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Numero do processo: 13888.901429/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.363
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 29 /2 01 4- 33 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901429/201433 Acórdão n.º 3402003.363 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901429/201433 Acórdão n.º 3402003.363 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901429/201433 Acórdão n.º 3402003.363 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901429/201433 Acórdão n.º 3402003.363 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13573.720081/2013-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 73 .7 20 08 1/ 20 13 -4 8 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13573.720081/201348 Resolução nº 2301000.630 S2C3T1 Fl. 133 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de glosa do valor declarado como retenção na fonte. No caso, o recorrente declara retenção sobre rendimento recebido por reclamatória trabalhista. Foram glosadas as verbas e também cobrados os juros moratórios em favor do reclamante, ora recorrente, reconhecidos em reclamatória trabalhista. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Uma vez não comprovada a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, há que se manter o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 08/13, que exige crédito tributário referente ao ano calendário de 2009, no montante de R$ 3.329,50, sendo R$ 2.223,38, a título de imposto de renda pessoa física (sujeito à multa de mora), R$ 444,67, de multa de mora, e R$ 661,45, de juros de mora, calculados até 28/06/2013. ... No caso concreto, com o fito de comprovar o direito à compensação do IRRF, a impugnante juntou aos autos cópias extraídas do processo judicial trabalhista nº 00052199727105004 IQ, movido contra a Prefeitura de Fátima (fls. 14/38). A supracitada documentação consiste basicamente em planilhas de cálculo de IR e INSS incidentes sobre cada um dos pagamentos realizados ao total das reclamantes e à contribuinte em 20/05/2009, 04/08/2009, 20/08/2009, 22/09/2009 e 24/11/2009. Não obstante, tais documentos não provam a efetiva retenção do imposto de renda em nome da contribuinte, haja vista que, no caso de Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13573.720081/201348 Resolução nº 2301000.630 S2C3T1 Fl. 134 3 rendimentos decorrentes de ação judicial, a disponibilidade jurídica dos recursos, apta a ensejar a incidência do imposto, ocorre com o levantamento do depósito judicial. Assim, caberia a interessada apresentar as guias de retirada e/ou os alvarás de levantamento judicial emitidos pela Justiça do Trabalho ou, até mesmo, extratos bancários que demonstrassem a retenção mediante a comparação entre o valor bruto constante das planilhas e o valor líquido efetivamente recebido. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação, em síntese: 1. a contribuinte e mais três senhoras entraram com uma ação trabalhista contra o município de Fátima na Bahia, processo nº 271.97.005202, cuja sentença foi proferida no ano de 2000, conforme Acórdão nº 1.823/00, e o pagamento foi dividido em oito vezes, sendo uma parte em 2009 e o restante em 2010; 2. de acordo com a documentação entregue, fica evidenciado que não houve omissão de rendimentos, tendo havido falta de informação na DIRF da fonte pagadora; 3. cabe à fonte pagadora no prazo de quinze dias da data da retenção de que trata o caput do art. 46 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, comprovar nos respectivos autos, o recolhimento do imposto sobre a renda na fonte incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão da Justiça do Trabalho; 4. o erro cometido pela fonte pagadora em não informar ou informar incorretamente na DIRF não pode justificar a glosa do imposto de renda retido na fonte, devidamente comprovado pelos depósitos efetuados na conta da Prefeitura Municipal de Fátima; 5. em 20/05/2009 recebeu R$ 59.152,51, dos quais R$ 29.546,71, mediante depósito judicial sem juros, e R$ 29.605,80, mediante depósito judicial com juros, deduzindo R$ 1.634,26 de INSS e R$6.326,87 de IR, sendo que o total do IR depositado foi de R$26.134,17; 6. em 04/08/2009 recebeu R$ 11.604,44, dos quais R$ 5.796,42, mediante depósito judicial sem juros, e R$ 5.808,02, mediante depósito judicial com juros, deduzindo R$ 320,61 de INSS e R$708,31 de IR, sendo que o total do IR depositado foi de R$2.995,41; 7. em 20/08/2009 recebeu R$ 5.430,86, dos quais R$ 2.692,54, mediante depósito judicial sem juros, e R$ 2.738,32, mediante depósito judicial com juros, deduzindo R$ 148,93 de INSS e R$78,60 de IR, sendo que o total do IR depositado foi de R$355,48; 8. em 22/09/2009 recebeu R$ 4.168,55, dos quais R$ 2.061,26, mediante depósito judicial sem juros, e R$ 2.107,29, mediante depósito judicial com juros, deduzindo R$ 114,01 de INSS e R$25,40 de IR, sendo que o total do IR depositado foi de R$117,33; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13573.720081/201348 Resolução nº 2301000.630 S2C3T1 Fl. 135 4 9. em 24/11/2009 recebeu R$ 9.170,69, dos quais R$ 4.511,66, mediante depósito judicial sem juros, e R$ 4.659,03, mediante depósito judicial com juros, deduzindo R$ 249,55 de INSS e R$404,37 de IR, sendo que o total do IR depositado foi de R$1.743,73; 10. percebese que o total dos rendimentos recebidos acumuladamente em 2009 foi de R$ 44.608,59, tendo sido descontado o IR de R$7.543,55; 11. à vista do exposto, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Para a comprovação de ter sofrido a retenção, traz aos autos extratos bancários e alvará judicial. Informe que à época da impugnação desconhecia que esses documentos se fizessem necessários, o que somente ocorreu com a decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13573.720081/201348 Resolução nº 2301000.630 S2C3T1 Fl. 136 5 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Antes da análise de mérito, fazse necessários esclarecimentos. O primeiro decorre da decisão do STJ no REsp nº 1.227.133 que, sob rito do artigo 543C do CPC, entendeu que sobre os juros de mora devidos ao reclamante em ações trabalhistas para rescisórias não há incidência do IRPF pela sua natureza indenizatória, independentemente da incidência ou não do imposto sobre a verba principal: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. ... Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN. Após a decisão, através de embargos de declaração, houve modificação da ementa que antes tinha uma redação com maior alcance, ou seja, não haveria incidência de imposto de renda sobre juros moratórios independentemente da origem ou natureza da verba. Redação anterior: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Redação modificada: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13573.720081/201348 Resolução nº 2301000.630 S2C3T1 Fl. 137 6 –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Assim, considerando o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STJ deverá ser reproduzido por essa turma. Para tanto, fazse necessário que seja esclarecido se, de fato, tratamse de verbas indenizatórias ou rescisórias decorrentes de reclamatórias trabalhistas: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Esse seria o primeiro esclarecimento: as verbas recebidas em reclamatória trabalhista seriam ou não indenizatórias/rescisórias? O segundo, decorre da juntada em recurso voluntário de novos documentos que poderiam, de fato, comprovar a retenção sofrida pelo recorrente. Assim, fazse necessário o exame dos documentos por parte da fiscalização e seu pronunciamento. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10580.003379/97-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996
Ementa:
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Impõe-se por força de dispositivo constante em Lei a homologação tácita de pedidos de compensação que não receberam apreciação e decisão da administração Tributária antes do prazo de cinco anos desde seu protocolo.
Recurso Voluntário provido
Homologação reconhecida.
Numero da decisão: 3401-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Impõese por força de dispositivo constante em Lei a homologação tácita de pedidos de compensação que não receberam apreciação e decisão da administração Tributária antes do prazo de cinco anos desde seu protocolo. Recurso Voluntário provido Homologação reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 33 79 /9 7- 68 Fl. 823DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de pedidos de compensação aproveitando crédito de PIS recolhido com base nos Decretoslei n. 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais, com débitos dos tributo código 2172 (vencimento em 10/06/1997 no valor de R$ 7.432,26) e tributo código 8109 (vencimento em 13/06/1997 no valor de R$ 2.415,48). Os pedidos de compensação apresentados à Administração Tributária em 05/06/1997 informam que seu crédito teria base em ação ordinária (n. 1997.33.5810, ingressada em 24/01/1997). A autoridade de jurisdição local, no Despacho Decisório DRF SDR n. 572, de 19/05/2009, não homologou as compensações com justificativa da concomitância com ação judicial. Esclareceu que no processo 10580.000290/0017 a contribuinte peticionara o reconhecimento do direito creditório dos períodos de apuração entre 1988 e 1996 do PIS Faturamento remetendo à inconstitucionalidade dos Decretoslei n. 2.445/1988 e 2.449/1988 e à Ação Ordinária acima citada; e que a Administração Tributária havia indeferido o pedido pela razão da concomitância com essa ação ordinária. Em sua argumentação, além da concomitância, se reportou ao artigo 17 da IN SRF 21, de 1997, que exigiria a desistência da execução judicial e a assunção de todas custas processuais por parte da contribuinte, como requisitos para a compensação na esfera administrativa. A Ementa desse Despacho Decisório ficou assim redigido: Despacho Decisório DRF SDR n. 572, de 19/05/2009 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendario: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992,1993, 1994,1995,1996 Ementa: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. No caso de haver título judicial em fase de execução, cujo objeto seja idêntico a Pedido ou Declaração de Compensação, esta só será realizada, perante a RFB, se o contribuinte comprovar a desistência da ação judicial, fazendo a opção pela via administrativa. Compensação não Homologada Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte e mantiveram a decisão da autoridade de jurisdição. Em sua argumentação, invocaram o artigo 170 A do CTN, que veda a compensação com base em decisão judicial não transitada em julgado. A ementa do Acórdão n. 1521.109 proferido em 30/09/2009 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador ficou assim redigido: Acórdão 1521.109 4ª Turma da DRJ/SDR Sessão de 30 de setembro de 2009 Processo 10580.003379/9768 Interessado BOM BRASIL ÓLEO DE MAMONA LTDA CNPJ 16.293.359/000134 Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10580.003379/9768 Acórdão n.º 3401003.232 S3C4T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 Ementa: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual alega: 1. não pretende se apropriar do crédito indevidamente pleiteado, por exemplo através da duplicidade de pedidos de restituição e compensação, pois ao final do processo judicial será procedido levantamento de valores onde a RFB será citada a pronunciarse sobre o que foi de fato utilizado, de modo que a contribuinte só receberá o que de fato e de direito lhe pertence. 2. Não cabe a aplicação do art. 170 A do CTN ao caso pois a decisão judicial lhe é anterior e a Constituição Federal não admite a retroação para prejudicar direito adquirido; 3. o Mandado de Segurança n. 2002.33.00.0232244 determinou a suspensão da exigibilidade de crédito tributário e débitos não compensado; 4. deve prevalecer a verdade material, uma vez que a documentação apresentada pela contribuinte confirma suas alegações e seu direito; e as decisões recorridas devem ser reformadas para afirmarem a verdade material do pedido da contribuinte. 5. pede reforma das decisões recorridas e a produção de provas, se necessárias. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Pareceme pacífico que o disposto no artigo 170 A do CTN não pode se aplicar ao caso. A decisão judicial em apreço transitou em julgado em outubro de 1999, anos antes da inserção daquele artigo (170A) no CTN. Fl. 825DF CARF MF 4 A decisão judicial já havia declarado o direito da contribuinte, não podendo novo dispositivo legal retroagir para prejudicar o que já estava assentado em definitivo. Além disso, a Lei 9.430, de 1996, somente veio a impor o trânsito em julgado para autorizar compensação baseada em decisão judicial a partir da Lei n. 11.051 de 2004. S.m.j., como os pedidos de compensação foram protocolados em 1997, a eles devem ser aplicados o que dispõem os §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996 (redação dada pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003). Ao lermos este processo podemos verificar que os pedidos de compensação foram protocolados em junho de 1997 e em 2002 foram destinados a arquivamento definitivo, retornando à atenção da administração em 2004 (ver fls. 13/15 e 370 da numeração eletrônica), provavelmente provocados pela contribuinte com o prosseguimento da ação judicial na fase de execução. No caso, podemos ver que a Administração Tributária veio a se manifestar efetivamente sobre os pedidos de compensação e dar ciência à contribuinte de sua decisão de não homologação em maio de 2009, 12 anos após os protocolos dos pedidos, ou seja, quando eles já estavam homologados tacitamente. Não posso concordar com o entendimento dos Julgadores a quo de que os pedidos de compensação não se converteram em declarações de compensação. Os fatos negam essa visão, pois podemos ver que o Despacho Decisório da unidade local se refere sempre a Declaração de Compensação, demonstrando a conversão dos pedidos nos termos do § 4º do artigo 74 acima indicado. Consta dos autos a informação de Ação de Execução judicial com decisão transitada em julgado que reconheceu a existência de indébito tributário por força da inconstitucionalidade dos Decretoslei n. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e do processo administrativo 10580.000290/0017. Não há dúvida de que o valor total da homologação tácita decidida neste acórdão deve ser deduzida do eventual direito creditório reconhecido a partir dessa decisão judicial. A autoridade da administração tributária de jurisdição local da sede da contribuinte deve certificarse dessa decisão e de que não esteja havendo duplicidade de aproveitamento do direito creditório nas homologações tácitas tratadas neste processo com outras formas de aproveitamento ou destinação. Com essas considerações, proponho a este Colegiado seja dado provimento ao Recurso Voluntário e seja reconhecido a homologação tácita dos pedidos de compensação objeto deste processo administrativo. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10580.003379/9768 Acórdão n.º 3401003.232 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 827DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.011450/00-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
RETENÇÃO DO IRRF. PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE. RECUSA.
Notas fiscais emitidas pelo próprio Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro.
PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA.
Admite-se, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO.
Nega-se a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ACRÉSCIMOS.
Para fins de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ será acrescido de juros, nos termos do artigo 894 do RIR/1999.
Numero da decisão: 1301-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 RETENÇÃO DO IRRF. PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE. RECUSA. Notas fiscais emitidas pelo próprio Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Admite-se, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Nega-se a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ACRÉSCIMOS. Para fins de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ será acrescido de juros, nos termos do artigo 894 do RIR/1999.
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PROVA. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE. RECUSA. Notas fiscais emitidas pelo próprio Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto que a fonte pagadora estava obrigada a reter. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Admitese, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado, e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ACRÉSCIMOS. Para fins de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ será acrescido de juros, nos termos do artigo 894 do RIR/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 14 50 /0 0- 84 Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.475 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1030.120 da DRJ/Porto Alegre, às fls, 1.113/1.117, que julgou precedente em parte a manifestação de inconformidade (fl. 989) contra Despacho Decisório n° 646, dc 2008 (fl. 946/958), que deferira em parte pedido de restituição de fl. 01, com entrada na repartição de origem no dia 28/12/2000. Nesse pedido de restituição, a Recorrente mencionara que seu crédito decorria "de IRRF sobre aplicações e sobre mútuos, devido à empresa possuir até novembro de 2000 um baixo valor de IRPJ a pagar sobre o lucro real, possibilitando o aproveitamento do saldo de IRRF a compensar. O valor desse crédito, segundo o demonstrativo das fls. 2, seria de R$ 575.194,92 em dezembro de 1999, ou de R$ 580.797,26 em novembro de 2000, após adição da Selic e desconto de valores compensados durante o ano de 2000." De acordo com o relatório à fl. 1.114: "O despacho decisório considerou inapropriado o pedido de restituição de IRRF, mas admitiu apreciálo como se fosse de saldo negativo de IRPJ (fls. 947948, item 8). Por isso, para determinar qual seria o montante desse saldo negativo, no despacho decisório entendeuse necessário analisar as apurações de IRPJ dos anos de 1995 a 1999 (fls. 947, item 5). Preliminarmente à analise, foi feita a observação de que ela seria feita adotandose o critério de primeiro utilizar os valores de IRRF do período para compensar as antecipações, só vindo a utilizar o saldo negativo dos anos anteriores caso o IRRF fosse insuficiente para cobrir as antecipações (fls. 947, item 6). No exame, deduziuse que os saldos negativos anteriores a 1998 teriam sido totalmente absorvidos pelas compensações efetuadas até esse mesmo ano (fls. 953, item 37, combinado com a planilha das fls. 661) e que o saldo negativo foi de R$ 219.535,09 em 1998 (ibidem) e de R$ 296.150,35 em 1999 (fls. 955, item 45), ambos em valores dos respectivos anos. A seguir, descontou do saldo negativo de 1999 os valores das compensações efetuadas em processo, obtendo o valor remanescente de R$ 211.105,68 (fls. 956, item 49). Finalmente, concluiu pelo "reconhecimento Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.476 3 parcial do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 211.105.68"" O relatório da DRJ não informa que, após a entrega do pedido de restituição, a Recorrente apresentou diversas Declarações de Compensação (DCOMP), no intervalo entre 04/08/2003 a 15/09/2004, ao intento de extinguir débitos de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS/PASEP COFINS e IOF de períodos de apuração que se iniciam em julho de 2003 e se estendem até setembro de 2004, às fls. 717/798, 801/945, conforme Despacho Decisório DRF/POA nº 646, de 2008, às fls. 946/957. Esse despacho decisório reconheceu o direito creditório de R$ 211.105,69 e homologou, até o limite desse crédito, as compensações efetuadas mediante as DCOMP de fls. 720/778, 795/798, 801/857 e 863/945. Prossegue o relatório da DRJ, à fl. 1.115: "Na manifestação de inconformidade, a interessada: afirmando que seu pedido referese aos saldos negativos de 1995 a 1999 (fls. 990, item 1); reclama de que não teria sido fundamentada a afirmativa contida no despacho decisório de que em dezembro de 1998 estaria esgotado o saldo negativo dos períodos anteriores (fls. 990992, itens 2 a 7); ainda sobre essa questão, alega que tanto não estaria esgotado o saldo anterior a 1998, que na apuração levada a efeito no despacho decisório a antecipação devida em 1999 teria sido compensada com saldo negativo de período anterior (fls. 994, item 17); concorda com o critério utilizado no despacho decisório de primeiro compensar as antecipações com o IRRF, para só depois esgotado este passar a compensálas com o saldo de períodos anteriores (fls. 992994, itens 8 a 16); contesta a glosa, no item 42 do despacho decisório, de dois valores de IRRF – R$ 939,12 e R$ 2.356,72 – retidos pela Petropar Embalagens (fls. 994995, itens 18 a 20); reclama que na apuração levada a efeito no despacho decisório para o mês de janeiro de 1999 teria primeiro havido compensação com saldo negativo de 1998 e não a dedução do IRRF de janeiro de 1999 (fls. 995, item 21); afirma que o saldo negativo de 1999 seria de R$ 323.742,57 e o de 1998 de R$ 239.925,26 (fls. 995996, itens 21 a 24) e que o saldo acumulado em 28/12/2000 seria de R$ 580.797,26, conforme consta no pedido original (fls. 996997, itens 2526); concorda com a glosa de R$ 468,25 do despacho decisório para o ano de 1995, e com o saldo negativo de R$ 158.706,93, nele apurado para esse ano (fls. 997998, itens 27 e 28, "a"); concorda com o montante de R$ 242.994,13 de IRRF para o ano de 1996, aí já incluída a correção pela Ufir, mas afirma que teria direito a deduzir do IRPJ R$ 83.127,84 de IR pago no Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.477 4 exterior e não apenas R$ 40.261,07, e que o saldo de 1995 corrigido para 31/12/1996 seria de R$ 204.404,57, e não de R$ 197.542,51, como foi apurado pala unidade de origem às fls. 660 (fls. 998, item 28, "b" e "c"); concorda com valor apurado no despacho decisório para o saldo negativo do ano de 1997, no valor de R$ 391.721,23, valor esse resultante do aproveitamento de R$ 663.195,71 de IRRF do período e de R$ 463.682,03 de saldo negativo de períodos anteriores (fls. 999 e 1.000, item 29); Pede perícia indicando o nome e endereço de seu perito. Como quesitos, pretende "a objetiva confirmação de cada uma das unicamente corretas apurações levadas a efeito e apresentadas" nos itens 16 e seguintes da manifestação de inconformidade. O processo foi baixado em diligência para que a unidade preparadora informasse sobre o aproveitamento, mediante compensação, dos saldos negativos em questão. Todavia, ela deixou de se manifestar a respeito do que foi solicitado, limitandose a juntar esclarecimentos prestados pela interessada." No julgamento da manifestação de inconformidade, assim se pronunciou a autoridade a quo, no voto, quanto à abrangência do pedido de restituição, às fls 1.114/1.117: a) em relação ao saldo negativo acumulado em 1999: "No mérito, a primeira questão a ser decidida é a respeito da abrangência do pedido. Lembremos que ele foi formulado como pedido de restituição de IRRF (fls. 1). No despacho decisório, tal pedido foi considerado inapropriado. A meu ver, se o pedido é inapropriado (com o que, aliás concordo), a DRF de origem deveria: (a) ou têlo indeferido de plano ou (b) ter providenciado seu saneamento, de forma a que ficasse claro para a interessada que a restituição do IRRF é vedada, mas que o de saldo negativo é possível, cabendo a ela indicar os anos e os valores dos saldos negativos que pretendia ter restituídos. Todavia, em vez de ser esclarecido qual seria efetivamente o pedido que a interessada estava fazendo, a DRF de origem proferiu despacho decisório, apreciando o pedido, mesmo, conforme já dito, considerandoo inapropriado. Tal apreciação foi levada adiante como se o pedido fosse de saldo negativo de IRPJ, exclusivamente do ano de 1999. Entretanto, alega a interessada que o pedido referese na verdade ao saldo negativo de IRPJ acumulado em 31/12/1999, que teria o valor de R$ 575.194,92. Ressaltese que esse valor é justamente o constante do quadro elaborado pela DRF de origem (fls. 661) como sendo o valor do saldo negativo declarado pela interessada em 1999. Vêse nesse quadro que esse saldo é composto pelo saldo negativo existente ao final de 1998 (R$ 252.149,21), seguido do ajuste do ano de 1999 (adição do IRRF e da Selic e dedução do IR apurado), resultando em R$ 575.194,92. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.478 5 Assim, verificase que, de um lado, está correto o entendimento da DRF quando afirma que o saldo negativo de 1999 não é de R$ 575.194,92. De outro, entretanto, fica claro que a interessada, quando pediu a restituição em questão, quis referir se, embora de forma inapropriada, ao saldo negativo acumulado ao final de 1999." [...] A controvérsia, neste ponto é: quais os anos abrangidos? Apenas 1999, como decidiu a DRF? Ou o período de 1995 a 1999, como pretende a interessada? Ou, em outras palavras, está correto o critério adotado pela DRF de interpretar o pedido de forma a limitálo ao saldo negativo de 1999? No meu entendimento, não, porque o valor pedido, conforme explicitado pela própria DRF às fls. 660/661 corresponde ao saldo de 1999 e de anos anteriores." b) em relação aos saldos negativos que estão abrangidos pelo pedido: b.1) anocalendário de 1995: "A interessada concorda com o saldo negativo de R$ 158.706,93, apurado para esse ano no despacho decisório (fls. 997998, itens 27 e 28, "a")." b.2) anocalendário de 1996: "Entende que o saldo de 1995 corrigido até 31/12/1996 seria de 204.404,57 (acréscimo de 28,79%) e não de RS 197.542,51 (acréscimo de 24,47%), como foi apurado pala unidade de origem às fls. 660 (fls. 998, item 28, "b" e " c " ) . Na tabela a seguir estão transcritos os valores dos juros pela taxa Selic entre janeiro de 1996 e março de 1997. Verificase que a Selic acumulada de janeiro é de 24,47%, forma que está correto o índice utilizado no despacho decisório para atualizar até 31/12/1996 o saldo negativo apurado em 31/12/1995. A tabela também demonstra que o índice de 28,8% pretendido pela interessada transborda o ano de 1996, chegando a março de 1997. Concluise, portanto, que o valor de R$ 204.404,57aventado pela interessada referese ao valor corrigido até 31/12/11997 e que está correto o valor de R$ 197.542,51 apurado no despacho decisório para 31/12/1996. [...] A interessada concorda com o montante de R$ 242.994,13 de IRRF para o ano de 1996, aí já incluída a correção pela Ufir, mas afirma que teria direito a deduzir do IRPJ R$ 83.127,84 de IR pago no exterior e não apenas R$ 40.261,07, como constou em sua DIPJ. Todavia, ela não tem razão nesse ponto. Acontece que no art. 26, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 estabelece os requisitos para que o imposto incidente no exterior seja compensado no Brasil [...] Constatase facilmente que o documento (fls. 184) apresentado para comprovar a incidência no exterior não atende ao § 2º, pois, em que pese autenticado pelo ConsuladoGeral do Brasil em Atlanta, não está Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.479 6 reconhecido pelo fisco norteamericano. Além disso ele não comprova o efetivo pagamento e nem ao menos a data em que teria sido pago. Além disso, mesmo que o documento pudesse ser aceito, não seria procedente a pretensão da interessada de aproveitar todo o imposto nele consignado, pois se verifica que o lucro nele apurado foi de US$ 2.963.368, ou cerca de R$ 2,7 milhões, enquanto na DIPJ foram adicionados tãosomente R$ 1.188.893,04 (fls. 307), enquanto na Instrução Normativa SRF n° 38, de 27/06/1996, art. 12, § 7º, resta estabelecido que o tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real." b.3) anocalendário de 1997: "A interessada concorda com o valor apurado no despacho decisório para o saldo negativo do ano de 1997, no valor de R$ 391.721,23." b.4) anocalendário de 1998: "A interessada reclama de que não teria sido fundamentada a afirmativa contida no despacho decisório de que em dezembro de 1998 estaria esgotado o saldo negativo dos períodos anteriores (fls. 990992, itens 2 a 7). Não tem razão, todavia. Acontece que nos itens 36 e 37 do despacho decisório (fls. 953) está perfeita e cabalmente explicado por que se chegou à conclusão de que os saldos anteriores a 1997 foram integral e completamente absorvidos na compensação das estimativas devidas no curso de 1998. Como salientado no despacho decisório, as compensações das estimativas devidas em 1998 com os saldos negativos dos anos anteriores estão claramente demonstradas às fls. 652/655, restando comprovado que não restou saldo dos anos anteriores. Aliás, pelo contrário, restaram estimativas não compensadas num montante de R$ 32.618,00. Ainda sobre essa questão, alega que tanto não estaria esgotado o saldo anterior a 1998, que na apuração levada a efeito no despacho decisório a antecipação devida em 1999 teria sido compensada com saldo negativo de período anterior a 1998 (fls. 994, item17). Essa alegação também é improcedente. Na apuração de 1999 foi compensado o saldo negativo de 1998, e não de períodos anteriores a esse ano." b.5) anocalendário de 1999: "A interessada contesta a glosa, no item 42 do despacho decisório, de dois valores de IRRF R$ 939,12 e R$ 2.356,72 retidos pela Petropar Embalagens em 1999 (fls. 994995, itens 18 a 20). É incontroverso que tais valores constaram na Dirf originalmente apresentada pela fonte pagadora e que esta posteriormente os excluiu mediante declaração retificadora. A Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.480 7 interessada entende ter contabilizado a receita e o respectivo IRRF seria elemento suficiente para possibilitarlhe deduzir o IRRF. Não é assim, todavia. O critério adotado no despacho decisório está correto, sendo que a matéria já foi objeto de exame no Acórdão n° 1012.883, proferido por esta 1ª Turma em 03/08/2007, cujo relator foi o julgador Leomar Wayerbacher. Segundo esse Acórdão, o aproveitamento do imposto retido na fonte na declaração de rendimentos está sujeito à comprovação da retenção mediante documento próprio emitido no nome do beneficiário dos rendimentos pela fonte pagadora, sendo esta a disposição contida no art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985 [...] Ainda segundo o mencionado Acórdão: Observase que a lei não atribuiu o mesmo valor probante às notas fiscais emitidas pelos serviços prestados ou aos registros contábeis do próprio prestador dos serviços; pelo contrário, o legislador lançou mão do advérbio restritivo "somente", não cabendo ao aplicador da lei elastecer os meios de prova admitidos, quando a própria lei os restringiu. Portanto, para efeito da comprovação do IRRF a ser compensado na declaração de rendimentos [ou em PER/Dcomp], não são as notas fiscais (emitidas pelo beneficiário) ou os livros contábeis (do beneficiário) os documentos hábeis a que alude a legislação, e sim os comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, no modelo instituído pela SRF, ou seja, o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica. Também nesse sentido tem decidido o Conselho de Contribuintes: [...] Reclama finalmente de que na apuração levada a efeito no despacho decisório para o mês de janeiro de 1999 teria primeiro havido compensação com saldo negativo de 1998 e não a dedução do IRRF de janeiro de 1999 (fls. 995, item 21). Porém, não é verdade que tal tenha ocorrido, pois se percebe no quadro das fls. 955 que a estimativa devida em relação ao mês de janeiro de 1999 foi de R$ 66.681,14 e que primeiramente foi deduzido o IRRF do mês, de R$ 54.453,31, para somente após ser compensado o saldo de R$ 12.227,83 com o saldo negativo de 1998. Nesse ponto, nada há, portanto, a alterar no despacho decisório." Ao final, a autoridade a quo deliberou: "a) manter o despacho decisório no tocante ao que foi decidido sobre o saldo negativo de IRPJ de 1999; Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.481 8 b) alterar o decidido no despacho decisório de forma a reconhecer que o pedido de restituição original abarcava também o saldo negativo de IRPJ de 1998, mantido o valor bruto apurado no despacho decisório relativamente a este ano, qual seja R$ 219.535,09 (fls. 953); c) ressaltar que o valor mencionado no item anterior é bruto, isto é, dele ainda devem ser deduzidas eventuais compensações, de qualquer tipo, em especial, mas não se limitando a, aquela de R$ 12.227,83 da estimativa devida em relação ao mês de janeiro de 1999." Posteriormente, a Delegacia de origem emitiu o Despacho Decisório DRF/POA nº 91, de 2012, às fls. 1.127/1.138, aqui chamado de despacho decisório retificador, alterando o Despacho Decisório n° 646/2008, para cumprimento do Acórdão n° 1030.120, da 1ª Turma da DRJ/POA. No despacho retificador, acrescentouse o seguinte: "54. Em cumprimento a decisão do acórdão n° 1030.120 – 1ª Turma da DRJ/POA, de 28 de fevereiro de 2011, alterase o decidido neste Despacho Decisório, dc forma a reconhecer que o pedido original abarcava também o saldo negativo de IRPJ dc 1998, mantido o valor bruto apurado no despacho decisório relativamente a este ano, qual seja R$ 219.535,09 (fls. 953). 55. Ressaltar que o valor mencionado no item anterior é bruto, isto é, dele ainda devem ser deduzidas eventuais compensações, de qualquer tipo, em especial, mas não se limitando a aquela dc RS 12.227,83 da estimativa devida em relação ao mês de janeiro de 1999, e as compensações informadas pelo contribuinte na planilha anexadas na fl. 1111, contabilizadas no razão, cópia anexada na fl. 1124." Ciência do acórdão recorrido no dia 08/10/2012, às fls. 1.139/1.140. Recurso voluntário às fls. 1.142/1.159, com entrada na repartição no dia 06/11/2012. Nessa oportunidade, a Recorrente: 1 afirma que seu pedido referese aos saldos negativos de 1995 a 1999 (item 1); 2 reclama que carece de fundamento a assertiva, contida no acórdão recorrido e no despacho decisório retificador, de que, em dezembro de 1998, estava esgotado o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores (itens 2 a 7); 3 ainda sobre essa questão, reitera a improcedência do aludido esgotamento do saldo anterior a 1998, pois está claro que, na apuração levada a efeito no item 46 do despacho decisório retificador, compensouse o saldo negativo de período anterior, no cálculo da estimativa devida em 1999 (item 17); 4 salienta que é dever da Fiscalização realizar e reconstruir a correta apuração e as deduções relativas às antecipações/estimativas mensais, primeiro "consumindo”/deduzindo os montantes de IRRF do anocalendário, para, somente após, Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.482 9 utilizar/deduzir/aproveitar os valores remanescentes de saldos negativos de IRPJ de anos calendários anteriores (item 11); 5 concorda com o critério utilizado no despacho decisório retificador segundo o qual, para fins de apuração das estimativas de IRPJ, devese compensar, primeiro, o IRRF, para, só depois, compensálas com o saldo negativo de períodos anteriores (itens 8 a 16); 6 contesta a glosa, no item 44 do despacho decisório retificador, de dois valores de IRRF – R$ 939,12 e R$ 2.356,72 – retidos pela Petropar Embalagens (itens 18 e 20); 7 assinala que não se pode admitir a tese do acórdão recorrido de acordo com a qual o aproveitamento do Imposto de Renda, concretamente retido na fonte, é vedado ao contribuinte que não disponha de comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, porquanto tal entendimento implica submeter a beneficiária à vontade e à responsabilidade de outrem, menosprezando aquilo que deve interessar, que é a efetividade da retenção, sujeita à comprovação por outros meios, sob pena de locupletamento ilícito pela União (item 19); 8 reclama que, na apuração levada a efeito no despacho decisório retificador, item 46, houve claro equívoco, na apuração da estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 1999 (no valor de R$ 12.227,83), porque efetuouse, primeiro, a compensação com saldo negativo de IRPJ de 1998, e não a dedução do IRRF do mês (item 21); 9 anota que, ao comparar o saldo (somatório) final da coluna da "Estimativa na DIPJ" com a coluna "DIRF", no demonstrativo fiscal do item 46 do despacho decisório retificador, percebese que o total "DIRF" é subtraído do total da "Estimativa DIPJ" para se chegar ao montante do saldo negativo de IRPJ de 1998, utilizado para compensação em 1999. Isso pode ser visto claramente para o mês de janeiro de 1999: o valor de R$ 12.227,83 resulta da diferença entre a Estimativa de R$ 66.681,14 e a DIRF de R$ 54.453,31 (item 22); 10 diante disso, menciona que a subtração entre o total anual de Estimativas de 1999 e o total da DIRF do mesmo ano resulta no saldo negativo de 1999 não utilizado, na importância de R$ 323.742,57. Para se chegar a esse valor, é necessário acrescer as importâncias de R$ 939,12 e R$ 2.356,72, supra, ao total do demonstrativo do item 42 do despacho decisório retificador, de R$ 798.241,47, resultando em R$ 801.537,31. Por outro lado, este montante de R$ 801.537,31 deve ser diminuído do total da DIRF, que é a diferença entre o valor constante do demonstrativo de item 46 do referido despacho retificador, de R$ 490.022,57, e a importância de R$ 12.227,83, da estimativa de IRPJ de janeiro/99 paga com saldo negativo de 1998. Essa diferença é de R$ 477.794,74. Agora, subtraindo R$ 477.794,74 de R$ 801.537,31 obtémse o valor de R$ 323.742,57 (item 22). Mesmo considerando a retificação fiscal objeto do primeiro quadro do item 45 do despacho decisório retificador, com a glosa de R$ 12.068,55 de IRRF do anocalendário de 1999, ainda assim o saldo negativo do anocalendário de 1999 é igual à diferença entre R$ 323.742,57 e o valor de 12.068,55, resultando em R$ 311.674,02, e não apenas R$ 296.150,35, equivocadamente informado no item 45 do despacho decisório retificador (item 23); 11 em face do exposto e tendo em vista a compensação de R$ 12.227,83, ressalta que o saldo negativo de IRPJ de 1998 em 31 de dezembro do mesmo ano é de R$ 239.925,26, resultado da subtração entre R$ 252.149,21, saldo negativo de 1998 anterior àquela compensação, e o valor de R$ 12.227,83, supra (item 24); Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.483 10 12 com referência às estimativas mensais de IRPJ do anocalendário de 2000 (somente nos meses de janeiro a março e junho e julho), discorre que foram extintas mediante compensação com IRRF desse mesmo anocalendário de 2000 vide folhas 139 a 143, ainda remanescendo um saldo de R$ 946.534,64 (vide fl. 142), equivocamente alocado como IRRF na ficha 12 A da DIPJ. Assim, podese verificar a exatidão do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, até 28/12/2000, de R$ 580.797,26, que resulta da soma entre a importância de R$ 239.925,26 (do final do anocalendário de 1998), atualizada pela variação da taxa Selic desde fevereiro de 1999 até 28/12/2000, e o valor de R$ 311.674,02 (do anocalendário de 1999), atualizado pela variação da mesma taxa desde janeiro de 2000 até 28/12/2000, subtraindose apenas as compensações do item 51 do despacho decisório retificador (item 25); 13 destarte, aponta que é inteiramente equivocada a conclusão evidenciada no item 53 do despacho decisório retificador, uma vez que, como demonstrado, o saldo negativo de IRPJ remanescente em 28/12/2000 não é de R$ 211.105,68, e, sim, de R$ 580.797,26, o qual deve ser assim reconhecido (item 26); 14 quanto aos valores do anocalendário de 1995, concorda com a glosa de R$ 468,25, no despacho decisório retificador, e com o saldo negativo de R$ 158.706,93, apurado para o mesmo ano ( itens 27 e 28, "a"); 15 quanto ao anocalendário de 1996, concorda com o montante de R$ 242.994,13 a titulo de IRRF, já incluída a correção pela Ufir, mas afirma que tem direito a compensar do IRPJ o valor de R$ 80.840,39, decorrente de IR pago no exterior (e não apenas R$ 40.261,07). Diz também que, para o cômputo do saldo negativo de IRPJ do final de 1996, é preciso considerar a seguinte operação: (+) R$ 42.866,77 [IRPJ final, devido no anocalendário de 1996] () R$ 242.994,13 [IRRF anocalendário 1996, devidamente atualizado] () R$ 80.840,39 [IR pago no exterior em 1996 e não apenas R$ 40.261,07] () R$ 204.404,57 [saldo negativo de IRPJ atualizado, do anocalendário de 1995] = (R$ 485.373,12) de saldo negativo total de IRPJ ao final do anocalendário de 1996, e não somente R$ 437.930,04, como consignado na consolidação fiscal (item 28, "b" e "c"); 16 quanto ao excesso de atualização pela variação da taxa Selic sobre o saldo negativo de IRPJ de 1995, declara que o acórdão recorrido não obedeceu à disposição contida no § 4º do artigo 18 da então vigente IN SRF nº 11, de 1996 (item 28); 17 com relação ao valor de IRPJ efetiva e concretamente pago no exterior, de R$ 80.840,39, e não, apenas, R$ 40.261,07, como especificamente refere o acórdão recorrido, destaca que o comprovante, novamente em apenso, segue o padrão de emissão do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, a teor do que consta no canto superior esquerdo do mesmo documento, conforme regramento do precitado departamento. Ademais, já foi dito no acórdão recorrido que o comprovante já fora devidamente consularizados (item 28); 18 no que concerne ao argumento de que não se computou, na determinação do lucro real, a totalidade do lucro "externo", alude ao fato de que só poderia computar, em seus resultados fiscais, a parcela proporcional, deste lucro no exterior, correspondente à sócia e investidora brasileira (item 28); 19 quanto ao anocalendário de 1997, alega que, a partir dos dados e das correlações consignados no quadro 34 do despacho decisório retificador, juntamente com o demonstrativo original da Recorrente (doc. 07 acostado à manifestação de inconformidade), a Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.484 11 correta apuração do saldo negativo desse ano é a que decorre das considerações abaixo (item 29): a) confirmado o montante total de IRRF anocalendário 1997 DIRF de R$ 663.195,71, que fora empregado, mediante compensação, no cálculo das antecipações/estimativas mensais de IRPJ anocalendário 1997; b) de acordo com o descrito na coluna "diferença" do quadro consignado à fl. 1.133, (item 34 do despacho decisório retificador), constatouse, ao final do anocalendário de 1997 (em dezembro apuração final e definitiva) – que o montante de R$ 391.721,23 restou sem utilização nesse mesmo anocalendário de 1997; c) também de acordo com o que está descrito na última coluna "saldo negativo de período anterior" — do quadro consignado no item 34 do despacho decisório retificador, consumiuse/compensouse/deduziuse, na apuração das estimativas de IRPJ no anocalendário de 1997, o valor total de R$ 463.682,03, a título de saldo negativo de períodos anteriores; d) como consolidado em item precedente do presente recurso, o remanescente de saldo negativo de IRPJ, ao final do anocalendário de 1996, importava em R$ 485.373,12, que, acrescido de R$ 42.538,32 a título de atualização pela variação da taxa Selic 1997 (mesmo considerando as parciais utilizações em compensação/dedução no decorrer de 1997), importava no total de R$ 527.911,44; e) desta forma, subtraindo o montante efetivamente utilizado de R$ 463.682,03 (alínea "c", supra) do total para compensação em 1997 de R$ 527.911,44 (alínea "d", supra), ainda resta de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, ao final do ano calendário de 1997, o montante de R$ 64.229.41, o qual, acrescido ao IRRF não utilizado em 1997 (alínea "b", supra, no valor de R$ 391.721,23), resulta no saldo negativo de IRPJ total, ao final do anocalendário de 1997, na importância de RS 455.950,64 não utilizado no decorrer desse mesmo anocalendário; 20 quanto ao anocalendário de 1998, expressa que, a partir dos dados e das correlações objeto dos itens 34 a 37 do despacho decisório retificador, juntamente com o demonstrativo original da Recorrente (doc. 08), procedem as seguintes retificações, relevantes e necessárias à correta apuração do saldo negativo desse anocalendário (item 30): a) confirmado o montante total de IRRF anocalendário 1998 DIRF de R$ 690.692,52, que fora empregado, mediante compensação, no cálculo das antecipações/estimativas mensais de IRPJ anocalendário 1998; b) contudo, seguindo o que está consolidado no item 19, supra, o remanescente de saldo negativo de IRPJ ao final do anocalendário de 1997 importava em R$ 455.950,64, o qual, acrescido da atualização proporcional da variação da taxa Selic em 1998, na cifra de R$ 35.496,22 (mesmo considerando as parciais utilizações em compensação/dedução no decorrer de 1998), atinge a importância de R$ 494.446,86; c) do valor de R$ 494.446,86, acima, deduzse a quantia de R$ 481.389,24 para compensar estimativas de IRPJ nos meses de janeiro, março, maio até junho de 1998 (quadro 38 do despacho decisório retificador), restando ainda o saldo de R$ 10.057,62, o que Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.485 12 contraria a afirmativa do despacho decisório recorrido, no item 39, a sustentar a