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Numero do processo: 16095.000531/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.389
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 53 1/ 20 07 -1 3 Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16095.000531/200713 Resolução nº 2401000.389 S2C4T1 Fl. 3.081 2 Relatório ELETROMECÂNICA DYNA SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1622.826/2009, às fls. 138/147, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 01/1999 a 12/2002, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 09/11, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 26/10/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 152/167, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN, o que se vislumbra no caso vertente. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, contrapõese ao presente lançamento, suscitando que não existe fundamento na alegação de que as guias apresentadas não correspondiam aos fatos geradores a que a empresa estava sujeita, tendo em vista que muitos empregados afastados por doença, e outros considerados exempregados, foram informados erroneamente na GFIP, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa que não aceitava espaços em branco. Reconhece ter havido equívoco na formalização das GFIP’s, conforme se infere das guias retificadas trazidas à colação somente nesta oportunidade em razão do alto grau de complexidade neste procedimento, impondo seja levada a efeito tal documentação. Defende inexistir intenção da Recorrente em não declarar os funcionários ou omitir qualquer informação para a Previdência Social, esta possibilidade se torna impossível quando estamos nos referindo a uma empresa com mais de 800 funcionários cadastrados. Acrescenta que não restou demonstrado no procedimento fiscal, mediante provas suficientes a corroborar a presunção de veracidade e legitimidade da autuação fiscal, elidindo, assim, o lançamento da multa constante do Auto de Infração em questão. Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16095.000531/200713 Resolução nº 2401000.389 S2C4T1 Fl. 3.082 3 Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão. Ressalta o direito da contribuinte de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16095.000531/200713 Resolução nº 2401000.389 S2C4T1 Fl. 3.083 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar as rubricas elencadas no Relatório Fiscal de Infração, às fls. 09/11, relativamente ao período de 01/1999 a 12/2002. Nesse contexto, a contribuinte fora autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...]IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...]§ 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...]II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16095.000531/200713 Resolução nº 2401000.389 S2C4T1 Fl. 3.084 5 Ocorre que, a ação fiscal desenvolvida na contribuinte em questão culminou com a lavratura de inúmeras NFLD’s, como se observa do TEAF, às fls. 08, de onde se conclui que a totalidade ou parte das verbas em comento encontrase lançada nas notificações mencionadas naquele anexo, relacionandose, assim, com os fatos geradores teoricamente omitidos, objetos deste Auto de Infração. Observese, que somente após o julgamento das respectivas NFLD’s, onde provavelmente foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas em epígrafe, é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, ter deixado a contribuinte de informar ao INSS aqueles fatos geradores. Dessa forma, existindo tais notificações, essas, por guardarem íntima relação de causa e efeito com a presente autuação, deverão ser julgadas primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, para que a fiscalização informe quais são as Notificações Fiscais correspondentes aos fatos geradores que deixaram de ser informados em GFIP’s, bem como os correspondentes andamentos, face o nexo de causa e efeito que os vincula. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917862/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 86 2/ 20 11 -1 5 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917862/201115 Resolução nº 3802000.199 S3TE02 Fl. 126 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917862/201115 Resolução nº 3802000.199 S3TE02 Fl. 127 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720214/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. PROMESSA DE VENDA E COMPRA. LEGITIMIDADE PASSIVA.
O promitente vendedor é contribuinte do ITR quando não comprova a transmissão da propriedade do imóvel ao promitente comprador.
Hipótese em que, mesmo após a assinatura do contrato de promessa, o cadastro do imóvel no INCRA e as DITRs foram apresentados pelo promitente vendedor, que até o momento não apresentou a escritura definitiva de venda e compra e a matriculo do imóvel supostamente alienado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PROMESSA DE VENDA E COMPRA. LEGITIMIDADE PASSIVA. O promitente vendedor é contribuinte do ITR quando não comprova a transmissão da propriedade do imóvel ao promitente comprador. Hipótese em que, mesmo após a assinatura do contrato de promessa, o cadastro do imóvel no INCRA e as DITRs foram apresentados pelo promitente vendedor, que até o momento não apresentou a escritura definitiva de venda e compra e a matriculo do imóvel supostamente alienado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 02 14 /2 01 0- 89 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 99/109) interposto em 26 de agosto de 2013 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (efls. 90/94), do qual a Recorrente teve ciência em 07 de agosto de 2013 (efl. 97), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 18/22, lavrado em 31 de maio de 2010, em decorrência da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo sido apresentados documentos hábeis para comprovar que a contribuinte estivesse desvinculada do imóvel rural objeto da tributação, à época do fato gerador do ITR/2007, não há que se falar em nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, para o ITR/2007, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 90). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 99/109), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para reconhecer sua ilegitimidade passiva. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase recurso interposto em face de decisão da DRJ que afastou a ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente, quanto a notificação de lançamento que constitui crédito tributário relativo ao imposto sobre a propriedade territorial rural. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13609.720214/201089 Acórdão n.º 2101002.535 S2C1T1 Fl. 217 3 Sustenta a Recorrente que seria parte passiva ilegítima porque teria alienado, em 08 de novembro de 2002, o imóvel de que trata o lançamento ao Sr. Ivaldo José Lemes de Souza, por meio de instrumento particular de promessa de venda de imóvel rural. Para tanto, anexa ao recurso o referido instrumento particular e dois aditivos, bem como inúmeras matrículas de imóveis. Ocorre, todavia, que nenhum dos documentos apresentados tem o condão de infirmar as conclusões do acórdão recorrido. De fato, todas as matrículas e escrituras públicas de venda e compra dizem respeito a imóveis que não se confundem com o de que trata o lançamento. Conforme instrumento particular de promessa de venda e compra, o imóvel alienado seria objeto da matrícula 18.893, que não foi em nenhum momento trazida aos autos. Todas as matrículas e escrituras apresentadas são relativas a outros imóveis, ainda que algumas delas tivessem origem na referida matrícula 18.893. Muito embora constem dos autos procurações outorgadas pela Recorrente ao Sr. Ivaldo José Lemes de Souza com o objetivo de celebrar escritura definitiva de venda e compra do imóvel objeto da matrícula 18.893, até o momento esta não foi juntada aos autos. Aliás, a última procuração foi outorgada no dia 06 de abril de 2010, o que indica que, pelo menos até essa data, a escritura não foi outorgada. Além disso, consta dos autos cadastro de imóvel no INCRA datado de 17 de fevereiro de 2003 (efl. 7), ou seja, após a assinatura da promessa de venda e compra, indicando a Recorrente como proprietária do imóvel. Se isso não bastasse, as declarações de ITR de 2005, 2006 e 2007 foram apresentadas em 2009 pela própria Recorrente, o que faz este relator concluir que é sua a legitimidade passiva para figurar neste processo administrativo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915946/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2001 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 46 /2 00 8- 23 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/12/2001). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 30.261,85 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 3801003.859 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720888/2011-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 13/04/2011
PENA DE PERDIMENTO.
Expor à venda produtos sem o selo de controle de IPI, exigido pela legislação, incorre em ilícito tributário a justificar a pena de perdimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 13/04/2011 PENA DE PERDIMENTO. Expor à venda produtos sem o selo de controle de IPI, exigido pela legislação, incorre em ilícito tributário a justificar a pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado.
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score : 1.0
Numero do processo: 11060.901721/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2007
DECLARAÇÃODECOMPENSAÇÃO(DCOMP).HOMOLOGAÇÃO.
O reconhecimento da certeza do crédito e de sua liquidez implica a homologação das compensações no limite do valor reconhecido.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2007 DECLARAÇÃODECOMPENSAÇÃO(DCOMP).HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza do crédito e de sua liquidez implica a homologação das compensações no limite do valor reconhecido. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2007 DECLARAÇÃODECOMPENSAÇÃO(DCOMP).HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza do crédito e de sua liquidez implica a homologação das compensações no limite do valor reconhecido. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios (PER/DCOMP), de crédito da Contribuição para o Financiamento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 17 21 /2 01 1- 10 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo ocorrido no período de maio de 2007. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação a ele vinculada, ao fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da empresa, não restando saldo de crédito para compensação dos débitos informados naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde registra que: • não utilizava adequadamente os créditos a que teria direito. Em 2007 foi realizada auditoria tributária na empresa por firma especializada, com a finalidade de recalcular todos os tributos devidos dos 5 anos anteriores e ano corrente. Foram feitas as devidas alterações em DACON, sendo contabilizados os resultados do trabalho; • o valor pago de COFINS em 20/06/2007 foi de R$ 102.780,45 (código 5856). Após o recálculo, verificouse que deveria ter sido pago R$ 95.793,23, restando um pagamento a maior de R$ 6.987,22. Esse pagamento foi utilizado para efetuar a compensação de parte da CSLL (código 2484) e do IRPJ, ambos do PA dezembro de 2007, com vencimento em 31/01/2008, conforme a DCOMP nº 12250.61941.200208.1.3.042669; • quanto à inexistência do crédito e a não homologação da compensação, o despacho decisório surgiu por conta de um lapso da empresa, que não efetuou as devidas retificações na DCTF do 1º semestre de 2007. No entanto, o DACON foi retificado quando da apuração dos créditos, onde ficou demonstrada a sua existência; • discorda da posição da RFB e apresenta mapa de apuração dos tributos, antes a após o levantamento, além do resumo dos créditos levantados. Houve entrega de DCTF retificadora em 31/08/2011, que corrigiu o problema; • devido à grande quantidade de páginas, a empresa se coloca à disposição para apresentar relatórios e dados do recálculo dos tributos; • pede a reconsideração da decisão administrativa quanto à análise do crédito e seu aproveitamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.901721/201110 Acórdão n.º 3202001.278 S3C2T2 Fl. 571 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1039.148, de 21/06/2012 (fls. 35/38), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2007 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. DCTF. PREENCHIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 45/49, embora assim não identificado, por meio do qual aduz: É uma concessionária de energia elétrica junto a governo federal, de forma que segue normas regidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Em 10/08/2012, a Recorrente apresentou a petição de fls. 73/75, através da qual requer a retificação de itens do recurso e acosta cópias de documentos (Razão Contábil, notas fiscais, Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário, Demonstrativos da Energia Elétrica Consumida e recibos de aluguel). Para manutenção de suas atividades, precisa repor peças, combustível, entre outros, necessários a sua realização de sua atividade. Após apresentação à ANEEL, tais gastos podem ser incluídos no preço da energia elétrica, quando anualmente efetuada a revisão tarifária. Assim, quanto mais créditos de PIS/Cofins puderem utilizar as concessionárias, menor o preço da energia elétrica. A ANEEL definiu as contas contábeis, e a sua forma de contabilização, a serem utilizadas para os lançamentos contábeis referentes à manutenção das atividades da usina e dos caminhos utilizados na distribuição e comercialização da energia elétrica. Diferentemente do que dizem as Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a Recorrente utilizava créditos advindos somente da compra de energia elétrica de outras concessionárias, não se creditando dos custos para produção de energia nem da manutenção da Fl. 572DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 rede de distribuição e comercialização. Assim, houve a tributação total de sua receita sem o cômputo do custo para a sua produção, causando ônus financeiro à empresa e aos consumidores (passa a relacionar os créditos que entende sejam cabíveis). Além dos documentos anexados, outros serão entregues até 10/08/2012. Por meio da Resolução n.º 3202000.153, de 24/09/2013 (fls. 223/226), este Colegiado, pelas razões que expôs, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem se certificasse do direito vindicado, mediante a análise dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que devia ser intimada para promover a entrega de outros que se considerassem necessários. Sobre o resultado da diligência, não se manifestou a Recorrente. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da DCTF se deu em momento posterior à decisão que indeferiu o pleito. Em diligência determinada por este Colegiado, a unidade de origem constatou, pelos motivos que consignou no Relatório de fls. 564/565, que a Recorrente faz jus a crédito de Cofins no valor de R$ 6.987,22, com origem no mês de maio de 2007, que, corrigido, satisfaz a quase totalidade dos débitos a serem compensados. Informa a fiscalização que os lançamentos contábeis, analisados por período de apuração, coincidem com os valores da DACON, sendo conferidos alguns lançamentos por amostragem. Esclareceuse também que o valor do item 02 da Ficha 17A da DACON retificadora foi reduzido, pois excluídas as receitas financeiras e receitas de vendas do ativo permanente, isentas em conformidade com a legislação. Vêse, portanto, que a diligência dirimiu a controvérsia, cabendo à Recorrente apenas o pagamento da parcela não compensada em virtude da insuficiência do crédito. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 573DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.901721/201110 Acórdão n.º 3202001.278 S3C2T2 Fl. 572 5 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11543.002459/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuinte portador de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, o contribuinte comprovou ser portador de moléstia grave e auferir, no ano-calendário, proventos de aposentadoria. Aplicação da Súmula CARF n.º 63.
