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Numero do processo: 10880.720364/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto e relatório.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 21/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva
Relatório
Trata-se de apreciar Recurso Voluntário interposto por ITAUTEC S/A - GRUPO ITAUTEC em face da decisão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 151 a 154). O presente processo trata-se de análise de Declarações de Compensação (DCOMPs) acostadas neste processo (fls. 003 a 028) de saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2002 pela empresa ADIBOARD S/A, incorporada pela recorrente em 29/04/2005 (fls. 41).
O montante de crédito compensado pela recorrente foi de R$ 1.758.313,41 vinculado à seis DCOMPs que segue a relação:
As compensações foram analisadas pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) que reconheceu R$ 1.562.243,88, portanto uma concessão parcial o crédito solicitado.
A fundamentação utilizada pelo AFRFB para o reconhecimento parcial dos créditos (fls. 046) é que as retenções com código receita 5273 oriundas de rendimentos auferidos em operações de swap não foram oferecidos à tributação.
Relato do AFRFB:
O montante de receita não tributada, segundo o ARFB, é de R$ 1.021.252,13 composto por R$ 980.684,24 (fls. 038) somado com R$ 40.567,89 (fls. 039). Tais rendimentos possibilitaram a recorrente auferir retenções no valor de R$ 196.136,84 e R$ 8.113,57, totalizando R$ 204.250,41 que foi o objeto de glosa.
Assim ficou a ementa do despacho decisório (fls. 043):
Ementa:
COMPENSAÇÃO. A lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ.PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago por estimativa.
RETENÇÃO NA FONTE. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real.
COMPENSAÇÕES VINCULADAS AO CRÉDITO ANALISADO HOMOLOGADAS ATÉ O VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.A recorrente alegou em seu manifesto de inconformidade (fls. 063) que tais rendimentos foram devidamente oferecidos a tributação:
E continua:
Para comprovar o oferecimento de tributação as receitas de hedge/swap a recorrente apresentou o documentos 05 (fls. 126) que representa a Ficha 06ª da DIPJ onde na linha 20 registrou receitas de variações cambiais ativas no montante de R$ 9.507.628,24.
Ainda apresentou (fls. 127) a memória de cálculo que detalha tal montante:
Afirma a recorrente que a conta 6130.007 H.Cambial-(Banco) no valor de R$ 5.273.156,95 trata-se de receitas obtidas na operações de swap (fls. 064), e que procedeu apenas de mero erro de preenchimento da DIPJ, citando que as receitas que deveriam figurar à linha 021, foram lançadas a linha 020 da Declaração (fls. 055).
Por fim a recorrente solicitou que a manifestação de inconformidade fosse declarada integralmente procedente o que possibilitaria a homologação integral das compensações (fls. 068).
A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente manteve a decisão do despacho dando com improcedente a manifestação (fls. 151).
Segunda a DRJ a recorrente não apresentou documentos contábeis que possibilitasse ratificar o reconhecimento das receitas obtidas nas operações de swap (fls. 153).
A recorrente cientificada da decisão apresentou recurso voluntário para este colegiado repetindo os argumentos apresentados na manifestação de conformidade afirmando se tratar de erro formal no preenchimento da declaração (fls. 145)
É o relatório.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto e relatório. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 21/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relatório Trata-se de apreciar Recurso Voluntário interposto por ITAUTEC S/A - GRUPO ITAUTEC em face da decisão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 151 a 154). O presente processo trata-se de análise de Declarações de Compensação (DCOMPs) acostadas neste processo (fls. 003 a 028) de saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2002 pela empresa ADIBOARD S/A, incorporada pela recorrente em 29/04/2005 (fls. 41). O montante de crédito compensado pela recorrente foi de R$ 1.758.313,41 vinculado à seis DCOMPs que segue a relação: As compensações foram analisadas pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) que reconheceu R$ 1.562.243,88, portanto uma concessão parcial o crédito solicitado. A fundamentação utilizada pelo AFRFB para o reconhecimento parcial dos créditos (fls. 046) é que as retenções com código receita 5273 oriundas de rendimentos auferidos em operações de swap não foram oferecidos à tributação. Relato do AFRFB: O montante de receita não tributada, segundo o ARFB, é de R$ 1.021.252,13 composto por R$ 980.684,24 (fls. 038) somado com R$ 40.567,89 (fls. 039). Tais rendimentos possibilitaram a recorrente auferir retenções no valor de R$ 196.136,84 e R$ 8.113,57, totalizando R$ 204.250,41 que foi o objeto de glosa. Assim ficou a ementa do despacho decisório (fls. 043): Ementa: COMPENSAÇÃO. A lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago por estimativa. RETENÇÃO NA FONTE. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. COMPENSAÇÕES VINCULADAS AO CRÉDITO ANALISADO HOMOLOGADAS ATÉ O VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.A recorrente alegou em seu manifesto de inconformidade (fls. 063) que tais rendimentos foram devidamente oferecidos a tributação: E continua: Para comprovar o oferecimento de tributação as receitas de hedge/swap a recorrente apresentou o documentos 05 (fls. 126) que representa a Ficha 06ª da DIPJ onde na linha 20 registrou receitas de variações cambiais ativas no montante de R$ 9.507.628,24. Ainda apresentou (fls. 127) a memória de cálculo que detalha tal montante: Afirma a recorrente que a conta 6130.007 H.Cambial-(Banco) no valor de R$ 5.273.156,95 trata-se de receitas obtidas na operações de swap (fls. 064), e que procedeu apenas de mero erro de preenchimento da DIPJ, citando que as receitas que deveriam figurar à linha 021, foram lançadas a linha 020 da Declaração (fls. 055). Por fim a recorrente solicitou que a manifestação de inconformidade fosse declarada integralmente procedente o que possibilitaria a homologação integral das compensações (fls. 068). A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente manteve a decisão do despacho dando com improcedente a manifestação (fls. 151). Segunda a DRJ a recorrente não apresentou documentos contábeis que possibilitasse ratificar o reconhecimento das receitas obtidas nas operações de swap (fls. 153). A recorrente cientificada da decisão apresentou recurso voluntário para este colegiado repetindo os argumentos apresentados na manifestação de conformidade afirmando se tratar de erro formal no preenchimento da declaração (fls. 145) É o relatório.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto e relatório. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 21/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto por ITAUTEC S/A GRUPO ITAUTEC em face da decisão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 151 a 154). O presente processo tratase de análise de Declarações de Compensação (DCOMPs) acostadas neste processo (fls. 003 a 028) de saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2002 pela empresa ADIBOARD S/A, incorporada pela recorrente em 29/04/2005 (fls. 41). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 36 4/ 20 08 -6 1 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.720364/200861 Resolução nº 1302000.214 S1C3T2 Fl. 3 2 O montante de crédito compensado pela recorrente foi de R$ 1.758.313,41 vinculado à seis DCOMPs que segue a relação: As compensações foram analisadas pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) que reconheceu R$ 1.562.243,88, portanto uma concessão parcial o crédito solicitado. A fundamentação utilizada pelo AFRFB para o reconhecimento parcial dos créditos (fls. 046) é que as retenções com código receita 5273 oriundas de rendimentos auferidos em operações de swap não foram oferecidos à tributação. Relato do AFRFB: O montante de receita não tributada, segundo o ARFB, é de R$ 1.021.252,13 composto por R$ 980.684,24 (fls. 038) somado com R$ 40.567,89 (fls. 039). Tais rendimentos possibilitaram a recorrente auferir retenções no valor de R$ 196.136,84 e R$ 8.113,57, totalizando R$ 204.250,41 que foi o objeto de glosa. Assim ficou a ementa do despacho decisório (fls. 043): Ementa: COMPENSAÇÃO. A lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago por estimativa. RETENÇÃO NA FONTE. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.720364/200861 Resolução nº 1302000.214 S1C3T2 Fl. 4 3 COMPENSAÇÕES VINCULADAS AO CRÉDITO ANALISADO HOMOLOGADAS ATÉ O VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.A recorrente alegou em seu manifesto de inconformidade (fls. 063) que tais rendimentos foram devidamente oferecidos a tributação: E continua: Para comprovar o oferecimento de tributação as receitas de hedge/swap a recorrente apresentou o documentos 05 (fls. 126) que representa a Ficha 06ª da DIPJ onde na linha 20 registrou receitas de variações cambiais ativas no montante de R$ 9.507.628,24. Ainda apresentou (fls. 127) a memória de cálculo que detalha tal montante: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.720364/200861 Resolução nº 1302000.214 S1C3T2 Fl. 5 4 Afirma a recorrente que a conta 6130.007 H.Cambial(Banco) no valor de R$ 5.273.156,95 tratase de receitas obtidas na operações de swap (fls. 064), e que procedeu apenas de mero erro de preenchimento da DIPJ, citando que as receitas que deveriam figurar à linha 021, foram lançadas a linha 020 da Declaração (fls. 055). Por fim a recorrente solicitou que a manifestação de inconformidade fosse declarada integralmente procedente o que possibilitaria a homologação integral das compensações (fls. 068). A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente manteve a decisão do despacho dando com improcedente a manifestação (fls. 151). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.720364/200861 Resolução nº 1302000.214 S1C3T2 Fl. 6 5 Segunda a DRJ a recorrente não apresentou documentos contábeis que possibilitasse ratificar o reconhecimento das receitas obtidas nas operações de swap (fls. 153). A recorrente cientificada da decisão apresentou recurso voluntário para este colegiado repetindo os argumentos apresentados na manifestação de conformidade afirmando se tratar de erro formal no preenchimento da declaração (fls. 145) É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.720364/200861 Resolução nº 1302000.214 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A glosa de créditos decorre incerteza do oferecimento à tributação de IRPJ e a CSLL das receitas obtidas nas operações de swap. Tanto na manifestação de inconformidade quando no recurso voluntário alegou a recorrente que incorreu em mero erro formal de preenchimento da DIPJ, declarando as receitas obtidas em operações de swap, mas em campo diverso daquele que sabatina o manual da declaração. Acostou documentos com a pretensão de provar a tributação mas a DRJ não os convalidou. Tenho para mim que a os documentos apresentados pela recorrente (fls. 126 e 127) comprovam a tributação da receita, ou no mínimo dão relevantes indícios “fumus boni iuri”. Mesmo que tais documentos não sejam contábeis ou descriminem de forma detalhada que tipo de receita está sendo tributada. Todavia, pelos princípios da verdade real, do livre convencimento do julgador e diante dos fortes indícios, voto para converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização solicite documentos contábeis (razão e diário) e outros que entender conveniente a fim de detalhar os valores constantes na fl. 127 deste processo, e verifique se nos registros contábeis constam as receitas obtidas nas operações swap, objeto deste julgamento, de forma que possam ser identificados se os valores de R$ 980.684,24 (fl. 038) e R$ 40.567,89 (fl. 039), foram tributados como receita ou não na base de cálculo do IRPJ e CSLL, considerando o erro material da DIPJ alegado pela recorrente. Sala das Sessões, 05 de Dezembro de 2012. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004161/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabe recurso de Embargos de Declaração para sanar contradição, omissão e obscuridade de Acórdão.
DECADÊNCIA. COFINS. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. O prazo para o Fisco constituir o crédito tributário de tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contado do fato gerador do tributo, art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mas quando não houver o prazo decadencial passa a ser contado com fundamento do art. 173, inciso I, do CTN, nos termos da jurisprudência pacificada pelo STJ.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS
Numero da decisão: 3101-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão quanto à decadência.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão quanto à decadência. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabe recurso de Embargos de Declaração para sanar contradição, omissão e obscuridade de Acórdão. DECADÊNCIA. COFINS. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. O prazo para o Fisco constituir o crédito tributário de tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contado do fato gerador do tributo, art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mas quando não houver o prazo decadencial passa a ser contado com fundamento do art. 173, inciso I, do CTN, nos termos da jurisprudência pacificada pelo STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão quanto à decadência. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 41 61 /2 00 5- 37 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado contra a instituição de ensino Colégio Nossa Senhora de Nazaré, visando a cobrança de COFINS referente aos períodos de 02/1999, 03/1999, 04/1999, 05/1999, 06/1999, 07/1999, 09/1999, 10/1999, 11/1999 e 12/1999, sob o fundamento que a Recorrente não possuí os requisitos previsto no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 para benefício da imunidade do artigo 195, §7º da Constituição Federal de 1988. O Acórdão n° 3101000.924, de 10/11/2011, que julgou, por unanimidade, parcialmente provido recurso voluntário – para excluir da base de cálculo da Cofins as parcelas diferentes de venda de mercadorias, venda de serviços ou venda de mercadorias e serviços, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. É inconstitucional o alargamento da base de cálculo instituído pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme julgamento proferido em sede de repercussão geral nos autos do RE nº 585235 pelo Supremo Tribunal Federal. COFINS. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE. É requisito essencial para benefício da imunidade de COFINS prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal, a observância dos requisitos previsto nos incisos do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991. No caso, a ausência de que não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Quando da formalização do Acórdão foi verificado que se deixou de levar a discussão no plenário uma das matérias alegadas, a decadência, sendo que não foi apreciada no voto condutor do acórdão, quando foram opostos Embargos de Declaração . É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo e conter a alegada omissão, qual seja o transcurso do prazo decadencial. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.004161/200537 Acórdão n.º 3101001.350 S3C1T1 Fl. 306 3 A decadência é um instituto de direito material que traz, em seu bojo, a ação deletéria do tempo em relação ao direito potestativo1 por conta da incúria de seu titular2, ultimando a plena realização do princípio da segurança do direito, ditado pela manutenção da estabilidade das relações jurídicas, e em prol do interesse pela preservação da harmonia social. O Código Tributário Nacional, no art. 1563, inciso V, coloca a prescrição e a decadência como modalidades de extinção do crédito tributário. Observese que o referido artigo contém 11 itens4 enumerativos das diversas modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que a prescrição e a decadência estão consignadas juntas num único item. Há, aí, uma confusão, ou melhor uma identificação errônea da prescrição com a decadência como modalidade de extinção do crédito fiscal. Na verdade, a prescrição não extingue o crédito tributário, apenas retiralhe o direito de ação, a exeqüibilidade. É a norma secundária eleita por Lourival Vilanova5 que deixa de ter validade para a perseguição do direito. A prescrição não extingue nenhum direito substantivo; extingue o direito processual, o direito à ação. Apesar de estar edificada de forma equivocada a norma extintiva do crédito tributário, no que concerne à prescrição, uma vez que a extinção se dá de forma indireta, isto é, ao perder o direito à ação o direito substantivo indiretamente perde sua capacidade de cogência jurídica. E embora, no art. 156, a norma refira se primeiro à prescrição – “prescrição e a decadência” – ao definilas, mais adiante, o legislador do Código inverteu acertadamente a ordem, dispondo no art. 173 sobre a decadência e no art. 174 sobre a prescrição. As normas jurídicas veiculadas nesses artigos do Código Tributário Nacional, esboçam conceitos mais exatos, a decadência referese à extinção do direito de constituir o crédito tributário (art. 173) – exercício da potestade pública – e a prescrição referese à perda do direito de ação para a cobrança do crédito tributário (art. 174), presumidamente não aplacado pela decadência; constituído. Se assim podemos afirmar que há uma característica importante, em relação ao aspecto da aplicação do Direito no tempo, para precisar os momentos de ocorrência da decadência e da prescrição: a) a decadência se opera na fase de constituição do crédito (art. 173) e b) a prescrição se opera na fase de cobrança (art. 174). 1 Utilizo o termo “potestativo” no sentido de “potestade pública” nos termos definidos por José Cretella Junior, in Dicionário de direito administrativo. José Bushatsky, Ed. São Paulo, 1972. 2 AMORIM FILHO, Agnelo. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis. Revista dos Tribunais, nº 30, apud FANUCCHI, Fábio. A decadência e a prescrição em direito tributário. Edição póstuma. 2ª edição. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1982, p. 39 3 Art. 156 Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus parágrafos 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do art. 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. 4 Inciso XI acrescido pela Lei Complementar 104/2001. 5 Causalidade e Relação no Direito. 2ª ed., Saraiva, 1989. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Na dicção da norma jurídica veiculada no art. 174, a prescrição começa quando se encerra a possibilidade de transcurso do prazo decadencial pela prática do ato potestativo – na “data da constituição definitiva” do crédito tributário, o que mostra que a constituição definitiva do crédito tributário é o divisor de águas entre a contagem do prazo de decadência (que se torna inaplicável se o lançamento ocorreu antes de sua verificação) e a prescrição (que inicia sua contagem a partir do lançamento). Portanto, podemos perceber que a inércia da Fazenda seja para constituição, seja para cobrança do tributário, implica a extinção do direito, a extinção do crédito tributário. Fábio Fanucchi6 explicitou bem esses conceitos, idealizando um quadro da aplicação desses institutos jurídicos no tempo e ressaltando a distinção temporal na existência do curso da decadência e o curso da prescrição, em face da ação deletéria do direito da fazenda. Assim, diante das considerações acima, passo a análise da questão de mérito, para verificar o termo inicial do prazo decadencial de COFINS. No caso em apreço, a decisão proferida pela DRJ afastou a alegação de decadência com base no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, que estabelecia o prazo de 10 anos de decadência para as contribuições sociais. Por ser a decadência e prescrição matéria reservada à Lei Complementar, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 87, que declarou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Posteriormente, ambos os dispositivos foram revogados pela Lei Complementar nº 128/2008. Declarado inconstitucional os dispositivos da Lei Federal, devese estabelecer os dispositivos que prescrevem o prazo decadencial, qual seja, os dispositivos do Código Tributário Nacional, sendo o §4º do artigo 150 para os lançamentos por homologação, e o artigo 173, I para os lançamentos de ofício. Uma coisa que não se discute, qualquer que seja o foro, é a modalidade de lançamento das Contribuições Sociais, dentre elas o PIS, a CSLL, a CIDE, e como no presente caso o COFINS. Todas são contribuições cuja modalidade de lançamento se dá pela sujeição à homologação, nos termos prelecionados pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado 6 A Decadência e a Prescrição em Direito Tributário. Ed. Resenha Tributária. 1970. 7 Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: [...] Art. 46. O direito de cobrar os créditos da Seguridade Social, constituídos na forma do artigo anterior, prescreve em 10 (dez) anos. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.004161/200537 Acórdão n.