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Numero do processo: 10935.000411/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     2 EDITADO EM: 08/10/2012  Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno  Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e  Solon Sehn.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ  Curitiba (fls. 341/344),  a qual, por unanimidade de votos, não  acolheu as  razões contidas na  manifestação  de  inconformidade  formalizada  pela  interessada,  relativamente  a  pedido  de  ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame  inicial do pleito.  De  acordo  com  o  relatório  objeto  da  decisão  recorrida,  a  lide  decorre  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  da COFINS  ­ Mercado Externo,  no  valor  de  85.156,55,  apurado segundo o regime de incidência não­cumulativa, correspondente ao primeiro trimestre  de 2007. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de  2002.  A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de  fls.  310/314,  deferiu  apenas  parcialmente  o  pedido  formulado,  tendo  reconhecido  o  direito  creditório  no  montante de R$ 57.137,34.  Nos  termos  do  relatório  objeto  da  decisão  recorrida,  dentre  as  glosas  efetuadas pela autoridade administrativa não  foi consentido, para  fins de compensação ou de  ressarcimento,  o  aproveitamento  do  crédito  presumido  da  agroindústria  relativo  ao mercado  externo, por entender referida autoridade que o aproveitamento do crédito presumido em tela é  legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida.  Inconformada,  a  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  cujos  argumentos,  todavia,  não  foram  acolhidos  pela  primeira  instância  de  julgamento  administrativo, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO EXTERNO.  O ressarcimento em dinheiro somente poderá ser solicitado pela  pessoa  jurídica,  após  a  dedução  da  contribuição  devida  e  da  compensação  com  débitos  próprios,  em  relação  às  receitas  decorrentes  de  operações  para  o  exterior  e  utilizando­se  tão­ somente  dos  créditos  básicos  apurados  na  forma  do  art.  3º  da  Lei nºs 10.637, de 2002.   CRÉDITO  PRESUMIDO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  FORMA  DE UTILIZAÇÃO.  O  valor  do  crédito  presumido  previsto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  não  pode  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da  contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa.  RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC.   Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/2008­73  Acórdão n.º 3802­001.251  S3­TE02  Fl. 358          3 É  incabível  a  incidência  de  juros  compensatórios  com  base  na  taxa  SELIC  sobre  valores  recebidos  a  título  de  ressarcimento,  por falta de previsão legal.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/06/2011 (fls. 346).  Inconformada, a interessada apresentou, em 25/07/2011 (fls. 347), o recurso voluntário de fls.  347/355,  onde  se  insurge  contra  o  lançamento  com  fundamento  nos mesmos  argumentos  já  expostos na primeira instância recursal, ou seja, alegando resumidamente o seguinte:   a)  que  o  artigo  8o  da  Lei  no  10.925/04  reconheceu  o  direito  ao  crédito  presumido  em  relação  a  algumas  pessoas  jurídicas  ou  cooperativas  que  produzissem  produtos  de  origem  vegetal  ou  animal  para  alimentação  humana;  b)  que  a  suspensão  de  que  trata  a  IN SRF  no  660/2006  abarcou  apenas  as  receitas  brutas  de  vendas  de  produtos  in  natura,  dentre  eles  a  soja  (NCM  12.01),  realizadas  no  mercado  interno  por  cerealistas  para  agroindústrias  tributadas pelo lucro real;  c)  que, como efeito prático, a recorrente:  i) com respeito à comercialização  dos produtos in natura, está desobrigada de recolher as contribuições sociais  sobre  as  vendas  no  mercado  interno;  ii)  em  relação  à  industrialização  de  produtos  de  origem  vegetal,  essencialmente  a  soja,  teria  direito  ao  crédito  presumido  previsto  no  artigo  8o  da  Lei  10.925/04,  c/c  artigo  5o,  inciso  I,  alínea  “d”,  da  IN  660/06,  crédito  este  calculado  sobre  os  insumos  da  industrialização e comercialização da soja;  d)  assim,  a  interessada  teria  direito  ao  crédito  presumido  do  PIS  e  da  COFINS sobre a receita bruta da atividade agroindustrial, no mercado interno  e  externo,  podendo  inclusive,  em  relação  às  suas  exportações,  utilizar  os  créditos  para  fins  de  compensação  ou  ressarcimento;  nesse  sentido,  os  créditos,  embora  reconhecidos,  foram  equivocadamente  glosados  pela  autoridade  fiscal, que autorizou sua utilização unicamente para desconto da  correspondente contribuição apurada;  e)  ressalta  que  a  vedação  de  que  trata  o  §  2o  do  artigo  5o  da  IN  660/06,  segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III  do  caput  do  art.  3º  a  utilização  de  créditos  presumidos  na  forma  deste  artigo”, se restringe unicamente às vendas de soja realizadas com suspensão,  ou seja, apenas às vendas realizadas no mercado interno; assim, tal vedação  não alcançaria as exportações de produtos industrializados de origem vegetal  (soja), porquanto não se está falando de vendas com suspensão, mas sim de  não­incidência;  f)  se  contrapõe  à  exegese  oficial  que,  alicerçada  no  artigo  8o  da  Lei  no  10.925/04,  entendeu  que  o  crédito  presumido  da  agroindústria  relativo  ao  mercado  externo  não  pode  ser  objeto  de  compensação  ou  ressarcimento;  neste comenos, ressalta que não há incidência de contribuições sociais sobre  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     4 as receitas decorrentes de exportação, a teor do disposto no artigo 149, § 2o,  I, da Constituição Federal;  g)  quanto ao direito ao aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da  COFINS para fins de ressarcimento ou compensação, assevera que tal direito  lhe  é  assegurado  pelo  artigo  17  da  Lei  n°  11.033/04  (que  autorizou  a  manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS decorrentes da não­ incidência  dessas  exações),  bem  como  pelo  artigo  16  da  Lei  n°  11.116/05  (que  autorizou  expressamente  o  ressarcimento  ou  a  compensação,  com  quaisquer tributos e contribuições, do saldo credor da contribuição para o PIS  e para a COFINS depois da dedução com as correspondentes exações);  h)  questiona  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  15/2005,  que,  ao  vedar  a  compensação  do  crédito  presumido  do  PIS  e  da  COFINS  com  os  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  estaria indo de encontro ao disposto na Lei no 11.116/05;  i)  ressalta  que  o  legislador  objetivou  desonerar  o  contribuinte,  vedando  a  incidência,  em  cascata,  do  PIS  e  da  COFINS;  no  caso  da  recorrente,  considerando  que  suas  vendas  se  limitam  à  exportação  de  produtos  industrializados,  jamais  poderia  usufruir  de  tais  créditos  diante  da  não­ incidência destas contribuições sociais, por vedação de um ato interpretativo  que não tem o condão de contrariar dispositivo legal expresso.  Com  base  nos  argumentos  em  tela,  requer  seja  dado  provimento  ao  seu  recurso,  com  o  consequente  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  presumido  do  PIS  e  da  COFINS decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, devidamente corrigido pela taxa  SELIC, desde a protocolização do pedido.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  Conforme argumentos aduzidos em seu  recurso voluntário, vê­se que a  lide  se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do  crédito  presumido  da  contribuição  para  a  COFINS  decorrente  das  vendas  da  agroindústria  efetuadas para o exterior.  O  problema  inerente  à  forma  de  utilização  do  crédito  presumido  da  contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de  julgamento por esta Turma quando do exame do processo no 10945.004981/2007­32,  julgado  em  05/05/2011  (acórdão  no  3802­00.457),  da  relatoria  do  i.  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento, cujo  entendimento, abaixo  transcrito,  também adoto como  razões para decidir  a  presente contenda:  Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o  PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004.  Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da  evolução  do  tratamento  legal  que  foi  conferido  a  forma  de  utilização  do  crédito  presumido  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  calculado  sobre  o  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/2008­73  Acórdão n.º 3802­001.251  S3­TE02  Fl. 359          5 valor  dos  insumos  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física  e  utilizados  na  fabricação  dos  produtos  destinados  à  alimentação humana ou animal.  A  instituição do referido benefício  fiscal  foi  feita pela Lei nº 10.684,  de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº  10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi  expressamente definida no § 10 do  citado preceito  legal,  ao passo que  [a]  forma  de  apuração  do  seu  valor  foi  estabelecida  no  §  11.  Tais  preceitos  legais tinham a seguinte redação, in verbis:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  §  10.  Sem  prejuízo  do  aproveitamento  dos  créditos  apurados  na  forma deste  artigo,  as  pessoas  jurídicas  que  produzam mercadorias  de  origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e  nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,  07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00,  15.17,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal  poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos  bens  e  serviços  referidos  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País.  (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais)  §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela  Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)  I ­ seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das  mencionadas  aquisições,  de  alíquota  correspondente  a  setenta por  cento  daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003)  (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)  II  ­  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.  (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925,  de 2004)  (...).  Em  seguida,  as  formas  de  utilização  e  de  cálculo  do  citado  crédito  presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas  no  caput  e  nos  §§  2º  e  3º  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  com  as  alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris:  Art.  8o  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3,  exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado  sobre o valor dos bens referidos no  inciso II do caput do art. 3o das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     6 dezembro  de  2003,  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  (...)  § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste  artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período  de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País,  observado  o  disposto  no  §  4o  do  art.  3o  das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo  será  determinado  mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  mencionadas  aquisições, de alíquota correspondente a:  I  ­  60%  (sessenta  por  cento)  daquela  prevista  no  art.  2o  das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a  4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações  de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e  II  ­  50%  (cinqüenta  por  cento)  daquela  prevista  no  art.  2º  das Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23,  todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  35% (trinta  e  cinco por cento)  daquela prevista no  art.  2º das Leis  nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de  2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...).  Compulsando os preceitos legais transcritos, observa­se que, desde a  sua  instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia  ser  utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para  o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos  dispositivos  legais,  nem  em  qualquer  outro  diploma  legal,  referência  a  alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que  não  seja,  exclusivamente,  mediante  a  dedução  da  contribuição  devida,  apurada no respectivo período.  Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  ao  ressaltar  que,  “sem  prejuízo  do  aproveitamento  dos  créditos  apurados  na  forma”  do  regime  não­ cumulativo,  as  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição  para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito  presumido,  calculado  sobre  o  valor  dos  insumos  adquiridos,  no  mesmo  período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação  dos produtos destinados à alimentação humana ou animal.  [...]  Na  verdade,  [...]  tanto  os  preceitos  legais  revogados  como  os  revogadores  dispuseram  sobre  as  formas  de  utilização  e  de  apuração  do  mencionado  crédito  presumido,  conforme  dispõem,  respectivamente,  os  §§  10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art.  8º da Lei nº 10.925, de 2004.  Trata­se,  evidentemente,  de  disciplinamento  legal  expresso  que,  em  face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer  incongruência,  omissão  ou  ambiguidade  que, ao meu  ver,  pudesse  ensejar  qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos  comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento.  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/2008­73  Acórdão n.º 3802­001.251  S3­TE02  Fl. 360          7 Não  se pode olvidar que, em se  tratando de benefício  fiscal,  o  texto  veiculado no  referido preceito  legal deve  ser  interpretado de  forma  literal  ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN.  Além disso, por  força do disposto no  inciso II do art. 97 do CTN, a  concessão  de  qualquer  benefício  fiscal  que  implique  redução  de  tributo  somente  pode  ser  concedida  por  lei. Neste  sentido,  o  legislador  ordinário  goza  de  plenas  prerrogativas  para  delimitar  a  extensão  e  a  forma  de  utilização do benefício concedido.  [...]  Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem  cabimento  a  pretensão  da Recorrente  no  sentido  de  atribuir  interpretação  extensiva  ao  disposto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004  [...].  Principalmente,  tendo  em  conta  que  a  interpretação  sistemática  dos  comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito  presumido  [...]  conduz  a  conclusão  inarredável  de  que  o  entendimento  exarado  no  Acórdão  recorrido,  com  suporte  no  ADI  SRF  nº  15,  de  2005,  está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em  apreço, conforme se demonstrará a seguir.  Também  não  procede  a  alegação  da  Recorrente  de  que  o  novel  disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou  apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo  as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física  ou recebidos de cooperado pessoa física.  Na verdade, contrariando  tal afirmação, verifica­se que os preceitos  legais  revogados,  assim  como  os  revogadores,  disciplinaram  e  continuam  disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito  presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art.  3º da Lei nº 10.637, de 2002,  e no caput  e §§ 2º e 3º do art.  8º  da Lei nº  10.925, de 2004.  Alegou  ainda  a  Recorrente  que  o  direito  a  compensação/  ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o  PIS/Pasep,  acumulados  em  face  da  imunidade  e  da  não­cumulatividade,  continuaria em pleno vigor.  A  alegação  da  Recorrente  é  verdadeira  apenas  em  relação  aos  créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da  não­cumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde  que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços  para  o  exterior,  conforme  expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que,  apesar  se  referir  à  Cofins,  também  se  aplica  à  Contribuição  para  o                                                              1 "Art. 111 ­ Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:   I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias".    Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     8 PIS/Pasep não­cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme  disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003.  Em  face  da  importância  que  representa  para  o  esclarecimento  da  presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido  art. 6º:  Art.  6o  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações de:   I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada no  exterior,  cujo pagamento  represente  ingresso de divisas;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação.  § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar  o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de:  I  ­  dedução  do  valor  da  contribuição  a  recolher,  decorrente  das  demais  operações no mercado interno;  II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1o  poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria.  § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplica­se somente aos créditos apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o.  (...). (grifos não originais).  É  oportuno  esclarecer  ainda  que,  somente  dão  direito  ao  crédito  ordinário ou normal  (i) os bens adquiridos de pessoa  jurídica domiciliada  no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa  jurídica domiciliada no País. Da mesma forma,  também não dão direito a  crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  citada  Contribuição.  Neste  sentido  dispõem  o  inciso  II  do  §  2º  e  os  incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir  reproduzidos:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865,  de 2004)  I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  II  ­ da  aquisição  de bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao pagamento da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à                                                              2  "Art.  15. Aplica­se  à  contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que  trata  a Lei no  10.637,  de 30 de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  III ­ nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)".  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/2008­73  Acórdão n.º 3802­001.251  S3­TE02  Fl. 361          9 alíquota 0  (zero),  isentos ou não alcançados pela contribuição.  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I  ­ aos bens e  serviços adquiridos de pessoa  jurídica domiciliada no  País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa  jurídica domiciliada no País;  III  ­ aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a  partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.  (...) (grifos não originais)  A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os  bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens  não  sujeitos  ao  pagamento  da  respectiva  Contribuição,  inclusive  no  caso  isenção.  Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que  trata  da  matéria,  resta  indubitável  que  as  formas  de  compensação  e  de  ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002,  aplicam­se exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à  receita de exportação, apurados segundo o regime da não­cumulativida da  Contribuição para o PIS/Pasep.   Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  é  forçoso  concluir  que  os  crédito  presumidos  em  apreço  não  podem  ser  utilizados  para  fim  de  compensação  ou  de  ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente.  Dessa  forma,  fica  devidamente  esclarecido  que  a  única  forma  de  utilização  do  valor  do  crédito  presumido  em  apreço  é  apenas  aquela  autorizada  no  caput  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  ou  seja,  exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o  PIS/Pasep,  calculado  sobre  valor  das  receitas  tributáveis  decorrentes  das  vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração.  (os destaques em sublinhado não constam do original)  Vale  lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual,  juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04.                                                              3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.  § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa  jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º  para fins de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno;  II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados  pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer  das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria".  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     10 Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade  de  utilização  de  compensação  e  ressarcimento  mas  unicamente  em  relação  aos  créditos  “apurados  de  acordo  com  o  regime  da  não­cumulatividade,  instituído  no  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  e  desde  que  tais  créditos  estejam  vinculados  exclusivamente  à  receita  de  exportação  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços  para  o  exterior,  conforme  expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido  direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei  no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução  da correspondente contribuição devida.  Quanto  ao  disposto  no  §  2o  do  artigo  5o  da  IN 660/064,  segundo o  qual  “é  vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de  créditos presumidos na  forma deste artigo”, entendo que a  impossibilidade de utilização dos  créditos presumidos da recorrente para  fins de ressarcimento ou de compensação com outros  tributos ocorre não exclusivamente por força do referenciado dispositivo, mas sim em vista de  a norma não prever tal possibilidade, posto que restringe o emprego dos referenciados créditos  para dedução da contribuição correspondente, conforme caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04.  Em outras palavras, a vedação contida na IN encontra­se em conformidade com os limites para  a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador.  A  interessada  aduziu  também  que  o  direito  a  aproveitamento  dos  créditos  presumidos  do  PIS  e  da  COFINS  para  fins  de  ressarcimento  ou  de  compensação  seria  assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04, bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05.  Transcrevo os correspondentes dispositivos:  Lei no 11.033/04  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  essas  operações.  Lei 11.116/05  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n o 10.865, de 30  de abril de 2004, acumulado ao  final de cada trimestre do ano­calendário  em virtude do disposto no art. 17 da Lei n  o 11.033, de 21 de dezembro de  2004, poderá ser objeto de:   I  ­  compensação com débitos próprios,  vencidos ou vincendos,  relativos a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou                                                              4 Art. 5º  A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o  PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não­cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados  sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos:     I ­ destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM:        [...]        d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (redação original)        d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 977, de 14/12/2009)        d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 1.223, de  23/12/2011)         [...]  § 1º  O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplica­se, também, à sociedade cooperativa  que exerça atividade agroindustrial.  § 2º   É vedado às pessoas  jurídicas de que  tratam os  incisos  I a  III do caput do art. 3º a utilização de créditos  presumidos na forma deste artigo.  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000411/2008­73  Acórdão n.º 3802­001.251  S3­TE02  Fl. 362          11  II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Da  leitura  dos  dispositivos  referenciados  pela  suplicante  vê­se  que  os  mesmos não tratam de crédito presumido, mas unicamente do desconto de créditos segundo o  regime da não cumulatividade, previstos no artigo 3o da Leis no 10.637/02 (PIS) e 10.833/03  (COFINS),  bem  como  no  artigo  15  da  Lei  no  10.865/04  (PIS  e  COFINS  incidentes  na  importação).  Portanto,  os  enunciados  em  evidência  não  garantem  o  direito  reclamado  pela  recorrente.  No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o  qual  veda  expressamente  a  utilização  do  crédito  presumido  para  fins  de  compensação  ou  ressarcimento,  tal dispositivo  infralegal veio  somente esclarecer aquilo que a  lei  já  trazia em  seu  bojo. Assim,  tal  norma  complementar  de  direito  tributário  não  desbordou  de  seu  cunho  meramente  interpretativo,  posto  que  restringiu­se  unicamente  à  sua  função  complementar de  esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso.  Para  terminar,  importa  ressaltar que o  entendimento  acima está  em perfeita  sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso  Especial no 200900758996, assim se manifestou:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS  DECORRENTES  DA  LEI  10.925/04  COM  QUAISQUER  TRIBUTOS  ADMINISTRADOS  PELA  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA  NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO  LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial  interposto  nos  autos  de  mandado  de  segurança,  impetrado  pela  contribuinte  com  objetivo  de  ver  reconhecido  o  direito  de  compensar  seus  créditos  presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer  tributos administrados pela Receita Federal,  nos  termos do art.  16 da Lei  11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo  (Ato  Interpretativo  Declaratório  15/2005  e  a  Instrução  Normativa  SRF  660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação  tributária  deve  ser  analisado  à  luz  do  princípio  da  legalidade  estrita,  em  conformidade  com  o  que  dispõe  o  art.  170  do  CTN:  "A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública".  Precedentes:  AgRg  no  Ag  1.207.543/PR,  de  minha  relatoria,  PRIMEIRA  TURMA,  DJe  17/06/2010;  AgRg  no  AgRg  no  REsp  1012172/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco  Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei  11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A     12 poderá  ser  objeto  de:  I  ­  compensação  com débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria  da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria".  4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a  utilização  dos  créditos  presumidos  disciplinados  na  Lei  10.925/04,  o  que,  por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado  nesta  impetração.  5. Além disso,  a  concessão de  créditos  presumidos  pela  Lei  10.925/04  tem  por  escopo  a  redução  da  carga  tributária  incidente  na  cadeia  produtiva  dos  alimentos,  na  medida  em  que  a  venda  de  bens  por  pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista)  não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela  sistemática  da  não  cumulatividade,  não  há,  efetivamente,  tributo  devido  para  a  adquirente  se  creditar.  6.  Essa  finalidade  é  suficiente  para  diferenciar  esses  créditos  presumidos  daqueles  expressamente  admitidos  pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da  sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e  10.865/04.  Aliás,  a  Lei  10.637/02  (com  redação  incluída  pela  Lei  10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito  derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da  contribuição,  inclusive no caso de  isenção, esse último quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  0  (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria  Lei 10.925/04, em  seus arts.  8º  e 15,  só prevê a utilização desses  créditos  presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8.  Portanto,  os  atos  regulamentares  expedidos  pelo  Poder  Executivo  ora  impugnados  pela  recorrente,  ao  impedirem a  compensação ora postulada,  não  inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16  da  Lei  11.116/05,  mas,  apenas  explicitaram  vedação  que,  como  visto,  já  estava  contida  na  legislação  tributária  vigente.  9.  Recurso  especial  não  provido.  (STJ.  Primeira  Turma.  Recurso  Especial  no  200900758996.  Relator:  Min  Benedito  Gonçalves.  Data  da  decisão:  24/08/2010.  Publicado  em  31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos)  Da conclusão  Diante  das  considerações  acima  expostas,  voto  para  negar  provimento  ao  recurso voluntário interposto pela recorrente.  Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 599DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A

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Numero do processo: 11080.722592/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 207          1 206  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.722592/2010­78  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­002.080  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de setembro de 2012  Matéria  Construção Civil: Responsabilidade Solidária. Empresas em Geral  Recorrente  BANCO DO BRASIL S/A E SCHNEIDER CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/12/1999  a  31/03/2000,  01/05/2000  a  30/06/2000,  01/09/2000 a 30/09/2000  Ementa:  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  ELISÃO  DA  RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.  A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado  por  empreitada  global.  A  elisão  é  possível,  mas  se  não  realizada  na  época  oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação  do instituto da responsabilidade solidária na construção civil.  EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA­SE À LEI DE CUSTEIO  Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que  não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de  Custeio  da  Seguridade  Social,  conforme  disposto  pelo  art.  15  da  Lei  nº  8.212/91.  AFERIÇÃO INDIRETA  Em caso de  recusa ou sonegação de qualquer  informação ou documentação  regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá  inscrever de ofício a  importância que reputar devida, cabendo à empresa ou  contribuinte o ônus da prova em contrário.  CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO.   A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito  tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o  direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente  apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND.   Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 92 /2 01 0- 78 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Paulo  Roberto  Lara  dos  Santos,  Manoel  Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/2010­78  Acórdão n.º 2302­002.080  S2­C3T2  Fl. 208          3   Relatório  Trata  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  de  contribuições  previdenciárias  decorrentes  da  responsabilidade  solidária  entre  a  notificada  e  a  empresa  SCHNEIDER CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA., pelos  serviços prestados na construção civil,  nas competências de 12/1999 a 03/2000, 05/2000, 06/2000 e 09/2000.  A notificação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em  23/08/2010.  A  devedora  solidária  passiva  foi  notificada  por  edital,  conforme  informações  prestadas no processo.  O  débito  foi  constituído  em  substituição  às  Notificações  Fiscais  de  Lançamento de Débito n.º 35.067.668­2, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro  de 1999 e nº 35.067.669­0, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, tornadas nulas pela  04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão  n.º  1867,  de  26/10/2004,  devido  à  falta  do  tipo  do  débito,  acarretando  a  ausência  de  fundamentação legal no processo.  O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base  nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e  guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração,  que o período originalmente  lançado de 05/1995 a 02/2001,  foi  alcançado parcialmente pelo  prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no  novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as  empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra  identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não  identificadas com CNPJ ou razão social.  Após  a  impugnação  do  responsável  solidário,  Acórdão  de  fls.150/162,  pugnou pela procedência da autuação.   Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega  em  apertada síntese:  a)  que  a  matrícula  da  obra,  bem  como  as  contribuições  previdenciárias  eram  de  obrigação  da  empresa  contratada,  a  qual deve ser chamada ao processo;  b)  que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das  licitações;  c)  que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada  há o risco do pagamento em duplicidade;  d)  que  foram  expedidas  CND’s  à  época  comprovando  a  inexistência de débito da contratada;  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 e)  que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co­ responsabilidade do recorrente;  f)  que  inexiste  normativo  legal  para  a  fixação  do  percentual  de  40%  sobre  as  notas  fiscais,  sendo que  a  Instrução Normativa  fere os princípios da estrita  legalidade e da  tipicidade cerrada  em  matéria  tributária,  devendo  a  Administração  anular  seus  atos eivados de nulidade.  Requer  o  provimento  do  recurso  para  cancelar  o  crédito  tributário,  reconhecendo  a  nulidade  da  autuação  procedida  e  declarar  a  inconsistência  do  lançamento  fiscal.  É o relatório.  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/2010­78  Acórdão n.º 2302­002.080  S2­C3T2  Fl. 209          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi , Relatora  O  recurso  cumpriu  com  o  requisito  de  admissibilidade  devendo  ser  conhecido.  Primeiramente,  é  de  se  atentar  que  as  sociedades  de  economia  mista,  as  empresas  públicas  e  os  órgãos  federais,  estaduais,  distritais  e  municipais  que  não  possuam  Regime Próprio de Previdência Social,  estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social,  conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91:  Art. 15. Considera­se:   I ­ empresa ­ a firma individual ou sociedade que assume o risco  de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou  não, bem como os órgãos e entidades da administração pública  direta, indireta e fundacional;   II  ­  empregador  doméstico  ­  a  pessoa  ou  família  que  admite  a  seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico.   