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Numero do processo: 13884.900494/2010-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
CRÉDITO. LIQUIDEZ.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
Numero da decisão: 1001-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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LIQUIDEZ. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Restituição/Compensação 20542.53493.260908.1.7.041285, de 26/09/2008 (efl. 26/28), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (AC 2001). Em 21/01/2010, nos autos do processo n°13850.000057/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 04 94 /2 01 0- 58 Fl. 91DF CARF MF 2 20, apensado ao presente, foi emitido Termo de Intimação n° 0018/2010, no qual o contribuinte foi intimado a prestar os seguintes esclarecimentos: "Justificativa ou solução de consulta para alteração do percentual aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido (de 32% para 8%) na atividade de prestação de serviços. (..) ." O pedido de Restituição/Compensação foi indeferido, conforme Despacho Decisório 858246295, de 09/03/2010 (efl. 04), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0533.860 5ª Turma da DRJ/CPS, efl. 46/53). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Ou seja, não havia como ratificar as informações prestadas pela contribuinte de que comercializava mercadorias sujeitas à alíquota de 8% (lucro presumido), uma vez que as informações originais (serviços sujeitos à alíquota de 32%) correspondiam aos documentos fiscais por ela emitidos e ratificadas pelas fontes pagadoras em DIRF. Estas apresentaram declarações de retenções sobre rendimentos pagos a título de prestação de serviços (código 1708), em consonância com o seu objeto social à época, que previa exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada: (...) Percebese, pela apuração apresentada em DIPJ , que há divergência quanto ao percentual da receita bruta aplicável na determinação do lucro presumido do período, que teria sido reduzido de 32%, na DIPJ original, para 8%, na DIPJ retificadora. Porém, nada foi apresentado que justificasse tal retificação, como adiante se verá.. (...) Com base no exposto, passase à análise quanto à regularidade das retificações efetuadas, e, por conseguinte, da liquidez e certeza do crédito ora pleiteado. Ao ser questionada quanto aos motivos ensejadores da referida alteração, através do Termo de Intimação n° 00018/2010, a manifestante informa que em sua declaração de renda retificada, as atividades acima foram classificadas como prestação de serviços e tiveram presunção de 32%. Na retificação, por serem atividades de revenda foi realizada a adequação desse enquadramento, passando a presunção para 8%. (...) Entretanto, instrui os autos com notas fiscais por ela emitidas, nas quais são destacados valores de IR Retido na Fonte, cujas receitas foram declaradas em DIRF sob o código 1708 Remuneração serviços prestados por Pessoa Jurídica (fl. 29). Além disso, segundo nos informa o Contrato Social da Manifestante, em seu item V DO OBJETO DA SOCIEDADE: A sociedade terá por Objeto Social a atuação no ramo de: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13884.900494/201058 Acórdão n.º 1001000.515 S1C0T1 Fl. 92 3 Prestação de serviços na área de Engenharia Consultivo, compreendendo a utilização de sensoriamento remoto e geotecnologia. (negrejouse) Assim, não há como ratificar as informações prestadas pela contribuinte, uma vez que as informações originais correspondem aos documentos fiscais por ela emitidos e ratificadas pelas fontes pagadoras em DIRF, mediante declaração de retenções sobre rendimentos pagos a título de prestação de serviços (código 1708), em consonância com o seu objeto social à época, que prevê exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada. (...) Restringindose seu Contrato Social à prestação serviço de profissão legalmente regulamentada e não tendo sido informada a existência de Solução de Consulta que albergasse a alteração ocorrida em sede de DIPJ, não há como reconhecer as retificações efetuadas, e, por conseguinte, não há como validar o pagamento indevido pleiteado. E, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deveria estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. (...) De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso pagamento indevido de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do débito devido no período, bem como sua quitação. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 21/06/2011 (efl. 55) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 22/07/2011 (efl. 87), em que alega, em resumo, que o indébito advêm da correta aplicação do percentual da receita bruta com base no lucro presumido, haja vista que as atividades desenvolvidas pela empresa configuram "revenda", estando, pois, sujeitas a tributação de 8%, fato este que motivou a retificação da Declaração do Imposto de Renda e que em oposição ao que afirmou a DRJ, de que a declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo”, o artigo 5° do Decretolei Fl. 93DF CARF MF 4 n° 2.124/84 estabelece que a formalização da obrigação acessória constitui autolançamento, permitindo, inclusive a cobrança do crédito declarado. (...) pessoa jurídica de direito privado, cuja atividade empresarial a que está afeta é a prestação de serviços na área de Engenharia Consultiva, compreendendo a utilização de sensoriamento remoto e geotecnologia; Licenciamento de Uso de Softwares Nacionais ou importados, base de Dados Digitais e de imagens de Satélite; Revenda de dispositivos eletrônicos de localização e de equipamentos diversos para Cartografia e mapeamento por aerofotogrametria e sensoriamento remotos e importação e exportação, conforme comprova seu estatuto social. Identificada a prática de comércio (revenda) de software, é notório que o percentual aplicável sobre a receita bruta para se obter o Lucro Presumido determinados no art. 223 do RIR/1999, é de 8%, conforme entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: (...) Alem disso, diferentemente da precitada interpretação da delegacia de julgamento no que tange a afirmação de que a "declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo”, o artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84 estabelece que a formalização da obrigação acessória constitui auto lançamento, permitindo, inclusive a cobrança do crédito declarado, in verbis:... Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que, conforme já assinalado pela decisão de primeira instância, a DIPJ tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação. Reproduzo as razões daquele acórdão recorrido, a que aqui adiro: Antes de qualquer análise, fazse oportuno esclarecer à interessada que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13884.900494/201058 Acórdão n.º 1001000.515 S1C0T1 Fl. 93 5 declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (ii) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Na verdade, cumpre ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL, possa ser aferida sem qualquer análise da apuração do imposto efetuada pela contribuinte, que lhe serve de fundamento. Não se pode dizer que o órgão administrativo deve simplesmente “homologar” o valor de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e proceder à restituição ou à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Observo também que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente não traz documentos suficientes para infirmar a conclusão da primeira instância de que não teria direito ap crédito pleiteado. Ao contrário. Dos documentos acostados concluise que o percentual aplicado para calcular o lucro presumido é o de 32%, e não o de 8% (como quer o recorrente). Isto porque, conforme as DIRFs em que figura como beneficiário, emitiu notas fiscais destacando valores de IR Retido na Fonte cujas receitas foram declaradas sob o código 1708 Remuneração serviços prestados por Pessoa Jurídica (efl. 42). Além disso, como já destacado, o seu objeto social à época, conforme informa o Contrato Social (efl. 14), previa exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 95DF CARF MF 6 Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.000903/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.667
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .0 00 90 3/ 20 06 -1 5 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Resolução nº 2401000.667 S2C4T1 Fl. 350 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Conselheira da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Núbia Matos Moura, na condição de redatora do voto vencedor, às fls. 315, contra o Acórdão nº 102049.366, julgado na sessão de 05/11/2008, o qual está juntado às fls. 316/317. 2. Para melhor compreensão dos motivos da interposição de embargos pela conselheira, copio "in verbis" as palavras da I. Redatora: (...) Na qualidade de redatoradesignada para redigir o voto vencedor constatei da leitura da Descrição dos Fatos, fls. 174/183, que no Auto de Infração foram levados à tributação depósitos bancários referentes a três contas mantidas junto ao Bradesco (contas n°s. 296066, 30190 4 e 1073850). Verifiquei, ainda de conformidade com a Descrição dos Fatos, que os créditos efetivados nas mencionadas contas foram levados à tributação na proporção de 50%, em razão de serem as contas bancárias conjuntas. A fundamentação que pautou a decisão da maioria dos Conselheiros foi a nãoexistência nos autos de intimação para os outros titulares das contascorrentes conjuntas, de tal sorte que tal fato também acarretaria a exclusão dos depósitos realizados na conta n” 29606 6,que também é conjunta. Por outro lado, muito embora não seja mencionado na Descrição dos Fatos, verificase que a outra titular da conta n° 301900 foi autuada (processo 13851.000904/200660), de modo que se vislumbra a existência da intimação para o outro titular, pelo menos no que diz respeito à mencionada conta. Nestes termos, procedo à devolução dos autos para as providências que se julgar necessárias. Núbia Matos Moura Conselheira 3. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como a redatora originária não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 4. Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado (fls. 345/347). É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Resolução nº 2401000.667 S2C4T1 Fl. 351 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 5. Em cognição não exauriente, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 6. Como se observa, os embargos foram opostos por conselheiro, em que alega lapso manifesto e erro de fato no acórdão de recurso voluntário. 7. Quanto ao erro de fato, relacionase ao desconhecimento pelo colegiado, à época do julgamento, da existência de intimação ao outro titular da conta bancária nº 30.1094, mantida junto ao Banco Bradesco S/A, para realizar a comprovação da origem dos créditos, tendo em vista o lançamento fiscal que compõe o Processo nº 13851.000904/200660, em nome da Srª Kelly Cristina Diniz Bicalho. 8. Aparentemente, a conselheira designada para redigir o voto vencedor dá a entender que caso conhecida a existência da intimação para o outro titular, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não teria ocorrido a exclusão da conta bancária do lançamento fiscal, sob o fundamento de falta de intimação de todos os cotitulares para a justificação da origem dos depósitos. 9. Com a finalidade de reunir os elementos necessários para a avaliação de mérito dos embargos, é recomendável a prévia conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de instruir os autos com a prova da intimação válida em nome da Srª Kelly Cristina Diniz Bicalho, com relação à conta bancária nº 30.1094. 10. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora da RFB, mediante extração do Processo nº 13851.000904/200660, junte aos presentes autos cópia do termo fiscal dirigido à Srª Kelly Cristina Diniz Bicalho, com a respectiva ciência, que a intimou a comprovar a origem dos recursos na conta bancária nº 30.1094, mantida em conjunto, no Banco Bradesco S/A, com o Sr. Caio Fernando Gandini Panegossi. 11. Após as providências acima, a unidade da RFB providenciará a ciência do Sr. Caio Fernando Gandini Panegossi, ofertandolhe prazo para manifestação sobre os novos documentos juntados aos autos. Ao final, retornese o processo administrativo para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 351DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723708/2012-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revê-lo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO.
A verba paga a título de auxílio educação referente a cursos de capacitação e qualificação, quando fornecidos em conformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea t" da Lei n.º 8.212, de 1991, não compõe o salário de contribuição, não sendo, destarte, objeto de incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-006.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para manter a autuação quanto à contribuição SAT/RAT. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revêlo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. A verba paga a título de auxílio educação referente a cursos de capacitação e qualificação, quando fornecidos em conformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea ”t”" da Lei n.º 8.212, de 1991, não compõe o salário de contribuição, não sendo, destarte, objeto de incidência das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para manter a autuação quanto à contribuição SAT/RAT. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 08 /2 01 2- 41 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 346 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2803003.625, prolatado pela 3a. Turma Especial da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 10 de setembro de 2014 (efls. 285 a 297). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTO ENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer momento. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 2. Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. 3. A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. 4. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 347 3 5. Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 6. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à contribuição de SAT/RAT. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 18/09/2014 (efl. 298), sua Procuradoria apresentou, em 20/10/2014 (efl. 316), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 299 a 315). O Recurso continha alegação de divergência interpretativa quanto a duas diferentes matérias, a saber: a) Alíquota aplicável à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) e b) incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio educação e serão relatadas na ordem em que apresentadas no pleito. 1. Quanto à alíquota aplicável (SAT/RAT): Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em, no âmbito do Acórdão no. 2302002.404, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2302002.404 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 348 4 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91.Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, até a competência 11/2008, inclusive, período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 349 5 Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) De acordo com o inciso II do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de junho de 1991, a empresa encontrase obrigada a recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Já o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048, de 06 de maio de 1999, mais especificamente em seu art. 202, §3o., dispõe que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; b) Conforme consignado no acórdão paradigma, o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999; c) O aludido Anexo V, de acordo com a redação dada pelo Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, trazia a “relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de riscos (conforme classificação nacional de atividades econômicas)” e apresentava o seguinte código: “84116/00 – Administração pública em geral”. Registrese, assim como procedeu o acórdão paradigma, que existem atividades que são desenvolvidas tanto pela iniciativa privada, quanto pelo poder público, a exemplo da atividade educacional. Tal fato, contudo, não exclui a natureza da atividade como sendo de administração pública, para passar a ser uma atividade econômica strictu sensu, como quer fazer crer o contribuinte. Tratandose de Administração Pública a classificação se estende pelo Grupo “84.1 Administração do estado e da política econômica e social” e se completa com a classe “84.116 Administração pública em geral” e subclasse “84116/00 Administração pública em geral”, conforme a Estrutura detalhada CNAE, independentemente de o servidor/segurado exerça atividade educacional, de saúde, econômica, etc. Com efeito, a circunstância de que a maioria dos segurados/empregados vinculados ao Contribuinte trabalhe na área de ensino fundamental não tem o condão de alterar a classificação do Contribuinte no CNAE de órgão da administração pública em geral para estabelecimento de ensino. d) A atividade preponderante assim aplicável seria justamente a de ‘administração pública em geral’ e, não, especificamente (ou simplesmente), a prestação de serviços de saúde, de educação, de segurança, de assistência social, de limpeza, de fiscalização (das posturas ou tributos municipais), serviços burocráticos e administrativos, em geral etc Deste modo, sendo a atividade da Administração Pública em Geral, CNAE 84116/00, classificada pela legislação previdenciária como de grau de risco médio, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, não merece quaisquer reparos o presente lançamento. Assim, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. 2. Auxílioeducação: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 350 6 Quanto á matéria, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, respectivamente em 28/07/2011 e em 19/06/2012, nos Acórdãos 2302001.177 e 2302 001.859, ambos de lavra da 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2302001.177 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/07/2007 Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Decisão: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o salário de contribuição. Acórdão 2302001.859 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 Ementa: ABONO.REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pelaLei nº 9.528/97. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 351 7 Os valores pagos ou creditados,a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. ESTÁGIO REGULAR A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977,não integra o salário de contribuição. A realização do estágio se deu mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, de acordo com o disposto na Lei 6.494/77 Os estagiários eram estudantes regularmente matriculados e freqüentando efetivamente um dos cursos citados no § 1° do art. 1° da Lei no 6.494/77. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Deve ser excluída a parcela relativa aos estagiários.Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam não incidir contribuição sobre as parcelas relativas a abono,educação,PLR. a) Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à matéria que deve ser incluído, como salário de contribuição, o benefício proveniente do curso de nível superior, por não consistir em educação básica, nem curso de qualificação profissional como prevê a lei. Assim, merece consideração o disposto no art. 111, inciso I, do CTN, no sentido de aplicar interpretação literal ao caso; b) Ressalta que, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu do salário de contribuição os valores relativos a planos educacionais. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados salário de contribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Requisitos não cumpridos no caso dos autos. c) Com efeito, verificase que a verba relativa a bolsas de estudo em cursos de nível superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212, de 1991. A leitura do dispositivo legal em questão deixa evidente que a isenção atinge apenas os valores pagos a título de bolsa de estudos (que vise a educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa) dos empregados e dirigentes da empresa. Destarte, não está contemplada pela norma de isenção, a bolsa de estudos em cursos de graduação de nível superior, devendo integrar o salário de contribuição, por se constituir em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades. O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica do empregado e dirigentes, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. A educação superior não se confunde com a básica. Dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 352 8 curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. d) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; e) Ressalta, por fim, que não se deve confundir o conceito previdenciário para fins de incidência não guarda relação com a legislação trabalhista. O pleito fazendário restou regularmente admitido, na forma de despacho de efls. 318 a 326. Após a ciência da autuada em 29/03/2016 (efl. 332), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo a sua análise de mérito. As matérias serão abordadas na ordem em que apresentadas no Recurso. 1. Quanto à alíquota aplicável (SAT/RAT): Tratase aqui de situação fática onde o contribuinte autuado, na forma de, reconhecia como seu CNAE fiscal o código 84116/00, tendo tal enquadramento sido o utilizado pela Fiscalização para fins de lançamento, verbis (efls. 56 a 58): Face ao contido no item 1. do Termo de Intimação Fiscal n° 15 da Delegacia da Receita Federal, no qual nos é solicitado esclarecimentos quanto ao auto enquadramento da Companhia de Habitação do Paraná COHAPAR, na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, no código 84.11.6 00 (Administração pública em geral). A Comissão Nacional de Classificação, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, diz, com relação ao CNAE 2.1, seção ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL: " A natureza jurídica não é em si mesma um fator determinante para a classificação de uma unidade nesta seção, e sim o fato de exercer atividade que, por sua natureza especifica, é de prerrogativa do Estado", e Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 353 9 "A divisão 84 inclui unidades que são entidades criadas portei, com personalidade jurídica própria, que realizam atividades de suporte à administração pública com a finalidade de facilitar a gestão de recursos públicos, dando suporte em áreas de função típica do Estado, na execução de ações tais como: compras de bens e serviços, contratação de serviços com a finalidade de desenvolvimento econômico e social, administração e gestão de recursos humanos, etc. Funcionam como apêndice de órgãos da Administração Pública brasileira e devem ser classificados nas classes onde estão enquadradas os órgãos a que se ligam". A COHAPAR tem por objetivos, conforme seu estatuto social, artigo 3o de: Artigo 3o I Formular, coordenar e implementar a política habitacional do Estado, observadas a legislação federal e estadual; II Planejar e executar Projetos e Programas Habitacionais, mediante recursos próprios ou em parceria com órgãos internacionais, federais, estaduais, municipais ou entidades de qualquer natureza, através de convênios, contratos ou outros instrumentos da mesma natureza, na qualidade de agente operador, agente financeiro e agente promotor; III Adquirir, urbanizar e efetuar o parcelamento de áreas, bem como produzir unidades habitacionais, de acordo com as disposições legais; Assim, baseouse o lançamento na constatação de a contribuinte ter utilizado, para fins de recolhimento da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), a alíquota de 1%, quando, contrariamente, estabelecia o anexo V do Decreto no. 3048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social), com sua redação dada pelo Decreto no. 6.042, de de 2007, uma alíquota aplicável de 2%, a viger a partir de junho de 2007, tendo sido, assim, objeto de lançamento as diferenças não declaradas/recolhidas. A propósito, em plena consonância com o relatado pela fiscalização, verifica se que estabelecia o mencionado Decreto no. 6.042, de 2007: Art.2o Os Anexos II e V do Regulamento da Previdência Social passam a vigorar com as alterações constantes do Anexo a este Decreto. (...) Art.5o Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: (...) I do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, quanto à nova redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (...) Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 354 10 ANEXO V RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO(CONFORME A CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS) (...) CNAE7 DESCRIÇÃO % NOVO 84116/00 Administração 2% Pública em Geral Ainda, estabelecia, a propósito, o art. 202 do mesmo Regulamento da Previdência Social, em sua redação vigente à época, quanto ao enquadramento para fins de determinação da alíquota aplicável à contribuição SAT/GILRAT: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1o As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2o O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 355 11 §3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4o A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3oe 5o.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Da leitura dos dispositivos acima, resta clara a correção do procedimento da autoridade fiscal: A empresa, pertencente à Administração Pública Indireta, não obstante ter, na época dos fatos geradores objeto do lançamento, a obrigação legal de declarar em GFIP e recolher a contribuição sob análise à alíquota de 2% (consoante inclusive o enquadramento constante de elementos por ela produzidos de efls. 56 a 58), o fez em alíquota inferior, ou seja, autoenquadrandose erroneamente no que diz respeito à alíquota aplicável (ainda que, repita se, mantivesse, internamente, o registro de seu CNAE fiscal correto) restando perfeitamente cabível, destarte, a revisão pela autoridade fiscal e o consequente lançamento realizado. Ainda, no que diz respeito à argumentação da autuada de deveria estar caracterizada outra atividade preponderante (de código 84124) na forma do §3o. do referido art. 202 (argumentação à qual, notese, acedeu o recorrido), de se notar que, nem em sua impugnação de efls. 103 a 111 e anexos, nem em sede de Recurso Voluntário de efls. 243 a 258 e anexos, a recorrente foi capaz de trazer elementos de prova que, no entendimento deste julgador, possam levar à conclusão de necessidade de alteração do CNAE utilizado e consequente desconstituição do lançamento. Diante do exposto, considero escorreito o lançamento realizado, e, destarte, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta matéria. 2. Quanto ao auxílio educação: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 356 12 A propósito, rezava a Lei no. 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores sob análise, em seu art. 28, §9o., alínea "t": "Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o salário‑ de‑ contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).” Conforme já me posicionei em outros feitos no âmbito desta Turma, com a devida vênia aos Conselheiros desta Casa que possuem posicionamento diverso, não vislumbro, no âmbito do § 9º, "t", do artigo 28, da Lei no. 8.212, de 1991, possibilidade de elastério hermenêutico tal que pudesse levar a concluir que estivessem ali abrangidos planos onde a instituidora estabelecesse uma sistemática de extensão formal a todos os funcionários, mas sujeita a determinados critérios de concessão, tais como, no caso se nota do constante de e fl. 60, verbis: "(...) 3. Dos Critérios da Seleção a) Ser empregado da COHAPAR e ter no mínimo 2 (dois) anos de Empresa (grifei); (...)" Noto que caso se adotasse a tese de possibilidade de criação de critérios pela instituidora (tais como o acesso somente a funcionários que contem com mais de dois anos de contratação), seja ela pública ou privada, estaria a se permitir que, sempre que necessário, se transmudasse uma possível exclusão desejada de parcela dos funcionários em "critério concessivo" destinado a realizar tal exclusão, sendo, em meu entendimento, o norte a ser seguido para aplicação da exclusão estabelecida pelo texto legal o acesso indistinto ao benefício, disponível a todos empregados e dirigentes da empresa, independentemente de critérios, conclusão plenamente consistente com uma interpretação literal do dispositivo, prevista no art. 111, do CTN e aplicável nos casos de redução de base de cálculo de tributo. Destarte, no caso em questão, a restrição estabelecida (excluindo do programa de auxílio educação servidores contratados a menos de 2 anos), assim, sem dúvida, está em dissonância com o estabelecido no dispositivo em análise. Todavia, verifico que a acusação fiscal não adentrou nesta seara quanto à não extensão do auxílio à totalidade dos funcionários, devendo então este Colegiado se Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10980.723708/201241 Acórdão n.º 9202006.594 CSRFT2 Fl. 357 13 ater àquela acusação fiscal, que se limita a estabelecer que a exclusão legalmente permitida se restringiria a cursos de educação básica. A respeito, como também já tive oportunidade de mencionar em outros feitos, entendo que a referida exclusão, permitida pelo art. 28, §9o., "t", no que diz respeito aos cursos de capacitação e qualificação profissionais, não veda que tais cursos sejam nos níveis de Pós Graduação e Graduação (ou seja, neste último caso, de nível superior). In casu, noto que o Regulamento dos Cursos da empresa é taxativo em estabelecer esta vinculação, consoante item IV, de efl. 60, que estabelece expressamente como critério para concessão que "os cursos de graduação e pósgraduação pretendidos deverão estar relacionados com a função exercida pelo empregado e vir de encontro aos interesses da empresa". Assim, entendo como regularmente permitida a exclusão tencionada e, destarte, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria. 3. Conclusão: Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à alíquota SAT/RAT. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002197/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 97 /2 01 0- 20 Fl. 134DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 135DF CARF MF Processo nº 19515.002197/201020 Acórdão n.º 2201004.207 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 136DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 19515.002197/201020 Acórdão n.º 2201004.207 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 138DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.903360/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DÉBITO REMANESCENTE.
Restando confirmado o débito remanescente da Contribuição para o PIS pela insuficiência do direito creditório, conforme relatório de diligência, cabível sua exigência pelo fisco com juros Selic e multa de mora.