existência de um saldo de estimativa aberta de R$ 32.618,00, referente ao mês de junho de 1998; d) por via de consequência, ao final do anocalendário de 1998, consolidase o seguinte resultado: (+) R$ 690.692.52 [de IRRF confirmado "DIRF"] (+) R$ 491.446.86 [saldo negativo de IRPJ remanescente e atualizado, ao final do anocalendário (+) R$ 9.223,71 [taxativo e e comprovado recolhimento de IRPJ recolhido em relação à competência junho de 1998 (folha 226, volume II, do respectivo processo administrativo)], resultando na importância de R$ 1.191.363,09 para fazer face à estimativa de IRPJ total do anocalendário de 1998, na ordem de R$ 929.152,38, a gerar um sobra do saldo negativo de IRPJ de 1998 para aproveitamento em 1999, no valor de R$ 262.210,71; 21 sendo assim, assevera que o anocalendário de 1999 iniciouse com saldo negativo de IRPJ, proveniente do anocalendário de 1998, da ordem de R$ 262.210,71, maior que a importância de R$ 252.149,21, originalmente considerado na apuração e controle da Recorrente, à folha 661 (item 31): 22 quanto ao anocalendário de 1999, aduz que, à vista de tudo o que se expôs nos itens anteriores, avultase a realidade do caso concreto (artigo 142 do CTN), a confirmar o saldo negativo de IRPJ final, em 1999, de R$ 580.797,26, restituível em 28/12/2000, data em que se formulou o pedido de fl. 01 (item 32); 23 ante o relatado, requer que se julgue inteiramente o presente recurso, reformandose o acórdão de primeira instância naquilo em que não se homologou, de tal forma a implementar e assegurar o reconhecimento integral da totalidade dos saldos do direito creditório objeto de exame nesse mesmo processo administrativo, bem como das posteriores compensações formalizadas, cancelandose, igualmente e por decorrência, a cobrança de quaisquer supostos remanescentes débitos tributários (item 32). É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. No presente recurso foram atendidos os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. De início, devese fixar que a matéria em exame diz respeito à restituição do saldo negativo de IRPJ existente em 28/12/2000. À falta de clareza do pedido à fl. 01 pode ser suprida pelos esclarecimentos prestados pela Recorrente no item 25 da peça recursal ou no item 25 da peça impugnatória, de onde se extrai o seguinte trecho: “[...] a configuração do correto saldo de R$ 580.797,26 objeto do pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ em 28.12.2000 (folha 1 do processo administrativo em apreço): R$ 239.925,26 do final do anocalendário de 1998 + R$ 311.674,02, pelo menos, especificamente do anocalendário de 1999 + a devida atualização de ambos pela variação da Selic, respectivamente, o primeiro desde fevereiro de 1999 e o segundo Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.486 13 desde janeiro de 2000, também pelo menos, subtraindose apenas as compensações sem processo mencionadas no item 49 do original e anterior despacho decisório.” (grifei) A mesma clareza é igualmente obtida do item 26 da peça recursal ou do item 26 da peça impugnatória: “[...] O montante de R$ 580.797,26 é que deve ser assim reconhecido e aprovado como sendo o saldo negativo remanescente de IRPJ da empresa contribuinte ao final do anocalendário de 2000: isto devida e unicamente conferido em conformidade com o critério deduzido e explicitado ao final do item 25, supra, do presente (consoante documentos 02, 03 e 04 acostados à original e anterior manifestação de inconformidade).” (grifei) A questão a se discutir, em seguida, é a que cuida da composição do mencionado saldo negativo de R$ 580.797,26, o que inclui suas origens e o critério utilizado para sua formação. Explica a autoridade fiscal que o exame sobre a certeza e a liquidez do suposto direito creditório retroagiu a 1995 e abarcou os anoscalendário seguintes. Já o critério de apuração do saldo negativo, para cada um dos anoscalendário, consta do item 5 do despacho decisório retificador, à fl. 1.128, verbis: “Para apuração do saldo negativo de cada ano, a forma de quitação (sic) das estimativas seguiu o critério de primeiro apropriar o IRRF incidente sobre receitas oferecidas à tributação dentro do período sob enfoque, sem deixar de atentar quanto ao momento da retenção do IRRF, e, em seguida, caso fosse verificada a insuficiência dessas antecipações para fazer frente aos valores apurados a titulo de estimativas mensais de IRPJ, a quitação (sic) recaiu sobre o resgate de crédito de saldo negativo de mesma natureza apurado em períodos anteriores.” (fl. 1.128). Digase, a tal respeito, que a Recorrente não discorda do critério acima, que está em harmonia com o regime legal que conjuga as regras sobre as estimativas, dispostas nos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 1995; no artigo 2º, § 4º, incisos III e IV, da Lei nº 9.430, de 1996, e no artigo 12, inciso III, da Instrução Normativa SRF nº 12, de 1996, com a disciplina legal sobre compensação de tributos, inscritas no artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991 (com a redação dada pela Lei nº 9.069, de 1995, e limitada ao teor do artigo 39 da Lei nº 9.250, de 1995), e no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Em relação ao anocalendário de 1995, não há controvérsia sobre o valor de R$ 158.706,93, atribuído ao saldo negativo de IRPJ. O que remanesce controverso é a atualização monetária desse valor para 1996, pois a decisão recorrida sujeitou o saldo negativo de IRPJ de 1995 à variação de 24,47%, enquanto a Recorrente defende que se proceda à atualização com base na variação de 28,79%. Para a solução do dissídio, cabe destacar o Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, que expôs o entendimento da Receita Federal no sentido de que os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, podem ser restituídos ou compensados com o imposto Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.487 14 de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, cumprindo, ainda, respeitar a norma jurídica extraída dos artigos 66, caput e § 3º, da Lei nº 8.383, de 19991, com a redação dada pela Lei nº 9.069, de 1995, bem como do artigo 39, caput e § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, reproduzidos nos artigos 893 e 894, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99): “Art. 893. A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto atualizado monetariamente até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 3º, Lei nº 9.069, de 1995, art. 58, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 39). Art. 894. O valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 39, § 4º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 73): I a partir de 1º de janeiro de 1996 até 31 de dezembro de 1997, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; II após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Portanto, à luz da legislação então vigente, o saldo negativo de IRPJ de 1995 deve ser acrescido dos juros obtidos pela variação da taxa Selic até dezembro de 1996, a partir do pagamento indevido, sem o acréscimo de um por cento, porque não houve compensação até o fim desse período. Na mesma linha, os artigos 1º; 2º, incisos I, alínea “a”, e II, alínea “b”; e 3º, todos da Instrução Normativa SRF nº 22, de 1996, in verbis, em vigor, na ocasião: “Art. 1º Os valores passíveis de restituição ou compensação, relativos a tributos e contribuições federais, serão acrescidos de juros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais SELIC e de 1%, conforme disposto neste ato. Art. 2º Os juros equivalentes à taxa referencial SELIC serão acumulados mensalmente, observandose, quando do seu cálculo: I como termo inicial de incidência: a) tratandose de restituição apurada em declaração de rendimentos, o mês de janeiro de 1996, se a declaração se referir ao exercício de 1995 ou anteriores, e o mês de maio, se a declaração se referir aos exercícios de 1996 e subseqüentes; b) tratandose de declaração de encerramento de espólio ou de saída definitiva do País, o mês de janeiro de 1996, se a Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.488 15 declaração se referir ao exercício de 1995 ou anteriores, e a data prevista para a entrega da declaração, se referente ao exercício de 1996 e subseqüentes; c) na hipótese de pagamento indevido ou a maior, o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996, e a data da efetivação do pagamento, se efetuado a partir de 1º de janeiro de 1996; II como termo final de incidência: a) em se tratando de restituição apurada em declaração de rendimentos, o mês anterior àquele em que o recurso for colocado no banco, à disposição do contribuinte; b) nos demais casos, o mês anterior ao da efetiva restituição ou compensação. Parágrafo único. No caso das alíneas "b" e "c" do item I, o cálculo dos juros equivalentes à taxa referencial SELIC relativos ao mês da entrega da declaração ou do pagamento indevido ou a maior que o devido será efetuado com base na variação dessa taxa a partir do dia previsto para a entrega da declaração, ou do pagamento indevido ou a maior, até o último dia útil do mês. Art. 3º Os juros de 1% incidirão no mês em que o recurso estiver sendo colocado no banco, à disposição do contribuinte, na hipótese de restituição apurada em declaração de rendimentos, bem assim no mês em que a compensação ou restituição se efetivar, quando se tratar de pagamento indevido ou a maior. Art. 4º Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem assim os decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1º de janeiro de 1996, quantificados em UFIR, serão convertidos em Reais, com base no valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. Parágrafo único. O valor resultante da conversão referida no "caput" constituirá a base de cálculo dos juros de que tratam os arts. 2º e 3º.” Disso se dessume que a tabela e o cálculo dos juros apurados pela DRJ estão corretos, pois a variação da taxa Selic entre janeiro e dezembro de 1996 foi de 24,47%. Assim, o saldo negativo de IRPJ de 1995 atualizado até dezembro de 1996 é de R$ 197.542,21. Quanto ao anocalendário de 1996, também não há dissidência em relação ao montante de retenção na fonte, devidamente atualizado, na importância de R$ 242.994,13 na forma do artigo 37 § 4º, da Lei nº 8.981, de 1995. Divergências há, no entanto, em relação ao valor compensável decorrente de IR pago no exterior. De um lado, a Recorrente pleiteia o valor de R$ 80.840,39, equivalente a US$ 83.976,00, ao passo que a DRJ somente acolheu a parcela de R$ 40.261,07, valor que consta na DIPJ. No mais, a autoridade a quo se referiu ao fato de que o imposto pago no exterior, consignado no comprovante à fl. 184, na importância de US$ 83.976,00, é relacionado ao rendimento de US$ 2.963.368,00, equivalente a R$ 2,7 milhões, Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.489 16 enquanto na DIPJ apenas adicionouse o valor de R$ 1.188.893,04 (fls. 307), o que estaria em confronto com o disposto no artigo 13, § 7º, da IN SRF nº 38/1996 (vigente à época dos fatos). Segundo tal preceito normativo, o imposto pago no exterior pode ser compensado com o IRPJ apurado no Brasil, na proporção do montante, tributado no país, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos de filial, sucursal, coligada ou controlada estrangeira. Agora, no recurso, a Recorrente alega que ofereceu à tributação a parte dos lucros no exterior correspondente à sócia brasileira. Ora, se o documento à fl. 183 não retrata a parcela do lucro que cabe à pessoa jurídica brasileira, mas, sim, o lucro total de US$ 2.963.368,00, a ser rateado entre os sócios que investiram naquela sociedade estrangeira, pela mesma razão devese creditar o imposto pago no exterior, na cifra de US$ 83.976,00, a todo o grupo de sócios naquele investimento, e não apenas à pessoa jurídica brasileira. Ressaltase, pois, do exposto que a Recorrente fracassou na tarefa de comprovar que a retenção de U$ 83.976,00 resultara diretamente da tributação incidente sobre a parcela exclusiva do rendimento que lhe fora apropriado, em função de sua participação percentual no investimento. Aditese aos argumentos já apresentados que o documento em língua estrangeira exibido ao intento de provar a retenção na fonte não reúne os requisitos necessários à produção de efeitos, nos termos do artigo 224 do Código Civil, dos artigos 156 e 157 do Código de Processo Civil de 1973, dos artigos 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 1973, do artigo 18 do Regulamento instituído pelo Decreto nº 13.609, de 1943, a seguir transcritos, com supedâneo no artigo13 da Constituição da República: Constituição Federal “Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.” Código Civil “Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.” Código de Processo Civil “Art. 156 – Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso do vernáculo.” “Art. 157 – Só poderá ser juntado aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado.” Lei nº 6.015, de 31/12/1973: “Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º. todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal. ” Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.490 17 “Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. ” Decreto n° 13.609/1943; “Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento.” Com os dados suprarreferidos e em face da legislação de regência, o saldo negativo de IRPJ ao final de 1996 é exatamente aquele que fora calculado pela Delegacia de origem: R$ 437.930,04. Quanto ao anocalendário de 1997, o valor confirmado em DIRF, pelo Fisco, é de R$ 663.195,71, sem a discordância da Recorrente, que também não se insurge contra o saldo negativo de IRPJ desse ano, na importância de R$ 391.721,23, verificado pela Delegacia de origem, assim como não discute o valor total do saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, de R$ 463.682,03, utilizados para a extinção das estimativas desse anocalendário. Quanto ao anocalendário de 1998, a Recorrente confirma o valor total em DIRF, apurado pela Delegacia de origem e empregado na compensação das estimativas de IRPJ, de R$ 690.692,52, bem como o montante do saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, de R$ 481.389,24, levados ao encontro de contas com as diferenças positivas entre as estimativas mensais e os valores declarados em DIRF. Todavia, reitera, no presente, tema suscitado na manifestação de inconformidade que não mereceu a devida atenção da instância a quo: o recolhimento de R$ 9.223,71, à fl. 226, com código referente à estimativa de IRPJ, não incluído – segundo alega no cômputo dos créditos aptos a reduzir a diferença de estimativa extinta por compensação com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores. Porém, um simples cálculo para o mês de junho de 1998 soluciona a questão posta: o valor em DIRF, de R$ 10.588,08, somado ao valor do DARF mencionado, de R$ 9.223,71, resulta na importância de R$ 19.811,79. Para completar o total da estimativa do mês de junho, de R$ 224.431,47, faltam R$ 204.619,68, justamente a quantia compensada com saldo negativo de IRPJ de anos calendário anteriores, como demonstra o quadro do item 38, fl. 1.134. Claro está que o citado DARF foi considerado para a redução do débito a ser extinto pelo encontro de contas com o saldo negativo de IRPJ de anoscalendário precedentes. Quanto ao anocalendário de 1999, a Recorrente postula que os valores de R$ 939,12 e R$ 2.356,72 sejam considerados entre as retenções de imposto de renda na fonte, no demonstrativo do item 42 do despacho decisório retificador, afastandose a glosa da autoridade de seu domicílio. No entanto, tais importâncias, recolhidas pela Petropar Embalagens S/A, CNPJ 74.043.993/000115, constantes da DIRF 1999 transmitida em 29/02/00, foram posteriormente excluídas mediante DIRF retificadoras transmitidas em 13/09/01 e 22/03/02. Nesses termos, ausente a comprovação do beneficiário dos pagamentos, fato que desautoriza o reconhecimento dos créditos para a satisfação da pretensão da Recorrente. No ponto, trazse ao debate a tese de que a verdade material está sempre a reger a apuração do Fisco, a prevalecer Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.491 18 sobre o acórdão recorrido que sustenta a negativa ao aproveitamento de IRRF, se o interessado não dispuser de comprovantes de retenção fornecidos pela fonte pagadora. É preciso salientar que incumbe à beneficiária do pagamento recorrer aos meios adequados à obtenção de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos recebimentos das importâncias devidas, com o desconto do imposto retido pelas fontes. Vejase que este processo percorre a via administrativa ao longo de 16 anos, tempo bastante para a produção da prova de que é beneficiária do rendimento sobre o qual incidiu o imposto de renda na fonte. Esse ônus da defesa está previsto no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: “Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Esclareçase que é impossível reconhecer força probante a documento produzido pela própria beneficiária do pagamento, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1. Essa ideia está por trás do § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, segundo o qual “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” Daí se pode depreender uma regra geral implícita ao direito probatório, no sentido de que os fatos que impliquem efeitos tributários favoráveis a quem os declara exigem prova documental hábil, o que exclui os que são produzidos pelo próprio declarante. Consoante o exposto, notas fiscais emitidas pela própria Recorrente e sua escrituração contábil, por si sós, não se prestam ao objetivo de comprovar o imposto retido pela fonte pagadora. Para tal finalidade, imprescindível que o meio de prova tenha o lastro de terceiro. Ainda quanto ao anocalendário de 1999, a Recorrente alega que o Fisco equivocouse, na verificação da extinção da estimativa de janeiro, ao preferir compensar a parcela de R$ 12.227,83, proveniente do saldo negativo de IRPJ de anoscalendário anteriores, à frente da dedução do IRRF. Vale seguir o que restou decidido pela DRJ, ao dizer que "não é verdade que tal tenha ocorrido, pois se percebe no quadro das fls. 955 que a estimativa devida em relação ao mês de janeiro de 1999 foi de R$ 66.681,14 e que primeiramente foi deduzido o 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.492 19 IRRF do mês, de R$ 54.453,31, para somente após ser compensado o saldo de R$ 12.227,83 com o saldo negativo de 1998." Nesses termos, levando em consideração os aspectos fáticos e jurídicos relacionados aos autos, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para aplicar o disposto no artigo 894 do RIR/1999, determinando o seguinte critério para a determinação do saldo negativo de IRPJ de 28/12/2000: Em primeiro lugar, que se proceda à atualização monetária do saldo negativo de IRPJ acumulado em 31/12/1996, de R$ 437.930, 94, à fl. 660, pela variação da taxa Selic até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. 1) Com isso, o valor de R$ 437.930,94, acima, deve ser acrescido de 1% até janeiro de 1997 e, em seguida, deduzido da importância de R$ 2.720,17, que corresponde à parcela de estimativa de janeiro de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 2) A diferença acima apurada deverá ser acrescida de 1% até fevereiro desse ano e, em seguida, deduzida da importância de R$ 3.437,26, que corresponde à parcela de estimativa de fevereiro de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 3) A diferença acima apurada deverá ser acrescida de 1% até março desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 180.604,74, que corresponde à parcela de estimativa de março de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 4) A diferença acima apurada deverá ser acrescida de 1% até abril desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 1.509,03, que corresponde à parcela de estimativa de abril de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 5) A diferença acima apurada deverá ser acrescida de 1% até maio desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 102.292,81, que corresponde à parcela de estimativa de maio de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 6) A diferença apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre maio e junho de 1997, resultando num valor que deverá ser acrescido de 1% até julho desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 112.900,17, que corresponde à parcela de estimativa de julho de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 7) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre julho e agosto de 1997, resultando num valor que deverá ser acrescido de 1% até setembro desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 22.063,15, que corresponde à parcela de estimativa de setembro de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. 8) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre setembro e outubro de 1997, resultando num valor que deverá ser acrescido de 1% até novembro desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 38.154,70, que corresponde à parcela de estimativa de novembro de 1997 compensada com o saldo negativo de período anterior. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.493 20 9) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre novembro e dezembro de 1997, resultando num valor que deverá ser acrescido do saldo negativo desse ano, na importância do de R$ 391.721,23, já aferido pelo Fisco à fl. 952, assim definindose o saldo negativo acumulado de IRPJ de 31/12/1997. 10) O valor acima apurado deverá ser acrescido de 1% até janeiro de 1998 e, em seguida, deduzido da importância de R$ 52.221.08, que corresponde à parcela de estimativa de janeiro de 1998 compensada com o saldo negativo de período anterior. 11) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre janeiro e fevereiro de 1998, resultando num valor que deverá ser acrescido de 1% até março desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 159.692,71, que corresponde à parcela de estimativa de março de 1998 compensada com o saldo negativo de período anterior. 12) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre março e abril de 1998, resultando num valor que deverá ser acrescido de 1% até maio desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$64.855,76, que corresponde à parcela de estimativa de maio de 1998 compensada com o saldo negativo de período anterior. 13) A diferença acima apurada deverá ser acrescida de 1% até junho desse ano e, em seguida, deduzido da importância de R$ 204.619,98, que corresponde à parcela de estimativa de junho de 1998 compensada como saldo negativo de período anterior. 14) A diferença acima apurada deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre junho e dezembro de 1998, resultando num valor que deverá ser acrescido do saldo negativo desse ano, na importância de R$ R$ 219.535,09, já aferido pelo Fisco à fl. 953, assim definindose o saldo negativo acumulado de IRPJ de 31/12/1998. 15) O valor acima apurado deverá ser acrescido de 1% até janeiro de 1999 e, em seguida, deduzido da importância de R$ 12.227,83, que corresponde à parcela de estimativa de janeiro de 1999 compensada com o saldo negativo de período anterior. 16) O valor acima apurado deverá ser atualizada pela variação da taxa Selic entre janeiro e dezembro de 1999, resultando num valor que deverá ser acrescido do saldo negativo desse ano, na importância de R$ 296.150,35, já aferido pelo Fisco à fl. 955, assim definindose o saldo negativo acumulado de IRPJ de 31/12/1999. 17) A parcela de R$ 296.150,35 do saldo acumulado de 31/12/1999, acima, foi compensada com diversos tributos vencidos em 2000, conforme fls. 662/665, resultando no saldo de R$ 211.105,68. Portanto, em 2000, foi compensada a importância de R$ 85.044,67, proveniente do saldo negativo acumulado de IRPJ de 31/12/1999. 18) O saldo negativo acumulado de IRPJ de 31/12/1999, apurado no item 16, supra, deve ser deduzido da importância de R$ 85.044,67, resultando num valor que deve ser atualizado pela variação da taxa Selic entre 01/01/2000 e 28/12/2000. O montante assim encontrado será o saldo negativo de IRPJ acumulado até 28/12/2000. Entretanto, esse total não deve ultrapassar o valor pedido pela Recorrente, de R$ 580.797,26, lançado à fl. 01. É como voto. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.011450/0084 Acórdão n.º 1301002.075 S1C3T1 Fl. 1.494 21 (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10580.722473/2008-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 73 /2 00 8- 05 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722473/200805 Acórdão n.º 9202004.065 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.915949/2008-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 49 /2 00 8- 67 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.860, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915949/200867 Acórdão n.º 9303003.977 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.721238/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA.PRESCINDIBILIDADE.
A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário, aplica-se a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996 que, por sua natureza juris tantum, deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS.
A conta de Resultados de Exercícios Futuros, existente na legislação societária e nas normas contábeis brasileiras e delas extirpadas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.159, de 13/02/2009, que aprovou o Comunicado Técnico CTG 2000, se prestava a registrar lançamentos relativos a receitas recebidas antecipadamente e cuja competência pertenceria a futuros períodos. Com sua extinção, os saldos existentes até a data de 04/12/2008 deveriam ter sido reclassificados em 05/12/2008 para o grupo do Passivo Não Circulante, em contas representativas de receitas e despesas diferidas. Não tendo sido este o procedimento adotado pela contribuinte e não tendo conseguido comprovar a sua constituição e o seu saldo em aberto, tais valores caracterizam-se como prova direta de receitas mantidas à margem da tributação pela utilização de conta contábil inapropriada, injustificada e incomprovada.
DESPESAS OPERACIONAIS.DEDUTIBILIDADE.
A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentarem-se em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos, situação não verificada nos autos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS.
A utilização de interpostas pessoas (laranjas), em geral, visa disfarçar a responsabilidade dos verdadeiros gestores da empresa frente aos atos por eles praticados. O impacto dessa conduta certamente ocorrerá na fase de execução desta ou de qualquer outra decisão, tanto administrativa como judicial, desfavorável à empresa. Todavia, a sua utilização, de per si, sem que fique demonstrado cabalmente de que forma a condutateriaimpedido ou retardado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal,ou,ainda,seuconhecimentopelaautoridadetributária, não leva a qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%, ainda mais quando, como nos autos, ficar comprovado que os lançamentos perpetrados pelo Fisco foram feitos à vista dos documentos e escrituração da contribuinte. Multa que se reduz a 75%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN.
Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 38 /2 01 4- 56 Fl. 11520DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.521 2 Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário, aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996 que, por sua natureza “juris tantum”, deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes. OMISSÃO DE RECEITAS. RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS. A conta de “Resultados de Exercícios Futuros”, existente na legislação societária e nas normas contábeis brasileiras e delas extirpadas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.159, de 13/02/2009, que aprovou o Comunicado Técnico CTG 2000, se prestava a registrar lançamentos relativos a receitas recebidas antecipadamente e cuja competência pertenceria a futuros períodos. Com sua extinção, os saldos existentes até a data de 04/12/2008 deveriam ter sido reclassificados em 05/12/2008 para o grupo do Passivo Não Circulante, em contas representativas de receitas e despesas diferidas. Não tendo sido este o procedimento adotado pela contribuinte e não tendo conseguido comprovar a sua constituição e o seu saldo em aberto, tais valores caracterizamse como prova direta de receitas mantidas à margem da tributação pela utilização de conta contábil inapropriada, injustificada e incomprovada. DESPESAS OPERACIONAIS.DEDUTIBILIDADE. A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentaremse em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos, situação não verificada nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. A utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), em geral, visa disfarçar a responsabilidade dos verdadeiros gestores da empresa frente aos atos por eles praticados. O impacto dessa conduta certamente ocorrerá na fase de execução desta ou de qualquer outra decisão, tanto administrativa como judicial, desfavorável à empresa. Todavia, a sua utilização, de per si, sem que fique demonstrado cabalmente de que forma a condutateriaimpedido ou retardado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal,ou,ainda,seuconhecimentopelaautoridadetributária, não leva a qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%, ainda mais quando, como nos autos, ficar comprovado que os lançamentos perpetrados pelo Fisco foram feitos à vista dos documentos e escrituração da contribuinte. Multa que se reduz a 75%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN. Fl. 11521DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.522 3 Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 11522DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.523 4 Fl. 11523DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.524 5 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte e pelos sujeitos passivos solidários acima qualificados em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/BHE em sessão de 15 de abril de 2015 (fls. 11370/11412)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada perante aquele Colegiado de 1º Piso, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando os fatos probatórios são passíveis de demonstração mediante apresentação de documentos que o Impugnante deveria possuir. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O valor do imposto e do adicional relativos às receitas omitidas são lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar, nas infrações lançadas por presunção legal, que o fato presumido não ocorreu. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas ou jurídicas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não elididos os fatos que lhe deram causa, o termo de sujeição passiva solidária deve ser mantido. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 11524DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.525 6 O trabalho fiscal foi encerrado, originalmente, em 26/11/2014, com a lavratura dos autos de infração de IRPJ/CSLL/PIS e COFINS (fls. 2/32) e Relatório Fiscal (RF) de fls. 33/36. Todavia, em 16/12/2014, o Fisco cancelou os autos de infração inicialmente lavrados, substituindoos pelos constantes às fls. 6254/6295 e RF às fls. 6298/6308, conforme explicitado no “Relatório Explicativo” lavrado pela Autoridade Fiscal (fls. 6253). Feita esta observação, passase ao caso concreto aqui presente. De acordo com o RF de fls. 33/36, complementado pelo de fls. 6298/6308, foram as seguintes as irregularidades imputadas ao sujeito passivo, conforme descrito pela Relatoria de 1º grau, aqui adotada por bem resumir os fatos: DA ACUSAÇÃO FISCAL: “Descrição dos fatos – Detalhamento 15 No transcorrer da ação fiscal o fisco constatou as seguintes irregularidades, relativas ao ano calendário de 2010: Pagamentos sem causa. 16 Sob a rubrica "Empréstimo Sócio", do Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo, o sujeito passivo efetuou diversos pagamentos em operações que não foram devidamente comprovadas e esclarecidas. 16.1 O contribuinte afirma que tais valores referemse a despesas operacionais e ativo fixo adquirido pela empresa e que foram registrados equivocadamente na aludida conta. Afirma ainda que a maioria dos lançamentos eram utilizados erroneamente com o histórico "BAIXA. DPL. FÁBIO RAMOS RIBEIRO", que é um dos administradores da empresa, não é sócio, conforme Contrato de Prestação de Serviços. 16.2 Verificase que FABIO, embora não formalmente sócio da empresa, possuía procuração com amplos e irrestritos poderes do sócio majoritário JAMILTON PINTO VELOSO, que afirma em declaração que não exerce nenhuma atividade na empresa, cuja administração é exercida por FÁBIO. 17. Foram efetuados diversos pagamentos sob a rubrica "Empréstimo Sol Barra", em operações que não foram devidamente comprovadas e esclarecidas. 17.1 O contribuinte afirma que parte do saldo remanescente de 2008 referese a compra de mercadorias em nome de SOL BARRA HOTEL para o consumo do BAHIA STELLA HOTEL, que deveria ser lançado como estoque e que, à medida em que fosse consumido, transferido para a conta de custo/despesa do resultado, conforme instrumento particular de POOL para compra de mercadorias. Também esclarece que o saldo do ano de 2010 referese a lançamentos efetuados Fl. 11525DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.526 7 erroneamente mês a mês a título de transferências de valores da conta Empréstimo Sol Barra Passivo Não Circulante" para a conta "Empréstimo Sol Barra Ativo Não Circulante", duplicando, assim, os saldos das referidas contas. O fisco informa que o contribuinte não apresentou provas a seu favor e que os documentos apresentados não se harmonizam com os registros contábeis. 18. Foram efetuados pagamentos sob a rubrica "Empréstimo Unidade Mar Atlântico", também não comprovados. O contribuinte afirma que os lançamentos em questão referemse a pagamentos do financiamento do Banco do Nordeste BNB, para construção do imóvel, cujo arrendatário é o BAHIA STELLA HOTEL. Contudo, não foi apresentada documentação idônea, da época, que comprove ou justifique a obrigação do contribuinte em efetuar tais pagamentos. 19. Foram efetuados pagamentos sob a rubrica "Agatha Patrimonial", não devidamente comprovadas as operações a que se referem; não foram apresentados documentos idôneos, da época, que pudesse comprovar ou justificar referidos pagamentos. 20. Tendo em vista que os valores pagos, acima identificados, são considerados líquidos, estes foram reajustados conforme demonstrativo anexo, nos termos do art. 674 do RIR, de 1999. Resultados de exercícios futuros 21. Na apuração de suas receitas, o contribuinte contabilizou no AC de 2010, em conta do Ativo Circulante lançamentos no total de R$ 26.007.411,94; uma parcela deste valor R$ 23.447.236,18 tem como contrapartida diversas contas do Passivo Resultados de Exercícios Futuros. O saldo destas contas é transferido e consolidado em conta do mesmo grupo Receita de Hospedagem, e desta, apenas o valor de R$ 17.161.649,35 é transferido para crédito e apuração do Resultado Líquido do Período Receita de Hospedagem; à parte, alguns lançamentos de ajustes, a diferença de R$ 6.135.088,87 é transferida para outra conta do Passivo Não Circulante Resultado de Exercícios Futuros Serviços de Hospedagem: esta conta, que tinha um saldo de R$ 10.127.629,51, passa a ter um saldo final de R$16.262.718,39, mantido indevidamente pelo contribuinte como receita diferida e não computada na apuração do resultado. 21.1 Como decorrência do acima descrito, foram apuradas as diferenças mensais, conforme planilhas anexadas ao processo, extraídas do Razão Contábil do contribuinte. Custos e despesas não comprovados. 22. Intimado a apresentar a documentação comprobatória dos valores computados como custos e despesas deduzidos na apuração do Lucro Real, deixou de comprovar o montante de R$ Fl. 11526DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.527 8 6.692.319,81. O Demonstrativo de Custos e Despesas Não Comprovados encontrase anexo. Passivo não comprovado 23. Intimado a apresentar esclarecimentos/documentos comprobatórios dos saldos verificados nas contas do Passivo, não apresentou elementos que comprovassem a exigibilidade do valor correspondente a R$ 7.858.143,42. Foram apurados os valores mensais correspondentes, elaborados com base no Razão Contábil, conforme planilhas em anexo. Insuficiência de declaração e recolhimento do PIS e da COFINS. 24. O contribuinte deixou de declarar e recolher os valores mensais devidos ao PIS e COFINS relativos às receitas declaradas e escrituradas no montante de R$ 17.161.649,35, conforme planilha anexa, cujos dados foram extraídos do Razão Contábil. SUBSTITUIÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 25. Aos 19/12/2014 o fisco emite o RELATÓRIO EXPLICATIVO à fl. 6253, esclarecendo que os Autos de Infração e seus anexos anteriormente lavrados foram substituídos pelos Autos de Infração Complementares a seguir, em razão do agravamento pela aplicação de multa qualificada, com fundamento no art. 18, parágrafo 3º do Decreto nº 70.235, de 1972 e art. 41 do Decreto nº 7.574, de 2011. 25.1 Os autos de infração lavrados em substituição aos anteriormente emitidos estão assim consolidados IRPJ CSLL COFINS PIS IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO 5.166.352,15 1.858.532,66 410.319,92 88.902,63 JUROS DE MORA 1.896.567,87 682.267,33 171.074,66 37.066,15 MULTA PROPORCIONAL (passível de redução) 7.749.528,23 2.787.798,96 615.479,91 133.353,97 VR. TOTAL CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 14.812.448,25 5.328.598,95 1.196.874,49 259.322,75 CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO 21.597.244,42 25.2 Foi imputada Responsabilidade Solidária de Fato aos seguintes sujeitos passivos: • FÁBIO RAMOS RIBEIRO, nos termos do art. 124 e 135 do CTN, considerando que o contribuinte é o dono ou um dos donos de fato da empresa autuada. • AGATHA PATRIMONIAL S A: nos termos do art. 124 do CTN, considerando que o contribuinte é o dono ou um dos donos de fato da empresa autuada e integrante de um grupo econômico. Fl. 11527DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.528 9 • ANAPURUS PATRIMONIAL S A: nos termos do art. 124 do CTN, considerando que o contribuinte é o dono ou um dos donos de fato da empresa autuada e integrante de um grupo econômico. 26. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal passou a: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 27. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Período: Janeiro/2010 a Dezembro/2010. 27.1 O contribuinte deixou de computar as receitas conforme RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO anexo transferidas para a conta do passivo RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS, omitindose em oferecer à tributação. 28. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO NÃO COMPROVADO Período: Janeiro/2010 a Dezembro/2010. 28.1 Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, dos saldos de diversas contas, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, conforme descrito no item 4 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. 29. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Período: Dezembro/2010. 29.1 Despesas não comprovadas apuradas conforme descrito no item 3 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. 30. O enquadramento legal da infração e dos acréscimos legais encontramse descritos no Auto de Infração. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 31. RECEITAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS Período: Janeiro/2010 a Dezembro/2010 31.1 O contribuinte deixou de computar as receitas que, conforme descrito no item 2 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO anexo, foram transferidas para a conta do passivo RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS , omitindo se em oferecer à tributação. 31.2 Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, dos saldos de diversas contas, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, conforme descrito no item 4 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. Fl. 11528DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.529 10 32. CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO COMPROVADOS Período: Dezembro/2010 32.1 Despesas não comprovadas apuradas conforme descrito no item 3 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. 33. O enquadramento legal da infração e dos acréscimos legais encontramse descritos no Auto de Infração. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS 34. INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS Período: Outubro/2008 a Dezembro/2010 34.1 O contribuinte deixou de computar as receitas que, conforme descrito no item 2 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO anexo, foram transferidas para a conta do passivo RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS, omitindose em oferecer à tributação. 35. Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, dos saldos de diversas contas, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, conforme descrito no item 4 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. 36 O enquadramento legal da infração e dos acréscimos legais encontramse descritos no Auto de Infração. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 37. INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período: Janeiro/2010 a Dezembro/2010 37.1 O contribuinte deixou de computar as receitas que, conforme descrito no item 2 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO anexo, foram transferidas para a conta do passivo RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS, omitindose em oferecer à tributação. 37.2 Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, dos saldos de diversas contas, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, conforme descrito no item 4 do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e demais documentos anexos. 38 O enquadramento legal da infração e dos acréscimos legais encontramse descritos no Auto de Infração”. Fl. 11529DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.530 11 No RF complementar, especificamente acerca da responsabilidade solidária imputada, da existência de grupo econômico e a respeito da qualificação da multa, pontificou o autuante (fls. 6302/6307): “6 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – PESSOA INTERPOSTA 6.1 – Histórico A pessoa jurídica BAHIA STELLA HOTEL LTDA, CNPJ 09.327.023/000180, foi constituída, em 17/12/2007, cujos sócios são JAMILTON PINTO VELOSO, CPF 671.131.50578 e JILMA SANTOS PUREZA, CPF 482.130.63520, segundo Contrato Social e sua consolidação, arquivados e registrados na Junta Comercial do Estado da Bahia, números 29203107556 e 96991849, em 17/12/2007 e 22/03/2010, respectivamente, (cópia anexa). Durante os trabalhos de fiscalização foram verificadas as irregularidades acima descritas. Analisando o balanço patrimonial da empresa, do anocalendário de 2010, verificase que o total das contas do NÃO CIRCULANTE é de 19.592.521,11, dos quais apenas o valor 483.099,85 é o IMOBILIZADO e um total de 19.054.324,79 é o REALIZÁVEL A LONGO PRAZO, composto em sua maioria de contas intituladas de EMPRÉSTIMOS a sócio e outras empresas, conforme acima descrito. 6.2 – SÓCIOS Verificase que os sócios da pessoa jurídica BAHIA STELLA HOTEL LTDA, JAMILTON PINTO VELOSO e JILMA DOS SANTOS PUREZA não têm capacidade financeira ou econômica para constituir uma empresa desse porte, cuja receita declarada no anocalendário de 2010 foi de R$ 17.504.849,35. As declarações do imposto de renda de pessoa física desses sócios, anteriores e posteriores à constituição da empresa não apresentam valores de rendimentos ou declaração de bens, apenas o valor da participação societária de cada um, como pode ser verificado nas declarações apresentadas, cópias e extratos anexos. Os sócios não possuem movimentação financeira em contas bancárias e JAMILTON PINTO VELOSO afirmou que integralizou sua participação no capital da empresa, inusitadamente, em espécie, e que não se envolve na administração da empresa, o que lhe competiria pelo Contrato Social , na qual tem uma participação de 90%. A administração contudo é exercida por FABIO RAMOS RIBEIRO, CPF 568.723.64572, conforme Termo de Declaração anexo. 