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Numero do processo: 10680.933072/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2004
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.598
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 72 /2 00 9- 23 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 23/25 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 31/08/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou haver exercido direito amparado na legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, uma vez que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, dentro do prazo legal. Contudo, “no DACON ativo, entregue pelo contribuinte, não foi declarado o valor devido da contribuição informado na DCTF retificadora”. Nesse sentido, entendeu a instância recorrida que [...] a mera apresentação da declaração retificadora, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933072/200923 Acórdão n.º 3802001.598 S3TE02 Fl. 80 3 Assim, diante da ausência de apresentação, pelo contribuinte, de prova capaz de demonstrar a existência do direito creditório alegado, “e nem mesmo explicação sobre a origem do crédito”, entendeu a Turma julgadora não ser possível admitir unicamente a DCTF retificadora como instrumento hábil capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Cientificada da referida decisão em 09/04/2012 (vide AR de fls. 30), a interessada, em 20/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 31/40, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96, notadamente o disposto no artigo 74, § 3o desta, já que a compensação intentada não se enquadraria em nenhuma das hipóteses impeditivas ali elencadas. Ressalta não ter havido “tratamento manual e individualizado” do pedido de compensação para exame da “efetiva prova do direito creditório”, e que a DACON “não tem qualquer valor para fins da denúncia espontânea prevista no CTN, haja vista que os montantes das contribuições nelas informados não são considerados confissão de dívida [...]”. Faz menção, ainda, a supostos enriquecimento sem causa do Estado e ofensa ao princípio da isonomia acaso prevaleça o entendimento da primeira instância, já que o artigo 74 da Lei no 9.430/96 faculta a compensação tributária de créditos em favor do sujeito passivo com débitos próprios de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. A título de comprovação do direito creditório alegado, a recorrente anexa cópias de comprovante de pagamento (DARF), Per/Dcomp, DCTF retificadora e DIPJ de 2005. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pleito sob o argumento de que, apesar de a recorrente haver apresentado DCTF retificadora dentro do prazo legal, “no DACON ativo, entregue pelo contribuinte, não foi declarado o valor devido da contribuição informado na DCTF retificadora”. No caso, entenderam os nobres julgadores pela necessidade de a interessada comprovar, inequivocamente, o erro de fato ocorrido no preenchimento da DCTF, para que, assim, o novo débito ali declarado pudesse ser admitido como correto. Diante da não apresentação de prova do direito creditório alegado, indeferiram o pleito. Do exame dos autos, constatase, às fls. 54/64 do processo eletrônico que a DCTF retificadora do terceiro trimestre de 2004 (cópia anexada pela recorrente já nesta segunda instância recursal) foi transmitida em 12/11/2009, ou seja, posteriormente à ciência Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 do despacho decisório (número de rastreamento 848542824) que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 20/10/2009, conforme fls. 21. À época vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito. A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme artigo 11, § 8º, da citada instrução normativa). Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933072/200923 Acórdão n.º 3802001.598 S3TE02 Fl. 81 5 retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Além de ter apresentado DCTF retificadora depois de notificada da não homologação da compensação tributária pleiteada, e ainda, de não ter retificado a DACON, declaração específica para demonstrar a apuração das contribuições sociais, a reclamante não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido, isso, mesmo ciente de que a razão do indeferimento de seu pleito foi a ausência apresentação de prova da correção implementada na DCTF e, portanto, da origem do crédito aduzido. Em outras palavras, o motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 16327.913276/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castros Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castros Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 32 76 /2 00 9- 53 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913276/200953 Acórdão n.º 3801001.851 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913276/200953 Acórdão n.º 3801001.851 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913276/200953 Acórdão n.º 3801001.851 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913276/200953 Acórdão n.º 3801001.851 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12466.720105/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 18/04/2008
PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE.
O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.948
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/04/2008 PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE. O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 429 1 428 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.720105/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.948 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2013 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente TEGMA LOGÍSTICA INTEGRADA S.A Recorrida DRJFLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/04/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente é imotivado o auto de infração que não justifica as razões da autuação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/04/2008 PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE. O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 05 /2 01 1- 51 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório. Versa o presente processo sobre aplicação de multas por descumprimento de obrigação acessória, sendo que uma das multas, no valor total de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), foi aplicada, segundo a fiscalização (fls. 06 a 13, 18 a 24, 30 a 36, 41 a 47, 53 a 59, 65 a 71, 77 a 83, e 89 a 95), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar imediatamente à autoridade aduaneira a presença da carga, em seu recinto alfandegado, correspondente a parte dos veículos constantes dos B/L n.ºs EUKOHUBR335551, EUKOHUBR335553, EUKOHUBR335554, EUKOHUBR335555, EUKOHUBR335556, EUKOHUBR335557, EUKOHUBR335558 e EUKOHUBR335559, que foram objeto dos trânsitos aduaneiros acobertados pelas Declarações de Trânsito de Contêiner (DTC) n.ºs 08/01670209, 08/01749646, 08/01749654, 08/01749662, 08/01749670, 08/01749689, 08/01749778, 08/01749786, 08/01749794, 08/01749808, 08/01749816, 08/01749824, 08/01749832, 08/01749840, 08/01749859, 08/01751241, 08/01751276, 08/01751292, 08/01751306, 08/01752256, 08/01752264, 08/01752272, 08/01752280, 08/01752329, 08/01752353, 08/01752388, 08/01752396, 08/01752400, 08/01752426, 08/01752434, 08/01752442, 08/01752450, 08/01752469, 08/01752485, 08/01752523, 08/01752582, 08/01752604, 08/01753040, 08/01763630, 08/01749859, 08/01749840 e 08/01749689, presença de carga esta que deve ser informada com o registro, no Siscomex, do respectivo número identificador de carga (NIC), consoante determina o art. 5º da IN SRF n.º 680, de 2006. Aduz a autoridade autuante que outro recinto alfandegado removeu os veículos restantes, também como beneficiário e transportador para suas instalações que são diversas às da autuada. Em razão disso foi aplicada a multa prevista na alínea “f” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966, , com redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.720105/201151 Acórdão n.º 3302001.948 S3C3T2 Fl. 430 3 A outra multa, no valor total de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), foi aplicada em razão do descumprimento de requisito para executar atividade de movimentação de mercadoria, consistente no fato de o sujeito passivo em epígrafe, na qualidade de beneficiário do regime de trânsito aduaneiro, não ter solicitado trânsito para a totalidade da carga constante dos precitados conhecimentos marítimos, mas apenas para uma parcela desta carga. Mais precisamente, relata a fiscalização (fls. 13 a 16, 24 a 28, 36 a 40, 47 a 51, 59 a 63, 71 a 75, 83 a 87, 95 a 99) que o art. 9º, § 4º, da Portaria da Alfândega do Porto de Vitória n.º 134, de 20/07/2007, determina que o beneficiário do DTC solicite a remoção da totalidade dos contêineres acobertados pelo respectivo conhecimento de carga e proceda ao carregamento dos mesmos, na unidade de origem do trânsito, observando o prazo fixado pelo art. 7º, § 3º, da mencionada portaria. Neste contexto, aduz a fiscalização que, ao solicitar o regime de trânsito para apenas parte dos veículos constantes dos precitados conhecimentos de carga, o sujeito passivo descumpriu dois dos requisitos estabelecidos para proceder ao trânsito aduaneiro simplificado em relevo, sendo considerado, para efeito do cálculo da multa aplicada, os quinze dias decorridos entre a data do término do trânsito aduaneiro e a data de formalização do procedimento administrativo (PAF n.º 12466.001396/200/880) iniciado pelo consignatário da carga (CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A) que noticiou o fato de que nem toda a mercadoria constante do indigitado conhecimento de carga encontravase no recinto alfandegado do autuado. Em razão disso foi aplicada, para cada caso, a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento dos mencionados requisitos, prevista na alínea “f” do inciso VII do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 23/03/2011 (fl. 379), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 25/04/2011, a impugnação de fls. 349 a 362, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que o procedimento fiscal em causa encontrase em descompasso com o disposto na Lei n.º 9.784, de 1999, e com o inciso IV do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, especialmente no que tange ao princípio da motivação, devendo, em razão disso, ser declarado nulo, eis que não há indicação específica da infração atribuída ao sujeito passivo, mas apenas indicação a esmo de dispositivo legal que comina penalidade; Quanto ao mérito, alega que os dispositivos legais apontados no feito como infringidos não guardam relação com os fatos descritos pela autoridade autuante, ao que aduz que a carga em questão sequer chegou a ser recebida no recinto aduaneiro que administra, no caso, o Porto Seco de Vitória I (PSVITI); Aduz que a empresa consignatária das mercadorias importadas ordenou, à sua revelia, que a transportadora contratada pelo ora impugnante desviasse o trânsito aduaneiro para recinto diverso, no caso o Porto Seco de Vitória II (PSVITII), pelo que alega ser vítima da ação de terceiros, sendo que isto também se encontra consignado nos autos de outros processos administrativos, ao que indaga porque as autuações devem ser desmembradas em processos distintos, já que se trata de um único trânsito aduaneiro, a penalidade é aplicada por evento e está calcada também na quebra do lote de mercadorias importadas, sendo que a empresa consignatária das mercadorias e o Porto Seco de Vitória II (PSVITII) foram autuados pelo mesmo fato; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Em outro plano, alega que as disposições contidas no art. 5º, caput e § 1º, da IN SRF n.º 680, de 2006, não são aplicáveis à situação fática dos autos, já que o prazo e a forma estabelecida no caput diz respeito a cargas que tenham sido efetivamente internadas no recinto alfandegado ao passo que o § 1º referese à obrigação de informar falta ou acréscimo de mercadoria sem definir prazo e forma para a prestação dessa informação, além do que, por óbvio, essa obrigação igualmente diz respeito a mercadorias que tenham sido internadas no recinto alfandegado; Em reforço a essa interpretação, argumenta que o § 4º do art. 5º da mesma instrução normativa até prevê que a COTEC ou a COANA poderão expedir instruções complementares, mas que os atos administrativos citados pela autoridade autuante (AD COANA/COTEC n.º 13/1999, ADE COREP n.º 2/2008, ADE COANA n.º 63/2002 e ADE COANA/COTEC n.º 2/2003) não guardam relação com o fato apontado nos autos, além do que, ao responder tempestivamente a intimação n.º 31/2008, encaminhada pelo Fisco para que prestasse informação sobre o caso, alega que prestou tal informação no prazo e na forma estabelecidos pela autoridade aduaneira, pelo que não procede a alegação de que teria demorado quinze dias para informar à RFB sobre os fatos que ensejaram a lavratura do feito ora combatido; No que pertine à multa aplicada por descumprimento de requisito para executar atividade de movimentação de mercadoria, alega que a disposição contida no § 4º do art. 9º da Portaria da Alfândega de Vitória n.º 134, de 2007, estabelece um prazo de quarenta e oito horas para que ocorra a remoção da carga do porto de zona primária, denominada “carga pátio”e não para chegada dessa carga no Porto Seco, na zona secundária; Aduz que, não obstante isso, os veículos foram removidos do pátio do porto no prazo estabelecido, residindo o problema apenas no fato de que parte desses veículos não chegou ao destino correto, em razão da ação de terceiros conforme já alegado, não restando caracterizada, portanto, infração ao disposto no § 4º do art. 9º da citada portaria; Na mesma linha, alega que, não havendo a chegada de todos os veículos no Porto Seco de Vitória I, tampouco há falar que incorrera em infração ao disposto no art. 13 da Portaria ALF/VIT n.º 134, de 2007, cuja determinação é de que o depositário informe a chegada dos veículos ao local de destino, relativamente a todos os volumes e/ou unidades de carga de um conhecimento: a uma porque nem todos os veículos chegaram ao destino previsto, pelo que seria, a seu ver, impossível cumprir referida obrigação, e a duas porque não foi o responsável pela quebra do lote de veículos originalmente destinados ao Porto Seco que administra, mas sim a consignatária das mercadorias, cuja responsabilidade encontrase devidamente caracterizada nos autos do PAF n.º 12466.001396/200880; Em outro plano, alega que a fiscalização imputoulhe responsabilidade por infração descrita na alínea “a” do inciso VII do art. 107 do DL 37/1966, o que evidencia outro erro de tipificação da autoridade autuante, porquanto a multa nesse caso é calculada por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado, e não por volume que não tenha sido depositado e não seja localizado; Alega também que o lapso de quinze dias contados entre a data da remoção dos veículos do porto na zona primária (18/05/2008) e a data em que os veículos, que haviam sido depositados no Porto Seco de Vitória I, foram transferidos para o recinto COTIA (02/06/2008), por determinação da Alfândega do porto de Vitória, não pode ser atribuído a inércia do impugnante no cumprimento do disposto na alínea “f” do inciso VII do art. 107 do DL 37/1966, porquanto não foi o responsável pela quebra do lote de veículos; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.720105/201151 Acórdão n.º 3302001.948 S3C3T2 Fl. 431 5 Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votou pela procedência em parte da impugnação mantendo em parte o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 23/04/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Compulsando os autos, verifico que a controvérsia resumese na penalização cominada a Recorrente em face de suposta infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “f” do Decreto Lei nº 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03 e IN nº 680/06, art. 5º, § 1º. Nos termos do artigo 107, inciso IV, alínea “f” do DecretoLei nº 37/66 aplicase as seguintes multas: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Outrossim, o artigo 5 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 680/06, prescreve: Art. 5o O depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, na importação, deverá informar à SRF, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia em local ou recinto alfandegado, de zona primária ou secundária, mediante indicação do correspondente Número Identificador da Carga (NIC). § 1º Os sinais de avaria e a constatação de falta ou acréscimo de volume também devem ser informados pelo depositário à Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 6 fiscalização aduaneira. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 957, de 15 de julho de 2009) Conforme exposto pela Recorrente, os artigos supracitados não se enquadram ao presente caso, pois discutese no processo em epígrafe a QUEBRA DE LOTE DE TRÂNSITO DTC, uma vez que os veículos em questão não chegaram, em sua totalidade, a serem recebidos no recinto alfandegado da Recorrente, nem tratase de recebimento com constatação de falta ou acréscimo de mercadorias, nos termos prescritos no § 1º do artigo 5º da INSRF nº 680/06. Muito embora parte dos veículos tivesse chegado ao PSVITI, tais veículos não foram internados, em face da quebra do lote de trânsito. Assim, não há que se falar que a Recorrente descumpriu uma obrigação acessória, pois a mesma estava impedida de informar à autoridade aduaneira, a presença de carga em seu recinto alfandegado, uma vez que parte dessa carga tinha sido removida para destino diverso do determinado pela Recorrente, fato esse causado pela ação de Terceiros. As normas alfandegárias impedem que os Contribuintes emitam NIC – Número Identificador de Carga, antes de toda a carga ser internada no recinto alfandegário da Recorrente. Conforme exposto pela Recorrente: “Em razão da quebra de lote por terceiros, e de requerimento dos mesmos à Alfândega de Vitória, todos veículos que seriam originalmente destinados à recorrente/PSVITI, foram ao final destinados a recinto diverso, para possibilitar o fechamento do trânsito aduaneiro. Conforme demonstrado, não houve disponibilidade, falta ou acréscimo de volumes atribuíveis ao PSVITI.” Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, redator designado Em relação às questões preliminares, adoto, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, os fundamentos do acórdão de primeira instância. De fato, as disposições relativas ao processo legal, contraditório e ampla defesa dizem respeito à fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação de lançamento, não se aplicando à fase oficiosa anterior. Nas fases de julgamento não houve ofensa aos princípios citados, uma vez que a Interessada apresentou suas razões na impugnação, que foram devidamente apreciadas pela Primeira Instância. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.720105/201151 Acórdão n.º 3302001.948 S3C3T2 Fl. 432 7 Em relação à motivação, o auto de infração claramente expôs as razões da autuação, permitindo que a Interessada as contestasse na impugnação, não havendo que se falar em sua falta. Portanto, descabe razão à Interessada quanto às questões de nulidade. Quanto ao mérito, o Conselheiro Relator considero que houve força maior, questão que afastaria a aplicação de penalidade. Entretanto, o que consta dos autos não revela que tenha ocorrido somente força maior. De fato, não se pode admitir a argumentação de que a interessada teria sido apenas vítima de fatos que teriam fugido ao seu controle, uma vez que essa questão é irrelevante, pois a responsabilidade, no caso, é dela, que ela deveria ter tomado todas as providências para que a irregularidade não acontecesse. Identificase claramente no caso a culpa tanto na modalidade “in vigilando” como na modalidade “in eligendo”. A primeira diz respeito à responsabilidade de zelar pelas ações das contratadas no procedimento de desembaraço e a segundo, eventualmente, na de escolher empresa competente para realizar as tarefas. Nesse contexto, a responsabilidade tributária por todas as ações das contratadas recai sobre os ombros da Interessada, como consequência do que dispõe o art. 673 do Decreto n. 6.759, de 4 de fevereiro de 2009. Tendo claramente ocorrido a irregularidade, não lhe é lícito alegar ter sido vítima de fato decorrente de procedimento negligente da empresa contratada. Dessa forma, adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10508.000598/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA AGRAVADA. ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO
A multa agravada somente deve ser aplicada quando o contribuinte ignora a fiscalização, deixando de dar qualquer resposta às intimações que lhe são endereçadas, ou quando provoca a realização de diligências inúteis, turbando e atrapalhando a fiscalização. o Contribuinte que atende à fiscalização, respondendo às intimações que lhes foi endereçada, não está sujeito ao agravamento da multa.