PEDIDO REDUÇÃO DO DÉBITO CONFESSADO NA DCOMP. ERRO DE FATO. MATÉRIA AGITADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
EventualequívocoouerroatinenteaodébitoconfessadoemDCOMP,comoporexemploconfissãodedébitoamaiorouinexistente,porenvolvermatéria estranha, não imanente ou instrínsica à formação do direito creditório, por não envolver matéria atinente à aferição dos requisitos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, foge ou escapa da alçada do CARFconhecerdematériade fato quantoadébitoconfessado em DCOMP.
Na verdade no caso de erro de fato na apuração do débito confessado na DCOMP (débito a maior ou inexistente), fato constatado após ciência do despacho decisório, é possível a revisão de ofício pela autoridade administrativada unidadedeorigemdaRFB,nostermos doart.147,§2º, doCTN,desdeque reste comprovado efetivamente pelo contribuinte, à luz da escrituração contábilefiscal,oalegadoerrodefato.
Numero da decisão: 1301-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INSUFICIÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DÉBITO REMANESCENTE. Restando confirmado o débito remanescente da Contribuição para o PIS pela insuficiência do direito creditório, conforme relatório de diligência, cabível sua exigência pelo fisco com juros Selic e multa de mora. PEDIDO REDUÇÃO DO DÉBITO CONFESSADO NA DCOMP. ERRO DE FATO. MATÉRIA AGITADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE COMPETÊNCIA. EventualequívocoouerroatinenteaodébitoconfessadoemDCOMP,comoporexe mploconfissãodedébitoamaiorouinexistente,porenvolvermatéria estranha, não imanente ou instrínsica à formação do direito creditório, por não envolver matéria atinente à aferição dos requisitos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, foge ou escapa da alçada do CARFconhecerdematériade fato quantoadébitoconfessado em DCOMP. Na verdade no caso de erro de fato na apuração do débito confessado na DCOMP (débito a maior ou inexistente), fato constatado após ciência do despacho decisório, é possível a revisão de ofício pela autoridade administrativada unidadedeorigemdaRFB,nostermos doart.147,§2º, doCTN,desdeque reste comprovado efetivamente pelo contribuinte, à luz da escrituração contábilefiscal,oalegadoerrodefato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 33 60 /2 00 9- 72 Fl. 4588DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.589 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros. Fl. 4589DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.590 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 4413/4418) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 4405/4408) que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, reconhecendo, em parte, o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a contribuinte transmitiu, em 15/09/2006, à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, Declaração de Compensação nº 21518.77765.150906.1.3.02 2506, mediante programa gerador PER/DCOMP, informando (efls. 33/38): a) débitos: Cofins, código de receita 2172, valor R$ 154.154,68, PA agosto/2006, vencimento 15/09/2006; PIS/ PASEP, código de receita 8109, valor R$ 30.000,00, PA agosto/2006, vencimento 15/09/2006. b) crédito utilizado: A importância de R$ 180.084,76 (valor original) referente suposto saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006 apurado no valor de ( R$ 180.084,76), no âmbito do regime de tributação do Lucro Real – Balanço Trimestral. Crédito original informado na data da transmissão da DCOMP: R$ 180.084,76. Obs: O saldo negativo do imposto desse PA teria sido gerado pela dedução, aproveitamento, de IRRF sobre comissão e corretagens pagas a PJ, código de receita 8045, no valor de R$ 286.941,34. Demonstrativo: 2o TRIMESTRE DE 2006 IMPOSTO SOBRE LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 69.379,04 02. Adicional 40.252,70 DEDUÇÕES 04. () Programa de alimentação do trabalhador 2.775,16 12. () Imposto de Renda Retido na Fonte 286.941,34 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (180.084,76) Em 18/02/2009, a DRF/Brasília expediu Despacho Decisório eletrônico (efl. 29) não homologando a compensação informada pela contribuinte, por divergência de informação quanto ao saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006 entre a DIPJ e a DCOMP, nos seguintes termos: (...) Fl. 4590DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.591 4 3 FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi passível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 180.084,76. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: RS 109.677,68. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (...). Enquadramento legal: Parágrafo I ° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 dezembro de 1 998. (...) Obs: Cópia da Ficha 12A da DIPJ 2007, anocalendário 2006, informando apuração de saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006, o valor de (R$ 109.677,68) , em face do IRRF R$ 216.534,26 (efl. 141). Ciente dessa decisão em 05/03/2009 – quintafeira, Aviso de Recebimento – AR (efls. 30/31), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 06/04/2009 – segunda feira (efls. 03/05), juntando ainda documentos (efls. 06/141), cujas razões, em resumo, são as seguintes: que o crédito utilizado na DCOMP é aproveitamento do saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006, apurado conforme razão contábil (efls. 39/45); que se faz necessário a retificação da DIPJ 2007, anocalendário 2006, tendo em vista que o valor do IRRF, valor R$ 216.534,26 constante na Ficha 12A, item 12, para 2º trimestre foi preenchido incorretamente, pois o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), para esse trimestre, foi de R$ 286.941,34, conforme demonstrativo: 2o TRIMESTRE/2006 8045 Aplicação Financeira Cartão CPA Hotéis Dep Judicial/ Caucionados Fevereiro 3.874,97 Março 5.924,50 Abril 67.154,66 38.218,29 5.579,92 Maio 64.802,93 17.280,90 6.474,49 Junho 62.722,79 Jan a Dez 2005 14.661,97 245,92 TOTAL Parcial 194.680,38 55.499,19 21.853,88 14.661,97 245,92 TOTAL GERAL 286.941,34 Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.592 5 que os dados da Ficha 12A da DIPJ 2007, AC 2006, quanto ao IRRF deve ser ajustado de R$ R$ 216.534,26 para R$ 286.941,34, gerando, confirmando, o saldo negativo do imposto informado na DCOMP, ou seja: ( R$ 180.084,76): 2o TRIMESTRE DE 2006 IMPOSTO SOBRE LUCRO REAL 01. A alíquota de 15% 69.379,04 02. Adicional 40.252,70 DEDUÇÕES 04. () Programa de alimentação do trabalhador 2.775,16 12. () Imposto de Renda Retido na Fonte 286.941,34 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR ( 180.084,76) Em face da alegação da contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade, quanto à necessidade de ajuste na DIPJ original (Ficha 12A) quanto à apuração do saldo negativo do imposto (aumento da dedução a título de IRRF), os autos foram baixados para a DRF/Brasília para realização de diligência, conforme determinado pelo Despacho da DRJ/Brasília, de 11/04/2012 (efls. 144/145). Realizada a diligência pela DRF local, restou : a) constatado que a contribuinte transmitira DIPJ 2007, anocalendário 2006 (Retificadora) em 13/01/2011 (após ciência do despacho decisório e após apresentação da manifestação de inconformidade); que apurara, informara na DIPJ (Retiicadora), um terceiro valor de saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre 2006, ou seja, diverso do constante da DIPJ (original) e diverso da DCOMP, saldo negativo do imposto de ( R$ 165.937,47) (efls. 198/234). b) apurado crédito do IRRF no valor total de R$ 194.680,38, código de receita 8045, conforme Relatório de Informação Fiscal – Diligência (efls. 4398/4400), assim discriminado: VALORES PAGOS COMPROVADOS 2° TRIMESTRE/2006 COD. 8045 Período de Data de Apuração Vencimento Valor 30/04/06 10/05/06 5.773,21 30/04/06 10/05/06 61.152.70 30/04/06 10/05/06 228,75 31/05/06 09/06/06 58.222,46 31/05/06 09/06/06 6.532,70 31/05/06 09/06/06 47,77 30/06/06 10/07/06 57.314,40 30/06/06 10/07/06 5.488,39 Total 194.680,38 c) direito de crédito do IRRF, código de retenção 6800, R$ 45.128,79; d) direito de crédito do IRRF, código de retenção 3426, R$ 10.619,84; Fl. 4592DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.593 6 e) direito de crédito do IRRF, código de retenção 9190 (valor proporcional do imposto), R$ 25.885,36. Assim, o montante de IRRF, quanto ao PA 2º trimestre/2006, totaliza R$ 276.314,37 (valor original). Em face dessas retenções na fonte confirmadas, e da Ficha 12A DIPJ 2007, anocalendário 2006 (Retificadora) (efls. 198/234), apresentada em 13/11/2011 onde consta saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre de 2006, valor ( R$ 165.937,47), a fiscalização, na diligência, apurou saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 o valor de R$ 169.457,79, conforme demonstrativo abaixo: Apuração do saldo negativo 2° trimestre AC 2006 Total do IRPJ devido R$ 109.631,74 Deduções: () Programa de Alimentação do Trabalhador R$ 2.775,16 () IR Retido na Fonte R$ 276.314,37 IRPJ a pagar ( ) R$ 169.457,79 Ainda, para verificar a suficiência do crédito para compensação dos débitos declarados na DCOMP nº 21518.77765.150906.1.3.022506, as informações foram inseridas no Sistema de Apoio Operacional para a simulação da compensação. De acordo com o Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 4.395 a 4.397), o crédito reconhecido é insuficiente para compensar integralmente os débitos informados/confessados na DCOMP, Restou saldo remanescente de débito a pagar da Contribuição para o PIS de R$ 8.884,49, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação (efls. 4395/4397). A contribuinte foi notificada para se manifestar, apresentar razões, quanto ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias, conforme intimação e Aviso de recebimento – AR, ciência 13/03/2013 (efls.4401/4402). Transcorrido o prazo in albis, sem manifestação da contribuinte, os autos do processo foram devolvidos à DRJ/Brasília para julgamento, conforme despacho de 24/04/2013 (efls. 4404). A DRJ/Brasília (4ª Turma) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, reconhecendo o crédito no valor de R$ 169.457,79, adotando o resultado da Informação Fiscal (resultado da diligência que é maior do que o valor constante da DIPJ retificadora), conforme Acórdão, de 29/05/2013 (efls. 4405/4408), cuja ementa e voto, no que pertinente, transcrevo a seguir, in verbis: (...) Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.594 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA PARCIAL DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, deve ser revista a decisão dada pela autoridade administrativa. No caso, o direito creditório reconhecido é insuficiente para compensar integralmente a compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) Voto (...) Conclusão Diante do exposto, VOTO pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade e pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 169.457,79, autorizando a homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 05/09/2013 por via postal AR (efl. 4012), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/10/2013 (efls. 4413/4418), aduzindo em suas razões, em síntese: que a decisão a quo reconheceu parcialmente direito creditório –saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006, ou seja, R$ 169.457,79 (valor original); que, em face desse crédito deferido, restou saldo remanescente de débito a pagar da Contribuição para o PIS, valor de R$ 8.884,49, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, extrato de 28/02/2013 (efls. 4395/4397); que o crédito deferido restou insuficiente pelo fato da RFB ter reconhecido apenas saldo negativo do imposto de R$ 169.457,79 e não R$ 171.629,12 (faltou corrigir pela taxa Selic); que, quando da ciência do Acórdão recorrido em 05/09/2013, a contribuinte recebeu cobrança de saldo remanescente de débito a pagar PIS de R$ 14.696,89 (prazo de 30 dias para pagar); que, como visto, o valor é diverso do saldo do débito a pagar do PIS de R$ 8.884,49 de que trata o Demonstrativo Analítico de Compensação, de 28/02/2013 (efls. 4395/4397); Obs: Entretanto, não consta dos autos essa suposta carta de cobrança, contribuinte faz mera alusão nas razões do recurso); Fl. 4594DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.595 8 que, entretanto, o saldo de débito a pagar do PIS de R$ 8.884,49 pode ser inexistente, caso sejam considerados os seguintes ajustes: a) que, em 13/01/2011, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora do ano calendário 2006 (Ficha 12), reduzindo o saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 de (R$ 180.084,76) para (R$ 165.937,47); b) que, em 15/03/2011, a contribuinte revisou os débitos confessados da Cofins DCOMP (PA agosto/2006), transmitindo DCTF retificadora, reduzindo o seu valor de R$ 154.154,68 para R$ 141.629,12; c) que a DCOMP não foi retificada pelo fato de, na época, já possuir despacho decisório (tomou ciência do despacho decisório em 05/03/2009) (efls. 30/31); d) que, como a contribuinte apurou o resultado pelo regime do Lucro Real trimestral, o saldo negativo deferido deveria ter sido atualizado pela taxa SELIC a partir do mês subsequente ao da apuração trimestral (junho/2006), ou seja, a partir de julho/2006; que, entretanto, o saldo negativo não foi atualizado pela taxa SELIC de julho a setembro/2006, data da utilização do crédito, conforme Demonstrativo Analítico da RFB transcrito nas razões do recurso (efl. 4416; que, se houvesse a referida atualização nesse período, o saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 seria de R$ 171.629,12 (valor atualizado), e não R$ 169.457,79 (valor original); e) que, se for acatada a DCTF retificadora (redução do débito da Cofins do PA agosto/2006), efetuada a atualização do saldo negativo no período julhosetembro/ 2006 e adotado o Demonstrativo Analítico de Compensação anexo ao Relatório de Diligência, débito do PIS de R$ 8.884,49 (efls. 4.395 a 4.397), o crédito será suficiente para zerar o citado débito remanescente do PIS. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. Em face dos argumentos da contribuinte, na Sessão de 03/03/2015, a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.624– 2ª Turma Especial (efls. 4432/4441), conforme voto condutor que, transcrevo, no que pertinente: (...) Compulsando os autos, observase que o Demonstrativo Analítico de Compensação, que aponta saldo remanescente de débito do PIS no valor de R$ 14.696,89, não consta dos autos, não foi juntado aos autos (consta apenas transcrição parcial do cálculo nas razões do recurso da contribuinte –e –fl. 4416). Logo, não há como aferir, enfrentar, essa questão, de como restou apurado o saldo remanescente do débito do PIS, anexo à intimação de ciência da decisão recorrida. Há falha na instrução do processo, por conseguinte, que não permite ao julgador firmar convicção quanto ao mérito do cálculo Demonstrativo Analítico de Compensação que aponta débito remanescente do PIS de R$ 14.696,89. Fl. 4595DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.596 9 Há, por conseguinte, necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Brasília a fim de que essa unidade do fisco: a) junte aos autos o comprovante de cálculo – Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, que apontaria débito remanescente de R$ 14.696,89 quanto à DCOMP 21518.77765.150906.1.3.022506, transmitida em 15/09/2006; b) informe a razão pelo qual teria sido emitido Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, diversos daqueles constantes do Relatório de Informação Fiscal – Diligência (efls. 4398/4400), onde o débito remanescente da Cofins do PA agosto/2006 seria de R$ 8.884,49, conforme extrato de 28/02/2013; c) verifique a razão pela qual o crédito não foi atualizado pela taxa SELIC, pois a recorrente alega que o crédito deferido (valor original) não foi atualizado, quanto ao período julho/2006 a setembro/2006 (até a data de transmissão da DCOMP). d) informe a situação das declarações retificadoras transmitidas pela recorrente, nos sistemas da RFB (se foram processadas, aceitas ou não), ou seja: que, em 13/01/2011, transmitiu DIPJ retificadora do ano calendário 2006 (Ficha 12), reduzindo o saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 de (R$ 180.084,76) para (R$ 165.937,47); que, em 15/03/2011, a contribuinte revisou o débito (...) confessado na DCOMP (PA agosto/2006), transmitindo DCTF retificadora, reduzindo o seu valor de R$ 154.154,68 para R$ 141.629,12; e) intime a contribuinte a comprovar o erro de fato no preenchimento das declarações primitivas, em face da transmissão das respectivas declarações retificadoras citadas anteriormente; f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, tratando, de forma cabal, em relação a cada um dos questionamentos formulados e em relação ao erro de fato, que implicou na apresentação das referidas retificadoras; g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Fl. 4596DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.597 10 Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (...) Realizada a Diligência Fiscal pela Diort da DRF/Brasília, os resultados foram apresentados no Relatório de Informação Fiscal de 02/02/2017 e juntados aos autos (efls. 4565/4568). Intimada a contribuinte dos resultados desse Relatório, Aviso de Recebimento AR (efls. 4571), juntou manifestação nos autos em 27/03/2017 (efls. 4574/4584). É o relatório. Fl. 4597DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.598 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A admissibilidade do Recurso Voluntário já fora realizada na Sessão de 03/03/2015, quando a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.624– 2ª Turma Especial de minha Relatoria (efls. 4432/4441). Realizada a diligência fiscal, os autos retornaram ao CARF, e foram distribuídos a esta 1ª Turma/3ª Câmara/1ª SEJUL para minha Relatoria, em face do disposto no art. 49, §§ 5º, 6º e 7º, Anexo II, RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 49 (...) ........................................................................................................ §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. §7º Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em colegiado integrante de outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para o novo colegiado. Efetuada essa explicitação, passo analisar o recurso. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à analisar o mérito. Nas razões do recurso, a recorrente suscitou os seguintes pontos em relação ao direito creditório demandado, ou seja, saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006 e saldo a pagar do PIS (débito remanescente):: Fl. 4598DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.599 12 que a decisão a quo reconheceu parcialmente direito creditório –saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006, ou seja, R$ 169.457,79 (valor original); que, em face desse crédito deferido, restou saldo remanescente de débito a pagar da Contribuição para o PIS, valor de R$ 8.884,49, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, extrato de 28/02/2013 (efls. 4395/4397); que o crédito deferido restou insuficiente pelo fato da RFB ter reconhecido apenas saldo negativo do imposto de R$ 169.457,79 e não R$ 171.629,12 (faltou corrigir pela taxa Selic); que, quando da ciência do Acórdão recorrido em 05/09/2013, a contribuinte recebeu cobrança de saldo remanescente de débito a pagar PIS de R$ 14.696,89 (prazo de 30 dias para pagar); que, como visto, o valor é diverso do saldo do débito a pagar do PIS de R$ 8.884,49 (principal) de que trata o Demonstrativo Analítico de Compensação, de 28/02/2013 (efls. 4395/4397); (Obs: Entretanto, não consta dos autos essa suposta carta de cobrança, a contribuinte faz mera alusão dela nas razões do recurso); que, entretanto, esse saldo de débito do PIS a pagar (débito remanescente) pode ser inexistente, caso sejam considerados os seguintes ajustes: a) que, em 13/01/2011, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora do ano calendário 2006 (Ficha 12), reduzindo o saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 de (R$ 180.084,76) para (R$ 165.937,47); b) que, em 15/03/2011, a contribuinte revisou os débitos confessados da Cofins DCOMP (PA agosto/2006), transmitindo DCTF retificadora, reduzindo o seu valor de R$ 154.154,68 para R$ 141.629,12; c) que a DCOMP não foi retificada pelo fato de, na época, já possuir despacho decisório (tomou ciência do despacho decisório em 05/03/2009) (efls. 30/31); d) que, como apurou o resultado pelo regime do Lucro Real trimestral, o saldo negativo deferido deveria ter sido atualizado pela taxa SELIC a partir do mês subsequente ao da apuração trimestral (junho/2006), ou seja, a partir de julho/2006; que, entretanto, o saldo negativo não foi atualizado pela taxa SELIC de julho a setembro/2006, data da utilização do crédito, conforme Demonstrativo Analítico da RFB transcrito nas razões do recurso (efl. 4416; que, se houvesse a referida atualização nesse período, o saldo negativo do imposto do 2º trimestre/2006 seria de R$ 171.629,12 (valor atualizado), e não R$ 169.457,79 (valor original); e) que, se for acatada a DCTF retificadora (redução do débito da Cofins do PA agosto/2006), efetuada a atualização do saldo negativo no período julhosetembro/ 2006 e adotado o Demonstrativo Analítico de Compensação anexo ao Relatório de Diligência (efls. 4.395 a 4.397), o crédito será suficiente para zerar o débito remanescente do PIS. Em face desses pontos suscitados nas razões do recurso nesta instância ordinária recursal, na Sessão de 03/03/2015 a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Fl. 4599DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.600 13 Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 1802000.624– 2ª Turma Especial (efls. 4432/4441). Consta do Relatório de Diligência (efls. 4565/4568), quanto ao valor do saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre/2006 e quanto ao débito remanescente do PIS: que o saldo remanescente do débito a pagar do PIS (principal) é R$ R$ 8.884,49, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, de 28/02/2013 (efls. 4395/4397); que eventual existência de outro demonstrativo, do qual fez alusão a contribuinte nas razões do recurso, não foi gerado ou produzido pela RFB; que a apresentação da DCTF retificadora, que reduziu débitos da Cofins confessados na DCOMP, não guarda relação com a apuração do direito creditório pleiteado nos autos. Realmente, não cabe ao CARF tratar dos débitos confessados na DCOMP (se foram confessados débitos a maior ou inexistente). No processo de compensação tributaria a competência do CARF é para analisar o direito creditório, sua formação, sua liquidez e certeza. Falece, foge, da alçada do CARF conhecer de débitos confessados em DCOMP (essa matéria de fato deve ser agitada, no caso, na DRF de origem, mediante revisão de ofício, art. 147,§ 2º, do CTN, quando constatada na DCOMP a confissão de débito a maior ou inexistente após ciência do despacho decisório, que é o caso). Se o erro de fato na confissão de débitos na DCOMP foi constatado antes da ciência do despacho decisório, a situação se resolve mediante apresentação pela contribuinte de DCOMP retificadora. que em relação ao crédito de R$ 169.457,79. O crédito, conforme documento da folha 4397, foi atualizado pela Selic. A partir dessa atualização (de 3,43%, explícitada no Demonstrativo Analítico de Compensação), chegouse, finalmente, no saldo devedor de R$ 8.884,49. do PIS (valor do principal). O demonstrativo de atualização do direito creditório da recorrente consta (e fl. 4397), que transcrevo: (...) Crédito: Recolhimento de 2362 (IRPJ) em 30/06/2006 R$ 169.457,79 Ordem > 0001 (...) Índice de correção do crédito : 1,0343 R$ 175.270,19 a. Selic (06/2006 a 09/2006): 3,43 % (...) Fl. 4600DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.601 14 Portanto, o direito creditório corrigido pelo fisco perfaz o montante de R$ 175.270,19, valor que ficou acima do valor alegado, pretendido pela recorrente, nas razões do recurso, de R$ 171.629,12. Assim, todas as alegações da recorrente não têm pertinência, restaram refutadas. Ainda, como razão de decidir, portanto, adoto e transcrevo a conclusão constante do Relatório Informação Fiscal (efls.4565/4568), elaborado pela Diort da DRF/Brasília, em 02/02/20017, em cumprimento da solicitação de diligência pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Seção de 03/03/2015, conforme Resolução nº 1802000.624– 2ª Turma Especial (efls. 4432/4441) , in verbis: (...) 4. Passase a análise dos elementos apontados e questionados pelo CARF. a) junte aos autos o comprovante de cálculo – Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, que apontaria débito remanescente de R$ 14.696,89 quanto à DCOMP 21518.77765.150906.1.3.022506, transmitida em 15/09/2006; Tal informação foi posta no processo no recurso ao CARF pela Contribuinte – e isso não encontra nenhuma sustentação no processo. A RFB não enviou esse documento para a Empresa. Ao contrário, apresentou, em seus cálculos, o valor de R$ 8.884,49 (folhas 4395 a 4397, antes da informação fiscal das folhas 4398 4400). b) informe a razão pelo qual teria sido emitido Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, diversos daqueles constantes do Relatório de Informação Fiscal – Diligência (efls. 4398/4400), onde o débito remanescente da Cofins do PA agosto/2006 seria de R$ 8.884,49, conforme extrato de 28/02/2013; Informase que tal demonstrativo analítico não fora emitido pela RFB. Assim, as razões de sua existência não são possíveis de justificativa por esta DRF. Essa listagem de débitos é diferente daquela posta como subsídio da Informação Fiscal de diligência. Ela não consta como produzida pela RFB, nem da Informação Fiscal de diligência (solicitada pela DRJ e posta nas folhas 4398 a 4400), nem no acórdão da DRJ. Desse modo, não se pode emitir opinião sobre esse documento. Ao contrário, pode ser pertinente questionar a Contribuinte como tal documento chegou a seu conhecimento ou fora produzido – e até se fora produzido pela Empresa. c) verifique a razão pela qual o crédito não foi atualizado pela taxa SELIC, pois a recorrente alega que o crédito deferido (valor original) não foi atualizado, quanto ao período julho/2006 a setembro/2006 (até a data de transmissão da DCOMP). Fl. 4601DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.602 15 O crédito, conforme documento da folha 4397, foi atualizado pela Selic. A partir dessa atualização (de 3,43%, explicitada no Demonstrativo Analítico de Compensação), chegouse, finalmente, no saldo devedor de R$ 8.884,49. (...) d) informe a situação das declarações retificadoras transmitidas pela recorrente, nos sistemas da RFB (se foram processadas, aceitas ou não), ou seja: (...) que, em 15/03/2011, a contribuinte revisou o débito da Cofins confessado na DCOMP (PA agosto/2006), transmitindo DCTF retificadora, reduzindo o seu valor de R$ 154.154,68 para R$ 141.629,12; A DCTF de agosto de 2006, transmitida em 15/03/2011 está aceita, nos sistemas da RFB. Importa esclarecer que a retificação da DCTF não guarda relação com a apuração do direito creditório. e) intime a contribuinte a comprovar o erro de fato no preenchimento das declarações primitivas, em face da transmissão das respectivas declarações retificadoras citadas anteriormente; A Contribuinte foi intimada, conforme documento da folha 4453 (Intimação Fiscal nº 1568/2016DIORT/DRFBRASÍLIA/DF. A resposta da Empresa está posta nas folhas de 4472 a 4559. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, tratando, de forma cabal, em relação a cada um dos questionamentos formulados e em relação ao erro de fato, que implicou na apresentação das referidas retificadoras; A DIPJ da Empresa, quando da apuração do Imposto de Renda a Pagar, apurou, em sua versão valida atualmente, o valor de R$ 165.937,47. Porém, a Informação Fiscal de Diligência das folhas 4398 a 4400 encontrou outras retenções não abordadas pela Declarante. Assim, o autor daquela Informação apurou saldo de R$ 169.457,79 (uma diferença a favor da Requerente de R$ 3.520,32). O valor apurado na IF foi considerado pela DRJ. De posse desses valores e considerando corretamente a data de valoração do crédito tributário, obtevese o Demonstrativo Analítico de Compensação. Tal demonstrativo atualizou o valor a compensar de junho a setembro de 2006 (taxa Selic de 3,43%). E, realizando as compensações com o débito apresentado pela Empresa, verificou insuficiência do valor pleiteado para extinção do total declarado. O resultado final foi um saldo de R$ 8.884,49. Fl. 4602DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.603 16 f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, tratando, de forma cabal, em relação a cada um dos questionamentos formulados e em relação ao erro de fato, que implicou na apresentação das referidas retificadoras; A DIPJ da Empresa, quando da apuração do Imposto de Renda a Pagar, apurou, em sua versão valida atualmente, o valor de R$ 165.937,47. Porém, a Informação Fiscal de Diligência das folhas 4398 a 4400 encontrou outras retenções não abordadas pela Declarante. Assim, o autor daquela Informação apurou saldo de R$ 169.457,79 (uma diferença a favor da Requerente de R$ 3.520,32). O valor apurado na IF foi considerado pela DRJ. De posse desses valores e considerando corretamente a data de valoração do crédito tributário, obtevese o Demonstrativo Analítico de Compensação. Tal demonstrativo atualizou o valor a compensar de junho a setembro de 2006 (taxa Selic de 3,43%). E, realizando as compensações com o débito apresentado pela Empresa, verificou insuficiência do valor pleiteado para extinção do total declarado. O resultado final foi um saldo de R$ 8.884,49. g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. (...) Intimada a contribuinte do resultado da diligência, apresentou suas razões (e fls. 4574/4584) concordando com o crédito deferido, apenas discordando acerca do débito remanescente da Cofins de R$ 8.884,49, argumentando que a RFB, no relatório de diligência, seria contraditória, pois informa que a DCTF (retificadora) que reduziu a Cofins foi aceita, porém está cobrando esse débito da Cofins (remanescente), quando o crédito existente seria suficiente para quitação desse débito e ainda haveria um saldo residual a seu favor da empresa de R$ 3.641,07 (em face da DCTF Retificadora aceita que reduziu o débito da Cofins). Aqui cabe esclarecer, como já dito alhures, houve redução do débito da Cofins no âmbito da DCTF (retificadora), mas não implicou redução do débito da Cofins confessado na DCOMP. São situações distintas. Não cabe confundir. Isso ficou bem explícito no relatório de diligência: (...) d) informe a situação das declarações retificadoras transmitidas pela recorrente, nos sistemas da RFB (se foram processadas, aceitas ou não), ou seja: (...) Fl. 4603DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.604 17 que, em 15/03/2011, a contribuinte revisou o débito da Cofins confessado na DCOMP (PA agosto/2006), transmitindo DCTF retificadora, reduzindo o seu valor de R$ 154.154,68 para para R$ 141.629,12; A DCTF de agosto de 2006, transmitida em 15/03/2011 está aceita, nos sistemas da RFB. Importa esclarecer que a retificação da DCTF não guarda relação com a apuração do direito creditório. (...) Quanto a erro de fato no preenchimento da DCOMP (confissão de débito a maior ou de débito inexistente), é matéria estranha, foge da competência CARF, como já dito alhures. A competência do CARF, em processo de compensação, envolve apenas questões atinentes ao direito creditório pleiteado, utilizado na DCOMP, sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN). Quanto ao direito creditório, como já explicado alhures, já foi deferido a totalidade pela decisão a quo, bem como já ocorreu a atualização pelo índice respectivo juros Taxa Selic, quando da execução administrativa da decisão da DRJ. Já quanto aos débitos confessados na DCOMP, não cabe discutilos, após ciência do despacho decisório, no âmbito do processo de compensação tributária, rito do Decreto 70.235/72. A contribuinte alegou que o débito da Cofins, confessado na DCOMP, em parte é inexistente; porém, constatou tal fato após ciência do despacho decisório. Nessa circunstância, vale lembrar a IN SRF nº 600/2005, a IN RFB nº 1300/2012, sempre impediram a retificação da DCOMP após a ciência do despacho decisório e, a atual, IN RFB 1717 (art. 107 e parágrafo único ), também, impede. Assim, o erro de fato que levou a contribuinte a confessar débito a maior na DCOMP, se questionado apenas após a ciência do despacho decisório, se comprovado o erro de fato de forma cabal, cabe pedido de revisão de ofício da DCOMP dirigido à unidade local da RFB, mediante juntada de provas do erro alegado. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. No caso, embora o Relatório de Informação Fiscal informe que a DCTF retificadora fora aceito pela unidade de origem da RFB, isso não tem o condão de tornar o CARF competente para retificar a DCOMP, cuja competência é apenas da unidade de origem da RFB para rever de ofício. A propósito, transcrevo conclusão, entendimento também neste sentido de que é competência da DRF local a apreciação de erro fato na confissão de débito na DCOMP via revisão de ofício, constante do Relatório Informação Fiscal (efls. 4565/4568), in verbis: Fl. 4604DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.605 18 (...) 8. Sob este escopo, analisase as DCTF apresentadas pela Empresa. Nelas, constatase que não houve alteração do valor do crédito de PIS a ser extinto pela Declaração de Compensação. As DCTF informam a liquidação de R$ 30.000,00 na Dcomp em análise (folhas 4561 e 4562). 9. Em contrapartida, as mesmas DCTF reduzem o valor de Cofins a ser extinto por compensação. Na original, declarase um total de R$ 174.949,46 e destes, R$ 154.154,68 extinto pela Dcomp. Na retificadora valida atualmente, o valor total de Cofins é de R$ 171.873,28. O valor a ser extinto por compensação é de R$ 141.629,12 (folhas 4563 e 4564). Esse valor está no recurso da Empresa (item 5). E, conforme já respondido nos quesitos, a DCTF foi recepcionada e está aceita. 10. Sobre essa redução do valor do débito declarado em Dcomp, apresentase a Instrução Normativa RFB nº 1.300. Ela posta: Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. 11. Da leitura dessa IN com o pedido da Requerente, podese afirmar que a retificação da Dcomp afronta tanto o caput do artigo quanto o parágrafo único. Isso porque o pedido veio após decisão administrava. E veio também depois de uma série de intimações para a Contribuinte apresentar seus argumentos. 12. Ignorando tais normas, é válida a assertiva de que, caso seja pertinente o pedido da Contribuinte (de retificar a Dcomp), esta análise deveria ser feita pela unidade responsável pela decisão administrativa inicial. A retificação da Dcomp não foi objeto de abordagem em nenhum dos argumentos postos até então – e portanto nenhuma das instâncias anteriores analisou este mérito. Ela foi apresentada apenas e diretamente ao CARF, alheia ao mérito do recurso inicial, que é o direito creditório em si. 13. Assim, além da tentativa de responder os questionamentos apresentados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acrescentase que: a) O direito creditório da Contribuinte já fora reconhecido previamente (e superlativamente) pela DRJ. (...) Fl. 4605DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.606 19 Como já dito, não ao CARF apreciar, julgar débitos confessados pelo contribuinte em DCOMP. Precedentes do CARF: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO NA INDICAÇÃO DOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DOS DÉBITOS CONFESSADOS. Os procedimentos administrativos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, não estão a cargo do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal.(Ac. 1802002.343–2ª Turma Especial, Sessão de 23/09/2014, Presidente e Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 DCOMP. CANCELAMENTO. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA. As instâncias de julgamento administrativo (DRJ e CARF) não possuem competência para apreciação de questões relacionadas ao cancelamento de declaração de compensação ou à cobrança dos respectivos débitos. PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. CONVERSÃO. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformida de como pedido de revisão de ofício. (Ac. 3001000.095–Turma Extraordinária/1ªTurma, Sessão 12/12/2017, Pres. e Relator Orlando Rutigliani Berri). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMEN TO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformi dade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformi dade como pedido de revisão de ofício. (Ac.1301002.243–3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão 23/03/2017, Redator Designado Conselheiro Flávio Franco Corrêa). PEDIDO DE CANCELAMENTO DO DÉBITO DO SIMPLES CONFESSADO NA DCOMP. ERRO DE FATO. DÉBITO APURADO MEDIANTE APLICAÇÃO DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES QUANDO ERA VIGENTE OPÇÃO MANIFESTADA Fl. 4606DF CARF MF Processo nº 10166.903360/200972 Acórdão n.º 1301002.866 S1C3T1 Fl. 4.607 20 PELO REGIME DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Eventual equívoco ou engano atinente ao débito confessado em DCOMP, como por exemplo confissão de débito a maior ou inexistente, por envolver matéria estranha, não imanente ou instrínsica à formação do direito creditório, por não envolver matéria atinente à aferição dos requisitos de certeza e liquidez do direito creditório, foge ou escapa da alçada do CARF conhecer de matéria de fato quanto a débito confessado pelo contribuinte em DCOMP. Entretanto, no caso de erro de fato na apuração do débito confessado na DCOMP (débito a maior ou inexistente) e transmissão da DCOMP por equívoco, é possível a revisão de ofício pela autoridade administrativa da unidade de origem da RFB, nos termos do art. 147, § 2º, do CTN, desde que reste comprovado efetivamente pelo contribuinte, à luz da escrituração contábil e fiscal, o alegado erro de fato. (Ac. 1802002.438–2ª Turma Especial da 1ª SEJUL, Sessão de 03/02/2015, Relator Nelso Kichel). Portanto, no caso de erro de fato quanto ao valor do débito confessado na DCOMP (débito a maior ou inexistente) é possível a revisão de ofício pela autoridade administrativa da unidade de origem da RFB, nos termos do art. 147, § 2º, do CTN, desde que reste comprovado efetivamente pela contribuinte, à luz da escrituração contábil e fiscal, o alegado erro de fato. A contribuinte, então, poderá juntar aos autos petição pela revisão de ofício dirigida à DRF/Brasília, acostando provas cabais de sua escrituração contábil e fiscal acerca do alegado erro de fato que a levou a confessar débito a maior da Cofins na DCOMP objeto dos autos. Mantémse a exigência do saldo remanescente de débito a pagar da Contribuição para o PIS, valor de R$ 8.884,49 (principal), conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, extrato de 28/02/2013 (efls. 4395/4397) com acréscimos legais, juros Selic e multa de mora. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 4607DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000752/2005-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 10/01/1999
IPI. SALDO CREDOR ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF 33/99.
Não é ilegal a IN SRF nº 33/99 quanto ao aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, posto que o próprio art. 11 da Lei 9.779/99 delegou competência à RFB para normatizá-lo.
Súmula CARF nº 16 - "O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999."
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-006.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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SALDO CREDOR ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF 33/99. Não é ilegal a IN SRF nº 33/99 quanto ao aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, posto que o próprio art. 11 da Lei 9.779/99 delegou competência à RFB para normatizálo. Súmula CARF nº 16 "O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999." Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 07 52 /2 00 5- 64 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 9303006.971 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 602/610), admitido pelo despacho de fls. 622/625, que se insurge contra o Acórdão 3403001.913 (fls. 586/595), de 26/02/2013, que negou à unanimidade provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa, quanto à parte admitida, foi vazada com a seguinte dicção: IPI. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF nº 33/99. Não padece de ilegalidade a IN SRF nº. 33/99, no que restringe o aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, para compensação escritural com débitos do próprio imposto ou no que condiciona o ressarcimento e a compensação de saldos formados a partir de janeiro de 1999 ao prévio esgotamento de créditos remanescentes na escrituração do contribuinte em 31.12.1998. O contribuinte, em síntese, entende ilegal a exigência veiculada pelo § 3º do art. 5º da IN SRF 33/99, quando esta determina que só passa a incidir a norma do art. 11 da Lei 9.779/99 após o esgotamento dos crédito havidos até 31/12/1998, ou seja, anteriores à vigência daquela Lei. A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões (fls. 627/632), pugna pela manutenção do aresto recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. Emerge do relatado, que o cerne do litígio reside na existência ou não do direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI existente no livro modelo 8 em 31/12/1998, relativo ao acúmulo de créditos básicos, com arrimo no art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999, e nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430/96. A Lei nº 9.779/99 introduziu nova sistemática de creditamento de IPI, permitindo que os créditos amealhados fossem compensados, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei nº. 9.430/96. O novo regime seria moldado pelos atos regulamentares, pois o dispositivo legal ressalvou expressamente que deveriam ser observadas as normas expedidas pela Receita Federal do Brasil. Fazse oportuna a transcrição do art. 11 da Lei nº. 9.779/99: Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 9303006.971 CSRFT3 Fl. 4 3 “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda”. Por ter instituído um novo regime jurídico para os créditos de IPI, passando a assegurar o ressarcimento e/ou a compensação de créditos não básicos de IPI com outros tributos, é inequívoco que a Medida Provisória nº 1.788, de 29/12/1998, convertida na Lei no. 9.779, de 19/01/1999, criou direito novo, razão pela qual, evidentemente, a segregação entre créditos gerados antes e depois do seu advento. E justamente em função de uma alteração na sistemática do IPI, que a meu sentir perverteu o princípio da nãocumulatividade, a Lei tratou de fazer um corte temporal, iniciando sua vigência a partir de sua publicação (art. 21 da Lei 9.779/99), a qual se operou em 20/01/1999. Assim, em tese, os efeitos do transcrito art. 11 somente protrairia seus efeitos a partir dessa data. Contudo, a mesma norma, no final do referido art. 11, condicionou os efeitos de seu permissivo legal às "normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda", o que veio a ser concretizado pela edição da Instrução Normativa SRF nº 33/99, cujos arts. 4º e 5º, que a seguir se reproduz, dispõem: “Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 9303006.971 CSRFT3 Fl. 5 4 § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo”. Dessarte, não há que se falar que o mencionado ato normativo tenha extrapolado os limites legais, pois sua edição e regramento, com arrimo em delegação da própria Lei, trataram de integrar e disciplinar os efeitos da mesma. Portanto, falece razão à recorrente quando alega que a IN RFB 33/99 extrapolou os limites legais. Diria até mesmo o contrário, a norma administrativa fez retroagir os efeitos da nova sistemática de creditamento do IPI. A SÚMULA CARF nº 16 vai ao encontro desse entendimento, conforme se depreende do seu enunciado: "O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999." DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 9303006.971 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 638DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002719/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBO ASSINADO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O recibo médico, quando hábil a comprovar a despesa médica paga, deve ser assinado por quem efetivamente prestou o serviço ou por terceiro que regularmente o represente.
GANHO DE CAPITAL. DOAÇÃO. ADIANTAMENTO DE LEGÍTIMA.
Quando a transferência de bens do patrimônio do doador para o do donatário, em função do adiantamento da legítima, se der por valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento.
Numero da decisão: 2402-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO ASSINADO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O recibo médico, quando hábil a comprovar a despesa médica paga, deve ser assinado por quem efetivamente prestou o serviço ou por terceiro que regularmente o represente. GANHO DE CAPITAL. DOAÇÃO. ADIANTAMENTO DE LEGÍTIMA. Quando a transferência de bens do patrimônio do doador para o do donatário, em função do adiantamento da legítima, se der por valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
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RECIBO ASSINADO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O recibo médico, quando hábil a comprovar a despesa médica paga, deve ser assinado por quem efetivamente prestou o serviço ou por terceiro que regularmente o represente. GANHO DE CAPITAL. DOAÇÃO. ADIANTAMENTO DE LEGÍTIMA. Quando a transferência de bens do patrimônio do doador para o do donatário, em função do adiantamento da legítima, se der por valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 19 /2 01 0- 71 Fl. 270DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11516.002719/201071 Acórdão n.º 2402006.088 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 03.04.2009 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 38.646,96, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercício 2009; 2 Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (AJUSTE ANUAL) Dedução Indevida de Despesas Médicas exercícios 2007, 2008 e 2009; 3 Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (AJUSTE ANUAL) Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa exercícios 2007, 2008 e 2009; e 4 Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (AJUSTE ANUAL) Dedução Indevida de Previdência Privada/FAPI exercício 2009. Com relação às constatações e aos fatos apurados, valhome do relatório do acórdão recorrido às fls. 236/237: De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração o lançamento decorreu da constatação da falta de recolhimento de imposto incidente sobre os ganhos de capital obtidos na alienação de dois apartamentos e da constatação de infração de dedução indevida de despesas médicas, despesas de Livro Caixa e despesas com Previdência Privada. No Termo de Verificação Fiscal anexado às fls. 142/153 são descritos os procedimentos fiscais realizados, os documentos solicitados e os apresentados. Relativamente as deduções efetuadas a título de Livro Caixa os valores foram glosados por se referirem a despesas incorridas para obtenção de rendimentos de aluguéis. O contribuinte ao declarar os rendimentos pagos pelos locatários, já abateu os valores pagos à imobiliária a título de comissão. Em relação a dedução de contribuições para a previdência privada, foi verificado que o valor declarado de R$ 1.093,10, conforme consta no documento emitido pelo Bradesco Vida e Previdencia, referese ao valor resgatado no ano calendário 2008, não sendo dedutível. Fl. 272DF CARF MF 4 No tocante as despesas médicas foram glosados os valores declarados como pagos a Unimed pois não foram apresentados os demonstrativos de pagamentos com a discriminação das parcelas por beneficiário para os anos de 2007 e 2008 e, quanto ao ano de 2006, a declaração fornecida pela Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis evidencia que o pagamento foi efetuado pela empresa Transnico Transportadora Ltda, da qual o contribuinte era sócio gerente. Também foram glosados os pagamentos feitos a nutricionista e os pagamentos amparados em recibos emitidos em ano diverso do fiscalizado, ou preenchidos em desacordo com a legislação tributária, sem a assinatura e endereço completo do emitente. Em relação aos bens e direitos foi constatada a alienação de imóveis no ano de 2008. Um dos imóveis alienado é o apartamento nº 1.104, do Edifício Benjamin Constant. Verificou a auditora autuante no Contrato por instrumento particular de compra e venda de imóvel, mútuo e alienação fiduciária em garantia, que o contribuinte vendeu esse imóvel a filha, Juliana Santana, em 16/05/2008, por R$516.000,00. O pagamento foi parcialmente efetuado com recursos provenientes de um empréstimo de R$195.000,00 obtido da Caixa Econômica Federal. Quanto a parcela restante (R$321.000,00), a ser paga com recursos próprios, não foi apresentado o respectivo comprovante. O contribuinte e a adquirente afirmam que não houve nenhum outro pagamento, ficando essa parcela a título de doação. Salientou a auditora autuante que ainda que se considere como doação uma parcela do total de R$516.000,00, há incidência de Imposto de Renda sobre a operação. Considerando o custo de aquisição do imóvel informado nas Declarações de Bens e Direitos do contribuinte, até a data da alienação (R$107.740,67), houve um ganho de capital de R$408.259,33. Foi verificado também que a outra filha, Carolina Santana Malluta, e o cônjuge, Everson Fernando Malluta manifestaram seu consentimento. E neste caso, o consentimento expresso da outra filha e de seu marido não demonstra que houve uma doação, mas uma venda, conforme exigência prevista no art. 496 do Código Civil. Tal consentimento é dispensável no caso de doação, pois este ato importa adiantamento da legítima, como dispõe o art. 544 do Código Civil. O outro imóvel tratase do apartamento nº 1.142, do Edifício Residencial Munique. Conforme o Contrato Particular de Promessa de Permuta com Torna e as informações fornecidas pela Construtora Pinheiro, a aquisição pelo contribuinte do apartamento nº 805, do Ed. Fellicitá ocorreu em 11/12/2007. Nessa operação, o contribuinte entregou à Construtora a sala comercial nº 514, do Ed. Com. Madison Center, por R$75.000,00, devendo pagar ainda R$100.000,00, sendo R$28.000,00 na entrega das chaves, e 48 parcelas mensais de R$1.500,00 a partir de 10/03/2008. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11516.002719/201071 Acórdão n.º 2402006.088 S2C4T2 Fl. 4 5 Como a conclusão do imóvel estava prevista para 2010, não ocorreu o pagamento de R$28.000,00 nem das parcelas mensais. Assim em 17/11/2008, o contribuinte assinou o Termo Aditivo III, mediante o qual entregou à Construtora Pinheiro, por R$125.000,00, o apartamento nº 1.142, no Ed. Munique. Com isso além de quitar o saldo devedor (atualizado para R$109.000,00), o contribuinte obteve um crédito de R$16.000,00, que foi empregado na aquisição da sala nº 104, no Ed. Comercial Meridian Office. A entrega do apartamento nº 1142, no Edifício Munique, como parte do pagamento do imóvel nº 805 do Ed. Fellicitá, configura uma alienação. Tratase aqui de uma dação em pagamento. Como o preço da alienação (R$125.000,00) foi superior ao custo (R$75.000,00), a diferença constitui ganho de capital sujeito a tributação. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 234/243, quando restabeleceu despesa médica no valor de R$ 520,00, referente ao exercício 2007. Na mesma oportunidade, a instância julgadora de piso considerou não impugnado o lançamento de imposto sobre o ganho de capital relativo ao apartamento nº 1.142, do Edifício Residencial Munique e as infrações de dedução indevida de despesas com Livro Caixa, despesas com previdência privada e despesas médicas dos exercícios 2009 e 2008, anos calendário 2008 e 2007 Em seu Recurso Voluntário de fls. 257/266 aduz em síntese: Quanto às Despesas Médicas, que o RIR não exige que o recibo seja assinado pelo próprio médico, além de não haver indício de que a despesa não tenha sido arcada pelo recorrente; Que parte do imóvel teria sido doado à sua filha como adiantamento de legítima. Daí, o inciso III do artigo 22 da Lei 7.713/88 estaria excluindo tal operação do ganho de capital. Ademais, o artigo 23 da Lei 9.532/97 seria inconstitucional. Que violaria o princípio da capacidade contributiva; Que na doação inexiste acréscimo patrimonial do doador. Ao contrário, haveria uma redução de patrimônio; e Que, assim, devem ser excluídos, do ganho de capital, os R$ 321.000,00 na doação do apartamento 1104, no ano calendário 2008. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 20.02.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 24.03.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. A controvérsia, como bem vista no recurso do contribuinte, gravita em torno da despesa médica que pretendeu comprovar por meio do recibo de R$ 150,00 (fls. 31) e do ganho de capital na alienação do apartamento nº 1104, no que toca à parcela de R$ 321.000,00 que representaria uma doação à filha do recorrente. Quanto à glosa, nada a prover. O recibo, em função do fim a que se dispõe, deve ser subscrito pela pessoa que efetivamente recebeu a importância lá consignada, ou por seu regular representante. Por óbvio, recibo subscrito por terceiro alheio à relação obrigacional, nesta condição, não se presta a provar a satisfação da exigência. No que toca ao ganho de capital apurado, a Fiscalização, conforme se denota de fls. 136, considerou a importância de R$ 107.740,67 (declarado na DIRPF/09 fls. 133) e o dia 14.03.1985 como, respectivamente, data e valor de aquisição do imóvel. Como data e valor de alienação, respectivamente, o dia 16.05.2008 e R$ 516.000,00. Sobre o ganho apurado, aplicou os percentuais de redução das Leis 7.713/88 (20%) e 11.196/2005, chegando ao ganho tributável de R$ 144.349,21. A DIRPF/2009 (fls. 133), em sua Declaração de Bens e Direitos, evidencia a venda do imóvel em questão à Juliana Sant Ana, CPF 888.202.629,91. O artigo 544 do Código Civil, ao tratar da doação de ascendentes a descendentes, não exige a anuência dos demais herdeiros, na medida em que, pelo próprio regramento, a considera como adiantamento do que lhes couber por herança. Assim, a aquiescência da outra herdeira (fls. 51 Carolina Sant Ana Malluta), para fins de adiantamento da legítima, teria sido, a meu ver, desnecessária. No Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel assinado, dentre outros, pelo recorrente e pela adquirente, no âmbito do sistema de financiamento imobiliária, foi feito constar que do valor venal (R$ 516.000,00), R$ 321.000,00 estaria se dando, se houvesse, por recursos próprios da adquirente. A tributação do ganho de capital na alienação de imóvel tem assento legal no artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial em seus três primeiros parágrafos, verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11516.002719/201071 Acórdão n.º 2402006.088 S2C4T2 Fl. 5 7 percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Em que pese o previsto no inciso III do artigo 22 do mesmo diploma 1, o artigo 23 da Lei 9.532/97, editada posteriormente, estabelece que sempre que a transferência de bens do patrimônio do doador para o do donatário, em função do adiantamento da legítima, se der por valor de mercado, e é o caso, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Nesse sentido, tenho que, à luz do dispositivo acima, o procedimento fiscal não merece reparos. Por fim, quanto às alegações de inconstitucionalidade, cumpre ressaltar que este colegiado, a teor da súmula CARF nº 2, combinada com o disposto no artigo 72 do RICARF, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, tampouco é permitido afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de sua inconstitucionalidade. (art. 62 do RICARF). Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 1 Art. 22. Na determinação do ganho de capital serão excluídos: (...) III as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima; Fl. 276DF CARF MF 8 + Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10517.720001/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/05/2009
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO.