6.3 – SÓCIO DE FATO Realmente, Fabio Ramos Ribeiro além de ser o administrador da empresa, segundo resposta a termo de intimação, quando foi apresentado até uma cópia de contrato de prestação de serviço de administrador, é, também, portador de procuração que lhe outorga amplos e irrestritos poderes para movimentar os Fl. 11530DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.531 12 recursos da empresa, cópias anexas, o que lhe permite agir como o verdadeiro dono da empresa. Haja vista também o contraste entre as informações constantes das declarações do imposto de renda da pessoa física dos sócios formais JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA e as do sócio ou dono de fato FABIO RAMOS RIBEIRO, (DIRPFs anexas), enquanto os primeiros informam como domicílios endereços na periferia da cidade, esse último tem domicílio em zona nobre, o mesmo contraste verificase entre as declarações de bens e os rendimentos declarados. Verificase também que no histórico dos diversos lançamentos da conta EMPRÉSTIMO SÓCIO, planilhas 1 e 1A, acima mencionadas, o nome de Fabio Ramos Ribeiro é repetidamente mencionado, nas operações efetuadas. Pelos fatos e circunstâncias descritos acima, concluise que FABIO RAMOS RIBEIRO, CPF 568.723.64572, configurase como o dono, ou um dos donos, de fato, da pessoa jurídica BAHIA STELLA HOTEL LTDA, CNPJ 09.327.023/000180, o qual deve ser responsabilizado também, solidariamente, pelas infrações constatadas e o crédito tributário apurado, porque os sócios de direito caracterizamse, apenas, como pessoas interpostas, utilizadas como um meio de frustrar a garantia do crédito tributário. 7 GRUPO ECONÔMICO Além da pessoa física FABIO RAMOS RIBEIRO, acima mencionada, que como procurador detém amplos e irrestritos poderes para gerir os recursos da empresa BAHIA STELLA HOTEL, verificase que esta é parte de um grupo econômico composto, pelo menos, por mais duas empresas, a saber: AGATHA PATRIMONIAL S/A, CNPJ 07.596.615/000171 e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A, CNPJ 10.930.448/000168, esta última é controladora da primeira, tendo em vista que é proprietária de 100% de seu capital, conforme Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de AGATHA PATRIMONIAL S/A, realizada em 11 de março de 2010, registrada no Cartório do 12º Ofício de Notas da Comarca de Salvador – Bahia e na Junta Comercial do Estado da Bahia, em 23/03/2010, sob o nº 96990979, cópia anexa, quando seus dois únicos acionistas FÁBIO RAMOS RIBEIRO, CPF Nº 568.723.64572 e ALEXANDRO RAMOS RIBEIRO, CPF Nº 641.170.73591, aprovaram a aquisição de todas as ações de AGATHA PATRIMONIAL S/A por ANAPURUS PATRIMONIAL S/A, com a conseqüente conversão daquela em subsidiária integral dessa. Por outro lado, BAHIA STELLA HOTEL LTDA é dependente e controlada, de fato, por AGATHA PATRIMONIAL S/A porque o imóvel no qual se localiza e exerce suas atividades de hotelaria, bem como, suas instalações, são de propriedade da empresa AGATHA PATRIMONIAL S/A, adquiridos de MAR ATLANTICO ADMINISTRAÇÃO LTDA, CNPJ/Nº 05.486.528/00036, por Fl. 11531DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.532 13 DAÇÃO EM PAGAMENTO de dívida no valor de R$ 1.520.000,00, conforme registro e averbação no Cartório do 7º Ofício do Registro de Imóveis e Hipotecas – SalvadorBahia, cópia de certidão anexa. Haja vista também que, durante o anocalendário de 2010, o contribuinte BAHIA STELLA HOTEL, fez diversos pagamentos a AGATHA PATRIMONIAL S/A, conforme descrito no item 1.4, acima, caracterizados como pagamentos sem causa. Concluindo, todos os indícios aqui apresentados evidenciam que se trata de um grupo econômico, onde as empresas estão claramente interligadas, cujas atividades são idênticas ou assemelhadas, conforme pode ser verificado pelos contratos sociais e alterações de cada uma delas, cópias anexas. 8 – Da Incidência da Multa Qualificada A multa de ofício está prevista na Lei nº 9.430/96, Art. 44, inciso I, cujo percentual de 75% foi duplicado em função do disposto no §1º do mesmo dispositivo legal, transcritos parcialmente a seguir, tendo em vista que o sujeito passivo praticou atos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, abaixo transcrito, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA, conforme descrito item 6.2 e 6.3 acima. (...) 9 – TRIBUTAÇÃO DA CSLL, DO PIS E DA CONFINS As infrações descritas nos 2 e 4 acima, tiveram como reflexos do IRPJ os lançamentos da CSLL do PIS e da COFINS, além dos lançamentos referidos no item 5. O crédito tributário foi constituído de ofício com multa de ofício e juros moratórios. 10 – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Considerando os fatos acima relatados, com base no artigo 124, e, por tratarse, também, de pessoa física, proprietário de fato da empresa fiscalizada, também o artigo 135, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, do Código tributário Nacional, são considerados como sujeitos passivos solidários os contribuintes abaixo, aos quais será dada ciência e entregue cópia deste relatório e de todo procedimento fiscal e seus anexos. FABIO RAMOS RIBEIRO – CPF Nº 568.723.64572 AGATHA PATRIMONIAL S/A CNPJ 07.596.615/000171 ANAPURUS PATRIMONIAL S/A, CNPJ 10.930.448/000168 Fl. 11532DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.533 14 11 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Em razão das infrações acima descritas e de acordo com o escopo deste trabalho, foi constituído de ofício o lançamento do IRPJ, com as contribuições da CSLL, do PIS e da COFINS lançados como reflexos, conforme descrito nos respectivos Autos de Infração. Todos os demonstrativos produzidos por esta fiscalização foram entregues ao sujeito passivo e Sujeitos Passivos solidários”. DAS IMPUGNAÇÕES Segundo relatório da decisão recorrida, as impugnações da autuada e dos sujeitos passivos solidários centraramse em discutir ponto a ponto os lançamentos, conforme resumo abaixo: Ø BAHIA STELLA HOTEL LTDA. i) O MPF inicialmente emitido foi cancelado pelo decurso de prazo, e ao revés da legislação pertinente, foi originado novo MPF, que importou todas as informações do MPF anterior, quando então foram lavrados os autos de infração ora impugnados. ii) Ocorre que a lavratura de novo MPF não convalida as nulidades porventura existentes na origem: a autuada não foi intimada da abertura deste novo MPF, como já não havia sido cientificada do encerramento do procedimento anterior. iii) O primeiro MPF iniciouse tendo como objeto, única e exclusivamente a fiscalização de PIS e COFINS; contudo, irregularmente, foram lavrados autos de IRPJ e CSLL (transcreve doutrina e jurisprudência). iv) Solicita a conversão do julgamento em diligência para verificação do histórico dos MPF emitidos e a regularidade da fiscalização. v) Instaurados os processos, quando ainda em curso o prazo de resposta aos autos, os autos de infração foram complementados, sem que se conhecesse qualquer fato novo e sem sequer alegar o cometimento de algum equívoco, majorando sensivelmente o crédito tributário constituído e exigindoo de diversos outros pretensos devedores, em sujeição passiva solidária. vi) No caso em tela, atribuise à impugnante a omissão de receitas e a conseqüente majoração da base de cálculo do período em análise a "um nível inverossímil, em face de aparentes e irrelevantes imprecisões contábeis". vii) A empresa informou em DIPJ um faturamento de R$ 15.751.330,77 em receita líquida e arcou com R$ 16.478.601,10 entre custos e despesas operacionais. Na percepção fiscal, seu resultado líquido foi de R$ 30.802.145,65, ao passo que seus custos não passariam de R$ 11.539.799,88. Ou seja, estarseia diante de um negócio de margem Fl. 11533DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.534 15 de lucro absurda, superior a 50%, já nos primeiros anos de sua constituição. viii) O impugnante tece extensa argumentação acerca da nulidade dos lançamentos, argumentando que quando da lavratura do auto de infração, o fisco deve descrever minuciosamente os fatos e documentos que originaram a autuação, bem como o modo de apuração do montante ali exigido (transcreve doutrina). ix) Responsabilidade solidária O fisco lastreia sua pretensão de desqualificação dos sócios da BAHIA STELLA sob a argumentação pueril da mera assertiva de que não têm capacidade financeira ou econômica para constituir empresa desse porte. Não foi observado pelo fiscal qualquer fundamento válido, apenas conjecturas e subjetivismo. x) A seguir tece extensa argumentação acerca da atividade exercida pela empresa, argumentando que não é vedado em lei que se operacionalize tal logística arregimentando bens e direitos, inclusive de terceiros, estabelecendo parcerias e contratações específicas para a finalidade empresarial. xi) Um dos elementos fundamentais para a responsabilização se baseia na ocorrência da conduta que importe em abusos, excessos ou infrações à lei, estatuto ou contrato social; não restando comprovado fato específico que importe em subsunção a tais disposições, não se cogita da pretensão do preposto fazendário xii) Grupo Econômico Esclarece que é comum no ramo hoteleiro que a propriedade de certos empreendimentos pertença a uma empresa, que nada tenha haver com outra que lhe promove a exploração da atividade hoteleira, mediante vínculo contratual que não significa confusão patrimonial, muito menos conluio ou qualquer tipo de ilicitude, nem dependência. xiii) O fato de haver pagamentos à AGATHA não caracteriza como "pagamentos sem causa", longe disso, são pagamentos lastreados em contratos de arrendamento e outras avenças que foram devidamente apresentadas ao fisco. Fraude não se presume e a prova cabe a quem alega. xiv) Do passivo não comprovado O fiscal achou por bem presumir a omissão de receitas no volume expressivo de R$ 7.858.043,42, que foram acrescidos à base de cálculo do IRPJ. Em seu entender, foram lançadas supostas obrigações, nas contas do passivo da impugnante, que não possuem lastro/origem comprovada ou cuja exigibilidade em relação à peticionaria não restou esclarecida. xv) O fiscal teceu inferências e presunções com exclusivo amparo nas escriturações contábeis por ele mesmo reputadas como inadequadas ou factualmente equivocadas. xvi) Dentre outras imprecisões, o autuante computa como receita presumidamente omitida, referente ao exercício fiscal de 2010, ante a alegada ausência de comprovação, quantias lançadas na conta de Fl. 11534DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.535 16 passivo do ano anterior. Na presunção de tais omissões, tal receita omitida deveria ser reconhecida no mesmo exercício fiscal em que o passivo fosse lançado e as próprias planilhas elaboradas pelo fisco indicam que parte do passivo reputado improvado foi lançada em exercícios anteriores aos que poderiam ser glosados pelo fisco em referência ao AC de 2010. Ilustra com jurisprudência do CARF. xvii) Fornecedores de Mercadorias Sob a rubrica "fornecedores de mercadorias" foi efetuada uma seqüência de lançamentos como passivos pendentes no decorrer do AC de 2010. Destaca que parte destes débitos foi lançada no exercício anterior, contudo, a documentação apresentada ao fisco e ora anexada à impugnação prova não só a sua existência, mas a sua quitação e a baixa do passivo declarado. xviii) Contas a pagar Os lançamentos feitos sob a rubrica de "contas a pagar" dizem respeito à compra de produtos e serviços essenciais ao regular exercício das atividades da autuada, tais como, flores e demais utensílios de decoração, transporte de funcionários seus e a manutenção de equipamentos de sua utilização. Tais despesas foram devidamente cobertas pelos pagamentos realizados a seu tempo e modo, comprovando que representavam passivo real. xix) Esta autuada mantém relação longeva e bem sucedida, pelo menos, com duas sólidas instituições financeiras, Banco Itaú e Bradesco. É praxe mais do que usual a liberação desburocratizada por tais instituições, de limites de crédito rotativo a seus clientes, inclusive sem que tais operações sejam formalizadas a qualquer título. xx) No caso da impugnante, seus bancos lhe disponibilizam empréstimos usuais que vão sendo adimplidos diretamente por seus clientes ou pela compensação dos créditos que eventualmente restem disponíveis em suas contas mantidas perante os próprios credores. xxi) Informa que já requereu junto aos bancos extratos e demais documentos a comprovar os empréstimos contraídos, requer a apresentação destes documentos em data posterior. xxii) Adiantamento de clientes No ramo da hotelaria não é raro que pretensos hóspedes solicitem suas reservas com considerável prazo de antecedência, chegando, por vezes, a antecipar o pagamento das diárias que pretende fruir. Até que fossem faturados ou devolvidos tais valores eram mantidos, por vezes, em contas do passivo, como adiantamentos. Contudo, esclarece que, contabilmente, nem sempre o procedimento correto era seguido pela profissional responsável pelas escriturações da peticionária à época. xxiii) Os lançamentos glosados trazem a discriminação exata dos clientes responsáveis pelos adiantamentos. Propugna pela realização de perícia contábil propensa a promover o encontro entre as escriturações lançadas no período em apreço de maneira a esclarecer as baixas dos lançamentos efetuados no passivo e glosados pelo fisco. Fl. 11535DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.536 17 xxiv) Esclarece que mantém contrato com uma série de terceiros que prestam serviços auxiliares à sua prestação de serviços que, solicitam antecipadamente diárias que nem sempre se consolidam. Assevera que o fato gerador do tributo é a entrada do rendimento e não a sua mera escrituração. Por fim, conclui que a potencial existência de erros de escrituração não tem o condão de criar uma realidade passível de incidência tributária. xxv) Adiantamento de clientes não identificados Em razão dos múltiplos contratos celebrados com empresários auxiliares do ramo turístico, a autuada costuma receber ostensivos valores adiantados de agencias, contratantes ou terceiros não propriamente identificados em geral. xxvi) Descreve o procedimento, mencionando que em algumas ocasiões recebe o pagamento antecipado de seus hóspedes e os encaminha a outros hotéis parceiros, perante os quais se faz devedora. Tais valores são lançados no passivo e só encontram razão para baixa quando a autuada, em contrapartida, opera em reciprocidade, faturando diárias e prestando atendimento a clientes enviados pelos parceiros com os quais tenha contato. Também são compensados tais pagamentos quando a autuada paga o valor correspondente. xxvii) Empréstimo Sócio O agente do fisco questiona uma série de saídas de capital com destino ao administrador da impugnante, uma vez que tais saídas são indevidamente escrituradas em contas do ativo como pagamentos ou empréstimos a sócios. Tais saídas referemse a adiantamento para cobertura ou ordenamento de despesas por parte do administrador ou dos gerentes desta empresa. xxviii) Menciona que tais valores eram escriturados a tal título quando disponibilizados para quitação de débitos com fornecedores ou pagamentos vários de outra natureza. O montante não utilizado era novamente revertido a crédito da empresa e era lançado em conta do passivo, em retorno do capital saído. xxix) Tratase tão somente de escrituração em conta inapropriada, impossível de ser confundida com omissão de receita por presunção legal. xxx) Empréstimo Unidade Mar Atlântico Semelhante ao tópico anterior, em que pesem as excentricidades atribuídas à profissional então responsável pela contabilidade da empresa, a situação não tem o condão de dar ensejo à apuração de receitas presumidamente omitidas em função de não comprovação do passivo. xxxi) A autuada é arrendatária do imóvel em que exerce as suas atividades. Por meio de pacto entre as duas empresas era concedido crédito pré aprovado e limitado à arrendante que, em troca, oferecialhe carência moratória para que só se obrigasse a lhe pagar o ajustado pelo uso de seu bem quando o negócio passasse a ser presumivelmente rentável. xxxii) Empréstimo Sol Barra A impugnante é franqueada do grupo que ostenta a bandeira e padrão qualitativo Sol Express Hotéis e Resorts , conforme contrato anexo. A impugnante se organiza juntamente com Fl. 11536DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.537 18 os demais franqueados da rede num pool de compras. Em função desta organização e nos termos do respectivo contrato, cujo gestor é também o administrador da impugnante, são recorrentes as relações de crédito e débito entre as empresas componentes do referido Pool, dentre as quais a impugnante e o Sol Barra Hotel. xxxiii) Os lançamentos contábeis referentes às operações em comento se compensam e se abatem, não havendo nisto qualquer irregularidade que justifique a ampliação da base de cálculo dos tributos de que é contribuinte a autuada. xxxiv) Empréstimos bancários a longo prazo Informa que necessita de prazo para fornecimento de documentação complementar a comprovar os empréstimos. xxxv) Resultado de exercícios futuros Verificando as planilhas elaboradas pelo fisco, é possível constatar que grande parte dos valores que foram creditados no Razão da autuada como "receitas de hospedagem" são oriundos não apenas de receitas de hospedagem propriamente, mas também receitas de outros serviços prestados pela autuada, como eventos, aluguéis de equipamentos, acesso à internet, uso de telefonia, lavanderia, etc, transferidos de contas específicas para a conta em tela. xxxvi) A transferência do saldo remanescente da conta "Receitas de Hospedagem" para a conta "Passivo Resultado de Exercícios Futuros" reside em dois fatores: Parte considerável dos lançamentos efetuados a título de hospedagem não se confirmaram, devido aos recorrentes cancelamentos havidos em 2010. Este fato está comprovado pelo relatório anexo, extraído do Sistema Operacional utilizado pela autuada. Parte dos lançamentos de "Receita de Hospedagem" já englobavam receitas de alimentos e bebidas, e outros serviços prestados de forma agregada e que foram lançados também em apartado por mero equívoco contábil de escrituração. xxxvii) Em síntese, o impugnante argumenta que alguns valores foram lançados em duplicidade e a contabilidade, na vã tentativa de solucionar o problema, deixou de transferilos para o "Resultado Líquido Receitas de Hospedagem" e os transferiu para "Passivo Resultado de Exercícios Futuros". xxxviii) Também foram lançadas na conta "Receitas de Hospedagem" valores de diárias reservadas que não se confirmaram posteriormente. Após o cancelamento destas reservas a contabilidade não estornou os lançamentos efetuados, transferindo tal saldo para "Passivo Resultado de Exercícios Futuros". xxxix) Multa Qualificada A multa qualificada imposta ao impugnante não pode ser exigida, tendo em vista que esta não se enquadra nas hipóteses elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. Ø ANAPURUS PATRIMONIAL S A e AGATHA PATRIMONIAL S A Fl. 11537DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.538 19 xl) As impugnantes são empresas que têm por objetivo comum a administração e capitalização de bens móveis e imóveis próprios ou de terceiros, bem como a participação em outras sociedades. Ambas estão correlacionadas em subsidiariedade integral. Desde 2010, fezse arrendante por subrogação de um imóvel explorado por Bahia Stella Hotel. xli) Ratifica as informações apresentadas pela impugnante Bahia Stella Hotel, acerca dos lançamentos cadastrados nos processos 10580.721238/201456, 10.580.728934/201493 e 10580.729420/201455. xlii) Em suas razões de impugnação, repete os mesmos argumentos já apresentados pela BAHIA STELLA HOTEL. Ø FÁBIO RAMOS RIBEIRO xliii) O impugnante é empresário e administrador profissional, graduado para tanto, com experiência no ramo de hotelaria, do qual também já foi investidor. Mantém, dentre outras atividades profissionais, um contrato de prestação de serviços de gestão com o Bahia Stella Hotel Ltda, sociedade do ramo hoteleiro. xliv) Em suas razões de impugnação, repete os mesmos argumentos já apresentados pela BAHIA STELLA HOTEL e as responsáveis solidárias ANAPURUS PATRIMONIAL SA e AGATHA PATRIMONIAL S A . DA DECISÃO RECORRIDA Manifestandose, a Turma Julgadora a quo, depois de afastar as arguições de nulidade de procedimento, irregularidades do MPF, cerceamento de defesa e pedidos de conversão do julgamento em diligência, decidiu por eliminar parte das imputações relativas a glosa de despesas por entendêlas comprovadas e, assim, deu provimento parcial ao requerido. No mais, manteve os remanescentes lançamentos de despesas cuja comprovação documental restou desatendida, assim como as infrações assentadas em passivo incomprovado e a inclusão dos sujeitos passivos solidários no pólo passivo da lide, em decisão assim formulada: “Omissão de receitas de venda e serviços 115. O fisco constatou que, na apuração de suas receitas, do saldo da conta Receita de Hospedagem, a parcela de R$ 17.161.649,35 foi transferido para crédito e apuração do "Resultado Líquido do Período Receia de Hospedagem", enquanto a parcela de R$6.135.088,87 foi transferida para a conta "Passivo Não Circulante Resultado de Exercícios Futuros Serviços de Hospedagem" que tinha saldo inicial de R$ 10.127.629,51 e passa a ter um saldo final de R$ 16.262.718,39, mantido pelo contribuinte, Fl. 11538DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.539 20 indevidamente, como receita diferida e não computado na apuração do resultado. Foram apuradas as diferenças mensais, conforme planilhas anexadas ao processo. 116. Os impugnantes argumentam que grande parte dos valores creditados na conta "Receitas de Hospedagem" correspondem a receitas de outros serviços, como eventos, aluguéis de equipamentos, lavanderia, etc, transferidos de contas específicas para a conta em tela. Quando cotejadas com a realidade dos fatos e as provas documentais que a autuada dispõe, a alegada omissão de receita não foi percebida pela autuada 117. Acrescentam que parte considerável dos lançamentos não se confirmou, devido aos recorrentes cancelamentos havidos no AC de 2010, o que se comprova pelo relatório anexo do Sistema Operacional utilizado pela autuada. 117.2 Parte destes lançamentos já englobava receitas de alimentos e bebidas, internet, etc e que foram lançados em apartado por mero equívoco contábil de escrituração. 118. A planilha à fl. 5669 foi elaborada pelo fisco considerando os lançamentos efetuados pelo contribuinte no seu Livro Razão e identifica o "Saldo Mensal Acumulado" da conta "Receita de Hospedagem" e o valor mensal transferido para a conta "Resultado de Exercícios Futuros". 119. A autuada é uma pessoa jurídica, optante pelo LUCRO REAL, e como tal, deve manter a sua escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas suas operações, nos termos do art. 251 do RIR, de 1999. A propósito, o RIR, de 1999, assim dispõe: (...) 120. De pronto, cabe esclarecer que o Lucro Real apurado pelo contribuinte está sujeito à verificação do fisco, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração. Os documentos apresentados pelo contribuinte e examinados pelo fisco indicam, com clareza, que a parcela correspondente a R$ 6.135.088,87 foi subtraída do resultado do AC de 2010, sendolhe atribuída a característica de "Resultado de exercícios futuros", sem qualquer amparo legal para tal procedimento. 120.1 Os impugnantes atribuem ao constatado pelo fisco a ocorrência de erros contábeis quando da contabilização dos fatos ocorridos, sem, contudo, apresentar qualquer comprovação documental hábil a comprovar suas alegações, limitandose a propugnar para realização de diligência/perícia para esta comprovação. 120.2 Cabe lembrar que documentos internos elaborados pelo próprio contribuinte não são hábeis a comprovar o alegado e que a escrituração mantida com a observância das disposições legais fazem prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais (art. 923 do RIR, de 1999). 121. Também é bom lembrar que ao contribuinte cabe eleger o profissional a executar a sua escrituração, de modo que, a designação de Fl. 11539DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.540 21 pessoa não capacitada tecnicamente não exime o contribuinte da responsabilidade pela escrituração executada. 122. Diante dos esclarecimentos acima, mantémse a omissão de receitas decorrentes da prestação de serviços identificadas na contabilidade da autuada conforme item 1 do Auto de Infração. Omissão de receitas por presunção legal Passivo Fictício 123. Intimado a esclarecer e documentar os saldos nas contas do passivo, a autuada não comprovou o montante de R$ 7.858.143,42, conforme Demonstrativo e Planilhas anexadas ao processo. O demonstrativo do Passivo Não Comprovado consta da fl. 6079 do processo. 124. Os impugnantes contestam a ausência de comprovação e argumentam que o fisco também computou como ausentes quantias lançadas na conta de passivo do ano anterior. Acrescenta que os lançamentos efetuados vêm sendo paulatinamente solvidos. 125. Diante do apurado pelo fisco e as alegações dos impugnantes, temse: Fornecedores de mercadorias 126 O fisco apontou passivo não comprovado a título de Fornecedores de Mercadorias no valor de R$ 1.400.666,08. Os impugnantes argumentam que os lançamentos glosados se referem à compra de alimentação estocada e utilizada no atendimento à demanda de seus clientes. Para comprovar suas alegações apresentam os documentos às fls. 10586 a 10.698. 126.1 Os impugnantes apresentam diversas notas fiscais, que alcançam a soma de R$113.690,57 no intuito de comprovar a legitimidade de um passivo de R$ 1.400.666,08 acompanhadas de diversos boletos para pagamento, sem qualquer autenticação bancária. 127. Ainda que o quantum apresentado esteja muito aquém do que se pretende comprovar, tais documentos nada comprovam. Não há qualquer comprovação de que as aquisições efetuadas no período de outubro a dezembro/2010 (data das notas fiscais) não estavam quitadas no encerramento do AC de 2010: nenhum dos boletos apresentados tem autenticação bancária comprovando a data do efetivo pagamento. 127.1 Tratase de uma omissão de receita, legalmente presumida art. 281 do RIR, de 1999 a partir da verificação da existência, na contabilidade da empresa, de passivo cuja exigibilidade não foi comprovada. Mesmo após intimado durante o curso da ação fiscal – e mesmo com a oportunidade da comprovação da exigibilidade do passivo em comento junto com a impugnação, o contribuinte não afastou a existência do passivo fictício. Esclareçase, por oportuno, que o fato gerador não se dá na data da operação que gerou o passivo, mas sim, na data da sua permanência na contabilidade. Desta feita, o passivo existente em 01/01/2010, transportado do AC de 2009, ao contrário do que pensam os impugnantes, também está sujeito à comprovação documental dentro do prazo decadencial, especialmente quando compõe o passivo existente em 2010, período da autuação. Fl. 11540DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.541 22 127.2 No caso em questão, em 31/12/2010 o balanço do contribuinte acusava um passivo de R$ 1.400.666,08, a título de Fornecedores de Mercadorias. Os impugnantes não comprovaram a sua exigibilidade, de modo que, mantémse o apurado pelo fisco. Contas a pagar 128. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Contas a pagar no valor de R$ 881.274,08. Os impugnantes repisam os argumentos do item anterior, esclarecendo ainda que "parte ostensiva dos lançamentos apontados ao presente título, em verdade, diz respeito a passivo constituído em exercício anterior". 128.1 Ratificando esclarecimentos do item anterior, tratase de uma omissão de receita, legalmente presumida a partir da verificação da existência, na contabilidade da empresa, de passivo cuja exigibilidade não foi comprovada. O passivo existente em 01/01/2010, transportado do AC de 2009, ao contrário do que pensam os impugnantes, também está sujeito à comprovação documental dentro do prazo decadencial, especialmente quando compõe o passivo existente em 31/12/2010, período da autuação. Não houve qualquer comprovação documental. 128.2 No caso em questão, em 31/12/2010 o balanço do contribuinte acusava um passivo de R$ 881.274,08, a título de Contas a Pagar. Os impugnantes não comprovaram a sua exigibilidade, de modo que, mantémse o apurado pelo fisco. Empréstimos Bancários 129. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Empréstimos Bancários no valor de R$ 1.951.753,09. Os impugnantes argumentam que apresentaram farta documentação durante a auditoria e que caberia ao fisco intimálos a solicitar junto às instituições financeiras os extratos e contratos referentes a tais negócios. Acrescenta que "é praxe a liberação desburocratizada, por tais instituições, de limites de crédito rotativo a seus clientes, inclusive sem que tais operações sejam formalizadas a qualquer título". Menciona a requisição da comprovação dos empréstimos contraídos junto às instituições financeiras, pleiteando a sua apresentação em momento posterior. 129.1 De pronto, cabe lembrar que o fisco intimou o contribuinte – formalmente conforme documento à fl. 6130 aos 13/08/2014 a comprovar o seu passivo, inclusive os referentes aos Empréstimos Bancários. 129.1.1 Os documentos comprobatórios de seu passivo existente em 12/2010 já deveriam estar à disposição do fisco desde o encerramento do período em comento. Contudo, não tomou providências para a comprovação documental solicitada, quando intimado pelo fisco em agosto/2014; nem mesmo para sua apresentação junto com a impugnação, em janeiro/2015. 129.2 Ratificase que, independentemente da legislação afeta aos procedimentos bancários, o Lucro Real apurado pelo contribuinte está sujeito à verificação do fisco, ou seja, todos os fatos contábeis constantes de sua escrituração estão sujeitos à comprovação documental e estes Fl. 11541DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.542 23 documentos devem estar à disposição do fisco quando por ele solicitado, sujeitando o contribuinte à aplicação da lei quando da sua omissão. 129.3 No caso vertente, o RIR, de 1999, não deixa dúvidas: (...) 129.4 Em síntese, não comprovada a exigibilidade do passivo, a previsão legal de omissão de receita, com a determinação do valor dos impostos e contribuições decorrentes desta omissão. Adiantamentos de clientes 130. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Adiantamento de Clientes no valor de R$ 351.712,29. Os impugnantes argumentam, em síntese, que tal passivo tem origem na especificidade da atividade exercida pela empresa, e que uma perícia contábil poderia comprovar suas alegações, considerando a sua dificuldade em identificar o passivo glosado, acrescentando que a "potencial existência de erros de escrituração não tem o condão de criar uma realidade passível de incidência tributária". 130.1 Ratificando informações anteriores, caberia ao contribuinte cuidar para que seus registros contábeis refletissem os fatos efetivamente ocorridos em sua empresa, obedecendo os princípios contábeis vigentes, mantendo em boa guarda os documentos que originaram os lançamentos efetuados. 130.1.1 Desta feita, ratificando o já anteriormente informado, não cabe ao fisco produzir provas para o contribuinte, a legislação vigente expressamente prevê a hipótese de omissão de receitas para o passivo cuja exigibilidade não se comprova. Em síntese, caberia ao contribuinte demonstrar cabalmente a exigibilidade do passivo apresentado ao fisco, e não atribuir ao fisco esta comprovação: na hipótese de previsão legal de omissão de receita, o ônus da prova cabe ao contribuinte. Adiantamentos de clientes não identificados 131. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Adiantamento de Clientes não identificados no valor de R$ 175.893,57. Os impugnantes esclarecem que "costuma receber ostensivos valores adiantados de agencias, contratantes ou terceiros não propriamente identificados em geral". Mais uma vez solicita perícia contábil para comprovação do alegado. 131.1 Nos mesmos moldes do item anterior, os impugnantes transferem ao fisco a obrigação de produzir provas a seu favor, enquanto a presunção legal atribui esta comprovação ao contribuinte. Ressaltese que, nesta hipótese em particular, nem mesmo a autuada identifica seus credores, fato que confirma a inexigibilidade do passivo em comento. Empréstimo Sócio 132. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Empréstimo Sócio no valor de R$ 354.633,94. Os impugnantes argumentam que a Fl. 11542DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.543 24 "escrituração foi bastante infeliz na escolha da rubrica empregada", considerando que "os valores eram escriturados a tal título quando disponibilizados para quitação de débitos com fornecedores ou pagamentos vários de outra natureza", e o "montante não utilizado era novamente revertido a crédito da empresa e lançado na conta do passivo, em retorno do capital saído". 132.1 Conclui que "tratase tão somente de escrituração em conta inapropriada, impassível de ser confundida com omissão de receita por presunção legal. Os valores creditados nesta conta do passivo são apropriados na correspondente conta do ativo, à qual servem de contrapartida." 133. Ainda que o passivo identificado pelo fisco seja decorrente de equívocos de escrituração, estes equívocos devem ser demonstrados e comprovados. Os impugnantes tecem apenas alegações vazias, sem qualquer comprovação documental, de modo que, o apontado pelo fisco presumese verdadeiro: passivo não comprovado. Empréstimo Unidade Mar Atlântico 134. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Empréstimo Unidade Mar Atlântico no valor de R$ 1.000.900,00. Os impugnantes argumentam que semelhante ao tópico anterior, os lançamentos feitos a título de passivo têm correspondência com uma conta análoga pertencente ao ativo, e se compensam reciprocamente. Em meados de 2010 a autuada quitou duas duplicatas da MAR ATLÂNTICO, tais pagamentos foram lançados na conta do ativo como empréstimo; no mesmo ano, quando a MAR ATLÂNTICO devolveu os valores, tal operação foi creditada na conta do passivo. 134.1 Esclarece que a autuada é arrendatária do imóvel em que exerce as suas atividades e que por meio de pacto firmado em 2008, "esta peticionária se obrigava a conceder crédito pré aprovado e limitado à arrendante, que, em troca, oferecialhe carência moratória para que só se obrigasse a lhe pagar o ajustado pelo uso de seu bem quando o negócio passasse a ser presumivelmente rentável." Para comprovar suas alegações apresenta o contrato às fls. 10.156 a 10.161. 135.1 O contrato em questão foi firmado em 01/03/2008; ou seja, até agosto/2010 a BAHIA STELLA estava dispensada do pagamento da remuneração pactuada à MAR ATLÂNTICO. Contudo, deveria oferecer ao MAR ATLÂNTICO empréstimo rotativo até o valor de R$ 5.000.000,00 para custeio das obras de manutenção do bem arrendado. 135.2 Os lançamentos constantes do Razão da BAHIA STELLA HOTEL LTDA indicam um passivo em favor da MAR ATLÂNTICO, aos 31/12/2010, no importe de R$1.000.900,00. Neste contexto, as alegações apresentadas pelos impugnantes não confirmam a exigibilidade do pretenso empréstimo em comento; ao contrário, confirmam a sua inexigibilidade. Empréstimo Sol Barra 136. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Empréstimo Sol Barra no valor de R$ 1.656.273,20. Os impugnantes argumentam que o Fl. 11543DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.544 25 fisco glosou os valores lançados no passivo do ano anterior; nos mesmos moldes da argumentação anterior, acrescentam que os lançamentos efetuados a este título se compensam, fato que pode ser comprovado pela perícia contábil que se pleiteia. 137. Ratificando informações anteriores, o passivo existente em 01/01/2010, transportado do AC de 2009, ao contrário do que pensam os impugnantes, também está sujeito à comprovação documental dentro do prazo decadencial, especialmente quando compõe o passivo existente em 31/12/2010, período da autuação. Novamente o contribuinte também transfere ao fisco a incumbência de produzir provas a seu favor: tal como já foi exaustivamente mencionado anteriormente, no caso vertente, a comprovação da exigibilidade do passivo cabe ao sujeito passivo; considerando tratarse de previsão legal, a omissão do contribuinte nesta comprovação atribui ao não comprovado a característica de omissão de receitas, com a correspondente cobrança dos tributos e contribuições dela decorrentes. Empréstimos bancários a longo prazo 138. O fisco apontou passivo não comprovado a título de Empréstimos bancários a longo prazo no valor de R$ 85.037,17. Os impugnantes repisam argumentos anteriores necessitam de mais prazo para apresentação de documentos. 138.1 Ratificando, os documentos comprobatórios de seu passivo existente em 12/2010 já deveriam estar à disposição do fisco desde o encerramento do período em comento. Contudo, não tomou providências para a comprovação documental solicitada pelo fisco, quando intimado em agosto/2014; nem mesmo para sua apresentação junto com a impugnação, em janeiro/2015. Passivo não comprovado 139 Diante de tudo acima descrito, constatase que o assunto em questão referese a uma omissão legalmente presumida a partir da verificação da existência, na contabilidade da empresa, de passivo cuja exigibilidade não foi comprovada. 139.1 No caso em questão, a autoridade tributária verificou que em 31/12/2010, final do exercício contábil, permaneciam no passivo várias obrigações que o contribuinte não logrou comprovar a sua existência. Mesmo após intimado, no procedimento fiscal, e mesmo tendo a oportunidade de manifestarse, no âmbito do contencioso administrativo, o contribuinte não afastou a existência do falso passivo. Portanto está correta a aplicação da regra prevista no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996. 140. Em síntese, para a questão em apreço, bastava o contribuinte comprovar a exigibilidade do passivo por ele consignado em sua escrituração contábil tão somente. Não o fez quando intimado pelo fisco nem tampouco com a apresentação da impugnação. Desta feita, não se pode afastar o expressamente previsto na legislação vigente: o passivo não comprovado corresponde à omissão de receitas, sujeito a tributação e lançamento de ofício nos termos da legislação vigente. Fl. 11544DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.545 26 140.1 Cabe acrescentar ainda que, nos termos do art. 288 do RIR, de 1999, constatada a omissão de receita, o valor dos tributos omitidos será apurado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração correspondente. Desta feita, sem propósito a alegação das impugnantes acerca do arbitramento do lucro na apuração dos valores devidos, ressaltando que, quem imputa imprestabilidade à sua escrituração é o próprio contribuinte: o fisco tão somente, embasado nesta escrituração, encontrou diversos fatos indicativos de omissão de receita, assim como, apuração incorreta do Lucro Real computandose despesas sem a devida comprovação documental. DESPESAS NÃO COMPROVADAS 141. Ao verificar a documentação apresentada pelo contribuinte para comprovação das despesas e custos deduzidos na apuração do Lucro Real, o fisco aponta que o sujeito passivo deixou de comprovar o montante correspondente a R$ 6.692.319,81. 142. Os impugnantes argumentam que, à época da fiscalização, o BAHIA STELLA não estava de posse de todos os meios comprobatórios solicitados. 142.1 Amenities: cosméticos disponibilizados aos hóspedes nos banheiros dos estabelecimentos de hospedagem. "A impugnante analisou todos os livros da época e identificou nos lançamentos de abastecimento do almoxarifado, o valor total do suposto débito que havia sido reconhecido pelo auditor". Menciona que fazse necessária a realização de perícia para comprovar suas alegações. 142.2 Custos com manutenção informa que armazena produtos de manutenção no almoxarifado, utilizando em cada intercorrência que o hotel venha a sofrer. Menciona que o fisco deixou de considerar um estorno de R$ 161.308,83. Ratifica a necessidade de realização de perícia contábil para comprovação de suas alegações. 142.3 Custos com alimentos e bebidas nos mesmos moldes, argumentam que também estocam alimentos e bebidas, mencionando a mesma necessidade de perícia contábil para comprovação de suas alegações. Informa a apresentação de documentos "por amostragem". 142.4 Serviços prestados por terceiros: requer novamente a realização de diligência para comprovar suas alegações, além de propugnar pela juntada posterior de novos documentos. Menciona a anexação de comprovantes. 143. Tal como já exaustivamente mencionado anteriormente, o Lucro Real apurado pelo contribuinte está sujeito à verificação do fisco; o contribuinte deve manter em boa guarda todos os documentos que embasaram sua escrituração, enquanto não transcorrido o prazo decadencial. 143.1 A comprovação das despesas deduzidas na apuração do lucro não pode ser efetuada por amostragem, o contribuinte, quando intimado, deve apresentar ao fisco toda a documentação que amparou a apuração do Lucro Real em verificação. Ratificando informações anteriores, não cabe ao fisco produzir provas para o contribuinte; neste contexto, os documentos comprobatórios das despesas deduzidas quando da apuração do Lucro Real Fl. 11545DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.546 27 já deveriam estar à disposição do fisco quando do encerramento do período de apuração. Os documentos apresentados quando da auditoria foram avaliados pelo fisco que computou como não comprovadas as despesas no valor de R$ 6.692.319,81. 143.1.1 Não foi apresentada qualquer comprovação do pretenso estorno efetuado; contudo, o contribuinte apresentou junto com a impugnação diversos documentos no intuito de validar, por amostragem, as despesas glosadas pelo fisco. Ainda que não comprovem a totalidade das despesas glosadas, verificando os documentos apresentados, temse: (...) 143.2 Em síntese, considerando a comprovação efetuada pelos impugnantes através dos documentos anexados ao processo, a glosa referente às despesas com alimentos e bebidas no valor de R$ 160.585,58 e aos serviços prestados por terceiros no valor de R$ 38.560,28 deve ser cancelada e consequentemente recomposta a apuração do IRPJ/CSLL apurados pelo fisco. 143.3 Os lançamentos referentes ao PIS e a COFINS constantes deste processo têm origem unicamente na omissão de receitas. Considerando que as razões apresentadas pelo impugnante não afastaram a omissão de receitas apontadas pelo fisco, os lançamentos efetuados para o PIS e a COFINS mantêmse inalterados. 143.4 Os impugnantes mencionam a inclusão de alguns débitos do PIS e da COFINS em parcelamento de débitos; contudo, não identifica quais débitos nem apresenta a comprovação da formalização deste parcelamento. Cabe esclarecer que eventuais pagamentos ou confissões de débitos de PIS e COFINS já apurados pelo contribuinte mas não declarados em DCTF serão avaliados no processo próprio, o de nº 10580.728934/201493, que trata especificamente do lançamento do PIS e COFINS já apurados pelo contribuinte. Multa qualificada 144. Os impugnantes rechaçam a aplicação da multa qualificada de 150%, argumentando, em síntese, que o comportamento da autuada não se enquadra nas hipóteses elencadas nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Alega que quem apresenta sua escrituração contábil sem qualquer restrição, declara e parcela seus débitos não tem intenção de fraudar/e ou sonegar tributos. 144.2 A situação fática do processo que originou a qualificação da multa consta do Termo de Verificação Fiscal: o contribuinte utilizouse de interpostas pessoas, JAMILTON PINTO VELOSO e JILMA DOS SANTOS PUREZA como sócios da autuada, enquanto os fatos e circunstâncias do processo indicam que o sr. FÁBIO RAMOS RIBEIRO é o, ou um dos, verdadeiros donos do negócio. 144.2.1 Os impugnantes contestam o alegado, argumentando que o Sr. JAMILTON e a Sra. JILMA são sócios de fato e direito, que investiram em um negócio e que, sem tino comercial e experiência para gerilo, contratou profissional experiente que o fizesse. Fl. 11546DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.547 28 145. Constatouse, ao longo da auditoria os seguintes fatos: • O pretenso sócio JAMILTON, em declaração apresentada ao fisco à fl. 6124, informa que integralizou a sua participação na sociedade, no importe de R$900.000,00, em dinheiro, montante que conseguiu poupar oriundo de diversos negócios lícitos. • As declarações de Imposto de Renda apresentadas pelo Sr. JAMILTON ao fisco não tem qualquer informação acerca de rendimentos ou patrimônio e não exerce nenhuma atividade na empresa BAHIA STELLA HOTEL LTDA. • O Sr. FABIO RAMOS RIBEIRO detinha procuração com amplos poderes de gestão na BAHIA STELLA HOTEL LTDA, inclusive movimentação bancária. • Enquanto não foram identificadas saídas de numerário ao Sr. JAMILTON ou para a Sra. JILMA, foram identificados diversos lançamentos referentes a transferência de numerário ao Sr. FÁBIO RAMOS RIBEIRO. 145.1 Os fatos acima descritos indicam que JAMILTON e JILMA não são os reais sócios da empresa BAHIA STELLA HOTEL, senão por outras razões, eles não detêm ou detiveram disponibilidade econômica para "investir" em empreendimento desta envergadura. Considerando todos os fatos identificados no curso do procedimento, constatase que todas as atividades de gestão foram exercidas pelo Sr. FÁBIO RAMOS RIBEIRO que, inclusive recebia da empresa em questão significativo numerário, bem superior ao constante do contrato de prestação de serviços apresentado ao fisco. 