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Numero do processo: 10166.908544/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS.
Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
Numero da decisão: 1401-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
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EMPREITADA Recorrente TESCON ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 85 44 /2 00 9- 29 Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10166.908544/200929 Acórdão n.º 1401002.674 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório [...], em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao ano calendário de 2004, bem aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando o correto seria aplicar o percentual de 12%, conforme determina a Solução de Consulta nº 337, de 28 de novembro de 2008. “A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todo os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita ao percentual de 12% na determinação da base de calculo da CSLL, pela sistemática do lucro presumido. A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita a percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido”. Alega que à época informou nas DIPJ 2005 e 2006, bem com nas DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 12% para a apuração da base de cálculo da CSLL no regime de lucro presumido, junta cópia da Décima Terceira Alteração do Contrato Social e DIPJ e DCTF retificadoras. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10166.908544/200929 Acórdão n.º 1401002.674 S1C4T1 Fl. 4 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Em 4 de agosto de 2011 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente alegando, em síntese, a correção quanto ao percentual de presunção de 12% para fins da CSLL, na medida em que todos os contratos por ela firmados o são na modalidade empreitada por preço unitário, o que se identifica com a empreitada total. Ainda, em resposta à decisão recorrida, que considerou imprescindível a juntada aos autos de documentação comprobatória, a Recorrente apresentou anexos contendo todos os contratos por ela firmados, acompanhados das notas fiscais faturadas e recebidas no período de 01/04/2004 a 30/09/2005, as DIPJs referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 acompanhadas dos comprovantes de pagamento de tributos, além de comprovantes de valores retidos, registros contábeis e demonstrativos de apuração. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.660, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.903369/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.660): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10166.908544/200929 Acórdão n.º 1401002.674 S1C4T1 Fl. 5 4 A Recorrente apurou seus tributos na sistemática do lucro presumido tendo originalmente utilizado como base de cálculo o percentual de presunção de 32% para fins de CSLL. Posteriormente retificou suas declarações e demonstrativos a fim de utilizar o percentual de 12%, sendo essa a origem do pagamento a maior que ela pretende ver compensado em suas declarações de compensação. Portanto, a discussão de fundo do presente processo reside em definir qual o percentual de presunção aplicável às atividades realizadas pela Recorrente. A legislação aplicável é a seguinte: Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10166.908544/200929 Acórdão n.º 1401002.674 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) A decisão recorrida, citando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, afirmou que "No caso da CSLL, as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para fins de cálculo dessa contribuição. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento)." Não obstante concordem quanto ao conceito, a decisão recorrida considerou que a Recorrente não teria apresentado a documentação comprobatória de seu direito a aplicar o percentual de 12% para fins da CSLL, entendendo que apenas a análise do objeto social não seria suficiente. Em resposta, como relatado, a Recorrente trouxe a documentação que comprova que ela era contratada para execução de obras por preço unitário, devendo fornecer todos os equipamentos, pessoal e materiais necessários, tratandose assim de empreitada total/global. A aplicação do percentual de 12% de CSLL para casos como o presente é corroborada pela jurisprudência deste CARF, conforme recentemente decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), considerase atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10166.908544/200929 Acórdão n.º 1401002.674 S1C4T1 Fl. 7 6 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (Acórdão nº 9101002.545 Sessão de 7 de fevereiro de 2017) Ante o exposto oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, de modo que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.902452/2009-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.408
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 24 52 /2 00 9- 27 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 78 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 44/47) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 29/35), proferida em sessão de 23 de agosto de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0234.116, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 11/15) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 01), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 01943.09688.021006.1.3.041060, transmitido em 02/10/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 79 3 Trata o presente processo do Despacho Decisório de fl. 01, tendo como interessado o contribuinte acima identificado, podendo ser destacados os seguintes elementos: PER/DCOMP: 01943.09688.021006.1.3.041060 TIPO DE CRÉDITO: Pagamento Indevido ou a Maior Limite do crédito analisado: R$ 212,44 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO: 28/02/2005 CÓDIGO DE RECEITA: 2484 VALOR DO DARF: R$ 2.000,00 DATA DE ARRECADAÇÃO: 31/03/2005 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 02, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/15, em 01/06/2009, tendo alegado, em síntese, o seguinte: ressalta o impugnante que a própria AFRFB reconhece implicitamente a existência do apontado crédito, no valor original de R$ 212,44, ao confirmar o pagamento do DARF no valor de R$ 2.000,00, pois, em verdade, conforme declarado na DIPJ e respectiva DCTF, o valor da contribuição devida naquele período de apuração (Fev/2005) era de R$ 1.787,56; portanto, do valor recolhido através do referido DARF, R$ 212,44 não foram incluídos na composição do 'saldo negativo' apurado no encerramento do período base de 2005, conforme DIPJ inicialmente apresentada; recentemente, no entanto, em acatamento aos termos do art. 10 da IN SRF n.º 600, de 30.12.2005, visando regularizar o apontado crédito decorrente do aludido "pagamento indevido ou a maior", o contribuinte apresentou DIPJ RETIFICADORA do AnoCalendário de 2005, Exercício de 2006, transmitida em 02/05/2009, passando a considerar e acrescentar o recolhimento efetuado indevidamente ou maior, no referido valor de R$ 212,44, na composição do "saldo negativo" da contribuição do período, que, assim, de R$ 4.246,98, passou a ser de R$ 4.459,42; portanto, esse valor (R$ 212,44) acrescido ao "saldo negativo" apurado no encerramento do períodobase correspondente (31/12/2005), era suficiente à COMPENSAÇÃO parcial dos débitos objetos do processo em questão, até o valor original de R$ 192,99, conforme demonstrativo, restando ainda Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 80 4 um resíduo daquele "saldo devedor" da Estimativa de CSLL de Junho/2006, no valor original de R$ 23,14; em 04/05/2009, através do incluso DARF, o contribuinte efetuou o recolhimento do valor que, por equívoco, fora compensado indevidamente a maior, relativamente ao saldo do débito da Estimativa de CSLL do mês de Junho/2006, como informado no PER/DCOMP em questão; com o dito recolhimento complementar, resta regularizado o débito da Estimativa de CSLL de Junho/2006, no valor original total de R$ 216,13, porquanto compensada a parcela de R$ 192,99 com o remanescente do crédito do "saldo negativo" do períodobase de 2005 constante da respectiva DIPJ Retificadora; o contribuinte passa então a discorrer sobre a legislação pertinente à compensação de tributos federais, para salientar que, a rigor, a IN SRF n.º 600, de 30.12.2005, e a IN n.º 460, de 18.10.2004, foram editadas em arrepio aos comandos da lei de regência da espécie (Lei n.º 8.383, de 1991, art. 66, na redação dada pela Lei n.º 9.069, art. 58, e Lei n.º 9.250, art. 39, ambas de 1995); contudo, tendo o contribuinte apresentado DIPJ RETIFICADORA, recompondo o saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do períodobase (31/12/2005), com a inclusão, ali, do referido valor (R$ 212,44) recolhido indevidamente ou a maior a título de Estimativa do mês de Fev/2005, impõese a reformulação do r. DESPACHO DECISÓRIO, para, enfim, reconhecendose o comprovado crédito, líquido e certo do contribuinte, homologarse a compensação declarada no PER/DCOMP em questão; PELO EXPOSTO, o contribuinte espera que seja julgada PROCEDENTE a presente Manifestação de Inconformidade, reconhecendose o CRÉDITO informado no referido PER/DCOMP, que, por força da DIPJ RETIFICADORA apresentada, relativamente ao Anobase de 2005, Exercício de 2006, passou a integrar o "saldo negativo" da CSLL daquele período de apuração, para, enfim, extinguirse o débito apontado no r. Despacho Decisório, pela COMPENSAÇÃO postulada, declarandoa HOMOLOGADA. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 212,44, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 81 5 (PA) 28/02/2005 2484 R$ 2.000,00 31/03/2005 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2010 Principal: R$ 216,13 Multa: R$ 43,22 Juros: R$ 69,96 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: O contribuinte pretende compensar, como pagamento indevido ou a maior, crédito oriundo de recolhimento de estimativa mensal. No que diz respeito às considerações do manifestante no tocante aos aspectos legais, cumpre assinalar que o direito de compensação é tratado no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), que determina o seguinte: (...). Do dispositivo citado, inferese que o contribuinte só terá direito a compensar se: (a) a lei estabelecer esse direito; (b) se forem atendidas as condições estipuladas diretamente pela lei, ou as condições cuja estipulação a lei delegue às autoridades administrativas competentes; e (c) sob as garantias estipuladas pela lei. Também é importante destacar que, de acordo com o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, segundo estabelece o art. 100, inciso I, do mesmo código, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, entre os quais se incluem as instruções normativas expedidas pela Secretaria da Receita Federal (SRF), atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Ressaltese, ainda, que os julgadores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) encontramse vinculados não somente às leis vigentes, como também a atos administrativos e normativos expedidos pelo órgão. Nesse sentido, a Portaria MF n.º 341, de 12 de julho de 2011, estabelece no inciso V do art. 7.º, que o julgador da DRJ deve observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei n.º 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Feitas estas colocações iniciais, salientese que a compensação passou a ser tratada no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, merecendo destaque os seguintes dispositivos: (...). Como se pode observar, a lei expressamente conferiu à Secretaria da Receita Federal a competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Nesse sentido, na vigência da IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, a que fez menção o manifestante, o procedimento por ele pretendido estava expressamente vedado, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 82 6 conforme disposições do art. 10 abaixo transcrito (que reproduz o contido no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004, que a antecedeu): (...). O contribuinte relatou ainda que retificou a DIPJ 2006, após a ciência do Despacho Decisório, recalculando o saldo negativo do período encerrado em 31/12/2005, tendo procurado a sua utilização com os débitos declarados na DComp em análise. Em verdade, o contribuinte pretende, em sede de manifestação de inconformidade, retificar a DComp, ante a impossibilidade de utilizar como crédito o valor de estimativa mensal paga a maior, em oposição às regras pertinentes. Nesse sentido, de acordo com o art. 56 da IN SRF n.º 600, de 2005, a retificação da DComp deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DComp. Segundo dispõe o art. 57 da referida IN, a DComp somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observadas ainda as disposições do art. 58, que prescrevem que será admitida a retificação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, verificada a inocorrência de inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado, consoante dispõe o art. 59. A retificação da DComp ou a apresentação de nova DComp nesse caso não constitui uma mera exigência formal, na medida em que somente as informações devidamente prestadas e processadas permitiriam a realização das verificações necessárias pela DRF de jurisdição do contribuinte no tocante à consistência do crédito postulado e aos controles de sua utilização, sendo insuficiente para tal o demonstrativo de utilização integrante da manifestação de inconformidade, cujo alcance se limita ao próprio contribuinte. Tal fato ganha maior relevância, quando o contribuinte tem a intenção de alterar o tipo de crédito de “pagamento indevido ou a maior” para “saldo negativo”, que traz como consequência a alteração da data de valoração do crédito, além de demandar verificações distintas e controles de utilização do crédito também diferentes daqueles atinentes ao pagamento indevido ou a maior, sendo que, no saldo negativo, se exige inclusive o detalhamento do crédito com as indicações das parcelas que o compõem. Nestas condições, a DComp, ao tempo que traz garantias ao contribuinte no que diz respeito à consumação da compensação prevista na legislação tributária, inclusive estipulando que a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, também impõe obrigações e limites para a atuação do contribuinte, visando à correta operacionalização do procedimento nos sistemas da RFB, no que tange ao processamento das informações, à verificação da consistência do crédito e aos controles de sua utilização, além da eventual homologação das compensações declaradas e cobrança de eventuais débitos remanescentes. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 83 7 Assim, o contribuinte, ao optar pela instauração do litígio, assumiu o risco de ver negado o seu pleito, quando poderia ter apresentado nova DComp com as devidas alterações, a fim de compensar outros débitos devidos, se conformando à legislação vigente, que vedava a utilização, como crédito, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, lembrando ainda que, de acordo com o inciso IV do § 3.º do art. 26 da IN SRF n.º 600, de 2005, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, de declaração de compensação o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Nesse ponto, cabe observar que o contribuinte, posteriormente, apresentou DComp indicando como crédito o saldo negativo de CSLL do exercício de 2006, em consonância com a DIPJ 2006 retificadora, entretanto, tal fato não lhe garante o direito de “retificar”, a destempo e de forma contrária à legislação, a DComp ora analisada, conforme motivos já expostos. (...) Sendo assim, reputase correto o Despacho Decisório contestado, ao não homologar a compensação declarada, tendo como crédito, a título de pagamento indevido ou a maior, valor de estimativa mensal, que somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Ante o exposto, VOTO no sentido de julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 84 8 24/11/2011, quintafeira, efls. 41 e 43, e protocolo em 23/12/2011, efl. 44), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 85 9 que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 86 10 Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 87 11 está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13603.902452/200927 Acórdão n.º 1002000.408 S1C0T2 Fl. 88 12 análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.003473/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008
INTEMPESTIVIDADE. ARTIGOS 5º E 33 DO DECRETO 70.235/1972.
Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento.
