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Numero do processo: 19404.000032/2007-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
Numero da decisão: 1002-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DCTF Recorrente C RUBIM MERCEARIA ME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 40 4. 00 00 32 /2 00 7- 75 Fl. 70DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 47) interposto contra o Acórdão n° 12 59.092, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (efls. 42 à 44), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: 6. Na Impugnação o contribuinte afirma que por ser microempresa está dispensado de apresentar DCTF e que foi desenquadrado desta condição em 31/05/2005, sem ser comunicado do fato. Só apresentou retificação para lucro presumido, o que ocasionou a multa, por receber insistentes ligações da secretária de um senhor chamado Queops, sob pena de fechamento da empresa. 7. Não é possível atender aos pedidos da Impugnante, uma vez que na consulta ao SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples, que consta dos autos, fls. 26/27, constatasse que a mesma foi excluída do Simples através do ADE – Ato Declaratório de Exclusão 281819, com efeitos da exclusão a partir de 01/11/2000, por pendências junto a PGFN – nº do débito 70697036130. Consta também, fls. 29, consulta ao CNPJ da Impugnante, demonstrando que a mesma foi excluída do Simples com data de efeito a partir de 01/11/2000; informações que ratificam o Despacho da Delegacia da Receita Federal em Campos de Goytacazes. Logo, a Impugnante estava obrigada a apresentar as DCTF que deram origem ao lançamento. 8. Isto posto, rejeito as razões da impugnação e mantenho o crédito lançado. Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário apresentam novas teses defensivas, abordando supostas inconsistências no procedimento de exclusão do SIMPLES, verbis: Na qualidade de procurador da Empresa C RUBIM MERCEARIA, venho através desta, solicitar de V.Sas que promovam uma verificação mais detalhada, no tocante ao Auto de Infração acima destacado, em razão da cobrança de multa por atraso na entrega da DCTF, tratase de uma Microempresa , ficando assim dispensada da apresentação da DCTF, conforme faculta o Art. 2 da IN SRF/2101. A referida empresa foi desenquadrada em 31/05/2005 da condição de Micro Empresa sem que tivéssemos conhecimento, e , posteriormente , seguindo orientações da secretária do sr. QUEOPS , que nos ligava insistentemente sob pena de fechamento da empresa, para que fizéssemos declaração Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19404.000032/200775 Acórdão n.º 1002000.220 S1C0T2 Fl. 71 3 retificadora dos últimos 05 (cinco) anos para Lucro Presumido, o que certamente gerou a multa em questão. Portanto entendemos que houve um lapso quando da apresentação das referidas declarações, e assim sendo solicito que a mesma seja reenquadrada novamente e retorne para a condição de Micro empresa, sem que haja qualquer ônus e prejuízo para a mesmja. Diante dos fatos vislumbramos a possibilidade de nos convidarem para que, pessoalmente, possamos tomar conhecimento e entender todo esse processo que culminou com o desenquadramento da mesma, uma vez que na agência em Macaé, o esclarecimento nem sempre é satisfatório e desimpedido de dúvidas, além do mais achamos uma injustiça tal penalidade, pois tratase de uma empresa que com muitas dificuldades sempre procurou pagar em dia seus impostos, apesar de estar localizada num dos municípios mais pobres do Estado, tendo seu estabelecimento apenas 16 metros quadrados. (foto anexo). Na certeza de um pronto atendimento, desde já apresento meus protestos de consideração e elevada estima. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Percebese, de imediato, que os argumentos abordados em sede de Recurso Voluntário encontram amparo fático. De plano, destaco que a Unidade de Origem em momento algum logrou comprovar que o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES n° 281819 foi efetivamente levado a conhecimento da Contribuinte. Nessa trilha, anoto que o Sistema SIVEX também não localizou a segunda via do indigitado ADE (efl. 34): Fl. 72DF CARF MF 4 Impende destacar que a Contribuinte foi reticente ao relatar que em momento algum fora informada da existência de Ato de Exclusão do SIMPLES. Noutro giro, demandar a exibição de tal ADE por parte da Recorrente significaria uma inversão do ônus em desfavor desta, o que é inadmissível em Lei. Nessa trilha , transcrevo o teor do indigitado Recurso, com o escopo de evidenciar a concatenação argumentativa da empresa: A firma C.RUBIM MERCEARIA ME localizada a Rua Coronel Castro 213, Porto, Conceição de Macabu/RJ CEP 28.740.000, representada por seu procurador abaixo assinado, atendendo a intimação n° 343/2013 (doc 01), conforme cópia em anexo, vem dizer que recebeu a mesma no dia 03/10/2013, documento este assinado por V,S^ em 25/09/2013 , na qual vem expor e solicitar mediante aos fatos a seguir. A referida intimação acompanhada do acórdão 1259.092 da 8 Turma da DRJ/RJ1, cuja copia em anexo, referese a multa de DCTF 4° trimestre 2002 fora do prazo. O que originou esta multa foi o fato de termos atendido o COMUNICADO 42/2005, conforme copia em anexo, (doc 02) quando fomos obrigado fazer apresentação da DIPJ, pelas razões já fundamentadas anteriormente. Creio ser de conhecimento de V.S^, Isto posto, solicito o IMPUGNAMENTO E ARQUIVAMENTO do processo 19.04.000.032/200775 e intimação n2 343/2013, uma vez que, o COMUNICADO 009/2013, de Fevereiro de 2013 . (conforme copia em anexo) (doc 03) tornase sem EFEITO, a intimação ns 343/2013 de 25/09/2013 . Pois a COMUNICAÇÃO N° 009/2013 já se pronunciou em julgamento em sessão de 22/11/2011, acórdão n° 180100.785 proferido pela ia turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dizendo o seguinte: COMUNICADO n° 42/2005. NÃO SE REVESTE DAS MÍNIMAS FORMALIDADES LEGAIS CAPAZES DE LHE ATRIBUIR O COMPETENTE PODER PARA EXCLUIR A EMPRESA DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. COMO SE VERIFICA FACILMENTE, O REFERIDO COMUNICADO NÃO DÁ NOTÍCIAS, SEQUER, DA DATA DO ATO QUE EXCLUIU A EMPRESA DO SIMPLES NEM A PARTIR DE QUAL DATA SE VERIFICARIAM OS EFEITOS DESSA EXCLUSÃO, PARA DIZER O MÍNIMO. SEM MENCIONAR QUE NÃO HÁ REFERÊNCIA A ABERTURA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19404.000032/200775 Acórdão n.º 1002000.220 S1C0T2 Fl. 72 5 INCONFORMIDADE. CASO SEJA O COMUNICADO NS 42/2005, O ATO FORMAL QUE PRETENDEU EXCLUIR A FINALIZANDO DIZ AINDA: A AUTUAÇÃO NÃO PODE PROSPERAR POR ABSOLUTA FALTA DE MOTIVAÇÃO. Diante dos fatos acima, está bem claro, que houve um lapso na autuação inicial, já tendo sido resolvido e julgado procedente a nossa DEFESA, como consta a COMUNICAÇÃO 009/2013. Portanto solicito que a intimação 343/2013, seja IMPUGNADA /ARQUIVADA, por ser de inteira justiça. Portanto, o único desfecho viável ao caso em tela é declarar a nulidade da decisão a quo, por inegável cerceamento de defesa. Aliás, especificamente no que cinge ao Acórdão da DRJ, é possível notar que o i. Julgador também sequer aborda a inexistência de comunicação à Recorrente, embora este aspecto tenha sido mencionado desde sua exordial defensiva. Eis o teor do Acórdão mencionado: 5. A impugnação apresentada é tempestiva, conforme informação de fls.40, e, por reunir os demais requisitos de admissibilidade, dela conheço. 6. Na Impugnação o contribuinte afirma que por ser microempresa está dispensado de apresentar DCTF e que foi desenquadrado desta condição em 31/05/2005, sem ser comunicado do fato. Só apresentou retificação para lucro presumido, o que ocasionou a multa, por receber insistentes ligações da secretária de um senhor chamado Queops, sob pena de fechamento da empresa. 