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Numero do processo: 13896.720312/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF).
AGRAVAMENTO DA MULTA. ART. 44, § 2°, DA LEI Nº 9.430/96. Não tendo o fiscalizado atendido, no prazo fixado, as intimações da fiscalização, deve a multa de ofício ser agravada em 50%.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, § 1°, DA LEI Nº 9.430/96. Estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser duplicado.
Numero da decisão: 1301-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha (Presidente), Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). AGRAVAMENTO DA MULTA. ART. 44, § 2°, DA LEI Nº 9.430/96. Não tendo o fiscalizado atendido, no prazo fixado, as intimações da fiscalização, deve a multa de ofício ser agravada em 50%. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, § 1°, DA LEI Nº 9.430/96. Estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser duplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 03 12 /2 01 4- 51 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 2 (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha (Presidente), Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório Cuida o presente processo de autos de infração (fls. 53/102) decorrentes de arbitramento do lucro por inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, sendo exigidos IRPJ, CSLL e, por via reflexa, PIS e COFINS relativos ao anocalendário de 2010. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/113), foi lavrado o Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF em 06/02/2013, cuja ciência pessoal do procurador da Recorrente ocorreu em 07/02/2013. A empresa solicitou, em duas vezes consecutivas, a concessão de dilação de prazo para atendimento da intimação, tendo o agente fiscal concedido, primeiramente, 45 dias de prazo e, depois, mais 15 dias. Em 30/04/2013, a empresa apresentou parte dos documentos solicitados, a saber: DACON, DCTF e memória de cálculo do PIS e da COFINS relativos ao anocalendário de 2010. Em 08/05/2013, foram apresentadas notas fiscais para o mesmo período. Na seqüência, foram lavrados, e dada ciência ao contribuinte, dos Termos de Ciência e Continuidade da Ação Fiscal nº 01 e 02, bem como o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 01, o qual solicitou uma série de documentos e esclarecimentos. Em 27/09/2013, a empresa solicitou dilação de prazo de 07 dias para responder ao Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 01. Após vencido o referido prazo, sem que a empresa tivesse apresentado quaisquer esclarecimentos, foram lavrados os Termos de Ciência e Continuidade da Ação Fiscal nº 03 e 04. No dia 30/01/2014, a empresa apresentou petição trazendo algumas considerações sobre os termos até então lavrados. Dentre as informações prestadas, destacase o fato de a empresa ter assumido não possuir estrutura para manter contabilidade no lucro real, razão pela qual alterou seu regime de tributação para o lucro presumido, estando desobrigada da entrega do SPED e do LALUR. Ademais, a fiscalizada não foi capaz de trazer esclarecimentos quanto à DIPJ e ao aumento de capital por não possuir os documentos necessários. Informou, ainda, não ter balanços fechados e balancetes contábeis dos anos de 2010 a 2012 e que estava providenciando os contratos sociais solicitados e a descrição detalhada dos imóveis e veículos da empresa. Ocorre que a autoridade autuante alega que a empresa optou pelo lucro real em sua DIPJ do anocalendário de 2010 e recolheu o imposto sob o código 5993 (IRPJ – Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 13896.720312/201451 Acórdão n.º 1301002.106 S1C3T1 Fl. 356 3 Optantes pela Apuração com Base no Lucro Real estimativa), sendo, por conseguinte, descabida a informação prestada quanto à alteração do regime para o lucro presumido. Decorrido mais de um ano do início da fiscalização sem que restasse comprovada a transmissão da Escrituração Contábil Digital – ECD ao SPED e sem que tenha sido entregue qualquer forma de escrituração contábil, a autoridade autuante procedeu ao arbitramento do lucro, de acordo com a legislação tributária pertinente. Os lançamentos foram calculados com base nas notas fiscais apresentadas, sendo considerados os tributos retidos na fonte para fins de dedução do valor apurado. Além disso, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 246/248) ao Sr. Ademir Barchetta, sócio da empresa autuada, por força do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN, uma vez que a autoridade autuante considerou que o responsável solidário agiu de forma fraudulenta quando: (i) transmitiu a DIPJ do anocalendário de 2010 com o valor da receita muito abaixo do valor apurado nas notas fiscais emitidas; (ii) deixou de apresentar o DACON para o anocalendário de 2010; (iii) apresentou a DCTF declarando somente o imposto de renda retido na fonte, e (iv) deixou de recolher os tributos federais devidos. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 257/287), cujas alegações foram sintetizadas pela decisão de 1° instância da seguinte forma: Em sua impugnação, de fls. 257/287, a interessada afirma que houve entendimento equivocado por parte da fiscalização no que diz respeito ao aumento de capital, que efetivamente houve. Alega, em preliminar, que o procedimento fiscal encontrase eivado de nulidades, pela aplicação de multa em percentuais abusivos e ilegais, por ultrapassar os limites do procedimento previsto na IN SEF 228/2202 e por ferir os ditames procedimentais previstos na legislação pertinente. Recorre ao artigo 37 da Constituição Federal, para subsidiar o seu entendimento de que houve desrespeito aos prazos legais por parte da fiscalização e cerceamento de defesa (...) Acrescenta que houve clara ofensa ao princípio da vedação ao confisco (Art. 150, IV da CF/88) e que a multa imposta caracterizase pela desproporcionalidade, irrazoabilidade e pretensão confiscatória, pelo que deve ser anulada. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, considerar não impugnada a indicação de responsabilidade solidária do sócio Ademir Barchetta, bem como o mérito do presente lançamento de ofício, vale dizer, o arbitramento do lucro em decorrência da falta de apresentação dos documentos e livros fiscais, o agravamento da multa em 50% pelo não atendimento das intimações, a qualificação da multa e a aplicação da multa por não transmissão da Escrituração Contábil Digital, mantendo, por conseqüência, integralmente o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 330/347), no qual repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação e alega que o arbitramento do lucro fere os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, dignidade da pessoa humana e da proibição de bitributação. Não foram apresentados quaisquer argumentos com a finalidade de combater a multa por descumprimento de obrigação acessória decorrente da ausência de entrega da ECD. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 4 Apenso aos autos, tramita o processo n° 13896.720317/201484 referente à representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Primeiramente, impende destacar que, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional – CTN, os recursos do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Deve, portanto, ser suspensa a exigibilidade do crédito discutido nesses autos até que seja proferida decisão definitiva, não sendo necessários maiores esclarecimentos quanto a este ponto. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE Em seus pedidos, a Recorrente requer seja declarada a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, assim como dos demais atos dele decorrentes, por conter vícios. É importante citar que o contribuinte não trouxe em suas razões de recurso quaisquer argumentos que explicassem ou dessem respaldo aos vícios a que se refere em seus pedidos finais. Considerandose a preliminar de nulidade que foi exposta em sede de impugnação, considero incorrigível o quanto decidido pela DRJ, razão pela qual transcrevo o voto em relação a este ponto: II – DA PRELIMINAR DE NULIDADE A impugnante afirma que o auto de infração teria “sido lavrado e lançado na internet em 4 de fevereiro” e que “Isso demonstra ofensa ao Princípio da Ampla Defesa e da Legalidade” Ainda que se admita e esta hipótese é tão somente para efeitos didáticos a real ocorrência dos fatos apontados pela defesa, tal circunstância não teria o condão de determinar a nulidade pretendida. No que diz respeito ao direito de defesa e ao contraditório, destaquese que ação fiscal, no que tange à produção de provas, é conduzida de forma unilateral pela autoridade fiscal, independentemente do contraditório e muito menos da participação direta e decisiva do fiscalizado. Obviamente, em muitos casos, a fiscalização, se entender necessário, poderá intimar o sujeito passivo a manifestarse a respeito dos fatos apurados, com a finalidade de delimitar o curso da ação fiscal. Assim é que foram emitidos vários termos de intimação e realizadas diligências. Entretanto, não se trata de contraditório. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 13896.720312/201451 Acórdão n.º 1301002.106 S1C3T1 Fl. 357 5 estabelecem com a instauração da fase litigiosa mediante impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972. A impugnante tem ciência dos autos de infração em 13/02/2014, fls. 250. Apresentada a defesa, instaurase a fase litigiosa, permitindo, por conseqüência o amplo direito à defesa e ao contraditório. Nesta fase, são examinados – como estão sendo – os argumentos apresentados pela defesa. No que diz respeito ao Princípio da Legalidade, melhor sorte não assiste à impugnante. Os requisitos formais da atividade de lançamento encontramse disciplinados tanto no Código Tributário Nacional CTN, como no Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Eilos. "CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, prescreve o Decreto nº. 70.235, de 1972, "verbis": "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Nenhum destes requisitos (essenciais à formalização da peça fiscal) faltou na lavratura dos autos constantes do presente processo. A impugnante ainda propugna pela nulidade sob o argumento de que houve supressão de prazo, uma vez que o auditor fiscal concedeu prazo até o dia 31 de janeiro de 2014 e no dia 30 de janeiro a sua procuradora compareceu à DRF com o objetivo de comunicar a conclusão dos trabalhos de “execução do Balanço Patrimonial.” Conforme consta do processo, os procedimentos de fiscalização tiveram início em 07/02/2013, com a intimação para a apresentação da escrituração e respectivos documentos. Reiteradamente intimada, permaneceu na omissão. Em 30/01/2014 houve manifestação da impugnante informando que, por não ter estrutura para manter a contabilidade no Lucro Real, mudaria seu regime para o Lucro Presumido. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 6 Acrescentese que a impugnante tem ciência dos autos de infração em 13/02/2014. Como se vê, a impugnante oferece uma visão totalmente distorcida que não lhe oferece qualquer sustentação para sua pretensão de nulidade. Segundo os dizeres da lei, somente os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa é que são nulos. Ao contrário, o ato não é nulo e será saneado apenas quando resultar em prejuízo para a defesa. Como já se viu, nenhum prejuízo teve o contribuinte, o qual, tendo conhecimento dos autos de infração contra ele lavrados, defendeuse. Constatase, pois, que a autoridade administrativa, verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributária, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, propôs a aplicação da penalidade que entendeu cabível, constituiu o crédito tributário e deu ciência à impugnante, sem qualquer ofensa aos preceitos legais. Por oportuno, registrese o equívoco da impugnante ao citar a IN SRF 228/2002, alegando que a fiscalização teria ultrapassado os limites procedimentais estabelecidos. Esta Instrução Normativa dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. 2. ARBITRAMENTO DO LUCRO O contribuinte aduz que o arbitramento do lucro, da forma realizada, fere os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da vedação dos efeitos confiscatórios, da dignidade da pessoa humana e da proibição de bitributação. Conforme dispõe a Súmula n° 02 do CARF, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, os argumentos trazidos pelo contribuinte a fim de afastar o arbitramento do lucro não podem ser reconhecidos nesta decisão, devendo, portanto, ser mantida a autuação neste ponto. 3. AGRAVAMENTO DA MULTA 3.1. ART. 44, § 2°, DA LEI Nº 9.430/96 O Recorrente alega que a multa aplicada é desproporcional, desarrazoada e possui efeito confiscatório por representar mais de 200% do valor do imposto cobrado, razão pela qual deve ser reconhecida a improcedência da multa aplicada. Em relação a este argumento, cumpre relembrar que o CARF não é competente para se manifestar quanto à inconstitucionalidade de lei tributária, razão pela qual as alegações de ofensa a princípios constitucionais não possui o condão de afastar a penalidade aplicada ao contribuinte. No que tange ao agravamento da multa, na forma do art. 44, § 2°, da Lei nº 9.430/96, 1 o contribuinte sustenta que respondeu as solicitações quando intimado e prestou todos os esclarecimentos solicitados pelo agente autuante. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 360DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 13896.720312/201451 Acórdão n.º 1301002.106 S1C3T1 Fl. 358 7 Por sua vez, a autoridade fiscal alega que, em várias oportunidades, o contribuinte apresentou informações de forma parcial, bem como apresentou esclarecimentos de caráter meramente protelatório ou de forma intempestiva. Compulsando os autos, observase que a Recorrente não atendeu alguns dos prazos fixados para apresentar respostas às intimações fiscais. Vejamos: O contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 01 (fls. 186/190) em 05/09/2013. Sendo concedido prazo de 20 dias para atendimento, temse que o prazo fatal para apresentação de esclarecimentos seria o dia 25/09/2013. Contudo, foi apresentado pedido de dilação do prazo somente em 27/09/2013 (fl. 191). O mesmo ocorreu em relação ao Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 168/170), cujo prazo para atendimento de parte da solicitação era de cinco dias. A ciência se deu em 07/02/2013, contudo somente foi apresentado pedido de dilação de prazo em 21/02/2013, sendo, novamente, intempestiva a resposta. Ademais, em 27/11/2013, foi emitido o Termo de Ciência e Continuidade da Ação Fiscal n° 03 (fls. 192/193), no qual o agente fiscal atesta que a empresa solicitou, em 27/09/2013, mais 07 dias de prazo para atendimento do TIF 01, o qual se expirou em 04/10/2013. Entretanto, nenhum documento ou esclarecimento foi prestado pela empresa até 27/11/2013. Em 22/01/2014, foi lavrado o Termo de Ciência e Continuidade da Ação Fiscal n° 04 (fl. 194), em que o agente fiscal novamente atesta a ausência de resposta do contribuinte ao TIF 01. Portanto, não tendo o fiscalizado atendido, no prazo fixado, as intimações da fiscalização, deve a multa de ofício ser agravada em 50% nos termos do art. 44, § 2°, da Lei nº 9.430/96. 3.2. ART. 44, § 1°, DA LEI Nº 9.430/96 Em seu recurso, o contribuinte alega que não ficou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para aplicação da multa qualificada. Impende, portanto, conhecer da matéria neste julgamento. A qualificação da multa, na forma prevista pelo § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, 2 pode ser aplicada tãosomente aos casos em que o contribuinte incorra em uma das hipóteses descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 8 Não pode ser presumida pela autoridade fiscalizadora a atividade de sonegação, fraude ou conluio, devendo o lançamento da multa qualificada de 150% ser minuciosamente descrito e comprovado pelo agente fiscal. No caso em questão, a autoridade autuante afirmar, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/113), que a conduta fraudulente do contribuinte decorre dos seguintes fatos: (i) transmissão a DIPJ do anocalendário de 2010 com o valor da receita muito abaixo do valor apurado nas notas fiscais emitidas; (ii) não apresentação do DACON para o anocalendário de 2010, antes do início da ação fiscal; (iii) apresentação da DCTF declarando somente o imposto de renda retido na fonte; (iv) não recolhimento dos tributos federais devidos; e (v) ausência de esclarecimentos sobre diversos valores informados na DIPJ. Resta claro, pois, a intenção do contribuinte em fraudar o fisco, uma vez que foi declarado somente 53,49% de sua receita operacional, além de todas as infrações relativas às obrigações acessórias. Assim sendo, entendo estar devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, razão pela qual julgo procedente a aplicação de multa qualificada, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO
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Numero do processo: 10980.932402/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.743
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 02 /2 00 9- 89 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.932402/200989 Acórdão n.º 3402003.743 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.932402/200989 Acórdão n.º 3402003.743 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.932402/200989 Acórdão n.º 3402003.743 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.932402/200989 Acórdão n.º 3402003.743 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917849/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. RECONHECIMENTO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o não reconhecimento do direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. RECONHECIMENTO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o não reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. RECONHECIMENTO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o não reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 49 /2 01 1- 66 Fl. 2980DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.716, da 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DECOMP nº 28557.99795.100506.1.2.044682, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. A decisão de primeira instância, não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa do Acórdão abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10830.917849/201166 Acórdão n.º 3402003.496 S3C4T2 Fl. 2.981 3 A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 03/12/2013 (fl. 62). Inconformada, apresentou em 17/12/2013, Recurso Voluntário (fls. 64/84), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, argumentando, em síntese, que: a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado; sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito; informa que acosta aos autos (fls. 85/108) os seguintes documentos: demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para serem analisados. Como se sabe, o §1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que Fl. 2982DF CARF MF 4 ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel.Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/MG (questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG), decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min.CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. No entanto, o Colegiado entendeu que não seria possível, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros sobre aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata tenha sido efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS. Neste contexto, os membros da extinta 2ª Turma Especial, (Terceira Seção de julgamento), resolveram converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3802000.185, de 27/05/2014, concluindo nos seguintes termos (fls. 127/129): "(...) Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem". Com efeito, a Turma decidiu pela realização de diligência para verificar a legitimidade dos créditos de PIS e da COFINS, sobre as “outras receitas”, pleiteados pela Recorrente para o período abrangendo o período do crédito objeto do pedido controlado neste processo. Em cumprimento a solicitação do CARF, o Fisco emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 1275/2014 e 60/2015, o qual requereu planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo das contribuições, acompanhadas da respectiva escrita contábil (Livro Razão, balanços/balancetes), e notas explicativas do conteúdo das rubricas utilizadas, assim como fundamentação acerca das receitas excluídas da base de cálculo das contribuições. Após a conclusão da Diligência a fiscalização formalizou suas conclusões constante na Informação Fiscal de fls. 2.909/2.910. Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10830.917849/201166 Acórdão n.º 3402003.496 S3C4T2 Fl. 2.982 5 Cientificada do resultado da Diligência, a Recorrente manifestouse, conforme documentos de fls. 2.926/2.929 e 2.915/2.918. Após o cumprimento do disposto na Resolução, o processo retornou a este CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente. MÉRITO Tratase de recurso voluntário interposto, em face da não homologação de Compensação declarada em PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. Como já relatado, a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Os autos foram convertidos em diligência para retorno a Unidade origem a fim de se verificar, se as receitas financeiras e outras receitas não operacionais compuseram a base de cálculo das contribuições, e, caso positivo, seu montante, a fim de que se determine o valor do indébito correspondente a essas receitas. O Fisco, então, após concluir a Diligência solicitada, prolatou a Informação Fiscal, concluindo o seguinte (fl. 2.910) grifei: "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 28557.99795.100506.1.2.044682, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 991,96 referente a crédito de PIS/PASEP relativo ao período de apuração 09/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 7083388,85, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 7137006,03, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 0 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 0. Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam R$ 0. Após intimada desse relatório, a Recorrente, em sua manifestação de fl. 2.918, desta forma se pronunciou: Fl. 2984DF CARF MF 6 "(...) a Recorrente manifesta a sua concordância com o resultado da diligência e requer o reconhecimento de seu direito de crédito com base nas Informações Fiscais emitidas para os pedidos de restituição, bem como o posterior encaminhamento dos autos à DRF de origem para atualização e correção monetária dos valores que deverão restituídos a Recorrente, pois dados em valores históricos." Desta forma, conforme o resultado da apuração em diligência, NÃO restou comprovado que para os créditos pleiteados neste processo, a Recorrente possui o direito ao credito no valor de R$ 991,96, relativos a recolhimento indevido a título de PIS/Pasep. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para no mérito NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2985DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720679/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA.
Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos.
Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000.
Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar relativa à alteração de critério jurídico do lançamento; (b) quanto às demais questões, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora; divergiu nessas questões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento parcial ao recurso voluntário para tributar somente os pagamentos excedentes a dois que sejam decorrentes de acordo coletivo de trabalho. Compareceu ao julgamento o Dr. Fábio Zambite, OAB/RJ 176.415/RJ.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Recurso Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.317 1 1.316 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720679/201256 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.748 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente BANCO ITAU BBA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 79 /2 01 2- 56 Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar relativa à alteração de critério jurídico do lançamento; (b) quanto às demais questões, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora; divergiu nessas questões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento parcial ao recurso voluntário para tributar somente os pagamentos excedentes a dois que sejam decorrentes de acordo coletivo de trabalho. Compareceu ao julgamento o Dr. Fábio Zambite, OAB/RJ 176.415/RJ. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Relatório 1. No presente processo administrativo, constam lançados créditos tributários referentes às contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de "Participação nos Lucros ou Resultados" e aos diretores não empregados, segurados contribuintes individuais a propósito de "Participação nos Lucros de Administradores", é constituído pelos Autos de Infração: DEBCAD nº 51.002.5366, onde foram lançados valores referentes às contribuições sociais previdenciárias (cota patronal e financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT), no período de 01/2009 a 10/2009, no valor de R$ 95.048.638,28 (noventa e cinco milhões e quarenta e oito mil e seiscentos e trinta e oito reais e vinte e oito centavos), consolidado em 08/06/2012; DEBCAD nº 51.002.5374, onde foram lançados valores referentes às contribuições destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, no período de 01/2009 a 10/2009, no valor de R$ 10.063.973,50 (dez milhões, sessenta e três mil e novecentos e setenta e três reais e cinquenta centavos, consolidado em 08/06/2012) ; 1.1. O relatório Fiscal, fls. 558/591, narra circunstanciadamente os motivos e os fundamentos que ensejaram o lançamento. Aborda o tema a partir da sua definição pela Constituição Federal, artigo 7º, XI; da hipótese de incidência das Contribuições Previdenciárias, de acordo com a Lei n° 8.212/91, notadamente nos seus artigos: 12, 22 e 28, Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.318 3 §9º letra “j” e.; da regulamentação da Participação nos Lucros desde a edição da Medida Provisória nº 794, de dezembro de 1994 à lei nº 10.101/2000. 1.2. A partir do item 5.14 do Relatório Fiscal, passa a demonstrar a situação concreta do caso em relação aos pagamentos ocorridos durante os exercícios de 2007 a 2009: (i) Programa Próprio decorrente da negociação entre o banco e seus empregados para Participação nos Lucros ou Resultados, com vigência por prazo indeterminado a partir de 1º de janeiro de 2000; (ii) Acordos Coletivos sobre Participação Complementar nos Resultados, celebrados entre o banco e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro em 2006, 2007/2008 e 2009;. (iii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006, 2007, 2008 e 2009; Resumo das inconformidades apontadas pela auditoria fiscal: * Quanto ao programa próprio Programa de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R. (instituído através de Acordo Interno entre Banco e empregados em 2000): elaboração sem a intervenção obrigatória do sindicato representativo da categoria profissional; [...] 5.20 Durante a auditoria o sujeito passivo apresentou cartas, datadas de 26 de junho de 2000, ao Sindicato dos Bancários de São Paulo e à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras (Confederação Nacional dos Bancários) informando que pretenderia celebrar Acordo para Participação nos Lucros e/ou Resultados e solicitando a indicação de um representante dessas entidades sindicais para integrar a comissão de negociação. 5.21 Apresentou, ademais, cartas, de 06 de julho de 2000, remetendo para arquivo, junto ao Sindicato dos Bancários de São Paulo e à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras (Confederação Nacional dos Bancários), uma via do programa. 5.22 Afora as cartas, o banco enviou, em 07 de julho de 2000, Notificações Extrajudiciais à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras (Confederação Nacional dos Bancários) e ao Sindicato dos Bancários de São Paulo. 5.23 Sendo assim, temos que o Programa Próprio de PLR foi negociado entre o banco e os seus empregados, sem a devida participação do sindicato. Além disso, não houve comprovação de que esse programa se encontra registrado e arquivado na competente entidade sindical. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 5.24 Ora, sabemos que a Lei n° 10.101/00 estabelece que a negociação para distribuição da PLR darseá entre a empresa e seus empregados e define dois procedimentos que podem ser escolhidos pelas partes de comum.acordo. São eles: (i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou (ii) convenção ou acordo coletivo. Ademais, prevê que o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] falta de comprovação de seu registro e arquivamento na entidade sindical; [...] 5.26 No caso em a preço, vemos que a negociação foi realizada sem a participação de um representante sindical e o programa não está devidamente registrado e arquivado no sindicato, o que retira a possibilidade de adequação à legislação específica. [...] inexistência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas [...] 5.29 Verificase que não foram esses os únicos requisitos legais a terem sido desrespeitados no caso em tela. A Lei n° 10.101/00 determina, como já visto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. 5.30 O Programa Próprio de PLR em tela dispõe: (...) 5 DIREITOS SUBSTANTIVOS I Fica acordada a Participação nos lucros e/ou Resultados, conforme anexo que, para todos os efeitos, integra o presente instrumento. Os valores, aqui estabelecidos, representam um mínimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a título de P.L.R., nas hipóteses em que o desempenho individual ultrapasse o esperado OU negociado. Em tal hipótese, o que superar esse mínimo não deverá, na forma da lei, integrar o salário para quaisquer efeitos, de qualquer natureza, inclusive trabalhistas, previdenciários, fundiários, etc. 6. ABRANGÊNCIA Todos os empregados do BANCO são elegíveis, salvo as exceções estabelecidas na cláusula 3 deste instrumento. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.319 5 (...) 11. COMPENSAÇÕES E SUBSTITUIÇÕES O presente acordo compensa, e substitui , eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus, e/ou. produtividade, bem como vantagens idênticas (participação nos lucros e/ou resultados) estabelecidas em Convenções ou Dissídios Coletivos. 5.31 Por sua vez, o Anexo determina, in verbis, ANEXO CONVENÇÃO COLETIVA Fica assegurado, como mínimo, o pagamento da P.L.R. prevista nas Convenções Coletivas firmadas pelos sindicatos, obedecidos todos os valores, condições e limitações constantes das mesmas Convenções Coletivas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS INDEPENDENTE DO VALOR ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA Além das vantagens anteriormente estabelecidas, todos os empregados concorrem a uma participação nos lucros e/ou resultados, conforme regras adiante especificadas: O Banco separa uma parte do lucro para distribuir entre seus empregados. Caso não haja lucro, nenhum valor será distribuído. A Participação nos Lucros e/ou Resultados será paga aos melhores e de acordo com as condições aqui estabelecidas, garantida, sempre, a P.L.R. constante da Convenção Coletiva. Será utilizado um formulário para avaliação de desempenho, conforme exemplo anexo. , A avaliação é semestral (duas vezes ao ano). O cronograma do processo de avaliação será divulgado para conhecimento de todos os empregados. O formulário será'preenchido pelo avaliador (chefe do empregado) e discutido com o avaliado. Ainda, o avaliado tem acesso à sua própria avaliação para registrar os comentários que quiser, e deve assinála. São vistos eletrônicos e depois dos vistos o sistema bloqueia qualquer alteração. Assim, depois dos respectivos vistos, avaliador e avaliado não poderão alterar nada, a não ser de comum acordo, sendo então possível, a ambos, reabrir o. formulário eletrônico e voltar à seqüência anterior. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Para os efeitos da participação nos lucros e/ou resultados, as, avaliações, dos empregados são divididas em grupos. Todos têm conhecimento do grupo a que pertencem. Depois das avaliações, um Grupo de Trabalho formado por gerentes, outro Grupo de Trabalho formado por executivos sócios do Banco e um terceiro Grupo de Trabalho formado pelos Diretores Estatutários do Banco recebem cópias das citadas avaliações. O Grupo de Trabalho formado por gerentes se reúne e elabora uma lista de classificação dos grupos de funcionários a eles subordinados, classificandoos de acordo com o desempenho no período. A lista é entregue ao Grupo de Trabalho formado por executivos sócios do Banco, que a ratificarão ou retificarão. O Grupo de Trabalho formado por executivos sócios elabora, então, a lista de classificação dos demais funcionários. As listas de classificação são entregues ao Grupo de Trabalho formado pela Diretoria Estatutária, que as ratificam ou retificam. O Grupo de Trabalho formado pela Diretoria retoma ao Grupo de Trabalho formado por executivos sócios do Banco a informação da conclusão do seu trabalho e de eventuais retificações. O mesmo procedimento é feito pelo Grupo de Trabalho formado pelos executivos sócios do Banco ao Grupo de Trabalho formado por Gerentes. 5.32 E, por fim, o Modelo de Formulário de Avaliação Semestral estabelece que seja realizada Avaliação de: 1. Relacionamento Interno, Externo (ambiente positivo, sem fofoca, imagem institucional) 2. Iniciativa (capacidade de perceber novas oportunidades e de implementálas) 3. Determinação (disposição para atividades e obstinação por resultados) 4. Responsabilidades (independência de supervisão) 5. Qualidade de Trabalho Desenvolvido 6. Contribuição para o bom desempenho da área 5.34 Segundo o disposto no Programa Próprio, a PLR, será paga de acordo com as condições nele estabelecidas. Todavia, o texto resumese a exaustivamente descrever o procedimento de avaliação individual, não apontando em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação. O modelo de Formulário de Avaliação instituído em 2000 aponta genericamente os pontos passíveis de avaliação, mas não apresenta coeficientes, nem Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.320 7 possíveis diferenças entre segmentos a serem avaliados. Ademais, um novo modelo foi instituído internamente em 2008, não sendo público seu conteúdo. 5.35 Durante a auditoria foram apresentados, por amostragem, Demonstrativos das Bases, de Cálculo de PLR, bem como Avaliações Individuais de Desempenho. 5.36 Os Demonstrativos de Cálculo são divididos em 3 segmentos: Atacado, Tesouraria e Investment Banking. Para o segmento Atacado, a base de cálculo é fixada como uma % da criação de valor do banco, distribuído entre os grupos de avaliação de desempenho. Para o segmento Tesouraria: % do resultado da área, ‘ distribuído conforme modelo específico. E para o segmento Investment Banking: % do resultado da área, distribuído conforme modelo específico. Sendo que: (a) criação do valor do banco significa o lucro líquido gerencial antes da provisão de PLR, deduzido o custo de capital necessário para cobrir o risco das operações e a PLR da Tesouraria e Investment Banking; (b) resultado da Tesouraria significa receita líquida de impostos (PIS e Cofins) e custos de capital; e (c) resultado de Investment Banking significa receita líquida de impostos (PIS e Cofins, transferências para a Corretora e custos diretos e indiretos (exceto custo de pessoal). 5.37 As Avaliações de Desempenho, por sua vez, não trazem assinaturas, nem data de ciência, sendo impossível a comprovação de quando o empregado tomou conhecimento das metas envolvidas no pagamento. [...] 5. 47Como pode haver clareza e objetividade no que se refere aos direitos substantivos estabelecidos num acordo que diz que os valores, aqui estabelecidos, representam um mínimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a título de P.L.R., nas hipóteses em que o desempenho individual ultrapasse o esperado ou negociado.? [...] * Quanto ao programa de Participação Complementar nos Resultados P.C.R., (instituído através de acordos coletivos em 2007 e 2008): celebração em data posterior a que se referem os resultados distribuídos; [...] 5.50 Inicialmente observase que os Acordos Coletivos em análise foram assinados retroativamente ao início de seus anos base e um dos pontos importantes a ser tratado é exatamente o da vigência dos acordos de PLR, haja vista que o dispositivo legal determina que a participação será objeto de negociação prévia e que suas regras serão previstas no instrumento decorrente dessa negociação. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 5.51 Extraise da legislação pertinente que o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Deve haver negociação entre as partes e a empresa concederá o pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta préestabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente,, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. 5.52 Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. No caso em questão, o Acordo Coletivo que rege,o ano de 2006 foi celebrado somente em fevereiro de 2007; o Acordo Coletivo que rege os anos de 2007/2008 foi assinado em metade de setembro de 2007 e o Acordo Coletivo que rege o ano de 2009; em setembro do mesmo ano. 5.53 Ora, para ter direito ao recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados são impostas condições ao empregado, e este precisa saber quais são estas e mais, em tempo hábil, sob o risco de ter sua expectativa de direito de pronto prejudicada. 5.54 A estipulação de objetivos ao final do terceiro semestre do ano base, ou ainda, após o final deste, retira do pagamento qualquer possibilidade de adequação à legislação específica. Afinal, datas como as mencionadas no item precedente possibilitavam pouca ou nenhuma ação por parte dos destinatários para o cumprimento das metas. Ademais, sabemos que a regulamentação dessa matéria dá se no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação seja justa. [...] inexistência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o benefício da participação. [...] 5.60 Ademais, como detalhadamente tratado nos itens 5.29 a 5.48, a Lei n° 10.101/00 determina que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. 5.61 O Acordo Coletivo de 2006 estabelece que a apuração dos valores de PCR será baseada nos seguintes indicadores: 30% ROE (%), 30% Lucro Liqüido, 20% índice de Eficiência (%), 10% índice dq BACEN de Reclamações (%) e 10% Posição no BACEN. No caso de se atingir 80% dessas metas em 2006, o PCR pago será de R$ 720.00. Se atingir 100%, R$ 900,00 e se atingir 120%, R$ 1.080,00. Além disso, estabelece que, caso as metas não atinjam o mínimo estabelecido na tabela acima, ou seja, 80%, o pagamento da PCR não será devido, porém, as Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.321 9 partes ajustam que será pago aos funcionários o valor de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) como mínimo garantido. 5.62 Por sua vez, o Acordo Coletivo de 2007/2008 determina que a apuração dos valores de "PCR será baseada nos seguintes indicadores: 70% Lucro Líquido, 15% ROE (90 e 15% índice de Eficiência (%). Se atingir 80% dessas metas em 2007, o PCR pago será de R$ 900,00. Se atingir 100%, R$ 1.200,00 e se atingir 120%, R$ 1.500.00. Os valores previstos para pagamento da PCR no ano de 2008, base 100%, terão como referência os resultados obtidos em 2007. Para a composição das metas do anode 2008 serão observados os indicadores de 2007. Na base 100% serão considerados os resultados alcançados em 2007 e nas demais bases, de 80% e 120%, os valores serão interpolados. Ademais, dispõe que caso as metas não atinjam o mínimo estabelecido na tabela, constante do parágrafo primeiro, da cláusula terceira, ou seja 80%, 0 pagamento da PCR não será devido, porém, as partes ajustam que será pago aos funcionários o valor de R$ 730,00 (setecentos e trinta reais) como mínimo garantido. 5.63 Por fim, o Acordo Coletivo de 2009 dispõe que a apuração dos valores de PCR será baseada no Lucro Líquido. Se atingir 80% em 2009, o PCR pago será de R$ 1.500,00. Se atingir 100%, R$ 1.750,00 e se atingir 120%, R$ 2.000,00. [...] * Problemas gerais (relativo ao Programa Próprio P.L.R. e Acordo Coletivo de Participação Complementar nos Resultados P.C.R.) distribuição de lucros e resultados em periodicidade superior ao determinado em lei; [...] 5.66 Inicialmente, o §2° do art. 3° da lei que cuida da participação aqui questionada, acima transcrito, veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. 5.67 Ora, apesar disso, como pode ser observado, por amostragem, nos demonstrativos PLR Múltiplos Pagamentos 2007/2008/2009, o contribuinte não seguiu tal determinação, tendo realizado, para o mesmo beneficiário, três, quatro e até cinco pagamentos de PLR durante o ano de 2007; três ou quatro pagamentos durante o ano de 2008; e três, quatro, cinco, e até seis pagamentos durante o ano de 2009. 5.68 A disposição legal é apreço não pode ser desprezada sob o argumento de determinação meramente formal, uma vez que se nota novamente aqui a nítida intenção do legislador de não privilegiar pagamentos que se distanciem de uma real PLR. Receber PLR em até seis vezes no mesmo ano civil não pode ser Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 mais considerado como uma verba eventual, desvirtuando assim a legislação específica. 5.69 Em continuidade ao expendido, lembramos que um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial. [...] existência de grandes discrepâncias no valor da PLR em relação ao salário. 5.70 No caso dos acordos ora questionados foram apontados, por amostragens r.os demonstrativos Salário Anual x PLR 2007/2008/2009, dados através dos quais é possível notar a existência de diferentes “castas” de empregados no que tange ao recebimento da PLR devido a uma grande diferença de valores recebidos. 5.71 Em relação aos pagamentos ocorridos durante o ano de 2007 verificase que a porcentagem de PLR em relação ao salário anual vai de 10,14% a 90,11%. Para o ano de 2008 temos uma variação entre 15,77% a 90,64% e no ano de 2009 entre 17,18% e 84,24%. . 5.72 Correndo o risco da repetição, mas de forma importante para a análise proposta, lembramos em complemento que o art. 1º da Lei n° 10.101/00 estabelece que a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e deve servir como incentivo à produtividade, nos termos do art. 70, inciso XI, da Constituição. 5.73 Diante de um quadro como o apresentado e das disposições legais sobre o tema, algumas questões ficam no ar. Qual a justificativa da empresa para 0 pagamento de Participação nos Lucros de forma bastante desigual entre seus colaboradores? Um pagamento dispare como esse pode ter por fim de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade? O que os empregados que pouco recebem acham dos valores recebidos pelos outros colegas? Sentemse eles devidamente incentivados conhecendo da existência de um fosso entre os empregados da mesma empresa? [...] DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada, cientificada pessoalmente dos Autos de Infração em 20/06/2012, impugnou o lançamento, tempestivamente, em 19/07/2012, através do instrumento de fls. 616/705. Na impugnação alega em síntese: 2.1. Sob o título: “ Dos Fatos”, alega que: 2.1. é uma instituição financeira com ilibada conduta e, em consonância com o princípio constitucional de valorização do Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.322 11 trabalho sempre atuou com vistas a proporcionar melhorias frequentes às condições sociais dos trabalhadores principalmente no contido no caput do Art. 7º da Constituição Federal; 2.2. com o intuito de promover de forma equânime a integração entre o capital e o trabalho, como medida de incremento à produtividade, o Requerente assinou ao todo seis instrumentos de negociação (que junta: doc.. Nº 05 a 10), os quais formalizaram e possibilitaram o pagamento aos seus empregados de Participação nos Lucros e Resultados, que são: 2.2.1. Acordo firmado internamente. Firmado por prazo indeterminado em 28/06/2000 e aditado em 15/04/2008, sempre com a participação democrática dos empregados; 2.2.2. Acordos firmados entre Sindicatos e/ou Federações a que o Requerente deve observância: (i) Convenção Coletiva de Trabalho Sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos (em 2007, firmada em 18/10/2007, entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS E O SINDICATO DOS BANCOS NO ESTADO DE SÃO PAULO) ; (ii) CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO SOBRE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DOS BANCOS; (em 2008, firmada em 03/11/2008, entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS E O SINDICATO DOS BANCOS NO ESTADO DE SÃO PAULO); (iii) CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO SOBRE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DOS BANCOS (em 2009, firmada em 19/10/2009, entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS E O SINDICATO DOS BANCOS NO ESTADO DE SÃO PAULO) ; (iv) ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DO PROGRAMA DA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR NOS RESULTADOS (PCR) (2006/2007, DISCIPLINADO PELA LEI 10.101/2000, firmado em 08/02/2007, com a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO – CONTRAF) ; (v) ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DO PROGRAMA DA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR NOS RESULTADOS (PCR) (2006/2007, DISCIPLINADO PELA LEI 10.101/2000, firmado em 08/02/2007, com a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO – CONTRAF) ; (v) ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DO PROGRAMA DA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR NOS RESULTADOS (PCR) (2007 2008, DISCIPLINADO PELA LEI 10.101/2000, firmado em 14/09/2007, com o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO, aditado em 21/07/2008; Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 (vi) ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DO PROGRAMA DA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR NOS RESULTADOS (PCR) 2009, DISCIPLINADO PELA LEI 10.101/2000, firmado em 04/09/2009, com a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO CONTRAF; 2.3. todos os acordos respeitaram os requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000, especialmente no que condiz com a participação dos empregados, seja mediante comissão ou por meio do próprio Sindicato e/ou Federação, bem como elaborando regras claras e objetivas para aferição do percentual a ser pago a título de PLR; 2.4. a Constituição Brasileira de 1988, de modo cabal, exclui da incidência da contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social, o montante concedido ao trabalhador, ai incluído indubitavelmente o administrador, a título de participação nos lucros; 2.5. a interpretação equivocada e distorcida da Agente Fiscal aos dispositivos constitucionais não pode prevalecer, tendo em vista que tal verba sob hipótese alguma integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição social previdenciária exigida, sendo, portanto, totalmente improcedente o lançamento fiscal, como pretende demonstrar. Das Preliminares 3. Sob o título: “DA NULIDADE DAS AUTUAÇÕES VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL”, alega que: 3.1. passados apenas dois anos, da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.66.00.2009.000112, a Receita Federal do Brasil iniciou nova fiscalização, através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.66.00.2011.003735, para apurar os mesmos fatos e documentos relacionados ao pagamento de PLR e PCR aos funcionários do Requerente 3.2. de posse da mesma documentação que originou as autuações ora impugnadas, não houve no ano de 2009, qualquer questionamento do Fisco Federal, quanto aos planos que viabilizaram o pagamento de PLR e PCR aos seus empregados; [...] 