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Numero do processo: 10630.720278/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE
A falta de averbação da ARL - Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 11/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE A falta de averbação da ARL Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 11/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 78 /2 00 7- 19 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa ao imóvel rural denominado “Fazenda Guanabara”, no Município de Medina/MG. Em sessão plenária de 28/07/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 343.537, prolatandose o Acórdão nº 210200.733 (fls. 259 a 265), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ITR. EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA, PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao lbama como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação„ Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. ITR. CALAMIDADE PÚBLICA. GRAU DE UTILIZAÇÃO. Nos termos do art.10, §6° da Lei ri° 9393/96, deve ser considerada – para fins de cálculo do ITR como efetivamente utilizada a área do imóvel que comprovadamente esteja situada em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, e desde que da calamidade resulte frustração de safras ou destruição de pastagens. Não havendo nos autos qualquer prova de que a calamidade tenha afetado a propriedade do contribuinte, não há como se considerar a sua propriedade como sendo 100% aproveitada. ITR, ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do 1TR. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim registrada: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10630.720278/200719 Acórdão n.º 9202003.463 CSRFT2 Fl. 6 3 “ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a existência das áreas de 377,44 ha de reserva legal e de 1240,0 há de preservação permanente na propriedade auditada. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Peneira Pagetti (Relatora) que dava provimento em maior extensão para considerar a área de reserva legal de 1.600,9 há e a Conselheira Nubla Matos Moura, que dava provimento em menor extensão para, no que diz respeito à área de reserva legal, somente acolher a área de 217,44 há. O Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanhou a Relatora no que diz respeito à calamidade pública pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OABMG nº 77.838. Cientificada do acórdão em 10/11/2010 (fls. 266), a Fazenda Nacional opôs, em 12/11/2010, os Embargos de Declaração de fls. 269 a 270, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2102002.263, de 15/08/2012 (fls. 273/274) assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Constatado que os fundamentos do acórdão podem ter sido expostos de forma lacônica, a causar obscuridade no acórdão embargado, cabe conhecer dos embargos com a finalidade de esclarecer onde necessário. Embargos acolhidos” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER embargos pela obscuridade e não pela omissão, aclarando a obscuridade apontada e ratificar o Acórdão no 210200.733, sem efeitos infringentes.” Cientificado do acórdão em 18/12/2012 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 288), o Contribuinte interpôs, em 28/12/2012, o Recurso Especial de fls. 289 a 323, visando rediscutir a necessidade de averbação da Área de Reserva Legal – ARL. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho s/n de 08/05/2013 (fls. 814/815). No apelo, o Contribuinte alega, em síntese, a desnecessidade de averbação da ARL – Área de Reserva Legal, para que seja excluída da tributação do ITR, podendo dita área ser comprovada por meio de laudo técnico. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 26/11/2013 (fls. 327), a Fazenda Nacional ofereceu, em 28/11/2013 (fls. 329), as Contrarrazões de fls. 330 a 333, em que pede que se negue provimento ao Recurso Especial, mantendose a decisão do acórdão recorrido. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de glosa da ARL Área de Reserva Legal no total de 1.600,9 hectares, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2003. A decisão de Primeira Instância acatou a área averbada antes do fato gerador, de 77,44 hectares, e no acórdão recorrido acolheuse o restante da área averbada, ainda que intempestivamente, o que totalizou 377,44 hectares, remanescendo a glosa de 1.223,46 hectares. Por outro lado, em sede de Recurso Especial, o Contribuinte pede que seja acatada a área de 1.590,28 hectares, conforme Laudo Técnico de fls. 148. Assim, resta a este Colegiado decidir acerca da ARL – Área de Reserva Legal relativa à diferença entre o total declarado e o que já foi considerado nas decisões anteriores, que diz respeito à área não averbada na matrícula do imóvel. Quanto à ARL – Área de Reserva Legal, no entender desta Conselheira há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação tempestiva no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Entretanto, no caso em apreço, no que tange à parte da ARL – Área de Reserva Legal objeto do presente recurso, não foi providenciada a necessária averbação, o que inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 364DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10630.720278/200719 Acórdão n.º 9202003.463 CSRFT2 Fl. 7 5 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721523/2012-95
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 70 1 69 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721523/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.176 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente JÚLIO ROSA DE OLIVEIRA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 23 /2 01 2- 95 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente em parte Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 5.525,89 relativo ao anocalendário 2007. Passo a reproduzir, com a devida vênia, o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos sob exame: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 6, o procedimento resultou na apuração de “Omissão de Rendimentos Do Trabalho e/ou sem Vínculo Empregatício”, no importe de R$ 57.441,75, provenientes do Banco Nossa Caixa S/A, com o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 5.049,52, em decorrência de o valor ter sido informado em DIRF pela referida fonte pagadora e de ter o contribuinte deixado de consignálo em sua Declaração de Ajuste Anual. O lançamento originouse do indeferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL de fls. 26/30, que foi deferida parcialmente, ensejando a emissão da presente Notificação de Lançamento (fls. 5/8), com apuração do valor omitido acima referenciado (fl. 6). Em sua impugnação de fl. 2, o contribuinte faz menção à omissão de rendimentos no importe de R$ 57.441,75 e alega que o imposto já foi recolhido, conforme comprovam os documentos anexos. A instância a quo manteve parcialmente o lançamento, frisando que em sua impugnação o contribuinte não se insurge contra a matéria autuada, limitandose a afirmar que já efetuou o pagamento do imposto de renda lançado. Foi afastada parte da multa de ofício lançada, devido ao pagamento espontâneo de parcelas de imposto de renda devido, sobre os quais se orientou a Delegacia de origem proceder a alocação na autuação mantida. Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 22/10/2012, aduzindo, em apertada síntese, que o INSS enviou informações errôneas à Receita Federal do Brasil e que é portador de moléstia grave, motivo pelo qual é isento do imposto de renda em caráter permanente, demandando ao final a improcedência total da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém inova o contribuinte em suas razões recursais, trazendo em sede de recurso voluntário razões de pedir não formuladas na impugnação. Consoante fl.2, o contribuinte em sua irresignação original alegou tão somente que o "Imposto já foi recolhido como prova [sic] os documentos em anexo". As razões da autuação, a saber, a omissão de rendimentos do trabalho assalariado (fl. 6), não foram contestadas. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10825.721523/201295 Acórdão n.º 2802003.176 S2TE02 Fl. 71 3 Notese que o contribuinte não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como aos arts. 128, 183, 264 e 460 do Código de Processo Civil. E, em que pese meu convencimento de que o instituto da preclusão não deve ser visto como um dogma, mas sim como instrumento para que o processo melhor atinja seu objeto último, a composição dos litígios, na espécie não vislumbro razões para sua eventual ponderação frente a outras normas do ordenamento jurídico, pois nenhuma justificativa trouxe o autuado para só agora verter sua inconformidade quanto ao mérito do lançamento. Mesmo que no exame desse mérito se adentrasse, o que se admite apenas a título argumentativo (ad argumentandum tantum), vale observar que a autuação decorreu não em função da falta de reconhecimento da condição de portador de moléstia grave do contribuinte, como parece este entender, mas sim de que os rendimentos que pretende serem isentos são, na verdade, oriundos de trabalho assalariado (fl. 40), não havendo supedâneo legal, portanto, para a isenção demandada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11845.000491/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada omissão quando a ponto levantado no recurso, os embargos devem ser acolhidos para supri-la.
