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Numero do processo: 10166.911272/2009-44
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2003
Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.
Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
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Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 72 /2 00 9- 44 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ªa Turma da DRJ/BSB, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, juntado aos autos, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2003 Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, cabe à Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito informado na declaração de compensação, que constitui confissão de dívida, sem necessidade de formalizar notificação lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão seguiuse nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade é tempestiva a atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo dela tomar conhecimento A respeito da alegação da interessada, inicialmente oportunizase esclarecer que o despacho denegatório da homologação de compensação não se trata de notificação de lançamento prevista no art. . 9º do Dec. nº. 70.235, de 1972. Isto porque não é necessário, na espécie, emitir instrumento de constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de dívida, por força do disposto no art. 74, § 6º., da Lei nº. 9.430, de 1996, verbis: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Em suma, não homologada a compensação, a Fazenda Nacional deve comunicar o fato ao interessado, identificando os motivos da recusa, e, na mesma oportunidade, proceder a cobrança do débito indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo dos motivos que levaram à recusa da compensação, pode expressar sua irresignação em manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias, como lhe é assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Lei nº. 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: Art. 74 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911272/200944 Acórdão n.º 3802001.529 S3TE02 Fl. 284 3 manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Não há portanto, que se falar em tolhimento do direito de defesa, muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso concreto a compensação não foi homologada por inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim entendesse, diante do fato esclarecido pelo Fisco, trazer aos autos argumentos e provas que pudessem deixar patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos: (i) que retificou a DCTF originária nos termos do que dispõe o artigo 11 da Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio do devido processo legal e, por via de conseqüência, as decisões administrativas devem se revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. É o relatório. Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Voto Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Mérito Dá análise dos autos podemos extrair que, conforme Despacho Decisório reproduzido à fl. 22, emitido eletronicamente em 07/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº26204.15341.190608.1.040045, transmitido em 19/06/2008, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 14.550,29, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 30/06/2003, efetuado através de DARF no importe de R$ 44.447,32, recolhido em 15/07/2003, sob o código de receita 2172 (COFINS), cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 De início, ressaltamos que os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o Decretolei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei n. 9.430 de 1996, dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada. Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre outros fins, com o objetivo de espelhar com clareza o conteúdo nele contido para garantir a segurança jurídica nos conflitos existentes entre o administrado e administração, já que é instrumento que decorre do dever do Estado de cumprir a lei. Nesse sentido, o processo administrativo é cercado de regras que compõem o procedimento. Portanto, conforme acima exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte identificar suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes na relação jurídica instaurada. Estabelecidas as premissas acima, passemos para análise da lide administrativa que se resume em duas partes: (i) aplicação dos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal. No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, esta deve ser rechaçada de plano porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência do teor e fundamentos dos atos da Administração. Tudo nos moldes da norma de regência: Decreto 70.235/72. Outrossim, da leitura das peças processuais, denotamos a participação efetiva da contribuinte na estrada processual administrativa na busca do reconhecimento do alegado direito ao crédito. No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria ter sido feita de imediato, já Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911272/200944 Acórdão n.º 3802001.529 S3TE02 Fl. 285 5 que, consoante amplamente destacado no curso do processo, a não homologação estava assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova. Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina expressamente que, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Frisamos: o comando legal, portanto, fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em segunda instância, esta deveria ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. De modo que, dada a ausência de provas no sentido de comprovação da liquidez e certeza do direito ao crédito, somada a ocorrência da preclusão temporal, não há como reconhecer o pleito da recorrente. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.010021/2002-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003.
Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora.
EDITADO EM: 16/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 00 21 /2 00 2- 95 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora. EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 11/09/2008, foi julgado o Recurso Especial 162.834, prolatandose o Acórdão 10423.452 (fls. 101 a 104), assim ementado: “ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1997 IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF – NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. O imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os do Colegiado, Pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso para considerar inadequada a exigência por meio de Auto de Infração. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), Pedro Anan Júnior, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que admitiam a lavratura de Auto de Infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente justificadamente a Conselheira Heloisa Guarita Souza. Cientificada do acórdão em 07/06/2010 (fls. 106), a Fazenda Nacional interpôs, em 08/06/2010, o Recurso Especial de fls. 110 a 135, com fundamento no art. 67, do Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.010021/200295 Acórdão n.º 9202002.822 CSRFT2 Fl. 165 3 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e nos artigos 7º, inciso II, e 17, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto na modalidade de divergência, foi dado seguimento como recurso por contrariedade à lei, conforme Despacho 220100.146, de 16/07/2010 (fls. 135/136). Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o art. 5º, do Decretolei nº 2.124, de 1984, bem como as Instruções Normativas SRF nºs 45, 77 e 126, de 1998, determinaram o envio apenas do "saldo a pagar" declarado em DCTF, para inscrição em DAU, ao passo que, no tocante "aos débitos apurados em procedimento de auditoria interna", impuseram à fiscalização o lançamento de ofício dos valores correspondentes; ainda que se relute para examinar a matéria na ótica da legislação tributária esparsa, e ainda que analisada a matéria pela ótica do CTN, o lançamento é uma atividade vinculada e estritamente necessária no procedimento fiscal (cita doutrina de Luciano Amaro); é temerário o cancelamento do lançamento efetuado corretamente pela autoridade fiscal, sob a justificativa ilegítima de que houve "confissão" da dívida pelo contribuinte nas DCTFs; é inelutável o prejuízo em potencial que o Fisco pode sofrer sem a garantia do lançamento sobre o crédito tributário apurado e não pago; a limitação ao ato administrativo referente ao lançamento deve ser sempre feita com reservas, de forma restritiva, eis que o lançamento deve ser analisado, sempre, como um ato administrativo vinculado e, principalmente, obrigatório; ocorre que a e. Câmara a quo entendeu que a mera apresentação da DCTF enseja o cancelamento do lançamento de ofício referente aos débitos declarados, mesmo não ocorridos os pagamentos dos tributos e com o saldo a pagar igual a zero. a jurisprudência administrativa é uníssona ao reconhecer que deve ser procedida constituição formal do crédito em hipóteses deste jaez; corroborando tal entendimento, temse o art. 90 da MP 2.15835/2001, vigente à época dos períodos de apuração, a qual determinava o lançamento de ofício das diferenças decorrentes de compensação indevida ou não comprovada, apuradas com base na DCTF apresentada pelo sujeito passivo; a partir do artigo 18 da MP n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003 e, posteriormente, da IN SRF n° 482, de 21/12/2004 (artigo 9o , §1°), as DCTF's, inequivocamente, passaram a ser instrumento de confissão de dívida, devendo a fiscalização encaminhar para inscrição DAU tanto o "saldo a pagar" como as "diferenças apuradas" em auditoria de DCTF; no presente feito, porém, as DCTF's foram apresentadas antes do advento das legislações supracitadas, razão pela qual era necessário o lançamento; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 de fato, no direito brasileiro, em regra, a norma legal aplicase a fatos ocorridos durante a sua vigência, não retroagindo para alcançar fatos pretéritos, exceto se houver autorização legal, tal como se retira da interpretação dos arts. 5º , XXXVI da Constituição Federal/1988 c/c art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil; igualmente, os arts. 101 a 106 do CTN seguiram a regra geral da irretroatividade para a legislação tributária, aplicandose aos "fatos geradores futuros e pendentes" (art. 105 do CTN), excetuandose, entretanto, os casos do art. 106, que dispõe sobre a retroatividade benigna em matéria de norma interpretativa e infração tributária; sabese que as DCTF's apresentadas no curso das IN's SRF n° 45/98, 77/98, 126/98 e do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, como no presente feito, na qualidade de ato jurídico perfeito, consumaramse segundo a norma vigente ao tempo do seu protocolo; dessa forma, os "débitos ou diferenças apuradas" com base em tais DCTF's eram e continuam tendo o status de parcelas NÃO confessadas pelo sujeito passivo; tanto é assim que foram objeto de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, não podendo cancelar as exigências tributárias formalizadas àquele tempo porque o crédito tributário correspondente não foi constituído por outro meio senão pela via do lançamento de ofício. Ao final, a Fazenda Nacional requer o provimento do recurso, para restabelecer a decisão de primeira instância. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, bem como despacho que lhe deu seguimento em 07/12/2011 (fls. 140/verso), o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e foi interposto com com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e nos artigos 7º, inciso II, e 17, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou seja, tratase de Recurso Especial de Divergência, inclusive com a indicação dos Acórdãos 340100152 e 20310407, à guisa de paradigmas. Entretanto, foi dado seguimento ao apelo como Recurso por Contrariedade à Lei, conforme Despacho 220100.146, de 16/07/2010 (fls. 135/136). Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional ainda se encontra pendente de exame de admissibilidade, sob o ângulo da divergência jurisprudencial, já que esta foi efetivamente a modalidade eleita. Nesse passo, verificase que o cotejo das ementas dos acórdãos recorrido e paradigmas, na parte em que tratam da exigência por meio de Auto de Infração, não deixa dúvidas acerca da demonstração da alegada divergência. Confirase: Acórdão recorrido “ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1997 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.010021/200295 Acórdão n.º 9202002.822 CSRFT2 Fl. 166 5 IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF – NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. O imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Acórdão Paradigma 20310.407 “COFINS. PERÍODOS DE APURAÇÃO 06/2000 A 09/2001. VALORES DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTOS INFORMADOS E NÃO EFETUADOS. SALDOS A PAGAR NULOS. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. MP N° 2.15835/2001, ART. 90. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como pagos, mas não recolhidos, devem ser lançados com base no art. 90 da MP n° 2.15835, sendo as multas respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio.” Acórdão Paradigma 340100.152 “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de ofício respectivas desoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido”. Assim, considerando que: os paradigmas indicados efetivamente demonstram a alegada divergência jurisprudencial; caberia a esta Relatora, como Presidente da Segunda Câmara, a revisão do Despacho de Admissibilidade, caso o recurso fosse retirado de pauta para tal fim; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 o Contribuinte, intimado do acórdão, do recurso e do primeiro despacho, quedouse silente; Concluise que a revisão do exame de admissibilidade do recurso, ora levado a acabo, não traz qualquer prejuízo às partes, e constitui iniciativa de economia processual. Assim sendo, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, na modalidade de divergência, e passo a examinálo. Tratase de exigência de valores declarados em DCTF, por meio de Auto de Infração, sistemática esta considerada inadequada pelo acórdão recorrido. O assunto já foi tratado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que o entendimento firmado pelo Acórdão 920201.562, de 10/05/2011, foi acatado por unanimidade. Nesse passo, adoto o voto do Ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que a seguir reproduzo: “(...) a discussão ora posta é relativa à possibilidade de exigência de valores declarados em DCTF, cujo pagamento não foi identificado pela Receita Federal do Brasil, por meio de auto de infração. O v. acórdão recorrido entendeu que é incabível o lançamento de ofício para exigência de tributo declarado em DCTF, constituído na vigência do art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, por tal dispositivo ter perdido eficácia a partir da edição do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, que deve ser aplicado retroativamente. Segundo essa posição estaria o débito declarado em DCTF já devidamente lançado, devendo ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, sendo desnecessária a lavratura de auto de infração. Entendo, no entanto, que no caso em exame assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Já me manifestei em oportunidades anteriores de que não compartilho com o entendimento externado no v. acórdão recorrido e tenho para mim que ele aplica indevidamente a regra da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN para a hipótese de aplicação de penalidade, a questão relativa a procedimento fiscal, cuja norma de regência é sempre a do momento da prática, salvo norma posterior expressamente retroativa. O art. 90 da MP n. 2.15835, vigente a partir de 28 de agosto de 2001 e base legal da autuação, era bastante explícito: ‘Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.’ O argumento da tese vencedora no v. acórdão recorrido é o de que tal disposição perdeu eficácia com a edição do art. 18 da Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.010021/200295 Acórdão n.º 9202002.822 CSRFT2 Fl. 167 7 MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003 (posteriormente convertido no art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003). Referido dispositivo assim estabeleceu: ‘Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.’ De fato, é patente que a partir da entrada em vigor do dispositivo não mais se tornou necessário procedimento de ofício para constituição de crédito tributário declarado em DCTF mas não pago, salvo nas hipóteses previstas no dispositivo. Não obstante, entender que o dispositivo tornou nulos os atos praticados na vigência do art. 90 da MP n. 2.15835 é dar a ele extensão demasiada, incompatível com os cânones de interpretação. Reportome à explicação constante do voto proferido pelo I. Conselheiro José Antônio Francisco, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, formalizado no Acórdão 20177.839, in verbis: ‘Em outubro de 2003, com a publicação da MP nº 135 (convertida na Lei n. 10.833, de 2003), o lançamento anteriormente previsto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a ser cabível somente nas hipóteses de compensação indevida, em que houvesse dolo, fraude ou conluio, relativamente à multa de ofício qualificada, não havendo lançamento em relação aos débitos declarados em DCTF. (...) A primeira conseqüência das referidas alterações implicaram a restrição da aplicação da multa de ofício, no caso de débitos declarados em DCTF, nos termos do art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que a vinculação do débito em DCTF somente representa infração, segundo a nova legislação, nos casos em que tenha havido dolo. A conclusão mencionada foi objeto da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004, emitida pela Coordenação do Sistema de Tributação, que também concluiu que os lançamentos, nas hipóteses da antiga redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, e os recursos apresentados, entre a publicação daquela MP e a da MP nº 135, de 2003, seriam atos perfeitos, cabendo, portanto, a apreciação do recurso. Ademais, ainda, concluiu que ‘no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo’. A aplicação de tais conclusões não se restringe aos casos de apresentação de pedido de compensação válido formalmente, como se poderia supor, uma vez que a disposição da MP nº 135, de 2003, foi bastante clara em restringir o lançamento à aplicação da multa e somente nos casos em que tenha havido dolo, fraude, ou conluio. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício, aplicandose, entretanto, a de mora, se for o caso, não se pode concordar com a conclusão de que o auto de infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento da contribuição. Se o auto de infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, então passou a ser o meio adequado para cobrança dos valores lançados, ainda que a multa de ofício não seja aplicável. Segundo o art. 144 do CTN, ‘O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada’, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado, sob seus aspectos formais.’ Em resumo, cabe aplicar a retroatividade benigna para afastar a exigência da multa de ofício, como muito bem concluiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal na Solução Interna de Consulta n. 3, de 2004. Não obstante, como também afirma a referida solução de consulta o procedimento de lançamento foi efetuado segundo a norma de regência então vigente (art. 90 da MP n. 2.15835), sendo ato jurídico perfeito, não cabendo afastálo por norma posterior não expressamente retroativa. No presente caso, tratase de IRRF relativo ao 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1998, declarado pela recorrente em sua DCTF. Verificado o não pagamento por meio de auditoria interna, nos termos do artigo 4º da Instrução Normativa nº 54/1997, caberia o lançamento de imposto suplementar, por meio da lavratura de auto de infração, nos termos do art. 90 da MP n. 2.15835, vigente à época da autuação (março de 2003). A postura adotada pelo acórdão recorrido, se prevalecesse, poderia dar ensejo a questionamento em sede de embargos de execução fiscal quanto à inviabilidade de prosseguimento da cobrança em face da ausência de instrumento apto ao lançamento. Verifico, portanto, que a autoridade fiscal agiu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício relativamente ao IRRF não recolhido com os respectivos consectários legais, sendo legítima a constituição do crédito tributário via auto de infração à época da autuação. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.010021/200295 Acórdão n.º 9202002.822 CSRFT2 Fl. 168 9 Assim, entendo que deve ser reformado o v. acórdão recorrido, o qual determinou o cancelamento do Auto de Infração em epígrafe, devendo o processo ser remetido à Câmara a quo para análise das demais razões recursais suscitadas pela Contribuinte para se evitar supressão de instância.(...).” Diante do exposto, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem, para análise das demais questões objeto do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.001283/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE.
CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriar-se de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.955
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriar-se de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriarse de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Cofins, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriarse de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 12 83 /2 00 8- 30 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses de outubro de 2007 a dezembro de 2007 (fls. 3/5), no montante de R$ 82.156,29, protocolado em 31/1/2008, cuja parcela de R$ 81.329,17 foi utilizada na compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação (DComp) de nºs 00235.13144.080208.1.3.048901 (fls. 43/45), 18698.77470.030308.1.7.04 (fls. 46/48) e 02063.83448.280208.1.3.045360 (fls. 49/51). Por meio do Despacho Decisório de fls. 52/56, a autoridade competente da Unidade da Receita Federal origem indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas, com base no argumento de que o crédito pleiteado não existia, pois, na condição de entidade beneficente de assistência social, a interessada não tinha direito à restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, relativa à compra de produtos farmacêuticos/medicamentos, submetidos ao regime de tributação monofásica, concentrada nas etapas de produção e importação, estabelecido no art. 1º da Lei n.º 10.147, de 2000, uma vez que a isenção de que, em tese, era beneficiária contemplava unicamente as suas próprias receitas decorrentes da atividade de assistência social. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 63/75), a interessada, em síntese, alegou que: a) não estava pleiteando crédito de outrem, mas a manutenção dos créditos relativos aos insumos que adquira, com vista à compensação do prejuízo que lhe causara o sistema monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita de venda de medicamentos; b) gozava de imunidade de impostos e contribuições, instituída nos arts. 150, VI, “c”, e 195, § 7º, da CF/1988, pois, na condição de hospital filantrópico, tratavase de entidade de assistência social; b) fazia jus a restituição da parcela da diferença de alíquota de 9,25% para 12% das referidas Contribuições, majorada a partir da instituição do referido regime monofásico; c) as entidades beneficentes hospitalares, com a instituição do regime não cumulativo, passaram a arcar com o valor das Contribuições, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.001283/200830 Acórdão n.º 3102001.955 S3C1T2 Fl. 11 3 incluído no custo de aquisição dos medicamentos, diferentemente dos hospitais particulares, mantidos fora da sistemática não cumulativa; e d) o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, asseguravalhe o direito de apropriarse da parcela majorada dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referente às aquisições de medicamentos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 101/108), em que, por unanimidade, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantidos o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação das compensações declaradas, com base no argumento de que a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas de venda de produtos farmacêuticos (medicamentos), relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, não implicava restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirissem tais produtos, haja vista que a isenção que gozavam as aludidas entidades, quando cumpridos os requisitos legais, contemplava unicamente as suas próprias receitas. Ademais, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, aplicavase apenas às pessoa jurídicas submetidas ao regime de tributação não cumulativa, situação em que não se enquadrava a recorrente. Em 8/8/2011, a interessada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 25/8/2011, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 115/122, em que reafirmou os argumentos de defesa aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) não solicitara o crédito unicamente dentro das normas do regime não cumulativo, mas que procurara o ressarcimento do crédito com base no art. 195, § 7º, da CF/1988, que trouxe a imunidade como corolário; e b) a Constituição Federal, por força imunidade, determinava a restituição às instituições beneficentes do valor dos tributos pagos na aquisição de insumos. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à questão de direito, isto é, se a Recorrente, beneficiária do regime de imunidade/isenção da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, poderia apropriarse do valor do crédito, calculado com base na alíquota majorada sobre o custo de aquisição de produtos farmacêuticos (medicamentos), submetidos ao regime monofásico ou concentrado, nos termos do art. 1º, I, “a”, combinado com o art. 2º, da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, que, no período de apuração dos créditos, tinha a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, a seguir reproduzida: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. [...] (grifos não originais) Com base nesse regramento, a cobrança das Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre a receita das vendas dos produtos farmacêuticos (medicamentos) passou a ser realizada de forma concentrada no fabricante ou importador, com alíquotas majoradas, respectivamente, de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento). Em compensação, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas da cadeia comercialização ficaram desoneradas da cobrança das referidas contribuições. Tratase, portanto, de cobrança concentrada em uma única fase da cadeia de comercialização do produto, denominado de regime monofásico ou de monofasia, instituído com fundamento no art. 149, § 4º, da CF/88. Após a vigência desse regime monofásico, foram editadas as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que introduziram, respectivamente, o regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Assim, a partir da vigência desses novos diplomas legais, a lado dos regimes de imunidade/isenção e de cobrança cumulativa, monofásica e por substituição tributária, anteriormente vigentes, passou a existir o regime não cumulativo de cobrança das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, porém, mantendo cada um desses regimes regramento próprio de incidência das referidas Contribuições. É oportuno ressaltar que as regras de um regime não podem ser aplicadas aos outros, a menos que haja ressalva expressa em lei. Em consequência dessa independência, as Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.001283/200830 Acórdão n.º 3102001.955 S3C1T2 Fl. 12 5 regras do regime cumulativo não se aplicam ao regime de substituição tributária, assim como as regras do regime monofásico não se aplicam ao regime não cumulativo ou de imunidade/isenção. No caso em apreço, alegou a recorrente que tinha direito deduzir os créditos calculados sobre as aquisições de medicamentos sujeitos ao regime monofásico, ainda que as receitas obtidas na prestação dos serviços, em que utilizados os citados medicamentos, estivessem contempladas com a imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988. Tal pretensão contraria os preceitos legais a seguir mencionados. Com efeito, na atividade de prestação de serviços, o direito de apropriação de créditos sobre a aquisição de insumos, nos termos do art. 3º, II, das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, só é admitido se os referidos insumos forem aplicados na prestação de serviços, cuja receita esteja submetida ao regime de incidência não cumulativa. No mesmo sentido, determina o § 7º do art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa das mencionadas contribuições, o crédito será calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados ao regime não cumulativo. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, os referidos preceitos legais da Lei nº 10.637, de 2002, tem seguinte teor, in verbis: Art. 2º Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. II – no inciso I do art. 1oda Lei no10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas.(Vide Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). Da mesma forma, em relação à Cofins, os preceitos legais da Lei nº 10.833, 2003, tem a seguinte redação, in verbis: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).(Produção de efeito)(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II – no inciso I do art. 1º da Lei no10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. [...](grifos não originais). Da leitura dos citados preceitos legais, extraise que não há permissão para apropriação de crédito calculado sobre a aquisição de produtos farmacêuticos (medicamentos), submetidos ao regime de cobrança monofásico, adquiridos para revenda por comerciantes atacadista ou varejista ou para aplicação na prestação de serviços por entidades sem fins lucrativos, cuja receita é imune ou isenta da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, situação em que se enquadra a recorrente. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.001283/200830 Acórdão n.º 3102001.955 S3C1T2 Fl. 13 7 Diferentemente do alegou a recorrente, também o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, não permite apropriação de créditos das citadas Contribuições, na hipótese de insumos aplicados na prestação de serviços por entidades de assistência social imunes ou isentas, conforme alegou a recorrente. De fato, a manutenção do crédito admitida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, aplicase apenas às aquisições de produtos submetidos ao regime não cumulativo, vinculados a receita de vendas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, conforme se infere da redação do preceito legal em destaque, que segue transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifo não original) Portanto, se o referido preceito legal autoriza a manutenção de crédito, evidentemente, tal permissão limitase à aquisição de produtos ou insumos submetidos ao regime não cumulativo. Por óbvio, são se pode manter o que não existe. Assim, fica esclarecido que o referido preceito legal não autoriza a apropriação de crédito relativo às aquisições dos produtos ou insumos sujeitos às demais formas de tributação, inclusive os produtos ou insumos sujeitos à tributação monofásica, a exemplo dos produtos farmacêuticos adquiridos pela recorrente. No mesmo sentido, tem se manifestado as demais Turmas desta Terceira Seção, como bem demonstra os enunciado das ementas dos julgados a seguir transcritos: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Ac. 3403001.565, de 25/4/2012, rel. Raquel Motta Brandão Minatel) REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição. [...] Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Especial, Ac. 3802001.379, de 23/10/2012, rel. José Fernandes do Nascimento) AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401001.714, de 26/2/2013, rel. José Adão Vitorino de Morais) Por se tratar de recurso voluntário da própria recorre sobre matéria idêntica a aqui versada, merece especial destaque, o enunciado da ementa do acórdão da 1ª Turma Especial desta Terceira Seção, proferido nos autos do processo nº 10980.010278/200656, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 31/07/2006 PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre as receitas de venda dos produtos elencados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, onde ocorre a tributação apenas na etapa de industrialização e de importação, não é possível a restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirirem tais produtos. A imunidade, prevista no § 7º do artigo 195 da Carta Magna, concedida às entidades beneficentes contempla exclusivamente as operações decorrentes de receitas obtidas pelas próprias entidades, mais especificamente, as receitas obtidas na prestação de serviços de assistência social. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Especial, Ac. 3801001.868, de 21/5/2013, rel. Marcos Antonio Borges) Da mesma forma, o entendimento aqui esposado também se consolidou no âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se infere do enunciado da ementa do julgado a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.001283/200830 Acórdão n.º 3102001.955 S3C1T2 Fl. 14 9 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1217828/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 27/04/2011) – grifos não originais. Por fim, não cabe a este Conselheiro manifestarse sobre as alegações da recorrente acerca da legalidade da majoração da carga tributária, resultante da instituição do regime de tributação monofásica em destaque, tampouco sobre a aplicação, ao caso em tela, dos preceitos constitucionais sobre imunidade tributária, previstos nos arts. 150, VI, “c”, e 195, § 7º, da CF/1988, pois a apreciação dessas questões, inevitavelmente, envolveria a análise da constitucionalidade dos mencionados preceitos legais, matéria que foge da competência deste Conselho, conforme expressamente determina o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917628/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 76 28 /2 00 9- 73 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917628/200973 Acórdão n.º 3801002.012 S3TE01 Fl. 123 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que o PIS apurado e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento a maior. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento do PIS indevidamente, o DACON foi posteriormente retificado e transmitido, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento indevido, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 54/57, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917628/200973 Acórdão n.º 3801002.012 S3TE01 Fl. 124 3 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). APURAÇÃO DO CRÉDITO NO MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. A comprovação de erro existente em DACON deve estar devidamente demonstrada nos autos .Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 61 a 66, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917628/200973 Acórdão n.º 3801002.012 S3TE01 Fl. 125 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS, referente ao mês de abril/2005, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DACON e da DCTF do 2° trimestre/2005, conforme cópia às fls. 17/22. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DACON e DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917628/200973 Acórdão n.º 3801002.012 S3TE01 Fl. 126 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912676/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 76 /2 00 9- 75Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Versa o imbróglio sobre repetição de indébito tributário decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS efetuado pela contribuinte, posteriormente objeto de Per/DComp, que resultou não homologada, por meio de despacho decisório eletrônico nº 844667276, por insuficiência de saldo credor para a realização da compensação declarada. A contribuinte conhecendo o teor do referido despacho apresentou a sua irresignação ao feito, aduzindo em síntese: – que cometeu erro de forma ao não retificar a DCTF correspondente ao período em que realizou o pagamento indevido, quando da ocasião da compensação declarada, a fim de informar que o valor recolhido fora efetivamente maior que o devido naquele período de apuração; (ii) – que a ausência de retificação da DCTF não invalida ou inutiliza o crédito de PIS da empresa, eis que o crédito tributário já se encontra extinto, ex vi do art. 156, II, do CTN; (iii) – requer a juntada posterior de documentos aos autos, por absoluta impossibilidade de fazêlo oportunamente (cópias da DIPJ original dos períodos referentes ao crédito utilizado na DComp, bem como as memórias de apuração dos tributos ali destacados, relativos ao crédito utilizado pela empresa.) Tudo isto em razão do recolhimento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 76.235,41 para pagamento de COFINS, na competência de 07/2001, quando o valor devido desse tributo seria inferior. Conclusos foram os autos submetidos a apreciação pela 9a Turma de julgamento da DRJ/CPS, que em sessão realizada em 15/03/2012, proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0537.280, sintetizada através da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.912676/200975 Acórdão n.º 3803004.244 S3TE03 Fl. 6 3 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A decisão hostilizada ao analisar os fatos que provocaram a sua intervenção nos autos manifestouse no sentido de que o sucesso da contribuinte, em ver homologada a compensação declarada condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Isto porque o lançamento é efetuado com base na declaração do próprio sujeito passivo, que presta a autoridade administrativa as informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação (CTN, art. 147). Portanto, a admissão da DCTF retificadora está condicionada à apresentação do erro de fato presente em declaração anterior e, no caso em concreto a contribuinte não apresentou qualquer razão ou documento que comprove o seu direito. Nos autos não há nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que esse suporte ao crédito tributário aproveitado. A responsabilidade de comprovação do alegado é da contribuinte e deve fazê lo no momento da impugnação ao feito, em conformidade ao disposto no art. 16, § 4o, do Dec. nº 70.235/72, não se tratando de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. No caso a contribuinte não demonstra, com fundamentos, qualquer ocorrência que justifique a sua impossibilidade de apresentação de provas, o pretendido motivo de força maior. Cientificada do teor contido na decisão de piso em 11/05/12, conforme AR colacionado aos autos, irresignada a contribuinte protocolou o seu apelo em 11/06/12, de acordo com o registro efetuado na folha de face do recurso voluntário, para reiterar minudentemente os argumentos expendidos na exordial. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o que importa relatar. Voto Conselheiro Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, que atesta a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão pronunciouse quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que a não homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que a planilha tão somente não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.912676/200975 Acórdão n.º 3803004.244 S3TE03 Fl. 7 5 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/Dcomp e, por tal razão, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. A recorrente não laborou em demonstrar de forma inconteste a existência do crédito alegado, nem tampouco infirmar as razões de decidir do despacho decisório e da decisão de primeira instância, mesmo tendo a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, oportunamente. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de Sessões em 25 de junho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13864.000161/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos.
REPASSE FINANCEIRO. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO ONEROSA. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que os recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa, tratando-se de mero repasse de recursos oriundos de operação de compra e venda entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS.
É incontroversa a infração que o próprio contribuinte, expressamente, reconhece sua correição.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência tributária referente à omissão de receitas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. REPASSE FINANCEIRO. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO ONEROSA. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que os recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa, tratandose de mero repasse de recursos oriundos de operação de compra e venda entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. É incontroversa a infração que o próprio contribuinte, expressamente, reconhece sua correição. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 61 /2 00 8- 41 Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.520 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência tributária referente à omissão de receitas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.521 3 Relatório Tratase de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre supostas omissões de receitas da Recorrente. O procedimento fiscal teve início a partir da detecção de divergência entre a receita bruta declarada pelo contribuinte e os valores informados em DIRF pela EMBRAER. Enquanto nas DIPJs transmitidas pela Recorrente constava receita bruta anual de R$ 43.619,00, na DIRF transmitida pela EMBRAER o montante indicado era de R$ 3.546.228,61; Intimada a se manifestar sobre a divergência entre os valores, respondeu a autuada que os valores informados pela EMBRAER em DIRF, e devidamente recebidos por ela, diziam respeito a convênio para fornecimento de medicamentos aos funcionários da EMBRAER. Seu papel seria cadastrar farmácias para que os funcionários da empresa contratante (EMBRAER) pudessem adquirir medicamentos. O pagamento de tais aquisições seria realizada diretamente pela EMBRAER à Recorrente, que repassaria os valores referentes aos medicamentos às drogarias responsáveis pela venda dos medicamentos, retendo percentual do valor repassado, este sim referente ao seu real faturamento. A Fiscalização requereu, então, cópias dos comprovantes de pagamentos dos repasses supostamente realizados às drogarias. O contribuinte apresentou planilha discriminando tais valores e, após requerido pela autoridade fiscal, também cópias de cheques de alguns dos pagamentos anteriormente indicados (Fiscalização requereu cópias de dois cheques por mês, dos maiores valores). Diante de tais elementos, concluiu o Fisco que a maioria dos pagamentos não teria sido realizada aos beneficiários indicados pelo contribuinte. Ato contínuo, solicitouse ao contribuinte comprovantes dos pagamentos. Foi apresentada farta documentação (recibos) que comprovaria os repasses realizados às drogarias conveniadas. Ao final, concluiu a autoridade fiscal pela ocorrência de omissão de receitas, subdividas em duas espécies: - Valores não repassados a terceiros: a diferença entre os valores pagos pela EMBRAER e os valores repassados a terceiros. O montante repassado a terceiros seria aquele indicado pelo contribuinte às fls. 299375. Do montante assim apurado, descontou os valores de receitas já oferecidas à tributação; - Valores repassados a terceiros: considerou que o contribuinte adquiriria os medicamentos, administrando o estoque e repassandoos aos funcionários da EMBRAER. Nesse contexto, os pagamentos efetuados às drogarias restaria caracterizado como custo dos produtos, e, como o contribuinte era tributado com base no lucro presumido, tais valores não poderiam ser excluídos da receita bruta. Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.522 4 Houve arbitramento de lucros em razão de a escrituração do contribuinte (Livro Caixa) não incluir a vultosa movimentação financeira retratada em seus extratos bancários. O contribuinte apresentou impugnação atacando as conclusões do Fisco, concordando com a omissão de receita apontada pela autoridade fiscal na infração “Valores não repassados”, mas rechaçando as conclusões quanto a infração mais vultosa (“valores repassados a terceiros). Alegou, em síntese, que jamais adquiriu produtos e que sua receita era somente um percentual dos valores de medicamentos adquiridos pelos funcionários da EMBRAER. Sua receita efetivamente auferida seria, ao fim e ao cabo, a diferença entre os valores recebidos da EMBRAER e os valores repassados às drogarias, ou seja, a própria infração apontada pelo Fisco como omissão de receitas de “Valores não repassados”. Ataca a aplicação da multa de 75%, tachandoa de desproporcional e confiscatória. A decisão de primeira instância deu provimento parcial à impugnação, cancelando da exigência somente os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins já declarados pelo contribuinte, tendo sua ementa a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. Consolidamse administrativamente as matérias que não foram expressamente impugnadas pela contribuinte, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato Gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. DIPJ X DIRF FONTE PAGADORA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE REPASSES A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. LUCROS PRESUMIDO E ARBITRADO. Comprovado o auferimento de receitas em montante muito superior ao constantes na DIPJ/2005, mediante confronto com a DIRF da fonte pagadora e correspondentes créditos em conta bancária da fiscalizada, cabível a exigência de ofício dos tributos decorrentes das receitas auferidas, não sendo admissível a exclusão de valores repassados a terceiros nas sistemáticas de tributação dos lucros presumido e arbitrado, se os valores recebidos decorrem de atividade executada sob integral responsabilidade da empresa fiscalizada. Para contemplar dispêndios relativos aos alegados valores repassados, haveria a contribuinte de efetuar a apuração pelo lucro real, arcando com a correspondente manutenção da escrituração completa exigida pela legislação. Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.523 5 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO SOBRE PARCELA DECLARADA EM DCTF. Comprovada a falta de declaração/recolhimento de tributos e contribuições federais decorrentes das receitas auferidas, procede a exigência de ofício dos valores não satisfeitos, devidamente acompanhada da imposição da multa de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9430, de 1996, reduzindose a penalidade de 75% para 20% (multa de mora) sobre as parcelas dos tributos confessadas em DCTF, quando a receita declarada integrou a exigência. Impugnação Procedente em Parte O contribuinte foi cientificado em 01/02/2012 (fl. 2.474), apresentando Recurso Voluntário em 02/03/2012 (fls. 24812499), argumentando, em síntese que: - Não havia prestação de serviço para a EMBRAER, pois os remédios são adquiridos pelos funcionários desta diretamente nas drogarias conveniadas; o papel da Recorrente seria credenciar as farmácias, repassar à EMBRAER o valor dos remédios adquiridos, receber o valor correspondente e repassálos às drogarias conveniadas, retendo percentual deste valor. O valor retido seria seu real faturamento; - Os valores recebidos da EMBRAER não eram administrados pela Recorrente, que simplesmente repassava às drogarias conforme previsto nos contratos entre ela e as drogarias; - O risco por ela assumido perante às drogarias não teria o condão de transformar as relações jurídicas estabelecidas, em especial transformar os valores recebidos de EMBRAER em suas receitas, pois a cláusula contratual de assunção do risco de inadimplemento de EMBRAER buscava ser um atrativo perante às drogarias em que eram oferecidos os convênios; - Se os valores repassados às drogarias fossem considerados receitas, também os seriam os valores que EMBRAER desconta de seus funcionários pelas aquisições de medicamentos; - Que de acordo com a planilha de fl. 1.238, e também na conclusão do julgador de primeira instância, a “EMBRAER repassou para a Recorrente R$ 3.546.228,61 e deste valor o fisco comprovou o Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.524 6 repasse de R$ 3.440.934,81 da Recorrente para as drogarias e farmácias, sendo assim, a RECEITA da Recorrente no ano de 2004 foi de R$ 105.293,80 dos quais declarou R$ 43.619,19, omitindo o valor de R$ 61.674,61”; - Não haveria contrato entre EMBRAER e as drogarias, pois a EMBRAER não adquiria medicamentos, mas sim seus funcionários, e diretamente nas drogarias conveniadas, pois também não haveria qualquer negócio entre Recorrente e os funcionários da EMBRAER, uma vez que a Recorrente não vende remédios; - Que as notas fiscais de venda de medicamentos eram emitidas pelas drogarias quando da venda aos funcionários da EMBRAER. Admitir que tal receita fosse novamente tributada na Recorrente implicaria duplicidade de tributação sobre os mesmos valores; - Que não houve preclusão no que tange ao arbitramento de lucros; nesse sentido, questiona o arbitramento adotado no lançamento, uma vez que o Fisco teria conseguido determinar a omissão de receitas com base nas informações prestadas pela própria Recorrente, não havendo base legal para arbitramento dos lucros na hipótese do lançamento guerreado. É o Relatório. Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.525 7 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. 1 PRECLUSÃO – ARBITRAMENTO Alega a Recorrente que não teria havido preclusão no tocante ao arbitramento de lucros, até mesmo pela ausência de citação, por parte da autoridade julgadora a quo , da base legal para tanto. Argumenta ainda que não haveria base legal para o arbitramento realizado pela autoridade lançadora. Não assiste razão à Recorrente. A preclusão é matéria de lei e seus efeitos ocorrem independentemente de pronunciamento da autoridade administrativa. No caso dos autos, a declaração de preclusão emanada na decisão recorrida possui efeitos meramente declaratórios, pois a preclusão se deu no momento em que o contribuinte apresentou impugnação sem questionar o arbitramento de lucros realizado pela autoridade lançadora. Tais conclusões advém do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação a uma ou mais infração decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, transcrito a seguir: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Nesse sentido, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário que não tenha sido objeto de impugnação, operando a constituição definitiva do crédito tributário relativo a tal matéria. Desse modo, não mais se discute a correição do arbitramento de lucro não contestado em sede de impugnação. Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.526 8 2 OMISSÃO DE RECEITAS Relativamente à infração “Valores não repassados”, relativa ao valor recebido pela Recorrente da EMBRAER e não repassado às drogarias conveniadas, o contribuinte expressamente reconhece sua correição, utilizando tal conclusão fiscal, inclusive, como meio de defesa em relação à outra infração de omissão de receitas a ele imputada. Não havendo litígio sobre o tema, deixo de adentrar seu mérito No que tange à infração de omissão de receitas nominada pela autoridade autuante como “Valores repassados”, entendo assistir razão à Recorrente. Restou evidente que a Recorrente em momento algum adquire medicamentos das drogarias e os revende à EMBRAER ou a funcionários desta. Compulsando os elementos constantes dos autos concluo que o real faturamento da Recorrente, de fato, seja a imputada pela Fiscalização como “Valores não repassados”. Vejase que não há despesas e receitas entre a Recorrente e a EMBRAER. Corroborando tal conclusão, convém ressaltar a resposta da EMBRAER – fl. 91 – dada à intimação da autoridade fiscal: Em consonância com o referido contrato a C.S.H. forneceu medicamentos diretamente aos empregados da Embraer, por seus estabelecimentos ou por outros a ela associados. 0 pagamento dos produtos assim adquiridos foi feito pela Embraer, por conta de seus empregados. O valor dos medicamentos foi posteriormente descontado em folha de pagamento, integral ou parcialmente, conforme a política de benefícios da empresa. Os pagamentos foram efetuados mensalmente mediante recibos, não tendo havido emissão de documentos fiscais no período visto que as vendas foram feitas para consumidores finais pessoas físicas e não para a Embraer. (grifo nosso) Embora a EMBRAER informe que a Recorrente forneceu medicamentos diretamente aos seus empregados, salienta que tal fornecimento se deu por seus estabelecimentos ou por outros a ela associados. E mais, acrescenta que não houve venda ou prestação de serviço entre ela e a Recorrente. Por sua vez, os contratos firmados entre a Recorrente e as drogarias associadas deixam claro que o fornecimento dos medicamentos seria realizado diretamente aos funcionários da EMBRAER, com emissão de nota fiscal de venda direta a tais funcionários, sendo que a primeira via da nota deveria ser remetida à Recorrente. Caberia ao contribuinte organizar tais notas, totalizando os gastos por funcionário diretamente à EMBRAER. A EMBRAER descontava os valores dos contracheques de seus funcionários e repassava à Recorrente exatamente o montante de tais aquisições. Como último ato do negócio complexo, a Recorrente repassava às respectivas drogarias os valores das aquisições de medicamentos realizados pelos funcionários da EMBRAER, descontando um percentual (não fixado em contrato) a título de reembolso de despesas e preço dos serviços prestados. Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.527 9 A meu ver, restou comprovado que o negócio oneroso se dava entre a Recorrente e as drogarias associadas, e o preço cobrado era justamente a diferença entre o valor recebido de EMBRAER e não repassado às drogarias. A Recorrente anexou extensa quantidade de recibos que comprovariam os repasses feitos por ela às drogarias (cerca de 1800 recibos fls. 11712243). A Fiscalização, por sua vez, em nenhum momento questionou a veracidade de tais documentos, ou sua insuficiência para comprovação dos repasses. Muito antes pelo contrário, pois houve a imputação de duas infrações ao contribuinte: valores de repasse não comprovados e valores de repasses comprovados. Ou seja, concluiu a Fiscalização que houve o repasse dos valores às drogarias. Tanto a autoridade fiscal, quanto a autoridade julgadora, consideraram que a receita bruta seria o montante recebido da EMBRAER, sendo que os valores repassados às drogarias corresponderiam a custos da Recorrente e, como tais, não poderiam ser excluído da receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (lucro presumido e PIS/COFINS cumulativos). Conforme já exposto, não corroboro com tais conclusões. Convém transcrever excerto da fundamentação da decisão de primeira instância, para, em seguida, tecer os comentários pertinentes: A respeito do entendimento manifestado pela defesa de que os valores dos comprovados repasses a terceiros não integram as receitas próprias de empresa que operam com intermediação de negócios, adiante será parcialmente reproduzida a Solução de Consulta nº 172 da SRRF 9ª/DISIT, de 15/07/2010 que, apesar de não vincular os julgadores de primeira instância, vem esclarecer a matéria aqui tratada, visto referirse a contribuinte então consulente optante pelo lucro presumido com atividade de agenciamento de fretes, portanto também submetida ao regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e a COFINS, visto que o sistema não cumulativo aplicase somente aos optantes pelo lucro real: FUNDAMENTOS: 8. A dúvida central do consulente consiste em saber se, em sua atividade de agenciamento de fretes, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, do imposto de renda e da CSLL na sistemática do lucro presumido corresponde ao valor total do frete ou apenas às comissões devidas pela intermediação. 9. Não obstante tenha consistência a dúvida manifestada pelo consulente, há que, no entanto, esclarecer que essa dúvida diz respeito unicamente ao conceito de receita bruta, como a seguir pretendese demonstrar. Não foi derivada a dúvida nem da decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nem da revogação deste dispositivo pela Lei nº 11.941, de 2009, como entendeu o consulente. Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.528 10 10. São regidas a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, na sistemática cumulativa de apuração, pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e, na sistemática não cumulativa, pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS/PASEP), e pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (COFINS). 11. No que diz respeito à base de cálculo dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa (sic) de apuração, esta é determinada pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998: [...] 12. Na sistemática nãocumulativa de apuração da COFINS, por sua vez, é o artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, que determina a base de cálculo da contribuição. Não transcreveremos o artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, que determina a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP na sistemática nãocumulativa de apuração, uma vez que sua redação é idêntica à do artigo 1º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS): [...] 