7. Não é possível atender aos pedidos da Impugnante, uma vez que na consulta ao SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples, que consta dos autos, fls. 26/27, constatase que a mesma foi excluída do Simples através do ADE – Ato Declaratório de Exclusão 281819, com efeitos da exclusão a partir de 01/11/2000, por pendências junto a PGFN – nº do débito 70697036130. Consta também, fls. 29, consulta ao CNPJ da Impugnante, demonstrando que a mesma foi excluída do Simples com data de efeito a partir de 01/11/2000; informações que ratificam o Despacho da Delegacia da Receita Federal em Campos de Goytacaze. Logo, a Impugnante estava obrigada a apresentar as DCTF que deram origem ao lançamento. Por fim, assevero que a Contribuinte teve seu crédito igualmente exonerado por semelhantes motivos por este i. Colegiado em ocasião pretérita, quando do julgamento do processo n° 19404.000029/200751, consubstanciado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 74DF CARF MF 6 MULTA ATRASO ENTREGA DE DIPJ Tendo sido a motivação do auto de infração a entrega intempestiva de DIPJ pelo Lucro Presumido, cuja obrigatoriedade teria se verificado a partir da suposta exclusão da empresa da sistemática do Simples, não provada nos autos, não resta demonstrada a obrigatoriedade da entrega da DIPJ Lucro Presumido e não se vislumbra fundamento algum para a manutenção da exigência. O que se constata, a partir do que foi até aqui narrado, é que o órgão de origem não localizou o competente Ato Declaratório de Exclusão que teria declarado a exclusão da empresa da sistemática do Simples. Assim, o saneamento pretendido pela DRJ no Rio de Janeiro/RJOI, não foi efetuado, em que pese ter sido superado no voto condutor do acórdão. Cumpre salientar que o fato de a pesquisa no sistema Sivex (fl. 24) indicar que: (i) teria sido emitido, em 29/09/2000, o Ato Declaratório de Exclusão n º 281819 e (ii) teria sido gerada correspondência para a empresa juntamente com extrato dos débitos inscritos na PGFN; não prova que a empresa interessada foi devidamente cientificada do referido ato de exclusão. Observo, ainda, que o “Comunicado” de n º 42/2005 (cópia à fl. 37) não se reveste das mínimas formalidades legais capazes de lhe atribuir o competente poder para excluir a empresa da sistemática do Simples. Como se verifica facilmente, o referido comunicado não dá notícia, sequer, da data do ato que excluiu a empresa do simples nem a partir de qual data se verificariam os efeitos dessa exclusão, para dizer o mínimo. Sem mencionar que não há referência a abertura de prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Caso seja o “Comunicado n º 42/2005”, o ato formal que pretendeu excluir a empresa do Simples, ele não possui validade alguma para o fim pretendido. De outro giro, enquanto não restar comprovada a existência do Ato Declaratório de Exclusão n º 281819, e demonstrada a sua publicidade ou sua remessa, via postal, com prova de recebimento no domicílio fiscal da empresa, para a imprescindível ciência desta, a autuação não pode prosperar por absoluta falta de motivação. Isto porque a motivação do auto de infração foi a entrega intempestiva de DIPJ pelo lucro presumido. Ora, se a empresa não estava obrigada à entrega da DIPJ pelo lucro presumido pois não restou provada a sua exclusão da sistemática do Simples e, tendo apresentado tempestivamente as declarações anuais simplificadas – PJ Simples, conforme cópias às fls. 38 a 40, não se vislumbra motivo ou fundamento algum para a manutenção da exigência. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19404.000032/200775 Acórdão n.º 1002000.220 S1C0T2 Fl. 73 7 Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a conseqüente anulação da decisão de origem e exoneração do crédito tributário. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907586/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
Numero da decisão: 1402-001.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.907586/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402 001.045 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/05/2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ARPET REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.15548.ZZ16. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.907586/200820 Acórdão n.º 1402 001.045 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação (Dcomp), através da qual a interessada solicita a compensação do valor de IRPJ apurado no 3° trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com suposto recolhimento indevido do IRPJ em 29/10/1999,no código de arrecadação 5993 e fato gerador ocorrido em 30/09/1999. Através do Despacho Decisório com n° de rastreamento 775529484 (fl. 09) a autoridade administrativa da Receita Federal do Brasil (RFB) não homologou a solicitação, tendo em vista que o pagamento em questão teria sido totalmente utilizado para quitar débito declarado pelo sujeito passivo, inexistindo assim crédito a ser compensado. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 11/18, com documentação de fls. 19/48) a interessada reclama que a decisão questionada teria analisado apenas as informações constantes da DCTF sem examinar a DIPJ, entregue na mesma data de transmissão da Dcomp. Sustenta que deveriam prevalecer os dados constantes da DIPJ e afirma que estaria retificando a DCTF para a correta adequação. Tece arrazoado teórico para defender o direito à repetição do indébito sob pena de se caracterizar o enriquecimento sem causa do Poder Público e, por fim, requer a atualização monetária pela taxa SELIC do valor a ser restituído. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1227.705 (fls. 64/68) considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade e mantendo o entendimento do Despacho Decisório. Posicionouse o Acórdão no sentido de que não há previsão legal para que o declarante escolha, entre as informações que prestou ao Fisco (Darfs, DIRFs,.DIPJs e DCTFs etc. )a que deve prevalecer para fins de homologação de compensação, como também não existe previsão legal para que a informação prestada em DIPJ se preste a retificar Dcomp. Acrescenta que a reclamante não teria trazido provas documentais ou escriturais de que o valor informado na DIPJ seria o correto nem demonstrou a entrega da DCTF retificadora. Nesse caso as informações veiculadas em DIPJ não produzem o efeito pretendido pelo interessado, qual seja, o de alterar dívida confessada em DCTF. Finaliza sustentando que, mesmo que DIPJ tivesse efeito retificador de DCTF, o interessado sequer especificou o valor do débito a ser compensado (porque se limita a afirmar que "deve prevalecer o débito informado em DIPJ"). Devidamente cientificada (fl.69), a interessada recorre a este Colegiado (fls. 71/79, com documentos de fls. 80/94) ratificando em essência as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.15548.ZZ16. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.907586/200820 Acórdão n.º 1402 001.045 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Conforme exposto no Relatório, tratase de Dcomp através da qual a interessada solicita a compensação do valor de IRPJ apurado no 3° trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com suposto recolhimento indevido do IRPJ em 29/10/1999, no código de arrecadação 5993 e fato gerador ocorrido em 30/09/1999. Atentese para o fato de que o crédito e o débito referemse ao IRPJ com o mesmo fato gerador (30/09/1999), mesma data de vencimento (31/10/1999) e mesmo valor (R$ 3.504,85). A diferença está no código de arrecadação, pois no caso do suposto pagamento indevido o recolhimento foi efetuado com o código de arrecadação 5993 enquanto o débito a ser compensado tem o código 2089. Como informado acima, o código 2089 corresponde ao IRPJ para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Já o código 5993 referese ao pagamento do IRPJ devido a título de estimativa para as pessoas jurídicas não obrigadas à apuração do lucro real. A DCTF referente ao 3° trimestre de 1999 foi entregue em 13/10/1999 (fl. 61) com a indicação do débito de IRPJ a título de estimativa (cód. 5993) referente ao período de apuração no mês de agosto /99 no valor de R$ 1.803,47 e no mês de setembro/99 no valor de R$ 3.504,85 (fl. 62). Em relação a mês de setembro, objeto da presente solicitação, foi efetuado o pagamento (fl. 63) sob as condições informadas na DCTF. Portanto, a princípio não haveria que se falar em pagamento indevido. De acordo com as informações constantes dos arquivos da RFB (fls.50/51) , a interessada apresentou quatro DIPJs para o anocalendário de 1999. Excluindose as canceladas pelo sistema, constatase que em 29/06/2000 foi apresentada a DIPJ n° 0702096 sob a sistemática do lucro real. Nesse caso, mais um motivo para se considerar a razoabilidade da existência de recolhimentos feitos a título de estimativa do imposto. Entretanto, na mesma data em que foi transmitida a Dcomp sob exame (27/03/2004) a interessada apresentou DIPJ retificadora com apuração de resultado sob a sistemática do lucro presumido. Nessa Declaração foi informado IRPJ devido no 3° trimestre no valor de R$ 5.963,88. A retificadora encontrase na situação cadastral "”RETIDA" indicando que não foi ainda integralmente processasa. Assim, num conceito simplista a interessada deseja "transformar" o pagamento da estimativa do imposto, feito sob regime do lucro real, em parcela de pagamento do imposto apurado sob o regime do lucro presumido. Tal procedimento não encontra amparo na legislação. As normas em vigência são extremamente restritivas quanto à mudança no regime de tributação do IRPJ. Poderseia imaginar, por exemplo, que tratandose do mesmo período de apuração, vencimento e valor, bastaria a retificação do código no DARF de 5993 para 2089 e a solicitação estaria atendida Fl. 11DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.15548.ZZ16. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15374.907586/200820 Acórdão n.º 1402 001.045 S1C4T2 Fl. 4 4 mesmo sem apresentação da Dcomp. Ao tratar dos pedidos de retificação de Documentos de Arrecadação, a Instrução Normativa SRF n° 403/2004, em redação mantida pela IN/SRF/ 672/2006 estabeleceu: Art. 10.Serão indeferidos os pedidos de retificação de Darf ou DarfSimples que versem sobre: (........) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por contrariar o disposto na legislação específica; (.......) A restrição também atinge a retificação da DIPJ nos termos efetuados pela interessada. Ao dispor sobre a retificação da DIRPJ, DIPJ e DITR; a IN/SRF n° 166/99 estabeleceu: Art. 4ºNo caso de DIPJ ou DIRPJ, , não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Mesmo que em prol da verdade material fossem superados todos os obstáculos formais supra mencionados, restaria ainda a circunstância de que a defesa da interessada preocupouse com aspectos teóricos do direito à repetição do indébito, sem trazer aos autos qualquer elemento de prova que embasasse o pleito. Não há como acatar o simplismo da afirmativa de que " a DIPJ está certa e a DCTF está errada" sem qualquer interesse ou esforço da interessada em demonstrar a origem do erro. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 12DF CARF MF Excluído Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.15548.ZZ16. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 25/05/2012 12:02:10. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 25/05/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 25/05/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.15548.ZZ16 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7FC4925B506F341651F318C5D09931407E860A73 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15374.907586/2008-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13811.002160/00-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA.
A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006.
Numero da decisão: 9303-006.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 21 60 /0 0- 18 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 186 a 188), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 219 a 223), sob a seguinte Ementa: Relatora: Fabiola Cassiano Keramidas Acórdão nº: 330201.034 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de Apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 LEI 9.430/96 – COMPENSAÇÃO TÁCITA – LAPSO TEMPORAL DE 5 ANOS. As compensações realizadas antes da Lei n° 10.833/03, também estão sujeitas ao prazo de homologação de 5 anos, conforme inteligência da Lei nº 9.430/96, artigo 74. Neste sentido, transcorrido o prazo mencionado sem qualquer manifestação da administração fazendária, as compensações devem ser reconhecidas como homologadas. Recurso Voluntário Provido. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 308 e 309), a PGFN utilizase como paradigma do Acórdão nº 2312.015, do Segundo Conselho de Contribuintes, que vai em sentido diametralmente oposto ao Acórdão recorrido, sendo que sua (extensa e detalhada) Ementa bem resume o que defende a PGFN, que é a irretroatividade dos efeitos de alterações promovidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela MP nº 135/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003) a qual, dentre outras coisas, estabeleceu o prazo de cinco anos para a homologação das compensações. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 374 a 382), nas quais resumese a pedir o não conhecimento do Recurso Especial, tendo (na sua visão) como base o art. 67 do RICARF, alegando que: 1) Foi trazido apenas um Acórdão paradigma, quando seriam exigidos dois; 2) A recorrente limitouse a transcrever a Ementa do acórdão paradigma e um trecho do Voto condutor, não tendo feito a comparação fática nem a analítica, “e muitos menos a confrontação dos pontos divergentes ...”. É o Relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Vencido Quanto ao conhecimento ou não do Recurso Especial, vejamos o que diz o RICARF nos dispositivos de interesse do artigo trazido pelo contribuinte em suas Contrarrazões: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. .................... § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) ................... § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. “Cai logo por terra” então o primeiro argumento do contribuinte, pois não é necessária a apresentação de dois paradigmas: até dois deles serão levados em consideração. Quanto à demonstração da divergência, como já dito, a Ementa do Acórdão paradigma é bastante extensa e detalhada, o que, ainda aliado ao esclarecedor trecho do Voto condutor, dispensa qualquer demonstração adicional da divergência, que seria até redundante, pois fica tão evidente a interpretação diametralmente oposta pela simples leitura do trazido no Recurso, até por quem não é familiarizado com o assunto. Não transcreverei os citados excertos do paradigma para não alongar por demais o meu Voto (no qual serão trazidas argumentações convergentes, com base nos mesmos dispositivos legais), além do que isto foi feito no Exame de Admissibilidade, onde chegase a dizer que “De imediato, com o contraste das ementas e das transcrições dos votos, resta evidenciada a divergência”. Conheço, assim, do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 5 4 No Mérito, não há como deixar de transcrever inicialmente a norma geral, insculpida no CTN, que regula o instituto da compensação, uma das formas de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Vejamos agora, na parte que interessa, a evolução legislativa na regulação da compensação tributária federal: 1) O art. 66 da Lei nº 8.383/91 só permitia a compensação “de tributos e contribuições da mesma espécie”; 2) Com o advento da Lei nº 9.430/96, art. 74, passou a ser permitida a compensação com tributos de espécies diferentes, mediante requerimento [Pedido de Compensação, em formulário papel)], sem prazo para análise pela autoridade administrativa responsável. Vejamos a redação original do caput do referido artigo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. 3) A Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) promoveu substanciais alterações, por meio do seu art. 49 (que produziu efeitos somente a partir de 01/10/2002), dentre outras, no que interessa à discussão, a introdução dos §§ 1º, 2º e 4º no “nodal” art. 74 da Lei nº 9.430/96: § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. ................... § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. A partir de 01/10/2002, então: (i) a compensação não era mais via requerimento, mas sim através de uma Declaração de Compensação [inicialmente em formulário (papel) e depois, como regra, em meio eletrônico, via Programa PER/ DCOMP]; (ii) a simples Declaração de Compensação extinguia o crédito tributário, mas sob condição Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 6 5 resolutória de sua ulterior homologação (inicialmente sem definição de prazo) e (iii) os Pedidos de Compensação ainda não apreciados foram “convertidos” em Declarações de Compensação (da mesma forma, sem prazo para análise). 4) Posteriormente a Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), através do seu art. 17 (que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003), trouxe outras alterações bastante significativas, dentre outras, no que interessa a discussão, as consignadas nos §§ 5º e 6º: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A partir de 31/10/2003, então: (i) foi estabelecido um prazo máximo, de cinco anos da entrega da Declaração de Compensação para que a autoridade administrativa competente, sendo o caso, não homologasse ou homologasse parcialmente a compensação declarada (devidamente cientificado o contribuinte desta decisão), sob pena de homologação tácita (ii) a Declaração de Compensação passou a constituir confissão de dívida, sendo que, a exemplo da DCTF, para a sua cobrança era dispensada a constituição do crédito tributário pelo lançamento (com a diferença de que foi facultado ao contribuinte recorrer, no rito do PAF). A discussão aqui, para a solução da lide posta, é se estas alterações promovidas na Lei nº 9.430/96 seriam retroativas ou não, pois o histórico é o seguinte: Em 14/11/2000, contribuinte protocolou um Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI (fls. 003 e 004), relativo ao 3º trimestre de 2000, no valor de R$ 117.380,47 e, na mesma data, a ele vinculado, um Pedido de Compensação (fls. 005) com um débito da Cofins cumulativa, no mesmo valor, com vencimento precisamente na data do protocolo. Em 26/07/2006, ao cabo da pertinente verificação fiscal por parte da Unidade jurisdicionante (DERAT/São Paulo), foi emitido Despacho Decisório (fls. 131) deferindo parcialmente o Pedido de