Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10875.000463/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
PEDIDO ADMINISTRATIVO - A repartição de origem deve observar o pedido do contribuinte para efeitos de liquidação de seu débito através do parcelamento, bem como demais pedidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3101-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
LUIZ ROBERTO DOMINGO
Presidente em exercício
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PEDIDO ADMINISTRATIVO - A repartição de origem deve observar o pedido do contribuinte para efeitos de liquidação de seu débito através do parcelamento, bem como demais pedidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10875.000463/2002-14
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5376814
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.641
nome_arquivo_s : Decisao_10875000463200214.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10875000463200214_5376814.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. LUIZ ROBERTO DOMINGO Presidente em exercício VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5605575
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031027597312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 31 1 30 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.000463/200214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.641 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PIS Recorrente DORNBUSCH & CIA IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PEDIDO ADMINISTRATIVO A REPARTIÇÃO DE ORIGEM DEVE OBSERVAR O PEDIDO DO CONTRIBUINTE PARA EFEITOS DE LIQUIDAÇÃO DE SEU DÉBITO ATRAVÉS DO PARCELAMENTO, BEM COMO DEMAIS PEDIDOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. LUIZ ROBERTO DOMINGO Presidente em exercício VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.107 a 108 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator José Carlos Ortolani, nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 04 63 /2 00 2- 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO Processo nº 10875.000463/200214 Acórdão n.º 3101001.641 S3C1T1 Fl. 32 2 “Tratase de auto de infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do ano calendário de 1997, lavrado em 31 de outubro de 2001, cientificado à contribuinte em 13 de dezembro de 2001, por meio do AR de fl. 36, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 25.525,51, em vista da falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, conforme descrição e enquadramento legal constante do auto de infração. 2. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 01 em 09 de janeiro de 2002, com as seguintes razões de defesa: “DORNBUSCH & CIA IND. E COM. LTDA, inscrita no CNPJ (...), estabelecida na Rua do Rosário, 142, (...), vem mui respeitosamente requerer a V.Sas., o cancelamento do auto de infração nº 0001684 de de 30.10.01, tendo em vista que não existem os débitos apontados, conforme comprovam os documentos juntados. Nestes termos Pede deferimento. Guarulhos, 20 de Dezembro de 2001.” 3. Em Revisão de Ofício, a DRF de origem excluiu parte do crédito tributário formalizado, nos termos dos demonstrativos de fls. 74/77 e despacho de fl. 78, conforme demonstrativo em fls. 108; A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0538.597 de fls. 106 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF. Diante da ausência da extinção dos débitos remanescentes da revisão de ofício, seja mediante pagamento ou por compensação, permanece o crédito tributário em litígio. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício, para débitos já declarados em DCTF. ” Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF. Na esperança e, portanto, requerendo que o valor correspondente à competência de dezembro de 1997 de R$ 1.448,46 (Um mil quatrocentos e quarenta e oito reais e quarenta e seis centavos) por estar quitado na DA nº 8070900579867, seja apartado dos demais débitos devidos da competência de agosto a novembro de 1997, reconhecendose a extinção do débito da competência de DEZ/1997, a fim de possibilitar ao contribuinte, ora recorrente, parcelar os débitos de PIS de agosto a novembro de 1997. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO Processo nº 10875.000463/200214 Acórdão n.º 3101001.641 S3C1T1 Fl. 33 3 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, pois, é datado de 10/09/2012, enquanto a decisão de primeira instância administrativa é de 08/08/2012 e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. O mesmo recurso, não contesta ou discorda da decisão recorrida, portanto, a decisão recorrida não merece reparos. Repetila seria apenas para pouparme de mais argumentos para mantêla, mas corroboro com a mesma, mas acrescento o seguinte: Quanto ao seu pedido de apartar o débito do mês de dezembro de 1997 de R$ 1.448,46(Um mil Quatrocentos e Quarenta e Oito Reais e Quarenta e Seis Centavos) por estar quitado na DA nº 8070900579867, dos demais débitos devidos da competência de agosto a novembro de 1997, reconhecendose a extinção do débito da competência de DEZ/1997, a fim de possibilitar ao contribuinte, ora recorrente, parcelar os débitos de PIS de agosto a novembro de 1997, é para essa conselheira, um pedido estranho a sua competência. Mas, entendo que a Repartição de origem, pode sim, fazer a verificação do real cumprimento e existência da referida quitação e possibilitar que a Recorrente, parcele os seus demais débitos. Isto Posto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e determino a remessa dos autos a Repartição de Origem fazendária, para que proceda com o pedido da Recorrente. Esse é meu voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMI NGO
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720023/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA DECORRENTE DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. A pessoa jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos a sua atividade, sujeita-se às presunções legais que autorizam a tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. NÃO CONFISCO. UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COMO PENALIDADE. ALÍQUOTA EXCESSIVA. Caracterizada a hipótese que autoriza a presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a exigência deve ser mantida, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA DECORRENTE DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. A pessoa jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos a sua atividade, sujeita-se às presunções legais que autorizam a tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. NÃO CONFISCO. UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COMO PENALIDADE. ALÍQUOTA EXCESSIVA. Caracterizada a hipótese que autoriza a presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a exigência deve ser mantida, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10972.720023/2013-23
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375792
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.173
nome_arquivo_s : Decisao_10972720023201323.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10972720023201323_5375792.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5604874
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031031791616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.720023/201323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.173 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Omissão de Receitas e Pagamentos sem causa Recorrente ON9 CONSULTORIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA DECORRENTE DO EXPURGO DE INGRESSOS NÃO COMPROVADOS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. A pessoa jurídica que não cumpre sua obrigação de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis relativos a sua atividade, sujeitase às presunções legais que autorizam a tributação de receitas omitidas, bem como a exigência de imposto de renda na fonte por desconhecimento do beneficiário ou da causa do pagamento. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. NÃO CONFISCO. UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COMO PENALIDADE. ALÍQUOTA EXCESSIVA. Caracterizada a hipótese que autoriza a presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a exigência deve ser mantida, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 23 /2 01 3- 23 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ON9 CONSULTORIA LTDA EPP, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 17/05/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 27.175.188,77. O lançamento decorre da constatação das seguintes infrações nos períodos de apuração compreendidos no anocalendário 2010: · Omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em conta que a contribuinte, apesar de intimada, não logrou demonstrar a origem de parte dos depósitos/créditos verificados em sua conta bancária. Contratos de mútuo apresentados como justificativa foram rejeitados porque as partes contratantes são pessoas distintas da interessada e não estavam acompanhados de quaisquer comprovantes de depósitos/créditos que espelhem os efetivos pagamentos recebidos dos mutuários; · Omissão de receitas presumida a partir da apuração de saldo credor na conta Caixa, recomposta com a exclusão de: 1) ingressos representados por cheques compensados; 2) parcelas destinadas a pagamentos diversos em instituição financeira; e 3) suprimento de caixa contabilizado em 10/04/2010, cuja origem e efetividade não foi provada; · Pagamentos sem causa, representados por débitos em contas bancárias sob o histórico “Pagamentos Diversos”, “Pgto autorizado”, “Tr vr entre cta”, “Folha de Pagamento”, “Saque para pagamento via malote” e “Cheque avulso entre agências”, escriturados como despesas com representação, correspondentes a operações não comprovadas pela contribuinte. Também foram considerados sem causa os cheques compensados lançados a débito da conta caixa para os quais a empresa não identificou sua efetiva destinação. As duas primeiras infrações ensejaram exigências trimestrais de IRPJ (R$ 63.460,47) e CSLL (R$ 27.092,35) na sistemática do lucro presumido, bem como mensais a título de Contribuição ao PIS (R$ 6.143,04) e de COFINS (R$ 28.352,55) na sistemática cumulativa. A terceira infração resultou na exigência de IRRF sobre a base de cálculo reajustada, na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, totalizando R$ 27.050.140,36. Impugnando a exigência, a contribuinte alegou extravio dos documentos que deixaram de ser apresentados e se opôs à utilização de tributo com o fim de penalidade, alegando violação à capacidade contributiva, em razão do efeito confiscatório da exigência. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 5 4 A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 EXTRAVIO DE DOCUMENTOS Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. E, ainda, a simples adoção dessas formalidades, apesar de necessárias, não seriam suficientes para caracterizar a exclusão da responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais. Caberia ao interessado a reconstituição da escrituração ao menos dos livros obrigatórios, por iniciativa própria e antes de qualquer procedimento fiscal. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da capacidade contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. Cofins. PIS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2013 (fl. 1423), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/09/2013 (fls. 1426/1441). Relata o procedimento fiscal, destacando que respondeu às intimações que lhe foram dirigidas, e mencionando que a decisão recorrida limitouse a expor meras conjecturas teóriconormativas, passando ao largo dos argumentos exaustivamente argüidos pela recorrente, fato que justifica a necessidade da reapreciação do julgado, bem como da reforma de seu teor. Expõe que informou à Fiscalização o extravio de caixas de arquivos que continham a maioria dos documentos requeridos, os quais bastavam para subsidiar a escrituração contábil da empresa autuada. Requereu dilação de prazo porque ainda não exauridas as buscas necessárias, mas esta lhe foi indeferida, impossibilitando o cumprimento da ordem e ensejando o lançamento por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e da identificação dos beneficiários dos débitos verificados em sua conta bancária. Classifica a falta de apresentação dos documentos como verdadeira matéria prejudicial em relação à validade das exigências, entende que a Fiscalização deveria terlhe concedido prazo suplementar e quanto à necessidade de publicidade da ocorrência, argumenta Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 6 5 que ainda não era cabida, visto que as diligências necessárias para localizar as caixas de arquivo ainda não havia se esgotado, inviabilizando a minuciosa informação ali exigida. Invoca os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, transcreve doutrina, afirmando que além de constituírem critérios aplicáveis aos casos concretos, estes princípios referemse a aplicação da própria justiça, nos termos de excerto doutrinário a que se refere. A autoridade julgadora de 1a instância não teria adentrado à questão do pedido de dilação de prazo e, assim, desprezou a aplicação dos mencionados princípios. Pede, assim, a declaração de nulidade do lançamento em razão do indeferimento do pedido de dilação de prazo quando ainda não esgotadas as buscas imprescindíveis para localização dos documentos exigidos. Na seqüência, afirma a inobservância do princípio da capacidade contributiva, tendo em vista que a exigência principal representa R$ 14 milhões, ao passo que sua capacidade contributiva revelada pelo lucro presumido do período totalizou R$ 1,6 milhão. Entende inaceitável os argumentos apresentados pela autoridade julgadora de 1a instância acerca da impossibilidade de se avaliar a constitucionalidade da exigência, pois os agentes do Estado somente atuar em estrita conformidade com a lei, e especialmente com a Lei Maior da República, que deve ser obedecida em primeiro lugar. Cita doutrina para argumentar que a interpretação da Constituição, ou sua observância, não é monopólio do Poder Judiciário, até porque as leis somente existem e têm a sua validade fundada na própria Constituição. Destaca que a exação de R$ 14 milhões representa quase três vezes seu faturamento anual, e que o pagamento exigido inviabilizará sua atividade empresarial. Transcreve ementa de julgado e complementa que o caso concreto conduz ao odioso instituto do confisco, à medida em que a exação excede a própria disponibilidade econômica da recorrente no período considerado, reportandose a doutrina e jurisprudência sobre a questão. Invoca, ainda, o princípio da progressividade, aplicável ao imposto de renda, o qual, juntamente com o princípio da capacidade contributiva, estabelecem um limite máximo à pretensão tributária do Estado com o objetivo de assegurar o mínimo razoável para o proveito do próprio contribuinte, de modo a viabilizar a existência digna de uma pessoa física ou a prática de atividade econômica por uma empresa. O valor exorbitante exigido ensejaria a espoliação de tudo o que a recorrente conseguiu a duras penas, há vários anos. Alega a cobrança indevida de tributo em situação legalmente enquadrada como sendo apenas de aplicação de penalidade, qual seja, o descumprimento de uma obrigação meramente acessória. Entende que o Estado, pela incapacidade de ser onipresente e de conhecer todos os fatos que estão sujeitos a suas normas, cobra de um aquilo que é dever de outro contribuinte. Contudo, a sanção para o descumprimento de uma norma não deveria representar o tributo que supostamente teria deixado de ser recolhido pelo efetivo beneficiário. Reportase ao art. 3o do CTN e transcreve doutrina para reafirmar que o tributo jamais poderá ser utilizado com finalidade de punir um sujeito passivo pelo descumprimento de obrigação prevista em lei. Aduz, assim, ser indisfarçável o caráter sancionátorio do art. 61 da Lei nº 8.981/95, mas acrescenta que o art. 1o da Lei nº 8.021/90 estabelece que o pagamento a beneficiário não identificado tem como conseqüência a aplicação de penalidade, bem como o Parecer Normativo nº 01/2002 imputa apenas exigência Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 7 6 de multa de ofício e juros de mora isolados à fonte pagadora que deixar de reter imposto de renda na fonte. Conclui que houve um equívoco na identificação do sujeito passivo e destaca que a recorrente não reconhece e nem confessa que tenha havido um eventual descumprimento de alguma norma tributária, mas apenas demonstra a incompatibilidade do lançamento com o ordenamento jurídico tributário. Questiona a utilização da alíquota de 35% para cálculo do imposto, na medida em que a alíquota máxima do imposto de renda para pessoas físicas é de 27,5% e de 15%, com adicional de 10%, para pessoas jurídicas. Ademais, com o reajustamento da base de cálculo, esta alíquota transmutase para 54%, evidenciando verdadeira punição com tributo. Finaliza afirmando a inexigibilidade dos juros de mora e da multa, em razão da nulidade da cobrança dos tributos. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi, em preliminar, a nulidade do procedimento fiscal, motivo pelo qual é necessário expor como se desenvolveu o trabalho investigativo. Em 20/05/2012 a contribuinte foi cientificada do Termo de Início do Procedimento Fiscal, no qual lhe foram concedidos 20 (vinte) dias para, dentre outras exigências, apresentar os livros contábeis e fiscais do período fiscalizado (01/07/2009 a 31/12/2010), além das notas fiscais de prestação de serviços emitidas, extratos bancários e arquivos digitais (fls. 83/87). A resposta de fl. 88 relaciona os elementos apresentados, e em 02/07/2012 a autoridade fiscal devolve à contribuinte os Livros Diário e de Registro de Serviços Prestados (fl. 89), intimandoa em 13/07/2012 a apresentálos com o devido registro, bem como exigindo prova da origem de depósitos bancários, esclarecimentos acerca das despesas de representações vinculadas a débitos bancários no total de R$ 25.135.071,04, e de suprimento de numerário escriturado em 10/04/2012, além da justificativa para cheques compensados terem suprido a conta Caixa ao longo do anocalendário 2010 (fls. 90/99). Transcorridos os 20 (vinte) dias inicialmente concedidos, a contribuinte é reintimada em 14/08/2012 a atender a intimação anterior em 5 (cinco) dias (fls. 101/102). A resposta de fls. 105/861, apresentada em 21/08/2012, indica que os livros já haviam sido apresentados em atendimento ao termo de início de fiscalização, demonstra os depósitos bancários que têm origem em transferências de mesma titularidade ou empréstimo de Consist Outsourcing e indica um débito bancário como decorrentes de pagamento de empréstimo para a empresa Consist Consultoria, bem como outros correspondentes a reembolso de refeições fornecidas a representantes da Consist Consulting. Com referência aos comprovantes de despesas com representações e do suprimento de numerário alegou falta de tempo hábil e solicitou prazo de 60 dias para sua apresentação, mas sem fazer qualquer referência ao extravio dos documentos. Por fim, quanto aos cheques que supriram a conta Caixa, disse que foram emitidos para pagamento de pequenas despesas conforme relatório e documentos apresentados. A autoridade fiscal consignou ter recebido a documentação sem conferência do conteúdo. Em 03/10/2012 a contribuinte é reintimada para, no prazo de 20 (vinte) dias, complementar a resposta apresentada em 21/08/2012, de forma a prestar todos os esclarecimentos solicitados através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 11/07/2012 e recebido em 13/07/2012 (fls. 862/863). Em sua resposta de fls. 865/866, a contribuinte consignou que (fls. 865/866): [...] 3) Conforme resposta apresentada em 21 de agosto de 2012, reiteramos a informação de que constatamos que algumas caixas de arquivo foram extraviadas e que provavelmente essa documentação estava nela acondicionada. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 9 8 4) Nesse momento, mantemos as nossas buscas para localizar as mencionadas caixas, seja internamente, seja nos escritórios de contabilidade que nos prestam serviços ou junto aos que eram responsáveis pelo respectivo transporte. 