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Numero do processo: 10935.000411/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 04 11 /2 00 8- 73 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 341/344), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. De acordo com o relatório objeto da decisão recorrida, a lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS Mercado Externo, no valor de 85.156,55, apurado segundo o regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao primeiro trimestre de 2007. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de fls. 310/314, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 57.137,34. Nos termos do relatório objeto da decisão recorrida, dentre as glosas efetuadas pela autoridade administrativa não foi consentido, para fins de compensação ou de ressarcimento, o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, por entender referida autoridade que o aproveitamento do crédito presumido em tela é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO EXTERNO. O ressarcimento em dinheiro somente poderá ser solicitado pela pessoa jurídica, após a dedução da contribuição devida e da compensação com débitos próprios, em relação às receitas decorrentes de operações para o exterior e utilizandose tão somente dos créditos básicos apurados na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/200873 Acórdão n.º 3802001.251 S3TE02 Fl. 358 3 É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/06/2011 (fls. 346). Inconformada, a interessada apresentou, em 25/07/2011 (fls. 347), o recurso voluntário de fls. 347/355, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ou seja, alegando resumidamente o seguinte: a) que o artigo 8o da Lei no 10.925/04 reconheceu o direito ao crédito presumido em relação a algumas pessoas jurídicas ou cooperativas que produzissem produtos de origem vegetal ou animal para alimentação humana; b) que a suspensão de que trata a IN SRF no 660/2006 abarcou apenas as receitas brutas de vendas de produtos in natura, dentre eles a soja (NCM 12.01), realizadas no mercado interno por cerealistas para agroindústrias tributadas pelo lucro real; c) que, como efeito prático, a recorrente: i) com respeito à comercialização dos produtos in natura, está desobrigada de recolher as contribuições sociais sobre as vendas no mercado interno; ii) em relação à industrialização de produtos de origem vegetal, essencialmente a soja, teria direito ao crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei 10.925/04, c/c artigo 5o, inciso I, alínea “d”, da IN 660/06, crédito este calculado sobre os insumos da industrialização e comercialização da soja; d) assim, a interessada teria direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS sobre a receita bruta da atividade agroindustrial, no mercado interno e externo, podendo inclusive, em relação às suas exportações, utilizar os créditos para fins de compensação ou ressarcimento; nesse sentido, os créditos, embora reconhecidos, foram equivocadamente glosados pela autoridade fiscal, que autorizou sua utilização unicamente para desconto da correspondente contribuição apurada; e) ressalta que a vedação de que trata o § 2o do artigo 5o da IN 660/06, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, se restringe unicamente às vendas de soja realizadas com suspensão, ou seja, apenas às vendas realizadas no mercado interno; assim, tal vedação não alcançaria as exportações de produtos industrializados de origem vegetal (soja), porquanto não se está falando de vendas com suspensão, mas sim de nãoincidência; f) se contrapõe à exegese oficial que, alicerçada no artigo 8o da Lei no 10.925/04, entendeu que o crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo não pode ser objeto de compensação ou ressarcimento; neste comenos, ressalta que não há incidência de contribuições sociais sobre Fl. 590DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 as receitas decorrentes de exportação, a teor do disposto no artigo 149, § 2o, I, da Constituição Federal; g) quanto ao direito ao aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou compensação, assevera que tal direito lhe é assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04 (que autorizou a manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS decorrentes da não incidência dessas exações), bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05 (que autorizou expressamente o ressarcimento ou a compensação, com quaisquer tributos e contribuições, do saldo credor da contribuição para o PIS e para a COFINS depois da dedução com as correspondentes exações); h) questiona o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, que, ao vedar a compensação do crédito presumido do PIS e da COFINS com os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estaria indo de encontro ao disposto na Lei no 11.116/05; i) ressalta que o legislador objetivou desonerar o contribuinte, vedando a incidência, em cascata, do PIS e da COFINS; no caso da recorrente, considerando que suas vendas se limitam à exportação de produtos industrializados, jamais poderia usufruir de tais créditos diante da não incidência destas contribuições sociais, por vedação de um ato interpretativo que não tem o condão de contrariar dispositivo legal expresso. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, devidamente corrigido pela taxa SELIC, desde a protocolização do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para a COFINS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por esta Turma quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o Fl. 591DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/200873 Acórdão n.º 3802001.251 S3TE02 Fl. 359 5 valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 592DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/200873 Acórdão n.º 3802001.251 S3TE02 Fl. 360 7 Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 595DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/200873 Acórdão n.º 3802001.251 S3TE02 Fl. 361 9 alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os crédito presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, entendo que a impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos ocorre não exclusivamente por força do referenciado dispositivo, mas sim em vista de a norma não prever tal possibilidade, posto que restringe o emprego dos referenciados créditos para dedução da contribuição correspondente, conforme caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. A interessada aduziu também que o direito a aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou de compensação seria assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04, bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05. Transcrevo os correspondentes dispositivos: Lei no 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n o 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (redação original) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 977, de 14/12/2009) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 1.223, de 23/12/2011) [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/200873 Acórdão n.º 3802001.251 S3TE02 Fl. 362 11 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da leitura dos dispositivos referenciados pela suplicante vêse que os mesmos não tratam de crédito presumido, mas unicamente do desconto de créditos segundo o regime da não cumulatividade, previstos no artigo 3o da Leis no 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), bem como no artigo 15 da Lei no 10.865/04 (PIS e COFINS incidentes na importação). Portanto, os enunciados em evidência não garantem o direito reclamado pela recorrente. No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11080.722592/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E SCHNEIDER CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 92 /2 01 0- 78 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/201078 Acórdão n.º 2302002.080 S2C3T2 Fl. 208 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa SCHNEIDER CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA., pelos serviços prestados na construção civil, nas competências de 12/1999 a 03/2000, 05/2000, 06/2000 e 09/2000. A notificação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada por edital, conforme informações prestadas no processo. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pelo prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação do responsável solidário, Acórdão de fls.150/162, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/201078 Acórdão n.º 2302002.080 S2C3T2 Fl. 209 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi , Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/201078 Acórdão n.º 2302002.080 S2C3T2 Fl. 210 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/201078 Acórdão n.º 2302002.080 S2C3T2 Fl. 211 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11080.722488/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 88 /2 01 0- 83 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 04/1998 a 12/2000. O Relatório Fiscal (fls. 15/27) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, DATANET ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 73.302.374/000135, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 84/98) – acompanhada dos anexos de fls. 99/135 –, alegando, em síntese, que: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. Posteriormente, a empresa prestadora de serviços, DATANET ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA, apresentou impugnação (fls. 150/151) na qual alega, em síntese que: 1. não foi notificada em 2001, quando da lavratura do Auto de Infração; 2. não foi notificada em 23/08/2010, sendo que o Auto de Infração foi recebido somente pelo Gerente do Banco do Brasil; 3. recolheu todas as contribuições devidas e, para comprovar, anexa as folhas de pagamento, GPS, notas fiscais e CND do período do débito. 4. REQUER: sejam acolhidos os argumentos para ser cancelado o Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0344.857 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 383/397) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que foi determinada a exclusão dos valores apurados para a competência 12/2000, em razão de recolhimento efetuado pela contratada. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (DATANET ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 16) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. A única exceção é a competência de 12/2000, na qual a contratada comprovou que sofreu retenção e apresentou a GPS – recolhida em 22/12/2000, no valor de R$563,42 (quinhentos e sessenta e três reais e quarenta e dois centavos), referente à nota fiscal 1095, emitida em 04/12/2000 –, sendo que tal valor já foi devidamente aproveitado no presente lançamento na análise feita pela decisão de primeira instância e foi emitida a retificação por meio do Discriminativo Analítico de Débito Retificado (DADR). Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 6 9 No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 15/27) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.668 2) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 7 11 Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 453DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 8 13 Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/201083 Acórdão n.º 2402002.973 S2C4T2 Fl. 9 15 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10675.720676/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 547/561), apurados pela sistemática do Lucro Real, cumulados com juros e multa de ofício (75%), referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, em virtude da glosa de custos e despesas não comprovadas, decorrentes da ausência de documentos fiscais que as suportassem, além da divergência entre valores escriturados e consignados nos documentos fiscais, conforme Termo de Verificação fiscal às fls. 539/546. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 67 6/ 20 11 -0 3 Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 3 2 A contribuinte apresentou impugnação às fls. 567/575, acompanhada dos documentos de fls. 576/2878. Suas razões de defesa foram resumidas pela DRJ, conforme trecho a seguir transcrito: A) DA PRIMEIRA GLOSA [...] Na planilha em que a fiscalização aponta quais documentos não foram encontrados, ela aponta como o "Resultado da Conferência Documental" os seguintes vícios: 1) Nota fiscal de entrada sem origem nota fiscal de origem; 2) Documento fiscal não localizado; 3) Divergência da Declaração de Importação. Quantos as notas fiscais do item 1 [...] temse que a seguinte situação: Tratase de notas fiscais de entrada emitidas em razão da compra de arroz de produtores rurais pessoas físicas. A Fiscalização afirma, no entanto, que não encontrou as notas fiscais dos produtores rurais, somente as notas fiscais de entrada emitidas pela Impugnante. Tal fato, porém, não encontra respaldo na realidade, tanto é que se junta a presente impugnação o original das notas fiscais de entrada e das notas fiscais dos produtores rurais que embasam referidas notas fiscais de entrada, provando assim o lastro documental desses lançamentos contábeis. Quanto as notas fiscais do item 2 (Documento fiscal não localizado), temse a mesma situação, a Fiscalização afirma que não encontrou as notas fiscais que amparam os lançamentos contábeis constantes dessa rubrica. Tal fato, também, não encontra respaldo na realidade, tanto que se junta a presente impugnação o original das notas fiscais não encontradas pela Fiscalização, provando assim o lastro documental desses lançamentos contábeis. Fazse aqui uma explicação, conforme afirmado para a Fiscalização, esses documentos estavam em poder do Serviço de Fiscalização Aduaneira da Inspetoria [...] e somente foram restituídos à Impugnante após a lavratura do auto de infração ora impugnado, motivo pelo qual a Fiscalização não encontrou tais documentos. Quanto a divergência do item 3 (Divergência da Declaração de Importação) temse o seguinte cenário: Em relação às divergências nas declarações de importação, a Fiscalização considerou somente o valor declarado na DI (declaração de importação), desconsiderando o valor Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 4 3 efetivamente pago a empresa que vendeu a mercadoria e efetuou o transporte da mesma até a sede da Impugnante. A diferença entre o valor efetivamente pago e o valor declarado na DI é exatamente o custo do transporte nacional da mercadoria. Em outras palavras, na DI era declarado o valor de compra acrescido do frete internacional, do seguro e dos impostos (conforme determina a lei). Quando do pagamento da mercadoria para o fornecedor, no entanto, era feito o pagamento do mesmo acrescido do custo do frete nacional, que era de responsabilidade do fornecedor da mercadoria. Em outras palavras, a combinação entre o comprador e fornecedor era a entrega da mercadoria na sede do comprador. Logo, além do preço da mercadoria, era exigido do Impugnante (comprador) o valor do transporte nacional. Por tal razão há diferença entre o valor da DI e o valor efetivamente pago. Tal diferença foi glosada pela Fiscalização a título de "Divergência da DI". Não há qualquer divergência, mas sim pagamento de um valor adicional pelo transporte nacional da mercadoria. Tanto assim é que os contratos de câmbio dessas operações comprovam que o valor efetivamente pago era aquele constante da nota fiscal de entrada da mercadoria importada e não o valor declarado na DI em razão da diferença acima apontada. Em razão da justificativa de tal divergência não se deve impor sua glosa, como quer a fiscalização, pois o valor lançado na contabilidade foi aquele efetivamente pago pelo Impugnante, que suportou aquele custo e tem direito a ter ele abatido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto às notas fiscais da empresa Central Sul Transportes Ltda., as mesmas não foram localizadas pela Impugnante no prazo de impugnação, pois ainda há documentos em poder da Fiscalização Aduaneira já citada. No entanto, foi solicitada a empresa Central Sul Transportes Ltda. que forneça cópia de tais documentos para que sejam juntados a esse processo. Motivo pelo qual se requer, desde já, a juntada posterior dos documentos faltantes (que não estão em poder da Impugnante em razão da Fiscalização Aduaneira), nos termos da alínea "a" do parágrafo quarto, do art. 16 do Decreto 70.235 de 1972. Pelo exposto, juntado aos autos [...] os originais dos documentos fiscais não encontrados pela fiscalização e justificada a divergência encontrada, mister se faz a anulação do auto de infração em relação a esses valores. B) DA SEGUNDA GLOSA (...) Nessa segunda glosa, alegouse o seguinte: Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 5 4 1) Imprecisão dos documentos fiscais da empresa Prit Sul Transportes Nacionais e Internacionais Ltda.; 2) Em relação ao frete internacional, que o mesmo compõe o valor aduaneiro e a base de cálculo do imposto de importação, motivo pelo qual não pode ser considerado como despesa incorrida; 3) Quanto aos lucros e perdas, a ausência de comprovação das perdas impôs a glosa de tais valores. Na planilha em que a fiscalização aponta quais documentos não foram encontrados, ela aponta como o "Resultado da Conferência Documental" o seguinte vício: "Documento fiscal não localizado/identificado”. (...). No que se refere às despesas glosadas referentes a fretes e carretos fazse as seguintes observações: As duas principais empresas que prestavam serviço de transporte ao Impugnante eram as empresas brasileiras Jovinter Transporte Nacional e Internacional Ltda. e Prit Sul (...). Referidas empresas prestavam o serviço de transporte internacional (até a fronteira com o Brasil) e transporte nacional (da fronteira até a sede da Impugnante). Para documentar a realização dos fretes, eram emitidos Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia onde consta o valor total do frete nacional (em dólares) e o valor total do frete externo (internacional) também em dólares. O valor do frete externo já é computado no valor aduaneiro, motivo pelo qual não pode ser novamente deduzido pela Impugnante. No entanto, o valor do frete nacional, constante do Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia pode ser integralmente aproveitado pelo Impugnante como despesa de fretes e carretos. Logo, uma vez juntados aos autos os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia, que são documentos fiscais para fins de acobertamento do transporte nacional das mercadorias importadas, mister se faz a anulação do auto de infração pela ausência de localização ou identificação desses documentos fiscais. Sendo assim, para sepultar de uma vez o auto de infração, se junta a presente impugnação os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia supostamente não localizados/identificados pela Fiscalização que demonstram as despesas realizadas com o transporte interno (nacional) do arroz importado. Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 6 5 Com a juntada de tais documentos, provase que os registros contábeis estão perfeitamente amparados por documentos fiscais idôneos, sendo que, em razão da apresentação de tais documentos, a autuação fiscal deve ser considerada insubsistente. Em relação às perdas decorrentes de inadimplemento de clientes, temse que as mesmas estão amparadas nos seguintes documentos: a) Em cheques devolvidos que somam a importância de R$ 141.836,60. São diversos cheques oriundos de diversas operações de valores inferiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais de um ano de sua contabilização como perda em que se mantêm sua cobrança administrativa; b) R$ 201.550,82 (duzentos e mil, quinhentos e cinqüenta reais e oitenta e dois centavos) relativos à apropriação indébita feita por funcionários da Impugnante em que há queixa crime apresentada a autoridade policial pela Impugnante, nos termos do art. 364 do RIR/99 (...). A 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a impugnação da contribuinte para afastar as preliminares argüidas e, no mérito, em virtude dos documentos fiscais anexados à peça impugnatória, (i) exonerar as exigências nos valores principais de R$ 279.104,40 e R$ 167.462,64, a título de IRPJ e CSLL, respectivamente, além dos encargos de juros de mora e de multa de ofício; e (ii) manter a exigência dos valores remanescentes. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 2941/2952) repisando as razões de mérito sustentadas em sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. As autoridades fiscais afirmam que todos os custos e despesas deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL devem estar necessariamente lastreados em documentação comprobatória hábil e idônea que permita aferir sua necessidade e normalidade para a manutenção da fonte produtora. Com base nisso, procedeu à glosa dos valores lançados na contabilidade da Recorrente cujos documentos apresentados não foram suficientes para comprovar os respectivos custos e despesas, nos termos exigidos pela legislação tributária. Notese, ainda, que a Recorrente não trouxe aos autos novos documentos que suportassem suas alegações, limitandose a apontar os documentos já analisados pela DRJ, anexados aos autos por ocasião da apresentação de sua peça impugnatória. Assim, resta avaliar se os documentos de fls. 576/2878 estão aptos a comprovar os custos e despesas glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão recorrida. CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00003 COMPRAS A PRAZO A Recorrente anexou à impugnação todas as notas fiscais de entrada originais e as notas fiscais dos produtores rurais. Assim, a decisão da DRJ exonerou a glosa do custo referente a tal conta, não merecendo qualquer reparo a decisão neste ponto. CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00012 FRETES E CARRETOS Conforme decisão a quo, os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga (CTRC) apresentados e referentes ao mês de fevereiro têm datas posteriores às da escrituração, enquanto aqueles relativos aos demais meses correspondem a fretes a prazo e não a fretes à vista, como é o caso da conta em apreço. A Recorrente afirma que é irrelevante que o custo tenha sido lançado na conta contábil incorreta. Uma vez suportado pela Recorrente, esse custo deveria reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nada obstante as alegações de ambas as partes, entendo que é cabível aqui a solicitação de diligência para comprovação de que o custo não foi contabilizado e aproveitado em duplicidade. Isso porque, caso não tenha sido contabilizado e aproveitado em duplicidade, merece razão a Recorrente, devendo ser excluída a glosa e mantida a dedução. CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00014 FRETES E CARRETOS A PRAZO Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 8 7 Alega a fiscalização que, embora a Recorrente tenha apresentado CTRCs, DIs, Manifesto de Carga, Invoices (Faturas comerciais internacionais), contratos de câmbio, etc, não merece reparos o lançamento, uma vez que: alguns CTRC’s não possuem o número da nota fiscal das mercadorias transportadas, ainda que façam menção a importações de arroz, referentes à conta contábil 3.2.01.00003 COMPRAS A PRAZO. Nos demais casos, para os quais os CTRC’s apontam o número da nota fiscal, essas não foram apresentadas. Não houve comprovação documental da contribuinte, com espelho em sua escrituração, que desse lastro às suas alegações no sentido de que a diferença entre o valor efetivamente pago e o valor declarado na DI fosse correspondesse ao custo do transporte nacional da mercadoria. Não prosperam as alegações no sentido de que as notas fiscais da Central Sul Transportes Ltda. não foram localizadas no prazo de impugnação, já que ainda haveriam documentos em poder da Fiscalização Aduaneira, uma vez que tais documentos não compuseram os autos do processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Aduaneiro de n.° 10611.001472/200991, conforme comprovado esclarecido no TVF. Ora, nenhum documento foi anexado aos autos que afastasse as conclusões expostas, causando estranheza que após o longo decurso de prazo a Recorrente não tenha obtido sequer cópia dos documentos supostamente em posse da Fiscalização Aduaneira. A essa altura, sustenta a Recorrente que as eventuais irregularidades na emissão das CTRC’s não tem o condão de impedir que ela considere como custo o valor despendido a título de frete e carretos a prazo. Contudo, aqui também concordo com a decisão de primeira instância, pois não há como considerar como custo os CTRC’s desacompanhados das notas fiscais das mercadorias transportadas. O CTRC é o documento emitido pela transportadora, baseado nos dados da nota fiscal, que informa o valor do frete e acompanha a carga. Na ausência de indicação da nota fiscal ou na falta desta, não é possível comprovar a efetiva realização dessa despesa. Ademais, o argumento de que seria impossível transportar toda a mercadoria sem a contratação de fretes e carretos, não supre a necessidade de comprovação de que o custo de tal transporte foi efetivamente suportado pela Recorrente. A Recorrente aduz, ainda, quanto à diferença entre valores pagos e declarados em DI, que os contratos de câmbio dessas operações estão aptos a comprovar que o valor efetivamente pago era aquele constante da nota fiscal de entrada da mercadoria importada e não o valor declarado na DI, em razão do valor adicional pago pelo transporte nacional. Nesse ponto, também corroboro a assertiva da decisão recorrida no sentido de que os contratos de câmbio não estão aptos a comprovar que o custo dos transportes foi suportado pela Recorrente. Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 9 8 CONTA CONTÁBIL 5.2.05.00006 FRETES E CARRETOS Para justificar a manutenção da glosa referente aos custos/despesas em referência, a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos expostos acima, ressaltando trataremse de fretes internacionais e que parte das despesas já foi levada em consideração pela fiscalização. A Recorrente afirma que o valor dos fretes nacionais pode ser integralmente deduzido, enquanto o valor dos fretes internacionais não pode ser deduzido por ser computado no valor aduaneiro. Procedem as afirmações da Recorrente. No entanto, como exposto na decisão de primeira instância, o valor despendido com fretes nacionais não pôde ser comprovado pelos documentos apresentados. CONTA CONTÁBIL 5.2.09.00003 LUCROS/PERDAS Relativamente a tal conta, os argumentos da decisão recorrida encontramse reproduzidos a seguir: Relativamente aos dois lançamentos contábeis de 1º/10/2007, no montante de R$ 64.630,13 (R$ 1.160,10 + R$ 63.470,03), trata se de débitos a título de perda, em contrapartida a créditos de contas contábeis “Construção em Andamento”, cujos históricos sugerem o estorno de lançamentos que teriam sido indevidos, em referência aos meses de janeiro e fevereiro de 2006. Malgradas as oportunidades, restou demonstrado que a glosa é pertinente, em razão da falta de comprovação e do desapreço com o dever de escriturar a que alude o art. 251 do Decreto nº 3.000/1999. No que tange à perda do valor de R$ 406.880,13, tendo por contrapartida crédito em conta de “Cheques Devolvidos sem Fundos”, as cópias dos anversos dos cheques apresentados como prova (Anexo V da peça impugnatória, contida nas provas 12 e 13) não têm o condão de por si sós desautorizarem a glosa operada, por não serem comprovantes de registro de perda com cheques devolvidos. Quando pouco, deveria a contribuinte ter trazido aos autos pelo menos o verso daqueles títulos de crédito, para que se pudesse constatar ali que, efetivamente, as respectivas instituições financeiras (sacado) disseram da frustração por parte dos titulares das contas bancárias (emitente/sacador) das respectivas ordens de pagamento dos valores neles constantes a favor da contribuinte (tomador/beneficiário). Renovese, mais uma vez, que é desarrazoada a fala passiva de que tais elementos probantes encontramse retidos na Inspetoria da RFB/BHE. Concernente aos demais argumentos passivos, não vejo como a notícia crime (fl. 13 da prova 13), que serviria, ao olhos da Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/201103 Resolução nº 1402000.140 S1C4T2 Fl. 10 9 contribuinte, para comprovar a defendida apropriação indébita de seus funcionários, poderia em consciência isenta, comprovar documentalmente o objeto da glosa a perda escriturada a título de cheques devolvidos sem fundo. Nessa situação, resta incólume a glosa operada, amparada ainda pelo disposto no artigo 340 do Decreto nº 3.000/1999, integrante do enquadramento legal declinado pelo fisco. No que tocam às alegações de cheques devolvidos sem fundo, entendo que também caberia a baixa à origem para extração de cópia dos versos dos cheques, buscando constatar a frustração, por parte dos titulares das contas bancárias, das respectivas ordens de pagamento a favor da Recorrente. Caso se verifique que, de fato, a obrigação de tais títulos foi frustrada, é de se excluir a glosa e manter a perda do valor de R$ 406.880,13. No que toca ao segundo ponto, vale observar que, consoante art. 364 do RIR/99, serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 3º). Assim, diante dos documentos apresentados pela Recorrente às fls. 2816/2824 – queixa crime apresentada à autoridade policial , deve ser considerada dedutível a despesa no valor de R$ 201.550,82, relativa à apropriação indébita operada por funcionários da Recorrente. Assim sendo, de forma a permitir a formação de convicção deste Conselheiro, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa: (i) verifique a coerência dos lançamentos contábeis relativos à CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00012 FRETES E CARRETOS, determinando se os fretes a prazo – contabilizados erroneamente nesse conta – foram contabilizados e aproveitados em duplicidade pela Recorrente; e (ii) faça anexar as cópias dos versos dos cheques apresentados como prova da perda no valor de R$ 406.880,13, contabilizada pela Recorrente na conta “Cheques Devolvidos sem Fundos. O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a Recorrente, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado. Após isso, o resultado da diligência deve ser encaminhado a esse Colegiado pelo Chefe da Repartição Preparadora. O resultado do julgamento será formalizado após o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720426/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento.
Numero da decisão: 2802-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 04 26 /2 00 8- 19 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls.0204), lavrada em decorrência de revisão de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2006, Ano Calendário 2005, em razão de suposta dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação. Cientificada (fl.48), apresenta tempestivamente impugnação (fl. 14), acompanhada dos documentos de fls. 15/46, afirmando que está anexando os comprovantes de pagamento do convênio médico e com profissionais de saúde devidamente amparados no abatimento previsto em lei, com pagamentos comprovados e legítimos de boa fé. Requer o cancelamento do débitos fiscal reclamado. Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 05/04/2011, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo em parte as deduções de despesas médicas, indicando a fls.54 e ss. as razões de aceitação ou não aceitação de cada um dos comprovantes apresentados, sendo invocados em relação a diferentes comprovantes a falta de indicação de endereço profissional e o fato de serem apresentadas como dedutíveis despesas que não correspondem a tratamento da própria contribuinte, sendo certo que não apontou dependentes em sua DIRPF, para o exercício.. Cientificada da supramencionada decisão em 12/04/2011, conforme fl.58, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, a fl. 60, em 23/05/2011, atacando em parte a decisão exarada pela DRJ, e afirmando que a falta de endereço profissional de prestadores de serviços médicos nos respectivos comprovantes não é motivo suficiente para a glosa das deduções em questão, já que a Receita possui em seus bancos de dados os endereços em questão, bem como as DIRPFs dos respectivos profissionais; que pagou as despesas dos planos de saúde de seu esposo e de sua falecida mãe, seja por débito em conta, seja em dinheiro, sendo responsável pelo bem estar dos mesmos que com a contribuinte residem, sobrevivendo com suas aposentadorias defasadas; também não subsiste a glosa de pagamento efetuado a SASSOM, órgão de Prefeitura Municipal que mantém convênio de troca de informações com a Receita, juntando ainda documentos. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10840.720426/200819 Acórdão n.º 2802001.867 S2TE02 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo, de vez que o prazo recursal expirou em 12/05/2011, tendo sido interposto o recurso em 23/05/2011. Isto posto, nego conhecimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000118/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004,2005,2006
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita
compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando
a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar
em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de
defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena
de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS
BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal
de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de
depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em
relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante
documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas
operações.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizase
como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à
pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade
determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de
tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial
do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em
razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento
direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas
infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os
resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram
dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004,2005,2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 755 2 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 515526, com a exigência do crédito tributário no valor de R$57.152,21, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendário de 2003. 2004 e 2005. O lançamento se fundamenta nas seguintes infrações: omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 27.9749 da agência nº 5657 do Banco do Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 756 3 Brasil S/A e na conta corrente 711272 da agência 34 do Banco da Amazônia S/A, cujos extratos foram fornecidos por ela, fls. 148192, 211358 e 388405; omissão de receitas apurada em razão da falta de registro de compras decorrente de pagamentos não escriturados constatadas a partir da Nota Fiscal nº 33327, emitida em 18.08.2004 pela pessoa jurídica GE Equipamentos Médicos Ltda no valor total de R$193.780,00 dos quais houve adiantamentos nos valores de R$80.000,00, R$16.080,00 R$15.900,00 e R$15.720,00 pagos respectivamente em 22.07.2004, 04.10.2004, 04.11.2004 e 03.12.2004, fls. 418427. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 247, art. 248, inciso II do art. 249, art. 251, art. 277, art. 279, art. 280, art. 281, art. 288 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 527537 a exigência do crédito tributário no valor de R$4.383,93 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 540551 com a exigência do crédito tributário no valor de R$21.995,94 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.349, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 552563 com a exigência do crédito tributário no valor de R$101.521,95 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada em 15.03.2007, fl. 565, a Recorrente apresentou a impugnação em 29.03.2007, fls.566582, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que os Autos de Infração são nulos, haja vista que atendeu a todas as solicitações e que fixar a presunção de omissão de receitas antes do encerramento da ação fiscal não é cabível, por ser ilegal. Suscita que as informações contidas no Livro Caixa não podem servir de parâmetro face aos dados assinalados nos documentos emitidos pelas instituições bancárias, já que naquele não se permite o controle contábil completo e nem de toda a movimentação financeira. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 757 4 Defende que é ilegítimo o lançamento com base em extratos bancários, Procura demonstrar que a presunção de omissão de receitas com base em depósitos não é válida sem a comprovação dos sinais exteriores de riqueza. Alega que exigência é carecedora de elementos fáticos imprescindíveis a lhe conferir a certeza. Destaca que evidenciou parte da origem dos recursos utilizados, e os demais que foram supostamente não comprovados decorrem de valores destinados a despesas necessárias ao exercício de sua atividade econômica. Explica que as informações constantes na DIPJ não são compatíveis com os valores do hipotético aumento de rendimento averiguado de ofício. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que os Autos de Infração devem ser anulados. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0121.174, de 24.03.2011, fls. 708731: “Impugnação Procedente em Parte”, uma vez que foi excluída a parcela da omissão de receitas decorrente de rendimentos de pessoas físicas. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003,2004,2005 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, I I , do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE – INOCORRÊNCIA Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO OCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Comprovado que a infração descrita no Termo de Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 758 5 Verificação Fiscal não corresponde a Infração lançada, e por conseguinte inadequado o enquadramento legal, enseja a nulidade do lançamento, para esta infração, por vicio material. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitose de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas.Exoneramse os valores comprovados na Impugnação. PRESUNÇÃO JÚRIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. O Processo Administrativo Fiscal não é o palco apropriado para discussão sobre qual critério ou percentual seria mais seguro para que a multa de ofício e os juros de mora não afetem o direito de propriedade. A norma que veda a instituição de tributo com caráter confiscatório é dirigida ao legislador, cabendo aos julgadores administrativos examinar a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade das normas que fundamentam aqueles atos. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A não comprovação da contabilização dos pagamentos, referente à aquisição de ativo imobilizado, autoriza a presunção de que os valores dessa aquisição foram pagos com recursos oriundos de omissão de receitas anteriores pela pessoa jurídica. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Notificada em 19.05.2011, fl. 735verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.06.2011, fls. 736752, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o Relatório. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 759 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 760 7 em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas presumida com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica que adota o regime de tributação com base no lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 761 8 administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. No presente caso houve omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 27.9749 da agência nº 5657 do Banco do Brasil S/A e na conta corrente 711272 da agência 34 do Banco da Amazônia S/A, cujos extratos foram fornecidos por ela, fls. 148192, 211358 e 388405. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas apurada em razão da falta de registro de compras e que o Livro Caixa não permite o controle contábil completo e nem de toda a movimentação financeira. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente4. O lançamento decorre da constatação de omissão de receitas apurada em razão da falta de registro de compras decorrente de pagamentos não escriturados constatadas a 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995,art. 1º, art. 25, art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 762 9 partir da Nota Fiscal nº 33327, emitida em 18.08.2004 pela pessoa jurídica GE Equipamentos Médicos Ltda no valor total de R$193.780,00, dos quais houve adiantamentos nos valores de R$80.000,00, R$16.080,00 R$15.900,00 e R$15.720,00 pagos respectivamente em 22.07.2004, 04.10.2004, 04.11.2004 e 03.12.2004, que foram objeto do fls. 418427. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20095 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado7. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem 5 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 7 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Processo nº 10218.000118/200721 Acórdão n.º 180101.011 S1TE01 Fl. 763 10 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo10. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 10 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.