Ressarcimento, ao reconhecer um direito creditório de apenas R$ 91.826,35 e, conseqüentemente, homologando a compensação a ele vinculada até o valor reconhecido, decisão esta da qual o contribuinte foi cientificado em 18/08/2006 (fls. 133). Assim, é fato que a não homologação parcial da compensação se deu mais de cinco anos após o protocolo do Pedido de Compensação. Em 06/09/2006, o contribuinte apresentou “Impugnação” (fls. 134 a 136) – na realidade, Manifestação de Inconformidade, mas isto pouco importa –, na qual contesta tão somente a glosa parcial do crédito; A DRJ/Ribeirão Preto manteve a glosa (fls. 150 a 153); Em 15/01/2009, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 156 a 169), no qual, conforme bem observado no Voto condutor do Acórdão recorrido (fls. 220), Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 7 6 “inovou pleiteando o reconhecimento da homologação tácita da compensação realizada”, isto em razão do transcurso do prazo de cinco anos previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. No Acórdão Recorrido, como se depreende da Ementa, foi reconhecida a homologação tácita da compensação, ficando prejudicada, assim, a análise do Mérito. Como já vimos, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (que estabeleceu o prazo de cinco anos para homologação) foi introduzido pelo art. 17 da MP nº 135/2003, que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003, pelo que, admitir que ele atingisse compensações pleiteadas antes desta data seria, necessariamente, considerála retroativa. Quando tratamos de retroatividade das leis tributárias, não há como não se observar o previsto no art. 106 do CTN (repiso, norma geral) e lá não há como se encaixarem os multicitados dispositivos legais, notadamente por nada terem de interpretativos, além do que não estamos aqui a tratar de penalidades. E, indo além, como bem fez a PGFN, mesmo que trate de norma processual, não pode vir ela com potencial prejuízo (até mesmo o impedimento) da atuação da Administração em defesa do interesse público. Vista a questão sob o prima prático, é impensável que a lei simplesmente “passasse uma régua” sobre as compensações, instituto de capital importância para a arrecadação (mais precisamente, a sua não efetivação), homologando tacitamente diversas delas, sem que a Administração Tributária nada pudesse fazer a respeito ou, no mínimo, surpreendendo, de uma hora para outra, com efeitos retroativos, as autoridades competentes para decidir, em um prazo que elas desconheciam, ao qual elas simplesmente não estavam sujeitos, para a apreciação de pleitos de tamanha relevância, se visto o seu conjunto. Há ainda que se enfrentar o argumento dos que alegam que o prazo de cinco anos já estaria “embutido” na palavra “homologação” – fazendo referência ao prazo fatal de cinco anos do fato gerador para constituição do crédito tributário no caso de lançamento por homologação, previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Como bem colocado no Recurso Especial, esta visão está claramente consignada no Voto Condutor do acórdão recorrido (acrescentei mais um parágrafo, para melhor compreensão do aqui combato, tudo com grifos meus): “No ano de 2003, a Lei nº 10.833, uma vez que a declaração de tributos para posterior homologação nada mais é do que a síntese da própria espécie de lançamento por homologação (prevista nos §§ 1° e 4°, artigo 150, do Código Tributário Nacional — CTN) o legislador alterou o § 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, para reconhecer o prazo decadencial de 5 anos para a constituição do débito tributário no caso de inadequação do procedimento de compensação. Isto é, o contribuinte, ao declarar sua compensação, reconhece que deve um determinado valor, e informa que está procedendo à sua quitação por meio da compensação (inciso II, artigo 156, CTN). Ao analisar a compensação declarada, o agente fiscal homologa a declaração de extinção do crédito tributário ou, se entender que a compensação não está de acordo com os procedimentos legais, constitui o débito tributário no prazo de 5 anos, ...” Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 8 7 Ora, com a devida vênia, é descabida esta interpretação, pois, a compensação é forma de extinção do crédito tributário (implicando simples cobrança do débito indevidamente compensado) e o lançamento forma de sua constituição, o que absolutamente afasta esta “analogia” – que, ainda que admitida, por si só não poderia fazer o que só a legislação pode. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando que os autos retornem à competente Turma do CARF, para que analise o mérito da questão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Relator Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém fui designado para redigir voto vencedor em que a maioria do colegiado entendeu pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria trazida em âmbito do recurso especial é antiga e confesso que estou inaugurando, de minha parte, um novo entendimento sobre o assunto. Portanto, deixo claro que não há reparos a serem efetuados no voto vencido. Na verdade esta nova posição, a despeito do meu entendimento pessoal, que está expresso, por exemplo no Acórdão nº 9303 004390, decorre de uma nova releitura da legislação sobre o assunto e leva em conta sobretudo o disposto na Solução de Consulta Interna Cosit nº 01/2006. Tenho para mim que se a própria parte, no caso a RFB, manifestou parecer favorável à ocorrência da homologação tácita, desde a data do protocolo do pedido, não se torna viável deixar que o contribuinte fique aqui vencido e com ampla margem de chances de se tornar vencedor no âmbito do Poder Judiciário. Ou seja, há que se aplicar, no caso, o princípio da economia processual. Transcrevo abaixo trechos da SCI Cosit nº 01/2006, no qual fica evidente o entendimento da RFB a respeito da homologação tácita, contados desde a data do protocolo do pedido, para situações em que o pedido foi efetuado antes de 31/10/2003: (...) 8. No que se refere às compensações requeridas ou declaradas antes da edição da MP nº 135, de 2003, referido prazo para a homologação das compensações não teve sua contagem iniciada na data da publicação da referida MP, mas sim na data do protocolo da declaração de compensação (ou do pedido de compensação convertido em declaração de compensação) na unidade da SRF, conforme já regulado pelo art. 70 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. 9. Assim, a interpretação conferida pela DRJ/POA em sua consulta interna, no que diz respeito à ocorrência da homologação tácita de compensação requerida em 08/07/1997 e que somente foi apreciada (despacho proferido) em 21/01/2005, pode ser considerada correta no que se refere aos créditos abrangidos pelo caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Importante observar também que o próprio Poder Judiciário também vem assim decidindo, conforme decisão do STJ, abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 10 9 COMPENSAÇÃO DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada em 25/05/1998, onde foi apontada compensação indevida, havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu, de modo que inevitável a decadência do crédito tributário, nessa primeira linha de pensar. 4. No entanto, no caso em apreço não houve apenas DCTF. Há também pedido de compensação formulado pelo contribuinte datado de 01.12.1997 (Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701) atrelado a pedido de ressarcimento (Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639) que recebeu julgamento em 27/09/2001. 5. Os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 (vigência estabelecida pelo art. 63, I, da Medida Provisória n. 66/2002) foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo, constituindo o crédito tributário definitivamente, em analogia com a Súmula n. 436/STJ ("A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco") e extinguindo esse mesmo crédito na data de sua entrega/protocolo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo fisco, que poderia se dar no prazo decadencial de 5 (cinco) anos (art. 150, §4º, do CTN, e art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei n. 9.430/96). 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13811.002160/0018 Acórdão n.º 9303006.851 CSRFT3 Fl. 11 10 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das eSTJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7. Recurso especial provido. (REsp 1240110/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2012, DJe 27/06/2012) (grifouse) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660459/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 59 /2 01 2- 02 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660459/201202 Acórdão n.º 3401004.860 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660287/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 87 /2 01 2- 69 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660287/201269 Acórdão n.º 3401004.691 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000052/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/12/2008