Parágrafo  único. Equipara­se  a  empresa,  para  os  efeitos  desta  Lei,  o  contribuinte  individual  em  relação  a  segurado  que  lhe  presta  serviço,  bem  como  a  cooperativa,  a  associação  ou  entidade  de  qualquer  natureza  ou  finalidade,  a  missão  diplomática  e  a  repartição  consular  de  carreira  estrangeiras.  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  Assim,  as  sociedades  de  economia  mista  estão  sujeitas  a  todas  as  normas  contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária.  A  responsabilidade  solidária  atribuída  à  recorrente  decorre  da  prestação  de  serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da  Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93)  VI  ­o proprietário, o  incorporador definido na Lei nº 4.591, de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária,  qualquer que  seja a  forma de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  admitida a retenção de importância a este devida para garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei  9.528, de 10.12.97).  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo  acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito:  Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591  de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade  imobiliária  cuja  contratação  da  construção  ,  reforma  ou  acréscimo  não  envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor,  e  este  e  aqueles  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  seguridade  social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  admitida a retenção de importância a este devida para garantia  do  cumprimento  destas  obrigações  ,  não  se  aplicando  em  qualquer hipótese o benefício de ordem.  ...  §  3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  o  caput  será  elidida:  I  ­  pela  comprovação,  na  forma  do  parágrafo  anterior,  do  recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração  dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente  aos  serviços  executados,  quando  corroborada  por  escrituração  contábil; e  II  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  aferidas  indiretamente  nos  termos,  forma  epercentuais  previstos  pelo  Instituto Nacional do Seguro Social.  E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada  no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos:  Art.  20.  Aplica­se  a  responsabilidade  solidária  de  que  trata  inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes  casos:  I ­ na contratação de empreitada total;  (...)  Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo  20, a responsabilidade solidária será elidida:  I  ­  com  a  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota  fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados,  corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e  II  ­  com  a  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  aferidas  por  arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção  VIII deste Capítulo.  § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o  contratante  deverá  exigir  da  empresa  construtora,  os  documentos  abaixo,  elaborados  especificamente  para  cada  obra de construção civil:   Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/2010­78  Acórdão n.º 2302­002.080  S2­C3T2  Fl. 210          7 I ­ cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra;  II ­ cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de  1998;  III  ­  cópia  da GFIP  com  comprovante  de  entrega,  a  partir  de  janeiro de 1999; e  IV ­ declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo  contador  e  responsável  pela  empresa,  e  que  os  valores  ora  apresentados encontram­ se devidamente contabilizados.  (...)  A  recorrente  não  cumpriu  com  quaisquer  das  determinações  legais  acima  citadas e  tampouco  trouxe aos autos provas de que as contribuições  tivessem sido recolhidas  pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento.  A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional­ CTN, instituído  pela Lei 5.172/1966.  CTN:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I.  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II. as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  O  artigo  128  do  CTN,  dispõe  que  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva obrigação, excluindo a  responsabilidade do contribuinte ou  atribuindo­a a este em  caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação:  Art.  128  ­  Sem prejuízo  do  disposto  neste  Capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.  É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram  serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização  da mão­de­obra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua  propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a  lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa,  e  assim  o  fez  a  Lei  n  °  8.212/1991,no  artigo  30,  inciso  VI,  já  transcrito anteriormente.;  Portanto, o contribuinte e o responsável  tributário, no caso o recorrente, são  solidários  em  relação  à obrigação  tributária,  não  cabendo, nos  termos do parágrafo único do  artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos  os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art.  141 do CTN, nestas palavras:  Art. 141 ­ O crédito tributário regularmente constituído somente  se modifica  ou  extingue,  ou  tem  sua  exigibilidade  suspensa  ou  excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem  ser  dispensadas,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional  na  forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias.    Responsabilidade  solidária  em  matéria  tributária  somente  se  aplica  em  relação  ao  sujeito  passivo  (solidariedade  passiva)  e  decorre  sempre  de  lei,  não  podendo  ser  presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem.  Benefício  de  ordem  significa  que,  quando  duas  ou  mais  pessoas  se  apresentam  na  condição  de  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  cada  uma  responde  pelo  total  da  dívida  inteira.  A  exigência  do  tributo  pelo  credor  poderá  ser  feita,  integralmente,  a  qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o  art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  e  os  designados  expressamente  pela  lei,  como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima.  De  qualquer  forma,  a  responsabilidade  solidária  independe  de  prévia  verificação  junto ao prestador dos  serviços apurados. A propósito do  tema, a extinta Câmara  Superior  em  matéria  de  Custeio  do  CRPS,  se  pronunciou  sobre  o  assunto,  através  do  seu  Enunciado nº 30:  “Enunciado  Nº  30”.Em  se  tratando  de  responsabilidade  solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir  os  créditos  no  tomador  de  serviços  mesmo  que  não  haja  apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU  pág 00030, em 05 /02/2007).  A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos  fatos  ocorridos  na  empresa  prestadora,  lhe  competindo  apenas  a  guarda  da  documentação,  como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para  que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e  quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela.  Como a  recorrente não  detém e não apresentou  a documentação  referida,  o  fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o  ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A  legislação  previdenciária  oferece  à  fiscalização  mecanismos  para  lançar  os  valores  devidos,  utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a  parcela referente à mão­de­obra utilizada.  Destarte,  era  obrigação  do  contribuinte  a  guarda  da  documentação  e  sua  apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da  Lei n.º 8.212/91, e ao não fazê­lo, sujeitou­se ao lançamento do débito por aferição indireta:  §  11.  Em  relação  aos  créditos  tributários,  os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações  de  que  trata  este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722592/2010­78  Acórdão n.º 2302­002.080  S2­C3T2  Fl. 211          9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que  se refiram.  Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade  de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é  pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste  independentemente  do  crédito  tributário,  que  pode  ser  anulado,  administrativamente  ou  judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do  CTN, nestas palavras:  Art.  140. As  circunstâncias  que modificam o  crédito  tributário,  sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a  ele  atribuídos,  ou  que  excluem  sua  exigibilidade  não  afetam  a  obrigação tributária que lhe deu origem.  Nesse mesmo  sentido  segue  ementa  do  Parecer  CJ/MPAS  n.º  2.376/2.000,  que não possui mais  efeito vinculante  ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas  retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras:  “DIREITO  TRIBUTÁRIO  E  PREVIDENCIÁRIO.  SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO  DE  EMPRESAS  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  DUPLICIDADE DE  LANÇAMENTOS.  NÃO OCORRÊNCIA.  A  obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito  tanto do contribuinte, quanto do responsável  tributário. Não há  ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis  in idem e  nem de crime de excesso de exação.”  Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria  ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem.  Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo  STJ,  conforme  ementa  do  acórdão  no Recurso Especial  n  °  780.703  /  SC,  cujo  relator  foi  o  Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CONSTRUÇÃO  CIVIL.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, §  3º  DA  LEI  Nº  8.212/91.  ELISÃO.  NECESSIDADE.  COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO.  1.  A  responsabilidade  solidária  na  contratação  de  quaisquer  serviços  por  cessão  de  mão­de­obra  foi  instituída  pela  Lei  nº  8.212/91,  notadamente,  em  seu  artigo  31,  ou  seja,  há  solidariedade  entre  o  contratante  dos  serviços  executados  mediante cessão de mão­de­obra e o executor desses serviços. A  responsabilidade  solidária  do  contratante  está  definida,  em  linhas  gerais,  nos  artigos  124  e  128  do  Código  Tributário  Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional  prevê  expressamente  que  a  solidariedade  nele  descrita  não  comporta  benefício  de  ordem.  2.  A  solidariedade  somente  poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo  31  da  Lei  nº  8.212/91  ­  o  executor  deveria  comprovar  o  recolhimento  prévio  das  contribuições  incidentes  sobre  a  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 remuneração  dos  segurados  incluída  na  nota  fiscal  ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados,  quando  da  respectiva  quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido.  Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal  fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa  não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de  tal  documento,  de  acordo  com  as  informações  disponíveis  na  autarquia,  não  havia  débitos  exigíveis do contribuinte. Ainda,  conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n  ° 8.212/1991 é  ressalvado  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  débito  apurado  posteriormente  à  emissão  das  referidas Certidões.  Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais  de  prestação  de  serviços,  que  resultou  no  salário  de  contribuição  lançado,  esclareço  que  o  mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do  artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao  INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais :    Art.  33.  Ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  "a",  "b"  e  "c"  do  parágrafo  único  do  art.  11;  e  ao  Departamento  da  Receita  Federal­DRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  "d"  e  "e"  do  parágrafo  único  do  art.  11,  cabendo  a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva  cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.  Por todo o exposto,  Voto por negar provimento ao recurso.    Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora                               Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 11080.722488/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Ronaldo de Lima Macedo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.722488/2010­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­002.973  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2012  Matéria  CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PATRONAL  E SAT/GILRAT  Recorrente  BANCO DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2000  SOLIDARIEDADE.  CONSTRUÇÃO  CIVIL.  ELISÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA  Se  não  comprovar  com  documentação  hábil  a  elisão  da  responsabilidade  solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da  construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme  dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.  SOLIDARIEDADE  TRIBUTÁRIA.  APURAÇÃO  PRÉVIA  JUNTO  AO  PRESTADOR. DESNECESSIDADE  A  solidariedade  não  comporta  benefício  de  ordem  no  âmbito  tributário,  podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem  que haja apuração prévia no prestador de serviços.  CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.  A  CND  certifica  a  inexistência,  no  momento  de  sua  emissão,  de  crédito  formalmente  constituído.  Contudo,  não  impede  o  lançamento  de  contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato  gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente  está previsto em lei e ressalvado na própria CND.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  PERCENTUAL  SOBRE  NOTAS  FISCAIS.  PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Fisco  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida,  cabendo  ao  contribuinte o ônus da prova em contrário.  A utilização de percentual estabelecido em ato normativo,  incidente sobre o  valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 88 /2 01 0- 83 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que  observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente.     Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e  Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo  as  contribuições  para  o  financiamento  das  prestações  concedidas  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT/GILRAT), referente ao período de 04/1998 a 12/2000.  O Relatório Fiscal (fls. 15/27) informa que o crédito lançado é decorrente da  responsabilidade  solidária  imputada  à notificada,  contratante de  serviços  de construção  civil,  por  não  ter  comprovado  o  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  pela  contratada,  conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador.  O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, DATANET  ENGENHARIA  E  CONSULTORIA  LTDA,  CNPJ  73.302.374/0001­35,  incluídas  em  notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante  dos  serviços, responde solidariamente.  Esse  Relatório  Fiscal  informa  ainda  que  o  presente  lançamento  objetiva  restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos  pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.668­2 (levantamentos  SC1  e  SM1)  e  35.067.669­0  (levantamento  SC2),  por  meio  dos  Acórdãos  no  2.338/2005  e  2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ ­ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS:  “NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  LAVRADA  COM  FALTA  DO  TIPO  DE  DÉBITO,  ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL  NO  RELATÓRIO  FUNDAMENTOS  LEGAIS  DO  DÉBITO,  ENSEJA  A  SUA  NULIDADE,  PELA  IMPOSSIBILIDADE  TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE  CADASTRAMENTO  DE  DÉBITO,  CARACTERIZANDO­SE  VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.”  Foram  mantidos  todos  os  lançamentos  constantes  das  NFLD  originais,  referentes  à  solidariedade  com  os  prestadores  de  serviços  e  empreiteiros  não  cobertos  por  auditoria  fiscal  no  fato  gerador  (Auditoria  total  com  contabilidade  ou  na  obra  específica),  conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF);  O  instituto da decadência  foi aplicado na forma do artigo 173,  inciso  II, do  Código Tributário Nacional ­ CTN (Lei 5.172/1966).  Após  a  nulidade  formal  dos  lançamentos  originais,  a  ciência  do  novo  lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/08/2010 (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  84/98)  –  acompanhada  dos anexos de fls. 99/135 –, alegando, em síntese, que:  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 1.  deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para  se  apurar  a  real  existência  dos  débitos  autuados,  tudo  em  estrita  observância  aos  princípios  da  garantia  de  defesa  e  da  verdade  material,  pois  diversos  documentos  probantes  estão  em  posse  da  empresa que executou os serviços;  2.  a  matrícula  era  de  responsabilidade  da  prestadora  de  serviços,  cabendo  a ela promover os  recolhimentos  e, mesmo assim,  à  luz da  legislação,  a matrícula não  seria necessária,  vez  tratar­se de  simples  reparos,  manutenção  e  ampliação  de  dependência  da  Impugnante,  serviços  esses  que  não  necessitavam  nem  mesmo  de  profissional  técnico habilitado;  3.  o  Banco/Impugnante,  por  fazer  parte  da  Administração  Pública  Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava  respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem  a  responsabilidade  pelos  encargos  previdenciários  para  as  empresas  contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS);  4.  há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada,  cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários  das NFLD 35.067.668­2 e 35.067.669­0;  5.  as  Certidões  Negativas  de  Débito  (CND),  expedidas  à  época  das  autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito  pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo,  por  conseguinte,  eventual  responsabilidade  solidária  por  débito  que,  no período autuado, era inexistente;  6.  o  Fisco  deve  cobrar  primeiramente  da  contratada  e,  além  disso,  a  omissão  na  fiscalização  da  empresa  contratada  importa  em  cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade,  em  latente  prejuízo  ao  Impugnante.  Ao  menos  até  10.12.1997,  a  impugnante  tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou  seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art.  30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem;  7.  ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o  Fisco  promova  a  cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso  porque,  a  redação  original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999,  em  face  da  edição  da  Lei  9.711/98),  não  vedava  a  aplicação  do  benefício de ordem;  8.  a Diretoria Colegiada  do  INSS,  ao  expedir  a  IN DC/INSS  18/2000,  arbitrou,  ilegal  e  abusivamente,  a  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  devida  sobre  a  remuneração  paga aos segurados empregados para execução de obras de construção  civil;  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 4          5 9.  a  prova  documental  produzida  nos  autos  dos  processos  administrativos  11686.000242/2008­13  (NFLD  35.067.668­2)  e  11686.00241/2008­79  (NFLD  35.067.669­0)  deverá  ser  aproveitada  no  presente  feito,  apensando  este  processo  àqueles  autos,  tudo  em  nome,  dentre  outros,  dos  princípios  da  eficiência  e  economicidade  processual.  10. REQUER:  seja  acolhida  a  preliminar  suscitada,  para  chamar  ao  processo  a  empresa  contratada  e,  ultrapassada  essa,  no  mérito,  seja  acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência  da  autuação  e  desconstituir  o  lançamento  fiscal,  declarando  insubsistentes  os  créditos  constituídos  pois,  além  de  indevidos,  não  restou caracterizada a hipótese de incidência tributária.  Posteriormente,  a  empresa  prestadora  de  serviços,  DATANET  ENGENHARIA  E  CONSULTORIA  LTDA,  apresentou  impugnação  (fls.  150/151)  na  qual  alega, em síntese que:  1.  não foi notificada em 2001, quando da lavratura do Auto de Infração;  2.  não  foi  notificada em 23/08/2010,  sendo que o Auto de  Infração  foi  recebido somente pelo Gerente do Banco do Brasil;  3.  recolheu  todas as contribuições devidas e, para comprovar,  anexa as  folhas de pagamento, GPS, notas fiscais e CND do período do débito.  4.  REQUER: sejam acolhidos os argumentos para ser cancelado o Auto  de Infração.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Brasília/DF – por meio do Acórdão no 03­44.857 da 5a Turma da DRJ/BSB  (fls. 383/397) –  considerou o  lançamento  fiscal  procedente  em parte,  eis que  foi  determinada a  exclusão dos  valores  apurados  para  a  competência  12/2000,  em  razão  de  recolhimento  efetuado  pela  contratada.  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DA PRELIMINAR:  A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento  ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a  real  existência dos  créditos  lançados, bem como seja  trazida aos autos a documentação  comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada  pelas  razões  fáticas  e  jurídicas  a  seguir  delineadas.  Cumpre  esclarecer  que  o  chamamento  ao  processo  é  uma  modalidade  de  intervenção  de  terceiro  provocada  pelo  réu,  cabível  apenas  no  processo  de  conhecimento  dentro  do  âmbito  judicial  e  não  administrativo,  tendo  como  finalidade  ampliar  o  campo  de  defesa  dos  fiadores  e  dos  devedores  solidários,  possibilitando­lhes  chamar  o  responsável  principal,  ou  corresponsáveis  ou  coobrigados,  para  que  assumam  a  posição  de  litisconsorte,  ficando  todos  submetidos  à  coisa  julgada.  Assim,  o  chamamento  ao  processo  é  criado  em  benefício  do  réu  dentro  de  um  processo  que  corre  no  âmbito  do Poder  Judiciário  e  previsto  exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC).  O Processo Administrativo Fiscal  (PAF), quer  seja nas  regras  estabelecidas  pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade  de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário,  eis  que  a  empresa  devedora,  contratante  direta  dos  segurados  empregados,  já  figura  no  polo  passivo  do  lançamento  fiscal  e  foi  devidamente  notificada,  conforme  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  no  1,  lavrado  em  25/08/2010.  Isto  é,  a  empresa  executora  da  obra  de  construção  civil  também  já  está  inserida  na  relação  material  da  obrigação  tributária  e  na  constituição do crédito tributário.  No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por  um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  (...)  VI ­ o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária,  qualquer que  seja a  forma de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 5          7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem;  (Redação  dada  pela  Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.)  Além disso,  os  argumentos  apresentados pela Recorrente  como  justificativa  para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os  documentos  probantes  dos  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  executora  da  obra  de  construção civil (DATANET ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA) foram aproveitados  pelo  Fisco,  quando  do  relançamento,  conforme  registro  no  Relatório  Fiscal  (fl.  16)  de  que  foram  mantidas  apenas  as  competências  (meses)  não  alcançadas  por  Auditoria  Fiscal  Previdenciária,  nos  seguintes  termos:  “(...)  foram  excluídas  as  empresas  do  levantamento  original  que  sofreram  procedimento  fiscal  previdenciário  (Auditoria  Fiscal  Total  com  contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”.  A  única  exceção  é  a  competência  de  12/2000,  na  qual  a  contratada  comprovou que sofreu  retenção e  apresentou a GPS –  recolhida em 22/12/2000, no valor de  R$563,42 (quinhentos e sessenta e três reais e quarenta e dois centavos), referente à nota fiscal  1095, emitida em 04/12/2000 –, sendo que tal valor já foi devidamente aproveitado no presente  lançamento na análise  feita pela decisão de primeira  instância e  foi emitida a  retificação por  meio do Discriminativo Analítico de Débito Retificado (DADR).  Também não há que se  falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório  Fiscal  informa  que  foi  verificado  se  a  contratada  havia  sido  submetida  ao  procedimento  de  auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se  as  obras  que  foram  objeto  dos  lançamentos,  efetuados  em  desfavor  da Recorrente,  sofreram  fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal  com  exame  da  contabilidade,  o  Relatório  Fiscal  informa  que  foram  realizados  os  ajustes  necessários e exclusão dessas competências analisadas.  Ressalta­se  que  o  conceito  de  obra,  para  efeitos  previdenciários,  é  bastante  amplo,  abrangendo  a  construção,  demolição,  reforma  ou  ampliação  de  edificação  ou  outra  benfeitoria  agregada  ao  solo ou  ao  subsolo. Com esse  conceito  amplo,  a obra de  construção  civil  funciona  como  se  fosse  um  estabelecimento  ou  filial  da  empresa  construtora  e,  por  consectário  lógico,  necessita  de  matrícula  com  uma  numeração  básica  que  é  o  Cadastro  Específico  do  INSS  (CEI),  sendo  que  essa  matrícula  deverá  ser  efetuada  mediante  comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do  início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de  que  a  responsabilidade  pela  matrícula  junto  ao  INSS  caberia  a  empresa  executora  da  obra  também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal.  Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo  em  face  do  devedor  contratante  dos  segurados  empregados,  pois  este  e  a  Recorrente  já  são  integrantes  do  polo  passivo  do  presente  lançamento  fiscal.  Após  isso,  passo  ao  exame  de  mérito.  DO MÉRITO:  A Recorrente alega que  o Fisco não apropriou no  lançamento  fiscal  os  valores  pagos  pela  contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  os  pagamentos  efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.668­2 e 35.067.669­0),  não  tendo  a  Recorrente,  nem  a  empresa  contratada,  trazido  aos  autos  novos  elementos  probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  lançamento  foi  efetuado  pelo  fato  da  Recorrente haver  contratado a  empresa para  a execução  global  (total)  de  obra de  construção  civil  e não haver  solicitado a documentação hábil  a  elidir  a  responsabilidade  solidária,  quais  sejam:  (i)  cópia  das  guias  de  recolhimentos  quitadas  e  respectivas  folhas  de  pagamento  elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  incluída  em  nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o  caso,  por  escrituração  contábil;  e  (iii)  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e  percentuais previstos na legislação previdenciária.  A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total,  enseja  a  solidariedade  do  contratante  para  com  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre a mão­de­obra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911.  No  que  interessa  ao  presente  processo,  tem­se  que  a  responsabilidade  tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário  concomitantemente com o contribuinte, arcando,  independentemente deste, com o pagamento  integral do crédito tributário.  O  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  Lei  5.172/1966,  define  como devedores solidários:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem. (g.n.)  Segundo  a  previsão  do  inciso  II  do  preceptivo  legal  acima  citado,  ocorre  a  solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação  tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso  VI,  da  Lei  8.212/1991,  em  que  o  proprietário  ou  dono  (que  é  a  Recorrente)  de  obra  de  construção  civil  é  solidário  com  o  construtor  pelo  cumprimento  das  contribuições  sociais  previdenciárias.                                                              1 Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social  obedecem às seguintes normas:  (...)  VI  ­  o  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor,  e  estes  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  admitida  a  retenção  de  importância  a  este  devida  para  garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 6          9 No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS),  aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor  da obra de construção civil, nos seguintes termos:  Art.  220.  O  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária  cuja  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo  não  envolva  cessão  de  mão­de­obra,  são  solidários  com o  construtor,  e  este  e  aqueles  com a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  seguridade  social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante da obra e admitida a retenção de importância a este  devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se  aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.  § 1º Não se considera cessão de mão­de­obra, para os fins deste  artigo,  a  contratação  de  construção  civil  em  que  a  empresa  construtora assuma a  responsabilidade direta  e  total  pela obra  ou repasse o contrato integralmente.  §  2º  O  executor  da  obra  deverá  elaborar,  distintamente  para  cada  estabelecimento  ou  obra  de  construção  civil  da  empresa  contratante,  folha  de  pagamento,  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social e Guia da Previdência Social,  cujas cópias  deverão  ser  exigidas  pela  empresa  contratante  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante  de entrega daquela Guia.  §  3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  o  caput  será  elidida:  I  ­  pela  comprovação,  na  forma  do  parágrafo  anterior,  do  recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração  dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente  aos  serviços  executados,  quando  corroborada  por  escrituração  contábil; e  II  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  aferidas  indiretamente  nos  termos,  forma  e  percentuais  previstos  pelo  Instituto Nacional do Seguro Social.  III  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  da  retenção  permitida  no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído  pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.)  Percebe­se,  então,  que  a  apresentação  de  folhas  de  pagamento  e  guias  de  recolhimento  específicas  é  uma  das  formas  que  a  contratante,  no  caso  a Recorrente,  tem  de  elidir­se  de  imediato  da  responsabilidade  solidária  por  contribuições  de  responsabilidade  do  executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário  de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos  na  legislação  previdenciária,  a  contratante  deverá  exigir  também  a  comprovação  de  que  a  contratada possui contabilidade formalizada.  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 Logo,  não  há  como  considerar  a  alegação  retromencionada,  pois  o  lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra  de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade  solidária.  Dentro  desse  contexto  da  solidariedade  imputada  à  Recorrente,  esta  alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da  responsabilidade solidária em relação à  sociedade de economia mista. Essa alegação não  procede  para  o  caso  ora  analisado,  além  dela  ser  também  impertinente  para  o  deslinde  da  controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794­ RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da  contratação  de  serviços  executados mediante  cessão  de mão­de­obra,  conforme  se  extrai  do  Voto condutor a seguir reproduzido:  “[...]  Por  seu  turno,  conheço  do  recurso  no  tocante  à  alegada  afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91.  A  questão  sub  judice  é  saber  se  incide  a  responsabilidade  solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do  Brasil  S/A,  sociedade  de  economia  mista,  integrante  da  administração  indireta,  no  período  em  que  contratou  empresa  para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em  suas dependências.  O  referido  comando  legal,  à  época  do  serviço  prestado  pela  empresa (junho/1995), antes, portanto, das  inúmeras alterações  introduzidas, dispunha o seguinte:  Art.  31.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a  ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.)  Constata­se  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  é  decorrente  da  solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor  (chamada  de  contratada),  conforme  ficou  devidamente  delineado  no  Relatório  Fiscal  (fls.  15/27) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que  os  valores  lançados  no  presente  processo  são  decorrentes  dos  seguintes  levantamentos  originais:  1.  SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999  (NFLD 35.067.668­ 2) à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços,  responde solidariamente. Período anterior a  01/1999; e  2.  SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.669­0)  à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de  01/1999.  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 7          11 Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que  o  lançamento  de  que  trata  este  processo  não  é  de  responsabilidade  solidária  oriundo  da  execução  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra  –  conforme  estabelecia  o  art.  31  da  Lei  8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda  de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991.  Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária  previdenciária, registra­se que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui  normas  gerais  para  licitação  e  contratos  da  Administração  Pública  –  ao  estabelecer  que  a  inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não  transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão  de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da  Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é  norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata,  caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito  público.  Assim,  a  regra  do  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993  deve  ser  interpretada  sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as  normas  pertinentes  à  legislação  tributária  previdenciária,  que  são  normas  essencialmente  de  natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional  para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção  civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991.  Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreende­se  do  art.  173,  §  2º,  da  Constituição  Federal  que  a  empresa  pública  exploradora  de  atividade  econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  às  obrigações  tributárias  e  trabalhistas,  salvo  se  a  lei  estabelecer  estatuto  jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo.  