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Numero do processo: 13433.900773/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado.
Numero da decisão: 3102-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. OBRIGATORIEDADE. A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 07 73 /2 00 9- 96 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 11/4/2006, em que informada a compensação de parte do crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2005, no valor de R$ 2.807,22, com débito da Cofins do mês de setembro de 2004. Em face da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, porque, embora localizado na base dados da Administração tributária, o suposto pagamento indevido fora integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2005, conforme explicitado no Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 01. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a receita auferida no respectivo período de apuração era decorrente da venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, que, a partir de 30 de dezembro de 2004, passou a ser beneficiada com a alíquota zero da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasepl, nos termos do art. 1º, X, combinado com o art. 3º, I, ambos do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 22 dezembro de 2005. Informou ainda que, após a ciência do referido Despacho Decisório, a DCTF do período fora retificada e os valores dos débitos indevidos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep foram zerados. Diante da precariedade da instrução processual, a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), converteu o julgamento em diligência, para que a interessada fosse intimada “a comprovar se – e em que medida – as vendas realizadas nos períodos de interesse foram dos produtos enquadrados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de2005”. Apesar de regularmente cientificada, a interessada não atendeu a intimação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Recife/PE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que a retificação da DCTF e a alegação de pagamento indevido, desacompanhada de prova documental adequada, não permitiam a confirmação da existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900773/200996 Acórdão n.º 3102001.825 S3C1T2 Fl. 21 3 Em 29/5/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 26/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 52/54, em que reafirmou o argumento suscitado na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que, apesar de reconhecido pela Relatora do processo originário que a atividade econômica da recorrente enquadravase no CNAE 1051100 (Preparação do leite), a Turma de Julgamento de primeiro grau julgara improcedente da Manifestação de Inconformidade, contrariando a norma do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No recurso em apreço, alegou a recorrente que o valor do crédito utilizado era decorrente de parte do pagamento do débito indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês outubro de 2005, calculado sobre a totalidade da receita de venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, contemplada com a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Alegou ainda a recorrente que, como sua atividade econômica enquadravase no CNAE 1051100 Preparação do leite, consequentemente, as receitas obtidas eram decorrentes da venda dos produtos discriminados no inciso X do art. 1º do citado Decreto. Não procede a alegação da recorrente. O CNAE declarado no CNPJ informa, de forma genérica, qual a atividade econômica desenvolvida pela respectiva pessoa jurídica. Por essa limitação, é evidente que o referido Código não prova que a receita obtida pela recorrente seja proveniente, exclusivamente, da venda dos produtos especificados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Para fim de comprovação do tipo de produto vendido, induvidosamente, os elementos probatórios adequados são as notas fiscais de venda, acompanhadas dos livros fiscais e contábeis exigidos pela legislação. Sem a apresentação da referida documentação, resta inviabilizada a verificação do tipo de produto vendido pela recorrente, bem como a confirmação se a receita auferida pela recorrente enquadrase na hipótese de tributação favorecida, prevista no inciso X do art. 1º do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 2005. Da mesma forma, sem a comprovação da modalidade de receita, também resta não comprovada a origem do direito creditório alegado e impossibilitada a homologação da compensação declarada, haja vista que, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a realização do procedimento de compensação, de iniciativa do sujeito passivo, depende da comprovação da existência de crédito certo e líquido, passível de restituição ou ressarcimento, na data da realização do procedimento, que se formaliza com a entrega da DComp. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Tratase de requisito obrigatório que, na esfera administrativa, deve ser provado pelo sujeito passivo titular do crédito e autor do procedimento de compensação, em duas oportunidades: (i) quando demandado pela autoridade fiscal, previamente a decisão sobre a legalidade do procedimento compensatório, nos termos do art. 74 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012; ou (ii) após a decisão denegatória da homologação da compensação, no âmbito contencioso administrativo, inaugurado com a manifestação da inconformidade, prevista no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, conforme consignado no citado Despacho Decisório, o procedimento de compensação não foi homologado porque o crédito informado não existia, porque tinha sido integralmente utilizado no pagamento de débito da própria recorrente. Assim, uma vez declinado que o motivo da não homologação da compensação era inexistência do crédito, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9;430, de 1996, a recorrente tinha o ônus/dever de coligir aos autos os elementos de prova adequados a demonstração da existência do direito creditório infirmado, mediante apresentação de provas inequívocas de que o pagamento realizado fora indevido, conforme alegado, o que não feito. É oportuno ressaltar ainda que a simples retificação da DCTF, especialmente, após a ciência do Despacho Decisório, como no caso em apreço, apenas comprova a retificação do débito, mas não constitui elemento de prova suficiente de que o pagamento informado era indevido. Em situação desse jaez, além da retificação da DCTF, o titular o direito creditório tem ônus de provar que o pagamento realizado referese a tributo indevido ou a maior que o devido, conforme determina o art. 165 do CTN. Tratase de condição necessária para fim de repetição do indébito tributário, que deve ser demonstrada com documentos e livros fiscais e contábeis revestidos das formalidades legais. Diante dessa omissão, previamente ao julgamento da controvérsia, a Turma de Julgamento de primeiro grau converteu o julgamento em diligência e, assim, ofertou uma nova oportunidade para que a recorrente provasse a existência do crédito compensado. No entanto, embora devidamente intimada e ciente da necessidade de provar a origem do indébito alegado, a recorrente não atendeu a intimação nem apresentou qualquer justificativa para a não apresentação das provas solicitadas. Da mesma forma, nesta fase recursal, a recorrente também não apresentou nenhuma prova de que a receita auferida estava sujeita a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep. Ao assim proceder, a recorrente deve arcar com as consequências jurídicas da sua deliberada e intencional omissão, o que implica manutenção da decisão não homologatória da compensação em razão da falta de comprovação da existência do crédito compensado. No âmbito processual, o ônus/dever de provar os fatos cabe a quem os alega. Tratase de regramento que deve ser observado tanto no processo administrativo, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, quanto no processo judicial, conforme estatui o art. 333, I, do CPC. A consequência jurídica do não exercício desse ônus/dever é a falta de comprovação do suposto direito alegado. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900773/200996 Acórdão n.º 3102001.825 S3C1T2 Fl. 22 5 Nesse sentido, no âmbito do processo de compensação, não é suficiente a mera alegação, em tese, de um direito abstrato a um suposto crédito. Além disso, é imprescindível que haja prova inequívoca da existência concreta desse direito, mediante demonstração cabal dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, conforme exige o art. 170 do CTN. A recorrente alegou, mas não comprovou que o débito da Contribuição para o PIS/Pasep pago era indevido. No caso, a simples alegação de que as receitas auferidas estavam sujeitas a alíquota zero, desacompanhado de qualquer elemento probatório idôneo desse fato, obviamente, não representa condição suficiente para fim de demonstrar que houve pagamento indevido e, em decorrência, a existência do crédito compensado, portanto, deve ser mantida a decisão não homologatória da compensação declarada. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13002.720517/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO.
