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Numero do processo: 15504.018494/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços a empresa.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. ACOLHIMENTO PARCIAL.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
PÓLO PASSIVO. CO-OBRIGADOS.
A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo.
JUROS. INCIDÊNCIA. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Na forma da súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Também na forma da súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO.RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUCESSÃO.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, sucede e responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
A efetiva comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito.
Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial em relação ao período constituído para a competência 10/2003, inclusive e anteriores nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Leôncio Nobre de Medeiros .
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços a empresa. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. ACOLHIMENTO PARCIAL. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. PÓLO PASSIVO. COOBRIGADOS. A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. JUROS. INCIDÊNCIA. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Na forma da súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Também na forma da súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “ A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 94 /2 00 8- 41 Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO.RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUCESSÃO. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, sucede e responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. A efetiva comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial em relação ao período constituído para a competência 10/2003, inclusive e anteriores nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Leôncio Nobre de Medeiros . Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda e Outros que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 249 a 289, referese à contribuição destinada a Seguridade Social, a cargo da empresa e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais correspondentes a: 1. diferenças apuradas entre folhas de pagamento de empregados da matriz e da filial (CNPJ 02.636.995/000298), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS e o Lançamento de Débito Confessado LDC n° 35.807.9438, no período de 13/2003, 04/2004, 07/2004, 09/2004,10/2004,02/2005 a 08/2005,10/2005 a 13/2006 (Anexos I e II); 2. assistência médicohospitalar não extensiva a todos os empregados e dirigentes da matriz e filial, no período de 12/2002 a 12/2006. Os valores foram obtidos através das notas fiscais emitidas pela UNIMED Sete Lagoas Cooperativa de Trabalho Médico, recibos da Fundação Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte e lançamentos contábeis apresentados pela autuada. Conforme item 5.3 do relatório fiscal, fls. 257, foi deduzido da base de cálculo, por competência, a rubrica de desconto "08070assistência médica" constante da folha de pagamento.da matriz e filial (Anexos III e IV); 3. remuneração de contribuintes individuais, no período de 12/2002 a 05/2003, 07/2003 e 08/2003, 10/2003 a 12/2003, 02/2004 a 08/2005, 10/2005 a 01/2006, 03/2006 a 12/2006 (Anexo V); 4. salários, no período de 02/2005 a 06/2005 e 02/2006 a 12/2006, dos trabalhadores identificados às fls. 258 e 259, considerados pela fiscalização como empregados, uma vez presentes os requisitos caracterizadores da relação de emprego,como pessoalidade, subordinação, remuneração e não eventualidade (Anexos VI e VII); 5. cursos de pósgraduação e mestrado a empregados, em 05/2005, 08/2005 a 10/2005, 12/2005, 01/2006, 03/2006 a 12/2006, em desacordo com o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei 8.212, de 1991, c/c o artigo 214, § 9o , inciso XIX, do Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999 (Anexos VIII e IX). De acordo com a Sentença Normativa do Dissídio Coletivo SINPRO, de 20/03/2005, publicada em 29/08/2003, com vigência a partir de 01/02/2003, benefício era oferecido apenas aos professores; 6. despesas pessoais do empregado da filial, Luciano Resende Martins de Souza, a título de aluguel de imóvel residencial, no período de 01/2005 a 12/2005 (Anexo X); 7. despesas pessoais do sóciogerente, Milton Cabral Moreira, como aluguel,condomínio e IPTU residenciais e mensalidade de clube de lazer, no período de 12/2002, 01/2003, 01/2005 a 05/2006 e 08/2006. Estão incluídas também nesse item,parcelas a título de "distribuição de lucros", consideradas prólabore, pois, segundo informação do autuante, a empresa acumulou prejuízos de 2003 a 2005, não se justificando, dessa forma, tal distribuição (Anexos XI e XII); 8. "quitação de empréstimo" e "juros sobre empréstimo" relativos ao empregado Mário Lúcio Quintão Soares, cuja operação não foi comprovada pela empresa, como relatado às fls. 266/267. Citados valores foram considerados complementos salariais do segurado, de 01 a 09/2005 (Anexo XIII); 9. prêmio de seguro de vida em grupo, de 12/2004 a 11/2006. Conforme disposto na cláusula 20 das Convenções Coletivas de Trabalho de 20/04/2005 e 20/05/2006. O seguro de vida em grupo era devido aos empregados cujo turno ocorresse regularmente de 22 h de um dia às 6 h do dia seguinte, não estando, portanto, disponível a totalidade dos empregados (Anexo XIV); 10. remuneração a estagiários que prestaram serviços a autuada, em desacordo com a Lei 6.494/77 e alterações posteriores, no período de 12/2002 a 11/2006 (Anexos XV, XVI e XVII). A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.00902, do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, fls. 182/183, dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 184 a 190, 227 a 231 e 238 a 242, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 243/244, tendo sido encerrada em 29/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 245 a 248. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$2.694.679,59 (dois milhões seiscentos e noventa e quatro mil seiscentos e setenta e nove reais e cinqüenta e novecentavos). Conforme item 28 do Relatório Fiscal, fls. 282, fazem parte de grupo econômico, conforme Medida Cautelar Fiscal 2005.38.00.0388915, as empresas:. Educação, Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ. 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 4 5 Ltda, CNPJ.06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/0001 34; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda, CNPJ. 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva, fls. 361 a 437, cuja cientificação se deu, conforme documentos de fls. 446, 448 a 459. A Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444, uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Os novos estabelecimentos da SOEBRAS mantiveram em suas folhas de pagamento empregados da autuada, como professores, orientadores e supervisores educacionais. Cita a fiscalização, como exemplo, que dos 194 empregados da cedente, lançados na folha de pagamento de 11/2006, 176 foram informados na GFIP da SOEBRAS em 12/2006. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento, Empresarial TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Quanto ao Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, como informa a fiscalização, fls. 288, não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 9a Alteração Contratual, de 20/04/2007, registrada na JUCEMG em 27/04/2007, sob o n° 3.716.489. Acrescenta a auditora fiscal que no termo de conciliação relativo ao processo de reclamatória Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 trabalhista ajuizado por Júnia Aparecida Rios Barcelos, n° 01074 200713703006, ficou definida a responsabilidade subsidiária entre as empresas CEMES eSOEBRAS. Dessa forma, concluiu a fiscalização, que a SOEBRAS responde subsidiariamente com o alienante pelos tributos devidos até a data do ato, nos termos do artigo 133 do CTN. O autuado teve ciência do auto de infração, em 03/11/2008, fls. 445, e apresentou defesa juntamente com Pampulha Ensino Fundamental Ltda, Promove Serviços Educacionais Ltda, Promove Participações Ltda, João Bosco Fontoura, Milton Cabral Moreira, Cláudio Walter das Dores Assunção, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, Curso ABC Letras da Educação Infantil e Ensino Fundamental Ltda e Carlos Alberto Moreira, fls. 464 a 487, em 04/12/2008 (informação às fls.882). Esclarecem, inicialmente, que o Curso Promove Ltda promoveu alteraçãode sua razão social para Curso ABC Letras da Educação Infantil e Ensino Fundamental Ltda. Posteriormente, a empresa Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda incorporou oCurso ABC, ficando este extinto em decorrência do efeito previsto no art. 1.118 do Código Civil. Em suas razões alegam, em síntese: ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato. O mais grave é que foram incluídos na relação de coobrigados pessoas e empresas que sequer participaram do período questionado, de forma temerária, arbitrária e ilegal. PRESCRIÇÃO. São indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas em período antes de 20/10/2003, por estarem prescritos, conforme entendimentos jurídicos que cita. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 5 7 DA CONFISSÃO DE DÍVIDA E DO PARCELAMENTO REQUERIDO, CUMPRIDO E EM CURSO PELO IMPUGNANTE. Ressalta que o impugnante requereu em 29/04/2008, parcelamento de seus débitos, em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB 06/2007, que dispõe sobre oparcelamento de débitos das pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituições de ensino superior, em complementação à Lei 11.555, de 19/12/07. Assim, o presente auto de infração deve ser cancelado, bem como,qualquer outro que tenha como objeto o período confessado e parcelado pelo impugnante. NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Comenta que desde a Constituição da República de 1988, várias decisões foram tomadas pelo Poder Judiciário, com alguns tributos e/ou contribuições sociais sendo definitivamente declarados inconstitucionais, como a cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, recolhimento sobre pagamento a autônomos, eventuais divergências entre GFIP e/ou documentos, bolsas de mestradodoutorado previstas em CCT dentre outros, multas e débitos impostos de forma arbitrária e ilegal. REPETIÇÃO DOS LANÇAMENTOS CONSTANTES DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO EM TODOS OS DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS CONTRA O IMPUGNANTE. Todos os lançamentos e apurações de valores supostamente devidos e inclusos no presente auto já foram objeto de outros (AI 37.166.1528, 37.166.1536, 37.166.1544, 37.166.1552, 37.166.1560, 37.166.1579, 37.166.1587, 37.197.2868, 37.166.1609, 37.166.1617 e 37.16.1633, acrescidos de juros e multas, ou tão somente multas isoladas corrigidas, etc. Tratamse dos seguintes lançamentos: ASM ASSISTÊNCIA MÉDICA já esclarecido em outro auto deinfração que supostos valores eram descontados dos empregados, a exceção do plano de saúde do sócio Milton C. Moreira; CIN Contribuições Individuais sem GFIP contestados e muitas vezes regularizados; CUR Cursos pagos a alguns professores contestados amplamente nos referidos autos por se tratar de previsão em convenção coletiva da categoria; DPS Despesas pessoais de sócios já contestados e esclarecidos, aexceção do sócio Milton C. Moreira; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 EST Estágio em desacordo com a Lei j á contestado amplamente; PGN Diferenças entre folha de pagamento e respectivas GFIPs já esclarecido e contestado em autos de infração específicos, por se tratar de eventuais equívocos de lançamentos ocorridos em função da alteração de dados e o próprio programa Manual SEFIP 8.0; SEG Seguro de vida em grupo contestado e comprovado que foi descontado dos empregados, não ensejando a incidência do INSS, a exceção do sócio Milton C. Moreira; MUT Complemento salarial de empregado; PRO distribuição de lucros com prejuízo; SAL verbas salariais sem GFIP; DEP despesas pessoais de empregados todas impugnadas e contestadas em defesas apartadas. Deve, portanto, ser reconhecida a improcedência/ cancelamento da presente autuação, pois se trata de bis in idem. OFENSA A CARTA MAGNA. PRINCÍPIOS GERAIS DE. DIREITO. A manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5o , inciso LV, da Constituição da Republica. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789, de 1999, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada, deixando claro o propósito de penalizála com a cobrança de multa. O lançamento poderá ser alterado em virtude do artigo 145 do CTN. O Relatório Fiscal de Aplicação daMulta é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDC's e uma confissão de dívida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. O auto de infração é nulo por não permitir ao contribuinte contestar a exigência fiscal. MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150.' A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória. Não houve por parte do contribuinte omissão de fatos, dados e documentos. Impõese o cancelamento das penalidades aplicadas e percentuais abusivos contra a impugnante. DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que quanto aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria apesar de Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 6 9 guardar identidade com a presente,especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações. ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS. Face a impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente,impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria j á foram objeto de outros Autos de Infração. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro. VALORES INDEVIDOS PELO IMPUGNANTE E JÁ CONTESTADOS EM AUTOS APARTADOS. 1. BOLSAS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PÓS GRADUAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS/PROFESSORES. As verbas relativas a valorização do professor de ensino superior não podem ser consideradas salário, de acordo com a CCT da categoria, cláusula 3 a , página 13, em anexo, devendo todas as autuações que tenham como base a inclusão de tais parcelas ser canceladas. 2. SEGUROS DE VIDA E SAÚDE DESCONTADOS Os valores foram descontados dos empregados, restando apenas o diretor Milton Cabral Moreira, impondose o cancelamento de todos os autos que tenham como base citadas parcelas. 3. CONTRATO DE MÚTUO. É equivocada a apuração de incidência de INSS sobre os valores pagos a Mário Lúcio Quintão, decorrentes do contrato de mútuo, devem ser cancelados todos os autos que tenham como base tais valores. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIEDADE DA SOEBRAS. O parcelamento efetivado pela CEMES, alteração de valores e negociação entre as partes ensejaram distrato parcial do trespasse noticiado no auto de infração, não devendo, desse modo, subsistir a solidariedade da SOEBRAS atribuída pela fiscalização. REQUERIMENTOS FINAIS. Requer o recebimento da defesa, declarando a procedência das alegações apresentadas, anulando o auto de infração e Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 desobrigando a defendente do pagamento das penalidades aplicadas, ao arrepio da Lei. Requer lhe seja conferido a possibilidade de juntada posterior de outros documentos, bem como, que todas as notificações sejam em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço à Av. Raja Gabaglia 1093, 9 o andar, Cidade Jardim B.Hte. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIA. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, também, impugnou o lançamento, fls. 791 a 799, arguindo: A defesa apresentada é tempestiva; A SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove". O Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, inclusive com outros parceiros. A SOEBRAS não era sócia nem sucessora do Promove, mas apenas explorava sua marca. A impugnante existia muito antes de propor o citado arrendamento. Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária até aquele momento. Posteriormente, firmou contrato de trespasse para assumir as empresas da marca "Promove", porém, por desavença comercial, foi firmado o distrato para exclusão da Empresa CEMES (ensino superior), não remanescendo nenhuma responsabilidade para a SOEBRAS relativamente aos débitos dessa empresa. Assim, não pode a SOEBRAS ser responsabilizada pela empresa CEMES ,eis que o trespasse não foi concluído. Além da desistência do trespasse, a empresa CEMES inscreveuse noparcelamento destinado às Instituições de Ensino Superior IES, em conformidade com a Lei 10260/2001, alterada pela Lei 11.552/2007 e Portaria Conjunta PGFN/RFB 06/2007. Ainda, quanto ao CEMES, informa que houve transferência de cotas para novos sócios, dessa forma, o controle e responsabilidade de acompanhamento não são de competência da SOEBRAS. Requer a exclusão dos valores relativos a empresa CEMES. Diz que goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social, como provam os documentos que anexa. Contesta e impugna as alegações constantes dos DEBCADs, eis que não praticadas pela SOEBRAS e já resolvidas a tempo e modo, seja pelo parcelamento dos débitos, seja pelos pedidos de parcelamento já sob análise. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 7 11 A impugnante, pelo simples fato de ter arrendado a marca Promove não pode ser responsabilizada por tais obrigações. Ademais, o período da alegada obrigação não atinge o período de arrendamento que se deu no final de 2007, considerando que a autuação abrange competências a partir de 2003. As diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito. A SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal do grupo Promove para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, à exceção daqueles referentes a CEMES. Requer a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. Alternativamente, no que tange a empresa CEMES, requer sejam excluídos os débitos da responsabilidade subsidiária da SOEBRAS, devendo a mesma responder por si,em face do contrato de distrato do trespasse, além de ser a autuada instituição de ensino superior.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.883 a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRJ/BHE, em 06 de julho de 2010, exarou o Acórdão n° 0227.486, mantendo parcialmente procedente o lançamento por reconhecer tãosomente a decadência da competência 12/2002. DO RECURSO Não obstante o êxito parcial, irresignados, a Recorrente e demais componentes do Grupo Econômico, bem como – mediante substabelecimento do patrono original a empresa ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS, CNPJ n° 22.669.915/000127, incluída nos autos por sujeição solidária, interpuseram Recurso Voluntário de fls. 982, onde combatendo o decisium reiteraram em parte as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”, e argüiram : Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 A decadência da competência 10/2003 e anteriores; A nulidade do auto de infração em decorrência da ausência de fundamentação legal para a incidência da penalidade; A exclusão de representantes legais da relação de coobrigados; O efeito confiscatório de juros e multas; A imunidade tributária da empresa solidária. É o Relatório. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 982, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A Recorrente argüi nulidade do auto de infração em alegando a ausência de fundamentação legal para a incidência da penalidade. O Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito às fls. 140/141 que lhe foi entregue conforme registro de fls. 01, faz prova inequívoca de que a empresa conhece dos fundamentos que ora afirma desconhecer. Assim descabe provimento. DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” É relevante ressaltar que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Refratário a chamar de pagamento antecipado os recolhimentos efetuados dentro dos prazos legais, rechaço ainda mais conceber que , também, os pagamentos efetuados fora dos prazos, com multa e juros, porém realizados antes da ação fiscal, são distinguidos como tal. À meu juízo, tratase de concepção teratológica. A leitura atenta do artigo 150 do CTN, caput, evidencia que o que o legislador pretendeu exortando o dever de antecipar o pagamento, antes da ação fiscal foi conceituar a modalidade de lançamento, neste caso por homologação, e não condicionar direitos para o reconhecimento de eventual reconhecimento decadência : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Por tudo isso, entendo que qualquer possível “recolhimento antecipado”na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 9 15 De acordo com o relatório fiscal de fls. 249 a 289, tratase de crédito lançado pela fiscalização que destaco, entre outros fatos geradores, referese à contribuições destinadas a Seguridade Social, a cargo da empresa e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais correspondentes a diferenças apuradas entre folhas de pagamento de empregados da matriz e da filial (CNPJ 02.636.995/000298), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS e o Lançamento de Débito Confessado LDC n° 35.807.9438, no período de 13/2003, 04/2004, 07/2004, 09/2004,10/2004,02/2005 a 08/2005,10/2005 a 13/2006 (Anexos I e II). Também o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fls. 245, registra que a autoridade fiscal examinou guias de recolhimento efetuados no período fiscalizado. De acordo registro às fls.445, a empresa foi notificada em 03/11/2008. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 12/2002 a 21/2006 embora os argumentos supra em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tendo o crédito sido constituído pelas diferenças acima relatadas é lícito considerar os recolhimentos efetuados como “ PAGAMENTOS ANTECIPADOS ” à ação fiscal realizada . Por este motivo, sou de parecer que os créditos lançados na competência 10/2003 e anteriores encontramse fulminados pelo instituto da decadência na forma do artigo 150, § 4° do CTN. DO MÉRITO DA S MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS Relevante notar que no rol das alegações em sede de recurso, os Recorrentes não discutem a efetiva ocorrência dos fatos geradores que constituíram os créditos mediante o lançamento em apreço. Desse modo, de plano, é lícito inferir que tal atitude encerra admissão da infração lavrada. DA EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS. A exclusão de representantes legais da relação de coobrigados é matéria já devidamente enfrentada em sede de impugnação cujos argumentos anuí sem ressalvas. Às fls. às fls.888 se expressa o resumo do arrazoado “ad quod” nos quatro pertinentes parágrafos daquele decisium : “ Assim, a indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo.” Portanto, não dou provimento. DA SOLIDARIEDADE Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Ao refutar que à empresa se impute solidariedade, a Recorrente não nega o contrato realizado entre a autuada e a solidária e assim conforme registra o Recurso Voluntário às fls. 997 confessa que : “ Certo é que as dívidas contraídas pelo grupo "Promove" foram sucedidas à SOEBRAS por ocasião do contrato realizado, assim como por disposições legais: art. 121 e 133 do CTN e Código Civil art. 1.146, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.” É relevante trazer à lume o conteúdo de um dos contratos onde a responsabilidade do devedor solidário fica caracterizada às fls. 863 nos termos do objeto do CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL – TRESPASSE NIRE 3120 6B36797 quando a TRESPASSANTE pactua com o TRESPASSÁRIO, ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL – SOEBRAS, ora recorrente que : “Cláusula Primeira Do Objeto Este contrato tem por objeto a alienação inter vivos, translativa, a título oneroso, na modalidade de compra e venda, por parte do TRESPASSÁRIO, do estabelecimento empresarial do TRESPASSANTE, ou seja, de todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade.” Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 10 17 “ Considerando ainda que a Trespassante não tem mais interesse em prosseguir em sua atividade negocial; E, por fim; considerando que o Trespassário tem interesse na aquisição de todo o estabelecimento, empresarial, firmase a presente cessão onerosa.” Se dúvidas restassem, no parágrafo segundo do referido contrato se transfere inclusive o passivo na forma da previsão do art. 133 do Código Tributário Nacional : “PARÁGRAFO Segundo São transferidos a titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, de todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e art. 10° e 448 das Consolidações das."leis do Trabalho), bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins, conforme lista exemplificativa anexa a este instrumento.” Como se nota, recorrente tem consciência do comando dos artigos supra posto que ela mesma os colaciona. Entretanto, sem negar o débito, quer excepcionálo mediante o argumento de que a SOEBRAS, empresa solidária que adquiriu o titular do lançamento, supostamente goza de imunidade tributária e argumenta: “Contudo, lembrase que a SOEBRAS sendo entidade que cumpre os requisitos do art. 14 do CTN, goza de imunidade tributária, ....” Às fls. 834 a 837, consta colacionada uma cópia, sem autenticação, de documento intitulado Instrumento Particular de Distrato e Quitação Geral e Recíproca apresentada pela SOEBRAS. Por esse instrumento, datado de 05/08/2008, as partes ficam liberadas de todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato ou de qualquer outro documento relativo à alienação do estabelecimento empresarial, do pagamento, sem a incidência de quaisquer ônus ou penalidades de quaisquer natureza. É relevante destacar que na forma do Termo de Início de Ação Fiscal e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fls. 182 e 245, respectivamente, o procedimento fiscal teve início em 03/04/2008 e restou concluso em 29/10/2008. Do acima se destaca que o sobredito instrumento particular foi providenciado no curso da ação fiscal, cinco meses depois de iniciada, e bem próximo da sua conclusão. Ressaltando que não constam nos autos providencias neste sentido, aduz que para se operem os efeitos legais, o citado Instrumento Particular teria que ter sido registrado nos órgãos competentes, como exigido nos artigos 221 e 1154, ambos do Código Civil, verbis: “ Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades.” DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Relevante realçar que nos autos, o sujeito passivo titular da obrigação tributária é o Centro Mineiro de Ensino Superior/CEMES. A Recorrente solidária pretende ser excluída da responsabilidade exortando ter direito a isenção de contribuição por ser entidade de fins filantrópicos. Não restou provada a isenção e ainda que o fosse, não se vislumbra na legislação comando legal que nas circunstância, aquisição de empresa inadimplente, se proceda à isenção das incidências tributária. Em prosperando tal hipótese, estaria sendo inaugurado no país uma forma de se conceder perdão de dívidas tributárias pela venda das empresas inadimplentes às sociedades filantrópicas.É insustentável o argumento. Como foi visto a solidária SOEBRAS , ASSUMIU CONTRATUALMENTE, na modalidade de compra e venda que é responsável pelo passivo da adquirida na forma do abaixo expresso: “PARÁGRAFO Segundo São transferidos a titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, de todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e art. 10° e 448 das Consolidações das."leis do Trabalho), bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins, conforme lista exemplificativa anexa a este instrumento.” Não bastasse o acima, às fls. 850 a 862, registramse pedidos de parcelamento onde a Recorrente assume dívidas tributárias da titular CENTRO MINEIRO DE ENSINO SUPERIOR CEMES LTDA e das demais empresas que compõe o grupo econômico em comento coautor do presente Recurso. Pelo exposto, não dou provimento às alagações. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DOS JUROS Sobre a imposição de juros as autuações sucumbem aos comandos das súmulas abaixo: “ Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 11 19 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” DA MULTA DE MORA Relevante ressaltar que Recorrente foi notificada em 03/11/2008 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 12/2002 a 12/2006 . Aduz que na forma do registro de fls. 141, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. O artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, que determina que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 20 de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. A planilha supra haveria que permitir confrontar os valores calculados na forma do revogado artigo e respectivos incisos, 35, I, II, II da Lei n°8.212/91 com o artigo 35 da Lei 8.212/91, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulada pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018494/200841 Acórdão n.º 2403001.618 S2C4T3 Fl. 12 21 inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR, na forma do artigo 150, § 4° do Código Tributário nacional – CTN, determinar que se reconheça a DECADÊNCIA dos créditos constituídos para as competências 10/2003 , inclusive, e anteriores e NO MÉRITO CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL determinar que o recálculo da multa de mora observe o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 15374.002008/2001-29
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998
DESOBEDIÊNCIA DO ARTIGO 26 DA LEI 9.784/99. OBSERVAÇÃO DO §3º DO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235/72. BENEFÍCIO AO CONTRIBUINTE.
Ainda que desobedecido o comando do artigo 26 da Lei 9.784/99 e não cientificado o contribuinte do resultado da diligência proposta, quando o julgamento houver por bem em prover o recurso interposto deve a referida nulidade ser superada. Inteligência do parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência relativa ao período de julho de 1997 à fevereiro de 1998.
(Assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência relativa ao período de julho de 1997 à fevereiro de 1998. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PROVENIENTES DE PAGAMENTO A MAIOR DO PRÓPRIO PIS. SEMESTREALIDADE. SÚMULA Nº 15 DO CARF. CANCELAMENTO. Fundandose o lançamento tributário em suposta falta de pagamento da contribuição ao PIS, a qual veio a ser elidida por comprovação, por diligência, de que houve extinção do crédito tributário com créditos provenientes de pagamento indevido de PIS em decorrência do afastamento da correção da base de cálculo nos seis meses antecedentes ao pagamento, em consonância com o entendimento pacífico do Judiciário e objeto da Súmula nº 15, do CARF, cabe o cancelamento da exigência respectiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998 DESOBEDIÊNCIA DO ARTIGO 26 DA LEI 9.784/99. OBSERVAÇÃO DO §3º DO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235/72. BENEFÍCIO AO CONTRIBUINTE. Ainda que desobedecido o comando do artigo 26 da Lei 9.784/99 e não cientificado o contribuinte do resultado da diligência proposta, quando o julgamento houver por bem em prover o recurso interposto deve a referida nulidade ser superada. Inteligência do parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 20 08 /2 00 1- 29 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência relativa ao período de julho de 1997 à fevereiro de 1998. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 15374.002008/200129 Acórdão n.º 3402002.081 S3C4T2 Fl. 510 3 Relatório Trata o processo de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor total de R$307.937,38 (trezentos e sete mil, novecentos e trinta e sete reais e trinta e oito centavos), entre principal, multa e juros, calculados até a data da lavratura do mesmo (06/06/2001), relativo aos períodos de 09/97 a 02/1998 e ainda 11/1998. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal constante dos autos às fls. 107 (numeração eletrônica), o lançamento ocorreu em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento da aludida contribuição, no que tange à “irregular exclusão da base de cálculo do valor correspondente a aquisição de veículos usados quando este é superior ao valor da alienação em desacordo ao que dispõe a INSRF n° 152, de 16 de dezembro de 1998”, bem como, “foram constatadas divergências haja vista a não comprovação do crédito compensado,documento de fls. 13, porquanto conforme demonstrativo de fls. 14, se vê que além de confundir moeda (R$) com índice(UFIR), não aplica na apuração da contribuição a alíquota estabelecida na LC n° 07/70 sobre a figurada base de cálculo, uma vez considerada a suspensão dos Decretosleis n°2.445/88 e 2.449/88.” DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 07/06/2001, conforme, assinatura consignada no Termo de Encerramento de fls. 112 (numeração eletrônica), o contribuinte apresentou, em 09/07/2001 defesa sob forma de Impugnação, alegando, em síntese: Que se tivesse o recorrente apenas se equivocado em relação à transformação da unidade monetária de UFIR, para REAIS, deveria ter a Autoridade Fiscal refeito os cálculos e procedido à compensação até o limite do crédito apurado, e não têla aniquilado por completo como ocorreu; Que o Sr. Auditor poupouse de ter procedido ao cálculo como ele próprio entendia devido, e simplesmente glosou a compensação em sua integralidade; Que se houvera equívoco na conversão da unidade monetária de UFIR para REAL, este representa, exemplificativamente, no máximo 10% da compensação efetuada, e não 100% como considerou o Fiscal; Que o cerne da autuação deveria ser por compensação excessiva (se realmente constatada), residindo a discussão no que tange à aplicação da alíquota de 0,65% sobre a receita bruta em vez de 0,75% sobre o faturamento; No mérito o Impugnante teceu sustentos em razão de ser legal a aplicação do cálculo com base na sistemática da semestralidade do PIS, alegando a inconstitucionalidade dos Decretos nºs. 2.445 e 2.449/88 e seu conseqüente resultado em um crédito maior do que o Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 4 argüido pela Fiscalização, motivo pelo qual todas as suas compensações deveriam ser homologadas, inexistindo lançamento a realizar. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRJ/RJOII), através do Acórdão nº. 11.665, houve por bem em considerar procedente o lançamento, ementando o v. Acórdão nos seguintes termos: Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL – Não provada violação das disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. COMPENSAÇÃO Hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário, a compensação só poderá ser efetivada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiverem revestidos dos atributos de liquidez e certeza, devendo obedecer os ritos próprios para seu pleito. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição ao PIS previsto originariamente em seis meses. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Lançamento Procedente. Em apertada síntese observase que o entendimento da Turma Julgadora foi no sentido de que antes mesmo de analisar a validade da compensação procedida pelo contribuinte, o crédito por ela utilizado não era nem líquido e nem certo, carecendo os autos de prova neste sentido. Menciona a DRJ que não questiona se existam os pagamentos ditos como indevidos pelo contribuinte, mas que na forma como efetuado o cálculo pelo mesmo, com a utilização da sistemática da semestralidade, o valor resultado é saldo de contribuição a pagar, e não o indébito pleiteado. Em suma, portanto, não aplica a técnica da semestralidade no cálculo dos valores devidos a título de PIS, razão pela qual entende hígido o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 24/03/2006, conforme AR de fl. 186 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 18/04/2006, seu Recurso Voluntário, que por bem sintetizado pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por ocasião do primeiro julgamento nesta Casa, merece ser reproduzido: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 15374.002008/200129 Acórdão n.º 3402002.081 S3C4T2 Fl. 511 5 O recurso repete os argumentos da impugnação que postulam a nulidade do lançamento por falta de clareza na descrição das infrações e, no mérito, defende que os cálculos efetuados e exibidos ao fisco estariam corretos. Ainda assim os refaz, atendendo agora aos critérios considerados corretos pela autoridade fiscal, isto é, aplicando a alíquota de 0,75% sobre o faturamento. Mas nos novos cálculos considera base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. Assim considerado, segundo ela, os seus direitos creditórios são ainda maiores do que os anteriormente alegados. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTÂNCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 07/05/2008, tendo a 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através da Resolução nº. 20400.557, convertido o julgamento do mesmo em diligência nos seguintes termos: Nesses termos, tendo sido o lançamento embasado no fato de que os créditos da contribuinte seriam insuficientes porque, entre outros motivos, a SRF não adota o faturamento do sexto mês anterior como base de cálculo do PIS, fazse imprescindível determinar se, adotandoo, ainda há crédito tributário a constituir. Voto, pois, pela conversão do presente julgamento em diligência para que a fiscalização apure o direito creditório da contribuinte decorrente dos recolhimentos havidos entre 1993 e 1995 (conforme planilha de fl. 13) e diga se restam períodos em aberto no período dc setembro de 1997 a fevereiro de 1998 originalmente incluídos no lançamento. Nessa apuração deve confrontar o montante efetiva e comprovadamente recolhido mês a mês com aquele devido na forma definida pela Lei Complementar n° 7/70. Este último consiste em 0,75% do faturamento obtido pela empresa no sexto mês anterior ao do fato gerador. Essa base de cálculo não deve sofrer qualquer atualização nesses seis meses. O montante assim obtido deve ser corrigido segundo os índices definidos na Norma dc Execução Cosit/Cosar n° 08/97. Ao final, elabore relatório conclusivo apontando os eventuais valores ainda exigíveis, do qual deve ser dada ciência à contribuinte para eventual contestação no prazo e trinta dias. DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA Às fls. 494 dos autos (numeração eletrônica), a Divisão de Fiscalização II da DRF do Rio de Janeiro, em 27/11/2008, emitiu parecer opinando pela desnecessidade de realização da diligência proposta pela 2ª Instância de Julgamento, alegando que a Recorrente não trouxe ao processo elementos que lhe possibilitassem aferir as corretas bases de cálculo da contribuição ao PIS, e por conseqüência a certeza/liquidez dos créditos. DA SEGUNDA DILIGÊNCIA Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 6 Retornado o processo ao então CARF, em 07/05/2009, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, foi unanime em acolher o entendimento do Conselheiro Relator – Júlio Cesar Alves Ramos, e converteu, através da Resolução nº. 220200.018, novamente o julgamento em diligência para: “Com essas considerações, reitero a requisição de diligência nos termos cm que já formalizada um ano atrás, lastimando que a conduta da autoridade fiscal, que insiste em não fazer o seu trabalho, apenas tenha feito com que se perdesse um ano para o julgamento do recurso do contribuinte.” As fls. 506 – numeração eletrônica, consta o resultado da diligência proposta, no qual a Autoridade Preparadora, em resumo, atesta que em face ao recálculo do crédito do contribuinte com base na semestralidade da base de cálculo do PIS (Súmula 15 do CARF), não restam períodos em aberto no período de set/1997 a fev/1998. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 volumes, numerados até a folha 508 (quinhentos e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 15374.002008/200129 Acórdão n.