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5605575 #
Numero do processo: 10875.000463/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PEDIDO ADMINISTRATIVO - A repartição de origem deve observar o pedido do contribuinte para efeitos de liquidação de seu débito através do parcelamento, bem como demais pedidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3101-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. LUIZ ROBERTO DOMINGO Presidente em exercício VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PEDIDO ADMINISTRATIVO - A repartição de origem deve observar o pedido do contribuinte para efeitos de liquidação de seu débito através do parcelamento, bem como demais pedidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 31          1 30  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10875.000463/2002­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3101­001.641  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24  de abril de 2014  Matéria  PIS  Recorrente  DORNBUSCH & CIA IND. E COM. LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1997  PEDIDO ADMINISTRATIVO ­ A REPARTIÇÃO DE ORIGEM DEVE OBSERVAR  O  PEDIDO  DO  CONTRIBUINTE  PARA  EFEITOS  DE  LIQUIDAÇÃO  DE  SEU  DÉBITO  ATRAVÉS DO PARCELAMENTO, BEM COMO DEMAIS PEDIDOS.  RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  1ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do  voto da relatora.  LUIZ ROBERTO DOMINGO  Presidente em exercício  VALDETE APARECIDA MARINHEIRO  Relatora  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Glauco  Antonio  de  Azevedo  Morais,  José  Henrique  Mauri  e  Mônica  Monteiro Garcia de Los Rios.  Relatório  Por bem relatar, adota­se o Relatório de fls.107 a 108 dos autos emanados da  decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator José Carlos Ortolani, nos seguintes termos:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 04 63 /2 00 2- 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO Processo nº 10875.000463/2002­14  Acórdão n.º 3101­001.641  S3­C1T1  Fl. 32          2 “Trata­se de auto de infração eletrônico, decorrente  do processamento da  DCTF  do  ano  calendário  de  1997,  lavrado  em  31  de  outubro  de  2001,  cientificado  à contribuinte em 13 de dezembro de 2001, por meio do  AR  de  fl.  36, exigindo  crédito  tributário no valor total de R$ 25.525,51, em vista da  falta  de  recolhimento da Contribuição  para o PIS/Pasep, conforme descrição e enquadramento legal constante do auto de infração.   2. Inconformada com a  exigência  fiscal, a contribuinte,  por  meio  de  seus  representantes legais, apresentou  a  impugnação  de  fls.  01  em  09  de janeiro de 2002, com as  seguintes razões de defesa:   “DORNBUSCH & CIA  IND. E COM. LTDA,  inscrita no CNPJ (...),  estabelecida na Rua do Rosário, 142, (...),  vem  mui respeitosamente  requerer a V.Sas.,  o  cancelamento  do  auto  de  infração  nº  0001684  de  de 30.10.01, tendo em vista que não existem os  débitos  apontados,  conforme  comprovam  os  documentos  juntados.  Nestes termos Pede deferimento. Guarulhos, 20 de Dezembro de 2001.”   3.  Em  Revisão  de  Ofício,  a  DRF  de  origem  excluiu  parte  do  crédito  tributário formalizado,  nos  termos dos  demonstrativos  de  fls. 74/77 e despacho de fl. 78,  conforme demonstrativo em fls. 108;   A  decisão  recorrida  emanada  do  Acórdão  nº.  05­38.597  de  fls.  106  traz  a  seguinte ementa:   “ASSUNTO: PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL ­ PIS  Ano­calendário: 1997   FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF.   Diante  da  ausência  da  extinção  dos  débitos  remanescentes  da  revisão  de ofício,  seja  mediante  pagamento  ou  por compensação, permanece o  crédito tributário em litígio.   MULTA DE OFÍCIO VINCULADA.   Em  face  do  princípio  da  retroatividade  benigna,  consagrado  no  Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento  de ofício, para débitos já declarados em DCTF. ”    Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte ”  O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF. Na  esperança e, portanto, requerendo que o valor correspondente à competência de dezembro de  1997 de R$ 1.448,46 (Um mil quatrocentos e quarenta e oito  reais e quarenta e seis centavos)  por  estar  quitado  na  DA  nº  80709005798­67,  seja  apartado  dos  demais  débitos  devidos  da  competência  de  agosto  a  novembro  de  1997,  reconhecendo­se  a  extinção  do  débito  da  competência  de DEZ/1997,  a  fim  de  possibilitar  ao  contribuinte,  ora  recorrente,  parcelar  os  débitos de PIS de agosto a novembro de 1997.  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO Processo nº 10875.000463/2002­14  Acórdão n.º 3101­001.641  S3­C1T1  Fl. 33          3 É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro,   O Recurso Voluntário é tempestivo, pois, é datado de 10/09/2012, enquanto a  decisão de primeira  instância  administrativa é de 08/08/2012 e dele  tomo conhecimento, por  conter todos os requisitos de admissibilidade.  O mesmo recurso, não contesta ou discorda da decisão recorrida, portanto, a  decisão recorrida não merece reparos.  Repeti­la  seria  apenas  para  poupar­me  de  mais  argumentos  para  mantê­la,  mas corroboro com a mesma, mas acrescento o seguinte:  Quanto ao seu pedido de apartar o débito do mês de dezembro de 1997 de R$  1.448,46(Um mil Quatrocentos e Quarenta e Oito Reais e Quarenta e Seis Centavos) por estar  quitado na DA nº 80709005798­67, dos demais débitos devidos da  competência de  agosto  a  novembro de 1997, reconhecendo­se a extinção do débito da competência de DEZ/1997, a fim  de possibilitar ao contribuinte, ora recorrente, parcelar os débitos de PIS de agosto a novembro  de 1997, é para essa conselheira, um pedido estranho a sua competência.  Mas, entendo que a Repartição de origem, pode  sim,  fazer a verificação do  real cumprimento e existência da referida quitação e possibilitar que a Recorrente, parcele os  seus demais débitos.  Isto Posto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e determino a  remessa  dos  autos  a  Repartição  de  Origem  fazendária,  para  que  proceda  com  o  pedido  da  Recorrente.  Esse é meu voto.  Relatora Valdete Aparecida Marinheiro                            Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO

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5604874 #
Numero do processo: 10972.720023/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA DECORRENTE DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. A pessoa jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos a sua atividade, sujeita-se às presunções legais que autorizam a tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. NÃO CONFISCO. UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COMO PENALIDADE. ALÍQUOTA EXCESSIVA. Caracterizada a hipótese que autoriza a presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a exigência deve ser mantida, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA DECORRENTE DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. A pessoa jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos a sua atividade, sujeita-se às presunções legais que autorizam a tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. NÃO CONFISCO. UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COMO PENALIDADE. ALÍQUOTA EXCESSIVA. Caracterizada a hipótese que autoriza a presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a exigência deve ser mantida, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10972.720023/2013­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­001.173  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de agosto de 2014  Matéria  IRPJ e Reflexos ­ Omissão de Receitas e Pagamentos sem causa  Recorrente  ON9 CONSULTORIA LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA  DECORRENTE  DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO  DE  NUMERÁRIO  NÃO  COMPROVADO.  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS  E  SEM  CAUSA.  A  pessoa  jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não  prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis  relativos  a  sua  atividade,  sujeita­se  às  presunções  legais  que  autorizam  a  tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na  fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento.  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  CAPACIDADE  CONTRIBUTIVA.  PROPORCIONALIDADE.  RAZOABILIDADE.  NÃO  CONFISCO.  UTILIZAÇÃO  DE  TRIBUTO  COMO  PENALIDADE.  ALÍQUOTA  EXCESSIVA.  Caracterizada  a  hipótese  que  autoriza  a  presunção  estabelecida  no  art.  61  da Lei  nº  8.981/95,  a  exigência  deve  ser  mantida,  na medida  em  que  o CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos  termos do relatório e voto que integram o presente julgado.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 23 /2 01 3- 23 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 3          2 (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (presidente da  turma), Edeli  Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício  Júnior,  Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.  Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  ON9  CONSULTORIA  LTDA  EPP,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  de  Juiz  de  Fora/MG que, por unanimidade de votos,  julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta  contra lançamento formalizado em 17/05/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$  27.175.188,77.  O lançamento decorre da constatação das seguintes infrações nos períodos de  apuração compreendidos no ano­calendário 2010:  · Omissão  de  receitas  presumida  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem não comprovada, tendo em conta que a contribuinte, apesar de  intimada,  não  logrou  demonstrar  a  origem  de  parte  dos  depósitos/créditos  verificados  em  sua  conta  bancária.  Contratos  de  mútuo  apresentados  como  justificativa  foram  rejeitados  porque  as  partes  contratantes  são  pessoas  distintas  da  interessada  e  não  estavam  acompanhados  de  quaisquer  comprovantes  de  depósitos/créditos  que  espelhem  os  efetivos  pagamentos  recebidos  dos mutuários;  · Omissão de receitas presumida a partir da apuração de saldo credor na  conta  Caixa,  recomposta  com  a  exclusão  de:  1)  ingressos  representados  por  cheques  compensados;  2)  parcelas  destinadas  a  pagamentos  diversos  em  instituição  financeira;  e  3)  suprimento  de  caixa contabilizado em 10/04/2010, cuja origem e efetividade não foi  provada;  · Pagamentos sem causa, representados por débitos em contas bancárias  sob  o  histórico  “Pagamentos  Diversos”,  “Pgto  autorizado”,  “Tr  vr  entre  cta”,  “Folha  de  Pagamento”,  “Saque  para  pagamento  via  malote”  e  “Cheque  avulso  entre  agências”,  escriturados  como  despesas  com  representação,  correspondentes  a  operações  não  comprovadas  pela  contribuinte.  Também  foram  considerados  sem  causa os cheques compensados lançados a débito da conta caixa para  os quais a empresa não identificou sua efetiva destinação.  As  duas  primeiras  infrações  ensejaram  exigências  trimestrais  de  IRPJ  (R$  63.460,47) e CSLL (R$ 27.092,35) na  sistemática do  lucro presumido, bem como mensais  a  título  de  Contribuição  ao  PIS  (R$  6.143,04)  e  de  COFINS  (R$  28.352,55)  na  sistemática  cumulativa.  A  terceira  infração  resultou  na  exigência  de  IRRF  sobre  a  base  de  cálculo  reajustada, na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, totalizando R$ 27.050.140,36.  Impugnando a exigência, a contribuinte alegou extravio dos documentos que  deixaram  de  ser  apresentados  e  se  opôs  à  utilização  de  tributo  com  o  fim  de  penalidade,  alegando violação à capacidade contributiva, em razão do efeito confiscatório da exigência.   Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 5          4 A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2010   EXTRAVIO DE DOCUMENTOS Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de  livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica  fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso  concernente  ao  fato  e  deste  dará  minuciosa  informação,  dentro  de  48  horas,  ao  órgão competente do Registro  do Comércio,  remetendo  cópia da  comunicação ao  órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição.  E, ainda, a simples adoção dessas formalidades, apesar de necessárias, não seriam  suficientes  para  caracterizar  a  exclusão  da  responsabilidade  do  contribuinte  pela  guarda  e  conservação  de  seus  documentos  contábeis  e  fiscais.  Caberia  ao  interessado a reconstituição da escrituração ao menos dos livros obrigatórios, por  iniciativa própria e antes de qualquer procedimento fiscal.  CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO.  Não há  de  se  cogitar  da materialização das  hipóteses  de  confisco  e  de  ofensa  ao  Princípio  da  capacidade  contributiva  quando  os  lançamentos  se  pautaram  nos  pressupostos  jurídicos,  declarados  no  enquadramento  legal,  e  fáticos,  esses  coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.  IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO SEM CAUSA.  Sujeitam­se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de  35%, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado,  assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  comprovada  a  operação ou a sua causa.  LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. Cofins. PIS.  A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às  exigências dele decorrentes.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  09/08/2013  (fl.  1423),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/09/2013 (fls. 1426/1441).  Relata  o  procedimento  fiscal,  destacando  que  respondeu  às  intimações  que  lhe  foram  dirigidas,  e  mencionando  que  a  decisão  recorrida  limitou­se  a  expor  meras  conjecturas  teórico­normativas, passando ao  largo dos argumentos exaustivamente argüidos  pela  recorrente,  fato  que  justifica  a  necessidade  da  reapreciação  do  julgado,  bem  como  da  reforma de seu teor.  Expõe  que  informou  à  Fiscalização  o  extravio  de  caixas  de  arquivos  que  continham  a  maioria  dos  documentos  requeridos,  os  quais  bastavam  para  subsidiar  a  escrituração  contábil  da  empresa  autuada.  Requereu  dilação  de  prazo  porque  ainda  não  exauridas as buscas necessárias, mas esta lhe foi indeferida, impossibilitando o cumprimento  da  ordem  e  ensejando  o  lançamento  por  falta  de  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários e da identificação dos beneficiários dos débitos verificados em sua conta bancária.   Classifica a falta de apresentação dos documentos como verdadeira matéria  prejudicial  em  relação à  validade  das  exigências,  entende que  a Fiscalização deveria  ter­lhe  concedido prazo suplementar e quanto à necessidade de publicidade da ocorrência, argumenta  Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 6          5 que  ainda  não  era  cabida,  visto  que  as  diligências  necessárias  para  localizar  as  caixas  de  arquivo ainda não havia se esgotado, inviabilizando a minuciosa informação ali exigida.  Invoca  os  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade,  transcreve  doutrina,  afirmando que além de constituírem  critérios aplicáveis aos  casos  concretos,  estes  princípios referem­se a aplicação da própria justiça, nos termos de excerto doutrinário a que  se  refere. A autoridade  julgadora de 1a  instância não  teria  adentrado à questão do pedido de  dilação de prazo e, assim, desprezou a aplicação dos mencionados princípios.  Pede,  assim,  a  declaração  de  nulidade  do  lançamento  em  razão  do  indeferimento  do  pedido  de  dilação  de  prazo  quando  ainda  não  esgotadas  as  buscas  imprescindíveis para localização dos documentos exigidos.  Na  seqüência,  afirma  a  inobservância  do  princípio  da  capacidade  contributiva, tendo em vista que a exigência principal representa R$ 14 milhões, ao passo que  sua capacidade contributiva revelada pelo lucro presumido do período totalizou R$ 1,6 milhão.  Entende  inaceitável  os  argumentos  apresentados  pela  autoridade  julgadora  de  1a  instância  acerca da impossibilidade de se avaliar a constitucionalidade da exigência, pois os agentes do  Estado somente atuar em estrita conformidade com a lei, e especialmente com a Lei Maior da  República, que deve ser obedecida em primeiro lugar.  Cita  doutrina  para  argumentar  que  a  interpretação  da  Constituição,  ou  sua  observância, não é monopólio do Poder Judiciário, até porque as leis somente existem e têm a  sua  validade  fundada  na  própria  Constituição.  Destaca  que  a  exação  de  R$  14  milhões  representa quase três vezes seu faturamento anual, e que o pagamento exigido inviabilizará sua  atividade  empresarial.  Transcreve  ementa  de  julgado  e  complementa  que  o  caso  concreto  conduz  ao  odioso  instituto  do  confisco,  à  medida  em  que  a  exação  excede  a  própria  disponibilidade econômica da recorrente no período considerado,  reportando­se a doutrina e  jurisprudência sobre a questão.  Invoca, ainda, o princípio da progressividade, aplicável ao imposto de renda,  o qual, juntamente com o princípio da capacidade contributiva, estabelecem um limite máximo  à  pretensão  tributária  do  Estado  com  o  objetivo  de  assegurar  o  mínimo  razoável  para  o  proveito do próprio contribuinte, de modo a viabilizar a existência digna de uma pessoa física  ou a prática de atividade econômica por uma empresa. O valor exorbitante exigido ensejaria a  espoliação de tudo o que a recorrente conseguiu a duras penas, há vários anos.  Alega  a  cobrança  indevida  de  tributo  em  situação  legalmente  enquadrada  como  sendo  apenas  de  aplicação  de  penalidade,  qual  seja,  o  descumprimento  de  uma  obrigação meramente acessória. Entende que o Estado, pela incapacidade de ser onipresente e  de conhecer todos os fatos que estão sujeitos a suas normas, cobra de um aquilo que é dever  de outro contribuinte. Contudo, a sanção para o descumprimento de uma norma não deveria  representar o tributo que supostamente teria deixado de ser recolhido pelo efetivo beneficiário.  Reporta­se  ao  art.  3o  do  CTN  e  transcreve  doutrina  para  reafirmar  que  o  tributo  jamais  poderá  ser  utilizado  com  finalidade  de  punir  um  sujeito  passivo  pelo  descumprimento  de  obrigação  prevista  em  lei.  Aduz,  assim,  ser  indisfarçável  o  caráter  sancionátorio do art. 61 da Lei nº 8.981/95, mas acrescenta que o art. 1o da Lei nº 8.021/90  estabelece  que  o  pagamento  a  beneficiário  não  identificado  tem  como  conseqüência  a  aplicação de penalidade, bem como o Parecer Normativo nº 01/2002 imputa apenas exigência  Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 7          6 de multa de ofício e  juros de mora  isolados à  fonte pagadora que deixar de reter  imposto de  renda na fonte.   Conclui que houve um equívoco na identificação do sujeito passivo e destaca  que a recorrente não reconhece e nem confessa que tenha havido um eventual descumprimento  de alguma norma tributária, mas apenas demonstra a incompatibilidade do lançamento com o  ordenamento jurídico tributário.  Questiona  a  utilização  da  alíquota  de  35%  para  cálculo  do  imposto,  na  medida em que a alíquota máxima do imposto de renda para pessoas físicas é de 27,5% e de  15%, com adicional de 10%, para pessoas jurídicas. Ademais, com o reajustamento da base de  cálculo, esta alíquota transmuta­se para 54%, evidenciando verdadeira punição com tributo.  Finaliza afirmando a inexigibilidade dos juros de mora e da multa, em razão  da nulidade da cobrança dos tributos.            Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 8          7 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A recorrente argúi, em preliminar, a nulidade do procedimento fiscal, motivo  pelo qual é necessário expor como se desenvolveu o trabalho investigativo.  Em  20/05/2012  a  contribuinte  foi  cientificada  do  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  no  qual  lhe  foram  concedidos  20  (vinte)  dias  para,  dentre  outras  exigências,  apresentar  os  livros  contábeis  e  fiscais  do  período  fiscalizado  (01/07/2009  a  31/12/2010),  além  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  emitidas,  extratos  bancários  e  arquivos digitais (fls. 83/87).   A resposta de fl. 88 relaciona os elementos apresentados, e em 02/07/2012 a  autoridade fiscal devolve à contribuinte os Livros Diário e de Registro de Serviços Prestados  (fl. 89), intimando­a em 13/07/2012 a apresentá­los com o devido registro, bem como exigindo  prova da origem de depósitos bancários, esclarecimentos acerca das despesas de representações  vinculadas  a  débitos  bancários  no  total  de R$  25.135.071,04,  e  de  suprimento  de  numerário  escriturado  em 10/04/2012,  além da  justificativa  para  cheques  compensados  terem  suprido  a  conta  Caixa  ao  longo  do  ano­calendário  2010  (fls.  90/99).  Transcorridos  os  20  (vinte)  dias  inicialmente  concedidos,  a  contribuinte  é  reintimada  em  14/08/2012  a  atender  a  intimação  anterior em 5 (cinco) dias (fls. 101/102).  A resposta de fls. 105/861, apresentada em 21/08/2012, indica que os livros  já haviam sido apresentados em atendimento ao termo de início de fiscalização, demonstra os  depósitos bancários que têm origem em transferências de mesma titularidade ou empréstimo de  Consist  Outsourcing  e  indica  um  débito  bancário  como  decorrentes  de  pagamento  de  empréstimo  para  a  empresa  Consist  Consultoria,  bem  como  outros  correspondentes  a  reembolso de refeições fornecidas a representantes da Consist Consulting. Com referência aos  comprovantes de despesas com representações e do suprimento de numerário alegou  falta de  tempo  hábil  e  solicitou  prazo  de  60  dias  para  sua  apresentação,  mas  sem  fazer  qualquer  referência  ao  extravio  dos  documentos.  Por  fim,  quanto  aos  cheques  que  supriram  a  conta  Caixa, disse que foram emitidos para pagamento de pequenas despesas  conforme relatório e  documentos  apresentados.  A  autoridade  fiscal  consignou  ter  recebido  a  documentação  sem  conferência do conteúdo.  Em 03/10/2012 a contribuinte é reintimada para, no prazo de 20 (vinte) dias,  complementar  a  resposta  apresentada  em  21/08/2012,  de  forma  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  solicitados  através  do Termo de  Intimação Fiscal  lavrado  em 11/07/2012  e  recebido  em  13/07/2012  (fls.  862/863).  Em  sua  resposta  de  fls.  865/866,  a  contribuinte  consignou que (fls. 865/866):  [...]  3)  Conforme  resposta  apresentada  em  21  de  agosto  de  2012,  reiteramos  a  informação de que constatamos que algumas caixas de arquivo foram extraviadas e  que provavelmente essa documentação estava nela acondicionada.  Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 9          8 4)  Nesse  momento,  mantemos  as  nossas  buscas  para  localizar  as  mencionadas  caixas,  seja  internamente,  seja  nos  escritórios  de  contabilidade  que  nos  prestam  serviços ou junto aos que eram responsáveis pelo respectivo transporte.  5) Diante dessas circunstâncias, requeremos à essa Superintendência, a concessão  de prazo adicional para concluirmos essa busca.  Em  16/11/2012  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar,  em  5  (cinco)  dias  úteis, esclarecimentos a respeito de outro lançamento que supriu a conta caixa em 30/11/2010,  mas destinou­se a “Pagamentos Diversos” por meio da conta bancária, bem como reintimada a:  1)  comprovar  a  origem  dos  depósitos  que  remanesceram  sem  justificativas;  2)  justificar  os  cheques que supriram a conta caixa como antes questionado; e 3) apresentar a comprovação  das despesas de representação e do suprimento de numerário de 10/04/2010 (fls. 867/875). A  resposta apresentada em 23/11/2012 limita­se a requerer prazo suplementar de 30 (trinta) dias  sob a justificativa de que a documentação solicitada, conforme pode­se aferir no próprio termo  de intimação, é bastante volumosa e complexa, o que torna o prazo supramencionado de cinco  dias úteis insuficiente para seu fiel cumprimento (fl. 876).   Em 21/12/2012 a contribuinte apresenta os esclarecimentos de fls. 877/1049,  assim contextualizados:  [...]  conforme expediente datado de 21 de novembro de 2012, a  intimada expôs à essa  Secretaria  da Receita Federal que  está  encontrando dificuldades  para  atender  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  em  tela  face  à  complexidade  e  ao  grande  volume  de  documentos envolvidos, além da ocorrência de extravio de caixas de arquivos que  poderiam conter esses documentos, de modo que requereu dilação de prazo para o  seu cumprimento.  Mesmo  diante  da  intensa  busca  de  documentos  que  tem  realizado,  notadamente  solicitando  a  via  de  contratos  que  celebrou  com  terceiros,  ainda  não  logrou  colacionar todos aqueles requisitados neste procedimento fiscal.  