Para afastar a multa agravada, o contribuinte que não precisa apresentar os dados solicitados nas intimações, mas tem de comparecer perante o Fisco informando essa situação. O agravamento da multa refere-se à conduta do contribuinte durante a fiscalização, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 1401-000.936
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 MULTA AGRAVADA. ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO A multa agravada somente deve ser aplicada quando o contribuinte ignora a fiscalização, deixando de dar qualquer resposta às intimações que lhe são endereçadas, ou quando provoca a realização de diligências inúteis, turbando e atrapalhando a fiscalização. o Contribuinte que atende à fiscalização, respondendo às intimações que lhes foi endereçada, não está sujeito ao agravamento da multa. Para afastar a multa agravada, o contribuinte que não precisa apresentar os dados solicitados nas intimações, mas tem de comparecer perante o Fisco informando essa situação. O agravamento da multa refere-se à conduta do contribuinte durante a fiscalização, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário. Recurso voluntário negado
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA AGRAVADA. ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO A multa agravada somente deve ser aplicada quando o contribuinte ignora a fiscalização, deixando de dar qualquer resposta às intimações que lhe são endereçadas, ou quando provoca a realização de diligências inúteis, turbando e atrapalhando a fiscalização. o Contribuinte que atende à fiscalização, respondendo às intimações que lhes foi endereçada, não está sujeito ao agravamento da multa. Para afastar a multa agravada, o contribuinte que não precisa apresentar os dados solicitados nas intimações, mas tem de comparecer perante o Fisco informando essa situação. O agravamento da multa referese à conduta do contribuinte durante a fiscalização, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 05 98 /2 00 9- 26 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10508.000598/200926 Acórdão n.º 1401000.936 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10508.000598/200926 Acórdão n.º 1401000.936 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente feito de recurso de ofício interposto pela Delegacia Regional de Julgamento em Salvador, com relação à decisão que cancelou parcialmente o auto de infração, apenas para excluir o agravamento da multa, mantendoa no patamar qualificado de 150%. Devidamente intimado da decisão, não houve a interposição de recurso voluntário pelo Contribuinte, razão pela qual o processo foi desmembrado, passando o crédito incontroverso a ser administrado por processo próprio, restando a análise, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apenas a questão relativa ao agravamento da multa. Segundo o relatório de fiscalização acostado às fls. 164 e seguintes, o presente processo decorreu de uma operação conjunta entre a Receita Federal do Brasil e a Polícia Federal, envolvendo a Contribuinte, a empresa Netmark Comercial de Eletrônica Ltda., bem como os sócios comuns de ambas as empresas. Tendo sido realizadas buscas e apreensões de produtos e documentos em vários endereços, a fiscalização solicitou, por meio de intimação fiscal, inúmeros esclarecimentos à Contribuinte. Ao final, “a ação fiscal apurou imposto de renda pessoa jurídica e reflexos recolhidos a menor em razão do não oferecimento a tributação de receita decorrente de perdão de empréstimo no exterior e receita omitida em razão de vendas sem emissão de notas fiscais”. Do relatório fiscal, o agravamento da multa foi justificado “pelo fato de ter deixado de prestar esclarecimentos à intimação que versava sobre as vendas fictícias” (fls. 180). Em sede de impugnação, argumentou, a Contribuinte, que as informações solicitadas pelo Fisco eram desnecessárias à lavratura do auto de infração, uma vez que todos os esclarecimentos e informações que a empresa poderia oferecer já se encontravam de posse da fiscalização, principalmente pelas trocas de email e conversas por MSN, cujos dados foram obtidos por meio da busca e apreensão autorizada judicialmente. Demais disso, afirma que a Autoridade Fiscal não informou, no relatório fiscal, que a Contribuinte teria respondido à fiscalização, sem contudo, apresentar os elementos e esclarecimentos solicitados. Desta feita, estaria afastada a hipótese de agravamento da multa. Por fim, argumenta que, tendo em vista a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, estaria impossibilitada de fornecer os esclarecimentos solicitados. Em julgamento, a DRJ de Salvador entendeu o seguinte: O agravamento da multa de oficio qualificada, sob o fundamento de que a empresa deixou de prestar esclarecimentos solicitados, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10508.000598/200926 Acórdão n.º 1401000.936 S1C4T1 Fl. 5 4 também foi contestado pela Impugnante, por entender que tais esclarecimentos eram desnecessários para a lavratura dos Autos impugnados, uma vez que o Auditor tinha a seu dispor todo e qualquer documento, informações , elementos para apuração da matéria tributável. Registra ainda que o agente fiscal teria omitido do relatório de fiscalização que a empresa não permaneceu em silêncio durante o prazo concedido para a prestação dos imprestáveis esclarecimentos, pois respondeu às intimações, contudo, não foram as respostas proveitosas ao Auditor, o que não implica no agravamento da penalidade. O artigo 44, inciso II, § 2% da Lei n° 9.430, de 1996, assim dispõe: Art.44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.; § 2° Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos 1 e.11 do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Pelo que se extrai dos autos, a Contribuinte, embora não tenha apresentado todos os elementos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal e nos Termos de Intimação lavrados durante a ação fiscal, atendeu às intimações consubstanciadas nos referidos termos, na medida em que as respondeu, às fls. 09/12, 46/47, 53/54, e apresentou alguns livros, conforme registrado no expediente de resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização, à fl. 12. Logo, o agravamento da multa qualificada não deve prosperar, reduzindose, portanto, a multa de oficio lançada, no percentual de 225%, para o percentual de 150%, uma vez que os elementos caracterizadores, em tese, da qualificação das infrações estão perfeitamente comprovados nos autos, em conformidade com as disposições legais contidas no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa decisão, a DRJ de Salvador recorreu de ofício para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10508.000598/200926 Acórdão n.º 1401000.936 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso de ofício atende o requisito legal para seu conhecimento, posto que cancelou crédito tributário em montante superior ao limite de alçada, atualmente fixado em R$1.000.000,00 (um milhão de reais), pelo que dele conheço. A questão em debate cingese exclusivamente à aplicação da multa agravada, que eleva em 50% a multa aplicada quando o contribuinte deixa de atender a fiscalização ou comportase de forma a turbar o trabalho dos agentes de fiscalização. Segundo a DRJ, o Contribuinte atendeu à fiscalização, respondendo às intimações que lhes foi endereçada, o que é suficiente para afastar o agravamento da multa. De fato, a multa agravada somente deve ser aplicada quando o contribuinte ignora a fiscalização, deixando de dar qualquer resposta às intimações que lhe são endereçadas, ou quando provoca a realização de diligências inúteis, turbando e atrapalhando a fiscalização. O contribuinte que não apresentar os dados solicitados nas intimações, mas que comparece perante o Fisco informando essa situação, não está sujeito ao agravamento da penalidade aplicada, que nada tem a ver com os fatos que dão origem ao nascimento do crédito tributário. O agravamento da multa referese à conduta do contribuinte durante a fiscalização, e apenas essa, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário. No caso dos autos, a imputação feita pelo relatório fiscal, fundamento do agravamento da multa, referese exclusivamente a uma intimação de teria sido desconsiderada pelo contribuinte, “que versava sobre as vendas fictícias” (fls. 180). A Contribuinte recebeu as seguintes intimações fiscais, a saber: a) Termo de Início de Fiscalização (fls. 05), datada de 22/09/2008 (não se registrou a data do recebimento) Respondido em 14/10/2008 (fls. 09) b) Especificamente com relação às vendas fictícias, o Termo de intimação fiscal nº 048 (fls. 30 e ss) solicitou informações acerca das operações que arrolou em uma tabela, recebida pela Contribuinte em 28 de maio de 2009. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10508.000598/200926 Acórdão n.º 1401000.936 S1C4T1 Fl. 7 6 A Contribuinte respondeu à essa intimação por meio do documento de fls. 46 e ss., alegando que não poderia responder aos termos do requisitado, tendo em vista a busca e apreensão de documentos realizada pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal. Diante do exposto, entendo não estar presente o requisito legal para aplicação da multa agravada. De fato, como bem entendeu a DRJ recorrida, o agravamento da multa somente tem lugar quando o contribuinte busca impedir ou retardar o trabalho da fiscalização, seja ignorando as intimações que lhe são endereçadas, seja turbando o trabalho fiscal. No caso dos autos, a Contribuinte não só compareceu à fiscalização, como deu uma justificativa plausível para o não atendimento daquilo que lhe fora solicitado. Diante do exposto, ratificando os termos da decisão de piso, conduzo meu voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 16561.000028/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. MPF. VÍCIOS NA FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MÚTUO. GLOSA DE DESPESAS. CONTRATO COM CLÁUSULA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. NULIDADE. EFEITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando formalizado em consonância com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. A manifestação do Poder Tributante, consubstanciada em lançamento de oficio levado a efeito por meio dos seus agentes fiscalizadores, aos quais a lei conferiu competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades especificas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome.
É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial.
Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam.
Desconsiderada a cláusula de reajuste cambial contida em aditamento de contrato de mútuo, justifica-se a glosa da respectiva despesa daí decorrente, e a exigência da receita financeira calculada com base no contrato original. 0 regime de escrituração a que se submetem as pessoas jurídicas, segundo a legislação comercial e tributária, determina o reconhecimento das receitas já auferidas e a apropriação dos custos e despesas incorridos, nos períodos de apuração dos resultados a que competirem.
Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO.
É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado a variação cambial, exceto quando a lei expressamente autorize (art. 6o. da Lei 8.880, de 1994).