3.5. verificase que houve uma completa mudança nos critérios jurídicos adotados pelo Fisco Federal quanto os requisitos necessários aos planos que geraram o pagamento de PLR e PCR aos funcionários do Requerente, de modo que tais mudanças somente poderiam ser aplicadas a fatos geradores ocorridos após 07.11.2011, data em que foi lavrado o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.66.00.2011.003735, sob pena de violação ao disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional; [...] 3.7. o art. 146 do CTN protege o contribuinte contra a mudança de critério jurídico adotado pela Administração Tributária que envolva o agravamento da situação daquele, exatamente como ocorre nos autos, assim, todos pagamentos efetuados pelo Requerente a título de PLR e PCR nos anos de 2007 a 2009 estão em conformidade com as disposições da Lei n° 10.101/2000, conforme chancelado pela própria Receita Federal em Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.323 13 2009, sendo nulos e improcedentes os lançamentos fiscais ora atacados, em atendimento ao disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional; DO DIREITO 4. Sob o título: “DA NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE AS VERBAS PAGAS AOS TRABALHADORES EMPREGADOS”, alega que: 4.1. a Constituição de 1988, no seu Art. 7º, XI, exclui da incidência da contribuição social o montante que é concedido ao trabalhador a título de participação nos lucros; 4.2. a norma Constitucional outorga ampla proteção aos trabalhadores, como meio de valorização social do trabalho de modo a possibilitar a participação dos mesmos nos lucros das empresas sem que tal verba configure hipótese de incidência da contribuição para previdência social; [...] 4.5. apesar do requerente ter observado todos os requisitos previstos na Constituição Federal e na Lei 10.101/00, a Autoridade Fiscal, alegou inconsistências formais e materiais nos planos firmados e após listálas descaracterizou os pagamentos firmados nos anos de 2007 e 2008; 5. Sob o título: “DAS SUPOSTAS IRREGULARIDADES NO ACORDO INTERNO FIRMADO PELO REQUERENTE NO ANO DE 2000”, alega que: 5.1. a irregularidade, apontada pela Fiscalização com relação ao programa próprio de PLR firmado em 2000, consiste na ausência de participação do sindicato na elaboração do acordo e o não arquivamento do documento na respectiva entidade (suposta não participação do Sindicato nas negociações) apegase em suposto vicio formal e desconsidera a realidade fática; 5.2. a suposta omissão alegada pela Agente Fiscal foi devidamente suprida a seu tempo, eis que tanto o Sindicato dos Bancários de São Paulo quanto a Confederação Nacional dos Trabalhadores em instituições Financeiras, reconheceram e ratificaram expressamente o Acordo Interno firmado no ano de 2000, por meio dos Acordos Coletivos firmados pelo Requerente relativamente aos anos de 2007, 2008 e 2009. Transcreve clausulas contratuais que tratam dos programas específicos mantidos pelos Bancos Acordantes; 5.3. o fato de o representante sindical não ter participado das negociações que resultaram no acordo firmado no ano 2000, não consistiu em irregularidade quanto ao conteúdo do instrumento, eis que posteriormente as Entidades Sindicais reconheceram e ratificaram referidas tratativas, não havendo nenhum prejuízo para os trabalhadores, nem tampouco qualquer vício apto a descaracterizar as verbas pagas a título de PLR; [...] Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 5.6. o Requerente fez publicar em jornal de grande circulação a comunicação sobre a eleição da comissão de empregados cujo prazo para inscrição se encerrou em 07/06/2000 e, após a publicação se inscreveram e foram eleitos para a comissão representativa dos empregados os seguintes: Maria Angélica Kiyomi Shimono; Kátia Evangelista Silva; Mauro da Mota (suplente) ; Jose Luiz Camanho; Luis Emanuel Magnoler; Carolina Roxana Oliver e Alexandre de Azara; 5.7. de forma transparente e com lisura foi lavrada Ata de Reunião e Constituição da Comissão de Empregados em 14/06/2000 (doc. n° 15), sendo que em 19/06/2000, foi publicado em jornal de grande circulação, a eleição da comissão, abrindose prazo para impugnação (doc. 16); 5.8. somente após todo o devido processo de escolha dos representantes dos empregados é que foi efetivamente discutido e aprovado o acordo para pagamento de PLR em 28/06/2000; 5.9. após formalizado o acordo interno para pagamento de PLR, o Requerente notificou extrajudicialmente, em 07/07/2000, tanto o Sindicato dos Bancários de São Paulo, quanto a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras, a fim de que referidas entidades arquivassem os acordos (doc.. 17 e 18) ; [...] 5.13. não houve qualquer prejuízo aos empregados, assim não existe fundamento para se desconsiderar o acordo firmado internamente pelo Requerente e a comissão eleita pelos trabalhadores; 5.14. a suposta irregularidade alegada pela Agente Fiscal, como causa para descaracterização das verbas pagas a título de PLR, relacionada à falta de participação do sindicato na negociação do programa interno de PLR, deve ser liminarmente afastada, na medida em que as próprias entidades Sindicais reconheceram e ratificaram o referido acordo firmado em 2000, cumprindo com o disposto no artigo 2º, I e § 2º da Lei nº10.101/00, ausente ademais qualquer prejuízo a ensejar a nulidade do referido acordo interno. 5.15. Sob o título: “Da suposta ausência de clareza e objetividade do acordo de PLR interno firmado em 2000, alega que: 5.16. das considerações da Agente Fiscal, que transcreve, demonstram entendimento subjetivo, incompatível com o exercício da função administrativa, que se afasta das exigências previstas em lei, ferindo o princípio da legalidade; 5.17. que o Art. 7º, XI, da CF incluiu entre os direitos dos trabalhadores a participação nos lucros ou resultados da empresa, sublinhando a desvinculação de tais valores, por natureza, da remuneração, nos termos da Lei; que tal dispositivo considera Participação nos Lucros ou Resultados apenas e tão somente valores pagos nos termos da legislação regulamentadora e, é esse o motivo pelo qual é constitucional a previsão da Lei de Custeio que não fixou natureza salarial alguma à verba, fixando o parâmetro do que pode ser PLR; 5.18. nos termos da Lei n° 8.212, de 1991, somente a distribuição de lucros praticada nos termos da legislação que a regulamentou é coberta pelo fenômeno da não incidência. A afronta aos critérios ali estabelecidos desqualifica o pagamento, tornandoo mera Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.324 15 recorrência do contrato de trabalho, vale dizer, remuneração para fins previdenciários e como tal tributada, logo, não é PLR, porque deixou de cumprir as exigências legais. 5.19. Discorre sobre a regulamentação do pagamento da PLR, desde a edição da MP nº 794/94 e, sobre a interpretação da Lei nº 10.101/2000, para concluir que o §1º, do art. 2º desta Lei, que contem a expressão: "podendo ser considerados entre outros (..)", conduz à interpretação de que os incisos concedem meros caminhos a ser ou não ser eleito pelas partes aderentes, portanto, sem qualquer repercussão na natureza da verba a ser paga, entende, assim, que as partes são soberanas para a fixação dos critérios a serem utilizados como delimitadores do percentual a ser pago a título de PLR, bastando tão somente que as regras sejam claras e objetivas, que é o caso dos autos; [...] 6. Do Programa Próprio de PLR, alega que: 6.1. negociou a forma com que se daria a repartição de seus lucros com os empregados e que os critérios foram disciplinados no acordo interno então formalizado; 6.2. o acordo optou pela previsão de individualização de resultados aferidos, mediante avaliação de desempenho, estando, portanto, estrita e perfeitamente observada a exigência legal de negociação entre as partes quanto à divisão dos lucros da empresa, e fixados critérios e regras claros e objetivos, de conhecimento prévio dos empregados. 6.3. existe variação no percentual do Lucro a ser dividido entre grupos e, que é justificada pelas peculiaridades do negócio bancário a que se dedica, além de fatores que levam em conta o número de participantes e a proximidade de cada qual com o resultado do mesmo negócio, assim, a área comercial tende a ser contemplada com percentual maior na distribuição dos lucros. [...] 6.5. o percentual individual leva em consideração a posição ocupada na classificação do grupo que são definidas por comitês de avaliação, compostos por executivos das áreas avaliadas, assim como de áreas convidadas; 6.6. todos os profissionais da organização são sujeitos à um processo de avaliação de desempenho que é composto por três partes: a) uma avaliação de resultados b) uma avaliação de competências e c) uma discussão de grupo de avaliação; 6.7. o critério utilizado pelo Requerente não utiliza o sistema puro de metas financeiras, o critério que adota prioriza a busca por indicadores quantitativos e qualitativos, devidamente apontados em avaliação de desempenho, sendo que o trabalhador conhece regras e fatores determinantes da aferição do desempenho e consequente repercussão no resultado do PLR devido a cada qual; [...] 6.9. em relação aos funcionários da Tesouraria, o PLR é calculado levandose em consideração um percentual do resultado do seu negócio, ou seja, quanto mais eficiente seja Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 o funcionário maior será seu PLR e, mais contribuirá com a aproximação entre trabalho e capital; [...] 6.12. as regras e critérios podem, em uma avaliação pessoal, ser consideradas como o ideal possível, sujeito a naturais aperfeiçoamentos, resultantes da vontade das partes e externadas no instrumento de negociação coletiva; o Estado ao interferir nesse processo a fim de desqualificar a natureza do pagamento, além de ferir a autonomia, contraria toda a regulamentação da PLR,; 6.13. ao contrário do que alega a Agente Fiscal o conteúdo do modelo de formulário instituído internamente a partir de 2008 é publico e, durante a fase de fiscalização, os trabalhadores do Requerente apresentaram à Autoridade Fiscal formulários de avaliações referentes ao ano de 2008, o que revela o descabimento da argumentação a respeito do desconhecimento do respectivo teor. Requer a juntada de referidos documentos, tomados por amostragem (doc. nº19) ; 6.14. para desconstituir o argumento da Agente Fiscal no sentido de que as avaliações de desempenhos não trazem assinaturas, nem data de ciência, o que impossibilitaria a comprovação do momento em que o trabalhador tomou conhecimento das metas envolvidas no pagamento, requer a juntada de declarações dos trabalhadores, informando não somente o prévio conhecimento e ciência sobre os cronogramas dos processos de avaliações de desempenho realizados semestral e anualmente, para fins de apuração do valor a ser pago a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados, nos anos de 2007, 2008 e 2009, como, igualmente, que participaram e tiveram ciência de seus resultados (doc.20 a 29); [...] 6.16. os trabalhadores são orientados sobre como participar da avaliação através de um sistema especialmente desenvolvido para tal fim (doc. 34, 35 e 36); onde podem ver de forma clara e objetiva os indicadores e quantitativos que devem alcançar para fazer jus a uma boa pontuação e, obter uma melhor participação nos lucros da instituição (doc. 37, 38 e 39) do sistema virtual o Requerente não dispões mais dos comprovantes de acesso dos funcionários relativos aos anos de 2007 e 2008, contudo, no que se refere ao ano de 2009, requer a juntada de planilha indicando por amostragem, que funcionários acessaram o sistema para participação do processo de avaliação (doc. 40); 6.17. tal como operou a Agente Fiscal, também a Requerente utiliza a prova por amostragem; 6.18. ao contrário do infundado arrazoado da Agente Fiscal, o acordo próprio de PLR firmado internamente pelo Requerente se ajusta aos preceitos da Lei n°10.101/2000, sendo que as regras substantivas (direito ao PLR) e as adjetivas (meio de alcançar o escopo do programa) são claras e objetivas e de conhecimento de todos os trabalhadores; 7. No item: DAS SUPOSTAS IRREGULARIDADES NOS ACORDOS COLETIVOS FIRMADOS ENTRE SINDICATOS E FEDERAÇÕES, alega que: 7.1. os acordos coletivos firmados pelo Requerente com as entidades sindicais só fazem referência à complementação da participação nos lucros e resultados; Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.325 17 7.2. a participação já fora definida no acordo interno estatuído pelo Requerente, cuja base de aferição é a avaliação interna realizada a cada ano, 7.3. os objetivos a serem alcançados pelo pessoal que trabalha para o Requerente são traçados, intencionalmente, antes mesmo da assinatura do acordo de PLR entre os Bancos e o Sindicato dos Empregados, de modo que a data da assinatura é tão somente o coroamento do processo de negociação. 7.4. aquele que alcançar os indicadores quantitativos e qualitativos traçados no sistema de avaliação de desempenho contribuindo para o aumento da produtividade do Banco, vez que o lucro aumenta, faz terá o direito subjetivo à percepção da complementação do PLR já adquirido no âmbito interno do Banco; basta que o lucro seja igual ou maior do que o valor definido pelo ente sindical para que o empregado faça jus à complementação de PLR; 7.5. que a assinatura do documento não é formalidade exigida por lei para a validade do ato, que é, tão somente ato de culminação formal do que fora avençado entre as partes contratantes. É justamente em razão da característica complementar da verba paga aos empregados do Requerente como decorrência dos acordos firmados com a entidade sindical que as partes expressamente acordaram a validade retroativa da norma, eis que não existe nenhum prejuízo aos empregados, pois todos já sabiam previamente quais indicadores deveriam alcançar para fazer jus à complementação do PLR; 7.6. em respeito ao artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, que assegura o pleno reconhecimento da negociação coletiva, deve ser validado o acordo coletivo de trabalho que estabelece a retroatividade dos termos do ajuste anterior; 7.7. que a negociação coletiva fez refletir a vontade flexibilizadora das partes quanto à parcela acessória ao salário, não trouxe qualquer prejuízo aos trabalhadores, mesmo porque não evidenciado que a empresa estivesse mascarando recomposição salarial por meio do parcelamento mensal da PLR; 8. No item: DOS SUPOSTOS PROBLEMAS GERAIS APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO EM TODOS OS ACORDOS FIRMADOS PELO REQUERENTE, alega que: 8.1. alegou ainda a Agente Fiscal "problemas gerais", que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR: Convenção Coletiva; Acordos Coletivos de PCR e Programa Próprio de PLR, dentre os supostos problemas estaria a existência de mais de dois pagamentos no mesmo ano civil a título de PLR, consoante demonstrado por amostragem pela Agente Fiscal; tais argumentos não se sustentam pois, o lançamento tributário como atividade administrativa vinculada da administração pública, deve sempre se pautar pelo princípio da legalidade, sob pena de nulidade; 8.2. a Lei n 10.101/2000, ao dispor sobre as regras gerais da PLR, não veda nem impede que a empresa firme ou assine mais de um acordo, seja por meio de comissão de empregados seja mediante acordo ou convenção coletiva; ,o Requerente firmou seis instrumentos que viabilizaram o pagamento de PLR ou PCR, aos seus empregados, sendo um deles interno e os outros cinco por meio de entidades sindicais representantes dos empregados; Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 [...] 8.4. para cada programa de PLR assinado somente poderá haver dois pagamentos no mesmo ano, de modo que havendo mais de um programa ou instrumento cada qual poderá gerar dois pagamentos no mesmo exercício, este fato não afronta as disposições da Lei n°10.101, de 2000, que não vedou, em nenhum dos respectivos dispositivos, a formalização de mais de um instrumento ou acordo; 8.5. analisando a tabela elaborada pela Agente Fiscal, verificase que mesmo tendo alguns trabalhadores, recebido mais de dois pagamentos a título de PLR ou PCR em um mesmo exercício, constatase que cada verba se referia a instrumentos distintos: quanto ao mesmo instrumento não existem mais de dois pagamentos em nenhum dos anos que foi objeto do lançamento fiscal; a tabela elaborada pela Agente Fiscal faz prova a favor do Requerente, por demonstrar de forma clara e inequívoca, que considerado cada acordo firmado para fins de pagamento de PLR ou PCR, não houve mais de dois pagamentos no mesmo exercício civil; 8.6. a interpretação engendrada pela Agente Fiscal, atenta contra o princípio da legalidade, eis que cria obrigação ou restrição não imposta na Lei n° 10.101/2000, não havendo irregularidade nos acordos coletivos e convenções coletivas capaz de descaracterizar os pagamentos realizados a título de PLR e PCR; [...] 9. No item: DA SUPOSTA IRREGULARIDADE DECORRENTE DA VARIAÇÃO DE PLR RECEBIDAS PELOS FUNCIONÁRIOS, alega que: 9.1. é descabida a argumentação da Agente Fiscal a respeito da diferença dos montantes pagos a título de PLR em relação ao salário anual, que o programa de PLR do ITAU BBA S/A leva em consideração o desempenho individual do empregado, é lógico que ocorra oscilação dos valores pagos em razão do atingimento distinto de indicadores quantitativos e qualitativos; há áreas que tendem a auferir percentual mais acentuado na distribuição dos lucros dada a sua natureza e aos fins do programa; junta relatório de pesquisa elaborada pela empresa Mercer, (doc. 41), de julho/2012, que apresenta o mix entre remuneração fixa e remuneração variável praticado em ramo especifico do mercado nos anos 2007 a 2012; 9.2. o fato de haver variações nas participações dos empregados no lucro da empresa não causa mal estar entre os trabalhadores; a forma de avaliação clara e transparente permite que cada qual atinja, em outro momento, os parâmetros traçados e melhore o respectivo desempenho; que se estimula a natural e legítima competitividade entre os trabalhadores; 9.3. são totalmente improcedentes as exigências formuladas nos autos de infração que integram este processo administrativo; que as verbas pagas a título de PLR observaram rigorosamente os critérios formulados pela Lei n° 10.101/2000, não havendo que se falar em incidência das contribuições previdenciárias sobre elas. 10. No item: DA NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR AOS TRABALHADORES ADMINISTRADORES, alega que: Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.326 19 10.1. a Agente Fiscal cometeu equívoco ao identificar como salário de contribuição o montante de verbas atribuída a título de participação nos lucros aos administradores da Impugnante por erro na interpretação do termo trabalhador; 10.2. o termo trabalhador, previsto no artigo 7º, da Constituição Federal de 1988, deve ser interpretado da forma mais ampla e comum possível, ( todos aquele que vivem do trabalho, incluídos os administradores), destaca que o Supremo Tribunal Federal, órgão ao qual é atribuída a função de interpretar a Constituição Federal, já se pronunciou no sentido de que as palavras e termos utilizados pela Carta Constitucional não podem ser ignorados pela Administração Pública, apenas para viabilizar a tributação, transcreve voto vencedor do Ministro Marco Aurélio proferido nos autos do RE nº 166.7729/RS; e sobre interpretações de normas menciona lições de Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres Britto; [...] 10.5. comanda a Lei n. 8.212, de julho de 1991 que a base de calculo é o denominado salário de contribuição que consiste em um dos conceitos fundamentais do Plano de Custeio, e por força cogente dessa catalogação legal não é base de cálculo e, portanto, não integrará salário de contribuição social, a modalidade de pagamento catalogada como participação nos lucros ou resultados, expressamente excluído do campo de incidência pela Constituição e do artigo 28,§ 9º, alínea "j, da Lei nº 8.212/91; [...] 