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Numero do processo: 10675.902623/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 26 23 /2 01 2- 81 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada por inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, conforme informação constante do Despacho Decisório. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade onde sustentou o direito ao crédito, alegando mero erro no preenchimento da DCTF. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 14052.037, em que se decidiu, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.533, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10675.902622/201237, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.533): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Para iniciar o exame da controvérsia é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 4 3 informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A contribuinte, não obstante, defende a existência de seus créditos, alegando que refez os cálculos de apuração para computar exclusões a título de receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero. Pelo que se depreende de sua Manifestação de Inconformidade, tais exclusões estariam baseadas na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002. A Lei nº 10.485, de 2002, traz as seguintes hipóteses de exclusão da base de cálculo e tributação à alíquota zero à época dos fatos: Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata aLei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 5 4 Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. ... § 2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. ... Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere oart. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (destaques acrescidos) Segundo a Manifestação de Inconformidade e o Contrato Social vigente à época, a contribuinte tem por objetos social: a) o comércio de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas e respectivas peças, sob forma de concessão comercial prevista pela Lei 6729 de 28 de novembro de 1979; b) atividade auxiliar e dependente de concessão comercial de que trata a letra ‘a’ anterior a prestação serviços de assistência técnica aos produtos objeto da concessão comercial; c) o comércio de veículos, motores, máquinas, equipamentos, peças e acessórios; d) o comércio de combustíveis e lubrificantes; e) o comércio de produtos ligados à agropecuária; f) a importação e a exportação dos produtos mencionados nas letras anteriores. Embora as atividades apontadas no objeto declarado no Contrato Social sejam correlatas àquelas visadas na legislação, a pretensão da contribuinte esbarra na falta de documentação contábilfiscal que dê suporte ao denominado “Relatório de Vendas Monofásicas – Período de Apuração Julho 2003”, trazido aos autos a título de prova dos argumentos. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 6 5 Da forma como posta, é preciso fixar que a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. No universo da compensação tributária, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Portanto, a prova da liquidez e certeza do crédito, requisitos essenciais para o seu reconhecimento, cabe à interessada. No caso, caberia a prova, por meio de documentação contábilfiscal hábil, de que as vendas contidas no Relatório de Vendas Monofásicas efetivamente ocorreram e que o faturamento correspondente foi levado à apuração daquele período. A partir tão somente do relatório produzido pela contribuinte, é impossível a comprovação de que as vendas aconteceram e de que envolveram aqueles bens. Os benefícios conferidos pela legislação citada são restritos a alguns bens e produtos, cuja receita deve ser tributada a alíquota nula ou excluída da base. Para que se reconheça à contribuinte a existência de pagamento indevido ou a maior, é preciso que esteja provado o efetivo auferimento de receitas alcançadas pelo benefício fiscal, o que somente é possível a partir da documentação contábil e fiscal correspondente. No caso, tal documentação não foi trazida aos autos, pelo que o Relatório apresentado carece de sustentação. Como se pode ver, o panorama que se desenha para análise, limitandose ao universo das declarações e atos da contribuinte perante a Administração Tributária, revelase inconclusivo. Com efeito, enquanto o pagamento e a DCTF original afirmam ser um o valor do tributo apurado, a contribuinte apresenta um relatório tentando provar que outro seria seu débito para com a Fazenda. Não é de somenos importância, no caso, o fato de que a alegada revisão dos cálculos teria acontecido aproximadamente quatro anos após a apuração original. Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 7 6 recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.902623/201281 Acórdão n.º 3401005.534 S3C4T1 Fl. 8 7 Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721205/2011-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119.
Numero da decisão: 9202-007.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 12 05 /2 01 1- 67 Fl. 1173DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2202003.609, proferido pela 2ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: a) AI n.º DEBCAD 37.325.8330, no valor de R$ 2.969.570,65 (dois milhões, novecentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta reais e sessenta e cinco centavos), relativo ao lançamento de (i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009, inclusive gratificações natalinas de 2007, 2008 e 2009 (competências 13/2007, 13/2008 e 13/2009); e (ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009; b) AI n.º DEBCAD 37.325.8348, no valor de R$ 8.280,47 (oito mil, duzentos e oitenta reais e quarenta e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, observado o limite do saláriodecontribuição, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas (i) a segurados empregados, nas competências setembro de 2007, janeiro de 2008, março de 2008, julho de 2008, dezembro de 2008, janeiro de 2009 a agosto de 2009, outubro de 2009 e novembro de 2009; e (ii) a segurados contribuintes individuais, nas competências agosto de 2007, outubro de 2007 a fevereiro de 2008, maio de 2008, e julho de 2008 a setembro de 2008; c) AI n.º DEBCAD 37.325.8356, no valor de R$ 729.778,46 (setecentos e vinte e nove mil, setecentos e setenta e oito reais e quarenta e seis centavos), relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009, inclusive 13/2007, 13/2008 e 13/2009; d) AI n.º DEBCAD 37.325.8364, no valor de R$ 135.610,86 (cento e trinta e cinco mil, seiscentos e dez reais e oitenta e seis centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas no Livro Caixa da empresa, nas Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 10 3 competências agosto de 2007, outubro de 2007, dezembro de 2007 a outubro de 2008, dezembro de 2008, e fevereiro de 2009 a novembro de 2009; e) AI n.º DEBCAD 37.325.8372, no valor de R$ 74.585,97 (setenta quatro mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, observado o limite do saláriode contribuição, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas no Livro Caixa da empresa, nas competências agosto de 2007, outubro de 2007, dezembro de 2007 a outubro de 2008, dezembro de 2008, e fevereiro de 2009 a novembro de 2009; f) AI n.º DEBCAD 37.314.3001, no valor de R$ 274.242,60 (duzentos e setenta e quatro mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68), nas competências julho de 2007 a novembro de 2008. No caso, não foram declaradas em GFIP (i) a totalidade dos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais, lançados no Livro Caixa da empresa; (ii) a totalidade dos pagamentos efetuados ao segurado Jone Renato de Moraes; (iii) a totalidade dos pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes da folha de pagamento da empresa; (iv) as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados; e (v) as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais; g) AI n.º DEBCAD 37.314.3010, no valor de R$ 4.113,18 (quatro mil, cento e treze reais e dezoito centavos), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas no tocante a dados não correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias (CFL 69), mais especificamente, com erro no preenchimento dos campos CNAE, Outras Entidades e CNAE Preponderante, nas competências julho de 2007 a novembro de 2008; h) AI n.º DEBCAD 37.314.3028, no valor de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado GFIPs com informações omissas (CFL 78), no caso, com erro no preenchimento do campo CNAE, nas competências dezembro de 2008 a dezembro de 2009, inclusive 12/2008 e 12/2009; i) AI n.º DEBCAD 37.325.8380, no valor de R$ 15.235,55 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos), relativo ao lançamento de multa por haver deixado de exibir livros, documentos e arquivos solicitados pela Fiscalização (CFL 38), quais sejam “os Livros Diário e Razão solicitados no TIPF e por não apresentar a totalidade dos documentos solicitados através do TIF 3, conforme Termo de Constatação Fiscal lavrado”; e j) AI n.º DEBCAD 37.325.8399, no valor de R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos), relativo ao lançamento de multa por haver deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço (CFL 59), nas competências agosto de 2007 a novembro de 2009. Fl. 1175DF CARF MF 4 Os valores dos autos de infração identificados nas letras “a” a “h”, supra, foram consolidados em 23 de fevereiro de 2011; os dos autos de infração das letras “i” e “j”, em 21 de fevereiro de 2011. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 312/325, 463/476, 606/617, 676/688, 744/747, 767/769 e 789/791, respectivamente, para os AIs n.º DEBCAD 37.325.833 0, 37.325.8356, 37.325.8364, 37.325.8372, 37.314.3001, 37.314.3010 e 37.314.3028 (letras “a” e “c” a “h”, supra). A DRJ/SDR, às fls. 831/848, votou por julgar improcedentes as impugnações concernentes aos AIs n.º DEBCAD 37.325.8330, 37.325.8356, 37.314.3001, 37.314.3010 e 37.314.3028, mantendo integralmente os respectivos créditos tributários. Em segundo lugar, votou por julgar procedentes em parte as impugnações relativas aos AIs n.º DEBCAD 37.325.8364 e 37.325.8372, mantendo em parte os créditos tributários de R$ 109.423,18 (cento e nove mil, quatrocentos e vinte e três reais e dezoito centavos) e R$ 60.182,75 (sessenta mil, cento e oitenta e dois reais e setenta e cinco centavos), respectivamente, valores consolidados em 23 de fevereiro de 2011, conforme Discriminativos Analíticos do Débito Retificado DADRs anexado ao voto. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 873/896. Às fls. 949 e ss., o Contribuinte anexou aos autos cópia dos comprovantes de pagamento, informando serem relativos às competências abrangidas pelo auto de infração (julho de 2007 a dezembro de 2009). A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 994/1013, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. ABATIMENTO DOS VALORES PAGOS "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada". Súmula 76 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por ele auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriodecontribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. EXCLUSÃO Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957RS, submetido à sistemática do art. 543C do Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 11 5 Código de Processo Civil de 1973, "a despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária" CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO. ALÍQUOTA. É de 11% a alíquota da contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 ÔNUS DA PROVA. A impugnante tem o ônus da prova daquilo que alega. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 TAXA DE JUROS. SELIC SÚMULA CARF Nº 4 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA POR OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GIFP. Fl. 1177DF CARF MF 6 Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em face da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), para o cálculo da multa mais favorável ao contribuinte, em relação às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), devese somar a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) com as multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 (75%). A comparação da multa anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, com o art. 32A, da mesma Lei, somente pode ocorrer quando a omissão ou incorreção em GFIP não acarretou lançamento da obrigação principal. MULTAS DECORRENTES DA DECLARAÇÃO INCORRETA DO CNAE CFL 69 E CFL 78 É incorreta a reclassificação da atividade declarada pelo contribuinte para outra atividade sujeita à autorização, quando não comprovado pela autoridade lançadora que a empresa possui os requisitos para o desenvolvimento das atividades. Cientificado à fl. 1081/1106, às fls. 1084 e ss., o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Penalidades/Retroatividade Benigna. Verificase que ambos os julgados, recorrido e paradigma, enfrentaram o tema da superveniência da Lei nº 11.941/2009, com a revogação dos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e a inserção do art. 32A da mesma Lei nº 8.212/91, para efeito de promover a interpretação da nova legislação de forma retroativa, segundo o determinado pela alínea “c” do inciso III do art. 106 do CTN. O acórdão recorrido interpretou que a aplicação retroativa do art. 32A da Lei nº 8.212/91 deveria ser realizada tomandose em consideração também o disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, com a remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Consequentemente, haveria de ser verificada a situação mais favorável ao contribuinte, comparandose a aplicação conjunta do art. 32A e do art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, com a resultante da aplicação originária dos §§ 4º e 5º da Lei nº 8.212/91. O acórdão paradigma interpretou, na esteira do entendimento sustentado pelo ora recorrente, que o art. 32A da Lei nº 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/2009, deverá ser aplicado, retroativamente, a todos os casos de infração quanto ao cumprimento de obrigações acessórias sobre a entrega da GFIP com incorreções ou omissões. Não caberia, segundo o aresto paradigma, a comparação com o disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, para efeito de se verificar a existência de uma situação mais ou menos benéfica ao contribuinte. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 1154/1161, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, apenas em relação à seguinte divergência: Penalidades/Retroatividade Benigna. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 12 7 A União apresentou Contrarrazões, às fls. 1163/1170, arguindo, no mérito, os fundamentos já utilizados anteriormente, requerendo ao final a improcedência do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: a) AI n.º DEBCAD 37.325.8330, no valor de R$ 2.969.570,65 (dois milhões, novecentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta reais e sessenta e cinco centavos), relativo ao lançamento de (i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009, inclusive gratificações natalinas de 2007, 2008 e 2009 (competências 13/2007, 13/2008 e 13/2009); e (ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009; b) AI n.º DEBCAD 37.325.8348, no valor de R$ 8.280,47 (oito mil, duzentos e oitenta reais e quarenta e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, observado o limite do saláriodecontribuição, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas (i) a segurados empregados, nas competências setembro de 2007, janeiro de 2008, março de 2008, julho de 2008, dezembro de 2008, janeiro de 2009 a agosto de 2009, outubro de 2009 e novembro de 2009; e (ii) a segurados contribuintes individuais, nas competências agosto de 2007, outubro de 2007 a fevereiro de 2008, maio de 2008, e julho de 2008 a setembro de 2008; c) AI n.º DEBCAD 37.325.8356, no valor de R$ 729.778,46 (setecentos e vinte e nove mil, setecentos e setenta e oito reais e quarenta e seis centavos), relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências julho de 2007 a dezembro de 2009, inclusive 13/2007, 13/2008 e 13/2009; d) AI n.º DEBCAD 37.325.8364, no valor de R$ 135.610,86 (cento e trinta e cinco mil, seiscentos e dez reais e oitenta e seis centavos), relativo ao lançamento de Fl. 1179DF CARF MF 8 contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas no Livro Caixa da empresa, nas competências agosto de 2007, outubro de 2007, dezembro de 2007 a outubro de 2008, dezembro de 2008, e fevereiro de 2009 a novembro de 2009; e) AI n.º DEBCAD 37.325.8372, no valor de R$ 74.585,97 (setenta quatro mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, observado o limite do saláriode contribuição, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas no Livro Caixa da empresa, nas competências agosto de 2007, outubro de 2007, dezembro de 2007 a outubro de 2008, dezembro de 2008, e fevereiro de 2009 a novembro de 2009; f) AI n.º DEBCAD 37.314.3001, no valor de R$ 274.242,60 (duzentos e setenta e quatro mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68), nas competências julho de 2007 a novembro de 2008. No caso, não foram declaradas em GFIP (i) a totalidade dos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais, lançados no Livro Caixa da empresa; (ii) a totalidade dos pagamentos efetuados ao segurado Jone Renato de Moraes; (iii) a totalidade dos pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes da folha de pagamento da empresa; (iv) as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados; e (v) as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais; g) AI n.º DEBCAD 37.314.3010, no valor de R$ 4.113,18 (quatro mil, cento e treze reais e dezoito centavos), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas no tocante a dados não correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias (CFL 69), mais especificamente, com erro no preenchimento dos campos CNAE, Outras Entidades e CNAE Preponderante, nas competências julho de 2007 a novembro de 2008; h) AI n.º DEBCAD 37.314.3028, no valor de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), relativo ao lançamento de multa por haver apresentado GFIPs com informações omissas (CFL 78), no caso, com erro no preenchimento do campo CNAE, nas competências dezembro de 2008 a dezembro de 2009, inclusive 12/2008 e 12/2009; i) AI n.º DEBCAD 37.325.8380, no valor de R$ 15.235,55 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos), relativo ao lançamento de multa por haver deixado de exibir livros, documentos e arquivos solicitados pela Fiscalização (CFL 38), quais sejam “os Livros Diário e Razão solicitados no TIPF e por não apresentar a totalidade dos documentos solicitados através do TIF 3, conforme Termo de Constatação Fiscal lavrado”; e j) AI n.º DEBCAD 37.325.8399, no valor de R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos), relativo ao lançamento de multa por haver deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço (CFL 59), nas competências agosto de 2007 a novembro de 2009. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 13 9 O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: Penalidades/Retroatividade Benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 1181DF CARF MF 10 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 14 11 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1183DF CARF MF 12 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 15 13 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 1185DF CARF MF 14 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 11080.721205/201167 Acórdão n.º 9202007.412 CSRFT2 Fl. 16 15 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recentemente o Conselho Pleno do Carf Sumulou a questão, que atende a discussão dos presentes autos: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1187DF CARF MF 16 Fl. 1188DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.929602/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 96 02 /2 00 8- 00 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.929602/200800 Acórdão n.º 3401005.478 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP, indeferida por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) é prestadora de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, isenta de recolhimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP sob a receita de serviços, conforme MP no 2.15835/2001 (at. 14, III e § 1o); e (b) recolheu indevidamente a COFINS, lançando a débito em DCTF, que retificou antes do despacho decisório. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado, que teria ensejado a retificação da DCTF). Após ciência da decisão da DRJ, em 23/01/12, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2012, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando cópia de documentos e livros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.473, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.925640/200885, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.473): "Conforme relatado a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 23 de janeiro de 2012, através de carta postal com aviso de recebimento. Vejase: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.929602/200800 Acórdão n.º 3401005.478 S3C4T1 Fl. 0 3 Diante de seu inconformismo a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05 de março de 2012, conforme carimbo constante na capa do recurso, a seguir exposto: O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. Ademais, a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Oportuno mencionar sobre o Princípio da Continuidade, segundo o qual, iniciada a contagem, incluemse os finais de semana e feriados (não se contam apenas os dias úteis). Diante das considerações explanadas e que a recorrente foi cientificada no dia 23/01/2012, terçafeira, temse que o prazo iniciou no dia 24/01/2012 e encerrou 30 (trinta) dias depois, em 22/02/2012, quartafeira. Portanto, o recurso da recorrente é intempestivo, pois foi interposto apenas no dia 05 de março de 2012, 12 (doze) dias após o término do prazo, sem nenhuma justificativa. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.929602/200800 Acórdão n.