Assim,  diante  da  impossibilidade  material  de  colacionar  todas  as  comprovações  requisitadas vem pela presente, apresentar à Vossas Senhorias, a documentação até  agora obtida, demonstrando o seu inequívoco empenho em atender a fiscalização da  melhor forma possível.   [...]  Os elementos apresentados se referiam a depósitos bancários cuja origem foi  questionada, a 5 (cinco) pagamentos escriturados e a 1 (um) cheque compensado, que teria sido  estornado.  A  autoridade  lançadora  consigna  no  Termo  de Verificação  Fiscal  que  aceitou  as  justificativas  para  estes  dois  últimos  itens,  estarem  devidamente  comprovadas  (fl.  62).  A  interessada  também  complementou  que  o  suprimento  de  numerário  de  10/04/2010  foi  um  empréstimo realizado, em dinheiro, com a respectiva devolução no dia 20/11/2010, conforme  razão anexo, mas consta do Termo de Verificação Fiscal que nenhuma prova foi associada à  justificativa  (fl.  62).  A  contribuinte  finalizou  requerendo  dilação  de  prazo  como  medida  razoável para o presente caso em que envolve um grande volume de documentos e extravio de  caixas de arquivos, e, como destaca a Fiscalização, não se manifestou acerca do suprimento de  caixa verificado em 30/11/2010 (fl. 62)  Em  14/01/2013  é  lavrada  nova  reintimação  para  que  a  contribuinte  complementasse  a  resposta  apresentada  em  21/12/2012,  de  forma  a  prestar  todos  os  Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 10          9 esclarecimentos  solicitados  através  do Termo de  Intimação Fiscal  lavrado  em 14/11/2012  e  recebido  em 16/11/2012.  Registrou­se,  ainda, que  os  contratos  de mútuo  apresentados  para  justificar  os  créditos  bancários  efetuados  na  conta  da  contribuinte  foram  firmados  entre  terceiros,  distintos  da  interessada,  de  forma  que,  a  princípio,  não  configuram  documentos  hábeis  e  idôneos para  tanto. Exigiu­se,  por  esta  razão,  esclarecimentos  acerca da  correlação  entre as empresas, bem como acerca dos lançamentos contábeis relativos aos pagamentos dos  citados  mútuos,  visto  que  valores  identificados  como  depósitos  de  terceiros  nas  contas  bancárias  da  empresa  foram  debitados  na  conta  banco  e  creditados  na  conta  Caixa  (fls.  1050/1051).  Em 25/01/2013, a contribuinte esclareceu que (fls. 1053/1057):  Alguns  contratos  juntados  pela  intimada  em  21  de  dezembro  p.p.,  referem­se  a  mútuos de pequena monta celebrados entre empresas do mesmo grupo da intimada  com  os  seus  empregados.  Com  efeito,  os  respectivos  credores  (a  própria  Consist  Consulting  Ltda.,  a  Consist  Software  Ltda.  e  a  Consist  Consultoria,  Sistemas  e  Representações Ltda.) compõem um grupo econômico horizontal, nos termos do art.  2o e seu §2o da CLT, ou seja:  [...]  Assim,  diante  do  exposto,  à  luz  do  que  dispõe  a  legislação  pertinente  e  a  atual  jurisprudência,  as  obrigações  assumidas  por  uma  das  sociedades  do  grupo  econômico,  se  irradiam  à  todas  as  outras  sociedades  que  estão  sobre  controle  comum,  como  é  o  caso  das  empresas  do  Grupo  Consist,  que  tem  como  sócias­ cotistas em comum a Pan Americam Computer System, Inc e John Fries Fenerstein.  De outra parte, os referidos lançamentos foram contabilizados a débito de banco e a  crédito de caixa por tratar­se de valores e/ou empréstimos de empresas do mesmo  grupo não gerando quaisquer prejuízos ou omissão de  receitas  entre  si, conforme  exposto acima.  A  autoridade  lançadora  consigna  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  a  contribuinte em 04/02/2013, reapresentou documentos para comprovar o débito efetuado em  30/12/2010, no valor de R$ 226.470,95, referente a folha de pagamento (fl. 62).   Depois de lavrar termo de continuação do procedimento fiscal em 19/03/2013  (fls.  1058/1059),  a  autoridade  fiscal  instruiu  os  autos  com  os  extratos  bancários  do  período  fiscalizado  (fls.  1064/1117)  e  reprodução  de  registros  dos  arquivos  digitais  (fls.  1118/1132),  dos livros contábeis (fls. 1133/1295), além de procurações, contratos sociais e declarações (fls.  1296/1388), concluindo o procedimento fiscal em 17/05/2013 (fl. 1389).  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  59/82,  a  autoridade  lançadora  observou que a contribuinte alterou sua razão social para ON9Consultoria Ltda em 18/01/2013  e quanto às justificativas apresentadas pela contribuinte destacou que:  Vale  salientar  que  os  contratos  de  mútuo  celebrados  entre  pessoas  físicas  e  as  empresas Consist Software Ltda (CNPJ 01.596.922/0001­76) e Consist­Consultoria,  Sistemas  de  Representações  Ltda  (CNPJ  43.211.630/0001­18)  não  foram  considerados  como  justificativas  hábeis  e  idôneas  a  comprovar  os  créditos  bancários efetuados nas contas da contribuinte, visto que as partes contratantes são  pessoas  distintas  da  interessada,  conforme  já  relatado  anteriormente.  Há  de  se  respeitar  o  princípio  da  entidade  contábil.  Ademais,  não  foram  juntados  a  tais  contratos  quaisquer  comprovantes  de  depósitos/créditos  que  espelhem  os  efetivos  pagamentos recebidos dos mutuários.  Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 11          10 Frente  a  tal  contexto,  as  infrações  constatadas  (omissão  de  receitas  decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e de saldo credor de caixa e de  suprimento  de  numerário,  bem  como  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados  ou  sem  causa)  estão  motivadas,  fundamentalmente,  na  falta  de  apresentação  dos  documentos  que  justificassem  os  lançamentos  contábeis  e  bancários  questionados  pela  Fiscalização.  Às  fls.  68/82  estão  individualizados  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  os  cheques  compensados lançados a débito da conta caixa, a recomposição da conta caixa e os pagamentos  bancários e cheques sem causa.  A  impugnação  aos  lançamentos  está  juntada  às  fls.  1392/1405,  desacompanhada de  qualquer  elemento  probatório,  limitando­se  a  interessada,  neste  ponto,  a  pretender a declaração de nulidade do lançamento em face de um maior tempo de espera para  a localização ou registro de extravio involuntário de documentos. O recurso voluntário de fls.  1426/1441 apresenta as mesmas características.  Como  se  vê,  ao  longo  dos  12  (doze)  meses  em  que  se  desenvolveu  o  procedimento fiscal, a contribuinte pouco se empenhou em atender às intimações. A autoridade  fiscal, por sua vez, concedeu todas as prorrogações de prazo requeridas e permitiu à interessada  demonstrar, ao menos, algum empenho na busca dos documentos exigidos. Esta busca, porém,  resultou  na  apresentação,  apenas,  da  documentação  comprobatória  de  5  (cinco)  pagamentos  escriturados  e  de  1  (um)  cheque  compensado,  que  teria  sido  estornado.  Para  além  disso,  a  contribuinte apenas pretendeu vincular suas operações a contratos nos quais figuravam outras  empresas  do  grupo,  e  que  tratavam  de  empréstimos  por  valores  globais,  sem  qualquer  demonstração  individualizada  da  correspondência  de  seus  efeitos  com  os  depósitos  e  pagamentos  questionados  pela  Fiscalização.  Justificou,  ainda,  que  o  fato  de  as  empresas  pertencerem ao mesmo grupo econômico faria com que as obrigações assumidas por uma das  sociedades  do  grupo  econômico,  se  irradiam  à  todas  as  outras  sociedades  que  estão  sobre  controle comum.  Conclui­se,  do  exposto,  que  a  contribuinte  conduziu­se  de  forma  desidiosa  em face do que a  legislação  tributária  lhe  impõe, nos  termos do Regulamento do  Imposto de  Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99:  Art.  264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial  (Decreto­Lei  nº  486, de 1969, art. 4º).   § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de  livros,  fichas, documentos  ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de  grande  circulação  do  local  de  seu  estabelecimento,  aviso  concernente  ao  fato  e  deste  dará  minuciosa  informação,  dentro  de  quarenta  e  oito  horas,  ao  órgão  competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da  Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto­Lei nº 486, de 1969, art.  10).   §  2º  A  legalização  de  novos  livros  ou  fichas  só  será  providenciada  depois  de  observado o disposto no parágrafo anterior  (Decreto­Lei nº 486, de 1969, art. 10,  parágrafo único).   §  3º  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até  Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 12          11 que  se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública  constituir os  créditos  tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).   Infere­se,  do  contexto  antes  apresentado,  que  a  contribuinte  pode  ter  destinado suas contas bancárias para receber créditos e promover pagamentos que interessavam  às  demais  pessoas  jurídicas  do  grupo  econômico  alegado.  Todavia,  cumpria­lhe  manter  o  controle das operações promovidas em nome de  terceiros, de modo a permitir à Fiscalização  direcionar para  estes  os  questionamentos  de  interesse  tributário. Ao  contrário,  a  contribuinte  apenas  invocou a  ligação com as demais empresas do grupo para  justificar genericamente as  operações,  inviabilizando  qualquer  correspondência  entre  as  operações  objetivamente  questionadas  e  a  natureza dos  depósitos  e  pagamentos. Daí  a pertinente  referência  feita pela  autoridade  fiscal  ao  princípio  da  entidade,  que  não  proíbe  a  pessoa  jurídica  de destinar  seus  recursos  em  favor  de  terceiros,  ou  ser  depositária  de  recursos  de  outros,  mas  exige  que  a  escrituração contábil identifique os direitos e obrigações decorrentes destas intermediações.   A  contribuinte,  optando  pela  apuração  dos  resultados  tributáveis  segundo  a  sistemática  do  lucro  presumido,  deixou  de manter  referido  controle  em  sua  contabilidade,  e  caso o tenha mantido em registros auxiliares, descuidou­se de sua guarda, devendo arcar com o  ônus  decorrente  do  descumprimento  de  suas  obrigações  acessórias,  consoante  fixado  nos  dispositivos legais referidos no lançamento, assim consolidados no RIR/99:  Art.  281.  Caracteriza­se  como  omissão  no  registro  de  receita,  ressalvada  ao  contribuinte  a prova da  improcedência  da  presunção,  a ocorrência  das  seguintes  hipóteses (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art.  40):   I ­ a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;   [...]  Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte  ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá­la com  base  no  valor  dos  recursos  de  caixa  fornecidos  à  empresa  por  administradores,  sócios da sociedade não anônima,  titular da empresa individual, ou pelo acionista  controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não  forem comprovadamente demonstradas  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §  3º, e Decreto­Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).   [...]  Art.  287. Caracterizam­se  também como omissão de  receita os  valores  creditados  em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em  relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos utilizados nessas  operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42).   § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou  recebido  no mês  do  crédito  efetuado  pela  instituição  financeira  (Lei  nº  9.430,  de  1996, art. 42, § 1º).   §  2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeter­se­ão  às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que  auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, 2º).   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados  individualizadamente,  observado  que  não  serão  considerados  os  decorrentes  de  Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 13          12 transferência  de  outras  contas  da  própria  pessoa  jurídica  (Lei  nº  9.430,  de 1996,  art. 42, § 3º, inciso I).   [...]  Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota  de  trinta  e  cinco  por  cento,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado,  ressalvado  o  disposto  em  normas  especiais  (Lei  nº  8.981, de 1995, art. 61).   § 1º A incidência prevista neste artigo aplica­se, também, aos pagamentos efetuados  ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados  ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de  1995, art. 61, § 1º).   § 2º Considera­se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância  (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º).   § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo  rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §  3º). (negrejou­se)  Inócua, assim, a referência ao extravio de caixas de arquivos que continham  a  maioria  dos  documentos  requeridos,  os  quais  bastavam  para  subsidiar  a  escrituração  contábil da empresa autuada. Não houve indeferimento das prorrogações de prazo requeridas  durante  o  procedimento  fiscal,  e  a  impossibilidade  de  cumprimento  das  intimações  fiscais  decorreu da desídia da contribuinte no cumprimento das obrigações acessórias que a legislação  tributária lhe impõe.   A lei exige que os documentos de suporte da escrituração e comprobatórios  das operações bancárias sejam mantidos sob guarda, a evidenciar que a autoridade fiscal não  tem  a  obrigação  de  aguardar  indefinidamente  até  que  o  sujeito  passivo  entenda  exauridas  as  possibilidades de  localização daqueles elementos. Destaque­se,  ainda, que embora afirmando  realizar  operações  em prol  do  grupo  econômico  a  que pertence,  a  contribuinte  em momento  algum  manifestou  a  intenção  de  buscar,  junto  às  demais  empresas  ligadas,  elementos  que  pudessem justificar os depósitos e pagamentos questionados.   Não  houve  desrespeito  aos  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade,  porque  a  autoridade  fiscal  ofereceu  diversas  oportunidades  para  que  o  sujeito passivo demonstrasse suas operações, e transcorridos outros 12 (doze) meses depois do  encerramento  do  trabalho  fiscal  nada  também  foi  juntado  aos  autos  para  demonstração  das  operações no âmbito do contencioso administrativo tributário.  Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento.   No mérito,  a  recorrente  centra  sua  defesa na  inobservância do  princípio  da  capacidade contributiva, confrontando especialmente a exigência pertinente ao IRRF com o seu  faturamento anual, afirmando­a confiscatória e hábil a inviabilizar sua atividade empresarial.   A  postura  da  recorrente,  neste  ponto,  mostra­se  contraditória  com  suas  alegações  no  curso  do  procedimento  fiscal,  por  confrontar  apenas  seus  resultados  com  os  efeitos  tributários  dos  pagamentos  que  disse  ter  promovido  em  razão  das  responsabilidades  decorrentes do grupo econômico ao qual pertence. De outro lado, a Lei nº 8.981/95, em seu art.  61, estabelece que, na ausência de prova do beneficiário e/ou da causa do pagamento, presume­ se que  este  corresponde  a um  rendimento  tributável  e,  à míngua de qualquer  esclarecimento  Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 14          13 acerca do beneficiário ou do tipo de rendimento pago,  impõe o reajustamento do pagamento,  como  se  feito  líquido  do  imposto,  e  atribui  à  fonte  pagadora  a  responsabilidade  pelo  recolhimento do imposto de renda devido, estimado à alíquota de 35%.   Esta a razão, portanto, para a autoridade  julgadora de 1a  instância, uma vez  atendidos  os  requisitos  previstos  em  lei,  não  apreciar  os  argumentos  deduzidos  pela  contribuinte  acerca  de  sua  inconstitucionalidade,  impedimento  que  também  se  verifica  neste  Conselho, a teor da Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária).  A  recorrente  prossegue  apontando  a  indevida  cobrança  de  tributo  como  penalidade,  todavia,  como  demonstrado,  a  lei  estabelece  a  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador do IRRF em face do descumprimento da obrigação acessória de guarda dos elementos  probatórios  da  causa  e  do  beneficiário  do  pagamento,  de  modo  que  a  argumentação  desenvolvida  pela  contribuinte  novamente  conduz  ao  pedido  de  declaração  de  inconstitucionalidade do art. 61 da Lei nº 8.981/95.   Quanto  às  referências  ao  art.  1o  da  Lei  nº  8.021/90,  trata­se  de  dispositivo  legal  dirigido  a  instituições  financeiras,  com  vistas  a  assegurar  que  todos  os  pagamentos  ou  resgates  de  aplicações  financeiras,  bem  como  os  rendimentos  ou  ganhos  daí  decorrentes,  tivessem seus beneficiários  identificados,  sob pena de multa  igual ao valor da operação. De  toda sorte, vê­se que a penalidade de valor igual ao da operação é, em valor principal, superior  à exigência de tributo equivalente à 35% aplicada sobre o pagamento reajustado.  Também  impróprias  se  mostram  as  referências  ao  Parecer  Normativo  nº  01/2002, que cogita da aplicação, apenas, de penalidades à fonte pagadora por falta de retenção  de imposto considerado antecipação do devido na declaração pelo beneficiário, sob a premissa  de  que  se  sabe  a  natureza  do  rendimento  e  o  beneficiário  contra  o  qual  deve  ser  exigido  o  tributo:  IRRF.  ANTECIPAÇÃO DO  IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE.  NÃO  RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE.   Constatada  a  falta  de  retenção  do  imposto,  que  tiver  a  natureza  de  antecipação,  antes  da  data  fixada  para  a  entrega  da  declaração  de  ajuste  anual,  no  caso  de  pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração  em que o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral, mensal  estimado ou anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  serão  exigidos  da  fonte  pagadora  o  imposto,  a multa  de  ofício e os juros de mora.   Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte  pagadora  a multa  de  ofício  e  os  juros  de mora  isolados,  calculados desde  a  data  prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada  para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa  física, ou, até a  data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for  tributado,  seja  trimestral, mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica;  exigindo­se do contribuinte o  imposto,  a multa de ofício  e os  juros de mora, caso  este não tenha submetido os rendimentos à tributação.   Logo, não há, no presente caso, erro na identificação do sujeito passivo, pois  nos termos da presunção estabelecida pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95, é a fonte pagadora que  reveste esta condição quando deixa de identificar a causa e/ou o beneficiário do pagamento.  Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/2013­23  Acórdão n.º 1101­001.173  S1­C1T1  Fl. 15          14 Por  fim,  quanto  ao  excesso  da  alíquota  aplicada,  trata­se  também  de  imposição do dispositivo  legal, não sendo possível, aqui, questionar as  razões que  levaram o  legislador a adotá­la.   Assim,  subsistindo  exigíveis  os  valores  lançados,  são  também  devidos  os  juros de mora e a multa de ofício aplicados.   Diante  de  todo  o  exposto,  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                                Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10920.000152/00-49
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 Decadência. Tendo o lançamento se reportado a fato gerador ocorrido em 31/12/1995 e cientificado ao sujeito passivo em 18/02/2000, não se verifica a decadência do direito do Fisco seja pela regra de contagem de prazo previstas no art. 150 do CTN, seja pela regra estabelecida no art. 173, I do mesmo diploma.
Numero da decisão: 1801-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.000152/00­49  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­002.057  –  1ª Turma Especial   Sessão de  31 de julho de 2014  Matéria  AI ­ CSLL  Recorrente  RPS Fotografias Ltda.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1995  DECADÊNCIA.   Tendo o  lançamento  se  reportado  a  fato  gerador  ocorrido  em 31/12/1995  e  cientificado ao sujeito passivo em 18/02/2000, não se verifica a decadência  do direito do Fisco seja pela regra de contagem de prazo previstas no art. 150  do CTN, seja pela regra estabelecida no art. 173, I do mesmo diploma.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam,  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez – Relatora  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque,  Leonardo  Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 52 /0 0- 49 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  1a.  Turma  de  Julgamento da DRJ em Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a  exigência de CSLL consubstanciada nos autos.  Adoto o relato da DRJ em Curitiba/PR:  Em  decorrência  de  ação  fiscal  levada  a  efeito  contra  a  contribuinte  identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 30/33, que exige o montante de R$  1.011,28 de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido ­ CSLL, R$ 758,46 de multa  de  oficio  prevista  no  art.  4°,  I,  da  Lei  n°  8.218/1991;  e  art.  44,1  da  Lei  n.°  9.430/1996 c/c art. 106, II, "c", da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais.   A exigência resulta da compensação indevida de base de cálculo negativa de  períodos  anteriores,  e  o  valor  foi  apurado  conforme  descrito  no  Termo  de  Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 25/26, tendo como enquadramento  legal o art. 2° e §§, da Lei n° 7.689(1 1988; art. 57, caput, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n°  8.981/1985; e art. 58, da Lei ° 8.981/1985.  Cientificada  em  18/02/2000,  a  interessada  apresentou,  tempestivamente  em  20/03/2000 a impugnação de fls. 37/38, instruída com os documentos de fls. 39/165,  alegando que partindo das informações constantes no termo de verificação, relatadas  pelo auditor fiscal, verificou que o saldo remanescente de base de cálculo negativa  da contribuição social a compensar informado pelo auditor fiscal não confere com o  valor apurado no LALUR.  A Turma Julgadora de 1a.  Instância consignou que a empresa não justificou  porque  as  informações  registradas  no  LALUR  estariam  divergentes  daquelas  apuradas  pela  auditoria fiscal, observando que a contribuinte teria se utilizado de coeficientes de correção não  oficiais,  além  de  ter  calculado,  erroneamente,  a  base  de  cálculo  da  contribuição,  o  que  justificaria a manutenção do lançamento.  Notificada  da  decisão  apresentou  a  interessada,  em  21/05/2008,  recurso  voluntário. As razões de defesa limitaram­se a invocar a nulidade do lançamento por ter sido  formalizado após o prazo decadencial.  É o relatório.    Voto             Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora.    Não se encontra acostada aos autos a cópia do AR com indicação da data em  que a interessada teria sido cientificada da decisão da DRJ em Curitiba/PR. Contudo, de acordo  com o despacho à fl. 203 do p.d., do SECAT da DRF em Joinville/SC, a interessada teria sido  notificada em 22/04/2008, verificando­se, assim que o recurso apresentado em 21/05/2008, é  tempestivo, razão pela qual deve ser conhecido.  As  razões  de  defesa  resumiram­se  a  afirmar  que  o  lançamento  em  questão  teria sido alcançado pelo prazo decadencial.  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000152/00­49  Acórdão n.º 1801­002.057  S1­TE01  Fl. 3          3 O lançamento se refere ao ano­calendário 1995, ocasião em que a recorrente  apurou  seus  resultados  com  base  nas  regras  do  lucro  real  anual.  Nessas  condições,  o  fato  gerador da CSLL ocorreu em 31/12/1995.  Consta  dos  autos  que  a  recorrente  foi  cientificada  do  auto  de  infração  na  pessoa  de  seu  gerente  geral,  Sr.  Diógenes  Pinheiro  Jr.,  em  18/02/2000.  Portanto,  seja  pela  aplicação da regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150 do CTN, seja pela  aplicação  da  regra  de  contagem  prevista  no  art.  173,  I,  o  lançamento  não  foi  colhido  pela  decadência.  Não  havendo  outras  razões  de  defesa  a  serem  analisadas,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez                                      Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10980.007420/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - REGRA GERAL - ARTIGO 173, INCISO I DO CTN Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. IRRF - ALCANCE - ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 - PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - QUALQUER PESSOA JURIDICA - FALTA DE COMPROVAÇÃO - INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.