146. Enfim, no caso específico deste processo, constatase que os sócios que constavam do Contrato Social são pessoas interpostas por terceiros. Este fato, por si só já comprova a fraude cometida pelos agentes; os demais fatos apontados pelo fisco que culminaram na lavratura dos autos de infração em análise indicam que a fraude cometida objetivava impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo fisco. E ainda, considerando os atos identificados no transcorrer do processo, também constatase o ajuste doloso de diversas pessoas, naturais e jurídicas, nos procedimentos executados para evitar ou diferir o pagamento dos impostos e contribuições devidos. 147. Desta feita, diferente do alegado pelo impugnante, a presença da fraude, sonegação e do conluio podem ser observadas ao longo de todo o procedimento, de modo que, a multa qualificada aplicada pelo fisco está em total acordo com as disposições contidas na legislação vigente. Multa qualificada confisco, proporcionalidade e razoabilidade 148. Os impugnantes argumentam que a multa aplicada é confiscatória e não atende aos princípios de proporcionalidade e razoabilidade previstos na Constituição Federal. (...) Fl. 11547DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.548 29 Nos termos da Constituição Federal, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. (...) Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar quaisquer aspectos de validade da norma, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição. (...) Responsabilidade Solidária 151. Os impugnantes contestam a responsabilização solidária efetuada pelo fisco, argumentando que, os procedimentos adotados pela autuada são corriqueiros no ramo de atividade exercida, e que o fisco não comprovou as condutas de abusos, excessos, ou infrações à lei , estatuto ou contrato social, fundamentais para a responsabilização. 152. A responsabilização do Sr. FÁBIO RAMOS RIBEIRO está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN; as empresas AGATHA PATRIMONIAL S.A. e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A foram responsabilizadas ao amparo do art. 124, inciso I, do mesmo CTN. 153. Os dispositivos legais apontados pelo fisco: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II. os mandatários, prepostos e empregados; III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 153.1 O art. 124 do CTN determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; acrescentese que, a responsabilidade atribuída pelo art. 124 independe de qualquer atividade de gestão, basta o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; no presente caso, o interesse em questão está plenamente comprovado com o recebimento de recursos financeiros sem causa comprovada. 153.1.1 Cabe ressaltar que, apesar de não figurar oficialmente como sócias da autuada, as empresas AGATHA PATRIMONIAL S.A. e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A estiveram envolvidas sistematicamente nas atividades da BAHIA STELLA HOTEL, quer seja no fornecimento de toda estrutura necessária para o seu funcionamento, sem contrapartida oficial no período mínimo de 30 meses carência conforme contrato quer seja através de seu controle operacional, sendo que, todos os envolvidos AGATHA, ANAPURUS E FÁBIO – ao contrário dos sócios constantes do contrato social beneficiaramse das atividades desenvolvidas pela entidade, Fl. 11548DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.549 30 com o recebimento de recursos financeiros substanciais freqüentes e sem causa comprovada. 153.2 Por outro lado, quanto ao responsável FÁBIO RAMOS RIBEIRO, além do art. 124 do CTN, tendo em vista as atividades de gerência exercidas no período da autuação, com violação à legislação vigente e ao contrato social quando utilizase de interpostas pessoas na constituição da sociedade, a responsabilidade solidária também encontra previsão no art. 135 do CTN. 153.3 Diante dos documentos constantes do processo, dos fatos apurados pelo fisco no curso da ação fiscal e os dispositivos legais acima transcritos, utilizados pelo fisco na responsabilização questionada, não há como afastar a responsabilidade solidária dos impugnantes que, incontestavelmente beneficiaramse das transferências financeiras efetuadas pela autuada, de forma continuada, sem apresentar a comprovação da sua causa, configurando o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal – a responsabilidade tributária atribuída aos impugnantes são decorrentes de expressa determinação legal e não pode ser afastada. (...) Conclusão 157. Concluindo, diante de tudo acima exposto, VOTO por julgar PROCEDENTES EM PARTE as impugnações, para: • REJEITAR a preliminar de nulidade. • INDEFERIR a juntada de novos documentos e a realização de perícia ou diligência. Quanto ao mérito, REDUZIR o crédito tributário referente ao IRPJ e a CSLL nos seguintes termos: (...) • REDUZIR o lançamento referente ao IRPJ ao valor de R$ 5.092.565,68, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora correspondentes. • REDUZIR o lançamento referente à CSLL ao valor de R$ 1.840.609,51, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora correspondentes. • MANTER inalterados os lançamentos referentes ao PIS e à COFINS”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme informação da autoridade preparadora, a cientificação da contribuinte e dos sujeitos passivos solidários ocorreu em (fls. 11507): Fl. 11549DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.550 31 Em 16/06/2015, a autuada e os sujeitos passivos solidários interpuseram recurso voluntário único e conjunto (fls. 11419/11480), no qual, basicamente, repisam os argumentos expendidos nas impugnações, reiteram ter havido nulidade no procedimento, requerem a exclusão dos coobrigados do pólo passivo, dissertam sobre os conceitos de grupo econômico, trazem doutrina e jurisprudência e apregoam ter havido cerceamento de defesa por indeferimento do pedido de diligência, que, “o combatido acórdão preteriu o direito de defesa da ora Recorrente, indo de encontro, inclusive, à doutrina pátria e à jurisprudência dominante, sob o simplório e lacônico argumento de que os documentos deveriam estar em posse da Recorrente” (RV – fls. 11479 – negrito no original), e finaliza requerendo perícia contábil, juntada posterior de documentos de que "não dispunha quando da apresentação da Impugnação" e provimento do recurso. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 11550DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.551 32 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Considerando a informação da autoridade preparadora às fls. 11507, o presente Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Tendo em vista as várias nulidades arguidas em preliminares pelos recorrentes, passo a examinálas precedentemente ao mérito. De pronto, afasto a preliminar de nulidade da peça acusatória aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Comprovadamente, o Auditor que presidiu o procedimento e seu supervisor são servidores de carreira, integrantes dos quadros da Receita Federal e competentes, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Ora, sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF2 (Decreto nº 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Ademais, ao reverso do entendimento dos recorrentes, os dois Relatórios Fiscais, os autos infração, os termos lavrados e a mais de uma dezena de milhar de documentos acostados autos permitem uma ampla, detalhada e exaustiva visão daquilo que o Fisco imputou aos autuados e responsabilizados, sem cometimento de qualquer mácula que pudesse afetar o procedimento. 2 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 11551DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.552 33 Dentro do mesmo item do RV, os recorrentes pontuam (fls. 11435) que teria havido nulidade nos lançamentos porque "...a base de cálculo [da CSLL e do IRPJ] não são, e, nem podem ser, a receita bruta dos contribuintes", e que, "logo, o arbitramento do lucro não poderia ser composto pela totalidade da receita, ou da movimentação financeira realizada, ou equivocadamente escriturada pelos contribuintes". Para rematar que, "a suposta receita omitida impõe o dever a autoridade fiscal de realizar o efetivo arbitramento dos lucros com base nos parâmetros legais, para se levar à tributação apenas um percentual da receita tida como imitida, mas nunca a sua integralidade, sob pena de violação aos Arts. 24 da Lei 9249 de 26 de dezembro de 1995 e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999". Ora, em primeiro lugar, os lançamentos foram perpetrados EXATAMENTE na forma reclamada pelos recorrentes, ou seja, em estrita obediência ao artigos acima referidos, valendo reproduzir o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, alíás, fonte do outro dispositivo invocado (art. 288, do RIR/1999). Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Significa que, jamais se fez qualquer "arbitramento", como citado pelos recorrentes no RV, ao contrário, como o regime de tributação adotado pela Bahia Stella Hotel Ltda., no anocalendário de 2010 (exercício/2011), foi o do "lucro real anual" (cf. DIPJ fls. 6137), esta sistemática foi a utilizada corretamente pelo Fisco na consecução dos lançamentos, em submissão ao art. 24, da Lei nº 9.249/1995, antes reproduzido. Situação que, na forma do § 2º, do mesmo dispositivo, aplicase ao PIS e à COFINS. Afasto, pois a nulidade suscitada acerca deste ponto. De outro lado, melhor sorte não socorre os litigantes quando investem sobre um possível cerceamento de defesa. Sem maiores delongas, basta uma vista d´olhos aos autos para se perceber, sem qualquer dificuldade, que foram dadas aos interessados todas as possibilidade de exercício do contraditório, sem nenhum óbice, expondo seus argumentos e podendo produzir as provas entendidas necessárias, tanto que laboraram amplas e diversificadas impugnações ao longo do processo, contendo centenas de folhas (nº 9888 a 9949 / 9950 a 10141 / 10774 a 11021 e 11050 a 11297), ou seja, puderam expender longos e bem articulados arrazoados em primeiro instância e, neste segundo estágio, mais um recurso composto de 62 folhas. Fl. 11552DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.553 34 Digase, espaço e oportunidade para o lídimo exercício do direito de defesa não faltou. Talvez tenha faltado, sim, a entrega de documentos comprobatórios das alegações feitas nas peças vestibulares e complementares de defesa. Mas este é tema para o mérito. Mais a mais, não restou defeso aos recorrentes que apresentassem novos documentos (cf. requerido na impugnação por diversas vezes), o que demonstra a impropriedade da alegação de cerceamento de defesa. Todavia, mesmo requerido – e não proibido – tais documentos jamais vieram aos autos, não se podendo imputar ou confundir eventual omissão dos interessados com cerceamento de defesa. Não se olvide, ademais, que o procedimento fiscal iniciouse em 19/04/2013 (cf. Termo de Início de Fiscalização – fls. 6092/6093) e encerrouse em 26/11/2014 (Termo de Encerramento – fls. 6135/6136), ou seja, mais de 18 meses, tempo mais que suficiente para que se recolhesse, pesquisasse, procurasse, requisitasse e apresentasse os documentos e registros requeridos pelo Fisco, sem contar as inúmeras oportunidades concedidas (v. fls. 6117/6118/6121/6122/6126/6130/6132) para que a fiscalizada se manifestasse e respondesse as intimações. Com isso, fulminamse os argumentos dos recorrentes de que o suposto cerceamento se materializaria pelo indeferimento do pedido de diligência (“o combatido acórdão preteriu o direito de defesa da ora Recorrente, indo de encontro, inclusive, à doutrina pátria e à jurisprudência dominante, sob o simplório e lacônico argumento de que os documentos deveriam estar em posse da Recorrente” (RV – fls. 11479 – negrito no original). Afinal, para que serviria a diligência se não para executar aquilo que deveria ter sido executado, apresentado e respondido pelos interessados durante longos meses de fiscalização e mesmo durante a fase litigiosa, o que, até o momento, inocorreu? De toda sorte, a diligência pretendida se mostra dispensável posto que presentes nos autos informações que permitem o julgamento. Finalmente, acerca de eventuais irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que maculariam os lançamentos e provocariam suas nulidades, a decisão recorrida detalhadamente enfrentou o ponto, posição com a qual concordo e adoto como razões de decidir. E, adicionalmente, acrescento. Está pacificado o entendimento na jurisprudência administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), seja ele de Fiscalização, de Diligência ou Especial, prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal, embora também permita aos contribuintes aferir se a ação fiscal que se realiza é realmente originária do órgão tributário, se o servidor é da carreira de auditoria, quais são os tributos envolvidos, período, etc. Ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, SEM, JAMAIS, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 11553DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.554 35 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. Todavia, como dito, estas ocorrências em nada alteram a competência do servidor, fixada por lei, assim como em nada modifica a presteza e qualidade das informações que devem ser disponibilizadas pelos contribuintes sob procedimento fiscal (de diligência ou de fiscalização), máxime porque a obrigatoriedade de prestar referidas informações e exibir livros e documentos não advém de simples Portaria (e nem do MPF), mas de norma legal plenamente vigente (RIR/1999, com os fundamentos legais discriminados ao final de cada artigo): Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Bem a propósito, jurisprudência do CARF a respeito: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão nº 20180670 – Relator Maurício Taveira e Silva) E, para que não pairem dúvidas sobre a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal para diligenciar e fiscalizar os contribuintes, observemse os seguintes artigos do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1.999): Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do Fl. 11554DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.555 36 imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Em suma, o MPF não é o meio hábil para se considerar iniciada, continuada ou finalizada uma fiscalização, mas instrumento de controle da RFB e que, disponibilizado ao contribuinte, permitelhe conhecer detalhes do procedimento que será levado a efeito em seu estabelecimento. Só isso. É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – PRORROGAÇÃO – VALIDADE – A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nºs 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez –Acórdão nº 101 96351). Do mesmo modo: Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão nº 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Igualmente, os Acórdãos nºs 10809653, Relator Cândido Rodrigues Neuber; 10248948, Relator José Raimundo Tosta Santos; 10422515, Relator Antonio Lopo Martinez. Dito isto, resulta claro que, sendo mero instrumento de controle, NADA TEM A VER, inversamente ao pensar da defesa, com os termos lavrados e emitidos sob a égide do Fl. 11555DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.556 37 PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), posto que tal norma reguladora (com status de lei), “Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências”, conforme consta de seu preâmbulo, enquanto que o MPF, sob a égide da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011, vigente à época da ação fiscal (depois substituída pela Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014, em vigência no momento dos lançamentos, mas com o mesmo teor), literalmente “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Pela pertinência com o caso apreciado, vejase a seguinte decisão do CARF (à época, Conselho de Contribuintes): MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF nº 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderesdeveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto nº 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo (Processo nº 16327.002075/200252 – 3ª Câmara – 1º Conselho de Contribuintes – Sessão em 28/02/2007 – Relator Flávio Franco Corrêa – Acórdão 10322886). Acresçase ainda que, ao revés do afirmado pelos recorrentes (fls. 10782), o MPF nº 05.1.01.00201300221 não foi cancelado e estava com plena validade quando da lavratura dos autos de infração, como se vê na reprodução abaixo, com os detalhes principais (pesquisa realizada por este Relator no site da RFB em setembro/2016): Fl. 11556DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.557 38 Pelo exposto, rejeito todas as nulidades suscitadas em preliminares. Passo ao mérito. MÉRITO A discussão de mérito é travada em cinco frentes claramente definidas, a saber: 1. omissão de receitas de venda e serviços – infração nº 0001 do AI de IRPJ (fls. 6258) – item 2 do Relatório Fiscal; 2. omissão de receitas passivo fictício – infração nº 0002 do AI de IRPJ (fls. 6258/6259) – item 4 do Relatório Fiscal; 3. despesas não comprovadas – infração nº 0003 do AI de IRPJ (fls. 6259/6260) – item 3 do Relatório Fiscal – item 3 do Relatório Fiscal; 4. multa qualificada de 150% AI de IRPJ (fls. 6258/6260) – item 8 do Relatório Fiscal; e, Fl. 11557DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.558 39 5. responsabilidade solidária de FABIO RAMOS RIBEIRO – CPF Nº 568.723.64572, AGATHA PATRIMONIAL S/A CNPJ 07.596.615/000171, e, ANAPURUS PATRIMONIAL S/A, CNPJ 10.930.448/000168 (TVF – fls. 6306) – item 10 do Relatório Fiscal. Passo ao exame individualizado de cada um dos tópicos. DA OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS (infração nº 0001) Segundo o Fisco (RF – fls. 6301): “2 RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS Na apuração das suas receitas o contribuinte utiliza a conta “Hóspede na Casa”, código 1.01.02.01.01.01, do Ativo Circulante, onde são debitados durante o ano calendário de 2010 lançamentos no total de R$ 26.007.411,94, uma parcela deste valor igual a R$ 23.447.236,18 tem como contrapartidas várias contas do Passivo – Resultados de Exercícios futuros, com os títulos de Receita de Diárias, Receita de A & B e outras, códigos 2.03.01.01.xx.01, o saldo destas são transferidos e consolidados na conta, do mesmo grupo, Receita de Hospedagem, código 2.03.01.01.12.01 e desta, apenas, o valor de R$ 17.161.649,35 é transferido para crédito e apuração do Resultado Líquido do Período – Receita de Hospedagem, código 3.01.01.01.11.01, à parte alguns lançamentos de ajustes, a diferença de R$ 6.135.088,87 é transferida para outra conta do Passivo Não Circulante – Resultado de Exercícios Futuros – Serviços de Hospedagem, código 2.02.02.01.01.01, esta conta que tinha um saldo inicial de R$ 10.127.629,51 passa a ter um saldo final de R$ 16.262.718,39, mantido indevidamente pelo contribuinte como uma receita diferida e não computado na apuração do resultado, pelo que foram apuradas as diferenças mensais, conforme planilhas números 2A1, 2A2, 2B, 2C, 2D e Demonstrativo 2B anexos, extraídos do Razão contábil do contribuinte”. Segundo a melhor doutrina3, “Resultados de Exercícios Futuros” é o grupo contábil que “tem criado grandes divergências de interpretação quanto a seu exato significado e conteúdo, ou seja, quanto às contas de que se compõe e em que hipótese deve ser usado (...) e seu objetivo é abrigar receitas já recebidas que efetivamente devem ser reconhecidas em resultados em anos futuros, daí sua intitulação (...), ou seja, resultados futuros recebidos, mas para os quais não haja qualquer tipo de obrigação de devolução por parte da empresa” (destaques no original dos autores). Prosseguem os renomados doutrinadores contábeis: “Em função do exposto é, portanto, mais fácil achar exemplos de itens que não devem integrar os Resultados de Exercícios Futuros do que exemplos realmente corretos de aí classificar. Vejamos, portanto, algumas operações não classificáveis nesse grupo. (...) Na hipótese de valores recebidos de clientes por conta de mercadorias a entregar ou serviços a prestar, tais montantes representam, antes de mais nada, uma obrigação da empresa em produzir ou entregar tais itens. Logo, sua classificação adequada e única é no Passivo Circulante ou Exigível a Longo Prazo”. (sublinhouse). 3 Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, in “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (Aplicável às Demais Sociedades) Atlas – SP 2006 – 6ª Ed. – pgs. 284/285). Fl. 11558DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.559 40 Na via oposta, assentam os professores o que deve ser incluído neste grupo contábil: “Podese perceber que o grupo Resultados de Exercícios Futuros é de utilização muito restrita, pois só deverão dele constar valores recebidos que não serão, em hipótese alguma, devolvidos pelas empresa, nem representam obrigação qualquer de sua parte de entregar bens ou serviços”. (negritouse e sublinhouse). Já Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi4, escrevendo acerca de “receitas recebidas antecipadamente”, pontuam que, “quanto à escrituração dessas receitas, se no Resultado de Exercícios Futuros ou no Passivo Exigível, a controvérsia é grande (...). A boa técnica contábil recomenda que o valor da receita recebida antecipadamente deva ser registrado no Passivo Exigível quando estiver sujeito à devolução”. (destacouse). Segundo publicação estampada no site http://www.iob.com.br, de 21/07/2005, a chamada conta de “Resultados de Exercícios Futuros” tem aplicação restrita a situações “muito específicas”, por isso, “em alguns casos são contabilizados nesse grupo valores que, na verdade, pertencem ao Passivo Circulante ou ao Passivo Exigível a Longo Prazo”. E acrescenta que, “de acordo com a doutrina dominante, uma receita é considerada como de exercício futuro quando a) corresponder a recebimento antecipado que, efetivamente, contribuirá para a formação de resultado de exercício futuro, e, b) o valor assim recebido não foi passível de devolução pela empresa (...) nem estiver vinculado a futuro fornecimento de bens ou prestação de serviços (pois, nesse caso, representaria um adiantamento de clientes, classificável no Passivo Circulante ou Exigível a Longo Prazo”. Para concluir ser “relativamente remota a possibilidade de recebimento de uma receita com tais características”, e que, “a utilização do grupo (...) fica limitada a poucas situações”. E a respeito da obrigatoriedade da devolução de valores pagos por reservas antecipadas em hotéis, vejase a jurisprudência: TJRS Recurso Cível 71003626793 RS (TJRS) Data de publicação: 28/03/2013 Ementa: REPARAÇÃO DE DANOS. RESERVA ANTECIPADA EM HOTEL, REALIZADA VIA INTERNET. DEVOLUÇÃO DAS DIÁRIAS NÃO USUFRUÍDAS. CONTRATO REGIDO PELO CDC . INVIABILIDADE DE CLÁUSULA ABUSIVA. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. Havendo o autor comprovado o pagamento antecipado e integral do valor correspondente a cinco diárias no estabelecimento da demandada e tendo usufruído apenas uma, cabível a devolução, de forma simples, da importância correspondente às demais, qual seja, R$ 721,68. A restituição se dá de forma simples, considerando que a autora deu causa ao cancelamento das reservas. Cláusula que prevê a perda total do montante pago em caso de desistência que se mostra abusiva, a teor do que preceitua o art. 51 , inc. II , do CDC . Dano moral, todavia, que não se legitima. O mero descumprimento do contrato, no entanto, só acarreta a reparação por danos morais excepcionalmente, conforme entendimento assentado em Encontro de Juizados Especiais Cíveis e Criminais promovido na cidade de Gramado em maio de 2005. No caso em comento, não foi comprovado dano aos atributos de personalidade da requerente. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Recurso Cível Nº 71003626793, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Marta Borges Ortiz, Julgado em 26/03/2013) 4 Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática – IUR Publicações Ltda. – SP – 35ª Ed. 2010 – pgs. 221/222. Fl. 11559DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.560 41 Feitas estas ponderações conceituais, insta ver o que consta dos autos. De acordo com o recurso voluntário (fls. 11465), os recorrentes asseveram que: “Cumpre esclarecer ainda que foram lançados na conta de “Receitas de Hospedagem” valores de diárias que haviam sido reservadas e constavam no sistema operacional da Recorrente quando de sua escrituração, mas que não se confirmaram posteriormente, seja pelo cancelamento integral da reserva ou pela redução do período já no curso do inicialmente reservado”. “Após o cancelamento dessas reservas, entretanto, a contabilidade não deu o tratamento adequado para estornar os lançamentos efetuados e simplesmente deixou, por um lapso, acumular um saldo de receita de reservas que não correspondia ao efetivamente vendido, faturado e recebido pela empresa”. Ou seja, para tentar contrapor o trabalho fiscal, foram trazidas meras alegações e atribuição de supostos “erros” contábeis cometidos pelo profissional responsável pela escrituração. Na verdade, para que o montante questionado pudesse estar registrado no grupo de “Resultados de Exercício Futuros” deveria conter todos os preceitos e requisitos retratados neste voto, com fulcro na mais abalizada doutrina contábil brasileira. Não contém. De outra parte, a alegação de que os lançamentos foram registrados equivocadamente, em virtude dos “inegáveis equívocos operacionais crassos incorridos pela contabilidade da Autuada” (RV – fls. 11465 – último parágrafo), em nada aproveita à defesa, posto que, por elementar, sendo a recorrente uma pessoa jurídica, optante pelo LUCRO REAL, deve manter a sua escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas suas operações (art. 251 do RIR, de 1999). E, bem a propósito, o mesmo diploma regulamentar estabelece: Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). Portanto, não conseguindo demonstrar os motivos pelos quais vultosos valores foram escriturados na conta de “Resultados de Exercícios Futuros” e, mais ainda, sendo absolutamente consolidado no segmento de hotelaria que reservas feitas antecipadamente sujeitamse a devolução por parte da empresa caso o hóspede não possa usufruir de tal serviço pago de forma antecipada (observadas as regras legais e contratuais vigentes), tais recebimentos antecipados e indevidamente contabilizados em “Resultados de Exercícios Futuros” deveriam estar registrados no “Passivo Circulante” ou no “Exigível a Longo Prazo”. Se não estavam, de duas, uma, i) ou tais reservas já tinham sido utilizadas pelos hóspedes que as fizeram, por isso não figuravam mais no Passivo e, assim, seriam receitas efetivas e como tal deveriam tido contabilizadas e submetidas à tributação na época oportuna; ou, ii) não comportavam tal definição e, desta forma, estariam equivocadamente lançada em tal rubrica contábil. Fl. 11560DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.561 42 De qualquer modo, caberia aos recorrentes esta demonstração, afinal os dados foram extraídos pelo Fisco de sua própria contabilidade. Se esta estava “errada”, como reiteradamente sustenta a defesa, este erro poderia ter sido corrigido e suficientemente demonstrado, bastando, para tal desiderato, que os recorrentes trouxessem a contabilização da efetiva utilização de hospedagem pelos clientes que teriam feito tais antecipações. E esta demonstração, por óbvio, além de estar presente na contabilidade, deveria ser suportada por documentos pertinentes (notas de hospedagem, por exemplo) e sempre em períodos posteriores a tais “antecipações”, feitas, conforme registro na conta de Resultados de Exercícios Futuros da empresa, em 2010 ou anos anteriores e para utilização “futura”. Esta comprovação – simples, corriqueira e rotineira para qualquer empresa minimamente organizada contabilmente – não só “corrigiria” os equívocos contábeis alegados, como destruiria a linha de pensamento do Fisco e sustentaria a tese da autuada. Como as antecipações teriam ocorrido em 2010 (ou antes) e o calendário já está em 2016, é de se supor que as reservas realizadas já foram todas “utilizadas” pelos hóspedes ou, na melhor das hipóteses foram canceladas e seus valores devolvidos. De um jeito ou de outro, uma comprovação que não exigiria qualquer esforço para ser feita pelos recorrentes, dado o longo período entre o ano fiscalizado e este julgamento. Ou seja, confirmada a presença do hóspede ou a devolução do dinheiro antecipado, a comprovação seria elementar (pela nota de hospedagem ou pelo desencaixe da devolução). Mesmo porque, embora teoricamente isso possa ser possível, não parece, na prática, seja viável, lógico e natural que clientes façam aportes para antecipar reservas e não as utilizem durante os seis anos seguintes ou não peçam o reembolso, caso delas desistam. Em face desta posição, não havendo qualquer registro ou documento comprobatório, mas apenas alegações, o trabalho fiscal ficou robustecido e deve ser mantido. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO (infração nº 0002) De acordo com o RF e os autos de infração, a irregularidade acima referida teve o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95, Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. Pois bem, como é sabido, em quaisquer das hipóteses elencadas pela norma substantiva, no caso, o artigo 281, do RIR/19995, estáse diante de uma “presunção legal”, situação que leva a um descompasso com a regra jurídica geral (que impõe ao acusador o ônus de provar o que afirma – Código de Processo Civil, art. 333, I – Código vigente, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, art. 373, I), deslocando para o acusado a obrigação de demonstrar 5 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 11561DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.562 43 a correção de seu procedimento, sob pena de ver aquilo que era “presumido”, se tornar real e definitivo, caso não contrapostas provas robustas que infirmem tal presunção. Em outras palavras, presente a “presunção”, ao Fisco só cabe trazer os indícios que a expõe ao mundo jurídico, momento em que o onus probandi se reverte em desfavor do sujeito passivo, que dele deverá se safar, com os meios legais e documentais possíveis, sob pena de ver aflorar o fato gerador que estava latente, surgir a obrigação tributária respectiva e a subseqüente constituição do crédito tributário, via lançamento. Ainda em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (juris tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, a Fiscalização pode lançar mão da figura da presunção legal, como nos casos de omissão de receitas, oportunidade em que resta provocada, como dito, a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao Fl. 11562DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.563 44 contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil, art. 333, II – atualmente, art. 373, II). Neste cenário, certo que a presunção legal trazida pelo artigo 281, do RIR/1999, não é absoluta, antes comporta a possibilidade de a acusada elidir o trabalho do Fisco de perpetrar os lançamentos calcados na hipótese prevista no referido dispositivo, DESDE QUE carreie aos autos documentos, livros e comprovantes que destruam a pretensão da Autoridade Fiscal, visto que, como dito, a presunção tem cunho de relatividade. Pois bem, a análise dos documentos que compõem todo o presente processo administrativo, desde os Termos e Intimações emitidos pela Fiscalização, passando pelas respostas da contribuinte, os autos de infração, o Relatório Fiscal, o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, as diversas impugnações e os documentos juntados por ambas as partes, até se chegar a esta fase do julgamento, pósrecurso voluntário, mostra que a presunção não restou elidida. De fato, como exaurido pela decisão recorrida, para se contrapor às imputações feitas pela Fiscalização, os recorrentes limitaramse a desfilar longo arrazoado – bem concatenados, digase – mas mero arrazoado, sem o principal, ou seja, a juntada de documentos coincidentes em datas, valores ou contemporâneos aos fatos que pudesse elidir o trabalho fiscal. Mais, buscaram os recorrentes transferir à responsável pela escrituração da empresa, os possíveis “equívocos” que geraram a exteriorização do passivo fictício, por força de lançamentos contábeis indevidos, como se tal ocorrência, se havida, pudesse transmudar os fatos, sempre lembrando que, também nesta hipótese, não vieram provas aos autos. Como bem esmiuçado pela decisão recorrida, todos os itens do passivo imputados como fictício foram alvo de manifestação por parte dos recorrentes, porém, como igualmente apontado, faltou o principal, na verdade, faltou aquilo que era essencial e, basicamente, o único instrumento de que poderiam dispor os acusados para destruir a presunção legal a eles impingida: os documentos probantes da correção de seu procedimento. Estes não vieram aos autos! E tempo para tal comprovação não faltou, afinal, entre a data do início da ação fiscal e este julgamento já se passaram mais de 40 meses. Só a título de reforço do pensamento e de forma exemplificativa, vejase que os recorrentes alegaram que a rubrica “Contas a pagar” comportaria as compras de produtos e serviços essenciais ao regular exercício de suas atividades, tais como, flores e demais utensílios de decoração, transporte de seus funcionários e a manutenção de equipamentos de sua utilização e que tais despesas foram devidamente cobertas pelos pagamentos realizados a seu tempo e modo, comprovando que representavam passivo real. Pois bem, onde estão os documentos comprobatórios destes pagamentos? Na mesma linha, em relação à conta “Empréstimos Bancários”, sustenta ter “relação longeva e bem sucedida, pelo menos, com duas sólidas instituições financeiras, Banco Itaú e Bradesco”, e que é “praxe mais do que usual a liberação desburocratizada por tais instituições, de limites de crédito rotativo a seus clientes, inclusive sem que tais operações sejam formalizadas a qualquer título”. Se tal assentamento é verdadeiro – e é possível presumir que seja , onde estão os contratos e documentos comprobatórios dos empréstimos e de suas quitações? Porque, se é crível que tal relacionamento possa existir, não é menos crível que Fl. 11563DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.564 45 instituições financeiras deste porte possam realizar operações de financiamento sem se resguardarem com as óbvias garantias de um contrato de financiamento assinado pelas partes. Ademais, à acusação feita pelo Fisco de não estarem comprovados empréstimos da ordem de R$ 1.951.753,09, os recorrentes, ainda em impugnação, argumentaram ter apresentado farta documentação durante a auditoria e que caberia ao fisco intimar as instituições financeiras para apresentar os extratos e contratos referentes a tais negócios. Ora, embora isso possa ocorrer em procedimento de “circularização” quando se busca ratificar ou confirmar um determinado valor ou correção de procedimento, não retira do fiscalizado a OBRIGAÇÃO de disponibilizar tais documentos à Autoridade Fiscal, quando intimado, o que foi feito no curso da ação fiscal. E isso ocorreu regularmente em 13/08/2014 (fls. 6130) quando o Fisco intimou a contribuinte a comprovar o seu passivo, inclusive a conta Empréstimos Bancários, e, mesmo tendo requerido prazo para cumprir o requisitado, tais comprovações jamais vieram aos autos, nem no curso da fiscalização, nem quando da impugnação. Situação que se repetiu neste RV (fls. 11463), quando os recorrentes, aduzindo os mesmos argumentos, exprimiram ser “preciso que se dê a Recorrente um prazo para que ofereça documentação complementar, porquanto terem sido solicitados aos bancos com os quais esta empresa tem relação os extratos, contratos e recibos dos empréstimos a cujo pagamento esteve obrigada a Recorrente no ano de 2010”. Ora, como se conceder mais prazo para lançamentos pertinentes a 2010, estandose no ano de 2016, portanto mais de seis anos depois dos fatos?! Ou seja, os mesmos argumentos com os mesmos resultados: nenhuma comprovação, só alegações. E, convenhamos, se de fato se tratava de “empréstimo bancário”, uma comprovação que poderia ser feita da forma mais banal e corriqueira, sem grandes esforços, bastando que viessem aos autos os contratos firmados com tais instituições. Não vieram, de modo que o trabalho fiscal restou robustecido. Sobre Adiantamento de clientes, diz ser comum no ramo da hotelaria que pretensos hóspedes solicitem suas reservas com considerável prazo de antecedência, chegando, por vezes, a antecipar o pagamento das diárias que pretendem usufruir. Até que fossem faturados ou devolvidos tais valores eram mantidos, por vezes, em contas do passivo, como adiantamentos. Contudo, esclarece que, contabilmente, nem sempre o procedimento correto era seguido pela profissional responsável pelas escriturações da peticionária à época. Pois bem, neste caso, além da irrelevante imputação de erro à profissional, cabe mais uma observação elementar: se o afirmado é verdadeiro, novamente cabe perguntar: onde estão os documentos que comprovam o fato? Mais. A conta contábil Adiantamento de clientes não identificados significaria o recebimento, em razão dos múltiplos contratos celebrados com empresários auxiliares do ramo turístico, de ostensivos valores adiantados de agências, contratantes ou terceiros não propriamente identificados em geral. Novamente, meras alegações, sem documentos que as confirmem e, pior ainda, uma conta que traz uma conotação extremamente irreal no mundo negocial “Clientes não Identificados” – afinal, não soa plausível que uma empresa possa Fl. 11564DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.565 46 receber valores depositados em suas contas bancárias e não saber quem os enviou. Nem em um primeiro momento (em que isto até poderia ser possível) e nem meses depois, afinal estão em discussão lançamentos do anocalendário de 2010. Ora, que empresa, ainda mais no segmento em que atua a recorrente, pode se dar ao luxo de desconhecer o remetente do numerário, afinal, presumese que este “cliente não identificado”, no futuro, deverá buscar usufruir daquilo pelo qual pagou. Ademais, lembrese, não basta a contabilidade registrar lançamentos, é imprescindível que os registros tenham suporte documental, conforme artigo 264, do RIR/1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Não é preciso maior aprofundamento para se constatar que esse procedimento não foi cumprido pela autuada nem na fase investigativa (ação fiscal), nem por ocasião da impugnação ofertada e nem nesta fase do julgamento em 2º Grau. Na verdade, como os valores remontam ao ano de 2010, para infirmar o procedimento fiscal, os recorrentes deveriam trazer TODOS os documentos que lastrearam TODAS as operações ocorridas, ACOMPANHADOS dos livros contábeis contendo TODOS os lançamentos feitos na conta do “passivo”. É a norma expressa do RIR/1999 (base legal – art. 9º, do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1.977): Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Neste quadro, como se está diante de uma acusação de “omissão de receitas por presunção”, quando o ônus da prova é revertido ao contribuinte, a satisfação de tal incumbência passa por um conjunto probatório robusto e não por meras alegações. Fl. 11565DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.566 47 Finalizando, ainda a propósito do tema “omissão de receitas – passivo fictício”, excertos do Acórdão do Conselho de Contribuintes (hoje CARF), por sua 7ª Câmara (1º Conselho), prolatado 16/10/2008, relatoria do Conselheiro Luiz Martins Valero, bem mostram o cenário (destaques acrescidos): “O perfeito entendimento dos eventos denominados "passivo fictício" e "passivo não comprovado", bem assim da natureza e alcance dos efeitos que se irradiam pela contabilidade da empresa, são fundamentais para que o fisco não cometa impropriedades ao formular exigência fiscais sancionadoras, ainda que, comodamente, lance mão das presunções legais. É que, mesmo nas presunções legais, a fiscalização não está dispensada de fazer prova do fato indiciário (fato índice). O que o fisco não precisa provar é o fato presumido, ou seja, a conseqüência (omissão de receitas) tida como ocorrida pela experiência cristalizada na norma que veicula a presunção. Em outras palavras: provada a ocorrência do fato "A", presumese ocorrido o fato "B", reservandose ao acusado a possibilidade de produzir prova em contrário”. Resumindo, cabe ao Fisco provar o indício, hipótese em que, por força de lei, o ônus probandi voltase para o contribuinte. Encargo do qual os recorrentes não conseguiram se safar. Pelo exposto, mantenho a decisão recorrida neste aspecto e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste tópico. DAS DESPESAS NÃO COMPROVADAS (infração nº 0003) Conforme relato da Autoridade lançadora (RF fls. 6302), “o contribuinte foi intimado, Termo de Intimação anexo, a apresentar a documentação que comprovassem os valores computados como despesas e custos deduzidos na apuração do Lucro Real, mas, ao apresentar documentação comprobatória, deixou de comprovar o montante de R$ 6.692.319,81, conforme discriminado na Relação dos Comprovantes de Despesas e Custos, no Demonstrativo das Despesas e Custos e no Demonstrativo de Custos e Despesas Não Comprovados anexos”. Em manifestação, após as impugnações apresentadas, a decisão recorrida reconheceu parte das comprovações efetuadas pelos ora recorrentes e deu provimento parcial ao pleito, mantendo, porém, a maior parte da glosa. Inconformados, os peticionários voltam a expor os mesmos argumentos no recurso voluntário e requerem a conversão do julgamento em diligência para comprovação do alegado. Pois bem, que as despesas fazem parte do cotidiano das empresas e representa o esforço monetário que se faz para a obtenção de receitas e, consequentemente, de lucros, é pacífico. Em outro dizer, consoante leciona o professor Sérgio de Iudícibus, com a cátedra que lhe é peculiar, despesa “representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”. 6 6 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Fl. 11566DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.567 48 O mesmo Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, in “Dicionário de Termos de Contabilidade”, Atlas – SP – 2ª Ed., conceituam que “despesa, em sentido restrito, representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção ou a venda do produto (serviço) da entidade”. Em síntese, como dito, inexistem dúvidas de que a despesa é a concretização do esforço, em termos monetários, para a geração da receita, reduzindo o patrimônio da empresa, com a perspectiva, com uma promessa latente de geração futura ou imediata de receita que deve, por definição, suplantar as despesas e assim gerar a parcela do lucro. Para os órgãos reguladores da ciência contábil, “decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída ou redução de ativos ou incrementos em passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição de resultado ou de capital aos proprietários da entidade” são DESPESAS, consoante definição do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (instituído pela Resolução CFC n.° 1.055/2005), através do “Pronunciamento Técnico CPC 00 – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”.. Esta definição pode ser ainda tomada levandose em conta seu surgimento no curso das atividades ordinárias da entidade. Neste caso, ainda segundo o Pronunciamento Técnico acima referido, item 78, estas despesas seriam as que “surgem no curso das atividades ordinárias da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de um desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado”. Já a Resolução nº 1.374, de 08/12/2011, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em seu item 4.25, letra “b”, define: “despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais”. De outra linha, a legislação comercial das sociedades por ações (Lei nº 6.404/1976, com alterações), aplicável às demais sociedades por força do Decretolei nº 1.598/1977, pontua: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. § 2o A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação Fl. 11567DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.568 49 especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados. § 5o As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 6o As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) A conjugação destes dispositivos e das normas reguladoras da ciência contábil leva à conclusão de que, nos registros permanentes feitos na escrituração e nos levantamentos das Demonstrações Financeiras e Balanço Patrimonial, o resultado de um determinado período será sempre apurado levandose em conta todos os fatos contábeis que afetam a azienda, observado o regime de competência. Neste patamar, indiscutível que qualquer despesa, tomado o termo nas concepções antes focadas, compõe o resultado da entidade, de forma negativa, reduzindo o patrimônio. Quanto a isso, inexistem dúvidas. Todavia, induvidoso também que tais dispêndios têm que estar suportados por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos, de forma a permitir que as despesas sejam alocadas em contrapartida à receita e componham o resultado final de uma sociedade, exigência que aparece não apenas na legislação fiscal7, mas do mesmo modo na regulação 7 Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. Fl. 11568DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.569 50 contábil imposta pelo Conselho Federal de Contabilidade mediante a RESOLUÇÃO CFC N.