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Numero do processo: 15940.720001/2017-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos da Cofins, apurada no 1º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento PER nº 03356.54627.310315.1.1.090161 (fls. 03/04), envolvendo crédito relativo à COFINS incidência não cumulativa Exportação, referente ao 1º trimestre de 2013, no total de R$ 457.785,90. Trata ainda, das DCOMP's nºs 16098.44920.311016.1.3.091843 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 00 1/ 20 17 -8 8 Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.256 2 35950.03419.240217.1.3.095356 que citam aquele PER como possuidor das informações sobre o crédito (PER inicial). O Despacho Decisório nº 102/2017 SAORT/DRF/PPE (fls. 3119/3122) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento e homologou totalmente as compensações. No referido Despacho Decisório encontrase consignado, resumidamente, que: · O PER nº 11456.64850.310315.1.1.114714 fls. 05 a 08 foi transferido para processo nº 10835.720.569/201782; · A homologação total das DCOMPs se deu em virtude da utilização parcial do crédito pleiteado, pois os débitos a serem extintos em ambas somaram o montante de R$ 373.258,30; · O processo administrativo nº 10835.720014/201757 trata da verificação dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos períodos 01/2013 a 06/2015, que resultou em Auto de Infração fls. 09/52, em decorrência da constituição indevida de créditos sobre dispêndios no cultivo de canade açúcar e transporte de mercadorias entre estabelecimentos; · No mesmo processo ainda restou verificada a utilização indevida dos créditos presumidos sobre compra de cana de açúcar de pessoas físicas nos pedidos de ressarcimento ao invés de deduzir referidos créditos das contribuições apuradas; · Segundo o Relatório de Fiscalização fls. 53 a 118, os créditos apurados indevidamente de COFINS não cumulativo, foram glosados de forma proporcional (rateio) às espécies de receitas (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno, crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação); · A empresa se utilizou indevidamente do crédito presumido sobre aquisição de canadeaçúcar nos pedidos de ressarcimento. Referidos créditos foram deslocados para dedução da COFINS devida e glosados dos créditos pleiteados nos PERs; · Foi reconhecido o direito ao ressarcimento de R$ 373.258,30, a título de COFINSexportação para o 1º trimestre de 2013 e homologadas as DCOMPs, conforme demonstrativo de fls. 3.109 a 3117. Cientificada da decisão (docs. de fls. 3.123/3.125), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3.128/3.135). Transcrevese abaixo os itens que sintetizam toda a argumentação: 1. Dos fundamentos do Despacho Decisório 1.2. Depreendese ... do Despacho que, em razão das glosas de créditos aproveitados de PIS e COFINS ..., processo administrativo n° 15940.720014/201757, o valor de COFINS exportação passível de ressarcimento, no PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161, seria de apenas R$ 373.258,30. Por Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.257 3 isso, não foi deferido o pedido de ressarcimento referente ao valor de R$ 84.527,60, objeto de glosa no citado procedimento fiscal. Apesar do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, o crédito nele reconhecido seria suficiente para a compensação declarada pela Requerente, de modo que as declarações de compensação foram totalmente homologadas. 2. Das razões pelas quais o Despacho Decisório deve ser reformado 2.1. Conforme se demonstrará, é equivocado o deferimento parcial do pedido de ressarcimento (PER/DComp n°03356.54627.310315.1.1.09 0161), pautado nas glosas promovidas no procedimento fiscal n° 0810500.2016.00475, processo administrativo n°15940.720014/2017 57... a Requerente apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado .... Nos termos da impugnação apresentada, a Requerente defende a legalidade e regularidade dos créditos apurados e postula o cancelamento do auto de infração. Sucessivamente, ainda que mantidas as glosas, a Requerente sustenta que não poderá ser mantido o critério adotado pela Autoridade Fiscal para refazer a apuração das contribuições devidas e o saldo de crédito de PIS e COFINS. Com efeito, o deferimento do pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas pelo contribuinte, ou seja, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arts. 62 a 66). Diante disso, após o julgamento da impugnação ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, terseá uma das três situações: i)Se a impugnação for acolhida e o auto de infração ... for cancelado, não subsistirá a glosa ... Nessa hipótese, o pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 deverá ser integralmente deferimento; ii) Se for acolhida a tese sucessiva desenvolvida na impugnação, confirmandose as glosas de crédito e/ou os lançamentos por suposta omissão de receita, as apurações da contribuição para o PIS e da COFINS deverão ser refeitas, de modo a imputar os créditos apropriados primeiro para a compensação das contribuições devidas, e, depois, ajustar o pedido de ressarcimento, a depender do saldo remanescente dos créditos reconhecidos. Nessa hipótese, os créditos passíveis de deferimento no pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 também deverão ser ajustados, pois o saldo disponível para ressarcimento, provavelmente, será inferior ao ora deferido; iii) Se a impugnação ao auto de infração não for acolhida, aí sim,e somente assim, o Despacho Decisório ora atacado não será afetado. 2.2. Embora o mérito da defesa ao auto de infração ... processo administrativo n° 15940.720014/201757, deva ser apreciado naquele processo, por cautela, passase a tecer alguns esclarecimentos ... Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.258 4 2.2.1. Colhese do relatório de fiscalização que a Requerente teria cometido as seguintes infrações relativas à contribuição para o PIS e à COFINS: a) Nos períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014: não oferecimento à tributação de receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, que teriam sido lançadas em conta do passivo e posteriormente baixadas, após perda do direito do fisco de cobrálas; b) No período de apuração 01/2013 a 06/2015: b.1) apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar, que não teriam sido direta e imediatamente utilizados na fabricação de açúcar e álcool, e, por isso, não poderiam ser entendidos como insumos; b.2) apuração de créditos sobre despesas de transporte entre seus estabelecimentos de produtos acabados ou em elaboração, consistentes em i) industrialização efetuada para outra empresa; ii) remessa para industrialização por encomenda; iii) retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; iv) transferência de material de uso ou consumo; e v) transferência de produção do estabelecimento; b.3) utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas, em parte, nos pedidos de ressarcimento. 2.2.2. No que concerne ao item "a" acima, a Requerente esclareceu que o Auditor Fiscal partiu de premissa de que a baixa da provisão contábil de valores relativos ao IPI incidente na venda de açúcar, atingidos pela decadência, configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo e, por isso, deveria ser reconhecida como nova receita. A partir dessa proposição, o Agente Autuante afastou o tratamento contábil dado pela Requerente, transformando provisão em passivo. Ocorre que, mesmo que se admita a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão da provisão, é forçoso reconhecer que aqueles valores provisionados correspondentes ao IPI não destacado já tinham sido oferecidos à tributação. É que todo o valor da venda do açúcar, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Portanto, como detalhadamente demonstrado na impugnação ao auto de infração, a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, o lançamento lá combatido caracteriza bis in idem, o que leva à necessidade de seu cancelamento. 2.2.3. Em relação à apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar (item b.1 acima), a Requerente demonstrou a insubsistência dos fundamentos adotados... Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.259 5 Como demonstrado na impugnação, os fundamentos adotados na autuação, primeiro, desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção; depois, estão pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei; por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ). Portanto, pelas razões exaustivamente desenvolvidas pela Requerente em sua defesa, nem a glosa dos créditos apurados, nem tampouco o lançamento de débitos decorrentes dessa glosa, poderão ser mantidos. 2.2.3. ... a Requerente demonstrou a insubsistência do fundamento, também amparado na legislação do IPI, para glosar créditos apurados sobre despesas de transporte entre os estabelecimentos da Requerente de produtos acabados ou em elaboração, além de material de uso ou consumo (item b.2 acima). Mais uma vez a posição do Auditor Fiscal se dissociou do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. Além disso, mesmo que se entenda que a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com transporte não pode ser admitida em todas as hipóteses consideradas pela Requerente, ainda assim a autuação não poderá ser integralmente mantida, porque, ao contrário do que relatado pelo Auditor Fiscal, a maior parte dos créditos apurados pela Requerente sob essa rubrica se refere, na realidade, ao frete utilizado na remessa para industrialização. E como observado, essa operação é expressamente prevista e disciplinada na legislação do ICMS (RICMS/SP. art. 401: RICMS/PR, art. 334), e também está expressamente prevista no Decreto n° 7.212/2010, que regulamenta o IPI. 2.2.4. No que toca à utilização dos créditos presumidos (item b.3 acima), a Requerente esclareceu que, ao apresentar o pedido de ressarcimento dos créditos..., deixou de distinguir os créditos presumidos apurados sobre a canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas. Por isso, foi postulado o ressarcimento indevido de crédito presumido nas competências abril/2013 a julho/2013. ... os créditos apropriados pela Requerente eram significativamente superiores às contribuições devidas. Sendo assim, se procedente a impugnação ao auto de infração, os créditos presumidos excluídos do pedido de ressarcimento serão computados na compensação de contribuições devidas e os demais créditos que assim haviam sido computados integrarão o pedido de ressarcimento. Logo, com o cancelamento do auto de infração, o saldo de créditos passíveis de ressarcimento, ... não sofrerá alteração. Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.260 6 2.3. Portanto, a procedência da defesa ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, ainda que parcial, implicará, necessariamente, na reforma do Despacho Decisório n° 102/2017... ... o julgamento desta manifestação de inconformidade deverá aguardar o julgamento da impugnação apresentada no processo administrativo n° 15940.720014/201757... É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0965.736, de 05/10/2017 (fls. 3216 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de açúcar e álcool, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e álcool produzidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.261 7 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3240 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 15940.720001/201788 Resolução nº 3201001.468 S3C2T1 Fl. 3.262 8 Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688912/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-005.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 89 12 /2 00 9- 31 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.688912/200931 Acórdão n.º 3302005.840 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à homologação da compensação declarada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16032.756, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o pagamento extemporâneo de tributo deve se dar com a adição de acréscimos legais (art 161 do CTN) e que a multa de mora tem natureza de indenização por atraso no pagamento, não se aplicando a ela, por conseguinte, a denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, ressaltando que a multa moratória tinha natureza punitiva, sendo passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Posteriormente, o Recorrente protocolou petição reiterando os argumentos explicitados em sede recursal e juntando documentos para comprovar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.837, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.664976/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.837): Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.688912/200931 Acórdão n.º 3302005.840 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e já foi analisado pela antiga composição desta Turma, nos autos do Processo Administrativo nº 19740.000451/200613, de relatoria da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, que, inclusive, contou com a participação deste relator. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relatora para aplicar o instituto da denúncia espontânea e reconhecer o crédito da Recorrente, adoto as razões da citada Conselheira como causa de decidir o presente processo, a saber: Porém, relativamente aos recolhimentos em DARF efetuados, entendo aplicável o instituto da denúncia espontânea, conforme decisões na sistemática de recursos repetitivos nos seguintes Recursos Especiais: nº 962.379 – RS, nº 886.462 – RS e de nº 1.149.022 SP. Assim, nos termos dos Acórdãos dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462, a prévia declaração e constituição do crédito tributário pelo contribuinte, mediante a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida, afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea quanto ao recolhimentos extemporâneos, posteriores ao prazo de entrega da declaração, relativamente aos tributos previamente declarados. Por outro lado, o REsp nº 1.149.022 – SP decidiu que no caso de declaração parcial do débito, acompanhada do respectivo pagamento integral, aplicase a denúncia espontânea em relação à diferença a maior objeto de declaração retificadora, desde que o contribuinte efetue o pagamento desta diferença, concomitante à apresentação da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. As declarações a que aludem as decisões do STJ são as que possuem a natureza de confissão de dívida e dispensam a administração tributária de empreender esforços administrativos para a constituição do crédito tributário, pois que tais declarações são passíveis de cobrança administrativa. Transcrevese ementa e excerto do voto no REsp 962.379/RS que informa a questão: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Os excertos abaixo esclarecem: [...] Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.688912/200931 Acórdão n.º 3302005.840 S3C3T2 Fl. 5 4 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. A propósito, ao julgar o AgRg nos EResp 670.326, de minha relatoria, esta 1ª Seção decidiu o seguinte: [...] Na condição de relator do caso, sustentei, na oportunidade, o seguinte: " (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários cuja existência já esteja formalizada (=créditos tributários já constituídos) e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. Nesse sentido: Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., SP, Saraiva, 2004, p. 440. Conforme assentado em precedente do STJ, "não há denúncia espontânea quando o crédito em favor da Fazenda Pública encontrase devidamente constituído por autolançamento e é pago após o vencimento" (EDcl no REsp 541.468, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 15.03.2004). [...] 3. Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, conseqüências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exeqüível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito. Quanto a esses aspectos, a jurisprudência do Tribunal é reiterada, conforme se constata dos seguintes precedentes: [...] 4. À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.688912/200931 Acórdão n.º 3302005.840 S3C3T2 Fl. 6 5 declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249/RS, DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: [...] Restou assentado nos julgados relativos à denúncia espontânea, que a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida constitui o crédito tributário, conferindolhe liquidez, certeza e exigibilidade, e dispensa o Fisco da tomada de qualquer outra providência, possibilitando a imediata cobrança administrativa e posterior execução em DAU. Verifica se, porém, para o período autuado que as DCTFs não possuíam esta natureza, haja vista a necessidade de lançamento de ofício com base no artigo 90 da MP 215835/2001. O próprio STJ aplica este entendimento, conforme, por exemplo, no acórdão proferido no AgRg no REsp 1521071/AL: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PRECEDENTES. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. Discutese a ocorrência da decadência para os casos em que a compensação foi indevidamente informada na DCTF e o fisco requer a cobrança das diferenças. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, nas hipóteses em que o contribuinte declarou os tributos via DCTF e realizou a compensação nesse mesmo documento, é necessário o lançamento de ofício para que seja cobrada a diferença apurada caso a DCTF tenha sido apresentada antes de 31.10.2003. A partir de 31.10.2003, é desnecessário o lançamento de ofício, todavia os débitos decorrentes da compensação indevida só devem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa após notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, cujo recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. 3. Caso em que as DCTFs foram entregues antes de 31.10.2003, logo indispensável o lançamento de ofício, levando à declaração a ocorrência da decadência nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Agravo regimental improvido. Defluise que a denúncia espontânea deve ser admitida para os pagamentos efetuados, pois as DCTFs não possuem o condão de constituir o crédito tributário, fundamento utilizado pelo STJ para afastar a denúncia espontânea. Na realidade, se as DCTFs constituíssem o crédito tributário, o lançamento relativo ao período, deveria ser todo cancelado, pois a cobrança deveria ser efetuada mediante a DCTF, o que não é o caso. Da mesma forma que ocorreu no caso anteriormente citado, no presente processo os débitos de PIS e COFINS foram informados em DCTF como vinculados a compensações, antes de 31/10/2003, quando apenas o saldo a pagar informado em DCTF representava confissão de dívida. Neste período os créditos tributários indevidamente compensados não eram constituídos pela DCTF e deveriam ser objeto de lançamento de ofício. Nos casos concretos ora julgados, em 2004, antes de qualquer ação por parte do Fisco, a Recorrente verificou a inexistência do direito creditório que havia sido utilizado na compensação de débitos de PIS e COFINS Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.688912/200931 Acórdão n.º 3302005.840 S3C3T2 Fl. 7 6 relativos a alguns meses dos anos de 2000 e 2001 e, antecipandose à Autoridade Fiscal, realizou o pagamento dos tributos acrescidos de juros. Somente após o pagamento a Recorrente retificou as DCTF e constituiu os créditos tributários, indicando os saldos a pagar nos respectivos valores. Ato contínuo, por equívoco, em julho de 2004 a Recorrente complementou os pagamentos realizados em fevereiro de 2004, recolhendo os valores correspondentes a 20% dos débitos complementares, a título de multa moratória. São esses valores pagos indevidamente a título de multa moratória que constituem os direitos creditórios objeto das compensações realizadas, uma vez caracterizadas as denúncias espontâneas. Ora, conforme entendimento já consolidado pelo STJ nos autos do AgRg no Resp nº 1.521.071 – AL, tratandose de tributo cuja compensação foi informada em DCTF antes de 31/10/2003, não há confissão de dívida, motivo pelo qual é necessário o lançamento de ofício para cobrança do débito compensado. Neste cenário, comprovada a existência de pagamentos indevidos a título de multa moratória em procedimentos caracterizados como denúncia espontânea, há que ser reconhecido o direito creditório apurado pela Recorrente. Diante do exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito do Recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723481/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 124, I, DO CTN - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO REAL E EFETIVA DO INTERESSE COMUM
A par das críticas à teoria econômica da qualificação dos fatos, para fins de tipificação da responsabilidade solidária prevista pelo art. 124, I, do CTN, o fato é que, inclusive por força dos preceitos do art. 142 do mesmo diploma legal, impõe-se à Autoridade Fiscal demonstrar, de forma cabal, o vínculo (econômico ou jurídico) entre os indigitados responsáveis e a prática ilícita imposta ao contribuinte, pena de vício de fundamentação e insuficiência de instrução do procedimento de lançamento.
