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Numero do processo: 11080.732574/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que dava provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor e como redator ad hoc para formalizar a resolução.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Redator Designado e Redator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor e como redator ad hoc para formalizar a resolução. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado e Redator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 57 4/ 20 14 -2 8 Fl. 2420DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.421 2 "Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins no valor total de R$ 19.323.147,09 (fls. 2.121/2.128) e PIS/Pasep no valor total de R$ 4.269.818,92 (fls.2.129/2.137), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Constatação (TC) de fls. 472/490; A empresa apresentou impugnação de fls. 2.199/2.227, na qual alega, em síntese, que: a) DA LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA ENQUADRAMENTO NO REIDI; b) POSSIBILIDADE E IDONEIDADE DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS: SERVIÇOS CONTRATADOS JUNTO A PESSOAS JURÍDICAS ENQUADRAMSE INEQUIVOCAMENTE NO CONCEITO DE INSUMOS; b.1) Fato jurídico: imprescindibilidade da análise do caso concreto para aplicação da legislação erro de fato no lançamento fiscal; b.2) Do perfeito enquadramento dos insumos adquiridos pela Impugnante na legislação que autoriza os créditos do PIS e da COFINS; c) BENEFÍCIO DO REPORTO. CORRETO ENQUADRAMENTO, ERRO NO PREENCHIMENTO DA NOTA FISCAL. VÍCIO FORMAL. SUPREMACIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL; c.1) Da venda de produto enquadrado em NCM não prevista pelo Decreto n° 6.582/2008 como beneficiário do REPORTO; c.2) Indicação de Ato Declaratório Executivo relativo à matriz da Empresa adquirente, ao invés da filial (estabelecimento para o qual foram enviadas as mercadorias); É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2010, 2011, 2012 REIDI. NOTA FISCAL. FORMALIDADES. A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.422 3 REIDI. FACULDADE DE UTILIZAÇÃO DO REGIME POR PESSOA JURÍDICA HABILITADA. Pode a pessoa jurídica habilitada no REIDI efetuar, a seu critério, aquisições e importações fora do regime. PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 27/08/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 2.347, apresenta em 23/09/2015, através da Solicitação de Juntada de fl. 2.348, Recurso Voluntário e documentos anexados, fls. 2.349/2.398 a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória, acrescentando ainda: que na planilha de receitas a serem excluídas da base de cálculo das contribuições os valores constantes na coluna "Reversão de venda pelo custo", linhas agosto e novembro/2010 aparecem equivocadamente como negativos, devendo ser corrigidos, pois são, na realidade, reversões positivas, conforme Anexo I do Relatório de Ação Fiscal; Aplicando as correções na tabela constante da fl.34 do acórdão, temos uma diferença de R$ 396.185,15 a ser excluída da base de cálculo do PIS/pasep e da Cofins. Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida e cancelado totalmente o lançamento, bem como a realização de sustentação oral, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9784, de 1999, além da devida intimação dos procuradores signatários. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, quanto à matéria objeto da resolução proposta: MÉRITO Inicialmente comporta aclarar a atividade exercida pela recorrente, nesse sentido esclarece o Relatório de Ação Fiscal, fls.2139/2193: O contribuinte em questão é fabricante de produtos para movimentação de cargas tais transportadores de correias, tubulares, metálicos, helicoidais, de corrente, carregadores de navios, descarregadores de navios e barcaças, elevadores de caçambas, transportadores flexowell, alimentadores, Moegas móveis, Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.423 4 Transportadores do tipo Ropecon, fornecendo em alguns projetos inclusive subestação de energia elétrica denominada eletrocentro. Suas receitas advém de vendas nos mercados interno e externo de tais produtos, sendo que parte das suas receitas oriundas de vendas no Mercado Interno são provenientes de vendas a contribuintes detentores de Atos Declaratórios Executivos de regimes especiais tais como Reidi, Recap e Reporto(grifei). (...) ação fiscal teve origem na análise de pedidos de ressarcimento e/ou compensação solicitados pelo contribuinte. No decorrer da ação fiscal foi o contribuinte intimado a comprovar a legitimidade dos créditos que pleiteava. Parte dos créditos pleiteados era vinculada à Receitas Não Tributadas no Mercado Interno, mais especificamente oriunda de vendas com suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins em razão de supostamente tais vendas estarem enquadradas em programas fiscais, tais como Reidi, Reporto e Recap. No curso da fiscalização chegouse a conclusão que parte das receitas que o contribuinte calculava como sujeitas à suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins eram na verdade tributadas por descumprimento dos dispositivos legais que regulamentam estes benefícios fiscais. Não obstante isso parte dos créditos também se mostraram indevidos também por desatendimento da legislação. Em razão disso constatouse a insuficiência de recolhimento das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins o que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração.(grifos do original). Assim, segundo o RAF, foram constatadas as seguintes infrações à legislação: 1. Vendas com tributação suspensa em desacordo com a legislação do REIDI O Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura Reidi foi instituído pela medida provisória 351/2007 posteriormente convertida na Lei 11.488/2007 beneficiando empresas que tenham projetos aprovados para a implantação de obras de infra estrutura nos setores de transportes, portos, energia e saneamento básico. O referido regime prevê suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins quando da venda de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado. A empresa ora fiscalizada é fabricante destes equipamentos e realizou vendas para empresas beneficiadas pelo Reidi.(grifei). Dentre as obrigações de quem vende máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infraestrutura para serem incorporadas ao ativo imobilizado de empresas beneficiárias do Reidi está incluir nas suas notas fiscais a expressão Venda efetuada com suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com a especificação do dispositivo legal correspondente Dispõe a Lei 11.488, de 2007 que cria o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI: (...) Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.424 5 Art. 3o No caso de venda ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado, fica suspensa a exigência:(Regulamento) I da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a venda no mercado interno quando os referidos bens ou materiais de construção forem adquiridos por pessoa jurídica beneficiária do Reidi; II da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação quando os referidos bens ou materiais de construção forem importados diretamente por pessoa jurídica beneficiária do Reidi. § 1o Nas notas fiscais relativas às vendas de que trata o inciso I do caput deste artigo deverá constar a expressão Venda efetuada com suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com a especificação do dispositivo legal correspondente. § 2o As suspensões de que trata este artigo convertemse em alíquota 0 (zero) após a utilização ou incorporação do bem ou material de construção na obra de infra estrutura. § 3o A pessoa jurídica que não utilizar ou incorporar o bem ou material de construção na obra de infraestrutura fica obrigada a recolher as contribuições não pagas em decorrência da suspensão de que trata este artigo, acrescidas de juros e multa de mora, na forma da lei, contados a partir da data da aquisição ou do registro da Declaração de Importação DI, na condição: I de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/PasepImportação e à CofinsImportação; II de responsável, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. § 4o Os benefícios previstos no caput aplicamse também na hipótese de, em conformidade com as normas contábeis aplicáveis, as receitas das pessoas jurídicas titulares de contratos de concessão de serviços públicos reconhecidas durante a execução das obras de infraestrutura elegíveis ao Reidi terem como contrapartida ativo intangível representativo de direito de exploração ou ativo financeiro representativo de direito contratual incondicional de receber caixa ou outro ativo financeiro, estendendo se, inclusive, aos projetos em andamento, já habilitados perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. O Decreto 6.144, de 2007 que regulamentou o Reidi, traz as seguintes disposições: Art. 11. Nos casos de suspensão de que trata o inciso I do art. 2a, a pessoa jurídica vendedora ou prestadora de serviços deve fazer constar na nota fiscal o número da portaria que aprovou o projeto, o número do ato que concedeu a habilitação ou a cohabilitacão ao REIDI à pessoa jurídica adquirente e. conforme o caso, a expressão: "Venda de bens efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente; ou "Venda de serviços efetuada Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.425 6 com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. Art. 12. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de bens e serviços para pessoa jurídica habilitada ao REIDI não impede a manutenção e a utilização dos créditos pela pessoa jurídica vendedora, no caso de esta ser tributada no regime de apuração nãocumulativa dessas contribuições. Art. 13. A aquisição de bens ou de serviços com a suspensão prevista no REIDI não gera, para o adquirente, direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3o da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3o da Lei n° 10.833, de 2003. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica quando a pessoa jurídica habilitada ou cohabilitada optar por efetuar aquisições e importações fora do REIDI. sem a suspensão de que trata o art. 2°. (Incluído pelo Decreto n° 6.167. de 2007) Art. 14. A suspensão de que trata o art. 22 convertese em alíquota zero após a incorporação ou utilização, na obra de infraestrutura, dos bens ou dos serviços adquiridos ou importados com o regime do REIDI. Esclarece ainda o RAF: Em verificação das notas fiscais de vendas do contribuinte ora fiscalizado para clientes detentores de Atos Declaratórios Executivos do Reidi constatouse que a grande a maioria das notas fiscais não atende ao disposto no § 1° do art. 3° da Lei 11.488/2007. Diante disso foi o contribuinte intimado a apresentar declaração sobre o cumprimento ou não deste dispositivo legal (fls 67 à 68). Em resposta a intimação o contribuinte nada apresentou de concreto, limitouse a juntar cópias das Danfes destas notas fiscais e cópias de alguns contratos celebrados com seus clientes beneficiários do regime especial (fls 69 à 272). 14. Embora o contribuinte possa vir a alegar que as operações de venda foram beneficiadas pelo Reidi, e que os contratos prevêem essa condição para venda, é importante ressaltar que tais documentos têm valor apenas "informativo" na auditoria fiscal, uma vez que o ali disposto não exime o contribuinte de atender as condições previstas em lei para beneficiarse de regime especial, cabe lembrar que as vendas realizadas à clientes do Reidi são vendas tributadas que caso venham a cumprir determinadas condições podem vir a ser beneficiadas com a suspensão de tributos, portanto claro esta que o descumprimento de qualquer das condições previstas em lei elimina a possibilidade da venda com suspensão, sujeitandose portanto a tributação normal da operação, com alíquota de 7,6% para a Cofins e 1,65% para o Pis/Pasep. Sobre estas irregularidades o contribuinte se manifestou em resposta ao Termo de Constatação alegando em síntese que o lapso cometido pela ora Manifestante de não informar nas notas fiscais de vendas a expressão " Venda Efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ", tratase de um mero vício formal, suscetível de ser remediado, não afetando a sustância do Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.426 7 ato a ponto de descaracterizar a venda da forma como efetivamente está sendo realizada Quanto à primeira questão, embora traga em sua peça recursal um extenso arrazoado, reconhece a situação fática retratada na autuação, no entanto destaca ser um mero descumprimento de obrigação acessória, já que os outros requisitos foram cumpridos, situação que ensejaria no máximo a aplicação de uma multa, pugnando em argumento complementar pela aplicação do artigo 112 do CTN. Nesse mister, no tocante à idêntica matéria repisada na peça recursal quanto a esse item sob apreciação, estando a decisão de piso escudada na legislação de regência, cujos fatos estão acuradamente analisados, tomo de empréstimo referida fundamentação, como razão de decidir, amparada no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, cujos excertos a seguir se transcrevem: Parte da autuação em análise se deve ao fato de que a autoridade fiscal constatou “que a grande a maioria das notas fiscais não atende ao disposto no § 1° do art. 3° da Lei 11.488/2007”. (...)”. A empresa alega, dentre outras coisas, que “a não observância de um dos elementos da norma que disciplina a obrigação formal não invalida, por si só, a suspensão atribuída às operações realizadas pela ora Impugnante”. Cumpre destacar que, conforme o artigo 15 da IN SRF nº 758/2007, que disciplina a matéria, a aquisição de bens e serviços destinados à incorporação ao Ativo Imobilizado, com suspensão de contribuições (PIS/Pasep e Cofins) é uma faculdade da pessoa jurídica habilitada ou cohabilitada, senão vejamos: Das Disposições Gerais Art.13. Nos casos de suspensão de que trata o inciso I do art. 2º, a pessoa jurídica vendedora ou prestadora de serviços deve fazer constar na nota fiscal o número da portaria que aprovou o projeto, o número do ato que concedeu a habilitação ou a cohabilitação ao Reidi à pessoa jurídica adquirente e, conforme o caso, a expressão: I"Venda de bens efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins", com a especificação do dispositivo legal correspondente; ou II "Venda de serviços efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins", com a especificação do dispositivo legal correspondente. Art. 14. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de bens e serviços para pessoa 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.427 8 jurídica habilitada ou cohabilitada ao Reidi não impede a manutenção e a utilização dos créditos pela pessoa jurídica vendedora, no caso de esta ser tributada no regime de apuração nãocumulativa dessas contribuições. (Redação dada pela IN RFB Nº 778, de 19 de outubro de 2007). Art.15. A pessoa jurídica habilitada ou cohabilitada ao Reidi poderá, a seu critério, efetuar aquisições e importações fora do regime, não se aplicando, neste caso, a suspensão de que trata o art. 2º. Art.16 . A aquisição de bens ou de serviços com a suspensão prevista no Reidi não gera, para o adquirente, direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 . Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica quando a pessoa jurídica habilitada ou cohabilitada optar por efetuar aquisições e importações fora do regime, sem a suspensão de que trata o art. 2º. (grifei) Do disposto acima é de se concluir que, a pessoa jurídica habilitada no Reidi não está obrigada a utilizar o regime em todas as suas aquisições de bens ou serviços a serem aplicados ou incorporados em obras destinadas ao ativo imobilizado. Todavia, caso opte pela utilização do regime e adquira mercadorias e/ou serviços a serem aplicados ou incorporados em obras destinadas ao ativo imobilizado, com suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a pessoa jurídica vendedora desses bens ou prestadora desses serviços fará subtrair dos custos os valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que lhe caberia recolher sobre as receitas auferidas, devendo consignar na nota fiscal expressão que demonstre a suspensão da exigência das contribuições, com citação do ato que habilitou no Reidi a pessoa jurídica adquirente.(grifei). Fica claro, portanto, que, com vistas a cumprir as formalidades necessárias para usufruir os benefícios do Reidi, a pessoa jurídica habilitada deverá informar à pessoa jurídica vendedora do bem/prestadora do serviço que se trata de operação amparada com a suspensão de exigibilidade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins no âmbito do Reidi, assim como demonstrar que se encontra devidamente habilitada no regime. Caso não o faça, considerando que a aquisição de mercadorias e serviços pode se dar dentro ou fora do regime do Reidi (art. 15 da IN RFB nº 758/2007), presumese que a beneficiária do regime optou por não realizar a operação com o benefício da suspensão e, assim sendo, cabe ao vendedor da mercadoria/prestador do serviço apurar e recolher as contribuições do PIS/Pasep e da Cofins dela decorrentes. Como a legislação não exige que a pessoa jurídica habilitada no Reidi utilize o regime em todas as operações de aquisição de serviços e mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins não é automática nas operações praticadas com empresas habilitadas no regime do Reidi. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.428 9 Porém, caso se trate de operação praticada sob o regime suspensivo, deve esta observar certas formalidades. A exigência de anotação na nota fiscal de que a venda de máquinas e de materiais de construção, no âmbito do Reidi, foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins consta do § 1º do art. 3º da Lei nº 11.488/2007. Entretanto, o art. 11 do Decreto nº 6.144/2007, estendeu esta exigência às notas fiscais de prestação de serviços e também incluiu outras informações a serem descritas na nota fiscal: Art. 11. Nos casos de suspensão de que trata o inciso I do art. 2o, a pessoa jurídica vendedora ou prestadora de serviços deve fazer constar na nota fiscal o número da portaria que aprovou o projeto, o número do ato que concedeu a habilitação ou a cohabilitação ao REIDI à pessoa jurídica adquirente e, conforme o caso, a expressão: I “Venda de bens efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, com a especificação do dispositivo legal correspondente; ou II “Venda de serviços efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, com a especificação do dispositivo legal correspondente. Assim, em que pese as argumentações da impugnante quanto a finalidade da instituição do regime e outras mais, se as notas fiscais são emitidas sem atender as exigências legais, há que se concluir que as operações foram praticadas fora do regime suspensivo, por opção da pessoa jurídica beneficiária do regime, ainda que, posteriormente, a compradora declare não ter utilizado créditos das contribuições na operação. Conseqüentemente, são devidas, por parte do vendedor, as contribuições ao PIS/Pasep e Cofins relativas a elas. Quanto à interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN, esta tem pressupostos de aplicabilidade, conforme dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.], os quais não se vislumbram no presente processo, uma vez que se encontra minudentemente elucidada no Relatório de Ação Fiscal, a situação fática dos autos que ensejou o lançamento das contribuições de PIS e COFINS, e não a cominação de uma multa pecuniária, por descumprimento, fato que poderia ensejar a aplicação do artigo 112, se presentes aguma das disposições acima elencadas. Portanto, a relatora original do processo negava provimento quanto à existência de suspensão nas vendas efetuadas em desacordo com o REIDI. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.429 10 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: O Auto de Infração diz respeito à cobrança de PIS/COFINS decorrentes das seguintes acusações fiscais: (i) vendas com tributação suspensa, em desacordo com a legislação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI, por falta de informação do benefício nas notas fiscais emitidas pela Recorrente; (ii) vendas com tributação suspensa, em desacordo com a legislação da Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO; e (iii) desconto indevido de créditos relativos à aquisições de serviços enquadrados como insumos pela Recorrente. A DRJ excluiu do lançamento fiscal as operações citadas no item "ii" e, considerando que o montante exonerado é inferior ao limite previsto no artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, não houve recurso de ofício, restando, assim, à este Conselho analisar as demais matérias mencionadas nos itens "i" e "iii". Em relação a questão tratada no item "i", a fiscalização fundamentou o lançamento fiscal com base na desobediência do §1º, do artigo 3º, da Lei nº 11.488/2007, artigos 11 a 13, do Decreto nº 6.144/2007 e, artigo 13, da Instrução Normativa SRF nº 758/2007 que, em linhas gerais, exigem do contribuinte, para usufruir do benefício da suspensão do PIS/COFINS, a citação expressa do benefício na Nota Fiscal. Vale destaque trecho do Relatório Fiscal: 13. Em verificação das notas fiscais de vendas do contribuinte ora fiscalizado para clientes detentores de Atos Declaratórios Executivos do Reidi constatouse que a grande a maioria das notas fiscais não atende ao disposto no 1° do art. 3° da Lei 11.488/2007. Diante disso foi o contribuinte intimado a apresentar declaração sobre o cumprimento ou não deste dispositivo legal (fis 67 à 68). Em resposta a intimação o contribuinte nada apresentou de concreto, limitouse a juntar cópias das Danfes destas notas fiscais e cópias de alguns contratos celebrados com seus clientes beneficiários do regime especial (fls 69 à 272). 14. Embora o contribuinte possa vir a alegar que as operações de venda foram beneficiadas pelo Reidi, e que os contratos prevêem essa condição para venda, é importante ressaltar que tais documentos têm valor apenas "informativo" na auditoria fiscal, uma vez que o ali disposto não exime o contribuinte de atender as condições previstas em lei para beneficiarse de regime especial, cabe lembrar que as vendas realizadas à clientes do Reidi são vendas tributadas que caso venham a cumprir determinadas condições podem vir a ser beneficiadas com a suspensão de tributos, portanto claro esta que o descumprimento de qualquer das condições previstas em lei elimina a possibilidade da venda com suspensão, sujeitandose portanto a tributação normal da operação, com alíquota de 7,6% para a Cofins e 1,65% para o Pis/Pasep. Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.430 11 15. Apesar de desnecessário constar em contratos que é obrigação da empresa ora fiscalizada emitir documentos fiscais de acordo com o §1° do art. 3° da Lei 11.488/2007, alguns contratos reforçam ainda essa obrigatoriedade como, por exemplo, o contrato celebrado entre a autuada e a empresa MABE CONSTRUÇÃO ADMINISTRAÇÃO DE PROJETOS LTDA. conforme cláusula E.11 abaixo reproduzida: E.11) Informamos que o texto abaixo deverá ser obrigatoriamente inserido no corpo das notas fiscais emitidas quando do fornecimento objeto da presente Ordem de Compra: VENDA DE MATERIAIS EFETUADA COM SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS, CONFORME PORTARIAS N° 177/2008 e MME N° 361 DE 22/10/2008 E ADE RFB N° 84 DE 03/07/2009 (grifos não constam do original) 16. Diante disso fica evidente que o fato em questão não se trata de mera irregularidade quando da confecção de um ou outro documento fiscal e sim descumprimento sistemático do que determina a legislação. Não é crível que pessoa jurídica, que pretenda valerse de benefício fiscal, ignore todos os dispositivos legais e normativos, sobre a matéria e em alguns casos até mesmo os contratos particulares celebrados com seus clientes. Em resumo apartado, a irregularidade que motivou o lançamento fiscal foi a ausência de menção expressa do benefício na Nota Fiscal. Contrapondo o lançamento fiscal, a Recorrente afirma categoricamente que os bens por ela comercializados sujeitamse ao REIDI; que os adquirentes possuíam prévia habilitação, através dos Atos Dedclaratórios emanados pela RFB; que a adoção da suspensão do PIS/COFINS foi acordada entre as partes, conforme comprovam os contratos, ordens de pagamento e declarações dos adquirentes, quanto ao não aproveitamento de créditos das contribuições. Por fim, afirmou que, diferentemente do que consta das DANFE´s carreadas aos autos, as Notas Fiscais Eletrônicas (não juntadas integralmente aos autos) trazem informações sobre a natureza da operação relativa à adoção de REIDI, como também descrição no campo "CST 09 Operação com Suspensão da Contribuição", revelando, assim, ausência de comprovação infração que fundamenta o auto de infração. Para este relator, caso reste comprovado que nas Notas Fiscais Eletrônicas, ao contrário do que constou das DANFE´s, esta expressamente descrito a natureza da operação relativa à adoção de REIDI e/ou no campo "CST 09 Operação com Suspensão da Contribuição", o direito de usufruir do benefício deve ser concedido ao contribuinte, posto que satisfeita a obrigação acessória, exigida pela fiscalização, de prestar informação no documento fiscal. Somase à isso, que as empresas adquirentes das mercadorias comercializadas pela Recorrente emitiram declaração informando que utilizaram o benefício da suspensão de PIS/COFINS, corroborando, ainda mais, as assertivas do contribuinte. Por outro lado, houve entendimento emanada nesta turma no sentido de que a simples informação prestada nos documentos fiscais é insuficiente para demonstrar que a operação foi realizada integralmente com o benefício aqui tratada. Para alguns conselheiros, Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 11080.732574/201428 Resolução nº 3302000.762 S3C3T2 Fl. 2.431 12 tanto as notas fiscais quanto as referidas declarações, não se prestam isoladamente para o fim pretendido, posto que desacompanhados de documentos fiscais/contábeis que confirmem o quanto declarado. Neste ponto, restou decidido que a fiscalização deveria ter realizado diligência para o fim de verificar se nas operações em análise, houve creditamento de PIS/COFINS por parte das empresas adquirentes das mercardorias comercializadas pela Recorrente, sendo que em caso positivo, restaria correto o lançamento fiscal, na medida em que o regime deve ser cumprido tanto pelo vencedor quanto pelo adquirente, entendimento do qual não coaduno. A fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e para esclarecer definitivamente a questão posta em análise, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de sua alegação no sentido de que nas Notas Fiscais Eletrônicas esta expressamente descrito a natureza da operação relativa à adoção de REIDI e/ou no campo "CST 09 Operação com Suspensão da Contribuição"; b) a fiscalização deverá diligenciar junto as empresas adquirentes das mercadorias comercializadas pela Recorrente, vide informações constantes nas Notas Fiscais carreadas autos, para o fim de averiguar se referidas empresas creditaramse do PIS/COFINS relativo as operações sob análise, emitindo, parecer conclusivo a respeito deste fato; c) dar ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; d) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2431DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001223/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade e se pronuncie a respeito dessas provas, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade e se pronuncie a respeito dessas provas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 01 22 3/ 20 09 -6 7 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 960 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ (fls. 785) proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, Acórdão 0825.775 de 20/06/2013, que julgou procedente em parte a Impugnação, por maioria de votos, exonerando a Contribuinte em R$ 724.994,92 do crédito, mantendo R$ 5.148.490,61 do crédito tributário proveniente do Auto de Infração DEBCAD nº 37.178.0519, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas no art. 22, inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA VIA INTERNET. PRORROGAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Frisase que, nos termos da Portaria n.