º 3402002.081 S3C4T2 Fl. 512 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência determinada pela Resolução nº. 2202 00.018, na qual, em sessão de julgamento ocorrida em 07/05/2009, foi determinada à Autoridade Preparadora o esclarecimento de fatos que possibilitam o julgador à efetiva análise e deslinde da causa. De modo sucinto, resumo que a diligência designada pelo Conselheiro Relator daquela resolução pretendia ver efetuados os cálculos do indébito do contribuinte (relativos à inconstitucionalidade do DecretosLei 2.445 e 2.449/88) com base na semestralidade mansa e reiteradamente aceita pelos Tribunais do país, e sumulada pelo CARF através da Súmula nº. 15. Determinara que houvesse a aplicabilidade da técnica de cálculo que contemplava a semestralidade, da qual exsurgiam os créditos utilizados na compensação efetivada pelo contribuinte, extinguindo o crédito tributário objeto do lançamento, e, consequentemente, não remanesceriam débitos nos períodos autuados. Assim, de pronto observo que o raciocínio daquele julgador foi o de observar a subsistência do lançamento lavrado em desfavor do interessado, quando procedido o cálculo na forma utilizada pelo contribuinte (e controvertida pela Autoridade Lançadora), considerando o entendimento já pacificado acerca da questão. Observo também que tal ponderação referiuse aos períodos de set/97 a fev/98 uma vez que quanto ao período de nov/98 (também autuado) o contribuinte optou com consentir com o lançamento, nada litigando sobre este tocante. Ou seja, nesse período tratase de matéria preclusa. Assim, por óbvio, o resultado da diligência é substancial no deslinde da questão, e, conforme acima relatado, foi o mesmo no sentido de considerar inexistentes saldos remanescentes da contribuição ao PIS (a pagar), merecedores de lançamento, quando “homologadas” as compensações realizadas pelo contribuinte com crédito em montante diverso daquele entendido pelo Fisco. É dizer, no recálculo do montante do indébito do contribuinte pela sistemática da semestralidade, o mesmo resultou em montante suficiente para as compensações por ele realizadas, inexistindo saldo a pagar da contribuição autuada, perdendo assim o lançamento o seu objeto. Quanto ao mérito do direito perseguido pela Recorrente, reitero que tratase de matéria já de há muito pacificada nos âmbitos Judicial (Primeira Seção do STJ – Resp nº 144.708RS) e Administrativo, através da Súmula nº 15 desta Casa, que é expressa em prever que: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 8 Quanto ao resultado da diligência, porém, o sujeito passivo não tomou conhecimento. Todavia, justifico que a nulidade decorrente da não intimação do interessado do resultado da diligência (necessária pela regulamentação contida no art. 26 da Lei. 9.784/99) é passível de ser superada, pois que ao recurso interposto opto por dar provimento, observando assim o disposto no §3º, II, artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Neste sentido: SIMPLES EXCLUSÃO. EDIÇÃO DE IMAGENS, MIXAGEM SONORA EDUBLAGEM, ATIVIDADES ASSEMELHADAS ÀS DEPROGRAMADOR OU PRODUTOR CINEMATOGRÁFICO. NULIDADE. INTIMAÇÃO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não apronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Processo n° 13706.000202/200498 Recurso n° 139.916 Voluntário Acórdão n° 310100.083 CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 1ª Câmara Data de decisão: 21/05/2009) Por fim, deixo de analisar a parte do auto de infração no que diz respeito ao lançamento relativo ao período de nov/98, eis que, por não ter sido objeto de impugnação, não se formou, quando a este, a fase litigiosa administrativa. Quanto aos demais períodos, considerando o resultado da diligência proposta e o direito expresso na Súmula nº 15, do CARF, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário dos períodos de apuração de set/97 a fev/98. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 15374.002008/200129 Acórdão n.º 3402002.081 S3C4T2 Fl. 513 9 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10980.905794/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 79 4/ 20 08 -2 2 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905794/200822 Resolução nº 3401000.718 S3C4T1 Fl. 111 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação protocolado pela contribuinte CCV Comercial Curitibana de Veículos S/A no valor de R$ 1.835,30, relativo ao PIS apurado no mês de setembro de 2003. A DRF/Curitiba exarou Despacho Decisório, no qual consta que fora localizado o pagamento supracitado, mas que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual a compensação não foi homologada. Cientificada, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração set/13, teria efetuado mais de um recolhimento a título de PIS, no valores de R$ 25.347,17 e R$ 2.172,15, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 27.519,32, sendo esse valor originalmente indicado em sua DCTF. Recalculou a contribuição devida, em face da redução a zero por cento da alíquota de PIS incidente sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485/2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 25.684,02, o que também informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras; dessa forma, estaria demonstrado o pagamento a maior que utilizou para a compensação em tela. Em 9.2.2011, a 3ª Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, pois a modificação da DCTF não pode ser admitida para alterar o Despacho Decisório, cuja ciência pela interessada se deu antes da transmissão da declaração retificadora. Além disso, a compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos ou vincendos está condicionada à comprovação de certeza e liquidez do respectivo indébito. A contribuinte foi cientificada da decisão em 18.2.2011 e, em 21.3.2011, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando, em linhas gerais, que a não homologação da compensação se fundamentou em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circunscreve o presente processo. No mais, repisou os argumentos expostos em sua Manifestação de Inconformidade. Por fim, a contribuinte requer o provimento de seu Recurso Voluntário, anulandose o acórdão recorrido, a fim de que seja realizada diligência para que a comprovação da existência do crédito pleiteado. Caso a decisão não seja anulada, com baixa em diligência ou não, pede a reforma da decisão, de forma que seja reconhecido o direito creditório da contribuinte. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905794/200822 Resolução nº 3401000.718 S3C4T1 Fl. 112 3 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905794/200822 Resolução nº 3401000.718 S3C4T1 Fl. 113 4 (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e, existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10980.017631/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 30/06/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005,
01/03/2007 a 31/12/2007
Ementa: IMUNIDADE AO PIS. MATÉRIA SUBMETIDA A
APRECIAÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL.
A matéria concernente à imunidade ao PIS, que conta com ação judicial ainda
em trâmite no Supremo Tribunal Federal, não deve ser conhecida nesta esfera
administrativa.
COMPENSAÇÃO. PROVIMENTO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE
DCOMP.
Para haver encontro de contas entre contribuinte e Fisco não basta haver
apenas créditos a favor do contribuinte, há que existir também débitos, e
esses só existem a partir de 01/12/2003, quando a compensação a ser
encetada pela recorrente não prescinde da DCOMP, uma vez que a origem de
seus créditos provém de ordem judicial.
Numero da decisão: 3101-001.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer da
matéria coincidente com a demanda judicial e negar provimento ao recurso voluntário quanto à
matéria diferenciada.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. A matéria concernente à imunidade ao PIS, que conta com ação judicial ainda em trâmite no Supremo Tribunal Federal, não deve ser conhecida nesta esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. PROVIMENTO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DCOMP. Para haver encontro de contas entre contribuinte e Fisco não basta haver apenas créditos a favor do contribuinte, há que existir também débitos, e esses só existem a partir de 01/12/2003, quando a compensação a ser encetada pela recorrente não prescinde da DCOMP, uma vez que a origem de seus créditos provém de ordem judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer da matéria coincidente com a demanda judicial e negar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria diferenciada. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 262/273, cientificado em 16/12/2008 (fl. 279), que exige o recolhimento de R$ 320.952,57 a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), além dos encargos legais (só juros), relativamente aos períodos de apuração 12/2003 a 06/2005, 12/2005, 03/2007 a 12/2007. Segundo do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (TVEAF) de fls. 274/277, que detalha todos os procedimentos adotados na fiscalização, a contribuinte, regularmente intimada, apresentou planilhas de apuração do PIS referente ao período analisado. Consta do Termo, também, que a contribuinte ingressou com ações judiciais e que a decisão judicial relativa à ação nº 98.217568 – que se refere a cobrança do PIS com base nos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449/88 – transitou em julgado em 16/08/2001 (contrariamente aos interesses da Fazenda Nacional), não tendo a contribuinte, todavia, apresentado qualquer pedido de compensação ou de prévia habilitação relacionada ao crédito. Esclarece o Termo, ainda, que a contribuinte ingressou com outra ação judicial, autuada sob nº 2005.70.00.0016160, tratando da inexigibilidade do PIS (por entender tratarse de entidade imune). Segundo consta, aludida ação foi julgada favoravelmente à contribuinte e, atualmente, o processo encontrase no STF para análise do recurso extraordinário apresentado. A vista da apuração realizada, e das ações judiciais intentadas, o lançamento não foi acompanhado de multa de ofício. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou, em 12/01/2009, por intermédio de procurador (procuração à fl. 290), a impugnação de fls. 281/289, instruída com os documentos de fls. 291/344 (cópia de documentos societários, cópia de documentos relativos à ação judicial nº 2005.70.00.0016160/PR e à ação judicial nº 98.00217568), cujo teor será sintetizado a seguir. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.017631/200891 Acórdão n.º 3101001.092 S3C1T1 Fl. 405 3 Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a compensação vigente (em 16/08/2001) quando do trânsito em julgado da ação ordinária nº 98.217568. Esclarece que à época a legislação dispensava a autorização prévia da Receita Federal estando a compensação sujeita apenas à posterior homologação pelo fisco. Afirma, ainda, que apesar do contido no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não houve a revogação do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, estando portanto prevista a possibilidade de compensação, sem prévia autorização do fisco, quando se tratar de tributos de mesma espécie e destinação constitucional. A seguir, disserta sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força do Mandado de Segurança nº 2005.70.00.0016160. Afirma que, estando suspensa a exigibilidade, eventual diferença no que se refere ao período de março a dezembro de 2007 em razão da incorporação da Associação Civil Beneficente Mater Dei implica mera irregularidade administrativa passiva de correção por meio de retificações administrativas. Esclarece que não há diferença a ser recolhida, “mas tão somente devem ser corrigidos os valores devidamente apurados, para que formalmente fiquem corretos, mas sem aplicação de caráter pecuniário devido pelo impugnante.” No tópico seguinte, tece considerações acerca das diferenças apuradas em relação aos meses de março/2004, abril/2004, julho/2004, fevereiro/2005, dezembro/2005 e de março/2007 a dezembro/2007, consoante demonstrativos de fls. 255/261. Diz que, em decorrência do princípio da isonomia, as diferenças indicadas devem ser compensadas “com os créditos realizados a maior pelo Impugnante nos períodos indicados no demonstrativo de fls. 255/261 promovido pelo Sr. Auditor Fiscal, sobremaneira no que se refere ao mês de julho de 2005.” Afirma, ainda, que, ao contrário do entendimento do fisco, há crédito a ser restituído e não diferença a ser paga. Ao final, requer o cancelamento do lançamento e o conseqüente arquivamento dos autos. A DRJ em CURITIBA/PR julgou a impugnação improcedente, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 30/06/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/03/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCOMP. Com a derrogação, pelos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, as compensações, no âmbito da RFB, não podem prescindir da apresentação/transmissão prévia, por parte da contribuinte, de declarações específicas Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 (Dcomp declaração de compensação e, sendo o caso, pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 389 e seguintes, onde basicamente repisa os argumentos esgrimidos em primeira instância, aduzindo apenas matéria alusiva à imunidade tributária, que está sob apreciação judicial. Ao final, requer a improcedência da cobrança do débito. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente reproduz as alegações ofertadas em primeiro grau, apenas aduzindo matéria concernente à imunidade ao PIS, que inclusive conta com ação judicial ainda em trâmite no Supremo Tribunal Federal, razão por que não se deve tomar conhecimento da matéria aduzida. O foco central de discussão desses autos circunscrevese ao adequado procedimento compensatório que um contribuinte vencedor de pendenga judicial, com trânsito em julgado em 16/08/2001, deve observar para levar a efeito o seu direito a partir de 01/12/2003, data de início dos seus débitos. A auditoriafiscal autuou a recorrente porque entende não haver compensação encetada por essa, haja vista a inexistência de DCOMP, nos termos da legislação vigente a partir de 2002 (MP nº 66 convolada na Lei nº 10.637/2002); e a recorrente insiste que procedeu à compensação nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, vigente ao tempo em que adquiriu o direito a compensar seus créditos, em 16/08/2001. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.017631/200891 Acórdão n.º 3101001.092 S3C1T1 Fl. 406 5 Ao meu sentir, com razão a auditoriafiscal e a decisão recorrida, pois para haver encontro de contas entre contribuinte e Fisco não basta haver apenas créditos a favor do contribuinte, há que existir também débito, e esses só existem a partir de 01/12/2003, quando a compensação a ser encetada pela recorrente não prescinde da DCOMP, uma vez que a origem de seus créditos provém de ordem judicial. Dito isso, estou por adotar como razões de decidir e subsídio a este voto, excerto de exposição da decisão guerreada que engloba os outros pedidos e argumentos suscitados novamente no recurso voluntário: Assim, a compensação, para ser implementada pelo contribuinte, e para que surta os efeitos desejados (extinção de um crédito tributário), pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Segundo a legislação, a declaração de compensação, que deve ser gerada a partir do programa Per/Dcomp, deve conter todas as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Aludida declaração, desde que regularmente apresentada, extingue o crédito tributário compensado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. No presente caso, apesar da indicação de existência de um crédito, a transmissão da Dcomp não ocorreu. A contribuinte limitase a pleitear o crédito e a alegar que sua compensação independeria da apresentação de declaração específica já que, no seu entender, a legislação a ser observada seria a vigente ao tempo do trânsito em julgado da decisão judicial, ou seja, em 16/08/2001. Grande equívoco. É verídico que, pelo que consta dos autos, a decisão judicial relativa à ação judicial nº 98.00217568/PR, que cuidou do reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, transitou em julgado em 16/08/2001 (fl. 275). Contudo, na medida em que as compensações referemse aos períodos de apuração 12/2003 a 06/2005, 12/2005, 03/2007 a 12/2007, indiscutível que, para surtirem os efeitos legais, deveriam ser incluídas em declarações de compensação. Evidente que, no caso, não há que se falar em vedação de “retroatividade da lei em desfavor da contribuinte”. Se as compensações houvessem sido implementadas na escrituração contábil da contribuinte e informadas em DCTF antes do surgimento das Dcomp, é claro que deveriam ser aceitas, vez que teriam obedecido as regras então vigentes. Este, contudo, não é o caso. Pelo que consta, as compensações foram sendo informadas apenas em DCTF (em relação a alguns períodos) mas não em Dcomp mesmo após o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, ter sido derrogado pela novel legislação. Se a contribuinte implementou, ou não, essas compensações em sua escrituração, não é relevante, já que a legislação vigente é clara ao dispor que elas devem constar, expressamente, e necessariamente, até Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 mesmo para surtir os efeitos legais, de declarações de compensação. A tese de que o disposto no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, ainda persiste, mesmo após a entrada em vigor do contido na Lei nº 9.430, de 1996, não procede e não pode ser aceita já que com as novas disposições acerca das compensações, o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, acabou derrogado (conforme aliás esclarecido no Parecer antes transcrito). Assim, na medida em que tais compensações não foram formalmente pleiteadas é fato que não podem ser sequer consideradas, devendo ser mantidos os lançamentos questionados nos moldes em que efetuados. Como relatado, a contribuinte ressalta a suspensão da exigibilidade do crédito conforme processo judicial nº 2005.70.00.0016160/PR e afirma que eventual diferença no que se refere ao período de março a dezembro de 2007, em razão da incorporação da Associação Civil Beneficente Mater Dei, compreende mera irregularidade administrativa passível de correção por meio de retificações administrativas. O argumento da impugnante é frágil e não pode ser aceito. Com efeito, no trabalho fiscal foram levantados os valores de todas as contribuições devidas a título de PIS no período e, após a dedução de todos os valores que já haviam sido pagos/declarados, apurados os montantes devedores. Alegar, sem nada comprovar, que tais diferenças decorrem de mera irregularidade administrativa passível de correção por meio de retificações, é o mesmo que nada alegar. A exigência deve ser mantida. Em sua impugnação a interessada questiona a exigência das diferenças relativas aos períodos de março/2004, abril/2004, julho/2004, fevereiro/2005, dezembro/2005 e março/2007 a dezembro/2007, consoante demonstrativos de fls. 255/261. Alega isonomia e pede que os valores correspondentes sejam compensados com os créditos relativos a outros períodos, “sobremaneira no que se refere ao mês de julho de 2005.” O que a impugnante requer, na realidade, é a compensação, de ofício, de valores supostamente pagos a maior em alguns períodos de apuração. Tal providência, no entanto, não pode ser adotada no presente âmbito, afinal, para tanto, há a previsão da apresentação de Dcomp (declaração de compensação) por parte da contribuinte (e não consta que ela tenha sido apresentada). Tendo em vista a existência de processo judicial envolvendo a discussão de matéria que é parcialmente objeto do presente litígio, a autoridade responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao acompanhamento da referida ação, verificando se há algum impedimento para cobrança do crédito tributário aqui mantido. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.017631/200891 Acórdão n.º 3101001.092 S3C1T1 Fl. 407 7 Ante o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO da matéria submetida à apreciação judicial imunidade tributária ao PIS e na parte conhecida, pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13807.006349/99-52
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 28/02/1989
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 06/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 28/02/1989 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 63 49 /9 9- 52 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 29/06/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/88 e 02/89. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.006349/9952 Acórdão n.º 9900000.714 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.006349/9952 Acórdão n.º 9900000.714 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.006349/9952 Acórdão n.º 9900000.714 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.006349/9952 Acórdão n.º 9900000.714 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 29/06/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/88 e 02/89. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11065.100842/2009-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS.
Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da não-cumulatividade.
Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar.
Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida.
Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS. Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade. Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida. Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 42 /2 00 9- 79 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 129/132), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório argüido pela mesma, relativamente à Contribuição para o PIS/PASEP. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, foram constatadas irregularidades na apuração de créditos relativos aos serviços prestados para a recorrente pelas empresas Calçados Ronessa Ltda, Calçados Rafelly Ltda e Calçados Ronelly Ltda. Averiguou se que tais empresas seriam, na verdade, mera extensão, apêndice ou desdobramento das atividades produtivas da empresa Rojana Calçados Ltda, com total dependência econômico financeira e que, portanto, todas constituiriam uma só empresa. Conforme relato da instância recorrida, a fiscalização, para chegar a tais conclusões, se embasou nas seguintes questões: a) Há grau de parentesco entre os sócios de todas as empresas; b) As empresas envolvidas têm o mesmo objeto social – fabricação de calçados de couro; c) 100% dos clientes e do faturamento das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly têm relação direta com o grupo (Rojana representa de 92,562 a 99,9999% e o restante é representado por Ronessa e/ou Rafelly e/ou Ronelly); d) As empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da empresa Rojana, efetuados na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas. Operações imprescindíveis e utilizadas integralmente para cobrir seus gastos operacionais (custos com pessoal, despesas bancárias e diversas, cheques e aluguéis à própria Rojana); Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 185 3 e) A contabilidade e as notas fiscais das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly evidenciam que a empresa Rojana é praticamente o único cliente daquelas, inclusive com a emissão de notas fiscais seqüenciais entre as empresas; f) Ocorreu uma migração de diversos funcionários da empresa Rojana para a recém constituída Rafelly, além do fato de ambas possuírem o mesmo endereço. Ainda nos termos do relatório da decisão vergastada: A auditoria fiscal concluiu, então, que restou evidenciado que o contribuinte na verdade “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. As prestações de serviços efetuadas por estas empresas, na verdade, simulavam terceirização de mãodeobra. A abertura das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, todas optantes pelo SIMPLES, com a efetiva transferência de empregados do interessado para aquelas, visou apenas a redução da carga tributária previdenciária e também o creditamento das contribuições PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade, relativamente aos pretensos serviços de industrialização por encomenda. Desta forma, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra em face de expressa vedação legal, conforme dispõe os Arts. 3º, § 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O contribuinte, inconformado com o indeferimento, apresentou tempestivamente sua manifestação onde alega que, além das empresas relacionadas no lançamento, diversas outras prestam serviços a ele, o que facilmente pode ser constatado na sua contabilidade. Acrescenta que as empresas prestadoras de serviços possuem seus próprios sócios que, apesar de terem ligação de parentesco com um dos sócios da empresa Rojana, não estão a ela subordinados. Diz que estas empresas estavam devidamente regulares perante os órgãos públicos, tinham autonomia, remuneravam seus sócios e seus empregados regulamente cadastrados, além de recolher seus impostos e contribuições previdenciárias. Comenta que desde o início da fabricação de calçados na região, há mais de cinqüenta anos, existem empresas prestadoras de serviços. Diz, ainda, que não há qualquer vedação legal para que uma empresa tenha contrato com outra de modo que seu faturamento mensal fique desta dependente. Alega, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal que estaria motivado por mera presunção, o que ofenderia o princípio da segurança jurídica. Ainda em preliminar, alega novamente a nulidade em face de suposta ilegitimidade passiva da empresa Rojana. Entende que no pólo passivo deveriam figurar as empresas prestadoras de serviços, que recolhiam seus tributos pelo SIMPLES, pois considera que não teve benefício algum com a redução da carga tributária daquelas empresas. O manifestante contesta as afirmações do auditor fiscal, com o argumento de que se tratariam de mera e inverídica presunção, não fundamentadas em qualquer elemento de prova. Explica que os pagamentos que efetuou às empresas prestadoras decorrem de notas fiscais de serviços ou de antecipações de receitas devidamente documentadas através de contratos de mútuo, contratos de antecipação de pagamentos e outros. Acrescenta que o auditor fiscal poderia ter analisado a contabilidade das Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 empresas prestadoras de serviços onde constataria que elas também realizaram serviços para diversas outras empresas. O interessado entende que o procedimento fiscal precisaria ser complementado, mediante diligências fiscais e através da realização de perícia contábil, onde poderá ficar melhor esclarecida a questão dos adiantamentos que realizou às empresas prestadoras de serviços. Para tanto, indica o seu assistente técnico e os quesitos a serem respondidos. Ao final, o sujeito passivo requer a insubsistência e total improcedência da ação fiscal, com o seu cancelamento e a legitimação de seus créditos complementares de PIS e COFINS, renovando também seus pedidos pela realização de diligências e perícia contábil, bem como a produção de prova documental. Para fins de informação, foram também lançados contra a contribuinte Autos de Infrações relativos a tributos/contribuições previdenciárias que motivaram o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais junto à autoridade competente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Ementa: CRÉDITOS. MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoas físicas, nos termos da legislação que rege a contribuição. A constatação de negócios simulados, enseja o indeferimento do pedido tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados envolvendo pessoas jurídicas que apenas aparentemente figuravam como prestadoras de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/07/2011 (fls. 134), a interessada, em 02/08/2011 (fls. 139), apresentou o recurso voluntário de fls. 139/164, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, destacando ainda: a) o cerceamento ao seu direito de defesa, dado que a instância recorrida indeferiu pedido de produção pericial que seria imprescindível para o julgamento da causa, violando, assim, os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; b) que a primeira instância não demonstrou a existência de negócio jurídico destinado a dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo, como disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar no 104, de 2001; assim, o julgamento de primeiro grau, bem como o lançamento, teriam se fundado em presunções, sendo a citada decisão, portanto, nula; c) que as prestadoras de serviços CALÇADOS RAFELLY, CALÇADOS RONELLY e CALÇADOS RONESSA foram constituídas de forma regular, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 186 5 tendo seus próprios sócios e administradores, respondendo os mesmos pelas obrigações fiscais e tributárias originárias de suas atividades econômicas; portando, tais empresas são totalmente diversas da empresa tomadora dos serviços – a recorrente – que, assim, figura indevidamente no pólo passivo da lide, eis que o auto de infração deveria ter sido lavrado em relação às empresas prestadoras dos serviços; Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento, no mérito, do direito creditório reclamado pela interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003), autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para o caso em tela o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Portanto, em tese, os serviços prestados à recorrente enquadramse na hipótese normativa que autoriza sua utilização (como insumos) na base de cálculo dos créditos do PIS e COFINS a serem descontados no regime da nãocumulatividade. Contudo, conforme relatado, a fiscalização desconsiderou os créditos das contribuições calculados a partir desses montantes sob o argumento de que a autuada “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados por outras empresas, no caso, as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Estas, segundo a fiscalização, receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante (para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.). Ademais, a recorrente (Rojana) seria quase que exclusivamente o único cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Dentre outras questões abordadas pela autoridade lançadora, foi mencionado também que a empresa Rafelly estaria estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana). O CTN, em seu artigo 116, dispõe o seguinte: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifo nosso) Interessa para a lide, especialmente, o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, acima reproduzido. Neste âmbito de discussão, a possibilidade legal para a desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade administrativa está restrita às hipóteses em que for caracterizada a “[...] finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária [...]”. Necessário, pois, examinar sistematicamente a aplicabilidade da regra em tela, inclusive considerando a parte final do preceito aludido, que remete sua aplicação à observação de “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Tal questão será abordada adiante. Agora, analisemos a conduta proibida pela lei tributária complementar, que tem como núcleo o verbo “dissimular”. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “dissimular”, quando usado como verbo transitivo direto – como empregado no texto normativo (“dissimilar a ocorrência do fato gerador do tributo”, “dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”) –, significa (1) “ocultar ou encobrir com astúcia; disfarçar; (2) não dar a perceber; calar; (3) fingir; simular; (4) atenuar o efeito de; tornar pouco sensível ou notável”. As condutas coibidas pela lei enquadramse em hipóteses que a doutrina denomina de abuso do direito, cuja reprimenda legal deixa transparecer inegável limitação ao princípio da autonomia da vontade, como, aliás, ressalta Douglas Yamashita1 no início de suas considerações sobre o estudo do abuso do direito no Código Civil de 2002, e seus reflexos em matéria tributária: Ao reputar ilícito o exercício de um direito por seu titular, sempre que tal exercício exceda manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, o art. 187 do CC/20022 não faz outra coisa senão traduzir em nível infraconstitucional limites constitucionais à autonomia da vontade, consubstanciada essencialmente na liberdade de iniciativa garantida pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 1o, IV, e 170. Assevera, portanto, que o contexto do abuso do direito e do artigo 187 do Código Civil de 2002 é o contexto constitucional, ressaltando, ainda, que o princípio do Estado Democrático de Direito (caput do artigo 1o da Constituição Federal3) se alicerça em bases formais (a segurança jurídica – princípio da legalidade, da proteção ao ato jurídico perfeito, do 1 YAMASHITA, Douglas. Elisão e evasão de tributos. Limites à luz do abuso do direito e da fraude à lei. São Paulo: Lex Editora, 2005, p. 87. 2 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 3 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 187 7 direito adquirido, da coisa julgada, etc.) e materiais (voltados à realização da justiça – art. 3o, I, da CF/88 –, a um Estado de Direito e de Justiça Social – Miguel Reale –, a um Estado Social – Tércio Sampaio Ferraz Jr.). Todos são valores que, muito embora positividados na Constituição Federal, estão em constante tensão, “de modo que um plus na realização de um valor significa um minus na realização de outro ou outros valores”4. É nesse contexto – de reprovação do abuso do direito (o qual, longe de se restringir ao Direito Civil, alcança todos os ramos do direito5) – que precisa ser analisado o alcance da norma antielisão, cujo exame requer obrigatória aplicação do princípio da proporcionalidade, afastandose assim concepções absolutistas ou a ilimitabilidade do exercício da liberdade de contratar, juízo que se amolda perfeitamente à seguinte lição de Pontes de Miranda: O estudo do abuso do direito é a pesquisa dos encontros dos ferimentos, que os direitos se fazem. Se puderem ser exercidos sem outros limites que os da lei escrita, com indiferença, se não desprezo, da missão social das relações jurídicas, os absolutistas teriam razão. Mas a despeito da intransigência deles, fruto da crença a que se aludiu, a vida sempre obrigou a que os direitos se adaptassem entre si, no plano do exercício. Conceptualmente, os seus limites, os seus contornos, são os que a lei dá, como quem põe objetos na mesma maleta, ou no mesmo saco. Na realidade, quer dizer – quando se lançam na vida, quando se exercitam – têm de coexistir, têm de conformarse uns com os outros6. Na mesma toada, e especialmente quanto à possibilidade legal de desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade tributária com base no parágrafo único do artigo 116 do CTN, destaca Luciano Amaro que não merecem prosperar as críticas daqueles que defendem que referido preceito teria dado à autoridade administrativa o poder de criar tributo sem lei. Neste comenos, ressalta, textualmente: [...] O questionado parágrafo não revoga o princípio da reserva legal, não autoriza a tributação por analogia, não introduz a consideração econômica no lugar da consideração jurídica. Em suma, não inova no capítulo da interpretação da lei tributária. O que se permite à autoridade fiscal nada mais é do que, ao identificar a desconformidade entre os atos ou negócios efetivamente praticados (situação jurídica real) e os atos ou negócios retratados formalmente (situação jurídica aparente), desconsiderar a aparência em prol da realidade. [...] Noutras palavras, nada mais fez o legislador do que explicitar o poder da autoridade fiscal de identificar situações em que, para fugir do pagamento do tributo, o indivíduo apela para a 4 Cf. YAMASHITA, ob. cit., p. 8890. 5 PACHECO, José da Silva. Considerações preliminares à guisa de atualização. In: BATISTA MARTINS, Pedro. Abuso do direito e o ato ilícito, 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. XV, apud YAMASHITA, ob. cit., p. 95. 6 PONTES DE MIRANDA, Francisco. Tratado de direito privado. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972, t. LIII, p.67 e ss., apud YAMASHITA, ob. cit., p. 92. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 simulação de uma situação jurídica (não tributável ou com tributação menos onerosa), ocultando (dissimulando) a verdadeira situação jurídica (tributável ou com tributação mais onerosa)7. Releva mencionar a existência de respeitáveis entendimentos doutrinários contrários à possibilidade de “aplicação analógica em caso de abuso do direito”, como denomina Alberto Xavier, o qual entende que as cláusulas gerais antielisivas são uma “tentativa de tributação analógica de fatos extratípicos”8. Preferimos nos filiar à primeira corrente, por entendermos que a mesma está em sintonia com o princípio constitucional do Estado Democrático de Direito, o qual, como ressaltado, procura conciliar o direito considerando o conjunto de seus aspectos formal e material. Além disso, a norma antielisiva em destaque está prevista em lei complementar, portanto, de observação compulsória por parte do julgador administrativo, que não poderia afastála, por exemplo, sob argumento de inconstitucionalidade, questão, vale lembrar, sumulada por este Conselho (Súmula no 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Mas ainda no campo teórico da possibilidade legal de sanção ao abuso do direito no âmbito tributário, ou, em outras palavras, na arena de aplicação efetiva do disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN9, cumpre destacar que referido dispositivo faz remissão a “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, fato que poderia levar a juízo pela impossibilidade de sua autoaplicabilidade, dado que até hoje norma ordinária nesse sentido não foi editada10. Todavia, não obstante a inexistência de norma ordinária específica que trate da matéria, temse admitido a desconsideração de atos ou negócios jurídicos diante das hipóteses contempladas pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. Nessa toada, defende Douglas Yamashita11 que a ressalva legal “referese clara e exclusivamente a ‘procedimentos’ de desconsideração, e se o conceito de dissimulação é de direito material e não procedimental, logo, sua definição conjuga os conceitos de abuso do direito (arts. 50 e 187 do CC/2002) e de fraude à lei (art. 166, VI, do CC/2002) independentemente da lei ordinária”. Quanto aos critérios utilizados para a caracterização do abuso do direito, a doutrina se refere a três correntes principais: teoria subjetiva, teoria objetiva e teoria subjetivo objetiva. Em apertada síntese, segundo o a teoria subjetiva, o abuso nasce quando o ato é praticado sem interesse próprio e com o único objetivo de prejudicar outrem. Pela teoria objetiva, ato abusivo é o ato anormal, porque contrário à finalidade do direito; [...] um ato economicamente prejudicial e reprovado pela consciência pública. Seria ainda, o ato em contrariedade às regras sociais [...] em desconformidade ao interesse ou valor ambiental cultural vigente. Ou, de forma mais abrangente, em conformidade com o critério do motivo legítimo: o ato será normal ou abusivo, segundo se explique, ou não, por motivo legítimo, que 7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva. 2009. 15. ed. p. 237238. 8 XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2001. p. 45. 9 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifo nosso) 10 Tais procedimentos chegaram a ser objeto dos artigos 15 a 19 da Medida Provisória no 66, de 2002. Contudo, foram suprimidos no processo de conversão à Lei no 10.637/2002. 11 idem, p. 149. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 188 9 passa, pois, a constituir a pedra angular da teoria objetiva da finalidade social do direito12. Por fim, prega a teoria subjetivoobjetiva que ato abusivo seria aquele em que estariam presentes a intenção de se prejudicar a terceiro (aspecto subjetivo) e a não funcionalidade, ou anormalidade, do ato (aspecto objetivo)13. Ao examinar o 187 do Código Civil de 2002 à luz da teoria do abuso do direito, YAMASHITA ressalta o seguinte: Hoje, a concepção mais moderna do abuso do direito baseia se, sim, em critérios estritamente jurídicos: os princípios positivados. Os princípios servem, de um lado, como fundamentos de justificação das regras e, de outro, como normas de regulação de aplicação das regras existentes ao caso concreto. [...] Nesse sentido o abuso do direito consiste em uma conduta ilícita atípica, pois esta perde sua permissão normativa prima facie, em virtude de sua contrariedade a princípios jurídicos, especialmente aqueles de nível constitucional14. (grifo nosso) Especialmente no âmbito tributário, e notadamente em relação ao disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, há que se admitir que referido preceito não se restringe unicamente a uma norma antisimulação, como entende parte da doutrina (para estes, a aplicação como norma antielisão fere o princípio da legalidade estrita), mas opera efetivamente como norma antielisão contra abuso do direito ou contra a fraude à lei. Nesse sentido, novamente, Douglas Yamashita15: A segunda corrente defende, com base na interpretação do verbo dissimular constante do parágrafo em questão, que esse parágrafo consiste em uma norma não apenas antisimulação, mas também antielisão, ou seja, de combate ao abuso do direito e à fraude à lei, sendo constitucional a norma antielisão. Para essa corrente, os atos ou negócios com finalidade dissimuladora da ocorrência do fato gerador do tributo ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária poderiam ser também atos não simulados, uma vez que efetivamente declarados como desejados e executados. Tais atos ou negócios seriam aqueles que utilizam a fraude à lei ou o abuso do direito para disfarçar "licitamente", perante o Fisco, fatos tributáveis. [...] (gridouse) Ainda segundo Yamashita (ob. cit., p. 146), a dissimulação de que trata o parágrafo único do artigo 116 do CTN ocorre não apenas quando um fato jurídico falso dissimula um fato verdadeiro, mas também quando “um fato jurídico verdadeiro VI dissimule, isto é, atenue o efeito de outro fato jurídico verdadeiro V2 e, portanto, sem simulação. Se aquele fato jurídico verdadeiro VI é ato abusivo e dissimula o efeito do segundo fato jurídico verdadeiro V2, então VI constitui um ‘abuso dissimulatório’”. 12 “Um direito subjetivo não é um poder do indivíduo, mas uma função social. Assim, abusivo é o ato antifuncional, contrário ao fim social ou econômico do direito”. (SPOTA, Alberto G. Tratado de derecho civil. Buenos Aires: RubinzalCulzoni Editores, 1995, v. 2., 1.1, p. 10, apud LUNA, Everardo da Cunha. Abuso de direito. Rio de Janeiro: Forense, 1959, p. 92 e ss., apud Yamashita, ob. cit., p. 104). 13 Conf. YAMASHITA, ob. cit., p. 100104. 14 Idem, p. 119120. 15 Ob. cit., p. 144. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 O caso em exame envolve, exatamente, suposto abuso de personalidade jurídica de empresas que, segundo a autoridade fiscal, teriam sido criadas com o intuito exclusivo de gerar vantagem tributária imprópria em favor da recorrente, no caso em análise, na forma de direito creditório indevido para as contribuições PIS e COFINS. Tal forma de abuso, em tese, muito embora seja de natureza civil (art. 50, c/c art. 187 do Código Civil), possui reflexos tributários, sendo, pois, admitida a material desconsideração da personalidade jurídica, ou melhor, dos negócios jurídicos celebrados entre as envolvidas, para fins de lançamento tributário16. Essa questão merece seja utilizado, como adequado critério de exame da ocorrência de suposto abuso do direito de personalidade jurídica, se, no ato, ficou evidenciado eventual aspecto objetivo de anormalidade (se é injustificada a criação das empresas; se fere viés finalístico à operacionalização das mesmas – propósito econômico; se não houve recursos dos sócios para sua constituição; se a empresa não tem empregados, etc.) daí se extraindo ou deduzindo o intuito (aspecto subjetivo) de “dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”, como consta do parágrafo único do artigo 116 do CTN, portanto, em prejuízo do Erário. Enfim, envolve a análise do caso concreto frente às provas que instruem os autos para se examinar se o caso é mesmo de desconsideração do suposto ato abusivo. Em estudo da aduzida caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, considero como de menor importância algumas questões trazidas pela fiscalização, como o grau de parentesco entre os sócios da reclamante e as empresas contratadas, ou ainda, a identidade de objeto social. Contudo, tais fatos tem força probatória subsidiária para, ao lado das questões que julgo como mais importantes, revelarem a efetiva prática da conduta vedada pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. São elas: a) as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.; b) a empresa Rojana (recorrente – tomadora dos serviços) é quase que exclusivo cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly; c) a empresa Rafelly é estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana); d) a transferência dos empregados da interessada quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly, posto que a constituição dessas pessoas jurídicas não foi norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as graves evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o claro viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter crédito tributário indevido. Os fatos acima referenciados, em que se baseiam o presente juízo em favor da caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, não chegam a 16 “Ora, se o abuso de personalidade jurídica, como espécie de abuso do direito, é um ilícito civil (art. 187 do CC/2002) e se todo ato ilícito, ainda que meramente civil, é caso de evasão tributária, então se pode concluir que a desconsideração da personalidade jurídica é perfeitamente cabível em matéria tributária. (YAMASHITA, ob. cit., p. 157) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 189 11 ser maculados pelos argumentos da interessada. Com efeito, a aduzida realização de negócios com outras empresas, a alegada diversidade entre os sócios de cada pessoa jurídica, a regularidade formal trabalhista, o recolhimento dos tributos, nenhum desses argumentos é suficiente para afastar o conjunto probatório trazido pela fiscalização, suficientes para alicerçar a procedência do entendimento oficial. Subsidiariamente, e também em resposta ao argumento da suplicante em prol da nulidade do lançamento em vista de o mesmo haver sido baseado em suposta presunção, destaquese que o direito brasileiro admite sim a utilização de presunções para combater ilícitos tributários. Nesse sentido, a lição de Maria Rita Ferragut17: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”18, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. Em tais casos, a presunção tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito na subsunção da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai, mais uma vez, das considerações de Maria Rita Ferragut sobre o tema: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu19. [...] 17 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 18 Cf. Jimir Doniak Jr, citado por FERRAGUT, ob. cit., p. 146. 19 Op. cit., p. 168. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido20. (grifos nossos) A norma aduaneira, inclusive, admite textualmente a presunção de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior diante da “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (vide artigo 23, inciso V e §§ 2°, do Decretolei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/200221) (destaque nosso). Os argumentos até aqui desenvolvidos também deixam claro que a empresa que procurou se beneficiar indevidamente do direito creditório das contribuições sociais PIS e COFINS foi a própria Rojana Calçados, a qual buscava a extinção de débitos próprios, por compensação, com os supostos créditos das contribuições. Assim, é ela mesma quem deve figurar no pólo passivo, o que afasta também o argumento de nulidade por aduzida ilegitimidade passiva da reclamante. Também não merece prosperar a argüida nulidade do julgamento de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa da interessada, cerceamento o qual teria sido caracterizado na recusa do pedido de perícia destinada a esclarecer, dentre outras, a questão dos adiantamentos que o contribuinte teria realizado às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Segundo o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, o julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, sendo facultado ainda ao mesmo o indeferimento daquelas que “[...] considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]”. Portanto, tanto a perícia como a diligência, por representarem instrumentos capazes de propiciar melhor convencimento ao julgador, poderão ser justificadamente negadas por este, não representando, pois, direito subjetivo do impugnante. Ademais, de acordo com os artigos 15, caput, e 16, § 4º, do PAF, as provas do sujeito passivo deverão ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos “a” a “c” do mencionado § 4º, através de petição devidamente fundamentada (§ 5º do mesmo artigo), condições as quais não foram evidenciadas no caso presente. 20 Op. cit., p. 170. 21 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] (grifo nosso) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100842/200979 Acórdão n.º 3802001.557 S3TE02 Fl. 190 13 A primeira instância recursal indeferiu o pedido de perícia baseada na fundamentada suficiência probatória dos autos para a formação da convicção pelo julgador. A suplicante alega a necessidade de perícia para comprovar a razão dos adiantamentos realizados às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, o que poderia ter feito através da apresentação de documentos que só ela pode dispor. Ora, a interposição de recurso voluntário sem a apresentação de nenhuma documentação nova voltada a alicerçar os argumentos da reclamante revela que andou bem a DRJ quando negou o pedido de produção pericial. E pelos mesmos fundamentos, nego o pedido de perícia reapresentado na presente instância recursal. Afastase, pois, aqui também, o argumento em prol da nulidade por aduzido cerceamento ao direito de defesa da interessada. Examinadas as questões de natureza preliminar e as nulidades aduzidas pela reclamante – deixadas para o final em vista de sua ligação com as questões principais tratadas – e considerando que, no mérito, não assiste razão à recorrente, há que se concluir pela improcedência dos argumentos apresentados pela interessada, devendo, portanto, ser mantido o entendimento da autoridade administrativa no sentido de glosar os créditos argüidos pelo sujeito passivo. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia formalizado pela recorrente, bem como para não acolher as razões de nulidade aduzidas pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13019.000041/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO/ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os atos administrativos que afetem direitos ou interesses deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, sob pena restarem passíveis de revisão/anulação.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
A falta de apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização com vistas à comprovação do direito implica o indeferimento do pleito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO/ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os atos administrativos que afetem direitos ou interesses deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, sob pena restarem passíveis de revisão/anulação. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização com vistas à comprovação do direito implica o indeferimento do pleito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que dava provimento ao recurso. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Kanamaro e Nanci Gama. Relatório Fl. 851DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A interessada protocolizou, em 19/03/2003, o pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao 2º trimestrecalendário de 2002, com supedâneo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, no montante de R$ 749.693,52, conforme retificação de fl. 45, instruído com a documentação de fls. 02/40. Em 13/06/2003, foi formalizado o Pedido de Compensação de Créditos de Terceiros Decorrentes de Restituições e Ressarcimentos relativo ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), em que figura como optante e cessionária a empresa Madeireira Itacolomi Ltda. (CNPJ 98.511.181/000115) e como cedente a epigrafada, conforme cópia de fl. 43, com a compensação de parcela dos créditos pleiteados. Em 09/12/2003, foram transmitidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declarações de Compensação (PER/DCOMP) com a utilização de outra parte do valor de créditos solicitados (fls. 51/151). Consta às fls. 47/48 um relatório de verificação fiscal, elaborado no âmbito da DRF/CAXIAS DO SUL/RS, em 27/08/2004, em que foi confirmado o valor solicitado e proposta a homologação da declaração de compensação até o limite do crédito reconhecido. O Despacho Decisório de 10/09/2004, às fls. 152/154, foi exarado pela mesma Delegacia com o reconhecimento do direito de crédito no montante estampado no pedido de ressarcimento e com a homologação das declarações de compensação e do pedido de compensação, de fl. 43, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), instituído pelo Decreto nº 3.431, de 24 de abril de 2000, sendo citada a Resolução CG/Refis nº 21, de 08/11/2001 e transcrito o respectivo art. 3º. Cientificada da decisão administrativa em 02/02/2005, conforme o AR nos autos, a contribuinte manifestouse em 04/02/2005, mediante a peça de fls. 210/211, subscrita por procurador da pessoa jurídica, em que discorda de débitos discriminados que estariam consolidados em Parcelamento Especial (PAES) consolidados no PAES ou relativo a processo pendente de julgamento administrativo final, com a juntada de documentação comprobatória. Às fls. 253/264 está presente cópia de outra PER/DCOMP, transmitida em 11/11/2004, com a compensação de outra parcela referente ao pleito de ressarcimento. Em 02/05/2006, a empresa noticiou a mudança da respectiva sede para Itajaí/SC (fl. 295). Às fls. 304/305, há a intimação de 03/10/2007 destinada à empresa pela DRF/Itajaí/SC, recebida pela empresa em 08/10/2007, com a solicitação de elementos da escrita fiscal para complementação da instrução processual para entrega no prazo de vinte dias. Em 30/10/2007, a empresa respondeu (fl. 317) que seria impossível localizar e apresentar documentos e informações requisitados por meio da intimação, tendo sido o trimestre em questão objeto de fiscalização anterior, já homologado. Em 29/01/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC elaborou o relatório de fls. 321/334, por força de despacho do Delegado (fls. 319/320), com a proposta de anulação do Despacho Decisório exarado pelo Fl. 852DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13019.000041/200308 Acórdão n.º 310201.533 S3C1T2 Fl. 3 3 Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul/RS, de fl. 43, com supedâneo na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 53 e 54, no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), art. 61. Todo ato administrativo deve ser motivado, assim, sendo os motivos não correspondentes à realidade, o ato é nulo: a requerente incluíra na apuração do benefício fiscal como compras para aplicação no processo produtivo (CFOP 1.11 e 2.11), entradas de produtos acabados remetidos com fim específico de exportação (CFOP 1.85 e 2.85), não sendo esta trading company e não cumprindo os requisitos, menos rígidos, aplicáveis a empresas comerciais exportadoras (as empresas emitentes das notas fiscais deveriam ter remetido os produtos diretamente, por conta e ordem da Itapinus, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado). Em outros processos titulados pela empresa (nº 11020.002203/200531, 11020.002175/200552 e 11020.002195/200523, respectivamente relativos aos primeiros três trimestres de 2003), houve a escrituração correta quanto ao CFOP (1.501 e 2.501), mas o cômputo indevido dos valores na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI e a glosa dos valores; no que concerne ao processo nº 13019.000076/200258, houvera a escrituração errônea quanto ao CFOP, tratandose de aquisições nas mesmas condições já descritas, e foi efetuada a glosa na revisão da apuração do benefício fiscal. Foram anexadas ao sobredito relatório cópias dos despachos decisórios respeitantes a esses processos às fls. 335/483. Em 30/01/2008, às fls. 484/485, foi proferido novo Despacho Decisório, com o acolhimento do teor do supracitado relatório, a anulação do Despacho Decisório anterior, a nãohomologação das compensações pleiteadas devido à inexistência de comprovação do direito creditório e a determinação de cobrança dos débitos próprios e de terceiros, além do bloqueio deste processo como fonte de créditos para eventual aproveitamento, com o desfazimento, inclusive, do aproveitamento de qualquer saldo a favor da interessada concedido pelo ato anulado. A manifestação de inconformidade, de fls. 537/557, quanto à decisão cientificada em 25/02/2008 à procuradora da empresa, foi apresentada em 13/03/2008 e denuncia a anulação do ato administrativo anterior com base em presunções, ilações e aberrações contidas no relatório fiscal, além do que, em resumo, segue: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Itajaí/SC atuou com “arbitrariedade e odiosa máfé, pois tudo o que consta no “relatório” e na “decisão” ora recorrida são elucubrações vazias e impertinentes” baseada na suposição de que toda a fiscalização e o Delegado da DRFB de Caxias do Sul seriam incompetentes ou relapsos; Fora lavrada intimação para apresentação de notas fiscais e livros de registro de entrada e de apuração do IPI referentes ao período em tela, sendo que o direito de Receita Federal verificar o período já teria decaído, tendo sido o pedido de ressarcimento de crédito presumido já examinado e homologado pela DRFB em Caxias do Sul/RS, e a resposta foi de que a empresa não estava mais obrigada a manter a guarda da documentação ao cabo de 5 anos, esta que já havia sido objeto de fiscalização; Sem