Numero da decisão: 1302-003.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso quanto à materialidade da exigência; e, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos devedores solidários João Natal Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz, Lucas Nercessian de Carvalho, Francisco Coimbra de Macedo Neto para excluí-los do polo passivo da obrigação, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 124, I, DO CTN - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO REAL E EFETIVA DO INTERESSE COMUM A par das críticas à teoria econômica da qualificação dos fatos, para fins de tipificação da responsabilidade solidária prevista pelo art. 124, I, do CTN, o fato é que, inclusive por força dos preceitos do art. 142 do mesmo diploma legal, impõe-se à Autoridade Fiscal demonstrar, de forma cabal, o vínculo (econômico ou jurídico) entre os indigitados responsáveis e a prática ilícita imposta ao contribuinte, pena de vício de fundamentação e insuficiência de instrução do procedimento de lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.280 1 4.279 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.723481/201466 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.223 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM DESCONHECIDA Recorrente JOÃO NATAL CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, LUCAS NERCESSIAN DE CARVALHO E FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO (RESPONSÁVEIS SOLIDARIOS DE COBMETAIS COMÉRCIO DE METAIS E PLÁSTICOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ART. 124, I, DO CTN NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO REAL E EFETIVA DO INTERESSE COMUM A par das críticas à teoria econômica da qualificação dos fatos, para fins de tipificação da responsabilidade solidária prevista pelo art. 124, I, do CTN, o fato é que, inclusive por força dos preceitos do art. 142 do mesmo diploma legal, impõese à Autoridade Fiscal demonstrar, de forma cabal, o vínculo (econômico ou jurídico) entre os indigitados responsáveis e a prática ilícita imposta ao contribuinte, pena de vício de fundamentação e insuficiência de instrução do procedimento de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso quanto à materialidade da exigência; e, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos devedores solidários João Natal Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz, Lucas Nercessian de Carvalho, Francisco Coimbra de Macedo Neto para excluílos do polo passivo da obrigação, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 34 81 /2 01 4- 66 Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.281 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado para exigir da empresa Cobmetais e solidários créditos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados nos meses de março, junho e agosto de 2009, em decorrência da constatação de depósitos bancários de origem nebulosa. A despeito de intimada para justificar a origem de valores creditados em contas de sua titularidade (TCF de efls. 6 e edital juntado à efls. 7/9), o contribuinte COBMETAIS não se manifestou, encerrando, na hipótese, a aplicação dos preceitos do art. 42 da Lei 9.430/96 e, por conseguinte, a exigência dos tributos descritos acima sobre as receitas presumidamente omitidas. Como dito, além da imputação fiscal ao contribuinte, foram lavrados, também, termos de sujeição passiva em face de JOÃO NATAL CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, , JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, LUCAS NERCESSIAN DE CARVALHO, FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO e PAULA SIQUEIRA VERLY DA CRUZ. Apesar de constar do TVF (efls. 25/105) a responsabilização dos solidários com espeque nas disposições do art. 124, I, do CTN, do auto de infração lavrado em desfavor da empresa COBMETAIS se extrai a justificação para imposição da responsabilidade solidária nos preceitos do art. 135 do mesmo diploma legal, inserindose, ali, como fundamento fático de tal imposição a ocorrência de "excesso de poderes, infração de lei, Contrato Social ou Estatuto". Aqui, vale dizer, a despeito do longo arrazoado contido no TVF mencionado alhures (que discorre sobre o esquema fraudulento pretensamente engendrado pelos devedores solidários, consistente na criação de 21 empresas fantasmas cujos fins exclusivos seriam de emitir documentos ideologicamente falsos, criandose créditos e despesas fictícias em prol da empresa "Transforme Indústria e Comércio de Metais e Papeis Ltda."), a autuação, aqui, cinge à identificação de depósitos bancários de origem desconhecida. O contribuinte, no caso, seria uma das 21 empresas criadas (v. representação gráfica de efls. 27), por meio da qual transitou recursos financeiros provenientes do esquema a fim de ocultálos da fiscalização e repassálos, pelo que defende a D. Auditoria, aos reais destinatários destes numerários (os devedores solidários citados acima) v. relato constante de efls. 53. Semelhante repasse, expõe o TVF, era feito mediante entrega de numerários à Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.282 3 empresas que detinham participação societária em uma ou algumas das empresas fantasmas e que, ao mesmo tempo, compunham o quadro societário de Sociedades em Conta de Participação, das quais os devedores solidários eram sócios ocultos. Em outras ocasiões, contudo, os repasses eram feitos diretamente à algumas das pessoas indicadas como responsáveis neste feito. Destaquese que o esquema fraudulento aqui tratado foi objeto de investigação também pelo Ministério Público Federal e recebeu a alcunha de "operação corrosão". Cientificados da autuação e respectivos documentos, apenas os devedores solidários opuseram impugnações administrativas (o contribuinte, mais uma vez, conquanto intimado, permaneceu inerte). A DRJ de Curitiba, instada a se pronunciar sobre tais defesas, decidiu por excluir a responsabilidade da devedora Paula Siqueira Verly da Cruz que, por ser menor de idade, à época dos fatos, não podia ocupar cargo de gerência e, nesta esteira, suportar a responsabilização pelas dívidas da sociedade da qual era sócia (em verdade, esta "devedora" não era sócia da COBMETAIS mas, isto sim, de outra empresa pretensamente participante do esquema fraudulento). A Turma a quo, de outra sorte, manteve, na íntegra a autuação e a responsabilização dos demais devedores solidários, conforme se extrai da ementa abaixo reproduzida: AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não havendo impugnação ao crédito tributário este deve ser exigido de imediato da contribuinte autuada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUESTIONADOS. À ausência de qualquer alegação por parte da autuada de que os depósitos bancários questionados pertenceriam a terceiros, justificada está a ausência de intimação dos responsáveis solidários com vistas a comprovar a origem do numerário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.283 4 Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie,nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto no70.235/72, na redação dada pela Lei nº9.532/97. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos contase a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Tendo sido verificado que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), é lícito atribuir responsabilidade tributária, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo. SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE. Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise, quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada. Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.284 5 INDIVIDUALIZAÇÃO E DELIMITAÇÃO DA BASE A SER IMPUTADA A CADA UM DOS SOLIDÁRIOS. Comprovado que os indicados como responsáveis solidários auferiram vantagens pessoais junto ao esquema montado, contudo, como no cômputo geral constatouse que o grupo, via utilização de SCP e outros artifícios, por meio dos quais tais pessoas físicas permaneciam ocultas, tornouos beneficiários integrais dos valores movimentados e impediu que a autoridade fiscal procedesse à individualização e delimitação da base a ser imputada a cada uma dessas pessoas. PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA É exigível a multa de 225 % nos casos de evidente intuito de fraude em que o contribuinte deixa de atender seguidamente às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Notem que, ainda que exonerada a responsabilidade da solidária Paula Verly, o montante total do crédito apurado não ultrapassava o limite de alçada preconizado pela Portaria MF de nº 3/08, pelo que a DRJ de Curitiba não recorreu, de ofício, à este Conselho. O contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento supra por meio de Edital (efls. 3.745 e 3.746), ao passo que os demais interessados foram intimados por meio de carta em 30/09/2015 (conforme ARs anexados aos autos, efls 3.737 a 3.753) sendo que, quanto ao devedor Lucas Nercessian foi juntado apenas uma tela extraída do site dos correios (e, portanto, sem juntada da comprovação de entrega). Os devedores Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo Cersar Verly da Cruz e João Natal Cerqueira interpuseram seus recursos em 28/10/2015, ao passo que os demais, Francisco Coimbra de Macedo Neto, Lucas Nercessian de Carvalho e Rafael Escobar Cerqueira, protocolizaram as respectivas peças recursais no dia 29 Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.285 6 daquele mesmo mês e ano. No caso, existem pontos de interseção entre todos os recursos; farei um relato dos argumentos deduzidos pelos insurgentes, destacando, justamente, aqueles que são comuns. Quanto aos recursos manejados por Paulo Henrique e João André (que são idênticos, sem particularidades próprias), destacamse os seguintes argumentos: a) preliminares a.1) decadência, suscitada com espeque nos preceitos do art. 150, § 4º, do CTN; a.2) nulidades: a.2.1) ausência de intimação do solidário para comprovar a origem dos depósitos, invocandose, neste particular, os preceitos da Súmula/CARF de nº 29; a.2.2) necessidade de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada solidário; a.2.3) descompasso entre a motivação legal e fática apontada no TVF e aquela descrita no Auto de Infração. b) ilegitimidade passiva do recorrente: b.1) inaplicabilidade dos preceitos do art. 124, I, do CTN inexistência de interesse (jurídico) comum à situação que constitua o fato gerador. b.2) inconsistência ou insuficiências de provas para justificar a responsabilização solidária do recorrente, notadamente porque: b.2.1) os atos praticados pela empresa PJR (da qual seria sócio) seriam anteriores aos fatos geradores apurados na autuação; b.2.2) inexistência de participação societária na empresa Koprum (uma das PJs sócias das SCPs e responsável pelos repasses aos devedores solidários) mormente no ano de 2009: b.2.3) a inexistência de provas de que o recorrente teria recebido valores quaisquer no ano de 2009 b.3) aplicação dos preceitos do art. 112 dúvida quanto ao real infrator. c) mérito: c.1) base de cálculo do PIS e da COFINS impossibilidade de se tributar "receitas omitidas" como se "faturamento fosse". c.2) impossibilidade de se tributar transferências ocorridas entre contas de uma mesma titularidade. Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.286 7 c.3) inexpressividade do montante apurado no ano 2009 princípio da insignificância a justificar a responsabilização dos recorrentes. c.4) inexigibilidade da multa qualificada e agravada em decorrência de fatos atribuídos ao contribuinte e não ao recorrente. c.5) impossibilidade de se agravar a multa por falta de entrega de livros e documentos e fiscais e, ao mesmo tempo, arbitrar o lucro bis in idem. O recorrente Paulo Verly, de sua sorte, reprisa a preliminar de decadência e a preliminar de nulidade, esta última cingida, apenas, ao problema da capitulação legal contida no TVF em contraponto à aquela aposta no auto de infração (item a.2.3 dos recurso dos Srs. Paulo Henrique e João André). Repete, também, a alegação concernente à inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN para justificar a imposição da responsabilidade solidária (necessidade de constatação de interesse jurídico comum) e adota os mesmos argumentos de mérito deduzidos nos dois apelos anteriores. O único ponto de particularização constante de suas razões recursais e que demandará, potencialmente, análise individualizada, resta calcado na alegação de ilegitimidade passiva por insuficiencia de instrução, notadamente, a se considerar que tal imputação se dera pelo simples fato do recorrente ter participado do quadro societário de empresas que, pretensamente, uma vez que teriam de alguma forma se beneficiado pelo esquema; assevera, neste tópico, ou não participar de tais empresas durante o período fiscalizado ou que, pela forma societária adotada (S/A), não caberia a responsabilização. Outrossim nos casos em que detinha participação societária, era mero sócio cotista e não administrador, sustentando, mais, que não haveria, nos autos, prova de remessa de valores à tais empresas no anocalendário fiscalizado nem qualquer relação entre elas e a empresa autuada. O recorrente João Natal adota as mesmas preliminares de mérito suscitadas por Paulo Henrique e João Andrade e repete os argumentos de mérito. Mais uma vez, as particularidades de seu recurso são apreensíveis, apenas, na parte relativa à ilegitimidade passiva, em que deduz a inexistência de provas acerca de sua participação na fraude, discorrendo, neste passo, sobre a real relação havida entre as empresas das quais é sócio e as empresas pretensamente envolvidas no esquema fraudulento, premendo, nesta senda, pela sua irresponsabilidade. O solidário Francisco Coimbra reprisa a preliminares de decadência de erro de capitulação legal, bem como os argumentos de mérito dos demais recursos. Apenas na parte em que sustenta a sua ilegitimidade passiva, assevera que os fatos que o ligariam ao esquema, apontados pela Fiscalização, teriam ocorrido em 2008 e, portanto, em período estranho ao período de apuração abordado pelo auto de infração. O recurso manejado pelo devedor solidário Lucas Nercessian é praticamente idêntico ao do João Natal e ao do Francisco Coimbra, havendo particularidades apenas no tópico da ilegitimidade passiva, e que serão abordadas ao longo do meu voto. Por fim, quanto as razões de insurgência aventadas pelo recorrente Rafael Escobar Cerqueira, vêse que são virtualmente idênticas aquelas deduzidas nos recursos de Paulo Henrique e João André; apenas na parte da ilegitimidade, aborda questão relativa à uma empresa específica, de nome Rafael Escobar Empreendimentos Ltda, em que assevera que, não Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.287 8 obstante tal empresa ter recebido um depósito no anocalendário de 2009, ele, pessoalmente, não foi destinatário deste recurso. Os autos foram então encaminhados à este Conselho para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos são, todos, tempestivos e devidamente assinados por procuradores regularmente constituídos nos autos, razões pelas quais, deles, conheço. Neste ponto, passo a analisar as preliminares que, não obstante, algumas delas não terem sido suscitadas em todos os recursos, podem ser decididas de forma englobada dado não prejudicar a apreciação dos argumentos individualizadas em cada um dos apelos. I Preliminares. I.1 Decadência. Vale destacar, desde logo, e reprisar o que foi dito no relatório: o contribuinte, devedor principal, nunca se manifestou nos autos... por isso mesmo, nunca apresentou documentos, provas ou quaisquer argumentos que pudessem demonstrar ter ocorrido, em qualquer tempo, o pagamento de quaisquer parcelas do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS ou da COFINS (não por outra razão o crédito tributário foi constituído por meio de arbitramento de lucros). Neste particular, e a par das discussões travadas nos recursos voluntários quanto a qualificação da multa de ofício, pela prática de atos dolosos ou fraudulentos, o fato é que à espécie se aplicam os preceitos do art. 173, I, do CTN, e não do art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Aqui, vejam