Numero da decisão: 1301-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, embargos de Declaração acolhidos para aclarar os termos da decisão mantendo-a na íntegra. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, embargos de Declaração acolhidos para aclarar os termos da decisão mantendo-a na íntegra. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada omissão quando a ponto levantado no recurso, os embargos devem ser acolhidos para suprila. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, embargos de Declaração acolhidos para aclarar os termos da decisão mantendoa na íntegra. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 04 91 /2 00 8- 39 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11845.000491/200839 Acórdão n.º 1301001.489 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Cientes do Acórdão n ° 130100.492, de 27 de janeiro de 2011, integrado pelo Acórdão nº 1301001.066, de 03 de outubro de 2012, Carlos Barone de Oliveira e Maria Diva Miranda Fazenda de Oliveira, arrolados como sujetos passivos solidários com Real Comércio e Representação de Bebidas Ltda., apresentam Embargos de Declaração alegando omissão. Dizem que, na parte que trata da utilização das GIAM’s para conhecer a receita bruta para fins de arbitramento, o contribuinte alegou ser sabido “que a autuada operava no ramo de comércio atacadista de bebidas – distribuidora – e como tal não vendeu serviços de comunicação, o que deixa claro a insuficiência das GIAM para lavratura do auto de infração”. Dizem que foi omitido, no acórdão embargado, o ponto no qual o contribuinte alega que não vende serviços de comunicação. Acrescentam que no documento de fls. 42 consta como receita do código 5401 a 5415 valores que não foram declarados sob os referidos códigos, mas sim sob os códigos 5.301 e 5307 (serviços de comunicação). Requerem seja suprida a omissão para julgar improcedente o auto de infração pelo erro na determinação da matéria tributável. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Os embargos se dirigem a aclarar a decisão especificamente no que se refere ao levantamento da receita bruta para fins de arbitramento. Ao lavrar o auto de infração, a autoridade fiscal apurou a receita bruta do contribuinte com base nas GIAMs obtidas diretamente da Secretaria de Fazenda Estadual, e elaborou o demonstrativo de fls. 42 consolidando, por mês, os valores contábeis informados nas GIAM’s a título de saídas internas e saídas interestaduais (não computando os referentes a “outras saídas”). Ao impugnar a exigência o contribuinte alegou que as GIAM’s não se prestam para configurar o fato gerador e nem para a base de cálculo do imposto de renda Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11845.000491/200839 Acórdão n.º 1301001.489 S1C3T1 Fl. 4 3 pessoa jurídica, da contribuição social sobre o lucro, do PIS e da COFINS, mas tão somente para apuração do ICMS, que incide sobre a saída de mercadorias a qualquer título. Pondera que as GIAM's contêm valores que não correspondem a receitas, pois não representam ingresso de dinheiro. A decisão de primeira instância, analisando o argumento de defesa, assentou que, (...) consoante demonstrativo de fls. 42, “a autoridade fiscal considerou como receita bruta as receitas decorrentes de vendas internas, de vendas internas no regime de substituição tributária, de serviços de comunicação internos e de vendas interestaduais no regime de substituição tributária, não incluindo os valores referentes a outras saídas. Ou seja, o Auditor considerou como receita bruta apenas os valores que se enquadram no conceito estabelecido no caput do art. 31.” Contudo, ressaltou que a autoridade fiscal deixou de excluir as devoluções de vendas, conforme prevê o parágrafo único do art. 31 da Lei 8.981/95, e retirou os valores informados a esse título nas GIAM’s. No recurso a interessada reeditou a impugnação, nos seus literais termos, quando diz que as GIAM’s não se prestam para configurar o fato gerador e nem para a base de cálculo dos tributos. Em seguida, reproduziu a trecho da decisão de primeira instância que diz que “a autoridade fiscal considerou como receita bruta as receitas decorrentes de vendas internas, de vendas internas no regime de substituição tributária, de serviços de comunicação internos e de vendas interestaduais no regime de substituição tributária, não incluindo os valores referentes a outras saídas”, destacando a expressão “de serviços de comunicação”, e aduziu: “Já é sabido, contudo, que a empresa autuada operava no ramo de comércio atacadista de bebidas – distribuidora – e como tal não vendeu serviços de comunicação. O que deixa claro a insuficiência das GIAM para lavratura do auto de infração.” Sobre isso, assim se manifestou o voto condutor: Nada há de irregular na utilização das GIAMs para conhecer a receita para fins de arbitramento do lucro. A administração tributária pode se valer de quaisquer elementos para levantar a receita auferida, desde que o faça com critério. E receitas não são representadas exclusivamente por ingresso de dinheiro. Conforme demonstrativo de fls. 42, a autoridade fiscal computou as receitas declaradas nas GIAM sob os códigos 5101 a 5125 e 5651 a 5656 (vendas em operações interna), 5401 a 5415 (regime de substituição tributária em operações internas) e 6404 a 6451 (substituição tributária em operações interestaduais). O único equívoco cometido pela autoridade, que foi a não exclusão das vendas canceladas, foi corrigido pela decisão de primeira instância. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11845.000491/200839 Acórdão n.º 1301001.489 S1C3T1 Fl. 5 4 Sobre a alegação de que é sabido que a empresa não vende serviços de comunicação, operando no ramo de distribuidora de bebidas, este fato não foi ignorado pela autoridade fiscal. O autuante constatou o evidente equívoco cometido pelo contribuinte no preenchimento das GIAM’s dos meses de janeiro e fevereiro, indicando valores na linha referente a serviços de comunicação (quando presta serviços de comunicação) e deixando de indicar valores na linha referente a regime de substituição tributária ao qual se sujeita como distribuidor de bebidas. Por isso ao elaborar o demonstrativo de fls. 42, desconsiderou o equívoco. Assim: MÊS GIAM Demonstrativo fl. 42 5301 a 5307 5401 a 5415 5401 a 5415 Jan/2004 Fev/2004 Mar/2004 822.679,50 695.943,83 0,00 0,00 0,00 882.345,03 822.679,50 695,943,83 882.345,03 Abr/2004 Mai/2004 Jun/2004 0,00 0,00 0,00 967.004,89 1.071.209,27 1.020.588,59 967.004,89 1.071.209,27 1.020.588,59 Jul/2004 Ago/2004 0,00 0,00 1.216.963,23 716.998,52 1.216.963,23 716.998,52 Subtotal 1.518.614,33 6.221.109,58 7.393.323,91 Isto posto, acolho os embargos para suprir a omissão e esclarecer que o valor da receita bruta levantada pela autoridade fiscal não contém receita prestação de serviços, mas apenas receitas de vendas e de saídas no regime de substituição tributária, mantendo, na íntegra o decidido no Acórdão embargado. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 19515.005711/2008-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALIMENTAÇÃO - CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de vale-alimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.539
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 08/2003, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN. No Mérito: (i) afastar a tributação do levantamento "PAT - Empresa não Inscrita no PAT. (ii) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALIMENTAÇÃO - CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de vale-alimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 11 /2 00 8- 64 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALIMENTAÇÃO CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS ALIMENTAÇÃO IN NATURA EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 412 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 08/2003, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN. No Mérito: (i) afastar a tributação do levantamento "PAT Empresa não Inscrita no PAT. (ii) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – TOLEDO & ASSOCIADOS PESQUISA DE MERCADO E OPINIÃO PUBLICA LTDA contra Acórdão nº 1629.130 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP , que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.185.1556, com valor inicial de R$ 30.521,78 retificado para R$ 22.155,37. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais dos segurados empregados e as contribuições dos contribuintes individuais destinadas à Seguridade Social, às quais deveriam ser arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social, atinentes ao período abrangido pelas competências 01/2003 a 12/2003. O levantamento foi efetuado através de AFERIÇÃO INDIRETA, tendo em vista que a empresa não disponibilizou os documentos solicitados, referentes ao período aludido, conforme atestam os TIAF (Termos de Início de Ação Fiscal) e TIAD (Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal), anexos ao presente levantamento. O Relatório Fiscal aponta os Levantamentos realizados na autuação: 7. Levantamento "AUT AUTÔNOMOS E Cl", neste levantamento foram lançados os valores constantes na DIPJ, despesas operacionais, "Prestação de Serviços por PF sem Vinc. Empregatício", tendo em vista que a empresa não entregou a folha de pagamento referente aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço mesmo após ter sido intimada mais de uma vez para tanto, também não entregou todos os documentos comprobatórios dos lançamentos presentes nas contas 3.1.1.001.00030 Serviços Terceiros PF 101; 3.1.1.002.00030 Serviços Terceiros PF 136; 3.1.1.001.00020 Serviços Terceiros PJ 91, ou qualquer outra conta que contenha valores pagos a prestadores de serviço pessoa física ou jurídica. 8. Para este levantamento feito através de aferição indireta, como a empresa não apresentou a folha de pagamento individualizada dos contribuintes individuais e como não foi possível calcular separadamente para cada autônomo a contribuição descontada dos segurados sobre os valores presentes neste levantamento, esta contribuição dos segurados foi aferida aplicandose a alíquota mínima de 1 1% objeto de levantamento no auto de infração 37.185.1556. 