º 3401005.478 S3C4T1 Fl. 0 4 Ante o exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a apresentação da defesa encontrase intempestiva, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902371/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para que se analise os documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na PER/DCOMP e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para que se analise os documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na PER/DCOMP e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 1º Trimestre de 2004, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor total de R$5.024,49 por meio das Declaração de Compensação 02817.21784.140704.1.3.046608. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 02 37 1/ 20 08 -2 1 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10983.902371/200821 Resolução nº 3001000.163 S3C0T1 Fl. 154 2 A DRF de Florianópolis/SC, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efls. 7) não homologando a compensação declarada tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, entretanto os mesmos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que quando da declaração da DCTF informou e recolheu valores maiores do que o realmente devido, necessitando apenas retificar a referida declaração. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente a não homologação consubstanciada no despacho decisório conforme Acórdão no 0719.248 a seguir transcrito: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentando, em síntese, que: (i) houve erro nos dados informados na DCTF; (ii) que os valores pagos a maior se referem a inclusão na base de cálculo das receitas de revendas de medicamentos importados sujeitos ao regime de tributação monofásica nos termos do art. 2º da Lei no 10.147/00. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão objeto da presente demanda versa sobre o indeferimento do pedido de compensação com crédito de PIS recolhido a maior no valor de R$5.024,49 relativo ao 1º Trimestre de 2004 em virtude da inclusão na base de cálculo das receitas de revendas de Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10983.902371/200821 Resolução nº 3001000.163 S3C0T1 Fl. 155 3 medicamentos importados/industrializados sujeitos ao regime de tributação monofásica nos termos do art. 2º da Lei no 10.147/00. A DRJ decidiu ser improcedência da manifestação de inconformidade tendo em vista a ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado em função de, inicialmente, a recorrente ter informado débitos em DCTF que foram totalmente liquidados pelo recolhimento efetuado. Afirmou ainda que a posterior apresentação da DCTF Retificadora, apesar de ser permitida, não caracterizaria o direito naquele momento. Em face da decisão da DRJ a recorrente apresenta em seu Recurso Voluntário os argumentos de que houve um erro na apuração da base de cálculo do PIS em virtude da inclusão de receitas de revendas de medicamentos sujeitos à tributação monofásica. Este erro gerou, segundo a recorrente, um recolhimento a maior da contribuição. Além do erro na apuração, a recorrente teria informado equivocadamente os mesmos valores em DCTF, motivo pelo qual foi indeferido o pedido de compensação por meio do despacho decisório, e ratificado pelo Acórdão da DRJ. Para comprovar o erro na apuração da base de cálculo e, por conseguinte, na contribuição a recolher, a recorrente apresenta cópias dos livros diário e razão bem como os cálculos efetuados considerando os valores relacionados ao PIS devido e o efetivamente recolhido, gerando um crédito tal qual o pleiteado em sua Declaração de Compensação. Portanto, proponho baixar o presente julgamento em diligência para responder aos seguintes quesitos: 1) Efetuar a analise dos documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na Declaração de Compensação e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos contábeis e fiscais. 2) Avaliar se procedem as diferenças entre as contribuições para o PIS (devido e recolhido) alegadas na efl 38 de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, para atendimento da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10983.902371/200821 Resolução nº 3001000.163 S3C0T1 Fl. 156 4 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002563/2003-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livro-caixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2002-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livro-caixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
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O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livrocaixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 25 63 /2 00 3- 37 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13884.002563/200337 Acórdão n.º 2002000.706 S2C0T2 Fl. 79 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 41/45) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2000 (efls. 36/39), onde se apurou: Dedução Indevida a Título de Livro Caixa e Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 63/64): 3 O interessado, cientificado em 08/05/2003 (fl. 30), apresentou, em 30/05/2.003, impugnação de fls. 01/21, informando não ter recebido a notificação indicada no auto e alegando: 3.1 Em preliminar, juntar cópia do livrocaixa (fls. 08/22) e de sua carteira profissional (fls. 23/24), com registro em 02/04/94 na empresa citada (fls. 25/26); 3.2 No mérito, requer nova avaliação da documentação apresentada, informando juntar cópias do livrocaixa e de sua carteira profissional comprovando vínculo empregatício. O lançamento foi julgado procedente pela 6ª Turma da DRJ/SPOII (efls. 62/65), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário, a ela correspondente, definitivamente consolidado na esfera administrativa. Restou, portanto, consolidada a glosa com a dedução do imposto de renda retido na fonte. GLOSA DA DEDUÇÃO A TÍTULO DE DESPESAS COM LIVROCAIXA. Correta a glosa de dedução indevida, quando não restar comprovada, com documentação hábil, as receitas e despesas escrituradas no referido Livro. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13884.002563/200337 Acórdão n.º 2002000.706 S2C0T2 Fl. 80 3 Cientificado do acórdão de primeira instância em 06/11/2007 (efls. 68), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 06/12/2007 (efls. 69/75) com os argumentos a seguir sintetizados. Evoca o princípio da verdade material e apresenta jurisprudência e doutrina sobre o tema. Alega que a decisão a quo sequer se pronunciou sobre os documentos que carrearam a impugnação, quais sejam, cópia do livrocaixa, cópia da ficha de registro e cópia das folhas da empresa Rodoviário Transbueno Ltda, e ainda cópia de sua carteira de trabalho. Por esse motivo, entende que se torna manifestamente ilegítimo o lançamento guerreado e, por consectário, a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Alega que resta patente a manifesta preterição ao direito de defesa do contribuinte, posto que os documentos capazes de elidir o lançamento não foram objeto de análise pela autoridade julgadora. Desta feita, em consonância ao disposto no inciso II, do artigo 59, do Decreto n°70.235/72, propugna a este juízo recursal seja declarada a nulidade do ato, saneando o feito. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No caso em tela verificase que a decisão de piso considerou a Dedução Indevida de IRRF matéria não impugnada e manteve a Dedução Indevida a Título de Livro Caixa apurada no lançamento. Relativamente à dedução de despesas de Livro Caixa, aplicase o disposto nos arts. 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13884.002563/200337 Acórdão n.º 2002000.706 S2C0T2 Fl. 81 4 Ia quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, identificamse três grupos de despesas dedutíveis pelo contribuinte que percebe rendimentos do trabalho nãoassalariado: a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Como ocorre com qualquer dedução da base de cálculo do imposto pretendida, cabe ao contribuinte não só comprovar a sua veracidade, mediante documentação hábil e idônea, mas também demonstrar que o dispêndio se enquadra no conceito de despesa dedutível estabelecido na legislação tributária. Sendo a dedução da base de cálculo do imposto um benefício concedido pela legislação, o ônus da comprovação do direito recai sobre o contribuinte. Em seu recurso o contribuinte alega tão somente a nulidade da decisão recorrida por esta não ter se manifestado sobre os documentos juntados à impugnação. Não obstante, tal argumento não merece ser acolhido por este Colegiado. Extraise da leitura do voto condutor que o relator analisou todos documentos trazidos à defesa, ao contrário do que afirma o recorrente, mas estes não foram suficientes para a finalidade pretendida, conforme exposto no trecho a seguir: 7 Para subsidiar a análise foram juntadas cópias de informações obtidas nos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 43/56) que conjugados com os demais elementos temse que, no tocante às deduções com livrocaixa (docs. de fls. 8/22): Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13884.002563/200337 Acórdão n.º 2002000.706 S2C0T2 Fl. 82 5 7.1 o contribuinte apresenta rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, atendendo ao requisito de rendimentos de trabalho nãoassalariado, 7.2 mas, apesar disso, o contribuinte juntara apenas cópia mensal de tabelas indicativas das despesas supostamente realizadas, sem contudo, juntar qualquer comprovante dos valores informados, como exige o dispositivo transcrito, do que resulta, portanto, na manutenção da glosa. Com efeito, verificase do exame dos elementos de prova acostados à impugnação (efls. 09/28) que nenhum documento foi anexado com o intuito de comprovar a veracidade das despesas escrituradas pelo recorrente, exatamente como afirma a DRJ. Notese que a motivação do lançamento foi exatamente a falta de apresentação do Livro Caixa e dos comprovantes das despesas nele escrituradas, conforme exposto pelo auditor no Auto de Infração. Importa salientar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, cabendo ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72. Na mesma esteira, o art. 76, §2º, do RIR/99 exige que a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em Livro Caixa seja comprovada mediante documentação idônea, o que não ocorreu no caso concreto, já que apenas o próprio Livro Caixa foi anexado pelo contribuinte. Registrese, por fim, que, ao decidir, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os argumentos apresentados pela parte, principalmente quando, no voto, há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ele abraçada. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902644/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/07/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 44 /2 01 6- 31 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13851.902644/201631 Acórdão n.º 3402005.914 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.387. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13851.902644/201631 Acórdão n.º 3402005.914 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13851.902644/201631 Acórdão n.º 3402005.914 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900009/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a homologação tácita do PER/DCOMP prevista no art 74 da Lei nº 9.430/96 se o contribuinte apresenta declaração retificadora válida e o Despacho Decisório ocorre no prazo qüinqüenal contado a partir da data da apresentação do PER/DCOMP retificador.