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 52 /2 00 8- 04 Fl. 1140DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício, interposto em face da decisão de fls. 1123/1133, a qual julgou improcedente o lançamento do débito, lavrado em 27/12/2006, que teve como Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 De acordo com o relatório da decisão recorrida, que adoto, assim restou descrita a infração: 1. Tratase de Auto de Infração (AIOACFL 38 DEBCAD nº 37.013.7159) por descumprimento ao artigo 33, § 2º da Lei 8.212/91 regulamentada pelo Decreto 3.048/99, uma vez que a empresa deixou de apresentar os documentos solicitados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIADs de fls. 12/20, especificados no Relatório Fiscal da Infração (fls. 23), necessários à fiscalização para verificação das contribuições devidas à Seguridade Social. 1.1. Num apontamento preliminar, anotase que o presente processo, ora digital, foi iniciado em papel e assim numerado, sendo certo que após sua digitalização a numeração sofreu alterações, razão da eventual divergência nas referências dos documentos, ficando ressalvado que as folhas ora indicadas correspondem as da numeração atual, digital. 1.2. O Auto de Infração foi lavrado em 27/12/2006 e o contribuinte foi cientificado pessoalmente na mesma data, fls. 02. 1.3. O procedimento fiscal que resultou, entre outras, nesta autuação, teve início em 18/10/2006, com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal –MPF dada ao contribuinte e se desenvolveu com várias intimações para apresentação de livros e documentos, culminando no lançamento realizado por aferição indireta, com base no CUB, motivado pela apresentação deficiente de informações/documentos e sem preencher formalidades legais (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, Debcad nº 37.013.7140, processo nº 18184.000049/200882). 1.4. A obrigação acessória descumprida, objeto do presente processo, decorreu no mesmo procedimento fiscal no qual foi apurado o lançamento consubstanciado na NFLD Debcad nº 37.013.7140. 1.5. Destacase do Relatório Fiscal da Infração, fls. 23, que a empresa deixou de apresentar: a) Períodos de 09/2002 a 06/2005 e de 05/2006 a 11/2006: comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias (gps); folhas de pagamento de estagiários; folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos); GFIP com os respectivos comprovantes de entrega; recibos de aviso prévio e de férias; registro de Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 18184.000052/200804 Acórdão n.º 2201004.557 S2C2T1 Fl. 1.140 3 empregados; rescisões de contrato de trabalho, além de outros documentos relacionados diretamente com a mãodeobra própria eventualmente utilizada na obra objeto da matrícula CEI 43.490.03544/72( comprovantes de valetransporte, de adesão ao PAT, etc); b) Período de 09/2002 a 11/2006: os contratos firmados com as empresas relacionadas abaixo, referentes à prestação de serviços: AMERICANTEC FRANCH1SING LTDA ; ANSELMO DONIZETE FERREIRAME ; ART SPRAY TECNOLOGIA LTDA ; BRILHANTE COMUNICAÇÃO VISUAL E MONTAGENS; CONSTRUFLAMA LAREIRAS E CHURRASQUEIRAS LTDA.; DEMOLIDORA JABAQUARA S/C LTDA.; E.M.L EMPREITEIRA DE CONST. CIVIL LTDA; EDUARDO PROMOÇÕES LTDA.; FUMAÇA SOLDAS SERRALHERIA LTDA; IBG REPRESENTAÇÕES E CONSTR.CIVIL LTDA; ÍTALO BRASILEIRA LIMP. E PREST. SERV. S/; JMK SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE CONSTR. C; UMPCENTER PREST. DE SERV. S/C LTDA ; MERLI & MERLI MONT. DE ESQUAD. DE MAD. L; MULLER INSTAL. DE PISOS E REVEST. LTDA.; OBRA IDEAL LTDA. ; ORCRIS COM.E SERVIÇOS LTDA.; RODRIGUES & VIEIRA LIMPADORA LTDA.; TRINO CONSTRUÇÕES E MONTAGENS S/C LTDA.; UNIÃO TÉCNICA INDUSTRIALIZAÇÃO PEÇAS LTD; VANGUARDIA MÃO DE OBRA EM GERAL S/C LTDA;. c) Período de 09/2002 a 11/2006: o contrato de fornecimento de concreto firmado com a empresa CIMENTO TUPI S.A. CNPJ 33.039.223/0005 45, bem como a relação, em meio magnético, de todas as notas fiscais emitidas por esta empresa e que estejam relacionadas inequivocamente à obra objeto da matrícula CEI 43.490.03544/72, contendo data da emissão, número e o Fl. 1142DF CARF MF 4 respectivo valor de cada Nota Fiscal, devidamente totalizadas por competência; Grifos acrescidos ao original 1.6. A multa aplicada em decorrência de ter sido constatada a infração foi a prevista no art. 92 da Lei 8.212/91 e art. 283, II, alínea “j” c/c art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado nos termos da Portaria MPS nº 342 de 16/08/2006, no montante de R$ 11.569,42 (Onze mil quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fls. 24, no qual também foi anotado que não ocorreram circunstâncias agravantes, entre elas a reincidência, confirmado pelo Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração, fls. 57. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação A Recorrida apresentou sua Impugnação de fls. 66/74 acompanhada dos documentos de fls. 76/991, alegando, em suma, os seguintes aspectos: 2.1. Afirma a imprescindibilidade de conexão entre os processos administrativos lavrados na mesma ação fiscal – a NFLD Debcad nº 37.013.7140 e os Autos de Infração Debcad nº 37.013.7159, 37.013.7167, 37.013.7175 e 37.013.7183, pois dependem dos mesmos elementos de provas e de sua produção, do que conclui que a apreciação deve ser conjunta, inclusive para evitar divergência entre decisões. 2.2. Alega ilegalidade da aferição indireta para o presente caso porque entende que foi autuada, em suma, por suposto não atendimento às solicitações da fiscalização para apresentação de documentos à fiscalização, em desconsideração aos valores contábeis apresentados pela impugnante e também pela não apreciação de todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados. 2.3. Assevera que sua contabilidade cumpre todos os requisitos necessários, além de refletir, fielmente, todas as movimentações financeiras e que, em contrariedade ao que afirmou o Auditor Fiscal, atendeu a todos os pedidos da fiscalização e disponibilizou todos os documentos solicitados, juntando como prova os Termos de Intimação anotados pela Autoridade Fiscal. 2.4. Apesar de ter disponibilizado durante o procedimento fiscal, apresenta, mais uma vez, junto com a impugnação, todos os documentos. Contrapõe, item por item do Relatório Fiscal da Infração, com documentos anexados à impugnação e ditos como apresentados durante o procedimento fiscal. Reforça que a aferição indireta foi comprovadamente ilegal e desnecessária em face da documentação idônea, regular e eficiente. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 18184.000052/200804 Acórdão n.º 2201004.557 S2C2T1 Fl. 1.141 5 2.5. Assim, pretende o cancelamento da presente autuação, sob pena de evidente infração ao princípio da verdade material dos fatos, já que a contabilidade da impugnante é clara e eficiente, além de restarem comprovados os recolhimentos de todos os valores devidos pela impugnante. 2.6. Ademais, pleiteia a relevação da multa em função do princípio da boafé. 2.7. Articula no sentido de que a multa possui um perfil punitivo e, excepcionalmente, cunho indenizatório e, assim, considerando que cumpriu suas obrigações tributárias de forma diligente, não deve ser punida e espera que a multa não seja mantida. 2.8. Em seu pedido requer, por fim, deferimento de diligência para verificação de todos os documentos que se façam necessários para comprovar suas alegações e requer, ainda, diante das razões apresentadas, seja considerada insubsistente o Auto de Infração e, assim, cancelado. Diligências O processo foi convertido em diligência, conforme restou muito bem explicado na decisão proferida pela DRJ, que adoto integralmente: 3. A conclusão da análise de então Serviço de Contencioso necessidade de manifestação da Fiscalização, tendo em vista que o presente Auto de Infração está atrelado ao lançamento (NFLD) realizado por aferição indireta, com fundamento na apresentação deficiente dos documentos e informações e pelo não preenchimento das formalidades legais, enquanto que a documentação juntada pela empresa neste processo e também nos autos da NFLD Debcad nº 37.013.7140 mostrouse potencialmente indicativa a modificar os lançamentos, razão da necessária avaliação fiscal, em busca da verdade material. 