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Numero do processo: 10280.722722/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DECADÊNCIA.
O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Preliminar de decadência Acatada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 27 22 /2 00 9- 10 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 148 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 106), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Pela notificação de lançamento nº 02101/002352009 (fls. 01), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 97.646,53, correspondente ao lançamento do ITR/2005, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 13/10/2009, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Pacaraí” (NIRF 7.226.1994), com área total de 4.355,8 ha, localizado no município de Paragominas PA. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram se às fls. 02/05. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2005, Iniciouse com o termo de intimação de fls. 13/15, para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido ao IBAMA, e comprovante das áreas ocupadas com benfeitorias, úteis e necessárias à atividade rural; Laudo técnico com ART/CREA, com memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no art. 3º desse código, com o ato do poder público que assim a declarou; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação/grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculos, ou, alternativamente, avaliações de Fazendas Públicas e da Emater. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 24/63. Na análise desses documentos e dos dados da DITR/2005, a autoridade fiscal e glosou integralmente a área declarada de preservação permanente (3.615,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 1.050,00 (R$ 0,24/ha), arbitrandoo em R$ 505.081,08 (R$ 115,95/ha), com base no Sipt da Receita Federal, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 149 3 com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 43.421,62, conforme demonstrativo de fls. 04. Cientificado em 08/02/2010 (fls.08), por meio de representante legal, o contribuinte protocolou em 09/03/2010 sua defesa (fls. 65/71), exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 72/93, alegando, em síntese: de início, discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, e transcreve parcialmente a intimação e a descrição dos fatos, além do demonstrativo de apuração do imposto do citado lançamento, que refaz com as alterações pretendidas e respectivo ITR apurado; descreve as peculiaridades do imóvel, para afirmar que o VTN constante de registro do Cartório é de R$ 83,00, em escritura de compra e venda de 02/03/2004; houve equívoco na DITR/2005 quanto à distribuição das áreas de reserva legal e preservação permanente, declaradas em conjunto e não deduzidas no cálculo do imposto devido, além das áreas de pastagens, conforme laudo técnico e esboço de DITR retificadora anexados. Ao final, demonstradas a improcedência e a insubsistência da ação fiscal, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o lançamento suplementar questionado, face aos equívocos ora retificados, com a adoção do imposto devido apurado no demonstrativo trazido aos autos. Ressalvase que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para ser excluída do cálculo do ITR, exigese que as áreas de preservação permanente declaradas tenham sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 150 4 O VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR/2005 deverá ser revisto, com base em laudo técnico de avaliação apresentado pelo contribuinte, com ART/CREA, nos termos das normas da ABNT, demonstrando, de forma convincente, as características particulares do imóvel rural avaliado e seu valor fundiário, a preços de 01/01/2005. Em 12 de Janeiro de 2012, (fls. 117), a Agencia da Receita Federal do Brasil em Paragominas/PA, anexou a notificação nº. 003/2012. Indicando: (...) CONTRIBUINTE: ALTEMAR PINTO CNPJ/CPF : 222.855.63272 PROCESSO : 10280.722722/200910 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Pela presente, fica V. Sa notificado da decisão proferida no Acórdão 0345.345 — 1a Turma da DRJ/BSB de 05 de outubro de 2011, conforme cópia em anexo. Ressalto que não se vislumbra nos autos a cópia da notificação com a data da ciência do recorrente. Informa o próprio recorrente ter sido cientificado em 26/01/2012 (Fls. 118), tendo o mesmo interposto Recurso Voluntário em 16/02/2012 (Fls. 118 a 125), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A demanda aqui tratada requer análise preliminar em relação a aspecto decadencial. Como se verifica nos autos, trata o caso de lançamento de ITR relativo ao ano calendário 2005; portanto, com fato gerador em 01/01/2005. Por seu turno, o ITR obedece, desde 1997, ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 151 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 152 6 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do ITR deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/200910 Acórdão n.º 2801002.779 S2TE01 Fl. 153 7 No caso em exame, como houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao ano calendário de 2005 poderia ser realizado até 01 de janeiro de 2010. Tendo sido notificado o contribuinte em 08/02/2010 (folha 64 dos autos), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 10830.016265/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO.
O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio.
Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica-se a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.
Numero da decisão: 1202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justificase a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 62 65 /2 01 0- 91 Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 101 2 (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativamente aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 com aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora com base na taxa Selic, fls. 1845 e ss. A autoridade fiscal teria identificado a ocorrência de duas infrações tributárias: 1 Glosa das despesas de amortização de ágio por desatendimento aos preceitos legais: i) inexistência de fundamento econômico com base em “laudo de avaliação”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do ágio apurado; e iii) não comprovação do pagamento integral do ágio apurado; 2 Glosa da compensação de prejuízos compensados indevidamente em razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros), por empresa deficitária (com prejuízos a compensar), visando contornar a vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99; A dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de julho de 2001, em razão do evento de incorporação às avessas, ocorrido em 30/06/2001. No entanto, o lançamento fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores (fls. 101 e 1847). Na sequência, por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo, na parte que interessa, o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 1802 e ss., o qual passo a adotar: “5. Apresentamos a seguir as empresas envolvidas nas operações: CNPJ 61.064.689/000102 Até 30/06/2001 a Razão Social era LION S.A. Após incorporação da SOTREQ, CNPJ 33.081.712, ocorrida em 30/06/2001, a razão Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 102 3 social passou a ser SOTREQ S.A, ora em fiscalização. Antes da incorporação era uma empresa deficitária, inclusive com Patrimônio Líquido negativo. CNPJ 33.081.712/000131 Até 30/06/2001 a Razão Social era SOTREQ S.A. Após a incorporação pelo CNPJ 61.064.689, ocorrida em 30/06/2001, foi extinta. Antes da incorporação era uma empresa superavitária. CNPJ 01.352.859/000122 Até 31/12/2002 a Razão Social era NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. Após incorporação pelo CNPJ 61.064.689, ocorrida em 31/12/2002, foi extinta. Era a sociedade controladora da LION. CNPJ 34.151.100/000130 A Razão Social era CABO EMPREENDIMENTOS S.A. Em 31/12/2002 ocorreu cisão parcial, seguida de incorporação do patrimônio cindido pela NOIL, a qual foi incorporada pela fiscalizada CNPJ 61.064.689. Era a sociedade controladora da SOTREQ. Em 30/06/2009 a CABO incorporou a SOTREQ (CNPJ 61.064.689, fiscalizada), tendo alterado sua razão social para SOTREQ. CACo CATERPILLAR AMÉRICAS Co., empresa sediada nos Estados Unidos da América, que mantém contratos de distribuição de seus produtos com diversos representantes no Brasil, entre os quais a SOTREQ e a LION. 6. Segundo a resposta do contribuinte recebida em 26/04/2010, as operações foram efetuadas conforme o disposto a seguir. "A fiscalizada é uma das empresas que representam, no Brasil, a Catterpillar América Co. ("CACo"), sociedade com sede nos Estados Unidos, e, nessa condição, segue modelo de estrutura societária sugerido, qual seja, que as empresas representantes da CACo sejam controladas por sociedades do tipo holding, e não diretamente por pessoas físicas ("PF"). A sociedade é sociedade controlada pela Cabo Empreendimentos S.A ("CABO"). " "Cabe apontar que o grupo CACo não mantém, no Brasil, somente um representante de seus negócios. Assim, outras empresas autorizadas pela CACo também podem desempenhar tais atividades, respeitandose "limites territoriais de atuação". Essa era a situação da Noil Participações e Comércio S.A ("NOIL"), sociedade controladora da LION S.A ("LION"). Assim, a representação da CACo no Brasil, no passado, pode ser esquematizada a partir da figura abaixo:" [desenho esquemático na pág. 1804] "Até o ano de 1996, as dívidas que a LION possuía frente à CACo alcançavam o total de, aproximadamente US$ 22.000.000,00. Diante disso, a CACo decide intervir na sociedade. Conseqüência dessa intervenção foi a aquisição de 84% das ações da NOIL e 33% das ações da LION, de forma que a estrutura anterior passou a ser a seguinte: " [desenho esquemático na pág. 1804] "Três anos depois, em 1999, as dívidas da NOIL ainda não haviam sido quitadas. Pelo contrário, essa sociedade, em conjunto com a LION, havia assumido dívidas ainda maiores, agora com terceiros (em sua maioria, instituições financeiras), atingindo o montante de R$ 33.000.000,00. " "Com isso, buscando recuperar seus negócios, a LION procurou a Fiscalizada, a fim de que ambas as empresas se associassem sob uma única Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 103 4 sociedade, somando sinergias, otimizando negócios e potencializando a exploração do mercado comum, uma vez que desenvolviam atividades idênticas." "Assim, em 25.10.1999, chegouse a celebrar um Contrato Preliminar de Intenções (doc. nº 2), após a realização de longo estudo de condições econômico financeiras e de mercado (doe. Nº 3). " "A despeito disso, o Contrato Preliminar de Intenções acabou não gerando resultados (grifo da fiscalização). Diante desse cenário, a CACo decide retomar os negócios desenvolvidos pela NOIL, com base na Cláusula 21 do Contrato de Distribuição, passando a representação que por ela era detida a outra sociedade abrindo longa etapa de negociações com outras empresas, inclusive estrangeiras." "Nesse processo, destacouse a proposta apresentada pela representante Sul africana da CACo, a Barlow Limited ("Barlow"), que chegou a celebrar com a LION um Memorando de Entendimentos (Memorandum of Understandings "Memorando "), em 24.6.2000 (doc. n° 4). " "De acordo com as disposições desse Memorando, a Barlow pagaria o valor de USS 52.000.000,00 à LION/CACo pela totalidade de suas ações, e, conseqüentemente, passaria a deter seu controle e atividades no Brasil. " "Entretanto, após novas negociações entre a CACo e a Fiscalizada (que, vale ressaltar, assim como a NOIL, era a representante da CACo no Brasil), decidiuse, em 24.1.2001, que a representante brasileira deveria assumir as atividades antes desempenhadas pela LION, sendo essa decisão consubstanciada em um outro Memorando de Entendimentos (Memorandum of Understandings — "Segundo Memorando ") (doc. Nº 5). ", "De acordo com o Segundo Memorando, dentre outras obrigações, a Sotreq deveria:" "(i) contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION, passando a ser detentora de 50% de seu capital social. O pagamento seria dividido em duas parcelas: (a) a primeira, de US$ 10.000.000,00, no momento da celebração de acordo definitivo; e (b) o valor restante, US$ 15.000.000,00, até 31.3.2001. O referido pagamento seria destinado à quitação das dívidas acumuladas pela LION, tanto perante a CACo, quanto a instituições financeiras (dentre as quais, ABNAmro, Barclays e West LB);" "(ii) adquirir a participação detida pela CACo na NOIL e na LION, pelo valor de US$ 22.000.000,00, ao longo do período de sete anos, sendo que tal aquisição deveria se iniciar antes de 1.7.2004, pelo valor mínimo de US$ 5.500.000,00;" (iii)........................................................ "(iv) otimizar a incorporação do patrimônio da LION ao seu próprio, concluída a aquisição da totalidade da participação societária, "(grifo da fiscalização) "Concluída a etapa preliminar de negociações, passaram a ser realizados diversos estudos a respeito das condições econômicofinanceiras, de mercado e de sinergias entre as sociedades objeto do contrato (LION e Fiscalizada) (doc. Nº 6). A partir disso, o negócio foi concluído, de forma que a Fiscalizada passou a deter a representação da CACo nos territórios que antes eram controlados pela LION. " Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 104 5 "Com a decisão tomada pela CACo de passar a representação de suas atividades para a Fiscalizada, que também era uma sociedade brasileira, foi necessário estabelecer uma reestruturação societária a fim de otimizar as sinergias e redesenhar a logística da Fiscalizada, para que o ramo detido pela LION pudesse ser incorporado de maneira eficiente, sem interferir de maneira negativa em suas operações (grifo da fiscalização). Afinal, vale lembrar, a LION era detentora de dívidas que alcançavam o montante de aproximadamente R$ 33.000.000,00, contemplando, inclusive, Patrimônio Líquido negativo." Em 21.3.2001 foi celebrado entre a CACo, CABO e a Fiscalizada, o Contrato de Compra e Venda de Ações ("Contrato ") a que se referia o Segundo Memorando (doc. Nº 8), estabelecendo, dentre outros, o seguinte:" "(i) a Fiscalizada deveria contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION, sendo por isso emitidas 26.346.542 ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4;" (ii) como adiantamento ao futuro aumento de capital, na data da assinatura do contrato a Fiscalizada deveria pagar o valor de US$ 1.000.000,00;" (iii) ...................... (iv) a Fiscalizada se comprometeria a adquirir a participação detida pela CACo na LION e a CABO se comprometeria a adquirir a participação detida pela CACo na NOIL, operações que, no total, atingiam o valor de US$ 22.000.000,00 (sendo US$ 12.000.000,00 relativos à primeira aquisição, e US$ 10.000.000,00 pela segunda);" (v) ...................... (vi) o pagamento de US$ 22.000.000,00 seria efetuado da seguinte forma: (a) a CABO deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor de US$ 2.500.000,00; e (b) a Fiscalizada deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor de US$ 3.000.000,00; sendo cada parcela representada e garantida por Nota Promissória Endossável com vencimento anual, sendo a primeira devida em 1.7.2004 e a última parcela devida em 1.7.2007 (docs. nºs 9 a 16); e " (vii) as parte se comprometeriam a obter todas as aprovações necessárias e a praticar todos os atos necessários para efetivar a incorporação da Fiscalizada na LION até 31.12.2001." "Assim, após o Contrato, a estrutura de representação da CACo no Brasil passou a ser a seguinte:" "Quando do aporte de US$ 25.000.000,00;" [desenho esquemático na pág. 1806] “Quando da aquisição da participação detida pela CACo na NOIL e LION;' [desenho esquemático na pág. 1807] Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 105 6 "A partir dessa estrutura, começaram a ser tomadas as devidas providências para a concretização da Cláusula 3 do Contrato de Compra e Venda de Ações (incorporação da Fiscalizada na LION). " "Para que a estrutura acima pudesse ser efetivamente concretizada, foi necessário realizar ajustes ao Contrato de Compra e Venda de Ações, de forma que, em 12.4.2001, foi celebrada a Primeira Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações (doe. n" 17), prevendo as condições pelas quais seriam adquiridas as participações originariamente detidas pela CACo. Não obstante, o Contrato de Compra e Venda de Ações ainda se mostrava incompleto para a concretização da Cláusula 3, de forma que foi necessária a celebração da Segunda Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações (doc. Nº 18), em 16.2.2005 (decorridos quase 4 anos do Contrato de Compra e Venda de Ações — grifo e observação da fiscalização). " "Nesse esteio, foram também elaborados demonstrativos de avaliação do ágio que seria gerado à Fiscalizada (doe. n" 19), realizadas auditorias legais(doc. nº 20), e solicitadas avaliações de auditores independentes (docs. nºs 21 e 22). " "Concluídos os estudos e realizada a incorporação da Fiscalizada pela LION, que se deu justamente com (i) cisão parcial da CABO; (ii) incorporação da parte cindida da CABO na NOIL; e (iii) incorporação da NOIL na fiscalizada, com sua conseqüente extinção; a estrutura sob análise passou a ser a seguinte: [desenho esquemático na pág. 1807] "A Fiscalizada esclarece que a incorporação foi feita pela LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos (grifo da fiscalização), que oneraria ainda mais a operação, causando, consequentemente, aumento no valor de venda de suas ações. " 7. Conforme os documentos apresentados, os acionistas das holdings, antes das incorporações (março/2001), eram os seguintes: • Acionistas da CABO (controladora da SOTREQ): Carl Vagn Orberg, Borge Kristian Orberg, Carl Alfred Orberg e Kathryn Orberg Beeck. • Acionistas da NOIL (controladora da LION): CACo (empresa sediada nos EUA), Paulo Fernando Cavalcanti de Albuquerque, Russel Graham Glover e Edward Russel McKenny Jr.. Conforme verificado posteriormente, a LION EMPREENDIMENTOS S.A (LEMP), CNPJ 61.076.956/000161, também era acionista da NOIL. • Acionistas da CACo: Não foram informados, apesar do contribuinte ser intimado a fazêlo. [...] VII DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO LION [...] 