Configurada nos autos a natureza indenizatória e não remuneratória da verba sobre a qual incidiu a autuação (indenização para transporte de servidor público), não pode subsistir o lançamento fundado em omissão de rendimentos tributáveis.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 15/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO. Configurada nos autos a natureza indenizatória e não remuneratória da verba sobre a qual incidiu a autuação (indenização para transporte de servidor público), não pode subsistir o lançamento fundado em omissão de rendimentos tributáveis. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 15/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO. Configurada nos autos a natureza indenizatória e não remuneratória da verba sobre a qual incidiu a autuação (indenização para transporte de servidor público), não pode subsistir o lançamento fundado em omissão de rendimentos tributáveis. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 05 17 /2 01 1- 10 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 15/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.17 e ss. da numeração eletrônica de vez que ausente numeração original), referente ao exercício 2010, anocalendário de 2009, em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial. Impugnou o lançamento (fls. 2) arguindo, em síntese, que Houve um erro no preenchimento da declaração de rendimentos, devido à informação por telefone da Receita Federal, de que a indenização para transporte de funcionário público federal seria isento. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 19/06/2012, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que tratase de valores recebidos da União Federal, em virtude de processo judicial, relativos a indenização de transporte para militares transferidos para a reserva remunerada; que o valor recebido pelo contribuinte não se enquadra no art.39, inciso XXIV, do RIR/99, sendo tributável por ausência de norma isentiva explícita. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 42, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl.44, invocando o disposto no art. 6o, XX, da Lei no. 7713/88. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, imputação de omissão de rendimentos ao contribuinte. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13002.720517/201110 Acórdão n.º 2802002.203 S2TE02 Fl. 51 3 O contribuinte, como de resto, reconhece o lançamento, recebeu valores em virtude de decisão judicial. Tais valores possuem natureza de indenização de transporte, como o reconheceu a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, acórdão abaixo, localizado por consulta ao site do Tribunal, a partir do número do feito, que consta de fl.5. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2002.71.12.0066740/RS ADMINISTRATIVO. MILITAR. PASSAGEM À RESERVA REMUNERADA. INDENIZAÇÃO DE TRANSPORTE. LEI N° 8.237/91 E DECRETO N° 986/93. LIMITAÇÃO DE DISTÂNCIA PELA PORTARIA N° 588/96. ILEGALIDADE. DIREITO RECONHECIDO. 1. A Lei n° 8.237, de 30 de setembro de 1991, regulamentada pelo Decreto n° 986, de 12 de novembro de 1993, assegurava ao militar transferido à reserva a indenização de transporte, sem qualquer ressalva quanto à distância entre a Unidade militar e a localidade de destino. 2. A Portaria Ministerial n° 588/GM6, de 3 de setembro de 1996, incidiu em ilegalidade ao estabelecer em seu artigo 1° o limite de 2.500 km para o pagamento da indenização de transporte. 3. Apelação provida. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento ao apelo, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 16 de junho de 2005. Ressalto que o entendimento quanto à natureza indenizatória desta verba advém de suas peculiares características, na medida em que tratase de uma verba paga ao militar que, por razões de serviço, é transferido para localidade longe de seu domicílio e, ao ser transferido para a reserva, faz jus a uma ajuda de custo para financiar as despesas com o transporte de si próprio, de seus familiares e de seus bens para o local onde vai fixar residência. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Assim sendo, tenho como estabelecida a natureza não remuneratória do valor recebido, que prestouse a auxiliar o deslocamento do militar transferido para a reserva remunerada para seu domicílio original. Aos fundamentos supra, é de desconstituirse integralmente o lançamento, para o que dou provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10218.720143/2007-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindo-se o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõese do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 43 /2 00 7- 24 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 64 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 24/09/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00110/2007 de fls. 01/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 12.513,73, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 9.385,29 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda São Luiz”, cadastrado na RFB, sob o nº 6.908.5250, com área declarada de 2.118,0 ha, localizado no Município de Santana do Araguaia/PA. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 08 e 09, considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, conforme fl. 10, apontando “quando o imóvel, cujo VTN declarado pelo contribuinte, confrontado com o menor valor das aptidões agrícolas informado no Sistema de Preços de Terra – SIPT para o município em questão, esteja abaixo do limite mínimo definido”. O contribuinte apresentou um “pedido de prorrogação” (fl. 18), demonstrando ter recebido a intimação fiscal, em 24 de setembro de 2007, mesma data da lavratura da Notificação de Lançamento, o que leva a crer que a documentação só foi apresentada após a realização do lançamento fiscal. Consta do processo o “Laudo de Avaliação”, para o “ITR exercícios 2003, 2004 e 2005”, assinado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn (ART na fl. 25), com data de 01 de outubro de 2007. Esse Laudo emite “opinião de valor” para o imóvel rural em questão, dizendo ter como fonte de pesquisa “Prefeitura Municipal, Banco do Brasil e Emater/PA”, atribuindo o valor de R$ 17,00 por hectare à terra nua, no exercício de 2004. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 65 3 Como bem ressaltou o julgador de 1ª instância, em seu voto: “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo alterado o VTN declarado, de R$ 1.000,00 ou R$ 0,47/ha, para R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, conforme relatado pelo autuante às fls. 02. No presente caso é preciso admitir, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de apenas R$ 0,47 (R$ 1.000,00 : 2.118,0 ha), referente ao exercício de 2004, está de fato subavaliado, posto que o mesmo está bem abaixo de VTN/ha médio, apontado no SIPT, de R$ 72,35, apurado com base nos valores informados nas DITR/2004, pelos próprios contribuintes do ITR, com imóveis rurais localizados no município de Santana do Araguaia – PA.”.(grifos originais) (....) “Nesta fase, não obstante a apresentação do “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 17/19, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn, com ART devidamente anotada no CREA/PA, doc./cópia de fls. 20/21, o requerente limitase a contestar o procedimento fiscal, argumentando, em síntese, não ser possível elaborar esse laudo retroativamente ao exercício de 2004 (art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), pois não houve, àquela época, coleta de dados de mercado nem a avaliação propriamente dita do imóvel, ficando prejudicado o cumprimento dos itens 5, 7 e 9, da NBR 14.653 da ABNT.” Desta feita, após tecer considerações sobre a legalidade do procedimento fiscal, contestando as alegações do contribuinte de que seria impossível atender às exigências de elaboração de Laudo Técnico em 2007, relativamente ao exercício de 2004, dizendo que “além de não poder se falar em cerceamento do direito de defesa, pois é perfeitamente possível a elaboração de laudo técnico de avaliação, para fins de demonstrar, de forma retroativa, o valor fundiário do imóvel, o laudo apresentado não atende aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.6533), não constituindo documento hábil para demonstrar, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004.”, o julgamento a quo deuse para: “considerar improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendose o crédito tributário consubstanciado na Notificação de fls. 01/03, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 27/10/2011, (fl. 53), apresentou recurso voluntário em 18/11/2011 (fl. 54). Em sede de recurso voluntário, narra que adquiriu a propriedade rural em 17 de novembro de 2003, mediante Escritura Pública de Cessão de Direitos Hereditários, pelo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 66 4 valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Diz ainda que “o dito imóvel, à época, não possuía qualquer benfeitoria, sejam construções, cercas, pastagens artificiais (formadas), estando literalmente em seu estado bruto.” (grifei) Importante destacar ainda, conforme o recurso voluntário apresentado, as seguintes informações (fl. 58): “Assim, quando adquiriu, mediante cessão, os direitos hereditários da propriedade, outro fato que colaborou para sua desvalorização, o Recorrente pagou a cifra de R$ 48,40 (quarenta e oito reais e quarenta centavos) por hectare, posto que, conforme vislumbramos da cópia da Escritura Pública em anexo, o total do pagamento foi no importe de R$102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Desta forma, quando o Recorrente procurou profissional que se dizia habilitado em contabilidade, no intuito de efetuar a declaração de ITR referente ao ano de 2004, entregandolhe cópia da dita Escritura de Cessão de Direitos Hereditários, determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pagado, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais por hectare)” A seguir, o recorrente tece considerações sobre a contratação dessa profissional para elaboração de sua DITR e o acordado entre ambos; suposto “erro de digitação (“Realmente um absurdo!)” cometido pela mesma na elaboração da declaração (R$ 0,47/ha – quarenta e sete centavos por hectare); sua surpresa ao receber a notícia de que o valor declarado “não tinha sido aceito pela Receita Federal”; a contratação de engenheiro para a elaboração de Laudo, crendo que “a problemática seria resolvida” e que ficou “estupefato” quando soube que o valor declarado em sua DITR 2004 para o imóvel em questão foi de R$ 0,47/ha, por “erro de digitação”. Assim, entende que “não pode ser penalizado com multa e correção monetária em cifra exagerada, tendo em vista que, por sua vontade, o valor da terra nua deveria ter sido declarado em R$ 47,00 (quarenta e sete reais) por hectare, naquele ano de 2004, pugnando desde já pela retificação da declaração do ITR daquele ano”.