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5619951 #
Numero do processo: 19515.005570/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GINA CECILIA FABIANO. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.005570/2008­80  Resolução nº  2202­000.477  S2­C2T2  Fl. 3            2 RELATÓRIO  Em desfavor do contribuinte, GINA CECILIA FABIANO, foi  lavrado Auto de  Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 783/787 e Demonstrativo de Apuração de  fls.  780/782,  referente  ao  imposto  de  renda  pessoa  física,  exercícios  2004  e  2005,  anos  calendário 2003 e 2004, que lhe exige crédito tributário no montante de R$1.848.229,32, sendo  R$827.971,44 de  imposto suplementar (código 2904), R$620.978,57 de multa proporcional e  R$399.279,31 de juros de mora (calculados até 29/08/2008).  Conforme  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  785/787),  o  procedimento teve origem na apuração das infrações abaixo descritas:  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO  DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM  NÃO COMPROVADA.  Nota­se,  da  análise  cuidadosa  do  processo,  que  RMFs  foram  encaminhadas  a  instituições financeiras, tal como se constata de fls.95 a 157.  A DRJ julgou o lançamento procedente em parte afastando do lançamento parte  dos depósitos que teriam sua origem devidamente comprovada.   É isto que interessa relatar até o momento.  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.005570/2008­80  Resolução nº  2202­000.477  S2­C2T2  Fl. 4            3 VOTO  Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a  sobrestamento.  Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de  julgado  feito  de  ofício  pelo  relator,  nos  termos  do  art.  62­A  e  parágrafos  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos  artigos  543­B  e 543­C da Lei  nº  5.869,  de 11  de  janeiro  de  1973, Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.  § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também  sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por  provocação das partes.   Ocorre  que  está  em  Repercussão  Geral  o  fornecimento  de  informações  sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º  da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314)  Recurso  extraordinário  em  que  se  discute,  à  luz  dos  artigos  5º,  X,  XII,  XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade,  ou  não,  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  que  permitiu  o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial,  bem  como  a  possibilidade,  ou  não,  da  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.  A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de  instrumentos  infraconstitucionais  ­  utilização  de  dados  da CPMF e obtenção  de  informações  junto  às  instituições  através da RMF  ­  está  sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  que  tramita  em  regime  de  repercussão  geral,  reconhecida  em  22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE  APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL  Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.005570/2008­80  Resolução nº  2202­000.477  S2­C2T2  Fl. 5            4 Conforme disposto no § 1º do art. 62­A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  que  versarem  sobre matéria  cuja  repercussão  geral  tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco  referido vai ao encontro da  segurança  jurídica,  da  estabilidade  e  da  eficiência,  pois  ao  tempo  em  que  assegura  a  coerência  do  ordenamento,  confere  utilidade  à  atividade  judicante  exercida  no  âmbito  do  CARF.  Assim,  reconhecida,  pelo  STF,  a  relevância  constitucional  de  tema  prejudicial  à  validade  do  procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento  do recurso no CARF.   Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que  acolheu  o  recurso  extraordinário  interposto  pelos  contribuintes.  O  Recurso  foi  pautado  pelo  Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do  RISTF,  que  determina  que  todos  os  recursos  relacionados  ao  tema  do  caso  admitido  como  paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um  ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto  à  mecânica  processual  de  julgamento  dos  recursos  extraordinários  anteriores  à  Emenda  Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente  adstrito  à  reanálise  da  medida  cautelar  requerida  pela  parte  recorrente,  desbordou  para  enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada,  sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de  votação. A atipicidade do  caso,  entretanto,  não  indica posicionamento da Corte  afastando  as  consequências  imediatas  da  repercussão  geral,  como  o  sobrestamento  dos  processos  que  veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda.   O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE  389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos  recursos  extraordinários  que veiculam  a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº  601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas:  D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia  do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a  fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais  para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do  RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente  lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal  Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão  do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido  julgamento. Publique­se. Brasília, 9 de  fevereiro de 2011. Ministro D  IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente  (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011,  publicado em DJe­035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  ?  PROCESSOS  VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ?  AFASTAMENTO  ?  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  ?  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski,  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.005570/2008­80  Resolução nº  2202­000.477  S2­C2T2  Fl. 6            5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade  de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o  recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da  Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da  repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À  Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04  de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator  (AI  691349  AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011,  publicado  em  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC  09/11/2011)   REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO  PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO  AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a  possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento  à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei  10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA  CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ?  IMPOSTO  DE  RENDA  ?  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  ?  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  ?  APLICAÇÃO  IMEDIATA  ?  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  ?  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  ?  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO."  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 .  O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no  disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento  anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a  decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n.  503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­ AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel.  Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.005570/2008­80  Resolução nº  2202­000.477  S2­C2T2  Fl. 7            6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em  01/08/2011,  publicado em DJe­158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)   DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras,  informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos  contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo  da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que  permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do  mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio  de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator  (RE  479841,  Relator(a):  Min.  CELSO  DE  MELLO,  julgado  em  21/05/2010,  publicado  em  DJe­100  DIVULG  02/06/2010  PUBLIC  04/06/2010)   Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao  art. 26­A, §1º, da Portaria 256/09,  ratificado pelas decisões acima  transcritas, que retratam o  quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses  termos,  voto  para  que  seja  sobrestado  o  presente  recurso,  até  o  julgamento  definitivo  do  Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF.  Diante de  todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do  julgamento do  presente  Recurso,  conforme  previsto  no  art.  62,  §1o  e  2o,  do  RICARF.  Observando­se  que  após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara  que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da  Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta  após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez        Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 11030.901946/2010-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCOSTITUCIONALIDADE. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o Plenário do STF o julgou inconstitucional por onde se reconhece o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras que não se enquadram no conceito de faturamento, adotado pela Lei nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 3802-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCOSTITUCIONALIDADE. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o Plenário do STF o julgou inconstitucional por onde se reconhece o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras que não se enquadram no conceito de faturamento, adotado pela Lei nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra,  Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  2a  Turma  da  DRJ/POA,  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  pela  IMPROCEDÊNCIA  da  manifestação de inconformidade contra despacho Decisório Eletrônico (DDE), emitido pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  em  Passo  Fundo,  em  que  não  homologou  a  compensação declarada, já que não foi conformada a existência do direito creditório apontado  pelo contribuinte na declaração prestada, nos termos do Acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS.  INCOSNTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº  9.718/1998,  tendo  em  vista  que  o  diploma  legal  em  análise  foi  julgado  inconstitucional  em  decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa  revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.947/2009. Em observância ao art. 26­A, § 6º, inciso I, do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  reconhece­se o  crédito  advindo de  recolhimento  efetuado  sobre  receitas  financeiras,  que  não  se  enquadrem  no  conceito  de  faturamento,  adotado  pelo  Lei  Complementar nº 70, de 1991.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  EFEITO.  A  falta  de  comprovação  do  crédito  objeto  da  Declaração  de  Compensação apresentada impossibilitada a homologação das compensações declaradas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecimento.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos, que, em síntese, se referem ao reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos  débitos,  objeto  deste  recurso,  à  extinção  do  arrolamento  de  bens  como  condição  de  exigibilidade  para  recorrer,  à  possibilidade  de  compensação  por  intermédio  do  Programa  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento  ou  Restituição  e  Declaração  de  Compensação,  às  alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, notadamente à alíquota e à base de cálculo, às  inconstitucionalidades dessas modificações, apontando ser credora da União, tendo em vista os  recolhimentos efetuados em valores superiores aos devidos.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade do Recurso.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11030.901946/2010­34  Acórdão n.º 3802­003.533  S3­TE02  Fl. 112          3 Estando  presentes  os  requisitos  regulares  pra  o  seu  desenvolvimento,  é  de  rigor o seu processamento para análise do mérito da questão.  Mérito  A primeira questão  que  deve  ser posta  em  julgamento  é  a  possibilidade  de  afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  declarar  de  forma  inequívoca  e  definitiva  inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 ­ artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997  –  artigo  59  do  Decreto  7.574/2011).  E,  nesse  sentido,  a  Corte  Suprema  declarou  inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, notadamente ao alargamento da base  de cálculo do PIS e da COFINS, e em sede de repercussão geral RE nº 585.235/MG.  Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer  a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado.  No  que  concerne  à  compensação  tributária,  nossos  Tribunais  já  firmaram  posição sobre a matéria e nela tem­se que: “O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal,  dispõe  que  somente  a  lei  complementar  pode  tratar  de  obrigação,  lançamento  e  crédito  tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir  liquidez e certeza para ser  efetivada  a  compensação,  é  lei  complementar  e,  portanto,  fixa  pressuposto  nuclear  a  ser  cumprido  pelas  partes,  não  dispensável  por  lei  ordinária.  O  direito  de  compensar  crédito  tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exige­se que se apure previamente,  por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo  legal. Precedentes do STJ – REsp n.  111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp  98.197/RS.”  Assim, a prova da liquidez e certeza do crédito deve acompanhar o respectivo  pedido, o que, de fato, no presente feito, não se vislumbrou.   Nesse  sentido,  tendo  em  vista  o  que  dos  autos  consta,  CONHEÇO  do  presente  recurso  e  NEGO­LHE  provimento,  a  fim  de  seja  mantida  a  decisão  da  instância  inferior, por ser a decisão mais acertada.   (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator                                Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 13984.721409/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário-de-contribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), e no aviso-prévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam por excluir do lançamento as rubricas Aviso Prévio Indenizado, 1/3 de Férias, Auxílio-Doença e Auxílio-Acidente. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário-de-contribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), e no aviso-prévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 257          1 256  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13984.721409/2012­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.216  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de julho de 2014  Matéria  Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento            Recorrente  SUDATI PAINEIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BASE  IMPONÍVEL.  CONSTITUIÇÃO FEDERAL.  O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das  contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a  folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.  No  que  se  refere  à  contribuição  dos  segurados,  a  Constituição  “não  faz  qualquer  menção  aos  seus  contornos  básicos  (art.  195,  II),  exceto  quando  estipula  no  §  11  do  art.  201  que  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos  e  na  forma da lei.   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BASE  IMPONÍVEL.  LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA.  Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em  seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual  incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”  (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre  o seu “salário­de­contribuição” (parágrafo único, alínea b).   REMUNERAÇÃO.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  ABRANGÊNCIA  CONCEITUAL E LEGISLATIVA.   O  conceito  de  remuneração  permite  à  legislação  abarcar  rubricas  como  vencimento,  soldo,  subsídios,  pro­labore,  honorários  ou  qualquer  outra  espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites  da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado)  e  a  disponibilidade  (tempo  à  disposição”),  como  também  quaisquer  outras  obrigações  decorrentes  da  relação  de  trabalho,  inclusive  as  interrupções     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 14 09 /2 01 2- 21 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2 remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas  as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28  da Lei n° 8.212/91.  Quanto ao conceito de salário­de­contribuição para empregados e avulsos, a  Lei  n°  8.212/91  foi  generosa  em  termos  extensivos,  definindo­o  como  a  remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos,  devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir  o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de  inclusão, exclusão e  limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n°  8.212/91.  VERBAS  “INDENIZATÓRIAS.  QUINZE  PRIMEIROS  DIAS  DO  AFASTAMENTO  POR  AUXÍLIO­DOENÇA.  SALÁRIO­ MATERNIDADE.  REMUNERAÇÃO  DE  FÉRIAS.  ADICIONAL  DE  FÉRIAS. AVISO­PRÉVIO INDENIZADO.  Diante  da  moldura  constitucional  e  em  razão  da  amplitude  conceitual  e  legislativa dos conceitos de remuneração e salário­de­contribuição, tanto nos  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  empregado  por  auxílio­doença  ou  auxílio­acidente  (art.  60,  §  3°,  da  Lei  n°  8.213/91),  como  no  salário­ maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da  CF, e art. 129 da CLT), e no aviso­prévio indenizado (art. 487 e seguintes da  CLT),  temos  típicas hipóteses de  interrupção do contrato de  trabalho,  razão  pela  qual,  a  despeito  de  inexistir  prestação  de  serviço,  há  remuneração  e,  havendo  remuneração  paga,  devida  ou  creditada,  há  incidência  de  contribuições previdenciárias.   ADICIONAIS.  DE  FÉRIAS.  DE  HORAS  EXTRAS.  NOTURNO.  DE  INSALUBRIDADE.  DE  PERICULOSIDADE.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  O  caráter  remuneratório  dos  adicionais  de  férias  (art.  7°, XVII,  da CF),  de  horas  extras  (art.  7°,  XVI,  da  CF),  noturno  (art.  7°,  IX,  da  CF),  de  insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da  CF),  é  inequívoco,  pois  tratam­se  de  conquistas  sociais  que  nada  mais  representam  senão  uma  retribuição  legal  pelo  trabalho,  de  sorte  que  não  haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.  RECURSOS  REPETITIVOS.  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543  DO  CPC.  VINCULAÇÃO.  ART.  62­A  DO  RICARF.  DECISÕES  NÃO  TRANSITADAS EM JULGADO.  O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543­C do Código  de  Processo  Civil  (recurso  repetitivo),  estabeleceu  a  não  incidência  de  contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à  concessão de auxílio­doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas  ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.   Todavia,  a  vinculação  de  Conselheiro  ao  quanto  decidido  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  do  CPC  somente  ocorre  quanto  às  decisões definitivas de mérito (art. 62­A, do RICARF), o que somente ocorre  com  o  trânsito  em  julgado  das  decisões.  Em  sentido  semelhante,  são  os  argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13984.721409/2012­21  Acórdão n.º 2302­003.216  S2­C3T2  Fl. 258          3 Súmula  CARF  n°  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.  VEDAÇÃO.  Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, e  art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).   REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula  CARF n° 28.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral,  Juliana Campos de  Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam por excluir do lançamento as  rubricas Aviso Prévio Indenizado, 1/3 de Férias, Auxílio­Doença e Auxílio­Acidente.     (assinado digitalmente)  LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente         (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente), Arlindo da Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  Leo  Meirelles  do  Amaral  e  André  Luís  Mársico  Lombardi.     Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  improcedente  a  impugnação  da  recorrente,  mantendo  os  créditos  tributários  lançados.  Adotamos  trechos  do  relatório  do  acórdão  do  órgão  a  quo  (fls.  210  e  seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos:  Trata­se de Autos de Infração AIs lavrados contra a empresa em  epígrafe, cujos créditos tributários, conforme Relatório Fiscal de  fls. 48/53, são os descritos a seguir:  • DEBCAD 37.329.240­6 – no valor de R$ 184.121,18, período  de  10/2008  a  12/2008,  consolidado  em  19/9/2012,  referente  a  contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  da  empresa,  inclusive  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  GILRAT,  incidentes  sobre  a  remuneração paga a segurados empregados, não declarada em  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  a  Previdência  Social – GFIP;   • DEBCAD 37.329.241­4 – no valor de R$ 80.301,14, período de  10/2008  a  12/2008,  consolidado  em  19/9/2012  referente  a  contribuição  previdenciária  dos  segurados  empregados,  não  declarada em GFIP;  •DEBCAD 37.329.242­2 –no valor de R$ 45.214,79, período de  10/2008  a  12/2008,  consolidado  em  19/9/2012,  referente  a  contribuição  destinada  a  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, não  declarada em GFIP.  De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte não declarou  todos os segurados empregados em GFIP, bem como informou  a menor o total das remunerações a eles pagas ou creditadas se  comparado  com  as  informações  constantes  nas  folhas  de  pagamentos, conforme demonstrado nas planilhas anexas “BC a  Lançar  de  Segurados  Empregados”,  “Contribuição  dos  Segurados  Valor  a  Lançar”  e  “Resumo  dos  Fatos  Geradores  para Autuação”. Constituem  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  os  valores  das  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados,  constantes  das  folhas  de  pagamento  e  não  declaradas em GFIP.  A  interessada  foi  cientificada  dos  autos  de  infração  em  9/11/2012  (fls. 76/77) e apresentou  impugnação em 10/12/2012  (fls.  85/113),  acompanhada  de  documentos  (fls.  114/199),  na  qual alega, em síntese, o que segue.  (...)  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13984.721409/2012­21  Acórdão n.º 2302­003.216  S2­C3T2  Fl. 259          5   (destaques nossos)  Como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas  improcedentes,  tendo  a  recorrente  apresentado,  tempestivamente,  o  recurso  de  fls.  223  e  seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que:  * as contribuições foram lançadas sobre bases incorretas, tendo sido incluídas  como remuneração valores que são verbas indenizatórias (auxílio­doença, terço constitucional  de  férias,  horas  extras,  adicional  noturno,  insalubridade,  periculosidade,  aviso­prévio  indenizado, gratificações, entre outras);  * inexigibilidade da multa de 75% ante seu caráter confiscatório e ofensa aos  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade,  bem  como  inaplicabilidade  dos  juros  SELIC;  * impropriedade da Representação Fiscal para Fins Penais.    É o relatório.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi  Verbas  “Indenizatórias”.  Para  o  enfrentamento  da  questão  relativa  à  incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos quinze primeiros  dias de afastamento do empregado por auxílio­doença ou auxílio­acidente, assim como sobre o  salário­maternidade, as férias, o adicional de férias, as horas extras, os adicionais noturno, de  insalubridade  e  de  periculosidade,  bem  como  sobre  o  aviso­prévio  indenizado,  entre  outras,  como afirma a recorrente, é preciso investigar sobre os limites de incidência das contribuições  previdenciárias. Vejamos.  A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28  da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de salário­de­contribuição e  discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária.   Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade  de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer  que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal.  Com efeito,  conforme  já observamos em nossa dissertação de mestrado,  “o  art.  195,  I,  a,  da  CF,  estipula  os  limites  constitucionais  do  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  da  empresa,  determinando  que  incidam  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.1 No que se refere à contribuição dos segurados,  a  Constituição  “não  faz  qualquer  menção  aos  seus  contornos  básicos  (art.  195,  II),  exceto  quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão em benefícios, nos casos e na  forma da  lei. De  tal  referência extrai­se apenas o  elemento da base de cálculo”.2  Assim, pode­se concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo  ­ “folha de  salários”,  “demais  rendimentos” e  “ganhos habituais”,  sendo que este último não  deixa  de  ser  “rendimento”­  ,  “a  lei  não  pode  estabelecer  a  incidência,  salvo  mediante  a  instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195,  § 4º, da CF”. 3  E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991,  em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a  “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos  trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário­de­contribuição” (parágrafo único,  alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito  de “remuneração” e de “salário­de­contribuição”.   Entendemos  que  remuneração  “pode  ainda  abarcar  os  conceitos  de  vencimento, soldo, subsídios, pró­labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição                                                              1  A  importância  da  execução  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  no  processo  do  trabalho.  2012.  Dissertação  (Mestrado  em  Direito),  USP,  São  Paulo,  p.  54.  Disponível  em:  http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde­05122012­162954/pt­br.phpest. Acesso em 19/06/2014.  2 Idem p. 57.   3 Idem p. 68.   Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13984.721409/2012­21  Acórdão n.º 2302­003.216  S2­C3T2  Fl. 260          7 que “remunere”4, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação  (trabalho  efetivamente  prestado)  e  a  disponibilidade  (tempo  à  disposição”),  como  também  outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do  contrato de trabalho e outras conquistas sociais.   Quanto ao conceito de salário­de­contribuição para empregados e avulsos, a  Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo­o como a remuneração auferida,  “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Note­se que a Lei  não  falou  em  “contraprestação”  (uma  prestação  por  outra),  mas  sim  em  “retribuição”,  ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da  CLT,  que  faz  uso  da  expressão  “contraprestação”  ao  invés  de  “retribuição”.  Daí  Alice  Monteiro de Barros afirmar que:  preferimos  conceituar  o  salário  como  a  retribuição  devida  e  paga  diretamente  pelo  empregador  ao  empregado,  de  forma  habitual,  não  só  pelos  serviços  prestados,  mas  pelo  fato  de  se  encontrar  à  disposição  daquele,  por  força  do  contrato  de  trabalho.  Como  o  contrato  é  sinalagmático  no  conjunto  e  não  prestação  por  prestação,  essa  sua  característica  justifica  o  pagamento  do  salário  nos  casos  de  afastamento  do  empregado  por  férias,  descanso  semanal,  intervalos  remunerados,  enfim,  nas hipóteses de interrupção do contrato.  (Curso  de  direito  do  trabalho. 7ª  ed.,  São Paulo:  LTr,  2011,  p.  591)    Assim, verifica­se que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito  legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a  prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o  cotejamento  dos  conceitos  supradescritos  com  as  regras  de  inclusão,  exclusão  e  os  limites  descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação  da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a “remuneração paga ou creditada aos  segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como  art. 22, I e II, da mesma lei).  Assim,  tanto  nos  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  empregado  por  auxílio­doença  ou  auxílio­acidente  (art.  60,  §  3°,  da  Lei  n°  8.213/91),  como  no  salário­ maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da  CLT), bem como sobre o aviso­prévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas  hipóteses  de  interrupção  do  contrato  de  trabalho,  razão  pela  qual,  a  despeito  de  inexistir  prestação de  serviço,  há  remuneração e,  havendo  remuneração paga, devida ou  creditada,  há  incidência de contribuições previdenciárias.   O  caráter  remuneratório  dos  adicionais  de  férias  (art.  7°, XVII,  da CF),  de  horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII,  da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam­se de conquistas                                                              4 Ibidem p. 69 e seguintes.   Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8 sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não  haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.  Note­se  que  não  se  desconhece  a  recente  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  julgamento  do  REsp  1.230.957,  na  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  (recurso  repetitivo),  que  estabeleceu  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre a  remuneração  (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio­doença,  (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.  Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do salário­ de­contribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata  de decisão definitiva de mérito (art. 62­A, do RICARF).   Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N°  640/2014, cuja ementa é:  Art.  19  da  Lei  nº  10.522/2002.  Pareceres  PGFN/CRJ  nº  492/2010; PGFN/CRJ  nº  492/2011; PGFN/CDA nº  2025/2011;  PGFN/CRJ/CDA  nº  396/2013.  Portaria  PGFN  nº  294/2010.  Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014.   Recurso  Especial  nº  1.230.957/RS.  Recurso  representativo  de  controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543­C  do CPC   Nota  Explicativa  para  delimitação  da  matéria  decidida  e  esclarecimentos  acerca  da  aplicação  do  julgado.  Não­inclusão  do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer.   Sendo assim, entendo que o  lançamento deve ser mantido quanto à  suposta  incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas contestadas pela recorrente.    Taxa  Selic.  A  recorrente  requer  o  afastamento  da  incidência  de  juros  moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como  juros moratórios tem­se a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, do pleito da recorrente.    Multa.  Confisco.  Ofensa  aos  Princípios  da  Razoabilidade  e  da  Proporcionalidade.  Alega  a  recorrente  o  efeito  confiscatório  da  multa  isolada,  bem  como  ofensa aos princípios da razoabilidade e à proporcionalidade.  Quanto  ao  aspecto  da  inconstitucionalidade  da  multa,  tem­se  que,  sendo  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  órgão  do  Poder  Executivo,  não  lhe  compete  apreciar  a  conformidade  de  lei  validamente  editada  segundo  o  processo  legislativo  constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13984.721409/2012­21  Acórdão n.º 2302­003.216  S2­C3T2  Fl. 261          9 de declarar­lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratar­se de matéria reservada,  por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário.   Ademais,  o  Decreto  nº  70.235/72,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26­A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de  inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos  tenham  sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.  Tal  disposição  é  repetida  em  termos  semelhantes  no  art  62  do  Regimento  Interno  deste  Colegiado, Portaria MF nº­ 256/2009.   Outro  fundamento  para  a  impossibilidade  de  deferimento  dos  pleitos  da  recorrente  é  que  a  Súmula  CARF  n°  2  estabelece  que  o  “CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF  256/2006  tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do  colegiado.  Portanto, a multa deve ser mantida.    RFFP. Alega a recorrente a impropriedade da Representação Fiscal para Fins  Penais.  Realmente  consta  do  Relatório  Fiscal  que  foi  formalizado  processo  de  "Representação Fiscal Para Fins Penais".  Ocorre  que  a  súmula  CARF  nº  28,  de  observância  obrigatória,  exclui  a  competência  deste  Conselho  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Súmula CARF nº 28:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação Fiscal para Fins Penais.  Destarte, as razões recursais relativas à Representação Fiscal para Fins Penais  não devem ser apreciadas por este relator e nem pelo colegiado.  Pelas  razões  ora  expendidas,  CONHEÇO  do  recurso  para,  no  mérito  NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator              Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10                 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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Numero do processo: 10925.002190/2009-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de: I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.151.310,03; II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 271.949,98; IIII) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 189.246,46; IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.204.128,29; V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de: I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.151.310,03; II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 271.949,98; IIII) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 189.246,46; IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.204.128,29; V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 11          2 Não  se  subsume  ao  conceito  de  insumo,  os  valores  pagos  a  título  de  transferências  de  produtos  acabados  (fretes)  entre  os  diversos  estabelecimentos  da  empresa.  Os  valores  relativos  aos  gastos  com  frete  somente  geram  direito  de  descontar  créditos  da  contribuição  em questão  se  associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo  vendedor.  CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA.  COMPROVAÇÃO.  O  direito  de  descontar  créditos  decorrentes  de  despesas  de  energia  elétrica  está condicionado a efetiva comprovação das despesas.  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO.  Não  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  contribuição  os  encargos  de  depreciação  de  equipamentos  e  máquinas  que  não  foram  utilizados diretamente no processo produtivo.  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO.  Os  combustíveis  utilizados  ou  consumidos  diretamente  no  processo  fabril  geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não­ cumulativa,  todavia  o  reconhecimento  dos  créditos  está  condicionado  a  efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são  utilizadas efetivamente no processo produtivo.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado,  no sentido de:   I)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.151.310,03;   II)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 271.949,98;   IIII)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  aos  serviços  caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 189.246,46;   IV)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  despesas  de  fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.204.128,29;  V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas  aquisições de insumos de pessoa jurídicas.  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 12          3 Vencidos  os  Conselheiros  Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Antônio  Caliendo  Velloso  da  Silveira  e  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  que  davam  provimento  integral  nas  seguintes matérias:  embalagens, material  de  conservação e  limpeza e  fretes. Fez  sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908.      (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 13          4 Relatório  Adota­se  o  relatório  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento, que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  créditos  de Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  não­cumulativa,  no  valor  de  R$  1.891.025,67,  decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em  razão  de  vendas  efetuadas  com  alíquota  zero,  não  incidência,  isenção  ou  suspensão  da  contribuição,  que  remanesceram  ao  final  do  terceiro  trimestre  de  2005,  após  as  deduções  do  valor  das contribuições a recolher, concernentes às demais operações.  Termo de Verificação Fiscal   Na apreciação do pleito, manifestou­se a Delegacia da Receita  Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendo­o  com  base  no  não  acatamento  da  apuração  de  créditos  em  relação às seguintes operações:   (a) aquisições de bens para revenda:  foram excluídos da  linha  01 do Dacon os valores dos bens adquiridos de pessoas físicas e  os  valores  referentes  às  aquisições  de  insumos  ou mercadorias  sujeitas  à  alíquota  zero,  os  quais  não  dão  direito  a  crédito,  como: adubos, sementes, semens, entre outros;   (b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: relata  a Autoridade Fiscal que foram excluídos da linha 02 do Dacon a  diferença havida entre o valor informado na memória de cálculo  e  o  informado  no  Dacon  e  os  valores  das  notas  fiscais  de  aquisição de materiais não enquadrados como insumos (listadas  no  Anexo  II),  mas  correspondentes  a  “despesas  gerais,  necessárias  as  operações  industriais  e  comerciais  normais  de  qualquer  estabelecimento  industrial/comercial,  sem  direito  a  crédito das contribuições relativas ao PIS e à Cofins”. Conforme  o relato fiscal os materiais são:  a) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme  stretch,  bobina  lisa  encolhí­vel,  entre  outros.  Em  diligência  a  empresa,  no  dia  17  de  dezembro  de  2009,  verificou­se  que  as  embalagens apresentadas como cx"s, filmes e etc são utilizadas  no acondicionamento para transportes das mercadorias;  b) Aquisição de produtos com alíquotas  zero: Citrato de  sódio,  nisina;  c)  Peças  em  geral: Adaptador,  adesivo,  bucha,  broca,  correia,  cotovelo,  disjuntor,  joelho,  lâmpada,  parafuso,  pilha,  porta,  retentor, rolamentos, e etc;  d) Material de Construção: Cimento, areia, ferragem, e etc;  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 14          5 e)  Conservação  e  limpeza:  Acido  nítrico,  soda  liquida,  detergente, e etc;  f) Outros itens: baralho, boné, avental, cadeado, grama, e etc;  (c)  aquisições  de  serviços  –  valores  excluídos  da  “Linha  03  ­  Serviços utilizados como insumos”: relata a Autoridade Fiscal  que  a  contribuinte  não  apresentou  a  memória  de  cálculo  conforme solicitado por meio de intimação fiscal, não tendo sido  informado o CNPJ do fornecedor a descrição ou nome comercial  do  serviço,  razão  pela  qual  restou  impossível  determinar  o  enquadramento ou não dos serviços como insumos;    (d)  energia  elétrica:  foram  glosadas  as  despesas  com  energia  elétrica referentes aos meses de agosto e setembro por não terem  sido apresentados os respectivos comprovantes;  (e)  frete na operação de  venda –  valores  excluídos da “Linha  07  ­Despesas  de  Armazenagem  e  Fretes  na  Operação  de  Venda”:  relata  a Autoridade Fiscal  que  a memória de  cálculo  apresentada  pela  requerente  não  contemplam  as  informações  solicitadas  por  meio  da  Intimação  Saort;  não  foi  informado  o  campo número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios  Tirol, referente a cada frete na operação de venda. Conclui que,  em face disto, restou totalmente prejudicada a análise do direito  de crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas,  devido a impossibilidade de se estabelecer a correlação entre a  nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda.   