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Numero do processo: 10925.720087/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração para a constituição de crédito tributário de multa equivalente ao valor aduaneiro, relativo ao dano ao erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta, prática punível com a pena de perdimento das mercadorias que, em virtude de seu consumo, substituiuse por este lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 08 7/ 20 13 -9 0 Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720087/201390 Resolução nº 3302000.458 S3C3T2 Fl. 2.266 2 A empresa adquirente MTM CONSTRUÇÕES LIMITADA, CNPJ 37.517.596/000101 foi autuada como responsável solidária. Ambos sujeitos passivos apresentaram impugnação. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 16 55.219, no qual decidiu pela improcedência da impugnação, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2008, 2010, 2011, 2012 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos (adiantamentos) de terceiro presumese por conta e ordem deste. Ocultado o real adquirente, acolhese a infração imputada (DL 1.455/1976, artigo 23, V). O artigo 33 da Lei 11.488/2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdirnento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação (acórdão Carf nº 310200.662, de 24/5/2010). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada em 10/03/2014, a recorrente interpôs recurso voluntário em 09/04/2014. Já em relação à responsável solidária MTM CONSTRUÇÕES LIMITADA, não constam nos autos sua ciência do Acórdão nº 1655.219, proferido pela Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1, nem recurso voluntário interposto. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Verificase que o responsável solidário MTM CONSTRUÇÕES LIMITADA, CNPJ 37.517.596/000101 não foi cientificado do Acórdão nº 1655.219, proferido pela Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1, em desconformidade com o artigo 68 do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720087/201390 Resolução nº 3302000.458 S3C3T2 Fl. 2.267 3 Destarte, tendo sido violados os princípios do contraditório e ampla defesa e o devido processo legal, voto para encaminhar os autos à unidade de origem para que o sujeito passivo MTM CONSTRUÇÕES LIMITADA, CNPJ 37.517.596/000101, seja cientificado do Acórdão nº 1655.219, sendolhe facultado o prazo de trinta dias para apresentação de recurso voluntário, com posterior retorno dos autos a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721262/2013-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTES DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS.
Nas transações de compra e venda de veículos usados equiparadas a consignação, aplica-se o coeficiente de presunção de lucro de 32% ou 38,4% para determinar a base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido ou arbitrado, respectivamente. No caso da CSLL, o coeficiente de presunção de lucro para tal atividade será sempre de 32%. Em ambos os casos, a receita bruta corresponderá à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Inteligência da Súmula CARF nº 85.
Nas transações de compra e venda de veículos em que não são preenchidas as condições estabelecidas no art. 5º da Lei nº 9.716/98, a receita bruta será o valor da revenda de veículos, sendo aplicados os coeficientes de presunção de lucro presumido de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. No caso de lucro arbitrado, aplica-se o coeficiente de 9,6% para o IRPJ, mantendo-se o coeficiente de 12% para determinação da base de cálculo da CSLL - coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais.
Constatado que os depósitos bancários considerados como receitas omitidas não se referem a prestações de serviços, mas sim a compra e venda de veículos, ainda que não se identifique de forma individualizada cada operação, aplicam-se os coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE.
Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PROCEDIMENTOS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 1402-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às arguições envolvendo inconstitucionalidade e rejeitar a preliminar de nulidade, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir os valores indicados na tabela do item 54 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 700), e reproduzidos no bojo do voto condutor, do montante de omissão de receitas referente a depósitos bancários sem comprovação de origem; (ii) reduzir a multa de ofício a 75%; (iii) cancelar a sujeição passiva solidária cominada ao coobrigado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento em maior extensão para aplicar os coeficientes para arbitramento de 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL em relação à omissão de receita de revenda de veículos. O conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTES DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. Nas transações de compra e venda de veículos usados equiparadas a consignação, aplica-se o coeficiente de presunção de lucro de 32% ou 38,4% para determinar a base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido ou arbitrado, respectivamente. No caso da CSLL, o coeficiente de presunção de lucro para tal atividade será sempre de 32%. Em ambos os casos, a receita bruta corresponderá à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Inteligência da Súmula CARF nº 85. Nas transações de compra e venda de veículos em que não são preenchidas as condições estabelecidas no art. 5º da Lei nº 9.716/98, a receita bruta será o valor da revenda de veículos, sendo aplicados os coeficientes de presunção de lucro presumido de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. No caso de lucro arbitrado, aplica-se o coeficiente de 9,6% para o IRPJ, mantendo-se o coeficiente de 12% para determinação da base de cálculo da CSLL - coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. Constatado que os depósitos bancários considerados como receitas omitidas não se referem a prestações de serviços, mas sim a compra e venda de veículos, ainda que não se identifique de forma individualizada cada operação, aplicam-se os coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PROCEDIMENTOS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às arguições envolvendo inconstitucionalidade e rejeitar a preliminar de nulidade, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir os valores indicados na tabela do item 54 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 700), e reproduzidos no bojo do voto condutor, do montante de omissão de receitas referente a depósitos bancários sem comprovação de origem; (ii) reduzir a multa de ofício a 75%; (iii) cancelar a sujeição passiva solidária cominada ao coobrigado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento em maior extensão para aplicar os coeficientes para arbitramento de 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL em relação à omissão de receita de revenda de veículos. O conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTES DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. Nas transações de compra e venda de veículos usados equiparadas a consignação, aplicase o coeficiente de presunção de lucro de 32% ou 38,4% para determinar a base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido ou arbitrado, respectivamente. No caso da CSLL, o coeficiente de presunção de lucro para tal atividade será sempre de 32%. Em ambos os casos, a receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 12 62 /2 01 3- 07 Fl. 937DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 938 2 bruta corresponderá à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Inteligência da Súmula CARF nº 85. Nas transações de compra e venda de veículos em que não são preenchidas as condições estabelecidas no art. 5º da Lei nº 9.716/98, a receita bruta será o valor da revenda de veículos, sendo aplicados os coeficientes de presunção de lucro presumido de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. No caso de lucro arbitrado, aplicase o coeficiente de 9,6% para o IRPJ, mantendose o coeficiente de 12% para determinação da base de cálculo da CSLL coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. Constatado que os depósitos bancários considerados como receitas omitidas não se referem a prestações de serviços, mas sim a compra e venda de veículos, ainda que não se identifique de forma individualizada cada operação, aplicamse os coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PROCEDIMENTOS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às arguições envolvendo inconstitucionalidade e rejeitar a preliminar de nulidade, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir os valores indicados na tabela do item 54 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 700), e reproduzidos no bojo do voto condutor, do montante de omissão de receitas referente a depósitos bancários sem comprovação de origem; (ii) reduzir a multa de ofício a 75%; (iii) cancelar a sujeição passiva solidária cominada ao coobrigado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento em maior extensão para aplicar os coeficientes para arbitramento de 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL em relação à omissão de receita de revenda de veículos. O conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 939 3 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 940 4 Relatório ALMIRANTE AUTOMÓVEIS BR LTDA ME (contribuinte) e GILSON ROBERTO DA PAZ (coobrigado) recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1448.632 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Conforme o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 691/712) e descrição do fatos, contida nos autos de infração de fls. 586/690, em ação fiscal procedida na contribuinte acima identificada, foi constatado o seguinte: Omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A empresa, mediante o termo de intimação nº 3, foi intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, conforme anexo ao termo, mas não apresentou documentos que comprovassem a origem daqueles valores. Assim, foram considerados oriundos de receitas auferidas à margem da escrituração, caracterizando omissão de receita, conforme o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Omissão de receita da atividade com falta de apresentação de nota fiscal de entrada de veículo usado. A receita bruta a ser considerada, nesse caso, é o valor total constante nas notas fiscais de saída e não apenas a diferença entre o valor da alienação e o custo de do veículo, Quanto as notas fiscais de entrada apresentadas, considerouse receita bruta, a diferença entre as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, referentes a cada veículo. Omissão de receita da atividade. Comissões. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 941 5 Conforme informado no TVF, demonstrado nos itens 53 a 65 do referido termo, os pagamentos realizados por instituições financeiras à empresa fiscalizada, a título de comissão, no valor total de RS 209.368,32, conforme declarado por essas instituições em suas DIRFs, não se encontravam escriturados no Livro Caixa, nem declaradas na DIPJ. Relativamente a essa infração, considerando que houve omissão dolosa, visto tratarse de artifício com objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador, foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Constatada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a Ordem Tributária, definidos no art. 1º, II, da Lei nº 8.137, de 1990, foi formalizado o processo de representação fiscal para fins penais nº 13971.721317/201371. Falta de escrituração regular. A contribuinte optante pelo Lucro Presumido, não escriturou no Livro Caixa a totalidade das operações financeiras, efetuando registros genéricos e sucintos. Segundo as próprias palavras da contribuinte era impossível reconstituir os dados daquela época, resultando na impossibilidade de reconstituição da sua contabilidade, de modo a retratar as movimentações bancárias não escrituradas. Assim, com base no art. 530, inciso II do decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), o Fisco procedeu ao arbitramento do lucro do período, uma vez que a escrituração mostrouse imprestável par identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. No caso da receita omitida relativa aos depósitos bancários, em face da impossibilidade de segregar as receitas por Fl. 941DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 942 6 atividades, como determina o artigo 537, em seu parágrafo único, do RIR/99 (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999), no caso da pessoa jurídica com atividades diversificadas, foi considerada aquela de percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º), portanto considerou se aplicável o percentual de 38,4%. De acordo com a legislação vigente, para efeitos tributários, a receita relativa às vendas cuja nota fiscal de entrada foi apresentada, sendo equiparada à operação de consignação – intermediação de negócio – foi determinado o lucro arbitrado considerandose aplicável o percentual de 38,40%. Quanto à receita relativa à comissão paga por instituições financeiras, considerouse aplicável o percentual de 38,4%, por tratarse de intermediação de negócio. Sobre a receita referente às notas fiscais de saída, cujas notas fiscais de entrada não foram apresentadas, relativas a operações de comércio, foi aplicado o percentual de 9,6%. Diante do constatado, foram lavrados os autos de infração de fls. 586/637 (sendo aplicada a multa de 75%) e 638/690 (com aplicação de multa de 150%, relativo às comissões pagas por instituições financeiras), que exigem IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, totalizando o crédito tributário a seguir demonstrado: Tributo Valor do tributo Juros de mora (calculo até 05/2013) Multa de ofício 75% e 150% Total IRPJ 406.037,55 136.883,68 307.644,91 850.516,14 CSLL 129.590,33 43.735,35 99.470,67 272.796,35 PIS 30.583,03 10.544,44 23.489,55 64.617,02 Cofins 141.152,47 48.666,71 108.413,15 298.232,33 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 943 7 Os lançamentos tiveram fulcro nos dispositivos legais apontados nos respectivos Autos de Infração. Tendo em vista a ocorrência de infração à lei durante o período em que era sócioadministrador o Sr. Gilson Roberto da Paz, CPF nº 549.156.00904, lhe foi atribuída responsabilidade tributária com base no art. 135, II da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Cientificados do lançamento em 04/06/2013, conforme informação constante do despacho de fl. 806, a autuada e o sócio responsabilizado, ingressaram em 04/07/2013 com as impugnações de fls. 738/783 e 727/737, respectivamente. Em suma, foram apresentadas as seguintes alegações: DA AUTUADA Impugnação de toda e qualquer matéria ou fato contido no MPF. Para que não reste qualquer dúvida sobre esta defesa, e para que não seja desmembrado qualquer crédito tributário sob a alegação de que não restou impugnado, recorre de toda e qualquer matéria e fato contido no Mandato de procedimento fiscal que originou o processo administrativo fiscal nº 13971.721262/201307. Deficiência técnica do AI e do TVF – Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. Devem ser considerados nulos os autos de infração e todos os seus anexos, inclusive o Termo de Verificação Fiscal, pela falta de fundamentação técnica adequada para a compreensão dos termos ali lançados, cerceando a defesa. Isto porque a contabilidade da recorrente foi desclassificada e no seu lugar, foi utilizada como receita bruta no ano de 2009, a movimentação financeira, porém, não trouxe aos autos quais valores foram efetivamente considerados como receita bruta. Apenas houve elaboração de quadro demonstrativo no termo de verificação fiscal com a somatória mês a mês, porém compulsando os extratos não há possibilidade de chegar nos valores, pois não há identificação destes. A somatória apresentada e utilizada como receita bruta fica acima dos valores encontrados nos extratos bancários, prejudicando demais a recorrente. Faltou demonstrativo analítico da movimentação financeira utilizada como receita bruta pelo Fisco. Tributação indevida da movimentação financeira – arbitramento indevido. Omissões de receitas não caracterizadas É ilegal e inconstitucional a notificação fiscal emitida contra a recorrente, por utilizar como fato gerador de tributos federais, as entradas de valores em conta bancária, retirados exclusivamente de extratos bancários. Os tribunais Federais e o STJ vem há muito tempo adotando a Fl. 943DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 944 8 disposição contida na súmula 182 do extinto Tribunal Regional de Recursos, tendo o Carf o mesmo entendimento: Súmula 182 – É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários Não pode a Receita Federal constituir mais uma vez, um pseudo crédito ao arrepio da legislação, um novo fato gerador para os mesmos tributos que foram devidamente apurados e recolhidos. Não se deve olvidar que a hipótese de incidência de qualquer tributo é formada por cinco critérios, dentre os quais três são essências para a materialização do fato gerador e da conseqüente obrigação tributária: o material, espacial e temporal. O comportamento que se subsome à hipótese de incidência dos tributos em relevo, não poderia ser a prática de um ato abusivo e contra o princípio da reserva legal, deve ser completo no sentido de restarem verificadas todas as condições do fato gerador. Não basta unicamente o uso de movimentação bancária para fazer nascer o crédito tributário. É exigível, compulsoriamente a presença do aspecto econômico para a subsunção completa dos fatos à lei para a ocorrência do fato gerador. No caso da recorrente, que é uma empresa que comercializa veículos, o fator descrito acima é reforçado pelo fato de transitar valores que não pertencem à recorrente em suas contas bancárias. Igualmente acontece na compra e venda de um veículo, pois o resultado da venda do automóvel é investido na compra de um próximo veículo (estoque), sendo que o lucro é apenas a diferença entre o valor da compra do veículo e o da venda deste. A exceção é a antiga CPMF que incidia sobre a movimentação financeira, os demais tributos sempre recaiu sobre os fatos econômicos. A exigência tributária ora guerreada recai sobre tributos que tem como fato gerador a realidade econômica, faturamento e lucro, nenhum deles em movimentação financeira, sendo que somente a lei pode modificálos ou extinguilos. No presente caso, não ficou demonstrado a origem do débito. Nada foi comprovado documentalmente não há qualquer demonstrativo analítico dos depósitos, apenas somatórios mensais de movimentação financeira, enfim, a notificação baseouse em mera presunção fiscal que não encontra agasalho da legislação pátria. Na maioria dos casos há o recebimento em espécies dos valores cobrados do comprador, o que por si só já caracteriza uma grande movimentação financeira. Todavia, é certo que de acordo com o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, é a diferença entre o valor de venda e o da aquisição ou consignação que deverá ser tributado na saída. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 945 9 Outro motivo que eleva a movimentação financeira da recorrente o fato das operações canceladas. Como todas as demais revendedoras de veículos usados, tem o procedimento de assinarem junto com o comprador o contrato particular de compra e venda de veículos para posterior emissão de nota fiscal de saída. Os valores são depositados ou transferidos para a conta da recorrente em sua totalidade ou, em alguns casos, parte do valor negociado, como sinal. Não há portanto, como o Fisco arbitrar o lucro da recorrente, baseado somente em extratos bancários. A peculiaridade usada no mercado de veículos usados, não permite o arbitramento baseado tão somente na movimentação financeira. A fiscalização não cumpriu outra determinação vigente, que é a redução em 50% (cinqüenta por cento) da base de cálculo do lucro arbitrado sobre a omissão de receita, conforme parágrafo 6º do art. 400 do RIR de 1980. Portanto, além de arbitrar lucro baseado em depósitos bancários, também o arbitrou de forma errada, pois não considerou os valores de saída constantes nos extratos bancários, o que resta irregular, mas também considerou toda a movimentação bancária, quando o correto seria considerar só a metade. Ainda, no caso da atividade exercida pela recorrente (compra e venda de veículos usados) é aplicável para cálculo do Imposto de Renda, o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta apurada, bem como 12% para a base de cálculo da CSLL. Mas, o Fisco entendeu pela aplicação de 32% o que prejudica duplamente a recorrente. Primeiro porque foi utilizado como faturamento o total dos recursos que ingressaram na conta bancária sem qualquer fator de diminuição, o que deveria ter ocorrido já que a empresa tem como atividade o comércio de veículos. Tais fatores em conjunto é praticamente uma sentença de morte para a empresa, pois aplicados multa e juros torna inviável o negócio da recorrente se forem mantidas as conclusões do fisco. Não há como concordar com a atitude do fisco ao afirmar que a fiscalização se viu impossibilitada de segregar as receitas por atividades par fins de determinar o percentual a ser utilizado para calcular o lucro presumido. Isto porque os valores relativos a serviços estão sujeitos ao percentual de 32% e os oriundos da venda de veículos a 8%. Cabe esclarecer que não houve omissão de receita, principalmente as oriundas das comissões percebidas pagas por instituições financeiras no montante de R$ 209.368,32, pois sempre tributou todo e qualquer valor recebido, exigido pela legislação tributária. Observese que somente esse valor de R$ 209.368,32 referese a atividade de prestação de serviço (5% da receita bruta considerada) portanto aplicável o percentual de 32%. Sobre o restante, Fl. 945DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 946 10 movimentação financeira considerada econômica (95% da receita apontada pelo fisco), mas ausente de comprovação de que seja oriunda de serviços, seria aplicável o percentual de 8% para o IRPJ e 12% para CSLL, por serem referentes a atos de comércio, assim, se mantido o lançamento os percentuais devem ser reduzidos para esses últimos. Exigência de crédito tributário em duplicidade Verificase facilmente do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal que esta sendo exigido crédito tributário em duplicidade, o que não é permitido pela legislação vigente. Ao desclassificar a contabilidade da recorrente, o que efetivamente não se concorda, o fisco utilizou toda a movimentação financeira como receita bruta, aplicando sobre esta alíquotas para determinar o montante devido do PIS/Cofins/IRPJ e CSLL. Ocorre que não bastasse utilizar a movimentação bancária, o fisco considerou também a receita bruta apurada através das notas fiscais apresentadas pelo próprio contribuinte, com ou sem a nota fiscal de entrada correspondente. Ou seja, foram tributadas ao menos duas vezes, representando um faturamento adicional de R$ 586.728,10. Esse valor deve ser retirado dos cálculos sob pena de se cometer uma grande injustiça. Confisco do patrimônio Na Constituição Federal de 1988 o princípio da vedação ao confisco, ou tributo com conotação confiscatória foi inserido expressamente no art. 150, IV. Assim na tributação a exação fiscal deve limitarse a participar de um percentual ou parte da riqueza produzida pelo contribuinte, mas não confiscar toda a renda ou patrimônio, o que desvirtua a própria natureza do tributo. Ficou caracterizado o confisco na exigência de multa que chega ao patamar de R$ 539.018,28 representando 75% do possível débito que fora apurado – R$ 707.363,38. Sem falar na multa aplicada sobre o débito relativo às comissões, que foi aplicada no percentual de 150%. Além de já ter sido arbitrado o lucro com aumento considerável de 20% e ainda ter que arcar com altos juros, se vê penalizada injustamente com pesada multa que não só duplica os valores mas faz o crédito tributário atingir níveis estratosféricos. A multa aplicada é totalmente injusta, pois pode ser obrigada a “fechar as portas” quando poderia investir em bons equipamentos e mesmo contratar mais funcionários. A multa tão elevada atinge a capacidade contributiva prevista no art. 145 da CF. Se quer pagar, diante da dimensão desta o adimplemento à vista ou em poucas parcela tornase inviável. Provas Fl. 946DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 947 11 Protesta provar o alegado pelas provas juridicamente admissíveis, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Representação fiscal para fins penais. Solicita a suspensão do processo administrativo de representação fiscal para fins penais. DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O manifestante é sócio administrador da empresa autuada e teve contra si lavrado o Termo de Sujeição Passiva, caracterizandoo como responsável solidário pelo crédito exigido no auto de infração questionado. Todavia, não foram observados os dispositivos legais aplicáveis ao caso, culminando numa decretação sumária, sem qualquer tipo de procedimento prévio. O art. 135 do CTN é explicito ao afirmar que as hipóteses em que são pessoalmente responsáveis os sócios, não restando configurada nenhuma delas no presente caso. O CTN possibilita a responsabilização pessoal pelos créditos da pessoa jurídica, entretanto, somente quando já há crédito tributário constituído e quando houver decisão judicial transitada em julgado que permita o redirecionamento da execução fiscal após a desconsideração da pessoa jurídica. No momento, os créditos estão sendo alvos de discussão na defesa apresentada pela autuada e ao menos há discussão judicial que possa desconsiderar a personalidade jurídica da empresa. Assim, somente o juiz poderá julgar ou decretar tal responsabilização solidária do sócio. Além disso, não houve qualquer procedimento prévio para tal responsabilização muito menos a comprovação de infrações legais e estatutárias do sócio (art. 135, III, do CTN), ausentes, portanto, as condições necessárias para lavratura do termo de responsabilização. Durante o procedimento fiscal não foram pedidas informações relativas aos sócios, muito menos quanto aos atos praticados, devendo ainda ser considerado que se trata de sociedade Ltda e que portanto os sócios respondem no limite de suas quotas. O manifestante não foi informado dos atos ocorridos no decorrer do procedimento fiscal, portanto pessoa estranha ao processo administrativo na condição de pessoa física. Ademais, o ônus de comprovar a circunstância que autorize a responsabilização pessoal do sócio administrador é exclusivo do fisco. O simples inadimplemento tributário não configura hipótese de responsabilidade do sócio. Demonstrada a impossibilidade de responsabilização do sócio administrador, deve ser excluída a sua responsabilidade pelos créditos tributários. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 948 12 No exame de primeira instância, a impugnação apresentada foi julgada improcedente, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa, cujas operações que lhes deram origem não foram comprovadas, presumemse advindos de receitas omitidas, obtidas à margem da escrituração. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrituração fiscal obrigatória, juntamente com a documentação de suporte, autoriza o arbitramento do lucro, calculado com base na receita bruta das vendas de bens e serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal relativo à omissão de receita, em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 949 13 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. Presentes nos autos fatos caracterizam o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplicase a multa qualificada, de 150%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Respondem pessoalmente com a empresa autuada pelos créditos tributários, as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei. Intimados da decisão em 20 de fevereiro de 2014 (aviso de recebimento à fl. 853), contribuinte e coobrigado apresentaram recurso voluntário em peça única (fls. 855882). Em síntese, os recorrentes repisam seus argumentos apresentados em impugnação. É o relatório. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 950 14 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. RESUMO DA LIDE Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em razão de omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal com base em: (i) depósitos bancários sem comprovação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430/96); (ii) revenda de veículos usados; (iii) receitas financeiras (comissão com base nos financiamentos de veículos). O lucro do período foi apurado em razão de o contribuinte, optante pelo lucro presumido, não manter escrituração regular, possuindo Livro Caixa sem inserção de sua movimentação financeira. Intimado a manifestarse sobre sua escrituração, informou não ser possível reconstituir sua escrita. Em relação aos coeficientes de presunção de lucro utilizados, utilizouse o coeficiente de 38,4% em relação aos depósitos bancários, à receita financeira e às receitas referentes a revendas de veículos equiparadas a consignação (art. 5º da Lei nº 9.716/98); já em relação às receitas advindas de revenda de veículos em que não houve apresentação das notas fiscais de entrada, tributouse a totalidade das receitas de venda, aplicandose o coeficiente de presunção de lucro de 9,6%. Passase à análise dos itens objeto de litígio. 3. DA SUPOSTA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Recorrente traz à baila inúmeras questões atinentes a princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis. Ocorre que em relação a tais matérias, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 950DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 951 15 fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Assim sendo, não conheço do recurso em relação a tais pontos. 4. DA PRETENSA NULIDADE DO LANÇAMENTO Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 952 16 § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte e ao coobrigado, tanto que, já em sede de impugnação defenderamse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de suas defesas. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. A esse respeito, muito bem concluiu a decisão recorrida: Verificase do anexo ao Termo de Intimação nº 3 que a contribuinte foi informada dos valores dos depósitos cujas origens deveriam ser comprovadas, de forma individualizada e também dos montantes mensais, para cada instituição na qual a contribuinte manteve a movimentação financeira. Não ocorrendo por parte da fiscalizada a devida comprovação, tais valores foram considerados relativos a receita omitida, sendo tributada a cada período mensal o montante da receita omitida relativa aos depósitos efetuados em cada instituição bancária, conforme constou detalhado no anexo ao TVF e dos respectivos autos de infração. Com relação às demais infrações, o auto de infração e o TVF, que dele faz parte, também demonstram a matéria e as disposições legais infringidas. Tampouco faltou fundamentação técnica ou legal para a constituição do crédito tributário. Constam dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal, perfeita descrição dos fatos, reconhecimento da efetiva receita bruta e os dispositivos legais que deram fulcro ao lançamento e não apenas a elaboração de quadros demonstrativos como aduziu a impugnante. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 953 17 Ressaltese que dos referidos termos e autos de infração a contribuinte teve ciência, conforme documento juntado à fl. 715. [...] Conforme se constata dos autos, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 691/712 demonstrou detalhadamente todo o procedimento fiscal, descrevendo os fatos apurados e os autos de infração apontam as infrações e contêm os dispositivos legais infringidos e aplicáveis. Os cálculos demonstrados e a capitulação legal contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse exercer seu direito de defesa. Cabe esclarecer que, em matéria de processo administrativo fiscal não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas no Decreto nº 70.235, de 1972 para tal procedimento. Também, não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais, informando a origem da autuação, a capitulação legal clara e coerente com a descrição dos fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Assim, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, sendo lavrado por pessoa competente e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar sobre a nulidade dos autos de infração. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 5. DA OMISSÃO DE RECEITAS 5.1 REVENDA DE VEÍCULOS A autoridade fiscal detectou omissão de receitas referentes a revenda de veículos. Assim o fez porque segregou as receitas em que a Recorrente logrou comprovar, Fl. 953DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 954 18 mediante apresentação de notas fiscais de entrada, o custo dos veículos revendidos, o que permitiu ser aplicado o disposto no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, qual seja, considerar como receita da atividade a diferença entre o preço de custo e o de revenda de veículos usados, equiparando tais transações, para efeitos tributários, como operações de consignação. Em relação às operações em que a Recorrente não comprovou o custo dos veículos revendidos, considerouse como receita o valor efetivo da alienação. Tais fatos são incontroversos. A discussão limitase aos percentuais utilizados para fins de arbitramento de lucros. Ressaltase que os motivos do arbitramento não foram frontalmente atacados pela Recorrente, discutindo tão somente os coeficientes de presunção do lucro arbitrado. Em relação à omissão de receita equiparada a operações de consignação, a autoridade fiscal utilizou o coeficiente de presunção de lucro arbitrado de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL. A Recorrente entende que os coeficientes aplicáveis deveriam ser de 8% e 12%, respectivamente. A irresignação da contribuinte não deve prevalecer, uma vez que o Regimento Interno do CARF, em seu art. 72, é de aplicação cogente aos membros deste colegiado, e a Súmula nº 85 do CARF determina que o coeficiente de lucro aplicável na hipótese em tela é de 32% no lucro presumido (e, consequentemente, 38,4% no lucro arbitrado em relação ao CSLL). Por oportuno, transcreve o teor de tal enunciado: Súmula CARF nº 85: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Em relação às receitas de revenda de veículos em que não houve comprovação do custo dos veículos revendidos, mais uma vez andou bem a fiscalização, pois, na ausência de tal comprovação, inviável é a aplicação do art. 5º da Lei nº 9.718/98, contudo, tratandose de operação comercial, os coeficientes de presunção de lucro arbitrado são de 9,6% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, conforme observado no lançamento. Portanto, a respeito da tributação das revendas de veículos, não há reparos a se fazer tanto em relação à comprovação da omissão de receita (fato incontroverso), quanto aos coeficientes de presunção de lucro utilizados pela autoridade fiscal. 5.2 RECEITAS FINANCEIRAS A comprovação de tal omissão foi feita por meio de cotejamento da DIRF, a o livro caixa e as declarações de renda apresentadas pela Recorrente. Não há contestação quanto ao auferimento de tais rendimentos, tampouco a forma de tributação adotada pela autoridade fiscal. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 955 19 Resta a discussão quanto à multa de ofício aplicada, tema a ser analisado em ponto em específico deste voto. 5.3 DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 956 20 Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. O Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Em sede de recurso voluntário não foram apresentados quaisquer novos documentos. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 957 21 No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 958 22 Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção Fl. 958DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 959 23 estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. No que tange aos valores indicados pelo Fisco como o montante da omissão de receitas baseada em depósitos bancários, alvo de arguição de nulidade da Recorrente por supostamente não restar identificado como se deu tal apuração, basta compulsar a tabela anexa ao Termo de Intimação número 3 para se verificar quais são os depósitos bancários considerados como receita omitida (já que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem de quaisquer dos depósitos). Resumo mensal de tais depósitos encontrase compilado à fl. 699, compondo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 691712). Cumpre ressaltar que, conforme indicado em tal Termo, os montantes indicados pela autoridade fiscal advém dos depósitos bancários em suas contas correntes, expurgados os valores referentes a: a) transferências de mesma titularidade; b) empréstimos originários da instituição financeira; c) recursos oriundos de aplicações financeiras; d) redução de saldo devedor. Quanto à duplicidade de valores exigidos, em relação às infrações referentes à revenda de veículos, caberia à Recorrente demonstrar, individualizadamente, a composição financeira do recebimento de cada operação em confronto com os respectivos depósitos bancários, o que não foi realizado inclusive em sede de recurso voluntário. Contudo, no que tange às receitas de prestação de serviços (recebimento de comissões por intermediação de financiamentos), entendo que os valores constantes em DIRF e considerados pela autoridade fiscal como receitas omitidas devem ser expurgados da exigência, uma vez é verdade sabida que tais pagamentos são realizados pelas financeiras mediante transferência bancária. Desse modo, voto por excluir os seguintes valores referentes a depósitos bancários sem comprovação de origem, de acordo com item 54 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 700): Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada, excluindose tão somente os valores indicados na tabela anteriormente reproduzida. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 960 24 No que tange à aplicação dos coeficientes de presunção, a autoridade fiscal aplicou o coeficiente de 38,4% por entender que, diante da impossibilidade de segregar a quais atividades corresponderia cada depósito bancário, e com base no art. 537, parágrafo único, do Decreto nº 3.000, de 1999, deveria ser aplicado o coeficiente mais elevado. A Recorrente, por sua vez, insurgese contra tal conclusão, argumentando que a própria autoridade fiscal identificou quais seriam suas únicas receitas de prestações de serviço, efetuado a exigência com o coeficiente de 38,4%, restando evidente que as demais receitas auferidas diziam respeito à revenda de veículos. Entendo assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal detectou que a Recorrente exercia mais de uma atividade, contudo, além da compra e venda de veículo, constatase que a outra atividade desenvolvida era remunerada mediante comissão pela intermediação dos financiamentos de veículos. Uma vez identificada as receitas advindas de tal prestação de serviços, a meu ver, resta evidente que os demais depósitos bancários somente poderiam dizer respeito a revenda de veículos, sendo aplicável, ante a impossibilidade de identificação do custo dos veículos revendidos, o coeficiente para determinação do lucro arbitrado de 9,6% para IRPJ e de 12% para a CSLL. 6. LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. De igual forma, o arbitramento de lucros levado a efeito em relação ao IRPJ impõe a mesma sistemática de apuração à CSLL. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, considerando as conclusões do IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter a simetria em tais exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Desse, devese excluir das bases de cálculo de CSLL, PIS e Cofins os seguintes valores tributados em duplicidade: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 961 25 Especificamente em relação à CSLL, conforme já abordado, devese exonerar ainda parcela do crédito tributário referente à aplicação do coeficiente de presunção de lucro incidente sobre os depósitos bancários considerados como receita omitida, aplicandose o coeficiente de 12% em vez dos 32% utilizados pela autoridade fiscal. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos parcialmente, nos moldes descritos. 7. DA MULTA DE OFÍCIO Sobre o tema, assim concluiu a decisão recorrida: A multa foi aplicada com fulcro no disposto na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I (75%). Relativamente à omissão de receita de comissões, foi aplicada a prevista no art. 44, I e § 1º, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, no percentual de 150%, tendo em vista a constatação de ocorrência de hipótese prevista na Lei nº 4.502, de 1964. [...] Ficou clara no processo, a constatação de omissão de receita e os fato caracterizador da sonegação, pois a contribuinte recebeu durante todo o ano de 2009, de diversas instituições financeiras valores referentes a comissões, omitindo continuamente esse fato da autoridade fazendária. Assim, reputase correta a aplicação da multa nos percentuais de 75% e 150%. No que tange à aplicação da penalidade de 75%, nada mais fez a autoridade fiscal do que aplicar a legislação vigente à época do fato gerador. Em relação aos argumentos atinentes ao confisco, já se discorreu a respeito de suas peculiaridades no âmbito do processo administrativo fiscal. Já no que diz respeito à aplicação da penalidade de 150% em relação às receitas de prestação de serviço, divirjo de tal entendimento. A meu ver, no contexto do Fl. 961DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 962 26 procedimento fiscal, os valores omitidos referentes às comissões por intermediações de financiamento, por serem acessórias e pouco relevantes em relação às receitas efetivamente percebidas por pessoas jurídicas que atuam no ramo de revenda de veículos, não aptos a, por si só, demonstrarem o dolo por parte do contribuinte. Vejase que nas operações de revenda efetivamente identificadas pelo Fisco os valores de receitas são maiores que as auferidas em comissões, e nem por isso a autoridade fiscal procedeu à qualificação da penalidade. Pelo montante de sua movimentação financeira, superior a R$ 7 milhões anuais, podese constatar que a receitas por prestações de serviço em tela não possuem a relevância suficiente a caracterizar sonegação, ainda mais quando as informações utilizadas para realizar o lançamento já se encontravam em poder da autoridade fiscal, no caso, as receitas informadas pelas instituições financeiras em DIRF. Se tais informações fossem condições sine qua non para qualificação da penalidade, os lançamentos realizados nos mesmos moldes nas denominadas “malhas” fiscais em relação às pessoas físicas certamente sempre realizadas com multa qualificada, o que, sabe se, não ser o caso. Para qualificação da penalidade, fazse necessário perquirir o dolo, um algo a mais em relação a uma mera omissão de receita. Nessa linha de raciocínio, inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14, assim vazada: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Desse modo, voto por reduzir a multa cominada ao percentual de 75%. 8. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A decisão recorrida manteve a imputação de responsabilidade atribuída aos coobrigados, nos seguintes termos: O artigo 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei 5.172 de 25/10/1966, assim dispõe sobre a responsabilidade tributária: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Consta dos autos (fl. 32) o contrato social da empresa que designa o sócio Gílson Roberto da Paz como sócio gerente da sociedade, no período em que foram cometidas as infrações. Para a lide tributária, em observância estrita ao processo administrativo fiscal, os elementos constantes dos autos, conforme já foi evidenciado, dão fundamento para a qualificação de Gílson Roberto da Paz (sócio gerente) como responsável pessoal pelos créditos apurados contra a autuada, Fl. 962DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 963 27 correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração da lei (sonegação fiscal), nos termos dos artigos 135, III do CTN. Sem dúvida, a falta de recolhimento ou a redução do tributo devido constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais, conforme entendimento dado pelo Poder Judiciário em varias decisões, tais como: Tributário – Execução Fiscal – Responsabilidade pessoal dos sócios – CTN, art. 135, III. 1. Na sistemática do CTN vigente (art. 135, III), a infração à lei tributária é pressuposto suficiente para determinar a responsabilidade do sócio gerente. 2. O não recolhimento de tributos é infração à lei tributária, e, como tal, determina a responsabilidade pessoal do gerente da sociedade de capital. 3. Aspectos relacionados ao direito comercial (integralização de capital e origem dos recursos sob constrição) são irrelevantes para o direito tributário, autônomo cientificamente. 4. Apelação improvida. Sentença confirmada” (TRF, 1a Região, AC 1374993/MG, rel. Juiz Cândido Ribeiro, DJU 19.12.1997, p. 111.547) Como visto e comprovado, a empresa fiscalizada ocultou do Fisco o recebimento das referidas comissões recebidas de instituições financeiras, durante todo o ano calendário de 2009. Tais fatos consubstanciam a hipótese prevista no caput do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional e impõe a responsabilização pessoal do sócio administrador. De acordo com o disposto pelo 142 do CTN é dever da autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação. Assim é definido o sujeito passivo no art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I. contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II. responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Como visto, o art. 135, III, do CTN dispõe que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica: Fl. 963DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 964 28 Para a lide tributária, em observância estrita ao processo administrativo fiscal, os elementos constantes dos autos, conforme já foi evidenciado, dão fundamento para a qualificação do sócio Gilson Roberto da Paz (sócio gerente) como responsável pessoal pelos créditos apurados contra a empresa, correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração da lei (sonegação fiscal), nos termos dos artigos 135, III do CTN. Assim, é de se considerar correta a imputação da responsabilidade conste do Termo de Sujeição Passiva lavrado pela autoridade administrativa. Com a devida vênia, creio que tal imputação de responsabilidade não deve prevalecer. Com as ressalvas que farei ao final, adoto o entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus inúmeros votos a respeito do tema: Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem.1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 964DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 965 29 mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 3 Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame da coobrigada com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. Alinhandose a tal posicionamento, salientando, contudo, que caso a multa qualificada fosse mantida, entendo que restaria satisfeita a condição para imputação de responsabilidade aos coobrigados com poder de gerência com base no art. 135, III, do CTN. Contudo, tendo votado pela desqualificação da penalidade, ante a ausência de prova de interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN, não vislumbro como incluir os coobrigados no polo passivo da obrigação tributária. Do exposto, voto por determinar a extinção da sujeição passiva solidária. 9. DAS QUESTÕES ATINENTES À REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Sobre o tema, deixome de pronunciar, conforme determina o enunciado nº 28 do CARF, cuja redação é a seguinte: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 3 idem Fl. 965DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 966 30 9. CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) excluir os valores indicados na tabela do item 54 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 700), e reproduzidos neste voto, do montante de omissão de receitas referente a depósitos bancários sem comprovação de origem; (ii) determinar a aplicação dos coeficientes para determinação do lucro arbitrado de 9,6% para IRPJ e de 12% para a CSLL em relação à omissão de receitas com base em depósito bancário; (iii) reduzir a multa de ofício a 75%; e (iv) cancelar a sujeição passiva solidária cominada ao coobrigado. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 966DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 967 31 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva A presente declaração de voto diz respeito exclusivamente à questão relacionada ao conceito de receita na comercialização de veículos usados e ao percentual do lucro em relação ao IRPJ e à CSLL, nos casos de lucro presumido ou arbitramento. Da receita das empresas que negociam veículos usados As empresas que negociam veículos usados, nos termos do art. 5º da Lei nº. 9.716, de 19984, se submetem a um regime fiscal específico, qual seja, admitem, à opção do contribuinte, um conceito de receita bruta diferente do usual (equiparam receita às consignações)5. Ao inserir no sistema jurídico a norma contida no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, (equiparando receita às consignações), adotouse a técnica legislativa da ficção jurídica, procedimento admitido em nosso sistema. Outro exemplo neste sentido encontrase no artigo 5º da Lei nº 8.023, de 1990, que dispõe sobre o resultado da atividade rural onde a norma prevê que, à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural, quando positivo, "limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase." Se para efeitos da venda de veículos usados receita é igual a consignação pode se dizer que, neste caso, por ficção jurídica, "receita é igual a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição.6" Do alcance do artigo 5º da Lei nº. 9.716, de 1998 e das Instruções Normativas referente à natureza das atividades das empresas que se dedicam ao comércio de veículos usados. 4 Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação." 5 Entendese por consignação mercantil o contrato pelo qual uma pessoa consignador ou consignante, entrega a outra, consignatário, mercadorias, a fim de que esta última as venda por conta própria e em seu próprio nome, prestando o consignatário ao consignante o preço entre ambos ajustado para a operação, qualquer que seja o valor alcançado pela venda feita a terceiros. Difere a consignação mercantil, essencialmente do mandato e da comissão mercantil. Difere do primeiro, porque, enquanto o mandatário age em nome do mandante, o consignatário age em seu próprio nome. Difere de ambos mandato e comissão, porque, enquanto o mandatário e comissário agem por conta, respectivamente, do mandante e do comitente, o consignatário age por conta própria. Em verdade, a distinção não se limita a esses aspectos exteriores ou formais. Há uma maneira de ser íntima, substancial, interior na consignação mercantil, que lhe dá tipicidade específica. É que nela duas operações de venda transcorrem, quando se completa a operação. No momento em que o consignatário vende mercadoria a terceiro, automaticamente ele a compra ao consignante." (Amilcar de Araújo Falcão). 6 Neste mesmo sentido artigo 96, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 968 32 Conforme dito anteriormente, a lei pode, por ficção, à opção do contribuinte, definir o que seja receita. Neste sentido, o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, definiu que na atividade de compra e venda de veículos usados receita equivale ao resultado da consignação, isto é, "a diferença entre o preço de aquisição e de venda". Contudo, indago: A norma também teria estabelecido que a atividade comercial de compra e venda de veículos usados, por ficção, equivale à prestação de serviços? Em relação à pergunta acima indicada a resposta é negativa. Não existe, ficção jurídica estabelecendo que a atividade de compra e venda de veículos usados, para fins tributários, equivale à prestação de serviços, justificando tributação com base de cálculo de 32%. A edição de Instruções Normativas prevendo base de cálculo de 32%, para a receita decorrente da venda de veículos, apurada na forma do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, ao meu sentir, afrontam o artigo 97, IV, do CTN. É importante que se tenha presente que não se pode confundir a ficção jurídica definindo o que seja receita no comércio de veículos usados para, sem previsão legal, criar nova ficção, isto é, que tal atividade de compra e venda equivale à prestação de serviços. Neste sentido, e somente a título de notícia, constatei que o assunto já foi objeto da Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de Santa Catarina ASSOVESC, resultando reconhecido, nas decisões proferidas7, que "a existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação (art. 5º, da Lei 9.716/98) não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a" e 20 da Lei 9.249/95).". Neste sentido, destaco a ementa do citado julgamento: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS USADOS. POSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À CONSIGNAÇÃO. DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA FINS DE APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. PRETENSÃO DA FAZENDA DE ENQUADRAR TAIS ATIVIDADES À CATEGORIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. DESRESPEITO À LEGALIDADE ESTRITA. 1. Caso em que se discute a legalidade da interpretação conferida pela Fazenda Nacional ao artigo 5º da lei 9.716/98, nos termos da IN SRF n. 390/2004, segundo a qual as operações de compra e venda de veículos usados realizadas por suas associadas equivalem à consignação mercantil, de sorte que devem ser equiparadas, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, às atividades de prestação de serviços de intermediação de negócios, as quais são tributadas pela alíquota de 32%. 2. A existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação (art. 5º, da Lei 9.716/98) não significa que estas atividades devem ser consideradas 7 sentença, acórdão do TRF 4 e RESP 1.160.907 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 969 33 como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a" e 20 da Lei 9.249/95). Não há como se vislumbrar tal alcance às normas em questão, mormente porque, nem no caso de compra de veículo para revenda, nem no de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro, há, efetivamente, uma prestação de serviço, mas simples operações de compra e venda, as quais não se encontram nas exceções previstas pelos artigos 15 e 20 da Lei 9.249/95. 3. Esta Corte, em caso análogo, já decidiu ser "Inconcebível que, para fins de incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de veículos seja uma operação mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor total da operação, e, para efeitos de base de cálculo de IRPJ e CSLL, a mesma operação seja uma prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei 9.249/1995" (REsp n. 1.201.298/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma desta Corte, cujo acórdão foi publicado no DJE do dia 4/2/2011). 4. Agravo regimental não provido (AgRg no Recurso Especial nº 1.1160.907 SC. Jul. 14 de fevereiro de 2012. Rel. Ministro Benedito Gonçalves). À minha decisão contida nesta declaração de voto agrego os fundamentos da decisão do REsp 1.160.907 SC, que resultou no agravo regimental cuja ementa acima transcrevi. Eis os fundamentos utilizados pelo Ministro Benedito Gonçalves: "A recorrente, com fundamento no artigo 5º, da Lei 9.716/98, defende que as operações de venda de veículos usados, por serem equiparadas às operações de consignação devem ser consideradas como prestação de serviço de intermediação de vendas e, por consequência, o IRPJ e a CSLL sobre elas incidente devem ser calculados com base na alíquota de 32%, à qual estão sujeitas as empresas prestadoras de serviço. Para dirimir a controvérsia, fazse pertinente a transcrição dos artigos de lei referentes ao tema. Com efeito, o artigo 5º, da Lei 9.716/98, determina que: Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Por seu turno, os artigos 15, inciso III, alínea "a" e 20, da Lei 9.249/95, os quais prevêm a alíquota de 32% para apuração do IRPJ e da CSLL, assim dispõem: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja Fl. 969DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 970 34 organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). [...] Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) Medida Provisória nº 232, de 2004). Da leitura dos dispositivos acima, verificase que o artigo 5º, da Lei 9.716/98 garante aos contribuintes que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores, o direito de proceder à equiparação das vendas de veículos usados com as operações de consignação, para fins tributários. (grifos no original) Os artigos, 15, III, "a" e 20, da Lei 9.249/95, por sua vez, definem que as bases de cálculo do IPRJ e da CSLL referentes aos contribuintes que realizam atividades de prestação de serviços, correspondem ao percentual de 32% sobre a receita bruta. Como mencionado, a Recorrente, com fundamento nas normas acima, editou a IN SRF nº 390/04 , na qual se regulamenta a forma de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos pelas pessoas jurídicas que realizam operações de venda de veículos usados, estabelecendo que, a partir de 2003, tais tributos serão apurados com base na alíquota de 32%. Eis o teor da mencionada norma, no que aqui importa: [...]Art. 96. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. § 1º Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. § 2º Considerase receita bruta, para efeito deste artigo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado tiver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 3º Na determinação da base de cálculo estimada e do resultado presumido ou arbitrado, aplicarseá o percentual de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, definida no § 2º, auferida nos períodos de apuração ocorridos até 30 de agosto de 2003, e o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para os períodos ocorridos a partir de 1º de setembro de 2003. § 4º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Seção, é o preço ajustado entre as partes. § 5º A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da SRF, o demonstrativo de apuração da base de cálculo a que se refere o § 2º. § 6º As disposições desta Seção aplicamse exclusivamente para efeitos fiscais (grifos no original). Fl. 970DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 971 35 Conjugandose os artigos de lei acima transcritos com o que dispõe a Instrução Normativa, percebese claramente que esta extrapolou os limites daqueles, em clara ofensa ao Princípio da Legalidade Estrita, preconizado pelo artigo 97, inciso IV, do CTN, na medida em que agravou a exação existente sem prévia lei que o permitisse. De fato, a existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço. Não há como se vislumbrar tal alcance às normas em questão. Ora, nem no caso de compra de veículo para revenda, nem no de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro, há, efetivamente, uma prestação de serviço, mas simples operações de compra e venda, a qual não se encontra nas exceções previstas pelos artigos 15 e 20 da Lei 9.249/95. No REsp 1.201.298 SC, julgado em 16/11/2010, tendo por relator o Ministro HERMAN BENJAMIN, a essência do apelo da Fazenda Nacional era de que "(...) o art. 5º da Lei 9.716/98, ao equiparar a operação de venda de veículos usados à consignação, para fins tributários, acabou na verdade por equiparála a um contrato de prestação de serviços, haja vista que a consignação seria um contrato de comissão e este uma prestação de serviço." Sustentava a recorrente de que "os Tribunais já se manifestaram no sentido de que na venda por consignação aquele que aliena não é possuidor do bem, mas mero intermediário que aufere no caso da venda determinada comissão. Assim que, a consignação prevista na Lei n. 9.716/98 é uma modalidade de consignação por comissão." (eSTJ, fl. 190)." Com base em tais argumentos, a recorrente sustentava a legalidade da IN 390/04 estabelecendo base de cálculo de 32% para as atividades que se dedicavam à compra e venda de veículos usados. O STJ, ao apreciar a questão, na mesma linha em que defendo em meu voto, assim decidiu: IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS E RECEBIMENTO DE AUTOMÓVEL COMO PARTE DO PAGAMENTO. OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ART. 15, § 1º, III, DA LEI 9.249/95. 1. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são, em regra, respectivamente, 8% e 12% da receita bruta. Para as atividades previstas no inciso III do § 1º do art. 15, no entanto, as bases de cálculo dos tributos corresponderão a 32% da receita bruta. 2. A Lei 9.716/95 autorizou o contribuinte a equiparar, como operações de consignação, aquelas em que recebe veículo usado como parte do pagamento de um que foi vendido e em que adquire um outro usado para revenda. 3. O comando legal é dirigido ao contribuinte. A norma seria esvaziada por completo se, com isso, fosse consideravelmente aumentado o custo tributário das operações. 4. Não ocorre, efetivamente, prestação de serviço, mas simples operação de compra e venda, nos casos de compra de veículo para revenda ou de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro. 5. Inconcebível que, para fins de incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de veículos seja uma operação mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor total da operação, e, para efeitos de base de cálculo de IRPJ e CSLL, a mesma operação seja uma prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei 9.249/1995. 6. Recurso Especial não provido. (REsp 1.201.298 SC. Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN. Julgado em 16/11/2010). Fl. 971DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721262/201307 Acórdão n.º 1402001.877 S1C4T2 Fl. 972 36 Em resumo, em se tratando de compra e venda de veículos usados, quer seja por empresas do SIMPLES ou não, por ficção legal, temse por receita "a diferença entre o preço de aquisição e de venda do veículo." No caso das empresas do simples a base legal tributável será a integralidade do valor correspondente "a diferença entre o preço de aquisição e de venda do veículo". Para as empresas tributadas com base no lucro presumido pegase a receita apurada conforme o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998 e aplicase o percentual de 8%, previsto no artigo 15, caput, da Lei nº 9.249, de 1997. ISSO POSTO, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para reconhecer que receita na atividade comercial de compra e venda de veículos usados, por expressa disposição legal, corresponde à diferença entre o valor da aquisição e o preço da venda, devendo, nos casos de arbitramento, ser aplicado o percentual de 9,6% (8 = 20% = 9,6%) para o IRPJ e de 12% para a CSLL. No que diz respeito ao PIS e a Cofins estes devem incidir somente sobre a receita conforme o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. assinado digitalmente Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 972DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10073.720968/2013-89
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RELATÓRIO FISCAL COM TODAS AS DESCRIÇÕES DA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA, INEXISTENCIA.