Numero da decisão: 2101-002.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuinte portador de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, o contribuinte comprovou ser portador de moléstia grave e auferir, no anocalendário, proventos de aposentadoria. Aplicação da Súmula CARF n.º 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 24 59 /2 00 7- 10 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi apurada omissão de rendimentos tributáveis auferidos, pelo titular, da pessoa jurídica HSBC Fundo de Pensão. O contribuinte solicitou a retificação do lançamento, oportunidade na qual alegou erro e anexou documentos. Ante o indeferimento do seu pedido (fls. 12), impugnou o lançamento, argumentando ser aposentado e portador de moléstia grave (cardiopatia grave) desde 1996 e que, desde 2001, seus rendimentos não são tributados. Complementou que, no Comprovante de Rendimentos Pagos, fornecido pela fonte pagadora (HSBC Fundo de Pensão) em 22.2.2005, seus rendimentos foram registrados no Campo 4 – Rendimentos Isentos e Não Tributáveis; Item 3 Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave e aposentadoria ou reforma por acidente em serviço. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro II (RJ), mediante o Acórdão n.º 1322.990, de 21 de janeiro de 2009, julgou a impugnação improcedente, em decisão dispensada de ementa, nos termos da Portaria SRF nº 1.364, de 10.11.2004. O órgão julgador a quo decidiu ser o lançamento procedente, por entender que os documentos apresentados seriam inábeis para comprovar o estado clínico do paciente. Consignou, primeiramente, que os documentos acostados às fls.11 (oficio) e às fls.21 (fornecido pelo HSBC) não se revestiam da qualidade de laudo médico pericial. Por outro lado, concluiu que o documento às fls. 33, emitido em 3.7.2008 continha apenas a informação de que o interessado é portador de cardiopatia, moléstia não prevista em lei como isentiva do imposto sobre a renda. Inconformado, o interessado interpôs recurso voluntário (fls. 60 e 61), no qual repisou seus argumentos e esclareceu que o HSBC Fundo de Pensão havia se equivocado ao informar seus rendimentos para a Receita Federal do Brasil. Porém, ao tomar conhecimento do engano cometido, o HSBC Fundo de Pensão imediatamente procurou a Receita Federal do Brasil para o devido acerto (Anexos 4 e 5). Em decorrência dessa medida, afirma que os próprios funcionários da Receita Federal constataram não haver registro de rendimentos tributáveis, pendentes ou não, relacionados ao seu CPF (049.572.70759). Ao final, pede o cancelamento do débito. É o relatório. Voto Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002459/200710 Acórdão n.º 2101002.390 S2C1T1 Fl. 3 3 Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Cabe, primeiramente, ressaltar, que a isenção do imposto sobre a renda em razão de moléstia grave exige o preenchimento de dois requisitos: 1.º) que os rendimentos auferidos sejam de reforma, aposentadoria ou pensão, porque somente esses são isentos do imposto sobre a renda, no caso de portador de moléstia grave; 2.º) que haja comprovação inequívoca de que o contribuinte é portador de moléstia grave, tal como previsto em lei. No tocante à primeira exigência, é possível observar, no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido em nome do interessado pela fonte pagadora HSBC Fundo de Pensão, para o anocalendário 2004, que esta declarou ter pago ao interessado o valor de R$ 43.145,69 a título de rendimentos de aposentadoria por tempo de serviço (classificados como isentos/não tributáveis). A condição de aposentado, no anocalendário 2004, encontrase corroborada pelo documento às fls. 39, denominado “Carta de Concessão/Memória de Cálculo”, emitido pelo INSS, no qual se constata que a aposentadoria por tempo de serviço foi concedida ao interessado, com vigência a partir de 13.10.1998. No tocante à segunda exigência da lei, é de se salientar que as moléstias graves que ensejam a isenção do imposto sobre a renda, independentemente de terem sido contraídas antes ou depois da data em que o contribuinte tenha se aposentado, são aquelas relacionadas exaustivamente no inciso XIV do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988, a seguir transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (g.n.) [...] Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Além de documento que comprove que os rendimentos sobre os quais o contribuinte pretende se reconheça a isenção são de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, a existência da moléstia grave prevista em lei deve ser comprovada mediante a apresentação de laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, tal como estabelece a Lei n° 9.250, de 1995: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula CARF n.º 63, pacificou o entendimento que, para haver isenção do imposto sobre a renda em decorrência de moléstia grave, a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” No presente caso, na impugnação, não havia sido apresentado laudo médico pericial, de forma a comprovar que o contribuinte era portador de moléstia grave prevista em lei, em particular de cardiopatia grave, tal como alegado, e que, por isso, fazia jus à isenção pleiteada. Para o fim de comprovar a existência de moléstia grave, haviam sido anexados o Oficio nº 0024512001/INSS/GEXVIT/Agência da Previdência Social Vitória (fls. 15), um documento emitido pelo HSBC (fls. 25), e um Laudo Médico emitido pelo INSS que constatava que o contribuinte era portador de cardiopatia (fls. 37), documentos esses insuficientes para comprovar que o contribuinte era portador de uma das moléstias graves previstas no inciso XIV do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988. Por essa razão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro II, ao apreciar a impugnação, entendeu que os documentos acostados ao processo eram inábeis para comprovar o estado clínico do paciente e, em conseqüência, para formar a convicção da Receita Federal do Brasil de que o contribuinte era portador de moléstia grave no anocalendário 2004, tal como alegado. No entanto, em sede de recurso voluntário, foi trazido aos autos o Laudo MédicoPericial às fls. 63, emitido em 27.8.2009, por médico perito do INSS, documento este que cumpre as exigências do artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1995, uma vez que especifica claramente que o contribuinte sofre de cardiopatia grave, doença prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, desde 27 de setembro de 2000, e que o laudo não tem prazo de validade determinado, eis que a doença não é passível de controle. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002459/200710 Acórdão n.º 2101002.390 S2C1T1 Fl. 4 5 Sendo assim, constatamos terem sido cumpridos todos os requisitos legais para a concessão do benefício, razão pela qual há de se reconhecer, na hipótese, a isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos de HSBC Fundo de Pensão, no ano calendário 2004, em razão de moléstia grave, nos termos do inciso XIV do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.720251/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 20/03/2006 a 29/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA LEGAL IMPUTADA. CONDUTA APENADA NÃO ESPECIFICADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo sido descrito no corpo do auto de infração e no Relatório Fiscal que o integra diversas condutas, impossibilitando a plena identificação daquela sobre a qual recaiu a penalidade aplicada, deixando de haver a subsunção dos fatos ali descritos à norma legal imputada, há que se anular o auto de infração em razão de vício material.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.773
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Fez sustentação oral, pela recorrida, o advogado Dorival Padovan, OAB/DF nº. 33.782
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA LEGAL IMPUTADA. CONDUTA APENADA NÃO ESPECIFICADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido descrito no corpo do auto de infração e no Relatório Fiscal que o integra diversas condutas, impossibilitando a plena identificação daquela sobre a qual recaiu a penalidade aplicada, deixando de haver a subsunção dos fatos ali descritos à norma legal imputada, há que se anular o auto de infração em razão de vício material. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral, pela recorrida, o advogado Dorival Padovan, OAB/DF nº. 33.782 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 51 /2 01 0- 19 Fl. 25340DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25399AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “I DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo do auto de infração de fls. 01/09, constituído para cobrança da multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei n° 4.502, de 30/11/64, com redação dada pelo Decretolei n° 400, de 1968, no valor de R$ 332.439.917,00, lançada em face da empresa Super Terminais Comércio e Indústria Ltda (Super Terminais), CNPJ n° 04.335.535/000506, e do responsável solidário Semp Toshiba Amazonas S/A (Semp Toshiba), CNPJ n°04.400.552/000148. Na folha 04 a fiscalização consignou que "A descrição dos fatos que culminaram com a lavratura do presente Auto de Infração encontrase no RELATÓRIO DE AUDITORIA N°005, de 15 de maio de 2010", e resumiu a infração apurada como: 001 — SAÍDA DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS SEM AUTORIZAÇÃO DA AUTORIDADE ADUANEIRA Depositário não localizou e não apresentou à fiscalização mercadorias depositadas a titulo de depósito fechado, nem justificou sua devolução, através de documentação probatória, conforme apurado no procedimento fiscal. No referido Relatório de Auditoria (fls. 12/41), [...] o autuante aduz, em apertada síntese, que se a Super Terminais recebeu, durante o exercício de 2006, mercadorias no valor de R$ 607.327.910,00, retornou para a proprietária Semp Toshiba o equivalente a apenas R$ 274.887.993,00, e esta empresa, por seu turno, declarou no seu Livro de Registro de Inventário, ao final daquele anocalendário, a inexistência de estoques em poder de terceiros; por dedução óbvia, a diferença entre as entradas e saídas tiveram [sic]destino diverso. Assevera o fiscal que "em tese, o SUPER TERMINAIS deu destino diverso às mercadorias de propriedade da SEMP, recebidas em depósito fechado, sendo, portanto, esta última responsável solidária pelas infrações apuradas" e; "como ambas as empresas alegam que estas mercadorias não estão em seu poder, presume se que estas mercadorias saíram da Zona Franca de Manaus sem a devida autorização da autoridade aduaneira". E, em sendo assim, conclui a autoridade administrativa que: [...] entendese pela aplicação da pena de perdimento em razão da não apresentação de documentação fiscal idônea que comprove a destinação das mencionadas mercadorias, presumese desta forma, sua saída dos limites da Zona Franca de Manaus, sem o devido conhecimento das autoridades fazendárias da União, o que, nos termos do artigo 39 do DecretoLei n° 288/1967, tipifica o crime de contrabando, punível com a pena de perdimento das mercadorias. [...] Por não terem sido localizadas, ou ainda, por já ter sido dadas a consumo, convertese a referida pena de perdimento em multa de igual valor ao valor comercial das mercadorias, comprovado através de nota. [...] Além do Relatório de Auditoria, instruem o auto de infração os documentos de fls. 42 vol 01 a 927 vol 05 e mais os Anexos I a XX. Fl. 25341DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25400AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.521 3 II DAS IMPUGNAÇÕES Defesa da empresa Super Terminais Cientificada pessoalmente em 24/05/10 (fl. 08), a empresa Super Terminais apresentou, em 22/06/10, a impugnação de fls. 935/971 vol. 5, onde argúi, em síntese, que: não existe qualquer diferença entre as mercadorias remetidas pela Semp Toshiba e as retornadas por ela. Além do que, o trabalho fiscal se prende a suposições e não traz nenhuma prova daquilo que pretende punir; detinha, até o final do exercício de 2007, autorização da Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas para operar como Depósito Fechado, armazenando, exclusivamente, mercadorias de terceiros acondicionadas em contêineres, conforme revelam os Atos Declaratórios n° 333/2005DETRI, de 18/09/05 e n° 474/2006DETRI, de 04/09/06; segundo aquelas normas complementares, visando manter registro dinâmico e estático da operação, o controle seria realizado através de: a) livro de relação de entradas e saídas de contêineres; e b) livro de registro de inventário. O primeiro, como o próprio nome sugere, visa a manter o controle diário, dos contêineres recebidos e devolvidos. Já o segundo, revela a situação das mercadorias acondicionadas em contêineres em 31 de dezembro de cada exercício; realizava o controle diário das entradas e saídas dos contêineres, como faz prova com os documentos que compõem o Anexo I [se refere aos documentos de fls. 991/1072 — vol. 6]. A análise da referida documentação permite aferir que, no final do exercício de 2006, mantinha no seu depósito 142 contêineres da empresa Semp Toshiba, contendo mercadorias produzidas por aquela, descritas nas notas fiscais de remessa. O mesmo número é encontrado no registro de inventário (Anexo III) [se refere às fls. 1074/1077 vol.6]), confirmando que ambos os controles revelam o mesmo número de contêineres depositados com a Impugnante; recebia da Semp Toshiba contêineres lacrados, contendo as mercadorias descritas nas notas fiscais de remessa daquela empresa. Bastando uma análise perfunctória desses documentos para atestar esta asserção: no campo "dados adicionais e/ou informações complementares, constam os números de lacre da Semp Toshiba e do contêiner que acondicionava as mercadorias; no campo "dados do produto" está revelado o conteúdo de cada contêiner, com a respectiva descrição, quantidade e valor; o controle central mantido era exatamente por meio dos contêineres, pois não tinha acesso às mercadorias acondicionadas neles, uma vez que eram todos lacrados, e porque o próprio Ato Declaratório determinava o controle diário de entradas e saídas de contêineres; além do mais, o item II do Ato Declaratório n° 333/2005DETRI, consignava que estava proibida, dentre outros, de movimentar a carga de um contêiner para outro. Desse modo, o controle exercido ao longo dos anos estava de acordo com as orientações emanadas das mencionadas normas complementares; o controle de entrada e saídas de contêineres, o registro de inventário, as notas fiscais de remessa, as notas fiscais de retorno, os conhecimentos de embarque e as notas fiscais de venda dos produtos revelam que não existem diferenças entre as Fl. 25342DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25401AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 4 mercadorias remetidas pela empresa Semp Toshiba e as mercadorias que retornaram àquela empresa; o agente fiscal não aprofundou a sua fiscalização e não se preocupou em buscar outros elementos para verificar se efetivamente existiam ou não diferenças de mercadorias. Ao adotar tal postura, exige multa irreal, inexistente e totalmente prejudicial e violadora do direito da Impugnante. Ao invés disso, poderia, por exemplo, como é comum nesse tipo de fiscalização, verificar o estoque da Semp Toshiba, analisar as entradas e as respectivas saídas, através da Declaração para Controle de Internação (DCI) mensal, para ter uma visão completa do que ocorreu no exercício fiscalizado; a empresa Semp Toshiba adquire insumos no exterior, ou mesmo no mercado nacional, aplica no seu processo produtivo básico e fabrica uma série de produtos para a respectiva comercialização. O produto acabado, como cediço, é destinado à venda e enquanto realiza os negócios no mercado, precisa de local para armazenamento. Como tinha autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, aquela empresa a contratou para armazenar a sua produção; as mercadorias, acondicionadas em contêineres lacrados, eram enviadas à Impugnante para armazenamento, acompanhadas de notas fiscais de remessa; as mercadorias somente saíam do depósito fechado a pedido da empresa Semp Toshiba. Uma vez solicitado o retorno das mercadorias, eram enviadas diretamente para a sede da empresa ou, por determinação daquela, para os portos de embarque, de onde seguiriam para os seus destinos, os endereços dos respectivos adquirentes; em razão de não haver na legislação estadual dispositivo que evidenciasse qual procedimento a ser adotado, apesar de cônscia do dever de retornar as mercadorias acompanhadas do documento fiscal competente, tinha dúvidas sobre qual documento seria bastante para este mister: a emissão de nota fiscal de retorno ou utilizar a própria nota fiscal de remessa da Semp Toshiba; inicialmente optou em emitir notas fiscais de retorno para acompanhar as mercadorias devolvidas (Anexo II, juntado na presente impugnação). Posteriormente, decidiu adotar o segundo procedimento, vale dizer, fazer acompanhar as mercadorias com as próprias notas fiscais de remessa emitidas pela Semp Toshiba, em razão de consulta verbal firmada com a Secretaria de Fazenda do Estado, que, posteriormente foi objeto de consulta formal apresentada àquele órgão, com escopo de oficializar aquele atendimento; a resposta da SEFAZ/AM não deixa dúvida de que a Impugnante não estava compelida a emitir nota fiscal de retomo das mercadorias, como inicialmente adotava e que sua conduta era legal; um registro de fundamental importância a ser feito é que: como a autoridade fiscal pautou seu procedimento cotejando as notas fiscais de remessa da Semp Toshiba com as notas fiscais de retomo emitidas pela Impugnante, evidente que restaria um saldo em desfavor da Impugnante saldo este irreal, digase desde sempre, pois, como visto, inicialmente emitia nota