Relata, ainda: que foi solicitado por amostragem algumas notas  fiscais  que  compõem  o  valor  informado  a  título  de  fretes  nas  operações de venda; que algumas notas indicadas na intimação  não  foram  trazidas;  e  que  dentre  as  cópias  apresentadas,  verificam­se notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete  na  venda  de  mercadorias  e  frete  entre  estabelecimentos  da  empresa  Lacticínios  Tirol,  em  relação  ao  qual,  acrescenta  que  não há previsão legal para creditamento;  (f)  depreciação  de  bens  do Ativo  Imobilizado:  foram  glosados  valores referentes a encargos de depreciação/amortização sobre  bens  adquiridos  antes  de  01/05/2004,  correção  monetária  do  imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de  transportes,  veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não  são utilizados na produção de bens destinados à venda;   (g) outras operações com direito de crédito: relata a Autoridade  Fiscal  que  foi  glosado  o  valor  referente  a  despesas  com  combustível  e/ou  lubrificantes,  informado  na  linha  13  das  fichas 06 e 12 do Dacon, em razão de os produtos indicados na  memória  de  cálculo  apresentada  não  consistirem  de  insumos;  informa que o valor informado na memória de cálculo é inferior  ao valor informado no Dacon;  Além  das  glosas  acima,  a  Autoridade  Fiscal  também  glosou  a  diferença  verificada  entre  os  valores  referentes  ao  crédito  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 15          6 presumido informados na memória de cálculo apresentada pela  contribuinte e os informados no Dacon.  Manifestação de inconformidade   1.  A  contribuinte,  inicialmente,  alega  ilegalidade  das  glosas  procedidas  pela  Autoridade  Fiscal  em  face  da  ofensa  ao  Princípio  da Não­Cumulatividade,  “termo  utilizado  pelo  §  12,  do  art.  195  da CF/88”. Nesse  sentido,  argumenta  que,  como a  contribuição  para  o  PIS  e  a  Cofins,  a  teor  das  leis  n°  10.637/2002 e 10.833/2003,  incidem sobre “o total das receitas  auferidas  pela  pessoa  Jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil”,  seus  respectivos  créditos  também  devem  ser  calculados  sobre  os  custos  e  despesas  gerais  necessários  à  obtenção  das  receitas  e  não  somente  sobre  insumos  e  bens  adquiridos  para  revenda,  sob  pena  de  tornar  tais  contribuições  cumulativas,  ainda  que  em  parte, numa “clara infração ao art. 111 do CTN”.  2.Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços  utilizados  como  insumos  argumentando  que  os  dispositivos  legais  que  tratam  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  referem­se  a  insumos  em  sentido  amplo,  sem  quaisquer  restrições.   Bens utilizados como insumos   3.  Segue  contestando  as  glosas  dos  valores  referentes  a  aquisição de embalagens para transporte dizendo que “Os itens  glosados  pela  fiscalização  (caixas  de  papelão,  filme  stretch,  bobinas  lisas  termo  encolhível,  garrafas,  entre  outros)”  aplicados ao final do processo de industrialização consistem de  embalagens  de  apresentação,  não  podendo  ser  considerados  como  embalagens  utilizadas  apenas  para  o  transporte.  Explica  que  o  processo  de  acondicionamento  ao  qual  o  leite  e  seus  produtos  derivados  são  submetidos  possui  o  objetivo  de  promover  o  produto  através  de  sua  apurada  apresentação  aos  olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua  integridade.  A  fim  de  demonstrar  o  que  defende  traz  fotos  das  referidas embalagens – (Doc. 05).  Em  que  pese  esta  alegação,  argumenta  ainda:  ­  que  as  embalagens,  mesmo  que  possam  ser  consideradas  como  utilizadas  apenas  para  transporte  de  produtos  industrializados  são  insumos  consumidos  na  fase  final  da  industrialização  (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; ­  que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram  o custo final do produto, da mesma forma que a matéria­prima; ­  que  a  legislação  que  trata  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins não faz distinção entre as “embalagens de apresentação”  e  as  “embalagens  para  transporte”,  não  cabendo,  portanto,  à  fiscalização  desconsiderar  as  disposições  normativas,  impondo  restrições  ao  desconto  de  créditos  sobre  as  aquisições  de  embalagens destinadas ao transporte, quando a  lei não o  fez; ­  que  a  distinção  entre  embalagem  de  apresentação  e  para  transporte, estabelecida no caput do art. 6º Regulamento do IPI  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 16          7 (Imposto  sobre  Produtos  Industrializados),  aprovado  pelo  Decreto n° 4.544/2002, é válida somente “Quando a incidência  do  imposto  estiver  condicionada  à  forma  de  embalagem  do  produto”  e  não  pode  ser  transposta  para  o  âmbito  da  não­ cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins.  4.A  interessada  contesta  a  glosa  dos  valores  de  aquisição  de  citrato  de  sódio  e  de  nisina  defendendo  que  tais  produtos,  enquanto “estabilizante de proteína utilizado nos produtos UHT  e  também  no  doce  de  leite”  e  “conservante  utilizado  em  requeijão”, são produtos utilizados como insumo na elaboração  e  ou  beneficiamento  de  laticínios.  Argumenta,  ainda,  que  a  Autoridade  Fiscal  classifica  tais  produtos  como  tributados  à  alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal infringido  em que se baseia.   5. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em  geral – os quais lista como “(adaptador, adesivo, bucha, broca,  correia,  cotovelo,  disjuntor,  joelho,  lâmpada,  mangueiras,  parafuso,  pilha,  porta,  retentor,  rolamentos,  etc)”  ­,  sob  o  argumento  de  que  tais  bens  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos,  inicialmente  a  contribuinte  alega  que  a  Autoridade  Fiscal  “não  aponta  com  exatidão  todos  os  bens  glosados  sob  este  fundamento  e  sequer  quantifica  o  montante  dos  créditos  glosados,  prejudicando o direito de defesa do Contribuinte”. A  seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas  da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição  de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua  linha de produção, conforme lista em planilha que traz em anexo  – Doc. 07.  Segue, então, argumentando que referidos materiais destinam­se  à  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  fabricação  de  laticínios,  com  o  objetivo  de  garantir  que  a  sua  linha de produção opere  com o nível  de desempenho desejado,  proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que  a  possibilidade  de  desconto  de  créditos  sobre  os  materiais  de  manutenção  está  amparada  pelo  art.  3º,  inciso  II  da  Lei  n°  10.833/2003 e pelo art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da Instrução  Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta  n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de  Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09.  6.Em  relação  à  glosa  de  valores  relativos  às  aquisições  de  produtos de conservação e limpeza – os quais lista como (ácido  nítrico,  soda  líquida,  detergente,  etc.)”  ­,  reclama  que  “Da  mesma  forma  como  descrito  no  item  anterior,  não  houve  a  adequada individualização de todos os produtos e do respectivo  montante  glosado no Termo de Verificação e Encerramento  da  Análise  Fiscal”  e  diz  que  apresenta  em  anexo  planilha  com  relação dos referidos produtos (Doc. 08). Traz um quadro onde  lista  os  produtos  e  sua  destinação,  e  menciona  a  Solução  de  Consulta n° 13, de 06 de janeiro de 2010, da DISIT 08, por meio  da qual, argumenta, a Secretaria da Receita Federal afirma que  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 17          8 a  Contribuinte  tem  direito  de  incluir  na  base  de  cálculo  da  COFINS não­cumulativa os produtos de limpeza.  7. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros  produtos utilizados  como  insumos. Alega que, ao  contrário do  que  afirma  a  Autoridade  Administrativa,  o  produto  descrito  como  MAXILACT  LX­5000,  que  alega  consistir  de  “ensima  ‘lactase’  utilizado  no  processo  de  elaboração  do  doce  de  leite  para hidrolisar a lactose”, consiste de insumo gerando direito a  crédito.  Serviços utilizados como insumos   8.A interessada, inicialmente, informa que, intimada para tanto,  apresentou a memória de cálculo do valor informado a título de  serviços  utilizados  como  insumo  e  que,  por  esta  ter  sido  apresentada  em  desconformidade  com  o  solicitado,  foi  novamente intimada, agora a apresentar uma amostra das notas  fiscais  de  serviços.  Em  atendimento  apresentou  as  cópias  das  notas solicitadas, juntadas às folhas 345/348, que comprovam a  aquisição  do  respectivo  serviço.  Salienta  que  os  documentos  fiscais  foram  soliciados  por  amostragem  pela  própria  Autoridade Fiscal que, então, agiu de forma arbitrária ao glosar  todo o valor informado a esse título, desconsiderando, inclusive,  os  documentos  fiscais  apresentados.  Por  fim,  pugna  pela  realização  de  diligência,  caso  se  entenda  que  os  documentos  acostados não sejam suficientes a comprovar o que pretende.  9.Em relação as despesas com energia elétrica, argumenta que  os pagamentos foram devidamente escriturados no Livro Diário  (Doc.  09)  e  que  este  livro  somado  as  cópias  das  faturas  (Doc.  10), mostram­se suficientes para comprovar a despesa.  10.  Em  relação aos  fretes  nas  operações  de  venda,  alega  que,  conforme  consta  do  termo  fiscal,  em  atendimento  a  Intimação  SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido  pela  própria  Autoridade,  comprovando  as  aquisições  dos  serviços  de  fretes.  Conclui,  então,  que  a  Autoridade  Fiscal,  apesar  de  reconhecer  a  existência  das  mencionadas  notas  fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas  operações de venda, desconsiderando,  inclusive, os valores das  notas fiscais que já se encontram anexadas ao presente processo.  11.Defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os  valores  dos  fretes  na  aquisição  de  insumos,  fretes  de  transferências  de matéria­prima  entre  os  estabelecimentos  da  própria  empresa  (pontos  de  coleta  do  leite  e  a  indústria)  está  assegurado em lei e argumenta que a inclusão de tais valores na  linha do Dacon própria para  informar  fretes na  venda  trata­se  de  mero  equívoco,  que  não  pode  obstar  a  manutenção  dos  créditos a que tem direito.  12.Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre  os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de  venda,  a  contribuinte  alega  que  os  custos  com  tais  fretes  consistem  de  despesas  de  venda,  pois  a  operação  é  realizada  Fl. 997DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 18          9 com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado.  Aduz  que  a  despesa  de  frete  na  venda  pode  ocorrer  de  forma  direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente  para  o  estabelecimento  do  adquirente,  ou  de  forma  indireta,  como  é  o  caso,  quando  os  produtos  são  remetidos  do  estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que “O  envio  do  produto  final  para  os  ponto  de  venda  é  uma  etapa  essencial à  sua comercialização,  sem o qual não seria possível  fornecê­los às mais diversas e longínquas regiões do país”.   Encargos de Depreciação   12.Em  relação  à  glosa  dos  encargos  de  depreciação,  defende  que  é  indevida  a  glosa  relativa  a  uma  parcela  dos  bens  que,  conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo,  são  indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da  descrição  de  sua  aplicação/destinação  constante  da  planilha  (Doc.  11)  e  das  respectivas  imagens  que  anexou  ao  presente  processo (Doc. 12).   Defende que, de acordo com o parecer normativo nº 7, de 23 de  julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação – CST  ­  definiu  quando  uma  máquina  ou  equipamento  é  utilizado  no  processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na  esfera do imposto de renda e IPI ­, consideram­se utilizados na  produção  as  máquinas  e  os  equipamentos  "empregados  na  produção  industrial,  em  contraposição  aos  de  utilização  comercial  ou  de  uso  doméstico".  Conclui,  então,  que  como  os  bens  indicados  são máquinas  e  equipamentos  incorporados  ao  ativo  imobilizado  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  (e  não  para  fins  comerciais  ou  domésticos),  e  foram  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  Brasil,  dão  direito a crédito,  já que preenchem todos os requisitos  legais a  sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade  Fiscal, “sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a  singela  alegação  de  que  os  equipamentos  e  máquinas  apresentadas  pela  Recorrente  nos  pedidos  administrativos  não  são utilizados na produção de seus bens destinados à venda”.  Combustíveis e lubrificantes   13.Em relação aos combustíveis e lubrificantes, cujos valores de  aquisição, informados como “Outras Operações com Direito de  Crédito”, foram glosados, alega que tais produtos consistem de  insumos  consumidos  no  processo  de  fabricação  dos  produtos  vendidos.  Diz  que,  a  fim  de  comprovar  que  a  aquisição  dos  produtos “constitui em custo de produção”, traz em anexo cópia  do  Livro Diário  e  o  plano  de  contas  (Doc.  09)  que  “atesta  os  efetivos  dispêndios  ,  bem  como  que  as  referidas  aquisições  representam custo de produção”.  Requer  que  seja  julgada  procedente  a  Manifestação  de  Inconformidade e reformado o Despacho Decisório.  Fl. 998DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 19          10 A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa  abaixo transcrita:  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE   No  âmbito  específico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação minudente da existência do direito creditório.  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO.  A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins,  apurados  na  sistemática  da  não­cumulatividade,  é  estabelecida  pelo  contribuinte  por  meio  do  DACON,  não  cabendo  a  autoridade  tributária,  em  sede  do  contencioso  administrativo,  assentir  com  a  inclusão,  na  base  de  cálculo  desses  crédito,  de  custos e despesas não informados ou incorretamente informados  no respectivo DACON.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  HIPÓTESES  DE  CREDITAMENTO.  A  legislação  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços  tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem  destinado à venda,  somente dão direito à crédito as despesas e  os encargos expressamente previstos na legislação de regência.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONCEITO  DE  INSUMOS.   No  regime  da  não­cumulatividade,  só  são  considerados  como  insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda;  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no País,  aplicados  ou consumidos  na  produção ou  fabricação do produto.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  EMBALAGENS.  CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Apenas  as  embalagens  que  se  caracterizam  como  insumos,  ou  seja, que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão  direito  a  crédito.  As  embalagens  que  não  são  incorporadas  ao  Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 20          11 produto durante o processo de industrialização (embalagens de  apresentação),  mas  apenas  depois  de  concluído  o  processo  produtivo  e  que  se  destinam  tão­somente  ao  transporte  dos  produtos  acabados  (embalagens  para  transporte),  não  podem  gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  FRETES  NA  OPERAÇÃO  DE  VENDA.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da  legislação,  somente  dará  direito  a  crédito  o  frete  contratado  relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito,  portanto,  o  frete  relacionado  ao  mero  deslocamento  dos  produtos  acabados  do  estabelecimento  industrial  até  o  estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá  a efetiva venda.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Das  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  somente  os  que  estejam  diretamente  associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito,  a  título  de  depreciação,  no  âmbito  do  regime  da  não­ cumulatividade.  REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE  MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE  CREDITAMENTO.  As  partes  e  peças  adquiridas  para  manutenção  de máquinas  e  equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos,  permitindo  o  desconto  do  crédito  correspondente  da  contribuição,  devem  ser  consumidas  em  decorrência  de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação/beneficiamento,  e,  ainda,  não  podem  representar  acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem  aplicadas.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Somente  dão  direito  a  crédito  no  âmbito  do  regime  da  não­ cumulatividade,  as  aquisições  de  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção  ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  Discordando da decisão  de primeira  instância,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações  suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que:    Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 21          12 PRELIMINAR  ­  TARIFAÇÃO  DAS  PROVAS  ­  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  REAL  E  AMPLA  DEFESA  ­  DESCONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS  PELA CONTRIBUINTE:  ­ o acórdão recorrido, em manifesto equívoco, faz uma tarifação  de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos  que comprovam a existência do direito creditório da Recorrente,  exigindo  outras,  desnecessárias  ou  impossíveis  de  serem  cumpridas;  ­ a tarifação de provas promovida pela Delegacia de Julgamento  conflita  com  o  princípio  de  que  todas  as  provas  em  direito  admitidas  são,  em  regra,  hábeis  a  comprovar  a  existência  ou  inexistência de um fato jurídico;  ­  o  princípio  da  verdade  real  ou material  que  rege  o  processo  administrativo  recomenda  uma  análise  acurada  dos  elementos  de prova com vistas à realidade dos fatos e não uma verificação  meramente  formal  e  que  atenda  eventual  comodidade  do  julgador;  ­  a  resistência  da  autoridade  julgadora  a  análise  dos  documentos  apresentados  afronta  aos  princípios  da  verdade  real,  da  oficialidade,  da  legalidade,  da  proporcionalidade,  do  informalismo  e  do  interesse  público,  os  quais  devem  ser  observados  pela  administração  pública  por  expressa  previsão  constitucional   QUANTO  AO  PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE  ­  NOÇÃO GERAL DE SEU OBJETIVO:  ­  a  autoridade  julgadora  emprega,  entretanto,  interpretação  restritiva  incompatível  com  o  desiderato  da  não­ cumultatividade;  ­  a  violação  à  não­cumulatividade  se  dá  por  ofensa  às  leis  ordinárias  que  regulamentaram  a  não­cumulatividade  constitucionalmente previstas,  como será demonstrado em cada  item específico;  QUANTO AO CONCEITO DE INSUMOS:  ­  A  Autoridade  Julgadora  utilizando  legislações  diversas  da  matéria em comento, cria óbices  ilegais ao aproveitamento dos  créditos de PIS e de COFINS não­cumulativos;  ­  a uma, porque o  fato gerador do PIS e da COFINS é auferir  receitas, já o do IPI é a industrialização do produto submetido à  circulação e consumo;  ­  a  duas,  porque  tanto  o  IPI  como  o  PIS/COFINS  possuem  legislações  específicas  quanto  as  suas  regras  de  incidência  e  possibilidades  de  creditamento  e,  portanto,  não  devem  ser  submetidos a apreciações sob a ótica de semelhança com outros  tributos;  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 22          13 QUANTO AS AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE EMBALAGENS  APLICADAS  AOS  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  PELA  RECORRENTE:  ­ é  também importante antecipar que a legislação específica do  PIS/COFINS, não distingue embalagens para simples transporte.  A  interpretação  meramente  literal  das  Leis  nºs.  10.637/2002  e  10.833/2003,  assim  como  das  Instruções  Normativas  nºs.  47/2002  e  404/2004,  desautorizam  completamente  as  ilações  tiradas pela relatora em seu voto;  ­ a "agregação" do material de embalagem ao produto é criação  subjetiva  das  autoridades  fiscais,  acatadas  no  julgamento  sem  amparo legal;  ­ ora, a distinção entre embalagens de apresentação e transporte  é importante para o IPI apenas e tão somente para caracterizar  industrialização,  mas  não  é  determinante  para  assegurar  os  descontos de créditos de PIS/COFINS;  ­  não  tem  nem  lógica  e  nem  o  menor  sentido  exigir  que  as  embalagens para gerar direito ao crédito necessitem se agregar  fisicamente ao produto durante o processo de fabricação;  QUANTO AS  AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE  REPOSIÇÃO  (PEÇAS EM GERAL)  ­  as  peças  de  reposição  são,  em  sua  maioria,  adquiridas  de  fornecedores  que  vendem  as  máquinas  utilizadas  no  processo  fabril dos produtos lácteos, tais como:  a)  peças  adquiridas  da  empresa  Tetra  Pak  Ltda.  que  vende  máquinas de envase e equipamentos de processamento.  b) materiais  de manutenção obtidas  da  empresa Gea Westfalia  Separator Do Brasil  Indústria  de Centrífugas  Ltda.,  que  vende  máquinas centrífugas;  ­ não há que se falar em ausência de prova de sua utilização na  atividade da empresa.  QUANTO  AS  AQUISIÇÕES  DE  PRODUTOS  DE  CONSERVAÇÃO E LIMPEZA   ­  o  uso  dos  produtos  de  conservação  e  limpeza  é  essencial  à  atividade  da  contribuinte  que  produz  alimentos  derivados  do  leite. A higiene e a sanidade de seus produtos é indispensável e  faz parte de todo o processo da sua cadeia produtiva, altamente  fiscalizada e regulamentada pelos órgãos oficiais credenciados a  zelar pela saúde pública.  QUANTO AOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS:  ­ a autoridade julgadora, bem como, a Autoridade Fiscalizadora  apegam­se ao equívoco cometido pela Contribuinte no momento  da  informação  no  DACON  e  por  esse  motivo  indeferem  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 23          14 totalmente o direito ao crédito sobre os serviços utilizados como  insumos informados na linha 03;  ­ é inadmissível o indeferimento, pois as autoridades não chegam  nem a analisar o crédito e já o indeferem em função de um erro  de preenchimento no DACON, e afirmam que o reconhecimento  do crédito limita­se ao escopo do que consta lá informado;  DIREITO  AO  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  SOBRE  OS  SERVIÇOS GERAIS:  ­  os  serviços  de  manutenção  industrial,  resfriamento  de  leite,  análise  laboratoriais,  armazenagem,  locação  de  equipamentos  industriais  e  outros  serviços  prestados  à  Recorrente  correspondem  a  serviços  essenciais  ao  processo  produtivo  do  parque fabril da empresa, conforme comprovam as notas fiscais  juntadas  por  amostragem  e  as  planilhas  apresentadas  com  a  Manifestação de Inconformidade;  ­  não  há  dúvidas  que  os  serviços  utilizados  no  processo  produtivo  pela  Recorrente  constituem  custo  de  aquisição  de  insumos, aumentando o custo de produção e contribuindo para a  formação do preço do produto e, consequentemente, da receita;  ­ em momento algum o legislador vedou o direito ao desconto de  créditos da COFINS sobre os serviços aplicados ou consumidos  na produção ou fabricação de bens destinados à venda.  QUANTO  AS  AQUISIÇÕES  DE  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES INFORMADOS NA LINHA 13 DO DACON   ­  a  Recorrente  informou  erroneamente  na  linha  13  ­  Outras  Operações  com  Direito  a  Crédito,  as  suas  aquisições  de  combustíveis  e  lubrificantes,  insumos  que  são  empregados  intrinsecamente no processo de fabricação de laticínios;  ­ discorda do procedimento fiscal, entendendo correto o cômputo  de tais valores na base de cálculo de créditos da COFINS;  ­ o parque fabril é o lugar onde a matéria­prima é transformada  no  produto  final.  Desta  forma,  todo  o  combustível  gasto  na  movimentação  de  matéria­prima,  produtos  em  elaboração,  produto  acabado,  etc.  é  caracterizado  como  insumo,  pois  seu  custo integra o custo  final do produto, assim, sua possibilidade  de crédito tem previsão expressa na legislação da COFINS, não  podendo ser excluído da base de cálculo que enseja a apuração  dos créditos;  são  insumos  essenciais  à  movimentação  de  máquinas  e  equipamentos  que  são  utilizados  diretamente  no  processo  produtivo.  Por  fim  requer  que  seja  julgado  procedente  o  presente  Recurso Voluntário  para  reformar  o  acórdão  recorrido,  reconhecendo  a  existência  dos  créditos  em  favor  da  Contribuinte, em respeito ao princípio da não­cumulatividade, insculpido no art. 195, §12, da  Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 24          15 Constituição Federal, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos  itens (artigos) retro expostos.  Requer,  ainda,  que  as  intimações  relativas  a  atos  e  termos  do  presente  processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado  nos autos, no endereço constante do mandato.  Em face das alegações da recorrente, o processo foi convertido em diligência  para que a Delegacia de origem procedesse conforme abaixo indicado.  1. Intime a contribuinte a:  1.1  Discriminar  (relacionar)  quais  os  itens  se  referem  efetivamente  a  embalagens  de  apresentação  de  produto  que  foram alocados, erroneamente, como embalagens de transporte,  demonstrando,  com  clareza  de  detalhes,  a  função/utilização  de  cada item e não apenas de forma consolidada.  1.2 Detalhar (discriminar) quais das peças relacionadas no item  1.2 (Materiais de Reposição Peças em geral) foram aplicadas na  manutenção de máquinas/equipamentos usadas na fabricação de  bens destinados à venda, demonstrando a utilização (função) de  cada item.  1.3  Detalhar  (discriminar)  quais  dos  serviços  relacionados  no  item  1.3  (Serviços  utilizados  como  Insumos)  estão  diretamente  relacionados  com  o  processo  produtivo  da  empresa,  ou,  no  mínimo, quais são indispensáveis à produção de bens destinados  à venda.  A  DRF  de  origem  atendeu  o  solicitado  na  Resolução  e  por  meio  de  Informação Fiscal esclareceu:  1.1 Embalagens de apresentação – Embalagens de transporte  Pelos  documentos  fotográficos  juntados,  na  hipótese  de  haver  perfeita  coincidência entre a descrição constante das planilhas com o que deve estar contido no corpo  das respectivas notas fiscais – a contribuinte não juntou nenhuma nota fiscal neste sentido, as  embalagens  relativas  aos  itens  1  a  11  têm  características  de  serem  classificadas  como  embalagens  de  apresentação  por  agregar  valor  comercial  ao  produto  através  de  sua  apresentação  objetivando  valorizar  o  produto  em  razão  da  qualidade  do  material  nele  empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade  adicional. Em alguns  casos,  em verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não é possível vender leite ou  iogurte,  sem  a  respectiva  embalagem,  uma  vez  que  estes  produtos  encontram­se  em  estado  líquido. Neste sentido, portanto, as embalagens nestas condições somariam o montante de R$  2.153.013,66  –  arquivo  digital  “item  1.1  –  b)Arquivo  com  as  imagens  fotográficas  das  embalagens de apresentação.pdf”  Todavia, deve­se descontar desta importância o valor de R$ 23.773,78, uma  vez que, aparentemente, por erro de grafia, teriam computadas em duplicidade as notas fiscais  nº 1392, 106661, 106661, 106661, 106661, 4416, 4431 e 4438, respectivamente, nos valores de  R$  1.703,63,  32.40,00,  4.320,00,  1.134,90,  1.445,24,  4.680,00,  3.625,00  e  3.625,00,  respectivamente.  Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 25          16 Diferentemente,  as  embalagens  relacionadas  nos  itens  12  a  31  do  arquivo  digital “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam características de embalagens de transporte  por não manter contato direto com o produto. Meras caixas para acondicionamento, para fins  de transporte. De modo algum se podem classificar as embalagens nestas condições (itens 12 a  31) com as embalagens de apresentação, ainda que tragam informações sobre os produtos ou  marca, uma vez que sua função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de servir  como  caixas  ou  engradados  que  transportam  quantidades  daquele  produto,  constituído  pela  matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o “iogurte” não  se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas.  Não nos é possível ignorar, portanto, a dessemelhança entre a embalagem do  produto,  em  sentido  estrito,  e  os  invólucros  maiores,  destinados  a  conter  unidades  daquele  produto  em  seu  acondicionamento  para  armazenamento  e  transporte.  Estes  não  integram  o  produto,  e  não  devem  integrar  a  base  de  cálculo  do  crédito  das  indigitadas  contribuições  sociais.  1.2 Material de reposição – peças em geral.  Na  relação  de  peças  e  materiais  de  reposição  (arquivo  “item  1.2  Peças  e  materiais  de  reposição.pdf”)  que  teriam  sido  aplicados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos  ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos  usados  na  industrialização  de  seus  produtos.  Por  esta  razão,  não  poderiam  ser  levadas  diretamente  a  conta  de  despesa  e,  portanto  computadas  na  base  de  cálculo  dos  créditos  das  contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras  depreciações.  Na  relação  de  peças  e  materiais  de  reposição  (arquivo  “item  1.2  Peças  e  Materiais de reposição aplicados na manutenção de maq.e equipamentos.pdf”) relativamente ao  mês de agosto de 2005, verifica­se que a contribuinte computou em duplicidade diversas notas  fiscais, uma vez que há coincidência entre o CNPJ emissor, o nome do fornecedor, a data de  aquisição,  o  valor  da  compra,  a  descrição  da  mercadoria,  a  função  do  bem  e  o  setor  de  contabilização, devendo ser excluído, portanto o montante de R$ 37.294,09.  1.3 Serviços  Na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com  o  processo  produtivo  (arquivo  “Item  1.3  a)  Serviços  utilizados  como  insumos  relacionados  diretamente com o processo produtivo.pdf”) verifica­se que a contribuinte computou na base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  aos  “serviços”  que  não  tem  relação  direta  com  o  processo  produtivo, a exemplo de: curso técnico e treinamento para colaboradores da indústria, serviço  de detetização da indústria, serviços de manutenção elétrica em equip/máquinas gerais, serviço  de manutenção de balança rodoviária para pesagem de caminhões, etc, que a teor da legislação  vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 41.496,72.  Na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com  o  processo  produtivo  (arquivo  “Item  1.3  b  ­  Demais  serviços.pdf”)  verifica­se  que  a  contribuinte computou na base de cálculo dos créditos “demais serviços” que não tem relação  direta  com  o  processo  produtivo,  a  exemplo  de:  serviço  de  medicina  do  trabalho,  serv.manutenção,  conservação,  monitoramento  de  segurança  de  pátios,  etc,  que  a  teor  da  legislação vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 24.866,83.  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 26          17 Na relação de serviços utilizados como insumo relacionado diretamente com  o processo produtivo  (arquivo “Item 1.3  c) Serviços  cuja  função não  foi  identificada.pdf”) a  contribuinte  esclarece  que  não  foi  possível  identificar  a  “função”  de  alguns  serviços  relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja: não logrou a interessada atender a  solicitação de demonstrar e co­relacionar o serviço com o processo produtivo. Nesta situação  foram apontados serviços no montante de R$ 211.824,94.  1.4 Despesas de armazenagem e frete na operação de venda  Na  relação  de  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  utilizados  como  insumo  (arquivo  “Item  1.4  e  –  Transferência  prod.acabado.pdf”)  a  contribuinte  pretende  seja  confirmado  o  crédito  em  relação  ao  frete  interno  entre  o  estabelecimento  fabril  e  o  estabelecimento que efetuará a venda, o que não teria amparo na legislação de regência.  Com  efeito,  note­se  que  os  dispêndios  com  fretes  realizados  por  terceiros  para  transferência  de  produto  acabado,  entre  unidades,  apesar  de  serem  considerados  como  custos de transporte e, por conseguinte, passíveis de dedução na apuração da base de cálculo do  IRPJ (Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido), não se subsumem no conceito de insumos a que se referem as Leis nº 10627/2002 e  10833/2003, porquanto apenas aquilo que é consumido ou aplicado diretamente na fabricação  ou  produção  dos  bens  da  interessada  pode  ser  considerado  insumo,  não  alcançado os  gastos  efetuados após a conclusão da industrialização – etapa posterior.  De outro  lado, cabe destacar que os custos e/ou despesas de transportes em  exame não estão relacionados a fretes decorrentes de operação de venda, uma vez que a venda  ainda é uma perspectiva, ela não se concretizou ainda (pode ser que ocorra ou não) nos termos  do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Estão nesta situação os gastos no montante de  R$ 5.610,00.  Na  relação  de  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  utilizados  como  insumo  (arquivo  “Item  1.4 m)  Compra  imobilizado.pdf”)  a  contribuinte  pretende  seja  confirmado  o  crédito em relação ao frete que teria sido pago em operações de compra de bens integrantes do  ativo imobilizado, sem que acha previsão legal para tanto.  Havendo  ocorrido  a  incorporação  ao  ativo  imobilizado  das  edificações  ou  suas  reformas,  construções  ou  ampliações  e  das  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  produção, os fretes (serviço) devem ser agregados aos respectivos bens, uma vez que passam a  integrar o seu custo, sendo passível o aproveitamento dos créditos, apenas, em relação aos bens  que tenham relação com o produto em fabricação, melhor dizendo, que ele pertença à linha de  produção,  na  forma  de  futuras  depreciações.  Neste  sentido,  não  cabe  o  crédito  sobre  o  montante de R$ 11.455,73.  A  contribuinte  foi  devidamente  cientificada  do  teor  da  diligência,  tendo  se  manifestado no prazo que lhe foi concedido.  Discordando  da  informação  fiscal  feita  pela  autoridade  fiscal,  a  recorrente  inicialmente  pugna  pela  apreciação  pela  turma  julgadora  do  conteúdo  da  mídia  que  se  encontrada  juntada  ao  processo  nº  10925.000034/2013­59  sob  pena  de  caracterizar  cerceamento de defesa.  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 27          18 Pontua  que  a  planilha  elaborada  pelos  Auditores­Fiscais  apresenta  alguns  dados  incorretos  e  não  demonstra  alguns  arquivos  digitais  que  foram  apresentados  pela  recorrente. Apresenta quadro discriminando os erros das autoridades fiscais.  Quanto  ao  item  1.1  “Embalagens  de  apresentação  ­  Embalagens  de  transporte”, alega que do valor total das embalagens consideradas pela Autoridade Fiscal como  sendo de apresentação R$ 2.153.013,66, só deve ser deduzido o valor de R$ 1.703,63, relativo  a  nota  fiscal  n°  1392,  e  não  o  valor  de  R$  23.773,78,  relativo  a  todas  as  notas  fiscais  em  duplicidade.   Em  relação  às  embalagens  consideradas  como  sendo  de  transporte,  as  autoridades apresentam informações parciais e imprecisas, tais como:  ­  as  informações  não  demonstram  todas  as  características,  a  função,  a  descrição do processo de formação de cada embalagem, a sua utilização no processo produtivo  e a relação das notas fiscais de aquisição;  ­ as fotos apresentadas são relativas a uma parte das embalagens consideradas  como de transporte e não contém a respectiva descrição/denominação.  Insiste  que  é  de  fundamental  importância  a  análise  individualizada  de  cada  embalagem considerada como sendo de transporte, a fim de que se possa enquadrá­las ou não  no conceito de insumo.  No  que  se  refere  ao  item  1.2  “material  de  reposição  –  peças  em  geral”,  a  recorrente  requer  que  caso  prevaleça  o  entendimento  de  que  tais  peças  de  reposição  devem  integrar  o  ativo  imobilizado  da  empresa,  seja  reconhecido  o  direito  ao  aproveitamento  dos  créditos sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso III, da Lei  nº 10.833/2003.   Admite  que  realizou  análise  acurada  nas  notas  fiscais  de  aquisição  de  materiais de reposição computadas no mês de agosto de 2005 e constatou que foram incluídas  algumas notas fiscais em duplicidade no valor total de R$ 38.198,62  No  que  tange  ao  item  1.3  “Serviços”,  Serviços  utilizados  com  insumos  relacionados diretamente  com o processo produtivo  e demais  serviços,  a  interessada  entende  que faz jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre os serviços relacionados neste  item, por configurarem verdadeiro insumo do processo produtivo.  Reconhece que no item 1.3 ­ c) Serviços cuja função não foi identificada que,  de fato, não logrou comprovar seus vínculos à produção.  Em relação aos itens 1.4 – Despesas de armazenagem e frete na operação de  venda, não concorda com a posição da fiscalização em relação aos item 1.4 ­ e) transferência  de  produto  acabado  e    1.4  –  m)  compra  imobilizado,  aduz  que  também  faz  jus  ao  aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre as operações de frete relacionadas, seja na  condição de frete na venda ou como insumo.  Por  último  requer  que  sejam  sanadas  as  incorreções  e  omissões  relevantes  apontadas  e  que  o  conteúdo  da  mídia  que  se  encontrada  juntada  ao  processo  nº  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 28          19 10925.000034/2013­59  faça  parte  integrante  deste  processo  sob  pena  de  caracterizar  cerceamento de defesa.    Requer  ainda  que  seu  recurso  seja  julgado  procedente  e  que  as  intimações  relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor.  É o relatório.  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 29          20 Voto             Conselheiro Flávio de Castro Pontes  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto,  dele toma­se conhecimento.  Inicialmente  analisa­se  o  pedido  de  que  a  mídia  (CD­Rom)  juntada  ao  processo nº 10925.000034/2013­59  faça parte  integrante deste processo. Em consulta  ao  site  Comprot do Ministério da Fazenda, de fato constata­se que este processo tem como documento  de origem uma mídia digital e encontra­se na SAORT/DRF/JOA, ressaltando que ele não foi  cadastrado no sistema e­processo.   De imediato esclareça­se que o processo 10925.000034/2013­59 não foi nem  encaminhado nem distribuído a este relator, portanto não se tem acesso ao aludido processo, de  sorte que indefere­se a juntada da mídia. Ademais, o relator  não tem competência para alterar  a distribuição efetuada.       Assim, o julgamento será feito com as provas coligidas neste processo sem a  mídia  juntada  em  outro  processo.  Caso  julgasse  importante  esta  prova,  a  recorrente  deveria  providenciar  uma  cópia  da mídia  e  juntá­la  neste processo. Em  regra,  a  produção  de  provas  incumbe as partes e não ao julgador.   Destaca­se  que  as  matérias  em  discussão  nesse  litígio  administrativo  são  objeto  de  inúmeras  controvérsias  entre  a  Fazenda  Nacional  e  os  contribuintes.  Assim,  as  matérias  serão  enfrentadas  por  tópicos  específicos,  em  consonância  com  as  alegações  da  requerente no recurso voluntário.  1 Preliminar – Tarifação das provas  A interessada sustenta que o acórdão recorrido, em manifesto equívoco,  faz  uma tarifação de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos que comprovam  a existência do direito creditório da Recorrente, exigindo outras, desnecessárias ou impossíveis  de serem cumpridas.  A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) por cerceamento do direito de defesa em face de  que  a  decisão  recorrida  não  examinou  os  documentos  carreados  aos  autos,  violando  principalmente o princípio da verdade real.  