Constituição Federal de 1988:  Art.  173.  Ressalvados  os  casos  previstos  nesta  Constituição,  a  exploração  direta  de  atividade  econômica  pelo  Estado  só  será  permitida  quando  necessária  aos  imperativos  da  segurança  nacional  ou  a  relevante  interesse  coletivo,  conforme  definidos  em lei.  § 1º A  lei estabelecerá o estatuto  jurídico  da empresa pública,  da  sociedade  de  economia  mista  e  de  suas  subsidiárias  que  explorem atividade econômica de produção ou comercialização  de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação  dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...)  II ­ a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  aos  direitos  e  obrigações  civis,  comerciais,                                                              2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo  foi revogada:  "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão­de­obra, inclusive em regime de  trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação  aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício  de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)".  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional  nº 19, de 1998) (...)  § 2º As empresas  públicas  e as  sociedades de  economia mista  não  poderão  gozar  de  privilégios  fiscais  não  extensivos  às  do  setor privado. (g.n.)  Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser  interpretada  sistematicamente  com  as  demais  normas  do  ordenamento  jurídico  brasileiro  também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que  “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam­se pelas suas cláusulas e pelos  preceitos de direito público (...)”, grifamos.  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, §  1o,  da  Lei  8.666/1993  estabeleceria  uma  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas  –  elidindo  a  sua  responsabilidade  da  obrigação  solidária  tributária  apurada  pelo  Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei  8.212/1991,  sendo  que  esta  regra  especial  tributária  disciplina  a  respectiva  matéria  em  consonância e em obediência às normas constitucionais.  Além  disso,  essa  regra  prevista  no  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993,  que  transferiria  a  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas,  não  pode  ser  aplicada ao caso porque prevalece a  regra constitucional, hierarquicamente superior,  já que a  empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica,  que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas  do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal.  Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre  esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem  será  cobrada  a  dívida  de  forma  integral,  nos  termos  do  art.  124,  parágrafo  único,  do  CTN.  Assim,  não  acatamos  a  alegação  da  Recorrente  de  que  antes  da  Lei  9.528/1997,  que  deu  nova  redação  ao  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/19913,  não  havia  vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada  em  vigor  desse  dispositivo,  em  10/12/97,  é  que  seria  possível  afastar  a  aplicabilidade  do  benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária.  Com  isso,  entendemos  que  a  inserção  promovida  pela  Lei  9.528/1997  no  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/1991  não  implicou  qualquer  inovação  interpretativa  com  relação  à  não  aplicação  do  benefício  de  ordem  no  âmbito  tributário,  tornando  apenas  a  sua  inaplicabilidade mais  evidente,  eis  que  essa  inserção  deve  ser  interpretada  sistematicamente  com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada  no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os  argumentos  da  Recorrente  de  que  deveria  ter  sido  cobrado  primeiramente  da  empresa  contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei.                                                              3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI ­ o proprietário, o incorporador definido  na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor  pelo  cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor  ou contratante da obra e admitida a retenção de  importância a este devida para garantia do cumprimento dessas  obrigações;”  Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 8          13 Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela  contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do  extinção  do  crédito  tributário,  pois  não  está  registrada  nas  hipóteses  do  art.  156  do  Código  Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto.  Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de  não  existência  de  crédito  tributário  a  ser  lançado,  tanto  que  no  corpo  da  própria  CND  está  ressalvado  ao  Fisco  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  valor  apurado  posteriormente  à  sua  emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito ­ CND, fornecida  pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela  Lei nº 9.032, de 28.4.95).  (...)  §  1º  A  prova  de  inexistência  de  débito  deve  ser  exigida  da  empresa  em  relação  a  todas  as  suas  dependências,  estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente  do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  débito  apurado  posteriormente. (g.n.)  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND  para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da  obrigação  tributária  apurada  pelo  Fisco.  Isso  decorre  do  fato  de  que  a CND não  é  causa  de  extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de  sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco.  Quanto  à  apuração  da  base  de  cálculo  por  meio  da  aplicação  do  percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica  de  aferição  indireta  para  apuração  dos  valores  devidos  à  Previdência  Social  e  encontra­se  devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem  que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado.                                                              4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966:  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e  4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;  IX  ­  a decisão  administrativa  irreformável,  assim  entendida  a definitiva  na órbita  administrativa,  que  não mais  possa ser objeto de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.  (Incluído pela Lcp nº  104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação  da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.  Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 Logo,  a  contribuição  social  previdenciária  apurada  pela  técnica  de  aferição  indireta  é  adequada,  razoável  e  proporcional,  não  merecendo  ser  reformada.  Além  disso,  a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  elemento  probatório  de  que  suas  alegações  sejam  verdadeiras.  Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°,  da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrando­se lavrado dentro da legalidade.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  .........................................................................................................  Lei 8.212/1991:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  2o.  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 3o. Ocorrendo  recusa ou  sonegação de qualquer documento  ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar de ofício a  importância devida.  (Redação dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722488/2010­83  Acórdão n.º 2402­002.973  S2­C4T2  Fl. 9          15 dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (g.n.)  Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colaciona­se julgado do  Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição  indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  “[...]  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TOMADORA  DE  SERVIÇOS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE.  (...)  2.  Tratando­se  de  contribuições  previdenciárias,  prestado  o  serviço, por disposição  legal, a  tomadora se  incorpora ao pólo  passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do  cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora  adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação  tributária. Ainda que admitida a inserção da  tomadora no pólo  passivo  da  obrigação  pelo  descumprimento  do  dever  de  exigir  comprovação  do  pagamento  do  tributo,  tal  ocorreria  –  com  o  pagamento  da  nota  fiscal  ou  fatura  relativa  à  prestação  do  serviço – antes do lançamento de ofício, pois trata­se de tributo  no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento  do  débito  tributário  sem  qualquer  intervenção  prévia  da  administração.  3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a  comprovação  do  pagamento  pode  ser  dela  exigida  a  qualquer  tempo,  tanto  na  apuração  do  débito  quanto  na  cobrança  dos  valores lançados,  já que o Fisco pode – como qualquer credor,  em matéria de solidariedade – voltar­se contra ela ou contra a  prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já  na execução.  4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os  fatos  geradores  (05/1995  a  01/1999),  cabia  à  tomadora,  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir  da  prestadora  cópia  autenticada  da  guia  de  recolhimento  quitada  e  folha  de  pagamento  dos  empregados  postos  a  seu  serviço,  dever  do  qual  não  se  desincumbiu  integralmente,  restando solidariamente responsável pelo débito tributário.  5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não  se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as  folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço.  6. É  razoável  a  fixação de  percentual  (40%)  sobre o  valor  da  nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mão­de­ obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais  deve  incidir  o  tributo.  Com  isso,  não  se  desnatura  a  contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da  Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16 documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no  caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do  tributo.  Inversão  do  ônus  da  prova  (§  3º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91),  estabelecendo presunção  relativa  em  favor do  INSS;  caberia,  portanto,  à  tomadora,  demonstrar  que  o  percentual  é  excessivo.  7.  Embargos  infringentes  improcedentes.  (TRF  4ª  R;  EIAC  ­  Embargos  Infringentes  na  Apelação  Cível;  Processo:  200271000090415/RS;  Órgão  Julgador:  Primeira  Seção;  Data  da  decisão:  01/09/2005;  DJU  Data:28/09/2005;  Página:  681;  Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.)  Portanto, o procedimento de aferição  indireta utilizado pela auditoria  fiscal,  para  a  apuração  da  contribuição  previdenciária,  foi  corretamente  aplicado,  pois  a  auditoria  fiscal  demonstrou  que  ocorreu  recusa  ou  sonegação  de  documentos  ou  informações,  ou  sua  apresentação  foi  deficiente,  podendo  o  Fisco  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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4502927 #
Numero do processo: 10675.720676/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 3          2 A  contribuinte  apresentou  impugnação  às  fls.  567/575,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  576/2878.  Suas  razões  de  defesa  foram  resumidas  pela  DRJ,  conforme  trecho a seguir transcrito:  A) DA PRIMEIRA GLOSA  [...] Na planilha em que a fiscalização aponta quais documentos  não  foram  encontrados,  ela  aponta  como  o  "Resultado  da  Conferência Documental" os seguintes vícios:  1) Nota fiscal de entrada sem origem nota fiscal de origem;  2) Documento fiscal não localizado;  3) Divergência da Declaração de Importação.  Quantos  as  notas  fiscais  do  item  1  [...]  tem­se  que  a  seguinte  situação:  Trata­se  de  notas  fiscais  de  entrada  emitidas  em  razão  da  compra  de  arroz  de  produtores  rurais  pessoas  físicas.  A  Fiscalização  afirma,  no  entanto,  que  não  encontrou  as  notas  fiscais dos produtores rurais, somente as notas fiscais de entrada  emitidas pela Impugnante.  Tal fato, porém, não encontra respaldo na realidade, tanto é que  se  junta a presente  impugnação o original das notas  fiscais de  entrada e das notas fiscais dos produtores rurais que embasam  referidas  notas  fiscais  de  entrada,  provando  assim  o  lastro  documental desses lançamentos contábeis.  Quanto  as  notas  fiscais  do  item  2  (Documento  fiscal  não  localizado), tem­se a mesma situação, a Fiscalização afirma que  não  encontrou  as  notas  fiscais  que  amparam  os  lançamentos  contábeis constantes dessa rubrica.  Tal fato, também, não encontra respaldo na realidade, tanto que  se junta a presente impugnação o original das notas fiscais não  encontradas  pela  Fiscalização,  provando  assim  o  lastro  documental desses lançamentos contábeis.  Faz­se  aqui  uma  explicação,  conforme  afirmado  para  a  Fiscalização, esses documentos estavam em poder do Serviço de  Fiscalização  Aduaneira  da  Inspetoria  [...]  e  somente  foram  restituídos  à  Impugnante  após  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora impugnado, motivo pelo qual a Fiscalização não encontrou  tais documentos.  Quanto a divergência do item 3 (Divergência da Declaração de  Importação) tem­se o seguinte cenário:  Em  relação  às  divergências  nas  declarações  de  importação,  a  Fiscalização  considerou  somente  o  valor  declarado  na  DI  (declaração  de  importação),  desconsiderando  o  valor  Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 4          3 efetivamente pago a empresa que vendeu a mercadoria e efetuou  o transporte da mesma até a sede da Impugnante.  A diferença entre o valor efetivamente pago e o valor declarado  na  DI  é  exatamente  o  custo  do  transporte  nacional  da  mercadoria. Em outras palavras, na DI era declarado o valor de  compra  acrescido  do  frete  internacional,  do  seguro  e  dos  impostos  (conforme determina a  lei). Quando do pagamento da  mercadoria  para  o  fornecedor,  no  entanto,  era  feito  o  pagamento do mesmo acrescido do custo do frete nacional, que  era  de  responsabilidade  do  fornecedor  da  mercadoria.  Em  outras palavras, a combinação entre o comprador e fornecedor  era a entrega da mercadoria na sede do comprador. Logo, além  do  preço  da  mercadoria,  era  exigido  do  Impugnante  (comprador)  o  valor  do  transporte  nacional.  Por  tal  razão  há  diferença entre o valor da DI e o valor efetivamente pago.   Tal  diferença  foi  glosada  pela  Fiscalização  a  título  de  "Divergência  da  DI".  Não  há  qualquer  divergência,  mas  sim  pagamento  de  um  valor  adicional  pelo  transporte  nacional  da  mercadoria.  Tanto  assim  é  que  os  contratos  de  câmbio  dessas  operações  comprovam que o valor efetivamente pago era aquele constante  da nota fiscal de entrada da mercadoria importada e não o valor  declarado na DI em razão da diferença acima apontada.  Em razão da  justificativa de  tal  divergência não  se deve  impor  sua  glosa,  como  quer  a  fiscalização,  pois  o  valor  lançado  na  contabilidade foi aquele efetivamente pago pelo Impugnante, que  suportou aquele custo e tem direito a ter ele abatido da base de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  Quanto  às  notas  fiscais  da  empresa  Central  Sul  Transportes  Ltda.,  as  mesmas  não  foram  localizadas  pela  Impugnante  no  prazo  de  impugnação,  pois  ainda  há  documentos  em  poder  da  Fiscalização  Aduaneira  já  citada.  No  entanto,  foi  solicitada  a  empresa Central Sul Transportes Ltda. que forneça cópia de tais  documentos  para  que  sejam  juntados  a  esse  processo.  Motivo  pelo  qual  se  requer,  desde  já,  a  juntada  posterior  dos  documentos  faltantes  (que  não  estão  em  poder  da  Impugnante  em razão da Fiscalização Aduaneira), nos termos da alínea "a"  do parágrafo quarto, do art. 16 do Decreto 70.235 de 1972.  Pelo exposto, juntado aos autos [...] os originais dos documentos  fiscais  não  encontrados  pela  fiscalização  e  justificada  a  divergência  encontrada,  mister  se  faz  a  anulação  do  auto  de  infração em relação a esses valores.  B) DA SEGUNDA GLOSA  (...)  Nessa segunda glosa, alegou­se o seguinte:  Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 5          4 1)  Imprecisão  dos  documentos  fiscais  da  empresa  Prit  Sul  Transportes Nacionais e Internacionais Ltda.;  2)  Em  relação  ao  frete  internacional,  que  o  mesmo  compõe  o  valor aduaneiro e a base de cálculo do imposto de importação,  motivo  pelo  qual  não  pode  ser  considerado  como  despesa  incorrida;  3) Quanto aos lucros e perdas, a ausência de comprovação das  perdas impôs a glosa de tais valores.  Na planilha em que a fiscalização aponta quais documentos não  foram  encontrados,  ela  aponta  como  o  "Resultado  da  Conferência  Documental"  o  seguinte  vício:  "Documento  fiscal  não localizado/identificado”.  (...).   No  que  se  refere  às  despesas  glosadas  referentes  a  fretes  e  carretos faz­se as seguintes observações:  As  duas  principais  empresas  que  prestavam  serviço  de  transporte ao Impugnante eram as empresas brasileiras Jovinter  Transporte Nacional e Internacional Ltda. e Prit Sul (...).  Referidas  empresas  prestavam  o  serviço  de  transporte  internacional  (até  a  fronteira  com  o  Brasil)  e  transporte  nacional (da fronteira até a sede da Impugnante).  Para  documentar  a  realização  dos  fretes,  eram  emitidos  Conhecimentos  de  Transporte  Internacional  por  Rodovia  onde  consta o valor total do frete nacional (em dólares) e o valor total  do frete externo (internacional) também em dólares.  O  valor  do  frete  externo  já  é  computado  no  valor  aduaneiro,  motivo  pelo  qual  não  pode  ser  novamente  deduzido  pela  Impugnante. No entanto, o valor do frete nacional, constante do  Conhecimento  de  Transporte  Internacional  por  Rodovia  pode  ser integralmente aproveitado pelo Impugnante como despesa de  fretes e carretos.  Logo,  uma  vez  juntados  aos  autos  os  Conhecimentos  de  Transporte  Internacional  por  Rodovia,  que  são  documentos  fiscais  para  fins  de  acobertamento  do  transporte  nacional  das  mercadorias  importadas,  mister  se  faz  a  anulação  do  auto  de  infração  pela  ausência  de  localização  ou  identificação  desses  documentos fiscais.  Sendo  assim,  para  sepultar  de  uma  vez  o  auto  de  infração,  se  junta  a  presente  impugnação  os  Conhecimentos  de  Transporte  Internacional  por  Rodovia  supostamente  não  localizados/identificados  pela  Fiscalização  que  demonstram  as  despesas  realizadas  com  o  transporte  interno  (nacional)  do  arroz importado.  Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 6          5 Com  a  juntada  de  tais  documentos,  prova­se  que  os  registros  contábeis estão perfeitamente amparados por documentos fiscais  idôneos,  sendo  que,  em  razão  da  apresentação  de  tais  documentos,  a  autuação  fiscal  deve  ser  considerada  insubsistente.  Em  relação  às  perdas  decorrentes  de  inadimplemento  de  clientes,  tem­se  que  as mesmas  estão  amparadas  nos  seguintes  documentos:  a)  Em  cheques  devolvidos  que  somam  a  importância  de  R$  141.836,60.  São  diversos  cheques  oriundos  de  diversas  operações de valores inferiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais  de um ano de sua contabilização como perda em que se mantêm  sua cobrança administrativa;  b) R$ 201.550,82 (duzentos e mil, quinhentos e cinqüenta reais e  oitenta  e  dois  centavos)  relativos  à  apropriação  indébita  feita  por  funcionários  da  Impugnante  em  que  há  queixa  crime  apresentada a autoridade policial pela  Impugnante, nos  termos  do art. 364 do RIR/99 (...).  A 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, considerou procedente em  parte  a  impugnação  da  contribuinte  para  afastar  as  preliminares  argüidas  e,  no  mérito,  em  virtude dos documentos  fiscais anexados à peça  impugnatória,  (i) exonerar as exigências nos  valores  principais  de  R$  279.104,40  e  R$  167.462,64,  a  título  de  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente,  além  dos  encargos  de  juros  de mora  e  de multa  de  ofício;  e  (ii)  manter  a  exigência dos valores remanescentes.  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  2941/2952)  repisando as razões de mérito sustentadas em sua peça impugnatória.  É o Relatório.  Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 7          6 Voto  Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator  O  recurso  atende  a  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade.  Deve,  pois,  ser  conhecido.  As  autoridades  fiscais  afirmam  que  todos  os  custos  e  despesas  deduzidos  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL  devem  estar  necessariamente  lastreados  em  documentação  comprobatória  hábil  e  idônea  que  permita  aferir  sua  necessidade  e  normalidade  para  a  manutenção da fonte produtora.  Com  base  nisso,  procedeu  à  glosa  dos  valores  lançados  na  contabilidade  da  Recorrente  cujos  documentos  apresentados  não  foram  suficientes  para  comprovar  os  respectivos custos e despesas, nos termos exigidos pela legislação tributária.  Note­se,  ainda,  que  a Recorrente não  trouxe  aos  autos  novos  documentos  que  suportassem  suas  alegações,  limitando­se  a  apontar  os  documentos  já  analisados  pela  DRJ,  anexados aos autos por ocasião da apresentação de sua peça impugnatória.  Assim, resta avaliar se os documentos de fls. 576/2878 estão aptos a comprovar  os custos e despesas glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão recorrida.  CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00003 ­ COMPRAS A PRAZO  A Recorrente anexou à impugnação todas as notas fiscais de entrada originais e  as  notas  fiscais  dos  produtores  rurais.  Assim,  a  decisão  da  DRJ  exonerou  a  glosa  do  custo  referente a tal conta, não merecendo qualquer reparo a decisão neste ponto.  CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00012 ­ FRETES E CARRETOS  Conforme decisão a quo, os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga  (CTRC) apresentados e referentes ao mês de fevereiro têm datas posteriores às da escrituração,  enquanto  aqueles  relativos  aos demais meses  correspondem a  fretes  a prazo  e não  a  fretes  à  vista, como é o caso da conta em apreço.  A Recorrente afirma que é irrelevante que o custo tenha sido lançado na conta  contábil  incorreta. Uma  vez  suportado  pela Recorrente,  esse  custo  deveria  reduzir  a base de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  Nada  obstante  as  alegações  de  ambas  as  partes,  entendo  que  é  cabível  aqui  a  solicitação de diligência para comprovação de que o custo não foi contabilizado e aproveitado  em duplicidade.  Isso  porque,  caso  não  tenha  sido  contabilizado  e  aproveitado  em  duplicidade,  merece razão a Recorrente, devendo ser excluída a glosa e mantida a dedução.  CONTA CONTÁBIL 3.2.01.00014 ­ FRETES E CARRETOS A PRAZO  Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 8          7 Alega a  fiscalização que, embora a Recorrente tenha apresentado CTRCs, DIs,  Manifesto de Carga, Invoices (Faturas comerciais internacionais), contratos de câmbio, etc, não  merece reparos o lançamento, uma vez que:  ­  alguns  CTRC’s  não  possuem  o  número  da  nota  fiscal  das  mercadorias  transportadas,  ainda  que  façam menção  a  importações  de  arroz,  referentes  à  conta  contábil  3.2.01.00003 ­ COMPRAS A PRAZO.  ­ Nos demais casos, para os quais os CTRC’s apontam o número da nota fiscal,  essas não foram apresentadas.  ­  Não  houve  comprovação  documental  da  contribuinte,  com  espelho  em  sua  escrituração,  que  desse  lastro  às  suas  alegações  no  sentido  de  que  a  diferença  entre  o  valor  efetivamente  pago  e  o  valor  declarado  na  DI  fosse  correspondesse  ao  custo  do  transporte  nacional da mercadoria.  ­ Não prosperam as alegações no sentido de que as notas fiscais da Central Sul  Transportes  Ltda.  não  foram  localizadas  no  prazo  de  impugnação,  já  que  ainda  haveriam  documentos  em  poder  da  Fiscalização  Aduaneira,  uma  vez  que  tais  documentos  não  compuseram  os  autos  do  processo  administrativo  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  Aduaneiro de n.° 10611.001472/2009­91, conforme comprovado esclarecido no TVF.  Ora,  nenhum  documento  foi  anexado  aos  autos  que  afastasse  as  conclusões  expostas,  causando  estranheza  que  após  o  longo  decurso  de  prazo  a  Recorrente  não  tenha  obtido sequer cópia dos documentos supostamente em posse da Fiscalização Aduaneira.  A essa altura, sustenta a Recorrente que as eventuais irregularidades na emissão  das CTRC’s não tem o condão de impedir que ela considere como custo o valor despendido a  título de frete e carretos a prazo.  Contudo, aqui também concordo com a decisão de primeira instância, pois não  há  como  considerar  como  custo  os  CTRC’s  desacompanhados  das  notas  fiscais  das  mercadorias transportadas.  O CTRC é o documento emitido pela transportadora, baseado nos dados da nota  fiscal,  que  informa o valor do  frete  e  acompanha a  carga. Na ausência  de  indicação da nota  fiscal ou na falta desta, não é possível comprovar a efetiva realização dessa despesa.  Ademais,  o  argumento  de  que  seria  impossível  transportar  toda  a mercadoria  sem a contratação de fretes e carretos, não supre a necessidade de comprovação de que o custo  de tal transporte foi efetivamente suportado pela Recorrente.  A Recorrente aduz, ainda, quanto à diferença entre valores pagos e declarados  em DI,  que  os  contratos  de  câmbio  dessas  operações  estão  aptos  a  comprovar  que  o  valor  efetivamente  pago  era  aquele  constante da  nota  fiscal  de  entrada  da mercadoria  importada  e  não o valor declarado na DI, em razão do valor adicional pago pelo transporte nacional.  Nesse ponto,  também corroboro a  assertiva da decisão  recorrida no sentido de  que  os  contratos  de  câmbio  não  estão  aptos  a  comprovar  que  o  custo  dos  transportes  foi  suportado pela Recorrente.  Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 9          8 CONTA CONTÁBIL 5.2.05.00006 ­ FRETES E CARRETOS  Para  justificar  a  manutenção  da  glosa  referente  aos  custos/despesas  em  referência,  a  decisão  recorrida  utilizou  os mesmos  fundamentos  expostos  acima,  ressaltando  tratarem­se de fretes internacionais e que parte das despesas já foi levada em consideração pela  fiscalização.  A  Recorrente  afirma  que  o  valor  dos  fretes  nacionais  pode  ser  integralmente  deduzido, enquanto o valor dos fretes internacionais não pode ser deduzido por ser computado  no valor aduaneiro.  Procedem as afirmações da Recorrente. No entanto, como exposto na decisão de  primeira  instância,  o  valor  despendido  com  fretes  nacionais  não  pôde  ser  comprovado pelos  documentos apresentados.  CONTA CONTÁBIL 5.2.09.00003 ­ LUCROS/PERDAS  Relativamente  a  tal  conta,  os  argumentos  da  decisão  recorrida  encontram­se  reproduzidos a seguir:  Relativamente aos dois lançamentos contábeis de 1º/10/2007, no  montante de R$ 64.630,13 (R$ 1.160,10 + R$ 63.470,03), trata­ se de débitos a  título de perda, em contrapartida a créditos de  contas contábeis “Construção em Andamento”, cujos históricos  sugerem o estorno de lançamentos que teriam sido indevidos, em  referência aos meses de janeiro e fevereiro de 2006.   Malgradas as oportunidades, restou demonstrado que a glosa é  pertinente,  em  razão  da  falta  de  comprovação  e  do  desapreço  com o dever de escriturar a que alude o art. 251 do Decreto nº  3.000/1999.  No  que  tange  à  perda  do  valor  de  R$  406.880,13,  tendo  por  contrapartida  crédito  em  conta  de  “Cheques  Devolvidos  sem  Fundos”,  as  cópias  dos  anversos  dos  cheques  apresentados  como prova (Anexo V da peça impugnatória, contida nas provas  12 e 13) não têm o condão de por si sós desautorizarem a glosa  operada, por não serem comprovantes de registro de perda com  cheques devolvidos.  Quando pouco, deveria a contribuinte ter trazido aos autos pelo  menos o verso daqueles  títulos de crédito, para que se pudesse  constatar  ali  que,  efetivamente,  as  respectivas  instituições  financeiras  (sacado)  disseram  da  frustração  por  parte  dos  titulares  das  contas  bancárias  (emitente/sacador)  das  respectivas ordens de pagamento dos valores neles constantes a  favor da contribuinte (tomador/beneficiário).  Renove­se, mais uma vez, que é desarrazoada a fala passiva de  que tais elementos probantes encontram­se retidos na Inspetoria  da RFB/BHE.  Concernente aos demais argumentos passivos, não vejo como a  notícia  crime  (fl.  13  da  prova  13),  que  serviria,  ao  olhos  da  Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10675.720676/2011­03  Resolução nº  1402­000.140  S1­C4T2  Fl. 10          9 contribuinte, para comprovar a defendida apropriação  indébita  de seus funcionários, poderia em consciência isenta, comprovar  documentalmente o objeto da glosa a perda escriturada a título  de cheques devolvidos sem fundo. Nessa situação, resta incólume  a glosa operada, amparada ainda pelo disposto no artigo 340 do  Decreto  nº  3.000/1999,  integrante  do  enquadramento  legal  declinado pelo fisco.  No  que  tocam  às  alegações  de  cheques  devolvidos  sem  fundo,  entendo  que  também  caberia  a  baixa  à  origem  para  extração  de  cópia  dos  versos  dos  cheques,  buscando  constatar  a  frustração, por parte dos  titulares das contas bancárias, das  respectivas ordens de  pagamento a favor da Recorrente.  Caso se verifique que, de fato, a obrigação de tais  títulos foi frustrada, é de se  excluir a glosa e manter a perda do valor de R$ 406.880,13.   No que toca ao segundo ponto, vale observar que, consoante art. 364 do RIR/99,  serão dedutíveis  como despesas os prejuízos por desfalque,  apropriação  indébita  e  furto,  por  empregados  ou  terceiros,  quando  houver  inquérito  instaurado  nos  termos  da  legislação  trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial (Lei nº 4.506, de 1964,  art. 47, § 3º).  Assim, diante dos documentos apresentados pela Recorrente às fls. 2816/2824 –  queixa crime apresentada à autoridade policial ­, deve ser considerada dedutível a despesa no  valor  de  R$  201.550,82,  relativa  à  apropriação  indébita  operada  por  funcionários  da  Recorrente.  Assim sendo, de forma a permitir a  formação de convicção deste Conselheiro,  proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa:  (i)  verifique  a  coerência  dos  lançamentos  contábeis  relativos  à  CONTA  CONTÁBIL  3.2.01.00012  ­  FRETES  E  CARRETOS,  determinando  se  os  fretes  a  prazo  –  contabilizados erroneamente nesse conta – foram contabilizados e aproveitados em duplicidade  pela Recorrente; e  (ii)  faça anexar as cópias dos versos dos cheques apresentados como prova da  perda no valor de R$ 406.880,13, contabilizada pela Recorrente na conta “Cheques Devolvidos  sem Fundos.  O  resultado  final  das  verificações  ora  requeridas  deve  constar  de  relatório  conclusivo, do qual deve ser cientificada a Recorrente, para que, querendo, se manifeste sobre  seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado.  Após isso, o resultado da diligência deve ser encaminhado a esse Colegiado pelo  Chefe da Repartição Preparadora.  O resultado do julgamento será formalizado após o resultado da diligência.  (assinado digitalmente)  Carlos Pelá  Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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4419116 #
Numero do processo: 10840.720426/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento.
Numero da decisão: 2802-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 18/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     2     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de  Mello  (Relator),  Jorge  Claudio  Duarte  Cardoso  (Presidente),  German  Alejandro  San Martin  Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.      Relatório  Trata­se  de Notificação  de  Lançamento  (fls.02­04),  lavrada  em  decorrência  de revisão de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2006,  Ano Calendário 2005, em razão de suposta dedução indevida de despesas médicas, por falta de  comprovação.  Cientificada  (fl.48),  apresenta  tempestivamente  impugnação  (fl.  14),  acompanhada dos documentos de fls. 15/46, afirmando que está anexando os comprovantes de  pagamento  do  convênio  médico  e  com  profissionais  de  saúde  devidamente  amparados  no  abatimento  previsto  em  lei,  com  pagamentos  comprovados  e  legítimos  de  boa  fé.  Requer  o  cancelamento do débitos fiscal reclamado.  Em  julgamento,  a  9ª  Turma  da  DRJ/SP2,  em  sessão  realizada  no  dia  05/04/2011,  por  unanimidade,  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento,  restabelecendo  em  parte as deduções de despesas médicas, indicando a fls.54 e ss. as razões de aceitação ou não  aceitação de cada um dos comprovantes apresentados, sendo invocados em relação a diferentes  comprovantes  a  falta  de  indicação  de  endereço  profissional  e  o  fato  de  serem  apresentadas  como dedutíveis despesas que não correspondem a  tratamento da própria contribuinte,  sendo  certo que não apontou dependentes em sua DIRPF, para o exercício..   Cientificada da  supramencionada decisão  em 12/04/2011,  conforme  fl.58,  a  contribuinte interpôs Recurso Voluntário, a fl. 60, em 23/05/2011, atacando em parte a decisão  exarada pela DRJ, e afirmando que a falta de endereço profissional de prestadores de serviços  médicos nos respectivos comprovantes não é motivo suficiente para a glosa das deduções em  questão, já que a Receita possui em seus bancos de dados os endereços em questão, bem como  as DIRPFs dos  respectivos profissionais;  que pagou  as despesas dos planos de  saúde de  seu  esposo e de sua falecida mãe, seja por débito em conta, seja em dinheiro, sendo  responsável  pelo  bem  estar  dos  mesmos  que  com  a  contribuinte  residem,  sobrevivendo  com  suas  aposentadorias  defasadas;  também não  subsiste  a  glosa  de  pagamento  efetuado  a SASSOM,  órgão de Prefeitura Municipal que mantém convênio de troca de informações com a Receita,  juntando ainda documentos.  É o relatório.        Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10840.720426/2008­19  Acórdão n.º 2802­001.867  S2­TE02  Fl. 66          3   Voto             Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator.  Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo, de  vez  que  o  prazo  recursal  expirou  em  12/05/2011,  tendo  sido  interposto  o  recurso  em  23/05/2011.  Isto posto, nego conhecimento ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello                             Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO

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4079127 #
Numero do processo: 10218.000118/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004,2005,2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004,2005,2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.