5) Diante dessas circunstâncias, requeremos à essa Superintendência, a concessão de prazo adicional para concluirmos essa busca. Em 16/11/2012 a contribuinte foi intimada a apresentar, em 5 (cinco) dias úteis, esclarecimentos a respeito de outro lançamento que supriu a conta caixa em 30/11/2010, mas destinouse a “Pagamentos Diversos” por meio da conta bancária, bem como reintimada a: 1) comprovar a origem dos depósitos que remanesceram sem justificativas; 2) justificar os cheques que supriram a conta caixa como antes questionado; e 3) apresentar a comprovação das despesas de representação e do suprimento de numerário de 10/04/2010 (fls. 867/875). A resposta apresentada em 23/11/2012 limitase a requerer prazo suplementar de 30 (trinta) dias sob a justificativa de que a documentação solicitada, conforme podese aferir no próprio termo de intimação, é bastante volumosa e complexa, o que torna o prazo supramencionado de cinco dias úteis insuficiente para seu fiel cumprimento (fl. 876). Em 21/12/2012 a contribuinte apresenta os esclarecimentos de fls. 877/1049, assim contextualizados: [...] conforme expediente datado de 21 de novembro de 2012, a intimada expôs à essa Secretaria da Receita Federal que está encontrando dificuldades para atender ao Termo de Intimação Fiscal em tela face à complexidade e ao grande volume de documentos envolvidos, além da ocorrência de extravio de caixas de arquivos que poderiam conter esses documentos, de modo que requereu dilação de prazo para o seu cumprimento. Mesmo diante da intensa busca de documentos que tem realizado, notadamente solicitando a via de contratos que celebrou com terceiros, ainda não logrou colacionar todos aqueles requisitados neste procedimento fiscal. Assim, diante da impossibilidade material de colacionar todas as comprovações requisitadas vem pela presente, apresentar à Vossas Senhorias, a documentação até agora obtida, demonstrando o seu inequívoco empenho em atender a fiscalização da melhor forma possível. [...] Os elementos apresentados se referiam a depósitos bancários cuja origem foi questionada, a 5 (cinco) pagamentos escriturados e a 1 (um) cheque compensado, que teria sido estornado. A autoridade lançadora consigna no Termo de Verificação Fiscal que aceitou as justificativas para estes dois últimos itens, estarem devidamente comprovadas (fl. 62). A interessada também complementou que o suprimento de numerário de 10/04/2010 foi um empréstimo realizado, em dinheiro, com a respectiva devolução no dia 20/11/2010, conforme razão anexo, mas consta do Termo de Verificação Fiscal que nenhuma prova foi associada à justificativa (fl. 62). A contribuinte finalizou requerendo dilação de prazo como medida razoável para o presente caso em que envolve um grande volume de documentos e extravio de caixas de arquivos, e, como destaca a Fiscalização, não se manifestou acerca do suprimento de caixa verificado em 30/11/2010 (fl. 62) Em 14/01/2013 é lavrada nova reintimação para que a contribuinte complementasse a resposta apresentada em 21/12/2012, de forma a prestar todos os Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 10 9 esclarecimentos solicitados através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 14/11/2012 e recebido em 16/11/2012. Registrouse, ainda, que os contratos de mútuo apresentados para justificar os créditos bancários efetuados na conta da contribuinte foram firmados entre terceiros, distintos da interessada, de forma que, a princípio, não configuram documentos hábeis e idôneos para tanto. Exigiuse, por esta razão, esclarecimentos acerca da correlação entre as empresas, bem como acerca dos lançamentos contábeis relativos aos pagamentos dos citados mútuos, visto que valores identificados como depósitos de terceiros nas contas bancárias da empresa foram debitados na conta banco e creditados na conta Caixa (fls. 1050/1051). Em 25/01/2013, a contribuinte esclareceu que (fls. 1053/1057): Alguns contratos juntados pela intimada em 21 de dezembro p.p., referemse a mútuos de pequena monta celebrados entre empresas do mesmo grupo da intimada com os seus empregados. Com efeito, os respectivos credores (a própria Consist Consulting Ltda., a Consist Software Ltda. e a Consist Consultoria, Sistemas e Representações Ltda.) compõem um grupo econômico horizontal, nos termos do art. 2o e seu §2o da CLT, ou seja: [...] Assim, diante do exposto, à luz do que dispõe a legislação pertinente e a atual jurisprudência, as obrigações assumidas por uma das sociedades do grupo econômico, se irradiam à todas as outras sociedades que estão sobre controle comum, como é o caso das empresas do Grupo Consist, que tem como sócias cotistas em comum a Pan Americam Computer System, Inc e John Fries Fenerstein. De outra parte, os referidos lançamentos foram contabilizados a débito de banco e a crédito de caixa por tratarse de valores e/ou empréstimos de empresas do mesmo grupo não gerando quaisquer prejuízos ou omissão de receitas entre si, conforme exposto acima. A autoridade lançadora consigna no Termo de Verificação Fiscal que a contribuinte em 04/02/2013, reapresentou documentos para comprovar o débito efetuado em 30/12/2010, no valor de R$ 226.470,95, referente a folha de pagamento (fl. 62). Depois de lavrar termo de continuação do procedimento fiscal em 19/03/2013 (fls. 1058/1059), a autoridade fiscal instruiu os autos com os extratos bancários do período fiscalizado (fls. 1064/1117) e reprodução de registros dos arquivos digitais (fls. 1118/1132), dos livros contábeis (fls. 1133/1295), além de procurações, contratos sociais e declarações (fls. 1296/1388), concluindo o procedimento fiscal em 17/05/2013 (fl. 1389). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 59/82, a autoridade lançadora observou que a contribuinte alterou sua razão social para ON9Consultoria Ltda em 18/01/2013 e quanto às justificativas apresentadas pela contribuinte destacou que: Vale salientar que os contratos de mútuo celebrados entre pessoas físicas e as empresas Consist Software Ltda (CNPJ 01.596.922/000176) e ConsistConsultoria, Sistemas de Representações Ltda (CNPJ 43.211.630/000118) não foram considerados como justificativas hábeis e idôneas a comprovar os créditos bancários efetuados nas contas da contribuinte, visto que as partes contratantes são pessoas distintas da interessada, conforme já relatado anteriormente. Há de se respeitar o princípio da entidade contábil. Ademais, não foram juntados a tais contratos quaisquer comprovantes de depósitos/créditos que espelhem os efetivos pagamentos recebidos dos mutuários. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 11 10 Frente a tal contexto, as infrações constatadas (omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e de saldo credor de caixa e de suprimento de numerário, bem como pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa) estão motivadas, fundamentalmente, na falta de apresentação dos documentos que justificassem os lançamentos contábeis e bancários questionados pela Fiscalização. Às fls. 68/82 estão individualizados os depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques compensados lançados a débito da conta caixa, a recomposição da conta caixa e os pagamentos bancários e cheques sem causa. A impugnação aos lançamentos está juntada às fls. 1392/1405, desacompanhada de qualquer elemento probatório, limitandose a interessada, neste ponto, a pretender a declaração de nulidade do lançamento em face de um maior tempo de espera para a localização ou registro de extravio involuntário de documentos. O recurso voluntário de fls. 1426/1441 apresenta as mesmas características. Como se vê, ao longo dos 12 (doze) meses em que se desenvolveu o procedimento fiscal, a contribuinte pouco se empenhou em atender às intimações. A autoridade fiscal, por sua vez, concedeu todas as prorrogações de prazo requeridas e permitiu à interessada demonstrar, ao menos, algum empenho na busca dos documentos exigidos. Esta busca, porém, resultou na apresentação, apenas, da documentação comprobatória de 5 (cinco) pagamentos escriturados e de 1 (um) cheque compensado, que teria sido estornado. Para além disso, a contribuinte apenas pretendeu vincular suas operações a contratos nos quais figuravam outras empresas do grupo, e que tratavam de empréstimos por valores globais, sem qualquer demonstração individualizada da correspondência de seus efeitos com os depósitos e pagamentos questionados pela Fiscalização. Justificou, ainda, que o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico faria com que as obrigações assumidas por uma das sociedades do grupo econômico, se irradiam à todas as outras sociedades que estão sobre controle comum. Concluise, do exposto, que a contribuinte conduziuse de forma desidiosa em face do que a legislação tributária lhe impõe, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 12 11 que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Inferese, do contexto antes apresentado, que a contribuinte pode ter destinado suas contas bancárias para receber créditos e promover pagamentos que interessavam às demais pessoas jurídicas do grupo econômico alegado. Todavia, cumprialhe manter o controle das operações promovidas em nome de terceiros, de modo a permitir à Fiscalização direcionar para estes os questionamentos de interesse tributário. Ao contrário, a contribuinte apenas invocou a ligação com as demais empresas do grupo para justificar genericamente as operações, inviabilizando qualquer correspondência entre as operações objetivamente questionadas e a natureza dos depósitos e pagamentos. Daí a pertinente referência feita pela autoridade fiscal ao princípio da entidade, que não proíbe a pessoa jurídica de destinar seus recursos em favor de terceiros, ou ser depositária de recursos de outros, mas exige que a escrituração contábil identifique os direitos e obrigações decorrentes destas intermediações. A contribuinte, optando pela apuração dos resultados tributáveis segundo a sistemática do lucro presumido, deixou de manter referido controle em sua contabilidade, e caso o tenha mantido em registros auxiliares, descuidouse de sua guarda, devendo arcar com o ônus decorrente do descumprimento de suas obrigações acessórias, consoante fixado nos dispositivos legais referidos no lançamento, assim consolidados no RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; [...] Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). [...] Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 13 12 transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). [...] Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). (negrejouse) Inócua, assim, a referência ao extravio de caixas de arquivos que continham a maioria dos documentos requeridos, os quais bastavam para subsidiar a escrituração contábil da empresa autuada. Não houve indeferimento das prorrogações de prazo requeridas durante o procedimento fiscal, e a impossibilidade de cumprimento das intimações fiscais decorreu da desídia da contribuinte no cumprimento das obrigações acessórias que a legislação tributária lhe impõe. A lei exige que os documentos de suporte da escrituração e comprobatórios das operações bancárias sejam mantidos sob guarda, a evidenciar que a autoridade fiscal não tem a obrigação de aguardar indefinidamente até que o sujeito passivo entenda exauridas as possibilidades de localização daqueles elementos. Destaquese, ainda, que embora afirmando realizar operações em prol do grupo econômico a que pertence, a contribuinte em momento algum manifestou a intenção de buscar, junto às demais empresas ligadas, elementos que pudessem justificar os depósitos e pagamentos questionados. Não houve desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, porque a autoridade fiscal ofereceu diversas oportunidades para que o sujeito passivo demonstrasse suas operações, e transcorridos outros 12 (doze) meses depois do encerramento do trabalho fiscal nada também foi juntado aos autos para demonstração das operações no âmbito do contencioso administrativo tributário. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. No mérito, a recorrente centra sua defesa na inobservância do princípio da capacidade contributiva, confrontando especialmente a exigência pertinente ao IRRF com o seu faturamento anual, afirmandoa confiscatória e hábil a inviabilizar sua atividade empresarial. A postura da recorrente, neste ponto, mostrase contraditória com suas alegações no curso do procedimento fiscal, por confrontar apenas seus resultados com os efeitos tributários dos pagamentos que disse ter promovido em razão das responsabilidades decorrentes do grupo econômico ao qual pertence. De outro lado, a Lei nº 8.981/95, em seu art. 61, estabelece que, na ausência de prova do beneficiário e/ou da causa do pagamento, presume se que este corresponde a um rendimento tributável e, à míngua de qualquer esclarecimento Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 14 13 acerca do beneficiário ou do tipo de rendimento pago, impõe o reajustamento do pagamento, como se feito líquido do imposto, e atribui à fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda devido, estimado à alíquota de 35%. Esta a razão, portanto, para a autoridade julgadora de 1a instância, uma vez atendidos os requisitos previstos em lei, não apreciar os argumentos deduzidos pela contribuinte acerca de sua inconstitucionalidade, impedimento que também se verifica neste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). A recorrente prossegue apontando a indevida cobrança de tributo como penalidade, todavia, como demonstrado, a lei estabelece a presunção de ocorrência do fato gerador do IRRF em face do descumprimento da obrigação acessória de guarda dos elementos probatórios da causa e do beneficiário do pagamento, de modo que a argumentação desenvolvida pela contribuinte novamente conduz ao pedido de declaração de inconstitucionalidade do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Quanto às referências ao art. 1o da Lei nº 8.021/90, tratase de dispositivo legal dirigido a instituições financeiras, com vistas a assegurar que todos os pagamentos ou resgates de aplicações financeiras, bem como os rendimentos ou ganhos daí decorrentes, tivessem seus beneficiários identificados, sob pena de multa igual ao valor da operação. De toda sorte, vêse que a penalidade de valor igual ao da operação é, em valor principal, superior à exigência de tributo equivalente à 35% aplicada sobre o pagamento reajustado. Também impróprias se mostram as referências ao Parecer Normativo nº 01/2002, que cogita da aplicação, apenas, de penalidades à fonte pagadora por falta de retenção de imposto considerado antecipação do devido na declaração pelo beneficiário, sob a premissa de que se sabe a natureza do rendimento e o beneficiário contra o qual deve ser exigido o tributo: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Logo, não há, no presente caso, erro na identificação do sujeito passivo, pois nos termos da presunção estabelecida pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95, é a fonte pagadora que reveste esta condição quando deixa de identificar a causa e/ou o beneficiário do pagamento. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10972.720023/201323 Acórdão n.º 1101001.173 S1C1T1 Fl. 15 14 Por fim, quanto ao excesso da alíquota aplicada, tratase também de imposição do dispositivo legal, não sendo possível, aqui, questionar as razões que levaram o legislador a adotála. Assim, subsistindo exigíveis os valores lançados, são também devidos os juros de mora e a multa de ofício aplicados. Diante de todo o exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000152/00-49
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
Decadência.
Tendo o lançamento se reportado a fato gerador ocorrido em 31/12/1995 e cientificado ao sujeito passivo em 18/02/2000, não se verifica a decadência do direito do Fisco seja pela regra de contagem de prazo previstas no art. 150 do CTN, seja pela regra estabelecida no art. 173, I do mesmo diploma.
Numero da decisão: 1801-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 Decadência. Tendo o lançamento se reportado a fato gerador ocorrido em 31/12/1995 e cientificado ao sujeito passivo em 18/02/2000, não se verifica a decadência do direito do Fisco seja pela regra de contagem de prazo previstas no art. 150 do CTN, seja pela regra estabelecida no art. 173, I do mesmo diploma.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.000152/00-49
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372316
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-002.057
nome_arquivo_s : Decisao_109200001520049.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 109200001520049_5372316.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5587778
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031038083072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000152/0049 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.057 – 1ª Turma Especial Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria AI CSLL Recorrente RPS Fotografias Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento se reportado a fato gerador ocorrido em 31/12/1995 e cientificado ao sujeito passivo em 18/02/2000, não se verifica a decadência do direito do Fisco seja pela regra de contagem de prazo previstas no art. 150 do CTN, seja pela regra estabelecida no art. 173, I do mesmo diploma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 52 /0 0- 49 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a exigência de CSLL consubstanciada nos autos. Adoto o relato da DRJ em Curitiba/PR: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 30/33, que exige o montante de R$ 1.011,28 de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, R$ 758,46 de multa de oficio prevista no art. 4°, I, da Lei n° 8.218/1991; e art. 44,1 da Lei n.° 9.430/1996 c/c art. 106, II, "c", da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência resulta da compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, e o valor foi apurado conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 25/26, tendo como enquadramento legal o art. 2° e §§, da Lei n° 7.689(1 1988; art. 57, caput, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n° 8.981/1985; e art. 58, da Lei ° 8.981/1985. Cientificada em 18/02/2000, a interessada apresentou, tempestivamente em 20/03/2000 a impugnação de fls. 37/38, instruída com os documentos de fls. 39/165, alegando que partindo das informações constantes no termo de verificação, relatadas pelo auditor fiscal, verificou que o saldo remanescente de base de cálculo negativa da contribuição social a compensar informado pelo auditor fiscal não confere com o valor apurado no LALUR. A Turma Julgadora de 1a. Instância consignou que a empresa não justificou porque as informações registradas no LALUR estariam divergentes daquelas apuradas pela auditoria fiscal, observando que a contribuinte teria se utilizado de coeficientes de correção não oficiais, além de ter calculado, erroneamente, a base de cálculo da contribuição, o que justificaria a manutenção do lançamento. Notificada da decisão apresentou a interessada, em 21/05/2008, recurso voluntário. As razões de defesa limitaramse a invocar a nulidade do lançamento por ter sido formalizado após o prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Não se encontra acostada aos autos a cópia do AR com indicação da data em que a interessada teria sido cientificada da decisão da DRJ em Curitiba/PR. Contudo, de acordo com o despacho à fl. 203 do p.d., do SECAT da DRF em Joinville/SC, a interessada teria sido notificada em 22/04/2008, verificandose, assim que o recurso apresentado em 21/05/2008, é tempestivo, razão pela qual deve ser conhecido. As razões de defesa resumiramse a afirmar que o lançamento em questão teria sido alcançado pelo prazo decadencial. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000152/0049 Acórdão n.º 1801002.057 S1TE01 Fl. 3 3 O lançamento se refere ao anocalendário 1995, ocasião em que a recorrente apurou seus resultados com base nas regras do lucro real anual. Nessas condições, o fato gerador da CSLL ocorreu em 31/12/1995. Consta dos autos que a recorrente foi cientificada do auto de infração na pessoa de seu gerente geral, Sr. Diógenes Pinheiro Jr., em 18/02/2000. Portanto, seja pela aplicação da regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150 do CTN, seja pela aplicação da regra de contagem prevista no art. 173, I, o lançamento não foi colhido pela decadência. Não havendo outras razões de defesa a serem analisadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007420/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - REGRA GERAL - ARTIGO 173, INCISO I DO CTN
Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
IRRF - ALCANCE - ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 - PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - QUALQUER PESSOA JURIDICA - FALTA DE COMPROVAÇÃO - INCIDÊNCIA.
Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.