Numero da decisão: 1202-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 16          1 15  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.007420/2009­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1202­001.192  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de agosto de 2014  Matéria  IRPJ  Recorrente  CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006  DECADÊNCIA  ­ LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ­ FALTA DE  PAGAMENTO ANTECIPADO ­ REGRA GERAL ­ ARTIGO 173, INCISO  I DO CTN   Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da  decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido realizado.  IRRF ­ ALCANCE ­ ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 ­ PAGAMENTOS SEM  CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO  IDENTIFICADOS  ­ QUALQUER  PESSOA JURIDICA ­ FALTA DE COMPROVAÇÃO ­ INCIDÊNCIA.  Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários  não  identificados  assume  o  ônus  do  imposto  de  renda  na  fonte  respectivo,  calculado sobre a base de cálculo reajustada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Orlando José Gonçalves Bueno­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 74 20 /2 00 9- 21 Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 17          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Plínio Rodrigues  Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio  Pires, Marcelo  Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.    Relatório  Trata­se o presente de auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte  – IRRF ­ (fls. 126­182), referente ao ano­calendário de julho de 2003 a dezembro de 2006, no  qual  foi  exigido  da  contribuinte  crédito  tributário,  conforme  demonstrativo  consolidado  do  crédito tributário do processo, acostado às fls. 01. Nesse ponto, destaca­se que a contribuinte é  optante do regime de apuração pelo lucro presumido.  O  lançamento  do  presente  processo  administrativo  fiscal  decorreu  de  apuração sobre cumprimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ­, no qual, foram  identificadas infrações, e por conseqüência, insuficiência no recolhimento do citado imposto.  Do  procedimento  fiscal  que  apurou  o  cumprimento  do  IRPJ  desencadeou,  além do lançamento aqui apreciado – IRRF ­, outros dois autos de infração, que foram objetos  de processos administrativos distintos, relativos ao próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica  (PAF n° 10980.007415/2009­18) e de multa regulamentar (PAF n° 10980.007421/2009­75).  Os  eventos  e  circunstâncias  verificadas  ao  longo  do  procedimento  fiscal  foram  definidos  no Termo  de Verificação  Fiscal  de  fls.  183­204. A  redação  do  relatório  foi  feita de forma comum aos três processos, no propósito de facilitar a compreensão dos pontos  relevantes:  ­ a ação fiscal  foi determinada por haver  indícios de omissão de receitas,  já  que  a  receita  declarada  pela  contribuinte  para  pagamento  de  impostos  e  contribuições  foi  muito  inferior  ao  valor  recebido  da  Prefeitura  Municipal  de  Curitiba – URSS. Outro indício foi que durante os 4 (quatro) períodos fiscalizados –  julho de 2003 a dezembro de 2006 – a movimentação financeira bancária foi maior  que  a  receita  declarada.  E  também,  a  Policia  Federal  realizou  solicitação  para  instauração  da  ação  fiscal,  uma  vez  que  foram  feitos  diversos  saques  quantias  vultuosas nas instituições bancárias;  ­  ao  se  realizar  os  cruzamentos  das  notas  fiscais  emitidas  com  as  receitas  declaradas  percebeu­se  a  prática  de  omitir,  em  todos  os  períodos  de  apuração,  valores significativamente superiores aos declarados, conforme demonstrativo de fls.  185­186;  ­ a contribuinte foi intimada por diversas vezes para manifestar­se acerca das  diferenças apuradas, apresentando cada vez um esclarecimento diferente no intuito  de  corrigir  o  anterior,  no  entanto,  acabou  por  contrariar  a  si  própria  e  reforçar  as  irregularidades  identificadas,  dessa  forma,  as  respostas  foram  considerados  insuficientes para justificar as diferenças;  ­ nos  anos­calendários de 2003 e 2004  foram apresentados  livros  caixa  sem  escrituração  de  receitas.  Em  contrapartida,  nos  anos­calendários  de  2005  e  2006  foram apresentadas três versões de escrituração. Na primeira, o livro caixa também  foi apresentado sem escrituração. Num segundo momento, a contribuinte apresentou  Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 18          3 livro razão com receitas no montante de R$ 2.403.077,99 e R$ 3.600.281,96, para os  anos de 2005 e 2006, respectivamente. Por último, foi apresentada nova escrita em  que a receita ascendeu para R$ 9.565.834,65 e R$ 27.059.151,96, para aqueles anos;  ­  dando  continuidade  ao  procedimento  fiscal,  determinou­se  a  apresentação  dos  extratos  bancários,  e  como  resposta,  a  contribuinte  autorizou  a  solicitação  diretamente  aos  bancos.  Posteriormente,  a  2ª  Vara  Federal  Criminal  de  Curitiba  determinou  a  quebra  do  sigilo  bancário,  o  que  deu  o  acesso  aos  documentos  de  débitos e créditos de valor igual ou superior a R$ 3.000,00, também fornecidos pelas  instituições bancárias;  ­ durante a fiscalização o fisco apurou evidências de ser antiga e  reiterada a  prática de omissão de receitas;  ­ o fisco entendeu relevante que apesar da contribuinte ter identificado apenas  uma pequena parcela de sua receita, a grande parte dos tributos respectivos deixou  de  ser  recolhida,  tendo  a  contribuinte  intentado  extingui­los  por  meio  de  compensação  com  créditos  inexistente,  conforme  cópia  do  despacho  decisório  do  processo n° 10980.720428/2009­86 (anexo IV);   ­  foram  identificadas  diversas  irregularidades  nos  livros  caixa  dos  anos­ calendários de 2003 e 2004, a seguir listadas:  a) falta de escrituração de parte da movimentação em conta bancária;  b) cheques compensados contabilizados como os recursos tendo ingressado no  caixa, mas sem o registro da saída respectiva;   c)  contabilização  de  depósitos  sem  a  contabilização  do  respectivo  recebimento;   d)  pagamento  de  financiamentos,  funcionários,  cobrança  ou  transferências  bancárias, contabilizados como entrada de caixa, sem a respectiva contabilização da  saída;   e)  falta  de  contabilização  de  recebimento  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços.  Ficou constatado que  além da  falta  de  registro  contábil  de  grande parte das  operações  da  empresa,  também  não  foram  apresentados  os  documentos  que  embasaram  a  escrituração.  Dessa  forma,  as  deficiências  da  escrituração  determinaram a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado;  ­ com relação os anos­calendários de 2005 e 2006, a autoridade fiscal apontou  inúmeras inconsistências na escrituração, concluindo ao final que as três versões da  escrita apresentadas eram completamente inverídicas nos registros realizados. Pelos  vícios,  inexatidões  e  inúmeras  inconsistências  também  arbitrou­se  o  lucro  do  respectivo período;  ­  a  autoridade  fiscal  determinou  à  contribuinte  que  identificasse  os  beneficiários  de  recursos  sacados  das  contas  bancárias,  além  de  informar  as  operações respectivas e apresentar a documentação comprobatória.     Com a  resposta de  todos os  termos de  intimação, a  fiscalização procedeu à  exclusão  dos  valores  que  foram  sacados  diretamente  no  caixa,  os  que  a  empresa  Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 19          4 demonstrou tratar­se de distribuição de lucros e referentes a despesas, e elaborou o  demonstrativo de fls. 113­125, do qual constam todos os valores comprovadamente  destinados  a  terceiros  (cheques  nominais,  TED,  transferências,  pagamentos  de  funcionários,  pagamentos  de  duplicatas,  etc),  cujos  beneficiários  não  foram  identificados e/ou não foram comprovadas as operações que causaram a retirada dos  recursos dos bancos.   Em suma, a autoridade  fiscal  formulou o demonstrativo com relação apenas  aos valores que ela própria comprovou através do procedimento de verificação fiscal  que  foram  destinados  a  terceiros,  mas  que  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  identificar os beneficiários e/ou as operações que causaram a retirada dos recursos  dos bancos.    A  fiscalização  esclarece  que  os  valores  sacados  em  dinheiro  pela  própria  empresa,  no  total  de  R$  5.714.421,04,  nos  quatro  anos­calendário  fiscalizados,  foram  excluídos,  para  fins  de  lavratura  do  auto  de  infração  alusivo  ao  IRRF,  em  virtude  da  impossibilidade  de  se  comprovar  que  os  valores  foram  destinados  a  terceiros.   Os recursos retirados da empresa sem identificação dos beneficiários ou com  identificação,  mas  sem  a  comprovação  da  causa  da  operação,  no  total  de  R$  9.930.637,50,  foram  objeto  de  lançamento  do  IRRF  —  neste  PAF  ­  alíquota  preestabelecida, com a base de cálculo reajustada.  ­  assinalou  o  fisco  que  por  38  (trinta  e  oito)  meses  a  contribuinte  omitiu  grande  parte  de  suas  receitas,  utilizando­se  do  artifício  de  não  escriturá­las  contabilmente,  além  de  omiti­la  nas  DIPJ,  DACON  e DCTF  apresentadas,  dessa  forma,  no  lançamento  relativo  ao  IRPJ  decorrente  de  omissão  de  receitas  foi  aplicada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%;  ­ sobre os valores do IRPJ lançados como não recolhidos, bem como do IRRF  decorrente  da  infração  caracterizada  como  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados/operações sem causa, foi aplicada a multa de oficio de 75%;  ­  em PAF específico  (como  já  relatado – multa  regulamentar),  foi  aplicada  contra  esta  contribuinte —  e  também  contra  sócios  ­ multa  regulamentar  por  ter  efetuado nos anos­calendário de 2005 e 2006 distribuição de lucros, em momentos  que possuiria débitos não garantidos com o Fisco Federal;  A  contribuinte  foi  cientificada  do  lançamento  em  29/07/2009  (fls.  166),  e  apresentou  impugnação  (fls.  209­272),  em 31/08/2009,  portanto  tempestiva,  em  teor  comum  aos três lançamentos distintos (IRPJ e reflexos, IRRF e Multa Regulamentar), esclarecendo que  o pedido se restringia à questão específica tratada em cada PAF.  Em síntese, alegou:  A) Aplicáveis a todos os processos:  ­ a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício realizado pelo  fisco  se deu em 29 de  julho de 2009, dessa  forma, entende  a  recorrente que os  lançamentos  efetuados até o mês de julho de 2004 estariam fulminados pela decadência, uma vez que teria  transcorrido prazo superior a 5 (cinco) anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a  formalização do lançamento de ofício.   Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 20          5 Alegou  que  todos  os  tributos  –  IRPJ,  CSLL,  COFINS,  PIS  e  IRRF  –  presentes nos autos de infração são sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, na  qual  a  legislação  impõe  ao  sujeito  passivo  a  antecipação  dos  recolhimentos  sem  qualquer  atividade prévia da autoridade administrativa, portanto sujeitos a regra decadencial prevista no  artigo 150, § 4 do Código Tributário Nacional – CTN.  Asseverou que a regra geral é aquela prevista pelo artigo 173, I, do CTN. No  entanto, a regra geral é preterida à regra especial, e o art. 150, § 4 do CTN é regra especial a ser  aplicada para o processo em questão. Dessa forma, nestes casos aplica­se, a norma, segundo a  qual, nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos a contar  da ocorrência do fato gerador.  ­  Alegou  a  impugnante  que  não  houve  o  intuito  de  fraude,  uma  vez  que,  desde  o  início  da  fiscalização,  cumpriu  com  as  informações  e  documentos  que  lhe  foram  solicitados, por isso, não haveria possibilidade de ocorrer o deslocamento para a regra geral do  artigo 173, I, do CTN. Apontou que as irregularidades foram cometidas por seu departamento  contábil.  Entendeu que, se não houvesse emitido notas fiscais, adulterado o verdadeiro  valor das notas ou falsificado documentos, estaria, ai sim, agindo com a intenção de impedir ou  retardar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  e  de  suas  circunstâncias  matérias  necessárias a sua mensuração em desfavor do fisco.  ­ Apresentou jurisprudência em que o CARF já se manifestou no sentido que  a  falta  de  escrituração  contábil,  desclassificação  desta  ou  omissão  de  receitas  das DIPJ  não  configuram  sonegação,  fraude  ou  conluio,  figuras  previstas  nos  artigos  71  a  73  da  Lei  n°  4.502/64.  B) Alegações exclusivas do auto de infração do IRRF  ­ Alegou que os beneficiários  foram identificados nas  respostas aos Termos  de Intimação n° 25 e 28, inclusive com a explicação da causa.  Acrescenta  que,  em  face  de  outros  motivos  pessoais,  tendo  direito  à  distribuição de lucro, pagou despesas pessoais e nesse ponto, além de se ver autuado, ainda foi  invadido  em  sua  intimidade  e  privacidade,  sendo  violado  em  seu  direito  garantido  pela  Constituição Federal;  ­ Para  a  impugnante a autoridade fiscal não comprovou que os pagamentos  não  foram  identificados. Além  de  que,  a  autoridade  fiscal  teve  acesso  às  contas  bancárias  e  dessa forma, teria identificado os beneficiários dos pagamentos realizados pela mesma;  ­ Dissertando sobre o art. 61 da Lei n° 8.981/95 e a necessidade imposta de  identificar, como a lei disciplina, o caso do pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem  causa, argumentou que o caput abrange todas as pessoas jurídicas, sem exceção, mas restringe o  alcance da hipótese quando impõe a tributação apenas quanto ao beneficiário não identificado.   Sustentou que o § 1°, adiciona outra circunstância material não prescrita pelo  caput.  Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 21          6 Argumentou  no  sentido  que  também  é  devido  o  imposto,  quando  não  comprovada  a  operação  ou  sua  causa, mas  o  comando  complementar  impõe  uma  limitação,  pois por ele só são alcançadas as empresas obrigatoriamente sujeitas à contabilização de seus  atos negociais.  Adicionou  que,  se  a  empresa  estiver  desobrigada  de  escrituração  contábil,  deverá  ser  aplicado  somente  o  caput,  e  que  apenas  estará  tipificada  a  infração  nas  pessoas  jurídicas  que  optarem  pela  apuração  do  imposto  com  base  no  lucro  presumido  quando  o  beneficiário não for identificado.   Enfatizou  que  a  fonte  somente  será  imputável  às  empresas  optantes  pelo  lucro presumido quando estiver presente qualquer que seja a combinação de hipóteses, a figura  do beneficiário não identificado, e que outra ocorrência que exclua a figura do beneficiário não  identificado  remeterá  à  imposição  exclusivamente  para  a  pessoa  jurídica  que  apure  o  seu  imposto com base no lucro real.  Após esse  raciocínio concluiu que,  como era  sujeita à  tributação pelo  lucro  presumido, somente poderia sofrer lançamento com relação a pagamentos a beneficiários não  identificados,  mas  no  caso  concreto,  os  beneficiários  teriam  sido  identificados  pela  própria  fiscalização, dessa forma, não subsistiria o lançamento;  ­  Por  fim,  argumentou  que,  após  o  transcurso  do  prazo  para  entrega  de  declaração  de  ajuste  anual,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  IRRF  se  transfere  para  o  beneficiário do rendimento.  Mesmo  diante  dos  argumentos  aduzidos  pela  impugnante,  a  1ª  Turma  da  DRJ/CTA  proferiu  acórdão  n°  06­24.305,  fls.  562/573,  no  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou procedente em parte a  impugnação, em virtude do acolhimento da decadência relativa  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  de  2003,  exonerando  do  IRRF  lançado  a  importância de R$ 280.319,49, tendo a seguinte ementa:  Acórdão 06­24.305 – 1ª Turma da DRJ/CTA  Sessão de 05 de novembro de 2009  Processo 10980.007420/2009­21  Interessado CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS  LTDA  CNPJ/CPF 81.054.900/0001­13    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTOS.  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL.  Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da  decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido realizado.  Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 22          7 PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS. INCIDÊNCIA.  Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários  não  identificados  assume  o  ônus  do  imposto  de  renda  na  fonte  respectivo,  calculado sobre a base de cálculo reajustada.   A DRJ inicia seu voto afirmando que o prazo decadencial do IRRF é aquele  previsto pelo art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Por se tratar de imposto sujeito a  lançamento por homologação e, principalmente, pelo fato da fiscalização não ter vislumbrado o  dolo que impediria a aplicação mais favorável previsto no referido artigo, a multa que lhe foi  aplicada foi a de 75 % (multa simples).  No  entanto,  conforme  as  folhas  555,  no  período  de  1°  de  janeiro  a  31  de  dezembro de 2004, a impugnante não implementou qualquer recolhimento sob o código 5217,  relativo a pagamentos a beneficiários não identificados. O que levou a conclusão que durante  esse período não houve pagamento a ser homologado.  Assim,  não  haveria  a  possibilidade  de  se  aplicar  a  regra  relativa  à  homologação,  devido  à  ausência  de  pagamentos  homologáveis. Afirmou  e  apresentou  que  a  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacifica neste sentido.  Dessa  forma,  a  contagem  do  prazo  decadencial  foi  efetuada  com  base  no  artigo 173, inciso I do CTN. Todos os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano­ calendário  de  2003  venceram  no  próprio  ano­calendário,  já  que  o  termo  inicial  do  prazo  de  decadência (o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  feito, artigo 173, inciso I do CTN) corresponde ao dia primeiro de janeiro de 2004. Portanto, a  decadência  relativa  ao  ano­calendário  de  2003  se  consumou  em  31/12/2008,  uma  vez  que  a  constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício foi realizado pela autoridade fiscal  em 29 de julho de 2009.  Essa situação não ocorreu com os fatos geradores no ano­calendário de 2004,  pois  o  termo  inicial  da  decadência  corresponde  ao  dia  primeiro  de  janeiro  de 2005.  Logo,  a  decadência relativa a esse período somente se consumaria no dia 31/12/1009.  Quanto  ao  argumentado  em  relação  ao  artigo  61  da  Lei  no  8.981/95,  a  1ª  Turma  da  DRJ/CTA  entendeu  que  o  comando  do  artigo  é  no  sentido  da  relevância  da  comprovação  dos  beneficiários  e/ou  dos  pagamentos,  sendo  a  escrituração,  portanto,  irrelevante.  Como  a  impugnante  não  procedeu  a  identificação  dos  beneficiários  e/ou  pagamentos,  a  DRJ  entendeu  pela  incidência  do  IRRF  sobre  os  pagamentos  que  foram  comprovadamente destinados a terceiros pela autoridade fiscal, demonstrado nas fls. 113/125.  Em  seguida  a  DRJ  enfrentou  o  alegado  quanto  a  transferência  da  responsabilidade do  IRRF para o beneficiário do rendimento, quando ocorrer o transcurso do  prazo para entrega da declaração de ajuste anual.  Para a 1ª Turma da DRJ/CTA essa afirmação faria sentido em outro contexto.  E  para  que  fizesse  sentido,  seria  necessário  que  a  impugnante  apresentasse  documentação  comprovando, de forma inequívoca, os beneficiários e também as causas dos pagamentos.  Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 23          8 Nesta esteira, a  impugnação foi procedente apenas quanto a decadência dos  lançamentos ocorridos no ano­calendário de 2003.  A impugnante tomou ciência do acórdão n° 06­24.305 proferido 1ª Turma da  DRJ/CTA em 25 de novembro de 2009  (fls. 583), e em, 24 de dezembro de 2009 (fls. 584),  apresentou Recurso Voluntário  (fls. 584/612)  retomando os mesmo argumentos apresentados  com a impugnação.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno  I – Do juízo de admissibilidade  Os pressupostos e  requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto  nº  70.235/1972  e  pelo  Regimento  Interno  do  CARF,  do  Recurso  Voluntário,  fazem­se  presentes, pois:  ­ Processos que tenham por objeto a apuração de IRRF, uma vez decorrente  de apuração de auditoria fiscal no IRPJ são da competência desta 1ª Seção;  ­  O  contribuinte  foi  intimado  em  25  de  novembro  de  2009  (fls.  583)  e,  tempestivamente, em 24 de dezembro de 2009 (fls. 584), protocolou o recurso;   ­ A petição está assinada por quem de direito representa a contribuinte – fls.  612.  Desta  feita,  por  presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  determinados  pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário toma­se  conhecimento.    II – Das Matérias Controvertidas  II.I – Da Decadência  Conforme  se  depreende  do  Recurso  Voluntário,  a  recorrente  alegou  decadência  para  dos  créditos  anteriores  a  julho  de  2004,  com  base  no  artigo  150,  §  4°,  do  Código Tributário Nacional – CTN.  Aduziu  que  essa  regra  estabelece  para  os  tributos  sujeitos  a  disciplina  do  lançamento por homologação, como no caso sub judice (IRRF), prazo decadencial quinquenal  com  sua  contagem  disparada  a  partir  da  ocorrência  da  hipótese  (ou  "fato  gerador"),  com  exceção das situações onde fosse comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 24          9 Dissertou  que  não  houve  o  intuito  de  fraude,  sonegação  ou  conluio,  razão  pela qual não deveria ter havido o deslocamento da regra da contagem do prazo decadencial da  regra específica do artigo 150, § 4° para o artigo 173, inciso I, ambos do CTN.  Neste sentido, como foi cientificada do  lançamento em 29/07/2009, pugnou  pela decadência do direito de lançar relativo a todos os fatos geradores ocorridos até o mês de  julho de 2004.  Em que  pese  o  esforço  do  patrono  do  recorrente,  essa  tese  não merece  ser  acolhida.  Como bem observou a DRJ, conforme se intui da fl. 555, no período de 1° de  janeiro a 31 de dezembro de 2004, a recorrente não adimpliu com qualquer recolhimento sob o  código 5217, relativo a pagamentos a beneficiários não identificados.   Essa  situação é o bastante para  identificar que não ocorreram nesse  ínterim  pagamentos suscetíveis de serem homologados. Portanto, não há que se cogitar a aplicação da  regra relativa à homologação, uma vez presente a ausência de pagamentos homologáveis.   Aliás,  essa  é  a  linha  da  esmagadora  jurisprudência,  ao  contrário  do  que  pretendeu o recorrente demonstrar que a falta de pagamentos não ensejaria o deslocamento da  regra específica (artigo 150, § 4°) para a regra geral (o artigo 173, inciso I) prevista no CTN,  senão vejamos:     RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  NÃO  ANTECIPADO  PELO  CONTRIBUINTE.  INCIDÊNCIA  DO ART. 173, I,  DO  CTN.  RECURSO DESPROVIDO.    1.  O  prazo  decadencial  para constituição do crédito  tributário pode  ser  estabelecido  da  seguinte  maneira:  (a)  em  regra,  segue­se  o  disposto  no  art. 173,  I,  do CTN,  ou  seja,  o  prazo  é  de  cinco  anos  contados  "do  primeiro dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado";  (b)  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo  é  de  cinco  anos  contados  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art. 150, §  4º,  do CTN.  2.  Em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação  cujo pagamento não  foi  antecipado  pelo  contribuinte,  deve  ser  aplicado  o  disposto  no  art. 173, I, do CTN. 3. No caso dos autos, não houve pagamento  antecipado  pelo  contribuinte,  motivo  pelo  qual  a  Fazenda  Pública estadual lavrou Notificação Fiscal em 25 de janeiro de  1988,  pugnando por  débitos  de  ICMS referentes  ao período  de  janeiro  de  1982.  Assim,  o  prazo  que  o  Fisco  estadual  possuía  para efetuar o  lançamento era até 1º de janeiro de 1988, tendo  em vista que, na hipótese, o prazo decadencial de que dispõe a  Fazenda Pública para constituir o crédito tributário é de cinco  Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 25          10 anos a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  (art. 173, I,  do CTN). Portanto,  efetivamente  se  implementou  a  decadência,  não  havendo  o  que  ser  reformado  no  acórdão  recorrido.  4.  Recurso especial desprovido.  TRIBUTÁRIO  ­  DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  (ARTIGO 150,  PARÁGRAFO 4º  E ARTIGO  173 DO CTN).  1.  Nas  exações  cujo  lançamento  se  faz  por  homologação,  havendo pagamento antecipado, conta­se o prazo decadencial a  partir da ocorrência do fato gerador (artigo 150, parágrafo 4º,  do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou  há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto  no artigo 173, inciso I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias,  não  se  conjugam  os dispositivos  legais.  4. Recurso  especial provido. (REsp 279473/SP­2002, 2ª T., STJ). No mesmo  sentido, REsp 445.137/MG­2006, 2ª T. e REsp 172.997/SP­1999,  1ª T.     Ao contrário do que afirmou a  recorrente, os membros da DRJ se valeram,  sim, de trecho da ementa que retrata fielmente a situação sob apreço e entendimento dominante  da Corte, haja vista que essa posição é amplamente aplicada pelos Tribunais e também seguida  pela doutrina.  Na  verdade,  o  que  pretendeu  a  recorrente  foi  utilizar  do  artifício  da  hermenêutica  invertendo  o  verdadeiro  significado,  sentido  e  seguimento  dos  artigos  e  jurisprudência a ser aplicada aos autos. A propósito, a recorrente procedeu dessa maneira em  grande parte do presente recurso, conforme será demonstrado ao longo do voto.  O  entendimento  do  Superior Tribunal  de  Justiça  –  STJ  ­  e  da  doutrina  majoritária (Ricardo Lobo Torres, Sacha Calmon Navarro Coelho, Luciano Amaro e Paulo de  Barros Carvalho) é claro para os casos de lançamentos por homologação, devendo ser utilizado  o artigo 150, parágrafo 4º do CTN, quando houver antecipação de pagamento, bem como nos  caso em que não for verificada a ocorrência de dolo, simulação ou fraude.  Por outro lado, o artigo 173, inciso I do CTN será aplicado nos casos em que  não houve pagamento de tributos.   Nessa  esteira,  procedendo  à  contagem  do  prazo  decadencial  pela  regra  do  artigo 173, inciso I do CTN, todos os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano­ calendário de 2003 estão fulminados pela decadência, no entanto, o mesmo não ocorre com os  créditos tributários lançãoados no ano­calendário de 2004.  Portanto, mantêm­se a decisão proferida pela DRJ neste sentido.  II.II – Do artigo 61 da Lei n° 8.981/95 –  Em  suma,  alegou  a  recorrente  quanto  ao  artigo  61  da Lei  n°  8.981/95  que  todas  as  pessoas  jurídicas  estariam  adstritas  ao  seu  caput,  independentemente  de  apurarem  Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 26          11 tributos  pela  sistemática  do  lucro  real  ou  presumido,  portanto,  seria  global  a  obrigação  de  identificar os beneficiários.   No  entanto,  seu  §  1º  acrescentaria  uma  circunstância material  não  prevista  pelo  caput quanto  aos  pagamentos  sem  causa. No  seu  entender,  apenas  as  pessoas  jurídicas  sujeitas ou optantes da tributação pelo lucro real é que poderiam ser tributadas na fonte, quando  não verificada a causa dos pagamentos.   Ou  seja,  o  caput do  artigo  61  da  Lei  n°  8.981/95  seria  aplicado  apenas  as  pessoas jurídicas optantes ao regime de apuração pelo lucro presumido, acaso não identificados  os beneficiários, enquanto seu parágrafo único as pessoas jurídicas sujeitas/optantes ao regime  de apuração pelo lucro real, se não identificado a causa dos pagamentos.   Como  dito  anteriormente,  neste  ponto,  novamente,  o  recorrente  utiliza  do  artifício da hermenêutica para  tentar  se eximir da obrigação  tributária. O comando do citado  artigo é claro e unicamente no sentido de abranger a tributação para todos os pagamentos sem  causa,  demonstrando  a  desnecessidade  de  eventual  escrituração,  ao  invés  de  delimitar  a  abrangência apenas  àquelas pessoas  jurídicas que  forem sujeitas  a escrituração por opção ou  comando legal. Vejamos o que diz a redação do citado artigo:   Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  Imposto  de Renda  exclusivamente  na  fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas  jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.   §  1º  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem  como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.  Pela redação do artigo percebe­se que o comanda da norma é no sentido da  comprovação  da  veracidade  da  operação  e/ou  de  sua  causa,  mediante  a  documentação  respectiva. Dai a  irrelevância de estar ou não a mesma contabilizada segundo este ou aquele  regime de tributação. A jurisprudência é justamente nesse sentido, senão vejamos:   Processo n° 15983.000320/2006­14  Recurso n° 162.191 De Oficio e Voluntário  Acórdão n° 1301­00.120 — 3' Câmara / l' Turma Ordinária  Sessão de 17 de junho de 2009  Matéria IRPJ E OUTROS  Recorrentes: 4a TURMA / DRJ SÃO PAULO­1 / SP e  VIAÇÃO  VALE  DO  RIBEIRA  TRANSPORTE  E  TURISMO  LTDA.    IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  ­  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS  E/OU  SEM  COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA.  Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 27          12 Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte  na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não  logrou  identificar  o  beneficiário  de  pagamentos  e,  cumulativamente,  comprovar  a  operação  correspondente  e/ou  sua causa. Não é suficiente a identificação dos beneficiários dos  pagamentos,  pela  apresentação  de  cópias  dos  cheques  nominativos utilizados. Não restando dúvidas sobre a efetividade  dos pagamentos a  terceiros, mediante cheques compensados ou  sacados  por  outras  pessoas  físicas  ou  jurídicas  "na  boca  do  caixa",  compete  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  as  operações  ou  causas  correspondentes  a  cada  pagamento  realizado,  sob  pena  de  se  sujeitar  à  tributação  do  imposto  de  renda na fonte. No mesmo sentido, correta a decisão de primeira  instância que exonerou a exigência  incidente sobre pagamentos  para os quais o contribuinte comprovou, com documentos hábeis  e  idôneos,  coincidentes  em  datas  e  valores,  as  operações  que  deram causa a pagamentos por ele efetuados.    Processo nº 10384.001021/2009­85   Recurso nº 510.779 Voluntário   Acórdão nº 1302­00.490 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de 22 de fevereiro de 2011   Matéria IRPJ ­ OMISSÃO DE RECEITA   Recorrente LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA   Recorrida FAZENDA NACIONAL   IRRF.  PAGAMENTO  A  TERCEIRO  SEM  COMPROVAÇÃO  DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA.   Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação o u sua causa, é  correta  a  tributação  exclusiva  na  fonte,  nos  termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95.                   Ressalta­se que os pagamentos sobre os quais houve a incidência do IRRF são aqueles  discriminados nos demonstrativos de fls. 113 e 125. Neste diapasão, o que o recorrente deveria  ter  feito  para  que  houvesse  o  reconhecimento  da  comprovação  dos  pagamentos  e/ou  identificação  dos  beneficiários  de  forma  incontroversa,  seria  trazer  ao  processo  os  comprovantes relativos aos pagamentos constantes do aludido demonstrativo.   De  maneira  oposta,  o  recorrente  apenas  se  limitou  a  declarar  que  os  beneficiários e a causa das operações foram identificadas pela própria autoridade fiscal e por  ele próprio, na medida em que, fora determinado a quebra do sigilo fiscal.  No entanto, esse argumento não procede, pois é corolário inseparável para a  incidência  do  IRRF  com  base  no  artigo  61  da  Lei  nº 8.981/95,  que  haja  a  apuração,  reconhecimento e comprovação por parte do contribuinte de pagamentos efetuados a terceiros.  Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 28          13 Tanto  é  verdade  que,  sabedor  dessa  situação,  a  autoridade  fiscal  ao  estruturar  o  citado  demonstrativo (fls. 113/125) extirpou valores que foram sacados diretamente no caixa durante  os  quatro  anos­calendário  fiscalizados  (no montante  de R$  5.714.421,04),  os  que  a  empresa  demonstrou tratar­se de distribuição de lucros e referentes a despesas.    Assim  remanesce  no  demonstrativo  apenas  os  valores,  que  comprovadamente foram destinados a  terceiros como, por exemplo, cheques nominais, TED,  transferências, pagamentos de funcionários, pagamentos de duplicatas, dentre outros.  Não  é  despiciendo  acrescentar,  que  bastava  a  recorrente  trazer  aos  autos  provas  que  demonstrassem  a  correlação  com  os  pagamentos  identificados  no  supracitado  demonstrativo  (fls.113/125)  –  com  coincidência  de  data  e  valor  ­  para  ver  afastado  o  lançamento efetuado no presente processo.  Todavia,  o  recorrente  apenas  se  limitou  no  recurso  voluntário  a  reiterar  as  alegações já acostadas na impugnação, não trazendo elementos ou provas que pudessem afastar  as conclusões do trabalho fiscal nesste item.   Aliás, a análise dos documentos apresentados pelo recorrente  foi enfrentada  pela DRJ, se não vejamos:  ­ A maior parte dos documentos apresentados se refere ao ano­ calendário de 2003, sobre o qual foi reconhecida a decadência.  Por  outro  lado,  a  esmagadora maioria  se  refere a pagamentos  de obrigações de Noeli Terezinha Vendramin, assumidos em seu  próprio nome, para edificação de unidade  imobiliária, como se  vê as fls. 309, 314 a 329, 332, 334, 335, 338, 342, 345, 348, 350,  352, 354, 356, 357, 359, 363, 365, 366, 367, 370, 372, 374, 375,  376, 379, 381, 384, 386, 388, 390, 391, 394, 395, 396, 398, 400,  402, 404, 405, 408, 411, 412, 414, 415, 416, 418, 420, 424, 427,  429, 430, 432, 437, 440, 441, 442, 444, 445, 446, 479, 451, 453,  454, 456,458, 459, 461 463, 466, 468, 469, 470, 472, 473, 475,  476, 477, 480, 482, 484, 486;  ­ Analisou­se também o Contrato de Câmbio de Venda ­ Tipo 04,  Transferências  Financeiras  para  o  Exterior  ­  no  valor  de  R$  241.929,60  (fls.  541­543),  relativo  a  pagamento  constante  do  Demonstrativo (fls. 120).  Mencionado  documento  não  reconhecido  como  comprovante  idôneo  do  beneficiário  e  da  causa  da  operação,  à  escassez  de  documentação  complementar  que  corrobore  o  beneficiário  (Manuel  Antonio  Alcala  Murilo)  e  a  operação  (Serv.  Div­out­ Aluguel de Imóveis). A propósito desse suposto beneficiário, foi  registrado que, por meio de pesquisa cujas telas se encontram às  fls. 556­557, que o mesmo não compõe a base de contribuintes  do Ministério da Fazenda. Logo, mesmo existindo um nome no  documento, não há a possibilidade de o Fisco identificá­lo e dele  exigir o IRRF relativo ao pagamento;  ­ Após  foi averiguada o Termo de Transação de  fls. 488­492, o  recibo de fls. 493 e a listagem de fls. 494­495.   Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 29          14 Pelo Termo de Transação, de 01/12/2005, a recorrente ­ que era  demandada  judicialmente por  duas  empresas  que  alegavam  ter  direito aos percentuais de 20% e 5% sobre os  valores mensais  pagos  a  fiscalizada  pela  Prefeitura  de  Curitiba/URBS  ­  comprometeu­se a pagar­lhes mensalmente a importância de R$  70.000,00.  O  recibo  refere­se  ao  primeiro  pagamento,  ocorrido  em  05  de  dezembro  de  2005.  Já  a  listagem  refere­se  aos  pagamentos  posteriores, discriminando pessoas que  teriam  recebido  os  numerários  respectivos,  durante  o  ano­ calendário de 2006.  Com relação a  tais pagamentos,  registrou­se que o lançamento  incidiu apenas  sobre aquele ocorrido  em 04/01/2006  (fls.  119).  Os demais não constam do demonstrativo de pagamentos, o que  autoriza a conclusão de que o IRRF respectivo não foi  lançado  no presente auto de infração.   Além  do  mais,  a  recorrente  assumiu  explicitamente  os  ônus  tributários  desses  pagamentos,  como  queda  inequívoco  nos  seguintes excertos do Termo de Transação, verbis:    "2.1. O repasse do valor mensal determinado a SOLUÇÃO e A  WIIGINESCKI  será  efetuado,  imediatamente  após  o  referido  pagamento,  com  prazo  impreterível  de  48  horas,  independentemente  da  emissão  de  nota  fiscal,  através  de  repasse/crédito  bancário  para  contas  correntes  a  serem  informadas à CONSILUX (...).  2.4. O  valor mensal  a  ser  repassado/pago  pela CONSILUX  à  SOLUCÃO e WIGINESCKI será isento de quaisquer descontos  relativos  à  tributação,  a  qual  incidirá  e  será  suportada  integralmente  pela  CONSILUX,  ou  seja,  COMPETE  À  CONSILUX O ÔNUS DE RECOLHER A INTEGRALIDADE  DOS  TRIBUTOS  INCIDENTES  SOBRE  OS  VALORES  RECEBIDOS PELO REFERIDO.  Contrato  com  o  Poder  Público,  inclusive  sobre  os  valores  repassados  SOLUÇÃO  e  WIGINESCKI,  que  não  emitirão  Notas Fiscais.     À vista disso, acertadamente, nenhum desses pagamentos foram reconhecidos  pela DRJ  como  em  condições  de  serem  excluídos  da  base  imponível,  seja  porque  nela  não  estão  incluídos,  com  exceção  de  um,  como  dito,  seja  porque  em  nenhum  momento  foi  declinada e comprovada a operação que lhes deu causa. Assim, essa é a posição aqui adotada.    II.III – Da Declaração de Ajuste Anual e IRRF  Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 30          15 Por  último,  enfrenta­se  o  arrazoado  pela  recorrente  quanto  a  declaração  de  ajuste anual. Asseverou que após o  transcurso do prazo para entrega da declaração de ajuste  anual,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  IRRF  transfere­se  para  o  beneficiário  do  pagamento.  Como já ressaltado ao longo do presente voto, o recorrente incessantemente  utilizou­se de artifícios para tentar afastar­se da obrigação que lhe cabe. E nesse tópico não foi  diferente, conforme a seguir será demonstrado.  Para corroborar com sua fundamentação foi citado a seguinte jurisprudência,  a saber:    IRRF ­ ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE  AJUSTE ANUAL ­ FALTA DE RETENÇÃO ­ AÇÃO FISCAL  APÓS  O  ANO­BASE  DO  FATO  GERADOR  ­  BENEFICIÁRIOS  IDENTIFICADOS ­ EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE  PAGADORA  PELO  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO  DEVIDO  NA  FONTE.   I ­ Se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto de  renda devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o  término  do  período  de  apuração  do  imposto,  incabível  a  constituição  do  crédito tributário através do lançamento de imposto de renda fonte na pessoa  jurídica  pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda fonte,  se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do  rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte.    Da  simples  leitura  da  ementa  colacionada  é  possível  inferir  que  não  há  pertinência com o presente caso, assim como as outras duas apresentadas, que vâo de encontro  com a acima exposta.   À  vista  disso,  o  relator  do  citado  processo  entende  que,  se  a  previsão  da  tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se  a  ação  fiscal  ocorrer  após  o  ano­calendário  da  ocorrência  do  fato  gerador,  incabível  a  constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na  pessoa jurídica pagadora dos rendimentos.   O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do  contribuinte,  beneficiário  do  rendimento,  exceto  no  regime  de  exclusividade  do  imposto  na  fonte,  conforme entendimento  constante  no Parecer Normativo  n°  01,  de  24  de  setembro  de  2002, nos itens 11 a 16.1, como mencionado pelas autoridades precedentes. –   Do  destacado  acima  é  possível  deduzir  que,  apenas,  se  houvesse  a  antecipação  do  IRRF,  é  que  não  haveria  a  incidência  na  pessoa  jurídica  pagadora  dos  rendimentos.  Apesar  disso,  esse  não  é  o  caso,  pois  não  houve  pagamento  algum  pela  recorrente.   Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/2009­21  Acórdão n.º 1202­001.192  S1­C2T2  Fl. 31          16 Além  do  mais,  a  tributação  na  pessoa  do  contribuinte  (beneficiário  do  rendimento) só seria possível, se o mesmo estivesse identificado.   Como  sustentado  ao  longo  do  presente  voto,  a  recorrente  não  demonstrou  êxito  em  identificar  os  beneficiários,  assim  sendo,  mais  esse  argumento  não  merece  ser  acolhido.  Diante  todo  o  exposto,  é  de  se  rejeitar  a  preliminar  de  decadência  e,  no  mérito, negar provimento aos recurso voluntário.    (documento assinado digitalmente)  Orlando José Gonçalves Bueno                                Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO

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Numero do processo: 13896.912039/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 429          1 428  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.912039/2009­22  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3801­000.638  –  1ª Turma Especial  Data  28 de janeiro de 2014  Assunto  DCOMP­ELETRÔNICA ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  DALLAS RENT A CAR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que  anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos  Antônio Borges.      (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani – Relator      (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges – Redator Designado      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel,  Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 12 03 9/ 20 09 -2 2 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 430          2     Relatório  Trata­se de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de  origem não homologou a compensação declarada.  O  despacho  decisório  baseou­se  em  análise  do  direito  de  crédito  limitada  ao  valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que  o  pagamento  informado  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP O fundamento  legal está  expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº  5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996.  A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que:  i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados  a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior  que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria.  ii) Retificou  o Demonstrativo  de Apuração  de Contribuições  Sociais­DACON  para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo.  iii)  Em  15/07/2009,  retificou  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais­DCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o  pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada.  iv)  O  DACON  e  a  DCTF  retificadores  não  devem  ter  sido  processados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil­RFB,  o  que  teria  motivado  a  não  homologação  da  compensação.  v) O processamento das obrigações  acessórias  retificadoras  evidenciaria que o  DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por  conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais.  Pede o processamento das  retificações,  confirmando­se  a existência do  crédito  em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendo­se o crédito e homologando­se a  compensação declarada.  A Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de Julgamento em Campinas  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa:  “COMPENSAÇÃO.  INDÉBITO  ASSOCIADO  A  ERRO  EM  VALOR  DECLARADO  EM  DCTF.  REQUISITO  PARA  HOMOLOGAÇÃO.  DCTF  E  DCOMP.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  CORREÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  DACON.  NATUREZA  JURÍDICA.  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 431          3 Nos casos em que a existência do  indébito incluído em declaração de  compensação está associada à alegação de que o valor declarado em  DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal  compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos  casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP,  retifica regularmente a DCTF.  Consideram­se  confissão  de  dívida  os  débitos  declarados  em  DCTF,  motivo  pelo  qual  qualquer  alegação  de  erro  nos  valores  nela  declarados deve  vir acompanhada de declaração retificadora munida  de  documentos  hábeis  e  suficientes,  consistentes  na  escrituração  contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza  da  operação,  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  a  base  de  cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o  valor do indébito tributário.  Considerando  que  o  DARF  indicado  no  PER/DCOMP  (Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição  /  Declaração  de  Compensação)  como  origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais),  e  que  o  contribuinte não  logra comprovar por meio de provas robustas que a  verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido.  O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em  instrumento de confissão de dívida.”  Ciente  da  decisão,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  no  qual,  entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamenta­se no fato de que a  data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais  e contábeis do crédito, assevera que:  i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu  direito  ao  crédito  pleiteado,  junta  planilha  e  cópias  de  contratos,  fichas  e  documentos  que  comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado;  ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o  valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo.  iii)  A  DCTF  retificadora  substitui  integralmente  a  DCTF  apresentada  anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação.  iv) A  retificação  entregue,  de  forma  espontânea,  no  prazo  legal  e  segundo  as  formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a  favor  da  contribuinte,  motivo  pelo  qual  qualquer  discussão  sobre  o  montante  apontado  na  DCTF retificadora deveria  ter sido  iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia  de Julgamento.  v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras.  vi) O despacho decisório  e o  acórdão  recorrido  cercearam o direito de defesa,  por isso são nulos, ma vez que:  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 432          4 a)  o  primeiro  não  lhe  deu  oportunidade  para,  em  momento  anterior  a  sua  emissão,  apresentar  justificativas  e  documentação  detalhadas  e  não  contém  fundamentação  coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão.  b)  o  segundo  apresenta  argumento  até  então  não  considerado,  o  de  serem  necessárias  provas  robustas  sobre  a  verdade  material,  quando  não  seria  mais  possível  apresentar tais provas.  Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável.  É o relatório.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 433          5   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O recurso é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de admissibilidade para  julgamento nesta turma especial.  Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa.  Ambas  as  decisões  estão  fundamentadas  e  permitiram  à  contribuinte  o  pleno  exercício do  contraditório  e da  ampla defesa,  ainda que o despacho decisório  contenha  erro,  como se verá adiante.  Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade  de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de  crédito seja líquido e certo.  Aquele que alega possuir direito deve prová­lo, conforme dispõe o art. 333 do  Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente.  O pagamento informado no pedido de restituição referiu­se a tributo lançado em  DCTF,  logo,  tributo  devido,  e,  por  isso,  o DARF  referente  a  este  pagamento  não  provava  a  existência  de  indébito  líquido  e  certo,  uma  vez  que  a  DCTF  retificadora  não  havia  sido  considerada no despacho eletrônico.  A falta de apresentação de provas em contrário  implica considerar verdadeiros  os valores informados na DCTF.  Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está  presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido.  Mesmo  se  não  estivesse,  em  se  tratando  de  processos  de  PER/DCOMP  eletrônico,  em  que  não  tenha  havido  intimação  da  RFB  exigindo  documentos  antes  da  expedição  do  despacho  decisório,  admitem­se  provas  com  o  recurso  voluntário,  quando  se  prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16,  §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurando­se, assim, o direito de defesa.  De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção  de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude  do que se propõe no decorrer deste voto.  Conclui­se que não houve cerceamento do direito de defesa.  Sobre a DCTF retificadora.  A contribuinte  formalizou e  transmitiu DCTF retificadora que  foi  recebida via  internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório  em 01/02/2012.  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 434          6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da  recepção da DCTF retificadora, dispunha:  “Art.  11  .  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será  efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.   §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos  já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.   § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar  os débitos relativos a impostos e contribuições:   I ­ cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­Geral  da Fazenda Nacional  (PGFN) para  inscrição em DAU, nos casos em  que importe alteração desses saldos;   II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos às  informações  indevidas ou não comprovadas prestadas na  DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados  à  PGFN  para  inscrição  em  DAU;  ou  III  ­  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada de início de procedimento fiscal.  (...)  §  8º  A  pessoa  jurídica  que  apresentar  DCTF  retificadora,  alterando  valores que tenham sido informados:  I  ­  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica (DIPJ), deverá apresentar,  também, DIPJ retificadora; e  II  ­  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon),  deverá apresentar, também, Dacon retificador.   (...)  §  10.  A  retificação  de  DCTF  não  será  admitida  quando  resultar  em  alteração  da  periodicidade,  mensal  ou  semestral,  de  declaração  anteriormente apresentada.”  O comando de que  a DCTF  retificadora  tem  a mesma natureza da  declaração  originariamente apresentada, substituindo­a integralmente, e serve para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB  nº 903, de 2008.  No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora  recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria  efeitos.  Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de  crédito, não a original.  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 435          7 Para  tanto,  a  RFB  poderia  efetuar  os  procedimentos  fiscais  que  entendesse  necessários  para  apurar  a  idoneidade  das  informações  da  DCTF  retificadora  e  a  liquidez  e  certeza do crédito.  Por basear­se em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado.  O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403­ 001.288,  de  09/11/2011,  da  3ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  em  que  o  Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor.  “ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário:  2003  COMPENSAÇÃO.  DCOMP.  DECISÃO  ELETRÔNICA  BASEADA  EM  DADOS  DEFASADOS  DE  DCTF.  INFORMAÇÕES  RETIFICADAS  POR  DCTF­RETIFICADORA  APRESENTADA  EM MOMENTO  ANTERIOR  À  NOTIFICAÇÃO  DA  DECISÃO.  Decisão  eletrônica  que  nega  homologação  à  Declaração  de  Compensação  pelo  fundamento  de  que  o  DARF,  do  qual  teria  originado o crédito  indicado pelo contribuinte na compensação,  teria  sido  integralmente  absorvido  pelo  valor  confessado  em  DCTF  em  relação ao mesmo período de apuração.  A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já  haviam  sido  alterados  por  meio  de  DCTF­retificadora  transmitida  antes da notificação da decisão.  Decisão anulada.”  Sobre  os  efeitos  da  anulação  do  despacho  decisório  O Decreto  nº  70.235,  de  1972, dispõe que:  “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade  julgadora não a  pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído  pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se  este  lhes houver dado causa, ou quando não  influírem na  solução do  litígio.  Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 436          8 Art.  61.  A  nulidade  será  declarada  pela  autoridade  competente  para  praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  A  distinção  entre  nulos  e  sanáveis mostra  que  o Decreto  nº  70.235,  de  1972,  aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação  de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc.  No  caso  deste  processo,  o  despacho  decisório  foi  proferido  por  autoridade  competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode  sanada.  Em decorrência, propõe­se que a anulação do despacho decisório se opere com  efeitos a partir desta decisão.  Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados.  Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário  para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal  de  origem  proceder  à  nova  análise  do  direito  de  crédito  pleiteado  com  base  na  DCTF  retificadora,  inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao  rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani  Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 437          9 Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado  Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar.  A  recorrente  sustenta  que  o  seu  direito  creditório  decorre  da  apuração  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativas  que  teriam  sido  pagas  a maior.  Alega  ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF.   O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório  inicial, porque  os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados.  Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada.  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  considerando  que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não  teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos.  Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou  a  maior  pleiteado  em  restituição  ou  utilizado  em  declaração  de  compensação  é  realizada  considerando o  saldo disponível do pagamento nos  sistemas de  cobrança, não se verificando  efetivamente  o  mérito  da  questão,  o  que  será  viável  somente  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal.   Tal  procedimento  é  disciplinado  em  atos  normativos  da  Receita  Federal  do  Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996.  Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  No  caso  vertente,  a  recorrente  justificou  a  origem  do  crédito  (retificação  da  declaração),  bem  como  seu  direito  em  compensá­lo  com  outros  débitos,  tendo  em  vista  o  equívoco  ao  incluir  na  base  de  cálculo  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  a  receita  decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando  ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória.  Em sede de  restituição/compensação compete ao  contribuinte o ônus da prova  do  fato constitutivo do seu direito,  consoante a  regra basilar extraída do Código de Processo  Civil,  artigo  333,  inciso  I.  Ou  seja,  é  o  contribuinte  que  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de  tal  sorte que,  se a RFB  resiste  à  pretensão  do  interessado,  não  homologando  a  compensação,  incumbe  a  ele,  o  contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito.  Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se  presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o  contraditório e ampla defesa.  Não  obstante  as  alegações  da  recorrente,  o  entendimento  predominante  deste  Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/2009­22  Resolução nº  3801­000.638  S3­TE01  Fl. 438          10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova  dos  créditos  sem  no  entanto  conferir  a  liquidez  e  certeza  necessários  ao  reconhecimento  do  direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações.   Registre­se,  por  oportuno,  que,  apesar  de  não  existir  norma  procedimental  condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este  um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência  do  despacho  decisório.  Assim,  a  interessada  não  foi  intimada  a  justificar  a  origem  de  seu  crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendo­lhe ofertada posteriormente essa oportunidade  quando da instalação do contraditório.  Apesar  da  complementação  das  alegações  da  recorrente  e  a  correspondente  documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário,  o  que,  em  tese,  estaria  atingida  pela  preclusão  consumativa,  estes  devem  ser  aceitos  em  obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16  do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destine­se a contrapor fatos ou  razões  posteriormente  trazidos  aos  autos,  mormente  quando  a  Turma  de  Julgamento  de  1ª  Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não  foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado,  quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado.  Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e,  em tese, ratificam os argumentos apresentados.  Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios,  constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar  o valor  correto das  contribuições do PIS e da COFINS  referente ao período de  apuração em  discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência para que a Delegacia de origem:  a)  apure  a  legitimidade  do  crédito  pleiteado  decorrente  de  alegado pagamento  indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas  pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil  e demais elementos que julgar necessários;  b)  cientifique  a  interessada  quanto  ao  resultado  da  diligência  para,  desejando,  manifestar­se no prazo de 30(trinta) dias.  Após  a  conclusão  da  diligência,  retornar  o  processo  a  este  CARF  para  julgamento.  É assim que voto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges     Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI

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5607428 #
Numero do processo: 10855.902707/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS
Nome do relator: ANGELA SARTORI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 5          1 4  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.902707/2008­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.706  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de agosto de 2014  Matéria  DCOMP  Recorrente  J.F.I. SILVICULTURA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 15/06/2004  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  NÃO  DECLARADO.  DCOMP.  COMPENSAÇÃO  HOMOLOGADA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  CARACTERIZADA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  DE  MORA.  STJ.  RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.  Extinto,  por  meio  de  Declaração  de  Compensação  homologada,  Crédito  tributário  antes  não  declarado  à  administração  tributária,  resta  caracterizada  a  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional,  com  exclusão  da  multa  de  mora  segundo  interpretação  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  julgamento  de  recursos  repetitivos,  de  aplicação  obrigatória  no  âmbito do CARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  dar  provimento  ao  recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.   ROBSON JOSE BAYERL­ Presidente.   ANGELA SARTORI ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI,  ROBSON  JOSE  BAYERL,  RAQUEL  MOTA  BRANDÃO  MINATEL,  ELOY  EROS  DA  SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 27 07 /2 00 8- 11 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  que  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade  interposta contra Despacho Decisório  que  homologou  em  parte  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  transmitida  em  29/10/2004,  por  meio  da  qual,  a  contribuinte  declarou  a  compensação  de  débitos  da  COFINS  (2172) vencido em 15/06/2004, assim como do  IRPJ  (3373)  e CSLL (6012)  vencidos  em  30/07/2004  no  montante  de  R$  71.325,45,  com  crédito  de  relativo  a  pagamento indevido ou a maior de COFINS – (5856) ocorrido em 15/06/2004.    Na  Manifestação  de  Inconformidade,  a  contribuinte  informou  a  origem  de  seu  crédito,  bem  como  a  atualização  pretendida,  concluindo  que  o  valor  atualizado era suficiente para quitar integralmente os débitos informados na DCOMP.    A  4ª  Turma  da  DRJ  (fl.52)  ao  analisar  a  manifestação  manteve  a  homologação parcial, observando que o contribuinte ao  informar o débito, considerou  apenas os juros moratórios, deixando de aplicar à multa moratória à razão de 20%.     No  recurso  voluntário  apresentado  (fl.  70  e  seguintes),  à  luz  da  jurisprudência  do  STJ,  a  Recorrente  afirma  caracterizada  a  denúncia  espontânea  e,  portanto,  deve  ser  a multa moratória  excluída,  a  teor  do  art.  138  do CTN,  vez  que  a  quitação/compensação foi realizada após a data de vencimento do débito, acrescida de  juros de mora, a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e ocorreu antes  de qualquer procedimento fiscal.     O processo 16.027.000048/2009­04 foi anexado nos presentes autos.     A 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, ao analisar o  recurso  voluntário, determinou a realização de diligência visando verificar se o valor do débito  compensado  na  primeira  DCOMP,  que  se  encontrava  em  atraso  na  data  de  sua  transmissão,  já  constava  da  DCTF  original  ou  se  foi  informado  apenas  na  DCTF  retificadora.       Ocorre que, a autoridade fiscal ao proceder a diligência, verificou que  o presente processo trata da Declaração de Compensação 33470.26732.291004.1.3.04­ 5708,  transmitida  em  29/10/2004,  relativa  a  crédito  de  Cofins  (PA  05/2004,  data  arrecadação 15/06/2004) e débitos de Cofins, CSLL e IRPJ e que, portanto, houve erro  no relatório da Resolução emitida pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que  mencionou  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  transmitida  em  15/12/2004,  com  crédito do PIS e débitos de PIS e Cofins.      Ao retornar o processo ao CARF, confirmou­se o erro apontado pela  unidade de origem, sendo retificado o acórdão da resolução, de modo que no primeiro  parágrafo, na fl. 78 passou a constar a menção correta à DCOMP do presente processo.      Às  fls.  105  a  106  decidiu­se  pela  alteração  da  Resolução  nº  3401­ 000.363  com  o  retorno  do  processo  para  que  o  órgão  de  origem  verifique  a  DCTF  original  do  2º  trimestre  de  2004,  junte  cópia  dela  aos  autos  e  informe  se  os  débitos  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10855.902707/2008­11  Acórdão n.º 3401­002.706  S3­C4T1  Fl. 6          3 compensados  em  atraso  através  da  Declaração  de  Compensação  33470.26732.291004.1.3.04­5708  já  constavam  integralmente na DCTF original ou se  foram informados apenas na DCTF retificadora.    Na  diligência  verificou­se  que  o  valor  principal  da  Cofins  (R$  40.053,07  ­  código  2172),  período  de  apuração  05/2004,  vencimento  15/06/2004,  compensado  através  da  DCOMP33470.26732.291004.1.3.04­5708  foi  declarado  tão  somente na DCTF retificadora, conforme tabela a seguir:      Débito – IRPJ  ­ 2172­ Código da  Receita    Data  transmissão    Valor declarado    Pagamento  Compensação    DCTF  original    13/08/2004  R$ 0,00  R$ 0,00  0,00  DCTF  retificadora    19/11/2004  R$ 40.053,07  0,00   R$  40.053,07      Verificado  ainda  que  a  parcela  do  débito  de  IRPJ  (R$  24.787,95  ­  código 3373), período de apuração 2º Trim/2004, vencimento 30/07/2004, compensado  através da DCOMP 33470.26732.291004.1.3.04­5708 foi declarado somente na DCTF  retificadora, conforme tabela a seguir:      Débito – IRPJ  Código da  Receita    Data  transmissão    Valor declarado    Pagamento  Compensa ção    DCTF original  3373­1  13/08/2004  R$ 11.932,34  R$ 11.932,34    DCTF  retificadora  3373­1  19/11/2004  R$ 36.720,30  R$ 11.932,34   R$  24.787,96    Quanto  à  parcela  do  débito  da CSLL  (R$  3.546,81  ­  código  6012),  período  de  apuração  2º  Trim/2004,  vencimento  30/07/2004,  compensado  através  da  DCOMP  33470.26732.291004.1.3.04­5708  foi  declarada  somente  na  DCTF  retificadora, conforme tabela a seguir:        Débito – CSLL  Código da  Receita    Data  transmissão    Valor declarado    Pagamento  Compe nsação    DCTF original  6012­1  13/08/2004  R$ 6.614,39  R$ 6.614,39       DCTF  retificadora  6012­1  19/11/2004  R$ 15.757,49  R$ 6.614,39  R$  9.143, 10 *      *  R$  3.546,81  compensado  através  da  DCOMP  33470.26732.291004.1.3.04­5708.  R$  3.116,56  compensado  através  da  DCOMP  02666.46364.291004.1.3.04­0059.  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL     4 R$  2.479,73  compensado  através  da  DCOMP  23728.49744.291004.1.3.04­8417.    Verificou­se  também  que  o  contribuinte  não  é  optante  de  parcelamento (fl. 114).    Voto             Conselheiro Angela Sartori  O  Recurso  segue  os  requisitos  de  admissibilidade  por  isto  dele  tomo  conhecimento.    O  resultado  da  diligência  confirma  que  a  DCTF  retificadora  foi  transmitida  em  19/11/2004  (após  a  DCOMP,  então)  e  que  o  débito  da  COFINS  compensado,  com  código  da  Receita  5856  (cumulativa),  não  constava  da  DCTF  original.     A primeira DCTF contemplava somente COFINS sob o código 5856,  próprio do regime não cumulativo, cujo valor na DCTF retificadora foi reduzido. Como  pagamento  foi  efetuado  no montante original,  originou­se  o  indébito  compensado por  meio da DCOMP ora em debate.    O  litígio,  como  já  definido  com  precisão  no  voto  que  resultou  da  diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em  que  a  contribuinte  transmite  PER/DCOMP  compensando  débito  em  atraso,  quando  considerada a data da transmissão.     Para a Recorrente a denúncia restou caracterizada e, por isso, descabe  a multa  de mora,  de modo  que  deviam  ser  exigidos  apenas  o  principal  e  os  juros  de  mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do  PER/DCOMP.    Adoto  a  posição  já  adotada  em  julgamentos  anteriores  relativos  ao  tema  e  à  interpretação  do  STJ  quanto  à  exclusão  da  multa  de  mora,  na  hipótese  da  denúncia  espontânea  de  que  trata  o  art.  138  do CTN,  que  na  situação  dos  autos  vejo  caracterizada.       Assim,  as  condições  exigidas  pelo  art.  138  do  CTN,  para  fins  de  caracterização  da  denúncia  espontânea  defendida  pela  Recorrente,  e  consoante  interpretação  do  STJ  em  Recurso  Repetitivo,  estão  satisfeitas:  o  débito  constante  da  DCOMP  (no  caso,  a  Cofins  sob  o  Código  5856),  não  foi  informado  antes  à  Receita  Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a  que se refere o texto do citado art. 138).    Caracterizada  a  denúncia  espontânea,  a  multa  moratória  deve  ser  excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo  art.  62  do  Segundo  julgamentos  do  STJ  na  sistemática  do  art.  543C  do  Código  d  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10855.902707/2008­11  Acórdão n.º 3401­002.706  S3­C4T1  Fl. 7          5 Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil,  a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, tem­se o seguinte, verbis:    1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial  do  débito  tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  apresenta  retifica­a  (antes  de  qualquer  procedimento da Administração Tributária), noticiando a  existência  de  diferença  a  maior,  cuja  quitação  se  dá  concomitantemente.  2.  Deveras,  a  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  conseqüente  exclusão  da  multa  moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por  homologação  declarados  pelo  contribuinte  e  recolhidos  fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente,  ainda  que  anteriormente  a  qualquer  procedimento  do  Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da  Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo  543C,  do  CPC:  REsp  886.462/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp  962.379/RS, Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe 28.10.2008).  3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade  da  constituição  formal  do  crédito,  podendo  este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando­ se exigível, independentemente de qualquer procedimento  administrativo  ou  de  notificação  ao  contribuinte"  (REsp  850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção,  julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008).  4. Destarte,  quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado  a  menor  (integralmente  recolhido),  elide  a  necessidade  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  atinente  à  parte  não  declarada  (e  quitada  à  época  da  retificação),  razão  pela  qual  aplicável  o  benefício previsto no artigo 138, do CTN.   5.  In  casu,  consoante  consta  da  decisão  que  admitiu  o  recurso  especial  na  origem  (fls.  127/138):  "No  caso  dos  autos,  a  impetrante  em  1996  apurou  diferenças  de  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  ano­base  1995  e  prontamente  recolheu  esse  montante  devido,  sendo  que  agora,  pretende  ver  reconhecida  a  denúncia  espontânea  em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da  ocorrência  de  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  Assim,  não  houve  a  declaração  prévia  e  pagamento  em  atraso,  mas  uma  verdadeira  confissão  de  dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta  configurada  a  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL     6 denúncia  espontânea,  nos  termos  do  disposto  no  artigo  138, do Código Tributário Nacional."  6.  Conseqüentemente,  merece  reforma  o  acórdão  regional,  tendo  em  vista  a  configuração  da  denúncia  espontânea na hipótese sub examine.  7.  Outrossim,  forçoso  consignar  que  a  sanção  premial  contida  no  instituto  da  denúncia  espontânea  exclui  as  penalidades  pecuniárias,  ou  seja,  as  multas  de  caráter  eminentemente  punitivo,  nas  quais  se  incluem  as  multas  moratórias, decorrentes da impontualidade do  contribuinte.  8.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (STJ,  Primeira  Seção,  REsp  1149022,  unânime,  Relator  Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010).”      Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto.       Angela  Sartori  ­  Relator                               Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL

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5602761 #
Numero do processo: 17883.000377/2010-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.237
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 481          1 480  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  17883.000377/2010­53  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2403­000.237  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária  Data  19 de fevereiro de 2014  Assunto  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FUNDACAO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      RESOLVEM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter o processo em diligência.       Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente     Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Freitas  Souza  Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 37 7/ 20 10 -5 3 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 482          2     RELATÓRIO    Trata­se de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 12­38.420 ­ 13ª  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II ­ RJ, que  julgou procedente o lançamento de obrigação tributária principal AIOP nº 37.318.926­5, com  valor consolidado inicial de R$ 20.344,11.  O  Relatório  Fiscal  informa  que,  em  relação  à  obrigação  principal,  foram  apurados os créditos relativos à quota patronal incidente sobre o total das remunerações pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  titulo,  no  decorrer  do  mês,  aos  Segurados  Empregados  e  também destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência  de  Incapacidade  Laborativa  decorrentes  dos  Riscos  Ambientais  do  Trabalho  ­  GIILRAT,  apuradas na matricula CEI n° 45.410.00759/77, no período 09/2007 a 12/2007.  Conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  2.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  44/60,  as  bases  de  cálculo  utilizadas  representam  as  parcelas  integrantes  do  salário­de­ contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas  de  pagamento  do  período  de  apuração,  bem  como  informadas  em  GFIP.  3.  Informa  o  autor  do  lançamento  que  a  autuada,  no  período  fiscalizado,  enquadrou­se  como  entidade  isenta  da  contribuição  previdenciária  correspondente  à  Cota  patronal  —  FPAS  639  ­,  conforme informações prestadas em GFIP.  4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência  social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes  de  que  trata  o  art.  206,  §§2°  e  3°  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/99,  refletindo­se  em  inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91.  5.  Nesse  passo,  foi  solicitado  à  entidade,  através  do  Termo  de  Intimação n° 02, qual o critério utilizado na concessão de bolsas de  estudos,  sendo  que  a  resposta  encontra­se  anexada  aos  autos,  às  fls.  72, na qual a interessada informa adotar critério sócio­econômico, o  qual  visa  aferir  a  capacidade  econômico­financeira  do  requerente,  bem como realiza entrevistas com os interessados.  6.  Com  base  nas  informações  prestadas,  a  empresa  foi  novamente  intimada, em TIF datado de 23/12/2010, a fim de que apresentasse o  critério e a documentação comprobatória da capacidade econômico­ financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de  cada  entrevistado.  Porém,  a  empresa  não  apresentou  as  fichas  financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 483          3 os  alunos  se  enquadravam  na  situação  de  pessoas  carentes,  assim  como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados.  7.  Dentre  os  fatos  verificados  no  curso  da  ação  fiscal,  destaca  a  concessão  de  bolsas  com  inobservância  do  critério  de  carência  e  necessidade, concessão de bolsas por  força de acordo ou convenção  coletiva, concessão de bolsas a filhos de funcionários e concessão de  bolsas ou descontos a alunos irmãos.  8. Assevera  o  autuante  que  o  presente  lançamento  segue  as  regras  procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009.    O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos ­ DD é  de 09/2007 a 12/2007.  A Recorrente teve ciência das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01  A Recorrente apresentou  Impugnação  tempestiva,  conforme o Relatório da  decisão de primeira instância:  10.  Notificada  pessoalmente  do  lançamento  em  06/01/2011,  a  interessada  apresentou  impugnação  de  fls.  482/497,  aduzindo  as  seguintes alegações:  10.1.  enfatiza  sua  condição  de  entidade  beneficente  de  assistência  social  e,  por  conseguinte,  isenta  (imune)  aos  tributos  em  geral,  incluindo­se ai as contribuições previdenciárias;  10.2.  afirma  que  a  fiscalização  incorre  em  erro  ao  não  se  definir  sobre que dispositivo  repousa a autuação. Nesse passo, entende que  há  oscilação  entre  os  requisitos  do  art.  55  da  Lei  n°  8.212/91  e  o  procedimento estabelecido pela Lei 12.101/09;  10.3. pondera que não pode prosperar o argumento  fundado no art.  206  do  RPS/99,  de  que  não  são  concedidas  bolsas  a  pessoas  cuja  renda  familiar  corresponda  a,  no  máximo,  R$  271,99,  eis  que  tal  dispositivo  encontrava­se  revogado  pelo  Decreto  n°  7.237/2010,  A  época da ação fiscal;  10.4.  defende  a  tese  de  que  não  compete  à  fiscalização  apurar  a  natureza  beneficente  das  entidades  educacionais.  Ao MEC  compete,  com  exclusividade,  verificar  se  a  entidade  cumpre  os  requisitos  do  Decreto n° 2.536/98  (atualmente Lei 12.101/2009),  para obtenção ou  manutenção  do  certificado. A RFB  compete  verificar  se  a  entidade  cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91;  10.5. entende que caberia à fiscalização, no limite de sua competência  residual, representar perante o órgão competente para a concessão e  renovação  da  certificação,  pois  não  tem  competência  para  adentrar  ao mérito das bolsas de estudo concedidas;  10.6.  informa  que  as  bolsas  de  estudo  são  concedidas  a  famílias  carentes,  segundo critério  sócio­econômico de avaliação das  famílias  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 484          4 pretendentes do beneficio, competência esta privativa sua, sobre a qual  a fiscalização não detém ingerência por falta de respaldo legal;  10.7.  salienta,  conforme  termos  aditivos  de  adesão  ao  PROUNI  anexados  aos  autos,  que  as  bolsas  concedidas  no  âmbito  do  referido  programa  alcançam  beneficiários  encaminhados  diretamente  pelo  MEC,  cabendo  A  instituição  de  ensino  efetivar  a matricula  no  curso  indicado. Neste sentido, manifesta incompreensão sobre como poderia  estar agindo ao arrepio da lei;  10.8. esclarece, ainda, que a concessão de bolsas a alunos irmãos e a  filhos de funcionários não compõe a totalidade destinada A filantropia  desenvolvida  pela  impugnante.  Essa  conclusão  depreende­se  da  simples leitura das notas explicativas e das informações inseridas nas  contas  de  gratuidade  educacional  informadas  no  Demonstrativo  de  Resultado dos exercícios de 2006 e 2007;  10.9.  tece considerações acerca do efeito vinculante da renovação do  CEBAS pela MP n°446/2008, bem como a sua condição de isenta à luz  da Lei n° 12.101/2009.  A  Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando  procedente  a  autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 12­38.420 ­ 13ª Turma da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II ­ RJ, a seguir:  Acórdão 12­38.420 ­ 13 Turma da DRJ/RJ1   Sessão de 13 de julho de 2011   Processo 17883.000377/2010­53   Interessado FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL   CNPJ/CPF 28.577.153/0001­15    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período  de  apuração:  01/09/2007  a  31/12/2007  IMUNIDADE  TRIBUTARIA.  ENTIDADE EDUCACIONAL BENEFICENTE . DESCUMPRIMENTO  DE REQUISITOS.  É indispensável a prova de que a entidade promove a assistência social  beneficente a pessoas carentes, destinatárias das políticas públicas na  área  de  educação,  a  fim  de  que  possa  permanecer  em  gozo  de  imunidade tributária.  LEI  12.101/2009.  PROCEDIMENTO  DE  CANCELAMENTO  DE  IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉ­REQUISITOS.  Aplica­se  a  Lei  12.101/09  aos  lançamentos  efetuados  sob  a  sua  vigência,  no  caso  de  regra  que  institua  um  novo  procedimento  de  fiscalização,  previsto,  in  casu,  no  artigo  32  da  referida  norma.  Descumpridos os requisitos estabelecidos em lei para a manutenção do  beneficio fiscal, o AFRFB está autorizado a lançar o crédito tributário  devido.  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 485          5   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Acórdão   Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n°  37.318.926­5), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de  votos, negar provimento A impugnação, nos termos do relatório e voto  que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito  tributário  no  valor  principal  de  R$  13.035,37,  acrescido  de  juros  e  multa moratória a serem calculados na data da liquidação.  DRF  VOLTA  REDONDA/SACAT,  para  ciência  ao  interessada  do  inteiro  teor  deste  acórdão  e  demais  providências  necessárias  ao  seu  cumprimento,  intimando­a  para  pagamento  do  crédito  mantido  no  prazo de 30 dias da ciência,  salvo  interposição de recurso voluntário  ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo.    Inconformada  com a  decisão  de  primeira  instância, a Recorrente apresentou  Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento  deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese:    (i) Do direito à isenção ­ art. 55, Lei 8.212/1991 x Lei 12.101/2009  Até  a  recente  edição  da Lei  12.101/2009,  a manutenção  do  direito  a  imunidade  e  a  possibilidade  de  se  pleitear  a  isenção  permaneceu  insculpida  na  Lei  8.212/91  que  passou  em  seu  artigo  55  a  regular  o  parágrafo  7o  do  artigo  195  da  Carta Magna,  condições  estas  que  o  Recorrente cumpre conforme a documentação apresentada.  (...)  Assim,  faz­se  necessário  adentrar  nos  conceitos  adotados  pela  fiscalização para fins de lavratura do presente auto, na medida em que  não observa a  legislação em vigor no período autuado (lei 8.212/91),  nem  muito  menos  a  novel  legislação  (lei  12.101),  refugiando  em  comandos de decreto executivo, mormente o Decreto 3048/99, estanhos  á  norma  infraconstitucional,  ao  arrepio  de  preceito  fundamental,  previsto no artigo 5o da Constituição Federal de 1988.  (...)  Ademais,  incorreu  a  fiscalização  em  ledo  erro,  perpetuado no  v.  acórdão recorrido, ao não se definir em que dispositivo se debruçar a  fim  de  lavrar  o  Auto  de  Infração.  Afirma  no  item  1  do  Termo  de  encerramento  de  Procedimento  Fscal  ­  TEPF:  "Auditoria  Fiscal  realizada no contribuinte para verificação dos requisitos de isenção  Art.  55  Lei  8212  ­  Processo  de  cancelamento  de  Isenção  ­  Lançamento  da  Parte  Patronal  referente  a  Massa  Salarial  Apurada." Já no item 9 de suas considerações a fiscalização assevera  que "Considerando os fatos verificados no curso da presente auditoria  fiscal,  ficou  comprovado  que  a  Fundação  Educacional  Rosemar  Pimentel gozou do benefício de isenção de contribuições destinadas à  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 486          6 Seguridade Social sem a devida observância dos preceitos legais (???)  para a sua regularidade. Dessa forma de acordo com o procedimento  estabelecido  pela  lei  12.101/2009  está  sendo  lançado  o  crédito  previdenciário correspondente à cota patronal.    (ii) Das bolsas de estudo ­ revogação do art. 206, Decreto 3.048/1999  quando da lavratura da autuação  fiscalização  não  se  define  em  qual  comando  legal  se  fia  a  fim  de  proceder  ao  levantamento  fiscal.  Tal  ato  já  ensejaria  a  nulidade  absoluta  do  ato,  visto  que  não  aponta  qual DISPOSITIVO DE  LEI  teria a Recorrente desrespeitado.  Simplesmente  alega  que  "não  são  concedidas  bolsas  a  pessoa  cuja  renda  familiar mensal  corresponda a, no máximo, R$ 271,99"  (fato  analisado detidamente adiante) e levanta o auto sob a alegação de não  ser a Recorrente isenta das contribuições patronais.  Porém não  se atentou a  fiscalização,  tampouco a DRJ1 ao  julgar a  impugnação, ao fato de que quando da realização da fiscalização ora  guerreada,  o  dispositivo  em  que  se  funda  (artigo  206  do  decreto  3048/99)  encontrava­se  expressamente  REVOGADO  pelo  Decreto  7237/2010,  jogando por  terra seu único argumento,  frágil por sinal,  conforme  será  argumentado  em  seguida,  para  deslinde  de  toda  a  celeuma e o imbróglio criados    (iii)  Da  competência  para  apuração  da  natureza  beneficente  das  entidades educacionais ­representação necessária ­ aplicação do art.  27, Lei 12.101/2009  Nesse  diapasão,  já  cediço  e  remansoso  o  entendimento  de  que  não  compete  à  fiscalização  apurar  a  natureza  beneficente  das  entidades  educacionais.  Esse  entendimento  encontra­se  pacificado  na  douta  consultoria  jurídica do ministério da previdência e assistência social,  que através de parecer normativo n° 2272/2000  fixa as competências  específicas do INSS (entenda­se hoje Secretaria da Receita Federal do  Brasil),  assim  como  do  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  ­  CNAS (entenda­se hoje MEC).  O citado Parecer determina que ao CNAS (atualmente MEC) compete,  com  exclusividade,  verificar  se  a  entidade  cumpre  os  requisitos  do  Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998 (atualmente lei 12.101/2009),  para  obtenção  ou  manutenção  do  certificado  de  entidade  de  fins  filantrópicos.  Ao  INSS  (Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil)  compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n  8.212, de 24 de julho de 1991 (atualmente lei 12.101/2009), para obter  a isenção das contribuições sociais.  O  limite  da  competência  residual  da  auditoria  fiscal  no  ato  de  fiscalizar  a natureza  beneficente  das  entidades  de  educação  está na  competência insculpida no artigo 7° do extinto Decreto n° 2536/98 e  atualmente  no  artigo  27  da  lei  n°  12101/2009,  qual  seja,  verificada  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 487          7 suposta  irregularidade  na  concessão  de  bolsas  de  estudo,  cabe  ao  órgão  fazendário  "representar"  perante  o  órgão  competente  para  a  concessão e renovação da certificação.    (iv) Da inconstitucionalidade  É  inconstitucional,  portanto,  a  imposição  de  requisito  objetivando  a  identificação de  entidade beneficente  por Decreto,  por  ser  atribuição  exclusiva  de  Lei,  ainda  mais,  diante  da  sua  inexistência  quanto  à  imposição de aplicação mínima em gratuidade ou aferição de carência.  Face  vedação  absoluta,  o  Pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  a  Medida  Cautelar  nos  autos  da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  n°  2.028,  que  suspendeu  dispositivos  da  Lei  n°  9.732, de 11 de dezembro de 1998, por  limitar o disposto no § 7° do  art.  195  da  Constituição  da  República,  reconheceu  o  acima  asseverado.    (v) Da certificação da Recorrente como entidade beneficente  No  tocante  à  certificação  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  à  época  fiscalizada  encontrava­se  em  vigor  para  fins  de  certificação  a  lei  8742/93  (Lei  Orgânica  de  Assistência  Social),  o  decreto  2536/98,  regulamentado  pela  Resolução  CNAS  n°  177/2000  que definiam as regras para a certificação das citadas entidades.  Por seu turno, o artigo 203 da Constituição Federal vem a dizer que a  assistência  social  será  prestada  a  puem  dela  necessitar,  independentemente  de  contribuição  à  seguridade  social,  e  tem  por  objetivos:  a  proteção  à  família,  à  maternidade,  à  infância,  à  adolescência  e  à  velhice;  o  amparo  às  crianças  e  adolescentes  carentes;  a  promoção  da  integração  ao  mercado  de  trabalho;  a  habilitação e  reabilitação das pessoas portadoras de deficiências  e a  promoção  de  sua  integração  à  vida  comunitária;  a  garantia  de  'im  salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e  o  Idoso  que  comprovem  não  possuir  meio  de  prover  a  própria  manutenção ou de tê­la provida por sua família.  Decorre  que  a  fiscalização  assume  a  ficção  de  que  a  somente  subsumem o conceito de carente aquelas famílias com enquadramento  no artigo 206 do Decreto 3048/99 que regulamentava nova redação do  artigo  55  da  lei  8212/91,  introduzida  pela  lei  9732/98,  que  visava  "conceituar" carência, como se fácil fosse, prontamente fulminada pelo  STF.  Nesse  sentido  asseverou  a  fiscalização:  "não  são  concedidas  bolsas a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a. no máximo,  R$ 271,99." e "os beneficiários acima relacionados não se enquadram  na situação de pessoa carente".  Notadamente, nos dias de hoje a concessão de gratuidades, sejam elas  na área da educação, saúde ou assistência social propriamente dita é  realizada  mediante  uma  grande  demanda.  Pensar  o  contrário  seria  descolar  da  realidade  social  em  que  se  encontra  o  país.  A  suposta  inexistência  de  critérios  a  que  se  refere  a  recorrente  conflita  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 488          8 justamente  com  o  acima  exposto.  Interessante  pontuar  ainda  que  a  Constituição  Federal  de  1988  elenca  no  capítulo  II  do  Título  I  (Dos  direitos e Garantias Fundamentais) o direito social a educação, entre  outros, fato ignorado pela fiscalização.    (vi) Da certificação no período autuado e da adesão ao PROUNI   A  questão  parece  foi  pacificada  quando  da  publicação,  em  10  de  setembro  de  2004,  da  Medida  Provisória  n°  213,  que  instituiu  o  Programa  Universidade  para  Todos  ­  PROUNI  convertida  na  lei  11.096/2005,  que  entre  suas  disposições,  veio  a  definir  o  que  sejam  entidades beneficentes de assistência  social na área da educação que  se dediquem ao ensino superior.  