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defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena  de preclusão, ressalvadas as exceções legais.  LUCRO  PRESUMIDO.OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.  A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido fica sujeita à presunção legal  de  omissão  de  receita  caracterizada  pelos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.  Caracteriza­se  como  omissão  a  falta  de  registro  de  receita,  ressalvada  à  pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade  determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de  tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.  JUROS DE MORA.  Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial  do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.     Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 755          2 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.  A  multa  de  ofício  proporcional  é  uma  penalidade  pecuniária  aplicada  em  razão de  inadimplemento de obrigações  tributárias apuradas em  lançamento  direto com a comprovação da conduta culposa.  DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas  infrações  tributárias,  a  relação de causalidade que os  informa  leva  a que os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram  dados à exigência de IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.   (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício  Composição  do  Colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior,  Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva.    Relatório  I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às  fls. 515­526, com a exigência do crédito tributário no valor de R$57.152,21, a título de Imposto  Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado  pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anos­calendário de 2003. 2004 e  2005.   O lançamento se fundamenta nas seguintes infrações:  ­  omissão  de  receitas  decorrente  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações  mediante  documentação  hábil  e  idônea  coincidente em datas e valores na conta corrente nº 27.974­9 da agência nº 565­7 do Banco do  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 756          3 Brasil  S/A  e  na  conta  corrente  711272  da  agência  34  do  Banco  da  Amazônia  S/A,  cujos  extratos foram fornecidos por ela, fls. 148­192, 211­358 e 388­405;  ­  omissão  de  receitas  apurada  em  razão  da  falta  de  registro  de  compras  decorrente  de  pagamentos  não  escriturados  constatadas  a  partir  da  Nota  Fiscal  nº  33327,  emitida em 18.08.2004 pela pessoa jurídica GE Equipamentos Médicos Ltda no valor total de  R$193.780,00  dos  quais  houve  adiantamentos  nos  valores  de  R$80.000,00,  R$16.080,00  R$15.900,00 e R$15.720,00 pagos respectivamente em 22.07.2004, 04.10.2004, 04.11.2004 e  03.12.2004, fls. 418­427.  Para tanto, foi  indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 247, art. 248, inciso II do art. 249, art. 251, art.  277,  art.  279,  art.  280,  art.  281,  art.  288  e  art.  528  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II – O Auto de  Infração às  fls. 527­537 a exigência do crédito  tributário no  valor de R$4.383,93 a  título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL),  juros de  mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal:  §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da  Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  III ­ O Auto de Infração às fls. 540­551 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$21.995,94 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º  do art. 24 da Lei nº 9.349, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a”  do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de  17 de dezembro de 2002.  IV – O Auto de Infração às fls. 552­563 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$101.521,95 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  juros  de  mora  e multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art.  91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002.  Cientificada em 15.03.2007,  fl. 565, a Recorrente apresentou a  impugnação  em 29.03.2007, fls.566­582, com as alegações abaixo sintetizadas.  Aduz que os Autos de Infração são nulos, haja vista que atendeu a todas as  solicitações  e  que  fixar  a  presunção  de  omissão  de  receitas  antes  do  encerramento  da  ação  fiscal não é cabível, por ser ilegal.  Suscita  que  as  informações  contidas  no  Livro  Caixa  não  podem  servir  de  parâmetro face aos dados assinalados nos documentos emitidos pelas instituições bancárias, já  que  naquele  não  se  permite  o  controle  contábil  completo  e  nem  de  toda  a  movimentação  financeira.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 757          4 Defende  que  é  ilegítimo  o  lançamento  com  base  em  extratos  bancários,  Procura  demonstrar  que  a  presunção  de  omissão  de  receitas  com  base  em  depósitos  não  é  válida sem a comprovação dos sinais exteriores de riqueza. Alega que exigência é carecedora  de elementos fáticos imprescindíveis a lhe conferir a certeza.  Destaca que evidenciou parte da origem dos recursos utilizados, e os demais  que  foram  supostamente  não  comprovados  decorrem  de  valores  destinados  a  despesas  necessárias ao exercício de sua atividade econômica. Explica que as informações constantes na  DIPJ não são compatíveis com os valores do hipotético aumento de rendimento averiguado de  ofício.  Apresenta argumentos contra a  incidência dos  juros de mora equivalentes à  taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção  de todos os meios de prova.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui que os Autos de Infração devem ser anulados.  Está  registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº  01­21.174, de 24.03.2011, fls. 708­731: “Impugnação Procedente em Parte”, uma vez que foi  excluída a parcela da omissão de receitas decorrente de rendimentos de pessoas físicas.  Restou ementado  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 2003,2004,2005   DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS  TRIBUNAIS  SUPERIORES.  VINCULAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  É  vedada  a  extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o  contribuinte  não  figurou  como  parte  na  referida  ação  judicial.  A  autoridade  julgadora  administrativa não  se  encontra vinculada ao  entendimento dos Tribunais  Superiores,  pois  não  faz  parte  da  legislação  tributária  de  que  fala  o  artigo  96  do  Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos  termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  São  improfícuos  os  julgados  administrativos  trazidos  pelo  sujeito  passivo,  pois  tais  decisões  não  constituem  normas  complementares  do Direito Tributário,  já  que  foram proferidas  por  órgãos  colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma  do art. 100, I I , do Código Tributário Nacional.  NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE –  INOCORRÊNCIA Comprovado  que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as  causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em  nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  OCORRÊNCIA.  O  auto  de  infração  deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal  e  a  descrição  dos  fatos.  Comprovado  que  a  infração  descrita  no  Termo  de  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 758          5 Verificação  Fiscal  não  corresponde  a  Infração  lançada,  e  por  conseguinte  inadequado  o  enquadramento  legal,  enseja  a  nulidade  do  lançamento,  para  esta  infração, por vicio material.  SIGILO  BANCÁRIO.  É  lícito  ao  fisco,  mormente  após  a  edição  da  Lei  Complementar  n°  105/2001,  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte,  constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos­e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  independentemente  de  autorização  judicial.  A  obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração  tributária,  não  implica  quebra  de  sigilo  bancário, mas  simples  transferência  deste,  porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes  fiscais  por dever de ofício.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  Os  valores  creditados em conta de depósito mantida junto a  instituição  financeira, em relação  aos quais o  titular,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados  como omissão de receitas.Exoneram­se os valores comprovados na Impugnação.  PRESUNÇÃO  JÚRIS  TANTUM.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA.  FATO  INDICIÁRIO.  FATO  JURÍDICO  TRIBUTÁRIO.  A  presunção  legal  júris  tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada  de  provar  que  o  depósito  bancário  não  comprovado  (fato  indiciário)  corresponde,  efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do  art. 334,  IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o  fato  presumido não existiu na situação concreta.  MULTA  DE  OFÍCIO.  JUROS  DE  MORA.  EFEITO  CONFISCATÓRIO.  PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. O Processo Administrativo Fiscal não é o  palco apropriado para discussão sobre qual critério ou percentual seria mais seguro  para que a multa de ofício e os juros de mora não afetem o direito de propriedade. A  norma  que  veda  a  instituição  de  tributo  com  caráter  confiscatório  é  dirigida  ao  legislador, cabendo aos julgadores administrativos examinar a validade jurídica dos  atos  praticados  pelos  agentes  do  Fisco,  sem  perscrutar  da  legalidade  ou  constitucionalidade das normas que fundamentam aqueles atos.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A não comprovação da contabilização dos  pagamentos, referente à aquisição de ativo imobilizado, autoriza a presunção de que  os  valores  dessa  aquisição  foram  pagos  com  recursos  oriundos  de  omissão  de  receitas anteriores pela pessoa jurídica.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA  Aplica­se  às  contribuições  sociais  reflexas,  no  que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa  e efeito que os une.  Notificada em 19.05.2011,  fl. 735­verso,  a Recorrente  apresentou o  recurso  voluntário  em  16.06.2011,  fls.  736­752,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  e  reitera  os  argumentos apresentados na peça impugnatória.  É o Relatório.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 759          6   Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do  crédito  tributário,  os  Autos  de  Infração  podem  ser  lavrados  sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica no  local em que foi constatada a  infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os  quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de  prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem  da  intimação válida para que  se  instaure o processo, vigorando na  sua  totalidade os direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  Os Autos de  Infração foram lavrados por Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou  a  matéria  tributável,  calculou  o  montante  do  tributo  devido,  identificou  o  sujeito  passivo,  aplicou  a  penalidade  cabível  e  determinou  a  exigência  com  a  regular  intimação  para  que  a  Recorrente pudesse cumpri­la ou  impugná­la no prazo  legal. A decisão de primeira  instância  está  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente  e  da  qual  a  pessoa  jurídica  foi  regularmente  cientificada.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos  legais,  o  que  lhes  conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios  lícitos,  em  observância  às  garantias  ao  devido  processo  legal.  O  enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita  compreensão da descrição dos  fatos  e  dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício. A  proposição  afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 760          7 em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas.  Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidade  no  curso  do  processo,  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações excepcionadas pela  legislação de regência  2. A realização desses meios probantes é  prescindível,  uma  vez  que  os  elementos  probatórios  produzidos  por meios  lícitos  constantes  nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por  essa razão, não se comprova.  A Recorrente  discorda  da  apuração  da  omissão  de  receitas  presumida  com  base em depósitos bancários.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão  de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica que adota o regime de tributação  com base no lucro real.  Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Positivada  em  uma  norma  com  os  atributos  de  ser  abstrata,  geral,  imperativa  e  impessoal,  há  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação  de  causalidade  entre  o  fato  e  o  ilícito  tributário.  Cabe  à  pessoa  jurídica  o  ônus  de  provar  a  veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a  relação jurídica presumida.  É  determinada  mensalmente  pelo  somatório  de  cada  crédito,  que  deve  ser  analisado  de  forma  individual,  observando  que  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  comprovar a origem de depósitos havidos em meses  subsequentes. A sua  titularidade, via de  regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante  demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria  pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de  resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a  análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira  para verificar a compatibilidade entre as informações.   Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem  dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram  evidenciadas  as  origens,  presumem  receitas  omitidas,  o  que  dispensa  a  autoridade                                                              2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 761          8 administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem  origem comprovada3.  No  presente  caso  houve  omissão  de  receitas  decorrente  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente  intimada,  não  demonstra  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações  mediante  documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 27.974­9 da  agência nº 565­7 do Banco do Brasil S/A e na conta corrente 711272 da agência 34 do Banco  da Amazônia S/A, cujos extratos foram fornecidos por ela, fls. 148­192, 211­358 e 388­405.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas apurada em razão  da falta de registro de compras e que o Livro Caixa não permite o controle contábil completo e  nem de toda a movimentação financeira.  O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção  da  pessoa  jurídica  para  todo  ano­calendário,  desde  que  observados  os  requisitos  legais,  devendo  ser  manifestada  com  o  pagamento  do  imposto  devido  correspondente  ao  primeiro  período  de  apuração  de  cada  ano­calendário.  É  determinado  pelo  somatório  do  ganho  de  capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da  aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta  total  auferida  no  período  de  apuração.  Quando  se  tratar  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas  serão  adotados  os  percentuais  específicos  para  cada  uma  das  atividades  econômicas, cujas  receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e  serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos  serviços  prestados  e  o  resultado  auferido  nas  operações  de  conta  alheia  incluído  o  ICMS.  Somente  podem  ser  excluídos  da  receita  bruta  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente  do  comprador  ou  contratante,  uma  vez  que  se  presume  que  uma  parcela  da  receita  bruta  foi  consumida  na  produção  dos  rendimentos  decorrentes  da  atividade  econômica.  A  pessoa  jurídica  deve manter  o  Livro  Registro  de  Inventário,  bem  como  a  escrituração  contábil  nos  termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa,  incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária.  Caracteriza­se  como  omissão  a  falta  de  registro  de  receita,  ressalvada  à  pessoa  jurídica  a  prova  da  improcedência,  oportunidade  em  que  a  autoridade  determinará  o  valor  dos  tributos  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  sistema  de  tributação  a  que  estiver  submetida no período de apuração correspondente4.  O  lançamento  decorre  da  constatação  de  omissão  de  receitas  apurada  em  razão da falta de registro de compras decorrente de pagamentos não escriturados constatadas a                                                              3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  9º  do Decreto­Lei  nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977,  art.  16  e  art. 24 da Lei  nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995,art. 1º, art. 25, art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF  nºs 06, 30, 32 e 61.  4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  9º  do Decreto­Lei  nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977,  art.  15  e  art. 24 da Lei  nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 762          9 partir da Nota Fiscal nº 33327, emitida em 18.08.2004 pela pessoa jurídica GE Equipamentos  Médicos Ltda no valor  total de R$193.780,00, dos quais houve adiantamentos nos valores de  R$80.000,00, R$16.080,00 R$15.900,00 e R$15.720,00 pagos respectivamente em 22.07.2004,  04.10.2004, 04.11.2004 e 03.12.2004, que foram objeto do fls. 418­427.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  A  Recorrente  discorda  da  incidência  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  Selic.  Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de  mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja  qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva  de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça  (STJ) em recurso especial  repetitivo nº  1.111.175/SP,  cujo  trânsito  em  julgado  ocorreu  em  09.09.20095  e  que  deve  ser  reproduzido  pelos conselheiros no  julgamento dos  recursos no âmbito do CARF6. A proposição afirmada  pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional.  Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência  da  inobservância  da  conduta  prescrita  na  norma  jurídica  primária.  A  multa  de  natureza  tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação  legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao  sujeito  passivo.  A  aplicação  da  multa  de  ofício  proporcional  pressupõe  a  constituição  do  crédito  tributário  pelo  lançamento  direito,  diante  da  constatação  da  falta  de  pagamento  ou  recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo  sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa  do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar  a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se  está obrigado7.   No  presente  caso,  houve  constituição  do  crédito  tributário  pelo  lançamento  direito,  de modo  que  está  correta  a  aplicação  da multa  de  ofício  proporcional. A  conclusão  oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem                                                              5 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise  Arruda.  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  10  de  junho  de  2009.  Disponível  em:  <  https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011.  6  Fundamentação  legal:  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  5º  e  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.   7 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996.  Processo nº 10218.000118/2007­21  Acórdão n.º 1801­01.011  S1­TE01  Fl. 763          10 ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade9.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao  mesmo  sujeito  passivo10.  Os  lançamentos  de  PIS,  de  Cofins  e  de  CSLL  sendo  decorrentes das mesmas  infrações  tributárias, a  relação de causalidade que os  informa  leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram  dados  à  exigência de IRPJ.   Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  9 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  10 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.                              

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Numero do processo: 10280.722722/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 148          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  José  Evande  Carvalho  Araújo,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Walter  Reinaldo  Falcão  Lima,  Sandro  Machado  dos  Reis.  Ausente,  Justificadamente,  o  Conselheiro  Luiz  Cláudio Farina Ventrilho.    Relatório  Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 106), na decisão recorrida, que transcrevo  abaixo:  Pela notificação de lançamento nº 02101/002352009 (fls. 01), o  contribuinte  em  referência  foi  intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  de  R$  97.646,53,  correspondente  ao  lançamento  do  ITR/2005,  da multa  proporcional  (75,0%)  e  dos  juros  de mora  calculados  até  13/10/2009,  tendo  como  objeto  o  imóvel  denominado  “Fazenda  Pacaraí”  (NIRF  7.226.1994),  com  área  total de 4.355,8 ha, localizado no município de Paragominas PA.  A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o  demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram­ se às fls. 02/05.  A  ação  fiscal  proveniente  dos  trabalhos  de  revisão  interna  da  DITR/2005,  Iniciou­se  com o  termo de  intimação de  fls.  13/15,  para  o  contribuinte  apresentar,  dentre  outros,  os  seguintes  documentos de prova:  ­  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA,  requerido  ao  IBAMA,  e  comprovante  das  áreas  ocupadas  com  benfeitorias,  úteis  e  necessárias à atividade rural;  ­  Laudo  técnico  com  ART/CREA,  com  memorial  descritivo  do  imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no  art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no  caso  de  estar  prevista  no  art.  3º  desse  código,  com  o  ato  do  poder público que assim a declarou;  ­ laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da  NBR 14653 da ABNT, com  fundamentação/grau de precisão  II,  contendo  todos  os  elementos  de  pesquisa  identificados  e  planilhas  de  cálculos,  ou,  alternativamente,  avaliações  de  Fazendas Públicas e da Emater.  Em  atendimento,  foram  apresentados  os  documentos  de  fls.  24/63.  Na  análise  desses  documentos  e  dos  dados  da  DITR/2005,  a  autoridade  fiscal  e  glosou  integralmente  a  área  declarada  de  preservação permanente  (3.615,0  ha),  além de  desconsiderar  o  VTN declarado de R$ 1.050,00 (R$ 0,24/ha), arbitrando­o em R$  505.081,08 (R$ 115,95/ha), com base no Sipt da Receita Federal,  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 149          3 com  o  conseqüente  aumento  das  áreas  tributável/aproveitável,  do VTN tributável e da alíquota de cálculo, tendo sido apurado  imposto  suplementar  de R$  43.421,62,  conforme  demonstrativo  de fls. 04.  Cientificado  em  08/02/2010  (fls.08),  por meio  de  representante  legal,  o  contribuinte  protocolou  em 09/03/2010  sua defesa  (fls.  65/71), exposta nesta sessão e  lastreada nos documentos de  fls.  72/93, alegando, em síntese:  ­  de  início,  discorre  sobre  o  procedimento  fiscal,  do  qual  discorda,  e  transcreve  parcialmente  a  intimação  e  a  descrição  dos  fatos,  além  do  demonstrativo  de  apuração  do  imposto  do  citado  lançamento,  que  refaz  com  as  alterações  pretendidas  e  respectivo ITR apurado;  ­ descreve as peculiaridades do imóvel, para afirmar que o VTN  constante de registro do Cartório é de R$ 83,00, em escritura de  compra e venda de 02/03/2004;  ­ houve equívoco na DITR/2005 quanto à distribuição das áreas  de  reserva  legal  e  preservação  permanente,  declaradas  em  conjunto  e  não  deduzidas  no  cálculo  do  imposto  devido,  além  das  áreas  de  pastagens,  conforme  laudo  técnico  e  esboço  de  DITR retificadora anexados.  Ao  final,  demonstradas  a  improcedência  e  a  insubsistência  da  ação  fiscal,  requer  seja  acolhido  o  presente  recurso  para  cancelar  o  lançamento  suplementar  questionado,  face  aos  equívocos  ora  retificados,  com  a  adoção  do  imposto  devido  apurado no demonstrativo trazido aos autos.  Ressalva­se  que  as  referências  à  numeração  das  folhas  deste  processo,  feitas  no  relatório  e  no  voto,  referem­se  aos  autos  originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em  meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob  a forma de imagem.  Passo  adiante,  a  1ª  Turma  da  DRJ/BSB  entendeu  por  bem  julgar  a  Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada:  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA  PERDA  DA  ESPONTANEIDADE  O  início  do  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização  exclui  a  espontaneidade  do  sujeito  passivo,  em  relação  aos  atos  anteriores,  para  alterar  as  informações  da  DITR original.  DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE  Para  ser  excluída  do  cálculo  do  ITR,  exige­se  que  as  áreas de  preservação  permanente  declaradas  tenham  sido  objeto  de Ato  Declaratório  Ambiental  ADA,  protocolado  tempestivamente  no  IBAMA.  DO VALOR DA TERRA NUA VTN.  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 150          4 O VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR/2005 deverá  ser revisto, com base em laudo técnico de avaliação apresentado  pelo  contribuinte,  com  ART/CREA,  nos  termos  das  normas  da  ABNT,  demonstrando,  de  forma  convincente,  as  características  particulares  do  imóvel  rural  avaliado  e  seu  valor  fundiário,  a  preços de 01/01/2005.  Em 12 de Janeiro de 2012, (fls. 117), a Agencia da Receita Federal do Brasil  em Paragominas/PA, anexou a notificação nº. 003/2012. Indicando:  (...)  CONTRIBUINTE: ALTEMAR PINTO  CNPJ/CPF : 222.855.632­72  PROCESSO : 10280.722722/2009­10  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Pela  presente,  fica  V.  Sa  notificado  da  decisão  proferida  no  Acórdão 03­45.345 — 1a Turma da DRJ/BSB de 05 de outubro  de 2011, conforme cópia em anexo.  Ressalto que não se vislumbra nos autos a cópia da notificação com a data da  ciência do recorrente.  Informa o próprio recorrente ter sido cientificado em 26/01/2012 (Fls. 118),  tendo o mesmo interposto Recurso Voluntário em 16/02/2012 (Fls. 118 a 125), reforçando os  argumentos apresentados quando da impugnação.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  A  demanda  aqui  tratada  requer  análise  preliminar  em  relação  a  aspecto  decadencial.  Como se verifica nos autos, trata o caso de lançamento de ITR relativo ao ano  calendário 2005; portanto, com fato gerador em 01/01/2005.  Por  seu  turno, o  ITR obedece,  desde 1997,  ao  comando do  lançamento por  homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza:  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 151          5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  §  4°  Se  a  lei  não  fixar  prazo  à  homologação,  será  ele  de  5  (cinco) anos, a contar da ocorrência do  fato gerador; expirado  este  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Verifica­se, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal  de Justiça ­ STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente  deve  ser  aplicada  nos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  antecipar  o  pagamento  e  não  for  comprovada  a existência de dolo,  fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173,  nos  demais  casos.  Transcreve­se,  a  seguir,  a  ementa  do  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 152          6 pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.   (destaques do original)  Observa­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62­A do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  (CARF)  aprovado  pela  Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de  dezembro de 2010, in verbis:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes  Diante  do  exposto,  conclui­se  que  o  prazo  decadencial  do  ITR  deve  ser  contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplica­se a regra do art. 150,  § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de  dolo, fraude e simulação, deve­se aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10280.722722/2009­10  Acórdão n.º 2801­002.779  S2­TE01  Fl. 153          7 No  caso  em  exame,  como  houve  pagamento  antecipado,  e  como  não  há  indicação  de  fraude,  dolo,  ou  simulação,  o  lançamento  relativo  ao  ano  calendário  de  2005  poderia ser realizado até 01 de janeiro de 2010.  Tendo sido notificado o contribuinte em 08/02/2010 (folha 64 dos autos), o  foi após o período de direito da Fazenda Nacional.  Isto  posto,  decaído  estava  o  direito  da  Fazenda  Nacional  lançar  o  crédito  tributário.   Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar  provimento ao recurso.    Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre                                   Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE

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Numero do processo: 10830.016265/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica-se a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.