fiscal de retomo e, posteriormente, passou a utilizar o próprio documento fiscal da indigitada empresa; o Anexo II, juntado à presente impugnação, que traz todas as notas fiscais de remessa e notas fiscais de venda das mercadorias emitidas pela Semp Toshiba, as notas fiscais de retomo emitidas pela Impugnante, e os conhecimentos de embarque, referentes ao período fiscalizado, comprovam que não existe a diferença apontada pela Fiscalização e muito menos há o desvio de mercadorias para destino diverso. Na verdade, os referidos documentos comprovam que as mercadorias armazenadas Fl. 25343DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25402AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.522 5 pela Impugnante foram efetivamente comercializadas pela Semp Toshiba e embarcadas com destino aos adquirentes, provam que todas as operações foram regulares e que a Impugnante manteve as mercadorias em depósito e as retomou para a sede da empresa ou para os portos de embarque, consoante atestam os mencionados conhecimentos; não existe qualquer conflito entre o documentado no livro de registro de inventário da Semp Toshiba e o registrado no seu livro de inventário. Pois, como sabido, o livro de registro de inventário é uma forma de controle estático, posto que revela o estoque existente no último dia do ano; no livro de registro de inventário da Impugnante, restava consignado, no final do exercício de 2006, a guarda de mercadorias da Semp Toshiba, acondicionadas em 142 contêineres. Já o livro de registro de inventário da Semp Toshiba apontava a inexistência de mercadorias em poder de terceiros; o exame da documentação da Semp Toshiba ou as informações prestadas por ela certamente apontarão que o controle destas mercadorias é feito pela titularidade física ou propriedade física, ou seja, certamente o registro realizado por ela leva em consideração a existência ou não de suas vendas, mesmo que elas ainda não tenham sido entregues aos respectivos adquirentes; "A Impugnante, por sua vez, mantinha o controle de mercadorias depositadas pela Semp Toshiba e enquanto não recebesse qualquer determinação dela, as mercadorias permaneceriam no depósito fechado. Dessa forma, se as mercadorias em poder da Impugnante tivessem sido já comercializadas pela Semp Toshiba no final de 2006, mas sem comunicação à Impugnante, é evidente que elas permaneceriam registradas no livro de inventário no final daquele ano, como aconteceu, posto que, até comunicação em sentido contrário, elas teriam que permanecer ali"; as últimas mercadorias, acondicionadas nos 142 contêineres, somente saíram de lá no exercício de 2007. Portanto, não há qualquer divergência entre o registrado pela Semp Toshiba e o registrado pela Impugnante; se não há dúvida de que o agente autuante concluiu que as ditas mercadorias saíram da Zona Franca de Manaus sem a autorização da autoridade aduaneira competente, elencando como primeiro dispositivo a fundamentar a autuação o artigo 39 do DecretoLei n° 288/67, cabe, desde logo, formular as seguintes indagações: a Autoridade Fiscal chegou a esta conclusão baseado em que elemento probatório? Em que documento consta a saída ilegal da mercadoria? Houve apreensão das mercadorias ou parte delas em local diverso da base territorial da Zona Franca de Manaus? A prova está em depoimentos? A prova está em presunção? E sendo presunção, existe dispositivo legal que a autorize para o presente caso? Ou foi entendimento pessoal do Agente Fiscal sem respaldo em qualquer dispositivo legal? não há, nos documentos juntados pela Fiscalização e nem nos documentos juntados pela Impugnante, nenhuma prova que corrobore a afirmativa do Agente Fiscal. Não existe documento, não há depoimento, inexiste apreensão, enfim, não há uma prova que sustente a afirmação fiscal. Na verdade, como se pode comprovar pelas suas afirmações, a autoridade fiscal apenas supõe que as mercadorias foram retiradas irregularmente da Zona Franca de Manaus; apenas para argumentar, imaginese que a Impugnante não tenha comprovado que as mercadorias foram efetivamente devolvidas. Esse fato não permitiria que se pudesse afirmar, como verdade, que elas teriam sido retiradas Fl. 25344DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25403AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 6 irregularmente da Zona Franca de Manaus. Não se poderia supor, nesta hipótese argumentativa, que elas tenham sido consumidas na própria ZFM? quando se analisa determinada situação tipificada em lei, o intérprete não pode trafegar em um ou outro tipo para determinar a sua ocorrência, vale dizer, ou a conduta se enquadra no tipo ou não, ou se cometeu o delito ou não. Para que se possa caracterizar a conduta de determinada pessoa como contrabando, segundo o referido artigo, deverá haver efetivamente a saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus sem autorização das autoridades competentes; a autoridade fiscal tão somente supõe ou presume que as mercadorias teriam saído da ZFM, mas ninguém pode punir uma pessoa por mera suposição ou presunção. É dever de quem acusa provar suas alegações, ex vi teor do art. 333 do Código de Processo Civil. Mas, pelo que se percebe na autuação fiscal, o Fisco não cumpriu com o seu dever de provar a falta cometida pelo contribuinte; o único elemento carreado pelo Fisco, e devidamente rebatido na presente impugnação, é a diferença de mercadorias remetidas e retomadas. E esse argumento não é capaz de comprovar eventual saída de mercadorias da ZFM; como as mercadorias pertenciam à Semp Toshiba, seria impossível que esta suposta e inexistente saída delas da ZFM tenha ocorrido por um ato isolado de sua parte, uma vez que ninguém ficaria inerte em ver desaparecer um valor significativo em mercadorias sem tomar qualquer atitude; e não teria qualquer sentido a empresa Semp Toshiba, e muito menos a Impugnante, praticar a conduta narrada pela autoridade fiscal, uma vez que o Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 1, de 13/01/03 conferiu àquela empresa, por prazo indeterminado, o procedimento simplificado de internação, que dispensa a apresentação e passagem da mercadoria por recinto alfandegado ou autorizado, consoante o artigo 5°, da Instrução Normativa SRF n° 242 de 06/11/02; o dispositivo invocado pelo agente fiscal diz que se considera contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus sem autorização legal expedida pelas autoridades competentes. No entanto, a empresa Semp Toshiba já possui autorização para a saída direta das mercadorias, uma vez que está habilitada a realizar o procedimento simplificado de internação, sem a passagem pelo recinto alfandegado; dessa forma, resta impossível enquadrar a situação narrada no artigo 39 do DecretoLei n° 288/1967, porque: a) não existe a diferença apontada pelo Fisco, conforme comprovam os documentos juntados; b) a suposta existência de diferença, apenas para argumentar, não induz que as mercadorias tenham saído da Zona Franca de Manaus; c) não milita a favor do Fisco nenhuma presunção sobre a matéria; d) não existe o menor indicio que tenha havido saída irregular de mercadorias; e) a Impugnante não poderia ter dado suposta destinação as mercadorias, de significado valor, sem que a Semp Toshiba tivesse tomado conhecimento ou tomado providências legais para recuperar um elevado valor patrimonial que lhe pertencia; e, j) a Semp Toshiba é detentora de habilitação de procedimento simplificado de internação que lhe confere o direito de saída de mercadorias sem passagem por recinto alfandegado (ADE n° 1/03); a autoridade fiscal para punir o contribuinte fundamenta ainda sua autuação no artigo 83 da Lei n° 4.502/64, e como quer crer que houve contrabando, fato este refutado nos argumentos precedentes, insiste na aplicação de multa correspondente ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal; como demonstrado anteriormente, o autuante não cumpriu com seu dever de provar a existência do fato que constituiu a aplicação da multa, justamente porque Fl. 25345DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25404AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.523 7 não houve diferença e em razão de inexistir qualquer irregularidade nas operações praticadas pela Impugnante. não há como considerar que houve inserção clandestina no território nacional, se a empresa Semp Toshiba, proprietária das mercadorias, podia realizar suas internações por meio de procedimento simplificado, ou seja, todas as mercadorias pertencentes empresa tinham autorização de saída sem passagem pelos recintos alfandegados. O consentimento para internação não se coaduna com clandestinidade, razão pela qual não se aplica o artigo em comento; o dispositivo legal [se refere ao art. 105, do Decretolei n°37/66] elenca as hipóteses sujeitas à pena de perdimento e cabia ao agente fiscal, sob pena de nulidade, apontar em qual ou quais hipóteses se enquadraria a suposta conduta irregular da empresa. É fundamental declinar qual ou quais incisos a conduta se enquadra, porém isto não foi feito; de outro giro, como se pode converter uma pena de perdimento em multa regulamentar em que a pena a ser convertida sequer é disciplinada corretamente? O fato é que é totalmente nulo o auto de infração como se vem demonstrando ao longo da presente impugnação; não se pode tributar quem quer que seja com base em mera suposição, mas por meio de elementos concretos da materialização da hipótese de incidência tributária. Alei e os princípios constitucionais tributários são fundamentos que devem ser obedecidos por todos, principalmente pelas autoridades fiscais, o que não ocorre no presente caso, merecendo imediato reparo das autoridades julgadoras. Por fim, a impugnante "requer seja declarado nulo o auto de infração, porque não incorreu em violação aos preceitos da legislação tributária Instruem a impugnação da Super Terminais os documentos de fls. 972 vol. 5 a 1143 vol. 6 e mais 48 anexos apresentados em 02/09/10, conforme Termo de Juntada consignado na fl. 1144 — vol. 06 (Anexos XXI a LX VIII). Defesa da empresa Semp Toshiba Cientificada pessoalmente, em 24/05/10 (fl. 11), do auto de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa Semp Toshiba apresentou, em 22/06/10, a impugnação de fls. 1147/1190 vol. 7, onde argúi, em síntese, que: a sua inclusão no pólo passivo da presente autuação foi fundada no artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 32, parágrafo único, inc. III do Decretolei (DL) n° 37/66; o inciso II do artigo 124 do nosso CTN diz respeito A. chamada "solidariedade de direito", qual seja, aquela decorrente da expressa previsão na lei instituidora do tributo, que relaciona os responsáveis tributários, não podendo o legislador contrariar o próprio CTN, tampouco estabelecer solidariedade para quem não guarde relação com o fato gerador; assim sendo, o fiscal indicou o DL n° 37/66, art. 32, parágrafo único, inc. III, como fundamentação para justificar a pretensa obrigação solidária entre a Impugnante e o Depositário, inobservando que o dispositivo apontando não apresenta qualquer correspondência com a operação ora realizada, pois diz respeito à responsabilidade solidária quanto ao recolhimento do imposto de importação, sendo que o objeto da presente autuação seria de pena de perdimento de mercadoria por suposta falta de apresentação de documentação comprobatória idônea da destinação Fl. 25346DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25405AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 8 das mercadorias, convertida em multa igual ao valor comercial da mercadoria, sendo este considerado a importância constante nas Notas Fiscais de remessa para Depósito, nos termos do artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64 e artigos 631 e 618, do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro). Ou seja, tratase de multa regulamentar, o que difere, indubitavelmente, da exigência do Imposto de Importação, conforme constante no DecretoLei n° 37/66, art. 32, parágrafo único, inc. III; é evidente que o dispositivo fundamentador da solidariedade ora suscitada pelo fiscal autuante aponta, única e exclusivamente, à solidariedade quanto ao recolhimento do Imposto de Importação. Não obstante, o presente auto de infração não foi lavrado para exigência daquele tributo, mas sim para multa regulamentar, o que se distancia evidentemente da hipótese levantada pelo Fisco; de acordo com o art. 3º do CTN, a cobrança de tributo é realizada mediante atividade administrativa plenamente vinculada, o que significa, em plena consonância com os ditames da lei, não havendo espaço para valorações pessoais do funcionário público quanto às questões subjetivas de conveniência e oportunidade; há um evidente atentado à legislação tributária vigente quando o Fisco aplicou a lei em sentindo inteiramente divergente daquele constante do artigo 32 do DL 37/66. Cada contribuinte é responsável pelo cumprimento de sua obrigação acessória, e o presente auto discute desatenção a um dever instrumental ou acessório, e não inadimplência do Imposto de Importação, ou seja, a aplicação da solidariedade ora pretendida atenta contra o caput do artigo 32 em referencia, pois equipara a cobrança de multa regulamentar A. cobrança do tributo, sendo apenas este último o permitido para aplicação da solidariedade pretendida, conforme a expressa letra da lei; pela leitura do dispositivo indicado pelo Sr. Fiscal Autuante, percebese que este não se enquadra no contexto descrito nos autos, não sendo, também por essa razão, aplicável, pois essa previsão diz respeito tão somente aos casos em que tenha sido efetuada importação por conta e ordem de terceiro, hipótese em que este terceiro (adquirente) é considerado responsável pelo imposto; no presente caso, primeiramente não se trata de mercadoria com procedência estrangeira e mesmo que fosse considerada a matériaprima de procedência estrangeira, esta trata de importação procedida diretamente, e como não se cogita exigência de imposto, esse artigo jamais deveria ser aplicável ao caso. Por ter aplicado o art. 32, parágrafo único, inc. III do DecretoLei n° 37/66 para justificar a solidariedade pretendida, o Ilmo. Fiscal Autuante incorreu em falha técnica relativa à matéria versada. Poderseia falar em importação por conta e ordem de terceiro se houvesse uma importadora intermediando a operação realizada, o que, definitivamente, não ocorreu, não sendo sequer similar àquela descrita pelo dispositivo legal invocado; ou seja, há uma evidente afronta ao artigo 124, inc. II, do CTN, que expõe que somente serão solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei, e o texto de lei que o Sr. Fiscal Autuante indicou como fundamentador da solidariedade é inteiramente discrepante da operação realizada nos presentes autos; o presente auto de infração foi lavrado com erro de direito, na medida em que não houve a subsunção do fato à norma no que tange a capitulação ora enfrentada, insanável por retificação de oficio, o que o toma nulo de pleno direito; não cabe argumentar a possibilidade de ser aplicado ao caso em tela o inc. I do art. 124 do CTN, pois "referido inciso determina a aplicação de solidariedade quando há interesse comum. A palavra interesse comum é um tanto vasta, mas que no caso em comento é facilmente afastado, posto que nas operações de depósito Fl. 25347DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25406AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.524 9 fechado não há obrigação de recolhimento de imposto por expressa previsão legal (legislação do ICMS e federal), sendo esta última obrigação tão somente da Impugnante ao efetuar a efetiva saída da mercadoria para o mercado interno"; premissa à análise do inciso I, do art. 124, do CTN, conforme já pacificado por nossa doutrina, é a constatação de que o mesmo não pode ser interpretado de forma literal. Com efeito, a interpretação alheia ao seu contexto e finalidade ensejaria absurdos e implicaria em responsabilização daqueles que não contribuíram à materialização do fato gerador dos tributos; a hipótese de responsabilização solidária consagrada no artigo 124 do CTN pressupõe a cristalina demonstração de existência de um nexo causal entre a conduta do responsável solidário e a indevida redução da carga tributária, seja proveniente de aspectos econômicos, jurídicos ou mesmo decorrente de conluio fraudat6rio, fato este que não ocorreu, posto que foram devidamente recolhidos os tributos incidentes e devidamente informados a autoridade competente as operações de saída de mercadoria da Zona Franca de Manaus, não sendo portanto devida a capitulação do crime de contrabando; a hipótese de solidariedade em tela configura mecanismo de responsabilização de direito (e não de fato), na medida em que a relação de solidariedade fiscal entre pessoas distintas não é auto aplicável, devendo ser verificada e comprovada caso a caso, de tal sorte a se demonstrar o simultâneo papel do devedor solidário (i) na ocorrência do fato gerador e (ii) no não adimplemento proposital da obrigação tributária; não se pode atribuir objetivamente à Impugnante a responsabilidade solidária prescrita no artigo 124 do CTN, sem o profundo exame da relação dessa com o Depositário, o que não foi feito pela fiscalização, na medida em que a capitulação do crime de contrabando aplicado ao Depositário, em decorrência da suposta saída de mercadoria da Zona Franca sem autorização legal expedida pela autoridade competente, em momento algum foi comprovada. Nessa esteira, uma autuação promovida com base em supostos e não comprovados indícios de solidariedade, por certo, não pode prosperar, tendo em vista a não observância de todos os prérequisitos exigidos para a aplicação dos dispositivos concernentes à solidariedade. Como tal, se faz mister a imediata exclusão da Impugnante do pólo passivo do presente processo administrativo; mesmo