Numero da decisão: 1202-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - REGRA GERAL - ARTIGO 173, INCISO I DO CTN Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. IRRF - ALCANCE - ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 - PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - QUALQUER PESSOA JURIDICA - FALTA DE COMPROVAÇÃO - INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.007420/2009-21
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375714
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1202-001.192
nome_arquivo_s : Decisao_10980007420200921.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
nome_arquivo_pdf_s : 10980007420200921_5375714.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5603993
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031041228800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 16 1 15 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007420/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.192 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria IRPJ Recorrente CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO REGRA GERAL ARTIGO 173, INCISO I DO CTN Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. IRRF ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURIDICA FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 74 20 /2 00 9- 21 Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 17 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 126182), referente ao anocalendário de julho de 2003 a dezembro de 2006, no qual foi exigido da contribuinte crédito tributário, conforme demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo, acostado às fls. 01. Nesse ponto, destacase que a contribuinte é optante do regime de apuração pelo lucro presumido. O lançamento do presente processo administrativo fiscal decorreu de apuração sobre cumprimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ , no qual, foram identificadas infrações, e por conseqüência, insuficiência no recolhimento do citado imposto. Do procedimento fiscal que apurou o cumprimento do IRPJ desencadeou, além do lançamento aqui apreciado – IRRF , outros dois autos de infração, que foram objetos de processos administrativos distintos, relativos ao próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica (PAF n° 10980.007415/200918) e de multa regulamentar (PAF n° 10980.007421/200975). Os eventos e circunstâncias verificadas ao longo do procedimento fiscal foram definidos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 183204. A redação do relatório foi feita de forma comum aos três processos, no propósito de facilitar a compreensão dos pontos relevantes: a ação fiscal foi determinada por haver indícios de omissão de receitas, já que a receita declarada pela contribuinte para pagamento de impostos e contribuições foi muito inferior ao valor recebido da Prefeitura Municipal de Curitiba – URSS. Outro indício foi que durante os 4 (quatro) períodos fiscalizados – julho de 2003 a dezembro de 2006 – a movimentação financeira bancária foi maior que a receita declarada. E também, a Policia Federal realizou solicitação para instauração da ação fiscal, uma vez que foram feitos diversos saques quantias vultuosas nas instituições bancárias; ao se realizar os cruzamentos das notas fiscais emitidas com as receitas declaradas percebeuse a prática de omitir, em todos os períodos de apuração, valores significativamente superiores aos declarados, conforme demonstrativo de fls. 185186; a contribuinte foi intimada por diversas vezes para manifestarse acerca das diferenças apuradas, apresentando cada vez um esclarecimento diferente no intuito de corrigir o anterior, no entanto, acabou por contrariar a si própria e reforçar as irregularidades identificadas, dessa forma, as respostas foram considerados insuficientes para justificar as diferenças; nos anoscalendários de 2003 e 2004 foram apresentados livros caixa sem escrituração de receitas. Em contrapartida, nos anoscalendários de 2005 e 2006 foram apresentadas três versões de escrituração. Na primeira, o livro caixa também foi apresentado sem escrituração. Num segundo momento, a contribuinte apresentou Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 18 3 livro razão com receitas no montante de R$ 2.403.077,99 e R$ 3.600.281,96, para os anos de 2005 e 2006, respectivamente. Por último, foi apresentada nova escrita em que a receita ascendeu para R$ 9.565.834,65 e R$ 27.059.151,96, para aqueles anos; dando continuidade ao procedimento fiscal, determinouse a apresentação dos extratos bancários, e como resposta, a contribuinte autorizou a solicitação diretamente aos bancos. Posteriormente, a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba determinou a quebra do sigilo bancário, o que deu o acesso aos documentos de débitos e créditos de valor igual ou superior a R$ 3.000,00, também fornecidos pelas instituições bancárias; durante a fiscalização o fisco apurou evidências de ser antiga e reiterada a prática de omissão de receitas; o fisco entendeu relevante que apesar da contribuinte ter identificado apenas uma pequena parcela de sua receita, a grande parte dos tributos respectivos deixou de ser recolhida, tendo a contribuinte intentado extinguilos por meio de compensação com créditos inexistente, conforme cópia do despacho decisório do processo n° 10980.720428/200986 (anexo IV); foram identificadas diversas irregularidades nos livros caixa dos anos calendários de 2003 e 2004, a seguir listadas: a) falta de escrituração de parte da movimentação em conta bancária; b) cheques compensados contabilizados como os recursos tendo ingressado no caixa, mas sem o registro da saída respectiva; c) contabilização de depósitos sem a contabilização do respectivo recebimento; d) pagamento de financiamentos, funcionários, cobrança ou transferências bancárias, contabilizados como entrada de caixa, sem a respectiva contabilização da saída; e) falta de contabilização de recebimento das notas fiscais de prestação de serviços. Ficou constatado que além da falta de registro contábil de grande parte das operações da empresa, também não foram apresentados os documentos que embasaram a escrituração. Dessa forma, as deficiências da escrituração determinaram a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado; com relação os anoscalendários de 2005 e 2006, a autoridade fiscal apontou inúmeras inconsistências na escrituração, concluindo ao final que as três versões da escrita apresentadas eram completamente inverídicas nos registros realizados. Pelos vícios, inexatidões e inúmeras inconsistências também arbitrouse o lucro do respectivo período; a autoridade fiscal determinou à contribuinte que identificasse os beneficiários de recursos sacados das contas bancárias, além de informar as operações respectivas e apresentar a documentação comprobatória. Com a resposta de todos os termos de intimação, a fiscalização procedeu à exclusão dos valores que foram sacados diretamente no caixa, os que a empresa Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 19 4 demonstrou tratarse de distribuição de lucros e referentes a despesas, e elaborou o demonstrativo de fls. 113125, do qual constam todos os valores comprovadamente destinados a terceiros (cheques nominais, TED, transferências, pagamentos de funcionários, pagamentos de duplicatas, etc), cujos beneficiários não foram identificados e/ou não foram comprovadas as operações que causaram a retirada dos recursos dos bancos. Em suma, a autoridade fiscal formulou o demonstrativo com relação apenas aos valores que ela própria comprovou através do procedimento de verificação fiscal que foram destinados a terceiros, mas que a contribuinte não logrou êxito em identificar os beneficiários e/ou as operações que causaram a retirada dos recursos dos bancos. A fiscalização esclarece que os valores sacados em dinheiro pela própria empresa, no total de R$ 5.714.421,04, nos quatro anoscalendário fiscalizados, foram excluídos, para fins de lavratura do auto de infração alusivo ao IRRF, em virtude da impossibilidade de se comprovar que os valores foram destinados a terceiros. Os recursos retirados da empresa sem identificação dos beneficiários ou com identificação, mas sem a comprovação da causa da operação, no total de R$ 9.930.637,50, foram objeto de lançamento do IRRF — neste PAF alíquota preestabelecida, com a base de cálculo reajustada. assinalou o fisco que por 38 (trinta e oito) meses a contribuinte omitiu grande parte de suas receitas, utilizandose do artifício de não escriturálas contabilmente, além de omitila nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas, dessa forma, no lançamento relativo ao IRPJ decorrente de omissão de receitas foi aplicada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%; sobre os valores do IRPJ lançados como não recolhidos, bem como do IRRF decorrente da infração caracterizada como pagamentos a beneficiários não identificados/operações sem causa, foi aplicada a multa de oficio de 75%; em PAF específico (como já relatado – multa regulamentar), foi aplicada contra esta contribuinte — e também contra sócios multa regulamentar por ter efetuado nos anoscalendário de 2005 e 2006 distribuição de lucros, em momentos que possuiria débitos não garantidos com o Fisco Federal; A contribuinte foi cientificada do lançamento em 29/07/2009 (fls. 166), e apresentou impugnação (fls. 209272), em 31/08/2009, portanto tempestiva, em teor comum aos três lançamentos distintos (IRPJ e reflexos, IRRF e Multa Regulamentar), esclarecendo que o pedido se restringia à questão específica tratada em cada PAF. Em síntese, alegou: A) Aplicáveis a todos os processos: a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício realizado pelo fisco se deu em 29 de julho de 2009, dessa forma, entende a recorrente que os lançamentos efetuados até o mês de julho de 2004 estariam fulminados pela decadência, uma vez que teria transcorrido prazo superior a 5 (cinco) anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a formalização do lançamento de ofício. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 20 5 Alegou que todos os tributos – IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRRF – presentes nos autos de infração são sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, na qual a legislação impõe ao sujeito passivo a antecipação dos recolhimentos sem qualquer atividade prévia da autoridade administrativa, portanto sujeitos a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4 do Código Tributário Nacional – CTN. Asseverou que a regra geral é aquela prevista pelo artigo 173, I, do CTN. No entanto, a regra geral é preterida à regra especial, e o art. 150, § 4 do CTN é regra especial a ser aplicada para o processo em questão. Dessa forma, nestes casos aplicase, a norma, segundo a qual, nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Alegou a impugnante que não houve o intuito de fraude, uma vez que, desde o início da fiscalização, cumpriu com as informações e documentos que lhe foram solicitados, por isso, não haveria possibilidade de ocorrer o deslocamento para a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Apontou que as irregularidades foram cometidas por seu departamento contábil. Entendeu que, se não houvesse emitido notas fiscais, adulterado o verdadeiro valor das notas ou falsificado documentos, estaria, ai sim, agindo com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias matérias necessárias a sua mensuração em desfavor do fisco. Apresentou jurisprudência em que o CARF já se manifestou no sentido que a falta de escrituração contábil, desclassificação desta ou omissão de receitas das DIPJ não configuram sonegação, fraude ou conluio, figuras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. B) Alegações exclusivas do auto de infração do IRRF Alegou que os beneficiários foram identificados nas respostas aos Termos de Intimação n° 25 e 28, inclusive com a explicação da causa. Acrescenta que, em face de outros motivos pessoais, tendo direito à distribuição de lucro, pagou despesas pessoais e nesse ponto, além de se ver autuado, ainda foi invadido em sua intimidade e privacidade, sendo violado em seu direito garantido pela Constituição Federal; Para a impugnante a autoridade fiscal não comprovou que os pagamentos não foram identificados. Além de que, a autoridade fiscal teve acesso às contas bancárias e dessa forma, teria identificado os beneficiários dos pagamentos realizados pela mesma; Dissertando sobre o art. 61 da Lei n° 8.981/95 e a necessidade imposta de identificar, como a lei disciplina, o caso do pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa, argumentou que o caput abrange todas as pessoas jurídicas, sem exceção, mas restringe o alcance da hipótese quando impõe a tributação apenas quanto ao beneficiário não identificado. Sustentou que o § 1°, adiciona outra circunstância material não prescrita pelo caput. Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 21 6 Argumentou no sentido que também é devido o imposto, quando não comprovada a operação ou sua causa, mas o comando complementar impõe uma limitação, pois por ele só são alcançadas as empresas obrigatoriamente sujeitas à contabilização de seus atos negociais. Adicionou que, se a empresa estiver desobrigada de escrituração contábil, deverá ser aplicado somente o caput, e que apenas estará tipificada a infração nas pessoas jurídicas que optarem pela apuração do imposto com base no lucro presumido quando o beneficiário não for identificado. Enfatizou que a fonte somente será imputável às empresas optantes pelo lucro presumido quando estiver presente qualquer que seja a combinação de hipóteses, a figura do beneficiário não identificado, e que outra ocorrência que exclua a figura do beneficiário não identificado remeterá à imposição exclusivamente para a pessoa jurídica que apure o seu imposto com base no lucro real. Após esse raciocínio concluiu que, como era sujeita à tributação pelo lucro presumido, somente poderia sofrer lançamento com relação a pagamentos a beneficiários não identificados, mas no caso concreto, os beneficiários teriam sido identificados pela própria fiscalização, dessa forma, não subsistiria o lançamento; Por fim, argumentou que, após o transcurso do prazo para entrega de declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do IRRF se transfere para o beneficiário do rendimento. Mesmo diante dos argumentos aduzidos pela impugnante, a 1ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0624.305, fls. 562/573, no qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, em virtude do acolhimento da decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, exonerando do IRRF lançado a importância de R$ 280.319,49, tendo a seguinte ementa: Acórdão 0624.305 – 1ª Turma da DRJ/CTA Sessão de 05 de novembro de 2009 Processo 10980.007420/200921 Interessado CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA CNPJ/CPF 81.054.900/000113 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 22 7 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada. A DRJ inicia seu voto afirmando que o prazo decadencial do IRRF é aquele previsto pelo art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Por se tratar de imposto sujeito a lançamento por homologação e, principalmente, pelo fato da fiscalização não ter vislumbrado o dolo que impediria a aplicação mais favorável previsto no referido artigo, a multa que lhe foi aplicada foi a de 75 % (multa simples). No entanto, conforme as folhas 555, no período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2004, a impugnante não implementou qualquer recolhimento sob o código 5217, relativo a pagamentos a beneficiários não identificados. O que levou a conclusão que durante esse período não houve pagamento a ser homologado. Assim, não haveria a possibilidade de se aplicar a regra relativa à homologação, devido à ausência de pagamentos homologáveis. Afirmou e apresentou que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacifica neste sentido. Dessa forma, a contagem do prazo decadencial foi efetuada com base no artigo 173, inciso I do CTN. Todos os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003 venceram no próprio anocalendário, já que o termo inicial do prazo de decadência (o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, artigo 173, inciso I do CTN) corresponde ao dia primeiro de janeiro de 2004. Portanto, a decadência relativa ao anocalendário de 2003 se consumou em 31/12/2008, uma vez que a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício foi realizado pela autoridade fiscal em 29 de julho de 2009. Essa situação não ocorreu com os fatos geradores no anocalendário de 2004, pois o termo inicial da decadência corresponde ao dia primeiro de janeiro de 2005. Logo, a decadência relativa a esse período somente se consumaria no dia 31/12/1009. Quanto ao argumentado em relação ao artigo 61 da Lei no 8.981/95, a 1ª Turma da DRJ/CTA entendeu que o comando do artigo é no sentido da relevância da comprovação dos beneficiários e/ou dos pagamentos, sendo a escrituração, portanto, irrelevante. Como a impugnante não procedeu a identificação dos beneficiários e/ou pagamentos, a DRJ entendeu pela incidência do IRRF sobre os pagamentos que foram comprovadamente destinados a terceiros pela autoridade fiscal, demonstrado nas fls. 113/125. Em seguida a DRJ enfrentou o alegado quanto a transferência da responsabilidade do IRRF para o beneficiário do rendimento, quando ocorrer o transcurso do prazo para entrega da declaração de ajuste anual. Para a 1ª Turma da DRJ/CTA essa afirmação faria sentido em outro contexto. E para que fizesse sentido, seria necessário que a impugnante apresentasse documentação comprovando, de forma inequívoca, os beneficiários e também as causas dos pagamentos. Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 23 8 Nesta esteira, a impugnação foi procedente apenas quanto a decadência dos lançamentos ocorridos no anocalendário de 2003. A impugnante tomou ciência do acórdão n° 0624.305 proferido 1ª Turma da DRJ/CTA em 25 de novembro de 2009 (fls. 583), e em, 24 de dezembro de 2009 (fls. 584), apresentou Recurso Voluntário (fls. 584/612) retomando os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno I – Do juízo de admissibilidade Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, pois: Processos que tenham por objeto a apuração de IRRF, uma vez decorrente de apuração de auditoria fiscal no IRPJ são da competência desta 1ª Seção; O contribuinte foi intimado em 25 de novembro de 2009 (fls. 583) e, tempestivamente, em 24 de dezembro de 2009 (fls. 584), protocolou o recurso; A petição está assinada por quem de direito representa a contribuinte – fls. 612. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomase conhecimento. II – Das Matérias Controvertidas II.I – Da Decadência Conforme se depreende do Recurso Voluntário, a recorrente alegou decadência para dos créditos anteriores a julho de 2004, com base no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional – CTN. Aduziu que essa regra estabelece para os tributos sujeitos a disciplina do lançamento por homologação, como no caso sub judice (IRRF), prazo decadencial quinquenal com sua contagem disparada a partir da ocorrência da hipótese (ou "fato gerador"), com exceção das situações onde fosse comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 24 9 Dissertou que não houve o intuito de fraude, sonegação ou conluio, razão pela qual não deveria ter havido o deslocamento da regra da contagem do prazo decadencial da regra específica do artigo 150, § 4° para o artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Neste sentido, como foi cientificada do lançamento em 29/07/2009, pugnou pela decadência do direito de lançar relativo a todos os fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 2004. Em que pese o esforço do patrono do recorrente, essa tese não merece ser acolhida. Como bem observou a DRJ, conforme se intui da fl. 555, no período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2004, a recorrente não adimpliu com qualquer recolhimento sob o código 5217, relativo a pagamentos a beneficiários não identificados. Essa situação é o bastante para identificar que não ocorreram nesse ínterim pagamentos suscetíveis de serem homologados. Portanto, não há que se cogitar a aplicação da regra relativa à homologação, uma vez presente a ausência de pagamentos homologáveis. Aliás, essa é a linha da esmagadora jurisprudência, ao contrário do que pretendeu o recorrente demonstrar que a falta de pagamentos não ensejaria o deslocamento da regra específica (artigo 150, § 4°) para a regra geral (o artigo 173, inciso I) prevista no CTN, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. RECURSO DESPROVIDO. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. 2. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, deve ser aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, motivo pelo qual a Fazenda Pública estadual lavrou Notificação Fiscal em 25 de janeiro de 1988, pugnando por débitos de ICMS referentes ao período de janeiro de 1982. Assim, o prazo que o Fisco estadual possuía para efetuar o lançamento era até 1º de janeiro de 1988, tendo em vista que, na hipótese, o prazo decadencial de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário é de cinco Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 25 10 anos a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (art. 173, I, do CTN). Portanto, efetivamente se implementou a decadência, não havendo o que ser reformado no acórdão recorrido. 4. Recurso especial desprovido. TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (artigo 150, parágrafo 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Recurso especial provido. (REsp 279473/SP2002, 2ª T., STJ). No mesmo sentido, REsp 445.137/MG2006, 2ª T. e REsp 172.997/SP1999, 1ª T. Ao contrário do que afirmou a recorrente, os membros da DRJ se valeram, sim, de trecho da ementa que retrata fielmente a situação sob apreço e entendimento dominante da Corte, haja vista que essa posição é amplamente aplicada pelos Tribunais e também seguida pela doutrina. Na verdade, o que pretendeu a recorrente foi utilizar do artifício da hermenêutica invertendo o verdadeiro significado, sentido e seguimento dos artigos e jurisprudência a ser aplicada aos autos. A propósito, a recorrente procedeu dessa maneira em grande parte do presente recurso, conforme será demonstrado ao longo do voto. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e da doutrina majoritária (Ricardo Lobo Torres, Sacha Calmon Navarro Coelho, Luciano Amaro e Paulo de Barros Carvalho) é claro para os casos de lançamentos por homologação, devendo ser utilizado o artigo 150, parágrafo 4º do CTN, quando houver antecipação de pagamento, bem como nos caso em que não for verificada a ocorrência de dolo, simulação ou fraude. Por outro lado, o artigo 173, inciso I do CTN será aplicado nos casos em que não houve pagamento de tributos. Nessa esteira, procedendo à contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 173, inciso I do CTN, todos os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003 estão fulminados pela decadência, no entanto, o mesmo não ocorre com os créditos tributários lançãoados no anocalendário de 2004. Portanto, mantêmse a decisão proferida pela DRJ neste sentido. II.II – Do artigo 61 da Lei n° 8.981/95 – Em suma, alegou a recorrente quanto ao artigo 61 da Lei n° 8.981/95 que todas as pessoas jurídicas estariam adstritas ao seu caput, independentemente de apurarem Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 26 11 tributos pela sistemática do lucro real ou presumido, portanto, seria global a obrigação de identificar os beneficiários. No entanto, seu § 1º acrescentaria uma circunstância material não prevista pelo caput quanto aos pagamentos sem causa. No seu entender, apenas as pessoas jurídicas sujeitas ou optantes da tributação pelo lucro real é que poderiam ser tributadas na fonte, quando não verificada a causa dos pagamentos. Ou seja, o caput do artigo 61 da Lei n° 8.981/95 seria aplicado apenas as pessoas jurídicas optantes ao regime de apuração pelo lucro presumido, acaso não identificados os beneficiários, enquanto seu parágrafo único as pessoas jurídicas sujeitas/optantes ao regime de apuração pelo lucro real, se não identificado a causa dos pagamentos. Como dito anteriormente, neste ponto, novamente, o recorrente utiliza do artifício da hermenêutica para tentar se eximir da obrigação tributária. O comando do citado artigo é claro e unicamente no sentido de abranger a tributação para todos os pagamentos sem causa, demonstrando a desnecessidade de eventual escrituração, ao invés de delimitar a abrangência apenas àquelas pessoas jurídicas que forem sujeitas a escrituração por opção ou comando legal. Vejamos o que diz a redação do citado artigo: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Pela redação do artigo percebese que o comanda da norma é no sentido da comprovação da veracidade da operação e/ou de sua causa, mediante a documentação respectiva. Dai a irrelevância de estar ou não a mesma contabilizada segundo este ou aquele regime de tributação. A jurisprudência é justamente nesse sentido, senão vejamos: Processo n° 15983.000320/200614 Recurso n° 162.191 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 130100.120 — 3' Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrentes: 4a TURMA / DRJ SÃO PAULO1 / SP e VIAÇÃO VALE DO RIBEIRA TRANSPORTE E TURISMO LTDA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 27 12 Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar o beneficiário de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não é suficiente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, pela apresentação de cópias dos cheques nominativos utilizados. Não restando dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos a terceiros, mediante cheques compensados ou sacados por outras pessoas físicas ou jurídicas "na boca do caixa", compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. No mesmo sentido, correta a decisão de primeira instância que exonerou a exigência incidente sobre pagamentos para os quais o contribuinte comprovou, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as operações que deram causa a pagamentos por ele efetuados. Processo nº 10384.001021/200985 Recurso nº 510.779 Voluntário Acórdão nº 130200.490 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação o u sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Ressaltase que os pagamentos sobre os quais houve a incidência do IRRF são aqueles discriminados nos demonstrativos de fls. 113 e 125. Neste diapasão, o que o recorrente deveria ter feito para que houvesse o reconhecimento da comprovação dos pagamentos e/ou identificação dos beneficiários de forma incontroversa, seria trazer ao processo os comprovantes relativos aos pagamentos constantes do aludido demonstrativo. De maneira oposta, o recorrente apenas se limitou a declarar que os beneficiários e a causa das operações foram identificadas pela própria autoridade fiscal e por ele próprio, na medida em que, fora determinado a quebra do sigilo fiscal. No entanto, esse argumento não procede, pois é corolário inseparável para a incidência do IRRF com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, que haja a apuração, reconhecimento e comprovação por parte do contribuinte de pagamentos efetuados a terceiros. Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 28 13 Tanto é verdade que, sabedor dessa situação, a autoridade fiscal ao estruturar o citado demonstrativo (fls. 113/125) extirpou valores que foram sacados diretamente no caixa durante os quatro anoscalendário fiscalizados (no montante de R$ 5.714.421,04), os que a empresa demonstrou tratarse de distribuição de lucros e referentes a despesas. Assim remanesce no demonstrativo apenas os valores, que comprovadamente foram destinados a terceiros como, por exemplo, cheques nominais, TED, transferências, pagamentos de funcionários, pagamentos de duplicatas, dentre outros. Não é despiciendo acrescentar, que bastava a recorrente trazer aos autos provas que demonstrassem a correlação com os pagamentos identificados no supracitado demonstrativo (fls.113/125) – com coincidência de data e valor para ver afastado o lançamento efetuado no presente processo. Todavia, o recorrente apenas se limitou no recurso voluntário a reiterar as alegações já acostadas na impugnação, não trazendo elementos ou provas que pudessem afastar as conclusões do trabalho fiscal nesste item. Aliás, a análise dos documentos apresentados pelo recorrente foi enfrentada pela DRJ, se não vejamos: A maior parte dos documentos apresentados se refere ao ano calendário de 2003, sobre o qual foi reconhecida a decadência. Por outro lado, a esmagadora maioria se refere a pagamentos de obrigações de Noeli Terezinha Vendramin, assumidos em seu próprio nome, para edificação de unidade imobiliária, como se vê as fls. 309, 314 a 329, 332, 334, 335, 338, 342, 345, 348, 350, 352, 354, 356, 357, 359, 363, 365, 366, 367, 370, 372, 374, 375, 376, 379, 381, 384, 386, 388, 390, 391, 394, 395, 396, 398, 400, 402, 404, 405, 408, 411, 412, 414, 415, 416, 418, 420, 424, 427, 429, 430, 432, 437, 440, 441, 442, 444, 445, 446, 479, 451, 453, 454, 456,458, 459, 461 463, 466, 468, 469, 470, 472, 473, 475, 476, 477, 480, 482, 484, 486; Analisouse também o Contrato de Câmbio de Venda Tipo 04, Transferências Financeiras para o Exterior no valor de R$ 241.929,60 (fls. 541543), relativo a pagamento constante do Demonstrativo (fls. 120). Mencionado documento não reconhecido como comprovante idôneo do beneficiário e da causa da operação, à escassez de documentação complementar que corrobore o beneficiário (Manuel Antonio Alcala Murilo) e a operação (Serv. Divout Aluguel de Imóveis). A propósito desse suposto beneficiário, foi registrado que, por meio de pesquisa cujas telas se encontram às fls. 556557, que o mesmo não compõe a base de contribuintes do Ministério da Fazenda. Logo, mesmo existindo um nome no documento, não há a possibilidade de o Fisco identificálo e dele exigir o IRRF relativo ao pagamento; Após foi averiguada o Termo de Transação de fls. 488492, o recibo de fls. 493 e a listagem de fls. 494495. Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 29 14 Pelo Termo de Transação, de 01/12/2005, a recorrente que era demandada judicialmente por duas empresas que alegavam ter direito aos percentuais de 20% e 5% sobre os valores mensais pagos a fiscalizada pela Prefeitura de Curitiba/URBS comprometeuse a pagarlhes mensalmente a importância de R$ 70.000,00. O recibo referese ao primeiro pagamento, ocorrido em 05 de dezembro de 2005. Já a listagem referese aos pagamentos posteriores, discriminando pessoas que teriam recebido os numerários respectivos, durante o ano calendário de 2006. Com relação a tais pagamentos, registrouse que o lançamento incidiu apenas sobre aquele ocorrido em 04/01/2006 (fls. 119). Os demais não constam do demonstrativo de pagamentos, o que autoriza a conclusão de que o IRRF respectivo não foi lançado no presente auto de infração. Além do mais, a recorrente assumiu explicitamente os ônus tributários desses pagamentos, como queda inequívoco nos seguintes excertos do Termo de Transação, verbis: "2.1. O repasse do valor mensal determinado a SOLUÇÃO e A WIIGINESCKI será efetuado, imediatamente após o referido pagamento, com prazo impreterível de 48 horas, independentemente da emissão de nota fiscal, através de repasse/crédito bancário para contas correntes a serem informadas à CONSILUX (...). 2.4. O valor mensal a ser repassado/pago pela CONSILUX à SOLUCÃO e WIGINESCKI será isento de quaisquer descontos relativos à tributação, a qual incidirá e será suportada integralmente pela CONSILUX, ou seja, COMPETE À CONSILUX O ÔNUS DE RECOLHER A INTEGRALIDADE DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE OS VALORES RECEBIDOS PELO REFERIDO. Contrato com o Poder Público, inclusive sobre os valores repassados SOLUÇÃO e WIGINESCKI, que não emitirão Notas Fiscais. À vista disso, acertadamente, nenhum desses pagamentos foram reconhecidos pela DRJ como em condições de serem excluídos da base imponível, seja porque nela não estão incluídos, com exceção de um, como dito, seja porque em nenhum momento foi declinada e comprovada a operação que lhes deu causa. Assim, essa é a posição aqui adotada. II.III – Da Declaração de Ajuste Anual e IRRF Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 30 15 Por último, enfrentase o arrazoado pela recorrente quanto a declaração de ajuste anual. Asseverou que após o transcurso do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do IRRF transferese para o beneficiário do pagamento. Como já ressaltado ao longo do presente voto, o recorrente incessantemente utilizouse de artifícios para tentar afastarse da obrigação que lhe cabe. E nesse tópico não foi diferente, conforme a seguir será demonstrado. Para corroborar com sua fundamentação foi citado a seguinte jurisprudência, a saber: IRRF ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO AÇÃO FISCAL APÓS O ANOBASE DO FATO GERADOR BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO NA FONTE. I Se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto de renda devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o término do período de apuração do imposto, incabível a constituição do crédito tributário através do lançamento de imposto de renda fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda fonte, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. Da simples leitura da ementa colacionada é possível inferir que não há pertinência com o presente caso, assim como as outras duas apresentadas, que vâo de encontro com a acima exposta. À vista disso, o relator do citado processo entende que, se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anocalendário da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte, conforme entendimento constante no Parecer Normativo n° 01, de 24 de setembro de 2002, nos itens 11 a 16.1, como mencionado pelas autoridades precedentes. – Do destacado acima é possível deduzir que, apenas, se houvesse a antecipação do IRRF, é que não haveria a incidência na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Apesar disso, esse não é o caso, pois não houve pagamento algum pela recorrente. Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10980.007420/200921 Acórdão n.º 1202001.192 S1C2T2 Fl. 31 16 Além do mais, a tributação na pessoa do contribuinte (beneficiário do rendimento) só seria possível, se o mesmo estivesse identificado. Como sustentado ao longo do presente voto, a recorrente não demonstrou êxito em identificar os beneficiários, assim sendo, mais esse argumento não merece ser acolhido. Diante todo o exposto, é de se rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento aos recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912039/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13896.912039/2009-22
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373830
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.638
nome_arquivo_s : Decisao_13896912039200922.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 13896912039200922_5373830.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5594914
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031049617408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 429 1 428 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.912039/200922 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.638 – 1ª Turma Especial Data 28 de janeiro de 2014 Assunto DCOMPELETRÔNICA PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente DALLAS RENT A CAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 12 03 9/ 20 09 -2 2 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 430 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 431 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual, entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamentase no fato de que a data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais e contábeis do crédito, assevera que: i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu direito ao crédito pleiteado, junta planilha e cópias de contratos, fichas e documentos que comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado; ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo. iii) A DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação. iv) A retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor da contribuinte, motivo pelo qual qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ter sido iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia de Julgamento. v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras. vi) O despacho decisório e o acórdão recorrido cercearam o direito de defesa, por isso são nulos, ma vez que: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 432 4 a) o primeiro não lhe deu oportunidade para, em momento anterior a sua emissão, apresentar justificativas e documentação detalhadas e não contém fundamentação coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão. b) o segundo apresenta argumento até então não considerado, o de serem necessárias provas robustas sobre a verdade material, quando não seria mais possível apresentar tais provas. Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 433 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ambas as decisões estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que o despacho decisório contenha erro, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora não havia sido considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude do que se propõe no decorrer deste voto. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida via internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório em 01/02/2012. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 434 6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 435 7 Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado. O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403 001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Sobre os efeitos da anulação do despacho decisório O Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 436 8 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A distinção entre nulos e sanáveis mostra que o Decreto nº 70.235, de 1972, aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc. No caso deste processo, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode sanada. Em decorrência, propõese que a anulação do despacho decisório se opere com efeitos a partir desta decisão. Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal de origem proceder à nova análise do direito de crédito pleiteado com base na DCTF retificadora, inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 437 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas que teriam sido pagas a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tal procedimento é disciplinado em atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, a recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS a receita decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o contraditório e ampla defesa. Não obstante as alegações da recorrente, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912039/200922 Resolução nº 3801000.638 S3TE01 Fl. 438 10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Registrese, por oportuno, que, apesar de não existir norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendolhe ofertada posteriormente essa oportunidade quando da instalação do contraditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de 1ª Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto das contribuições do PIS e da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10855.902707/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/06/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.
Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10855.902707/2008-11
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5376853
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.706
nome_arquivo_s : Decisao_10855902707200811.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10855902707200811_5376853.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5607428
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031068491776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.902707/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.706 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria DCOMP Recorrente J.F.I. SILVICULTURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 27 07 /2 00 8- 11 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que homologou em parte Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 29/10/2004, por meio da qual, a contribuinte declarou a compensação de débitos da COFINS (2172) vencido em 15/06/2004, assim como do IRPJ (3373) e CSLL (6012) vencidos em 30/07/2004 no montante de R$ 71.325,45, com crédito de relativo a pagamento indevido ou a maior de COFINS – (5856) ocorrido em 15/06/2004. Na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte informou a origem de seu crédito, bem como a atualização pretendida, concluindo que o valor atualizado era suficiente para quitar integralmente os débitos informados na DCOMP. A 4ª Turma da DRJ (fl.52) ao analisar a manifestação manteve a homologação parcial, observando que o contribuinte ao informar o débito, considerou apenas os juros moratórios, deixando de aplicar à multa moratória à razão de 20%. No recurso voluntário apresentado (fl. 70 e seguintes), à luz da jurisprudência do STJ, a Recorrente afirma caracterizada a denúncia espontânea e, portanto, deve ser a multa moratória excluída, a teor do art. 138 do CTN, vez que a quitação/compensação foi realizada após a data de vencimento do débito, acrescida de juros de mora, a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e ocorreu antes de qualquer procedimento fiscal. O processo 16.027.000048/200904 foi anexado nos presentes autos. A 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, ao analisar o recurso voluntário, determinou a realização de diligência visando verificar se o valor do débito compensado na primeira DCOMP, que se encontrava em atraso na data de sua transmissão, já constava da DCTF original ou se foi informado apenas na DCTF retificadora. Ocorre que, a autoridade fiscal ao proceder a diligência, verificou que o presente processo trata da Declaração de Compensação 33470.26732.291004.1.3.04 5708, transmitida em 29/10/2004, relativa a crédito de Cofins (PA 05/2004, data arrecadação 15/06/2004) e débitos de Cofins, CSLL e IRPJ e que, portanto, houve erro no relatório da Resolução emitida pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que mencionou Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 15/12/2004, com crédito do PIS e débitos de PIS e Cofins. Ao retornar o processo ao CARF, confirmouse o erro apontado pela unidade de origem, sendo retificado o acórdão da resolução, de modo que no primeiro parágrafo, na fl. 78 passou a constar a menção correta à DCOMP do presente processo. Às fls. 105 a 106 decidiuse pela alteração da Resolução nº 3401 000.363 com o retorno do processo para que o órgão de origem verifique a DCTF original do 2º trimestre de 2004, junte cópia dela aos autos e informe se os débitos Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10855.902707/200811 Acórdão n.º 3401002.706 S3C4T1 Fl. 6 3 compensados em atraso através da Declaração de Compensação 33470.26732.291004.1.3.045708 já constavam integralmente na DCTF original ou se foram informados apenas na DCTF retificadora. Na diligência verificouse que o valor principal da Cofins (R$ 40.053,07 código 2172), período de apuração 05/2004, vencimento 15/06/2004, compensado através da DCOMP33470.26732.291004.1.3.045708 foi declarado tão somente na DCTF retificadora, conforme tabela a seguir: Débito – IRPJ 2172 Código da Receita Data transmissão Valor declarado Pagamento Compensação DCTF original 13/08/2004 R$ 0,00 R$ 0,00 0,00 DCTF retificadora 19/11/2004 R$ 40.053,07 0,00 R$ 40.053,07 Verificado ainda que a parcela do débito de IRPJ (R$ 24.787,95 código 3373), período de apuração 2º Trim/2004, vencimento 30/07/2004, compensado através da DCOMP 33470.26732.291004.1.3.045708 foi declarado somente na DCTF retificadora, conforme tabela a seguir: Débito – IRPJ Código da Receita Data transmissão Valor declarado Pagamento Compensa ção DCTF original 33731 13/08/2004 R$ 11.932,34 R$ 11.932,34 DCTF retificadora 33731 19/11/2004 R$ 36.720,30 R$ 11.932,34 R$ 24.787,96 Quanto à parcela do débito da CSLL (R$ 3.546,81 código 6012), período de apuração 2º Trim/2004, vencimento 30/07/2004, compensado através da DCOMP 33470.26732.291004.1.3.045708 foi declarada somente na DCTF retificadora, conforme tabela a seguir: Débito – CSLL Código da Receita Data transmissão Valor declarado Pagamento Compe nsação DCTF original 60121 13/08/2004 R$ 6.614,39 R$ 6.614,39 DCTF retificadora 60121 19/11/2004 R$ 15.757,49 R$ 6.614,39 R$ 9.143, 10 * * R$ 3.546,81 compensado através da DCOMP 33470.26732.291004.1.3.045708. R$ 3.116,56 compensado através da DCOMP 02666.46364.291004.1.3.040059. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 R$ 2.479,73 compensado através da DCOMP 23728.49744.291004.1.3.048417. Verificouse também que o contribuinte não é optante de parcelamento (fl. 114). Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida em 19/11/2004 (após a DCOMP, então) e que o débito da COFINS compensado, com código da Receita 5856 (cumulativa), não constava da DCTF original. A primeira DCTF contemplava somente COFINS sob o código 5856, próprio do regime não cumulativo, cujo valor na DCTF retificadora foi reduzido. Como pagamento foi efetuado no montante original, originouse o indébito compensado por meio da DCOMP ora em debate. O litígio, como já definido com precisão no voto que resultou da diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em que a contribuinte transmite PER/DCOMP compensando débito em atraso, quando considerada a data da transmissão. Para a Recorrente a denúncia restou caracterizada e, por isso, descabe a multa de mora, de modo que deviam ser exigidos apenas o principal e os juros de mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do PER/DCOMP. Adoto a posição já adotada em julgamentos anteriores relativos ao tema e à interpretação do STJ quanto à exclusão da multa de mora, na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que na situação dos autos vejo caracterizada. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP (no caso, a Cofins sob o Código 5856), não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138). Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo art. 62 do Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código d Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10855.902707/200811 Acórdão n.º 3401002.706 S3C4T1 Fl. 7 5 Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, temse o seguinte, verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, apresenta retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010).” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto. Angela Sartori Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000377/2010-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.237
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17883.000377/2010-53
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375453
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-000.237
nome_arquivo_s : Decisao_17883000377201053.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 17883000377201053_5375453.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5602761
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031071637504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 481 1 480 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000377/201053 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.237 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDACAO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 37 7/ 20 10 -5 3 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 482 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1238.420 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, que julgou procedente o lançamento de obrigação tributária principal AIOP nº 37.318.9265, com valor consolidado inicial de R$ 20.344,11. O Relatório Fiscal informa que, em relação à obrigação principal, foram apurados os créditos relativos à quota patronal incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos Segurados Empregados e também destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho GIILRAT, apuradas na matricula CEI n° 45.410.00759/77, no período 09/2007 a 12/2007. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44/60, as bases de cálculo utilizadas representam as parcelas integrantes do saláriode contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento do período de apuração, bem como informadas em GFIP. 3. Informa o autor do lançamento que a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à Cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. 4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes de que trata o art. 206, §§2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, refletindose em inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91. 5. Nesse passo, foi solicitado à entidade, através do Termo de Intimação n° 02, qual o critério utilizado na concessão de bolsas de estudos, sendo que a resposta encontrase anexada aos autos, às fls. 72, na qual a interessada informa adotar critério sócioeconômico, o qual visa aferir a capacidade econômicofinanceira do requerente, bem como realiza entrevistas com os interessados. 6. Com base nas informações prestadas, a empresa foi novamente intimada, em TIF datado de 23/12/2010, a fim de que apresentasse o critério e a documentação comprobatória da capacidade econômico financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de cada entrevistado. Porém, a empresa não apresentou as fichas financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 483 3 os alunos se enquadravam na situação de pessoas carentes, assim como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados. 7. Dentre os fatos verificados no curso da ação fiscal, destaca a concessão de bolsas com inobservância do critério de carência e necessidade, concessão de bolsas por força de acordo ou convenção coletiva, concessão de bolsas a filhos de funcionários e concessão de bolsas ou descontos a alunos irmãos. 8. Assevera o autuante que o presente lançamento segue as regras procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD é de 09/2007 a 12/2007. A Recorrente teve ciência das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 10. Notificada pessoalmente do lançamento em 06/01/2011, a interessada apresentou impugnação de fls. 482/497, aduzindo as seguintes alegações: 10.1. enfatiza sua condição de entidade beneficente de assistência social e, por conseguinte, isenta (imune) aos tributos em geral, incluindose ai as contribuições previdenciárias; 10.2. afirma que a fiscalização incorre em erro ao não se definir sobre que dispositivo repousa a autuação. Nesse passo, entende que há oscilação entre os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/09; 10.3. pondera que não pode prosperar o argumento fundado no art. 206 do RPS/99, de que não são concedidas bolsas a pessoas cuja renda familiar corresponda a, no máximo, R$ 271,99, eis que tal dispositivo encontravase revogado pelo Decreto n° 7.237/2010, A época da ação fiscal; 10.4. defende a tese de que não compete à fiscalização apurar a natureza beneficente das entidades educacionais. Ao MEC compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536/98 (atualmente Lei 12.101/2009), para obtenção ou manutenção do certificado. A RFB compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91; 10.5. entende que caberia à fiscalização, no limite de sua competência residual, representar perante o órgão competente para a concessão e renovação da certificação, pois não tem competência para adentrar ao mérito das bolsas de estudo concedidas; 10.6. informa que as bolsas de estudo são concedidas a famílias carentes, segundo critério sócioeconômico de avaliação das famílias Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 484 4 pretendentes do beneficio, competência esta privativa sua, sobre a qual a fiscalização não detém ingerência por falta de respaldo legal; 10.7. salienta, conforme termos aditivos de adesão ao PROUNI anexados aos autos, que as bolsas concedidas no âmbito do referido programa alcançam beneficiários encaminhados diretamente pelo MEC, cabendo A instituição de ensino efetivar a matricula no curso indicado. Neste sentido, manifesta incompreensão sobre como poderia estar agindo ao arrepio da lei; 10.8. esclarece, ainda, que a concessão de bolsas a alunos irmãos e a filhos de funcionários não compõe a totalidade destinada A filantropia desenvolvida pela impugnante. Essa conclusão depreendese da simples leitura das notas explicativas e das informações inseridas nas contas de gratuidade educacional informadas no Demonstrativo de Resultado dos exercícios de 2006 e 2007; 10.9. tece considerações acerca do efeito vinculante da renovação do CEBAS pela MP n°446/2008, bem como a sua condição de isenta à luz da Lei n° 12.101/2009. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1238.420 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, a seguir: Acórdão 1238.420 13 Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 13 de julho de 2011 Processo 17883.000377/201053 Interessado FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL CNPJ/CPF 28.577.153/000115 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE TRIBUTARIA. ENTIDADE EDUCACIONAL BENEFICENTE . DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. É indispensável a prova de que a entidade promove a assistência social beneficente a pessoas carentes, destinatárias das políticas públicas na área de educação, a fim de que possa permanecer em gozo de imunidade tributária. LEI 12.101/2009. PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉREQUISITOS. Aplicase a Lei 12.101/09 aos lançamentos efetuados sob a sua vigência, no caso de regra que institua um novo procedimento de fiscalização, previsto, in casu, no artigo 32 da referida norma. Descumpridos os requisitos estabelecidos em lei para a manutenção do beneficio fiscal, o AFRFB está autorizado a lançar o crédito tributário devido. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 485 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.318.9265), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento A impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor principal de R$ 13.035,37, acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação. DRF VOLTA REDONDA/SACAT, para ciência ao interessada do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento, intimandoa para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Do direito à isenção art. 55, Lei 8.212/1991 x Lei 12.101/2009 Até a recente edição da Lei 12.101/2009, a manutenção do direito a imunidade e a possibilidade de se pleitear a isenção permaneceu insculpida na Lei 8.212/91 que passou em seu artigo 55 a regular o parágrafo 7o do artigo 195 da Carta Magna, condições estas que o Recorrente cumpre conforme a documentação apresentada. (...) Assim, fazse necessário adentrar nos conceitos adotados pela fiscalização para fins de lavratura do presente auto, na medida em que não observa a legislação em vigor no período autuado (lei 8.212/91), nem muito menos a novel legislação (lei 12.101), refugiando em comandos de decreto executivo, mormente o Decreto 3048/99, estanhos á norma infraconstitucional, ao arrepio de preceito fundamental, previsto no artigo 5o da Constituição Federal de 1988. (...) Ademais, incorreu a fiscalização em ledo erro, perpetuado no v. acórdão recorrido, ao não se definir em que dispositivo se debruçar a fim de lavrar o Auto de Infração. Afirma no item 1 do Termo de encerramento de Procedimento Fscal TEPF: "Auditoria Fiscal realizada no contribuinte para verificação dos requisitos de isenção Art. 55 Lei 8212 Processo de cancelamento de Isenção Lançamento da Parte Patronal referente a Massa Salarial Apurada." Já no item 9 de suas considerações a fiscalização assevera que "Considerando os fatos verificados no curso da presente auditoria fiscal, ficou comprovado que a Fundação Educacional Rosemar Pimentel gozou do benefício de isenção de contribuições destinadas à Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 486 6 Seguridade Social sem a devida observância dos preceitos legais (???) para a sua regularidade. Dessa forma de acordo com o procedimento estabelecido pela lei 12.101/2009 está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à cota patronal. (ii) Das bolsas de estudo revogação do art. 206, Decreto 3.048/1999 quando da lavratura da autuação fiscalização não se define em qual comando legal se fia a fim de proceder ao levantamento fiscal. Tal ato já ensejaria a nulidade absoluta do ato, visto que não aponta qual DISPOSITIVO DE LEI teria a Recorrente desrespeitado. Simplesmente alega que "não são concedidas bolsas a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a, no máximo, R$ 271,99" (fato analisado detidamente adiante) e levanta o auto sob a alegação de não ser a Recorrente isenta das contribuições patronais. Porém não se atentou a fiscalização, tampouco a DRJ1 ao julgar a impugnação, ao fato de que quando da realização da fiscalização ora guerreada, o dispositivo em que se funda (artigo 206 do decreto 3048/99) encontravase expressamente REVOGADO pelo Decreto 7237/2010, jogando por terra seu único argumento, frágil por sinal, conforme será argumentado em seguida, para deslinde de toda a celeuma e o imbróglio criados (iii) Da competência para apuração da natureza beneficente das entidades educacionais representação necessária aplicação do art. 27, Lei 12.101/2009 Nesse diapasão, já cediço e remansoso o entendimento de que não compete à fiscalização apurar a natureza beneficente das entidades educacionais. Esse entendimento encontrase pacificado na douta consultoria jurídica do ministério da previdência e assistência social, que através de parecer normativo n° 2272/2000 fixa as competências específicas do INSS (entendase hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil), assim como do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS (entendase hoje MEC). O citado Parecer determina que ao CNAS (atualmente MEC) compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998 (atualmente lei 12.101/2009), para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS (Secretaria da Receita Federal do Brasil) compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991 (atualmente lei 12.101/2009), para obter a isenção das contribuições sociais. O limite da competência residual da auditoria fiscal no ato de fiscalizar a natureza beneficente das entidades de educação está na competência insculpida no artigo 7° do extinto Decreto n° 2536/98 e atualmente no artigo 27 da lei n° 12101/2009, qual seja, verificada Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 487 7 suposta irregularidade na concessão de bolsas de estudo, cabe ao órgão fazendário "representar" perante o órgão competente para a concessão e renovação da certificação. (iv) Da inconstitucionalidade É inconstitucional, portanto, a imposição de requisito objetivando a identificação de entidade beneficente por Decreto, por ser atribuição exclusiva de Lei, ainda mais, diante da sua inexistência quanto à imposição de aplicação mínima em gratuidade ou aferição de carência. Face vedação absoluta, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Medida Cautelar nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.028, que suspendeu dispositivos da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, por limitar o disposto no § 7° do art. 195 da Constituição da República, reconheceu o acima asseverado. (v) Da certificação da Recorrente como entidade beneficente No tocante à certificação das entidades beneficentes de assistência social, à época fiscalizada encontravase em vigor para fins de certificação a lei 8742/93 (Lei Orgânica de Assistência Social), o decreto 2536/98, regulamentado pela Resolução CNAS n° 177/2000 que definiam as regras para a certificação das citadas entidades. Por seu turno, o artigo 203 da Constituição Federal vem a dizer que a assistência social será prestada a puem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado de trabalho; a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e a promoção de sua integração à vida comunitária; a garantia de 'im salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e o Idoso que comprovem não possuir meio de prover a própria manutenção ou de têla provida por sua família. Decorre que a fiscalização assume a ficção de que a somente subsumem o conceito de carente aquelas famílias com enquadramento no artigo 206 do Decreto 3048/99 que regulamentava nova redação do artigo 55 da lei 8212/91, introduzida pela lei 9732/98, que