9. Levantamento "DIV DESPESAS DIVERSAS", inclui os valores constantes na conta 3.1.1.002.00044 Despesas Diversas 337, estes valores foram considerados como salário de contribuição tendo em vista que a empresa não apresentou nenhum documento comprobatório dos lançamentos efetuados nesta conta. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 413 5 10. Levantamento "MED ASSISTÊNCIA MEDICA", neste levantamento estão presentes os valores lançados nas contas 3.1.1.001.00011 Assistência Medica 82; 3.1.1.002.00011 Assistência Medica 1 1 7 ; 3.1.1.003.00013 Assistência Medica 1 6 2 ; 3.1.1.005.00012Assistência Medica 228, tendo em vista que a empresa também não apresentou todos os documentos comprobatórios dessa conta e muito menos apresentou o contrato de prestação de serviço de assistência médica que demonstrasse que essa assistência é extensiva a todos os segurados. 11. A assistência médica fornecida pela empresa a seus funcionários é um benefício, que para não integrar o salário de contribuição deve possuir cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes da empresa. 12. No presente caso a empresa não apresentou todos os documentos comprobatórios dos lançamentos referentes aos pagamentos de assistência médica, bem como o respectivo contrato. Além disso, em alguns dos documentos apresentados ficou constatado que apenas alguns empregados estavam cobertos pelo plano de saúde. 13. O recebimento do benefício em desconformidade com a legislação acarretou no seu enquadramento como parcela integrante do salário de contribuição. 14. Levantamento "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", neste levantamento constam os valores lançados nas contas 3.1.1.001.00010 Alimentação 81; 3.1.1.002.00010 Alimentação 1 1 6 ; 3.1.1.002.00047 Café, Lanches e Refeições 343, não só porque a empresa não apresentou os documentos correspondentes aos lançamentos nesta conta, como também porque a empresa não apresentou o comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). 15. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício, mas para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. 16. Com a entrega do formulário preenchido na ECT, ou pela Internet, o PAT fica automaticamente aprovado, sendo, a cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet, documento hábil para fins de prova junto à fiscalização da condição de empresa inscrita no Programa. No presente caso a empresa não entregou nenhum desses comprovantes. 17. Levantamento "VIA VIAGENS E ESTADIAS", inclui os valores constantes nas contas 3.1.1.003.00030 Viagem e Estadias 179; 3.1.1.001.00040 Viagens Estadias 3 6 8 , também foram considerados como salário de contribuição Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 porque não foram apresentados os documentos relativos a essas contas. 18. As despesas de viagens relacionados ao trabalho quando devidamente comprovadas através de relatório acompanhado das respectivas notas fiscais, não fazem parte da remuneração. Já as despesas de viagem, alheias à relação de trabalho, pagas pela empresa, tais como viagens particulares, integram a remuneração, independentemente de possuir comprovação. No presente caso a empresa não apresentou os documentos relacionados com as despesas de viagens. O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. A Recorrente teve ciência do AIOP em 18.09.2008, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 98. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 13, é de 01/2003 a 12/2003.. Há a presença de diversos recolhimentos feitos pela Recorrente, de 01/2003 a 12/2003, conforme se depreende do Relatório de Documentos Apresentados RDA, às fls. 21. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 7.1. A Impugnante assevera que: 7.1.1. A documentação requisitada encontrase inteiramente à disposição para diligência 7.1.2. A retroação da auditoria a janeiro de 2003 configurase nula em face do já decidido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal quanto ao prazo de decadência para fins de apuração de créditos previdenciários, conforme regra do Código Tributário Nacional, somente podendo retroagir a partir de junho de 2.003; assim, o período de janeiro de 2003 a maio de 2003 foi fulminado pela decadência. 7.1..3. A Impugnante alega que procedeu à entrega de documentos que, por sua vez, não foram apreciados pela Autoridade Fiscal. A própria Autoridade reconheceu no Relatório Fiscal do presente Auto que recebeu, ainda que parcialmente, documentos comprobatórios. Aduz que, de forma prematura e equivocada, o Auditor realizou Aferição Indireta, não procedendo a nenhuma análise mais aprofundada da documentação ofertada. Dessa forma, ocorreu cerceamento de defesa, dado o desrespeito ao artigo 5o , inciso LV da Constituição Federal. 7.1.4. A Impugnante, além de requerer a declaração de nulidade do presente Auto de Infração, solicita que o julgamento seja convertido em diligência. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 414 7 Houve solicitação de Diligência Fiscal pela autoridade julgadora de primeira instância para que se procedesse à análise das argumentações e documentos apresentados em sede de Impugnação. O resultado da Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 8. Os autos foram convertidos em diligência, a fim de que a Autoridade Fiscal analisasse os documentos juntados ao presente processo, em especial, os relacionados com as despesas gerais, de viagem, médicas e outras que, segundo a Impugnante, comprovariam a não incidência da contribuição previdenciária. 8.1. A Autoridade Fiscal informa, às fls. 216/218: "5.De acordo com a documentação entregue nesta diligência, entendo que apenas os levantamentos DIV Despesas Diversas, VIA Viagens e Estadias NAO constituem, de falo, salário de contribuição. 9. Permaneceriam inalterados os levantamentos "MED ASSISTÊNCIA MEDICA", "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", "FOP FOLHA DE PAGAMENTO". 8.1.1. Assim, a diligência resultou em planilhas com alteração (DE/ PARA) dos valores referentes aos levantamentos DIV e VIA (fls. 218). A Recorrente, cientificada da Diligência Fiscal, às fls. 327 a 328, não apresentou qualquer Manifestação a respeito. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1629.130 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PROVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RETENÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e a recolher o produto arrecadado, a partir de abril de 2003, nos termos do art. 4o da Lei n° 10.666/2003. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30,1, 'a', da Lei n° 8.212/91. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte em sua impugnação demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados, defendendose plenamente. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. De acordo com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, não há que se falar em decadência nos lançamentos efetuados dentro do prazo previsto no art. 173 do CTN. DA LEGALIDADE DA AFERIÇÃO INDIRETA. É lícita a apuração por aferição indireta do débito quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração' deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 13a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar a Impugnação PROCEDENTE EM PARTE, MANTENDOSE EM PARTE O CREDITO TRIBUTÁRIO, nos termos do presente voto, no valor originário de R$ 11.215,96 (onze mil, duzentos e quinze reais e noventa e seis centavos), que deverá ser acrescido de multa e juros, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR, de fls. 329/335. Observese que o valor do presente crédito deve ser mantido até o seu pagamento, momento em que a legislação mais benéfica para a determinação do valor da multa deverá ser observada. A Delegacia de circunscrição do contribuinte, para que seja dada ciência deste Acórdão, bem como cópia do relatório DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado de fls. 329/335 e para que o intime para pagamento do crédito mantido, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 415 9 igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972, alterado pelo art. I o da Lei n.° 8.748, de 9/12/1993, e pelo art. 32 da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Sala de Sessões, em 27 de janeiro de 2011. Observase que a decisão de primeira instância às fls. 346 e 347: (i) utilizou a regra decadencial do art. 173, I, CTN; (ii) cancelou os Levantamentos DIV Despesas Diversas; VIA Viagens e Estadias e parte do levantamento AUT Autônomos e CI; (iii) manteve inalterados os Levantamentos MED ASSISTÊNCIA MEDICA", "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", "FOP FOLHA DE PAGAMENTO" e "PRO PROLABORE: 12.21. Assim, no caso em tela, aplicase, em relação à decadência;^ regra geral prevista no art. 173, inciso I do CTN. Tendo em vista que a competência inicial deste Auto de Infração é 01/2003, a Fazenda Pública pode constituir o respectivo crédito tributário no período de 01/01/2004 a 31/12/2008, correspondente aos 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o lançamento foi consolidado em 15/09/2008 e sua ciência dada ao contribuinte em 18/09/2008, tais atos ocorreram, portanto, dentro do período qüinqüenal, não havendo que se falar cm decadência, nem mesmo parcial. (...) 13.11. A Autoridade Fiscal informa, às fls. 220/223, que em face dos documentos juntados na Impugnação e entregues na Diligência (em especial, os relacionados com as despesas gerais, de viagem, médicas e outras), os levantamentos DIV Despesas Diversas, VIA Viagens e Estadias e parte do levantamento AUT Autônomos e Cl não constituem, de fato, salário de contribuição, devendo permanecer inalterados os levantamentos "MED ASSISTÊNCIA MEDICA", "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", "FOP FOLHA DE PAGAMENTO" e "PRO PROLABORE". Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e requerendo: (i) Da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN até a competência maio/2003. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 436. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN até a competência maio/2003. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 416 11 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 21, apresenta diversos recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social entre as competências 01/2003 a 12/2003, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. A Recorrente teve ciência do AIOP em 18.09.2008, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 98. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 13, é de 01/2003 a 12/2003,. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 08/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 417 13 DO MÉRITO. (A Da matéria não impugnada Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e do art. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que não foram argüidas pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, as matérias objeto da autuação fiscal relacionadas aos levantamentos "MED ASSISTÊNCIA MEDICA", "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", "FOP FOLHA DE PAGAMENTO" e "PRO PROLABORE". Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão das matérias de direito não discutidas neste momento processual do Recurso Voluntário. (B) Do Levantamento PAT alimentação fornecida pela empresa Analisemos. Em que pese a Recorrente no recurso Voluntário não ter se manifestado a respeito do Levantamento PAT, referente ao fornecimento de alimentação in natura sem estar inscrita no PAT, devemos observar o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a, do Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fls. 62, a Recorrente fornece "alimentação in natura" aos empregados sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT): 14. Levantamento "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", neste levantamento constam os valores lançados nas contas 3.1.1.001.00010 Alimentação 81; 3.1.1.002.00010 Alimentação 1 1 6 ; 3.1.1.002.00047 Café, Lanches e Refeições 343, não só porque a empresa não apresentou os documentos correspondentes aos lançamentos nesta conta, como também porque a empresa não apresentou o comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). 15. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício, mas para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. 16. Com a entrega do formulário preenchido na ECT, ou pela Internet, o PAT fica automaticamente aprovado, sendo, a cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet, documento hábil para fins de prova junto à fiscalização da condição de empresa inscrita no Programa. No presente caso a empresa não entregou nenhum desses comprovantes. Deste modo, conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011: "DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Então, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005711/200864 Acórdão n.º 2403002.539 S2C4T3 Fl. 418 15 (C) Da multa de mora Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 08/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no Mérito: (ii) afastar a tributação do Levantamento "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT; (iii) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002347/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 01/18 em virtude da apuração de falta de recolhimento da PIS no período acima referenciado, exigindoselhe contribuição de R$ 372,78, multa de ofício de R$ 294,29 e juros de mora de R$ 279,53, perfazendo o total de R$ 946,60. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13855.002347/200681 Resolução n.º 3201000301 S3C2T1 Fl. 527 2 Cientificado em 26/09/2006, o interessado apresentou em 26/10/2006 a impugnação de fls. 52/54, na qual questiona a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/09/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 14 20.661 (fls. 67/69): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/11/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo do PIS, podendo ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão em 11/12/2008 (f1. 73), por meio da Intimação SACAT/1343/08ICT (fls. 70/71), tendo protocolado seu recurso voluntário em 06/01/2009 (fls. 74/95). A peça recursal apenas reitera e esmiúça os argumentos postulados na impugnação (fls. 52/54). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da divergência entre a Recorrente e a decisão recorrida referese à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. Tratase de matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706. Confirase: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13855.002347/200681 Resolução n.º 3201000301 S3C2T1 Fl. 528 3 (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010516/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Numero do processo: 10665.722728/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OU MANUTENÇÃO. REFLEXOS. LANÇAMENTO.
Tratando o processo de constituição de crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias, exigíveis em razão da exclusão dos sistemas simplificados, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim, descabendo em sede de processo de lançamento fiscal o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
O lançamento de contribuições sociais previdenciárias deve ser analisado à luz do respectivo processo administrativo onde se discute o procedimento de exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OU MANUTENÇÃO. REFLEXOS. LANÇAMENTO. Tratando o processo de constituição de crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias, exigíveis em razão da exclusão dos sistemas simplificados, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim, descabendo em sede de processo de lançamento fiscal o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. O lançamento de contribuições sociais previdenciárias deve ser analisado à luz do respectivo processo administrativo onde se discute o procedimento de exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.722728/201197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.700 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente KAO CHENG INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OU MANUTENÇÃO. REFLEXOS. LANÇAMENTO. Tratando o processo de constituição de crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias, exigíveis em razão da exclusão dos sistemas simplificados, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim, descabendo em sede de processo de lançamento fiscal o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. O lançamento de contribuições sociais previdenciárias deve ser analisado à luz do respectivo processo administrativo onde se discute o procedimento de exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 27 28 /2 01 1- 97 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.722728/201197 Acórdão n.º 2401003.700 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal por meio do qual estão sendo exigidos valores referentes aos Autos de Infração DEBCADs nºs 51.009.7693, 51.009.7707 e 51.009.7715, cujos respectivos créditos tributários referemse ao período de 01/2009 a 13/2010. Extraise do respectivo relatório fiscal (fls. 4245) que as autuações consubstanciadas nos supracitados Autos de Infração se deram em virtude da exclusão do contribuinte do SIMPLES Nacional, abarcando a exigência de obrigações principais, abaixo discriminadas: AIOP 51.009.7693 – estão sendo lançadas as contribuições sociais previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes à contribuição da empresa e SAT no período de 01/2009 a 13/2010, e da contribuição incidentes sobre a remuneração paga a título de Retiradas e PróLabore de que trata a lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99; AIOP 51.009.7707 – teve origem na ausência de repasse do TOTAL dos valores retidos de empregados e de Contribuinte Individual à Previdência Social, bem como à declaração inexata em GFIP, dos valores das remunerações, em confronto com as Folhas de Pagamento e/ou RAIS declarados; AIOP 51.009.7715 – em consequência da exclusão da empresa do SIMPLES nacional, a fiscalização levantou os débitos de TERCEIROS, FNDE, INCRA, SEBRAE e SESCOOP, o que a empresa não era obrigada a recolher enquanto gozava dos benefícios a que fora excluída. Da leitura do relatório fiscal, se denota que, durante o período autuado, a Recorrente era optante pelo SIMPLES Nacional, tendo as contribuições patronais sido levantadas em consequência das divergências entre as declarações em GFIP e os valores contidos em Folhas de Pagamento, o que motivou a emissão, pela Auditoria, de Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES, pela infração do inciso XII, art. 29 da Lei Complementar n. 123, de 14/12/2006, com a redação dada pela Lei Complementar n. 127, de 14/08/2007, resultando na exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, através do Ato Declaratório Executivo n. 30, de 21 de outubro de 2011, com efeitos retroativos a 01/10/2007 (fl. 55). Cientificado do lançamento em 30/11/2011 (fl. 69), apresentou impugnação com base nos seguintes fundamentos: · Ilegalidade do ato que implicou na sua exclusão do Simples; · Caráter confiscatório da multa aplicada, em ofensa ao princípio da capacidade contributiva; · Ao final, pugnou pelo sobrestamento do feito até o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/DIV n. 30/2011. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em decisão de fls. 107111, a 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PROCESSO DISTINTO. Incabível discussão acerca da exclusão do SIMPLES em autos de constituição de crédito tributário em razão de trataremse de processos distintos. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A empresa excluída do SIMPLES sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo a Autoridade Fiscal constituir de imediato os créditos tributários porventura existentes, sem que haja necessidade de decisão definitiva de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão. DISCUSSÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação tributária sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificado da decisão em 06/02/2012 (fl. 126), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls.128135, reiterando as razões da impugnação, defendendo a apreciação dos argumentos acerca da inconstitucionalidade da multa pelo julgador administrativo e, caso se entenda pela manutenção da multa, pugnou que fosse relevada. Em sessão ocorrida em 14 de março de 2013, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência através da Resolução de nº 2403000.146 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, com o objetivo de esclarecer alguns pontos relativos à exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional, em discussão no PAF de nº 10665.722507/201119. Tendo sido cumprida a diligência determinada, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento, com os documentos de fls. 156167. Às fls. 156162, foi juntado aos presentes autos o Acórdão de nº 1263.585, proferido pela 11ª Turma da DRJRJ1, referente ao julgamento em primeira instância da Manifestação de Inconformidade sobre a exclusão do SIMPLES do referido contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OMISSÃO EM GFIP DE SEGURADOS QUE PRESTEM SERVIÇOS À EMPRESA. EFEITOS. RETIFICAÇÃO DE GFIP. A exclusão do contribuinte do Simples Nacional por omissão em GFIP de segurados que lhe prestem serviços produz efeitos a partir do próprio mês em Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.722728/201197 Acórdão n.º 2401003.700 S2C4T1 Fl. 4 5 que incorrida, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos três anoscalendário seguintes. Para a retificação da GFIP é necessário o envio do arquivo com todos os dados contidos no arquivo anterior com as devidas correções. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Às fls. 163164 dos presentes autos consta a intimação do contribuinte referente ao resultado do julgamento acima ementado. À fl. 165 foi juntado um “Termo de Perempção” referente ao transcurso do prazo recursal sem que houvesse interposição de Recurso ao CARF nos autos do PAF de nº 10665.722507/201119. À fl. 167 o processo de nº 10665.722507/201119foi encaminhado ao arquivo. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço o presente recurso. Como se observa do próprio relatório, o contribuinte optou por não recorrer da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada no PAF nº 10665.722507/201119, onde se discutia a sua Exclusão do Simples Nacional. Sendo assim, houve o trânsito em julgado administrativo daquela decisão, a qual transcrevo o dispositivo abaixo, julgado de forma unânime: “28. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/10/2007, bem como o impedimento à opção pelo regime pelos próximos três anoscalendário seguintes”. Desta forma, restando definitivamente julgada a Exclusão do Simples, originada da omissão em GFIP de segurados empregados que lhe prestaram serviços, passo então a analisar os lançamentos consubstancializados no presente PAF, de nº 10665.722727/201142. Como o lançamento que ora se analisa referese a fatos geradores da contribuição que passaram a ser cobrados de forma individualizada em razão da exclusão do SIMPLES Nacional, e, no mérito, o contribuinte aduz tão somente matérias relativas à “ilegalidade da exclusão de tal regime”, o que já restou definitivamente julgado no âmbito administrativo, entendo que devem permanecer incólumes os valores de crédito tributário lançados a título de obrigações principais nos Autos de Infração DEBCAD nºs51.009.7693, 51.009.7707 e 51.009.7715. Por fim, quanto à insurgência do contribuinte em relação aos acréscimos legais exigidos, relativos à multa, juros e correção monetária, sob o fundamento de serem inconstitucionais por irem de encontro ao “Princípio Constitucional do Não Confisco”, não cabe ser apreciada em sede de processo administrativo fiscal. Isso porque, o contencioso administrativo não é o fórum apropriado para tal discussão, fato este que encontra respaldo tanto na legislação quanto nos julgados deste próprio CARF, havendo, inclusive, súmula neste sentido, vejamos: Decreto 70.235/1972–“Regula o processo administrativo fiscal”. Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. *** Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.722728/201197 Acórdão n.º 2401003.700 S2C4T1 Fl. 5 7 Portaria 256/2009 – “Regimento interno do CARF” ANEXO II Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. *** Súmula CARF nº2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale lembrar que aplicação dos encargos legais encontrase devidamente fundamentada na legislação regente, conforme “Fundamentos Legais do Débito” em cada Auto de Infração em comento (fls. 339), além de ter sido levado em conta pelos fiscais autuantes o princípio da menor onerosidade e da retroatividade benigna relativos à aplicação de penalidades, conforme item 5 do Relatório Fiscal (fls. 43). Sendo assim, não há que se falar em afastamento/relevação da multa aplicada. CONCLUSÃO Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose, por conseguinte, os créditos tributários exigidos através dos Autos de Infração DEBCADs nºs 37.360.6982, 37.360.6990 e 37.360.7008. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.721111/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADA POR SUCEDIDA. CISÃO PARCIAL.
Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADA POR SUCEDIDA. CISÃO PARCIAL. Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 11 /2 01 2- 23 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 323 2 Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 324 3 Relatório BANDEIRANTE ENERGIA S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 25/05/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 8.445.265,64. O lançamento referese à CSLL devida no anocalendário 2008 e decorre da glosa de compensação de bases negativas de períodos anteriores. Constatada a inexistência de bases negativas acumuladas em 31/12/2008, intimouse a contribuinte a prestar esclarecimentos, e esta informou que os valores utilizados decorrem de cisão da empresa Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S/A, em razão da qual a Empresa Bandeirante de Energia S/A, atual Bandeirante Energia S/A, recebera o montante de R$ 442.600.443,42, referente a saldo de bases negativas da CSLL, registrado na sua parte B do LALUR e também na DIPJ do anocalendário 1997. A autoridade lançadora observou que o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87 veda a compensação de prejuízos fiscais de sucedida, e que o art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586/99 estendeu a proibição às bases negativas da CSLL, explicitando o que desde antes estabelecido genericamente no art. 57 da Lei nº 8.981/95. Assim, glosou a parcela de R$ 78.607.919,29 utilizada no anocalendário 2008. Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu que ao receber parcela do patrimônio da sociedade cindida passa a figurar na condição de sucessora tributária desta última, herdando tanto os seus direitos como também as obrigações tributárias. Diz que a sucessão somente foi excepcionada pelo art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 relativamente aos prejuízos fiscais, e que apenas a partir da Medida Provisória nº 1.8586/99 o impedimento foi estendido às bases negativas da CSLL. Assim, como inexistia vedação, a incorporação da sociedade cindida transportou para o patrimônio da autuada as bases negativas da sucedida. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos, julgando improcedente a impugnação. Observouse que mesmo antes da Medida Provisória nº 1.8586/99 a apuração da base de cálculo da CSLL já seguia as mesmas regras de apuração do IRPJ nos termos do art. 44 da Lei nº 8.383/91 e do art. 58 da Lei nº 8.981/95. De toda sorte, a aplicação daquela restrição opera mesmo se a cisão ocorreu antes da edição da Medida Provisória nº 1.8586/99. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/02/2013 (fl. 290), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2013 (fls. 291301). Defende que a vedação contida na Medida Provisória nº 1.8586 não produz efeitos em relação à cisão parcial da Eletropaulo, verificada antes de sua edição. Diz que no momento da apuração questionada, no anocalendário 2009, observou o que dispõe o art. 58 da Lei nº 8.981/95, limitando a 30% do lucro líquido ajustado a compensação promovida e valendose parcialmente de bases negativas incorporadas ao seu patrimônio em razão da versão de 36,04% do patrimônio de Eletropaulo Eletricidade de São Paulo em 31/12/97. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 325 4 Invoca o art. 229 da Lei nº 6.404/76 acerca da sucessão no âmbito da cisão, diz ser indiscutível o impedimento acerca da utilização de prejuízos fiscais de sociedades cindidas, em face do disposto no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87. Discorda dos efeitos atribuídos pela autoridade julgadora ao art. 44 da Lei nº 8.383/91, reitera que a vedação somente foi editada com a Medida Provisória nº 1.8586/99 e conclui que, antes disso, por absoluta ausência de vedação legal, prevalecia a regra geral do artigo 229, da Lei nº 6.404/76, sendo admitida a incorporação das bases negativas de CSLL de sucedida ao patrimônio da sociedade sucessora. Opõese à aplicação da Medida Provisória nº 1.8586/99 à compensação efetuada em 2009, defendendo que deve se levar em conta o momento da aquisição dos direitos sucessórios, ocorrida em 31 de dezembro de 1997, e não o momento em que foi efetuada a compensação. Neste segundo momento, a recorrente já era detentora do direito creditório que lhe foi transferido por conta da operação de incorporação. Assim, as bases de cálculo negativas de CSLL aproveitadas no ano calendário 2009 configuramse direito creditório da própria Recorrente, não guardando, à época, qualquer outra pertinência com a empresa incorporada. Transcreve ementas de decisões de 1a instância que diz ser em sentido contrário ao aqui esposado, bem como ementas de acórdãos deste Conselho e da CSRF em favor de seu entendimento. Reportase, também, a manifestação favorável do Superior Tribunal de Justiça, e pede o cancelamento integral da exigência. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 326 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Observo que o lançamento referente à mesma matéria relativa anocalendário de 2009 foi julgada na Primeira Turma da Primeira Câmara desta Seção de julgamento na assentada do mês de agosto do corrente ano (processo nº 19515.722180/201254). Por concordar integralmente com a fundamentação do voto condutor do desse julgado, peço vênia à ilustre Conselheira Relatora daquele processo, Edeli Pereira Bessa, e aos meus pares, para adotar transcrever os fundamentos de tal decisão, adotandoas como razões de decidir de meu voto, salientando, contudo, que, embora se tenha negado provimento ao recurso de forma unânime, a maioria do colegiado acompanhou a relatora pelas suas conclusões, mantendose a exigência em razão da vedação de compensação de bases negativas de CSLL trazidas pela MP 18586 a partir de sua edição. O dispositivo legal em debate foi veiculado no art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586, publicada em 30/06/99 e seguida de sucessivas reedições até seu texto ser integrado à Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art.22.Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987. Como bem observa a recorrente, a matéria já mereceu apreciação do Superior Tribunal de Justiça em sessão de 01/12/2009. Do voto condutor do acórdão proferido em face do Recurso Especial nº 949.117 extraise: Com relação ao mérito, não assiste razão à recorrente, visto que uma leitura detida das disposições normativas invocadas conduz ao acerto da conclusão adotada pelo Tribunal de origem, cujo acórdão é reproduzido a seguir, nas partes que interessam: "Cessão de Prejuízo Fiscal e Base de cálculo Negativa da CSLL; Tratase de apelo da impetrante visando à reforma de sentença que impossibilitou o aproveitamento de prejuízos fiscais cedidos por terceiros para abatimento da base de cálculo da CSLL. No presente caso, os valores que a impetrante pretende compensar são referentes a prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL sofridos por empresa submetida a cisão parcial (1997) e incorporação (1999). (...) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é o tributo devido pelas pessoas jurídicas que auferirem lucro dentro do período de apuração, tendo a mesma sistemática de tributação aplicável ao Imposto de Renda, nos termos estabelecidos pelo Regulamento deste. A previsão constitucional da CSLL está contida na alínea 'c' do inciso I do art. 195 e sua instituição foi dada pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Esse mesmo diploma legal estabelece: 'Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 327 6 Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. ' (grifei) A Lei nº 8.981/95 repete essa norma, nestes termos: 'Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995)' Tais dispositivos impõem à disciplina de arrecadação da CSLL as normas estabelecidas para o IRPJ. Todavia, mesmo que o empréstimo dessas normas do imposto à contribuição seja amplo (referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo), assevero que nem todas as disposições estabelecidas para o IRPJ são dirigidas à CSLL. O aplicador da lei não deve, cegamente, ter como próprios da contribuição (CSLL) todo o regulamento do imposto. A proibição de a pessoa jurídica sucessora compensar prejuízos fiscais da sucedida é exemplo de norma destinada ao imposto que não se enquadrava nessa regra, conforme passo a demonstrar. O direito à compensação visado pela impetrante nasce da apuração da base de cálculo negativa da CSLL e a verificação de sua base de cálculo é justamente um dos pontos que distinguem essa contribuição do IRPJ. Vejase que no parágrafo único do art. 6º da Lei nº 7.689/88, acima transcrito, a disciplina referente à apuração da base de cálculo da CSLL não está inserida no rol de paralelismo com o IRPJ. Somente com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 30 de agosto de 1999, a proibição de a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão de compensar prejuízos fiscais da sucedida, já existente para o IRPJ, foi estendida para a CSLL: 'Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987.' (grifei) Após várias reedições, esse dispositivo atualmente vige forte na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 22, que repete o art. 20 da MP nº 18586. Transcrevo, por oportuno, os arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, que proíbem a pessoa jurídica sucessora de compensar prejuízos fiscais referentes à base cálculo negativa do IRPJ desde a edição desse normativo, e que, somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 30 de agosto de 1999, devem ser aplicados à CSLL: 'Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida . Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido.' (grifei) Ademais, saliento que essa alteração na disciplina da CSLL encerra norma de caráter restritivo ao direito do contribuinte da CSLL – proibição de compensar prejuízos ficais da sucedida em caso de incorporação, fusão ou cisão –, fazendo, mesmo de forma indireta, aumentar a carga tributária. Dessa forma, impõese a observância do § 6º do Fl. 327DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 328 7 art. 195 da Constituição Federal de 1988, que veicula o Princípio Constitucional da Anterioridade Nonagesimal, norma constitucional limitadora do poder de tributar e aplicável às contribuições previdenciárias: '§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b.' Dessa forma, publicada referida norma mais gravosa (MP nº 1.8586) em 30 de agosto de 1999, somente aplicável após decorridos noventa dias dessa data, ou seja, novembro de 1999. No presente caso, os processos de incorporação e de cisão ocorreram, respectivamente, em abril de 1999 (fl. 37) e em 1997 (fl. 35), e não foram atingidos pela nova restrição ao aproveitamento dos créditos de base de cálculo negativa que passou a viger em novembro de 1999. Demonstrase, assim, ilegítima a conduta da fazenda em aplicar, retroativamente, norma limitadora ao direito do contribuinte. Assevero, ainda, para o fato de que não seria lógico o executivolegislador editar norma (MP nº 1.8586) limitando determinado direito do contribuinte já proibido pelo Regulamento do IRPJ. Esse fato, por si só, demonstra claramente que a restrição em análise não era aplicada anteriormente à CSLL. Desse modo, tenho que a proibição ora defendida pela administração fazendária somente é aplicável após noventa dias (art. 195, § 6º da CF/88) da publicação da MP nº 1.8586, que se deu em 30 de agosto de 1999. (...) Isso posto, dou provimento ao apelo da impetrante para conceder a segurança pretendida , nos termos da fundamentação." Com efeito, os arts. 32 e 33 do DecretoLei 2.341/87 somente se aplicam às bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a partir de 1º de outubro de 1999, data em que teve eficácia a regra trazida pelo art. 20 da Medida Provisória 1.8586/99, correspondente ao atual art. 22 da Medida Provisória 2.15835/2001. Nesse sentido, aliás, é a seguinte decisão do Conselho de Contribuintes: "COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DAS SUCEDIDAS INCORPORAÇÃO Até o advento da MP nº 1.8586/99, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da contribuição social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Assim, tendo as incorporações ocorridas em anoscalendário pretéritos ao diploma legal que impedia a compensação, não há o que se falar em bases negativas das sucedidas, mas sim de bases negativas da própria incorporadora. Embargos Acolhidos." (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão 10196.838 em 27.6.2008. Publicado no DOU em: 15.9.2008) O mesmo entendimento é esposado na obra doutrinária "Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática", de autoria dos tributaristas Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi (34ª edição, São Paulo: IR Publicações, 2009, págs. 837838). Ocorre que, além de referido julgado não ter sido proferido no rito dos recursos repetitivos, a abordagem nele veiculada não teve em conta o que dispõe o parágrafo único do art. 44 da Lei nº 8.383/91, como bem observado pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto, no voto condutor do Acórdão nº 140100.262: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 329 8 Conforme relatado, o presente feito fiscal teve por origem a falta de previsão legal para a compensação, no anocalendário de 1999 (fato gerador 31/12/1999) e 2000, de base de cálculo negativa da CSLL, de períodos anteriores, advindas da empresa incorporada pela recorrente em 20/09/1999, pela empresa Geral do Comércio Empreendimento Ltda. O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória if 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5" Turma da DRJRecife, através do Acórdão n" 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto.. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que legislação apenas explicitou urna proibição apurada pela incorporada que já era ínsita ao ordenamento. É que a necessidade de vedação do art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, no âmbito do IRRJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, corno para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7,689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 330 9 O art. 44 da Lei ri° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n." 