Numero da decisão: 1202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica-se a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 100          1 99  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.016265/2010­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1202­000.878  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de outubro de 2012  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  SOTREQ SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  DEMONSTRATIVO  FUNDAMENTADO  DO  ÁGIO.  NÃO  APRESENTAÇÃO.  EXIGÊNCIA  LEGAL.  GLOSA DAS DESPESAS DE  AMORTIZAÇÃO.  O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da  coligada ou controlada,  com base na previsão dos  resultados nos exercícios  futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e  consistente a avaliação da empresa a valor presente,  justificando o valor do  ágio  na  aquisição  de  participação  societária.  O  demonstrativo  deverá  ser  arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio.  Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica­se a  glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  E  DA  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA  COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a  denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais  da  incorporadora,  quando  realizada  entre  empresas  operativas,  sob  controle  comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  A  conselheira  Viviane  Vidal  Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 62 65 /2 01 0- 91 Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 101          2 (documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho ­ Presidente    (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Relator.     Participaram da  sessão  de  julgamento  os Conselheiros Nelson Lósso  Filho,  Orlando  José  Gonçalves  Bueno,  Carlos  Alberto  Donassolo,  Nereida  de  Miranda  Finamore  Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.    Relatório  Trata­se do exame dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativamente  aos anos­calendário de 2005, 2006 e 2007 com aplicação da multa de ofício, no percentual de  75%, e dos juros de mora com base na taxa Selic, fls. 1845 e ss.  A  autoridade  fiscal  teria  identificado  a  ocorrência  de  duas  infrações  tributárias:  1­  Glosa  das  despesas  de  amortização  de  ágio  por  desatendimento  aos  preceitos  legais:  i)  inexistência de  fundamento  econômico com base em  “laudo de avaliação”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do  ágio  apurado;  e  iii)  não  comprovação  do  pagamento  integral  do  ágio  apurado;  2­  Glosa  da  compensação  de  prejuízos  compensados  indevidamente  em  razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros),  por empresa deficitária (com prejuízos a compensar), visando contornar a  vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99;  A  dedução  da  amortização  do  ágio  ocorreu  a  partir  de  julho  de  2001,  em  razão do evento de incorporação às avessas, ocorrido em 30/06/2001. No entanto, o lançamento  fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao  transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores (fls. 101 e 1847).  Na  sequência,  por  bem  retratar  os  fatos  ocorridos,  transcrevo,  na  parte  que  interessa, o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 1802 e ss., o qual passo a adotar:  “5. Apresentamos a seguir as empresas envolvidas nas operações:  CNPJ 61.064.689/0001­02  ­ Até 30/06/2001 a Razão Social era LION S.A.  Após incorporação da SOTREQ, CNPJ 33.081.712, ocorrida em 30/06/2001, a razão  Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 102          3 social  passou a  ser SOTREQ S.A, ora  em  fiscalização. Antes da  incorporação era  uma empresa deficitária, inclusive com Patrimônio Líquido negativo.  CNPJ  33.081.712/0001­31  ­  Até  30/06/2001  a  Razão  Social  era  SOTREQ  S.A.  Após  a  incorporação  pelo  CNPJ  61.064.689,  ocorrida  em  30/06/2001,  foi  extinta. Antes da incorporação era uma empresa superavitária.  CNPJ  01.352.859/0001­22  ­  Até  31/12/2002  a  Razão  Social  era  NOIL  PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. Após incorporação pelo CNPJ 61.064.689,  ocorrida em 31/12/2002, foi extinta. Era a sociedade controladora da LION.  CNPJ  34.151.100/0001­30  ­  A  Razão  Social  era  CABO  EMPREENDIMENTOS  S.A.  Em  31/12/2002  ocorreu  cisão  parcial,  seguida  de  incorporação  do  patrimônio  cindido  pela  NOIL,  a  qual  foi  incorporada  pela  fiscalizada  CNPJ  61.064.689.  Era  a  sociedade  controladora  da  SOTREQ.  Em  30/06/2009 a CABO incorporou a SOTREQ (CNPJ 61.064.689, fiscalizada),  tendo  alterado sua razão social para SOTREQ.  CACo  ­  CATERPILLAR  AMÉRICAS  Co.,  empresa  sediada  nos  Estados  Unidos  da  América,  que mantém  contratos  de  distribuição  de  seus  produtos  com  diversos representantes no Brasil, entre os quais a SOTREQ e a LION.  6. Segundo a resposta do contribuinte recebida em 26/04/2010, as operações  foram efetuadas conforme o disposto a seguir.  "A fiscalizada é uma das empresas que representam, no Brasil, a Catterpillar  América Co. ("CACo"), sociedade com sede nos Estados Unidos, e, nessa condição,  segue  modelo  de  estrutura  societária  sugerido,  qual  seja,  que  as  empresas  representantes da CACo sejam controladas por  sociedades do  tipo holding, e não  diretamente  por  pessoas  físicas  ("PF").  A  sociedade  é  sociedade  controlada  pela  Cabo Empreendimentos S.A ("CABO"). "  "Cabe  apontar  que  o  grupo  CACo  não  mantém,  no  Brasil,  somente  um  representante  de  seus  negócios.  Assim,  outras  empresas  autorizadas  pela  CACo  também podem desempenhar tais atividades, respeitando­se "limites  territoriais de  atuação".  Essa  era  a  situação  da  Noil  Participações  e  Comércio  S.A  ("NOIL"),  sociedade controladora da LION S.A ("LION"). Assim, a representação da CACo no  Brasil, no passado, pode ser esquematizada a partir da figura abaixo:"  [desenho esquemático na pág. 1804]  "Até  o  ano  de  1996,  as  dívidas  que  a  LION  possuía  frente  à  CACo  alcançavam o total de, aproximadamente US$ 22.000.000,00. Diante disso, a CACo  decide  intervir  na  sociedade.  Conseqüência  dessa  intervenção  foi  a  aquisição  de  84%  das  ações  da  NOIL  e  33%  das  ações  da  LION,  de  forma  que  a  estrutura  anterior passou a ser a seguinte: "  [desenho esquemático na pág. 1804]  "Três  anos  depois,  em  1999,  as  dívidas  da  NOIL  ainda  não  haviam  sido  quitadas. Pelo contrário, essa sociedade, em conjunto com a LION, havia assumido  dívidas  ainda  maiores,  agora  com  terceiros  (em  sua  maioria,  instituições  financeiras), atingindo o montante de R$ 33.000.000,00. "  "Com  isso,  buscando  recuperar  seus  negócios,  a  LION  procurou  a  Fiscalizada,  a  fim  de  que  ambas  as  empresas  se  associassem  sob  uma  única  Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 103          4 sociedade, somando sinergias, otimizando negócios e potencializando a exploração  do mercado comum, uma vez que desenvolviam atividades idênticas."  "Assim,  em  25.10.1999,  chegou­se  a  celebrar  um  Contrato  Preliminar  de  Intenções (doc. nº 2), após a realização de  longo estudo de condições econômico­ financeiras e de mercado (doe. Nº 3). "  "A despeito disso,  o Contrato Preliminar de  Intenções acabou não gerando  resultados (grifo da fiscalização). Diante desse cenário, a CACo decide retomar os  negócios  desenvolvidos  pela  NOIL,  com  base  na  Cláusula  21  do  Contrato  de  Distribuição,  passando a  representação que por  ela  era  detida  a  outra  sociedade  abrindo longa etapa de negociações com outras empresas, inclusive estrangeiras."   "Nesse processo, destacou­se a proposta apresentada pela representante Sul­ africana  da  CACo,  a  Barlow  Limited  ("Barlow"),  que  chegou  a  celebrar  com  a  LION  um  Memorando  de  Entendimentos  (Memorandum  of  Understandings  ­  "Memorando "), em 24.6.2000 (doc. n° 4). "  "De acordo com as disposições desse Memorando, a Barlow pagaria o valor  de  USS  52.000.000,00  à  LION/CACo  pela  totalidade  de  suas  ações,  e,  conseqüentemente, passaria a deter seu controle e atividades no Brasil. "  "Entretanto, após novas negociações entre a CACo e a Fiscalizada (que, vale  ressaltar, assim como a NOIL, era a representante da CACo no Brasil), decidiu­se,  em  24.1.2001,  que  a  representante  brasileira  deveria  assumir  as  atividades  antes  desempenhadas  pela  LION,  sendo  essa  decisão  consubstanciada  em  um  outro  Memorando  de  Entendimentos  (Memorandum  of  Understandings  —  "Segundo  Memorando ") (doc. Nº 5). ",   "De acordo com o Segundo Memorando, dentre outras obrigações, a Sotreq  deveria:"  "(i)  contribuir  o  valor  de  US$  25.000.000,00  na  LION,  passando  a  ser  detentora  de  50%  de  seu  capital  social.  O  pagamento  seria  dividido  em  duas  parcelas:  (a)  a  primeira,  de  US$  10.000.000,00,  no  momento  da  celebração  de  acordo  definitivo;  e  (b)  o  valor  restante,  US$  15.000.000,00,  até  31.3.2001.  O  referido pagamento seria destinado à quitação das dívidas acumuladas pela LION,  tanto perante a CACo, quanto a instituições financeiras (dentre as quais, ABNAmro,  Barclays e West LB);"  "(ii)  adquirir  a  participação  detida  pela  CACo  na  NOIL  e  na  LION,  pelo  valor  de  US$  22.000.000,00,  ao  longo  do  período  de  sete  anos,  sendo  que  tal  aquisição  deveria  se  iniciar  antes  de  1.7.2004,  pelo  valor  mínimo  de  US$  5.500.000,00;"  (iii)........................................................  "(iv)  otimizar  a  incorporação  do  patrimônio  da  LION  ao  seu  próprio,  concluída  a  aquisição  da  totalidade  da  participação  societária,  "(grifo  da  fiscalização)  "Concluída  a  etapa  preliminar  de  negociações,  passaram  a  ser  realizados  diversos estudos a respeito das condições econômico­financeiras, de mercado e de  sinergias entre as sociedades objeto do contrato (LION e Fiscalizada) (doc. Nº 6). A  partir disso, o negócio foi concluído, de forma que a Fiscalizada passou a deter a  representação da CACo nos territórios que antes eram controlados pela LION. "  Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 104          5 "Com  a  decisão  tomada  pela  CACo  de  passar  a  representação  de  suas  atividades  para  a  Fiscalizada,  que  também  era  uma  sociedade  brasileira,  foi  necessário  estabelecer  uma  reestruturação  societária  a  fim  de  otimizar  as  sinergias  e  redesenhar  a  logística  da  Fiscalizada,  para  que  o  ramo  detido  pela  LION  pudesse  ser  incorporado  de maneira  eficiente,  sem  interferir  de maneira  negativa  em suas operações  (grifo da  fiscalização). Afinal,  vale  lembrar,  a LION  era  detentora  de  dívidas  que  alcançavam  o  montante  de  aproximadamente  R$  33.000.000,00, contemplando, inclusive, Patrimônio Líquido negativo."  Em 21.3.2001 foi celebrado entre a CACo, CABO e a Fiscalizada, o Contrato  de Compra e Venda de Ações ("Contrato ") a que se referia o Segundo Memorando  (doc. Nº 8), estabelecendo, dentre outros, o seguinte:"  "(i) a Fiscalizada deveria contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION,  sendo  por  isso  emitidas  26.346.542  ações  ordinárias  e  12.781.183  ações  preferenciais da classe 4;"  (ii) como adiantamento ao futuro aumento de capital, na data da assinatura  do contrato a Fiscalizada deveria pagar o valor de US$ 1.000.000,00;"  (iii) ......................  (iv)  a  Fiscalizada  se  comprometeria  a  adquirir  a  participação  detida  pela  CACo na LION e a CABO se comprometeria a adquirir a participação detida pela  CACo na NOIL,  operações  que,  no  total,  atingiam o  valor  de US$ 22.000.000,00  (sendo US$ 12.000.000,00 relativos à primeira aquisição, e US$ 10.000.000,00 pela  segunda);"  (v) ......................  (vi) o pagamento de US$ 22.000.000,00 seria efetuado da seguinte forma: (a)  a CABO deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor  de US$ 2.500.000,00; e (b) a Fiscalizada deveria efetuar o pagamento à CACo em  quatro  parcelas  anuais  no  valor  de  US$  3.000.000,00;  sendo  cada  parcela  representada e garantida por Nota Promissória Endossável com vencimento anual,  sendo a primeira devida em 1.7.2004 e a última parcela devida em 1.7.2007 (docs.  nºs 9 a 16); e "  (vii) as parte se comprometeriam a obter todas as aprovações necessárias e a  praticar  todos os atos necessários para efetivar a  incorporação da Fiscalizada na  LION até 31.12.2001."  "Assim,  após  o Contrato,  a  estrutura  de  representação  da CACo  no  Brasil  passou a ser a seguinte:"  "Quando do aporte de US$ 25.000.000,00;"  [desenho esquemático na pág. 1806]    “Quando da aquisição da participação detida pela CACo na NOIL e LION;'  [desenho esquemático na pág. 1807]    Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 105          6 "A partir dessa estrutura, começaram a ser tomadas as devidas providências  para  a  concretização  da  Cláusula  3  do  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  (incorporação da Fiscalizada na LION). "  "Para  que  a  estrutura  acima  pudesse  ser  efetivamente  concretizada,  foi  necessário realizar ajustes ao Contrato de Compra e Venda de Ações, de forma que,  em  12.4.2001,  foi  celebrada  a  Primeira  Alteração  Contratual  do  Contrato  de  Compra e Venda de Ações (doe. n" 17), prevendo as condições pelas quais seriam  adquiridas  as  participações  originariamente  detidas  pela  CACo.  Não  obstante,  o  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  ainda  se  mostrava  incompleto  para  a  concretização da Cláusula 3, de forma que foi necessária a celebração da Segunda  Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações  (doc. Nº 18),  em  16.2.2005 (decorridos quase 4 anos do Contrato de Compra e Venda de Ações —  grifo e observação da fiscalização). "  "Nesse esteio, foram também elaborados demonstrativos de avaliação do ágio  que  seria  gerado  à  Fiscalizada  (doe.  n"  19),  realizadas  auditorias  legais(doc.  nº  20), e solicitadas avaliações de auditores independentes (docs. nºs 21 e 22). "  "Concluídos  os  estudos  e  realizada  a  incorporação  da  Fiscalizada  pela  LION, que se deu justamente com (i) cisão parcial da CABO; (ii) incorporação da  parte cindida da CABO na NOIL; e (iii) incorporação da NOIL na fiscalizada, com  sua conseqüente extinção; a estrutura sob análise passou a ser a seguinte:  [desenho esquemático na pág. 1807]    "A Fiscalizada  esclarece que  a  incorporação  foi  feita  pela LION a  fim de  que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos (grifo da fiscalização),  que  oneraria  ainda  mais  a  operação,  causando,  consequentemente,  aumento  no  valor de venda de suas ações. "   7.  Conforme  os  documentos  apresentados,  os  acionistas  das  holdings,  antes  das incorporações (março/2001), eram os seguintes:  • Acionistas da CABO (controladora da SOTREQ): Carl Vagn Orberg, Borge  Kristian Orberg, Carl Alfred Orberg e Kathryn Orberg Beeck.  • Acionistas da NOIL (controladora da LION): CACo (empresa  sediada nos  EUA),  Paulo  Fernando  Cavalcanti  de  Albuquerque,  Russel  Graham  Glover  e  Edward  Russel  McKenny  Jr..  Conforme  verificado  posteriormente,  a  LION  EMPREENDIMENTOS  S.A  (LEMP),  CNPJ  61.076.956/0001­61,  também  era  acionista da NOIL.  •  Acionistas  da  CACo:  Não  foram  informados,  apesar  do  contribuinte  ser  intimado a fazê­lo.  [...]  VII ­ DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO LION  [...]  35. Com  relação  aos  pagamentos  de US$ 12 milhões,  previstos  para  serem  efetuados  em  2004  a  2007,  referentes  à  quitação  da  participação  anteriormente  detida pela CACo na LION,  a  fiscalização não contesta  sua  efetividade,  tendo em  Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 106          7 vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO  PARTICULAR  DE  QUITAÇÃO  celebrado  em  20  de  abril  de  2006  (doc.  1  da  resposta recebida em 02/08/2010).  36.  Já  com  relação  ao  efetivo  pagamento  de US$  25 milhões,  a  fiscalizada  não  comprovou  integralmente  sua  efetividade,  conforme  pode  ser  verificado  na  PLANILHA 4, em anexo, elaborada com base na planilha DEMONSTRATIVO DE  LANÇAMENTOS  da  LION,  apresentada  pela  fiscalizada  em  13/09/2010,  e  documentos apresentados em 27/09/2010 e 12/11/2010, onde se observa o seguinte:  • Com relação aos pagamentos via bancos (R$ 2.000.000,00, R$ 92.900,00),  equivalentes a US$ 1 milhão, a fiscalizada não apresentou os extratos bancários da  LION,  apesar  de  intimada  a  fazê­lo.  Apresentou  apenas  extrato  da  SOTREQ,  a  crédito, quando deveria ser a débito. De qualquer forma, a proprietária das ações era  a NOIL, e a fiscalizada não apresentou os livros da NOIL, apesar de intimada a fazê­ lo. (...)  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  14.625.117,71,  equivalentes  a  US$  6.844.081,48,  a  fiscalizada  apresentou  o  extrato  da  CABO,  mas  não  da  LION.  Observa­se no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18  /06/2010), folha 1, como histórico, "vlr ref doc para SOTREQ nesta data".  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  3.738.007,92,  equivalente  a  US$  1.749.266,66  foi  apresentado  contrato  3100400032,  onde  se  observa  que  quem  contraiu o empréstimo foi a CABO, não a LION.  • Com relação ao pagamento de R$ 2.136.900,00, equivalente a US$ 1 milhão  foi apresentado ctr 3100100086, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da  LION,  porém,  como  contrapartida,  a  LION  entregou  à  CABO,  na mesma  data,  o  valor  assumido,  conforme  cláusula  3.1  do  contrato,  ou  seja,  para  a  LION,  teria  havido uma cessão de dívida para a CABO e uma saída de dinheiro na mesma data,  para a CABO. Observamos  também que esses lançamentos não foram encontrados  no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18/06/2010).  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  6.410.700,00,  equivalente  a  US$  3  milhões,  foi  apresentado  primeiro  termo  de  aditamento,  ctr  3100100088,  onde  se  observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, não consta a contrapartida  no  primeiro  termo  de  aditamento,  e  a  fiscalizada  não  apresentou  o  "Instrumento  Particular", apesar de intimada a fazê­lo.  •  No  último  lançamento,  de  30/06/2001,  (R$  21.251.489,65),  equivalente  .  aproximadamente  a  US$  10  milhões,  foi  lançada  a  crédito  de  "CAPITAL  A  INTEGRALIZAR"  e  "Sotreq  S.A"  e  a  débito  de  "Outras  contas  a  pagar"  e  "Transitória  pagto  a  fornecedores".  Tal  lançamento  abre  apenas  2  (duas)  possibilidades: Primeira ­ Os detentores dos créditos nas contas debitadas, seriam os  integralizadores  do  capital  (o  que  não  foi  o  caso,  pois  a  conta  2162009  ­  "Outras  Contas  a  Pagar",  apresentada  na  resposta  recebida  em  27/09/2010  (doe.  n°  3)  é  composta de vários fornecedores, destacando­se a Cat Brasil, empresa nacional (não  a CACo, sediada nos EUA), sendo que os subscritores do aumento de capital seriam  a CACo e a NOIL). Segunda ­ Os integralizadores assumiriam as .dívidas lançadas  nas  contas  debitadas. Tal  aumento  de  capital  estava previsto  na  ata  da  assembléia  geral da LION, realizada em 30 de março de 2001, cópia entregue em 23/08/2010  (doe. n° 17). Seria os (ii) 40% do aumento de R$ 53.128.798,83, a ser integralizado  até 30.6.2001. O aumento total do capital foi efetuado com a emissão de 26.346.542  ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4. Observa­se na ata de  29.6.2001 da LION (entregue em 08/10/09),  item "e", que  tais ações eram detidas  Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 107          8 pela SOTREQ e foram extintas. Dessa forma, a integralização do capital  teria sido  efetuada pela SOTREQ, como previsto desde o início, ou seja, ela teria assumido as  dívidas  de  "Outras  contas  a  pagar"  e  "Transitória  pagto  a  fornecedores".  Dessa  forma, as dívidas,  que  eram da LION com a  incorporação da SOTREQ, pela  LION, ocorrida na mesma data  teriam continuado com a LION, ou seja, não  teria havido mudança em relação à situação antes da incorporação. Observamos  também que  tais  lançamentos não constam no  livro RAZÃO da CABO, conforme  cópia integral em anexo à resposta recebida em 18/06/2010. De qualquer forma, não  houve movimentação de numerários nessa operação.  VIII ­ DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO NOIL  [...]  38.  Com  relação  aos  pagamentos  acima  relacionados,  previstos  para  serem  efetuados  em  2004  a  2007,  referente  ao  pagamento  da  participação  anteriormente  detida pela CACo na NOIL,  a  fiscalização não contesta  sua efetividade,  tendo em  vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO  PARTICULAR  DE  QUITAÇÃO  celebrado  em  20  de  abril  de  2006  (doe.  1  da  resposta recebida em 02/08/2010).  IX ­ DOS LAUDOS DE RENTABILIDADE FUTURA:  [...]  53.  Em  suma,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  apresentar  o  Laudo  de  avaliação  econômico­financeira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade  futura  por  5  (cinco)  vezes,  em  termos  lavrados  nas  seguintes  datas:  22/02/2010,  31/03/2010,  26/04/2010,  14/05/2010  e  05/07/2010.  Em  resposta  recebida  em  23/08/2010  a  fiscalizada  relacionou  os  documentos  que,  segundo  ela,  seriam  os  laudos,  os  quais,  conforme o  disposto  nos  itens  anteriores,  comprovou­se  que  não  continham  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura.  Na  mesma  resposta  a  fiscalizada  informou  que  "não  seriam  necessários  novos  estudos  para  a  concretização  do  negócio  entre  os  grupos  SOTREQ  e  LION".  Dessa  forma,  ficou  comprovado  que  não  foi  elaborado,  por  3  peritos  ou  por  empresa  especializada,  o  Laudo  de  Avaliação  econômico­financeira,  o  fundamento  econômico  e  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  em  questão.  X  ­  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO  LION:  54. Resumindo, com relação ao ágio LION:  •  Em  todos  os  documentos  apresentados,  não  há  qualquer  demonstrativo de  rentabilidade  futura,  nem  qualquer  avaliação  do  valor  de mercado de bens do  ativo. Dessa forma,  as  ações da LION  foram adquiridas  por  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas.  Tal  afirmação é corroborada pelo fato de que, com a incorporação, a SOTREQ passou a  deter a distribuição dos produtos da CACo nos territórios anteriormente alocados  à LION. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade  de  ágio  prevista  no  artigo  386,  inciso  III,  §2°.  do  RIR/99,  as  despesas  de  amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os  requisitos previstos no  art. 299 do mencionado regulamento.  Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 108          9 "Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora  (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47)."  "§1°. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das  transações ou operações exigidas pela atividade da empresa."  "§2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo  de transações, operações ou atividades da empresa."  55.  A  inexistência  do  Laudo  de  avaliação  econômico­ financeira,  o  fundamento  econômico  e  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  já  é  por  si  só  suficiente  para  a  glosa  da  despesa  de  ágio.  Porém,  a  falta  do  demonstrativo  matemático  dos  valores  de  ágio,  bem  como  a  comprovação  apenas  parcial  dos  pagamentos,  reforçam  essa  glosa, como o disposto a seguir.  • A fiscalizada não conseguiu demonstrar matematicamente os valores do  ágio, nem de R$ 76.845.186,06 (constante no LAUDO DE AVALIAÇÃO), como de  R$ 79.345.197,83 (ágio amortizado).  • Com  relação à  efetividade  dos  pagamentos,  a  fiscalização  não  contesta os  pagamentos  referentes aos US$ 12 milhões previstos para serem pagos em 2004 a  2007/referentes  à  participação  anteriormente  detida  pela  CACo  na  LION.  Porém,  entende  que  a  fiscalizada  não  comprovou  integralmente  a  efetividade  do  pagamento dos US$ 25 milhões, previstos para 2001. Observou­se inclusive que em  parte  desses  supostos  pagamentos,  não  houve  movimentação  de  numerários,  conforme já disposto no item VII e PLANILHA 4.  XI  ­  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO  NOIL:  56. Resumindo, com relação ao ágio NOIL:  •  os  documentos  relacionados  pela  fiscalizada se  referem  apenas  à LION,  e  não  à  NOIL.  Dessa  forma,  não  há  qualquer  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  da  NOIL.  Isto  posto,  não  sendo  aplicável,  no  caso,  a  especial  norma  de  dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas  de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no  art. 299 do mencionado regulamento.  [...]  XIII  ­ DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZO  E BASES  DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL  59.  A  LION  S.A  (CNPJ  61.064.689/0001­02),  até  março/2001,  era  uma  empresa deficitária, com prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à  CADE  (doc.  n°  7  da  resposta  apresentada  em  26/04/2010),  a  LION  era  uma  distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos  estados do SP, MT, MS, RO, RR, AC e AM.  60.  A  SOTREQ  (CNPJ  33.081.712/0001­31),  até  março/2001,  era  uma  empresa superavitária, sem prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado  à  CADE,  a  SOTREQ  era  uma  distribuidora  autorizada  do  Grupo  Caterpillar  no  Brasil, atuando especificamente nos estados do RJ; ES, MG, GO, TO, PA e AP.  Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 109          10 61. Seria lógico que a SOTREQ, empresa superavitária, incorporasse a LION,  empresa deficitária. Toda a negociação foi pautada nesse principio, com aportes de  dinheiro e compra de ações da LION, pela SOTREQ.  [...]  64.  O  art.  514  do  RIR/99  dispõe  que  "a  pessoa  jurídica  sucessora  por  incorporação,  fusão  ou  cisão  não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei  n°  2.341,  de  1987,  art.  33)".  Se  a  SOTREQ  (empresa  superavitária)  incorporasse  a LION  (empresa  deficitária),  a  SOTREQ não  poderia  compensar os  prejuízos acumulados desta.  65.  A  própria  fiscalizada  reconhece  esse  fato  na  resposta  recebida  em  26/04/2010,  item  22.  "A  fiscalizada  esclarece  que  a  incorporação  foi  feita  pela  LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos, o que  oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de  venda de suas ações".  66.  Dessa  forma,  unicamente  para  aproveitar  os  prejuízos  da  LION,  nas  apurações do IRPJ e da CSLL, ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION  que incorporou a SOTREQ, tendo alterado sua razão social para SOTREQ.  67.  Essa  fiscalização  considera  essa  operação  ilegal,  pois  o  objetivo  do  negócio foi unicamente para recolher menos IRPJ e CSLL. O que vale são os fatos, e  o que efetivamente ocorreu foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não  poderia  compensar  os  prejuízos  ficais  desta,  nos  termos  do  art.  514  do  RIR/99.  Observamos  também  que  as  atividades  da  incorporada  extinta  (antiga  SOTREQ)  continuaram  plenamente  funcionais  nos  moldes  que  já  acontecia  até  aquele  momento.  [...]  72. Considerando­se que efetivamente foi a SOTREQ que incorporou a LION,  e  considerando­se  que  a  SOTREQ  não  possuía  prejuízos  fiscais  nem  bases  de  cálculo negativas de CSLL acumulados, ela não poderia compensar posteriormente,  os prejuízos acumulados da LION.  73.  Tendo  a  SOTREQ  também  incorporado  a  NOIL,  em  31/12/2002,  ela  também não poderia compensar eventuais prejuízos acumulados e bases de cálculo  negativa da CSLL da NOIL.  Irresignado  com  o  lançamento  fiscal,  o  contribuinte  apresentou  sua  impugnação, de fls. 1861 e seguintes, onde em síntese, conclui, fls. 1866:  “Quanto à glosa da despesa com a amortização do ágio:   (I) trata­se de autuação em matéria de ágio totalmente distinta dos casos mais  recentes  examinados  pelo  CARF,  uma  vez  que  as  empresas  envolvidas  eram  empresas  efetivamente  existentes  e  operacionais,  com  contratos  em  vigor,  empregados e ativos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, não havendo  'empresa veículo' no caso em exame;  (II)  o  ágio  é  real,  fruto  de  operação  legítima  de  aquisição  de  participações  societárias, detidas por terceiros, em empresa que atua no mesmo setor (LION) e na  sua  holding  (NOIL),  mediante  o  desembolso  efetivo  de  recursos  por  parte  da  adquirente (SOTREQ) para pagamento do preço de compra;  Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 110          11 (III)  o  evento  que  desencadeou  o  direito  à  amortização  fiscal  do  ágio  foi  a  incorporação  da  adquirente/controladora  pela  controlada  LION,  sendo  a  incorporação  reversa  nesse  caso  motivada  por  razões  de  negócio  fartamente  indicadas e sendo a incorporação reversa expressamente autorizada pelo art. 8o da  Lei n° 9.532/97;  (IV)  o  lançamento  do  registro  do  ágio  foi  corretamente  realizado  na  contabilidade da IMPUGNANTE em relação aos investimentos detidos na LION e  na NOIL, na forma da lei;  (V) o ágio foi fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura  de  ambas  as  empresas  (LION  e  NOIL),  avaliadas  conjuntamente  em  razão  de  a  NOIL ter como único ativo participação no capital da LION, empresa operacional;  (VI) a expectativa de rentabilidade futura encontra­se amparada por mais de  um  demonstrativo  apresentado  à  fiscalização  que,  não  obstante,  desconsiderou  a  apresentação dos mesmos por reputar que estes não revestem a forma que os autos  de infração entendem adequada, ainda que não requerida por lei;  (VII)  este  último  argumento,  aliás,  é  o  único  fundamento  para  a  glosa  das  despesas com amortização do ágio, fundamento este totalmente descabido uma vez  que a lei tributária não exige a demonstração da expectativa de rentabilidade futura  por laudo de 3 peritos, como pretendem os autos de infração.  Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais e da base negativas  da CSLL:  (VIII)  os  autos  de  infração  reputam  ilegal  a  incorporação  da SOTREQ pela  LION, por considerar que esta operação foi realizada exclusivamente para permitir a  compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL;  (IX)  ignoram  os  autos  de  infração  que  a  LION,  conquanto  deficitária  no  passado,  sempre  foi  uma  empresa  ativa  e  operacional  de  grande  importância  e  presença no mercado em que até hoje atua;  (X)  ignoram  ainda  que  os  objetivos  colimados  com  a  aquisição  das  participações  na LION e  na NOIL  foram desde  sempre  o  de  permitir  a  união  dos  negócios dessas sociedade com os da SOTREQ, por meio da incorporação desta pela  primeira, visando a consolidação estratégica de suas posições no mercado brasileiro,  a ampliação das atividades e maior sinergia nos negócios, com significativo aumento  de  faturamento  e  lucros  crescentes  dos  antigos  estabelecimentos  LION,  após  a  incorporação, conforme evidenciado no documento sob n° 09;  (XI)  ignoram  também  que  a  operação  não  poderia  ser  realizada  de  outra  forma, pois se pretendeu assegurar os benefícios fiscais da LION, de isenção do ISS  e do IPTU, relevantes para o aumento da viabilidade financeira das operações;  (XII)  ignoram,  por  fim,  que  a  incorporação  foi  um  negócio  jurídico  real  e  desejado pelas partes e não realizado apenas com o intuito de compensar prejuízos  fiscais e base negativa da CSLL;  (XIII) a compensação desses valores pela IMPUGNANTE é conseqüência da  reorganização de seus negócios e não vice e versa.  