visava "conceituar" carência, como se fácil fosse, prontamente fulminada pelo STF. Nesse sentido asseverou a fiscalização: "não são concedidas bolsas a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a. no máximo, R$ 271,99." e "os beneficiários acima relacionados não se enquadram na situação de pessoa carente". Notadamente, nos dias de hoje a concessão de gratuidades, sejam elas na área da educação, saúde ou assistência social propriamente dita é realizada mediante uma grande demanda. Pensar o contrário seria descolar da realidade social em que se encontra o país. A suposta inexistência de critérios a que se refere a recorrente conflita Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 488 8 justamente com o acima exposto. Interessante pontuar ainda que a Constituição Federal de 1988 elenca no capítulo II do Título I (Dos direitos e Garantias Fundamentais) o direito social a educação, entre outros, fato ignorado pela fiscalização. (vi) Da certificação no período autuado e da adesão ao PROUNI A questão parece foi pacificada quando da publicação, em 10 de setembro de 2004, da Medida Provisória n° 213, que instituiu o Programa Universidade para Todos PROUNI convertida na lei 11.096/2005, que entre suas disposições, veio a definir o que sejam entidades beneficentes de assistência social na área da educação que se dediquem ao ensino superior. Desta forma, diante da inegável participação do Recorrente no PROUNI, face documentação acostada (termos aditivos de Adesão ao PROUNI) e de sua significativa relevância no programa social educacional que garante o acesso a educação de todos não restam duvidas do caráter beneficente e assistencial do mesmo bem como de sua isenção (imunidade) das contribuições sociais, senão vejamos. A Fundação Educacional Rosemar Pimentel FERP, ora Recorrente, somente no âmbito do PROUNI, sem considerar as bolsas concedidas com recursos próprios concedeu em 2006 o montante de R$ 1.231.801,00 em bolsas integrais, o que representa em relação a receita bruta do exercício um percentual superior a 7,0 % em filantropia. Relativamente ao ano de 2007 foram R$ 1.872.931,00 em bolsas integrais, o que representa em relação a receita bruta do exercício um percentual superior a 9,3 % em filantropia. Atualmente este percentual já ultrapassa o patamar de 11%, o que pretende a fiscalização colocar em risco. Digase, bolsas essas concedidas estritamente sob as regras da lei 11.096/2005, que instituiu o programa de distribuição de bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. Ressaltese que esses beneficiários são encaminhados diretamente pelo MEC, cabendo à instituição de ensino efetivar sua matrícula no curso indicado. (vii) Da Novel Legislação Do efeito vinculante da renovação do CEBAS pela MP n° 446/2008 Relativamente ao período autuado pelo presente DEBCAD (2006 e 2007) a Recorrente teve sua certificação renovada pelos Processos CNAS n° 71010.003020/2003 (triênio 2004/2005/2006) e Processo CNAS n° 71010.004516/2006 (triênio 2007/2008/2009). A Medida Provisória 446 publicada no dia 10/11/2008, definiu novas regras acerca dos requisitos a serem cumpridos por parte das instituições beneficentes. Cumpre asseverar quanto à aludida legislação, o que prevêem os artigos 37 a 39. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 489 9 Com efeito. Através do estipulado nos comandos acima transcritos, operouse a renovação dos certificados da Recorrente acima elencados. Pretende então a fiscalização sobrepujar a competência exclusiva à época do CNAS, relativamente à renovação do CEBAS. Durante a vigência de seus efeitos, foram editadas as Resoluções do CNAS, que regularam os artigos 37, 38 e 39 da MP 446/2008. Logo, em razão da não edição de decreto legislativo previsto no art. 62, § 3 da Constituição Federal de 1988, os atos e relações jurídicos praticados mantêm sua vigência, nos moldes do preconizado no § 11° do mesmo permissivo constitucional, já que decorridos 60 dias não houve manifestação parlamentar. Para não restar dúvida quanto aos efeitos da citada MP, cumpre assinalar que o próprio Conselho Nacional de Assistência Social CNAS formulou consulta sobre os procedimentos após a rejeição da MP 446/2008 que resultou no Parecer n° 0192/2009 CJ/MDS, que concluiu que os atos praticados na vigência da MP 446/2008 produziram efeitos, restando clara a manutenção do deferimento dos Certificados por força das Resoluções emitidas pelo CNAS. Ademais, em despacho exarado pelo Sr. Advogado Geral da União Interino em 6 de outubro de 2009, foi emitida a Nota DECOR/CGU/AGU n° 180/2009JGAS, devidamente homologada, a qual dispõe em resposta à Consulta sobre os efeitos da MPV n° 446/08, formulada pelo Ministro da Previdência Social e Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, convalidando os procedimentos adotados em decorrência da vigência da referida MP e seus efeitos. (viii) Da edição da Lei 12.101/2009 Com efeito. Se pretendesse analisar o direito à isenção pela égide da Lei 12.101 em 27/11/2009, a fiscalização da Receita Federal do Brasil deveria aterse a seu art. 29 que a entidade beneficente certificada fará jus a isenção: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 490 10 III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Assim, em razão do Recorrente possuir o certificado vigente relativo aos períodos fiscalizados, logo com aplicação do art. 29 da Lei 12.101/2009 vemos que resta flagrante a isenção, sendo insubsistente o presente auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente, uma vez cumpridos todos os requisitos previstos nos incisos do comando legal, fato este inequívoco, haja vista a fiscalização ter se encerrado sem questionálos. (ix) Do atendimento dos requisitos para a isenção Cumpre salientar que o Recorrente não só teve seu certificado renovado conforme acima citado, como assim o mantém por força do artigo 24, §2° da lei 12.101/2009. Não bastasse tal argumentação, a fiscalização quando encerrada, não definiu a fundamentação legal para a penalidade, quais seriam, a norma infraconstitucional revogada (artigo 55 da lei n° 8212/91) e/ou (???) o artigo 29 da lei 12.101/2009, em total desalinhamento à legislação que regula o processo administrativo no âmbito fiscal. Assim em razão de todo o exposto não pairam dúvidas quanto a natureza educacional beneficente do Recorrente, seja sob a ótica do cumprimento da antiga legislação (art. 55 da Lei 8212/91), seja em face da novel legislação (MP 446/2009 e Lei 12.101/2009), seja em razão da adesão ao PROUNI, que se traduzem na isenção (imunidade) Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 491 11 a que faz jus o mesmo, demonstrando assim a insubsistência do auto de infração e também do v. acórdão recorrido. Conforme se depreende da vasta documentação apresentada, a Recorrente faz prova do cumprimento cumulativo dos requisitos previstos no artigo 55 da lei n° 8212/91 bem como da novel Legislação Lei 12.101/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 492 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1238.420 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II RJ, que julgou procedente o lançamento de obrigação tributária principal AIOP nº 37.318.9265, com valor consolidado inicial de R$ 20.344,11. O Relatório Fiscal informa que, em relação à obrigação principal, foram apurados os créditos relativos à quota patronal incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos Segurados Empregados e também destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho GIILRAT, apuradas na matricula CEI n° 45.410.00759/77, no período 09/2007 a 12/2007. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44/60, as bases de cálculo utilizadas representam as parcelas integrantes do saláriode contribuição cujos valores foram reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento do período de apuração, bem como informadas em GFIP. 3. Informa o autor do lançamento que a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à Cota patronal — FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 493 13 4. No entanto, esclarece que os beneficiários das ações de assistência social da autuada não se enquadram na definição de pessoas carentes de que trata o art. 206, §§2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, refletindose em inobservância aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212/91. 5. Nesse passo, foi solicitado à entidade, através do Termo de Intimação n° 02, qual o critério utilizado na concessão de bolsas de estudos, sendo que a resposta encontrase anexada aos autos, às fls. 72, na qual a interessada informa adotar critério sócioeconômico, o qual visa aferir a capacidade econômicofinanceira do requerente, bem como realiza entrevistas com os interessados. 6. Com base nas informações prestadas, a empresa foi novamente intimada, em TIF datado de 23/12/2010, a fim de que apresentasse o critério e a documentação comprobatória da capacidade econômico financeira dos requerentes e de suas famílias, bem como o parecer de cada entrevistado. Porém, a empresa não apresentou as fichas financeiras dos alunos, não comprovou através de documentação que os alunos se enquadravam na situação de pessoas carentes, assim como não apresentou o parecer das entrevistas com os interessados. 7. Dentre os fatos verificados no curso da ação fiscal, destaca a concessão de bolsas com inobservância do critério de carência e necessidade, concessão de bolsas por força de acordo ou convenção coletiva, concessão de bolsas a filhos de funcionários e concessão de bolsas ou descontos a alunos irmãos. 8. Assevera o autuante que o presente lançamento segue as regras procedimentais estabelecidas pela Lei n° 12.101/2009. Por um lado, a AuditoriaFiscal, no Relatório Fiscal às fls. 50, menciona que a utilização da Lei 12.101/2009 deve ser aplicada apenas para períodos posteriores à entrada em vigor desta Lei: 1. A Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009 (DOU de 30/11/2009), revogou o art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo novos requisitos para o gozo da isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social. No que concerne à observância dos novos requisitos estabelecidos pela Lei 12.101/09, a sua eficácia deve ser verificada apenas a partir da entrada em vigor da referida Lei. No período anterior, deve ser aplicada a Legislação então vigente. Outrossim, por outro lado, verificase que a AuditoriaFiscal expressamente se refere à aplicação dos procedimentos da Lei 12.101/2009 para fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007, conforme se depreende do Relatório Fiscal às fls. 53: II. Dessa forma, de acordo com o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/2009, está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à Cota Patronal — considerando as Bases de Cálculo declaradas em GFIP (e Verificadas nas Folhas de pagamento) providenciada a devida notificação ao Ministério da Educação e Cultura — MEC e ao Ministério Público Federal — MPF. Tendo vista Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 494 14 a mesma ter descumprido os requisitos do art. 55, da Lei 8212/91, conforme discriminados no item II — Lei 8.212/91 (fls. 3 e 4 deste Relatório Fiscal). No mesmo sentido, a AuditoriaFiscal no Relatório Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF também fundamenta a utilização do procedimento da Lei 12.101/2009: 9. Considerando os fatos verificados no curso da presente Auditoria Fiscal, ficou comprovado que a Fundação gozou do beneficio de isenção de contribuições destinadas à Seguridade Social sem a devida observância dos preceitos Legais para a sua regularidade. Dessa forma, de acordo com o procedimento estabelecido pela Lei 12.101/2009, está sendo lançado o crédito previdenciário correspondente à Cota Patronal considerando as Bases de Cálculo declaradas em GFIP e providenciada a devida notificação ao Ministério da Educação e Cultura MEC e ao Ministério Público Federal MPF. Cumpre ressaltar que a empresa autuada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal TIF , datada de 23/12/2010, para que efetuasse a devida correção do código FPAS declarado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social. 10. 0 contribuinte autuado informou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, de forma sistemática, no período fiscalizado, o "Código FPAS 639", declarando de forma incorreta a contribuição devida. Dessa forma, houve apresentação do referido documento com informação inexata. 10.1 A situação descrita, EM TESE, configura CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, previsto no Inciso II, do artigo 1° da Lei 8.137, de 27/12/1990. Em conseqüência, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. 10.2. Encaminhada Representação Administrativa ao Ministério da Educação e Cultura MEC, conforme procedimento estabelecido pela Lei 12.101/09. A controvérsia está centrada na questão do fundamento legal adotado para o procedimento de fiscalização pois, por um lado, foi considerada pela AuditoriaFiscal a utilização do procedimento formal previsto na Lei 12.101/2009 com a utilização dos requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, por outro lado, a Recorrente aduz pela nulidade do procedimento fiscal posto que o mesmo deveria ser totalmente alcançado pela legislação vigente à época dos fatos geradores, no caso a Lei 8.212/1991. Devese observar que o período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD é de 09/2007 a 12/2007, sendo que a Recorrente teve ciência das autuações em 06.01.2011, conforme fls. 01. Ora, a Lei 12.101, de 27.11.2009 entrou em vigor na data de sua publicação, conforme se depreende de seu art. 45, tendo revogado o art. 55 da Lei 8.212/1991: Art. 44. Revogamse: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 495 15 I o art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; (...) Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Desta forma, é certo que no período objeto da autuação fiscal, 09/2007 a 12/2007, estava em vigor o art. 55, Lei 8.212/1991, enquanto que apenas em 27.11.2009 ocorreu a vigência e a produção de efeitos da Lei 12.101/2009. Para este caso concreto, a fim de subsidiar a decisão a ser proferida por esta Colenda Turma de Julgamento, exsurge uma Preliminar de nulidade reiterada pela Recorrente, em que pese ter sido afastada pela decisão de primeira instância, que é a da aplicação do procedimento veiculado pela Lei 12.101/2009 para fatos geradores ocorridos muito antes de sua vigência. Este ponto deve ser diligenciado para a correta aferição de em que medida a utilização do procedimento formal trazido pela Lei 12.101/2009, em conjunto com os requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, para fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007, implicou em um possível resultado do procedimento fiscal diferente do que, por outro lado, seria resultante do procedimento fiscal que aplicasse apenas os dispositivos da Lei 8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer dispositivo da Lei 12.101/2009. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar, para o presente processo, qual o impacto no resultado do procedimento fiscal caso a AuditoriaFiscal não utilizasse os procedimentos da Lei 12.101/2009, ou seja, fizesse apenas a utilização da legislação em vigor à época dos fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) em que medida a utilização apenas da legislação em vigor, nos aspectos materiais e formais, à época dos fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007, obviamente excluindose a utilização da Lei 12.101/2009, alteraria o resultado do procedimento fiscal. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17883.000377/201053 Resolução nº 2403000.237 S2C4T3 Fl. 496 16 (ii) se com a utilização apenas da legislação em vigor à época dos fatos geradores, ocorridos de 09/2007 a 12/2007, o sujeito passivo manteria, ou não, a condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias e quais os motivos para tal. (iii) se com a utilização apenas da legislação em vigor à época dos fatos geradores, ocorridos de 09/2007 a 12/2007, em caso de descumprimento pelo sujeito passivo de requisito(s) do art. 55, Lei 8.212/1991, qual seria o motivo para tal ou tais. (iv) para o período objeto da autuação fiscal, de 09/2007 a 12/2007, comparandose os procedimentos formais adotados pela AuditoriaFiscal, com fulcro na Lei 12.101/2009, com os procedimentos formais da Lei 8.212/1991, qual seria o impacto para o resultado da ação fiscal caso a AuditoriaFiscal adotasse os procedimentos formais da Lei 8.212/1991. (v) em que medida a utilização do procedimento formal trazido pela Lei 12.101/2009, em conjunto com os requisitos materiais do art. 55, Lei 8.212/1991, para fatos geradores ocorridos de 09/2007 a 12/2007, implicou em um possível resultado do procedimento fiscal diferente do que, por outro lado, seria resultante do procedimento fiscal que aplicasse apenas os dispositivos da Lei 8.212/1991, ou seja, sem a utilização de qualquer dispositivo da Lei 12.101/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 21/08/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725754/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Relatório
Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão.
Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.520,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de Valores Indenizatórios de URV, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.
As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.
Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.
O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que:
a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001;
b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV;
c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006;
d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária;
e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda;
f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN;
g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda;
h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente;
i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória;
j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ;
l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário;
m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, deve-se observar o princípio da boa-fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora;
n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante trata-se de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora;
o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá-las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor;
p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal;
q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal;
r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia.
A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO.
A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.
Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.725754/2009-92
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373571
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-000.162
nome_arquivo_s : Decisao_10580725754200992.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10580725754200992_5373571.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5592259
ano_sessao_s : 2013
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.520,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de Valores Indenizatórios de URV, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, deve-se observar o princípio da boa-fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante trata-se de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá-las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031077928960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725754/200992 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.162 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de agosto de 2013 Assunto IRPF Recorrente RAILDA RODRIGUES SUZART Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.520,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 75 4/ 20 09 -9 2 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Resolução nº 2201000.162 S2C2T1 Fl. 3 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Resolução nº 2201000.162 S2C2T1 Fl. 4 3 a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Resolução nº 2201000.162 S2C2T1 Fl. 5 4 p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. A matéria dos autos foi objeto de intensos debates nesta Turma Julgadora que posicionou no sentido de que, ainda que os cálculos tenham sido efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, como Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Resolução nº 2201000.162 S2C2T1 Fl. 6 5 se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, devese necessariamente aplicar o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 01, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre a forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Resolução nº 2201000.162 S2C2T1 Fl. 7 6 extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei) Ante a todo o exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720266/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE.