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3201-004.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita do PER/DCOMP prevista no art 74 da Lei nº 9.430/96 se o contribuinte apresenta declaração retificadora válida e o Despacho Decisório ocorre no prazo qüinqüenal contado a partir da data da apresentação do PER/DCOMP retificador. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita do PER/DCOMP prevista no art 74 da Lei nº 9.430/96 se o contribuinte apresenta declaração retificadora válida e o Despacho Decisório ocorre no prazo qüinqüenal contado a partir da data da apresentação do PER/DCOMP retificador. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 00 09 /2 01 3- 08 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 261 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 129) relativo ao Pedido de RessarcimentoPER nº 18530.00579.130111.1.5.081176. Referido Despacho informa que houve reconhecimento parcial do direito creditório, mas, que foi utilizado para compensação declarada em outros documentos, não restando valor a ser ressarcido. Ciente do indeferimento de seu pedido de ressarcimento, em 22/03/2013 (fl. 151), o contribuinte, em 22/04/2013, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 153 a 164) alegando em síntese, que: • Preliminarmente, deve ser nulo o Despacho Decisório por ter deixado de observar o disposto no Decreto nº 70.235/72 e as demais disposições da legislação; • O Despacho Decisório foi emitido em 01/03/2013 e “o Pedido de Ressarcimento originário (PER/DCOMP Nº 02243.64339.100108.1.1.080252) foi apresentado em 10/01/2008 e um retificador em 13/01/2011 (PER/DCOMP Nº 18530.00579.130111.1.5.081176) intempestivamente não pode prosperar, por já ter sido motivo de procedimento fiscal, tendo sua análise dado origem ao despacho Decisório em questão, porém tomando por base o Pedido de Ressarcimento Originário verificarse que se passou mais de cinco anos após sua apresentação (mais especificamente 5 anos 2 meses e 19 dias após) em 01/03/2013”. • No momento do despacho decisório o crédito pleiteado já estava homologado tacitamente assim como as compensações a ele vinculadas. • “assim sendo, não tendo a Fazenda Federal se manifestado no prazo de 5 (cinco) anos a contar do pedido de ressarcimento original (no caso em tela em 10/01/2008) uma vez decorrido o prazo de 5 anos da apresentação daquela declaração (já que o Despacho Decisório é de 01/03/2013) o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 262 3 direito creditório está tacitamente homologado nos termos das normas de regência, e consequentemente estão homologadas tacitamente as declarações de compensação a ele vinculadas e, havendo saldo, constituído o direito do contribuinte em ser ressarcido em espécie daquele valor”. • O PER/DCOMP retificador deverá ser anulado ou reformado por estar em contradição com o CTN e o Despacho Decisório emitido deve ser desconstituído; • A retificação foi efetuada após procedimento fiscal instalado e contraria o parágrafo único do art. 138 do CTN que explicitamente determina: “Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração”. • “Portanto o Perdcomp retificador (18530.00579.130111.1.5.081176) a luz do ordenamento jurídico não tem base legal para ser validado, tendo efeito legal o primeiro Perdcomp Original (02243.64339.100108.1.1.08 0252) que foi enviado antes de qualquer procedimento fiscal e sendo motivo de analise por parte de diligencia feita pela SRF (Secretaria da Receita Federal) a esta empresa conforme Termo de Inicio de Fiscalização 0210100/00794/2007 de 27/12/2007 e Termo de Encerramento 0210100/00550/09 de 13/10/2009, portanto a retificação de declarações devem ser feita antes de qualquer Procedimento Fiscal”. • O direito creditório é inegável a foi reconhecido pelo Despacho Decisório impugnado. • “O despacho Decisório (eletrônico) difere frontalmente do Relatório de Fiscalização em prejuízo ao contribuinte, ora Impugnante, sem que para tanto traga qualquer fundamentação minimamente válida”. • “Eis que não há como sustentarse a pretensão do Despacho Decisório combatido diante flagrante divergência entre o montante originalmente requerido, o montante reconhecido pela autoridade fiscalizadora e o montante reconhecido no Despacho Decisório ora impugnado”. • “O Despacho Decisório combatido, portanto, sem qualquer fundamento legal ou fático, tampouco sem qualquer comprovação dos argumentos trazidos, reduziu ilegalmente o crédito a que faz jus o contribuinte tendo para tanto, inclusive, obrado em afronta a Relatório Fiscal levado a efeito com o exclusivo fim de apurar o montante a que faz jus a Impugnante”. • “Ignorando não só o direito do contribuinte, como também o Relatório de Fiscalização decorrente de regular Diligência Fiscal, o Despacho Decisório combatido obrou em flagrante ilegalidade. Não há, qualquer fundamento minimamente válido que possa levar a completa desconsideração do Relatório Fiscal”. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 263 4 • “Os argumentos até aqui averbados são suficientes para que fique claro o direito do contribuinte, ora Impugnante, quanto ao reconhecimento de, no mínimo, o crédito apurado pelo Relatório de Fiscalização decorrente da diligência fiscal levada a efeito pela autoridade fazendária competente (e cujas glosas serão discutidas ao devido tempo)”. • “Àqueles argumentos juntase o fato de que o não reconhecimento do crédito a que faz jus o contribuinte pela manutenção do Despacho Decisório combatido, nos moldes em que se apresenta, caracteriza inegável cerceamento do direito de defesa do contribuinte”. • “Ora, se diligência fiscal foi determinada para a verificação do crédito, a autoridade fazendária a realiza, comprova o direito ao crédito e quantificao e por fim emana Relatório de Fiscalização contendo o montante do crédito reconhecido, não pode o Despacho Decisório, sem qualquer motivação, alterar o montante apurado e reconhecido pela fiscalização, especialmente em detrimento do contribuinte sem que seja ferido de morte o devido processo legal”. • “Este, porém, foi o caso presente, pois o crédito regularmente apurado e certificado pela autoridade fazendária responsável pela diligência fiscal foi ignorado pelo Despacho Decisório”. • “Eis que em assim sendo incorreu aquele Despacho em afronta ao devido processo legal”. • “Ora, ao deixar de apontar e comprovar os dispositivos e motivos que levaram ao reconhecimento de crédito diferente daquele apurado no Relatório de Fiscalização o Despacho Decisório afrontou o devido processo legal colocando o contribuinte, ora Impugnante, em ilegal e inadmissível condição de ignorância quanto aos fatos que levaram ao indeferimento de parcela de sua direito liquido e certo”. • Ao final requer que em sede de preliminar, seja considerado homologado tacitamente o Pedido de Ressarcimento originário em 10/01/2008 e não o apresentado em 13/01/2011, nos termos da legislação de regência." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita do PER/DCOMP prevista no art 74 da Lei nº 9.430/96 se o contribuinte apresenta declaração retificadora válida e o Despacho Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 264 5 Decisório ocorre no prazo qüinqüenal contado a partir da data da apresentação do PER/DCOMP retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) ocorrência da homologação tácita, pois o pedido de ressarcimento originário foi apresentado em 10/01/2008, sendo que o despacho decisório foi emitido em 01/03/2013 (prazo superior a 5 anos); (ii) o pedido de ressarcimento retificador intempestivamente apresentado em 13/01/2011 não pode prosperar, por já ter sido motivo de procedimento fiscal, tendo sua análise dado origem ao Despacho Decisório em questão, porém tomando por base o pedido de ressarcimento originário; (iii) quando do momento do despacho decisório o crédito pleiteado já estava homologado tacitamente assim como as compensações a ele vinculadas; (iv) a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário; (v) o Código Tributário Nacional equipara a compensação ao próprio pagamento do tributo; (vi) que o contribuinte possui o direito de pleitear o ressarcimento e a compensação; (vii) de acordo com o art, 74 da Lei 9.430/1996, o Fisco possui o prazo de 5 (cinco) anos para a análise do direito creditório e posterior compensação com os débitos declarados pelo sujeito passivo, bem como o ressarcimento em espécie de eventual saldo apurado após a compensação; (viii) não tendo o Fisco se manifestado no prazo de 5 (cinco) anos a contar do pedido de ressarcimento originário, o direito creditório está tacitamente homologado e, consequentemente estão homologadas as declarações de compensação a ele vinculadas; (ix) o perdcomp retificador não tem base legal para ser validado, tendo o efeito legal; (x) o procedimento de retificação após o início do procedimento fiscal não pode ser aceito; (xi) a celeuma concentrase não no direito, mas sim na sua quantificação do montante a ser ressarcido ao contribuinte se tomando por base o pedido de ressarcimento original e não o retificador; (xii) a quantificação do montante do crédito que ampara o contribuinte nos termos em que postos pelo Despacho Decisório guerreado está equivocada e não encontra fundamento fático para sustentála; Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 265 6 (xiii) o despacho decisório incorreu em flagrante ilegalidade; e (xiv) foi ferido o devido processo legal, pois o Despacho Decisório ignorou o Relatório de Fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, razão não lhe assiste. Conforme mencionado no Relatório, o pedido de ressarcimento originário foi apresentado em 10/01/2008, sendo que o despacho decisório foi emitido em 01/03/2013, sendo que, 13/01/2011 foi apresentado pedido de ressarcimento retificador. Com a apresentação do pedido retificador, houve alteração no marco inicial para a contagem do prazo quinquenal, com vistas a homologação tácita, não prevalecendo a tese recursal. A Lei 9430/1996, assim dispõe: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." A declaração retificadora apresentada pela Recorrente, uma vez admitida, substitui a original, não sendo possível admitir que seja considerada a data da declaração primitiva, para a finalidade de se tomar como termo inicial do prazo de fluência para a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/1996, como pretende e empresa Recorrente, tudo pelo fato de que a declaração que consubstancia o seu pleito é a retificadora e não a original. Correta, portanto, a decisão recorrida ao não considerar como ocorrida a homologação tácita, razão pela qual seu fundamento merece ser transcrito: "Vamos a análise do texto legal no qual o contribuinte se amparou: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 266 7 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A defesa do contribuinte se equivoca na interpretação do conceito disposto no CTN. Claramente o dispositivo legal se refere ao instituto da denúncia espontânea, ou seja, quando o sujeito passivo, antes de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização, por livre e espontânea vontade, reconhece o equívoco cometido em sua declaração e procede a sua correção, ficando assim livre da sanção prevista pelo cometimento da infração. No presente caso não houve cometimento de infração, conforme reconhece a própria fiscalização em seu relatório, apenas diligência para verificar se o valor do direito creditório informado pelo contribuinte em seu PER estava correto e de acordo com a legislação que dispõe sobre o direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. No Relatório Fiscal o Auditor explicitamente consigna que “A empresa fiscalizada é exportadora e detentora de Créditos do PIS e da COFINS não Cumulativos em todo período do procedimento fiscal. As irregularidades detectadas tão somente reduziram os Créditos passíveis de ressarcimento ou compensações no montante detalhados no item III, 1 e 2 deste Relatório, não gerando Auto de Infração das contribuições em análises”. Sendo assim, não há que se utilizar indevidamente o instituto da denúncia espontânea e considerar o início do procedimento fiscal como uma data em que já não é mais possível apresentar retificação de um PER/DCOMP. A legislação referente à apresentação de PER/DCOMPs permite a retificação dessas declarações. A Instrução Normativa nº 900 de 30 de dezembro de 2008, válida à época dos fatos, assim dispõe sobre a apresentação de PER/DCOMP retificadoras: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. [...]Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 267 8 [...]§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Então, se o PER retificador foi apresentado em 13/01/2011, o prazo para homologação ou não do PER retificador passou a ser de até 13/01/2016. Como o Despacho Decisório contestado foi emitido em 01/03/2013, evidencia se que se deu dentro do prazo. Ademais a retificação foi regular uma vez que o PER original não havia sido objeto de decisão administrativa." O entendimento é pacífico neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre o tema: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Não se deu a homologação tácita, pois não havia transcorrido cinco anos entre a data da protocolização da DCTF retificadora, que formalizou a compensação, e a ciência do despacho decisório que não a homologou. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis." (Processo nº 15582.000109/201009; Acórdão nº 3301004.857; Relator Conselheiro Marcelo Consta Marques d'Oliveira; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. A apresentação de declaração de compensação retificadora, uma vez admitida, importa na substituição integral da declaração original, inclusive a modificação do termo inicial do lapso temporal previsto para configuração da homologação tácita, consoante inteligência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. (...)" (Processo nº 10875.002051/200553; Acórdão nº 3401003.539; Relator Conselheiro Robson José Bayerl; sessão de 25/04/2017) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 268 9 "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora (...)" (Processo nº 10880.909577/200678; Acórdão nº 1003000.168; Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva; sessão de 12/09/2018) Com relação aos demais argumentos recursais, de igual modo, não merecem provimento. A Recorrente não trouxe elementos hábeis a contrapor o decidido, em especial, provas robustas do seu direito. Novamente, é de se transcrever o consignado na decisão recorrida: "Em toda a manifestação de mérito, o contribuinte, de diversas maneiras questiona o que chama de inconsistências entre o disposto no Relatório Fiscal e no Despacho Decisório Eletrônico. Afirma haver “flagrante divergência entre o montante originalmente requerido, o montante reconhecido pela autoridade fiscalizadora e o montante reconhecido no Despacho Decisório”. De fato existe uma suposta divergência entre o montante originalmente requerido, haja vista a apresentação de retificação, por livre e espontânea vontade do contribuinte, portanto válida, e o montante reconhecido pela Autoridade Fiscal. Entretanto, diferente do que afirma o contribuinte, não há divergência entre “o montante reconhecido pela autoridade fiscalizadora e o montante reconhecido no Despacho Decisório”, conforme veremos a seguir. A diferença entre o montante originalmente requerido e o montante reconhecido pela autoridade fiscalizadora está plenamente justificada no Relatório Fiscal (fls. 142 a 150) que descreve créditos que sofreram glosa e débitos que o contribuinte não havia incluído em sua contabilidade e que resultaram em um direito creditório menor que o solicitado. Em nenhum momento de sua manifestação de inconformidade o Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 269 10 contribuinte questionou, especificamente as glosas efetuadas e os débitos incluídos pela fiscalização, se limitando a questionar de forma genérica as alterações efetuadas. Não há divergência entre o montante reconhecido pela fiscalização e o montante reconhecido no Despacho Decisório. Ocorre que o relatório fiscal apresenta dados em formato diferente, levando o contribuinte a supor haver divergências. A diferença entre o montante requerido no PER retificador (R$ 372.058,98) e o reconhecido no Despacho Decisório (R$ 364.216,76) é de R$ 7.842,22. Por sua vez, no Relatório Fiscal, especificamente à folha 149, mostra para os meses de outubro a dezembro de 2004 (período de apuração, em questão), glosas no montante de exatos R$ 7.842,22, conforme abaixo discriminado. Concluise, portanto, não haver a divergência apontada pelo contribuinte, mas apenas uma visão diferente e detalhada de todo o período fiscalizado. No presente processo, o Despacho Decisório resume os valores apurados pela fiscalização no 4º trimestre de 2004. Acrescentese que o contribuinte teve ciência do PARECER SEORT/DRF/BEL Nº 1007, de 28/12/2012 que especificamente à folha 137 destaca o valor de crédito de PIS reconhecido para o 4º trimestre de 2004, que coincide com o valor constante do Despacho Decisório (R$ 364.216,76). Pelos motivos acima descritos não cabe a alegação do contribuinte de que “não pode o Despacho Decisório, sem qualquer motivação, alterar o montante apurado e reconhecido pela fiscalização, especialmente em detrimento do contribuinte sem que seja ferido de morte o devido processo legal”. Os motivos estão didaticamente dispostos no Relatório Fiscal e não houve qualquer diferença entre o Relatório Fiscal e o Despacho Decisório impugnado. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a restituição e/ou compensação de valores. Não é devida a autorização de restituição e/ou compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando é negado o pedido de Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 270 11 compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 271 12 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201 002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201 003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10280.900009/201308 Acórdão n.º 3201004.479 S3C2T1 Fl. 272 13 Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201 003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.913378/2012-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/12/2007 a 31/12/2007
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP.
Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
Numero da decisão: 3001-000.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/12/2007 a 31/12/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
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BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 33 78 /2 01 2- 89 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 105 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 90 a 94) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0444.553, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, referente ao julgamento realizado em 07.12.2017 (efls. 61 a 83). Da síntese dos fatos O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 043236423 emitido em 01.02.2013 (efls. 02 a 05). Por bem retratar e sintetizar a realidade fática, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, verbis: Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (do Sistema de Controle de Créditos SCC) No Rastreamento 043236423, anexo às fls. 02/04, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS DRF/NHO em 01/02/2013, no qual foi Não homologada a compensação do débito de PASEP (código 3703), constante da Declarações de Compensação DCOMP anexa às fls. 49/53. Tratase de declaração de compensação da contribuição Pasep (fls. 49/53), transmitida eletronicamente em 24/04/2012, com base em crédito de Pagamento Indevido ou a Maior da própria contribuição ao Pasep (código 3703), recolhido para o período de apuração dezembro de 2007. De acordo com o Despacho Decisório citado, "A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Assim, diante da inexistência de crédito, a Compensação declarada na DCOMP foi Não Homologada. Como enquadramento legal foi colocado: "Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Cientificado do Despacho Decisório em 19/02/2013 (AR às fls. 54), o Interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 21/03/2013. A Unidade de origem se manifestou em Despacho, às fls. 57, pela tempestividade da manifestação de inconformidade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 106 3 Em 21/03/2013 o Interessado apresentou sua irresignação e documentação anexa (fls 06 e segs.), firmada por procurador habilitado, segundo a qual, resumidamente, afirma: I DOS FATOS ∙ Informa que, no segundo semestre de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o Município não estava se utilizando de possíveis deduções no cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo que poderia ser compensado em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Ocorre que, para a surpresa, o Município foi intimado de inúmeros Despachos Decisórios, dandolhe ciência de que as compensações não haviam sido homologadas, posto que estavam sendo realizadas de forma indevida, e que os "débitos indevidamente compensados" deveriam ser pagos de maneira corrigida e acrescida de juros e multa. Sendo assim, o Município busca levar à apreciação deste Órgão Julgador as compensações declaradas para as quais pugna sejam homologadas II DO DIREITO II.1 DA PRELIMINAR Da suspensão da Exigibilidade ∙ Pugna que um dos efeitos decorrentes do recebimento da presente manifestação seja a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado), forte no §11, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 C/C inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. II.2 DO MÉRITO ∙ Aduz que a fundamentação do Despacho Decisório ora impugnado é no sentido de que não foi encontrado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP, a partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP originário. Todavia, cumpre observar que as compensações pleiteadas pelo Município aqui impugnante, foram executadas em harmonia à normatização de regência, motivo pelo qual se pugna pela homologação das mesmas. ∙ Ressalta que, em setembro de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o mesmo não estava se utilizando de possíveis deduções na composição da base de cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 107 4 um saldo financeiro passível de compensação em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Esclarece que as deduções de que o Município passou a se utilizar foram as transferências efetuadas a outras entidades públicas da Administração Indireta, fonte no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, conforme demonstram os documentos já juntados aos autos. Isto porque as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. ∙ Defende que tendo o Município apurado crédito não prescrito passível de compensação, utilizouo na compensação de débito em relação aos futuros recolhimentos, a teor do que dispõe a legislação tributária. Desta forma, discorda da fundamentação do Despacho Decisório, vez que o crédito objeto de compensação é decorrente da dedução que o Município passou a fazer em relação à PER/DCOMP originária, razão pela qual pugna pela homologação da compensação, e, subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Finaliza com o seguinte Pedido: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação objeto de questionamento. Subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Por fim, protesta pela juntada de demais provas em direto admitidas, em especial, dada a natureza da demanda, a documental. Grifado no original. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repete os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, porquanto reproduz, ipsis litteris, idênticas razões de defesa perante este colegiado ad quem. Do encaminhamento Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 108 5 O presente processo digital foi encaminhado em 26.02.2018 para ser analisado por este Carf (efl. 99), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos extrínsecos de admissibilidade, pois há regularidade formal e respeito ao trintídio legal de que trata o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF, na medida que foi apresentado em 03.01.2018, conforme observase do carimbo de protocolo aposto, por servidor lotado na ARF/São Leopoldo, em sua "Folha de Rosto"; após ciência do acórdão recorrido, verificada em 26.12.2017, conforme colhese, conjuntamente, do "Termo de Intimação ARF/SLO nº 538/2017" e Aviso de Recebimento "AR" dos Correios, juntados às efls. 86 a 88. Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do RICARF, com a redação dada Portaria MF nº 329, de 2017, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 109 6 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, ipsis litteris, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Antonio César de Campos, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) 1.2 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPUGNADO. Em preliminar, a impugnante pleiteia, em sua manifestação, a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado). A título de esclarecimento, com o recurso/manifestação apresentado, passaram a estar suspensos todos os assuntos/valores cuja compensação não foi homologada. Com efeito, constatase que a Unidade de Origem juntou nos autos, extrato deste processo às fls. 55, no qual foi informada a situação de Contestação do resultado da análise da Compensação pleiteada. 1.3 DO MÉRITO. Com relação ao mérito, o Manifestante alega que as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. Constatase que as deduções pleiteadas pelo Manifestante, a quais geraram o crédito de Pasep por pagamento Indevido/ a Maior, referemse aos valores de transferências ao Hospital Centenário e os repasses ao IAPS (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Servidores Públicos do Município de São Leopoldo), no mês de julho 2007. Tal conclusão pode ser tirada dos demonstrativos acostados aos autos, fls. 19 e 20, dos demonstrativos contábeis apresentados, fls. 21 a 47, e também pelos maiores detalhes e documentos trazidos no Processo nº 11065.720866/201244, do mesmo Contribuinte, que trata do mesmo assunto em outros períodos e também analisado por Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 110 7 esta Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Passase, então, à análise da questão. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma legal, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, ano calendário de 2007, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, com alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.15835/01, e conforme regulamentado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que assim dispõem: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 111 8 arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: [...] III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Decreto nº 4.524/2002 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Ocorre que acerca do tema central da controvérsia, a base de cálculo do Pasep, foi exarada a Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 06 de junho de 2017, (disponível na íntegra no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB) <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), que nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, tem efeito Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 112 9 vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. De acordo com o art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, segundo estabelece o art. 100, I, do mesmo Código, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, entre os quais se incluem as instruções normativas e os atos declaratórios expedidos pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (SRF), atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Orientações e/ou definições contidas em atos normativos, por serem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/07/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição que constava no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/03/2006, do Ministro de Estado da Fazenda): Art.7º. São deveres do julgador: [...] V. observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Cabe aos atos normativos expedidos por autoridade administrativa, como normas complementares da lei que são, orientar, detalhar, esmiuçar a lei, para melhor entendimento e cumprimento por parte do contribuinte. O Código Tributário Nacional, em seu art. 106, estabelece hipóteses nas quais se aplica a retroatividade da lei a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 113 10 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. [grifo nosso] Assim, são plenamente aplicáveis a casos pretéritos normas de cunho interpretativo, a qual é o caso da Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278. Considerando a precisão e profundidade com que foi tratado o assunto bem como a sua total adequação ao litígio ora em julgamento, adoto os fundamentos lá expostos, em sua integralidade, como razão de decidir, transcrevendo os trechos da mencionada Solução de Consulta relevantes para o esclarecimento do presente feito, a seguir: “EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS E INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) as transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. (...) Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 114 11 Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. (...) Fundamentos (...) 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos entes públicos em geral (a partir daqui tratada por Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais), bem como algumas de suas regras específicas, estão estabelecidas na Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (grifo nosso) (…) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (…) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifo nosso). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 115 12 Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (…) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 13. As receitas correntes, as transferências correntes e as transferências de capital, elementos que compõem a base de cálculo da supracitada contribuição, estão conceituadas na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (…) Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (…) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. (…) § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. 14. Fazse mais que pertinente recorrer ao conceito de pessoas jurídicas de direito público interno, entes sobre os quais incide a contribuição em análise. Segundo a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), são pessoas jurídicas de direito público interno: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 116 13 Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. 15. As transferências ou repasses de recursos entre entes públicos podem derivar de contraprestação em bens ou serviços ou podem possuir natureza meramente financeira (independem de qualquer tipo de contraprestação). 16. De outra banda, essas transferências ou repasses podem ocorrer no âmbito do mesmo ente público ou entre entes governamentais distintos. Quando ocorrem no âmbito do mesmo ente federativo, podese classificálos em operações intraorçamentárias e transferências intragovernamentais; quando ocorrem entre entes federativos distintos, denominamse transferências intergovernamentais. OPERAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 17. As transferências intergovernamentais compreendem as transferências de um ente público (ente transferidor) a outro (ente recebedor). Elas ocorrem entre entes federativos distintos. Podem ser divididas em transferências constitucionais ou legais e em transferências voluntárias. 18. Para a correta aferição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, quando da ocorrência de operações intergovernamentais, é necessário o esclarecimento de alguns pontos da legislação. 19. Nos termos do inciso III do caput do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais corresponde às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno. 20. Vêse que a lei adotou uma visão orçamentária para a receita pública, exigindo que os valores sejam incluídos na base de cálculo da entidade que se apropriar dos recursos. Nesse contexto, o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, ao referenciar o inciso III do art. 2º dessa mesma Lei, quis especificálo quanto a duas situações: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 117 14 20.1. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública: a primeira parte do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, veio a esclarecer que a receita tributária, que é espécie das receitas correntes (§ 1º do art. 11 da Lei nº 4.320, de 1964), deve ser alocada a quem de fato ficará com os recursos oriundos da receita. Ora, ele corrobora o inciso III do art. 2º da mesma Lei nº 9.715, de 1998, por isso se remete a ele. Portanto, se um ente federativo arrecadar a receita tributária, mas os recursos forem transferidos a outra entidade por lhe pertencerem, a entidade recebedora dos recursos deve inserir tais valores em sua base de cálculo. Aqui ocorreu nada mais que uma transferência corrente, que o próprio inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, já exige que seja incluída na base de cálculo da contribuição em voga devida pela entidade recebedora; 20.2. E deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas: a segunda parte do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, que permite a dedução por parte da entidade transferidora dos valores repassados a outros entes, vem a complementar um aspecto operacional do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, que ordena que as transferências correntes e de capital recebidas sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente beneficiário. Ora, as transferências intergovernamentais ocorrem mediante um ente transferidor que entrega os recursos a outro, o ente recebedor. A lei ordena, portanto, que quem recebe as transferências deve inserir os valores em sua base de cálculo (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998) e quem transfere esses recursos deve excluir tais valores para fins de apuração da contribuição. A sistemática vai ao encontro da regulamentação do tributo, pois se a entidade recebedora fosse obrigada a incluir os valores das transferências recebidas em sua base de cálculo e a entidade transferidora não pudesse excluir os valores transferidos quando da apuração da exação, a contribuição incidiria duas vezes sobre o mesmo valor, o que não deve ocorrer segundo explicita o parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002, reproduzido abaixo: ... 20.3.1. É notável a preocupação da Lei Complementar nº 8, de 1970, no sentido de que não se incida a Contribuição para o Pasep duas vezes quando da ocorrência das transferências intergovernamentais, tanto quando permite a dedução das transferências efetuadas a outras entidades públicas, como quando ressalta que Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 118 15 sobre as transferências não recairá mais de uma contribuição em nenhuma hipótese. Portanto, a sistemática dessa legislação é consentânea com todo o raciocínio exposto nos itens 17.1 e 17.2, ratificandoos. Grifo nosso 20.4. Quanto ao § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ele estabeleceu uma regra específica em relação à sistemática já exposta. Para o seu entendimento, cabe conceituarmos mais uma vez as transferências intergovernamentais e especificarmos suas espécies. Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional STN (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público MCASP, 2014, 7ª ed.): As Transferências Intergovernamentais compreendem a entrega de recursos, correntes ou de capital, de um ente (chamado “transferidor”) a outro (chamado “beneficiário”, ou “recebedor”). Podem ser voluntárias, nesse caso destinadas à cooperação, auxílio ou assistência, ou decorrentes de determinação constitucional ou legal. (…) 3.6.4.3. Transferências Constitucionais e Legais Enquadramse nessas transferências aquelas que são arrecadadas por um ente, mas devem ser transferidas a outros entes por disposição constitucional ou legal. (…) 3.6.4.4. Transferências Voluntárias Conforme o art. 25 da Lei Complementar nº 101/2000, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em termos orçamentários, a transferência voluntária da União para os demais entes deve estar prevista no orçamento do ente recebedor (convenente), conforme o disposto no art. 35 da Lei nº 10.180/2001, que dispõe: Art. 35. Os órgãos e as entidades da Administração direta e indireta da União, ao celebrarem compromissos em que haja a previsão de transferências de recursos financeiros, de seus orçamentos, para Estados, Distrito Federal e Municípios, estabelecerão nos instrumentos pactuais a obrigação dos entes recebedores de fazerem incluir tais recursos nos seus respectivos orçamentos. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 119 16 No entanto, para o reconhecimento contábil, o ente recebedor deve registrar a receita orçamentária apenas no momento da efetiva transferência financeira, pois, sendo uma transferência voluntária, não há garantias reais da transferência. Por esse mesmo motivo, a regra para transferências voluntárias é o beneficiário não registrar o ativo relativo a essa transferência (grifo nosso). ... 20.6. Assim, podese concluir que o legislador preferiu não inserir as transferências voluntárias na apuração mensal para fins da base de cálculo da contribuição, já que a receita de transferência só estará configurada quando de seu efetivo recebimento pela entidade beneficiária. Nesse caso, os recursos, quando de seu efetivo repasse, já foram tributados na entidade transferidora por meio de suas receitas correntes arrecadadas. Por esse motivo é que as transferências voluntárias devem ser encaradas como uma exceção à regra prevista no inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, pois tais transferências acabam por serem tributadas na entidade transferidora e, quando o efetivo repasse ocorrer, devem ser excluídas da base de cálculo da entidade recebedora, para que não haja dupla tributação dos recursos em obediência ao parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002. Grifouse ... OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS 23. As transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo podem se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. 23.1. Transferências intragovernamentais, nomenclatura adotada por esta Solução de Consulta, referemse às transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo. Elas ocorrem quando da descentralização orçamentária e financeira. 23.2. Quanto às operações intraorçamentárias, a própria consulente informa em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 7ª edição, 2016, p. 293) que “operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo. Por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 120 17 recursos entre seus órgãos. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais.” 23.2.1. Na mesma direção, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 2006, expõe em seu art. 1º: Portaria Interministerial STN/SOF nº 338 de 26/04/2006 Art. 1º Definir como intraorçamentárias as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. 23.3. Para fins da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, as duas formas de repasses de valores públicos no âmbito do mesmo ente federativo devem ter tratamento tributário diferente. 23.4. De um lado, quanto às transferências intragovernamentais, elas ocorrem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo ou entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica de direito público. Daí também derivam dois tratamentos distintos: 23.4.1. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), sendo suas movimentações internas de recursos anuláveis quando da apuração da base de cálculo da exação. Assim, devese considerar as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas da pessoa jurídica e não de seus órgãos ou fundos para fins de apuração do tributo em voga. Grifouse Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 121 18 23.4.2. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo, o tratamento tributário para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser idêntico ao dispensado às transferências intergovernamentais, haja vista que em ambos os casos ocorreram transferências correntes e de capital entre entidades públicas (§ 2º e § 6º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 1964), o que configura a situação descrita na parte final do art. 7º ou no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dessa forma, deve seguir a mesma regra de inclusão ou exclusão dos valores, a depender do tipo de transferência efetuada (se transferência constitucional ou legal ou se transferência voluntária). Grifouse 23.4.3. Importante repisar mais uma vez que o contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Grifouse ... 23.5. De outro lado, quanto às operações intraorçamentárias, elas não estão abrangidas pelo conceito de transferência corrente e de capital da Lei nº 4.320, de 1964, haja vista que se realizam através de contraprestação em bens e serviços ou simplesmente decorrem do pagamento de alguma obrigação da entidade. Grifouse 23.5.1. A título de maiores explicações, a consulente informa nas Perguntas e Respostas aos seus Manuais que: As despesas intraorçamentárias ocorrem quando órgão, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes do orçamento fiscal e da seguridade social efetuam aquisições de materiais, bens e serviços, realizam pagamento de impostos, taxas e contribuições, além de outras operações, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desse orçamento, no âmbito da mesma esfera de governo. Ocorre despesa intraorçamentária, por exemplo, quando o Ministério da Saúde órgão integrante do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União, apropria uma obrigação com a Imprensa Nacional, que também pertence ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Observase que no momento da apropriação da obrigação ocorre uma despesa intraorçamentária no Ministério da Saúde e no momento do recebimento, pela Imprensa Oficial, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 122 19 ocorre uma receita intraorçamentária. Portanto, ocorrendo uma despesa intraorçamentária, obrigatoriamente ocorrerá uma receita intraorçamentária em órgão integrante do Orçamento Fiscal e Seguridade Social, mas em virtude da despesa ser reconhecida no momento da apropriação e a receita no momento da arrecadação, os registros não ocorrerão no mesmo momento. As despesas intraorçamentárias não se aplicam às descentralizações de créditos para execução de ações de responsabilidade do órgão, fundo ou entidade descentralizadora, efetuadas no âmbito do respectivo ente da Federação, assim como não implicam no restabelecimento das extintas transferências intragovernamentais. (Perguntas e Respostas STN, 2014, p. 14).(grifos nossos) 23.5.2. Destarte, as operações intraorçamentárias correntes não devem ser encaradas como transferências para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, não podendo o ente transferidor dos recursos abater de sua base de cálculo os valores transferidos a outras entidades públicas, não estando sujeitas, portanto, à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. 23.5.3. Dessa forma, caso a operação intraorçamentária ocorra entre entes com personalidade jurídica de direito público, apesar de os valores já terem sofrido tributação em um momento anterior, o ente recebedor dos recursos deve tratálas como receitas correntes (que não a espécie transferências) e inserilas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida por ele. Já o ente transferidor não pode deduzir tais valores de sua base de cálculo dessa contribuição, haja vista que não se trata de transferências correntes e de capital. 23.5.4. Considerando todo o posicionamento no que tange às operações intraorçamentárias, consideramse respondidos os itens “a”, “c” e “d”. 24. Importante ressaltar que os fenômenos devem ser interpretados à essência do exposto nessa Solução de Consulta, não estando subordinado a aspectos ou registros contábeis. Nesse contexto, ainda é de suma importância ressaltar que as transferências de recursos entre entes ou entidades públicas devem ter o tratamento descrito nos itens anteriores, independentemente da forma como ocorram operacionalmente. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) 25. No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), suas receitas devem ser inseridas ou não Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 123 20 na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais de acordo com todo o conteúdo já exposto. Tendo em vista a explanação anterior de que o contribuinte do tributo são as pessoas jurídicas de direito público interno como um todo e do tratamento das operações intraorçamentárias, a questão “k” considerase respondida. ... 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituemse notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como: [...] IV receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição (grifo nosso). 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 124 21 financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social devese observar que a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, podese inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicandose esses conceitos ao caso concreto apresentado, temse que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 125 22 nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 25.7. Quanto à contribuição previdenciária patronal aos RPPS, também há posicionamento da RFB, que pode ser verificado por meio da Solução de Consulta nº 66 SRRF04/Disit, de 10 de dezembro de 2010, que em sua ementa deixa claro que: As receitas correntes relativas à contribuição previdenciária patronal (ainda que esta seja arrecadada por outra entidade da administração pública) e dos servidores públicos, bem como os rendimentos financeiros provenientes da aplicação destas no mercado, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida, na espécie, por autarquia estadual que administra o respectivo regime próprio de previdência social. Ressaltese, outrossim, que as autarquias não são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (grifos nossos). 25.8. As contribuições patronais recebidas pelos RPPS são, na essência, operações intraorçamentárias, pois o ente público transfere para o fundo os recursos e em troca, espera uma contraprestação para seus servidores na forma de benefícios previdenciários. Portanto, os recursos transferidos devem ser encarados dessa forma. O MCASP (6ª edição, 2014, p. 249) vem corroborar com o enquadramento quando afirma que o pagamento da contribuição patronal constitui uma despesa intraorçamentária para o ente e uma receita intraorçamentária para o RPPS. 25.9. A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dessa Solução de Consulta, sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. Dessa forma, considerase respondido o item “l”. ... AUTARQUIAS 26. O § 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, institui uma regra específica para as autarquias, nos seguintes moldes: Lei nº 9.715, de 1998 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 126 23 classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. 