Constatado por meio de elementos de prova, colhidos nas dependências do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas correspondentes.
SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO Nº 1.455/1976, e § 3º, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA.
Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), deve-se aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3º, Decreto-Lei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-005.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 13/05/2009 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO. Constatado por meio de elementos de prova, colhidos nas dependências do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas correspondentes. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO Nº 1.455/1976, e § 3º, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), deve-se aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3º, Decreto-Lei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO. Constatado por meio de elementos de prova, colhidos nas dependências do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas correspondentes. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO Nº 1.455/1976, e § 3º, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETOLEI Nº 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3º, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do DecretoLei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 7. 72 00 01 /2 01 4- 11 Fl. 8127DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.128 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fls.1 4/146), lavrados em 03/10/2014, e cientificados pessoalmente, em 08/10/2014 (TERMO à fl. 7.938), para exigência de créditos tributários relativos ao Imposto de Importação – II (R$170.539,25); ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (R$55.589,70); ao PISImportação (R$3.502,27); e ao COFINSImportação (R$16.130,31); acrescidos da multa de ofício qualificada (150%) e dos juros de mora; em razão de declaração de preços inexatos (subfaturados) em relação aos preços efetivamente praticados; além de multa substitutiva de perdimento (R$3.215.188,91), das mercadorias não localizadas, conforme RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO RF, elaborado pelas autoridades fiscais (fls. 7894/7928). O procedimento de auditoria foi assim descrito e resumido no relatório da decisão recorrida (fls. 8.043): "A presente fiscalização originouse da análise de documentos e arquivos magnéticos apreendidos na denominada “Operação Hércules”, realizada em meados de 2009, pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, em duas casas de câmbio de Porto Alegre, com o propósito de combater crimes praticados contra o sistema financeiro nacional. Da análise da referida documentação, constatouse que a empresa BREMEN, assim como diversas outras empresas, era cliente dos operadores de câmbio (doleiros) investigados e indiciados no inquérito policial, e promovia, por meio deles, remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta. No período de 2009 a 2011 a empresa registrou 237 declarações de importação, totalizando US$ 14.990.587,10 em valor declarado pelas mercadorias importadas. As mercadorias consistem basicamente de equipamentos, ferramentas, partes e peças, suprimentos para oficinas, postos de combustíveis, borracharias etc, adquiridos de inúmeros fornecedores, a maioria deles da China. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 8128DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.129 3 Foi apurado pela fiscalização a ocorrência de preços subfaturados em relação aos preços efetivamente praticados, em razão do que foi lavrado o presente auto de infração para a cobrança da diferença de tributos e penalidades cabíveis." (grifei) Cientificado pessoalmente dos Autos de Infração, em 08/10/2014 (fls. 7.938), apresentou Impugnação, em 06/11/2014 (fls. 7.943/7.981), alegando, em síntese, emprestada da decisão recorrida (fls. 8.043/8.052): "O impugnante alegou que: DOS FATOS [...] DO PROCEDIMENTO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO [...] A INOCÊNCIA DA AUTUADA Pelo exposto no item anterior, requer a nulidade do presente auto de infração por estar comprovada a inocência da autuada, vítima que foi de falsários, conforme bem comprovam os depoimentos juntados ao presente processo. PRELIMINAR DE MÉRITO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL [...] Por todo o exposto, deve ser liminarmente anulado o presente AI, ou no mínimo, ser desconsiderada na presente autuação, a multa por Dano ao Erário, por equívoco dos Auditores Fiscais e por ferir princípios basilares da nossa legislação ao aplicar a multa do art. 689,VI RA/2009, quando deveria ser a do art. 703 do mesmo diploma legal. Qualquer interpretação diferente desta ótica, como a aplicação da multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria é uma clara homenagem ao CONFISCO! CERCEAMENTO DE DEFESA [...] A Carta Magna em seu inciso LV do artigo 5º, garante que a todos é assegurada a ampla defesa e o contraditório. Uma "investigação" de natureza tributária, onde não seja ao menos oportunizado ao contribuinte manifestarse sobre depoimentos e documentos utilizados como provas, especialmente tratandose de única prova, prejudica sobremaneira a ampla defesa e inviabiliza o contraditório, na medida em que não se abre espaço para se demonstrar a legitimidade dos procedimentos que estejam sob suspeita. PELO EXPOSTO, como medida de justiça, deve ser reconhecida de plano as nulidades ora sustentadas, seja por erro no enquadramento legal e/ou por cerceamento de defesa, com a conseqüente anulação do auto de infração, ou no mínimo a insubsistência da multa administrativa por dano ao erário, com os devidos reflexos no Imposto de importação, IP PIS,COFINS e multas. Fl. 8129DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.130 4 NO MÉRITO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS [...] FRAGILIDADE DA PROVA [...] Do exposto, concluise que a fiscalização usou e abusou de meros indícios como se fossem provas e mais, presumiu que tais "provas", mesmo obtidas ao arrepio da legalidade, pois, não atenderam ao contraditório e a ampla defesa, deveriam ser estendidas para inúmeras mercadorias que julgou estarem subfaturadas, motivos suficientes para não prosperar o presente Auto de Infração. JUSTIFICATIVAS NÃO ACEITAS PELA FISCALIZAÇÃO Os agentes autuadores rechaçaram as justificativas da impugnante para 08 (oito) das 20 (vinte) DI's que, segundo a fiscalização, continham mercadorias consideradas subfaturadas. Reconheceram, portanto, como válidos os argumentos da autuada para 12 (doze) DI's, excluindo, assim, inúmeros produtos (NCM) do Auto de Infração. Este fato, por si só, vem corroborar o que sabemos: "como é errôneo e perigoso generalizar entendimentos baseados em mero indício não confirmado por prova material". Como dizemos, os fiscais deixaram de entender como válidos os argumentos para 08 (oito) produtos constantes das seguintes Dl's (fl. 7919) que agora, passaremos a analisar: Para as DI's n° 1003368958 (Empilhadeiras e Paleteiras, 2310, 5257, 2309, 5260, 5259, 5261); n° 1015086448 (Paleteiras 2319, 2324); n° 1020991137 (Paleteiras 5259) e n° 1107081353 (Empilhadeiras 5260) juntamos no anexo 04, onde diversas negociações comprovam os problemas que até hoje enfrentamos com a qualidade dos produtos. Pelas trocas de e mail ficam evidentes as alterações de preços em razão das negociações. A fiscalização não pode multar por Dano ao Erário fatos que no máximo poderiam configurar diferenças de preços a serem penalizados pela multa do art. 703 do RA. Para a DI n° 1015375610 (Registro de esfera 3808, 3809, 1924, 1931, 1933, 1943)juntamos no anexo 05, documentos que comprovam que o valor do produto depende do seu peso. Quanto mais pesado for a peça, mais matériaprima é utilizada na sua composição e, portanto, o preço é maior. Mesmo tipo de produto pode ter valores diferentes em razão do molde utilizado. De qualquer forma, mesmo sem aceitar as justificativas, a fiscalização não poderia ter lançado multa por Dano ao Erário sem provas materiais para tal, como aqui ocorreu. Para as DI's 1000687068 (Kit para troca de óleo 1723) e 1008003010 (Kit composto de bomba 1723) embora tratese do mesmo produto, o primeiro foi comprado sem o carretel o que justifica o preço diferenciado. A fiscalização não aceitou as justificativas por entender que foi encontrada "in voice" com valores próximos ao valor da planilha que serviu de parâmetro, mas, mais uma vez, não podem essas provas embasar a penalidade de Dano ao Erário, podendo, no máximo, a fiscalização autuar por subfaturamento do Art. 703 do RA, multa de 100% da diferença do declarado e o arbitrado. Fl. 8130DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.131 5 Para a Dl n° 1002025313 (abridor e canivete) que trata de uma única importação e assim, sem referência de preço para ser usado como parâmetro, mais uma vez a fiscalização usa informações de uma planilha que não configura uma prova cabal, apenas indício para aplicar penalidade por demais severa, quando deveria aterse a penalidade mais branda, prevista no art. 703 do RA. Reforçamos aqui a quase impossibilidade de se arbitrar o valor de certas mercadorias especialmente quando utilizadas como matérias primas, ainda mais se considerarmos a volatilidade de mercado no decorrer do tempo. Esses produtos contêm valores agregados, como acima comprovamos, sempre de difícil mensuração, sujeitandose a lei de mercado da oferta e procura. A abundância de produtos no mercado, estoques sem giro de modelos antigos, os chamados "fora de linha" e outros fatores que não podem ser excluídos como as dificuldades financeiras e instabilidades políticas que afetam o comércio exterior, são as variantes que efetivamente definem os preços em um determinado momento da negociação comercial. Como pode a fiscalização apontar a existência de Dano ao Erário, baseada apenas em conjecturas e sem provas materiais, notadamente quando a grande parte dos produtos tem suas alíquotas de tributos tendendo para zero o que não se justificaria correr tantos riscos, como aqui fica evidenciado onde o cálculo dos tributos e multas supostamente devidos somam R$ 722.611,67 (setecentos e vinte e dois mil, seiscentos e onze reais e sessenta e sete centavos) e a penalidade aplicada por dano ao erário, (quando, no máximo, poderia ser por subfaturamento) atinge o valor de R$ 3.215.188,91 (três milhões, duzentos e quinze mil, cento e oitenta e oito reais e noventa e um centavos). CONCLUSÃO A autuada foi vítima de falsários e está pagando um enorme preço por isso. As provas trazidas aos autos mostram como agiam os chamados "doleiros" e em razão disso devem as autoridades julgadoras considerarem as circunstâncias em que se viu envolvida a empresa Bremen e a sua dificuldade em provar sua inocência. Da mesma forma, restou provado que equivocouse o fisco ao lançar a multa de Dano ao Erário sem suporte em provas materiais, como legalmente exigido, e se este fato não for considerado na sua totalidade, deve, pelo menos, sêlo em parte. No mínimo, o presente auto de infração, deverá ser revisto, pois, não pode a administração tributária dentro de suas atribuições, exigir exação que extrapola em muito a interpretação da tipificação tributária. O que vimos aqui tratase de verdadeiro CONFISCO, devidamente caracterizado no momento em que a fiscalização deixa de aplicar multa específica (art. 703 RA) e, baseada em entendimentos/deduções, estende seus limites aplicando multa mais gravosa e para a qual não dispõe de suporte probatório legal. Assim, deixou a administração tributária de atender princípios basilares da nossa Constituição Federal e dos Direitos Públicos Pátrios, especialmente tributários e penais, dão atendeu requisitos da proporcionalidade, equidade e da defesa ampla e irrestrita. DOS PEDIDOS: Senhores julgadores, a primeiro, deve ser reconhecida a inocência da autuada nas supostas falsificações de documentos eximindoa de toda responsabilidade pelas Fl. 8131DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.132 6 irregularidade aqui apontadas, a segundo, se ainda assim entenderem os nobres julgadores, há de reconhecerse que é gritante a desproporcionalidade da exação fiscal materializada no presente AI, especialmente no que diz respeito a multa aplicada sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando deveria ser, no máximo, sobre a diferença entre o declarado e o arbitrado (art. 703 RA) , bem como, reconhecerse que são evidentes as irregularidades nele contidas e já aqui evidenciadas, motivos pelos quais pedimos: A INSUBSISTÊNCIA total do presente auto de infração e alternativamente, no mínimo, a exclusão da multa administrativa por Dano ao Erário; O acolhimento das preliminares de erro de enquadramento legal e de cerceamento de defesa, resultando na conseqüente anulação do presente A.I.; A total improcedência do presente Auto de Infração, reconhecendose que deixaram de ser atendidos na sua elaboração princípios basilares do direito pátrio como da proporcionalidade e da equidade, bem como, refazerse o presente A.I. ante as novas justificativas que comprovam que não houve subfaturamento em 08 (oito) Dl' s que foram rechaçadas pelas autoridades autuadoras. Por todo o exposto, espera o acolhimento da presente para declarar o Auto de Infração nulo ou insubsistente, totalmente ou em parte, tornando sem efeito os impostos exigidos, bem assim, as multas pretendidas, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não restar legitimada a pretensão dos agentes do fisco. É o Relatório." A decisão de primeira instância, proferida em 26/03/2015 (fls. 8.042/8.087) foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/05/2009 Mercadoria estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso. Foi apurado pela fiscalização a ocorrência de preços subfaturados em relação aos preços efetivamente praticados. Empresa era cliente dos operadores de câmbio (doleiros) investigados e promovia, por meio deles, remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta. O “artigo 88 da Medida Provisória 2.15835/2001” é que deve ser aplicado por se reportar a casos de fraude, sonegação ou conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 8132DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.133 7 Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 8.096), em 14/04/2015, apresentou o recurso voluntário de fls. 8.097/8.122, em 28/04/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação apresentada. É o relatório Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Erro no enquadramento legal Alega a ora Recorrente, desde a impugnação, que equivocaramse os Auditores Fiscais ao enquadrar a multa administrativa do presente auto de infração nos arts. 673, 675, inc. IV, 689 e §1º, do Decreto nº 6.759/09 RA/2009; arts. 73, caput e §§1º e 2º, e art. 77, da Lei nº 10.833/2003 (multa substitutiva de perdimento), quando a presente infração, em obediência ao princípio da especialidade, deveria ser enquadrada no art. 703, do RA/2009 (multa por subfaturamento). Entendeu a decisão recorrida que, nos termos do que dispõe o art. 689, do RA/2009, a mercadoria estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso, está sujeita à aplicação da pena de perdimento, substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro, com base no §3º, do art. 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, não procedendo a alegação da impugnante, tampouco o princípio da especialidade poderia ser invocado, porque a ação fiscal teria revelado a utilização de um esquema fraudulento por parte da empresa Bremen, subsumindose os fatos ao art. 88, da MP nº 2.15835/01, por se reportar a casos de fraude, sonegação ou conluio. Notese que, tanto os argumentos da Fiscalização quanto da decisão recorrida, remetem à possibilidade da aplicação de ambas as penalidades, uma ou outra, situação que, na visão da autuada, resolverseia com a utilização do princípio da especialidade, prevalecendo a penalidade pelo subfaturamento, em detrimento da pena de perdimento. Questão sobre a aplicação do art. 703, do RA/2009, foi enfrentada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013, o qual incluiu o §1ªA no referido artigo, fixando interpretação vinculante às situações onde: "Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento." Tal norma interpretativa, portanto, aplicável mesmo aos fatos anteriores à sua inclusão no Regulamento Aduaneiro, veio solucionar exatamente a dúvida existente quando da subsunção de determinados fatos à ambas as normas tipificadoras das penalidades ora discutidas. Portanto, entendo, não estarmos diante de vício de erro no enquadramento legal, à ensejar a nulidade ou a improcedência do auto de infração, transbordando a discussão Fl. 8133DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.134 8 para o âmbito das provas que embasaram a autuação e a decisão recorrida, questões ligadas ao enfrentamento do próprio mérito da imputação, restandonos analisar se os fatos ensejadores da penalidade de perdimento e da multa substitutiva decorrente, foram devidamente comprovados pela acusação fiscal. Ainda sobre a questão do erro no enquadramento legal, concorda a Recorrente que o §2º, do art. 703, do RA/2009, abre a possibilidade de ser desclassificado o subfaturamento, aplicandose o inc. VI, do art. 689, mas, no seu entendimento, somente quando estiver a Fiscalização de posse da prova material, encontrada a fatura comercial falsificada ou adulterada (falsidade material), tendo a acusação fiscal, por dedução e extensão, aplicado o mesmo entendimento à todas as DI´s com suspeitas de subfaturamento, ainda que só aponte algumas parcas DI´s que teriam faturas em duplicidade (falsificadas). A discussão remete ao tema da diferenciação de penalidade entre o subfaturamento com falsidade material (documento falsificado ou adulterado) e com falsidade ideológica (documento não espelha o que foi, de fato, transacionado), cujo entendimento de não encontrar guarida legal ou mesmo normativa, sempre sendo punido com o perdimento da mercadoria, consignado no voto vencedor do Redator Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3401003.969, de 25/09/2017, abaixo reproduzido, adoto para o presente julgado. "A diferenciação de penalidade entre o subfaturamento com falsidade material e com falsidade ideológica, assim, não encontra guarida legal ou mesmo normativa. Poderseia sustentar que havia disciplina específica para o subfaturamento no artigo 169, II, do DecretoLei no 37/1966 (que, como exposto, considerava o subfaturamento uma fraude cambial), com a redação dada pelo artigo 2º da Lei nº 6.562/1978, já às vésperas da conclusão da Rodada Tóquio do GATT (mas ainda com a mescla entre disciplina de preço e de valor): “Art. 169. Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) II subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: Pena: multa de 100% (cem por cento) da diferença. (...) § 4º Salvo no caso do inciso II do "caput" deste artigo, na ocorrência simultânea de mais de uma infração, será punida apenas aquela a que for cominada a penalidade mais grave. § 5º A aplicação das penas previstas neste artigo: I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; (...)”(grifo nosso) Assim, restava cristalina, no final do século passado, a possibilidade de cumulação de tal multa com o perdimento por Fl. 8134DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.135 9 uso de documento falso. E, caso ainda persistisse alguma dúvida, bastava ao exegeta seguir até a citada Lei nº 6.562/1978, que deixava a situação ainda mais clara em seu artigo 3º: “Art. 3º As infrações de que trata o artigo 169 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo anterior: I não excluem aquelas definidas no Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976; II serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, sem prejuízo do disposto no artigo 27 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976.” (grifo nosso) As infrações originalmente definidas no Decreto nº 1.455/1976, recordese, são exatamente as puníveis com perdimento, entre as quais o uso de documento necessário ao desembaraço falsificado ou adulterado (já mencionada no artigo 105 do DecretoLei nº 37/1966): “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas (...) nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. Parágrafo único. O dano ao Erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.” (grifo nosso) Inequivocamente, então, no caso de subfaturamento mediante uso de documento falso, eram aplicáveis a multa e o perdimento, por força de disposição expressa de lei. Em 2001, após a evolução da distinção entre o tratamento de valoração aduaneira e o tratamento de subfaturamento, foi publicada a Medida Provisória no 2.15835/2001, que, em seu artigo 88, trouxe novos contornos à disciplina jurídica do tema: “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” (grifo nosso) Vejase que a multa prevista no parágrafo único, tenha ou não logrado êxito em tal tarefa, buscou substituir aquela existente no Fl. 8135DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.136 10 artigo 169 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978. Foi esse o nítido entendimento externado no Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), que sequer mencionou a multa prevista no inciso II do citado artigo 169 da disposição de ordem legal, dispondo, no artigo que tratava das infrações administrativas ao controle das importações (art. 633), que: “Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); (...)” Outra novidade veio no artigo 634 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que passou a interpretar a disposição do inciso I do artigo 3º da Lei nº 6.562/1978, aqui já transcrita, estendendoa à multa prevista no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001: “Art. 634. As infrações de que trata o art. 633 (Lei nº 6.562, de 1978, art. 3º): I não excluem aquelas definidas como dano ao Erário, sujeitas à pena de perdimento; e II serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, em conformidade com o disposto no art. 684. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, as multas relativas às infrações administrativas ao controle das importações somente poderão ser lançadas antes da aplicação da pena de perdimento da mercadoria.” Passou, então, a haver uma restrição temporal à aplicação conjunta da multa e do perdimento, podendo a multa ser aplicada apenas antes do perdimento. A interpretação se deve à leitura estrita do sujeito do verbo “excluem”, no inciso I (as multas não excluem o perdimento, não sendo válido o entendimento de que o perdimento não excluiria as multas, ausente no texto). Daí ser impossibilitada, pelo regulamento, a aplicação da multa após a pena de perdimento. Aliás, depois do perdimento, as mercadorias, sob a guarda do Ministro da Fazenda (artigo 25 do DecretoLei nº 1.455/1976) poderiam, inclusive, ser destinadas (mediante leilão, doação, incorporação, destruição etc.), conforme artigo 29 do mesmo DecretoLei nº 1.455/1976. Ocorre que, de forma diversa à multa prevista no artigo 169 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978, que expressamente não excluía a posterior Fl. 8136DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.137 11 aplicação do perdimento, a multa prevista no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, revelou apenas (ao menos expressamente) compatibilidade com a exigência conjunta da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e dos acréscimos legais cabíveis. Portanto, com o advento da previsão estabelecida no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, paradoxalmente, a confusão entre subfaturamento e valoração aduaneira aumentou, seja (a) por uso equivocado, pela própria fiscalização, da multa ali prevista, para casos que, em verdade, tratavam de valoração aduaneira, ou de meros indícios de subfaturamento (preço abaixo do obtido na “internet”, ou preço substancialmente abaixo do praticado por outros importadores), e não de comprovado subfaturamento (recordese que o ônus da prova, no subfaturamento, é da Aduana); seja (b) porque a própria Administração da RFB (por meio do Ato Declaratório Interpretativo – ADI – nº 17/2004) entendeu que a multa independia da caracterização de fraude, sonegação ou conluio; seja (c) porque em vários procedimentos fiscais da RFB ainda se entendia estar vigente a multa prevista no inciso II do citado artigo 169 do DecretoLei nº 37/1966, e que tal multa seria cumulável com a estabelecida no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, gerando autuações de 200% da diferença; ou ainda (d) porque nos casos de subfaturamento mediante falsidade documental (ideológica ou material), havia entendimento de que a pena aplicável era única e exclusivamente o perdimento, que, a partir da Lei nº 10.637/2002 (artigo 59), passou a poder ser substituído por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta fosse consumida ou não houvesse sido localizada. A insegurança jurídica era patente, e foi agravada pela Lei nº 10.833/2003, que criou, em seu artigo 70, II, “b”, 2, uma terceira multa de 100% sobre a diferença entre o preço praticado (ou arbitrado) e o declarado, no caso de descumprimento de apresentação da fatura comercial, entre outros, pelo importador, em procedimento de fiscalização (em geral, revisão aduaneira). O cenário demandava uniformização de procedimentos na RFB, para que as autuações fossem lavradas de uma mesma forma, na instituição, sem cumulações descabidas, sem abusos, sem casuísmo. Daí a nova disciplina constante no Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759/2009), que retirou do artigo referente a infrações administrativas ao controle das importações (agora art. 706 do regulamento) a multa prevista no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, tratando do tema no artigo 703, que objetivou desfazer a confusão entre as três multas de 100% aqui citadas e o perdimento (ou a multa que o substitui): “Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem Fl. 8137DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.138 12 prejuízo da exigência dos tributos, dos acréscimos legais e de outras penalidades cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 2) § 1º A multa referida no caput, na hipótese de arbitramento a que se refere o inciso II do art. 86, não se aplica se efetuada a regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2º do art. 18 