º 11.371/2007, a ciência pelo sujeito passivo do MPF darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Tal solidariedade abrange tanto obrigação principal quanto acessória, dado o caráter abrangente do dispositivo legal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Conforme consta do Auto de Infração de fls. 2 e ss. que originou o DEBCAD n. 37.178.0519, a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 961 3 correspondente a R$ 5.873.485,53, sendo R$3.063.632,18 de imposto a recolher, R$919.089,66 de multa e R$1.890.763,69 de juros, referente às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais, correspondentes a parte da empresa. Segundo o relatório fiscal de fls. 46/58, nas contas de despesas da Contribuinte, existem diversos lançamentos de pagamentos a pessoas físicas, cuja nomenclatura determina “por conta e ordem da fundação F. Feitosa”, sendo que, quando intimada para esclarecer tais lançamentos, a Contribuinte permaneceu inerte. Por esta razão, tais pagamentos foram considerados como pagamentos à segurados individuais, base de cálculo à Seguridade Social. Segundo o relatório, a Base de Cálculo do presente lançamento: “as parcelas consideradas do presente lançamento de débito foram totalizadas por competência e consignadas no Discriminativo Analítico de Débito – DAD em anexo”, sendo que “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no ANEXO I e constam no levantamento CIN. ” Segundo o Relatório Fiscal, a Fundação Francisca Feitora, referida nas contas de despesas da Contribuinte, não possui Ato Declaratório de Isenção, mas apenas o CEAS (Certificado de Entidade de Assistência Social, apenas um dos requisitos para usufruir o benefício fiscal do Art. 55 da Lei 8.212/1991, assim como, constatase que a Fundação não consta como de utilidade pública federal no sítio do Ministério da Justiça. Continua o relatório: “Mesmo que tal entidade fosse isenta, em nada alteraria o presente lançamento, uma vez que a s remunerações utilizadas como base de cálculo, se referem a segurados que prestam serviços e são remunerados por HAPVIDA somente, sem a intermediação da Fundação”. Inclusive, segundo o Relatório, não foi observada nenhuma situação que apontasse qualquer vínculo desses contribuintes individuais com outra pessoa jurídica que não a Contribuinte e, a Contribuinte não declarou em sua DIPJ que prestou serviços à Fundação. A Contribuinte não apresentou quaisquer comprovantes de recebimentos de valores pagos pela Fundação para o repasse aos segurados (contribuintes individuais); ou as notas fiscais dos serviços prestados pela Fundação; ou sequer os comprovantes de pagamentos a esta e a contabilização das operações citadas nas contas de despesas, embora intimada pela Autoridade Fiscal quando da condução do procedimento fiscalizatório. Todas as Notas Fiscais apuradas pela Fiscalização, foram emitidas pela Contribuinte, assim como tiveram a Contribuinte como favorecidas, dentre delas, citase as notas fiscais emitidas por COOPANEST, COOPER. DOS MÉDICOS DA SANTA CASA DE MACEIÓ, COOFTAM, SANCOOP, COOPEGO, COOPANESTBA, UROCOOPRN, onde expressamente se atesta como tomadora do serviço a empresa HAPVIDA, mas nos lançamentos referentes a essas empresas, na conta de despesas da Contribuinte, constam no histórico “POR CONTA E ORDEM DA FUNDAÇÃO F. FEITOSA”, demonstrando que a Contribuinte é quem paga e usufrui dos serviços prestados. Inclusive, destacase que a Fundação tem como presidente JORGE FONTOURA PINHEIRO KOREN DE LIMA, como Diretora ANA CHRISTINA FONTOURA KOREN DE LIMA e o Sr. CANDIDO PINHEIRO KOREN DE LIMA como Procurador, sendo que todos são sócios de HAPVIDA. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 962 4 Os valores utilizados para o lançamento do crédito tributário dizem respeito à Declaração de Imposto de Renda Retido na fonte entregue pela empresa que indica, no código 0588 Rendimento do Trabalho sem Vínculo, um total de remunerações de R$11.706,682,88, sendo que as GFIP´s entregues pela empresa indicam remuneração a contribuintes individuais no valor de R$43.130,34. Segundo o Relatório Fiscal, “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no (ANEXO I) e constam no levantamento CIN.” Lançouse o crédito tributário também contra outras 03 empresas, eis que, conforme fundamentação do auditor responsável pelo lançamento, há a constatação de Grupo Econômico, envolvendo diversas empresas trabalhando conjuntamente, segundo fundamentação do Relatório Fiscal, em que todas as empresas atendem no mesmo endereço, com o mesmo contador, sendo que, inclusive, os funcionários atendem indistintamente todas as empresas do grupo, sendo juntado a sentença trabalhista dos autos 1147200701407006, e os Acórdãos dos autos 01953/200400707003 e 01368/200400507000 confirmam a solidariedade das empresas inseridas no Auto. Verificamse as empresas inseridas no Auto como solidárias da Contribuinte, conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 116/121: Hap Vida – Administradora de Plano de Saúde (CNPJ 047.613.04/000122), com endereço na Av. Heraclito Graca, n. 406, 4º Andar, Fortaleza/CE; Hapvida Participações e Investimento LTDA (CNPJ 051.974.43/000138), com endereço na Av. Heraclito Graca, n. 406, Fortaleza/CE; Hospital Antonio Prudente LTDA (CNPJ 058.749.46/000109), com endereço na Av. Aguanambi, n. 1827, Fortaleza/CE; A Contribuinte apresentou sua impugnação formal nas fls. 131/143, na qual protesta totalmente o Auto apresentado, afirmando: Irregularidade do procedimento, nulidade do auto, diante da ofensa ao art. 9, parágrafo único da portaria 11.371/2007 da SRF, diante da falta de intimação da Contribuinte das inúmeras prorrogações efetuada na realização do procedimento fiscal, sendo que tal regulamentação determina a necessidade do registro eletrônico e intimação da contribuinte quanto a qualquer alteração da MPF; A remuneração paga a contribuintes individuais não tem incidência de contribuição previdenciária, visto que são pagamento de pessoas jurídicas com conta e ordem de terceiro, sendo a maioria dos pagamentos tidos como realizados a contribuintes individuais, na realidade foram feitos para pessoas jurídicas, a título de serviços de manutenção, serviços jurídicos, serviços de consultoria e auditoria, sendo que, inclusive, o pagamento realizado a empresa Maxlimp Terceirização de serviços Ltda, foi objeto do auto de infração 37.178.0527, também lavrado pelos mesmos auditores fiscais, onde se exige as retenções relativas aos serviços de locação de mãodeobra. Afirma que apresentou aos Agentes Fiscais todas informações requeridas verbalmente; Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 963 5 Apresenta uma planilha (fl. 147/181), retirado da Razão contábil demonstrando o alegado; A atividadefim da Contribuinte não é a prestação dos serviços médicos, mas sim a administração dos recursos apresentados pelos usuários, visando à manutenção dos serviços médicos, ambulatoriais e hospitalares a serem utilizados por estes; Que a Contribuinte mantém 2 contratos com a Fundação Francisca Feitosa, o primeiro, firmado na data de 12/07/1996, devidamente registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que visa a administração pela Contribuinte do Plano de Saúde Santa Clara, instituído pela Fundação, cabendo a Contribuinte, o pagamento dos serviços médicos, ambulatórias e hospitalares prestados por terceiros aos usuários do plano referenciado, sendo que a Contribuinte agiu por conta e ordem da Fundação Francisca Feitosa, e o segundo, firmado em 03/12/2001, através do qual a Contribuinte contratou a Fundação Francisca Feitosa para prestar serviços médicos, ambulatoriais e hospitalares, tendo aquela, entre suas obrigações, a possibilidade de pagamento, por conta e ordem da Fundação, dos terceiros utilizados na prestação dos referidos serviços; Que os pagamentos realizados pela Contribuinte as pessoas físicas não são de sua responsabilidade, mas sim da fundação Francisca Feitosa, com a qual mantêm contrato; Indevida a exigência do presente Auto de Infração, visto que os pagamentos ou foram efetuados a pessoas jurídicas, portanto, não são contribuintes individuais, ou foram pagos a pessoas físicas, em sua menor parte, mas em face de serviços prestados à Fundação Francisca Feitosa, a qual autorizou a Contribuinte a efetuar referidos pagamentos, “em face de crédito que detinha com esta, restando, por qualquer ângulo, improcedente o auto de infração impugnado”; Não configuração de grupo econômico: o simples fato de as empresas possuírem sócios comuns não configura a existência de um grupo econômico, havendo necessidade de que haja uma empresa controladora, havendo evidente subordinação das demais em relação àquela, inclusive pertinente as atividades desempenhadas; Necessidade de realização de Perícia; Nas fls. 184/ 380, verificamse as Notas Fiscais de serviços incluídos no Crédito Tributário lançados como sendo referentes a pagamento de contribuintes individuais, enquanto são, na realidade, prestação de serviço por pessoas jurídicas. Nas fls. 381/420, constatamse os dois contratos que a Contribuinte detém com a Fundação Francisca Feitosa, que a partir da Assembleia Geral Extraordinária de 14/12/2004, alterou sua denominação para Fundação Ana Lima. Nas fls. 415, constatase o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, RCEAS 1097/2004 e nas fls. 420, verificase o Atestado de Registro da Fundação no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Nas fls. 422/433, verificase o Contrato Social da Contribuinte; nas fls. 435/450, juntouse o Contrato Social do Hospital Antonio Prudente S/S, na qual a Hapvida Assistência Médica LTDA consta como sócia majoritária do hospital (fl 443, com 87% das quotas sociais); nas fls. 451/458, verificase o Contrato Social da Hapvida Administradora de Serviços de Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 964 6 Saúde S/C, no qual indica que a Contribuinte era sócia da empresa no seu início; e nas fls. 459/466, consta o Contrato Social da Hapvida Participações e Investimentos LTDA. Nas fls. 469/472, a 5ª Turma da DRJ/FOR decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme Resolução 1.743 em 02/12/2009, diante da incerteza constatada pelos julgadores na prova documental carreada aos autos pela auditoria fiscal, visto que “O relatório fiscal assevera que todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no anexo I. Entretanto, não há nos autos o referido anexo I, detalhando, por competência, a composição da base de cálculo, como mencionado no relatório fiscal.” Assim como, “o relatório fiscal faz menção ao batimento GFIP/DIRF. Entretanto, da verificação do resultado deste comparativo não se obtém as bases de cálculo apuradas pela auditoria fiscal”. Segundo o relator da Resolução, “as bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram encontradas a partir das contas de despesas do grupo quatro, entretanto, a auditoria fiscal não discriminou quais as contas contábeis que compõem o referido grupo. Dentre as contas contábeis integrantes do grupo quatro, também, não restou esclarecido quais as que foram utilizadas no presente lançamento”. E continua a dúvida: “inferese da narração dos fatos que a auditoria fiscal se utilizou do método de aferição indireta para encontrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. No entanto, encontrase ausente a fundamentação legal pertinente, tanto no relatório fiscal, quanto no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito”. Portanto, diante dessas razões ventiladas, a DRJ decidiu por converter o julgamento em diligência para a resolução dos questionamentos antes do julgamento da Impugnação, sendo necessário que o auditor fiscal responda: 1) Fazer ajuntada do anexo I, conforme mencionado no relatório fiscal; 2) Detalhar a forma de apuração da base de cálculo; 3) Detalhar as contas contábeis que compõem o grupo 4 e quais foram consideradas para a constituição do crédito tributário; 4) Informar se, no presente lançamento, foi considerado algum pagamento a pessoajurídica, consoante as notas fiscais de prestação de serviços trazidas na defesa; 5) Explicitar a fundamentação legal da aferição indireta. Nas fls. 475/478, observa a resposta pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento: Com relação o Anexo I, o Auditor fiscal afirma que entregou ao Contribuinte (Recibo de Arquivos Entregues sob o código identificador 8edeb7c24ca9d4bc9faec65ce783abl0). Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 965 7 A via da Receita Federal do Anexo I se encontra na mídia digital CD juntada ao processo 10380.001219/200907, DEBCAD 37.178.0489. Conforme consta na pesquisa perante o sítio eletrônico deste Conselho, o processo 10380.001219/200907 foi distribuído perante esta R. Turma (1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção) e está sob relatoria de Vossa Senhoria, MM. Presidente, Dr. João Bellini Junior: Com relação ao detalhamento da forma de apuração da base de cálculo: “A base de cálculo, segundo o Relatório Fiscal, se refere aos lançamentos constantes no Anexo I, onde consta o histórico, valor e as respectivas contas, inclusive o contribuinte demonstrou total compreensão destes, impugnando vários lançamentos com juntada de documentos”. Com relação ao detalhamento das constas contábeis que compõe o grupo 4 e quais foram consideradas para a constituição do crédito tributário: As contas estão detalhadas no referido Anexo I. Com a indagação sobre se, no crédito presente lançamento, foi considerado algum pagamento a pessoa jurídica, consoante as notas fiscais de prestação de serviços trazidas na defesa: As informações em meio digital apresentadas foram trabalhadas em planilha excel, resultando em planilha eletrônica com mais de 120.000 linhas (somente o Anexo I). Das notas apresentadas, concluímos que, dos lançamentos impugnados, apesar de indicarem pessoas físicas, alguns se referem efetivamente a pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, devendo ser excluídos do presente auto, na forma que se segue no anexo a esta informação. Segue o resumo das exclusões da base de cálculo: As notas fiscais acostadas às fls 183 Laboratório de Análises Químicas/184 Laboratório Dr. Pérez Limardo/185/186 Fono Audio Clínica /269 Soe de Médicos Prest de Serviços não tiveram os respectivos lançamentos apontados pelo contribuinte e não foram Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 966 8 encontrados no anexo I, não sendo base do presente lançamento. As notas fiscais de fls 375 Lúcia Alves e 377 Consulfort se referem a dezembro de 2003, período não objeto desta ação Fiscal. Ao explicar a fundamentação legal da aferição indireta, o Auditor Fiscal expressamente afirmou que: Não houve aferição indireta, sendo considerado como fatos geradores os lançamentos que demonstram, pelo histórico, pagamentos a contribuintes individuais CI. Ressaltese que, por questão de prudência, foi ainda dado prazo e oportunidade ao contribuinte para, querendo, demonstrar, por escrito, se algum daqueles lançamentos não se referiam a pagamentos a Contribuintes Individuais — Termos de Intimação 03, 04, 05 e 06. Nada foi informado, consoante consta do Relatório Fiscal. Entendimento diferente seria também respaldado pela legislação fiscal, em especial à MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1 e 3; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3 e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235, que autorizam a autoridade fiscal, na falta da regular apresentação da documentação requisitada, lançar o que entende devido, cabendo ao contribuinte prova em contrário. A contribuinte foi intimada em 23/07/2010 – fl. 490, entretanto na foi apresentado manifestação. Em 17/11/2010, verificase o despacho 2008 exarado pela 5ª Turma da DRJ/FOR, no qual constatou que a apontada como responsável solidária (Hapvida Administradora de Plano de Saúde) não tomou ciência do crédito lançado, assim como, do resultado da diligência, apenas a Contribuinte tomou ciência. Nas fls. 497 consta a Informação Fiscal em que informou que não há prova da ciência do crédito à empresa HAPVIDA Administradora de Plano de Saúde, razão pela qual se realizou a sua cientificação. Nas fls. 508 Hapvida Administradora de Plano de Saúde apresenta sua Impugnação expressa em 17/05/2002, na qual informa que: Seu nome empresarial mudou para Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S; Nega qualquer relação com a Contribuinte que possa originar o apontado Grupo Econômico, pois sequer estava em atividade (estava inativa na época do período apurado, sendo juntada a DIPJ de 2005 para comprovação, nas fls. 551); Decadência em relação Hapvida Administradora de Plano de Saúde (Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S), pois somente teve ciência do lançamento em 18/04/2012, sendo que o lançamento diz respeito as competências de janeiro a dezembro de Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 967 9 2004, nos termos do Art. 150, §4º do CTN, transcorreu mais de 05 anos entre o lançamento e a ciência do Contribuinte; Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Que os valores foram efetuados a pessoas jurídicas ou por conta e ordem de terceiro; Necessidade de perícia técnica; Nas fls. 783/784, verificase o discriminativo analítico do débito ratificado, demonstrando a exclusão dos débitos provenientes das Notas apresentadas pelo Contribuinte em sua Impugnação. Nas fls. 785/808 a 6ª Turma da DRJ/FOR julgou ambas as impugnações acostadas aos autos, na qual, decidiu: Sobre a alegada decadência suscitada pela Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, a autoridade fiscal entendeu que o instituto decadencial é único e indivisível, sendo que a ciência da Contribuinte e das demais devedoras solidárias se aperfeiçoaram. É aplicável ao caso concreto o art. 150, §4º do CTN, visto que a Contribuinte recolheu parcialmente as contribuições sociais apuradas, encerrandose o dies ad quem, em 31.01.2009, e, considerando que o lançamento foi anterior a esta data e que tanto a devedora principal HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA LTDA como as solidárias Hapvida Participações e Investimentos LTDA e a Hospital Antônio Prudente LTDA foram cientificadas do crédito 30.01.2009 (fls. 73/74) não há de se falar em decadência para nenhuma delas, inclusive a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S; Sobre a nulidade por falta de ciência de prorrogação do MPF, há a previsão de prorrogação do prazo de validade do MPF, inclusive tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação estará disponível na Internet para consulta pelo Impugnante, a partir do código de acesso fornecido com o termo que formaliza o início do procedimento fiscal, a dispensar a ciência pessoal do sujeito passivo; Sobre a imposição do Grupo Econômico, entendese pela noção clássica de grupo econômico por subordinação, caracterizado pela reunião de empresas através de um processo de concentração e sob uma direção comum, mas sem fusão de patrimônios e nem a perda da personalidade jurídica de cada empresa integrante, os grupos de sociedade visam à concretização de empreendimentos comuns, sendo que no caso em análise, constatouse o Grupo Econômico diante da existência de quadro societário comum; há prestação de serviços de uma para outra; há decisões judiciais reconhecendo a solidariedade entre empresas do grupo; as empresas possuem logística única, como contabilidade, financeiro, administradores, mesmo endereço (Av Heráclito Graça 406), mesmo contador e funcionários atendendo indistintamente a todas as empresas do grupo ostensivamente conhecido como HAPVIDA, sendo prova suficiente para constatação do Grupo Econômico; Sobre as contas do Grupo 4.X – Despesas, constatouse que o Fisco providenciou planilha expurgando os pagamentos residuais a pessoas jurídicas em meio aos lançamentos contábeis tributados como remuneração a contribuintes individuais na fl. 477; Para pagamentos efetivados a pessoas físicas, o ponto controverso se refere a quem seria devido o encargo previdenciário de retenção pelos serviços prestados, cujo registro Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 968 10 contábil se deu em várias contas do grupo de despesa, principalmente quando os prestadores fossem médicos, hipótese que a impugnante afirma não ser a tomadora dos serviços, e, sim, mera empresa seguradora, sendo que para tanto, necessário verificar quem remunerou tais segurados e a título de quê. Alega a defesa que a Fundação F. Feitosa era a responsável pela contratação dos segurados individuais, sendo a Hapvida Assistência Medica LTDA apenas repassadora dos montantes despendidos por conta e ordem da Fundação, consoante cláusula contratual Entretanto, a fundação deveria constar como tomadora dos serviços (responsável), principalmente nas notas fiscais, que é um documento que para o Fisco dota de informações necessárias ao controle e fiscalização dos tributos. A Lei nº 8.212/91, art. 22, IV, inclusive, referese expressamente à nota fiscal como fonte de dados para a cobrança da contribuição discutida, entretanto, em todas as notas fiscais anexadas pelo auditor fiscal consta como tomador dos serviços a Contribuinte e não a Fundação; Sobre o arbitramento indireto “Entendo ter havido sim arbitramento, pois a conduta omissiva da empresa, no que se refere à apresentação por escrito das reiteradas intimações com o fito de melhor esclarecer a auditoria, foi basilar para o lançamento” e “Relevante considerar que o fato de existirem pagamentos a pessoas jurídicas na base de cálculo arbitrada, ipso facto, não desnatura a higidez da aferição, dado que já foi identificada e expurgada a respectiva parcela indevida do lançamento tão logo foi apresentada, por escrito, parte da documentação pertinente” e finaliza “Legal, pois, a aferição indireta, cabendo o ônus da prova ao sujeito passivo, consoante disposição legal adrede reproduzida”. Entendeu ser desnecessária a realização de perícia, assim como, constatou sua incompetência para julgar questões de inconstitucionalidade e inobservância dos princípios constitucionais; Necessário destacar que do julgamento da DRJ, a julgadora Lilian Freitas da Silva votou pela exoneração total do crédito tributário, em face de nulidade decorrente de vício material, por entender que não restou devidamente caracterizada a aferição indireta, havendo contradição entre a conclusão a que se chegou no julgamento e a afirmação categórica do Auditor Fiscal autuante de que não havia efetuado tal procedimento para apurar a base de cálculo das contribuições lançadas. A descrição precisa do fato e da disposição legal infringida é requisito básico do Auto de Infração, conforme art. 10, III e IV, e, no caso, é essencial para se estabelecer a quem incumbe o ônus da prova, que somente se inverte no caso de aferição indireta. Nas fls. 826/854 a Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando que: Na introdução do Recurso Voluntário, destaca que não se sabe a base de cálculo da atuação combatida nestes autos, visto que não existe consenso entre a Autoridade Fiscal e a DRJ se houve ou não a aferição indireta no caso, sendo que o documento que detalharia a base de cálculo sequer foi juntada nos autos; Vício do Auto de Infração: a base de cálculo detalhada não se encontra no presente autos, sendo julgada a impugnação mesmo assim. Apesar de o auditor responsável pela autuação ter afirmado que não realizou a aferição indireta, indicou dispositivo normativo do referido procedimento como fundamento legal da autuação, sendo contraditório o auto de infração com seus termos, sendo ainda mais contraditório com a posição da DRJ que chegou a Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 969 11 conclusão diversa daquela dada pela fiscalização, que afirmou pela aferição indireta sem ter acesso à base de cálculo; Inadmissível que um documento essencial ao caso seja acostado em outro processo, ainda mais, quando nenhuma explicação é concedida; Afirma que o CD que supostamente continha o Anexo I, que supostamente justificaria a Base de Cálculo, nunca foi entregue à parte; Tratase de documento elementar ao processo, de onde a autoridade fiscal extraiu a base de cálculo do lançamento, sendo viciada a autuação ante a ausência de materialidade no lançamento, ofensa a ampla defesa; O elemento fático da autuação tributaria é duplo, englobando a descrição do fato gerador e a base de cálculo, sem os dois elementos, há o descumprimento do art. 10 da Lei do Processo Administrativo Fiscal; Tanto é verifico o vício do auto de infração que houve voto divergente no julgamento da DRJ – julgadora Lilian Freitas da Silva votou pela exoneração do crédito, diante do vício material por entender que não restou caracterizada a aferição indireta, havendo contradição entre a conclusão da DRJ e da afirmação do Auditor Fiscal; Que para a utilização da aferição indireta, necessária que a contabilidade da Contribuinte fosse desconsiderada, e isso não aconteceu; A atividade da autoridade fiscal deve ser orientada pelo princípio da verdade material, o que não se constatou no presente processo. Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF, nos termos do Art. 12 da Portaria 11.371 da RFB de 12/12/2007 e Acórdão 220200517 do CARF – 2ª Seção/ 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Multa de mora imposta em contrariedade a legislação vigente – auto de infração, nesse aspecto também contém vicio material por ausência de motivação, “uma vez que fez prever a aplicação de multa com base nos incisos I a III do art. 35 da Lei 8.212/1991, dispositivos legais que se encontravam revogados à época da autuação, em clara ofensa não só ao princípio da legalidade, como ao art. 10, III e IV do Decreto 70235/72”; Grande maioria dos pagamentos inseridos nas contas de despesas da empresa foram feitos para pessoas jurídicas a título de serviços de manutenção, serviços jurídicos, serviços de consultoria e auditoria, sendo que, tanto é verdade que o acórdão exonerou R$724.994,92 do crédito da autuação, excluindo apenas alguns lançamentos, entendendo que outra parte dos pagamentos realizados a pessoas jurídicas deveria ser mantida, sendo necessário que os autos fossem baixados em diligencia para que sejam excluídos do lançamento fiscal todos os valores correspondentes a pagamentos realizados a pessoa jurídicas; A despesas vinculadas a conta grupo 4 não incide contribuição previdenciária, visto que atividadefim da Contribuinte não é a prestação dos serviços de saúde, mas sim, gestão de plano de saúde e que mantém dois contratos com a Fundação Francisca Feitosa, assim os pagamentos efetuados eram de responsabilidade da Fundação e não da Contribuinte; Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 970 12 que as operadoras de plano de saúde não são obrigadas a recolher contribuição previdenciária dos valores repassados aos médicos credenciados, conforme jurisprudência do STJ; Nas fls. 868/883 a Hapvida Participações e Investimento LTDA apresentou seu Recurso Voluntário alegando: Inexistência de grupo econômico, apesar de ter sócios em comum, não preencheu os demais requisitos entendidos como necessários pelo CARF (“empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno e a própria atuação de mercado” Acórdão 240200967 – 2ª Seção de julgamento, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 06/07/2010). Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Multa de mora: retroatividade do art. 35 da Lei 8.212/91 Vício do auto por não ter acesso à documentação que ensejou o lançamento; Nas fls. 894/913 a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S apresentou seu Recurso Voluntário, no qual alega: Nega qualquer relação com a Contribuinte que possa originar o apontado Grupo Econômico, pois sequer estava em atividade (estava inativa na época do período apurado, sendo juntada a DIPJ de 2005 para comprovação, nas fls. 551); Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF; Decadência em relação Hapvida Administradora de Plano de Saúde, ou seja, em relação a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, pois somente teve ciência do lançamento em 18/04/2012, sendo que o lançamento diz respeito as competências de janeiro a dezembro de 2004, nos termos do Art. 150, §4º do CTN; Retroatividade benigna: adequação da multa de mora – multa de mora deverá ser adequada a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991; Vício do auto por não ter acesso à documentação que ensejou o lançamento; Nas fls. 925/939 o responsável solidário Hospital Antônio Prudente S/S apresentou seu Recurso Voluntário, alegando: Inexistência de grupo econômico, apesar de ter sócios em comum, não preencheu os demais requisitos entendidos como necessários pelo CARf (“empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno e a própria atuação de mercado” Acórdão 240200967 – 2ª Seção de julgamento, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 06/07/2010). Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF; Retroatividade benigna: adequação da multa de mora – multa de mora deverá ser adequada a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991; Vício do auto por não ter acesso à documentação que ensejou o lançamento; Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 971 13 Este é o relatório. VOTO Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade A decisão do Acórdão da Impugnação da DRJ foi disponibilizada à Contribuinte em 19/12/2012, tendo sua ciência em 03/01/2013, conforme certidão de fls. 755. A Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 28/01/2013 (fl. 846), portanto dentro do lapso temporal de 30 dias. Já as responsáveis solidárias, Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S teve sua intimação realizada via postal no dia 28/12/2012 (fl. 758), a Hapvida Participações e Investimento LTDA teve sua intimação realizada via postal no dia 28/12/2012 (fl. 757), e o Hospital Antonio Prudente LTDA teve sua intimação realizada via postal no dia 03/01/2013 (fl. 759), sendo que as três apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários no dia 28/01/2013 (fl. 792, 759 e 821 respectivamente), portanto dentro do lapso temporal de 30 dias. Diante do exposto, conheço dos 04 Recursos Voluntários e passo à análise de seus méritos. Mérito Diligência Necessária Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ (fls. 718) proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, Acórdão 0824.163 de 29/10/2012, que julgou procedente em parte a Impugnação, por maioria de votos, exonerando a Contribuinte em R$ 223.106,10, mantendo R$ 3.007.311,03 do crédito tributário proveniente do Auto de Infração DEBCAD nº 37.178.0500. A discussão do presente Auto de Infração diz respeito à parte devida por segurados contribuintes individuais à Seguridade Social, durante o período apurado de 01/01/2004 a 31/12/2004, no qual a Autoridade Fiscal constatou nas contas de despesas da Contribuinte, a existência de diversos lançamentos de pagamentos à pessoas físicas, cuja nomenclatura determina “por conta e ordem da Fundação F. Feitosa”, não sendo encontrado, no entanto, qualquer repasse de dinheiro pela Fundação à Contribuinte e, levando em consideração que a Contribuinte, quando intimada para esclarecer tais lançamentos, permaneceu inerte, a Autoridade Fiscal entendeu que tais lançamentos foram de fatos efetuados pela Contribuinte e não pela Fundação, sendo justa a incidência da contribuição previdenciária ora exigida. Juntamente com a Contribuinte, a Autoridade Fiscal entendeu pela existência de Grupo Econômico, inserindo as empresas Hap Vida – Administradora de Plano de Saúde (CNPJ 047.613.04/000122), cujo nome empresarial modificou para Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, Hapvida Participações e Investimento LTDA (CNPJ 051.974.43/000138), e Hospital Antonio Prudente LTDA (CNPJ 058.749.46/000109), como responsáveis solidárias. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 972 14 Tendo em vista que todas as empresas apresentaram Recurso Voluntário, determina este Conselho: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade Portanto, passase à análise de todos os Recursos Voluntários, seja da Contribuinte, como que também, das Responsáveis Solidárias. Antes de adentrar na resolução das preliminares e do mérito trazidos pelas partes no presente processo administrativo, pontuase, primeiramente, a necessidade de chamar o presente feito à ordem e converter os autos em diligência, antes de se fazer seu julgamento. Chamase o feito a ordem, visto que o equívoco constatado na análise dos autos, cuja falta de saneamento pode causar nulidade do lançamento. O auto de infração se encontra incompleto nos presentes autos, visto que não foi juntado o Anexo I. O Anexo I contém a base de cálculo do crédito lançado. Impossível julgar um processo administrativo fiscal sem que o Auto de Infração esteja completo e preenchido com os requisitos do Artigo 10 do Decreto 70.235/77: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os incisos de I a VI do Art. 10 são requisitos de validade, dos quais o III e o IV emergem a necessidade de inserção da base de cálculo no Auto de Infração. Segundo o Relatório Fiscal em análise, “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no (ANEXO I) e constam no levantamento CIN”. Portanto, a Base de Cálculo do presente processo está expressada no documento que supostamente acompanhou o Auto de Infração, denominado de ANEXO I. O Anexo I não se encontra juntado nos autos, sendo, inclusive, uma das exigências da 5ª Turma da DRJ/FOR quando decidiu converter o julgamento em diligência em 02/12/2009, na Resolução 1.742, diante da incerteza constatada pelos julgadores na prova documental carreada aos autos pela Auditoria Fiscal, visto que: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 973 15 “O relatório fiscal assevera que todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no anexo I. Entretanto, não há nos autos o referido anexo I, detalhando, por competência, a composição da base de cálculo, como mencionado no relatório fiscal.” (...) “o relatório fiscal faz menção ao batimento GFIP/DIRF. Entretanto, da verificação do resultado deste comparativo não se obtém as bases de cálculo apuradas pela auditoria fiscal”. (...) “as bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram encontradas a partir das contas de despesas do grupo quatro, entretanto, a auditoria fiscal não discriminou quais as contas contábeis que compõem o referido grupo. Dentre as contas contábeis integrantes do grupo quatro, também, não restou esclarecido quais as que foram utilizadas no presente lançamento”. A conversão do julgamento em diligência se deu justamente para se fazer a juntada do anexo I, mencionado no relatório fiscal. Nas fls. 419/431, observa a resposta pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento que afirmou que, com relação o Anexo I, o entregou ao Contribuinte, conforme se constata o recibo de Arquivos Entregues sob o código identificador 8edeb7c24ca9d4bc9faec65ce783abl0 e a via da Receita Federal se encontra em mídia digital de CDROOM, juntada APENAS no processo 10380.001219/200907, referente ao DEBCAD 37.178.0489, proveniente da mesma fiscalização. Entretanto, não houve a juntada novamente, agora perante este processo de número 10380001222/200912 o CDROOM contendo o suscitado Anexo I. Conforme consta na pesquisa perante o sítio eletrônico deste Conselho, o processo 10380.001219/200907 foi distribuído perante esta R. Turma (1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção) e está sob relatoria de Vossa Senhoria, MM. Presidente, Dr. João Bellini Junior. Embora o Auditor Fiscal afirme que houve a juntada do Anexo I no processo 10380.001219/200907, resultante da mesma fiscalização, era necessário que houvesse a juntada deste documento no presente processo, visto que é primordial para julgamento dos apontamentos levantados pela Contribuinte sobre a regularidade dos valores lançados, principalmente pelo fato de ambos os processos não tramitarem conjuntamente. Não se entende como a DRJ conseguiu analisar a validade do Auto de Infração lançado sem ter o Anexo I, onde comporta a Base de Cálculo. Deve ser por esta razão em que não há concordância entre o entendimento da Turma da DRJ e do Auditor Fiscal que procedeu a fiscalização de que se houve ou não a Aferição Indireta para o lançamento do presente crédito tributário, o que dificulta a defesa do Contribuinte e o julgamento do presente processo por esta Turma. Por esta razão, para que não haja nulidade total do presente processo administrativo, voto por converter em diligencia o julgamento, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade se pronuncie a respeito dessas provas. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10380.001223/200967 Resolução nº 2301000.705 S2C3T1 Fl. 974 16 CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por converter o julgamento em diligência, diante da constatada falta da juntada do completo Auto de Infração, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade e se pronuncie a respeito dessas provas. Dêse ciência ao Contribuinte, posteriormente. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002249/2008-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO DE INGRESSO. NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS NO PRAZO REGULAMENTAR.
A regularização de pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser realizada até o fim do prazo para a realização da opção, sob pena de indeferimento da opção (Resolução CGSN nº 4/2007, art. 7º, §§ 1º e 1º-A).
Numero da decisão: 1003-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS NO PRAZO REGULAMENTAR. A regularização de pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser realizada até o fim do prazo para a realização da opção, sob pena de indeferimento da opção (Resolução CGSN nº 4/2007, art. 7º, §§ 1º e 1ºA). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 22 49 /2 00 8- 03 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10660.002249/200803 Acórdão n.º 1003000.150 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 09 33.807 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e manteve o despacho decisório. Aos 25/06/2008, a contribuinte, ora Recorrente, protocolou petição requerendo a inclusão retroativa no Simples Nacional alegando que, desde a constituição. é optante do Simples Federal e que não foi automaticamente enquadrado no Simples Nacional devido à existência de pendências identificadas pelo sistema, quais sejam: (i) pendência cadastral ou fiscal com o Estado: Minas Gerais e (ii) débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Informou que, em 26/06/2007, a pendência com o Estado de Minas Gerais era em razão de omissão de envio de informações e, então, enviou o SAPI ao Estado de MG e que, em relações aos débitos com a Receita Federal, efetuou o pagamento em 18/07/2007. No entanto, em razão de erro de interpretação do seu contador, não efetuou a opção em tempo hábil para inclusão no Simples Nacional, fato que considera um erro de fato. Em janeiro de 2008, efetuou a opção pelo Simples Nacional e teve o pedido deferido a partir de 01/01/2008. Por fim, requereu a inclusão retroativa no Simples Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2007 em razão de ter demonstrado sua intenção inequívoca pela opção de inclusão no Simples Nacional. Através do Despacho Decisório DRF/VAR/SACAT, de 21/09/2010 (fls. 94), a Recorrente teve seu pedido indeferido. O interessado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 96/101), reafirmando a inicial e complementando que “se não houvesse a correção da irregularidade cadastral junto à Fazenda Estadual, jamais teria efetivado sua opção logo no mês de janeiro de 2008, bem como emissão de Certidão Negativa que ora se apresenta”. Acrescenta que uma mera pendência cadastral não é impedimento para o ingresso no Simples Nacional, conforme jurisprudência que anexa Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 96 a 101) ratificando as informações apontadas no Requerimento inicial. Em decisão colegiada, a DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. PRAZO EXPIRADO. Deixando a pessoa jurídica de fazer a opção para o Simples Nacional na época própria, no período de 01/07/2007 a 20/08/2007, não há como aceitar o pedido de opção com efeito retroativo.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Contra o acórdão da DRJ, a Recorrente apresentou recurso voluntário destacando, em síntese, o seguinte: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10660.002249/200803 Acórdão n.º 1003000.150 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) a regularização das pendências apontadas no momento da opção pelo Simples Nacional; (ii) que após várias tentativas, não recebeu da Fazenda Estadual informações acerca da regularidade da empresa no sistema; (iii) do inequívoco interesse da empresa em ser enquadrada pelo Simples Nacional; (iv) que protocolou petição junto à Arrecadação Fazendária do Estado de Minas Gerais em 20/11/2010, pedindo manifestação sobre o indeferimento da opção no SIMPLES pela Receita Federal, bem como Certidão sobre sua regularidade junto ao Estado de Minas Gerais referente ao período julho a dezembro de 2007, mas; infelizmente, a referida secretaria não respondeu satisfatoriamente ao requerimento; (v) que a pendência com o Estado de Minas Gerais era apenas cadastral e foi devidamente solucionado dentro do prazo regulamentar e que não efetuou a opção pelo Simples Nacional por erro de fato, visto o contador desconhecer a necessidade de realização do requerimento, pensava ser automático; (vi) requereu o enquadramento como optante do Simples Nacional, retroagindo essa opção para 1° de julho de 2.007 a 31 de dezembro de 2007. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Sintetizando os fatos e documentos constantes no processo, identificase que a contribuinte foi cientificada da não inclusão no Simples Nacional em razão de pendências impeditivas apontadas pelo sistema, vide fls. 21. Em 25/06/2008, a Recorrente apresentou solicitação de inclusão ao Simples Nacional alegando que a pendência junto ao Estado de Minas Gerais era meramente cadastral e que foi resolvido em tempo hábil para realização da opção pelo Simples Nacional, da mesma forma os débitos federais foram quitados em 18/07/2007. É incontroverso no processo que a empresa, em 16/07/2007, manifestou interesse em optar pelo Simples Nacional, bem como recolheu os impostos relativos ao Simples Nacional demonstrando a intenção inequívoca pela citada opção. A Lei Complementar nº 123/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10660.002249/200803 Acórdão n.º 1003000.150 S1C0T3 Fl. 5 4 Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. [...] § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo. [...] § 4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) § 5º O Comitê Gestor regulamentará a opção automática prevista no § 4º deste artigo. O ato do Comitê Gestor que regulou a opção pelo Simples Nacional foi a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seus arts. 17 e 18, estabeleciam o seguinte: Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) Ou seja, era de conhecimento da contribuinte que deveria realizar a opção pelo Simples Nacional até o último dia do mês de janeiro. No caso concreto, em 31/01/2009, a empresa já tinha conhecimento que possuía débitos não suspensos, visto ter recebido a comunicação de exclusão do Simples, contudo, até a data final determinada pela norma acima transcrita, a contribuinte não havia solucionado as pendências. Comungo da posição de que, havendo comprovação de erro de fato, bem como sendo possível identificar a intenção do contribuinte em aderir ao sistema, por meio de recolhimento de tributos em DarfSimples e apresentação de Declarações Anuais Simplificadas, a opção pode ser retificada de ofício. Contudo, tal opção só poderá ser realizada se for possível identificar que as pendências que impediram a opção da Recorrente foram de fato regularizadas. Em relação às pendências perante a Secretaria da Receita Federal no valor R$45,43 (quarenta e cinco reais e quarenta e três centavos) vencido em 30042005, e R$48,84 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10660.002249/200803 Acórdão n.º 1003000.150 S1C0T3 Fl. 6 5 (quarenta e oito reais e oitenta e quatro centavos) vencido em 3110 2005, essas foram regularizadas através de pagamento realizado em 18072007, conforme comprovantes anexados aos autos (fls. 13 e 14). A outra pendência apontada pelo sistema foi perante o Estado de Minas Gerais: o sistema apontava uma pendência cadastral ou fiscal. A Recorrente declara que a pendência era meramente cadastral e colaciona aos autos Consulta de Extrato de Conta Corrente Fiscal Consolidado (fls. 27) demonstrando ter a Recorrente uma pendência relacionada à omissão de entrega da declaração no mês de maio de 2007. Compulsando os autos, no entanto, não ha nenhum documento que comprove ser essa a única pendência junto ao Estado de Minas Gerais no período de opção pelo Simples Nacional. A Recorrente informa que tentou inúmeras vezes, até peticionando, conseguir informações quanto a sua regularidade no período em análise, mas não obteve sucesso por excesso de atividades da secretaria em razão da sincronização do sistema. Ocorre que tais requerimentos não foram colacionados aos autos. Há apenas um requerimento datado de 14/12/2010 (fls. 168 a 171), mas que não obteve a resposta que solucionasse a questão. Dessa forma, em que pese a intenção da Recorrente em aderir ao Simples Nacional, não há nos autos comprovação que a mesma solucionou todas as pendências com o Estado de Minas Gerais no prazo determinado pela legislação. Infelizmente, tal prova é fundamental para solução do caso em análise. A Recorrente poderia ter colacionado aos autos certidão negativa de débitos junto ao Estado de Minas Gerais, mas não o fez, visto ter se preocupado unicamente em requerer nova tela de pendências cadastrais junto a repartição estadual. A certidão negativa da empresa em julho de 2007 demonstraria que apenas a pendência cadastral impedia a opção. A certidão de regularidade colacionada aos autos foi emitida em 18/10/2010 (fls 102), não sendo documento hábil para comprovar a inexistência de débitos no período até julho de 2007. Da mesma forma, o deferimento de sua opção pelos Simples Nacional efetuada em 08/01/2008 não comprova se, em jul/2007, havia sido sanada a pendência junto ao Estado de Minas Gerais. Não há nos autos documentos que demonstrem ser a pendência apenas a falta da entrega do SAPI ao Estado de MG. A Recorrente poderia ainda ter efetuado a opção pelo Simples Nacional, haja vista possuir prazo até 20 de agosto de 2007, mas por equívoco não o realizou no prazo regulamentar. No entanto, tal erro não a esquiva do dever de cumprir com a legislação regulamentar. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901159/2008-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901159/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.718 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente JURERE PRAIA HOTEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPENSAÇÃO ANOCALENDÁRIO 2001 O valor do débito tributário lançado na em DCTF constitui confissão de dívida e somente pode ser alterado mediante a sua retificação. Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0727.925, da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 59 /2 00 8- 46 Fl. 271DF CARF MF 2 PER/DCOMP, n°19839.75569.020606.1.7.041881, de crédito relativo a pagamento a maior de IRPJ, cujo voto, reproduzo, a seguir: Relatório Por meio do Despacho Decisório de folha 33, foi declarada a não homologação da Declaração de Compensação DCOMP de nº 15048.17612.270204.1.3.040497, com utilização de crédito a título de “Pagamento Indevido ou a Maior”, resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 52.444,45, acrescido de multa de mora e juros de mora. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$35.131,45 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. ... Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 2 a 14, da qual os seguintes trechos são ora reproduzidos por bem representarem os argumentos suscitados: II – DAS PRELIMINARES II.1) NULIDADE POR ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Antes da apreciação do mérito da presente Manifestação de Inconformidade,convém destacar que o ato processual administrativotributário, como qualquer ato jurídico, reclama, para ser válido e eficaz, os requisitos fundamentais de ser praticado por agente capaz, mostrarse na forma prescrita ou não defesa em lei, e conter objeto lícito, tal qual delimitado pela legislação. Se algum desses requisitos não for praticado o ato incorrerá em nulidade. Como se verifica no Despacho Decisório que ora se manifesta, a autoridade fiscalizadora/julgadora se equivocou quando da tipificação do “enquadramento legal”, ao apontar os artigos 165 e 170, da Lei n. 5.172/1966 (CTN), e o art. 74 da Lei n.9.430/1998, que em nada indicam a suposta exigência descumprida. [...] Ocorre que em nenhum dos dispositivos descritos pelo Agente Ativo, há indícios de que a operação realizada pela Manifestante é ilegal, ou estava incorreta. É flagrante o erro cometido pela autoridade fazendária na elaboração do Despacho Decisório, pois ao elaborar o enquadramentos legal deste, omitiu a legislação que consubstanciaria a suposta irregularidade cometida, indicando dispositivos imprecisos. [...] Por esta razão, a Manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação das compensações efetuadas, e consequentemente exercer seu direito de defesa. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001000.718 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, com este procedimento adotado tratase de vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório, uma vez que se deixou de observar seus requisitos essenciais para seu sustento, como previsto no art. 59, II do Decreto n. 70.235/75 (sic): Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] II.2) DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA DECISÃO O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, já citado, simplesmente, não veio acompanhada de nenhuma fundamentação motivacional/legal, mencionando apenas que as compensações efetuadas pela Manifestante não foram homologadas por insuficiência de crédito. Depreendese com isto que, não descreveu a fundamentação de sua decisão, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. Faltaram, assim, os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por consequência, a segurança jurídica Manifestante. Destarte, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal do Contribuinte, mais uma vez cerceando sua defesa, uma vez que não restam respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendidos pela Constituição Federal, sob pena de serem considerados nulos pela falta de elemento essencial à sua formação. [...] Por se tratar de procedimento administrativo federal, o princípio da motivação se encontra estabelecido, como regra geral, no art. 2º, VII da Lei nº 9.784/99, onde determina a obrigatoriedade da indicação dos pressupostos de fato e de direito que levaram à determinação da decisão: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] Por esta razão, a Manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação das compensações efetuadas. Fl. 273DF CARF MF 4 [...] Assim, não pairam dúvidas que diante da falta de fundamentação motivacional/legal da decisão em questão e, por não ter sido revestida de todas as formalidades legais, deverá ser declarada nula e por consequência determinado a desconstituição do Despacho Decisório ora combatido. III – DOS FATOS E DO DIREITO Em que pesem as razões acima expostas, por si só, demonstrarem a nulidade do Despacho Decisório ora guerreado, cumpre à Manifestante tecer os esclarecimentos que seguem abaixo. Da análise das ínfimas informações constantes do Despacho Decisório ora combatido, a Manifestante pode verificar que não foi reconhecida a compensação de valores devidos a título de IRPJ, do período de janeiro de 2004. Ao analisar a PER/DCOMP objeto da decisão ora combatida, a empresa constatou equívoco no preenchimento da mesma, tendo em vista que o crédito objeto da compensação não se refere a “pagamento indevido ou a maior” como indevidamente informado na página 2 da PER/DCOMP anexa, sendo o crédito originário de prejuízo fiscal de IRPJ de 2001. Portanto, sendo o crédito relativo a prejuízo fiscal de IRPJ de 2001, inexiste DARF para comprovação do crédito, como requer a Autoridade Fiscalizadora, devendose, para averiguação desta situação, ser realizado o cotejo entre as informações prestadas pela empresa na PER/DCOMP com a DIPJ relativa ao ano calendário de 2001. Assim, uma vez demonstrado o erro incorrido pela Manifestante, não há que se falar em insuficiência de crédito para a compensação em apreço, devendo, portanto, ser homologada na integralidade a compensação realizada. Ademais, vislumbrase no caso em tela que o erro formal do contribuinte sequer causou lesão ao erário público, motivo pelo qual deve ser considerado regularizado o pagamento. Destarte, dúvidas não restam de que a Manifestante tem direito de compensar, via PER/DCOMP, os créditos que possui junto à Receita Federal do Brasil com débitos de IRPJ, razão pela qual requer seja homologada a compensação realizada. [...] Voto A manifestação de inconformidade preenche os requisitos legais de admissibilidade; dela conheço. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à interessada. O motivo da não homologação da compensação consta, sim, do Despacho Decisório, e é muito singelo: o DARF informado na DCOMP pela interessada não foi encontrado nos sistemas da Receita Federal, razão pela qual não foi possível confirmar a existência do crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior. Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001000.718 S1C0T1 Fl. 4 5 Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Deste modo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, ante à clara demonstração de que a interessada exerceu plenamente o seu direito de defesa. A menção de dispositivos legais que regulam o direito à compensação, deve se ao fato de que um dos pressupostos deste direito é a existência de crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública. Portanto, na inexistência desse crédito, o contribuinte obviamente não poderá invocar este direito. É preciso esclarecer também que no regime de compensação por DCOMP, regulado pela Instrução Normativa SRF nº 210/2002, e IN editadas posteriormente, não existe previsão para utilização de prejuízo fiscal. Por outro lado, se o crédito referirse, em verdade, a “saldo negativo de IRPJ” ou a outro crédito que seja passível de ser compensado por meio de DCOMP, caberia à interessada apresentar regularmente a respectiva DCOMP, pois a adoção de outro crédito que não aquele indicado na DCOMP objeto do Despacho Decisório, corresponde a uma nova DCOMP. Por sua vez, a competência para aferir em primazia a regularidade da nova DCOMP é do titular da delegacia que tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do interessado, conforme já prescrevia o caput do art. 31 da IN SRF nº 210/2002: Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração. Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) A esta instância julgadora compete apreciar manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pelas autoridades administrativas referidas no dispositivo supra. No caso em concreto, a compensação constante da DCOMP objeto do Despacho Decisório recorrido, não poderia mesmo ser homologada por inexistir o crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior, como admitiu a própria interessada. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 275DF CARF MF 6 Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · No anocalendário 2001, apurou e recolheu IRPJ nos meses de janeiro R$ 35.131,45 e fevereiro R$ 20.664,97. Contudo, ao final do exercício ano calendário 2001, apurou saldonegativo de IRPJ no montante de R$ 55.796,42, conforme demonstrado na sua Declaração de Imposto de Renda 2002 ano calendário 2001 (anexo DOC. 05), e nas Demonstrações Contábeis do período (anexo DOC. 07 e DOC. 08). · No ano de 2004, a ora Recorrente apurou IRPJ a pagar, e assim, apresentou Pedido de Compensação desses débitos, com o saldonegativo apurado no anocalendário 2001, conforme DCOMP's: n° 15048.17612.270204.1.3.040497, n° 24450.27190.310304.1.3.044127, n° 19839.75569.020606.1.7.041881 e demonstrado na tabela abaixo: ... · A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, arguindo erro formal de preenchimento do pedido de compensação, tendo em vista, que o crédito objeto da compensação não advinha de "pagamento indevido ou a maior", como informado na PER/DCOMP, e sim, advinha de basenegativa de IRPJ, anocalendário 2001. · Sobreveio Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, definindo, em síntese, que não houve cerceamento de defesa, e no mérito que no regime de compensação pelo programa PER/DCOMP, regulado pela Instrução Normativa 210/2002, e posteriores, não prevêem a utilização de base de cálculo negativa de IRPJ. Ainda, que se o crédito referiase a "saldo negativo de IRPJ", ou a outro crédito que fosse passível de compensação por meio de DCOMP caberia a ora Recorrente, apresentar regularmente a respectiva DCOMP. Assim, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. · II.I DA NULIDADE POR AUSÊNCIA DE CAPITULAÇÃO LEGAL · em preliminares, argumenta nulidade por ausência de capitulação legal, É flagrante o erro contido no acórdão recorrido que, a exemplo do despacho Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001000.718 S1C0T1 Fl. 5 7 decisório, não promoveu o enquadramento legal, de modo que omitiu a legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida. Por esta razão, a ora Recorrente carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação do pedido de compensação de débitos de IRPJ, pleiteado pela ora Recorrente no presente processo administrativo, de modo que está obstada de exercer o seu direito de defesa de forma plena (cita acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes) · II.II DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA DECISÃO · O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, assim como, o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, já citados, simplesmente, não vieram acompanhados de nenhuma fundamentação motivacional/legal, reconhecendo, apenas, a forma pela qual a ora Recorrente realizou a compensação. Depreendese com isto que, não descreveu a fundamentação da cobrança anexada ao Parecer, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. · Faltaram, assim, os elementos de convicção da cobrança, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da Recorrente. · Destarte, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal do Contribuinte, cerceando sua defesa, uma vez que não restam respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendidos pela Constituição Federal, sob pena de serem considerados nulos pela falta de elemento essencial à sua formação (cita: a Lei 9.784/99, artigos 2° e 50 ; Constituição Federal de 1988 art. 5°, inciso LV). Em razões de direito, argumenta que: · No anocalendário de 2001, apurou e recolheu o IRPJ nos meses de janeiro R$35.131,45 e fevereiro R$20.664,97. Contudo, ao final do exercício, anocalendário de 2001, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$55.796,42, conforme a DIPJ 2002, anocalendário de 2001. Fl. 277DF CARF MF 8 · No dia 27 de fevereiro de 2004, a ora Recorrente transmitiu a declaração de compensação, DCOMP n°: 15048.17612.270204.1.3.040497, pleiteando a compensação de débitos de IRPJ apurados em fevereiro de 2004, no valor de R$52.444,45, com créditos decorrentes de saldonegativo de IRPJ, apurados no exercício 2001. · Porém, ao preencher a declaração de compensação, a empresa informou como origem do crédito, DARF de pagamento indevido ou a maior IRPJ, no valor de R$ 35.131,45 (anexo DOC. 04), o qual atualizado montava em R$ 54.415,10. · Ocorrendo assim, um erro no procedimento interno, onde na DCOMP foi informado um crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, ao invés de saldonegativo de IRPJ apurado em exercícios anteriores. · Importante comentar que o mesmo procedimento foi realizado pela recorrente nos processos 10983901.133/2008/96 e 10983 901.242/200815. · O erro de preenchimento tratase de um mero vício formal, suscetível de ser remediado, não afetando a substância do ato e legitimidade do direito creditório da ora Recorrente. · Desta forma, não só em respeito da verdade material, princípio que norteia os processos administrativos, mas em observância dos princípios da moralidade e da eficiência administrativa consagrado no art. 37 da Constituição da República , é razoável e proporcional que o r. acórdão seja reformado, para o fim de reconhecer a legitimidade dos créditos informado no PER/DCOMP n° . · Por fim, requer: · a) Preliminarmente, que seja determinada a reforma do Acórdão recorrido, face às irregularidades do despacho decisório acima expostas, determinando à Autoridade Fazendária de origem que proceda a nova análise da compensação; · b) Caso não acolhido o pedido anterior, no mérito, requer que o presente Recurso Voluntário seja julgado procedente, para que seja reformada a decisão recorrida e, por corolário, homologada a compensação declarada na PER/DCOMP n° 15048.17612.270204.1.3.040497, visto que devidamente comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP em apreço. · c) Sucessivamente, caso não seja este o melhor entendimento, requer que seja declarada a existência do saldonegativo de IRPJ relativo ao exercício de 2001, no valor de R$ 55.796,42 (cinquenta e cinco mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e dois centavos), considerando o pagamento indevido ou a maior, conforme Documentos de Arrecadação de Receitas Federais DARF, bem como, na DIPJ, ano Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001000.718 S1C0T1 Fl. 6 9 Inicialmente, entendo que não houve cerceamento do direito de defesa, como preconizado pela recorrente.O citado artigo 59 do Decreto 70.235/72, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não entendo que tenha havido a preterição ao direito de defesa, visto que tanto o despacho decisório como a decisão da DRJ foram suficientemente claros que proporcionaram à própria recorrente identificar o problema, não tendo havido preterição do direito de defesa. A própria recorrente argumentou na manifestação de inconformidade que não havia um DARF, correspondente ao indébito, posto que este era originário de prejuízo fiscal (sic), conforme mencionado no acórdão da DRJ: Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Consoante a Instrução Normativa RFB 1.717/2017, em seu artigo 66 a 68, dispõem que: Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Art. 67. Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na declaração de compensação. Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Fl. 279DF CARF MF 10 Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Assim, a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e, no caso da recorrente, deveria ter sido objeto de retificação. Em não havendo, prevalece o que confessado na originalmente entregue. Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10983.901159/200846 Acórdão n.º 1001000.718 S1C0T1 Fl. 7 11 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. (grifei) Portanto, as regras são suficientemente claras e a recorrente teve toda as oportunidades de retificar a declaração originalmente entregue. Releva ressaltar, que não cabe nenhuma restrição à decisão da DRJ que analisou e respondeu aos exatos argumentos apresentados pela recorrente quando de sua manifestação de inconformidade onde fez afirmações que não correspondiam à realidade (afirmou que se tratava de crédito oriundo de prejuízo fiscal). Assim,rejeito as preliminares para, no mérito, negar provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 13931.000945/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 5/ 20 08 -2 8 Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13931.000945/200828 Resolução nº 3301000.699 S3C3T1 Fl. 445 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13931.000945/200828 Resolução nº 3301000.699 S3C3T1 Fl. 446 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720026/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 19/05/2008 a 09/02/2011
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente/beneficiário da operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR.
Por total ausência de provas de participações direta nas infrações praticadas, o sócio da Recorrente deve ser excluído do polo passivo da presente demanda.
Numero da decisão: 3302-005.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima e os lançamentos relativos aos períodos de 2010 e 2011, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir do polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima e o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em menor extensão para manter no polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de julho de 2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente/beneficiário da operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Por total ausência de provas de participações direta nas infrações praticadas, o sócio da Recorrente deve ser excluído do polo passivo da presente demanda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima e os lançamentos relativos aos períodos de 2010 e 2011, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir do polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima e o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em menor extensão para manter no polo passivo o contribuinte Paulo Tadeu Lima. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de julho de 2018. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 26 /2 01 3- 83 Fl. 4281DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud – Relator. (assinado digitalmente) Walker Araujo – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/11/2013, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 1.808.885,75. Transcrevese o Relatório do Acórdão n° 1662.691 da 11ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo. Segundo a fiscalização, a empresa ANGRA SAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA ME , CNPJ n° 74.461.120/000122, foi identificada como o real adquirente de mercadorias importadas em operações de comércio exterior realizadas pelo importador ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ n° 07.069.077/000167. No curso da ação fiscal, constatouse que a empresa ENCOMEX TRADING simulou importações em seu nome ocultando ao longo do período 04 empresas distintas (os reais adquirentes das mercadorias importadas), dentre as quais a Impugnante (ANGRA SAT). Relata a autoridade fiscal que essas empresas adquiriam as mercadorias diretamente da ENCOMEX TRADING, ou, em alguns casos, esta (o importador) as repassava diretamente aos clientes das reais adquirentes então identificadas, por orientação destas. A fiscalização ressalva o fato de que em diversas ocasiões as operações de importação foram realizadas mediante a contratação de serviços da empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A, havendo esta pessoa jurídica registrado as respectivas declarações de importação/DI(s). Em relação à integralização do Capital Social da pessoa jurídica ENCOMEX TRADING, a fiscalização, após análise dos fatos ocorridos a partir do ano de 2004, conclui que o sócio Eric Moneda Kafer, CPF n° 292.322.99836, não dispunha de recursos financeiros para o aporte de recursos registrados. Também restou comprovado que aquela pessoa jurídica não dispunha de local para o armazenamento das mercadorias, nem Fl. 4282DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 3 3 tampouco de mão de obra compatível com as atividades que alegava desempenhar no comércio exterior. Quanto ao fluxo das mercadorias, percebeuse que em diversas ocasiões a data de emissão da nota fiscal de saída coincidia com a da nota fiscal de entrada; quando não havia tal coincidência, as datas mostravamse próximas. Tais fatos levaram a fiscalização a concluir que a empresa ENCOMEX TRADING, antecipadamente, sabia para quem venderia os produtos importados. Ademais, constatouse que os registros contábeis apresentados por essa empresa não demonstram a realidade dos fatos contábeis relacionados às operações de importação e comercialização das mercadorias em comento, eis que foram utilizados artifícios tendo por intento dissimular os registros contábeis formulados relacionados às primeiras operações de importação que, na realidade, consistiam em adiantamentos de clientes, tanto para o fechamento dos contratos de câmbio, quanto para os registros das respectivas declarações de importação. Considerando o critério para o rateio dos valores pertencentes a cada empresa cliente da pessoa jurídica ENCOMEX TRADING, a fiscalização levou em conta os valores repassados por cada uma dessas empresas, atribuindo a cada uma delas, proporcionalmente, a quantidade (e o valor) das mercadorias então adquiridas. Em decorrência de tais fatos, a autoridade fiscal aplicou a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, inciso V, § 1° do DecretoLei n° 1.455/76. Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do art. 23 mencionado. Ainda segundo a fiscalização, foram imputados como responsáveis solidários no auto de infração, além da pessoa jurídica ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., as seguintes pessoas físicas: REINALDO ROMO MARTINS, PAULO TADEU LINO, NEIDE ALCÂNTARA LINO, ERIC MONEDA KAFER e VERA LÚCIA MONEDA KAFER. Intimado acerca do Auto de Infração, o interessado ERIC MONEDA KAFER apresentou tempestivamente a impugnação e documentos, juntados às fls. 3.771 e seguintes; em síntese: Alega nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa por ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta; Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa; transcreve o art. 83 da Lei n° 9.430/96; Fl. 4283DF CARF MF 4 Requer a exoneração daqueles créditos tributários atingidos pela decadência; (fl. 3.777) Alega que o fisco tem o ônus da prova em relação aos fatos imputados contra a Impugnante. Cita a presunção de inocência. Menciona doutrina a respeito do tema. Transcreve o art. 112 do CTN. Requer que, na eventualidade de rejeição dos argumentos da empresa ENCOMEX, seja aplicada apenas a multa do art. 33 da Lei n° 11.488/07. Alega que as operações foram devidamente registradas na contabilidade, não havendo, pois, simulação, e, conseqüentemente, nem dano ao Erário; argumenta que o lançamento foi efetuado com base apenas em indícios. Ressalva o fato de não haver nenhum documento fiscal que demonstrasse o adiantamento de qualquer recurso ou cessão do nome/ocultação de outro sujeito passivo. Alega que foi autuada em duplicidade ocorrência de bis in ideem; Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimadas do Auto de Infração, as interessadas ANGRA SAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRÔNICOS, REINALDO ROMO MARTINS, PAULO TADEU LINO, NEIDE ALCÂNTARA LINO, apresentaram, tempestivamente, impugnação conjunta, em 12/21/2013, juntados às fls. 3.744 e seguintes; em síntese: Alega que, ao contrário do que afirma a fiscalização, jamais procedeu ao adiantamento de quaisquer quantias à empresa ENCOMEX TRADING, efetuando, pois, os pagamentos relacionados às mercadorias importadas, em momento posterior às negociações, não havendo razão, pois, em se falar a respeito de pagamento antecipado; Requer, preliminarmente, a exoneração dos créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos anteriormente ao dia 13/11/2008, haja vista haverem ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos outorgado ao Fisco para a constituição dos créditos respectivos; Uma vez acusada a Impugnante de atuar em conjunto com outras empresas com o fito de praticar infração considerado como dano ao Erário, necessário se torna que ela tenha o conhecimento dos nomes dessas empresas, bem como o acesso a toda documentação colhida pela fiscalização a respeito, para defenderse, sob pena de nulidade do auto de infração; Que não concorda com o método apresentado para a exigência do valor da multa, uma vez que não há qualquer comprovação documental que o respalde, não havendo, pois, subsídios que possibilitem a aferição e veracidade do cálculo exibido; Requer a concessão de novo prazo para manifestação acerca de documentos contábeis juntados por ocasião de eventual defesa apresentada pela ENCOMEX TRADING; Fl. 4284DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 4 5 Argumenta que a fiscalização não poderia ter autuado os sócios da empresa como responsáveis solidários nos termos do art. 135, III do CTN, uma vez que os sócios da pessoa jurídica somente poderão ser responsabilizados acaso ficar comprovado que se utilizaram da empresa para praticarem atos ilícitos ou com excesso de poderes; Especificamente, afirma que o sócio REINALDO ROMO MARTINS somente passou a integrar o quadro societário da Impugnante no dia 23/08/2012, isto é, após a suposta ocorrência dos fatos geradores, não devendo, pois, figurar no pólo passivo da relação tributária; Requer, por derradeiro, seja procedente a sua impugnação com a conseqüente exoneração do crédito tributário. Em 30 de outubro de 2014, através do Acórdão n° 1662.691, a 11ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, devendo ser exonerado do crédito tributário lançado o valor correspondente a R$ 128.447,96, e mantendose, consequentemente, o valor correspondente a R$ 1.680.437,79. Votouse pela procedência parcial das impugnações apresentadas, exonerando os créditos tributários relacionados aos fatos geradores ocorridos nos dias 19/05/2008, 10/06/2008, 10/07/2008, 24/07/2008, 28/08/2008, 16/09/2008, 06/10/2008, 31/10/2008, em razão de decadência, consoante demonstrativo que segue, e excluir da responsabilidade tributária os Srs. Reinaldo Romo Martins e Neide Alcântara Lino. Os contribuintes e responsáveis foram notificados da decisão de primeira instância, com exceção da Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda., eis que a intimação dessa decisão, enviada por via postal, foi devolvida pelos Correios, conforme informa a repartição de origem nas fls. 4104/4105. Todos os integrantes que remanesceram no pólo passivo da autuação após a decisão de primeira instância apresentaram seus recursos voluntários. Tendo em vista a alegação, em preliminar, da recorrente Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda. de que teria apresentado impugnação ao auto de infração, mas que não teria sido levada em consideração no julgamento de primeira instância,meste Colegiado, resolveu converter o julgamento em diligência para se apurar tal questão junto à Alfândega do Porto de Santos, mediante a Resolução n° 3402000.725, de 08 de dezembro de 2015, conforme excerto abaixo do Voto condutor: (...) Consta na fl. 3734 cópia do Edital de Intimação n° 10, publicado no Diário Oficial da União de 26/11/2013, mediante o qual a Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda. foi intimada a "pagar os débitos de suas responsabilidades, ou a apresentar impugnação aos AUTOS DE INFRAÇÃO, dentro do prazo de trinta dias, contados do 16° (décimo sexto) dia da publicação do presente edital, SOB PENA DE REVELIA". Fl. 4285DF CARF MF 6 A recorrente Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda. juntou, nas fls. 3860/3881, cópia de uma petição a título de impugnação, não assinada, relativamente ao presente processo, em nome da Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda., com menção de que teria sido protocolizada na Alfândega RFB do Porto de Santos/SP em 06/01/2014. Tal petição estava instruída com cópia de procuração que outorgava poderes de representação pela empresa às signatárias. Embora a petição a título de impugnação das fls. 3860/3881 não esteja devidamente assinada, a assinatura poderia, eventualmente, ter sido apresentada em documento apartado, conforme procedeu a recorrente em relação ao recurso voluntário. De todo modo, consta que a impugnação teria sido recebida pela Alfândega do Porto de Santos, sendo razoável se supor, caso esse fato se confirme, que esse órgão poderia ter solicitado algum saneamento por parte da peticionária/impugnante ou, então, ter encaminhado o documento para a repartição onde se localizava o processo para a devida juntada. Considerando que eventual impugnação apresentada por essa empresa em 06/01/2014 seria tempestiva e, desde que atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, poderia, em tese, ter sido conhecida pelo julgador de primeira instância, entendo que o julgamento perante este CARF deve ser convertido em diligência para que a Alfândega RFB do Porto Santos: confirme se, efetivamente, recebeu, em 06/01/2014, a petição cuja cópia consta nas fls. 3860/3881; em caso afirmativo, informe qual o encaminhamento que deu ao referido expediente; anexe aos autos cópias dos documentos de que disponha para esclarecer a questão, inclusive, quanto aos documentos apresentados juntamente com a referida petição; cientifique a Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda. do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto n° 7.574/2011; devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após decorrido prazo de manifestação da interessada. (...) A Alfândega do Porto de Santos juntou a impugnação original da ENCOMEX (fls. 4146 a 4179), cuja cópia constava às fls. 3860 à 3881, esclarecendo que, por um lapso, a mesma não foi juntada à época de sua recepção. Regularmente cientificada, a interessada não se manifestou em face da diligência. Em 22 de junho de 2016, através do Acórdão n° 3402003.116, a 2a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por unanimidade de votos, deu Fl. 4286DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 5 7 provimento ao Recurso Voluntário da Encomex Trading Comercial, Importação e Exportação Ltda para anular o acórdão de primeira instância, julgandose prejudicada a análise dos demais recursos voluntários apresentados no processo. Em 31 de maio de 2017, em novo julgamento, através do Acórdão n° 16 77.811, a 21ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, devendo ser exonerado do crédito tributário lançado o valor correspondente a R$ 128.447,96, e mantendose, consequentemente, o valor correspondente a R$ 1.680.437,79. Devem, ainda, serem excluídos da responsabilidade tributária os Srs. Reinaldo Romo Martins e Neide Alcântara Lino. Entendeu a Turma que: ü Em relação de datas correspondentes aos registros (fato geradores) das respectivas declarações de importação – mais especificamente, as DI(s) registradas nos dias 19/05/2008, 10/06/2008, 10/07/2008, 24/07/2008, 28/08/2008, 16/09/2008, 06/10/2008 e 31/10/2008 – com fundamento no art. 139 do DecretoLei nº 37/66 e na Solução de Consulta Interna nº 32/Cosit, qualquer se refere à multa relacionada ao controle aduaneiro de importações, de natureza híbrida, procede o argumento apresentado, devendo, pois, serem exonerados os respectivos créditos tributários; ü A presente autuação deuse em virtude de infração considerada como dano ao Erário (interposição fraudulenta na importação), nos termos do art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76; de forma diversa do aventado pela defesa, a infração não está, pois, relacionada à falta de pagamento de tributos; ü Quanto à alternativa sugerida pela Impugnante no sentido de aplicar se a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, ao invés à da exigida neste auto, simplesmente dela não se tomou conhecimento pelo fato de tal sugestão ser impertinente, por ser matéria estranha ao julgamento; ü Considerouse descabida a alegação do impugnante no sentido de que a empresa ENCOMEX contabilizou corretamente as operações de importação, não havendo, pois, dissimulação de adiantamento de recursos de clientes – o que descaracterizaria a infração de dano ao Erário em comento. Fato é que o Impugnante não refutou especificamente qualquer documento ou argumento apresentado pela autoridade fiscal; ü Também não procede a alegação do Impugnante a respeito da ocorrência de bis in idem, por impertinente, haja vista que tal não foi devidamente demonstrado; ü Provas a respeito do afirmado pela Fiscalização, tais como extratos bancários, declarações de importação, notas fiscais eletrônicas e em Fl. 4287DF CARF MF 8 papel, bem como contratos de câmbio, foram sobejamente colhidas e anexadas ao processo administrativo; com base nelas, a autoridade fiscal confeccionou uma planilha, consoante fls. 3.502/3.529, na qual fica demonstrado a estreita relação entre todas empresas. É salutar analisála: constam na planilha (i) datas e valores dos depósitos bancários (adiantamentos de recursos); (ii) identificação das empresas que efetuaram os depósitos (dentre as quais a Impugnante); (iii) datas dos registros das DI(s); (iv) datas dos desembarços das DI(s); (v) datas da liquidação dos contratos de câmbio; (vi) datas das contas correntes creditadas; (vii) datas de emissões das notas fiscais, etc.. Não é demais ressaltar: a planilha foi elaborada com base em documentos que encontram se anexadaos ao processo. Impertinente, portanto, a alegação de desconhecimento de tais, eis que a Impugnante poderia solicitar cópia do processo por ocasião de intimações a ela efetuadas no curso da ação fiscal, ou, após a ciência da autuação; ü Em outro momento, a Impugnante argumenta que jamais adiantara recursos à empresa ENCOMEX; ora, o argumento não se sustenta, haja vista, e apenas para ilustrar, os vários adiantamentos de recursos efetuados pela Impugnante à empresa ENCOMEX, consoante registros contábeis efetuados no Razão Analítico por esta empresa, em fl. 1.573, fornecidos pelo escritório de contabilidade BARBOSA DE VINHEDO. As notas fiscais de venda apresentadas ao longo do processo, consoante fls. 3.563 e seguintes, demonstram que as mercadorias ali descritas correspondem àquelas adquiridas pela empresa ENCOMEX no período respectivo, então previamente vendidas à Impugnante o adquirente/beneficiário oculto das mercadorias importadas; ü Já em, relação à forma adotada para o cálculo da multa, aspecto questionado pela Impugnante, a Fiscalização apresentou os fundamentos nos quais o rateiro baseouse. Embora a autoridade fiscal não tenha utilizado o critério direto de cálculo com base nas remessas de mercadorias à autuada, em razão do repasse de mercadorias aos clientes da Impugnante, sob sua orientação, a Fiscalização identificou o total de adiantamentos realizados pela autuada (RS 4.360.271,59 fls. 3.473/3.474), ao cotejar dados dos extratos bancários, com as datas de desembaraço das mercadorias importadas e das vendas no mercado interno. Uma vez, pois, identificada a proporção dos adiantamentos realizados pelos reais adquirentes, a Fiscalização rateou o total das mercadorias importadas proporcionalmente aos valores adiantados por cada empresa. Em que pese tratarse de um método indireto na aferição dos valores, o critério foi adotado segundo bases comprovadas, haja vista a evidente relação entre os valores adiantados pela Impugnante e as respectivas mercadorias adquiridas. ü Em relação aos sócios que não participam formalmente da administração haveria de se comprovar que os mesmos praticaram atos de gerência, o que não ocorreu. Com relação aos sócios administradores, os mesmos são responsabilizados pelo art. 135, III Fl. 4288DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 6 9 do CTN, visto que estes materializaram os atos irregulares promovidos pela empresa ANGRA SAT. ü Dessa forma, tanto a sócia Neide Alcântara Lino (não participava formalmente da administração, conforme pesquisa efetuada no sistema CNPJ), quanto o sócio Reinaldo Romo Martins (à época dos fatos não