Numero da decisão: 3401-005.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 INTEMPESTIVIDADE. ARTIGOS 5º E 33 DO DECRETO 70.235/1972. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 34 73 /2 00 8- 36 Fl. 2246DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 1970 e seguintes) contra decisão da 3a Turma, da DRJ/POA, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Despacho Decisório, exarado pela DRF Santa Maria, em 10.06.2010, que reconheceu parcialmente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulados do 2° trimestre de 2006 ao 4o trimestre de 2008. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado (fls. 1320 e seguintes) totalizando R$ 310.900,13 (trezentos e dez mil, novecentos reais e treze centavos). Em síntese, a razão que levou à negativa parcial à compensação por inexistência de saldo lançamento de ofício, é que foram: utilizados créditos indevidos em sua escrituração fiscal no valor de R$ 202.643,05, relativamente às aquisições de produtos químicos da empresa Angico Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 08.009.247/000180, a qual a fiscalização considerou como uma empresa inexistente de fato, lavrando inclusive representação para a baixa do CNPJ (processo administrativo n° 11060.002926/200998) e representação fiscal para fins penais (processo 11060.000896/201019). Por conseguinte, as razões que levaram a Fiscalização a considerar a empresa ANGICO inexistente de fato, e conseqüentemente as notas fiscais de venda emitidas terem sido consideradas inidôneas, foram descritas no Relatório de Fiscalização, aos quais se transcreve: a) Verificação em 08 de janeiro de 2009 de que o estabelecimento ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., é uma saleta alugada no piso superior de um sobrado, onde, no piso inferior funciona um armazém, ambos de propriedade de Sadi Volmir Deponti (fotos nas fls. 447 a 450), sendo que nas diversas vezes que a fiscalização esteve no endereço ninguém foi encontrado, contendo o local apenas uma mesa, armário e microcomputador com periféricos aparentemente em desuso e em precário estado de conservação (foto fl. 448). b) Constatação, a partir da análise das notas fiscais de entradas e saídas encaminhadas pela ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., em 20 de janeiro de 2009, cujas cópias encontramse nas fls. 495 a 596, de que à medida que, em tese, recebia produtos químicos da BERTIN LTDA., emitia notas de venda para a GOBBA de mesmo valor e informação da mesma empresa de prestação de serviço de transportes citada nas notas (Transportes Rosano Ltda.). c) Em 23 de março de 2009 a empresa Angico foi intimada a apresentar comprovantes de pagamentos por ela realizados a fornecedora BERTIN LTDA. nos anos de 2006 e 2007 e a apresentar os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) em razão dos fretes consignados nas Notas Fiscais de Saída, bem assim apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados à transportadora em função dos serviços por esta prestados (fl. 468). d) Em relação aos pagamentos efetuados a empresa BERTIN LTDA., a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. afirma que até aquela data não efetuara nenhum pagamento, mas solicitou prorrogação da dívida, que não foi Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 11060.003473/200836 Acórdão n.º 3401005.306 S3C4T1 Fl. 2.247 3 cumprida em razão da crise mundial, fls. 469. A falta de pagamento foi confirmada em diligência efetuada a empresa BERTIN LTDA. e) Em relação aos conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, declara que a entrega das mercadorias à GOBBA era realizada pela própria transportadora que trazia as mercadorias da BERTIN LTDA., afirmando que nunca houve contratação de fretes para as operações entre Angico e seu cliente final, esclarecendo, por fim, que nunca efetuou pagamento à TRANSPORTES ROSANO LTDA. (fl. 469 verso) f) Em diligência a empresa TRANSPORTES ROSANO LTDA., CNPJ n° 03.815.035/000177, o representante legal da empresa, Sr. Roberto Rigo, após vista das Notas Fiscais emitidas pela ANGICO, declarou que nenhum serviço de transporte de cargas fora prestado a esta empresa. Afirma ter transportado mercadorias da BERTIN LTDA. para Nova Esperança do Sul, apresentando conhecimentos de transportes Rodoviário de Cargas. g) A ação fiscal desenvolvida em 16/02/09 na BRACOL HOLDING LTDA (ex BERTIN Ltda e vertida na BERTIN S.A. em 2007), empresa responsável pelas vendas de produtos químicos à ANGICO, demonstrou um conflito de declarações. No início da ação fiscal, a BERTIN teria declarado que o volume de revenda de produtos químicos em 2006 e 2007 para a ANGICO deveuse a uma parceria entre ambas para obter vantagens comerciais na compra desses materiais junto aos fornecedores. Posteriormente, a BERTIN declarou que tinha a intenção de utilizar os produtos químicos na própria produção, mas depois dos contratos de compra já estarem fechados, a BERTIN decidiu recuar quanto ao aumento de produção e foram obrigados a continuar recebendo o produto químico, surgindo a necessidade de revender esse produto. Porém, quem o comprou (ANGICO) não honrou com o compromisso. Intimada a BERTIN a esclarecer quanto a forma de cobrança que esta deveria estar promovendo pelos quase oito milhões de reais em mercadorias vendidas e não honradas pela ANGICO, respondeu em abril de 2009 que as cobranças promovidas pela empresa junto à ANGICO foram efetuadas via telefone e que não tinham como comprovar as mesmas (fls. 475 e 475 verso). h) Confirmação no Livro Diário e nos extratos bancários da ANGICO, das transferências eletrônicas de numerários efetuados pela BERTIN em favor da ANGICO. A última remessa de valores da BERTIN para a ANGICO de que a fiscalização teve conhecimento ocorreu em 15/04/09, no valor de R$ 58.707,21, em pleno curso das ações fiscais. i) O Sr. Milton Rogério Cogo, contador das empresas GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA e ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em depoimento colocado a termo pela fiscalização (fl. 477 verso), declarou que a ANGICO recebia e contabilizava os valores da então BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, ora denominada XINGULEDER COUROS LTDA, que transitavam pela sua contacorrente (denominada na contabilidade por "ADTO AO FORNECEDOR BPLC CONTA PROTEÇÃO"). Declara ainda que em face ao bloqueio das contas da BRASPELCO e tendo em vista as autorizações emitidas por esta para pagamento em conta da ANGICO, o nome dado à conta contábil é o que melhor reflete a realidade dos fatos. Esclarecimentos da ANGICO (fl. 481) dão conta de que os depósitos realizados pela BERTIN à ANGICO foram efetuados como pagamento a operações de industrialização por encomenda realizadas pela BRASPELCO em favor da BERTIN. Fl. 2248DF CARF MF 4 j) A ANGICO juntou cópia de documento em tese emitido pela BRASPELCO (fl. 482 verso/anverso), e endereçado à BERTIN S.A, dando conta de que a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 08.009.247/000180) teria sido contratada para a administração dos ativos e passivos da BRASPELCO, sendo que os créditos a favor desta deveriam ser depositados na conta de depósitos bancários indicada pela ANGICO. k) A GOBBA juntou cópia de documento em tese emitido pela ANGICO (fl. 315), e endereçado à GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, dando conta de que a BARU RURAL LTDA (CNPJ 07.585.933/000137) teria sido contratada para a administração dos ativos e passivos da ANGICO, sendo que os créditos a favor desta deveriam ser depositados na conta bancária da BARU (Bco. 237 Bradesco S.A; Ag. 02658 Uberlândia Centro; Conta n° 166.7858). Esse documento foi emitido em 19/07/07, embora a GOBBA contabilizasse pagamentos à ANGICO a partir de 07/05/07, sendo que a primeira venda de produtos químicos da ANGICO à GOBBA teria ocorrido em 09/08/06. 1) Os lançamentos contábeis realizados pela ANGICO, referentes aos recebimentos de valores oriundos da GOBBA em decorrência de supostas "vendas" de produtos químicos, eram realizadas a crédito em conta específica da GOBBA no ativo e a débito de uma outra conta de ativo denominada "Adiantamento ao fornecedor BARU", embora a BARU nunca fosse fornecedor da ANGICO. m) A soma dos valores contabilizados pela GOBBA como pagos em favor da ANGICO, objeto dos comprovantes das transferências efetuadas pela GOBBA em contas da BARU S.A. PARTICIPAÇÕES E BARU RURAL LTDA, entre 07/05/07 (data anterior a autorização da ANGICO para a BARU RURAL LTDA. administrar seus ativos) e 04/12/07 foi de R$ 12.543.062,24 (superior à aquisição dos produtos químicos). Os lançamentos contábeis fazem referência à beneficiária ANGICO em razão de pagamentos por supostas aquisições de produtos químicos e adiantamentos. n) A GOBBA efetuou, em 2007, depósitos em contacorrente da ANGICO, no valor de R$ 4.083.801,84 cujos lançamentos contábeis da primeira remetem a quitações de obrigações contraídas junto à BRASPELCO/XINGULEDER, posto que a ANGICO teria sido contratada para administrar seus ativos e passivos (fls. 384 393). A ANGICO foi, com isso, considerada pela fiscalização como uma empresa inexistente de fato, que nada adquiriu e, portanto, nada havia a comercializar. Logo, as aquisições feitas pela GOBBA da ANGICO nos anos de 2006 e 2007 foram desconsideradas, e os créditos utilizados na escrita fiscal foram glosados pela fiscalização porque estavam lastreadas em documentação inidônea. A fiscalização demonstrou que e empresa GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. é a sucessora de fato da BRASPELCO/XINGULEDER, pelas razões abaixo: a) A GOBBA é constituída mediante participação de 50% de FELIPE AUGUSTO FRIZZO, filho de ARNALDO JOSÉ FRIZZO FILHO, detentor de quotas do capital social da BRASPELCO/XINGULEDER, no capital social da GOBBA. b) A instalação "de fachada" da GOBBA em Nova Esperança do Sul/RS se deu em um depósito de produtos químicos locado pela então BRASPELCO (todos os atendimentos à fiscalização se deram no n° 1189, onde ainda se encontra formalmente estabelecida a filial BRASPELCO/XINGULEDER. Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 11060.003473/200836 Acórdão n.º 3401005.306 S3C4T1 Fl. 2.248 5 c) Aquisição de itens de estoque da BRASPELCO pela GOBBA em 12 de junho de 2006, (NFs emitidas pela BRASPELCO apresentadas pela GOBBA em atendimento ao item 11 do Termo de 20/02/2009). d) Manutenção da direção comercial efetiva da BRASPELCO/XINGULEDER nas operações da GOBBA, contando com a expertise de CLÁUDIO AFONSO FRIZZO. e) Atendimento aos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA a partir do início de suas atividades. f) Pagamento das despesas da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA (administrativas, comerciais e industriais). g) Mercadorias submetidas a um primeiro processo produtivo em estabelecimento da BRASPELCO/XINGULEDER localizado em Parnaíba/MS, adquiridas pela GOBBA e remetidas para a BRASPELCO/XINGULEDER em Nova Esperança do Sul para finalização da produção. h) Pagamentos sem causa efetuados pela GOBBA à BRASPELCO/XINGULEDER, supostamente alicerçados por documentação emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, a ANGICO. i) Constituição da NAZA COUROS LTDA no mesmo endereço de outra filial da BRASPELCO/XINGULEDER, em Nazário/GO, posteriormente incorporada pela GOBBA. j) Arrendamento das instalações da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA, causando o fim dos relacionamentos comerciais da QUATRO MARCOS LTDA, da NAZA COUROS LTDA e da própria GOBBA (industrialização por encomenda) com àquela e a transferência desse relacionamento para a GOBBA. k) Migração dos funcionários da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. 1) Migração dos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. Sobre a BARU RURAL LTDA, empresa supostamente autorizada a administrar os ativos e passivos da ANGICO, a fiscalização afirma que, no momento em que ela começa a receber valores da GOBBA (em função de supostas obrigações/adiantamentos desta para com a ANGICO), adquire diversos imóveis rurais. A BARU apresentou DIPJ referente ao anocalendário 2007 com receitas da atividade (fichas de apuração do Irpj e da Csll) zeradas e aquisições para o ativo imobilizado no valor de R$ 7.159.892,90. Relata a fiscalização que: Enquanto a BARU RURAL LTDA recebe valores da GOBBA (valores lotais dispostos no quadro a seguir) e adquire imóveis rurais e outros bens do ativo imobilizado, sem alteração nos demais componentes patrimoniais (contas de Passivo e de Patrimônio Líquido), a ANGICO alega continuar "devendo" à BERTIN. (...) Por fim, cabe realçar que a GOBBA não é terceira pessoa alheia a realidade dos acontecimentos, em se tratando da inexistência de fato da ANGICO. Muito pelo Fl. 2250DF CARF MF 6 contrário, os eventos e composições societárias revelam a estreita ligação entre os interessados na manutenção das duas empresas e das demais mencionadas neste Relatório (BARU RURAL LTDA e XINGULEDER COUROS LTDA... Relata ainda a fiscalização: A utilização de documentos sabidamente inidôneos, gerados de favor pela ANGICO à GOBBA a fim de simular atos de comércio e viabilizar, em conluio, pagamentos às pessoas jurídicas acima indicadas, denota evidente intuito de fraude, o que nos remete aos artigos 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, mencionado no art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ari. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 28.06.2010 (fl.1324), e interpôs Manifestação de Inconformidade, em 29.06.2010 (fls. 1342 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: 1. Impossibilidade da compensação de ofício dos créditos a ressarcir com débitos da empresa XINGULEDER COUROS LTDA, determinada no Despacho Decisório, por não cumprimento dos requisitos constantes do art. 133, II, do CTN. 1.1. A requerente não adquiriu fundo de comércio, apenas remeteu matérias primas para industrialização por conta e ordem em estabelecimento de terceiro e, posteriormente, arrendou o parque industrial para lá exercer suas atividades. A remessa para industrialização por conta e ordem em estabelecimento de terceiros é prática usual e corriqueira amplamente prevista na legislação tributária, não se confundindo com a pretendida vinculação para responsabilização por débitos da Xinguleder. 1.2. A responsabilidade a que se refere o art. 133, II, do CTN é subsidiária, não se confundindo com solidariedade, que possibilita que vários agentes sejam, simultaneamente, responsabilizados pelo mesmo débito. 1.3 Impossibilidade de admitir sucessão empresarial quando ambas as empresa ainda existem. Não houve liquidação ou dissolução da empresa XINGULEDER, que conta com bens penhoráveis e patrimônio passível de garantir os seus débitos. As empresa apenas estabeleceram um contrato de arrendamento, no qual a GOBBA passou a usar e gozar a estrutura anteriormente disponibilizada pela XINGULEDER, inexistindo vedação legal com relação a tal fato. 1.4. A fiscalização efetuou uma total confusão entre os sócios das empresas Angico Indústria e Comércio Ltda, Angico Participaçãoes Sociedades Simples Ltda.,Gobba, Xinguleder Couros Ltda., Bracol Holding Ltda., Bertin S/A., Quatro Marcos Ltda., Baru S/A Participações e Baru Rural Ltda.. 1.5. Não deveria subsistir a responsabilização subsidiária da GOBBA por débitos da XINGULEDER, porque a ANGICO Participações e a Iunic (sócios da Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 11060.003473/200836 Acórdão n.º 3401005.306 S3C4T1 Fl. 2.249 7 GOBBA) não guardam nenhuma relação comercial, societária e gerencial direta ou por procuradores com a Xinguleder. 2. A empresa ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. existe de fato, pois realizou operações de compra e venda de produtos químicos específicos para uso na reparação de couros, paga aluguei, cumpriu obrigações tributárias e possui créditos a receber e a pagar, bem como detém patrimônio suficiente para cumprir seu objeto social, como comprovam os documentos juntados no processo administrativo que tratou da baixa de ofício (notas fiscais, alvarás, recibos, comprovantes e etc). 2.1. A ANGICO cumpre o seu objeto social, que não se resume no curtimento do couro, mas também em atividades comerciais e processos relacionados à industrialização de couro semiacabado (letra "b" da cláusula segunda do contrato social, o que impõe necessariamente o trabalho com produtos químicos, insumos ou produtos intermediários ou produtos secundários, em qualquer hipótese todos inerentes e essenciais à preparação de couros. 2.2. A revenda de produtos químicos específicos para preparação de couros seria um conseqüente lógico da atividade de curtimento de couros, tanto que na renovação do próprio alvará de funcionamento da empresa (fls. 550 e 551), a ANGICO cuidou de ressaltar sua atividade confirmada pela autoridade Municipal como "Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Couros". 2.3. Se existe alguma divergência entre o objeto social da empresa ANGICO e a atividade realizada (comércio), esta seria parcial e decorrente do fato de que, quando de sua origem, também pretendia atuar na industrialização mediante o arrendamento de partes do parque fabril. Mas a execução apenas parcial do objeto social não teria, no seu entendimento, o condão de tornar a atividade da empresa inexistente. 2.4. Os poderes outorgados a fiscalização para baixar CNPJ somente podem ser exercidos se a divergência entre a atividade exercida e o objeto social são usados para cometer fraude ou sonegação fiscal para afastar o pagamento de tributos. 2.5. A pretensão da fiscalização de baixar a empresa ANGICO para glosar créditos da GOBBA é insustentável, na medida em que houve operação regular. Mesmo que se sustente não haver sido pago o preço da operação de compra e venda dos produtos químicos, subsiste a operação entre BRACOL/BERTIN, a qual nada tem a ver com o adimplemento de obrigação de compra e venda de produtos químicos. 2.6. Assim, quando a GOBBA adquire o produto químico da BRACOL/BERTIN, este recolheu todos os tributos (PIS/COFINS e IPI) que passam a onerar a operação de compra e venda. Logo quando a GOBBA EFETUAR a operação seguinte do produto industrializado, este estará onerado pela tributação incidente na operação anterior, o que , no caso, acarreta a exportação de tributos, ofendendo princípio da nãocumulatividade. 3. Inviabilidade da compensação de ofício relativamente a débitos com exigibilidade suspensa, devendo o ressarcimento ser determinado sem qualquer compensação de ofício. 4. Impugna a cobrança de juros e multas das cartas de cobrança. Fl. 2252DF CARF MF 8 5. Requer a incidência de correção monetária (SELIC) sobre os créditos a serem ressarcidos. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1033.637 (fls 1947 e seguintes), exarado pela 3a Turma, da DRJ/POA, em 18.08.2011, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 30.08.2011 (fl.1969 ), através do qual foi mantido o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 NULIDADE. Possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, não há que se falar em nulidade. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Nao se toma conhecimento de manifestação de inconformidade contra a compensação de ofício de ressarcimento do crédito do IPI CARTA COBRANÇA. A carta cobrança, expedida, não comporta manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados inidôneos. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 11060.003473/200836 Acórdão n.º 3401005.306 S3C4T1 Fl. 2.250 9 É o relatório. Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso é intempestivo, uma vez que a ciência do Acórdão ocorreu em 30.08.2011 (fl.1969 ) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 30.09.2011 (fls 1970 e seguintes), conforme pode ser evidenciado dos recortes abaixo: (a) Ciência da Recorrente: (b) Apresentação do Recurso Voluntário Fl. 2254DF CARF MF 10 Assim, considerando que os prazos processuais devem obedecer ao disposto no artigo 5º, do Decreto 70.235/1972, no que tange à sua contagem, e no artigo 33, no que tange ao prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Nesse sentido, dada a ciência no dia 30.08.2011, a Recorrente teria até o dia 29.09.2011 para apresentação da sua peça recursal. Porém, somente o fez um dia depois, no dia 30.09.2011. Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário, dada sua intempestividade. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 11060.003473/200836 Acórdão n.º 3401005.306 S3C4T1 Fl. 2.251 11 Fl. 2256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000021/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 1/ 20 10 -1 0 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 12571.000021/201010 Resolução nº 3301000.705 S3C3T1 Fl. 473 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 12571.000021/201010 Resolução nº 3301000.705 S3C3T1 Fl. 474 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018192/2008-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. CONHECIMENTO DO RECURSO.