É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10940.720266/2011-77
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381680
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-003.102
nome_arquivo_s : Decisao_10940720266201177.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Núbia Matos Moura
nome_arquivo_pdf_s : 10940720266201177_5381680.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5628055
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031082123264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 439 1 438 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.720266/201177 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.102 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de setembro de 2014 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrente HAMILTON MARCIANO CAPEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 02 66 /2 01 1- 77 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 440 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra HAMILTON MARCIANO CAPEL foi lavrado Auto de Infração, fls. 268/335, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2007 e 2008, exercícios 2008 e 2009, no valor total de R$ 2.718.128,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/05/2011. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Fiscalização, fls. 268/335, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.339/362, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0633.682, de 23/09/2011, fls. 380/399, cujas ementas estão a seguir transcritas: NULIDADE. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. A caracterização da pessoa física como pessoa jurídica para fins de tributação pelo imposto de renda somente se admite quanto ao exercício de atividade civil ou comercial regular pelo sujeito passivo, não podendo vir se constituir em benefício àquele flagrado no exercício irregular de atividade financeira. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 441 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada a condição fixada pela lei para incidência da presunção legal de omissão de rendimentos, não cabe à Fiscalização se aprofundar na demonstração da ocorrência de acréscimo patrimonial pela inversão do ônus da prova. ÔNUS. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. As alegações trazidas ao autos desacompanhadas das respectivas provas hábeis e idôneas não tem força para afastar a presunção legal relativa que inverte o ônus de provar a origem dos recursos que transitaram pelas contas correntes bancárias do sujeito passivo. Cientificado da referida decisão em 13/10/2011, fls. 402, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 404/433, em 01/11/2011, trazendo as seguintes alegações: Nulidade do lançamento. Erro na identificação do sujeito passivo – Os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte são decorrentes da atividade de empréstimos de valores, exercida de forma habitual. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou documentos comprobatórios das transferências realizadas para a empresa Smellgas Comércio e Distribuidora Ltda, no valor de R$ 2.000,00, em 17/07/2008 e no valor de R$ 5.000,00 em 23/07/2008. Tais cheques foram entregues ao contribuinte em pagamento aos empréstimos realizados e comprovam a operação realizada pelo recorrente. Verificase, ainda, na movimentação da conta corrente do contribuinte inúmeras operações de custódia de cheques (cheques de terceiros depositados). Tal movimentação confirma que o contribuinte realmente exercia a habitual atividade de empréstimo de dinheiro, conforme se verifica às fls. 33 do Auto de Infração, itens 184/186, 213/221, etc. Logo, a pessoa física do contribuinte deveria ter sido equiparada à pessoa jurídica para fins de tributação, conforme disposto no art. 150, II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Requisição de movimentação Financeira – RMF. Inviolabilidade do sigilo bancário. Prova ilícita. Nulidade – A quebra do sigilo bancário só é permitida quando precedida de autorização judicial e para o fim específico de investigação criminal ou instrução processual penal. A Lei Complementar nº 105, de 2001, padece de inegável inconstitucionalidade. Logo, os extratos bancários, obtidos pela autoridade fiscal, mediante emissão de RMF, são provas ilícitas. Nulidade do lançamento pela impossibilidade de admitirse, sumariamente, depósitos bancários como renda – Depósitos bancários, por si sós, não podem ser presumidos como renda. São, na verdade, meros indícios. É imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Depósitos em dinheiro. Disponibilidade própria. Impossibilidade de tributação. – O contribuinte constituiu reservas financeiras próprias, devidamente tributadas e declaradas nas DIRPF dos anoscalendário 2003 e 2006. Possuidor de tais reservas, efetuou depósitos em espécie em suas contas correntes. Vários destes depósitos foram utilizados como base de cálculo, como se renda nova fossem. É o que se verifica, por exemplo, nos itens 26 e 41 das fls. 30, item 104 das fls. 04 e itens 205 e 225 das fls. 33. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 442 4 Impossibilidade de presunção de renda pela não ocorrência de acréscimo patrimonial correspondente. Demonstração – Conforme planilha apresentada pelo recorrente, quando do procedimento fiscal, verificase que a diferença entre as entradas e saídas das contas correntes demonstram a não ocorrência de acréscimo patrimonial. Portanto, o Auto de Infração, por ter sido efetuado sem qualquer prova concreta de acréscimo patrimonial não declarado, deve ser plenamente anulado. Conforme Resolução, de 19/11/2013, fls. 435/438, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, razão porque retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 443 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que imputou a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e em sede preliminar o contribuinte suscita a nulidade do lançamento, por uso de prova ilícita. Nesse sentido, afirma o recorrente que a quebra do sigilo bancário só é permitida quando precedida de autorização judicial e para o fim específico de investigação criminal ou instrução processual penal e que a Lei Complementar nº 105, 10 de janeiro de 2001, padece de inegável inconstitucionalidade. Assim, entende que os extratos bancários, obtidos pela autoridade fiscal, mediante emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), são provas ilícitas. Ocorre que a utilização dos dados da Contribuição Provisória da Movimentação Financeira (CPMF), bem como a utilização de extratos bancários, obtidos junto às instituições financeiras, nas quais o contribuinte possuía movimentação financeira, nos exercícios sob fiscalização, se fez com supedâneo no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, alterado pela Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001 e no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, da mesma data. Não se vislumbra, portanto, qualquer irregularidade no ato administrativo adotado, mas em um procedimento legal, que objetivou viabilizar a ação fiscal e que estava devidamente amparado pela legislação em vigor. Por outro lado, importa dizer que não há previsão expressa na Constituição Federal quanto ao sigilo bancário, advindo tal tese da interpretação doutrinária e jurisprudencial dada à matéria. Uma vez existente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos, questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Citese, por oportuno, a Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, cujo enunciado registra o entendimento de que este colegiado está impedido de examinar a constitucionalidade de leis tributárias: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade do lançamento, por uso de prova ilícita suscitada pela defesa. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 444 6 As demais alegações de nulidade suscitadas pela defesa serão apreciadas juntamente com as questões de mérito da matéria, dado que interligadas e dependentes entre si. O Auto de Infração foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Logo, alegações tais como: depósitos bancários, por si sós, não podem ser presumidos como renda e impossibilidade de presunção de renda dada a inexistência de acréscimo patrimonial não podem prevalecer. No caso, a ocorrência do fato gerador decorre da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, a autoridade fiscal fica dispensada de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu. Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A título de esclarecimento devese dizer que a jurisprudência judicial e administrativa trazida pela defesa no recurso, cuida de lançamentos, cujos fatos geradores são anteriores à vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplicando, portanto, ao caso aqui sob exame. No que concerne à comprovação da origem dos recursos, o contribuinte afirma tratarse de valores decorrentes da atividade de empréstimos, exercida de forma habitual. Nesse sentido, diz que, durante o procedimento fiscal, apresentou documentos comprobatórios das transferências realizadas para a empresa Smellgas Comércio e Distribuidora Ltda e acrescenta que na movimentação da conta corrente verificase a existência de inúmeras operações de custódia de cheques (cheques de terceiros depositados). Quanto aos cheques emitidos pela empresa Smellgas Comércio e Distribuidora Ltda temse que em nada socorrem o contribuinte na comprovação de sua alegação, posto que os cheques, por si sós, não demonstram de forma inequívoca que o recorrente tenha concedido empréstimo à referida empresa. E mais, cuidase de apenas dois cheques, nos valores de R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00, com datas do ano de 2008, ao passo que neste anocalendário os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente com origem não comprovada alcançam o somatório de R$ 2.898.639,10. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 445 7 Da mesma forma, não pode ser tomado como prova da atividade de concessão de empréstimos o fato de a movimentação das contas bancárias mantidas em nome do recorrente espelhar uma quantia enorme de depósitos em cheque. Tal fato pode, quando muito, ser um indício da veracidade da alegação do recorrente, mas isoladamente nada atesta. Assim, considerandose que não restou demonstrado nos autos que a origem dos créditos efetivados nas contascorrentes do contribuinte seja a atividade de concessão de empréstimos, não há que se falar em aplicação do disposto no art. 150, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Ou seja, o contribuinte não demonstrou que os créditos bancários, objeto do lançamento, tenham sua origem na exploração habitual e profissional de qualquer atividade econômica de natureza civil ou profissional que pudesse ensejar a sua equiparação às pessoas jurídicas. Nestes termos, rejeitase também a alegação de nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo, posto que não existe nos autos provas de que o titular da movimentação financeira em questão seja decorrente de equiparação de pessoa física à pessoa jurídica. Por fim, devese apreciar a alegação do recorrente de que constituiu reservas financeiras próprias, devidamente tributadas e declaradas nas DIRPF dos anoscalendário 2003 e 2006 e que possuidor de tais reservas, efetuou depósitos em espécie em suas contas correntes. Muito embora o contribuinte de fato possuísse dinheiro em caixa registrado em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), anoscalendário 2007 e 2008, fls. 153/156 e 157/160, não existe prova nos autos de que os depósitos em dinheiro tenham sido realizados com os valores mantidos em caixa. E mais, das DAA verificase que o contribuinte possuía dinheiro em caixa, nos seguintes montantes: 31/12/2006 – R$ 163.600,00; 31/12/2007 R$ 209.000,00 e 31/12/2008 – R$ 189.000,00. Como se vê, de 2006 para 2007 o valor de dinheiro em caixa chegou a aumentar e de 2007 para 2008 a diferença a menor é de apenas R$ 20.000,00. Logo, não se sustenta a tese defendida pelo recorrente, dado que os depósitos em dinheiro efetivados em suas contas bancárias em muito superam os valores aqui mencionados. Concluindo, temse que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos créditos efetivados em suas contas bancárias, durante os anoscalendário 2007 e 2008, razão por que devese manter o lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 445DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10940.720266/201177 Acórdão n.º 2102003.102 S2C1T2 Fl. 446 8 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003607/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. DESCABIMENTO.
Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS.
MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS.
Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.
A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido.
PIS. CSLL. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE.
Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal.
Numero da decisão: 1302-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em manter os tributos lançados; b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a qualificação da multa; vencidos quanto a esta matéria os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo; e c) por maioria, em não conhecer do recurso voluntário, no ponto relativo à responsabilidade solidária de Paulo de Oliveira Dias e Sandra Garcia de Oliveira Dias; vencido quanto a esta matéria o Conselheiro Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio Rodrigo Frizzo Relator
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. DESCABIMENTO. Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS. MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. PIS. CSLL. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE. Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13855.003607/2008-06
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375692
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.421
nome_arquivo_s : Decisao_13855003607200806.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 13855003607200806_5375692.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em manter os tributos lançados; b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a qualificação da multa; vencidos quanto a esta matéria os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo; e c) por maioria, em não conhecer do recurso voluntário, no ponto relativo à responsabilidade solidária de Paulo de Oliveira Dias e Sandra Garcia de Oliveira Dias; vencido quanto a esta matéria o Conselheiro Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5603468
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047031112531968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 309 1 308 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.003607/200806 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.421 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria Simples Federal Recorrente GARCIA & DIAS COMÉRCIO DE PEÇAS E TRANSPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. DESCABIMENTO. Cumpre à autoridade fiscal o estrito cumprimento da aplicação legal ao caso concreto, não havendo preceito em que se funde a exclusão do ISS. MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. PIS. CSLL. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 36 07 /2 00 8- 06 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 310 2 Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em manter os tributos lançados; b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a qualificação da multa; vencidos quanto a esta matéria os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo; e c) por maioria, em não conhecer do recurso voluntário, no ponto relativo à responsabilidade solidária de Paulo de Oliveira Dias e Sandra Garcia de Oliveira Dias; vencido quanto a esta matéria o Conselheiro Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta divergência entre as receitas que declaradas à RFB e escriturada pela Recorrente, fato que motivou a constituição do CSLLSimples (R$ 1.472,49), COFINSSimples (R$ 4.417,47) e INSSSimples (R$ 8.834,89) (fl. 04/05). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 24/38): (i) Que a Recorrente era optante do lucro presumido nos anoscalendários de 2004 a 2006, tendo optado pelo regime do Simples Federal no primeiro semestre de 2007; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 311 3 (ii) Que em trabalhos administrativos, a RFB detectou divergências entre as informações da DIRF e da DIPJ, razão pela qual foi expedido MPF, do qual a Recorrente teve ciência em 07/08/09, através do Termo de Início da Fiscalização (fls. 42/44). Na oportunidade, foram requiridos diversos documentos, os quais se encontram às fls. 46/203; (iii) Que a Recorrente não entregou documentos relativos ao período de set/06, out/06 e dez/06 relativamente aos recebimentos da Usina Caeté S.A. Assim, a Usina Caeté foi intimada a apresentar os comprovantes dos pagamentos realizados (fls. 205/206), os quais foram apresentados e encontramse juntados às fls. 207/214; (iv) Que “foram apuradas diferenças da base de cálculo dos tributos federais em função de receitas não declaradas por parte do sujeito passivo (...)”. (iv) Que a Recorrente declarou e tributou corretamente as receitas apenas no 4º trimeste de 2005, sendo que nos demais declarou receita zero. Após optar pelo regime dos Simples Federal (1º semestre de 2007), a Reocrrente também declarou receita zero; (v) O auto de infração que neste momento se analisa diz respeito unicamente aos créditos inadimplidos no 1º semestre de 2007. Os demais créditos inadimplidos são objeto do PAF 13855.003606/200853; (vi) Foi aplicada a multa de 150%, pois estaria presente o evidente intuito de fraude, consistente na reiterada declaração falsa das receitas recebidas. (vii) Os sócios Pedro de Oliveira Dias e Sandra Garcia de Oliveira Dias foram declarados como responsáveis (art. 135, III, e art. 137, II, ambos do CTN, combinado com art. 2º, inc. I, da Lei n. 8.137/90), uma vez que (a) a Recorrente não possuiria qualquer patrimônio, (b) os sócios possuem patrimônio, (c) a pessoa jurídica recebeu mais de R$ 1 milhão em 4 anos e (d) as declarações falsas são reiteradas (viii) Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (fl. 204 e ss). Encerrada a fiscalização, foi dado ciência do auto de infração à Recorrente (pessoa jurídica) em 14/11/2008 (sextafeira) (fl. 37). Na mesma oportunidade, os sócios foram intimados pessoalmente sobre sua responsabilidade (fl. 37). Na sequência, apenas a empresa apresentou impugnação em 16/12/2008 (terçafeira) (fl. 219), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 248): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 312 4 RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei n° 9.317/96 e legislação superveniente. Cobramse através de lançamento de oficio as importâncias correspondentes a receita bruta apurada em procedimento de auditoria e não informada à administração tributária. CSLL. PIS. COFINS. INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM PROCEDIMENTO DECORRENTE. Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal, pela existência de relação de causaeefeito entre ambos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. INTIMAÇÃO. O fato de ser atribuída a terceira pessoa ligada ao fato gerador da obrigação tributária responsabilidade pessoal pelo crédito tributário lançado não afasta a responsabilidade da contribuinte, tampouco a necessidade de ser intimada da respectiva exação. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Intimada da decisão supratranscrita em 04/12/2009 (fl. 263), a Recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 30/12/2009 (fl. 264/274), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que o ISS retido nas notas fiscais não constitui receita bruta da Recorrente, pois se tratam de valores que não transitaram no seu patrimônio ou ingressaram em seu caixa, sendo necessária sua exclusão da base de cálculo dos tributos lançados; (ii) Que na mesma linha de argumentação em que a DRJ entendeu que não houve fraude, deveria ter entendido que não houve sonegação, pois houve a regular emissão das notas fiscais, com o devido destaque de retenção do ISS, bem como a respectiva escrituração nos livros Caixa e Prestação de Serviços; (iii) Que seus tomadores de serviços informaram todos os pagamentos realizados em DIRF, o que não obstou o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores por parte do Fisco; (iv) Que, com base na “teoria da vontade”, utilizada como fundamentação do acórdão para conceituar o dolo, não se pode admitir que a conduta praticada pela Recorrente levaria ao resultado sonegação, pois o confronto das informações prestadas pela empresa e as DIRFs de suas tomadoras de serviços não permitiria a omissão permanecer oculta perante à RFB, ou seja, a ocorrência do tipo seria impossível; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 313 5 (v) Que tratariase de crime impossível, caracterizado pela ineficácia absoluta do meio, uma vez que foram prestadas informações nas DIRFs. Haveria também absoluta impropriedade do objeto, pois a suposta intenção de ocultar o conhecimento do fato gerador se frusta diante da emissão de documentos fiscais com tributo retido; (vi) Portanto, baseada também em jurisprudência do Conselho Superior de Recursos Fiscais, requereu a desconfiguração da qualificação da multa; (vii) Pede seja afastada a responsabilidade pessoal dos sócios, consoante entendimento exposto pela DRJ; (viii) Acaso assim não se entenda, deve ser afastada a responsabilidade pessoal dos sócios, pois não houve lançamento em nome dos mesmos, pelo que não houve oportunidade do exercício da ampla defesa; (ix) Outrossim, alega a Recorrente que não houve a demonstração/comprovação de conduta caracterizadora de infração à lei ou ao contrato social, e que cabia ao AFRFB o ônus probatório destas circunstâncias; (x) Que a análise dos livros caixa demonstra que a Recorrente incorria em muitas despesas, apurando prejuízo em vários meses, devido a natureza de sua atividade; (xi) Que o Primeiro Conselho de Contribuintes reiteradamente decidiu que compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional imputar a responsabilidade a terceiros no âmbito da execução fiscal, devendo ser considerada nula a imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização. Citou jurisprudência; (xii) Por todo o exposto, requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, Relator O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Considerações Iniciais Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 314 6 Embora já afirmado acima, ressalto que o presente julgamento se restringe aos créditos tributários apurados no 1º semestre de 2007, período em que a Recorrente havia optado pelo regime do Simples Federal. 2. Das Exclusões do ISS RF da Base de Cálculo dos Tributos Lançados Consoante se denota das razões recursais, a Recorrente pretende que seja declarada a nulidade do auto de infração, pois entende que o ISS retido em suas notas fiscais de prestação de serviços deveria ter sido excluído da base de cálculo dos tributos lançados, pois não constitui receita bruta. É o que se conclui da seguinte passagem: Ocorre que, além das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, também não constituem receita bruta da Recorrente o ISS retido nas notas fiscais, os quais foram deduzidos de todo valor à título de pagamento pelos serviços prestados à terceiros. (...). Ocorre que a Lei n. 9.317/96, em seu art. 2º, considera como base de cálculo do Simples a “receita bruta”, definida como “produto de bens e serviços nas operações por conta própria” e também “o preço dos serviços prestados”, observese: Art. 2º. Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: (...) §2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Da passagem acima se pode concluir que o argumento da Recorrente não procede, uma vez que a própria legislação determina que o preço do serviço prestado é a base de cálculo do tributo. Portanto, afastar essa determinação implicaria reconhecer a inconstitucionalidade da lei, o que é vedado pela súmula n. 2 do CARF. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso nesta parte. 3. Da Multa Qualificada Como visto, o AFRFB aplicou a multa de ofício qualificada em 150% em razão da reiteração da conduta de entregar DIPJ zerada. A DRJ endossou esse entendimento, observese (fl. 284): Qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em urna das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) Embora o presente processo trata de lançamento relativo ao anocalendário de 2007, é importante observar, em desabono da impugnante, que não se trata de ato isolado, mas reiteradamente praticado durante o interregno de quatro anos (11. 22). Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 315 7 Tenho defendido que as hipóteses de qualificação da multa de ofício devem ser ponderadas com extrema cautela, uma vez que representa uma punição extremamente gravosa. A verdade é que as hipóteses do art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 podem conduzir ao entendimento de que qualquer informação errada prestada pelo contribuinte autoriza a qualificação da multa, o que tornaria rara a aplicação da multa de 75%. Consoante afirmei no Acórdão 1302001.183, “Na mesma trilha caminha o Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual ‘apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (art. 136 do CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os arts. 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da lei tributária segundo o princípio do in dubio pro contribuinte. Precedente: REsp nº 494.080/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 16/11/2004. (...)’ (REsp 699700/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2005, DJ 03/10/2005, p. 140).”. No caso em tela, a Recorrente entregou DIPJ zeradas por reiteradas vezes, exceto no 4º trimestre de 2005. Porém é fundamental ressaltar que o próprio fiscal afirmou que utilizou os livros de apuração do ISS, livro caixa, livros de registro de inventário e notas fiscais de prestação de serviço da Recorrente, uma vez que estes representariam “prova definitiva, clara, inequívoca e suficiente” da omissão de receitas (fls. 26). Portanto, o caso em tela representa simples omissão de receita. Com certeza, uma omissão reiterada, mas nada além disso. Este ato não se confunde com fraude, simulação ou conluio, consoante entende este Conselho, observese: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No mesmo sentido caminha o art. 957, inc. II, RIR/99, que exige a demonstração de “evidente” intuito de frustrar a arrecadação tributária para fins de incidência das qualificadores do art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento foi acolhido recentemente pelo Conselho Superior, que em momento de extrema ponderação assim defendeu: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a SIMPLES REITERAÇÃO DA CONDUTA, fundamento que, ISOLADAMENTE, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. (CARF. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 316 8 Acórdão 920202.341. Cons. Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Sessão 24/09/2012). Notese que tomar a reiteração da omissão de receita como um ato de fraude ou sonegação importa em relevante instabilidade jurídica, principalmente quando se esta por analisar apenas um semestre, ou melhor, apenas 4 meses, sendo que apenas 2 deles tem valores acima de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), uma vez que não se poderia afirmar quantas condutas representam uma ação reiterada. Seria duas? Três? Quatro? Não é possível afirmar, pois a legislação não traz essa hipótese de qualificação. A verdade é que, na ausência de previsão legal, um único ato de omissão de receita é equivalente à conduta reiterada, especificamente para fins de qualificação de multa. Dessa forma, voto no sentido de afastar a multa qualificada, a fim de incidir apenas a porcentagem de 75%. 4. Da Responsabilização dos Sócios Alega a Recorrente quem embora o auto de infração tenha sido lavrado em face da pessoa jurídica, os sócios foram considerados como responsáveis pessoais. Dessa forma, seria nula a exigência fiscal. Todavia, o que se conclui da fl. 32 do Termo de Verificação é que o AFRFB reconheceu a responsabilidade pessoal dos sócios. Em certas passagens, deixase entrever que a responsabilidade seria exclusiva dos sócios, com o afastamento da responsabilidade da pessoa jurídica. Todavia, o termo de intimação do auto de infração (fls. 5 e 37) deixa claro que a pessoa jurídica foi intimada na qualidade de contribuinte (art. 121, parágrafo único, inc. I, CTN), enquanto os sócios foram intimados como responsáveis tributários (art. 121, parágrafo único, inc. II, CTN). Portanto, a constituição do crédito tributário ocorreu regularmente, não havendo nulidades a serem reconhecidas. A Recorrente alega também que não houve respeito ao contraditório e ampla defesa, pois os sócios “não foi oportunizado o exercício da ampla defesa” (fl. 273). O argumento não procede, por força da mencionada intimação constante nas fls. 5 e 37. Vencidas estas questões, entendo necessário aprofundar no cabimento da responsabilização dos sócios pelos créditos tributários da pessoa jurídica. De acordo com o TVF, o principal fundamento foi a (i) reiteração da conduta da Recorrente e (ii) ausência de patrimônio da Recorrente e existência de patrimônio nas pessoas físicas, observese (fl. 32 e SS.): A empresa declara não possuir qualquer tipo de patrimônio e a escrituração contábil apresentada demonstra indícios de ter sido recém elaborada, haja vista decorridos 4 anos de sua suposta elaboração apresentarse em papel com todas as características de novo, é o caso dos LivrosCaixa. A concentração de patrimônio encontrase nas pessoas dos sócios, sr. Paulo de Oliveira Dias, CPF n° 057.411.68850 e sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias, CPF n° 057.402.95831. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 317 9 A reiterada irregularidade tributária praticada pela empresa sujeito passivo desta fiscalização, tendo ao longo dos últimos 4 anos declarado INFORMAÇÕES FALSAS ao Fisco, demonstra a intenção dolosa de seus sócios, preocupados o tempo todo em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse de pagamento de tributo. Neste ponto, o TVF merece reforma, uma vez que os autos representam simples hipótese de omissão de receitas. Certamente reprovável, mas ainda simples omissão de receitas. Tanto é que, consoante expus acima, esse fato é pacificamente afastado como hipótese de qualificação da multa de ofício. Esta afirmação está assentada na simples constatação de que, na ausência de maiores elementos de prova, a intenção de omitir receita foi exclusiva da pessoa jurídica. Em tempo, não se pode esquecer que a pessoa jurídica tem existência autônoma e independente de seus sócios. Sua personalidade decorre de uma ficção jurídica constante no art. 45 e 985 do Código Civil, sendo que a partir do registro de seus atos constitutivos adquire autonomia para encetar suas próprias relações comerciais, respondendo por suas obrigações cíveis ou tributárias, como destaca a doutrina: A pessoa jurídica é uma realidade autônoma, capaz de direito e obrigações, independentemente dos membros que a compõem, com os quais não tem nenhum vínculo, agindo por si só,comprando, vendendo, alugando etc., sem qualquer ligação com a vontade individual das pessoas físicas que dela fazem parte. (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 299) (grifo não original) A superação dessa rígida barreira só ocorrerá quando houver elementos robustos para tanto, consoante já se decidiu em tempos passados, observese: (...) 1 Prevalece, em nosso ordenamento jurídico, a regra geral da distinção entre o patrimônio da empresa e o dos seus sócios, sendo que o princípio da autonomia somente cede diante de circunstâncias especiais, entre as quais se encontra a responsabilização pessoal dos sóciosgerentes das pessoas jurídicas de direito privado por débitos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto (art.135, III, do Código Tributário Nacional) (...) (grifo não original) (TRF2. AG 200702010006153 ES 2007.02.01.0006153. Rel. Des. Luiz Antonio Soares. 4ª Turma. DJU 11/02/2008). Faço estas considerações para afirmar que a omissão de receitas, bem como a decisão de entregar DIPJ zerada, somente pode ser atribuída à pessoa jurídica, sobretudo em casos como o presente, em que não há provas de que os sócios teriam praticado qualquer ato que represente fraude, simulação ou conluio. Repiso que a simples reiteração da conduta não é bastante para tal finalidade. Ocorre que o AFRFB também alega que a ausência de patrimônio da pessoa jurídica justificaria a atribuição de responsabilidade aos sócios, que possuem patrimônio. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 318 10 Contudo, afirmações dessa natureza dependem de provas contundentes de que o patrimônio da pessoa jurídica foi desviado para o patrimônio dos sócios, com vistas a frustrar o pagamento dos tributos incidentes. Esta análise não foi feita no caso dos autos. O AFRFB simplesmente constata esse fato, mas não afirma que o patrimônio dos sócios foi formado durante o período de omissão de receitas, por exemplo. E mais, não se sabe se os sócios já possuíam esse patrimônio entes dos atos fiscalizados, razão pela qual a responsabilidade tributária não pode aí encontrar apoio. Portanto, o AFRFB não possui razão quando afirma que a omissão de receitas é um ato ilícito que se amolda ao art. 135, III, CTN, pois tal conduta ficou restrita à esfera de responsabilidade da pessoa jurídica. A jurisprudênica do STJ assim dispõe sobre o tema: (...) 2. A responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não é objetiva. Desse modo, para haver o redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, deve ficar demonstrado que este agiu com excesso de poderes ou infringiu a lei ou o estatuto, na hipótese de dissolução irregular da empresa. (...) (STJ. AgRg no AREsp 294214/RN. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe de 06/12/2013) Também consta no TVF que caberia o art. 137, II, CTN, todavia, o dispositivo impõe a responsabilidade pessoal ao agente que praticar infrações em cuja definição o dolo específico seja elementar. O dispositivo exige que a omissão de receitas seja feita com o fim de frustrar a arrecadação tributária. A lei determina que haja prova dessa intenção (dolo específico). Isto não existe no caso dos autos, pois há simples omissão de receitas. Advirto que, do que consta nos autos, não se pode afirmar que a omissão de receitas teve como objetivo unicamente o inadimplemento tributário, pois pode ser que a empresa atravessasse por fase de insucesso empresarial e não tivesse como pagar seus haveres com o Fisco. O ônus, neste caso, é do Fisco. De toda sorte, o dolo específico também não restou comprovado. O AFRFB alega ainda que o art. 4º, inc. V, da Lei de Execuções Fiscais justificaria a responsabilidade dos sócios. O dispositivo possui a seguinte redação: Art. 4º A execução fiscal poderá ser promovida contra: (...) V o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias ou não, de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado; e (...) Notese que a norma supra é consequência da responsabilidade tributária já reconhecida. No entanto, o AFRFB a trata como se fosse hipótese de responsabilidade tributária, o que não se mostra adequado. Portanto, este artigo também não sustenta a responsabilidade dos sócios. Por fim, consta no TVF que a conduta verificada nos autos (omissão de receitas) representaria crime contra a ordem tributária. Observese o teor do artigo eleito pelo agente fiscal: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 319 11 Lei n. 8.137/90 Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade. Qualquer que sejam os dispositivos, a presente conclusão não se altera: a responsabilidade tributária decorre dos atos praticados pela pessoa jurídica, uma vez que não há provas robustas de que os sócios concorreram para a omissão de receitas. Não é o caso de reconhecer que os sócios praticaram crime contra a ordem tributária. Dessa forma, voto no sentido de afastar a responsabilização pessoal dos sócios, mantendo incólume o lançamento tributário em desfavor da empresa Recorrente. 5. Do Lançamento Reflexivos. Na omissão de receita cabe o lançamento dos tributos reflexos. 6. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange a: (i) qualificação da multa de ofício; e (ii) responsabilidade tributária imputada ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 320 12 (i) Acerca da multa qualificada Compulsando os autos, podese constatar que o Fisco qualificou a multa de ofício diante da conduta do contribuinte de apresentar declarações zeradas à Administração Tributária nos anoscalendário 2004, 2006 e 2007 (janeiro a junho), além de apresentar receita bruta insignificante no anocalendário 2005, conforme Tabela 1 à fl. 25 do Termo de Verificação Fiscal. Confirase, ainda, os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30): A conduta da Contribuinte GARCIA & DIAS COMÉRCIO DE PEÇAS E TRANSPORTADORA LTDA de não declarar corretamente, durante anos consecutivos, as receitas auferidas, denota o elemento subjetivo do dolo e enseja a aplicação da multa agravada [...] Omitindo, ou pior, declarando falsas informações ao fisco, a contribuinte tentou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A prática sistemática, adotada durante anos consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. [...] Entendeu o Colegiado que andou bem o Fisco, ao aplicar ao lançamento a multa de 150%. De fato, apesar de terem sido usados na apuração dos valores devidos os livros e documentos apresentados pelo contribuinte, é certo que ao longo de quatro anos o contribuinte apresentou declarações zeradas, com o claro propósito de manter ocultos da autoridade fazendária os fatos geradores tributários. E tal conduta é aquela capaz de dar azo à duplicação da multa de ofício, conforme art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c o art. 71 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." [...] Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...] Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 321 13 Ressaltese que é irrelevante o fato de que no presente processo somente foram constituídos créditos tributários por fatos geradores ocorridos em quatro meses do ano calendário 2007. É que nos anoscalendário anteriores (2004, 2005 e 2006) o contribuinte estava sujeito à tributação no regime do Lucro Presumido (item III.2 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 26/28) e, por razões de ordem processual, as omissões apuradas naqueles anos foram objeto de lançamento em processo administrativo fiscal distinto deste. Mas o fato de serem os créditos tributários constituídos em processos diversos não afasta a realidade de que ao longo de diversos exercícios o contribuinte buscou esconder do Fisco os fatos geradores. O Colegiado decidiu, então, por negar provimento ao recurso voluntário, também no que tange à multa qualificada. (ii) Acerca da responsabilidade tributária imputada ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias. Do exame dos autos, constatase o que segue: a) Os responsáveis tributários Sr. Paulo de Oliveira Dias e Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias foram regularmente cientificados do lançamento e da responsabilidade tributária que lhes foi imputada. Confirase termo às fls. 4/5 e, ainda, Informação Fiscal às fls. 22/26. b) A peça impugnatória (fls. 219 e segs.) foi apresentada exclusivamente pelo contribuinte Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda., subscrita por advogados constituídos pela pessoa jurídica (procuração à fl. 232). As pessoas físicas apontadas como responsáveis, portanto, não impugnaram o lançamento. c) O acórdão recorrido consignou o fato à fl. 255: “... a circunstância de os sócios não terem apresentado impugnação ao lançamento tributário que contra eles também fora dirigido achase circunscrita à esfera volitiva de ambos, que optaram por não contestar a imposição. Não caracteriza cerceamento de defesa pois foram intimados a impugnar o lançamento efetuado ou solver o crédito tributário dele decorrente, ...”. Desse acórdão foi dada regular ciência à contribuinte e aos responsáveis (docs. às fls. 276, 277, 286, 287 e 288). d) Finalmente, a peça recursal submetida à apreciação deste colegiado (fls. 264 e segs.) foi apresentada exclusivamente pelo contribuinte Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda., subscrita por advogados constituídos pela pessoa jurídica. As pessoas físicas apontadas como responsáveis, apesar de regularmente intimadas, não recorreram da decisão de primeira instância. Entendo que a contribuinte Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. carece de interesse de agir e de legitimidade processual, no que toca à responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias. O Decreto nº 70.235/1972 não se refere de forma específica às condições de interesse e legitimidade para propor impugnação e recurso, mas, do conteúdo de seus artigos 14 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 322 14 e seguintes depreendese que é legitimado para tanto aquele indicado como sujeito passivo no lançamento. A Lei nº 9.784/1999, em seu artigo 9º, inciso II, traz de forma expressa o vínculo entre legitimidade no processo administrativo e interesse de agir, nos seguintes termos: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; Releva, também, observar o que dispõe a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Transcrevo, abaixo, os artigos 2º, 3º e 6º. Art. 2o Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. [...] Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. O interesse de agir e a legitimidade de parte são duas das três condições da ação1, segundo a teoria do Direito Processual Civil. Ensina Humberto Theodoro Júnior2 que: [...] a existência da ação depende de alguns requisitos constitutivos que se chamam “condições da ação”, cuja ausência, de qualquer um deles, leva à “carência de ação”, e cujo exame deve ser feito, em cada caso concreto, preliminarmente à apreciação do mérito, em caráter prejudicial. Nessa ordem de idéias, condições ou requisitos da ação, como os conceitua Arruda Alvim, “são as categorias lógicojurídicas, existentes na doutrina e, muitas vezes na lei (como é claramente o caso do direito vigente), mediante as quais se admite que alguém chegue à obtenção da sentença final”. Por conseguinte, à falta de uma condição da ação, o processo será extinto, prematuramente, sem que o Estado dê resposta ao pedido de tutela jurisdicional do autor, isto é, sem julgamento de mérito (art. 267, nº VI). Haverá ausência do direito de ação, ou, na linguagem corrente dos processualistas, ocorrerá carência de ação. Prossegue o Mestre3, especificamente acerca do interesse de agir: A segunda condição da ação é o interesse de agir, que também não se confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a 1 A terceira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido, de que aqui não se trata. 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 49. 3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 52. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 323 15 mesma ação. O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entendese, dessa maneira, que há interesse processual “se a parte sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais”. Localizase o interesse processual não apenas na utilidade, mas especificamente na necessidade do processo como remédio apto à aplicação do direito objetivo no caso concreto, pois a tutela jurisdicional não é jamais outorgada sem uma necessidade [...]. Essa necessidade se encontra naquela situação “que nos leva a procurar uma solução judicial, sob pena de, se não o fizermos, vermonos na contingência de não podermos ter satisfeita uma pretensão (o direito de que nos afirmamos titulares)”. [...] Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação. Quanto à legitimidade de parte, o trecho a seguir transcrito4 é de clareza lapidar e, entendo, perfeitamente aplicável à situação sob exame: Destarte, legitimados ao processo são os sujeitos da lide, isto é, os titulares dos interesses em conflito. A legitimação ativa caberá ao titular do interesse afirmado na pretensão, e a passiva ao titular do interesse que se opõe ou resiste à pretensão. De par com a legitimação ordinária, ou seja, a que decorre da posição ocupada pela parte como sujeito da lide, prevê o direito processual, em casos excepcionais, a legitimidade extraordinária, que consiste em permitirse, em determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa de interesse alheio. Ressaltese, porém, a excepcionalidade desses casos que, doutrinariamente, se denominam “substituição processual”, e que podem ocorrer, por exemplo, com o marido na defesa dos bens dotais da mulher, com o Ministério Público na ação de acidente do trabalho, ou na ação civil de indenização do dano ex delicto, quando a vítima é pobre etc. A não ser, portanto, nas exceções expressamente autorizadas, em lei, a ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio (art. 6º) [...]. Quanto à falta de interesse de agir, observo que o pedido, feito pela Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda., de exclusão da responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias em nada aproveita à recorrente. Examinemos, por hipótese, a situação em que o crédito tributário fosse mantido, e excluída a responsabilidade das pessoas físicas indicadas: a Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. ocuparia, sozinha, o pólo passivo da relação jurídicotributária, e somente dela poderia ser exigido o crédito mantido. Vejamos, agora, outra situação igualmente hipotética, em que o crédito tributário fosse mantido, e também assim a responsabilidade das pessoas físicas indicadas: desde que a responsabilidade, no caso, é solidária, o crédito tributário mantido poderia ser exigido, integralmente, de qualquer um dos sujeitos passivos solidários, inclusive a Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda., sem benefício de ordem. Uma terceira hipótese seria o afastamento integral do crédito tributário, caso em que não faria qualquer sentido se falar em responsabilidade tributária. Como se vê, esse pedido é absolutamente desnecessário aos interesses da recorrente Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. Não lhe adviria qualquer 4 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 54. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.003607/200806 Acórdão n.º 1302001.421 S1C3T2 Fl. 324 16 prejuízo, se negado, nem ganho algum, se provido. Não há dano nem perigo de dano jurídico, caracterizandose, assim, a falta de interesse de agir. Diretamente ligada ao exposto verifico a ilegitimidade da Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. como parte, no que toca à responsabilidade tributária. Aqueles que teriam direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada nessa matéria seriam o Sr. Paulo de Oliveira Dias e a Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias. E estes, conforme visto, não vieram ao processo em sede de recurso, apesar de regularmente intimados tanto do lançamento quanto da decisão de primeira instância. Ao pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída às pessoas físicas, a Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. pleiteia direito alheio em nome próprio, o que somente seria admissível em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal. Em situação idêntica, este CARF já decidiu da mesma forma, como se verifica nos acórdãos nº 130100.067 e 130100.068, ambos de 13/05/2009. Pelos fundamentos acima desenvolvidos, a decisão do Colegiado foi por não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Garcia & Dias Comércio de Peças e Transportadora Ltda. acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias. (iii) Conclusão Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de não conhecer dos argumentos contrários à responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Paulo de Oliveira Dias e à Sra. Sandra Garcia de Oliveira Dias e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