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, § 3º). § 2º As multas previstas no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, no item 2 da alínea “b” do inciso II do art. 70 da Lei nº 10.833, de 2003, e no inciso II do art. 169 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, não são aplicáveis cumulativamente.” (grifo nosso) Como se percebe, no texto do artigo 703, passou a ser impossibilitada a lavratura de autuações com cumulação entre as três multas de 100% da diferença, evitando lançamentos de 200% ou até 300% da diferença entre o preço praticado (ou arbitrado) e o declarado. E, no mesmo Regulamento Aduaneiro de 2009, no artigo 689, mantevese a disposição sobre a pena de perdimento no caso de utilização de documentos necessários ao desembaraço falsificados/adulterados: “Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; (...) § 1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59) (...)” Se o Regulamento Aduaneiro de 2009, naquele momento, dissipou as diferentes interpretações que existiam na RFB sobre a cumulatividade das multas, não se pode dizer que contribuiu muito para solucionar a discussão sobre a cumulatividade entre perdimento e multa, ou até a aplicação exclusiva de uma de tais penalidades, por especialidade (sustentandose que a conduta que enseja a multa – diferença de preço – mais específica que aquela que implica o perdimento – falsidade documental – ou o contrário) ou instrumentalidade (sustentandose que a falsidade Fl. 8138DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.139 13 constitui mera conduta instrumental – crimemeio– para o resultado a ser obtido no crimefim– subfaturamento). Em artigo publicado pouco antes do advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, em obra na qual atuei como organizador, a juíza federal Vera Lúcia Feil Ponciano (Sanção Aplicável ao Subfaturamento na Importação: Pena de Perdimento ou Pena de Multa, in TREVISAN, Rosaldo (org.), Temas Atuais de Direito Aduaneiro, São Paulo: LEX, 2008, p. 245294) dedicouse ao tema. No artigo, após dispor sobre a fiscalização e controle no comércio exterior, sobre o despacho aduaneiro de importação, e sobre a equivocada utilização da Súmula nº 323, do STF, na área aduaneira, a magistrada trata dos procedimentos de valoração aduaneira, incluindo neles o que designa como “método do arbitramento”, calcado no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e restrito aos casos de fraude, sonegação e conluio (extraídos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964), defendendo que, no caso de subfaturamento, com falsidade ideológica, aplicase a multa, por ser penalidade mais específica, e, ainda, que o falso é absorvido pelo crimefim de sonegação fiscal (consunção), no qual se esgota sua potencialidade lesiva. Tal posicionamento, seja pela especialidade ou pela instrumentalidade, pode ser encontrado em diversas decisões do TRF da 4ª Região, à época. Mas o tema é tão polêmico judicialmente quanto na via administrativa, como se percebe em decisões conflitantes do próprio TRF da 4ª Região, nos anos de 2008 e 2009: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA SUBFATURAMENTO PRATICADO MEDIANTE TÃO SOMENTE FALSIDADE IDEOLÓGICA. AUSÊNCIA DE FALSIDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE APENAS DE APLICAÇÃO DE MULTA. No caso do subfaturamento ser praticado unicamente mediante falsidade ideológica, incorre o contribuinte na multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na operação de importação (parágrafo único do art. 108 do DecretoLei 37/1966 e parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/ 2001). Já quando o subfaturamento é praticado não tãosomente por falsidade ideológica, mas também mediante falsidade material, deve ser imposta a pena de perdimento, incidindo o inciso VI do art. 105 do DecretoLei nº 37/66. Interpretação em consonância com o critério da especialidade.” (TRF4, APELREEX 2008.70.00.0055853, SEGUNDA TURMA, Relator ELOY BERNST JUSTO, D.E. 25/02/2009) (grifo nosso) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO LEGAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. FALSIDADE DOCUMENTAL. IRREGULARIDADE PUNIDA COM PENA DE PERDIMENTO. APREENSÃO. POSSIBILIDADE. 1. A falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço de mercadorias importadas autoriza Fl. 8139DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.140 14 a aplicação da pena de perdimento, a teor do que dispõe o art. 514, VI do Regulamento Aduaneiro. 2. Não restou comprovada a inexistência de falsidade ideológica, pois não há elementos capazes de sustentar a boafé da impetrante. 3. Agravo legal improvido. (TRF4, AC 2001.04.01.0785995, PRIMEIRA TURMA, Relator ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA, D.E. 02/06/2009) (grifo nosso) “TRIBUTÁRIO. ADUANEIRO. PERDIMENTO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. SUBFATURAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ANULAÇÃO. 1. A redação do art. 618, IV, do Decreto n.º 4.543/2002, que comina a pena de perdimento à mercadoria importada, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado, não discrimina se a falsificação documental é material ou ideológica, ou ambas. Considerando que a declaração de importação com teor enganoso e contrário à realidade viola disposições específicas da legislação fiscal, que tornam obrigatória a observância dos requisitos formais e intrínsecos dos documentos integrantes do despacho de importação, todas as espécies de falsificação conduzem a esta modalidade de sanção tributária. (...) (TRF4, AC 2006.70.08.0016630, PRIMEIRA TURMA, Relator JOEL ILAN PACIORNIK, D.E. 02/06/2009) O subfaturamento, como exposto de início, pode envolver tanto falsidade material quanto ideológica, e não faz sentido algum distinguir a pena aplicável pelo tipo de falsidade, como textualmente afirma a última jurisprudência citada. Afinal de contas o texto do artigo 105 do DecretoLei nº 37/1966 imputa o perdimento à mercadoria “estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado”, não havendo, como se percebe da simples leitura, nenhuma limitação do termo “falsificado”, de modo a aplicar o dispositivo somente no caso de falsidade ideológica. Fosse a multa prevista na Medida Provisória nº 2.15835/2001 mais específica do que o dispositivo do artigo 105 do Decreto Lei nº 37/1966, não faria sentido algum que ela lhe mutilasse só a mão esquerda, ou a mão direita. Afinal de contas o artigo 105 trata de ambas as mãos (falsidade, seja ela material ou ideológica). E, fosse a conduta de falsidade mero instrumento para a prática de subfaturamento, sendo absorvida pela condutafim (subfaturamento), igualmente seria ilógico que apenas a falsidade ideológica constituísse condutameio, pois é inegável que se pode perpetrar o subfaturamento também mediante falsidade material. Em síntese, a distinção é inconsistente por qualquer dos pontos de vista que seja atacada. A discussão existente nos idos de 2008/2009 (período avaliado na autuação) persiste até os dias atuais, e as normas legais que tratam das penalidades não foram alteradas. Fl. 8140DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.141 15 A jurisprudência, desde então, seja do TRF4, seja do STJ, acabou, por diversas vezes, fazendo a distinção que aqui consideramos inconsistente, e a matéria ainda não foi objeto de análise pelo STF, mas cabe aqui registrar que foi rechaçada pelo Ministro Luis Roberto Barroso, do STF, recentemente, tentativa de rediscutir o posicionamento que aqui defendemos como correto (ainda que sob o argumento de impossibilidade de dilação probatória e de trato infraconstitucional da matéria, reconheçase). Utilizase, aqui, a decisão monocrática da Suprema Corte brasileira apenas para demonstrar que chegam àquela corte também posicionamentos consentâneos com os aqui externados: “Decisão: Tratase de agravo cujo objeto é decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão assim ementado: “ADMINISTRATIVO. ADUANEIRO. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS EM RAZÃO DE APURAÇÃO DE SUBFATURAMENTO. DECISÃO EM INSTÂNCIA ÚNICA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES DA AUTORA. I Visto que o processo administrativo para apuração de infrações aduaneiras previstas nos arts. 23, 24 e 26 do DecretoLei n. 1.455/76 processase na forma do disposto no art. 27, do mesmo diploma legal, as disposições constantes da Lei n. 9.784/99 somente lhe são aplicáveis de forma subsidiária, caso não exista dispositivo legal específico. II A falsificação e adulteração, mencionadas no inciso VI, do art. 105, do DecretoLei n. 37/66, englobam a aposição, na declaração de importação ou documentos que a instruem, de valores não correspondentes aos efetivamente convencionados entre as partes, objetivando a sonegação dos tributos incidentes sobre a operação, razão pela qual incabível a distinção entre falsidade material e ideológica pretendida pela Impetrante. III Descabe a alegação de não cumprimento, pelo Fisco, da ordem prevista no Acordo de Valoração Aduaneira para aferição do valor das real das mercadorias em questão. A base de cálculo para fins da tributação sobre as operações de importação de bens está prevista no art. 20, II do CTN, isto é, quando a alíquota for ad valorem (como é o caso dos autos), a base imponível corresponderá ao preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País. A atuação fiscal deve perseguir o ‘valor real e de mercado’ dos bens importados, independentemente do que constar na Declaração de Importação, não existindo norma expressa (legal ou administrativa) que vede a aferição desse valor com fulcro nos vários elementos que compõem a mercadoria. IV A apreensão das mercadorias foi fundamentada em procedimento fiscalizatório, no qual se constatou a ocorrência de dano ao erário, consistente na subvaloração das mercadorias nas declarações de importação e nos documentos que as instruíram, tendo a fiscalização tomado por base o valor de custo dos insumos utilizados na produção da mercadoria (considerado como hipótese mínima para o valor que deveria ter sido Fl. 8141DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.142 16 declarado), atentando, na seqüência, para o fato de que tal valor certamente é superior, na medida em que o exportador estrangeiro embute no preço o rateio das despesas ocorridas, assim como uma margem de lucro. V Caberia à Autora demonstrar, de forma inequívoca, que o valor atribuído pela autoridade à mercadoria importada é irreal e discrepa do previsto no art. 20 II do CTN. No entanto, a Autora não logrou êxito em demonstrar as razões alegadas para justificar a aquisição das mercadorias por preços inferiores aos de custo. Desse modo, não tendo a Autora êxito em infirmar as conclusões da autoridade alfandegária, de modo a afastar as presunções de legalidade e veracidade dos atos administrativos impugnados, de rigor a manutenção da sentença. VI Agravo retido não conhecido e apelação improvida” O recurso busca fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts. 5º, II, LIV, LV; e 37 da Carta. Sustenta que foi impedida de defenderse no processo administrativo que manteve o auto de infração. A pretensão recursal não merece prosperar, tendo em vista o Supremo Tribunal Federal já assentou a ausência de repercussão geral da controvérsia relativa à violação aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites da coisa julgada, quando o julgamento da causa depender de prévia análise da adequada aplicação de normas infraconstitucionais (ARE 748.371RG, Rel. Min. Gilmar Mendes). No mesmo sentido, vejamse as seguintes decisões: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. CONTROVÉRSIA SOBRE A OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO: IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DE PROVAS E DE LEGISLAÇÃO LOCAL. SÚMULAS N. 279 E 280 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (ARE 689.777ED, Rel.ª Min.ª Cármen Lúcia) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ALEGADA CONTRARIEDADE AO ART. 5º, XXXV, LIV E LV, DA CONSTITUIÇÃO. OFENSA REFLEXA. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO DECIDIU COM BASE NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. NECESSIDADE DE REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. SÚMULA 279 DO STF. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – Esta Corte firmou orientação no sentido de ser inadmissível, em regra, a interposição de recurso extraordinário para discutir matéria relacionada à ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da prestação jurisdicional, quando a verificação dessa alegação depender de exame prévio de legislação infraconstitucional, por configurar situação de ofensa reflexa ao texto constitucional. II – É inadmissível o recurso Fl. 8142DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.143 17 extraordinário quando sua análise implica rever a interpretação das normas infraconstitucionais que fundamentam a decisão a quo. A afronta à Constituição, se ocorrente, seria apenas indireta. III – Para se chegar à conclusão contrária à adotada pelo Tribunal de origem, necessário seria o reexame do conjunto fáticoprobatório constante dos autos, o que atrai a incidência da Súmula 279 do STF. IV– Agravo regimental a que se nega provimento.” (ARE 812.007AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski) No caso dos autos, notese que o acórdão recorrido consignou o seguinte: “(...) Caberia à Autora demonstrar, de forma inequívoca, que o valor atribuído pela autoridade à mercadoria importada é irreal e discrepa do previsto no art. 20 II do CTN. No entanto, a Autora não logrou êxito em demonstrar as razões alegadas para justificar a aquisição das mercadorias por preços inferiores aos de custo. Desse modo, não tendo a Autora êxito em infirmar as conclusões da autoridade alfandegária, de modo a afastar as presunções de legalidade e veracidade dos atos administrativos impugnados, de rigor a manutenção da sentença.” Dissentir das conclusões adotadas demandaria tão somente o reexame da legislação infraconstitucional pertinente e o reexame do acervo fático e probatório, providências vedadas nesta fase processual. Diante do exposto, com base no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao recurso. Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2016. Ministro Luís Roberto Barroso Relator (ARE 974750, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, julgado em 01/08/2016, publicado em PROCESSO ELETRÔNICO DJe164 DIVULG 04/08/2016 PUBLIC 05/08/2016) Vejase ainda que a própria definição de “subfaturamento qualificado”, atrelada a uma falsidade material, não é assentada, como se percebe de julgados recentes do TRF da 4ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO QUALIFICADO. 1. Em que pese o valor declarado das mercadorias coincidir com o valor transferido através do Contrato de Câmbio, restou evidenciado o caráter fraudulento das operações de comércio exterior protagonizadas pela embargante a caracterizar a ocorrência da falsidade ideológica das faturas comerciais utilizadas no processo de importação, porquanto acobertada importação que não está em consonância com a verdade dos fatos e da prática comercial aplicada a transações comerciais semelhantes. 2. Hipótese em que o subfaturamento não surge como infração administrativa isolada, havendo fortes indícios de falsificação ideológica que, diante do modus operandi, transmudamse em convicção da ocorrência do ilícito, revelando o dolo na conduta com intuito de fraudar o fisco.” (TRF4 508674413.2014.404.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 15/12/2016) (grifo nosso) Fl. 8143DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.144 18 “TRIBUTÁRIO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO QUALIFICADO. PERDIMENTO. 1. Esta Corte consolidou entendimento no sentido de que é necessário o subfaturamento qualificado por outros meios de fraude, como, por exemplo, a falsidade material, para que haja motivo razoável à retenção (para posterior aplicação da pena de perdimento) de mercadorias internalizadas. No caso em análise, se justifica o perdimento da mercadoria importada, diante das circunstâncias que apontam a existência do subfaturamento qualificado. 2. Resta evidenciado o caráter fraudulento das operações de comércio exterior protagonizadas pela autora, porquanto o subfaturamento não surge como infração administrativa isolada, havendo fortes indícios de falsificação documental que, diante do modus operandi, transmudamse em convicção da ocorrência do ilícito, revelando o dolo na conduta com intuito de fraudar o fisco. 3. Estando justificado o perdimento da mercadoria importada, não se aplica a multa prevista no artigo 88, parágrafo único, da MP 2.15835/01 (e reprisada no art. 703 do Decreto 6.759/09)”. (TRF4 500364052.2016.404.7101, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 15/12/2016) (grifo nosso) Em que pese haver ainda, não só nas decisões judiciais (que, por vezes, determinam, nos casos de subfaturamento, ao invés da multa aqui em discussão ou do perdimento, a aplicação de uma terceira multa, prevista no artigo 108 do DecretoLei nº 37/1966, que a Administração entende como revogada desde o advento da Lei nº 9.430/1996), mas nas decisões administrativas, muita confusão entre a disciplina de valoração e o subfaturamento, não se tem dúvidas de que o uso de fatura comercial material ou ideologicamente falsa em importação enseja a aplicação da pena de perdimento, ou da multa que a substitui (caso a mercadoria não seja localizada, ou tenha sido consumida / revendida). Em 2010 a Administração deixou tal entendimento cristalino no corpo do Regulamento Aduaneiro (para evitar interpretações incoerentes/dissonantes no seio da própria instituição), ao inserir um § 3ºA no texto do artigo 689 (que trata das hipóteses de aplicação da pena de perdimento previstas no artigo 105 do DecretoLei nº 37/1966): “Art. 689. (...) (...) § 3ºA O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade ideológica na fatura comercial. (...)” E endossa tal entendimento, a nosso ver, ainda que pela via indireta, apenas como apoio argumentativo, no sentido da pertinência e adequação ao sistema normativo, outra alteração legislativa efetuada em 2010, desta vez de ordem legal: a nova redação dada a artigos do DecretoLei nº 1.455/1976, pela Lei nº 12.350, de 20/12/2010 (em verdade, pela Medida Provisória que a antecede). Tal alteração, no que se refere ao artigo 23, § Fl. 8144DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.145 19 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, foi, inclusive, utilizada pelo relator, com nossa concordância, para afastar a aplicação da pena de perdimento em exportações. Mas, no momento, interessanos a alteração promovida no artigo 30 do DecretoLei nº 1.455/1976: “Art. 30. Na hipótese de decisão administrativa ou judicial que determine a restituição de mercadorias que houverem sido destinadas, será devida indenização ao interessado, com recursos do Fundaf, tendo por base o valor declarado para efeito de cálculo do imposto de importação ou de exportação. (...) § 2º Ao valor da indenização será aplicada a taxa de juro prevista no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, tendo como termo inicial a data da apreensão.” (grifo nosso) Tal disposição dá segurança ao importador no sentido de que se sua mercadoria for apreendida para aplicação da pena de perdimento (v.g., por acusação de subfaturamento mediante uso de documento falso), e tal penalidade for afastada (administrativa ou judicialmente) após o fisco já ter destinado a mercadoria apreendida (v.g., mediante leilão, incorporação, doação ou destruição), o importador faz jus a indenização com base no valor declarado (pois, afastada a imputação de subfaturamento, é o valor declarado que persiste hígido), corrigido pela mesma forma que o são todos os montantes considerados indevidos pela fiscalização. Não há, assim, nenhum prejuízo ao importador. Não se tem a mínima dúvida, ainda que na legislação que antecede tais alterações normativas, de que o sistema normativo aduaneiro, no que se refere ao combate ao subfaturamento, é internamente consistente e coerente, e não distingue a falsidade material da ideológica. E tem sido paulatinamente ajustado somente para uniformizar entendimento, principalmente no seio da própria RFB. Explicase nesse contexto o ajuste promovido em 2013, pelo Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro (que, recordese, trata das hipóteses de aplicação da pena de perdimento previstas no artigo 105 do DecretoLei nº 37/1966): “Art. 689. (...) (...) § 3ºA O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. § 3ºB Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553.” Fl. 8145DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.146 20 Reparese que a nova redação dada ao § 3ºA é mais completa, mas em nada difere da anterior, que não excluía do artigo a falsidade material, nem a falsidade ideológica de outros documentos necessários ao desembaraço. E que a inclusão do § 3ºB se presta somente a remeter ao dispositivo regulamentar que indica quais são esses documentos necessários ao desembaraço. Isso porque a inclusão anterior do § 3ºA tinha por foco aclarar que estava o dispositivo legal também (e não somente) a tratar de falsidade ideológica na fatura comercial. Tudo isso inserido no contexto do que descrevemos paulatino ajuste para uniformizar entendimento. Vêse, pela análise histórica das alterações legislativas (grande parte delas regulamentares e meramente aclaratórias) que o subfaturamento mediante uso de fatura comercial falsificada (material ou ideologicamente) sempre foi punido com o perdimento da mercadoria (que, a partir da Lei nº 10.637/2002 – artigo 59 – passou a poder ser substituído por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta fosse consumida ou não houvesse sido localizada), não havendo justificativa ao exegeta para diferenciar o que a própria lei não distinguiu. Nesse sentido os posicionamentos de Marcelo Pimentel de Carvalho (Valor Aduaneiro: princípios, métodos e fraude, São Paulo: Aduaneiras, 2007, p. 207237) e Rodrigo Mineiro Fernandes (Valoração Aduaneira e Subfaturamento, in PEIXOTO, SARTORI e DOMINGO (org.), Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF, São Paulo: MP, 2013, p. 241268). Na mesma linha também o julgamento do TRF5 transcrito na decisão da DRJ: “AGTR. TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. PENA DE PERDIMENTO. ART. 105, VI, DO DL 37/66. INCIDÊNCIA. PARÁGRAFO 3ºA DO ARTIGO 689 DO DECRETO 6.759/09, INTRODUZIDO PELO DECRETO 7.213/10. AGTR IMPROVIDO. AGRAVO REGIMENTAL PREJUDICADO. 1. Tratase de AGTR interposto por NT INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO contra decisão do douto Juiz Federal da 5ª. Vara da SJ/CE que, nos autos do mandado de segurança de origem, indeferiu a liminar que buscava determinação judicial para dar início ao despacho aduaneiro das mercadorias importadas, independentemente de recolhimento suplementar de tributos ou outra penalidade (fls. 51/52). 2. A autoridade aduaneira identificou a existência de falsidade ideológica (subfaturamento) na declaração de importação do impetrante (DI nº 12/081090700), diante dos valores declarados das mercadorias importadas produzidas na República Popular da China (produtos variados), o que acarretou redução indevida do montante de tributos a recolher, tendo proposto a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas. Fl. 8146DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.147 21 3. Resta superado o entendimento no sentido de que, em caso de subfaturamento, não há regra autorizando a pena de perdimento, pois, com a inovação introduzida pelo Decreto 7.213/10 ao Decreto 6.759/09, que introduziu parágrafo 3ºA ao artigo 689, os casos de falsidade ideológica na fatura comercial passaram a ser suscetíveis à pena de perdimento. 4. AGTR improvido, restando prejudicado o agravo regimental.” (TRF5, AG 129.785/CE, Primeira Turma, unânime, Rel. Des. Manoel Erhardt, Dje 18/04/2013, p. 182) (grifo nosso) Endosso ainda as observações com a mudança de entendimento daquele TRF já acentuada em função da uniformização promovida pelo Regulamento Aduaneiro: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. PROCEDIMENTO FISCAL. FALSIDADE IDEOLÓGICA. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. ART. 689, PARÁGRAFO 3ºA DO DECRETO 6.759/09. 1 Mandado de segurança que visa à anulação do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal fundamentado em suposta utilização de fatura comercial ideologicamente falsa, tendo sido aplicada pena de perdimento de mercadoria. 2 Extraise dos autos que o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal concluiu pela aplicação da pena de perdimento sob o fundamento de falsidade ideológica em fatura comercial apresentada para o desembaraço das mercadorias de origem estrangeira adquiridas pela empresaimpetrante. 3 O procedimento especial de fiscalização foi instaurado em face da ausência de elementos suficientes para demonstrar se os tributos devidos estão corretamente recolhidos e atestar se as notas fiscais reproduzem fielmente a descrição dos produtos adquiridos com seus respectivos preços, dentre outras exigências, capazes de afastar dúvidas quanto à regularidade da importação. 4 Em momento anterior às alterações legislativas a respeito da matéria, as decisões do Superior Tribunal de Justiça caminhavam no sentido de que, em caso de irregularidades no faturamento de mercadorias importadas e inexistindo regra expressa autorizando a pena de perdimento, deveria ser aplicada multa de 100% sobre a diferença apurada entre o valor real e o declarado, nos termos do art. 108, parágrafo único do DL 37/66. 5 Todavia, com a alteração do art. 689, inc. VI e parágrafo 3ºA do Decreto 6.759/09, introduzida pelo Decreto 7.213/10, restou imposta explicitamente a pena de perdimento aos casos tipificados como falsidade ideológica de fatura comercial apresentada para o desembaraço de mercadoria. 6 No caso, devidamente apurada a irregularidade na importação através do procedimento fiscal, inexiste qualquer ilegalidade na Fl. 8147DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.148 22 aplicação da pena de perdimento que culminou na apreensão das mercadorias da impetrante. 7 Apelação improvida.” (TRF5, AG 560.146/CE, Quarta Turma, unânime, Rel. Des. Rogério Fialho Moreira, Dje 15/08/2013, p. 401) (No mesmo sentido outras decisões unânimes do TRF5, v.g.: APELREEX29686/CE, AG130432/CE ...)