Desta  forma,  diante  da  inegável  participação  do  Recorrente  no  PROUNI,  face documentação acostada (termos aditivos de Adesão ao  PROUNI)  e  de  sua  significativa  relevância  no  programa  social  educacional  que  garante  o  acesso  a  educação  de  todos  não  restam  duvidas do caráter beneficente e assistencial do mesmo bem como de  sua isenção (imunidade) das contribuições sociais, senão vejamos.  A Fundação Educacional Rosemar Pimentel  ­ FERP, ora Recorrente,  somente no âmbito do PROUNI, sem considerar as bolsas concedidas  com  recursos  próprios  concedeu  em  2006  o  montante  de  R$  1.231.801,00  em  bolsas  integrais,  o  que  representa  em  relação  a  receita  bruta  do  exercício  um  percentual  superior  a  7,0  %  em  filantropia. Relativamente ao ano de 2007  foram R$ 1.872.931,00 em  bolsas  integrais,  o  que  representa  em  relação  a  receita  bruta  do  exercício um percentual superior a 9,3 % em filantropia.  Atualmente  este  percentual  já  ultrapassa  o  patamar  de  11%,  o  que  pretende a fiscalização colocar em risco.  Diga­se,  bolsas  essas  concedidas  estritamente  sob  as  regras  da  lei  11.096/2005,  que  instituiu  o  programa  de  distribuição  de  bolsas  de  estudo  em  instituições  privadas  de  ensino  superior.  Ressalte­se  que  esses beneficiários são encaminhados diretamente pelo MEC, cabendo  à instituição de ensino efetivar sua matrícula no curso indicado.    (vii)  Da  Novel  Legislação  ­  Do  efeito  vinculante  da  renovação  do  CEBAS pela MP n° 446/2008   Relativamente  ao  período  autuado  pelo  presente  DEBCAD  (2006  e  2007)  a  Recorrente  teve  sua  certificação  renovada  pelos  Processos  CNAS  n°  71010.003020/2003  (triênio  2004/2005/2006)  e  Processo  CNAS n° 71010.004516/2006 (triênio 2007/2008/2009).  A Medida Provisória 446 publicada no dia 10/11/2008, definiu novas  regras  acerca  dos  requisitos  a  serem  cumpridos  por  parte  das  instituições  beneficentes.  Cumpre  asseverar  quanto  à  aludida  legislação, o que prevêem os artigos 37 a 39.  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 489          9 Com  efeito.  Através  do  estipulado  nos  comandos  acima  transcritos,  operou­se  a  renovação  dos  certificados  da  Recorrente  acima  elencados.  Pretende  então  a  fiscalização  sobrepujar  a  competência  exclusiva  à  época do CNAS, relativamente à renovação do CEBAS.  Durante  a  vigência  de  seus  efeitos,  foram  editadas  as Resoluções  do  CNAS, que regularam os artigos 37, 38 e 39 da MP 446/2008. Logo,  em razão da não edição de decreto legislativo previsto no art. 62, § 3  da  Constituição  Federal  de  1988,  os  atos  e  relações  jurídicos  praticados mantêm sua vigência, nos moldes do preconizado no § 11°  do  mesmo  permissivo  constitucional,  já  que  decorridos  60  dias  não  houve manifestação parlamentar.  Para  não  restar  dúvida  quanto  aos  efeitos  da  citada  MP,  cumpre  assinalar  que  o  próprio  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  ­  CNAS  formulou  consulta  sobre  os  procedimentos  após  a  rejeição  da  MP  446/2008  que  resultou  no  Parecer  n°  0192/2009  CJ/MDS,  que  concluiu  que  os  atos  praticados  na  vigência  da  MP  446/2008  produziram  efeitos,  restando  clara  a manutenção  do  deferimento  dos  Certificados por força das Resoluções emitidas pelo CNAS.  Ademais,  em  despacho  exarado  pelo  Sr.  Advogado  Geral  da  União  Interino  em  6  de  outubro  de  2009,  foi  emitida  a  Nota  DECOR/CGU/AGU  n°  180/2009­JGAS,  devidamente  homologada,  a  qual dispõe em resposta à Consulta sobre os efeitos da MPV n° 446/08,  formulada pelo Ministro da Previdência Social e Consultoria Jurídica  do Ministério  da  Previdência  Social,  convalidando  os  procedimentos  adotados em decorrência da vigência da referida MP e seus efeitos.    (viii) Da edição da Lei 12.101/2009   Com efeito. Se pretendesse analisar o direito à  isenção pela égide da  Lei 12.101 em 27/11/2009, a fiscalização da Receita Federal do Brasil  deveria ater­se a seu art. 29 que a entidade beneficente certificada fará  jus a isenção:  Art.  29.  A  entidade  beneficente  certificada  na  forma  do  Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições  de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho  de  1991,  desde  que  atenda,  cumulativamente,  aos  seguintes  requisitos:  I  ­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração,  vantagens  ou  benefícios,  direta  ou  indiretamente,  por  qualquer  forma  ou  título,  em  razão  das  competências,  funções  ou  atividades  que  lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos;  II  ­  aplique  suas  rendas,  seus  recursos  e  eventual  superávit  integralmente  no  território  nacional,  na  manutenção  e  desenvolvimento de seus objetivos institucionais;  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 490          10 III ­ apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito  de  negativa  de  débitos  relativos  aos  tributos  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  e  certificado  de  regularidade  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  ­  FGTS;  IV  ­  mantenha  escrituração  contábil  regular  que  registre  as  receitas  e  despesas,  bem  como a  aplicação  em gratuidade  de  forma segregada, em consonância com as normas emanadas do  Conselho Federal de Contabilidade;  V  ­  não  distribua  resultados,  dividendos,  bonificações,  participações  ou  parcelas  do  seu  patrimônio,  sob  qualquer  forma ou pretexto;  VI  ­  conserve  em  boa  ordem,  pelo  prazo  de  10  (dez)  anos,  contado da data da emissão, os documentos que comprovem a  origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou  operações  realizados  que  impliquem modificação  da  situação  patrimonial;  VII  ­  cumpra  as  obrigações  acessórias  estabelecidas  na  legislação tributária;  VIII  ­  apresente  as  demonstrações  contábeis  e  financeiras  devidamente  auditadas  por  auditor  independente  legalmente  habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a  receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela  Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006.  Assim,  em  razão  do Recorrente  possuir  o  certificado  vigente  relativo  aos  períodos  fiscalizados,  logo  com  aplicação  do  art.  29  da  Lei  12.101/2009 vemos que resta flagrante a isenção, sendo insubsistente o  presente auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente, uma vez  cumpridos todos os requisitos previstos nos incisos do comando legal,  fato  este  inequívoco,  haja  vista  a  fiscalização  ter  se  encerrado  sem  questioná­los.    (ix) Do atendimento dos requisitos para a isenção  Cumpre  salientar  que  o  Recorrente  não  só  teve  seu  certificado  renovado conforme acima citado, como assim o mantém por  força do  artigo 24, §2° da lei 12.101/2009.  Não bastasse tal argumentação, a fiscalização quando encerrada, não  definiu  a  fundamentação  legal  para  a  penalidade,  quais  seriam,  a  norma infraconstitucional revogada (artigo 55 da lei n° 8212/91) e/ou  (???)  o  artigo  29  da  lei  12.101/2009,  em  total  desalinhamento  à  legislação que regula o processo administrativo no âmbito fiscal.  Assim  em  razão  de  todo  o  exposto  não  pairam  dúvidas  quanto  a  natureza  educacional  beneficente  do  Recorrente,  seja  sob  a  ótica  do  cumprimento  da  antiga  legislação  (art.  55  da  Lei  8212/91),  seja  em  face  da  novel  legislação  (MP  446/2009  e  Lei  12.101/2009),  seja  em  razão da adesão ao PROUNI, que se traduzem na isenção (imunidade)  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 491          11 a que faz jus o mesmo, demonstrando assim a insubsistência do auto de  infração e também do v. acórdão recorrido.  Conforme  se  depreende  da  vasta  documentação  apresentada,  a  Recorrente  faz  prova  do  cumprimento  cumulativo  dos  requisitos  previstos  no  artigo  55  da  lei  n°  8212/91  bem  como  da  novel  Legislação ­ Lei 12.101/2009.        Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.      É o Relatório.      Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 492          12     VOTO    Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator     PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos  autos.    Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares.      DAS QUESTÕES PRELIMINARES.  Trata­se de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 12­38.420 ­ 13ª  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II ­ RJ, que  julgou procedente o lançamento de obrigação tributária principal AIOP nº 37.318.926­5, com  valor consolidado inicial de R$ 20.344,11.  O  Relatório  Fiscal  informa  que,  em  relação  à  obrigação  principal,  foram  apurados os créditos relativos à quota patronal incidente sobre o total das remunerações pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  titulo,  no  decorrer  do  mês,  aos  Segurados  Empregados  e  também destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência  de  Incapacidade  Laborativa  decorrentes  dos  Riscos  Ambientais  do  Trabalho  ­  GIILRAT,  apuradas na matricula CEI n° 45.410.00759/77, no período 09/2007 a 12/2007.    Conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  2.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  44/60,  as  bases  de  cálculo  utilizadas  representam  as  parcelas  integrantes  do  salário­de­ contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas  de  pagamento  do  período  de  apuração,  bem  como  informadas  em  GFIP.  3.  Informa  o  autor  do  lançamento  que  a  autuada,  no  período  fiscalizado,  enquadrou­se  como  entidade  isenta  da  contribuição  previdenciária  correspondente  à  Cota  patronal  —  FPAS  639  ­,  conforme informações prestadas em GFIP.  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 493          13 4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência  social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes  de  que  trata  o  art.  206,  §§2°  e  3°  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/99,  refletindo­se  em  inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91.  5.  Nesse  passo,  foi  solicitado  à  entidade,  através  do  Termo  de  Intimação  n°  02,  qual  o  critério  utilizado  na  concessão  de  bolsas  de  estudos,  sendo  que  a  resposta  encontra­se  anexada aos  autos,  às  fls.  72,  na qual a  interessada  informa adotar  critério  sócio­econômico, o  qual visa aferir a capacidade econômico­financeira do requerente, bem  como realiza entrevistas com os interessados.  6.  Com  base  nas  informações  prestadas,  a  empresa  foi  novamente  intimada,  em TIF datado de 23/12/2010, a  fim de que apresentasse o  critério  e  a  documentação  comprobatória  da  capacidade  econômico­ financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de  cada  entrevistado.  Porém,  a  empresa  não  apresentou  as  fichas  financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que  os  alunos  se  enquadravam  na  situação  de  pessoas  carentes,  assim  como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados.  7.  Dentre  os  fatos  verificados  no  curso  da  ação  fiscal,  destaca  a  concessão  de  bolsas  com  inobservância  do  critério  de  carência  e  necessidade,  concessão  de  bolsas  por  força  de  acordo  ou  convenção  coletiva, concessão de bolsas a  filhos de funcionários e concessão de  bolsas ou descontos a alunos irmãos.  8.  Assevera  o  autuante  que  o  presente  lançamento  segue  as  regras  procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009.    Por um lado, a Auditoria­Fiscal, no Relatório Fiscal às fls. 50, menciona que a  utilização da Lei 12.101/2009 deve ser aplicada apenas para períodos posteriores à entrada em  vigor desta Lei:  1. A  Lei  12.101,  de  27  de  novembro  de  2009  (DOU  de  30/11/2009),  revogou o art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo novos requisitos para  o gozo da isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social. No  que concerne à observância dos novos requisitos estabelecidos pela Lei  12.101/09,  a  sua  eficácia  deve  ser  verificada  apenas  a  partir  da  entrada  em  vigor  da  referida  Lei.  No  período  anterior,  deve  ser  aplicada a Legislação então vigente.  Outrossim, por outro  lado, verifica­se que a Auditoria­Fiscal expressamente se  refere  à  aplicação  dos  procedimentos  da  Lei  12.101/2009  para  fatos  geradores  ocorridos  de  09/2007 a 12/2007, conforme se depreende do Relatório Fiscal às fls. 53:  II. Dessa forma, de acordo com o procedimento estabelecido pela Lei  12.101/2009,  está  sendo  lançado  o  crédito  previdenciário  correspondente à Cota Patronal — considerando as Bases de Cálculo  declaradas  em  GFIP  (e  Verificadas  nas  Folhas  de  pagamento)  providenciada  a  devida  notificação  ao  Ministério  da  Educação  e  Cultura — MEC e ao Ministério Público Federal — MPF. Tendo vista  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 494          14 a  mesma  ter  descumprido  os  requisitos  do  art.  55,  da  Lei  8212/91,  conforme  discriminados  no  item  II  —  Lei  8.212/91  (fls.  3  e  4  deste  Relatório Fiscal).  No mesmo sentido, a Auditoria­Fiscal no Relatório Termo de Encerramento do  Procedimento  Fiscal  ­  TEPF  também  fundamenta  a  utilização  do  procedimento  da  Lei  12.101/2009:  9.  Considerando  os  fatos  verificados  no  curso  da  presente  Auditoria  Fiscal,  ficou  comprovado  que  a  Fundação  gozou  do  beneficio  de  isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social sem a devida  observância  dos  preceitos  Legais  para  a  sua  regularidade.  Dessa  forma,  de  acordo  com  o  procedimento  estabelecido  pela  Lei  12.101/2009,  está  sendo  lançado  o  crédito  previdenciário  correspondente à Cota Patronal  ­ considerando as Bases de Cálculo  declaradas  em  GFIP  ­  e  providenciada  a  devida  notificação  ao  Ministério  da  Educação  e  Cultura  ­  MEC  e  ao Ministério  Público  Federal ­MPF. Cumpre ressaltar que a empresa autuada foi intimada  através  do Termo de  Intimação Fiscal  ­  TIF  ,  datada  de  23/12/2010,  para  que  efetuasse  a  devida  correção do  código FPAS declarado  em  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  e  Informações  à  Previdência Social.  10. 0 contribuinte autuado informou em GFIP ­ Guia de Recolhimento  do FGTS e Informação à Previdência Social, de forma sistemática, no  período  fiscalizado,  o  "Código  FPAS  639",  declarando  de  forma  incorreta a contribuição devida. Dessa forma, houve apresentação do  referido documento com informação inexata.  10.1  A  situação  descrita,  EM  TESE,  configura  CRIME  CONTRA  A  ORDEM TRIBUTARIA, previsto no Inciso II, do artigo 1° da Lei 8.137,  de  27/12/1990.  Em  conseqüência,  será  este  fato  objeto  de  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS  ­  RFFP,  com  comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis.  10.2. Encaminhada  Representação  Administrativa  ao Ministério  da  Educação e Cultura ­ MEC, conforme procedimento estabelecido pela  Lei 12.101/09.  A  controvérsia  está  centrada  na  questão  do  fundamento  legal  adotado  para  o  procedimento  de  fiscalização  pois,  por  um  lado,  foi  considerada  pela  Auditoria­Fiscal  a  utilização do procedimento formal previsto na Lei 12.101/2009 com a utilização dos requisitos  materiais  do  art.  55,  Lei  8.212/1991,  por  outro  lado,  a  Recorrente  aduz  pela  nulidade  do  procedimento  fiscal  posto  que  o  mesmo  deveria  ser  totalmente  alcançado  pela  legislação  vigente à época dos fatos geradores, no caso a Lei 8.212/1991.  Deve­se  observar  que  o  período  do  débito,  conforme  o  Relatório  Discriminativo de Débitos ­ DD é de 09/2007 a 12/2007, sendo que a Recorrente teve ciência  das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01.  Ora,  a  Lei  12.101,  de  27.11.2009  entrou  em  vigor  na  data  de  sua  publicação,  conforme se depreende de seu art. 45, tendo revogado o art. 55 da Lei 8.212/1991:  Art. 44. Revogam­se:  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 495          15 I ­ o art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991;  (...)  Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.  Desta  forma,  é  certo  que  no  período  objeto  da  autuação  fiscal,  09/2007  a  12/2007,  estava  em  vigor  o  art.  55,  Lei  8.212/1991,  enquanto  que  apenas  em  27.11.2009  ocorreu a vigência e a produção de efeitos da Lei 12.101/2009.  Para  este  caso  concreto,  a  fim  de  subsidiar  a  decisão  a  ser  proferida  por  esta  Colenda Turma de Julgamento, exsurge uma Preliminar de nulidade reiterada pela Recorrente,  em  que  pese  ter  sido  afastada  pela  decisão  de  primeira  instância,  que  é  a  da  aplicação  do  procedimento  veiculado  pela Lei  12.101/2009 para  fatos  geradores  ocorridos muito  antes  de  sua vigência.  Este  ponto  deve  ser  diligenciado  para  a  correta  aferição  de  em  que medida  a  utilização  do  procedimento  formal  trazido  pela  Lei  12.101/2009,  em  conjunto  com  os  requisitos materiais  do  art.  55,  Lei  8.212/1991,  para  fatos  geradores  ocorridos  de  09/2007  a  12/2007, implicou em um possível resultado do procedimento fiscal diferente do que, por outro  lado,  seria  resultante  do  procedimento  fiscal  que  aplicasse  apenas  os  dispositivos  da  Lei  8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer dispositivo da Lei 12.101/2009.      DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL     Desta  forma,  considerando­se  os  princípios  da  celeridade,  efetividade  e  segurança  jurídica,  surge  a  prejudicial  de  se  determinar,  para  o  presente  processo,  qual  o  impacto  no  resultado  do  procedimento  fiscal  caso  a  Auditoria­Fiscal  não  utilizasse  os  procedimentos da Lei 12.101/2009, ou seja, fizesse apenas a utilização da legislação em vigor à  época dos fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007.      CONCLUSÃO    CONVERTER o  presente processo  em DILIGÊNCIA  para  que  a Unidade  da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe:  (i)  em  que  medida  a  utilização  apenas  da  legislação  em  vigor,  nos  aspectos  materiais e formais, à época dos fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007, obviamente  excluindo­se a utilização da Lei 12.101/2009, alteraria o resultado do procedimento fiscal.  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/2010­53  Resolução nº  2403­000.237  S2­C4T3  Fl. 496          16 (ii)  se  com  a  utilização  apenas  da  legislação  em  vigor  à  época  dos  fatos  geradores, ocorridos de 09/2007 a 12/2007, o sujeito passivo manteria, ou não, a condição de  entidade isenta de contribuições previdenciárias e quais os motivos para tal.  (iii)  se  com  a  utilização  apenas  da  legislação  em  vigor  à  época  dos  fatos  geradores, ocorridos de 09/2007 a 12/2007, em caso de descumprimento pelo sujeito passivo  de requisito(s) do art. 55, Lei 8.212/1991, qual seria o motivo para tal ou tais.  (iv)  para  o  período  objeto  da  autuação  fiscal,  de  09/2007  a  12/2007,  comparando­se  os  procedimentos  formais  adotados  pela Auditoria­Fiscal,  com  fulcro  na  Lei  12.101/2009,  com os procedimentos  formais da Lei 8.212/1991, qual  seria o  impacto para o  resultado  da  ação  fiscal  caso  a  Auditoria­Fiscal  adotasse  os  procedimentos  formais  da  Lei  8.212/1991.  (v)  em  que  medida  a  utilização  do  procedimento  formal  trazido  pela  Lei  12.101/2009,  em conjunto  com os  requisitos materiais do  art.  55, Lei 8.212/1991, para  fatos  geradores  ocorridos  de  09/2007  a  12/2007,  implicou  em  um  possível  resultado  do  procedimento  fiscal  diferente  do  que,  por  outro  lado,  seria  resultante  do  procedimento  fiscal  que aplicasse apenas os dispositivos da Lei 8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer  dispositivo da Lei 12.101/2009.        É como voto.      Paulo Maurício Pinheiro Monteiro     Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10580.725754/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.520,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, deve-se observar o princípio da boa-fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante trata-se de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá-las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
Nome do relator: Não se aplica

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Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, deve-se observar o princípio da boa-fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante trata-se de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá-las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/2009­92  Resolução nº  2201­000.162  S2­C2T1  Fl. 3          2 Conforme  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  constantes  no  auto  de  infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação  indevida  de  rendimentos  tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  como  sendo  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis. Os  rendimentos  foram  recebidos  do Ministério  Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta  e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da  Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.  As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de Cruzeiro Real  para  URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda,  sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  Na  apuração  do  imposto  devido  não  foram  consideradas  as  diferenças  salariais  que  tinham  como  origem  o  décimo  terceiro  salário,  por  estarem  sujeitas  à  tributação  exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento  ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006,  que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do  Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer  PGFN/CRJ nº  287/2009,  que  dispõe  sobre  a  forma de  apuração  do  imposto  de  renda  incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  e  apresentou  impugnação,  alegando, em síntese, que:  a)  o  lançamento  fiscal  teve  como  objeto  verbas  recebidas  pelo  impugnante  a  título  de  diferenças  de URV,  que  não  representaram  qualquer  acréscimo  patrimonial,  mas  sim  o  ressarcimento  por  erro  cometido  pela  fonte  pagadora  no  cálculo  da  remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001;  b)  o  referido  erro  ocorreu no  procedimento  de  conversão  de  cruzeiro  real  para  URV  a  que  eram  submetidos  os  salários  pagos  aos  membros  do Ministério  Público  Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando  as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória  da URV;  c)  o  acordo  para  o  pagamento  das  diferenças  de  URV  se  deu  através  da  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  08  de  setembro  de  2003,  tendo  o  impugnante  recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006;  d)  a  referida  diferença  consistiu  apenas  em  correção  do  capital,  ou  seja,  recomposição  de  quantias  que  deveriam  integrar  a  remuneração  ao  longo  do  tempo  passado.  Não  correspondeu  a  qualquer  permuta  do  trabalho/serviço  por  moeda  que  configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não  ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o  entendimento  doutrinário  e  jurisprudencial,  que  veda  a  tributação  da  correção  monetária;  e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte,  apenas  lhe  torna  indene  das  perdas  inflacionárias,  portanto,  não  integra  a  base  de  cálculo do imposto de renda;  f)  havia  um  evidente  caráter  compensatório  da  URV  desde  sua  gênese,  e  as  diferenças  recebidas  representaram uma  reparação por danos,  tendo clara natureza de  indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial,  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/2009­92  Resolução nº  2201­000.162  S2­C2T1  Fl. 4          3 a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza,  previstos no art. 43 do CTN;  g)  o  STF,  através  da  Resolução  nº  245,  de  2002,  deixou  claro  que  o  abono  conferido  aos  magistrados  federais  em  razão  das  diferenças  de  URV  tem  natureza  indenizatória,  e  que  por  esse  motivo  está  isento  da  contribuição  previdenciária  e  do  imposto de renda;  h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva  e  legítima a  equiparação do  tema por  analogia  às verbas  recebidas pelos magistrados  estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas  verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral,  mas,  também,  no  que  tange  a  tratamento  diferenciado  entre  membros  do Ministério  Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150  da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se  encontrem em situação equivalente;  i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art.  3º  da  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  2003,  a  natureza  indenizatória  da  verba  paga.  Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos  beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória;  j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a  fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca  da  classificação  dos  rendimentos  pagos  deveria  ser  travada  entre  o  fisco  federal  e  a  fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte  pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal,  inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ;  l)  de  forma  transversa  o  Estado  Membro  devedor  da  obrigação  mensal  de  retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais  imposto;  conseqüentemente  o Estado  se  beneficia  com  os  acréscimos  que  sua  inação  causou. Assim, ao  lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade  contributiva do signatário;   m)  o  impugnante  não  agiu  com  intuito  de  fraude,  simulação  ou  conluio,  simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas  declarações  de  rendimentos  relativas  aos  períodos  bases  de  2004  a  2006  as  parcelas  recebidas  como  isentas  de  tributação.  Isto  posto, mantida  a  exigência  fiscal,  deve­se  observar  o  princípio  da  boa­fé,  da  qual  estava  imbuído  o  impugnante,  e  afastar  a  exigência da multa de ofício e juros de mora;  n)  a  informação  prestada  pela  fonte  pagadora  estava  fundamentada  na  Lei  Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória  das  diferenças  de  URV.  Portanto,  os  valores  declarados  pelo  impugnante  trata­se  de  informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se  enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo  único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora;  o)  o  lançamento  fiscal  tributou  isoladamente  os  rendimentos  apontados  como  omitidos, deixando de  considerar os  rendimentos  e deduções  já declarados,  conforme  determina  o  art.  837  do  RIR/1999.  Caso  fosse  mantida  a  tributação  das  verbas  recebidas,  caberia  sujeitá­las  ao  ajuste  anual,  o que  resultaria  em um  imposto  devido  menor;  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/2009­92  Resolução nº  2201­000.162  S2­C2T1  Fl. 5          4 p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de  25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal;  q)  parte  dos  valores  recebidos  a  título  de URV  se  referia  à  correção  incidente  sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas  à  tributação  exclusiva  e  isentas,  conseqüentemente,  mesmo  que  prevalecesse  o  entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da  base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal;  r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um  indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora  têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque  não  se  constituíram  em  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  produto  do  trabalho  remunerado pelo Estado da Bahia.  A  3ª  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA  julgou  procedente  o  lançamento,  consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.  As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado  da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de  setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.  MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO.  A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o  tributo  não recolhido independe da intenção do contribuinte.  Impugnação  Procedente  Crédito  Tributário  Mantido  Intimado  da  decisão  de  primeira  instância,  Railda  Rodrigues  Suzart  apresenta  tempestivamente  Recurso  Voluntário,  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.  É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    Cuidam  os  presentes  autos  de  lançamento  originário  de  verbas  recebidas  do  Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia  a  título  de  “Valores  Indenizatórios  de  URV”,  no  período  de  janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  em  decorrência  da  Lei  Complementar  do  Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.   A matéria dos autos  foi objeto de  intensos debates nesta Turma Julgadora que  posicionou  no  sentido  de  que,  ainda  que  os  cálculos  tenham  sido  efetuados  levando  em  consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, como  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/2009­92  Resolução nº  2201­000.162  S2­C2T1  Fl. 6          5 se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, deve­se necessariamente aplicar o art. 62­ A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº  256, de 22 de junho de 2009):  Art. 62­A. ­ As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes. (grifei)  Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 01, de 03 de janeiro de 2012, dispõe:  Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º.  Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE  nº  614406,  que  versa  exatamente  sobre  a  forma  de  cálculo  do  imposto  objeto  dos  presentes  autos,  determinou  o  sobrestamento  dos  demais  feitos  que  versem  sobre  o mesmo  tema,  nos  termos do artigo 543­B do CPC, verbis:  RE  614406  AgR­QO­RG  /  RS  ­  RIO  GRANDE  DO  SUL  REPERCUSSÃO  GERAL  NA  QUESTÃO  DE  ORDEM  NO  AG.REG.  NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE  ­ Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe­043 DIVULG 03­03­2011  PUBLIC 04­03­2011 EMENT VOL­02476­01 PP­00258 LEXSTF v. 33,  n. 388, 2011, p. 395­414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL.  1.  A  questão  relativa  ao  modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados ­  se por  regime de caixa ou de competência ­ vinha sendo considerada  por esta Corte como matéria infraconstitucional,  tendo sido negada a  sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com  fundamento no art. 102,  III, b, da Constituição Federal,  em razão do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88 por Tribunal Regional Federal,  constitui  circunstância nova  suficiente  para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  da  matéria.  3.  Reconhecida  a  relevância  jurídica  da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários da  isonomia e da uniformidade geográfica.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/2009­92  Resolução nº  2201­000.162  S2­C2T1  Fl. 7          6 extraordinário  com suporte  no  entendimento  anterior  desta Corte;  b)  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional;  e  c)  determinar  o  sobrestamento,  na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos termos do art. 543­B, § 1º, do CPC.  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  objeto  do  recurso  e  reformou  a  decisão  de  inadmissibilidade  do  extraordinário.  Votou  o  Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei)  Ante  a  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  sobrestar  os  autos  até  decisão  definitiva do STF.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10940.720266/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 440          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.   Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 22/09/2014    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alice Grecchi,  José  Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de  Azeredo Ferreira Pagetti.      Relatório  Contra  HAMILTON  MARCIANO  CAPEL  foi  lavrado  Auto  de  Infração,  fls. 268/335,  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF),  relativa  aos  anos­calendário  2007  e  2008,  exercícios  2008  e  2009,  no  valor  total  de  R$ 2.718.128,86,  incluindo  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  estes  últimos  calculados  até  31/05/2011.  A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no  Relatório de Fiscalização, fls. 268/335, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos  bancários com origem não comprovada.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls.339/362, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância,  conforme Acórdão DRJ/CTA nº 06­33.682, de 23/09/2011, fls. 380/399, cujas ementas estão a  seguir transcritas:  NULIDADE.  ERRO NA  INDICAÇÃO DO  SUJEITO  PASSIVO.  INOCORRÊNCIA.  A caracterização da pessoa física como pessoa jurídica para fins  de  tributação pelo  imposto  de  renda  somente  se admite  quanto  ao exercício de atividade civil ou comercial regular pelo sujeito  passivo,  não  podendo  vir  se  constituir  em  benefício  àquele  flagrado no exercício irregular de atividade financeira.  Fl. 440DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 441          3 DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Verificada  a  condição  fixada  pela  lei  para  incidência  da  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos,  não  cabe  à  Fiscalização  se  aprofundar  na  demonstração  da  ocorrência  de  acréscimo patrimonial pela inversão do ônus da prova.  ÔNUS. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.  As  alegações  trazidas  ao  autos  desacompanhadas  das  respectivas provas hábeis e idôneas não tem força para afastar a  presunção legal relativa que inverte o ônus de provar a origem  dos  recursos  que  transitaram  pelas  contas  correntes  bancárias  do sujeito passivo.  Cientificado  da  referida  decisão  em  13/10/2011,  fls.  402,  o  contribuinte  apresentou recurso voluntário, fls. 404/433, em 01/11/2011, trazendo as seguintes alegações:  Nulidade  do  lançamento.  Erro  na  identificação  do  sujeito  passivo  –  Os  valores  creditados  nas  contas  bancárias  do  contribuinte  são  decorrentes  da  atividade  de  empréstimos de valores, exercida de forma habitual. Durante o procedimento fiscal,  o contribuinte apresentou documentos comprobatórios das transferências realizadas  para a empresa Smellgas Comércio e Distribuidora Ltda, no valor de R$ 2.000,00,  em  17/07/2008  e  no  valor  de  R$ 5.000,00  em  23/07/2008.  Tais  cheques  foram  entregues ao contribuinte em pagamento aos empréstimos realizados e comprovam a  operação  realizada  pelo  recorrente. Verifica­se,  ainda,  na movimentação  da  conta  corrente  do  contribuinte  inúmeras  operações  de  custódia  de  cheques  (cheques  de  terceiros  depositados).  Tal  movimentação  confirma  que  o  contribuinte  realmente  exercia  a  habitual  atividade  de  empréstimo  de  dinheiro,  conforme  se  verifica  às  fls. 33  do Auto  de  Infração,  itens  184/186,  213/221,  etc. Logo,  a  pessoa  física  do  contribuinte  deveria  ter  sido  equiparada  à  pessoa  jurídica  para  fins  de  tributação,  conforme disposto no art. 150,  II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –  Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999).  Requisição de movimentação Financeira – RMF. Inviolabilidade do sigilo bancário.  Prova  ilícita.  Nulidade  –  A  quebra  do  sigilo  bancário  só  é  permitida  quando  precedida de autorização judicial e para o fim específico de investigação criminal ou  instrução  processual  penal.  A  Lei  Complementar  nº  105,  de  2001,  padece  de  inegável inconstitucionalidade. Logo, os extratos bancários, obtidos pela autoridade  fiscal, mediante emissão de RMF, são provas ilícitas.  Nulidade  do  lançamento  pela  impossibilidade  de  admitir­se,  sumariamente,  depósitos  bancários  como  renda  – Depósitos  bancários,  por  si  sós,  não  podem  ser  presumidos como renda. São, na verdade, meros indícios. É imprescindível que seja  comprovada  a  utilização  dos  valores  depositados  como  renda  consumida,  evidenciando sinais exteriores de riqueza.  Depósitos em dinheiro. Disponibilidade própria. Impossibilidade de tributação. – O  contribuinte  constituiu  reservas  financeiras  próprias,  devidamente  tributadas  e  declaradas nas DIRPF dos anos­calendário 2003 e 2006. Possuidor de tais reservas,  efetuou  depósitos  em  espécie  em  suas  contas  correntes.  Vários  destes  depósitos  foram  utilizados  como  base  de  cálculo,  como  se  renda  nova  fossem.  É  o  que  se  verifica, por exemplo, nos itens 26 e 41 das fls. 30, item 104 das fls. 04 e itens 205 e  225 das fls. 33.  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 442          4 Impossibilidade de presunção de renda pela não ocorrência de acréscimo patrimonial  correspondente.  Demonstração  –  Conforme  planilha  apresentada  pelo  recorrente,  quando do procedimento fiscal, verifica­se que a diferença entre as entradas e saídas  das  contas  correntes  demonstram  a  não  ocorrência  de  acréscimo  patrimonial.  Portanto, o Auto de Infração, por ter sido efetuado sem qualquer prova concreta de  acréscimo patrimonial não declarado, deve ser plenamente anulado.  Conforme Resolução, de 19/11/2013,  fls. 435/438, o  julgamento do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  contribuinte  foi  sobrestado  em  razão  do  disposto  no  art.  62­A,  caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado  pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, razão porque retoma­se o julgamento do  recurso voluntário.  É o Relatório.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 443          5   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Cuida­se de lançamento que  imputou a  infração de omissão de rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  e  em  sede  preliminar  o  contribuinte suscita a nulidade do lançamento, por uso de prova ilícita.  Nesse  sentido,  afirma  o  recorrente  que  a  quebra  do  sigilo  bancário  só  é  permitida  quando  precedida  de  autorização  judicial  e  para  o  fim  específico  de  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal  e  que  a  Lei  Complementar  nº  105,  10  de  janeiro  de  2001,  padece  de  inegável  inconstitucionalidade.  Assim,  entende  que  os  extratos  bancários,  obtidos  pela  autoridade  fiscal,  mediante  emissão  de  Requisição  de  Informação  sobre  Movimentação Financeira (RMF), são provas ilícitas.  Ocorre  que  a  utilização  dos  dados  da  Contribuição  Provisória  da  Movimentação Financeira (CPMF), bem como a utilização de extratos bancários, obtidos junto  às  instituições  financeiras,  nas  quais  o  contribuinte  possuía  movimentação  financeira,  nos  exercícios sob fiscalização, se fez com supedâneo no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de  outubro  de  1996,  alterado  pela  Lei  n°  10.174,  de  9  de  janeiro  de  2001  e  no  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentado  pelo  Decreto  nº  3.724,  da  mesma data.  Não  se  vislumbra,  portanto,  qualquer  irregularidade  no  ato  administrativo  adotado, mas  em um procedimento  legal,  que objetivou viabilizar  a  ação  fiscal  e que  estava  devidamente amparado pela legislação em vigor.  Por outro  lado,  importa dizer que não há previsão expressa na Constituição  Federal  quanto  ao  sigilo  bancário,  advindo  tal  tese  da  interpretação  doutrinária  e  jurisprudencial  dada  à  matéria.  Uma  vez  existente  o  comando  expresso,  em  lei  ordinária  e  complementar,  autorizando  o  exame  de  informações  bancárias,  deve  ser  acatado  e  utilizado  pelo  Fisco,  pois  não  cabe  aos  agentes  públicos,  questionarem  a  constitucionalidade  da  lei  vigente  mediante  juízos  subjetivos,  dado  o  Princípio  da  Legalidade  que  vincula  a  atividade  administrativa.  Cite­se, por oportuno, a Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, cujo enunciado  registra o entendimento de que este colegiado está impedido de examinar a constitucionalidade  de leis tributárias:  Súmula  CARF  nº  2  –  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Nestes  termos,  afasta­se  a  alegação  de  nulidade  do  lançamento,  por  uso  de  prova ilícita suscitada pela defesa.  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 444          6 As  demais  alegações  de  nulidade  suscitadas  pela  defesa  serão  apreciadas  juntamente com as questões de mérito da matéria, dado que interligadas e dependentes entre si.  O Auto de Infração foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção  legal de omissão  de  rendimentos que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil  e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento.  Logo,  alegações  tais  como:  depósitos  bancários,  por  si  sós,  não  podem  ser  presumidos  como  renda  e  impossibilidade  de  presunção  de  renda  dada  a  inexistência  de  acréscimo patrimonial não podem prevalecer.  No caso, a ocorrência do fato gerador decorre da presunção legal estabelecida  no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem  não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de  rendimentos à tributação.  Ao fazer uso de uma presunção  legalmente estabelecida, a autoridade fiscal  fica  dispensada  de  provar  o  fato  alegado,  qual  seja  omissão  de  rendimentos,  cabendo  ao  contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu.  Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1,  de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos depósitos bancários sem origem comprovada.  Súmula CARF Nº 26 ­ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  A  título  de  esclarecimento  deve­se  dizer  que  a  jurisprudência  judicial  e  administrativa trazida pela defesa no recurso, cuida de lançamentos, cujos fatos geradores são  anteriores à vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplicando, portanto, ao caso  aqui sob exame.  No  que  concerne  à  comprovação  da  origem  dos  recursos,  o  contribuinte  afirma  tratar­se  de  valores  decorrentes  da  atividade  de  empréstimos,  exercida  de  forma  habitual.  Nesse  sentido,  diz  que,  durante  o  procedimento  fiscal,  apresentou  documentos  comprobatórios  das  transferências  realizadas  para  a  empresa  Smellgas  Comércio  e  Distribuidora Ltda e acrescenta que na movimentação da conta corrente verifica­se a existência  de inúmeras operações de custódia de cheques (cheques de terceiros depositados).  Quanto  aos  cheques  emitidos  pela  empresa  Smellgas  Comércio  e  Distribuidora  Ltda  tem­se  que  em  nada  socorrem  o  contribuinte  na  comprovação  de  sua  alegação,  posto  que  os  cheques,  por  si  sós,  não  demonstram  de  forma  inequívoca  que  o  recorrente  tenha  concedido  empréstimo  à  referida  empresa.  E mais,  cuida­se  de  apenas  dois  cheques, nos valores de R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00, com datas do ano de 2008, ao passo que  neste ano­calendário os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente com origem não  comprovada alcançam o somatório de R$ 2.898.639,10.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 445          7 Da  mesma  forma,  não  pode  ser  tomado  como  prova  da  atividade  de  concessão de empréstimos o fato de a movimentação das contas bancárias mantidas em nome  do  recorrente  espelhar  uma  quantia  enorme  de  depósitos  em  cheque.  Tal  fato  pode,  quando  muito, ser um indício da veracidade da alegação do recorrente, mas isoladamente nada atesta.  Assim, considerando­se que não restou demonstrado nos autos que a origem  dos créditos efetivados nas contas­correntes do  contribuinte seja a atividade de concessão de  empréstimos, não há que se falar em aplicação do disposto no art. 150, inciso II, do Decreto nº  3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Ou seja, o  contribuinte  não  demonstrou  que  os  créditos  bancários,  objeto  do  lançamento,  tenham  sua  origem na exploração habitual e profissional de qualquer atividade econômica de natureza civil  ou profissional que pudesse ensejar a sua equiparação às pessoas jurídicas.  Nestes termos, rejeita­se também a alegação de nulidade do lançamento, por  erro na identificação do sujeito passivo, posto que não existe nos autos provas de que o titular  da  movimentação  financeira  em  questão  seja  decorrente  de  equiparação  de  pessoa  física  à  pessoa jurídica.  Por fim, deve­se apreciar a alegação do recorrente de que constituiu reservas  financeiras próprias, devidamente tributadas e declaradas nas DIRPF dos anos­calendário 2003  e 2006 e que possuidor de tais reservas, efetuou depósitos em espécie em suas contas correntes.  Muito embora o contribuinte de fato possuísse dinheiro em caixa registrado  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual  (DAA),  anos­calendário  2007  e  2008,  fls.  153/156  e  157/160, não existe prova nos autos de que os depósitos em dinheiro  tenham sido realizados  com os valores mantidos em caixa.  E mais,  das DAA verifica­se que o  contribuinte possuía dinheiro  em caixa,  nos  seguintes  montantes:  31/12/2006  –  R$ 163.600,00;  31/12/2007  ­  R$ 209.000,00  e  31/12/2008 – R$ 189.000,00. Como  se  vê,  de 2006 para  2007 o  valor  de dinheiro  em  caixa  chegou a aumentar e de 2007 para 2008 a diferença a menor é de apenas R$ 20.000,00. Logo,  não se sustenta a tese defendida pelo recorrente, dado que os depósitos em dinheiro efetivados  em suas contas bancárias em muito superam os valores aqui mencionados.  Concluindo,  tem­se  que  o  contribuinte  não  logrou  comprovar  a  origem dos  créditos  efetivados  em suas  contas bancárias,  durante os  anos­calendário 2007 e 2008,  razão  por que deve­se manter o lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por  depósitos bancários com origem não comprovada.  Ante  o  exposto,  voto  por  afastar  as  preliminares  e,  no  mérito,  NEGAR  provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                Fl. 445DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/2011­77  Acórdão n.º 2102­003.102  S2­C1T2  Fl. 446          8                 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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Numero do processo: 13855.003607/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. DESCABIMENTO. Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS. MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. PIS. CSLL. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE. Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal.
Numero da decisão: 1302-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em manter os tributos lançados; b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a qualificação da multa; vencidos quanto a esta matéria os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo; e c) por maioria, em não conhecer do recurso voluntário, no ponto relativo à responsabilidade solidária de Paulo de Oliveira Dias e Sandra Garcia de Oliveira Dias; vencido quanto a esta matéria o Conselheiro Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. DESCABIMENTO. Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS. MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. PIS. CSLL. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE. Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 309          1 308  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13855.003607/2008­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.421  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de junho de 2014  Matéria  Simples Federal  Recorrente  GARCIA & DIAS COMÉRCIO DE PEÇAS E TRANSPORTADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 2008  EXCLUSÃO  DO  ISS  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DOS  TRIBUTOS  LANÇADOS. DESCABIMENTO.  Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso  concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS.  MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS.  Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em  entregar  zerada  a  DIPJ,  mesmo  admitindo  que  auferiu  receita,  é  cabível  a  aplicação  da  multa  qualificada.  Tal  conduta  tem  claramente  o  intuito  de  ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.  SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE  INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.  A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não  possui  interesse  de  agir  nem  legitimidade  de  parte  para  questionar  a  responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as  quais  não  interpuseram  recurso  voluntário.  A  falta  de  interesse  de  agir  se  evidencia  porque,  qualquer  que  fosse  a  decisão  a  ser  tomada  acerca  dessa  matéria,  inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E,  por não  ter direitos ou  interesses passíveis de serem afetados pela decisão a  ser  adotada  quanto  a  esse  ponto,  não  se  qualifica  como parte  legítima,  não  podendo  pleitear  direito  alheio  em  nome  próprio.  Não  se  há,  portanto,  de  conhecer desse pedido.  PIS.  CSLL.  COFINS.  INSS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  LAVRADO  EM  PROCEDIMENTO DECORRENTE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 36 07 /2 00 8- 06 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 310          2 Auto  de  infração  lavrado  em  procedimento  decorrente  deve  ter  o  mesmo  destino do principal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado:  a) por unanimidade,  em manter os  tributos  lançados; b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para  manter a qualificação da multa; vencidos quanto a esta matéria os Conselheiros Marcio Frizzo,  Guilherme Pollastri e Hélio Araújo; e c) por maioria, em não conhecer do recurso voluntário,  no  ponto  relativo  à  responsabilidade  solidária  de Paulo  de Oliveira Dias  e Sandra Garcia de  Oliveira  Dias;  vencido  quanto  a  esta  matéria  o  Conselheiro Márcio  Frizzo.  Designado  para  redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.  (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior – Presidente  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo – Relator  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha – Redator Designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  Márcio  Rodrigo  Frizzo,  Guilherme  Pollastri  Gomes  da  Silva,  Eduardo  de  Andrade,  Hélio  Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário.  Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta divergência entre  as receitas que declaradas à RFB e escriturada pela Recorrente, fato que motivou a constituição  do  CSLL­Simples  (R$  1.472,49),  COFINS­Simples  (R$  4.417,47)  e  INSS­Simples  (R$  8.834,89) (fl. 04/05).  Em  resumo,  na  origem  do  presente  processo  administrativo,  o  AFRFB  convenceu­se  pela  ocorrência  dos  seguintes  fatos,  consoante  narra  o  Termo  de  Verificação  Fiscal (fl. 24/38):  (i) Que a Recorrente era optante do lucro presumido nos anos­calendários de  2004  a  2006,  tendo  optado  pelo  regime  do  Simples  Federal  no  primeiro  semestre de 2007;  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 311          3 (ii) Que em trabalhos administrativos, a RFB detectou divergências entre as  informações da DIRF e da DIPJ, razão pela qual foi expedido MPF, do qual a  Recorrente  teve  ciência  em  07/08/09,  através  do  Termo  de  Início  da  Fiscalização  (fls.  42/44).  Na  oportunidade,  foram  requiridos  diversos  documentos, os quais se encontram às fls. 46/203;   (iii)  Que  a  Recorrente  não  entregou  documentos  relativos  ao  período  de  set/06, out/06 e dez/06 relativamente aos  recebimentos da Usina Caeté S.A.  Assim,  a  Usina  Caeté  foi  intimada  a  apresentar  os  comprovantes  dos  pagamentos  realizados  (fls.  205/206),  os  quais  foram  apresentados  e  encontram­se juntados às fls. 207/214;  (iv) Que “foram apuradas diferenças da base de cálculo dos tributos federais  em função de receitas não declaradas por parte do sujeito passivo (...)”.  (iv) Que a Recorrente declarou e tributou corretamente as receitas apenas no  4º trimeste de 2005, sendo que nos demais declarou receita zero. Após optar  pelo regime dos Simples Federal (1º semestre de 2007), a Reocrrente também  declarou receita zero;  (v) O auto de infração que neste momento se analisa diz respeito unicamente  aos  créditos  inadimplidos  no  1º  semestre  de  2007.  Os  demais  créditos  inadimplidos são objeto do PAF 13855.003606/2008­53;  (vi) Foi aplicada a multa de 150%, pois estaria presente o evidente intuito de  fraude, consistente na reiterada declaração falsa das receitas recebidas.  (vii)  Os  sócios  Pedro  de  Oliveira  Dias  e  Sandra  Garcia  de  Oliveira  Dias  foram  declarados  como  responsáveis  (art.  135,  III,  e  art.  137,  II,  ambos  do  CTN, combinado com art. 2º,  inc.  I, da Lei n. 8.137/90), uma vez que (a) a  Recorrente  não  possuiria  qualquer  patrimônio,  (b)  os  sócios  possuem  patrimônio,  (c) a pessoa  jurídica recebeu mais de R$ 1 milhão em 4 anos e  (d) as declarações falsas são reiteradas  (viii) Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (fl. 204 e ss).  Encerrada  a  fiscalização,  foi  dado  ciência  do  auto  de  infração à Recorrente  (pessoa jurídica) em 14/11/2008 (sexta­feira) (fl. 37). Na mesma oportunidade, os sócios foram  intimados pessoalmente sobre sua responsabilidade (fl. 37).   Na  sequência,  apenas  a  empresa  apresentou  impugnação  em  16/12/2008  (terça­feira)  (fl.  219),  a  qual  foi  julgada  totalmente  improcedente,  nos  termos  da  ementa  do  acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue  transcrita (fl. 248):  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 2007  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 312          4 RECOLHIMENTO.  INEXISTÊNCIA.  As  pessoas  jurídicas  optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na  receita  bruta,  na  forma  disciplinada  na  Lei  n°  9.317/96  e  legislação  superveniente. Cobram­se  através  de  lançamento de  oficio as importâncias correspondentes a receita bruta apurada  em procedimento de auditoria e não informada à administração  tributária.  CSLL.  PIS.  COFINS.  INSS.  AUTO DE  INFRAÇÃO LAVRADO  EM  PROCEDIMENTO  DECORRENTE.  Auto  de  infração  lavrado em procedimento decorrente deve  ter o mesmo destino  do principal, pela existência de relação de causa­e­efeito entre  ambos.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  PESSOAL.  INTIMAÇÃO.  O fato de ser atribuída a terceira pessoa ligada ao fato gerador  da  obrigação  tributária  responsabilidade  pessoal  pelo  crédito  tributário  lançado  não  afasta  a  responsabilidade  da  contribuinte,  tampouco  a  necessidade  de  ser  intimada  da  respectiva exação.  MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio  qualificada,  quando apurado que  o  sujeito  passivo  valeu­se  de  artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações  tributárias visando sonegação fiscal.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.  Intimada  da  decisão  supratranscrita  em  04/12/2009  (fl.  263),  a  Recorrente  apresentou, então, recurso voluntário em 30/12/2009 (fl. 264/274), no qual ventila as seguintes  razões, em resumo:   (i)  Que  o  ISS  retido  nas  notas  fiscais  não  constitui  receita  bruta  da  Recorrente, pois se tratam de valores que não transitaram no seu patrimônio  ou  ingressaram  em  seu  caixa,  sendo  necessária  sua  exclusão  da  base  de  cálculo dos tributos lançados;  (ii) Que na mesma  linha de argumentação em que a DRJ entendeu que não  houve fraude, deveria  ter entendido que não houve sonegação, pois houve a  regular emissão das notas fiscais, com o devido destaque de retenção do ISS,  bem como a respectiva escrituração nos livros Caixa e Prestação de Serviços;  (iii)  Que  seus  tomadores  de  serviços  informaram  todos  os  pagamentos  realizados  em  DIRF,  o  que  não  obstou  o  conhecimento  da  ocorrência  dos  fatos geradores por parte do Fisco;  (iv) Que, com base na “teoria da vontade”, utilizada como fundamentação do  acórdão para conceituar o dolo, não se pode admitir que a conduta praticada  pela  Recorrente  levaria  ao  resultado  sonegação,  pois  o  confronto  das  informações  prestadas  pela  empresa  e  as  DIRFs  de  suas  tomadoras  de  serviços não permitiria a omissão permanecer oculta perante à RFB, ou seja,  a ocorrência do tipo seria impossível;  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 313          5 (v) Que trataria­se de crime impossível, caracterizado pela ineficácia absoluta  do  meio,  uma  vez  que  foram  prestadas  informações  nas  DIRFs.  Haveria  também absoluta impropriedade do objeto, pois a suposta intenção de ocultar  o  conhecimento do  fato gerador  se  frusta diante da emissão de documentos  fiscais com tributo retido;   (vi)  Portanto,  baseada  também  em  jurisprudência  do Conselho  Superior  de  Recursos Fiscais, requereu a desconfiguração da qualificação da multa;  (vii)  Pede  seja  afastada  a  responsabilidade  pessoal  dos  sócios,  consoante  entendimento exposto pela DRJ;  (viii)  Acaso  assim  não  se  entenda,  deve  ser  afastada  a  responsabilidade  pessoal dos  sócios, pois não houve  lançamento em nome dos mesmos, pelo  que não houve oportunidade do exercício da ampla defesa;  (ix)  Outrossim,  alega  a  Recorrente  que  não  houve  a  demonstração/comprovação  de  conduta  caracterizadora  de  infração  à  lei  ou  ao  contrato  social,  e  que  cabia  ao  AFRFB  o  ônus  probatório  destas  circunstâncias;  (x) Que  a  análise  dos  livros  caixa  demonstra  que  a Recorrente  incorria  em  muitas  despesas,  apurando  prejuízo  em  vários meses,  devido  a  natureza  de  sua atividade;  (xi)  Que  o  Primeiro Conselho  de Contribuintes  reiteradamente  decidiu  que  compete  exclusivamente  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  imputar  a  responsabilidade  a  terceiros  no  âmbito  da  execução  fiscal,  devendo  ser  considerada nula a imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização.  Citou jurisprudência;  (xii) Por todo o exposto, requereu o cancelamento do auto de infração.    É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, Relator  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.    1. Das Considerações Iniciais  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 314          6 Embora  já  afirmado  acima,  ressalto  que  o  presente  julgamento  se  restringe  aos créditos  tributários apurados no 1º semestre de 2007, período em que a Recorrente havia  optado pelo regime do Simples Federal.    2. Das Exclusões do ISS ­ RF da Base de Cálculo dos Tributos Lançados   Consoante  se  denota  das  razões  recursais,  a  Recorrente  pretende  que  seja  declarada a nulidade do auto de infração, pois entende que o ISS retido em suas notas fiscais de  prestação de serviços deveria  ter sido excluído da base de cálculo dos tributos lançados, pois  não constitui receita bruta. É o que se conclui da seguinte passagem:  Ocorre  que,  além  das  vendas  canceladas  e  dos  descontos  incondicionais concedidos, também não constituem receita bruta  da  Recorrente  o  ISS  retido  nas  notas  fiscais,  os  quais  foram  deduzidos  de  todo  valor  à  título  de  pagamento  pelos  serviços  prestados à terceiros. (...).  