10.8. o Fisco Federal não pode instituir, a seu talante, nova base de cálculo do tributo, violando a rigidez do sistema, a estrutura peculiar da seguridade social, a ordem jurídica vigente no Estado Democrático de Direito, valores todos que exigem constitucionalidade, legalidade e representatividade na atividade normativa; 10.9. Participação nos Lucros não se confunde com salário legal ou convencionalmente estabelecido; a hipótese de incidência não é o trabalho e, sim, o resultado positivo do exercício financeiro de certo empreendimento; a tipificação do valor como base imponível não decorre do âmbito contratual onde a importância restou transferida, contudo da natureza jurídica e da origem do crédito recebido pelo segurado do RGPS; 10.10. somente poderá ser qualificada como base de cálculo a importância cujo pagamento ou crédito, observadas as particularidades da hipótese, ensejou a incidência; os valores (PLR) não obstante terem sido pagos tangencialmente ao pacto laboral, são indiferentes à incidência, não integrando a mensuração, nem repercutindo, pela ausência de confirmação, no tributo; [...] 10.12. o enunciado no § 9º, art. 28, da lei nº 8.212/91 descreve regra de isenção, blindando os ganhos decorrentes de programas de participação nos lucros ou resultados (PLR) da empresa, quando pagos ou creditados de acordo com a lei específica; 10.13. a norma que rege o PLR aos administradores é a Lei n° 6.404 de 1976, lei que baliza o programa, caracterizando a forma e a matéria à constituição desse Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 negócio jurídico, reservadas as regras previstas na lei, estarseá diante de um programa de PLR, dado que isenta a constituição do crédito tributário; 10.14. na Lei n° 8.212 de 1991, está claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros, qualquer participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com lei especifica, no caso, temse como especifica a Lei n° 6.404 de 1976, das Sociedades Anônimas, portanto, é irrelevante o fato do administrador ou membro do conselho de administração da sociedade ser enquadrado na categoria de contribuinte individual; [...] 10.17. Conclui que a verba denominada PLR distribuída aos administradores da Requerente não se insere no conceito de salário de contribuição, não há que falar em recolhimento de contribuição previdenciária patronal, impondose o cancelamento do presente auto; DO PEDIDO 11. A Impugnante solicitou que sejam acolhidas as preliminares suscitadas: 11.1. nulidade dos autos de infração por violação ao disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional, eis que, não pode a Autoridade Fiscal, após inúmeros pagamentos realizados a título de PLR e PCR, nos anos de 2007 a 2009, com a expressa chancela da Receita Federal do Brasil, a qual fiscalizou e analisou todos os instrumentos (acordo interno de PLR, acordos coletivos de trabalho e convenções coletivas) que embasaram tais pagamentos no ano de 2009, simplesmente mudar seus critérios e retroagir tal entendimento para períodos pretéritos, em total prejuízo do Requerente; 11.2. Requer, seja a Impugnação regularmente processada e acolhida, e sejam cancelados os Autos de Infração pela não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas aos empregados e administradores a título Participação nos Lucros. A Turma Julgadora de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. O Auto de Infração (AI) que se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.327 21 como os pressupostos de liquidez e certeza, pode ser exigido nos termos da Lei. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009, 01/07/2009 a 31/10/2009 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS Considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais. Artigo 28, I c/c § 9º da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9º do Decreto 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO Tendo a empresa remunerado seus segurados com verbas integrantes do salário de contribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009, 01/07/2009 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 1641.601 14ª Turma da DRJ/SP1 em 30/12/2012 (fl. 1.167), mediante Aviso de Recebimento AR. Sobreveio recurso voluntário em 28/12/2012 (fls. 1.170/1.235). Em apertada síntese, o recorrente repisa os fundamentos da impugnação e rebate ponto a ponto dos itens constantes do Acórdão da Impugnação. Em 16/02/2016, foi solicitada a juntada de Termo de Constatação Itaú BBA S/A, emitido pela empresa KPMG Tax Advisors Ltda. (arquivo não paginável), que teve por escopo a satisfação dos quesitos: Nesse contexto, o presente termo de constatação tem por objetivo responder os quesitos descritos a seguir, os quais foram apresentados pelo Departamento Jurídico Tributário do Banco Itaú BBA S.A., como segue: Quesito 1: O Banco Itaú BBA S.A. possuía programas próprios de participação nos lucros e resultados dos empregados durante o anocalendário de 2008 e durante o anocalendário de 2009? Quesito 2: A partir da resposta fornecida no quesito 1 e com base nas regras descritas nos programas próprios de participação nos lucros e resultados dos empregados do Banco Itaú BBA S.A., favor constatar: 2.1) Quais eram as métricas de performance estabelecidas para o anocalendário de 2008 e para o anocalendário de 2009? 2.2) Com base em duas memórias de cálculo de PLR “piloto”, aleatoriamente indicadas pelo Banco Itaú BBA S.A., relativas a Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.328 23 duas áreas distintas da instituição (Atacado e Tesouraria), por favor constatar se as métricas de performance estabelecidas no Programa de Participação nos Lucros do Banco Itaú BBA S.A. foram efetivamente aplicadas nas duas memórias de cálculo indicadas. 2.3) Recalcular os valores constantes nas duas memórias de cálculo da PLR “piloto” (quesito 2.2) e constatar se há diferenças entre os valores recalculados e os valores efetivamente pagos/calculados pelo Banco Itaú BBA S.A. nesses casos. 2.4) Pautandose nos recálculos das memórias de cálculo “piloto” realizados para a resposta do quesito 2.3, favor replicar os critérios de recálculo para 103 outros casos aleatoriamente indicados pelo Banco Itaú BBA S.A. e apontar eventuais divergências. Quesito 3: Com base nas respostas dos quesitos anteriores, favor confirmar se: 3.1) o Banco Itaú BBA S.A., em relação à amostragem dos 75 casos recalculados (incluindo os casos “pilotos”), respeitou as métricas de performance estabelecidas no programa próprio de PLR para fins de aplicação na avaliação individual dos cálculos efetuados pela instituição; e 3.2) foi apurada alguma diferença entre os valores recalculados para a resposta ao quesito 2.4 e os valores efetivamente pagos/calculados pelo Banco Itaú BBA S.A. É o relatório. Voto O recurso ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Primeiramente, passo a analisar as preliminares arguidas pelo recorrente. PRELIMINAR Da Nulidade da Autuação por Violação ao Artigo 146 do Código Tributário Nacional A recorrente alega que no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, lavrado em 26/05/2009, relacionado ao MPF nº 08.1.66.002009000112, a fiscalização intimou a recorrente a apresentar documentos referentes a participação nos lucros. Com isso, pretende demonstrar que a fiscalização já teve acesso em 2009 ao regulamento do PLR da recorrente e que na oportunidade nada questionou acerca dos pagamentos realizados. Sustenta que "passados apenas dois anos vem a mesma Receita Federal do Brasil e aponta inúmeras supostas irregularidades no mesmo regulamento de PLR Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 interno????De fato houve uma mudança do critério jurídico que não pode retroagir, em homenagem a regra esculpida no art. 146 do Código Tributário Nacional." Entretanto, não assiste razão à recorrente. A regra do art. 146 tem a finalidade de impedir que o lançamento efetuado seja revisto em razão de erro de direito, evitando que a fiscalização efetue um lançamento e posteriormente pretenda revisálo com fundamento de que modificou a interpretação da norma que embasou o ato administrativo. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Não é o caso dos autos, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, CTN, devendo ser rejeitada a preliminar. NO MÉRITO O presente processo administrativo, tratase de contribuições previdenciárias (patronal, RAT, e de terceiros) sobre remunerações pagas pelo recorrente através de Programa de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R (Programa Próprio, instituído através de Acordo Interno entre Banco e empregados) e Programa de Participação Complementar nos Resultados P.C.R. (através de Acordo Coletivo), ambos relativos ao período de 01/01/2009 a 31/10/2009. A Constituição Federal, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é, portanto, uma norma constitucional de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.329 25 Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 19122008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/2000, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/2000 estabelece as seguintes condições: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.330 27 incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. NO PRESENTE CASO, AS INCONFORMIDADES APONTADAS PELA AUDITORIA FISCAL SÃO AS SEGUINTES: * Quanto ao programa próprio Programa de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R. (instituído através de Acordo Interno entre Banco e empregados em 2000): Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 elaboração sem a intervenção obrigatória do sindicato representativo da categoria profissional; falta de comprovação de seu registro e arquivamento na entidade sindical; inexistência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, * Quanto ao programa de Participação Complementar nos Resultados P.C.R., (instituído através de acordo coletivo em 2009): celebração em data posterior a que se referem os resultados distribuídos; inexistência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o benefício da participação. * Problemas gerais (relativo ao Programa Próprio P.L.R. e Acordo Coletivo de Participação Complementar nos Resultados P.C.R.) distribuição de lucros e resultados em periodicidade superior ao determinado em lei; existência de grandes discrepâncias no valor da PLR em relação ao salário. Assim, passo a analisar as supostas inconformidades mencionadas acima, as quais foram elencadas no Relatório Fiscal (fls. 558/591). DO PLANO PRÓPRIO Programa de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R. Da Participação do Sindicato na Elaboração do Plano Próprio de P.L.R. e do Arquivamento na Entidade Sindical O programa próprio de participação nos lucros, se deu mediante negociação entre o recorrente e seus empregados e foi assinado em 28/06/2000, sendo vigente a partir de 01 de janeiro de 2000 por prazo indeterminado (fls. 241/254). A autoridade fiscal autuante constatou: 5.18 Desse programa são partes: Banco BBA Creditanstalt S.A (antiga razão social do Banco Itaú BBA S.A) e seus empregados, ambos representados por comissões. Todavia, não houve a participação de um representante sindical nessa negociação. 5.19 A própria Ata da Reunião, de 28 de junho de 2000, a qual aprova o programa, registra a ausência das entidades de classe no processo. Ademais, o aditivo ao acordo, celebrado em 15 de abril de 2008, igualmente não possui a assinatura de um representante sindical. Insurgese o recorrente argumentando que o não ingresso da entidade sindical nas negociações não é culpa sua, pois notificou a tempo o sindicato para exercer o direito à participação e, de outra forma, essa falta teria sido sanada em virtude de os sindicatos terem reconhecido e ratificado expressamente esse acordo por meio do Acordo Coletivo firmado no ano de 2009. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.331 29 O recorrente em suas razões expostas no recurso voluntário alega que: [...] Portanto, ao contrário do entendimento mantido pela decisão "a quo", o fato de o representante sindical não ter participado das negociações que resultaram no acordo firmado no ano 2000, não consistiu em nenhuma irregularidade quanto ao conteúdo do instrumento, eis que posteriormente as próprias Entidades Sindicais reconheceram e ratificaram referidas tratativas, não havendo, pois, nenhum prejuízo para os empregados, nem tampouco qualquer vício apto a descaracterizar as verbas pagas a título de PLR. Não se pode deduzir, portanto, que ocorra a incidência fiscal. [...] Embora o recorrente tenha juntado documentos de convocações de sindicatos para integrar as comissões de trabalhadores para a elaboração dos planos (fls. 258/259), a negativa ou omissão deles não pode ser entendida como apta a legitimar o instrumento de negociação, tendo em vista que o recorrente deveria ter utilizado de procedimentos legais para sanar esta ausência, dentre eles o art. 616 da CLT que assim dispõe: “..."os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. § I° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Também temos decisões administrativas neste sentido, como no caso do Acórdão nº 20600853, do Processo 36624.015848/200647, com voto vencedor da conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; E Convenção ou Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 acordo coletivo de trabalho. Empresa realizou acordo diretamente com os empregados sem a interveniência do sindicato, descumprimento legal. ”2 “No acordo que firmou a PLR, em que há uma comissão representativa, não há a participação de representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Há, na defesa, juntada de declaração de representantes sindicais que afirmam, posteriormente ao lançamento, fls. 0230 e 0231, que foram realizadas diversas negociações coletivas de trabalho com a recorrente que resultaram, a cada ano, em PLR e que os termos estão arquivados no sindicato. Pela legislação, verificase que o diploma legal determina que o sindicato se faça presente na celebração do termo que fundamenta a PLR, seja por indicação de representante na comissão representativa dos segurados empregados, seja por termo firmado por acordo ou convenção coletiva. Assim, a legislação não obedecida, e os pagamentos de PLR devem ser conceituados como SC. Com efeito, analisando os documentos do processo, verificase que às fls. 234/236, foi acostado pelo recorrente o instrumento de Acordo Coletivo da Participação Complementar nos Resultados, referente ao exercício de 2009. Da leitura dos referidos instrumentos, especificamente da cláusula sexta (fl. 235), que transcrevo, consta à ratificação da entidade sindical, vejamos: Cláusula Sexta programas Específicos mantidos pelos BANCOS ACORDANTES Ficam expressamente reconhecidos e ratificados Programas de participação nos Lucros ou Resultados próprios referentes ao exercício de 2009, conforme relação constante no Anexo I deste Acordo, mantidos pelos BANCOS ACORDANTES com os objetivos, indicadores e forma de aferição já estabelecidos e inseridos nos próprios programas, nas respectivas vigências, nos moldes do parágrafo 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.101/00. Em que pese haja a ratificação do sindicato relativamente ao plano próprio do banco através da cláusula constante do acordo coletivo (supratranscrita), essa "concordância" a posteriori, não tem o condão de reconhecer retroativamente a participação da entidade sindical da categoria quando da formalização da negociação, ocorrida em 28/06/2000. E quanto ao arquivamento, ainda que o mesmo tenha ocorrido (fl. 240), pois está anexado ao Acordo Coletivo de Participação Complementar, verificase que não houve a participação do sindicato da classe quando da sua elaboração. Por fim, entendo que a manifestação posterior do sindicato não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estavam irremediavelmente maculadas. Neste contexto, entendo que restou desatendido o requisito da Lei que prevê a participação de representante do sindicato na elaboração do plano próprio de Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.332 31 participação complementar nos resultados. Da Ausência de Regras Claras e Objetivas Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/2000, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. O Relatório Fiscal em fls. 570 e seguintes concluiu: 5.34 Segundo o disposto no Programa Próprio, a PLR, será paga de acordo com as condições nele estabelecidas. Todavia, o texto resumese a exaustivamente descrever o procedimento de avaliação individual, não apontando em momento nalgum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se tome beneficiário da participação. O modelo de Formulário de Avaliação instituído em 2000 aponta genericamente os pontos passíveis de avaliação, mas não apresentacoeficientes, nem possíveis diferenças entre segmentos a serem avaliados. Ademais, um novo modelo foi instituído internamente em 2008, não sendo público seu conteúdo. 5.35 Durante a auditoria foram apresentados, por amostragem, Demonstrativos das Bases de Cálculo de PLR, bem como Avaliações Individuais de Desempenho. 5.36 Os Demonstrativos de Cálculo são divididos em 3 segmentos: Atacado, Tesouraria e Investment Banking. Para o segmento Atacado, a base de cálculo é fixada como uma % da criação do valor do banco, distribuído entre os grupos de avaliação de desempenho. Para o segmento Tesouraria: % do resultado da área, distribuído conforme modelo específico. E para o segmento Investment Banking: % do resultado da área, distribuído conforme modelo específico. Sendo que: (a) criação do valor do banco significa o lucro líquido gerencial antes da provisão dc PLR, deduzido o custo de capital necessário para cobrir o risco das operações e a PLR da Tesouraria e Investment Banking; (b) resultado da Tesouraria significa receita líquida de impostos (PIS e Cofins) e custos de capital; e (c) resultado dc Investment Banking significa receita líquida de impostos (PIS e Cofins, transferências para a Corretora c custos diretos e indiretos (exceto custo de pessoal). 5.37 As Avaliações de Desempenho, por sua vez, não trazem assinaturas, nem data de ciência, sendo impossível a comprovação de quando o empregado tomou conhecimento das metas envolvidas no pagamento. 5.38 A partir do Programa Próprio de PLR, podemos nos questionar, por exemplo, qual o desempenho nos diferentes segmentos de atuação da empresa necessário para que sejam Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 distribuídos os lucros ou resultados? Salientamos que somente nos Demonstrativos de Cálculo apresentados foi possível constatar a existência de diferentes segmentos de atuação, os quais, por sua vez, receberão a PLR a partir de bases distintas de cálculo. E ainda, qual o desempenho individual esperado para esse mesmo benefício seja recebido por cada empregado? 5.39 Diante da inexistência de respostas às indagações acima, vemos que não é possível identificar no instrumento decorrente da negociação as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. Não é possível identificar, inclusive, qual o valor deveria ser pago aos empregados a título do PLR, caso as metas e objetivos fossem atingidos, desobedecendo por conseqüência o estabelecido na Lei n° 10.101/00. 5.40 A falta de todas essas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. 5.41 Sabemos que a legislação exige que dos instrumentos competentes para a negociação entre a empresa e seus empregados constem regras claras e objetivas, tanto subjetivas, quanto adjetivas, as quais contenham critérios e condições. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. O recorrente, por sua vez, sustenta: Força reconhecer: os critérios que atribuem direitos de participação nos resultados da empresa devem ser fixados, soberanamente, pelas partes interessadas. O termo utilizado pelo legislador podendo é próprio das normas facultativas, não se confundindo com o empregado pelas normas cogentes. O preceito não determina que, entre tais critérios, sejam incluídos os arrolados nos incisos I (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa) e II (programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente) do § Io, do art. 2o, da Lei n° 10.101, de 2000. O preceito apenas e tãosomente autoriza ou sugere a utilização de tais critérios. A PLR — participação nos lucros e resultados — e uma forma de participação mais complexa, pois vários indicadores se interligam para definir o valor devido aos empregados. Estes indicadores são o comportamento do lucro, a rentabilidade c a evolução do desempenho dos empregados, influenciada pelos resultados da produtividade e pela performance da empresa com relação a seu lucro. Evidentemente, as partes são inteiramente livres na conformidade do velho mas sempre novo instituto da autonomia privada, que rege qualquer figura contratual para ajustarem as bases cm que se dará a participação do trabalhador na vida da Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.333 33 empresa, em perspectiva de lucros ou resultados que o negócio apresente. Por conseguinte, qualquer meta que, direta ou indiretamente, esteja relacionada com a atividade do trabalhador e com a essência do negócio produtor do lucro ou resultado, pode se objeto de ajuste entre partes. Para fundamentar meu voto, utilizo a clareza das conclusões da PGFN, apontadas no processo 16327.720678/201210 em relação ao mesmo recorrente: O próprio banco recorrente, em sua longa tentativa de demonstrar a clareza e a objetividade dos critérios para percepção da PLR, nos brinda com a afirmação de que o trabalhador conhece as regras e fatores determinantes da aferição do desempenho, sendo fatores considerados, entre outros: a excelência profissional, o aprendizado e crescimento, a proatividade, a construção de relacionamentos produtivos, a orientação e compromisso com clientes, o desenvolvimento de soluções inovadoras, a criação de parcerias e o pensamento institucional. Data venia, as regras acima transcritas estão longe de atender os requisitos da clareza e objetividade. Regras claras e objetivas são regras explícitas, inequívocas, diretas, precisas, que podem ser entendidas por qualquer pessoa que a elas tenham acesso, independentemente de prévios conhecimentos a respeito do tema. Como afirmou o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no acórdão 230200.256, “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos” As regras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação devem revestirse dessas qualidades não sem motivo, mas para evitar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas enseje o assédio moral e outros tipos de discriminação no ambiente do trabalho. Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivas obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. [...] Como bem observado no Termo de Verificação Fiscal, o modelo de formulário de avaliação se restringe a apontar genericamente os pontos passíveis de avaliação (todos absolutamente subjetivos), mas não apresenta índices, coeficientes, critérios de diferenciação entre os segmentos a serem avaliados, enfim, nada que permita deduzir que espécie de desempenho é esperada de cada funcionário para que faça jus a recebimento da PLR. Não pode essa relatora deixar de observar que foi acostado pelo recorrente em 16/02/2016 (fl. 1.302) Termo de Constatação Itaú BBA 2009 KPMG, emitido por KPMG Tax Advisors Ltda. Referido documento encontrase em forma de arquivo não paginável, não sendo possível mencionar à que fls se encontram. A intenção é de demonstrar a existência de programas próprios de participação nos lucros e resultados para o exercício em tela, métodos de avaliação, recalcular valores distribuídos a título de PLR etc. Diante disso, tornase forçoso concluir que se as regras para distribuição dos lucros ou resultados fossem suficientemente objetivas e claras, não seria necessário acostar termo de constatação de 529 (quinhentas e vinte e nove) laudas. Desta forma fica difícil crer que o homem médio, que faz parte da universalidade dos empregados da recorrente, entenda tais regras. Por ser assim, entendo que restou descumprido o art. 2º, § 1º, da lei nº 10.101/2000. DO ACORDO COLETIVO PARA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR NOS LUCROS Da Ausência de Regras Claras e Objetivas Com relação Acordo Coletivo para Participação Complementar nos Resultados P.C.R., a autoridade fiscal também constatou que não havia a existência de regras claras e objetivas, fazendo constar assim no Relatório Fiscal: 5.60 Ademais, como detalhadamente tratado nos itens 5.29 a 5.48, a Lei n° 10.101/00 determina que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. [...] Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.334 35 5.62 Por sua vez, o Acordo Coletivo de 2007/2008 determina que a apuração dos valores de "PCR será baseada nos seguintes indicadores: 70% Lucro Líquido, 15% ROE (%) e 15% índice de Eficiência (%). Se atingir 80% dessas metas em 2007, o PCR pago será de R$ 900,00. Se atingir 100%, R$ 1.200,00 e se atingir 120%, R$ 1.500.00. Os valores previstos para pagamento da PCR no ano de 2008, base 100%, terão como referência os resultados obtidos em 2007. Para a composição das metas do ano de 2008 serão observados os indicadores dc 2007. Na base 100% serão considerados os resultados alcançados em 2007 e nas demais bases, de 80% e 120%, os valores serão interpolados. Ademais, dispõe que caso as metas não atinjam o mínimo estabelecido na tabela, constante do parágrafo primeiro, da cláusula terceira, ou seja 80%, 0 pagamento da PCR não será devido, porém, as partes ajustam que será pago aos funcionários o valor de R$ 730,00 (setecentose trinta reais) como mínimo garantido. 5.63 [...] 5.64 Não se encontram nos acordos em tela regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o benefício da participação. Não se sabe, por exemplo, o significado do índice de Eficiência encontrado nos anos base 2006 e 2007/2008. Ademais, no ano base de 2009, o único índice é o próprio lucro, o qual sozinho não pode ser considerado como uma meta em si, uma vez que já faz parte do próprio conceito da participação dos empregados nos lucros das empresas. Neste contexto, ratifico o critério de julgamento já adotado no item anterior (Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R), quando esta relatora abordou acerca da objetividade e clareza das normas. Mantenho, portanto, o entendimento de que não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas também no Acordo de Participação Complementar nos Resultados. Da Ausência de Pactuação Prévia Data da Celebração A irregularidade apontada no Relatório Fiscal é: 5.50 Inicialmente observase que os Acordos Coletivos em análise foram assinados retroativamente ao início de seus anos base e um dos pontos importantes a ser tratado é exatamente o da vigência dos acordos de PLR, haja vista que o dispositivo legal determina que a participação será objeto de negociação prévia e que suas regras serão previstas no instrumento decorrente dessa negociação [...] 5.52 Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. No caso em questão, o Acordo Coletivo que rege o ano de 2006 foi celebrado somente em fevereiro de 2007; o Acordo Coletivo que rege os anos de Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 2007 2008 foi assinado em metade de setembro de 2007 e o Acordo Coletivo que rege o ano de 2009, em setembro do mesmo ano. No que se refere à data em que fora celebrado o Acordo Coletivo de Participação Complementar nos Resultados P.C.R., entendo que não houve desrespeito à Lei nº 10.101/2000, uma vez que não se configura como requisitos exigidos para a validade do plano. Importante salientar que o que a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito que nela não está previsto. Nesse sentido o voto do Conselheiro Oseas Coimbra Junior, condutor do Acórdão nº 280300.254, processo 11853.01165/200769: “As regras das PLR foram estatuídas ao final do exercício, com acordos assinados no mês de dezembro dos respectivos anos envolvidos na PLR. A lei 10.101/00 não traz limite temporal para a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de aplicação da norma. Não cabe ao julgador estabelecer limites que dificultem a efetivação de direitos, onde a lei assim não se manifestou. ” Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Não se pode deixar de observar os pressupostos legais para caracterização de pagamentos a título de distribuição nos lucros. No entanto, não é possível que se faça a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades. Assim, tendo em vista que a Lei nº 10.101/2000 não estipula prazo para a assinatura dos acordos, tampouco exige que seja veiculado no ano anterior ao exercício no qual estão sendo apuradas as metas, entendo que, nesse ponto, não há desrespeito à Lei nº 10.101/2000. DOS PROBLEMAS GERAIS APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO (inerentes aos dois programas P.L.R e P.C.R) Das Discrepâncias Pagas a Título de P.L.R em Relação ao Salário Igualmente ao que fora exposto acima, o apontamento da fiscalização quando afirma que existem grandes discrepâncias no valor da participação dos lucros em relação aos salários, não poderá se sustentar, uma vez que a Lei não traz esse requisito. Entendeu a fiscal autuante que não há justificativa para pagamentos desiguais entre os colaboradores, anotando: 5.73 Diante de um quadro como o apresentado e das disposições legais sobre o tema, algumas questões ficam no ar. Qual a justificativa da empresa para o pagamento de Participação nos Lucros de forma bastante desigual entre seus colaboradores? Um pagamento dispare como esse pode ter por fim de integração entre capital e o trabalho e incentivo à produtividade? O que os empregados que pouco recebem acham dos valores recebidos pelos outros colegas? Sentemse eles devidamente incentivados Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.335 37 conhecendo da existência de um fosse entre os empregados da mesma empresa? Sobre o tema, extraio excerto do Acórdão 20501.331, Processo 35884.003885/200689, de Relatoria de Marco Andre Ramos Vieira. “ (...) a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação nos lucros devem ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários do programa. Os aumentos de lucratividade da empresa resultam participação variável pela aplicação de percentual incidente sobre os salários. Dai a necessidade do ajuste anual para que as regras pactuadas previamente sejam adequadas à realidade dos fatos. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido” Ademais, esse ponto está diretamente ligado à existência de regras claras e objetivas, uma vez que havendo a concordância da classe de trabalhadores quanto aos métodos de aferição, avaliações e percentuais para distribuição dos lucros, não pode a fiscalização interferir na livre negociação das partes. A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Existe sim a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. Entendo, assim, que no que se refere tão somente às ditas "discrepâncias" pagas a título de PLR, não há afronta à Lei nº 10.101/2000, desde que haja prévia pactuação entre as partes com regras claras e objetivas. Da Periodicidade dos Pagamentos a Título de Participação nos Lucros ou Resultados Dentre os "problemas gerais" encontrados pela autoridade fiscal com relação aos planos de participação nos lucros ou resultados do Banco Itau BBA S/A, foi apontado que o recorrente não respeitou a periodicidade das distribuições determinada na Lei. Assim foi relatado à fl. 577 no Relatório Fiscal. 5.67 Ora, apesar disso, como pode ser observado, por amostragem, nos demonstrativos de PLR Múltiplos Pagamentos 2007/2008/2009, o contribuinte não seguiu tal determinação, tendo realizado, para o mesmo beneficiário, três, quatro e até cinco pagamentos de PLR durante o ano de 2007; três ou quatro pagamentos durante o ano de 2008; e três, quatro, cinco, e até seis pagamentos durante o ano de 2009. O recorrente alega que: "a regra estampada no § 2º, do art. 3º, da lei nº 10.101, de 2000, proíbe o pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferir a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano. Contudo, tal proibição não Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 38 pode ser interpretada de modo isolado do contexto da Lei nº 10.101/2000. De fato, o que a referida norma estipula é que o instrumento que institua um programa de PLR, não pode ensejar no mesmo ano civil, mais de dois pagamentos sob pena de descaracterização da referida verba como de natureza salarial. Portanto, para cada programa de PLR assinado somente poderá haver dois pagamentos no mesmo ano, de modo que havendo mais de um programa ou instrumento cada qual poderá gerar dois pagamentos no mesmo exercício." Embora esta relatora entenda que poderiam sofrer tributação apenas as parcelas excedentes às previstas na legislação, no presente caso existem outros requisitos, acima transcritos que deixaram de ser atendidos. Inicialmente, o preceito normativo abaixo transcrito poderia ser entendido entre aqueles que não admitiriam dubiedade interpretativa, por ser sua moldura normativa – para usar a linguagem de Kelsen estreita, não deixando liberdade para o interprete/aplicador quanto à periodicidade dos pagamentos a título de participação nos lucros. Ocorre que a jurisprudência deste Conselho vem se firmando no sentido de tributar apenas as parcelas que excedem o limite estabelecido em lei. Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (Redação vigente na data do fato gerador) O recorrente, ao interpretar a lei alega que "somente poderá haver dois pagamentos no mesmo ano, de modo que havendo mais de um programa ou instrumento cada qual poderá gerar dois pagamentos no mesmo exercício" nos leva a acreditar, erroneamente, que as empresas podem efetuar inúmeros pagamentos por ano aos seus empregados a título de distribuição de lucros, desde que possuam diversos planos de PLR. Caso assim fosse, tais "distribuições" caracterizariam verdadeira verba salarial, uma vez que ao serem efetuados diversos pagamentos anuais, perderseia a característica da eventualidade atribuída à verdadeira distribuição de lucros e resultados. Assim, não merece retoque a conclusão contida no item 5.67 do Relatório Fiscal (fl. 577), que constata que para o ano de 2009, foram observados, por amostragem, até 6 (seis) pagamentos para o mesmo beneficiário. Embora a lei não vede a elaboração de mais de um instrumento prevendo distribuição de lucros, persiste a vedação quanto à periodicidade dos pagamentos. Ainda, importante reprisar que no presente caso, tanto o Plano Próprio de Participação nos Lucros P.L.R. quanto o acordo coletivo de Participação Complementar nos Resultados P.C.R., não cumpriram os demais requisitos contidos na legislação de regência. Ademais, para obedecer aos ditames legais, e valerse da exclusão da base de incidência das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições para terceiros, o Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.720679/201256 Acórdão n.º 2301004.748 S2C3T1 Fl. 1.336 39 recorrente deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a atender a lei de regência. Resta, portanto, descumprido o art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101/2000, uma vez que foi constatado mais de dois pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados no mesmo ano civil, na parte em que excedeu os limites da lei. Por fim, importante relembrar que ausência de UM dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Tendo em vista que não estavam atendidos os requisitos às épocas dos fatos geradores, os valores pagos a título de P.L.R. (no caso também P.C.R.) devem ter incidência de contribuições previdenciárias, configurandose como salários de contribuição. Em suma, os pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (Programa Próprio e Complementar) devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias uma vez que não restaram atendidos os seguintes requisitos: Plano Próprio Acordo de Participação nos Lucros e Resultados P.L.R: participação do sindicato na elaboração do Acordo existência de regras claras e objetivas periodicidade dos pagamentos (duas vezes no ano civil em periodicidade não inferior a um semestre) Acordo Coletivo para Participação Complementar nos Resultados P.C.R: existência de regras claras e objetivas periodicidade dos pagamentos (duas vezes no ano civil em periodicidade não inferior a um semestre). Assim, deve incidir contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados referente aos dois planos mantidos pelo recorrente. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DOS ADMINISTRADORES Neste ponto, em que pese tenha havido decisão de primeira instância abrangendo a matéria, bem como o recorrente tenha apresentado recurso insurgindose quanto à autuação referente a participação nos lucros dos administradores, não consta desse processo o Auto de Infração correspondente à essa autuação. A Participação nos Lucros dos Administradores foi objeto de julgamento, no processo 16327720.678/201210, uma vez que o lançamento abrangeu somente os períodos de fevereiro e agosto de 2007; fevereiro e agosto de 2008, conforme Relatório Fiscal (fl. 559). Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 40 Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de Nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13005.720027/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Os processos administrativos 13005.720742/201037, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/2011 89, 13005.720363/201128 e 13005.720364/201172, a mim sorteados e em julgamento na presente sessão, referemse, respectivamente, a pedidos de ressarcimento, cumulado com DCOMP no processo 13005.720363/201128, de saldos credores de exportação de COFINS 2Trimestre/2010, PIS 2T 2010, COFINS 3T 2010, PIS 3T 2010, COFINS 1T/2010, PIS 1T/2010, COFINS 4T 2010 e PIS 4T 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 02 7/ 20 11 -8 5 Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720027/201185 Resolução nº 3402000.816 S3C4T2 Fl. 1.724 2 Encaminhados os referidos pleitos à SAFIS/DRF em Santa Cruz do Sul/RS, esta, em todos esses processos, propôs glosa de valores nos seguintes termos, (transcrevo como exemplo o que consta no PA 13005.720742/201037), o que foi acatado pelo correspondente despacho decisório: Do transcrito, observase que o agente fiscal ao fundar a glosa fez referência ao processo do auto de infração, sem transcrevêla nos processos de ressarcimento/compensação. Nas manifestações de inconformidade opostas aos despachos decisórios nos referidos PA, a requerente adentrou no mérito das glosas conforme consta do processo do auto de infração, de nº 13005.721311/201179, a que alude as informações fiscais, e que abrange os períodos objetos dos pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS sob análise. Isto porque, como dito, o relatório fiscal que motivou o lançamento e as glosas nos processos em análise não foram anexadas aos mesmos. E justamente por essa omissão foi que a DRJ/POA baixou os processos em diligência para, dentre outras questões, determinar que fosse anexado a esses processos "uma cópia daquele relatório que amparou o referido Auto de Infração", o que veio a ser feito. A DRJ/POA, em 29/04/2014, manteve (fls. 510/543) a glosa em seus termos originais. Não resignada, a empresa recorreu dessa decisão. O Acórdão 3202000.290, de 15/10/2014, converteu o julgamento em diligência para que a recorrente fosse intimada a apresentar laudo técnico que descrevesse detalhadamente seu processo produtivo, o que foi feito, conforme acostado aos autos. O órgão local replicou o laudo, em suma concluindo "que fosse a intenção do legislador que o conceito de insumo alcançasse todas as despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade econômica, como pretende o contribuinte, não haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento". É o relatório. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720027/201185 Resolução nº 3402000.816 S3C4T2 Fl. 1.725 3 VOTO Emerge do relato que todos os períodos de apuração dos processos da recorrente por mim pautados para esta sessão de julgamento, arrolados no relatório, estão abarcados pelo auto de infração constante do processo 13005.721311/201179. E o entendimento desta Turma Ordinária é que o destino dos processos de ressarcimento/compensação quando a análise dos mesmo der azo a glosas e que em função dessas tenha havido lançamento de ofício, estarão aqueles vinculados ao decidido neste. Com efeito, julgado o lançamento, a própria unidade local da RFB pode liquidar os processos de ressarcimento/compensação aos termos do que se tornar julgado em definitivo naquele. Por isso, entendo que os processos em questão deveriam estar apensados aos autos do processo de lançamento. Ou, em outros termos, entendese haver prejudicialidade da análise dos processos administrativos de PER/DCOMP em relação ao decidido no processo do auto de infração. Deveras, a decisão nos autos do processo administrativo onde esteja encartada a exigência fiscal vinculará a decisão nos processos de PER/DCOMP dos períodos e tributos abrangidos pelo período da autuação. Justamente por esta causa que esses processos deveriam "correr" apensados ao processo de cobrança de crédito tributário, assim vinculados ao decidido neste. Mas não foi isso que ocorreu in casu, pois embora absolutamente conexos, tiveram seu iter processual apartado, o que, a meu juízo, não faz o menor sentido. No presente caso ocorreu o inverso, pois o julgamento do recurso voluntário no processo do auto de infração a que aludi, examinandoo no eprocesso, nos termos da Resolução 3403000.464, de 27/06/2013, foi convertido em diligência para que "...os autos retornem ao órgão preparador, onde deverão aguardar a solução definitiva dos processos administrativofiscais em que se debate a existência e a extensão do direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a cópia da decisão última de cada um deles seja trasladada para estes autos, a autoridade de origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada". E em cumprimento à essa diligência, o processo 13005.721311/201179 (AI) encontrase na repartição local de origem, na ARF Montenegro/RS. Sem embargo, o que vimos entendendo é que o julgamento do auto de infração é que é prejudicial, vinculando os processos de PER/DCOMP dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse rumo foram julgados os acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. E nosso entendimento não destoa do da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 (DOU 14/03/2016), que Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720027/201185 Resolução nº 3402000.816 S3C4T2 Fl. 1.726 4 "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Estatui seu artigo 3º: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário, inclusive da multa isolada, dela decorrente; II autos de exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, autos de exclusão do Simples e os possíveis autos de lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; e III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou II o de reconhecimento de direito creditório mais antigo, não existindo autuação. § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e ... Portanto, forte nessa norma administrativa, decido converter o presente julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010 37, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/201189, 13005.720363/201128 e 13005.720364/2011 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), devendo ser todos apensados ao processo 13005.721311/201179, no qual se controverte o auto de infração, anexando nele (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e ora em julgamento. Feito isso, deve o processo 13005.721311/201179 regressar a esta Terceira Seção do CARF para novo sorteio e posterior julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720027/201185 Resolução nº 3402000.816 S3C4T2 Fl. 1.727 5 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11516.003905/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa:
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado.
QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF.
O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
DECADÊNCIA
Súmula CARF nº 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN".
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do ano-calendário.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos
Numero da decisão: 1104-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN - Relatora.