º 3101001.350 S3C1T1 Fl. 307 5 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O §4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional, dispõe que, nos casos de lançamento por homologação, “se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Notase que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador da COFINS, e o prazo de 05 (cinco) anos. Apesar de ter este entendimento, regimentalmente estou obrigado a decidir a questão da decadência nos termos das decisões repetitivas do Superior Tribunal de Justiça, cujo Recurso Especial 1120295/SP, que firmou entendimento de que a ausência de declaração e pagamento desloca o prazo decadencial do tributos sujeitos ao lançamento por homologação para o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, cujo termo inicial tem início no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. 1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 I pela citação pessoal feita ao devedor; I pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor." 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." 6. Consequentemente, o dies a quo do prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário declarado, mas não pago, é a data do vencimento da obrigação tributária expressamente reconhecida. 7. In casu: (i) cuidase de créditos tributários atinentes a IRPJ (tributo sujeito a lançamento por homologação) do anobase de 1996, calculado com base no lucro presumido da pessoa jurídica; (ii) o contribuinte apresentou declaração de rendimentos em 30.04.1997, sem proceder aos pagamentos mensais do tributo no ano anterior; e (iii) a ação executiva fiscal foi proposta em 05.03.2002. 8. Deveras, o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, independentemente da forma de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado), é devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos (Lei 8.541/92 e Regulamento do Imposto de Renda vigente à época Decreto 1.041/94). 9. De acordo com a Lei 8.981/95, as pessoas jurídicas, para fins de imposto de renda, são obrigadas a apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no anocalendário anterior (artigo 56). 10. Assim sendo, não procede a argumentação da empresa, no sentido de que: (i) "a declaração de rendimentos anobase de 1996 é entregue no ano de 1996, em cada mês que se realiza o pagamento, e não em 1997"; e (ii) "o que é entregue no ano seguinte, no caso, 1997, é a Declaração de Ajuste Anual, que não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do prazo seja decadencial, seja prescricional", sendo certo que "o Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito em relação ao Fisco." (fls. eSTJ 75/76). 11. Vislumbrase, portanto, peculiaridade no caso sub examine, uma vez que a declaração de rendimentos entregue no final de abril de 1997 versa sobre tributo que já deveria ter sido pago no anocalendário anterior, inexistindo obrigação legal de declaração prévia a cada mês de recolhimento, consoante se depreende do seguinte Fl. 13DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.004161/200537 Acórdão n.º 3101001.350 S3C1T1 Fl. 308 7 excerto do acórdão regional: "Assim, conforme se extrai dos autos, a formalização dos créditos tributários em questão se deu com a entrega da Declaração de Rendimentos pelo contribuinte que, apesar de declarar os débitos, não procedeu ao devido recolhimento dos mesmos, com vencimentos ocorridos entre fevereiro/1996 a janeiro/1997 (fls. 37/44)." 12. Consequentemente, o prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial da exação declarada, in casu, iniciouse na data da apresentação do aludido documento, vale dizer, em 30.04.1997, escoandose em 30.04.2002, não se revelando prescritos os créditos tributários na época em que ajuizada a ação (05.03.2002). 13. Outrossim, o exercício do direito de ação pelo Fisco, por intermédio de ajuizamento da execução fiscal, conjura a alegação de inação do credor, revelando se incoerente a interpretação segundo a qual o fluxo do prazo prescricional continua a escoarse, desde a constituição definitiva do crédito tributário, até a data em que se der o despacho ordenador da citação do devedor (ou até a data em que se der a citação válida do devedor, consoante a anterior redação do inciso I, do parágrafo único, do artigo 174, do CTN). 14. O Codex Processual, no § 1º, do artigo 219, estabelece que a interrupção da prescrição, pela citação, retroage à data da propositura da ação, o que, na seara tributária, após as alterações promovidas pela Lei Complementar 118/2005, conduz ao entendimento de que o marco interruptivo atinente à prolação do despacho que ordena a citação do executado retroage à data do ajuizamento do feito executivo, a qual deve ser empreendida no prazo prescricional. 15. A doutrina abalizada é no sentido de que: "Para CÂMARA LEAL, como a prescrição decorre do não exercício do direito de ação, o exercício da ação impõe a interrupção do prazo de prescrição e faz que a ação perca a 'possibilidade de reviver', pois não há sentido a priori em fazer reviver algo que já foi vivido (exercício da ação) e encontrase em seu pleno exercício (processo). Ou seja, o exercício do direito de ação faz cessar a prescrição. Aliás, esse é também o diretivo do Código de Processo Civil: 'Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. § 1º A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura da ação.' Se a interrupção retroage à data da propositura da ação, isso significa que é a propositura, e não a citação, que interrompe a prescrição. Nada mais coerente, posto que a propositura da ação representa a efetivação do direito de ação, cujo prazo prescricional perde sentido em razão do seu exercício, que será expressamente reconhecido pelo juiz no ato da citação. Nesse caso, o que ocorre é que o fator conduta, que é a omissão do direito de ação, é desqualificado pelo exercício da ação, fixandose, assim, seu termo consumativo. Quando isso ocorre, o fator tempo tornase irrelevante, deixando de haver um termo temporal da prescrição." (Eurico Marcos Diniz de Santi, in "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 232/233) 16. Destarte, a propositura da ação constitui o dies ad quem do prazo prescricional e, simultaneamente, o termo inicial para sua recontagem sujeita às causas interruptivas previstas no artigo 174, parágrafo único, do CTN. 17. Outrossim, é certo que "incumbe à parte promover a citação do réu nos 10 (dez) dias subsequentes ao despacho que a ordenar, não ficando prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário" (artigo 219, § 2º, do CPC). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 18. Consequentemente, tendo em vista que o exercício do direito de ação deu se em 05.03.2002, antes de escoado o lapso quinquenal (30.04.2002), iniciado com a entrega da declaração de rendimentos (30.04.1997), não se revela prescrita a pretensão executiva fiscal, ainda que o despacho inicial e a citação do devedor tenham sobrevindo em junho de 2002. 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) Como no presente caso a autuação visa a cobrança de COFINS referente aos períodos de 28/02/1999 a 31/12/1999, o termo inicial do prazo decadencial ocorreu para cada período de apuração no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 1o/01/2000, sendo possível a constituição do crédito tributário até do último período ocorreu em 31/12/2004. Tendo em vista que a notificação do Auto de Infração se deu em 28/03/2005, concluise que os débitos dos fatos geradores ocorridos até 30/11/1999, estão decaídos, restando apenas o período de apuração de 31/12/1999, pois o primeiro dia do exercício seguinte me que poderia ser lançado ocorreu em 2001, portanto dentro do prazo para realizar o lançamento. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração para suprir a omissão e, ao apreciar a questão da decadência, dar efeito infringente ao Acórdão recorrido para excluir os períodos de apuração decaídos. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 15DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000276/2001-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. SÚMULA CARF Nº 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Cia Agro Industrial Tapajós foi lavrado o auto de infração de fls. 27/29, objetivando a exigência de Imposto Territorial Rural do exercício 1997, decorrente das glosas efetuadas em relação aos valores declarados pela contribuinte a título de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, bem como de áreas de pastagens. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30134.155, que se encontra às fls. 156/161 e cuja ementa é a seguinte: “AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer titulo, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 6797, não tem amparo legal.” Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10215.000276/200115 Acórdão n.º 920202.120 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente e, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal. Intimada pessoalmente do acórdão em 05/05/2009 (fls. 163) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 166/199, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 30236.278 e 30237.891 no tocante (i) à necessidade de averbação das áreas de reserva legal na matrícula do imóvel e (ii) à obrigatoriedade de apresentação tempestiva de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2101 0131/2009, de 09/11/2009 (fls. 206/208). Regularmente intimado do acórdão recorrido e do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a Contribuinte deixou de apresentar suas contra razões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, a matéria a ser examinada por este colegiado é (i) a glosa pela autoridade fiscal dos valores declarados pelo contribuinte a título de APP e reserva legal tendo em vista a ausência de apresentação, pela contribuinte, do ADA, bem como (ii) a necessidade de averbação da área de reserva legal a margem da matrícula do imóvel. Área de Proteção Permanente No tocante ao APP o critério que levou a autoridade fiscal a efetuar a glosa da área declarada a título de APP foi a ausência de ADA tempestivamente protocolado junto ao Ibama. A jurisprudência deste E. Colegiado, no entanto, já se pacificou no sentido de que a não apresentação do ADA não pode motivar a exigência de ITR até o exercício de 2000, tendo sido editada neste sentido a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Destarte deve ser mantido o acórdão recorrido em relação ao restabelecimento da área de APP como declarada pela contribuinte. Reserva Legal Por outro lado, no tocante à área de reserva legal, para o exercício de 1997 (objeto do presente lançamento) o ITR era regido pela Lei nº 9.393/1996 (ainda em vigor), que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10215.000276/200115 Acórdão n.º 920202.120 CSRFT2 Fl. 3 5 regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigêncai do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. No tocante à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, trecho do voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10215.000276/200115 Acórdão n.º 920202.120 CSRFT2 Fl. 4 7 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, verifico que não restou comprovada nos autos a averbação na matrícula do imóvel (fls. 115/116) da área de reserva legal declarada pela Contribuinte, não havendo como ela se beneficiar de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Destarte, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a exigência quanto à área de reserva legal. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 18108.000369/2007-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL.
A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 03 69 /2 00 7- 64 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18108.000369/200764 Acórdão n.º 2803002.293 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18108.000369/200764 Acórdão n.º 2803002.293 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à fiscalização as notas fiscais de entrada referentes à compra de bovinos para abate, o Livro Registro de Entradas nº 1 e os Livros Razão e Diário de 01/2004 a 01/2005, situação que configura infração à regra contida no art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de novembro de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, conforme previsto no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91, nos termos do art. 30, inc. IX, do mesmo diploma legal. CIENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. A cientificação do responsável solidário pelo pagamento do crédito decorrente de Auto de Infração, nos termos do art. 779 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003 e do art. 748 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, garante aos cientificados as informações necessárias para o exercício de seu direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18108.000369/200764 Acórdão n.º 2803002.293 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Conforme discorrido na ocasião da defesa endereçada a uma das turmas da Delegacia de Julgamento, o termo de cientificação recebido pela ora Recorrente objetivou relacionála a um grupo econômico composto pelas seguintes pessoas jurídicas: “Frigorifico Jales Ltda”, “Grandes lagos Comércio de Carnes Ltda”, APR Comércio de alimentos Ltda, “Luan Comércio de Alimentos” e “Frigorífico 3J Ltda”. No entanto, o referido instrumento não invocou e/ou apresentou quaisquer fundamentos a justificar tal iniciativa, de maneira que, desde já, se evidencia completo cerceamento à defesa, haja vista que não oportunizou à notificada as razões e os argumentos que levaram a Auditoria Fiscal a tão equivocada conclusão. Portanto, é nula a notificação e o acórdão recorrido. Inexiste grupo econômico na situação vertente. Requerse que este E. Órgão Colegiado consubstanciado em uma das Câmaras do Colendo Conselho de Contribuintes/MF julgue nulo o termo de Cientificação proposto pela Autoridade Fiscal e, por conseguinte, decrete a nulidade dos atos posteriores, ou, no mérito, julgue improcedente o presente lançamento, no que diz respeito à responsabilidade solidária que foi imposta a empresa ora Recorrente. Que a recorrente seja intimada com o fim de exercer sua prerrogativa de sustentar oralmente suas razões, perante este Conselho. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18108.000369/200764 Acórdão n.º 2803002.293 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como é do conhecimento geral, a responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Assim, não resta qualquer dúvida de que o lançamento, bem como a decisão de primeira instância administrativa foi pautado em conformidade com as determinações contidas na legislação tributária, em especial aquelas previstas no art. 142 do CTN. Ademais, não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Na situação vertente, não há dúvida da ocorrência do fato imponível, tendo em vista que o recorrente não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18108.000369/200764 Acórdão n.º 2803002.293 S2TE03 Fl. 7 6 tampouco há dúvida quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, no caso, o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991. O descumprimento de obrigações instrumentais está amplamente evidenciado, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à fiscalização as notas fiscais de entrada referentes à compra de bovinos para abate, o Livro Registro de Entradas nº 1 e os Livros Razão e Diário de 01/2004 a 01/2005. A apresentação de documentos de forma deficiente ou a sua não apresentação é motivo para a fiscalização efetivar o lançamento. Nestes autos, independentemente de as verbas terem ou não natureza tributária, a recorrente é obrigada a apresentar a documentação requisitada pela fiscalização. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei nº 8.212/91 está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando, pois, totalmente válida e devendo ser obedecida pelas autoridades administrativas. Por último, a autuação objeto do presente recurso foi executada de acordo com os preceitos legais atinentes à matéria e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo ser mantido na sua integralidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720037/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE.
A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. MARGEM DE 60%. AGREGAÇÃO DE VALOR. ELEMENTO DIFERENCIADOR.
A Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preço-parâmetro com base no método PRL 60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, trata-se de mera REVENDA. Descabe falar, portanto, em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a circunstância em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (hipótese em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados), pois, nesse caso, o ato normativo em referência complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos revenda e produção por ela utilizados.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado.
INCONSTITUCIONALIDADES.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2).
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto proferido pelo Redator Designado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Carlos Augusto Andrade Jenier
Relator
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. MARGEM DE 60%. AGREGAÇÃO DE VALOR. ELEMENTO DIFERENCIADOR. A Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preço-parâmetro com base no método PRL 60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, trata-se de mera REVENDA. Descabe falar, portanto, em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a circunstância em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (hipótese em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados), pois, nesse caso, o ato normativo em referência complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos revenda e produção por ela utilizados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto proferido pelo Redator Designado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente documento assinado digitalmente Carlos Augusto Andrade Jenier Relator documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720037/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.096 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2012 Matéria IRPJ PREÇO DE TRANSFERENCIA Recorrente 3M DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. MARGEM DE 60%. AGREGAÇÃO DE VALOR. ELEMENTO DIFERENCIADOR. A Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preçoparâmetro com base no método PRL 60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, tratase de mera REVENDA. Descabe falar, portanto, em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a circunstância em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (hipótese em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados), pois, nesse caso, o ato normativo em referência complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 37 /2 01 1- 01 Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 3 2 Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos “revenda” e “produção” por ela utilizados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto proferido pelo Redator Designado. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Carlos Augusto Andrade Jenier Relator “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 4 3 Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 5 4 Relatório Por bem descrever a realidade contida nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de origem, vazado nos seguintes termos: Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1534/1564, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao anocalendário de 2006), constatouse o seguinte: DOS FATOS A contribuinte foi cientificada pessoalmente do início da ação fiscal, mediante o recebimento do Termo de Início de Fiscalização AC 2006, através do qual lhe foi solicitada a apresentação da documentação relativa aos preços de transferência seguintes e os registros contábeis e documentos fiscais. Após análise das informações e documentos apresentados em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a fiscalização constatou pontos a serem esclarecidos e/ou corrigidos, o que foi solucionado após novas intimações. Da documentação apresentada, a fiscalização observou que, no período fiscalizado, a contribuinte utilizou os métodos de apuração de preço de transferência PIC (Preços Independentes Comparados) e PRL (Preço de Revenda menos Lucro), tanto com margem de 60% (PRL60), para insumos aplicados na produção, como de 20% (PRL20), na revenda de produtos. Analisando as planilhas referentes ao PRL20, a fiscalização verificou, em vários casos, um produto importado sendo revendido sob diversos códigos e descrições. A fiscalização toma como exemplo o produto importado 41530056450 (PMC5645 ACIDO GEL ETCHANT BULK), e observa que ele é apenas um dos insumos que compõem 3 produtos vendidos (H0000816464, H0000941866 eHH000214846), sofrendo processo de industrialização para produzilos. Assim sendo, a contribuinte não poderia ter utilizado o método PRL 20 para tais produtos importados, condição vedada pelo § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Desta forma, a metodologia adotada pela contribuinte para apuração dos preços parâmetro, pelo método PRL20, nos casos em que houve agregação de valor ao produto importado antes da venda, descaracterizando o simples processo de revenda dos bens importados, está em desacordo com a legislação em vigor. Uma breve análise de outros produtos importados para os quais a contribuinte utilizou o PRL20 indica que esse procedimento foi adotado na maioria dos casos. Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 6 5 A contribuinte foi, então, intimada a identificar esses casos e refazer a apuração dos preços de transferência, utilizando o PRL60, com a metodologia prevista na IN SRF n° 243/2002. Em resposta, a contribuinte apresentou argumentos por meio dos quais entendia que tal correção não deveria ser feita (rebatidos pela fiscalização no item “DA VERIFICAÇÃO FISCAL” / “Da desconsideração do método PRL20”). DA VERIFICAÇÃO FISCAL Preliminarmente, informa a fiscalização que a contribuinte efetuou ajuste na DIPJ a título de preços de transferência na importação no montante de R$ 3.535.528,40, assim calculados: Considerando que aproximadamente 50% do valor total dos ajustes foi enquadrado no item “Não especificadas", a contribuinte foi intimada a apresentar as memórias de cálculo de todos os produtos importados de pessoas consideradas vinculadas. A fiscalização então constatou que a contribuinte submeteu 2.946 itens importados de pessoas vinculadas ou situadas em regiões consideradas paraísos fiscais à apuração de preços de transferência no anocalendário 2006. O método PRL20 foi utilizado para 2.753 desses itens, enquanto que o método PRL60 foi aplicado a 191 insumos importados. Em somente 2 itens o método PIC foi utilizado. Da apuração segundo o método PRL60 Conforma mencionado, o método PRL60 foi aplicado pela contribuinte a 191 insumos importados. A fiscalização considerou correta a utilização do método PRL60 para esses itens, pois, conforme se observa no ANEXO 01, os produtos importados possuem participação no produto acabado, ou seja, foram empregados na produção para posterior revenda, são insumos. Entretanto, a fiscalização constatou que a apuração dos preçosparâmetro dos referidos insumos não seguiu o disposto no § 11 do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. A contribuinte foi, então, intimada a apurar os preços de transferência seguindo a orientação disposta na IN SRF nº 243/2002. A contribuinte atendeu à solicitação, deixando consignado, no entanto, que o resultado apresentado não refletia o entendimento da empresa sobre esta matéria (a IN SRF nº 243/2002 estaria em desacordo com a Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei nº 9.959/2000, de modo que a lei deveria prevalecer). A fiscalização cita o julgamento que ocorreu em 25/08/2011, no qual a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, à unanimidade, deu integral provimento ao Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 7 6 apelo fazendário para, nos autos do processo nº 2003.61.00.0061258, reconhecer que o cálculo da IN SRF nº 243/2002 previsto para o método de PRL60 coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/96. A nova apuração do PRL60 pela contribuinte, de acordo com a IN SRF nº 243/2002, encontrase no ANEXO 03, totalizando o valor total do ajuste o montante de R$ 5.768.291,36. Esses novos cálculos foram ratificados pela fiscalização. Da apuração segundo o método PRL 20 A contribuinte apurou o preço de transferência referente a 2.753 produtos importados de pessoas vinculadas adotando o método PRL20 (ANEXO 04). Dos referidos 2.753 itens, a fiscalização entende que para 2.280 ocorreu a revenda pura. Os cálculos para esses produtos (ANEXO 05) foram ratificados pela fiscalização, e totalizam o ajuste de R$ 943.821,09. Da desconsideração do método PRL20 O método PRL20 somente pode ser utilizado nos casos de importações de produtos prontos para revenda, sem que haja qualquer agregação de valor no país, nos termos do § 9o do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Analisando as memórias de cálculo dos 2.753 produtos importados apurados pelo método PRL20%, a fiscalização verificou que 473 desses (ANEXO 07) foram importados e revendidos sob diferentes códigos e descrições. Desses 473 produtos, 195 compõem dois produtos revendidos sob códigos diferentes. Os demais produtos importados fazem parte de pelo menos três produtos revendidos. Há casos em que um único produto importado integra inúmeros produtos revendidos. Outra evidência seriam os produtos revendidos utilizados para o cálculo dos preços parâmetro relativos aos 473 itens importados em tela. A fiscalização constatou que dos 4012 produtos revendidos que participaram do cálculo do preçoparâmetro, 1977 deles, aproximadamente 50%, foram utilizados no cálculo de preço de transferência efetuado pela contribuinte na apuração do PRL60. Para a não aplicação do método PRL60 para tais casos, a contribuinte partiu das seguintes premissas: 1) A IN SRF nº 243/2002 estaria em desacordo com a Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei nº 9.959/2000 porque a citada lei estaria prevendo a utilização da margem de 20% em todos os casos em que o bem importado não seja aplicado na produção, enquanto que a IN SRF nº 243/2002 somente prevê a aplicação da margem de 20% nos casos de revenda; e 2) O fato de um bem ser importado em grandes quantidades para posteriormente ser integrado em um bem vendido pela empresa não configuraria produção, porque não teria havido transformação do bem em processo produtivo. Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 8 7 Analisando a primeira premissa, a fiscalização argumenta o seguinte. A IN SRF nº 243/2002 não está em desacordo com a sua respectiva matriz legal, pois ambas prevêem apenas duas hipóteses de utilização do produto importado: revenda direta ou como insumo utilizado na produção. Se um produto importado for revendido do mesmo modo como foi importado, aplicase a margem de 20%. Se for utilizado como insumo na produção de um produto para posterior venda, é utilizada a margem de 60%. Não há outra hipótese; ou o produto é revendido ou é utilizado na produção. O texto da lei ainda ressalta que devese deduzir o valor agregado no país, nos casos de produção, deixando claro que sempre que se agrega valor caracterizase a produção. A margem de 20% é utilizada nos casos em que não há produção, não há agregação de valor no país, isto é, quando ocorre a revenda do bem. A contrario sensu, se a contribuinte pode agregar valores aos bens importados e depois revendêlos, não faz sentido aplicar a margem de 20% sobre o preço de venda, pois o valor agregado ao produto pode superar (e muito) a própria margem de 20%, descaracterizando totalmente a intenção do legislador de verificar se ocorreu uma margem de lucro mínima de 20%. Quanto à segunda premissa, a fiscalização argumenta o seguinte. A contribuinte alega que o produto importado não foi submetido à produção porque não houve transformação do bem em processo produtivo. Ora, não há qualquer dispositivo que determine que um insumo precise ser "transformado" para fazer parte de um processo produtivo. Um parafuso é um insumo na produção de uma máquina, mas continua sendo um parafuso depois de aparafusado; não sofreu "transformação", no entanto, não deixa de ser um insumo de produção. Nesse sentido, cumpre observar a orientação da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em sua Solução de Consulta n° 5, de 01/09/2006. A utilização do método PRL20 para os 473 produtos em tela está em desacordo com a legislação em vigor, pois houve agregação de valor ao produto importado antes da venda, o que descaracteriza o simples processo de revenda dos bens importados. Há muitos casos em que a descrição do produto traz a inscrição na língua inglesa "Bulk" (traduzindo, seria algo próximo a "a granel" ou “não empacotado"), e os respectivos produtos acabados revendidos foram acondicionados em quantidades diferentes. Outros produtos acabados trazem a inscrição de "KIT", que, segundo a contribuinte, seria um agrupamento de produtos fracionados e acondicionados juntos, sendo depois revendido o conjunto. O ANEXO 07 traz as memórias de cálculo referentes à apuração do PRL60 para os mencionados 473 produtos. O ANEXO 08 traz a consolidação por produto importado dos ajustes apurados no ANEXO 07, tendo sido apurado um ajuste total, para os referidos produtos, no montante de R$ 8.581.265,22. Do ajuste total a ser efetuado O valor total do ajuste adicional a ser efetuado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL está a seguir demonstrado: Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 9 8 DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2006: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 02/12/2011, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 23/12/2011, a impugnação de fls. 2765/2796, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A fiscalização lavrou o presente Auto de Infração contra a contribuinte, apontando que no anocalendário de 2006: • com relação à importação de insumos, sujeita ao PRL60, a contribuinte não teria efetuado o cálculo do preçoparâmetro segundo a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002; e Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 10 9 • a contribuinte teria indevidamente efetuado o cálculo do preçoparâmetro de produtos importados para a revenda por meio do método PRL20, quando, na verdade, deveria ter utilizado o método PRL60, uma vez que tais bens, por estarem sujeitos à industrialização local, seriam insumos utilizados na produção. Todavia, a contribuinte entende que a exigência fiscal não deve prosperar, já que, conforme restará adiante demonstrado, efetuou os ajustes previstos nas regras de preços de transferência em conformidade com o que prevê a legislação. PRL60 A METODOLOGIA ADOTADA PELA CONTRIBUINTE Examinando os cálculos realizados pela contribuinte (conforme a Lei nº 9.430/96) e os realizados pela fiscalização (conforme a IN SRF nº 243/2002), é fácil perceber que há uma série de elementos na IN SRF nº 243/2002 que não constam do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e que provocam um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis. Essa diferença positiva, que acarreta em maior ajuste tributável, não ocorre exclusivamente no caso em tela, mas em qualquer hipótese de aplicação do método PRL60 tal qual previsto na IN SRF nº 243/2002. A relação entre a mudança da metodologia para cálculo do método PRL e as bases de cálculo de IRPJ e CSLL é bem apontada no voto proferido pelo DESEMBARGADOR MÁRCIO MORAES, do TRF da 3ª Região, nos autos da Apelação Cível nº 003404852.2007.4.03.6100/ SP. Da impossibilidade de majoração da base de cálculo de tributo por instrução normativa Os ajustes determinados pelas regras de preços de transferência são diretamente agregados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo conseqüências imediatas na determinação do montante do débito fiscal do contribuinte. Nesse sentido, podemos concluir que a alteração no modo de cálculo do método PRL modifica o próprio critério de determinação da base de incidência tributária. Tal modificação jamais poderia ser introduzida por uma Instrução Normativa, que é norma secundária de direito tributário. De acordo com disposto no artigo 97 do CTN, somente a lei pode fixar a alíquota e a base de cálculo do tributo, ou majorar sua cobrança. Equiparase à majoração do tributo a modificação de sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Assim, parece claro que a IN SRF nº 243/2002, enquanto norma regulamentar secundária, jamais poderia alterar o critério legal de apuração do método PRL, agregando novos componentes às disposições da Lei nº 9.430/96, de modo a tornar mais onerosos os ajustes tributáveis de preços de transferência. Portanto, temse que o procedimento adotado pela contribuinte, de utilizar a metodologia prevista na Lei nº 9.430/96 para calcular os ajustes feitos com base no método PRL60 para a importação de peças, está correto. Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 11 10 Da impossibilidade de inovação na metodologia de cálculo do método PRL por meio de instrução normativa Além da majoração indevida de tributo, outro motivo que torna a IN SRF nº 243/2002 ilegal é a inovação na metodologia de cálculo prevista para o método PRL60. A IN SRF nº 243/2002 introduziu uma série de elementos no cálculo do método PRL60 que sequer não decorem da interpretação do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Da MP nº 478/2009 e o reconhecimento expresso da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 É tão flagrante a falta de fundamento legal do cálculo do método PRL60 introduzido pela IN SRF nº 243/2002, que o próprio Ministério da Fazenda reconheceu a necessidade de lei para tanto, ao editar a Medida Provisória n° 478, de 29/12/2009. A Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, preparada por aquele órgão, reconheceu expressamente que as alterações no critério de cálculo da sistemática dos preços de transferência previstos na Lei n° 9.430/96 visavam "instituir, em dispositivo legal, [...] medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa", e assim "reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado", o que se reporta diretamente à questão ora enfrentada. Nesse sentido, muito embora a MP nº 478/2009 não tenha sido convertida em lei, o texto que introduzia a respeito do método PVL era praticamente uma cópia das disposições da IN SRF nº 243/2002 (e bem diferente da Lei nº 9.430/96), apenas com mudança na margem de lucro. Temse, portanto, a MP nº 478/09 como importante manifestação formal da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 e, por conseqüência, do presente lançamento, realizado com base nessas disposições. PRL20 APLICAÇÃO A PRODUTOS REVENDIDOS O segundo item de questionamento das autoridades fiscais se refere à alegação de que a contribuinte teria indevidamente efetuado o cálculo do preçoparâmetro de produtos importados para a revenda por meio do método PRL20, quando, na verdade, deveria ter utilizado o método PRL60, uma vez que tais bens, por estarem sujeitos à industrialização local, seriam insumos utilizados na produção. Das ilegalidades da IN SRF nº 243/2002 Cumpre notar que além da ilegalidade na fórmula de cálculo trazida pela IN SRF nº 243/2002, esta também excede dos limites da legalidade no que tange à definição de quais bens importados de partes vinculadas devem sujeitarse ao método PRL20 e quais devem sujeitarse ao PRL60. Ao passo que a lei estabelece a aplicação do método PRL20 não só aos casos de simples revenda, mas a todos os demais em que os bens importados não sejam aplicados à produção, o normativo promove a sutil troca do trecho “demais hipóteses“ por ”hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos”. Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 12 11 Ademais, o § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 inova ao limitar a aplicação do método PRL20 às situações em que não haja "agregação de valor" aos bens importados. O conceito de "agregação de valor" não está previsto na lei, que não traz este tipo de limitação à aplicação do método PRL20. Ora, todo produto final importado tem um valor agregado no Brasil para que seja possível sua venda no País (a exemplo de embalagens que devem ser em português). De acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, o método PRL60 será obrigatório somente quando os bens importados forem aplicados à “produção”. Do conceito de "produção" A definição do termo "produção" é essencial para a determinação da aplicação do método PRL20 ou PRL60. O conceito de produção não significa a promoção de qualquer alteração em qualquer dos aspectos de determinado bem, mas sim a transformação de um bem em outro bem. Cumpre lembrar que o termo utilizado pela Lei nº 9.430/96 e na IN SRF nº 243/2002 é "produção" e não "industrialização". Diferentemente do termo "industrialização", que é definido na legislação do IPI, não há na legislação tributária definição do termo "produção". Em não havendo a aplicação do produto importado na produção de outro produto, é claro que o conceito de revenda, em casos de mero acondicionamento, continua a ser aplicado aos produtos importados que mantenham suas características essenciais. Esse entendimento encontra respaldo também na mais elevada doutrina. Da falta de provas utilizadas pela fiscalização para reclassificação de PRL20 para PRL60 Ao verificar que dos 2.753 produtos, 473 produtos apresentavam mais de um código ou descrição de saída, a fiscalização presumiu que houve aplicação destes produtos importados à produção. Ora, os códigos e descrições traduzem procedimentos internos utilizados pela contribuinte para controlar o inventário dos produtos a serem vendidos e podem representar desde processos de simples acondicionamento até a mera aposição de uma etiqueta em língua nacional, como até mesmo uma identificação do cliente final a quem os produtos serão vendidos. Claramente, o mero fato de os produtos serem importados e revendidos sob diferentes códigos não implica na aplicação destes à produção. Em matéria de imposição tributária, excluídas as presunções prévias, expressa e legalmente autorizadas, o ônus da prova é do Fisco. Nesse sentido, ao alegar que houve a aplicação dos produtos importados à produção, o que impediria a aplicação do PRL20, a fiscalização teria de ter provado e não presumido que com a alteração de códigos internos houve a alteração, e conseqüente aplicação à produção, do produto importado. Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 13 12 Portanto, os ajustes feitos pela fiscalização não devem prosperar, a não ser que a fiscalização prove a efetiva aplicação dos produtos à produção, nos termos da legislação vigente. Das provas da contribuinte para demonstrar a correta aplicação de revenda e aplicação do PRL20 Como prova de que a utilização do método PRL20 pela contribuinte foi correta e, portanto, descabida a exigência da fiscalização de utilização do método PRL60, a contribuinte separou os 473 produtos importados em (1) produtos meramente revendidos e (2) produtos fracionados, (3) kits e (4) transformação conforme tabela anexa (doc. nº 5). Tendo em vista que o presente Auto de Infração trata da reclassificação de 473 produtos importados, a contribuinte separou os casos mais representativos do suposto ajuste levantado pela fiscalização. Além dos cálculos individualizados dos produtos H0002220459, H0001913344, HK200002093, 80130001367, 44002287694 e 98044042954 (docs. nºs 6 a 11), nove produtos estão exemplificados abaixo e tem seus cálculos individualizados (itens 68 a 88 da impugnação e docs. n°s 12 a 29). São estes os produtos mais representativos do suposto ajuste. Revenda A contribuinte traz à baila exemplos em que ocorre a mera revenda de produtos importados onde não há alteração do produto, junto com documentação que demonstra o processo industrial pelo qual o produto importado está sujeito e cálculos do PRL20 aplicado a tais produtos. • Produto H0002254607 GLASS BUBBLES S38 XHS CX650LB: referese a microesferas de vidro utilizadas como cargas em tintas, mastiques ou resinas para produtos de construção civil, navais, automotivas, dentre outros; após sua importação, são submetidas somente ao processo de rotulamento (doc. nº 12, descrição; doc. nº 13, planilha); • Produto H0001731282 P94 LATA 940ML P/EMPAC P8215: é o Primer P8215, importado por meio de latas, que pode ser usado para promover a adesão das fitas 3M a diversas superfícies. Após importados, conforme se verifica nas imagens (doc. nº 14, imagens; doc. nº 15, planilha) estes produtos são retirados da caixa, submetidos à aplicação de novo rótulo sobre o rótulo original da lata, colocados de volta na caixa, e esta é fechada e vendida; • Produto H0001620501 6009 CART MERCUR GAS/CLORO *FC: é um filtro/cartucho para respiradores 3M, que, conforme se verifica nas imagens (doc. nº 16, imagens; doc. nº 17, planilha), é importado pronto para venda, ou seja, não existe transformação aqui no Brasil. A contribuinte somente realiza a adequação da embalagem para atendimento as normas e leis brasileiras; e • Produto H0000754509 POLYGUN TC 110V3M USA MONTADA: é a Pistola Aplicadora Polygun, ferramenta utilizada para aplicar os cartuchos de Adesivo JetMelt 3M, utilizado para fechamento de embalagens. Após importado, conforme se verifica Fl. 3328DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 14 13 nas imagens (doc. nº 18, imagens; doc. nº 19, planilha), o único procedimento a qual o produto é submetido é o de rotulamento. Conforme demonstrado por meio dos exemplos acima, não há que se falar em qualquer aplicação dos referidos produtos à produção de outros. Os mesmos produtos que são importados são revendidos com nova rotulagem (para atender à lei brasileira). Ao revender um produto importado, é necessária a aposição de instruções e embalagem na língua portuguesa, segundo o Código de Defesa do Consumidor. Nesse sentido, ao entender que a mera rotulagem e apresentação do bem seriam de fato aplicação do referido bem à produção, o método PRL20 não se aplicaria a praticamente nenhum tipo de importação de produto destinado a venda. Fracionamento Outros exemplos de produtos importados pela contribuinte que não são aplicados à produção são aqueles sujeitos apenas a processo de fracionamento, como os exemplos abaixo e documentos e planilhas juntadas. • Produto H0001004540 1530 JUMBO MICROPORE L1295MM: são fitas (para curativos cirúrgicos, hospitalares, ambulatoriais e semelhantes) importadas em tamanho jumbo. Este produto é fracionado em rolos com largura e comprimento de acordo com item final de venda e embalado (doc. nº 20, imagens; doc. nº 21, planilha); e • Produto H0002175158 CANETA POSTIT FLAG BULK: é uma caneta que vem com postit. Conforme se verifica nas imagens (doc. nº 22, imagens; doc. nº 23, planilha), os itens importados são retirados das caixas, às vezes acompanhada de empacotamento especial (tipo Blister), sendo em seguida encaixotados e vendidos. Como o próprio termo informa, o processo de fracionamento é a simples divisão de um produto em partes menores, com adicionamento de embalagem, para a posterior revenda. Cabe notar que o processo consiste somente em fracionar