participava da sociedade – foi incluído na sociedade no dia 23/08/2012), hão de ser excluídos da sujeição passiva da relação jurídica tributária. Ao contrário desses, devido à sua condição de sócio administrador à época dos eventos, o sócio Paulo Tadeu Lino deverá permanecer no polo passivo da relação tributária, respondendo, pois, solidariamente. Os atuados foram regularmente cientificados do Acórdão n° 1677.811, a 21ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo. Em 25 de julho de 2017, a empresa ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRONICOS EIRELI – EPP ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO de folhas 4.259 a 4.268 do processo digital. Foi alegado que: ü Em nenhum momento foi elucidado pela fiscalização o nome de quaisquer das outras três (03) empresas "associadas" à recorrente, tendo o auditor fiscal se restringido a discorrer unicamente sobre a pessoa jurídica ENCOMEX, trading responsável pela importação de mercadorias e revenda à impugnante; ü E para que a recorrente tenha garantido o direito constitucional à defesa válida e eficaz ante as imputações de infrações à lei, é imprescindível que tenha pleno conhecimento dos nomes das outras 03 empresas, assim como os documentos que deram margem a esta interpretação; ü A prova negativa, qual seja, que não possui relação com as outras empresas, é impossível de ser feita, quanto mais sem a nomeação das empresas partícipes destes supostos atos criminosos; ü No entanto, parece claro que o julgador de primeira instância não se atentou para os termos do relatório fiscal, eis que o auditor fiscal foi cristalino ao declarar o sigilo fiscal dos documentos e nomes das empresas supostamente envolvidas no ilícito tributário. sendo, assim, negado acesso à contribuinte a estes documentos; ü Desta forma, a prova de conluio entre as empresas envolvidas na suposta “organização criminosa” inexiste eis que não foram carreadas aos autos e impedem qualquer manifestação da recorrente quanto a sua regularidade ou não; ü A penalidade, ainda que fosse legitimamente aplicada pela fiscalização, o que não é o caso dos autos, teve seu cálculo formulado Fl. 4289DF CARF MF 10 de modo precário, e totalmente incoerente com os termos da legislação aplicável; ü O auditor alega que o cálculo da multa aposta se deu pelo percentual de participação da recorrente no "rateio" dos valores constantes nas Declarações de Importação da ENCOMEX, que, conforme historiado acima, se refeririam a operações ocultadas com 04 empresas distintas, dentre elas esta contribuinte; ü Isto é, o auditor fiscal efetuou a somatória dos valores supostamente repassados por estas 04 empresas à ENCOMEX, que em tese caracterizariam os valores aduaneiros das mercadorias e aplicou percentual de participação de acordo com o montante repassado por cada uma delas; ü Segundo consta de fls. 60 do relatório de infrações, a Recorrente teria participado na proporção de 29,36% do total recebido pela ENCOMEX muito embora não exista qualquer fundamentação nem mesmo menção à documentação que induziu o sr. auditor a esta conclusão; ü A realidade é que o cálculo apresentado não possui nenhuma comprovação documental que dê respaldo jurídico à grandeza da multa aplicada. Como saber que esses valores estão corretos? Ou mesmo se são verdadeiro? ü A recorrente se vê literalmente "às escuras" para contestar também este ponto do auto de infração, já que não possui subsídios para tanto ante a ausência de documentos que possibilitem a aferição de veracidade do cálculo exibido; ü Assim, é arbitrária e ilegal a imposição do sr. auditor fiscal ao brincar com percentuais de repasse de supostos partícipes de uma organização criminosa e esperar que a recorrente simplesmente concorde com os mesmos sem se contrapor; ü Isto é, a reiterada ocultação dos nomes das empresas integrantes da suposta “organização criminosa” somente se presta para confundir a Recorrente e dificultar a confecção de sua defesa, já que não tem sequer conhecimento da quantidade de pessoas jurídicas com as quais teria se associado; ü Além disso, o sr. auditor alega que a contabilidade da empresa ENCOMEX foi “maquiada” para esconder as “operações criminosas” praticadas por ela, pela recorrem e pelas demais empresas investigadas; ü É certo que a recorrente nada pode declarar acerca da contabilidade da ENCOMEX, novamente em razão da ausência de subsídios documentais que possibilitem qualquer manifestação sobre a matéria; ü A simples confecção de uma tabela apresentada pela fiscalização não diz absolutamente nada a respeito da contabilidade da empresa aludida, fazendose necessário esmiuçar detalhadamente toda a Fl. 4290DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 7 11 documentação da empresa, já que a impugnante é reiteradamente citada pelo auditor fiscal como participante ativa das operações de importação; ü No exercício de 2011 a Alfândega de Viracopos aplicou penalidade de perdimento de mercadoria à empresa Encomex por suposta ocultação de real importador e colocou a ora. impugnante como corresponsável tributária pela penalidade, eis que entendeu que esta empresa seria a empresa oculta nas importações que deram margem à constrição dos bens da empresa importadora (processos n°s 18482.0000562201005 e 19482.000055/201052); ü Notificada da existência destes dois processos administrativos em que figurava como corresponsável tributário a própria Alfândega de Viracopos a exclui de plano do polo passivo do processo n° 19482.000055/200052, permanecendo no polo passivo do primeiro processo administrativo em que foi aplicada pena de perdimento; ü Dentro do prazo regulamentar a Recorrente apresentou defesa administrativa informando que não possuía qualquer interesse no deslinde do processo administrativo de pena de perdimento, sendo, pois, indiferente para a mesma a alienação dos bens em leilão administrativo (documentos em anexo); ü Desta forma, não pode tecer qualquer comentário sobre o desenvolvimento da pena de perdimento imposta à empresa Encomex, eis que desde a notificação do auto de infração e a apresentação de sua defesa não mais acompanhou o julgamento da defesa administrativa e agiu desta forma por sua absoluta falta de interesse no perdimento anteriormente aplicado. DO PEDIDO Diante de tantas irregularidades cometidas pelo auditor fiscal na lavratura do auto de infração, servese a presente impugnação para requerer a anulação completa deste lançamento administrativo por este órgão Tribunal Administrativo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa Fl. 4291DF CARF MF 12 ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRONICOS EIRELI – EPP foi cientificada do Acórdão n° 1677.811, em 19/06/2017, por via eletrônica às folhas 4.247 do processo digital. Se a ciência ocorre por meio eletrônico, considerase feita a intimação a partir de 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, consoante o artigo 23, § 2o, inciso III, alínea a) do Decreto n° 70.235. A contagem do prazo de 30 dias se iniciou em 05/07/2017, tendo seu término em 04/08/2017, sábado. empresa ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRONICOS EIRELI EPP apresentou o seu Recurso Voluntário em 28/07/2017, folhas 4.257 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. ü Não foi elucidado pela fiscalização o nome de quaisquer das outras empresas "associadas" à empresa ANGRASAT, o que implica em violação ao direito da Ampla Defesa; ü A penalidade teve seu cálculo formulado de modo precário, e totalmente incoerente; ü Inconsistências na contabilidade da empresa ENCOMEX não podem afetar a empresa ANGRASAT. Do Mérito. ¨ O CONCEITO DE INTERPOSIÇÃO EM OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. O dicionário eletrônico Houaiss, fornece uma definição precisa da locução interposição, que se adéqua ao contexto aqui a ser evidenciado: ato ou efeito de interpor(se) Locuções i. de pessoa jur substituição intencional por terceiro, num processo simulatório, do verdadeiro interessado num ato jurídico. Fonte: (http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=interposi%25C3%25A7%25C3%25A3o, em 01/08/15) A expressão “interposição fraudulenta” foi cunhada pela primeira vez em nosso Sistema Jurídico na Medida Provisória n° 66/2002. Para colher o exato alcance que pretendeu dar o legislador à citada expressão é necessário comparar termos semelhantes e seus respectivos significados. Fl. 4292DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 8 13 Aurélio Buarque de Holanda conceitua “interposição de pessoa” como “simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar”. No Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, definese interposição como meterse de permeio, colocarse entre. É a intervenção de uma pessoa em negócio alheio, por ordem de seu dono ou a mandado dele. A pessoa interposta, com o fito de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pode fazer, é colocada ou posta entre este e um terceiro. A interposta pessoa nada mais é que aquela que executa um ato jurídico ou uma série de atos jurídicos, a mando ou ordem de alguém. O ato jurídico, objeto da presente análise, é justamente a operação de importação maculada pela prática de interposição fraudulenta de terceiros. Portanto, um ilícito aduaneiro. O ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes: 1. O importador ➞ aquele que se apresenta às autoridades aduaneiras como responsável pela nacionalização da mercadoria. Importador é aquele que promove a entrada do bem no território nacional. Há dois pressupostos básicos para se caracterizar o importador: a) deve estar devidamente HABILITADO no Sistema SiscomexRADAR; b) é aquele que efetua o registro da Declaração de Importação em seu nome. 2. O sujeito passivo oculto (ou responsável pela operação de importação) ➞ aquele que se vale do importador para obter a nacionalização da mercadoria à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. O sujeito passivo oculto é aquele que não pode ou não quer promover a operação de importação em seu próprio nome. Por isso se vale outro ( o importador ) para obter produto importado no mercado interno. Fl. 4293DF CARF MF 14 É de se frisar que é perfeitamente possível, à luz da legislação aplicável, que terceiro utilize o importador para obter produto importado no mercado interno. A legislação prevê duas formas de identificar o terceiro (REAL COMPRADOR no mercado interno ) responsável pela importação: I. modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; e II. modalidade de "importação por encomenda". Não se valendo dessas duas modalidades de importação, fica caracterizada a seguinte situação: Ø o REAL COMPRADOR no mercado interno (sujeito passivo oculto) obtém a nacionalização do bem importado, por intermédio do importador interposto, sem a adoção formas previstas na legislação aplicável, permanecendo à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 4294DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 9 15 ❉ A normatização do conceito de interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação. Coube ao artigo 59 da Lei n° 10.637/02, normatizar o conceito de interposição fictícia de pessoas para a área aduaneira, denominandoo de interposição fraudulenta de terceiros. O referido artigo alterou a redação do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455, de 07 de Abril de 1976, que define as infrações que causam dano ao Erário, acrescentandolhe o inciso V, além de quatro novos parágrafos. ❖ Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Deve ser feita uma observação. No inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o legislador trata da mesma forma as seguintes expressões: I. sujeito passivo oculto aquele que importa o bem através de um importador interposto; II. real comprador aquele que adquire o bem importado através de importador interposto no mercado interno; e III. responsável pela operação (importação) aquele que mesmo não adquirido o bem importado no mercado interno, exerce o "Domínio do Fato" sobre a operação de importação. Essas expressões ao serem usadas pelo legislador como sinônimas, retratam a mesma pessoa: o terceiro no mercado interno (dentro do território nacional) que se vale de um importador interposto para obter a nacionalização de um bem, à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 4295DF CARF MF 16 ❉ Formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto Existem, a princípio, duas formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto: · Por AÇÃO DIRETA – A fiscalização evidencia a existência e identifica o sujeito passivo oculto a partir de duas situações: 1. Verificação de que a fonte dos recursos aplicados na operação de comércio exterior advém de terceiro; ou 2. Verificação que terceiro foi de fato o responsável pela operação em comércio exterior (possuiu/exerceu o “domínio do fato” sobre a transação), sendo o importador um instrumento para obter o bem importado. Em ambos os casos, o terceiro deveria se identificar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros e assim não procedeu. · Por AÇÃO INDIRETA – O fisco não identifica o sujeito passivo oculto. Contudo, o ato omissivo do importador, em não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, autoriza a fiscalização a presumir que terceiro (não identificado) financia a operação em comércio exterior. Essa é a mesma conclusão da lição de Deiab Junior e Nepomuceno (2008), ao se referirem às inovações trazidas à baila pela alteração do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: a) apenou com perdimento a mercadoria de origem estrangeira, na importação ou na exportação, quando constatada a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, e; b) criou a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, quando não comprovada a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em tais transações. DEIAB JUNIOR, Remy; NEPOMUCENO, Bruno Carvalho. Interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior perpetradas por pessoas físicas. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1794, 30 maio 2008 . Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/11329>. Acesso em: 16 dez. 2012. Portanto, há duas formas de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. Prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros (Ocultação) – Conduta infracional tipificada no inciso V do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – É a constatação da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável através de fraude ou simulação. Sua inspiração vem da norma geral antielisiva do Parágrafo Único do artigo 116 do CTN, que pode estar relacionada ou não com a legislação que Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 10 17 cuida do crime relacionado à ordem tributário e a “lavagem de dinheiro”, responsável por municiar a fiscalização para o combate da interposição fictícia de pessoas em operações de comércio exterior, o que implica na necessidade de comprovação, mediante a demonstração por parte da fiscalização, de quem é de fato o real sujeito passivo beneficiado. Aplicação do processo conhecido como “follow the money”. 2. Prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – Conduta infracional tipificada no §2° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – Advém de uma presunção legal, o que acarreta ao importador/exportador a necessidade comprovar a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Sua inspiração vem não só da norma geral antielisiva já citada, como também do artigo 1º da Lei nº 9.613/98 e municia a fiscalização com um mecanismo de controle para coibir a prática, pelo sujeito ocultado, do crime relacionado à “lavagem de dinheiro” por sucessivas operações internacionais, podendo estar relacionado com outras irregularidades tributárias, como por exemplo, fraude no preço/valor declarado (sub ou superfaturamento). O artigo 11 da IN SRF n° 228/2002 contempla essa formatação de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros e determina seus respectivos efeitos, substanciados no artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 e no artigo 81 da Lei n° 9.430/96: ° Artigo 11 da IN SRF n° 228/2002: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. § 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0(Redação dada Fl. 4297DF CARF MF 18 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 3º A hipótese prevista no inciso I do caput contempla a ocultação de encomendante predeterminado. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) ❉ Inftações decorrentes de cada prática de interposição fraudulenta de terceiros A prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento, tendo por destinatário o real adquirente da mercadoria e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Uma infração imprópria que pode ser cometida por qualquer um na condição de REAL COMPRADOR em coautoria com o importador interposto. ¨ Outra infração tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007, punível com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), tendo por destinatário a pessoa jurídica que cedeu seu nome. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. A prática PRESUMIDA da interposição fraudulenta de terceiros também implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida, tendo por destinatário o importador de direito (INTERPOSTO), em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Uma infração própria, já que para cometêla o agente Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 11 19 deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. ¨ Outra infração tipificada no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96, que determina a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Coadunase para essa constatação, o seguinte artigo: ¹ Artigo 99 do DecretoLei nº 37/66: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (Grifo e Negrito Nossos) ❉ Do ônus probatório A depender da forma de constatação da existência do sujeito passivo oculto, o ônus probatório irá oscilar: Ø Na prática efetiva o ônus probatório é da fiscalização: Cabe à ação fiscal reunir os elementos que indicam a ocorrência da interposição fraudulenta de terceiros entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto. Ø Na prática presumida o ônus probatório é do importador: Cabe ao importador a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados Fl. 4299DF CARF MF 20 na importação, na forma do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ A caracterização da infração O núcleo da infração da prática de interposição fraudulenta de terceiros é o USO DE INTERPOSTA PESSOA em operação de comércio exterior com o propósito de ACOBERTAR o sujeito passivo oculto. A partir disso são detectadas duas espécies da mesma infração: · Infração 1: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema tributário nacional (FRAUDES FISCAIS/SIMULAÇÃO). · Infração 2: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema financeiro nacional (LAVAGEM DE DINHEIRO/SIMULAÇÃO). Nesse diapasão, há três formas de se caracterizar a prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. A PARTIR DA NÃO IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS A administração aduaneira deve estar atenta à movimentação de recursos financeiros de origem desconhecida ou não comprovada associada ao uso de interposta pessoa em operação de comércio exterior. 2. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL DE INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL A Lei nº 8.137, de 1990, define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo. Nesse contexto, a legislação objetivou não só evitar as fraudes fiscais, como também dar maior efetividade na cobrança de tributos buscando identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. 3. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL A Lei nº 9.613, de 1998, dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como sobre a prevenção da utilização do sistema financeiro. Portanto, tem se também como finalidade não cuidar da questão puramente tributária, mas coibir crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. Na prática as três causas se mesclam, e assim existe a hipótese de haver infrações entrelaçadas, mas sempre com o USO DE INTERPOSTA PESSOA COMO INSTRUMENTO (MEIO) PARA DIFICULTAR A IDENTIFICAÇÃO do sujeito passivo oculto. Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 12 21 ❉ A sanção prevista A legislação apenou a prática de interposição fraudulenta de terceiros com o perdimento da mercadoria de origem estrangeira. A nova redação do § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, dada pela Lei nº 12.350/10, substituiu a redação originariamente dada pela Medida Provisória n° 66/2002, em 29 de agosto de 2002, e estipulou a seguinte alternância de procedimentos – ritos: · Pena de perdimento ➞ se a mercadoria em situação irregular for apreendida pela fiscalização ( rito aplicado: artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76 ); ou · Multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do valor aduaneiro) ➞ se a mercadoria passível de perdimento não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida ( rito aplicado: Decreto n° 7.574/2011). Estáse assim diante de uma alternância de ritos procedimentais, a depender da retenção ou não da mercadoria passível de perdimento. É de se enfatizar o seguinte: ainda que a multa equivalente ao valor aduaneiro receba a designação de “crédito tributário”, por ser advinda de um lançamento, isso não altera a natureza jurídica da prática de interposição fraudulenta de terceiros: um ato ilícito passível de sanção (pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro). ▣ A PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A demonstração da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros engloba três pontos: 1. Identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto; 2. Constatação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto; 3. Demonstração da FRAUDE ou SIMULAÇÃO. ❉ A identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto Salientase que esse é o primeiro passo ou o pressuposto básico e necessário para a caracterização da prática efetiva, mas longe de ser o suficiente. Como dito, o ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes. Na demonstração da prática efetiva, a fiscalização tem o dever de identificar tanto o importador interposto como o sujeito passivo oculto. Fl. 4301DF CARF MF 22 A fiscalização deve também evidenciar que o sujeito passivo oculto se valeu do importador interposto para obter produto importado no mercado interno. Portanto, é indispensável a demonstração pela fiscalização da revenda do produto importado no mercado interno entre os dois participes, ou a revenda do importador a alheio ( MERO COMPRADOR) sob a determinação do sujeito passivo oculto. A caracterização da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros pode ocorrer através de diversos elementos, tais como: · a destinação integral e imediata das mercadorias importadas; · o conhecimento prévio ao registro da DI do destinatário das mercadorias importadas; · rotulagem das mercadorias importadas com sinais de identificação do adquirente (logotipo, marcas etc.); · especificidade das mercadorias que são importadas para um único adquirente, ou conjunto restrito de adquirentes, de tal forma que a importação não poderia ser realizada para posterior comercialização no mercado interno. Atualmente, duas formas de “terceirização” das operações de comércio exterior são reconhecidas e reguladas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): · A importação por conta e ordem uma empresa (a adquirente), interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços (a importadora por conta e ordem) para que esta, utilizando os recursos originários da contratante. providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente; · A importação por encomenda uma empresa (a encomendante predeterminada), interessada em uma certa mercadoria, contrata Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 13 23 uma outra empresa (a importadora) para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante. A escolha entre importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de um intermediário, contratado para esse fim, é livre e perfeitamente legal, seja esse intermediário um prestador de serviço ou um revendedor. Entretanto, tanto o importador quanto o adquirente ou encomendante. conforme o caso, devem observar o tratamento tributário específico dessas operações e alguns cuidados especiais, a fim de não serem autuados ou, até mesmo, que as mercadorias sejam apreendidas. Para que uma operação de importação por encomenda ou importação por conta e ordem seja realizada de forma perfeitamente regular, é necessário, antes de tudo, que tanto as empresas encomendantes e adquirentes quanto a empresa importadora estejam habilitadas para operar no Siscomex, nos termos da legislação respectiva. Além de habilitação de todos os intervenientes (encomendante, adquirente e importador), nas operações de importação terceirizadas, é necessário apresentar, à unidade da RFB com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o estabelecimento matriz da encomendante ou adquirente, cópia do contrato firmado entre as empresas (encomendante ou adquirente e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a contratante e a contratada sejam vinculadas no Siscomex. pelo prazo ou operações previstos no contrato. A fim de promover o despacho aduaneiro das mercadorias importadas, conforme determina o art. 3o, da IN SRF n° 634/06 e o art. 3o, da IN SRF n° 225/02, ao elaborar a Declaração de Importação, o importador, pessoa jurídica contratada, deve informar que não se trata de uma operação por conta própria, indicando, em campo próprio na ficha “importador” da DI, o número de inscrição do encomendante ou do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do Fl. 4303DF CARF MF 24 sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias (art. 23 V, do Decretolei n° 1.455/76 com a redação dada pela Lei n° 10.637/02). ❉ Das modalidades de Importação Não há propriamente uma definição normatizada e, portanto, estanque do que vem a ser a importação direta. Poderseia esboçar aqui uma definição sob o sério risco de fazêla incompleta ou até mesmo imperfeita e assim confundir mais do que auxiliar. Por isso, tomase o caminho mais fácil e seguro. Se tanto a Importação por “conta e ordem” como a Importação por “encomenda” possuem definições precisas dadas pela Lei e se apenas existem três modalidades e possibilidades de importação no Brasil, valese do critério da complementaridade para se estabelecer que aquilo que não for Importação por “conta e ordem” e Importação por “encomenda” será, portanto, uma importação direta. É mister que se compreenda um ponto chave na consolidação da legislação de combate a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior e que servirá para o adequado deslinde do caso ora em análise: O artigo 27 da Lei n° 10.637/02 e a IN SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002 – responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “conta e ordem” – assim como o artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 e a IN SRF nº 634/2006 responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “encomenda” não criam qualquer conduta infracional. O que elas regulamentam, simplesmente, são formas permissivas de atuação de empresa interposta na importação. Assim, temos que inicialmente o artigo 27 da Lei n° 10.637/02 (modalidade de Importação por “conta e ordem”) e posteriormente o artigo 11 da Lei n° 11.281/06 (modalidade de Importação por “encomenda”) criam formas permissivas do uso do importador interposto. Caracterizada a prática de qualquer uma dessas duas modalidades de Importação, sem a adoção dos respectivos procedimentos previstos para a adequada identificação do adquirente ou do encomendante no mercado interno, resta configurada a ocultação do sujeito passivo (real beneficiário da importação) pelo importador interposto. ❉ A identificação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto Para a seguinte indagação: existe a