Demonstrado o dissídio jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, conhece-se do recurso.
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO. REQUISITOS.
A exclusão de áreas de terras da área tributável pelo ITR só é admitida nas hipóteses expressamente previstas em lei. Não demonstrado nos autos que a área rural se enquadra em alguma das hipóteses de exclusão previstas em lei, a mesma deve integrar a área tributável.
Numero da decisão: 9202-007.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, argüida pela conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, vencidas também, as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, argüida pela conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, vencidas também, as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. CONHECIMENTO DO RECURSO. Demonstrado o dissídio jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, conhecese do recurso. IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO. REQUISITOS. A exclusão de áreas de terras da área tributável pelo ITR só é admitida nas hipóteses expressamente previstas em lei. Não demonstrado nos autos que a área rural se enquadra em alguma das hipóteses de exclusão previstas em lei, a mesma deve integrar a área tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, argüida pela conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, vencidas também, as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 81 92 /2 00 8- 33 Fl. 2467DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.777, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 439/457, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2004, 2005 e 2006, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 98.918.181,06 (noventa e oito milhões, novecentos e dezoito mil, cento e oitenta e um reais e seis centavos), relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Assento do Salto do Ipiranguinha, com área total de 50.820,0 ha, NIRF 11931019, localizado no Município de Guaraqueçaba/PR. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ, 1406/1417, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, a fim de manter a exigência do imposto em relação a alteração dos valores apresentados no Demonstrativo de Apuração do ITR de fls. 440/445. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1417 e ss. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou Recurso de Ofício, às fls. 1433/1474. Em sessão de 28/07/2011, às fls. 1.503/1511, a Turma converteu o julgamento em diligência. Em nova sessão, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2391/2404, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário e NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. A Decisão restou assim ementada: Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 9202007.013 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural Área de Preservação Permanente e Área de Proteção Ambiental. Isenção. Conjunto probatório. Comprovação. Às fls. 2407/2410, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, para arguir omissão/contradição na fundamentação do voto, questionando a validade da conclusão do julgado ter se pautado na constatação das áreas de preservação permanente (lado paulista) e de proteção ambiental (lado paranaense). No entanto, às fls. 2413/2416, a Turma explicou que o voto condutor do acórdão concluiu que a área do imóvel situado no Estado do Paraná é uma área de interesse ecológico, conforme a legislação juntada aos autos, principalmente pela declaração do IBAMA; que o encaminhamento dado foi no sentido de reconhecer a isenção desta área do imóvel por considerála área de interesse ecológico, estando a fundamentação onde se arrimou a conclusão do relator em perfeita consonância com a parte dispositiva do voto (provimento do recurso voluntário), não havendo de se reconhecer a contradição suscitada. Tão pouco a omissão foi comprovada, posto que a PFN não indicou que ponto sobre o qual o acórdão deveria se pronunciar. Destarte, não se verificando máculas apontadas pelo embargante, os embargos restaram inadmitidos. Às fls. 2418/2427, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: área de interesse ecológico. O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que a gleba em discussão (área de 23.443,55 ha, localizada no Estado do Paraná), estaria inserida na Área de Proteção Ambiental APA de Guaraqueçaba, enquadrandose nas alíneas “b” e “c”, do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96. Para tanto sustentou que “a parte paranaense do imóvel é uma área de interesse ecológico de acordo com a legislação indicada acima e resposta do IBAMA e dos diversos laudos da região que demonstram que o imóvel não comporta a exploração econômica de diversas atividades identificadas no inciso ‘c’”. Diversamente, o acórdão paradigma entende que “para que não se tribute pelo imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável.” Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 2430/2436, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: exclusão de Área de Interesse Ecológico (área de 23.443,55 ha, localizada no Estado do Paraná) da área tributável do imóvel. Cientificado, conforme fls. 2439, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 2442/2448, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Fl. 2469DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora CONHECIMENTO Embora a questão de não conhecimento do Recurso Especial tenha sido levantada de ofício pela Conselheira Ana Cecília Lustosa, observo que a ela assiste razão pelo fato da matéria discutida no acórdão recorrido ter exacerbado sua competência, adentrado em fato não discutido sequer no auto de infração. Desse modo, analisando os autos, fazendo a comparação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, verifico que o acórdão paradigma se aplicado ao presente caso, não possui a similitude fática suficiente capaz de garantir que o Colegiado do paradigma daria decisão divergente ao caso concreto do recorrido. Diante disso, voto por não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencida no conhecimento passo ao mérito. DO MÉRITO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 439/457, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2004, 2005 e 2006, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 98.918.181,06 (noventa e oito milhões, novecentos e dezoito mil, cento e oitenta e um reais e seis centavos), relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Assento do Salto do Ipiranguinha, com área total de 50.820,0 ha, NIRF 11931019, localizado no Município de Guaraqueçaba/PR. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à exclusão de Área de Interesse Ecológico (área de 23.443,55 ha, localizada no Estado do Paraná) da área tributável do imóvel. O ponto controvertido nos autos se refere a glosa da área de isenção no terreno do Contribuinte cujo território está dividido parte no estado de São Paulo e outra parte no Estado do Paraná. A porção paulista com área de preservação permanente e a porção paranaense com área de proteção ambiental, o que se torna possível em virtude da diferença de legislação havida entre os Estados. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 9202007.013 CSRFT2 Fl. 11 5 Em sede de impugnação o Contribuinte trouxe aos autos: Doc. 01 Cartão CNPJ 78.384.757/000113 e Cópia do Contrato Social. Doc 02 Cópia do ADA Ato Declaratório Ambiental. Doc. 03 Laudo de Vistoria Técnica com a respectiva ART e anexos; a) Mapa da área do tombamento da Serra do Mar com a Localização do Imóvel; b) Planta do imóvel identificando a área da fazenda abrangida pelo Parque Estadual de Jacupiranga, pela Área de Proteção ambiental de Guaraqueçaba e pelo Tombamento da Serra do Mar; c) Cópia do Decreto n° 145, de 08/08/1969, que criou o Parque Estadual de Jacupiranga; d) Cópia do decreto n° 90.883, de 31/01/1985, que criou a APA de Guaraqueçaba; e) Cópia do Edital de Tombamento da Serra do Mar, de 05/06/1986 Doc. 04 Cópia das matrículas que compõem o imóvel de n°s 21.688 do Registro de Imóveis da Comarca de Jacupiranga/SP e, 7.007, 7.008 e 7.009 do Registro de Imóveis da Comarca de Antonina/PR. Doc. 05 Cópia da decisão DRJ/PAE N° 192, de 23/08/1999, processo nº 11020.00398/9687, referente isenção de ITR através de comprovação de que o imóvel constituise em área de preservação permanente. Doc. 06 Cópia da Declaração do ITR exercício de 2006. A entrega de ADA é ponto incontroverso nos autos. De fato, os documentos juntados pela fiscalização deixam várias lacunas, que são posteriormente sanadas com a juntada do processo completo as fls. 1515 a 2182, após a diligência solicitada pela relatora da Turma Ordinária. O acórdão recorrido analisou pormenorizadamente toda documentação trazida em se de diligência, argumentação esta que adoto como razão de decidir. (...) 12 – Em relação a entrega do ADA é ponto incontroverso nos autos sendo que a autoridade lançadora deixa claro esse fato no relatório fiscal e lançamento de fls.1.180/1.261 dos autos. 13 – A meu ver o recurso voluntário do contribuinte deve ser provido senão vejamos. 14 – Toda a farta documentação da ação de desapropriação de nº 353/89 em que a própria fiscalização se fundou para lançar o auto, após a diligência determinada deixa mais claro os fatos. Fl. 2471DF CARF MF 6 15 – Veja que desde o início o contribuinte vem questionando o fato de que a totalidade do imóvel na área paulista está dentro de área de preservação permanente há anos, sendo que houve discussão acerca da real localização do imóvel, sendo que na minha opinião seria verificável de forma simples pela só análise dos elementos que constam da ação de desapropriação indireta em que a contribuinte contende com o Estado de São Paulo. 16 – Podemos ver que em várias passagens da vasta documentação juntada e até mesmo na decisão judicial de fls. 1.515/1.520 em que nenhum momento a Fazenda do Estado de São Paulo, peritos e assistentes técnicos de ambas as partes, questionam o fato da existência da área de preservação permanente no imóvel, o que se discute muito é o valor da indenização em decorrência do volume de mata nativa existente no local. 17 – Tanto que a contribuinte sagrouse vencedora da ação, apesar da reforma pelo Tribunal de Justiça reconhecendo a prescrição da ação. 18 – A fiscalização em sua diligência durante a fiscalização de fls. 943/1.165 para obter a documentação, apenas instruiu os autos com fragmentos de diversos laudos da ação proposta pela contribuinte, ficando até mesmo difícil de entender o contexto em que os mesmos se inseriam, contudo, após, juntada às fls. 1.515/2.182 ficou mais fácil a análise completa de todo o conjunto probatório. 19 – Vale mencionar que o ofício de fls. 2.212/2.213 do Instituto de Terras do Estado de São Paulo deixa claro que o território em questão está: totalmente inserido no Parque Estadual de Jacupiranga.(...) 20 – Esses fatos, aliados ao laudo técnico de fls. 2.308/2.313 e seus anexos especialmente às fls. 2.356 deixam claro a localização do imóvel da contribuinte em área de preservação permanente e portanto isento do ITR de acordo com art. 10, § 1º, II, “a” da Lei 9.393/96, portanto dou provimento ao recurso nesse ponto. (...) 22 – Da mesma forma quanto a parte do imóvel localizado no Estado do Paraná ficou claro também pelo laudo e documentos de fls. 2.273/2.287 do IBAMA que grande parte do imóvel está inserida em área de proteção ambiental verbis: 23 – De acordo com a informação acima do IBAMA essa área não poderia ser enquadrada na alínea “a” do artigo 10, § 1º, II, da Lei 9.393/96, contudo pela análise da legislação entendo que podem ser enquadradas tanto nas alíneas “b” e “c”: b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 9202007.013 CSRFT2 Fl. 12 7 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, agrícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; 24 – A meu ver, essa área estaria melhor definida pela alínea “c” acima, uma vez que após análise da legislação federal e estadual colacionada pela contribuinte às fls. 814/826 entendo que não há ampliação das restrições da área de preservação permanente, contudo, pela alínea “c” que exige comprovação e na minha ótica pelo conjunto probatório há, que a parte paranaense do imóvel é uma área de interesse ecológico de acordo com a legislação indicada acima e resposta do IBAMA e os diversos laudos da região que demonstram que o imóvel não comporta a exploração econômica de diversas atividades identificadas no inciso “c”. 25 – Portanto, dou provimento ao recurso nesse sentido para considerar isentas do ITR a parte do imóvel no Paraná de acordo com os fundamentos acima. O Contribuinte em sede contrarrazões pondera que: Desta forma, sem qualquer dubiedade, a r. DECISÃO DRJ/PAE, n° 192 de 23.08.1999 Processo n° 11020.001398/9687/Porto Alegre (RS), tornouse DEFINITIVA, e por decorrência, É APLICÁVEL AOS EXERCÍCIOS POSTERIORES. Prova está que, nos termos de outra intimação fiscal anterior, malha ITR/97, da Secretária da Receita Federal, INTIMAÇÃO datada de 16/05/2000 e assinada pelo mesmo auditor fiscal Sidney Dolinski, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados informados na Declaração do ITR do exercício de 1997,o mesmo auditor fiscal aceitou os documentos apresentados para o mesmo imóvel (NIRF 1.193.1019), com a mesma área (50.820,0 ha), com os mesmos argumentos e fundamentos, considerando isenta de ITR toda área, por tratarse de área de preservação permanente e, correta a declaração para o exercício 1997, até porque, não houve nenhuma atuação para pagamento de qualquer valor de ITR até a data de hoje. Sendo assim, alega o Contribuinte que as condições para isenção, seja a título de APP ou ARL estariam sendo observados, bem como a terra não pode ser explorada, demonstrando ainda a ampliação das restrições: Há prova suficiente e irrefutável nos autos que a recorrida está há muito tempo, desde 1985, PROIBIDA DE EXPLORAR, face as restrições legais impostas pelas autoridades Estaduais e Federais, visando a proteção do meio ambiente. É FATO NOTÓRIO (art 334, inciso I do CPC) que desde a decisão da própria Receita Federal (23/08/1999), que reconheceu a área como sendo de preservação permanente, estão aumentado substancialmente pelas autoridades governamentais, e com toda razão, à proteção do meio ambiente E QUE DESDE 1985 A RECORRENTE ESTÁ PROIBIDA DE EXPLORAR A ÁREA DE TERRAS, OBJETO DA AUTUAÇÃO ORA RECORRIDA, FACE AS RESTRIÇÕES LEGAIS PELAS AUTORIDADES ESTADUAIS E FEDERAIS! Fl. 2473DF CARF MF 8 A leitura das normas constantes no Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei 7.803/89), evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de qualquer certidão ou Ato Declaratório, tendo em vista que a instituição dessas áreas especiais não é atribuição do IBAMA, incumbido do exercício fiscalizador, mas do Chefe do Poder Executivo, Estadual ou Federal. O Acórdão recorrido reconheceu que a limitação imposta ao território demonstra que este não explorou a área desde que esta foi considerada localizada dentro da APA de Guaraqueçaba (PR) ou do Parque de Jacupiranga (SP). Reconheço que assiste razão, portanto, as alegações do Contribuinte, as quais concluem que: Com efeito, a exigência de qualquer ato declaratório se encontra tão só nas alíneas 'b' e 'c' do inciso II do § da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz respeito a alínea 'a' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/66, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. E assim considero que a área objeto de discussão nesta esfera (área localizada no Paraná) possui as condições necessárias para concessão da isenção requerida, contudo não como área de interesse ecológico, mas sim como área de preservação permanente. Inicialmente houve a glosa de 49.486,00 glosados pelo auditor. Contudo, verifico que foi anexado aos autos em resposta a intimação fiscal ADA, datado de 21.09.98, com declaração de 50.820,00 ha de área de preservação permanente. O qual não restou em nenhum momento esclarecido por que estava sendo refutado pelo acórdão recorrido. Observo que há nos autos uma questão formal de que o acórdão recorrido possui uma fundamentação deficitária e que os embargos integrativos foram mal respondidos pelo relator e isso dificulta a delimitação da lide. Contudo embora integre a lide, não retira a conclusão do acordão recorrido. Desse modo, embora os aspectos deficitários de formalização dos procedimentos processuais é dever da esfera administrativa conceder o direito que assiste o administrado, usando da fungibilidade para conceder direito que se encontre comprovado nos autos Por este motivo concordo que nao seria o enquadramento mais adequado como área de interesse ecológico, mas também não posso ignorar que há direito aqui claramente definido que atende ao contribuinte. Desse modo, no mínimo, há que se considerar que reside o direito do Contribuinte ao reconhecimento da Área na categoria de Preservação Permanente, contudo está Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 9202007.013 CSRFT2 Fl. 13 9 o julgamento limitado ao ponto que foi admitido no exame de admissibilidade, pois bem, é fato ainda que o Contribuinte não recorreu pois que não tinha interesse de agir, já que teve seu recurso procedente sendo afastada a glosa, e assim mesmo circunscrita a discussão trazida pelo recorrido, analiso a questão por via da pacificação social e aplicação do melhor resultado com base na verdade material. Assim, adoto o posicionamento do acordão recorrido que enquadrou a área como Interesse Ecológico “c” do artigo 10, § 1º, II, da Lei 9.393/96. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Inicialmente, quanto ao conhecimento do recurso, divirjo do entendimento esposado pela i. Relatora. Verifico que o recurso atende a todos os requisitos formais de admissibilidade e, do cotejo entre o acórdão recorrido e o paradigma, identifico similitude fática entre ambos, bem como a divergência de interpretação apontada no recurso. Os julgados, paradigma e recorrido, tratam da caracterização da área de interesse ecológico e de usa exclusão para fins de tributação do ITR e, enquanto o acórdão recorrido, integrado pelo acórdão de embargos, limitouse a afirmar que a área em questão é de interesse ecológico, sem cogitar da existência de restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente, para o acórdão paradigma, tal exigência está devidamente explicitada. Tratase, portanto, de evidente discrepância quanto aos critérios jurídicos adotados num e noutro julgado. Assim, não tenho reparos a fazer ao despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso, do qual conheço. Também divirjo da Relatora quanto ao mérito, apesar das bem articularas razões postas em seu voto. A matéria em discussão diz respeito à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas definidas como de Interesse Ecológico e se refere à parcela do imóvel localizada no Estado do Paraná e que estaria inserida na APA de Guaraqueçaba. Entendeu o acórdão recorrido que, embora tal área, segundo informações do IBAMA, não poderia ser enquadrada como de preservação permanente, prevista na alínea “a” do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/1996, “pela análise da legislação [...] podem ser Fl. 2475DF CARF MF 10 enquadradas tna alíneas “b” e “c” do mesmo artigo. E entendeu também que “essa área estaria melhor definida pela alínea “c”, pois, “pelo conjunto probatório” haveria restrições além das prevista na alíenea “a”, pois os laudos demosntrariam que o imóvel não comporta a exploração econômica de diversas atividades identificadas no inciso “c”. A matéria está disciplinada no art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393, de 1996, a qual define as áreas tributáveis pelo ITR, a saber: Art. 10 [...] § 1º [...] [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Destaquei) Como se vê, as alíneas “b” e “c” referemse a áreas declaradas de interesse ecológico ou imprestáveis, porém, no caso da alínea “b”, se requer que se ampliem as restrições de uso previstas no inciso anterior, ou seja, que imponham restrições de uso além daquelas já previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e no caso da alínea “c” tratase especificamente de áreas “comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração”. Não basta, portanto, que a área tenha sido declarada de interesse ecológico para que seja excluída da área tributável do ITR. É necessário o atendimento de outra condição: ter restrições de uso além daquelas das áreas de preservação permanente e de reserva legal ou ser comprovadamente imprestável para exploração rural. Ora, no presente caso não foi demonstrado o preenchimento de uma ou de outra dessas condições. Conforme explicitado no voto condutor do Acórdão da DRJ, o Decreto nº 90.883, de 1995, que implantou, a APA não impediu a exploração econômica dos imóveis nela localizados, tendo apenas definido limites para essa exploração. Por outro lado, o art. 14, da Lei nº 9.985, de 2000, que regulamenta o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, e institui o Sistema Nacional de Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 9202007.013 CSRFT2 Fl. 14 11 unidades de Conservação da Natureza, define a Área de Proteção Ambiental – APA como sendo de uso sustentável. Confirase: Art. 14.Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes categorias de unidade de conservação: I Área de Proteção Ambiental; [...] E o art. 15 da mesma lei diz o que é uma Área de Proteção Ambiental, sendo relevante o disposto no § 2º do referido artigo, segundo o qual podem ser estabelecidas restrições para a utilização da propriedade, a saber: Art. 15. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. § 1oA Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas. § 2o Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental. § 3o As condições para a realização de pesquisa científica e visitação pública nas áreas sob domínio público serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade. § 4o Nas áreas sob propriedade privada, cabe ao proprietário estabelecer as condições para pesquisa e visitação pelo público, observadas as exigências e restrições legais. § 5o A Área de Proteção Ambiental disporá de um Conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e da população residente, conforme se dispuser no regulamento desta Lei. (Destaquei) Resta claro, portanto, que uma Área de Proteção Ambiental – APA pode ser instituída sem a imposição de restrições de uso além daquelas previstas paras as áreas de preservação permanente ou de reserva legal. Portanto, a instituição de Área de Proteção Ambiental – APA e o fato dessa criação implicar em algumas limitações à exploração econômica da propriedade não enseja, por si só, a exclusão dessas áreas da base de cálculo do ITR. É necessário que o ato de criação imponha restrições de uso que ampliem as restrições das áreas de preservação permanente e de reserva legal. E como já referido acima, o ato de criação da APA não impôs tais restrições e assim, a área em questão não se enquadra na hipótese da aliena “b” do inciso II, do § 1º, da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 2477DF CARF MF 12 Quanto à hipótese da aliena “c”, à qual, segundo o acórdão recorrido, melhor se enquadraria o caso, não foi apresentado nenhum elemento que comprove que a área em questão é imprestável para exploração. Assim, o caso ora analisado não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 10, , § 1º, II, da Lei nº 9.393, de 1996 e, portanto, não há falar em exclusão da área em apreço da base de cálculo do ITR. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, em dar lhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 2478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720252/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO.
Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro.
LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS)
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da contribuinte de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. DEVEDOR SOLIDÁRIO. ART.135, III, CTN
Constatado que o responsável operou em violação a lei e ao contrato social é de impor-se a responsabilidade tributária passiva nos termos do art.135, III, do CTN.
Numero da decisão: 1402-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir o coobrigado da relação jurídico-tributária. Vencidos os Conselheiros Eduardo Morgado e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
( assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da contribuinte de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 02 52 /2 01 3- 61 Fl. 1938DF CARF MF 2 evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. DEVEDOR SOLIDÁRIO. ART.135, III, CTN Constatado que o responsável operou em violação a lei e ao contrato social é de imporse a responsabilidade tributária passiva nos termos do art.135, III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir o coobrigado da relação jurídicotributária. Vencidos os Conselheiros Eduardo Morgado e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente ( assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.939 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por WINPARTS COMÉRCIO, INDÚSTRIA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Belo Horizonte que considerou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados Autos de Infração que lhe exigem o pagamento de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e PIS – Contribuição para o Programa de Integração Social, tudo montando a R$ 8.913.430,99 (oito milhões, novecentos e treze mil, quatrocentos e trinta reais e noventa e nove centavos), aí incluídos multa por lançamento de ofício e juros moratórios, como segue: Tais lançamentos originaramse do arbitramento do lucro da interessada, assim descrito no AI – Auto de Infração – de IRPJ: [...] Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a fiscalizada foi intimada e reintimada, mediante termos com ciência em 27/12/2011, 28/03/2012 e 17/05/2012, entre outros, em anexo, onde se passaram mais de 150 dias, sendo que, em 24/05/2012, por meio do seu sócio e representante legal, comunica por escrito que "não tem condições de fazer a reconstituição da escrita incluindo os livros contábeis e fiscais e demais documentos solicitados". Portanto conforme descrição dos fatos no termo de verificação fiscal em anexo, não restou alternativa a não ser o arbitramento do lucro. [...] 0001 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta da venda de produtos de fabricação própria, conforme descrito no termo de verificação fiscal em anexo. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 179 a 191 consigna que a empresa supramencionada foi selecionada para fiscalização do anocalendário de 2009, por apresentar Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ com todos os campos de valor preenchidos com zeros, não confessar débitos em Fl. 1940DF CARF MF 4 nenhuma das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e, ademais, não apresentar Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON. O Autor do feito registra que, em 27 de dezembro de 2011, intimou a interessada a apresentar ou disponibilizar livros contábeis, arquivos digitais, documentos e esclarecimentos do anocalendário de 2009, conforme relação de fl. 179 (q.v.). Em 29 de dezembro de 2011, recebeu ele cópias das cinco últimas alterações contratuais e o arquivo SINTEGRA – Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços do ano de 2009 do estabelecimento matriz; oportuna referir que, em 17 de fevereiro de 2012, foilhe encaminhado o arquivo SINTEGRA da filial em São Paulo – SP. Anteriormente, em 24 de janeiro de 2012, a interessada entregara cópias de DCTF, sem débitos; da DIPJ 2009; do Livro Registro de Apuração do ICMS; e de Boletim de Ocorrência que noticiava inundação que, em 2011, haveria atingido as instalações de sua filial na cidade de São Paulo e “danificado diversos equipamentos e livros fiscais”, relacionados em anexo ao mesmo Boletim. Na ocasião, juntou também cópias dos Boletins de Ocorrência nos 6.392 e 6.404, lavrados em razão de incêndio que teria destruído, em 2008, sua unidade fabril situada na Av. Princesa do Sul, nº 1975, em Varginha, Minas Gerais. Apresentou também apólice de seguro relativa a outro imóvel, este na Av. Plínio Salgado, 480, também em Varginha. Em 2 de fevereiro de 2012, a interessada recebeu nova intimação para apresentar livros contábeis e fiscais, bem como os demais documentos referidos no Termo de Início do Procedimento Fiscal. Em resposta, entregou ela o Livro nº 9 de Registro de Apuração do ICMS (entradas), além das DCTF e DIPJ correspondentes ao ano calendário de 2009, e declarou ser incapaz de exibir o restante dos referidos livros e documentos em razão dos sinistros acima mencionados. Em 28 de março de 2012, a contribuinte foi novamente intimada a “providenciar a reconstituição dos livros contábeis e fiscais e documentos”. Em 26 de abril de 2012, a interessada encaminhou correspondência reiterando a narrativa dos mesmos sinistros e acrescentando: Por esta razão, e considerando que a Winparts é adquirente de boa fé e tendo em vista o enorme prejuízo que sofreu decorrente de tal enchente/inundações em sua filial, impossibilitando assim de apresentar a documentação solicitada pelo Sr. representante fiscal, requerendo na presente oportunidade que este diligencie junto aos órgãos competentes para melhor apuração dos fatos. Diante do exposto, a empresa ora Intimada, reitera e requer se digne Vossa Senhoria a juntada de toda a documentação probatória na qual comprova que a documentação solicitação pelo Sr Auditor Fiscal, foi literalmente prejudicada pela inundação que esta empresa sofreu em sua filial, tido devendo este E. órgão lavrar qualquer Auto de Infração ou Multa, posto que tal situação decorreu de caso fortuito e força major, não provocados por este contribuinte. Em 17 de maio de 2012, a contribuinte foi mais uma vez intimada a reconstituir seus livros contábeis e fiscais, sendo advertida de que o descumprimento desta determinação implicaria o arbitramento de seu lucro, em conformidade com o artigo 530 do RIR/1999. No dia seguinte, encaminhou ela documento em que informava não ter “condições de fazer a reconstituição dos livros contábeis e fiscais e demais documentos solicitados”. Diante disto, o Autor do feito aquilatou a receita bruta da interessada como segue (fls. 186 e 187): Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.940 5 [...] a fiscalização apurou os valores do IRPJ devidos com base no Lucro Arbitrado, tomando como base para apuração das receitas conhecidas, as receitas das vendas, obtidas através das notas fiscais de saídas registradas nos SINTEGRA conforme planilha das notas fiscais e receitas de vendas do ano de 2009 (ratificados junto aos fiscos estaduais e amostragem expressiva junto aos clientes da mesma)[...]. Isto feito, arbitrou seu lucro com base nestes dados e apurou o IRPJ devido. A multa por lançamento de ofício foi qualificada com fulcro nas seguintes considerações: 37 Entendemos que a prática adotada pela Winparts reiterada de não declarar nenhum valor nem de tributo ou de contribuições nas DCTF de todos os períodos, de informar 0,00 (zero) na DIPJ as receitas e faturamentos, e ainda não informar também nenhum registro nos DACON também de todos os períodos, conforme registros nas próprias DCTF, DIPJ e DACON junto aos controles da Receita Federal do Brasil, ficam evidenciado o intuito de não recolher nenhum valor, tanto de IRPJ e as contribuições da COFINS, PIS E CSLL, como também tentar impedir o conhecimento do próprio fisco federal. O Autor do feito considerou o sócioadministrador da autuada, HICHAM YASSIM IBRAIM, solidariamente responsável pelo crédito tributário, escrevendo: Todos procedimentos adotados pelo sócio e administrador da Winparts foram com o objetivo fim de não recolher nenhum valor de tributo ou contribuição em todos os períodos. Isto é sonegação fiscal, é atuação com excesso de poderes, é infração a Lei e é infração ao contrato social, porque foram atitudes ou condutas graves e não toleradas em qualquer das normas que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Ciente em 6 de fevereiro de 2013 (fl. 915), a interessada apresentou, em 5 de março de 2013 (fl. 1.263), impugnação a seguir resumida, com inclusão de alguns de seus trechos, transcritos fielmente. Principia ela com as palavras: [...] Quer nos parecer que, todos nós, sem exceção, estamos de algum modo aliciados com os descalabros fiscais que assolam nosso país, tanto por parte contribuintes inescrupulosos quanto agentes fiscais indignos, e quando este sentimento sobrepõe se ao exercício moral comum de visualizar a todos com presunção de inocência que nos resta é a visão de que tudo está à venda e vendido. Nosso distanciamento da Roma antiga durante a guerra de Jugurta é apenas temporal, pois, quanto ao declínio moral e ético estamos inebriados pela mesma dinâmica que a todos assolava em corrupção e deturpação de valores indivisíveis. Isto posto, a interessada afirma que [...] salta os olhos ERROS MATERIAIS nos autos fiscais, em se tratando das convicções e condições utilizadas a atribuição da responsabilidade por passivo tributário da empresacontribuinte. Recorda que o teor do artigo 135, caput, do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – limita o alcance “da responsabilização dos sócios perante as pretensas cobranças administrativas e execuções fiscais”. Aduz que Fl. 1942DF CARF MF 6 [...] a responsabilidade tributária na redação clara do art. 265 do Código Civil, não se presume, resulta da lei ou vontade das partes [...]