35. Com relação aos pagamentos de US$ 12 milhões, previstos para serem efetuados em 2004 a 2007, referentes à quitação da participação anteriormente detida pela CACo na LION, a fiscalização não contesta sua efetividade, tendo em Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 106 7 vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO PARTICULAR DE QUITAÇÃO celebrado em 20 de abril de 2006 (doc. 1 da resposta recebida em 02/08/2010). 36. Já com relação ao efetivo pagamento de US$ 25 milhões, a fiscalizada não comprovou integralmente sua efetividade, conforme pode ser verificado na PLANILHA 4, em anexo, elaborada com base na planilha DEMONSTRATIVO DE LANÇAMENTOS da LION, apresentada pela fiscalizada em 13/09/2010, e documentos apresentados em 27/09/2010 e 12/11/2010, onde se observa o seguinte: • Com relação aos pagamentos via bancos (R$ 2.000.000,00, R$ 92.900,00), equivalentes a US$ 1 milhão, a fiscalizada não apresentou os extratos bancários da LION, apesar de intimada a fazêlo. Apresentou apenas extrato da SOTREQ, a crédito, quando deveria ser a débito. De qualquer forma, a proprietária das ações era a NOIL, e a fiscalizada não apresentou os livros da NOIL, apesar de intimada a fazê lo. (...) • Com relação ao pagamento de R$ 14.625.117,71, equivalentes a US$ 6.844.081,48, a fiscalizada apresentou o extrato da CABO, mas não da LION. Observase no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18 /06/2010), folha 1, como histórico, "vlr ref doc para SOTREQ nesta data". • Com relação ao pagamento de R$ 3.738.007,92, equivalente a US$ 1.749.266,66 foi apresentado contrato 3100400032, onde se observa que quem contraiu o empréstimo foi a CABO, não a LION. • Com relação ao pagamento de R$ 2.136.900,00, equivalente a US$ 1 milhão foi apresentado ctr 3100100086, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, como contrapartida, a LION entregou à CABO, na mesma data, o valor assumido, conforme cláusula 3.1 do contrato, ou seja, para a LION, teria havido uma cessão de dívida para a CABO e uma saída de dinheiro na mesma data, para a CABO. Observamos também que esses lançamentos não foram encontrados no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18/06/2010). • Com relação ao pagamento de R$ 6.410.700,00, equivalente a US$ 3 milhões, foi apresentado primeiro termo de aditamento, ctr 3100100088, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, não consta a contrapartida no primeiro termo de aditamento, e a fiscalizada não apresentou o "Instrumento Particular", apesar de intimada a fazêlo. • No último lançamento, de 30/06/2001, (R$ 21.251.489,65), equivalente . aproximadamente a US$ 10 milhões, foi lançada a crédito de "CAPITAL A INTEGRALIZAR" e "Sotreq S.A" e a débito de "Outras contas a pagar" e "Transitória pagto a fornecedores". Tal lançamento abre apenas 2 (duas) possibilidades: Primeira Os detentores dos créditos nas contas debitadas, seriam os integralizadores do capital (o que não foi o caso, pois a conta 2162009 "Outras Contas a Pagar", apresentada na resposta recebida em 27/09/2010 (doe. n° 3) é composta de vários fornecedores, destacandose a Cat Brasil, empresa nacional (não a CACo, sediada nos EUA), sendo que os subscritores do aumento de capital seriam a CACo e a NOIL). Segunda Os integralizadores assumiriam as .dívidas lançadas nas contas debitadas. Tal aumento de capital estava previsto na ata da assembléia geral da LION, realizada em 30 de março de 2001, cópia entregue em 23/08/2010 (doe. n° 17). Seria os (ii) 40% do aumento de R$ 53.128.798,83, a ser integralizado até 30.6.2001. O aumento total do capital foi efetuado com a emissão de 26.346.542 ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4. Observase na ata de 29.6.2001 da LION (entregue em 08/10/09), item "e", que tais ações eram detidas Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 107 8 pela SOTREQ e foram extintas. Dessa forma, a integralização do capital teria sido efetuada pela SOTREQ, como previsto desde o início, ou seja, ela teria assumido as dívidas de "Outras contas a pagar" e "Transitória pagto a fornecedores". Dessa forma, as dívidas, que eram da LION com a incorporação da SOTREQ, pela LION, ocorrida na mesma data teriam continuado com a LION, ou seja, não teria havido mudança em relação à situação antes da incorporação. Observamos também que tais lançamentos não constam no livro RAZÃO da CABO, conforme cópia integral em anexo à resposta recebida em 18/06/2010. De qualquer forma, não houve movimentação de numerários nessa operação. VIII DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO NOIL [...] 38. Com relação aos pagamentos acima relacionados, previstos para serem efetuados em 2004 a 2007, referente ao pagamento da participação anteriormente detida pela CACo na NOIL, a fiscalização não contesta sua efetividade, tendo em vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO PARTICULAR DE QUITAÇÃO celebrado em 20 de abril de 2006 (doe. 1 da resposta recebida em 02/08/2010). IX DOS LAUDOS DE RENTABILIDADE FUTURA: [...] 53. Em suma, a fiscalizada foi intimada a apresentar o Laudo de avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura por 5 (cinco) vezes, em termos lavrados nas seguintes datas: 22/02/2010, 31/03/2010, 26/04/2010, 14/05/2010 e 05/07/2010. Em resposta recebida em 23/08/2010 a fiscalizada relacionou os documentos que, segundo ela, seriam os laudos, os quais, conforme o disposto nos itens anteriores, comprovouse que não continham o demonstrativo de rentabilidade futura. Na mesma resposta a fiscalizada informou que "não seriam necessários novos estudos para a concretização do negócio entre os grupos SOTREQ e LION". Dessa forma, ficou comprovado que não foi elaborado, por 3 peritos ou por empresa especializada, o Laudo de Avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura em questão. X DA GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO LION: 54. Resumindo, com relação ao ágio LION: • Em todos os documentos apresentados, não há qualquer demonstrativo de rentabilidade futura, nem qualquer avaliação do valor de mercado de bens do ativo. Dessa forma, as ações da LION foram adquiridas por fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Tal afirmação é corroborada pelo fato de que, com a incorporação, a SOTREQ passou a deter a distribuição dos produtos da CACo nos territórios anteriormente alocados à LION. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no art. 299 do mencionado regulamento. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 108 9 "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47)." "§1°. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa." "§2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa." 55. A inexistência do Laudo de avaliação econômico financeira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura já é por si só suficiente para a glosa da despesa de ágio. Porém, a falta do demonstrativo matemático dos valores de ágio, bem como a comprovação apenas parcial dos pagamentos, reforçam essa glosa, como o disposto a seguir. • A fiscalizada não conseguiu demonstrar matematicamente os valores do ágio, nem de R$ 76.845.186,06 (constante no LAUDO DE AVALIAÇÃO), como de R$ 79.345.197,83 (ágio amortizado). • Com relação à efetividade dos pagamentos, a fiscalização não contesta os pagamentos referentes aos US$ 12 milhões previstos para serem pagos em 2004 a 2007/referentes à participação anteriormente detida pela CACo na LION. Porém, entende que a fiscalizada não comprovou integralmente a efetividade do pagamento dos US$ 25 milhões, previstos para 2001. Observouse inclusive que em parte desses supostos pagamentos, não houve movimentação de numerários, conforme já disposto no item VII e PLANILHA 4. XI DA GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NOIL: 56. Resumindo, com relação ao ágio NOIL: • os documentos relacionados pela fiscalizada se referem apenas à LION, e não à NOIL. Dessa forma, não há qualquer demonstrativo de rentabilidade futura da NOIL. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no art. 299 do mencionado regulamento. [...] XIII DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZO E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL 59. A LION S.A (CNPJ 61.064.689/000102), até março/2001, era uma empresa deficitária, com prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à CADE (doc. n° 7 da resposta apresentada em 26/04/2010), a LION era uma distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos estados do SP, MT, MS, RO, RR, AC e AM. 60. A SOTREQ (CNPJ 33.081.712/000131), até março/2001, era uma empresa superavitária, sem prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à CADE, a SOTREQ era uma distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos estados do RJ; ES, MG, GO, TO, PA e AP. Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 109 10 61. Seria lógico que a SOTREQ, empresa superavitária, incorporasse a LION, empresa deficitária. Toda a negociação foi pautada nesse principio, com aportes de dinheiro e compra de ações da LION, pela SOTREQ. [...] 64. O art. 514 do RIR/99 dispõe que "a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 33)". Se a SOTREQ (empresa superavitária) incorporasse a LION (empresa deficitária), a SOTREQ não poderia compensar os prejuízos acumulados desta. 65. A própria fiscalizada reconhece esse fato na resposta recebida em 26/04/2010, item 22. "A fiscalizada esclarece que a incorporação foi feita pela LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos, o que oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de venda de suas ações". 66. Dessa forma, unicamente para aproveitar os prejuízos da LION, nas apurações do IRPJ e da CSLL, ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION que incorporou a SOTREQ, tendo alterado sua razão social para SOTREQ. 67. Essa fiscalização considera essa operação ilegal, pois o objetivo do negócio foi unicamente para recolher menos IRPJ e CSLL. O que vale são os fatos, e o que efetivamente ocorreu foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99. Observamos também que as atividades da incorporada extinta (antiga SOTREQ) continuaram plenamente funcionais nos moldes que já acontecia até aquele momento. [...] 72. Considerandose que efetivamente foi a SOTREQ que incorporou a LION, e considerandose que a SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases de cálculo negativas de CSLL acumulados, ela não poderia compensar posteriormente, os prejuízos acumulados da LION. 73. Tendo a SOTREQ também incorporado a NOIL, em 31/12/2002, ela também não poderia compensar eventuais prejuízos acumulados e bases de cálculo negativa da CSLL da NOIL. Irresignado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou sua impugnação, de fls. 1861 e seguintes, onde em síntese, conclui, fls. 1866: “Quanto à glosa da despesa com a amortização do ágio: (I) tratase de autuação em matéria de ágio totalmente distinta dos casos mais recentes examinados pelo CARF, uma vez que as empresas envolvidas eram empresas efetivamente existentes e operacionais, com contratos em vigor, empregados e ativos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, não havendo 'empresa veículo' no caso em exame; (II) o ágio é real, fruto de operação legítima de aquisição de participações societárias, detidas por terceiros, em empresa que atua no mesmo setor (LION) e na sua holding (NOIL), mediante o desembolso efetivo de recursos por parte da adquirente (SOTREQ) para pagamento do preço de compra; Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 110 11 (III) o evento que desencadeou o direito à amortização fiscal do ágio foi a incorporação da adquirente/controladora pela controlada LION, sendo a incorporação reversa nesse caso motivada por razões de negócio fartamente indicadas e sendo a incorporação reversa expressamente autorizada pelo art. 8o da Lei n° 9.532/97; (IV) o lançamento do registro do ágio foi corretamente realizado na contabilidade da IMPUGNANTE em relação aos investimentos detidos na LION e na NOIL, na forma da lei; (V) o ágio foi fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura de ambas as empresas (LION e NOIL), avaliadas conjuntamente em razão de a NOIL ter como único ativo participação no capital da LION, empresa operacional; (VI) a expectativa de rentabilidade futura encontrase amparada por mais de um demonstrativo apresentado à fiscalização que, não obstante, desconsiderou a apresentação dos mesmos por reputar que estes não revestem a forma que os autos de infração entendem adequada, ainda que não requerida por lei; (VII) este último argumento, aliás, é o único fundamento para a glosa das despesas com amortização do ágio, fundamento este totalmente descabido uma vez que a lei tributária não exige a demonstração da expectativa de rentabilidade futura por laudo de 3 peritos, como pretendem os autos de infração. Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais e da base negativas da CSLL: (VIII) os autos de infração reputam ilegal a incorporação da SOTREQ pela LION, por considerar que esta operação foi realizada exclusivamente para permitir a compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL; (IX) ignoram os autos de infração que a LION, conquanto deficitária no passado, sempre foi uma empresa ativa e operacional de grande importância e presença no mercado em que até hoje atua; (X) ignoram ainda que os objetivos colimados com a aquisição das participações na LION e na NOIL foram desde sempre o de permitir a união dos negócios dessas sociedade com os da SOTREQ, por meio da incorporação desta pela primeira, visando a consolidação estratégica de suas posições no mercado brasileiro, a ampliação das atividades e maior sinergia nos negócios, com significativo aumento de faturamento e lucros crescentes dos antigos estabelecimentos LION, após a incorporação, conforme evidenciado no documento sob n° 09; (XI) ignoram também que a operação não poderia ser realizada de outra forma, pois se pretendeu assegurar os benefícios fiscais da LION, de isenção do ISS e do IPTU, relevantes para o aumento da viabilidade financeira das operações; (XII) ignoram, por fim, que a incorporação foi um negócio jurídico real e desejado pelas partes e não realizado apenas com o intuito de compensar prejuízos fiscais e base negativa da CSLL; (XIII) a compensação desses valores pela IMPUGNANTE é conseqüência da reorganização de seus negócios e não vice e versa. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0533.168 da DRJ/Campinas, mantendo integralmente os lançamentos fiscais e contendo o seguinte ementário: Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 111 12 Ágio. Contabilização. Prova. Dedutibilidade. A regular contabilização do ágio pago na aquisição dos investimentos deve estar amparada em balanço patrimonial ou balancete de verificação das investidas levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data. Na ausência de apresentação da documentação hábil, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Ágio. Fundamento Econômico. Prova. Dedutibilidade. No lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Na ausência de apresentação da prova hábil do fundamento econômico, in casu, da demonstração de rentabilidade futura das investidas, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Ágio. Pagamento. Prova. Integra a comprovação da regularidade da contabilização do ágio a prova do pagamento ou do ônus assumido pela adquirente na aquisição de investimentos. Entretanto, nas operações entre partes não relacionadas e não provada a ocorrência de simulação, a falta de apresentação da prova da efetividade da transferência de recursos, não é suficiente para desconstituir a força probatória da escrituração e dos documentos contratuais apresentados. Desconsideração de Negócios Jurídicos. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ato administrativo a ser submetido ao contraditório e à ampla defesa garantidos pelo processo administrativo fiscal. A autoridade administrativa está vinculada à realidade dos efeitos jurídicos dos negócios realizados pelas partes, e não à qualificação dada por elas aos seus atos negociais. Comprovada a incorporação às avessas, em que uma empresa, gravemente deficitária, e com valor de mercado seis vezes menor, incorpora uma empresa lucrativa, assume a denominação social e a administração da incorporada, e não apresenta qualquer motivo extratributário para a realização da operação na forma como efetivada, deve ser a sua Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 112 13 desconsideração, para que sejam considerados os efeitos da operação de fato ocorrida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: DA PROVA DO VALOR PATRIMONIAL DOS INVESTIMENTOS ADQUIRIDOS e DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO: RENTABILIDADE FUTURA DAS INVESTIDAS 1 apesar de reiteradamente intimada a demonstrar o cálculo do valor do ágio contabilizado pela SOTREQ e pela CABO na aquisição dos investimentos na LION e na NOIL, e de afirmar que o patrimônio líquido das investidas era negativo, a fiscalizada não apresentou à fiscalização o balanço patrimonial ou balancete de verificação da LION e a NOIL levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data (arts. 248, 385, 387, 391, 426 e 427 do RIR/99); 2 não podem ser encaradas como meras formalidades as disposições legais de que o desdobramento do custo de aquisição de investimentos relevantes, e a conseqüente escrituração do ágio, depende de apresentação da prova do valor patrimonial da empresa investida. Na verdade, tratase de definir diretamente o valor patrimonial do investimento adquirido e, indiretamente, o valor do ágio na aquisição, o que se constitui em elemento essencial das operações; 3 o Laudo de Avaliação da SOTREQ (incorporada) e da CABO (cindida), nos quais constam os registros dos ágios não fazem prova da regularidade da determinação do valor contabilizado, principalmente quando a escrituração não se encontra respaldada em documentação hábil, nos termos da legislação de regência; 4 conforme expressamente consignado no art. 385 do RIR/99, no lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Apesar dos protestos da defesa, a exigência contida na norma não pode ser vista como uma mera formalidade, na medida em que se constitui em critério distintivo do fundamento econômico do pagamento do ágio. Na ausência de tal demonstração, o ágio contabilizado fica sem a necessária fundamentação econômica, capaz de viabilizar o enquadramento da situação fática no adequado tratamento normativo contábil e fiscal. 