bem, incide, para além de dúvidas razoáveis, o entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp de nº sob o regime dos arts. 543b e 543C do antigo CPC, cuja ementa transcrevo a seguir, até para atender ao comando inserto no art. 62, § 2º, do RICARF citado acima: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.288 9 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.289 10 973733/SC; Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009 e publicado em no DJe de 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Tendo e vista a determinação constante do RICARF (e, por certo, as consequências de sua inobservância), e o posicionamento do C. STJ, verificável na ementa do julgado reproduzida acima (concretizado sob o regime de recursos repetitivos), a despeito do meu entendimento pessoal sobre a matéria (que diverge, em parte, da interpretação sustentada, venia concessa, pela Corte Superior), não há alternativa senão afastar a alegação de decadência e manter, intocada, a decisão de primeira instância. Isso sem prejuizo do fato de ter, o STJ, em 2015, editado a Sumula 2015 que seria, nada mais, que o resumo de todos os precedentes que versam sobre o tema, apontando, neste particular que, a mingua da falta de "declaração do débito", contase o prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN. Considerandose, neste particular, que os fatos geradores autuados ocorreram no ano de 2009 e, a luz dos preceitos do art. 173, I, do CTN, e que o início do prazo decadencial teria se dado a partir de 1º de janeiro de 2010, não há que se falar em decadência, já que todos os devedores foram cientificados do conteúdo do auto de infração em 2014 (como se depreende do edital de efls. 2.612 e dos termos de sujeição passiva entregues pessoalmente a cada um dos devedores solidários efls 2.467 e ss). Afastase, pois, esta preliminar. I.2 Ausência de intimação dos solidários para comprovar a origem dos depósitos, invocandose, neste particular, os preceitos da Súmula/CARF de nº 29 Permissa venia, mas o princípio da eventualidade tem limites! Ora, é sabido, e consabido, que o CPC franqueia (em verdade, determina) que toda a matéria de defesa seja deduzida na primeira oportunidade processualmente definida para fazêlo, conformando, pois, um direito e, ao mesmo tempo, um dever das partes de se pronunciar sobre tudo aquilo que possa representar "fatos impeditivos, extintivos ou modificativos" do direito pleiteado pela contraparte (no caso, a Fazenda Pública Federal). Por óbvio, contudo, semelhante direito/dever deve ser sopesado a luz da coerência lógica entre os argumentos que serão despendidos a fim de que não se observe, dentre eles, contradições absolutas que retirem de um ou de outro a sua própria substância. No caso em testilha, todos (repito, todos) os recorrentes alegam (ponto comum) não participarem ou não manterem para com o devedor principal qualquer relação societária ou mesmo negocial operacional (admitem, quando muito, a existência de pactuações entre o contribuinte e as empresas nas quais detem participações societárias). Ora, a conclusão lógica daí assumível é que, se não detém qualquer tipo de vínculo com o devedor principal, acusado de omitir receitas pela realização de operações bancárias a margem da escrita fiscal, não dispõe de meios, ou mesmo legitimidade, para se reportar sobre o mérito da infração (isto é, se houve, de fato, ou não omissão de receitas). Aliás, o extratos bancários anexados ao feito (resumidos através das planilhas constantes de efls. 10 a 24), dão conta de que o único titular da conta corrente de nº 48825, Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.290 11 custodiada pela Ag.: de nº 5591, do Banco Bradesco, é (ou era) a empresa COBMETAIS, e ninguem mais. A Súmula 29, no caso, invocada por boa parte dos devedores solidários (excetuandose apenas os recursos manejados por Paulo Verly e Francisco Coimbra que não suscitam esta preliminar), cinge a determinar a intimação dos cotitulares das contas bancárias. Vejase: Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. O núcleo típico do entendimento externado pela predita Súmula é, tão só, a cotitularidade das contas; é irrelevante, e ato contínuo não se demanda a intimação de qualquer outra pessoa que não, e apenas, os titulares ou cotitulares das contas objetos da ação fiscal. Nesta esteira, e mesmo que se identificasse qualquer relação jurídica ou fática entre os recorrentes e a empresa autuada, não se observaria qualquer necessidade de se promover a sua intimação para comprovar a origem dos depósitos, já que, seja por conta de suas próprias alegações, seja pelos extratos trazidos ao feito, estes não são e não eram cotitulares da conta corrente aqui analisada. Entendo, portanto, descabida a preliminar em análise. I.3 Necessidade de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada solidário Não me alongarei, aqui, sobre semelhante alegação... ora, a responsabilidade, no caso, é solidária, impondose, por isso mesmo, a assunção do mister, por cada um dos devedores, de suportar, sem benefício de ordem, à integralidade do ônus econômico decorrente do crédito tributário. A solidariedade, vejam bem, foi imposta pela fiscalização com espeque nos preceitos do art. 124, I, a luz da interpretação econômica deste dispositivo (sem, neste momento, tecer quaisquer críticas à adoção de semelhante forma de qualificação dos fatos); isto é, impôsse a solidariedade, no caso, sob a ótica fiscal, a vista da identidade de interesses econômicos advindos da prática do ato tido como infracionário, qual seja, a omissão de receitas e esta infração, como bem pontuado pela DRJ, não é cindível, nem tampouco inidividualizável. Ainda que o interesse comum seja o núcleo fáticotípico abstrato (aspecto material) para identificação da hipótese da norma contida no art. 124, I, (sob a lógica fiscal, insisto) o comando deste preceito considera apenas a infração como aspecto relevante para a norma de incidência (mais uma vez, me abstendo, neste ponto, de fazer as críticas à tal interpretação); em outras palavras, identificado, em qualquer extensão, o predito interesse comum, a consequência lógiconormativa da tipificação daquele fato abstrato é a imposição da responsabilidade solidária quanto adimplemento do crédito tributário constituído, sem decotes ou individualizações. Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.291 12 Não há, pois, aqui, nulidade a ser declarada/decretada. I.4 Descompasso entre a motivação legal e fática apontada no TVF e aquela descrita no Auto de Infração. Tenho me pronunciado em diversos casos sobre os problemas advindos dos vícios formais consistentes, em particular, no descasamento entre os fundamentos de direito (motivação legal) e a descrição fática (motivação fática) por vezes encontradiço em atos de lançamento (ato administrativo por excelência art. 142 do CTN); em todas as oportunidades, alertei para sobre a gravidade de semelhante equívoco notadamente a luz do primado da ampla defesa. De fato, a falta de declinação dos motivos legais e fáticos ou, ao que importa ao caso presente, a incongruência entre os fundamentos de direito invocados e os fatos tidos e havidos como consubstanciadores da concretização do ato administrativo, quase sempre encerra mácula ao direito (ou garantia fundamental, para quem assim entende) da ampla defesa do contribuinte que, considerando as premissas aventadas pela Autoridade Administrativa, se prepara e produz a sua defesa considerando, justamente, tais premissas (jurídicas ou fáticas) e, nesta esteira, invariavelmente, propõe argumentos para se contrapor à um fundamento equivocado. Ou seja, a ratio que justifica a anulação de atos de lançamento que detenham vícios de fundamentação não é o respeito formal, puramente (a forma do ato não tem um fim em si mesmo); calcase, insistase, numa possível e concretizável violação à ampla defesa e, especificamente no caso do processo administrativo tributário federal, impõe, necessariamente, o cancelamento da exigência com espeque nos preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Diferentemente do que sustenta a DRJ, no caso vertente o TVF não repousa as suas razões no art. 124, I, e, concomitantemente, nos preceitos do art. 135, III, ambos do CTN. O trecho do citado relatório fiscal, que transcrevo a seguir, deixa extreme de dúvidas que o fundamento de direito e o fundamento de fato que justificam a imposição da responsabilidade solidária na espécie, cinge, tão só, ao primeiro dispositivo legal (art. 124, I). Vejase (efls. : A solidariedade consiste numa obrigação única com pluralidade de sujeitos, cada um dos quais é como se fosse um único credor, ou, um único devedor. Assim, 04 (quatro) são os caracteres da obrigação solidária, a saber: a) Pluralide de sujeitos ativos, ou, passivos; b) Multplicidade de vínculos, sendo distinto, ou independente, o que uno o credor a cada uma dos codevedores solidários e viceversa; c) Unidade de prestação, visto que cada devedor responde pelo débito todo e cada credor pode exigilo por inteiro; d) Coresponsabilidade dos interessados, já que o pagamento efetuado por um dos devedores extingue a obrigação dos demais. Outrossim, a solidariedade não se presume, muito pelo contrário, conforme de (sic) depreende da leitura do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (...). Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.292 13 Assim, o requisito para que o instituto da solidariedade seja aplicado é verificar a existência do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No presente caso se consubstancia pelas constatações demonstradas e comprovadas nas páginas anteriores (...). Ainda que a D. Auditoria se debruce, ao longo de seu relatório, sobre diversos fatos e, principalmente, atos dotados de ilicitude, potencialmente caracterizadores da responsabilidade preconizada pelo art. 135, III, é inegável que a premissa jurídica e fática por ela utilizada é, somente, o interesse comum dos devedores apontados como solidários para com o produto dos atos ilícitos pontuados no trabalho fiscal; não por outra razão a Autoridade Lançadora não despende vírgula quanto a caracterização de um ou de todos os devedores como sócios gerentes (ainda que de fato) ou administradores da sociedade contra quem foi lavrado o auto de infração. O art. 135, III, reprisese, não foi invocado, em momento algum, dentro do TVF, como motivo jurídico a permitir a imposição da responsabilidade solidária aqui tratada. O problema é que, nada obstante, do auto de infração juntado à efls. 2.550 e ss., observase que a D. Fiscalização aponta como fundamentos da imposição da sujeição passiva os preceitos, justamente, do art. 135, III, pela prática de ato contrário a lei, ao estatuto ou contrato social... daí a insurgência dos recorrentes e, daí, a alegação da nulidade ora examinada. Nesta esteira, e num primeiro momento, a alegação de nulidade poderia, efetivamente, ser acolhida; a incongruência entre o fundamento de direito contido no auto de infração e o fundamento fático descrito no TVF é patente; nada obstante, é preciso destacar que, acaso a autoridade lançadora não tivesse tambem descrito o fundamento de direito no TVF (art. 124, I) ou tivesse ali lançado como motivo legal o art. 135, III, haveria, por certo, inegável violação ao direito de ampla de defesa dos recorrentes... Mas o TVF, que é parte integrante do auto de infração, aponta uma descrição conforme de tais motivos que me faz crer sobre a ocorrência de um mero erro material quando da lavratura do próprio auto de infração, erro este, frisese, que, ainda que formalmente criticável, não culmina, e por certo não culminou, com a mácula ao direito dos devedores de se defenderem de forma lata, sem obstáculos e eficaz. Realmente, a simples análise dos recursos manejados deixa claro, como sol de estio, a exata e irrestrita compreensão dos motivos determinantes (jurídicos e fáticos) utilizados pela autoridade fiscal para impor a responsabilização solidária, não só pela objetividade da exposição contida no predito relatório, como pela menção, correta, ao fundamento de direito utilizado para qualificar os preditos fatos. Neste passo, vale lembrar, não há nulidade sem prejuízo! E mais, no âmbito do processo tributário administrativo, não há nulidade sem que se observe o desrespeito às regras de competência ou ao direito à ampla defesa, tal qual se dessume dos ditames do art. 59, I e II, do Decreto 70.235, anteriormente invocado. Ante o exposto, não vejo como acolher, também, esta preliminar. II Prefacialmente. Aqui abro, desde logo, um necessário parêntese. Realmente, ainda que não tenha sido tratada como preliminar de mérito, a alegação de ilegitimidade passiva revolve Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.293 14 questões, quando menos, prejudiciais e o seu acolhimento, por certo, tornará inócua a análise das demais questões tratadas neste feito. Do ponto de vista processual e lógico, seria aconselhável que este ponto fosse, de imediato, solucionado. E por isso mesmo, me coloco numa situação delicada... isto porque o entendimento que defendo e sustento, ainda que, sabidamente, minoritário, quanto a extensão e aplicabilidade do art. 124, I, do CTN, importará no cancelamento da exigência tratada neste feito, a par de quaisquer considerações respeitantes aos demais argumentos deduzidos pelos recorrentes e, também, pela própria autoridade autuante. E, por isso mesmo, semelhante atuação "pragmática" deste julgador, por certo, encerrará uma análise, quando menos, injusta da demanda, mormente a luz da complexidade de boa parte das questões paralelas propostas. Considerando, neste passo, que as particularidades identificáveis nos argumentos contidos nos recursos voluntários centramse, exclusivamente, no tópico da ilegitimidade passiva, tomarei a liberdade, técnica e processualmente inacurada, é verdade, de analisar, neste momento, todos os demais pontos de discórdia deduzidos, em especial, no mérito dos apelos, deixandome para efetivamente decidir as questões afeitas ao problema da "ilegitimidade passiva" ao final de meu voto. III Mérito. III.1 Arbitramento presunção de omissão de "receitas", fato signo presuntivo estranho à materialidade da contribuição para o PIS e da COFINS calculadas à luz dos preceitos do art. 3º da Lei 9.718 Necessário, desde logo, assentarse algumas premissas. Primeiramente, como o contribuinte, devedor principal, não se manifestou nos autos e, consentaneamente, deixou de apresentar os livros, declarações e demais documentos fiscais, à autoridade lançadora não restou alternativa senão, constatada a omissão de receitas a partir da identificação de depósitos bancários sem origem demonstrada/comprovada, arbitrar o lucro, na forma do art 530 e seguinte do RIR. O que se tem na espécie, portanto, é a tipificação de omissão de "receitas" e a exigência dos tributos aqui tratados por meio do arbitramento do lucro. Neste passo, peço especial atenção aos preceitos dos artigos 1º das Lei 10.637/02 e 10.833/03, normas positivadas para regrar o cálculo e o lançamento da contribuição para o PIS e da COFINS segundo o regime não cumulativo. O caput dos aludidos preceitos, destaquese, crava, de forma hialina, os aspectos material e quantitativo (base de cálculo) destas exações, conforme texto expresso dos dispositivos em testilha: Lei 10.637/02 Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.294 15 decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Vale dizer que a "receita bruta a que alude o art. 12 do Decretolei 1.598", é justamente o conceito de receita descrito no art. 279, do RIR, e compreende, por isso mesmo, "o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia", acrescendo, contudo, as receitas não enquadráveis dentre as operações anteriores, mas resultantes da atividade principal da empresa (inciso IV do predito art. 12). Isto é, o aspecto quantitativo destas contribuições é, a toda monta, a totalidade das receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, independentemente de sua classificação contábil ou se resultante das operações, exclusivas, de venda ou prestação de serviços. É certo, contudo, que a teor