(grifei) É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Apesar da manifestação do órgão preparador, na fl. 62, de que não consta autenticação de assinaturas nem autenticação de cópias na apresentação do recurso voluntário, entendo que esse lapso não pode prejudicar o contribuinte, em seu direito à ampla defesa, no seguimento de seu recurso, já que falha maior do responsável pela formalização do processo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 67 5 Considerando a informalidade ou formalidade mitigada a orientar os processos administrativos, podese verificar por semelhança as assinaturas apostas no recurso voluntário e na procuração, registrada em Cartório, na fl. 33. Também, o dado que mais interessa no documento anexado na fl.59, que é o valor da negociação do imóvel (R$ 102.500,00) confere com o valor aposto na DITR de 2004, recebida em 30/03/2005 (fls. 15 e 16). MÉRITO. DO ARBITRAMENTO DO VTN. A VERDADE MATERIAL. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2004, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 72,35 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. Não se verifica no processo a ‘tela’ informadora do sistema – SIPT. Contudo, informa o julgamento de 1ª instância, em seu Relatório, que: “Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, o laudo de avaliação então exigido, a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000.00 ou R$ 0,47/ha, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 12.513,73, conforme demonstrado às fls. 03.”(sublinhei) E, no Voto, confirma: “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo alterado o VTN declarado, de R$ 1.000,00 ou R$ 0,47/ha, para R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, conforme relatado pelo autuante às fls. 02.”(sublinhei) Este procedimento é o orientado pela RFB às fiscalizações da espécie, como se pode observar nas instruções constantes da fl. 10, sob o título “Sistema de Malha Fiscal do Imposto Territorial Rural – Parâmetro 20: Cálculo do Valor da Terra Nua a partir de 2003”. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a impossibilidade de utilização do VTNmédio, calculado a partir das declarações de ITR para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 68 6 realidade e a peculiaridade do imóvel, por não considerar a localização e dimensão e a capacidade potencial da terra. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 69 7 Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Desta feita, não é possível aceitar o valor arbitrado pela autoridade fiscal lançadora e mantido pelo julgamento de 1ª instância administrativa. Contudo, irreal e, como disse o contribuinte recorrente “absurdo”, é o valor declarado na DITR/2004, de R$ 0,47 (quarenta e sete centavos de real) por hectare para a “terra nua” do imóvel em questão. Quanto ao Laudo apresentado com finalidade de demonstrar qual seria então este valor, mostrase sucinto, sem especificar critérios utilizados, formas de pesquisa, valores de referência, características peculiares do imóvel e fundamentação, e de forma alguma pode Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 70 8 ser considerado para valoração da terra para fins de apuração do ITR, haja vista estar muito distante das normas estabelecidas pela ABNT – NBR 14.6533. Entretanto, em sede de recurso voluntário, traz o contribuinte recorrente informações e documento que nos levam à verdadeira realidade material sobre o imóvel, em novembro de 2003, menos de dois meses antes da data que marca a ocorrência do fato gerador do imposto para o exercício de 2004 (1º/01/2004). Confessa que adquiriu, mediante cessão, o direito hereditário sobre a propriedade do imóvel, tendo formalizado a negociação em 17 de novembro de 2003, através de escritura pública (cópia anexa fl. 59) pelo valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Relata ainda que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. E diz também que na declaração do ITR 2004, “determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pago, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais) por hectare” Bem, R$ 48,00 por hectare é o valor decorrente da divisão do valor total pago, de R$ 102.500,00 pela área do imóvel, de 2.118 ha, com aproximação aos inteiros. Ora, que melhor parâmetro para se estabelecer qual era o valor da terra nua em 1º/01/2004, que não este: o valor escriturado na negociação do imóvel, ocorrida menos de dois meses antes? Assim, não encontramos nos autos qualquer fato, documento ou ilação lógica que possa levar a utilizar o valor de R$ 47,00 (quarenta e sete reais) por hectare, como pedido pelo contribuinte. É mera sugestão. Quanto às informações de que contratou profissional para elaborar e entregar a DITR, importante colacionar o Art. 4º da Lei 9.393/1996: “Lei 9.393/1996 Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” Em seguida, do Código Tributário Nacional, temos que: “Lei nº 5.172/166 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 71 9 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Desta feita, não é possível, à luz da legislação tributária, levar em conta tais alegações de que contratou profissional para, em seu nome, elaborar a declaração e “combinou” valores a serem apostos e que houve erro por parte da mesma, com vistas à exclusão de responsabilidade pela infração detectada e sanções conseqüentes. Ademais, a alegação de que ocorreu um “erro de digitação” não se afigura verdadeira. Isso porque o valor da terra nua não é “digitado” na DITR e sim “calculado” a partir das informações de valor total do imóvel menos valor das benfeitorias, como se pode observar na cópia da declaração na fl. 15. Assim, ninguém “digitou” R$ 0,47/ha para a terra nua, mas sim informou o valor total do imóvel corretamente, R$ 102.500,00 e “inventou” um valor de “benfeitorias” de R$ 101.500,00, fazendo então com que o valor da terra nua fosse de inacreditáveis R$ 1.000,00, que divididos pela área total declarada do imóvel (2.118 ha) fizesse chegar aos irreais R$ 0,47 por hectare. Digo que o valor das benfeitorias foi “inventado” na declaração pois o próprio recorrente reconhece em seu recurso voluntário que ao adquirir os direitos sobre o imóvel, não havia no mesmo qualquer benfeitoria, “estando literalmente em seu estado bruto”. Assim, o que se pode crer é que não houve erro de digitação, mas clara intenção de reduzir o valor do imposto a pagar. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim dispõe: “Art. 14 (...) § 1º (...) § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que estabelece: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 72 10 Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Também, importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS JUROS DE MORA. Apesar de mencionado apenas “en passant”, pelo recorrente, naquilo que chama de “correção monetária em cifra exagerada” e com a qual não concorda arcar, destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” CONCLUSÃO Inaplicável o valor da terra nua arbitrado no lançamento, com base no SIPT, tendo como informação a média das DITR no ano, para o Município de localização do imóvel. Também inadmissível o valor constante de Laudo de Avaliação apresentado e anexado aos autos, por absoluta ausência de critérios. Entretanto, consta Escritura Pública onde foram negociados os direitos hereditários sobre o imóvel, em novembro de 2003, atribuindo ao mesmo o valor total de R$ 102.500,00 reais, o que representa R$ 48,39 por hectare (2.118 hectares). Relata o contribuinte que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. Assim, segundo o próprio, o valor total da escritura corresponde ao valor da terra nua. Considerando que não havia qualquer benfeitoria no imóvel, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004. Inalteráveis o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração que restar apontada e o percentual de juros de mora calculado na forma legal. Assinado digitalmente Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 73 11 Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13807.009030/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3401-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Redator designado. EDITADO EM: 16/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 90 30 /2 00 3- 07 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O presente processo tem como início a suposta falta de recolhimento da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração, em 22.6.2003, de fls. 6/7, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional, juros de mora e multa isolada, calculados até 30.6.2003, perfazendo o total de R$ 423.794,91, com o seguinte enquadramento legal: arts. 1º a 4º da Lei Complementar nº 70/91; art. 1º da Lei 9249/95; art. 57 da Lei 9069/95; arts. 56, 60 e 66 da Lei 9430/96; arts. 53 e 69 da Lei 9532/97. Irresignada com a Autuação, a contribuinte protocolou, em 4.9.2003, Impugnação de fls. 1/3, acompanhada dos documentos de fls. 4/55, sustentando, em síntese, que: a) Preliminarmente, verificase que a exigência fiscal decorre das compensações efetuadas, conforme cópias reprográficas das DCTF’s anexas (docs. nºs. 1/6), nas quais constam, ainda, as informações referentes ao número de processo judicial, 97454533, da 8ª Vara Federal de São Paulo, no qual foi reconhecido o seu direito de efetuar a compensação; b) A exigência mencionada, no Auto de Infração, encontravase suspensa, com arrimo no art. 151, inc. V, do CTN. Tal suspensão ocorreu por força da Tutela Antecipada concedida pelo MM. Juiz de Direito da 8ª Vara Federal de São Paulo, em 20 de outubro de 1997, publicada no DOE em 31.10.1997; c) De acordo com a referida ordem judicial, proferida em Primeiro Grau da Justiça Federal, a contribuinte havia sido autorizada a compensar os valores recolhidos a título de contribuição destinada ao PIS com os valores devidos a título de PIS e da COFINS. E, como o processo encontravase ainda “sub judice”, em fase de Recurso Especial no STJ, ainda surtia efeitos a referida decisão de Primeiro Grau, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário citada no Auto de Infração estava suspensa; d) Não se justifica a cobrança de tais valores, tendo em vista o art. 316, parágrafo 1º do Código Penal, bem como a cobrança indevida que ensejaria causa de indenização por dano moral; e) O Auto de Infração deve ser nulo, já que não procede a motivação que determinou a lavratura do Auto de Infração (“Proc. Jud. não comprovado”, conforme “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados”), porquanto a contribuinte, em nenhum momento, foi intimada a comprovar a existência de fatores que Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 110 3 acarretariam a ausência de motivação do Auto de Infração, o que prontamente seria atendido, caso tivesse sido intimada. Destarte, têmse a violação dos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, tendo em vista a não intimação da contribuinte; f) O art. 59, inc. II, do Decreto nº 70.235/72, prescreve que são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; g) No mérito, enfatiza novamente a preliminar e acresce ser incabível a aplicação da multa de ofício (75%). Ademais, diz ser, também, inaplicável a multa, pois os valores citados no Auto de Infração, referentes à COFINS, foram declarados pela contribuinte ao fisco federal. Desta forma, a autuada pediu que fosse dado provimento à Impugnação, mormente à luz da preliminar levantada. Tendo em vista a Impugnação, a 9ª Turma da DRJ/SP1, em 8.12.2011, acolheu parcialmente os anseios da contribuinte, fundamentando, em apertado resumo, que: a) O Auto de Infração apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto já citado e, conforme o art. 60 do mesmo decreto, não há o que se falar em nulidade; b) Quanto à alegação de violação dos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, a DRJ afirma que o referido Auto de Infração foi lavrado em conseqüência da apresentação da DCTF pela própria impugnante, não tendo havido arbitramento, restando, então, plenamente atendido o disposto no art. 142 do CTN. Além disso, consta no mesmo Auto de Infração – item 6 – que, fica o contribuinte intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 dias contados da ciência do Auto de Infração, nos termos dos arts. 5º, 15, 16, 17 e 23 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. Assim, o Auto de Infração sendo um ato executório, constitui ato que respeita o processo legal e os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa assegurados nos incisos LIV e LV, art. 5º da Constituição c) No tocante à ação judicial informada pela DCTF (Ação Ordinária nº 97 454533), a compensação pretendida pela impugnante não foi autorizada na esfera superior judicial, ensejando, pois, a manutenção dos débitos da COFINS e no Auto de Infração (conforme o despacho da Delegacia da Receita Federal – DERAT/EQAMAJ em São Paulo, exarado em 26.1.2011 – fl. 75 –, a decisão judicial transitou em julgado em 25.8.2005 no STJ – fl. 69 –, não autorizando a compensação com outros tributos que não o próprio PIS); d) A multa de ofício exigida foi lançada porque a contribuinte deixara de efetuar o pagamento da obrigação tributária já vencida sem apontar alguma causa válida que justificasse a mora (a imposição da multa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 fundavase no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 e no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001). Contudo, após a lavratura do Auto de Infração, a regra para o lançamento foi alterada (art. 18 da MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/2004). Assim, não cabe imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face do Princípio da Retroatividade Benigna, consagrada no art. 106, inc. II, “c” do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. Isto posto, a DRJ votou pela procedência em parte da Impugnação e manutenção em parte do crédito tributário, sendo a contribuinte exonerada da multa proporcional no valor de R$ 121.412,11 e sendo mantida a cobrança referente ao COFINS no valor de R$ 161.882,81. Considerando que parte do teor julgado não foi procedente, a contribuinte insatisfeita protocola, em 28.2.2012, o presente recurso, no qual são apresentadas suas razões de inconformidade, como segue: a) A recorrente não discute nos presentes autos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, pressupostos obrigatórios no Auto de Infração, mas a sua oportunidade ou motivação em face do que dispõe o art. 149 do CTN e dos débitos declarados na DCTF. Com isso, não deve prevalecer a motivação que determinou a lavratura do Auto de Infração (“Proc.jud. não comprovado”, conforme “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Não Confirmados”), cuja exigência fiscal decorre das compensações efetuadas, conforme cópias reprográficas das DCTF’s anexas na Impugnação, nas quais constam, ainda, as informações referentes ao número de processo judicial, 97454533, 8ª Vara – São Paulo/SP, no qual foi reconhecido seu direito de efetuar a compensação; b) A decisão judicial transitou em julgado em 25.8.2005 no STJ, frisese, pois, que a exigência mencionada no Auto de Infração, por ocasião de sua lavratura, em 22.6.2003, estava suspensa por força de Tutela Antecipada concedida pelo Poder Judiciário, na 8ª Vara Federal de São Paulo, em 20.10.1997, e acrescenta, também, in verbis: “e quanto ao prazo prescricional de dez anos, contados da data do recolhimento do tributo, de acordo com os documentos acostados na Impugnação”; c) A COFINS é espécie tributária, cujo lançamento é por homologação (art. 150 do CTN); e, estando ela devidamente declarada na DCTF, o Auto de Infração lavrado, exigindo a mesma contribuição, é totalmente ilegal, isto é, o Auto de Infração não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Assim, com arrimo na argumentação exposta, a recorrente requer que seja provido o presente recurso para o fim de assim ser decidido , ante os fundamentos que inquinam o Auto de Infração de vício insanável. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, porém, deve ser conhecido parcialmente. Em suma, a contribuinte foi autuada (Auto de Infração de fls. 6/7), para exigência do crédito tributário de COFINS referente a períodos de apuração de julho de 1998 a dezembro de 1998. Não logrando êxito em sua Impugnação, protocolou Recurso Voluntário onde defende a nulidade do Auto de Infração e que a exigência nele mencionada se encontrava suspensa por força de Tutela Antecipada concedida pelo Poder Judiciário. Quanto à nulidade do Auto de Infração, conheço do recurso, mas negolhe provimento, pois o Auto de Infração, no caso concreto, apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/ 72, in verbis: “O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Desta forma, temse que o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (I – Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa) e, conforme o art. 60 do mesmo decreto (“As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”), não há que se falar em nulidade. Além disso, o referido Auto de Infração foi lavrado em decorrência da apresentação da DCTF pela própria recorrente, não se percebendo qualquer arbitramento por parte da autoridade fiscal à época da lavratura do Auto de Infração, ficando, então, plenamente atendido o disposto no art. 142 do CTN. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Por outro lado, cumpre ressaltar que não foi observado no Auto de Infração uma sequer das hipóteses para revisão de ofício elencadas no art. 149 do CTN. Com isso, o pedido formulado pela recorrente, quanto à nulidade do Auto de Infração, não deve ser acolhido. Por outro lado, as demais alegações da recorrente não merecem ser conhecidas, uma vez que a recorrente valeuse da concessão, por meio de tutela antecipada (em decisão judicial proferida em Primeiro Grau), para compensar os valores recolhidos a título de contribuição destinada a PIS com os valores devidos a título de pagamento do próprio PIS e da COFINS. Com isso, naquele momento, a exigência mencionada no Auto de Infração encontravase suspensa. Entretanto, o Tribunal Regional Federal da Terceira Região reformou em parte (com a supervisão de Relatoria da Desembargadora Federal Marli Ferreira integrante da Sexta Turma Julgadora), o entendimento do Juízo de Primeiro Grau, dando parcial provimento à apelação que havia sido interposta pela União e à remessa oficial, para determinar a aplicação correção monetária segundo os índices oficiais utilizados pela Receita Federal para a correção de seus tributos, para afastar a incidência dos juros de mora e da taxa SELIC, por serem incabíveis em sede de compensação de crédito fiscais. Após a decisão do Juízo “ad quem”, a contribuinte interpôs Recurso Especial no STJ, contra o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, contudo, o REsp foi conhecido em parte e, na parte reconhecida, foi dado provimento ao recurso, conforme segue: “Inicialmente não conheço do Recurso Especial no tocante à possibilidade de compensação do PIS com as demais contribuições, eis que ausente pressuposto indispensável ao seu conhecimento, qual seja, o prévio esgotamento das instâncias ordinárias, o que torna inviável a abertura da via recursal especial, neste particular. É que a Sexta Turma do Tribunal Regional da 3ª Região julgou por maioria recurso de apelação em ação ordinária, restringindo a compensação do PIS com parcelas do próprio PIS, cabendo, portanto, a ora recorrente, aviar Embargos Infringentes quanto à parte não unânime do julgado, nos termos do art. 530 do CPC. No tocante aos juros moratórios, merece reparos o acórdão objurgado. Com efeito, com a edição da Lei nº 9.250/95, foi estatuído em seu art. 39, parágrafo 4º, que, a partir de 1º de Janeiro de 1.996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa Selic para tributos federais acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido. Efetivamente, desde 01.01.1996, não mais se aplica a hipótese delineada no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual determina que os juros moratórios, na repetição de indébito, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Entendo, aliás, que o referido artigo, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, parágrafo 4º, da Lei 9.250/95, restou por este derrogado”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 112 7 Em face da decisão judicial ora exposta, não conheço do Recurso integralmente, já que à esfera Administrativa não cabe modificar decisões já proferidas pelo Poder Judiciário, tendo em vista a Súmula nº 1 do CARF: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação, judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial”. Frente a todo exposto conheço parcialmente do Recurso Voluntário e nego provimento à parte conhecida. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13807.721500/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta recibo emitido pela prestadora do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques emitidos pelo contribuinte e debitados em sua conta bancária representam indícios convergentes e coerentes com o recibo apresentado para comprovar o pagamento da despesa médica.