13. Dos diplomas legais retro transcritos extraise que, tanto na sistemática cumulativa quanto na sistemática não cumulativa de apuração das contribuições, a base de cálculo é o faturamento. Todavia, por força da derrogação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, há uma alteração no conceito de faturamento no que tange à sistemática cumulativa de apuração das contribuições. 14. É que, enquanto na sistemática nãocumulativa o faturamento é entendido como o total de receitas (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1º, §1º), na sistemática cumulativa corresponde o faturamento apenas à receita bruta da pessoa jurídica (Lei nº 9.718/1998, art. 3º, caput). 15. Observase que em nenhum desses textos legais há a definição do que seja receita bruta da pessoa jurídica. Nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 21 de maio de 1996, para efeitos da Contribuição para o PIS/PASEP, o conceito de receita bruta é o estabelecido pela legislação do imposto de renda. Assim diz a ementa do referido Parecer Normativo: PN COSIT 1/96 PN Parecer Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 1 de 21.05.1996 D.O.U.: 22.05.1996 EMENTA Contribuições para o PIS/PASEP. Base de cálculo. A base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, das pessoas jurídicas de direito privado é o Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.529 11 valor mensal da receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. A base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, das pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, aí incluídas as receitas tributárias, ainda que arrecadadas por outra entidade pública, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. [sem grifo no original] 16. Assim, na legislação referente ao imposto de renda, é o artigo 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que traz a definição de receita bruta, a qual será utilizada para a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. [sem grifo no original] 17. Conceito equivalente, também para efeitos do imposto de renda, é encontrado no ainda em vigor artigo 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. [sem grifo no original] 18. Corresponde, portanto, a receita bruta, entre outros, ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria e ao resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.530 12 19. A questão que exsurge é se o agenciamento de fretes corresponde a uma operação em conta própria, que compõe a receita bruta no total da venda dos serviços, ou a uma operação de conta alheia, que compõe a receita bruta apenas na parcela do resultado da operação. 20. Busquemos, então, a definição de “conta alheia”, na definição de De Plácido e Silva, na obra “Vocabulário Jurídico”: Conta Alheia. É aditivo explicativo, que se apõe ao título de Mercadorias, em contabilidade, para explicar as que são consignadas ao comerciante por conta de outrem. Ainda se usa no título Consignações em conta alheia, com o mesmo objetivo, em distinção da consignação que é feita pelo comerciante ao comissário ou a outro comerciante. (SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atual. Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. p. 363) 21. Também explica, na mesma obra, De Plácido e Silva a acepção de "consignação, no sentido do Direito Comercial": Consignação. No sentido do Direito comercial, serve, em regra, para indicar certo contrato de comissão mercantil. E, assim, dizse o contrato pelo qual a pessoa envia mercadorias a outra, para serem vendidas por sua conta, ao preço e condições que forem preestabelecidas. O Direito Tributário, a respeito da venda das mercadorias consignadas, cria regras diferentes: a) se é vendida em nome do consignante ou consignador, a este compete extrair a duplicada contra o comprador; b) se é vendida em nome do consignatário, este extrairá a duplicata contra o comprador, e o consignante, por sua vez, extrairá a duplicata contra o consignatário. A consignação das mercadorias não transfere ao consignatário o domínio das mesmas, que se conservam em seu poder como coisas ou bens que pertencem ao consignante. E daí porque se dá ao consignante o privilégio de reivindicação das mercadorias ou efeitos consignados. Segundo as regras da contabilidade, as mercadorias consignadas figuram na escrita do consignatário e Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.531 13 do consignador sob titulação que indique a consignação, quer seja na Razão, sob a designação de Mercadorias Consignadas, quer seja em referência ao correntista, onde se deve anotar, como o nome do vendedor (no consignante) ou do credor (no consignatário), a condição de em conta de consignação. Para distinguir as consignações recebidas, das consignações feitas, costumase aludir às primeiras sob a designação de Consignações em Conta Alheia, e às segundas Consignações em Conta Própria. Por essa forma, a Conta Alheia, claramente, indica as consignações recebidas de outrem para venda por sua conta. A Conta Própria indica as consignações que são feitas a outrem, para que sejam vendidas por nossa conta. (DE PLÁCIDO E SILVA, 2004, p. 354355) 22. Assim, temos que a Conta Alheia registra, na escrituração mercantil, as operações com mercadorias pertencentes a terceiros que foram consignadas ao comerciante para com elas transacionar, respeitadas as condições de venda (preço, prazo, descontos, etc.) fixados pelo consignante. Todo ganho auferido nas operações com mercadorias, nessas condições, deve ser considerado como resultado auferido nas operações de conta alheia. 23. Esclareçase, ainda, conforme o texto transcrito, que a comercialização, em que pese sempre ser feita pelo consignatário, pode se dar de duas formas: a) o consignatário aliena a mercadoria por conta, ordem e em nome do consignante. Assim ocorrendo, a nota fiscal será emitida diretamente pelo consignante ao comprador. Nesse caso o resultado em conta alheia auferido pelo consignatário será a importância a que tiver direito pela participação no negócio (é uma espécie de comissão); b) o consignatário vende a mercadoria em seu nome, por sua conta e risco. Caso assim proceda, o consignatário é quem emitirá a nota fiscal para o comprador. O consignante, por sua vez, emitirá nota fiscal de venda para o consignatário, transferindolhe a propriedade da mercadoria que alienou. 24. Observase, portanto, que, na hipótese da letra "a", o consignante emite a nota fiscal diretamente para o comprador e reconhece como receita bruta o total da operação de venda. O consignatário, por seu turno, entrega Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.532 14 a mercadoria ao comprador, por ordem do consignante, e reconhece como receita bruta apenas o valor a que fizer jus por ter participado da operação, ou seja, o resultado, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995, e no art. 44 da Lei nº 4.506, de 1964. 25. Diferente, entretanto, é a situação relativa à hipótese mencionada na letra "b". Nesse caso, o consignatário é quem emite a nota fiscal de venda para o comprador e, ato contínuo, o consignante emite nota fiscal de venda para o consignatário. Observese que, quando o consignatário vendeu por sua conta a mercadoria consignada, emitindo sua nota fiscal para o comprador, passou a ser considerado proprietário do produto, pois, se não o fosse, não poderia vender, sob pena de infringir a lei penal. Portanto, somente efetua o consignatário a venda em seu nome quando está autorizado pelo consignante a comprar, por decisão unilateral, a mercadoria que está vendendo e que estava em sua posse por consignação. Tanto é que o consignante, ato contínuo à venda feita pelo consignatário, emite contra ele a nota fiscal e a respectiva duplicata, formalizando assim a transferência de propriedade do bem anteriormente vendido. Portanto, a rigor, é caso de ocorrência de uma operação de compra e venda entre o consignante e o consignatário anterior ao consignatário efetuar a venda da mercadoria por sua conta. 26. Dessarte, na contabilidade, antes de registrar a venda do bem, o consignatário deve transferilo da conta alheia para a conta que escritura as compras. A receita bruta, no antigo consignatário e agora vendedor, passa a ser o total da operação e não apenas o resultado, pois não há mais que se falar em conta alheia. Assim o antigo consignante reconhecerá como receita bruta o total da operação de venda feita ao antigo consignatário, e este deverá considerar como receita bruta o montante da venda efetuada diretamente ao consumidor comprador. 27. Pois bem, se é relativamente fácil a diferenciação entre as operação de conta alheia e as operações de conta própria na compra e venda de mercadorias, não se pode dizer o mesmo quando a operação contratada é uma prestação de serviços, como é o caso do serviço de transporte. 28. Analisemos, pois, a questão do agenciamento ou intermediação na de negócios. Observese que, tanto no agenciamento quanto na intermediação de negócios, a pessoa age por conta alheia, sem responsabilidade em relação à conclusão do negócio. Neste caso, a receita bruta referese apenas ao resultado auferido, por ser uma operação de conta alheia. 29. Agenciador é aquela pessoa que agencia ou encaminha negócios para outras, ou seja, a pessoa que Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.533 15 trabalha por comissão ou percentagem, não assumindo, por princípio, qualquer responsabilidade pelos negócios encaminhados. Num conceito genérico, agenciador é sempre um procurador de negócios alheios, podendo apresentarse como um ligador de negócios, pondo em contato as partes interessadas para que se ajustem, conforme seus interesses. Pode receber, nestas condições, o nome de intermediário de negócios. 30. Sobre a Intermediação, assim se pronuncia Bernardo Ribeiro de MORAES, em sua obra “Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços”: Intermediação é palavra indicativa do modo de operar da pessoa. Intermediário é quem exerce a aproximação entre duas ou mais pessoas que desejam negociar. É também conhecida como corretagem, contrato pelo qual uma pessoa se obriga, mediante remuneração, aproximar as partes para a conclusão de um negócio. O intermediário ou corretor não aplica capital próprio para a realização do negócio. É simples intermediário entre as partes contratantes. Orlando Gomes salienta que a atividade do corretor consiste “em aproximar pessoas que desejam contratar”. (...) Na mediação, o mediador não é parte no negócio. Não contrata e nada conclui. Simples intermediário, limitase ele a aproximar as partes e provocar o seu ajuste, conduzindoas ao fechamento do negócio. (...) O intermediário exerce sua função aconselhando a conclusão do negócio ou contrato, inclusive informando as suas condições, conciliando os interesses das partes aproximadas, oferecendo assistência até o momento em que o negócio se considera fechado. Desde o instante em que as partes se identificam e entram em entendimentos, cessa a atividade do intermediário. Este não conclui nada em nome da empresa ou por conta da empresa. Desta forma, tanto no agenciamento como na intermediação de negócios, a pessoa age por conta alheia, sem responsabilidade em relação à conclusão do negócio. Neste caso, a receita bruta referese apenas ao resultado auferido, por ser uma operação de conta alheia. [sem grifo no original] (MORAES, Bernardo Ribeiro de. Doutrina e prática do Imposto sobre Serviços. 1. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p. 306307) 31. Esclareçase que, em sentido oposto, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da pessoa jurídica contratada, a receita Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.534 16 bruta é o total contratado e faturado, ou seja, o preço do serviço. 32. O consulente relata a ocorrência de dois tipos de contrato. Um deles entre o agenciador e o cliente, em que a comissão é paga por este no percentual de 1%; e outro, entre o agenciador e a transportadora, em que a comissão é paga no percentual de 2%. No entanto, não esclarece se ambos os contratos são aplicados simultaneamente para a mesma prestação de serviços ou se em alguns casos será aplicado um e em outros casos, outro. 33. Considerando a hipótese de aplicação simultânea dos contratos, o que se tem não é uma intermediação, mas uma subcontratação dos serviços. Notese que o agenciador não coloca o cliente em contato com as prestadoras dos serviços, para que estas realizem negócios diretamente com o cliente. O serviço de transporte é contratado pelo cliente e deve ser cumprido sob a responsabilidade do agenciador. Nesse caso, não há receita de conta alheia, mas de conta própria, de modo que o valor da receita bruta corresponde ao preço do serviço prestado. 34. Considerando a hipótese de aplicação, em alguns casos, de contratos entre agenciador e cliente (comissões por conta do cliente) e, em outros, de contratos entre agenciador e transportador (comissão por conta do transportador), a situação é diversa. 35. No caso de contratos entre agenciador e cliente, a responsabilidade pela prestação de serviço é do agenciador, de modo que a receita bruta corresponde ao preço do serviço prestado. 36. No caso de contratos entre agenciador e transportador, desde que a nota fiscal seja emitida diretamente ao cliente pelo transportador, o que implica a responsabilidade pela prestação de serviço direta do transportador, a receita bruta do agenciador corresponde somente à comissão recebida, mesmo que os valores circulem por sua conta corrente, por se tratar de operações de conta alheia. 37. Pois bem, definida a questão sobre a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, deve ser considerado que tanto o imposto de renda quanto a CSLL seguem a mesma lógica, para a determinação da base de cálculo na sistemática do lucro presumido. 38. Para esse fim, transcrevemse os artigos 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que tratam, respectivamente, da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL na sistemática do lucro presumido: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.535 17 cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento; a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; [Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008] b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). §2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.536 18 o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. [Redação dada Lei nº 10.684, de 2003] [sem grifo no original] 39. Vêse, pois, que, seja considerando a atividade prestação de serviço em geral, ou considerando intermediação de negócios, o percentual de presunção, para a composição da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, será de 32%. 