. [...] Dessa forma, a simples presunção de que o inadimplemento da obrigação tributária é motivo plausível a justificar a inclusão do sócio no polo passivo da execução, afronta os limites da própria redação do art. 135 do CNT, haja vista, que o referido dispositivo não encerra a teoria da desconsideração da personalidade jurídica [...]. Os representantes legais, como diretores ou gerentes [...] respondem [...] para com terceiros solidária e ilimitadamente em virtude de excesso de mandato e pelos atos praticados com violação ao estatuto ou contrato, desde que comprovado o dolo ou a fraude, o que no caso em tela não se aplica, uma vez que traz a baila demonstrativos de pagamentos efetuados perante a RFB nos períodos 01/2009 a 12/2009, conforme é claramente demonstrado através do anexo de n° 04. [...] No anexo de n° 04, facilmente demonstrase os recolhimentos efetuados em todo o período de 2009 por esta impugnante, fato este que certamente colide com a tipificação disposta nos artigos 71 e 72, ambos da Lei n° 4.502/64, sendo certo que caso esse impugnante estivesse dolosamente tendente a efetuar qualquer sonegação não teria realizado nenhum pagamento perante os cofres públicos federais, em particular aqueles que somam cerca de R$ 275.300,56. Afirma estar [...] neste momento passando por recuperação Judicial muito delicada e o representante legal desta defendente cumulou um único patrimônio em vários anos de empresariado, ou seja, somente um apartamento que está penhorado, sendo o mesmo imóvel que fora arrolado no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. [...] Como se lê no próprio Termo o agente fiscal aponta como mentor de tudo o representante legal da impugnante, alegando que o mesmo sabia a todo tempo o que estava fazendo, até mesmo ironicamente arruinar toda sua vida social e empresarial, isso é um tremendo absurdo. [...] Ressaltase que a prova incumbe ao Fisco, e uma vez que este não tenha trazido aos autos quaisquer indícios de prática de atos previstos no aludido art. 135 do CTN, não estará configurada a obrigação tributária do sóciogerente, implicando em sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da pretensa cobrança bem como na execução fiscal [...]. Diz que, se houvesse intuito doloso por parte de seu sóciogerente, [...] ele jamais teria informado ao fisco estadual suas operações comercias através das GIAS SINTEGRA, quais certamente iriam nortear quaisquer condutas fiscais federais, como no caso em tela ocorreu. Transcreve o artigo 110 do CTN. Escreve ainda: [...] O princípio geral da segurança jurídica aponta para a ideia de força de caso decidido dos atos administrativos. Esta força de caso decidido (Bestandkraft) possibilitanos Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.941 7 entender que o ato administrativo goza de uma tendencial imutabilidade que se traduz: 1) na autovinculação da administração (Sellstbindung) na qualidade de autora de ato e como consequência da obrigatoriedade do ato; 2) na tendencial irrevogabilidade do ato administrativo afim de salvaguardar os interesses dos particulares destinatários do ato. Em resultados práticos, um auto de infração, que é ato da administração pública, constitui imposição de gravame monetário e no presente caso, até impossibilita a empresa de exercer sua atividade, a auto vinculação e a tendencial irrevogabilidade do ato administrativo carrega para dentro da aplicação da norma erro que não pode ser admitido, haja vista prejudicar a defesa, constituir insegurança jurídica e induzir o contribuinte em erro. Alega haver tentado [...] demonstrar sua boa fé, fornecendo ao fisco todos os documentos, que o impugnante, à época, continha para atender as necessidades do processo fiscalizatório. Afirma não haver “iniciativas protelatórias e impertinentes” em suas alegações, “tanto pelo fato de ser exercício de defesa, como também por ser direito do contribuinte examinar os atos da administração pública segundo a norma legal”, concedendo que o Fisco federal “pode incidir em erro diante de imensa carga de trabalho que lhe é aferida, a qual não se pode dizer que seja suportável sem que erros surjam”. Prossegue dizendo que [...] o fisco no exercício de suas atribuições legais – iniciou procedimento fiscalizatório na empresa ora impugnante. Após análise documental lavrou auto de infração com estipulação de multa. Além da multa, insurge contra a empresa a indicação dos agentes fiscais de impedimento do exercício regular de suas atividades por ter havido HIPOTETICAMENTE conduta danosa ao erário público o qual se pretende preservar. Sem definir de maneira clara e precisa, o lançamento descreve o inicio da fiscalização de modo um tanto quanto maculado. Afirma que “o histórico já enredado” teria esclarecido que o anocalendário de 2009 teria sido atípico em razão do “incêndio ocorrido” quanto do “revés de mercado financeiro”. Conceitua o Lucro Real e aduz: Por isso, as obrigações entregues com o digito zero pretendiam estabelecer oportunidade futura de retificação, nunca projetouse qualquer tentativa de burlar o fisco, como demonstram os recolhimentos contidos no anexo 04. Portanto, o ponto singular para determinação do lucro real é o resultado líquido apurado na escrituração comercial, logo a apuração fiscal depende exclusivamente da escrituração comercial, aquela que o auditor teve acesso neste caso e da qual retirou informações que lhe serviram de base para o levantamento, no entanto, o Fl. 1944DF CARF MF 8 auditor esqueceuse de fazer uso dos rudimentos da aplicação conceitual do regime para identificação do lucro real. Tece considerações sobre o “cálculo do imposto”, cita o artigo 187 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e afirma: Ainda que o auditor não tenha encontrado escrituração hábil a expor tal divisor de águas entre os prejuízos da impugnante, devido o incêndio, o mesmo não pode simplesmente rechaçar esta possibilidade quando da lavratura do auto, antes porém deve ser cuidadoso e apontar de modo seguro e verdadeiro qual é o tributo não recolhido e sobre tal tributo aplicar a correção e multa devida segundo a norma [...]. Resta, então, demonstrado que a metodologia adotada pelo auditor está equivocada, pois o mesmo tem como obrigação apurar a existência de tributo segundo a materialidade de cada imposto, reconhecendo a existência de isenções, reduções por incentivos, créditos e a efetividade do lucro, ou seja, deve buscar o lucro real, sob pena de tributar além da capacidade contributiva do auditado. Objetivamente, o auditor esqueceuse de apurar o que foi pago, e tal pagamento se deu sobre efetiva base de cálculo, diferentemente do trabalho ora impugnado que caracteriza tudo como receita e lucro: Não obstante a tal esquecimento, este somase a outro [...], a indispensável apuração dos créditos de PIS e COFINS, que [...] resultou num crédito não atualizado por SELIC no importe de R$ 2.248.369,82 [...]. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.942 9 Ora é imprescindível que tal creditamento, apuração de pagamentos, sejam realizados, bem como deve ser apurado e considerado o real resultado da operação da impugnante que neste exercício foi de prejuízo, evidente prejuízo e a própria escrituração comercial que o auditor teve acesso deixa evidente, pois é incontestável. Pede a realização de diligência para que “tais pontos [...] sejam dirimidos”. Escreve: A República Federativa do Brasil é um estado de direito constitucional e estabelece se numa construção concebida numa ordem jurídica hierárquica cuja declaração é francesa État Legal no vértice da pirâmide hierárquica nascida na Déclaration de 26 de Agosto de 1789 consagrando os "droits naturels et sacrés de l'home". [...] Dizemos isto, porque dentro do procedimento fiscalizatório o agente fiscal deve examinar as normatizações existentes e não pode se esquivar deste acurado exame e, por consequência, o lançamento fiscal deve ficar adstrito aos instrumentos normativos disponíveis, e aqueles cuja disponibilidade é, ou está, relativizada também deve ser relativizada para que não haja uma agressão ao contribuinte. Tece considerações sobre o Princípio da Legalidade. Afirma que “TODA A DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL EXISTENTE DA EMPRESA FOI COLOCADA À AMPLA E IRRESTRITA DISPOSIÇÃO DO FISCO”. [...] Fl. 1946DF CARF MF 10 Ora, os elementos do fisco são frágeis e inseguros para traduzir numa VERDADE REAL, contrária à farta e múltipla documentação contábil da empresa, examinado pelo fisco integralmente fato incontroverso ao ponto de se considerar que pagaria durante estes vários anos de existência empresarial. [...] Por maior que seja a voracidade de tributar, característica marcante do fisco pátrio, muito embora a prestação dos serviços pagos pelos trabalhadores não acompanha a força da taxação, não se pode tolerar a imposição baseada em indício e presunção de uma situação fática INVERÍDICA E MENDAZ, calcada em situações isoladas. Distante qualquer indício de que a empresa impugnante paga valores ao FISCO federal e estadual a uma década em número representativo de milhões de reais. A nível documental não se colheu na contabilidade da empresa nenhuma circunstância indiciária certa, da qual se pudesse tirar uma indução lógica, uma conclusão acerca da subsistência dos fatos geradores da exação. [...] A realidade é uma, única e soberba: o trabalho fiscal não demonstrou a existência de pagamento no período de 2009. E de maneira cômoda, valeuse de arbítrio para gerar um polpudo crédito em detrimento da completa ausência de elementos seguros para a exação imposta. Princípio norteador no direito tributário consagrado no art. 142 do Código Tributário Nacional consagra a indispensabilidade da demonstração inequívoca da ocorrência do fato gerador. NUNCA pode o fisco se valer de simples presunções. Bastaria o fisco no exercício do seu poder de polícia inquirir os outros fornecedores e clientes, e teria informação concreta, dinâmica e segura da REALIDADE, que colocaria em relevo de forma viva, a obediência por parte da empresa impugnante no cumprimento de suas obrigações tributárias dentro da mais completa legalidade. [...] DA NULIDADE DO AUTO POR ERRO MATERIAL E FORMAL Aprendendo com a doutrina, a norma e a jurisprudência, conhecemos que o erro formal e material do auto de infração é danoso para o contribuinte em vilipêndio ao exercício da ampla defesa e contraditório, presunção de inocência, além de impossibilitar o contribuinte de saber os motivos que levaram o fisco a autuálo, tornando a autuação um comando ditatorial que não tem o menor espaço numa República Democrática. [...] DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS ADOTADOS Desconhecendo os motivos que levaram a Receita Federal requerer um procedimento fiscalizatório a impugnante recebeu o fisco para que fosse cumprido o mandado de procedimento fiscal que dava inicio à fiscalização. Prescreve o artigo 12 do Decreto 70.235/72 o seguinte: Art. 12 "Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: [...] Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.943 11 Não esquecendo do artigo 13 do Decreto 70.235/72, o qual apregoa a possibilidade do Mandado de Procedimento Fiscal ser prorrogado tantas vezes quantas bastem para que o labor fiscal seja concluído. [...] Ainda tratando de procedimentos, não se pode se esquivar de mais uma mácula existente neste lançamento. Diante disso, poderia o fisco levarse em conta do regime adotado pela empresa, seja o lucro real, para saber que toda a operação realizada na cadeia produtiva da impugnante realizase créditos e débitos, estes normalizadores do princípio da não cumulatividade dos tributos envolventes na operação comercial praticada. Oportunamente como é narrado no corpo do TVF, a impugnante em certo momento, e pressionada pelo fisco federal, em especial no item 16 declarou que não tem como fazer a reconstituição dos livros contábeis e demais documentos, pelo fato de que não havia à época pessoas e materialidade capazes de produzir tais documentos, cabendo observar que atualmente já se encontram em conformidade com a legislação pertinente. Portanto o que se quer demonstrar aqui é que tendenciosamente o fisco rejeitou todos os princípios normalizadores que regem o lucro real e simplesmente ignorou todos os pagamentos realizados pela Winparts no período de 2009, e preferiu por economia temporal, conforme se aponta no item 08 do Termo de Verificação Fiscal, onde simplesmente o agente fiscal optou por arbitrar o lucro da impugnante em conformidade com o artigo 530 do RIR/99. Afirma que os lançamentos atentariam contra os princípios da livre iniciativa, da razoabilidade e da proporcionalidade: O auto de infração supra descrito comina punições que, por sua severidade e desproporcionalidade violam o direito a livre iniciativa e ampla defesa. [...] Ao lavrar o indigesto AIIM o ilustre agente fiscalizador coloca em xeque o emprego de inúmeros funcionários diretos e indiretos que tem na empresa sua única forma de sustento. Mais ainda, reduz a arrecadação governamental e retira do mercado um importante fornecedor de alimentos, reduzindo a concorrência e. por conseguinte, afetando a economia nacional. As provas e fundamentos acostadas aos autos do AIIM são em sua grande parte suposições e especulações sobre a escrita contábil da impugnante. as quais, além de não refletir a realidade, não podem servir de base para a pena capital que é imposta a empresa, ainda mais em caráter preventivo, sem garantir a ampla defesa, o duplo grau de jurisdição e o contraditório. A empresa autuada, ao contrário do que tenta demonstrar a autuação em tela, é empresa sólida e consolidada no mercado interno, tendo grande movimentação contábil escriturada e recolhendo todos os impostos na forma da Lei. [...] Fl. 1948DF CARF MF 12 O Acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 LUCRO ARBITRADO O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MATÉRIA CONSTITUCIONAL No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA QUALIFICADA Nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 150% no caso de sonegação fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. SONEGAÇÃO FISCAL Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. INTIMAÇÃO A intimação será (a) pessoal ou (b) remetida por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou, ainda, (c) por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante envio ao domicílio tributário do sujeito passivo ou registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou o presente recurso voluntário em que afirma não ter apresentado a documentação exigida durante a fiscalização em decorrência de sinistros em sua sede nos dias 13 de setembro de 2008 e 24 de janeiro de 2011. Que entende atentar a proporcionalidade e a razoabilidade o arbitramento do lucro com aplicação de multa de 150% quando não lhe foi permitida a possibilidade de reconstituir o os livros contábeis e fiscais. Além disso, afirma ter entregado parte da documentação exigida (arquivo Sintegra) de 2009 de forma a demonstrar sua boafé e a idoneidade. Em relação à multa, afirma que esta tem efeito confiscatório, além de atentar a razoabilidade e a proporcionalidade. Afirma que em nenhum momento houve o intuito de Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.944 13 sonegação de impostos. que nessa hipótese, em que pese já ter sido conduzido o arbitramento do lucro. Por fim, sustenta que não há no caso responsabilidade solidária do sócio HICHAM YASSIM IBRAIM, pois não estariam presentes os requisitos do art. 135, III do CTN, haja vista não ter havido excesso de mandato ou excesso de poderes, tendo ocorrido apenas a mora da empresa no pagamento do tributo. É o relatório. Fl. 1950DF CARF MF 14 Voto Vencido Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: No caso, a Recorrente afirma que não teve oportunidade prática para reconstituir seus livros contábeis e financeiros em decorrência do curto prazo entre o sinistro ocorrido em sua sede que destruiu seus livros contábeis e a data de intimação para a reconstituição. Ocorre, porém, que intimado a apresentar documentos, o contribuinte tão somente apresentou o Sintegra de 2009. Mesmo nos autos deste processo administrativo deixou de apresentar qualquer documento que possibilitasse ou ao menos demonstrasse a possibilidade de a escritura fiscal ser refeita. Nessa toada, entendo ter sido adequadamente aplicado o arbitramento do lucro em consonância com o que prevê o art. 530 do RIR. Em que pese o inconformismo da Recorrente, da leitura dos autos depreende se que a fiscalização adotou o procedimento correto para apuração dos tributos devidos. Não há que se falar em ofensa ao devido processo legal ou em cerceamento de defesa, quando oportunizada a defesa e mesmo durante a fiscalização, a própria Recorrente não apresentou qualquer documento ou indício que reforçassem suas afirmações. Em resumo, baseado no fato da imprestabilidade da escrituração da recorrente ( art.530, III, RIR) não refletir a vultosa movimentação financeira em suas atividades comerciais ao que procedeu a autoridade autuante corretamente. Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2009/10 tiveram sustentáculo na movimentação da autuada a partir da GIA/ICMS e nos anoscalendários 2011 12 do SPED. o que apresentou substanciais valores em sua atividade empresarial para os quais, devidamente intimada omitiuse em comprovar. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse sua movimentação financeira, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.945 15 simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. Fl. 1952DF CARF MF 16 No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco; o que não ocorreu. Nesta perspectiva, entendo assistir razão à Fiscalização. A decisão recorrida analisou a questão com maestria, devendo ser mantida, a teor do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, pelos seus próprios fundamentos. Diante dos mesmos fundamentos devem ser mantidos os lançamentos reflexos de CSL, PIS/COFINS, IPI na medida em que, embora todas, as oportunidades conferidas a recorrente esta não atendeu a fiscalização que, corretamente, empreendeu a apuração dos tributos devidos. Muito embora, o embaraço à fiscalização empreendido tenho que a fiscalização teve acesso por outros meios aos documentos necessários para apuração do imposto devido ao que não subsistem razão para manutenção da multa por embaraço, nem mesmo para a qualificadora imposta ao contribuinte que embora negligente em sua escrituração fiscal e sucessivas intimações em sede do PAF não pode serlhe imputado dolo. Entendo, assim, que a multa deve ser reduzida para o patamar de 75%, pois a mera omissão de receitas não é o suficiente para atrair a qualificação da multa, como sugerem a r. DRJ. Nesse sentido o que já decidido por esta Turma nos autos do PA n. 10825.723097/201496, Acórdão n. 1402002.745, de relatoria do Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADES. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO DE CAPITULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Sendo lavrado auto de infração com correto enquadramento legal relacionado a omissão de receitas, atendendo a todos os requisitos exigidos pela legislação fiscal, não há que prosperar a alegação de erro de capitulação, recaindo, neste caso, ônus da prova sobre o contribuinte. Menos cabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo quando suficientemente comprovado nos autos que a conta bancária fiscalizada pertence ao sujeito passivo autuado. Não há vício na intimação quando o Fisco formaliza tal ato respeitando todos os trâmites legais. SIGILO BANCÁRIO. OMISSÕES DE RECEITAS. ACESSO LEGITIMADO. As informações bancárias obtidas pela fiscalização por intermédio da requisição de movimentação financeira junto a instituição financeira são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal. A Lei Complementar nº 105/2001 legitima o fornecimento de informações relacionadas ao sujeito passivo sob fiscalização, quando a autoridade fiscal entender que o exame de tais informações é indispensável para o deslinde da controvérsia,afastando, portanto, a alegação de quebra de sigilo bancário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócioadministrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PAGAMENTO. NÃO IDENTIFICADO. NÃO INCIDÊNCIA. Tratandose justamente de lançamento de "Omissão de Receita", não podendo ser identificados nos autos prova de pagamento do tributo exigido, ainda que parcial, não Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.946 17 é possível a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Sendo cabível a contagem decadencial proporcionada pelo artigo 173, do mesmo diploma fiscal. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. Não comprovado o dolo evidente capaz de ensejar a qualificação da multa por intermédio de fraude, sonegação ou conluio, tampouco havendo embaraço a fiscalização, não devem prosperar a qualificação e agravamento da multa. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. CABIMENTO. A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pauta se o afirmado pela Súmula CARF nº 4. Ressaltese que, quanto à alegação de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Nessa linha entendo que razoável redução da multa ao patamar de 75%. Diante de todo o exposto voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para exclusão da qualificadora imposta por entender que a fiscalização não se desincumbiu do ônus de comprovar o intuito de fraude da Recorrente, entendo que a multa deve ser reduzida ao patamar de 75%, pois não houve comprovação de evidente intuído de fraude. Entendo que deve ser afastada a responsabilidade do sócio Hichan Yassim Ibraim na medida em que entendo ausente requisitos do art. 135, III, do CTN. Ao longo do processado não se constatou prática de excesso de poderes por parte do sócio não sendo crível considerar o mero inadimplemento como prática de excesso de poder. A responsabilidade solidária de Hichan Yassim Ibraim, sóciogerente da recorrente deve ser afastada, assim, considerando os fundamentos aqui adotados. Não tendo sido os fatos integrantes da suposta acusação da prática da infração tributária descrita de maneira individualizada, nem a demonstração da existência de qualquer tipo de favorecimento em prol de Hichan Yassim Ibraim, não se vislumbra a inclusão deste no pólo passivo da obrigação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1954DF CARF MF 18 Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.947 19 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Com o devido respeito, ouso divergir do substancioso voto exarado pelo I. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira unicamente em relação ao provimento em maior extensão que deu ao recurso voluntário manejado pela recorrente quando entendeu pela improcedência da multa qualificada (150%), propugnando sua redução ao patamar de 75%. E assim penso em razão de tudo o que foi pormenorizadamente apurado pela Autoridade Fiscal durante o procedimento investigativo e posteriormente relatado no seu Termo de Verificação, sem que a recorrente conseguisse contrapor ao trabalho do Fisco provas que o elidissem. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 179 a 191 consigna que a empresa supramencionada foi selecionada para fiscalização do anocalendário de 2009, por apresentar Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ com todos os campos de valor preenchidos com zeros, não confessar débitos em nenhuma das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e, ademais, não apresentar Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON. De acordo com literais palavras do autor do feito no TVF, apuraramse os valores do IRPJ “tomando como base para apuração das receitas conhecidas, as receitas das vendas, obtidas através das notas fiscais de saídas registradas nos SINTEGRA conforme planilha das notas fiscais e receitas de vendas do ano de 2009 (ratificados junto aos fiscos estaduais e amostragem expressiva junto aos clientes da mesma)”. Os valores citados, todos extraídos do Termo de Verificação Fiscal elaborado pelo Fisco, estão abaixo resumidos: Período Valor Mensal Valor Trimestral jan/09 4.874.068,24 Fl. 1956DF CARF MF 20 fev/09 5.750.308,04 mar/09 3.566.260,78 14.190.637,06 abr/09 3.112.188,96 mai/09 3.366.746,87 jun/09 3.539.362,93 10.018.298,76 jul/09 3.710.536,47 ago/09 3.782.105,80 set/09 3.432.645,79 10.925.288,06 out/09 2.880.180,96 nov/09 3.414.944,23 dez/09 3.016.180,40 9.311.305,59 TOTAL/2009 44.445.529,47 44.445.529,47 Ainda consoante os termos trazidos pelo TVF, a recorrente sistematicamente quedouse silente em declarar qualquer montante, por mínimo que fosse, tanto em DCTF quanto em DACON, além da própria DIPJ, o que mostra, inelutavelmente, o animus da contribuinte em agir, de forma contumaz, mediante ação ou omissão dolosa, com o intuito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou, ainda, a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir ou mesmo não apurar imposto algum. Em outras palavras, para uma movimentação financeira que atingiu o patamar de 44,4 milhões de reais em um único ano, a contribuinte informou receitas ZERO na DIPJ, além de não informar um centavo na DCTF e na DACON e, mais que isso, não submeteu tal valor a qualquer tributação. Com isso, a contrario sensu do entendimento consolidado pelo Colegiado Administrativo Tributário na Súmula CARF nº 14, a contribuinte não só omitiu receitas como buscou impedir ou retardar totalmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou mesmo seu conhecimento pela Fiscalização, com o subterfúgio de subtrair da apreciação da Autoridade Tributária TODAS as informações que pudessem levar à tributação dos valores apurados. Nesse sentido, não perdendo o foco, segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.948 21 No caso, não se trata de presunção de dolo, mas, sim, da existência de dolo direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida na conduta típica de sonegação (art. 71 da Lei 4.502/641, e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/20072), que implicou, ainda, redução ou supressão de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou seja, reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante a realização das condutas descritas nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/903). 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 3 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 1958DF CARF MF 22 A jurisprudência administrativa é nesta linha: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. (Acórdão 120100205 Relator(a) Guilherme Adolfo dos S. Mendes) MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Por fim, mas não menos relevante, acresçase que, durante o procedimento fiscalizatório, a recorrente teve sucessivas oportunidades para justificar sua movimentação financeira, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Por esses fatos – incontestes – entendo que a exasperação da multa, elevando a ao patamar de 150%, mostrase irrepreensível, por isso deve ser mantida. Em síntese final, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa, mantendoa no percentual de 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10660.720252/201361 Acórdão n.º 1402002.952 S1C4T2 Fl. 1.949 23 Fl. 1960DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.900681/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 81 /2 01 1- 14 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10630.900681/201114 Acórdão n.º 1201002.405 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720509/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 3301-004.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 09 /2 01 4- 94 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 985 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1270.315 (fls. 968 a 975), de 14 de novembro de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou, por unanimidade de votos, procedente a Impugnação (fls. 857 a 887) exonerando os créditos tributários do Contribuinte referentes ao PIS, no valor de R$ 411.646,85, à Cofins, no valor de R$ 1.896.070,37, e também os valores das respectivas multas e encargos moratórios. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 969 a 972): Do lançamento: O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DemacRio de Janeiro/RJ em 23/07/2014, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 791/809), no valor de R$ 411.646,85, e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 773/790), no valor de R$ 1.896.070,37, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios, decorrentes da apuração, em todos os meses do anocalendário de 2010, de insuficiência de recolhimentos de PIS e COFINS por falta de oferecimento à tributação dos valores lançados na conta contábil 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, no montante total de R$ 24.948.294,44, que a interessada teria declarado em seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON à linha 04 das fichas 07A e 17A – “Receita Tributada à Alíquota Zero”. O Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 753/772, parte integrante dos autos de infração, discorre sobre o objeto social da interessada conforme seu estatuto, sua forma de tributação pelo Lucro Real anual no ano de 2010 e DACON mensais apresentados com apuração das contribuições pelo regime nãocumulativo, elenca as intimações fiscais e respectivas respostas, transcrevendo a que se refere ao tipo de operação registrada na conta “Descontos ObtidosPromocionais” e determina ser necessário investigar a efetiva natureza dos valores nela contabilizados. Formula três hipóteses para o que representariam as receitas para recompor o lucro da interessada quando há redução do valor de venda de determinados produtos por solicitação do fornecedor. Seriam elas: Receitas financeiras, receita de venda de mercadorias e receitas por uma obrigação a fazer. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 986 3 Conclui não poder ser receita financeira por não haver nenhum ganho financeiro no negócio jurídico, tratandose simplesmente de uma recomposição do lucro por aquisição de produtos com menor custo. Conceitua que não havendo remuneração do dinheiro pelo dinheiro ou uma operação de compra em si, como ocorreria no caso de um desconto concedido por uma antecipação de pagamento, pela forma de liquidação do débito ou pelo volume de compras, não se poderia supor a existência de um ganho financeiro. Discorre que, estando perfeita e obrigatória a compra e venda, com a mercadoria acordada e o preço certo, qualquer coisa que a vendedora conceda à compradora que não seja decorrente de antecipação de pagamento ou vício de mercadoria não se refere a um desconto ou abatimento, por não haver obrigação da vendedora de fazê lo, mas, quando muito, uma doação. Destaca que a interessada recebeu rendimento em decorrência de um contrato acordado com sua fornecedora, em que a primeira se obrigou a uma coisa e a outra pagou por isso, logo, não seriam ganhos financeiros, mas uma remuneração por uma obrigação de fazer. E que o acordo pela redução de preço não remunera a venda de mercadoria, mas o agir da interessada, sua obrigação de fazer, no caso, a rebaixa de preços. Afasta a hipótese do valor ser parte do preço de venda, uma vez que são contratos distintos o celebrado entre a fiscalizada e seu cliente e a fiscalizada e seu fornecedor. Assim, o valor da venda seria o registrado na nota fiscal, mesmo porque, se fosse a bonificação uma parcela da receita de venda, sobre ela a interessada faria incidir ICMS, o que não ocorreu, demonstrando que a mesma reconhece não se tratar de receita de venda de mercadorias. Conclui que as receitas de bonificação ocorreriam no momento da venda e não quando do recebimento da bonificação, porque a partir do momento que foi efetuada a venda pelo preço estabelecido no acordo comercial, a interessada já teria direito a receber o valor pela baixa de preço. O TVF ainda transcreve legislação do PIS e da Cofins, conclui cabível o lançamento de ofício sobre as receitas de verba de descontos promocionais recebidas através de descontos ou depósitos bancários, demonstra os valores tributáveis mês a mês e discorre sobre a multa de ofício aplicada, no percentual de 75%. Da Impugnação: Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação de fls. 857/887, em 21/08/2014, onde argui a tempestividade, descreve a autuação, se insurge contra a multa de ofício e os juros moratórios, evoca os arts. 3o e 142 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN) e alega, em síntese, que: Os valores lançados em sua conta contábil n° 0061200008, com o título "Descontos Obtidos Promocionais", referemse a depósitos em contas bancárias e descontos obtidos em compras futuras de alguns de seus fornecedores, com vistas ao ressarcimento ou reembolso por redução de preços de seus produtos aos consumidores finais, conforme acordo promocional informal feito prévia e diretamente com tais fornecedores. Ao ter recebido de forma indireta parte dos valores referentes ao preço final dos produtos, tais valores estariam sujeitos à mesma tributação de PIS e Cofins apenas Fl. 986DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 987 4 na origem, uma vez que representam parte do valor de receita de venda de tais produtos, sobre os quais não incide PIS e Cofins na venda ao consumidor final. Apesar de ter contabilizado os valores em conta de receita financeira, discorre sobre os mesmos terem a natureza de “redução de custos”, transcrevendo voto do Acórdão no 3402002.092 da 4a Câmara da 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da FazendaCARF, que conclui por tal entendimento com a seguinte ementa: PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), nos