(grifo nosso) Concluise aqui, na mesma toada, que na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3º, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do DecretoLei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). E, no caso concreto, é de se repetir que há não só uso de fatura falsa (ideologicamente, pois o documento não espelha o que foi, de fato, transacionado, sabendo disso ambas as partes da transação, que tentam mostrar à Aduana realidade diversa da operação efetivamente empreendida) mas também desembaraço com tributos pagos em parte mediante artifício doloso (separação dos preços totais em duas faturas parciais com submissão apenas de uma ao fisco, com valor que sabidamente não corresponde ao da transação, tanto que as remessas eram feitas à margem do sistema cambial brasileiro). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado, em relação ao tema aqui em análise: aplicação da multa substitutiva do perdimento, prevista no artigo 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976, com fundamento nos incisos VI e XI do DecretoLei nº 37/1966. Reiterase, assim, não estarmos diante de vício de erro no enquadramento legal, à ensejar a nulidade ou a improcedência do auto de infração, passandose à análise sobre se os fatos ensejadores da penalidade de perdimento e da multa substitutiva decorrente, foram devidamente comprovados pela acusação fiscal, seja apontando DI´s que tiveram faturas em duplicidade, falsificadas ou adulteradas (falsidade material), seja apontando DI´s relacionadas à documentos que não espelham o que foi, de fato, transacionado (falsidade ideológica). Fragilidade da prova Alega a ora Recorrente fragilidade da prova, afirmando que a Fiscalização usou meros indícios como se fossem provas e presumiu que deveriam ser estendidas para inúmeras mercadorias que julgou estarem subfaturadas, tendo apontado como principal prova, documento não oficial, supostamente elaborado por funcionário não autorizado para tal, mera (i) planilha denominada "importações 2009 e 2010.xls" que teria sido encontrada em computadores no seu estabelecimento; além da (ii) transcrição de email de uma negociação simples; e juntada de (iii) comprovante de remessa, a pretexto de comprovar o subfaturamento, reiterando ter sido vítima de terem os "doleiros" utilizado seus dados cadastrais, fornecidos pelo seu sócio responsável pelo fechamento de câmbio, sem seu conhecimento ou pactuação, em remessas que ocultavam os verdadeiros remetentes; sem, no entanto, ter a Fiscalização apresentado provas documentais concretas de que houve um Fl. 8148DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.149 23 pagamento por fora, um conluio entre importador e exportador, em relação às 8(oito) DI´s que constam da autuação e cujas justificativas apresentadas não foram aceitas. Antes de adentrar na análise dos dados e das provas, a decisão recorrida promove minuciosa descrição: dos fatos que embasaram a presente ação fiscal, da Receita Federal; das operações Hércules, da Polícia Federal, e Heráclidas, da Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal; da empresa importadora, das importações e do modus operandi. Ao final, concluindo que a empresa era cliente dos "doleiros" operadores de câmbio (Casa Branca Câmbio e Turismo Ltda) investigados e promovia, por meio deles, remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta, tendo sido apurado pela Fiscalização a ocorrência de preços subfaturados, em relação aos preços efetivamente praticados, de mercadorias estrangeiras, já desembaraçadas e cujos tributos aduaneiros foram pagos apenas em parte, mediante artifício doloso, razões pelas quais julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente a presente autuação para a cobrança da diferença de tributos e penalidades cabíveis. Quanto a análise dos dados e das provas, cabe, inicialmente, verificar o conjunto dessas informações que levaram a acusação fiscal e o órgão julgador recorrido à conclusão de que a empresa seria cliente dos operadores de câmbio (doleiros) investigados e promovia, por meio deles, remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta. Notar que o fato das remessas clandestinas de divisas é absolutamente incontroverso, alegando a Recorrente em sua defesa ter sido vítima de terem os "doleiros" (Casa Branca Câmbio e Turismo Ltda) utilizado seus dados cadastrais, fornecidos por integrante do quadro societário da Bremen, responsável pelo fechamento de câmbio, sem o conhecimento ou pactuação da empresa. A questão controversa gira em torno de saber se restou demonstrado e comprovado que tais remessas clandestinas de divisas destinavamse ao pagamento "por fora" de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta. Afirma o voto condutor da decisão recorrida (fl. 8.068) que o Relatório de Procedimento Fiscal é profícuo em trazer provas que a empresa Bremen se valeu de um esquema fraudulento, in verbis: "Para tanto, o Relatório de Procedimento Fiscal faz uma breve exposição acerca dos documentos encontrados em poder dos "doleiros" que foram objeto da "Operação Hércules" e que revelavam que a empresa BREMEN era uma das clientes do esquema de remessas clandestinas de divisas ao exterior, inclusive, tendo sido citada como tal em petição protocolada na Polícia Federal pelo proprietário da empresa CASA BRANCA CÂMBIO E TURISMO, uma das empresas investigadas naquela operação. Diversos documentos, tais como comprovantes de remessas, faturas comerciais, faturas proforma, extratos de conta corrente, revelaram que a empresa BREMEN costumava utilizar os serviços dos "doleiros" para pagar seus fornecedores no exterior (doc.3 (fls. 7099 a 7362)). A tabela abaixo apresenta alguns destes documentos encontrados nos estabelecimentos dos doleiros e que identificam as empresas beneficiárias das remessas efetuadas por conta e ordem da BREMEN. Fl. 8149DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.150 24 ❖ folhas 7.903 / 7.904 do processo digital. [...] As remessas que constam nestes documentos podem ser comprovadas por diversos controles internos de operações encontrados também junto aos doleiros, tais como a planilha 63833.xls (fragmento abaixo) na qual constam discriminados lançamentos referentes às transferências, como por exemplo, o TT SPC412670, realizada em 25 de março de 2009 e que se refere a um pagamento de US$ 13.129,00 a empresa HOLHAN (doc.4 (fls. 7363 a 7368)). Este valor coincide com o que aparece na proforma invoice 5194YA discriminada acima.| ❖ folhas 7.904 do processo digital. [...] Destes lançamentos constantes no citado controle, pelo menos três faturas proformas foram encontradas também junto aos doleiros revelando que tais remessas foram feitas efetivamente para pagamento de importações. ❉ MODUS OPERANDI Dentre as operações registradas no SISCOMEX pelo importador observase que muitos itens figuram com preços distintos de uma para outra DI, o que se soma as demais comprovações de que os preços tem sido modificados de forma artificial para reduzir a incidência dos tributos. O Relatório de Procedimento Fiscal fornece o seguinte exemplo, às folhas 7.905 do processo digital: ... Por exemplo, o produto BLOCO VOLUMÉTRICO M401, código Bremen 5103, foi declarado pelo preço unitário de US$ 560,00 na DI 10/03839276 e de US$ 800,00 nas DIs 10/13360950 e 10/17730573; o Kit bomba volumétrica, código Bremen 5202, foi declarado na DI 10/02715239 pelo preço unitário de EU$ 48,30, e nas DIs 10/22122438 e 11/09216523 por EU$ 71,42; dentre outros. Analisando as importações registradas no SISCOMEX pela empresa BREMEN, verificase que os beneficiários das remessas feitas pelos doleiros por conta e ordem do importador são os que figuram como exportadores ou fabricantes em suas DIs, exceto as empresas SACHCHA, GEORGIO GIAMIMINOLA, CHANTIERS AMEL, PECO e HOLHAN (U.K.), que não foram declaradas em nenhuma DI registrada. Diversas comunicações entre os doleiros revelaram que a BREMEN era efetivamente cliente do esquema de remessas, como demonstra o fragmento abaixo: ❖ folhas 7905 do processo digital. [...] Observase que duas proforma invoices encontradas junto aos doleiros, supostamente emitidas por empresas diferentes, PIUSI, da Itália, e PRESSOL, da Alemanha, são praticamente idênticas, com as mesmas mercadorias discriminadas, porém com preços diferentes, uma no valor total de EU$ 44.180,36 e outra no valor de EU$ 56.284,82, modificandose apenas os dados referentes ao suposto emitente e os dados bancários para a remessa (doc. 8 (fls. 7397 a 7398)). A fiscalização assim conclui às folhas 7.906 do processo digital: Fl. 8150DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.151 25 Estes documentos demonstram que estas faturas são feitas pelo próprio importador apenas para justificar perante o doleiro às remessas financeiras feitas a estes fornecedores. Ou seja, estas faturas comerciais e proforma encontradas junto aos doleiros, seriam apenas como suporte documental às remessas e não representavam a operação comercial propriamente dita, embora tivessem relação com alguma operação comercial efetiva. Isso fica ainda mais evidente pelo fato de que: > tais documentos e mercadorias a que se referem não constam descritos nas declarações de importação registradas, mesmo quando se referem a fornecedores efetivos como a PIUSI, PRESSOL, WINSUN, WINSEN, MAIDE e LAYO. Para demonstrar a fraude, o Relatório de Procedimento Fiscal cita o exemplo de duas faturas idênticas, onde se observa que a PROFORMA INVOICE 485359, que teria sido supostamente emitida pela empresa PRESSOL, no valor total de EU$ 44.180,36, consta como referência em uma ordem de remessa que teria sido enviada pelos doleiros para uma casa de câmbio no Uruguai com orientação de transferência em nome da BREMEM para a PRESSOL. ❖ folhas 7.906 do processo digital. [...] Em comunicação interna entre os doleiros percebese a confirmação da referida remessa conforme transcrição abaixo: ❖ folhas 7.907 do processo digital. [...] Em relação a esta operação também foi encontrado um documento que apresenta as informações referentes a esta remessa possivelmente obtido da tela de algum sistema de controle bancário. ❖ folhas 7.907 do processo digital. [...] Foi encontrada dentre os arquivos magnéticos copiados dos computadores existentes no estabelecimento do importador uma planilha eletrônica de controle interno denominada "Importações 2009 e 2010.xls" (doc.5 (fls. 7369 a 7381)) na qual são discriminadas diversas informações referentes às importações realizadas em 2009 e 2010. Nesta planilha de controle consta o registro da operação 006/09, referente ao fornecedor PRESSOL, indicando: > o valor de EU$ 124.180,36 na coluna denominada "INVOICE REAL"; e > o valor de EU$ 80.000,00, na coluna "INVOICE". A diferença entre estes dois valores é exatamente igual a EU$ 44.180,36, valor este que figura na coluna denominada "$ OF.(USD/Eur)9", da mesma planilha, cuja data de pagamento informado seria 15 de maio de 2009. Fl. 8151DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.152 26 Voltando a Ordem de Remessa transcrita acima, verificamos que tanto o valor como a data coincidem perfeitamente com os constantes na citada planilha de controle. A operação controlada nesta planilha consta como referindose à fatura proforma 3010913. Consultando os dados registrados no SISCOMEX verificamos que esta fatura foi utilizada para instruir a DI 09/05969760 e se refere a uma importação de diversas mercadorias do fornecedor PRESSOL, cujo valor total declarado foi de EU$ 80.000,00, ou seja, o mesmo valor constante na coluna "INVOICE", mas inferior ao valor constante na coluna "INVOICE REAL", na planilha citada acima. Foi encontrada na empresa a fatura 3010913 constante no arquivo "PRESSOL Invoice 07.04.09.pdf" (doc.6 (fls. 7382 a 7393)), com as mercadorias referentes a esta importação, indicando tratarse da ordem número 006/09, mesma referência constante na planilha de controle das importações. O valor total desta fatura comercial é: > de EU$ 124.180,36, exatamente igual, portanto, ao valor onstante na coluna "INVOICE REAL" da referida planilha de controle. A fatura comercial utilizada para instrução da DI (doc. 9 (fls. 7399 a 7405)), com a mesma numeração, referese às mesmas mercadorias, mas com preços unitários distintos. O Relatório de Procedimento Fiscal ainda o seguinte exemplo (folhas 7.907 do processo digital): ... o item 2854 aparece na proforma com o preço unitário de US$ 16,56 e na fatura, por US$ 10,49. Para o item 87211, os preços que aparecem são US$ 11,16 na proforma e US$ 7,40 na fatura. Fica, portanto, perfeitamente claro que o importador praticou subfaturamento dos preços declarados utilizou os serviços dos "doleiros" para remeter ao exterior EU$ 44.180,36 para pagamento da diferença de valor. A fatura utilizada para amparar esta remessa junto aos doleiros embora não tenha relação com as mercadorias efetivamente importadas, referese a esta mesma operação comercial, o que demonstra que estas faturas encontradas junto aos doleiros, são de fato documentos fictícios emitidos apenas para amparar documentalmente as remessas clandestinas de divisas, pois, como demonstra o exemplo, nem mesmo as mercadorias listadas coincidem com as importadas. Intimado a prestar esclarecimentos acerca da divergência entre os valores da fatura comercial 3010913, encontrada na empresa, e os valores da fatura utilizada para instruir a referida DI, pelo Termo de Intimação 022/2014, o importador limitouse a informar que desconhecia a existência desta fatura, chegando a colocar em dúvida a afirmação da fiscalização de que este documento havia sido apreendido nas dependências da empresa. Da mesma forma, a operação 008/09 registrada na referida planilha de controle, que se refere a uma importação do fornecedor MAIDE aparece vinculada à fatura 2009Z36 com os valores de US$ 102.150.00, na coluna "INVOICE REAL", e de US$ 77.150,00, na coluna "INVOICE". Esta fatura consta no SISCOMEX declarada como instruindo a DI 09/10516655, do fornecedor ZHEJIANG MAIDE, cujo valor total declarado foi de 77.153,80, muito próximo, portanto, do valor constante na coluna "INVOICE" na referida planilha, mas inferior ao valor constante como INVOICE REAL (doc. 10 (fls. 7406)). A diferença de US$ 25.000,00 aparece na planilha como tendo sido pago em 23/05/2009. Fl. 8152DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.153 27 Junto aos doleiros foram encontrados dois documentos referentes a esta operação: > Um é a própria Ordem de Remessa de US$ 25.000,00, emitida por MIDOTEX HK em 21 de maio de 2009, por ordem da BREMEN para a ZHENGIANG MAIDE, e que identifica a fatura 2009Z36 como referência (doc. 11 (fls. 7407)); > O segundo documento é um email do HSBC, cuja referência é N52200009136 23 MAY 2009, dado conta da realização, em 23 de maio, da remessa solicitada no valor de US$ 25.000,00. Observase que a data coincide com a data de pagamento constante na planilha citada anteriormente. Desnecessário reiterar toda a análise, supra transcrita, dos dados e das provas, exaustivamente feita pelo órgão recorrido, restando amplamente demonstrado e comprovado que tais remessas clandestinas de divisas destinaramse ao pagamento "por fora" de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular e fraudulenta, passandose à análise individualizada das provas contraditadas no recurso voluntário interposto. Sobre a (i) planilha denominada "importações 2009 e 2010.xls" (fls. 7369/ 7381), limitase à recorrente a questionar a validade desta prova, sem contraditar seu conteúdo, alegando tratarse de mera planilha, encontrada sabese lá onde, documento não oficial, supostamente elaborado por funcionário da empresa não autorizado para tal. Ao argumento de fragilidade da prova, contrapõese a fragilidade da retórica adotada pela defesa, fugindo da discussão do conteúdo, apresentando alegações jocosas sobre ter sido a planilha encontrada sabese lá onde e de que não estaria o funcionário que a elaborou autorizado para tal, ainda que relatado tratarse de arquivos magnéticos copiados dos computadores existentes no estabelecimento do importador, respondendo a empresa pelos atos dos seus prepostos, guardado eventual direito de regresso cível. Notar que nesse ponto, não está na forma da prova a sua relevância e sim no seu conteúdo. Ainda que tomada como prova indiciária, ajuda perfeitamente esclarecer a conexão entre os documentos que visa controlar, evidenciado o caráter fraudulento das operações de comércio exterior protagonizadas pela Recorrente a caracterizar a ocorrência de falsidade material, apontadas faturas em duplicidade, falsificadas ou adulteradas, além de documentos que não espelham o que foi, de fato, transacionado, "...fortes indícios de falsificação ideológica que, diante do modus operandi, transmudamse em convicção da ocorrência do ilícito, revelando o dolo na conduta com intuito de fraudar o fisco." (TRF4 508674413.2014.404.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE) Sobre a (ii) transcrição de email de uma negociação (fl. 7912), tenta a Recorrente mitigar a relevância da prova, qualificandoa como email de simples negociação. Porém, o Relatório Fiscal deixa claro que a informação do email, pinçado dentre diversas comunicações eletrônicas encontrados e apreendidas na empresa, busca justificar discrepâncias por possíveis erros de preenchimento da indigitada planilha, justificativas as quais o importador, sob intimação fiscal, negouse a oferecer, sob a alegação de não estar obrigado a fazer provas negativas ou contra si mesmo, mais uma vez, fugindo da discussão do conteúdo, preferindo retórica evasiva, afirmando não deter o fisco segurança nas provas que possuía e que estaria buscando uma confissão da empresa. Fl. 8153DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.154 28 Nesse ponto, o conteúdo das trocas de email somamse aos dados da planilha supracitada complementandoa, independentemente de evidenciarem alterações de preços em razão dae simples negociações ou com intuito doloso de subfaturamento. Sobre o (iii) comprovante de remessa, associados a diversos outros documentos, tais como, faturas comerciais, faturas proforma, extratos de conta corrente, revelaram que a empresa BREMEN costumava utilizar os serviços dos "doleiros" para pagar seus fornecedores no exterior (fls. 7099/7362). A tabela reproduzida na decisão recorrida (fl. 8.069), apresenta alguns destes documentos, inclusive faturas proformas encontradas nos estabelecimentos dos doleiros e que identificam as empresas beneficiárias das remessas efetuadas por conta e ordem da BREMEN, revelando que tais remessas foram feitas efetivamente para pagamento de importações. Ainda, analisando as importações registradas no SISCOMEX pela empresa BREMEN, verificase que os beneficiários das remessas feitas pelos doleiros, por conta e ordem do importador, são os que figuram como exportadores ou fabricantes em suas DIs. Assim, entendo andou bem o órgão recorrido ao entender suficientes as provas apresentadas à evidenciar que as remessas apontadas eram normalmente amparadas em faturas comerciais ou proformas que não guardavam relação com a operação comercial, configurando FRAUDE aos controles aduaneiros, ao declarar preços inferiores aos efetivamente praticados e utilizar os serviços de doleiros para efetuar remessas clandestinas de dinheiro para o exterior, com o objetivo de complementar o pagamento pelas mercadorias importadas. Portanto, ao contrário do afirmado pela Recorrente, o conjunto probatório é vasto e não deixa dúvidas sobre as falsidades material, das faturas em duplicidade, falsificadas ou adulteradas, e ideológica, dos demais documentos que não espelham o que foi, de fato, transacionado, sabendo disso ambas as partes da transação, que tentaram mostrar à Aduana realidade diversa da operação efetivamente empreendida. Justificativas não aceitas pela Fiscalização Em relação às 20(vinte) DI´s analisadas, sobre as justificativas apresentadas e não aceitas pela Fiscalização, em relação às 8(oito) DI´s autuada (1003368958; 1015086448; 1020991137; 1107081353; 1015375610; 1000687068; 1008003010; 1002025313), reitera a ora Recorrente seus argumentos da Impugnação, em essência, retomando a discussão sobre erro no enquadramento legal e sobre a fragilidade das provas, questões já devidamente enfrentadas, não trazendo a autuada justificativas de fato ou razões de direito que alterem as conclusões alcançadas pela Fiscalização e ratificadas pela decisão recorrida. No uso da prerrogativa fixada pelo §3º, do art. 57, do RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, não tendo a ora Recorrente, nesse ponto, apresentado novas razões de defesa perante a segunda instância, proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, abaixo transcrita: ⊙ DA ANÁLISE DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS Como já vimos anteriormente, o importador apresentou, de forma deliberada, esclarecimentos com vistas a comprovar os preços praticados por alguns dos produtos constantes na lista Fl. 8154DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.155 29 anexa ao Termo de Intimação 031/2014 (doc. 2Q (fls. 7032 a 7098)). Analisando as informações, a fiscalização considerou como válidos os elementos apresentados em relação às DIs 0917641382, 1012876340, 1013360950, 1013951354, 1022121741, 1103472331, 1105112413, 1109216523, 1114060935, 1117413880, 1118712260 e 1124365828, por não terem sido encontrados documentos que demonstrem a efetividade das negociações relativas a estas operações comerciais específicas, e porque as informações apresentadas pelo importador não podem ser contestadas por outros documentos encontrados na empresa. Em relação as demais DIs (1000687068, 1002025313, 1003368958, 1008003010, 1015086448, 1015375610, 1020991137, 1107081353), no entanto, os argumentos apresentados pelo importador não foram suficientes para afastar a necessidade de reconstituição do Valor Aduaneiro. O quadro abaixo apresentam as razões pelas quais não foram acatadas as argumentações do importador referente a estas oito DIs: ❖ folhas 7.919 / 7.920 do processo digital. Fl. 8155DF CARF MF Processo nº 10517.720001/201411 Acórdão n.º 3302005.534 S3C3T2 Fl. 8.156 30 Não atendimento ao princípio da proporcionalidade multa superior à 100% do valor do tributo confisco Alega a Recorrente que o presente auto de infração cotem duas penalidades que ultrapassam em muito o valor do tributo supostamente devido: multa qualificada de 150% do valor do tributo e multa administrativa de 100% do valor da mercadoria, apontando decisões do STF (ADIN nº 551RJ, RE nº 582.461SP, em repercussão geral, e RE nº 833.106GO) que respaldariam seu entendimento da existência de limite de 100% do valor do tributo devido para imposição de penalidades, por questão de justiça, proporcionalidade e não confisco, no teor das decisões apontadas. Quanto à multa administrativa de 100% do valor da mercadoria, por si só, não ultrapassa o limite proposto, além da existência de previsão legal, fixando o percentual exigido (100%), não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Já quanto ao argumento de que o percentual da multa qualificada aplicada seria desproporcional e inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, citando enunciados jurisprudenciais do STF, resta aplicar ao caso a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."; e dentro do livre convencimento motivado, do art. 29, do PAF, estão os Conselheiros obrigados à reprodução de decisões judiciais definitivas de mérito, proferidas pelo STF e STJ, somente nos casos do § 2º, do art. 62, do RICARF/15, inexistentes em relação à multa qualificada do art. 44, inc. I, §1º, da Lei nº 9.430/96, restando vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar a Lei nº 9.430/96, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo exceções do § 1º, do mesmo art. 62, também, ora inaplicáveis. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 8156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720239/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 3403-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência à Primeira Seção do CARF. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: x
1.0 = *:*