Não  merece  prosperar  essa  tese.  Ao  contrário  do  alegado,  o  colegiado  de  primeira  instância  discutiu  todas  as  teses  necessárias  e  suficientes  para  a  solução  da  lide  administrativa.   Exemplificando, a propósito da embalagens de transporte, o julgador “a quo”  motivou  sua  convicção  de  forma  clara  e  precisa  com  base  nas  provas  apresentadas  na  manifestação de inconformidade. Confira­se trecho do voto condutor:   Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 30          21 Como  se  vê,  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade  a  contribuinte  nada  acrescentou  que  fosse  capaz  de  infirmar  a  situação posta nos autos. Ao contrário. Grande parte das  fotos  por  ela  anexadas  somente  confirmam  que  as  embalagens  utilizadas  não  são  de  apresentação  como  defende,  mas  são  próprias  para  o  transporte  de  seu  produto  final,  conforme  distinção  acima  fixada.  As  imagens  mostram  embalagens  que  comportam  quantidades  superiores  às  usualmente  vendidas  no  varejo  e  não  contêm  indicações  promocionais  destinadas  à  valorização do produto ­ consistem de: caixas de papelão pardo  ou  branco  sem qualquer  acabamento  especial  ou  rotulagem de  função promocional e que objetive valorizar o produto em razão  da qualidade do material nele  empregado, da perfeição do  seu  acabamento  ou  da  sua utilidade  adicional;  fita  adesiva;  e  rede  plástica para defumar queijo.  Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira  instância, só é  passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza  da operação que o originou e, por óbvio, comprove a ocorrência desta.  Ademais,  os  órgãos  julgadores  administrativos  não  estão  obrigados  a  examinar  as  teses,  em  todas  as  extensões  possíveis,  apresentadas  pelas  recorrentes,  sendo  necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa  esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados  pela interessada na manifestação de inconformidade.   Não  se  pode  perder  de  vista  que  a  decisão  recorrida  apreciou  todas  as  questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que parte do direito  creditório  não  foi  comprovado  por  documentação  hábil  e  idônea.  Assim,  eventual  omissão  sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o  julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão.   Além  disso,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  as  hipóteses  de  nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72:  "Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa."  No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontra­se presente, uma  vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão  recorrida  motivadamente  demonstrou  de  forma  clara  e  concreta  os  motivos  pelos  quais  o  direito creditório não foi reconhecido.  Por  tais  razões  não  há  que  se  falar  em  nulidade  da  decisão  guerreada  por  ofensa ao princípio da verdade real.      Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 31          22 2. Glosa de créditos   2.1 Do direito descontar créditos  em relação as aquisições de  embalagens aplicadas aos  produtos industrializados.   Esta  controvérsia  tem  por  objeto  o  direito  do  contribuinte  de  descontar  créditos  da  contribuição  em  relação  às  aquisições  de  embalagens  utilizadas  no  acondicionamento para transporte de mercadorias ­ item 2.2.2 – a) do Termo de Verificação e  Encerramento da Análise Fiscal.   Para a solução deste tópico é essencial o exame do conceito de insumo.   A  legislação  de  regência,  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  e  alterações posteriores, disciplinava:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010)   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)   a) nos  incisos III e  IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)    b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;  Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 32          23  VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;   IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  (grifou­se)    Destarte,  o  ponto  central  da  questão  é  compreender  o  conceito  de  insumo  estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03.   Há  diversas  exegeses  a  respeito  desse  dispositivo,  tais  como:  definição  de  insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação  do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método  indireto  subtrativo  que,  em  regra,  foi  adotado  para  o  exercício  da  não­cumulatividade  da  referida contribuição.   A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e  Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina:  Por  mais  opulenta  que  seja  a  língua  e  mais  hábil  quem  a  maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o  que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o  verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir  do  exame  exclusivo  das  palavras  ou  frases  interpretáveis;  ora  sucede  o  inverso,  vai  mais  longe  do  que  parece  indicar  o  invólucro  visível  da  regra  em apreço. A  relação  lógica  entre  a  expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de  mais  ou  de  menos  do  que  a  letra  parece  exprimir:  as  circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia  fundamental mais  ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou  restringir  o  alcance  do  preceito.  Mais  do  que  regras  fixas  influem  no  modo  de  aplicar  uma  norma,  se  ampla,  se  estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe  presidiram à  elaboração e  lhe  condicionaram a aplicabilidade.  (grifou­se)   A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  por  meio  da  Instrução  Normativa  (IN)  nº  404/2004,  regulamentou  o  assunto  a  partir  da  concepção  tradicional  da  legislação  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  e  adotou  uma  interpretação  restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito:  Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  I ­ das aquisições efetuadas no mês:  a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos  produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º;  b)  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados como insumos:  Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 33          24 b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados  à venda; ou   b.2) na prestação de serviços;  (..).  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado;  e  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Em que pese não vincular a autoridade  julgadora, a  interpretação dada pela  RFB  apresenta­se  compatível  e  coerente  com  a  legislação  da  não­cumulatividade  da Cofins.  Essas  normas  complementares  não  atentaram  contra  a  legalidade,  além  de  não  terem  extrapolados os limites traçados na respectiva lei.   Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a  especificação dos bens e serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é  permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não  é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição.  Caso  o  legislador  tivesse  outra  intenção,  de  tal  forma  que  os  direitos  de  descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei  uma  referência  explícita  ao  direito  de  descontar  créditos  em  conformidade  com  custos  e  as  despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o  conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos.  Além  disso,  a  lei  que  instituiu  a  não­cumulatividade  da Cofins  especificou  outros  custos  de  produção  e  despesas  operacionais  que  geram  direto  ao  crédito,  tais  como:  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de  pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos  destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 34          25 benfeitorias  em  imóveis  de  terceiros,  quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica.   Com  efeito,  o  conceito  de  insumo  no  âmbito  do  direto  tributário  foi  estabelecido no  inciso  I,  § 1º,  do  artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de  setembro de 2001,  in  verbis:  Art. 1º   (...)  §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos  seguintes  custos,  sobre  os  quais  incidiram  as  contribuições  referidas no caput:  I  ­  de  aquisição  de  insumos,  correspondentes  a  matérias­ primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem,  bem  assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado interno e utilizados no processo produtivo;  Destarte,  em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  a materiais de  embalagem. Ampliar  este  conceito  implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo.  Nesse  sentido,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento  do  Recurso Especial 1.020.991 ­ RS, assim se pronunciou:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO­ CUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO  CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional,  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto  nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  3.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.  4.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 35          26 Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  5. Recurso especial a que se nega provimento.  (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991­RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina)  Por  pertinente,  transcreve­se  o  seguinte  excerto  do  voto  proferido  pelo  Ministro Relator no julgamento deste recurso especial:   No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo  com  a  edição  das  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04,  mas  apenas  a  explicitação  da  definição  deste  termo,  que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Nesses  instrumentos  normativos, o  critério  para  a  obtenção do  creditamento  é  que  os  bens  e  serviços  empregados  sejam  utilizados  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação.  Logo,  não  se  relacionam  a  insumo  as  despesas  decorrentes  de  mera  administração interna da empresa.  Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de  PIS  e  COFINS  sobre  todos  os  serviços  mencionados  como  necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende  relativamente aos valores pagos à empresas pela representação  comercial  (comissões),  pelas  despesas  de  marketing  para  divulgação do produto, pelos  serviços  de  consultoria  prestados  por  pessoas  jurídicas  (aqui  incluídos  assessoria  na  área  industrial,  jurídica,  contábil,  comércio  exterior,  etc),  pelos  serviços  de  limpeza,  pelos  serviços  de  vigilância,  etc.,  porque  tais  serviços  não  se  encontram  abarcados  pelo  conceito  de  insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente  sobre o produto em fabricação.  Quando  a  lei  entendeu  pela  incidência  de  crédito  nesses  serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo  do  creditamento  de  combustíveis  e  lubrificantes  previsto  nos  dispositivos legais questionados (...)(rgifou­se)  Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de  produção,  não  faria  sentido  o  legislador  ordinário  enumerar  uma  série  de  outros  custos  passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adota­se como solução deste litígio o conceito de  insumo, segundo o disposto na IN 404/2004.  Superada essa fase conceitual, passa­se ao exame deste caso concreto.   Como  visto,  nesta  matéria  a  controvérsia  é  verificar  se  determinadas  aquisições de embalagens enquadram­se no conceito de insumo ­ item 2.2.2 – a) do Termo de  Verificação e Encerramento da Análise Fiscal.   Assiste parcial razão à interessada. A matéria foi objeto de diligência fiscal.   Destarte, nos termos da posição adotada acima, para se ter direito ao desconto  dos créditos é necessário que os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda  Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 36          27 sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,  em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado.  A  propósito,  assim  se  manifestou  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência fiscal:  Pelos  documentos  fotográficos  juntados,  na  hipótese  de  haver  perfeita  coincidência  entre  a  descrição constante  das  planilhas  com  o  que  deve  estar  contido  no  corpo  das  respectivas  notas  fiscais  –  a  contribuinte  não  juntou  nenhuma  nota  fiscal  neste  sentido,  as  embalagens  relativas  aos  itens  1  a  11  têm  características  de  serem  classificadas  como  embalagens  de  apresentação por agregar valor comercial ao produto através de  sua  apresentação objetivando  valorizar  o  produto  em  razão  da  qualidade  do  material  nele  empregado,  da  perfeição  do  seu  acabamento ou da sua utilidade adicional. Em alguns casos, em  verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não  é possível vender leite ou iogurte, sem a respectiva embalagem,  uma  vez  que  estes  produtos  encontram­se  em  estado  líquido.  Neste  sentido,  portanto,  as  embalagens  nestas  condições  somariam o montante de R$ 2.153.013,66 – arquivo digital “item  1.1 – b)Arquivo com as imagens fotográficas das embalagens de  apresentação.pdf”  Todavia,  deve­se  descontar  desta  importância  o  valor  de  R$  23.773,78,  uma  vez  que,  aparentemente,  por  erro  de  grafia,  teriam  computadas  em  duplicidade  as  notas  fiscais  nº  1392,  106661,  106661,  106661,  106661,  4416,  4431  e  4438,  respectivamente, nos valores de R$ 1.703,63, 32.40,00, 4.320,00,  1.134,90,  1.445,24,  4.680,00,  3.625,00  e  3.625,00,  respectivamente.  Diferentemente,  as  embalagens  relacionadas  nos  itens  12  a  31  do  arquivo  digital  “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam  características  de  embalagens  de  transporte  por  não  manter  contato  direto  com  o  produto.  Meras  caixas  para  acondicionamento, para  fins de  transporte. De modo algum se  podem  classificar  as  embalagens  nestas  condições  (itens  12  a  31)  com  as  embalagens  de  apresentação,  ainda  que  tragam  informações  sobre  os  produtos  ou  marca,  uma  vez  que  sua  função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de  servir como caixas ou engradados que transportam quantidades  daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro  que  a  contém.  Por  óbvio,  as  garrafas  que  contêm  o  “iogurte”  não  se  enquadram  na  mesma  categoria  do  engradado  em  que  são transportadas.(grifou­se)  Assim  sendo,  dos  elementos  que  constam  neste  processo  administrativo  fiscal,  constata­se  que  partes  das  aquisições  que  foram  objeto  de  glosa  fiscal  e  que  foram  caracterizadas como embalagens de transporte (caixas de papelão ­ itens 12 a 28, fita adesiva  transparente ­ item 29, filme stretch – item 30, pallets – item 31) não podem ser consideradas  insumos porque não foram aplicadas diretamente na atividade fabril.  Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 37          28 Destarte,  após  o  confronto  das  posições  da  fiscalização  e  da  interessada,  é  forçoso  concluir  que  parte  das  embalagens  que  foram  glosadas  caracterizam­se  como  acondicionamento para transporte e não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que as  embalagens foram aplicadas quando o processo produtivo já havia sido encerrado. Cabe, mais,  acrescentar  que  as  provas  coligidas  são  suficientes  para  formar  a  convicção  deste  julgador,  sendo  desnecessária  a  análise  individualizada  de  cada  embalagem  com  quer  fazer  crer  a  interessada.  Quanto  às  notas  fiscais  em  duplicidade,  a  recorrente  concorda  com  os  valores, todavia argumenta que somente a nota fiscal nº 1.392, no valor de R$ 1.703,63, refere­ se a embalagem considerada pela Fiscalização como sendo de apresentação.    Neste aspecto  tem razão a  interessada. De fato, do exame do demonstrativo  elaborado  pela  fiscalização,  verifica­se  que  a  nota  fiscal  nº  1.392  refere­se  a  aquisição  de  rótulos,  enquanto  as  demais  notas  tem  como  produtos  caixas  e  pallets.  Destarte,  o  valor  reconhecido  neste  voto  importa  em  R$  2.153.013,66  menos  a  importância  de  R$  1.703,63,  computada em duplicidade, totalizando uma base de cálculo de R$ 2.151.310,03.  Em  suma,  geram direito  a  créditos  a  serem descontados  da  contribuição  as  aquisições de embalagens classificadas como de apresentação nos termos da diligência fiscal.  Assim reconhece­se uma base de cálculo de R$ 2.151.310,03.  2.2  Do  direito  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  material  de  reposição  –  peças em geral.  Como visto,  nesta matéria  a discussão  concentra­se no  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  “peças  em  geral”  ­  item  2.2.2  –  c)  do  Termo  de  Verificação e Encerramento da Análise Fiscal.   A propósito desta discussão e em razão de entendimentos divergentes, a RFB  consolidou a tese que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e  com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente  na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda  geram direito a  créditos a  serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  conforme Solução de Divergência COSIT nº 35/2008:   Cofins não­cumulativa. Créditos. Insumos.   As  despesas  efetuadas  com  a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição  que  sofram  desgaste  ou  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas  utilizadas  em  máquinas  e  equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de  1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a  serem  descontados  da  Cofins,  desde  que  às  partes  e  peças  de  reposição  não  estejam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo  imobilizado, nos termos da legislação vigente.  Dispositivos  Legais:  Art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003;  Lei  nº  10.865, de 2004; e IN SRF nº 404, de 2004.  Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 38          29 Deste modo, é pacífico que a interessada tem o direito de descontar créditos  em relação as aquisições de partes e peças de reposição.  Sobre essa matéria, a autoridade fiscal assim relatou:   Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2  Peças e materiais de reposição.pdf”) que teriam sido aplicados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos,  aparentemente  teriam  sido  considerados  como  insumos  equipamentos,  aparelhos  ou  peças  que  pela  natureza  acresceriam  vida  útil  superior  a  1  ano  as  máquinas  e  equipamentos  usados  na  industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam  ser  levadas  diretamente  a  conta  de  despesa  e,  portanto  computadas  na  base  de  cálculo  dos  créditos  das  contribuições  Pis  e  Cofins,  mas  deveriam  ser  contabilizadas  no  Ativo  imobilizado para futuras depreciações.  Como colocado, é incontroverso que as peças e materiais de reposição foram  utilizadas  em máquinas e  equipamentos que  integram o processo de  fabricação dos produtos  destinados à venda.   A  restrição  colocada  pela  autoridade  fiscal  na  diligência  fiscal  deve  ser  desconsiderada  porque  o  ônus  da  prova  de  que  as  partes  e  peças  de  reposição  estavam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo  imobilizado,  nos  termos  da  legislação  vigente,  é  da  autoridade  fiscal.  O  termo  “aparentemente”  não  é  suficiente  para  concluir  que  as  peças  e  materiais  de  reposição  deveriam  ter  sido  contabilizados  no  ativo  imobilizado  para  futuras  depreciações.  De  sorte  que  não  restou  provado  que  as  peças  adquiridas  para  reposição  representem acréscimo de vida útil  superior  a um ano ao bem no qual  ocorra  sua  aplicação,  segundo  dispõe  o  art.  346  do Decreto  nº  3.000,  de  26  de março  de  1999  (Regulamento  do  Imposto de Renda – RIR).   Quanto  às  notas  fiscais  em  duplicidade,  a  recorrente  discorda  apenas  dos  valores, uma vez que foram incluídas notas em duplicidade dos meses de outubro, novembro e  dezembro  de  2005.  Por  meio  de  demonstrativo,  a  recorrente  admite  notas  fiscais  em  duplicidade no valor de R$ 38.198,62, valor este superior ao encontrado pela fiscalização.    Deste modo, adota­se o valor reconhecido pela  interessada, assim a base de  cálculo que gera direito a crédito importa em R$ 310.148,60 menos o valor de R$ 38.198,62,  computado em duplicidade, totalizando R$ 271.949,98.  Em remate, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as  aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 271.949,98.  2.3 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de produtos de conservação e  limpeza  Esta  controvérsia  tem  por  objeto  o  direito  do  contribuinte  de  descontar  créditos da contribuição sobre as aquisições de produtos de conservação e limpeza.  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 39          30 Como  já  relatado,  segundo  a  Instrução  Normativa  (IN)  nº  404/2004  e  o  Parecer  Normativo  CST  65/1979,  é  requisito  essencial,  para  o  direito  ao  crédito,  que  as  matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.  Por  seu  turno,  a  recorrente  argumentou  que  o  uso  dos  produtos  de  conservação e limpeza é essencial à atividade da  interessada que produz alimentos derivados  do leite.   A propósito  desses  gastos,  assim  se manifestou  a  autoridade  administrativa  na  informação  fiscal  ­  item  2.2.2  –  c)  do Termo  de Verificação  e Encerramento  da Análise  Fiscal:   (...)   Itens  como material  de  segurança e  de  conservação  e  limpeza,  por  mais  que  sejam  imposições  da  legislação  trabalhista  e  de  órgãos  de  vigilância  sanitária,  não  tem  previsão  legal  para  o  creditamento na aquisição.  (...)  Do exame desse excerto é incontestável que os gastos anteriormente citados  não  se  enquadram  como  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  como  insumos  na  fabricação dos bens destinados à venda.   Segundo  a  análise  feita  pela  autoridade  fiscal  no  estabelecimento  do  contribuinte, os aludidos gastos não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção  ou fabricação do produto. Vale ressaltar, que a requerente não colacionou elementos de prova  hábeis a infirmar esse fato, apenas discorreu sobre o seu direito.  Desta  forma,  os  produtos  de  conservação  e  limpeza,  não  obstante  se  configurarem  como  custos/despesas  industriais,  não  foram  aplicados  ou  consumidos  diretamente na produção ou fabricação do produto,  razão pela qual não geram direito ao  crédito da contribuição não­cumulativa. (grifou­se)  Em conclusão, neste item não merece reparo a decisão “a quo”.   2.4 Do direito descontar créditos em relação aos serviços utilizados como insumos  2.4.1 Do direito descontar créditos em relação aos serviços gerais utilizados como insumos  A recorrente insurgiu­se contra a glosa dos créditos sobre os serviços gerais  caracterizados  como  insumos  no  valor  de  R$  467.434,95.  Sustenta  que  o  erro  no  preenchimento do Dacon não pode inviabilizar o seu direito de descontar créditos.  Argumenta que os  serviços de manutenção  industrial,  resfriamento de  leite,  análise  laboratoriais,  armazenagem,  locação  de  equipamentos  industriais  e  outros  serviços  prestados à Recorrente correspondem a serviços essenciais ao seu processo produtivo.  Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 40          31 Nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto  dos  créditos  é  necessário  que  os  serviços  prestados  pela  pessoa  jurídica  sejam  aplicados  diretamente na fabricação do produto.  Segundo a diligência fiscal, verifica­se que a contribuinte computou na base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  aos  “serviços”  que  não  tem  relação  direta  com  o  processo  produtivo, a exemplo de: curso técnico e treinamento para colaboradores da indústria, serviço  de dedetização da indústria, serviços de manutenção elétrica em equip/máquinas gerais, serviço  de  manutenção  de  balança  rodoviária  ara  pesagem  de  caminhões,  etc,  que  montam  em  R$  41.496,72.  Outrossim, a  interessada computou na base de cálculo dos créditos “demais  serviços”  que  não  tem  relação  direta  com  o  processo  produtivo,  a  exemplo  de:  serviço  de  medicina do trabalho, serv. manutenção, conservação, monitoramento de segurança de pátios,  etc, no valor de R$ 24.866,83.  Além  do  mais,  a  recorrente  admitiu  que  não  foi  possível  identificar  a  “função” de alguns serviços relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja, não  logrou  demonstrar  e  co­relacionar  o  serviço  com  o  processo  produtivo  no  montante  de  R$  211.824,94.  Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constata­se  que  os  serviços  (discriminados  acima)  que  foram  objeto  de  glosa  fiscal  não  podem  ser  considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril.   É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo,  todavia  tais  serviços  não  são  empregados  diretamente  na  fabricação  do  produto  destinado  à  venda.  Do  exame  dos  elementos  probatórios,  é  forçoso  concluir  que  são  serviços  auxiliares  e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que  não se enquadram no conceito de insumos.  Finalizando o tópico, o direito de descontar créditos em relação aos serviços  caracterizados  como  insumo  é  no  valor  de R$  467.434,95,  deduzidas  as  glosas  apuradas  na  diligência fiscal nos valores de R$ 41.496,72, R$ 24.866,83 e R$ 211.824,94, respectivamente,  resultando numa base de cálculo de R$ 189.246,46.  2.4.2 Do direito descontar créditos em relação aos serviços de fretes  2.4.2.1 Fretes nas operações de venda  Este tópico tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da  contribuição em relação aos fretes nas operações de venda de produtos.   Consigne­se de imediato que o direito de descontar créditos da contribuição  calculados em relação ao frete na operação de venda foi previsto no inciso IX do art. 3º da Lei  10.833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (..).  Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 41          32 IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  A autoridade fiscal de forma precipitada glosou todas as despesas de frete nas  operações de venda. Veja o seu relato:  No entanto, a memória de cálculo apresentada pela requerente,  com  o  nome  de  F04­3­05,  não  contempla  as  seguintes  informações: nome do emitente , CNPJ do emitente, e o número  da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, no caso  de frete na operação de venda.   Desta  forma  fica  totalmente  prejudicada  a  análise  do  direito  crédito  sobre  as  despesas  com  o  frete  na  operação  de  vendas,  devido  a  impossibilidade  de  identificação  dos  fornecedores  do  respectivo serviço.  Conforme  Intimação  Saort  n°  16.058  (fls.  189  a  191),  foi  solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o  referido  frete  na  operação  de  vendas.  Entre  as  cópias  apresentadas, verificam­se notas fiscais de frete na aquisição de  insumos,  frete  na  venda  de  mercadorias  e  frete  entre  estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol.(grifou­se)  Como  se  nota,  a  própria  autoridade  fiscal  admitiu  que  a  empresa  efetuou  despesas  com  fretes  em  operações  de  venda.  A  alternativa  adotada  pelo  colegiado  para  a  solução deste  litígio  foi  a  conversão  em diligência para que  a  autoridade  fiscal  efetivamente  identificasse as despesas de frete nas operações de venda.  Do exame da diligência  fiscal e dos documentos acostados neste processo e  em outros que estão julgamento nesta sessão, verifica­se que parte dos fretes nas operações de  venda  ficaram  comprovados.  Os  fretes  em  que  se  admitem  os  descontos  de  créditos  correspondem apenas aqueles em que o CNPJ de origem e destino são distintos, caracterizando  uma operação de venda entre empresas.  Deste modo, como o ônus da prova é da recorrente, reconhece­se apenas os  valores  citados  no  item 1.4  a) venda prod.  acabado,  no  valor  de R$ 2.195.326,87  e 1.4 b)  venda prod. argop., no valor de R$ 8.801,42, totalizando  R$ 2.204.128,29.  Assim,  a  recorrente  não  tem  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  despesas de fretes que não restaram provadas como realizadas em operações de venda.  Em síntese, admite­se o direito de descontar créditos em relação as despesas  de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.204.128,29.              Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 42          33 2.4.2.2 Fretes na aquisição de insumos  A recorrente insurgiu­se parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes  de despesas de fretes nas aquisições de insumos.   É pacífico que o valor dos  fretes  integra o  custo de aquisição dos  insumos,  desse modo o valor dos fretes também compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do  crédito a ser descontado da contribuição.  Neste sentido a Solução de Consulta da Disit 08 nº 197 de 16 de Agosto de  2011:  (...)  FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do  frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de  matéria­prima,  material  de  embalagem  e  produtos  intermediários  compõe  o  custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.  Destarte,  do  ponto  de  vista  contábil  e  fiscal  não  se  pode  desagregar  as  despesas de frete dos insumos adquiridos.   Pontue­se que  a vinculação das despesas de  transporte  ao  custo do produto  adquirido  é  prevista  na  legislação  tributária,  conforme  o  art.  289,  §  1º,  do  Regulamento  do  Imposto de Renda (RI), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 2009.   Vale lembrar que o § 3o do art. 3º da Lei nº 10.833/03 dispõe que o direito ao  crédito aplica­se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica  domiciliada  no  País.  As  aquisições  de  leite  in  natura  de  pessoas  físicas  não  dão  direito  ao  chamado  crédito  básico,  uma  vez  que  esse  está  limitado  às  aquisições  efetuadas  de  pessoas  jurídicas domiciliadas no país.  Do exame dos fretes pagos ­ item 1.4 g) – compra insumos, constata­se que  esta condição  foi  atendida parcialmente. Consta neste demonstrativo uma série de aquisições  de  leite  in  natura,  leite,  lenha  e  cavaco  de  diversos  produtores,  operações  que  não  geram  créditos nos termos da legislação de regência.  Cabe registrar, ainda, que o simples erro no preenchimento do Dacon não é  suficiente para afastar o legítimo direito ao crédito, que é previsto em lei.   Deste modo, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os  fretes  pago  nas  aquisições  de  insumos  de  pessoas  jurídicas,  sendo  que  o  valor  deverá  ser  apurado pela  autoridade  incumbida de executar o acórdão com base no demonstrativo citado  (item  1.4  g  –  compra  insumos),  excluindo­se  as  aquisições  denominadas  de  diversos  produtores.       Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 43          34 2.4.2.3 Do direito descontar créditos em relação aos fretes decorrentes das transferências  realizadas com os insumos e produtos   A recorrente não se conforma com a glosa da autoridade fiscal em relação aos  créditos  decorrentes  das  despesas  de  fretes  com  as  transferências  de  insumos  e  produtos  acabados entre os diversos estabelecimentos da empresa (postos de coleta, industriais e centros  de distribuição).  É  certo  que  os  aludidos  fretes  não  estão  relacionados  a  uma  operação  de  venda, portanto, in casu , não se aplica os descontos de créditos previstos no inciso IX do art.  3º da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 15 do mesmo diploma legal:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (..).  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  Como visto,  o  conceito de  insumo é  restritivo,  portanto não  se admite uma  interpretação  extensiva  nesta  situação  como  pleiteia  a  recorrente.  Os  valores  relativos  aos  gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se  associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor.  Deste modo, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os  serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o  que  não  ocorreu  nas  situações  descritas.  Dos  elementos  que  constam  neste  processo  administrativo  fiscal,  constata­se  que  os  demais  serviços  (fretes)  que  foram  objeto  de  glosa  fiscal  não  podem  ser  considerados  insumos  porque  não  foram  aplicados  diretamente  na  atividade fabril, tais como:  a)  item  1.4  c  ­  venda  locais  presumidos  (fretes  entre  a  empresa  e  seus  distribuidores;  a)  item  1.4  d  –  transferência  CD  –  frete  na  transferência  de  produtos  acabados dos estabelecimentos industriais e o centro de distribuição;  c)  item 1.4 e  ­  transferência produtos acabados – frete na transferência de  produtos acabados entre os estabelecimentos industriais;   d)  item 1.4 f ­ transferência produtos agropecuários para revenda – frete na  transferência de produtos agropecuários da matriz até os demais estabelecimentos;  e)  item 1.4 i e j – transferência PC – frete na transferência de leite in natura  dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais;  f)  item  1.4  k  –  consignação  –  frete  na  transferência  de  produtos  do  remetente até o estabelecimento destinatário.  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 44          35 g)  item 1.4 m – compra imobilizado – frete na compra de bens para o ativo  imobilizado.transferência de produtos do remetente até o estabelecimento destinatário.  h)  item 1.4 n – devolução de vendas  i)  item 1.4 o – remessa armazenagem   j)   item 1.4 p – retorno armazenagem   k)  item 1.4 q – remessa análise  l)  item 1.4 r – retorno análise  m)  item 1.4 s – remessa conserto  n)  item 1.4 t – retorno conserto  o)  item 1.4 u – diversos  Anote­se  que  a  RFB  consolidou  a  tese  que  o  frete  pago  para  transportar  insumos  e/ou  produtos  acabados  não  configura  insumo,  conforme  Solução  de  Divergência  COSIT nº 26/2008, DOU 09.06.2008:   ASSUNTO:  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  EMENTA:  TRANSPORTE  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  PESSOA  JURÍDICA;  INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. 1.  O  transporte  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de  um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica  não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para  o  PIS/Pasep  com  incidência  não­cumulativa,  ainda  que  esse  transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto.  2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto  acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais;  destes  para  os  centros  de  distribuição;  de  um  centro  de  distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o  comprador  não  gera  direito  a  crédito  a  ser  descontado  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  apurada  de  forma  não­ cumulativa.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 3º inciso II da Lei nº 10.637, de  30 de dezembro de 2002; 15 inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 e  15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(grifou­se)  É bem verdade que esses  fretes  são  importantes  para o processo produtivo,  todavia não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda.   Os  fretes  em  referência  são  custos  de  produção  que  não  se  enquadram  no  conceito de insumos.   Em suma, mantém­se a glosa da fiscalização.  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 45          36 3 Créditos decorrentes de despesas de energia elétrica         A controvérsia tem por objeto o direito do sujeito passivo de utilizar créditos  da contribuição decorrentes de despesas de energia elétrica.  A  propósito,  constata­se  que  não  há  discussão  em  relação  ao  direito  de  descontar  créditos  com  as  despesas  de  energia  elétrica.  A  fiscalização  glosou  as  despesas  porque não foram apresentados os comprovantes de energia elétrica.  Neste aspecto, a autoridade fiscal tem razão, a recorrente não comprovou as  despesas de energia elétrica. A fatura da respectiva concessionária é o único documento hábil e  idôneo para se reconhecer o direito de descontar créditos.  A  simples  contabilização  (Livro Diário  e  Plano  de  contas)  dessas  despesas  não é suficiente para se comprovar as despesas, como bem assentou a decisão recorrida.  É  importante  ressaltar  que,  quanto  à  comprovação  do  direito  de  descontar  créditos, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental  tem que ser apresentada na manifestação de inconformidade, salvo os casos expressos abaixo  mencionados:   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   Assim  sendo,  a  lei  estabelece  o  momento  de  apresentação  da  prova  documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente  não alegou uma das exceções do aludido dispositivo.   A  requerente  teve  a  oportunidade  de  comprovar  o  seu  direito  de  descontar  créditos, todavia limitou­se a invocar seu direito.   Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da  prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que tem  o  direito  de  descontar  créditos,  a  recorrente  tinha  por  obrigação  legal  de  juntar  aos  autos  administrativos  os  respectivos  documentos  comprobatórios  que  sustentariam  seu  direito,  in  casu, as faturas de energia elétrica.   Em  remate,  mantém­se  a  glosa  da  fiscalização  porque  a  recorrente  não  comprovou de forma adequada as despesas de energia elétrica.  Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 46          37 4 Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados  ao ativo imobilizado  A recorrente sustenta o seu direito a manutenção dos créditos decorrentes de  apropriação  sobre  os  encargos  de  depreciação.  Como  relatado,  argumenta  que  os  bens  são  efetivamente  integrados  ao  ativo  imobilizado,  bem  como  são  diretamente  utilizados  no  processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda.  Como  visto,  a  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  e  alterações  posteriores, dispunha:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010)   (...)    III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   VI  ­ máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;   VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;   IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  (grifou­se)  1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2o  desta Lei  sobre  o  valor:  (Redação  dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  II­  dos  itens  mencionados  nos  incisos  IV,  V  e  IX  do  caput,  incorridos  no  mês;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 47          38 III  ­  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização  dos  bens  mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  (grifou­se) (...)  Com efeito, a norma estabelece um requisito para que a pessoa jurídica possa  descontar créditos, isto é, as máquinas e equipamentos têm que ser utilizadas na fabricação de  produtos destinados à venda.  Assim sendo, o problema central é identificar se os aludidos equipamentos e  máquinas foram utilizados na fabricação dos produtos.  A autoridade fiscal relatou:  No  período,  a  partir  de  01/08/2004,  somente  geram  direito  a  crédito  os  encargos  de  depreciação  dos  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda ou na prestação de serviços adquiridos  a partir de 01/05/2004 , conforme art. 31, da lei n° 10.865/2004.  Todavia,  foi  verificado  o  creditamento  de  encargos  de  depreciação/amortização  sobre  correção  monetária  do  imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes,  veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não  são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso  especifico a produção de lacticínios, neste caso são outros bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  não  ligados  diretamente  a  produção,  razão  pela  qual  efetuou­se  a  glosa  dos  bens  relacionados no anexo V. (grifou­se)  Embora  a  recorrente  tenha  omitido  no  recurso  voluntário  as  descrições  dos  bens,  para  efeito  de  julgamento  adotar­se­á  a  identificação  mencionada  na  manifestação  de  inconformidade  e  repetida  na  decisão  a  quo,  ou  seja,  no  geral  as  aquisições  referem­se  à  empilhadeiras, tanques, etc.   Como  demonstrado  pela  decisão  de  primeira  instância,  as  provas  colacionadas  não  são  suficientes  para  reconhecer  o  direito  ao  crédito.  Desta  forma,  a  interessada não conseguiu descaracterizar a glosa da fiscalização, que teve por  fundamento o  fato  de  que  as  máquinas  e  equipamentos  não  foram  utilizados  na  fabricação  dos  produtos  vendidos.   Em  síntese,  somente  geram  créditos  da  contribuição  os  encargos  de  depreciação de equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção, o que não ficou  caracterizado no caso vertente.  5 Créditos decorrentes de despesas com combustíveis e lubrificantes  A  recorrente  insurgiu­se  contra  a  glosa  dos  créditos  sobre  despesas  com  combustíveis e lubrificantes.  Nesta  matéria  a  grande  controvérsia  é  identificar  se  os  combustíveis  e  lubrificantes  adquiridos  enquadram­se  no  conceito  de  insumo.  A  fiscalização  tributária  Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 48          39 entendeu que estes produtos não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação.  Confira a posição da autoridade fiscal:  O contribuinte incluiu na linha 13 das fichas 06 e 12 (Apuração  dos  créditos)  na  DACON,  despesas  com  combustíveis  e/ou  lubrificantes.  (... )O combustível ou lubrificante não se agregam aos produtos  produzidos  ou  a  nenhum  serviço  que  pudesse  ser  vendido  pela  empresa,  não  se  configuram  como  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  dos  produtos  (ação  direta sobre o mesmo).  (...)  A  partir  dessa  definição,  aplicável  aos  bens  que  podem  ser  classificados  como  insumos  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens,  constata­se  que  o  combustível  (gasolina)  e/ou  lubrificantes,  e  pneus  não  se  enquadram como  insumos,  não  ensejando,  portanto,  direito  a  crédito,  impondo­se  desta  forma a glosa dos itens listados abaixo.  A  legislação  de  regência,  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  e  alterações posteriores, estabelecia:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010)   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)   a) nos  incisos III e  IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)    b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 49          40 Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;   VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;   IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  (grifou­se)    Por sua vez, a recorrente alega que combustíveis e lubrificantes são insumos  essenciais  à  movimentação  de  máquinas  e  equipamentos  que  são  utilizados  no  processo  produtivo.   Deste modo, para descontar créditos, é necessário que os insumos adquiridos  pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Dos elementos que  constam neste processo administrativo fiscal, constata­se que a recorrente não logrou êxito em  comprovar que, de fato, os combustíveis e lubrificantes são aplicados no processo produtivo.   Diferentemente  do  alegado,  não  é  viável  o  reconhecimento  dos  créditos  apenas com base nos argumentos apresentados. O direito ao crédito  requer exame minucioso  dos  insumos  adquiridos  e  do  processo  produtivo,  ou  seja,  se,  efetivamente,  eles  foram  utilizados  na  fabricação  produtos  que  asseguram  a  manutenção  e  utilização  dos  respectivos  créditos.  Insista­se que este voto adota uma posição restritiva do conceito de insumo,  de  sorte  que  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  na  movimentação  de  máquinas  e  equipamentos não geram direito de descontar créditos da contribuição.  Ademais, a recorrente não demonstrou em que máquinas e equipamentos os  combustíveis  e  lubrificantes  são  utilizados.  Os  custos  de  produção  devem  ser  efetivamente  comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis  por veículos e máquinas etc.    Em  remate,  mantém­se  a  glosa  da  fiscalização  porque  a  recorrente  não  comprovou de forma adequada que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas  efetivamente no processo produtivo.          Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002190/2009­78  Acórdão n.º 3801­003.752  S3­TE01  Fl. 50          41 6 Conclusão   Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário para:  a)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.151.310,03;  b)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  as  aquisições  de  aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 271.949,98;  c)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  aos  serviços  caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 189.246,46;  d) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes  nas operações de venda no valor de R$ 2.204.128,29;  e)  reconhecer  o  direito  de  descontar  créditos  em  relação  aos  fretes  pagos  nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas.    Flávio de Castro Pontes ­ Relator                                  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 11176.000216/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/07/2003 LAVRATURA DE AUTUAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DA SÚMU8LA CARF N. 06. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 08. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Relator