Se o auto de infração trazia em seu bojo todos os elementos necessários para que a recorrente apresentasse a devida defesa, se não o fez de forma apta, não o foi por cerceamento de defesa, mas por qualquer outro motivo estranho aos autos.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOE-DUCAÇÃO. CONVÊNIO PARA RECOLHIMENTO DIRETO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL A PARTIR DE JANEIRO DE 2007.
A partir de janeiro de 2007, com a revogação do Decreto nº 3.142/1999 pelo Decreto n° 6.003/2006, a contribuição social do salário-educação (FNDE) passou a ser exclusivamente arrecadada, cobrada e fiscalizada, pela Secretaria da Receita Previdenciária e, após a sua extinção, determinada pela Lei nº 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RELATÓRIO FISCAL COM TODAS AS DESCRIÇÕES DA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA, INEXISTENCIA. Se o auto de infração trazia em seu bojo todos os elementos necessários para que a recorrente apresentasse a devida defesa, se não o fez de forma apta, não o foi por cerceamento de defesa, mas por qualquer outro motivo estranho aos autos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOE-DUCAÇÃO. CONVÊNIO PARA RECOLHIMENTO DIRETO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL A PARTIR DE JANEIRO DE 2007. A partir de janeiro de 2007, com a revogação do Decreto nº 3.142/1999 pelo Decreto n° 6.003/2006, a contribuição social do salário-educação (FNDE) passou a ser exclusivamente arrecadada, cobrada e fiscalizada, pela Secretaria da Receita Previdenciária e, após a sua extinção, determinada pela Lei nº 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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CERCEAMENTO DE DEFESA, INEXISTENCIA. Se o auto de infração trazia em seu bojo todos os elementos necessários para que a recorrente apresentasse a devida defesa, se não o fez de forma apta, não o foi por cerceamento de defesa, mas por qualquer outro motivo estranho aos autos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONVÊNIO PARA RECOLHIMENTO DIRETO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL A PARTIR DE JANEIRO DE 2007. A partir de janeiro de 2007, com a revogação do Decreto nº 3.142/1999 pelo Decreto n° 6.003/2006, a contribuição social do salárioeducação (FNDE) passou a ser exclusivamente arrecadada, cobrada e fiscalizada, pela Secretaria da Receita Previdenciária e, após a sua extinção, determinada pela Lei nº 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 09 68 /2 01 3- 89 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10073.720968/201389 Acórdão n.º 2803003.766 S2TE03 Fl. 312 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte Viação Penedo Ltda – EPP, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos), o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONVÊNIO PARA RECOLHIMENTO DIRETO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL A PARTIR DE JANEIRO DE 2007. A partir de janeiro de 2007, com a revogação do Decreto nº 3.142/1999 pelo Decreto n° 6.003/2006, a contribuição social do salárioeducação (FNDE) passou a ser exclusivamente arrecadada, cobrada e fiscalizada, pela Secretaria da Receita Previdenciária e, após a sua extinção, determinada pela Lei nº 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo administrativo em que se julga o presente Recurso Voluntário trata de auto de infração por descumprimento de obrigações e imposição de multa que restou assim descrito no Relatório Fiscal apresentado (fls. 30/33): “3. DA INFORMAÇÃO INDEVIDA NA GFIP DE OPTANTE PELO SIMPLES 3.1 Constatouse que o contribuinte apresentou, durante o período abrangido por esta ação fiscal, a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs com a informação de “Optante pelo Simples”, recolhendo apenas as contribuições descontadas dos segurados, apesar de não ostentar tal condição no período em questão (Consulta Optantes pelo Simples Nacional em anexo) 3.2 Ao proceder da forma relatada, a empresa, além do descumprimento das normas que regulam o preenchimento da GFIP, fez por suprimir, dessa declaração, as contribuições sociais previdenciárias patronais e as Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 destinadas a outras entidades (terceiros), por ela, de fato, devidas, por vez que, na condição de optante pelo regime tributário simplificado, não seriam essas contribuições devidas e exigidas. 3.3 Como essa situação não representa a realidade tributária da empresa, o procedimento por ela adotado revela o intento da sonegação fiscal, pois, verificase que os recolhimentos foram, da mesma forma, efetuados com a supressão da contribuição previdenciária patronal e das contribuições destinadas a outras (terceiros). 4. DAS DIVERGENCIAS FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP 4.1 Além dos fatos já relatados, constatouse também, nas competências 03.2009, 05.2009, 10.2009 e 11.2009 a falta de declaraçãoo em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tal contatação originouse de comparação entre valores das folhas de pagamento e das GFIPS, conforme planilha anexa” Em razão de tais descumprimentos, foram efetuados lançamentos referentes a créditos de contribuições previdenciárias correspondentes: a) à parte da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – 20% (vinte por cento) e à destinada ao financiamento dos beneficiados concebidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborariva decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT AI/DEBCAD n. 51.044.8330 e 51.044.8356; b) à parte devida a Outras Entidade e Fundos: 5,8% (cinco inteiro e oito décimos por cento) distribuídos conforme DCCTP AI/DEBCAD n. 51.044.8348 e 51.044.8364; Devidamente intimada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 172/183), aduzindo, em apertada síntese, que: a) o Auditor Fiscal omitiu as rubricas utilizadas para composição do total do salário de contribuição segundo a folha de pagamento, cerceando a defesa da contribuinte que não estava apta e capacitada para apontar o equivoco especifico na citada composição; b) a contribuinte, à época dos fatos possuía convenio para recolhimento direto do salário educação ao FNDE, conforme disposto no § 2o., do art. 130, da IN SRP n. 03/2005; Ao analisar as alegações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo na íntegra os lançamentos efetuados pela fiscalização (fls. 280/288). No entendimento da DRJ não houve qualquer cerceamento de defesa à contribuinte, sendo que a impugnante não contestou todos os créditos lançados. No tocante ao salário educação, entendeu que razão não assistia à ora recorrente, uma vez que a partir de janeiro de 2007, com a revogação do Decreto nº 3.142/1999 pelo Decreto n° 6.003/2006, a contribuição social do salárioeducação (FNDE) passou a ser exclusivamente arrecadada, cobrada e fiscalizada, pela Secretaria da Receita Previdenciária e, após a sua extinção, determinada pela Lei nº 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 298/307), reproduzindo as alegações apresentadas na impugnação, não atacando, diretamente, qualquer dispositivo do julgado. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10073.720968/201389 Acórdão n.º 2803003.766 S2TE03 Fl. 313 5 Sem contrarrazões por parte da Fazenda, foram os autos encaminhados a este Egrégio Conselho, sorteada a mim a relatoria. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Do Cerceamento de Defesa Como é cediço, o cerceamento de defesa se dá quando ocorre uma limitação na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender da forma legalmente permitida gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violar o princípio constitucional do Devido Processo Legal. No caso ora em análise a recorrente aduz, de forma bem perfunctótia, que teve sua defesa cerceada por não encontrar nos lançamentos efetuados pela fiscalização as necessárias descrições das rubricas lançadas, não estando, por consectário, apta a realizar uma defesa ampla de sua legalidade fiscal. Analisando os autos, não há como dar guarida à frívola alegação da recorrente, pois o relatório fiscal apresentado (fls. 30/33) é preciso na descrição dos fatos que levaram ao lançamento, bem como na forma em que chegou ao montante lançado: “3. DA INFORMAÇÃO INDEVIDA NA GFIP DE OPTANTE PELO SIMPLES 3.1 Constatouse que o contribuinte apresentou, durante o período abrangido por esta ação fiscal, a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs com a informação de “Optante pelo Simples”, recolhendo apenas as contribuições descontadas dos segurados, apesar de não ostentar tal condição no período em questão (Consulta Optantes pelo Simples Nacional em anexo) 3.2 Ao proceder da forma relatada, a empresa, além do descumprimento das normas que regulam o preenchimento da GFIP, fez por suprimir, dessa declaração, as contribuições sociais previdenciárias patronais e as destinadas a outras entidades (terceiros), por ela, de fato, devidas, por vez que, na condição de optante pelo regime tributário simplificado, não seriam essas contribuições devidas e exigidas. 3.3 Como essa situação não representa a realidade tributária da empresa, o procedimento por ela adotado revela o intento da sonegação fiscal, pois, verificase que os recolhimentos foram, da mesma forma, efetuados com a supressão da contribuição previdenciária patronal e das contribuições destinadas a outras (terceiros). 4. DAS DIVERGENCIAS FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP 4.1 Além dos fatos já relatados, constatouse também, nas competências 03.2009, 05.2009, 10.2009 e 11.2009 a falta de declaraçãoo em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tal contatação originouse de comparação entre valores das folhas de pagamento e das GFIPS, conforme planilha anexa” Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10073.720968/201389 Acórdão n.º 2803003.766 S2TE03 Fl. 314 7 Não obstante isso, da análise dos documentos de fls. 36, 38, 70, 72, 96, 97, 119 e 120, observase que foi a própria Autuada que registrou em suas folhas de pagamento referentes às competen̂cias 03/2009, 05/2009, 10/2009 e 11/2009, o salário de contribuiçaõ total relativo aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, correspondeu, respectivamente, a R$ 47.196,81, 48.367,74, R$ 72.820,13 e R$ 73.037,29. Com efeito, tendo em vista que as folhas de pagamento, salvo prova em contrário, fazem prova contra recorrente, constatase que cabe exclusivamente a esta demonstrar os supostos equívocos ocorridos na apuração efetuada nas folhas de pagamento referentes às competen̂cias 03/2009, 05/2009, 10/2009 e 11/2009, do salaŕiodecontribuiçaõ total relativo aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Destarte, verificase que não há que se falar em nenhuma mácula no que tange a apuracã̧o das bases de cálculo utilizadas no lançamento dos autos de infração de DEBCAD no 51.044.8356 e no 51.044.8364, visto que a mesma foi efetuada com base em folhas de pagamento apresentadas pela própria recorrente (fls. 36, 38, 70, 72, 96, 97, 119 e 120) e que esta não demonstrou e não comprovou a ocorrência dos supostos equívocos que teriam gerado as diferenças apuradas entre os valores registrados, nas suas folhas de pagamento e suas GFIP’s, a título salário de contribuiçaõ total relativo aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Ademais, verificase que não há que se falar em qualquer mácula no que tange a demonstração das contribuições que foram lançadas no auto de infraçaõ de DEBCAD no 51.044.8330, porquanto o relatório fiscal de fls. 30 a 33 e o Discriminativo do Débito (DD) de fls. 04 a 09 as expõe de forma clara. Cabe ressaltar, por fim, que o anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD) referente ao auto de infracã̧o de DEBCAD no 51.044.8330 (fls. 10/11), ao fazer mençaõ a “contribuiçaõ das empresas/cooperativas s/ as remunerações pagas distribuídas ou creditadas a autônomos, avulsos e demais pessoas físicas e cooperados, de que trata a Lei Complementar n. 84/96”, ressalta expressamente que a mesma era exigível até 02/2000, e que, desde a vigência da Lei no 9.876/1999, a contribuiçaõ “das empresas s/ a rem. a contribuintes individuais” encontrase prevista no artigo 22, inciso III, da Lei no 8.212/1991. Destarte, não se visualiza nenhum prejuízo a recorrente em tal citação, visto que a contribuinte, diante da indicacã̧o no relatório fiscal de fls. 30 a 33 e no Discriminativo do Débito (DD) de fls. 04 a 09, das contribuições lançadas (contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais) e das competências a que se referem (competências do ano 2009), tinha totais condições de compreender que a referência feita no FLD a ̀contribuiçaõ que era prevista na Lei Complementar no 84/1996 visava apenas dar conhecimento ao contribuinte da evolução histórica da legislacã̧o que preve ̂a contribuiçaõ social previdenciária da empresa sobre remuneracõ̧es pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais. Ora, o auto de infração, na forma em que foi apresentado, trazia em seu bojo todos os elementos necessários para que a recorrente apresentasse a devida defesa, se não o fez de forma apta, não o foi por cerceamento de defesa, mas por qualquer outro motivo extranho aos autos. Assim, não vislumbro como acolher a alegação de cerceamento de defesa, rejeitandoa. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Do Salárioeducação No tocante ao salárioeducação, contribuição social prevista no artigo 212, § 5º, da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nºs 9.424/96, 9.766/98, Decreto nº 6003/2006 e Lei nº 11.457/2007, incidente sobre o valor total das remunerações pagas ou creditadas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais, e é arrecadada, fiscalizada e cobrada, hodiernamente, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Insta salientar, outrossim, que na época dos fatos geradores da autuação, os convênios refentes aos salárioeducação, diferentemente do que alegado pela contribuinte, já eram arrecadado diretamente pela SRF, conforme se observa do artigo 11 do Decreto 6003/2006, verbis: Art. 11 O recolhimento da contribuição social do salárioeducação será feito da seguinte forma: I os créditos relativos a competências de 01/2007 em diante, exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da GPS, juntamente com as contribuições previdenciárias e demais contribuições devidas a terceiros; II os créditos relativos a competências anteriores a 01/2007, não recolhidos no prazo regulamentar e pendentes de constituição, exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por GPS com código de pagamento específico para o salárioeducação; III os créditos relativos a competências anteriores a 01/2007, já constituídos pelo FNDE, exclusivamente por meio do Comprovante de Arrecadação Direta CAD, até que se complete o processo de migração para a Secretaria da Receita Previdenciária, das bases necessárias à apropriação dos respectivos recebimentos, na forma que vier a ser estabelecida no ato de que trata o art. 12. § 1º Fica mantida a competência do FNDE sobre os créditos por ele constituídos, incluídos ou não em parcelamentos, relativos a competências anteriores a 01/2007, até que ocorra a migração para a Secretaria da Receita Previdenciária das bases de que trata o inciso III. § 2º Depois de concluída a migração a que se refere o inciso III, os créditos já constituídos pelo FNDE, incluídos ou não em parcelamentos, relativos a competências anteriores a 01/2007, serão recolhidos exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por GPS, com código de pagamento específico para o salárioeducação. § 3º Para o cumprimento do disposto no inciso I, o contribuinte informará na GFIP código de terceiros ímpar, cuja composição inclui o salário educação, e para cumprimento do disposto nos incisos II e III e no § 2º não fará qualquer alteração nas GFIP já entregues, relativas àquelas competências, uma vez que as informações nelas contidas serviram de base para o repasse a terceiros da contribuição correspondente. § 4º Nos lançamentos de créditos de salárioeducação relativos a competências anteriores a 01/2007 observarseá o disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, inclusive quanto ao preenchimento da GFIP, que deverá consignar código de terceiros par, que exclui o salárioeducação de sua composição. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10073.720968/201389 Acórdão n.º 2803003.766 S2TE03 Fl. 315 9 § 5º O código de pagamento específico para o salárioeducação a que se referem o inciso II e o § 2º será divulgado, com a devida antecedência, pelo FNDE, aos contribuintes sujeitos ao recolhimento direto daquela contribuição. Não obstante isso, caso tenha a contribuinte efetuado qualquer pagamento referente ao salárioeducação, deveria esta ter trazido comprovante aos autos, o que não o fez, razão pela qual não nego provimento ao recurso voluntário neste tópico. Das Contribuições para o INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE Com o escopo de não deixar de mencionar as contribuições lançadas no DEBCAD n. 51.044.8348, adoto as razões de decidir da própria DRJ, uma vez que tais contribuições não foram impugnadas, tampouco trouxe a recorrente qualquer manifestação sobre elas em suas razões recursais, razão pela qual mantenho o lançamento nestes pontos. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, para no mérito negarlhe provimento, pelos motivos mencionados alhures. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10830.011403/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA
ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA
As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação.
RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO
A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da COFINS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 2005
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA
ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA
As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação.
RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO
A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da Contribuição ao PIS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento o advogado Dr. Marco Antônio Berh G. de Oliveira, OAB/DF 173.362.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da COFINS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da Contribuição ao PIS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta. Recurso de Ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento o advogado Dr. Marco Antônio Berh G. de Oliveira, OAB/DF 173.362. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
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RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da COFINS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da Contribuição ao PIS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 14 03 /2 00 7- 40 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 926 2 pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento o advogado Dr. Marco Antônio Berh G. de Oliveira, OAB/DF 173.362. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso de ofício interposto, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei 9.532/97 e Portaria 375/2001, contra Acórdão nº 05.21.562, de 24 de março de 2008, proferido pela 5ª Turma da DRJ/CPS, que julgou por unanimidade de votos improcedentes as exigências fiscais. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, lavrados em 27/12/2007 e formalizando crédito tributário no valor total de R$ 36.344.338,18. A autoridade lançadora assim estrutura os fatos e alterações legislativas verificadas no período fiscalizado (fls. 27/30): · Em razão da incorporação de Terraço Participações Ltda (TERRAÇO) realizada em 18/01/00 e registrada em 24/02/99, a autuada (ELEKTRO) assumiu empréstimos contratados por esta no Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 927 3 exterior, no valor total de US$ 500 milhões, constituídos da parcela de US$ 250 milhões sem cobrança de juros e US$ 250 milhões com juros pactuados de 15% ao ano; · Nos períodos de apuração de 1999 a 2002, para fins de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre variações cambiais decorrentes de empréstimos em moeda estrangeira, a ELEKTRO adotou o regime de competência, como autorizado no art 30, §1º da Medida Provisória n 2.158/3501, já que a taxa do dólar encontrava se em alta, gerando por conseguinte variações cambiais passivas sobre principal e juros, contribuindo desse modo para a formação dos prejuízos fiscais nesse período; · Em razão do disposto no art. 30 da Medida Provisória n 2.158/3501, os efeitos das variações monetárias ocorridas a partir de 01.01.2000, deverão ser considerados no momento da liquidação da operação; · Em 31/12/2002, a ELEKTRO possuía, em seu passivo, obrigações equivalentes a R$ 883.325.000,00 (US$ 250 milhões), referente a dívida assumida na incorporação da TERRAÇO; · A partir do anocalendário 2003, a ELEKTRO submeteuse ao regime de caixa previsto no caput do referido art. 30, já que a taxa do dólar iniciou uma nova tendência a que certamente acarretaria em receitas financeiras, por conta das variações cambiais ativas; · A partir de fevereiro/2004 a alíquota da COFINS é elevada de 3% para 7,6%; · A partir de 2/08/2004, com a edição do Decreto nº 5.164/2004, foram reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa; · Em junho/2005 os juros da obrigação foram liquidados, e em julho/2005 foi quitado o valor da obrigação principal. Diante de tais ocorrências, a autoridade lançadora concluiu que: O montante que a empresa apurou e contabilizou de Receitas Financeiras decorrentes de variações cambiais ativas a partir de 01.01.2003 até 30.07.2004, cujo efeito foi anulado no LALUR, deveria ter sido considerada nos meses em que foram liquidadas as obrigações, ou Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 928 4 seja, junho e julho de 2005, a exemplo do que ocorreu com o IRPJ e CSLL. Os valores de variações cambiais ativas, reconhecidos para fins de IRPJ e CSLL, nada mais são do que a soma daquelas receitas cujos fatos geradores ocorreram de forma mensal, por conta da oscilação negativa do dólar. O pagamento da obrigação, no presente caso, representa apenas o momento em que as receitas de variações cambiais ativas, cujos fatos geradores já haviam ocorridos, estando, porém, com a tributação “suspensa”, a exemplo dos procedimentos adotados pela fiscalização quanto ao IRPJ e CSLL, deveriam ser consideradas também, na base de cálculo do PIS e da COFINS. O decreto Presidencial nº 5.164, de 30.07.2004 é de uma clareza ímpar quando no seu artigo. 3º determina que o referido ato entre em vigor na data da publicação produzindo efeito a partir de 02.08.2004. O art. 30 da MP 2.158/3501 foi redigido em perfeita maestria quando afirma que “as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação, ou seja, em nenhum momento mudou o fato gerador da obrigação, apenas aquele FG deve ser considerado no momento da liquidação da operação. Não se trata de comparar regime de caixa e regime de competência. A forma de apuralçai das variações monetárias continuou a mesma após o art. 30 da MP 2.158/3501, apenas a sua consideração temporal na base de cálculo dos tributos e contribuições é que foi alterada. Em conseqüência, formalizou a exigência correspondente à Contribuição ao PIS sobre as bases de cálculo de R$ 65.992.836,68 em junho e R$ 269.900.000,00 em julho/2005. Com referência à COFINS, ante a alteração da alíquota a partir de fevereiro/2004, os valores foram segregados, de forma que, relativamente à base de cálculo de junho/2005 foi aplicada a alíquota de 3% sobre a parcela de R$ 54.966.572,92 e de 7,6% sobre a parcela de R$ 11.026.263,76, e com referência à base de cálculo de julho/2005 a alíquota de 3% incidiu sobre R$ Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 929 5 236.250.000, restando R$ 33.650.000,00 que recebeu a aplicação da alíquota de 7,6%. Cientificado do lançamento em 27/12/2007, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls.176/209 em 25/01/2008, juntando os documentos de fls. 210/953 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: · Em introdução, assim manifestase acerca do lançamento: 5. Vejase que o cerne da acusação fiscal é de que a Impugnante não teria oferecido à tributação os valores de variação cambial ativa originárias de principal e juros de um empréstimo contraído com a empresa TERRAÇO INVESTMENTS Ltd.(“TIL”), que foram liquidados em junho e julho de 2005. 6. NO entender da Fiscalização, embora os empréstimos tenham sido liquidados em junho e julho de 2005, as variações cambiais ativas apurados no período compreendido entre janeiro de 2003 a julho de 2004 deveriam ter sido incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS e recolhidas conforme as alíquotas vigentes à época, independentemente da adoção do regime caixa para tratamento das variações cambiais pela Impugnante. 7. Como se verá abaixo, a partir de agosto de 2004, de acordo com o Decreto nº 5.164/04, as receitas financeiras (dentre as quais as receitas de variação cambial) passaram a estar sujeitas à alíquota zero no recolhimento do PIS e da COFINS. Essa foi a razão encontrada pela Fiscalização para deixar de considerar no presente lançamento as variações cambiais apuradas após julho de 2004. 8. Portanto, depreendese do presente lançamento que, não obstante tenha a Fiscalização considerado o fato de a Impugnante ter adotado o regime de caixa para reconhecimento das variações cambiais, ela entendeu que os fatos geradores das contribuições sociais ocorreram no período compreendido entre 2003 e 2004, porém restaram “suspensos” até a data da liquidação dos empréstimos. · Na seqüência, sob o capitulo II – Do DIREITO, traça breve histórico da legislação das contribuições ao PIS e COFINS , e aborda o tratamento das variações cambiais ativas pela legislação do PIS e da COFINS, para, então defender a legitimidade do procedimento adotado pela empresa, na medida Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 930 6 em que a “suspensão” dos fatos geradores, ocorridos de janeiro de 2003 a julho de 2004, até o momento da liquidação das obrigações, em junho e julho de 2005, além de afrontar diretamente o regime de caixa adotado pelo Impugnante nos termos do caput do art. 30 da MP 2.158/3501, viola o conceito de receita e o princípio da capacidade contributiva; · Aborda as regras do regime de caixa para tratamento das variações cambiais, conforme o art. 30 da MP 2.158/3501, para demonstrar que procedeu, como sempre o fez, o cumprimento das disposições legais, em especial, a MP nº 2.158/3501 e o Decreto nº 5.164/04, além de seu procedimento estar conforme com entendimento já manifestado em Soluções de Consulta da Receita Federal. · Ainda, manifestase quanto à impropriedade do regime adotado pela Fiscalização para tratamento das variações cambiais, ressaltando que no regime de caixa adotado, o fato gerador das contribuições somente ocorre no momento da liquidação, para concluir que o que fez a Fiscalização foi criar um terceiro regime, além daqueles previstos em lei, no qual o contribuinte estaria obrigado a recolhêla sobre cada valoração da moeda estrangeira em face do real, restando suspenso apenas o seu pagamento; · No Capítulo III – DO EXCESSO NA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, questiona a não consideração dos valores das variações cambiais passivas no período, reportando se aos argumentos deduzidos pela Fiscalização em lançamento de IRPJ e CSLL formalizado na mesma ação fiscal, para concluir que se a intenção da Fiscalização é atribuir o mesmo tratamento às variações cambiais do regime do IRPJ, CSLL, e dos PIS e da COFINS, então, deveria, ao menos, considerar as despesas de variação cambial auferidas entre os meses de janeiro de 2003 e fevereiro de 2004 · Também aborda a inconstitucionalidade da incidência da COFINS, com fundamento na lei nº 9.718/98, para limitar seus efeitos às receitas financeiras exclusivamente no período entre fevereiro de 2004 a julho de 2004, na medida em que somente a Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 931 7 partir daí a incidência da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte teria fundamento legal válido, na Lei n 10.833/2003. · Subsidiariamente, requer a exclusão de penalidade e de juros por ter observado as orientações definidas nas Soluções de Consulta nº 30 e 31, bem como a não aplicação de multa de ofício sobre os valores não tributos, a título de COFINS, nos períodos entre janeiro de 2003 a fevereiro de 2004, dada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial específica, proferida nos autos da ação judicial nº 2004.03.00.0587464. · Ao final, concluiu estar demonstrado: (i) a legitimidade do procedimento da Impugnante, que atendeu expressamente às disposições legais da época, em especial a MP nº 2.158/3501 e o Decreto nº 5.164/04, e aplicou a alíquota zero para fins de incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas de variação cambial apuradas quando da liquidação das operações de empréstimo em junho e julho de 2005. (ii) A impropriedade do procedimento adotado pela Fiscalização que criou um ovo método para tratamento das variações cambiais, totalmente alheio às disposições legais consignadas no caput e no § do art. 30 da MP 2.158/3501. Ainda restou demonstrado que o procedimento adotado pela Fiscalização viola o conceito de renda e, ainda o princípio da capacidade contributiva, ocasionando a tributação de ingressos que não resultaram em receita efetiva da Impugnante: (iii) Há verdadeiro excesso na constituição do crédito tributário, porque: (iii.1) muito embora tenha entendido aplicáveis ao PIS e a COFINS as mesmas regras de tributação do IRPJ e da CSLL , a Fiscalização deixou de considerar as despesas de variação cambial do mesmo período na apuração do valor devido; (iii.2) a Fiscalização incluiu na base de cálculo da COFINS as receitas de variação cambial apuradas entre janeiro de 2003 a Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 932 8 fevereiro de 2004, período em que a base de cálculo da COFINS seria determinada pelas disposições da Lei Complementar nº 70/91, limitandose ao faturamento; (iii.3) não há que se falar em imposição de multa e juros, porque a Impugnante seguiu orientação da própria Administração sobre a matéria, conforme determina o artigo 100 do Código Tributário Nacional, e, por fim; (iii.4) não há que se falar em imposição de multa porque a exigibilidade dos créditos de COFINS das variações cambiais, dos períodos de janeiro de 2003 fevereiro de 2004, está com a exigibilidade suspensa por medida judicial.” A DRJ, por unanimidade de votos, considerou improcedente as exigências fiscais , em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da COFINS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ALTERAÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA REGIME DE CAIXA As variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do ano calendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 933 9 RECEITA FINANCEIRA. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALÍQUOTA ZERO A partir de 2 de agosto de 2004, ficou reduzida a zero a alíquota da Contribuição ao PIS incidente sobre as variações cambiais ativas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da contribuição, ainda que se trate de variações vinculadas a operações celebradas antes da citada data, desde que liquidadas após esta.” Cientificado do referido acórdão em 12 de junho de 2008, foi informado que houve interposição de recurso de ofício ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF declarado na decisão de 1ª instância – Acórdão nº 0521.562 da 5ª Turma DA DRJ/CPS. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso de Ofício tempestivamente interposto pela autoridade de primeira instância, considerando a declaração constante da própria decisão proferida em – Acórdão nº 0521.562 da 5ª Turma DA DRJ/CPS Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve autuação fiscal recepcionada pela empresa ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS LTDA relativos à Contribuição para o PIS e para a COFINS, lavrados em 26/12/2007, formalizando crédito tributário no valor de R$ 36.344.338,18. A autuação vislumbrou discussão acerca do “fato gerador” quando da opção tributária pelo regime de caixa das variações cambiais, considerando que a operação que originava tais variações havia sido celebrada antes de 2 de agosto de 2004, mas efetivamente liquidadas após essa data. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 934 10 Para melhor compreensão da interposição do Recurso de Ofício e a elucidação do deslinde da questão, importante trazer o voto constante do acórdão da DRJ: “[...] Desde fevereiro de 1999 as variações monetárias decorrentes da flutuação da taxa de câmbio (variações cambiais) são expressamente tratadas como receitas financeiras e assim sujeitamse à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, por força dos artigos 2º, 3º e 9º da Lei nº 9.718/98, abaixo transcritos: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Fl. 993DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 935 11 Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) III (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. [...] Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” No mesmo sentido, em 11/08/99 foi publicado o Ato Declaratório SRF nº 73/99, com a seguinte redação: Artigo Único. As variações monetárias ativas auferidas a partir de 1º de fevereiro de 1999 deverão ser computadas, na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Logo, não há dúvida que, no âmbito da COFINS e da Contribuição ao PIS, as variações cambiais ativas são receitas financeiras. Até 31/12/1999, para efeito de tributação da receita decorrente de variação cambial, adotavase a regra geral de apuração pelo regime de competência. Tal sistemática está prevista no § 1º do artigo 187, da Lei nº 6.404/76, Lei das Sociedades por Ações, que dispõe: “Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: [...] III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; [...] § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e Fl. 994DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 936 12 b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.” No mesmo sentido é a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade – CFC nº 1.052/2005, que aprovou a NBC T7 – Conversão da Moeda Estrangeira nas Demonstrações Contábeis, e determinou em seu item 7.5.1 que “ As variações cambiais d transações em moeda estrangeira devem ser registradas em contas de resultado no período a que se referirem”. Ainda, a mesma regra geral é adotada pelo Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: “Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 7 º ). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n º 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2 º , e Lei n º 9.249, de 1995, art. 25).” Assim, ausente disposição expressa em sentido contrário, as receitas, rendimentos e ganhos deverão ser reconhecidos pelo regime de competência. E, tratando especificamente da apuração das receitas decorrentes de variações cambiais, o mesmo Regulamento dispõe: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 18, Lei n º 9.249, de 1995, art. 8 º ). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei n º 9.718, de 1998, art. 9 º ). [...] Fl. 995DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 937 13 Art. 377. Na determinação do lucro operacional poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos, observado o disposto no parágrafo único do art. 375 (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 18, parágrafo único, Lei n º 9.249, de 1995, art. 8 º ). Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerramento do período de apuração em função da taxa vigente.” Tal sistemática foi alterada a partir de 01/01/2000, especificamente em relação às variações cambiais, com a edição da Medida Provisória nº 1.858 10, de 26 de outubro de 1999, e acréscimos da Medida Provisória nº 1.991 14, de 11 de fevereiro de 2000, e reedições, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no parágrafo anterior aplicarseá a todo o ano calendário. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 938 14 § 3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. A norma, portanto, fixou como regra a apropriação das referidas receitas pelo regime de caixa (quando da liquidação da correspondente operação), mas facultou à pessoa jurídica o direito de optar pelo regime de competência na determinação do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da COFINS, observandose que, neste caso, a opção prevaleceria para todo o ano calendário e para todos os tributos relacionados. Cabia ao sujeito passivo, assim, analisar a conveniência da adoção de um ou outro regime, levando em conta os efeitos fiscais decorrentes de sua opção. No presente caso, como relata a Fiscalização, a ELEKTRO adotou o regime de competência de 1999 a 2002, até porque a taxa do dólar encontravase em alta, gerando, por conseguinte variaões cambiais passivas sobre o principal e juros, contribuindo desse modo, para a formação dos prejuízos fiscais nesse período. Contudo, a partir de 2003 a ELEKTRO alterou o critério de reconhecimento das variações monetárias, hipótese para a qual, nos termos do § 3º da Medida Provisória nº 1.85810/99 antes transcrito, estava a Secretaria da Receita Federal autorizada a expedir normas complementares. E, nesse âmbito, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 345/2003, In verbis: Art. 2º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. ( Revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.079, de 3 de novembro de 2010 ) § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o caput poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime de competência. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 939 15 § 2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o anocalendário. § 3º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias previsto no caput para o regime de competência, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores. § 4º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de competência para o regime previsto no caput, no período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL as variações monetárias relativas ao período de 1º de janeiro do anocalendário da opção até a data da liquidação. § 5º As variações monetárias relativas a anoscalendário anteriores ainda não computadas em virtude de mudança de critério de reconhecimento em data anterior à da publicação desta Instrução Normativa deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31 de dezembro de 2003. Como se vê, as variações monetárias não reconhecidas segundo o regime de competência, em razão da adoção do regime de caixa, calculadas desde 1º de janeiro do anocalendário desta opção até a data da liquidação, devem ser computadas na base de cálculo do período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação. E, não obstante a referida Instrução Normativa reportese, apenas , à apuração do IRPJ e da CSLL, vejase que os efeitos do regime de caixa no âmbito destes tributos não diferem daqueles verificados no âmbito da COFINS e da Contribuição ao PIS: lá somente se cogita de lucro auferido, e sua conseqüente tributação, no momento em que o desembolso financeiro, para a quitação da obrigação, evidencia um ganho em relação ao seu valor contábil; aqui, da mesma forma, tal ganho somente é integrada a receita bruta do período de apuração no qual houve a liquidação da obrigação. No âmbito do lucro real e lucro líquido ajustado (bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente), tal se concretiza mediante adição, ao lucro Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 940 16 contábil, da variação cambial ativa decorrente de operações liquidadas, dado que tais receitas não estão contabilizadas naquele período, pois seu registro submeteuse ao regime de competência (em observância à legislação comercial), com sua anterior exclusão da base de cálculo. A diferença, em termos práticos, está no fato de, no âmbito do IRPJ e da CSLL, a adição de tais receitas na apuração da base tributável implicar, necessariamente, a incidência dos referidos tributos, porque inalteradas as normas que a determinam, subsistindo aplicável alíquota positiva sobre a base de cálculo apurada. Já relativamente à Contribuição ao PIS e à COFINS, quando a ELEKTRO liquida a obrigação sujeita a variação cambial, tal se dá em junho e julho/2005, momento em que, nos termos do relato fiscal, a empresa não está sujeita à tributação das receitas financeiras, ante a fixação de alíquota zero para os contribuintes submetidos à apuração não cumulativa daquelas contribuições. É certo que o regime de caixa tem por objetivo primordial aproximar a tributação do momento em que o sujeito passivo evidencia capacidade contributiva para cumprir com a obrigação tributária. Neste sentido são as lições de Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de Renda das Empresas, Editora Atlas, 3ª Edição, 2006, p.3233: O chamado “regime de competência” tem importância fundamental para o Direito Tributário e para a Contabilidade. Sob o aspecto funcional, ele visa a fornecer critérios para imputação dos efeitos de mutações (permutativas ou modificativas) ocorridas (ou, em aluns casos, em vias de ocorrer) no patrimônio de determinada entidade, em determinado período; o qual é fixado pela lei ou pelo contrato ou estatuto. O regime de competência está ligado à idéia de mensuração de resultados num determinado período de tempo, fixado pela lei ou pelo contrato; traduz, portanto, o conceito de tempestividade. [...] Logo, tanto o regime de caixa como o regime de competência dizem respeito à imputação temporal de certas cifras para formação do resultado Fl. 999DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 941 17 da empresa e apuração do lucro ou prejuízo do período; pressupõem, portanto, a existência e a certeza do acréscimo ou decréscimo patrimonial. [...] O regime de caixa, como o próprio nome evidencia, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidas quando houver a realização financeira deles. Do ponto de vista jurídico, esse regime é que melhor se amolda ao conceito constitucional de renda porque é o que se identifica com maior precisão com o conceito de acréscimo patrimonial disponível e porque dá maior efetividade ao princípio da capacidade contributiva, posto que o tributo só deve ser pago quando o sujeito passivo já possua os recursos efetivamente disponíveis. Ou seja, de acordo com os princípios que norteiam o regime de caixa, o contribuinte só deveria pagar o imposto quando estivesse de posse dos recursos necessários para cumprir tal obrigação. E, neste âmbito, ante a flutuação da cotação da moeda estrangeira a partir de 2000, a qual gerava, por vezes, mera expectativa de auferir receita, razoável foi postergar o reconhecimento das receitas financeiras, equacionando o problema criado pela volatilidade do câmbio. Todavia, a incidência, no âmbito do regime de caixa, se dá segundo as regras deste segundo momento, para o qual foi postergado o fato jurídico tributário. O regime de caixa oepra no aspecto temporal da hipótese de incidência, delimitando o momento no qual a receita integra a base de cálculo, e definindo, por conseqüência, quando ocorre o fato gerador do tributo. É certo que tal contexto permite que o contribuinte valhase de um momento mais vanatjoso para implementação da condição que acarretará o reconhecimento da receita tributável. Porém, há que se considerar que outros interesses comerciais e financeiros determinam o momento da liquidação da obrigação, e , se esta ocorresse sob a égide de norma fixando alíquota mais elevada para a prevista durante o período no qual a obrigação foi se desvalorizando, também obrigado estria o contribuinte a pagar as contribuições, neste novo patamar, sobre a totalidade de receitas verificadas na liquidação da obrigação. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 942 18 Assim, tem razão o autuante quando assevera que, ao impor que as variações cambiais serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação, o art. 30 da MP 2.158/3501 não alterou e nem poderia alterar o fato gerador que é a vantagem auferida pela redução do valor da dívida. De fato, tal receita permanece incluída no conceito de faturamento, base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. Todavia, isto não significa que o fato gerador das contribuições ao PIS e COFINS continuou o mesmo, inclusive no mesmo período de apuração, devendo ser considerado apenas quando da liquidação da operação. O fato gerador ocorre no momento em que a pessoa jurídica aufere a receita tributável, e tal, no regime de caixa, corresponde ao momento da liquidação da obrigação. Não se trata de mera alteração da consideração temporal da variação monetária ativa na base de cálculo dos tributos e contribuições, mas sim de alteração do momento de ocorrência do fato gerador, com a conseuqnete inclusão das variações monetárias ativas na base de cálculo quando este se verifica. Assim, é computada na base de cálculo de junho e julho de 2005 a receita decorrente da desvalorização cambial da dívida liquidada nestes meses. Ocorre que, posteriormente à adoção, pela ELEKTRO, do regime de caixa para reconhecimento da variação cambial, o § 2º do art. 27 da Lei nº 10.865, de 2004, previu: Art. 27. O Poder Executivo poderá autorizar o desconto de crédito nos percentuais que estabelecer e para os fins referidos no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , relativamente às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, inclusive pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Poderão ser estabelecidos percentuais diferenciados no caso de pagamentos ou créditos a residentes ou domiciliados em país com tributação favorecida ou com sigilo societário. § 2º O Poder Executivo poderá, também, reduzir e restabelecer, até os percentuais de que tratam os incisos I e II do caput do art. 8º desta Lei, as Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 943 19 alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de nãocumulatividade das referidas contribuições, nas hipóteses que fixar. E, regulamentando tal permissivo legal, o Decreto nº 5.164, de 2004, reduziu a zero, a partir de 02 de agosto de 2004, as alíquotas da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas, ainda que apenas em parte, ao regime de incidência não cumulativa dessas contribuições: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art. 2o O disposto no art. 1o aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004.” Em verdade, a inexigibilidade da COFINS e da Contribuição ao PIS sobre os fatos aqui autuados decorre do disposto no Decreto nº 5.422, publicado em 09/05/2005 para também submeter à alíquota zero as receitas financeiras decorrentes de operações de hedge, nos seguintes termos: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I – não se aplica aos juros sobre o capital próprio; Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 944 20 II – aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Decreto entre em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de abril de 2005. Art. 3º Fica revogado o Decreto nº 5.164, de 30 de julho de 2004, a partir de 1º de abril de 2005. Caracterizado, portanto, que as variações cambiais ativas, no regime de caixa, integram o fato gerador do momento da liquidação da obrigação, descabe a assertiva fiscal de que a alíquota zero prevista no Decreto nº 5.164, de 30 de julho de 2004, aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos a partir de 02.08.2004, conforme disposto em seu próprio artigo 3º. Observese ainda que a sistemática de não cumulatividade em nada afeta as linhas gerais de determinação da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, na medida em que seus efeitos se operam mediante a estipulação de créditos, que podem ser deduzidos da contribuição resultante da alíquota aplicada sobre o faturamento da empresa: Lei 10.637, de 2002 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (Vide art. 51 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 945 21 I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; [...] Lei 10.833, de 2003 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput . § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); [...] Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Ou seja, quando o legislador estipula que uma receita, incluída no conceito constitucional de receita bruta (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica), merece isenção ou tributação sob alíquota zero, ele a está inserindo no campo de exclusões da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. Assim, ante as afirmações da Fiscalização de que a ELEKTRO esta sujeita ao regime não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 946 22 que optou pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais a partir de 2003, impõese concluir que as variações cambiais ativas relativas ao período iniciado em 01/01/2003, vinculadas a operações celebradas antes de 02 de agosto de 2004, desde que liquidadas após essa data, gozam, sim da redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, em conformidade com os Decretos nº 5.164, de 2004 e 5.442, de 2005, estando, assim excluídas da base tributável de junho e julho/2005. E, rejeitada, assim, a sistemática de apuração adotada pela Fiscalização, restam prejudicados os argumentos do impugnante quanto à não consideração dos valores das variações cambiais passivas no período, à exclusão de penalidade e de juros por ter observado as orientações definidas em soluções de consulta, e aos efeitos da medida judicial específica, proferida nos autos da ação judicial nº 2004.03.00.0587464. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a impugnação de fls. 176/209, por tempestiva, e JULGAR IMPROCEDENTES as exigências relativas à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS.” No caso vertente, compartilho do entendimento constante do voto transcrito acima, tendo em vista que a meu sentir, a opção de tributação pelo regime de caixa das variações cambiais altera efetivamente o momento do fato gerador, qual seja, no presente caso, para a data da liquidação da operação. Eis que a opção da tributação pelo regime de caixa pressupõe preponderantemente vincular o fato gerador do tributo a efetiva liquidação financeira. O que, considerando que nesse momento (liquidação) ocorreu o “fato gerador”, é de se entender que devemse observar as regras de tributação aplicáveis à receita daquela natureza vigentes naquele momento. Cabe trazer também que o regime de caixa é o regime contábil que apropria as receitas e despesas no período de seu recebimento ou pagamento, respectivamente, independentemente do momento em que são realizadas/auferidas. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 947 23 O que para melhor elucidar, trago, em síntese, as seguintes regras: · A despesa só é considerada Despesa Incorrida quando for paga, independente do momento em que esta foi realizada. O que considera aqui é o momento em que foi paga; · A receita só é considerada Receita Ganha quando for recebida, independente do momento que esta foi realizada. O que considera aqui é o momento em que foi recebida. Quando a norma tributária oferece ao contribuinte a opção “para fins de tributação” de se adotar o regime de caixa, é de se entender que “para fins de tributação” se altera o momento do “fato gerador” do “momento da percepção/auferimento” para o “momento da liquidação financeira. Eis que, caso assim não se entendesse, aplicarseia equivocadamente regras de mera “postergação” de tributos para casos de opção de tributação pelo regime de caixa – o que não é o caso. Ora, vêse que, com a opção do contribuinte pela tributação pelo regime de caixa, a base de cálculo do PIS e da Cofins passou a ser definida somente no momento da efetiva liquidação do contrato, pois com o deslocamento do fato gerador é de se considerar também o deslocamento do momento em que deverá ser observada a regra matriz de incidência dessas contribuições. Com efeito, como dito, é de se transparecer que a própria conceituação contábil de regime de caixa traz o entendimento da deslocação do registro contábil para o momento da “liquidação”/disponibilidade econômica. No presente caso, tendo em vista a opção feita pelo contribuinte, no momento do fato gerador, qual seja, na data da liquidação do contrato, a alíquota de PIS e de Cofins sobre a receita financeira havia sido reduzida para “zero”, devendose, por conseguinte, considerar tal alíquota para fins de tributação daquelas contribuições incidentes sobre as r. receitas financeiras que, por sua vez, eram decorrentes das operações geradas a partir da data da opção pelo regime de caixa. Eis que a incidência das r. contribuições somente ocorreu com a efetiva percepção dessas receitas – ou seja, somente no momento da liquidação da operação. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 948 24 Portanto, a opção pelo contribuinte pelo regime de caixa teve como conseqüência o deslocamento do fato gerador para o momento da liquidação do contrato e, por conseguinte, de toda a regra matriz de incidência das r. contribuições incidentes sobre a receita financeira auferida no decorrer da operação. Sendo assim, ainda que a contratação tenha sido celebrada antes da norma que reduziu a alíquota para zero do PIS e da COFINS sobre tais receitas, bem como as receitas financeiras sejam auferidas no decorrer da operação, o fato gerador per si, considerando a opção pelo regime de caixa adotada pelo contribuinte, se deslocou para o momento da liquidação do contrato. Desta feita, a meu sentir, não há que se falar em aplicar a norma pretérita a esse evento, mas sim a norma vigente quando do momento do fato gerador. Não é demais lembrar que, no caso vertente, somente cabe adotar tal procedimento para as receitas de variações cambiais auferidas a partir da opção para fins de tributação pelo regime de caixa, não alçando aquelas originadas quando o contribuinte observava o regime de competência. Em vista de todo o exposto, entendo que a ELEKTRO, que observa a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, e que optou pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais a partir de 2003, deve considerar as variações cambiais ativas auferidas a partir de janeiro/2003, ainda que vinculadas a operações celebradas antes de 2 de agosto de 2004, desde que liquidadas após essa data, sujeitas a alíquota a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, em conformidade com os Decretos nº 5.164, de 2004 e 5.442, de 2005. O que, em síntese, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 10830.011403/200740 Acórdão n.º 3202001.360 S3C2T2 Fl. 949 25 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
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Numero do processo: 13888.904181/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 81 /2 00 9- 03 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 337 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.993, às fls. 83 a 88: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 06/2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 338 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 339 4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 340 5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 341 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 342 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 343 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 344 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.395 (fls. 266 a 284), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 313 a 326, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 330 a 332. Este é o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 345 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 14/10/2005 (fls. 77 a 80), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 2º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/07/2002 e possui o valor total de R$ 36.291,36. A compensação abrange débitos de PIS e COFINS do mês de setembro de 2005, no montante de R$ 11.089,08. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 36.291,36 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 73. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 346 11 na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.395. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 347 12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (14/10/2005), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 348 13 erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 349 14 acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 350 15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 351 16 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 352 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 353 18 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 354 19 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 8). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 355 20 Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 57. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 2º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 2º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.0074, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 356 21 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 313 a 326. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 2º trimestre de 2002, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deixou de deduzir o IR retido na fonte informado na declaração original, e que se ela tivesse utilizado estas retenções teria apurado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2002, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou IRPJ a pagar na declaração retificadora, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado recolhimento a maior (na parte que excede o IRPJ a pagar informado na DIPJ/retificadora); que pelo PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074 (objeto do processo nº 13888.910975/200906) a empresa pretende compensar débitos dos trimestres de 2002 (1º, 2º e 4º) com direito creditório de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2000, e que a repercussão desse PER/DCOMP sobre o presente processo depende do que o CARF vai decidir sobre a questão que está presente em todos os processos mencionados na informação fiscal (entre eles o de nº 13888.910975/200906), relativamente à definição do coeficiente para a presunção dos lucros (8% ou 32%). Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 330 a 332, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 357 22 exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.395. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Isso já é suficiente para o reconhecimento integral do crédito pleiteado nestes autos. De todo modo, vale registrar que nesta mesma sessão de julgamento está sendo homologada a compensação contida no referido processo nº 13888.910975/200906, que Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904181/200903 Acórdão n.º 1802002.469 S1TE02 Fl. 358 23 também contribui para a quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002. Essa outra compensação, somadas às mencionadas retenções na fonte, reforçam ainda mais o entendimento de que foi indevido o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10830.014952/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01
Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto ao mérito, nos termos do voto do Relator; I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira.