determinado produto, trazido em dimensões nas quais sua comercialização seria impraticável (o que se faz por questões de logística), o que certamente em nada afeta sua natureza ou transforma o produto importado em outro produto produzido no Brasil. K i t O mesmo conceito aplicase aos casos em que produtos finais são importados e, algumas vezes após fracionados, vendidos em forma de kits juntamente com outros produtos. Como demonstração da metodologia utilizada pela fiscalização para fins de reclassificação e cálculo dos produtos, nos termos constantes no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização utilizou como exemplo o produto de código 41530056450 (PMC5645 ACIDO GEL ETCHANT BULK) com três produtos "revendidos" diferentes e com preços tão distintos. Fl. 3329DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 15 14 Cabe aqui explicar o procedimento praticado pela contribuinte. O supracitado produto é importado armazenado em baldes, contendo grandes quantidades do produto, impróprio, portanto, para a comercialização para grandes públicos. Em seguida, por meio de um equipamento de envasamento (dosadora), a contribuinte apenas transfere o material importado em baldes (a granel, ou in bulk) para pequenos frascos. Estes frascos, por sua vez, são incluídos na montagem de três kits diferentes, como destacado no Termo de Verificação Fiscal, revendidos sob os códigos H0000816464, H0000941866 e HH000214846. A fim de ilustrar tal procedimento, a contribuinte junta a esta Impugnação uma demonstração do procedimento (doc. nº 24). Nesse processo também não há alteração no produto, mas apenas o fracionamento do material importado e sua posterior inclusão em kits, sem a ocorrência de qualquer procedimento de produção. Por conseguinte, não há de que se questionar a aplicação do método PRL20, utilizado pela contribuinte. Ademais, vale notar que ao demonstrar o preçoparâmetro unitário a fiscalização não realizou a proporcionalização necessária referente à representatividade do referido produto PMC5645 ACIDO GEL ETCHANT BULK no kit final. Como se depreende do cálculo anexo (doc. nº 25), o preço "atual médio" é o que deve ser levado em conta, visto que demonstra o preço representativo do produto PMC5645 ACIDO GEL ETCHANT BULK no kit e não o "preçoparâmetro original" utilizado pela Fiscalização. Vale notar que o mesmo conceito se aplica ao produto WC300925359 POPUP DISP POSTIT KR2002 que é um suporte dispensador de blocos postit. Referido produto é importado, montado na forma de kit com outros produtos, empacotados na caixas de despachos e rotulados (doc. nº 26, imagens; doc. nº 27, planilha). Os produtos 75030125225 BRZ983L REARBUMPER 100MMX45.7M, e 75030125217 BRZ983R REARBUMPER 100MMX45.7M são rolos de fita sinalizadora viária refletiva empregada em traseiras e laterais de caminhões. Conforme se verifica nas imagens (doc. nº 28, imagens; doc. nº 29, planilha), o processo que o material importado se sujeita é somente de corte e embalagem. Conforme se expôs acima, este mero fracionamento e adicionamento de kits não deve ser confundido com procedimento de produção, conforme previsto na Lei nº 9430/96, artigo 18, II, d, 1. Especificamente neste ponto, um estudo realizado pelas próprias autoridades fiscais esclarece a inadequação de se classificar o mero fracionamento e acondicionamento de um produto como qualquer método de produção: A COSIT, por meio de soluções de consulta, manifestouse sobre a necessidade de alteração do bem importado, ou seja, da produção de outro, novo, bem, para que se vede o uso do PRL20. Deste modo, é claro que o acondicionamento, sem alteração da natureza dos produtos importados, não configurará hipótese de produção, de modo que a aplicação do método PRL20, conforme praticado pela contribuinte, está de acordo à legislação vigente. Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 16 15 A fim de solucionar qualquer eventual controvérsia, a própria Receita Federal, por meio da seção "Perguntas e Respostas" disponibilizada em seu endereço virtual, entende correto o uso do PRL20 em casos de acondicionamento. Portanto, não há de que se falar em vedação à utilização do PRL20 no caso em tela, visto tratarse da simples revenda de bens importados adquiridos de partes vinculadas. Cumpre notar que os produtos que efetivamente foram aplicados à produção de outro produto foram reclassificados como "transformação". Visto não haver ajuste aplicado mesmo em razão da reclassificação destes produtos, conforme demonstrado em tabela anexa (doc. nº 30), não há que se falar em recolhimento adicional de IRPJ e CSL por parte da contribuinte. Referido cálculo tem por base o preço FOB do produto importado, conforme estipulado na Lei nº 9.430/96, visto que a IN SRF nº 243/2002, ao determinar a inclusão dos valores de frete, seguro (preço CIF) e imposto de importação, excede com relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, extrapolando sua função de norma secundária, meramente interpretativa. DA MULTA E DOS JUROS Na forma aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, na medida em que além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou máfé, o valor exigido a título de multa punitiva é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade. No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Confiramse, a esse propósito, as decisões proferidas pelo STJ, nos autos do Recurso Especial nº 215.881/PR e do Recurso Especial nº 450.422/PR. Dessa forma, a contribuinte contesta a aplicação da Taxa SELIC e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário e seu cancelamento. Por fim, ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a contribuinte, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, vem esclarecer o quanto segue. A multa configura penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. É evidente que a multa de ofício não pode ser aumentada pela aplicação de taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável. Dessa forma, resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. DO PEDIDO Por todo o exposto, a contribuinte requer que seja cancelado o Auto de Infração, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 17 16 Para comprovar todas suas alegações, a contribuinte protesta pela posterior juntada de novos documentos e/ou realização de diligências. Analisando cada um dos fundamentos da impugnação apresentada, entendeu a douta DRJ pela manutenção do lançamento, em decisão que, inclusive, assim restou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte no dia 05/04/2012 (quintafeira), apresentou ela, então, no dia 07/05/2012 (segundafeira), o seu Recurso Voluntário, onde sustenta, em apertada síntese, o seguinte: i) A competência para o apontamento de ilegalidade de atos normativos infralegais, como as instruções normativas, pelos órgãos julgadores do devido processo administrativo fiscal; ii) A ilegalidade da IN 243/2002, tendo em vista a alteração nela contida do critério legal de apuração do PRL previsto na Lei 9.430/96 – A margem de lucro de 60% somente deveria incidir sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido da venda total; Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 18 17 iii) A tentativa de legalização dos critérios apontados pela referida IN 243/2002, agora por meio das MP’s 478/09 e 563/2012; iv) Impossibilidade de desconsideração da aplicação, pela contribuinte, do método PRL20 em decorrência de simples “acondicionamentos”, necessários para a comercialização de produtos importados a granel; v) A inexistência de definição jurídica específica do termo “produção” em nosso sistema jurídico pátrio e a inadmissibilidade da presunção contidas nas disposições da IN 243/2002; vi) A aplicação do método PRL60, ao invés do PRL20, somente é possível no caso de aplicação do produto importado na “produção”, que deve ser entendido como sendo a utilização do produto importado na produção de outro produto, e não do mesmo; vii) Invalidade dos cálculos efetivados a partir da aplicação dos métodos da IN 243/2012 – método FOB versus método CIF; viii) A diferença entre o custo e o preço de importação para fins de cálculo da base de cálculo para a aplicação dos métodos PRL; ix) A excessividade da multa de ofício, aplicada no percentual de 75%, que entende ser abusiva; x) Invalidade da aplicação da taxa SELIC na apuração dos juros moratórios; xi) A impossibilidade de incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício aplicada. Em síntese, esse é o relatório. Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. A discussão travada nos autos, conforme já aqui antes demonstrado, referese à discussão da validade do lançamento fiscal, efetivado em face da discordância entre a contribuinte e os agentes fazendários, a respeito da adequada e válida aplicação dos métodos de apuração dos conhecidos “Preços de Transferência”, concernentes aos métodos PRL20 e PRL60, de que tratam as disposições da IN 243/2002. A matéria, como se sabe, é tema de relevantes debates neste Conselho, envolvendo, em seu cenário, exatamente a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN 243/2002, em face das disposições contidas na Lei 9.430/96, que, em suas disposições originárias, assim, á época, apresentavase: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 20 19 § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. (grifos e destaques nossos) Essas disposições, conforme apontado, eram as disposições originárias contidas na referida norma à época da ocorrência dos fatos tratados nos presentes autos, já tendo sido efetivada a pretensão de sua alteração (conforme apontado pela recorrente) a partir da inserção, em nosso sistema jurídico, das disposições da MP 478/2009 (não convertida), e, mais recentemente, da MP 563/2012, esta convertida na recente Lei 12.715/2012, de 17 de Setembro de 2012, que, promovendo relevantes alterações no sistema, será aqui ainda analisada. Nada obstante, cumpre destacar, a princípio, que, conforme destacado, a discussão fundamental havida nos autos referese à discussão a respeito da legalidade das disposições contidas na IN 243/2002, tendo em vista o apontamento efetivado pela recorrente de que este diploma regulamentar teria, em suas disposições, inobservado as determinações contidas na respectiva legislação de regência, estando assim eivada de ilegalidade, nos termos apontados. Diante dessas considerações, destaquemos as expressas disposições da referida IN 243/2002, especificamente no que aqui especificamente nos interessa: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 21 20 empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Pois bem. Apontados os atos normativos especificamente discutidos nos presentes autos, insta destacar, em primeira análise, que aqui se está a discutir dois pontos específicos, a saber: a) A inadequação dos cálculos efetivados pela contribuinte na aplicação do método PRL60, tendo em vista a inobservância das regras estabelecidas pela IN 243/2002 na apuração do “preçoparâmetro”; e Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 22 21 b) A invalidade da aplicação do método PRL20 em relação a determinadas atividades que, segundo a fiscalização, deveriam estar submetidas ao método PRL60, tendo em vista a sua sujeição à industrialização local, sendo, portanto, insumos de produção. Diante dessas circunstâncias, passemos então à análise das circunstâncias apontadas: Da (in)validade das disposições da IN 243/2002 Em relação a esse primeiro ponto de destaque, cumpre ressaltar que, de acordo com as disposições da r. decisão de origem, a matéria sequer fora especificamente analisada, tendo em vista apenas, e tão somente, o apontamento de que tratandose, na essência, de discussão a respeito da validade (legalidade) do ato normativo regulamentar, descaberia às Delegacias Regionais de Julgamento qualquer manifestação a seu respeito, tendo em vista a falta de competência para tanto. A discussão a respeito da legitimidade da avaliação da legalidade dos atos normativos infralegais pelos órgãos de julgamento, de fato, é tema hoje pacífico na doutrina e jurisprudência pátria, sendo aí relevante o destaque que se faz em relação á diferença entre às Delegacias da Receita Federal, responsáveis pela fiscalização e pelo lançamento de tributos contra os contribuintes, e os atos próprios das chamadas Delegacias Regionais de Julgamento – DRJ, cuja competência, a teor do que estabelecido nas disposições do Decreto 70.235/72, é, exatamente, a de controle de legalidade dos atos administrativos. Nessa linha, afasto, desde já, o apontamento contido na r. decisão de origem a respeito da impossibilidade de apreciação da legalidade das Instruções Normativas pelos órgãos administrativos julgados, sobretudo após a instauração da fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, sendo este, de fato, o momento propício e adequado para a devida e regular avaliação da legalidade do referido ato normativo. A limitação existente quanto à atuação dos órgãos julgadores, de fato, é relativa á constitucionalidade dos atos da administração e da própria legislação, inexistindo, entretanto, qualquer óbice à prática do controle de legalidade, como forma de garantir, inclusive, a garantia de observância aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e economicidade, próprios que são da específica atuação administrativa brasileira. Feitas essas considerações, importante agora analisar a discussão havida nos autos, e, neste ponto, a especifica discussão em torno da (i)legalidade das disposições da referida IN 243/2002, que, segundo aponta a contribuinte, teria transbordado da competência que lhe fora conferida pela Lei de regência, não podendo, assim, ser aqui efetivamente aplicada. Nessa linha, cumpre destacar que, conforme apontado, a discussão em relação a esse específico tema nos autos cingese à verificação de que, nas disposições da referida IN 243/2002, teriam sido incluídos conceitos completamente inexistentes nas referidas disposições legais de regência, carecendolhes, assim, conforme apontado pela recorrente, o necessário amparo de legalidade. Vejamos. A primeira questão destacada pela contribuinte, seria decorrente da verificação de que, de acordo com as disposições então contidas na Lei 9.430/96, a apuração da margem de lucro de 60%, por ela determinada, deveria levar em conta, especificamente, o Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 23 22 valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido da venda total, sendo essa, especificamente, a divergência verificada entre as disposições da Lei de regência e aquelas apontadas pela referida IN 243/2002. Para a adequada análise, comparemos aqui a específica redação dos dispositivos apontados: Lei 9.430/96: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) IN 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 24 23 A discussão em torno do confronto entre as referidas disposições, vale destacar, decorre do fato de que da leitura de cada uma delas extraemse diferentes conclusões matemáticas, fazendo nascer, assim, o imbróglio da adequada fórmula a ser aplicada nas operações praticadas pela contribuinte. Independentemente de toda a discussão relativa à adequação ou não do texto das normas apontadas, é relevante destacar que, a rigor, os métodos apontados são apresentados como instrumentos para a metrificação dos valores aplicados em decorrência de operações havidas entre partes relacionadas, especificamente como forma de garantir a impossibilidade da distribuição disfarçada de resultados, o que, insistase, é o cerne fundamental das normas relativas ao controle dos chamados “preços de transferência”. Nessa linha, é relevante o destaque de que, conceitualmente, o percentual da margem de lucro considerada (60%) deva incidir, especificamente, sobre o montante representativo do bem inicialmente importado na ulterior comercialização do bem produzido, não podendo, de forma alguma, ser aplicado sobre o total da venda posteriormente realizada, sob pena de causar conseqüências completamente exdrúxulas, conforme reiteramente exemplificado pelos estudiosos da matéria (ex.; o parafuso na produção do avião...). De fato, adequada interpretação das disposições originariamente contidas na lei 9.430/96 levam á necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Assim, a discussão apontada desbota, então, na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60%(PLVVAB) 2) PP = PLV – 60%(PLV) VAB A primeira hipótese, insta destacar, é a hipótese construída pela aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, que, substituindo a primeira, passou, a partir de então, a pretender disciplinar a atuação dos contribuintes e dos agentes da fiscalização, inaugurando, assim, um atormentado período de debates a respeito de sua validade. Da forma como destacado, de fato, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. A discussão apontada era de tão grave relevância que, conforme antes aqui inclusive destacado, passouse a buscar a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, o que, conforme se verifica, fora atualmente verificado, tendo em vista as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, agora recentemente convertida na Lei 12.715/2012. Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 25 24 Eis as novéis disposições da Lei 9.430/96: "Art. 18. ....................................................................... I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. § 1o As médias aritméticas ponderadas dos preços de que tratam os incisos I e II do caput e o custo médio ponderado de produção de que trata o inciso III do caput serão calculados considerandose os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. ............................................................................................. § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. ............................................................................................. § 10. Relativamente ao método previsto no inciso I do caput, as operações utilizadas para fins de cálculo devem: I representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 26 25 apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II corresponder a preços independentes realizados no mesmo anocalendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 11. Na hipótese do inciso II do § 10, não havendo preço independente no anocalendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no ano calendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: I 40% (quarenta por cento), para os setores de: a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; b) produtos do fumo; c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédicohospitalar; e) extração de petróleo e gás natural; e f) produtos derivados do petróleo; II 30% (trinta por cento) para os setores de: a) produtos químicos; b) vidros e de produtos do vidro; c) celulose, papel e produtos de papel; e d) metalurgia; e III 20% (vinte por cento) para os demais setores. § 13. Na hipótese em que a pessoa jurídica desenvolva atividades enquadradas em mais de um inciso do § 12, deverá ser adotada para fins de cálculo do PRL a margem correspondente ao setor da atividade para o qual o bem importado tenha sido destinado, observado o disposto no § 14. § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. § 15. No caso de ser utilizado o método PRL, o preço parâmetro deverá ser apurado considerandose os preços de venda no período em que os produtos forem baixados dos estoques para resultado. § 16. Na hipótese de importação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Importação PCI definido no art. 18A. § 17. Na hipótese do inciso I do § 10, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no anocalendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período." (NR) Ora, pela alteração legislativa apontada, agora sim, verificase a consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, anteriormente não se verificava. Diante dessas considerações, adotando, no caso, o preceito hermenêutico máximo de que “a lei não possui palavras inúteis”, a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que, de fato, inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002, estando, por isso, desde antes, fadada de ilegalidade a conduta praticada pela fiscalização na presente vertente. Com base nesses fundamentos, entendo, neste particular, pela completa e total invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN 243/2002 – especificamente em Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 27 26 relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluindo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte, quando da efetiva aplicação do método PRL60, nos termos por ela então especificamente sustentado. Da (ir)regular aplicação do método PRL20 pela contribuinte Ultrapassada a discussão contida no tópico anterior, verificase ainda, nos presentes autos, a discussão em torno da regularidade da aplicação, pela contribuinte, do método PRL20, uma vez que, conforme assentado pela fiscalização, diversos produtos por ela importados e sujeitos a essa metodologia de tributação, teriam sido sujeitos a industrialização no Brasil, devendo, então, ser a eles aplicado o método PRL60, em face das apontadas disposições de regência. Neste ponto, a primeira discussão trazida ao debate – tanto pela r. decisão de origem, quanto, ainda, pelos termos do recurso apresentado pela recorrente , é referente à discussão acerca (novamente) da invalidade das disposições da IN 243/2002, agora em relação a esse especifico assunto, e as disposições apontadas da Lei 9.430/96, destacando a contribuinte a existência de dissonância entre as referidas normas, o que, segundo aponta, transbordaria na ilegalidade da referida regulamentação. Mais uma vez, a douta DRJ simplesmente se nega à análise da discussão em torno da legalidade da referida norma infralegal, o que, conforme antes destacado, não adotamos no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Por essa razão, verifiquemos então os argumentos aduzidos pela recorrente. O primeiro ponto de ataque trazido pela recorrente decorre, como antes destacado, da aparente dissonância entre as disposições da IN 243/2002 e aquelas então contidas nas disposições da Lei 9.430/96, sendo destacável, neste ponto, a discussão em torno da vedação á aplicação do mencionado PRL20 quando verificada a “agregação de valor”. Tal discussão, em que pese a relevância do tema tratado, não se apresenta, entretanto, como elemento lapidar para o apontamento de invalidade das disposições da IN 243/2002 na hipótese, uma vez que, ao contrário do que parece pretender fazer crer a recorrente, a atuação regulamentar não pode se limitar a exclusivamente repetir os verbetes apresentados pelo diploma legal, sendo próprio de suas atividades, de fato, a operacionalização da pretensão legal, desde que assegurado o respeito aos limites então estabelecidos. Nessas circunstâncias, não me parece que o simples fato de inexistir, nas disposições da Lei 9.430/96, qualquer referência ao conceito de “agregação de valor” para fins de aplicação do método PRL20 seja capaz, per se, de imputar qualquer ilegalidade para o ato normativo regulamentar apresentado. Na verdade, o conceito legal existente nas disposições da Lei 9.430/96 como vedatórias para a aplicação do método PRL20, é decorrente da utilização do produto importado na “produção”, sendo este, de fato, o limite a ser considerado para a aplicação daquelas disposições. Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 28 27 Pois bem. Analisando as circunstâncias fáticas relativas à glosa efetivada pela fiscalização, verificase que, especificamente sobre esse ponto, assim destaca a r. decisão recorrida: “Com relação aos processos de fracionamento (divisão de um produto em partes menores, com adicionamento de embalagem, para a posterior venda) e de montagem de kits, citados pela impugnante, há que se destacar que em ambos os casos há um processo produtivo (de modo que o método PRL20 estaria também vedado pelo artigo 18 da Lei nº 9.430/96) e alguma agregação de valor (destaquese que a norma supracitada não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante). Os produtos importados tiveram que se submeter a algum processo antes de serem vendidos, de modo que não se trata de simples revenda, como faz crer a impugnante.” Ora, a partir dessas considerações, com todas as vênias, ouso discordar do entendimento exarado pela r. decisão recorrida, uma vez que, ao contrário do que pretende fazer crer, não se mostra crível a conclusão de que, para a inaplicabilidade do método PRL20, com a conseqüente obrigatoriedade de aplicação da metodologia própria do método PRL60, devase admitir como enquadrável no conceito de “produção”, qualquer alteração física, necessária que seja, inclusive, para a própria comercialização do produto em território nacional. Entendimento na linha do que apontado pela douta DRJ, acaba por tornar impossível a aplicação do método PRL20, a menos que o produto importado não demande qualquer forma ou tipo de adequação para fins de comercialização no mercado interno. Ora, tal conclusão imporia que, nos casos de produtos cuja embalagem necessite de adequada tradução, p.ex., para a possibilidade da válida comercialização no mercado interno, restaria pois impossível a aplicação do referido método, sendo necessária, assim, a apuração dos montantes dos tributos devidos a partir da aplicação do mencionado PRL60, o que efetivamente não se pode admitir. A “produção” a que se referiam as disposições do Art. 18, II, d, item 1 da Lei 9.430/96, não pode ser entendida como qualquer forma de acondicionamento ou mesmo a simples preparação para a entrega ao mercado e disponibilização ao consumidor final, devendo ser entendida, na verdade, como sendo o resultado do processo produtivo, onde ocorra a transformação do insumo, ou a sua aplicação específica de forma a descaracterizarlhe a identidade própria. É o caso, por exemplo, de remédios adquiridos a granel e que, para serem comercializados no Brasil, demandam a passagem pelo processo de “blisterização”, com vistas a garantir a regularidade de sua oferta no mercado nacional, havendo, assim, a perfeita manutenção da espécie do produto importado e aquele disponibilizado no mercado. Outra, entretanto, é a situação da importação de pequenas peças, parafusos, ou mesmo componentes, utilizados para a montagem de brinquedos, máquinas e equipamentos, sendo que, nessas hipóteses, o processo de produção desnatura o insumo utilizado que, por sua vez, não é comercializado como item próprio, mas apenas como parte do todo que, a partir de então, passou a compor. O processo produtivo, então, demanda a necessidade de alteração, se não substancial do produto, apenas do ponto de vista mercadológico, não se aplicando na hipótese Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 29 28 de simples acondicionamento do produto para a comercialização, sem a qual, inclusive, esta restaria inviabilizada. Ora, nas hipóteses tratadas pela r. decisão de origem, a produção apontada seria decorrente da aplicação de embalagens e/ou formação de kits, o que, com a devida vênia, não se enquadra no conceito de produção da forma como aqui apontado, sobretudo porque, conforme se verifica, tais acondicionamentos somente são efetivados com vistas a possibilitar a comercialização dos referidos produtos. Diante dessas razões, entendo, na hipótese, pela impossibilidade de admissão da glosa apontada, sobretudo por não se verificar a configuração do adequado conceito de “produção” propalado pelas especificas disposições regência, sendo, também por isso, efetivamente inadmissível a manutenção do lançamento, da forma como efetivado. Dos juros sobre a multa Em que pese as considerações aqui apresentadas, insta verificar que, na apreciação do feito, restei vencido em relação à matéria de fundo tratada nestes autos, na linha, inclusive, apresentada no Voto Vencedor, que segue adiante. Em decorrência desse apontamento, é relevante aqui então apontar a específica questão da avaliação da aplicação da Taxa SELIC como juros moratórios, aplicáveis, no caso, sobre o crédito tributário e, assim, todos os consectários que o compõe. Vejamos: De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei nº 1.736/79, dispôs sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, destacando: Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (ou seja, débitos de natureza tributária), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° (Selic), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em face dessas considerações, entendo, no caso, pela perfeita validade da incidência dos juros SELIC sobre as multas aplicadas, nos termos e condições estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 30 29 Conclusão Diante dessas considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, determinando, assim, a integral desconstituição do lançamento, nos termos e fundamentos aqui então especificamente apresentados. É como voto. (assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 31 30 Voto Vencedor Em que pese a densidade da argumentação expendida pelo Ilustre Relator, o Colegiado pronunciouse de forma diversa. Relativamente à Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, destacou o Colegiado que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro relativo ao denominado método PRL 60%. As fórmulas, seja a porventura trazida pelo contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal (Instruções Normativas nºs 113/2000; 32/2001; e 243/2002), representam expressões matemáticas do exercício interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96. A análise a ser empreendida no presente caso, no entender do Colegiado, deve ser dirigida no sentido de aferir se a Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer fórmula para determinação do denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que objetivou complementar. Vejamos, então, o disposto em cada um dos atos antes referenciados, relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002). Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: ... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 32 31 ... Instrução Normativa nº 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: ... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 33 32 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. ... § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 34 33 Resta evidente que a leitura que o Ilustre Relator fez do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/96 resulta de exercício interpretativo, representando, apenas, uma, entre tantas interpretações possíveis. Para fins de solução da controvérsia, contudo, o que importa apreciar é se a interpretação feita pelo Relator efetivamente traduz a disposição da lei. Cabe, da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a trazida no voto combatido. Para o Colegiado, ficou patente que o valor resultante da aplicação da “fórmula” descrita no voto vencido não tem qualquer relação com o denominado preço parâmetro almejado pela lei. Com efeito, as regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 35 34 No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro também poderia ser expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, segue, abaixo, pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 36 35 [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 37 36 Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 38 37 Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Não resta dúvida de que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. A alegada “majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, logicamente, é mera decorrência de exercício interpretativo das disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa nº 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontrase baseada Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 39 38 em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu corrigir ilegalidades da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, atual Lei nº 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, temse que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563, não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar, ainda, que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012 (Lei nº 12.715, de 2012), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. Concluiu, assim, o Colegiado, no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. Entendeu o Colegiado, também, que descabe falar em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a hipótese em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (situação em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados). No caso, o ato normativo complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos “revenda” e “produção” por ela utilizados. Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 40 39 Assim, quando a referida Instrução Normativa estabelece que o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado quando há agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados (parágrafo 9º do art. 12), não inova em relação ao disposto na lei de suporte, apenas explicita, em perfeita consonância com a teoria econômica e contábil, o significado das expressões “produção” e “revenda” utilizados por ela. Com efeito, na “revenda” o que temos são encargos necessários à comercialização dos bens, serviços ou direitos, que não se agregam ao custo; na “produção”, diferentemente, os gastos são incorridos no processo interno de geração de bens por parte da empresa, sendo eles agregados ao custo. No caso, não se trata de buscar na lei o conceito de “agregação de valor”, mas de investigar se nela existe tal elemento como indicador da diferença entre as atividades de PRODUÇÃO e REVENDA. Não parece restar dúvida de que a Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preçoparâmetro com base no método PRL 60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, tratase de mera REVENDA. Cabe destacar que, no caso vertente, a Fiscalização considerou que, dos dois mil setecentos e cinqüenta e três produtos analisados, efetivamente, dois mil duzentos e oitenta foram simplesmente revendidos. Assim, a aplicação do PRL 60 foi feita para quatrocentos e setenta e três produtos, em relação aos quais restou apurado: i) que cento e noventa e cinco deles compõem pelo menos dois produtos, revendidos sob diferentes códigos e descrições; ii) que duzentos e setenta e oito deles compõem pelo menos três produtos, revendidos sob diferentes códigos e descrições; iii) que, conforme exemplos retratados nos autos, determinados produtos chegar a integrar até mil seiscentos e um outros produtos; iv) que, a título de exemplo, o ÁCIDO GEL ETCHANT BULK, cujo preço foi fixado em R$ 128,00, integra produtos cujos preços variam entre R$ 4.773,79 e R$ 8.226,16 Alinhouse, assim, o Colegiado, ao entendimento esposado pelo ilustre Redator do voto vencedor do acórdão nº 130200.915, Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ali, restou consignado, in verbis: [...] Com a devida vênia a lei nº 9.430/1996 é bastante clara ao estabelecer a aplicação do método PRL – 60% na hipótese de bens importados aplicados à Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 41 40 produção, restringindo a aplicação do método PRL – 20% aos casos de simples revenda de produtos tais como importados, in verbis: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I – Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL :definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) (Grifei) Por sua vez o art. 12 da IN.SRF, 243/2002, na esteira do texto legal define que o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado quando não haja agregação, no país, de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Havendo agregação de valor ao produto importado, ou seja, se o bem é aplicado na produção o PRL deve observar a margem de lucro de 60% . É o que dispõem os §§º 9º e 10 da IN, in verbis: (GRIFO DO ORIGINAL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 42 41 I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. (...) (Grifei) Como se vê a instrução normativa nada mais fez do que desdobrar os conceitos trazidos pelo texto legal, sem qualquer modificação de seu conteúdo. Como bem apontado no voto vencido o conceito de produção equivale ao de fabricação ou industrialização. E, o conceito de industrialização está consagrado no Regulamento do IPI, amparado por duas leis quase sexagenárias: a Lei nº 5.172/1966 (CTN) e a Lei nº 4.502/1964. Definese industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). É o que dispõe o art. 4º do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010 que revogou o Decreto nº 4.502/2002), in verbis: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): (...) Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 43 42 IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou (...) Não resta dúvida que, no caso concreto, o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens, alterando a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final. Não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado a granel. Não se trata, portanto, de mera revenda dos produtos na forma como foram importados. Relativamente aos valores do frete, seguro e tributos incidentes na importação, releva, de início, reproduzir as disposições da Lei nº 9.430, de 1996, acerca da matéria. Com efeito, temos (verbis): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Como é cediço, o disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, há muito disciplina a apropriação de custos na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real. Nessa linha, assim dispõe o artigo 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O referido dispositivo constitui, inclusive, matriz legal dos artigos 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 44 43 Não cabe dúvida de que a disposição contida na Lei nº 9.430, de 1996, efetivamente diz respeito ao custo contábil. Resta claro, também, que a norma em comento tem aplicação genérica, isto é, não diz respeito a um determinado método de determinação de preço parâmetro, mas, sim, à determinação do custo em qualquer dos métodos preconizados no artigo em que se encontra inserida. Quando se trata de aplicação de métodos de preços de transferência, o cuidado que se deve ter (na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação) diz respeito a possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. De fato, a Instrução Normativa nº 38, de 1997, ao tratar das NORMAS COMUNS AOS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO, estabeleceu que, na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação poderiam ali ser computados (parágrafo 4º do artigo 4º). Contudo, é inquestionável que a expressão PODERIA utilizada pelo ato normativo foi direcionada para os métodos dos Preços Independentes Comparados (PIC) e do Custo de Produção mais Lucro (CPL), como devidamente esclarecido em momento posterior pela Instrução Normativa nº 32, de 2001, conforme reprodução abaixo2. Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos arts. 8º e 13, os valores referidos no parágrafo anterior poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior, desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado para fins de dedutibilidade na tributação do lucro real. A regra, portanto, é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. Tratandose, entretanto, do método PIC e do CPL, para que não haja distorção na comparação, tais valores devem ser considerados tanto na determinação dos preços parâmetro, como nos preços praticados. No caso do método do Preço de Revenda menos Lucro, todavia, ausente a comprovação de que na determinação dos preços de revenda não se encontram agregados os valores correspondentes ao frete, ao seguro e ao tributos devidos na importação, descabe falar em exclusão dos referidos valores. A inclusão ou não de tais montantes, à evidência, associase 2 Os artigos 12, 8º e 13, referenciados no artigo, tratam do PRL, PIC e CPL, respectivamente. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16561.720037/201101 Acórdão n.º 1301001.096 S1C3T1 Fl. 45 44 às condições de comparabilidade, isto é, comprovasse a Recorrente que na determinação dos seus preços de revenda não fez repercutir os dispêndios em comento, ganharia plausibilidade a sua argumentação, porém, na inexistência de tal comprovação, a suposição decorre do que é tecnicamente correto, qual seja, a de que nos preços de revenda praticados encontramse incluídos os gastos incorridos na importação do produto. No que diz respeito à alegação de que a multa aplicada é abusiva, cabe observar que, nos termos da súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre tal matéria. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na mesma linha, a questão da aplicação dos juros selic já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4 abaixo transcrita. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Amparada por tais argumentos, decidiu a Turma Julgadora de modo diverso ao proposto pelo Ilustre Relator, negando provimento ao recurso no que tange a essas matérias. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 08/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10972.000012/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO.
Para afastar a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de suprimento de caixa feito por sócio é necessário comprovar a efetividade da entrega e a boa origem dos recursos, ou seja, que o numerário entregue à empresa provém de receitas não tributáveis desta.
DECORRÊNCIA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL.
Em face da relação de causa e efeito, mantido o lançamento principal, igualmente se confirmam, no que couber, os lançamentos efetuados por decorrência.
COFINS. PIS/PASEP. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Com a edição da Súmula Vinculante n.º 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social passou a observar as regras contidas no CTN, obedecendo, nos casos de ausência de pagamento antecipado, à regra geral contida no artigo 173, inciso I, do CTN.
COFINS. PIS/PASEP. ATIVIDADE RURAL. VENDA DE VACAS MATRIZES.
A venda de reprodutores ou matrizes é considerada atividade própria das pessoas jurídicas que se dediquem à criação de animais, devendo a receita correspondente integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, por ser de natureza operacional.