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/07/2003 LAVRATURA DE AUTUAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DA SÚMU8LA CARF N. 06. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 08. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1.035          1 1.034  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11176.000216/2007­64  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.971  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  CONT PREV.   Recorrente  NASCIMENTO SOUZA CIA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1995 a 30/07/2003  LAVRATURA DE AUTUAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO  CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DA SÚMU8LA CARF N. 06.  Súmula CARF nº 6: É  legítima a  lavratura de auto de  infração no  local  em  que  foi  constatada  a  infração,  ainda  que  fora  do  estabelecimento  do  contribuinte.  COMPETÊNCIA  DO  AUDITOR­FISCAL  PARA  EFETUAR  O  LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 08.  Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para  proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida  a habilitação profissional de contador.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  LANÇAMENTO  ­  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do  CTN  e  10  do  Decreto  70.235  de  1972,  mormente  quando  a  descrição  dos  fatos  e  a  capitulação  legal  permitem  ao  autuado  compreender  as  acusações  que  lhe  foram  formuladas  no  auto  de  infração,  de  modo  a  desenvolver  plenamente suas peças impugnatória e recursal.   DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato  gerador  a  que  se  referir  a  autuação,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de  infração.  Como  a  fiscalização  declarou  ter  verificado  os  recolhimentos  no  período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 16 /2 00 7- 64 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     2 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA  LEI 8.212/91.  Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de  juros de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia ­ Selic  para  títulos  federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  LANÇAMENTOS  REFERENTES  FATOS  GERADORES  ANTERIORES A MP  449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO  DA  ALÍNEA  “C”,  DO  INCISO  II,  DO  ARTIGO  106  DO  CTN.  LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.  A  mudança  no  regime  jurídico  das  multas  no  procedimento  de  ofício  de  lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a  aplicação  da  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106  do CTN. No  tocante  à  multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art.  61 da lei 9.430/96, 20%.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nas  preliminares,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência  09/2001, anteriores a 10/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao  Recurso  nas  demais  alegações  da  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a);  II)  Por  maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a  multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Marcelo  Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva – Relator  Participaram,  do  presente  julgamento,  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza  Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.  Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/2007­64  Acórdão n.º 2301­003.971  S2­C3T1  Fl. 1.036          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou procedente em parte o lançamento.  O  processo  teve  início  com  a Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de Débito  (NFLD)  nº  35.847.072­2,  lavrada  em  11/02/2005,  que  constituiu  crédito  tributário  relativo  a  contribuição  previdenciária,  parte  empresa,  parte  empregado,  adicional  para o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho(GILRAT/SAT)  e  contribuições  de  terceiros  incidentes sobre a remuneração, no período de 01/95 a 07/2003, tendo resultado na constituição  do crédito tributário de R$ 111.286,17, fls. 01.  A  fiscalização  apurou  que  contribuições  devidas  não  foram  pagas  quando  confrontou  a  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  Previdência  Social  (GFIP)  com  Folha  de  Pagamento  (FP)  e  outros  documentos  contábeis.  Após tomar ciência pessoal da autuação em 13/10/2005, fls. 01, a recorrente  apresentou  impugnação  na  qual  apresentou  argumentos  similares  aos  constantes  do  recurso  voluntário.   Na  Decisão­Notificação  de  fls.  944/956,  a  DRP/Londrina  concluiu  pela  procedência  em  parte  do  lançamento,  tendo  a  recorrente  sido  cientificada  do  decisório  em  25/02/2008, fls. 971.  O recurso voluntário, apresentado em 28/03/2008, fls. 976/1029, apresentou  argumentos conforme a seguir resumimos.  Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela  decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN.  Sustenta a nulidade do lançamento, por não ter sido obedecido o art. 142 do  CTN e demais normas aplicáveis.   Insiste na nulidade por ter sido a autuação lavrada fora do domicílio fiscal.  Aponta a falta de habilitação técnica do fiscal. Entende que a Taxa Selic não  pode  ser  aplicada,  pois  utiliza  componentes  e cálculos não especificamente previstos  em  lei,  mas em norma do BACEN.  Conclui ser inaplicável a multa de ofício ao caso, requerendo seu afastamento  ou a redução para 20%.  É o relatório.      Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     4 Voto             Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.  Nulidade por inconsistências no lançamento    Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo  com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  e  das  obrigações  acessórias,  fazendo  constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas,  cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN.  O  Relatório  Fiscal,  juntamente  com  todos  os  anexos  do AI  constantes  dos  autos,  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  do  lançamento  e  o  relatório  Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada.   Incabível  a  declaração  de  nulidade  de  lançamento  que  traz  um  enquadramento  legal  das  infrações  que  permite  ao  sujeito  passivo  identificar  os  dispositivos  legais  aplicáveis  de  modo  a  construir  adequadamente  sua  defesa.  O  enquadramento  legal  contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo  sentido há vários julgados deste Colegiado:   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ­ INEXISTÊNCIA  Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu  enquadramento  legal,  permitindo  amplo  conhecimento  da  alegada infração. ( Ac. 1º CC ­ 108­05.383)    PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADE  ­  Contendo  o  auto  de  infração  completa  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  mesmo  que  sucintos,  atendendo  integralmente  ao  que  determina  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  especialmente  quando  a  infração  detectada  foi  simples  falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC ­ 202­11700)  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  ­  Incabível  a  argüição  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  quando  este  atender  as  formalidades  legais  e  for  efetuado  por  servidor  competente.  Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a  permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo,  não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento  de  defesa.  O  cerceamento  do  direito  de  defesa  não  prevalece  quando  todos os valores utilizados na autuação se originam de  documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo.  (Acórdão 1º CC, 106­13409)  Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/2007­64  Acórdão n.º 2301­003.971  S2­C3T1  Fl. 1.037          5 Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o  que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo.    Decadência. Súmula CARF 99.     Com  fundamento  no  art.  72,  §4º  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  com  relação  à  decadência  aplicamos  o  conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.     Observamos  que  a  fiscalização  declarou  no  Termo  de  Encerramento  de  Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 359 ter analisado comprovantes de recolhimento no período  fiscalizado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN.  Tendo  sido  o  lançamento  cientificado  em  13/10/2005,  o  fisco  poderia  efetuar  o  lançamento  para  fatos  geradores  posteriores  a  09/2000.  Todos  ao  fatos  geradores  anteriores  a  tal  competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade.   Sobre a autuação em local diverso do estabelecimento do contribuinte temos  a Súmula CARF nº 06:  Súmula CARF nº 6: É  legítima a  lavratura de auto de  infração  no  local  em  que  foi  constatada  a  infração,  ainda  que  fora  do  estabelecimento do contribuinte.  Portanto, válida a autuação nesse aspecto.  A habilitação do Auditor­Fiscal para o  lançamento  já  foi  objeto da Súmula  CARF Nº 08:  Súmula  CARF  nº  8:  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  é  competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa  jurídica,  não  lhe  sendo  exigida  a  habilitação  profissional  de  contador.  Incabível, portanto, qualquer reparo nesse aspecto.      Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     6 Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora    A  insurgência  da  recorrente  contra  a  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros  moratórios  não  pode  prosperar,  uma  vez  que  se  trata  de  matéria  sumulada  neste  Tribunal  Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir:  Súmula CARF No­ 4  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais..  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do  referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.    Multa de mora e juros. Legalidade.    A multa  de mora  e  os  juros  de mora  tem  previsão  legal  no  art.  35  da  Lei  8.212/091,  não  havendo  fundamento  para  sua  relevação  ou  fixação  em  percentual  daquele  constante do lançamento, pelos motivos aventados pela recorrente.  Multa de mora ­ confisco  A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está  previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito  de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação  estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade  contributiva  e  não  pode  dar  ao  tributo  a  conotação  de  confisco.  Não  observado  o  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar  o  mundo  jurídico  por  inconstitucional.  Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá­la .  Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e  por  não  constituir  tributo,  mas  penalidade  pecuniária  estabelecida  em  lei,  é  inaplicável  o  conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.    Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal  questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratar­se de questão  de ordem pública.  Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas  Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/2007­64  Acórdão n.º 2301­003.971  S2­C3T1  Fl. 1.038          7 da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que  esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91.  Além disso,  a  fiscalização  lançava  as multas dos §§4º,  5º  e 6º do  art.  32 por  incorreções ou  omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava  da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a  apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores. ­  Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores posteriores a esta;  · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores a esta    Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta  de  recolhimento,  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata.  A  falta  de  recolhimento  é  uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     8 É certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição.  No  entanto,  tal  conclusão  não  se  sustenta  se  analisarmos  mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/2007­64  Acórdão n.º 2301­003.971  S2­C3T1  Fl. 1.039          9 declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica,  foi  eleita  pela  lei:  a  falta  de  recolhimento.  Apesar  de  mantermos  nossa  posição  a  respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos  de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões  do Colegiado  no  sentido  de manter  a multa  de mora  que  registraram  nossa  posição  isolada.  Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008:  · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%;  · A multa de ofício de 75% é aplicada pela  falta de recolhimento  da  contribuição,  podendo  ser  majorada  para  150%  em  conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos  casos  em  que  existam  provas  de  atuação  dolosa  de  sonegação,  fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de  não  atendimento  de  intimação  no  prazo marcado,  conforme §2º  do art. 44 da Lei 9.430/96;  · A  multa  pela  falta  de  apresentação  da  GFIP  ou  apresentação  deficiente desta é aquela prevista no art. 32­A da Lei 8.212/91.  Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     10 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda  não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores  anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.  Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com  o art. :   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.   § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.  Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/2007­64  Acórdão n.º 2301­003.971  S2­C3T1  Fl. 1.040          11 O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da  penalidade  mais  benéfica  por  infração  e  não  em  um  conjunto.  Assim,  cada  infração  e  sua  respectiva penalidade deve ser analisada.  Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  Conforme  já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a  respeito da  inexistência  de  multa  de  mora  no  novo  regime  do  procedimento  de  ofício,  deixamos  de  apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do  Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim,  nosso  voto  é  no  sentido  de,  acompanhando  os  demais  membros  do  Colegiado,  manter  a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com  fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração  inexata.  Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA     12 Passamos a  resumir nossa posição sobre o  regime  jurídico de aplicação das  multas para fatos geradores até 11/2008.  A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato  pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008:    · As  multas  por  infrações  relacionadas  a  GFIP  (falta  de  apresentação  ou  apresentação  deficiente),  previstas  nos  parágrafos  do  art.  32  da  Lei  8.212/91,  devem  ser  comparadas  com  a multa  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  devendo  prevalecer  aquela que for mais benéfica ao contribuinte;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  somente  a  penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta  deve ser mantida, mas limitada a 20%;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  a penalidade  de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar  da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da  multa  de  mora  e  da  multa  por  infrações  relacionadas  a  GFIP,  deve ser mantida  a penalidade  equivalente  à  soma de: multa de  mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a  multa do art. 32 com a multa do art. 32­A da Lei 8.212/91.    Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  CONHECER  e  JULGAR  PROCEDENTE EM PARTE o Recurso Voluntário de modo a: (a) afastar os fatos geradores  até 09/2000, inclusive, por conta da decadência; (b) limitar a multa de mora a 20%.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator                             Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA

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Numero do processo: 10783.724558/2011-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE FALHA DO CONTRIBUINTE. PLANO DE ASSISTÊNCIA PAGO A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA. A expressão “não integram o salário-de-contribuição” constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN. Se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado. Tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar conformidade com o comando do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE FALHA DO CONTRIBUINTE. PLANO DE ASSISTÊNCIA PAGO A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA. A expressão “não integram o salário-de-contribuição” constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN. Se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado. Tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar conformidade com o comando do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 3          2   Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia  de Lima.     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente     (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima  (Presidente),  Oseas  Coimbra  Júnior,  Caio  Eduardo  Zerbeto  Rocha,  Amilcar  Barca  Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 4          3 Relatório    Trata­se de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do  contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha  de  pagamento  as  remunerações  dos  segurados  empregados  a  seu  serviço,  referentes  ao  pagamento de valores relativos aos serviços de assistência médica, concedidos aos dependentes  de  seus  trabalhadores.  Segundo  a  fiscalização,  tais  pagamentos  não  estão  abrangidos  pela  isenção prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 24 de maio de 2014 e ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO: Obrigações Acessórias  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  ELABORAÇÃO  DE  FOLHA  DE  PAGAMENTO  EM  DESACORDO  COM  OS  PADRÕES  E  NORMAS  ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPENTENTE.  Constitui  infração deixar a empresa de preparar sua folha  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões  e normas estabelecidos pelo órgão competente.  PAGAMENTO  DE  PLANO  DE  SAÚDE  AOS  DEPENDENTES  DO  TRABALHADOR.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias  o  pagamento  de  plano  de  saúde  aos  dependentes  do  trabalhador.  INTERPRETAÇÃO  RESTRITITIVA  DA  NORMA  DE  ISENÇÃO.  As  isenções diante da  inteligência do art. 111,  II, do CTN  devem  ser  interpretadas  literalmente,  ou  seja,  restritivamente, pois sempre implicam renúncia de receita.    Impugnação Improcedente    Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ A Turma de julgamento, por unanimidade, acompanhou o volto do relator  no sentido de manter o Auto de Infração, o qual exigiu o recolhimento de multa em virtude de  a  Recorrente  ter  descumprido  a  obrigação  acessória  de  incluir,  na  folha  de  pagamentos,  os  valores  referentes  ao  plano  de  saúde  pago  para  os  dependentes  do  trabalhador,  sob  o  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 5          4 fundamento de que a isenção prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91, deve ser  interpretada restritivamente, conforme disposto no art. 111 do CTN, abrangendo estritamente a  parcela  do  plano  de  saúde  paga  ao  trabalhador,  não  se  aplicando  à  parcela  referente  aos  dependentes.      ­  O  entendimento  do  fisco  não  deve  prosperar,  pois  contrariam  o  critério  material de incidência das referidas contribuições, bem como a própria isenção fiscal prevista  no dispositivo legal anteriormente citado.      ­ Preliminarmente haverá a necessidade de reunião e julgamento conjunto dos  autos de infração, ambos vinculados ao processo nº 10783.724513/2011­64.      ­ Considerar como remuneração o pagamento pelo empregador de plano de  saúde ao  trabalhador e seus dependentes contraria o art. 458, § 2º,  IV, da CLT, que  refuta o  caráter remuneratório da assistência médica, hospitalar e odontológica prestada pela empresa,  mediante a exclusão destas utilidades do conceito de salário.      ­ A afirmação do relator em seu voto apenas corrobora a tese da Recorrente  de que não há relação de trabalho entre o empregador e os dependentes do trabalhador.      ­ Mesmo que se entendesse que o pagamento do plano de saúde em favor dos  dependentes  do  trabalhador  não  fosse  beneficiado  pela  isenção  prevista  em  lei,  hipótese  admitida  apenas  para  fins  de  discussão  –  tal  pagamento  não  seria  fato  gerador  das  Contribuições Previdenciárias,  por  se  tratar  de mera  liberalidade do  empregador  sem  caráter  prestativo,  uma  vez  que  os  dependentes  nunca  prestaram  serviço  para  a  Recorrente,  não  se  verificando, no caso em tela, qualquer retribuição pelo trabalho.      ­ Ante o exposto,  requer­se o presente Recurso voluntário  seja conhecido e  provido  para  a  reforma  total  do  acórdão  recorrido,  a  fim  de  cancelar  o  débito  fiscal  ora  em  questão,  em  face  da  inexigibilidade  das  contribuições  apuradas,  reconhecendo­se  a  insubsistência do lançamento tributário e determinando­se a baixa definitiva dos autos.    Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 6          5 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.      Conforme  consta  do  acórdão  recorrido,  repetindo  informação  contida  no  relatório  Fiscal  (fls.  6/8),  o  lançamento  ocorreu  em  razão  de  o  contribuinte  ter  deixado  de  incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados a seu serviço,  referentes ao pagamento de valores relativos aos serviços de assistência médica, contratados, e  concedidos aos dependentes de seus trabalhadores.      Diz  a  fiscalização  que  tais  pagamentos  não  estão  abrangidos  pela  isenção  prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q”, uma vez que a legislação mencionada, no seu entender,  só  isenta  os  pagamentos  relativos  aos  planos  de  saúde  contratados  para  os  trabalhadores  da  empresa contratante, não abrangendo a contratação de plano de saúde para os dependentes dos  trabalhadores.      Portanto,  os  recursos  destinados  à  cobertura  da  assistência  médica  dos  dependentes dos segurados, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9º, “q”, da  lei  nº  8.212,  de  1991,  foram  considerados  como  componentes  da  remuneração  para  fins  de  incidência das contribuições previdenciárias.      De  início, há que se destacar que o dispositivo  legal utilizado não cuida de  isenção, mas sim, de uma situação clara de não incidência.      Para melhor compreender a distinção, é necessário conhecer o texto da lei.    Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:    I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os  adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial, quer pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.    (...)    §  9º. Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente:    Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 7          6 (...)    q)  O  valor  relativo  à  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes  da empresa.      A  expressão  “não  integram  o  salário­de­contribuição”  constante  da  parte  inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência,  e não de  isenção. A  isenção  invocada pela  fiscalização e adotada  também pelos  julgadores a  quo, esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN, in verbis:    Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que disponha sobre:    (...)    II – outorga de isenção.      Ora,  se  a  interpretação  sobre  outorga  de  isenção  deve  ser  literal,  lendo  a  alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da  autoridade  lançadora  e  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  administrativa.  Em  parte  alguma do  texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à  saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado.      Portanto, tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento  não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido  como  descumprido,  ele  padece  de  vício  insanável  por  não  estar  em  conformidade  com  o  comando do art. 142 do CTN.       Sobre  a  questão  da  não  incidência,  em  16  de  agosto  de  2012,  no Acórdão  2803­001.772, a 3ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, assim se posicionou:    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  AUXÍLIOSAÚDE.  DEPENDENTES.  NÃO  INCIDÊNCIA  DA TRIBUTAÇÃO.  O art. 28, par. 9º, alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita  que  o  plano  de  saúde  deva  limitar­se  apenas  à  pessoa  do  funcionário  ou  dirigente  da  empresa,  mas  que  deve  ser  oferecido a todos os seus colaboradores.  (...)  Recurso  Voluntário  Provido  Em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido em Parte.    Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/2011­39  Acórdão n.º 2803­003.559  S2­TE03  Fl. 8          7   Nota­se,  portanto,  que  o  lançamento  não  está  em  conformidade  com  a  legislação de regência,  em especial o art. 142 do CTN, motivo pelo qual dou provimento ao  recurso aviado pelo contribuinte.       CONCLUSÃO.      Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DAR­LHE  PROVIMENTO.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

score : 1.0
5634432 #
Numero do processo: 10315.001588/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003,2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADOÇÃO. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações financeiras, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, que reduziam a multa de ofício qualificada (150%) para a aplicação da multa de ofício regular (75%) e, por consequência, reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro do ano-calendário de 2002 (3º trimestre de 2002, inclusive). Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela insubsistência dos lançamentos tributários por entender que o lucro da Recorrente deveria ter sido apurado pelo regime do arbitramento. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentará Declaração de Voto. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.075          2 oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos  tributos a  serem  lançados de acordo com o sistema de  tributação a que estiver submetida no  período de apuração correspondente.  SIGILO BANCÁRIO.  Havendo  previsão  legal  e  procedimento  administrativo  instaurado,  a  prestação,  por  parte  das  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário, mas  de  mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê­los  no âmbito do sigilo fiscal.  MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.  A  multa  de  ofício  proporcional  qualificada  é  uma  penalidade  pecuniária  aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em  lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.  DECADÊNCIA. TERMO INICIAL  Em  se  tratando de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  se  rege pela  regra do  inciso  I do  art. 173 do Código Tributário  Nacional no caso de comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude  ou pela simulação.  PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA.  As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins,  no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas  como objeto.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTOS DECORRENTES.  O  lançamento  de  CSLL  sendo  decorrente  da  mesma  infração  tributária,  a  relação de causalidade que o  informa  leva a que o  resultado do  julgamento  deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento  em  parte  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Vencidos  os  Conselheiros  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Leonardo Mendonça Marques  e  Luiz  Guilherme  de Medeiros  Ferreira, que reduziam a multa de ofício qualificada (150%) para a aplicação da multa de ofício  regular  (75%)  e,  por  consequência,  reconhecer  a  decadência  dos  fatos  geradores  ocorridos  anteriormente  a  novembro  do  ano­calendário  de  2002  (3º  trimestre  de  2002,  inclusive).  Vencido  o  Conselheiro  Leonardo  Mendonça  Marques  que  votou  pela  insubsistência  dos  lançamentos tributários por entender que o lucro da Recorrente deveria  ter sido apurado pelo  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.076          3 regime do arbitramento. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentará Declaração de  Voto.  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora  (assinado digitalmente)  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório  I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às  fls. 09­21, com a exigência do crédito tributário no valor de R$383.761,35 a título de Imposto  Sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional  qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro real  trimestral referente aos  quatro  trimestres  dos  anos­calendário  de  2002  e  2003,  em  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal, fls. 51­59.  O  lançamento  se  fundamenta  na  omissão  rendimentos  de  aplicações  financeiras, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados:   ­ na conta­corrente nº 31.147­7 da agência nº 3700 do Banco Safra S/A, fls.  313­471;   ­  na  conta­corrente  nº  30254  da  agência  nº  0019  do  Banco  Panamericano  S/A, fls. 486­489; e  ­ na conta­corrente nº 06­001313­0 da agência nº 0022 do Banco Rural S/A,  fls. 511­533.  Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituições  financeiras,  em  atendimento  às Requisições  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira  (RMF), fls. 134­136, 310­312, 472­485, 508­510, nas informações constantes no Livro Diário,  fls. 534­545, no Livro Razão, fls. 546­634, Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 635­ 648, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores  de  receita  financeira  iguais  a  zero,  fls.  649­872  e  nas  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais (DCTF), fls. 873­966.   Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento  legal:  art.  249,  art.  251,  art. 521 e art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26  de março de 1999 (RIR, de 1999).  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.077          4 Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II – O Auto de Infração às fls. 22­29 a exigência do crédito tributário no valor  de R$333.435,00 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora  e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento  legal:  §§ do  art.  2º  da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988,  art.  20  e  art.  24 da Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem  como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 6º da Medida Provisória nº  1.858­6, de 29 de junho de 1999.  III ­ O Auto de Infração às fls. 30­39 com a exigência do crédito tributário no  valor  de R$24.204,87  a  título  de Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para  tanto,  foi  indicado o  seguinte  enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art.  2º, art. 8º, e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº  9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524  de 17 de dezembro de 2002.  IV – O Auto de Infração às fls. 40­49 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$111.716,14 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi  indicado o  seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991,  art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art.  22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002.   Cientificada em 10.01.2008,  fl. 968, a Recorrente apresentou a  impugnação  em 10.01.2008, fls. 974­978.  Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que:  Como  estava  diante  de  período  no  qual  o  direito  de  lançar  já  havia  sido  alcançado pela decadência, considerou que a simples omissão seria o bastante para  agravar a multa de 75% para 150% e — com isso — fugir da aplicação do § 4º, do  art. 150, do CTN, para tentar aplicar o inciso I, do art. 173. [...]  A  exigência  fiscal  em  causa,  todavia,  realmente  está  em  sua  maior  parte  alcançada  pela  decadência. Além disso,  é  no  todo  improcedente,  como  se  passa  a  demonstrar.  Em relação à quebra do sigilo bancário diz que:  A  Impugnante  não  autorizou  e  não  admite  o  acesso  às  contas  bancárias  referidas  pelo  agente  fiscal  autuante  como  objeto  desta  ação  fiscal —  nas  quais  foram  movimentados  recursos  que  não  pertencem  à  Impugnante  e  sim  aos  seus  clientes — sendo indevida a quebra do seu sigilo bancário, o que torna nula toda a  exigência em causa.  No que se refere à decadência argui que:  De inicio é importante destacar que a Impugnante rejeita a insinuação de que  teria  agido  com  fraude.  [...]  Em  verdade,  a  Impugnante  sofreu  longa  e  rigorosa  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.078          5 fiscalização,  com  todos  os  seus  procedimentos  contábeis  e  fiscais  verificados  e  considerados regulares pela fiscalização.  O mero equívoco de não ter contabilizado contas correntes bancárias não pode  —  de  forma  alguma —  ser  considerado  como  evidente  intuito  de  fraude.  [...]  A  Impugnante  é  tributada  com base  no  lucro  real  e  apurou e  pagou  regularmente  os  tributos devidos trimestralmente. Além disso, não se  tem dúvida quanto ao regime  jurídico do lançamento por homologação a que estão sujeitos o IRPJ, a CSLL, o PIS  e a Cofins.  Sendo  assim,  é  de  se  aplicar  o  §  4º,  do  art.  150  do CTN,  que  determina  o  prazo de cinco anos, contados do respectivo fato gerador, para a extinção definitiva  do crédito tributário correspondente. [...] No caso, os autos de infração aqui atacados  foram lavrados em 10.12.2007, contendo exigência dos referidos tributos relativos a  fatos  que  teriam  ocorrido  antes  de  novembro  de  2002.  Tal  cobrança,  portanto,  é  ilegal por ofensa frontal à regra de decadência contida no § 4°, do art.150, do CTN.  Atinente ao erro no lançamento procura demonstrar que:  Além de em parte atingida pela decadência, como acima restou demonstrado,  a exigência — no seu todo — é indevida, pois, em verdade, o lançamento de que se  cuida é  totalmente baseado em presunção que parte apenas de anteriores depósitos  realizados em contas bancárias. Por isso mesmo, não se sustenta diante do principio  da tipicidade cerrada que guia o Direito Tributário. [...]  Também o fiscal autuante não poderia considerar apenas os valores referentes  às  aplicações  financeiras  realizadas  através  de  tais  contas  bancárias,  que,  por  não  estarem  contabilizadas  motivariam  o  arbitramento  do  lucro  relativo  ao  período.  Como não foi feito tal arbitramento — também por essa razão — este lançamento é  nulo.  Sobre o PIS e a Cofins ressalta que:  Além dos vícios acima referidos, não cabe a exigência do PIS e da COFINS  sobre as receitas financeiras. [...]  O Supremo Tribunal Federal já declarou inconstitucional o §1°, do art. 3°, da  Lei n° 9.718/98, afastando a incidência da Cofins e do PIS sobre receita estranha ao  faturamento — receita operacional — do contribuinte. [...]  Não  tem qualquer  validade — desse modo — a  exigência  dirigida  contra  a  Impugnante  relativa  ao  PIS/COFINS  calculados  sobre  uma  suposta  receita  financeira.  