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF 2)
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
Numero da decisão: 1301-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. MPF. VÍCIOS NA FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MÚTUO. GLOSA DE DESPESAS. CONTRATO COM CLÁUSULA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. NULIDADE. EFEITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando formalizado em consonância com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. A manifestação do Poder Tributante, consubstanciada em lançamento de oficio levado a efeito por meio dos seus agentes fiscalizadores, aos quais a lei conferiu competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades especificas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial. Anulado o negócio jurídico, restituirseão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Desconsiderada a cláusula de reajuste cambial contida em aditamento de contrato de mútuo, justificase a glosa da respectiva despesa daí decorrente, e a exigência da receita financeira calculada com base no contrato original. 0 regime de escrituração a que se submetem as pessoas jurídicas, segundo a legislação comercial e tributária, determina o reconhecimento das receitas já auferidas e a apropriação dos custos e despesas incorridos, nos períodos de apuração dos resultados a que competirem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 28 /2 00 6- 25 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 11 2 Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado a variação cambial, exceto quando a lei expressamente autorize (art. 6o. da Lei 8.880, de 1994). MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF 2) TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório LA FONTE TELECOM S/A, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o Auto de Infração de fls. 406/412, para a formalização da exigência do IRPJ (R$ 7.654.385,71), CSLL (R$ 2.665.860,68), PIS (R$ 248.234,85) e COFINS (R$ 1.145.699,62), relativos aos anoscalendário de 2001 a 2003, incluídos os correspondentes encargos legais. Segundo a peça vestibular e o detalhamento das circunstancias que motivaram a presente autuação, contido no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 430/441. A exigência decorreu da constatação dos seguintes fatos verificados nos aludidos períodos de apuração: 1. Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários glosa de despesa financeira no anocalendário de 2003, representada pela variação cambial passiva relativa a contrato de mútuo firmado entre pessoa jurídica incorporada pela Autuada (Operate Participações Ltda), na qualidade de mutuante, e a Sociedade Fiduciária Brasileira, Serviços, Negócios e Participações Ltda (SFB), despesa essa que foi classificada como desnecessária pelo Fisco, sendo desconsiderada a cláusula contratual que a previu, constante de aditivo ao contrato original, em razão de sua nulidade, por contrariar expressa disposição legal, constante da Lei n° 8.880, de 1994, conforme item A do TVF; 2. Omissão de Receitas Financeiras caracterizada pela falta de contabilização de juros remuneratórios de mútuos contratados com sociedades controladas e/ou coligadas, conforme TVF, itens A (in fine SFB, anoscalendário de 2002 e 2003), e B (mútuos recíprocos mantidos com a acionista majoritária La Fonte Participações, anoscalendário de 2001 a 2003); 3. Adições Preços de Transferência Falta de Adição de Parcela de Juros Recebidos Mútuo com Pessoa Jurídica Domiciliada em País com Tributação Favorecida conforme descrição detalhada contida no item C do TVF. Inconformada com os lançamentos, dos quais foi cientificada em 13/11/2006, a Autuada, apresentou, impugnação de fls. 472/551, instruída com os documentos de fls. 552 a 829, onde requer, preliminarmente, que seja reconhecida a nulidade dos autos de infração lavrados para as exigências da Contribuição ao PIS, da COFINS e da CSLL, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que autorizou o procedimento fiscal ora guerreado apenas o fez em relação ao IRPJ concernente aos anoscalendário de 2001 a 2003. Assim, a extensão da fiscalização às aludidas contribuições sociais desrespeitou as regras estabelecidas na Portaria n° 6.087, de 2005, o que determina a nulidade dos correspondentes lançamentos. Argúi, também, a Impugnante, a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários referentes ao PIS e à COFINS, relativamente aos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2001, considerando que, ao serem formalizadas as respectivas exigências (em novembro de 2006), já havia transcorrido mais de cinco anos dos correspondentes fatos geradores. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 13 4 Segundo a defesa, as aludidas contribuições sujeitamse ao lançamento por homologação disciplinado pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, não se lhes podendo aplicar o prazo decadencial previsto pela Lei n° 8.212, de 1991. Já no mérito, a Contribuinte faz uma análise dos contratos de mútuo, do ponto de vista do direito civil e do direito tributário, conceituando o instituto, e ressaltando a liberdade das partes em convencionar a taxa de juros incidente sobre os valores mutuados, sendo que, na ausência dessa estipulação, o Código Civil prevê a fixação da taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, a teor do que dispõe o seu artigo 406. A exceção a essa regra geral ocorre quando os juros são pagos em dólares à pessoa jurídica vinculada e os contratos de mútuo não são registrados no Banco Central do Brasil (BACEN), segundo o comando contido no artigo 22, da Lei n° 9.430, de 1996. Em seguida, em longo arrazoado e arrimandose em textos doutrinários e jurisprudenciais, a Impugnante passa a discorrer acerca do ônus da prova no processo administrativo tributário, da presunção em matéria de prova, e de como a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, conceituando o que vem a ser documentação hábil para dar suporte à escrituração contábil das pessoas jurídicas, concluindo que o dever de provar os fatos descritos na peça acusatória incumbe sempre ao Fisco, o qual não pode fundamentála em meras conjecturas, indícios ou intuições, mormente considerando a atividade plenamente vinculada exercida por seus agentes. Assim, um contrato particular celebrado em atendimento aos requisitos legais previstos no artigo 104, do Código Civil, constitui documento hábil para o fim colimado, não podendo ser desconsiderado com base em meros argumentos subjetivos da autoridade fiscalizadora, como no caso presente. Adentrando na análise das infrações arroladas no AI, a Impugnante passa a contestálas de per se, com base nos argumentos a seguir sintetizados: 1. Do Contrato de Mútuo entre a Sociedade Fiduciária Brasileira (SFB) e a La Fonte Telecom: a) após reproduzir trechos do Termo de Verificação Fiscal concernentes a essa parte da autuação, a defesa censura as conclusões do autor do feito, as quais seguindo ela, não restaram provadas, tendo resultado de meras suposições, o que o levou a criar uma tese mirabolante e constituir uma presunção sem qualquer previsão legal, não tendo força para considerar como ocorrido o fato jurídicotributário presumido, o que leva a necessidade de ser anulado o crédito tributário daí decorrente; b) nessa esteira, arremata a Impugnante que: "( ...) demonstrada a impossibilidade de constituição do crédito tributário sem a devida prova da ocorrência do fato jurídico tributário, como no presente caso, é imperioso registrar também que o argumento utilizado pela Fiscalização no que diz respeito a impossibilidade de existir cláusula contratual no contrato de mútuo que preveja a atualização do contrato com base na variação cambial, não pode subsistir, conforme se passará a demonstrar." Fl. 963DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 14 5 c) a Impugnante admite a proibição legal dos contratos previrem o pagamento em moeda estrangeira (artigo 1o., do Decretolei n° 857, de 1969), mas ressalva que o mútuo contratado com a SFB foi estipulado em reais, estando, portanto, em conformidade com a legislação de regência; citando diversos doutrinadores, assevera que não existe qualquer vedação para que as partes estipulem cláusula indexatória baseada nas oscilações de moeda estrangeira, como a aqui tratada, pois a liberdade na contratação constitui característica essencial dos contratos firmados entre particulares, não podendo esse direito ser restringido, na forma pretendida pela autuação ora guerreada; d) não obstante a Lei n° 8.880, de 1994, aparentemente determinar a nulidade das contratações dos reajustes vinculados à variação cambial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem admitido a utilização do dólar para aquele fim, segundo o julgado trazido à colação, o qual foi prolatado em data posterior à. da edição da indigitada lei; e) segundo a defesa, o Auditor Fiscal não poderia ter desconsiderado a previsão contratual para o período de 01/03 a 31/05/2003 (indexação pela variação do dólar norte americano) e aplicado a forma de indexação anterior (com base na variação da TRD), pelas seguintes razões: (i) o contrato com indexação não é nulo; (ii) mesmo que fosse nulo, aquela autoridade não poderia impor que as partes aplicassem a forma de remuneração anterior, não mais pretendida por elas, mas sim, deveria ter observado o disposto no artigo 406, do Código Civil, adotando a taxa SELIC prevista na Lei n° 9.250, de 1995; f) aduz ainda que, agindo assim, o Fisco criou uma nova norma jurídica, contrária a dispositivo legal expresso, com a escolha aleatória de determinado índice, o que torna o procedimento fiscal nulo de pleno direito, nesse particular. 2. Do Contrato de ContaCorrente entre a La Fonte Participações e a La Fonte Telecom: a) ao analisar as operações relacionadas aos contratos mantidos entre a empresa e a sua controladora La Fonte Participações, o Autuante concluiu que "(...) a remuneração pela La Fonte Telecom, enquanto mutuante, é inferior ao pagamento de remuneração, enquanto mutuária, em ambos os casos com a mesma controladora da empresa, tem a virtude de trazer despesas de empresa controladora para empresa controlada. Diante disso, acreditamos que estas despesas eram desnecessárias, na medida em que poderiam ser compensadas de tal modo que haveria com certeza redução de despesas." b) tal conclusão do procedimento fiscal se fundamenta também em mera suposição de que as despesas seriam desnecessárias, se incorrendo mais uma vez, na carência da prova do que se afirmou, e da comprovação da ocorrência de infração à lei tributária, restando imotivada a constituição do crédito tributário, ato administrativo por excelência; acrescentese que, em qualquer momento, se perquiriu o propósito do negócio jurídico efetuado, assim como, as razões operacionais e financeiras da pactuação dos referidos contratos, subordinadas as regras do mercado; a ausência de motivação do ato administrativo acarreta a sua nulidade insanável, maculando o lançamento; c) a Impugnante argumenta que o Autuante se equivocou, ao considerar como contratos de mútuo, os firmados pela empresa com a sua coligada La Fonte Participações, posto que se tratam de contratos de contacorrente, os quais têm natureza jurídica distinta daqueles, conforme demonstra; nesse sentido, resta incorreto o tratamento por ele dado aos juros pagos pela empresa, "(...) já que, pela indivisibilidade existente no instituto da conta Fl. 964DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 15 6 corrente, não é possível destacar o que é empréstimo de novo valor ou pagamento de juros advindos de captação anterior, lembrando que o contrato de contacorrente tem como principal elemento o fato de que, somente no seu encerramento, será possível determinar quem é efetivamente o devedor e o credor." 3. Do Contrato de Mutuo entre a Anwold Malls Corp e a La Fonte Telecom: a) a Contribuinte descreve o objeto do contrato e de seus dois aditivos posteriores, nos quais a Autuada figura como mutuária e a Anwold como mutuante, assim como, os dispositivos legais dados como infringidos (artigo 22, e o seu parágrafo 1o., da Lei n° 9.430, de 1996), e diz que, embora o aludido parágrafo 1° trate de reconhecimento de receita financeira, por parte da pessoa jurídica mutuante domiciliada no Brasil, o autor do feito, ao apresentar a razão do lançamento, falou em reconhecimento de despesa financeira; b) a leitura do dispositivo leva à conclusão que o caso sob análise trata da hipótese prevista no caput do citado artigo 22, qual seja, o pagamento de juros ao exterior, e não daquela relacionada ao reconhecimento de receita financeira (disciplinada no § 1o.), uma vez que a mutuante é a empresa domiciliada no exterior (Anwold), e a mutuária, a empresa sediada no País (La Fonte Telecom, ora Impugnante); ocorreu, portanto um erro de tipificação na fundamentação do AI, o que, por si só, o torna nulo, cabendo o seu cancelamento; c) além disso, a própria redação do caput do artigo 22, da Lei no 9.430, de 1996, condiciona a aplicação do regramento nele previsto, à hipótese de os mútuos realizados com pessoas jurídicas vinculadas não possuírem registro no Banco Central do Brasil (BACEN), ressalvando o seu parágrafo 4° que, nos casos em que os contratos sejam registrados, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada; na espécie dos autos, os documentos ora juntados à impugnação comprovam que os contratos sob exame foram registrados no BACEN, não se sujeitando, portanto, à norma legal dada corno infringida pela Fiscalização. A Impugnante contesta a infração constante do item 2 da autuação (Omissão de Receitas Financeiras), questionando a classificação dos eventos econômicos relacionados às variações de natureza cambial e à percepção de juros, como receitas, anteriormente à conclusão definitiva dos correspondentes contratos no tempo (com a sua liquidação e/ou quitação), considerando o seu caráter precário e temporal, e o conceito de receita, do ponto de vista jurídico e da ciência contábil. Assim, a tributação das respectivas parcelas arroladas àquele titulo, por não possuírem expressão ou substrato econômico, afigurase abusiva e caracteriza o confisco vedado constitucionalmente (CF, artigo 150, inciso IV). Invocando o principio da segurança jurídica e os demais princípios constitucionais e jurídicotributários que dele decorrem (da legalidade, da isonomia, da irretroatividade das leis e da tipicidade cerrada), a Contribuinte alega a ausência de demonstração dos cálculos de valores de receitas supostamente omitidas no AI, o que determina a nulidade do procedimento, por caracterização de cerceamento do direito de defesa. Segundo ela, ao arrolar as cinco parcelas listadas no item 2 do AI, o autor do feito não descreveu adequadamente o fato nem demonstrou a apuração dos valores, relativamente às parcelas de R$ 1.926.428,67, em 31/12/2002 e R$ 13.640.483,89, em 31/12/2003, de modo a conferir validade ao lançamento, nos termos do artigo 142, do CTN e do artigo 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, e a permitir à Autuada o pleno exercício do direito de defesa. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 16 7 As exigências concernentes à Contribuição para o PIS e A. COFINS com base nas receitas financeiras dadas como omitidas são ainda contestadas pela Contribuinte sob os seguintes aspectos: 1. erro no critério temporal adotado pelo autor do feito, uma vez a apuração das exações se deu em bases anuais, contrariando a legislação de regência das contribuições, que preconiza a sua apuração mensal, conforme demonstrado; 2. a Fiscalização não poderia ter considerado tais valores como sendo receita para fins de incidência das aludidas contribuições, tendo em vista recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade da alteração legislativa promovida pela Lei n° 9.718 de 1998, quanto à base de cálculo das exações, nos recursos extraordinários que menciona; assim, considerando que as receitas arroladas na autuação não decorrem da prestação de serviços, nem da venda de mercadorias, não há como prosperar o lançamento; 3. acrescenta a defesa que "(...) ainda que se entenda pela manutenção da tributação de tais receitas, é relevante mencionar que não poderão prevalecer as multas de oficio constituídas em relação a tais créditos, pois a Impugnante possui decisão judicial que lhe permite o recolhimento do PIS e da COFINS apenas sobre as receitas advindas da prestação de serviços e da venda de mercadorias, de tal modo que, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96, deverá essa D. Turma Julgadora exonerar a cobrança de tais valores"; para comprovar a alegação, junta cópias de peças dos respectivos processos judiciais, às fls. 638 a 829. Por fim, ressaltando que os critérios jurídicos utilizados pela Fiscalização foram absolutamente distintos daqueles determinados pela legislação de regência, tratandose, pois, de erro de direito, a Impugnante alega que não cabe ao julgador "consertar" esses critérios, sob pena de configurar novo ato de lançamento, inadmissível na espécie, posto que esse aperfeiçoamento somente é possível na hipótese de erro de fato. Ao final, seja em função da preliminar, seja em função do mérito, requer o cancelamento das exigências, com o conseqüente arquivamento do processo. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/FORTALEZA) decidiu a matéria por meio da Acórdão 0810.429, de 29/03/2009 (fls.850), julgando o lançamento procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. MPF. VÍCIOS NA FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA EXIGÊNCIA. MÚTUO. GLOSA DE DESPESAS. CONTRATO COM CLÁUSULA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. NULIDADE. EFEITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. LIMITE LEGAL. Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando formalizado em consonância com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. A manifestação do Poder Tributante, consubstanciada em lançamento de oficio levado a efeito por meio dos seus agentes fiscalizadores, aos quais a lei Fl. 966DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 17 8 conferiu competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades especificas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. Improcede a argüição de decadência para períodos não arrolados na autuação. É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial. Anulado o negócio jurídico, restituirseão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Desconsiderada a cláusula de reajuste cambial contida em aditamento de contrato de mútuo, justificase a glosa da respectiva despesa daí decorrente, e a exigência da receita financeira calculada com base no contrato original. 0 regime de escrituração a que se submetem as pessoas jurídicas, segundo a legislação comercial e tributária, determina o reconhecimento das receitas já auferidas e a apropriação dos custos e despesas incorridos, nos períodos de apuração dos resultados a que competirem; a cada final de período devem ser apurados e registrados contabilmente os correspondentes valores, os quais comporão aqueles resultados submetidos ao crivo da tributação. A dedutibilidade de despesas condicionase à comprovação de sua necessidade à manutenção da fonte produtora, além do atendimento aos requisitos de usualidade e normalidade no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, devendo ser observado o limite legal, quando for o caso. No entanto, improcede a exigência decorrente de sua glosa, quando ocorre erro na tipificação do fato imponível e quando se demonstra o atendimento hipótese legal de não sujeição ao limite estatuído para a operação. Tributação Reflexa. Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Restando demonstrado que o contribuinte beneficiário de decisão prolatada em instância final da Justiça Federal, assegurandolhe o não recolhimento da exação com base em receitas financeiras, é de se afastar a exigência daí decorrente. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 18 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário interposto é tempestivo e assente em lei. De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau, manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal decorrente do PIS (R$ 248.234,85) e da COFINS (R$ 1.145.699,62), IRPJ )R$ 5.747.375,74) e CSLL (R$ 2.020.594,33, pelo que recorre de ofício. Vêse, portanto, que o valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Conheço de ambos os recursos. RECURSO DE OFÍCIO Constatase do relatório e voto condutor que diversos valores lançados foram exonerados na decisão de primeira instância, a saber: I) as exigências do PIS e da COFINS em que a defesa aduz : i) ocorreu erro no critério temporal adotado pelo autor do feito, uma vez a apuração das exações se deu em bases anuais, contrariando a legislação de regência das contribuições, que preconiza a sua apuração mensal; (ii) o STF reconheceu a inconstitucionalidade da alteração legislativa promovida pela Lei n° 9.718 de 1998, quanto à base de cálculo das exações, e as receitas arroladas na autuação não decorrem da prestação de serviços, nem da venda de mercadorias; (iii) a esse respeito, a Impugnante possui decisão judicial, conforme cópias de peças dos respectivos processos judiciais, que junta às fls. 638 a 829. A Turma Julgadora reconhece que a decisão na Justiça foi favorável a contribuinte, já em última instância, o que determina o afastamento das respectivas exigências formalizadas nos presentes autos, concluindo que: “Assim, é de serem afastadas as exigências reflexas das contribuições para o PIS e da COFINS, remanescentes após o julgamento do lançamento do IRPJ, dito matriz, pelas razões acima esposadas.” De fato, verificase que o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0248020, relativo à COFINS, após tramitar nas instâncias inferiores, teve o correspondente Recurso Extraordinário n° 499.094SP provido pelo STF, conforme cópia do julgado que repousa às fls. 739/740. Na oportunidade, o Ministro Joaquim Barbosa, Relator, considerou inconstitucional a modificação da base de cálculo dos tributos (contribuição para o PIS e COFINS) levada a efeito pelo artigo 3o., § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998. A autoridade de primeira instância, também, desconsiderou os lançamentos referente a Omissão de Receitas Financeiras (item 1.2 do AI), nos valores de R$ 26.433,14, do AC de 31/12/2001; R$ 854.383,58 (do montante lançado de R$ 1.926.428,67) e R$ 656.383,11, ambos do AC de 31/12/2002; e, mais, R$ 8.747.978,47 (do montante lançado de Fl. 968DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 19 10 R$ 13.640.483,89) e R$ 1.064.422,15, ambos do AC de 31/12/2003, ao reconhecer equívoco da autoridade fiscal no momento de quantificar os rendimentos relativos ao contrato de mútuo (Planilha de fls. 438 e TVF fls. 430/441), mediante os seguintes fundamentos: “A leitura atenta dos subitens acima demonstra que a única alteração na forma de remuneração originalmente acordada ocorreu no período de 01/03/2003 a 31/05/2003, no qual também se incluiu os juros calculados à taxa de 5,5% ao ano, permanecendo os períodos anterior (14/06/2000 a 28/02/03) e posterior (01/06/2003 a 31/12/2003), apenas com a previsão do acréscimo da TRD. Concluise, portanto, ser indevida a inclusão dos aludidos juros como rendimentos do mutuo aqui tratado, em todos os períodos de vigência do contrato, tanto por falta de previsão contratual, nos períodos anterior e posterior à alteração desconsiderada no procedimento fiscal (compreendidos entre 01/11/2002 a 28/02/03 e 01/06/2003 a 31/12/2003), como no próprio período em que se substituiu a forma de remuneração em decorrência da desconsideração da alteração contratual (01/03/2003 a 31/05/2003), não se podendo entender que a nulidade que a determinou não alcançasse todo o conteúdo da cláusula modificada. Por essas razões voto no sentido de afastar da tributação as parcelas de R$ 854.383,58 e R$ 8.747.978,47, nos anoscalendário de 2002 e 2003, respectivamente, correspondentes aos valores arrolados a titulo de receitas financeiras concernentes aos juros calculados à taxa de 5,5% ao ano, incidentes sobre o contrato de mutuo firmado entre a ora Impugnante e a empresa ligada SFB.” No que concerne a autuação relacionada aos contratos mantidos com a controladora La Fonte Participações S/A, da qual consta do TVF que a autuada mantinha mutuo ativo com a sua controladora remunerado pela variação da TRD acrescida de 6% ao ano e mútuos passivos remunerados taxa de 12% ao ano em um contrato, e 6% ao ano noutro. A autoridade fiscal considerou a equalização das taxas a 12% ao ano, apurando os valores arrolados para tributação como receita financeira omitida, demonstrados as fls. 440 (item 2 do AI). Neste ponto, a ora recorrente se defende da acusação de haver deduzido despesas desnecessárias, alegando falta de provas da sua desnecessidade, conclusão que teria decorrido de mera suposição do Fiscal autuante. Já a autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente os lançamentos, pois, no seu entender caberia ao autuante quantificar o excesso de juros e tributá lo em decorrência de sua glosa, e não, calcular uma remuneração dos recursos repassados à controlada, com base nas taxas a ela pagas nos mútuos passivos, como constou da autuação, inclusive com a exigência reflexa das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e, que essa quantificação poderia ser efetuada mediante a consolidação de todas as contas que registravam a movimentação financeira e, sobre os saldos verificados, aplicar a taxa de remuneração válida para os contratos ativos, comparando os valores obtidos com os registrados como despesas pela Autuada, e deduzindo os valores já contabilizados como receitas. 0 resultado dessa operação constituiria o excedente de despesa a ser glosado, por se configurar desnecessário, nos termos da legislação de regência, posto que teria sido calculado em valores superiores às receitas de igual natureza, e apurado considerando a movimentação global de recursos observada no período entre as duas pessoas jurídicas. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 20 11 Por fim, com relação à parcela exonerada no valor de R$ 55.846,99 referente a Não Adição de Parcela dos Juros Recebidos, o autuante discrimina a presente infração como Receita de variação cambial não reconhecida. Neste ponto, a recorrente demonstra que, ainda que o objetivo do Autuante fosse o de tributar a parcela excedente da despesa com juros pagos à mutuante no exterior, não remanesceria a autuação, tendo em vista que os mútuos realizados possuem registros no BACEN, conforme documentos acostados aos autos, constantes das fls. 630 a 636. Assim, nos termos do parágrafo 4°, do dispositivo legal dado como infringido, o pagamento de juros na hipótese aqui tratada, não se submete à limitação contida no caput do dispositivo. Fato este corroborado pela Turma Julgadora que me precedeu nos seguintes termos: “Entendo caber razão à Impugnante quanto ao mérito do litígio, neste particular, posto que o parágrafo 4°, do artigo 22, da Lei no 9.430, de 1996, realmente excepciona da regra geral constante do seu caput, a situação em que o contrato foi registrado no BACEN, conforme se constata de sua redação a seguir reproduzida: Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a titulo de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. § 1° No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo. § 2° Para efeito do limite a que se refere este artigo, os juros serão calculados com base no valor da obrigação ou do direito, expresso na moeda objeto do contrato e convertida em reais pela taxa de câmbio, divulgada pelo Banco Central do Brasil, para a data do termo final do cálculo dos juros. § 3o. 0 valor dos encargos que exceder o limite referido no caput e a diferença de receita apurada na forma do parágrafo anterior serão adicionados à base de cálculo do imposto de renda devido pela empresa no Brasil, inclusive ao lucro presumido ou arbitrado. § 4° Nos casos de contratos registrados no Banco Central do Brasil, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada. Pelos fatos e argumentos acima relatados, não há reparos a fazer na decisão recorrida, dado que proferida com observância da lei e da jurisprudência desta Corte Administrativa. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 21 12 Recurso de ofício que se nega provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO Inicialmente quanto a argüição de nulidade dos lançamentos, por irregularidades no MPF. Creio não caber razão à recorrente que requer a nulidade dos autos de infração lavrados para as exigências da CSLL, PIS e da COFINS, ao afirmar, no seu entender que: “tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que autorizou o procedimento fiscal ora guerreado apenas o fez em relação ao IRPJ concernente aos anos calendário de 2001 a 2003. Assim, a extensão da fiscalização às aludidas contribuições sociais desrespeitou as regras estabelecidas na Portaria n° 6.087, de 2005, o que determina a nulidade dos correspondentes lançamentos.” Neste ponto, filiome a corrente que entende que o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle da atividade e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. O aludido mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores fiscais, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Nada obstante, ainda que vícios houvesse, não comprometeriam a validade do lançamento, eventuais falhas na sua emissão não invalidam o lançamento, que é ato vinculado. Esta conclusão tem sido estampada em diversas decisões deste Conselho. Quanto ao mérito, repisese, restou a discussão os lançamentos do IRPJ e CSLL, matéria não exonerada na decisão combatida, ou seja, “Glosa de Despesas” no valor de R$ 25.164.414,86 (Item 001 do AI) e, (item 002 do AI), “Omissão de Receitas Financeiras” no valor de R$ 1.072.045,09 (montante lançado de R$ 1.926.428,67), e o valor de R$ 4.892.505,42 (montante lançado de R$ 13.640.483,89). Passamos a análise. GLOSA DE DESPESA – R$ 25.164.414,86 Para melhor elucidação da matéria transcrevo os seguintes excertos da defesa. 111.1 — Da Dedutibilidade da Despesa de R$ 25.164.414,86 De acordo com o contrato de mútuo e respectivo aditivo, anexados ao presente processo (intitulados "Instrumento Particular de Mútuo" — fls. 202 e seguintes), verificase que: (i) em 30 de junho de 2002, a empresa Operate Participações (mutuante) firmou contrato de mútuo com a Sociedade Fiduciária Brasileira, Serviços, Negócios e Participações Ltda. (mutuária), por meio do qual aquela concedeu a esta, a titulo de mútuo, o valor de R$ 142.943.534,99, a ser restituído até o dia 08 de maio de 2004, corrigido pela Taxa Referencial Diária — TRD; (ii) em 26 de fevereiro de 2003, o referido contrato foi aditado pelas partes, tendo em vista a incorporação da empresa mutuante pela ora Recorrente. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 22 13 Naquela oportunidade, alterouse também a forma de remuneração do capital nos seguintes termos: no período compreendido entre 01/03/2003 e 31/05/2003, a remuneração será pela variação do dólar comercial norte americano, acrescido de juros de 5,5% ao ano; e, no período compreendido entre 01/01/2004 a 08/05/2006, o principal será acrescido de juros equivalentes a 100°/o do CDICETIP (quanto aos demais períodos, mantevese estipulado que a correção do mútuo ocorreria de acordo com a TRD). De fato, em função do mencionado aditamento contratual, a Recorrente foi obrigada a corrigir seu crédito perante a SFB, no período de março a maio de 2003, de acordo com a variação do dólar norteamericano e, paralelamente, passou a deter o direito de receber juros de 5,5% ao ano. Em resumo, de acordo com o aditamento contratual firmado em 26 de fevereiro de 2003, as partes substituíram a remuneração anteriormente acordada ("TRD") pela variação do dólar mais juros de 5,5% ao ano. Considerandose que nos períodos de março e abril de 2003 houve desvalorização do valor do dólar norteamericano frente ao real, bem como que em maio de 2003 ocorreu o movimento contrário (valorização do dólar frente ao real), é fato que o crédito da Recorrente perante a SFB foi alterado naquele período, dando ensejo aos lançamentos contábeis de R$ 28.223.849,71 (crédito, em 30 de abril de 2003, na conta contábil no 1.1.2.2.02.0102) e de R$ 3.059.434,85 (débito, 31 de maio de 2003, na conta contábil no 1.1.2.2.02.0102). Registrese que é justamente a diferença entre as duas quantias que foi glosada pela Fiscalização, a titulo de despesa indedutível. Em sendo assim, de inicio se verifica que a despesa atende aos requisitos previstos no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, isto é, tratase de despesa normal, usual e necessária, tornandose plenamente dedutível. No entanto, no entendimento da D. Turma Julgadora, que se coaduna com a alegação do I. Agente Fiscal, seria nula, de pleno direito, nos termos do artigo 6° da Lei n° 8.880/94, a cláusula contratual que substituiu, no período de março a maio de 2003, a remuneração do mútuo (de TRD pelo dólar mais 5,5% ao ano). Vejase o entendimento da D. Turma Julgadora sobre a questão (fls. 863): "Portanto, se a despesa registrada pela Impugnante resultou de cláusula contratual nula de pleno direito, determinando a invalidade do negócio jurídico — o qual não pode gerar nenhum direito para qualquer das partes — não há como se admitir a sua dedutibilidade na determinação da base imponível do imposto de renda, sendo legitima a glosa dai decorrente." Contudo, tal entendimento não poderá prosperar, devendo esse E. Conselho reconhecer a validade da cláusula contratual em questão e, por conseqüência, a dedutibilidade da despesa decorrente do contrato de mútuo em tela, determinando o cancelamento do lançamento tributário pelos seguintes fundamentos. Em primeiro lugar, o aditamento ao contrato de mútuo é ato jurídico plenamente válido, não tendo sido produzida pela Fiscalização qualquer prova que pudesse tornar nulo tal aditamento, conforme expressamente reconheceu a D. Turma de Julgamento, de fora contraditória à sua conclusão: "Assim, considero caber razão à Impugnante quanto à ausência de prova das irregularidades que teriam sido cometidas na execução da referida alteração (a qual poderia ter sido providenciada a posteriori, objetivando modificar o resultado tributável das duas empresas participantes do mútuo, acompanhada do refazimento Fl. 972DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 23 14 da escrituração), o que somente poderia ser caracterizada na hipótese de se conhecer, de antemão, a evolução (no caso, negativa) da taxa de câmbio adotada para a moeda norteamericana frente ao real, que passou a se constituir no índice de remuneração dos valores mutuados." (fls. 860) Por assim ser, a solução do presente litígio está atrelada, exclusivamente, à validade da cláusula contratual que estabeleceu, em sede de aditamento, a substituição da TRD pelo dólar norteamericano, analisandose essa cláusula em conjunto com o artigo 6o. da Lei no 8.880/94. Pois bem. Para a adequada análise do caso, devese ter em mente que a estipulação de pagamento em moeda estrangeira e a indexação de divida pela variação cambial são noções jurídicas distintas, sendo que só no primeiro caso poderseia falar em recusa ou restrição do curso legal de nossa moeda, não havendo que se falar em tal obstrução no segundo caso. Na verdade, no que concerne à contratação de pagamento em moeda estrangeira (o que, registrese, não se trata de hipótese dos autos), dispõe o Decreto lei no 857, de 11 de setembro de 1969: "Art 1o. São nulos de pleno direito os contratos, títulos e quaisquer documentos, bem como as obrigações que exeqüíveis no Brasil, estipulem