3.1. Nos termos do Despacho datado de 04/04/2007, relativo ao processo da NFLD Debcad nº 37.013.7140, foi determinada a apreciação da documentação apresentada quando da impugnação, bem como outros documentos colocados à disposição da Fiscalização conforme mencionado na defesa e, em decorrência, fosse apresentada manifestação conclusiva sobre a documentação, com a manutenção ou revisão do lançamento e autuação, sempre fundamentada e, ainda, que após o exame, ficasse esclarecido de forma clara e objetiva, qual a deficiência dos documentos e das informações que seriam justificadores da apuração do débito por aferição indireta, prevista nos §§ 3º, 4º e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e procedimento fiscal conforme os arts. 473 e 597 da Instrução Normativa IN SRP n° 03/2005. 3.2. No tocante ao presente Auto de Infração, conforme Despacho também datado de 04/04/2007, fls. 994/995, considerando a relação desta autuação com a NFLD, bem como dos argumentos e documentos apresentados quando da Fl. 1144DF CARF MF 6 impugnação e, assim, em busca da verdade material, o presente processo foi encaminhado para apreciação conjunta e manifestação conclusiva da Autoridade lançadora. 3.3. A diligência que teve início em 08/05/2008 foi concluída 09/12/2009 com a apresentação de relatório (fls. 1011/1016) contendo o mesmo teor para todos os processos da ação fiscal que haviam sido encaminhados em diligência para a Fiscalização, a saber, DEBCAD nº 37.013.7140 (NFLD); DEBCAD nº 37.013.7183 (CFL68); 37.013.7159 (CFL38); 37.013.7167 (CFL 35) e 37.013.7175 (CFL 34). Em suma, a Autoridade Fiscal não confirmou a necessidade de aferição indireta e lançamento pelo CUB, atestou a regularidade da contabilidade e entendeu que os documentos e esclarecimentos foram apresentados. 3.4. O trecho a seguir reproduzido da informação fiscal resume a conclusão da AuditoraFiscal responsável pela realização da diligência sobre o Auto de Infração ora em apreço: Fls. 1012/3: 1. AI Auto de Infração CFL (código de fundamentação legal) 38 – DEBCAD 37.013.7159 “Deixar, a,empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir..qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.”). Não há como a presente diligência se manifestar quanto ao fato pretérito em que não esteve presente. Contudo, analisando os documentos anexados em defesa e os Termos de solicitação de documentos, foi apresentada a documentação conforme o próprio AFRFB que fiscalizou, apõe seu OK no TIAD Termo de Apresentação de Documentos de 18/10/2006 (em anexo ampliado para verificar as observações feitas pelo AFRFB) quando solicitou documentação para;o período de 09/2002 a 04/2006. Por que então a lavratura do. Auto de Infração CFL 38 deixar de apresentar documentos? E mais, se a contabilidade foi apresentada: como expressa o AFRFB em seu relatório fiscal “a empresa apresentou os lançamentos contábeis do período de 09/2002 a 11/2002, no formato previsto na Portaria MPS/SRP/058 de 28/01/2005 (MANAD) referentes a movimentação contábil de toda a empresa e não somente da obra objeto da matricula CEI 43.490.03544/72, não permitindo a averiguação da correta contabilização de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Verificouse que os valores relativos aos custos de todas as obras estão lançadas em (ativadas) na conta contábil genérica 18 terrenos para incorporação". Uma vez mais, por que lavratura AI CFL 38? Grifos acrescidos ao original 3.5. A interessada, manifestouse às fls. 1017/1020. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 18184.000052/200804 Acórdão n.º 2201004.557 S2C2T1 Fl. 1.142 7 3.6. Em seguida, os autos foram encaminhados à esta DRJ que, em exame das informações, conforme Despacho nº 85/2010 (fls. 1025/1029), determinou o retorno dos autos à fiscalização – juntamente com os demais lavrados na mesma ação fiscal para efetivo esclarecimentos e integral cumprimento da diligência. 3.7. Em resposta, fls. 1035/1037, as informações prestadas pela Autoridade Fiscal foram no mesmo sentido/teor do resultado da primeira diligência. 3.8. Apesar de ter sido cientificado da diligência e do prazo para manifestação, o Contribuinte quedouse inerte (fls. 1050) e os autos foram encaminhados a esta DRJ/Turma. 3.9. As informações resultantes da segunda diligência, acima relatadas, não atenderam ao Despacho nº 85/2010 (fls. 1025/1029) nem ao Despacho nº 83/2010 do processo relativo à obrigação principal (DEBCAD nº 37.013.7140), resultando na terceira diligência conforme Despacho nº 28/2011, fls. 1051/1053, para cabal cumprimento. 3.10. Este processo e os demais foram encaminhados à mesma Auditora Fiscal para atendimento da Diligência e assim, após nova intimação para a empresa apresentar documentos e esclarecimentos, a conclusão fiscal, diferentemente das diligências anteriores, fls. 1061, manteve a autuação nos seguintes termos: “A empresa apresentou a escrituração contábil em meio digital, porém em desacordo com a norma, vez que o bloco K encontra se vazio. Persistiu a infração objeto do presente auto motivo pelo qual mantenho o auto.” 3.11. Após a terceira diligência e mais uma vez cientificada a Interessada, apresentou a manifestação juntada às fls. 1066/1041 na qual reitera seus argumentos, reafirma que disponibilizou toda a documentação e esclarecimentos, que efetuou regular pagamento das contribuições previdenciárias devidas; bem como contabilizou corretamente os custos relativos à obra; rebateu todos os itens dos documentos ditos como não apresentados com a afirmação de que foram acostados aos autos. 3.12. Ainda, a Interessada destaca que na primeira diligência a manifestação da Autoridade Fiscal foi no sentido de que o lançamento fiscal seria insubsistente. 3.13. Lado outro, anotou que em razão da contradição de informações foi determinada nova diligência e, pelo não atendimento pleno, mais uma vez foi solicitada manifestação fundamentada. Fl. 1146DF CARF MF 8 3.14. Ademais, destacado pela Impugnante que em contrariedade aos argumentos apresentados nas duas manifestações anteriores, o AuditorFiscal, simplesmente e sem qualquer fundamento jurídico, resolveu fazer argumentos genéricos de que o contribuinte não teria apresentado alguns documentos, “documentos estes, frise se, que foram apresentados e que já haviam sido atestados pelo próprio Auditor Fiscal em manifestação anterior”. 3.15. Assim, rebate a última manifestação fiscal entendendo que “é NULA porque contraria as duas outras manifestações fiscais proferidas pelo mesmo Auditor Fiscal...” bem como porque as afirmações da Autoridade Fiscal são genéricas e infundadas, destacando que a diligência não foi adequadamente atendida. 3.16. Em conclusão pugna pelo cancelamento deste lançamento e dos demais autos de infração lavrados sobre o mesmo fato. Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi cancelado, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 1123/1133, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais previstas na Lei nº 8.212/91, necessários à fiscalização, ou a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nos termos do art. 33, § 2º e 3º da Lei 8.212/91 c/c o art. 2332 e parágrafo único do art. 233, do Decreto nº 3.048/99. (AIOA CFL 38) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/12/2006 DÚVIDA SOBRE A OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO O Fisco tem o dever de provar o fato constitutivo do seu direito de exigir o crédito tributário. A dúvida na ocorrência da falta alegada pela acusação acarreta invalidade do lançamento tributário. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A DRJ/SP recorreu de ofício com relação à parte exonerada pela decisão e o presente recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 18184.000052/200804 Acórdão n.º 2201004.557 S2C2T1 Fl. 1.143 9 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Apesar do esforço feito pela DRJ/SP ao tentar fundamentar o conhecimento do presente recurso de ofício nos seguintes termos: RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do presente processo estar relacionado ao processo n° 18184.000049/200882, cujo valor exonerado ultrapassa o limite de alçada, em conformidade com o art. 366, inciso I, § 2°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/07, bem como com o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, combinados com o artigo 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício. Devese ressaltar que quanto à admissibilidade do recurso de ofício, aplicase o teor do §1º do art. 1º da Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. No caso em tela, temos que o valor exonerado, somando tributo, multa e juros corresponde a R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), portanto, abaixo do mínimo estabelecido pela Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017. Aplicável ao caso, o teor da súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 1148DF CARF MF 10 Fl. 1149DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000291/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRADIÇÃO. CONCLUSÃO. DISPOSITIVO.