No que se refere ao indevido agravamento da multa aduz que:  Como  demonstrado  acima,  o  caso  presente  enfoca  apenas  a  omissão  de  receitas  que  o  fiscal  presumiu  a  partir  do  exame  da  movimentação  financeira  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Impugnante  —  embora  os  recursos  não  lhe  pertençam. [...]  Não  está  presente  o  necessário  evidente  intuito  de  fraude  que  poderia  vir  a  justificar o agravamento da multa. [...] Em verdade, pretendeu o fiscal autuante criar  uma situação de fraude ou simulação, para que tal fato provoque o deslocamento do  prazo decadencial previsto no § 4º, do art. 150, para no art. 173, ambos do CTN. [...]  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.079          6 A  fraude,  o  dolo,  ou  a  simulação,  contudo,  exigem  prova  inconteste.  Não  podem resultar de meras alegações ou ilações. Não podem decorrer de presunções.  [...] Não é razoável, portanto, a imputação de práticas com evidente intuito de fraude  a darem ensejo à pena qualificada, pelo que deve ser afastada a multa de 150%.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela  juntada posterior de documentos, requisição de informações, perícias técnicas, o que  tudo desde logo requer. [...]  Por  todo  o  exposto,  pede  a  Vossas  Senhorias  que  julguem  no  todo  improcedente  esta  ação  fiscal,  ou,  se  assim  não  o  fizerem,  considerem  extinto  o  direito de a Fazenda lançar IRPJ, CSLL. PIS e Cofins sobre os fatos que ocorreram  antes de novembro de 2002, e nulo o  lançamento da multa agravada por ausente a  necessária motivação.  Termos em que,   Pede Deferimento.  Está  registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº  08­13.356, de 29.05.2008, fls. 1033­1042: “Lançamento Procedente”.   Restou ementado  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002, 2003   PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO TRIBUTÁRIO  ­ NULIDADE  ­ DECADÊNCIA ­  IRPJ. OMISSÃO DE  RECEITAS  DE  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  ­  SIGILO  BANCÁRIO.  OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A ARRECADAÇÃO DA CPMF.  LEI COMPLEMENTAR n° 105/2001 ­ MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe  a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Para  fins de contagem do  prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica­se a  regra contida no artigo 173, I, do CTN, nos casos em que se comprove a ocorrência  de dolo, fraude ou simulação. Caracteriza omissão de receita, a falta de escrituração  e/ou  declaração  de  rendimentos  de  aplicações  financeiras  auferidos  pelo  sujeito  passivo  legitima  a  obtenção  de  informações  sobre  a  movimentação  financeira  do  contribuinte diretamente junto as instituições bancárias, as quais ficam resguardadas  pelo sigilo fiscal. Aplica­se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 44,  inciso II, da Lei n° 9.430/1996, sobre os fatos descritos no Auto de Infração que se  ajustam à hipótese nele preconizada.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP,  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) ­  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.080          7 DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTOS  DECORRENTES  ­  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  Tendo em vista o que dispõe o artigo 45, a Lei n° 8.212, de 1991, é de dez  anos o prazo de decadência das contribuições para a Seguridade Social. Tratando­se  de  lançamentos  reflexos, a decisão prolatada no  lançamento matriz é aplicável, no  que  couber,  aos  decorrentes,  em  razão  da  intima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de  lei,  tratado  ou  ato  normativo  federal,  somente  na  hipótese  de  sua  declaração  de  inconstitucionalidade,  por  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Quando  essa  declaração  se  dá  em  julgamento  de  recurso  extraordinário,  o  afastamento  fica  condicionado edição de  resolução do Senado Federal,  suspendendo a execução do  dispositivo julgado inconstitucional.  Notificada  em  06.06.2008,  fl.  1049,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  26.06.2008,  fls.  1056­1067,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra o  qual  se  insurge  reiterando os  argumentos apresentados na impugnação.  Acrescenta:  Cuida­se da exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, assim como da multa  agravada de 150%, com base em suposta omissão de receitas financeiras. [...]  Na  impugnação  foi  demonstrada  a  invalidade  da  cobrança,  pois  (a)  houve  indevida quebra do sigilo bancário; (b) o lançamento em sua maior parte foi atingido  pela  decadência;  (c)  houve  grave  erro  no  lançamento,  procedido  com  base  na  desconsideração das informações apresentadas pelo contribuinte, mas sem o regular  procedimento de arbitramento; (d) as receitas que supostamente teriam sido omitidas  seriam de natureza  financeira, fora, portanto, do âmbito de  incidência do PIS e da  COFINS; e (e) não houve o evidente intuito de fraude, sendo ilegal o agravamento  da multa para 150%.  A decisão recorrida, contudo, confirmou o lançamento no seu todo por razões  que a Recorrente, data vênia, entende insubsistentes, como passa a demonstrar. [...]  Da quebra do sigilo bancário   A  Impugnante  insiste  que  não  autorizou  e  só  admite  o  acesso  as  contas  bancárias referidas pelo agente fiscal autuante como; objeto desta ação — nas quais  foram  movimentados  recursos  que  não  pertencem  à  Impugnante  e  sim  aos  seus  clientes —  sendo  indevida  a  quebra  do  sigilo  bancário,  o  que  torna  nula  toda  a  exigência em causa.  A  Lei  Complementar  n.°  105/2001,  regulamentada  pelo  Decreto  n.°  3.724/2001, não se presta para autorizar a quebra de sigilo bancário, até porque tem  a sua constitucionalidade atacada junto ao C. Supremo Tribunal Federal. [...]  Da decadência  A  Turma  julgadora  rejeitou  a  preliminar  de  decadência  com  base  no  infundado argumento de que a Recorrente  teria agido com fraude, que motivaria a  aplicação do art. 173, I do CTN. Isso, contudo, não ocorreu.  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.081          8 A  boa­fé  da  Recorrente  foi  reconhecida  pelo  próprio  órgão  julgador  de  primeiro grau, que, para tentar fugir do outro grave vicio no lançamento decorrente  da falta de arbitramento, foi forçado a admitir que: [...]  A  leitura  desse  trecho  da  decisão  recorrida,  por  si  só,  atesta  sobejamente  a  inexistência de evidente intuito de fraude e afasta a aplicação ao caso do art. 173, I  do CTN.  Na verdade, aplica­se ao caso o §4º, do art.150 do CTN, que leva à inevitável  conclusão de que o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em  causa  restou  extinto  em  novembro  de  2002.  Não  pode,  portanto,  alcançar  fatos  ocorridos antes dessa data.  Note­se, ainda, que a CSLL, a COFINS e a contribuição para o PIS, sendo —  como  efetivamente  o  são  —  tributos  sujeitos  ao  regime  do  lançamento  por  homologação,  também estão sujeitos à contagem do prazo decadencial previsto no  §4.° do art. 150, CTN, pois recentemente o Supremo Tribunal Federal pacificou essa  questão com a edição da Súmula Vinculante n.° 08/2008, [...]  Essa súmula vincula as autoridades administrativas, que não podem deixar de  aplicá­la ao caso de que se cuida.[...]  Do erro no lançamento   A decisão recorrida tentou fugir do vicio no lançamento provocado pela falta  de arbitramento admitindo que a Recorrente agiu de boa­fé, cometendo apenas um  equívoco  na  consideração  dos  valores  da  sua  receita  financeira.  Isso,  segundo  a  Turma Julgadora, afastaria a necessidade do arbitramento.  É certo que não ter ocorrido fraude — como de fato não ocorreu — afasta a  aplicação da alínea "a", do  inciso II, do art. 530 do RIR. Existem, contudo, outras  hipóteses que levam à necessidade de arbitramento.  Realmente,  a  decisão  singular  destaca,  desta  feita  tentando  justificar  o  agravamento da multa, que o fiscal autuante teria posto no seu relatório a observação  de que "analisando o livro Razão, observa­se que as contas­correntes e de aplicações  financeiras  não  estão  listadas  no  plano  de  contas  de  2002  e  2003,  nem  foram  registrados  os  lançamentos  referentes  à  movimentação  dessas  contas,  nem  dos  rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos." (fls.932) [...].  E da maior evidência que o fato que o fiscal diz ter constatado levaria — se  verdadeiro — à necessidade do lançamento por arbitramento.  A  decisão  recorrida  se  vale  também  de  outra  afirmação  do  fiscal  autuante,  segundo a qual a Recorrente teria "feito declarações inexatas, seja por ter omitido os  rendimentos  de  sua  escrituração  contábil,  seja  por  não  ter  apresentado  as  informações solicitadas no curso da fiscalização"... (fls. 933)  Por sua vez, o inciso III, do referido art.530 determina que também é caso de  arbitramento  do  lucro  quando  o  contribuinte:  "deixar  de  apresentar  autoridade  tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal," [...]  Assim, por essas  razões deveria o  fiscal  ter arbitrado o  lucro da Recorrente,  antes  de  lançar  o  IRPJ  e  a  CSLL  que  entendesse  devidos.  Como  não  o  fez,  o  lançamento de que se cuida é nulo por erro de procedimento. [...]  Da inocorrência de omissão de receita   Fl. 990DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.082          9 A Recorrente  não  omitiu  receita  à  tributação. Os  valores  que o  fiscal  assim  considerou, na verdade, não constituem receita da Recorrente.  De  fato,  o  lançamento  fiscal  de  que  se  cuida  é  totalmente  baseado  em  presunção  que  parte  de movimentação  bancária  de  recursos  que  não  pertencem  à  Recorrente. O fiscal autuante e os Julgadores de primeiro grau não demonstraram o  menor  interesse em comprovar que  tais  recursos seriam da Recorrente. Por  isso, o  mesmo não se sustenta diante do princípio da tipicidade cerrada que guia o Direito  Tributário.  O simples fato de existirem depósitos na conta da Recorrente, decorrentes de  anteriores operações financeiras, não significa que tais valores lhe pertencem. Essa é  a única razão pela qual a Recorrente não declarou tais valores como receita.  Assim,  não  estando  comprovado  nos  autos —  como  não  está —  que  esses  valores integrariam o patrimônio da Recorrente, não há como inclui­los na base de  cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da COFINS. O Lançamento  é improcedente. [...]  Das contribuições para o PIS e COFINS  De  todo  modo,  a  exigência  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  não  podem prevalecer. Primeiro porque os valores assim considerados pela fiscalização  não são receita da Recorrente. Além disso, mesmo que receita fossem — o que não  são — não cabe a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras. [...]  A Decisão recorrida, tentando mais uma vez contornar mais esse grave vício,  entendeu  que  "não cabe  a  autoridade  administrativa deixar  de  dar  validade  aquela  norma, conforme o Decreto n.° 2.346, de 1997". Esse dispositivo, contudo, não se  aplica ao caso em tela.  Assim,  como  sobre  essa  questão  já  existe  decisão  definitiva  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  Conselho  de  Contribuintes  não  só  pode  como  deve  afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras apontadas pela  fiscalização. [...]  Do indevido agravamento da multa   Por fim, o agravamento da multa em causa não tem qualquer fundamento.  Na verdade, os agentes fiscais somente aplicaram tal agravamento para tentar  fugir  à  aplicação  da  regra  estabelecida  no  §4°,  do  art.  150,  do  CTN.  Aqui  a  Recorrente se reporta às razões contidas no item "6" desta mesma peça de recurso.  O  simples  fato  de  a  decisão  recorrida  ter  afastado  a  aplicação  ao  caso  do  inciso II, do art. 530 do RIR/99, representa direto e insofismável reconhecimento de  que não houve fraude neste caso.  Além  disso,  a  fraude  não  se  presume.  O  lançamento  de  que  se  cuida  está  fincado  na  presunção  de  que  os  recursos  das  aplicações  financeiras  pertenciam  à  Recorrente, quando de fato não lhe pertencem. Tal presunção não pode servir para  fundar a cobrança do imposto e muito menos para caracterizar fraude. [...]  Resta demonstrada, portanto, a total falta de fundamento para o agravamento  da multa em causa.  Conclui:  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.083          10 Por  todo  o  exposto,  pede  a  Vs.  Sas.  que  acolham  as  razões  de  Recurso  e  reformem a decisão recorrida, para julgar no todo IMPROCEDENTE o lançamento  de que se cuida, ou, caso assim não entendam, pede:  (a)  a  improcedência  do  lançamento  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  receita  financeira;  (b) o reconhecimento da ocorrência da decadência e a anulação do lançamento  com base em fatos que tenham ocorrido antes de novembro de 2002;  (c) a anulação do lançamento da multa agravada.  Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de  23.02.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 01­02), vale esclarecer que a Portaria MF nº  545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62­A do Anexo II da Portaria  MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009,  que  aprova  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do  julgamento  do  processo  referente  à matéria  (art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001)  que  está  em  repercussão  geral  no  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  sem  trânsito em julgado (art. 543­B do Código de Processo Civil ­ CPC). Assim, o julgamento do  presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de  06 de março de 1972.  Fez  sustentação  oral  pela  Recorrente  Dr.  Schubert  de  Faria  Machado,  OAB/CE nº 5.213.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.084          11 crédito  tributário,  os  Autos  de  Infração  podem  ser  lavrados  sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica no  local em que foi constatada a  infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os  quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de  prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem  da  intimação válida para que  se  instaure o processo, vigorando na  sua  totalidade os direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  Os Autos de  Infração foram lavrados por Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou  a  matéria  tributável,  calculou  o  montante  do  tributo  devido,  identificou  o  sujeito  passivo,  aplicou  a  penalidade  cabível  e  determinou  a  exigência  com  a  regular  intimação  para  que  a  Recorrente pudesse cumpri­la ou  impugná­la no prazo  legal. A decisão de primeira  instância  está  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente  e  da  qual  a  pessoa  jurídica  foi  regularmente  cientificada.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos  legais,  o  que  lhes  conferem existência, validade e eficácia.   As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios  lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na  peça  de  defesa  denota  perfeita  compreensão  da  descrição  dos  fatos  e  dos  enquadramentos  legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse  modo, não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,  tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos2.   Consta no Relatório Fiscal, fls. 51­53, cujas informações estão comprovadas  nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano:  1. ATOS DA FISCALIZAÇÃO   1.1 No exercício das funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil e,  com fulcro nos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3000,  de/26  de  março  de  1999  (RIR/99),  procedeu­se h. fiscalização no contribuinte acima identificado.  1.2 A referida ação fiscal teve início em 22 de março 2007, com a ciência por  via  postal  com  Aviso  de  Recebimento  (AR)  do  Termo  de  Inicio  de  Fiscalização                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.085          12 lavrado em 21/03/2007 e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no 03.1.02.00­ 2007­00043­3, emitido em 21/03/2007, tendo como escopo o Imposto de Renda das  Pessoas  Jurídicas  (IRPJ)  em  01/2002  a  12/2002,  e  a  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no período de 01/2004 a 12/2004 no  referido MPF.   1.3  No  Termo  de  Inicio  de  Fiscalização  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  cópias  dos  extratos  bancários  de  todas  as  contas­corrente,  de  poupança  e/ou  de  aplicações  financeiras  mantidas  pela  empresa,  ainda  que  de  outra  titularidade,  junto  a  instituições  financeiras  no  Brasil  e  no  exterior,  no  ano­ calendário  2002,  e  os  livros  Diário  e  Razão  de  2002  e  2004,  entre  outros  documentos.  1.4  Em  12/04/2007,  a  empresa  apresentou  os  referidos  livros  e  extratos  bancários de 2002 uma conta bancária n° 14.051641­0 no BIC, agência Juazeiro, e  de uma conta bancária n° 14.052318­7 no BIC, agência Bezerra (Fortaleza).  1.5  Reintimado  a  apresentar  cópias  dos  extratos  de  outros  bancos,  o  contribuinte não o fez,  tendo se  limitado a apresentar pedidos de prorrogação cujo  caráter protelatório se confirmou pelo fato de que os referidos extratos nunca foram  entregues;  conseqüentemente,  foi  feita  Requisição  de  Movimentação  Financeira  (RMF) aos bancos Rural, Safra, Panamericano e Bradesco.   1.6 Em 03/09/2007  foi  emitido MPF — Complementar n° 03.1.02.00­2007­ 00043­3­1,  do  qual  o  contribuinte  tomou  ciência  em  04/09/2007,  juntamente  com  Termo de Intimação Fiscal n° 0003, através do qual ele foi intimado a apresentar os  livros Diário e Razão do ano­calendário 2003, e o Livro de Apuração do Lucro Real  (Lalur) dos anos­calendário 2002 e 2003.   1.7 Embasado pela ampliação do escopo da fiscalização, inclusive, para IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  de  2002  e  2003,  o  referido  TIF  no  0003  solicitava  ainda  cópias dos extratos bancários de todas as contas de aplicações financeiras mantidas  pela empresa. Em 12/09/2007 foi pedida prorrogação de prazo, ao final do qual só  foram apresentadas cópias de extratos de aplicações do Bradesco e cópias de notas  de negociação de títulos do BIC Banco. Mais uma vez, a falta de apresentação dos  extratos de aplicações financeiras das outras instituições financeiras motivou novas  RMF’s.   1.8 Em 09/10/2007 foram entregues os livros Lalur e Diário e Razão do ano­ calendário 2003.  1.9 Com a formalização dos Autos de Infração de IOF e IRRF nos processos  n°  10315.001238/2007­47  e  10315.001292/2007­92,  respectivamente,  foi  lavrado  Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal, e foram devolvidos os livros de ISS  (2002, 2003 e 2004), Diário (2002 e 2003), Razão (2002 e 2003) e Lalur (a partir de  20»2), conforme cópia do Termo de Devolução de Documentos n° 0001, lavrado em  31/10/2007.  1.10 Através dos Termos de Intimação Fiscal n° 0005 e 0006, o contribuinte  foi  intimado  a  prestar  esclarecimentos  relativos  a  valores  de  rendimentos  de  aplicação  financeira  auferidos  nos  anos­calendário  2002  e  2003  que  não  foram  escriturados, conforme será tratado no tópico 2 adiante.  1.11 Foi feita pelo contribuinte uma "solicitação do processamento das DIPJs  2003  e  2004  retransmitidas".  De  fato,  verificou­se  que  essas  declarações  foram  retificadas em 08/11/2007.  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.086          13 1.12  Em  resposta  ao  TIF  n°  0006,  foi  entregue  em  28/11/2007  declaração  dando  conta  de  que  a  empresa  constatara  que  os  rendimentos  de  aplicações  financeiras demonstrados nos anexos a esse TIF não foram declarados em DIPJ.  Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidades  no  curso  do  processo  (Mandado de Procedimento Fiscal nº 03.1.02.00­2007­00043­3, fls. 03­07, Termo de Início de  Fiscalização,  fls.  60­61,  Termos  de  Reintimação  Fiscal,  fls.  76­77  e  84­72,  Termos  de  Intimação  Fiscal,  fls.  79­83,  96­99,  184,  189­194  e  197­206,  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação  de MPF,  fls.  93­94,  185­186,  195­196  e  204, Mandado de  Procedimento Fiscal  Complementar nº 03.1.02.00­2007­00043­3­1, fls. 100­101, Termo de Encerramento Parcial da  Ação Fiscal, fl. 187, Termo de Encerramento, fl. 968, bem como a Intimação do Resultado do  Julgamento,  fls.  1044­1049)  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações  excepcionadas  pela  legislação  de  regência.  A  realização  desses  meios  probantes  é  prescindível,  uma  vez  que  os  elementos  probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do  litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova.  A Recorrente diz que o  tributo deveria  ter  sido  apurado com base no  lucro  arbitrado, tendo em vista a falta de escrituração dos rendimentos financeiros.  Em  relação  ao  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  arbitrado,  vale  esclarecer  que  a  autoridade  fiscal  verificando  que  a  pessoa  jurídica  deixou  de  cumprir  as  obrigações acessórias  relativas à determinação do  lucro  real  ou presumido, conforme o caso,  deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano­ calendário,  sendo  conhecida  ou  não  a  receita  bruta,  de  acordo  com  as  determinações  legais.  Este regime aplica­se no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis  comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios,  erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da  escrituração  comercial  e  fiscal  ou  optar  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido ou  deixar de  escriturar  e  apurar o  lucro  da  sua  atividade  separadamente  do  lucro  proveniente do exterior.   Nesse sentido, a existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa  jurídica,  manifestada  pela  não  escrituração  de  livros  auxiliares  que  possam  suportar  os  lançamentos  resumidos  em  partidas  mensais  no  livro  Diário,  torna­a  imprestável  para  determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro  real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável.  A  legislação  específica  é  no  sentido  de  que  em  que  a  receita  bruta  é  conhecida,  o  lucro  arbitrado  é  determinado  pelo  somatório  do  ganho  de  capital,  da  receita  financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a  custos  e  despesas  inclusive  com  perdas  no  recebimento  de  créditos,  bem  como  do  valor  resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a  receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o pelos art. 15 e art. 16 da Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995 acrescido de 20% (vinte por cento), em conformidade com o  art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e que produziu efeitos financeiros a partir  de 01.01.19973.                                                               3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985, art. 9º  e art. 47 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art.  16 e art. 24 da Lei nº  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.087          14 O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no  caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo  medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a  apuração dos tributos pelo lucro real.   Diferentemente do entendimento da Recorrente, restou comprovado nos autos  que  ela  possui  assentamentos  capazes  de  demonstrar  o  preenchimento  dos  requisitos  para  utilização do regime de tributação com base no lucro real, tais como no Livro Diário, fls. 534­ 545, no Livro Razão,  fls. 546­634 e Livro de Apuração do Lucro Real  (Lalur),  fls. 635­648,  regularmente escriturados, os quais foram apresentados às autoridades fiscais. A tese protetora  exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada.  A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado.  Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica,  nos  casos  em  que  a  autoridade  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de  jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe  sendo exigida a habilitação profissional de  contador4. O Auto de  Infração  foi  lavrado com a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinação  da  matéria  tributável,  cálculo  do  montante  do  tributo  devido,  identificação  do  sujeito  passivo,  aplicação da penalidade  cabível e validamente cientificada  a Recorrente,  o que  lhe conferem  existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser  sancionada.  A Recorrente discorda da apuração da omissão de rendimentos financeiros.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais.   O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período  de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e  dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo                                                                                                                                                                                           9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e  Súmula CARF nº 59, e ainda art. 8º do Decreto­Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978.  4  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46.  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.088          15 fiscal  apurado  em  períodos  de  apuração  anteriores,  das  perdas  no  recebimento  de  créditos  decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das  vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o  preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.   A  receita  líquida  de  vendas  e  serviços  é  a  receita  bruta  excluídos,  via  de  regra,  as  vendas  canceladas,  os  descontos  concedidos  incondicionalmente  e  os  impostos  incidentes  sobre vendas. Excepcionalmente a  legislação prevê  taxativamente as hipóteses em  que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado  da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença  entre a  receita  líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O  lucro  operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e  normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a  realização  operações  exigidas  pela  sua  atividade  econômica  apropriadas  simultaneamente  às  receitas  que  gerarem,  em  conformidade  com  o  regime de  competência  e  com o  princípio  da  independência  dos  exercícios. O  lucro  líquido  é  a  soma  algébrica  do  lucro  operacional,  dos  resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos  preceitos da lei comercial.   Caracteriza­se como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações  financeiras,  ressalvada  à  pessoa  jurídica  a  prova  da  improcedência,  oportunidade  em  que  a  autoridade  determinará  o  valor  dos  tributos  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  sistema  de  tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente5.  Em  relação  à  possibilidade  jurídica  de  obtenção  dos  dados  bancários  pela  autoridade tributária da RFB tem­se que no caso em que há processo administrativo instaurado  ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado  dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo6.  Prevalece  o  entendimento  de  que  o  sigilo  bancário,  fundado  constitucionalmente no direito à privacidade7, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando  a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo  bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal  regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente.   Ressalte­se  que  o  exame  dos  dados  financeiros  afigura­se  como  medida  necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão  legal  permissiva  expressa  e  esta  se  destina  a  identificar  a materialidade  do  ilícito  tributário.  Além disso  esses dados devem ser mantidos  em  sigilo pela  autoridade  fiscal. Assim, não há  que se falar em obtenção de prova por meio ilícito.  Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui                                                              5 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  6 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001.  7 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal.  Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.089          16 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário  às autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.  Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  O  lançamento  se  fundamenta  na  omissão  rendimentos  de  aplicações  financeiras, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na conta­ corrente nº 31.147­7 da agência nº 3700 do Banco Safra S/A, fls. 313­471, na conta­corrente nº  30254 da agência nº 0019 do Banco Panamericano S/A, fls. 486­489 e na conta­corrente nº 06­ 001313­0 da agência nº 0022 do Banco Rural S/A, fls. 511­533.  Esses valores  constam nos  extratos bancários  apresentados pelas  instituição  financeira,  em  atendimento  às  Requisições  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira  (RMF), fls. 134­136, 310­312, 472­485, 508­510, nas informações constantes no Livro Diário,  fls. 534­545, no Livro Razão, fls. 546­634, Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 635­ 648, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores  de  receita  financeira  iguais  a  zero,  fls.  649­872  e  nas  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais (DCTF), fls. 873­966.   Verificou­se que a Recorrente não incluiu na base de cálculo de IRPJ, CSLL,  PIS  e  Cofins  declarados  em  DCTF  os  valores  dos  rendimentos  de  aplicação  financeiras  auferidos  no  período.  Analisando  o  Livro  Razão,  observa­se  que  as  contas­corrente  e  de  aplicações financeiras não estão listadas no plano de contas dos anos­calendário de 2002 e de  2003, tampouco foram registrados lançamentos referentes à movimentação dessas contas, nem  dos rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos.    Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos  Movimentação Financeira  (B)  Mês  (A)  No Mês  R$  No Trimestre  R$  Ano­Calendário 2002  Janeiro  51.705,64  Fevereiro  121.287,93  Março  71.132,48  244.126,05  Abril  129.295,83  Maio  71.232,06  Junho  3.769,35  204.297,24  Julho  132.055,40  Agosto  9.061,69  Setembro  223.649,32  364.766,41  Outubro  81.930,20  Novembro  41.460,12  Dezembro  29.298,74  152.689,06  Ano­ Calendário de 2003  Janeiro  9.958,46  Fevereiro  9.444,72  Março  9.417,78  28.820,96  Abril  10.084,70  Maio  54.504,10  75.045,88  Fl. 998DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.090          17 Junho  10.457,08    Julho  11.850,22  Agosto  10.380,43  Setembro  9.843,40  32.074,05  Outubro  9.591,43  Novembro  6.253,98  Dezembro  624,75  16.470,16    Consta no Relatório Fiscal, fls. 51­53, cujas informações estão comprovadas  nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano:  2 RENDIMENTOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA OMITIDOS   2.1 Verificou­se que o contribuinte não havia incluído na base de cálculo de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  declarados  em  DCTF  os  valores  dos  rendimentos  de  aplicação  financeiras  auferidos  no  período  de  2002  e  2003,  por  intermédio  das  seguintes  instituições  financeiras:  Banco  Rural  S  A,  Banco  Panamericano  S/A,  Banco Safra S/A e Safra Corretora de Valores e Cambio Ltda./  2.2  Analisando  o  livro  Razão,  observa­se  que  as  contas­corrente  e  de  aplicações  financeiras  não,  estão  listadas  no  plano  de  contas  de  2002e  2003,  nem  foram  registrados  lançamentos  referentes  à movimentação  dessas  contas,  nem  dos  rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos.  2.3 Além de  ter apresentado DIPJs "zeradas",  impedindo que a RFB,  sem a  instauração  de  procedimento  fiscal,  pudesse  verificar  os  cálculos  dos  valores  dos  tributos declarados, e de  ter mantido totalmente à margem de sua contabilidade os  recursos  movimentados  nessas  instituições  financeiras,  deixando  de  oferecer  à  tributação,  exceto  pelo  fato  de  haver  retenção  na  fonte  de  parte  do  IRPJ,  os  rendimentos  das  aplicações  financeiras  que  produziram  resultados  positivos  nos  anos­calendário 2002 e 2003, e dificultando a verificação dessa omissão justamente  por não fazer constar esses valores em seus registros contábeis, o contribuinte não  atendeu  as  intimações  feitas  no  curso  da  fiscalização  no  que  se  refere  a  esses  rendimentos,  a  não  ser  por  ter  apresentado  declaração  de  que  "do  exame  feito  no  anexo  1  ao  Termo  de  Intimação,  constatamos  que  os  valores  nele  discriminados,  tanto de rendimento bruto de aplic. Financeiras, quanto de IRRF, efetivamente não  constaram na DIPJ relativa ao ano­calendário 2002".  2.4 Enfim verificou­se que, seja por  ter feito declaração inexata, seja por  ter  omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as  informações  solicitadas  no  curso  da  fiscalização  a  respeito  de  suas  aplicações  financeiras  (exceto  as  realizadas  por  intermédio  do Bic  Banco  e  do  Bradesco),  o  contribuinte tentou manter desconhecidos pelo fisco os valores que serviram de base  para  os  autos  de  infração  lavrados  nesta  fiscalização,  com multa  regulamentar  de  oficio  agravada  para  o  percentual  de  150%,  motivo  pelo  qual  será  feita  Representação Fiscal para Fins Penais.  2.5  Nos  anexos  1  a  5  deste  Relatório  estão  demonstrados  os  valores  das  aplicações  financeiras  não  escrituradas  do  ano­calendário  2002  (anexo  1)  e  2003  (anexo 2), as aplicações financeiras escrituradas de 2003 (anexo 3, do Bic Banco e  do  Bradesco,  deixando  claro  que  os  valores  dos  rendimentos  de  aplicações  financeiras auferidos por  intermédio dessas  instituições não foram utilizados como  base de cálculo dos lançamentos de oficio, em virtude de que eles já constavam nas  DIPJs  retificadoras  apresentadas  pelo  contribuinte  em  08/11/2007  e  seus  reflexos  Fl. 999DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.091          18 tributários  já  haviam  sido  declarados  em  DCTF),  bem  como  os  valores  de  IRPJ  (anexo 4), CSLL, PIS e COFINS  (anexo 5)  calculados  com base nos  rendimentos  omitidos, cujos valores estão consolidados.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  A  Recorrente  discorda  da  aplicação  da  multa  de  ofício  proporcional  qualificada.  Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência  da  inobservância  da  conduta  prescrita  na  norma  jurídica  primária.  A  multa  de  natureza  tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma  obrigação  legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em  dinheiro ao sujeito passivo.   A  aplicação  da  multa  de  ofício  proporcional  qualificada  pressupõe  a  constituição  do  crédito  tributário  pelo  lançamento  direito,  diante  da  constatação  da  falta  de  pagamento ou recolhimento, pela  falta de declaração e pela declaração  inexata de obrigações  tributárias pelo  sujeito passivo. Tem como  requisito necessário  a  comprovação, de plano, da  conduta dolosa, que é a vontade  livre e consciente de o agente praticar um fato  ilícito, ainda  que por erro, mas desde de evidenciada a má­fé, da qual decorre prejuízo a outrem.   Caracteriza­se pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de  encobrir  fatos  tributários  da  Administração  Pública,  pela  fraude,  que  é  a  ação  ou  omissão  dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do  tributo ou pelo conluio, que é o ajuste  doloso entre pessoas,  seja para encobrir  fatos  tributários da Administração Pública,  seja para  não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo.   Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos  ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir  a  fiscalização  ou  fugir  ao  pagamento  do  imposto.  A  mesma  conduta  reprovável  deve  ser  reiterada,  ou  continuada,  assim  entendida  em  relação  à  qual  tenham  sido  lavrados  diversos  autos ou representações8.   Restou comprovado que nos quatro trimestres dos anos­calendário de 2002 e  2003 a Recorrente  reiteradamente omitiu  rendimentos de aplicações  financeiras  apurados em  razão do cotejo entre os valores constantes na conta­corrente nº 31.147­7 da agência nº 3700 do  Banco  Safra  S/A,  fls.  313­471,  na  conta­corrente  nº  30254  da  agência  nº  0019  do  Banco  Panamericano  S/A,  fls.  486­489  e  na  conta­corrente  nº  06­001313­0  da  agência  nº  0022  do  Banco  Rural  S/A,  fls.  511­533  e  as  informações  constantes  na  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  fls.  649­872  e  nas  Declarações  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 873­966.   Constata­se que a Recorrente não incluiu na base de cálculo dos tributos em  DCTF,  não  escriturou  as  receitas  financeiras  no  Livro  Razão,  tampouco  informou  qualquer  valor na DIPJ. Ademais, não houve atendimento às intimações com esclarecimentos explícitos,                                                              8  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  149  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de  1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002.  Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.092          19 claros  e  congruentes  a  respeito  dos  fatos  relacionados  à  infração  fiscal  apurada  de  ofício.  Tampouco  a  Recorrente  apresenta  comprovação  robusta  nos  autos  de  que  os  valores  que  serviram  de  base  de  cálculo  que  foram  objeto  do  lançamento  seriam  de  titularidade  de  terceiros.   No  presente  caso,  houve  constituição  do  crédito  tributário  pelo  lançamento  direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela  conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata, seja por ter omitido os  rendimentos  de  sua  escrituração  contábil,  seja  por  não  ter  apresentado  as  informações  solicitadas no  curso da  ação  fiscal. A conclusão oferecida pela defendente,  porém, não pode  subsistir.  A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência.   A  decadência  é  matéria  de  ordem  pública  que  pode  ser  conhecida  a  requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.  Este  instituto  pode  ser  definido  como  a  perda  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  tendo  em  vista  decurso  do  lapso  temporal  de  cinco  anos  previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em  que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por  parte  da  Administração  Pública,  o  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência  do  fato  gerador.  Por  seu  turno,  comprovada  a  conduta  qualificada  pelo  dolo,  pela  fraude  ou  pela  simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco  anos  se  inicia  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado.   Esse  é  o  entendimento  constante  na  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  recurso  especial  repetitivo  nº  973.733/SC9,  cujo  trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF10. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de  julho  de  1991,  foi  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  em  conformidade  com  a  Súmula  Vinculante  nº  8  e  assim  foi  afastado  definitivamente  do  ordenamento jurídico.  No  presente  caso,  tratando­se  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação o prazo se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, uma vez que se comprovou a conduta qualificada pelo  dolo, pela fraude ou pela simulação.   As  notificações  dos  Autos  de  Infração  dos  quatro  trimestres  dos  anos­ calendário de 2002 e 2003 foram efetivadas em 10.01.2008, fl. 968.  Desse modo não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade das  exigências,  porque  o  termo  do  prazo  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados ocorreria em 31.12.2008 e                                                              9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  12  de  agosto  de  2009.  Dsponível  em:  <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011.  10 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62­A do Anexo  II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil.  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.093          20 31.12.2009, respectivamente, para os anos­calendário de 2002 e 2003. A proposição afirmada  pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente suscita que sobre os rendimentos de aplicações financeiras não  incidem o PIS nem a Cofins.   Pertinente  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  cabe  ressaltar  que  foram  criadas para o custeio da seguridade social, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado,  devem ser calculadas com base na receita bruta, podendo ser excluídos os valores das vendas  canceladas,  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI) e do  Imposto  sobre Operações  relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e  Intermunicipal e de Comunicação  (ICMS)  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário.  