que não seja acolhida a argumentação sobre a não configuração da solidariedade por erro de direito o que, digase de passagem, admitese apenas e tão somente a titulo de argumentação , ainda assim o trabalho fiscal não tem condições de prosperar porque a Impugnante facilmente demonstrará que não houve saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus; entendeu a Fiscalização pela aplicação da pena de perdimento das mercadorias, em decorrência de suposta ausência de documentação fiscal idônea que comprovasse a destinação e regularidade quanto aos recolhimentos dos tributos incidentes na saída da Zona Franca de Manaus, e pelo fato de não ter identificado a destinação das mercadorias, ou mesmo, por ter presumido que foram dadas a consumo, converteu tal penalidade em multa igual ao valor comercial, fornecido pelas Notas Fiscais emitidas pela Impugnante; em que pese o esforço do Sr. Auditor Fiscal na construção da sua tese pautada em conjeturas, não houve diferenças entre as operações realizadas de remessa e retorno entre as empresas autuadas, bem como todas as mercadorias remetidas ao Depositário foram devidamente acompanhadas com documentação Fl. 25348DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25407AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 10 fiscal idônea e escrituradas com a respectiva saída decorrente de venda ou outra saída definitiva, com os tributos devidos recolhidos, sendo as operações verificadas e comprovadas mediante a análise dos documentos acostados à presente, sendo que parte das operações de circulação de mercadorias não chegaram sequer a sair da Zona Franca de Manaus; o Sr. Auditor Fiscal simplesmente ignorou/desconsiderou a análise fática probatória demonstrada pela Impugnante no decorrer do processo de fiscalização, posto que em momento algum fez menção A documentação apresentada ou mesmo disponibilizada pela Impugnante nas respostas aos termos de Intimação n° 088/2009, 099/2009, 0001/2010 e 005/2010, nas quais verificase a idoneidade das operações (DOC. 03); a presente autuação se deu pela presunção de que as operações tratam de produtos contrabandeados em virtude da suposta falta de documentação fiscal idônea que comprove sua destinação, quando em verdade tratase de operações com mercadorias nacionais, cuja matériaprima importada, utilizada na industrialização no território nacional, foi devidamente internada quando da saída definitiva da Zona Franca de Manaus, com o correspondente recolhimento dos tributos, conforme demonstrado pelas DCI acostadas (DOC. 04); as operações abrangidas na autuação compreendem mercadorias que deram saída definitiva da Zona Franca de Manaus e outras que permaneceram nessa circunscrição; operações interestaduais saída definitiva das mercadorias a ora Impugnante tem como objeto a industrialização e a comercialização de aparelhos elétricos, eletrodomésticos, eletrônicos e componentes. Para tanto, realiza a importação de insumos para fabricação desses produtos. No decorrer dos seus negócios sociais, remete parte dos seus produtos para o Depositário, com a finalidade de armazenagem em contêineres; quando efetua suas vendas no mercado nacional ou remete as mercadorias para Armazém de sua propriedade situado em São Paulo ou procede outras operações com natureza de saída definitiva, a Impugnante efetua o processo de internação das mercadorias na Zona Franca de Manaus através do recolhimento do Imposto de Importação, de acordo com o apurado no Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto DCRE, elaborado para tal finalidade, observado o processo produtivo básico PPB, procedimento este devidamente acompanhado de notas fiscais de remessa e venda; verificase, de antemão, que o Depositário em nenhum momento deu saída irregular da Zona Franca de Manaus das mercadorias de propriedade da Impugnante; por primeiro, a Impugnante remete as mercadorias nacionais, produzidas na Zona Franca de Manaus para o Depositário, acompanhadas das Notas Fiscais de remessa, sem o destaque do ICMS, conforme prevê o art. 4°, XIV, do RICMS — Decreto 20.686/99 (DOC. 05); posteriormente, a Impugnante emite Nota Fiscal correspondente a comercialização de mercadorias para o mercado interno ou as remete para Armazém de sua propriedade situado fora do Estado do Amazonas ou procede a outra operação de saída definitiva, com a devida internação das mercadorias na Zona Franca de Manaus, através do recolhimento do Imposto de Importação relativo às matérias primas importadas utilizadas no processo de industrialização das mercadorias, proporcional ao processo produtivo básico nos termos do que determina o artigo 453 do Decreto n° 4.543/2002 (DOC. 06); Fl. 25349DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25408AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.525 11 não há recolhimento do IPI, por se tratarem de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, Resolução 312/94DS de 13/12/1994, e art. 69, inciso II, do RIPI Decreto n°4.544/2002. (DOC. 07); de outra parte, o Depositário simplesmente remete as mercadorias por conta e ordem da Impugnante, quando a mesma efetua uma venda ou ordena a remessa das mercadorias para o Armazém de sua propriedade situada fora do Estado do Amazonas. Nessa operação, o Depositário emite Nota Fiscal de retorno das mercadorias de propriedade da Impugnante (DOC. 08); mesmo quando, por algum motivo, o Depositário não tenha emitido a respectiva Nota Fiscal de retorno, em nada macula a operação, posto que tudo pode ser muito bem comprovado através das Notas Fiscais de saída definitiva (DOC. 06), Conhecimentos de Embarques (DOC. 09), Romaneios (DOC. 10), comprovantes de internação de mercadorias na Zona Franca de Manaus DCI (DOC.04) e Livros Registros de Entrada (DOC. 19) e Saída devidamente registrados e homologados pelo órgão competente; cumpre ressaltar que em uma reduzida parcela das operações houve Notas Fiscais de retomo datadas no anocalendário de 2006, as quais somente foram lançadas na escrita fiscal da Impugnante nos anos subseqüentes; a fiscalização desconsiderou a documentação e informações prestadas, o que sobremaneira prejudicou ainda mais a Impugnante e o Depositário. Se tivesse considerado a operação como um todo, a conclusão que chegaria pelo critério adotado na autuação é a de que não houve saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus e nem a diferença apontada; por meio das DCI emitidas mensalmente no anocalendário de 2006 e meados de 2007 em estrita observância as DCRE se verifica a efetiva saída das mercadorias e a adoção do procedimento simplificado de internação, com o devido pagamento do Imposto de Importação, em decorrência dos insumos importados utilizados na industrialização dos produtos nacionais (DOC. 04); nos termos da Instrução Normativa 242/02, por meio do ADE n° 1, de 13/01/03, a Alfândega da Receita Federal no Porto de Manaus habilitou a Impugnante ao procedimento simplificado de internação, sendo dispensado de passagem por recinto alfandegado ou autorizado de controle para fins de conferência fisica ou documental, (DOC. 13). Assim, constatase que em momento algum houve saída de mercadoria da Zona Franca de Manaus sem autorização legal expedida pelas autoridades competentes, desfigurando por completo a tipificação do crime de contrabando; com o intuito de aclarar e sistematizar cada operação é apresentada Planilha de Controle (DOC. 11), que relaciona informações sobre as Notas Fiscais de "remessa para depósito"; de venda ao cliente final, comprovando a saída definitiva e/ou movimentação das mercadorias; de retomo das mercadorias, emitidas pelo Depositário, relativas ao anocalendário 2006, mas que somente foram enviadas à Impugnante em 2007 e anos seguintes, não sendo consideradas na fiscalização; os Romaneios de Embarque que serviram de base para a geração dos conhecimentos de transportes das mercadorias; os Conhecimentos de Transporte de Carga emitidos pela Mercosulline Navegação e Logística Ltda. e Aliança Navegação e Logística Ltda; Fl. 25350DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25409AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 12 assim, depreendese da detalhada planilha apresentada pelo cruzamento das informações do número da placa (container), lacres constantes da Nota Fiscal de remessa para depósito, com aquelas constantes do Conhecimento de Embarque e Romaneio (número do container, quantidade, lacres), que as mercadorias depositadas saíram em definitivo do Depositário acompanhadas de sua respectiva Nota Fiscal de venda ou simples remessa, demonstrando a completude das operações em estrita observância legal, sendo realizado o recolhimento dos tributos quando da internação; as Planilhas mensais dos controles do saldo inicial, produção, devoluções, saídas, após as contas de mais e menos, demonstram com clareza o seu estoque final em 31/12/06, que reflete o resultado escriturado no livro de inventário do ano calendário 2006, o qual encontrase em poder da fiscalização, conforme termo da autuação (DOC. 20); o fato da Impugnante ter mantido de forma genérica os lançamentos contábeis/fiscais, sem levar em conta a localização física da mercadoria, sendo considerado somente o critério de propriedade do bem, não poderia, por si só, ter ensejado a conduta do Sr. Fiscal quanto à capitulação da referida autuação, pois tal fato em momento algum resultou em saída irregular das mercadorias da Zona Franca de Manaus, conforme presume a fiscalização de forma discricionária e dissociada da realidade; diversamente do alegado pelo Sr. Fiscal, verificase no livro fiscal de Inventário do Depositário, ao final do anocalendário de 2006, a existência física de 142 contêineres lacrados, contendo 45.678 televisores de tamanhos e modelos diversos, fato este também certificado pela nossa auditoria à época. (DOCS. 14 e 15); o conjunto de informações destas planilhas, demonstram e detalham as operações realizadas pela Impugnante em relação à saída definitiva e/ou movimentação com seu depósito fechado dessas mercadorias, não havendo qualquer fato que possa subsumir a legislação que diz respeito ao contrabando. Isso tudo é uma falácia, posto que durante toda a fiscalização a Impugnante apresentou toda a documentação acostada as presentes razões, de forma a comprovar todo o procedimento de internação das mercadorias na Zona Franca de Manaus; com isso, a Impugnante ressalta a idoneidade das operações realizadas no ano de 2006 de remessa para o Depositário, idoneidade esta que se verifica por todos os documentos e planilhas já disponibilizados no decorrer desta Fiscalização e nesta oportunidade acostados ao presente feito, os quais comprovam a efetiva e regular saída das mercadorias para terceiros, reconhecidas pela própria SUFRAMA que por meio dos informes de produção modelo 2 apresentados mensalmente a esta no ano calendário de 2006, constam os dados de produção e saída definitiva (armazenagem e venda); e comprovadas, ainda, através de notas fiscais, conhecimentos de transporte e registro nos livros fiscais, não podendo prosperar as diferenças apontadas (DOC. 16); operações internas nas operações internas, a Impugnante remeteu as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus para o Depositário, acompanhadas das Notas Fiscais de remessa, sem o destaque do ICMS, conforme prevê o art. 4 0, XIV, do RICMS Decreto 20.686/99, a qual apresenta, dentre outras, as seguintes informações: quantidade, data de emissão, número da Placa (= número do container) e lacres (da Impugnante e da transportadora do Depositário) (DOC. 17); Fl. 25351DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25410AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.526 13 no procedimento seguinte, as mercadorias depositadas são enviadas por conta e ordem da Impugnante para o Depósito Fechado de propriedade da Impugnante, também localizado na Zona Franca de Manaus. Esse procedimento iniciase com a emissão pela Impugnante da Nota Fiscal de remessa para depósito fechado sem destaque do ICMS, nos termos do art. 4 0, XIV, do RICMS Decreto 20.686/99 e demais tributos; as mercadorias produzidas na Zona Franca são isentas do IPI., tanto quando destinadas ao consumo interno como quando comercializadas em qualquer outro ponto do território aduaneiro. Neste último caso, a isenção está condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos para o processo produtivo básico; "assim, nas operações internas, verificase que não há hipótese de obrigação de internação das mercadorias na Zona Franca de Manaus, pois houve somente movimentação das mercadorias dentro do território incentivado (Zona Franca de Manaus). Isso sequer foi verificado pela fiscalização, não havendo responsabilidade a ser atribuída a ora Impugnante, pois não houve saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus"; da imprestabilidade do trabalho fiscal penalidade aplicada pautada em presunções e ficções não bastassem as irregularidades quanto A responsabilidade solidária ora capitulada, é indubitável que a aplicação da pena de perdimento, prevista no art. 623, do Decreto n° 4.543/02, em razão da suposta não apresentação de documentação fiscal idônea que comprove a destinação das mercadorias tratadas fora dos limites da Zona Franca de Manaus, pautase em meras especulações (nem sequer presunções) sobre a ocorrência do crime de contrabando, tipificado no art. 39, do Decretolei n° 288/67; o libelo assim lançado, além de contrariar os princípios máximos da estrita legalidade, da vinculabilidade da atividade administrativa, da segurança jurídica e mormente da verdade material, não encontra guarida nem mesmo na legislação federal que rege os meios de prova indireta, implicando na cobrança de multa com base em verdadeira ficção, o que não é tolerado por nosso ordenamento jurídico; no campo do direito tributário, em respeito aos princípios constitucionais da estrita legalidade e da segurança jurídica, A exigência de natureza lógica e formal de intima relação entre o fato certo e provado (indicio) e o fato desconhecido somase a imperatividade de que, tanto os indícios como a presunção deles decorrentes, estejam previstos e autorizados por lei, sob pena de exigência com base em ficção jurídica, o que não é tolerado por nosso sistema constitucional tributário rígido; no caso concreto, entretanto, restam inatendidos tanto o requisito lógico de correlação substancial entre o indicio e o fato que se quer provar, quanto a autorização, em lei, para o estabelecimento da presunção pretendida pela fiscalização, decorrendo daí a exigência da multa correspondente à conversão da pena de perdimento com base em verdadeira ficção, em situação totalmente desconforme com a realidade dos fatos, devidamente comprovados por documentação idônea; inexiste base legal na esfera federal que exija Nota Fiscal de retorno pela Depositária, ensejando a presunção de saída sem documentação hábil, haja vista que Fl. 25352DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25411AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 14 em todo momento houve o acompanhamento da mercadoria pela respectiva Nota Fiscal, sendo procedido o recolhimento dos tributos de internação quando devidos. Assim, nenhuma das situações elencadas pelo Sr. Auditor Fiscal se adequa à verdade material dos autos; asseverase, por oportuno, a estranheza neste trabalho fiscal, posto que, se por um lado, desconsidera toda documentação ora apresentada como amparo das operações, por outro lado utiliza a mesma documentação para exigência da multa das mercadorias dadas em perdimento; concluise, portanto, ser inafastável a imprestabilidade do trabalho fiscal e da ficção que ensejou referida multa, por faltarlhe motivação fáticojurídica, consistente na prova da efetiva ocorrência do crime de contrabando praticado pela Impugnante, ocorrência esta somente em ficção; destarte, não estando comprovados nos presentes autos a tipicidade do crime de contrabando em decorrência da mera presunção efetuada pela Fiscalização, concluise, por imperativo lógico, que o AIIM [sic] objeto do presente feito está amparado em singelíssima ficção jurídica, repudiada pelo sistema jurídico, em face dos princípios constitucionais da estrita legalidade, da segurança jurídica e da verdade material. A empresa Semp Toshiba, lastreada em posições doutrinárias e jurisprudenciais, defende, ainda, a inaplicabilidade da pena de perdimento, afirmando que, "quando da saída das mercadorias da Zona Franca, os valores devidos a titulo de Imposto de Importação foram adequadamente recolhidos, conforme se depreende das DCPs, assim, inexistindo, no presente caso, violação às normas ora dispostas, tampouco algum indicio de contrabando, e, conseqüentemente, prejuízo ao Erário". "Concluindose pela inaplicabilidade da pena de perdimento, logo não há que se falar da conversão da mesma em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria [sic] multa corresponde ao confisco e até mais, ao excesso de exação, fato esse típico do Código Penal". Ao final, encerra sua defesa pedindo, principalmente, que, "a) seja declarada a inexistência de responsabilidade solidária da Impugnante por absoluta ausência de supedâneo, excluindo esta, como conseqüência, do pólo passivo da presente demanda; ou b) seja decretada a nulidade dos autos de infração lavrados, em razão de insanável erro de direito decorrente da capitulação indevida quanto à solidariedade passiva à Impugnante. Protesta, ainda, "pela posterior juntada de qualquer documento e instrumentos de prova, em atendimento ao principio da verdade material". Instruem a impugnação da empresa Semp Toshiba os documentos de fls. 1194 vol. 7 a 1493 vol. 8 e mais 51 anexos apresentados em 13/09/10, conforme termo de Juntada consignado na fl. 1494 vol. 8 (Anexos LXIX a CXIX).” A DRJFortaleza/CE julgou procedente a impugnação (fls. 1.496/1.558), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/03/2006 a 29/12/2006 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A falta de clareza na demonstração do fato imponível, não permitindo a verificação da perfeita subsunção do fato concreto à hipótese abstrata prevista na lei; a ausência de manifestação Fl. 25353DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25412AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.527 15 acerca de elementos probatórios apresentados na fase fiscalizatória e imprecisões na identificação do sujeito passivo e no cálculo da matéria tributável, são falhas que tornam imperativa a decretação da nulidade do lançamento, por vício material. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da decisão, recorre a Fazenda Nacional de ofício, em razão de o crédito tributário exonerado pela DRJFortaleza/CE ser superior ao limite de alçada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, chegam os autos, para apreciação deste Colegiado, recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional, em razão de a DRJFortaleza/CE haver exonerado a contribuinte SUPER TERMINAIS COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA (doravante denominada Super Terminais), bem como a responsável solidária SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A (doravante denominada Semp Toshiba), de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. Primeiramente, não há que se concordar com a autoridade julgadora quando esta afirma que não restou caracterizada, no caso, a atuação da Super Terminais como depósito fechado, em razão de o Ato Declaratório nº. 333/2005DETRI, expedido pela Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas, ter conferido àquela empresa simples concessão, em regime especial, para guarda da mercadoria de terceiros em containers, sem fazer qualquer referência à situação da empresa como depósito. Vejase o texto do referido Ato Declaratório: EMENTA 1 ICMS. 2REGIME ESPECIAL. 3 GUARDA DE MERCADORIAS DE TERCEIROS EM CONTEINERS O DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições legais e, CONSIDERANDO as informações constantes no Processo n° 18.654/058 SEFAZ; CONSIDERANDO o disposto no art. o disposto no artigo 391, II do Regulamento do RICMS, aprovado pelo Decreto n° 20.686, de 28 de dezembro de 1999 e no Art. 111, I, da Lei Complementar n.° 19, de 29 de dezembro de 1997, RESOLVE: Fl. 25354DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25413AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 16 I AUTORIZAR a empresa SUPER TERMINAIS COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, estabelecida nesta cidade, na Rua Ponta Grossa, 256 — Parte A — Colônia Oliveira Machado, inscrita no CNPJ sob n.° 04.335.535/0005 706 e no CCA sob o n.° 04.400.5563, armazenar, exclusivamente, mercadorias de terceiros acondicionadas em contêineres, pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias, transportados sob sua responsabilidade, desde que obedecidas as seguintes condições: a A armazenagem será realizada em área fisicamente segregada, exclusivamente para este fim, com acesso restrito e controlado por guarita; b A movimentação de entrada e saída de veículos no depósito deverá ser registrada diariamente, em ordem cronológica, no livro denominado "RELAÇÃO DE ENTRADAS E SAÍDAS DE CONTÊINERES ", que deverá ser mantido na guarita do depósito e conter, no mínimo, os seguintes registros: b.1 Identificação dos contêineres armazenados; b.2 Data da entrada e saída dos contêineres; b.3 Número do Conhecimento de Transporte ou DI; c) Manter registro no LRI (Livro Registro de Inventário) nas condições previstas no art. 271 do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto n° 20.686, de 28 de dezembro de 1999; II VEDAR a transmissão de propriedade das mercadorias armazenadas no depósito, a movimentação da carga para outro contêiner ou a entrega parcial da carga quando se tratar de um único destinatário. IV [sic] DETERMINAR à requerente a lavratura de Termo de Ocorrência consignando o número deste Ato, seu teor e validade, no Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos .de Ocorrências, modelo 6. Este Ato entra em vigor nesta data, com validade até 18 de setembro de 00 não dispensando o contribuinte do cumprimento das demais obrigações principal e acessórias previstas na legislação tributária, e poderá ser alterado ou revogado a qualquer tempo, a critério do Fisco.” Claro está que a Super Terminais, a partir daquela concessão, mesmo sendo empresa transportadora, passou a também funcionar como depósito fechado, nos termos e condições daquele regime especial. Tanto assim, que o próprio Ato Declaratório afirma: “b. A movimentação de entrada e saída de veículos no depósito deverá ser registrada diariamente...”. Não vejo com isso qualquer afronta ao que dispõe o Regulamento do ICMS do Estado do Amazonas, que não limita o depósito fechado apenas àquele de propriedade do contribuinte. Vejase o que afirma o Decreto Estadual nº. 26.438/06: Art. 4° O imposto não incide sobre: (...) XIV – saída de mercadorias ou bens destinados para depósito fechado do próprio contribuinte ou para Armazém Geral, localizados neste Estado, bem como o seu retorno ao estabelecimento de origem (...) Fl. 25355DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25414AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.528 17 § 8° Para efeito do disposto no inciso XIV, do caput, considera se: I depósito fechado: o estabelecimento que o contribuinte mantém, exclusivamente, para estocagem de suas mercadorias ou bens; (grifo não constante do original) Vejase que o inciso XIV do art. 4º acima citado afirma que não incide o ICMS na saída de mercadorias ou bens destinados para “depósito fechado do próprio contribuinte”, deixando ver, dessa forma, que é possível a saída de mercadorias ou bens para depósito fechado que não seja do próprio contribuinte. Se assim não o fosse, desnecessária seria a expressão “do próprio contribuinte”, bastando falarse em “saída de mercadorias ou bens destinado para depósito fechado”, sem que constasse a referida expressão “do próprio contribuinte”. No caso, temse que o regime de depósito concedido é especial em razão de a Super Terminais, mesmo não exercendo as funções de depósito fechado, por força daquele Ato Declaratório, assim ter passado a se configurar em relação às mercadorias de terceiros acondicionadas em containers e transportadas sob a sua responsabilidade. Demais disso, o Regulamento do IPI vigente à época (Decreto nº. 4.544/2002) define como depósito fechado aquele em que não se realizam vendas, mas apenas entregas por ordem do depositante dos produtos1 , não fazendo qualquer restrição quanto a quem pertença o depósito, tampouco restringindoo às situações em que ali sejam depositadas exclusivamente mercadorias próprias. Vejase que a atuação da Super Terminais como depósito foi reconhecida pela própria autoridade julgadora no seguinte trecho do voto condutor do Acórdão: “Assim, em que pese ao fato de não se ter feito constar nos autos o contrato de prestação de serviços entre as duas empresas envolvidas 2 , o que se poderia inferir do exposto neste tópico é que a atuação da Super Terminais, nas operações que se analisa, foi eminentemente relacionada com a sua condição de transportadora de cargas, sendo que o depósito de mercadorias pertencentes a terceiros foi uma concessão excepcional concedida pela SEFAZ/AM, como atividade secundária estritamente vinculada àquela.” (grifo não constante do original) O fato de a atividade como depósito fechado ser secundária e estritamente vinculada à condição de transportadora da empresa não lhe retira a condição de depósito fechado, mesmo que a atividade tenha sido exercida secundariamente. Ressaltese, ainda, que nem mesmo as autuadas discordam da atuação da Super Terminais como depósito fechado, restando incontroversa tal questão. 1 Art.518.Na interpretação e aplicação deste regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) VII – depósito fechado é aquele em que não se realizam vendas, mas apenas entregas por ordem do depositante dos produtos; (...) Fl. 25356DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25415AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 18 Dito isso, tenho que, por outro lado, cabe razão àquela autoridade julgadora quando afirma que o Auto de Infração deixou de estabelecer, precisamente, o fato que pretendeu apenar, deixando dúvidas acerca de qual foi a conduta típica observada caracterizadora do ilícito praticado. Em alguns momentos, afirma a Fiscalização que houve extravio da mercadoria praticado pela Super Terminais; em outros, que houve contrabando decorrente da saída das mercadorias da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade fazendária; e em outros, ainda, que houve entrega a consumo de mercadoria introduzida clandestinamente no país. Vejamos trechos do Auto de Infração e do Relatório Fiscal, os quais foram reproduzidos pela decisão recorrida, que traduzem a mixórdia de condutas que o auto de infração pretende apenar: Fl.04: “001 SAÍDA DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS SEM AUTORIZAÇÃO DA AUTOR1DADE ADUANEIRA Depositário não localizou e não apresentou à fiscalização mercadorias depositadas a título de depósito fechado, nem justificou sua devolução, através de documentação probatória, conforme apurado no procedimento fiscal.” Fl. 14: “Ao final deste relatório ficará demonstrado que todas as alegações utilizadas pelo SUPER TERMINAIS em sua defesa não se sustentam, e que restará caracterizado como saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus o montante de R$ 332.439.917,00.” Fls.22 e 24: “V – DO EXTRAVIO DE MERCADORIAS ............................................................................................................................. Desta forma, concluise que, a diferença entre o que foi remetido e o que foi devolvido, totalizando R$ 332.439.917,00, em tese, teve como destino diverso aquele que deveria ter tido, ou seja, retornar à empresa que remeteu para depósito fechado. “ ............................................................................................................................. “Pelo até aqui exposto, concluise que, em tese, o SUPER TERMINAIS deu destino diverso as mercadorias de propriedade da SEMP recebidas em depósito fechado sendo, portanto, esta última responsável solidária pelas infrações apuradas. Como ambas as empresas alegam que estas mercadorias não estão em seu poder, presumese que estas mercadorias saíram da Zona Franca de Manaus sem a devida autorização da autoridade aduaneira. ............................................................................................................................ As mercadorias, em tese, extraviadas, foram produzidas pela SEMP TOSHIBA com parte de seus insumos de origem estrangeira.” Fl. 29: “O artigo 39 do DecretoLei n° 288/67, trata da saída ilegal de mercadorias da Zona Franca de Manaus, regulamentado pelo artigo 623 do Regulamento Aduaneiro:” Fl. 30 Fl. 25357DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25416AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.529 19 “Ainda sobre a penalidade aplicada à comercialização de produto de procedência estrangeira sem nota fiscal, destaca a Lei n°4.502/1964, que diz:” FL 32: “Na prática, tendo em vista que as mercadorias não foram apresentadas, supõese que estas foram introduzidas no mercado nacional de forma irregular, saindo da Zona Franca de Manaus, sem o devido processo de internação. Além do mais, como não há notas fiscais que amparem a saída destas mercadorias, emitidas regularmente pela SEMP TOSHIBA, supõese também que estas mercadorias saíram do depósito fechado desacompanhadas das mesmas incorrendo, neste caso, o depositário no ilícito estabelecido no artigo 83, inciso I, da Lei n°4.502/1964.” Fl.40: “Restando atendidos todos os princípios que regem o nosso ordenamento jurídico, dentre os quais, destacamos os Princípios da Legalidade e o Principio do Contraditório, entendese pela aplicação da pena de perdimento em razão da não apresentação de documentação fiscal idônea que comprove a destinação das mencionadas mercadorias, presumese desta forma, sua saída dos limites da Zona Franca de Manaus, sem o devido conhecimento das autoridades fazendárias da União, que, nos termos do artigo 39 do DecretoLei n ° 288/1967, tipifica o crime de contrabando, punível com a pena de perdimento das mercadorias. ............................................................................................................................. Por não terem sido localizadas, ou ainda, por já ter sido dadas a consumo, convertese a referida pena de perdimento em multa de igual valor ao valor comercial das mercadorias, comprovado através de nota fiscal.” (grifos não constantes do original) Mesma sorte teve a fundamentação legal constante do auto de infração, que consigna os seguintes dispositivos: Decretolei nº. 288, art. 39; Decreto nº. 4.543/2002, arts. 623, 63 e 618 e Lei nº. 4.502/64, art. 83, I. Vejase o que dizem os dispositivos legais referidos: Decretolei nº. 288/67, art. 39 Art 39. Será considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes. Decreto nº. 4.543/2002, arts. 618, 623 e 631 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Medida Provisória no 66, de 2002, art. 59): I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o Fl. 25358DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25417AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 20 cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; IX estrangeira, encontrada ao abandono, desacompanhada de prova do pagamento dos tributos aduaneiros; X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; XIII transferida a terceiro, sem o pagamento dos tributos aduaneiros e de outros gravames, quando desembaraçada com a isenção referida nos arts. 140, 141, 142, 160, 161 e 187; XIV encontrada em poder de pessoa física ou jurídica não habilitada, tratandose de papel com linha ou marca d’água, inclusive aparas; XV constante de remessa postal internacional com falsa declaração de conteúdo; XVI fracionada em duas ou mais remessas postais ou encomendas aéreas internacionais visando a iludir, no todo ou em parte, o pagamento dos tributos aduaneiros ou quaisquer normas estabelecidas para o controle das importações ou, ainda, a beneficiarse de regime de tributação simplificada (Decretolei Fl. 25359DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25418AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.530 21 no 37, de 1966, art. 105, inciso XVI, com a redação dada pelo Decretolei no 1.804, de 1980, art. 3o); XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, inciso XVII); XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) XVIII estrangeira, acondicionada sob fundo falso, ou de qualquer modo oculta; XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 574; e XXII estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1oA pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) § 2oA aplicação da multa a que se refere o § 1o não impede a apreensão da mercadoria no caso referido no inciso XX, ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território aduaneiro (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 4o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) § 3o Considerase falsa declaração de conteúdo, nos termos do inciso XII, aquela constante de documento emitido pelo exportador estrangeiro, ou pelo transportador, anteriormente ao despacho aduaneiro. § 4o Consideramse transferidos a terceiro, para os efeitos do inciso XIII, os bens, inclusive automóveis, objeto de: I transferência de propriedade ou cessão de uso, a qualquer título;II depósito para fins comerciais; ou Fl. 25360DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25419AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 22 III exposição para venda ou para qualquer outra modalidade de oferta pública. § 5oPara os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Art. 623. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 453, por configurar crime de contrabando (Decretolei no 288, de 1967, art. 39). Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Da fundamentação legal constante do auto de infração, verificase a tipificação da conduta em, pelo menos três hipóteses distintas: 1) Saída da mercadoria da Zona Franca de Manaus sem autorização legal da autoridade competente, o que corresponde a contrabando, nos termos do art. 618 do Decreto nº. 4.543/2002, cuja conduta é apenada com o perdimento da mercadoria, na forma do art. 623 do mesmo Decreto. 2) Dano ao Erário, apenado com o perdimento da mercadoria, convertido em multa se esta não for localizada ou for consumida. Aí, não se sabe em qual das hipóteses arroladas nos incisos I a XXII do art. 618 do Decreto nº. 4.543/2002 pretendeu a autoridade autuante enquadrar a situação fática que caracterizaria o dano ao Erário imputado. 