, Dou PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com fundamento no art. 12 da Lei 12.024/09, extinguindo a totalidade do crédito tributário. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 11080.723136/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 13 6/ 20 09 -1 0 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2008 a 30/09/2008 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno e exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil descreve em sua Informação fiscal as irregularidades fiscais por ele constatadas, as quais são a seguir indicadas resumidamente: 1. inclusão indevida na base de cálculo dos créditos da COFINS não cumulativo de despesas sem amparo legal: 1.1. Controle de pragas; 1.2. Despesas com movimentação de cargas e fretes de transferência entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica; 1.3. Despesas com fretes incorridos na operação de compra de bens não sujeito a tributação do PIS/PASEP e da COFINS (arroz beneficiado, alíquota zero); 1.4. Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão para a contribuição para a COFINS (arroz em casca e cana de açúcar) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao período do 1º ao 3ºo trimestres de 2008. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese: “ Sustenta seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com o controle de pragas, o qual se trataria de serviço indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus argumentos, cita etranscreve legislação e atos normativos tributários, jurisprudência administrativa, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela ANVISA. Da mesma forma, considera as despesas com serviços de armazenagem de cargas, relativas ao comodato do armazém cedido e ao aluguel de pallets para o acondicionamento dos produtos, como intrínsecas à sua atividade e portanto seriam legítimos os créditos calculados sobre as mesmas. Junta exemplos de notas fiscais e informa Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 4 3 que embora algumas notas emitidas pela empresa ALL declarem equivocadamente o serviço prestado como sendo de “movimentação de cargas”, todas as notas sobre as quais apurou créditos se refeririam a “armazenagem de cargas”. Anexa também o respectivo contrato de serviço para comprovar o equívoco na denominação existente nas notas. Acrescenta que também tomou serviços de transporte e armazenagem de outras empresas, por exemplo da empresa ASTRA, que além da prestação de serviços de transporte, também lhe presta o serviço de armazenagem, o que lhe possibilitou o creditamento das despesas de armazenagem. Informa que os pallets seriam equipamentos alugados para o acondicionamento do arroz, objetivando o armazenamento seguro das mercadorias, portanto se tratariam de despesas obrigatórias e intrinsecamente vinculadas às despesas de armazenagem, o que igualmente legitimaria o respectivo creditamento. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações devenda. Discorre sobre sua necessidade de possuir diversos centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Conclui, então, que pelas razões logísticas expostas, as operações de fretes entre seus estabelecimentos seriam apenas um desdobramento das operações de venda. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Defende a apuração de créditos sobre os fretes incorridos nas operações de compra de bens não sujeitos a tributação do Pis/Pasep e da Cofins. No caso, aponta que a autoridade administrativa teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tão somente sobre os valores referentes às despesas de fretes dos produtos e não sobre os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero destas contribuições. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete fosse arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição dos insumos tributados à alíquota zero contempla apenas o preço de aquisição das mercadorias, sendo o frete das mercadorias de responsabilidade do comprador. Cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento e conclui pela legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que, no caso do arroz em casca, a manifestante não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Novamente cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que o advento da IN SRF nº 977, de 14 de Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 5 4 dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para tornar obrigatória a aplicação da suspensão em todos os casos elencados no Art. 2º da IN 660/66. Desta forma, sustenta que a nova Instrução Normativa modificou o sentido que até então era vigente para o caso, ou seja, trouxe uma inovação no ordenamento, tornando obrigatório o que antes era facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não era obrigatória, sendo ela, portanto, uma opção do contribuinte. Acrescenta, ainda, que nas Notas Fiscais de aquisição do arroz em casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art. 2º, § 2º da IN 660/06. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para amparar seu entendimento. Em relação às aquisições de cana de açúcar, reitera os mesmos argumentos acima expostos (para as aquisições de arroz em casca) e reforça que sequer existiria possibilidade de enquadramento na IN 660/06 pois, no caso da canadeaçúcar não há que se falar em industrialização por parte da Manifestante, considerando que apenas efetuaria a compra da canadeaçúcar, com posterior remessa para industrialização por encomenda e receberia o açúcar, o qual seria posteriormente comercializado, conforme Notas Fiscais de remessa para industrialização juntadas ao processo. Assim sendo, não estaria a Manifestante, relativamente à cana de açúcar, adequada ao requisito do artigo 4º, inciso III da IN 660/06, sendo que, para o caso, não haveria qualquer regramento específico que incida sobre esta operação e se aplicaria, assim, a regra geral. Mais uma vez cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento no sentido de que deveria ser afastada a glosa de créditos relativos às aquisições de cana de açúcar. Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui guerreadas seja mantida a possibilidade de registro do crédito presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de desprovimento da presente Manifestação de Inconformidade, não poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de desacolhimento dos pedidos aqui trazidos. Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida, para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido. Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 6 5 processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 Ementa: DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matériaprima. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DO DIREITO Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 7 6 II. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS II. II – DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS II. III DAS DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS E FRETES DE TRANSFERÊNCIA II. III. 1 DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS II. III. 2 DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIA II. IV DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE BENS “NÃO SUJEITOS” A TRIBUTAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS II. V – DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SEM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS II.V.1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. V. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 II V. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 II. V. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II.V.5 EQUÍVOCO REFERENTES À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇUCAR II.V.6 – PEDIDO SUCESSIVO –ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO II. VI. DA PERÍCIA III DO PEDIDO Formula seu pedido nos seguintes termos: “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legalidade. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido.” Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 8 7 Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: Em que pese alguns fornecedores terem respondido ao item 1.15 do Termo de Início de Fiscalização informando não terem realizado a operação de venda com suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins, é fato inquestionável de que as condições para a ocorrência da suspensão das contribuições ocorreram, tendo portanto o adquirente direito a crédito presumido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e não crédito integral na forma do art. 6º da Lei 10.833/2003 para a Cofins e art. 5º da Lei 10.637/2002 para o Pis?Pasep, ou seja tal atitude por parte de alguns fornecedores não tem o condão de afastar o disposto no art. 9º da Lei 10.925/2004, tornando portanto ilegítima a pretensão da empresa SLC Alimentos de obter o crédito integral, nos termos da Lei 10.833/2003 e 11.116/2004 referente a estas aquisições. Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais emitidas no período em questão não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente: Como pode ser observado nas notas fiscais emitidas no período em questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, requisito formal exigido pelo art. 2º, § 2º da IN nº 660/06. Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na nota fiscal de seus fornecedores, a Recorrente entendeu que as Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 9 8 operações de compra de arroz em casca de cooperativas e demais pessoas jurídicas ocorridas no período, não deveriam ensejar o registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições aplicamse as regras gerais da nãocumulatividade, tal qual exposto alhures, restando à Recorrente o direito de registrar crédito integral sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS), tendo em vista que as operações realizadas pelos fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando sujeito à suspensão de sua exigibilidade pelo Fisco, por não cumprimento de requisitos necessários). Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais de 03 (três) fornecedores: SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, EFEGÊ ARMAZENAMENTO E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA e ENGENHO A. M. LTDA, onde não consta a referida expressão. No entanto, na relação de fls. 466/487 estão relacionados diversos fornecedores para os quais a Recorrente não trouxe cópia das notas fiscais. De outra banda, confirmase a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que no corpo de algumas notas fiscais consta que a venda foi efetuada com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins. No entanto, a Fiscalização não identificou para quais compras está provado que Recorrente efetuou a aquisição de arroz em casca e canadeaçúcar com e sem suspensão do PIS e da Cofins. Outro fato relevante é que, no período de apuração objeto deste processo, a Recorrente adquiriu arroz em casca e cana de açúcar de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia de nota fiscal, conforme “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” e “Relação das notas fiscais de aquisição de canadeaçúcar com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização (fls. 466/487). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca e canadeaçúcar com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06, posto que há indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações. Para o julgamento da lide, há necessidade de se comprovar que a mercadoria efetivamente saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário esta comprovação, conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 10 9 Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 (possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins). Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre os produtos e serviços utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são empregados e com qual objetivo. Deve, portanto, a Fiscalização solicitar à Recorrente informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.723136/200910 Resolução nº 3302000.316 S3C3T2 Fl. 11 10 4 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar: 7.1 data da apuração do crédito (separar por período de apuração); 7.2 número da nota fiscal de aquisição; 7.3 nome e CNPJ do fornecedor; 7.4 descrição do produto/serviço adquirido; 7.5 valor do produto/serviço adquirido 7.6 descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. 8 Manifestarse sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, a que se refere o item anterior; 9 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 10 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 11070.001676/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS OBJETO DE CESSÃO.