Por  esta  razão  as  receitas  financeiras  não  compõem  a  base  de  cálculo  destes  tributos, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas  como objeto.   Este  é  o  entendimento  constante  na  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  no  Agravo  de  Instrumento/Questões  de  Ordem  nº  715.423/RS11  que  reconheceu  a  Repercussão  Geral  com  mérito  julgado  no  Recurso  Extraordinário nº 527.602/RS12, que  reconheceu a  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998,  em  conformidade  com  o  Relatório  Repercussão  Geral  do  STF13,  e  deve  ser  reproduzido  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF14.   Os  presentes  créditos  tributários  de  PIS  e  de  Cofins  foram  constituídos  a  partir  da  omissão  de  rendimento  de  aplicação  financeira  nos  quatro  trimestres  dos  anos­ calendário de 2002 e 2003. Tendo em vista o fato de que estes valores não compõem a receita  bruta decorrente das atividades econômicas exercidas pela Recorrente, os Autos de Infração de  Pis e de Cofins são improcedentes. Ademais, a atividade da factoring é a compra e venda de  títulos  e  sua  receita  operacional  não  é  de  natureza  de  aplicação  financeira.  A  justificativa  arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem                                                              11  BRASIL.Supremo  Tribunal  Federal.  Agravo  de  Instrumento/Questões  de  Ordem  nº  715.423/RS.  Ministra  Relatora:  Ellen  Gracie,  Plenário,  Brasília,  DF,  11  de  junho  de  2008.  Disponível  em:  <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011.  12 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros  Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível  em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011.  13  BRASIL.  Supremo  Tribunal  Federal.Jurisprudência.  Repercussão  Geral.  Relatório  da  Repercussão  Geral.  Disponível  em:  <  http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22  set.2011.  14  Fundamentação  legal:  art.  195  da Constituição  Federal,  art.  1º  e  art.  3º  da  Lei  Complementar  nº  7,  de  7  de  setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº  9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62­A do  Anexo II do Regimento Interno do CARF.  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.094          21 ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso15. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade16.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao mesmo  sujeito  passivo  17.  O  lançamento  de CSLL  sendo  decorrente  da mesma  infração  tributária,  a  relação  de  causalidade  que  os  informa  leva  a  que  o  resultado  do  julgamento deste feito acompanhe aqueles que foi dado à exigência de IRPJ.  Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário  para  cancelar  os  lançamentos  de  PIS  e  de  Confins  incidentes  sobre  a  base  de  cálculo  de  aplicações financeiras.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                15 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972.  16 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  17 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.                Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.095          22 Declaração de Voto  Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro   Em acréscimo ao relatório apresentado pela  Ilma. Conselheira, Sra. Carmen  Ferreira Saraiva, destaco que em sua irresignação, a recorrente formula o seguinte pedido (fl.  360):  [...] Por todo o exposto, pede a Vs. Sas. que acolham as razões de Recurso e  reformem a decisão recorrida, para julgar no todo IMPROCEDENTE o lançamento  de que se cuida, ou, caso assim não entendam, pede:  (a)  a  improcedência  do  lançamento  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  receita  financeira;  (b) o reconhecimento da ocorrência da decadência e a anulação do lançamento  com base em fatos que tenham ocorrido antes de novembro de 2002;  (c) a anulação do lançamento da multa agravada.  Iniciado  o  julgamento,  a  Ilma.  Conselheira  Relatora,  Sra.  Carmen  Ferreira  Saraiva votou por dar provimento em parte ao recurso voluntário para excluir a exigência de  PIS e de Cofins por tratar­se de omissão apurada sobre rendimentos de aplicação financeira. O  entendimento  foi  o  de  que  que  estes  valores  “...não  compõem a  receita  bruta  decorrente das  atividades econômicas comerciais exercidas pela Recorrente...”.  Ato contínuo, pedi vista dos autos e, na forma do Art. 63, §7º da Portaria nº  256/2009  (Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF),  apresento a seguinte declaração de voto.  Declaração de voto  A  recorrente  insurge­se  contra  a  constitucionalidade  da  quebra  de  sigilo  bancário através de Requisição de Movimentação Financeira.  A  proteção  constitucional  ao  sigilo  de  dados  não  é  absoluta,  mas  exige  a  observância dos  critérios  fixados pela Magna Carta para  seu  afastamento. No  julgamento do  Recurso  Extraordinário  nº  389808/PR  (Relator:  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado  em 15/12/2010,  Publicado  em 10­05­2011) o STF  reconheceu  que  o Art.  5º, XII  da  CR/88,  a  resguardar  a  dignidade  do  cidadão,  somente  autoriza  o  afastamento  do  sigilo  mediante  ordem  judicial.  Embora  sujeita  ao  sigilo  fiscal  (CTN,  Art.  198),  a  Administração  Tributária  não  pode  tomar  o  lugar  do  órgão  eqüidistante  (Estado­juiz)  constitucionalmente  competente  para  avaliar  a  presença  de  indícios  a  autorizar  o  afastamento  desta  garantia  constitucional.  Ocorre,  todavia,  que  o  controle  de  constitucionalidade  in  concreto,  com  alcance  limitado  às  partes  daquele  processo,  não  autoriza,  em  sede  administrativa,  o  afastamento  da  aplicação  do  dispositivo  legal  que  subsidiou  a  obtenção  de  informações  pela  autoridade  fiscal  junto  a  instituição  financeira  através  de  Requisição  de  Movimentação  Financeira (RMF), qual seja o Art. 6º da LC 105/2001. Incidência, no presente caso, do óbice  Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.096          23 previsto no Art. 26­A do Decreto 70.235/1972, repetido no Art. 62 da Portaria MF nº 256/2009  e na Súmula CARF Nº 2.  Em suas razões, o recorrente também pugna pela declaração de inexistência  de evidente intuito de fraude de modo a afastar tanto a multa qualificada do Art. 44, inciso II,  da Lei n° 9.430/96, como contagem prazo prescricional pelo art. 173, I do CTN.  No Relatório Fiscal (fl. 51), a autoridade responsável pelo lançamento, assim  justificou  a  aplicação  da  penalidade  de  150,00%,  prevista  no  Art.  44,  inciso  II,  da  Lei  n°  9.430/96:  Enfim  verificou­se  que,  seja  por  ter  feito  declaração  inexata,  seja  por  ter  omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as  informações  solicitadas  no  curso  da  fiscalização  a  respeito  de  suas  aplicações  financeiras  (exceto  as  realizadas  por  intermédio  do Bic  Banco  e  do  Bradesco),  o  contribuinte tentou manter desconhecidos pelo fisco os valores que serviram de base  para  os  autos  de  infração  lavrados  nesta  fiscalização,  com multa  regulamentar  de  oficio  agravada  para  o  percentual  de  150%,  motivo  pelo  qual  será  feita  Representação Fiscal para Fins Penais.  Na  avaliação  de  configuração  do  tipo  legal  “evidente  intuito  de  fraude”,  mister se faz avaliar a conduta do agente por inteiro, para fins de enquadramento nos arts. 71,  72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.  No presente caso, se verifica que a omissão de rendimentos do contribuinte  nas  declarações  efetivadas  no  cumprimento  de  obrigações  acessórias  e  em  sua  própria  contabilidade foram insuficientes para:  a)  “...impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da  autoridade  fazendária:  (I)  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou (II) ­ das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. (Sonegação –  Art. 71 da Lei nº 4.502/1964)  b)  “...impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou modificar  as  suas características essenciais...” (Fraude – Art. 72 da Lei nº 4.502/1964);  c)  caracterizar  “...ajuste  doloso  entre  duas  ou  mais  pessoas  naturais  ou  jurídicas,  visando  qualquer  dos  efeitos  referidos  nos  arts.  71  e  72...”  (Conluio ­ – Art. 73 da Lei nº 4.502/1964).  Isso por que a ausência de registros contábeis ou de declarações pelo sujeito  passivo torna­se inócua diante do fato de que, ao efetivar aplicações financeiras, deu azo para  que fossem encaminhadas à Administração  tributária federal as  informações dos rendimentos  obtidos com tal atividade:  LC 105/2001  Art.  5º.  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.097          24 tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários de seus serviços.  Decreto nº 4.489/2002   Art. 2º. As  informações de que trata este Decreto, referentes às  operações  financeiras  descritas  no  §  1º  do  art.  5º  da  Lei  Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente,  em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas  pela Secretaria da Receita Federal, e restringir­se­ão a informes  relacionados  com a  identificação dos  titulares  das  operações  e  com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos  a  cada  usuário,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita  identificar  a  sua  origem  ou  a  natureza  dos  gastos  efetuados.  ...  § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários  dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas  (CPF)  ou  no Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica  (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro  elemento de  identificação existente na instituição financeira.  Nessa linha, adoto como razão para afastar a incidência do Art. 44, II da Lei  9.430/96 a seguinte conclusão externada pelo Ilmo. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da  Silva, quando relator do Acórdão nº 102­48736, nesta casa, em 12 de setembro de 2007:  Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários  de  origem  não  comprovada  não  se  pode  falar  em  omissão  qualificada  do  contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato  gerador,  pois  ao  efetuar  transação  financeira  dá­se  o  oposto,  isto  é,  possibilita,  conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°,  do Decreto  n°  4.545,  de  2002,  que  seja  encaminhado  à  Fiscalização  informações  acerca de todos os recursos que movimentou.   ...  Se por  força das disposições  legais antes  referidas, mais precisamente o art.  2°,  §  3º,  do  Decreto  n°  4.489,  de  2002,  as  informações  são  mensalmente,  em  arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma  das  operações  realizadas  por  seus  respectivos  titulares,  não  se  pode  falar  em  sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato  gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de  crime  impossível, pois em fazendo aplicação financeira o contribuinte não  tem  como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização.  Deveras,  verifica­se  verdadeira  impropriedade  do  objeto  para  prática  da  infração tributária em tela – infrações definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 – a  destinação de rendimentos supostamente omitidos a operações financeiras de conhecimento da  Administração tributária da União.  Afastado  o  potencial  de  perigo  na  produção  do  resultado  delitivo,  resta  caracterizado, no presente caso, a configuração de mera omissão de receita ou rendimentos,  a ensejar a aplicação do Enunciado da Súmula 14 do CARF, que assim dispõe:  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.098          25 Súmula n° 14 ­ A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  oficio,  sendo  necessária  a  comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.  Deve, portanto, ser afastada a aplicação da multa de lançamento de oficio  prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre as correspondentes bases  tributáveis.  Por consequência, quanto à questão relativa ao termo inicial da decadência,  tenho que razão assiste ao contribuinte. Incide no presente caso o Art. 150, §4º do CTN, o que  enseja  na  declaração  de  decadência  quantos  aos  tributos  com  fatos  geradores  anteriores  a  novembro de 2002.  Para  tanto,  procedo  a  avaliação  tendo  em  conta  o  entendimento  do  STJ  firmado  no  REsp  973.733/SC  (Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Seção,  DJe  18/9/2009,  submetido ao regime do art. 543­C do CPC) de que aplica­se exclusivamente o art. 150, § 4°,  do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173,  I, do mesmo diploma, quando o  contribuinte a) efetua pagamento parcial e b) não for constatado dolo, fraude ou simulação.  Havendo nos autos informação que dá pela efetivação de pagamento parcial  (fls. 873 a 966) e, uma vez não configurada fraude no comportamento do contribuinte, aplico  ao presente caso o Art. 150, §4º para fins de cômputo do prazo decadencial.  Considerando que o lançamento, na forma do Art. 145 do CTN, considera­se  efetivado no dia em que notificado o sujeito passivo (no caso em 12.12.2007 – fl. 59), mister se  faz a declaração da perda do direito do Fisco em constituir o crédito tributário quanto aos  tributos objeto de lançamento cujos fatos imponíveis se verificaram antes de novembro de  2002.  A recorrente também contesta a validade do lançamento sob o argumento de  que deveria o  fiscal  ter arbitrado o  lucro, antes de  lançar o  IRPJ e a CSLL que entendesse  devidos.  À fl. 57/8, se verifica que a autoridade fiscal apura IRPJ e CSLL diretamente  sobre os valores dos  rendimentos omitidos,  sendo que,  ao mesmo  tempo, no  relatório  fiscal,  reconhece:  “...as  contas­corrente  e  de  aplicações  financeiras  não  estão  listadas  no  plano  de  contas de 2002 e 2003, nem foram registrados lançamentos referentes à movimentação dessas  contas, nem dos rendimentos que foram auferidos a partir desses  investimentos” (fl. 52). Tal  referência, entretanto, abrange apenas as contas correntes referentes ao Banco Rural S/A,  Banco Panamericano S/A, Banco Safra S/A e Safra Corretora de Valores e Cambio Ltda,  pois às fls. 430 e 491 (Plano de Contas), se vê referências às contas “BIC”, “BIC Fortaleza” e  “Bradesco”.  Por  esse  motivo,  o  acórdão  da  DRJ  (fl.  1.038)  concluiu  “...embora  as  aplicações  financeiras  correspondam  a  uma  parcela  da movimentação  bancária,  esta  não  foi  dada como omitida na escrituração da autuada, para se subsumir ao tipo eleito pelo legislador  como condição para o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica (artigo 530, inciso II, alínea  "a", do RIR199)”.  De  fato  se mostra  acertada  tal  posição. A aplicação do Art.  530,  II,  “a”  do  RIR/99  (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47),  exige que a escrituração esteja configurada como  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.099          26 “imprestável” (“...Que não presta ; inútil...” in Dicionário Aurélio, Ed. Nova Fronteira, Rio de  Janeiro : 1986, pg. 925):  RIR, Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº  9.430, de 1996, art. 1º):  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  b) determinar o lucro real;  Tendo os registros contábeis servido de auxílio para a determinação do lucro  real e da efetiva movimentação financeira, não pode a escrituração do contribuinte ser tida por  imprestável.  A  desclassificação  da  escrita,  com  o  consequente  arbitramento  do  lucro  é  poder/dever de medida extrema outorgada ao poder público pela própria lei, o que não é o caso  dos autos. Rejeito, portanto o pedido de aplicação de arbitramento da base de cálculo por  inaplicabilidade ao presente caso do Art. 530,  II, “a” do RIR/99  (Lei nº 8.981, de 1995,  art. 47).  Alega  também  o  contribuinte  não  estar  comprovado  nos  autos  que  as  omissões apontadas no auto de infração integrariam o patrimônio da Recorrente, razão pela  qual não poderiam ser incluídas na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o  PIS e da COFINS.  Improcede, todavia, tal argumento.  Como ato administrativo, o  lançamento deve ser motivado, sendo  tal mister  dever – e não ônus, pois não confere uma faculdade – da autoridade fiscal (CTN, Arts. 142 e  149).   No presente caso, todavia, a existência de norma de presunção legal do Art.  42 da Lei 9.430/1996 (RIR, Art. 287) apenas desloca a prova do fato imponível (auferição de  renda),  para  o  fato  indicado  pelo  legislador  “a  partir  do  qual  se  estabelece  o  raciocínio  presuntivo” (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo  : Noeses,  2011, pg. 273):  “... descabe falar em inversão do ônus da prova, qualquer que seja a figura  presuntiva:  (i)  sendo  caso  da  chamada  presunção  legal,  impõe­se  a  comprovação,  por parte do Fisco, da situação ensejadora da relação implicacional prescrita em lei;  (ii)  na  presunção  simples,  além  da  prova  do  acontecimento  tomado  como  fato  presuntivo,  é  preciso  demonstrar  o  vínculo  lógico  entre  este  e  o  fato  presumido”.  (TOMÉ, ob. cit. 2011, pg. 276)  Diferentemente,  portanto,  da  tese  expendida  pelo  contribuinte,  no  presente  caso,  na  comprovação  da omissão  de  rendimentos,  é despicienda  a  demonstração  de  relação  causal entre o fato presuntivo (“...valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira...”  –  Art.  42  da  Lei  9.430/96)  e  o  fato  presumido  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.100          27 (omissão de rendimentos). A operação intelectual do aplicador do direito (presunção simples)  foi  substituída  pela  presunção  legal  que  estabeleceu  essa  relação  causal  no  âmbito  pré­ legislativo. Rejeito, portanto, tal pretensão.  A  título  expletivo  –  pois  tal  discussão  não  foi  trazida  aos  autos,  e  nem  poderia, face a vedação do Art. 26­A do Decreto 70.235/1972 e Súmula 2 do CARF – cumpre  acrescentar que a presunção estabelecida pelo Art, 42 da Lei 9.430/96 deverá, na seara própria,  ter sua validade aferida face a) normas constitucionais de competência tributária, e b) normas  que  asseguram  direitos  e  garantias  individuais  aos  contribuintes,  como  bem  destacado  por  TOMÉ (2011, ob. cit. pg. 338).  Neste cenário, nos adiantamos para concluir que esta viola o direito à ampla  defesa (CF, Art. 5º, LV), pois exige que a comprovação pelo contribuinte quanto à origem dos  recursos utilizados nas operações envolvida se dê não através de todos os meios de prova em  direito admitidos, mas sim apenas  “...mediante documentação hábil  e  idônea”  (Art. 42, parte  final, da Lei 9.430/96). Enquadra­se, portanto, no rol das presunções mistas, cuja aplicação no  direito tributário deve ser vista com restrição:  “...não  encontram  guarida  em  nosso  ordenamento  as  presunções  absolutas  nem  as  chamadas  presunções  mistas.  As  primeiras  são  obstadas  pela  rígida  repartição  constitucional  das  competências  para  instituir  tributos,  bem como pelos  princípios da estrita legalidade tributária, da tipicidade e da capacidade contributiva.  Quanto  às  presunções  mistas,  violam  não  apenas  os  primados  da  tipicidade  e  capacidade contributiva, mas também o direito à ampla defesa, já que restringem as  provas possíveis de serem utilizadas para ilidir o fato presumido” (TOMÉ, 2011, ob.  cit. pg. 338).  Ainda que não se  faça presente prova documental,  é direito do contribuinte  valer­se de qualquer  tipo de prova em Direito  admitida para  comprovar  a não ocorrência do  fato imponível tributário.  No presente caso,  insta, por fim,  ressaltar­se que não há nos autos qualquer  prova produzida pelo contribuinte para afastar a presunção legal.  Pleiteia ainda, o contribuinte, a exclusão da incidência do PIS e da COFINS  sobre receitas discriminadas no auto de infração, por se tratarem de receitas financeiras.  Merece reforma a decisão recorrida quando formula exigência de COFINS e  PIS sobre receitas que não compõe a base tributável destes tributos (conceito de faturamento),  tendo em vista o Supremo Tribunal Federal ter declarado inconstitucional o §1.°, do art. 3.°, da  Lei n.° 9.718/98.  Aquele  tribunal,  mais  recentemente,  tem  consolidado  a  posição  de  que  o  faturamento abrange não só o produto de venda de mercadorias e de serviços, mas “também  a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601­ED,  Rel. Min.  Cezar  Peluso,  julgamento  em  7­11­2006,  Segunda  Turma,  DJ  de  15­12­2006,  no  mesmo  sentido: AI  843.086­AgR, Rel. Min.  Luiz Fux,  julgamento  em 22­11­2011, Primeira  Turma,  DJE  de  13­12­2011).  Neste mesmo  sentido,  tem  caminhado  o  STJ  (1ª  Seção,  REsp  929521/SP, LUIZ FUX, set/09, submetido ao regime do artigo 543­C do CPC).  À  luz da Lei n.° 9.718/98,  a base de  cálculo do PIS e da COFINS devidas  pelas  empresas  de  fomento  comercial  (factoring)  é  o  valor  do  faturamento  mensal,  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.101          28 compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da atividade principal da empresa, que nos  termos  da  Lei  nº  9.249/95  é  “prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar  e  a  receber,  compra  de  direitos  creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação de serviços (factoring)”.  O  mesmo  não  se  pode  dizer  dos  rendimentos  de  aplicação  financeiras  auferidos por intermédio de instituições financeiras. Enquanto a receita bruta está relacionada  com a atividade principal da empresa, estes se inserem no conceito de receita financeira, posto  referir­se a atividades acessórias, tais como juros recebidos e descontos obtidos.  Todavia,  importa  ressaltar  que  a  insurgência  do  contribuinte,  quanto  a  este  ponto, não mereceria, a princípio amparo integral.  Em  30  de  dezembro  de  2002  e  29  de  dezembro  de  2003,  foram  editadas,  respectivamente, as Leis 10.637 e 10.833, já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20∕98.  Essas  leis,  elegeram,  como  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  quando  apuradas  sob  o  regime não­cumulativo, o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas  pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo  1º, caput), sobejando certo que, nos aludidos diplomas legais, estabeleceu­se ainda que o total  das  receitas compreende a  receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta  própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (artigo 1º, § 1º).  A partir de então,  fez­se presente a existência de dois regimes normativos  quanto às bases de cálculo do PIS e da COFINS: (i) para o regime cumulativo, a definição de  faturamento mensal∕receita bruta, dada pela Lei Complementar 70∕91, como o que decorra das  vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das  receitas  oriundas  das  atividades  empresariais,  não  se  considerando  receita  bruta  de  natureza  diversa, a qual se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da  Lei  9.718∕98;  e  (ii)  para  o  regime  não­cumulativo,  por  imposição  das  Leis  10.637∕2002  e  10.833∕2003 (observado o princípio da anterioridade nonagesimal), o conceito de faturamento  mensal como a receita bruta da venda de bens e  serviços nas operações em conta própria ou  alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  O  contribuinte,  para  o  ano­calendário  de  2002  apurou  IRPJ  pelo  lucro  real  (consoante se pode observar na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ­DCTF­ 2.1, à fl.875). De fato, as empresas de fomento comercial (factoring) estão obrigadas ao lucro  real (Lei nº 9.718, art. 14, inciso VI). Isso implica sua sujeição à incidência não­cumulativa do  PIS com base de cálculo majorada a partir de abril de 2002 (Art. 8º, II da Lei 10.637/2002) e,  portanto, à apuração da base de cálculo sobre a totalidade das receitas auferidas, consoante na  forma do Art. 1º, §1º da referida lei.  Sendo assim, mister seria ser afastada a exigência de PIS, até 04/2002, e de  COFINS – esta integralmente ­ constantes do lançamento objurgado. Considerando, entretanto,  que  o  auto  de  infração  não  aplicou  o  novel  dispositivo  legal,  fica  impedida  a  aplicação  da  conclusão acima em função do Art. 146 do CTN, razão pela qual, neste ponto, acompanho a  relatora para excluir a incidência de PIS e COFINS no presente caso.  Pelo exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para a)  afastar a aplicação da multa de lançamento de oficio prevista no inciso II, do artigo 44, da  Lei  n°  9.430,  de  1996;  b)  declarar  a  decadência  do  direito  de  lançamento  dos  tributos  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/2007­11  Acórdão n.º 1801­001.889  S1­TE01  Fl. 1.102          29 cujos  fatos  imponíveis  ocorreram  antes  de  novembro  de  2002;  c)  e  para  afastar  a  exigência de PIS e COFINS contidas no auto de infração.  (assinado digitalmente)  Alexandre Fernandes Limiro    Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 11610.002999/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASIL-ARGENTINA. A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior. PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos.
Numero da decisão: 1801-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASIL-ARGENTINA. A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior. PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.154          2 provimento  em  parte  ao  recurso  voluntário.  Designado  para  redigir  o  Voto  Vencedor  o  Conselheiro Leonardo Mendonça Marques.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora  (assinado digitalmente)  Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Massao  Chinen,  Marcos  Vinícius  Barros  Ottoni,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório  A  Recorrente  formalizou  os  Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declarações  de  Compensação  (Per/DComp)  em  26.02.2003,  fls.  07­08,  nº  19468.94119.190906.1.7.02­6140  em  19.09.2006,  nº  36241.12762.190906.1.7.02­1887  em  19.09.2006,  nº  17882.19449.190906.1.7.02­2366  em  19.09.2006,  nº  38134.12940.271207.1.3.02­6556  em  27.12.2007  e  nº  42102.60975.  271207.1.3.02­3733  em  27.12.2007,  fls.  546­548,  utilizando­se  dos  créditos  relativos  ao  ano­calendário  de  2002  apurados com base no lucro real anual de:  a)  saldo  negativo  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  no  valor de R$1.730.985,45; e   b) saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no  valor de R$418.938,14.  Cabe ressaltar que foram apensados aos presentes autos os processos de nºs  11610.004211/2003­19 e 11610.005952/2003­17, fl. 551.   Na  Declaração  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  do  ano­ calendário de 2002, fls. 263­295, foram apurados os seguintes saldos negativos:  a) IRPJ no valor original de R$4.430.660,78; e   b) CSLL no valor original de R$503.398,74.  O processo está instruído com a Declaração de Imposto de Renda Retido na  Fonte  (DIRF),  fls.  296­300,  com os  Informes de Rendimentos,  fls.  352­372, 532­533 e 554­ 771, e ainda com o Livro Razão, fls. 35­260 e 373­531.  Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.155          3 Em conformidade  com  o Despacho Decisório,  fls.  772­779,  as  informações  relativas ao reconhecimento do direito creditório  foram analisadas das quais se concluiu pelo  deferimento em parte do pedido. Restou informado que em relação ao ano­calendário de 2002  foram reconhecidos os seguintes direitos creditórios a título de saldos negativos de:  a) IRPJ no valor original de R$4.300.852,64 e   b) CSLL no valor original de R$114.390,68.  Restou esclarecido que o saldo negativo de IRPJ não reconhecido no valor de  R$129.807,14 é decorrente da dedução indevida de valor de IRRF do ano­calendário de 2002.  No que diz respeito ao saldo negativo de CSLL não reconhecido no valor de R$398.008,06, é  originário  da  falta  de  informação  em  DCTF  do  valor  de  R$139.538,63  atinente  ao  tributo  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  no  ano­calendário  de  2001  e  da  dedução  indevida  do  valor  de  R$146.956,18  do  IRRF  pago  no  exterior  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos de capital não declarados no ano­calendário de 2000.  Conclusão  RECONHEÇO  O  DIREITO  CREDITÓRIO  contra  a  Fazenda  Nacional  a  SOLVAY  INDUPA  DO  BRASIL  S.A.,  CNPJ  n°  61.460.325/0001­41,  na  importância  de  R$4.300.852,64  (quatro  milhões,  trezentos  mil,  oitocentos  e  cinqüenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), correspondente ao saldo credor  de  IRPJ  do  AC  2002  e  na  importância  de  R$114.390,68  (cento  e  catorze  mil,  trezentos e noventa reais e sessenta e oito centavos), correspondente ao saldo credor  de CSLL do AC 2002, sobre as quais incide o acréscimo de juros da taxa referencial  SELIC, nos termos do artigo 52 da IN/SRF n° 600/2005;  ­  HOMOLOGO  AS  COMPENSAÇÕES  constantes  das  Declarações  de  Compensação  das  fls.  01  do  presente  processo  e  de  seus  apensos,  e  das DCOMP  eletrônicas  de  nos  19468.94119.190906.1.7.02­6140,  36241.12762.190906.1.7.02­ 1887,  17882.19449.190906.1.7.02­2366,  38134.12940.271207.1.3.02­6556  e  42102.60975.271207.1.3.02­3733, até o limite do direito creditório reconhecido;  ­ NÃO CONVALIDO as compensações sem processo dos débitos de fls. 291  a 293, compensados com o saldo credor de CSLL do AC 2000; [...]  Cientificada em 03.03.2008, fl. 780, a Recorrente apresentou a manifestação  de  inconformidade  em  02.04.2008,  fls.  804­824,  argumentando  em  síntese  que  discorda  da  conclusão da análise do pedido.  Defende  a  tese  de  que  os  débitos  objeto  de  compensação  estão  com  a  exigibilidade suspensa.  Argúi que os procedimentos apuração de saldos credores dos anos­calendário  de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a  homologação tácita e se operou a decadência pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a  ciência  do  Despacho  Decisório  em  03.03.2008  (§  4º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional).  No  que  se  refere  à mencionada  falta  de  informação  em DCTF  do  valor  de  R$139.538,63  atinente  ao  tributo  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  no  ano­ calendário de 2001, enfatiza que:  Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.156          4 [...] é certo que o saldo credor de CSLL de 2001, atualmente, encontra­se, em  discussão,  com  sua  exigibilidade  suspensa,  no  processo  acima  apontado  (11610.021229/2002­96),  em  virtude  de  apresentação  de  Manifestação  de  Inconformidade pela ora Manifestante (doc. 03), razão pela qual não pode ser objeto  de cobrança.  Atinente  à  dedução  do  valor  de  R$146.956,18  do  IRRF  pago  no  exterior  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  do  ano­calendário  de  2000,  esclarece  que  efetivamente informou esta quantia na linha a “receita de prestação de serviços” e não na linha  “rendimentos e ganhos de capital  auferidos no exterior” da Ficha 06A da DIPJ,  fls. 263­295  (art. 21 da Medida Provisória nº 2.158­35 de 24 de agosto de 2001 e art. 26 da Lei nº 9.249, de  dezembro de 1995  Afirma que  Tais  compensações  foram  efetuadas  com  a  própria  CSLL  devida,  por  estimativa, apurado mediante balancetes de suspensão/redução, nos primeiros meses  do ano­calendário de 2002, conforme atestou a DIPJ 2003 ­ano­base 2002 e DCTF's,  nas  quais  o  valor  do  débito  já  é  considerado  liquido  (com a  dedução  do  crédito  ­  compensações sem processo).  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Por todo o exposto, requer seja conhecida e provida a presente Manifestação  de  Inconformidade,  para  que  seja  CANCELADA  a  decisão  ora  atacada,  CONVALIDANDO­SE  E  HOMOLOGANDO­SE  INTEGRALMENTE  o  crédito  objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/2003­11 e apensos, bem assim  as  compensações  com  débitos  dele  decorrentes,  pelo  reconhecimento  destes  D.  Julgadores da ocorrência da decadência do  fisco de questioná­lo  em cotejo  com o  direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com  os débitos do período de 2002.  Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados,  nesse  caso,  a Manifestante  requer  sejam  os  autos  devolvidos  à  instância  fiscal  de  origem,  a  fim  de  se  verificar  os  cálculos  relativos  aos  rendimentos  auferidos  no  exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago no exterior  daí  decorrentes,  com  os  débitos  apurados  no  Brasil,  nos  períodos  subseqüentes,  autorizando­se,  para  tanto,  a  retificação  e  ajuste  dos  instrumentos  acessórios,  tais  como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento ao princípio da verdade material que  norteia o processo administrativo.  Termos em que,   P. Deferimento.  Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº  16­17.912, de 28.07.2008, fls. 904­911: “Compensação Homologada em Parte”, uma vez que  foi  homologada  tacitamente  a  compensação  constante  na  Per/DComp  apresentada  em  26.02.2003, fls. 07­08.  Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.157          5 Restou ementado  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002   HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.  Consideram­se homologadas as declarações se compensação após cinco anos  de seu protocolo, nos termos do § 5º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação  dada pela Lei n° 10.833/03.  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO EXTERIOR ­ IMPOSTO PAGO   A  contribuinte  tem direito  à  compensação  de  imposto  pago  no  país  em que  prestou serviços, desde sue atenda aos requisitos previstos na Legislação Brasileira.  Notificada  em  28.05.2009,  fl.  919,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  26.06.2009,  fls.  922­946,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os  argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Requer a produção de todos os  meios de prova e que sejam aceitos todos os documentos acostados aos autos.  Conclui  Por  todo  o  exposto,  requer  seja  conhecido  e  provido  o  presente  Recurso  Voluntário,  para  que  seja  reformada  a  decisão ora  atacada, CONVALIDANDO­ SE E HOMOLOGANDO­SE  INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido  de  compensação  n°  11610.002999/2003­11,  bem  assim  as  compensações  com  débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da  decadência  do  fisco  questioná­lo  em  cotejo  com  o  direito  à  compensação  da  contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos apurados.  Ainda,  requer  seja  suspensa  a  exigibilidade  dos  débitos  de  IRPJ/CSLL  referentes  ao  período  de  2002,  cujos  pedidos  de  compensação  foram  atrelados  ao  crédito  em  comento,  até  o  julgamento  definitivo  do  presente  processo  administrativo.  Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados,  nesse  caso,  requer  sejam os  autos devolvidos  à  instância  fiscal  de origem,  a  fim de verificar os cálculos  relativos aos  rendimentos auferidos no exterior,  em cotejo com as compensações do montante do  imposto pago exterior daí  decorrentes,  com os débitos apurados no Brasil,  nos períodos  subseqüentes,  autorizando­se, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios,  tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento aos princípios da verdade  material que norteia o processo administrativo e ampla defesa.  Termos em que,   Pede Deferimento.  Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da  Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática  com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do  feito  foi  convertido  na  realização  de  diligência  em  conformidade  com  a  Resolução  da  1ª  Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.158          6 TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801­00.057, de 29.03.2011,  fls. 01­07 para que  para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao ano­calendário de 1998:  a) a Recorrente deve ser intimada a:  a.1) apresentar a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho  de capital (Argentina) que prevê a incidência do imposto de renda que houver sido  pago, por meio do documento de  arrecadação apresentado,  regularmente  traduzida  em  vernáculo  por  tradutor  juramentado  (§  3º  do  art.  16  do Decreto  nº  70.235,  de  1972);  a.2) se houver, cópia dos balancetes mensais registrados no Diário e fichas do  Razão  demonstrando  os  pagamentos  recebidos  e  os  valores  relativos  às  retenções  efetuadas;  a.3)  apresentar  planilha  demonstrando  efetivamente  os  valores  recebidos  e  retidos pelas fontes pagadoras;  a.4) apresentar planilha compondo os valores escriturados a  título de receita  auferida, relacionando­os com os valores recebidos das fontes pagadoras que alega  haver sofrido retenção no período fiscalizado referente ao valor de R$146.956,18 de  fonte paga no exterior;  b) a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente deve:  b.1) juntar ao presente processo cópias das pesquisas efetuadas nos sistemas  internos da RFB, em especial naquele em que contenham dados a receita oferecida à  tributação pela Recorrente no ano­calendário de 2002;  b.2) confrontar os referidos valores com aqueles apresentados pela Recorrente  em resposta à Intimação Fiscal;  b.3)  juntar  ao  presente  processo  cópias  dos  autos  do  processo  nº  11610.021229/2002­96  em  que  possa  constatar  se  o  valor  de  R$139.538,63  do  tributo  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  no  ano­calendário  de  2001,  compôs o saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2001 e se está disponível  para utilização para compor o  saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2002  constante neste processo;  b.4)  verificar  todas  as  informações  elaborando  um  demonstrativo  analítico  com  todas  as  informações  referentes  ao  valor  de  R$146.956,18  e  ao  valor  de  R$139.538,63,  que  compuseram  o  saldo  negativo  da  CSLL  do  ano­calendário  de  2002.  Foi proferido o Relatório de Diligência, fls. 1013­1018, do qual a Recorrente  foi  regularmente  noticiada  em  24.06.2013,  fls.  1019­1020  e  apresentou  seu  arrazoado  em  04.07.2013, fls. 1021­1033, com as alegações a seguir resumidas.  Diz que   [...]  a  diligência  aponta  de  forma  categórica  a  comprovação,  nos  termos  da  legislação aplicável,  das  retenções de  imposto  sofridas  sobre  receitas apuradas em  decorrência  de  serviços  prestados  no  exterior,  bem  como  o  oferecimento  dessas  receitas  [...]  no  respectivo período de  competência.  [...] Contudo,  ao  finalizar  suas  considerações, [afirma que] não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados  no exterior, [e] o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor  Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.159          7 de R$146.956,18, relativa a dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida,  o que  resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$60.029,20,  conforme Despacho Decisório à f1.754.  Suscita que a houve extrapolação dos limites da diligência, de modo que há  ilegitimidade nas conclusões fiscais e assim é necessária sua desconsideração no julgamento do  litígio.  Afirma que   O trabalho fiscal [...] preocupou­se em buscar argumentos e adotar um critério  novo e discrepante da discussão tida nos autos para justificar a legitimidade da glosa  perpetrada  pela  autoridade  fiscal  [...],  nos  termos  da  Portaria  n.  3.014,  de  29  de  junho de 2011 [e] do art. 18 do Decreto nº 70.235 [de 06 de março de 1972].  Defende que não cabe “ao Agente Fiscal, ao cumprir a diligência requerida e  elaborar o relatório de suas conclusões, considerar aspectos que não estejam circunscritos aos  próprios  questionamentos  formulados,  sob  pena  de,  indevidamente  instaurar  uma  nova  discussão no bojo do feito, o que é inapropriado para a fase processual em questão”, inclusive  no que se refere “sobre as receitas auferidas em virtude da prestação de serviços no exterior”  Menciona  que  a  inovação  dos  argumentos  no  Relatório  de  Diligência  é  descabida, haja vista que é “necessária a limitação do trabalho fiscal aos argumentos constantes  no feito fiscal”.  Discorda de que houve uma “suposta ausência de apuração de lucro”, ou seja,  “falta de apuração de lucro sobre os serviços prestados pela Recorrente no exterior”. Expressa  que “as normas que disciplinam as  referidas deduções não  impõem nenhuma limitação nesse  sentido, pois com o advento da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, qual trouxe normas  de  cunho  procedimentais,  os  documentos  acostados  pela  Recorrente  são  suficientes  para  demonstrar o imposto pago no exterior e, consequentemente, respaldar o direito da Recorrente  em compensá­los na forma da legislação aplicável”.  