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01 Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto ao mérito, nos termos do voto do Relator; I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Marcelo Oliveira – Presidente e Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 49 52 /2 01 0- 71 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.241.3935, o qual exige contribuições previdenciárias, parte da empresa e SAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, incluindose o SAT, bem como a segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Aponta o Relatório Fiscal que “foi constatado que em 27/12/2005, a Delegacia da Receita Previdenciária em CampinasSP havia cancelado a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, por infração ao inciso II do artigo 55 da mencionada lei, pelos motivos especificados na Decisão Notificação nº 21.424.4/0007/2005”. Ainda de acordo com o citado Relatório verificouse que a associação não possuiu o Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, no período de 01/01/2004 a 31/12/2006, conforme Resolução n. 7 de 03/02/2009. Ademais, aduz que o sujeito passivo voltou a possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a partir de 01/01/2007, mas não requereu ao INSS a isenção das contribuições previdenciárias, conforme previsto no parágrafo 1º, do artigo 55 da Lei 8.212/91. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou o seguinte: i) preliminarmente, que impetrou, em 01.11.2006, mandado de segurança, que recebeu o nº 001363974.2006.403.6105, para discutir a imunidade das contribuições previdenciárias, com base no §7º, do art. 195 da CF/88, sendo necessária a suspensão do presente processo administrativo para evitar decisões conflitantes; ii) no mérito, que é sociedade de assistência social sem fins lucrativos, fundada há mais de 100 anos, cujo principal objetivo é a prática permanente da gratuidade e filantropia e goza da isenção prevista no §7º do artigo 195 da Carta Magna. Sustenta que a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 foi requerida através do protocolo nº 71010.002644/200312, e apesar de não constar da Resolução nº 7/2009, foi automaticamente renovado nos termos do artigo 39, da MP 446/2008 e que não pode se sujeitar ao pagamento do SalárioEducação. A DRJ de Campinas manteve a autuação em acórdão assim ementado: Fl. 754DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Acórdão n.º 2301004.190 S2C3T1 Fl. 300 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE/ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. REQUERIMENTO AO INSS. CEBAS. Para a fruição da imunidade/isenção em relação às contribuições previdenciárias, a entidade deve preencher todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, entre eles ter requerido ao INSS tal benefício e ser portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. Por unanimidade dos votos, essa Turma converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal informasse acerca do andamento do processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório, anexando as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intimasse o sujeito passivo para trazer aos autos cópias da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Cumprida a diligência os autos retornaram a esse CARF para processamento e julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente auto de infração possui como fundamento a ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, incluindose o SAT, bem como a segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, devido ao fato de que a Autuada se classificou como entidade imune. Segundo consta dos autos, a recorrente teve sua isenção cancelada por descumprir à época, o artigo 55, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Aduz em sede recursal que para o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006 foi requerida, por meio do protocolo 7101.002644/200312, a reconsideração da decisão que teria indeferido a renovação do certificado e que, por força da MP 446/2008 teria sido renovado automaticamente. A diligência trouxe aos autos as cópias do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, cuja petição inicial se encontra às fls. 221248 do processo administrativo apensado nº 10830.014949/201058 e que possui como objeto o reconhecimento da impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária “uma vez que a Impetrante está protegida pela imunidade tributária prevista no artigo 195, §7º da Constituição Federal e cumpre todos os requisitos do artigo 14 do CTN”. Postulou, ademais, que o Poder Judiciário reconheça a inconstitucionalidade dos artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, bem como do artigo 55, inciso III, §§ 3º, 4º e 5º, também da Lei nº 8.212/91. Analisando a sentença proferida nesses autos, anexada às fls. 249/257 do processo administrativo apensado nº 10830.014949/201058, verifico que a questão relativa ao cumprimento do requisito estampado no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/91 (vigente à época dos fatos), tornouse matéria controversa no processo, já que, em sede de preliminar, a autoridade apontada como coatora naqueles autos argüiu a ausência de certificado. Destaco os seguintes trechos da r. sentença: A razão preliminar invocada pela autoridade impetrada às fl. 262263 (ausência de CEBAS) é, em verdade, matéria de mérito e com ele será apreciada. Desse modo, não havendo teses preliminares ou prejudiciais, passo diretamente ao mérito da impetração. (...) O que de fato cumpre verificar, portanto, é se a entidade beneficiente de assistência social atende aos requisitos inscritos no artigo 14 do Código Tributário Nacional e no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, excluídas as modificações promovidas na redação deste último pela Lei nº 9.732/1998. Para o caso dos autos, de uma análise sumária, verifico que falta à impetrante o preenchimento do requisito da apresentação do Certificado ou Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social (artigo 55, inciso II, da Lei nº 8.212/91).” Desse modo, na medida em que a discussão do presente caso é a isenção da recorrente e que a questão relativa ao cumprimento do inciso II, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 (motivo do cancelamento da isenção nesses autos) tornouse matéria de discussão na esfera judicial, especificamente no referido mandado de segurança, é de rigor aplicar a Súmula CARF nº 01, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 756DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Acórdão n.º 2301004.190 S2C3T1 Fl. 301 5 Assim, verificada a identidade de matérias, entendo que, na questão relativa à isenção da recorrente o recurso não pode ser conhecido. Contudo, no tocante à aplicação da penalidade, segundo as novas disposições legais, , a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35, caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéfica ao recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... Fl. 757DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Acórdão n.º 2301004.190 S2C3T1 Fl. 302 7 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Acórdão n.º 2301004.190 S2C3T1 Fl. 303 9 O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006737/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES A RFB.
Constitui infração à legislação tributária, punível com multa, a empresa deixar de prestar a RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Administração, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 35, por não apresentar os arquivos magnéticos relativos às folhas de pagamento e à contabilidade do exercício de 2005, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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CUSTEIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES A RFB. Constitui infração à legislação tributária, punível com multa, a empresa deixar de prestar a RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Administração, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 37 /2 01 0- 42 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 lavrado no Código de Fundamento Legal 35, por não apresentar os arquivos magnéticos relativos às folhas de pagamento e à contabilidade do exercício de 2005, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006737/201042 Acórdão n.º 2302003.403 S2C3T2 Fl. 73 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 52 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de processo de Auto de Infração de obrigação acessória, DEBCAD 37.281.8005, lavrado por infração ao disposto no art. 32, III e § 11 da Lei n° 8.212 de 1991, e art. 8° da Lei n° 10.666, de 2003, combinado com o art. 225,III, do Regulamento da Previdência Social (RPS). aprovado pelo Decreto n° 3.048. de 6 de maio de 1999 (Fundamento Legal 35). Conforme Relatório Fiscal, fls. 5/6, o contribuinte apresentou a Folha de Pagamento e a contabilidade de 2006 em meio magnético, mas não apresentou os arquivos referentes às competências de 2005, embora devidamente intimado para tanto. Também não apresentou os esclarecimentos solicitados. A multa foi aplicada no valor de R$ 14.107,77 (quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), em observância ao disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, e artigos 283, II, "a" e 373 do RPS, com atualização da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/2009. (...) (grifos nossos) Cientificada dos lançamentos constantes dos presentes autos, a recorrente apresentou defesa que, como afirmado, foi julgada improcedente. Novamente cientificada, apresentou o seu recurso, no qual alega, em síntese: * cerceamento de seu direito de defesa ainda por considerar exíguo o prazo de trinta dias para apresentação de impugnação, especialmente por terem sido lavradas várias autuações na mesma ação fiscal. * o relatório fiscal expressaria conflito de normas quando diz, em relatórios de outros Autos de Infração, que foi solicitado o Sistema de Informações Municipais (SIM), instituído pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), enquanto, no presente auto, afirma que não foram entregues as folhas de pagamento em meio magnético, sendo cediço que todas as despesas estão no SIM, não dificultando em nada a auditoria. * ficou impossibilitado de exercer seu direito à ampla defesa, uma vez que o AI foi fundamentado numa infinidade de normas, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 ora com base na legislação vigente à época da ocorrência da infração, ora na legislação de 2009. * argui que a legislação mais benéfica é a da época da ocorrência da infração, que permitia a relevação da multa, se atendidos determinados requisitos, não havendo que se falar em opção de penalidade mais benéfica. * afirma que todos os fatos geradores foram contabilizados de modo a atender tanto à Lei previdenciária, como à Lei n° 4.320, de 1964, não tendo havido obstáculo à apuração dos mesmos por parte do auditor. * aduz que, em se tratando de órgão público, sujeito à contabilidade pública e controlado e fiscalizado por Tribunal de Contas, está sujeito a outras legislações que, muitas vezes, lhe impedem de cumprir as obrigações acessórias da legislação previdenciária por estar obrigado ao cumprimento de lei especial que, nesse caso, prevalece sobre a lei geral. * considera que a responsabilidade pela infração objeto da autuação é do gestor, com base no disposto no art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, alterado pela MP 449. * requer também a relevação da multa, em razão de ser aplicável o disposto no art. 291 do RPS, vigente à época da ocorrência da suposta infração, alegando sua primariedade e a inocorrência de circunstância agravante. Aos autos foram indevidamente encaminhados à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, sendo que a 3ª Turma Especial da 1ª Câmara, por Despacho, declinou competência para esta Segunda Seção. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006737/201042 Acórdão n.º 2302003.403 S2C3T2 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Em que pese a recorrente afirmar que ficou impossibilitada de exercer seu direito à ampla defesa, uma vez que o AI foi fundamentado numa infinidade de normas, ora com base na legislação vigente à época da ocorrência da infração, ora na legislação de 2009, verificase que a descrição da infração, bem como sua fundamentação, encontramse claramente descritas no relatório fiscal e na folha de rosto (fls. 1) do Auto de Infração. Outrossim, o relatório fiscal explicita que não foi apresentada a documentação em meio magnético e os esclarecimentos solicitados. Ademais, não podem prosperar as alegações de que o Município, por estar sujeito às regras da contabilidade pública e dos Tribunais de Contas, estaria dispensado do cumprimento de determinadas obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, uma vez que, em razão do disposto no art. 15, I da Lei n° 8.212, de 1991, o Município é considerado empresa e, como tal, deve cumprir com suas obrigações tributárias.O direito ao contraditório também foi observado, uma vez que o município teve a oportunidade de se manifestar através da impugnação A alegação de erro na aplicação da legislação tributária não pode prosperar. Isso porque os dispositivos legais e normativos que fundamentaram a presente não sofreram alteração em 2009. Além disso, a multa aplicada foi calculada em observância aos referidos dispositivos, sendo considerada a atualização dada pela Portaria MPS/MF n° 350, de 2009, em razão do disposto no art. 373 do RPS, segundo o qual os valores expressos em moeda corrente, referidos no Regulamento, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Finalmente, quanto à exigüidade do prazo concedido para apresentação de defesa, cabe esclarecer que o prazo de trinta dias está previsto no art. 15 do Decreto 70.235, de 1972, o qual rege o processo administrativo fiscal. Com efeito, é cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo (artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72). Assim, concluise que, incontestavelmente, o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, tendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido, por conseguinte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Legislação Mais Benéfica. Relevação. Argui que a legislação mais benéfica é a da época da ocorrência da infração, que permitia a relevação da multa, se atendidos determinados requisitos, não havendo que se falar em opção de penalidade mais benéfica. Ocorre que não cabe a relevação da multa aplicada, antes concedida pelo órgão de julgamento, em razão da revogação do dispositivo que a previa, o art. 291, § I o do RPS, pelo Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, em data anterior à lavratura da presente autuação. Responsabilidade do Gestor. Afirma que a responsabilidade pela infração objeto da autuação é do gestor, com base no disposto no art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, alterado pela MP 449. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, pela Medida Provisória n° 449, de 2008, foi afastada a responsabilidade pessoal dos dirigentes. Entretanto, há que se observar que, nos termos do Parecer PGFN/CAT n°/190, de 2009, não houve desqualificação do ato como punível. A infração se mantém, bem como a possibilidade de imputação, pela regra geral, à pessoa jurídica que descumpre os dispositivos da legislação previdenciária. Assim, face a esta interpretação, concluise que a penalidade deve ser aplicada em nome da pessoa jurídica, inclusive para períodos anteriores à publicação da MP n° 449, de 2008. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10380.003484/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MULTA DE OFÍCIO.
Aplica-se a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo.
MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%.
Não há que se cogitar da redução de 50% sobre a multa de ofício se não houve o pagamento do crédito lançado nos 30 dias seguintes à ciência do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
CONCESSÃO DE PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPETÊNCIA RFB.