º 1.330/2011 (DOU de 22.03.2011), assim redigida no que interessa: Documentação contábil 26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração. 27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. 28. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio magnético, desde que assinados pelo responsável pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado, devendo ser submetidos ao registro público competente. No mesmo sentir, a jurisprudência: ASSUNTO: ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (Acórdão CARF nº 1402000.290 – 09/11/2010 – Relator Antonio José Praga de Souza) Ora, excetuadas as comprovações documentais já aceitas no curso da ação fiscal (ver planilha fls. 5680) e as que foram acolhidas pela decisão recorrida, os demais documentos (notas fiscais, recibos, requisições, etc) que pudessem garantir a autenticidade das despesas não foram apresentados. Deste modo, nem se cuida de discutir se tais despesas se revestiriam dos preceitos de usualidade, necessidade e normalidade exigíveis para que pudessem ser dedutíveis das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL, mas, sim, por sequer existir comprovação de sua efetividade. Registrese, por fim, que, como alertado pela decisão recorrida, a autuada buscou efetuar a comprovação documental exigida com diversos recibos sem identificação precisa do fornecedor do serviço, além de simples boletos bancários diversos (sem a correspondente nota fiscal que lhe deu origem), documentos referentes ao anocalendário de 2009 e, até "pedidos", como o abaixo reproduzido (ilustrativamente fls. 5738): § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fl. 11569DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.570 51 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação a este tópico. DA INTERPOSIÇÃO DE OUTRAS PESSOAS Conforme o Fisco, a interposição de pessoas ("laranjas") caracterizouse pelos fatos descritos no RF (fls. 6302/6304): Verificase que os sócios da pessoa jurídica BAHIA STELLA HOTEL LTDA, JAMILTON PINTO VELOSO e JILMA DOS SANTOS PUREZA não têm capacidade financeira ou econômica para constituir uma empresa desse porte, cuja receita declarada no anocalendário de 2010 foi de R$ 17.504.849,35. As declarações do imposto de renda de pessoa física desses sócios, anteriores e posteriores à constituição da empresa não apresentam valores de rendimentos ou declaração de bens, apenas o valor da participação societária de cada um, como pode ser verificado nas declarações apresentadas, cópias e extratos anexos. Os sócios não possuem movimentação financeira em contas bancárias e JAMILTON PINTO VELOSO afirmou que integralizou sua participação no capital da empresa, inusitadamente, em espécie, e que não se envolve na administração da empresa, o que lhe competiria pelo Contrato Social , na qual tem uma participação de 90%. A administração contudo é exercida por FABIO RAMOS RIBEIRO, CPF 568.723.64572, conforme Termo de Declaração anexo. Na sequência, a Autoridade autuante definiu que o verdadeiro sócio (ou pelo menos um dos sócios), era Fábio Ramos Ribeiro, que, "além de ser o administrador da empresa, segundo resposta a termo de intimação, quando foi apresentado até uma cópia de contrato de prestação de serviço de administrador, é, também, portador de procuração que lhe outorga amplos e irrestritos poderes para movimentar os recursos da empresa, cópias anexas, o que lhe permite agir como o verdadeiro dono da empresa. Haja vista também o contraste entre as informações constantes das declarações do imposto de renda da pessoa física dos sócios formais JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA e as do sócio ou dono de fato FABIO RAMOS RIBEIRO, (DIRPFs anexas), enquanto os primeiros informam como domicílios endereços na periferia da cidade, esse último tem domicílio em zona nobre, o mesmo contraste verificase entre as declarações de bens e os rendimentos declarados". Fl. 11570DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.571 52 Mais: "Verificase também que no histórico dos diversos lançamentos da conta EMPRÉSTIMO SÓCIO, planilhas 1 e 1A, acima mencionadas, o nome de Fabio Ramos Ribeiro é repetidamente mencionado, nas operações efetuadas". Para concluir que, "pelos fatos e circunstâncias descritos acima, concluise que FABIO RAMOS RIBEIRO, CPF 568.723.64572, configurase como o dono, ou um dos donos, de fato, da pessoa jurídica BAHIA STELLA HOTEL LTDA, CNPJ 09.327.023/000180, o qual deve ser responsabilizado também, solidariamente, pelas infrações constatadas e o crédito tributário apurado, porque os sócios de direito caracterizamse, apenas, como pessoas interpostas, utilizadas como um meio de frustrar a garantia do crédito tributário". A leitura de todos os documentos componentes do presente processo levam à ratificação do pensamento da Fiscalização. De fato, a diferença econômica existente entre os sócios tidos como "de direito" e o sócio imputado pelo Fisco como "de fato", é notória e incontestável, bastando ver suas respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoas Físicas juntadas aos autos. Ademais, o grande volume do numerário que transitou pela conta nominada pela própria recorrente como " EMPRÉSTIMO SÓCIO, planilhas 1 e 1A," vem complementar o raciocínio desenvolvido pelo Fisco. Juntese a isso, o fato igualmente inconteste de que Fábio é sócio da holding Anapurus, que, por sua vez, é controladora da empresa Agatha, proprietária do imóvel no qual a recorrente exerce suas atividades, e temse o cenário de que o imputado seria muito mais que "só" o administrador profissional da empresa, como alegado no recurso, tudo concorrendo para solidificar a tese da Fiscalização de que sua participação seria, mesmo, de sócio da autuada, afastando, portanto, os "sócios" de direito JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA do pólo passivo, pelos motivos expostos. Quanto ao reclamo da defesa de que o fato de Fábio residir em local nobre de Salvador e os "sócios" Jamilton e Gilma em locais afastados não teriam relevância, é certo que tais pressupostos, enquanto tomados isoladamente podem não ter importância, porém quando se analisam quadros societários de empresas, é, no mínimo, óbvio, que pessoas com grande capacidade financeira (por isso empreendedores) residam em locais estratificadamente mais elevados socialmente (por essa razão, mais caros os imóveis ali construídos), invistam e participem dos riscos empresariais inerentes a tais atividades, que cidadãos não tão abastados economicamente e que, por isso mesmo moram em bairros e regiões mais simples, mais populares e mais modestos . Ou seja, este fato, tomado no contexto presente nos autos, tem relevância, sim, e é MAIS uma variável a comprovar que Fábio tem condições de ser sócio da empresa recorrente (embora formalmente seu nome não apareça) e, de outro lado, dificilmente, se não impossível, Jamilton e Gilma teriam este perfil, mais ainda quando se vê no Contrato Social da recorrente que o primeiro teria integralizado suas quotas em "moeda corrente" e no valor de R$ 900.000,00 (Termo às fls. 6124 reprodução parcial abaixo): Fl. 11571DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.572 53 Por todos os argumentos, ratifico o procedimento fiscal neste aspecto. DA MULTA QUALIFICADA Segundo a Autoridade Fiscal (RF – fls. 6305), a qualificação da multa de multa de ofício, elevandoa 150%, teve a seguinte motivação: 8 – Da Incidência da Multa Qualificada A multa de ofício está prevista na Lei nº 9.430/96, Art. 44, inciso I, cujo percentual de 75% foi duplicado em função do disposto no §1º do mesmo dispositivo legal, transcritos parcialmente a seguir, tendo em vista que o sujeito passivo praticou atos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, abaixo transcrito, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA, conforme descrito item 6.2 e 6.3 acima. Vejase que a Autoridade Fiscal, ainda que tenha feito alusão aos três artigos da Lei nº 4.502/1964 (arts. 71, 72 e 73, que cuidam de sonegação, fraude e conluio) na parte final da descrição dos fatos e justificativa da duplicação da penalidade literalmente afirma que esta imposição (de 150%) ocorreu pela prática de atos enquadrados nos três dispositivos citados, “caracterizada pela utilização de interpostas pessoas”. Ou seja, a motivação para que se aplicasse o art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996 não foi a prática de atos enquadráveis abstratamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação, fraude ou conluio), MAS, o fato de que tais atos se “caracterizaram pela interposição de pessoas estranhas à sociedade”. Embora entenda que a interposição de pessoas seja um procedimento que merece repúdio e exige investigação de sua motivação e consequências, não me parece que, somente este fato, se outros não foram apontados incisivamente pela Fiscalização no libelo acusatório, possa levar à exasperação da multa. Na verdade, o que a interposição de pessoas visa, no fundo, é tentar desviar eventual responsabilização tributária do verdadeiro gestor de uma empresa para terceiros, geralmente sem capacidade financeira para tal assunção obrigacional, e, no caso aqui relatado, a situação parece ser exatamente esta. Fl. 11572DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.573 54 Todavia, e aí minha divergência com o procedimento fiscal neste aspecto, não vejo como a “interposição de pessoas” ou a utilização de “laranjas” (sem que concreta, incisiva e claramente isso seja demonstrado) contribuiu para “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou, ainda, a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, que é o que exigem os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964 (enquanto o art. 73 simplesmente a eles remete em caso de conluio): Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nesta linha de raciocínio, tivesse o Fisco fundamentado a qualificação da multa pela prática dos atos descritos nas infrações nº 01, 02 e 03 dos autos de infração (omissão de receitas e glosa de despesas), a exasperação teria sustentação. Entretanto, ao vincular a qualificação da pena ao fato de que os atos, enquadráveis nos artigos da Lei nº 4.502/1964, subsumiramse à “utilização de interpostas pessoas, JAMILTON PINTO VELOSO e GILMA DOS SANTOS PUREZA”, não vejo como tal imputação possa prevalecer. A respeito e adotando subsidiariamente como razões de decidir, transcrevo voto do I. Conselheiro Presidente desta 2º Turma da 4º Câmara, Leonardo de Andrade Couto (Acórdão nº 1402002.178 – sessão de 03/05/2016), que bem sintetiza o tema: “Não há descrição precisa nem elementos de prova no Termo de Verificação que indiquem com precisão a natureza de tal esquema fraudulento. A Fiscalização chega a afirmar que: “A figura do “laranja” de per é motivo para a representação penal, pois sempre representa sonegação fiscal entre outros ilícitos...” Nessa linha, o entendimento do Fisco caminha por entender pela ocorrência da conduta fraudulenta quando utilizada interposta pessoa, Fl. 11573DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.574 55 independentemente da irregularidade apurada. Não posso concordar com tal posicionamento. Ratificando que não foi perfeitamente identificado o suposto esquema fraudulento do qual a recorrente teria se beneficiado, mesmo que, por hipótese, for demonstrada a utilização de interpostas pessoas, ainda assim a qualificação da multa não se justificaria. Para tal, deveria ser comprovada a vinculação direta com alguma das disposições contidas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. A utilização do laranja, em geral, visa disfarçar a responsabilidade dos verdadeiros gestores da empresa frente aos atos por eles praticados. O impacto dessa conduta certamente ocorrerá na fase de execução desta ou de qualquer outra decisão, tanto administrativa como judicial, desfavorável à empresa. Mas, quanto aos dispositivos da Lei nº 4.502/64 supra mencionados, não ficou demonstrado de que forma a conduta teria impedido ou retardado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou ainda seu conhecimento pela autoridade tributária. É ilustrativo quanto a esse ponto o fato de a autuação ter se valido exclusivamente das informações contidas na DIPJ, ou seja, receitas declaradas pela pessoa jurídica. (...) No Acórdão 10322.706, proferido na antiga 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, com voto condutor do ilustre Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORREA, a questão foi analisada com precisão: “...Assim, não há relação de causa e efeito,pois a conduta dolosa prevista nos tipos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, só é juridicamente relevante quando provoca alteração do resultado, a teor do artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Sim, é preciso compreender que a norma frequentemente não está toda ela contida numa única lei. É o que se vê, no presente exame, pois o preceito primário, que prevê a conduta proibida, reside nos artigos aludidos da Lei nº 4.502, de 1964, mas a punição do agente requer a produção de um resultado juridicamente desvalorado, que é a supressão ou a redução do tributo que é a supressão ou a redução do tributo, consoante a redação do preceito secundário, inscrito no artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996...”. Sendo assim, divirjo do entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida no que se refere à ocorrência do dolo e manifestome pela exclusão da multa qualificada”. Fl. 11574DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.575 56 Mais a mais, os lançamentos perpetrados fizeramse à vista dos livros e documentos da autuada, sem qualquer impedimento ou ocultamento Nada foi “escondido” nem “omitido” à Autoridade Fiscal que pôde, sem embaraço ou dificuldade, examinar a escrituração e documentos da empresa. Claro, há infrações (por isso os lançamentos de ofício), mas só isso, sem a confirmação de dolo, ainda mais quando a maior parte dos lançamentos se assenta em presunções legais, que são permitidas nesta seara, mas não o são no aspecto penal, afinal “fraude não se presume” (cf. Acórdão nº 10419.855, do Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara), a exasperação da multa não se sustenta. . No mesmo caminho, os seguintes Acórdãos do CARF: MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude (ART. 150, § 40 do CTN), não sendo autorizado ao Fisco impôla quando a verificação do ilícito emerge de dados e elementos apurados dentro da contabilidade do sujeito passivo ou em face de informes que este possa apresentar não somente ao Fisco Federal mas aos Fiscos Estadual e Municipal. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS MULTA AGRAVADA A aplicação da multa agravada ou qualificada depende da comprovação específica do dolo, sendo certo que quando a Fiscalização apura a omissão em base da escrituração do sujeito passivo e de demais elementos por ele fornecidos não há como se penalizálo pela multa de lançamento de ofício excedente ao percentual de 75%. E, para fechar, mais recentemente, em sessão de 04 de fevereiro de 2016, a 1ª Turma da CSRF decidiu (Ac. 9101002.231): MULTA QUALIFICADA. Inexiste a sonegação tipificada nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade fazendária,por meio da DIPJ, do que está sendo exigido no lançamento de ofício. Dizendo mais claramente, se a fiscalizada disponibilizou ao Fisco os documentos, notas fiscais, contratos, livros, e este os utilizou para perpetrar os lançamentos, é lícito entender não ter havido, por parte da contribuinte, qualquer ato no sentido de “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária” ou, “impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, como afirma o texto legal. Ao revés, como aflora dos autos, os documentos estavam expostos à auditagem do Fisco, como efetivamente ocorreu, não havendo nada “escondido”, por meio de quaisquer subterfúgios, mas, somente, a contabilização equivocada (se proposital ou não, impossível saberse neste momento) de valores e que levaram à sua tributação mediante lançamento de ofício realizado. Finalizando, transcrevo excertos do voto exarado no Acórdão nº 1302 00.305, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, em sessão de 08/07/2010, Relatoria do Fl. 11575DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.576 57 Conselheiro Irineu Bianchi, bem aplicáveis à espécie e aqui igualmente adotados como razões de decidir: “Não concordo com o entendimento firmado pela autoridade fiscal porquanto a fiscalização constatou e registrou que todas as operações: emissão de nota fiscal de faturamento, de cancelamento, de nova nota fiscal de faturamento e de simples remessa parcelada das mercadorias e, inclusive os valores correspondentes aos pagamentos das mesmas mercadorias, objetos de financiamento bancário foram regularmente escrituradas. A escrituração fiscal e contábil de todas as etapas das transações realizadas demonstra que não houve qualquer intenção de ocultar as operações mercantis realizadas e, a bem da verdade, foram cumpridas todas as obrigações acessórias correspondentes as emissões de notas fiscais na forma estabelecida no RIPI e no SINIEF. Nestas condições, não vislumbro a prática de sonegação, fraude ou conluio, na forma estabelecida nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/64 e, por consequência, não encontro suporte para a aplicação da multa qualificada”. E, para fechar, mais recentemente, em sessão de 04 de fevereiro de 2016, a 1ª Turma da CSRF decidiu (Ac. 9101002.231): MULTA QUALIFICADA. Inexiste a sonegação tipificada nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade fazendária,por meio da DIPJ, do que está sendo exigido no lançamento de ofício. Portanto, não vejo como prosperar a exasperação da penalidade, devendo a multa de oficio elevada a 150% ser reduzida para a multa de oficio normal de 75%. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE FABIO RAMOS RIBEIRO, AGATHA PATRIMONIAL S/A e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A A responsabilização do Sr. FÁBIO RAMOS RIBEIRO está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN; as referentes às empresas AGATHA PATRIMONIAL S.A. e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A foram feitas ao amparo do art. 124, inciso I, do mesmo CTN. Principio pela imputação feita a Fábio Ramos Ribeiro. Como dito atrás, se para fins de qualificação da multa de ofício entendi que a interposição de pessoas como sócias de direito da autuada (“laranjas”) não levaria à exasperação da penalidade, pelos motivos já expostos alhures, neste tópico, que cuida da imputação de responsabilidade a sócios de fato ou administradores da recorrente, minhas considerações são outras. Passo aos fatos. 1. Que o imputado Fábio participava de outra empresa (Anapurus) como sócio, é inconteste. Fl. 11576DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.577 58 2. Que esta empresa, Anapurus, uma holding, era detentora de 100% do capital de outra holding patrimonial (Agatha) também não existem dúvidas. 3. Que esta última não só é a proprietária do imóvel no qual a recorrente exerce sua atividade operacional como a ela forneceu toda estrutura necessária para o funcionamento por trinta meses, igualmente é fora de dúvidas. 4. E que a esta empresa constam pagamentos vultosos no ano de 2010, também não há reparos. Pois bem, o liame de todas estas informações (muito claramente definidas pelo Fisco), mostra o entrelaçamento da Agatha, controlada integral de Anapurus que, por sua vez, tinha como um dos sócios, Fábio. Todos, indistintamente, por ação ou omissão, contribuindo para que duas pessoas sem condições financeiras, econômicas ou técnicas (tanto que não “administravam” a empresa da qual eram “sócias” e na qual “investiram um milhão de reais em espécie”) fossem nela colocadas, na verdade, como interpostas pessoas (“laranjas”) possibilitando a Agatha, a Anapurus e a Fábio Ramos Ribeiro manteremse ocultos e usufruindo das vantagens que um negócio empresarial pode trazer, sem correr os riscos que este mesmo negócio pode apresentar. Em suma, apesar de não figurar oficialmente como sócias da autuada, as empresas AGATHA PATRIMONIAL S.A. e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A estiveram envolvidas sistematicamente nas atividades da BAHIA STELLA HOTEL, quer seja no fornecimento de toda estrutura necessária para o seu funcionamento, sem contrapartida oficial no período mínimo de 30 meses carência conforme contrato quer seja através de seu controle operacional, sendo que, todos os envolvidos AGATHA, ANAPURUS E FÁBIO – ao contrário dos sócios constantes do contrato social beneficiaramse das atividades desenvolvidas pela entidade, com o recebimento de recursos financeiros substanciais frequentes e sem causa comprovada. Porque, na exata medida em que a responsabilidade prevista no artigo 124, I, do CTN, exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador, é necessário que todos os solidários encontremse no mesmo patamar e aptos, nas mesmas condições de usufruir dos resultados obtidos. É o que se vê nos autos. Neste caminhar, evidente a existência de estreita vinculação entre eles (Agatha é controlada integralmente por Anapurus que é controlada totalmente por Fábio e por Alexandro Ramos Ribeiro, provavelmente membro da mesma família), de modo que estampada a situação abstrata prevista no artigo 124, ou seja, "pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Vejase a dicção do citado dispositivo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Com isso, correto o enquadramento no artigo 124, I, do Estatuto Tributário. Fl. 11577DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.578 59 Lembrese, ainda, que o art. 124 do CTN, ao determinar que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal não exige o exercício de qualquer atividade de gestão, bastando o dito “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Por outro lado, quanto ao responsável FÁBIO RAMOS RIBEIRO, além do art. 124, I, do CTN, tendo em vista as atividades de gerência exercidas no período da autuação, com violação à legislação vigente e ao contrato social (quando lançou mão de interpostas pessoas na constituição da sociedade), a responsabilidade solidária também encontra previsão no art. 135 do CTN. Mantenho a imputação a Fábio Ramos Ribeiro e às duas pessoas jurídicas citadas (Anapurus e Agatha), com base no artigo 124, I, do Estatuto Tributário. De outro giro, houve a inclusão do administrador Fabio como pessoalmente responsável pelo crédito tributário correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (artigo 135, do CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II. os mandatários, prepostos e empregados; III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como exaustivamente se vê nos autos, inexistem dúvidas de que o imputado, Fábio, era o administrador pleno, máximo e único da empresa, gerindoa com AMPLOS poderes, como atestam a procuração juntada aos autos (fls. 9789) e a ficha cadastral do Banco do Brasil S/A (fls. 6232), dentre outros documentos, o que, na mais simples das hipóteses, leva o a assumir a responsabilidade pelos atos derivados de sua gestão, sejam eles os positivos, sejam aqueles com conotação negativa, posto que à frente da empresa. Portanto, correta a imputação de responsabilidade a Fábio Ramos Ribeiro com fulcro no artigo 135, do Códex. Por fim, quando à existência de “grupo econômico” feita pelo Fisco e rebatida veementemente pela defesa, socorrome de decisão prolatada no âmbito do STJ: "para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico" (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, 1a Turma, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). Pois bem, todo o procedimento havido, desde a interposição de terceiros (“laranjas”), como as irregularidades detectadas pelo Fisco, com a lavratura dos autos de Fl. 11578DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.579 60 infração aqui discutidos, só seria possível se, de forma una e conjugada, as ações fossem realizadas com conhecimento, anuência e comando unificado e conjunto da controlada (Agatha), da sua controladora (Anapurus) e dos controladores desta, pelo menos na parte que toca ao imputado Fábio. Conforme manifestação do STJ: “A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818) (REsp 719350 / SC. Primeira Turma. Ministro Relator: Luiz Fux. DJe: 21/02/2011)”. Diante do assentado e com suporte nos documentos constantes do processo, dos fatos apurados pelo Fisco no curso da ação fiscal e nos dispositivos legais acima transcritos, utilizados pela Autoridade Fiscal para a responsabilização questionada, incontestável que os imputados beneficiaramse das transferências financeiras efetuadas pela autuada, de forma continuada, sem apresentar a comprovação da sua causa, configurando o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, de modo que a responsabilidade tributária atribuída aos recorrentes decorrem de expressa determinação legal e não pode ser afastada. Neste sentido, VOTO POR MANTER a responsabilização apontada pelo Fisco e NEGO PROVIMENTO ao recurso. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser Fl. 11579DF CARF MF Processo nº 10580.721238/201456 Acórdão n.º 1402002.290 S1C4T2 Fl. 11.580 61 objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Vale exprimir, a decisão a ser dada nos presentes autos em relação ao IRPJ constituirá matéria julgada para as demais exações lançadas e seguirá a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Negado provimento aos lançamentos relativos ao IRPJ, igual decisão atinge os reflexos, de modo que, nessa linha, NEGO PROVIMENTO ao recurso relativamente à CSLL, COFINS e PIS. É como voto. Brasília (DF), em 13 de setembro de 2016. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 11580DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.721609/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 14/01/2009 a 13/09/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, escriturados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE UM SOLIDÁRIO. PEREMPÇÃO. EFEITOS.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
A ausência do recurso, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta a perempção, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento aos recursos da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário da AST - Comércio Internacional Ltda. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento por entenderem cabível a multa pela cessão do nome, com base no princípio da especialidade, e (b) por maioria de votos, negou-se provimento aos recursos da NTN DO BRASIL e da empresa Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda (ROLMAR). Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Acompanhou o julgamento pela ROLMAR - Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda o Dr. Shiguemassa Iamasaki, OAB/PR nº 35.409.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/01/2009 a 13/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, escriturados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE UM SOLIDÁRIO. PEREMPÇÃO. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A ausência do recurso, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta a perempção, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento aos recursos da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário da AST - Comércio Internacional Ltda. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento por entenderem cabível a multa pela cessão do nome, com base no princípio da especialidade, e (b) por maioria de votos, negou-se provimento aos recursos da NTN DO BRASIL e da empresa Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda (ROLMAR). Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento pela ROLMAR - Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda o Dr. Shiguemassa Iamasaki, OAB/PR nº 35.409.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/01/2009 a 13/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, escriturados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE UM SOLIDÁRIO. PEREMPÇÃO. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A ausência do recurso, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta a perempção, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 16 09 /2 01 3- 51 Fl. 2850DF CARF MF 2 vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento aos recursos da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário da AST Comércio Internacional Ltda. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento por entenderem cabível a multa pela cessão do nome, com base no princípio da especialidade, e (b) por maioria de votos, negouse provimento aos recursos da NTN DO BRASIL e da empresa Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda (ROLMAR). Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento pela ROLMAR Importação e Exportação de Rolamentos Maringá Ltda o Dr. Shiguemassa Iamasaki, OAB/PR nº 35.409. Relatório Tratase o processo de Auto de Infração (fls. 03/55), através do qual a fiscalização, segundo declarado no Relatório de Ação Fiscal, constatou ocultação do real adquirente das mercadorias, em relação a 40 (quarenta) declarações de importação (DI) registradas de 2009 a 2012 (fl. 08/09), tendo formalizado exigência relativa a conversão da pena de perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão das mercadorias. Conforme Relatório Fiscal de fls. 06/52, a fiscalização aduz que nos procedimentos realizados, a AST desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas, por ela registradas, simulando serem as operações por conta e risco próprios, haja vista que restou provado que a importação foi por conta e ordem de terceiros, e a adquirente adiantou todos os valores para que fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas, além do envolvimento de outras empresas. De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA. (NTN DO BRASIL) e IMPORTAÇÃ E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLMAR). Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.850 3 A acusação imputada à Recorrente se refere a prática de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora, o que é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Em todos os processos, segundo o autuante, representados pelas DI's relacionadas, a empresa adquirente IMPORTAÇÃ E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLMAR), comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, da exportadora NTN SUDAMERICANA, sediada no PANAMÁ, através da sua representante NTN DO BRASIL LTDA., que recebeu 5% de comissão sobre todas as vendas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 0829.832, prolatada pela 7ª Turma da DRJ em Fortaleza (CE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 2.742/2.789): "Segundo o auditor, o pedido de compra da ROLMAR sempre foi feito para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA. Perante essa exportadora a ROLMAR sempre foi a devedora, a responsável pelos pagamentos das mercadorias. Essa prática, conforme o fiscal, de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Essas duas infrações motivam a proposição da pena de perdimento. Nestes casos, vez que as mercadorias já foram encaminhadas a consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. As mercadorias envolvidas foram declaradas como exportadas pela NTN SUDAMERICANA, e internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que as nacionalizou e encaminhou ao adquirente em território nacional. Às fls. 0809, a fiscalização relaciona as Declarações de Importação envolvidas no procedimento, chamando a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios claros, segundo o autuante, de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. A sua atuação foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (real importadora), esta sim, através da NTN BRASIL, comprou os bens envolvidos da NTN SUDAMERICANA, adiantando todos os valores aplicados nestas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço das mercadorias. Conforme quadro anexado às fls. 1011, a fiscalização chama a atenção para as datas de registro e das notas fiscais das saídas, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que diversos depósitos sempre acontecem antes do Fl. 2852DF CARF MF 4 registro da DI e foram feitos para cobrir as despesas com os impostos e as aquelas pagas na manipulação inicial das mercadorias. No que se refere ao pagamento ao exterior, alguns contratos de câmbio foram antecipados e outros feitos após a liberação das mercadorias (o fornecedor sempre deu 5% de desconto para os pagamentos antecipados); esses pagamentos, da mesma forma, sempre foram adiantados pela ROLMAR para a AST. As antecipações feitas pela ROLMAR são marcadas por dois ou três depósitos diretamente em conta corrente da AST, e um pagamento através da quitação de duplicata; para comprovar esses adiantamentos foram verificados todos os depósitos feitos para quitar cada compra; em seguida foram juntadas cópias de diversos comprovantes apresentados pela ROLMAR; todos esses documentos foram vinculados a cada Nota e aos lançamentos contábeis, conforme as folhas de extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida (obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED), onde constaram todos adiantamentos feitos pela ROLMAR. Verificando os demais processos registrados e desembaraçados pela AST, envolvendo outros exportadores e outros adquirentes, que continuam sendo trabalhados, da mesma forma, a fiscalização afirma que foram identificados diversos indícios que demonstraram a prática da interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que significa, segundo a fiscalização, que a empresa vem atuando de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma já descrita. A falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional fica evidente, segundo a fiscalização, uma vez que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios, e pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00; aumento esse que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural e foi feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 120 a 121). Segundo a fiscalização, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa, já que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2000, por R$ 87.300,00 (fls. 110 a 113), sendo que esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades. Em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 114), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para aumentar o Capital da empresa. Seguindo com a verificação da situação financeira da AST, o autuante apresenta, às fls. 1314, a evolução anotada com base nas principais rubricas contábeis, sendo os valores apresentados os que constaram nas DIPJ's apresentadas e balancete de 01 a 07/2012. Já quando são comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem, segundo o fiscal, as primeiras incongruências. Em Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.851 5 diversas linhas os valores estão divergentes, além de ter sido constatado que sequer os benefícios financeiros do FUNDAP são aproveitados no Giro da Empresa. Esse quadro fica agravado, segundo o auditor, quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados no realizável em curto prazo, que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais imediatas, como a conta de CLIENTES, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante. É o caso das empresas ÁGUIA IMP E EXP e ARCA ENGENHARIA, a primeira com saldo de R$ 1.911.567,99 e a segunda com saldo de R$ 3.519.497,51. A fiscalização menciona também, o valor registrado no Ativo Circulante, como sendo "ADIANTAMENTOS À NTN" R$ 3.856.269,65, o qual foi, segundo o auditor, adiantado pelos adquirentes de rolamentos que pagam antecipadamente as mercadorias; tais valores seguem compensados com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. A fiscalização noticia, ainda, problemas em relação a Impostos a Recuperar. Todas essas evidências demonstram, segundo o autuante, que efetivamente a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, precisando dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, e assim passou a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Essa constatação de falta de condição financeira foi, segundo a fiscalização, confirmada em todos os processos trabalhados. Em todos eles a AST necessitou do adiantamento da ROLMAR para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento ao exterior. Mesmo nos casos em que registrou Importação por Encomenda, conforme constatado em outros procedimentos, a AST precisou, segundo o autuante, de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço aduaneiro. Nessa forma de agir, os intervenientes, segundo o autuante, falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato. A AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. A troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere, segundo o auditor, nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de Fl. 2854DF CARF MF 6 provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior (real importadora) e os demais envolvidos, permanecem completamente ocultos, sendo que as suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. No tópico “DETALHAMENTO DA FRAUDE”, a fiscalização declara que, para se dimensionar as penalidades a serem aplicadas, devese considerar os fatos. Segundo o fiscal, como demonstrado ao longo relatório, os atos praticados pela importadora declarada tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras, e as demais empresas envolvidas nas operações de importação objeto de autuação. Embora a intenção do agente não seja relevante para a caracterização da infração o é para a identificação da sonegação, fraude e conluio, os quais estão definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. O procedimento fiscal, segundo o autuante, é farto de elementos que comprovam de forma inequívoca que a prática de declarações inexatas é fruto de ações praticadas com dolo pelos importadores e demais comerciantes envolvidos, que, intencionalmente, promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. Segundo a fiscalização, estão presentes, portanto, nos atos praticados pelos importadores, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, uma vez que elementos básicos, dessas importações, foram alterados intencionalmente em todos os processos, para, além de manter ocultos, afastar os demais envolvidos da condição de adquirentes por conta e ordem. Ainda assim, de acordo com o auditor, não se trata apenas de alteração ou falha na definição da modalidade de importação, mas de falsidade de documentos que instruem os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos de comprovação do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveria estar registrada em todos esses documentos. Os documentos apresentados registram, segundo o fiscal, operação de importação por conta e risco da AST; já as constatações e verificações fiscais, que estão sendo apresentadas como provas, demonstram que o representante do exportador e o comprador das mercadorias no exterior ficaram ocultos em todos os procedimentos. Da mesma forma a AST não é a compradora das mercadorias, como quiseram fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas no momento da internação das mercadorias, no registro da Declaração de Importação e comercialização em território nacional. O autuante afirma que, conforme se depreende do parágrafo único do art. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.852 7 1º da IN SRF n° 225/2002, a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias não existiria. Assim, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada a identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Informa, ainda, o autuante, que na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Destacase a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/2002), que inclui também a simulação (DecretoLei n° 1.455/76 com alterações promovidas pela MP n° 66/2002 convertida na Lei n°. 10.637/2002) e a multa equivalente ao valor aduaneiro, para os casos em que a mercadoria é consumida (Redação dada pela Lei n° 12.350 de 20/12/2010). No tópico “EMPRESAS ENVOLVIDAS NESTE PROCEDIMENTO FISCAL”, o autuante inicia discorrendo sobre a AST. Informa que esta empresa foi credenciada como interveniente no comercio exterior na modalidade ordinária (com procedimento de diligência) e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP. Entretanto, na verificação dos movimentos contábeis apresentados, foi constatado que esse benefício somente surtiu efeito em favor dos sócios, os quais compram a dívida assumida pela empresa (no momento em que tomam os empréstimos subsidiados), através dos leilões do BANDES, pagando apenas 10% do seu valor. Essa dívida, que deveria ser paga ao BANDES com carência de 5 (cinco) e prazo de 20 (vinte) anos, passa a ser quitada em favor dos novos credores, quase que de imediato, deteriorando a situação financeira da empresa que já não apresenta condição para que possa continuar atuando no comércio internacional. Fl. 2856DF CARF MF 8 Dando continuidade, o fiscal discorre sobre a ROLMAR. Intimada em 14/02/2013 a esclarecer e apresentar documentos (fls. 379 a 382), atendeu prontamente à ação fiscal, esclarecendo que esclarecendo que comercializa produtos adquiridos da AST, cuja fabricação provém da empresa NTN DO BRASIL, possuindo com a AST apenas relação comercial. Segundo o autuante, esses esclarecimentos tentam continuar com a simulação; como se pode ver no exemplo de pedido de compras (fls. 398 a 535), as compras das mercadorias são tratadas pela ROLMAR diretamente com a NTN BRASIL, que dá prosseguimento junto a NTN SUDAMERICANA. A fiscalização afirma que esse entendimento segue ratificado pelos esclarecimentos obtidos de outras empresas envolvidas e tratados em outros procedimentos reforçam esses esclarecimentos, de onde se pode extrair que as empresas adquirentes compraram as mercadorias da NTN DO BRASIL. O nome da AST passa a constar na emissão dos documentos, colocado pela exportadora, seguindo instruções dos compradores nacionais. indicando a AST como compradora e responsável pelas importações. As mercadorias são internadas com documentos indicando a AST como compradora e responsável pelas importações. Cópia de um pedido de compra apresentado pela ROLMAR à NTN DO BRASIL (fls. 398 a 535), demonstra, de forma muito clara, que a ROLMAR compra as suas mercadorias através da NTN DO BRASIL, representante da exportadora; que ela é a responsável pelos pagamentos; e que é cobrada pela NTN DO BRASIL. Discorrendo sobre a NTN DO BRASIL, a fiscalização afirma que a empresa foi diligenciada e intimada, em 05/03/2013, a esclarecer e apresentar documentos, sendo que na diligência foi esclarecido que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN DO BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Esses procedimentos foram descritos em correspondência aos seus representantes, e demonstra que as empresas adquirentes foram levadas a agir dessa forma, para que pudessem adquirir as mercadorias que comercializam (fls. 370 a 374). Pôdese identificar também que somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional eram iniciados os procedimentos a cargo da AST. No tópico “SUJEIÇÃO PASSIVA”, a fiscalização aduz que, nesta quadra do procedimento fiscal cumpre identificar o sujeito passivo, em atendimento à norma que se retira do artigo 142 da Lei n° 5.172/65 (CTN). Citando os artigos 121 e 124, incisos I e II, do CTN, afirma o autuante que, tendo em vista as citadas notas relativas à sujeição passiva, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se dá é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que, da aplicação do critério subjetivo que permitiria Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.853 9 levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que ocorre no caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. De acordo com o auditor, como demonstrado, a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, nem pagou pelos impostos e câmbio, pois, como constatado, recebeu adiantamentos da empresa adquirente para fazer frente aos pagamentos necessários ao desembaraço das mercadorias. Não houve qualquer negociação pelas empresas AST e NTN SUDAMERICANA; esta última recebeu os pedidos feitos pela adquirente diretamente da NTN DO BRASIL, e, no ato da preparação dos documentos, incluiu a importadora AST a mando dos reais compradores (neste caso a NTN DO BRASIL e a ROLMAR). Segundo o fiscal, a AST deu continuidade aos procedimentos na forma de INTERPOSTA PESSOA, em favor de todos os envolvidos. Portanto, não se pode, de acordo com o autuante, suscitar qualquer dúvida na solidariedade entre as empresas. A AST na qualidade de importadora assumiu a responsabilidade pela declaração registrada no SISCOMEX. A ROLMAR, interessada nas mercadorias que comercializa, colocou pedidos de compra na NTN DO BRASIL. Esta por sua vez tratou de todos os procedimentos junto a NTN SUDAMERICANA, que deu continuidade à produção das mercadorias e, utilizando os seus papéis, providenciou o embarque emitindo todos os documentos necessários à internação em território nacional, em nome da interposta pessoa AST, que aceitou essa situação e providenciou o desembaraço das mercadorias para que o real interessado permanecesse oculto aos olhos da fiscalização. No tópico “RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE”, o auditor aduz que, se não bastassem as disposições já mencionadas do CTN, com relação aos ilícitos, sabese que podem corresponder tanto ao descumprimento de obrigações tributárias principais (§ 1º, artigo 113 do CTN), quanto ao descumprimento de obrigações acessórias (§ 2º, artigo 113 do CTN). Com a identificação dos sujeitos passivos fica estabelecida a responsabilidade pelo pagamento das penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de tais obrigações. Além disso, a responsabilidade por infrações, em se tratando de matéria tributária e salvo disposição de lei em contrário, é objetiva, independendo, pois, da intenção do agente (art. 136 do CTN). As disposições normativas do artigo 95 do DecretoLei n° 37/66, prescrevem a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de alguma forma concorrem para a prática da infração ou dela se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem. Tais Fl. 2858DF CARF MF 10 disposições são regulamentadas pelo artigo 603 do Regulamento Aduaneiro. Segundo o autuante, percebese que, no presente caso, houve coordenação entre as empresas reais adquirentes das mercadorias estrangeiras e importador, que, embora tenha declarado operação própria, foi identificado como prestador de serviço em operação por conta e ordem, o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas conforme o disposto no artigo 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/1966. O autuante afirma que, analisando os aspectos jurídicos, temse que o importador é qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, consoante o art. 31, inciso I, do DecretoLei nº. 37/1966, na redação do Decreto lei no. 2.472/1988, sendo que promover a entrada é lhe dar "causa ou origem". Discorrendo sobre os responsabilizados, a fiscalização afirma que a AST, é uma empresa FUNDAPEANA, e como tal, tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo Estado do Espírito Santo/ES, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. Sobre a ROLMAR, o autuante diz é a empresa compradora das mercadorias no exterior. Foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL. A respeito da NTN BRASIL, o auditor afirma que essa empresa é interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, tendo abonado todos esses procedimentos irregulares, e recebido 5 % comissão sobre essas vendas. Os registros dos valores dessas comissões foram identificados e os procedimentos foram entendidos como regulares. Segundo a fiscalização, em todo esse trâmite, não há o que se falar em falha ou erro, já que a legislação sempre foi muito clara, tendo evoluído com o tempo, justamente para fornecer melhores ferramentas para a atuação fiscal na identificação desses atos, e, quando reforçou a identificação do adquirente das mercadorias, nas importações por conta de terceiros, e importação para encomendante prédeterminado, também identificou a forma de atuação de cada um. No tópico “FORMAÇÃO DAS PROVAS”, a fiscalização informa que, no procedimento fiscal, as provas juntadas estão representadas pelos documentos entregues no registro das DI's relacionadas; aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações da ação fiscal pelas empresas AST, ROLMAR e NTN BRASIL; documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e resultados de inquirições nos sistemas administrados pela RFB. Todos esses elementos permitiram, segundo o auditor, a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações de parte dos contribuintes envolvidos, motivando a autuação, nos termos descritos. Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.854 11 A fiscalização, no tópico “DAS CONSTATAÇÕES, INDÍCIOS E PROVAS”, afirma que as constatações deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como demonstraram que os impostos e demais despesas foram suportados pela ROLMAR, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA. Em seguida, o fiscal enumera outras constatações que, segundo ele, além de reforçar os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e justificam a autuação, tanto no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta como da infração identificada na utilização de documento ao menos ideologicamente falso: a. As mercadorias envolvidas nos processos em comento, que têm itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, esse indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise. b. Assim, considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, se torna evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços e nacionalização de mercadorias não demonstrando estrutura suficiente para administrar esses procedimentos. c. As importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprio e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa ROLMAR. d.As datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a ROLMAR, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias simplesmente passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora. e. Os pedidos de compra foram feitos pela ROLMAR para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias. f. Nos registros contábeis da empresa AST, constaram todos os adiantamentos feitos pela empresa ROLMAR que comprovou a grande maioria dos pagamentos feitos, apresentando cópias dos seus comprovantes, conforme os documentos das folhas constantes no quadro seguinte: (...) g. Em todo esse esquema montado, destacase a participação das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas, e seguramente os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco Fl. 2860DF CARF MF 12 próprio (fls. 11 a 15), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. Conforme a fiscalização, restou evidente que o real comprador das mercadorias, que permaneceu oculto aos olhos da fiscalização, nos despachos aduaneiros dessas importações, foi identificado nos documentos que foram apresentados mediante intimações e diligências da ação fiscal, em conjunto com as demais empresas envolvidas, que também foram identificadas como beneficiadas nas operações de importação registradas, como sobejamente demonstrado. Ficou também caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, já que elas absolutamente não representam as operações comerciais. O Auditor aduz, ainda, que, restando evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta, é irrelevante, a questão do custeamento num primeiro momento, pelo importador, a fim de afastar a responsabilidade do terceiro oculto e furtarse aos reflexos da equiparação a industrial, necessariamente decorrente da verdadeira operação. Continua o autuante, afirmando que não há proveito em se discutir a propriedade na titulação de real adquirente, já que consta a fundamentação legal que ampara o feito da eleição do real responsável pela operação; termo genérico e residual que abrange, além do sujeito passivo e do real adquirente, qualquer forma que venha a surgir para a atuação no comércio exterior, na qual haja um terceiro, quarto ou quinto envolvido, que desencadeie e negocie efetivamente a importação e se oculte ao fisco, mediante interposição fraudulenta. Desnecessário destacar, aduz o fiscal, que tal procedimento (omissão da participação do real agente da operação) é extremamente pernicioso ao sistema, pois mais do que o fisco (federal, estadual e municipal), que deixa de receber o que lhe é por lei devido, o principal e implacavelmente atingido é o comerciante cumpridor de suas obrigações tributárias, que se vê excluído pelo concorrente inescrupuloso que sonega tributos e faz concorrência absolutamente desleal. Cabe ao Estado, assim, não apenas apurar os tributos devidos, mas também garantir condições justas de mercado aos contribuintes que cumprem com suas obrigações. É evidente que o ordenamento jurídico não compadece com a máfé. Tratando da interposição fraudulenta, o auditor afirma que a ocultação do real sujeito passivo é método de se eximir da responsabilização pelos atos praticados. Sua caracterização como fraude decorre de disposição legal, pois a ação ou omissão atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma das suas características essenciais, qual seja, o sujeito passivo. Por todos os fatos demonstrados fica configurada, segundo o auditor, a infração interposição fraudulenta de terceiros. A Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.855 13 legislação é muito clara, cabendo a pena de perdimento das mercadorias envolvidas e, no caso daquelas remetidas a consumo, a multa equivalente ao valor aduaneiro. Essa infração está sempre seguida da infração de apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias, porque, já ao apresentar nome diferente do real importador, está configurada a falsidade ideológica. A fiscalização afirma que este tipo de infração é de difícil prova cabal, pois, como se vê neste caso, todos os documentos e declarações foram preparados de forma a manter oculta a real importadora ROLMAR, declarando a interposta pessoa jurídica AST como importador. Destacase ainda a participação da NTN DO BRASIL, que recebeu comissões sobre as vendas e participou de toda a simulação engendrada. Comenta o auditor que, na importação de mercadorias, conforme é sabido, não está em jogo unicamente as relações comerciais privadas, apenas comércio, há o envolvimento do estado, existem declarações e documentos apresentados à RFB, que servem de embasamento para a tomada de decisão fiscal e cálculo de impostos, isso muda o ambiente, exigindo absoluta boa fé, não há espaço para a esperteza, muitas vezes aceita como razoável nas relações comerciais. A infração tratada neste tópico (primeira infração), configurada, pelos atos praticados pelos contribuintes, como interposição fraudulenta, por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. Tratando da segunda infração, auditor afirma que o art. 105, VI, do DecretoLei n° 37/66, autoriza a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada na hipótese de "qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado". Isso consta também no art. 689, inciso VI, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). O autuante declara que, conforme demonstrado (infração 001), as operações de importação em análise são simuladas, pois omitem a real compradora das mercadorias (real importadora), e demonstram operações por conta e risco próprios, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Tal irregularidade foi constatada, segundo o fiscal, nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão, BL, Packing List e Fatura internacional, declarando como importadora a AST, documentos identificados como ideologicamente falsos. O auditor afirma que a infração em relevo, também por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. A fiscalização, então, informa que procedeu à autuação dos qualificados, com fundamento na legislação vigente, pela prática das infrações citadas e demonstradas em seguida, com seus fundamentos legais relacionados ao final de cada uma. As infrações foram: a Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal Fl. 2862DF CARF MF 14 interessado nas operações de importação das mercadorias em questão, para a qual cabe a proposição da pena de perdimento, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009) (art. 23, inciso V, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.455/1976); e falsificação ou adulteração de qualquer documento necessário ao embarque/desembaraço de mercadoria estrangeira (art. 105, inciso, VI do DecretoLei nº 37/1966). Como as mercadorias foram remetidas a consumo, a infração fica punida com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (DecretoLei n° 1455/76, Art. 23, inciso V e parágrafo 3º). Os envolvidos e seus responsáveis, ficam cientes também, de acordo com o autuante, de que foi promovida a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, formalizada nos termos do Processo 12466.721610/201385, em cumprimento ao disposto na PORTARIA RFB n°. 2.439 de 21 de dezembro de 2010, haja vista que restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária, definido no artigo 1º da Lei n.° 8.137, de 27/12/1990. Das impugnações Cientificada do lançamento em 21/05/2013 (fl. 1.989), a AST insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 19/06/2013, a impugnação de fls. 2.6612.668, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: mesmo com todo conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização (com os tributos pagos conforme normatização), esta não obteve sucesso na comprovação de irregularidades, laborando em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar uma suposta incapacidade financeira da empresa, fato é que o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; pela documentação já juntada às fls. 64/68 e 113/115, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos e cinquenta e cinco mil reais) desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 113/115 e a 21a. Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme documento de fls. 119/122; observandose o histórico de importações apresentado no Relatório, verificase que a empresa anualmente possuía movimentação de importação baixa, em média inferior a dois eventos por mês; constatase que nenhuma dessas importações mensais, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.856 15 chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, especialmente dos valores integralizados no capital social próprio; evidente, portanto, sua capacidade financeira para solver suas importações; não há nos documentos constantes dos autos, relativos ao período fiscalizado, qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção, admitida pelo fiscal responsável, de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado; há decisão judicial que atribui ao imóvel utilizado para aumento de capital o valor de R$ 504.000,00; em nova presunção, ao afirmar que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira, a fiscalização nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pela fiscalização. Diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o autuante presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta "comissão" na diferença apurada; novamente, evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; contudo, as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; logo, impossível sustentar a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização; em nenhuma hipótese houve, nas movimentações da empresa, a falsificação de documentos, tampouco adulteração. Não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; nesta toada, exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual Fl. 2864DF CARF MF 16 documentação foi alterada ou falsificada, impede a fiscalização que a requerida promova sua defesa de forma ampla; todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, e inexiste qualquer irregularidade tendente a configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; não houve dolo nas operações da empresa, que tem histórico profissional escorreito ao longo de sua vida; posto isso, considerando que no presente caso as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas à contestante, especialmente pela existência de capacidade financeira, e ainda, pela lisura das diligências adotadas nos procedimentos de importação, que efetivamente fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação de documentos narrada, respeitosamente requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração guerreado, bem como suas consequências; Isto posto, requer: desde já, seja atribuído à impugnação o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de n°. 0727600/00403/13 (tais como a exigibilidade da multa aplicada), até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; que sejam apreciados os fundamentos invocados, dandolhe total provimento, no sentido de: a) anular o auto de infração de n° 0727600/00403/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; b) anular a pena aplicada no valor de R$ 2.297.054,04 pelo auto guerreado, com vencimento em 19/06/2013. ao final, com o provimento da defesa, requerse a consequente extinção do presente Processo Administrativo e a juntada dos documentos em anexo, que comprovam o quanto alegado. A NTN, cientificada do lançamento em 11/05/2013 (fl. 1.997), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 10/06/2013, a impugnação de fls. 2.4942.508, em que alega: o serviço de representação comercial realizado pela NTN DO BRASIL para a NTN Japão e NTN SUDAMERICANA se restringe a receber os pedidos de seus Distribuidores no Brasil e encaminhálos a uma das representadas, conforme o caso, sem qualquer intervenção sobre o processo de internalização dos equipamentos no Brasil; ou seja, diversamente do afirmado no auto de infração, a NTN DO BRASIL não adquire, seja direta ou indiretamente, qualquer um dos produtos de suas representadas para venda do Brasil; Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.857 17 as etapas do processo são: “a)A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b)A NTN Brasil encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c)Uma vez sendo informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil simplesmente repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece ao Distribuidor as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento (docs. anexos); e d)A NTN Brasil retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA.” é o Distribuidor, a seu exclusivo critério e sem qualquer intervenção da NTN, seja ela a nacional ou a internacional, quem fornece os dados para a finalização do pedido a ser encaminhado à NTN internacional; igualmente e o mais importante, é o fato de que o Distribuidor é quem discrimina a quem será vendido ou consignado o produto, a quantidade de peças a serem embarcadas, forma de pagamento, dados do Agente na origem e no destino e o Porto de destino; portanto, cumpre a NTN DO BRASIL a simples tarefa de retransmitir as informações à NTN internacional. Desta feita, resta evidente e inequívoco que o Distribuidor é quem responde pela veracidade das informações, vez que partiram dele, não cabendo à NTN DO BRASIL o dever de fiscalização e controle da operação do Distribuidor, eis que é relação jurídica à qual não está vinculada; após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN DO BRASIL frente ao Distribuidor se limita ao Suporte Técnico dos produtos NTN Internacional, consistindo esse suporte em: a) realização de palestras e cursos; b) acompanhamento de montagens de peças (em casos especiais); c) elaboração de laudos técnicos; d) propor melhorias técnicas para a redução do custo com a manutenção; e e) assistência técnica em geral; a NTN DO BRASIL não é responsável pela internalização/nacionalização dos equipamentos adquiridos pelo Distribuidor, não se compromete ou dá qualquer suporte no processo de internalização dos equipamentos e/ou nem mesmo indica a importadora que faça esse tipo de serviço, ficando a exclusivo critério do Distribuidor a forma de internalização dos equipamentos; Fl. 2866DF CARF MF 18 o fato mais importante é que a NTN DO BRASIL jamais indica ou indicou qualquer intermediador do processo de importação, assim como nunca prestou qualquer orientação em relação a tal procedimento; vista a realidade dos fatos e da efetiva atuação da NTN DO BRASIL, devem ser analisados os fundamentos jurídicos que afastam sua suposta sujeição passiva solidária pelos procedimentos de importação tratados no auto de infração ora impugnado e infrações apuradas; jamais a NTN DO BRASIL agiu com qualquer espécie de dolo ou de forma coordenada para fraudar importações dos adquirentes das mercadorias de seus representados, registrando o seu mais veemente inconformismo e repúdio a tais afirmações constantes do auto de infração; o auto de infração não está fundado em provas materiais ou indícios que sustentem as pesadas afirmações de que teria a NTN DO BRASIL atuado em conluio, coordenação, fraude e abono de procedimentos ilegais para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos (fls. 39 do auto de infração); há precariedade na prova produzida para a conclusão da sujeição passiva da NTN DO BRASIL, pois o que está no auto de infração e nos documentos colacionados não tem conteúdo que permita, minimamente, a afirmação da existência do indigitado conluio para fraude; diversamente do afirmado (fls. 30 e 31), a NTN DO BRASIL não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional, pois as empresas que adquirem, por seu intermédio, os produtos das empresas estrangeiras, são distribuidores destas; a NTN DO BRASIL apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas; sua atividade, assim, configura a forma clássica da representação comercial prevista na Lei Federal 4.886/65 que regulamenta a atividade do Representante Comercial; assim é inequívoco que a NTN DO BRASIL, legitimamente e economicamente ativa, atue no sentido de ampliação e promoção dos produtos das empresas que representa, atividade que exerce estritamente no âmbito da intermediação entre compradores no mercado nacional e vendedores estrangeiros, limitandose, contudo, aos atos de fechamento dos negócios, sem qualquer ingerência nos aspectos da contratação de transporte e tratamento aduaneiro das operações realizadas pelos compradores e prepostos por eles nomeados para isso; nesse cenário, pautado pela característica do comércio internacional e, portanto, com circulação de mercadorias sujeitas ao controle aduaneiro estatal, não existe qualquer obrigação legal ou contratual do representante comercial acompanhar ou participar dos trâmites aduaneiros adotados pelo comprador; Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.858 19 assim, não havia razão para a NTN DO BRASIL invadir uma esfera de atuação e responsabilidade que era dos compradores aqui no Brasil, diretamente ou por meio de prepostos; como demonstram os documentos anexos e que espelham a realidade da atuação da NTN DO BRASIL, há pedido expresso de confirmação dos moldes e termos em que seriam realizados os embarques; ou seja, ela solicitou às empresas adquirentes que informassem os elementos da operação de importação que permitiam os trâmites de embarque, mas, de forma alguma, impôs ou induziu qualquer espécie de operação previamente engendrada; no caso em análise assim agiu por ser a interface entre as empresas exportadoras e as empresas importadoras, tendo atendido às orientações dos adquirentes inclusive para cumprimento das exigências do artigo 557 do Regulamento Aduaneiro que determina a emissão de fatura comercial com identificação do exportador e do importador e, se for o caso, do adquirente ou encomendante predeterminado; essa circunstância, de modo algum, significa fraude, simulação ou movimento coordenado, mas apenas e tão somente o conhecimento prévio, por parte do representante comercial, das informações necessárias para que o exportador adote as providências que lhe cabem para expedição das mercadorias; e se as instruções do adquirente foram no sentido de gerar a fatura comercial em nome da AST não caberia à NTN DO BRASIL, na qualidade de representante comercial da empresa exportadora, questionar ou analisar a legalidade da operação entabulada entre a empresa adquirente e seu preposto para os trâmites aduaneiros e internalização da carga; a prova documental é clara: nunca houve conluio, simulação ou coordenação por parte da NTN DO BRASIL para qualquer espécie de fraude ou operação ilícita. Uma vez concluído o negócio de compra e venda entre exportadores e importadores, não é de responsabilidade na NTN DO BRASIL analisar a legalidade ou viabilidade da operação de importação, pois sua atuação está adstrita ao fechamento de acordo de vontades entre compradores nacionais e as empresas estrangeiras, apenas como representante comercial, e não como agente de comércio internacional; jamais houve qualquer ato da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação, seja por meio de interposição de terceiros, seja por declarações ou documentos falsos, de tal sorte que é impossível lhe atribuir participação na ocorrência das duas infrações lançadas no auto ora impugnado. A par da ausência de conduta ilícita, dolosa ou culposa, a NTN DO BRASIL não é empresa vinculada ao procedimento de importação, pois, como visto, é mera representante comercial das empresas estrangeiras; Fl. 2868DF CARF MF 20 na forma do artigo 542 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), cabe ao importador o procedimento de despacho aduaneiro de importação; da mesma forma, todos os comandos da Instrução Normativa 225/2002 da Receita Federal do Brasil são taxativos no sentido de atribuir ao importador todas as providências relativas ao despacho aduaneiro; ou seja, não é responsabilidade do representante comercial atuar no âmbito do controle aduaneiro estatal, pois cabe ao importador a adoção das providências junto à Autoridade Aduaneira nos termos das normas acima mencionadas; além disso, a NTN DO BRASIL nunca atuou nos procedimentos aduaneiros dos adquirentes, bem como, reiterese, jamais desenvolveu ou abonou qualquer espécie de procedimento ilegal; não existem elementos materiais concretos ou mesmo indiciários que permitam a conclusão do auto de infração no sentido de que teria havido conduta intencional da NTN DO BRASIL para a idealização do suposto esquema citado; não há, no auto de infração e nos documentos que compõem o processo administrativo, prova da alegada conduta dolosa da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação; no contexto ontológico do Direito Administrativo Sancionador o princípio da legalidade exige que, para a caracterização da infração e a aplicação da sanção, seja individualizada a conduta do agente que supostamente violou o comando legal, ainda que em regime de solidariedade; o agente público sancionador se vincula à ordenação que o Estado estabeleceu. E, para o agente privado, na condição de sujeito passivo de qualquer ação, há o indelével direito de saber qual a conduta antijurídica que lhe está sendo imputada; de nada vale, ainda que sob a premissa da fé pública do agente público na adstrita condução dos atos administrativos fiscalizatórios, a atribuição genérica de solidariedade para com o tipo administrativo descrito como fato gerador da sanção. essa conformação objetiva do tipo se aplica em todos os processos administrativos sancionadores, sejam eles contratuais, disciplinares, tributários ou mesmo aduaneiros. assim se observa porque, a par da inexistência de qualquer nexo fáticojurídico, lógico e legal que possa sustentar os argumentos do AFRFB acerca da indigitada solidariedade da NTN DO BRASIL para com os fatos narrados no Auto de Infração, simplesmente não se constatou: a)qual teria sido, DE FATO, a conduta antijurídica ou ilícita da NTN DO BRASIL, não se podendo aceitar a generalidade e contextualização como simples elemento de caracterização do nexo de causalidade; b)qual teria sido, DE DIREITO, o tipo administrativo violado pela NTN DO BRASIL, que era a Representante Comercial da Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.859 21 NTN SUDAMERICANA no Brasil), mas de forma alguma não era o Importador ou seu Mandante (direto ou indireto), não era o Exportador, não era o Agente de Cargas, não era o Distribuidor e tampouco o beneficiário final dos atos de comércio praticados; e c)qual a vantagem ou benefício, direto ou indireto, que a NTN DO BRASIL teria auferido com a alegada "interposição fraudulenta de terceiros", não se podendo simplesmente aceitar que teria cometido ilícito fiscal "para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos"; essa falta de motivação lógicoracional, não obstante o prejuízo à própria defesa, confere total improcedência da ação fiscal; inúmeras reflexões doutrinárias poderiam ser citadas para defender o entendimento de que, nos limites dos próprios mandamentos legais e de acordo com os princípios basilares da administração pública, ao agente público fiscalizador não há espaço de discrição e interpretação para a definição do tipo administrativo lesado; no caso dos autos se identifica exatamente o ambiente legal em que o agente público fiscalizador precisaria ser contundente na descrição, caracterização e prova da alegada conduta antijurídica da NTN DO BRASIL, sendo plenamente insubsistentes os argumentos de que a empresa "providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA", que a Importadora AST só ingressava no procedimento comercial "a partir do embarque e emissão da fatura internacional" e que seria a real compradora dos bens importados, em conjunto com o Distribuidor; essas conjecturas vazias demonstram, além da falta de tipificação da conduta, total fragilidade do argumento da solidariedade passiva; a matéria de fato deve ser provada e comprovada de modo extenso e extenuante, de acordo com o princípio da verdade material já amplamente suscitado nesta Impugnação; nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei nº 37/1966 (sic) (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente); a NTN DO BRASIL, além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio, única e exclusivamente, sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas estrangeiras. Para seu negócio, a importação por uma modalidade ou outra não geraria benefícios diferentes ou qualquer alteração no resultado de seus ganhos, de tal sorte que, nem pelo elemento "benefício" deve a NTN DO BRASIL responder solidariamente; Fl. 2870DF CARF MF 22 é evidente que a alegada ocultação do verdadeiro adquirente, se é que houve, nenhum efeito benéfico traria para a NTN DO BRASIL, caindo por terra a razoabilidade deste argumento contido no auto de infração; assim, por uma ou outra de qualquer das vias legais de responsabilidade conjunta mencionadas no auto de infração, não há nexo de causa entre o fato real e a atuação da NTN DO BRASIL que justifique sua sujeição passiva solidária; diante da ausência de atuação dolosa ou culposa nas operações de importação retratadas no auto de infração e, de outro lado, diante da ausência de amparo legal para categorização do representante comercial como responsável solidário pelas obrigações dos importadores e seus prepostos, é flagrante a ilegalidade da presente autuação em relação à NTN DO BRASIL, razão pela qual deve ser anulada pela Autoridade julgadora; assim, são ilegais o auto de infração e a imputação de responsabilidade solidária nele contida em relação à NTN DO BRASIL, sendo de rigor seu cancelamento, com os efeitos reflexos diretos nas Representações Fiscais para Fins Penais, eis que ausentes quaisquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, consubstanciada no auto de infração acima referido, espera e requer a NTN DO BRASIL seja acolhida a presente impugnação com os documentos que a instruem para o fim de assim ser decidido, cancelandose a sujeição passiva solidária aplicada e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLAMENTOS MARINGÁ), cientificada do lançamento em 10/05/2013 (fl. 1.998), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 07/06/2013, a impugnação de fls. 2.009 2.073, na qual, após discorrer sobre a tempestividade e os fatos, alega: DAS PRELIMINARES Da nulidade do Auto de Infração em virtude do MPF Diligência Impossibilidade de Conversão em Auto de Infração o lançamento é nulo em virtude de o MPF diligência não poder ser convertido em auto de infração; fica evidente que à impugnante não foi dada nenhuma garantia de defesa, uma vez que esta foi intimada a apresentar documentos no mandado de procedimento fiscal na categoria de diligência, não podendo assim ter lavrado contra si um auto de infração com valores a saltar os olhos; o art. 3º da Portaria nº 11.371/2007 prevê os limites do Mandado de Procedimento Fiscal Diligencia, ficando evidente que tem o fito de coletar informações para fins de instrução processual; Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.860 23 em resumo, a fiscalização deve ser efetuada nos limites e prazos contidos no instrumento do mandado de procedimento fiscal, sob pena desses atos serem considerados ilícitos; desse modo, no caso em apreço é manifesta a nulidade do presente auto de infração, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal lavrado contra a ora impugnante tratase de Diligência, razão pela qual aceitar o presente lançamento tributário é admitir que o auditor fiscal possa fiscalizar além dos limites determinado no instrumento, revelandose verdadeira afronta a todo o ordenamento jurídico vigente, tornandose viciados, portanto, nulos; diante do exposto, requer a declaração da nulidade do presente lançamento tributário, visto que o Auditor Fiscal não detinha competência para fiscalizar a empresa ora impugnante, mas diligenciar na coleta de documentos para fins de instrução processual; Da Nulidade do Auto de Infração Lavrado por Autoridade Incompetente se não bastasse tudo isso, notase ainda que há manifesta nulidade do presente lançamento tributário, visto que ultrapassou os limites da competência; a Portaria 11.371/2007, determina que os auditores fiscais são nomeados com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), no qual passam a ter competência para realizar o procedimento fiscal, ou seja, lhes é outorgado, um Mandado com diretrizes que devem ser observadas, sob pena de nulidade dos atos caso as diretrizes não sejam cumpridas a risco; importante mencionar que no artigo 6º e parágrafos, da supracitada Portaria, determina que o Mandado de Procedimento Fiscal, deverá ser emitido pela respectiva autoridade da região fiscal, sendo que deverá haver autorização para que seja realizada fiscalização em outra região fiscal; notese, desde logo, que a fiscalização foi desencadeada na Alfândega do Porto de Vitória, Estado do Espírito Santo, sendo que não pode ser aceita a lavratura do auto, contra a ora impugnante no Estado do Paraná; vejase, o ato de lavratura de auto contra a ora impugnante foi realizado por agente fora dos limites da competência, e neste caso tornase o lançamento tributário nulo de pleno direito, nos termos do art. 59, do Decreto 70.235/72; observese, que não há nenhuma previsão legal de possibilidade de correção de ato viciado, e assim, o Mandado de Procedimento Fiscal, merece ser julgado nulo; tudo comprova, portanto, que o presente crédito tributário, constituído por meio do processo administrativo ora guerreado, é eivado de nulidade, uma vez que, ao ser lavrado fora dos limites geográficos, afrontou diretamente o ordenamento jurídico, Fl. 2872DF CARF MF 24 merecendo desse modo ser declarado nulo de pleno direito, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72 o que desde já se requer; Da Nulidade do Auto de Infração Lavrado por Indício Ausente a Verdade Material o Auto de Infração é nulo por ter sido lavrado por indícios; ele está eivado de erro na sua formação, tornandoo passível de anulação, ante o descompasso existente entre as provas carreadas nos autos e a verdade material do fato jurídico; verificase que, no caso em apreço, não houve prova de qualquer ato fraudulento da ora impugnante que levasse à conclusão de ter havido a prática da interposição fraudulenta; a atividade fiscalizatória realizada no presente processo é no mínimo arbitrária, em virtude de não obedecer ao princípio da legalidade, uma vez que a lavratura do auto de infração teve por base suposta simulação na sistemática da operação de importação, sem, todavia, trazer qualquer prova de ato fraudulento por parte da ora impugnante; somente na hipótese de ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação será caracterizada a interposição fraudulenta, o que não foi devidamente comprovado no caso em apreço, no qual houve apenas meras suposições pelo auditor fiscal, merecendo desse modo, ser a presente autuação declarada nula de pleno direito; a relação jurídica entre a ora impugnante e a empresa AST tratase de contrato de compra e venda de produtos importados da empresa NTN BRASIL, conforme podese notar das notas fiscais de saída emitidas pela referida empresa à impugnante; importante mencionar que no caso em apreço fácil observar que entre a DI e a nota fiscal de saída emitida pela AST, há margem de lucro, não podendo essa comercialização ser considerada como interposição fraudulenta, por mera presunção da autoridade fiscal; é descabida a pretensão do Fisco de autuar a ora impugnante, atribuindolhe responsabilidade solidária, por suposta interposição fraudulenta, diante de uma presunção de incapacidade financeira da empresa importadora AST, sem de fato estabelecer a prova, o nexo causal da prática omissiva da empresa impugnante no aludido fato ilícito; a prevalecer o entendimento de interposição fraudulenta, apenas com meros indícios de incompatibilidade financeira da empresa importadora, sem demonstrar a verdade material é afrontar o princípio da segurança jurídica, e, por conseguinte cláusula pétrea, uma vez que se trata de direito fundamental; diante do exposto, sendo inequívoco que no caso em apreço não há prova de simulação na sistemática das operações de importação, tendo a autuação decorrido de presunção, merece ser julgada nula de pleno direito; DO MÉRITO Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.861 25 em relação ao mérito, sob a análise dos fatos ora suscitados, vê se que inexistem fundamentos que embasem a exigência da multa cobrada da empresa ora impugnante, tendo em vista que esta jamais praticou quaisquer das infrações listadas pela autoridade fiscal, pautando suas atividades sempre na estreita e correta legalidade; não houve qualquer das infrações apontadas pelo Fisco por parte da empresa ROLMAR que justifique o lançamento tributário, merecendo o presente processo administrativo ser julgado totalmente improcedente no mérito; Da realidade dos fatos a realidade dos fatos é que a impugnante atua desde 1976 no ramo atacadista e varejo de partes e peças de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso agropecuário, de forma correta, sendo que comercializa produtos diversos, e não apenas rolamentos. Também comercializa com diversas outras empresas, e não apenas com a AST; as transações da impugnante com a AST representam apenas cerca de 15 a 20% do total, não havendo que falarse em interposição fraudulenta, pois, neste caso, todas as comercializações da ora impugnante estariam adstritas a AST, o que não é verdade; apesar de a empresa comercializar produtos adquiridos da AST, cuja fabricação provém da empresa NTN, a AST possui CNPJ ativo, assim como tem como atividade o comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos (CNAE nº 45.307 01. Assim, tendo em vista que a referida empresa encontrase regularmente inscrita e classificada para a comercialização de peças de veículos automotores, e a comercialização de rolamentos, não pode a impugnante responder por qualquer irregularidade; assim, inexiste qualquer interposição fraudulenta no presente caso, tendo em vista que à recorrente não compete verificar ou estabelecer a incapacidade financeira da AST, motivo pelo qual não pode ser solidariamente responsabilizada; além disso, a empresa AST estava devidamente habilitada no SISCOMEX, bem como no RADAR, estando apta a importações de produtos, entre outros, rolamentos. Assim, não havendo proibição à atuação da empresa AST por parte da Receita Federal do Brasil, a impugnante poderia manter relações comerciais com esta normalmente, não prevendo que poderia posteriormente vir a sofrer restrições e ter contra si lavrado o presente Auto de Infração, na modalidade de sujeito passivo solidário; a despeito disso, importante analisar as fls. 538 a 551 do presente auto de infração lavrado, por tratarse da DI n° 09/00570541, na qual não houve nenhuma irregularidade, Fl. 2874DF CARF MF 26 merecendo desse modo, o presente ser julgado totalmente improcedente; a incumbência de fiscalizar e verificar a capacidade financeira da empresa fiscalizada compete exclusivamente à RECEITA FEDERAL DO BRASIL, a qual autorizou e concedeu à empresa AST a possibilidade de atuar no comércio internacional como importadora. Diante disso, presumese que a referida empresa atue de forma regular, motivo pelo qual não pode a defendente responder por atos que fogem ao seu âmbito de competência; devese esclarecer que os valores repassados à empresa AST foram efetuados a título de pagamento pelas mercadorias adquiridas, tendo em vista o contrato de compra e venda pactuado entre as partes celebrado na forma da Nota Fiscal, jamais o tendo sido a título de adiantamento, uma vez que a ora impugnante adquiria os produtos da empresa importadora, in casu, a AST; ademais, cumpre salientar que não existem provas concretas de que os valores pagos pela recorrente foram revertidos à exportadora. A mera presunção de que as datas dos pagamentos são próximas à data da emissão das notas fiscais não possui capacidade de imputar à impugnante responsabilização solidária que, em verdade, não existe; insta observar que todos os valores foram pagos à empresa AST, única responsável pela cobrança dos impostos, os quais foram integralmente pagos nas transações comerciais realizadas com a recorrente; diante do exposto, patente que o procedimento de aquisição e comercialização dos produtos pela defendente manifestamse de modo regular, condizente com o procedimento ordinário existente em qualquer estabelecimento comercial pátrio; Da Inexistência de Interposição Fraudulenta e da Impossibilidade de Responsabilização Passiva Solidária da ora Impugnante não merecem prosperar as alegações nesse sentido abordadas pelo Fisco no Auto de Infração, haja vista que inexistem fundamentos fáticos e jurídicos que as embasem, na medida em que todas as transações efetuadas pela empresa ora impugnante com a empresa importadora AST obedeceram a mais estreita legalidade; a presunção de interposição fraudulenta, prevista no art. 23, inciso V, e parágrafo 2º, do DecretoLei nº 1.455/1976, tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário. Deve se ter em mente que tais presunções descritas hipoteticamente em lei não tem o condão de atribuir ao aludido fato características de verdade irrefutável, uma vez que possuem conteúdo abstrato, ou seja, mero indício de que possa ter ocorrido um ato contrário à norma; da detida análise conjunta dos dispositivos atinentes à matéria e a interpretação do conceito de interposição fraudulenta depreendese que os requisitos necessários à sua caracterização Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.862 27 são: ocultação do real importador, real vendedor ou responsável pela operação; interposição fraudulenta de terceiro; intenção de sonegar tributos, ocasionando danos ao erário; não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos; todavia, tais elementos caracterizadores da interposição fraudulenta não estão presentes no caso concreto; em relação à ocultação, esta não ocorre porque todas as transações e atuações no comércio exterior foram realizadas pela empresa AST, que é, de fato, a única importadora; inexiste a comprovação da conduta dolosa por parte da empresa ora impugnante em "ocultar o real importador", haja vista que não possui qualquer interesse em agir dessa forma; consoante se constata, a impugnante mantinha relações estritamente comerciais com a empresa fiscalizada AST, de quem adquiria os produtos necessários para o regular funcionamento de sua atividade; há de se ponderar que todos os pagamentos das notas fiscais de saída da empresa AST foram devidamente feitos e contabilizados pela defendente, motivo pelo qual não há se falar em ocultação do importador, na medida em que a ROLAMENTOS MARINGÁ jamais atuou ou deveria ter atuado como importadora dos produtos que comercializava; devese considerar também o objeto social da AST, constante da 29ª alteração e consolidação de seu Contrato Social, assim como que a referida empresa está devidamente cadastrada no SISCOMEX, na modalidade Ordinária, consoante documento acostado à fl. 123, do Auto de Infração; resta evidente que, estando habilitada no SISCOMEX, pressupõese que a AST cumpre todos os requisitos para a concessão da autorização para atuação no comércio exterior previstos na Instrução Normativa SRF n° 650/2006, os termos do disposto em seus arts. 4º e 5º; nessa toada, devese atentar para o fato de que a real importadora era de fato a empresa AST, a qual realizava todas as transações no comércio exterior, importando as mercadorias e providenciando o desembaraço aduaneiro, para o fim de comercializar as peças que adquiria da empresa NTN BRASIL para as adquirentes nacionais, que é o caso da empresa