possibilidade da prática de interposta pessoa (importador interposto) em operações de importação frente à legislação brasileira? A resposta é SIM: Ø seja através da Importação por “conta e ordem”; ou Ø seja através da Importação por “encomenda”. Portanto, o passo subsquente ao da identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto é a demonstração por parte da fiscalização de que: Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 14 25 Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; ou Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por encomenda". Em outros termos: justamente para não identificar o REAL COMPRADOR no mercado interno do produto importado, foi eleita a modalidade de importação “direta”. A não elucidação pela fiscalização do nome de quaisquer das outras empresas "associadas" à empresa ANGRASAT, o que implica em violação ao direito da Ampla Defesa; Para discorrer sobre essa argumentação transcrevese fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal, às folhas 22 a 24 do processo digital: O Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia) da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos tem levado a efeito fiscalização orientada pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) n° 228 de 21 de outubro de 2002. Tal IN SRF dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. No decorrer da ação fiscal em desfavor da ENCOMEX, gerenciada pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) n° 0817700.2010.000507, foram efetuadas diligências e pesquisas nos sistemas da Receita Fl. 4305DF CARF MF 26 Federal do Brasil (RFB) e foram expedidas intimações ao importador e a outras pessoas. Após levantamento de informações sobre os negócios da sociedade empresária, identificaramse outras quatro sociedades empresárias que adquiriam o mesmo produto importado pela ENCOMEX. Entre elas, estava a ANGRA SAT, que foi submetida à ação fiscal amparada pelo MPFF 0817700.2013.001709. A análise das informações coletadas levou a Fiscalização a concluir que a ENCOMEX ocultou a ANGRA SAT e as outras sociedades empresárias' nas operações de comércio exterior, tendo simulado importações em seu nome. Declararamse importações de mercadorias para a ENCOMEX, quando, na verdade, as mercadorias importadas eram destinadas a essas outras pessoas. Cometeram, com isso, a infração prevista no art. 23, V, do DecretoLei 1.455/1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002. Apesar de esta autuação se referir à ocultação da ANGRA SAT, fazse imperiosamente necessário narrar fatos relacionados às outras três sociedades empresárias ocultadas, pois: A conduta de cada uma das sociedades empresárias concorreu para as práticas da infração tributárioaduaneira de ocultação do sujeito passivo. De forma concertada, os adquirentes ocultos adiantaram recursos financeiros para a ENCOMEX realizar as importações. As mercadorias amparadas por uma declaração de importação (DI) eram divididas, nas vendas, aos adquirentes ocultos e seus clientes, isto é, a importação de dez mil unidades de amplificador por uma única DI, por exemplo, resultava em emissão de várias notas fiscais de venda pela ENCOMEX para destinatários diferentes. Como os adquirentes ocultos também possuem negócios entre si, e uma vez que as importações de amplificadores, desde o início, foram destinadas a mais de uma pessoa, há indícios de configuração de “organização criminosa”, nos termos do art. 2° da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, ratificada pela República Federativa do Brasil pelo Decreto 5.015/2004, o que implica trazer ao mesmo texto todos os elementos que possuem nexo de causalidade com o resultado . d. A individualização da pena foi obtida considerando o montante de recursos financeiros repassados por cada um dos adquirentes ocultos, o que será desenvolvido no item “10 DO CÁLCULO DA MULTA”. Esses quatro clientes compravam idênticos produtos eletrônicos amplificadores de sinal de televisão. Como o fabricante e o exportador eram os mesmos, a ENCOMEX registrava uma declaração de importação que servia para nacionalização de mercadorias que tinham como adquirentes duas, três ou as quatro empresas. Essa forma de atendimento às demandas dos Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 15 27 clientes ocorreu para diversas das cem declarações de importação. Numa outra forma, a ENCOMEX, sob orientação de seus clientes, vendia também os produtos importados diretamente aos clientes dos clientes, isto é, a ENCOMEX vendia também às empresas que compravam de seus quatro clientes. Graficamente, podemos colocar assim: 1a forma de venda de produtos importados: a ENCOMEX vende os produtos importados aos seus quatro clientes. As setas correspondem à origem e destino das mercadorias (e respectivas notas fiscais). 2a forma de venda de produtos importados: a ENCOMEX vende os produtos importados aos clientes de seus clientes. As setas correspondem à origem e destino das mercadorias (e respectivas notas fiscais). A importação de mercadorias para terceiros encomendantes (em sentido amplo) é autorizada, desde que respeitadas as normas que tratam das importações indiretas. O tópico subsequente deste Termo, 2 DAS MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO, explica quais são as modalidades de importação previstas na legislação vigente, que não foi observada. Uma leitura dessas normas nos leva a concluir que qualquer pessoa jurídica, cuja inexistência implicaria a não realização da operação de importação, deveria estar habilitada a operar no comércio exterior, de uma forma ou de outra na Receita Federal do Brasil, para que a operação fosse regular. As importações realizadas em nome da ENCOMEX tinham destinatários certos e conhecidos, as quatro sociedades empresárias citadas (nome de três ocultado por atendimento ao sigilo fiscal), que não atenderam, ao lado da ENCOMEX, as normas que tratam de importações indiretas. Fl. 4307DF CARF MF 28 Ficará demonstrado que a ANGRA SAT atuou como adquirente das mercadorias importadas sem observância das normas que tratam das importações indiretas, o que será explicado mais adiante. (Grifo e negrito próprios do original) Depreendese do fragmento transcrito a descrição do modus operandi que se valia a empresa ENCOMEX. Repisando outra vez o seguinte trecho: A análise das informações coletadas levou a Fiscalização a concluir que a ENCOMEX ocultou a ANGRA SAT e as outras sociedades empresárias' nas operações de comércio exterior, tendo simulado importações em seu nome. Declararamse importações de mercadorias para a ENCOMEX, quando, na verdade, as mercadorias importadas eram destinadas a essas outras pessoas. Cometeram, com isso, a infração prevista no art. 23, V, do DecretoLei 1.455/1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002. A conduta infracional da empresa ANGRASAT é certa e definida: atuou como sujeito passivo oculto, REAL COMPRADOR no mercado interno, acobertada pelo importador interposto empresa ENCOMEX –, incorrendo assim na infração tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, em franca burla aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Nesta esteira, o ilustre julgador de primeira instância acabou por entender que o desconhecimento dos nomes das empresas supostamente envolvidas na "organização criminosa'' não é ato capaz de anular o auto de infração em razão de que, sob sua ótica, as mesmas já se conheciam e a operação foi devidamente discriminada pelo auditor fiscal. Ainda, a decisão recorrida afirma que a parte envolvida poderia solicitar cópia do processo no momento da recepção das intimações e/ou mesmo após a ciência da autuação fiscal, fato este que também seria comprovação de que não houve cerceamento de defesa. No entanto, parece claro que o julgador de primeira instância não se atentou para os termos do relatório fiscal, eis que o auditor fiscal foi cristalino ao declarar o sigilo fiscal dos documentos e nomes das empresas supostamente envolvidas no ilícito tributário, sendo», assim, negado acesso à contribuinte a estes documentos. Desta forma, a prova de conluio entre as empresas envolvidas na suposta “organização criminosa” inexiste eis que não foram carreadas aos autos e impedem qualquer manifestação da recorrente quanto a sua regularidade ou não. Sem razão Recorrente. Ao contrário da linha de argumentação, o referido conluio não se deu entre as quatro empresas, mas entre a empresa ENCOMEX com as demais, atuando sempre em parceria de dois, do seguinte modo: Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 16 29 § A empresa ENCOMEX atuando como importador interposto; § As demais empresas, inclusive a empresa ANGRASAT, atuando como REAL COMPRADOR. Portanto, em nada, a atuação da empresa ENCOMEX acobertando as outras três empresas afetaria a conduta infracional imputada à empresa ANGRASAT. A maior prova disso é que ao elaborar a argumentação em análise, a Recorrente se limitou a descrever a situação, mas não identificou fato certo e definido de como, onde ou porquê seu direito de defesa foi preterido. A penalidade teve seu cálculo formulado de modo precário, e totalmente incoerente. É alegado às folhas 05 e 06 do Recurso Voluntário: O auditor alega que o cálculo da multa aposta se deu pelo percentual de participação da recorrente no “rateio” dos valores constantes nas declarações de importação (D.I.) da ENCOMEX, que, conforme historiado acima, se refeririam a operações ocultadas com 04 empresas distintas, dentre elas esta contribuinte. Isto é, o auditor fiscal efetuou a somatória dos valores supostamente repassados por estas 04 empresas à ENCOMEX, que em tese caracterizariam os valores aduaneiros das mercadorias e aplicou percentual de participação de acordo com o montante repassado por cada uma delas. Segundo consta de fls. 60 do relatório de infrações, a recorrente teria participado na proporção de 29,36% do total recebido pela ENCOMEX, muito embora não exista qualquer fundamentação nem mesmo menção à documentação que induziu o sr. auditor a esta conclusão. (...) A realidade é que o cálculo apresentado não possui nenhuma comprovação documental que dê respaldo jurídico à grandeza da multa aplicada. Como saber que esses valores estão corretos? Ou mesmo se são verdadeiro?? A recorrente se vê literalmente "às escuras" para contestar também este ponto do auto de infração, já que não possui subsídios para tanto ante a ausência de documentos que possiblitem a aferição de veracidade do cálculo exibido. Essa afirmação não procede. O Relatório de Procedimento Fiscal traz explicações e fundamentação consistente sobre o cálculo da multa. Fl. 4309DF CARF MF 30 Como já mencionado, a sanção aqui em análise para a conduta infracional descrita é a Multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do valor aduaneiro), na forma do §3° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 Ocorre que a ocultação da ANGRA SAT, e das outras sociedades ligadas pelo tipo de produto, possui características próprias, diferentes das ocultações corriqueiramente flagradas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que há divisão das mercadorias importadas por uma única DI entre os ocultados, o que demanda um paradigma próprio para se calcular o valor da multa. Pela primeira Declaração de Importação da série, a de número 08/07353315, a ENCOMEX nacionalizou doze mil amplificadores, que foram divididos igualmente entre três clientes (vide “Tabela 9 algumas informações extraídas da contabilidade e dos extratos bancários”, linhas 8 e 10). As mercadorias foram desembaraçadas em 21/05/2008 e na mesma data as notas fiscais de venda foram emitidas, sem que tivesse sido registrada e desembaraçada outra DI de mesmo produto. No entanto, essa facilidade em identificar o quanto de mercadoria de determinada Declaração de Importação foi vendido para cada um dos clientes nem sempre existe, ou seja, nem sempre há como associar os amplificadores de uma nota fiscal com os amplificadores de uma declaração de importação. Com isso, estando presente a infração, fezse necessário criar um artifício de cálculo da multa para afastar a impunidade e a arbitrariedade. Considerando que todas as declarações de importação de amplificadores estão viciadas pela ocultação do sujeito passivo, o montante de multa a ser rateado é o somatório dos valores CIF (valor da mercadoria somado aos do frete e do seguro) em reais dessas declarações. Para viabilizar o cálculo proporcional da multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), a fiscalização se valeu de dois critérios. Primeiro critério Primeiramente, cogitouse utilizar o critério “notas fiscais”. Por este, o valor total das Declarações de Importação seria dividido proporcionalmente aos valores das notas fiscais emitidas pela ENCOMEX aos quatro clientes (ANGRA SAT, Empresa 2, Empresa 3 e Empresa 4) e aos cli.entes desses clientes. Para facilitar o entendimento, chamemos aqueles quatro de “clientes diretos” e os demais de “clientes indiretos”. Os percentuais encontrados para os clientes diretos seriam aplicados no montante das declarações de importação, encontrandose, assim, parte do valor da multa a ser atribuída a cada um deles. E os percentuais encontrados para os clientes indiretos seriam aplicados no montante das declarações de importação, encontrandose, assim, a outra parte do valor da multa a ser atribuída a cada um dos clientes diretos, conforme relação anteriormente estabelecida entre o cliente indireto e o cliente direto48. Em relação aos clientes ANGRA SAT, Empresa 2, Empresa 3 e Empresa 4, não haveria problemas a apropriação direta não deixa margem de dúvidas. Porém, em relação aos clientes indiretos, haveria, pois estes possuem relação, em regra, com mais de um cliente direto da ENCOMEX, o que inviabiliza a devida associação de um cliente indireto com um cliente direto. Ou seja, determinado cliente indireto, adquiriu produtos tanto da Empresa 3, quanto da Empresa 2 e da Empresa 4. Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 17 31 Exemplificando o exposto acima, a partir da reprodução abaixo do gráfico da parte introdutória deste Termo de Verificação, temos que a apropriação do valor da multa calculado em cima das notas fiscais emitidas para “B1” a um dos quatro clientes diretos fica inviabilizada, pois “B1” possui relações comerciais com a Empresa 2, com a Empresa 4 e com a Empresa 3. Segundo critério O segundo critério de rateio, o adotado para o presente auto de infração, foi o do “repasse de recursos”. O valor da multa é proporcional ao valor total de repasse de recursos financeiros que cada um dos clientes diretos realizou. Os adquirentes ocultos depositaram dinheiro na conta bancária da ENCOMEX (ou transferiram para ela), demonstrando proporcionalmente seus interesses nas importações, com as quais obteriam benefícios. A proporção do interesse não apareceria, caso fossem levadas em consideração as notas fiscais, seja pela quantidade de amplificadores vendidos, seja nos valores vendidos, pois, sob orientação dos clientes diretos (ocultos), a ENCOMEX emitiu notas fiscais para os clientes indiretos (clientes dos ocultos). O critério “repasse de recursos” sobrepuja o das notas fiscais (em termos de valor e em termo de quantidade) porque, também, nem todas as notas fiscais foram apresentadas pela ENCOMEX. Essa lacuna de informações para a constituição do auto de infração é muito baixa quando se trata dos repasses financeiros, pois os extratos bancários possuem, salvo algumas exceções, a identificação do responsável pelo depósito (ou transferência). Esse critério é reflexo do quão interessado esteve o adquirente oculto nas importações. O interesse dos clientes diretos da ENCOMEX está incontestavelmente presente e claro. E ele, o interesse, é tão grande quanto o valor transferido para a ENCOMEX. Sendo o Direito uno, um sistema harmônico, encontrarseia respaldo para esse critério inclusive no Direito Penal, pelo qual, de acordo com o art. 29 do Código Penal, havendo concurso de pessoas, cada um responde de acordo com sua culpabilidade. Considerando que o valor total das multas deve ser o valor total das declarações de importação, temos que os quatro autos de infração devem somar R$ 6.161.055,00 (seis milhões, cento e sessenta e um mil e cinquenta e cinco reais reais). Fl. 4311DF CARF MF 32 O valor total de repasses de cada cliente direto é obtido a partir das informações constantes dos extratos bancários, cujos dados pertinentes estão reproduzidos parcialmente na “Tabela 10 Extrato do histórico dos negócios da ENCOMEX relacionados aos seus quatro clientes” (a tabela completa está anexa ao processo). Para se chegar aos números da próxima tabela, alguns ajustes foram feitos: alguns lançamentos contábeis foram utilizados na identificação do responsável pelo depósito (ou transferência), uma vez que tal informação não aparecia no extrato bancário. Quando o responsável pelo depósito (ou transferência) não estava identificado no extrato bancário (coluna “fato” da “Tabela 10” aparece “Depósito sem identificação do responsável”), atribuiuse a responsabilidade pelo crédito na conta corrente da ENCOMEX à pessoa a quem a ENCOMEX atribuiu a responsabilidade na contabilidade (coluna “observação 1” da mesma tabela). Em números, a responsabilidade ficou distribuída assim (novamente: a proporção de cada uma empresa nos repasses foi aplicada ao valor total das declarações de importação para se chegar ao valor da respectiva multa): Inconsistências na contabilidade da empresa ENCOMEX não podem afetar a empresa ANGRASAT. É alegado às folhas 08 do Recurso Voluntário: Isto é, a reiterada ocultação dos nomes das empresas integrantes da suposta “organização criminosa” somente se presta para confundir a recorrem e dificultar a confecção de sua defesa, já que não tem sequer conhecimento da quantidade de pessoas jurídicas com as quais teria se associado. Seriam 03 ou 06 ou mais ??? Além disso, o sr. auditor alega que a contabilidade da empresa ENCOMEX foi “maquiada” para esconder as “operações criminosas” praticadas por ela, pela recorrem e pelas demais empresas investigadas. Entretanto, é certo que a recorrente nada pode declarar acerca da contabilidade da ENCOMEX, novamente em razão da ausência de subsídios documentais que possibilitem qualquer manifestação sobre a matéria. De certo que a Recorrente, empresa ANGRASAT, não possui qualquer gerência sobre a empresa ENCOMEX. Contudo, esse argumento seria pertinente caso a presente atuação fosse com base na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, com fulcro no §2° do artigo Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 18 33 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, onde o autuado é questionado sobre a origem dos recursos empregados nas operações de importação. Se a contabilidade do importador é imprestável, de modo que não sirva para comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de importação, evidente que aquele que adquire os bens importados no mercado interno não poder ser responsabilizado. Contudo, o caso em análise é distinto. A presente autuação ocorreu com base na prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, com fulcro no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, e, conforme, os fatos que embasam a presente ação fiscal, descritos no Termo de Verificação Fiscal, a partir das folhas 50 do processo digital, demonstram que houve repasse de recursos das empresas, dentre elas a empresa ANGRASAT, para o importador interposto – empresa ENCOMEX – o que configura modalidade de importação por "conta e ordem", conforme fragmento extraído de folhas 54 do processo digital: 1. A ENCOMEX importou, pela DI 08/07353315, 12.000 amplificadores, que foram divididos entre as empresas ANGRA SAT, Empresa 3 e Empresa 4 (a Empresa 4 foi a destinatária nas notas fiscais, embora outras sociedades empresárias do mesmo sócio tivessem repassado os recursos). 2. A ENCOMEX pagou pelas mercadorias ao exportador antes do registro da respectiva declaração de importação, com recursos financeiros recebidos das empresas ocultadas, haja vista a falta de saldo nas contas bancárias da ENCOMEX antes dos recebimentos. O recebimento destes recursos foi dissimulado em sua contabilidade, o que prova que a ENCOMEX sabia que adiantamento de recursos para realização de operação de importação tem suas limitações legais, que não foram respeitadas. 3. Antes de registrar a declaração de importação 08/07353315, a ENCOMEX recebeu dos clientes o que faltava para completar o valor das mercadorias na transação interna (ENCOMEX CLIENTE NACIONAL). Os 12.000 amplificadores foram vendidos por quase R$ 100.000,00. 4. A ENCOMEX importou, pela DI 08/08666929, 6.000 (seis mil) amplificadores para a empresa Empresa 2 e seus clientes (Empresa 5 e outras41), o que implicaria a emissão de notas fiscais num valor total próximo de R$ 50.000,00 (considerando o lote anterior como referência). 5. A ENCOMEX pagou pelas mercadorias ao exportador antes do registro da respectiva declaração de importação. Para este pagamento, recebeu recursos financeiros da Empresa 2, sendo que este recebimento foi dissimulado em sua contabilidade. 6. Antes de registrar a declaração de importação, a ENCOMEX recebeu quase tudo o que faltava para Fl. 4313DF CARF MF 34 completar o valor das mercadorias nas transações internas. A Empresa 2 pagou R$ 48.675,00 (além da transferência de R$ 21.775,00, transferiu em 03/06/2008 R$ 10.000,00 e, em 06/06/2008, mais R$ 16.900,00), valor muito próximo a R$ 49.497,36, que corresponde ao somatório das notas 784, 785, 786 e 788 (emitidas, respectivamente, para INDUSAT, Empresa 5, HB DISTRIBUIDORA e Empresa 2). Mais adiante, às folhas 56 do processo digital, é pinçado outro fragmento: Outro exemplo de cessão de nome para acobertamento de operações de importação de terceiros se deu com o registro, em 24/07/2008, das declarações de importação número 08/1122403 6 e 08/11262221. Nestas, o exportador e os produtos foram os mesmos em relação às declarações citadas anteriormente. O valor total das mercadorias foi de US$ 51.600,00. O modus operandi também foi o mesmo: nos dias 04, 07 e 08/07/2008 (antes do registro das DI), a ENCOMEX recebeu das empresas Empresa 3, ANGRA SAT e de uma terceira não identificada (que pode ser uma das duas identificadas) um total de R$ 83.421,0042, que foram utilizados para pagamento ao exportador das duas declarações de importação. Para o pagamento, a ENCOMEX celebrou, em 10/07/2008, o contrato de câmbio n° 08/017428, cujo valor US$ 51.600,00 (ou R$ 83.127,60) corresponde ao valor (em US$) das mercadorias das duas declarações de importação registradas no dia 24/07/2008. Entre a celebração do contrato de câmbio (10/07/2008) e a emissão de notas fiscais de venda (29/07/2008), a ENCOMEX recebeu outros recursos financeiros, desta vez R$ 82.410,86, totalizando R$ 165.831,86. No dia 29/07/2008, a ENCOMEX emitiu as notas fiscais 806 e 807 para a ANGRA SAT, 810 e 811 para a Empresa 4, e 812, 813, 815, 816 e 817 para a Empresa 3, num total de R$ 164.414,74. Dos 24.240 amplificadores importados, foram vendidos a essas empresas 22.310 unidades. Esses foram os dados relativos às primeiras cinco declarações de importação. Nas demais, ocorreu praticamente o mesmo do visto até aqui. Como explicado anteriormente, na Introdução e no item “2.4 Conclusões acerca das modalidades de importação” deste Termo de Verificação, o modus operandi foi alterado no decorrer do tempo (houve duas significativas alterações): a ENCOMEX passou a vender as mercadorias importadas também diretamente aos clientes de seus clientes; e a EXIMBIZ passou a ser, por muitas vezes, a empresa importadora na DI, enquanto a ENCOMEX figurava como adquirente da mercadoria. Resta assim configurado o repasse de recursos da empresa ANGRASAT – REAL COMPRADOR – para a empresa ENCOMEX – IMPORTADOR INTERPOSTO , o que caracteriza a conduta infracional de prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, sendo absolutamente desnecessário para tanto a exposição da contabilidade da empresa ENCOMEX, já que a origem desse recurso é a própria Recorrente: empresa ANGRASAT. Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 19 35 Da responsabilidade do Sr. Paulo Tadeu. A fiscalização incluiu no polo passivo do presente processo os sócios das empresas Encomex e da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: Além da solidariedade entre importador e adquirente ou encomendante da mercadoria, há a solidariedade dos sócios e demais pessoas que têm estreita ligação com a empresa. O CTN, em seu art. 135, dispõe que respondem pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei diversas pessoas relacionadas à sociedade empresária: Código Tributário Nacional Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em princípio, tenho que o lançamento tributário deva ser efetuado em face do contribuinte e de todos os responsáveis tributários, salientandose que o artigo 142 do CTN exige a identificação do sujeito passivo, conceito este que abrange o contribuinte e o responsável, nos moldes do artigo 121 do CTN. Além disso, ressalto que o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, ao estabelecer os elementos do auto de infração, faz referência à qualificação do autuado, podendose, da mesma forma, entender que, utilizouse do termo autuado também em sua acepção ampla, ou seja, abrangendo as figuras do contribuinte e do responsável tributário. Todavia, é possível ser declarada a responsabilidade do administrador infrator em momento distinto do lançamento do crédito tributário em face de pessoa jurídica contribuinte; vez ser essa responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte no tocante à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), podendo, dessa maneira, ser declarada a qualquer tempo, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte1. Assim, a obrigação do administrador infrator é tão somente mediatamente tributária. E por não se tratar de obrigação tributária em sentido estrito porquanto não decorre de fato lícito, mas sim de ato ilícito (ver art. 3° CTN) , não está sujeita às normas de constituição de crédito contidas no CTN. Desse modo, não precisa sequer ser constituída pelo lançamento. Basta ser declarada, seja pelo Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (na CDA), seja pela autoridade judicial. E uma vez declarada, todos os instrumentos de coerção utilizados contra o devedor do tributo passam também a valer em face do responsável solidário. Isso decorre de sua natureza de relação jurídica de garantia. Dessa forma, sua prescrição se dá no exato momento em que prescreve a obrigação principal, nem antes, nem depois. 