Na  sequência,  foi  emitido  o  Acórdão  nº  05­33.168  da  DRJ/Campinas,  mantendo integralmente os lançamentos fiscais e contendo o seguinte ementário:  Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 111          12 Ágio. Contabilização. Prova. Dedutibilidade.  A  regular  contabilização  do  ágio  pago  na  aquisição  dos  investimentos  deve  estar  amparada  em  balanço  patrimonial  ou  balancete  de  verificação  das  investidas  levantados,  com  observância  da  legislação  comercial  e  fiscal,  na  data  da  aquisição  ou  até dois meses  ou 60  (sessenta)  dias,  no máximo,  antes dessa data. Na ausência de apresentação da documentação  hábil,  considera­se  não  comprovado  o  ágio  contabilizado  na  aquisição  dos  investimentos,  configurando­se  irregular  as  decorrentes despesas de amortização.  Ágio. Fundamento Econômico. Prova. Dedutibilidade.  No  lançamento  contábil  do  ágio  deve  estar  indicado  o  fundamento  econômico,  e  quando  este  for  o  valor  de  rentabilidade  futura  da  investida,  deve  estar  baseado  em  demonstração  a  ser  arquivada  como  comprovante  da  escrituração.  Na  ausência  de  apresentação  da  prova  hábil  do  fundamento  econômico,  in  casu,  da  demonstração  de  rentabilidade  futura  das  investidas,  considera­se  não  comprovado  o  ágio  contabilizado  na  aquisição  dos  investimentos,  configurando­se  irregular  as  decorrentes  despesas de amortização.  Ágio. Pagamento. Prova.  Integra  a  comprovação  da  regularidade  da  contabilização  do  ágio a prova do pagamento ou do ônus assumido pela adquirente  na aquisição de investimentos.  Entretanto,  nas  operações  entre  partes  não  relacionadas  e não  provada a ocorrência de simulação, a  falta de apresentação da  prova  da  efetividade  da  transferência  de  recursos,  não  é  suficiente para desconstituir a força probatória da escrituração  e dos documentos contratuais apresentados.  Desconsideração de Negócios Jurídicos.  A  autoridade  administrativa  pode  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com a  finalidade  de  dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  ato  administrativo a ser submetido ao contraditório e à ampla defesa  garantidos pelo processo administrativo fiscal.  A  autoridade  administrativa  está  vinculada  à  realidade  dos  efeitos  jurídicos  dos  negócios  realizados  pelas  partes,  e  não  à  qualificação dada por elas aos seus atos negociais.  Comprovada a  incorporação às avessas,  em que uma empresa,  gravemente  deficitária,  e  com  valor  de  mercado  seis  vezes  menor,  incorpora  uma  empresa  lucrativa,  assume  a  denominação  social  e  a  administração  da  incorporada,  e  não  apresenta qualquer motivo extra­tributário para a realização da  operação  na  forma  como  efetivada,  deve  ser  a  sua  Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 112          13 desconsideração,  para  que  sejam  considerados  os  efeitos  da  operação de fato ocorrida.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Os  principais  fundamentos  do  acórdão  recorrido  podem  ser  assim  sintetizados:  DA  PROVA  DO  VALOR  PATRIMONIAL  DOS  INVESTIMENTOS  ADQUIRIDOS  e  DO  FUNDAMENTO  ECONÔMICO  DO  ÁGIO:  RENTABILIDADE  FUTURA DAS INVESTIDAS  1­ apesar de reiteradamente intimada a demonstrar o cálculo do valor do ágio  contabilizado  pela  SOTREQ  e  pela  CABO  na  aquisição  dos  investimentos  na  LION  e  na  NOIL,  e  de  afirmar  que  o  patrimônio  líquido  das  investidas  era  negativo,  a  fiscalizada  não  apresentou à fiscalização o balanço patrimonial ou balancete de verificação da LION e a NOIL  levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois  meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data (arts. 248, 385, 387, 391, 426 e 427  do RIR/99);  2­ não podem ser encaradas como meras  formalidades as disposições  legais  de que o desdobramento do  custo de  aquisição de  investimentos  relevantes,  e a  conseqüente  escrituração  do  ágio,  depende  de  apresentação  da  prova  do  valor  patrimonial  da  empresa  investida.  Na  verdade,  trata­se  de  definir  diretamente  o  valor  patrimonial  do  investimento  adquirido  e,  indiretamente,  o  valor  do  ágio  na  aquisição,  o  que  se  constitui  em  elemento  essencial das operações;  3­ o Laudo de Avaliação da SOTREQ (incorporada)  e da CABO  (cindida),  nos quais constam os registros dos ágios não fazem prova da regularidade da determinação do  valor  contabilizado,  principalmente  quando  a  escrituração  não  se  encontra  respaldada  em  documentação hábil, nos termos da legislação de regência;  4­  conforme  expressamente  consignado  no  art.  385  do  RIR/99,  no  lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o  valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada  como  comprovante  da  escrituração.  Apesar  dos  protestos  da  defesa,  a  exigência  contida  na  norma  não  pode  ser  vista  como  uma mera  formalidade,  na medida  em  que  se  constitui  em  critério  distintivo  do  fundamento  econômico  do  pagamento  do  ágio.  Na  ausência  de  tal  demonstração, o ágio contabilizado fica sem a necessária fundamentação econômica, capaz de  viabilizar  o  enquadramento  da  situação  fática  no  adequado  tratamento  normativo  contábil  e  fiscal.  5­  na  ausência  de  demonstração  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  dos  investimentos,  interpreta­se  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  é  o  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas,  com as  conseqüências  daí  decorrentes,  dentre  elas  a  não sujeição à amortização (art. 386, III do RIR/99);  6­ considerando a vigência tanto dos preceitos contidos no art. 386 como no  art. 430 do RIR/99, foi corretamente aplicada ao caso a regra de dedutibilidade das despesas de  amortização  do  ágio,  previstas  no  primeiro  dispositivo,  tendo  em  conta  que  se  trata  de  Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 113          14 dedutibilidade de ágio contabilizado na aquisição de investimentos, posteriormente extintos em  função de  incorporação ou cisão. Para  a  Impugnante, com o advento do  art. 386 do RIR/99,  teria sido introduzido um regime de dedução diferida e fracionada no tempo da perda de capital  decorrente do ágio, diferente do regime geral de dedução plena e imediata da perda, previsto  nos  arts.  426  e 430 do RIR/99. Conforme  já dito  anteriormente,  o  art.  426  seria  inaplicável,  porque se refere à alienação ou liquidação de investimento, e não aos casos de incorporação e  cisão. Da mesma forma, a norma do art. 430 do RIR/99 também não se aplicaria, porque apesar  de  se  referir  à  extinção da participação  societária,  em decorrência de  incorporação,  fusão ou  cisão,  no  art.  386  do  RIR/99,  há  tratamento  específico  para  os  casos  de  extinção  de  participações  societárias,  em decorrência de  incorporação,  fusão ou  cisão, quando adquiridas  com ágio ou deságio;  7­  apesar  dos  reiterados  protestos  da  defesa,  não  foi  apresentado  qualquer  documento  que  pudesse  ser  recebido  como  um  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  das  empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações  pela  SOTREQ/CABO  em  março  de  2001.  Nenhum  dos  documentos  apresentados  pode  ser  recebido  como  a  demonstração  da  rentabilidade  futura  das  investidas  requerida  pela  legislação,  na  medida  em  que  todos  os  instrumentos  se  referem  a  operações  posteriores  ao  evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001.  8­  ainda  durante  o  procedimento  fiscal,  a  contribuinte  foi  alertada  de  que  entre  a  documentação  apresentada  não  estaria  a  demonstração  de  rentabilidade  futura  das  investidas (LION/NOIL). A glosa da amortização do ágio não se funda, como quer fazer crer a  Impugnante,  no  fato  de  haver  sido  apresentado  um  demonstrativo  inadequado,  mas  de  não  haver  sido  apresentado  qualquer  demonstrativo  de  rentabilidade  futura.  Depois,  de  detida  análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar  de  reiteradamente  intimada  a  contribuinte  não  apresentou  a  demonstração  de  rentabilidade  futura  da  LION/NOIL,  a  fim  de  respaldar  a  escrituração  do  ágio  na  aquisição  dos  investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio.  DA  PROVA  DO  PREÇO  DE  AQUISIÇÃO  DOS  INVESTIMENTOS  E  DOS PAGAMENTOS CONTRATADOS  9­ Além da divergência  entre o valor do ágio  constante dos demonstrativos  das  amortizações  (R$ 79.345.197,83)  ­  fls.  101 e 229/230,  e o valor do  ágio  contabilizado e  constante  do  Laudo  de  Avaliação  da  SOTREQ  ­  fls.  133  e  ratificado  na  resposta  dada  à  fiscalização  às  fls.  238  (R$  76.845.186,86),  haveria,  segundo  a  fiscalização,  outras  inconsistências  probatórias  relacionadas  ao  pagamento  de  parte  do  valor  contabilizado  (US$  25.000.000,00).  10­ No contexto do procedimento de fiscalização em análise, que se refere a  operações  efetuadas  entre  partes  não  relacionadas,  e  em  que  não  provada  a  ocorrência  de  simulação, a ausência de prova documental do efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da  LION, não é suficiente para afastar a força probatória dos instrumentos contratuais e contábeis  apresentados, dentre os quais  se destacam: o contrato de compra e venda de ações e as  suas  duas alterações posteriores, o instrumento particular de quitação, a alteração do contrato social  em  que  formalizado  aumento  de  capital  ora  contraditado,  e  por  fim  os  próprios  registros  contábeis. Deve ser mantida a fundamentação de falta de comprovação dos pagamentos apenas  em relação à divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações  (R$ 79.345.197,83) ­ fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo  Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 114          15 de Avaliação da SOTREQ ­ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$  76.845.186,86).  Entretanto,  a  glosa  da  despesa  de  amortização  do  ágio  se  mantém  integralmente com base nas fundamentações já anteriormente analisadas.  DA  GLOSA  DA  COMPENSAÇÃO DE  PREJUÍZOS  FISCAIS  E  BASES  DE CÁLCULO NEGATIVAS: INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS"  11  ­  a  operação  de  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  não  foi  caracterizada  como  simulada.  Entretanto,  o procedimento  fiscal  se encontra amparado  em Acórdão do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ, prolatado no âmbito do Recurso Especial n°  946.707  (cópia  juntada  pela  defesa  às  fls.  2042  e  seguintes),  em  que  a  operação  de  incorporação da empresa superavitária pela deficitária, foi caracterizada como simulação, com  base nos seguintes pressupostos fáticos:  1.  a  incorporadora  possuía  patrimônio  líquido  bem  inferior  ao  da incorporada, acumulando prejuízos  fiscais,   inexistentes no  patrimônio da incorporada;  2.  a  incorporadora  assumiu  a  denominação  social  da  incorporada,  de  forma  que,  no  mundo  dos  negócios,  a  empresa  incorporada e extinta teria continuado a operar;  3.  os  membros  do  Conselho  de  Administração  da  incorporadora teriam renunciado, tendo assumido os do Conselho  da incorporada, restando da incorporadora, nada mais que o CGC;  4.  ao  tempo  da  incorporação,  a  incorporadora  já  havia,  de  fato,  encerrado  suas  atividades,  com a transferência de seu ativo  imobilizado para outra empresa, subsistindo apenas juridicamente,  tendo  servido  apenas  de  "fachada"  para  a  operação,  aspecto  a  denotar a inviabilidade econômica da operação;  5.   a  incorporação  às  avessas  teria  sido  efetivada  exclusivamente  para serem aproveitados os prejuízos fiscais, cujo aproveitamento  a Lei expressamente vedava.  Para  concluir,  o  Ilmo.  Ministro  do  STJ  pela  simulação  da  operação  basicamente nos seguintes  termos: "(...)  tanto em razão social, como em estabelecimento, em  funcionários  e  em  conselho  de  administração,  a  situação  final  ­  após  a  incorporação  ­ manteve  as  condições  e  a  organização  anterior  da  incorporada,  demonstrando­ se  claramente  que,  de  fato,  esta  "absorveu  "  a  deficitária  e  não  o  contrário,  tendo­se  formalizado  o  inverso  apenas  com  o  intuito  de  aproveitar  os  prejuízos  fiscais  da  incorporadora, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada e  não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação ".  Conclui­se que a consideração da operação como ilícita seria decorrente do  fato de não ter respaldo na realidade fática, o ato praticado pelo contribuinte, na medida em que  a  incorporação  "às  avessas"  ou  incorporação  da  superavitária  pela  deficitária,  somente  teria  ocorrido no papel, devido à existência apenas formal da incorporadora.  12­  apenas  a  sede da LION foi mantida  em Sumaré/SP,  conforme acima  referido,  mas  o  mais  relevante  que  é  a  denominação  social  foi  alterada.  O  único  motivo  pertinente  e  relevante  a  justificar  a  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  seria  o  fato  desta  Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 115          16 última ser beneficiária de isenção de  imposto sobre serviços (ISSQN) e do  imposto predial e  territorial urbano  (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10  (dez)  anos  a  contar  de  outubro  de  1998,  cuja  manutenção  era  imprescindível  para  a  maior  rentabilidade do negócio.    13­  a  incorporação  da  deficitária  pela  superavitária  fez­se  exclusivamente  por  motivos  fiscais,  tanto  no  âmbito  federal,  para  compensação  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL  acumuladas  pela  deficitária,  como  municipal, para a manutenção dos benefícios  fiscais concedidos. Considera­se assim passível  de desconsideração pela autoridade tributária a operação de incorporação às avessas, efetuada  com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária.  Contra  o  acórdão  da  DRJ/Campinas,  a  empresa  autuada  apresentou  seu  recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls.  ,  repisando praticamente as mesmas alegações  da peça impugnatória.  A  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contra­razões  ao  recurso  voluntário.  Aduz  que  o  contribuinte  não  logrou  apresentar  demonstrativo  de  rentabilidade futura dos  investimentos adquiridos, bem assim qualquer avaliação de mercado  dos ativos das investidas. Ainda como fundamento de reforço à glosa, a autoridade fiscal indica  a  falta  de  demonstrativo  matemático  dos  valores  de  ágio,  bem  assim  comprovação  apenas  parcial dos pagamentos.   Prossegue, argumentando que, usualmente, a amortização do ágio ou deságio  não  é  deduzida  ou  tributada.  Via  de  regra,  a  dedução  ou  tributação  dessa  amortização  no  âmbito do  IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o  investimento que  lhe deu origem for  alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de  capital,  quando  então  o  ágio  ou  deságio  é  incluído  (somado  ou  diminuído)  no  preço  de  aquisição do investimento que está sendo extinto.  Tal  regra,  todavia, não se aplica em certas hipóteses de incorporação,  fusão  ou cisão societária, quando a dedução da despesa com amortização do ágio na base de cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  será  admitida  independentemente  da  alienação  ou  liquidação  do  investimento. Esse benefício  fiscal  é  concedido  expressamente pelo  artigo 386 do RIR/99, o  qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997.  Tal dedução, contudo, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada  deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar  estritamente as condições lá estipuladas, sob pena de ser considerada indevida.  Entre  as  condições  e  requisitos  previstos,  deve  a  pessoa  jurídica  ter  efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito  negocial  e  substrato  econômico  a  justificar  a  sua  origem;  deve  também  esse  ágio  ter  como  fundamento  econômico  a  rentabilidade  futura  da  controlada  e  o  laudo,  que  atesta  esse  fundamento econômico, deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio.  Além disso, o laudo deve anteceder o pagamento do ágio. Se a lei exige que o  ágio pago seja fundamentado em documento escrito, o qual deve ser,  inclusive, registrado na  escrituração da empresa, por certo que esse documento deve ser elaborado antes do pagamento  do  ágio,  nunca depois. Pensar  em sentido  contrário,  além de  ser um disparate hermenêutico,  implicaria na permissão de inimagináveis situações de fraude.  Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 116          17 De acordo com os elementos dos autos, conclui­se que o ágio registrado pela  contribuinte  com  a  aquisição  das  participações  societárias  na LION e NOIL não  é  dedutível  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL,  nos  termos  do  artigo  386  do  RIR/99, simplesmente porquê não observa as condições e requisitos  impostos pela legislação  para o gozo do aludido benefício fiscal.  Em  relação  à  glosa  de  prejuízos  fiscais,  menciona  que  deve­se  negar  a  produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de,  ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa  operacional,  em  burla  ao  art.  514  do  RIR/99.  Transcreve  jurisprudência  administrativa  em  apoio aos seus argumentos.  Ao final, a PGFN requer seja negado provimento ao recurso voluntário.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator  O  recurso voluntário  é  tempestivo  e nos  termos  da  lei. Portanto,  dele  tomo  conhecimento.  Como  já mencionado no  relatório deste  acórdão,  a matéria  em  litígio versa  sobre duas infrações tributárias:  a)  Glosa  das  despesas  de  amortização  de  ágio  no  evento  de  incorporação,  relativo a aquisição de participações societárias nas empresas LION e NOIL,  por  desatendimento  aos  preceitos  legais:  i)  inexistência  de  fundamento  econômico com base  em “valor da rentabilidade da controlada ou coligada,  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”;  ii)  falta  de  demonstração  matemática  dos  valores  do  ágio  apurado;  e  iii)  não  comprovação do pagamento integral do ágio;  b) Glosa da compensação integral de prejuízos utilizados indevidamente em  razão  do  evento  de  “incorporação”  da  empresa  superavitária  (com  lucros)  SOTREQ, por empresa deficitária (com prejuízos a compensar) LION;  Saliente­se que a dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de 2001,  data  do  evento  de  incorporação  (junho/2001). No  entanto,  o  lançamento  fiscal,  efetuado  em  2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo  decadencial para os períodos anteriores.  O  acórdão  recorrido manteve  integralmente  a  autuação  por  entender  que  a  autuada  não  teria  apresentado  o  laudo  de  avaliação  com  o  “valor  da  rentabilidade  da  controlada ou coligada, com base em previsão dos  resultados nos exercícios  futuros”, como  exige a lei, além de deixar de apresentar o demonstrativo do cálculo do valor do ágio que está  sendo amortizado. Já a comprovação do pagamento do suposto ágio apurado, foi considerado  válido pelo mesmo acórdão.  Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 117          18 Quanto  à glosa  da  compensação  de  prejuízos  fiscais  efetuado  às  “avessas”,  pela  incorporação  de  empresa  com  lucros  por  empresa  com prejuízos,  com o  objetivo  de  se  beneficiar do aproveitamento integral dos prejuízos, o acórdão da DRJ entendeu que esse tipo  de operação foi repelida em julgamento de caso idêntico no Superior Tribunal de Justiça. Além  disso,  embasou  sua  decisão  no  fato  de  que  a  incorporação  perpetrada  somente  visou  fins  fiscais,  tendo  inclusive  a  incorporadora LION  (com prejuízos)  logo  após  a  incorporação,  ter  alterado a denominação social para a denominação da incorporada, SOTREQ (com lucros), o  que demonstraria que a incorporação carece de respaldo com a realidade fática.  Já a defesa, entende que teria entregue os documentos pertinentes à apuração  do ágio que vem amortizando em sua contabilidade. Além disso, defende que a compensação  de prejuízos às avessas não encontra vedação na  legislação  tributária. A  incorporação foi um  negócio jurídico real, conseqüência da reorganização de seus negócios e não realizado apenas  com o fim único de compensar prejuízos fiscais.  Analisando os argumentos trazidos na peça recursal, entendo que assiste em  parte razão à recorrente.  Inicialmente, passo a examinar a matéria relativa à amortização do ágio.  Glosa despesas amortização de ágio  O  surgimento  do  ágio  se  dá  quanto  da  aquisição  de  participação  societária  relevante  em  outra  sociedade,  onde  o  valor  da  transação  (em  dinheiro,  bens  ou  direitos)  é  superior  ao  valor  patrimonial  da  participação  adquirida,  sujeitando­se  ao  método  de  equivalência patrimonial.   O  disciplinamento  acerca  da  contabilização  do  valor  do  ágio  apurado  na  aquisição  de  participação  societária  em  sociedade  coligada  ou  controlada,  e  de  sua  possível  amortização, encontram­se disciplinadosdos nos arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de  Renda – RIR/99, cujo embasamento legal provém do Decreto­lei nº 1.598, de 1977, art. 20 e da  Lei nº 9.532, 1997, arts. 7º e 8º:  Desdobramento do Custo de Aquisição  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 118          19 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  §  3º  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam  os  incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante  da escrituração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).    Tratamento  Tributário  do  Ágio  ou  Deságio  nos  Casos  de  Incorporação, Fusão ou Cisão  Art.  386. A pessoa  jurídica que absorver patrimônio de outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu  causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  III  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à  incorporação,  fusão ou cisão,  à  razão de um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;  IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês  do período de apuração.  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do  bem  ou  direito  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532,  de 1997, art. 7º, § 1º).  Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 119          20 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido  transferido,  na  hipótese  de  cisão,  para  o  patrimônio  da  sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §  2º):  I ­ o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma  prevista no inciso III;  II ­ o deságio em conta de receita diferida, para amortização na  forma prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na  forma do  inciso II  (Lei nº 9.532, de  1997, art. 7º, § 3º):  I ­ será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração  de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu  causa  ou  na  sua  transferência  para  sócio  ou  acionista,  na  hipótese de devolução de capital;  II  ­  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência do fundo de comércio ou do intangível que  lhe deu  causa.  § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará a pessoa  física ou  jurídica usuária ao pagamento dos  tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos  de  juros  de  mora  e  multa,  calculados  de  conformidade  com  a  legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º).  §  5º  O  valor  que  servir  de  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  poderá  ser  registrado  em  conta  do  ativo,  como  custo  do  direito  (Lei  nº  9.532, de 1997, art. 7º, § 5º).  § 6º O disposto neste artigo aplica­se, inclusive, quando (Lei nº  9.532, de 1997, art. 8º):  I ­ o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor  do patrimônio líquido;  II ­ a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que  detinha a propriedade da participação societária.  §  7º  Sem  prejuízo  do  disposto  nos  incisos  III  e  IV,  a  pessoa  jurídica  sucessora  poderá  classificar,  no  patrimônio  líquido,  alternativamente  ao  disposto  no  §  2º  deste  artigo,  a  conta  que  registrar  o  ágio  ou  deságio  nele mencionado  (Lei  nº  9.718,  de  1998, art. 11).  No caso  em  análise,  o  “fundamento  econômico”  indicado  pelo  contribuinte  para  o  registro  e  amortização  do  ágio  apurado  foi  o  “valor  de  rentabilidade” da  coligada  ou  controlada, com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (inciso II do § 2º, do  art. 385 do RIR/99).  Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 120          21 Já o § 3º do art. 385, determina que o  lançamento do valor do ágio com os  fundamentos  de  que  tratam os  incisos  I  e  II  do  §  2º  do mesmo  artigo,  entre  eles  o  valor  da  rentabilidade  com  base  em  “previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”  (laudo  de  avaliação),  deverá  estar  lastreado  em  demonstração  (documento)  que  o  contribuinte  arquivará como comprovante da escrituração.  Por  seu  turno, o  inciso  III do art. 386 do RIR/99 possibilita que o valor do  ágio  assim  apurado  (inciso  II  do  §  2º,  do  art.  385  do  RIR/99),  nos  balanços  levantados  posteriormente  aos  eventos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  em  que  uma pessoa  jurídica  absorver patrimônio  de  outra, poderá  ser  amortizado  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo, para cada mês do período de apuração, para fins de apuração do lucro real.  Assim, da  leitura dos dispositivos  legais acima  transcritos é admitido que o  valor  do  ágio  apurado  em  participações  societárias,  cujo  fundamento  econômico  seja  a  rentabilidade  “com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”,  poderá  ser  amortizado  nos  eventos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  em  que  uma  pessoa  jurídica  absorver patrimônio de outra, desde que referido ágio seja demonstrado com base em laudo  fundamentado,  devendo  referido  documento  ser  arquivado  como  comprovante  da  escrituração.   Em que pese a lei fiscal (art. 385 do RIR/99) não determinar a forma em que  deveria  ser  elaborado  o  laudo  de  avaliação,  o  próprio  §  3º  do  art.  385  estabelece  que  os  fundamentos  econômicos  utilizados  para  apuração  do  ágio  deverão  ser  baseados  em  demonstração do valor de ágio apurado: “O lançamento com os fundamentos de que tratam os  incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte  arquivará como comprovante da escrituração”.   Assim, não é qualquer documento que pode se valer o  sujeito passivo para  demonstrar e comprovar o motivo determinante dos fundamentos econômicos do valor do ágio.  Há  que  ser  um  documento  técnico  apropriado  e  claro  o  bastante  para  demonstrar  adequadamente a apuração do valor da rentabilidade da empresa, do seu valor de mercado e,  por  conseqüência,  do  próprio  valor  do  ágio,  cujo montante  terá  repercussão  e  efeitos  fiscais  importantes (dedutibilidade) na apuração do IRPJ e da CSLL.   Para que se possa dar credibilidade ao documento que contenha a avaliação  econômica  da  empresa,  é  mais  do  que  razoável  pressupor  que  seja  um  documento  técnico  completo, elaborado por pessoas habilitadas e que contenha uma exposição clara e consistente  da forma como se chegou ao valor presente da empresa avaliada.   No dizer de Luís Eduardo Schoueri,  em  seu  livro Ágio  em Reorganizações  Societárias  (Aspectos Tributários),  São Paulo, Dialética,  2012,  p.  36/37,  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  deverá  fornecer  dados  a  respeito  do  mercado  em  que  atua  a  empresa  avaliada, as projeções de rentabilidade esperada em determinado período, trazendo por técnicas  de matemática  financeira,  tais  resultados  a  valor  presente,  de modo  a  se  calcular  o  valor  de  mercado da empresa em determinado momento:  “O  estudo  investigará  o  comportamento  do mercado  e  o  comportamento  da  empresa. O  resultado  documentado  serão  números  (projeções)  que  identificarão  a  rentabilidade  esperada  em  determinado  período.  Haverá  quem  buscará  a  rentabilidade  num  período  determinado;  mais  comum  será  o  cálculo  projetar  ao  infinito  a  rentabilidade,  trazendo,  por  técnicas  de  matemática  financeira,  tais  Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 121          22 resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de marcado. Usualmente,  falar­se­á  em  “fluxo  de  caixa  descontado”,  como  forma  de  se  expressar  o  lucro  econômico  (ou  melhor:  lucro  antes  do  imposto  de  renda,  depreciações  e  amortizações).”  O  método  do  “fluxo  de  caixa  descontado”  (Disconted  Cash  Flow)  é  reconhecido internacionalmente como sendo um método confiável de apuração dos resultados  nos exercícios futuros, pois leva em conta todos os elementos que afetam o valor da empresa,  revelando­se um método que revela a efetiva capacidade de geração de riqueza das empresas.  Pois bem. No caso dos autos o relatório da fiscalização foi bastante incisivo  ao mencionar que o  agente  fiscal  intimou a  autuada, por diversas ocasiões,  a  apresentar dito  demonstrativo de rentabilidade com base em resultados futuros (laudo fundamentado).   Em que pese  terem sido apresentados diversos documentos pela  interessada  no curso do procedimento fiscal, não foi entregue nenhum documento que estivesse revestido  das  características  de  demonstrativo  com  base  em  “previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”,  relativo  às  empresas  LION  e  NOIL,  que  pudesse  justificar  o  valor  do  ágio  apurado/amortizado  na  autuada  SOTREQ  em  decorrência  da  aquisição  de  participações  societárias  nas  duas  primeiras  empresas,  conforme  exige  o  inciso  II  do  §  2º,  do  art.  385  do  RIR/99.  A  esse  respeito,  o  acórdão  recorrido,  em detalhada  análise  dos  documentos  entregues  pela  autuada  à  fiscalização,  descreveu  muito  bem  que  nenhum  dos  documentos  entregues poderiam ser caracterizados como sendo um “demonstrativo de rentabilidade” com  base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo fundamentado).   Veja­se  a  transcrição  de  trechos  do  voto  condutor,  cujas  razões  de  decidir  também passo a adotar:  “No  caso  em  apreço,  apesar  dos  reiterados  protestos  da  defesa,  não  foi  apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo  de  rentabilidade  futura  das  empresas  investidas  LION  e  NOIL,  que  teria  fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de  2001.  Para  corroborar  a  regularidade  da  operação  a  fiscalizada  teria  carreado  aos  autos inicialmente a seguinte documentação:  1.  Laudo  de  Avaliação  Contábil  do  Acervo  Líquido  da  SOTREQ  S.A.,  CNPJ n° 33.081.712/0001­31, empresa sediada no Rio de Janeiro/RJ, elaborado em  26/06/2001,  pelo  contador  Anderson  Amorim  Amorim,  a  convite  da  LION  S.A.,  CNPJ  n°  61.064.689/0001­02,  empresa  sediada  em  Sumaré/SP,  para  fins  de  incorporação a ser efetivada na data base de 31/05/2001 (fls. 105/146);  2.  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  datado de 20/06/2001 (fls. 148/160);  3.  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  LION,  realizada  em  29/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION, e a  alteração da denominação social da incorporadora para SOTREQ (fls. 161/169);  Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 122          23 4.  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  SOTREQ,  realizada  em  28/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION (fls.  170/179);  5.  Ata  da  Assembléia  Geral  Ordinária  e  Extraordinária  da  SOTREQ  (CNPJ  n°  61.064.689/0001­02),  realizada  em  30/10/2001,  na  qual  teriam  sido  consolidadas as alterações do Estatuto Social da Companhia (fls. 180/195);  6.  