dos artigos 8º, II, da Lei 10.637 e 10º, inciso II, da Lei 10.833, são excluídas, expressamente, do regime nãocumulativo, as pessoas jurídicas sujeitas à tributação do IRPJ pelo lucro presumido ou arbitrado, mantendo estes contribuintes na regra de tributação preconizada pela Lei 9.718/98 que, por sua vez, fixa como base imponível das exações o "faturamento" que, de outra sorte, até o advento da Lei 12.973, teve a sua definição delimitada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, quando do julgamento do RE nº 585.235/MGQORG, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Cezar Peluso, publicado no DJe de 28/11/08, extraível do seguinte trecho do voto condutor: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição Federal, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza (...). Eis aí o problema! Basicamente o que sustentam os recorrentes (todos) é que ao tributar a "receita omitida" como um todo também pelo PIS e pela COFINS e, considerandose que, na espécie, o contribuinte está sujeito ao lucro arbitrado (e, portanto, ao regramento contido na Lei 9.718), haveria, grosso modo, dupla presunção: a presunção de omissão de receitas Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.295 16 propriamente e a presunção de que tais receitas decorreriam de venda de mercadorias e de preços decorrentes da prestação de serviços. E, confesso, de início a tese dos devedores solidários me sensibilizou, mormente porque a Lei 9.430, com soi ocorrer com boa parte das prescrições legais pátrias, é de um pobreza conceitual verdadeiramente franciscana... o art. 42, frisese, faz menção à "receita" omitida, tão só. Não diz se receita bruta, se receita decorrente de venda de mercadorias ou serviços, nem se ocupa de dizer se se estenderia a presunção por ele tratada á própria natureza das receitas. Contudo, a norma jurídica não se exaure no preceito legal; ela é conformada a partir de diversas proposições legais e, também, pelo próprio intérprete, notadamente quando necessário, à sua compreensão, a adoção de métodos hermenêuticos. E, neste passo, quando nos ocupamos de todas as regras aplicáveis ao caso concreto, e não só da Lei 9.430 e da Lei 9.718, a conclusão possível e razoavelmente lógica é de que a presunção descrita na norma retro referida, abrange todas as receitas, sejam elas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, sejam elas decorrentes de outras fontes intrinsecamente ligadas à atividade empresarial (inciso IV do art. 12 do Decretolei 1.598). Notem que o art. 531 do RIR, que trata da tributação por arbitramento, quando conhecida a receita bruta, faz expressa remissão ao art. 279 mencionado anteriormente de sorte que a base de cálculo, nesta hipótese, considera, justamente, as grandezas mencionadas acima ("o produto da venda de bens e prestação de serviços e os resultados auferidos nas operações de conta alheira") o que, logicamente, induz a conclusão de que a regra legal pressupõe, como origem dos valores a serem tributados, aqueles decorrentes exatamente da venda de mercadorias e prestação de serviços... poderseia questionar que se estaria, ai, diante de presunção! Sim, com absoluta certeza, mas tratase de um presunção legal, logicamente decorrente da aplicação conjunta dos preceitos do art. 42 da Lei 9.430 e da disposição do art. 530 do RIR que, vejam bem, se concretizam apenas e tão somente porque o contribuinte: a) omitiu receitas a que estaria obrigado a informar; b) deixou de escriturar regularmente as suas operações (ou as escriturou de forma insuficiente, ininteligível ou fraudulentamente), deixando, igualmente, de permitir a exata identificação da natureza de suas receitas. A conclusão lógica, portanto, aqui, é que, via de regra, as receitas omitidas são aquelas inerentes á atividade operacional das empresas e, nesta esteira, e particularmente quanto a contribuinte, devedor principal, decorrente de venda de mercadorias ou prestação de serviços... se não o são, era mister, seu (contribuinte), comprovar tal fato, sendo esta a razão de ser da própria regra contida no art. 42 da Lei 9.430. Dito isto, absolutamente correto o lançamento, como bem assentou, neste ponto, o acórdão recorrido: 399. O mesmo raciocínio se aplica ao fato de os impugnantes alegarem vícío insanável no procedimento por erro procedimental na apuração da base tributável, ao argumento de que teria havido movimento circular do dinheiro, caracterizado por transferências entre contas de mesma titularidade e, transferências e depósitos que não caracterizariam efetivo ingresso de receita e, desta forma, não configurariam omissão de receitas. Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.296 17 400. Conforme já explicitado acima, o lançamento com base em presunção legal desloca para o contribuinte o ônus de afastar a omissão que lhe foi imputada. Desta forma, ante a completa ausência de elementos que comprovem tais alegações, o lançamento não merece reparos. Vejam bem. Não estou afastando a aplicação do precedente mencionado linhas acima (que, caso aplicável, seria de observância obrigatória aos membros deste CARF, por força do art. 62 de nosso Regimento Interno), nem tampouco estou afirmando que a base de cálculo das contribuições não seja o faturamento, tal qual definido pelo Supremo. Lembremse, que o art. 42 pressupõe justamente que o contribuinte, para elidir a presunção, comprove os motivos pelos quais os aludidos depósitos não foram escriturados/tributados; se, neste passo, a razão pela qual a empresa não os informou às autoridades fiscais era, justamente, o fato de não se tratarem de valores concernentes às operações de venda e de prestação de serviços, era mister seu comprovar tal assertiva. Ao não fazêlo, deixou de afastar a presunção iures tantum encerrada na legislação de regência. Não merece acolhida, pois, a alegação ora examinada. III.2 Erro de procedimento de apuração tributação de valores resultantes de depósitos e transferências entre contas de mesma titularidade. A descrição contida neste subtópico poderia levar os julgadores à equivocada impressão de que teria ocorrido exigência, por parte da Fiscalização, de valores que teriam transitado entre contas correntes diversas pertencentes ao contribuinte, devedor principal. Não é isso, todavia, que efetivamente alegam os recorrentes (até porque, como já tratado alhures, a fiscalização considerou apenas uma conta bancária em seu levantamento conta corrente de nº 48825, custodiada pela Ag.: de nº 5591, do Banco Bradesco). O parágrafo abaixo reproduzido, extraído dos recursos voluntários, resume de forma satisfatória, qual seria, concretamente, a alegação em apreço. Vejam: Ocorre que, mesmo tendo a Autoridade Fiscal assumido a existência do inequívoco movimento cirular do dinheiro entre as contas bancárias das empresas investigadas, ao constituir o crédito tributário de cada uma das empresas que foram autuadas, ADOTOU COMO BASE DE CÁLCULO O A SOMATÓRIA DE TODOS OS DEPÓSITOS E TRANSFERÊNCIAS MENSAIS REALIZADAS NAS CONTAS CORRENTES DE RESPECTIVA EMPRESA AUTUADA, ou seja, 100% dos recursos que entraram na mesma, SEM CONSIDERAR AS CIRCULARIZAÇÕES HAVIDAS, como resta categoricamente demonstrado no já mencionado LAUDO PERICIAL CONTÁBIL1. Ou seja, não se está discutindo a ocorrência de transferências à, ou depósitos provenientes de, contas correntes da mesma titularidade do contribuinte (fato que imporia a respectiva exclusão a teor dos preceitos do § 3º, I, do art. 42 da Lei 9.430), mas, isto sim, uma alegada bitributação de valores que, alegadamente, já teriam sido objeto de exigência em relação à outros contribuintes não tratados neste processo. E, neste passo, não há correções a se fazer, nem no lançamento, nem nas conclusões adotadas pela DRJ; se, realmente, os valores constantes da contacorrente de 1 Trecho extraido do Recurso Voluntário de Rafael Escobar, pagina 34 do apelo, e reproduzido, ipsis literis, pelos demais recorrentes. Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.297 18 titularidade da empresa COBMETAIS provêm de contascorrentes de outras empresas já tributadas, é mister, a teor dos preceitos do mesmo art. 42 da Lei 9.430, que a empresa, ou mesmo os solidários, comprovassem, documentalmente, semelhante fato. O laudo, a que aludem os recursos voluntários, digase, juntado à efls. 2.995/3.36, faz uma análise por amostragem e sequer menciona a empresa ora autuada (COBMETAIS)... demais a mais, reprisa o que afirmam os recorrentes ao atestar o movimento circular dos preditos depósitos, sem se contrapor ao fato de que não tiveram a sua origem comprovada (isto é, o motivo pelo qual foram creditados na conta de titularidade do devedor principal se decorrentes de uma atividade operacional ou não ou, mais, se seriam tributáveis ou não). Em linhas gerais, o predito laudo não é prova documental idônea suficiente a afastar a presunção encartada no art. 42. Enfim, não merece acolhida também esta alegação. III.3 Inexpressividade do montante apurado no ano 2009 princípio da insignificância a justificar a irresponsabilização dos recorrentes. Esta alegação resvalaria no princípio da proporcionalidade, vertente específica do princípio da razoabilidade, e, por conseguinte, da legalidade, tendente a garantir que a aplicação da lei não resulte a concretização de norma concreta individual absurda ou díspare dos intentos objetivamente pretendidos pela norma abstrata. O problema, todavia, é que a responsabilidade solidária, como já exposto no tópico I.3, um vez tipificada, encerra a responsabilização pelo crédito tributário como um todo... não há, pois, como segregar o crédito de acordo com o "grau de culpabilidade" do responsável, até porque inexiste uma previsão legal qualquer que franqueie semelhante solução. Se os valores aproveitados pelos solidários são ínfimos se comparados com os montantes identificados como depósitos de origem nebulosa, é fato desimportante, porque o núcleotípico do art. 124, I, do CTN, sob a ótica da fiscalização (insistase, sem se fazer, aqui, a necessária crítica à tal entendimento), é a comprovação da existência do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, seja qual for o "grau" deste interesse. Se se comprovou a prática de atos ou a existência fatos que demonstrem este interesse (questão que será melhor abordada no tópico da legitimidade passiva), a consequência legalmente admissível é a imposição da responsabilidade solidária. Insisto, todavia, que esta alegação só não tem lógica, e portanto, não seria factível, se se partir da premissa de que o art. 124, I, trata, realmente, de um interesse econômico identificável; acaso estivéssemos diante de uma interpretação eminentemente jurídica deste preceito, minhas conclusões, por certo, seriam diametralmente opostas à que ora se propõe... por isso, desacolho neste momento o argumento do contribuinte, reservandome o direito, todavia, de retomar o assunto quando me debruçar sobre a ilegitimidade passiva (que, como já alertei anteriormente, deixei para fazêlo apenas ao final deste voto). III.4 Da alegada impossibilidade de se responsabilizar os recorrentes pela multa qualificada e agravada. Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.298 19 Verdade seja dita, todas as alegações tratadas no último tópico, e também aqui, tem uma necessária vinculação com a interpretação econômica do art. 124, I, do CTN... nenhum destes argumentos, digase, teriam lugar, caso o "interesse comum" preconizado pelo preceptivo retro fosse interpretado jurídicamente, e não economicamente... E é, sob um prisma de "justiça" (adotada na acepção politicomoral), aceitável e, mais que isso, válida a alegação do contribuinte; tanto o agravamento, como a qualificação da multa, são resultados diretos e exclusivos da prática de um ilícito incorrido pelo devedor principal que, claramente, e admitidamente, não detem qualquer relação formal com os recorrentes... Aliás, ainda sob uma análise eminentemente moral/política do caso, a responsabilização dos devedores pelo pagamento, também ,da multa qualificada e agravada, somente se justificaria se, porventura, semelhante responsabilização se tivessse dado com base nos preceitos do art. 135, III, do CTN, já que o núcleo típico deste preceito é, efetiva e concretamente, a prática de um ato ilícito. Todavia, vejam bem, não nos cabe qualificar os fatos tratados neste ou em qualquer outro processo, a partir de premissas metajurídicas... ainda que se possa identificar na normajurídica anseios de cunho moral ou político, a qualificação dos fatos concretos subsumíveis à sua hipótese de incidência, somente pode ser feita a partir de critérios (códigos linguísticos) imanentes ao direito... a moral e a política são sistemas eivados de subjetivismos e conceitos estranhos ao direito e, por isso mesmo, não podem ser invocados no ato de interpretação da norma ou dos fatos por ela tratados. Não existe lei boa ou lei ruim... existe a lei. No caso, vejam bem, a teor do art. 121 do CTN, o "sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária" lembrando que responsável tributário é espécie do gênero "sujeito passivo". Noutro giro, o art. 113, § 1º, do mesmo diploma legal é explicito ao afirmar que, por obrigação principal, entende se como o dever de "pagamento de tributo ou penalidade pecuniária". Por esta razão, o Superior Tribunal de Justiça já sedimentou o entendimento de que as multas, de caráter moratório ou punitivo, integram o crédito tributário e, nesta senda, são exigìveis dos responsáveis tributários. Vejase: 3. Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento . 4. Na expressão créditos tributários estão incluídas as multas moratórias. A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindose o valor da multa moratória (REsp 745007/SP, Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 27/06/2005, p. 299). Ainda, pois, que seja injusto se impor aos solidários a responsabilidade pelo pagamento da multa ofício, em especial, agravada, esta é a consequência legal decorrente dos Fl. 4346DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.299 20 preceitos tratados acima e, mais, e que me desculpem a insistência, por conta, da interpretação econômica adotada pela Fiscalização aos preceitos do art. 124, I, do CTN. A luz do exposto, não há, aqui, como prover os recursos voluntários. III.6 Impossibilidade de se agravar a multa por falta de entrega de livros e documentos e fiscais e, ao mesmo tempo, arbitrar o lucro bis in idem. De antemão, e apesar de saber que existem entendimentos que divergem do meu, não considero o arbitramento como espécie de penalidade e isso, per se, já seria suficiente para afastar a acuidade técnica do argumento que ora se examina. Realmente, o arbitramento é mera técnica de apuração do imposto devido; pode até decorrer da constatação de um fato ilícito, mas não é consequência imediatamente referível a este mesmo fato. Tratase, exclusivamente, de critério legal de definição do aspecto quantitativo do tributo e, por isso mesmo, ligase, e só pode se ligar, à um fato lícito (pressuposto conceitual de tributo, a luz dos preceitos do art. 3º do CTN). Não bastasse isto, vejam bem, o próprio fato típico do arbitramento não coincide com o fato considerado para agravar a multa de ofício... o primeiro, efetiva e concretamente, decorreu do não atendimento às intimações para exibição, pelo contribuinte, de livros e documentos fiscais necessários à apuração do IRPJ e, reflexamente, da CSLL, PIS e COFINS (pelo que, inclusive, não se aplica ao caso a Sumula 96 deste CARF). Já o agravamento da multa, de seu turno, se concretizou, exclusivamente, pela falta de atendimento, pelo contribuinte, às intimações lavradas pela fiscalização, tipificando, de forma clara, a hipótese preconizada pelo art. 44, § 2º, e incisos, da Lei 9.430. Não há, portanto, na espécie bis in idem. IV Ilegitimidade passiva. Analisados os argumentos de mérito, comuns à todos os recursos, passo análise, agora, das alegações concernentes à ilegitimidade passiva. Como alertei, neste tópico, cada um dos solidários traz argumentos próprios e individuais; nada obstante, observase que todos os recorrentes tecem considerações sobre operações vinculadas à todo o esquema fraudulento, sem