MANTIDA NATUREZA DE TERCEIRA. IMPOSSIBILIDADE DE USO
NOS PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO.
Os créditos referentes a obrigações tributárias oriundas de fatos geradores
praticados por sujeito distinto daquele que os adquiriu por meio de cessão,
por continuarem sendo de terceiros, não podem ser utilizados nos
procedimentos de compensação tributária. A cessão de crédito, nos termos do
Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins
de compensação. Deve haver identidade subjetiva entre o contribuinte que
deu causa ao fato gerador originário da obrigação tributário e aquele que
pleiteia a compensação junto ao Fisco.
O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda expressamente a utilização de créditos de
terceiros.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos
e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.517
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o
Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; B) em dar provimento
parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº
9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o
Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de
votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do
voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS OBJETO DE CESSÃO. MANTIDA NATUREZA DE TERCEIRA. IMPOSSIBILIDADE DE USO NOS PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. Os créditos referentes a obrigações tributárias oriundas de fatos geradores praticados por sujeito distinto daquele que os adquiriu por meio de cessão, por continuarem sendo de terceiros, não podem ser utilizados nos procedimentos de compensação tributária. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Deve haver identidade subjetiva entre o contribuinte que deu causa ao fato gerador originário da obrigação tributário e aquele que pleiteia a compensação junto ao Fisco. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº Fl. 548DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 2 2 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; B) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face da COOPERATIVA MISTA SÃO LUIZ LTDA, no qual foram glosados os valores objeto de compensação da contribuição previdenciária da parte patronal incidente sobre a remuneração de seus empregados e contribuintes individuais, bem como sobre os pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho, referentes ao período de 07/2006 a 01/2007. Segundo afirmou o auditor no seu Relatório Fiscal (fls. 103/107), a ora Recorrente utilizouse de precatório de uma outra empresa localizada em São Paulo (Metasil Química Ind Com Ltda, CNPJ 61.263.224/000180), o que seria vedado pela legislação previdenciária. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 117/138) buscando desconstituir o lançamento pelo Fisco Realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pleito conforme se depreende da ementa abaixo transcrita (fls. 419/433): CESSÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. A comprovação da não repercussão financeira do indébito como atributo da Fl. 549DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 3 3 compensação/restituição (§10 do art. 89 da Lei n° 8.212/91) é garantia de créditos recíprocos entre duas pessoas, e, assim, óbice intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros. Lançamento Procedente Cabe destacar que o referido voto apreciou conjuntamente as impugnações apresentadas nos processos 11070.001675/200824 e 11070.001676/200879, conforme determinação da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, por terem os mesmos elementos de prova. No entender da decisão recorrida, foi procedente o lançamento realizado em virtude do fato de ter a Recorrente pretendido compensar o valor relativo às contribuições por ela devidas à Seguridade Social com as contribuições pagas indevidamente não por ela, mas por outro contribuinte. Assim, conclui que apenas a este caberia o exercício do direito de restituição ou compensação, pois, além das disposições legais específicas acerca do tema, afirma o CTN, ao tratar de sujeição passiva, que as convenções particulares relativas à definição do sujeito passivo não são oponíveis à Fazenda Pública. Inconformada com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando, em suma: a) A ausência de créditos de terceiros compondo a relação obrigacional tributária, já que a requerente os adquiriu, e os registrou publicamente em cartório e no seu patrimônio para, só então, oferecer à compensação. b) Que, conforme o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, quando o CTN, em seu artigo 170,estabelece formas de compensação pode o contribuinte, espontaneamente, independentemente de autorização fiscal, efetuar a compensação de créditos de mesma natureza. c) A aplicabilidade da lei vigente à época do recolhimento indevido ou a maior nos procedimentos de compensação. d) A ilegalidade de aplicação da taxa SELIC. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 550DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 4 4 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do mérito Da impossibilidade de utilização de créditos de terceiros nos procedimentos de compensação tributária Em seu Recurso, pugna a Recorrente pelo reconhecimento do procedimento de compensação de créditos tributários por ela realizado, em virtude de não haver, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, quaisquer créditos de terceiros compondo as relações jurídicotributárias discutidas no presente processo. Tal situação se deve ao fato de ter a Recorrente, segundo suas alegações, após a aquisição dos créditos por meio do procedimento de cessão, efetuado o devido registro público em cartório dos créditos adquiridos para, só então, oferecelos à compensação tributária. Afirma ainda que, conforme o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, o contribuinte está autorizado para efetuar, independentemente de autorização fiscal, a compensação de créditos tributários de mesma natureza. Ocorre que não há razões para reforma, neste ponto, da decisão recorrida, uma vez que a Recorrente pretendeu compensar contribuições devidas à Seguridade Social com contribuições pagas indevidamente não por ela, mas por outro contribuinte, sendo restrito a este, apenas, o direito potestativo de compensação dos valores pagos ao Fisco de forma equivocada. É que a compensação, uma das modalidades extintivas crédito tributário, pressupõe a existência de créditos e débitos entre as mesmas pessoas, no sentido de que apenas aqueles que deram causa ao fato jurídico embrionário formador da relação jurídica obrigacional é que podem, por serem, ao mesmo tempo, credores e devedores uns dos outros, dar causa à extinção das obrigações entre eles existentes nos limites até onde se compensarem. Destarte, ao contrário do que parece sugerir a Recorrente, a cessão de crédito e os procedimentos de registro em cartório por ela efetuados não tem o condão de afastar a natureza “de terceiro” dos créditos oferecidos em compensação, em virtude de ser tal característica inerente ao crédito adquirido, uma vez que o fato jurídico que a ele deu causa não foi praticado pela Recorrente, mas sim, por um terceiro. Tal preceito, inclusive, pode ser verificado na redação do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 173: Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 5 5 Dessa forma, se o sujeito passivo da obrigação tributária, em sentido amplo, pode ser definido como o praticante do fato jurídico tributário (SOUSA, 1975, pp. 92/3) ou ainda como alguém relacionado com o fato gerador da obrigação tributária (AMARO, 2006), resta claro que a cessão de crédito não modifica a identidade do sujeito passivo que, originariamente, deu causa ao fato gerador da obrigação tributária ao qual o crédito se refere. Destarte, os créditos referentes a obrigações tributárias oriundas de fatos geradores praticados por sujeito distinto daquele que os adquiriu por meio de cessão, por continuarem sendo de terceiros, não podem ser utilizados nos procedimentos de compensação tributária, sendo este, inclusive, o entendimento pacífico dos Tribunais Pátrios, conforme se depreende das ementas dos julgados abaixo colacionadas: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da compensação tributária está previsto no art. 170 do CTN. Essa compensação pressupõe créditos e débitos entre as mesmas pessoas, nos termos do que preceitua o artigo 368 do Código Civil. 2. Com a edição da Lei nº 11.051/04, que modificou o art. 74 da Lei nº 9.430/96, passou a ser expressa a proibição, em seu § 12, de qualquer hipótese de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. 3. Remessa necessária e apelação providas. TRF2, AMS 64017, Rel..: Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, Órgão Julgador: QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, Julgado em: 09/08/201, DJe: 22/08/2011) (Grifo meu) TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 74 DA LEI nº 9.430/96. 1 Não há previsão legal autorizando a utilização de créditos de terceiros para quitação de débitos da apelante. Pelo contrário, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, há expressa menção que os créditos apurados perante à Secretaria da Receita Federal poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, e não de terceiros. 2 2 A atual redação do art. 74 da Lei 9.430/96 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros, considerando como não apresentada a declaração de compensação em que os créditos sejam de terceiros (art. 74, § 12, II, "a", na redação dada pela Lei 11.051/2004). 3 No caso, a manifestação de inconformidade foi apresentada em fevereiro de 2008, quando já se encontravam em vigor as limitações impostas pela Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 11.051/2004, razão pela qual essas limitações merecem ser aplicadas à situação dos autos. 4Mesmo que as alterações promovidas pela Lei nº 11.051/2004 à Lei nº 9.430/96 fossem consideradas não aplicadas à hipótese dos autos, em razão de ter entrado em vigor após as declarações de compensação apresentadas pela apelante, ainda assim a compensação com créditos de terceiros é considerada não permitida, uma vez que a legislação em vigor à época das aludidas declarações só permitia a compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. 5 Apelação improvida. (TRF2, AC 437363, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, Órgão Julgador: QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, Julgado em: 26/04/2011, DJe: 05/05/2011) (Grifo meu) TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 74, §§ 12 E 13 DA LEI N.º 9.430/96. LEI N.º 11.051/2004. APLICABILIDADE IMEDIATA. 