5 na ausência de demonstração da expectativa de rentabilidade futura dos investimentos, interpretase que o fundamento econômico do ágio é o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, com as conseqüências daí decorrentes, dentre elas a não sujeição à amortização (art. 386, III do RIR/99); 6 considerando a vigência tanto dos preceitos contidos no art. 386 como no art. 430 do RIR/99, foi corretamente aplicada ao caso a regra de dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, previstas no primeiro dispositivo, tendo em conta que se trata de Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 113 14 dedutibilidade de ágio contabilizado na aquisição de investimentos, posteriormente extintos em função de incorporação ou cisão. Para a Impugnante, com o advento do art. 386 do RIR/99, teria sido introduzido um regime de dedução diferida e fracionada no tempo da perda de capital decorrente do ágio, diferente do regime geral de dedução plena e imediata da perda, previsto nos arts. 426 e 430 do RIR/99. Conforme já dito anteriormente, o art. 426 seria inaplicável, porque se refere à alienação ou liquidação de investimento, e não aos casos de incorporação e cisão. Da mesma forma, a norma do art. 430 do RIR/99 também não se aplicaria, porque apesar de se referir à extinção da participação societária, em decorrência de incorporação, fusão ou cisão, no art. 386 do RIR/99, há tratamento específico para os casos de extinção de participações societárias, em decorrência de incorporação, fusão ou cisão, quando adquiridas com ágio ou deságio; 7 apesar dos reiterados protestos da defesa, não foi apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo de rentabilidade futura das empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de 2001. Nenhum dos documentos apresentados pode ser recebido como a demonstração da rentabilidade futura das investidas requerida pela legislação, na medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001. 8 ainda durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi alertada de que entre a documentação apresentada não estaria a demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). A glosa da amortização do ágio não se funda, como quer fazer crer a Impugnante, no fato de haver sido apresentado um demonstrativo inadequado, mas de não haver sido apresentado qualquer demonstrativo de rentabilidade futura. Depois, de detida análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar de reiteradamente intimada a contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL, a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio. DA PROVA DO PREÇO DE AQUISIÇÃO DOS INVESTIMENTOS E DOS PAGAMENTOS CONTRATADOS 9 Além da divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo de Avaliação da SOTREQ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), haveria, segundo a fiscalização, outras inconsistências probatórias relacionadas ao pagamento de parte do valor contabilizado (US$ 25.000.000,00). 10 No contexto do procedimento de fiscalização em análise, que se refere a operações efetuadas entre partes não relacionadas, e em que não provada a ocorrência de simulação, a ausência de prova documental do efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da LION, não é suficiente para afastar a força probatória dos instrumentos contratuais e contábeis apresentados, dentre os quais se destacam: o contrato de compra e venda de ações e as suas duas alterações posteriores, o instrumento particular de quitação, a alteração do contrato social em que formalizado aumento de capital ora contraditado, e por fim os próprios registros contábeis. Deve ser mantida a fundamentação de falta de comprovação dos pagamentos apenas em relação à divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 114 15 de Avaliação da SOTREQ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86). Entretanto, a glosa da despesa de amortização do ágio se mantém integralmente com base nas fundamentações já anteriormente analisadas. DA GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS: INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS" 11 a operação de incorporação da SOTREQ pela LION não foi caracterizada como simulada. Entretanto, o procedimento fiscal se encontra amparado em Acórdão do Superior Tribunal de Justiça STJ, prolatado no âmbito do Recurso Especial n° 946.707 (cópia juntada pela defesa às fls. 2042 e seguintes), em que a operação de incorporação da empresa superavitária pela deficitária, foi caracterizada como simulação, com base nos seguintes pressupostos fáticos: 1. a incorporadora possuía patrimônio líquido bem inferior ao da incorporada, acumulando prejuízos fiscais, inexistentes no patrimônio da incorporada; 2. a incorporadora assumiu a denominação social da incorporada, de forma que, no mundo dos negócios, a empresa incorporada e extinta teria continuado a operar; 3. os membros do Conselho de Administração da incorporadora teriam renunciado, tendo assumido os do Conselho da incorporada, restando da incorporadora, nada mais que o CGC; 4. ao tempo da incorporação, a incorporadora já havia, de fato, encerrado suas atividades, com a transferência de seu ativo imobilizado para outra empresa, subsistindo apenas juridicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, aspecto a denotar a inviabilidade econômica da operação; 5. a incorporação às avessas teria sido efetivada exclusivamente para serem aproveitados os prejuízos fiscais, cujo aproveitamento a Lei expressamente vedava. Para concluir, o Ilmo. Ministro do STJ pela simulação da operação basicamente nos seguintes termos: "(...) tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, demonstrando se claramente que, de fato, esta "absorveu " a deficitária e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas com o intuito de aproveitar os prejuízos fiscais da incorporadora, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação ". Concluise que a consideração da operação como ilícita seria decorrente do fato de não ter respaldo na realidade fática, o ato praticado pelo contribuinte, na medida em que a incorporação "às avessas" ou incorporação da superavitária pela deficitária, somente teria ocorrido no papel, devido à existência apenas formal da incorporadora. 12 apenas a sede da LION foi mantida em Sumaré/SP, conforme acima referido, mas o mais relevante que é a denominação social foi alterada. O único motivo pertinente e relevante a justificar a incorporação da SOTREQ pela LION seria o fato desta Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 115 16 última ser beneficiária de isenção de imposto sobre serviços (ISSQN) e do imposto predial e territorial urbano (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade do negócio. 13 a incorporação da deficitária pela superavitária fezse exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, para compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas pela deficitária, como municipal, para a manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerase assim passível de desconsideração pela autoridade tributária a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária. Contra o acórdão da DRJ/Campinas, a empresa autuada apresentou seu recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário. Aduz que o contribuinte não logrou apresentar demonstrativo de rentabilidade futura dos investimentos adquiridos, bem assim qualquer avaliação de mercado dos ativos das investidas. Ainda como fundamento de reforço à glosa, a autoridade fiscal indica a falta de demonstrativo matemático dos valores de ágio, bem assim comprovação apenas parcial dos pagamentos. Prossegue, argumentando que, usualmente, a amortização do ágio ou deságio não é deduzida ou tributada. Via de regra, a dedução ou tributação dessa amortização no âmbito do IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de capital, quando então o ágio ou deságio é incluído (somado ou diminuído) no preço de aquisição do investimento que está sendo extinto. Tal regra, todavia, não se aplica em certas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão societária, quando a dedução da despesa com amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e da CSLL será admitida independentemente da alienação ou liquidação do investimento. Esse benefício fiscal é concedido expressamente pelo artigo 386 do RIR/99, o qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Tal dedução, contudo, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar estritamente as condições lá estipuladas, sob pena de ser considerada indevida. Entre as condições e requisitos previstos, deve a pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada e o laudo, que atesta esse fundamento econômico, deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio. Além disso, o laudo deve anteceder o pagamento do ágio. Se a lei exige que o ágio pago seja fundamentado em documento escrito, o qual deve ser, inclusive, registrado na escrituração da empresa, por certo que esse documento deve ser elaborado antes do pagamento do ágio, nunca depois. Pensar em sentido contrário, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria na permissão de inimagináveis situações de fraude. Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 116 17 De acordo com os elementos dos autos, concluise que o ágio registrado pela contribuinte com a aquisição das participações societárias na LION e NOIL não é dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 386 do RIR/99, simplesmente porquê não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. Em relação à glosa de prejuízos fiscais, menciona que devese negar a produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de, ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa operacional, em burla ao art. 514 do RIR/99. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio aos seus argumentos. Ao final, a PGFN requer seja negado provimento ao recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Como já mencionado no relatório deste acórdão, a matéria em litígio versa sobre duas infrações tributárias: a) Glosa das despesas de amortização de ágio no evento de incorporação, relativo a aquisição de participações societárias nas empresas LION e NOIL, por desatendimento aos preceitos legais: i) inexistência de fundamento econômico com base em “valor da rentabilidade da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do ágio apurado; e iii) não comprovação do pagamento integral do ágio; b) Glosa da compensação integral de prejuízos utilizados indevidamente em razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros) SOTREQ, por empresa deficitária (com prejuízos a compensar) LION; Salientese que a dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de 2001, data do evento de incorporação (junho/2001). No entanto, o lançamento fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores. O acórdão recorrido manteve integralmente a autuação por entender que a autuada não teria apresentado o laudo de avaliação com o “valor da rentabilidade da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, como exige a lei, além de deixar de apresentar o demonstrativo do cálculo do valor do ágio que está sendo amortizado. Já a comprovação do pagamento do suposto ágio apurado, foi considerado válido pelo mesmo acórdão. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 117 18 Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais efetuado às “avessas”, pela incorporação de empresa com lucros por empresa com prejuízos, com o objetivo de se beneficiar do aproveitamento integral dos prejuízos, o acórdão da DRJ entendeu que esse tipo de operação foi repelida em julgamento de caso idêntico no Superior Tribunal de Justiça. Além disso, embasou sua decisão no fato de que a incorporação perpetrada somente visou fins fiscais, tendo inclusive a incorporadora LION (com prejuízos) logo após a incorporação, ter alterado a denominação social para a denominação da incorporada, SOTREQ (com lucros), o que demonstraria que a incorporação carece de respaldo com a realidade fática. Já a defesa, entende que teria entregue os documentos pertinentes à apuração do ágio que vem amortizando em sua contabilidade. Além disso, defende que a compensação de prejuízos às avessas não encontra vedação na legislação tributária. A incorporação foi um negócio jurídico real, conseqüência da reorganização de seus negócios e não realizado apenas com o fim único de compensar prejuízos fiscais. Analisando os argumentos trazidos na peça recursal, entendo que assiste em parte razão à recorrente. Inicialmente, passo a examinar a matéria relativa à amortização do ágio. Glosa despesas amortização de ágio O surgimento do ágio se dá quanto da aquisição de participação societária relevante em outra sociedade, onde o valor da transação (em dinheiro, bens ou direitos) é superior ao valor patrimonial da participação adquirida, sujeitandose ao método de equivalência patrimonial. O disciplinamento acerca da contabilização do valor do ágio apurado na aquisição de participação societária em sociedade coligada ou controlada, e de sua possível amortização, encontramse disciplinadosdos nos arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, cujo embasamento legal provém do Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 20 e da Lei nº 9.532, 1997, arts. 7º e 8º: Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 118 19 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 119 20 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). No caso em análise, o “fundamento econômico” indicado pelo contribuinte para o registro e amortização do ágio apurado foi o “valor de rentabilidade” da coligada ou controlada, com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99). Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 120 21 Já o § 3º do art. 385, determina que o lançamento do valor do ágio com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do § 2º do mesmo artigo, entre eles o valor da rentabilidade com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo de avaliação), deverá estar lastreado em demonstração (documento) que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Por seu turno, o inciso III do art. 386 do RIR/99 possibilita que o valor do ágio assim apurado (inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99), nos balanços levantados posteriormente aos eventos de incorporação, fusão ou cisão, em que uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, poderá ser amortizado à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, para fins de apuração do lucro real. Assim, da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é admitido que o valor do ágio apurado em participações societárias, cujo fundamento econômico seja a rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, poderá ser amortizado nos eventos de incorporação, fusão ou cisão, em que uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, desde que referido ágio seja demonstrado com base em laudo fundamentado, devendo referido documento ser arquivado como comprovante da escrituração. Em que pese a lei fiscal (art. 385 do RIR/99) não determinar a forma em que deveria ser elaborado o laudo de avaliação, o próprio § 3º do art. 385 estabelece que os fundamentos econômicos utilizados para apuração do ágio deverão ser baseados em demonstração do valor de ágio apurado: “O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração”. Assim, não é qualquer documento que pode se valer o sujeito passivo para demonstrar e comprovar o motivo determinante dos fundamentos econômicos do valor do ágio. Há que ser um documento técnico apropriado e claro o bastante para demonstrar adequadamente a apuração do valor da rentabilidade da empresa, do seu valor de mercado e, por conseqüência, do próprio valor do ágio, cujo montante terá repercussão e efeitos fiscais importantes (dedutibilidade) na apuração do IRPJ e da CSLL. Para que se possa dar credibilidade ao documento que contenha a avaliação econômica da empresa, é mais do que razoável pressupor que seja um documento técnico completo, elaborado por pessoas habilitadas e que contenha uma exposição clara e consistente da forma como se chegou ao valor presente da empresa avaliada. No dizer de Luís Eduardo Schoueri, em seu livro Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), São Paulo, Dialética, 2012, p. 36/37, o demonstrativo de rentabilidade futura deverá fornecer dados a respeito do mercado em que atua a empresa avaliada, as projeções de rentabilidade esperada em determinado período, trazendo por técnicas de matemática financeira, tais resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de mercado da empresa em determinado momento: “O estudo investigará o comportamento do mercado e o comportamento da empresa. O resultado documentado serão números (projeções) que identificarão a rentabilidade esperada em determinado período. Haverá quem buscará a rentabilidade num período determinado; mais comum será o cálculo projetar ao infinito a rentabilidade, trazendo, por técnicas de matemática financeira, tais Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 121 22 resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de marcado. Usualmente, falarseá em “fluxo de caixa descontado”, como forma de se expressar o lucro econômico (ou melhor: lucro antes do imposto de renda, depreciações e amortizações).” O método do “fluxo de caixa descontado” (Disconted Cash Flow) é reconhecido internacionalmente como sendo um método confiável de apuração dos resultados nos exercícios futuros, pois leva em conta todos os elementos que afetam o valor da empresa, revelandose um método que revela a efetiva capacidade de geração de riqueza das empresas. Pois bem. No caso dos autos o relatório da fiscalização foi bastante incisivo ao mencionar que o agente fiscal intimou a autuada, por diversas ocasiões, a apresentar dito demonstrativo de rentabilidade com base em resultados futuros (laudo fundamentado). Em que pese terem sido apresentados diversos documentos pela interessada no curso do procedimento fiscal, não foi entregue nenhum documento que estivesse revestido das características de demonstrativo com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros”, relativo às empresas LION e NOIL, que pudesse justificar o valor do ágio apurado/amortizado na autuada SOTREQ em decorrência da aquisição de participações societárias nas duas primeiras empresas, conforme exige o inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99. A esse respeito, o acórdão recorrido, em detalhada análise dos documentos entregues pela autuada à fiscalização, descreveu muito bem que nenhum dos documentos entregues poderiam ser caracterizados como sendo um “demonstrativo de rentabilidade” com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo fundamentado). Vejase a transcrição de trechos do voto condutor, cujas razões de decidir também passo a adotar: “No caso em apreço, apesar dos reiterados protestos da defesa, não foi apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo de rentabilidade futura das empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de 2001. Para corroborar a regularidade da operação a fiscalizada teria carreado aos autos inicialmente a seguinte documentação: 1. Laudo de Avaliação Contábil do Acervo Líquido da SOTREQ S.A., CNPJ n° 33.081.712/000131, empresa sediada no Rio de Janeiro/RJ, elaborado em 26/06/2001, pelo contador Anderson Amorim Amorim, a convite da LION S.A., CNPJ n° 61.064.689/000102, empresa sediada em Sumaré/SP, para fins de incorporação a ser efetivada na data base de 31/05/2001 (fls. 105/146); 2. Protocolo e Justificação de Incorporação da SOTREQ pela LION datado de 20/06/2001 (fls. 148/160); 3. Ata da Assembléia Geral Extraordinária da LION, realizada em 29/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION, e a alteração da denominação social da incorporadora para SOTREQ (fls. 161/169); Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 122 23 4. Ata da Assembléia Geral Extraordinária da SOTREQ, realizada em 28/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION (fls. 170/179); 5. Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da SOTREQ (CNPJ n° 61.064.689/000102), realizada em 30/10/2001, na qual teriam sido consolidadas as alterações do Estatuto Social da Companhia (fls. 180/195); 6. Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. (CNPJ n° 01.352.859/000122), realizada em 31/12/2002, na qual foram aprovadas as Propostas e Justificações a. de cisão parcial da empresa CABO EMPREENDIMENTOS S.A. (CNPJ n° 34.151.100/000130), com incorporação do patrimônio vertido pela NOIL; b. de incorporação da NOIL pela SOTREQ (fls. 196/199); 7. Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Incorporação, firmado pela CABO e pela NOIL, em 31/12/2002, pelo qual foram determinadas as condições, justificativas e a forma pela qual teria se realizado a cisão parcial da CABO, seguida da incorporação do patrimônio cindido pela NOIL fls. 203/208; 8. Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da CABO, para fins de cisão parcial, seguida de incorporação pela NOIL, datado de 31/12/2002, de fls. 209/215; 9. Protocolo e Justificação de Incorporação, firmado entre a NOIL e a SOTREQ, em 31/12/2002, no qual foram determinadas as condições, justificativas e forma pela qual teria se realizado a incorporação da NOIL pela SOTREQ, de fls. 216/220; 10. Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da NOIL para fins de incorporação pela SOTREQ, datado de 31/12/2002, de fls. 221/226. É evidente que nenhum destes instrumentos pode ser recebido como a demonstração da rentabilidade futura das investidas requerida pela legislação, na medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001. Importante também salientar que, ainda durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi alertada de que entre a documentação apresentada não estaria a demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). Vejase que, em 25/02/2010, a contribuinte foi intimada (fls. 277/278), quanto aos investimentos adquiridos na LION/NOIL, a apresentar laudo de avaliação a demonstrar a rentabilidade futura da LION/NOIL, com a ressalva expressa de que tal documento ainda não havia sido apresentada, contrariamente às afirmações dos representantes da Fiscalizada. Na resposta de fls. 281/283, protocolizada em 17/03/2010, para demonstrar a rentabilidade futura da LION, na data da aquisição pela SOTREQ em março de 2001, novamente foram apresentados o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da CABO, Seguida de Incorporação do Patrimônio Cindido pela NOIL e o Laudo de Avaliação do Acervo Líquido da CABO, ambos datados de 31/12/2002 (fls. 544/556). Em 31/03/2010 (termo de fls. 557/563), novamente a fiscalização alertou a contribuinte de que não teriam sido apresentados os demonstrativos de rentabilidade Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 123 24 futura das investidas (LION e NOIL) necessários a respaldar o fundamento econômico adotado pela empresa para o pagamento do ágio e, conseqüentemente, a sua amortização. [...] A fiscalizada trouxe também aos autos o documento denominado MINUTA PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO, elaborada em 31/05/2001, pelo contador Anderson Amorim Amorim (de apenas 6 folhas fls. 835/840), mediante a qual teria sido realizada a revisão de um relatório preparado pela SOTREQ de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, que contemplava a SOTREQ e a LION, de forma individual e consolidada, com o objetivo de expressar o entendimento do perito contábil acerca: (i) da consistência das premissas adotadas para a elaboração dos relatórios; (ii) da metodologia de cálculo empregada para a obtenção do fluxo de caixa descontado e do valor presente líquido; (iii) do resultado dos cálculos; e (iv) dos negócios e sua gestão, com base em leitura dos estatutos e dos balancetes preliminares da investidora (SOTREQ) e da investida (LION). Destaquese, preliminarmente, que apesar de apresentar o relatório elaborado pelo perito, a fiscalizada deixou de apresentar, para apreciação da fiscalização, a PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION sobre a qual teria se debruçado o perito. [...] Entretanto, o demonstrativo de rentabilidade futura da LION e da NOIL não integram a revisão, elaborada pelo perito, do suposto relatório de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION, não apresentado à fiscalização. Por oportuno, salientese que a referida revisão efetuada pelo perito do relatório, não apresentado, preparado pela SOTREQ, de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, não foi rejeitado pelos problemas formais apontados pela defesa (por ter sido elaborada por um único perito; por não estar assinada; e por ser pósdatada em relação aos projetados aportes), mas porque não contém a demonstração da rentabilidade futura dos investimentos adquiridos na LION/NOIL. [...] Apesar de afirmar que teria sido elaborada a avaliação da expectativa de rentabilidade futura, vendas e lucros futuros das empresas adquiridas mas não ter sido apresentada à fiscalização, aparentemente, defendese a fiscalizada, dizendo que a prova de realização do negócio a preço de mercado seria hábil a dispensar a demonstração de rentabilidade futura dos investimentos, interpretação não admitida pela legislação vigente, que prevê um tratamento contábil e fiscal diferenciado para cada uma das hipóteses normativas. Confunde assim a Fiscalizada a prova do preço de mercado da operação, com a prova do fundamento econômico do ágio. [...] Depois, de detida análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar de reiteradamente intimada a contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL, Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 124 25 a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio. Da leitura dos trechos do voto condutor acima transcritos, bem como do exame efetuado por este relator dos documentos entregues para justificar o valor do ágio, verificase que nenhum deles contém as características próprias de demonstrativo do valor do ágio cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. A demonstração para a determinação do valor da empresa a preços presentes, e do correspondente valor de ágio, não se encontram em nenhum dos documentos/demonstrativos apresentados pela fiscalizada, carecendo dos seguintes elementos: 1 inexistência da análise de mercado e da conjuntura onde atua a empresa examinada; 2 demonstrativo do faturamento já ocorrido e projeção para exercícios futuros; 3 projeções do fluxo de caixa; 4 demonstração da forma de escolha da taxa de desconto do fluxo de caixa; 5 demonstração da apuração do valor de mercado a valor presente e do valor do ágio; Ressaltese que a fiscalização buscou insistentemente junto à autuada os demonstrativos que contivessem os valores do ágio da LION e da NOIL, cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, que deveria ser arquivado como comprovante do registro do ágio, como exige a lei (inciso II do § 2º, e § 3º, do art. 385 do RIR/99), pelo que a autuada não logrou comprovar. O próprio recorrente menciona em seu recurso (fls. 15 do recurso voluntário), que o valor do ágio foi apurado de acordo com a parte excedente do valor do patrimônio líquido das participações societárias adquiridas, ou seja, encontrase em desacordo com o que prevê a legislação tributária: “40. Tal ágio representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de patrimônio líquido das participações adquiridas, que totalizava a quantia de R$ 79.345.197,83.” Não apresentados os referidos demonstrativos de apuração do ágio com base no fundamento econômico estabelecido pelo inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99 (previsão resultados futuros), é de se considerar que o pretenso ágio pago decorreu do fundamento econômico de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, previsto no III do § 2º, do art. 385 do RIR/99, não amortizável e, portanto, não dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (art. 386, II do RIR/99). Dessa forma, forçoso concluir que, após análise do procedimento fiscal e da documentação contida nos autos, parece não haver dúvidas que a autuada deixou de apresentar a demonstração de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros da LION/NOIL, a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição de participações Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 125 26 societárias. Deixou, assim, de atender aos requisitos legais que justificassem o valor do ágio que pretende amortizar, o que inviabiliza o aproveitamento da dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. A jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica no ementário do Acórdão que abaixo se transcreve: AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO REQUISITOS A inexistência em Promessa de Compra e Venda de cláusula condicional para que seja implementado o negócio, indica a absoluta concordância pelas partes, caracterizandose uma situação de fato conforme definido no artigo 116 do CTN, não interessando o nome que se dê ao contrato. A possibilidade legal de amortização do ágio restringese a situações em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio apurado com fundamento em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Não configurada tal hipótese mantémse a glosa da amortização. Constatado que os valores excluídos na determinação do lucro real e da CSLL referiamse a valores contabilizados em conta de resultado de períodos anteriores, incabível o ajuste efetivado em resultado de ano calendário posterior. 1º CC. / 5ª Câmara / ACÓRDÃO 10515.913 em 16.08.2006. (grifei) Não bastasse os motivos acima expostos, a fiscalização também apurou divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante da Demonstração de Acervo Líquido da SOTREQ SA fls. 133, ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), o que só vem a reforçar a tese de que o valor do ágio não se encontra devidamente fundamentado nos termos da legislação de regência. Sobre a divergência de valores apurada pela fiscalização, a recorrente nada menciona em sua peça recursal, de modo que a mesma deve ser considerada como definitivamente julgada, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. Por fim, quanto a este tópico, cumpre registrar que o acórdão recorrido, após análise detalhada das movimentações financeiras efetuadas durante a reorganização societária, concluiu que as mesmas foram devidamente registradas na contabilidade, fato que nada interfere nas conclusões deste voto. Em vista do acima exposto, é de se confirmar a glosa dos valores de amortização fiscal do ágio, por falta de atendimento aos requisitos legais, uma vez que a autuada não logrou comprovar a entrega do “demonstrativo de rentabilidade” (laudo de avaliação) com base em “previsão dos resultados de exercícios futuros”, como exige a lei. Glosa da compensação de prejuízos Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 126 27 O agente fiscal glosou os prejuízos compensados integralmente quando da incorporação (em 29/06/2001) da SOTREQ, empresa com lucros, pela LION, empresa com prejuízos, alterando a razão social para aquela da dita incorporada (SOTREQ), bem como adotando o endereço desta última (LION). Segundo a fiscalização, o objetivo da incorporação “às avessas” seria o contorno da legislação, uma vez que existe expressa vedação legal de compensação quando a incorporação se dá nos moldes da normalidade (art. 514 do RIR/99), empresa lucrativa (SOTREQ) incorpora a empresa com prejuízos (LION). Os motivos que levaram a fiscalização a considerar a incorporação fictícia foram os seguintes fatos: a incorporação teria sido efetuada unicamente para aproveitar os prejuízos da LION nas apurações do IRPJ e da CSLL; A SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases negativas da CSLL; ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION que incorporou a SOTREQ, tendo aquela, em seguida, alterado sua razão social para SOTREQ; a LION destituiu os componentes de seu conselho de administração e nomeou aqueles da antiga SOTREQ conforme item 2 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da LION, realizada em 29.6.2001. Ou seja, a administração passou a ser a mesma da empresa incorporada (antiga SOTREQ); as mesmas atividades da incorporada SOTREQ, continuaram a ser desenvolvidas após a sua incorporação; o que efetivamente teria ocorrido foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99; O acórdão recorrido entendeu que apesar da operação de incorporação da SOTREQ pela LION não ter sido caracterizada como simulada, nem por isso pode ser caracterizada como sendo lícita. A incorporação da empresa deficitária pela superavitária teria sido feito exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, como municipal, para a manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerou, assim, passível de desconsideração a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária. Já a recorrente alega em seu recurso que inexiste proibição legal de efetuar a incorporação nos moldes do que foi feito e que, na realidade, a operação de reorganização societária de fato era desejada pela partes por razões de natureza empresarial. Analisando os fatos constante dos autos e a legislação que rege a matéria, creio assistir razão à defesa. Inicialmente, cumpre transcrever o art. 514 do RIR/99, cuja base legal é o art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, que trata da compensação de prejuízos nos casos de incorporação, fusão ou cisão: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 127 28 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). O dispositivo acima transcrito é bastante claro ao afirmar que a pessoa jurídica sucessora, por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Por seu turno, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1995, encontrase regulamentado pelo art. 510 do RIR/99: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). (destaquei) No caso em análise, a LION detinha prejuízos fiscais e a SOTREQ era a empresa lucrativa. Portanto, nos termos do art. 510 acima transcrito, a LION tinha o direito de compensar os seus prejuízos fiscais. Pelo que consta dos autos, ambas empresas desempenhavam operações semelhantes na colocação dos produtos com a marca “CATERPILAR, de modo que a SOTREQ vinha desenvolvendo tratativas junto à matriz americana da “CATERPILAR” para assumir o controle da LION, uma vez que esta última vinha apresentando sucessivos prejuízos. Portanto, nada mais natural que a empresa lucrativa SOTREQ, tendo adquirido a participação societária na LION, fizesse também a incorporação desta última. No entanto, vislumbrou a SOTREQ um impedimento legal (art. 514 do RIR/99) para a compensação de prejuízos da possível sucedida, a LION. No bojo da reorganização societária entendeuse que as empresas estavam, em verdade, sob o manto de um mesmo comando, por isso, procederam de forma contrária: a empresa com prejuízos incorpora a empresa lucrativa, o que possibilitaria a compensação dos prejuízos da empresa deficitária, conforme permissivo legal contido no art. 510 do RIR/99. Nesse contexto, o direito à compensação dos próprios prejuízos da empresa que se encontra deficitária (LION) encontrase amparado pela lei. No presente caso, ficou evidenciado que a compensação de prejuízos ocorreu obedecendo o limite de 30% do lucro líquido ajustado, nos exatos termos do art. 510 do RIR/99, fls.1839/1840 e fls. 1848 e 1856. Já a lei das sociedades anônimas também não veda a incorporação da empresa lucrativa por empresa com prejuízos. Assim, do ponto de vista legal, a operação de incorporação às avessas pode perfeitamente ser taxada como lícita, posto não haver impedimento legal para que a empresa com prejuízos incorpore a lucrativa, detendo esta, participação naquela. É claro que se esperaria justamente o contrário, mas em determinadas situações, como no presente, ela pode Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 128 29 até efetivamente