pagamento em ouro, em moeda estrangeira, ou, por alguma forma, restrinjam ou recusem, nos seus efeitos, o curso legal do cruzeiro." Assim, de acordo com o dispositivo legal acima transcrito, no que concerne à contratação estipulando o pagamento a ser efetuado em moeda estrangeira, a referida hipótese é vedada pela legislação em questão. Quanto a esse aspecto, os contratos firmados pela Recorrente com a SFB estão em total conformidade com a legislação de regência, visto que os referidos contratos foram estipulados em real e a contratação do pagamento efetuado pelas partes também foi estipulado em real. No que concerne à indexação do valor a ser pago em decorrência do mútuo, repitase, que foi estipulado para o período compreendido entre março e maio de 2003 (variação do dólar comercial norteamericano serviria de índice, acrescido de juros de 5,5% ao ano), não há qualquer proibição expressa. Efetivamente, nos termos do ordenamento jurídico brasileiro e conforme entendimento pacifico da doutrina e da jurisprudência, não há qualquer vedação para que as partes estipulem cláusula indexatória baseadas nas oscilações de moeda estrangeira. Citese, neste sentido, o entendimento do Ilustre Jurista Armando Alves Garcia Júnior: "(...) na hipótese de as partes pactuarem cláusula indexatória, que se baseie para tanto nas oscilações de cotações de moeda estrangeira, patente está sua insuscetibilidade de vedação, de proibição, visto que espelham o elemento volitivo das partes no intento de preservarem o poder de troca da moeda, de sorte a manterem o equilíbrio contratual. Na realidade, pacifico o entendimento da doutrina no tocante a validade de estipulação de indexadores pelas partes, mesmo porque amplo é o rol deles hoje existente." Fl. 973DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 24 15 Corroborando tal entendimento são os ensinamentos de Washington de Barros Monteiro, Maria Helena Diniz, Arnold Wald, Orlando Gomes, Caio Mário da Silva Pereira, Carlos Alberto Bittar, dentre outros, mencionados pelo ilustre jurista supra citado. Registrese que, não obstante a Lei n° 8.880/94, em seu artigo 6°, aparentemente determinar a nulidade das contratações de reajustes vinculados à variação cambial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao contrário do entendimento da D. Turma Julgadora, tem admitido a utilização do dólar como índice de correção monetária dos valores ajustados com base na variação cambial. Citese, neste sentido, a seguinte decisão proferida, após a edição da indigitada lei: "Contratos lndexados no Direito Brasileiro e Variação Cambial", Aduaneiras, São Paulo, 2000, p.116/119. "CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. VALIDADE DE CONTRATO CELEBRADO EM MOEDA ESTRANGEIRA. PAGAMENTO EM MOEDA NACIONAL MEDIANTE CONVERSÃO. CORREÇÃO CAMBIAL. Legitimo é o pacto celebrado em moeda estrangeira, desde que o pagamento se efetive pela conversão em moeda nacional. Precedentes do STJ. Obrigação do devedor de restituir, em moeda nacional, o equivalente em dólares norteamericanos emprestados. Variação cambial que não constitui, a rigor, correção monetária, mas a expressão do principal devido. Recurso especial não conhecido." (REsp no 57581/SC; Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, DJ 18.10.1999, p. 233) "CIVIL. OBRIGAÇÕES. INDEXAÇÃO EM MOEDA ESTRANGEIRA. A moeda estrangeira não pode ser adotada como meio de pagamento, mas serve como indexador. Recurso especial não conhecido." (REsp 239238/RS; Ministro ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA, DJ 01.08.2000,( g. n.) De fato, pelos julgados acima transcritos, verificase que o Superior Tribunal de Justiça privilegia a liberalidade na contratação como característica essencial dos contratos firmados entre particulares, não havendo que se falar em restrição a este direito, tal como pretendido pela I. Fiscalização e também pela D. Turma de Julgamento. E mais, claras são as decisões no sentido de que a moeda estrangeira não pode ser adotada como meio de pagamento, mas serve como indexador (exatamente como no caso em questão). Desse modo, não há que se falar em ilegalidade do aditamento ao contrato de mútuo firmado pela Recorrente e a SFB, pois convencionouse que a correção dos valores teria por base a variação do dólar norteamericano e o pagamento do principal permaneceria vinculado à moeda nacional, uma vez que essa prática encontrase em total conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro. Diante do acima exposto, resta claro que não poderá prevalecer o entendimento da D. Turma Julgadora, no sentido de que é nula de pleno direito a cláusula contratual que reza sobre aplicação da variação cambial no mútuo em análise e, consequentemente, não se pode admitir como dedutivel a despesa, devendo esse E. Conselho de Contribuintes determinar a reforma da decisão ora recorrida com relação a esse item. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 25 16 Neste ponto, a Turma Julgadora de primeira instância, conclui, pela legitimidade da glosa, fundamentalmente, pelo fato de que a cláusula contratual alterada seria nula, nos termos da Lei n° 8.880, de 1994; assim, ela não produziria os efeitos jurídicos pretendidos, por contrariar expressa disposição legal. Vêse, portanto, que, no caso, a nulidade do ato jurídico impõese por determinação legal. Como visto acima, a alegação da ora recorrente que: “De fato, pelos julgados acima transcritos, verificase que o Superior Tribunal de Justiça privilegia a liberalidade na contratação como característica essencial dos contratos firmados entre particulares, não havendo que se falar em restrição a este direito, tal como pretendido pela I. Fiscalização e também pela D. Turma de Julgamento. E mais, claras são as decisões no sentido de que a moeda estrangeira não pode ser adotada como meio de pagamento, mas serve como indexador (exatamente como no caso em questão)”, não ilide o quanto decidido pela autoridade a quo, que sintetizo na seguinte transcrição: “Ainda que reconheça que aquele diploma legal aparentemente determina a nulidade das contratações vinculadas à variação cambial, a Impugnante insiste em alegar que não existe vedação para a utilização da citada cláusula indexatória, considerando a liberdade dos particulares em contratar, não podendo esse direito ser restringido, como se pretendeu na presente autuação; tanto isso é verdade, que o STJ admite a utilização do dólar com aquele objetivo, mesmo após a edição da lei dada como infringida, conforme julgado que menciona. Vejamos o teor do dispositivo legal em discussão (artigo 6°, da Lei ri° 8.880, de 1994): "Art. 6° É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado a variação cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no Pais, com base em captação de recursos provenientes do exterior." Tratase de norma regularmente posta no ordenamento jurídico, em pleno vigor, tanto na data em que se deu a alteração contratual de que se cuida, quanto hodiernamente, não tendo sido revogada nem no bojo liberalizante da economia nacional observada nos últimos anos. Ademais, a vedação nela expressa é de urna clareza cristalina, não exigindo do seu aplicador, qualquer exercício de hermenêutica para compreender o seu alcance e as suas conseqüências, no caso de a regra não ser observada na elaboração de contratos. Observese que o legislador não disse que era vedada ou proibida a utilização da aludida cláusula contratual. Ao contrário, ele já declarou nula de pleno direito aquela condição, caso fosse utilizada nos contratos firmados a partir da publicação da norma. Disciplinando a matéria, o artigo 166, do Código Civil é expresso ao determinar que: "Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 26 17 (...) "VII a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibirlhe a prática, sem cominar sanção." Portanto, se a despesa registrada pela Impugnante resultou de clausula contratual nula de pleno direito, determinando a invalidade do negócio jurídico o qual não pode gerar nenhum direito para qualquer das partes não há como se admitir a sua dedutibilidade na determinação da base imponível do imposto de renda, sendo legitima a glosa daí decorrente.” Observase que, a hipótese prevista na norma legal subsumese ao caso em questão, apesar das infirmações trazidas pelo interessado em sua defesa. Nestas condições, no que tange ao lançamento oriundo das glosas de despesas descritos pela fiscalização no item “A” do TVF e 001 do AI, entendo que as mesmas devam ser mantidas. Segundo ponto combatido no recurso voluntário (Item 002 do AI). “Omissão de Receitas Financeiras” mantida na decisão primária, no valor de R$ 1.072.045,09 (do montante lançado de R$ 1.926.428,67), e o valor de R$ 4.892.505,42 (do montante lançado de R$ 13.640.483,89), passamos a análise. Para melhor compreensão da matéria transcrevo os seguintes excertos do voto condutor: Do total apurado nos dois anos, a titulo de juros (R$ 9.602.362,04), foram deduzidas as parcelas já apropriadas pela Contribuinte em abril e maio de 2003 (R$ 1.378.937,94 e R$ 700.771,74), remanescendo o valor de R$ 7.522.652,36, o qual somado ao montante da receita apurada com base na variação da TRD (R$ 8.044.260,20), perfaz o valor dado como suprimido da tributação nos dois anos calendário considerados (R$ 15.556.91256). Como a Autuada não reconheceu qualquer rendimento do mútuo no ano calendário de 2002 (anteriormente, portanto, à alteração contratual não acatada pelo Fisco, e conforme reconhecimento da própria Contribuinte, em correspondência constante das fls. 30/36 Questionamento 1.C), a Fiscalização arrolou os valores apurados nos meses de novembro e dezembro de 2002, como receita omitida no período, totalizando o montante de R$ 1.926.428,67, que constitui a primeira parcela questionada pela impugnante. A segunda parcela objeto do questionamento (R$ 13.640.483,89) corresponde a diferença entre o total apurado na planilha (R$ 15.556.91256) e o valor arrolado em 2002 (R$ 1.926.428,67), e é resultante do somatório dos rendimentos mensais de 2003 (variação da TRD + Juros, importando em R$ 15.720.193,57 = R$ 6.972.215,10 + R$ 8.747.978,47), deduzido das já mencionadas parcelas apropriadas pela ora Impugnante naquele anocalendário. (...) Embora todo o desenvolvimento do raciocínio contido no TVF fosse nesse sentido (e assim tenha sido entendido pela Impugnante, que protestou contra a adoção da forma de remuneração do mútuo constante do contrato original), a autoridade autuante concluiu que "(...) deva ser efetuado o cálculo desconsiderando Fl. 976DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 27 18 a cláusula de variação cambial (por nulidade, desnecessidade) e mantido o mesmo modo de operação, ou seja, aplicação da TRD acrescido de 5,5% ao ano." Acontece que "o mesmo modo de operação", assim entendido, a mesma forma remuneratória do recurso emprestado pela Autuada à SFB, constante do contrato original, não corresponde à aplicação da TRD acrescida de 5,5% ao ano, mas apenas a aplicação sobre o principal, da correção "pela variação da Taxa Referencial Diária TRD'', como consta do item 2 do contrato com cópias às fls. 203/205, reproduzido neste voto. Ao se alterar a forma de remuneração do mútuo, no Aditamento firmado em 26/02/2003, como não podia deixar de ser, considerando que se tratava de período pretérito, a regra foi mantida, de acordo com o item 2 daquele documento. Em sua defesa argumenta a ora recorrente: 111.2 — Da Inexistência de Omissão de Receitas Financeiras Além dos fatos narrados no tópico anterior, o Sr. Agente Fiscal, para a constituição do crédito tributário em tela, identificou outra suposta irregularidade cometida pela Recorrente, assim descrita no auto de infração: "Omissão de receita caracterizada pela contabilização de juros remuneratórios de mútuo com controlada ou coligada, gerando, em conseqüência, redução indevida de lucro sujeito à tributação. Após analisar as razões contidas na peça impugnatória, a D.Turma Julgadora manteve a acusação de omissão de receitas quanto ao contrato firmado entre a Recorrente e a SFB, apesar de ter efetuado os ajustes já mencionados anteriormente (redução da parcela equivalente aos juros de 5,5% ao ano). Notase, pela leitura do acórdão recorrido (fls. 864), que o cerne da questão abordada neste tópico referese à necessidade, ou não, de reconhecimento da aludida receita financeira, apurada com base na TRD, antes do encerramento do contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e a SFB. É de se registrar que, quanto ao período compreendido entre março e maio de 2003, independe, neste momento, para fins das alegações que ora se coloca, qual índice será adotado para apuração do eventual crédito tributário (TRD ou Dólar+5,5°/0 a.a.). Com efeito, no presente tópico será abordada a questão relativa ao reconhecimento da aludida receita financeira, seja ela qual for (isso porque, em se acolhendo o argumento exposto no tópico anterior, não poderá prevalecer a tributação com base na variação cambial). Pois bem. Primeiramente, importante ressaltar que não existe, no Ordenamento Jurídico Brasileiro, norma que, expressa e textualmente defina o conceito de receita. Nesse sentido, citese a lição do Jurista Ricardo Mariz de Oliveira: "Ora, não existe qualquer norma em direito que diga o que se considera ser 'receita' em geral, ou que define em tese as características da entidade conhecida pelo nome de 'receita; Há sim inúmeras referências à 'receita; em inúmeros dispositivos do ordenamento jurídico, contidos nos mais variados diplomas legais, e também em regulamentos de natureza infralegal, mas nenhum deles explicita o que seja uma receita ou o critério para que algo possa ser identificado como tal." Não obstante a ausência de definição legal acerca do conceito de receita, a Lei das S/A determina, em seu artigo 177, que a escrituração da companhia deve ser Fl. 977DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 28 19 mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. Ainda, a contabilidade define receita como o acréscimo bruto de ativos (bens e direitos) sem qualquer contrapartida que resulte no aumento do passivo da entidade que a reconhece (obrigações perante terceiros ou perante a sociedade). A esse respeito, devemse mencionar os ensinamentos do Professor Helio de Paula Leite: "receitas são acréscimos brutos de ativos que são obtidos sem a ampliação das dividas ou capital da empresa". 0 entendimento doutrinário guarda em si o conceito de que receita corresponde ao aumento do ativo de uma entidade, oriundo do ingresso de bens e ou direitos, sem que, para isso, essa mesma entidade incorra em determinado tipo de obrigação ou na perda de outros bens ou direitos. Assim sendo, é possível definir o conceito jurídico de receita como sendo a entrada, o ingresso de bens e ou direitos (acréscimo patrimonial bruto) auferido pela pessoa jurídica, de cunho econômico, inclusive aqueles que não sejam decorrentes da atividade preponderante da empresa (do cumprimento do seu objeto social) como, por exemplo, os resultados de aplicações financeiras, ou os ganhos extraordinários. Porém, e nada obstante a importância das definições trazidas a baila, é importante ressaltar que determinada mutação patrimonial não pode ser definida como receita (aumento de ativo, sem aumento do passivo) em decorrência apenas da forma pela qual foi contabilizada. Citese, novamente, o entendimento do Jurista Ricardo Mariz de Oliveira: "Por isso, como já foi dito atrás, não são considerações meramente econômicas ou um lançamento contábil à conta de receita que podem fazer algo ser receita, habilitando a incidência das duas contribuições, ou um não lançamento a essa conta que pode eliminálas (..)." Ainda, é necessária a ressalva de que não é qualquer entrada que deve ser considerada como receita pelos contribuintes. Isso porque existem entradas que ingressam de maneira provisória na pessoa jurídica, nela não permanecendo. Desta maneira, há que se concluir, necessariamente, que ao conceito de receita, além da noção de acréscimo ("plus") ao patrimônio, não se pode atrelar o caráter de precariedade e temporariedade. Além disso, para que seja possível a exigência do tributo, sobre determinado valor tido como "receita", é necessário saber se essa receita se subsume às limitações existentes no ordenamento jurídico. Tais limitações são aquelas disciplinadas pelo legislador constitucional nos artigos 150 a 152 da Constituição Federal, "Das Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar". No presente caso, conforme será demonstrado adiante, os valores lançados nos autos de infração e mantidos pela D. Turma Julgadora, além de não se enquadrarem no conceito de receita, afrontam diretamente ao principio constitucional do nãoconfisco, não podendo prevalecer a decisão ora recorrida. Pelo até aqui exposto, é possível concluir que a receita, para ser tributada, deverá corresponder (i) ao acréscimo bruto de ativos, sem qualquer contrapartida que resulte no aumento do passivo (ii) que não seja temporário e (iii) que não afronte aos princípios constitucionais tributários. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 29 20 Dessa forma, diferentemente do entendimento do Sr. Fiscal e da D. Turma de Julgamento, os encargos decorrentes do contrato de mútuo celebrado entre a Recorrente e a SFB não poderiam ser tributados no curso do contrato, pois tais valores não se encaixam no conceito de receita acima exposto, bem como constituemse em valores precários. De fato, ao final do contrato de mútuo, é possível que os seus resultados (que são incertos e imprevisíveis — em razão da taxa de juros aplicável, ou, ainda, em razão da flutuação da moeda estrangeira no período de março a maio de 2003, caso seja acolhido o argumento exposto no tópico anterior) não representem um acréscimo efetivo ao patrimônio da Recorrente, mas, sim, um decréscimo patrimonial. Ou seja, apenas no encerramento do contrato é que será possível verificar a existência ou não de resultado positivo. Dessa maneira, diante do caráter precário e temporal inerente às variações de natureza cambial ou ainda remuneração de juros, só é possível falar em receita (acréscimo definitivo) quando os ativos, ao qual se referem, forem liquidados e/ou quitados, de tal forma que não poderá prevalecer o entendimento da D. Julgadora no sentido de que sempre será aplicado o principio da competência para o reconhecimento das receitas (fls. 864). Nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial no 320.455, que tinha por objeto a análise de incidência do IRPJ sobre variações cambiais. Em referido julgamento, o Exmo. Ministro Garcia Vieira proferiu voto, cujo trecho mencionase a seguir: "Partindo de tais pressupostos, sem a necessidade de maiores digressões, de ordem doutrinária, afigurase escorreita a decisão ora objurgada, porquanto é certo que a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ocorre quando houver real acréscimo patrimonial, não cabendo a tributação sobre mera expectativa de ganho futuro e em potencial. (...)" Assim, no caso do contrato de mútuo em tela, os valores decorrentes da oscilação dessa moeda (variação cambial) e da taxa aplicável aos juros durante a vigência dos contratos não constituem, em razão da incerteza e precariedade, receita a ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL, pelo que, por mais esse motivo, devem ser anulados os autos de infração originários do presente processo. Ademais, como já se afirmou anteriormente, o simples registro de uma receita na contabilidade não quer dizer que essa receita seja passível de tributação. Isso porque o direito positivo, mais especificamente a Constituição Federal, apresenta certas limitações ao poder de tributar que são intransponíveis. Dentre as limitações ao poder de tributar, merece destaque, no caso em análise, a garantia constitucional que veda peremptoriamente "utilizar tributo com efeito de confisco'. (art. 150, inc.IV, CF) A tributação daquilo que não possui expressão ou substrato econômico é abusiva, como apregoa Sacha Calmon Navarro Coelho: "A teoria do confisco e especialmente do confisco tributário ou, noutro giro, do confisco através do tributo, deve ser posta em face de direito de propriedade individual, garantido pela Constituição. Se não se admite a expropriação sem justa Fl. 979DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 30 21 indenização, também se faz inadmissível a apropriação através da tributação abusiva." Sem causa jurídica ou fato gerador consubstanciado em real substrato econômico, não é constitucionalmente possível subtrair quantias em dinheiro do contribuinte, porque isso acabaria por consumir e dilapidar no tempo seu próprio patrimônio, aniquilando a atividade empresarial. Assim, percebese que no caso em tela o procedimento adotado pela Sr. Fiscal e ratificado pela D. Turma Julgadora é manifestamente confiscatório. De fato, a Autoridade Administrativa, ao aplicar a norma tributária, exerce uma atividade de interpretação que se consubstancia no lançamento tributário. Essa interpretação da legislação, contudo, encontra limites dentro do próprio sistema jurídico. Insistase, não se pode interpretar uma lei, ou outro diploma legal qualquer, sem o devido respeito aos princípios constitucionais. No presente caso, a forma de tributação perpetrada pelo Fisco, decorrente de sua interpretação equivocada do conceito de receita, gerou o confisco do patrimônio da Recorrente, motivo pelo qual requerse o cancelamento das autuações originárias do presente processo administrativo. Do acima relatado, depreendese que da mesma forma que o item anterior, a desconsideração da alteração contratual sob análise, além de levar à glosa da despesa com a variação cambial já analisada, também motivou o arrolamento de receita financeira para fins de tributação, relativamente aos valores a serem acrescidos ao principal no período de vigência daquela cláusula (março a maio de 2003), com base na forma de remuneração constante do contrato de mútuo original firmado em 30/06/2002. Na inicial (impugnação) a defesa se insurge contra esse item da autuação, alegando que o contrato com indexação não é nulo, e ainda que assim o fosse, a Fiscalização não poderia impor que as partes aplicassem a forma de remuneração anterior, não mais pretendida por elas, mas sim, deveria ter observado o disposto no artigo 406, do Código Civil, adotando a taxa SELIC prevista na Lei n° 9.250, de 1995; acrescenta que esse procedimento cria uma nova norma jurídica, contrária a dispositivo legal expresso, com a escolha aleatória de determinado índice, acarretando a sua nulidade. No recurso a esta Corte Administrativa a defesa aduz, em extenso arrazoado, que (i) não existe, no Ordenamento Jurídico Brasileiro, norma que, expressa e textualmente defina o conceito de receita e, mais, (ii) que os valores lançados afrontam diretamente ao princípio constitucional do nãoconfisco. Com relação ao conceito de receita, releva citar o disposto no art. 12 do Decretolei n° 1.598/77, ressaltando que a receita bruta compreende produto da venda dos bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e, mais, o art. 44 da Lei n° 4.506/64, dispõe que integra a receita bruta o resultado auferido nas operações de conta alheia. Por sua vez, o art. 31 da Lei n° 8.981 definiu Receita Bruta como "produto da venda dos bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Por fim, nos termos do Decretolei n° 1.598/77, as receitas financeiras e as receitas de variação cambial não integram a receita bruta, mas compõem a receita operacional, como "outras receitas operacionais". Fl. 980DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 31 22 O art. 9o. da Lei 9.718, de 1998, estabeleceu: Art. 9o. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso." Ainda, com relação a matéria, consta do voto condutor: “Inicialmente, recordese que o dispositivo legal que determinou a nulidade da cláusula contratual de que se cuida, enfatiza ser a hipótese nula de pleno direito (artigo 6°, da Lei n° 8.880, de 1994, acima reproduzido), não produzindo, portanto, qualquer efeito jurídico. De acordo com a norma contida no artigo 182, do Código Civil: Anulado o negócio jurídico, restituirseão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituílas, serão indenizadas com o equivalente. Aplicandose a norma jurídica ao caso concreto, temse que, afastada a alteração contratual, na sua parte eivada de nulidade (convenção de nova forma de remuneração dos valores mutuados, para o período de 01/03/2003 a 31/05/2003), aflora em sua integridade a forma de remuneração constante do acordo original que se buscou modificar, ou seja, a constante do item 2 do contrato de mútuo firmado em 30/06/2002, segundo a qual "0 valor mutuado será restituído pela MUTUÁRIA à MUTUANTE até o dia 08 de maio de 2004, corrigido pela variação da Taxa Referencial Diária TRD". Assim, ao contrário do entendimento da Impugnante, a aplicação da forma de remuneração anterior não foi imposta pelo Auditor Fiscal, que teria criado indevidamente uma norma jurídica, ao adotar a cláusula original de remuneração. Ela decorreu de uma conseqüência lógica (e legal) do afastamento da cláusula viciada, restituindo a situação ao estado em que antes dela se achava, conforme prescrito no dispositivo acima reproduzido. A regra prevista no artigo 406, do Código Civil somente poderia ser utilizada, na espécie, na hipótese de que a cláusula nula tivesse constado do contrato anterior, passando a inexistir, pois, a previsão de remuneração do contrato de mútuo, a autorizar a adoção dessa norma. Quanto à classificação das receitas financeiras como receitas tributadas segundo o regime de competência já analisada neste voto tratase de discussão doutrinária e acadêmica, sem relevância para o deslinde da questão, uma vez que a matéria se acha adequadamente normatizada no direito positivo brasileiro, tanto do ponto de vista da legislação comercial (artigo 177, da Lei n° 6.404, de 1976), quanto da tributária (artigo 6°, do Decretolei n° 1.598, de 1977), a que se submetem as pessoas jurídicas.” Com relação as alegações da recorrente que os valores lançados afrontam diretamente ao principio constitucional do não confisco, os argumentos trazidos são de índole constitucional. Buscam afastar exação expressamente previstos em lei com base em preceito Fl. 981DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16561.000028/200625 Acórdão n.º 1301001.193 S1C3T1 Fl. 32 23 previsto na Constituição Federal, o que não é da competência deste Órgão Julgador, conforme estipulação da Súmula CARF n° 2: "Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Reputo, no meu entender, improcedentes os argumentos da defesa, visto que a recorrente no período de validade do mútuo não reconheceu qualquer rendimento, seja no ano calendário de 2002 (R$ 1.926.428,67), seja no ano calendário de 2003 (R$13.640.483,89). O derradeiro ponto de bloqueio apontado o recurso voluntário se refere aos juros de mora. A utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora está prevista em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negarlhe aplicação. A matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos federais.". Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso interposto, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 982DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10380.013188/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 13 18 8/ 20 07 -6 7 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.013188/200767 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.490 S2C2T2 Fl. 35 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 6 a 8, pelo qual o saldo de imposto de renda a restituir declarado (R$2.213,49) foi reduzido para zero, em decorrência da revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao ano calendário 2002. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 7, verificase que o lançamento decorre da glosa do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$2.213,49, por não constar o contribuinte como beneficiário em DIRF apresentada pela fonte pagadora. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1, instruída com os documentos de fls. 2 a 8, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 24): Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 10/10/2007, fls. 10, a contribuinte apresentou impugnação em 01/11/2007, fls. 01, alegando que: (...) A declaração de Imposto de renda Pessoa Física EXERCÍCIO 2003, ANO CALENDÁRIO 2002, encontrase processada pela RFB, no entanto, não se tem a existência de restituição conforme declaração entregue em 28/04/2003 às 15:58:27, motivo pelo qual PETICIONOU no Tribunal Regional Federal da 5 Região, a solicitação do comprovante de retenção (IRRF) o qual sendo solicitado por essa Delegacia para liberação da restituição, por motivo da não localização do valor retido (malha DIRF). À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o auto de infração. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0813.437 (fls. 23 a 25), de 09/06/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DIRF. Cabível a glosa do valor informado na Declaração de Ajuste Anual como imposto de renda retido na fonte quando o contribuinte não comprova a sua retenção com documentação hábil e idônea. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.013188/200767 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.490 S2C2T2 Fl. 36 3 DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 16/07/2008 (vide AR de fl. 28), a contribuinte apresentou, em 14/08/2008, tempestivamente, o recurso de fl. 29, acompanhado dos documentos de fls. 30 a 32, no qual alega, em síntese, ter direito à restituição do imposto de imposto de renda pleiteada na declaração de ajuste anual, uma vez que a fonte pagadora, no caso o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, ter recolhido aos cofres públicos o valor devido, conforme cópia dos recolhimentos efetuados pela Gerência Nacional do INSS em Recife – Pernambuco, que anexa. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio numerado até à fl. 33 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.013188/200767 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.490 S2C2T2 Fl. 37 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de glosa do imposto de renda retido na fonte pleiteado pela contribuinte, por falta de comprovação. Não se discorda que o “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo” pode ser deduzido do imposto apurado no ajuste anual (art. 12, inciso VI, da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995), observando, ainda, o disposto no art. 55 da Lei no 7.450 de 23 de dezembro de 1985: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Em sede de recurso, a contribuinte juntou os extratos de fls. 31 e 32, emitidos pela Gerência Executiva do INSS que atestam a retenção do IRRF referente à ação ordinária no 9500116529, movida pela contribuinte que foram repassados ao Tribunal Regional da 5ª Região, em 12/12/2001, com a indicação “IRRF REF. PRECATORIO NR. 41663”. Observase, entretanto, que o lançamento referese ao anocalendário 2002 e que o documento apresentado pela recorrente comprova a retenção no anocalendário 2001, não havendo nada nos autos que indique quando foram recebidos os valores decorrentes da ação judicial. Da mesma forma, não consta no processo cópia da declaração de ajuste anual da contribuinte para que se possa averiguar a fonte pagadora dos rendimentos tributáveis por ela declarados. Por todo o exposto, para que se possa formar uma convicção acerca da matéria, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Anexe cópia da DIRPF/2003, entregue pela recorrente. 2. Intime a contribuinte a apresentar documentação que comprove o montante e a data do efetivo recebimento dos rendimentos pagos pelo INSS no âmbito à ação ordinária no 9500116529. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10380.013188/200767 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.490 S2C2T2 Fl. 38 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 16095.000331/2006-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Na realização do lançamento de ofício, a verificação da decadência em relação ao lucro inflacionário não realizado, deve levar em conta a realização mínima obrigatória havida nos períodos anteriores, considerando-se para tanto, o maior valor apurado entre a realização proporcional efetiva dos bens e direitos do ativo ou o mínimo legal (10%). Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.317
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Na realização do lançamento de ofício, a verificação da decadência em relação ao lucro inflacionário não realizado, deve levar em conta a realização mínima obrigatória havida nos períodos anteriores, considerandose para tanto, o maior valor apurado entre a realização proporcional efetiva dos bens e direitos do ativo ou o mínimo legal (10%). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 299 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0524.428 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, constante das fls. 215 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, lavrado em 10/11/2006, que formalizou a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 212.172,05, incluindo principal, multa de oficio e juros de mora. A respectiva autuação originouse da revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, na qual foi constatada a seguinte irregularidade assim especificada: "001 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO — REALIZAÇÃO MINIMA Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Cientificado por via postal em 23/11/2006, o contribuinte, por intermédio de seus procuradores e advogados, apresenta impugnação em 26/12/2006, na qual, preliminarmente afirma, não pode o Fisco, para recompor o saldo do lucro inflacionário, utilizarse de fatos pretéritos (anos de 1990 a 1995) que já foram atingidos pela decadência para constituição de seu crédito tributário, e ainda Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 300 3 assim, mesmo que se considere o lançamento regular, o Fisco,[...] não poderia proceder o lançamento relativamente aos fatos geradores 03/2001, 06/2001 e 09/2001, na medida em que foram fulminados pela decadência (intimação do AIIM em 23/11/2006). Alega também que a presente autuação merece ser anulada, haja vista que o Fisco não esclarece exatamente quais foram as diferenças de correção monetária do balanço não apropriadas pela Impugnante relativamente ao ano de 1990, responsáveis pela geração do lucro inflacionário supostamente não realizado por ela no anocalendário de 1995 a 2001, violando, com isso, o direito de ampla defesa e do principio do contraditório. No caso em tela, a ora Impugnante efetuou a primeira realização do lucro inflacionário em janeiro de 1994 (relativo ao período de dezembro de 1993), conforme se constata no próprio Sistema SAPLI, iniciandose, portanto, o prazo decadencial de cinco anos para o Fisco efetuar o lançamento de eventual diferença de imposto que entendesse devida, nos exatos termos do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. De fato, a realização incentivada do lucro inflacionário acumulado constitui forma de lançamento por homologação, sujeito ao controle do Fisco somente dentro do prazo decadencial, contado na forma do dispositivo acima referido da Lei Tributária Maior. Notese, que a ora Impugnante procedeu a realização do lucro inflacionário, nos termos da Lei n° 8.541/92, relativamente aos períodos de 1994 (primeira realização) ao primeiro trimestre de 2001 (última realização). Dessa forma, não pode ser aceito, portanto, o procedimento da fiscalização na situação especifica da Impugnante que, a pretexto de recompor o saldo de lucro inflacionário a tributar em 31.12.1991 e 31.12.1995, transferiuo, sem qualquer motivação fálicojurídica para tanto, para exercícios futuros, para tentar, por via transversa, afastar a inexorável decadência já aqui consumada. Salientese, aliás, que no caso dos autos, o prazo decadencial para o lançamento da diferença do IPC/BTNF, que deu origem as supostas diferenças dos lucros inflacionários a realizar, tanto em 1991 como em 1995, teve sua contagem iniciada já em 01.01.1994 (data da primeira opção para realização incentivada) [...] Aduz que no caso dos autos, a ora Impugnante foi intimada da autuação fiscal somente no último dia 23.11.2006 e o lançamento fiscal se refere aos fatos geradores de 03/2001, 06/2001, 09/2001 e 12/2001. Sendo assim, três dos quatro fatos débitos exigidos no AHM já foram fulminados pela decadência. Alega violação ao direito de defesa e do principio do contraditório, pois a fiscalização destacou que foi oferecido saldo credor de correção monetária no ano calendário de 1991, porém, além de não informar qual foi o saldo apurado, também não disse qual o critério de atualização monetária foi utilizado para se chegar ao valor de R$ 4.788.193,55 em 31.12.1995. Ao assim proceder, a d. fiscalização impediu que a ora Impugnante pudesse combater o critério de atualização dos valores transportados de 1991 para 31.12.1995. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 301 4 Acrescenta ainda que, no mérito, o AHM merece ser cancelado, porque o Fisco equivocouse ao considerar como SALDO CREDOR DIFERENÇA DE CORREÇÃO IPC/BTNF a importância de Cr$ 1.165.756.380,45 (ano de 1991), na medida em que referido valor correspondia, na realidade, aos Fundos de Reserva do Patrimônio Liquido, conforme se constata da DIPJ ano calendário 1991. Manifestase que "in casu", se faz necessário esclarecer que a ora Impugnante, por um equivoco no preenchimento de sua DIPJ de 1992 (anobase 1991) acabou por informar a existência de saldo credor acumulado da diferença de correção monetária IPC/BTNF. Afirma que tal equivoco é facilmente constatado quando da análise dos balanços relativos aos anosbase de 1989 e1990, os quais demonstram claramente a inexistência de Lucro Inflacionário, haja vista que o Ativo Permanente da ora Impugnante foi menor que o seu Patrimônio Liquido. Encerra a impugnação, protestando pela juntada posterior de outros elementos documentais que possam evidenciar ainda mais o seu direito. (...)” A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, na sessão de 15/12/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0524.428 entendendo “por unanimidade, JULGAR PROCEDENTES EM PARTE as exigências fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 AC 1991. SALDO DA CONTA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA IPC/BTNF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA Cumpre ao contribuinte o ônus de demonstrar o erro incorrido na declaração, o que deve ser efetuado mediante apresentação de documentação hábil e idônea, mantida nos termos da legislação pertinente. DECADÊNCIA IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO. A contagem do prazo decadencial do lucro inflacionário diferido flui a partir da obrigatoriedade de sua realização, iniciandose da data do fato gerador, se no período de apuração o sujeito passivo efetuou pagamento do imposto devido. Todavia, para os lançamentos não atingidos pela decadência, no controle do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 há que se excluir, do montante tributável, as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ter sido obrigatoriamente realizadas em períodos já abrangidos pela decadência. IRPJ. DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. No caso de lucro inflacionário diferido, o prazo decadencial flui a partir da sua realização, quando o tributo tornase exigível, ou seja, a partir da data em que o lançamento é juridicamente possível, sendo cabível a exigência do imposto às alíquotas normais incidentes sobre a parcela do lucro inflacionário acumulado não incluída na base de cálculo submetida à tributação favorecida.”. Diante da fundamentação do voto a 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP apresentou o seguinte demonstrativo do crédito: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 302 5 Cientificada da decisão de primeira instância em 20/01/2009 (AR fls. 232), a INDÚSTRIAS TEXTEIS SUECO LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0524.428, recorre em 11/02/2009 (234 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão principal dos autos é um lançamento que teve como origem revisão interna da DIPJ/2001, lavrado em 10/11/2006, onde foi constatada a ausência de adição, ao lucro liquido do período, da realização mínima do Lucro Inflacionário prevista na legislação em vigor. Encontramos nos autos afirmações da Recorrente que realizou integralmente o lucro inflacionário com base na determinação contida no art.31 da Lei nº 8.541/92, a seguir transcrito: “Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 303 6 II 1/ 60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do período base. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subsequente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o sistema SAPLI (fl.09 e segs), o lucro inflacionário a realizar referiase exclusivamente a períodos anteriores a 31/12/89. Porém, fazse necessário ressaltar que a existência de lucro inflacionário a realizar após este anocalendário, mesmo tendo o contribuinte optado pela realização integral, como afirma, decorre do fato de sua escrituração não coincidir com os valores controlados pela Receita Federal, devidamente corrigidos, a partir de informações prestadas nas declarações de rendimentos ao longo dos anos. Além do mais, encontramos nos demonstrativos SAPLI os índices de correção (não contestado), bem como o saldo de lucro inflacionário corrigido em cada ano calendário, não implica que esta apuração deuse na data da lavratura do auto de infração, como afirma o recorrente quando conclui pela ocorrência da decadência. Como dito antes, é por meio de tal sistema que a Receita Federal realiza ao longo dos anos o controle do saldo de lucro inflacionário, o que permitiu, no caso concreto, bem como identificar se houve realizações nos anos subsequentes, nada mais, conforme visto abaixo: A fundamentação do auto de infração informa que a Recorrente deixou de realizar o chamado “lucro inflacionário mínimo”, que deveria, sob a ótica da fiscalização, ter sido oferecido à tributação nos anos subsequentes, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 304 7 No entanto, nesta análise não se pode olvidar que no demonstrativo SAPLI consta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei nº. 8.541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art.31, V, da Lei nº 8.541/92. Assim, como no demonstrativo SAPLI não consta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei nº. 8.541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art.31, V, da Lei nº 8.541/92. E, mesmo considerando que a Recorrente deveria realizar percentual mínimo estabelecido na legislação e também poderia realizar percentual acima do mínimo estabelecido; porém nenhumas das duas hipóteses aconteceu. Diante deste fato, não estaria configurada a decadência da possibilidade de o Fisco exigir o crédito tributário. Este entendimento tem sustentação em algumas decisões administrativas a seguir transcritas: “LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada”. (CARF 4a Câmara – 1a Turma Ordinária, Acórdão nº 140100.643, de 04/08/2011, Rel.: Eduardo Martins Neiva Monteiro). “PRELIMINAR PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO — DECADÊNCIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 1CC N° 10. IRPJ — DECADÊNCIA — REALIZAÇÃO INCENTIVADA DO SALDO CREDOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA DA DIFERENÇA IPC/BTNF DA LEI N°8.200/1991: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16095.000331/200671 Acórdão n.º 1803001.317 S1TE03 Fl. 305 8 Ante a realização incentivada do lucro inflacionário acumulado, na forma estabelecida no artigo 3°, V da Lei n° 8.541/1992, as eventuais diferenças poderiam ser lançadas a partir da data do recolhimento daquela parcela, que se converteu na data do fato gerador da obrigação tributária relativa àquelas diferenças. Por constituirse em lançamento por homologação, o prazo para que a Fazenda Pública homologue, tácita ou expressamente, o crédito tributário, se extingue em cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo”. (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.261, de 08/08/07, Rel. Caio Marcos Cândido) “IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL DECADÊNCIA O termo inicial para contagem do prazo de decadência do direito do fisco de formalizar exigências decorrentes de realização a menor do lucro inflacionário diferido é o período em que se deu o oferecimento com ofensa à Lei. Se faltou correção monetária na realização integral do lucro inflacionário, inequivocamente manifestada na Declaração de Rendimentos, o fisco deveria ter agido nos cinco anos que se seguiram à realização integral informada em 1991 (...)” (1ºCC, 7ª Câmara, Acórdão nº 10707.934, de 23/02/05, Rel. Luiz Martins Valero) Por último, consigno que o entendimento exposto encontra respaldo naquilo que determina a Súmula CARF nº 10, a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente das decisões administrativas relacionadas) e pela ausência de da realização incentivada do lucro inflacionário pela Recorrente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a decisão constante do Acórdão nº 0524.428 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 13896.005201/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CORREÇÃO DA FALTA BENEFÍCIO DE
RELEVAÇÃO.
Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação
acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica
em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do
processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação
parcial da multa (art. 291 do RGS).
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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CORREÇÃO DA FALTA BENEFÍCIO DE RELEVAÇÃO. Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa (art. 291 do RGS). Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte TRIACOM LTDA, em face de Acórdão prolatado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), que julgou procedente o auto de infração. 2. De acordo com o relatório fiscal, a autuação se deu por descumprimento da obrigação acessória, a empresa deixou de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, embora solicitadas no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e Termo de Intimação Fiscal TIF, mais precisamente as notas fiscais emitidas pela empresa Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivos Ltda. Infração ao disposto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, com redação da MP 449, de 04/12/2008, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS. A multa aplicada foi fundamentada no art. 92 e 102 da Lei 8.212, de 24/07/91, e art. 283, inciso II, alínea “j” e art. 373, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99, e art. 8º, inciso V, da Portaria MPS/MF nº 77, de 11/03/2008 (ff. 28 a 31). 3. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que abaixo se transcreve: “ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDÊNCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/12/2008 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. OCORRÊNCIA NA AUTUAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. Constitui infração deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, e para empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, e art. 8º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003 c/c o art. 225, III e § 22 DO RPS. O Auto de Infração foi lavrado de acordo com o prazo decadencial de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. Ao deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis solicitadas pela fiscalização em razão de diligência requisitada pela DRJ para a resposta de quesitos formulados, a empresa enquadrou se na hipótese de incidência do art. 32, III, da Lei nº 8.212/91 mencionada no Auto de Infração. O art. 65 da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, c/c o art. 1º do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, revogaram os dispositivos legais que tratavam do benefício da relevação da multa em Auto de Infração. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.005201/200873 Acórdão n.º 2301002.533 S2C3T1 Fl. 88 3 Lançamento Procedente” 4. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) que a constituição definitiva do crédito tributário se dá com a realização da lavratura do auto de infração, também o crédito ora perseguido inerente ao período de 2004 se encontra decaído, não sendo passível de cobrança, devendo ser reformada a decisão “a quo” para fins de declarar a nulidade, posto que se operou o instituto da decadência; b) contesta que, a fiscalização não poderia impor diversas autuações por descumprimento de obrigações acessórias sobre a mesma obrigação principal, e ainda sobre o mesmo período (fato gerador); c) sustenta que, quando da realização da lavratura do auto de infração faziam valer os direitos do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, devendo ser relevada a multa aplicada, em conformidade com os comandos legais expressos nos artigos 106 e 112 do CTN; 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. MÉRITO DO RECURSO 2. No presente processo ocorreu a aplicação de uma multa única, assim, a menos que o período fiscalizado estivesse totalmente alcançado pela decadência, não há como aplicar o instituto no caso concreto. 3. Tem razão o acórdão recorrido quando destaca que: “Desta forma, considerandose que a infração no presente caso é única, pela não apresentação de documentos, não procede a alegação de não ter a fiscalização obedecido ao prazo decadencial de cinco anos” (f. 65). 4. Dessa forma, passo à análise das demais questões recursais. DA RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA 5. A questão trazida nos autos diz respeito à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 6. Conforme relatado acima, tratase de infração cometida pelo contribuinte por ter deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, embora solicitadas no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e Termo de Intimação Fiscal TIF. A multa aplicada foi a prevista no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 283, II "j" e o art. 373 do RPS (valor reajustado de acordo com a Portaria MPS/MF n° 77, DOU de 11/03/2008). 7. Cumpre verificar, entretanto, se a conduta do sujeito passivo pode ser beneficiada pela regra contida no art. 291, § 1º do RPS. Este dispositivo – vigente à época dos fatos imponíveis, da autuação, da impugnação e do recurso, vez que foi revogado pelo Decreto nº 6.727/2009 – trazia em seu texto a previsão da relevação da multa aplicada quando o contribuinte protocolasse o pedido dentro do prazo de defesa, fosse primário e tivesse corrigido a falta em tempo, verbis: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” 8. Conforme se extrai do relatório fiscal, não existem circunstâncias agravantes do recorrente (f. 29). 9. Outrossim, segundo o recorrente, houve a entrega da documentação exigida no curso do processo administrativo fiscal. Essa informação não foi contestada pelo fisco no relatório fiscal, nem no acórdão recorrido, nem tampouco em sede de contrarrazões ao presente recurso: “ Temos ainda que considerar que quando da lavratura do AIIM n.°37.093.0606, vimos que o próprio Auditor Fiscal também capitulou a infração no mesmo sentido, conforme podemos notar no item 4.do "Relatório Fiscal": "0 valor tributável foi apurado com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços, emitidas pela empresa Sal/es, Adan & Associados, Marketing de Incentivos S/C Ltda". Portanto, se referidos AIIM's 37.093.0592 e 37.093.0606, originários da presente autuação que visa o pagamento pela defendente de multa por não ter apresentado os Livros Diários referentes a 2003 e 2004 que conteriam a relação das notas fiscais da empresa Salles, foram constituídos com base na apresentação das próprias notas fiscais, temos que há plena insubsistência da autuação, visto que não há hipótese de incidência que possa validar a cobrança da multa em questão” (ff. 39 e 40). 10. Verificase, portanto, que é incontroverso o fato de a empresa ter corrigido a falta cometida dentro do curso do processo de defesa, cumprindo, assim, a exigência do parágrafo 1º, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.005201/200873 Acórdão n.º 2301002.533 S2C3T1 Fl. 89 5 11. Cumpre ainda destacar, data venia, o desacerto do acórdão recorrido, uma vez que deixou de aplicar a relevação da multa com base na revogação do dispositivo (art. 291, § 1º do RPS) pelo Decreto n. 6.727, de 12 de janeiro de 2009. (ff. 65 verso). 12. Ocorre que o art. 106, inc. II do CTN impõe a ultratividade (retroatividade) da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária (cf. STJ, REsp 950.143, Minª Eliana Calmon; e STJ, AgRgREsp 954.521, Min. José Delgado). Portanto a solução dada pelo acórdão não se adequa aos dispositivos do Código Tributário Nacional. 13. No mesmo sentido, assim dispõe o caput do art. 144 do CTN: Art. 144 O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 14. Dessa forma, levando em consideração os fatos descritos nos parágrafos anteriores, entendo que a multa deve ser relevada. CONCLUSÃO 15. Feitas tais considerações, voto por CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para conceder a relevação da multa aplicada, nos termos acima alinhados. . (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13502.002146/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$201.779,31, correspondente aos resgates de poupança .
