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Numero do processo: 10880.953410/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 0/ 20 09 -9 7 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de PIS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal de PIS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.953410/200997 Resolução nº 3401001.531 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723215/2016-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
NULIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA JULGADORA.
A falta de apreciação de impugnação apresentada por responsável solidário implica supressão de instância e cerceamento do direito de defesa, devendo a decisão de primeira instância ser anulada.
Numero da decisão: 3201-004.398
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado por OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB, para anular o acórdão recorrido e determinar que outro seja proferido, com a apreciação de todas as razões de defesa apresentadas por todos os sujeitos passivos. O Recurso de Ofício ficou prejudicado, por isso não houve julgamento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrentes VIA ITÁLIA COM E IMP DE VEÍCULOS FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 NULIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA JULGADORA. A falta de apreciação de impugnação apresentada por responsável solidário implica supressão de instância e cerceamento do direito de defesa, devendo a decisão de primeira instância ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado por OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB, para anular o acórdão recorrido e determinar que outro seja proferido, com a apreciação de todas as razões de defesa apresentadas por todos os sujeitos passivos. O Recurso de Ofício ficou prejudicado, por isso não houve julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 32 15 /2 01 6- 30 Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.680 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, no valor total de R$ 108.844.753,29. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em julgamento o auto de infração de fls.2 a 29, que exige da contribuinte o montante de R$ 108.844.753,29, assim discriminado: IPI: R$ 36.666.065,28 MULTA: R$ 56.699.064,85 JUROS: R$ 15.479.623,16 A razão de existência do lançamento foi minuciosamente descrita no TVF de fls.34/130, dele sendo possível extrairse a seguinte síntese: Trata o presente relatório da ação fiscal realizada na empresa VIA ITÁLIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 07.638.845/000156, com sede na Rua Major Paladino, 128, Galpão 2, Vila Ribeiro de Barros, São Paulo/SP, CEP:05.307 000, doravante denominada fiscalizada e/ou contribuinte. O presente procedimento visa demonstrar que o contribuinte engendrou um modelo simulado e fraudulento, tendo como propósito única e exclusivamente a economia de tributos, incorrendo em sonegação fiscal. Constatouse, ademais, a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”) e ocultação de bens com vistas à blindagem patrimonial. Inicialmente, o procedimento tinha como escopo analisar os procedimentos da fiscalizada no que tange à apuração do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI em concordância com a legislação correlata em relação aos anoscalendário de 2011 a 2013. Entretanto, no curso dos trabalhos foram evidenciados fortes indícios de confusão patrimonial com outra pessoa jurídica, a AUTO ROSSO, CNPJ 11.603.916/000152. De fato, a VIA ITÁLIA e a AUTO ROSSO são uma única empresa, tendo sido a primeira fragmentada, com propósito único e exclusivo, a economia de tributos com redução da carga tributária de maneira evasiva e simulada. Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.681 3 ........................................................... A fiscalizada é uma das empresas do GRUPO VIA ITÁLIA, que atua na importação e comércio de veículos, mormente das marcas FERRARI, MASSERATI e LAMBORGHINI, com distribuição para todo Brasil. É representante oficial dessas marcas no país e comercializa tanto veículos novos como usados. A empresa atua no mercado interno desde 2005, como representante oficial e exclusiva no país das marcas mencionadas, importando os veículos da Itália e, posteriormente, comercializandoos ao consumidor final no Brasil. Em 2010, foi criada a empresa AUTO ROSSO, inscrita no CNPJ sob nº 11.603.916/000152, com domicílio fiscal à Rua Tabapuã, 594, sala 76, Itaim Bibi, São Paulo/SP, que se tornou a principal cliente da VIA ITÁLIA, recebendo quase a totalidade de suas vendas. Desta forma, os veículos importados pela VIA ITÁLIA eram vendidos à AUTO ROSSO por um preço bastante abaixo do valor de mercado. Sua formação consistia, basicamente, do valor de importação acrescido das despesas e tributos incidentes e uma pequena margem de lucro, a despeito de tal margem ser omitida no contrato entre as duas empresas. A AUTO ROSSO, então, promovia a “revenda” ao consumidor final. ........................... O fluxo da transação comercial funcionava, naquele momento, da seguinte forma: • A VIA ITALIA, representante oficial e exclusiva, importava os automóveis das 3 marcas; • Repassava para a AUTO ROSSO pelo custo da importação acrescido das despesas e pequena margem de lucro; • A AUTO ROSSO revendia ao cliente final, livre de IPI. ...................................... Assim, considerandose toda a cadeia negocial, os valores apurados a título de IPI são bastante reduzidos tendo em vista que a base de cálculo é, igualmente, menor. Entretanto, foram verificados fortes indícios, que serão apresentados no decorrer deste relatório, de que ambas empresas funcionavam, efetivamente, como uma mesma empresa. Na verdade, suas operações eram vendas de produtos importados diretamente ao consumidor final, e não “revendas”, como querem fazer parecer. Por meio dessa simulação de autonomia das partes, quebravase a cadeia do IPI, incorrendo em sonegação fiscal. ......................................... Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.682 4 Os endereços das duas pessoas jurídicas VIA ITÁLIA e AUTO ROSSO se confundiam. As filiais de ambas se alternavam em alguns endereços: Avenida Brasil, 1769; Avenida Europa, 110; Rua Colômbia 635 e Avenida Cidade Jardim 671. Esses fatos são constatados facilmente em diligências, em informações obtidas na internet, nos cadastros internos constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB, ou mesmo, nos próprios atos constitutivos das duas empresas. ...................................... 3.2.1. Da VIA ITÁLIA Inicialmente, por ocasião de sua constituição, em 06/09/2005, o quadro social da VIA ITÁLIA era composto por: • Igor Daniel Quirino Louzada Ocon, CPF 223.865.31805, com 40% do Capital • Thomas Schuette, CPF 320.995.10806, com 60% do Capital Em análise à capacidade econômica e ao histórico dos dois sócios fundadores da Via Itália podese afirmar, inequivocamente, que se tratam de duas interpostas pessoas (“laranjas”). .......................................... 3.2.2. Da AUTO ROSSO Segundo o Contrato Social registrado na JUCESP, a empresa AUTO ROSSO foi constituída em 7 de janeiro de 2010, tendo como objeto social o comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários novos e usados e de peças e acessórios. Com capital social de R$ 600.000,00 o Quadro Social foi assim composto: • ITALIAN AUTO IMPORTS LLC, com 99,5% do capital social; • JOSÉ EDUARDO DE ASSIS ALVES, com 0,5% de participação no capital. A pessoa jurídica ITALIAN AUTO IMPORTS LLC, CNPJ 14.671.680/000180 é a sócia majoritária da sociedade e é uma “offshore” estabelecida em DELAWARE/USA, em 3411 Silverside Road, Rodney Building # 104. Representa a ITALIAN AUTO IMPORTS, atuando como administrador da AUTO ROSSO, o Sr. Francisco Longo (Anexo 33). .................................... Ou seja, semelhante ao que ocorre com a Loctan, sócia majoritária da VIA ITÁLIA, a ITALIAN AUTO IMPORTS, sócia majoritária da AUTO ROSSO, também parece não operar de fato, tratandose de uma empresa “de fachada” utilizada, Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.683 5 meramente, com propósito de ocultação do real sócio beneficiário. Assim, o Sr. Francisco Longo, figura como REPRESENTANTE da ITALIAN AUTO IMPORTS e como ADMINISTRADOR da AUTO ROSSO. ...................................... Assim, à luz do exposto, podese concluir que, de fato, as duas empresas, VIA ITÁLIA e AUTO ROSSO encontramse intrinsicamente interligadas, senão vejamos: • A sócia administradora da VIA ITÁLIA, a Sra. Rosela Siropulos Longo Barbosa também é sócia da AUTO ROSSO e é irmã do Sr. Francisco Longo que é o responsável legal e sócio administrador da AUTO ROSSO, e, notoriamente conhecido como "dono" VIA ITÁLIA"; • As sócias majoritárias da VIA ITÁLIA e da AUTO ROSSO são empresas off shore “de fachada” constituídas com propósito de ocultação do real beneficiário; • Os procuradores da LOCTAN LLC, sócia majoritária da VIA ITÁLIA, eram advogado de ambas empresas, o Sr. Rodney Bassanelli e o Sr. Abrão Jorge Miguel Neto. ................................... 