termos do art. 177, da Lei n° 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM n° 575, de 05 de junho e n° 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC n°s. 16 e 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Alega ainda que os descontos comerciais seriam receitas financeiras, com base no art. 373 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e por representar redução de custos, sendo descabida a idéia do Fiscal Autuante de que os descontos para serem considerados receitas financeiras teriam que representar a remuneração do dinheiro pelo dinheiro ou pela operação de compra em si, como no caso de desconto concedido por antecipação de pagamento, pela forma de liquidação do débito ou pelo volume de compras, protestando não encontrar tal limitação amparo na legislação. Transcreve Acórdãos da DRJ e do CARF, definição do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações e do livro Imposto de Renda das Empresas, de Hiromi Higuchi, bem como resposta do manual “Perguntas e Respostas 2010” da RFB e Solução de Consulta da DISIT, que corroborariam sua conclusão de serem os descontos receitas financeiras, logo sujeitos à alíquota zero de PIS e Cofins por força do art. 1o do Decreto no 5.442, de 09 de maio de 2005. Nega que tenha falado sobre os valores serem excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, mas sim que os mesmos foram tributados com alíquota zero por se tratarem de receita financeira, mesmo porque os descontos excluídos seriam aqueles concedidos, e não os auferidos, como no caso em litígio. Alega que os descontos glosados, se não receitas financeiras, somente podem ser considerados como parte do valor de venda de seus produtos, sobre os quais incide igualmente alíquota zero de PIS e Cofins. Protesta contra a caracterização dos descontos como receita de prestação de serviços, em face da inexistência de obrigação de fazer. Discorre que, para que haja prestação de serviços, seria necessário bilateralidade, obrigação de fazer e remuneração em busca de lucro, não tendo havido nenhum Fl. 987DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 988 5 destes elementos na obtenção dos valores glosados, conforme individualmente demonstra. Encerra pedindo a decretação da improcedência dos lançamentos, cancelamento das exigências fiscais e arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido e a legislação vigente a sua época, a Presidente da 2ª Turma da Delegacia Federal de Julgamento no Rio de Janeiro interpôs Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso de Ofício interposto pela Presidente da 2ª Turma da Delegacia Federal de Julgamento no Rio de janeiro, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12 70.315 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A Portaria nº 63 do Ministério da Fazenda, de 9 de fevereiro de 2017, que alterou o valor que obriga interposição do Recurso de Ofício, assim dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (grifouse). Percebese que o valor total da lide ora analisada é de R$ 411.646,85 para o PIS e R$ 1.896.070,37 para a Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75 % correspondendo a R$ 308.735,15 (PIS) e R$ 1.422.052,79 (COFINS) e demais encargos moratórios, decorrentes da apuração em todos os meses do ano calendário de 2010, o que importa em atendimento ao disposto na Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda acima citada. O ora analisado Recurso de Ofício visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESCONTOS OBTIDOS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 989 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESCONTOS OBTIDOS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de COFINS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acerca dessa matéria e a legislação aplicável ao presente caso entendo, data vênia, equivocada a decisão proferida no Acórdão nº 1270.315 pela 2ª Turma da Delegacia Federal de Julgamento no Rio de janeiro. Cito como razões para decidir o voto do il. Conselheiro Relator Charles Mayer de Castro Souza, que envolve a mesma matéria relacionada a conta contábil nº 0061200008 do mesmo Contribuinte, proferido no Acórdão nº 3201 002.387, em 27 de setembro de 2016, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento: (...) O lançamento constituiu crédito tributário decorrente do PIS e da Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, sobre valores que, segundo a fiscalização, não compuseram as suas respectivas bases de cálculo. Tratase, especificamente, de valores contabilizados na conta contábil no 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, subconta do grupo de Receitas Financeiras. Preliminarmente, a contribuinte autuada sustentou, na impugnação, a nulidade do feito, alegação rechaçada pela instância de piso e também aqui, pelos motivos que se passam a ressaltar. Com efeito, os autos de infração inquestionavelmente apresentamse com todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, base de cálculo etc.), notadamente a descrição dos fatos – detalhados, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal, o que possibilitou à contribuinte autuada a exata compreensão da controvérsia, como se pode observar de sua impugnação. Ademais, como se verá na análise do mérito da autuação, o lançamento não se baseou em presunção, mas em provas robustas, não contaminadas por quaisquer vícios. Rejeitadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. Durante a ação fiscal, a contribuinte autuada informou que, antes de anunciar uma campanha promocional de medicamentos em sua rede de lojas, costuma contatar seus fornecedores com o objetivo de receber “descontos financeiros” na aquisição de mercadorias, o que reduziria o custo para seus clientes. Afirmou que estes descontos financeiros são depositados em sua própria contacorrente com a identificação do fornecedor que aderiu à campanha promocional (intimados, os fornecedores alegaram que os valores depositados referemse a uma negociação para o incremento de vendas ou para a realização de campanhas promocionais dos produtos). Tais valores seriam posteriormente repassados, como descontos, a seus clientes no momento da venda. (...) Nesse contexto, entendeu a DRJ que o fato destacado na impugnação – realização, pelos fornecedores, de depósitos em conta bancária, em vez de redução em compras Fl. 989DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 990 7 futuras – não descaracterizaria os valores envolvidos como descontos financeiros obtidos, daí que considerou improcedente o lançamento. O conceito de receitas financeiras encontrase insculpido no art. 373 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, in verbis: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Desta forma, em sendo os valores glosados representativos de descontos obtidos pela interessada junto aos seus fornecedores, mesmo que condicionais (seja à rebaixa de preços como alega, seja ao atingimento de metas, como propõe a autuante), seriam os mesmos receitas financeiras e, como tal, estariam sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, por força do caput do art. 1o do Decreto no 5.442, de 9 de maio de 2005: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O fato dos valores terem sido depositados em conta bancária, em vez de utilizados como redução em compras futuras, não afasta a interpretação de serem os mesmos descontos recebidos pela interessada, bem como a sua nomeação pela autuante como “bonificações” não altera as suas características. (grifamos) Discordamos. Primeiro, e conforme se pode perceber, o relator da decisão recorrida valeuse apenas do termo “desconto” para qualificar, como se de receita financeira tratasse, a operação combinada e realizada pelo contribuinte autuado e seus fornecedores, desprezando a variedade com que esse tipo de ajuste ocorre no plano da realidade. Um desconto registrado no ato da venda também não deixa de ser um desconto, mas, porque incondicional, não pode ser tratado como financeiro, pois apenas reduz o preço da venda no momento mesmo em que ocorre, daí que, sobre o valor descontado, não incide, por exemplo, o ICMS. Segundo, porque os valores assim recebidos – as receitas financeiras – originamse, ao contrário, de pagamentos antecipados de duplicatas ou de outros títulos emitidos por fornecedores. É como sustentam Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins: (...) Como receitas financeiras, há: descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. (IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 6. ed. Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP (FIPECAFI). Atlas: São Paulo, 2003. pp. 354356). Também para Silvério das Neves e Paulo Viceconti, os descontos financeiros são Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 991 8 aqueles ligados ou condicionados ao pagamento ou recebimento de títulos por antecipação: “são os descontos obtidos na liquidação antecipada de obrigações”. Diferem, portanto, dos descontos incondicionais, que são “parcelas redutoras dos preços de compra e venda, constantes da nota fiscal ou da fatura de serviço e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos” (NEVES, Silvério das. VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade básica. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Frase Editora, 2004. p. 115116). A situação aqui é outra, pois não há desconto por liquidação antecipada de obrigações. Os valores recebidos em pecúnia pela contribuinte autuada têm, de fato, como entendeu a fiscalização, a natureza de prêmios/bonificações pagos por fornecedores em cumprimento das condições prédefinidas nos acordos celebrados com a contribuinte autuada. Todavia, não se qualificam como receita financeira, em ordem a possibilitar a aplicação da alíquota zero, motivo por que devem integrar a receita operacional do período de apuração do PIS/Cofins. Em caso idêntico, esse foi o entendimento adotado pela 4a Câmara desta 3a Seção do CARF: RECEITAS FINANCEIRAS. BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. (CARF, 3a Seção, 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão no 3403001.683, de 17/07/2012). Outro argumento que serviu de esteio à decisão recorrida de ofício foi o de que o lançamento baseouse em fiscalização por amostragem para comprovar a natureza dos valores contabilizados na conta contábil no 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”. Diz o relator que, a despeito de reconhecer significativa a amostra (62,95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos valores totais lançados naquela conta contábil), não haveria como aceitar que a exação extrapolasse os valores efetivamente analisados e fiscalizados (a amostra) para glosar a totalidade dos valores lançados na referida conta, “autuandose assim por ‘presunção’ não prevista na legislação, os 37,05% em 2008 e 31,87% em 2009 restantes...”. Também discordamos. Primeiro, porque nada obsta que assim se faça. Aliás, aqui não se trata de presunção – aquela operação mental feita pelo aplicador da lei, presunção hominis, ou autorizada pelo legislador, presunção legal, destinada à comprovação de outro fato diverso do indiciário. Aqui o que se provou foi o próprio fato em si: a origem inequívoca dos valores contabilizados em determinada conta contábil. A intimação de alguns fornecedores serviu para evidenciar o modo pelo qual se dava o recebimento dos valores e para possibilitar o cotejo das informações assim obtidas com as prestadas pela própria contribuinte autuada. Portanto, não havia necessidade de investigar cada um dos valores depositados na conta contábil no 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, notadamente porque a sua origem foi afirmada e reafirmada por aquela que assim os escriturou – a contribuinte autuada, que se ateve a insurgirse apenas contra a qualificação jurídica conferida a tais valores pela fiscalização. O relator da decisão recorrida de ofício ainda questiona o fato de devoluções de compras não terem sido excluídas da autuação, porém, tais exclusões, na verdade, ocorreram, como se constata do Termo de Verificação Fiscal (fl. 2235), em que expressamente registrado que os saldos da conta no 0061200008 de fevereiro, maio, Fl. 991DF CARF MF Processo nº 16682.720509/201494 Acórdão n.º 3301004.808 S3C3T1 Fl. 992 9 junho e setembro de 2008 foram ajustados no valor das respectivas devoluções. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência do crédito tributário lançado. Com esses argumentos e de acordo com os autos do processo e a legislação aplicável voto por dar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 992DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.727716/2015-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.624
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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COMPROVAÇÃO. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 77 16 /2 01 5- 49 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 8.693,92, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da falta de comprovação dos pagamentos aos beneficiários. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere a não comprovação dos pagamentos aos alimentados no anocalendário correspondente, em desatendimento da legislação, mesmo que o acordo tenha sido homologado em decisão judicial, nos termos que segue: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 06 11), referente ao(s) exercício(s) 2014, ano(s)calendário 2013, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$8.693,92, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa R$58.452,40, por falta de comprovação do pagamento do valor de R$48.000,00 para os filhos João Vitor de Melo Kumaira e Vitória de Melo Kumaira. R$10.452,40 excedem os 45% sobre os rendimentos de aposentadoria do contribuinte, estipulados no Acordo Homologado Judicialmente como pensão para seu outro filho João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa R$6.619,63, por falta de comprovação. O Acordo Homologado determina que os valores pagos de despesas médicas do filho João Bosco Kumaira Filho integram a pensão alimentícia descontada em folha de pagamento pelo TJMG, não cabendo nenhuma dedução além desse valor. O litígio versa sobre as infrações de Dedução Indevida de Despesas Médicas e de Pensão Alimentícia Judicial. De plano, antes da análise das infrações lavradas, cabe manifestação acerca do aditivo à impugnação, acostado pelo contribuinte, ora impugnante, em 28/01/2016 (fl. 50), onde sustenta que é portador de neoplasia maligna e, em razão desta, faz jus aos benefícios da isenção de imposto de renda. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15504.727716/201549 Acórdão n.º 2001000.624 S2C0T1 Fl. 159 3 Antes de passar à explicação do porquê é parcialmente correta a sustentação, cabe trazer à colação excerto da legislação tributária pertinente: (...) Da exegese dos dispositivos, depreendese que a isenção deve ser concedida se comprovados, concomitantemente: a) ser portador de moléstia grave/profissional prevista em lei; b) que os rendimentos auferidos pelo portador sejam decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma, incluindose quando essas situações forem motivadas por acidente em serviço; c) que a enfermidade contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão, esteja devidamente comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Compulsando os autos (fl. 67), verificase que o impugnante faz prova de que é portador de moléstia grave desde 24/08/2011, doença esta diagnosticada por junta médica oficial do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais, a qual indicou como sendo o impugnante portador de neoplasia maligna desde então. Contudo, no que tange à comprovação da aposentadoria do cargo de Juiz de Direito, outro dos requisitos essenciais a ser atestado para a concessão do benefício, como se viu, não acostou à impugnação o documento comprobatório da aposentadoria, a exemplo do competente Termo emanado pelo Poder Judiciário, cópia do Diário Oficial ou outro documento correlato, indicando, peremptoriamente, a data em que tal situação se materializou. Somente a partir da exata data assiste direito à isenção. Assim, na ausência de ateste hábil e idôneo, a natureza de tributáveis, dos rendimentos, subsiste. Ultrapassada essa questão, no tocante às deduções pleiteadas, assim dispõe a legislação (destaques acrescidos): (...) Da exegese dos dispositivos acima, depreendese que qualquer dedução eventualmente pleiteada poderá ser submetida à comprovação, a critério da autoridade fiscal. Observese, diferentemente do quer crer o impugnante, irresignado por estar sendo chamado mais uma vez para comprovar fatos já supostamente comprovados anteriormente, que não há qualquer condicionante no sentido de impedir a Fazenda Pública de solicitar esclarecimentos semelhantes àqueles já solicitados em exercício fiscal anterior, até o mesmo tipo de documentação, para resolver questões pertinentes a direito pleiteado em período subsequente e diferente. A razão é deveras singela para a não existência de tal dispositivo: o fato de atestar o cumprimento de determinadas condições em Fl. 160DF CARF MF 4 exercício específico não autoriza a conclusão de que, necessariamente, o sujeito passivo agirá da mesma maneira, relativamente àquela matéria, no futuro. Ademais, para a legislação do imposto de renda da pessoa física, os exercícios fiscais, os anos calendário, são distintos. Não se comunicam. Tanto isso é verdade que, anualmente, os contribuintes informam os rendimentos eventualmente auferidos, as deduções que julgam fazer jus, apurando o imposto devido ou a lhes ser restituído em suas Declarações de Imposto de Renda! O caso em tela é exemplo que confirma a tese, senão vejamos. No caso de despesas com Pensão Alimentícia, pagas em face das normas do Direito de Família, a legislação tributária estabelece, com clareza meridiana, que se comprova a obrigação, simultaneamente: • com a apresentação da Decisão Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n.