1 Entendimento extraído do Parecer PGFN 55/2009) Fl. 4315DF CARF MF 36 Por se inserir no artigo 135, inciso III, do CTN, não se trata, pois, de uma obrigação tributária solidária propriamente dita, ou seja, com pluralidade de sujeitos passivos na relação jurídica, mas sim em várias obrigações solidárias, sendo ligadas pelo vínculo da solidariedade; cuidase assim da solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo do inadimplemento. Feito esse breve comentário, entendo que no presente caso, por não se tratar da solidariedade entre contribuintes (quando há dois ou mais contribuintes e uma só obrigação, que é formalizada em um só auto de infração, com fulcro no art. 124 do CTN e incisos), mas sim entre contribuinte e responsável (quando há várias obrigações, um só contribuinte e um ou mais responsáveis, com amparo no art. 135 do CTN), repitase, não precisa este último sequer estar mencionado no lançamento do crédito como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se falou, pode ser atestada inclusive em momento e ato apartados. Desse modo, estáse diante de uma solidariedade imprópria, isto é, aquela que se dá entre contribuinte e seus administradores infratores, o que, segundo o Parecer citado, por não se tratar de uma obrigação tributária em sentido estrito, afasta inclusive a aplicação do instituto da decadência a estes últimos (administradores infratores), vez que o crédito tributário já fora regularmente constituído em relação ao contribuinte. Assim, como dito, a responsabilidade desses administradores, por ter natureza de relação jurídica de garantia, pode ser declarada a qualquer tempo para que todos os instrumentos de coerção aplicáveis ao contribuinte passem também a valer em face dos responsáveis solidários, prescindindose inclusive de constar ou não do lançamento tributário. Contudo, tais circunstâncias, por si só, não possuem o condão de afastar o dever de motivação do ato administrativo, sob pena de macular o devido processo legal. Nesse desiderato, percebese que a acusação fiscal acerca da responsabilidade do sócioadministrador aqui em apreço está desprovida de sua fundamentação fática, ou seja, dos ilícitos a eles atribuídos. Dessa forma, com as devidas vênias, penso que não basta a mera reprodução do dispositivo legal (artigo 135, inciso III, do CTN) para arrolar o sócioadministrador no polo passivo dessa exação; necessário seria que se houvesse discorrido acerca dos atos ilícitos pelo qual esta o sócio administrador Paulo Tadeu sendo acusado, bem como trazer os elementos probatórios que comprovassem a prática de ílicito (não se prestando para isso meros atos gerenciais). Portanto, entendo que a acusação feita aos sóciosadministradores da empresa ANGRASAT, ora Recorrente, não foi o bastante para responsabilizálos solidariamente por este crédito, por ausência de fundamentação fática e de elementos probantes nesse sentido, devendo nesse momento processual os mesmos serem afastados do polo passivo; o que, a meu ver, por si só, não inibe a possibilidade desta responsabilidade puder vir a ser devidamente declarada em um outro momento processual, seja na CDA por ato do Procurador da Fazenda Nacional, seja pela autoridade judicial. Deste modo, por total ausência de provas de participações direta nas infrações praticadas, o sócio da Recorrente deve ser excluído do polo passivo da presente demanda. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso do Contribuinte para excluir do polo passivo do processo administrativo o sócio da Recorrente Paulo Tadeu. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 11829.720026/201383 Acórdão n.º 3302005.823 S3C3T2 Fl. 20 37 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, o lançamento fiscal carece, em parte, de documentos comprobatórios do ilícito apurada pela fiscalização, senão vejamos. Em relação aos documentos que instruíram o lançamento, a Recorrente lançou os seguintes argumentos: Entretanto, é certo que a recorrente nada pode declarar acerca da contabilidade da ENCOMEX, novamente em razão da ausência de subsidios documentais que possibilitem qualquer manifestação sobre a matéria. A simples confecção de uma "tabela do word"' apresentada pela fiscalização não diz absolutamente nada a respeito da contabilidade da empresa aludida, fazendo se necessário esmiuçar detalhadamente toda a documentação da empresa, já que a impugnante é reiteradamente citada pelo auditor fiscal como participante ativa das operações de importação. Ato contínuo, fato é que não compete à contribuinte apresentar qualquer modalidade de defesa em favor de terceiros (ENCOMEX), restandolhe apenas a necessidade de defenderse sobre eventuais documentos que lhe dizem respeito. Analisando os documentos carreados aos autos foi possível constatar o seguinte: i) o termo de verificação fiscal traz em relato mais detalhado de transferência de recursos apenas no período de 2008 e 2009; ii) os documentos de fls. 456551 não demonstram transações ocorridas entre a Recorrente e a empresa Encomex; iii) Notas Fiscais de Folhas 553582 dizem respeito à empresas que não confundem com a Recorrente Angra e são do período de 2006; iv) O Livro Diário Geral e o Razão Analítico de fls. 6072.114 trazem os registros contábeis de 2008 e 2009, onde constam adiantamentos realizados pela Recorrente; v) o demonstrativo contábil de fls. 21152118 traz lançamentos do período de 2008 e 2009; vi) Às folhas 34733476 há uma planilha com relação das transações bancárias de todo o período fiscalizado; vii) Às folhas há uma planilha do período de 8/2009 a 01/2011 com relação de notas fiscais transacionadas entre a Recorrente e a empresa Encomex; Fl. 4317DF CARF MF 38 viii) Às folhas 34793501 constam cópias de NFs do período de 2008 e 2009 em nome da Recorrente; ix) Às folhas 35023529 há planilha com todo relato operacional ocorrido entre a Recorrente e empresa Encomex, durante o período fiscalizado. Ao meu sentir, contrariamente do que consignou o i. relator, somente no período de 2008 e 2009 é que restou demonstrado a transferência de recursos, sendo que para os demais períodos, a fiscalização trouxe apenas planilhas, sem nenhum suporte documental. Essa questão, inclusive, já foi decidida em outro processo envolvendo a empresa Encomex, cujo trabalho fiscalizatório, ao que parece foi o idêntico ao aqui tratado, a saber: Já para as importações realizadas no período de julho de 2008 a dezembro de 2009, não mencionadas nos parágrafos anteriores, a fiscalização apresentou planilhas de fls.2.1082.109 e 3.628 e 3.629, com o detalhamento das transações bancárias realizadas entre a empresa Encomex e a Recorrente, sendo que tais lançamentos foram obtidos através dos registros contábeis realizados pela empresa Encomex no Livro Diário Geral e no Razão Analítico carreados às fls. 6002.107, bem como nos registros contábeis da própria Recorrente. Deste modo, em relação as importações realizadas no período de 2008 e 2009, não há dúvidas que a Recorrente antecipou os pagamentos à empresa Encomex para obter os produtos importados. Entretanto, para as importações ocorridas no anocalendário de 2010 e 2011, embora a fiscalização tenha apresentado planilha detalhada sobre todas as operações bancárias realizadas entre as empresas (fls.3.4913.518), tendo inclusive atestado que as informações foram obtidas de extratos bancários, declarações de importação, notas fiscais e contratos de câmbio, certo é que em relação ao período de 2010 e 2011 a autoridade fiscal não comprovou por meio de documentos hábeis a realização de pagamentos por parte Recorrente, posto que todos os documentos contábeis juntados e disponibilizados aos autos dizem respeito à períodos anteriores, restando, assim, prejudicada a manutenção da cobrança em relação aos fatos gerados ocorridos no período de 2010 e 2011. Neste cenário, entendo que não há como manter a cobrança para os períodos em que restou ausente o suporte documental. Isto porque a autoridade fiscal não comprovou por meio de documentos hábeis a realização de pagamentos por parte Recorrente, posto que todos os documentos contábeis juntados e disponibilizados aos autos dizem respeito à períodos anteriores. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da cobrança os valores exigidos do período de 2010 e 2011. É como voto. Walker Araujo Fl. 4318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.924526/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 24 52 6/ 20 11 -1 3 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.924526/201113 Resolução nº 3401001.409 S3C4T1 Fl. 3 2 O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 25829.18442.310308.1.3.040601 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 02/2008 no valor de R$ 4.328,53 com crédito de PIS/PASEP (cód.6912) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 4.145,70 do período de apuração 09/2007, data de arrecadação 19/10/2007, no valor de R$ 17.547,58. Do Despacho Decisório A DRF de Curitiba em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 09/09/2011, rastreamento nº 952437961 (efls.2), pela homologação parcial da compensação pretendida, fundamentando que: A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 4.145,70. Valor do crédito original reconhecido: 446,92 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.19), nos seguintes termos: a) que efetuou dois recolhimentos de PIS para a competência setembro/2007, conforme comprovantes (efls.16/17); b) que o valor declarado no DACON e DCTF originais é idêntico ao valor recolhido; c) que após proceder a análise minuciosa verificou que havia incluído indevidamente receitas financeiras em sua base de cálculo, a despeito da alíquota zero aplicável sobre essas receitas conforme estabelece o Decreto nº 5.442/2005; d) que retificou o DACON e DCTF (efls.13 e 14/15), informando o valor devido de R$ 17.100,66; e) subtraindo do valor pago – R$ 21.246,37 o valor devido – R$ 17.100,66 se obtém o valor de R$ 4.145,70 referente ao pagamento a maior de PIS do mês 09/2007 e ao final requer a reforma do Despacho Decisório, com reconhecimento da compensação declarada. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 19/10/2007 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.924526/201113 Resolução nº 3401001.409 S3C4T1 Fl. 4 3 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Se o crédito pleiteado está parcial e validamente alocado para a quitação de débito confessado em DCTF, temse como correto o despacho decisório que homologa parcialmente a compensação declarada. Esclarece a autoridade julgadora que a contribuinte cometeu uma sequencia de erros que tornam inviável a correção de ofício. Na DCTF retificadora em vez de vincular ao débito de PIS de 30/09/2007 os pagamentos de R$ 3.698,70 e R$ 17.547,58 vinculou um recolhimento inexistente de R$ 17.100,66 não validado pelo sistema e na DCOMP não indicou o DARF de R$ 3.698,70. Outro ponto do voto é que mesmo superado esses erros, ainda assim não seria possível acolher a pretensão da reclamante porque a alteração de débitos por meio de DCTF retificadora exigese provas contábeis e fiscais, o que não se vislumbra do caso em tela. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.59) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (i) que apesar de erros cometidos no preenchimento da DCTF, isso não inviabiliza a compensação, pois, de fato, a existência do crédito é incontroversa; (ii) sendo o PIS/PASEP um tributo sujeito ao lançamento por homologação, cabe ao contribuinte apurar, declarar e realizar o recolhimento do tributo devido, para posterior homologação por parte do fisco; (iii) que cabe ao fisco o dever de provar que o lançamento realizado pela Recorrente, realmente, não resultou nenhum indébito capaz de efetivar a compensação; (iv) apela para o princípio da verdade material que rege o processo administrativo e ilustra com excerto de nossa doutrina a respeito do tema; (v) quanto ao mérito, resume da seguinte forma os pontos de discordância: Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.924526/201113 Resolução nº 3401001.409 S3C4T1 Fl. 5 4 Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração inicialmente cometido, visto tratarse da indevida tributação de receitas financeiras. Não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.924526/201113 Resolução nº 3401001.409 S3C4T1 Fl. 6 5 Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O acórdão recorrido deixa evidências de que o crédito pleiteado pela contribuinte existe, porém, em face de erros formais de preenchimento da DCTF entende inviável superálos para mudar o que foi concluído no Despacho Decisório. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: 1 confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; 2 confronte os débitos confirmados no item "1" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; 3 após o confronto do item "2", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720064/2016-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2014
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA.
Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2014 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA. Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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ALÍQUOTA GILRAT. Recorrente MUNICIPIO DE TOBIAS BARRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2014 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA. Considerase matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 64 /2 01 6- 08 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 146 2 casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 120/138 interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 105/114, que julgou procedente o lançamento de contribuições para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa – RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 147 3 conforme declarada em GFIP, no período de 06/2012 a 12/2014, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 13/16). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo é proveniente do DEBCAD nº 51.080.6946 e foi apurado no valor total de R$ 699.646,90, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a multa de ofício. De acordo com o Relatório Fiscal, mediante análise da Folha de Pagamento e informações constantes nos sistemas da RFB, notadamente acerca das GFIPs, DIRFs e GPSs, a fiscalização constatou que a contribuição devida a título de GILRAT foi declarada a menor em GFIP pela RECORRENTE, uma vez que foi utilizada alíquota menor do que a efetivamente aplicável. A autoridade fiscal verificou que a RECORRENTE realizou o auto enquadramento do grau de risco, mediante declaração em GFIP do código CNAE 84116/00 – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL, o que se encontra em perfeita sintonia com o que disciplina a Comissão Nacional de Classificação – CONCLA e com as respectivas notas explicativas atinentes ao CNAE 84116/00. Porém, ressaltou que a partir da competência de out/2006, o enquadramento no CNAE 84116/00 determina uma alíquota de 2% da GILRAT, ao passo que a RECORRENTE, embora tenha realizado o auto enquadramento no CNAE correto, declarou em GFIP, equivocadamente, uma alíquota de 1%. Tendo em vista que a RECORRENTE declarou um valor de FAP DE 1,0000, para todas as competências, a fiscalização também realizou o reajuste pelo respectivo fator aplicável em cada período (0,7560 para 2012; 0,8192 para 2013; e 0,8213 para 2014) a fim de determinar o “RAT AJUSTADO”. Neste sentido, calculou que a alíquota da contribuição para a GILRAT era a seguinte para cada período: 2012: 1,5120%; 2013: 1,6384% 2014: 1,6426% Neste sentido, tendo em vista que a contribuição para o GILRAT foi declarada a menor (pois calculada pela RECORRENTE através da alíquota de 1%), a fiscalização apurou o correto valor devido, por competência, conforme cálculos detalhados constantes do ANEXO II do Relatório Fiscal, e cobrou a diferença do GILRAT não recolhido no período (fl. 23). O valor da base de cálculo foi a própria remuneração dos segurados empregados declarada em GFIP pela RECORRENTE. Da Impugnação Intimada do lançamento em 22/01/2016 (fl. 71), a RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 78/95 em 19/02/2016. Suas alegações de defesa foram assim sintetizadas pela DRJ de origem: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 148 4 “5.1. Afirma preliminarmente que o lançamento é nulo pois a Fiscalização omitiu a sua fundamentação legal, bem como a descrição da matéria tributável. Assevera que a autoridade fiscal limitouse apenas a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege a competência da Receita Federal do Brasil, assim como suas atribuições, não correlacionando os dispositivos com a matéria que teria sido infringida. Incorreu, assim, em violação do artigo 10, IV do Decreto 70.235/72. 5.2. Argui a nulidade do Auto de Infração por cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, visto que houve omissão de fundamentação legal. É direito do contribuinte que a exigência fiscal esteja completa de tal modo que se a possa contestala ponto por ponto, sendo certo que não havendo a discriminação dos dispositivos infringidos há impedimento à defesa. Reafirma que o Fiscal não diz quais os artigos que dão suporte à lavratura do crédito, mencionando aleatoriamente os textos legais. Requer a nulidade do Auto de Infração. 5.3. Em relação ao mérito, tece considerações acerca da natureza jurídica das contribuições previdenciárias, afirmando que as mesmas têm natureza tributária que se submetem aos princípios constitucionais. Cita doutrina e o artigo 146 da Constituição Federal. 5.4. Alega haver abuso do poder discricionário por parte da fiscalização, por desnaturamento do instituto jurídico, de maneira a contrariar sua categoria jurídica. Desenvolve argumentos acerca da teoria do abuso de direito, afirmando serem os atos daí decorrentes atos ilícitos, e por natureza, nulos. Em razão disso, requer o cancelamento da autuação que alega ilegal, abusiva e inconstitucional. 5.5. Requer a desconstituição da multa aplicada em razão de não ter havido conduta ilícita por parte da impugnante. Afirma que a multa tem caráter confiscatório, citando a compensação realizada pelo contribuinte. Assevera que a multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, e assim, considerando a lisura do procedimento da Impugnante, requer a desconstituição da multa em razão da inexistência da infração. Cita jurisprudência. Invoca o desrespeito ao Princípio Constitucional do NãoConfisco. 5.6. Questiona a constitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Discorre sobre a natureza da referida taxa e dos juros. Afirma que a SELIC é de fato taxa de remuneração de capital, e que sua cobrança caracteriza usura, nos termos das decisões dos Tribunais Superiores. Reafirma a inconstitucionalidade da Taxa SELIC por ferir os princípios da moralidade, enriquecimento sem causa, propriedade e não confisco. 5.7. Finalmente, requer a nulidade do Auto de Infração, ou alternativamente, a desconstituição do lançamento pelo reconhecimento da legalidade das retificações e compensação Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 149 5 efetuadas pelo Município, bem como o afastamento dos juros e multa. Requer produção de prova pericial.” Da Decisão Da DRJ A DRJ, às fls. 128/140 dos autos, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2014 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os elementos constitutivos do auto de infração veiculam, com clareza e precisão, todos os substratos fáticos e jurídicos nos quais se fundamenta o lançamento. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Para os órgãos da Administração Pública em geral a alíquota SAT/RAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), a partir de 06/2007, nos termos do Decreto nº 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social. Neste contexto, sujeitase a lançamento de ofício, para a exigência da contribuição majorada, o ente público cuja alíquota declarada em GFIP tenha permanecido inalterada. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IRRELEVÂNCIA. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FATOS. No âmbito do processo administrativo tributário, as alegações genéricas não assumem relevância, cabendo ao contribuinte o ônus da impugnação específica dos fatos em relação aos quais haja contrariedade. MULTA CONFISCATÓRIA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. É vedado ao órgão julgador administrativo exercer o controle da constitucionalidade das leis ou negar vigência a atos infralegais por ofensa à lei. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 150 6 REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Sujeitase a indeferimento o pedido de produção de prova pericial considerado prescindível à instrução processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE e findou por manter o lançamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 18/05/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 119, apresentou seu recurso voluntário de fls. 120/138 em 16/07/2016, oportunidade em que reiterou as afirmações de sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. As razões recursais da RECORRENTE se limitam aos seguintes tópicos: i) Da Nulidade do Lançamento Por Imprecisão da Capitulação Legal Manifesto Cerceamento de Defesa; ii) Da natureza jurídica das contribuições previdenciárias: Do Abuso do Poder Discricionário; iii) Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada; iv) Da Inaplicabilidade da Taxa Selic Como Índice de Juros Sobre o Débito de Tributos e Contribuições Sociais Federais; Verifico que a RECORRENTE não teceu qualquer comentário acerca do mérito do lançamento, qual seja, a alíquota do GILRAT que deveria ter sido utilizada para o cálculo da referida contribuição devida em cada período. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 151 7 Sendo assim, tal matéria deve ser considerada não impugnada e, consequentemente, incontroversa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, passo à análise tãosomente das questões expressamente apresentadas pela RECORRENTE. Da Nulidade do Lançamento Por Imprecisão da Capitulação Legal A RECORRENTE defende a nulidade do lançamento por entender que houve imprecisão da capitulação legal, o que culminaria no cerceamento do seu direito de defesa. Neste sentido, afirma que a Fiscalização omitiu a fundamentação legal do lançamento, bem como a descrição da matéria tributável, violando o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72. Contudo, não verifico a ocorrência da nulidade apresentada. O auto de infração de fls. 03/12 apresenta toda a fundamentação legal do débito, bem como discrimina, mês a mês, os valores cobrados. No Relatório Fiscal de fls. 13/16 (parte integrante do auto de infração), a autoridade fiscal traz toda a descrição dos fatos, assim como o enquadramento legal para a cobrança das contribuições sobre os fatos descritos. O objeto do presente lançamento é a acusação de que a RECORRENTE declarou a menor em GFIP a contribuição devida a título de GILRAT. A fiscalização afirmou que a causa desta declaração equivocada foi a utilização de alíquota menor do que a efetivamente aplicável ao caso da RECORRENTE. Neste sentido, a autoridade fiscal apresentou de forma detalhada que, embora a RECORRENTE tenha realizado o auto enquadramento no CNAE correto, declarou em GFIP, equivocadamente, uma alíquota de 1%, ao invés do percentual de 2% aplicável ao CNAE 84116/00 (Administração Pública em Geral) desde outubro/2006, nos termos da tabela constante no Anexo V do Decreto nº 3.048/99. Ademais, a autoridade fiscal verificou que a RECORRENTE declarou um valor de FAP DE 1,0000 para todas as competências, ao passo que o fator relativo a cada período era de 0,7560, 0,8192 e 0,8213 para 2012, 2013 e 2014, respectivamente. Desta forma, realizou, de ofício o reajuste da alíquota do GILRAT de 2% para os seguintes percentuais: 2012: 1,5120%; 2013: 1,6384% 2014: 1,6426% Assim, restou clara a demonstração da autoridade fiscal sobre quais as alíquotas do GILRAT que deveriam ter sido aplicadas em cada período. Pelo fato de a RECORRENTE ter recolhido a contribuição sob a alíquota de 1%, houve o lançamento da diferença da contribuição que deixou de ser recolhida em cada período, calculada com base no mesmo valor das remunerações informadas em GFIP pela contribuinte, conforme planilha constante do ANEXO II do Relatório Fiscal (fl. 23). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 152 8 Sobre o tema, o art. 142 do CTN determina o que é o procedimento de lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora, todas as etapas acima foram detidamente cumpridas pela fiscalização. Conforme exposto, a matéria tributável, o sujeito passivo, o montante devido e a ocorrência do fato estão todas explicadas no auto de infração, não havendo que se falar em erro na construção do lançamento. Ademais, o art. 142, parágrafo único, do CTN, prevê o dever funcional da autoridade fiscal de efetuar o lançamento quando observar infrações à legislação tributária. Ou seja, ao observar que a contribuinte informou alíquota equivocada para cálculo do GILRAT, a autoridade fiscal passou a ter o poderdever de efetuar o lançamento tributário para a cobrança do crédito que deixou de ser recolhido, utilizandose da alíquota correta para cada período. Portanto, não prosperam as alegações da RECORRENTE acerca de eventual cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, pois o auto de infração posto como está é plenamente compreensível e não causa qualquer prejuízo ao direito de defesa. Do Abuso do Poder Discricionário Mais adiante, a RECORRENTE inicia suas chamadas argumentações de mérito alegando ter havido abuso do poder discricionário por parte da fiscalização. Assim, entende que o ato de lançamento estaria eivado de ilicitude por ter se originado de ato arbitrário e, consequentemente, pleiteou o cancelamento da abusiva, ilegal e inconstitucional exigência. No entanto, a RECORRENTE apenas apresenta argumentos genéricos sobre o tema. Não demonstra de forma direta a razão pela qual entende que houve o alegado abuso de direito por parte da fiscalização. Ora, o inconformismo da RECORRENTE a respeito do lançamento não significa que há abuso de direito de qualquer das partes. Como exposto, a autoridade fiscal tem o dever de efetuar o lançamento e cobrar o crédito quando verificar a ocorrência de infração cometida pelo contribuinte. Este poderdever da autoridade não pode ser confundido com abuso de direito, pois o ato de lançamento decorre da lei. A defesa da RECORRENTE apenas apresenta argumentações teóricas e genéricas acerca da validade do lançamento, sem apontar especificamente sequer um eventual erro no mesmo. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 153 9 Tendo em vista que o lançamento foi efetuado respeitandose as formalidades legais, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica a razão pela qual recolheu o GILRAT com base na alíquota de 1%, bem como apresentar os motivos para a não aplicação das alíquotas de 2% reajustada pelos respectivos FAPs de cada período (0,7560, 0,8192 e 0,8213 para 2012, 2013 e 2014, respectivamente), conforme evidenciado pela fiscalização, apresentando provas de suas alegações. Ademais, conforme já explanado, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do tributo pelo contribuinte. Portanto, não há razão para afastar o lançamento. Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada A RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de ofício tem apenas a função de desestimular o descumprimento da legislação tributária, e não pode ter finalidade arrecadatória. No caso, entende que não há razão para a imposição de multas pois não houve prática da condutas ilícitas. Ademais, entende que “a multa cominada, ainda que prevista em legislação específica, assume o caráter nitidamente confiscatório, (...) desrespeitando o Princípio do NãoConfisco, previsto na Constituição Federal”. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 154 10 Sobre o tema, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada foi no percentual de 75%. Tal penalidade é aplicada por expressa previsão legal em qualquer caso de lançamento de ofício, independentemente da existência de fraude, sonegação ou qualquer dolo por parte do contribuinte. O art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Nos fundamentos legais do débito, a autoridade fiscal apresentou como embasamento legal da multa o retro mencionado art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 10). Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento da contribuição previdenciária, deve ser aplicada a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 sobre o valor do tributo calculado, por estrita determinação legal do art. 35A da Lei nº 8.212/91: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o já citado art. 44 da Lei nº 9.430/96, não sendo ato discricionário da autoridade fiscal. Neste sentido, o art. 142 do CTN (já transcrito) prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco (assim como qualquer outra questão de inconstitucionalidade envolvendo o caso), devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10510.720064/201608 Acórdão n.º 2201003.995 S2C2T1 Fl. 155 11 Da Inaplicabilidade da Taxa Selic A RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por afastar as preliminares arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose o lançamento em sua integralidade. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005867/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação dos débitos até o limite do direito creditório comprovado em diligência.