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PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência à Primeira Seção do CARF. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 39 /2 01 2- 10 Fl. 1410DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 1292 a 13041), lavrado em 07/12/2011, para exigência de IPI no valor original de R$ 3.225.630,73, e de juros de mora e multa de ofício (no percentual de 150%). Narrase na autuação que o estabelecimento promoveu a saída de produto sem a emissão de Nota Fiscal, apurada mediante presunção legal de omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização e comprovação de créditos e depósitos bancários, na forma detalhada em Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, que integra a autuação. No referido Termo (fls. 1280 a 1290), destacase que: (a) a fiscalização se origina de incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita operacional da empresa; (b) intimada a empresa a apresentar documentos, e esta não o fazendo, obtevese regularmente autorização para acesso às contas bancárias da empresa junto às instituições bancárias relacionadas na fl. 1281; (c) o contribuinte foi então intimado, por diversas vezes, a apresentar arquivos contábeis/digitais, não o fazendo; (d) a partir dos dados bancários, elaborouse a tabela de fl. 1284, com o demonstrativo da receita declarada pelo contribuinte, (em tal tabela, estão excluídos os valores transferidos entre contas de mesma titularidade, os referentes a valores cuja efetiva entrega e origem foram comprovadas, como devoluções e descontos, e os depósitos e créditos inferiores a mil reais, propiciando simplificar a manifestação do contribuinte); (e) deuse ciência da tabela ao contribuinte em 09/08/2011, propiciando que este justificasse as operações e comprovasse a origem dos recursos aportados em sua contacorrente bancária; (f) em 16/08/2011 o contribuinte solicitou ao fisco cópia dos (seus próprios) extratos bancários relativos ao lançamento da tabela, e prazo adicional (de 150 dias) para apresentar suas justificativas; (g) a fiscalização disponibilizou todos os extratos bancários ao contribuinte em 22/08/2011, concedendo 20 dias adicionais para atendimento da intimação; (h) decorridos mais de 30 dias, sem qualquer resposta, o contribuinte foi reintimado (em 28/09/2011), tendo solicitado mais 30 dias para a resposta, mas não tendo apresentado qualquer documento até a data de lavratura do Termo de Encerramento da Fiscalização (07/12/2011); (i) considerando que a pessoa jurídica apresentou DIPJ pelo lucro presumido trimestral, nos anoscalendário de 2007 e 2008 (período fiscalizado), em confronto das vendas declaradas (fl. 1284) com a movimentação bancária cuja origem não tenha sido comprovada, caracterizouse a omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei no 9.430/1996, nos montantes constantes da tabela de fls. 1285/1286); (j) considerando que o contribuinte tem como atividade a industrialização de móveis de madeira, e que a receita de fabricação de produtos é preponderantemente sua receita operacional declarada, o contribuinte foi intimado em 20/10/2011 a identificar a origem dos recursos carreados a suas contas bancárias, identificando a natureza de cada operação, e as alíquotas do IPI incidentes; (k) em resposta, o contribuinte apresentou os livros de apuração do IPI, mas sem identificar relação com os recursos carreados às contas bancárias; (l) a fiscalização chegou, assim, à tabela com o IPI incidente sobre a receita omitida (fl. 1287), recompondo o Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento matriz, na forma da tabela de fl. 1288; (m) foram lançados valores referentes a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, tratando a presente autuação exclusivamente do IPI; e (n) foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, pelo cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária. Cientificado da autuação em 19/12/2011 (cf. AR de fl. 1306), o contribuinte apresenta impugnação (fls. 1307 a 1325) em 18/01/2012, sustentando que: (a) não forneceu os documentos porque o contador se apropriou deles, tendo efetuado denúncia de apropriação 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 3403002.580 S3C4T3 Fl. 1.410 3 indébita, e porque as empresas com as quais financiava a sua produção é que os detinham; (b) é nula a autuação, porque houve violação do sigilo bancário pelo fisco, sendo inconstitucional a Lei Complementar no 105/2001; (c) a autuação é nula, porque a RMF expedida somente aponta como hipóteses o enquadramento no art. 33 da Lei no 9.430/1996, sem especificar qual das hipóteses do respectivo comando legal ensejou a requisição, prejudicando a defesa; (d) a RMF não é válida, pois nela não há código de acesso à internet para permitir à instituição financeira a identificação, desatendendo a um dos requisitos mínimos (inciso IX) estabelecidos no art. 4o, § 7o do Decreto no 3.724/2001; (e) há nulidade decorrente de erro na base de cálculo, pois o auditor considerou os depósitos em seu valor nominal, desconsiderando a opção do contribuinte pelo lucro presumido, sem suporte legal; (f) há nulidade por inexistência de presunção de omissão de receita, pois o contribuinte “informou que os referidos recursos eram relativos à (sic) financiamento de produção, indicando ainda as empresas de fomento mercantil que fariam os referidos empréstimos disfarçados de operação de fomento”; (g) há nulidade por presunção indevida de omissão de receita, visto que a RFB considerou como omissão de receita operações que evidentemente não o eram (sem detalhálas e quantificálas especificamente); (h) as receitas que se deseja tributar eram decorrentes de empréstimos, mas os documentos correspondentes constam em ações judiciais, e sua obtenção resta prejudicada, pelo que é indevido o pagamento do imposto; (i) todos os bens arrolados pelo fisco estão de posse de terceiros, em razão de determinação judicial, restando evidenciado, diante do princípio da capacidade contributiva, que não há possibilidade de tais recursos serem considerados como omissão de receita; e (j) é indevida a multa de ofício qualificada, em face da Súmula 14 do CARF. Solicitou ainda a juntada posterior de documentos e a notificação pessoal aos representantes legais e procuradores. O julgamento de primeira instância ocorre em 05/07/2012 (fls. 1363 a 1379), acordandose unanimemente pela procedência da autuação, entendendo: (a) válida a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei; (b) que a argüição de inconstitucionalidade não é apreciável administrativamente; (c) pela existência do intuito de fraudar o fisco (impedindo ou retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal), ensejadora da qualificação da multa de ofício; e (d) não haver nulidade no lançamento, tendo sido observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Indeferidas ainda, por força de lei, a juntada posterior de documentos e a notificação pessoal aos representantes legais e procuradores. Cientificado da decisão de piso em 07/08/2012 (conforme AR de fl. 1387), o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 06/09/2012. Na peça (fls. 1388 a 1406), são integralmente reproduzidos os termos da impugnação, sequer se fazendo menção ao julgamento de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 1412DF CARF MF 4 O recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim, mister se faz perscrutar possível afetação do presente processo pelo resultado do julgamento de processo de IRPJ/CSLL, que teria na origem a mesma base fática, com a consequente mácula da competência desta 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção para o trato da matéria. O Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, conforme narrado no relatório, trata de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, todos com exigibilidade inegavelmente nascida de uma mesma base fática. Destaquese do referido termo o excerto de fl. 1285: “Posto isso, sem que fossem apresentados informações e documentos hábeis e idôneos que comprovassem e dessem suporte às transações, aptos a identificar as operações e as partes intervenientes, procedeuse a (sic) consolidação dos recursos aportados nas contas bancárias da pessoa jurídica, nos termos da Tabela 03, a seguir demonstrada, onde, depois de excluídos os valores da receita declarada e comprovada pela pessoa jurídica em suas declarações de renda, Tabela 02, acima, bem estará evidenciada a omissão de receita mensal, base de cálculo do IRPJImposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, das contribuições ao PIS e à COFINS (sic) e do Imposto s/ Produtos Industrializados, que serão exigidos em Autos de Infração correspondentes”. (grifos no original) Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinandose da competência à Primeira Seção do CARF. Rosaldo Trevisan Fl. 1413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720648/2012-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 08/05/2008
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR.
A incorporação de ações implica aumento de capital de pessoa jurídica, realizado mediante a conferência de ações de outra pessoa jurídica. A diferença entre o valor das ações entregues e o valor do aumento de capital enseja ganho de capital. O ganho de capital de beneficiário domiciliado no exterior implica a retenção do tributo na fonte.
No caso, ocorreu operação de incorporação de ações e foram identificados acionistas no exterior.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-006.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de realização de novo sorteio, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência para apreciação do Agravo, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral. A conselheira Patrícia da Silva acompanhou a rejeição da diligencia pelas conclusões. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento integral e as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nos termos do art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou apenas em relação à preliminar de realização de novo sorteio e não votou quanto à diligência para apreciação do Agravo, quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator originário e Presidente em Exercício, na sessão de 30/01/2018, no período da manhã. Nos termos do art. 58, §13, Anexo II do RICARF, foi designada pela Presidente, como redatora ad hoc para este julgamento, a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Redatora ad hoc
Participaram das sessões de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício na data da conclusão do julgamento), Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Mario Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício na data de início do julgamento).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 08/05/2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. A incorporação de ações implica aumento de capital de pessoa jurídica, realizado mediante a conferência de ações de outra pessoa jurídica. A diferença entre o valor das ações entregues e o valor do aumento de capital enseja ganho de capital. O ganho de capital de beneficiário domiciliado no exterior implica a retenção do tributo na fonte. No caso, ocorreu operação de incorporação de ações e foram identificados acionistas no exterior. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de realização de novo sorteio, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência para apreciação do Agravo, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral. A conselheira Patrícia da Silva acompanhou a rejeição da diligencia pelas conclusões. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento integral e as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou apenas em relação à preliminar de realização de novo sorteio e não votou quanto à diligência para apreciação do Agravo, quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator originário e Presidente em Exercício, na sessão de 30/01/2018, no período da manhã. Nos termos do art. 58, §13, Anexo II do RICARF, foi designada pela Presidente, como redatora ad hoc para este julgamento, a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Redatora ad hoc Participaram das sessões de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício na data da conclusão do julgamento), Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Mario Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício na data de início do julgamento).
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Recorrente BM&F BOVESPA S/A BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 08/05/2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. A incorporação de ações implica aumento de capital de pessoa jurídica, realizado mediante a conferência de ações de outra pessoa jurídica. A diferença entre o valor das ações entregues e o valor do aumento de capital enseja ganho de capital. O ganho de capital de beneficiário domiciliado no exterior implica a retenção do tributo na fonte. No caso, ocorreu operação de incorporação de ações e foram identificados acionistas no exterior. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de realização de novo sorteio, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 48 /2 01 2- 03 Fl. 2426DF CARF MF 2 sustentação oral, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência para apreciação do Agravo, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral. A conselheira Patrícia da Silva acompanhou a rejeição da diligencia pelas conclusões. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento integral e as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) votou apenas em relação à preliminar de realização de novo sorteio e não votou quanto à diligência para apreciação do Agravo, quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator originário e Presidente em Exercício, na sessão de 30/01/2018, no período da manhã. Nos termos do art. 58, §13, Anexo II do RICARF, foi designada pela Presidente, como redatora ad hoc para este julgamento, a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Redatora ad hoc Participaram das sessões de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício na data da conclusão do julgamento), Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Mario Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício na data de início do julgamento). Relatório Da autuação ao acórdão do recurso voluntário Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrente de falta de retenção do Imposto de Renda (IRRF) apurado sobre os ganhos de capital relativos à integralização de capital realizada por meio de conferência de ações de investidores não residentes por ocasião da incorporação de ações da Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding) CNPJ 08.695.953/000123, em 05/2008, pela Nova Bolsa S/A (Nova Bolsa) CNPJ 09.346.601/000125, atual BM&F Bovespa S/A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BMFBovespa), conforme auto de infração de efls. 1127 a 1130, cientificado à contribuinte em 22/05/2012. O procedimento fiscal com as razões da exigência dele decorrente está descrito no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às efls. 1112 a 1126, sendo o montante do crédito tributário exigido de R$ 147.010.452,93, calculado até maio de 2012. O auto de infrações foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 21/06/2012, anexada às efls. 1180 a 1242 dos autos. A impugnação foi apreciada na 10ª Turma da DRJ em São Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.427 3 Paulo I que, por unanimidade, em 31/01/2013, a julgou improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão n° 1648.003, às efls. 1314 a 1341. Inconformado, a contribuinte, em 16/08/2013, apresentou recurso voluntário, às e fls. 1346 a 1445, no qual sustentou, em resumo: (i) a decisão recorrida violou o princípio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que não foram apreciadas questões relevantes ao deslinde do caso ( "1.2.2 O Regime de Caixa Aplicável às Pessoas Físicas e aos NãoResidentes" e "2 Da Ausência de Responsabilidade por parte da Impugnante Inaplicabilidade do Artigo 26 da Lei n° 10.833/03 ao Presente Caso"); (ii) o lançamento fiscal é ilíquido e incerto, pois não considerou/investigou os pagamentos realizados pelos contribuintes de fato (procuradores dos nãoresidentes); (iii) a Recorrente, por ser mera responsável e não contribuinte, não tem poder de ingerência ou persuasão sobre os efetivos contribuintes (não residentes), motivo pelo qual a Turma Julgadora deveria ter convertido o julgamento em diligência para evitar a cobrança de crédito tributário em duplicidade; (iv) a operação de incorporação de ações gera efeitos tributários diferenciados para as companhias incorporadora e incorporada e para os acionistas da incorporada; estes últimos tem suas ações substituídas, em verdadeira subrogação real; (v) os nãoresidentes (e pessoas físicas) sujeitamse ao regime de caixa, apenas sendo tributados quando os rendimentos são efetivamente recebidos em dinheiro; (vi) ainda que se diga que a subrogação real ocorrida no presente caso possui efeitos permutativos, o fato é que não houve o recebimento de recursos financeiros, não havendo, portanto, que se falar na apuração de ganho de capital; (vii) não ocorreu o fato gerador do IRRF (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de ganhos de capital a residentes no exterior); (viii) a tributação, no caso concreto, somente poderá ocorrer quando da alienação, pelos investidores nãoresidentes, das ações da Recorrente recebidas na incorporação de ações, o que acaba por resultar em duplicidade de tributação sobre os mesmos valores; e (ix) o artigo 23 da Lei n° 9.249/95 não se aplica ao caso concreto, já que não se trata de operação de integralização de capital. (x) o IRRF debatido nos autos só poderia ser exigido dos representantes legais dos investidores nãoresidentes, tendo em vista que a responsabilidade prevista no artigo 26 da Lei n° 10.833/03 apenas é aplicável nas hipóteses em que ônus Fl. 2428DF CARF MF 4 financeiro não seja atribuído ao responsável tributário, como ocorreu no caso em apreço. O peso econômico do tributo deve ser sempre suportado por aquele que adquiriu eventual disponibilidade econômica ou jurídica da renda, o contribuinte; (xi) Na remota hipótese deste E. CARF considerar que a incorporação de ações resultou na apuração de ganho de capital tributável para os então acionistas da Bovespa Holding SA, o que se admite ad argumentandum, supostos ganhos auferidos pelos Investidores 2.689 são isentos; (xii) A Turma Julgadora indevidamente desconsiderou o custo das ações da Bovespa \ \ Holding S.A. detidas pelos investidores diretos Lehman Bros Special Finance e Citigroup Financia! Products comprometendo novamente a liquidez e a certeza do auto de infração; (xiii) Não são devidos juros sobre a multa de ofício, em clara obediência ao Princípio da Legalidade. Em 17/10/2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe aos autos contrarrazões ao recurso voluntário, às efls. 1516 a 1546, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009. Em 15/04/2014, foi juntado processo memorial complementar da contribuinte, às efls. 1549 a 1553, ao qual vieram anexados pareceres de doutrinadores sobre a matéria. Ao final do memorial, o representante da contribuinte requer conversão do julgamento em diligência. Cientificada do memorial e dos pareceres, a Fazenda Nacional apresentou manifestação, às efls. 1708 a 1732, que culminou com pedido de denegação do pedido de conversão em diligência e reiteração do pedido de desprovimento do recurso voluntário. Em 08/06/2015, foi juntado ao processo mais um memorial complementar, cuja juntada fora solicitada em 14/08/2014, trazendo entendimento do Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários CVM, segundo o qual inexistiria alienação de ações pelos acionistas no caso em apreço, e contrapondose a manifestação da PGFN. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário em 10/03/2015, resultando no acórdão n° 2202003.012, às efls. 1742 a 1808, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso. Esse acórdão recebeu as seguintes ementas: NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. NULIDADE. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.428 5 Rejeitase a preliminar de nulidade de acórdão amparada em falta de motivação, pois o acórdão contém fundamentação suficiente para a decisão adotada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA . INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando nada acrescentar aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para formação da convicção e o conseqüente julgamento do feito. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deve ser recolhido pelo adquirente. POSSIBILIDADE DA RETENÇÃO PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO A estrutura de retenção na fonte demanda a incidência de três normas interdependentes. A primeira é a norma de incidência do Imposto de Renda; a segunda é a norma de substituição tributária que afeta a sujeição passiva do tributo, transferindoa do contribuinte aos responsáveis, a terceira é a norma de retenção que autoriza o responsável reter o valor pago a título de tributos no pagamento efetuado ao contribuinte. A legislação além de autorizar a retenção, permite que o responsável assuma o ônus econômico do tributo, quando poderá utilizar esses valores a título de despesa na apuração do lucro real. Legitima a utilização do regime de retenção na fonte no recolhimento de Imposto sobre a Renda decorrente de incorporação de ações. Indeferir Pedido de Diligência Preliminares rejeitadas. Recurso negado. O acórdão teve a seguinte dicção: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. Os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Roberto Fl. 2430DF CARF MF 6 Quiroga Mosquera OAB/SP 83.755 e pela Fazenda Nacional a Drª Lívia da Silva Queiroz (Procuradora da Fazenda Nacional). Embargos de declaração da contribuinte Cientificada do resultado do acórdão em 12/06/2015 (efl. 1835), por meio da intimação nº 450/2015 da DEINF em São Paulo (efl. 1833), a contribuinte interpôs embargos de declaração em 18/06/2015, às efls. 1837 a 1848, apontando omissões, contradições e obscuridades no acórdão do recurso voluntário. Em 1º/07/2015, no despacho de efls. 1926 a 1932, o Presidente da 2º Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento, não vendo qualquer vício a ser sanado na decisão, rejeitou os embargos. A intimação nº 526/2015 da DEINF em São Paulo (efl. 1934) deu ciência desse despacho à contribuinte em 08/07/2015 (efl. 1936). RE da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1938 a 1979, em 22/07/2015, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista as matérias, que abaixo resumimos: a) nulidade do acórdão proferido pela DRJ; b) natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não; c) desconsideração do custo de aquisição dos investidores Lehman Bros e Citigroup; d) isonomia em relação ao tratamento dado pela Lei nº 13.043, de 2014, quanto ao momento da disponibilidade aos acionistas e, consequentemente, ao valor da base de cálculo do ganho de capital; e e) juros de mora calculados com base na Selic sobre a multa de ofício. Aduziu, respectivamente, para cada matéria acima, como acórdãos paradigmas: a) nº 1301001.123 (efls. 2073 a 2077) e nº 10516.694 (efls. 2080 a 2085); b) nº 9202003.579 (efls 2091 a 2147) e nº 210101.366 (efls. 2152 a 2163); c) nº 1103001.047 (2167 a 2210) e nº 3403001.734 (efls. 2214 a 2234); d) nº 910101.257 (efl. 2238 a 2242); e e) nº 910100.722 (efls. 2246 a 2254). Em despacho para exame da admissibilidade do RE da contribuinte, às efls. 2257 a 2279, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, deulhe seguimento parcial, para que fossem rediscutidas as matérias dos itens b) natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não e e) juros de mora calculados com base na Selic sobre a multa de ofício apenas. Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.429 7 Para os itens a) e d) não ficou evidenciada a similaridade fática entre os paradigmas e o recorrido. No tocante ao item c), inexistiu o necessário prequestionamento relativamente à legislação que a contribuinte indica ter sido interpretada de forma divergente. No despacho de efls. 2280 e 2281, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmou as conclusões do despacho acima, vetando a apreciação das matérias dos itens a), c) e d). A matéria do item b) apresentou quatro pontos de divergência nos paradigmas informados: i) não ocorrência de alienação, mas substituição de participação societária, descabendo incidência do § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, pois para que ocorresse alienação seria necessária a ocorrência de negócio jurídico bilateral com transferência de bem ou direito a título oneroso, nos moldes previstos no Código Civil; ii) existiria apenas subrogação, no patrimônio do acionista, de ações de uma empresa pelas de outra, por força de lei, e não integralização de capital pela pessoa física; esse procedimento se dá entre empresas e não entre o acionista e a sociedade incorporadora; iii) não seria aplicável o art. 23 da Lei nº 9,249/1995, pois a incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens pelo acionista; iv) inexistiria qualquer disponibilidade de renda pelo acionista, sendo o ganho apenas potencial, devendo haver alienação das ações recebidas com recebimento das quantias para existir tal ganho; não havendo recebimento do preço não há acréscimo patrimonial a ser tributado. A matéria do item e) tem paradigma que afirma impossibilidade de exigência de juros de mora sobre multa de ofício por considerar que tais multas não decorrem da tributação, mas de descumprimento de dever legal de declarar ou pagar os tributos, inicidindo apenas sobre multas isoladas. Contrarrazões da Fazenda Cientificada em 07/04/2016 (efl. 2312) do RE da contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões a ele em 20/04/2016, às efls. 2313 a 2322. Quanto à discussão sobre a natureza jurídica da alienação das ações a Procuradora argumenta que na incorporação de ações há integralização de aumento de capital da incorporadora com bens (ações incorporadas) de propriedade do acionista, como previsão legal de que seja esta incorporação autorizada em assembleia, inexistindo, por isso, alienação forçada. Não ocorre alienação da ações para a holding e a partir dessa a incorporação, mas sim subscrição e incorporação de bens do acionista na incorporadora. Havida essa operação, e sendo o capital integralizado em valor superior àquele que consta na declaração de bens do proprietário das ações, existe ganho de capital tributável, de acordo com o § 2º do art. 23 da Lei nº 9.249/1995. Não há que se falar em fato permutativo, pois em face do aumento do valor do bem constante na declaração de rendimentos do subscritor, pois a subscrição implica em Fl. 2432DF CARF MF 8 dívida de valor em dinheiro, obrigação pecuniária de integralizar o valor devido, apesar deste valor poder ser extinto por dação e pagamento por força de lei. Quanto aos juros moratórios, em suma, o argumento é de que os débitos para com a União, referidos no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sujeitos a juros de mora abrangem não apenas o tributo mas também a multa de ofício, pois ambos compõe o credito tributário, a partir da inteligência com o inc. I do § 1º do art. 44 do mesmo diploma. Diligência Em resolução de nº 9202000.0367, de 28/09/2016, esta 2ª Turma converteu o processo em diligência, a fim de que se desse ciência do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência, bem com de seu reexame, um a vez que não se encontrava no autos comprovação de que tal ciência houvera sido realizada. A intimação (efl. 2334) para ciência foi efetuada através do AR à efl. 2335, em 03/02/2017. Agravo Em 09/02/2017, a contribuinte interpôs requerimento, às efls. 2338 a 2353, que intitula de agravo, em face do reexame de admissibilidade do seu recurso especial de divergência. Tomou por fulcro o disposto no art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, uma vez que a ciência do despacho de admissibilidade e de seu reexame se deu após a data de entrada em vigor desse regimento. Em despacho de análise do referido requerimento, às efls. 2395 a 2397, datado de 28/04/2017, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF não conheceu do recurso, pois entendeu que a apreciação do reexame se deu à luz do regimento anterior, para o qual não havia previsão de agravo, não sendo admissíveis outros recursos além daqueles previstos nas normas processuais vigentes à época em que prolatados os atos. Nem mesmo seria possível recepcionálo tal requerimento com embargo inominado, a fim de sanar eventual inexatidão material devida a lapso manifesto ou eventual erro de escrita ou de cálculo, pois o que a contribuinte desejava é a reformulação do juízo apresentado no despacho de reexame para adequálo à sua pretensão. A contribuinte foi intimada (Intimação Dicat/Ecob nº 351/2017, efl. 2399) do resultado do despacho em sua caixa postal eletrônica em 11/05/2017 (efl. 2402), porém, contestou a ciência dessa intimação por meio do documento de efls. 2405 a 2406, no qual requer que todas as intimações sejam realizadas por meio postal com prova de recebimento, sob pena de nulidade, pois não havia sua autorização expressa para que fossem recebidas intimações por meio eletrônico, conforme regramento dos §§ 1º e 3º do art. 4º da Portaria MF nº 527/2010. À efl. 2422, encontrase cópia do AR com reenvio da referida intimação,com recebimento datado de 24/05/2017, sem manifestação posterior da contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Redatora ad hoc, nos termos do art. 58, §13, Anexo II do RICARF. Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.430 9 INTRODUÇÃO Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente, rejeito a alegação, trazida da tribuna em sede de sustentação oral, da necessidade de devolução dos autos, para análise do mérito do agravo. Com efeito, entendo que a decisão relativa a agravo contra admissibilidade de recurso especial seja da competência exclusiva do Presidente da CSRF, falecendo portanto competência ao colegiado para reversão da decisão monocrática. Assim, a decisão do então Presidente do CARF, de não conhecimento do agravo, por falta de previsão regimental, conforme fundamentado pelo despacho de efls. 2395 a 2397, é definitiva na esfera administrativa. Para análise do mérito, inicio aqui meu voto delimitando a lide. Com efeito, em face da matéria devolvida a este colegiado pelos despachos de admissibilidade e de reexame de admissibilidade do recurso especial, discutemse dois pontos: (a) a natureza da operação de incorporação de ações e, consequentemente, se sua tributação é cabível e (b) a possibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Esclareço que não se aplica aqui a alegação, também colocada em sede de sustentação oral, de análise dos demais pontos do recurso, por decorrência lógica. Com efeito, entendo que esses pontos, não admitidos, não sejam necessários à exequibilidade da decisão. Na verdade, os referido demais pontos tratam da apuração do valor tributável, enquanto o pedido é somente o de afastamento da tributação da operação. Assim: (a) caso fosse deferido o pedido, não seria sequer necessária a análise do valor da operação, (b) caso negado o pedido, o valor tributável já estaria apurado pela decisão recorrida, sem haver lide admitida quanto a isso. Verificase que o julgamento do primeiro ponto é prejudicial ao julgamento do segundo, pois caso a operação de incorporação de ações, em face de sua natureza, não enseje a ocorrência de fato gerador do tributo, não haverá que se discutir a questão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Portanto, em primeiro lugar será analisada a natureza da operação de incorporação de ações. DA NATUREZA DA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Contextualização Antes de iniciar a análise da matéria, cabe aqui sua contextualização. A exigência é de Imposto de Renda Retido na Fonte, por ganho de capital auferido por contribuinte domiciliado no exterior, por conta da operação de incorporação de ações, que no entendimento da fiscalização implica o aumento de capital em bens. A operação de incorporação de ações consiste na atribuição de todas as ações do capital social de uma determinada companhia ao patrimônio de outra companhia, para converter aquela em subsidiária integral dessa. Consequentemente, os antigos acionistas da subsidiária integral passam a fazer parte do quadro societário da companhia investidora da subsidiária integral. Fl. 2434DF CARF MF 10 Para fins de esclarecimento quanto ao instituto, cabe a reprodução do art. 252 da Lei das S/A, conforme a seguir: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. No caso, temos a atribuição de ações da Bovespa Holding S/A (doravante denominada Bovespa Holding), detidas por acionistas não residentes, ao patrimônio da Nova Bolsa S/A, atual BM&F Bovespa S/A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (doravante denominada BM&F), para converter a Bovespa Holding em subsidiária integral da BM&F. Consequentemente, os antigos acionistas da Bovespa Holding tornaramse acionistas da BM&F. Apenas a título de ilustração, faço a seguir referência aos valores envolvidos, conforme planilhas de fls. 1.095 a 1.111, até porque a discussão desses valores não foi devolvida a este colegiado: para fins de aumento do capital da BM&F, as ações da Bovespa Holding foram consideradas no valor unitário de R$ 24,82; o custo de aquisição de ações pelos investidores estrangeiros foi apurado, em separado, para: (a) investidores estrangeiros com posições acionárias custodiadas na CBLC e (b) investidores estrangeiros diretos; o ganho de capital foi apurado pela diferença entre o valor unitário de R$ 24,82 e o respectivo custo de aquisição, multiplicado pela quantidade de ações de cada acionista; e Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.431 11 o Imposto de Renda a ser Retido na Fonte foi calculado pela aplicação da alíquota de 15% ou 25% conforme o país de domicílio do acionista. Assim, esclarecidos os fatos do processo, bem como delimitada a lide, passo aqui a expressar meu entendimento quanto ao tratamento jurídico dos fatos. Conforme já me posicionei anteriormente em relação ao tema, entendo que a operação de incorporação de ações implica necessariamente o aumento de capital na companhia investidora e esse aumento de capital é inequivocamente integralizado mediante a conferência das ações da companhia que se converte em subsidiária integral, nos termos do já referido art. 252, da Lei n° 6.404, de 1976. Assim, para o antigo investidor da subsidiária integral, a diferença entre o valor das ações recebidas em face do aumento de capital da investidora e o valor de custo das ações da subsidiária integral, dadas em realização do capital, caracteriza ganho de capital, nos termos do art. 23, da Lei n° 9.249, de 1995, a seguir reproduzido: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (grifos na transcrição) Esse ganho de capital, quando o beneficiário se encontra no exterior, deve ter o correspondente tributo recolhido pela sociedade adquirente das ações da subsidiária integral, nos termos do art. 26, da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifos na transcrição) Para confirmação de meu entendimento quanto à natureza da operação de incorporação de ações, faço referência ao artigo de Luís Eduardo Schoueri, publicado na Revista Dialética de Direito n° 200 “Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Fl. 2436DF CARF MF 12 Tributários”, pp. 59 a 60 e 66. a 67, que conclui no mesmo sentido, conforme a seguir reproduzido: “Ante o exposto, concluímos que a incorporação de ações é: i) um negócio típico do Direito Societário, voltado à concentração empresarial; ii) que se operacionaliza mediante: a) o aumento de capital da sociedade “incorporadora”, em regime extraordinário, porquanto ausente o direito de preferência dos acionistas desta; b) a subscrição e a integralização deste por meio da transferência das ações da sociedade ‘incorporada’, também sob regime extraordinário, uma vez que a lei atribui à diretoria desta sociedade uma autorização para fazêlo no lugar dos acionistas; iii) que apresenta os seguintes efeitos: a) alienação das ações da ‘incorporada’, a título de integralização do capital da ‘incorporadora’; b) transformação dos sócios da ‘incorporada’ em sócios da ‘incorporadora’; c) conversão da ‘incorporada’ em subsidiária integral da ‘incorporadora’. (...) Como acima evidenciado, na incorporação de ações, existe uma verdadeira alienação (disposição do direito de propriedade) das ações da sociedade ‘incorporada’. Logo, eventuais diferenças entre o valor de alienação de tais ações e o respectivo custo poderiam gerar a apuração de ganho (se positiva a diferença) ou perda (se negativa a diferença) de capital. O ganho de capital seria tributável para ambas as espécies de acionistas; (...) Com relação ao tratamento fiscal a que se submete o acionista pessoa física na incorporação de ações, uma evidência da compatibilidade entre a apuração de ganho de capital e o conceito de renda é oferecida pelo artigo 23 da Lei nº 9.249/1995, que, ao que nos consta, nunca teve sua legalidade ou inconstitucionalidade questionada, muito menos declarada: (...) Vejase que interessante: o dispositivo acima transcrito alude à transferência de bens a título de integralização de capital. Na incorporação de ações, ocorre uma subscrição de capital com bens sujeita a regime extraordinário. O artigo 23 da Lei nº 9.249/1995 não esclarece ser aplicável apenas a conferência de bens que segue à risca os artigos 7º a 10 do Estatuto do Anonimato, nem que ele não se aplica nos casos em que as pessoas físicas são representadas, ainda que indiretamente. Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.432 13 Dessa feita, o artigo acima trazido à colação poderia ser aplicado aos casos de incorporação de ações. Mas, mesmo que se concluísse não ser possível essa aplicação direta desse dispositivo – cujo escopo não foi o de criar hipótese de tributação de ganho de capital, mas permitir o diferimento da tributação desse ganho, mediante a transferência de bens a valor contábil – ele nos mostra que, aos olhos da legislação, é admitida a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na troca de um bem por ações ou quotas de uma empresa. Com base nesse entendimento, já é possível negar provimento ao recurso. Entretanto, para exaurir o tema, passo agora a analisar cada um dos quatro argumentos apresentados pela recorrente, a título de divergência quanto a essa matéria admitida: i) não ocorrência de alienação, mas substituição de participação societária, pelo fato de a operação não caracterizar negócio jurídico bilateral oneroso; ii) Inocorrência de subscrição/integralização de capital por parte do acionista, pela operação se dar entre empresas e não entre o acionista e a sociedade incorporadora; iii) Inaplicabilidade do art. 23 da Lei nº 9.249/1995, por não ter havido subscrição de capital em bens pelo acionista; iv) inexistência de renda para o acionista, sendo o ganho apenas potencial. Vejamos em separado cada um desses fundamentos apresentados pelo recorrente, a título de divergência quanto ao entendimento da natureza da operação. Ocorrência de Alienação Não se sustenta a afirmação de que não teria ocorrido alienação de ações, mas substituição de participação societária, pelo fato de a operação não caracterizar negócio jurídico bilateral oneroso. Com efeito, tratase de alienação das ações porque elas passam da titularidade do acionista no exterior para a investidora da subsidiária integral. Entendo, ainda, ser contrato bilateral e oneroso pelo fato de os envolvidos terem interesses próprios na operação e serem obrigados a realizar prestações, ainda que através de atos societários próprios operacionalizados pelas pessoas jurídicas envolvidas. Nesse sentido, cabe referência ao voto, vencido, da relatora do acórdão n° 9202003.579, da lavra da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que à época acompanhei: Destarte, verificase que o negócio jurídico tipificado no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, embora seja denominado “incorporação de ações”, tratase, na sua essência, de uma modalidade de alienação, materializada pela transferência de ações, dos sócios daquela que passará a ser subsidiária integral, para a empresa incorporadora, a título de subscrição de capital não com dinheiro, mas sim com bens. Em contrapartida a incorporadora, ao invés de numerário, paga o respectivo preço também em ações. Assim, ocorrendo alienação, a qualquer título, independentemente da denominação que seja Fl. 2438DF CARF MF 14 atribuída à operação, é cabível a incidência do Imposto de Renda, no caso de eventual ganho, conforme os dispositivos legais já colacionados, constantes da Lei Complementar e da Lei nº 7.713, de 1988. (grifos na transcrição) Tanto isso é verdade que o acionista, caso não concorde com a operação, tem garantido o direito ao recebimento do valor da ação utilizado para aumento de capital, nos termos do § 2° do art. 252 da Lei das S/A: Art. 252. ... § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (grifos na transcrição) Aliás, no mesmo sentido manifestouse Luís Eduardo Schoueiri na já referida obra à p. 57, enfrentando este aspecto específico do tema, nos seguintes termos: Ainda que tivesse alguma relevância a investigação acerca da vontade específica dos acionistas quanto à incorporação de ações (o que se cogita apenas para argumentar), não se poderia afirmar que tal vontade seria ausente. Acerca da maioria, poder seia dizer (embora impropriamente) que eles concordariam com a transferência das ações, já que teriam votado favoravelmente à sua conclusão. E quanto à minoria, haveria de se levar em conta a previsão, no parágrafo 2º do artigo 252, do direito de retirada. Uma vez não exercido esse direito, seria presumível a aceitação da operação pelos acionistas dissidentes (o negócio jurídico também se forma pelo ‘comportamento concludente’). Caracterização de Subscrição de Ações Discordo do entendimento esposado pelo recorrente de que as diferenças por ele apontadas entre a operação de incorporação de ações e a subscrição de ações implicariam tratamento tributário diferenciado, defendendo que na incorporação de ações ocorra mera sub rogação do acionista. Na verdade, entendo que, em que pese haver diferença entre as operações de incorporação de ações e de subscrição/integralização de capital simples, o fato é que, para ocorrência da incorporação de ações é necessária a realização de aumento de capital em uma companhia, com a consequente subscrição de ações e sua integralização com a conferência de bens. E todo esse procedimento é realizado em nome e em benefício dos antigos acionistas da companhia convertida em subsidiária integral. Frisese que esse é o entendimento de Fran Martins, na obra Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4a edição. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 1.040): Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.433 15 ... na verdade, a conversão de uma sociedade anônima existente em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro mas com as ações dos acionistas da sociedade a ser incorporada. Com relação ao argumento de ocorrência de mera subrogação do acionista na titularidade das novas ações, em detrimento da operação de subscrição de ações, discordo do recorrente e comungo do entendimento da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, expresso no voto vencido do já referido acórdão n° 9202003.579, que à época acompanhei, a seguir reproduzido: Quanto à identificação da incorporação de ações com uma sub rogação real, esta não se sustenta, já que, conforme o próprio trecho colacionado pelo Contribuinte, excerto do voto condutor do acórdão recorrido, com tal subrogação “operase a substituição de um bem por outro, sendo que o bem adveniente não apenas toma o lugar do bem substituído, mas também reveste a mesma natureza e se submete ao mesmo regime jurídico do bem substituído”. Ora, de plano constatase que a incorporação de ações não se amolda a tal definição, já que o dispositivo legal que a prevê em momento algum aponta para uma relação de substituição absoluta, muito menos para a manutenção da mesma natureza jurídica ou o mesmo regime jurídico do bem substituído. A título de exemplo, a própria classe das ações poderia ser diferente, após a incorporação. A impropriedade de tal comparação foi inclusive registrada por Luís Eduardo Schoueri, em obra já citada no presente voto (p. 52): “Nesse contexto, não vislumbramos a previsão de sub rogação real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas. Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum o dispositivo dá a entender que as ações de ‘B’ deveriam ser consideradas como ações de ‘A’. Não vemos, ademais, que a lei tenha estabelecido a substituição das ações mediante um juízo relativo, ou seja, com vistas a uma relação jurídica particular. Pelo contrário, as ações, tanto as da companhia ‘incorporada’, como as da ‘incorporadora’, são tratadas em si e por si. Prova disso é, como se disse acima, que as ações de ‘B’ não autorizam o sócio a exercer quaisquer direitos em face de ‘A’, o que decorre da relação jurídica particular em que se encontram insertas as ações desta.” (grifos na transcrição) Ocorrência de Integralização de Capital em Bens Fl. 2440DF CARF MF 16 Ao contrário do alegado pelo recorrente, entendo perfeitamente aplicável ao caso o art. 23 de Lei n° 9.249, de 1995, por ter ocorrido efetiva integralização de capital em bens, a conferência das ações da companhia convertida em subsidiária integral ao patrimônio da investidora, cujo capital é aumentado. Existência de Renda para o Beneficiário A alegação de inexistência de renda para o beneficiário, sob o argumento de não ter ocorrido recebimento de valores e que somente ocorreria renda quando da ulterior alienação das ações por ele recebidas em decorrência da operação de incorporação de ações, também não socorre o recorrente. Com efeito, o conceito de renda é mais abrangente do que o recebimento de valores, nos termos do disposto no art. 43 da Lei n° 5.172, de 1968 (Código Tributário Nacional) e o regime de caixa é no caso afastado por dispositivo específico (art. 23 da Lei n° 9.249, de 1995) determinando o critério de apuração do ganho de capital. Nesse sentido, cabe mais uma vez reprodução aqui do entendimento da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no já referido acórdão 9202003.579: Feitas estas considerações, verificase que a tributação do Imposto de Renda envolve uma série de incidências, legalmente previstas, cuja matriz encontrase no art. 43 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção (...)” O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada à operação ou ao ganho. Nesse passo, resta cristalino que a exclusão da tributação pelo Imposto de Renda, de qualquer acréscimo patrimonial, tem de estar prevista em lei, já que a regra geral é a tributação. Assim, é de se negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte quanto a essa matéria. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.434 17 Com relação aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, em que pese os argumentos do contribuinte, entendo que, de acordo com o art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, não assista razão ao recorrente. Com efeito, os juros de mora devem incidir sobre o crédito tributário, o que inclui a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, §1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Conforme já colocado, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202 002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa, como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Fl. 2442DF CARF MF 18 Portanto, também deve ser negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte quanto a essa matéria. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o excelente voto do relator reproduzido pela relatora nomeada ‘a doc’ ressalto meu entendimento contrário no que se refere a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte, por ganho de capital auferido por contribuinte domiciliado no exterior, por conta da operação de incorporação de ações, que no entendimento da fiscalização implica o aumento de capital em bens. Segundo o Fisco, teria ocorrido omissão de rendimentos, pois a incorporação de ações equivaleria a uma alienação, equiparando a operação à hipótese de integralização de capital, prevista no artigo 23 da Lei 9.249/95, o que atrairia a regra de incidência do parágrafo 3º do artigo 3 da Lei 7.713/88. Saliento que este colegiado já discutiu situações semelhantes, nas quais inclusive já manifestei respeitosamente meu entendimento contrário a tese adotada pelo relator. Entendimento este que divide o colegiado. A jurisprudência dos Tribunais Federais tem seguido uma outra linha de raciocínio o que leva por consequência a um resultado muito mais benéfico aos contribuintes do que aquela adotada pela fiscalização e mantida pela atual composição do CARF. Para jurisprudência Pátria é preciso que se faça uma distinção entre a incorporação de sociedades — em que há uma transferência integral do patrimônio da empresa incorporada, que deixa de existir — e a incorporação de ações em que a incorporada continua ativa, havendo apenas a transferência das ações para a incorporadora. Quanto a substituição de ações (incorporação) esta não gera por sí só ganho de capital tributável pelo IRPF, por se constituir em mera troca de ações, observese julgado do TRF4 discutindo os reflexos da Incorporação de Ações no imposto de renda da Pessoa Física: TRIBUTÁRIO. SOCIETÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. SUBSTITUIÇÃO DE AÇÕES NA CONVERSÃO EM SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 9202006.501 CSRFT2 Fl. 2.435 19 RECEBIMENTO DE VALORES. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. IRRELEVÂNCIA DE SE CONSIDERAR A HIPÓTESE COMO ALIENAÇÃO. DIVERGÊNCIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCAL. DECISÃO POR MAIORIA. 1. Há uma diferença de natureza entre a incorporação de sociedades e a incorporação de ações. No caso da primeira, há uma transferência integral do patrimônio da empresa incorporada, inclusive de seus direitos e obrigações, que deixa de existir. No caso da incorporação de ações, a empresa incorporada não deixa de existir, havendo a transferência apenas das ações para a incorporadora. No caso da conversão da empresa em subsidiária integral, a incorporadora passa a ser sua única sócia. 2. No caso dos autos, a parte autora detinha 92% das ações da empresa incorporada, transferidas à incorporadora, que, em contrapartida, entregou aos acionistas da incorporada a mesma proporção de ações que estes detinham antes. Na prática, as ações da parte autora subrogaramse nas novas ações, tendo sido matido, na sua declaração de bens, o valor de custo das ações e não o valor da avaliação mercadológica, esta imposta pela Lei das Sociedades Anônimas. (Lei 6.404/76) 3. Hipótese em que a mais valia decorrente da avaliação das ações dadas em substituição, determinada pelo art. 252 e §§ da Lei das Sociedades Anônimas, não está sujeita à incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física, mormente se a pessoa física manteve em sua declaração de bens o valor de custo das ações. (Processo 50527934220114047000/TRF). A tributação de Imposto de Renda da Pessoa Física, para o desembargador, "representaria tributação sobre renda virtual, transformandose em tributação sobre o patrimônio, e não sobre renda efetivamente auferida, ofendendo, ainda, o princípio da capacidade contributiva e o regime de caixa, regra geral de tributação do Imposto de Renda da pessoa física”. A própria CVM em parecer destinado a responder consulta formulada pelo SINDCOR – Sindicato das Corretoras de Valores do Estado de São Paulo nos autos do Processo CVM RJ20142584, sustentouse que a incorporação de ações é distinta do aumento de capital, com lastro em posicionamento já adotado pelo mesmo órgão no âmbito do processo CVM RJ201013425. Destacouse, à ocasião do voto vencedor em 2011, que a “incorporação de ações é compulsória e determinada pela maioria do capital votante de cada uma das companhias envolvidas em deliberação assemblear”, caracterizandose a operação como sub rogação legal real. Não há dúvida de que a Incorporação de ações pode gerar um ganho de capital, contudo o momento de análise desta, ou seja, a ocorrência do fato gerador deve seguir o que determina a regra geral do imposto de renda, ganho de capital é tributado quando implementado efetivamente o patrimônio jurídico do contribuinte, não há que se falar em ganho de capital ficto, o imposto somente pode ser cobrado quando houver efetiva realização financeira do eventual ganho, respeitando assim o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica constante do art. 43 do CTN. Fl. 2444DF CARF MF 20 Acerca do conceito de disponibilidade, são pertinentes as lições do Professor Alcides Jorge Costa citadas no voto do Ministro Cezar Peluso na ADI nº 2.588/DF e constantes do relatório geral da XI Jornada do Instituto Latino Americano de Direito Tributário, realizada no Rio de Janeiro em 1983: “Cabe, portanto, indagar o que é disponibilidade antes de perguntarse o que significa ‘econômica’ e ‘jurídica’. Disponibilidade é a qualidade do que é disponível. Disponível é aquilo de que se pode dispor. E entre as diversas acepções de dispor, as que podem aplicarse à renda são: empregar, aproveitar, servirse, utilizarse, lançar mão de, usar. Assim, quando se fala em aquisição de disponibilidade de renda deve entenderse aquisição de renda que pode ser empregada, aproveitada, utilizada, etc. Parece importante esta conceituação inicial pois ela afasta, desde logo, a tributação de renda virtual ou ainda não realizada. Assim, a valorização de imóveis não pode ser tributada senão quando a renda dela decorrente possa ser utilizada, empregada etc., o que só acontece quando ela deixar de ser virtual e se torna efetiva, como numa alienação do imóvel. Ou, em se tratando de sociedade, através de uma reavaliação, em que a disponibilidade ocorre indiretamente, através das ações que o acionista recebe gratuitamente” (Imposto sobre a renda. A aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica como seu fato gerador. Limite de sua incidência. Revista de Direito Tributário, São Paulo: Revista dos Tribunais, ano 11, n. 40, Ano 11, p. 105, abr.jun. 1987). Segundo o entendimento manifesto acima, no primeiro caso (pessoa física), há mera expectativa de renda (renda fictícia). Somente com a venda do imóvel é que se efetiva a disponibilidade (STF RE 611.586 PARANÁ). Ora, se não há incidência de Imposto de Renda para a pessoa física, não há que se falar no imposto de renda retido na fonte, vez que este é retido por obrigação substitutiva na qual a Empresa é obrigada por força de lei em reter e repassar aos Cofres Públicos o imposto devido pelo Contribuinte – investidores – referente a suposto Ganho de Capital. Diante do exposto voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2445DF CARF MF
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