Numero da decisão: 2802-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS. A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta recibo emitido pela prestadora do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques emitidos pelo contribuinte e debitados em sua conta bancária representam indícios convergentes e coerentes com o recibo apresentado para comprovar o pagamento da despesa médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 15 00 /2 01 1- 14 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 03 a 08, formalizada para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, em virtude da constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 25.040,00, nos seguintes termos constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: “Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 25.040,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 05.766.178/000161 Tit. Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda. R$ 25.040,00. Os recibos apresentados não preenchem os requisitos formais do regulamento do IR.” A contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 02, alegando, em síntese, que: Questiona apenas o valor R$ 22.160,00 que diz tratarse de despesas médicas do próprio contribuinte. Fundamentando sua alegação, informa que anexa cópia de recibos e de declaração do Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda., os quais entende estarem revestidos dos requisitos exigidos pela legislação do IRPF e atestam a veracidade das despesas médicas incorridas. Solicita prioridade na análise de sua impugnação e requer o provimento de sua impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), julgou a impugnação improcedente, fls. 21 a 26, nos seguintes termos de sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA Não comprovadas as despesas médicas informadas na declaração de rendimentos do exercício fiscalizado, deve ser mantida a glosa relativa à despesa não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR Processo nº 13807.721500/201114 Acórdão n.º 2802002.419 S2TE02 Fl. 56 3 Cientificada em 09/08/2012, fls. 32, a contribuinte ingressou recurso voluntário em 01/09/2012, alegando, em síntese: não concorda com a decisão, posto que os comprovantes apresentados se revestem de todas as exigências legais; lá estão o nome da paciente/contribuinte que é a beneficiária do tratamento, nome, endereço e número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ do profissional prestador dos serviços (CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA ROSELY GOMES LTDA. Rua Guarará n° 529 Conjunto 78 São Paulo SP CEP 01425001 CNPJ n° 05.766.178/000161), dados estes constantes das fls. 11 a 16 do processo; diz que anexa aos autos, como prova do efetivo pagamento das despesas glosadas, cópia dos extratos bancários do ano calendário de 2007, onde constam destacadamente, cada um dos pagamentos efetuados, com data, valor e número do respectivo cheque; requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com a descrição dos fatos constantes da Notificação de Lançamento, fls. 6, a glosa da despesa médica foi motivada pelo fato de “os recibos apresentados não preenchem os requisitos formais do regulamento do IR” Dentre a legislação citada como fundamento legal da glosa, o lançamento citou o art. 8º, inciso II, alínea “a”, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: "Art.8° — A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 4 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" O dispositivo legal acima citado, bem define as despesas médicas dedutíveis, como também as condições a serem observadas para que possam ser deduzidas. De acordo com o inciso III, do § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, acima transcrito, a terminologia adotada pela lei é “documentação” que pode compreender diversos tipos de documentos, tais como, recibo de pagamento/nota fiscal, exame medico, cheque nominal, prontuário médico, laudo médico, dentre outros. Cabe ressaltar que, no caso de serviço é prestado por pessoa jurídica, tornase necessário a apresentação do cupom fiscal ou a nota fiscal de serviços, com a identificação da pessoa física beneficiária e os serviços prestados, nos termos do art. 61 da lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Do exame dos documentos apresentados pela contribuinte, destaquese o de fls. 11, que, por se tratar de declaração firmada pela empresa Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda, CNPJ 05.766.178/000161, há informação das datas e dos valores que teriam sido recebidos da paciente/contribuinte. Por se tratar de serviço prestado por pessoa jurídica, para atendimento da exigência formal prevista na legislação de regência, caberia à recorrente trazer aos autos a cópia da nota fiscal emitida por tal empresa, o que não ocorreu no caso. Por outro lado, na tentativa de satisfazer a comprovação documental exigida pela legislação, a recorrente juntou cópia dos extratos de sua conta corrente bancária, às fls. 42 a 51, nos quais sublinhou os registros dos cheques que teriam sido liquidados mediante compensação bancária. A esse respeito estabelece o inciso III, do § 2º, do art. 8º, da Lei n 9.250, de 1995, anteriormente transcrito, que na falta do documento comprobatório seria admitido, como prova eficaz, a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nesse aspecto, importa ressaltar que a recorrente não apresentou e tampouco mencionou que os cheques por ela grifados nos extratos de sua conta corrente bancária teriam sido emitidos de forma nominal à empresa Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR Processo nº 13807.721500/201114 Acórdão n.º 2802002.419 S2TE02 Fl. 57 5 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o bem fundamentado voto do Conselheiro relator, entendo que a questão deva ser solucionada de outra forma. Vejamos. O art. 61 da Lei 9.532/1997 não pode ser interpretado isoladamente e sim de forma harmonica com a legislação específica que trata da dedução de despesas médicas pela pessoa física, bem como as legislações dos demais entes federativos que disciplinam as obrigações tributárias acessórias dos prestadores de serviço. A dedução das despesas médicas regese pelo art. 8º, inciso II, alínea “a”, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995. Não há uma exigência de que a comprovação, pela pessoa física, se faça exclusivamente por nota fiscal ou cupom fiscal. A exigência de cupom fiscal ou nota fiscal a que se refere o §1º do art. 61 da Lei 9.532/1997 é requisito para dedução de custos e despesas pelas pessoas jurídicas obrigadas, não é um requisito indispensável para a dedução das despesas médicas pelas pessoas físicas, as quais devem comprovar com documentação que contenham os requisitos do art. 8º da Lei 9.250/1995, na falta de dcumentação com todos esses elementos é que surge para o declarante a possibilidade de provar com o cheque nominativo. Anotase, ainda, que a legislação tributária municipal, muitas vezes, dispensa os prestadores de serviço de emitir nota fiscal, como é o caso, por exemplo, da Lei 13.701/2003 (art. 15) e da IN SF/Suren nº 10/2011 (art. 1º) do Muncípio de São Paulo, onde tem sede o prestador do serviço em questão, que estabelecem casos de dispensa. Ademais, por parte da pessoa jurídica, não obstante o art. 61 da Lei 9.532/1997, há modalidade de tributação em que não se exige comprovação de custos e despesas, a exemplo do lucro presumido. No caso dos autos, a declaração de fls. 11 contém os requisitos exigidos pela Lei 9.250/1995 contituindo documentação hábil e idônea para a dedução no valor de R$22.160,00, mormente quando a indicação feita nos extratos bancários coincide com os valores descritos na referida declaração, de forma que a falta dos cheques nominativos – que seriam uma prova subsidiária não pode ser impedimento para a dedução. Nesse sentido citamse precedentes desta Turma. (...)IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS. A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 6 recibo emitido pela prestadora do serviço com a formalidades legais. Recurso provido.(Acórdão 280201.385, de 09/02/2012) Da mesma maneira, acórdãos280201.444 e 280201.445, de 13/03/2012. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR
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Numero do processo: 10580.725077/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 77 /2 00 9- 11 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 158 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 8 3 “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 103.997,84, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 9 5 contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia.” Ato contínuo, em sessão de 24/03/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.146, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 (a) as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar da Bahia n.º 20, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 3º Lei Complementar da Bahia n.º 20, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Membros do Ministério Público Estadual, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i) inaplicável o artigo 100 do CTN ao caso, haja vista que os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo e nem a autoridade administrativa emitente teria competência para versar sobre a matéria em comento. Regularmente intimado (fl. 165), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 167/253), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de que seja cancelado o débito fiscal, alegando, preliminarmente e no mérito, (i) supressão de instância; (ii) natureza indenizatória da URV; (iii) ilegitimidade ativa da União; (iv) violação ao Princípio da Capacidade Contributiva; (v) violação ao Princípio da Isonomia; (vi) reconhecimento da natureza da verba indenizatória da URV na esfera estadual, tal como decidido na esfera federal ao Membros do Ministério Público; (vi) da incorreção das alíquotas utilizadas pela Autoridade Fiscal; (viii) inobservância de deduções aplicáveis; (ix) responsabilidade tributária da fonte pagadora e não do contribuinte; e (x) exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 10 7 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 “Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003.” Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 11 9 Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício e para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10945.000034/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA.
Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama.
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CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 00 34 /2 00 9- 34 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem resumir os autos até a fase respectiva, peço vênia para integrar ao presente ato o relato empreendido pela 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP no julgamento da manifestação de inconformidade de inconformidade do contribuinte epigrafado: Trata o presente de indeferimento de pedido de ressarcimento do crédito presumido, em razão do contribuinte ter exportado produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados pelo IPI). A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que a lei não vedaria tal incentivo no caso de suas exportações, conforme doutrina e julgados que cita, bem como defende o direito de compor o crédito com aquisições de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS e a correção monetárias dos valores a serem ressarcidos. Encerrou requerendo diligências que possam aferir seu processo produtivo. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, pelos motivos bem retratados na ementa do julgamento, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000034/200934 Acórdão n.º 3102001.287 S3C1T2 Fl. 218 3 INDEFERIMENTO. , Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese; por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado quanto a decisão a quo, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual basicamente reitera os seus argumentos já expostos por ocasião da sua manifestação de inconformidade, quais sejam: a necessidade da inclusão da receita relacionada à exportação de produtos classificados na TIPI como NT – não tributados – no cálculo do crédito presumido de que trata da Lei n º 9.363/96, ao argumento de que a legislação haveria eleito como destinatário dos créditos o produtor e exportador de mercadorias nacionais, não tendo ela feito qualquer menção a necessidade dessas serem tributadas pelo IPI; a necessidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas igualmente no cálculo do crédito em pauta, sob a alegação de que o regime jurídico do crédito presumido visa desonerar o peso das contribuição ao PIS e da Cofins de toda a cadeia produtiva, em nenhum momento tendo disposto quanto ao ônus imediato sobre o insumo; a correção dos créditos pela taxa Selic. Antes de iniciado o julgamento, por ocasião da sessão, chegou às mãos dos conselheiros, por meio do patrono, Acórdão proferido em sede de Reexame Necessário em Mandado de Segurança impetrado pela empresa (Processo n º 001058190.2008.404.7002/PR), que trataria de matéria idêntica a versada nos autos. Os documentos foram juntados aos autos às fls. 201 a 216. Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Relator e da não formalização do acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, redator designado. O recurso voluntário atende aos seus pressupostos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta 3a. Seção. Conforme retratado na parte final do relato, o patrono da Recorrente noticiou que o tema que deveria ser debatido no curso dos autos é alvo de debate judicial em sede de Mandado de Segurança, cuja transcrição de parte da ementa do julgamento nos autos do Reexame Necessário n º 001058190.2008.404.70002/PR já é suficiente a elucidar propugnada identidade: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. COFINS. LEI Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 N. 9.363/96. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. IN/SRF 23/97. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. ART. 24 DA LEI 11.457/2007. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. FIXAÇÃO DE MULTA. APÓS DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL. Nos termos da Súmula CARF n º 1, : “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Atento aos termos do Acórdão trazido aos autos pelo patrono da parte antes do início do julgamento, que versa sobre tema idêntico ao que seria tratado no mérito do presente recurso, resta este Colegiado impedido de examinar o tema. Isto posto, não conheço do recurso, em face da concomitância entre esta via administrativa e a judicial. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Redator Designado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000037/2003-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
DIVERGÊNCIA. DOCUMENTOS APRESENTADOS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DTA. PROVA DA EFETIVA CHEGADA DAS MERCADORIAS INDICADAS NA DI.