A competência para apreciar pedido de parcelamento de débitos reside no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e os processos administrativos com este objeto são regidos pela Lei nº 9.748/99 e não pelas disposições inerentes aos processos administrativos fiscais preceituadas no Decreto nº 70.235/72 PAF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência para se manifestar ou impor comando a respeito de deferimento ou não de pedido de parcelamento.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. Aplica-se a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. Não há que se cogitar da redução de 50% sobre a multa de ofício se não houve o pagamento do crédito lançado nos 30 dias seguintes à ciência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. CONCESSÃO DE PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPETÊNCIA RFB. A competência para apreciar pedido de parcelamento de débitos reside no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e os processos administrativos com este objeto são regidos pela Lei nº 9.748/99 e não pelas disposições inerentes aos processos administrativos fiscais preceituadas no Decreto nº 70.235/72 PAF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência para se manifestar ou impor comando a respeito de deferimento ou não de pedido de parcelamento. Recurso voluntário desprovido.
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Recorrida 3ª Turma da DRJ/FOR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. Não há que se cogitar da redução de 50% sobre a multa de ofício se não houve o pagamento do crédito lançado nos 30 dias seguintes à ciência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. CONCESSÃO DE PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPETÊNCIA RFB. A competência para apreciar pedido de parcelamento de débitos reside no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e os processos administrativos com este objeto são regidos pela Lei nº 9.748/99 e não pelas disposições inerentes aos processos administrativos fiscais preceituadas no Decreto nº 70.235/72 PAF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência para se manifestar ou impor comando a respeito de deferimento ou não de pedido de parcelamento. Recurso voluntário desprovido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 34 84 /2 00 6- 79 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 3/16), cumulados de juros e multa de ofício, referentes ao anocalendário 2002, lavrados em razão da suposta falta de recolhimento e de declaração em DCTF de valores devidos de IRPJ e CSLL. A autuação se pautou na apuração processada pelo próprio sujeito passivo em seu Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 19/28, os quais foram confrontados com os valores confessados através da apresentação de DCTF, fls. 29/32, e com os recolhimentos da pessoa jurídica registros do sistema de arrecadação SINAL, fls. 33/35. Em 15/05/2006, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 38/48), afirmando, em síntese, que: a) a autoridade autuante baseouse em valores extraídos do LALUR/2002, sem se deter aos elementos contábeis registrados nos Livros contábeis da Contribuinte. Basta um rápido exame dos elementos contábeis para que seja observado que o Lucro Real, para fins de tributação não é aquele apresentado no LALUR e conseqüentemente no Auto de Infração impugnado; b) como o LALUR foi preenchido de modo incorreto, houve um erro de fato na base de cálculo do IRPJ, pois não foram registradas corretamente as adições e exclusões para cálculo do Lucro Real. Devem ser adicionadas as vendas para órgãos públicos recebidas no trimestre e excluídas as vendas para órgãos públicas não recebidas, conforme acertos que demonstra; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 4 3 c) o registro destes números encontrados na contabilidade da Contribuinte alteram substancialmente a base de cálculo do lançamento e, tratandose de mero erro de fato, os valores indicados devem ser alterados, prevalecendo os valores corretos; e) feitas as retificações nos valores dos créditos tributários, tendo a Contribuinte boa fé para o cumprimento da obrigação tributária, deve ser concedido à defendente um parcelamento nos moldes PAES Parcelamento Especial Lei nº. 10.684/03 para o pagamento do crédito tributário remanescente; d) Deve ser concedida a redução sobre o valor da multa em 40%, haja vista a solicitação do parcelamento do débito se encontrar no prazo legal de impugnação. Em 08/04/2011, a DRJ/FOR editou a Resolução nº 2.108, fls. 89/99, convertendo o julgamento em diligência e determinando o retorno dos autos à unidade de origem de modo que fossem adotadas as seguintes providências: 1) identificar, entre as receitas da prestação de serviços que compuseram as bases de cálculo trimestrais dos Autos de Infração de fls. 03/09 e 10/14, aquelas que, por não terem sido recebidas nos trimestres em que contabilizadas, podem ser excluídas dessas bases de cálculo e incluídas nas bases de cálculo dos trimestres em que foram efetivamente recebidas pela Interessada (nessa providência, incluise também a identificação de receitas contabilizadas em anoscalendário anteriores ao da autuação que somente foram recebidas nos períodos de apuração contemplados nos Autos de Infração de que cuida o presente processo); 2) elaborar demonstrativo das bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSLL, relativas ao ano de 2002, considerando as exclusões e inclusões mencionadas no item anterior; 3) elaborar relatório conclusivo a respeito do que é pedido na diligência, acrescentando quaisquer informações que entender relevantes para o deslinde do presente litígio, e dar ciência do dito relatório à Interessada, facultandolhe o prazo de trinta dias para manifestarse a respeito das conclusões resultantes da diligência. 4) Tendo em vista que os processos administrativos n°s 10380.003482/2006 80 e 10380.003481/200635 tratam, respectivamente, de Autos de Infração de PIS e Cofins, decorrentes do mesmo procedimento fiscal que ensejou a autuação discutida nos presentes autos, e que em ambos os processos mencionados foram solicitadas diligências fiscais para esclarecimentos relativos ao diferimento da tributação das mesmas receitas recebidas de entidades governamentais consideradas no presente processo, a autoridade fazendária deve se atentar para o conteúdo informado nos relatórios relativos aos dois outros processos. A unidade local deu cumprimento ao determinado, conforme Relatório de Diligência (fls. 102/103), apurando os valores devidos consoante demonstrativo “Apuração da Base de Cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social – Ano 2002” (fl. 110). A ciência ao sujeito passivo deuse em 27/03/2012. Em resposta, foi apresentado o documento de fls. 134/139, através do qual a Contribuinte manifestou a sua concordância com os valores apurados na diligência fiscal. Analisando o caso, a 3ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada (fl. 153/164) para (i) chancelar as apurações do IRPJ e da CSLL levadas a termo na diligência fiscal (fl.110), reduzindo o Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 5 4 montante autuado; e (ii) deixar de apreciar os demais itens postulados pela Contribuinte, consistentes na concessão de parcelamento e redução de multa, sob o argumento de que tais matérias não estão inseridas na competência regimental daquele órgão julgador. Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 178/182) aduzindo, em resumo, que (i) a multa de ofício de 75% é confiscatória e ofende o princípio da capacidade contributiva; (ii) que faz jus à redução de 50% do valor da multa, nos moldes do disposto no art. 6º, inc. I da Lei nº. 8.218/91, haja vista que o pagamento dos valores devidos só não foi realizado dentro do prazo de 30 dias em razão do erro na base de cálculo do lançamento, que, como visto, foi substancialmente reduzida; e (iii) seja concedido à Contribuinte parcelamento nos moldes do Refis da Crise – Lei nº. 11.941/09. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Inicialmente, pleiteia a Recorrente que, a multa de 75% deve ser reduzida. Contudo, seu apelo não merece amparo, já que a falta de pagamento ou recolhimento de tributo é hipótese prevista no artigo 44 da Lei n°. 9.430/96 para a aplicação da multa proporcional de ofício de 75%. No que tocam às alegações de infração aos princípios constitucionais, tais como ao princípio do nãoconfisco e capacidade contributiva, descabe tal análise pelo julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Esclareçase que, para que a Recorrente fizesse jus à redução de 50% do valor da multa, nos moldes do disposto no art. 6º, inc. I da Lei nº. 8.218/91, o pagamento deveria ter sido efetuado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que ela foi notificada do lançamento. Muito embora o lançamento tenha se dado em excesso, conforme confirmou a decisão da DRJ, a Recorrente tinha meios de calcular o montante que sabia ser efetivamente devido, efetuando o pagamento desse montante com a redução de multa dentro do prazo de 30 (trinta) dias. Se não o fez, não cabe agora pleitear a redução. Mesmo porque, como visto, houve o recolhimento insuficiente do tributo, hipótese prevista na legislação para a aplicação da multa proporcional de ofício de 75%. No que toca à concessão de parcelamento especial nos moldes da anistia concedida pela Lei nº. 11.941/09, descabe tal análise pelo julgador administrativo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 6 5 Nesse passo, esclareçase que, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RIRFB), Portaria Ministerial (MF) nº 203, de 14/05/2012, ao estabelecer as competências dos órgãos que integram a Secretaria dispôs em seu artigo 224: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) ... IX – desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; ... XXV – apreciar matéria relativa a parcelamentos; O artigo 233 do RIRFB estabeleceu a competência das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, sem contemplar a competência para apreciar eventuais recursos sobre inconformidade com respeito a pedidos de parcelamentos, razão pela qual a competência para a análise de processos desta natureza é exclusiva das unidades de jurisdição da Recorrente, verifiquese: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I – de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II – de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 7 6 IV – contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. §1 º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo. §2 º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a nãohomologação de compensação, será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ao qual o crédito se refere. Por fim, vale acrescentar que compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4° da Seção I. .... Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Portanto, não se verifica competência para a apreciação de questões relativas a possibilidade ou não de efetuarse parcelamentos, especiais ou ordinários. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10380.003484/200679 Acórdão n.º 1402001.844 S1C4T2 Fl. 8 7 De se notar, ainda, que o Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não prevê o rito procedimental para processos de discussão sobre parcelamento de débitos, devendo a Recorrente socorrerse das disposições inseridas na Lei 9.784, de 1999, que dispõe sobre os processos administrativos federais em geral. Dessa forma, o pleito da Recorrente somente pode ser apreciado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), carecendo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF de competência para se pronunciar sobre a matéria ou impor à RFB comando para deferir o parcelamento pleiteado. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 14367.000019/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que pugnou pelo provimento parcial do crédito lançado e excluiu do lançamento as competências até 10/2001, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, conforme exposto no artigo 173,I do Código Tributário Nacional.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que pugnou pelo provimento parcial do crédito lançado e excluiu do lançamento as competências até 10/2001, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, conforme exposto no artigo 173,I do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que pugnou pelo provimento parcial do crédito lançado e excluiu do lançamento as competências até 10/2001, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, conforme exposto no artigo 173,I do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 19 /2 00 8- 77 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000019/200877 Acórdão n.º 2302003.497 S2C3T2 Fl. 232 3 Relatório Tratase de recurso ofício em face da decisão de primeira instância que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, por força da aplicação da Súmula Vinculante n° 8, recorrendo de ofício de sua decisão. Adotase trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 201), que bem resume o quanto consta dos autos: Trata o presente, do crédito previdenciário contra o sujeito passivo acima identificado, no montante de R$ 4.928.923,09 (quatro milhões, novecentos e vinte e oito mil e novecentos e vinte e três reais e nove centavos), consolidado em 05/12/2007, constituído pela NFLD DEBCAD n. ° 37.078.2968, originado de contribuições da Empresa (parte patronal sobre empregados e autônomos), SAT/RAT e contribuições de segurados empregados, aferidas, ou seja, não efetivamente descontadas, no período nas competências 01/1999 a 06/2000 e 02 a 12/2001. (...) 15. O sujeito passivo fora notificado do crédito em comento em 20/12/2007, de acordo com cópia do Aviso de Recebimento AR, às fls. 171, tendo apresentado impugnação tempestiva em 18/01/2008, conforme Consulta Dados Identificadores do Processo de fls.l94 e despacho de fls. 195. 16. Na peça exordial, alega, em síntese, a Impugnante: (...) Como afirmado, a DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, por força da aplicação da Súmula Vinculante n° 8, recorrendo de ofício da sua decisão que reconheceu a decadência das competências compreendidas entre 01/1999 a 10/2001 (não houve lançamento na competência 11/2001), nos termos do art. 173, I, do CTN. Mesmo cientificada, a contribuinte não interpôs recurso. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Recurso de Ofício. Decadência. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 20/12/2007 (fls. 171), e compreende as competências de 01/1999 a 12/2001. O lançamento foi efetuado pela autoridade fiscal com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias. Ocorre que este artigo foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Constituição Federal: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000019/200877 Acórdão n.º 2302003.497 S2C3T2 Fl. 233 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 No presente caso, houve a aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN, considerandose como decadentes as competências compreendidas entre 01/1999 a 10/2001 (não houve lançamento na competência 11/2001), nos termos do art. 173, I, do CTN. Como a notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 20/12/2007 (fls. 171), concluo estar correta a decisão de origem. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10850.003369/2002-97
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS. DECADÊNCIA.
Afasta-se a aplicação da regra do art. 150 do CTN em caso de dolo, fraude ou simulação, por força do disposto no § 4º do referido dispositivo, razão pela qual o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do mesmo diploma legal
Numero da decisão: 9900-000.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Decadência. Recorrente Distribuidora Zangirolami Ltda. Recorrida Fazenda Nacional COFINS. DECADÊNCIA. Afastase a aplicação da regra do art. 150 do CTN em caso de dolo, fraude ou simulação, por força do disposto no § 4º do referido dispositivo, razão pela qual o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Relator (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Gioacomelli Nunes da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas. Relatório Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte (doc. a fls. 1423 a 1430), com fundamento nos arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 02 02.897 (doc. a fls. 1407 a 1412), o qual, por maioria de votos dos membros da Segunda Turma da CSRF, negou provimento ao Recurso Especial da contribuinte. A ementa do Acórdão recorrido assim dispõe: “Estando presente o dolo por parte do contribuinte, o prazo para que a Administração Tributária efetue o lançamento de oficio da Cofins deslocase do art. 150, § 42 do CTN para o art. 45, I da Lei nº 8.212/91.” Por sua vez, a recorrente apresenta o seguinte acórdão paradigma (Acórdão: CSRF/0105.610): “Ementa: CSL/COFINS DECADÊNCIA — ART. 45 DA LEI N° 8212/91 — INAPLICABILIDADE — Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL e COFINS deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4º, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos partir do fato gerador.” Além de sustentar a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente alega que não mais se sustenta o fundamento, contido no acórdão recorrido, de que a administração não poderia fazer juízo de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista a publicação, pelo Supremo Tribunal Federal, da Súmula Vinculante nº 8, à qual todos os órgãos da administração estão vinculados. Alfim, a recorrente requer seja dado provimento ao recurso extraordinário, para reconhecer a decadência, quer pela Súmula Vinculante nº 8 quer pelas divergências de julgados de outras Turmas como, na peça recursal, demonstradas. O Presidente da CSRF, por meio do despacho a fls. 1506, deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, por entender que era tempestivo e que restaram demonstrados os demais pressupostos de admissibilidadeas. Cientificada do recurso extraordinário da contribuinte, em 25/02/2011, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões (doc. a fls. 1506 verso). Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. São pressupostos de admissibilidade do recurso extraordinário, previsto no art. 9º e 43 do Anexo II da Portaria MF nº 147/07, a tempestividade e a demonstração da divergência entre decisões das turmas da CSRF ou entre decisão de Turma da CSRF e decisão do Pleno. Tais pressupostos restam devidamente demonstrados nos autos, razão pela qual deve ser conhecido o recurso extraordinário da contribuinte. No mérito, deve ser acolhida, em parte, a tese da recorrente, pois o art. 45 da Lei nº 8.212/91 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10850.003369/200297 Acórdão n.º 9900000.295 CSRFPL Fl. 2 3 Súmula Vinculante n° 8, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Todavia,tornouse definitiva, na esfera administrativa, a decisão que concluiu pelo evidente intuito de fraude que ensejou a imposição de multa qualificada à contribuinte, inclusive sendo esse o fundamento para a não aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, ao presente caso, pela Segunda Turma da CSRF. Logo, ao se afastar a aplicação da norma inconstitucional – art. 45 da Lei nº 8.212/91, deve ser aplicado, in casu, o art. 173, I, do CTN, em razão de expressa disposição do § 4º do art. 150 do CTN, o qual afasta a sua aplicação em caso de dolo, fraude e simulação. Ressaltese que a recorrente insurgese no seu extraordinário apenas quanto à aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Tratase no presente caso de lançamento de Cofins ocorrido em 09/12/2002 e relativo aos fatos geradores de 31/01/1994 a 30/09/2002, razão pela qual fica alcançado pela decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/11/1996. Ou seja, devem ser mantidos apenas os lançamentos da Cofins relativos aos fatos geradores de dezembro de 1996 a setembro de 2002. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da contribuinte, para reconhecer que foram alcançados pela decadência os lançamentos da Cofins, relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/11/1996. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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