EDITADO EM: 18/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Marcos De Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini De Carvalho
Nome do relator: Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF. O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. DECADÊNCIA Súmula CARF nº 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN". OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do ano-calendário. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN - Relatora. EDITADO EM: 18/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Marcos De Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini De Carvalho
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As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF. O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. DECADÊNCIA Súmula CARF nº 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 05 /2 00 6- 41 Fl. 744DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN Relatora. EDITADO EM: 18/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Marcos De Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini De Carvalho Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 908 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão que julgou, por unanimidade dos votos, a manutenção integral do auto de infração lavrado para exigir valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins acrescidos de multa qualificada e demais acréscimos moratórios Adoto o relatório da decisão da DRJ, que bem delineou os fatos ocorridos até aquele momento: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe em 12/12/2006. Foi constituído crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 299 a 302), de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 307 a 309), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 320 a 323) e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 314 a 316), referente a diversos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 e 2002, em função de auditoria levada a efeito na escrita fiscal da empresa (Lucro Real). 2. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 03) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 3.776.300,85, incluídos os valores devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2006. 3. A autoridade fiscal, além de relacionar as infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal em anexo (fls. 284 a 294), no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 3.1 De imediato, frisa que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi emitido em decorrência de procedimento de fiscalização levado a efeito no contribuinte PWA Administração e Participações Ltda., CNPJ 04.179.813/0001 41, em cumprimento do MPF 09201.00.2006000036 (fl. 116), que revelaram ser a empresa PWA Administração e Participações Ltda. interposta pessoa do contribuinte em epígrafe. 3.2 A autoridade fiscal explicita, pormenorizadamente, as razões da presente autuação ter sido efetuada contra a empresa AGB Auto Posto Ltda, ou seja, porque considerou a empresa PWA Administração e Participações Ltda. interposta pessoa da empresa autuada. Diz que: 3.2.1. Informações obtidas nos sistemas de informática da Secretaria da Receita Federal do Brasil indicavam significativa movimentação financeira para os anoscalendário de 2001 e 2002 na indigitada empresa PWA Administração e Participações Ltda., que havia declarado valor ínfimo de receita nesse período. 3.2.2. Com fundamento nos depósitos bancários, obtidos por intermédio das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira enviadas ao Banco do Brasil S/A e ao UNIBANCO — União de Bancos Brasileiros S/A (fls. 121 e 122), a empresa PWA Administração e Participações Ltda. foi intimada a justificar a origem dos recursos financeiros vinculados às operações bancárias. Fl. 746DF CARF MF 4 3.2.3. Em sua resposta (fls. 162 a 187) a empresa PWA Administração e Participações Ltda. declarou ser interposta pessoa do contribuinte em epígrafe e que em nome dele fazia as movimentações bancárias listadas, conforme o texto que agora se reproduz: "A movimentação bancária efetuada na sociedade ora fiscalizada, na realidade, reflete as entradas e saídas de recursos oriundos de recebimentos de clientes e pagamento de fornecedores de uma rede de postos de gasolina, pertencente a outra empresa, cujas cotas são de propriedade de parente da sócia da empresa PWA (em processo de fiscalização)". 3.2.4. No parágrafo seguinte (fl. 162) declara ainda que a rede de postos de gasolina acima citada pertence à autuada, e anexa, a título de exemplo, 10 notas fiscais de fornecedores de combustível para a AGB Auto Posto Ltda. e seus respectivos pagamentos realizados por intermédio de documentos bancários oriundos da conta da PWA Administração e Participações Ltda. (fls. 163 a 187). 3.2.5. Foram esses os fatos, em apertada síntese, que levaram ao pedido de emissão do MPF para o contribuinte em epígrafe. Em 04 de abril de 2006, foi tomada declaração de Maria de Lourdes da Silva, sócia da PWA Administração e Participações Ltda. (fl. 188), que reconheceu ser sócia da indigitada empresa, conquanto não exerça a atividade de administração da sociedade. 3.2.6. A empresa PWA Administração e Participações Ltda. foi ainda reintimada a apresentar a origem dos créditos na contacorrente do Banco do Brasil (fls. 189 a 191). 3.2.7. Em sua resposta a tal reintimação (fls. 192 a 199 e 202 a 204), apresentou a escritura pública de compra e venda (fls. 193 a 195) referente à venda de Fundo de Comércio realizado pela ACP Administração e Participacões Ltda. (antiga denominação social da PWA Administração e Participações Ltda., fls. 117 a 120) à Petrobrás Distribuidora S/A, no valor total de R$ 2.818.433,00, a cessão e transferência de Direitos (fls. 196 e 197), a escritura Publica Compra e Venda com Retrovenda (fls. 198 a 199 e 202 a 203) e a Escritura Publica de Rescisão (fls. 204). Posteriormente, encaminhou a citada empresa o documento referente à transferência do Fundo de Comércio da AGB Auto Posto Ltda., para a ACP Administração e Participações Ltda. (fls. 277 e 278). 3.3 Com base nessas informações, apurou as seguintes infrações: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE 3.4 De imediato, informa a autoridade autuante que, em 30/11/2000, a empresa autuada constituiu a sociedade ACP Administração e Participações Ltda., com capital social no valor de R$ 20.000,00, dividido em 20.000 cotas, cabendo a sócia Maria de Lourdes da Silva, 19.900 cotas, ou 99,5% do capital e ao sócio Alzemiro Mario Peron as restantes 100 cotas, ou 0,5% do capital. Em 05/03/2002, por meio da Primeira Alteração Contratual a denominação social foi alterada para PWA Administração e Participações Lida. (fls. 117 a 120). 3.5 Além de movimentar os recursos financeiros da AGB Auto Posto Ltda., por meio da conta corrente n° 205.7133, Agência 0495, do UNIBANCO — União de Bancos Brasileiros S/A, e da conta corrente n° 12.3676, da Agência 13862, do Banco do Brasil S/A, a ACP Administração e Participações Ltda. foi empregada para transacionar o Fundo de Comércio, como relatado, pertencente a AGB Auto Posto Ltda. com a Petrobrás Distribuidora S/A. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 909 5 3.6 Em 15/12/2000, conforme os documentos de fls. 277 e 278, a AGB Auto Posto Ltda., transferiu para a ACP Administração e Participações Ltda., os fundos de comércio ali discriminados. 3.7 Em 06 de agosto de 2001, conforme Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 193 a 195, esses fundos de comércio foram vendidos a Petrobrás Distribuidora S/A, pelo valor de R$ 2.818.433,00. 3.8 E dessa citada operação de venda decorre a origem do depósito de R$ 2.657.001,25, realizado no Banco do Brasil S/A, conforme documentos de fls. 219 a 222. Essa venda não está registrada na contabilidade de nenhuma das duas empresas. 3.9 Diante dos fatos e circunstâncias descritas, e para eliminar os efeitos tributários da engenhosa prática perpetrada com a finalidade de evadir o pagamento de tributos, a operação mencionada foi considerada na forma em que efetivamente se processou, ou seja, a venda do fundo de comércio pela sua real proprietária, a AGB Auto Posto Ltda., e o ganho de capital oriundo dessa transação foi computado na determinação do lucro real deste contribuinte (AGB Auto Posto Ltda), conforme determina o art. 418 do RIR11999. 3.10 Inexistindo valor contábil dos bens alienados a integralidade do valor da transação, R$ 2.818.433,00 (fls.193 a 195), foi classificado como ganho de capital e adicionado ao lucro para apuração do lucro real. 3.11 Quanto à multa qualificada, diz a autoridade fiscal que a autuada utilizou expediente fraudulento, realizando operações próprias por intermédio de interposta pessoa, com o fito de eximirse dos tributos lançados de oficio, de acordo com o art. 957 do RIR/1999. CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTOS 3.12 A contribuinte foi intimada (fls. 212 a 214) e reintimada (fls. 215 a 218) a apresentar documentação hábil e idônea referente a alguns lançamentos selecionados, que se encontram registrados em sua escrita contábil (fls. 261 a 272). 3.13 Em sua resposta. (fls:223) a contribuinte afirmou que "Não foram localizados os documentos de suporte aos lançamentos". Destarte, esses custos não comprovados com documentação hábil e idônea foram glosados, como se demonstra abaixo: GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS Fl. 748DF CARF MF 6 3.14 A contribuinte registrou em sua contabilidade valores referentes a TJLP aplicada à divida consolidada no REFIS (fls. 273 a 276), conforme quadro a seguir: 33.15 Depois de intimada pela fiscalização a apresentar documentação que comprovasse esses valores (fls. 215 a 218), a contribuinte apresentou o extrato de fls. 224 e 225. Os valores registrados como TJLP no extrato de fls. 224, referentes ao anocalendário 2002, diminuídos dos valores estornados, totalizam R$ 239.609,02, conforme quadro a seguir: 3.16 Conseqüentemente, o montante de R$ 45.428,56, correspondente a diferença entre o valor registrado em sua escrita contábil (R$ 285.037,58) e o efetivamente comprovado pelo extrato de fls. 224, anteriormente demonstrado (R$ 239.609,02) foi glosado das despesas financeiras para apuração do Lucro Real. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS 3.17 A contribuinte, por intermédio da empresa PWA Administração e Participações Ltda., realizou diversas aplicações financeiras (fls. 226 a 256) e não ofereceu a receita financeira obtida para tributação. 3.18 Por meio dos rendimentos pagos e do Imposto de Renda na Fonte registrados no SIEF pelas declarações dos agentes financeiros (fls. 257 a 260) foram apurados os valores constantes no quadro de fls. 279. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 910 7 3.19 Ademais, tendo em vista que a contribuinte não apresentou esses rendimentos à tributação, procedeu a fiscalização ao lançamento, considerando, para efeitos de apuração do IRPJ devido, os valores de IRRF informados pelas instituições financeiras. Efetuou também o lançamento de oficio da CSLL, da COFINS e do PIS. 3.20 Quanto à multa qualificada, diz a autoridade fiscal que a autuada utilizou expediente fraudulento, realizando operações próprias por intermédio de interposta pessoa, com o fito de eximirse dos tributos lançados de oficio, de acordo com o art. 957 do RIR/1999. 4. A contribuinte, que tomou ciência dos autos de infração citados em 15/12/2006 (fl. 326), apresentou impugnação em 16/01/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 334 a 371). Alega, em síntese, o que segue: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 4.1 De plano, assevera a autuada que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em 04/04/2006. Entretanto, só foi cientificada dos autos de infração em 16/12/2006, portanto, "após o dobro do prazo possível". 4.2 Aduz a contribuinte, logo em seguida, que o art. 16 da Portaria SRF n° 1.265/1999 permite que, quando haja decurso do prazo para a conclusão do procedimento fiscal autorizado por determinado MPF, seja emitido novo MPF, contudo, proíbe expressamente que se indique o mesmo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do Mandado extinto. 4.3 Questiona a validade da autorização para fiscalização do PIS e da COFINS, realizada na última prorrogação do MPF. 4.2. Entende ainda que com a cessação do prazo de validade do MPF, readquiriu a espontaneidade, nos termos da norma inserta no art. 138 do Código Tributário Nacional. Portanto, se dívida houver, a multa deve ser de 20%. DECADÊNCIA 4.3. Aduz a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, com base no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional. INTERPOSTA PESSOA 4.4. Alega que o Fisco tenta montar sua verdade com metáforas ou provas que de fato e de direito, não são aplicáveis ao caso ora em discussão. Não há como, pela simples construção, ainda que bem elaborada, de um relatório, definir que a empresa AGB Auto Posto Ltda. passe a ser alvo da tributação em comento, quando a foi a empresa PWA Administração e Participações Ltda. que efetivamente obteve o ganho de capital. 4.5. Ademais, a empresa PWA Administração e Participações Ltda. já retificou, antes de iniciado o presente procedimento de fiscalização, a declaração de rendimentos informando o ganho de capital apurado pela autoridade autuante, procedendo ainda espontaneamente ao parcelamento do crédito tributário. 4.6. Cita jurisprudência judicial e administrativa sobre arbitramento. 4.7. Assevera ser indevida a desclassificação da escrita da empresa PWA Administração e Participações LTDA, bem como a desconsideração do negócio Fl. 750DF CARF MF 8 jurídico realizado, qual seja, a alienação do fundo de comércio, visto que os fatos aconteceram tal como registrados na escrita contábil e fiscal. 4.8. Em relação à desconsideração do negócio jurídico realizado, aduz a violação ao princípio da legalidade. 4.9. Informa que os artigos da Medida Provisória n° 66/2002, a qual tratava da possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídico, para fins tributários, foram extirpados pela Lei n° 10.637/2002. 4.10. Cita jurisprudência sobre planejamento tributário. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS 4.11. Afirma que os lançamentos de oficio, em decorrência da suposta omissão de receitas financeiras caracterizada pela fiscalização, deveriam ter sido lavrados contra a PWA Administração e Participações LTDA, já que a receita financeira lhe pertencia. 4.12. Outrossim, aduz que há um erro formal no lançamento do IRPJ, visto que somente o IRRF, relativo ao anocalendário de 2001, foi compensado, tendo sido desconsiderado o IRRF, referente ao anocalendário de 2002. 4.13. Quanto à incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, frisa que o Supremo Tribunal Federal já declarou inconstitucional tal cobrança, por meio do Recurso Extraordinário n° 390.840, DJ n° 156, de 15/08/2006. GLOSA DE CUSTOS 4.14. Quanto à glosa de custos vinculados a gastos com combustíveis, argumenta que tem absoluta certeza de seus registros contábeis, mas que não foi capaz ainda de localizar a documentação contábil. Aduz, por fim, que os autos contém os seguintes erros: não foi lhe concedido tempo suficiente para defesa, e não foi refeita a contabilidade da empresa, tendo sido considerado simplesmente como hipótese de omissão de receitas. 4.15. Entende que a falta de documentos não pode gerar imediatamente a tributação pelo IRPJ, em decorrência dos arts. 43, 44, 108, 111 e 112 do Código Tributário Nacional. DESPESAS FINANCEIRAS 4.16. A contribuinte afirma que a autoridade fiscal apurou apenas o valor da TJLP relativa ao anocalendário de 2002, excluindo os valores do extrato em 31/01/2001, em que o valor acumulado da TJLP é de R$ 145.678,25. 4. 1 7. Diz ainda que a despesa corresponde quase que integralmente ao ano calendário de 2000. Portanto, a consideração desse valor no anocalendário de 2002 significa antecipação do imposto devido. MULTA QUALIFICADA 4.18. Questiona, por fim, a qualificação da multa assegurando que não houve dolo, fraude ou simulação, como apontou a autoridade fiscal, mas apenas equívocos na escrituração contábil e fiscal da empresa. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente pela 7a. DRJ/RJOI em 12/12/2007, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 911 9 Anocalendário: 2001, 2002 PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Somente se aceita ajuntada de documentos em momento posterior à impugnação se for verificada uma das hipóteses previstas no art. 16, § 40, do Decreto n°70.235/1972. PERÍCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando não se preenche os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, e quando é desnecessário, em decorrência dos documentos juntados aos autos serem suficientes para formar a convicção da autoridade julgadora. PROVA TESTEMUNHAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. ADMISSIBILIDADE DOUTRINÁRIA EM CARÁTER EXCEPCIONAL. REJEIÇÃO PELA IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIRSE À PROVA DOCUMENTAL NÃO FORNECIDA. Não existe previsão legal para prova testemunhal no Processo Administrativo Fiscal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é a ordem específica dirigida ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para realizar procedimentos fiscais, podendo ser prorrogado quantas vezes necessárias, desde que obedecido o prazo máximo de validade, sendo extinto apenas pela conclusão do procedimento fiscal ou pelo decurso do prazo (inteligência dos arts. 2°, 12, 13 e 15 do Decreto n° 3.969/2001, na redação dada pelo Decreto n° 4.058/2001). IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CONDUTA FRAUDULENTA. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a formalização do crédito tributário é determinado aplicandose a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CSLL. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO DECENDIAL. O prazo de decadência, no que importa à CSLL, ao PIS e à Cofins respeita a regra do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. ATO SIMULADO. INTERPOSTA PESSOA. ALIENAÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO. Comprovada a simulação, cabe à fazenda pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para fins fiscais, não sendo necessária a prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária. NORMA GERAL ANTIELISIVA. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional tem por escopo criar uma possibilidade de descaracterizar negócios lícitos a fim de submetêlos à Fl. 752DF CARF MF 10 tributação. Portanto, o disposto no artigo não inclui atos e negócios jurídicos viciados, em função da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que sempre puderam ser desconsiderados, tendo em vista o que dispõe o art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS. São considerados indedutíveis os gastos quando o sujeito passivo não apresenta provas inequívocas de sua realização. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do anocalendário. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. PIS E COFINS. A partir da vigência da Lei n° 9.718/98, as receitas financeiras integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. A apropriação de despesas financeiras, para efeitos de dedução do lucro tributável, depende de regular escrituração contábil/fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, sob pena de glosa dos seus valores para efeitos de incidência do imposto. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa o intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros responsáveis pela empresa fiscalizada. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de lei. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. ARROLAMENTO DE BENS. Não é da competência das Delegacias de Julgamento apreciar matéria acerca de arrolamento de bens. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pretende seja reconhecida nulidade por vício no MPF, impossibilidade de desclassificação da escrita contábil e/ou do negócio jurídico e no mérito a decadência na tributação do ganho de capital, bem como que os tributos relativos ele foram parcelados e estariam sendo pagos pela contribuinte real PWA, a não incidencia de PIS e Cofins sobre receitas da atividade financeira e a desqualificação da multa. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 912 11 O processo foi suspenso por resolução em razão do art. 62, p. 1o. do artigo RI_CARF, em razão da discussão veiculada no RE 601.314, enquanto aguardava julgamento sob repercussão geral, com determinação para re inclusão em pauta após a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade do MPF. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, pela 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. A consequência da falta da lavratura do instrumento de prorrogação do processo de fiscalização ou ciente ensejaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm. CARF 75, uma vez exercida a denúncia espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização Fl. 754DF CARF MF 12 funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 MPF NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Nestes termos, afasto a preliminar suscitada e passo à análise de mérito. Mérito Quebra de Sigilo Fiscal. De início, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco federal solicitar informações sobre a movimentação bancária de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 913 13 Decadência. Reclama a Recorrente que em a matéria Ganho de Capital (R$ 2.818.433,00), a operação de venda deuse em 06/08/2001, entre a PWA com a Petrobrás e a interveniente anuente AGB, que por sua vez, havia repassado, o fundo de comércio para a PWA em 15/12/2000, o que não pode merecer confusão de tratamentos. Para a AGB, conforme demonstrado, a operação datada de 15.12.2000, que segundo a recorrente já foi alcançada pela decadência. Observa que mesmo que considerada a data de incidência em 06.08.2001, o que a rigor nem seria válido, ainda assim, também já teria sido alcançado pela decadência. Para afastar a decadência, a decisão de piso consignou que: "A contribuinte, por meio da impugnação, aduz a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento de oficio do IRPJ, com base no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional (CTN). 39. De imediato, convém reconhecer a correção da primeira premissa apontada pela impugnante, qual seja, o IRPJ se sujeita ao lançamento por homologação, previsto no caput do art. 150 do CTN. 40. Ademais, igualmente não merece reparos a segunda premissa levantada, mais precisamente sobre a interpretação do art. 150, § 4°, do CTN. Afinal, ocorre a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento de oficio e, conseqüentemente, a extinção do crédito tributário, após o prazo de cinco anos contados do fato gerador, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 41. Contudo, quando configurado dolo, fraude ou simulação, a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é regida pela norma contida no art. 173, inciso I, do CTN, que estabelece o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado". Verificase que o entendimento exposto na decisão recorrida é convalidado pela Súmula CARF nº 72, segundo a qual: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN", de modo que sob esse fundamento pela os fatos geradores seriam considerados como ocorridos em 31/12/2001 e 31/12/2002, notase que o prazo decadencial qüinqüenal findava em 31/12/2007 e 31/12/2008, respectivamente. Assim sendo, considerando que a ciência do auto de infração de IRPJ ocorreu em 15/12/2006, o lançamento não estaria decaído. Contudo, para aferição da correção quanto a regra a ser aplicada em relação ao prazo decadencial, imprescindível a análise quanto a existência de dolo fraude ou simulação na situação analisada. Chama a atenção no recurso que: "Em face de resposta a intimação, o AFRF considerou a PWA como interposta pessoa, ignorando todas as operações daquela empresa, tentando arrastá las para AGB ora impugnante, entretanto, a PWA, existe, está ativa e apresentou movimentação e declarações de Imposto de Renda nos anos 2001 a 2005, o que significa dizer que, alem do "ganho de capital" também EQUIVOCAMENTE, parte das operações que foram consideradas como sendo da AGB, são de fato da PWA. Fl. 756DF CARF MF 14 A PWA apresentou declaração retificadora em 12/01/2006, relativa ao ano de 2001, tributando no 3° trimestre, a venda do fundo de comércio no valor de R$ 2.818.433,00, portanto antes do inicio da fiscalização à ela dirigida em 16.01.2006. Como sabido a retificadora substitui a declaração anterior para todos os efeitos legais. Ato contínuo, por não poder pagar a vista tão elevado valor apurado, pediu parcelamento do valor de IRPJ e CSSL apurados, seu pedido foi aceito e o valor está sendo pago. O fisco está ignorando completa e totalmente este fato". De modo que, segundo a recorrente, não haveria simulação através de interposta pessoa. O trabalho fiscal realizado, bem com os fundamentos da decisão recorrida, são bastante esclarecedores a respeito da existência de simulação e no não acatamento da retificação efetuada pela PWA, quando tece as seguintes considerações: 52. Informa a autoridade autuante que, em 30/11/2000, a empresa autuada constituiu a sociedade ACP Administração e Participações Ltda., com capital social no valor de R$ 20.000,00, dividido em 20.000 cotas, cabendo a sócia Maria de Lourdes da Silva, 19.900 cotas, ou 99,5% do capital e ao sócio Alzemiro Mario Peron as restantes 100 cotas, ou 0,5% do capital. Em 05/03/2002, por meio da Primeira Alteração Contratual a denominação social foi alterada para PWA Administração e Participações Ltda. (fls. 117 a 120). 