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n." 7,713, de 1988, art. 3.5) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas.jurídicas Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ...... § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. ...” O parágrafo 5o acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda que tal proibição só viesse a constar expressamente no art. 33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria. O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 331 10 A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2,341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n,° 1,8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes„ De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela recorrente em relação à direito adquirido e inetroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 332 11 adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. Notese que no caso em referência foi negado provimento ao recurso voluntário por unanimidade, embora os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias tenham acompanho o Conselheiro Relator apenas em suas conclusões. No presente caso, a cisão ocorreu em 31/12/2007 e o aproveitamento das bases negativas verificouse em 31/12/2009, no encerramento da apuração anual. Assim, neste segundo momento já se encontrava vigente a vedação expressa no art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586/99. Circunstâncias semelhantes verificamse no litígio apreciado por meio do Acórdão nº 10323.404, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2001 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. O relatório integrado àquele julgado permite constatar que o questionamento recaiu sobre compensação promovida no anocalendário 2000, mediante aproveitamento de bases negativas apuradas por empresa sucedida, incorporada em 30/01/1998. Embora a recorrente tenha invocado a sucessão universal de todos os direitos e obrigações verificada na incorporação de sociedades, o Conselheiro Relator Antonio Carlos Guidoni Filho, acompanhado por todo o colegiado, entendeu que o dispositivo veiculado na Medida Provisória nº 1.8586/99 obstaculizava a compensação de bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Por todo o exposto, concluise que a lei limitou a compensação às bases negativas apuradas pelo próprio sujeito passivo, de modo que o art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586/99 apenas veicula vedação expressa do que antes já não era permitido. Na medida em que a compensação de bases negativas representa ajuste negativo do lucro líquido, sua possibilidade depende de previsão expressa de lei. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721111/201223 Acórdão n.º 1402001.811 S1C4T2 Fl. 333 12 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13161.000424/2010-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
OMISSÃO OU ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou erro na decisão recorrida, fundamentos únicos do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 OMISSÃO OU ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou erro na decisão recorrida, fundamentos únicos do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 04 24 /2 01 0- 53 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN 2 Em sessão transcorrida em 24 de abril de 2014 esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 3802002.955, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS BÁSICOS DO IPI. LIQUIDEZ E CERTEZA. EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA . DEFERIMENTO PARCIAL. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Recurso a que se dá parcial provimento. Cientificado da referida decisão em 30/06/2014 (fls. 241), o sujeito passivo, em 02/07/2014, protocolizou petição inominada (fls. 243/246) onde contesta a recomposição dos saldos do crédito do IPI conforme argumentos aduzidos na correspondente peça, requerendo, ao fim, “seja determinada nova revisão dos cálculos relativos às compensações indevidas do IPI, com demonstrativos que convença a Recorrente de sua obrigação de recolher os tributos devidos por compensação indevida”. A interessada questiona a recomposição dos saldos do IPI nos autos do processo nº 13161.720020/201080, no qual foi analisado pedido de ressarcimento do IPI de competência do 3o trimestre de 2005 (artigo 11 da Lei no 9.779/99). Em função da aludida análise a Seção de Fiscalização da DRF Dourados encontrou irregularidades na saída de produtos com suspensão do IPI, fato que motivou a lavratura do auto de infração, objeto do processo referenciado (no 13161.720020/201080). Agora o sujeito passivo se insurge, especialmente, contra a não consideração das vendas realizadas a empresas optantes pelo SIMPLES. Essas e outras questões serão detalhadas na fundamentação da presente decisão. Ressaltese que em alguns dos processos em nome da interessada a data que consta do recurso é anterior ao da ciência do acórdão. Isso ocorreu em função de o sujeito passivo ter sido intimado dos primeiros acórdãos referentes aos processos de compensação julgados por esta Turma em 04/06/2014. Todos os processos tinham como matriz dos créditos utilizados para compensação os saldos do IPI apurados no processo nº 13161.720020/201080, e foram julgados, portanto, com base na mesma motivação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Entendeu a unidade de origem que a petição inominada apresentada pelo sujeito passivo tratarseia de recurso especial, conforme despacho de encaminhamento acostado aos autos. Contudo, tendo em vista que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009), penso que, em Fl. 257DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN Processo nº 13161.000424/201053 Acórdão n.º 3802003.728 S3TE02 Fl. 256 3 homenagem ao princípio do formalismo moderado, deverá a petição em tela ser examinada, primeiramente, como se embargos de declaração fosse. Posteriormente, se superado tal exame, deverá ser dado seguimento à petição como se tratasse de recurso especial, nada impedindo que este colegiado, por ter conhecido da matéria, opine sobre sua admissibilidade, já que a decisão é da competência do Sr. Presidente da Câmara, a teor do disposto no artigo 18, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, podendo este, portanto, concordar ou não com os fundamentos aqui desenvolvidos. Primeiramente, examinemos a petição como se embargos de declaração fossem. Vêse nos argumentos desenvolvidos pelo sujeito passivo que o mesmo tenta rediscutir questão que já foi examinada e decidida em definitivo nos autos do processo nº 13161.720020/201080, conforme seguinte trecho do voto que subsidiou o acórdão recorrido: O litígio relativo ao lançamento do IPI, objeto do processo n° 13161.720020/201080, já foi dirimido em definitivo, conforme relatado, em acórdão proferido pela 3a Turma da DRJ Juiz de Fora, o qual reduziu o crédito tributário originalmente lançado, de R$ 463.255,08 de IPI e de R$ 347.441,26 de multa proporcional, para, respectivamente, R$ 47.356,93 e R$ 35.517,70. Nesse processo foi reconstituída a base de cálculo do IPI de 2004 a 2007, mediante a exclusão, da base de cálculo do imposto, das vendas para clientes sujeitos ao regime simplificado (SIMPLES) que, anteriormente à venda, ou no momento em que esta se concretizou, declararam atender aos requisitos para que a saída se desse com suspensão do IPI, nos termos do § 7º, inciso II, do artigo 29 da Lei nº 10.637/2002. Tal providência atende ao pleito do sujeito passivo (fls. 189/208) para que fossem revistos novamente os cálculos do crédito do IPI considerando a correta existência de declarações de suspensão do imposto apresentadas por empresas adquirentes sob o regime simplificado. Assim, considerando os 12 processos de ressarcimento/compensação formalizados pelo sujeito passivo, temse, por conta do julgamento do processo nº 13161.720020/201080, que os créditos inicialmente reconhecidos em favor da interessada, no montante de R$ 156.610,18, foram aumentados para R$ 563.745,01 (diferença de R$ 407.134,83 em favor da recorrente), nos termos demonstrados abaixo: Processo Crédito pleiteado Deferido inicial (A) Deferido final (B) Diferença (B A) 13161.000424/201053 280.187,76 49.327,68 120.776,52 71.448,84 13161.000425/201006 41.323,65 0,00 2.069,05 2.069,05 13161.000426/201042 88.268,59 1.529,06 44.710,95 43.181,89 13161.000427/201097 47.114,80 0,00 5.094,58 5.094,58 13161.001164/200738 160.495,09 14.984,89 109.131,74 94.146,85 13161.001165/200782 61.501,42 0,00 21.867,21 21.867,21 13161.001166/200727 129.790,06 0,00 59.965,55 59.965,55 13161.001167/200771 159.324,07 0,00 0,00 0,00 13161.001168/200716 199.058,29 0,00 33.804,59 33.804,59 13161.001169/200761 251.379,51 57.589,14 93.218,53 35.629,39 13161.001170/200795 245.880,03 33.179,41 70.538,71 37.359,30 13161.001171/200730 34.655,00 0,00 2.567,58 2.567,58 Totais 1.698.978,27 156.610,18 563.745,01 407.134,83 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN 4 Especificamente em relação ao presente processo (nº 13161000424201053), houve um incremento do crédito favoravelmente à recorrente de R$ 71.448,84 (vide tabela supra). Ainda, a petição ora em exame inova ao trazer novos argumentos e demonstrativos não apresentados nem na primeira nem na segunda instâncias. Nesta a recorrente se limitou a fazer uma análise de proporções, rechaçada pelo colegiado, nos termos a seguir transcritos: A suplicante, todavia, registra sua inconformidade fazendo uma análise de proporções onde procura demonstrar a inconsistência entre o percentual considerado do lançamento (10,22%) e os novos cálculos da “compensação indevida”, que representariam 36,03% dos anteriores. Nos termos do sujeito passivo: Por outro lado, a autuação principal teve seu valor original de R$ 463.255,08, restando procedente apenas R$ 47.356,93 (demonstrativos pré e pós inclusos). Neste caso, verificase que a procedência foi de apenas 10,22%. Enquanto que os valores compensados indevidamente, a princípio eram de R$ 1.698.978,27, atualizado pela taxa Selic em 21.11.2013 – data do julgamento, seria de R$ 2.260.190,44. Os novos cálculos da compensação indevida nos 12 (doze) processos atualizados somam R$ 814.428,71, representando 36,03% dos cálculos anteriores. Assim, notase, mais uma vez, que os cálculos apresentados pela Ilustre Auditora estão completamente equivocados. Se o contribuinte, com os novos argumentos apresentados, pretende sejam refeitos os cálculos relacionados à recomposição da base de cálculo do IPI do período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, tal discussão, ressaltese, está preclusa, uma vez que a mesma foi objeto de julgamento no processo nº 13161.720020/201080, já encerrado. No mais, não me parece razoável buscar uma proporção linear entre o percentual do crédito tributário exonerado frente ao lançado e o percentual das compensações homologadas frente as glosas iniciais, posto que baseados em valores de magnitude bem diferente (o valor principal lançado foi de R$ 463.255,08 e a soma das glosas iniciais – parcela indeferida das compensações – foi de R$ 1.542.368,09 – conforme informação fiscal acostada aos autos de cada processo posteriormente às declarações de compensação), logo, uma diferença de mais de 3 vezes, que matematicamente reverbera numa relação percentual não linear. Coerente seria comparar os montantes do crédito tributário exonerado com as diferenças dos valores do crédito do sujeito passivo deferidos depois do julgamento do processo nº 13161.720020/201080. Nesse diapasão, temse que enquanto o crédito lançado foi reduzido de R$ 463.255,08 para R$ 47.356,93 (valor principal), exonerando o sujeito passivo em R$ 415.898,15, a diferença dos créditos reconhecidos em favor do sujeito passivo nos 12 processos de compensação da empresa, posteriormente aos cálculos procedidos pela unidade preparadora, foi de R$ 407.134,83 (vide tabela supra). Constata se, pois, que há uma harmonia entre os créditos tributários Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN Processo nº 13161.000424/201053 Acórdão n.