Restando evidente a divergência entre os documentos
apresentados no desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA,
e considerando-se que, depois de cinco anos, seria impossível
para a fiscalização fazer provas das mercadorias que realmente
chegaram, é de se considerar legítima a aplicação da multa
prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das
mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA,
porque totalmente desamparada de documento regular de
desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referia-se
a outra documentação.
Numero da decisão: 9303-001.527
Decisão: ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos
fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI DIVERGÊNCIA. DOCUMENTOS APRESENTADOS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DTA. PROVA DA EFETIVA CHEGADA DAS MERCADORIAS INDICADAS NA DI. Restando evidente a divergência entre os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA, e considerando-se que, depois de cinco anos, seria impossível para a fiscalização fazer provas das mercadorias que realmente chegaram, é de se considerar legítima a aplicação da multa prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA, porque totalmente desamparada de documento regular de desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referia-se a outra documentação.
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DOCUMENTOS APRESENTADOS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DTA. PROVA DA EFETIVA CHEGADA DAS MERCADORIAS INDICADAS NA DI. Restando evidente a divergência entre os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA, e considerandose que, depois de cincos anos, seria impossível para a fiscalização fazer provas das mercadorias que realmente chegaram, é de se considerar legítima a aplicação da multa prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA, porque totalmente desamparada de documento regular de desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referiase a outra documentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 2 _________ 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gaman, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de Recurso Especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional (fls. 189/196) em face da decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, posto que a autuação fora aplicada com base em presunções, não havendo prova documental para a sua subsistência. O presente processo trata de Auto de Infração (fls.01/06) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 36.592,74, referente à aplicação da multa prevista no artigo 365, caput e inciso I, do RIPI (Decreto n. 87.981/82), pelo fato de haver constatado divergências entre as informações contidas na DTA e DI e, ainda, não sendo viável a busca e apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento. De acordo com a descrição de fatos do AIIM “Fazendose o cotejo entre a DTA e a respectiva DI, observase haver grande divergência entre suas informações, principalmente no que se refere à espécie, ao valor e à quantidade das mercadorias. A fatura comercial n. 1001 (fl. 11), que instruiu a DI 98/01088893 não corresponde à fatura comercial n. 1001 (fls. 18 a 25), que instruiu a DTA 00063. Na fatura do trânsito aduaneiro consta 222 itens de mercadorias diversas, em geral eletroeletrônicos, no valor CIF de U$$32.777,45, resultando numa diferença de U$$ 25.132,13 para mais em relação ao valor CIF de U$$ 7.645,32, dos itens Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 3 _________ 3 declarados na DI 98/01088893, cujo despacho foi parametrizado para o canal vermelho. A empresa Armazéns Gerais Colúmbia S/A informou (fl. 15) que não houve desova do respectivo container até o momento de sua saída daquela recinto.” O contribuinte apresentou impugnação (fls.49/68) alegando em síntese que 1. O autuante não era autoridade competente para proceder à presente autuação, visto que não fora designado por meio do Mandado de Procedimento, razão pela qual, o Auto deve ser considerado nulo; 2. O Auto de Infração também é nulo, pois menciona MPF que o contribuinte desconhece, bem como há menção de que o processo n. 15165.000038/200372 teria sido apensado aos presentes autos, contudo, o contribuinte também não tem conhecimento do referido processo; 3. Outro ponto que leva a nulidade do AI se refere à discrepância entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal, e além disso não houve clareza no cumprimento destas formalidades; 4. Impossível o reexame do despacho aduaneiro, cuja DI tenha sido selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira; 5. O prazo para imposição da multa ora aplicada é de 5 anos, contados da data da suposta infração, o que no presente caso, teria sido a data em que o veículo transportador teria entrado no porto, o que se conclui pela decadência do direito do fisco efetuar a cobrança; 6. O fisco baseou a presente autuação em confronto de documentos, sendo de um lado documentos do próprio estabelecimento, devidamente registrados e de outro, cópias de documentos sem autenticação e/ou assinatura; 7. Não há provas nos presentes autos de que o contribuinte teria procedido à operação irregular, o fisco se baseou em presunções e indícios, não se desincumbindo de provar a irregularidade; 8. A operação realizada pelo contribuinte se refere à fatura de fl. 11, e que não conhece as faturas de fls. 18 a 25, bem como as mercadorias nelas descritas Em Acórdão proferido às fls. 73/79 a DRJ de Porto Alegre/RS julgou procedente o lançamento, pelos motivos abaixo a) O art. 11, II da Portaria SRF n. 3.007/2001 estabelece que o MPF não será exigido em caso de procedimento de fiscalização interna, de revisão aduaneira, que é o caso da presente autuação; b) O processo n. 15165.000039/200372 trata de apuração da responsabilidade criminal do contribuinte, na hipótese de manutenção do presente lançamento e sem que haja quitação do débito, por isso fora apensado; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 4 _________ 4 c) Quanto ao prazo decadencial, como não há dispositivo específico que trata da matéria na legislação aduaneira, devese socorrer do quanto estabelece o CTN, em seu art. 173, I; d) Como a presente infração ocorreu na data do registro da DI n. 98/01088893, em 04/02/1998, a decadência teria ocorrido em 1º de janeiro de 2004. Tendo o contribuinte tomado ciência da intimação em 23/01/2003, não há que se falar em decadência; e) Quanto à alegação de falta de provas: “Os dois despachos aduaneiros de início mencionados se referiam às mercadorias acondicionadas no contêiner n. TRIU 9911037. Todavia, a Fatura Comercial n. 1001, das fls. 18 a 25, que instruiu o primeiro despacho, processado com base na DTA n. 00063 (fls. 16 e 17), relaciona 222 itens de mercadoria diversas (na maioria, eletroeletrônicos), tendo sido substituída por outra Fatura Comercial n. 1001, da fl. 11, para instruir a DI n. 98/01088893 (fls. 7 a 10), relacionando mercadorias distintas, no caso, 270 lajotas de mármore, 5 espreguiçadeiras em metal e 4 sofáscamas, de madeira, o que é inadmissível, pela divergência das mercadorias de uma para outra declaração” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 89/98, reiterando praticamente os mesmos argumentos aduzidos na impugnação. Em sessão realizada no dia 12/09/2005, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes anulou o processo, tendo em vista o fato de que o julgamento da DRJ não enfrentou todas as questões postas à exame. Em novo Acórdão (fls. 137/146), a DRJ de Porto Alegre manteve o entendimento no sentido da procedência do lançamento, acrescentando que: a. O art. 54 da IN SRF 69/1996 não excluiu as declarações selecionadas para o canal vermelho, apenas estabelece “uma prioridade para revisão dos despachos, em relação às declarações selecionadas para outros canais de conferência aduaneira” b. Conforme declaração de fl. 15, o container n. TRIU 9911037 foi baixado sem desova, embora a DI 98/0108893 tenha sido selecionada para o canal vermelho c. A presente autuação não fora baseada em presunções, mas sim em documentos inclusive juntados pelo próprio contribuinte d. “A falta de autenticação nas cópias das duas versões da Fatura Comercial n. 1001 está plenamente suprida, pela ampla menção que a elas é feita, no Auto de Infração, das fls. 1 a 3, o que atribui fé pública àquelas reproduções, que têm origem em documentos entregues pelo próprio estabelecimento” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 5 _________ 5 Novo Recurso Voluntário foi apresentado pelo Contribuinte (fls. 153/169), reiterando os argumentos do apelo anterior, acrescentando que i) a nova decisão ainda contem os vícios apontados no Acórdão do Conselho de Contribuintes; ii) foi julgada insubsistente a denúncia de irregularidades em processo administrativo disciplinar instaurado contra o auditor que designado para o desembaraço objeto dos presentes autos. A 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu novo julgamento (fls. 175/186), dando provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos, sob a seguinte ementa: Despacho aduaneiro de importação. Desembaraço pelo canal vermelho. Revisão aduaneira. Pena de perdimento. Conversão em multa. Toda mercadoria selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira somente é desembaraçada após seu exame documental e sua verificação física. Assim, as presunções de regularidade documental e da conformidade das mercadorias com os documentos fiscais protegem o importador. Denúncia de importação irregular ou fraudulenta amparada em alegada entrega de mercadorias desembaraçadas pelo canal vermelho sem exame documental e sem verificação física deve ser acompanhada de manifestação da unidade aduaneira competente acerca da arbitrária adoção de procedimento em desacordo com o ordenamento jurídico A União apresentou Recurso Especial por Maioria (fls. 189/195), alegando contrariedade à evidência das provas, tendo em vista que os documentos acostados aos autos foram disponibilizados pelo próprio contribuinte. Contra razões às fls. 206/216. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora. Cuidase o presente de Recurso Especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional (fls. 189/196) em face da decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, posto que a autuação fora aplicada com base em presunções, não havendo prova documental para a sua subsistência. O processo trata de Auto de Infração (fls.01/06) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 36.592,74, referente à aplicação da multa prevista no artigo 365, caput e inciso I, do RIPI (Decreto n. 87.981/82), pelo fato de haver constatado divergências entre as Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 6 _________ 6 informações contidas na DTA e DI e, ainda, não sendo viável a busca e apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento. Conheço do recurso por entender que os requisitos estão atendidos. A questão a ser decidida em sede deste Recurso Especial diz respeito à prova e ao ônus da prova. Entendeu, em síntese, o Acórdão recorrido que desde a autuação não houve prova cabal de que teria havido divergências entre as informações contidas na DTA e DI. E mais, não houve comprovação de que as mercadorias objeto da presente autuação teriam passado pelo Canal Vermelho sem a devida conferência, o que demonstra que o julgamento foi favorável ao contribuinte, justamente pela ausência de provas. Vale transcrever trecho do acórdão recorrido: Conforme relatado, versa a lide sobre o lançamento de multa igual ao valor comercial da mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada irregular ou fraudulentamente, com fundamento na Lei 4.502 de 30/11/1964, artigo 83, inciso I, com a redação dada pelo Decretolei 400, de 30 de dezembro de 1968. É fato que tais mercadorias foram desembaraçadas pelo canal vermelho de conferência aduaneira. Também é fato que o acórdão de primeira instância administrativa concluiu sumariamente pela entrega das mercadorias sem exame documental e sem conferência física com base na correspondência de folha 15, expedida pelos Armazéns Gerais Columbia e dirigida à Alfândega de Curitiba, verbis: Informamos que ambas DTAI´s (63, de 1998, e 448, de 1999) tiveram seus containers baixados em nossa unidade, não havendo desova até o momento de suas saídas. Por outro lado, o artigo 51 do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei 2.472, de 1º. de setembro de 1988, determina a conclusão da conferência aduaneira previamente ao desembaraço da mercadoria e à sua entrega ao importador. Mais especificamente ainda o artigo 19, inciso III e parágrafo único, incisos I e II da IN SRF 69 de 10 de dezembro de 1996, vigente à época da importação e do desembaraço das mercadorias, e o artigo 20, inciso III, artigo 24 e artigo 30, todos da IN SRF 206, de 25 de setembro de 2002. Segundo essas duas instruções normativas, mercadoria submetida a despacho de importação selecionado para o canal vermelho de conferência aduaneira ´somente será desembaraçada e entregue ao importador posteriormente à realização de seu exame documental e da conclusão do procedimento destinado à sua identificação, quantificação, determinação da sua origem e respectiva classificação fiscal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 7 _________ 7 Consequentemente, as presunções de regularidade documental e da conformidade das mercadorias com os documentos fiscais protegem o importador, razão pela qual entendo que eventual denúncia de importação irregular ou fraudulenta amparada em alegada entrega de mercadorias desembaraçadas pelo canal vermelho sem exame documental e sem verificação física deve ser acompanhada de manifestação da unidade aduaneira competente acerca da arbitrária adoção de procedimento em desacordo com o ordenamento jurídico. Nada obstante, tanto o auditor fiscal autuante quanto a Terceira Turma da DRJ Porto Alegre (RS) demonstraram total desinteresse em averiguar objetivamente as reais circunstâncias em que foi promovido o desembaraço de importação das mercadorias ditas de procedência estrangeira introduzidas clandestinamente no país ou importadas irregular ou fraudulentamente. O auditor fiscal autuante e a turma de julgamento de primeira instância administrativa formaram convicções com base em uma presunção construída a partir da correspondência de folha 15 que informa não ter havido desova dos containers até o momento de suas saídas da Eadi Curitiba. Entretanto, verificando atentamente os documentos juntados aos autos, e com a devida vênia ao entendimento da Colenda Câmara Recorrida, discordo da posição adotada. Cumpre anotar que, apesar de a mercadoria ter sido desembaraçada por meio da DI 98/01088893 que passou pelo canal vermelho, realmente, é indiscutível que a presunção é de que houve a conferência física de todas as mercadorias que foram objeto daquela importação, e aí, presumese que foram importadas aqueles itens previstos na DI e fatura citados, no caso, lajotas, mármores e etc. Ocorre, que no âmbito da revisão aduaneira, a fiscalização verificou que a DTA referente a esta mesma DI, cujos documentos foram todos trazidos pelo próprio contribuinte, e que se referia àquela DI, ao BL, ao mesmo número de fatura comercial, trouxe, apesar do mesmo número de fatura comercial e do mesmo emitente, outras mercadorias, todos eletroeletrônicos. Assim, resta evidente a divergência entre os documentos apresentados quando do desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA, sendo que ambos foram documentos apresentados pelo contribuinte. Entendo a posição do Acórdão recorrido, no sentido de entender que o fato de ter sido feito o desembaraço por meio do canal vermelho trazia a presunção de que efetivamente chegaram as mercadorias indicadas naquela DI. Por outro lado, passados quase 5 anos dos fatos, seria impossível à fiscalização fazer prova de quais mercadorias efetivamente chegaram, e, por mais este motivo deveria prevalecer o constante na DI, uma vez que houve, por presunção a verificação física dos documentos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 8 _________ 8 Isto valeria, consoante o meu entendimento, se não houvesse os documentos acostados, pelo próprio contribuinte, à DTA, que se referem a esta mesma DI e ao mesmo BL,indicando outros documentos. Fica demonstrado, a meu ver, que a) ou o contribuinte se equivocou ao preencher os dados da DTA e aí poderia ter trazido aos autos documentos que indicassem este equívoco, ou b) estes novos documentos, que foram apresentados pelo próprio contribuinte, se sobrepõem aos documentos que instruíram a DI. Do mais, verificase que o Armazém Columbia informou que não houve desova dos contairners. Assim, não havia outro caminho para os agentes autuantes que não fosse o de aplicar a multa prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA, posto que totalmente desamparada de documento regular de desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referiase a outra documentação. Neste sentido, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional. Brasília,04 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.000731/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 30/11/2002
ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Embora o
Termo de Verificação Fiscal pudesse ser mais detalhado, a análise cuidadosa
das planilhas fiscais, combinadas com os esclarecimentos contidos no Termo,
permitem a adequada compreensão da apuração das bases de cálculo
utilizadas. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa.
CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO.
O pagamento a maior ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela
Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde
que disponível para alocação nos sistemas da SRF, com débitos apurados nos
períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento.
Dado Provimento Parcial ao Recurso.