53. Além de movimentar os recursos financeiros da AGB Auto Posto Ltda., por meio da conta corrente n° 205.7133, Agência 0495, do UNIBANCO — União de Bancos Brasileiros S/A, e da conta corrente n° 12.3676, da Agência 13862, do Banco do Brasil S/A, a ACP Administração e Participações Ltda. foi empregada para transacionar o Fundo de Comércio, como relatado, pertencente a AGB Auto Posto Ltda. com a Petrobrás Distribuidora S/A. 54. Como relatado, entende a autoridade fiscal que, em 15/12/2000, conforme os documentos de fls. 277 e 278, a AGB Auto Posto Ltda., transferiu apenas formalmente para a ACP Administração e Participações Ltda., os fundos de comércio discriminados em tais papéis. 55. Ademais, afirma a autoridade autuante que, em 06/08/2001, conforme Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 193 a 195, esses fundos de comércio foram formalmente vendidos a Petrobrás Distribuidora S/A, pelo valor de R$ 2.818.433,00. 56. Percebeuse ainda que dessa operação de venda decorre a origem do depósito de R$ 2.657.001,25, realizado no Banco do Brasil S/A, conforme documentos de fls. 219 a 222. Essa venda não está registrada na contabilidade de nenhuma das duas empresas. 57. Acontece que a fiscalização concluiu que tais operações foram simuladas, mais precisamente pela existência de interposta pessoa. 58. Conseqüentemente e para se aniquilar os efeitos tributários da engenhosa prática perpetrada com a finalidade de evadir o pagamento de tributos, a operação mencionada foi considerada pela fiscalização na forma em que efetivamente se processou, ou seja, foi apurado o ganho de capital oriundo da venda do fundo de comércio pela sua real proprietária, a AGB Auto Posto Ltda., conforme determina o art. 418 do RIR11999. 59. Convém ainda destacar que inexistindo valor contábil dos bens alienados a integralidade do valor da transação, R$ 2.818.433,00 (fls. 193 a 195), foi Fl. 757DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 914 15 classificada como ganho de capital e adicionado ao lucro para apuração do lucro real. 60. Passamos agora a analisar os argumentos apresentados individualmente. Em primeiro lugar, alega a autuada, em apertada síntese, que foi a empresa PWA Administração e Participações Ltda. que efetivamente obteve o ganho de capital. 61. Com outras palavras, diz ser indevida a desclassificação da escrita da empresa PWA Administração e Participações Ltda., bem como a desconsideração do negócio jurídico realizado, qual seja, a alienação do fundo de comércio, visto que os fatos aconteceram tal como registrados na escrita contábil e fiscal. 62. Há provas da improcedência do argumento. Afinal, durante o procedimento de fiscalização, a sócia Maria de Lourdes da Silva declarou que a empresa PWA Administração e Participações Ltda. fazia as movimentações bancárias da empresa AGB Auto Posto Ltda., conforme o texto que se reproduz: "A movimentação bancária efetuada na sociedade ora fiscalizada, na realidade, reflete as entradas e saídas de recursos oriundos de recebimentos de clientes e pagamento de fornecedores de uma rede de postos de gasolina, pertencente a outra empresa, cujas cotas são de propriedade de parente da sócia da empresa PWA (em processo de fiscalização)" (fls. 162 e 188). 63. Declarou ainda a indigitada sócia que a rede de postos de gasolina pertence à autuada, e anexa, a título de exemplo, 10 (dez) notas fiscais de fornecedores de combustível para a AGB Auto Posto Ltda. e seus respectivos pagamentos realizados mediante documentos bancários oriundos da conta da PWA Administração e Participações Ltda. (fls. 163 a 187). 64. Termina asseverando que a empresa AGB Auto Posto Ltda. utilizava as contas bancárias da empresa PWA Administração e Participações Ltda. porque estava com problemas cadastrais e não podia ser titular de conta corrente (fl. 188). 65. A autuada não refuta tais argumentos. 66. Destarte, considerando ainda a receita ínfima declarada inicialmente à Receita Federal pela contribuinte PWA Administração e Participações Ltda.; a atividade econômica vinculada ao fundo de comércio alienado, semelhante a da autuada; a falta de escrituração da alienação verificada, com os valores corretamente pactuados, inclusive no que tange aos custos de tal operação; e a relação de parentesco entre os sócios das empresas fiscalizadas, entendo que a autoridade fiscal considerou corretamente que a PWA Administração e Participações Ltda. atuou como interposta pessoa no negócio jurídico em comento, sendo, portanto, correto o lançamento contra a AGB Auto Posto Ltda. 67. A interessada afirma que a PWA Administração e Participações Ltda. retificou, antes de iniciado o procedimento de fiscalização, a declaração de rendimentos informando o crédito tributário devido e procedendo espontaneamente ao parcelamento do crédito tributário. 68. Assim sendo, convém analisar a retificação da declaração de rendimentos (DIPJ 2002 — fls. 376 a 398) operada pela contribuinte em 12/01/2006, bem como os pedidos de parcelamento (IRPJ e CSLL) protocolizados em 26/01/2006 (fls. 399 a 414). 69. Em primeiro lugar, convém registrar que a entrega da declaração ocorreu antes do início do procedimento fiscal aberto contra a empresa AGB Auto Posto Fl. 758DF CARF MF 16 Ltda., mas depois de iniciado o procedimento fiscal aberto contra a empresa PWA Administração e Participações Ltda. Portanto, não pode ser considerada espontânea a denúncia da citada infração, por este último contribuinte, para fins de exclusão da multa de oficio. 70. Observase ainda que a contribuinte apresentou a declaração retificadora acima citada, na qual acrescenta o valor de R$ 2.818.433,00 (R$ 2.824.433,00— R$ 6.000,00), a título de receita bruta sujeita ao percentual de 32%. 71. Interessante perceber que tal declaração contém um erro crasso. Afinal, o ganho de capital apurado deveria ter sido declarado a título de Ganho de Capital e não como Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%. Tal erro reduziu indevidamente os tributos devidos. 72. Percebese também que tal retificação originou um novo valor de IRPJ devido, no total de R$ 219.474,64 e de CSLL, no total de R$ 30.439,08, ambos objetos dos pedidos de parcelamento acima mencionados. Notase, por fim, que tais parcelamentos foram cancelados em 03/08/2006, em decorrência da opção realizada pelo Parcelamento Excepcional — PAEX em 28/09/2006. 73. Interessante deixar registrado que, como regra geral, o parcelamento constitui confissão irretratável de dívida, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil, e de acordo com o art. 5 0, § 1 0, do DecretoLei n2 2.124, de 13 de junho de 1984. 74. Acontece que como restou plenamente demonstrado pela fiscalização, o sujeito ativo da relação jurídica em comento, ou seja, da obrigação tributária principal declarada por meio dos autos de infração fustigados pela impugnante não é a empresa PWA Administração e Participações LTDA., mas a empresa AGB Auto Posto Ltda. 75. Desta maneira, não pode a empresa PWA Administração e Participações LTDA. confessar crédito tributário pelo qual a lei indica como contribuinte pessoa jurídica diversa. É justamente nesse diapasão que operou a autoridade fiscal ao observar o art. 142 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". 76. Portanto, deve ser desconsiderada a retificação em estudo. Pelo exposto, é de se rejeitar a preliminar de decadência e manter a glosa em relação à tributação do ganho de capital, nos moldes da decisão da DRJ, GLOSA DE CUSTOS Como relatado, a Recorrente foi intimada (fls. 212 a 214) e reintimada (fls. 215 a 218) a apresentar documentação hábil e idônea referente a lançamentos selecionados, que se encontram registrados em sua escrita contábil (fls. 261 a 272), mais especificamente aqueles vinculados à despesas com combustíveis, no valor total de R$ 680.414,27. Em sua resposta (fls. 223) e durante o curso do processo administrativo a Recorrente afirmou que não foram localizados os documentos de suporte dos lançamentos selecionados pela fiscalização. Destarte, esses custos não comprovados com documentação hábil e idônea foram glosados. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 11516.003905/200641 Acórdão n.º 1104001.708 S1C1T4 Fl. 915 17 Na impugnação, a autuada argumenta que tem absoluta certeza de seus registros contábeis, mas que não foi capaz ainda de localizar a documentação contábil. Aduz, por fim, que os autos contém os seguintes erros: não foi lhe concedido tempo suficiente para defesa, não foi refeita a contabilidade da empresa, tendo sido considerado simplesmente como hipótese de omissão de receitas. Tal argumento é repetido até mesmo na fase recursal, demonstrando que até a presente data referidos documentos que em tese poderiam demonstrar a legitimidade dos custos não foram localizados. Glosa de despesa Financeira TJLP Aduz a Recorrente ter sido considerada aplicação para AGB de toda tributação referente a receita financeira, entretanto, não teria sido levado em consideração que a PWA também possuiu movimentação no valor R$ 262.556,41 e o AFRF conhecia este detalhe e não respeitou a separação, bem como que o imposto retido sobre aplicação financeira em 2001 foi compensado conforme consta fls. 296 (R$ 7.881,09), porém o retido em 2002 (R$ 44.621,09), o qual deduzido o imposto apurado com multa de 150% (R$ 17.744,98) e multa de 75% (6.814,28) sobra um saldo a compensar ou a restituir de R$ 20.061,83, que não foi considerado no auto de infração. Conforme observado na decisão recorrida, o valor mensal de atualização, correspondente a variação mensal da TJLP, paga em decorrência da opção pelo REFIS, considerado pela fiscalização no anocalendário de 2002, corresponde ao valor contabilizado e comprovado pela autuada. Foi glosado apenas o valor contabilizado e não comprovado durante o procedimento de auditoria fiscal, de maneira que não há porque considerar os valores referentes às atualizações mensais do saldo devedor verificados nos anoscalendário de 2000 e 2001 na apuração do IRPJ referente ao anocalendário de 2002, o que impede considerar que a forma de contabilização dos juros ora em comento traduzam antecipação de imposto devido. PIS e COFINS sobre receita Financeira. Alega a Recorrente que não seria possível a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras, por entender que seria inconstitucional o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, procedido pela Lei n° 9.718/1998. Nos termos da referida lei, a partir de fevereiro de 1999, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo as receitas financeiras, são tributadas pelo PIS/PASEP e pela COFINS, conforme transcrição a seguir: "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Fl. 760DF CARF MF 18 Segundo o STF, existe identidade entre os termos "receita bruta" e "faturamento". Ambos designam a mesma realidade e significam o total das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conforme consignou o Ministro Cezar Peluso no RE 400.4798, submetido à repercussão geral, in verbis: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na (sic) sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.”(g.n.) Desta forma, não resta dúvida de que, a partir de fevereiro de 1999, também as receitas financeiras devem integrar a receita bruta da empresa, base de cálculo do PIS e da COFINS. Ante o exposto, voto no sentido afastar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 761DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002467/2007-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 67 /2 00 7- 38 Fl. 764DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O contribuinte em epígrafe, empresa agropecuária, foi autuada pela omissão em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias sobre Receita de Comercialização de Produção Rural, alíquota 2,5% mais 0,1% de Sat/Rat, período 01/1999 a 09/2006, a que está obrigada pelo inciso IV do artigo 32 da Lei 8.212/91 e § 5°. A multa em questão aplicada corresponde a 100% das contribuições devidas e não declaradas, limitadas a duas vezes o valor mínimo (R$1.156,95), atualizado pela Portaria MPS no 342/2006, considerando que a autuada manteve entre 16 e 50 empregados mensais no período. No regular curso do processo administrativo a eª Turma Especial, da 2ª Seção deste Tribunal, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando a aplicação da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, com base no disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. O produtor rural pessoa jurídica deve recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I – excluir da autuação fiscal as competências 01/1999 a 11/1999, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II – excluir as competências 12/2000 a 10/2001, em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22ª da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001; e III – aplicar ao valor da multa de ofício em razão Fl. 765DF CARF MF Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 9202005.088 CSRFT2 Fl. 765 3 da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Nesse contexto, foi tempestivamente apresentado Recurso Especial pela Fazenda Nacional. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 766DF CARF MF 4 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 9202005.088 CSRFT2 Fl. 766 5 benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 768DF CARF MF 6 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 9202005.088 CSRFT2 Fl. 767 7 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 770DF CARF MF 8 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 9202005.088 CSRFT2 Fl. 768 9 dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 772DF CARF MF 10 Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000089/2007-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. PRINCÍPIO DE TERRITORIALIDADE. ORDENAMENTO JURÍDICO ANTES DA MP 1.858-6/99. ALTERAÇÕES LEI 9.249/95. REPERCUSSÃO RESTRITA AO IRPJ.
O art. 63 da Lei n° 4.506/64, dentre outros dispositivos, consagrava o princípio de territorialidade em relação aos lucros auferidos no exterior, razão pela qual os resultados das sucursais e filiais fora do país, que se refletem diretamente na matriz, deveriam ser neutralizados, mediante exclusão do resultado operacional da matriz caso fosse resultado positivo (lucro), e adição caso fosse resultado negativo (prejuízo). Edição da Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.858-6, de 1999.
Numero da decisão: 9101-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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LUCROS NO EXTERIOR. PRINCÍPIO DE TERRITORIALIDADE. ORDENAMENTO JURÍDICO ANTES DA MP 1.8586/99. ALTERAÇÕES LEI 9.249/95. REPERCUSSÃO RESTRITA AO IRPJ. O art. 63 da Lei n° 4.506/64, dentre outros dispositivos, consagrava o princípio de territorialidade em relação aos lucros auferidos no exterior, razão pela qual os resultados das sucursais e filiais fora do país, que se refletem diretamente na matriz, deveriam ser neutralizados, mediante exclusão do resultado operacional da matriz caso fosse resultado positivo (lucro), e adição caso fosse resultado negativo (prejuízo). Edição da Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.8586, de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 89 /2 00 7- 53 Fl. 719DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 720 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela IRB RESSEGUROS DO BRASIL (efls. 564 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10196.653 (efls. 516 e segs), pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 16/04/2008, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2002, trata de glosa de despesas, (1) reversão de Provisão de Previdência Complementar" (IRPJ e CSLL) e (2) "Perdas da Sucursal de Londres" adicionadas nos anos de 1996 a 1998 (CSLL). A Contribuinte apresentou impugnação. O lançamento fiscal foi julgado procedente pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual foi dado provimento parcial pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF), para restabelecer a despesa relativa ao item (1). Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte que foram rejeitados. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal Discorre a autoridade autuante (efls. 160/169) a respeito da ocorrência de duas infrações tributárias. Na primeira, exclusão a título de provisão de previdência complementar, vez que entendeu que seriam indedutíveis pagamentos efetuados pela Contribuinte a título de complemento de aposentadoria a funcionários admitidos até 1968. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 721 3 Na segunda, trata da exclusão na apuração da base de cálculo da CSLL de prejuízos na sucursal de Londres adicionadas nos anos de 1996 a 1998, ocorrida no primeiro trimestre de 2002. Entendeu a autoridade autuante que não teria amparo legal o procedimento adotado pela Contribuinte, ao excluir em exercício posterior (2002) valores adicionados indevidamente em períodos competentes (1996 a 1998). Complementou que eventuais incorreções posteriormente detectadas na apuração das bases de cálculo da CSLL de 1996 a 1998 deveriam ter sido corrigidas por meio de retificação da declaração de rendimentos, e não pela exclusão dos valores no anocalendário de 2002. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 170/189) para o anocalendário de 2002. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 198 e segs), no qual o lançamento fiscal foi julgado procedente pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1214.110 (efls. 453 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 EXCLUSÕES INDEVIDAS. São indevidas as exclusões não autorizadas pela legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 EXCLUSÕES INDEVIDAS. São indevidas as exclusões não autorizadas pela legislação. Foi interposto recurso voluntário (efls. 464 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 16/04/2008. Decidiu o Acórdão nº 10196.653 (efls. 516 e segs) dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa relativa à reversão de provisão de previdência complementar, e manter a autuação relativa à indedutibilidade de prejuízos de sucursal no exterior, conforme ementa a seguir. IRPJ e CSLL DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS PREVIDÊNCIA.COMPLEMENTAR Após a Lei 6.435/77, as contribuições pagas a entidades que atuassem como de previdência privada somente poderiam ser deduzidas se a entidade estivesse autorizada na forma da Lei. Permaneceu, todavia, a permissão para dedução das complementações de aposentadorias pagas aos empregados aposentados referentes a benefícios concedidos antes de 01/01/78. CSLL Em função do principio da territorialidade, vigente antes da edição da MP 1.8586, de 1999, não se caracteriza como indevida a adição, ao lucro liquido, para fins de apuração da Fl. 721DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 722 4 base de cálculo da CSLL, de resultados negativos auferidos no exterior. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 542/551), que foram rejeitados pelo Despacho em Embargos de efls. 557/558. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 564 e segs.). Discorre que, como as perdas da sucursal de Londres nos anos de 1996 a 1998 foram adicionadas, de forma equivocada, na base de cálculo da CSLL, foram excluídas da base de cálculo da CSLL no primeiro trimestre de 2002. Contudo, entendeu a Fiscalização que a exclusão teria sido extemporânea, devendo ter sido realizada por meio de declarações retificadoras. Aduz que, para os anos de 1996, 1997 e 1998, havia obrigatoriedade de os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serem adicionados apenas na determinação do lucro real (art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995), não havendo qualquer determinação a respeito da CSLL, e, apenas com o advento da MP nº 1.8586, de 29/06/1999, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a sujeitarse à incidência da CSLL. Aduz que, até a entrada em vigor da MP, para fins de apuração da CSLL prevalecia o disposto no art. 2º, da Lei nº 7.689, de 1988, o qual não dispunha sobre obrigação de se adicionar ao lucro líquido as perdas da sucursal de Londres. Ou seja, a retificação promovida para o anocalendário de 2002 foi correta, já que não haveria nenhuma base legal que a obrigasse a adicionar, para os anos de 1996 a 1998, as perdas apuradas pela sucursal de Londres. E, diante da apuração de bases de cálculo majoradas para os anos de 1996 a 1998 e o recolhimento a maior da CSLL, teria surgido o direito de o Contribuinte promover a exclusão dos valores indevidamente adicionados, ainda que de forma extemporânea, desde que não seja produzido efeito fiscal diverso daquele que seria obtido caso não houvesse a adição indevida nos exercícios anteriores, conforme parecer de auditores independentes. No caso, caso tivessem sido retificadas as declarações, os valores objeto de exclusão teriam sido devolvidos à Contribuinte em quantias significativamente superiores àquelas apuradas em decorrência do procedimento fiscal adotado. E, ainda que se considere que houve um erro no procedimento adotado pela Contribuinte, a simples ocorrência de erro não gera a obrigação de pagar contribuição manifestadamente indevida, sobre lucros fictícios, sem ocorrência do fato gerador da CSLL. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 686/688 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 691/694), no qual se vale dos fundamentos do acórdão recorrido para solicitar a manutenção da autuação em relação à indedutibilidade de prejuízos de sucursal no exterior. O julgamento teve início na sessão de outubro de 2016, quando foi realizada a leitura do relatório e do voto e iniciaramse os debates entre os componentes do Colegiado. Na ocasião, pediu vista a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que seria a primeira a votar. Posteriormente, a Contribuinte apresentou petição (efls. 711/717), no qual discorre sobre o debate empreendido na sessão de julgamento de outubro de 2016. É o relatório. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 723 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efl. 686/688, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o recurso especial interposto pela Contribuinte, que devolveu para discussão a matéria "exclusão no anocalendário de 2002 das Perdas da Sucursal de Londres adicionadas nas bases de cálculo da CSLL para os anoscalendário de 1996 a 1998". Passo ao exame do mérito. Há que se discorrer sobre os fundamentos adotados pela Fiscalização e pela turma a quo. A infração devolvida trata de glosa de despesa contabilizada no primeiro trimestre de 2002. Discorreu a Contribuinte que o dispêndio seria relativo a prejuízos incorridos pela sucursal de Londres incorridos no decorrer dos anos de 1996 a 1998, que foram adicionados à base de cálculo da CSLL para os correspondentes anoscalendário de 1996 a 1998, porque, ao fazer as declarações naqueles períodos, teria interpretado incorretamente o art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, por não perceber que o diploma legal dispunha da incidência de lucros no exterior apenas para o IRPJ (lucro real), e que a CSLL passou a ser exigida apenas a partir de 01/10/1999, com a edição da MP nº 1.8586, de 1999. Assim, para compensar a pretensa indevida inclusão dos prejuízos na base de cálculo da CSLL de 1996 a 1998, efetuou um ajuste, para efetuar a exclusão dos valores da base de cálculo da CSLL na declaração relativa ao primeiro trimestre do anocalendário de 2002. Sobre o assunto, entendeu a autoridade autuante (efls. 166/168 do Termo de Verificação Fiscal) que não teria amparo legal o procedimento adotado pela Contribuinte, ao excluir em exercício posterior (2002) valores adicionados indevidamente em períodos competentes (1996 a 1998). Complementou ainda que eventuais incorreções posteriormente detectadas na apuração das bases de cálculo da CSLL de 1996 a 1998 deveriam ter sido corrigidas por meio de retificação da declaração de rendimentos relativas aos correspondentes anos de 1996 a 1998, e não pela exclusão dos valores no anocalendário de 2002. O entendimento foi mantido pela decisão de primeira instância (efls. 453/457). Ocorre que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao se deparar com a argumentação apresentada pela Contribuinte, de que, como a CSLL sobre lucros 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 724 6 no exterior não seria devida no decorrer dos anoscalendário de 1996 a 1998, a inclusão dos prejuízos da sucursal da Londres na base de cálculo da CSLL teria sido indevida, não compartilhou da mesma interpretação. Entendeu a turma a quo que as despesas na sucursal do exterior, relativas aos anos de 1996 a 1998 deveriam ter sido adicionadas à base de cálculo da CSLL, em razão do princípio da territorialidade, em vigor para a CSLL no período (ao contrário do IRPJ, em que a partir do art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995 passou a ser regido pelo princípio da tributação sobre bases universais). Esclareceu a decisão que, como os prejuízos incorridos no exterior (princípio da territorialidade) tiveram repercussão no lucro líquido da matriz (Contribuinte, no Brasil), deveriam ter sido adicionadas na base de cálculo da CSLL, ou seja, a adição para os anoscalendário de 1996 a 1998 teria sido adequada. E o recurso especial da Contribuinte vem contestar precisamente tal entendimento. Reclama que de acordo com o disposto no art. 2º, da Lei nº 7.689, de 1988, não há nenhuma previsão legal para a adição, na apuração da base de cálculo da CSLL, de prejuízos incorridos por sucursal no exterior. E tal situação não mudou para a CSLL com o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, vez que tratou a tributação de lucros no exterior apenas para o IRPJ. Ou seja, para os anos de 1996 a 1998, teria realizado contabilização incorreta, ao adicionar os prejuízos da sucursal de Londres na base de cálculo da CSLL. Por isso, efetuou a exclusão dos mesmos valores na declaração relativa ao primeiro trimestre de 2002, para compensar o equívoco. Registra que a CSLL passou a sofrer tributação de lucros no exterior apenas a partir da MP`nº 1.8586, de 1999, ou seja, tal fato reforça que a adição dos prejuízos da sucursal em Londres para os anos de 1996 a 1998 não teria base legal. A respeito do assunto, é incontroverso que, antes do art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, a tributação dos lucros no exterior de controladas, coligadas, filiais e sucursais era regida pelo princípio da territorialidade, ou seja, em tese, os fatos jurídicos tributários ocorridos fora do Brasil não tinham nenhuma repercussão na apuração dos tributos. No caso concreto, a Contribuinte tinha uma sucursal em Londres (DIPJ, efl. 130). E, no caso da Contribuinte, sociedade anônima aberta, qualificada na DIPJ como Sociedade Seguradora, de Capitalização ou Entidade de Previdência Privada Aberta, submeteuse ao regime de tributação pelo lucro real, por essa qualificação, e também porque auferiu lucros no exterior, conforme art. 27 da Lei nº 9.249, de 1995 2, e passou a ser obrigada a manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 7º do Decretolei nº 1598, de 1977). E, nesse contexto, o ponto de partida, para apuração do IRPJ e da CSLL é o lucro líquido. A partir do lucro líquido, determina a legislação tributária que sejam efetuados ajustes, na forma de adições ou exclusões, que, ao final, deverão apurar a base de cálculo sobre a qual se tributa o IRPJ (lucro real) e a base de cálculo sobre a qual se tributa a CSLL (base de cálculo da CSLL). 2 Art. 27.As pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 725 7 Toda essa digressão é para localizar, com precisão, o sítio da irresignação da Contribuinte. Protesta que, na apuração da base de cálculo da CSLL, a partir do lucro líquido, não havia, para os anos de 1996 a 1998, nenhuma previsão para a adição de prejuízos auferidos em sua sucursal de Londres, citando o art. 2º, da Lei nº 7.689, de 1988, cuja versão à época dos fatos segue transcrita: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) Observase que o protesto da Contribuinte centrase na determinação da base de cálculo da CSLL. Ou seja, os prejuízos da sucursal de Londres, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não deveriam ser adicionados ao resultado do períodobase (leiase lucro líquido), por expressa falta de previsão legal. Ocorre que, nesse ponto, a premissa adotada pela Contribuinte é incorreta. Isso porque a adição dos prejuízos auferidos por sucursais ou filiais no exterior não está prevista na base de cálculo da CSLL. Pelo contrário. Está prevista na apuração do lucro líquido. Exatamente por esse motivo não há que se falar em ajustes na base Fl. 725DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 726 8 de cálculo da CSLL, porque tanto os lucros quanto os prejuízos no exterior já eram devidamente tratados na apuração do lucro líquido. Antes do art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, a tributação de lucros no exterior era regida pelo princípio da territorialidade, consagrado pelo art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964: Art. 63. No caso de emprêsas cujos resultados provenham de atividades exercidas parte no País e parte no exterior, sòmente integrarão o lucro operacional os resultados produzidos no País. (...)(grifei) E o lucro operacional inserese precisamente na apuração do lucro líquido (art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.598, de 1977): Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. (...) No caso em tela (anos de 1996 e a 1998), a Contribuinte, obrigatoriamente submetida ao lucro real, tinha como ponto de partida para a apuração do IRPJ o lucro líquido. O lucro líquido tem como um dos seus componentes o lucro operacional. Contudo, com base no art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964, apenas os resultados produzidos no Brasil deveriam ser considerados. No caso das sucursais ou filiais, é incontroverso que seus resultados repercutem na apuração da matriz. A contabilidade retrata o ingresso dos recursos, decorrentes da exploração de todo o seu patrimônio, material e imaterial, auferidos tanto mediante atuação direta quanto descentralizada como por meio de filiais ou sucursais, inclusive com sede no exterior (art. 34 do Decreto nº 24.239, de 1947). Art. 2º Substituamse o art. 34 e seus §§ 1º, 2º, 3º e 4º do decreto nº 24.239, de 22 de novembro de 1947, pelo seguinte: "Art. 34. As pessoas jurídicas que declararem o lucro real devem comproválo por meio de escrituração [....VETADO....] em idioma e moeda nacionais e na forma estabelecida pelas legislações comercial e fiscal. § 1º A escrituração deverá abranger tôdas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados anualmente nas suas atividades no território nacional. § 2º É facultado às pessoas jurídicas que possuírem filiais, sucursais ou agências manter contabilidade não centralizada, devendo incorporar, na escrituração da matriz, os resultados de cada uma delas. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 727 9 § 3º As disposições deste artigo aplicamse, também às filiais, sucursais ou agências no Brasil, das pessoas jurídicas com sede no estrangeiro. (...)(grifei) Nesse sentido, os prejuízos da sucursal de Londres, em um primeiro momento, tiveram o efeito de reduzir o lucro operacional da matriz (art. 6º, § 1º, do Decreto lei nº 1.598, de 1977), por serem de uma sucursal. Ocorre que, sendo resultados auferidos no exterior, não poderiam ser considerados (art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964), razão pela qual, num segundo momento, deveriam ter sido adicionados ao lucro operacional. E é exatamente nesse contexto que se insere a adição dos prejuízos da sucursal em Londres. Percebese que a Contribuinte, nas declarações originais relativas aos anos de 1996 a 1998, efetuou com precisão a sua escrituração. Sem motivos, portanto, para reclamar de uma retificação para a declaração de 2002 visando corrigir contabilização, vez que o procedimento adotado primitivamente não merece reparos. Da mesma maneira, caso a sucursal tivesse auferido lucros no exterior, num primeiro momento, tal situação teria o efeito de aumentar o lucro operacional da matriz, o que seria neutralizado porque, conforme o art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964, tais valores seriam excluídos do lucro operacional. E do que tratam os ajustes do art. 2º, da Lei nº 7.689, de 1988? Tratam de ajustes a serem realizados no lucro líquido, para se apurar a base de cálculo da CSLL, dispostos da mesma maneira no art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988 (com redação dada pela Lei nº 7.959, de 1989) para tratar da determinação do lucro real (IRPJ). Dentre outras situações, operacionaliza a neutralidade da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial para fins de apuração do resultado da investidora, independente do investimento estar situado no Brasil ou no exterior. Isso porque os resultados positivos das participações societárias (controladas e coligadas), são contabilizados a débito na conta de investimento (ativo) e a crédito na conta de resultado (outras receitas operacionais, ou receitas de participações societárias via MEP), ou ao contrário, no caso de prejuízos. Contudo, como o resultado já é tributado ou contabilizado como prejuízo no resultado líquido (lucro líquido ou prejuízo) da investida, a legislação prevê, na apuração do lucro real e da base de cálculo de CSLL a exclusão ou adição dos valores. No caso em análise, para o IRPJ, o art. 35, §1º, alíneas "e" e "g", da Lei nº 7.713, de 1988 com redação dada pela Lei nº 7.959, de 1989, e para a CSLL, art. 2º, alínea "c", itens "1" e "4", da Lei nº 7.689, de 1988, não por acaso com redação idêntica. Os demais dispositivos tratam de outros ajustes no lucro real e na base de cálculo da CSLL, como ajustes no valor de reserva de reavaliação, provisões e outras exclusões relativas a lucros e dividendos de participações societárias que tenham sido computados como receita. O caput do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e o § 6º, deixam claro o diferente tratamento dado às sucursais e filiais, e às controladas e coligadas, estas avaliadas pelo MEP. Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) (grifei) Fl. 727DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 728 10 (...) § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. (grifei) Observase que a operacionalização dos ajustes efetuados para as sucursais e filiais seguem padrão distinto do das controladas e coligadas. Nestas, os ajustes são efetuados a partir do lucro líquido, com base na valorização apurada via MEP, para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e naquelas, a inclusão ou exclusão de lucros e prejuízos são tratados em momento anterior, qual seja, na apuração do lucro operacional, parte integrante do lucro líquido. Quanto a CSLL, mesmo com a edição do art 25 em debate, continuou sendo apurada da mesma maneira que antes, com base no princípio da territorialidade, vez que não havia previsão legal para adição dos lucros no exterior, no lucro líquido. Vale transcrever o art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. E o conteúdo do art. 16, excluído da redação, é esclarecedor: Lucros e Rendimentos Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. Verificase que, expressamente, o legislador predicou que a apuração da CSLL, de fato, não foi alterada no que diz respeito aos lucros auferidos no exterior. Portanto, a partir da edição da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, restaram, para fins de apuração de lucros no exterior, regimes distintos para o IRPJ e para a CSLL: (a), para o IRPJ, sob a égide do princípio da universalidade, os lucros das sucursais/filiais passaram a compor o resultado do lucro líquido em razão do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995; (b) para a CSLL, sob a égide do princípio da territorialidade, continuou a se submeter à sistemática prevista nos arts. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.598, de 1977 e 63 da Lei nº 4.506, de 1964, qual seja, primeiro reduzindo o lucro operacional e posteriormente, sendo Fl. 728DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 729 11 adicionados ao lucro operacional, de modo a evitar a repercussão dos resultados no exterior (das sucursais ou filiais) na matriz do Brasil. A situação para a CSLL só veio ser alterada com a edição do art. 19 da MP`nº 1.8586, de 1999 (publicada no DOU de 30/06/1999), quando os lucros no exterior, auferidos a partir de 1º de outubro de 1999 (mediante aplicação da anterioridade nonagesimal), passaram a ser tributados pela CSLL, com base no princípio da universalidade, nos mesmos moldes do IRPJ: Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei no 9.532, de 1997. (grifei) Ou seja, para a CSLL, passou a ser adotado o mesmo mecanismo para inclusão dos lucros no exterior na base tributável. Nesse contexto, foi preciso o procedimento original da Contribuinte, quando, para os anoscalendário de 1996 a 1998, adicionou os prejuízos da sucursal de Londres, com base no art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964, para neutralizar o impacto negativo que o resultado da sucursal teve na apuração do mesmo lucro operacional da matriz (art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.598, de 1977). Foi correta a contabilização. Sem justificativa, portanto, a alegação da Contribuinte, de que teria direito a aproveitar os prejuízos de 1996 a 1998, e por isso promoveu a contabilização para o ano calendário de 2002, para "compensar" o "erro" nas declarações relativas a 1996 a 1998. Enfim, diante de tal conclusão, tornase prescindível discorrer se uma despesa relativa a 1996 a 1998 poderia ser contabilizada de forma extemporânea (2002). Isso porque, caso se entendesse que os prejuízos de 1996 a 1998 tivessem sido contabilizados originariamente de maneira incorreta conforme aduziu a Contribuinte, o Colegiado teria que enfrentar outro ponto, qual seja, se seria possível a contabilização extemporânea de despesa incorrida em anocalendário anterior. De qualquer forma, como visto, a contabilização original dos prejuízos da sucursal de Londres foi correta, razão pela qual a apreciação da declaração relativa ao anocalendário de 2002 resta prejudicada. Enfim, cabe discorrer sobre a petição (efls. 711/717) apresentada pela Contribuinte, no qual relata o debate empreendido pelo Colegiado na sessão de julgamento de outubro de 2016, e rebate fundamentos do presente voto. A conclusão do Colegiado foi em receber a petição na condição de memorial, que, por sua vez, tem como escopo ratificar argumentações já apresentadas no curso do processo, no caso, em sede de recurso especial. Portanto, foge do escopo do memorial a faculdade de acrescentar novos argumentos, que não foram apresentados no recurso especial. Inclusive, acrescentar fundamentos que surgiram em debate de julgamento já iniciado, na sessão de outubro de 2016. De qualquer forma, a argumentação trazida pelo memorial foi devidamente enfrentada no presente voto. Equivocase a Contribuinte ao inferir que o voto estaria "inovando". Vale transcrever observações do seu memorial: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 730 12 Para fundamentar o seu posicionamento, o Ilmo. Relator utilizouse da sistemática prevista nos artigos 6º, § 1º, do DecretoLei n" 1.598/77, e 63 da Lei nº 4.506/64, de acordo com a qual, em virtude do princípio da territorialidade que vigorava à época para a CSLL, os resultados das filiais e sucursais no exterior deveriam, em um primeiro momento, reduzir o lucro líquido da empresa, para, posteriormente, ser adicionados para ajuste do lucro líquido para fins da determinação da base de cálculo da CSLL, de modo a evitar a repercussão dos resultados na tributação no Brasil. Ocorre que, o entendimento positivado pelo Ilmo. Relator, além de analisar matéria nunca suscitada nestes autos, resta equivocada, pelos seguintes motivos: • Primeiramente, insta salientar que a discussão se os resultados auferidos no exterior deveriam ou não integrar o lucro líquido NUNCA FOI OBJETO DA AUTUAÇÃO, NEM MESMO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, em outras palavras, o Ilmo. Relator está inovando. Equivocase a Contribuinte ao dizer que se analisou "matéria nunca suscitada nestes autos", e que "a discussão se os resultados auferidos no exterior deveriam ou não integrar o lucro líquido NUNCA FOI OBJETO DA AUTUAÇÃO, NEM MESMO DO ACÓRDÃO RECORRIDO". Olvidouse completamente do conteúdo da decisão recorrida, cujo excerto transcrevo: O primeiro ponto a ser definido é se, realmente, antes da edição da MP 1.8596/99, não era obrigatória a adição, para fins de CSSL, dos prejuízos auferidos no exterior. As despesas administrativas e despesas de prejuízos em prejuízos da sucursal Londres compuseram o lucro liquido do exercício do Recorrente nos anoscalendário de 1996 a 1998. A base de calculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é o lucro liquido do exercício, com os ajustes expressamente previstos na legislação. O Recorrente, como, aliás, inúmeras outras empresas, vinham aplicando as normas do Imposto de Renda a Contribuição 'Social. Assim, entendiam que a regra de não tributação, no Brasil, de resultados produzidos no exterior, alcançava tanto o IRPJ como a CSLL, e que essa regra foi alterada pelo art. 25 da Lei 9.249/95. Por conseguinte, antes da Lei 9.249/95, ajustavam o lucro liquido para dele expurgar os resultados auferidos no exterior, tanto para fins de IRPJ e de CSLL. A partir da nova norma (art. 25 da Lei 9.249/95), passaram a oferecer a tributação, pelos dois tributos, os resultados positivos disponibilizados, permanecendo a adição dos resultados negativos, conforme comando do § 5° do referido artigo. Apenas com a edição da MP .1.8586 (art. 19) compreenderam que o art. 25 da Lei 9.249/95 tratava exclusivamente da apuração do lucro real, não alcançando a base de calculo da CSLL. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 19740.000089/200753 Acórdão n.º 9101002.518 CSRFT1 Fl. 731 13 Notese que o entendimento de que o art. 25 da Lei 9.249/95 não obrigava a adição dos resultados negativos para fins de apuração da base de cálculo da CSLL tem como corolário que, urna vez que os resultados auferidos no exterior, segundo a legislação societária, integram o lucro líquido, à falta de previsão expressa para sua adição ou exclusão, afetavam eles a base de cálculo da CSLL, quer fossem positivos, quer fossem negativos. Esse, todavia, não era o entendimento, tanto que foi editada a Medida Provisória n° 1.85806, de 1999, instituindo a tributação universal para fins de CSLL. Assim, entendido que a tributação, pela CSLL, dos resultados auferidos no exterior apenas foi instituída pela MP 1.8586 ; de 1999, temse que, antes dessa MP, independentemente de previsão especifica expressa, tais resultados, pelo próprio principio da territorialidade, deveriam ser excluídos do lucro liquido, se positivos, ou adicionados, se negativos. Por conseqüência, a adição promovida pelo Recorrente nos anos calendário de 1996, 1997 e 199S não foi indevida, e a exclusão em 2002 foi indevida. (grifei) A leitura da decisão recorrida é esclarecedora. Observase que a matéria devolvida é precisamente a tratada no presente voto. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso da Contribuinte, que tratou da matéria "exclusão no anocalendário de 2002 das Perdas da Sucursal de Londres adicionadas nas bases de cálculo da CSLL para os anoscalendário de 1996 a 1998", e no mérito negar provimento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 731DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904938/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.355
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 38 /2 01 2- 26 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.266. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904938/201226 Acórdão n.º 3201002.355 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10425.001300/2005-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - VÍCIO FORMAL - ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR.
Erro na descrição do fato no campo específico do Auto de Infração viola o disposto noa artigo 10, III, do Decreto 70.235/72, sendo vício de natureza formal.
No presente caso, a descrição do fato gerador do Auto de Infração foi insuficiente, maculando o lançamento, por vício de natureza formal.
Numero da decisão: 9202-004.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 111 1 110 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10425.001300/200591 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.501 – 2ª Turma Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALEXANDRE JOSÉ MELO DE QUEIROZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. Erro na descrição do fato no campo específico do Auto de Infração viola o disposto noa artigo 10, III, do Decreto 70.235/72, sendo vício de natureza formal. No presente caso, a descrição do fato gerador do Auto de Infração foi insuficiente, maculando o lançamento, por vício de natureza formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 13 00 /2 00 5- 91 Fl. 111DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para cobrança de IRPF, diante da glosa de despesas médicas, verificada nos ano calendário de 2001. Inconformado, o contribuinte apresentou regularmente Impugnação, que foi julgada totalmente improcedente. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do Voluntário a 2ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento foi dado provimento ao recurso, por maioria de votos, tendo em vista que ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte em função da falta de fundamentação pela autoridade fiscal para considerar imprestáveis os comprovantes utilizados pelo contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Na descrição do fato gerador, deve a autoridade lançadora fundamentar os motivos pelos quais entendeu serem imprestáveis os comprovantes utilizados pelo Contribuinte para fins de dedução de despesas médicas, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, visando discutir o cancelamento do auto de infração por dois ângulos, quais sejam: (i) inexistência de vício no lançamento; (ii) havendo vício, seria este formal. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial interposto, apenas em relação à segunda matéria, a saber: natureza do vício, formal ou material. Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10425.001300/200591 Acórdão n.º 9202004.501 CSRFT2 Fl. 112 3 Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso, passo à análise do mérito. A doutrina faz a diferenciação de vício formal e vício material e seus efeitos em relação ao lançamento tributário. O primeiro acarreta a nulidade do auto de infração, enquanto o segundo acarreta seu cancelamento. Mas qual a diferença entre referidos vícios? Conforme Renata Elaine Silva o vício formal “é o erro de forma, de processo, na construção do lançamento, em outras palavras, na formação da norma individual e concreta que é o produto obtido do processo de lançamento.” Nos ensinamentos da referida autora, referido processo de lançamento inicia se com a abertura do procedimento fiscal e findase com a notificação do contribuinte da lavratura do Auto de Infração. No processo administrativo federal os artigos 7º ao 11º, do Decreto 70.235, cuidam do processo de construção do lançamento tributário. Tais vícios formais, quando identificados, autorizam a anulação do lançamento e a lavratura de novo Auto de Infração. O vício material, por sua vez, diz respeito ao núcleo do lançamento e sua constatação leva ao cancelamento do auto de infração. Conforme ensina Renata Elaine Silva, se referem à conformação do crédito, os vícios materiais dizem respeito à essência do lançamento, melhor dizendo, aos elementos que compõe o fato jurídico e a relação jurídica. São exemplos de vícios materiais a não comprovação da ocorrência do fato, em qualquer dos seus critérios material, pessoal, espacial, e temporal, tendo em vista as provas apresentadas. Pois bem. Em minha concepção, o vício presente no presente Auto de Infração é vício de forma, na medida em que o quadro destinado à descrição do fato gerador contido no instrumento que materializa o lançamento possui preenchimento insuficiente ou falho. Há aqui uma infração ao artigo 10, III, do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 113DF CARF MF 4 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Tratase a meu ver de um claro erro quanto à forma de expressão do lançamento. Assim, voto por DAR provimento ao recurso da Fazenda, para reconhecer que o vício contido no presente lançamento é de natureza formal. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 114DF CARF MF
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