º 3802003.728 S3TE02 Fl. 257 5 exonerados e os créditos reconhecidos em favor do sujeito passivo para fins de compensação. No mais, o sujeito passivo não traz nenhum demonstrativo de cálculo que aponte eventual equívoco cometido pela unidade preparadora quando do levantamento do saldo do imposto. Apenas se baseia na sua comparação proporcional onde procura demonstrar a inconsistência entre o percentual considerado do lançamento (10,22%) e os novos cálculos da “compensação indevida”, que representariam 36,03% dos anteriores, argumento que entendemos não merece ser aceito, conforme arrazoado acima. (grifos nossos) Portanto, mesmo que se conheça da petição da recorrente como se embargos de declaração fossem, os mesmos deverão ser rejeitados; a uma, porque tratam de questão que já foi objeto de decisão em definitivo nos autos de outro processo da interessada; a duas porque, conforme demonstrado, o acórdão recorrido não está eivado de omissão ou de erro que justifique a oposição de embargos de declaração. No mais, se acolhida a petição da suplicante como recurso especial – no mesmo sentido que entendeu a unidade de origem –, penso, como já dito, que nada impede o colegiado de se manifestar sobre sua admissibilidade, muito embora a decisão em tela seja da competência do Sr. Presidente da Câmara, conforme já ressaltado. Neste comenos, depreendese do exposto acima que o sujeito passivo não demonstrou a existência dos pressupostos contidos no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, notadamente “a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria” (§ 4º do artigo 67). Consequentemente, também não foram observados os requisitos de que tratam os parágrafos 6º e 7º do aludido dispositivo1. No mais, importa destacar que o recurso especial não se reveste em instrumento de rediscussão de matéria fáticoprobatória. Não caracterizada, pois, a dissensão jurisprudencial, impossível acatar o recurso, posto que não atendidos os pressupostos necessários à sua admissibilidade. Da conclusão 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. [...] § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN 6 Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de omissão ou erro que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela interessada, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Considerando ainda a possibilidade de a recorrente haver intentado apresentar recurso especial, proponho seja o presente processo remetido ao Senhor Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, com a sugestão de que referido recurso seja denegado, uma vez que também não foram atendidos os pressupostos necessários à sua admissibilidade, conforme demonstrado. Sala de Sessões, em 15 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por DALTRO CESAR HICKMANN
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Numero do processo: 15374.923458/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI.
Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
Numero da decisão: 3802-002.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 34 58 /2 00 9- 12 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, a qual, por unanimidade de votos julgou improcedente o pedido de homologação da compensação relativa à PER/DCOMP nº 33006.15241.090306.1.3.04.5089, onde se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 70.140,38, tendo por lastro crédito originário de pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 31/05/2001, de valor original igual a R$ 38.157,10 o que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 70.140,38 (fls. 54/58), nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do Fato Gerador: 31/05/2001 Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado com lastro da DCOMP, é de ser não homologação a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923458/200912 Acórdão n.º 3802002.134 S3TE02 Fl. 416 3 Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem, em preliminar, nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, no mérito, apresenta a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento, segundo os conceitos jurídicos contidos na doutrina e na jurisprudência. Esta tese apresentada pelo recorrente tem como fundamento para excluir o ICMS da base de cálculo do IPI. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pelo recorrente, voto pelo seu Conhecimento. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente recurso ordinário para que este Órgão analisasse novamente as suas pretensões. E, nesse sentido, a questão central é saber se é possível se incluir na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI parcela referente ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços pago quando da operação de saída da mercadoria. O artigo 47, II, “a”, do Código Tributário Nacional, estabelece que a base de cálculo do IPI é composta pelo “valor da operação” de que decorrer a saída da mercadoria. Notese que o ICMS, por ser cálculo por dentro do valor da operação, nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Nesse sentido, a jurisprudência da Segunda Turma do STJ é pacífica no sentido de que o ICMS integra a base de cálculo do IPI. Transcrevese: TRIBUTÁRIO – IPI – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DO ICMS. Doutrina e jurisprudência são uníssonas em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Tratase de uma espécie tributária, cujo cálculo é feito com o ICMS embutido e não em destaque, o que só ocorre a partir da primeira operação, como claro está no art. 47 do CTN. Recurso especial improvido (REsp. Nº 610.908 – PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.09.2005). Ainda em reforço ao entendimento aqui noticiado, a doutrina de Misabel Machado Derzi caminha no mesmo sentido: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Na questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI, quando a operação configure o fato gerador dos dois impostos, vem prevalecendo a tese da Administração Fazendária Federal (Pareceres Normativos CST nº 39/70 e 341/71). A posição vitoriosa na doutrina e nos tribunais é de que o ICM ou ICMS se inclui na base de cálculo do IPI, sob fundamento de que o montante do imposto estadual sobre operações de circulação integra o produto que saiu do estabelecimento industrial, nesse valor estará computado o imposto pago a título de ICMS. O Tribunal Federal de Recursos assim decidiu por vezes (ver Lex Jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, nº 50, p. 54 e nº 57, PP. 9091: AP. Civ. 56.988/SP e 88.101 – Rel. Min. Armando Rollemberg; AP. Civ. 82/299/SP e 85/363/SP – Rel. Min. Torreão Brás; AP. Civ. 92.507/SP – Rel. Miguel Ferrante) (...) a principal argumentação está centrada no fato de que o ICM ou ICMS integra a própria base de cálculo, ou seja, o valor da operação inclui o valor do ICMS, sendo o destaque em documento fiscal destinado à simples controle. Já o IPI é calculado por fora do valor da operação de que resulta a saída pela industrialização. Sendo assim, não há que ser feito nenhum reparo a decisão inferior. A sistemática da cobrança do ICMS desde o Decretolei 406/68 e interpretando literalmente a Constituição Federal brasileira, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, de modo a permitir a dedução nas operações seguintes. Ou seja, a sistemática foi mantida pela LC 87/96 (artigo 2º, § 7º). As outras matérias trazidas aos autos, como cerceamento de defesa, nulidade do despacho decisório e prova pericial, necessário se faz rechaçar tais considerações, já que, como é sabido, para se configurar o cerceamento de defesa, como pretendido pelo recorrente, haveria de existir aquilo que a doutrina chamou de prejuízo, o que não se verificou em nenhum momento na marcha processual administrativa. Insta observar que, no procedimento aqui adotado, foram seguidas as normas inseridas no Decreto nº 70.235/72. Com relação à nulidade apontada, a matéria está regulamentada no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Apreciando os autos de forma detida, chegase a conclusão de que não se apresenta nenhuma das hipóteses legais ali contidas. Portanto, é de se considerar improcedente também tal argumento de defesa. Por último, não há que se falar em prova pericial quando a tese apontada pelo recorrente é de direito, apenas: Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Notese que o recorrente aplicou a tese ao seu bel prazer, excluindo o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, o que, pelo seu raciocínio, resultaria em parcela indevida do IPI recolhido por meio do DARF indicado na DCOMP. Portanto, não há que se falar em prova pericial. Nesse sentido, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE provimento para manter em sua integralidade a decisão a quo, que não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação requerida. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923458/200912 Acórdão n.º 3802002.134 S3TE02 Fl. 417 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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