Numero da decisão: 3302-001.559
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso
voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 30/11/2002 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Embora o Termo de Verificação Fiscal pudesse ser mais detalhado, a análise cuidadosa das planilhas fiscais, combinadas com os esclarecimentos contidos no Termo, permitem a adequada compreensão da apuração das bases de cálculo utilizadas. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa. CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO. O pagamento a maior ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da SRF, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento. Dado Provimento Parcial ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.627 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros WALBER JOSE DA SILVA (PRESIDENTE), JOSE ANTONIO FRANCISCO, FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, JOSE EVANDE CARVALHO ARAÚJO, GILENO GURJÃO BARRETO. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 139/145), que constituiu crédito de PIS relativo às competências 04/2001 a 12/2001 e 02/2002 a 11/2002. O lançamento baseiase em diferença apurada pelo Fisco, entre os valores constantes na contabilidade da Recorrente (em especial, os balancetes elaborados mensalmente pelo próprio contribuinte), e os valores indicados em sua DCTF, como base de cálculo da contribuição. De acordo com o sucinto Termo de Verificação Fiscal (fls. 120), as diferenças foram apuradas, e consolidadas, nos seguintes termos: “(...) 2. Nos períodos de apuração de abril de 2001 a novembro de 2002 foram constatadas diferenças entre os valores declarados como devidos a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nas Declarações de Tributos e Contribuições Federais e os que seriam devidos, calculados com base na escrituração comercial e fiscal do contribuinte, que justificam o lançamento de ofício das diferenças apuradas conforme planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" constantes de folhas 137 a 138. 3. Os "Valores do Principal Apurados pelo AFRF" que compõem a primeira coluna dos Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada já mencionados foram calculados com base nos balancetes mensais apresentados pelo contribuinte (fls. 26/119), que serviram como fonte de dados para a confecção das planilhas "Planilha de Faturamento — Base de cálculo do PIS/COFINS", em que se apuram as receitas brutas e acréscimos mensais e as exclusões dos valores de devoluções de mercadorias, custo de veículos usados (tratamento como mercadoria em consignação) e de receita de veículos novos (substituição tributária). Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.628 3 4. Em virtude dos fatos acima narrados, lavrouse o auto de infração em que se faz o lançamento de oficio do PIS devido no montante de R$ 22.008,21. (...)” As planilhas indicativas da apuração da base de cálculo e do tributo objeto do auto de infração, encontramse na sequência (fls. 121/138). Intimada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 155/187), alegando em síntese: (i) nulidade do lançamento por falta de indicação clara das infrações cometidas e da materialidade dos fatos, o que implica em cerceamento do direito de defesa; (ii) nulidade do lançamento pois apesar de indicar que a apuração do tributo lançado levou em consideração balancetes elaborados pela Recorrente, os valores não coincidem com os dos balancetes apresentados; (iii) nulidade do lançamento por não ter indicado quais valores exatamente não estariam de acordo com a apuração, bem como quais serviram de base para o lançamento, o que implica em cerceamento de defesa; (iv) ilegalidade do auto de infração porque o contribuinte não consegue identificar a origem dos valores utilizados pela fiscalização para promover o lançamento; (v) ofensa ao artigo 142 do CTN, por não esclarecer os fatos e as condutas irregulares que teriam sido praticadas; (vi) ilegalidade do lançamento que desconsiderou a aplicação da alíquota zero para operações realizadas a partir de dezembro/2002, em razão da instituição do regime monofásico de tributação; (vii) ilegalidade do lançamento por ter desconsiderado DARF’s recolhidos, antes do procedimento fiscalizatório, complementando os valores indicados nas DCTF’s. A DRJ, ao analisar a impugnação apresentada, manteve parcialmente o lançamento, reduzindo o valor do PIS lançado em relação às competências para as quais a Recorrente apresentou pagamentos que não foram considerados na apuração do tributo lançado (e que foram recolhidos em atraso, mas antes do início do procedimento de fiscalização). A decisão restou assim ementada (fls. 933/942): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 30/11/2002 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.629 4 Estando presente no Auto de Infração o enquadramento legal, não procede a alegação de cerceamento de defesa. Também, a exposição suficiente dos fatos elaborada pelo autuante, com a demonstração inequívoca dos valores submetidos a cobrança, assim como a oferta de um apelo impugnatório em que o direito de defesa é plenamente exercido, suprem as falhas, se estas porventura existirem, na capitulação legal da infração. PAGAMENTO O pagamento efetuado antes do início do prosseguimento fiscal, extingue o crédito tributário na forma prevista no artigo 156 do CTN. VENDA DE VEÍCULOS NOVOS/ SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A partir de junho de 2000 as operações da venda de veículos novos passaram a receber tratamento diferenciado, com a introdução do regime de substituição tributária instituído pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115, de 10/03/2000 reeditada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, alterado pelo art. 64 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Lançamento Procedente em Parte” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 945/958), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação de insuficiência de informações e inexatidões no processo de fiscalização, e pleiteou a compensação de valores que teriam sido recolhidos a maior no ano de 2002. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno de valores tributáveis pelo PIS, mas que não teriam sido incluídos na base de cálculo do tributo, declarada pela Recorrente em suas DCTF’s. O lançamento se refere ao período de 04/2001 a 12/2001 e 02/2002 a 11/2002, de modo que afasto de início as alegações da Recorrente de que o Fisco não teria Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.630 5 observado o regime monofásico de tributação de seus produtos, na medida em que o mesmo passou a ser aplicável apenas a partir de 12/2002. A Recorrente alega, ainda, que o lançamento é nulo porque não esclarece quais seriam as divergências apuradas pela Fiscalização, o que cercearia sua defesa. Alega, ainda, que embora a fiscalização tenha afirmado que os valores utilizados como base do lançamento sejam originários de seus próprios balancetes, encontra divergências entre os balancetes e as planilhas da autoridade fiscal. De certa forma, concordo com a Recorrente de que o lançamento é, de fato, um pouco confuso. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 120) é extremamente resumido, e não informa com clareza ou detalhes como foram elaboradas as planilhas que originaram o lançamento. Contudo, se a Recorrente se detivesse para analisar tais planilhas, constataria que as linhas que compõem cada uma das grandezas utilizadas para apuração das bases do tributo lançado indicam as contas dos balancetes a que se referem. Assim, embora as planilhas da fiscalização não tenham utilizado as mesmas denominações das contas existentes nos balancetes, ao indicar os números destas contas tornase possível identificar a origem de cada um dos valores ali inseridos. Tomando o mês de dezembro/2001, que foi o único exemplo da suposta inconsistência das planilhas fiscais, indicado pela Recorrente em sua defesa, constato que os valores que o contribuinte alega serem “contraditório”, em verdade tem origem no balancete daquela competência. Vejamos. A Recorrente questiona o valor de R$ 2.313.676,77, indicado pelo Fisco como sendo o valor da Receita de Revenda. Analisando a planilha que indica a apuração das base de cálculo (fls. 123/125), constato que este valor é composto por várias subcontas do balance de dezembro, todas integrantes das contas de “Vendas de Automóveis Novos”, “Venda de Caminhões e Comerciais Novos”, “Venda Veículos Usados”, assim como algumas subcontas da conta de “Vendas Departamento Mecânica”, “Vendas Funilaria e Pintura” e “Vendas Departamento de Peças” (em especial as subcontas que se referem a vendas de produtos e não a serviços). Todos os valores indicados na planilha da fiscalização coincidem com os valores indicados nos balancetes, para as respectivas subcontas. O valor total apurado pelo Fisco também está correto e não contradiz nenhuma informação do balancete, como alegou a Recorrente. As devoluções, cujo total indicado na planilha fiscal soma R$ 48.209,41 – e não os R$ 24.709,41, indicados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário – também têm origem em subcontas do balancete e os valores coincidem. Assim, novamente, não há qualquer irregularidade ou contrariedade, como alegado. O valor indicado como receita da prestação de serviços, por sua vez, é a soma de valores indicados em várias subcontas – inclusive de “Vendas do Departamento Mecânica” e “Vendas Funilaria e Pintura”, por exemplo – pois se referem a subcontas de serviços de mão de obra, razão pela qual foram classificadas, pelo Fisco, na apuração de tais receitas (serviços). Não há aí, tampouco, contrariedade. Em suma, as alegações apresentadas pela Recorrente, no sentido de que não é possível compreender a apuração as bases de cálculo do lançamento, não procedem. Isto Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.631 6 porque, embora trabalhoso, é possível identificar as subcontas que foram utilizadas pela autoridade fiscal na composição de cada conta que integrou a apuração do lançamento. Mesmo as alegadas inconsistências que existiriam entre os valores indicados nos balancetes do contribuinte, e aqueles usados pela fiscalização, não existem. Portanto, ainda que através de um pequeno esforço, a Recorrente teria condições de compreender exatamente quais valores foram utilizados pela fiscalização pra promover o lançamento. E aí, sim, se não concordasse com os critérios da apuração da base de cálculo do tributo objeto do lançamento, deveria ter apresentado seus argumentos (por exemplo, se não concordasse com a inclusão de determinado valor no cômputo das receitas, ou se alguma exclusão não tivesse sido considerada). Não tendo sido identificada nenhuma irregularidade neste sentido, o lançamento referente ao ano de 2001 parece adequado. Em relação ao débito relativo ao ano de 2002, alega a Recorrente que em alguns meses houve recolhimento, e que tais fatos foram constatados pela fiscalização no momento da constituição do crédito tributário. Requer, para estes casos, a aplicação da compensação de ofício para que os créditos sejam considerados e reduzidos dos valores autuados. Com razão a Recorrente. Os pagamentos realizados a maior pela Recorrente decorreram de erro na apuração do tributo, tal erro foi detectado pela fiscalização no momento da análise das contas contábeis (vide planilha de fls. 136, bem como planilha informada ao final da decisão da DRJ) e, assim como os pagamentos a maior devem ser computados para a apuração do saldo devedor do período. É preciso obedecer, somente, a ordem cronológica dos pagamentos, para a aplicação dos consectários legais pertinentes, mas a compensação deve ser realizada de ofício, pela própria autoridade administrativa. Importante esclarecer que não se trata de procedimento de compensação, menos ainda de compensação realizada em recurso voluntário, até porque não se trata de valores apurados pelo contribuinte mas pela própria fiscalização. Tratase de apuração de saldo devedor e alocação de valores, o que pode e deve ser feito pelo agente administrativo no momento da verificação do cumprimento das obrigações principais e acessórias, consubstanciando em mero procedimento de auditoria e retificação de erros diretamente no sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta forma, correta a Recorrente quando pleiteia que, assim como seus débitos, sejam considerados, para apuração do saldo devido, os valores recolhidos a maior e constados pela fiscalização. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado posto que presentes os pressupostos de admissibilidade, para o fim de DARLHE PARCIAL Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.632 7 PROVIMENTO para o fim de determinar o aproveitamento dos valores recolhidos a maior e apurados pela fiscalização às fls. 136 e pela DRJ (recolhimentos complementares), devendo ser realizada a compensação de saldo devedor e credor. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10675.903024/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do
PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como
a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de
qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.719
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
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Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de abril de 2001. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 2 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 4 MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 3 5 não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 6 incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 4 7 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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