º 5.869/1973, onde é possível conhecer os termos da obrigação, a exemplo do quantum a ser pago em dinheiro; data do início; nomes dos beneficiários e alimentante; etc; e • com a comprovação do pagamento, ou seja, a transferência efetiva dos recursos aos alimentandos. In casu, a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, foi lavrada sob o fundamento de que não houve a comprovação devida do pagamento de R$48.000,00 para os filhos João Vitor de Melo Kumaira e Vitória de Melo Kumaira, bem como que R$10.452,40 excederam os 45% sobre os rendimentos de aposentadoria do contribuinte, estipulados no Acordo Homologado judicialmente para o filho João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe. Em sua defesa, o impugnante afirma que a pensão aos filhos João Vítor e Vitória decorre de acordo judicial, sendo paga até além do pactuado. Acrescenta ainda que é a única fonte de sobrevivência de ambos. Compulsando os autos, especialmente os documentos de folhas 82 132, não se verifica a comprovação da transferência do valor declarado a título de alimentos, na Declaração de Ajuste Anual, aos beneficiários da pensão pleiteada no exercício 2014, anocalendário 2013, condição absolutamente essencial para o ateste do direito, como se demonstrou acima. Ademais, cabe prelecionar ao impugnante, que o fato de supostamente transferir valores maiores que os acordados aos alimentandos é inócuo perante a legislação tributária, sendo considerado por esta como mera liberalidade, não dedutível na DIRPF, por não estar contido na Decisão Judicial ou no Acordo Homologado Judicialmente. Mantida a glosa de R$48.000,00, por falta de comprovação do pagamento. No que tange à glosa de R$10.452,40, alega o impugnante que a pensão de João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe é descontada em folha pelo TJMG, no percentual de 45% sobre todo o montante da Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15504.727716/201549 Acórdão n.º 2001000.624 S2C0T1 Fl. 160 5 aposentadoria, não tendo o Fiscal considerado que o tal percentual também é descontado sobre o valor do 13º salário e diferenças eventualmente pagas. Assistelhe razão, em parte. De plano, a glosa não é devida integralmente, pois o Quadro 03 do Comprovante de Rendimentos (Rendimentos Tributáveis, Deduções e Imposto de Retido na Fonte) apresentado demonstra de forma peremptória o valor pago de alimentos a ser levado ao Ajuste Anual (R$123.574,69), incluídos ali os calculados sobre outras parcelas recebidas não tributáveis ou isentas, por exemplo, sobre as quais também incide a pensão. O quadro 06 (fl. 82), cumpre esclarecer, indica tão somente o nome do(s) beneficiário(s) a título meramente informativo e a composição geral dos alimentos transferidos ao beneficiário ali indicado, sem detalhamento de todas as parcelas salariais recebidas (sobre as quais incidiu o percentual de 45%). Deveria, portanto, o impugnante somente levar ao Ajuste Anual, no que tange à pensão paga à beneficiária Sra. Maria Doroteia Mamed David, o valor de R$123.574,69, razão pela qual procede a glosa da diferença, ou seja, R$563,88 (R$124.138,57 – R$123.574,69). Assim, há que restabelecer o montante de R$9.888,52, pois de direito. Por fim, no que concerne à Dedução Indevida de Despesas Médicas, assevera o impugnante que são relativas a gastos próprios. É exatamente isso que se atesta na documentação acostada (fl. 116). É gasto próprio com o plano de saúde Amagis no ano 2013. Deve ser, portanto, considerada insubsistente a infração lavrada, restabelecendose o montante pleiteado de R$6.619,63. Ante o exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer, a título de Despesas Médicas, o valor de R$6.619,63; a título de Pensão Alimentícia Judicial, o valor de R$9.888,52, bem como para manter as demais infrações apuradas, resultando em saldo de imposto a pagar de R$4.154,19, mais multa de ofício de 75% e juros de mora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.154,19, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em síntese, sendo dispensável descer aos fatos descritos às fls. 136/148, a apuração de eventual imposto devido no valor de R$ Fl. 162DF CARF MF 6 4.154,19 sob o rótulo de “infrações de Dedução Indevida de Despesas Médicas e de Pensão Alimentícia Judicial”, deve ser revisto, levando em conta que o R. acórdão reconhece que o contribuinte, par ter direito à isenção, tem de comprovar ser portador de moléstia grave, que os rendimentos sejam decorrentes de aposentadoria e que a enfermidade tenha sido contraída antes ou após a aposentadoria, para definir que “no que tange à comprovação da aposentadoria do cargo de Juiz de Direito, outro dos requisitos essenciais a ser atestado para a concessão do benefício, como se viu, não acostou à impugnação o documento comprobatório da aposentadoria”, concluindo que “na ausência de ateste hábil e idôneo, a natureza dos tributáveis, dos rendimentos, subsiste.” O contribuinte esclarece que cópia do ato de sua aposentadoria foi protocolada na Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, que já deferiu o cancelamento dos créditos tributários decorrentes da Notificação de Lançamento IRPF/2013 e reconheceu o seu direito `restituição apurada na revisão da DIRPF/2013, no valor de R$ 23.356,38, com os acréscimos legais, conforme Despacho do Auditor Fiscal em anexo. Desta forma, por medida de coerência, comprovado pela cópia anexa que o ato de aposentadoria do contribuinte foi publicado em 12/10/1994, data anterior ao laudo que comprova a enfermidade concessiva do benefício, impõese prover o presente recurso para cancelar o indigitado crédito, processandose a correlata restituição do imposto recolhido, devidamente corrigido. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Recorrente apresentou impugnação tempestiva, constantes dos autos, em 01.10.2015 (Ref.: Notificação de Lançamento 2014/49812788904500), de forma sucinta, abordando as questões apontadas no Lançamento, no seguinte texto: Segundo consta do Demonstrativo de apuração do imposto devido, ocorreu a glosa do valor de R$ 65.072,03 sob o rótulo de “Dedução Indevida”, ao argumento de que o valor de R$ 48.000,00 seriam de Pensão Alimentícia “supostamente pago” aos filhos João Vitor de Melo Kumaira e Vitória de Melo Kumaira, mais o valor de R$ 10.452,40 que, segundo a notificação “excedem os 45% sobre os rendimentos de aposentadoria do contribuinte, estipulados no acordo homologado judicialmente como pensão par seu outro filho João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe”. Em complemento, fez a glosa do valor de R$ 6.619,63, ao fundamento de que “o acordo homologado determina que os valores pagos de despesas médicas do Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15504.727716/201549 Acórdão n.º 2001000.624 S2C0T1 Fl. 161 7 filho João Bosco Kumaira Filho integram a pensão alimentícia descontada em folha de pagamento pelo TJMG”. O defendente tem a esclarecer, mais uma vez: a) a pensão aos filhos João Vítor e Vitória decorre de acordo judicial, sendo paga até além do pactuado, sendo a única fonte para a sobrevivência de ambos; b) a pensão relativa ao outro filho João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe é descontada em folha pelo TJMG, no percentual de 45% sobre todo o montante da aposentadoria, não tendo o Fiscal considerado que o tal percentual também é descontado sobre o valor do 13º salário e diferenças eventualmente pagas; c) as “despesas médicas”, segundo extrato da AMAGIS, foram realizadas exclusivamente em prol do próprio contribuinte, conforme comprovante juntado, não se referindo ao filho João Bosco Kumaira Filho, sendo que embora pagas pelo contribuinte, as despesas médicas e plano de saúde de dependentes não foram abatidas na declaração. O Impugnante finaliza a sua defesa com o pedido cancelamento da notificação dizendo que “... a Notificação de Lançamento está totalmente equivocada, sendo claro que o contribuinte apresentou declaração absolutamente correta...”. Na fl.23 do processo a Declaração de Ajuste Anual apresentada e juntada aos autos mostra que considera os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais como tributáveis no valor de R$ 252.635,95, correspondente a parte que lhe coube depois de deduzida a pensão alimentícia descontada em folha, destinada ao filho João Bosco Kumaira Filho e sua mãe. Na fl. 24 é mostrada a informação referente aos descontos das pensões alimentícias. Ressaltese que na fl. 23 na parte de identificação do declarante, ao responder o quesito do formulário que corresponde a condição de saúde do contribuinte, a afirmação não deixa dúvida de que os rendimentos antes referidos são considerados tributáveis, como demonstrado: Um dos declarantes é pessoa com doença grave ou portadora de deficiência física ou mental? Resposta do declarante: NÃO. Ocorre que, em 28/01/2016, o Recorrente solicitou juntada aos autos de “Requerimento para Prioridade no Andamento de Processo Pessoa Física”, com indicação de motivação na Lei do Estatuto do Idoso e Pessoa Portadora de Moléstia Grave. Na mesma oportunidade apresenta complemento de defesa que o próprio Recorrente denomina de “Defesa Intempestiva”, como segue: (Ref.: Defesa intempestiva IRPF 2014/49812788904500). Preliminarmente, deve ser destacado que o contribuinte é portador de neoplasia maligna, doença especificada nas Leis nº 77/13, de 22/12/1988, art. 6º, nº 8541, de 22/12/1992, art. 47, fazendo jus aos benefícios da isenção de imposto de renda e imunidade parcial da Fl. 164DF CARF MF 8 contribuição previdenciária, conforme inciso II do art. 6º da Instrução Normativa nº 1500 de 29/10/2014 da Receita Federal, § 21, do art. 40, da Constituição da República, com redação dada pela EC 47/2005, nos termos da decisão do processo nº 487/2006 da Comissão Administrativa do TJMG desde 24/08/2011, conforme Laudo Médico Pericial nº 143/2015. O Demonstrativo e apuração do imposto devido ocorreu sob a ótica de que haveria imposto suplementar a pagar, sendo que com a declaração retificadora agora elaborada, em anexo, que não foi recebida pelo Fisco via internet, o contribuinte é credor de imposto a restituir no montante de R$ 6.529,13 (Seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e treze centavos). Oportuno fazer constar que a apresentação intempestiva de defesa, como reconhecida pelo próprio Contribuinte (fl. 50), em qualquer fase do processo, impõe considerar como não conhecida a impugnação ou recurso apresentado, porque em desacordo com a legislação tributária, especialmente os arts. 5º e 15º do Decreto 70.235/72, nos seguintes termos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tratase, no caso, de outra defesa impugnativa porque consiste na apresentação de mudança de motivação e argumentos diversos da impugnação inicial, caracterizandose por inovação na lide, por parte do Contribuinte. Assim que a agregação deste documento denominado pelo Contribuinte de “Defesa Intempestiva” não atende aos requisitos de admissibilidade para efeito de julgamento do mérito porque estranho a lide baseada no Lançamento e na Impugnação apresentada tempestivamente, essa sim a ser considerada neste julgamento. Acrescentese que a questão da alegada moléstia grave, quando abordada deve se fazer acompanhar com a correspondente documentação probatória o que não ocorreu de forma completa nesta manifestação intempestiva, assim como não ocorreu por ocasião, se fosse o caso de considerar, nesta fase recursal, visto que embora agora tenha sido juntada a prova da aposentadoria, o laudo médico foi expedido em 20 de outubro de 2015, posterior, portanto, ao anocalendário do Lançamento. Mesmo que constasse no laudo a retroatividade, reportandose a 24/08/2011 como data inicial da moléstia, o processo de análise e julgamento prescindiria do Laudo Pericial da Junta Médica que definiu a data efetiva do início da moléstia grave para atendimento dos termos da lei. Portanto, se fosse analisado o mérito desta alegação extemporânea estaria em falta nos autos a documentação probatória complementar. Cabe esclarecer, também, que nesta fase do litígio não é cabível a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Retificadora, que tem o seu momento próprio de admissibilidade, em obediência a legislação tributária, no prazo de cinco anos, desde que não esteja sob procedimento fiscal, conforme art. 832 do Decreto nº 3.000/99, como segue: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15504.727716/201549 Acórdão n.º 2001000.624 S2C0T1 Fl. 162 9 desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Nesta fase recursal o Contribuinte recebeu a notificação da decisão do acordão 0371.478 3ª Turma da DRJ/BSB, em 25/07/2016. Em sequência apresentou recurso voluntário em 08/08/2016, tempestivamente, de forma sucinta, reportandose exclusivamente sobre a questão da moléstia grave tratada em defesa extemporânea que pretendia inovar o tema fulcro da lide, já tratado anteriormente. DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA O Acórdão vergastado decidiu pela procedência parcial da impugnação restabelecendo a dedução de R$ 9.888,52 referente às pensões alimentícias dos beneficiários João Bosco Kumaira Filho e respectiva mãe e a dedução das despesas médicas no valor de R$ 6.619,63. Neste sentido, a divergência no presente processo para decisão colegiada de segundo grau administrativo se refere às pensões alimentícias para os outros dois filhos do Recorrente, João Vitor de Melo Kumaira e Vitória de Melo Kumaira, por carência de comprovação dos pagamentos aos beneficiários no anocalendário de 2013. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 166DF CARF MF 10 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99. Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Lei nº 5.478/68. Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimentos a que está obrigado. (grifei) A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15504.727716/201549 Acórdão n.º 2001000.624 S2C0T1 Fl. 163 11 Em vista da existência inequívoca da comprovação da decisão judicial que homologou a obrigação de oferta de alimentos aos beneficiários, João Vitor de Melo Kumaira e Vitória de Melo Kumaira, o objeto da lide restringese, neste caso, à comprovação fática do cumprimento financeiro da responsabilidade alimentar, pela efetiva comprovação do pagamento das pensões no anocalendário de 2013. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente juntou ao processo, fls. 103/105, comprovantes de depósitos na conta de Maria Cristina de Melo, mãe dos beneficiários, valores mensais que corresponderiam a pensão alimentícia dos filhos. Todavia, os depósitos se referem aos anos de 2009 e 2010, sendo que totalmente ausente qualquer comprovação de pagamento de qualquer valor referente ao ano calendário de 2013. Em conclusão, o Recorrente não logrou êxito em comprovar o efetivo pagamento do compromisso alimentar de seus filhos no período a que se refere o Lançamento, não tendo satisfeito as condições para utilização daquele valor de R$ 48.000,00, como dedutível, motivo que o impede da utilização do benefício da dedução do imposto por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose o crédito tributário lançado no valor de R$ 4.154,19, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.009341/2010-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR DECLARADO EM DIRF. VERBAS TRIBUTÁVEIS INDEVIDAMENTE DECLARADAS COMO ISENTAS. APLICAÇÃO DE SÚMULA CARF.
Procede o lançamento por omissão de rendimentos, apurada com base em DIRF, apresentada pela fonte pagadora. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física..
Numero da decisão: 2001-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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