ocorrer, uma vez que a sucedida (SOTREQ) já detinha participação societária relevante na sucessora (LION), o que em última análise significa que se trata de uma mesma realidade econômica. Além disso, a operação teria sido realizada entre empresas que estavam regularmente operando no mercado, com objeto social semelhante, e teria sido assim justificada no Protocolo e Justificação de Incorporação da SOTREQ pela LION (fls.148 e seguintes): "3. Entendem os signatários que, pertencendo a SOTREQ e a LION ao mesmo grupo, inclusive sendo a SOTREQ acionista da LION, e sendo ambas voltadas ao mesmo mercado de atuação, a incorporação da SOTREQ pela LION, como proposta neste instrumento, é da maior conveniência aos interesses sociais e financeiros da SOTREQ e da LION, uma vez que a unificação das atividades e da administração da SOTREQ e da LION resultará na redução de custos administrativos, comerciais e financeiros e na racionalização do trabalho, operações e metas de organização, propiciando maior rentabilidade ao empreendimento ". Vejase a descrição contida no relatório fiscal a respeito do principal objetivo da autuada ao eleger este modelo de incorporação, fls. 1826: “65. A própria Fiscalizada reconhece esse fato na resposta recebida em 26/04/2010, item 22. "A Fiscalizada esclarece que a incorporação foi fei ta pela LION a f im de que os prejuízos por ela contabil izados não fossem perdidos, o que oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de venda de suas ações".” O que se depreende dos autos é que toda a operação de incorporação foi feita às claras, com ambas empresas operando regularmente no mercado e a forma escolhida tinha uma justificação: a economia tributária. Ressaltese que nem a fiscalização e nem o acórdão recorrido caracterizaram a ocorrência de simulação nos eventos societários em análise. A defesa também justificou a incorporação, nos moldes como foi feito, em razão da necessidade de manter a sede da empresa em Sumaré – São Paulo, onde funcionava a LION, face aos benefícios fiscais concedidos pela prefeitura dessa cidade no recolhimento do IPTU e do ISS, fls. 1879. Vejase a manifestação do Acórdão da DRJ nesse sentido, fls. 2167: “O único motivo pertinente e relevante a justificar a incorporação da SOTREQ pela LION seria o fato desta última ser beneficiária de isenção de imposto sobre serviços (ISSQN) e do imposto predial e territorial urbano (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade do negócio. Com efeito, é perfeitamente admitido pelo ordenamento jurídico pátrio que a redução da carga tributária é um objetivo que deve ser perseguido para a própria sobrevivência das pessoas jurídicas desde que, evidentemente, seja feita de forma lícita. Nos processos de reorganização das empresas, a boa técnica de administração dos negócios recomenda que os dirigentes adotem, dentro da legalidade, a alternativa econômica menos onerosa possível, dentre elas optem pela economia tributária. A empresa LION apresentava sucessivos prejuízos, que seriam perdidos, caso a SOTREQ incorporasse a Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 129 30 LION. E uma das formas de manter a empresa LION em funcionamento foi a reorganização societária perpetrada, que a meu ver foi feita de forma legal. Inexistindo vedação legal para a prática da conhecida “incorporação às avessas”, não se pode esperar que duas empresas, integrantes do mesmo grupo econômico, praticando operações comerciais semelhantes, tendo a intenção de se reorganizar societariamente, com o objetivo de melhorar o desempenho das suas atividades, fiquem impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também decidiu nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº CSRF/0105.413, sessão de 20 de março de 2006: IRPJ — INCORPORAÇÃO AS AVESSAS — GLOSA DE PREJUÍZOS — IMPROCEDÊNCIA — A denominada "incorporação às avessas", não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas operativas e que sempre estiveram sob controle comum, não pode ser tipificada como operação simulada ou abusiva, mormente quando, a par da inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados, teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações entres ambas praticadas. De tudo o que foi exposto, entendo pela possibilidade legal da compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL na chamada “incorporação às avessas”, nos moldes do permitido pelo art. 510 do RIR/99. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário para que seja admitida a compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11613.000207/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 22/08/2008
NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA.
Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003. Recurso de ofício negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararamse impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 07 /2 00 8- 58 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre a importação, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor total de R$ 15.976.934,82, objeto do Auto de Infração fls. 0212. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe promoveu a importação de nafta petroquímica (NCM 2710.11.41), por meio da DI no 08/13027882, de 22/08/2008, deixando de recolher a Cide, apesar da qualidade de indústria petroquímica produtora de gasolina. A fiscalização assevera ainda que "existe a possibilidade legal de comprovação de que uma importação de nafta não será destinada à produção de combustível, para que o contribuinte, central petroquímica, possa se valer da isenção prevista na lei, nos termos do inc I do art. 6o da IN SRF 422/2004 e do §4°, do art. 5o, da Lei n° 10.336/2001. Todavia, (...), tal comprovação tem de ser objetiva e prévia ao uso, portanto, no momento do desembaraço aduaneiro, o que nunca ocorreu, presumese, pela impossibilidade mesma do feito." Cientificado do lançamento em 07/10/2008, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 4966, em 21/10/2008, por meio da qual expõe suas razões de defesa, a seguir resumidas: a) a requerente é empresa petroquímica, não tendo como finalidade precípua a produção de gasolina automotiva, sendo que durante o processo de fabricação dos produtos petroquímicos, a gasolina é obtida residualmente como subproduto, que em parte é utilizada no próprio processo produtivo, sendo recolhida a Cide quando da venda da outra parcela deste combustível; b) o Decreto n° 4.940/2003 reduziu a zero a alíquota da Cide na importação de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, dentre elas, a nafta petroquímica; c) a autuação deve basearse na realidade dos fatos ocorridos, sendo ilegal o uso da presunção como meio de prova, ou seja, que a importação de nafta tenha sido destinada à produção de gasolina e não de produtos petroquímicos, não havendo prova dessa alegação, mas mera interpretação subjetiva; d) a compensação de valores eventualmente recolhidos a título de Cide na importação não seria instrumento eficaz e justo para estabelecer a neutralidade tributária, pois o montante de tributos federais devidos seria bem menor do que o total da Cide paga na importação, de modo que a requerente ficaria com um saldo credor cuja compensação seria impossível; e) o objetivo do legislador ao instituir a dispensa de recolhimento da Cide na importação de nafta petroquímica é o de favorecer a indústria petroquímica, setor estratégico da indústria nacional, elo inicial de extensa cadeia produtiva; f) é inaplicável a taxa Selic, para cálculo dos juros de mora, em razão da sua inconstitucionalidade. Em 15/12/2008, a impugnante se manifestou nos autos argumentando que o Decreto n° 6.683/2008, publicado em 10/12/2008, confirma que a mera produção residual de gasolina decorrente da industrialização de nafta, em volume até 12% da produção total, não afasta a aplicação da alíquota zero, referente à Cide na importação (fls. 112114).” Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 401 3 A DRJFortaleza/CE, em sessão realizada em 30/09/2009, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem respondidos os quesitos formulados às fls. 179/180, o que culminou com a elaboração do Parecer Técnico constante às fls. 291/302. Diante dos elementos constantes dos autos, aquela DRJ julgou procedente a impugnação (fls. 376/394), em decisão cuja ementa abaixo reproduzse: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 22/08/2008 NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado que a nafta importada foi efetivamente destinada à o produção de produtos petroquímicos, a formulação residual de gasolina, demonstrada nos autos por prova pericial como inerente ao ciclo produtivo destes, não tem o condão de descaracterizar a incidência de alíquota zero. Impugnação procedente. Crédito tributário exonerado. Da decisão, recorre a DRJFortaleza/CE de ofício, em razão de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, chegam os autos, para apreciação deste Colegiado, em razão de recurso de ofício interposto pela DRJFortaleza/CE, por haver aquele órgão julgador exonerado a contribuinte BRASKEM S/A de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. A autuação deveuse ao fato de ter a Fiscalização entendido que a nafta petroquímica importada pela contribuinte, pelo fato desta produzir gasolina, não estaria albergada pela isenção prevista no §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001 e. Dispõe a Lei nº. 10.336/2001: Art. 1o Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº33, de 11 de dezembro de 2001. Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3o. ......................................................................................................... Art. 3o A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível ......................................................................................................... Art. 5o A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas:(Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) ................................................................................................... § 1o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos que, pelas suas características físicoquímicas, possam ser utilizadas exclusivamente para a formulação de diesel, as mesmas alíquotas específicas fixadas para o produto § 2o Aplicamse às demais correntes de hidrocarbonetos líquidos utilizadas para a formulação de diesel ou de gasolinas as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. § 2o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 3o As correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à produção ou formulação de gasolinas ou diesel serão identificadas mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 3o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 4o Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 402 5 central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. §4o Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 5o Presumese como destinado a produção de gasolina nafta, adquirida ou importada na forma do § 4o, cuja utilização na elaboração do produto ali referido não seja comprovada.(Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o Na hipótese do § 5o a Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) Primeiramente, é de se notar que, com a edição da Lei nº. 10.833/2003, à época da ocorrência dos fatos geradores, em 2008, não mais se poderia falar em isenção da CIDE, em razão da alteração sofrida pelo §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001. Demais disso, restaram, ainda, revogados os §§5º e 6º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, de forma que, àquela época, não mais existia a presunção legal adotada pela Fiscalização, a qual alicerçou o entendimento de que a nafta importada destinavase à produção de gasolina. Assim, resta perquirir se, à época dos fatos geradores, a contribuinte fazia jus à dispensa de pagamento da CIDE prevista no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, a qual foi regulamentada pelo Decreto nº. 4.940/2003. O Decreto nº 4.940/2003, em seu art. 1º, reduziu a zero as alíquotas da CIDE Combustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que indica. Dentre os códigos elencados, encontrase, logo de plano, o código 2710.11.41, correspondente à nafta petroquímica, produto objeto da importação ora analisada. Vejase: Decreto nº. 4.940/2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro de 2001, DECRETA: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Código NCM Produto 2710.11.41 Nafta petroquímica Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Assim, a nafta petroquímica, classificada no código 2710.11.41, não destinada à formulação de gasolina ou diesel, estava, à época dos fato geradores, tributada à alíquota zero. Vejase que, pela redação do § 3º da Lei nº 10.336/2001, a dispensa de pagamento prevista por aquela lei e regulamentada pelo Decreto nº.4.940/2003, somente seria aplicável às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. Pois bem, no caso concreto, entendeu a Fiscalização que, pelo fato de a contribuinte produzir gasolina, desde já estaria impossibilitada à comprovação de que a nafta importada não se destinava à formulação de gasolina. Vejase o que afirmou a autoridade autuante: [...]. Durante a análise da declaração, constatouse que a autuada não havia recolhido a CIDE, apesar de tratarse de uma central petroquímica que produz gasolina a partir da nafta que adquire no mercado externo. 2. Ao ser admoestada, a interessada demonstrou dúvida quanto ao cabimento do recolhimento da contribuição para o caso em análise, haja vista, segundo ela, tratarse de importação de nafta, por central petroquímica, para fins petroquímicos, A fiscalização, então, requereu que fosse feita a devida comprovação necessária à isenção [sic] da CIDE. 3. Em resposta a esta exigência, foram apresentados o Relatório de Produção de Gasolina Automotiva nos Processos Industriais da Braskem/Unib e a Relação entre a Venda de Gasolina Automotiva e a Importação de Nafta pela Braskem/Unib ambos desenvolvidos por empresa independente, a pedido da própria interessada, Nesses relatórios, temse a confirmação de que a Braskem, efetivamente, produz gasolina a partir de naftas. E nada foi apresentado no sentido de comprovar que a nafta objeto desta DI não teria a mesma destinação. 4. Em vista do exposto, decidiuse pelo lançamento de ofício. Ao meu sentir, tal entendimento se mostra equivocado. O fato de a Braskem produzir gasolina não afasta, por si só, a possibilidade do benefício da tributação à alíquota zero. Isso porque, conforme estabelecido pela legislação de regência, somente a nafta petroquímica destinada à produção de gasolina é que estaria fora do benefício. O texto da lei fala em destinação, ou seja, aquela nafta reservada para o fim de produzir gasolina. Destinar, no Dicionário Aurélio, quer dizer determinar com antecipação, fixar previamente, designar, reservar para certo fim. Vejase, então, que, para estar excluída do benefício, é preciso que a nafta petroquímica seja destinada à finalidade de produzir gasolina, o que é diferente da nafta que, incidentalmente, produza gasolina como subproduto resultante do processo produtivo de petroquímicos, como é o caso em questão. O Parecer Técnico de fls. 291/302, elaborado em razão da diligência solicitada pela DRJ, deixa claro que “a atividade principal da Braskem é a produção de insumos básicos petroquímicos (Eteno, Propeno, Butenos, etc), além de utilidades (águas industriais, nitrogênio, ar comprimido, vapor de alta e média pressão, etc) para atender às necessidades de diversas outras indústrias instaladas [no] Complexo Industrial” e que, de acordo com as características e condições do processo industrial analisado, é obrigatória a produção de gasolina “como forma de utilização completa de todas as correntes obtidas”. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 403 7 Referido Parecer afirma, ainda, que “ a formulação de gasolina a partir dos subprodutos gerados durante o processamento é necessária como forma de maximizar economicamente todo o processo envolvendo a Nafta Petroquímica. A não formulação de gasolina, com os subprodutos, conduz a usos menos nobres desses citados subprodutos (queima como combustível).” E mais: que “a quantidade total de Gasolina produzida, tomandose como base apenas a nafta petroquímica processada, encontrase sempre abaixo de 10% do volume total da Nafta Petroquímica adquirida.” Assim, restou claramente comprovado nos autos que a nafta petroquímica importada não se destinava à formulação de gasolina, conforme entendeu a Fiscalização, mas sim à produção de petroquímicos básicos (eteno, propeno, butenos, etc). Na produção desses petroquímicos são gerados vários subprodutos, dentre os quais a gasolina, cuja formulação se mostra como resultado necessário à obtenção dos referidos petroquímicos básicos, como forma de maximixação dos processos produtivos. Destarte, acertada a declaração de voto constante às fls 384/394, a qual demonstra, claramente, a inviabilidade de se transferir ao contribuinte o ônus de comprovação de utilização futura do produto, que sofre a ação de diversos mecanismos de controle impostos pela Administração Pública. Vejase: “Acontece que, dentre as correntes referidas nos incs. I e II do art. 3º existem aquelas que tanto podem ser utilizadas na produção de gasolina ou diesel, como também para outras finalidades. Assim, os §§ 3º e 4º, do art. 5º, da mesma lei, com a alteração introduzida pela Lei nº 10.833/03 vieram reforçar que: Art. 5º [...]. [...]. § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. § 4º Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3º serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. [Destaquei]. Duas conclusões podem ser tiradas de imediato desses dispositivos: 1ª) a possibilidade da dispensa de pagamento da Cide, a que a lei se refere no § 3º, está imediatamente relacionada ao produto “hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel” e não à qualidade do sujeito passivo; 2ª) a lei procurou garantir o controle da concessão da dispensa quando no § 4º tratou de determinar que os hidrocarbonetos líquidos, sobre os quais ocorreu a dispensa da Cide, fossem marcados “nos termos e condições estabelecidos pela ANP”. Antes mesmo da publicação da Lei nº 10.336/01, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP), entidade integrante da Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Administração Federal Indireta, órgão regulador da indústria do petróleo, gás natural, seus derivados e biocombustíveis, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela já referenciada Lei nº 9.478/97, havia editado a Portaria ANP nº 274, de 01/11/01 (DOU 05/11/01), onde, entre outras, estabeleceu a definição de Produtos de Marcação Compulsória (PMC) (art. 1º, inc. II) e determinou a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos produtores nacionais como pelos importadores e que a marcação de PMC importado deveria ocorrer no local e no momento de sua internação no País (art. 2º, caput, e § 2º). Registrese que no site da ANP pode ser encontrada a seguinte explicação para a marcação compulsória de produtos1: MARCAÇÃO COMPULSÓRIA DE PRODUTOS APRESENTAÇÃO A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, estabelece que correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel poderão ser dispensados de contribuição da Cidecombustíveis se forem identificados mediante marcação nos termos e condições estabelecidos pela ANP. A ANP denomina as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel como Produtos de Marcação Compulsória (PMC). A marcação consiste na adição de marcador aos PMC no momento de sua internação no País, ou na saída da unidade produtora ou da distribuidora. As amostras de gasolina coletadas em postos revendedores de combustíveis pelo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) da ANP, pela fiscalização da Agência e por órgãos conveniados com a ANP são encaminhadas para o laboratório (contratado pela ANP para realização de análises do PMQC) mais próximo do local da coleta e submetidas à análise de detecção de presença de marcador. [Sublinhei] Atualmente, o art. 2º, inc. I, da Resolução ANP nº 13, de 09/06/09 (DOU 10/06/09) (que alterou o art. 1º, inc. II, da Portaria ANP nº 274/01) traz a definição técnica de PMC, nos seguintes termos: Art. 2º Para os fins desta Resolução ficam estabelecidas as seguintes definições: I Produtos de Marcação Compulsória (PMC) hidrocarbonetos derivados de frações resultantes do processamento de petróleo, de gás natural, de frações de indústrias petroquímicas, passíveis de serem utilizados como dissolventes de substâncias sólidas e/ou líquidas, puros ou em mistura, cuja faixa de destilação tenha seu 1 http://www.anp.gov.br/?pg=16344&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1317040002139. Consulta realizada em 26/09/11. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 404 9 ponto inicial de ebulição superior a 25ºC e ponto final de ebulição inferior a 280ºC, com exceção de qualquer tipo de gasolina, querosene de aviação ou óleo diesel especificados pela ANP; A resolução acima referida, que estabelece os requisitos necessários para o cadastramento de empresas interessadas em fornecer produto marcador, exercendo suas atividades no âmbito da marcação dos PMC indicados pela ANP, entre outras disposições também define no inc. VII, do mesmo art. 2º que o ponto de marcação é o local determinado pela ANP, onde é realizada a adição de marcador e abrange as unidades dos produtores nacionais, portos, terminais, estações aduaneiras e pontos de fronteira com o País. Interessante também trazer à lume parte do preâmbulo dessa Resolução ANP nº 13/09: [...] Considerando que a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, alterada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estabelece, em seu art. 5º, § 4º, que os hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP; e Considerando que a Portaria ANP nº 274, de 1º de novembro de 2001, estabelece a obrigatoriedade de adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo eventualmente indicados pela ANP, bem como a proibição da presença de marcador na gasolina. [...]. Vejase que essa introdução da resolução deixa bastante claro que o controle da destinação dos hidrocarbonetos líquidos será realizado mediante a marcação, ficando proibida a presença de tais marcadores na gasolina. No âmbito do Poder Executivo, com amparo legal do § 3º, do art. 5º, da Lei nº 10.336/01, também foi editado o Decreto nº 4.940, de 29/12/03, cujo art. 1º reduz a zero as alíquotas da CIDECombustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que divulga. Entre os códigos elencados está o 2710.11.41, nafta petroquímica, produto objeto da importação aqui tratada. Mais uma vez, percebese que a redução a zero das alíquotas da Cide diz respeito aos produtos elencados e não à qualidade do sujeito passivo, como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que um Decreto não pode extrapolar o que a lei determina. O benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto nº 4.940/03, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não apenas para as centrais petroquímicas. O fato de uma empresa produzir gasolina ou diesel não afasta, por si só, a possibilidade dela vir a ser beneficiária da Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica, com mais razão ainda se essa empresa for uma Central de MatériaPrima Petroquímica (CPQ). (...) O modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública, é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Em particular, no que se refere a nafta petroquímica, temse que esse produto tanto pode ser utilizado para a formulação de gasolina ou diesel como no processo produtivo de uma CPQ [Central de MatériaPrima Petroquímica]. É o que se depreende do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 34, de 28/12/04 que dispõe sobre a classificação fiscal da “nafta normalparafina”, da “normalparafina” e da “parafina”, bem como sobre a incidência ou não da Cide sobre essas mercadorias, estabelecendo no seu art. 1º que: Art. 1º A nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” classificase no código 2710.11.41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 1º A “nafta normalparafina” não deve ser tomada como equivalente a quaisquer querosenes e pode servir à formulação de gasolina ou diesel. § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina ou diesel, a “nafta normalparafina” está sujeita à incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide Combustíveis), instituída pela Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, e regulada pela Instrução Normativa SRF nº 107, de 28 de dezembro de 2001. [...]. Notese que embora o ADI acima referenciado afirme a existência de uma nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” que serve para a formulação de gasolina ou diesel, o usual é que a nafta seja utilizada principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta não energética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. É o que explica o glossário disponível no site da ANP2, que classifica a nafta em apenas dois tipos: a nafta petroquímica ou nãoenergética e nafta energética, assim consignando: Nafta Derivado de petróleo utilizado principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta nãoenergética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. A nafta energética é utilizada para geração de gás de síntese através de um processo industrial (reformação com vapor d'água). Este gás é utilizado na produção do gás canalizado doméstico. 2 http://www.anp.gov.br/?id=582#n. Consulta realizada em 23/09/11. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 405 11 Nafta Petroquímica Ver Nafta. De qualquer modo, levando em conta o teor do ADI e do glossário da ANP, o que temos, no caso da naftapetroquímica, é um mesmo código de NCM abarcando um produto que pode servir a mais de uma utilização, sendo que em uma delas (utilização em gasolina ou diesel) ocorre a tributação normal e na outra (utilização como matériaprima em CPQ), redução a zero das alíquotas da Cidecombustíveis. Ora, essa questão, de um mesmo código de NCM dar guarida a produtos diversos, distintos nas suas qualidades intrínsecas ou extrínsecas é um problema enfrentado rotineiramente pelas autoridades administrativas encarregadas do controle aduaneiro e não representa nenhuma novidade na área. Relembrese, embora não tenha relação direta com o caso, mas apenas como exemplo, que foi em razão desse tipo de dificuldade que foi instituída, pela IN SRF nº 80, de 27/12/96, a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), de modo a poder distinguir produtos, que apesar de estarem classificados dentro de um mesmo subitem da NCM, na verdade possuem características que os distinguem substancialmente uns dos outros e que, justamente por essas diferenças, apresentam se com valores ou especificidades bastante distintos, fazendo com que, para que não haja prejuízo ao controle do valor aduaneiro e aos dados estatísticos de comércio exterior, o produto, para além da sua identificação em um determinado código da NCM, seja desdobrado em atributos e especificações. Voltando a fazer referência a controles a cargo da ANP, temse que esse órgão estabeleceu, no que diz respeito especificamente à naftapetroquímica, a regulamentação para a sua importação por meio da Portaria ANP nº 32, de 23/02/00 (DOU 24/02/00). É pertinente destacar que, referida portaria estabelece no seu art. 1º, caput e parágrafo único que “fica sujeito à prévia e expressa autorização da ANP a importação de nafta petroquímica” e que “somente será autorizada a importação de nafta petroquímica que seja destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica”. Por seu turno, os arts. 3º e 4º da mesma norma definem que: Art. 3º. A autorização mencionada no artigo 1° fica condicionada a: I cadastramento da empresa ou do consórcio de empresas junto à ANP; e II anuência prévia da ANP, para cada carga de nafta petroquímica a ser importada. Art. 4º. O importador poderá solicitar autorização da ANP para uma programação semestral de importação de nafta petroquímica, ficando, na hipótese de deferimento dessa solicitação, dispensado da anuência de que trata o inciso II do artigo anterior. § 1º A solicitação de autorização mencionada no caput deste artigo deverá ser enviada à ANP com uma Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 antecedência mínima de 30 (trinta) dias em relação à data prevista para o início da importação. § 2º O importador poderá solicitar mais de uma autorização semestral para a importação de nafta petroquímica, desde que possua contratos com mais de uma CPQ. Convém trazer à luz também o disposto no art. 11 da mesma Portaria ANP nº 32/00, que preconiza, in verbis: Art. 11. Quando a importação não for realizada diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a solicitação de anuência prévia para cada carga ou a solicitação de autorização para uma programação semestral, com o pedido de aquisição da nafta petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ. Notese que o código 2710.11.41 (“naftas para petroquímica”) se encontra elencado entre aqueles produtos sujeitos a licenciamento não automático, tendo como órgão anuente a ANP, situação que já se observava na data do fato gerador e que atualmente se encontra divulgada por meio da Portaria Secex nº 23, de 14/07/113. Vêse, portanto, que só são deferidas licenças de importação de nafta petroquímica para as empresas cadastradas (em caráter precário), junto à ANP. Essas empresas, autorizadas a importar, não precisam ser Centrais de MatériaPrima Petroquímica, mas têm que importar sob a condição de que a mercadoria será destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo daquelas centrais, fazendo prova disso o(s) contrato(s) firmado(s) entre importador e CPQ. Ou seja, a autorização da importação de naftapetroquímica, materializada por meio do deferimento da Licença de Importação, pelo órgão da Administração Federal Indireta, legalmente instituído para tal, permite que no momento do despacho aduaneiro a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontre respaldo para presumir que o produto foi importado por empresa autorizada pela ANP para tal atividade e que será destinado exclusivamente como matéria prima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica, conforme exigência prévia condicionante do deferimento para a autorização de importação, expressa no parágrafo único do art. 1º, c/c o teor dos arts. 3º e 4ºda referenciada Portaria ANP nº 32/00, todos já transcritos. Notese que, no mesmo sentido, o art. 6º da IN SRF nº 680, de 02/10/06 determina que: Art. 6º A verificação do cumprimento das condições e exigências específicas a que se refere o art. 512 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, inclusive daquelas que exijam inspeção da mercadoria, conforme estabelecido pelos competentes órgãos e agências da administração pública federal, será realizada exclusivamente na fase do licenciamento da importação. Observese que as disposições do art. 512, do Decreto nº 4.543/02, referidas no art. 6º da IN acima citado, encontramse atualmente exaradas nos mesmos termos no art. 572, do Decreto nº 6759/09, que revogou aquele: 3 Vide http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1305913858.pdf (consulta realizada em 26/09/11). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 406 13 Art. 572. Quando se tratar de mercadoria sujeita a controle especial, a depósito ou a pagamento de qualquer ônus financeiro ou cambial, o desembaraço aduaneiro dependerá do prévio cumprimento dessas exigências (DecretoLei nº 37, de 1966, arts. 47 e 48, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2º). Vêse pelo que até agora foi explicado que a importação seja de nafta petroquímica, em particular, ou de petróleo e qualquer de seus derivados, em geral, é uma operação que se submete a um controle rigoroso por parte das legislação nacional, desde a Constituição Federal, até normas infralegais. Tal qual acontece na importação de outros produtos sensíveis, como por exemplo armas e munições, certos insumos farmacêuticos..., o produto em comento somente recebe licença para ser importado após análise prévia do órgão anuente (licenciamento não automático). Não havendo razões para se concluir pela irregularidade na emissão da Licença de Importação, essa deve ser acatada no momento do despacho aduaneiro, sem prejuízo de controles a posteriori dos órgãos, no âmbito de suas respectivas atribuições legais. Ou seja, não se quer com isso, por óbvio, afastar o poder/dever das autoridades competentes de verificar posteriormente se não há desvios que descaracterizem o benefício fiscal concedido, mas, repitase, o modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Notese que a marcação compulsória das correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel objetiva viabilizar uma fiscalização a posteriori da destinação que foi dada ao produto, mas não representa garantia que não haverá desvios. Assim, não há meios de previamente provar qual o destino que será dado àqueles produtos. Se existissem esses meios, não seria necessário todo o aparato de controle que foi instituído para tal pela ANP, não tendo sentido fazer exigência de provas sobre “o uso futuro do produto”, sob pena de inviabilizar o benefício fiscal instituído por lei.” Deste modo, não vislumbro qualquer fundamento que alicerce o afastamento do benefício previsto no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, regulamento pelo Decreto nº. 4.940/2003, razão pela qual entendo como acertada a decisão proferida em primeira instância. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 18050.001080/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005
CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 10 80 /2 00 9- 37 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.212.7550, o qual exige contribuição previdenciária relativa à contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Segundo o Relatório Fiscal o lançamento referese exclusivamente às bases de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), sendo estas apuradas pela fiscalização com base nas folhas de pagamento e documentação de suporte A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) bis in idem, pois a exigência da presente autuação é a mesma da constituída no AI nº 35.308.8480; ii) a fiscalização não considerou pagamentos realizados pela impugnante; iii) excessividade dos juros cobrados A DRJ de Salvador deu parcial provimento à impugnação para excluir do lançamento a competência de 01/2004, em razão do acolhimento da decadêncial quinquenal, com fundamento no artigo 150, § 4º do CTN. Não houve recurso de ofício em razão do valor excluído não ultrapassar o limite de alçada. A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando que a autação fora lavrada fora do local do seu estabelecimento, além dos juros serem excessivos e padecer, a Selic, de ilegalidades. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não pode ser conhecido, eis que intempestivo. Dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que das decisões de primeira instância caberá recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida. No caso em questão o sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 19/11/2009, conforme AR de fl. 254. Assim, o trintídeo legal para interpor o recurso voluntário iniciouse em 20/11/2009, uma sextafeira, conforme determina o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, encerrandose em 19/12/2009, um sábado. Contudo, sabendose que não se trata de dia útil, a data de vencimento ficou prorrogada para o dia 21/12/2009, uma segundafeira, nos termos do parágrafo único do citado artigo 5º. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18050.001080/200937 Acórdão n.º 2301003.013 S2C3T1 Fl. 274 3 Ocorre que o recurso voluntário fora protocolado em 22/12/2009, terçafeira, como se nota do carimbo de protocolo de fls. 257 e Despacho de fl. 272. Nesse sentido destaco julgados dessa Colenda Corte Administrativa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.(Acórdão 1803 001.277) “Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).” (Acórdão 1301000.861) Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos acima explicitados. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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