No que se refere “à premissa equivocada adotada pelo agente fiscal quanto à  glosa relativa à dedução da CSLL com imposto pago no exterior [, ou seja,] deduções efetuadas  com  base  em  imposto  incidente  sobre  as  receitas  de  serviços  exportados”  relata  que  “a  autoridade  fiscal  entendeu  pela manutenção  da  glosa  efetuada,  [pois]  “os  serviços  faturados  [no] o exterior seriam iguais ao custo dos serviços,  [...] não  tendo sido auferido [...] nenhum  lucro quando da prestação dos serviços” e que “nesse particular as assertivas fiscais padecem  de qualquer substancia”.  Argui que   (i) a pessoa jurídica possui o direito de compensar o imposto pago no exterior  sobre a receita de prestação de serviços;  (ii)  referido  direito  encontra­se  limitado  apenas  ao  disposto  no  artigo  26  da  Lei n. 9.249/1995 (repisado pela parte final do caput do artigo 395 do RIR);  (iii) esse limite consiste na fixação de um valor para compensação no Brasil;  (iv) referido valor é fixado mediante o cálculo do imposto e das contribuições  que seriam aqui devidos sobre as receitas de prestação de serviços no exterior.  Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.160          8 Dessa  forma,  na  medida  em  que  o  farto  conjunto  probatório,  acostado  aos  presentes  autos,  dão  conta  de  que  as  compensação  efetuadas  pela  empresa  são  oriundas  de  imposto  incidente  e  retido  no  exterior,  nos  termos  da  legislação  estrangeira, sobre receitas decorrentes da prestação de serviços para clientes situados  naqueles países, e não sobre o lucro auferido no exterior, tal fato por si só invalida,  peremptoriamente,  todo  o  raciocínio  montado  pela  fiscalização  no  relatório  em  epígrafe. [...]  Por  essa  razão,  fica  claro  que  a  premissa  adotada  pela  autoridade  fiscal  na  confecção  do Relatório  de Diligência  discrepa  com  a  situação  concreta  envergada  nos autos, de modo que, também sob esse prisma, não se prestam os esclarecimentos  oferecidos  pelo  fisco  a  direcionar  o  entendimento  dessa  E.  Turma  de  Julgamento  sobre a matéria.  No  que  tange  à  “compensação  da  estimativa  [abril  de  2002]  com  saldo  negativo AC  2001  por  fim,  constata­se  que  a  autoridade  fiscal  atestou  ter  restado  reconhecido,  por  força  de  acórdão  proferido  pelo  CARF  no  processo  n.  11610.021229/2002­96,  a  convalidação  da  compensação  sem  processo,  do  saldo  credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de apuração [abril de  2002],  no montante  total  de  R$114.468,53.  Dessa  forma,  constata­se  que  o  saldo  credor de CSLL AC 2002  foi  de R$228.859,21, conforme atesta as  conclusões da  diligência.  Conclui  À vista de tudo que foi aqui exposto, a Recorrente manifesta sua discordância  com  as  conclusões  exaradas  pela  fiscalização  na  elaboração  do  Relatório  de  Diligência em epígrafe, no tocante aos esclarecimentos prestados nos itens 16 e 17  do trabalho fiscal, seja em virtude   (i) da extrapolação, pelo I. Agente Fiscal, dos limites da diligência requerida  pelo CARF; seja pela   (ii) comprovada discrepância entre as premissas adotadas pela fiscalização, a  fim de justificar a glosa efetuada com os contornos fáticos e  jurídicos do caso em  tela.  Por  fim,  ante  constatação  quanto  à  convalidação  da  compensação  sem  processo do saldo credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de  apuração abril/2002, no montante total de R$114.468,53, a glosa referente o referido  montante deverá ser em definitivo afastada.  Termos em que, Pede e espera Deferimento  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.161          9 O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional  (§ 11 do  art.  74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996).  A  parcela  litigiosa  devolvida  para  reexame  nesta  segunda  instância  de  julgamento refere­se ao saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2002 não reconhecido  no valor total de R$398.008,06:  ­  pela  compensação  indevida  do  valor  de  R$146.956,18  da  fonte  paga  no  exterior; e  ­ pela  falta de  informação em DCTF no valor de R$139.538,63 atinente  ao  tributo  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  no  período  de  abril  ano­calendário  de  2002.  A  Recorrente  diz  que  os  procedimentos  apuração  de  saldos  credores  dos  anos­calendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre  eles  houve  a  homologação  tácita  e  se  operou  a  prescrição  pelo  decurso  do  prazo  superior  a  cinco anos até a ciência do Despacho Decisório.   O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde do exame de  todos  os  valores  que  compõem  o  montante  pleiteado.  Necessária  é  a  constatação  da  sua  liquidez  e  certeza,  já  que  não  há  norma que  atribua  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado essa presunção absoluta. Os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública  somente são passiveis de restituição quando revestidos destes requisitos, os quais devem restar  evidenciados.  Por  esta  razão,  a  Recorrente  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar sua situação patrimonial (art. 4º do Decreto­Lei nº 486, de 03 de março de 1969 e art.  170 e art. 195 do Código Tributário Nacional).   Não  tem  cabimento,  assim,  alegar  que  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  verificar  se  a  escrituração  está  prescrita,  pois  cabe  à  Recorrente,  com  observância  das  disposições legais, demonstrar o seu direito creditório líquido e certo por documentos hábeis.  Neste sentido, o reconhecimento do direito creditório alegado e a conseqüente homologação da  compensação  efetivada  impõe  que  a  Recorrente  apresente  comprovação  inequívoca  dos  elementos que integraram o valor objeto de repetição. No presente caso, trata­se de Per/DComp  originalmente entregues em 2003, fls. 784­799, referentes a direito creditório do ano­calendário  de  2002,  que  contém  fragmentos  de  valores  referentes  aos  anos­calendário  de  2000  e  2001,  cujos débitos não foram alcançados pela homologação tácita da compensação. Por conseguinte,  diferente  do  entendimento  da Recorrente,  não  há  que  se  falar  em  prescrição  do  direito  de  o  Erário  de  averiguar  a  liquidez  e  certeza dos  valores  objeto  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito creditório. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como  procedente.  A  Recorrente  alega  que  os  atos  administrativos  são  nulos,  porque  a  Autoridade Fiscal supostamente analisou os fatos de forma abrangente.   Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.162          10 O Despacho Decisório foi  lavrados por servidor competente que verificou a  regularidade do Per/DComp, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri­lo  ou impugná­lo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes  conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla  defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo  está  regularmente motivado,  com  indicação  dos  fatos  e  dos  fundamentos  jurídicos  de modo  explícito, claro e congruente1.   O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão  da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício,  que foi regularmente analisado na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e  da  qual  a  pessoa  jurídica  foi  regularmente  cientificada.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais  adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão  instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido  processo legal.   Na  busca  da  verdade material  no  processo  administrativo  fiscal  podem  ser  examinados mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e feitos comerciais ou fiscais e  os comerciantes, industriais ou produtores são obrigados a exibi­los. Os livros obrigatórios de  escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados devem ser  conservados  até que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram.  Assim,  a  autoridade  administrativa  que  proceder  ou  presidir  a  quaisquer  diligências  de  fiscalização  deve  lavrar  os  termos  necessários  para  que  se  documente  o  procedimento. (art. 197 do Código Tributário Nacional). Por essas razões, a Autoridade Fiscal  responsável pela realização da diligência procedeu corretamente as  investigações abrangentes  observando  as  especificidades  dos  fatos  objeto  de  exame  de  forma  explícita,  clara  e  congruente. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A  Recorrente  suscita  que  as  compensações  formalizadas  nos  Per/DComp  devem ser homologadas.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à  data  do  protocolo.  Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para  os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário  Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972  e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.  Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.163          11 do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor  de tributo pago a maior2.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais3.  Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  é  necessário  um  cuidadoso  exame  do  pagamento  a maior  de  tributo,  uma  vez  que  é  absolutamente  essencial  verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem  como os  documentos  e demais  papéis  que  serviram de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal. Desta  forma,  a  comprovação,  de maneira  inequívoca,  a  liquidez  e  a  certeza  do  valor  pleiteado  a  título  de  restituição  gera  direito  à  compensação  de  débito até o valor reconhecido 4.  Em  relação  à  dedução  de  tributo  retido  na  fonte  a  legislação  prevê  que  no  regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no  encerramento  do  período,  o  valor  retido  na  fonte  sobre  as  receitas  que  integraram  a base  de  cálculo correspondente5. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da  RFB, no prazo  legal,  informações  sobre os  rendimentos que pagaram ou creditaram no  ano­ calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das  respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que  o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto  de Renda Retido na Fonte (DIRF).   Também  as  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  pagamentos  com  retenção  do  imposto  na  fonte  devem  fornecer  à  pessoa  jurídica  beneficiária,  até  o  dia  31  de  janeiro,  documento  comprobatório,  em  duas  vias,  com  indicação  da  natureza  e  do  montante  do  pagamento,  das  deduções  e  do  imposto  retido  no  ano­calendário  anterior,  que  no  caso  é  o                                                              2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  3 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  4  Fundamentação  legal:  art.  37  da Constituição Federal,  art.  14,  art.  15,  art.  16,  art.  17,  art.  26­A  e  art.  29  do  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333  do Código de Processo Civil.  5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.164          12 Informe de Rendimentos. Assim, o valor  retido na  fonte  somente pode ser  compensado  se  a  pessoa  jurídica  possuir  comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome  pela  fonte  pagadora  para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período6. Ademais, em  conformidade  com  o  enunciado  da  Súmula  CARF  nº  80  “na  apuração  do  IRPJ,  a  pessoa  jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde  que  comprovada a  retenção e o  cômputo das  receitas  correspondentes na base de  cálculo do  imposto”.    I) Valor de R$146.956,18 de tributo retido na fonte paga no exterior    O Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 (Decreto Legislativo nº 74,  de 05 de dezembro de 1981 e Portaria MF nº 22 de 20 de  janeiro de 1983) que promulga  a  Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina destinada a Evitar a  Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria do Imposto sobre a Renda determina  que   ARTIGO XXIII   Métodos para evitar a dupla tributação   1. Quando um residente do Brasil  receber  rendimentos que, de  acordo  com  as  disposições  da  presente  Convenção,  sejam  tributáveis  na  Argentina,  o  Brasil,  ressalvado  o  disposto  no  parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar  sobre  os  rendimentos  desse  residente  um  montante  igual  ao  imposto sobre a renda pago na Argentina.   Todavia,  o montante deduzido não poderá  exceder  à  fração do  imposto  sobre  a  renda,  calculado  antes  da  dedução,  correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina.   Atendendo às circunstâncias peculiares do  fato de  tratado nos autos,  tem­se  que pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente  da  prestação  de  serviços  efetuada  diretamente  poderá  compensar  o  imposto  pago  no  país  de  domicílio  da  pessoa  física  ou  jurídica  contratante.  Além  disso,  a  pessoa  jurídica  pode  compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de  capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre  os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para efeito de determinação do limite o  imposto  incidente,  no  Brasil,  correspondente  aos  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  será  proporcional  ao  total  do  imposto  e  adicional  devidos  pela pessoa  jurídica  no  Brasil.  Para  fins  de  compensação,  o  documento  relativo  ao  imposto  de  renda  incidente  no  exterior  deverá  ser  reconhecido  pelo  respectivo  órgão  arrecadador  e  pelo  Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.O imposto de renda a  ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para  venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver  cotação no Brasil,  será ela convertida em dólares norte­americanos e,  em seguida, em Reais.                                                              6 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto­Lei nº 1.968, de 23 de  novembro de 1982 e art. 10 do Decreto­Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.165          13 Aa pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior  estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real7.  Observe­se que o  tributo pago no exterior que  tem possibilidade jurídica de  ser compensado com o tributo pago no Brasil, deve ser aquele necessariamente incidente sobre  a  mesma  base  de  cálculo  como  mecanismo  para  evitar  dupla  tributação  internacional,  em  conformidade com o tratado internacional correspondente do qual o Brasil seja signatário.  Vale ressaltar que em conformidade com o Relatório de Diligência, fls. 1014­ 1018, restaram confirmadas as seguintes informações:  9.  O  imposto  pago  no  exterior  informado  como  dedução  da  CSLL  devida  relativo ao ano calendário de 2000 deve atender às condições estabelecidas pela Lei  n° 9.249/1995, art.25, e pela Lei no 9.430/1996, art.16, para que possa fazer parte da  apuração do saldo negativo de CSLL.  10. Conforme solicitado na intimação, o interessado apresentou o artigo 93 da  Lei n° 20.628, juntamente com tradução oficial às fls.975/979.  11. Juntou aos autos certificados de retenção de  imposto emitidos por órgão  competente argentino (fls.831/840/847). As informações do faturamento bem como  dos valores.  12.  De  acordo  com  os  demonstrativos  as  fls.829/830,  os  rendimentos  constantes  nos  certificados  de  retenção  n°  8584­2000­007195  e  8584­2000­76  correspondem  ao  ano  calendário  2000  e  o  de  n°  8584­2000­003220  ao  ano­ calendário  de  1999.  Tais  rendimentos  constam  devidamente  registrados  no  Livro  Diário.      Certificado nº 8584­2000­007196      Imposto Pago no Exterior    Fatura  Solvay  Faturamento  Valor R$  Faturamento  Valor USD  Valor  Retenção  USD  (31,5%)  Valor  retenção  AS (31,5%)  Imposto de  Renda  Contribuição  Social  Diário Fl.  AC 2000  2923  132.184,47  67.482,37          1010  2915  132.913,73  69.653,98          1007  Total  265.098,20  137.136,35  43.197,57  43.197,57  67.025,40  17.426,60        Certificado nº 8584­2000­007195      Imposto Pago no Exterior    Fatura  Solvay  Faturamento  Valor R$  Faturamento  Valor USD  Valor  Retenção  USD  (31,5%)  Valor  retenção  AS (31,5%)  Fatura  Solvay  Faturamento  Valor R$  Faturamento  Valor USD  2924  220.733,47  112.343,99          1014  2925  1.259.376,00  640.969,06          1014  Total  1.480.109,47  753.313,05  237.291,54  237.291,54  368.727,90  95.869,26                                                                7  Fundamentação  legal:art.  15  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996,  art.  26  da Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995.  Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.166          14   Certificado nº 8584­2000­003220      Imposto Pago no Exterior    Fatura  Solvay  Faturamento  Valor R$  Faturamento  Valor USD  Valor  Retenção  USD  (31,5%)  Valor  retenção  AS (31,5%)  Fatura  Solvay  Faturamento  Valor R$  Faturamento  Valor USD  2806/07  54.187,42  27.757,10          1003  2789  62.034,18  32.284,25          997  2756  449.083,89  234.398,40          994      33.223,02                25.507,28                (64.109,95)            Total  565.305,49  289.060,10  91.053,93  163.123,12  129.462,80  33.660,32      13. Anexo 3 — Detalhamento da Receita de Serviços, Valores Recebidos  e  Retenção do Imposto (fl.1026) demonstra o valor liquido recebido que confere com  os contratos de câmbio juntados aos autos (fls.1027/1040).  14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no 9.430/1996,  a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre  lucros,  rendimentos  e ganhos de  capital  computados no  lucro  real,  até o  limite do  imposto de renda incidente, no Brasil, sobre referidos lucros, rendimentos ou ganhos  de capital.  15.  Para  efeito  de  cálculo  do  limite  do  valor  do  imposto  compensável,  o  contribuinte foi  intimado (fl.1043) a apresentar os custos relativos às operações de  prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000.  16.  Em  resposta  foi  apresentado  Demonstrativo  da  Receita  de  Serviços  e  Custos dos Serviços— 1999 e 2000 — Faturamento para a Solvay Indupa S.A.I.C.  Argentina (fl.1047) onde consta a informação de que o valor dos serviços faturados  para  o  exterior  é  igual  ao  custo  dos  serviços  acrescentados  somente  do  ISS,  não  tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços.  17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no  exterior,  o  limite  do  imposto  compensável  é  zero.  Portanto,  a  glosa  no  valor  de  R$146.956,18, relativa à dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o  que  resulta  em  saldo  devedor  de  CSLL  AC  2000,  no  montante  de  R$60.029,20,  conforme Despacho Decisório fl.754 (grifos acrescentados).  Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela  Autoridade  Fiscal  responsável  pela  realização  da  diligência  por  estarem  explícitas,  claras  e  congruentes com as determinações legais de que a pessoa jurídica pode compensar o imposto  de renda incidente, no exterior, sobre os  lucros,  rendimentos e ganhos de capital computados  no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros,  rendimentos ou ganhos de capital.   Não  há  previsão  legal  para  compensar  o  tributo  pago  no  exterior  com  o  tributo não pago no Brasil, incidente sobre a mesma base de cálculo, já que nesse caso não há  que se falar em dupla tributação internacional, em conformidade com o Decreto nº 87.976, de  22 de dezembro de 1982 que promulgou a Convenção entre a República Federativa do Brasil e  a República Argentina destinada  a Evitar  a Dupla Tributação e Prevenir  a Evasão Fiscal  em  Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.167          15 Matéria  do  Imposto  sobre  a  Renda.  Logo,  não  deve  ser  reconhecido  qualquer  valor  a  esse  título. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir.    II)  Valor  de  R$139.538,63  atinente  à  CSLL  determinado  sobre  a  base  de  cálculo estimada no período de abril ano­calendário de 2002.    A  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  tributo  devido  o  valor  dos  incentivos  fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado  sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no  lucro real anual,  para  efeito de determinação do  saldo de  IRPJ ou de CSLL a pagar ou  a  ser  compensado no  encerramento do ano­calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8.  No  que  se  refere  à  dedução  de  IRPJ  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  tem­se  que  a  pessoa  jurídica  que  adota  o  regime  de  tributação  do  lucro  real  pode  optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em  cada mês,  determinados  sobre  base  de  cálculo  estimada,  ainda  que  venha  a  apurar  prejuízo  fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano­calendário.  Pode,  todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos  tributos devidos em cada mês, desde  que  demonstre, mediante  de  balanços  ou  balancetes mensais,  que  as  quantias  acumuladas  já  recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto,  estes  balanços  ou  balancetes  devem  ser  levantados  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser  transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real  (Lalur). O regime de  tributação com base no  lucro  real  anual  prevê  que  a  pessoa  jurídica  que  efetuar  pagamento  de  tributo  a  título  de  estimativa mensal  pode utilizá­lo  ao  final  do  período  de  apuração  na  dedução  do  devido  ou  para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9.   Cabe  esclarecer  que  em  conformidade  com  o  Relatório  de  Diligência,  fls.  1014­1018, restaram confirmadas as seguintes informações:  18. Com relação ao processo n° 11610.021229/2002­96, que trata da análise  do saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário 2001, verificou­se que foi emitido  Acórdão  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  —  CARF,  que  deu  provimento ao recurso e determinou que fosse calculada as compensações (cópia do  Acórdão às fls.1081/1089).                                                              8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  9 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73  da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional,  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.300,  de  20  de  novembro  de  2012,  art.  269  do  Código  de  Processo  Civil,  Lei  Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.   Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.168          16 19. Em atendimento ao referido Acórdão, foi emitido despacho onde consta a  convalidação da compensação sem processo do saldo credor de CSLL AC 2001 com  a estimativa de CSLL período de apuração abril/2002 no valor de R$114.468,53.  20. Por todo exposto, conclui­se que o saldo credor de CSLL AC 2002 foi de  R$228.859,21, conforme demonstrado abaixo:    AC 2002  Valor Pleiteado  Ficha 17   Observação  CSLL Devida  ­    (­) CSLL mensal paga por estimativa  (114.390,68)  Confirmado cf Despacho Decisório (fls.750/757)  (­) CSLL mensal paga por estimativa  (114.468,53)  Confirmado cf tens "18" e "19"  (­) Imposto pago no exterior  ­    CSLL a Pagar   (228.859,21)      Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela  Autoridade  Fiscal  responsável  pela  realização  da  diligência  por  estarem  explícitas,  claras  e  congruentes, em conformidade com as decisões constantes processo n° 11610.021229/2002­96,  com  o  qual  esse  é  conexo.  Portanto  deve  ser  reconhecido  em  sede  de  segunda  instância  de  julgamento o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do ano­calendário de  2002.   Ressalte­se  que  já  foi  reconhecido  no  Despacho  Decisório,  fls.  772­779  o  valor  de  R$114.390,68  a  título  de  saldo  negativo  de  CSLL  no  ano­calendário  de  2002.  A  contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada em parte.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade11.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário  para reconhecer o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do ano­calendário  de  2002  de  para  fins  de  homologar  da  compensação  dos  débitos  até  o  limite  do  crédito  reconhecido.                                                               10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972.  11 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.169          17 (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva    Voto Vencedor  Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado  Pedi  vista dos  autos  para  apreciar,  especialmente,  a questão  da  apropriação  dos tributos incidentes no exterior sobre os rendimentos da Recorrente, na composição do saldo  negativo de CSLL.  Para bem delimitar a lide sob análise, vejamos o que restou definido em cada  etapa processual:  No Despacho Decisório de fls. 750 e seguintes, assentou­se que (fl. 754):   “26.  Em  relação  ao  Imposto  pago  no  exterior  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital,  deve  ser  considerada  a  Instrução Normativa SRF nº. 213, de 7 de outubro de 2002, que  trata do assunto em questão. De acordo com tal IN:  27. Analisando­se DIPJ 2001, no entanto, foi constatado que não  foram declarados rendimentos e ganhos de capital no exterior na  ficha 06ª – Demonstração do Resultado (fl. 307), e também não  foi  adicionado,  na  ficha  17  –  Cálculo  da  CSLL,  nenhum  montante nas  linhas 05 – Lucros disponibilizados no Exterior e  06  ­  Rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  à  Base de Cálculo da CSLL  (fl.  321 – Ficha 17). Assim sendo, a  dedução  no  montante  de  R$  146.956,18,  referente  a  imposto  pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital,  não pode ser considerada.  28. Assim, no AC 2000, em vez de saldo credor, foi apurado um  saldo devedor de CSLL, no montante de R$ 60.029,20, conforme  demonstrado abaixo.  29. Desta forma, as compensações sem processo com o saldo do  AC 2000 não podem ser convalidadas.  30. No que se refere à compensação sem processo com o saldo  credor de CSLL do AC 2001,  foi constatado, através da  leitura  do  despacho  decisório  do  processo  11610.012229/2002­96  (fls.  296 a 303), que essa não foi convalidada.  ...  33. Tendo em vista o constante no presente processo, e a análise  feita, PROPONHO:  ...   Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.170          18 d)  a  NÃO  CONVALIDAÇÃO  das  compensações  sem  processo  dos débitos de fls. 291 a 293, compensados com o saldo credor  de CSLL do AC 2000;”     Em  manifestação  de  inconformidade,  no  que  tange  ao  aproveitamento  da  tributação  havida  no  exterior,  alegou­se  que  as  receitas  respectivas  foram  oferecidas  à  tributação e computadas na DIPJ 2001 na linha “Receita de Prestação de Serviços”, anexando  também os  “certificados de  retenção de  imposto no  exterior”. Argumenta que  aquela  seria  a  linha correta na DIPJ, e que “lucros, rendimentos e ganhos de capital no exterior” abrangeria  esses ingressos, mas não as receitas de prestação de serviços. Quanto ao saldo credor de CSLL  de  2001,  confirmou  que  o  despacho  decisório  de  indeferimento  (no  processo  nº.  11610.021229/2002­96) ainda estava submetido à tramitação do contencioso administrativo.  O  julgamento  na  d.  DRJ  em  São  Paulo  (fl.  882  e  ss.)  proclamou  a  homologação tácita da DCOMP apresentada em 24/02/2003.  Por  outro  lado,  manteve  a  glosa  da  dedução  da  tributação  no  exterior,  arguindo óbice diverso daquele invocado no despacho impugnado: o problema seria a falta de  revestimento formal previsto na lei, dos documentos estrangeiros comprobatórios da tributação  na Argentina.  Em  recurso  voluntário  foram  reiterados  os  argumentos  submetidos  à  1ª  Instância, com questionamento dos requisitos formais suscitados na DRJ e com considerações  sobre o pedido de diligência que restou indeferido.  Nos  termos  da  Resolução  nº.  1801­00.057,  esta  E.  1ª  Turma  Especial  converteu  o  julgamento  em  diligência,  no  sentido  de  aperfeiçoar  a  instrução  processual,  de  modo a viabilizar a mais adequada decisão sobre a lide administrativa.   No  relatório  de  diligência  (fl.  1.092  e  ss.),  restou  confirmado  que  os  rendimentos  constantes  nos  certificados  de  retenção  (na  Argentina),  foram  devidamente  registrados  no  Livro  Diário.  E  refere­se  que  a  Recorrente  trouxe  aos  autos  documentação  traduzida para confirmar a tributação na fonte efetivada no exterior.  Porém,  nova  argumentação  foi  invocada  para  obstar  o  aproveitamento  dos  créditos da  tributação estrangeira. Ao pretender dar cumprimento à diligência determinada, a  repartição responsável, interpretando a legislação aplicável, intimou a Recorrente a “apresentar  os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000.”  E,  apurando  ausência  de  lucro  na  prestação  de  serviços  específica,  aduz  que  “o  limite  do  imposto compensável é zero”.  Quanto ao saldo negativo de 2001, o relatório informa que houve julgamento  no  processo  nº.  11610.021229/2002­96,  definindo  o  saldo  credor  de  2001  (ano­calendário),  com despacho de convalidação da compensação do saldo credor no valor de R$ 114.468,53.  Conclui apontando saldo credor de CSLL para o ano­base 2002, no montante  de R$ 228.859,21.  As razões postas nos autos para rejeitar o aproveitamento do tributo retido na  Argentina, não merecem acolhimento.  Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.171          19 Em primeiro lugar, revela­se nos presentes autos uma sequência de inovações  argumentativas, a cada instância, surpreendendo a Recorrente e denotando violação das regras  do  processo  administrativo  fiscal.  No  processo  de  insurgência  contra  o  ato  administrativo  original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não  implementar  o  aperfeiçoamento  das  imputações  ou  dos  óbices  lançados  pela  autoridade  preparadora. Mais  grave  ainda,  se  ao  inovar,  a  instância  seguinte nem mesmo  firma posição  quanto aos fundamentos contrários ao contribuinte adotados pela autoridade anterior.  Ademais, a repartição fiscal, ao dar cumprimento à diligência requerida pelo  CARF, deve atuar nos  limites da demanda instrutória. Descabe sacar novo argumento, nunca  cogitado  nos  autos,  nem  pela  DRJ,  nem  no  despacho  decisório.  Foi  o  que  ocorreu  no  cumprimento da diligência em tela.  O  processo  assim  desenvolvido  aponta  para  nulidade,  para  cerceamento  do  direito de defesa, para negativa de prestação da atividade judicante administrativa. No entanto,  atentando  para  a  ressalva  disposta  no  parágrafo  3º  do  artigo  59  do  Decreto  nº.  70.235/72  (“quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração  de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe  a falta”), o prosseguimento na apreciação da lide mostra­se pertinente.  Pelo que se apura do conjunto probatório  trazido ao processo,  tanto com as  peças  de  defesa,  como  no  contexto  da  diligência  determinada  por  esta  E.  Turma,  há  comprovação: das retenções efetivadas na fonte localizada na Argentina; de que o valor líquido  (pós  retenção)  recebido  confere  com  os  contratos  de  câmbio  juntados  aos  autos;  de  que  os  rendimentos/receitas do exterior foram registrados no Livro Diário da Recorrente; de que tais  receitas foram incluídas na DIPJ 2001, na linha “Receitas de Prestação de Serviços”; de que o  tributo  retido  na  Argentina  atende  ao  requisito  de  ser  “congênere”  com  os  tributos  sobre  a  renda no Brasil, embora incidindo sobre base imponível bruta (não lucro, tal qual nosso IRRF).  Portanto,  nada  mais  faltaria  para  o  deferimento  do  pleito  inicial  da  Recorrente.  Tenho  que  esses  elementos  todos  suprem  os  defeitos  apontados  no  despacho  decisório  e  na  DRJ  quanto  à  comprovação  dos  créditos  de  retenções  no  exterior  e  sua  dedutibilidade nos termos da lei interna.  Ocorre  que  o  relatório  de  diligência  aponta  prejudicialidade  de  cunho  jurídico, inédita na lide dos autos, contra o deferimento do pedido da Recorrente.  Por  tudo  o  que  já  referimos,  resta  clara  a  impertinência  processual  da  inovação em comento. Cabe trazer à colação trecho conclusivo do voto condutor do Acórdão nº  1803­00.482, que tratou da mesma matéria, com a mesma Recorrente (relativamente a período  anterior,  processo  nº.  11610.021229/2002­96,  já  citado),  de  lavra  do  Conselheiro  Sérgio  Rodrigues Mendes:   Quanto a esse ponto, dispõe o art. 128 do Código de Processo  Civil – CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), aplicável  subsidiariamente  ao  Processo  Administrativo  Fiscal  (PAF)  (sublinhou­se):  Art. 128. O juiz decidirá a  lide nos limites em que foi proposta  sendo­lhe  defeso  conhecer  de  questões  não  suscitadas,  a  cujo  respeito a lei exige a iniciativa da parte.  Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.172          20 Observa­se que, em nenhum momento, nos autos,  foi  levantada,  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  (DRF), a questão  de  o  documento  de  imposto  de  renda  emitido  pelo  país  onde o  Recorrente  prestou  os  serviços  no  ter  o  reconhecimento  pelo  respectivo  órgão arrecadador  e  pelo Consulado da Embaixada  Brasileira no país em que for devido o imposto.  Assim  sendo,  não  é  admissível  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  e,  menos  ainda,  este  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) atropelando  a procedimento adotado pela DRF, exijam novas comprovações  anteriormente  não  requeridas,  obstando,  dessa  forma,  por  vias  transversas, o pleito da recorrente.  A 3ª Turma Especial, no aresto acima mencionado, encerrou a apreciação da  lide diante da inovação vedada ocorrida na DRJ. Nos presentes autos, a E. Turma determinou o  avanço na instrução probatória. Em retorno, recebeu nova argumentação, além dos documentos  e dados requeridos.  Para bem concluir o julgamento, passa­se a analisar a alegação vinda com o  relatório  de  diligência,  tendo­se  em  vista  a  ressalva  de  que  a  análise  é  possível  porque  a  solução de mérito favorece a Recorrente.  Eis o que se alega no relatório de diligência:  14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no  9.430/1996,  a  pessoa  jurídica  poderá  compensar  o  imposto  de  renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos  de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de  renda  incidente,  no  Brasil,  sobre  referidos  lucros,  rendimentos  ou ganhos de capital.  15.  Para  efeito  de  cálculo  do  limite  do  valor  do  imposto  compensável, o contribuinte  foi  intimado  (fl.1043) a apresentar  os  custos  relativos  às  operações  de  prestação  de  serviços  no  exterior nos anos de 1999 e 2000.  16.  Em  resposta  foi  apresentado  Demonstrativo  da  Receita  de  Serviços e Custos dos Serviços — 1999 e 2000 — Faturamento  para a Solvay Indupa S.A.I.C. Argentina (fl.1047) onde consta a  informação de que o valor dos serviços faturados para o exterior  é igual ao custo dos serviços acrescentados somente do ISS, não  tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços.  17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços  prestados  no  exterior,  o  limite  do  imposto  compensável  é  zero.  Portanto, a glosa no valor de R$ 146.956,18, relativa à dedução  de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em  saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$ 60.029,20,  conforme Despacho Decisório à fl. 754.  Grifamos o trecho supra em que o entendimento equivocado foi sintetizado.  A  autoridade  fiscal  interpretou  as  normas  aplicáveis,  considerando  que  o  limite  para  a  compensação, no caso em tela, repousaria no lucro obtido na operação no exterior.  Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.173          21 Os dispositivos legais diretamente envolvidos tem o seguinte teor:  Lei 9.430/96  Art. 15. A pessoa  jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de  fonte  no  exterior,  receita  decorrente  da  prestação  de  serviços  efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país  de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado  o disposto no art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995    Lei 9.249/95   Art.  26.  A  pessoa  jurídica  poderá  compensar  o  imposto  de  renda  incidente,  no  exterior,  sobre  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  computados  no  lucro  real,  até  o  limite  do  imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros,  rendimentos ou ganhos de capital.   §  1º  Para  efeito  de  determinação  do  limite  fixado  no  caput,  o  imposto  incidente,  no  Brasil,  correspondente  aos  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  será  proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa  jurídica no Brasil.   §  2º  Para  fins  de  compensação,  o  documento  relativo  ao  imposto  de  renda  incidente  no  exterior  deverá  ser  reconhecido  pelo  respectivo  órgão  arrecadador  e  pelo  Consulado  da  Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.   § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em  quantidade  de  Reais,  de  acordo  com  a  taxa  de  câmbio,  para  venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que  o  imposto  foi  pago  não  tiver  cotação  no  Brasil,  será  ela  convertida  em  dólares  norte­americanos  e,  em  seguida,  em  Reais.    A leitura do caput do artigo 26 tem que ser promovida correlacionando cada  valor econômico­contábil  referido no  início, com o mesmo signo  linguístico empregado pelo  legislador na parte final, quando define os limites.  Assim,  o  tributo  incidente  no  exterior  sobre  determinado  lucro,  terá  como  limite de aproveitamento máximo o montante do  tributo congênere  incidente no Brasil  sobre  esse mesmo lucro.  O  teto  para  dedução  do  imposto  incidente  no  exterior  sobre  o  ganho  de  capital, será o imposto resultante da tributação desse mesmo ganho, segundo as leis brasileiras.  E,  como  no  caso  dos  autos,  a  limitação  da  dedução  do  imposto  de  renda  recolhido na fonte, no exterior, sobre receitas de prestação de serviços (rendimentos), encontra  parâmetro  no  montante  da  incidência  interna  sobre  esses  mesmos  rendimentos  brutos  (não  delineados por subtração de custos, como se sugeriu na diligência fiscal).  Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.174          22 A  fórmula  veiculada  no  artigo  26  adota  modelo  tradicional  em  termos  de  tributação  internacional,  que  busca  a  equalização  de  crédito/débito,  na  transposição  de  um  Estado  para  outro.  Evita­se  que  um  Estado  que  utilize  alíquotas  mais  reduzidas,  tenha  que  conceder  crédito  mais  elevado  para  quem  tenha  obtido  lucros,  ou  receitas,  no  exterior,  em  Estado  que  aplique  alíquotas mais  elevadas. Aquele  primeiro Estado  teria  arrecadado menos  em  sua  tributação  interna,  e  ainda  arcaria  com  renúncia  fiscal  desvinculada  dos  parâmetros  nacionais.  A norma legal brasileira refletiu o que já figurava desde 1982 no Acordo para  evitar a bitributação entre Brasil e Argentina (Decreto nº 87.976/82)    ARTIGO XXII  Outros rendimentos   Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante não  tratados  nos  artigos  anteriores  e  provenientes  do  outro Estado  Contratante  são  tributáveis  nesse  outro  Estado.     ARTIGO XXIII  Métodos para evitar a dupla tributação   1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de  acordo  com  as  disposições  da  presente  Convenção,  sejam  tributáveis  na  Argentina,  o  Brasil,  ressalvado  o  disposto  no  parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar  sobre  os  rendimentos  desse  residente  um  montante  igual  ao  imposto sobre a renda pago na Argentina.   Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do  imposto  sobre  a  renda,  calculado  antes  da  dedução,  correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina.     Portanto, não procede o entendimento de que, no caso ora analisado, o limite  para a dedução do imposto incidente sobre as receitas tributadas na fonte na Argentina, estaria  delimitado pelo tributo incidente sobre os lucros na prestação de serviços específica. O limite  deve ser fixado no montante obtido pela incidência, no Brasil, do imposto de renda computado  sobre  os  rendimentos  (receitas)  auferidos  na  prestação  de  serviços  no  exterior,  tal  como  procedeu a Recorrente.  Por fim, com relação ao saldo negativo do ano­calendário de 2001, diante do  julgamento  favorável  no  processo  nº.  11610.021229/2002­96,  já  apropriado  no  relatório  de  diligência, deve ser reconhecido o saldo credor dele decorrente.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/2003­11  Acórdão n.