verificação e sem a indicação de nenhuma ilegalidade ou de outra causa para anulação, desprovido de competência para tal, o Delegado da DRFB de Itajaí/SC resolveu anular a decisão existente, por suspeita de erro, o que representa “uma vergonha para a Administração Pública Federal e uma afronta a todos os princípios que regem o Direito Administrativo e o relacionamento do Fisco com o contribuinte”; Fl. 853DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Houve a anulação do ato administrativo, o que é previsto no caso de ilegalidade; nenhum dos vícios que podem acometer um ato administrativo foram observados: quanto à competência, capacidade, forma, objeto, motivo e finalidade; se nulidade houvesse, a autoridade competente para declarála seria o Delegado da DRFB de Caxias do Sul/RS, e não o de Itajaí/SC; é nula, portanto, de pleno direito a decisão do Delegado da DRFB de Itajaí/SC, por vício de incompetência e por excesso de poder; Lesão ao interesse público não é a compensação já reconhecida de R$ 936.353,30, mas sim a má aplicação da legislação tributária, o desrespeito à justiça tributária e à legalidade, assim como a cobrança indevida de tributos; para a realidade da contribuinte o montante não é elevado, sendo que a própria Receita Federal somente prioriza o julgamento de processos com valores acima de R$ 10.000.000,00; Em relação aos processos mencionados no relatório e que tiveram pequenas glosas do crédito presumido, não houve acolhimento e, sim, o manejo de manifestações de inconformidade, e estes estão pendentes de julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP; mero erro de digitação de notas de compra de compras da contribuinte não abala o direito da contribuinte ao benefício legalmente previsto, conforme decisões do Conselho de Contribuintes, e os despachos decisórios deverão ser reformados nesses processos; tal erro, de não considerar os valores escriturados sob o CFOP 2.501 na formação da base de cálculo do benefício, não teria sido cometido pelo Delegado da DRFB de Caxias do Sul/RS; quanto ao processo nº 13019.000076/200258, não houve concordância, mas os documentos comprobatórios já haviam sido descartados tendo decorrido o lapso prescricional e houve o parcelamento dos débitos oriundos do indeferimento do crédito presumido; Os documentos não poderiam mais ser solicitados, pois a guarda destes já não era mais obrigatória pelo decurso do prazo de cinco anos (RIR, art. 264 e CTN, art. 193), tendo a empresa, depois da mudança da matriz de Caxias do Sul/RS para Itajaí/SC, descartado o que não era mais de guarda obrigatória; somente poderia ter sido exigida da empresa, em outubro de 2007, segundo o CTN, art. 173, a apresentação de documentos e livros relativos ao período de outubro de 2002 em diante; Por derradeiro, requer a declaração de nulidade da decisão proferida pelo Sr. Delegado da DRFB em Itajaí/SC, ou então a reforma dessa mesma decisão, sendo, de qualquer sorte, restaurada integralmente a decisão proferida pela autoridade competente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Observado vício de motivação em ato administrativo decisório, em virtude do desconhecimento pela autoridade fazendária de circunstâncias contrárias ao que a legislação específica preconiza, é cabível a anulação deste com o reexame dos fatos e a elaboração de novo despacho decisório. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13019.000041/200308 Acórdão n.º 310201.533 S3C1T2 Fl. 4 5 Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Acrescenta protestos dirigidos à decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A questão nevrálgica do processo gira em torno da anulação da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul homologando as compensações requeridas pela recorrente. O Delegado da Receita Federal em Itajaí, nova jurisdição da empresa, em despacho fundamentado no qual demonstra a flagrante e oposta divergência de decisões entre processos que apresentam o mesmo pedido, considerou o ato passível de anulação, assim manifestando. Finalmente, considerando que a Administração Pública deve anular os seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, nos termos do Art. 53, da Lei n° 9.784/99, determino: 1 — que os AFRFB Klebs Garcia Peixoto Júnior e Ronaldo Costa de Castro analisem as provas de fato deste processo administrativo, em confronto com as provas de fato dos processos números 13019.000076/200258, 11020.002203/2005 31, 11020.002175/200552 e 11020.002195/200523; 2 — que seja feito um "Relatório Fiscal" para demonstrar e esclarecer os motivos que fundamentaram os atos administrativos praticados neste processo de número 13019.000040/200355, que resultou em decisão inversa em relação às decisões dos processos números 13019.000076/200258, 11020.002203/200531, 11020.002175/200552 e 11020.002195/200523, quanto aos respectivos pedidos de ressarcimento de valores de crédito de IPI ; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 3 — que sejam anexadas, no referido Relatório, as provas de matéria de fato que irão fundamentar a demonstração e os esclarecimentos indicados no item anterior; 4 — a elaboração de um Relatório Conclusivo; 5 — que o prazo de conclusão seja de dez dias. Tal como consta do Relatório Conclusivo que sucedeu o despacho acima reproduzido, a empresa utilizouse para apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI, em outros processos análogos, valores constantes em muitas notas fiscais de vendas de produtos acabados para exportação, e não de notas fiscais de insumos adquiridos para um processo produtivo, dentre outras irregularidades. Aduz que a decisão da DRF Caxias do Sul/RS foi baseada nos CFOP escriturados pela Itapinus, e, que, (...) esses CFOP, por meio de exame individual das notas fiscais correspondentes pela DRF Itajaí/SC, com o conteúdo dessas notas no processo 13019.000076/200258, chegouse à conclusão de que a maioria dessas notas fiscais estava escriturada erroneamente sob CFOP que não traduziam a verdade material dos fatos, implicando que seus valores não poderiam ser utilizados como base de cálculo para o crédito presumido de IPI; A anulação da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul foi fundamentada nas disposições legais contidas na Lei n° 9.784/99. Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Prescreve o mesmo diploma legal. Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Consta dos autos Relatório de Verificação Fiscal lavrado na cidade de Vacaria, Rio Grande do Sul, e despacho homologatório correspondente. A seguir se vê reproduzida a íntegra do documento. ASSUNTO: CRÉDITO PRESUMIDO/IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 2002/32 trimestre VERIFICAÇÃO PRÉVIA Fl. 856DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13019.000041/200308 Acórdão n.º 310201.533 S3C1T2 Fl. 5 7 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, atendendo solicitação contida no processo acima, folha n.240, para verificação da legitimidade do ressarcimento de créditos, de acordo com a Lei n2 10.276/2001 2 IN 420/2004, efetuamos o seguinte procedimento: 1. Requisição dos livros de Apuração do IPI de 2002. 2. Requisição das memórias de cálculo. 3. Requisição dos livros de Inventário. 4. Conferência das informações e dos cálculos contidos no processo e nos livros. Fatos: A empresa protocolou um pedido inicial de ressarcimento de R$1.083.705,05. Em 11.12.2003 protocolou uma nova ficha de solicitação de ressarcimento no valor de R$ 936.356,30. Foram entregues duas DCTFs no período, uma original e uma retificadora. Na retificadora, constava o valor de crédito presumido do período que não coincidia com nenhum dos dois valores. Intimado a apresentar documentos comprobatórios do valor solicitado em 11.12.2003, o contribuinte retificou novamente a DCTF uma vez que não havia sido diminuído nas fichas o valor do ressarcimento do crédito presumido de IPI do primeiro e do segundo trimestres. Desta forma, da diferença entre a soma dos valores de ressarcimento do primeiro e segundo trimestres e o valor da DCTF resulta no pedido de 936.356,30. Em vista da documentação apresentada e mediante a conferência das informações, CONFIRMAMOS O VALOR SOLICITADO. VALOR SOLICITADO: R$936.356,30 VALOR A RESSARCIR: R$: R$936.356,30 (novecentos e trinta e seis mil, trezentos e cinqüenta e seis reais e trinta centavos). (Assinatura do AuditorFiscal responsável) (Assinatura do Chefe da Fiscalização) Em vista da informação retro, homologo a compensação dos débitos constantes das Dcomps vinculadas a este processo ate o montante do credito antes referido. (Assinatura da Secção de Orientação e Análise Tributária) Examinando o teor do Relatório de Verificação Fiscal não é possível concluir sob quais fundamentos a fiscalização chegou à conclusão de que deveria confirmar o valor solicitado. Segundo consta, houve uma intimação dirigida à recorrente por meio da qual solicitaramse os documentos comprobatórios do valor solicitado, já que estes não condiziam com as informações das duas DCTF entregues no período. O contribuinte retificou novamente a DCTF (...). Desta forma, da diferença entre (R$1.833.253,79) e (R$1.083.705,05) resultava o valor de R$ 749.693,52. Em vista da documentação apresentada e mediante a conferência das informações, CONFIRMAMOS 0 VALOR SOLICITADO A prática administrativa não tem trilhado este caminho. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Como pode ser confirmado até mesmo neste processo, o exame de pedido de ressarcimento/compensação é realizado de forma minuciosa em relatório no qual são apontados cada um dos procedimentos adotados pela fiscalização, as incorreções identificadas e a metodologia de cálculo, para citar o mínimo. É também da Lei 9.784/99 a determinação para que os atos administrativos contenham a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos sempre que afetem direitos ou interesses. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. O que fica claro é que há um conjunto de requisitos procedimentais que devem ser respeitados, sob pena do ato tornarse passível de rejeição. Com efeito, se dúvidas existem quanto à admissibilidade do ato praticado pelo Delegado da Receita Federal em Itajaí, penso que se devam preponderantemente à ausência de disposições legais específicas para circunstâncias ainda não contempladas por uma legislação que vemse aos poucos sedimentando. Boa parte das regras que regulam a tramitação do pedido de compensação de créditos do contribuinte com o crédito tributário foi instituída em data muito recente pelo legislador ordinário, como exemplifica a Lei 10.833/03 na qual ficaram definidos inúmeros critérios para o processamento do pedido. Penso que, para refletir sobre o assunto, seja interessante lançar mão de alguns postulados presentes no Código Tributário Nacional versando sobre assunto já há mais tempo regulamentado pela legislação – o lançamento do crédito tributário. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13019.000041/200308 Acórdão n.º 310201.533 S3C1T2 Fl. 6 9 O artigo 149 prevê situações em que o lançamento efetuado seja revisto pela autoridade administrativa, sempre que sejam encontradas circunstâncias suficientes, nos seguintes termos. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não existindo o direito da Fazenda Pública. Imperioso destacar o contido no parágrafo único acima transcrito. Em nome da segurança jurídica, a possibilidade de revisão do lançamento efetuado só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É aí que se encontra elemento limitador dos atos praticados pela Administração com vistas à realização de seus objetivos arrecadatórios. Também não me parece pertinente discutir a natureza do ato praticado, se de decretação de nulidade, revisão ou revogação. O próprio legislador ordinário cuidou de afastar interpretações indesejáveis ao incluir no parágrafo segundo do artigo 53 da Lei 9.784/99 a disposição de que “considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato”. Por todo o exposto, considerando a inobservância das disposições legais que regulam a matéria, inclusive a ausência de fundamentação do ato praticado, a necessidade aplicação por analogia das disposições legais contidas no Código Tributário Nacional, a prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, ante a falta de comprovação do direito creditório alegado. Sala de Sessões, 27 de junho de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10120.905851/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 05 85 1/ 20 09 -8 4 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10120.905851/200984 Resolução nº 3402000.550 S3C4T2 Fl. 142 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte, decorrente de alegação de pagamento indevido ou a maior de PIS referente ao período de Fev/2003 sob o valor R$ 164,96 (cento e sessenta e quatro reais e noventa e seis centavos), com débito de CSLL relativo ao 4º Trimestre de 2004. O pedido de compensação não foi homologado sob a alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, o pagamento por meio de DARF de PIS no montante principal de R$1.815,00, que seria aquele que continha o pagamento a maior, já teria sido integralmente utilizado para extinguir o débito do mesmo tributo. O contribuinte insurgiuse argüindo que o valor real do débito de PIS relativo ao período em questão havia sido informado a maior em DCTF, mas que na DIPJ respectiva, estava corretamente consignado, razão pela qual entendeu que não seria necessária a retificação da DCTF e que a Administração faria a imputação automática do crédito, pleiteando ainda a nulidade da decisão por cerceamento de defesa e o provimento da manifestação de inconformidade. A 2ª Turma da DRJ de Brasília proferiu o Acórdão nº 0343.732, pelo qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que o apontamento em DIPJ não seria suficiente para comprovar o pagamento a maior, devendo o contribuinte ter trazido cópia da escrita fiscal que demonstrasse referido indébito. Inconformada com a decisão, o sujeito passivo apresentou tempestivamente Recurso Voluntário a esse Conselho, repisando os argumentos alinhados quando de sua manifestação de inconformidade, mas fazendo acostar cópia de documentos contábeis como forma de demonstrar a existência de pagamento a maior do referido tributo, pleiteando, com isso, o provimento do recurso para que seja homologada a compensação declarada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volume, numerado até a folha 91 (noventa e um), e após com diversos documentos já no formato eletrônico numerado até a folha 140, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10120.905851/200984 Resolução nº 3402000.550 S3C4T2 Fl. 143 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. A questão posta nos autos cingese à matéria probatória, na medida em que o cruzamento eletrônico entre o que restou informado na DCTF apresentada pelo contribuinte e o DARF apontado como veículo do pagamento indevido, não apontou diferenças, de modo que, eletronicamente, se constatou pela inexistência do crédito pleiteado. Por outro lado, constatase que a DIPJ apresentada pelo contribuinte respaldaria esse pagamento indevido ou a maior que o devido, porém, como referido documento não possui o atributo de “confissão de dívida” não serviu ao “cruzamento de dados”, e consequentemente, acabou por prevalecer o que da DCTF constara. Em circunstância inversas, ou seja, naquela em que o sujeito passivo informa débito a maior em DIPJ do que na DCTF, o sistema de cruzamento eletrônico da Administração deflagra a fiscalização, para que seja verificado o porquê da diferença, e não raro nos deparamos com autuações que se originaram destes cruzamentos. Penso que o mesmo tratamento deveria ser franqueado ao contribuinte. Desta forma, tenho que no caso em concreto há um início de prova que permite efetivamente dar credibilidade aos argumentos do contribuinte, no sentido de que sua escrita fiscal respaldaria o que foi por ele informado em DIPJ, mas que não fez constar em DCTF. De fato, os documentos contábeis trazidos no recurso servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Verifique a escrita contábil e fiscal do contribuinte com relação ao mês em que está sendo apontada a existência de crédito utilizado para compensação veiculada na DCOMP em análise; b) Manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante; c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10510.001546/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO A PESSOAS
FÍSICAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer
título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço
da empresa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta
de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a
remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À
ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se
à data de ocorrência do fato gerador e rege-se
pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os
fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se
a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso
II da Lei 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente
à época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL Recorrente ESTADO DE SERGIPE ADMINISTRAÇÃO DIRETA. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO A PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, relativa à contribuição previdenciária patronal, para as competências 01/2006 a 03/2008. O Relatório Fiscal (fls. 28/29) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações dos segurados contribuintes individuais, em forma de salários, confirmados mediante verificação nas folhas de pagamentos e registros contábeis, em arquivo digital e em papel, fornecidos pela Secretaria, bem como nas GFIP, Guias de Recolhimento (GPS), Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, dentre outros. Foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. “SCI” à referese às remunerações pagas às pessoas que trabalharam para a realização do “Programa Sergipe Cidadão” da Secretaria do Estado da Educação, sob o título de “Alfabetizadores Voluntários”, que não foram declaradas em GFIP; 2. “PUI” à referese às remunerações pagas às pessoas que trabalharam a serviço da Secretaria do Estado da Educação para a realização do processo seletivo de alunos que buscavam ingressar no curso pré universitário fornecido pela SEED, que não foram declaradas em GFIP; 3. “SU1” à referese às remunerações pagas às pessoas que trabalharam a serviço da Secretaria do Estado da Educação para a realização de exames do “Supletivo” sob a responsabilidade da SEED, que não foram declaradas em GFIP. Esse Relatório informa ainda que os valores apurados decorrem de ação fiscal realizada junto ao Estado de Sergipe (Secretaria de Estado da Educação). Até a competência 01/2008, os documentos observados estavam relacionados ao CNPJ 13.130.497/000104. Para as competências seguintes, os documentos examinados estavam relacionados ao CNPJ 13.128.798/001418, utilizado atualmente pela Secretaria de Estado da Educação. A fiscalização junta aos autos os Anexos I, II e III que se referem a cópias de folhas de pagamentos relativas a cada levantamento, visando demonstrar que houve a contratação de pessoas para a realização dos trabalhos e o pagamento de remuneração para realização dos mesmos. Informa que a remuneração paga aos trabalhadores da Secretaria de Estado da Educação que estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado não foi objeto de análise na fiscalização, pois o procedimento fiscal foi restrito aos fatos geradores das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Pontua a Fiscalização que os valores do presente AI referemse exclusivamente aos valores devidos pelos segurados que estiveram a serviço da SEED a título Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 de contribuição previdenciária, para os quais não foi constatado o desconto da remuneração do trabalhador. Os recolhimentos efetuados, identificados no Relatório de Documentos Apresentados (RDA), foram apropriados prioritariamente aos valores declarados em GFIP. Feita esta apropriação, os saldos do contribuinte foram devidamente considerados face aos levantamentos constantes dos AI 37.216.7217, 37.216.7225 e 37.216.7233 e os valores ainda remanescentes foram apropriados aos levantamentos deste Auto de Infração. As apropriações encontramse demonstradas no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA). No item 12 do Relatório Fiscal, há a afirmação de que foi realizado o comparativo da multa aplicada, em função das modificações trazidas pela Lei 11.941/2009, reportandose aos Anexos IV e V do Auto de Infração. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/04/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 50/58), alegando, em síntese, que: 1. Do levantamento SCI. O fato gerador que decorre da relação jurídica estabelecida entre os voluntários e o FNDE. Pagamento, creditamento e obrigação da União, por meio do FNDE. Os programas "Sergipe Cidadão" e "Sergipe Alfabetizado" destinamse à alfabetizar a população mais carente do Estado de Sergipe, notadamente daqueles cidadãos que vivem no sertão e que tem dificuldade de acesso a escolas. Este programa é financiado pelo Fundo Nacional de Educação FNDE, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, e destinado a todos os Estados da Federação que aderiram por meio de convênio. Nos termos do art. 33 e art. 36 da Resolução do Conselho Deliberativo do FNDECD/FNDE n° 045, de 18/09/2007, cópia anexa, resta claro que o ônus financeiro da despesa com pessoal envolvido nestes programas sociais é do FNDE, órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura MEC, ou seja União Federal. Consoante o art. 4o, inciso I, alínea “d”, da mencionada resolução é atribuição do MEC autorizar ao FNDE o pagamento, a interrupção ou o cancelamento do pagamento das bolsas. Nos termos da Lei de Custeio da Previdência, os encargos relacionados com a contribuição previdenciária devem ser suportados pelo ente que paga, credita ou que se obriga pela remuneração destinada a qualquer dos segurados obrigatórios. Em razão do narrado, não há como subsistir o levantamento SCI, motivo pelo qual deve ser cancelado e extinto o débito dele correspondente; 2. Levantamentos PUI e SU1. Prestadores de serviço vinculados ao regime próprio de Previdência Social do Estado de Sergipe. Verba que não sofre incidência de contribuição previdenciária destinada ao RGPS. Posterior juntada de documentos adicionais. Em todos os levantamentos os servidores envolvidos não podem ser considerados como contribuintes individuais, eis que são servidores públicos efetivos do Estado de Sergipe e, como tal, vinculados ao Regime Próprio de Previdência. Juntada aos autos, por amostragem, cópia da Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 3 5 folha de pagamento destes servidores, acompanhada de planilha identificadora de cada cargo ocupado pelos envolvidos, demonstrando que são servidores públicos efetivos. Entretanto, caso haja necessidade, podem ser juntados elementos adicionais tão logo solicitado, bem como, podem ser colocados à disposição para diligenciamento local pelo Fisco; 3. Ausência de identificação no RADA da utilização de todo o montante de recolhimentos contidos nos documentos apresentados à fiscalização. Cerceamento de defesa. Analisandose o RADA verificase que, em diversas competências, do montante da contribuição devida, apurada pela fiscalização, foi apropriado valor inferior ao total recolhido pelo contribuinte, ora impugnante. Boa parte do recolhimento realizado pelo contribuinte foi apropriado em documento desconhecido (documento de EXCLUSÃO), cuja base de cálculo não foi demonstrada pelo agente autuante. A ausência de demonstração pelo fisco do destino de todo o montante recolhido pelo contribuinte, com vistas a abater o saldo da dívida apurada, traz indubitável cerceamento de defesa, uma vez que impede a análise quantitativa por parte do contribuinte do que realmente é devido – o quantum debeatur. Em suma, analisandose o relatório fiscal e os documentos que acompanham é possível afirmar que em todas as competências houve saldo de recolhimento do Estado de Sergipe que foi desconsiderado pelo fisco, apropriandoo em documento de Exclusão, cujo detalhamento não foi apresentado pelo agente autuante. Esta situação, além de caracterizar ofensa ao princípio da ampla defesa, eis que impede o conhecimento completo das razões que motivaram o lançamento, permite afirmar que há recolhimento suficiente para cobrir o saldo da dívida cobrado; 4. Por fim, requer sejam acolhidas as alegações desta defesa administrativa, sendo declarado extinto o contestado crédito tributário, definido e lançado através do AI n° 37.216.7241. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1525.665 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 297/304) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade e determinou a aplicação da multa mais benéfica, sendo que isso será verificado no momento do pagamento, quando o percentual da multa de mora se encontrará definido. A Notificada apresentou recurso (fls. 310/317), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais alega improcedência dos valores apurados em decorrência da cessão de mãodeobra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Aracaju/SE encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 320). É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega houve ausência de identificação no RADA da utilização de todo o montante de recolhimentos contidos nos documentos apresentados ao Fisco, sendo que isso ocasionaria o cerceamento ao seu direito de defesa e nulidade do lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas às contribuições previdenciárias, parcela patronal, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes que prestaram serviços ao Estado de Sergipe (Secretaria de Estado da Educação SEED). Os valores das contribuições sociais apuradas decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, concernentes às divergências do confronto de valores efetivamente recolhidos pela empresa com aqueles apurados nas folhas de pagamento, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) e nos registros contábeis, em arquivo digital e em papel, fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação (SEED). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/31) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 4 7 art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 28/29) e seus anexos (fls. 01/27) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 26/27), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo de Débito DD, que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 03/04). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 05/19); Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (fls. 20/25); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, incluindo os acréscimos legais, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/31) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Dentro desse contexto fático, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na peça de impugnação (fls. 122/128). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao montante de recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo e apropriados no RADA –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise da peça de impugnação. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão de primeira instancia, exarado por meio do Acórdão no 1525.665 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 297/304), para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Tal decisão registrou os seguintes termos: “[...] Examinandose, detalhadamente, o RADA verificase que foi criado pela fiscalização um documento de exclusão, onde os recolhimentos constantes do RDA, foram apropriados, prioritariamente, aos valores declarados em GFIP, estando, inclusive a apropriação discriminada por levantamento (DD, FD, CD e RD) e por rubrica (segurados, empresa, SAT/RAT, e contribuinte individual). E sabido que as informações declaradas nas GFIP, inclusive as referentes aos fatos geradores e suas respectivas contribuições previdenciárias, são de responsabilidade do contribuinte. Sendo assim, é óbvio que este tem conhecimento do valor devido à Previdência Social informado no referido documento. Assim, apropriandose os valores das contribuições previdenciárias recolhidas, registrados no relatório RDA, aos valores declarados em GFIP, ficam os valores remanescentes que foram apropriados neste AI e nos AI n° 37.216.7217, 37.216.7225 e 37.216.7233, na forma demonstrada no RADA [...]”. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente ainda alega que não deveria haver a aplicação da alíquota de 20% sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais, pois não ficou caracterizada a prestação de serviços à Secretaria de Estado da Educação (SEED). Constatase que os documentos (folhas de pagamento) juntados pelo Fisco ao presente processo, constantes dos Anexos I, II e III, demonstram que – para a realização dos serviços do “Programa Sergipe Cidadão” (levantamento SCI), do curso préuniversitário (levantamento PUI) e de exames do “Supletivo” (levantamento SU1) – o Estado de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação (SEED), contratou pessoas físicas e as remunerou pelos serviços prestados. Além disso, os elementos probatórios acostados pela Recorrente não sinalizam que os trabalhadores envolvidos no presente lançamento são servidores públicos efetivos do Estado de Sergipe e, como tal, vinculados ao Regime Próprio de Previdência (RPP). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 5 9 Cumpre esclarecer que, para o contribuinte individual, configurase salário de contribuição todos os valores a este pagos por pessoas físicas e jurídicas, dentro do mês, em decorrência de serviços prestados, conforme art. 28, inciso III, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o parágrafo 5º. Para a empresa, que é o caso do presente processo, a contribuição previdenciária patronal será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, nos termos do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Pela exposição de fatos registrados na peça recursal da Recorrente, a solução para a controvérsia instaurada reside na análise jurídica e fática dos prestadores de serviços. Entendo que os prestadores de serviços do “Programa Sergipe Cidadão”, do curso préuniversitário e de exames do “Supletivo”, vinculados à Secretaria de Estado da Educação (SEED), são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais, não restando dúvida que eles não mantêm vínculo empregatício com a Recorrente, nos termos do art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei 8.212/1991. Isso está devidamente fundamentado nos documentos acostados aos autos, tal como o Relatório Fiscal. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Essa circunstância de que os prestadores de serviços da Secretaria de Estado da Educação (SEED) são contribuintes individuais obriga que a Recorrente realize o Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991, acima transcrito. Com isso, surge o fato gerador da contribuição previdenciária com a realização da prestação de serviços do “Programa Sergipe Cidadão”, do curso préuniversitário e de exames do “Supletivo” à Recorrente, nos termos do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991, retromencionado. Também afasto a alegação da Recorrente de que os contribuintes individuais são remunerados diretamente pelo FNDE, órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), ou seja União Federal, eis que a contratação dos contribuintes individuais era realizada pelo Estado de Sergipe, visando à prestação de serviço público estadual e não da União Federal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 6 11 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/201061 Acórdão n.º 2402002.613 S2C4T2 Fl. 7 13 Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei no 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.004971/2005-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2000 a 20/09/2000, 11/10/2000 a 20/10/2000, 01/11/2000 a 10/11/2000
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco
Tostado classificam-se na posição 1704.90.90 da TIPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco Tostado classificamse na posição 1704.90.90 da TIPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 49 71 /2 00 5- 17 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 500 2 Relatório O presente Recurso Voluntário referese à decisão da Delegacia da Receita Federal de Belém, que entendeu por bem manter o Auto de Infração em que a autoridade fiscal busca cobrar débito de IPI em razão de suposto erro de classificação fiscal de alguns de seus produtos. O acórdão ora recorrido da DRJ de origem é minucioso quanto ao relato do conteúdo dos presentes autos, razão pela qual o adoto, in verbis: 1.Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração, por ter o estabelecimento promovido saídas de produtos tributados com erro de classificação fiscal assim resultando na falta de recolhimento do IPI. Foi constituído crédito total no valor de R$76.792,52. 2. Segundo o Termo de Verificação fiscal de fls. 56/61, a contribuinte classificava incorretamente no código 2106.90.90 (complementos alimentares) os produtos Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco Tostado, quando deveria classificálos no código 1704.90.90 (produtos de confeitaria, sem cacau). 3. Cientificada em 31.05.2005, a interessada apresentou, tempestivamente, em 27.06.2005, impugnação (fls. 152/166), na qual, em síntese, alega que: a) “(...) não há como capitular os cereais em barra como ‘produtos de confeitaria’, na medida em que a Nota Explicativa na posição n.° 17 determina que ‘no presente Capítulo estão compreendidos os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc.), os xaropes, os sucedâneos do mel, os melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes’, dentre os quais, evidentemente, não se incluem os cereais em barra.”; b) “Por outro lado, a capitulação utilizada pela Impugnante, como ‘Preparações alimentícias diversas/Complementos Alimentares — outros’, revelase a mais adequada, vez que a autuação utiliza o conceito de ‘complementos alimentares’ colhido de fonte absolutamente desautorizada, qual seja, organização privada alienígena que não tem nem legitimidade e nem competência para tanto”; c) “Os cereais em barra, evidentemente, não se destinam confeitaria, pois ao contrário do que sustentado no Auto de Infração, efetivamente se alojam na posição 21 da Tabela, tal como explica a Nota n.° 16 do Capitulo 17 das NESH (...)”;d) “E para que se chegue a esta conclusão, basta uma simples análise destas embalagens, onde constam os ingredientes citados (frutas, mel, frutose), a adição Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 501 3 de ferro em sua composição, e as mensagens ‘Neston Barra. O exercício mais gostoso’, ‘Pratique esse prazer’, ‘Rico em fibras’, ‘35% menos gordura’, o que deixa flagrante sua destinação à manutenção da saúde e do bem estar geral, e indiscutível sua subsunção à posição 21.”; e) “Ainda que a autuação sustente que os cereais em barra possam ser classificados na posição 17 (açúcar e produtos de confeitaria), aplicase, neste caso, o disposto na Regra 3, ‘a’, 1ª parte, das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado, tendo em vista a maior especificidade da posição 21 em relação à posição 17”; f) Destaca que “o Sistema Harmonizado, tal como todas as regras positivadas em nosso sistema, deverá ser interpretado de acordo com os ditames da Constituição Federal, que consagra o principio da seletividade como um dos nortes do sistema tributário nacional”, citando doutrina a esse respeito; g) Aponta ilegalidade e inconstitucionalidade da multa aplicada, entendendo que a multa prevista pelo art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996, só se aplicaria aos casos em que o contribuinte deixa, pura e simplesmente, de lançar e recolher o tributo, sendo que, como efetivamente recolheu o tributo, à luz do art. 112 do CTN e da jurisprudência e doutrina citadas, descaberia qualquer agregado à título de multa, ou quando muito, este deveria ser reduzido para 20%, sob pena de malferimento do art. 150, IV da CF/88; h) Contesta, por sua inconstitucionalidade, a imputação dos juros de mora pela taxa SELIC, a qual deve ser substituída pelos juros de 1% ao mês, como previsto no CTN. i) Por fim, requereu o contribuinte: i.1) Que as intimações fossem encaminhadas a Marcos Figueiredo Vasconcellos; i.2) Que fosse realizada perícia técnica para a determinação da correta classificação fiscal dos produtos em questão; i.3) Que fosse julgado improcedente o lançamento; i.4) Que, caso o lançamento não fosse considerado improcedente, fosse afastada a aplicação da multa com base no art. 112 do CTN, ou que seu percentual fosse reduzido a 20% do principal devido; i.5) Que a taxa SELIC fosse substituída pelos juros moratórios de 1% ao mês. Com base neste relatório, o referido acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2000 a 20/09/2000, 11/10/2000 a 20/10/2000, 01/11/2000 a 10/11/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco Tostado classificamse na posição 1704.90.90 da TIPI. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 502 4 É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa julgadora não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insurgese o contribuinte contra a decisão da Delegacia de origem, reforçando os argumentos trazidos por ocasião de sua Impugnação, no sentido de que classificou corretamente as mercadorias objeto do Auto de Infração, observados os termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Requer, ao final, seja reformada a decisão recorrida, para o fim de cancelarse o Auto de Infração, ou, quando menos, para o fim de afastar a aplicação abusiva e ilegal da multa e do índice de correção. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 503 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, relatora O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A questão polemizada no presente recurso pode ser assim resumida: A autoridade fiscal analisa os produtos "Neston Banana" (códigos 2550 e 2553), "Neston Coco Tostado" (códigos 2551, 2554), e "Neston Morango" (códigos 2552 e 2555), correspondentes a cereais em barra classificados pela Recorrente na posição 2106.90.90 (complementos alimentares — outros), tributados à alíquota zero, para recondicionálos na posição 1704.90.90 (produtos de confeitaria sem cacau — outros), sobre os quais incide a alíquota de 5% (cinco por cento) a titulo de IPI. A Nota Explicativa, na posição n.° 17, defendida pelo agente fiscal como sendo a aplicável aos produtos analisados, determina que "no presente Capitulo estão compreendidos os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc.), os xaropes, os sucedâneos do mel, os melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes". Por outro lado, a capitulação utilizada pela Recorrente, como "Preparações alimentícias diversas/Complementos Alimentares — outros", estaria alojada na posição 21 da Tabela, tal como explica a Nota n.° 16, do Capítulo 21 das NESH: "Classificamse especialmente aqui: 16) As preparações designadas muitas vezes sob o nome de 'complementos alimentares', à base de extratos de plantas, concentrados de frutas, mel, frutose, etc., adicionados de vitaminas e, por vezes, de pequenas quantidades de compostos de ferro. Estas preparações apresentamse acondicionadas em embalagens, nas quais consta que se destinam à manutenção da saúde e do bemestar geral". Pois bem. Entendo que um produto que traz em sua composição 48% de matériaprima de base cereal (aveia, cevada, flocos de trigo e cereal com base láctea), e o restante de ingredientes considerados “coadjuvantes tecnológicos” (gordura hidrogenada, oleína de palma, xarope de glicose, leticina, corantes e aromatizantes), conforme descrições em sua embalagem, não pode ser considerado confeito, cuja definição, transcrita na Nota Explicativa mencionada, é clara no sentido de se tratar de açúcares ou produtos cujo componente predominante seja um açúcar. Por outro lado, há de se concordar com a conclusão da Delegacia de Julgamento de origem, no sentido de que o que caracteriza um “complemento alimentar” não é, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 504 6 apenas, ser uma preparação à base de extratos de plantas, concentrado de frutas, mel, frutose, etc., ou que conste na embalagem expressões que permitiriam supor que o produto destinase à manutenção da saúde e do bem estar. Para caracterizar uma preparação alimentícia como complemento alimentar fazse necessária a adição de vitaminas, conforme se depreende da leitura da Nota no. 16, acima transcrita. E, no caso dos produtos da Recorrente, não há, na composição, esse elemento essencial ao complemento alimentar, a vitamina. Analisando detidamente a composição do produto, conforme descrito pela própria autoridade fiscal por ocasião da análise de sua Classificação Fiscal, e da leitura das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, depreendese que a melhor classificação do produto da Recorrente encontrase descrita na Seção IV, Capítulo 19 – Preparações à base de cereais, amidos, féculas ou de leite; produtos de pastelaria. Merece atenção a classificação 1904.90, disposição B: 1904 Produtos à base de cereais, obtidos por expansão ou por torrefação (por exemplo, flocos de milho ("corn flakes")); cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de outros grãos trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e da sêmola), précozidos ou preparados de outro modo, não especificados nem compreendidos em outras posições. 1904.90 Outros B) Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados, de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou de cereais expandidos. Este grupo inclui as preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados bem como as obtidas de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou de cereais expandidos. Estes produtos (freqüentemente denominados Müsli) podem conter frutas secas, nozes, açúcar, mel, etc. São geralmente acondicionados como alimentos para refeições matinais. É fato que a NESH esclarece que se excluem dessa classificação “os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04)”. Porém, não há que se olvidar que a exclusão supra mencionada alcança apenas cereais revestidos de açúcar (não é o caso do produto da Recorrente), ou que contenha açúcar numa proporção tal, que lhe confira as características de produtos de confeitaria. No caso das barras de cereais, repitase, a composição é predominantemente de cereais, e não de açúcar, como ocorre com os produtos de confeitaria descritos na posição 17.04.90, que tem em sua composição o açúcar como elemento principal, a saber: 1704.90 Outros Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido, em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. Entre estes produtos podem citarse: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 505 7 1) as pastilhas, incluídas as gomas de mascar açucaradas (chewing gum e semelhantes); 2) as balas (rebuçados) (incluídas as que contenham extrato de malte); 3) os caramelos, catechus, nogados, fondants, as pastilhas, as amêndoas açucaradas (rahat loukoum); 4) o marzipã (maçapão*); 5) As preparações que se apresentem sob a forma de pastilhas para a garganta ou de balas (rebuçados) contra a tosse, constituídas essencialmente de açúcar (mesmo adicionado de outras substâncias alimentícias, tais como gelatina, amido ou farinha) e agentes aromatizantes (incluídas as substâncias com propriedades medicinais, tais como álcool benzílico, mentol, eucaliptol e bálsamodetolu). No entanto, as pastilhas para a garganta ou as balas (rebuçados) contra a tosse que contenham substâncias com propriedades medicinais, exceto agentes aromatizantes, classificamse no Capítulo 30, desde que a proporção dessas substâncias em cada pastilha ou bala (rebuçado) seja de tal ordem que elas possam ser utilizadas para fins terapêuticos ou profiláticos. 6) O chocolate branco, composto de açúcar, manteiga de cacau (não se considerando esta como cacau), leite em pó e aromatizantes, com alguns vestígios de cacau. 7) O extrato de alcaçuz, sob qualquer forma (pães, blocos, bastões, pastilhas, etc), com mais de 10%, em peso, de sacarose. Quando apresentado (isto é, preparado) como produto de confeitaria, aromatizado ou não, o extrato de alcaçuz classifica se nesta posição, sendo irrelevante a proporção de açúcar nele contida. 8) As geléias e pastas de frutas, adicionadas de açúcar, e apresentadas sob a forma de produtos de confeitaria. 9) As pastas à base de açúcar, não contendo ou contendo apenas uma pequena quantidade de gorduras, próprias para transformação direta em produtos de confeitaria desta posição, mas que servem também como recheio para produtos desta ou de outras posições, tais como: a) Pastas para fondants preparadas com sacarose, xarope de sacarose ou de glicose e/ou xarope de açúcar invertido, com ou sem aromatizante, utilizadas na fabricação de fondants e como recheio de bombons ou choclolates, etc. b) Pastas para nogado, constituídas por misturas aeradas (sopradas*) de açúcar, água e matérias coloidais (por exemplo, clara de ovo) e, às vezes, adicionadas de uma pequena quantidade de gorduras, com ou sem adição de avelãs, frutas ou outros produtos vegetais, utilizados na fabricação de nogado e como recheio de chocolates, etc. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 506 8 c) Pastas de amêndoa, preparadas principalmente com amêndoas e açúcar, destinadas essencialmente à fabricação de marzipã (maçapão*). Interessante também verificar que a classificação conferida às barras de cereais pelo Ministério das Finanças de Portugal, utilizandose também o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, por ser um método internacional de classificação de mercadorias, é exatamente a de posição 1904. Confirase os argumentos: DESCRIÇÃO DA MERCADORIA: ‘CRUESLI’ constituído por cereais expandidos adicionado de xarope de milho e melaço. CLASSIFICAÇÕES PAUTAIS EM DÚVIDA: 1904 10 90 0 00 900 e 1905 30 59 0 00 000 DECISÃO: 1904 10 90 0 00 900 FUNDAMENTOS: Por considerar que a mercadoria em litígio é representada por uma partida designada por ‘CRUESLI’ (Bars Banana, Bars Date/Orange, Bars Peanut) constituída por cereais (aveia, trigo e arroz) expandidos, adicionados de xarope de milho e melaço, para permitir, por compressão, formar barras que se comercializam; Por considerar que não se está em presença de produtos de padaria, no devido enquadramento das notas explicativas referentes à posição 19.05 do Sistema Harmonizado; Por considerar que o produto em causa não sofreu nenhuma operação de cozedura; Por considerar que se trata de preparações alimentícias, adentro do enquadramento esclarecedor das notas explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 19.04 (pág. 143) Acórdão no. 3.963 do TTA 1ª. (Circular no. 218/91, Série II) http://pauta.dgaiec.minfinancas.pt/NR/rdonlyres/69D83B2C 24204F6A8F092D74D888E88A/0/MAN_1601_2403.pdf Entendo, portanto, que a classificação pretendida pela autoridade fiscal não é a adequada para o produto da Recorrente, observado todo o seu descritivo, devendo este ser enquadrado, para fins de incidência do IPI, na classificação 1904. Pelo exposto, voto por dar provimento ao presente Recurso Voluntário sem, contudo, acatar suas razões, mas apenas para determinar o cancelamento do auto de infração. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 507 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Redator Designado Com o devido acatamento, permitome divergir do voto da Ilma. Sra. Relatora em relação a classificação fiscal dos produtos em tela e, conseqüentemente, em relação à manutenção do Auto de Infração lavrado em que a autoridade fiscal busca cobrar débito de IPI em razão de erro de classificação fiscal. Em relação à classificação fiscal pretendida pela Recorrente, código 2106.90.90 (complementos alimentares), adoto o entendimento da Relatora no sentido de que falta elemento essencial para classificação como complemento alimentar, no caso a adição de vitaminas, conforme explanado acima. No tocante a classificação pretendida pela autoridade fiscal e a classificação que seria mais adequada pela Relatora, ouso discordar. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, adotada pela Relatora, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição: “Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).” (Decreto n° 435/92 – alterado pelas IN SRF n.º 123/98 e IN SRF n.º 157/02) Os produtos em questão, "Neston Banana" (códigos 2550 e 2553), "Neston Coco Tostado" (códigos 2551, 2554), e "Neston Morango" (códigos 2552 e 2555), correspondentes a barra de cereais, encontramse envoltos em uma calda açucarada composta de água, xarope de glicose, açúcar, gordura vegetal hidrogenada, monoestearato e lecitina, e contém uma proporção elevada de açúcar (xarope de glicose e açúcar) em sua composição, o que confere ao mesmo a característica de produto de confeitaria, estando, portanto, excluído da posição 1904, nos termos das Notas Explicativas acima transcritas. A Nota 1 a) do Capítulo 17 estabelece: “1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de confeitaria contendo cacau (posição 18.06);” E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado em suas Considerações Gerais a respeito do Capítulo 17 esclarecem: “No presente Capítulo estão compreendidos os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc.), os xaropes, os sucedâneos do mel, os melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 508 10 Excluemse, todavia: a) O cacau em pó com açúcar, o chocolate (com exceção do chocolate branco) e os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção (posição 18.06).” (grifouse). . E o texto da posição 1704 assim dispõe: “17.04 PRODUTOS DE CONFEITARIA, SEM CACAU (INCLUÍDO O CHOCOLATE BRANCO).” (grifouse) E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1704 esclarecem: “Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido, em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria.” (grifouse) Assim, as barras de cereais, nos sabores "Neston Banana" (códigos 2550 e 2553), "Neston Coco Tostado" (códigos 2551, 2554), e "Neston Morango" (códigos 2552 e 2555), à base de cereais e frutas envoltos em calda açucarada, incluemse na posição 1704, por tratarse de produto de confeitaria, sem cacau. No âmbito dessa posição incluise na subposição 1704.90, por falta de subposição mais específica, e no código 1704.90.90. Esclareçase, ainda, que a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira da RFB solucionou divergência a respeito da classificação de produto similar através da SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COANA Nº 1, de 18 de abril de 2001, classificando no código 1704.90.90 da TEC o produto descrito na ementa abaixo, publicada no D.O.U. de 21/05/01: “Barras de cereais. Produto de confeitaria à base de flocos de arroz tostados, xarope de milho, óleo de girassol, frutose, carbonato de cálcio, carbonato de magnésio, contendo aromatizante (aroma natural de baunilha), edulcorante (sorbitol não cristalino), antioxidante (tocoferol), umectante (glicerina) e espessante (lecitina de soja), apresentado em caixa de papelão, contendo oito barras, embaladas separadamente, cada uma com 22 gramas, denominado comercialmente "Snack Sense"” Portanto correta a classificação adotada pela autoridade fiscal sendo mantido o lançamento pela decisão da autoridade julgadora a quo. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 509 11 Declaração de Voto Sidney Eduardo Stahl, Conselheiro Em que pesem todos os argumentos apontados e a minha concordância com o voto da relatora, tenho que existe mais um motivo para a procedência do recurso. Do exame detido de todo o processado se observa que em nenhum momento a instrução processual ofereceu elementos seguros e suficientes para propiciar ao julgador uma decisão calcada em critérios objetivos. Ao contrário, a fiscalização conseguiu desconstituir adequadamente a classificação adotada pela contribuinte, porém, fixou a sua classificação em elementos genéricos, que não nos dá segurança de serem corretos. Reportandose ao CTN, o artigo 109 do RIPI, vigente à época, estabelece que “lançamento é o procedimento destinado a constituição do crédito tributário, que se opera de oficio, ou por iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária” o qual, de acordo com o inciso I, “compreende a descrição da operação que lhe dá origem, a identificação do sujeito passivo, a descricão e classificação do produto, o cálculo do imposto, com a declaração do seu valor e, sendo o caso, a penalidade prevista” (grifei). Significa dizer que, não aceita a classificação fiscal adotada pelo contribuinte o fisco deve indicar, com precisão, qual a classificação que entende ser correta. O mesmo RIPI diz que “os produtos estão distribuídos na Tabela por seções, capítulos, subcapítulos, posições, subposições e itens” (art. 15) e que “farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL, integrantes do seu texto” (art. 16). Busco nas lições sempre lúcidas do Professor Paulo de Barros Carvalho1, que “o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias é conteúdo aprovado (pela) Convenção Internacional (Bruxelas, 14/06/83), à qual o Brasil aderiu em 3/10/86. Como tal, é a base da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias que, por sua vez, é a fonte de implantação da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)". (...) O Sistema Harmonizado, tal qual aprovado na Convenção Internacional, opera com seis dígitos, correspondendo a posições e subposições de mercadorias, mas a NBM/SH (T1PI/TAB) sobrepõese àquele sistema para acrescentarlhe matriz de subespécies, mediante a particularização de itens e subitens. (...) 1 IPI — Comentários sobre as Regras Gerais de Interpretação da Tabela NBM/S MA I/TAB). in Revista Dialética de Direito Tributário n° 12, págs. 42 e segs. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/200517 Acórdão n.º 3801001.667 S3TE01 Fl. 510 12 Com a NBM/TIPI, operouse um ajuste da tecnicidade classificatória da tabela internacional ao ambiente do sistema normativo brasileiro, adquirindo novo matiz significativo. A adição dos códigos item/subitem demonstra bem esse esforço do legislador em promover um processo de adaptação que, introduzindo subclasses adicionais, aprofundou a conotação das subposições originais, depositando naquelas subclasses os valores inerentes às particularidades do nosso ordenamento positivo. Daí porque se aplicam as Regras Gerais de Interpretação da NBM/SH (TIPI/TAB) às posições e subposições, isto é, aos seis primeiros dígitos XXXXYY, sendo que as regras de números 1, 2, 3, 4 e 5 para o reconhecimento da posição "XXXIX" e a regra de número 6 para identificarse a subposição "YY". Do dígito 7 ao dígito 10, vale dizer, para o código item/subitem "ZZzz" a regência é a da Regra Geral Complementar (RGC) número 1, da NBM/SH (TIPI/TAB)". Diante dos textos legais e das lições doutrinárias pode se afirmar que a classificação fiscal é composta dos seguintes códigos: posição (quatro dígitos); subposição (dois dígitos); e item/subitem (quatro dígitos). Assim, deveria a fiscalização apontar com clareza elementos que pudessem convencer os julgadores da classificação por ele adotada, o que a meu entender, não logrou fazer adequadamente. Ainda, importante registrar que no lançamento tributário veiculado por meio de auto de infração, a fiscalização deve trazer elementos ou dados que justificassem a indicação da nova classificação fiscal, ou seja, é necessário que o agente autuante indique os fundamentos que o levaram a decidir por determinada classificação fiscal em detrimento daquela adotada pelo contribuinte. Nesse caso, tenho que o agente não logrou êxito por apontar apenas elementos genéricos. Nesse sentido, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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