ora impugnante; no que se refere à interposição fraudulenta de terceiro, a AST jamais atuou como interposta pessoa da empresa ora impugnante; isso porque em momento algum restou caracterizado qualquer tipo de fraude, sonegação, conluio, ou ato ilícito capaz de ensejar a aplicação do instituto da interposição fraudulenta ao caso; a fraude, para restar caracterizada depende de intenção, de ação/omissão dolosa, que inexiste no caso em comento, tanto que jamais foi provada pelo Fisco. Em momento algum a autoridade Fl. 2876DF CARF MF 28 fiscal trouxe provas aos autos capazes de elidir os fatos ora ventilados, que pudessem indicar a suspeita de ocorrência da suposta fraude alegada; o instituto da fraude está intimamente relacionado com o conceito de simulação, que resta caracterizado nas hipóteses previstas no art. 167 do Código Civil de 2002; da análise das provas carreadas aos autos, não há nenhuma prova efetiva de que tenha havido qualquer fraude, simulação ou qualquer outra ato ilícito, cometido pela impugnante; a impugnante quando foi intimada a apresentar os documentos solicitados no MPFDiligência, pautouse na apresentação incontinenti todos os documentos, não omitindo nada, pois está ciente de que não cometeu nenhuma infração; dessa maneira, há de se convir que a presente infração foi lavrada com base única e exclusivamente em suposições e interpretações equivocadas do autuante; no relatório com a descrição dos fatos e enquadramento legal da presente autuação, constatase que, diferente do que afirma a autoridade fiscal, não há nenhum documento que tenha sido promovido com modificações de características essenciais da operação de importação; todos os documentos juntados pela própria Administração Pública, das importações realizadas pela empresa AST e comercialização para a impugnante não possuem nenhum elemento de fraude, rasura, simulação, não podendo assim haver qualquer condenação a título de interposição fraudulenta; desse modo, resta claro que a impugnante nunca agiu de modo a causar qualquer dano ao Erário, mas o contrário sempre pautou se na lealdade aos princípios democráticos brasileiros, cumprindo assim com todas as suas obrigações tributárias, comerciais, sem qualquer simulação, fraude ou outro ato ilícito nas relações jurídicas que possuía com a AST; o instituto da simulação não pode ser imputado aos atos praticados pela impugnante, que jamais incorreu na prática de qualquer dos ilícitos descritos no art. 167, e incisos supracitados, tendo agido sempre pautada na boafé, e jamais tendo simulado qualquer ato para encobrir/ocultar ilícitos; também jamais apresentou documentos com informações inverídicas ao Fisco; urge esclarecer, apenas para fins argumentativos, para que se pudesse intentar a responsabilização da impugnante pelos atos praticados pela AST, caberia ao Fisco comprovar documentalmente e de forma cabal e inequívoca a ocorrência do dolo/fraude/simulação da empresa ROLAMENTOS MARINGÁ, em suas ações, o que de fato não ocorreu no caso em apreciação, tendo em vista que tais ilícitos jamais existiram, motivo pelo qual não pode o Fisco, embasado em meras presunções desprovidas de realidade, responsabilizar solidariamente a impugnante; diante da ausência dos ilícitos apontados pelo Fisco, não há se falar também em sonegação e conluio praticado pela defendente, visto que inexistente no presente caso; Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.863 29 observase, portanto, que os negócios jurídicos realizados pela impugnante com a empresa AST foram praticados com fiel observância à lei, na medida em que aquela efetuou contrato de compra e venda com esta, não havendo que se falar em interposição fraudulenta de terceiro; outra reflexão referese ao fato de que, entre a importação realizada pela AST e a impugnante, é facilmente constatado haver um lucro da importadora, conforme planilha elaborada pela fiscalização, fato que a impugnante somente teve conhecimento através do Auto de Infração; caso a impugnante fosse interposta da empresa AST, é evidente que os valores pagos na importação estariam restritos ao montante do valor aduaneiro e jamais valores com margem de lucro para outra empresa, pensar o contrário é no mínimo absurdo; diante do exposto, resta inequívoco que no caso em apreço não se trata de importação com interposição fraudulenta, mas de ato comercial de venda, merecendo desse modo, a presente impugnação ser julgada totalmente procedente, com o fito de declarar a improcedência do auto de infração ora guerreado; também não houve sonegação de tributos que poderia ensejar dano ao Erário, sendo que todos os tributos incidentes nas operações de responsabilidade da empresa impugnante já foram devidamente pagos; por sempre atuar pautada pela legalidade, boafé e moralidade, em nenhum momento houve dolo da impugnante em incorrer na prática de interposição fraudulenta, a qual se revela por esquemas fraudulentos e simulatórios engendrados nessa seara, objetivando o não recolhimento dos tributos aduaneiros incidentes na importação; na situação em apreço, não houve qualquer ato fraudulento cometido pela defendente que tenha causado dano ao Erário, tendo em vista que todos os tributos foram devidamente quitados. Além disso, o próprio lançamento tributário ora guerreado trata se de penalidade e não de recolhimento de tributos aos cofres públicos, provando inclusive que não houve qualquer dano ao Erário; assim, tendo em vista restar inequívoco que não houve qualquer dano ao Erário, consoante sobejado na presente defesa, a qual merece ser julgada procedente para o fim de cancelar o lançamento tributário, uma vez que é fadado ao insucesso; quanto à não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, há de se ponderar que eventual incapacidade financeira constatada nas atividades desempenhadas pela AST, não pode ser imputada à impugnante, posto que a relação entre as referidas empresas era de caráter estritamente profissional; Fl. 2878DF CARF MF 30 além disso, devese esclarecer que o pagamento realizado pela recorrente à AST foi efetuado a título de pagamento pelos produtos adquiridos, não havendo que se falar em pagamento adiantado ou parcelado; assim sendo, descabidas as alegações da fiscalização, que presumiu um adiantamento dos valores pagos à empresa AST, o que não se pode admitir sob nenhuma hipótese; constatada a suposta incapacidade econômica da AST, o Fisco deveria averiguar a possibilidade de sua permanência nas atividades de comércio exterior, o que não foi feito. Dessa forma, a impugnante não poderia prever a existência de eventual incapacidade financeira da citada empresa, presumindo que esta atuava de forma regular, na medida em que a habilitação no SISCOMEX, bem como o RADAR estavam aparentemente regularizados; da análise do art. 124, incisos I e II do CTN, e arts. 264 e 265 do Código Civil de 2002, constatase que inexiste a responsabilidade solidária alegada pela fiscalização, já que a solidariedade passiva somente restará configurada na hipótese de existir interesse comum entre as partes, o que não se aplica no caso em comento; ou havendo previsão legal, o que também não ocorre no caso em tela, uma vez que inexiste relação entre as partes; em que pese o Fisco alegue ter havido a suposta ocorrência de interposição fraudulenta capaz de ensejar a responsabilidade solidária pretendida, esta jamais foi de fato comprovada, posto que inexistente, motivo pelo qual é inequívoca a ilegitimidade da impugnante para figurar no polo passivo da presente demanda; nesse diapasão, descabida a pretensão do Fisco de autuar a defendente imputandolhe responsabilidade solidária, diante da suposta constatação de indícios de incapacidade financeira da empresa importadora AST, sem de fato estabelecer a prova, o nexo causal da prática comissiva/omissiva da impugnante na prática do aludido fato ilícito; bem como diante da ausência de preenchimento das elementares do tipo, razão pela qual não há se falar em interposição fraudulenta, o que desde já se requer; Da Veracidade e Legalidade das Notas Fiscais Contrato de Compra e Venda Inexistência de Descaracterização das Transações na hipótese em apreço, conforme ficou demonstrado, não há que falar em interposição fraudulenta, mas de contrato de compra e venda de produtos importados da empresa AST. No vertente caso, a relação jurídica (compra e venda de produtos importados) está efetivamente provada nos autos; consoante se verifica pela cópia das notas fiscais, a natureza da operação tratase de venda, devidamente contabilizada nos livros fiscais da impugnante; a este respeito, destacase que a nota fiscal é o instrumento pelo qual se prova o contrato de compra e venda existente entre as partes (ROLAMENTOS MARINGÁ e AST), não tendo havido nenhuma descaracterização por parte da autoridade pública fiscal; Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.864 31 o contrato de compra e venda, nos termos do art. 481 do Código Civil, revelase quando um dos contratantes se obriga a transferir o domínio a certa coisa, e outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Dessa forma, todos os documentos carreados no caso em exame provam que a impugnante adquiriu rolamentos importados da empresa AST, com a contraprestação em pecúnia, visto que lhe entregou os valores demonstrados nos depósitos identificados; ressaltase, desde logo, que a impugnante adquiriu os produtos importados da AST, não havendo que falarse em interposição fraudulenta, uma vez que é claramente identificada a margem de lucro existente na cadeia comercial, sendo que, na etapa anterior à aquisição dos produtos importados pela empresa AST, a defendente identificava a disponibilidade dos produtos diretamente com a empresa NTN BRASIL, por uma questão de gerenciamento entre as empresas; a venda realizada pela empresa AST, ocorreu em valores diversos daqueles do momento da importação, uma vez que houve margem de lucro, o que mais uma vez caracteriza o ato comercial de venda da relação jurídica existente entre as partes; verificase a fragilidade do auto de infração tendo em vista que o autuante junta aos autos documentos desconexos entre si, não havendo nenhum que efetivamente prove que a importação foi realizada pela impugnante; analisandose a declaração de importação (AST e NTN BRASIL) e as notas fiscais de venda (operação entre a AST e a ROLAMENTOS MARINGÁ), estas fazem prova da margem de lucro, estando os referidos documentos destacados no Auto de Infração; no próprio auto de infração (fls. 89), há uma planilha que demonstra haver essa margem de lucro; como é cediço, a interposição fraudulenta tem como fim ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, para que assim possa afastar dolosamente a incidência do IPI, obtendo vantagem indevida pelo não recolhimento dos montantes devidos a título desse tributo, conseguindo dar entrada em estoque por valor abaixo do real, consequentemente elevando sua margem de lucro quando da revenda no mercado interno, nas cadeias de comercialização subsequentes; é inaceitável impor à impugnante, dolo na sua comercialização com a empresa AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, aduzindolhe a penalidade de interposição fraudulenta, quando a entrada das mercadorias no seu estoque em relação ao valor aduaneiro mostra, de forma evidente, haver acréscimo; analisando os dados da planilha, é facilmente visível que, entre o valor aduaneiro base de cálculo do imposto de importação e o valor da entrada da mercadoria na contabilidade da AST, há uma variação, ou seja, os valores são acrescidos dos tributos; Fl. 2880DF CARF MF 32 não se pode olvidar que as provas produzidas pela fiscalização, sem qualquer participação da defendente, demonstram o ato comercial existente de compra e venda de rolamentos importados, com a quitação de todos os tributos, e não interposição fraudulenta; a situação em deslinde, não há nenhum tributo a ser recolhido, uma vez que a própria lavratura do auto não ocorreu por ausência de imposto, mas pela suposição de penalidade, o que deve ser rechaçado, merecendo a presente defesa ser julgada totalmente procedente, com o fito de cancelar citado lançamento; notese que, pela planilha citada, na importação decorrente da DI 09/00570541, o valor aduaneiro é de R$ 71.935,67, sendo que a mercadoria ingressou na contabilidade da empresa AST com o valor de R$ 93.227,46, todavia, o valor de venda pago pela impugnante, conforme nota fiscal de saída é de R$ 135.476,48; o lucro obtido pela AST nessa operação foi de R$ 42.249,02; analisando a planilha citada, produzida pela fiscalização, fazendo um exame de algumas importações por amostragem, o menor lucro adquirido pela empresa AST foi de R$ 18.647,18; oportuno salientar que as notas fiscais apresentadas pela impugnante estão albergadas pela legislação vigente, contendo todos os requisitos por ela exigidos; importante destacar que no caso presente a impugnante quitou todos os tributos decorrente da comercialização de venda, inclusive o ICMS, PIS, COFINS e outros; na relação jurídica havida entre a impugnante e a AST, não existe nenhuma simulação, fraude, mas um ato comercial de venda, devidamente registrado nas notas fiscais que é o instrumento do contrato de compra e venda; diante do exposto, resta claro que no caso em apreço a natureza das operações é de venda de produtos importados pela empresa AST, não havendo que se falar em interposição fraudulenta, merecendo a impugnação ser julgada totalmente procedente; Da Suposta Constatação de Incapacidade Financeira da Empresa AST Habilitação de Utilização do RADAR e SISCOMEX Responsabilidade da Receita Federal do Brasil Despacho Aduaneiro Perfeito e Acabado conforme consta no Auto de Infração, à fl. 123, conforme Parecer, na data de 31/08/2007 a Receita Federal do Brasil já havia constatado que a empresa AST operava no comércio internacional em montante superior aos valores a que estava habilitada, e não tomou imediatas providências; é fato notório que a citada empresa está devidamente ativa até a presente data, legitimada a atuar no comércio exterior, conforme se denota por consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil, demonstrando que jamais foi declarada inativa, ou tida como inapta, nos termos da Lei nº 9.430/1996 e Instrução Normativa nº 748, de 28/06/2007; Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.865 33 da maneira como a situação foi conduzida pelo Fisco, verificase uma manifesta violação ao princípio da segurança jurídica, posto que a impugnante vinha pautando sua conduta nos princípios da moralidade e boafé, jamais deixando de arcar com suas obrigações, quando fora intimada a prestar esclarecimentos acerca das relações comerciais que mantinha com a empresa AST e, posteriormente, sem qualquer fundamento legal, fora incluída como responsável passivo solidário por uma suposta obrigação inexistente; no que tange à necessidade de adiantamentos presumida pelo Fisco, devese esclarecer que o pagamento realizado pela defendente à AST era efetuado a título de contraprestação pelos produtos adquiridos, não havendo que se falar em pagamento adiantado ou parcelado; ora, não havendo possibilidade de a impugnante efetuar o pagamento integral no momento da aquisição das mercadorias, nada impede, bem como não existe norma que proíba efetuar o pagamento de forma parcelada, em momento anterior ou posterior à compra dos produtos, facultandose às partes pactuar o que melhor lhes convier, motivo pelo qual é descabida a presunção do Fisco; assim, não cabe responsabilizar a impugnante por eventual indisponibilidade de numerário por parte da empresa AST, somente pelo fato de que os pagamentos foram feitos em período anterior ao contido na nota fiscal de saída; a simples programação de datas para o pagamento dos produtos adquiridos não pode caracterizar a presunção de adiantamento, uma vez que se trata de uma modalidade de gerenciamento e planejamento da impugnante para honrar todas as suas obrigações, efetuando os pagamentos dos débitos de acordo com a movimentação do fluxo do caixa; a alegação do autuante, no sentido de o aumento do capital social da AST foi efetuado de forma gráfica e simulada, é totalmente inadmissível no que se refere à impugnante; da mesma forma, a evolução patrimonial da citada empresa não guarda qualquer relação com a defendente, já que se tratam de empresas distintas, que não formam grupo econômico ou mantém qualquer outra relação senão a comercial, motivo pelo qual a situação financeira de uma jamais poderá ser imputada a outra; havendo constatação de incoerências pela autoridade fiscal nas Declarações de Imposto de Renda ou na contabilidade da empresa AST, somente esta responde pelas eventuais irregularidades a que deu causa; ademais, se haviam indícios de anomalias constatadas pelo Fisco desde 2007, o dever da Receita Federal do Brasil era o de fiscalizar imediatamente a empresa AST para repreender eventuais incongruências existentes e, inclusive, alertar as demais empresas com as quais esta mantinha relações comerciais, acerca Fl. 2882DF CARF MF 34 de eventuais irregularidades nas atividades por esta desempenhadas; a boafé da impugnante resta caracterizada, mais uma vez, na medida em que a empresa AST atuava de forma constante no âmbito internacional, pois estava habilitada no SISCOMEX, assim como o sistema RADAR estava regularizado, tendo autorização da Receita Federal do Brasil para atuar no comércio exterior; diante disso, tendo em vista sua boafé, não se pode imputar, neste caso, responsabilidade solidária passiva à impugnante. Caso contrário, haveria a possibilidade de incluirse no polo passivo a própria Receita Federal do Brasil, a quem incumbia o dever de fiscalizar a regularidade da empresa importadora AST, e mantevese omissa; havendo o desembaraço das mercadorias, considerase legalizado e oficializado o processo de importação, motivo pela qual não há que se falar em irregularidade no procedimento adotado, nem ao menos suporse a ausência de recolhimento de qualquer tributo/contribuição, tendo em vista que a própria IN n° 680/2006, em seu art. 11, determina que o pagamento dos tributos/contribuições incidentes na importação será requisito essencial para sua formalização, a ser pago no ato do registro da DI; assim sendo, se havia algum tributo a ser recolhido pela empresa AST, este certamente o foi no momento do registro da DI, pois caso não houvesse sido pago, jamais haveria o desembaraço das mercadorias, o que de fato ocorreu; assim, são descabidas todas as alegações da fiscalização, que presumiu um adiantamento dos valores pagos à AST , bem como restou devidamente comprovado que à empresa adquirente das mercadorias, a ora impugnante, não cabe a responsabilidade pela saúde financeira da empresa importadora; nesse diapasão, descabida a pretensão do Fisco de autuar a impugnante, que sempre agiu de boafé, imputandolhe uma responsabilidade solidária, diante da suposta constatação de indícios de incapacidade financeira da empresa importadora AST, sem de fato estabelecer prova capaz de ensejar a perquirida responsabilidade, razão pela qual o cancelamento do presente Auto de Infração, no tocante à empresa ROLAMENTOS MARINGÁ, é medida que se impõe; Da Impossibilidade de Suposição de Documento Falsificado/Adulterado a outra infração aduzida pelo Fisco, da suposta ocorrência de documentos ideologicamente falsificados/adulterados não merece prosperar no que tange à parte ora impugnante, na medida em que, por entender ter havido a prática de interposição fraudulenta sem apresentar provas concretas, como consequência, imputou aos sujeitos passivos a prática da aludida infração sem qualquer embasamento para tanto; Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.866 35 nesse compasso, constatase que a autoridade fiscal não provou efetivamente a adulteração/falsificação do documento, consubstanciando suas alegações em meras suposições; os conceitos de adulteração/falsificação são sinônimos que indicam a existência de um ilícito, que possuem como elemento fundamental à sua caracterização o dolo, a intenção do agente em incorrer na prática da infração, de modo a obter alguma vantagem ou benefício; não obstante, tais características não se revelam presentes no caso em apreço, visto que a impugnante jamais praticou qualquer ato voluntário, doloso, no sentido de falsificar/adulterar qualquer documento perante o Fisco, motivo pelo qual incabível a imputação de falsidade ideológica aludida pelo Fisco em seu desfavor; ademais, é cediço em nosso ordenamento pátrio que o ônus da prova compete àquele que acusa. Assim, em todas as acusações de falsidade, seja material ou ideológica, a Administração Pública tem o dever de provar, instruindo o processo com os dados que reputam verdadeiros no caso de falsidade ideológica; a apresentação das referidas provas e dados é imprescindível à caracterização da suposta infração, haja vista que tem por escopo proteger e inibir a prática de arbitrariedades por parte do Poder Público, garantindo a segurança jurídica aos particulares e permitindo a manutenção do Estado Democrático de Direito vigente; assim, viola os princípios da proporcionalidade e razoabilidade a aplicação da pena de perdimento, substituída pela multa de 100% do valor aduaneiro no caso em comento, por alegada falsidade ideológica de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, quando não há indício lógico de ocorrência da aludida falsidade; outrossim, há de se ressalvar, como já demonstrado, que quem adquiriu e importou as mercadorias no exterior foi a AST, devidamente declarada nos documentos da transação internacional, razão pela qual não há se falar em falsidade de documentos; incabível ainda admitirse que ao contribuinte seja imputado o dever de efetuar prova negativa das alegações aduzidas pelo Fisco, uma vez que suas constatações estão embasadas somente em meros indícios, o que torna impossível a negação documental; para que se pudesse supor a existência da referida infração, competiria ao Fisco descaracterizar a comercialização havida entre as empresas, trazendo aos autos provas robustas e reais de ilegalidade nas documentações, o que de fato não ocorreu; a impugnante acreditava fielmente que a empresa AST estava apta a efetuar as importações, bem como emitir toda a documentação para o procedimento das importações de forma Fl. 2884DF CARF MF 36 idônea e lícita, diante da liberação/autorização da Receita Federal do Brasil em permitir a comercialização internacional; ainda que assim não fosse, a emissão de todos os documentos utilizados no procedimento de importação eram de responsabilidade da AST, e jamais foram expedidos pela impugnante; a imputação de um ato ilícito a qualquer pessoa, seja esta física ou jurídica, depende de documentos e provas reais de seu envolvimento, não se admitindo que seja consubstanciada em meros indícios e alegações por parte do Fisco, ferindo de morte o Princípio da Presunção de Inocência; portanto, verificase a inexistência da adulteração/falsificação de documentos para o embarque ou desembaraço de mercadoria estrangeira imputado à impugnante, já que esta jamais praticou qualquer ato nesse sentido, não se admitindo que a responsabilidade por eventual ilícito ultrapasse a figura do real infrator, no caso a AST, e remanesça a pessoa distinta da relação, que não possui nexo causal com o fato; desse modo, pugnase pelo cancelamento total do presente Auto de Infração no que diz respeito às infrações imputadas à impugnante, na medida em que não concorreu para a prática dos atos supostamente tidos como infração, nos termos da fundamentação supra, por ser medida de direito; Ilicitude da Aplicação da Pena de Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro das Mercadorias Ausência de Dano ao Erário Valores já Recolhidos aos Cofres Públicos o Fisco busca impelir à defendente, que não possui qualquer responsabilidade quanto à prática dos supostos ilícitos alegados, a exigência da multa no percentual de cem por cento do valor aduaneiro das mercadorias, o que configura um contrassenso inadmissível; isso porque aceitar a imposição desta penalidade no caso concreto resultaria em aceitar a aplicação do princípio do não confisco, insculpido no texto da Constituição Federal, no art. 150, inciso IV, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributos com efeito de confisco, configurando Direito Fundamental do Contribuinte protegido por cláusula pétrea; o referido princípio é também aplicável às penalidades decorrentes de multas, segundo doutrina majoritária, que leciona que, assim como os tributos, as multas devem ser estabelecidas de maneira razoável e proporcional; nesse sentido já sinalizaram o STF e o STJ; diante disso, considerar a possibilidade de aplicar a pena de perdimento das mercadorias seja na hipótese do caso em tela, seja em qualquer outra, evidencia a insensatez e a audaz ferocidade do Fisco em querer cada vez mais arrecadar sem observar limites constitucionais; Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.867 37 a manutenção do presente Auto de Infração, exigindose a multa de cem por cento do valor aduaneiro, importaria na cobrança em bis in idem, haja vista que todos os tributos decorrentes da operação comercial entre a impugnante e a AST, foram devidamente pagos, ocasionando a imposição de uma penalidade por infração inexistente, acarretando o enriquecimento ilícito da Administração Pública, o que é inexoravelmente rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio; restando evidenciada a legitimidade das operações havidas entre a impugnante e a AST, inadmissível a presunção de dano ao Erário, incorrendo em ofensa ao princípio da legalidade tributária, além do fato de que os tributos incidentes nas operações havidas foram devidamente recolhidos aos cofres públicos; diante do exposto, pela ausência de dano ao Erário, diante da legalidade das operações comerciais supracitadas, bem como da fragilidade do auto de infração lavrado, tendo em vista que acolher a pena de perdimento no caso em deslinde resultaria na cobrança em bis in idem, visto que os tributos foram devidamente pagos, resultando em enriquecimento ilícito da Administração Pública, merece ser o lançamento julgado improcedente, o que desde logo se requer; Da Relação entre as empresas AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., NTN BRASIL, e NTN SUDAMERICANA se houvesse que se supor a existência de qualquer modalidade de interposição fraudulenta de terceiro, deverseia constatar que a AST atua como interposta pessoa da NTN BRASIL/SUDAMERICANA, e não da Impugnante, haja vista que esta não possui interesse algum em elidirse de suas obrigações e prejudicar ou causar algum dano ao Erário; isso porque há fortes indícios de que a NTN BRASIL possua alguma modalidade de contrato ou vínculo com a empresa AST, já que é a única importadora que trazia produtos da NTN SUDAMERICANA para o país, razão pela qual todas as empresas nacionais que comercializam os produtos da citada exportadora adquiriam da AST as peças para a revenda; a própria fiscalização constatou que as principais beneficiadas pela suposta prática da infração seriam as empresas AST (importadora), a NTN BRASIL (intermediadora), e a NTN SUDAMERICANA (exportadora), conforme relatório apresentado à fl. 39; cabe observar que o mencionado desconto de cinco por cento no pagamento antecipado dos produtos importados da NTN BRASIL/SUDAMERICANA, mencionados pela fiscalização no Auto de Infração, jamais foi repassado/utilizado pela impugnante, uma vez que jamais soube desse benefício, senão por meio das informações prestadas pelo Fisco; Fl. 2886DF CARF MF 38 a fiscalização aduz que a AST é uma empresa FUNDAPEANA, recebendo benefícios financeiros do FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias), muito embora os utilize de forma imprópria, o que deteriora a situação financeira da empresa; todavia, mais uma vez, cabe destacar que a condição econômica da empresa AST não guarda relação com a da ROLAMENTOS MARINGÁ, não se admitindo que irregularidades outras constatadas relativamente ao recebimento dos benefícios do FUNDAP lhe sejam imputadas, sendo que tais benesses jamais lhe favoreceram; ante o exposto, resta límpida a inexistência de qualquer vínculo da ROLAMENTOS MARINGÁ com as demais empresas, demonstrandose que, havendo a suspeita da existência de qualquer irregularidade, devese constatar que a AST atua como interposta pessoa da NTN BRASIL/SUDAMERICANA, e não da impugnante, haja vista que esta não possui interesse algum em elidirse de suas obrigações e prejudicar ou causar algum dano ao Erário, pautando suas atividades na mais genuína boafé; DA SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DO CREDITO TRIBUTÁRIO restando integralmente questionado o lançamento do crédito exigido no presente processo administrativo, mister se faz a observância e aplicação do Art. 151, III, do CTN. Ante o exposto, medida que se impõe é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora vergastado, ante a constatação de existência de discussão acerca de sua legitimidade; DA SUSPENSÃO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS no caso em apreço houve representação fiscal para fins penais, formalizada pelo processo 12466.721610/201385, pela suspeita de ocorrência de crime contra a ordem tributária; de outro norte, importante observar que o suposto crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1º da Lei n° 8.137/1990, trata se de crime material, necessitando do esgotamento da via administrativa para possa ser dado início a persecução penal; neste esteio, relevante o teor da Súmula Vinculante 24 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1°, inciso I a IV da Lei 8.137 de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo"; assim sendo, requerse a suspensão da persecução penal, diante da suspensão do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional, por ser medida que se impõe; DOS PEDIDOS ex positis, requerse o acolhimento das preliminares avocadas e, consequentemente, que haja a anulação do lançamento do crédito tributário em sua totalidade, em virtude da: Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.868 39 a) Nulidade do Auto de Infração em virtude da impossibilidade de lançamento tributário pela Autoridade Fiscal, uma vez que foi desencadeado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, não podendo resultar em autuação fiscal; b) Nulidade do crédito tributário, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, uma vez que foi lavrado fora dos limites geográficos estabelecidos na legislação tributária vigente; c) Nulidade do Auto diante da ausência de materialidade do suposto crédito tributário, tendo em vista ter sido lavrado apenas em meras suposições sem efetivamente qualquer prova; caso vencidas as preliminares, o que não se espera, requerse, no mérito, o julgamento procedente da presente impugnação, de modo que seja declarada a nulidade total do lançamento efetivado, em decorrência da: d) Inexistência de interposição fraudulenta, diante da ausência de provas; do nexo causal da prática comissiva/omissiva da ora impugnante na prática do aludido fato ilícito; bem como diante da ausência de preenchimento das elementares do tipo; e) Natureza de compra e venda das operações comerciais havidas entre a empresa ora impugnante e a empresa AST, motivo pelo qual se constata a veracidade e legalidade das notas fiscais, não havendo que se falar em interposição fraudulenta; f) Impossibilidade de imputação de responsabilidade passiva solidária da empresa ora impugnante, que sempre agiu de boafé, em decorrência de suposta constatação de incapacidade financeira da empresa AST, haja vista que esta estava devidamente habilitada para a utilização do RADAR e Siscomex, fiscalização que competia à Receita Federal do Brasil; g) Inexistência de ato ilícito decorrente da adulteração/falsificação de documentos para o embarque ou desembaraço de mercadoria estrangeira imputado pelo Fisco à parte ora impugnante, haja vista que esta jamais praticou qualquer ato nesse sentido, não admitindo que a responsabilidade por eventual ilícito ocorrido ultrapasse a figura do real infrator, in casu, a AST, e remanesça a pessoa distinta da relação, que não possui nexo causal com o fato; h) Ausência de dano ao Erário, diante da legalidade das operações comerciais havidas entre a empresa ora impugnante e a empresa AST, razão pela qual não há que se admitir a aplicação da pena de perdimento, sob pena de haver cobrança em bis in idem, visto que os tributos foram devidamente pagos, resultando em enriquecimento ilícito da Administração Pública; pugnase, por fim, pela suspensão da exigência do crédito tributário lançado no presente processo administrativo, com fundamento no Art. 151, III, do CTN, bem como pela suspensão Fl. 2888DF CARF MF 40 da Representação Fiscal para Fins Penais, autuada sob o n° 12466.721610/201385, até a decisão final na esfera administrativa, ante a ausência de constatação do suposto ilícito. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/01/2009 a 13/09/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA. Nos termos do parágrafo 2º do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 com redação dada pela Lei nº 8.748/1993, a formalização da exigência fiscal, por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, é válida, mesmo que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/01/2009 a 13/09/2012 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, bem como o caso em que qualquer documento necessário ao embarque ou desembaraço tiver sido falsificado, inclusive ideologicamente, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.869 41 em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posto isto, vamos às Intimações e aos Recursos Voluntários. A Recorrente (AST) foi regularmente intimada em 16/06/2014 às fl. 2.800, data da ciência dos arquivos no Portal eCAC. Em 14/07/2014 (recibo SVA fls. 2.816/2.817), apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 2.805/2.815. A NTN do Brasil Ltda, foi intimada em 16/06/2014, conforme recibo do AR dos Correios à fl. 2.803. Em 15/07/2014, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2821/2835. Já a empresa IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLMAR CNPJ: 77.282.440/000103), foi intimada em 26/06/2014 (ciência eletrônica data ciência por decurso de prazo) à fl. 2.802. No entanto, não consta dos autos apresentação de seu Recurso Voluntário. A Recorrente (Responsável Solidária) ROLMAR, não apresentou seu Recurso Voluntário, conforme pode ser verificado na informação de fl. 2.846, exarada pela Alfândega de Vitória (ES), em que efetua o "Termo de Perempção", datado de 05/08/2014. Vejase: "Ref.: Termo de Perempção Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3º do Decreto nº 70.235/1972)". Com relação as Recorrentes AST e NTN do Brasil (NTN), em razões recursais, renovaram os argumentos sustentados na fase de Impugnação. Então vamos a eles. Quanto a Recorrente AST, reforça as seguintes razões, em resumo: (i) alega que não há nenhuma mácula nas importações realizadas com lastro nas DI´s objeto destes autos; renova os argumentos expostos na impugnação, alega que o Fisco, para caracterizar as supostas ocorrências das infrações citadas (I e II), fez uso de presunções Fl. 2890DF CARF MF 42 diversas no intuito de vincular informações desconexas relativas às operações aduaneiras e fiscais; (ii) da necessidade de reforma do julgado e da anulação do auto de infração, pelas seguintes razões: a) da inexistência de adiantamentos para importação; b) da capacidade financeira da empresa autuada e da inexistência de interposição fraudulenta; c) da inexistência de adulteração ou falsificação; d) da inexistência do dolo nas operações da empresa. (iii) solicita a reforma do acórdão guerreado para anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; (iv) que seja atribuído ao presente recurso o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de infração, até o trânsito em julgado; Já a NTN do Brasil, em seus fundamentos, reitera integralmente as razões de sua peça impugnatória, alegando ser a mais clara expressão da verdade dos fatos e dos aspectos legais que dão os contornos de suas atividades. (i) que a NTN do Brasil não coordenou ou esquematizou qualquer espécie de ação direcionada a fraudar as importações analisadas, inexistindo fundamento fático ou jurídico que autorize sua sujeição passiva em caráter solidário; (ii) não há elemento probatório ou mesmo indiciário que indique a participação da NTN no fato gerador infracional supostamente cometido pelas empresas importadoras; (iii) não há dispositivo legal que determine responsabilidade solidária do representante comercial para com as operações dos adquirentes das mercadorias e seus prepostos insertos nos trâmites aduaneiros da operação; (iv) concluise pela ilegalidade do auto de infração e da imputação de responsabilidadesolidária nele contida em relação à NTN, sendo de rigor seu cancelamento, com os efeitos reflexos diretos nas Representações Fiscais para Fins Penais, eis que ausentes qualquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; À vista de todo o exposto, requer a NTN DO BRASIL que seja acolhido o presente Recurso e, no mérito, julguese por sua procedência para que seja revogada a sujeição passiva solidária aplicada e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.870 43 1. Da admissibilidade dos recursos Com relação ao responsável solidário ROLMAR, tendo a mesma sido regularmente intimada do resultado da decisão DRJ, transcorreu e se esgotou o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extinguindose o direito de o interessado omisso fazêlo em outro momento processual. Portanto, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/ de 1972, transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, correto a lavratura do termo de perempção, na forma do art. 35 do referido Decreto. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Contudo, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. Posto isto, passase ao exame dos recursos voluntários apresentado pela AST e pela NTN Brasil, que atendem os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2. Do pedido de efeito suspensivo à impugnação feito pela AST Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela AST nesse sentido. 3. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração A recorrente AST, alega em seu recurso que deve se "reformar o acórdão guerreado para anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como INFRAÇÕES I e II". O enquadramento legal descrito na peça vestibular do inciso do art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal/Folha de continuação do Auto de Infração é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 06/52). Assim, o auto de infração distingue, objetivamente, duas infrações que teriam sido praticadas nas operações apuradas, a saber (fls. 49 e 51 do AI): a) (infração 001) Art. 23, inciso V, e parágrafos 1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 e Lei nº 12350/10, regulamentado pelo art. 675, inciso II e 689, inciso XXII e § 6º, do Decreto nº 6.759/09, arts. 94, 95 e 96, inciso II e III, do DecretoLei nº 37/66; arts. 25 e 27 do DecretoLei nº1.455/76, Fl. 2892DF CARF MF 44 regulamentados pelos arts. 673, 674, 675, inciso II e IV, 701 e 774 do Decreto nº 6.759/09; art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10833/03. b) (infração 002) Art. 105, inciso VI, do DecretoLei n°37/66 e arts. 23, inciso IV e § 1º, e 24 do DecretoLei n° 1.455/76 (alterado pela Lei nº 10.637/02), regulamentado pelo Decreto nº 6.759/09 art. 689, inciso VI e § 3ºA (incluído pelo Decreto nº 7.213/10); arts. 94, 95, 96, inciso II e III do DecretoLei nº 37/66, e arts. 25 e 27 do Decreto Lei nº 1.455/76, regulamentados pelos arts. 673, 674, 675, inciso II e IV, 701 e 774 do Decreto nº 6.759/09. Desta forma, também no Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao Enquadramento Legal da Infração 001 e 002 da conduta autuada às fls. 44/53, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente, uma vez que se encontra reproduzido o texto do art. 23, V, §§ 1º e 2º e 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, dentre outros. Portanto não assiste razão a Recorrente neste tópico. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 3/1.986, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao auto de infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.871 45 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 4. Dos responsáveis solidários De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA. (NTN DO BRASIL) e IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLMAR). Segundo o Fisco, a ROLMAR é a empresa (real) compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN do BRASIL. Já a NTN do Brasil, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares, e recebeu 5% de comissão sobre essas operações de vendas. Os julgadores decidiram que a luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966 (art. 603, I e II do Regulamento Aduaneiro), restando comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Fl. 2894DF CARF MF 46 Nesse caso, ainda que os sujeitos passivos solidários possam responder pela dívida em conjunto ou isoladamente, o lançamento deve ser contra ambos, de forma que a obrigação deles fique devidamente formalizada, consoante determina a Portaria RFB nº 2.284/2010. A opção legal sobre como eles vão responder efetivamente pela dívida diz respeito à fase de satisfação do crédito. A lei dispõe que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, para satisfação do crédito tributário. Vejase a reprodução do art. 95, do Decretolei nº 37/66 (grifamos): Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante pre determinado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006). Com os argumentos aduzidos a título de ilegitimidade passiva pretende a NTN do Brasil demonstrar que não tem interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como o contribuintes dos tributos e das penalidades incidentes nas operações. No entanto, as questões depende essencialmente da análise do mérito do litígio. Em verdade, tratase de perquirir a legitimidade das litigantes para compor o polo passivo da relação de direito material, consistente no cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao pagamento da penalidade pecuniária (art. 121 do CTN), sendo impossível afirmar ou afastar essa legitimidade num exame preliminar, sem que se adentre nas questões de mérito. Assim, a arguição atinente à ilegitimidade passiva será, ainda, apreciada quando do exame do mérito, por estar a ele intimamente associada. 5. Do MÉRITO do Auto de Infração Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.872 47 O cerne da lide diz respeito à aptidão de provas trazidas pelo Fisco para demonstrar que houve a infração de Dano ao Erário por "ocultação do real adquirente das mercadorias, mediante fraude ou simulação", em relação às 40 (quarenta) Declaração de Importações efetuadas pela empresa AST, nos anos de 2009 a 2012, constantes da tabela contida às fls. 08/09; infração prevista no art. 23, V, e §§1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. 