40. Com relação à determinação da receita bruta sobre a qual será aplicado o percentual de presunção a fim de obter a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL na sistemática do lucro presumido, devem ser observadas as considerações feitas a respeito da receita bruta para o caso de agenciamento de cargas. 41. Ressaltese, por fim, que a utilização da sistemática do lucro presumido para a determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL é, à luz do art. 13 da Lei nº 9.718, de 1998, uma opção, de modo que pode o consulente, se julgar conveniente, optar pela sistemática de apuração com base no lucro real, em que a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL será obtida com base no resultado líquido do período de apuração. CONCLUSÃO: Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao interessado que, em empresas de agenciamento de cargas, a receita bruta, que constitui a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, e que é utilizada para a determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL na sistemática do lucro presumido, corresponde ao preço do serviço prestado e não à comissão pela intermediação, se o cliente contratar o serviço de transporte diretamente com o agenciador e sob responsabilidade deste. Por conseguinte, adotando a solução acima reproduzida na medida que os entendimentos ali expressos igualmente se ajustam ao presente litígio, concluise que ainda que restasse comprovado pela impugnante o repasse da maior parte dos valores recebidos da EMBRAER – a receita bruta corresponde ao total dos valores recebidos da Embraer, uma vez que tanto os contratos trazidos aos autos como o pagamento da totalidade dos valores são feitos diretamente em nome da autuada e sob sua responsabilidade. De fato, lembrese que, em decorrência da análise das cláusulas contratuais, descreveu a Fiscalização em seu Termo que: A análise desses tópicos contratuais mostra que a empresa fiscalizada não efetuava simplesmente repasse de valores de empresas conveniadas às drogarias. Pelo contrário, ela os recebia em determinadas datas, os administrava como melhor Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.537 19 lhe aprouvesse e, nas datas estipuladas em contrato, efetuava os pagamentos às drogarias, descontando valores a título de remuneração ou ressarcimento de despesas. Inclusive, a empresa assumia o risco do inadimplemento por parte das empresas conveniadas, seja diretamente, como no modelo de contrato da folha 192, seja através do fornecimento de assessoria jurídica, como no modelo de contrato da folha 189. Tal conclusão é reforçada pelo disposto no item 5.6 do contrato celebrado entre a empresa fiscalizada e a Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (folha 53): "Na hipótese de falta de pagamento por parte da contratante (Embraer), fica implementada para todos os efeitos legais a contratada (CSH) a execução do título oriundo das vendas aos empregados da contratante, através de notas fiscais emitidas pelas drogarias credenciadas no ato das respectivas vendas e enviados através de relatórios mensais do departamento responsável da contratante". Assim, não se pode considerar que a empresa fiscalizada fosse mera depositária de valores de terceiros, mas sim que o total recebido pela empresa compunha seu faturamento, mesmo que parte viesse a ser, posteriormente, repassada a terceiros. E, em sua defesa, não comprova a Impugnante a existência de qualquer contato da Embraer com as drogarias, prevalecendo a constatação fiscal de que era da empresa fiscalizada a integral responsabilidade pela execução das atividades que ensejavam o pagamento efetuado pela Embraer, de modo que a receita bruta para apuração do resultado tributável, quer pelo lucro presumido quer pelo lucro arbitrado, e do imposto e contribuições lançados corresponde ao valor total recebido. Vêse que a argumentação da autoridade julgadora utilizouse das considerações exaradas pela Divisão de Tributação da 9ª Região Fiscal na Solução de Consulta nº 172/2010. Tratando da questão das operações em conta própria ou conta alheia, restou evidente um ponto em comum: haveria sempre um negócio oneroso entre consignante e consignatário. Traçandose o paralelo com o caso concreto, concluiu a decisão a quo que por não haver comprovação de negócios diretos entre EMBRAER e as drogarias, a operação não mais seria considerada como sendo em conta alheia – hipótese em que se tributaria o valor do “serviço prestado” – mas sim operação em conta própria, sendo que o total recebido da EMBRAER seriam receitas da Recorrente, e os valores repassados às drogarias seus custos, já absorvidos para fins de determinação da base de cálculo de IRPJ e CSLL pela aplicação dos coeficientes de presunção de lucro. Ocorre que não ocorreu também qualquer relação onerosa entre a Recorrente e a EMBRAER, desmontandose, assim a linha de raciocínio adotada pela decisão recorrida. Ora, a real operação de compra e venda se deu entre as drogarias e os funcionários de EMBRAER. Tanto que as notas fiscais de venda eram emitidas pelas drogarias, no momento da venda, aos funcionários de EMBRAER. Tanto a Recorrente, quanto a EMBRAER, administravam tão somente o fluxo financeiro entre os funcionários e as drogarias. EMBRAER não auferia qualquer ganho em tais operações, pois o valor descontado de seus empregados eram repassados à Recorrente. Esta, por sua vez, repassava às drogarias o montante recebido de EMBRAER, retendo parcela referente aos seus ganhos. Ou seja, além da Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.538 20 operação de compra e venda entre drogarias e funcionários da EMBRAER, a outra relação onerosa existente se dava somente entre a Recorrente e as drogarias. Enquanto as drogarias se beneficiavam com a venda direta aos funcionários da EMBRAER, remuneravam a Recorrente por angariar mais clientes, bem como intermediar o fluxo financeiro da operação, garantindo lhes maior volume de vendas e maior segurança no adimplemento das operações de vendas realizadas. Reforçase que EMBRAER confirma que não houve emissão de nota fiscal entre ela e a Recorrente pois as operações de compra de medicamentos foram realizadas por seus funcionários. Por sua vez, restou caracterizado que as vendas não foram realizadas pela Recorrente, mas sim pelas drogarias associadas. Desse modo, não há como correlacionar as operações ora tratadas com operações de compra e venda, ou com o agenciamento de cargas. Isso porque a Fiscalização, e também a autoridade julgadora de primeira instância, entenderam que o valor recebido de EMBRAER seria receita da Recorrente e o repasse desta às drogarias não poderia ser descontada para fins de determinação da receita bruta da autuada. Ocorre que a real operação, inclusive, se dava em sentido inverso, uma vez que se iniciavam com a aquisição de medicamentos pelos funcionários da EMBRAER nas drogarias credenciadas pela Recorrente. EMBRAER, e também a Recorrente, somente intermediavam o fluxo financeiro de operações realizadas entre os funcionários de EMBRAER e as drogarias. Portanto, não há operação qualquer negócios de compra e venda entre as drogarias e EMBRAER, muito menos intermediação da Recorrente para tanto, pois tais operações eram realizados diretamente entre vendedores (drogarias) e compradores (funcionários da EMBRAER). Desse modo, não pode prevalecer a exigência referente à omissão de receitas intitulada pela autoridade fiscal como “Valores repassados a terceiros”. 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, considerandose que parte do lançamento de IRPJ foi mantido, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se manter também as exigências correspondentes de PIS, Cofins e CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13864.000161/200841 Acórdão n.º 1402001.457 S1C4T2 Fl. 2.539 21 seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos, salientando se novamente que a impugnação limitouse a resignarse em relação à exigência da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos de ofício, já objetos de pedido de parcelamento. 4 CONCLUSÃO Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, cancelando a exigência tributária referente à omissão de receitas referente a “Valores repassados a terceiros”. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10320.001597/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT/RAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUMERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA.
Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais.
A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT/RAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUMERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 179 1 178 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.001597/201021 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.506 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria Contribuição Social Previdenciária Recorrente MUNICIPIO DE BARRA DO CORDA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT/RAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUMERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 15 97 /2 01 0- 21 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE BARRA DO CORDA/MA em face da decisão que manteve o lançamento do crédito tributário referente ao descumprimento de obrigação principal no período de 01/2006 a 12/2008. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 37/41), o crédito lançado referese às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e segurados contratados constantes em folhas de pagamento e em recibos/notas de empenho, conforme transcrito abaixo: “2. O crédito ora lançado referese às diferenças de contribuições sociais devidas à Seguridade Social apuradas neste procedimento fiscalizatório, incidentes sobre a remuneração dos segurados acima mencionados, correspondentes à parte patronal dos segurados empregados (20%) e às contribuições para o seguro acidente – RAT (1% até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007), conforme descrito no ‘Discriminativo do Débito – DD’. (...) 4. Quando do procedimento fiscal, analisando as folhas de pagamento apresentadas à fiscalização pela Prefeitura Municipal, foi constatado que várias remunerações efetuadas aos servidores acima citados não são consideradas como saláriodecontribuição pelo setor responsável pela elaboração das Folhas de Pagamento. Como pode ser visto nas Folhas de Pagamento anexas, as rubricas “Função Gratificada”, “Incentivo à Docência”, “Abono de Graduação, Artigo 5º, inciso VI e Artigo 41, Parágrafo 1º Constituição Federal”, “Adicional Noturno” e “Quinquênios” não integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. As planilhas “Servidores Empregados (total por secretaria) – Rubricas NÃO consideradas como Base de Cálculo” e “Servidores Empregados (total) – Rubricas NÃO consideradas como Base de Cálculo” consolidam os valores que foram lançados. (...) 7. O fato de não informar em GFIP as remunerações apuradas e citadas nos parágrafos acima acarreta a não declaração da contribuição a cargo do Ente Público (patronal) de 20% sobre a remuneração dos segurados e às contribuições para o seguro acidente – RAT (1% até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007).(...) 13. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram constatados através de folhas de pagamento, notas de empenho e recibos de pagamento do Município, relativos às competências indicadas, cujos valores encontramse relacionados, por competência, nas planilhas acima citadas.” Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001597/201021 Acórdão n.º 2301003.506 S2C3T1 Fl. 180 3 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 57/88). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 22, incisos I e II (parte da empresa e SAT sobre as remunerações dos empregados) da Lei 8.212/91. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nenhum dos fatos jurídicos relevantes (competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar; fundamentação legal de todas as rubricas etc) foi olvidado nos relatórios integrantes do presente crédito, ao contrário, sobre todos os fatos relevantes existe a fundamentação legal aplicável durante todo o período para o qual houve crédito constituído. SAT/RAT. CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE RISCO. O Regulamento da Previdência Social – RPS prevê que o grau de risco para apuração da alíquota SAT/RAT é único para a empresa, mesmo que esta tenha vários estabelecimentos, de acordo com a atividade que envolver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. TAXA DE JUROS. SELIC. A taxa de juros aplicada para atualização das contribuições sociais até novembro de 2008 é a taxa SELIC, consoante disposição do art. 34 da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 138/168), no qual alega em síntese que: a) não houve clareza na fundamentação legal da multa para explicar a constituição do crédito tributário, tendo sido utilizadas diversas alíquotas a título de multa, o que afronta os princípios da fundamentação e do contraditório, uma vez que impossibilita a apresentação de defesa específica; b) impõese a nulidade do auto de infração lavrado pela fiscalização, posto que aponta os dispositivos legais que regulamentam o caso de forma genérica, cabendo ao contribuinte descobrir qual dispositivo da norma indicada deu origem à infração, à penalidade e ao valor aplicável; c) no auto de infração não foram apontados os trabalhadores/segurados que devem se submeter à alíquota de 2%, o que cerceia o direito de defesa; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) o lançamento fiscal em questão ofende o ordenamento jurídico, notadamente o princípio da estrita legalidade em matéria tributária, pelo que requer o posicionamento sobre a legalidade do lançamento em face da Lei nº 8.212/91, artigo 22, inciso II, e da Constituição Federal de 1988, artigo 150, inciso I; e c) a correção do crédito tributário não deve ser feita à base da taxa SELIC, pois esta é, ao mesmo tempo, inconstitucional e ilegal, vez que cria a figura do tributo rentável. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 2. O contribuinte sustenta que “não houve a clareza de fundamentação para explicar a constituição do crédito tributário”, isto porque foram utilizadas as diversas alíquotas a título de multa. com isso busca a nulidade do auto de infração por afronta ao princípio do contraditório e ao direito de defesa do contribuinte. 3. Como afirma o contribuinte, de fato, ao analisar detidamente os documentos que compõem o auto de infração, vêse que no relatório fiscal do lançamento, no que se refere à penalidade, há tão somente remissão aos “Fundamentos Legais de Débito – FLD”: 9. O crédito lançado, compreendendo valor originário, encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de “Fundamentos Legais do Débito – FLS”, especialmente a Lei 8.212/91 e seu Regulamento, e descrito no “Discriminativo de Débito – DD”. 4. No entanto, ao contrário do que conclui o patrono, esse fato não nos leva a identificar qualquer irregularidade, até por que ao analisar o anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD, não foi encontrada nenhum vício, ou tampouco desrespeito ao que preleciona o art. 10 do Decreto 70.235/1972, o qual descreve os requisitos primordiais da constituição do auto de infração, qual seja, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; 5. In casu, nenhum dos elementos citados acima foram preteridos pela fiscalização, pelo contrário, o relatório é organizado por assunto e período de apuração, possibilitando a identificação clara do fato gerador e da penalidade correspondente, conforme trecho que transcrevo a seguir: 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 02/2007 a 11/2008 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001597/201021 Acórdão n.º 2301003.506 S2C3T1 Fl. 181 5 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO; 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA; 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não a tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.523 8, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , 1 , "á", "b", "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 6 1 , paragrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e "c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, paragrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 602.08 Competências: 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12 2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MES ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de Ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 6. Dessa forma, cumpre ressaltar que tanto o auto de infração quanto o decisum recorrido encontramse devidamente fundamentados e motivados, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT 7. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente de riscos ambientais do trabalho, encontrase prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestes termos: a) “Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: b) (...) c) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) d) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; e) b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; f) c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.” 8. Quanto a aposentadoria especial o Decreto 3.048/99 determina: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001597/201021 Acórdão n.º 2301003.506 S2C3T1 Fl. 182 7 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. 9. Conforme define Maria Helena Ribeiro em sua obra “Aposentadoria Especial: Regime Geral da Previdência Social” (2ª Edição: Curitiba: Juruá Editora, 2006) define o benefício como aquele destinado a garantir ao segurado do regime geral da Previdência Social, uma compensação pelo desgaste resultante do tempo de serviço prestado em condições prejudiciais à sua saúde ou integridade física. 10. E sobre a questão, o Judiciário vem se manifestando no sentido de que a cobrança para o SAT deve ser feita com base na consideração do grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio, ou, quando houver apenas um registro, tomando por base o grau de risco da atividade preponderante. 11. Esse entendimento foi consolidado com a publicação da Súmula n.º 351 do STJ, verbis: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” 12. Nesse contexto, com o intuito de uniformizar, também no âmbito da Administração Pública, o entendimento já pacificado pelo Poder Judiciário, evitando que a discussão da matéria tenha de ser levada aos tribunais, foi publicado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, em novembro de 2011, que restou ementada nos seguintes termos: “Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houve apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda.” 13. No presente caso a fiscalização ao analisar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações À Previdência Social – GFIP’s do período, constatou que a prefeitura Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 considerou para a citada contribuição a alíquota de 0%, no entanto conforme determinado no anexo V, CNAE 8411/00, do Decreto nº 3.148, alterado elo Decreto nº 6.042 de 12/02/2007, a referida alíquota foi alterada para 2% a partir da competência 06/2007. 14. No relatório fiscal o auditor ainda descreve que os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram constatados através das GFIP’s, relativas às competências indicadas, cujos valores encontramse relacionados por competência, nas planilhas “Servidores Empregados não informados em GFIP (total)” o que combate de pronto o argumento suscitado pela recorrente de que a fiscalização não indicou os trabalhadores, tendo em vista que foi feito o devido batimento entre as Guias apresentadas e a folha de pagamento apresentada pela empresa. 15. Ademais, compulsando os autos, entendo que o Município, por sua vez, não carreou ao processo documentação apta a desqualificar o enquadramento apontado pelo fisco na presente ação fiscal. 16. Dessa forma, não vejo como retificar a decisão de primeira instância no tocante à alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC 17. A utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. 18. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 19. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, e da súmula nº 04 deste Conselho. DA APLICAÇÃO DA MULTA 20. No que se refere à aplicação da multa, caso o Fisco identifique benefício penalidade nova ao contribuinte, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim disposto: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 21. E o citado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001597/201021 Acórdão n.º 2301003.506 S2C3T1 Fl. 183 9 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 22. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 23. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 24. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.914556/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 3803-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 56 /2 00 9- 93 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914556/200993 Acórdão n.º 3803004.386 S3TE03 Fl. 170 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa, no valor de R$ 40.556,13, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que deveria ser glosado parte do montante do crédito declarado, relativo a fretes sobre importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, em razão de sua apropriação no ano anterior. Apurouse, também, que, de acordo com o Dacon, não existiriam créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, em razão do que o total de crédito pleiteado deveria ser reduzido. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de acolher a glosa parcial dos créditos referentes a fretes sobre importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, opondose apenas em relação à inexistência de saldo credor proveniente de meses anteriores, por entender que a autoridade preparadora não teria atendido plenamente ao pedido da Delegacia de Julgamento, tendo em vista que a diligência teria sido requerida justamente para comprovar sua alegação de erro de fato no preenchimento do Dacon. Junto a sua peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos planilhas/fichas, com vistas a demonstrar a existência do crédito alegado. A DRJ Porto Alegre/RS acolheu em parte a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914556/200993 Acórdão n.º 3803004.386 S3TE03 Fl. 171 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DISPONÍVEL DE PERÍODOS ANTERIORES. As retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal podem determinar a inexistência de créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, com a redução do total de créditos utilizáveis. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Apontou o relator a quo que o contribuinte concordara expressamente com parte do ajuste procedido pela Fiscalização, referente à glosa parcial de créditos apurados sobre fretes na importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, em razão do que a discussão sobre tal matéria teria se tornado definitiva na esfera administrativa. No que tange às alegações de erro de fato no preenchimento do Dacon e de existência de créditos disponíveis de períodos anteriores, destacou o relator que, ao contrário do que afirmara o interessado, a diligência realizada cumprira o que havia sido solicitado pela Delegacia de Julgamento, tendo sido realizado um extenso trabalho de auditoria, com análise de toda a documentação juntada pelo interessado. Afirmou, ainda, que a inexistência de créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, com a redução do total de créditos utilizáveis, seria consequência de todas as retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal, com glosa parcial ou total dos créditos solicitados em pedidos anteriores, do que decorreria a recomposição do saldo credor disponível nos meses seguintes. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o contribuinte reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado que, em outros processos, o direito creditório referente a meses anteriores havia sido reconhecido, tendo a diligência realizada neste processo se baseado apenas no Dacon, documento esse preenchido incorretamente, conforme já havia sido dito anteriormente. Argumentou, ainda, o Recorrente, que o documento apresentado junto à Manifestação de Inconformidade seria hábil para a demonstração da real extensão dos créditos devidos, documento esse desconsiderado pela autoridade preparadora. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS que, segundo ele, demonstrariam o fato alegado de que o seu direito creditório já havia sido reconhecido em outros processos. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914556/200993 Acórdão n.º 3803004.386 S3TE03 Fl. 172 4 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a glosa de alegados créditos de meses anteriores que, segundo o Recorrente, teriam sido desconsiderados na realização da auditoria fiscal determinada pela DRJ Porto Alegre/RS por meio da conversão do julgamento em diligência. Alega o Recorrente, amparandose na afirmação do agente fiscal responsável pela auditoria de que o saldo de crédito de meses anteriores teria sido obtido no Dacon, que, agindo dessa forma, a Fiscalização não levara em conta o fato de que, conforme já havia sido dito, ocorreram erros no preenchimento das declarações anteriormente apresentadas. O relator do acórdão recorrido argumentou que a inexistência de saldo de crédito disponível proveniente dos meses anteriores seria consequência de todas as retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal, com glosa parcial ou total dos créditos solicitados em pedidos anteriores, do que decorreria a recomposição do saldo credor disponível nos meses seguintes. Para se contrapor a essa conclusão da DRJ Porto Alegre/RS, o Recorrente trouxe aos autos cópias de outras decisões da mesma Delegacia de Julgamento que, segundo ele, demonstrariam que, em outros processos, seu pleito teria sido plenamente atendido. Contudo, consultando as referidas decisões, é possível constatar que, naqueles processos, o mérito enfrentado fora outro, ora se referindo ao alargamento da base de cálculo da contribuição procedido pela Lei nº 9.718, de 1988, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ora se reportando a crédito confirmado em sua totalidade pela repartição de origem. No presente caso, é possível constatar que, na realização da diligência, a Fiscalização não adotou simplesmente o que havia sido declarado em Dacon, pois, conforme se verifica das planilhas então elaboradas, os valores declarados pelo contribuinte em meses anteriores não coincidiram com os verificados pela Fiscalização, fato esse que, por si só, já afasta a alegação do Recorrente. Além disso, o Recorrente se defende de forma genérica, não apontando especificamente que dados não foram considerados pela Fiscalização, reportandose tão somente às planilhas e fichas apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sem identificar a origem dos erros alegados. Nas referidas planilhas/fichas relativas aos meses anteriores, se identificam valores da contribuição a pagar em montante superior aos créditos apurados, o que em nada corrobora com a tese defendida pelo Recorrente, por falta de demonstração e de prova do erro alegado. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914556/200993 Acórdão n.º 3803004.386 S3TE03 Fl. 173 5 Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, desenvolvendose a atividade probatória nos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu apenas em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914556/200993 Acórdão n.º 3803004.386 S3TE03 Fl. 174 6 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas as planilhas e as fichas acima abordadas, mas desacompanhadas de qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse infirmar as conclusões da Fiscalização. No Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos, o contribuinte nada traz aos autos, salvo cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS, versando sobre matérias que não coincidem com o objeto controvertido neste processo. Nesse contexto, por ausência de prova da existência do crédito reclamado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000008/2006-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
Ementa:
ITR. DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Preliminar Acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-000.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Francisco Assis de Oliveira Júnior.