3) Entrega a consumo ou consumo de mercadoria de procedência estrangeira que tenha entrado ou saído do estabelecimento da Super Terminais, sem que tenha havido registro da DI no Siscomex ou desacompanhado de nota fiscal. De toda a leitura que se faz do auto de infração, chegase à seguinte pergunta: qual foi, afinal, a conduta apenada pela autoridade autuante? Demais disso, temse que a Fiscalização presumiu que a diferença encontrada entre as mercadorias enviadas pela Semp Toshiba e aquelas devolvidas pela Super Terminais por si só caracterizaria a saída irregular da mercadoria da Zona Franca de Manaus, sem que, no entanto, fosse realizada uma auditoria contábil que levasse à tal conclusão. Vejase o que diz a autuante: Fl. 25361DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25420AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.531 23 “Na prática, tendo em vista que as mercadorias não foram apresentadas, supõese que estas foram introduzidas no mercado nacional de forma irregular, saindo da Zona Franca de Manaus, sem o devido processo de internação”. (fl.32) Não há previsão legal para tal presunção, não se podendo desconsiderar a possibilidade, até mesmo, de consumo das mercadorias na própria Zona Franca, ou que tais mercadorias tivessem sido devolvidas e se encontrassem no estoque da Semp Toshiba, ou que tais mercadorias nem tivessem sido devolvidas e se encontrassem, ainda, depositadas na Super Terminais. Deveria a fiscalização, no mínimo, ter verificado o estoque da Semp Toshiba, analisado as entradas e as respectivas saídas, através da Declaração para Controle de Internação (DCI) mensal, para ter uma visão do que realmente teria ocorrido, sem acomodarse no plano das suposições. Forçoso, sobre esse ponto, é concordar com o posicionamento da autoridade julgadora a quo ao afirmar: Não concordo com o autuante. Neste ponto dou razão à Super Terminais quando afirma que a diferença detectada, mesmo que viesse a ser demonstrada sem margem de dúvida, mesmo assim, por si só, não seria elemento suficiente para sustentar a afirmação quanto a saída dessas mercadorias da Zona Franca de Manaus, pois mesmo que essas mercadorias não tivessem retornado para a Semp Toshiba, não se poderia descartar, como uma das hipóteses, a permanência das mesmas dentro daquela área. Se, por um lado, a diferença encontrada do confronto entre as notas fiscais apresentadas se configura como um fato inicial altamente relevante a ser perquirido, demanda, por outro lado, aprofundamento das investigações para se buscar a verdade material sobre o destino das mercadorias, como, inclusive, parece ter sido a intenção do fiscal, quando exarou as intimações elencadas na tabela antes apresentada, intenção essa que não se concretizou, apesar das empresas terem respondido as intimações antes de encerrada a fase fiscalizatória, pelo menos é o que se extrai do conteúdo dos autos. Demais disso, ainda em fase de fiscalização, a Super Terminais informou que no de 2007 ainda existiam containers que tinham sido entregues pela Semp Toshiba em 2006 e que só foram devolvidos em 2007. Entretanto, não houve qualquer verificação, por parte da fiscalização, de tal informação, tendo, mais uma vez, usado de presunção para concluir que seria inverossímil que em 135 containers constassem um volume em mercadorias no valor de R$332.429.917,00. Improvável, sim, mas não impossível, e merecia ter havido uma melhor investigação sobre o alegado. Entretanto, mais uma vez a autoridade autuante utilizouse de presunção, sem nenhum indício probatório. Vejase: “(...) se considerarmos as alegações do contribuinte, temos o seguinte resultado, a SEMP TOSHIBA remeteu R$ 607.327.910,00 em 3.358 conteineres. O SUPER TERMINAIS devolveu R$ 274.887.993,00 em 3.223 contêineres, e ficou um saldo de 332.429.917,00 em APENAS 135 contéineres. (...) Percebese, claramente, que os números apresentados não são condizentes. Dizer que mais de 50% das mercadorias que foram remetidas, e não retomaram, ficaram armazenadas de um ano para o outro em menos de 5% dos contêineres movimentados é totalmente incoerente e sem fundamento. Além, claro, de que pelas Fl. 25362DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25421AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES 24 informações obtidas por esta fiscalização, não haveria nenhuma mercadoria em depósito fechado no final do anocalendário de 2006.” Ressaltese que, na impugnação, tanto a Super Terminais quanto a Semp Toshiba prestaram a mesma informação: que em 2007 haviam remanescido, depositados junto à Super Terminais, 145 containers que tinham sido enviados pela Semp Toshiba em 2006. Por último, entendo também que não restou clara a condição de responsável solidária da Semp Toshiba. Na verdade, a responsabilização solidária da Semp Toshiba está consignada no Auto de Infração exclusivamente nessas breves palavras: “Pelo até aqui exposto, concluise que, em tese, o SUPER TERMINAIS deu destino diverso as mercadorias de propriedade da SEMP recebidas em depósito fechado sendo, portanto, esta última responsável solidária pelas infrações apuradas.” O Auto de Infração não esclarece, por meio da descrição dos fatos constante do Relatório Fiscal, o porquê de se incluir a Semp Toshiba como responsável solidária, tampouco assim o faz por meio do enquadramento legal indicado. Vejase o que está ali consignado: “A presente intimação é extensiva ao responsável solidário SEMP TOSHIBA AMAZONAS SA, CNPJ n° 04.400.52/000148, na forma do artigo 124 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) c/c o parágrafo único, inciso III, do artigo 32 do DecretoLei n°37/1966.” Acontece que o dispositivo legal indicado não se relaciona aos fatos postos na autuação: Art. 32. (...) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Forçoso, mais uma vez, reconhecer a procedência as alegações da autoridade julgadora a quo: Fl. 25363DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25422AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES Processo nº 10283.720251/201019 Acórdão n.º 3202000.773 S3C2T2 Fl. 1.532 25 “De fato, o que se nota é que o autuante foi bastante lacônico na fundamentação quanto à sujeição passiva, não expôs claramente qual seria a relação pessoal e direta do principal autuado com a situação que constituía o respectivo fato gerador e, quando indicou a disposição de lei que obrigaria a Semp Toshiba como responsável solidária o fez com engano, cabendo, aqui, acatar a alegação dessa empresa quando afirma que foi totalmente equivocado o enquadramento legal utilizado pelo autuante para amparar a prolatada solidariedade, pois o parágrafo único, inc. III, do artigo 32 do DecretoLei n° 37/66 trata da responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação, atribuída ao "adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora", situação que não se amolda nem de longe ao papel desempenhado pela Semp Toshiba nas operações em baila.” Assim, pelo exposto, em razão de não ter havido a adequada subsunção dos fatos à norma legal, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a nulidade do auto de infração, por vício material, declarada pela autoridade julgadora de base. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 25364DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Fl. 25423AM PORTO DE MANAUS ALF Impresso em 15/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCELA NEVES LOUREIRO GOMES
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Numero do processo: 15868.720065/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. INTIMAÇÃO. FINALIDADE CUMPRIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE.
Dispõe o art. 214, § 1°, do CPC que o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. Especificamente quanto ao processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235/72 estabelece que os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade (art. 2°). A Lei 9.784/99 também estabelece que deve haver adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público e que deve haver a adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados, dispondo ainda sobre à observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (art. 2°, parágrafo único, VI, VIII e IX). De todos estes comandos extrai-se o princípio do formalismo moderado, de sorte a se concluir que não deve preponderar a forma sobre o conteúdo (instrumentalidade), salvo quando a forma for essencial à garantida dos direitos dos administrados e um bom critério para observância deste postulado é averiguar o prejuízo ocasionado ao contribuinte.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. INTIMAÇÃO. FINALIDADE CUMPRIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. Dispõe o art. 214, § 1°, do CPC que o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. Especificamente quanto ao processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235/72 estabelece que “os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade” (art. 2°). A Lei 9.784/99 também estabelece que deve haver “adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público” e que deve haver a “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados”, dispondo ainda sobre à “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados” (art. 2°, parágrafo único, VI, VIII e IX). De todos estes comandos extraise o princípio do formalismo moderado, de sorte a se concluir que não deve preponderar a forma sobre o conteúdo (instrumentalidade), salvo quando a forma for essencial à garantida dos direitos dos administrados e um bom critério para observância deste postulado é averiguar o prejuízo ocasionado ao contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 65 /2 01 2- 94 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.079 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo os créditos tributários lançados em parte (fls. 1.005 e seguintes). Adotase trecho, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.006 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de processo lavrado em 09/04/2012 e levado à ciência do sujeito passivo em 24/04/2012, composto pelos seguintes AutosdeInfração – AI: DEBCAD 51.006.8316: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive alíquota RAT (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II) e sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (Lei 8.212/91, artigo 22, III), totalizando R$ 482.252,52 (quatrocentos e oitenta e dois mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 51.018.8567: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas nem recolhidas pela empresa na forma da lei, totalizando R$ 150.979,44 (cento e cinqüenta mil, novecentos e setenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 51.018.0575, decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados, totalizando R$ 104.590,75 (cento e quatro mil, quinhentos e noventa reais e setenta e cinco centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 51.006.8278, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de exibir documento ou livro relacionado às contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem o atendimento das formalidades legais, contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira, conforme previsto no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “j” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos). DEBCAD 51.006.8286, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os valores recolhidos, conforme previsto no artigo 32, II da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, II e §§ 13 a 17 do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “a” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos). DEBCAD 51.006.8294, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto no artigo 32, I da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, I e § 9o do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, “a” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 1.617,12 (um mil seiscentos e dezessete reais e doze centavos). DEBCAD 51.006.8308, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto no artigo 30, I, “a” da Lei 8.212/91, artigo 4o, caput da Lei 10.666/2003, combinados com o artigo 216, I, “a” do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, “g” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 1.617,12 (um mil seiscentos e dezessete reais e doze centavos). (...) Com base nos elementos apresentados, a fiscalização apurou e lançou as contribuições incidentes sobre os seguintes fatos geradores: Ajuda de Custo: apurada no período de 01/2009 a 04/2010 conforme folhas de pagamento e contabilidade (Anexo I). Valores pagos mensalmente, de forma fixa, contínua, habitual, assumindo feições de verba de natureza salarial de caráter remuneratório, não se aplicando a regra do artigo 457, § 2o da CLT. Complementos de Salários: apurados no período de 03/2009 a 05/2009. 07/2009, 10/2009 e 03/2010, com base em folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e contabilidade (Anexos VII e XIII) e também referente a aferição indireta dos complementos salariais dos motoristas e empregados do setor administrativo (Anexos VIII, IX, XVI e XVII), apurados com base em cópias de cheques, recibos de Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.080 5 pagamentos e no relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”. Remunerações de Contribuintes Individuais: apuradas no período de 01/2009 a 06/2010 conforme folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e contabilidade (Anexos IV e XII). Honorários Contábeis: apurados por aferição indireta da base de cálculo além dos valores declarados em GFIP, conforme Anexo II, mediante a análise dos lançamentos contábeis e do “Contas a Pagar”, cópias de cheques nominais e recibos de pagamentos para o período de 01/2009 a 12/2010. Distribuição de Lucros – Pro labore: apuração no período de 01/2009 a 12/2010, conforme contabilidade, recibos de pagamentos, cópias de cheques, contrato social e DIPJ (Anexos VI e XV). Foi constatada a distribuição em percentual maior que o estabelecido no contrato social, que previa 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, sendo que em 2009 a distribuição foi de R$ 83.490,92 para Luiz Carlos e R$ 25.619,09 para Paulo Eduardo e em 2010 R$ 187.471,00 totalmente distribuídos a Luiz Carlos. Assim, foi considerado pro labore o valor excedente a 70% pago ao sócio Luiz Carlos. Pagamentos a Andréa S do Carmo Pompei: apuração no período de 05/2010 a 09/2010 com base na contabilidade, cópias de cheques, contrato social e DIPJ (Anexos V e XV). Referese a valores pagos a título de adiantamento de lucros distribuídos, mas não consta distribuição de lucros à sócia em questão na contabilidade e DIPJ. Ademais inexiste lucro no ano de 2010 ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Assim, tais valores foram considerados pro labore. Prossegue a fiscalização informando que efetuou aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, a partir da contabilidade da empresa, controle interno denominado “contas a pagar”, cópias de cheques e recibos de pagamentos. Não foram apresentados pelo sujeito passivo folhas de pagamento, recibos de pagamentos e todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Também relata a lavratura em 21/03/2012 de Auto de Embaraço decorrente da não apresentação dos elementos constantes na intimação e imprescindíveis às necessárias análises da auditoria. Os fatos que ensejaram a aferição indireta foram: a não apresentação de todos os documentos, os pagamentos habituais a título de complementos salariais e os pagamentos de honorários contábeis equivalentes a 05 (cinco) salários mínimos mensais ao Sr. Moacir Delphiol Garopho, que não foram declarados em GFIP. Assim, apresenta detalhes relacionados aos procedimentos utilizados pela empresa para o pagamento dos Complementos de Salários dos motoristas e Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 empregados da administração, e dos honorários contábeis explicitando também os critérios utilizados na aferição indireta. Quanto à multa aplicada, discorre a respeito das alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável a partir da competência 12/2008 e, caso se mostre menos gravosa ao sujeito passivo, também para as competências anteriores (nos termos do artigo 106, II, “a” do CTN). Expõe detalhes quanto aos elementos que integram as autuações e discorre especificamente acerca de cada AI que compõe o processo. Quanto à multa qualificada, justifica sua aplicação pela conduta da autuada de: não apresentar todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis, não juntar às cópias de cheques os documentos correspondentes e adulterar documentos contábeis mediante cortes e rasuras, com a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou acessório. Apresenta informações finais, inclusive quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP lavrada, e presta esclarecimentos quanto ao exercício do direito de defesa pela empresa autuada. Da Impugnação: Irresignada, a autuada apresentou impugnação na qual formula os seguintes argumentos: (...) Em 07/08/2012, a autuada veio novamente aos autos requerendo a juntada de novos documentos, referentes a microfilmagem de cheques fornecida por instituição bancária. Da Diligência: Os autos foram encaminhados a este órgão julgador e, da sua análise, concluiuse pela necessidade de retorno à DRF de origem para a realização de diligência fiscal, conforme fundamentado no despacho emitido (fls. 882/883), com o seguinte teor: “Analisando os autos, verificase que a fiscalização abrangeu o período de 04/2007 a 12/2010. No entanto, embora o Relatório Fiscal mencione a apuração de Complementos Salariais dos Empregados da Administração no período de 04/2007 a 04/2010 (levantamento A1), observase que o presente processo inclui apenas o período de 01/2009 a 04/2010. Já o período anterior do mesmo levantamento AI foi lançado no processo 15868.720066/201239. Acreditase que esta divisão tenha ocorrido em virtude das alterações legais introduzidas com o advento da Medida Provisória 449/2008, que impõe a lavratura de AI diversos para o período anterior e posterior à sua vigência. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.081 7 A situação descrita – divisão do lançamento em processos distintos de acordo com o período não foi mencionada no Relatório Fiscal e, no que tange aos documentos juntados, o fracionamento em dois processos interfere na compreensão e na comprovação do ocorrido. Assim, um dos elementos utilizados pela fiscalização na comprovação das imputações que realizou é o relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”, tendo sido juntados alguns desses relatórios no Anexo XIV, referentes às competências 09/2007 e 03/2008. Também os recibos de pagamento dos complementos salariais da Administração (Anexo XVI) outros elementos de prova trazidos pela fiscalização referemse ao período de 01/2008 a 07/2008. Como se vê, em ambos os casos, tratase de período que não integra o presente mas sim o processo 15868.720066/201239. Estando no momento os dois processos resultantes da fiscalização (o presente e o processo 15868.720066/201239) sob análise desse órgão julgador, foi possível a exata compreensão do ocorrido quanto à apuração única, mediante a análise do mesmo conjunto probatório, dos mesmos fatos, que no entanto deu origem a lançamentos separados em dois processos divididos de acordo com o período. Portanto, acreditase que a divisão em dois processos não se deu em virtude dos fatos apurados – que pelo que se analisou são os mesmos e estão relacionados ao mesmo conjunto probatório mas em decorrência das alterações legais trazidas pela Medida Provisória 449/2008. Neste cenário, devese considerar a possibilidade de que os processos futuramente tramitem por caminhos diversos e também a necessidade de que o contribuinte seja regularmente cientificado do procedimento realizado, com vistas a assegurarlhe o pleno exercício de seu direito de defesa. Por isso, é indispensável que cada um dos processos, isoladamente, traga os esclarecimentos e elementos necessários à compreensão do ocorrido, tornandose necessária a devolução dos autos à origem para as providências mencionadas adiante: Emissão de Relatório Fiscal Complementar esclarecendo que o período fiscalizado foi fracionado em dois processos, aclarandose os motivos dessa divisão e que os conjunto probatório inclui documentos referentes a todo o período, já que os fatos são os mesmos. Para a devida instrução do feito quanto à divisão procedida, a juntada dos relatórios DD e RL do processo 15868.720066/201239, demonstrandose assim trataremse dos mesmos fatos, ocorridos em períodos diversos. Outro tópico que exige esclarecimento referese aos complementos salariais discriminados no Anexo VII, vez que Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 não constam valores a esse título no Relatório de Lançamentos – RL e no Discriminativo do Débito – DD. Quanto às remunerações dos contribuintes individuais (levantamento PS –Contrib Indiv Prest Serviços) verificase que os documentos comprobatórios dos pagamentos foram juntados por amostragem (Anexo XII). Nesse particular, não sendo a habitualidade característica inerente aos serviços prestados pelo contribuinte individual e, sendo variável, conforme planilha apresentada pela fiscalização (Anexo IV) tanto os prestadores de serviços quanto os valores dos pagamentos, não se deve considerar a apuração realizada por amostragem. Não se pode nesse caso presumir feitos os pagamentos que não estão representados pelos documentos trazidos aos autos, de modo que se torna necessário para atendimento do ônus da prova que compete à autoridade lançadora que esta proceda à juntada dos comprovantes de pagamento faltantes. Além disso, devese considerar que a autuada procedeu à juntada de cópias do Livro Razão de 2009, que comprova parte dos pagamentos relacionados pela fiscalização no Anexo IV, podendo a fiscalização, também em relação a 2010, buscar a comprovação dos pagamentos realizados na contabilidade da empresa. Quanto ao pro labore decorrente da distribuição de lucros em percentuais diversos daqueles atribuídos aos sócios nos instrumentos constitutivos da empresa e também em virtude da antecipação de lucros à sócia Andréa Pompei sem a conseqüente distribuição de lucros posterior, necessário o pronunciamento fiscal acerca das alegações trazidas pela impugnante, no sentido de que a distribuição de lucros não ocorria anualmente, mas em períodos diferentes.” Da Informação Fiscal: Em atendimento, a fiscalização efetuou a juntada dos DD e RL do processo 15868.720066/201239 (fls. 891/962) e emitiu a Informação Fiscal de fls. 963/964 com os seguintes esclarecimentos: Efetivamente, o período fiscalizado foi fracionado em dois processos, em virtude das alterações legais introduzidas com o advento da Medida Provisória 449/2008, que impõe a lavratura de AI diversos para o período anterior e posterior à sua vigência. O conjunto probatório referente aos dois períodos é o mesmo, já que os fatos que originaram o lançamento são os mesmos para ambos os períodos. Em virtude de um lapso da fiscalização, não foi incluído neste processo o lançamento a título de complementos salariais discriminados no Anexo VII. Assim, foi lavrado o processo 15868.720132/201351 para o lançamento das referidas contribuições. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.082 9 Quanto ao crédito lançado referente aos contribuintes individuais, esclarece que os documentos foram juntados por amostragem, mas todos os dados apresentados na planilha que integra o Anexo VI foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade, da escrituração contábil digital Sped, dos livros diário e razão e dos documentos apresentados pela empresa. Quanto ao pro labore decorrente da distribuição irregular de lucros, considera irrelevante a alegação de que essa distribuição não ocorria anualmente, mas em períodos diferentes e havia lucros acumulados no exercício 2010, pois, o fato gerador ocorreu com o pagamento em percentuais diversos das participações societárias definidas nos atos constitutivos. Da Manifestação do Sujeito Passivo: Regularmente cientificada, a autuada manifestouse reiterando os requerimentos anteriormente apresentados. É o relatório. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte, mantendose em parte os créditos tributários lançados, tendo a recorrente apresentado o recurso voluntário de fls. 1.036 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * nulidade do processo por ausência de intimação do Termo de Início do Procedimento Fiscal; * nulidade em face da ausência de prazo hábil para apresentação de documentos (vinte dias úteis); * ilegalidade da aferição indireta, pois a recorrente teria entregue tudo que lhe foi solicitado; * equívoco da fiscalização em considerar os valores a título de ajuda de custo como salário de contribuição, tendo em vista que sua finalidade seria de reembolsar despesas com a atividade; * inexistência de pagamento de complementos de salários, sendo que a autoridade fiscal “somente procedeu a juntada, por amostragem, de transferências bancárias, cópias de cheques e recibos, os quais não são suficientes para provar a existência de complemento de salário”. Tais valores teriam sido pagos, na verdade, para reparo e manutenção dos veículos; * quanto à aferição indireta dos supostos complementos de salários pagos aos motoristas, afirma que nas cópias dos cheques constantes do Anexo VIII, emitidos no dia 13/08/2007, consta como favorecido a expressão “folha de pagamento” e, logo abaixo, a identificação do número do cheque, código da agência, nome do banco e no campo fornecedor a expressão “folha de pagamento”. Os pagamentos foram sacados para o caixa e utilizados para pagamento do documento com a expressão “folha de pagamento”. O mesmo vale para os cheques de 11/03/2008, que tinham como favorecido a Opera Transportes Ltda.,nos quais foi Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 intencionalmente cortada a expressão que constava afirmou (“folha de pagamento”), como afirmou a autoridade fiscal. Quanto aos cheques de 11/09/2007, que também tinham como favorecido a Opera Transportes Ltda. e nos quais foi intencionalmente cortada a expressão que constava afirmou (“folha de pagamento complementar motoristas”), como afirmou a autoridade fiscal, aduz que as cópias dos cheques não servem como provas, sendo rascunhos e, quando não, eram sacados pelo sócio administrador para pagamentos diversos. Também não merecem fé os relatórios de contas a pagar; * quanto à aferição indireta dos complementos de salários da administração, reitera que não merecem fé os relatórios de contas a pagar e que os cheques emitidos a favor de empregados, sejam os motoristas, sejam os da administração, eram sacados em dinheiro pelo próprio sócio administrador e registrados no caixa da contabilidade; * em que pese as retificações da DRJ, os valores referentes aos contribuintes individuais foram devidamente declarados em GFIP, sendo efetuados os respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias. Aponta ainda que não houve comparação dos valores lançados com aqueles declarados pela recorrente; * quanto à distribuição de lucros, aduz que não houve apreciação pela DRJ, de sorte que devem ser excluídos os valores das contribuições sobre ela incidentes. Aduz que embora o contrato social obrigue a distribuição proporcional às quotas, as diferenças apuradas em 2009 e em 2010 em favor de Luiz Carlos Pereira Lopes são decorrente da distribuição em periodicidades diferentes para cada sócio. Quanto aos pagamentos a Andréa Cristine Souza do Carmo Pompei, afirma que, embora inexista na DIPJ 2010 lucros distribuídos a ela, bem como lucros acumulados nos exercícios anteriores, os pagamentos ocorreram a título de adiantamento de lucro; * no que tange à aferição indireta quanto aos honorários contábeis, aduz que não houve análise pela DRJ, de sorte que tais valores devem ser reconhecidos como indevidos. Não houve demonstração dos critérios utilizados para a aferição indireta quanto aos pagamentos a Moacir Delphiol Garropo, no período de 04/2007 a 12/2008 e de 01/2010 a 03/2010; * ilegalidade da multa de 75% aplicada nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, em razão da inexistência de fato gerador; * ilegalidade da multa de 150% aplicada nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, pois a recorrente não omitiu documentos ou adulterou ou rasurou, sonegando ou fraudando a autoridade fazendária. Tal multa configuraria ainda confisco; * inexigibilidade dos juros de mora nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, em razão da inexistência de fato gerador; * ilegalidade da formação de Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.083 11 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Ausência de Intimação. Aduz a recorrente a nulidade do processo por ausência de intimação do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Tal alegação decorre do fato de a ciência ter sido dada ao contador da empresa, Éder Dourado de Matos. Aqui invocamos a inteligência do art. 214, § 1°, do CPC, que dispõe a respeito da não sobreposição da forma sobre o conteúdo, ao estatuir que o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. Especificamente quanto ao processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235/72 estabelece que “os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade” (art. 2°). A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, também estabelece que deve haver “adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público” e que deve haver a “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados”, dispondo ainda sobre à “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados” (art. 2°, parágrafo único, VI, VIII e IX). De todos estes comandos extraise o princípio do formalismo moderado, de sorte a se concluir que não deve preponderar a forma sobre o conteúdo (instrumentalidade), salvo quando a forma for essencial à garantida dos direitos dos administrados e um bom critério para observância deste postulado é averiguar o prejuízo ocasionado ao contribuinte. No caso, não se vislumbra nenhum. Como destacado no decisório a quo, a própria recorrente afirma que apresentou à fiscalização, na medida do possível, todos os documentos solicitados, demonstrando, assim, que a entrega do termo ao Sr. Éder cumpriu sua finalidade. Ademais, o procedimento fiscal perdurou por meses e não se vislumbra e tampouco foi demonstrado que houve prejuízo à recorrente. Portanto, não merece prosperar o inconformismo da recorrente. Ausência de Prazo Hábil. Aduz a recorrente a nulidade em face da ausência de prazo hábil para apresentação de documentos (vinte dias úteis). Tal questão foi detalhadamente rebatida na decisão de primeira instância: Conforme consta nos autos, em 21/11/2011 teve início o procedimento fiscal e foi concedido à empresa o prazo de 20 (vinte) dias úteis para a apresentação dos seguintes documentos e livros referentes ao período de 01/2008 a 12/2008: contrato Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 social e alterações; contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros; comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador; folhas de pagamento; arquivos digitais MANAD de folhas de pagamento e contabilidade; livro diário e livro razão; notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; plano de contas; registro de empregados. Em 26/01/2012, tendo em vista a ampliação do período fiscalizado, foram solicitados os elementos referentes ao novo período, em grande parte repetindose a relação anterior, concedendolhe novamente o prazo de 20 (vinte) dias úteis para sua apresentação: folhas de pagamento; arquivos digitais MANAD de folhas de pagamento e contabilidade; livros diário e razão; notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; planos de contas; registros de empregados; todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Como se vê, embora sejam extensas as relações dos documentos e livros solicitados, tratase todos de elementos obrigatórios da empresa. (...) Portanto, os prazos inicialmente concedidos de 20 (vinte) dias úteis mostramse razoáveis para se exibir à fiscalização documentos e livros cuja guarda, conservação e apresentação são obrigações da empresa. Posteriormente, como desdobramentos da análise dos elementos apresentados, em 03 (três) novas intimações com prazo de 05 (cinco) dias úteis cada, foram solicitados: cópias de cheques e documentos correspondentes e esclarecimentos e documentos correspondentes a adiantamentos de pagamentos efetuados à sócia verificados na contabilidade (29/02/2012); reiteração para a apresentação dos elementos constantes no termo anterior, folhas de pagamento de complementos salariais, novas cópias de cheques e documentos correspondentes, (12/03/2012); reiteração da intimação anterior (23/03/2012). Aqui também não se vislumbra qualquer abuso ou rigor excessivo por parte da autoridade fiscal em relação aos prazos concedidos. (...) Registrese, ainda, que a não apresentação de documentos e livros ensejou também a lavratura do AI DEBCAD 51.006.827 8 decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória, com fulcro no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 233, parágrafo único do RPS. (destaques nosso) Portanto, não assiste razão à recorrente. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.084 13 Aferição Indireta. Aduz a recorrente que a aferição indireta é ilegal, pois a recorrente teria entregue tudo que lhe foi solicitado. Não é o que consta dos autos. A autoridade fiscal relata que efetuou aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, a partir da contabilidade da empresa, controle interno denominado “contas a pagar”, cópias de cheques e recibos de pagamentos, pois não foram apresentados pelo sujeito passivo folhas de pagamento, recibos de pagamentos e todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Tais fatos, além de ensejarem a aferição indireta, redundaram ainda na lavratura de Auto de Embaraço e de quatro Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória, os quais encontramse abaixo indicados: 1) DEBCAD 51.006.8278, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de exibir documento ou livro relacionado às contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem o atendimento das formalidades legais, contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira, conforme previsto no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “j” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos); 2) DEBCAD 51.006.8286, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os valores recolhidos, conforme previsto no artigo 32, II da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, II e §§ 13 a 17 do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “a” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos); 3) DEBCAD 51.006.8294, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto no artigo 32, I da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, I e § 9o do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, “a” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 1.617,12 (um mil seiscentos e dezessete reais e doze centavos); e 4) DEBCAD 51.006.8308, decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto no artigo 30, I, “a” da Lei 8.212/91, artigo 4o, caput da Lei 10.666/2003, combinados com o artigo 216, I, “a” do RPS. Nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, “g” e 373 do RPS, combinado com a Portaria Interministerial MPS/MF 02, de 06/01/2012, foi aplicada a multa no valor de R$ 1.617,12 (um mil seiscentos e dezessete reais e doze centavos). Portanto, plenamente adequado e devidamente justificado o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ajuda de Custo. Aduz a recorrente que houve equívoco da fiscalização em considerar os valores a título de ajuda de custo como salário de contribuição, tendo em vista que sua finalidade seria de reembolsar despesas com a atividade. Pelo que consta dos autos, não se trata de ajuda de custo, pelo menos não aquela referida no art. 28, § 9°, g, que são isentas de contribuição previdenciária, consistindo “em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT”. Com efeito, já na decisão de primeira instância consignouse que: da análise dos autos, constatase que a fiscalização lançou no levantamento AJ2 os valores correspondentes à ajuda de custo apurados no Anexo I, elaborado a partir das divergências entre as folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, resultando na maioria dos