5.1 Dos adiantamentos de recursos para as operações de importação. Alega a AST, que importou mercadorias para posterior revenda no mercado interno na modalidade "importação por conta e risco próprios”, e essa relação jurídica tinha como lastro econômico o acervo patrimonial da Recorrente, comprovado em sua escrituração contábil, informado previamente à RFB e corroborado por laudo pericial particular e outro constante de processo judicial. Que de fato, a empresa comercializava diversos produtos importados, muitas vezes para as mesmas empresas, o que fazia com que vendas, nota fiscal, depósitos ou pagamentos totais tivessem datas próximas, gerando confusão até mesmo internamente de datas e suas respectivas vinculações negociais. Aduz que a indignação da fiscalização é com a capacidade de negociação e logística da empresa, que com a velocidade e objetividade inerentes ao setor privado, realizava suas vendas com celeridade. Alega que nunca houve adiantamento para pagamento antecipado de mercadorias. Todos os valores transferidos à recorrente, fossem elas da NTN do Brasil ou da ROLMAR (conforme cada caso), eram realizadas a título de pagamento exclusivamente após a emissão de nota fiscal de compra e venda, com a mercadoria já desembaraçada. Por outro lado, verificase que o Fisco em seu Relatório aponta na direção de ter havido interposição, uma vez que existem diversos adiantamentos realizados pela ROLMAR para a AST, conforme quadro demonstrativo de fls. 10/11, através do qual se observa que, comparandose as datas de registro das DI´s e das notas fiscais de saída, fica evidenciado que diversos depósitos foram feitos da ROLMAR para a AST para cobrir as despesas relativas a DI´s, inclusive com os impostos e as aquelas pagas na manipulação inicial das mercadorias. Consta do Relatório Fiscal à fl. 9, que, "As antecipações feitas pela ROLMAR são marcadas por dois ou três depósitos diretamente em conta corrente da AST, e um pagamento através da quitação de duplicata, para comprovar esses adiantamentos verificamos todos os depósitos feitos para quitar cada compra, em seguida juntamos cópias de diversos comprovantes apresentados pela ROLMAR, todos esses documentos foram vinculada a cada Nota e aos lançamentos contábeis, conforme as folhas de extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida (obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED), onde constaram todos adiantamentos feitos pela ROLMAR". Tais dados estão comprovados documentalmente, conforme folhas do processo indicadas no citado quadro de fls. 10/11. As antecipações feitas pela ROLMAR ocorreram através de diversos depósitos em valores normalmente não muito expressivos, mas cujo somatório é suficiente para o pagamento das importações. Fl. 2896DF CARF MF 48 Tomase como exemplo, à fl. 628, consta expressa referência ao recebimento de R$ 75.474,00 da ROLMAR, em 02/03/2009 e, na mesma data, menção a fechamento de câmbio, citando expressamente a DI nº 09/00570541, na mesma data, pelo valor de R$ 75.731,94; à fl. 624, consta comprovante de depósito identificado, da ROLMAR para a AST, relativo aos R$ 75.474,00, também em 02/03/2009. Da mesma forma, consta, também no RAZÃO CONTÁBIL da AST, à fl. 697, expressa referência ao recebimento de R$ 71.370,00 da ROLMAR, em 27/03/2009 e, na mesma data, menção a fechamento de câmbio, citando expressamente a DI nº 09/02171350, na mesma data, pelo valor de R$ 71.814,10; à fl. 693, consta comprovante de depósito identificado, da ROLMAR para a AST, relativo aos R$ 71.370,00, também em 27/03/2009. Há que se considerar também, que as datas dos desembaraços, das notas fiscais de entrada na AST e notas fiscais de saída para a ROLMAR são bastante próximas (vejase Tabela de fls. 8/9). Em relação à DI nº 10/05613801 (fls. 1.058 a 1.078), por exemplo, as datas das notas fiscais de entrada e de saída são idênticas (09/04/2010) e, tendo sido os produtos destinados para a ROLMAR. Isso é um forte indício de que os produtos, quando internados, já tinham endereço certo para entrega. Na Tabela de fls. 10/11, chama a atenção para as datas de registro, das notas fiscais das saídas e do contrato de câmbio, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que diversos depósitos sempre acontecem antes do registro da DI e foram feitos para cobrir as despesas com os impostos e as aquelas pagas na manipulação inicial das mercadorias. No que se refere ao pagamento ao exterior, alguns contratos de câmbio foram antecipados e outros feitos após a liberação das mercadorias (o fornecedor sempre deu 5% de descontos para os pagamentos antecipados), esses pagamentos, da mesma forma, sempre foram adiantados pela ROLMAR para a AST. Portanto, essa necessidade da AST de obter os citados pagamentos (adiantamentos), inclusive anteriores ao registro das DI´s, bem como a emissão de notas fiscais de saída próximas às de entrada, são, igualmente, fortes indícios de estar atuando como interposta pessoa. 5.2) Da capacidade financeira e da interposição fraudulenta. A Recorrente aduz que pela documentação já juntada às fls. 65/69 e 114/116, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 114/116 e a 21ª Alteração Contratual e que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10/08/2007, conforme documentos juntados de fls. 120/123. Alega ainda que renovase a informação em favor da recorrente e da efetiva capacidade econômica da empresa, outro laudo pericial judicial produzido nos autos do processo de nº. 024.990.157.497, que tramitou na 3ª Vara Cível da Comarca de Vitória, cujo valor atribuído ao citado imóvel integralizado, em abril de 2009, seria de R$ 504.000,00. E segue afirmando que, "(...) Noutra ótica, em nova PRESUNÇÃO, a fiscalização afirma em trechos do relatório (fls. 14) que 'a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira'(sic). Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.873 49 Por fim afirma que as razões do auto de infração não subsistem, e não deveria ter culminado no julgamento de sua manutenção, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente a capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados. No entanto o Fisco entende que as evidências demonstram que efetivamente a AST não tem capacidade financeira para atuar no comércio internacional, precisa dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos e assim passou a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprio e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Essas questões e outras, serão analisadas no item '8' deste voto "Da existência de ocultação do real adquirente elementos de prova". 5.3 Da alegada inexistência de adulteração ou falsificação de documentos Aduz em seu recurso que tratando de importação realizada com correição, na qual a recorrente importa mercadorias para posterior revenda, não há o que se falar em adulteração e falsificação de documentos, tampouco em interposição fraudulenta. Que não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado. Portanto, imperioso que haja reavaliação da conduta apontada como delituosa, já que sem qualquer apontamento específico (especialmente na construção de ficção para configurar a dita falsificação), há flagrante impossibilidade de defesa, sendo certo, de todo modo, que não há conduta típica. Por outro lado, sabese que a troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior real importador e os demais envolvidos, permanecessem completamente ocultos, uma vez que suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. Desta forma, conforme conclui a fiscalização em seu Relatório, os intervenientes "modificaram" as faturas comerciais apresentadas ao Fisco quando da nacionalização das mercadorias, e declararam operações de comércio exterior de forma simulada, ou seja, promoveram modificações de características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. "Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, a AST, foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização". Quanto à infração em decorrência do uso de documentos ideologicamente falsos, entendo correto a decisão recorrida, aduzindo que não foi identificado o real adquirente na DI, na fatura internacional e na comprovação do transporte internacional, conforme determina a legislação para o caso em concreto, constato que esta situação foi bem descrita no Fl. 2898DF CARF MF 50 Relatório Fiscal a fim de justificar, inclusive, que não se trata de mero erro na definição da modalidade de importação. Portanto, cai por terra o argumento de violação ao princípio do contraditório e ampla defesa por não terem sido identificados os documentos pertinentes. Todavia, verifico que tal não é uma infração autônoma, porém, consequente da própria situação tipificada nos autos a ocultação do sujeito passivo, do real comprador das mercadorias estrangeiras. Não obstante, a penalidade aplicada é única, com base no art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. 5.4 Da alegada inexistência do dolo nas operações da empresa Em seu recurso alega que conforme documentação anexada, a empresa surgiu em 25/01/1991, sob o nome de EDPHOS – Empresa Distribuidora de Produtos Hospitalares Ltda., desenvolvendose, ampliandose, e gerando credibilidade no mercado aduaneiro, por cerca de 20 (vinte) anos. Após décadas de evolução, atualmente como AST, seu objeto social inclui a distribuição, comércio, representação, importação, exportação de produtos e prestação de serviços aduaneiros. Tratase, portanto, de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional de forma a desenvolver sua função social e contribuir com as exações que lhe foram impostas, possuindo, desde sempre, capacidade econômica comprovada para as atividades realizadas, tanto é assim que todos os impostos foram pagos e não há ações de cobrança em seu desfavor, nem mesmo de terceiros. Não há razão, portanto, para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos, no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa aventureira, ou mesmo inexistente (ilegal), conforme o rigor imposto pela fiscalização, via a IN nº 228/2002, no esforço de gerar sua criminalização. Pois bem. Argumenta a Recorrente em seu recurso que os documentos apresentados registram operação de importação por sua conta e risco. Já as constatações e verificações efetuados pelo Fisco, que estão sendo apresentados como provas, demonstram que o representante do exportador e o comprador das mercadorias no exterior ficaram ocultos em todos os procedimentos. A AST não é a compradora das mercadorias, como quiseram fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas no momento da internação das mercadorias, quando do registro da Declaração de Importação e comercialização em território nacional. Como bem pontuado no Relatório da fiscalização, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. 6. Da responsabilidade solidária das empresas ROLMAR e NTN BRASIL Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.874 51 O Fisco em seu Relatório sustenta que a NTN do Brasil tratava e orientava os trâmites aduaneiros da operação de importação entre AST e a ROLMAR, inclusive acionando a AST para tal fim, visando a ocultação do real importador, decorrendo daí sua responsabilidade solidária. Revela existirem documentos em que há comunicação entre NTN, AST e ROLMAR, o que demonstra operação fraudulenta e a participação da NTN na ocultação do real importador. Destaca o Fisco em se relatório às fls. 34 e 35, que "A empresa AST, como já falado, é uma empresa FUNDAPEANA, e como tal, tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo Estado do Espírito Santo, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. A ROLMAR é a empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL. A NTN BRASIL, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares, e recebeu 5 % comissão sobre essas vendas. Os registros dos valores dessas comissões foram identificados e os procedimentos foram entendidos como regulares". Em resumo, a decisão da DRJ em Fortaleza (CE), entendeu que: (i) com a existência de correspondências eletrônicas trocadas entre NTN DO BRASIL, AST, e ROLMAR demonstrariam o indigitado esquema de ocultação do real importador (fls. 2.534, 2.526 e 2.590); (ii) a NTN teria orientado os procedimentos aduaneiros para ocultação do real importador, e (iii) que a NTN acionava a AST para os trâmites aduaneiros. Por outro giro, aduz a NTN em seu recurso, que há um grande equívoco na análise dos fatos, sobretudo uma interpretação tendenciosa na identificação da atuação na NTN do Brasil que, na qualidade de representante comercial da NTN do JAPÃO e da NTN SUDAMERICANA (com sede no Panamá), cuidava do fechamento do relacionamento civil e comercial da compra e venda internacional, e não dos trâmites administrativos aduaneiros no Brasil. Por esses serviços é remunerada pelas Representadas com valor de 5% sobre os agenciamentos realizados. Explica em seu recurso que na atividade de representação comercial, os processos passa por quatro etapas fundamentais (fl. 2.825): a) A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b) encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c) informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento; e d) retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA. Fl. 2900DF CARF MF 52 Afirma que, após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN frente ao Distribuidor, se limita ao Suporte Técnico dos produtos NTN Internacional. Também indicia a responsabilidade o fato de, após diligência e informações obtidas da empresa NTN (fls. 358/374), ter ficado evidenciado (fls. 30/31) que: “Sobre a NTN DO BRASIL LTDA, foi esclarecido que funciona como Escritório de Representação da empresa NTN SUDAMERICANA, e de uma forma geral recebe os pedidos, encaminha as cotações e acompanha os pedidos colocados até o embarque. (...)” Como se vê, fica evidenciado que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA (exportadora estrangeira), sendo que, somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional eram iniciados os procedimentos a cargo da AST. Ou seja, já se sabia qual eram os adquirentes internos dos produtos, antes mesmo dos embarques no exterior. Desta forma, entendo que sua responsabilidade restou devidamente comprovada. Isso porque ao receber os pedidos, conforme se pode deduzir pelo que consta às fls. 437, ela entrava em contato com a exportadora estrangeira, sua representada, e, a partir daí a importação era realizada pela AST, a qual somente poderia saber o que tinha que importar com a devida comunicação da NTN DO BRASIL. Consta às fls. 364, em resposta da NTN DO BRASIL a intimação, o nome da empresa ROLMAR como tendo efetuado pedidos àquela empresa. Além disso, à fl. 370/374, consta mensagem eletrônica na qual a NTN DO BRASIL envia aos interessados informações sobre o método de trabalho e prazos por ela adotados quanto aos processos de importação, sendo que aparecem, entre os diversos destinatários, à fl. 370, “Lucas Grupo AST” e “Wasni | Grupo AST”, o que indica que a NTN DO BRASIL tinha relação com AST, com ela se comunicava, orientandoa sobre procedimentos aduaneiros, e, portanto, tinha participação nas operações irregulares. Também à fl. 2.524, consta, trazido pela própria NTN DO BRASIL, correspondência eletrônica em que esta empresa se comunica com “Rolmar”, mencionando a retificação da data de embarque relativo a pedido da ROLMAR. No assunto da mensagem consta menção à ROLMAR e à AST. Quem fazia toda a negociação era, na verdade, a ROLMAR. No presente caso, era a NTN que acionava a AST e lhe dava instruções sobre como proceder a respeito das importações, que a NTN sabia que eram da ROLMAR. Ainda nessa mesma fl. 2.524 e na fl. 2.425, consta mensagem de Lucy Vargas (NTN PANAMÁ) para Natália Nakamura (NTN DO BRASIL) com o assunto “Shipment Advise for Customers of AST” (Avisos sobre Embarques para Clientes da AST), nos quais são enviadas em anexo faturas que cobrem pedidos de vários clientes de VitóriaES, que são atendidos pela AST. No texto da mensagem consta uma tabela com as colunas CLIENTE, PROFORMA, FACTURA e VALOR MCIA. Em relação às duas faturas mencionadas consta como cliente “AST (ROLMAR)”. Ora, se é a AST que consta nas faturas, a cliente da NTN deveria ser a AST, mas, pelo visto, não é, o que indica que a NTN DO BRASIL, tinha conhecimento da ocultação e, mesmo assim, concorreu para que a infração se concretizasse. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.875 53 Em relação à ROLMAR, sua responsabilidade resulta pelo fato de terse, por tudo que já foi exposto nos autos, beneficiado, entre outras coisas, por não ter sido equiparada a industrial, fuga aos controles de comércio exterior, além de ser a real adquirente dos produtos, sem ter aparecido nas transações de comércio internacional, tendo efetuado antecipações à AST. Cópia de um pedido de compra apresentado pela ROLMAR à NTN DO BRASIL (fls. 398 a 535), demonstra, de forma muito clara, que a ROLMAR compra as suas mercadorias através da NTN DO BRASIL, representante da exportadora; que ela é a responsável pelos pagamentos; e que é cobrada pela NTN DO BRASIL. Consta no Relatório do Fisco que "Nos registros contábeis da empresa AST, constaram todos os adiantamentos feitos pela empresa ROLMAR que comprovou a grande maioria dos pagamentos feitos, apresentando cópias dos seus comprovantes, conforme os documentos das folhas constantes no quadro seguinte: fls. 38/39". Da mesma forma, consta, também no RAZÃO CONTÁBIL da AST, à fl. 697, expressa referência ao recebimento de R$ 71.370,00 da ROLMAR, em 27/03/2009 e, na mesma data, menção a fechamento de câmbio, citando expressamente a DI nº 09/02171350, na mesma data, pelo valor de R$ 71.814,10; à fl. 693, consta comprovante de depósito identificado, da ROLMAR para a AST, relativo aos R$ 71.370,00, também em 27/03/2009. De acordo com o art. 95 do já citado DecretoLei nº 37, de 1966, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. E o inciso V desse mesmo artigo, preceitua que também responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora. 7. Dos Fundamentos Jurídicos alegados pela NTN A NTN além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas estrangeiras. Nunca coube à NTN controlar ou checar o procedimento de importação adotado entre adquirentes e as empresas por eles escolhidas para o procedimento de importação. Diversamente do afirmado no auto de infração e sustentado no acórdão, a NTN não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional. Apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas. A simples existência de mensagens eletrônicas entre as empresas não se constitui prova da alegada conduta da NTN no sentido de orientar os procedimentos aduaneiros. Não há nos autos prova da alegada conduta dolosa no sentido de fraudar uma operação de importação. Fl. 2902DF CARF MF 54 Nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei n9 37/1966 (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente). No entanto, verificase que no Termo de Diligência de fls. 359/362, ficou constatado (fl. 30 e 359) que a NTN DO BRASIL recebia comissões de 5% sobre as vendas relativas aos pedidos que resultavam nas importações objeto de autuação; ou seja, ela se beneficiava com as operações irregulares. E, da mesma forma, a NTN tinha pleno conhecimento de que os produtos a serem enviados pelo exportador estrangeiro que ela representa eram, desde o início, destinados ao adquirente no Brasil e que as importações seriam feitas simuladamente em nome de outra empresa. O fato de ser representante comercial da exportadora estrangeira não elide a responsabilidade solidária da empresa pelas infrações. 8. Da existência de ocultação do real adquirente elementos de prova Como se vê, as Recorrentes repeliram as acusações, alegando que o motivo do lançamento fundamentado em incapacidade financeira, em verdade tratase de presunção. Afirmam, também, que a desconsideração de aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social, foi realizada sem respaldo legal. Assim como, acusação de que diferença apontada como comissão entre a Recorrente e a empresa NTN, trata se de "ficção fiscal". Da mesma forma, a fundamentação de "caucionamento financeiro antecipado" para subsidiar as importações, bem como, a suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira, não procede. De acordo com o contido no Relatório de Ação Fiscal, anexo ao auto de infração (fls. 6/52), há, no meu entender, diversos indícios em que se pode evidenciar a efetiva ocorrência de ocultação, pela AST, do real adquirente (a ROLMAR), com a participação da NTN, nas importações que foram objeto dessa autuação, senão vejamos: Como já dito, verificase na relação das DIs, que foram objeto de analise pela Fisco (fl. 8/9), que as datas dos desembaraços, das notas fiscais de entrada na AST e notas fiscais de saída para a ROLMAR são bastante próximas. Em relação à DI nº 10/05613801 (fls. 1.058 a 1.078), por exemplo, as datas das notas fiscais de entrada e de saída são idênticas (09/04/2010) e, tendo sido os produtos destinados para a ROLMAR. Isso é um forte indício de que os produtos, quando internados, já tinham endereço certo para entrega. Os pedidos de compra foram feitos pela ROLMAR à NTN, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias, bem como a forma como o pedido é apresentado, a cobrança e o acompanhamento dos embarques, conforme pode ser constatado nos documentos anexado aos autos. E mais. A fiscalização apresenta diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela ROLMAR para a AST, juntando como prova folhas do extrato do Razão Contábil da AST com contrapartidas, que foram obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED, onde constaram os adiantamentos efetuados pela empresa ROLMAR. Esses documentos se encontram apensos aos autos às fls. 624/1978. Em todo os procedimentos adotados para importação das mercadorias, destacase a participação das empresas AST e NTN, apontando ser os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, por não ter condições de operar no comércio exterior por Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.876 55 conta e risco próprio , e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. No que tange a irresignação da AST quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar mácula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Fazenda. Nesse espeque, a Recorrente entende que tal aumento do Capital (alterado de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00), se deu por esclarecido através de uma Nota Explicativa, firmada pela AST (fl. 120/121), com os lançamentos na escrituração contábil: "1º O aumento de Capital mencionado deuse através de aquisição de um Sítio com 56 hectares, tendo como objetivo a renovação de cadastros, como a da Receita Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar a seus fornecedores e colaboradores a capacidade de pagamento da empresa". No entanto, ao meu sentir, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa. Consta dos autos que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 109/113), esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades; em seguida o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 114/116), emitido em 17/04/2006, utilizado para aumentar o Capital da empresa. As importações se davam em grande parte vindas do Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN BRASIL. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre ela e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais (fls. 370/371). No caso presente, verificase da documentação colecionada às fls. 372/373, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN do Brasil Ltda., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora Natália Nakamura, do Departamento de Importação vinculada a empresa NTN, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, assim como, cabia informar o nome do navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, que no caso em grande parte a origem das mercadorias vinham do Panamá, e a data da chegada do navio ao Porto de Vitória (ES) fl. 372: “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar Fl. 2904DF CARF MF 56 continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação (...)." Foi também, a empresa NTN, diligenciada e intimada, em 05/03/2012, a esclarecer e apresentar documentos (fls. 359/362); da diligência restou demonstrada de forma muito clara, que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Vejase (trecho fl. 30): "Sobre a NTN DO BRASIL LTDA, foi esclarecido que funciona como Escritório de Representação da empresa NTN SUDAMERICANA, e de uma forma geral recebe os pedidos, encaminha as cotações e acompanha os pedidos colocados até o embarque. Sobre quem vai nacionalizar as mercadorias, a definição fica a cargo do comprador das mercadorias, que além do importador deve definir o transportador, se a compra é a vista ou a prazo. A partir do embarque e emissão da Fatura Internacional, os procedimentos ficam a cargo do Importador ostensivo, que trata da cobrança dos valores envolvidos tanto com o cambio como da nacionalização das mercadorias encaminhando aos revendedores as mercadorias já nacionalizadas. Que os representantes nacionais não pagam qualquer valor para a NTN DO BRASIL a qualquer título. Que a receita da NTN DO BRASIL foi identificada como sendo comissão sobre as vendas realizadas, recebidas mensalmente da NTN SUDAMERICANA com base no faturamento do mês anterior, definido em contrato perfazendo o total de 5% sobre as vendas realizadas. Que o valor da comissão recebida faz parte da composição do preço FOB das mercadorias. Que no caso das mercadorias embarcadas no JAPÃO, também tem o mesmo procedimento inclusive na mesma ordem. As mercadorias são garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN, ou a NTN segue até o CLIENTE, para que seja feito um laudo apurando as causas. A mercadoria analisada, se constar no Laudo que houve falha de instalação, fica sob a responsabilidade do importador, no caso de necessidade de troca a negociação é feita através de descontos em pedido próximo". Em sendo assim, não merece prosperar os argumentos das Recorrentes de que somente com os documentos aduaneiros e fiscais entregues à fiscalização são capazes de comprovar a regularidades dos atos negociais, ao contrário da afirmação, tenho que houve sim a interposição fraudulenta. No meu entender, as Recorrentes foram incapazes de contraditarem essa documentação colecionada pela fiscalização, deixando transcorrer em silêncio (no caso da ROLMAR) os momentos oportunos de impugnar, bem como, debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, essa omissão por si só revela ser verdadeiro acusação de que trata de interposição fraudulenta. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 12466.721609/201351 Acórdão n.º 3402003.708 S3C4T2 Fl. 2.877 57 Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º, V, do art. 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Com base nesse dispositivo, alguns julgados do CARF têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589, 3ª S.1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, V, do mesmo diploma legal, a multa substitutiva ao importador ostensivo. 9. Da penalidade aplicada Desta forma, caracterizada a pratica da Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação das mercadorias, é cabível a pena de perdimento das mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23, V, §3º, do Decreto Lei nº 1.455, de 1976. Como restou evidente que as mercadorias foram remetidos a consumo, aplica se a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou Fl. 2906DF CARF MF 58 revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 10. Conclusão Convencido de que as constatações do Fisco deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como quedouse demonstrado nos autos que os impostos e demais despesas foram suportados pela ROLMAR, que adiantou os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA; que os pedidos de compra foram feitos pela ROLMAR para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias e que os registros contábeis da empresa AST, constaram os adiantamentos feitos pela empresa ROLMAR, conforme extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED, concluise que: Ficou evidenciado nos autos os procedimentos adotados nos processos de importação, tinha intuito único de ludibriar as autoridades Aduaneiras e se revela consistente as acusação de ocultação do sujeito passivo e o real importador, responsável pelas operações e distribuídos para vários parceiros comerciais, clientes, o que leva concluir que a recorrente (AST) realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar a infração lhe imputada, restando caracterizada a interposição fraudulenta. Posto isto, conheço dos recursos, para negarlhes provimento, MANTENDOSE a multa objeto da presente lide à AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., e como os responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA (NTN DO BRASIL) e IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS MARINGÁ LTDA (ROLMAR). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2907DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720193/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente Resolução.
Vencidos o relator e o Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado que davam provimento ao recurso ou, subsidiariamente, afastava a indedutibilidade das despesas referentes aos pagamentos de tributos dos processos e procedimentos incluídos no Programa de Parcelamento trazido pela Lei 11.941/09. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Resolução a cargo do Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
RONALDO APELBAUM - Relator.
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vice-presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Souza e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente Resolução. Vencidos o relator e o Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado que davam provimento ao recurso ou, subsidiariamente, afastava a indedutibilidade das despesas referentes aos pagamentos de tributos dos processos e procedimentos incluídos no Programa de Parcelamento trazido pela Lei 11.941/09. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Resolução a cargo do Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente (documento assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM Relator. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vicepresidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Souza e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 19 3/ 20 14 -3 1 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 822 ___________ RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração de CSLL lavrado contra a empresa em epígrafe e relativos à indedutibilidade de reversão de provisões no anocalendário de 2009. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, passo a adotar seu relatório, conforme segue: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão lavratura pelo fisco do auto de infração de CSLL (fls. 117/128), no valor de R$ 43.126.810,45, acrescido a multa de ofício de 75% e dos juros de mora, lavrado pela DEMAC/RJO. As razões da autuação encontramse descritas no Termo de Verificação (fls. 112/116), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Foi observado que, no anocalendário de 2009, o contribuinte adicionou, na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, a título de “tributos e contribuições com exigibilidade suspensa”, os seguintes valores: b) Todavia, tais valores não foram adicionados na apuração da CSLL; c) Dessa forma, foi o contribuinte intimado a apresentar justificativa para este procedimento, e respondeu que não haveria legislação que o obrigasse a efetuar tal adição; d) Entretanto, não assiste razão ao contribuinte, eis que as despesas tem a natureza de provisão, aplicandose, desta forma, o disposto no § 1o, letra c, item 3 do artigo 2o da Lei no 7689/1988, com redação dada pelo artigo 2o da Lei no 8.034/1990 e pelo artigo 13, inciso I da Lei no 9.249/1995; e) Há de se ressaltar também que houve Decisão da SRRF 8a Região Fiscal no 186/2000 que expressa esse mesmo entendimento, bem como acórdãos do CARF. Devidamente cientificada (fls. 118 e166) em 12/03/2014, a interessada, em 11/04/2014, apresentou impugnação (fls. 212/227), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: Foi autuada por não ter adicionado, na base de cálculo da CSLL de 2009, valores a título de tributos com exigibilidade suspensa, equivocadamente tidos pela fiscalização como provisões, quando em realidade eram em sua maioria pagamentos efetuados em programas de anistia/remissão e mesmo a parte remanescente se referia a parcelamentos, hipóteses não abarcadas pela legislação como de vedação à dedução; Foi ainda intimada a recompor sua base de negativa da CSLL; Fl. 824DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 823 3 O auto de infração foi pautado sob o equivocado argumento de se tratar de provisões e não de pagamentos efetuados no âmbito do parcelamento; Sobre o assunto, vale dizer que determinações legais próprias, específicas do IRPJ não se aplicam à CSLL, senão em virtude de lei que expressamente determine, não se admitindo a analogia; Observase que, a despeito da previsão de que seguem as mesmas normas de apuração, os dois tributos mantêm distintas suas bases de cálculo e alíquotas, as quais devem observar o primado da legalidade; Além das diferenças entre as bases de cálculo de ambas as exações, um outro ponto há ainda de ser sopesado para a procedência da impugnação com o cancelamento da autuação: a evidente ausência de base legal para a vedação à dedução; É certo que o artigo 391 do RIR/1999 considera indedutível para a apuração do Lucro Real as despesas referentes a tributos com exigibilidade suspensa; É também incontroverso que a IN no 390/2004 determina em seu artigo 3o que as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ sejam aplicadas à CSLL; Contudo, convém destacar que este próprio dispositivo infralegal contém expressa ressalva de que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação de CSLL; Não há como se reconhecer que uma norma infralegal, no caso uma IN editada pela RFB seja capaz de ampliar a base de cálculo de um tributo para além dos limites por lei instituídos. Portanto, a observância da legalidade, insculpida no âmbito do processo administrativo é inafastável no que diz respeito à apuração da base de cálculo da CSLL; Logo, as adições não previstas em lei, mas somente na IN no 390/2004, não podem ser observadas, eis que a legalidade no Direito Tributário é patente; Salientase a boafé da impugnante, demonstrando se que os valores objeto de dedução encontramse devidamente refletidos nas contas contábeis abaixo: Fl. 825DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 824 4 Da análise dos processos cujos valores foram objeto de redução, é possível inferir que todos se referem a processos cujos tributos foram pagos no âmbito de programas instituídos pelos governos federais ou estaduais; Da análise do artigo 41 da Lei no 8.981/1995, inferese que não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os tributos que estejam com exigibilidade suspensa por força de depósito judicial, impugnações e recursos, bem como liminar em mandado de segurança e tutela antecipada. Contudo, o dispositivo legal em questão exclui expressamente a moratória (inciso I) e o parcelamento (inciso VI); No que diz respeito à glosa da exclusão do montante de R$ 16.734.321,81, não se atentou o fisco para o fato de que se tratava de verdadeira mudança nos status dos respectivos processos, originando o citado ajuste na base de cálculo; Fl. 826DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 825 5 Isto porque os tributos foram pagos ou parcelados com base em programas governamentais que implicaram, além da dilação do prazo de pagamento, remissão ou anistia tributárias; Assim, alterandose o valor da adição anteriormente efetuada, resta somente ao contribuinte excluir de sua base calculada da CSLL tais montantes, em conduta amplamente respaldada pelo ordenamento jurídico pátrio; Desse modo, também o item em questão não pode prevalecer, impondose a exclusão do valor de R$ 16.734.321,81 da base de cálculo da CSLL, com a improcedência da glosa do valor de R$ 43.126.810,44. Levada a Impugnação à análise da DRJ/Rio, em sessão realizada em 29 de julho de 2014, a Turma, por unanimidade, decidiu pela manutenção completa da autuação, conforme transcrição de sua ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão. Nos casos de parcelamento em que não há comprovação cabal, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, demonstrando que no anocalendário em curso a situação tributária havia sido definida, não há como ser afastada a imputação fiscal. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de atos legais regularmente editados. Acórdão Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 827DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 826 6 Em face dessa decisão, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de sua Impugnação de fls. e acostando os mesmos documentos comprobatórios apresentados em oportunidades anteriores. VOTO VENCIDO Conselheiro Ronaldo Apelbaum Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário estão preenchidos, razão pela qual prossigo no julgamento de mérito. De forma sumarizada, podemos dizer que são 2 as questões colocadas em discussão no presente Recurso e que devem ser analisadas de forma segregada, ainda que guardem relação direta para a formação do convencimento desse julgamento. São elas: (i) identidade de base de cálculo entre o IRPJ e CSLL para certas indedutibilidades e (ii) capacidade da Recorrente de comprovar a definitividade de mudança de situação jurídica de suas contingências. (i) base de cálculo IRPJ e CSLL identidade Em primeiro lugar, cumpre mencionar que o legislador tributário brasileiro está adstrito ao constitucional princípio da legalidade. O Art. 150, I, da CF/88 é claro ao determinar que um determinado tributo não pode ser exigido ou majorado sem lei que o estabeleça. Por essa razão, o IRPJ e a CSLL foram instituídos e são constantemente alterados por leis a eles aplicáveis (ainda que o mesmo diploma legal possa ser utilizado para alterar ambos). Adicionalmente, IRPJ e CSLL são tributos que possuem naturezas distintas (imposto e contribuição). As missões e o suporte constitucional para constituição também são distintos (arts. 145 e 149 da CF/88). No que se refere à análise dos contornos próprios da definição da base de cálculo da CSLL, cumpre verificar a redação do Art. 2o da Lei 7.689/88: Art. 2 A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1 Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita; 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de Fl. 828DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 827 7 1977, e alterações posteriores; (Revogado pela Lei nº 7.856, de 1989) (Revogado pela Lei nº 7.988, de 1989) 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o período base, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do período base; (Redação dada pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 3 adição do valor das provisões não deduzíeis na determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Medida Provisória nº 161, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas, na forma do item 3, que tenham sido baixados no curso de períodobase. (Incluído pela Medida Provisória nº 161, de 1990) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o período base, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do período base; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 829DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 828 8 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de participações societárias em pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Já as disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95, por sua vez, procuraram estabelecer regras específicas para a CSLL, conforme se depreende: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 829 9 § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Ressalto aqui a expressão colocada em negrito, "mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas". Apesar da existência de milhares de normas tributárias no Brasil, é possível afirmar que as regras gerais do nosso sistema tributário são aquelas presentes na CF/88 e no Código Tributário Nacional. Não se vislumbra, nesses instrumentos, a utilização de expressões como "apuração" ou "pagamento" para fins de determinação das regras de incidência dos tributos. Nesse contexto, a utilização da expressão "base de cálculo" não traria qualquer dúvida a respeito. Normas de apuração e pagamento devem ser vistas, em homenagem aos princípios de determinação e da tipicidade cerrada, como regras de consecução do cálculo e recolhimento da CSLL, e não da determinação da base de cálculo do tributo. Ainda que se admita alguma flexibilidade na aplicação desses primados, não se pode admitir que a própria base de cálculo do tributo esteja abrangida por tais conceitos. Mesmo após a edição da Lei 8.981/95, a CSLL ainda passou por alterações que demonstram a necessidade de criação de leis específicas para determinação de sua base de cálculo. É o que se depreende, por exemplo, da leitura do art. 1o Lei 9.316/96: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Vemos aqui, nitidamente, uma alteração legal que bem demonstra a inexistência de identidade entre as bases para cálculo dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL. Nessa mudança, restou determinada que a CSLL deve ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real e da sua própria base de cálculo. Além da própria Lei utilizar a expressão "base de cálculo" para fins de CSLL, resta demonstrado que as "bases" são distintas. (ii) comprovação de alteração de status das ações judiciais provisionadas Ainda que as razões de decidir do item (i) sejam afastadas, é necessário verificar se a regra de indedutibilidade determinada pelo art. 41 da Lei 8.981/95 foram devidamente verificadas. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 830 10 Dispõe o artigo que devem ser adicionadas ao lucro real os tributos com exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II (depósito integral), III (reclamações e recursos administrativos) e IV (concessão de medida liminar). Nas demais situações, essas despesas são dedutíveis. Segundo a DRJ, a Recorrente não foi capaz de demonstrar a "definitividade" dessa despesa e por isso a dedutibilidade deve ser afastada. Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte menciona que apresentou farta documentação comprobatória e que não foi levada em consideração, inclusive levando à inovação no lançamento. Cabe à essa Turma, portanto, confirmar qual premissa está correta. Reproduzo, mais uma vez, o quadro demonstrativo que explicita a origem das contingências que embasaram as deduções em julgamento: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 831 11 Analisando os documentos acostados aos Autos e novamente trazidos pela Recorrente, entendo que assiste parcial razão à DRJ/Rio. Em relação aos créditos tributários incluídos no Programa de Parcelamento da Lei 11.941/09, é possível deduzir que em 2009 houve a caracterização da dívida tributária como definitiva, eis que era obrigação previstas nessa Lei a renúncia dos fundamentos legais que justificavam a defesa. E a Recorrente acostou ao Recurso Voluntário as petições de desistência e a homologação pelo Poder Judiciário. Não se pode depreender que a desistência apresentada nos moldes da Lei não poderia ser considerada como definitiva. Apenas em situações incomuns essa desistência não seria naturalmente homologada pelo Poder Judiciário ou no Procedimento Administrativo. Contudo, no que se refere aos demais processos e procedimentos, também não vislumbro documentação que suporte a dedutibilidade, razão pela qual a autuação deve ser mantida para os demais processos. Conclusão: A partir dos fatos e dos argumentos expostos, voto pelo cancelamento integral da autuação fiscal, por conta da inexistência de identidade de base de cálculo entre o IRPJ e CSLL, conforme exposto no item (i) acima. Caso a Turma decida pelo afastamento dessa argumentação, entendo que devem ser afastadas a indedutibilidade das despesas referentes aos pagamentos de tributos dos processos e procedimentos incluídos no Programa de Parcelamento trazido pela Lei 11.941/09 É como voto. Ronaldo Apelbaum Relator VOTO VENCEDOR Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado para formalizar a Resolução. O recurso voluntário é tempestivo, portanto, foi devidamente conhecido. Recebido o processo para julgamento, não obstante o bem fundamentado voto apresentado pelo relator, que dava provimento ao recurso ou, subsidiariamente, afastava a indedutibilidade das despesas referentes aos pagamentos de tributos dos processos e procedimentos incluídos no Programa de Parcelamento trazido pela Lei 11.941/09, entenderam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência. Entendeu este colegiado que são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa por parcelamento (artigo 151, inciso VI, do CTN), a teor do artigo 41, §1º da Lei 8.981/1995, segundo o regime de competência, tendo em vista o reconhecimento da dívida pelo contribuinte. Abaixo trago a colação os dispositivos legais acima mencionados: Fl. 833DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.216 S1C2T1 Fl. 832 12 Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Assim, os tributos e contribuições incluídos pela contribuinte no Programa de Parcelamento da Lei nº 11.941/09 (confissão irretratável da dívida) devidamente aprovado e oficializado pela administração tributária, são dedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia de Origem, para que aquela unidade, junte aos autos o pedido e a consolidação dos tributos e contribuições parcelados pela contribuinte no âmbito da Lei nº 11.941/2009 e a situação atual do parcelamento. Concluídas as diligências, o processo deverá retornar a esta Turma para continuidade do julgamento, após a ciência da recorrente, que poderá se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado Fl. 834DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10930.903636/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 09/03/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 36 /2 01 2- 18 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903636/201218 Acórdão n.º 3402003.606 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.978, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903636/201218 Acórdão n.º 3402003.606 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903636/201218 Acórdão n.º 3402003.606 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903636/201218 Acórdão n.º 3402003.606 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903636/201218 Acórdão n.º 3402003.606 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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