1. Não obstante o artigo 170 do CTN disponha que a lei pode nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a Fl. 552DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 6 6 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, nos termos do §§ 12 e 13, do artigo 74, da Lei n.º 9.430/96, somente é admitido, para fins de compensação, o aproveitamento de créditos advindos de tributos pagos indevidamente pelo próprio pretendente. 2. A Lei n.º 11.051/2004, que introduziu os §§ 12 e 13 ao artigo 74, da Lei n.º 9.430/96, é lei de caráter meramente procedimental e, portanto, goza de aplicaão imediata. 3. Apelação improvida. (TRF 2, AMS 67191, Rel.: Desembargadora Federal SALETE MACCALOZ, Órgão Julgador: Terceira Turma Especializada, Julgado em: 19/10/2010, DJe: 04/11/2010) (Grifo Meu). Diante de tão claros precedentes, não há que se admitir a utilização de créditos oriundos de terceiros nos procedimentos de compensação tributária, uma vez que nestes é apenas admitido o uso de créditos cujos fatos geradores foram originariamente praticados pelo mesmo contribuinte que pleiteia a compensação, o que não é o caso dos autos. Ora, sabese que a compensação tributária é modalidade extintiva do crédito tributário e está regulada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 170: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Todavia, conforme já esclarecido acima, para que seja possível a compensação é necessário que haja uma identidade subjetiva entre o contribuinte que deu causa ao fato gerador originário da obrigação tributária e aquele que pleiteia a compensação junto ao Fisco. Para regular este procedimento, inicialmente foi editada a Lei nº 8.393/91, a qual autorizava, o contribuinte a compensar os tributos e contribuições de mesma espécie pagos de forma indevida ou a maior, conforme se depreende do artigo 66 do referido dispositivo legal: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes Posteriormente foi editada a Lei nº 9.430/96, modificada pela Lei 10.837/2002, que disciplinou, no âmbito tributário, o procedimento de compensação, conforme a sistemática verificada nos seus artigos 73 e 74, abaixo em destaque: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será abatido à conta do tributo ou da contribuição a que se refere; Fl. 553DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 7 7 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. §1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º. A compensação declarada à Secretaria da receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. §3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. §4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para efeitos previstos neste artigo. §5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Depreendese, dos mencionados dispositivos legais, que a compensação tributária pressupõe a utilização de créditos do próprio contribuinte para a quitação de seus débitos junto à Receita Federal, não havendo qualquer menção, em virtude das razões acima discutidas, acerca da possibilidade de compensação com créditos de terceiros. E sendo a compensação dependente de autorização legal, nos termos do art. 170 do CTN, carece ao contribuinte o direito de utilizar créditos adquiridos de terceiros se não há dispositivo legal neste sentido. Além do mais, conforme a alínea “a”, do inciso II, do §12, do artigo 74 da Lei 9430/96, é expressamente vedada a utilização de créditos de terceiros nos procedimentos de compensação tributária, sendo consideradas, inclusive, como não apresentadas as declarações de compensação em que os créditos sejam de terceiros, em virtude de ser necessária a apuração da liquidez e certeza pelo agente arrecadador. In verbis: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Este Conselho, em diversas oportunidades, posicionouse neste sentido: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS PRECATÓRIOS PREVISÃO LEGAL PRINCÍPIO DA Fl. 554DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 8 8 LEGALIDADE – VINCULAÇÃO. Não há previsão legal para a realização de compensação com créditos adquiridos de terceiros. Pelo Princípio da Estrita Legalidade a administração pública só pode agir de acordo com o que a lei determina. Recurso Voluntário Negado. (Processo 35242.000498/200484, RV 242627, SCA INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA, Sessão em 06/08/2008, Rel. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Assim, não há qualquer regularidade no procedimento de compensação de créditos realizado pela Recorrente, razão pela qual deve ser mantida a decisão alvo do presente Recurso Voluntário, sendo procedente, neste ponto, o lançamento pelo Fisco realizado. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 9 9 Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de Fl. 556DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 10 10 multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Fl. 557DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 11 11 Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição Fl. 558DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 12 12 de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 559DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 2301002.517 S2C3T1 Fl. 13 13 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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