se pronunciar, especificamente, sobre a infração tratada neste processo, qual seja, a existência de depósitos de origem nebulosa em conta corrente de titularidade da empresa COBMETAIS. Isto, de início, poderia me permitir, simplesmente, desconsiderar tais argumentos e negar provimento aos apelos. O problema, é que semelhante conduta tem origem na própria autuação, mais especificamente, no descuido incorrido pela Autoridade Lançadora ao fazer o relatório fiscal que justifica a imposição ora polemizada. Como disse, e repriso agora, não obstante, aparentemente, ter sido utilizada como ferramenta para concretização dos ilícitos tratados no TVF, o fato é que a COBMETAIS, aqui, está sendo autuada, tão só, por omissão de receitas... ainda que o contribuinte, pelo que relatada a Fiscalização (mas não prova), fosse, de fato, uma das empresas "de fachada" que emitia documentos fiscais ideologicamente falsos, a autuação, insistase, se limita à falta de escrituração e, por conseguinte, a não tributação de depósitos bancários, infração para a Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.300 21 qual, dentre as mais de 100 páginas de relatório, a D. Auditoria dedica apenas dois parágrafos constantes de efls. 102: Das infrações apuradas e da multa de ofício aplicada Depósitos bancários de origem não comprovada O contribuinte efetuou depósitos nas contas bancárias de sua titularidade sem os oferecer à tributação do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Jurídica (IRPJ) e demais tributos reflexos. Assim, promovemos a constituição do presente crédito tributário, utilizando como base de cálculo a somatória dos depósitos mensais nas contas correntes mantidas pelo contribuinte em instituições financeira (...). Isso é tudo o que traz o relatório fiscal sobre o objeto deste processo... não há vírgula sobre a transferência destes recursos à empresas vinculadas aos devedores solidários; não há qualquer imputação outra, demonstrada documentalmente, à contribuinte que não, e somente, a manutenção de recursos financeiros à margem de sua escrita fiscal/contábil e, lembremse, o vinculo estabelecido pela fiscalização entre a COBMETAIS e todas as demais empresas identificadas na citada "operação corrosão" seria a emissão de documentos fiscais inidôneos (efls. 27 e contas descritas à efls. 29). É verdade que a Fiscalização noticia a ocorrência de transferências bancárias entre a COBMETAIS e as empresas Lukmetais e Transforme (efls. 73), a última, inclusive, que teria sido objeto da primeira ação investigativa intentada pela Receita Federal. Tais transferências se encontram demonstradas por meio de extratos juntados nos anexos 47, 48 e 71 e isso poderia evidenciar a participação da COBMETAIS no esquema fraudulento. Mas, insistase, a autuação em testilha se limita, como posto pela própria autoridade lançadora, à constatação de depósitos bancários de origem desconhecida... a emissão de notas frias ou mesmo o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, não é objeto deste processo. Mais que isso, lembremse, a imputação da responsabilidade solidária se dera em razão de um pretenso interesse comum com a situação de fato que constitua a obrigação tributária; como sobre a infração "depósito bancário de origem desconhecida" o Fisco limita a descrição fática aos dois parágrafos anteriormente transcritos, é impossível a este julgador identificar este "interesse comum" com a infração especificamente analisada... É inegável que a COBMETAIS possa ter sido utilizada na citada "operação corrosão"; o problema é que a D. Auditoria preocupouse excessivamente com o esquema fraudulento, tendo, objetivamente, esquecido qual era, efetivamente, o cerne deste processo (não por outra razão, a toda evidência, o relatório fiscal não foi elaborado para esta demanda, tendo, provavelmente, sido retirado de feitos outros concernentes às demais empresas fiscalizadas na "operação corrosão"). E semelhante desídia, digase, culminou com a falta de instrução necessária à demonstração do liame entre os devedores solidários e a infração que, ao fim e ao cabo, é o núcleoproblema do processo em exame: depósitos bancários de origem desconhecida. Não cuidou, pois, o Fisco, de demonstrar que estes valores tenham sido repassados aos ditos "reais favorecidos", pontuando o "interesse comum" a partir de fatos vinculados à outras empresas criadas ficticiamente para fraudar o fisco. Não há nada, contudo, Fl. 4348DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.301 22 e insistase, que demonstre, neste processo, o predito interesse comum e por isso, e somente por isso, a imposição da responsabilização aqui tratada não pode prevalecer. E mesmo que tivesse justificado a solidariedade a partir dos preceitos do art. 135, III, do CTN, vejam bem, ainda assim, deixou o fisco de proceder ao exame específico do contribuinte aqui autuado... a menção à COBMETAIS é feita, reprisese, de forma genérica e não destacada em três pontos do TVF, sem se tecer qualquer comentário individualizado sobre esta empresa e o papel por ela desenvolvido e, mais grave, sem sequer se apontar os devedores solidários como reais administradores ou sócios de fato desta empresa. Enfim, não há, com base nos elementos constantes dos autos e, principalmente, pela falta de cuidado da Autoridade Lançadora, como se estabelecer qualquer tipo de relação (jurídica ou econômica) entre os recorrentes e a empresa autuada e, por isso mesmo, não há como se manter a responsabilidade tal como pretendido pela Auditoria Fiscal. IV.1 Da dúvida quanto ao real infrator art. 112 do CTN. Esta alegação, digase, é absolutamente impertinente... o real infrator, no caso, é a empresa COBMETAIS, contribuinte e devedor principal. Os devedores solidários respondem, na integralidade pelo crédito, não porque se tenha comprovado sua culpa ou a sua participação direta no ato infracionário, mas, insistase, por se ter identificado um interesse comum (econômico conforme premissa adotada pela D. Auditoria) na situação de fato que constitua a obrigação tributária. De toda sorte, semelhante argumento perde qualquer utilidade, a luz do que decidi acima. IV.2 Alegada inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN quando não identificado o interesse jurídico comum na realização do fato gerador. Por fim, e incorrendo em mero obter dictum, já que a responsabilidade tributária, na espécie, já seria afastada pelo argumento despendido no tópico IV, acima, como expus no início deste voto, o meu entendimento pessoal quanto aos preceitos do art. 124, I, já seria suficiente para prover, integralmente, os recursos voluntários manejados. É que, a meu ver, a única interpretação possível acerca do aludido art. 124, I, da Lei Complementar Tributária ex ratione materiae, é de que, para justificar a imposição solidária do dever de recolher o tributo, há que se verificar a existência de um interesse jurídico comum, e não econômico ou, de outra sorte, os sócios das empresas sempre, e sempre, seriam responsabilizáveis pelas dívidas havidas pela sociedade (tornando, pois, letra morta, as regras encartadas nos artigos 132, 133, 134 e 135, todos do mesmo diploma legal). Em suma, a meu ver o interesse na percepção de vantagem econômica não está abarcado pelas disposições do art. 124, I, até porque, o uso de códigos linguísticos estranhos ao direito para qualificar um fato social (como já pontuei anteriormente) é contrário à dogmática jurídica (posição que adoto, inclusive, para a validação, do ponto de vista fiscal/tributário, de operações não dotadas de intento negocial). Apenas a existência de uma relação jurídica comum que encerre um objetivo compartilhado, sendo este objetivo a ocorrência do próprio fato gerador, e não da percepção do fruto advindo deste fato jurígeno (auferir renda ou receita, deter a propriedade), é que legitima, Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.302 23 pois, a responsabilização com base no citado dispositivo (respeitados, por óbvio, os entendimentos divergentes). Invoco, neste particular, o escólio de Luciano Amaro que, de forma bem objetiva, ratifica as assertivas acima apostas: Sabendo que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele seja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ele ter "interesse comum" no fato gerador (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações com as quais ele tenha algum outro interesse (melhor se diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente a estabelecer. 2 E tanto Luciano Amaro, como Paulo de Barros (em seu Curso de Direito Tributário3) deixam extreme de dúvidas que o vínculo a ser observado é, efetivamente, o jurídico; vinculo estabelecido diretamente com o fato jurígeno e não com as consequências deste fato; dentre os exemplos destaquese a responsabilidade dos coproprietários do imóvel em relação à obrigação relativa ao IPTU ou dos vários vendedores de uma mesma mercadoria, quanto ao ICMS. Outro interesse (econômico), que não o destacado acima, como bem pontuado por Luciano Amaro, somente encerraria a responsabilização solidária do terceiro se e quando determinado, expressamente, por lei (art. 124, II, do CTN). O entendimento ora exposto, vale o destaque, vem sendo, inclusive, adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se extrai acórdão proferido no REsp 884.845/SC, em que o então Ministro Luiz Fux assentou que "conquanto a expressão 'interesse comum' encarte um conceito indeterminado, é mister procederse uma interpretação sistemática das normas tributárias de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal". Mais adiante, o citado Ministro assim concluiu: (...) Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, as o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Destaco, apenas, as ressalvas que fiz em relação a boa parte das preliminares que afastei... toda a análise lá feita, partiu da mesma premissa adotada pela Fiscalização (qual seja, a interpretação da expressão "interesse comum" sob o enfoque econômico do fato e não jurídico) e por isso, e apenas por isso, tais alegações foram por mim rechaçadas. Em linhas gerais, e a par de tudo o que expus anteriormente, o simples fato da responsabilização aqui tratada ter sido calcada nos preceitos do art. 124, I, do CTN, já seria suficiente, a luz que entendo e defendo, para prover os recursos ora analisados. 2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, 22ª ed., Rio de Janeiro: Saraiva, 2017, p. 345. 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8ª ed., Rio de Janeiro: Saraiva, 1996, p. 220. Fl. 4350DF CARF MF Processo nº 13819.723481/201466 Acórdão n.º 1302003.223 S1C3T2 Fl. 4.303 24 IV Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento aos recursos voluntários manejados pelos devedores solidários a fim de, exlusivamente, excluílos do pólo passivo da obrigação. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13556.720040/2014-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 6. 72 00 40 /2 01 4- 41 Fl. 62DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 14.500,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Fortaleza de f. 40/44. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 51/52. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13556.720040/201441 Acórdão n.º 2001000.451 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 64DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13556.720040/201441 Acórdão n.º 2001000.451 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.980214/2012-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 02 14 /2 01 2- 91 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.980214/201291 Acórdão n.º 1003000.311 S1C0T3 Fl. 272 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 253/255) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 36199.17896.271010.1.3.043500 (folhas 03/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte, após tomar ciência do referido despacho decisório, retificou a DCTF, reduzindo o valor do débito, sem juntar, no entanto, qualquer documentação comprobatória do valor correto do débito de CSLL que, retificado, geraria o crédito pleiteado no referido DARF. A recorrente, às folhas 262/269, alega, em síntese: I Que "de acordo com os documentos acostados aos presentes autos, é evidente o direito creditório da recorrente e, por consequência lógica, à compensação dos créditos de CSLL com os débito de IRPJ", "em que pese o argumento do julgador no sentido de que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório"; II Que "a DCTF retificadora cotejada em conjunto com os demais documentos apresentados pela recorrente comprovam, ao fim e ao cabo, o direito à compensação"; III Que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF"; IV Que "o argumento de que a retificadora está desacompanhada de documentação hábil suficiente para demonstrar o direito a compensação, não merece prosperar sob qualquer ângulo que se analise a presente demanda, pois a recorrente foi diligente ao juntar todos os documentos necessários para comprovar seu direito quando da apresentação da manifestação de inconformidade"; V Que "é de se concluir, pois, que a decisão ora rechaçada ignorou praticamente a íntegra da documentação colacionada e, consequentemente, a argumentação articulada, para baseada apenas na retificadora, decidir pela improcedência da manifestação de inconformidade"; VI Que deve ser buscada a verdade material dos fatos e, apesar de "toda a documentação e explicações necessárias já tenham sido disponibilizadas às doutas autoridades no curso do processo", e a documentação apresentada ser "suficientemente clara e eficiente para comprovar a existência de pagamento a maior realizado pela recorrente e utilizado como crédito na PER/DCOMP, sendo este líquido e certo", requer, caso se entenda necessário, "a conversão do julgamento em diligência, para verificação e constatação de todos os argumentos aqui destacados, com uma análise mais detalhada da documentação contábil e fiscal da recorrente". Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.980214/201291 Acórdão n.º 1003000.311 S1C0T3 Fl. 273 3 A documentação acostada aos autos pela contribuinte por ocasião da impugnação consistiu em cópias do despacho decisório recorrido, da DCOMP em questão, da DCTF retificadora, do DARF correspondente ao recolhimento, da DACON correspondente ao período e contrato social. Junto ao Recurso Voluntário, a recorrente não acostou qualquer documentação adicional. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A recorrente argumenta como se tivesse acostado aos autos documentação contábil e fiscal comprobatória da veracidade da retificação efetuada em DCTF. No entanto, nada acostou aos autos além de cópias de declarações, que, por óbvio, nada provam. O requerimento da conversão do julgamento em diligência, caso se entenda necessário, não deve ser acolhido, já que, no desenrolar do presente processo administrativo, a contribuinte se utilizou do trabalho das instâncias julgadoras instituídas e teve as devidas oportunidades de acostar a documentação necessária aos autos, mas não o fez. O argumento de que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF" ignora a necessidade de dar respaldo legal ao procedimento operacional efetuado pela contribuinte e descrito no referido voto, que é exatamente o que se discute no presente processo. No mais, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Apenas retificou a DCTF. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.980214/201291 Acórdão n.º 1003000.311 S1C0T3 Fl. 274 4 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722014/2014-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.523
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 22 01 4/ 20 14 -0 3 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13888.722014/201403 Resolução nº 3201001.523 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 497DF CARF MF
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Numero do processo: 14489.000593/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 01/07/2003, 31/10/2003 a 01/12/2003, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004
TRANSPORTE DE CARGAS. RETENÇÃO DE 11%. NOTA FISCAL.