Ocorre que a Lei n. 9.317/96, em seu art. 2º, considera como base de cálculo  do  Simples  a  “receita  bruta”,  definida  como  “produto  de  bens  e  serviços  nas  operações  por  conta própria” e também “o preço dos serviços prestados”, observe­se:  Art. 2º. Para os fins do disposto nesta Lei, considera­se: (...)  §2º ­ Para os fins do disposto neste artigo, considera­se receita  bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de  conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas  operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e  os descontos incondicionais concedidos.  Da  passagem  acima  se  pode  concluir  que  o  argumento  da  Recorrente  não  procede, uma vez que a própria legislação determina que o preço do serviço prestado é a base  de  cálculo  do  tributo.  Portanto,  afastar  essa  determinação  implicaria  reconhecer  a  inconstitucionalidade da lei, o que é vedado pela súmula n. 2 do CARF.  Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso nesta parte.    3. Da Multa Qualificada  Como  visto,  o AFRFB  aplicou  a multa  de  ofício  qualificada  em  150%  em  razão da reiteração da conduta de entregar DIPJ zerada. A DRJ endossou esse entendimento,  observe­se (fl. 284):  Qualquer  conduta  fraudulenta  do  sujeito  passivo,  com  vistas  a  reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em urna  das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de  30 de novembro de 1964. (...) Embora o presente processo trata  de lançamento relativo ao ano­calendário de 2007, é importante  observar, em desabono da  impugnante, que não se trata de ato  isolado, mas  reiteradamente praticado durante o  interregno de  quatro anos (11. 22).  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 315          7 Tenho defendido que as hipóteses de qualificação da multa de ofício devem  ser  ponderadas  com  extrema  cautela,  uma  vez  que  representa  uma  punição  extremamente  gravosa. A verdade é que as hipóteses do art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 podem conduzir ao  entendimento  de  que  qualquer  informação  errada  prestada  pelo  contribuinte  autoriza  a  qualificação da multa, o que tornaria rara a aplicação da multa de 75%.  Consoante  afirmei  no Acórdão  1302­001.183,  “Na mesma  trilha  caminha o  Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual ‘apesar da norma tributária expressamente revelar  ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (art. 136 do CTN),  sua hermenêutica admite  temperamentos,  tendo em vista que os arts. 108,  IV e 112 do CTN  permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da lei tributária segundo o princípio do in  dubio  pro  contribuinte.  Precedente:  REsp  nº  494.080/RJ,  Rel.  Min.  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  DJ  de  16/11/2004.  (...)’  (REsp  699700/RS,  Rel.  Ministro  FRANCISCO  FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2005, DJ 03/10/2005, p. 140).”.  No  caso  em  tela,  a  Recorrente  entregou DIPJ  zeradas  por  reiteradas  vezes,  exceto no 4º trimestre de 2005. Porém é fundamental ressaltar que o próprio fiscal afirmou que  utilizou os livros de apuração do ISS, livro caixa, livros de registro de inventário e notas fiscais  de  prestação  de  serviço  da  Recorrente,  uma  vez  que  estes  representariam  “prova  definitiva,  clara, inequívoca e suficiente” da omissão de receitas (fls. 26).   Portanto, o caso em tela representa simples omissão de receita. Com certeza,  uma omissão reiterada, mas nada além disso. Este ato não se confunde com fraude, simulação  ou conluio, consoante entende este Conselho, observe­se:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  No  mesmo  sentido  caminha  o  art.  957,  inc.  II,  RIR/99,  que  exige  a  demonstração de “evidente” intuito de frustrar a arrecadação tributária para fins de incidência  das qualificadores do art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64.   Esse  entendimento  foi  acolhido  recentemente  pelo  Conselho  Superior,  que  em momento de extrema ponderação assim defendeu:  IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  GLOSAS  DESPESAS  MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA.  IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a  legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da  Lei nº 9.430/96,  c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da  multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por  cento), condiciona­se à comprovação, por parte da fiscalização,  do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo  feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo  quando  a  autoridade  lançadora  utiliza  como  lastro  à  sua  empreitada  a  SIMPLES  REITERAÇÃO  DA  CONDUTA,  fundamento  que,  ISOLADAMENTE,  não  se  presta  à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste  Colegiado.  (CARF.  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 316          8 Acórdão 9202­02.341. Cons. Rel. Rycardo Henrique Magalhães  de Oliveira. Sessão 24/09/2012).  Note­se que tomar a reiteração da omissão de receita como um ato de fraude  ou  sonegação  importa  em  relevante  instabilidade  jurídica,  principalmente quando  se  esta por  analisar apenas um semestre, ou melhor, apenas 4 meses, sendo que apenas 2 deles tem valores  acima  de  R$  50.000,00  (cinquenta  mil  reais),  uma  vez  que  não  se  poderia  afirmar  quantas  condutas  representam uma ação reiterada. Seria duas? Três? Quatro? Não é possível afirmar,  pois a legislação não traz essa hipótese de qualificação.  A verdade é que, na ausência de previsão legal, um único ato de omissão de  receita  é  equivalente  à conduta  reiterada, especificamente para  fins de qualificação de multa.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  afastar  a  multa  qualificada,  a  fim  de  incidir  apenas  a  porcentagem de 75%.    4. Da Responsabilização dos Sócios  Alega a Recorrente quem embora o auto de  infração  tenha sido  lavrado em  face  da  pessoa  jurídica,  os  sócios  foram  considerados  como  responsáveis  pessoais.  Dessa  forma, seria nula a exigência fiscal.  Todavia, o que se conclui da fl. 32 do Termo de Verificação é que o AFRFB  reconheceu a responsabilidade pessoal dos sócios. Em certas passagens, deixa­se entrever que a  responsabilidade seria exclusiva dos sócios, com o afastamento da responsabilidade da pessoa  jurídica.   Todavia, o  termo de  intimação do auto de  infração  (fls. 5 e 37) deixa claro  que a pessoa jurídica foi intimada na qualidade de contribuinte (art. 121, parágrafo único, inc.  I, CTN), enquanto os sócios foram intimados como responsáveis tributários (art. 121, parágrafo  único,  inc.  II, CTN).  Portanto,  a  constituição  do  crédito  tributário ocorreu  regularmente,  não  havendo nulidades a serem reconhecidas.  A Recorrente alega também que não houve respeito ao contraditório e ampla  defesa,  pois  os  sócios  “não  foi  oportunizado  o  exercício  da  ampla  defesa”  (fl.  273).  O  argumento não procede, por força da mencionada intimação constante nas fls. 5 e 37.  Vencidas  estas  questões,  entendo  necessário  aprofundar  no  cabimento  da  responsabilização  dos  sócios  pelos  créditos  tributários  da  pessoa  jurídica.  De  acordo  com  o  TVF, o principal  fundamento  foi  a  (i)  reiteração da conduta da Recorrente e  (ii)  ausência de  patrimônio da Recorrente  e existência de patrimônio nas pessoas  físicas, observe­se  (fl. 32 e  SS.):  A empresa declara não possuir qualquer tipo de patrimônio e a  escrituração contábil apresentada demonstra indícios de ter sido  recém  elaborada,  haja  vista  decorridos  4  anos  de  sua  suposta  elaboração apresentar­se em papel com todas as características  de  novo,  é  o  caso  dos  Livros­Caixa.  A  concentração  de  patrimônio  encontra­se  nas  pessoas  dos  sócios,  sr.  Paulo  de  Oliveira Dias, CPF n° 057.411.688­50 e sra. Sandra Garcia de  Oliveira Dias, CPF n° 057.402.958­31.  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 317          9 A  reiterada  irregularidade  tributária  praticada  pela  empresa  sujeito passivo desta fiscalização, tendo ao longo dos últimos 4  anos declarado INFORMAÇÕES FALSAS ao Fisco, demonstra a  intenção  dolosa  de  seus  sócios,  preocupados  o  tempo  todo  em  ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximir­se de  pagamento de tributo.  Neste  ponto,  o  TVF  merece  reforma,  uma  vez  que  os  autos  representam  simples hipótese de omissão de receitas. Certamente reprovável, mas ainda simples omissão de  receitas. Tanto é que, consoante expus acima, esse fato é pacificamente afastado como hipótese  de qualificação da multa de ofício.  Esta afirmação está assentada na simples constatação de que, na ausência de  maiores elementos de prova, a intenção de omitir receita foi exclusiva da pessoa jurídica. Em  tempo, não se pode esquecer que a pessoa jurídica tem existência autônoma e independente de  seus sócios.  Sua personalidade decorre de uma ficção jurídica constante no art. 45 e 985  do Código Civil,  sendo que a partir do  registro de seus atos constitutivos adquire autonomia  para  encetar  suas  próprias  relações  comerciais,  respondendo  por  suas  obrigações  cíveis  ou  tributárias, como destaca a doutrina:  A pessoa jurídica é uma realidade autônoma, capaz de direito e  obrigações,  independentemente  dos  membros  que  a  compõem,  com  os  quais  não  tem  nenhum  vínculo,  agindo  por  si  só,comprando,  vendendo,  alugando  etc.,  sem  qualquer  ligação  com  a  vontade  individual  das  pessoas  físicas  que  dela  fazem  parte. (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro.  24 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 299) (grifo não original)  A  superação  dessa  rígida  barreira  só  ocorrerá  quando  houver  elementos  robustos para tanto, consoante já se decidiu em tempos passados, observe­se:  (...) 1­ Prevalece, em nosso ordenamento jurídico, a regra geral  da distinção entre o patrimônio da empresa e o dos seus sócios,  sendo  que  o  princípio  da  autonomia  somente  cede  diante  de  circunstâncias  especiais,  entre  as  quais  se  encontra  a  responsabilização  pessoal  dos  sócios­gerentes  das  pessoas  jurídicas de direito privado por débitos tributários resultantes de  atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato  social ou  estatuto  (art.135, III,  do Código Tributário Nacional)  (...)  (grifo  não  original)  (TRF2.  AG  200702010006153  ES  2007.02.01.000615­3. Rel. Des. Luiz Antonio Soares. 4ª Turma.  DJU 11/02/2008).  Faço estas considerações para afirmar que a omissão de receitas, bem como a  decisão de  entregar DIPJ  zerada,  somente pode ser atribuída à pessoa  jurídica,  sobretudo em  casos como o presente, em que não há provas de que os sócios teriam praticado qualquer ato  que represente fraude, simulação ou conluio. Repiso que a simples reiteração da conduta não é  bastante para tal finalidade.  Ocorre que o AFRFB também alega que a ausência de patrimônio da pessoa  jurídica  justificaria  a  atribuição  de  responsabilidade  aos  sócios,  que  possuem  patrimônio.  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 318          10 Contudo, afirmações dessa natureza dependem de provas contundentes de que o patrimônio da  pessoa  jurídica foi desviado para o patrimônio dos sócios, com vistas a  frustrar o pagamento  dos tributos incidentes.   Esta análise não foi feita no caso dos autos. O AFRFB simplesmente constata  esse  fato,  mas  não  afirma  que  o  patrimônio  dos  sócios  foi  formado  durante  o  período  de  omissão de receitas, por exemplo. E mais, não se sabe se os sócios já possuíam esse patrimônio  entes dos atos fiscalizados, razão pela qual a responsabilidade tributária não pode aí encontrar  apoio.  Portanto, o AFRFB não possui razão quando afirma que a omissão de receitas  é um ato ilícito que se amolda ao art. 135, III, CTN, pois tal conduta ficou restrita à esfera de  responsabilidade da pessoa jurídica. A jurisprudênica do STJ assim dispõe sobre o tema:  (...) 2. A responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não é  objetiva.  Desse  modo,  para  haver  o  redirecionamento  da  execução fiscal, e seus consectários legais, para o sócio­gerente  da empresa, deve ficar demonstrado que este agiu com excesso  de  poderes  ou  infringiu  a  lei  ou  o  estatuto,  na  hipótese  de  dissolução  irregular  da  empresa.  (...)  (STJ.  AgRg  no  AREsp  294214/RN. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe de 06/12/2013)  Também  consta  no  TVF  que  caberia  o  art.  137,  II,  CTN,  todavia,  o  dispositivo  impõe  a  responsabilidade  pessoal  ao  agente  que  praticar  infrações  em  cuja  definição o dolo específico seja elementar. O dispositivo exige que a omissão de receitas seja  feita  com  o  fim  de  frustrar  a  arrecadação  tributária.  A  lei  determina  que  haja  prova  dessa  intenção  (dolo  específico).  Isto  não  existe  no  caso  dos  autos,  pois  há  simples  omissão  de  receitas.   Advirto que, do que consta nos autos, não se pode afirmar que a omissão de  receitas  teve  como  objetivo  unicamente  o  inadimplemento  tributário,  pois  pode  ser  que  a  empresa atravessasse por fase de insucesso empresarial e não tivesse como pagar seus haveres  com  o  Fisco. O  ônus,  neste  caso,  é  do  Fisco. De  toda  sorte,  o  dolo  específico  também  não  restou comprovado.  O  AFRFB  alega  ainda  que  o  art.  4º,  inc.  V,  da  Lei  de  Execuções  Fiscais  justificaria a responsabilidade dos sócios. O dispositivo possui a seguinte redação:  Art. 4º ­ A execução fiscal poderá ser promovida contra: (...)  V ­ o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias ou  não, de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado; e  (...)  Note­se que a norma supra é consequência da responsabilidade  tributária  já  reconhecida.  No  entanto,  o  AFRFB  a  trata  como  se  fosse  hipótese  de  responsabilidade  tributária,  o  que  não  se  mostra  adequado.  Portanto,  este  artigo  também  não  sustenta  a  responsabilidade dos sócios.  Por  fim,  consta  no  TVF  que  a  conduta  verificada  nos  autos  (omissão  de  receitas) representaria crime contra a ordem tributária. Observe­se o teor do artigo eleito pelo  agente fiscal:  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 319          11 Lei n. 8.137/90  Art. 2° Constitui crime da mesma natureza:    I  ­  fazer  declaração  falsa  ou  omitir  declaração  sobre  rendas,  bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir­se, total ou  parcialmente, de pagamento de tributo; (...)   Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa  jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas  penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade.  Qualquer  que  sejam  os  dispositivos,  a  presente  conclusão  não  se  altera:  a  responsabilidade  tributária decorre dos atos praticados pela pessoa jurídica, uma vez que não  há provas robustas de que os sócios concorreram para a omissão de receitas. Não é o caso de  reconhecer que os sócios praticaram crime contra a ordem tributária.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  afastar  a  responsabilização  pessoal  dos  sócios, mantendo incólume o lançamento tributário em desfavor da empresa Recorrente.    5. Do Lançamento Reflexivos.  Na omissão de receita cabe o lançamento dos tributos reflexos.    6. Da Conclusão  Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso  voluntário interposto, nos termos do relatório e voto.    (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado  Em  que  pese  o  bem  elaborado  e  fundamentado  voto  do  ilustre  Relator,  durante  as  discussões  ocorridas  por  ocasião  do  julgamento  do  presente  litígio  surgiu  divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange a: (i) qualificação da  multa de ofício; e  (ii)  responsabilidade  tributária  imputada ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à  Sra.  Sandra  Garcia  de  Oliveira  Dias.  Passo  a  expor  os  fundamentos  da  divergência  e  as  conclusões às quais chegou o Colegiado.  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 320          12 (i) Acerca da multa qualificada  Compulsando os  autos, pode­se constatar que o Fisco qualificou a multa de  ofício  diante  da  conduta  do  contribuinte  de  apresentar  declarações  zeradas  à Administração  Tributária nos anos­calendário 2004, 2006 e 2007 (janeiro a junho), além de apresentar receita  bruta  insignificante  no  ano­calendário  2005,  conforme  Tabela  1  à  fl.  25  do  Termo  de  Verificação  Fiscal.  Confira­se,  ainda,  os  seguintes  excertos  do  Termo  de Verificação  Fiscal  (fls. 30):  A  conduta  da  Contribuinte  GARCIA & DIAS  COMÉRCIO  DE  PEÇAS  E  TRANSPORTADORA  LTDA  de  não  declarar  corretamente,  durante  anos  consecutivos, as receitas auferidas, denota o elemento subjetivo do dolo e enseja a  aplicação da multa agravada [...]  Omitindo,  ou  pior,  declarando  falsas  informações  ao  fisco,  a  contribuinte  tentou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do  fato gerador da obrigação tributária principal. A prática sistemática, adotada durante  anos consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. [...]  Entendeu  o Colegiado  que  andou  bem  o  Fisco,  ao  aplicar  ao  lançamento  a  multa de 150%. De fato, apesar de terem sido usados na apuração dos valores devidos os livros  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  é  certo  que  ao  longo  de  quatro  anos  o  contribuinte  apresentou  declarações  zeradas,  com  o  claro  propósito  de  manter  ocultos  da  autoridade fazendária os fatos geradores tributários. E tal conduta é aquela capaz de dar azo à  duplicação da multa de ofício, conforme art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c o art.  71 da Lei nº 4.502/1964, verbis:  Lei nº 9.430/1996:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata:  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis."  [...]  Lei nº 4.502/1964:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  [...]  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 321          13 Ressalte­se  que  é  irrelevante  o  fato  de  que  no  presente  processo  somente  foram constituídos créditos tributários por fatos geradores ocorridos em quatro meses do ano­ calendário  2007.  É  que  nos  anos­calendário  anteriores  (2004,  2005  e  2006)  o  contribuinte  estava sujeito à tributação no regime do Lucro Presumido (item III.2 do Termo de Verificação  Fiscal,  fls.  26/28)  e,  por  razões  de  ordem  processual,  as  omissões  apuradas  naqueles  anos  foram  objeto  de  lançamento  em  processo  administrativo  fiscal  distinto  deste. Mas  o  fato  de  serem os créditos tributários constituídos em processos diversos não afasta a realidade de que  ao longo de diversos exercícios o contribuinte buscou esconder do Fisco os fatos geradores.  O  Colegiado  decidiu,  então,  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  também no que tange à multa qualificada.    (ii)  Acerca  da  responsabilidade  tributária  imputada  ao  Sr.  Paulo  de  Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias.  Do exame dos autos, constata­se o que segue:  a) Os responsáveis tributários Sr. Paulo de Oliveira Dias e Sra. Sandra Garcia de Oliveira  Dias foram regularmente cientificados do lançamento e da responsabilidade tributária  que  lhes  foi  imputada. Confira­se termo às fls. 4/5 e, ainda, Informação Fiscal às fls.  22/26.  b) A  peça  impugnatória  (fls.  219  e  segs.)  foi  apresentada  exclusivamente  pelo  contribuinte Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda.,  subscrita por  advogados constituídos pela pessoa jurídica (procuração à fl. 232). As pessoas físicas  apontadas como responsáveis, portanto, não impugnaram o lançamento.  c) O acórdão recorrido consignou o fato à  fl. 255: “... a circunstância de os sócios não  terem apresentado impugnação ao lançamento tributário que contra eles também fora  dirigido  acha­se  circunscrita  à  esfera  volitiva  de  ambos,  que  optaram  por  não  contestar a imposição. Não caracteriza cerceamento de defesa pois foram intimados a  impugnar  o  lançamento  efetuado ou  solver o  crédito  tributário dele decorrente,  ...”.  Desse acórdão foi dada regular ciência à contribuinte e aos responsáveis (docs. às fls.  276, 277, 286, 287 e 288).  d) Finalmente, a peça  recursal  submetida à apreciação deste colegiado (fls. 264 e segs.)  foi apresentada exclusivamente pelo contribuinte Garcia & Dias Comércio de Peças e  Transportadora  Ltda.,  subscrita  por  advogados  constituídos  pela  pessoa  jurídica.  As  pessoas  físicas  apontadas  como  responsáveis,  apesar  de  regularmente  intimadas,  não  recorreram da decisão de primeira instância.  Entendo  que  a  contribuinte  Garcia  &  Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora Ltda.  carece  de  interesse  de  agir  e de  legitimidade  processual,  no  que  toca  à  responsabilidade  tributária atribuída  ao Sr. Paulo de Oliveira Dias  e  à Sra. Sandra Garcia de  Oliveira Dias.  O Decreto nº 70.235/1972 não se refere de forma específica às condições de  interesse e legitimidade para propor impugnação e recurso, mas, do conteúdo de seus artigos 14  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 322          14 e seguintes depreende­se que é legitimado para tanto aquele indicado como sujeito passivo no  lançamento.   A  Lei  nº  9.784/1999,  em  seu  artigo  9º,  inciso  II,  traz  de  forma  expressa  o  vínculo entre legitimidade no processo administrativo e interesse de agir, nos seguintes termos:  Art.  9o  São  legitimados  como  interessados  no  processo  administrativo:  [...]   II ­ aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou  interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada;  Releva,  também,  observar  o  que  dispõe  a  Lei  nº  5.869,  de  11/01/1973  (Código de Processo Civil – CPC), aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo  fiscal. Transcrevo, abaixo, os artigos 2º, 3º e 6º.  Art. 2o Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando  a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais.  Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse  e legitimidade.  [...]  Art.  6o  Ninguém  poderá  pleitear,  em  nome  próprio,  direito  alheio, salvo quando autorizado por lei.  O interesse de agir e a  legitimidade de parte são duas das três condições da  ação1, segundo a teoria do Direito Processual Civil. Ensina Humberto Theodoro Júnior2 que:  [...]  a  existência  da  ação  depende  de  alguns  requisitos  constitutivos  que  se  chamam “condições da ação”, cuja ausência, de qualquer um deles, leva à “carência  de  ação”,  e  cujo  exame deve  ser  feito,  em  cada  caso  concreto,  preliminarmente  à  apreciação do mérito, em caráter prejudicial.  Nessa ordem de  idéias, condições ou requisitos da ação, como os conceitua  Arruda Alvim, “são as categorias  lógico­jurídicas, existentes na doutrina e, muitas  vezes  na  lei  (como  é  claramente  o  caso  do  direito  vigente), mediante  as  quais  se  admite que alguém chegue à obtenção da sentença final”.  Por  conseguinte,  à  falta  de  uma  condição  da  ação,  o  processo  será  extinto,  prematuramente, sem que o Estado dê resposta ao pedido de tutela jurisdicional do  autor, isto é, sem julgamento de mérito (art. 267, nº VI). Haverá ausência do direito  de ação, ou, na linguagem corrente dos processualistas, ocorrerá carência de ação.  Prossegue o Mestre3, especificamente acerca do interesse de agir:  A  segunda  condição  da  ação  é  o  interesse  de  agir,  que  também  não  se  confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a                                                              1 A terceira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido, de que aqui não se trata.  2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., vol. I. Rio de Janeiro: Forense,  2003, p. 49.  3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 52.  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 323          15 mesma  ação.  O  interesse  de  agir,  que  é  instrumental  e  secundário,  surge  da  necessidade  de  obter  através  do  processo  a  proteção  ao  interesse  substancial.  Entende­se, dessa maneira, que há interesse processual “se a parte sofre um prejuízo,  não  propondo  a  demanda,  e  daí  resulta  que,  para  evitar  esse  prejuízo,  necessita  exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais”.  Localiza­se  o  interesse  processual  não  apenas  na  utilidade,  mas  especificamente  na  necessidade  do  processo  como  remédio  apto  à  aplicação  do  direito objetivo no caso concreto, pois a tutela jurisdicional não é jamais outorgada  sem uma necessidade [...]. Essa necessidade se encontra naquela situação “que nos  leva a procurar uma solução judicial, sob pena de, se não o fizermos, vermo­nos na  contingência  de  não  podermos  ter  satisfeita  uma  pretensão  (o  direito  de  que  nos  afirmamos titulares)”. [...] Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela  efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação.  Quanto  à  legitimidade  de  parte,  o  trecho  a  seguir  transcrito4  é  de  clareza  lapidar e, entendo, perfeitamente aplicável à situação sob exame:  Destarte,  legitimados ao processo são os  sujeitos da  lide,  isto é, os  titulares  dos  interesses  em  conflito.  A  legitimação  ativa  caberá  ao  titular  do  interesse  afirmado na pretensão, e a passiva ao  titular do  interesse que se opõe ou resiste à  pretensão.  De  par  com  a  legitimação  ordinária,  ou  seja,  a  que  decorre  da  posição  ocupada  pela  parte  como  sujeito  da  lide,  prevê  o  direito  processual,  em  casos  excepcionais,  a  legitimidade  extraordinária,  que  consiste  em  permitir­se,  em  determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa  de  interesse  alheio.  Ressalte­se,  porém,  a  excepcionalidade  desses  casos  que,  doutrinariamente,  se  denominam  “substituição  processual”,  e  que  podem  ocorrer,  por exemplo, com o marido na defesa dos bens dotais da mulher, com o Ministério  Público na ação de acidente do trabalho, ou na ação civil de indenização do dano ex  delicto, quando a vítima é pobre etc.  A  não  ser,  portanto,  nas  exceções  expressamente  autorizadas,  em  lei,  a  ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio (art. 6º) [...].  Quanto à falta de interesse de agir, observo que o pedido, feito pela Garcia &  Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora  Ltda.,  de  exclusão  da  responsabilidade  solidária  atribuída  ao  Sr.  Paulo  de  Oliveira  Dias  e  à  Sra.  Sandra  Garcia  de  Oliveira  Dias  em  nada  aproveita à recorrente. Examinemos, por hipótese, a situação em que o crédito tributário fosse  mantido,  e  excluída  a  responsabilidade  das  pessoas  físicas  indicadas:  a  Garcia  &  Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora  Ltda.  ocuparia,  sozinha,  o  pólo  passivo  da  relação  jurídico­tributária, e somente dela poderia ser exigido o crédito mantido. Vejamos, agora, outra  situação  igualmente hipotética,  em que o  crédito  tributário  fosse mantido,  e  também assim a  responsabilidade  das  pessoas  físicas  indicadas:  desde  que  a  responsabilidade,  no  caso,  é  solidária, o crédito tributário mantido poderia ser exigido,  integralmente, de qualquer um dos  sujeitos  passivos  solidários,  inclusive  a Garcia & Dias Comércio  de Peças  e  Transportadora  Ltda.,  sem benefício de ordem. Uma terceira hipótese seria o afastamento  integral do crédito  tributário, caso em que não faria qualquer sentido se falar em responsabilidade tributária.  Como  se  vê,  esse  pedido  é  absolutamente  desnecessário  aos  interesses  da  recorrente Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. Não lhe adviria qualquer                                                              4 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 54.  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/2008­06  Acórdão n.º 1302­001.421  S1­C3T2  Fl. 324          16 prejuízo, se negado, nem ganho algum, se provido. Não há dano nem perigo de dano jurídico,  caracterizando­se, assim, a falta de interesse de agir.  Diretamente  ligada  ao  exposto  verifico  a  ilegitimidade  da  Garcia  &  Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora  Ltda.  como  parte,  no  que  toca  à  responsabilidade  tributária. Aqueles que teriam direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a  ser  adotada  nessa  matéria  seriam  o  Sr.  Paulo  de  Oliveira  Dias  e  a  Sra.  Sandra  Garcia  de  Oliveira Dias. E estes, conforme visto, não vieram ao processo em sede de recurso, apesar de  regularmente  intimados  tanto  do  lançamento  quanto  da  decisão  de  primeira  instância.  Ao  pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída às pessoas físicas, a Garcia & Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora  Ltda.  pleiteia  direito  alheio  em  nome  próprio,  o  que  somente seria admissível em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal.  Em  situação  idêntica,  este  CARF  já  decidiu  da  mesma  forma,  como  se  verifica nos acórdãos nº 1301­00.067 e 1301­00.068, ambos de 13/05/2009.   Pelos fundamentos acima desenvolvidos, a decisão do Colegiado foi por não  conhecer  dos  argumentos  e  do  pedido  trazidos  pela  recorrente  Garcia  &  Dias  Comércio  de  Peças  e  Transportadora Ltda.  acerca  da  responsabilidade  tributária  atribuída  ao  Sr.  Paulo  de  Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias.     (iii) Conclusão  Por  todo o exposto, a decisão do Colegiado  foi no sentido de não conhecer  dos argumentos contrários à responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Paulo de Oliveira Dias  e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                            Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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