casos em um valor fixo mensal de R$ 25,00. Não se trata portanto, da ajuda de custo em parcela única prevista na alínea “g” do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Por outro lado, apesar de a impugnante alegar tratarse de reembolso de despesas, não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse corroborar tal assertiva, sendo certo que o ônus de tal comprovação lhe competia, já que não se pode exigir da fiscalização a comprovação da não ocorrência de determinado fato (no caso, da comprovação de que não se tratava de reembolso de despesas). Assim, a situação ordinária quanto ao pagamento de valores aos segurados empregados, é que tal fato represente a retribuição do trabalho prestado. Uma vez constatado em folhas de pagamento que efetivamente tais valores foram pagos aos segurados empregados e, na ausência de qualquer elemento apto a demonstrar que se referem a verbas de natureza diversa, concluise tratarse de valores destinados a retribuir o trabalho prestado, integrando portanto, o saláriodecontribuição. Quanto à alegação de que a fiscalização não promoveu a juntada das folhas de pagamento que deram suporte ao Anexo I, devese considerar que tais documentos pertencem à empresa, Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.085 15 que poderia promover sua juntada para demonstrar a inexistência desses valores ou a incorreção de seu montante. Não procedendo dessa maneira, não há o que ser reparado no lançamento quanto a esse particular. Portanto, não reparo merece o lançamento quanto à “ajuda de custo”. Complemento de Salários. Aduz a recorrente a inexistência de pagamento de complementos de salários, sendo que a autoridade fiscal “somente procedeu a juntada, por amostragem, de transferências bancárias, cópias de cheques e recibos, os quais não são suficientes para provar a existência de complemento de salário”. Tais valores teriam sido pagos, na verdade, para reparo e manutenção dos veículos. Especificamente quanto à aferição indireta dos supostos complementos de salários pagos aos motoristas, afirma que nas cópias dos cheques constantes do Anexo VIII, emitidos no dia 13/08/2007, consta como favorecido a expressão “folha de pagamento” e, logo abaixo, a identificação do número do cheque, código da agência, nome do banco e no campo fornecedor a expressão “folha de pagamento”. Os pagamentos foram sacados para o caixa e utilizados para pagamento do documento com a expressão “folha de pagamento”. O mesmo vale para os cheques de 11/03/2008, que tinham como favorecido a Opera Transportes Ltda.,nos quais foi intencionalmente cortada a expressão que constava afirmou (“folha de pagamento”), como afirmou a autoridade fiscal. Quanto aos cheques de 11/09/2007, que também tinham como favorecido a Opera Transportes Ltda. e nos quais foi intencionalmente cortada a expressão que constava afirmou (“folha de pagamento complementar motoristas”), como afirmou a autoridade fiscal, aduz que as cópias dos cheques não servem como provas, sendo rascunhos e, quando não, eram sacados pelo sócio administrador para pagamentos diversos. Também não merecem fé os relatórios de contas a pagar. Já quanto à aferição indireta dos complementos de salários da administração, reitera que não merecem fé os relatórios de contas a pagar e que os cheques emitidos a favor de empregados, sejam os motoristas, sejam os da administração, eram sacados em dinheiro pelo próprio sócio administrador e registrados no caixa da contabilidade; Pelo que consta dos autos, com base em recibos de pagamentos, cópias de cheques e no relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”, a recorrente foi intimada, em 12/03/2012, a apresentar as folhas em que constavam pagamentos realizados aos motoristas e empregados do setor administrativo, que não haviam sido incluídos em GFIP. Como não foram apresentados tais elementos, a autoridade fiscal considerou como base de cálculo das contribuições previdenciárias, mediante procedimento de aferição indireta, considerando tais valores como complementos salariais. Também foram enquadrados como complementos salariais os valores relativos aos lançamentos contábeis que registraram pagamentos a empregados da recorrente (Anexo VII). Notese que, quanto aos lançamentos contábeis listados no Anexo VII, a autoridade fiscal esclareceu em Informação Fiscal que o lançamento encontrase no processo complementar (15868.720132/201351). Como já descrito na decisão de primeira instância, a fiscalização descreveu em detalhes o procedimento da empresa, com a emissão de cheques para si própria e o Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 saque em dinheiro para o pagamento dos complementos salariais com tais numerários, identificando, quando possível, os seus beneficiários. Os anexos VIII e IX são compostos por planilhas referentes a este complementos, apurados com base nas cópias de cheques trazidas nos autos em valores e datas coincidentes com os recibos firmados pelos beneficiários e constantes nos mesmos anexos e também com os valores constantes no relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”. O que se verificou ali foi que a recorrente efetuava pagamentos complementares mensais em valores fixos aos seus empregados. Quando não teve acesso aos documentos, a autoridade fiscal lançou os valores correspondentes aos meses anteriores, dada a constância observada e com base nos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 (ambos citados nos FLD –Fundamentos Legais do Débito que integram o processo). Não assiste razão à recorrente em afirmar que os relatórios “Contas a Pagar” devem ser desconsiderados por se tratar de elementos sem valor e meros rascunhos. Tais documentos constituem declarações unilaterais da recorrente, espontâneas e não há porque se duvidar que representem mecanismo de controle de suas despesas. Também não se deve desconsiderar as cópias de cheques, que também constituem prova dos controles administrativos da recorrente. Eventualmente, os cheques emitidos podem ser cancelados, mas no presente caso, caberia à empresa o ônus de demonstrar tal situação, esta sim excepcional. Ademais, os recibos com valores e datas coincidentes às cópias de cheques corroboram sua veracidade. Quanto ao fato de os cheques não serem nominais aos beneficiários e até serem sacados pelo administrador da empresa, devese considerar que, em se tratando de ato deliberado de sonegação, não é de se esperar que os cheques fossem emitidos em favor de seus beneficiários. Por tal razão, os cheques que a recorrente trouxe aos autos não se prestam a comprovar seus argumentos. Diante desse conjunto probatório, concluise que não assiste razão à recorrente. Pagamentos a Contribuintes Individuais. Alega a recorrente que, em que pese as retificações da DRJ, os valores referentes aos contribuintes individuais foram devidamente declarados em GFIP, sendo efetuados os respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias. Aponta ainda que não houve comparação dos valores lançados com aqueles declarados pela recorrente. Segundo a autoridade fiscal, tais valores foram apurados nas folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e contabilidade (Anexos IV e XII). Em razão da apresentação por amostragem de documentos comprobatórios dos pagamentos (Anexo XII), a autoridade julgadora, em face à não habitualidade desse tipo de relação jurídica, exigiu a juntada dos comprovantes de pagamento faltantes. Ainda que na Informação Fiscal a autoridade fiscal tenha esclarecido que os documentos foram juntados por amostragem, mas que todos os dados apresentados foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade, da escrituração contábil digital Sped, dos livros diário e razão e dos documentos apresentados pela empresa, a autoridade julgadora considerou que, em razão de nem todos os pagamentos estarem comprovados, vez que a Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.086 17 fiscalização promoveu a juntada de documentos por amostragem, deveriam ser mantidos apenas os valores constantes na contabilidade da recorrente ou cujos comprovantes foram juntados pela fiscalização. Destarte, remanescem nos autos apenas os valores que encontram respaldo em documentação da própria recorrente e que se encontra acostada aos autos. Quanto ao argumento de que não houve comparação dos valores lançados com aqueles declarados pela recorrente, a autoridade julgadora verificou, em consulta ao sistema informatizado institucional (GFIPWeb), que não foram declarados nas GFIP da empresa os fatos geradores relativos a planilha do Anexo IV (pagamentos a contribuintes individuais considerados no levantamento “PS – Contrib Indiv Prest Serv”). Portanto, o lançamento deve ser mantido, nos exatos termos da decisão de primeira instância. Distribuição de Lucros. Quanto à distribuição de lucros, aduz a recorrente que não houve apreciação pela DRJ, de sorte que devem ser excluídos os valores das contribuições sobre ela incidentes. Aduz que embora o contrato social obrigue a distribuição proporcional às quotas, as diferenças apuradas em 2009 e em 2010 em favor de Luiz Carlos Pereira Lopes são decorrente da distribuição em periodicidades diferentes para cada sócio. Quanto aos pagamentos a Andréa Cristine Souza do Carmo Pompei, afirma que, embora inexista na DIPJ 2010 lucros distribuídos a ela, bem como lucros acumulados nos exercícios anteriores, os pagamentos ocorreram a título de adiantamento de lucro. O que foi constatado em auditoria fiscal foi que houve a distribuição em percentual maior que o estabelecido no contrato social, que previa 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, sendo considerado pro labore o valor excedente a 70% pago ao sócio Luiz Carlos. Quanto aos pagamentos a Andréa Pompei, constatouse pagamentos a título de adiantamento de lucros distribuídos, mas não consta distribuição de lucros à sócia na contabilidade e DIPJ. Ademais inexiste lucro no ano de 2010 ou lucros acumulados de exercícios anteriores, razão pela qual tais valores foram considerados como pro labore. Não é verdade que tal assunto não tenha sido apreciado pela DRJ. No acórdão constou que: É certo que os sócios possuem o direito de estabelecer a forma e os períodos em que ocorrerão as distribuições de lucros, mas qualquer situação que fuja à normalidade – que corresponderia à observância das participações societárias na distribuição dentro de um período determinado – deveriam ser demonstradas pela autuada. Nesse sentido, embora tenha sido alegado que a contabilidade comprova a observância das participações societárias nas distribuições de lucros, a autuada não providenciou a juntada dos documentos necessários a demonstração de tal afirmação, a qual por esse motivo deve ser afastada. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 Quanto à antecipação de lucros à sócia Andréa Pompei em 2010 – ano em que sequer houve a apuração de lucro ao final do exercício – não se pode concordar que essa antecipação ocorra em períodos livremente definidos pela empresa e que excedam o exercício anual, pois, caso assim se admitisse, poderiam ser antecipados lucros de períodos ilimitados, de exercícios ainda não iniciados, impossibilitando qualquer controle fiscal ou registro contábil das operações. Digase, ainda, que o fato de haver nesse período valores declarados em GFIP e oferecidos à tributação como pro labore, não obsta que os valores de lucros distribuídos ou antecipados irregularmente também sejam classificados como pagamentos a título de pro labore efetuados pela empresa. (destaques nossos) Pois bem, todas justificativas alegadas pela recorrente foram devidamente enfrentadas e rebatidas pelo decisório do órgão a quo e nada temos a acrescentar, devendo prosperar o lançamento a título de pro labore. Honorários Contábeis. No que se refere à aferição indireta quanto aos honorários contábeis, aduz a recorrente que não houve análise pela DRJ, de sorte que tais valores devem ser reconhecidos como indevidos. Não houve demonstração dos critérios utilizados para a aferição indireta quanto aos pagamentos a Moacir Delphiol Garropo, no período de 04/2007 a 12/2008 e de 01/2010 a 03/2010. Consta do Relatório Fiscal que os honorários contábeis foram apurados mediante a análise dos lançamentos contábeis e do “Contas a Pagar”, cópias de cheques nominais e recibos de pagamento. Quanto à falta de apreciação pela DRJ, novamente a recorrente falta com a verdade. No decisório consta que: E quanto aos pagamentos a contribuintes individuais referentes a honorários contábeis, a prova documental revela que todos eles foram efetivamente feitos durante o período fiscalizado. Assim, enquanto o Anexo II relaciona os pagamentos constatados na contabilidade da empresa, no Anexo XVIII encontramse cópias dos cheques emitidos para tais pagamentos, não havendo que se reparar o lançamento quanto a este particular. Portanto, as divagações da recorrente não encontram amparo na realidade dos autos, devendo ser mantido o lançamento a tal título. Taxa Selic. A recorrente alega a inexigibilidade dos juros de mora nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, em razão da inexistência de fato gerador. Quanto aos fatos geradores, nos reportamos às matérias já enfrentadas. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15868.720065/201294 Acórdão n.º 2302002.229 S2C3T2 Fl. 1.087 19 Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. RFFP. Alega a recorrente a ilegalidade da formação de Representação Fiscal para Fins Penais. Realmente consta do Relatório Fiscal que foi formalizado processo de "Representação Fiscal Para Fins Penais". Ocorre que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, as razões recursais relativas à Representação Fiscal para Fins Penais não devem ser apreciadas por este relator e nem pelo colegiado. Multa. Aduz a recorrente a ilegalidade da multa de 75% aplicada nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, em razão da inexistência de fato gerador. Também seria ilegal a multa de 150% aplicada nos debcad´s 51.006.8316, 51.018.8567 e 51.018.8575, pois a recorrente não omitiu documentos ou adulterou ou rasurou, sonegando ou fraudando a autoridade fazendária. Esta multa configuraria ainda confisco. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Quanto à multa qualificada, devese considerar que esta encontrase devidamente embasada por todo o expediente utilizado pela recorrente, que incluiu inúmeras condutas de sonegação e fraude, representadas pelos diversos pagamentos efetuados aos segurados e não contabilizados corretamente, nem incluídos nas declarações prestadas nas GFIP. Portanto, a multa deve ser mantida. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10730.007856/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE CÁLCULO NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Deve-se dar provimento ao recurso voluntário que demonstra erro no cálculo do acórdão de primeira instância
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que o demonstrativo de crédito tributário de fls. 8 seja refeito considerando-se que a omissão de rendimentos foi de R$109.556,98 (cento e nove mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e noventa e oito centavos) e não de R$158.707,94, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 47 1 46 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.007856/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.078 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente ADIR FRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE CÁLCULO NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Devese dar provimento ao recurso voluntário que demonstra erro no cálculo do acórdão de primeira instância Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que o demonstrativo de crédito tributário de fls. 8 seja refeito considerandose que a omissão de rendimentos foi de R$109.556,98 (cento e nove mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e noventa e oito centavos) e não de R$158.707,94, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 78 56 /2 00 9- 61 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de recurso voluntário em que o recorrente, sem discordar da fundamentação da decisão de primeira instância, alega que houve um erro nas conclusões do julgado, no ponto em que refez o demonstrativo do crédito tributário. O recorrente alega que o acórdão recorrido considerou como isentos os rendimentos no valor de R$158.707,94, porém, no momento de refazer os cálculos, somou os referidos rendimentos aos tributáveis. A ciência do acórdão recorrido ocorreu em 03/11/2010, o recurso voluntário foi interposto oito dias após. O recorrente requereu prioridade de tramitação do processo com amparo no Estatuto do Idoso e apresentou cópia do cartão de conta corrente para fins de depósito da restituição pleiteada. O processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Foi lançada omissão de rendimentos de R$268.264,92 em virtude de reclassificação de rendimentos declarados como isentos (fls. 10). A DRJ deferiu parcialmente a impugnação, por ter reconhecido que a supracitada importância era composta por R$158.707,94 de rendimentos isentos e por R$109.556,98 de rendimentos tributáveis. Todavia, ao refazer o demonstrativo de crédito tributário (fls. 34), ao invés de manter os R$109.556,98 como rendimento tributável e excluir a quantia de R$158.707,94, fez o contrário. O recorrente tem razão. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que o demonstrativo de crédito tributário de fls. 8 seja refeito considerandose que a omissão de rendimentos foi de R$109.556,98 (cento e nove mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e noventa e oito centavos) e não de R$158.707,94. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 48DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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