Verificando-se contradição entre a conclusão do acórdão e seu dispositivo, deve ser corrigido aquele que está em desconformidade com a fundamentação adotada.
Numero da decisão: 2201-004.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos interpostos pela unidade para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição identificada, determinando que, no dispositivo analítico do Acórdão nº 2803-003.306, de 13 de maio de 2014, a expressão "em dar provimento parcial ao recurso" seja substituída por "em dar provimento ao recurso".
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 256 1 255 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000291/201063 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.603 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Contribuições para Terceiros Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO RIO DE JANEIRO II Interessado FRANCECAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRADIÇÃO. CONCLUSÃO. DISPOSITIVO. Verificandose contradição entre a conclusão do acórdão e seu dispositivo, deve ser corrigido aquele que está em desconformidade com a fundamentação adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos interpostos pela unidade para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição identificada, determinando que, no dispositivo analítico do Acórdão nº 2803003.306, de 13 de maio de 2014, a expressão "em dar provimento parcial ao recurso" seja substituída por "em dar provimento ao recurso". (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 91 /2 01 0- 63 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração formulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (fl. 247), apontando a existência de contradição entre a conclusão do Acórdão nº 2803003.306, de 13 de maio de 2014 (fls. 238/244), pela qual deuse provimento ao recurso analisado, e o seu dispositivo, onde está consignado o provimento apenas parcial do recurso. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 251/252. O processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira, tendo em vista a transferência do mandato daquela para quem inicialmente distribuído. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os embargos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e merecem ser conhecidos. O Acórdão embargado tratou da incidência das contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) sobre valores pagos a título de auxílioeducação nas competências compreendidas entre 04 e 12/2005. Na fundamentação do aresto, vêse que o Relator não acompanhou o entendimento defendido pela DRJ, uma vez que entende que "o pagamento de bolsas de pós graduação pode ser enquadrado na exceção legal, não se configurando como base de cálculo de contribuições previdenciárias". Portanto, não houve qualquer discriminação em relação às bases de cálculo utilizadas, o que evidencia que o provimento do recurso foi total e não parcial. Conclusão Com base no exposto, voto por acolher os embargos interpostos pela unidade para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição identificada, determinando que, no dispositivo analítico do Acórdão nº 2803003.306, de 13 de maio de 2014, a expressão "em dar provimento parcial ao recurso" seja substituída por "em dar provimento ao recurso". Dione Jesabel Wasilewski Fl. 257DF CARF MF Processo nº 16832.000291/201063 Acórdão n.º 2201004.603 S2C2T1 Fl. 257 3 Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910626/2008-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 06 26 /2 00 8- 87 Fl. 170DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PERDCOMP) 30698.51058.151203.1.3.045645 (efls. 07/11), de 15/12/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA: 31/12/2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781232315 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/09/2008 na qual alegou, conforme resumido no relatório da decisão recorrida (efls. 87/91): • Após o ajuste anual na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002, verificouse o pagamento realizado a maior no tocante ao montante recolhido de R$ 154.011,77. Isso porque, o IRPJ apurado naquele anocalendário foi no valor de R$ 280.672,37, de modo que ao realizarse a operação matemática somandose os valores pagos nos dois DARF's de 214.776,82 e R$ 154.011,77, chegase ao valor total de R$ 368.788,59; • Verificase de forma iniludível a origem do crédito a ser compensado, ora perseguido, tendo em vista que houve efetivamente o pagamento a maior do IRPJ devido no ano calendário de 2002, com o que restou saldo passível de compensação no montante de R$ 88.116,22; • Referido credito atualizado pela Selic (15,21%), acumulado entre o_período do recolhimento a maior realizado em março de 2003 até a entrega da DCOMP respectiva em dezembro de 2003, perfez o saldo atualizado de RS 101.518,99, pelo que fora devidamente contabilizado no ativo circulante do Manifestante (doc. 07), na conta COSIF 1.8.8.45.006 " Impostos/Contrib. A Compensar", exatamente o valor lançado na aludida DCOMP do período; • Válido frisar que o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente o direito de propriedade (art. 5°, XXII) e o devido processo legal (art. 5°, LIV), como os primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput). A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1637.010 2 ª Turma da DRJ/SP1, efl. 87/91). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que, tendo em vista a não Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.910626/200887 Acórdão n.º 1001000.599 S1C0T1 Fl. 170 3 comprovação das inconsistências apontadas pela contribuinte, nada há de ser alterado no despacho decisório guerreado: . O demonstrativo apresentado pela contribuinte de fls.13/14, apenas indica o montante de crédito de R$ 88.116,47, decorrente da subtração de R$ 154.011,7 com o montante de R$ 65.895,55. Não há indicação de qual DARF se refere o suposto crédito bem como não há a discriminação de qual seria a natureza do débito descontado, o qual originou o crédito ora requerido. No caso da DCTF de fl.58 indicar a forma como as compensações foram efetuadas, a operação não vem respaldada na escrita fiscal. Assim, tendo em vista a não comprovação das inconsistências apontadas pela contribuinte, nada há de ser alterado na presente decisão administrativa. .a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Cientificada em 24/05/2013 (efl. 93), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/06/2013 (efl. 97), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PERDCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Fl. 172DF CARF MF 4 A legislação aplicável à restituição e à compensação (em especial ao seu § 5° do art. 74 da Lei n 9.430, de 1996) prescreve que a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas a posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Mas cabe ao contribuinte comprovar de maneira inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Como não trouxe aos autos quando da apresentação da manifestação de inconformidade à DRJ cópias dos elementos contábeis e de seus comprovantes capazes de provar o alegado erro na apuração do imposto devido, procedente a negativa à restituição e à compensação correspondente, cabível a cobrança dos acréscimos legais. Neste sentido, e em caso que se referia a restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento, como na apresentação de recurso a este CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.910626/200887 Acórdão n.º 1001000.599 S1C0T1 Fl. 171 5 Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 174DF CARF MF 6 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.910626/200887 Acórdão n.º 1001000.599 S1C0T1 Fl. 172 7 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Fl. 176DF CARF MF 8 § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.910626/200887 Acórdão n.º 1001000.599 S1C0T1 Fl. 173 9 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja Fl. 178DF CARF MF 10 inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Superada esta questão, cumpre tratar de um segundo ponto que entendo igualmente relevante. No Voto do i. Relator ficou consignado que a consequência da não aceitação de novos documentos seria a presunção de verdade das alegações, o que supostamente impediria o julgador de adentrar nas discussões de mérito. Com a devida vênia, entendo que não cabe esta presunção no presente caso, vez que não está se tratando de matéria não contestada. Neste ponto é bom estabelecer que existe grande diferença entre matéria não impugnada e não comprovação das alegações feitas. Quanto a matéria impugnada o Decreto 70.235, responsável por regular o Processo Administrativo Fiscal, estabelece o seguinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.910626/200887 Acórdão n.º 1001000.599 S1C0T1 Fl. 174 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que conforme disposto acima, é a apenas ausência de contestação que leva a matéria a ser considerada não impugnada e, portanto, fora dos limites do processo, prejudicando o seu conhecimento e apreciação. Por sua vez a comprovação da veracidade e procedência das alegações é justamente o que será verificado pela autoridade julgadora competente no desenvolvimento de sua função judicante. Ou seja, ainda que o resultado do julgamento seja por entender que as alegações feitas pela Recorrente não foram devidamente comprovadas e, portanto, não devem ser acolhidas, ainda assim elas foram apresentadas, houve efetiva impugnação da matéria. Desta forma, quando determinada prova é recusada o único efeito processual cabível é o não conhecimento do próprio elemento probatório, jamais podendo descaracterizar todas as demais alegações, impugnações e provas já regularmente apresentadas até então no processo. Percebase que mesmo sem considerar as provas recusadas por conta de eventual preclusão, ainda assim é possível que se decida pela revisão da decisão de piso apenas analisando as razões constantes do Recurso Voluntário, os fundamentos da própria decisão e os demais elementos já constantes dos autos. Apenas para ilustrar, é oportuno observar que, conforme ampla jurisprudência não só desta 1ª Turma Extraordinária, mas de todas as demais desta 1ª Seção, quando são realizadas alegações sem apresentação de qualquer comprovação, o resultado típico é a análise e indeferimento por falta de comprovação. Ora, tal situação não é diferente do caso em que as mesmas alegações são feitas, porém o documento comprobatório que se pretendeu juntar foi recusado, restando apenas as alegações. Assim, não vejo razão para que neste segundo caso as próprias alegações sejam igualmente desconsideradas e o julgamento se realize por "presunção". Destarte, com o máximo respeito ao entendimento do i. Relator, entendo que no caso em tela, mesmo com o indeferimento das novas provas apresentadas, as razões apresentadas pela Recorrente deveriam ser diretamente enfrentadas, não cabendo a "presunção de veracidade" da decisão de primeira instância conforme foi proposta. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas razões e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Fl. 180DF CARF MF 12 Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.731614/2015-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora intime o contribuinte e a PREVI a apresentarem o comprovante da retenção de 5.637,73, mencionada pela parte na fl. 123 dos autos. Ainda, intime-se o contribuinte para juntar cópia integral do processo de número 503.2657-39.2016.404.7100.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora intime o contribuinte e a PREVI a apresentarem o comprovante da retenção de 5.637,73, mencionada pela parte na fl. 123 dos autos. Ainda, intimese o contribuinte para juntar cópia integral do processo de número 503.265739.2016.404.7100. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 31 61 4/ 20 15 -0 3 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.731614/201503 Resolução nº 2002000.018 S2C0T2 Fl. 145 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 33 a 42), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tal omissão gerou glosa de imposto de renda retido na fonte no valor de R$4.536,38. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 106 dos autos, no qual a contribuinte alega que o imposto glosado teria sido retido sobre os rendimentos depositados em juízo pela PREVI. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 18/01/2017, no acórdão 0837.208, às efls. 111 a 116, julgou improcedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 08/03/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 123 a 140, no qual alega, em resumo, que: o valor de imposto de renda retido na fonte foi depositado judicialmente em 30/11/11 pela PREVI, no curso de processo judicial. que é dever da PREVI, mediante sentença judicial, quitar estes valores, sendo depositados em conta judicial. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/02/2017, efls. 121, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/03/2017, às efls. 123, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como mencionado, o presente processo de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente reconhecidos em sentença judicial. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11080.731614/201503 Resolução nº 2002000.018 S2C0T2 Fl. 146 3 A fiscalização imputou ao recorrente a responsabilidade pelo pagamento do imposto de renda retido na fonte, que deveria ter sido repassado aos cofres públicos pela pessoa jurídica empregadora. O artigo 121 do Código Tributário Nacional (CTN) tem a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária: Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) II responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. O parágrafo único do retro mencionado artigo autoriza, expressamente, a atribuição da fonte pagadora da renda os dos proventos auferidos, a condição de responsável tributário, devendo reter o valor do imposto de renda de seus colaboradores na fonte. Ainda que seja o contribuinte pessoa física quem possua a disponibilidade econômica dos valores, o responsável pela retenção é um terceiro, a pessoa jurídica empregadora, em relação ao fato gerador do tributo, conforme dicção do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O artigo 45 do CTN estabelece que a lei poderá atribuir a responsabilidade da fonte pagadora reter e recolher o tributo, como se vê: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.731614/201503 Resolução nº 2002000.018 S2C0T2 Fl. 147 4 Assim, a fonte pagadora recolhe e repassa os valores de imposto de renda da pessoa física, podendo o contribuinte, quando da apresentação de sua DAA, deduzir as parcelas do imposto retidas antecipadamente: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional dc Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art, 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. Na mesma linha segue o artigo 55, da lei nº 7.450/85: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Da leitura dos dispositivos acima colacionados chegase a conclusão de que, para a dedução do imposto de renda retido na fonte, a posse, pelo contribuinte, de comprovante de retenção emitido pela sociedade empresária (fonte pagadora) é requisito essencial. De acordo com a jurisprudência deste CARF: IRPF RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11080.731614/201503 Resolução nº 2002000.018 S2C0T2 Fl. 148 5 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso de IRRF retido e não recolhido pela fonte pagadora, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso provido. (Acórdão nº 280200.264 10 de maio de 2010) (grifos nossos) Contudo, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, decisões no processo 001/106.009.65124, que demonstram que os cálculos elaborados estavam errados, sendo retificados e quitados pela PREVI, conforme e.fls. 133. Assim, de acordo com o artigo 46 da Lei nº 8.541/92, temos: Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento. Feitas estas elucubrações, não constam nos autos documentação necessária para o desfecho da presente lide. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora intime o contribuinte e a PREVI a apresentarem o comprovante da retenção de 5.637,73 mencionada pela parte na fl. 123 dos autos. Ainda, intimese o contribuinte para juntar cópia integral do processo de número 503.265739.2016.404.7100. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11080.731614/201503 Resolução nº 2002000.018 S2C0T2 Fl. 149 6 (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904220/2011-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-006.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 42 20 /2 01 1- 83 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 726 2 conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3402002.666, de 24 de fevereiro de 20151 (efolhas 245 e segs), integrado pelo acórdão de embargos nº 3402002.778, de 08 de dezembro de 2015 (e folhas 277 e segs), que receberam, respectivamente, as ementas a seguir transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. 1 Data retificada em sede de embargos. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 727 3 NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõese a sua devida correção. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 289 e segs) diz respeito (i) ao indeferimento de prova pericial ou de realização de diligência; (ii) direito de crédito sobre as despesas com serviços portuários, (iii) direito de créditos sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma e (iv) direito de crédito sobre despesas com estudos e projetos e com serviços de geologia. O Recurso especial foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 609 e segs, apenas em relação direito de créditos sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 623 e segs. Defende que se negue provimento ao recurso especial do contribuinte. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 728 4 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. No caso concreto, discutese a possibilidade de apropriação de créditos em relação às despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma. Como é cediço, na etapa posterior ao processo de produtivo propriamente dito, o único dispêndio vinculado ao transporte das mercadorias para o qual o legislador previu direito ao crédito foi em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há mecanismo de hermenêutica que autorize a apropriação de créditos, por analogia, com gastos genéricos com o transporte de mercadorias. Naquilo em que melhor se ajusta à jurisprudência deste Colegiado, o recurso especial sustenta o direito ao crédito reclamado com base nos seguintes fundamentos. Não é demais destacar que, in casu, não se trata de mero transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, o que por si só já geraria o direito de crédito, a teor dos precedentes acima, mas de transporte integrado que Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 729 5 compreende o trânsito das mercadorias até a exportação e seu destino final, aperfeiçoando a venda, seja enquanto realizado entre estabelecimentos (mina para mina), seja enquanto efetivado do estabelecimento ao Porto pela empresa MRS LOGÍSTICA, seja enquanto realizado via marítima pela empresa LOGIN, todos integralmente arcados pela Recorrente. Contudo, como já foi dito, apenas o gasto específico com o frete na operação de venda dá direito ao crédito. Não há previsão legal para concessão de créditos decorrentes de gastos com transporte integrado de produtos acabados, entre estabelecimentos ou não, sob o argumento de que estes aperfeiçoam a venda. Voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 730 6 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada. Peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer o entendimento dado pela maioria desse Colegiado, acerca da possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias. Para tanto, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 731 7 Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 732 8 relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 733 9 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 734 10 Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 735 11 produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 736 12 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 737 13 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 738 14 conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 739 15 que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 740 16 manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 741 17 abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 742 18 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o trânsito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, considerando a atividade e objeto do sujeito passivo, é de se entende que os custos de fretes de mercadorias até os estabelecimentos para a distribuição são considerados insumos, vez que essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, votamos por dar provimento ao recurso do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 9303006.889 CSRFT3 Fl. 743 19 Fl. 866DF CARF MF
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