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000008/200684 Recurso nº 344.767 Voluntário Acórdão nº 220100.732 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria ITR Recorrente SIMAB SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Francisco Assis de Oliveira Júnior. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 20/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra a contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 06/09) para exigir crédito tributário de ITR, no montante de R$2.069,32, dos quais R$ 25.803,97 referemse a imposto, R$ 19.352,97 a multa de ofício de 75% e R$ 19.187,83 a juros de mora calculados até novembro de 2005, originado da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, no exercício de 2001. Conforme se depreende do Demonstrativo de apuração de ITR (fls.04) que acompanhou o auto de infração foi glosado integralmente o total de 78ha de área de preservação permanente, bem como 253,2ha de área de utilização limitada, relativo a uma área total de imóvel de 803,4ha. Cientificada do lançamento em 07/02/2006 (fls. 16), a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação (fls.31/32), argüindo em síntese, a decadência do lançamento. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/REC n°1125.019, de 22 de dezembro de 2008, em decisão assim ementada: “ITR. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o termo inicial para a fluência do prazo decadencial, na hipótese de não pagamento do imposto, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. GLOSA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 19/11/2007 (“AR” fls. 44), o interessado apresentou na data de 19/12/2007, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 45/48, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 78 (última). Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 17883.000008/200684 Acórdão n.º 220100.732 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Entre a argüição de decadência e a demanda principal existe uma relação inequívoca de prejudicialidade, devendo aquela ser enfrentada em primeiro lugar, para que, só após, e se tiver restado vencida, seja julgado o mérito da questão principal. Alega o recorrente, em sede preliminar, ter ocorrido a decadência do direito de lançar por parte do fisco, tendo em vista ter decorrido o prazo qüinqüenal, baseado no caput do art. 150 do CTN, § 4o. Em fato, o auto de infração apurou falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, no exercício de 2001, conforme exposto no relatório. Deste modo devemos analisar como o prazo de decadência é contabilizado neste caso. Inicialmente, cabe o registro que a Lei n° 9.393/1996 alterou substancialmente o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, principalmente em relação a sua forma de apuração. Vejamse os artigos 1° e 10 da Lei n° 9.393/1996: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Pelo que se observa do excerto legal reproduzido o fato gerador do imposto ITR iniciase em 1° de janeiro de cada anocalendário, e a partir da vigência da Lei n° 9.393/1996, passou a ser tributo sujeito a modalidade de lançamento por homologação, atribuindo ao sujeito passivo a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. Neste sentido, o § 4º do art. 150 do CTN, fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o art. 150, § 4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 4 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na inocorrência de dolo, fraude ou simulação o lançamento se consolida no momento em que o sujeito passivo identifica a ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e o montante do tributo devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo sujeito passivo. Assim, o decurso do prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Portanto, o fato gerador do ITR referente ao exercício de 2001 iniciase em 01 de janeiro daquele ano e considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 01 de janeiro de 2006. Destarte, como a ciência do lançamento ocorreu em 07/02/2006 (fl.16), o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 17883.000008/200684 Acórdão n.º 220100.732 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 17883.000008/200684__________________ Recurso nº : 344.767 _ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220100.732. Brasília/DF, _17 de junho de 2010___. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 20/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721207/2010-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE.
A prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA.
Os percentuais da multa de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo a autoridade julgadora administrativa da competência para apreciar questões atinentes à constitucionalidade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, consoante Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1103-000.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
Assinado Digitalmente
Eduardo Martins Neiva Monteiro Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro (Presidente Substituto), Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva (Presidente da Turma).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Os percentuais da multa de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo a autoridade julgadora administrativa da competência para apreciar questões atinentes à constitucionalidade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, consoante Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Assinado Digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 12 07 /2 01 0- 03 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 884 2 Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro (Presidente Substituto), Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva (Presidente da Turma). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 867/876 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 854/862), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Os percentuais da multa de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo a autoridade julgadora da competência para apreciar questões atinentes à legalidade ou constitucionalidade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 885 3 A autuação fiscal considerou incorreto o coeficiente de determinação do lucro presumido declarado pela contribuinte, de 8%. Concluiu a Fiscalização que caberia o percentual de 32%, conforme se pode observar na descrição dos fatos dos Autos de Infração: Aplicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da prestação de serviços de locação de equipamentos de guinchos, guindastes, empilhadeiras e caminhões munck, abaixo descritas, quando o correto seria 32%. Na revisão de sua declaração de rendimentos DIPJ 2008, verificouse que o contribuinte apurou o lucro presumido referente ao ano calendário 2007, aplicando o coeficiente de 8%, declarando nas DCTF desse ano, o IRPJ sobre essa base de cálculo. Entretanto, verificamos que o coeficiente para as atividades do contribuinte, conforme as alíneas a e c do inciso III do § 1º do art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, é de 32%. Tal entendimento ficou claro a partir da edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 11, de 5 de julho de 2007 que, ao dispor sobre os percentuais aplicáveis à receita bruta da prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados, para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, declara : I 8% (oito por cento), quando as atividades executadas por esses equipamentos sejam obrigatoriamente parte integrante de um contrato de transporte, e a receita seja auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado; II 32% (trinta e dois por cento), quando decorra da prestação de serviços que não integrem um contrato de transporte ou da locação dos referidos equipamentos. Da verificação de toda documentação apresentada, especialmente das notas fiscais de prestação de serviços, ficou claro que não houve qualquer transporte de cargas efetuado pelo contribuinte do qual decorresse a prestação de serviços ora tributada, apenas a prestação de serviços de guincho, elevação e remoção através de guindastes, empilhadeiras, caminhões munck, por meio da locação desses equipamentos. A atividade ficou comprovada quando, em resposta a intimação, o contribuinte, ao afirmar que não efetuava contratos, apenas em alguns casos, ordens de serviço, apresentou algumas dessas ordens onde consta, expressamente, a atividade de locação de equipamentos. Ao apreciar a defesa de fls. 824/832 apresentada pela contribuinte, a DRJ/Salvador julgou improcedente a impugnação, no sentido de manter o coeficiente de 32% aplicado pela autoridade autuante. Vale destacar o fragmento do voto a seguir: Assim, aplicase à receita bruta da prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados, para fins de determinação Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 886 4 da base de cálculo do lucro presumido, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando decorra da prestação de serviços que não integrem um contrato de transporte ou da locação dos equipamentos, e o percentual de 8%, (oito por cento), quando as atividades executadas por esses equipamentos sejam obrigatoriamente parte integrante de um contrato de transporte, e a receita seja auferida exclusivamente em função do serviço contratado. A discriminação dos serviços executados pela impugnante que consta nas cópias de Notas Fiscais de Prestação de Serviços anexadas ao PAF pelo (fls. 94 a 816), traz de forma genérica as informações “serviços de guincho, “serviço de guindaste” e às vezes, “locação de caminhão munch”, o que nos permite concluir que tais serviços, não são parte integrante de nenhum contrato de transporte e a receita seja auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado, situação que permitiria ao prestador de serviços, utilizar o coeficiente de 8% na apuração do seu Lucro Presumido. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 06/06/2012 (fl. 865), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 21/06/2012 de fls. 867/876, no qual aduz o seguinte: uma das atividades principais da recorrente é o transporte de equipamentos, e para comprovar o alegado anexa cópia do contrato social da empresa e consulta do CNPJ; a recorrente protestou, na primeira instância, e protesta novamente, pela juntada dos contratos de prestação de serviços decorrentes do período fiscalizado, que comprovam que a prestação de serviços de guindaste/guincho era integrante de um contrato de transporte de equipamentos; não obstante constar nas notas fiscais a menção de prestação de serviços de guincho, na verdade as atividades executadas pela recorrente consistiam em parte integrante de um contrato de transporte de equipamentos; assim, requer pela suspensão do presente processo até a apresentação de todos os contratos referentes a transporte de equipamentos, o que ocorrerá em um prazo máximo de trinta dias; transcreve jurisprudência administrativa no qual foram anulados acórdãos que não reconheceram as provas trazidas ao processo administrativo após a impugnação; algumas prestações de serviços não possuíam contratos de transportes por escrito, apenas ordens de serviços, caso no qual a recorrente protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos; protesta que não se pode presumir o ilícito, deve ser provado; alega que a multa de 75% ofende os princípios do não confisco, da moralidade e da proporcionalidade, além de desapropriar o patrimônio da empresa. É o relatório. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 887 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Reside o litígio em determinar o escopo das atividades da recorrente, que terá repercussão no coeficiente de determinação do lucro presumido a ser adotado, se aquele previsto no artigo 518 (8%), ou no artigo 519, inciso III, alíneas “a” e “c” (32%), do RIR/99. A princípio, restam incontroversos os seguintes pontos: 1º) a edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 11, de 5 de julho de 2007, discorrendo sobre os percentuais aplicáveis à receita bruta da prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados, para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, sendo que, cabe aplicação de (i) 8% (oito por cento), quando as atividades executadas por esses equipamentos sejam obrigatoriamente parte integrante de um contrato de transporte, e a receita seja auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado, e (ii) 32% (trinta e dois por cento), quando decorra da prestação de serviços que não integrem um contrato de transporte ou da locação dos referidos equipamentos. 2º) a recorrente executa a prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados. Resta instaurada a controvérsia quando a recorrente alega que a sua atividade de prestação de serviços de guindastes, guinchos e assemelhados estaria inserida dentro de contratos de transportes, razão pela qual caberia a aplicação do coeficiente de 8%. Por outro lado, afirma a autoridade autuante que as atividades da empresa consistem na prestação de serviços de guincho, elevação e remoção através de guindastes, empilhadeiras, caminhões munck, por meio da locação desses equipamentos, e não integram nenhum contrato de transporte, o que ensejaria a determinação do coeficiente de 32%. Analisando as provas acostadas aos autos (contratos de fls. 20/26 e notas fiscais de fls. 94/816), constatase que as atividades da recorrente concentramse tanto na prestação de serviços de guindastes quanto na sua locação. Há que se destacar, entretanto, que em nenhum momento há menção de qualquer contrato de transporte associado à prestação de serviços desempenhada pela recorrente, e mais, nenhuma evidência de que a receita decorrente das atividades tenha sido auferida exclusivamente em função de serviço de transporte contratado. Assim, as provas acostadas aos autos pela Fiscalização fundamentam o entendimento da autoridade autuante. Diante de tal situação, caberia à requerente fazer prova ao contrário, conforme dispõe ao art. 57, inciso III, do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (Processo Administrativo Fiscal): Fl. 887DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 888 6 Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Contudo, o que se constata é uma atitude protelatória da contribuinte, ao requerer, tanto na impugnação apresentada na primeira instância, quanto no recurso voluntário aqui analisado, a suspensão do processo administrativo até a apresentação dos contratos de transporte que poderiam lastrear suas alegações. Não o fez, e apenas anexou ao recurso voluntário a cópia do contrato social da empresa e da tela de consulta do CNPJ, documentos que já constavam nos autos, e que por si só não se mostram suficientes para desconstituir a autuação. Ou seja, apesar de protestar pela produção de provas, nada fez a recorrente, mostrandose inerte em um considerável decurso de tempo, contandose mais de dois anos e meio desde a data em que apresentou a impugnação (03/01/2011) até o presente julgamento Portanto, diante dos documentos probatórios de fls. 20/26 e 94/816, e da inércia da recorrente, há que se manter a autuação fiscal no sentido de aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido. Registrese que se trata de percentual previsto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, ou seja, tratase de presunção legal que autoriza a determinação da base de cálculo do tributo aplicandose percentual sobre a receita bruta auferida pela contribuinte. Quanto à multa de ofício, no percentual de 75%, consiste em percentual previsto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de lançamento de ofício. Já os protestos de que o diploma legal afrontaria princípios constitucionalidade não cabem ser apreciados, vez que fogem à alçada deste tribunal, conforme esclarece a Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 888DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10510.721207/201003 Acórdão n.º 1103000.896 S1C1T3 Fl. 889 7 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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