Até a competência 05/2003, inclusive, o contratante de serviço de transporte de cargas deveria reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço e recolher o valor retido em nome da empresa contratada.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. OCORRÊNCIA.
Os serviços de transporte de passageiros, realizado de modo continuado, por profissionais colocados à disposição do contratante em seu estabelecimento ou de terceiros, amolda-se ao conceito de cessão de mão de obra estando sujeito a retenção do tributo na forma da lei.
Numero da decisão: 2402-006.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 01/07/2003, 31/10/2003 a 01/12/2003, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004 TRANSPORTE DE CARGAS. RETENÇÃO DE 11%. NOTA FISCAL. Até a competência 05/2003, inclusive, o contratante de serviço de transporte de cargas deveria reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço e recolher o valor retido em nome da empresa contratada. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. OCORRÊNCIA. Os serviços de transporte de passageiros, realizado de modo continuado, por profissionais colocados à disposição do contratante em seu estabelecimento ou de terceiros, amoldase ao conceito de cessão de mão de obra estando sujeito a retenção do tributo na forma da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 93 /2 00 8- 49 Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.622 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1602/1617, interposto contra o v. Acórdão proferido pela Décima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJO I), que manteve parcialmente o lançamento em controvérsia, acatando a decadência apontada na Impugnação. Eis o relatório de tal decisão: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6850, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 373.158,18; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 141/150), referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 08/2000 a 10/2004. 2. Informa a Auditoria Fiscal que os valores das retenções que deveriam ser destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas pelas CONTRATADAS e retidas pelo CONTRATANTE, foram obtidos observandose os percentuais legais, aplicados diretamente sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelos prestadores dos serviços, eis que as bases utilizadas foram menores do que as previstas na legislação ou não houve o destaque do percentual de 11% (onze por cento), nos termos do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 c/c o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. 2.1. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal e demonstrativos anexados às fls. 151/210, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviços, correspondentes aos serviços de transporte de cargas e passageiros, executados mediante cessão de mãodeobra. 2.2. Integram a autuação os seguintes levantamentos: EXC — Transporte Excelsior, competências 08/2000 a 05/2003; IGL — Irmãos Galera, competências 08/2000 05/2001, 09/2001 a 12/2002; JST — Júlio Simões, competência 02/2003 a 05/2003, 07/2003 a 10/2003, Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.623 3 12/2003, 07/2004 e 10/2004; MIR — Miranda, competência 02/2003; RD — Rodorei Transportes, competências 08/2000 a 05/2003; RRS — Rápido Rezende, competência 02/2003; UNI — Expresso União, competências 12/2000 e 04/2002; DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 365/384, alegando em síntese: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. A decadência dos supostos créditos tributários relativos ao período de janeiro de 2001 a setembro de 2002, nos termos do artigo 150, §4°, combinado com o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional; 3.3. Que a autoridade autuante se limitou, tãosomente, a fazer a descrição do fato gerador do tributo sem, contudo, provar a sua ocorrência; 3.4. Que os "regulamentos" listam diversas atividades definidas ora como empreitada e ora como cessão de mãodeobra, para os fins de aplicação da retenção de 11% pelo contratante sobre as faturas de prestação de serviços por terceiros contratados; 3.5. Para os fins de aplicação da retenção aqui discutida, não basta que determinado serviço esteja previsto nos regulamentos. É necessário que os serviços sejam prestados mediante cessão de mãodeobra, conforme o conceito legal estabelecido pelo artigo 31, da Lei n°8.212/91; 3.6. Que a impugnante se utiliza de diversos prestadores de serviços para a realização das mais variadas atividades. De fato, tais serviços estão expressamente listados nos "regulamentos". Entretanto, os mesmos só estariam sujeitos à retenção, nos termos do artigo 31, § 3°, da Lei n° 8.212/91, se contratado mediante cessão de mãodeobra; 3.7. Em que pese o esforço do agente autuante, as justificativas por ele expostas com o objetivo de enquadrar as atividades de transportes contratadas como uma prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra são, notadamente insuficientes; 3.8. O conceito doutrinário de cessão de mãodeobra impõe necessariamente que os prestadores de serviços fiquem subordinados ao contratante, o qual fica responsável pela coordenação das atividades; 3.9. Em nenhum momento o fiscal autuante demonstrou a existência de uma cessão de mãodeobra, caracterizada pela subordinação dos empregados das contratadas à impugnante; Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.624 4 3.10. No que tange ao contrato firmado com a empresa prestadora de serviço, este contrato não tem o condão de responsabilizar a empresa pela obrigação tributária acessória de reter 11% do valor bruto das notas fiscais relativas aos serviços prestados pelas empresas listadas pela fiscalização; 3.11. Se as partes acordarem entre elas, obrigações prevendo responsabilidades pelo pagamento de tributos, tal convenção entre as partes não poderá, em hipótese alguma, alterar a responsabilidade tributária, que como é cediço, só pode decorrer de fato gerador previsto em lei que determine a incidência no tributo; 3.12. Tampouco pode o fiscal presumir que o contrato firmado entre as partes seja a prova de que deveria a Impugnante reter os valores referentes aos 11% de contribuição social em todas as notas fiscais apresentadas por terceiros, tendo em vista que muitas notas se resumem somente a valores cobrados sobre materiais utilizados pela empresa e não pela prestação do serviço propriamente; 3.13. Ou seja, a Impugnante irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie; 3.14. Requer a realização de diligências e apresentação de novos documentos, sob pena de violar o princípio da ampla defesa constitucionalmente garantido aos litigantes/contribuintes, bem como, que seja conhecida e provida a presente defesa para declarar extinto o crédito tributário. Em seu recurso, reprisa a empresa recorrente os argumentos lançados em sua peça de Defesa, no sentido em que manifesta sua irresignação nos mesmos pontos anteriormente atacados. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria. Assim, o entendimento adotado pela d. DRJ, violaria frontalmente a jurisprudência firmada no e. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Destaca o recorrente, às fls. 1.608, que: "Tal entendimento, no entanto, viola flagrantemente a jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, em especial aquele já reiteradamente manifestado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça STJ. Nesse sentido, cumpre destacar trecho do Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.625 5 julgamento do REsp n° 499.955', no qual o Ilmo. Ministro Teori Albino Zavascki afirma: '(..) Além disso, destacase que o rol exemplificativo colocado no § 4º do art. 31 deve estar em consonância com as características expostas no § 3°, não se mostrando suficiente, para a caracterização da cessão de mãodeobra da Lei 8.212/91, a mera realização das atividades elencadas naquele dispositivo. '" Em seguida, aponta que, não se pode falar em "presunção" de que os serviços elencados no §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, configuramse como de mão de obra, uma vez que, segundo o Regulamento da Previdência Social, estão sujeitos à retenção de 11% aqueles exclusivamente contratados mediante cessão de mãodeobra, conforme o §3º do art. 31 da lei supracitada. Afiança que, para que se tenha "cessão de mãodeobra", imporia a dogmática a necessidade de subordinação, e os demais elementos contidos em Lei, o que não ocorreria em suas atividades, que limitarseiam "tãosomente a alugar determinados veículos". Colaciona doutrina e jurisprudência para defesa de seus pontos alegando que, em nenhum momento, nos contratos firmados com suas sócias majoritárias, estiveram presentes os requisitos necessários para configuração do termo "cessão de mãodeobra", eis que não haveriam coordenação das atividades. Acrescenta, referente aos itens 5.7 e 5.10 do Relatório Fiscal, que os contratos firmados entre as empresas não teriam o condão de responsabilizála pela obrigação tributária, uma vez que ela adviria, necessariamente, da Lei. Às fls. 1615, destaca: "Em outras palavras, a cláusula invocada pela fiscalização segundo a qual a contratante seria a responsável pela retenção da contribuição previdenciária somente pode ser interpretada em harmonia com as normas legais vigentes e aplicáveis ao caso, bem como com as demais cláusulas contratuais e aspectos de fato inerentes, no presente caso, à prestação de serviço." E continua: "Ou seja, a Recorrente irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie." Seria, portanto, inequívoca a procedência da autuação, uma vez que lhe faltam requisitos essenciais para admissibilidade, uma vez que não preenchidos os elementos de cessão de mãodeobra. Requer seja julgado procedente o presente recurso para que, reformando o acórdão, seja integralmente cancelada a NFLD que lastreia o presente PAF. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.626 6 Roga também pela correção do erro material presente na intimação n° 589/2010, pois o referido documento referese à NFLD n° 37.093.6820, quando, na verdade deveria constar 37.093.6850. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, voto por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO LANÇAMENTO E DO OBJETO DO RECURSO. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6850, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 373.158,18; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 141/150), referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 08/2000 a 10/2004. Tal obrigação estaria lastreada no que dispõe o artigo 31, da Lei n° 8.212/911 e o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.627 7 impondo a Recorrente o dever de reter e recolher Contribuição Previdenciária, a razão de 11%, incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário. O Acórdão objurgado foi parcialmente procedente, eis que foram as contribuições lançadas até a competência 09/2002 alcançadas pela decadência. O Recorrente, por sua vez, centra as discussões no conceito de cessão de mãodeobra e sua inaplicabilidade as operações tomadas por base para o lançamento objetado. 3. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO ENQUADRAMENTO DOS PRESTADOS À RECORRENTE EM TAL MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO. 3.1. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. O Art. 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei nº 9.711/98, estabelece que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive sob regime de trabalho temporário, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa a tais serviços. 2 Estabelece ainda que tal valor deve ser destacado em nota fiscal ou fatura, sendo objeto de compensação pelo cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições de seus segurados, incidentes sobre folha de pagamento e que, na impossibilidade de haver compensação, o saldo remanescente será objeto de restituição. 3 Tratase de contribuição arrecadada sob a sistemática de antecipação do devido por meio da técnica de retenção na fonte pagadora, que passa a condição de responsável solidária em caso de ausência de retenção e recolhimento de tal antecipação. A própria Lei 8.212/91, no parágrafo 3º do Art. 31, dispõe sobre o conceito de cessão de mãodeobra para os fins de incidência da obrigação tributária acessória em estudo. Vejamos: §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da §6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. 2 "Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. 3 Art. 31 [...] §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.628 8 empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. E, seguindo em seu intento de limitação do alcance conceitual de cessão de mão de obra, apresentou rol de atividades presumidamente classificáveis como tal, deixando aberta a possibilidade de norma regulamentadora, indicar outras atividades com tal natureza. Vejamos: §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. E, por fim, segue estabelecendo outras obrigações inerentes a operacionalização de tal obrigação, como a determinação, ao cedente da mãodeobra, do dever de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante4. O Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu Art. 219, §2º passou a listar uma série de atividades que seriam presumidamente classificadas como cessão de mãodeobra. Entretanto, não deixou de estabelecer como premissa de aplicação da presunção, uma avaliação quanto ao conceito de cessão de mão de obra. Vejamos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] 4 §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.629 9 Assim, ainda que os serviços sejam referentes às atividades listas nos incisos do §2º do Art. 219 do RPS, não se pode deixar de verificar se a contratação de tais serviços se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra. Importante registrar que, para alguns, o fato da atividade constar do rol de serviços de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, implicaria em presunção legal de incidência da obrigação acessória de retenção, que somente poderia ser afastada com base em provas hábeis e idôneas capazes de demonstrar que a contratação não se realizou sob o regime de cessão de mãodeobra. Para este relator, o rol em questão representa, em realidade, uma prescrição taxativa dos serviços que, se prestados sob o regime de cessão de mãodeobra, gerariam a obrigação do contratante, sob pena de responsabilidade solidária, de reter e recolher, por antecipação do devido pelo contratado, parte da contribuição previdenciárias incidente sobre a folha de pagamentos dos empregados da cedente, que estejam a seu serviço. Assim, aqueles serviços que, mesmo prestados sob o regime de cessão de mão de obra, não tiverem previsão em tal lista, não gerariam o dever de retenção ou responsabilidade solidária do contratante. Em qualquer dos casos, é imprescindível à validade do lançamento, a demonstração de que a contratação atende as características de uma locatio operarum. Em que pese haver algumas variações quanto ao conceito de cessão de mão deobra, uma vez que a Lei tomou para si o dever de definila, não caberia ao intérprete desconsiderar os elementos de tal conceito ao interpretar sua aplicabilidade aos fatos econômicos em análise. Nesse sentido, seria objeto de análise, apenas as operações que tivessem por objeto a cessão de mãodeobra, ou seja, a cessão de qualquer outro elemento que não se amolde ao conceito de mãodeobra, não se adequaria à hipótese legal de incidência da obrigação em estudo. De Placito e Silva assim define o que vem a ser, para fins jurídicos, a mão deobra: “MÃODEOBRA. Assim se entende, na execução de qualquer trabalho ou obra, o esforço pessoal ou a ação pessoal do trabalhador ou obreiro, sem que se tome em conta o material empregado. Corresponde ao serviço simplesmente necessário à feitura da obra, que se quer executar. A mãodeobra tanto se entende a que é executada manualmente como a mecânica. Em quaisquer dos casos, a mãodeobra exprime somente o serviço para a execução do trabalho ou da obra, não se computando nele o que for necessário para que seja executado.” 5 Portanto, o que se loca, o objeto da cessão, é a força de trabalho dos segurados que mantém relação de emprego para com a empresa cedente. Nesse sentido, ainda que se necessite de trabalhadores para a execução, nem todo contrato de prestação de serviço, ainda que constante do rol previsto no RPS, seria classificado como cessão de mão de obra. 5 DE PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense: Rio de Janeiro, 1984, p. 418419 Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.630 10 Sendo a cessão da força de trabalho objeto do contrato de cessão de mãode obra, um corolário lógico é que o segurado relacionado a tal cessão, permaneça à disposição do contratante para realização do serviço, não importando se a determinação do que será realizado se dará pelo contratante ou por preposto do contratado, eis que a subordinação não integra o conceito legal de cessão de mãodeobra para fins previdenciários. A força de trabalho cedida e sob disponibilidade do contratante, deve ser empregada em seu estabelecimento ou de terceiros por este determinando. Por derradeiro, a atividade realizada deve ter por característica a continuidade, eis que serviços esporádicos, pontuais, não se amoldam ao conceito de cessão de mãodeobra definidos pela Lei 8.231/91. Assim, entendo delimitado o conceito que informará nosso convencimento quando da análise de cada uma das operações objeto de lide, eis que somente pela análise individual dos elementos probatórios disponíveis nos autos, será possível avaliar a legalidade do lançamento combatido e mantido pela decisão objetada. 