Numero da decisão: 1201-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para homologar as compensações até o limite original de R$ 239.193,68.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação dos débitos até o limite do direito creditório comprovado em diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para homologar as compensações até o limite original de R$ 239.193,68. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 58 67 /2 00 3- 41 Fl. 2020DF CARF MF 2 A Recorrente apresentou declarações (fls. 2/3), pleiteando a compensação de créditos a título de Saldo Negativo de IRPJ apurado nos quatro trimestres do ano calendário 1998 (fls. 4), no total originário de R$ 239.193,68, com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório (fls. 228/233) não homologou a compensação em razão de decadência parcial e não comprovação do crédito pleiteado. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 236/240). Aduz que não houve decadência e que possui créditos legítimos, informados em DIPJ Retificadoras, provenientes da alteração do percentual de presunção de lucro (de 32% para 8%) aplicável aos prestadores de serviços de construção civil com fornecimento de materiais, conforme reconhecido em diversas Soluções de Consulta que indica. Em Sessão de 18 de agosto de 2008, a 5ª Turma da DRJ/SPOI julgou improcedente a manifestação de inconformidade por meio do Acórdão nº 16.18.128 (fls. 258/265), cuja ementa foi assim redigida: DECADÊNCIARESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente e consequentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito líquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Cientificada da decisão em 05/10/2009 (fls. 271), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 282/294). Reitera os argumentos de defesa e anexa documentação a fim de comprovar o seu direito (fls. 306/742). Em seguida o contribuinte anexa laudo pericial que atestaria a suficiência dos créditos (fls. 751/772). O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (Resolução nº 110300.063 fls. 776/780), pois, segundo o I. Relator: Da avaliação dos autos, percebese que a questão de mérito principal coincide com aquela sob exame no processo nº 11610.022726/200210, da mesma contribuinte e também sob a responsabilidade deste relator. No exame daquele referido processo, esta turma adotou a Resolução nº 110300.062/2012, nesta mesma sessão de julgamento, para converter o julgamento em diligência com o Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 11610.005867/200341 Acórdão n.º 1201001.911 S1C2T1 Fl. 3 3 objetivo de completar a sua instrução em observância ao princípio da verdade material. O mesmo entendimento deve ser aplicado ao caso sob exame neste processo. Dessa forma, o processo deve ser devolvido à unidade de origem para as providências e verificações adiante relacionadas: a) entregar cópia desta resolução à recorrente; b) intimar a recorrente a comprovar documentalmente, conforme os registros contábeis, a composição das suas receitas no ano calendário 1998 e o fornecimento de materiais; c) com base na documentação apresentada pela contribuinte, especificar em planilhas demonstrativas as parcelas das receitas conforme os percentuais de presunção do lucro a que estejam submetidas, além de apurar o IRPJ devido e eventual crédito a compensar pela contribuinte. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio do Relatório de fls. 1.999/2.001, do qual a contribuinte, mesmo intimada, não se pronunciou. Os autos retornaram a este Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. O conjunto probatório trazido aos autos de fato demonstra que a Recorrente faz jus ao percentual de 8% para efeitos de lucro presumido, o que lhe permitiria a aproveitar os pagamentos feitos a maior (com base no percentual de 32%) para fins de compensação. Nesse sentido, após detalhado trabalho de investigação, a diligência concluiu que: [...] 5. ... a empresa MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. foi intimada a comprovar documentalmente, conforme os registros contábeis, a composição de suas receitas no anocalendário 1998 e o fornecimento de materiais (fls. 796 a 801). 6. Em resposta à intimação (fls. 819 a 1998), a requerente comprovou, via notas fiscais e contratos compreendendo todo o Fl. 2022DF CARF MF 4 período do anocalendário 1998, se enquadrar na hipótese prevista no art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, conforme Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003, da utilização do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade, para cálculo IRPJ sobre o lucro presumido. 7. Diante de tal quadro fático, apurouse direito creditório à requerente MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., CNPJ 49.670.524/000189 contra a Fazenda Nacional, na importância de R$ 239.193,68 (duzentos e trinta e nove mil, cento e noventa e três reais e sessenta e oito centavos), referente a Saldo Negativo de IRPJ do 1º ao 4º trimestres de 1998, conforme delimitado na tabela abaixo, sobre o qual ainda deve incidir o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC conforme art. 83 da IN RFB nº 1.300/2012. Notase, assim, que a própria autoridade fiscal responsável pela diligência confirmou o direito da contribuinte quanto ao crédito pleiteado. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido na diligência (R$ 239.193,68). É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2023DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.001644/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 16 44 /2 00 9- 39 Fl. 232DF CARF MF 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório não homologatório (fls.108/112) do Pedido de Ressarcimento nº 34091.74967.020606.1.1.090869 (fls.7/8) de créditos de COFINS do 1º Trimestre de 2006, no valor original de R$ 16.583.575,89 (Dezesseis milhões, quinhentos e oitenta e três mil, quinhentos e setenta e cinco reais e oitenta e nove centavos) para ser compensado com débitos informados nas DCOMP nº 10875.41201.310708.1.3.090427 (fls.11) e nº 15215.85305.310706.1.3.092449 (fls.15). Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 3 3 A análise foi fundamentada no resultado do procedimento fiscal ocorrido na reclamante com o escopo de verificar a regular apuração e recolhimento do PIS e da COFINS, nos períodos de 10/2004 a 03/2006. O Relatório da Fiscalização (fls. 88/100) concluiu pela glosa de parte dos créditos apurados pelo contribuinte a partir de nova apuração realizada (fls.52/84), tendo em vista o contribuinte não ter apresentado a memória de cálculo. Assim, o trabalho de auditoria concluiu em princípio pela existência de saldo de créditos de COFINS, passível de Ressarcimento, após o desconto dos créditos apurados num total de R$ 35.942.631,16 (Trinta e cinco milhões, novecentos e quarenta e dois mil, seiscentos e trinta e um reais e dezesseis Processo 15868.001644/200939 centavos) do montante da contribuição devida no trimestre de R$ 31.050.380,24 (Trinta e um milhões, cinquenta mil, trezentos e oitenta reais e vinte e quatro centavos). O Despacho Decisório (fls.108/112) foi prolatado com base nos levantamentos efetuados e na nova apuração da COFINS contidas no Relatório Fiscal (fls.88/100). Entretanto, contrariando a conclusão dos trabalhos da fiscalização, o Despacho Decisório não reconheceu direito a crédito passível de ressarcimento após identificar que os créditos presumidos agroindústria foram calculados com a alíquota incorreta de 4,56% (60% de 7,6%), quando deveria ter sido aplicada a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%). Em relação as demais glosas não houve qualquer retificação do trabalho da fiscalização no Parecer que consubstanciou o Despacho Decisório. Identificado o erro na alíquota aplicada, mais uma vez foi refeita a apuração dos créditos pela Equipe Especial de Auditoria da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo EQAUD (fls.105/107). Com a nova apuração, não restou saldo de crédito passível de ressarcimento. A ciência do Despacho Decisório ocorreu através da Intimação da EQAUD (fls. 113), em 14/06/2011 conforme Ar Aviso de Recebimento às fls.114. Irresignado com o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, o contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 08/07/2011 (fls.115). Na alegação dos fatos o contribuinte informa em síntese que: 1) Protocolou Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para Seguridade Social COFINS – exportação, apurados no 1º Trimestre de 2006; 2) O indeferimento do Pedido de Ressarcimento foi prolatado pela DIORT/DERAT/SPO. Na parte II – O Direito, o contribuinte alegou em síntese que: 1) O Despacho Decisório deve ser cancelado por ter sido emitido após o encerramento da fase instrutória de apuração do ressarcimento, sem intimação do contribuinte, desrespeitando a formalidade prescrita no art. 44 da Lei nº 9.784/99, procedimento essencial a sua validade; 2) O dispositivo citado garante a recorrente o direito de se manifestar, no prazo de 10 dias da instrução realizada pela fiscalização, especialmente para fazer suas observações e Fl. 234DF CARF MF 4 apresentar razões para garantir a apreciação do seu Pedido de Ressarcimento; 3) Reitera sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais e esclarecimentos que se fizerem necessários, estando os mesmos já à disposição da fiscalização no seu estabelecimento e que suportará consideráveis prejuízos por ter considerado o recebimento do direito creditório na definição do preço de exportação das mercadorias que foram exportadas; 4) Sendo a Recorrente uma das maiores empresas do setor do agronegócio brasileiro, como poderia a fiscalização entender que não teria nenhum crédito da contribuição para o COFINS no período do 1o Trimestre de 2006 ?; 5) Pelo entendimento dos AFRFs a Recorrente não teria nenhum direito e como isto pode ser admitido como válido considerando a impossibilidade da Recorrente exercer sua atividade sem adquirir insumos e serviços que garantem direito ao crédito ?; 6) Tais fatos demonstram a falta de razoabilidade do posicionamento dos AFRFs porque simplesmente negaram tais fatos de forma integral, algo que contraria a razoabilidade das coisas e até todos os documentos que foram apresentados pela Impugnante; 7) Considerando isto, jamais poderia ter sido indeferido o Pedido de Ressarcimento, porque a fiscalização deveria ter continuado com as diligências no estabelecimento da Recorrente; 8) O Despacho Decisório merece ser cancelado por ter sido lavrado com base em um levantamento fiscal precário, por ter entre outros motivos, desconsiderado todos os documentos da Recorrente; 9) Como poderia ter o seu pedido de ressarcimento parcialmente desconsiderado pelos AFRFs sem uma justificativa plausível e demonstração da totalidade dos créditos não serem legítimos ? 10) Com fundamento no Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta alguns documentos que comprovam o seu direito creditório e regularidade de suas operações, bem como requer diligência e perícia para que seja apurado a existência do seu direito creditório; 11) Nesta Manifestação a empresa está juntando alguns documentos comprobatórios do direito creditório porque, vários outros, por serem em grande quantidade, estão à disposição no seu estabelecimento. 12) Deve ser considerado por este juízo que a Impugnante possui direito ao Crédito da contribuição para COFINS por adquirir insumos tributados no mercado interno, como pode ser verificado na Planilha de Apuração anexa cujo resultado remonta R$ 16.583.575,89 (dezesseis milhões, quinhentos e oitenta e três mil, quinhentos e setenta e cinco reais e oitenta e nove centavos) (doc. 03) (fls.148); 13) Também estão sendo anexadas três Notas Fiscais exemplificativas de aquisição de insumos no 1o Trimestre de 2006 para demonstrar que a Recorrente efetivamente adquiriu mercadorias como algo desconsiderado pela fiscalização (doc. 05) (fls.176/178); 14) O Despacho Decisório retificou a apuração do crédito presumido – atividade agroindustrial que havia considerado a alíquota de 60% (sessenta por cento) incidente sobre a alíquota de 7,6% (4,56%) prevista no inciso I, do parágrafo 3º, do art. 8º Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 4 5 da Lei nº 10.925/2004, para aplicar a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) incidente sobre a alíquota de 7,6% (2,66%) prevista no inciso II do mesmo dispositivo, o que não merece ser admitido porque conforme a redação do supracitado inciso I a impugnante possui o direito de calcular o crédito presumido considerando produzir produtos de origem animal classificados nos capítulos de 2 a 4 da TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre produtos Industrializados. 15) Entende assim, porque considerando a realização de saídas de produtos capitulados em tais capítulos possui o direito de utilizar a alíquota de 60%; 16) A autoridade fiscal fundamentou seu posicionamento na Instrução Normativa nº 660/2006, que considera que o produto que indica a porcentagem do crédito presumido é o insumo, desconsiderando que a redação do supracitado parágrafo 3º indica como produto aquele produzido pela empresa que usará o crédito presumido; 17) Caso os argumentos acima não sejam suficientes para o cancelamento do Despacho Decisório, este também não merece ser mantido porque a IN nº 660/2006 foi publicada posteriormente a geração do crédito e deve ser aplicado no presente caso o princípio da irretroatividade da lei tributária que proíbe a cobrança de tributos em relação a fatos antes do início da vigência que o houver instituído; 18) No presente Despacho Decisório o AFRFB utilizouse da regulamentação prevista na instrução Normativa nº 660/2006 para aplicação do artigo nº 8 da Lei nº 10.925/2004, portanto a lei esta retroagindo para alcançar os fatos ocorridos no período do Pedido de Ressarcimento que alberga os meses de janeiro a fevereiro de 2006; 19) A Recorrente também tem o direito ao ressarcimento com a incidência da SELIC, da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária; 20) O r. Despacho Decisório também deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 de dezembro de 1996. Na parte IV (fls.129), a Recorrente pede que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para ser cancelado o r. Despacho Decisório para que esta DD. DRJ reconheça o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento formulado pela Recorrente e a homologação das compensações correspondentes ao crédito reconhecido. Requer, ainda, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário de todos os débitos vinculados às compensações relacionadas a estes autos até a decisão final quanto ao pedido de ressarcimento. Requer, por fim, que também sejam intimados de todas as decisões proferidas nestes autos os advogados signatários da presente no seguinte endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima n° 2012, 5o andar, São Paulo SP. Fl. 236DF CARF MF 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento as alegações da Recorrente, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Sendo benefício de natureza exoneratória, o desconto de créditos apurados sobre o valor de bens e serviços utilizados como insumos, deve ser comprovados de forma inequívoca pelo contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A alíquota prevista em lei para apuração dos créditos de insumos aplicados na atividade agroindustrial incide sobre o valor dos produtos adquiridos, sendo definida de acordo com o capítulo da TIPI no qual estão inseridos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a falta de intimação ao contribuinte para se manifestar no curso da ação fiscal, estando garantido seu direito de defesa com a ciência do lançamento, por meio da impugnação. SELIC. Incabível aplicação da Taxa Selic em processos de Ressarcimento por não se tratar de pagamento indevido. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário pedindo o cancelamento da decisão da DRJ, alegando que não foram apreciadas no acórdão a incompetência dos auditores, o fato dos documentos da empresa estarem a disposição da Fiscalização e o levantamento fiscal precário realizado pela Autoridade Fiscal. No mérito reafirmam o direito ao ressarcimento, alegam a correição na aplicação do percentual de 60% (sessenta porcento) para calculo do crédito presumido e pede a correção dos créditos pela taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento e repisa os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 5 7 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merecem análise as alegações contra a decisão da DRJ sobre a falta de apreciação dos argumentos da impugnação e de cerceamento do direito de defesa. Quanto a estas matérias não merece prosperar o recurso. A auditoria dos pedidos de compensação e a lavratura do auto de infração foram realizadas dentro das normas legais e atendeu todos os requisitos previstos na legislação para a formalização do lançamento tributário, apreciando todas as provas apresentadas pela Recorrente, descrevendo todos os procedimentos adotados e os fundamentos e motivações para a exigência fiscal. Sendo o contribuinte intimado do teor das conclusões do trabalho fiscal e do Auto de Infração, apresentando impugnação e posteriormente recurso voluntário, portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou qualquer vício que ensejaria a nulidade do procedimento. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. Todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido Processo Administrativo Fiscal. Quanto a alegação que não teria sido enfrentado na decisão da primeira instância as matérias referente a incompetência dos Auditores Fiscais. A decisão de piso enfrentou em diversos pontos a matéria quando tratou das alegações de irregularidades no MPF e ainda tratou especificamente da competência dos Auditores Fiscais para realização do procedimento fiscal, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do voto condutor da decisão da DRJ. Portanto, também não se justifica a alegação da requerente de que somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão referente a seu pedido, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão com a edição da Portaria IV 34, de 2008, a fls. 32 e 33. Portanto, não procede a alegação da ausência de enfrentamento da matéria pela decisão de Piso. Quanto a alegação que os AuditoresFiscais lotados na Unidade da Receita Federal na cidade de Araçatuba não teriam competência para a constituição do Crédito tributário, em razão de supostas irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que também nesta matéria não assiste razão ao recurso Para elucidar o assunto, transcrevo o art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, que confirma a competência do AuditorFiscal da Receita Federal para elaborar e proferir decisões acerca de pedidos de restituição de tributos federais. “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Fl. 238DF CARF MF 8 I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; “ O questionamento sobre as limitações ao poder do AuditorFiscal da Receita Federal impostas pelo Mandado de Procedimento Fiscal, não trazem melhor sorte a Recorrente. O Mandato de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Receita Federal como um instrumento administrativo não tendo o condão de servir de limitador do trabalho fiscal. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é feito por meio de Intimações e outros documentos com ciência do fiscalizado, sendo o Auditor Fiscal a autoridade competente para o lançamento e quaisquer documentos lavrados pelo Auditor Fiscal de forma conjunta ou isolada possui todos os requisitos de legalidade necessários para produzir seus efeitos no ordenamento jurídico. No mesmo entendimento ora exposto, caminha o voto do e. conselheiro Walber José da Silva, emitido no Acórdão nº 3302.00.60 da Terceira Seção do CARF, que peço vênia para incluir e fazer parte das minhas razões de decidir. “O MPF foi disciplinado pela Portaria SRF 1.265/1999, com as alterações incluídas pelas Portarias SRF nº 1.614/2000, nº 407/2001, nº 1.020/2001, compilada na Portaria nº 3.007/2001 e, atualmente, na Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 6 9 Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado, conforme determinação expressa do art. 16 da Portaria SRF 6.087/2005, abaixo reproduzido: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso lido artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Cabe ressaltar, no que toca à ciência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da existência do instrumento prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Contudo, tratandose os eventuais vícios relativos ao uso do MPF de meras irregularidades formais, sabese que estas, quando supríveis, não podem elidir a atividade regrada e obrigatória do lançamento de oficio. Nesse sentido, é importante reproduzir a Lei n2 9.784/1999, art. 55, que assim preconiza: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Por sua vez, o Decreto d 70.235/1972, art. 60, é redigido nos seguintes termos: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento .Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que.. estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de Fl. 240DF CARF MF 10 responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, §único, conforme transcrição a seguir. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". "Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (..)Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Ainda no que diz respeito ao MPF, ressaltese que tem se sedimentado nos extintos Conselhos de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, isto é, sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Citamse as seguintes ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n°10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE 1NOCORRÊNCL4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1° CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 7 11 PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n°10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso de oficio provido, determinando que, ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, deve a autoridade julgadora a quo continuar o julgamento do mesmo quanto ao seu mérito (Ac. n° 20176449, Sessão 19/09/2002, Relator Gilberto Cassui)” Prossegue o recurso, trazendo a alegação que as conclusões da fiscalização estariam ferindo princípios constitucionais. Quando a esta matéria, este colegiado não pode se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto a alegação de homologação tácita, nos termos bem detalhados na decisão da primeira instância, a Declaração de Compensação mais antiga foi apresentada em 10/08/2005 (fls. 129 a 130) e a ciência do despacho decisório ocorreu em 26/02/2010 (fl. 141) prazo inferior aos 5 (cinco) anos previstos para a homologação tácita. Portanto, não procede a alegação da Recorrente quanto a homologação tácita. Com relação ao mérito da lide, a recorrente teceu argumentos genéricos, alegando que o trabalho da auditoria foi superficial e baseouse em indícios e não fatos. Analisando os termos de verificação fiscal que constam do processo, observase que a autoridade autuante detalhou todos os procedimentos fiscais adotados durante a fiscalização. A observação do procedimento adotado pela Fiscalização mostra as diversas intimações e pedidos de esclarecimentos e mesmo diante de todas as tentativas, a Recorrente não apresentou os documentos e as informações necessárias à comprovação dos créditos alegados. Diante de todos estes procedimentos e intimações, a não apresentação de esclarecimentos não pode ensejar, como deseja a recorrente, a definição do trabalho como superficial e baseado apenas em indícios. A fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou os documento ou esclarecimentos necessários durante o trabalho de fiscalização ou mesmo quando apresentou a impugnação ou o recurso voluntário. Fl. 242DF CARF MF 12 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Ainda no mérito, quanto ao percentual aplicado ao crédito presumido, a matéria restou totalmente resolvida com a nova redação do § 10º do art, 8º da Lei nº 10,925/2004, incluído pela Lei nº 12,865/2013 que ficou assim redigido. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15868.001644/200939 Acórdão n.º 3201003.216 S3C2T1 Fl. 8 13 § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013)"(grifo nosso) A observação do texto legal deixa sedimentado que o percentual a ser aplicado é de 60% (sessenta por cento) aos insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, para esta matéria, assiste razão aos argumentos do recurso voluntário. Por fim a Recorrente pede a correção dos créditos pela taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. Quanto a esta matéria existe vedação expressa para atualização monetária ou incidência de juros no aproveitamento do crédito de PIS e Cofins não cumulativos, nos termos do art. 13 e 15 da Lei nº 10833/2003 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o P1S/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Fl. 244DF CARF MF 14 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar o percentual de 60% aos créditos presumidos referente aos insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Winderley Morais Pereira Fl. 245DF CARF MF
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