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$201.779,31, correspondente aos resgates de poupança . (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 21 46 /2 00 8- 46 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 13502.002146/200846 Acórdão n.º 2202002.281 S2C2T2 Fl. 205 3 Relatório O Recorrente contesta auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2005. 0 imposto resultante foi de R$ 234.870,57, elevandose a exigência para R$ 481.437,68 com os acréscimos legais. Alega que os recursos que transitaram em sua conta corrente são da sociedade Posto Santa Isabel Ltda. onde é sócio, que por falta de conhecimento movimentara os valores em sua conta corrente pessoal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR ao analisar a impugnação decidiu em negar provimento ao pleito do Recorrente, conforme podemos verificar através da ementa abaixo transcrita, consubstanciada no acórdão DRJ/SDR 1523.260 de 31 de março de 2010: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. Onde alega em síntese: Foi autuado transferência entre contas de mesma titularidade do recorrente; Também foi considerado como omissão de rendimentos resgates da conta poupança de titularidade do Recorrente; e, Os valores lançados eram de titularidade da pessoa jurídica na qual ele era sócio. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que apesar de ser titular da conta bancária, tais valores são em realidade de uma pessoa jurídica no caso ao Posto Isabel Ltda., não apresentando aos autos qualquer documento que suporte tal alegação. Se realmente tais valores eram de fato de uma pessoa jurídica e representavam o seu faturamento, o Recorrente deveria ter trazido aos autos a documentação contábil que comprovasse tal alegação, para demonstrar que o valor era na verdade de titularidade das sociedades, que foram devidamente contabilizado e foi oferecido a tributação. Podemos Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 13502.002146/200846 Acórdão n.º 2202002.281 S2C2T2 Fl. 206 5 verificar que a Recorrente traz somente como prova a Declaração de Rendimentos da sociedade, o que entendo não são suficientes para comprovar sua alegação. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. O que o Recorrente tem razão é em relação aos valores referente as transferência entre contas de mesma titularidade, e os resgates de poupança, que não representam renda ou efetivo acréscimo patrimonial. Desta forma, é devida parcialmente a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, por tudo o que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado, para excluir da base de cálculos os valores referente a resgate de poupança e transferência entre contas de mesma titularidade no valor de R$ 302.099,31. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR
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Numero do processo: 19647.008501/2008-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE PRÊMIO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº. 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE PRÊMIO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. 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(Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 85 01 /2 00 8- 22 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 188 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 189 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela PARTNER INFORMÁTICA LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Auto de Infração (fl. 24), o lançamento se deu em razão das contribuições devidas à Seguridade Social (parte patronal), cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSSDATAPREV. 3. Ademais, o fisco informa que o sujeito passivo efetuou pagamentos de forma continuada, mês a mês, para a empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA. Na contabilidade, os lançamentos foram descritos como ‘reembolso com Neo card’, conforme discriminado no Anexo I (fls. 26/27). Os valores não foram lançados como despesas de marketing, mas ora como despesas administrativas, ora projeto e tecnologia, ou suporte técnico. Nas notas fiscais, há o destaque de ‘honorários’ por parte da prestadora, denotando comissão típica de operadoras de cartão de crédito. Relata que, conforme anexo II (fls. 28/29), o Neo Card é um cartão eletrônico onde o premiado poderá sacar seu prêmio, em dinheiro, em qualquer terminal ligado ao sistema VISA PLUS. Diz, ainda, que o autuado conta com a média de 30 empregados por mês, e tem despesas de aproximadamente R$35.000,00 mensais para propaganda/marketing, fato incomum, para uma empresa de pequeno porte, num período de 19 meses. 4. O Autuado foi intimado para apresentar o contrato de prestação de serviços que celebrou com a empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA., conforme termo anexo (fl. 20). 5. Uma vez que a intimação fiscal não foi atendida, o Fisco realizou a aferição indireta, tendo considerado os valores constantes das faturas da empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA como saláriodecontribuição, com fulcro no art. 33, §§ 3 ° e 6° da Lei nº 8.212/91. 6. As notas fiscais que serviram de base para o lançamento estão discriminadas no anexo I (fls. 26/27), como indicação da folha do livro Diário onde foram contabilizadas. 7. Os honorários da operadora foram deduzidos, sendo considerado apenas o valor dos serviços como salário de contribuição. 8. O acórdão (fl. 170) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 190 4 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. PRODUTIVIDADE. Possui natureza salarial, sendo, portanto, base de cálculo de contribuição previdenciária, o pagamento, mediante cartão magnético, de prêmio para estímulo ao aumento da produtividade dos segurados empregados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 9. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) argumenta que o auto de infração lavrado em substituição à notificação anulada continua com o mesmo vício que ensejou a anulação anterior, qual seja a “inexistência nos autos de documento que comprovasse a existência de fato gerador da contribuição previdenciária; b) afirma que o § 6º do art. 33 da Lei nº. 8.212/91 aplicase na hipótese de desconsideração da escrita fiscal, fato que não ocorreu, até porque não houve aferição indireta, vez que os valores foram levantados por meio de documentos apresentados ao fisco; c) aduz que se inexiste documento comprobatório de pagamento a empregados, não se pode asseverar que há impossibilidade declarada pelo auditor, vez que a documentação aponta para a prestação de serviços de pessoa jurídica; d) diferentemente do que alega o agente fiscal, ainda que erro no enquadramento no Plano de Contas, não se pode inferir que a despesa teria caráter salarial; e) não há prova de que o pagamento de prêmio é realizado em pecúnia; f) o serviço de marketing tomado pela recorrente não tem natureza jurídica de remuneração e não está no rol de hipóteses de incidência fixadas pela Lei nº. 8.212/91. 10. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 191 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. O contribuinte foi autuado em razão das contribuições devidas à Seguridade Social (parte patronal), cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa. 3. Sobre o fato gerador, o auto de infração assim descreveu: “A empresa conforme item 3, subitem ‘e’, não apresentou o Contrato entre a mesma e a empresa Neo Incentive Marketing Integrado Ltda, tendo sido lavrado o AI Auto de Infração nº. 37.169.2962. Assim, na impossibilidade de verificar se os valores são de prestação de serviços de pessoa jurídica ou pagamentos aos empregados, fato, este último que constitui FATO GERADOR de contribuição previdenciária, o signatário conforme art.33 §3º e 60 da Lei nº. 8.212/91, normatizado pelo Decreto nº. 3.048/99 (arts. 233 e 235), AFERIU estes valores como salário de contribuição, aplicando as alíquotas devidas.” 4. A recorrente, em suas alegações, dispôs, em síntese, que o auto de infração lavrado em substituição à notificação anulada continua com o mesmo vício que ensejou a anulação anterior, qual seja a “inexistência nos autos de documento que comprovasse a existência de fato gerador da contribuição previdenciária”; afirma que o § 6º do art. 33 da Lei nº. 8.212/91 aplicase na hipótese de desconsideração da escrita fiscal, fato que não ocorreu, até porque não houve aferição indireta, vez que os valores foram levantados por meio de documentos apresentados ao fisco; aduz que se inexiste documento comprobatório de pagamento a empregados, não se pode asseverar que há impossibilidade declarada pelo auditor, vez que a documentação aponta para a prestação de serviços de pessoa jurídica; diferentemente do que alega o agente fiscal, ainda que erro no enquadramento no Plano de Contas, não se pode inferir que a despesa teria caráter salarial; não há prova de que o pagamento de prêmio é realizado em pecúnia; o serviço de marketing tomado pela recorrente não tem natureza jurídica de remuneração e não está no rol de hipóteses de incidência fixadas pela Lei nº. 8.212/91. 5. Nesse contexto, cabe enfatizar que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fl. 22, exigiu os seguintes documentos abaixo relacionados (matriz e filial): Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 192 6 “i) CONTRATO(S) REFERENTE A NEO INCENTIVE MARKETING CNPJ 05.568.6531000195; ii)LIVRO DIÁRIO ANO DE 2006; iii) NOTAS DE FATURAS DE SERVIÇOS DA NEO INCENTIVE.” 6. Pela análise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), fl. 23, extraise que o contribuinte não apresentou o contrato solicitado. 7. Dessa forma, a fiscalização não teve condições de verificar se os valores são de prestação de serviços de pessoa jurídica ou pagamentos aos empregados. Sendo que o pagamento aos empregados constitui fato gerador de contribuição previdenciária, conforme o art. 33, § 3º e 6º, da Lei nº. 8.212/91. 8. Por consequência houve a aferição dos valores como saláriode contribuição. 9. Como visto anteriormente, o contribuinte busca a nulidade da autuação, por considerar a não comprovação da existência do fato gerador da contribuição social previdenciária, no entanto, não apresentou devidamente os documentos solicitados pela fiscalização, que acarretariam a devida constatação da afastabilidade ou não de incidência tributária. 10. A aferição indireta é considerada via excepcional que tem cabimento quando impossível verificar documentos do contribuinte comprometedores do objeto a se provar. 11. O Código Tributário Nacional (CTN) assim trata da aferição indireta: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” 12. A Lei nº. 8.212/91, em seu art. 33, § 6º, também dispõe sobre o mesmo tema: “À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 193 7 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” 13. Assim, a aferição indireta está expressamente prevista em lei, e, havendo a recusa da apresentação de documentos, é cabível a aferição indireta com lançamento das contribuições previdenciárias. Caso contrário, o contribuinte se beneficiaria do descumprimento de uma obrigação inerente a sua atividade. 14. Destacase que a recorrente caberia provar que os valores foram pagos em contrapartida da prestação de serviços de pessoa jurídica, o que não ocorreu no caso em análise. 15. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado como segue: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa).” 16. Assim, diante da jurisprudência apresentada, tanto no âmbito da esfera judicial quanto no CARF, mantenho os termos da autuação, por não identificar irregularidade quanto ao procedimento adotado, pois o auditor agiu de acordo com o previsto na legislação de regência. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 194 8 DA NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO DE PRÊMIO 17. A decisão do colegiado a quo considerou o prêmio pago pela empresa como integrante do salário de contribuição e a empresa, por sua vez, apresentou peça recursal, na qual argumenta que tais valores, ao seu juízo, não integram o salário de contribuição, pois os prêmios não possuem qualquer caráter remuneratório. 18. In casu, é necessário identificar o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que é delimitado no art. 195, I, alínea “a” da Constituição Federal de 1988, o qual estabelece que além da “folha de salários”, que é composta de todas as parcelas devidas aos empregados em decorrência da prestação de serviço, os “demais rendimentos do trabalho” também compõe o campo de incidência das contribuições. “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998).” 19. A legislação que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, a Lei nº. 8.1212/91, no art. 28, por sua vez prevê que entendese por salário de contribuição, sobre o qual incidirá a contribuição social, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” 20. Assim, partindo da premissa conduzida pela Carta Magna e pela legislação previdenciária de regência, podese vislumbrar que o pagamento de prêmio aos empregados está inserido no conceito de salário de contribuição, uma vez que não deixa de ser uma quantia paga em decorrência do trabalho do funcionário. 21. Insta mencionar que ao olharmos para o que preleciona a doutrina trabalhista ao analisar a natureza jurídica do pagamento de prêmio, perceberemos que esta não Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 195 9 diverge da afirmativa supra, inclusive Amauri Mascaro Nascimento, em sua obra “Manual do Salário”, Editora LTr, p. 334 afirma que: “prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os Prêmios Caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos”. 22. No mesmo sentido, cumpre mencionar julgados do Superior Tribunal de Justiça, que reconhecem o caráter remuneratório do pagamento do prêmio, considerando irrelevante o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIODESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e salário decontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de salário decontribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriodecontribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o "bônus" ou "prêmio desempenho" tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 196 10 (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89.INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado. (REsp 565375/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/08/2006, DJ 31/08/2006, p. 199) 23. Sobre a matéria, é necessário observar que esse Conselho já proferiu diversos acórdãos na mesma linha decisória do STJ, conforme ementas transcritas a seguir: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 197 11 O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte (2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 14041.000407/200740, Acórdão nº 2401 01.795, data da sessão 14/04/2011, Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) SUCESSÃO Ocorre sucessão de fato toda vez que uma empresa é absorvida por outra, sem solução de continuidade, devendose levar em consideração, principalmente, os elementos que integram a atividade empresarial, quais sejam: ramo do negócio, ponto, clientela, móveis, máquinas, organização e empregados PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido (2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 10510.003261/200760, Acórdão nº 2302 00.779, data da sessão 02/12/2010, Relatora: Liege Lacroix Thomasi).” 24. Dessa forma, não assiste razão à recorrente em seus argumentos, tendo em vista que tanto a jurisprudência desse Conselho quanto à doutrina trabalhista e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consideram que incide contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de prêmio de incentivo ao trabalhador. 25. Dessa forma mantenho a autuação nos termos lavrados pelo auditor fiscal. DA MULTA APLICADA 26. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 198 12 27. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 28. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 29. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 30. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 31. Ante ao exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008501/200822 Acórdão n.º 2803002.385 S2TE03 Fl. 199 13 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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