3.1. DA ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DAS OPERAÇÕES AO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O Relatório Fiscal, registra que a notificação foi lavrada em decorrência da não comprovação da retenção e recolhimento dos 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998. O dispositivo legal referenciado na impugnação, prevê a obrigatoriedade da empresa contratante de serviços executados e diante cessão de mãodeobra. reter e recolher, até a data do vencimento, os 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O i. Agente fiscal assim registra o que entendeu por fato gerador: O fato gerador das contribuições apuradas foi a prestação de serviços de transporte de carga e de passageiros, com cessão de mão de obra, pela empresas constantes da tabela abaixo, cuja realização enseja a incidência de contribuições previdenciárias, conforme determinação legal. Os valores, da retenção dos 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços de transporte de carga e passageiros com cessão de mãodeobra e que não _foram ' retidos e tempestivamente recolhidos, ensejaram o lançamento do crédito tributário nos levantamentos abaixo discriminados: (...) No desenvolvimento da ação fiscal, foi verificado, pela análise dos contratos de prestação de serviço e das respectivas notas fiscais e conhecimentos de carga, que a empresas constantes da tabela do item 4, prestaram serviços para a Valesul Alumínio S.A., com cessão de mão de obra, em atividade sujeita a retenção de 11%, conforme determinado no artigo/31 da Lei nº 8.212/91 e no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O valor, da retenção de' ou de ser devidamente destacado nas notas fiscais ou foram destacados com bases menores do que as previstas na legislação, assim como se constatou que os Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.631 11 mesmos não foram repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social. (...) 5.2. O item 9.8 do contrato celebrado com o prestador de serviços RODOREI Transportes Ltda estabelece que a VALESUL "procederá à retenção de 11% (onze por cento) do valor dos • SERVIÇOS, recolhendo tal quantia em favor do Instituto Nacional do Seguro Social a título de contribuição relativa à contratação de SERVIÇOS mediante cessão de mãodeobra". O•item 9.8.1 do referido contrato ainda prevê que "para tanto a RODOREI promoverá o destaque na fatura de valores que lhe sejam eventualmente devidos por razão diversa da prestação dos SERVIÇOS, de modo que a retenção da aludida contribuição não incida sobre tais quantias" nos termos da OS INSS/DAF nº 2.209/99. No presente caso, o lançamento tomou por base uma série de documentos e informações conditas nas notas fiscais e contratos, que dão claro indício de um enquadramento das referidas operações ao disposto no Art. 31 da Lei 8.212/91. Para o contribuinte, além do enquadramento da operação no rol de atividades sujeitas a retenção, é necessário que sejam prestados mediante cessão de mãodeobra. Sustenta ainda que o rol é exaustivo não cabendo qualquer dilação. Sustenta ainda que, para caracterização da cessão de mãodeobra fazse imprescindível a demonstração de que as operações objeto do lançamento são executadas de modo continuo, estando os segurados à disposição do contratante em local por este determinado e com existência de subordinação entre segurado cedido e o contratante. De modo a avaliar a correta identificação da situação tributável, passaremos a analisar os elementos processuais relacionados aos respectivos fatos geradores, eis que não compartilhamos do entendimento manifestado na decisão recorrida de que a mera referência da atividade no Rol de que trata a legislação implicaria em presunção legal. 3.2. TRANSPORTE DE CARGAS. A análise dos contratos relacionados aos serviços de transporte de cargas, embora tenha sido bastante pormenorizada, não necessita de grandes digressões, e por fundamento relativamente comezinho. Notem que à contratação de serviços de transporte de cargas, a partir de 10 de junho de 2003, data da publicação no Diário Oficial da União do Decreto nº 4.729, de 2003 deixou de figurar entre as hipóteses de subsunção presumida da atividade ao conceito de cessão de mão de obra. Embora as competências em que se verificou lançamento incluam período anterior a 06/2003, grande parte das obrigações é posterior ao período6, outrossim, outros elementos evidenciam a incompatibilidade. 6 01/08/2000 a 01/07/2003, 31/10/2003 a 01/12/2003, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004 Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.632 12 De se notar, uma vez mais, que o conceito de cessão de mãodeobra encontrase delineado na Lei nº 8.212, de 1991, e que a relação de atividades enquadradas nesse conceito decorre da citada Lei e do RPS. À Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, coube tão somente reproduzir o conceito legal e definir o que vem a ser “dependências de terceiros”, “serviços contínuos” e “colocação [de trabalhadores] à disposição da empresa contratante”, conforme se verifica a partir da análise de seu art. 115: Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que n ão pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fi m, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Importa reprisar aqui que, ainda que determinada atividade conste da relação de serviços sujeitos à retenção, tal fato, só por si, é insuficiente para caracterizar a necessidade do recolhimento, o que no presente caso, abrangeria apenas as competências anteriores a 07/2003. Como no caso em voga, ainda que haja serviços prestados sob a vigência de norma que presumia, até prova em contrário, que os serviços de transporte de cargas integrariam o conceito de cessão de mãodeobra, é preciso observar, por ouro lado, que os serviços em foco estava vinculados ao transporte de cargas e não à força de trabalho dos motoristas. Notem que nenhum dos elementos contratuais indica tal situação, ao contrário, a precificação é integralmente baseada em volume de carga transportada e não em horas de trabalho dos profissionais. O serviço incluía fornecimento de caminhões e todos os insumos do serviço pelo transportador pelo preço do serviço, não havendo disponibilidade de profissionais no pátio, mas apenas programação de embarque de cargas. Podese tomar por exemplo o serviço prestado pela Rápido Resende Ltda.: Transporte de 27.000 kg de Ferro. Em regra eram serviços pontuais e medido por frete e não por hora ou outros elementos que denotem serem os trabalhadores o foco da relação contratual. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.633 13 Em tal contexto, não há como ter por configurada a cessão de mãodeobra necessária para o nascimento da obrigação em lide, seja para as competências anteriores a 07/2003 ou para as posteriores. Os serviços prestados, embora tenham obedecido certa continuidade até a finalização do contrato, não foram houve completa disposição, mas apenas em caráter casual e completamente condicional, ou seja, com a finalidade única do transporte do ferro. Deixando claro, assim, a posição infrequente do pacto das partes. Mesmo porque, não há nos autos notícia de outros contratos realizados pela empresa à Valesul. Notem ainda que as medidas de precificação estão vinculadas a elementos de carga e não à elementos pessoais, como horas de trabalho ou número de profissionais. Isso posto, voto por dar provimento ao Recurso quanto aos contratos de transporte de cargas. 3.3. TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. Nos contratos de transporte de passageiros, não assiste sorte ao apelante. Isso porque, como se depreende visivelmente dos contratos, houve completa disponibilidade dos funcionários das empresas de transporte, até mesmo com manutenção de linhas de horários específicos de saída e chegada. Disso denotase que houve, a bem da verdade, fornecimento de serviço específico e singular à Recorrente, o que envolveu a necessidade de todo aparato especial para execução (incluindo os motoristas à disposição). De igual modo, dado o prazo de longa vigência dos contratos (alguns com 11 aditivos), houve a formação da necessária continuidade dos serviços. Daí, temse que não só houveram contratos com cláusulas de recolhimento, que forçam a Recorrente a precedêlo, mas o mandamento legal quando da completa formação do conceito de cessão (e não somente de forma aparente). Assim se diz porque não é a mera aparência de cessão que coage ao pagamento da contribuição social, mas sim, caso a caso, a implicação e encadeamento dos serviços. É o mesmo que dizer que, como bem notado pela recorrente, não basta que o serviço esteja previsto no regulamento, mas que, além da presunção prevista no §4º, do art. 31, da Lei nº 8.212/91, tenham materialmente a cessão estabelecida. Nestes autos, muito embora a recorrente tenha tentado fazer prova em contrário, não houve sucesso. Com efeito, os argumentos lançados no apelo, em confronto com os documentos, acabaram por tornarse meras alegações, que não foram capazes de afastar o lançamento efetuado sobre as notas fiscais. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.634 14 Houve utilização de mãodeobra intensiva, constante e ininterrupta para a realização das atividades essenciais da recorrente, o que torna manifesto não ser apenas o equipamento (ônibus) que está como matéria contratada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao provimento do recurso em relação ao transporte de cargas. Segundo se observa no Discriminativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 5 a 23, o lançamento efetuado em relação ao transporte de cargas abarcou, tão somente, o período de 08/2000 a 05/2003, no qual ainda estava em vigor a regra consignada no art. 219, § 2º, inciso XIX, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/5/99, que assim dispunha: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. [...] § 2º Enquadramse na situação prevista no “caput” os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] XIX operação de transporte de cargas e passageiros; Cabe destacar que a alteração promovida no RPS, pelo Decreto 4.729, de 9/6/03, e que excluiu do inciso XIX o transporte de cargas, somente entrou em vigor em 10/6/03. A esse respeito, insta transcrevemos o seguinte trecho do relatório fiscal de fls. 142 a 152, no qual resta clara a atenção da autoridade lançadora quanto a essa alteração legislativa: Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 14489.000593/200849 Acórdão n.º 2402006.442 S2C4T2 Fl. 1.635 15 5.6. O parágrafo 42 do artigo 31 da Lei n2 8.212/91 estabeleceu algumas situações que se enquadravam como cessão de mãode obra, porém determinou que outras situações seriam estabelecidas em regulamento. Desta forma, a regulamentação da Lei n2 8.212/91, foi aprovada pelo Decreto n2 3.048/99, o qual estabeleceu no § 22 do artigo 219, diversas atividades sujeitas à retenção, na cessão de mãodeobra, deixando claro em seu item XIX, de maneira insofismável, que a operação de transporte de cargas e passageiros está sujeita a retenção prevista em Lei, situação que só veio a ser modificada com a promulgação do Decreto n2 4.729, de 09/06/2003, o qual alterou a redação do Decreto n2 3.048/99, retirando do inciso XIX do já referido artigo a operação de transporte de carga, mantendo apenas o transporte de passageiros. (Grifos no original) Também não vemos pertinência de se avaliar se a contratação estaria vinculada, especificamente, ao transporte de cargas ou à força de trabalho dos motoristas, como pretendido pelo Relator, uma vez que os contratos constantes dos autos são inequívocos quanto ao transporte de cargas e a legislação foi clara ao arrolar tal serviço como sujeito à retenção de 11%, no período abrangido pelo lançamento. Por fim, oportuno esclarecer que a parcela do lançamento, referente ao período de 06/2003 a 10/2004, diz respeito apenas ao transporte de passageiros, cuja exação foi mantida pelo Relator. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723971/2012-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
Não restando comprovado que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário, impõe-se a manutenção da glosa levada a cabo pela fiscalização.
Numero da decisão: 9202-007.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. Não restando comprovado que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário, impõese a manutenção da glosa levada a cabo pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 71 /2 01 2- 39 Fl. 279DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao anocalendário de 2009, acrescido de juros de mora e multa de ofício, no percentual de 75%, no qual foram apontadas as seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; b) dedução indevida com dependente; c) dedução indevida com despesas médicas; d) dedução indevida de pensão judicial e/ou por escritura pública; e) dedução indevida de despesas com instrução; e f) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em sessão plenária de 08/06/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.997 (fls. 198 a 208), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (RRA) E DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, os valores relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), bem como as decisões judiciais que determinavam o pagamento de pensão alimentícia, ainda que em fase recursal, deve ser admitida a juntada dos comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS NOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. De acordo com o §2º do art. 12A da Lei nº 7.730/88, "poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS À TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10530.723971/201239 Acórdão n.º 9202007.267 CSRFT2 Fl. 280 3 São dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 96.957,42 e afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 33.159,05." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 209) e, em 30/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 216), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 210 a 215, rejeitados conforme despacho de 14/08/2017 (fls. 218 a 220). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 16/08/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 221) e, em 21/08/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 222 a 239 (Despacho de Encaminhamento de fls. 240), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia a Edinélia Menezes de Oliveira. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 13/10/2017 (fls. 242 a 249). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: pela interpretação sistemática dos arts. 4º, inciso II, 8º, inciso II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, e art. 78, §§4º e 5º, do RIR/99, observase que a legislação tributária admite a dedução, da base de cálculo, das pensões alimentícias pagas pelo Contribuinte, contudo com certas limitações, abarcando somente os valores efetivamente pagos, cujo ônus probatório, por se tratar de dedução do imposto legalmente devido, cabe ao sujeito passivo; cabe ao autuado o ônus de comprovar o efetivo pagamento dos valores determinados na decisão judicial a título de pensão alimentícia à beneficiária, relativos ao ano calendário a que se reporta o lançamento; as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: comprovação do efetivo pagamento aos alimentandos; e que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual; observese, portanto, que a dedução do valor da pensão alimentícia somente é possível quando o pagamento se dá em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente; Fl. 281DF CARF MF 4 portanto, a simples menção a esse valor no informe de rendimentos não prova, por si só, o direito do Contribuinte; no caso, foram apresentadas como prova apenas a averbação da separação no Cartório de Registro Civil, documento que não se subsume ao conceito de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; além disso, no documento não consta a fixação da pensão alimentícia, seu valor, termos e condições; nesse contexto, o informe de rendimentos, ainda que pudesse ser considerado, apenas retrataria o pagamento de valores a título de liberalidade, não sendo suficiente para demonstrar que se encontrava totalmente escorado em instrumento firmado por ou perante o Poder Judiciário; no caso, fica claro que os requisitos previstos na Lei nº 9.250, de 1995, para a dedução da pensão alimentícia, não foram observados, razão pela qual o acórdão recorrido merece reforma, devendo ser restabelecido o lançamento. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/11/2017 (AR Aviso de Recebimento de fls. 256), o Contribuinte apresentou, em 19/12/2017 (carimbo aposto às fls. 262) o requerimento de fls. 262 a 265, denominado "Recurso Voluntário", não conhecido conforme despacho de 31/01/2018 (fls. 271 a 273). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Embora a autuação tenha envolvido várias infrações, o presente recurso trata apenas da dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia a Edinélia Menezes de Oliveira. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, a Lei nº 9.250, de 1995, assim dispõe: "Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10530.723971/201239 Acórdão n.º 9202007.267 CSRFT2 Fl. 281 5 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;" (grifei) O Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), nos termos do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, bem como a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º) § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentandos; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificativa para as despesas objeto de dedução, com o fim de verificar sua efetiva ocorrência, bem como o atendimento aos requisitos prescritos em lei. Destarte, caso o pagamento dessas despesas não reste comprovado ou se constate a ausência de outras condições legalmente estabelecidas, as deduções podem ser glosadas, por meio do respectivo lançamento. O Contribuinte informa que a pensão paga a Edinélia Menezes de Oliveira decorreria de decisão judicial e, no intuito de comprovar essa informação, apresenta comprovantes de rendimentos anuais pagos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, documento de separação judicial e cópia de Processo de Mudança de Agência e de Conta Fl. 283DF CARF MF 6 Corrente para Crédito da Pensão Alimentícia da referida beneficiária, obtido no setor de arquivo da UFBA. Do exame dos documentos carreados aos autos, verificase que não há qualquer elemento de prova apto a atestar que a pensão que o sujeito passivo afirma pagar a Edinélia Menezes de Oliveira decorra de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, consoante determinação contida no inciso II do art. 4º e na alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995. Assim, o valor de R$ 17.004,64 não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPF, visto que não restou demonstrado tratarse de pensão alimentícia decorrente do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001568/2010-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ferir princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ferir princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. Súmula CARF nº2.