Numero da decisão: 1402-001.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de decadência. No mérito: i) por unanimidade de votos, acolher o ingresso de numerário no valor de R$ 15.000,00; ii) por voto de qualidade, manter a exigência incidente sobre a receita decorrente da venda de matrizes, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan; iii) por maioria de votos, manter a exigência incidente sobre o suprimento de numerário não comprovado, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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SUPRIMENTO DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de suprimento de caixa feito por sócio é necessário comprovar a efetividade da entrega e a boa origem dos recursos, ou seja, que o numerário entregue à empresa provém de receitas não tributáveis desta. DECORRÊNCIA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. Em face da relação de causa e efeito, mantido o lançamento principal, igualmente se confirmam, no que couber, os lançamentos efetuados por decorrência. COFINS. PIS/PASEP. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n.º 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social passou a observar as regras contidas no CTN, obedecendo, nos casos de ausência de pagamento antecipado, à regra geral contida no artigo 173, inciso I, do CTN. COFINS. PIS/PASEP. ATIVIDADE RURAL. VENDA DE VACAS MATRIZES. A venda de reprodutores ou matrizes é considerada atividade própria das pessoas jurídicas que se dediquem à criação de animais, devendo a receita correspondente integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, por ser de natureza operacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 12 /2 00 8- 66 Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.672 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de decadência. No mérito: i) por unanimidade de votos, acolher o ingresso de numerário no valor de R$ 15.000,00; ii) por voto de qualidade, manter a exigência incidente sobre a receita decorrente da venda de matrizes, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan; iii) por maioria de votos, manter a exigência incidente sobre o suprimento de numerário não comprovado, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.673 3 Relatório Agropecuária Dasanas SF Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora/MG, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a interessada acima identificada foram lavrados os autos de infração de fls. 04/32, que lhe exigem um crédito tributário de valor de R$ 1.960.427,49, com juros de mora calculados até 29/02/2008, assim discriminado: IRPJ 536.809,26 Juros de Mora 314.248,13 Multa Proporcional (passível de redução) 402.606,94 TOTAL 1.253.664,33 CSLL 196.495,62 Juros de Mora 115.028,53 Multa Proporcional (passível de redução) 147.371,71 TOTAL 458.895,86 Contribuição para o PIS 36.005,89 Juros de Mora 24.942,58 Multa Proporcional (passível de redução) 27.004,39 TOTAL 87.952,86 Cofins 65.465,27 Juros de Mora 45.350,22 Multa Proporcional (passível de redução) 49.098,95 TOTAL 159.914,44 Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante apontou as seguintes infrações: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU A EFETIVIDADE DA ENTREGA Segundo o que foi contabilizado, durante o ano de 2003 os sócios teriam antecipado à empresa, para futuros aumentos de capital, valores totalizando R$ 1.515.856,23. Porém, não ficou comprovada a origem e efetiva entrega dos recursos. O suprimento de caixa como adiantamento para futuro aumento de capital há de comprovadamente satisfazer a dupla demonstração quanto à origem externa dos recursos creditados e à efetividade da entrega das respectivas quantias, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.674 4 datas e valores, sob pena de têlo por omissão de receitas, a teor do disposto no § 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977, com a redação dada pelo DecretoLei nº 1648 de 18/12/1978 (artigo 282 do Decreto nº 3000, de 26/03/1999, [...] – RIR/99). [...] 002 – OMISSÃO DE RECEITAS BASES DE CÁLCULO DO IMPOSTO E DAS CONTRIBUIÇÕES – RECEITAS TRIBUTÁRIAS AUFERIDAS: Das conciliações dos dados coletados na contabilidade regular da fiscalizada, mormente dos Livros “Diário” e “Razão” e correspondentes documentos que lastrearam os lançamentos (Notas Fiscais, Extratos Bancários, Balancetes, etc.), verificase que em 2003 a “Agropecuária Dasanas Ltda.” auferiu rendimentos de atividade rural que totalizaram R$ 1.219.969,04, sendo R$ 553.649,04 pela venda de bens (gado, embriões e sêmen bovino) classificados como mercadorias e R$ 666.320,00 provenientes da venda de vacas matrizes, classificadas como imobilizado da empresa. A título de “Receitas Financeiras”, a mesma recebeu R$ 8.324,12 (R$ 8.204,93 referentes a rendimentos sobre aplicações financeiras e R$ 119,19 por juros em atrasos de pagamentos de duplicatas). Na rubrica “Outras Receitas Operacionais” houve ingresso de R$ 255.560,79 provenientes da locação de um imóvel urbano de sua propriedade, localizado na Av. Leopoldino de Oliveira nº 3445, em Uberaba/MG. Todavia, na Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ correspondente, os valores informados pela contribuinte foram: R$ 544.969,04 a título de “Receitas da Atividade Rural”; R$ 8.324,12 em “Outras Receitas Financeiras”; e R$ 789.775,46 na rubrica “Outras Receitas Operacionais”; ficando, dessa forma evidenciado erro nas bases de cálculo do Imposto de Renda e, por reflexo, na apuração das Contribuições pertinentes (CSLL, PIS, COFINS). De se ressaltar que a legislação que rege a matéria define as vendas de matrizes como parte do giro normal da pessoa jurídica, sendo, por conseguinte, consideradas atividades rurais, cujas receitas são classificadas como exploração da Atividade Rural, compondo seu resultado (IN SRF nº 257, de 11/12/2002, art. 4º e art. 11§1º). [...] 003 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM VEÍCULOS: [...] O Relatório da Ação Fiscal, no qual a autoridade lançadora detalha as infrações tributárias apuradas, encontrase às fls. 53/62 dos autos. Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.675 5 Os lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins decorreram das infrações acima relatadas, sendo as autuações do PIS/Pasep e da Cofins decorreram apenas das omissões de receita. Cientificada do lançamento em 06/03/2008 (fl. 1.195), a contribuinte apresentou em 04/04/2008 impugnação de fls. 1.196/1.215, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final pediu: IV DO PEDIDO 75. Em síntese, C. Turma Julgadora, o Auto de Infração em tela não pode prosperar tendo em vista que: (i) os valores de PIS e COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2003, estão extintos por força da decadência; (ii) a receita decorrente da venda de vacas matrizes já foi devidamente oferecida à tributação pelo IRPJ e pela CSLL e, por outro lado, não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois as vendas de ativo imobilizado estão excluídas das base de cálculo dessas contribuições; (iii) há prova suficiente da origem e da transferência dos recursos do sócio aportados para empresa, afastandose, dessa forma, a presunção de omissão de receita por suprimentos de caixa não comprovados; (iv) não houve dedução indevida das despesas com veículos, uma vez que a sua utilização estava intrinsecamente vinculada à atividade da empresa; (v) foram efetuados recolhimentos da parcela incontroversa, devendo ser parcialmente cancelado o auto de infração impugnado, com a consequente baixa dos débitos perante a Receita Federal, tendo em vista a extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, I do CTN. Restando demonstrada, portanto, todas estas razões, a manifesta insubsistência da ação fiscal, requer a Impugnante seja o auto de infração julgado totalmente improcedente, cancelandose as exigências formuladas por seu intermédio. Requer ainda a Impugnante, caso não considerem os Srs. Julgadores suficientes as provas até momento produzidas, a realização das diligências que entenderem necessárias. Requer a Impugnante, por fim, diante dos motivos de força maior que a impediram de apresentar todos os documentos que poderia apresentar em suporte de sua defesa e com base no art. 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72 a concessão de prazo suplementar para a juntada de novos documentos. Tendo em vista a matéria não contestada e os respectivos pagamentos juntados à impugnação (fls. 1.231/1.232), as exigências de IRPJ e CSLL, valores principais, foram reduzidas, respectivamente, de R$ 536.809,26 para R$ 510.987,40 e de R$ 196.495,62 para R$ 183.955,45, conforme Extrato do Processo às fls. 1.254/1.256. Em 14/10/2008, a contribuinte apresentou “DOC e TED bancários” a fim de comprovar a transferência de recursos do sócio para a empresa (fls. 1.258/1.261) e, Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.676 6 em 22/07/2009, apresentou aditamento à impugnação questionando a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em 21/12/2009 a impugnante compareceu novamente aos autos, dessa feita, em razão dos benefícios concedidos pela Lei n.º 11.941/2009, para apresentar desistência parcial da impugnação entregue (fls. 1.272/1.311). Os valores principais objeto da desistência estão resumidos abaixo: Desistência Valor (R$) IRPJ 220.275,78 CSLL 79.299,28 PIS/Pasep 5.596,71 Cofins 10.175,84 TOTAL 315.347,61 O crédito tributário referente à desistência supracitada foi transferido para o processo n.º 15254.000046/201002 (fls. 1.313/1.314). Para instrução dos autos, anexei, às fls. 1.316/1.317, extratos de consulta em sistema interno da Receita Federal referente a pagamentos realizados pela contribuinte. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 09 30.436 (fls. 1.3181.324) de 09/07/2010, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVIDADE RURAL. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS. O lançamento de ofício deve recair sobre as receitas efetivamente omitidas, apuradas pela fiscalização com base nos livros fiscais e comerciais e nos documentos que os respaldam, devendo ser cancelada a parcela exigida que excede aos valores apurados. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de suprimento de caixa feito por sócio é necessário comprovar a efetividade da entrega e a boa origem dos recursos, ou seja, que o numerário entregue à empresa provém de receitas não tributáveis desta. DECORRÊNCIA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. Em face da relação de causa e efeito, mantido o lançamento principal, igualmente se confirmam, no que couber, os lançamentos efetuados por decorrência. COFINS. PIS/PASEP. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n.º 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social passou a observar as regras contidas no CTN, obedecendo, nos casos de ausência de Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.677 7 pagamento antecipado, à regra geral contida no artigo 173, inciso I, do CTN. COFINS. PIS/PASEP. ATIVIDADE RURAL. VENDA DE VACAS MATRIZES. A venda de reprodutores ou matrizes é considerada atividade própria das pessoas jurídicas que se dediquem à criação de animais, devendo a receita correspondente integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, por ser de natureza operacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 13/08/2010 (A.R. de fl. 1.328) a interessada interpôs recurso voluntário em 09/09/2010 (fls. 1.3341.355) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.678 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de decadência do PIS/Pasep e da Cofins Aduz a Recorrente que os valores de PIS e COFINS relativos a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2003 já teriam decaídos por ocasião do lançamento. Destaquese, de plano, que, com a edição da Súmula Vinculante n.º 8 do STF a constituição dos créditos da seguridade social passou a observar as regras contidas no Código Tributário Nacional CTN. Assim, há que se aplicar às contribuições para a seguridade social, como é o caso da Cofins e do PIS/Pasep, o prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário de acordo com as regras estabelecidas naquele Código. Dito isso, cabe analisar se ao presente caso deverá ser aplicada a regra geral de decadência contida no art. 173, I, ou aquela contida no art. 150, § 4º, pertinente aos lançamentos por homologação, ao qual, em princípio, se amoldam às contribuições da seguridade social. Transcrevese, para o deslinde da questão, excerto das conclusões do Parecer PGFN/CAT Nº 16/07/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho de 18/08/2008, que, em consonância com o entendimento pacificado no STJ (precedentes nos termos do RESP nº 973.733SC, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008), foi exarado em função da edição da Súmula Vinculante n.º 8: [...] d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; [Grifei]. No caso vertente, embora a Recorrente tenha apurado PIS/Pasep e Cofins a pagar em sua DIPJ/2004, não foram encontrados pagamentos relativos aos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2003, conforme extratos juntados às fls. 1.316/1.317. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.679 9 Dessa forma, seguindo o critério definido na alínea “d” acima transcrita e considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 06/03/2008 (fl. 1.195), não estão abrangidos pela decadência os lançamentos de PIS/Pasep e Cofins referentes aos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2003. Da omissão de receitas da atividade rural Quanto a esse item, constatase que a decisão atacada deu razão à contribuinte quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL, mantendo a autuação apenas quanto ao PIS/Pasep e Cofins. Passo à análise do lançamento remanescente. A autoridade lançadora destacou que na rubrica “Outras Receitas” (Linhas 09 das Fichas 21 e 26A da DIPJ/2004), para os meses de janeiro a dezembro, a contribuinte declarou apenas o valor de R$ 272.564,91. Tal valor corresponde ao somatório das Linhas 24 Outras Receitas Financeiras (R$ 8.324,12) e 30 Outras Receitas Operacionais (R$ 255.560,79) da Ficha 6A da DIPJ/2004, mais a diferença de R$ 8.680,00 (553.649,04 – 544.969,04) relativa a venda de bens classificados como mercadorias, a qual não foi considerada nos autos de infração. Já a Recorrente afirmou “que, assumidamente, as receitas oriundas das vendas de vacas matrizes (ativo imobilizado) não foram computadas integralmente na base de cálculo das referidas contribuições.” Nessa linha, acrescentou que “Não se trata aqui, portanto, de uma cobrança de valores que, a exemplo do IRPJ e da CSLL, já haviam sido oferecidos à tributação pela empresa.” É que, para a Recorrente, segundo as Leis n.ºs 9.718/98, art. 3º, § 2º, IV, e 10.637/2002, art. 1º, § 3º, VI, essas receitas não devem compor as bases de cálculo das contribuições, por se tratarem de venda de ativo permanente, uma vez que as vacas matrizes estão contabilizadas em ativo imobilizado e a venda desse tipo de gado não faz parte de seu objeto social e de sua atividade operacional. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 257/2002, considera que a venda de matrizes integra a receita bruta da atividade rural, vejamse os dispositivos transcritos daquela norma: Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: [...] VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; [...] Art. 4º Considerase receita bruta da atividade rural aquela decorrente da exploração das atividades relacionadas no art. 2º. [...] Art. 11. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas auferidas e das despesas incorridas Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.680 10 no período de apuração, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa jurídica rural. § 1º O resultado na alienação de bens utilizados exclusivamente na produção, com exceção da terra nua e observado o disposto no § 5º do art. 14 e nos arts. 20 e 22, compõe o resultado da atividade rural. Resta claro que o entendimento da Receita Federal é o de que, mesmo estando as vacas matrizes contabilizadas no ativo imobilizado, a venda desses animais compõe o resultado operacional da atividade rural. Tal entendimento é confirmado no “Perguntas e Respostas” constante do sítio oficial da RFB na “internet”: 031 A receita proveniente de venda de reprodutores ou matrizes deverá ser considerada como não operacional em virtude da classificação desses animais no ativo imobilizado? Não. Devido à sua peculiaridade, a receita proveniente da venda de reprodutores ou matrizes, bem como do rebanho de renda, será admitida à atividade própria das pessoas jurídicas que se dediquem à criação de animais. O resultado dessa operação, qualquer que seja o seu montante, será considerado como operacional da atividade rural. Normativo: RIR/1999, art. 277; PN CST nº 7, de 1982. Ademais, ao contrário do afirmado pela defesa, as atividades descritas no objeto social da autuada não afastam a venda de vacas matrizes, seja a título de atividade principal ou secundária. Observase que, no caso, as receitas de venda de vacas matrizes ao longo do ano, nos meses de maio, julho, agosto e dezembro, no valor total de R$ 662.320,00, ultrapassam a receita da atividade rural declarada na DIPJ/2004, no valor de R$ 544.969,04. Ante o exposto, entendo que deve ser mantida a omissão de receita da atividade rural para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Da omissão de receitas por suprimento de caixa não comprovada origem e efetividade da entrega Quanto à omissão de receita por suprimento de caixa, a contribuinte apresentou desistência parcial da impugnação em razão do benefício concedido pela Lei n.º 11.941/2009. Conforme requerimento às fls. 1.272/1.278, para o IRPJ e a CSLL, de R$ 1.515.856,23 lançados a crédito da conta “adiantamento para futuro aumento de capital” restaram em litígio R$ 635.861,65, assim discriminados: E M L I T Í G I O Data Valor (R$) Totais 28/01/2003 3.000,00 Jan 3.000,00 19/02/2003 1.000,00 25/02/2003 2.200,00 27/02/2003 1.500,00 Fev 4.700,00 18/03/2003 1.000,00 Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.681 11 20/03/2003 1.660,16 25/03/2003 2.200,00 31/03/2003 3.000,00 31/03/2003 3.000,00 Mar 10.860,16 09/04/2003 116,60 09/04/2003 1.000,00 14/04/2003 2.200,00 23/04/2003 3.200,00 25/04/2003 2.200,00 29/04/2003 3.000,00 Abr 11.716,60 22/05/2003 15.000,00 Mai 15.000,00 04/06/2003 7.000,00 05/06/2003 30.000,00 16/06/2003 180.000,00 13/06/2003 35.000,00 24/06/2003 50.000,00 Jun 302.000,00 04/09/2003 34.200,00 15/09/2003 13.190,65 Set 47.390,65 02/10/2003 22.000,00 06/10/2003 54.944,24 Out 76.944,24 04/11/2003 35.000,00 05/11/2003 25.000,00 Nov 60.000,00 04/12/2003 6.250,00 08/12/2003 83.000,00 15/12/2003 15.000,00 Dez 104.250,00 Total 635.861,65 Total 635.861,65 Desses valores a fiscalização considerou que houve o efetivo ingresso na empresa de R$ 267.334,89, tendo em vista as Transferências Eletrônicas Disponíveis – TED, às fls. 233/240. Os demais documentos não foram aceitos, uma vez que não identificariam a empresa como beneficiária de operação de transferência de numerário realizada pelo sócio. Após a autuação a contribuinte aduziu DOC, à fl. 1.259, e TED, à fl. 1.260, que comprovam a efetiva entrega, respectivamente, de R$ 35.000,00 (13/06/2003) e de R$ 50.000,00 (24/06/2003). Os outros valores alegados como efetivamente entregues na impugnação (fl. 1.210) não foram acatados sob o argumento de que os elementos de prova apresentados seriam declarações unilaterais do sócio Antônio Roberto Sandoval Filho e um extrato bancário comprovando a emissão de um TED no valor de R$ 180.000,00, sem discriminação do destinatário. Assim, em relação aos valores em litígio, a decisão atacada considerou comprovada a efetiva entrega para a empresa dos seguintes valores: Efetiva entrega Data Valor (R$) 04/09/2003 34.200,00 15/09/2003 13.190,00 02/10/2003 22.000,00 06/10/2003 54.944,24 04/11/2003 35.000,00 Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.682 12 05/11/2003 25.000,00 08/12/2003 83.000,00 Total Fiscalização 267.334,24 13/06/2003 35.000,00 24/06/2003 50.000,00 Total Contribuinte 85.000,00 Total Comprovado 352.334,24 Quanto ao remanescente, de R$ 283.527,41 (635.861,65 352.334,24), a DRJ manteve de plano o lançamento sob o argumento de que não fora comprovada a efetiva entrada de recurso na empresa. Contrapõe a Recorrente a planilha de fl. 1.345, abaixo transcrita e expandida para análise, remetendo à documentação comprobatória da efetiva entrada dos recursos ali discriminados na empresa. Item Data Valor Identificação do Documento Status 1 28/01/2003 R$ 3.000,00 Doc. 02 Sem id. destinatário 2 19/02/2003 R$ 1.000,00 Doc. 03 Sem id. destinatário 3 25/02/2003 R$ 2.200,00 Doc. 03 Sem id. destinatário 4 27/02/2003 R$ 1.500,00 Doc. 04 ok 5 18/03/2003 R$ 1.000,00 Doc. 05 Sem id. destinatário 6 20/03/2003 R$ 1.660,16 Doc. 05 Sem id. destinatário 7 25/03/2003 R$ 2.200,00 Doc. 06 Sem id. destinatário 8 31/03/2003 R$ 3.000,00 Doc. 06 Sem id. destinatário 9 31/03/2003 R$ 3.000,00 Doc. 06 Sem id. destinatário 10 09/04/2003 R$ 116,60 Doc. 07 Sem id. destinatário 11 09/04/2003 R$ 1.000,00 Doc. 07 Sem id. destinatário 12 14/04/2003 R$ 2.200,00 Doc. 08 Sem id. destinatário 13 23/04/2003 R$ 3.200,00 Doc. 09 Sem id. destinatário 14 25/04/2003 R$ 2.200,00 Doc. 09 Sem id. destinatário 15 29/04/2003 R$ 3.000,00 Doc. 10 Sem id. destinatário 16 22/05/2003 R$ 15.000,00 Doc. 11 Sem id. destinatário 17 04/06/2003 R$ 7.000,00 Doc. 12 ok 18 05/06/2003 R$ 30.000,00 Doc. 13 ok 19 13/06/2003 R$ 35.000,00 Doc. 14 ok 20 16/06/2003 R$ 180.000,00 Doc. 15 ok 21 24/06/2003 R$ 50.000,00 Doc. 16 ok 22 04/09/2003 R$ 34.200,00 Doc. 17 ok 23 15/09/2003 R$ 13.190,65 Doc. 18 ok 24 02/10/2003 R$ 22.000,00 Doc. 19 ok 25 06/10/2003 R$ 54.944,24 Doc. 20 ok 26 04/11/2003 R$ 35.000,00 Doc. 21 ok 27 05/11/2003 R$ 25.000,00 Doc. 22 ok 28 04/1212003 R$ 6.250,00 Doc. 23 Sem id. destinatário 29 08/12/2003 R$ 83.000,00 Doc. 24 ok 30 15/12/2003 R$ 15.000,00 Doc. 25 interna TOTAL R$ 635.861,65 Com efeito, analisandose a documentação acostada aos autos (Doc. 02 a 25, fls. 1.359 a 1.434), constatase a efetiva movimentação das quantias questionadas pela fiscalização da conta bancária do sócio Antônio Roberto Sandoval Filho para a conta bancária da autuada nas datas indicadas na planilha acima, para os itens 4, 17 a 27 e 29, montando em R$570.834,89. Considero, pois, comprovada a efetiva entrega desse numerário à empresa. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.683 13 Quanto aos itens 1 a 3, 5 a 16 e 28, perfazendo R$50.026,76, considero que a Recorrente não logrou comprovar a efetiva entrega do numerário à empresa, vez que os documentos acostados correspondem a meras cópias dos extratos bancários da conta do Sr. Antônio Roberto Sandoval Filho, não havendo qualquer outra documentação que vincule as saídas referidas naqueles extratos com entradas na conta da autuada. Por fim, quanto ao item 30, no valor de R$15.000,00, constatase que se trata de movimentação interna da empresa (da conta identificada como: banco 237 AG.INIC./ORI.: 00264 / 00264 CONTA/DIG: 000000008050009 para a conta banco/agência 001/03278 6, conta 0000000068306, ambas de titularidade da autuada, conforme extrato de consulta transferência bancária de fl. 1.433). Independentemente da análise, que se faz a seguir, quanto à origem dos recursos aportados na empresa, entendo que se deve expurgar tal valor do montante de receita omitida analisado neste tópico. Passo à análise quanto à origem dos recursos. A fiscalização considerou, por presunção legal, como omissão de receita o ingresso dos recursos em face da não comprovação de sua origem externa. Nessa esteira, a contribuinte foi intimada ainda na fase investigatória, em 17/07/2007, nos seguintes termos (fls. 279/281): 1. Comprovar as efetivas entregas e as respectivas origens dos recursos utilizados nas integralizações de capital efetuadas no ano de 2003. Ressaltese que não basta demonstrar a capacidade financeira do supridor, sendo necessário justificar, de forma individualizada, todos os ingressos de numerários, identificando a origem de cada um, com detalhamento (datas e valores) das efetivas transações anteriores, devidamente lastreadas em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, dos quais deverão ser apresentadas cópias; Em que pesem a clareza da intimação supracitada e as disposições dos arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto n.º 70.235/72, a contribuinte não apresentou documentação hábil que comprovasse a origem externa dos recursos efetivamente ingressados na empresa a título de “adiantamento para futuro aumento de capital”. Ressalto que a comprovação da entrega dos recursos se deu por meio de operações (TED e DOC) conforme já analisado neste voto, entretanto, do exame dos documentos trazidos pela contribuinte (Mandados de Levantamento Judicial, extratos de outros bancos etc) não vislumbrei associar as transferências efetuadas a outras operações que comprovassem a origem externa desses recursos. Tarefa essa, friso, que cabia à contribuinte. A meu ver, a simples comprovação da saída dos recursos da conta do sócio e a entrada desses recursos na conta da empresa não é suficiente para afastar a presunção de omissão de receitas. Tampouco o é a disponibilidade financeira do sócio, que, no caso, sequer informou em Declaração de Ajuste Anual a destinação para futuro aumento de capital (fl. 1.248). Para tanto, no sentido de comprovar a origem dos recursos aportados na empresa fazse necessário demonstrar que os recursos ingressados têm origem externa ou que não correspondam a receitas tributáveis da contribuinte. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.684 14 Corroborando esse entendimento, vejase o excerto do voto condutor do Acórdão CSRF n.º 910100.387, de 01.10.2009, da relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rego: [...] penso que se fosse essa a melhor exegese [apenas demonstrar a efetiva saída do numerário da conta do sócio para a conta da empresa acrescentei] sequer seria necessário se exigir a origem, já que a discussão da infração "suprimento de numerário pelo sócio" ocorre, via de regra, quando já se sabe que o montante que ingressou na conta Caixa ou Bancos da empresa veio do sócio. Aliás, a presunção é de omissão de receitas, justamente porque se tem comprovado que saiu dinheiro do sócio para a empresa, sem que tal montante tenha sido contabilizado como receita, mas sim como um empréstimo feito à pessoa jurídica. A presunção, salvo prova em contrário, é de que se trata de uma receita da atividade ou mesmo não operacional, que foi contabilizada de forma errada, com vistas a reduzir o resultado do período. Logo, o que afasta tal presunção é, também, a demonstração da origem desse ingresso para a empresa, ou seja, a que título ele ingressou, o que levou o sócio a efetuar esse suprimento. É nesse sentido que vem se consolidando a jurisprudência administrativa e judicial, conforme ementas citadas abaixo: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Para que seja afastada a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de suprimento de numerários feito pelos sócios, não basta a comprovação da efetividade do ingresso de numerário na pessoa jurídica, pois é preciso demonstrar que os montantes ingressados não correspondem a receitas tributáveis da empresa, daí se entender que a comprovação da origem não diz respeito ao fato de terem saído do sócio, mas sim que o numerário tem origem em operação que não caracteriza receita omitida. [CSRF 910100.387, 01.10.2009. Negritei]. [...] IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS O suprimento de caixa realizado pelo sócio pessoa física da empresa, ainda que através de cheque nominativo à firma, caracteriza omissão de receita, quando devidamente intimada não comprova a origem externa dos recursos. Os suprimentos de numerários atribuídos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis da efetividade da entrega e origem dos recursos, não for devidamente comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributadas como receitas omitidas da própria empresa. A demonstração da capacidade econômica ou financeira do sócio em arcar com os suprimentos, mesmo contabilizados na empresa suprida, em absoluto suprem a necessidade da comprovação da origem e efetiva entrega dos valores, não ilidindo a presunção de omissão de receita. Recurso especial negado. Por unanimidade de votos [...] [CSRF/0105.231, 13.06.2005. Negritei]. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.685 15 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR ACIONISTA MAJORITÁRIO. Nos casos de suprimento de numerário por acionista majoritário da empresa, a prova da origem dos recursos alcança a fonte pela qual o supridor obteve os recursos oferecidos à companhia .OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissão de receitas os valores supridos pelos sócios e empresas ligadas, quando o contribuinte não demonstra a efetividade do ingresso dos valores e o fato de que estes se originaram do patrimônio do supridor. [CSRF/0104.012, 19.08.2002. Negritei]. AGRAVO DE INSTRUMENTO TRIBUTÁRIO OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO DE SÓCIO DA EMPRESA AUTUADA NECESSÁRIO COMPROVAR A ORIGEM DOS RECURSOS [...]. 1. Na ausência de prova robusta acerca da origem do numerário oriundo do patrimônio particular de sócio, subsiste a presunção de omissão de receita em favor do Fisco (art. 181, do Decreto 85.450/80). 2. Não aproveitará à empresa autuada a demonstração da efetiva entrada da provisão em seu caixa se deixar de carrear aos autos elementos de prova capazes de justificar a origem externa dos recursos e, portanto, a veracidade da classificação constante de sua declaração de rendimentos. 3. No presente caso, embora haja registro contábil do suprimento de caixa havido a título de mútuo, bem como, o posterior resgate da quantia suprida mediante emissão de cheque nominal ao referido sócio, inexistem dados concretos acerca da efetiva origem dos recursos apresentados. [...]. [TRF3, AC 97030705456, DJU de 17/11/2006, p. 511. Negritei]. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. [...]. 1. "Suprimento de numerário de caixa da empresa, por aportes fornecidos pelo sócio, quando não comprovada sua origem ou sua efetiva entrega à firma, constitui omissão de receita, nos termos do Art. 181, do RIR/80." (AC 94.01.110735/MG, 3ª Turma, Relator Juiz LUIZ AIRTON DE CARVALHO, DJ 18/12/1998, p. 1291). 2. Caracterizada, pelo Fisco, a omissão de receita, cumpria à empresa demonstrar, cabalmente, a origem do numerário injetado, não sendo suficiente a alegada capacidade financeira dos sócios, que emprestaram a questionada importância. [...]. [TRF1, AC 199701000385736, DJ de 27/06/2002, p. 824]. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO INGRESSO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA 80, ART. 181. CTN, ART. 148. I. A presunção de omissão de receita, caracterizada pela não comprovação da origem e da efetividade do ingresso dos recursos no caixa da empresa, não se descaracteriza com a imputação do ônus de prova aos sócios, nem com considerações sobre a periodicidade do fato gerador do Imposto de Renda. [TRF1, AC 9601548777, DJ de 28/01/2002, p. 143]. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.686 16 TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO EFETUADO POR SÓCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A contabilização na conta caixa de valores a título de suprimentos de sócios sem a adequada comprovação da origem e do efetivo ingresso do numerário autoriza a presunção da utilização de valores mantidos à margem da contabilidade, o que caracteriza a omissão de receitas, ressalva a prova em contrário. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante juntada de provas hábeis e idôneas. [TRF3, AC 96030663395, DJF3 CJ1 de 29/06/2010, p. 427]. Sendo assim, deve ser mantida a parcela litigiosa da omissão de receita decorrente da presunção legal de suprimento de caixa, inclusive quanto ao PIS/Pasep e à Cofins, cuja decadência alegada pela Recorrente não foi acolhida. Razão à Recorrente, apenas quanto ao item 30 da planilha acima, pelo que se deve expurgar o valor de R$15.000,00 do montante de receita omitida analisado neste tópico. Das despesas com veículos IRPJ e CSLL Conforme requerimento de fls. 1.272/1.278, em razão do benefício concedido pela Lei n.º 11.941/2009, a contribuinte já havia desistido, por ocasião da impugnação, da autuação no que se refere à glosa de despesa com veículos, nos valores de R$ 277,63 e R$ 830,89. Assim, tal matéria deixou de ser objeto do litígio ora em julgamento. Os valores correspondentes foram transferidos para o processo 15254.000046/201002, conforme Termo às fls. 1.313/1.314. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao Recurso para excluir o montante de R$15.000,00 da base tributável de receitas omitidas por suprimento de caixa cuja origem e efetividade da entrega não foram comprovadas e manter a exigência incidente sobre a receita decorrente da venda de matrizes, remanescendo o lançamento conforme abaixo demonstrado. IMPOSTO DE RENDA (R$) ( * ) Auto de Infração 2.183.284,75 ( ) Sem litígio (fls. 1231 e 1277) 139.335,33 BC 879.994,58 1.020.438,43 1.108,52 ( = ) Parcela litigiosa 1.162.846,32 ( ) Parcela exonerada DRJ ( ) Parcela exonerada neste Voto 526.984,67 15.000,00 ( = ) Parcela exigível 620.861,65 Imposto (15%) 93.129,25 IRPJ Adicional (10%) 62.086,17 Total exigível 155.215,41 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.687 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (R$) ( * ) Auto de Infração 2.183.284,75 ( ) Sem litígio (fls. 1231 e 1277) 139.335,33 BC 879.994,58 1.020.438,43 1.108,52 ( = ) Parcela litigiosa 1.162.846,32 ( ) Parcela exonerada DRJ ( ) Parcela exonerada neste Voto 526.984,67 15.000,00 ( = ) Parcela exigível 620.861,65 Contribuição (9%) 55.877,55 CSLL Adicional 0,00 Total exigível 55.877,55 Período COFINS (R$) PIS/Pasep (R$) de Auto de Desistência / Parcela Auto de Desistência / Parcela Apuração Infração Valores apartados mantida Infração Valores apartados mantida jan/03 13.455,00 13.455,00 7.400,25 7.400,25 fev/03 3.000,00 3.000,00 1.650,00 1.650,00 mar/03 1.500,00 1.174,20 325,80 825,00 645,81 179,19 abr/03 3.000,00 2.648,50 351,50 1.650,00 1.456,68 193,32 mai/03 18.945,00 750,00 18.195,00 10.419,75 412,50 10.007,25 jun/03 12.000,00 2.940,00 9.060,00 6.600,00 1.617,00 4.983,00 jul/03 420,00 420,00 231,00 231,00 ago/03 228,60 228,60 125,73 125,73 set/03 1.800,00 378,28 1.421,72 990,00 208,05 781,95 out/03 2.308,32 2.308,32 1.269,57 1.269,57 nov/03 1.800,00 1.800,00 990,00 990,00 dez/03 7.008,35 2.284,86 4.048,49 3.854,59 1.256,67 2.222,92 Total exigível de Cofins 54.614,43 Total exigível de PIS/Pasep 30.034,18 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000012/200866 Acórdão n.º 1402001.380 S1C4T2 Fl. 1.688 18 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990409/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/09/2001
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/09/2001 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 04 09 /2 00 9- 43 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 30/35 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou compensação onde o crédito apresentado era relativo a suposto pagamento indevido de COFINS realizado em 11/09/2001, no valor de R$ 1.456,05. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde assevera que até 17 de setembro de 2008 vigorava a Súmula no 276 do STJ, a qual isentava as Sociedades Civis da COFINS, e que, muito embora o STF, ao julgar os RE nos 377457 e 381964, tenha reconhecido a constitucionalidade da exigência da COFINS, a ADI no 4071 buscava a modulação dos efeitos da decisão, de forma que a COFINS somente passasse a ser exigível depois de 17 de setembro de 2008. Assim, acaso seja reconhecida a modulação dos efeitos fiscais, o pagamento da COFINS objeto do presente processo deixaria de ser devido, sendo, então, cabível a compensação requerida. Diante do exposto, requereu a interessada fosse suspensa a cobrança até o julgamento da ADI no 4071, “a qual se provida virá alterar profundamente a Decisão ora questionada, tornando efetiva a compensação requerida”. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, como dito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/09/2001 JULGAMENTO VINCULADO À LEI É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto que estejam em vigor. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.990409/200943 Acórdão n.º 3802001.865 S3TE02 Fl. 64 3 Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/07/2011 (conf. AR de fls. 38), a interessada, em 19/08/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 39/42, onde apresenta os mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ao fim, seja cancelada ou, alternativamente, suspensa a cobrança até o julgamento definitivo dos RE nos 377457 e 381964, “[...] os quais conforme o seu julgamento definitivo poderão alterar profundamente a decisão ora questionada, tornando definitiva a compensação requerida”. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e há que ser conhecido uma vez presentes os demais requisitos de admissibilidade exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a recorrente não questiona a legitimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços, legitimidade a qual, inclusive, foi reconhecida por força das decisões proferidas pelo STF, referenciadas pelo próprio sujeito passivo. Contudo, diante de demanda judicial que objetivava a modulação dos efeitos da decisão que reconheceu aludida legalidade da contribuição sobre as sociedades civis, requer a recorrente o cancelamento ou, ao menos, a suspensão da cobrança até o julgamento da ADI no 4071, “a qual se provida virá alterar profundamente a Decisão ora questionada, tornando efetiva a compensação requerida”. Contudo, a compensação pleiteada pela interessada não pode ser admitida uma vez ausentes os requisitos legais da liquidez e certeza do crédito, exigidos para a extinção de débitos tributários via compensação. Com efeito, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Finalmente, embora irrelevante para o julgamento da presente lide, ressalto que a ADI no 4071 já foi definitivamente julgada pelo plenário do STF em 22 de abril de 2009, ocasião em que a Corte desproveu agravo regimental interposto em face de decisão proferida pelo Ministro Menezes Direito, que indeferiu a inicial. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728960/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 317 1 316 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728960/201129 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.335 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ANGEL´S SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 28 96 0/ 20 11 -2 9 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.728960/201129 Resolução nº 2402000.335 S2C4T2 Fl. 318 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal lavrado em 28/07/2011 para constituição de créditos sobre obrigações principais e acessórias decorrentes de glosas de valores compensados. Seguem transcrições de alguns trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 Contribuições Sociais de Segurado Empregado. Alíquota. De acordo com art. 449 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, no cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida, aplicase a alíquota mínima, sem limite e, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2007, sem compensação da CPMF. Descumprimento de Obrigação Acessória. Constitui infrações deixar o contribuinte de prestar suas as informações financeiras e contábeis, deixar de apresentar a folha de pagamento da competência 13/2007e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissões e/ou incorreções. Prova Documental. Momento Adequado. Salvo as exceções previstas na legislação que rege o processo administrativo tributário, o momento adequado à produção de provas documentais é a impugnação. ... As contribuições lançadas sob o DEBCAD 37.337.94986 incidiram sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados na competência 13/2007, não declarados na GFIP, lançados contabilmente na conta 4.1.01.01.03.002 – provisão para 13º salário (baixa), correspondentes às contribuições previdenciárias(valores descontados dos segurados, parte patronal e SAT) não recolhidas, assim como, valores declarados a maior a título de “compensação” nas GFIP das competências 07, 10 e 11/2007. ... 8. O contribuinte sustenta que o fiscal não considerou a planilha, anexa, apresentada à época e fez com que as glosas das compensações referentes às competências 07/2007, 10/2007 e 11/2007 culminassem Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.728960/201129 Resolução nº 2402000.335 S2C4T2 Fl. 319 3 em insuficiência de saldo para quitar parte do 13º valor devido à Previdência Social, sendo Empresa, SAT e Terceiros. 9. Entretanto, o contribuinte não juntou a citada planilha sob a qual fundamenta sua argumentação, impossibilitando ao julgador qualquer análise da mesma. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: 3.2. que o fiscal não considerou a planilha, anexa, apresentada à época e fez com que as glosas das compensações referentes às competências 07/2007, 10/2007 e 11/2007 culminassem em insuficiência de saldo para quitar parte do 13º valor devido à Previdência Social, sendo Empresa, SAT e Terceiros; 3.3. que, no máximo, poderiam ter sido lavrados autos por descumprimento de obrigações acessórias, sob “mínimas ocorrências”; 3.4. invocando o princípio da ampla defesa, solicita o contribuinte que seja dada na “fase instrutória” oportunidade para que novos cálculos sejam realizados neste processo administrativo” para que a totalidade dos valores retidos e demonstrados na planilha sejam considerados e levados a efeito”; 3.5. quanto a suposta apropriação de segurados, que o auditor fiscal atribui o percentual linear de 8% para apurar as alíquotas dos segurados empregados, enquanto o percentual correto é de 7,65%; 3.6. que as multas de mora não podem ser maiores que 20% sobre o percentual originário tendo em vista a Lei nº 11.941/09, o que vicia a lavratura das autuações em comento; É o Relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.728960/201129 Resolução nº 2402000.335 S2C4T2 Fl. 320 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Reitera o recorrente que durante a ação fiscal foram apresentados os valores de créditos que justificaram a compensação no ano de 2007. Ainda assim nos meses 07/2007, 10/2007, 11/2007 a fiscalização apurou compensações a maior e as glosou bem como considerou que não foram recolhidas contribuições previdenciárias referentes o décimo terceiro salário daquele ano, embora no mês 12/2007 tenha sido apurado, segundo as informações em GFIP, um crédito a compensar de R$ 176.700,10 (R$ 648.764,88 – R$ 472.764,78), parágrafo 16, fls. 25. Nessa mesma planilha também foram discriminados os créditos, valores compensados e saldos. Considerando que os documentos apresentados pelo recorrente, dentre outros, subsidiaram a planilha preparada pela fiscalização para a geração do documento RDA – Relatório de Documentos Apresentados e estão relacionados às principais alegações do recorrente, entendo que os mesmos devem ser juntados aos autos acompanhados de relatório explicativo para que se possa examinar a liquidez do crédito tributário constituído. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10820.005138/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias.
RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá à autoridade competente da DRF, Derat ou IRF-Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos.
RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência.
O ressarcimento de tributos requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar o ressarcimento.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte-autora.
RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitou-se as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá à autoridade competente da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. O ressarcimento de tributos requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar o ressarcimento. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 51 38 /2 00 8- 61 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parteautora. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitouse as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento do IPI relativo a créditos básicos (Lei nº 9.779/99) apurados no 4º trimestre de 2002, objeto do PERDCOMP eletrônico nº 33664.12028.071103.1.1.01460, transmitido em 07/11/2003 (fls. 02/03). O pedido foi protocolado em nome do estabelecimento matriz da Recorrente (inicialmente sob o processo nº 10880.903763/200865) e, posteriormente, encaminhado pela DERAT – São Paulo à DRF – Araçatuba, unidade da Receita Federal que jurisdiciona o estabelecimento filial que apurou os créditos pleiteados. Para melhor detalhar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 225 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI. Consta nos autos que o estabelecimento matriz da interessada transmitiu, em 07/11/2003, PER/DCOMP, requerendo o ressarcimento do saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, apurado pelo estabelecimento filial 0011, no montante de R$ 9.000,10, relativo ao 4º trimestre de 2002. Não consta nos autos qualquer tipo de compensação do crédito requerido com débitos administrados pela RFB. Constatado que o crédito pleiteado pela matriz, referiase ao estabelecimento filial, o mesmo foi encaminhado à delegacia competente, no caso, a DRF/Araçatuba. Em anexo, encontrase o processo n° 10880.903763/200865, que trata do mesmo pedido eletrônico, e que havia sido protocolizado pela DERAT em nome da matriz. A DRF/Araçatuba, mediante Despacho Decisório de fls. 129/130, e com base no Parecer SAORT de fls. 122/128, indeferiu o pedido de ressarcimento, em razão de: 1. A contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido. 2. A empresa creditouse, e continua a creditarse, de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de liminar em mandado de segurança, e que a referida liminar foi revogada, com efeito "extunc", portanto tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 135/157, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • O estabelecimento matriz solicitou o ressarcimento do saldo credor de IPI conjuntamente com todas as filiais por existir uma centralização na apuração do crédito do IPI em tal localidade, respeitando as determinações vigentes à época contidas na IN SRF n° 21/1997. O regime jurídico de apuração dos créditos do IPI da IN 21/97 difere do atual regime previsto na IN n° 600/2005, porque enquanto naquele existia a possibilidade da apuração centralizada, nesta última, por força do artigo 16, § 2o, a apuração é realizada por cada estabelecimento filial e somente o pedido de ressarcimento é realizado pelo estabelecimento matriz, que atua em nome das filiais cujas operações deram origem ao crédito; • A DIFIS/SP expediu Termo de Intimação Fiscal solicitando ao estabelecimento matriz da recorrente a apresentação de diversos documentos para apurar a existência do direito ao crédito do IPI objeto do supracitado pedido de ressarcimento. Em decorrência desta intimação, a matriz da recorrente apresentou todos os documentos necessários para a apuração da existência do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 direito creditório. Em razão deste fato, a DIFIS/SP expediu Termo de Informação Fiscal contendo lista dos documentos apresentados e ao final o reconhecimento do direito creditório; • Posteriormente, tendo sido verificado serem muitos os créditos apurados pelo estabelecimento matriz originados de aquisições efetuadas por seus estabelecimentos filiais, foi realizado o desmembramento do processo administrativo, em processos vinculados a cada filial de origem do crédito; • Não obstante a adequada e completa fiscalização realizada pela DIFIS/SP, foi defendida a necessidade de reexame de alguns elementos materiais constitutivo do crédito pleiteado, sem justificativa, e a interessada foi intimada a apresentar inúmeros documentos, abrangendo muito mais do que os necessários para se apurar as circunstâncias descritas da representação fiscal. Em busca de tais documentos, a requerente descobriu que estes (referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002) haviam sido incinerados, apresentando esta justificativa na petição; • Em seguida, os auditores lavraram o Termo de Encerramento Parcial de Fiscalização, defendendo não ter ocorrido a prescrição em relação aos documentos incinerados e não existir prova do direito creditório, desconsiderando a fiscalização realizada pela DIFIS/SP; • Considerando a apuração de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, a autoridade competente para apreciar a solicitação é o Delegado da DERAT em São Paulo; • Para realizar nova fiscalização farseia necessário ter sido expedida uma Portaria pelo delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; • Somente o delegado poderia ter emitido o Despacho Decisório que merece ser cancelado porque foi emitido pelo chefe da SAORT da DRF/Araçatuba; • O Despacho Decisório merece ser cancelado porque a fiscalização realizada pelos servidores vinculados à DRF/Araçatuba foi totalmente irregular, por ir além do autorizado na Representação e porque desconsiderou ter a empresa apresentado à DIFIS/SP diversos documentos necessários para a apreciação do pedido de ressarcimento, desconsiderando, em consequência diversas provas e documentos relacionados ao pedido de ressarcimento; • A empresa não foi intimada a se manifestar sobre o fim da instrução processual conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99; • Não existe legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do pedido de ressarcimento pelo motivo descrito. De acordo com a IN 600/2005 se depreende ser somente possível o indeferimento do pedido caso o contribuinte não possua efetivamente o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI; a existência do direito creditório foi atestada por uma das mais experientes equipes de fiscalização da Receita Federal do Brasil, a DIFIS/SP; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 226 5 • Erro e falta de motivação no Despacho Decisório por desconsiderar a existência de informação fiscal emitido pela DIFIS/SP e ter a recorrente apresentado os documentos comprobatórios do direito creditório na época solicitados; sendo assim, a fundamentação adotada está totalmente incorreta; • Cerceamento do direito de defesa, por não permitir a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada anteriormente e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado; • O Despacho Decisório deve ser reformado por ter o estabelecimento matriz apresentado diversos documentos, fato que gerou a análise favorável da DIFIS/SP no Termo de Informação Fiscal; pelo princípio da verdade material, para decidir, a autoridade deve realizar todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os argumentos comprobatórios disponíveis para verificação; • O procedimento fiscal realizado desconsiderou totalmente os documentos fornecidos pela recorrente e que estavam juntados ao processo administrativo n° 13804.005427/200422, bem como não foi solicitado nenhum esclarecimento sobre os trabalhos fiscais praticados no termo de informação fiscal original; • O Despacho Decisório também deve ser cancelado por ofender o princípio da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da recorrente, pois desconsiderou profunda análise fiscal realizada anteriormente, e a solicitação para apresentação de documentos após 5 anos da protocolização do pedido. • A recorrente buscou cumprir com as solicitações fiscais, solicitando inclusive prorrogação de prazo para apresentação, o qual foi indeferido; • Na hipótese de a fiscalização necessitar de verificar outros documentos ou atestar a veracidade dos ora anexados, a recorrente informa que localizou em seu arquivo morto diversas notas fiscais que estão à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Para os documentos que foram efetivamente incinerados, muitos possuem cópias simples, que foram analisadas pelos AFRFB, sua autenticidade foi verificada pela DIFIS/SP, não podendo ser desconsiderado; • Em relação à questão envolvendo o créditoprêmio de IPI, esta não merece ser considerada, por não possuir qualquer relação com o pedido de ressarcimento e ainda não ser possível ser efetuada qualquer glosa, considerando os efeitos da decadência, conforme o próprio parecer SAORT; Por fim, solicitou a realização de diligência ou perícia, nomeando perito e elaborando quesitos; o reconhecimento da incidência da taxa selic sobre o valor dos créditos pleiteados e o julgamento em conjunto das manifestações apresentadas em relação aos processos relacionados ao crédito presumido apurado no 4° trimestre de 2002. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Requereu, ainda, a intimação da ciência dos autos ao advogado signatário da manifestação de inconformidade no endereço mencionado. Este é o Relatório. A DRJ – Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão nº 1434232, em sessão de 16 de junho de 2011 (fls. e177/ss), julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 227 7 A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto em 10/08/2011 (folha e194) e interpôs Recurso Voluntário em 31/08/2011 (fls. e195/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acrescentando apenas que: o Acórdão proferido pela DRJ – Ribeirão Preto deve ser cancelado por ter indeferido indevidamente os pedidos de perícia e diligência formulados. Aduz que “estão presentes todas as razões para que tais providências fossem realizadas antes do julgamento da Manifestação, mormente pela quantidade de documentos envolvidos e pela disponibilidade dos mesmos no estabelecimento da Recorrente”. Requer, assim, que se dê provimento ao presente Recurso para cancelar o Acórdão recorrido por ter negado o seu direito à realização de perícia e diligência cerceando o seu direito de defesa. o Acórdão também é nulo porque deixou de apreciar diversas razões defendidas nos Itens II.1.2, II.1.3, II.1.5, II.1.10, II.11, II.1.12. II.2.3 e II.2.4 da Manifestação de Inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINARES Da nulidade do acórdão recorrido em consequência da negativa para a realização de perícia e diligência A Recorrente requer o cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado o seu direito à realização de perícia e diligência o que implicaria em cerceamento do seu direito de defesa. Concordo plenamente com o entendimento adotado pelo voto vencedor da decisão recorrida. Não há necessidade de perícia ou diligência. Vejamos. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora de primeira instância indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Compulsandose os autos verificase que a Recorrente foi intimada pela fiscalização por diversas vezes (vide fls. e13 a e105) para apresentar os documentos que comprovassem o seu direito ao suposto crédito do IPI, entretanto, deixou de apresentálos informando que “não é possível apresentar a documentação exigida, pelo fato de ser prática desta sociedade empresária, após 05 (cinco) anos os documentos são destruídos. Com relação Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 aos arquivos da informática, estes não foram recuperados em virtude das atualizações constantes no sistema” (vide folha e47). Entretanto, surpreendentemente, somente agora na fase recursal, a interessada afirma que “deve informar terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados a apuração do direito creditório” e que “muitas das Notas Fiscais originais analisadas na época pela DIFIS/SP foram localizadas, estando à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência...”. É certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. Foram várias as intimações para que o contribuinte apresentasse as provas que demonstrassem seu direito, nada apresentou! Agora, na fase recursal, em uma tentativa de retroceder a marcha do processo, afirma que “localizou” algumas provas. Este não é mais o momento próprio para apresentação das provas. Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (in “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Quisesse a Recorrente demonstrar seu direito ao crédito, poderia ter juntado elementos probantes quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme dispõe o artigo 15, parágrafo 4º, do Decreto nº 70.235/72. No entanto, preferiu absterse do exercício dessa prerrogativa para pleitear, posteriormente, a solicitação de perícia. Assim sendo, indefiro o pedido para declarar a nulidade do Acórdão recorrido e, também, da nova solicitação de perícia e diligência feita no Recurso Voluntário, pelos motivos acima expostos. Da nulidade do acórdão recorrido por deixar de manifestarse sobre todos os pontos trazidos na manifestação de inconformidade A Recorrente requer o cancelamento do Acórdão por entender que o relator deixou de apreciar diversas razões defendidas nos Itens II.1.2, II.1.3, II.1.5, II.1.10, II.11, II.1.12. II.2.3 e II.2.4 da Manifestação de Inconformidade. Não procede a alegação da Recorrente. O julgador não está obrigado, necessariamente, a se pronunciar sobre a totalidade dos argumentos aduzidos. Isto porque no sistema de livre convencimento motivado, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 228 9 adotado em nosso ordenamento jurídico, permitese que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, portanto, a alegada omissão arguida. No meu entender, o votocondutor apenas não adotou a tese defendida pela Recorrente, pelos fundamentos constantes do próprio voto. Consoante os ensinamentos do Ministro Luiz Fux, em sua obra Curso de Direito Processual Civil, Editora Forense, 2001, pág. 679, o rito a ser seguido em uma decisão é o seguinte: “Ultrapassado o relatório, o juiz inicia a fundamentação de sua sentença, imprimindo ao ato o timbre de sua inteligência acerca dos fatos e do direito aplicável. Tratase de garantia constitucional que impõe ao magistrado motivar a sua decisão, explicitando o itinerário lógico de seu raciocínio de maneira a permitir à parte vencida a demonstração das eventuais injustiças e ilegalidades encartadas no ato.” A decisão sendo devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em cerceamento de defesa, mesmo que não tenham sido abordados todos os pontos trazidos pela defesa. Corroborando esse entendimento, colacionase a ementa da decisão prolatada pelo Egrégio STJ, na qual, o relator, Ministro José Delgado, menciona claramente a desnecessidade de apreciação de matéria que não guarde pertinência e relevância entre os fatos e a decisão. “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA MERITAL (PIS SEMESTRALIDADE INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, DA LC 07/70 CORREÇÃO MONETÁRIA – LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO CPC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide.(grifei) (...) (EDREsp nº 362.014/SC, DJ de 23/09/2002, pg. 236, Min. Rel. José Delgado). Portanto, conforme se depreende, ainda que o relator do voto de primeira instância não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão a quo, pois, o órgão julgador não está Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. Deste modo, indefiro o pedido para declarar a nulidade do Acórdão recorrido também quanto a essa matéria. Das alegadas nulidades do Despacho Decisório Não vislumbro qualquer nulidade no Despacho Decisório exarado pela autoridade competente da DRF – Araçatuba. Conforme muito bem argumentou o julgador de primeira instância, o princípio da autonomia dos estabelecimentos que rege o IPI está previsto no parágrafo único, do artigo 51 do Código Tributário Nacional, e nos artigos 291 e 487, inciso IV, do Regulamento de IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.636, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), atuais artigos 313 e 518 do RIPI/2002. Estes dispositivos normativos prescrevem que cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo. Deste modo, a apuração do imposto deve ser feita por estabelecimento, sendo vedada a sua centralização, e cada estabelecimento precisa manter a sua própria escrituração contábilfiscal. Não há, portanto, amparo legal para a transferência de crédito de um estabelecimento para outro, ou mesmo para a centralização na matriz, como pretendeu fazer a Recorrente. Não é possível, deste modo, a apuração centralizada do IPI, nem à época da solicitação, nem nos dias atuais. O artigo 11 da IN SRF n° 21/97, citado pela Recorrente, dispõe sobre a possibilidade de apuração centralizada em relação apenas ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, e não a saldo credor de IPI, apurado em decorrência do princípio da nãocumulatividade do imposto. Ademais, a IN SRF n° 21/97 foi expressamente revogada pela IN SRF nº 21, de 30/09/2002, antes, portanto, do pedido de ressarcimento efetuado pela Recorrente. Deste modo, não procede a solicitação da Recorrente para que o pedido de ressarcimento seja analisado pela autoridade fiscal da DERAT/SP, de forma centralizada. A competência da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba para apreciar o pedido decorre do art. 32 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, verbis: Art. 32. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRF Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Parágrafo único. O ressarcimento ou a compensação de ofício de créditos do IPI com débitos da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Ainda nessa seara da competência de quem pratica o despacho decisório, cumpre apontar que o Chefe do SAORT da DRF de Araçatuba possuía, à época, delegação de competência outorgada pelo titular daquela unidade (Portaria nº 174/2007, publicada no DOU de 17/09/2007) para praticar o ato de decidir os pedidos de ressarcimento de IPI como os que tais, conforme informado no próprio Despacho (fl. e133). Portanto, é ele a autoridade competente para decidir. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 229 11 Quanto à alegada falta de manifestação da Recorrente ao fim da instrução processual (art. 44 da Lei nº 9.784/99) cumpre apontar que as normas da Lei nº 9.784/99 são de aplicação subsidiária às instituídas pelo Decreto nº 70.235/72, e este dispensa qualquer notificação do interessado pelo final da instrução previamente ao Despacho Decisório. Não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para ciência na fase procedimental, meramente investigativa ou inquisitória. Aliás, a intimação dos termos do Despacho Decisório, marco do encerramento da instrução, supre plenamente essa exigência. A partir da instauração da fase litigiosa o contribuinte tem a oportunidade de exercer seu amplo direito de defesa e ao contraditório, como, aliás, está fazendo em toda sua amplitude. Não vislumbro, de igual modo, qualquer erro na fundamentação do despacho decisório, ou falta de motivação deste, e ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e verdade material, porquanto tanto do ponto de vista formal como do material o ato administrativo está coerente com as premissas de que os pedidos de ressarcimento devem ser feitos e apreciados por estabelecimento, e o ônus de provar os créditos pleiteados é do contribuinte solicitante. Não bastasse isso, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão de eventuais ofensas aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF No. 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Importante destacar, também, que o Parecer SAORT nº 10820/001/2009 (fls. e126/ss) e o Despacho Decisório (fls. 133/ss) não desconsideraram a informação fiscal dada pela DIFIS/SP, apenas consideraramna insuficiente para a determinação da liquidez e certeza dos créditos solicitados pela contribuinte, como muito bem destacou a decisão de primeiro grau. Não há óbice legal para que se realize nova verificação uma vez que a autoridade que efetivou a primeira verificação não jurisdicionava o domicílio fiscal do Recorrente. Registrese que a nova verificação foi efetuada com autorização do Delegado da Receita Federal em Araçatuba, conforme despacho exarado à folha e12 dos autos. Não se está tratando, neste litígio de hipóteses de revisão de lançamento (artigo 149/CTN), mas apenas de meras verificações sobre a regularidade da escrituração fiscal do contribuinte. Sendo assim, não há que se falar em necessidade de “Portaria” do Delegado autorizando nova diligência. A diligência empreendida na filial solicitante do ressarcimento visou verificar a legitimidade e o quantum dos seus créditos registrados no documentário fiscal. Concluise, assim, que a legislação estabelece que a autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimento onde se apurou o crédito é competente para proferir o Despacho Decisório sobre o saldo credor do IPI apurado em livro fiscal, decorrente do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, como foi feito no caso em discussão. Não há nulidade no Despacho Decisório proferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 12 Indeferidas todas as preliminares suscitadas, passase ao mérito. MÉRITO No mérito, a questão controvertida referese ao alegado direito ao ressarcimento do crédito básico do IPI, prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, verbis: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a causa de indeferimento do seu pedido de ressarcimento foi a falta de apresentação de documentos probatórios que dão suporte ao pedido, tanto em relação ao próprio direito ao suposto crédito como também ao quantum a ser ressarcido. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Este artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Caberia à Recorrente, e somente a ela, o ônus de provar o seu direito. Deveria demonstrar e comprovar que tinha direito ao ressarcimento do alegado crédito básico. Como lucidamente destacou o Relator do acórdão recorrido, o pedido de ressarcimento deveria vir instruído “com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização, sua classificação fiscal e alíquota, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, relação dos produtos industrializados e a proporção do uso dos insumos quando utilizados na industrialização de produtos NT (nãotributados), relação dos produtos comercializados, etc., sendo inclusive passível de exame fiscal toda a escrituração da contribuinte”. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 230 13 Nada disso foi apresentado! Na tentativa de comprovar a certeza e liquidez do direito ao crédito requerido, a fiscalização solicitou por diversas vezes (Termo de Início de Fiscalização – fls. e13/16; Termo de Intimação – fls. e21/22; Termo de Intimação – fls. e 25/28; Termo de Embaraço à Fiscalização – fls. e32/33; Termo de Intimação – fls. e37/38. Termo de Reintimação – fl. e39/40; Termo de Intimação – fl. e41) a apresentação de informações e documentos para subsidiar o exame do mérito do pedido, entretanto, a interessada, após muito procrastinar, informou que “não é possível apresentar a documentação exigida, pelo fato de ser prática desta sociedade empresária, após 5 anos os documentos são destruídos” (vide folha e44). Ora, se a Recorrente não trouxe a documentação exigida pela auditoriafiscal aos autos até agora, após diversas oportunidades que teve para fazêlo, não faz qualquer sentido a informação de que, agora, “localizou” em seu arquivo morto diversas notas fiscais que estão à disposição. Assim é que não causa estranheza o fato de as autoridades administrativas tributárias não vislumbrarem justificativas plausíveis para a míngua de provas do direito pleiteado. Entendo que o Recorrente tem, em sua plenitude, o direito ao contraditório e à ampla defesa, entretanto, isso não implica em utilizar estratagemas diversos para protelar o desfecho do processo, na medida em que durante a fase de fiscalização afirma não possuir os documentos (porque foram “destruídos”) e em outro momento, já na fase processual, alega que os localizou. A Recorrente argumentou que havia apresentado, juntamente com o pedido do processo original (proc. nº 10880.903763/200865), os documentos para comprovar o crédito solicitado. A fiscalização entendeu que esses documentos não eram suficientes, e com toda a razão, solicitou os documentos que entendeu necessários para a perfeita comprovação da certeza e liquidez dos créditos. O Fisco tem o poderdever de investigar se créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados de maneira a respeitar a legislação de regência. Mostrase, deste modo, fundamental a apresentação dos livros fiscais e toda a documentação que embasou sua escrituração. Somente a empresa detém a posse destes livros e documentos, que deve mantêlos e conserválos até que ocorra a prescrição, e apresentálos quando solicitados pela fiscalização. É o que dispõem os seguintes dispositivos legais: artigo 195 do CTN, artigo 264 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR), artigos 4º e 40 da Lei nº 9.784/99 (LGPA), verbis: Art. 195/CTN . Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 264/RIR A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 14 atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). (...) Art. 4º/LGPA São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: 1 expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Art. 40/LGPA Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. (todos os grifos são nossos) Restou claro, portanto, que a interessada não atendeu às intimações, ou as atendeu de forma parcial e insuficiente, o que levou corretamente, a meu sentir, ao indeferimento de seu pedido de ressarcimento pela autoridade competente da DRF – Araçatuba. Registre, por fim, que outras Turmas do CARF também negaram provimento ao recurso da Recorrente em relação à mesma matéria, dentre os quais citamos os Acórdãos nº 310100.936, de 10/11/2011 e nº 380301.598, de 4 de maio de 2011. Conclusão Deste modo, restam prejudicados todos os pedidos formulados sucessivamente pela Recorrente, dentre os quais: o cancelamento do despacho decisório e a juntada dos processos e julgamento pela DERAT/SP; o reconhecimento do direito creditório da filial; o cancelamento despacho decisório, com as verificações nos documentos apresentados no processo originário e julgamento pela DRF Araçatuba; o cancelamento da decisão primeiro grau e determinação diligência e perícia; e, por conseguinte, a correção monetária dos créditos pela taxa SELIC. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade da ação fiscal, do despacho decisório e da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005138/200861 Acórdão n.º 3202000.667 S3C2T2 Fl. 231 15 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.901136/2010-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso.
Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PRODUTOS FLORESTAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. Declarouse impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 11 36 /2 01 0- 05 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.901136/201005 Acórdão n.º 3801001.819 S3TE01 Fl. 57 3 Relatório Tratase de pedido de compensação de COFINS que foi nãohomologada conforme despacho decisório de fls. sob o argumento de inexistência de crédito. Inconformada com a nãohomologação a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade alegando em síntese que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS e COFINS, conforme disposição da Lei n° 9.718, de 1998, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento (utilizouse de base de cálculo errônea) e documentos que teriam sido apresentados no decorrer do presente processo. Em suma, recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela Lei referida e afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, tendo por fundamento o disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Discorre longamente acerca da inconstitucionalidade da contribuição, e alega também que as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas devem ser excluídas nos termos do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento de direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO VIA DECL ARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROV AÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, é fundamental a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do devido encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Não concordando com a decisão da DRJ a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual aponta como fundamentos para que a compensação seja homologada que: (i) que a Recorrente não concorda com o procedimento de prévia habilitação dos créditos judiciais por entendêlo completamente contrário às normas legais norteadoras da compensação administrativa; (ii) que a Recorrente carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação portanto fez a compensação sponte propria; e, (iii) que “tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. É o relatório, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.901136/201005 Acórdão n.º 3801001.819 S3TE01 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado no relatório supra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso Voluntário são distintos. Enquanto na peça vestibular a contribuinte alega que seu direito creditório advém de pagamento feito a maior decorrente da ampliação da base de cálculo da COFINS decorrente do disposto do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, no presente recurso alega que o seu crédito decorre do valor recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 2.445/1988 e 2449/1988. Em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais o interessado inova, e agora apresente novo argumento para substanciar seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Conforme disse o Presidente americano Abraham Lincoln “nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”. Sendo matérias distintas, a da primeira e da presente instância, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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