26.1. O dispositivo ordena que as receitas do Tesouro Nacional, assim classificadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, não sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais apurada pelas autarquias. Dessa forma, o ente transferidor, no caso a União, deve sofrer a tributação da contribuição em relação aos seus recursos alocados às autarquias. Com isso, considerase satisfeito o item “b”. ... Conclusão 29. Diante do exposto, conquanto os questionamentos apresentados pela consulente tenham sido respondidos ao longo do texto, apresentamse as conclusões abaixo. 30. As transferências de recursos podem ser intergovernamentais ou intragovernamentais, e a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais varia conforme a espécie de transferência de recursos. 31. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. 32. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Grifouse 32.1. Quanto às transferências intragovernamentais: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 127 24 a) Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; Grifouse b) Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). 32.2. Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Assim, face à Solução de Consulta Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, entendo como correta que nas transferências intragovernamentais entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998). No caso em questão, smj, não foi devidamente esclarecido a respeito da personalidade jurídica das entidades recebedoras dos valores. Contudo, concluise pelos autos, sem sombra de dúvidas, se tratarem de transferências intragovernamentais voluntárias, a respeito das quais, a conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 278, é taxativa no sentido de que: As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. Portanto, no caso concreto o município de São Leopoldo Prefeitura, pessoa jurídica de direito público interno, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, respondendo também pelas transferências voluntárias que realizar. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 128 25 Por seu turno, o Parecer Normativo nº 1, de 21 de maio de 1996, editado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, orienta que as pessoas jurídicas de direito público sujeitamse às contribuições para o PIS/PASEP (grifei): Entidades públicas que recebem transferências correntes e de capital de outras entidades públicas têm suscitado dúvidas sobre a determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, tendo em vista as normas que sucederam a publicação da Resolução nº 49, baixada pelo Senado Federal, em 9 de outubro de 1995. (...) 3. Da leitura dos arts. 2º, 3º, 7º e 8º, da citada Medida Provisória, observase que as pessoas jurídicas de direito público ou privado, alinhadas a seguir, sujeitamse à referida exação, tendo base de cálculo e alíquota distintas, segundo suas características e peculiaridades: (...) 3.3 Pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias) base de cálculo: o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade dentre as citadas, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; alíquota: um por cento.” (grifei) Nesta mesma conformidade, o art. 2º da Lei n.º 9.715/983 impõe a obrigatoriedade da contribuição mensal ao PASEP aos sujeitos passivos nele relacionados, abrangendo as pessoas jurídicas de direito público interno, que devem calcular a contribuição com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Destarte, a própria Constituição Federal prevê os referidos entes como sujeitos passivos das contribuições sociais, conforme disposto em seu art. 195, e § 1º. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 129 26 respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. Não se pode olvidar que a jurisprudência administrativa caminha no mesmo sentido, conforme exemplifica o Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cuja ementa segue abaixo (grifei): Ementa PASEP. SUJEITO PASSIVO. MUNICÍPIO. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DO CNPJ DA PREFEITURA. LEGALIDADE. No lançamento do Pasep cujo sujeito passivo é o Município, a pessoa jurídica de direito público contribuinte da Contribuição, deve ser empregado o CNPJ do órgão Prefeitura Municipal, posto que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica emitido em nome deste órgão identifica com precisão aquela pessoa jurídica. Recurso de Ofício provido, com restabelecimento do lançamento e retorno dos autos à DRJ, para apreciação do mérito. (Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20311773, Processo 10280003116200659, Data 25/01/2007) Vejamos que tal entendimento também é externado pelo e. TRF3 (grifei): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. AUTARQUIA MUNICIPAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA NO PERÍODO POSTERIOR À CONSTITUIÇÃO DE 1988. EXIGIBILIDADE. 1. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, a contribuição ao PASEP adquiriu feição tributária. Com essa natureza jurídica, desapareceu o caráter facultativo da adesão que estava previsto na Lei Complementar nº 08/70, que, neste particular, não foi recepcionada (ou foi revogada) pela Constituição da República de 1988. 2. A obrigação tributária é uma obrigação "ex lege", que decorre imediatamente da lei, sendo irrelevante a vontade do contribuinte para determinar o seu nascimento. A obrigação tributária não nasce por acordo de vontades, ou mesmo por força da vontade unilateral do Fisco ou do sujeito passivo, mas por imposição legal cogente. 3. Nesses termos, desde 1988, o dever de recolhimento da contribuição ao PASEP tornouse inafastável para os Municípios, assim como para suas autarquias. 4. Precedentes do STF e deste Tribunal. 5. Honorários advocatícios fixados de acordo com os parâmetros do art. 20, § 4º, do CPC. 6. Remessa oficial a que nega provimento. (TRF3 REOAC: 9008 SP 2000.61.12.0090080, Relator: JUIZ CONVOCADO RENATO BARTH, Data de Julgamento: 18/07/2007, TERCEIRA TURMA) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11065.913378/201289 Acórdão n.º 3001000.657 S3C0T1 Fl. 130 27 Dessa forma, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em que pese não ser competência das DRJ indicar, pela RFB, as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação, conforme solicitado pelo Contribuinte, esperase que a fundamentação ora trazida seja útil ao Interessado à título de esclarecimentos pertinentes ao caso. (...) Da conclusão Desta feita, amparado pelo parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, conheço do Recurso Voluntário e no mérito voto por julgálo improcedente, para manter o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito, e não homologou a compensação constante da(s) DCOMP em análise. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675386/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 86 /2 00 9- 40 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.675386/200940 Acórdão n.º 3302006.258 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.460, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.675386/200940 Acórdão n.º 3302006.258 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.675386/200940 Acórdão n.º 3302006.258 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901899/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.901899/201110 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.481 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não atendimento do pleito do contribuinte na extensão por ele pretendida (Declaração de Compensação DComp), em razão do fato de que o pagamento informado não fora suficiente à quitação do débito informado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que apenas não procedera à retificação da DCTF, mas que possuía direito à compensação e que não se enquadrava em nenhuma das vedações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 18 99 /2 01 1- 10 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10166.901899/201110 Acórdão n.º 3302006.481 S3C3T2 Fl. 3 2 previstas no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Juntou a solicitação de retificação da DCTF, demonstrativo da base de cálculo da contribuição, DCTF retificadora não transmitida e cópia do DARF objeto do pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 03052.709, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando que o crédito era decorrente da venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o art. 2º da Lei nº 10.147/2000, que haviam sido indevidamente tributadas pelo Recorrente. Para comprovar, juntou demonstrativo da base de cálculo. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.476, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10166.901895/201123, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.476): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente trouxe alegações de direito sobre a natureza do suposto direito creditório, porém, como prova, juntou apenas o demonstrativo de base de cálculo, indicando os valores de faturamento, os créditos da não cumulatividade, e os valores que seriam devidos, protestando pela posterior juntada do Livro Razão. A recorrente possui como objeto social a prestação de serviços hospitalares, conforme cópia abaixo de seu estatuto social: Não há indicação de revenda de medicamentos em seu objeto social. Ressaltase que a redução a zero é aplicada sobre a revenda de medicamentos especificados nos códigos NCM do artigo 1º da Lei nº 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador, conforme abaixo: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10166.901899/201110 Acórdão n.º 3302006.481 S3C3T2 Fl. 4 3 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Todavia, tal redução não se aplica aos medicamentos utilizados como insumos na prestação de serviços, mas apenas na atividade comercial de revenda dos medicamentos especificados. Para tanto, a recorrente deveria ter demonstrado a existência de receitas auferidas com a revenda, o que, por seu estatuto social, não é possível deduzir tal situação. Destacase que a base de cálculo apresentada no demonstrativo de efl. 227 referese à apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, o que demandaria, para as receitas, ao menos, os balancetes analíticos como ponto de partida. Ademais, a redução a zero é específica para as posições e códigos mencionados no caput do artigo 1º e não para todos os medicamentos. Porém, não há demonstrativo de notas fiscais, com referência às NCM dos produtos vendidos, com alguma amostragem das referidas notas. Além disso, quanto aos créditos, também seriam necessárias, ao menos, planilhas demonstrativas, com amostragem de documentos e cópias do Livro Razão, demonstrando os valores os custos dos serviços prestados e das despesas contábeis incorridas. Ressaltase, ainda, que quanto aos honorários médicos, não é possível a tomada de créditos da não cumulatividade em pagamentos de mãodeobra a pessoa física, conforme §2º1 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, como foi considerado no demonstrativo. Ressaltase, mais uma vez, que a mera apresentação de um demonstrativo não é prova suficiente para a certificação do direito líquido e certo que está pleiteado. De fato, a decisão recorrida deixou expresso a necessidade de se apresentar documentos hábeis e idôneos, lastreados em escrituração contábil e fiscal para se comprovar o direito requerido, a saber: 1 § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10166.901899/201110 Acórdão n.º 3302006.481 S3C3T2 Fl. 5 4 "Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." Em suma, não houve qualquer preocupação em juntar documentos contábeis e fiscais de modo a comprovar o direito creditório alegado, apesar de sua necessidade ter sido ressaltada pela decisão recorrida, não se desincumbindo, a recorrente, do ônus que lhe cabia, a teor do artigo 333, inciso II do anterior Código de Processo Civil, atual artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC) e do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Contribuição para o PIS, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 234DF CARF MF
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