º 1801­001.711  S1­TE01  Fl. 1.175          23 (assinado digitalmente)  Leonardo Mendonça Marques                    Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 10580.720904/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/2009­71  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201­000.123  S2­C2T1  Fl. 148          2 Cientificada  do  lançamento,  a  contribuinte  apresentou  Impugnação,  cujos  principais  argumentos  estão  sintetizados  pelo  relatório  do  Acórdão  de  primeira  instância,  o  qual adoto, nesta parte:  a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois  o  enquadramento  de  tais  rendimentos  como  isentos  de  imposto  de  renda encontra­se  em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória;  b)  o  STF,  através  da  Resolução  nº  245,  de  2002,  reconheceu  a  natureza  indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados  federais, e que por  esse  motivo  estariam  isentas  da  contribuição  previdenciária  e  do  imposto  de  renda.  Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do  magistrados estaduais;  c)  o Estado  da Bahia  abriu mão da  arrecadação do  IRRF que  lhe  caberia  ao  estabelecer  no  art.  5º  da  Lei  Estadual  da  Bahia  nº  8.730,  de  2003,  a  natureza  indenizatória  da  verba  paga,  sendo  a  União  parte  ilegítima  para  exigência  de  tal  tributo.  Além  disso,  se  a  fonte  pagadora  não  fez  a  retenção  que  estaria  obrigada,  e  levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos,  não tem este último qualquer responsabilidade pela infração;  d)  independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado  da Bahia para regular matéria  reservada à Lei Federal, o valor recebido a  título de  URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal  Federal,  o  Presidente  do  Conselho  da  Justiça  Federal,  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda,  Poder  Judiciário  de  Rondônia,  Ministério  Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores;  e)  caso  os  rendimentos  apontados  como  omitidos  de  fato  fossem  tributáveis,  deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no  lançamento fiscal;  f)  ainda  que  as  diferenças  de  URV  recebidas  em  atraso  fossem  consideradas  como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre  elas, tendo em vista sua natureza indenizatória;  g) mesmo que  tal  verba  fosse  tributável,  não  caberia  a  aplicação da multa  de  ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa­fé, seguindo orientações  da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº  8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV;  h)  o Ministério  da  Fazenda,  em  resposta  à Consulta  Administrativa  feita  pela  Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia,  também,  teria manifestado­se  pela  inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da  flagrante boa­fé dos autuados,  ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado­Geral da União, através da Nota  AGU/AV 12/2007. Na  referida  resposta,  o Ministério  da Fazenda  reconhece  o  efeito  vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a  RFB.  Antes  do  julgamento,  foi  determinada  diligência  fiscal  para  que  o  órgão  de  origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº  287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias  a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/2009­71  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201­000.123  S2­C2T1  Fl. 149          3 Não obstante, essa diligência fiscal  ficou prejudicada com a edição do Parecer  PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que  concluiu pela  suspensão das medidas propostas pelo Parecer  PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal.  A  3ª  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA  julgou  procedente  o  lançamento,  nos  termos da ementa a seguir:  “DIFERENÇAS  DE  REMUNERAÇÃO.  INCIDÊNCIA  IRPF.  As  diferenças  de  remuneração  recebidas  pelos  membros  do  Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia,  em  decorrência  do  art.  2º  da  Lei  Complementar  do  Estado  da  Bahia  nº  20,  de  2003,  estão  sujeitas  à  incidência do imposto de renda.  MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no  percentual  de  75%  sobre  o  tributo  não  recolhido  independe  da  intenção do contribuinte.”   Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância,  a  contribuinte  interpôs,  em  02/05/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 100/137, utilizando­se dos mesmos fatos e  fundamentos legais da peça impugnatória.    VOTO   O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço.  Antes  da  apreciação  do  presente  recurso,  é  cediço  que  se  registre  que  a  exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa  física,  em  períodos  diversos  daquele  de  sua  competência,  calculado  de  forma  anual,  considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento.  Essa  é matéria  reconhecida  de  repercussão  geral,  que  aguarda  julgamento  dos  Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a  constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis:  Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto  incidirá,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos  do  valor  das  despesas  com  ação  judicial  necessárias  ao  seu  recebimento,  inclusive  de  advogados,  se  tiverem  sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.  Veja­se a ementa do julgado:  TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL. 1. A questão  relativa ao modo de  cálculo do  imposto  de  renda  sobre  pagamentos  acumulados  ­  se  por  regime  de  caixa  ou  de  competência  ­  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/2009­71  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201­000.123  S2­C2T1  Fl. 150          4 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão  geral.  2.  A  interposição  do  recurso  extraordinário  com  fundamento  no  art.  102,  III,  b,  da Constituição Federal,  em  razão do  reconhecimento da  inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal  Regional  Federal,  constitui  circunstância  nova  suficiente  para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão geral da matéria.   3.  Reconhecida  a  relevância  jurídica  da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia  e  da  uniformidade  geográfica.   4.  Questão  de  ordem  acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com suporte  no  entendimento  anterior  desta Corte;  b)  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional;  e  c)  determinar  o  sobrestamento,  na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos  termos  do  art.  543­B,  §  1º,  do  CPC.  (RE  614406  AgR­QO­RG,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  julgado  em  20/10/2010,  DJe­043  DIVULG  03­03­2011  PUBLIC  04­03­2011  EMENT  VOL­02476­01  PP­ 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395­414 ).(Grifei.)  Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do  tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física  pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários  sobre a matéria.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF  determina  que  os Conselheiros  deverão  reproduzir  as  decisões  proferidas  Supremo  Tribunal Federal  ­ STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil –  CPC, nos seguintes termos:   Art. 62A. ­ As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes. (grifei)  Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de  janeiro de 2012, a  Portaria  CARF  n°  001/2012,  que  determina  os  procedimentos  a  serem  adotados  para  o  sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62­A do anexo II do Regimento Interno  do CARF, nos seguintes termos:  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/2009­71  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201­000.123  S2­C2T1  Fl. 151          5 Art.  1º.  Determinar  a  observação  dos  procedimentos  dispostos  nesta  portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos  em  tramitação  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que  o Supremo Tribunal Federal ­ STF tenha determinado o sobrestamento  de Recursos Extraordinários ­ RE, até que tenha transitado em julgado  a respectiva decisão, nos termos do art. 543­B da Lei n° 5.869, de 11  de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.  Parágrafo  único.  O  procedimento  de  sobrestamento  de  que  trata  o  caput  somente  será  aplicado  a  casos  em  que  tiver  comprovadamente  sido  determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  o  sobrestamento  de  processos  relativos  à  matéria  recorrida,  independentemente  da  existência  de  repercussão  geral  reconhecida  para o caso.  Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º.  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de SOBRESTAR o  julgamento  do  presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente  incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo  com  o  disposto  no  art.  543­B,  §1o,  do  Código  de  Processo  Civil,  ou  que  haja  alteração  na  legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos.     (assinado digitalmente)  Rayana Alves de Oliveira França    Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/2009­71  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201­000.123  S2­C2T1  Fl. 152          6   Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 10675.000593/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 1999, 2000 COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Excluem-se dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência. PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. RO Negado e RV provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 442          1 441  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10675.000593/2004­67  Recurso nº  23.792   De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3302­002.685  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de agosto de 2014  Matéria  AI CPMF  Recorrentes  MARTINS COMÉRCIO E SERV. DISTRIBUIÇÃO SA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PROVISÓRIA  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  OU  TRANSMISSÃO  DE  VALORES  E  DE  CRÉDITOS  E  DIREITOS  DE  NATUREZA  FINANCEIRA ­ CPMF  Ano­calendário: 1999, 2000  COMPROVAÇÃO  PAGAMENTOS.  PROCEDIMENTO  ANTERIOR  AO  LANÇAMENTO.  Excluem­se dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos  de CPMF anteriormente  ao  procedimento  fiscal,  devidamente  comprovados  em diligência.   PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA  Constitui  inovação  ao  lançamento  o  fato  mencionado  na  decisão  recorrida  acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora.   RO Negado e RV provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos  do voto da relatora.  (Assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 05 93 /2 00 4- 67 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 443          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre  Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.    Relatório  Tratam­se  de  Recurso  de  Ofício,  de  acordo  com  o  art.  34  do  Decreto  nº  70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro  de1997,  e Portaria MF nº 003, de 03 de  janeiro de 2008 e de Recurso Voluntário  interposto  pela contribuinte MARTINS COMÉRCIO E SERV. DISTRIBUIÇÃO SA, ambos em face do  Acórdão nº . 09­23.792 ­ I a Turma da DRJ/JFA, que revisa o Acórdão n° 09­17.004, de 29de  agosto de 2007, anteriormente prolatado.  Por  bem  relatar  os  fatos,  transcreve­se  a  seguir  o  relatório  do  Acórdão  recorrido:  “Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  1/10),  lavrado  contra  o  contribuinte  em  epígrafe,  relativo  à  falta  de  recolhimento  da  Contribuição  Provisória  sobre  Movimentação  ou  Transmissão  de  Valores  e  de  Créditos  e  Direitos  de  Natureza  Financeira  ­  CPMF, relativamente a fatos geradores ocorridos de 17/06/1999  a  05/04/2000,  no  montante  de  R$  6.834.089,13,  incluídos  o  principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data  da lavratura do auto.  Segundo  a  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  constante  do  Auto  de  Infração,  o  lançamento  decorreu  de  "FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIB.  PROV.  S/  MOVIM.OU  TRAMSM.  VAL.  E  CRÉD.  E  DIR.  DE  NAT.  F1NANC. ­ A PARTIR DE 17/06/1999", conforme discriminado  nos demonstrativos de fls. 02/10.  Inconformada  com  a  autuação,  a  contribuinte  apresenta  impugnação de fls.31/44, carreando aos autos os documentos de  fls. 63/128 a fim de comprovar as alegações abaixo:  1)  Em  preliminar  informa  pagamento  parcial  do  auto  de  infração, relativamente aos valores não retidos e não recolhidos  pelos bancos Banestado e Banco do Brasil, após a cassação da  medida judicial em 03/03/2000, que ampara o não recolhimento  da CPMF. Afirma  ter procedido ao  recolhimento da  respectiva  contribuição,  acrescida  da  SELIC  e  da  multa  de  75%,  totalizando  um  crédito  tributário  recolhido  nos  valores  de  R$17.524,69  (Banestado) e R$20.923,66  (Banco do Brasil). Do  mesmo  modo  procedeu  a  autuada  a  pagamento  parcial  do  montante  relativo  a  CPMF  apurada  em  decorrência  de  operações  bancárias  efetuadas  junto  à  Caixa  Econômica  Federal.  2) Propugna pela nulidade do auto de infração por afronta aos  princípios  constitucionais  de  defesa  do  contribuinte,  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 444          3 configuração  do  crime  de  excesso  de  exação,  alegando  a  inexistência  de  qualquer  crédito  tributário  relativo  a  CPMF  pendente de quitação.  3)  Defende  ainda  a  nulidade  da  autuação  por  ilegitimidade  passiva aduzindo ser a autuada parte  ilegítima para  figurar no  pólo passivo do presente feito vez que a obrigação pela retenção  e recolhimento da contribuição é por lei atribuída às instituições  financeiras.  4)  No  mérito  aduz  que  esteve  acobertada  por  liminar  no  Mandado de Segurança n° 1999.38.03.001698­8 e que os débitos  da CPMF tornaram­se exigíveis somente em 03/03/2000, quando  a decisão proferida em primeira instância tornou­se eficaz.  5)  Conclui  com  base  no  artigo  63,  parágrafo  2o  ,  da  Lei  9.430/96,  que,  no  presente  caso,  considerando  que  a  decisão  judicial que considerou devido o tributo somente em 03/03/2000  (uma  sexta­feira),  o  prazo  de  30  dias  para  pagamento  do  respectivo tributo sem incidência de multa de mora terminou em  05/04/2000.  6)  Assegura  a  autuada  que,  após  a  análise  da  questão  relativamente a cada uma das instituições financeiras citadas no  presente auto de infração,apurou o que se segue.  ­  Em  31/03/2000,  o  Banco  ABN  AMRO  Real  S.A.  debitou  na  conta  corrente  n°  2001209­4,  a  CPMF  no  valor  de  R$2.415.020,04,  cinco  dias  antes  do  término  do  prazo  para  recolhimento. Afirma que a referida instituição financeira enviou  correspondência  à  autuada  informando  equívocos  nos  lançamentos  internos,  que  ocasionaram  informação  para  a  Receita  Federal  de  pendência  de  recolhimento  da  CPMF  por  parte da autuada, na qual atesta que toda a contribuição devida  em face da revogação da decisão judicial de que era beneficiária  a  autuada  (de  174/06/1999  a  01/03/2000)  foi  retida  em  31/03/2000 e recolhida em 05/04/2000.  ­ Com relação ao banco Bradesco,  informa que foi debitado na  conta­corrente  n°  0008704­1,  mantida  pela  autuada,  junto  à  referida  instituição  financeira,  o  montante  de  R$33.266,59,  relativamente aos valores devidos a título da CPMF informados  no demonstrativo apresentado à Receita Federal.  ­  A  Caixa  Econômica  Federal  informou  para  Receita  Federal  que  os  valores  devidos  a  título  da  CPMF  totalizavam  R$285.077,15, no entanto após minucioso  levantamento conclui  a  autuada  que  o  valor  efetivamente  devido  era  R$10.462,16.  Assim, procedeu ao recolhimento com a devida atualização pela  SEL1C e aplicação da multa de 75%. Entende a autuada que a  justificativa da diferença encontrada entre os valores apontados  pela  instituição  financeira  e  aqueles  efetivamente  devidos  pela  autuada  devem  ser  buscados  junto  à  citada  instituição  financeira.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 445          4 ­ Insurge­se a contribuinte contra a imposição da multa de 75%,  por  ser  injusta  uma vez  que  comprovado o  pagamento  integral  do crédito tributário objeto da autuação.  ­ Contesta também a cobrança de juros de mora tendo em vista  que  o  suposto  crédito  tributário  foi  devidamente  pago,  não  devendo  também em  relação a  esta parcela  o  auto de  infração  prevalecer.  Por  fim,  requer  o  reconhecimento  da  nulidade  do  auto  de  infração,  o  deferimento  da  sua  impugnação  e  a  realização  de  perícia  visando  apurar  os  lançamentos  bancários  sujeito  à  incidência da CPMF.  Do  exame  dos  elementos  constantes  dos  autos,  verificou­se  divergências  entre  os  valores  devidos  a  título  da  CPMF  informados  à  Receita  Federal  pelas  instituições  financeiras  Banco  ABN AMRO Real  S/A  e  Caixa  Econômica  Federal  e  as  informações prestadas pela autuada em sua impugnação.  Constatou­se  que  o  documento  de  fls.  75,  não  se  mostrou  suficiente,  inclusive  no  seu  aspecto  formal,  para  comprovar  cabalmente a alegação da autuada no sentido de que a retenção  da  CPMF  para  o  período  de  17/06/1999  a  01/03/2000  fora  efetivada.  Já  com  relação  aos  documentos  de  fls.  105/128,  extratos  da  Caixa  Econômica  Federal,  verificou­se  ainda  que  a  quase  totalidade  dos  lançamentos  a  débito  foi  efetuada  com  não  incidência da CPMF, apurando­se ao final um valor total devido  de  CPMF  no  montante  de  R$  10.462,16.  Por  outro  lado,  os  valores  declarados  pela CEF  como devidos  a  título  da CPMF,  resumidos no demonstrativo de fls. 14, totalizam R$ 285.077,15.  Em  vista  do  exposto,  e  por  conta  do  princípio  da  verdade  material  que  norteia  o  julgamento  administrativo­tributário,  o  processo  foi  enviado  à  Repartição  de  origem  a  fim  de  efetuar  diligência junto às instituições financeiras para apurar:  "l)No  caso  do  BANCO  ABN  AMRO  REAL  S/A:  o  total  dos  valores debitados a  título da CPMF e as datas dos respectivos  débitos  nas  contas  correntes  do  contribuinte  em  epígrafe,  relacionados às movimentações  financeiras  sujeitas à cobrança  da  mencionada  contribuição  no  período  de  17/06/1999  a  01/03/2000.  2)  No  caso  da  Caixa  Econômica  Federal,  o  valor  total  das  movimentações  financeiras  sujeitas  à  retenção  da  CPMF,  os  valores debitados a  título da CPMF e as datas dos respectivos  débitos  nas  contas  correntes  do  contribuinte  em  epígrafe,  tudo  relativamente ao período de 17/06/1999 a 22/03/2000.".  Da  diligência  efetuada  junto  à  autuada  resultou  o  Relatório  Fiscal de fls.280/281, por meio do qual o Auditor Fiscal conclui:  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 446          5 ­  a  CPMF  devida  relativamente  às  movimentações  financeiras  junto ao Banco ABN AMRO REAL está quitada.  ­  a  movimentação  financeira  da  correntista  junto  à  CAIXA  ECONÔMICA FEDERAL ­ CEF gerou na verdade um montante  de CPMF não retida no valor de R$12.435,68, relativamente aos  fatos  geradores  de  17/06/1999  a  22/03/2000,  restando  descaracterizado o valor de R$285.077,15 a título de CPMF que  originou o presente auto de infração.  ­  do  valor  devido  de  CPMF  de  R$12.435,68,  a  autuada  comprovou  o  pagamento  de  R$10.432,96  (correspondente  a  R$10.462,16  ­ R$29,20,  que  é  o  valor  devido  de  abril  de  2000  não contemplado no auto de infração), remanescendo portanto o  valor  da  CPMF  ainda  não  recolhida  de  R$2.002,72  (valor  original).  A  interessada  teve  ciência  do  referido  Relatório  Fiscal  em  29/06/2007, conforme "AR" de fls. 308. Em sua manifestação, às  fls. 309/310, informa a impugnante que efetuou, em 18/07/2007,  o  recolhimento  do  saldo  apurado,  devidamente  acrescido  da  multa e dos juros aplicáveis.  Em sessão de julgamento realizada em 29/08/2007,  foi exarado  pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora o Acórdão de  n.°  09­17.0042,  fls.  326/336,  que  decidiu  pela  procedência  em  parte do lançamento para exigir da contribuinte valor devido de  CPMF, no importe de R$28.123,77 (R$7.150,60 + R$8.537,09 e  R$12.435,68).  Conforme despacho de fls. 340, a Sacat/DRF/Uberlândia aponta  divergência  entre  os  valores  exigidos  por  meio  do  citado  acórdão  e  aqueles  registrados  no  sistema  de  controle  de  processos  fiscais  —  Profisc,  solicitando  a  verificação  de  eventuais  inconsistências  entre  os  saldos  dos  débitos  relacionados  no  acórdão  e  a  informação  do  resultado  do  julgamento.”  Em  face  da  divergência  apontada  pela  a  Sacat/DRF/Uberlândia  a  Turma  emite o Acórdão n.° 09­23.792 , ora recorrido, em substituição do citado Acórdão, com guarida  no art. 32 do Decreto n° 70.235, de 1972, que dispõe que as  inexatidões materiais devidas a  lapso  manifesto  e  os  erros  de  escrita  ou  de  cálculos  existentes  na  decisão  poderão  ser  corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, e, ainda, de acordo com o art. 22, §  1º  , da Portaria MF n° 58/2006, que determina que para a correção de inexatidões materiais  devidas a  lapso manifesto e a  erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, no qual  julga procedente em parte o lançamento, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a  seguir transcritos:  “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PROVISÓRIA  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  OU  TRANSMISSÃO  DE  VALORES  E  DE  CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA  ­ C P  MF   Ano­calendário: 1999, 2000   Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 447          6 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO.  As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de  escrita  ou  de  cálculos  existentes  no  Acórdão,  poderão  ser  corrigidos  de  ofício  ou  a  requerimento  do  sujeito  passivo,  havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência fiscal foi  lavrada  por  pessoa  competente  e  sustenta­se  em  processo  instruído  com  todas  as  peças  indispensáveis  à  constituição  do  lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito  de defesa da pessoa jurídica autuada.  Lançamento Procedente em Parte   Acórdão   Acordam  os  membros  da  I  a  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  considerar  procedente  em  parte  o  lançamento para:  ­  eximir  os  valores  da  CPMF,  ora  exigidos,  decorrentes  das  movimentações  financeiras  havidas  juntos  aos  bancos  ABN  AMRO  Real  e  Bradesco  nos  importes  de  R$2.427.178,50  e  de  R$28.438,89, respectivamente;  ­  eximir  parte  do  valor  da  CPMF  devida  em  relação  às  movimentações financeiras junto à Caixa Econômica Federal no  importe  de  R$272.641,47,  remanescendo  um  saldo  no  valor  R$12.435,68;  ­  manter  o  saldo mencionado  no  item  anterior,  nos  moldes  do  demonstrativo  ao  final  do  voto,  parte  integrante  do  presente  julgado,  ressalvada  a  utilização  dos  pagamentos  efetuados,  conforme  DARF  de  fls.  104,  255  e  317  na  amortização  da  parcela mantida;  ­ manter parcela da CPMF devida em relação às movimentações  financeiras realizadas junto ao Banestado, Banco do Brasil, nos  valores de R$7.072,44, de R$8.537,09, correspondentes aos fatos  geradores listados no demonstrativo de  fls. 12, 13 el4, exceto o  fato  gerador  de  16/06/1999,  observando­se  os  pagamentos  efetuados  conforme  DARF  de  fls.  72,  para  amortização  dessa  parcela mantida.”  Assim decidindo, recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais,  de  acordo  com  o  art.  34  do  Decreto  n°  70.235/1972  e  alterações  introduzidas  pela  Lei  n°  9.532/1997 e Portaria MF n° 3, de 03/01/2008.  Cientificada  da  decisão  de  1ª  Instância  de  Julgamento  administrativo  em  13/10/2011  (Aviso  de Recebimento  – AR de  e­fl  386),  por meio Ofício  0619 de  e­fl  385,  a  contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 10/11/2011, o seu recurso voluntário, por meio do  qual, com base nos argumentos apresentados, pretende:   Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 448          7 “i. o recebimento do presente Recurso Voluntário, já que cabível  e tempestivo;   ii.  a  reforma  do  r.  Acórdão  da  1­  Turma  da  DRJ/JFA  para  reconhecer  a  não  incidência  da  multa  de  mora  face  o  recolhimento  da  CPMF  sobre  as  operações  havidas  com  os  Bancos Real e Bradesco, em estrita observância ao prazo de que  trata o § 2 o do Art. 63 da Lei n° 9430/96, ou, caso não seja este o  entendimento destes i. Conselheiros, o que admite­se somente em  atenção  ao  princípio  da  eventualidade,  que  seja  declarada  expressamente a necessidade de prévio lançamento da multa de  mora e a sua conseqüente impossibilidade, face a já consumada  decadência.”  Suas argumentações encontram­se dispostas nos seguintes itens e subitens do  seu recurso voluntário:  I  ­DO  CABIMENTO  E  TEMPESTIVIDADE  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  II ­ DO ACÓRDÃO RECORRIDO  III­ DAS RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO  3.1.  DA  COMPROVAÇÃO  DA  QUITAÇÃO  TOTAL  DA  PARTE  DO  LANÇAMENTO MANTIDO ­ MULTA DE MORA ­ MATÉRIA ESTRANHA A LIDE  3.2.  DA  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  MULTA  DE  MORA  SOBRE  O  RECOLHIMENTO DA CPMF SOBRE AS OPERAÇÕES COM OS BANCOS ABN AMRO  REAL S/A E BRADESCO  3.2.1. DA NÃO  INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA  ­  PAGAMENTO  ESPONTÂNEO DO TRIBUTO NO PRAZO LEGAL (ART. 63, § 2° DA LEI N° 9.430/96) –  EFEITO SUSPENSIVO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  3.2.2.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  LANÇAMENTO  ­  DECADÊNCIA  CONSUMADA  IV­ DA CONCLUSÃO  Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído.    É o relatório.  Voto             Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ  O  recurso  voluntário  da  contribuinte  é  tempestivo.  E  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 449          8 Igualmente deve ser conhecido o  recurso de Ofício, em face da exoneração  parcial do Crédito Tributário em valor superior ao limite imposto na Portaria MF nº 003, de 03  de janeiro de 2008, em conformidade com os dispositivos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997.  DO RECURSO DE OFÍCIO  O  crédito  tributário  relativo  à  CPMF  objeto  da  autuação,  decorre  de  operações  realizadas  junto a diversas  instituições  financeiras abaixo  relacionadas, no período  de 17/06/1999 a 05/04/2000, período em que esteve amparada por medida liminar nos autos do  mandado de segurança n° 1999.38.03.001698­8, posteriormente cassada e cujos Valores foram  apurados  conforme  informações  constantes  das  Declarações  da  CPMF  apresentadas  pelas  instituições financeiras:  1)  ABN Amro Real S/A ­ R$ 2.427.178,50   2)  Bradesco – R$ 28.438,89   3)  Banestado – R$ 7.150,50  4)  Banco d o Brasil R$ 8.537,25  5)  Caixa Econômica Federal R$ 285.077,15   Constata­se  dos  autos  que  em  decorrência  de  diligência  solicitada  pela  Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, consoante Relatório de Diligência Fiscal  de e­fl 284 e 285, restou comprovado que:  · As instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco, após a decisão  denegatoria  da  segurança,  mais  precisamente  em  31/03/2000,  efetuaram  retenções  na  respectiva  conta  corrente  da  cliente,  a  contribuinte  ora  recorrente,  e  os  recolhimentos  da  CPMF, considerando­se somente o débito principal e juros de mora, sem incidência de multa  de mora;  · A Caixa Econômica Federal  teria consolidado e retificado as  informações  anteriormente prestadas, declarando que, na verdade, a movimentação financeira do correntista  teria gerado um montante de CPMF não retida no valor de R$ 12.435,68 (CPMF decorrente da  movimentação financeira período de 17/06/1999 a 22/03/2000, equivalente aos fatos geradores  de  23/06/1999  a  22/03/2000).  Sendo  indevido,  portanto,  parte  do  valor  de  CPMF  de  R$  285.077,15 lançado originalmente no Auto de Infração desse processo.   As razões para eximir os lançamentos da CPMF referentes às operações com  a ABN Amro Real S/A e com o Bradesco foram assim destacadas pela autoridade a quo:  “Relativamente  aos  valores  devidos  a  título  de  CPMF  sobre  operações  na  conta  corrente  a  interessada  mantida  junto  ao  Banco  ABN  AMRO  Real  S/A,  após  a  diligência,  conforme  Relatório Fiscal de fls. 280/281, assim conclui o Auditor Fiscal:  ‘Nas  folhas  179/180,  constam  extratos  de  conta  corrente  do  banco  Real,  onde  estão  registrados  os  débitos  na  conta  corrente  do  contribuinte,  a  título  de  CPMF,  nos  valores  de  R$2.415.020,04  e  R$122.291,  94,  na  data  de  31/03/2000,  totalizando  R$2.537.311,98.  Por outro lado, conforme planilha de fl. 307, denominada 'Calculo da  CPMF'  —  Banco  ABN  AMRO  REAL',  elaborada  por  este  Auditor  Fiscal que subscreve, demonstra­se que o valor devido até 31/03/2000,  calculado  com  incidência  de  juros  de  mora  apenas,  era  de  R$2.529.371,78,  o  que  permite  concluir  que  a  CPMF  relativa  a  esse  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 450          9 banco está quitada pelo contribuinte Martins. Nesse mesmo sentido é a  informação prestada pelo banco, nas  fls. 305/306 (resposta datada de  11 de maio de 2007).’  Do mesmo modo, consta do extrato de fls. 88 de conta corrente  da  autuada  junto  ao  banco Bradesco,  o  registro  da retenção a  título  de  CPMF  em  31/03/2000,  no  valor  de  R$30.646,16,  relativamente  aos  fatos  geradores  do  período  de  23/06/1999  a  22/03/2000, cujos  recolhimentos efetuados por meio dos DARF  de  fls.  90/103  totalizam  R$29.694,65,  calculados  com  juros  de  mora  apenas.  O  valor  declarado  para  a  Receita  Federal  pelo  Bradesco, conforme demonstrativo de  fls. 13,  relativamente aos  mesmos fatos geradores, importa o valor de R$28.438,89, o que  permite concluir que a CPMF relativa a esse banco está quitada  pela autuada.  Desse  modo  tem­se  por  improcedente  as  parcelas  do  auto  de  infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF  decorrente  de  operações  financeiras  junto  aos  bancos  Real  e  Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início  da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da  multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida.”  Diante  de  tal  constatação,  conforme  se  verifica  na  parte  dispositiva  da  decisão  recorrida,  restaram eximidos os valores  relativos às operações com ABN Amro Real  S/A e Bradesco, bem como quanto ao montante de R$ 272.641,47 da CEF. Foram mantidos os  lançamentos relativos ao Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe  de  R$  12.435,68,  tendo  a  Autoridade  julgadora  a  quo  determinado  a  amortização  de  tais  valores com os pagamentos comprovados nos autos.  É  que,  conforme  consta  registrado  no  Relatório  Fiscal  de  diligência  e  devidamente provado nos autos, do saldo devedor apurado e retificado pela CEF no valor de  R$  12.435,68,  a  contribuinte  teria  apresentado,  em  resposta  protocolada  em  30/05/2007,  comprovantes de pagamento da maior parte do valor acima referido, de forma que da CPMF  devida de R$ 12.435,68, o valor de R$ 10.432,96 (equivalente a 10.462,16 (­) 29,20 que é o  valor de abril/2000 não contemplado no auto de infração) já foi recolhido aos cofres públicos,  cujo recolhimento deu­se com a devida atualização pela SEL1C e aplicação da multa de 75%.  Portanto, o valor da CPMF ainda não recolhida seria de R$ 2.002.72 (valor de principal). E, tal  valor,  foi  posteriormente  recolhido  pela  contribuinte,  acrescido  de  juros  de mora  e multa  de  ofício.  Também, consta noticiado no  recurso voluntário e comprovado nos autos o  recolhimento  por  parte  da  Recorrente  da  CPMF  em  face  das  movimentações  junto  às  instituições  financeiras  do Banco  do Brasil  e  do Banestado  considerando  principal,  juros  de  mora e multa de ofício, após intimação da autuação fiscal, quando, afirma a contribuinte, teve  ciência de que essas Instituições não cumpriram com sua obrigação de retenção e recolhimento  do tributo em questão.  Assim verificado e comprovado nos autos, é de se concordar plenamente com  a  decisão  proferida  no  Acórdão  nº  .09­23.792,  ora  recorrido,  cuja  fundamentação  adoto  e  ratifico, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, ressalvada a análise que se faz quando  do julgamento do recurso voluntário, a seguir.  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 451          10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Detecta­se  que  no  recurso  voluntário  a  contribuinte  não  mais  apresenta  alegações preliminares de nulidade e não mais questiona o saldo devedor da CPMF decorrente  da movimentação  financeira  junto  à  CEF,  no  valor  de R$  12.435,68  que  restou mantido  na  Acórdão recorrido, tendo, inclusive, efetuado o recolhimento.   Igualmente,  a  contribuinte  efetuou os  recolhimentos dos  créditos  tributários  da CPMF  lançados  em  face  da  sua movimentação  financeira  junto  à  Instituições  financeiras  BANESTADO  e  BANCO  DO  BRASIL,  nos  importe  de  R$17.524,69  e  R$20.923,66,  em  30/03/2004  e  29/03/2004,  respectivamente.  E,  conforme  destacado  pela  relatora  do  voto  da  decisão  recorrida,  “o  pagamento  do  crédito  tributário  exigido  encerra  o  litígio  quanto  à  parcela paga, visto que caracterizada a concordância da autuada com o lançamento efetuado,  tornando­o definitivo na esfera administrativa.”  A  única  motivação  que  levou  a  contribuinte  a  apresentar  o  seu  recurso  voluntário foi uma ressalva feita no voto do Acórdão nº 09­23.792, quando a relatora assim se  pronuncia:  “Desse  modo  tem­se  por  improcedente  as  parcelas  do  auto  de  infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF  decorrente  de  operações  financeiras  junto  aos  bancos  Real  e  Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início  da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da  multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida.  Por  outro  lado,  em  que  pese  o  entendimento  contrário  da  autuada,  a  multa  de  mora,  nos  termos  do  artigo  61  da  Lei  9.430/96, é devida no caso em tela, uma vez que a retenção e o  recolhimento da CPMF devida se deu após findo o prazo de que  trata o artigo 63, § 2o , da mesma lei, abaixo transcrito:”  E, fundamenta o seu entendimento da seguinte forma:  “Afirma  a  autuada  em  sua  defesa  que  esteve  acobertada  por  liminar  no  Mandado  de  Segurança  n°  1999.38.03.001698­8  e  que  os  débitos  da  CPMF  tornaram­se  exigíveis  somente  em  03/03/2000,  quando  a  decisão  proferida  em  primeira  instância  tornou­se  eficaz,  razão  pela  qual  reputa  corretos  os  recolhimentos  efetuados  sem  incidência  da  multa  de  mora,  a  título  da  CPMF,  conforme  disposto  no  artigo  63,  §  2,  da  Lei  9.430/96:  (...)  Contudo,  não  procede  tal  afirmação  visto  que  a  sentença  (fls.63/67),  que  denegou  a  segurança  e  cassou  a  liminar  anteriormente deferida,  foi  publicada em 29/01/2000, passando  a produzir seus efeitos a partir dessa data (fls. 321). A referida  publicação datada de 03/03/2000, refere­se à decisão proferida  nos embargos de declaração apresentados contra a sentença que  denegou a segurança. Referidos embargos não têm o condão de  restabelecer a liminar cassada, para gerar os efeitos que lhe são  próprios.  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 452          11 Isto porque, a regra no mandado de segurança é o recebimento  dos recursos apenas no efeito devolutivo. Para este lado inclina­ se a jurisprudência majoritária:  (...)”.  A Recorrente alega que a multa de mora é matéria estranha à lide.  Nesta  questão  é  de  se  dar  razão  à  recorrente. No  presente  lançamento  não  houve  acusação  da  autoridade  lançadora  acerca  do  fato  mencionado  na  decisão  recorrida  quanto  ao  pagamento  da  CPMF  em  atraso  sem  a  devida  multa  de  mora.  Trata­se  de  uma  inovação efetuada na decisão da 1ª Instância administrativa. Nos presentes autos não se cogitou  de  lançamento  e/ou  cobrança  de multa  de mora  isolada,  devido  a  pagamento  de  CPMF  em  atraso sem os respectivos acréscimos.  Veja que da parte dispositiva do r. decisum restaram eximidos exatamente os  valores  relativos  às  operações  com ABN Amro Real  S/A  e Bradesco,  bem  como  quanto  ao  montante de R$ 272.641,47 da CEF, tendo sido mantidos apenas os lançamentos relativos ao  Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe de R$ 12.435,68.  A Análise acerca da decisão que cancelou os créditos tributários em face das  movimentações efetuadas com as Instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco já  foi efetuada acima quando do julgamento do recurso de Ofício, na qual entendeu essa relatora  pela  manutenção  do  cancelamento  do  lançamento  da  CPMF  em  face  das  respectivas  instituições.  É possível, sim, a cobrança da multa de mora, quando haja recolhimento em  atraso sem a devida cobrança da multa de mora, na forma prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de  27 de dezembro de 1996. Mas, faz­se necessário o respectivo lançamento, mencionando a sua  ocorrência, posto tratar­se de penalidade diferente da multa de ofício, aqui lançada e eximida,  consoante se denota pela redação contida no art. 43 da mesma lei, in verbis:  “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições   Auto de Infração sem Tributo   Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Acréscimos Moratórios   Multas e Juros   Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 453          12 cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)  (Vide Lei nº 9.716, de 1998)”  Anteriormente, havia a previsão na Lei nº 9.430/96 de lançamento da multa  de ofício isolada quando se detectava o recolhimento do tributo em atraso sem a devida multa  de mora. Contudo, trata­se esse, de fato diferente ao que foi motivador do lançado sob litígio  nos presentes autos.  Ademais,  conforme  a  própria  autoridade  julgadora  a  quo  destacou,  tal  dispositivo  foi  revogado  por  força  da Medida  Provisória  n°  371,  de  22  de  janeiro  de  2007,  convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, e do princípio da retroatividade benigna,  é incabível a imposição da multa de ofício isolada, aplicada em virtude da falta de pagamento  de multa de mora.  Portanto,  a questão da multa de mora não está  contemplada no  lançamento  sob litígio no presente processo, motivo pelo o qual se  torna desnecessária a análise sobre as  alegações  de  decadência  e  do  efeito  suspensivo  dos  embargos  declaratórios,  o  que,  alíás,  registre­se,  trata­se,  esta  última,  de  uma  questão  polêmica,  posto  que  os  embargos  de  declaração são um recurso sui generis e o que ocorre com os embargos de declaração é que, a  princípio  poder­se­ia  defender  que,  com a  sua  interposição,  paralisa­se  a  eficácia  da decisão  embargada.   Mas,  como  disse,  a  questão  da  multa  de  mora  não  está  contemplada  no  presente lançamento.  Por,  fim,  cabe  ressaltar  a  falta  de  amparo  legal  para  que  as  intimações  doravante expedidas  sejam encaminhadas para o endereço do advogado da contribuinte, haja  vista  as  disposições  contidas  no  inciso  II  e  no  §  4º  do  artigo  23  do  Decreto  70.235/72,  as  intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o  qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  (...)  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/2004­67  Acórdão n.º 3302­002.685  S3­C3T2  Fl. 454          13 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  (...)  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo:  (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  I  o  endereço  postal  por  ele  fornecido,  para  fins  cadastrais,  à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)  II  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)   CONCLUSÃO  De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício,  mantendo  o  cancelamento  do  Lançamento  da  CPMF atinente às operações efetuadas junto com as Instituições financeiras ABN Amro Real  S/A  e  Bradesco  e  de  dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer  que  a  multa de mora não está contemplada no presente lançamento.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  MARIA  DA  CONCEIÇÃO  ARNALDO  JACÓ  ­  Relatora                               Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA

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