Ata  da  Assembléia  Geral  Ordinária  e  Extraordinária  da  NOIL  PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO  S.A.  (CNPJ  n°  01.352.859/0001­22),  realizada  em 31/12/2002, na qual foram aprovadas as Propostas e Justificações  a.  de  cisão  parcial  da  empresa  CABO  EMPREENDIMENTOS  S.A.  (CNPJ n° 34.151.100/0001­30), com incorporação do patrimônio vertido pela NOIL;  b.  de incorporação da NOIL pela SOTREQ (fls. 196/199);  7.  Protocolo  e  Justificação  de  Cisão  Parcial  Seguida  de  Incorporação,  firmado pela CABO e pela NOIL, em 31/12/2002, pelo qual foram determinadas as  condições,  justificativas  e  a  forma  pela  qual  teria  se  realizado  a  cisão  parcial  da  CABO, seguida da incorporação do patrimônio cindido pela NOIL ­ fls. 203/208;  8.  Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da CABO, para  fins  de cisão parcial, seguida de incorporação pela NOIL, datado de 31/12/2002, de fls.  209/215;  9.  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação,  firmado  entre  a  NOIL  e  a  SOTREQ, em 31/12/2002, no qual foram determinadas as condições, justificativas e  forma pela  qual  teria  se  realizado a  incorporação  da NOIL pela SOTREQ,  de  fls.  216/220;  10.  Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da NOIL para fins de  incorporação pela SOTREQ, datado de 31/12/2002, de fls. 221/226.  É  evidente  que  nenhum  destes  instrumentos  pode  ser  recebido  como  a  demonstração da rentabilidade futura das  investidas  requerida pela legislação, na  medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento  da alienação das ações, ocorrido em março de 2001.  Importante  também  salientar  que,  ainda  durante  o  procedimento  fiscal,  a  contribuinte  foi  alertada  de  que  entre  a  documentação  apresentada  não  estaria  a  demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). Veja­se que, em  25/02/2010,  a  contribuinte  foi  intimada  (fls.  277/278),  quanto  aos  investimentos  adquiridos  na  LION/NOIL,  a  apresentar  laudo  de  avaliação  a  demonstrar  a  rentabilidade futura da LION/NOIL, com a ressalva expressa de que tal documento  ainda não havia  sido apresentada, contrariamente às afirmações dos  representantes  da Fiscalizada.  Na resposta de fls. 281/283, protocolizada em 17/03/2010, para demonstrar a  rentabilidade  futura  da  LION,  na  data  da  aquisição  pela  SOTREQ  em  março  de  2001, novamente foram apresentados o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da  CABO, Seguida de  Incorporação do Patrimônio Cindido pela NOIL e o Laudo de  Avaliação  do  Acervo  Líquido  da  CABO,  ambos  datados  de  31/12/2002  (fls.  544/556).  Em  31/03/2010  (termo  de  fls.  557/563),  novamente  a  fiscalização  alertou  a  contribuinte de que não teriam sido apresentados os demonstrativos de rentabilidade  Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 123          24 futura  das  investidas  (LION  e  NOIL)  necessários  a  respaldar  o  fundamento  econômico adotado pela empresa para o pagamento do ágio e, conseqüentemente, a  sua amortização.  [...]  A  fiscalizada  trouxe  também aos  autos o documento denominado MINUTA  PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO,  elaborada  em  31/05/2001,  pelo  contador Anderson Amorim Amorim (de apenas 6 folhas ­ fls. 835/840), mediante a  qual  teria  sido  realizada  a  revisão  de  um  relatório  preparado  pela  SOTREQ  de  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW,  que  contemplava  a  SOTREQ  e  a  LION,  de  forma  individual  e  consolidada,  com  o  objetivo de expressar o entendimento do perito contábil  acerca:  (i) da consistência  das  premissas  adotadas  para  a  elaboração  dos  relatórios;  (ii)  da  metodologia  de  cálculo empregada para a obtenção do fluxo de caixa descontado e do valor presente  líquido;  (iii) do resultado dos cálculos; e (iv) dos negócios e sua gestão, com base  em leitura dos estatutos e dos balancetes preliminares da investidora (SOTREQ) e da  investida (LION).  Destaque­se, preliminarmente, que apesar de apresentar o relatório elaborado  pelo  perito,  a  fiscalizada  deixou  de  apresentar,  para  apreciação  da  fiscalização,  a  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW  da  SOTREQ/LION sobre a qual teria se debruçado o perito.  [...]  Entretanto, o demonstrativo de rentabilidade futura da LION e da NOIL não  integram a revisão, elaborada pelo perito, do suposto relatório de PROJEÇÃO DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW  da  SOTREQ/LION,  não  apresentado à fiscalização.  Por  oportuno,  saliente­se  que  a  referida  revisão  efetuada  pelo  perito  do  relatório,  não  apresentado,  preparado  pela  SOTREQ,  de  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW,  não  foi  rejeitado  pelos  problemas  formais  apontados  pela  defesa  (por  ter  sido  elaborada  por  um  único  perito;  por  não  estar  assinada;  e  por  ser  pós­datada  em  relação  aos  projetados  aportes),  mas  porque  não  contém  a  demonstração  da  rentabilidade  futura  dos  investimentos adquiridos na LION/NOIL.  [...]  Apesar  de  afirmar  que  teria  sido  elaborada  a  avaliação  da  expectativa  de  rentabilidade futura, vendas e  lucros futuros das empresas adquiridas  ­ mas não  ter sido apresentada à fiscalização, aparentemente, defende­se a fiscalizada, dizendo  que a prova de realização do negócio a preço de mercado seria hábil a dispensar a  demonstração de rentabilidade futura dos investimentos, interpretação não admitida  pela legislação vigente, que prevê um tratamento contábil e fiscal diferenciado para  cada uma das hipóteses normativas.  Confunde assim a Fiscalizada a prova do preço de mercado da operação, com  a prova do fundamento econômico do ágio.  [...]  Depois,  de  detida  análise  do  procedimento  fiscal  e  da  documentação  apresentada  não  resta  dúvida  de  que  apesar  de  reiteradamente  intimada  a  contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL,  Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 124          25 a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que  procedente a glosa da amortização do ágio.  Da  leitura  dos  trechos  do  voto  condutor  acima  transcritos,  bem  como  do  exame  efetuado  por  este  relator  dos  documentos  entregues  para  justificar  o  valor  do  ágio,  verifica­se que nenhum deles contém as características próprias de demonstrativo do valor do  ágio  cujo  fundamento  econômico  seria  o  valor  de  rentabilidade  “com base  em  previsão  dos  resultados nos exercícios futuros.   A demonstração para a determinação do valor da empresa a preços presentes,  e  do  correspondente  valor  de  ágio,  não  se  encontram  em  nenhum  dos  documentos/demonstrativos apresentados pela fiscalizada, carecendo dos seguintes elementos:  1­  inexistência da análise de mercado e da conjuntura onde atua a empresa  examinada;  2­   demonstrativo  do  faturamento  já  ocorrido  e  projeção  para  exercícios  futuros;  3­   projeções do fluxo de caixa;  4­   demonstração da forma de escolha da taxa de desconto do fluxo de caixa;  5­   demonstração  da  apuração  do  valor  de mercado  a  valor  presente  e  do  valor do ágio;  Ressalte­se  que  a  fiscalização  buscou  insistentemente  junto  à  autuada  os  demonstrativos  que  contivessem  os  valores  do  ágio  da  LION  e  da  NOIL,  cujo  fundamento  econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios  futuros”, que deveria ser arquivado como comprovante do registro do ágio, como exige a  lei  (inciso II do § 2º, e § 3º, do art. 385 do RIR/99), pelo que a autuada não logrou comprovar.  O próprio recorrente menciona em seu recurso (fls. 15 do recurso voluntário),  que  o  valor  do  ágio  foi  apurado  de  acordo  com  a  parte  excedente  do  valor  do  patrimônio  líquido das participações societárias adquiridas, ou seja, encontra­se em desacordo com o que  prevê a legislação tributária:  “40. Tal ágio representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de  patrimônio  líquido  das  participações  adquiridas,  que  totalizava  a  quantia  de  R$  79.345.197,83.”  Não apresentados os referidos demonstrativos de apuração do ágio com base  no fundamento econômico estabelecido pelo inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99 (previsão  resultados  futuros),  é  de  se  considerar  que  o  pretenso  ágio  pago  decorreu  do  fundamento  econômico de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, previsto no III do §  2º, do art. 385 do RIR/99, não amortizável e, portanto, não dedutível para fins de apuração do  IRPJ e da CSLL (art. 386, II do RIR/99).  Dessa forma, forçoso concluir que, após análise do procedimento fiscal e da  documentação contida nos autos, parece não haver dúvidas que a autuada deixou de apresentar  a demonstração de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros da  LION/NOIL,  a  fim  de  respaldar  a  escrituração  do  ágio  na  aquisição  de  participações  Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 125          26 societárias. Deixou, assim, de atender aos  requisitos  legais que  justificassem o valor do  ágio  que pretende amortizar, o que inviabiliza o aproveitamento da dedução na apuração do IRPJ e  da CSLL.  A  jurisprudência do  extinto Primeiro Conselho de Contribuintes  também  já  decidiu  no  mesmo  sentido,  conforme  se  verifica  no  ementário  do  Acórdão  que  abaixo  se  transcreve:  AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ­ REQUISITOS ­ A inexistência em  Promessa de Compra e Venda de cláusula condicional para que  seja  implementado  o  negócio,  indica  a  absoluta  concordância  pelas  partes,  caracterizando­se  uma  situação  de  fato  conforme  definido no artigo 116 do CTN, não interessando o nome que se  dê  ao  contrato. A  possibilidade  legal  de  amortização  do  ágio  restringe­se  a  situações  em  que  a  pessoa  jurídica  absorve  patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  apurado  com  fundamento  em  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios  futuros.  Não  configurada  tal  hipótese  mantém­se  a  glosa  da  amortização.  Constatado  que  os  valores  excluídos  na  determinação  do  lucro  real  e  da  CSLL  referiam­se  a  valores  contabilizados  em  conta  de  resultado  de  períodos  anteriores,  incabível  o  ajuste  efetivado  em  resultado  de  ano  calendário  posterior.  1º  CC.  /  5ª  Câmara  /  ACÓRDÃO  105­15.913  em  16.08.2006. (grifei)  Não  bastasse  os  motivos  acima  expostos,  a  fiscalização  também  apurou  divergência  entre  o  valor  do  ágio  constante  dos  demonstrativos  das  amortizações  (R$  79.345.197,83)  ­  fls.  101  e  229/230,  e  o  valor  do  ágio  contabilizado  e  constante  da  Demonstração  de Acervo  Líquido  da  SOTREQ  SA  ­  fls.  133,  ratificado  na  resposta  dada  à  fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), o que só vem a reforçar a  tese de que o valor do  ágio não se encontra devidamente fundamentado nos termos da legislação de regência.   Sobre  a divergência de  valores  apurada pela  fiscalização,  a  recorrente nada  menciona  em  sua  peça  recursal,  de  modo  que  a  mesma  deve  ser  considerada  como  definitivamente  julgada,  a  teor  do  art.  17  do Decreto  nº  70.235,  de  06  de março  de  1972  e  alterações.  Por fim, quanto a este tópico, cumpre registrar que o acórdão recorrido, após  análise detalhada das movimentações financeiras efetuadas durante a reorganização societária,  concluiu  que  as  mesmas  foram  devidamente  registradas  na  contabilidade,  fato  que  nada  interfere nas conclusões deste voto.  Em  vista  do  acima  exposto,  é  de  se  confirmar  a  glosa  dos  valores  de  amortização  fiscal  do  ágio,  por  falta  de  atendimento  aos  requisitos  legais,  uma  vez  que  a  autuada  não  logrou  comprovar  a  entrega  do  “demonstrativo  de  rentabilidade”  (laudo  de  avaliação) com base em “previsão dos resultados de exercícios futuros”, como exige a lei.  Glosa da compensação de prejuízos  Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 126          27 O  agente  fiscal  glosou  os  prejuízos  compensados  integralmente  quando  da  incorporação  (em  29/06/2001)  da  SOTREQ,  empresa  com  lucros,  pela  LION,  empresa  com  prejuízos,  alterando  a  razão  social  para  aquela  da  dita  incorporada  (SOTREQ),  bem  como  adotando o endereço desta última (LION).  Segundo  a  fiscalização,  o  objetivo  da  incorporação  “às  avessas”  seria  o  contorno da legislação, uma vez que existe expressa vedação legal de compensação quando a  incorporação  se  dá  nos  moldes  da  normalidade  (art.  514  do  RIR/99),  empresa  lucrativa  (SOTREQ) incorpora a empresa com prejuízos (LION). Os motivos que levaram a fiscalização  a considerar a incorporação fictícia foram os seguintes fatos:  ­ a incorporação teria sido efetuada unicamente para aproveitar os prejuízos  da LION nas apurações do IRPJ e da CSLL;  ­ A SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases negativas da CSLL;  ­  ao  invés  da  SOTREQ  incorporar  a  LION,  foi  a  LION  que  incorporou  a  SOTREQ, tendo aquela, em seguida, alterado sua razão social para SOTREQ;  ­  a  LION  destituiu  os  componentes  de  seu  conselho  de  administração  e  nomeou  aqueles  da  antiga  SOTREQ  conforme  item  2  da  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  LION,  realizada  em  29.6.2001.  Ou  seja,  a  administração  passou  a  ser  a  mesma da empresa incorporada (antiga SOTREQ);  ­  as  mesmas  atividades  da  incorporada  SOTREQ,  continuaram  a  ser  desenvolvidas após a sua incorporação;  ­ o que efetivamente teria ocorrido foi que a SOTREQ incorporou a LION e,  portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99;  O  acórdão  recorrido  entendeu  que  apesar  da  operação  de  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  não  ter  sido  caracterizada  como  simulada,  nem  por  isso  pode  ser  caracterizada como sendo lícita. A incorporação da empresa deficitária pela superavitária teria  sido feito exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, como municipal, para a  manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerou, assim, passível de desconsideração  a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução  da carga tributária.  Já a recorrente alega em seu recurso que inexiste proibição legal de efetuar a  incorporação  nos moldes  do  que  foi  feito  e  que,  na  realidade,  a  operação  de  reorganização  societária de fato era desejada pela partes por razões de natureza empresarial.  Analisando  os  fatos  constante  dos  autos  e  a  legislação  que  rege  a matéria,  creio assistir razão à defesa.  Inicialmente, cumpre transcrever o art. 514 do RIR/99, cuja base legal é o art.  33  do  Decreto­lei  nº  2.341,  de  1987,  que  trata  da  compensação  de  prejuízos  nos  casos  de  incorporação, fusão ou cisão:  Art.  514.  A  pessoa  jurídica  sucessora  por  incorporação,  fusão  ou  cisão não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33).  Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 127          28 Parágrafo  único.  No  caso  de  cisão  parcial,  a  pessoa  jurídica  cindida  poderá  compensar  os  seus  próprios  prejuízos,  proporcionalmente  à  parcela  remanescente  do  patrimônio  líquido (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único).  O  dispositivo  acima  transcrito  é  bastante  claro  ao  afirmar  que  a  pessoa  jurídica sucessora, por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da  sucedida.  Por seu turno, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais apurados  pelas pessoas jurídicas, a partir de 1995, encontra­se regulamentado pelo art. 510 do RIR/99:  Art.  510.  O  prejuízo  fiscal  apurado  a  partir  do  encerramento  do  ano­calendário  de  1995  poderá  ser  compensado,  cumulativamente  com  os  prejuízos  fiscais  apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido  ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto,  observado o  limite máximo, para  compensação, de  trinta  por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065,  de 1995, art. 15). (destaquei)  No  caso  em  análise,  a  LION  detinha  prejuízos  fiscais  e  a  SOTREQ  era  a  empresa lucrativa. Portanto, nos termos do art. 510 acima transcrito, a LION tinha o direito de  compensar os seus prejuízos fiscais.  Pelo  que  consta  dos  autos,  ambas  empresas  desempenhavam  operações  semelhantes  na  colocação  dos  produtos  com  a  marca  “CATERPILAR,  de  modo  que  a  SOTREQ vinha desenvolvendo  tratativas  junto à matriz americana da  “CATERPILAR” para  assumir o controle da LION, uma vez que esta última vinha apresentando sucessivos prejuízos.  Portanto,  nada  mais  natural  que  a  empresa  lucrativa  SOTREQ,  tendo  adquirido a participação societária na LION, fizesse também a incorporação desta última. No  entanto,  vislumbrou  a  SOTREQ  um  impedimento  legal  (art.  514  do  RIR/99)  para  a  compensação de prejuízos da possível sucedida, a LION.  No  bojo  da  reorganização  societária  entendeu­se  que  as  empresas  estavam,  em verdade, sob o manto de um mesmo comando, por isso, procederam de forma contrária: a  empresa com prejuízos incorpora a empresa lucrativa, o que possibilitaria a compensação dos  prejuízos da empresa deficitária, conforme permissivo legal contido no art. 510 do RIR/99.  Nesse contexto, o direito à compensação dos próprios prejuízos da empresa  que  se  encontra  deficitária  (LION)  encontra­se  amparado  pela  lei.  No  presente  caso,  ficou  evidenciado  que  a  compensação  de  prejuízos  ocorreu  obedecendo  o  limite  de  30% do  lucro  líquido ajustado, nos exatos termos do art. 510 do RIR/99, fls.1839/1840 e fls. 1848 e 1856.   Já  a  lei  das  sociedades  anônimas  também  não  veda  a  incorporação  da  empresa lucrativa por empresa com prejuízos.  Assim, do ponto de vista legal, a operação de incorporação às avessas pode  perfeitamente ser  taxada como lícita, posto não haver  impedimento  legal para que a empresa  com  prejuízos  incorpore  a  lucrativa,  detendo  esta,  participação  naquela.  É  claro  que  se  esperaria justamente o contrário, mas em determinadas situações, como no presente, ela pode  Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 128          29 até efetivamente ocorrer, uma vez que a sucedida (SOTREQ) já detinha participação societária  relevante na sucessora (LION), o que em última análise significa que se  trata de uma mesma  realidade econômica.   Além  disso,  a  operação  teria  sido  realizada  entre  empresas  que  estavam  regularmente  operando  no  mercado,  com  objeto  social  semelhante,  e  teria  sido  assim  justificada  no  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  (fls.148  e  seguintes):  "3. Entendem os  signatários que, pertencendo a SOTREQ e a LION ao mesmo  grupo, inclusive sendo a SOTREQ acionista da LION, e sendo ambas voltadas ao  mesmo mercado de atuação, a incorporação da SOTREQ pela LION, como  proposta  neste  instrumento,  é  da  maior  conveniência  aos  interesses  sociais  e  financeiros da SOTREQ e da LION, uma vez que a unificação das atividades e da  administração  da  SOTREQ  e  da  LION  resultará  na  redução  de  custos  administrativos,  comerciais  e  financeiros  e  na  racionalização  do  trabalho,  operações  e  metas  de  organização,  propiciando  maior  rentabilidade  ao  empreendimento ".  Veja­se a descrição contida no relatório fiscal a respeito do principal objetivo  da autuada ao eleger este modelo de incorporação, fls. 1826:  “65.  A  própria  Fiscalizada  reconhece  esse  fato  na  resposta  recebida  em  26/04/2010,  item  22.  "A  Fiscalizada  esclarece  que  a  incorporação  foi   fei ta  pela  LION  a  f im  de  que  os  prejuízos  por  ela  contabil izados  não  fossem  perdidos,  o  que  oneraria  ainda  mais  a  operação,  causando,   conseqüentemente,  aumento no valor de venda de suas ações".”   O que se depreende dos autos é que toda a operação de incorporação foi feita  às claras, com ambas empresas operando regularmente no mercado e a forma escolhida tinha  uma  justificação:  a economia  tributária. Ressalte­se que nem a  fiscalização e nem o  acórdão  recorrido caracterizaram a ocorrência de simulação nos eventos societários em análise.  A defesa  também  justificou a  incorporação, nos moldes  como  foi  feito,  em  razão da necessidade de manter a sede da empresa em Sumaré – São Paulo, onde funcionava a  LION, face aos benefícios fiscais concedidos pela prefeitura dessa cidade no recolhimento do  IPTU e do ISS, fls. 1879. Veja­se a manifestação do Acórdão da DRJ nesse sentido, fls. 2167:  “O  único  motivo  pertinente  e  relevante  a  justificar  a  incorporação  da  SOTREQ pela LION seria o fato desta última ser beneficiária de isenção de imposto  sobre  serviços  (ISSQN)  e  do  imposto  predial  e  territorial  urbano  (IPTU)  no  Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar  de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade  do negócio.  Com efeito, é perfeitamente admitido pelo ordenamento jurídico pátrio que a  redução da carga tributária é um objetivo que deve ser perseguido para a própria sobrevivência  das pessoas jurídicas desde que, evidentemente, seja feita de forma lícita.  Nos processos de reorganização das empresas, a boa técnica de administração  dos  negócios  recomenda  que  os  dirigentes  adotem,  dentro  da  legalidade,  a  alternativa  econômica menos  onerosa  possível,  dentre  elas  optem  pela  economia  tributária.  A  empresa  LION apresentava sucessivos prejuízos, que seriam perdidos, caso a SOTREQ incorporasse a  Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 129          30 LION. E uma das  formas de manter a empresa LION em funcionamento foi a  reorganização  societária perpetrada, que a meu ver foi feita de forma legal.  Inexistindo  vedação  legal  para  a  prática  da  conhecida  “incorporação  às  avessas”,  não  se  pode  esperar  que  duas  empresas,  integrantes  do  mesmo  grupo  econômico,  praticando  operações  comerciais  semelhantes,  tendo  a  intenção  de  se  reorganizar  societariamente,  com  o  objetivo  de  melhorar  o  desempenho  das  suas  atividades,  fiquem  impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  também  decidiu  nesse  mesmo  sentido, conforme ementário do Acórdão nº CSRF/01­05.413, sessão de 20 de março de 2006:  IRPJ  —  INCORPORAÇÃO  AS  AVESSAS  —  GLOSA  DE  PREJUÍZOS  —  IMPROCEDÊNCIA  —  A  denominada  "incorporação  às  avessas",  não  proibida  pelo  ordenamento  jurídico,  realizada  entre  empresas  operativas  e  que  sempre  estiveram  sob  controle  comum,  não  pode  ser  tipificada  como  operação  simulada  ou  abusiva,  mormente  quando,  a  par  da  inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados,  teve  por  escopo  a  busca  de  melhor  eficiência  das  operações  entres ambas praticadas.  De tudo o que foi exposto, entendo pela possibilidade legal da compensação  de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL na chamada “incorporação  às avessas”, nos moldes do permitido pelo art. 510 do RIR/99.  Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao  recurso  voluntário  para  que  seja  admitida  a  compensação  dos  prejuízos  fiscais  e  da  base  de  cálculo negativa da CSLL.  (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo                                Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO

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Numero do processo: 11613.000207/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 22/08/2008 NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 400          1 399  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11613.000207/2008­58  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3202­000.607  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de novembro de 2012  Matéria  CIDE ­ COMBUSTÍVEL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BRASKEM S/A     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO DOMÍNIO ECONÔMICO  ­  CIDE  Data do fato gerador: 22/08/2008  NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO  CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA.  Restando  comprovado  nos  autos  que  a  nafta  importada  não  se  destinava  à  produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando  caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário  ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada  do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº  10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003.  Recurso de ofício negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Os  Conselheiros  Rodrigo  Cardozo Miranda  e  Gilberto  de  Castro  Moreira  Júnior  declararam­se  impedidos.  Fez  sustentação  oral,  pela  contribuinte,  o  advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303.  Irene Souza da Trindade Torres  – Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago  Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 07 /2 00 8- 58 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  o  qual  passo a transcrever:  “Trata  o  presente  processo  de  exigência  da Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (Cide),  incidente  sobre  a  importação,  acrescida  de  multa  de  ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário  no valor total de R$ 15.976.934,82, objeto do Auto de Infração fls. 02­12.  De  acordo  com  a  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  a  empresa  em  epígrafe  promoveu  a  importação  de  nafta  petroquímica  (NCM  2710.11.41), por meio da DI no 08/1302788­2, de 22/08/2008, deixando de recolher  a Cide, apesar da qualidade de indústria petroquímica produtora de gasolina.  A  fiscalização  assevera  ainda  que  "existe  a  possibilidade  legal  de  comprovação de que uma  importação de nafta não  será destinada à produção de  combustível,  para  que  o  contribuinte,  central  petroquímica,  possa  se  valer  da  isenção prevista na lei, nos termos do inc I do art. 6o da IN SRF 422/2004 e do §4°,  do art. 5o, da Lei n° 10.336/2001. Todavia, (...), tal comprovação tem de ser objetiva  e  prévia  ao  uso,  portanto,  no momento  do  desembaraço  aduaneiro,  o  que  nunca  ocorreu, presume­se, pela impossibilidade mesma do feito."  Cientificado  do  lançamento  em  07/10/2008,  conforme  fl.  03,  o  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  exigência,  apresentando  a  impugnação  de  fls.  49­66,  em  21/10/2008, por meio da qual expõe suas razões de defesa, a seguir resumidas:  a) a requerente é empresa petroquímica, não tendo como finalidade precípua a  produção de gasolina automotiva,  sendo que durante o processo de  fabricação dos  produtos petroquímicos, a gasolina é obtida residualmente como subproduto, que em  parte é utilizada no próprio processo produtivo,  sendo  recolhida a Cide quando da  venda da outra parcela deste combustível;  b) o Decreto n° 4.940/2003 reduziu a zero a alíquota da Cide na importação  de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou  diesel, dentre elas, a nafta petroquímica;  c) a autuação deve basear­se na realidade dos fatos ocorridos, sendo ilegal o  uso da presunção como meio de prova, ou seja, que a importação de nafta tenha sido  destinada  à  produção  de  gasolina  e  não  de  produtos  petroquímicos,  não  havendo  prova dessa alegação, mas mera interpretação subjetiva;  d)  a  compensação  de  valores  eventualmente  recolhidos  a  título  de  Cide  na  importação  não  seria  instrumento  eficaz  e  justo  para  estabelecer  a  neutralidade  tributária,  pois o montante de  tributos  federais devidos  seria bem menor do que o  total da Cide paga na importação, de modo que a requerente  ficaria com um saldo  credor cuja compensação seria impossível;  e) o objetivo do legislador ao instituir a dispensa de recolhimento da Cide na  importação  de  nafta  petroquímica  é  o  de  favorecer  a  indústria  petroquímica,  setor  estratégico da indústria nacional, elo inicial de extensa cadeia produtiva;  f) é inaplicável a taxa Selic, para cálculo dos juros de mora, em razão da sua  inconstitucionalidade.  Em 15/12/2008, a  impugnante  se manifestou nos autos argumentando que o  Decreto  n°  6.683/2008,  publicado  em  10/12/2008,  confirma  que  a mera  produção  residual de gasolina decorrente da industrialização de nafta, em volume até 12% da  produção  total,  não  afasta  a  aplicação  da  alíquota  zero,  referente  à  Cide  na  importação (fls. 112­114).”  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 401          3 A DRJ­Fortaleza/CE, em sessão realizada em 30/09/2009, decidiu converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  fossem  respondidos  os  quesitos  formulados  às  fls.  179/180, o que culminou com a elaboração do Parecer Técnico constante às fls. 291/302.  Diante dos elementos constantes dos autos, aquela DRJ julgou procedente a  impugnação (fls. 376/394), em decisão cuja ementa abaixo reproduz­se:  Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ­  CIDE  Data do fato gerador: 22/08/2008  NAFTA  UTILIZADA  POR  CENTRAL  PETROQUÍMICA.  DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL  DE GASOLINA.  Restando  comprovado  que  a  nafta  importada  foi  efetivamente  destinada  à  o  produção  de  produtos  petroquímicos,  a  formulação  residual  de  gasolina,  demonstrada  nos  autos  por  prova pericial como inerente ao ciclo produtivo destes, não tem  o condão de descaracterizar a incidência de alíquota zero.  Impugnação procedente.  Crédito tributário exonerado.  Da  decisão,  recorre  a  DRJ­Fortaleza/CE  de  ofício,  em  razão  de  o  crédito  tributário exonerado ser superior ao limite de alçada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora  Ao  teor do  relatado,  chegam os autos, para apreciação deste Colegiado,  em  razão de recurso de ofício interposto pela DRJ­Fortaleza/CE, por haver aquele órgão julgador  exonerado a contribuinte BRASKEM S/A de crédito tributário em valor superior ao limite de  alçada.  A  autuação  deveu­se  ao  fato  de  ter  a  Fiscalização  entendido  que  a  nafta  petroquímica  importada  pela  contribuinte,  pelo  fato  desta  produzir  gasolina,  não  estaria  albergada pela isenção prevista no §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001 e.  Dispõe a Lei nº. 10.336/2001:  Art.  1o  Fica  instituída  a  Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  incidente  sobre  a  importação  e  a  comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus  derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 arts.  149  e  177  da Constituição  Federal,  com  a  redação  dada  pela Emenda Constitucional nº33, de 11 de dezembro de 2001.   Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o  formulador e o  importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos  relacionados no art. 3o.  .........................................................................................................  Art.  3o  A  Cide  tem  como  fatos  geradores  as  operações,  realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação  e de comercialização no mercado interno de:  I – gasolinas e suas correntes;  II ­ diesel e suas correntes;  III – querosene de aviação e outros querosenes;   IV ­ óleos combustíveis (fuel­oil);  V ­ gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural  e de nafta; e  VI ­ álcool etílico combustível  .........................................................................................................  Art.  5o  A  Cide  terá,  na  importação  e  na  comercialização  no  mercado  interno,  as  seguintes  alíquotas  específicas:(Redação  dada pela Lei nº 10.636, de 2002)  ...................................................................................................  §  1o  Aplicam­se  às  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  que,  pelas suas características físico­químicas, possam ser utilizadas  exclusivamente  para  a  formulação  de  diesel,  as  mesmas  alíquotas específicas fixadas para o produto  § 2o Aplicam­se às demais correntes de hidrocarbonetos líquidos  utilizadas  para  a  formulação  de  diesel  ou  de  gasolinas  as  mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas.  §  2o  Aplicam­se  às  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  as  mesmas  alíquotas  específicas  fixadas  para  gasolinas.  (Redação  dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  § 3o As correntes de hidrocarbonetos  líquidos não destinadas à  produção  ou  formulação  de  gasolinas  ou  diesel  serão  identificadas  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos pela ANP.  § 3o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide  incidente  sobre  as  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  nos  termos  e  condições  que  estabelecer,  inclusive  de  registro  especial  do  produtor,  formulador,  importador  e  adquirente.  (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 2003)  4o  Fica  isenta  da  Cide  a  nafta  petroquímica,  importada  ou  adquirida  no  mercado  interno,  destinada  à  elaboração,  por  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 402          5 central  petroquímica,  de  produtos  petroquímicos  não  incluídos  no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela  ANP.  §4o  Os  hidrocarbonetos  líquidos  de  que  trata  o  §  3o  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela ANP.  (Redação dada pela Lei  nº  10.833,  de  2003)  § 5o Presume­se como destinado a produção de gasolina nafta,  adquirida  ou  importada  na  forma  do  §  4o,  cuja  utilização  na  elaboração  do  produto  ali  referido  não  seja  comprovada.(Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003)  §  6o  Na  hipótese  do  §  5o  a  Cide  incidente  sobre  a  nafta  será  devida  na  data  de  sua  aquisição  ou  importação,  pela  central  petroquímica. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003)  Primeiramente,  é  de  se  notar  que,  com  a  edição  da  Lei  nº.  10.833/2003,  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  em 2008,  não mais  se  poderia  falar  em  isenção  da  CIDE, em razão da alteração sofrida pelo §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001. Demais disso,  restaram, ainda, revogados os §§5º e 6º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, de forma que, àquela  época,  não  mais  existia  a  presunção  legal  adotada  pela  Fiscalização,  a  qual  alicerçou  o  entendimento de que a nafta importada destinava­se à produção de gasolina.   Assim, resta perquirir se, à época dos fatos geradores, a contribuinte fazia jus  à dispensa de pagamento da CIDE prevista no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, a qual foi  regulamentada pelo Decreto nº. 4.940/2003.  O Decreto nº 4.940/2003, em seu art. 1º, reduziu a zero as alíquotas da CIDE­ Combustíveis  incidente  na  importação  e  na  comercialização  sobre  as  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinadas  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  constantes  da  relação  que  indica.  Dentre  os  códigos  elencados,  encontra­se,  logo  de  plano,  o  código  2710.11.41, correspondente à nafta petroquímica, produto objeto da importação ora analisada.  Veja­se:  Decreto nº. 4.940/2003  O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que  lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista  o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro  de 2001,  DECRETA:  Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (CIDE­Combustíveis)  incidente na importação e na comercialização sobre as correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinadas  à  formulação  de  gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação:  Código NCM  Produto  2710.11.41  Nafta petroquímica  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     6 Assim,  a  nafta  petroquímica,  classificada  no  código  2710.11.41,  não  destinada à  formulação de gasolina ou diesel,  estava, à época dos  fato geradores,  tributada à  alíquota  zero.  Veja­se  que,  pela  redação  do  §  3º  da  Lei  nº  10.336/2001,  a  dispensa  de  pagamento prevista por aquela lei e regulamentada pelo Decreto nº.4.940/2003, somente seria  aplicável às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou  diesel.   Pois  bem,  no  caso  concreto,  entendeu  a  Fiscalização  que,  pelo  fato  de  a  contribuinte produzir gasolina, desde já estaria  impossibilitada à comprovação de que a nafta  importada  não  se  destinava  à  formulação  de  gasolina.  Veja­se  o  que  afirmou  a  autoridade  autuante:  [...].  Durante  a  análise  da  declaração,  constatou­se  que  a  autuada  não  havia  recolhido  a  CIDE,  apesar  de  tratar­se  de  uma central petroquímica que produz gasolina a partir da nafta  que adquire no mercado externo.  2. Ao ser admoestada, a  interessada demonstrou dúvida quanto  ao  cabimento do  recolhimento da contribuição para o  caso  em  análise,  haja  vista,  segundo  ela,  tratar­se  de  importação  de  nafta,  por  central  petroquímica,  para  fins  petroquímicos,  A  fiscalização,  então,  requereu  que  fosse  feita  a  devida  comprovação necessária à isenção [sic] da CIDE.  3. Em resposta a esta exigência, foram apresentados o Relatório  de Produção de Gasolina Automotiva nos Processos Industriais  da  Braskem/Unib  e  a  Relação  entre  a  Venda  de  Gasolina  Automotiva e a Importação de Nafta pela Braskem/Unib ­ ambos  desenvolvidos  por  empresa  independente,  a  pedido  da  própria  interessada, Nesses  relatórios,  tem­se  a  confirmação  de  que  a  Braskem,  efetivamente,  produz  gasolina  a  partir  de  naftas. E  nada  foi  apresentado  no  sentido  de  comprovar  que  a  nafta  objeto desta DI não teria a mesma destinação.  4. Em vista do exposto, decidiu­se pelo lançamento de ofício.  Ao meu sentir, tal entendimento se mostra equivocado. O fato de a Braskem  produzir  gasolina não  afasta,  por  si  só,  a  possibilidade  do  benefício  da  tributação  à  alíquota  zero.  Isso  porque,  conforme  estabelecido  pela  legislação  de  regência,  somente  a  nafta  petroquímica destinada à produção de gasolina é que estaria fora do benefício. O texto da lei  fala em destinação, ou seja, aquela nafta reservada para o fim de produzir gasolina. Destinar,  no  Dicionário  Aurélio,  quer  dizer  determinar  com  antecipação,  fixar  previamente,  designar,  reservar para certo fim. Veja­se, então, que, para estar excluída do benefício, é preciso que a  nafta petroquímica seja destinada à finalidade de produzir gasolina, o que é diferente da nafta  que,  incidentalmente, produza gasolina como subproduto resultante do processo produtivo de  petroquímicos, como é o caso em questão.   O  Parecer  Técnico  de  fls.  291/302,  elaborado  em  razão  da  diligência  solicitada  pela  DRJ,  deixa  claro  que  “a  atividade  principal  da  Braskem  é  a  produção  de  insumos  básicos  petroquímicos  (Eteno,  Propeno,  Butenos,  etc),  além  de  utilidades  (águas  industriais,  nitrogênio,  ar  comprimido,  vapor  de  alta  e média  pressão,  etc) para  atender  às  necessidades  de  diversas  outras  indústrias  instaladas  [no]  Complexo  Industrial”  e  que,  de  acordo  com  as  características  e  condições  do  processo  industrial  analisado,  é  obrigatória  a  produção de gasolina “como forma de utilização completa de todas as correntes obtidas”.   Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 403          7 Referido Parecer afirma, ainda, que “ a formulação de gasolina a partir dos  subprodutos  gerados  durante  o  processamento  é  necessária  como  forma  de  maximizar  economicamente  todo  o  processo  envolvendo  a  Nafta  Petroquímica.  A  não  formulação  de  gasolina,  com  os  subprodutos,  conduz  a  usos  menos  nobres  desses  citados  subprodutos  (queima  como  combustível).”  E  mais:  que  “a  quantidade  total  de  Gasolina  produzida,  tomando­se como base apenas a nafta petroquímica processada, encontra­se sempre abaixo de  10% do volume total da Nafta Petroquímica adquirida.”  Assim,  restou  claramente  comprovado  nos  autos  que  a  nafta  petroquímica  importada não se destinava à formulação de gasolina, conforme entendeu a Fiscalização, mas  sim à produção de petroquímicos básicos  (eteno, propeno, butenos, etc). Na produção desses  petroquímicos são gerados vários subprodutos, dentre os quais a gasolina, cuja formulação se  mostra como resultado necessário à obtenção dos referidos petroquímicos básicos, como forma  de maximixação dos processos produtivos.  Destarte,  acertada  a  declaração  de  voto  constante  às  fls  384/394,  a  qual  demonstra, claramente, a inviabilidade de se transferir ao contribuinte o ônus de comprovação  de utilização futura do produto, que sofre a ação de diversos mecanismos de controle impostos  pela Administração Pública. Veja­se:  “Acontece que, dentre as correntes referidas nos incs. I e II do art. 3º existem  aquelas  que  tanto  podem  ser  utilizadas  na  produção  de  gasolina  ou  diesel,  como  também para outras finalidades. Assim, os §§ 3º e 4º, do art. 5º, da mesma lei, com a  alteração introduzida pela Lei nº 10.833/03 vieram reforçar que:  Art. 5º [...].   [...].  § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento  da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive  de  registro  especial  do  produtor,  formulador,  importador e adquirente.  §  4º Os  hidrocarbonetos  líquidos  de  que  trata  o  §  3º  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições estabelecidos pela ANP.    [Destaquei].  Duas conclusões podem ser tiradas de imediato desses dispositivos:  1ª) a possibilidade da dispensa de pagamento da Cide, a que a lei se refere no  §  3º,  está  imediatamente  relacionada  ao  produto  “hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados à formulação de gasolina ou diesel” e não à qualidade do sujeito passivo;  2ª) a lei procurou garantir o controle da concessão da dispensa quando no § 4º  tratou  de  determinar  que  os  hidrocarbonetos  líquidos,  sobre  os  quais  ocorreu  a  dispensa  da  Cide,  fossem  marcados  “nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  ANP”.   Antes  mesmo  da  publicação  da  Lei  nº  10.336/01,  a  Agência  Nacional  do  Petróleo,  Gás  Natural  e  Biocombustíves  (ANP),  entidade  integrante  da  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     8 Administração  Federal  Indireta,  órgão  regulador  da  indústria  do  petróleo,  gás  natural,  seus  derivados  e  biocombustíveis,  vinculado  ao  Ministério  de  Minas  e  Energia, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela já referenciada Lei nº  9.478/97, havia editado a Portaria ANP nº 274, de 01/11/01 (DOU 05/11/01), onde,  entre outras, estabeleceu a definição de Produtos de Marcação Compulsória (PMC)  (art. 1º,  inc. II) e determinou a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos  produtores nacionais como pelos importadores e que a marcação de PMC importado  deveria ocorrer no local e no momento de sua internação no País (art. 2º, caput, e §  2º).  Registre­se  que  no  site  da  ANP  pode  ser  encontrada  a  seguinte  explicação  para a marcação compulsória de produtos1:   MARCAÇÃO  COMPULSÓRIA  DE  PRODUTOS  ­  APRESENTAÇÃO   A  Lei  nº  10.336,  de  19  de  dezembro  de  2001,  estabelece  que correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel  poderão  ser  dispensados  de  contribuição  da  Cide­combustíveis  se  forem  identificados  mediante  marcação  nos  termos  e  condições estabelecidos pela ANP.  A ANP denomina as correntes de hidrocarbonetos líquidos  não destinados à  formulação de gasolina ou diesel  como  Produtos de Marcação Compulsória (PMC).  A marcação consiste na adição de marcador aos PMC no  momento  de  sua  internação  no  País,  ou  na  saída  da  unidade produtora ou da distribuidora.  As  amostras  de  gasolina  coletadas  em  postos  revendedores  de  combustíveis  pelo  Programa  de  Monitoramento  da Qualidade  dos  Combustíveis  (PMQC)  da  ANP,  pela  fiscalização  da  Agência  e  por  órgãos  conveniados  com  a  ANP  são  encaminhadas  para  o  laboratório  (contratado  pela  ANP  para  realização  de  análises  do  PMQC)  mais  próximo  do  local  da  coleta  e  submetidas  à  análise  de  detecção  de  presença  de  marcador.  [Sublinhei]  Atualmente,  o  art.  2º,  inc.  I,  da  Resolução ANP  nº  13,  de  09/06/09  (DOU  10/06/09) (que alterou o art. 1º, inc. II, da Portaria ANP nº 274/01) traz a definição  técnica de PMC, nos seguintes termos:  Art.  2º Para  os  fins  desta Resolução  ficam  estabelecidas  as seguintes definições:  I  ­  Produtos  de  Marcação  Compulsória  (PMC)  ­  hidrocarbonetos  derivados  de  frações  resultantes  do  processamento de petróleo, de gás natural, de  frações de  indústrias  petroquímicas,  passíveis  de  serem  utilizados  como  dissolventes  de  substâncias  sólidas  e/ou  líquidas,  puros  ou  em mistura,  cuja  faixa  de  destilação  tenha  seu                                                              1  http://www.anp.gov.br/?pg=16344&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1317040002139.  Consulta  realizada em 26/09/11.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 404          9 ponto inicial de ebulição superior a 25ºC e ponto final de  ebulição  inferior  a  280ºC,  com  exceção de  qualquer  tipo  de  gasolina,  querosene  de  aviação  ou  óleo  diesel  especificados pela ANP;  A  resolução  acima  referida,  que  estabelece  os  requisitos  necessários  para  o  cadastramento de empresas  interessadas  em  fornecer produto marcador,  exercendo  suas atividades no âmbito da marcação dos PMC indicados pela ANP, entre outras  disposições também define no inc. VII, do mesmo art. 2º que o ponto de marcação é  o local determinado pela ANP, onde é realizada a adição de marcador e abrange as  unidades dos produtores nacionais,  portos,  terminais,  estações  aduaneiras  e pontos  de fronteira com o País.  Interessante também trazer à lume parte do preâmbulo dessa Resolução ANP  nº 13/09:  [...]  Considerando que a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de  2001, alterada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de  2003,  estabelece,  em  seu  art.  5º,  §  4º,  que  os  hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de  gasolina  ou  diesel  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  ANP; e   Considerando  que  a  Portaria  ANP  nº  274,  de  1º  de  novembro  de  2001,  estabelece  a  obrigatoriedade  de  adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo  eventualmente  indicados  pela  ANP,  bem  como  a  proibição da presença de marcador na gasolina.  [...].  Veja­se que essa introdução da resolução deixa bastante claro que o controle  da  destinação  dos  hidrocarbonetos  líquidos  será  realizado  mediante  a  marcação,  ficando proibida a presença de tais marcadores na gasolina.  No âmbito do Poder Executivo, com amparo legal do § 3º, do art. 5º, da Lei nº  10.336/01, também foi editado o Decreto nº 4.940, de 29/12/03, cujo art. 1º reduz a  zero  as  alíquotas  da  CIDE­Combustíveis  incidente  na  importação  e  na  comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  constantes  da  relação  que  divulga.  Entre  os  códigos  elencados  está  o  2710.11.41,  nafta  petroquímica,  produto  objeto  da  importação aqui tratada.  Mais  uma  vez,  percebe­se  que  a  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Cide  diz  respeito aos produtos  elencados  e não  à qualidade do  sujeito passivo,  como,  aliás,  não poderia deixar de ser, uma vez que um Decreto não pode extrapolar o que a lei  determina.  O benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não  destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto nº  4.940/03, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não  apenas para as centrais petroquímicas. O fato de uma empresa produzir gasolina  ou  diesel  não  afasta,  por  si  só,  a  possibilidade  dela  vir  a  ser  beneficiária  da  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     10 alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica, com mais razão ainda  se essa empresa for uma Central de Matéria­Prima Petroquímica (CPQ).  (...)  O modo  de  viabilizar  a  concessão  do  benefício  que  a  lei  instituiu,  sem  que  ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública, é um problema que  deve  ser  resolvido  no  âmbito  desta  e  que  não  pode  ser  imposto  como  ônus  ao  contribuinte.  Em particular, no que se refere a nafta petroquímica, tem­se que esse produto  tanto pode ser utilizado para a formulação de gasolina ou diesel como no processo  produtivo  de  uma  CPQ  [Central  de  Matéria­Prima  Petroquímica].  É  o  que  se  depreende  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  (ADI)  SRF  nº  34,  de  28/12/04  que  dispõe sobre a classificação fiscal da “nafta normal­parafina”, da “normal­parafina”  e  da  “parafina”,  bem  como  sobre  a  incidência  ou  não  da  Cide  sobre  essas  mercadorias, estabelecendo no seu art. 1º que:  Art.  1º  A  nafta  petroquímica  denominada  “nafta  normal­parafina”  classifica­se  no  código  2710.11.41  da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).  § 1º A “nafta normal­parafina” não deve ser tomada  como  equivalente  a  quaisquer  querosenes  e  pode  servir à formulação de gasolina ou diesel.  § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina  ou  diesel,  a  “nafta  normal­parafina”  está  sujeita  à  incidência  da  Contribuição  de  Intervenção  do  Domínio Econômico (Cide ­ Combustíveis), instituída  pela  Lei  nº  10.336,  de  19  de  dezembro  de  2001,  e  regulada pela Instrução Normativa SRF nº 107, de 28  de dezembro de 2001.  [...].  Note­se  que  embora  o  ADI  acima  referenciado  afirme  a  existência  de  uma  nafta petroquímica denominada “nafta normal­parafina” que serve para a formulação  de  gasolina  ou  diesel,  o  usual  é  que  a  nafta  seja  utilizada  principalmente  como  matéria­prima  da  indústria  petroquímica  ("nafta  petroquímica"  ou  "nafta  não­ energética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como  benzeno, tolueno e xilenos.  É o que explica o glossário disponível no site da ANP2, que classifica a nafta  em  apenas  dois  tipos:  a  nafta  petroquímica  ou  não­energética  e  nafta  energética,  assim consignando:  Nafta   Derivado  de  petróleo  utilizado  principalmente  como  matéria­prima  da  indústria  petroquímica  ("nafta  petroquímica" ou "nafta não­energética") na produção de  eteno  e  propeno,  além  de  outras  frações  líquidas,  como  benzeno,  tolueno e xilenos. A nafta energética é utilizada  para  geração  de  gás  de  síntese  através  de  um  processo  industrial  (reformação  com  vapor  d'água).  Este  gás  é  utilizado na produção do gás canalizado doméstico.                                                               2 http://www.anp.gov.br/?id=582#n. Consulta realizada em 23/09/11.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 405          11 Nafta Petroquímica   Ver Nafta.  De qualquer modo, levando em conta o teor do ADI e do glossário da ANP, o  que temos, no caso da nafta­petroquímica, é um mesmo código de NCM abarcando  um  produto  que  pode  servir  a  mais  de  uma  utilização,  sendo  que  em  uma  delas  (utilização em gasolina ou diesel) ocorre a tributação normal e na outra (utilização  como matéria­prima em CPQ), redução a zero das alíquotas da Cide­combustíveis.  Ora,  essa  questão,  de  um  mesmo  código  de  NCM  dar  guarida  a  produtos  diversos,  distintos  nas  suas  qualidades  intrínsecas  ou  extrínsecas  é  um  problema  enfrentado  rotineiramente  pelas  autoridades  administrativas  encarregadas  do  controle aduaneiro e não representa nenhuma novidade na área.   Relembre­se, embora não tenha relação direta com o caso, mas apenas como  exemplo, que foi em razão desse tipo de dificuldade que foi instituída, pela IN SRF  nº  80,  de  27/12/96,  a  Nomenclatura  de  Valor  Aduaneiro  e  Estatística  (NVE),  de  modo a poder distinguir produtos, que apesar de estarem classificados dentro de um  mesmo  subitem  da  NCM,  na  verdade  possuem  características  que  os  distinguem  substancialmente uns dos outros e que, justamente por essas diferenças, apresentam­ se com valores ou especificidades bastante distintos, fazendo com que, para que não  haja  prejuízo  ao  controle  do  valor  aduaneiro  e  aos  dados  estatísticos  de  comércio  exterior,  o  produto,  para  além da  sua  identificação  em um determinado código  da  NCM, seja desdobrado em atributos e especificações.  Voltando a fazer referência a controles a cargo da ANP, tem­se que esse órgão  estabeleceu,  no  que  diz  respeito  especificamente  à  nafta­petroquímica,  a  regulamentação para a sua importação por meio da Portaria ANP nº 32, de 23/02/00  (DOU 24/02/00).  É pertinente destacar que, referida portaria estabelece no seu art. 1º, caput e  parágrafo  único  que  “fica  sujeito  à  prévia  e  expressa  autorização  da  ANP  a  importação de nafta petroquímica” e que “somente  será autorizada a  importação  de  nafta  petroquímica  que  seja  destinada  ao  uso  exclusivo  como matéria­prima  para o processo produtivo de Central de Matéria­Prima Petroquímica”.  Por seu turno, os arts. 3º e 4º da mesma norma definem que:  Art.  3º.  A  autorização  mencionada  no  artigo  1°  fica  condicionada a:  I  ­  cadastramento  da  empresa  ou  do  consórcio  de  empresas junto à ANP; e   II  ­ anuência  prévia  da ANP,  para  cada  carga  de  nafta  petroquímica a ser importada.  Art.  4º.  O  importador  poderá  solicitar  autorização  da  ANP para uma programação semestral de  importação de  nafta  petroquímica,  ficando,  na  hipótese  de  deferimento  dessa solicitação, dispensado da anuência de que  trata o  inciso II do artigo anterior.  §  1º A  solicitação  de  autorização mencionada  no  caput  deste  artigo  deverá  ser  enviada  à  ANP  com  uma  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     12 antecedência  mínima  de  30  (trinta)  dias  em  relação  à  data prevista para o início da importação.  §  2º  O  importador  poderá  solicitar  mais  de  uma  autorização  semestral  para  a  importação  de  nafta  petroquímica,  desde  que  possua  contratos  com mais  de  uma CPQ.  Convém trazer à luz também o disposto no art. 11 da mesma Portaria ANP nº  32/00, que preconiza, in verbis:  Art.  11.  Quando  a  importação  não  for  realizada  diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a  solicitação  de  anuência  prévia  para  cada  carga  ou  a  solicitação  de  autorização  para  uma  programação  semestral,  com  o  pedido  de  aquisição  da  nafta  petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ.  Note­se  que  o  código  2710.11.41  (“naftas  para  petroquímica”)  se  encontra  elencado  entre  aqueles  produtos  sujeitos  a  licenciamento  não  automático,  tendo  como órgão anuente a ANP, situação que já se observava na data do fato gerador e  que  atualmente  se  encontra  divulgada  por  meio  da  Portaria  Secex  nº  23,  de  14/07/113.  Vê­se,  portanto,  que  só  são  deferidas  licenças  de  importação  de  nafta  petroquímica para as empresas cadastradas (em caráter precário), junto à ANP. Essas  empresas,  autorizadas  a  importar,  não  precisam  ser  Centrais  de  Matéria­Prima  Petroquímica,  mas  têm  que  importar  sob  a  condição  de  que  a  mercadoria  será  destinada ao uso exclusivo como matéria­prima para o processo produtivo daquelas  centrais, fazendo prova disso o(s) contrato(s) firmado(s) entre importador e CPQ.  Ou seja, a autorização da importação de nafta­petroquímica, materializada por  meio  do  deferimento  da  Licença  de  Importação,  pelo  órgão  da  Administração  Federal  Indireta,  legalmente  instituído  para  tal,  permite  que  no  momento  do  despacho aduaneiro a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil  (RFB)  encontre respaldo para presumir que o produto foi importado por empresa autorizada  pela  ANP  para  tal  atividade  e  que  será  destinado  exclusivamente  como matéria­ prima  para  o  processo  produtivo  de  Central  de  Matéria­Prima  Petroquímica,  conforme  exigência  prévia  condicionante  do  deferimento  para  a  autorização  de  importação,  expressa  no  parágrafo  único  do  art.  1º,  c/c  o  teor  dos  arts.  3º  e  4ºda  referenciada Portaria ANP nº 32/00, todos já transcritos.  Note­se  que,  no  mesmo  sentido,  o  art.  6º  da  IN  SRF  nº  680,  de  02/10/06  determina que:  Art.  6º  A  verificação  do  cumprimento  das  condições  e  exigências  específicas  a  que  se  refere  o  art.  512  do  Decreto  nº  4.543,  de  26  de  dezembro  de  2002,  inclusive  daquelas  que  exijam  inspeção  da  mercadoria,  conforme  estabelecido  pelos  competentes  órgãos  e  agências  da  administração  pública  federal,  será  realizada  exclusivamente na fase do licenciamento da importação.  Observe­se que as disposições do art. 512, do Decreto nº 4.543/02, referidas  no art. 6º da IN acima citado, encontram­se atualmente exaradas nos mesmos termos  no art. 572, do Decreto nº 6759/09, que revogou aquele:                                                              3 Vide http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1305913858.pdf (consulta realizada em 26/09/11).  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 406          13 Art.  572.  Quando  se  tratar  de  mercadoria  sujeita  a  controle especial, a depósito ou a pagamento de qualquer  ônus  financeiro  ou  cambial,  o  desembaraço  aduaneiro  dependerá  do  prévio  cumprimento  dessas  exigências  (Decreto­Lei nº 37, de 1966, arts. 47 e 48, com a redação  dada pelo Decreto­Lei no 2.472, de 1988, art. 2º).  Vê­se  pelo  que  até  agora  foi  explicado  que  a  importação  seja  de  nafta  petroquímica, em particular, ou de petróleo e qualquer de seus derivados, em geral, é  uma  operação  que  se  submete  a  um  controle  rigoroso  por  parte  das  legislação  nacional, desde a Constituição Federal, até normas infra­legais.   Tal  qual  acontece  na  importação  de  outros  produtos  sensíveis,  como  por  exemplo armas e munições, certos insumos farmacêuticos..., o produto em comento  somente  recebe  licença  para  ser  importado  após  análise  prévia  do  órgão  anuente  (licenciamento não automático).   Não  havendo  razões  para  se  concluir  pela  irregularidade  na  emissão  da  Licença de Importação, essa deve ser acatada no momento do despacho aduaneiro,  sem  prejuízo  de  controles a  posteriori  dos  órgãos,  no  âmbito  de  suas  respectivas  atribuições legais.  Ou  seja,  não  se  quer  com  isso,  por  óbvio,  afastar  o  poder/dever  das  autoridades  competentes  de  verificar  posteriormente  se  não  há  desvios  que  descaracterizem o benefício fiscal concedido, mas, repita­se, o modo de viabilizar a  concessão do benefício que a lei  instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a  cargo da Administração Pública  é um problema que deve  ser  resolvido no âmbito  desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte.  Note­se  que  a  marcação  compulsória  das  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel objetiva viabilizar uma  fiscalização a posteriori da destinação que foi dada ao produto, mas não representa  garantia que não haverá desvios.   Assim,  não  há  meios  de  previamente  provar  qual  o  destino  que  será  dado  àqueles produtos. Se existissem esses meios, não seria necessário todo o aparato de  controle que foi  instituído para tal pela ANP, não tendo sentido fazer exigência de  provas sobre “o uso futuro do produto”, sob pena de inviabilizar o benefício fiscal  instituído por lei.” Deste modo, não vislumbro qualquer fundamento que alicerce o afastamento  do benefício previsto no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001,  regulamento pelo Decreto nº.  4.940/2003, razão pela qual entendo como acertada a decisão proferida em primeira instância.   Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres                Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     14                   Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 18050.001080/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005 CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     2 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  nº  37.212.755­0,  o  qual  exige  contribuição  previdenciária  relativa à contribuições previdenciárias  incidentes sobre a  remuneração paga a  segurados empregados e contribuintes individuais.   Segundo o Relatório Fiscal o  lançamento  refere­se exclusivamente às bases  de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em GFIP (Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social),  sendo  estas  apuradas  pela  fiscalização com base nas folhas de pagamento e documentação de suporte  A empresa autuada apresentou sua  impugnação alegando, em breve síntese,  os argumentos a seguir:  i) bis in idem, pois a exigência da presente autuação é a mesma da constituída  no AI nº 35.308.848­0;  ii) a fiscalização não considerou pagamentos realizados pela impugnante;  iii) excessividade dos juros cobrados  A  DRJ  de  Salvador  deu  parcial  provimento  à  impugnação  para  excluir  do  lançamento  a competência de 01/2004, em  razão do acolhimento da decadêncial quinquenal,  com fundamento no artigo 150, § 4º do CTN. Não houve recurso de ofício em razão do valor  excluído não ultrapassar o limite de alçada.  A  autuada,  devidamente  intimada  em  interpôs  recurso  voluntário  alegando  que  a  autação  fora  lavrada  fora  do  local  do  seu  estabelecimento,  além  dos  juros  serem  excessivos e padecer, a Selic, de ilegalidades.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Adriano Gonzales Silvério  O recurso não pode ser conhecido, eis que intempestivo.  Dispõe  o  artigo  33  do  Decreto  nº  70.235/72  que  das  decisões  de  primeira  instância caberá recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da  decisão recorrida.  No caso em questão o  sujeito passivo  foi  intimado da decisão  recorrida  em  19/11/2009, conforme AR de fl. 254. Assim, o trintídeo legal para interpor o recurso voluntário  iniciou­se  em  20/11/2009,  uma  sexta­feira,  conforme  determina  o  artigo  5º  do  Decreto  nº  70.235/72, encerrando­se em 19/12/2009, um sábado. Contudo, sabendo­se que não se trata de  dia útil, a data de vencimento ficou prorrogada para o dia 21/12/2009, uma segunda­feira, nos  termos do parágrafo único do citado artigo 5º.  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18050.001080/2009­37  Acórdão n.º 2301­003.013  S2­C3T1  Fl. 274          3 Ocorre que o recurso voluntário fora protocolado em 22/12/2009, terça­feira,  como se nota do carimbo de protocolo de fls. 257 e Despacho de fl. 272.  Nesse sentido destaco julgados dessa Colenda Corte Administrativa:  “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  SIMPLES  Ano  calendário:  2002  NORMAS  PROCESSUAIS.  INTEMPESTIVIDADE  DE  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  NÃO  CONHECIMENTO  Nos  termos  do  art.  33  do  Decreto  n°  70.235/72,  não  se  conhece,  por  intempestivo,  de  Recurso  Voluntário  protocolizado  após  o  prazo  de  30  (trinta)  dias,  a  contar da ciência da decisão proferida pela primeira  instância.  É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicilio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não  seja  o  representante  legal  do  destinatário.(Acórdão  1803­ 001.277)  “Assunto:  Simples Nacional Ano­calendário:  2010 PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  PRAZO  PARA  INTERPOSIÇÃO.  INTEMPESTIVIDADE  DO  RECURSO  ADMINISTRATIVO.  NÃO  CONHECIMENTO.  Não  se  conhece  do  Recurso  Voluntário  apresentado  após  o  transcurso  do  prazo  assinalado  no  artigo  33  do  Decreto  nº.  70.235/72 (30 dias).” (Acórdão 1301­000.861)  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  O  RECURSO  VOLUNTÁRIO, nos termos acima explicitados.    Adriano Gonzales Silvério ­ Relator                               Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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