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente LUCAS NARDELLI MONTEIRO DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ferir princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. Súmula CARF nº2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 15 68 /2 01 0- 46 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 173 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 18/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2006. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$11.281,05 para saldo de imposto a pagar de R$19.101,50. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$28.438,00, consignando (fl.21): O contribuinte foi convocado através do Termo de Intimação Fiscal nº 306/2009, recepcionado em 16/11/2009, a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a titulo de despesas médicas, bem como a efetividade da entrega dos recursos despendidos para este fim, em relação aos seguintes profissionais: Flavio Narciso Carvalho (R$ 7.364,00), Patricia de Castro Daibert (R$ 7.634,00), Renata de Andrade Costa Vieira (R$ 3.640,00) e Talita Villanova Figueiredo (R$ 9.800,00). Em.03/12/2009, solicitou concessão do prazo de 30 (tinta) dias para apresentação dos documentos relativos aos pagamentos das referidas despesas médicas. Não tendo atendido até a presente data, cabe a glosa desses valores. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 5/5/2010, a NL foi objeto de impugnação, em 28/5/2010, à fl. 2/63 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: 1) Quando intimado pelo Fisco, apresentou os recibos, “originais e respectivas cópias”, dos pagamentos das despesas médicas havidas no anocalendário de 2005; 2) A Fiscalização não fundamentou especificamente as razões para desconsiderar os recibos apresentados, “os quais, frisese, preenchem todos os requisitos exigidos pela legislação”; 3) A legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Física não condiciona a comprovação dos valores deduzidos a título de despesas médicas por meio de documentação bancária; 4) “Na verdade tratase de uma faculdade (uma alternativa) para o contribuinte e não pode, com a devida vênia, ser uma condição imposta pela Receita Federal, não prevista em lei, para homologar as deduções das despesas médicas do imposto de renda”; 5) O impugnante, em virtude de suas atividades profissionais, tem por hábito efetuar seus pagamentos em espécie “e foi exatamente dessa forma que Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 174 3 procedeu relativamente ao adimplemento de suas despesas médicas no anocalendário de 2005”; 6) “Não se pode, portanto, obrigar que o impugnante apresente determinada documentação bancária, a qual o mesmo não esteve e não está obrigado, seja por Lei ou por qualquer outro instrumento normativo, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade”; 7) Quanto à aplicação da multa de ofício sobre a exigência fiscal, “a União Federal está a impor gravame abusivo e, desta forma, confiscando o patrimônio do impugnante, não obstante a proibição expressa veiculada no texto constitucional, qual seja, o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal”. Para corroborar seus argumentos, o interessado cita ementas de vários Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 143/149): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES.DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/5/2013 (fl. 152), o contribuinte, em 21/6/2013 (fl. 154), por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 154/169, no qual alega, em apertado resumo, que: teria apresentado a documentação hábil a comprovar as despesas médicas informadas em sua declaração de ajuste, qual seja, os recibos emitidos pelos profissionais. a fiscalização não teria fundamentado a razão para desconsiderar os recibos juntados, os quais preencheriam os requisitos exigidos pela legislação. a autoridade fiscal não poderia recusar os documentos apresentados. a faculdade para o contribuinte comprovar a despesa por meio de cópia de cheque nominal não poderia ser imposta pelo Fisco. caberia ao Fisco fundamentar a desconsideração dos documentos apresentados e motivar a exigência de elementos adicionais. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 175 4 no caso, o Fisco não teria questionado a idoneidade dos documentos e a veracidade das informações neles contidos, não se sustentando a exigência de elementos complementares aos recibos. em decorrência de sua atividade profissional, teria por hábito efetuar pagamentos em espécie, inexistindo no ordenamento pátrio impedimento a essa prática. também seria indevida a exigência de saques compatíveis com as despesas declaradas. a exigência de apresentação de documentação bancária seria ilegal. a multa de ofício aplicada seria abusiva e de caráter confiscatório, indo contra o texto constitucional. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 176 5 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 177 6 termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento o interessado não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. É certo que inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 178 7 O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimado a apresentar comprovação da efetiva prestação do serviço bem como da entrega dos recursos (fl.66), o recorrente limitou se a juntar os recibos emitidos (fls.25/63). Percebese nitidamente que o recorrente, que observo ser médico, não se esforçou para trazer a prova exigida. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, cumpre transcrever a Súmula CARF no 2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o imposto suplementar calculado pela fiscalização, foi aplicada multa de ofício proporcional de 75% (setenta e cinco por cento), com esteio no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) O texto legal transcrito determina expressamente que, nas hipóteses de falta de pagamento ou recolhimento e declaração inexata, a multa de lançamento de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de tributo é de 75%. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10640.001568/201046 Acórdão n.º 2002000.484 S2C0T2 Fl. 179 8 Dessa forma, não cabe à autoridade fiscal negar aplicação à lei, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme prevê o art. 142, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.904112/2009-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.072
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, a fim de que se aprecie a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803-00.109, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram do recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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(assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 04 11 2/ 20 09 -3 4 Fl. 217DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 217 ___________ Relatório Tratase de recurso especial (efls. 121/139) interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1802001.568, da sessão de 06 de março de 2013 (efls. 108/119), proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário interposto pela EMPRESA BRASILEIRA DE LOCAÇÃO E TRANSPOR ("Contribuinte"). Discutese reconhecimento de direito creditório. Foi encaminhado PER/DCOMP pela Contribuinte visando o aproveitamento de créditos decorrentes de pagamento a maior efetuado em DARFSIMPLES. Despacho eletrônico da DRF/NatalRN não homologou a compensação pleiteada porque o pagamento fora integralmente utilizado na extinção do débito de SIMPLES que constava nos sistemas internos. Em manifestação de inconformidade, aduziu a Contribuinte que foi transmitida declaração retificadora IRPJSIMPLES (posteriormente à ciência do despacho decisório), no qual informou a Contribuinte que teria apurado incorretamente o tributo devido porque aplicou alíquotas destinadas à prestação de serviço, quando na realidade sua atividade consiste em locação de automóveis e ônibus de passeio, que seriam operações de natureza comercial. A primeira instância (DRJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A decisão discorre que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do despacho decisório, e se a retificação de declaração do SIMPLES foi efetuada posteriormente à ciência da decisão caberia à Contribuinte fazer a prova do erro alegado, mediante apresentação de documentação. Manifestouse também no sentido de que, no contrato social da empresa, consta atividade de "Locação de automóveis e ônibus com motorista e Locação de automóveis e ônibus sem motorista". Entendeu que no caso da locação de bens móveis sem motorista, de fato não haveria que se falar em prestação de serviços, conforme já decidido pelo STF (Súmula Vinculante nº 31). Contudo, no caso de locação com motorista, haveria incidência de prestação de serviços, com alíquota diferenciada no SIMPLES. E nos autos não consta que a Contribuinte tivesse efetuado a segregação de receitas auferidas de locação com motorista e locação sem motorista. Conclui no sentido de que mesmo que tivesse a Contribuinte apresentado a declaração retificadora antes do despacho decisório, não caberia revisão, por falta de provas. Foi interposto recurso voluntário, apreciado pela Turma Especial da 1ª Seção do CARF, decidindo no sentido de darlhe provimento, nos termos da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 30/11/2004 LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL COM OU SEM MOTORISTA.SIMPLES Constituindose a receita bruta da pessoa jurídica da locação de veículos, com ou sem motorista, não se aplicam os percentuais Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10469.904112/200934 Resolução nº 9101000.073 CSRFT1 Fl. 218 3 referidos no art. 5o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pela Lei no 9.732, de 11 de dezembro de 1998 com o acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) previsto no artigo 2º da Lei nº 10.034 de 24/10/2000, com as alterações posteriores, por não se configurar receita decorrente de prestação de serviços. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação/PERDCOMP, ainda que para a demonstração do crédito a Declaração Simplificada IRPJSIMPLES Retificadora seja apresentada após a emissão do despacho decisório eletrônico expedido pela autoridade administrativa. Reconhecido o direito creditório a favor da contribuinte inexiste óbice para homologação da compensação declarada no PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos O voto da decisão recorrida entendeu que o contrato de locação de veículos com motorista não configura locação de mão de obra, e tampouco desnatura do contrato de locação de bem móvel. Assim, não haveria diferença entre a locação de automóveis com ou sem motorista, e, não sendo prestação de serviços, não caberia a alíquota majorada do SIMPLES. Assim, partindo de tal premissa, e analisando a declaração da Contribuinte, entendeu que restou comprovada a existência do direito creditório pleiteado. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando os paradigmas nº 10517.143 e 280300.109. Aduz que o primeiro paradigma entendeu pela impossibilidade de inovação da lide no caso de demonstração extemporânea do crédito. Assim, não caberia a análise de documentação probatória após a decisão administrativa que indeferiu o crédito, ou seja, discorre sobre o momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração. Sobre o segundo paradigma, discorre que a decisão firmou entendimento no sentido de que, após o despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a apresentação de declaração retificadora deveria estar acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o erro de preenchimento. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 166/171) deu seguimento ao recurso especial. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10469.904112/200934 Resolução nº 9101000.073 CSRFT1 Fl. 219 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo ao exame da admissibilidade. O recurso especial pretender devolver para a discussão do presente Colegiado duas matérias de ordem processual: A primeira, tendo como referência o paradigma nº 10517.143, diz respeito à impossibilidade de, em sede de processo de reconhecimento de direto creditório, se apreciar documentação probatória apresentada posteriormente, após a decisão administrativa que indeferiu a compensação. Transcrevo paradigma e excerto do recurso: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 Ementa: LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida. ............................................................................................................ Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior, o acórdão paradigma entendeu por essa impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. Para a demonstração da divergência jurisprudencial, partese do referencial de que o paradigma ora apresentado entende pela impossibilidade de inovação da lide no sentido de demonstração extemporânea do crédito. Consoante se demonstrou, ficou assente a tese de que, “O erro alegado, se comprovado, é perfeitamente passível de retificação, mas os direitos creditórios daí oriundos não mais podem Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10469.904112/200934 Resolução nº 9101000.073 CSRFT1 Fl. 220 5 ser apreciados no presente processo”. Tratase, portanto, de momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração, tal como no presente caso. Ou seja, após a emissão do despacho decisório que indeferiu o direito creditório, teria restado precluso o direito de apresentar documentação probatória, inclusive em relação à retificação da declaração. A segunda matéria, tendo como referência o paradigma nº 280300.109, discute outra situação, no qual, uma vez publicado o despacho decisório, poderia ser admitida a apresentação de declaração retificadora, desde que acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. E, no caso dos presentes autos, teria sido apresentado apenas a retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, que a decisão recorrida considerou suficiente para retificar a declaração e reconhecer o direito creditório. Segue ementa e excerto do recurso: Ementa(s) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. .............................................................................................................. De um lado, o Colegiado a quo reconheceu o direito creditório, superando a conclusão da DRJ de origem no sentido de que “a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do Despacho Decisório, pois a disponibilidade do crédito suplicado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, cabia à interessada o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. A simples retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI , desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações veiculadas em sede de manifestação de inconformidade”. Por outro lado, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em decisão consubstanciada no acórdão nº 280300.109, firmou o entendimento de que caberia ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da declaração (que naquele caso tratavase de DCTF, em contraponto ao presente feito, que trata de DIPJ), do qual resultaria seu indébito. Enquanto no primeiro paradigma, descartase por completo a possibilidade de a declaração retificadora apresentar documentação probatória em momento posterior à emissão do despacho, por preclusão processual, no segundo paradigma, admitese a apresentação de documentação probatória em sede de declaração retificadora. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10469.904112/200934 Resolução nº 9101000.073 CSRFT1 Fl. 221 6 Ocorre que o despacho de exame de admissibilidade efetuou a análise apenas de primeira matéria, como se pode observar o excerto transcrito: Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos apontados como paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de inovação na matéria objeto de análise pelo despacho decisório, onde o crédito declarado em DCOMP apenas foi demonstrado em data posterior à sua apresentação. Ou seja, segundo as informações da DIPJ no momento da apresentação da DCOMP, o referido direito creditório invocado não era líquido e certo, somente sendo objeto de demonstração em momento ulterior à apresentação da DCOMP. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigmas) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido entendeuse pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior. Por sua vez, os acórdãos paradigmas manifestaramse pela impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. (Grifei) Não obstante a citação em plural, "os acórdãos paradigmas", o que se observa é que foi apreciada apenas a matéria trazida pelo paradigma nº 10517.143, inclusive com transcrição da redação do recurso especial sobre o assunto. O despacho de exame de admissibilidade não apreciou a segunda matéria, posta no paradigma nº 280300.109. No caso, aduziu a recorrente que decisão recorrida teria acatado a declaração retificadora amparada na retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, e que o paradigma teria entendido que a declaração retificadora, para lastrear o direito creditório, deveria estar lastreada por documentação probatória. A apreciação da divergência posta pela recorrente deve ser efetuada em sede de despacho de exame de admissibilidade, falecendo ao presente Colegiado,no presente momento processual, efetuar o exame da divergência aduzida. Tratase de competência do presidente da câmara recorrida, conforme art. 68, § 1º do Anexo II do RICARF: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10469.904112/200934 Resolução nº 9101000.073 CSRFT1 Fl. 222 7 § 1º Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar lhe seguimento. Uma vez efetuado o exame de admissibilidade da matéria pelo presidente da câmara, caso seja negado seguimento, cabe apresentação de agravo. E, sendo admitida a matéria, passase à apreciação do presente Colegiado, que poderá avaliar novamente a admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para devolução dos autos para a câmara recorrida, visando a elaboração de despacho de admissibilidade complementar, para apreciar a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803 00.109. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 223DF CARF MF
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