4.2. Contrato Cessão – imóvel Avenida BRASIL nº 1.769 (Anexo 51) A empresa Auto Rosso Comércio de Veículos Ltda, em atendimento ao Termo de Intimação 1 apresentou os contratos de aluguel dos imóveis ocupados por seus estabelecimentos nos anos de 2012 e 2013, dentre os quais o imóvel sito à Avenida Brasil, 1769, sede da empresa Auto Rosso à época, conforme já mencionado. Para tanto, a diligenciada apresentou cópia do documento intitulado “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos de Locação de Imóvel para Fins comerciais”, celebrado entre a cedente e locatária, Via Itália Com. de Imp. de Veículos Ltda, sendo cessionária a Auto Rosso e a proprietária anuente e locadora, a empresa Ugly Negócios Imobiliários Ltda. Tratase de um contrato particular de cessão não onerosa do imóvel sito à av. Brasil, 1769, Jardim América, São Paulo/SP, assinado em 01/03/2010, com vigência de 40 meses, sem firmas reconhecidas, sem a assinatura de testemunhas e sem garantia. Observase, inclusive, que a denominação social da proprietária do imóvel objeto deste contato está grafada de forma incorreta, pois à época da assinatura do contrato março de 2010 denominavase “Ugly Assessoria Empresarial Ltda.”, só vindo a Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.684 6 denominarse “Ugly Negócios Imobiliários Ltda”, como consta de seu preâmbulo, mais de dois anos e meio após a assinatura deste contrato, a partir da 7ª Alteração Contratual, de 17 de outubro de 2012. Tal fato levanta o indício de que se está diante de um contrato pósdatado. Esta ‘displicência’ jurídica quanto à forma deste contrato particular, sem firmas reconhecidas, sem testemunhas identificadas etc e conteúdo erros de redação em termos importantes, como a denominação social da proprietária do imóvel demonstra a total despreocupação das partes envolvidas com o risco de que tal contrato não fosse honrado e que eventualmente pudesse ser contestado judicialmente. Perde, neste contexto, a fidedignidade e, consequentemente, é desprovido da serventia de resguardar as partes, que lhe seria própria. Assim como padece de veracidade o próprio objeto deste contrato: a cedência de um imóvel de alto valor comercial a título gratuito a terceiros em um dos bairros mais nobres da cidade de São Paulo, notoriamente um dos metros quadrados mais caros do Brasil. Quanto à falta de firmas reconhecidas, sem testemunhas identificadas etc, podese afirmar que não são meras “formalidades”, pois tais requisitos têm a sua razão de ser juridicamente, na eventualidade, como acima afirmado, de tal contrato vir a ser contestado judicialmente. As assinaturas dos representantes de cada empresa parte do negócio, ao final do contrato, costumam ser reconhecidas em cartório, principalmente a parte que tem a obrigação, de pagar por algo. Em alguns casos, exigese, inclusive, que as assinaturas sejam reconhecidas por autenticidade, isto é, que o representante da parte assine em frente a um tabelião público, ou na frente de um preposto dele. Tal cautela evita que, em juízo, a parte alegue, geralmente o devedor, que não assinou o contrato, que sua assinatura é falsa. Ou, então, alegue um vício de vontade, que o assinou, por exemplo, sob coação, por isso a exigência das firmas reconhecidas por autenticidade. Além, é claro, de o tabelião certificar a data em que tal assinatura foi autenticada por ele. Já com a assinatura de duas testemunhas identificadas (não basta o nome, exigese o número do CPF ou RG) o contrato ganha o status de título executivo extrajudicial. Tal status dá a esse contrato mais garantia ao credor e certa celeridade ao executálo judicialmente. A ideia é que estas pessoas possam ser chamadas em juízo para confirmar o testemunho da assinatura do contrato. Além disso, é usual que esses negócios jurídicos tenham garantia real ou pessoal, um fiador, para na eventualidade de tal contrato vir a ser executado judicialmente, o fiador, ou o bem dado em garantia, possa vir a garantilo. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.685 7 Como se pode ver, tais cautelas se tornam úteis, principalmente em juízo, na eventual inadimplência ou quebra contratual. Como as partes deste contrato, em realidade, são apenas uma, segmentadas artificiosamente, tais cautelas perdiam o sentido, visto que esse contrato jamais viriam a ser executado judicialmente. Da análise deste contrato, concluise, portanto, pela existência de outro contrato, este de locação entre a fiscalizada, Via Itália, e a proprietária do imóvel, a empresa Ugly Negócios Imobiliários Ltda. Entretanto, mesmo a VIA ITÁLIA tendo sido intimada, de forma reiterada, (por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 6, 7 e 8 Anexos 43, 46 e 47) a apresentar o contrato de locação do imóvel sito à av. Brasil, 1769, Jardim América, São Paulo/SP, e os respectivos comprovantes de pagamento referentes a 2012 e 2013, abstevese de assim o fazer, alegando “não possuir estabelecimento àquela época neste endereço” (Anexo 52). Reintimada mais uma vez, a fiscalizada solicitou prorrogação do prazo para atendimento que foi concedido. Ou seja, após abster se duas vezes seguidas de atender ao objeto das intimações, solicita protelação do amplo prazo que lhe foi concedido. Contudo, apesar da VIA ITÁLIA não ter apresentado dito contrato, em consulta à ECD Escrita Contábil Digital da fiscalizada, anocalendário 2012, foram constatados 88 lançamentos na conta contábil de despesa “Aluguel – 410101000041101”, no valor total de R$ 3,134 milhões, 87 deles com o histórico “Pagto para Ugly Assessoria Empresarial ref. a aluguel do imóvel Jardim América”, cujas contrapartidas a crédito foram as contas de ativo “Bco Bradesco S/A – C/01 – 110201130011214” e “Bco Bradesco S/A – C/02 – 110201140011215. Tal fato denota, portanto, que a fiscalizada fez pagamentos à empresa Ugly Assessoria Empresarial Ltda. referente a um imóvel sito no Jardim América. Embora a Auto Rosso tenha apresentado o contrato de “Cessão” assinado entre as três partes, Via Itália, Auto Rosso e Ugly, podese afirmar, com base no princípio da primazia da essência sobre a forma, isto é, os fatos contábeis devem ser contabilizados com base em sua substância e realidade econômica e não meramente como se apresentam formalmente, que houve confusão patrimonial entre a Via Itália e Auto Rosso, uma vez que a Via Itália, de fato, pagou os aluguéis para a Auto Rosso, pelo menos no ano de 2012, sem contrapartida alguma por parte desta. ............................... 7. Da Ocultação Patrimonial Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.686 8 Do exposto, constatase que houve uma segmentação de atividades, receitas e ativos entre as empresas “operacionais” do grupo, sendo a Via Itália, importadora de automóveis do grupo, e a Auto Rosso, revendedora do grupo, até 2015, quando praticamente deixou de operar. Com efeito, a empresa Ugly Negócios Imobiliários Ltda. faz as vezes de empresa patrimonial do grupo, com fins de blindagem patrimonial, uma vez que, em regra, os fatos geradores são atribuíveis às empresas operacionais do grupo, Via Itália e Auto Rosso. Mais recentemente foi constituída outra empresa, a Escuderia, também de caráter “operacional”. Os imóveis que fazem parte do capital social da Ugly pertencem a Francisco Longo, que os transferiu à Ugly de forma fraudulenta, simulando a venda para um terceiro (“laranja”), que era sócio da Ugly, e os utilizou para integralizar capital social da Ugly. Outros dois imóveis, que eram também de propriedade de Francisco Longo, foram transferidos à Ugly, por meio do irmão de uma sócia do contador e também sócio administrador da Ugly, de tal modo que, atualmente, Francisco Longo não tem mais imóveis em seu nome. Evidentemente, Francisco Longo tem procuração da Ugly (Anexo 61) com poderes de administrador. Além disso, a empresa Ugly Negócios Imobiliários Ltda tem em seu quadro social, como acima citado, Omar Mohamed Marcondes Dib, o contabilista do grupo destas empresas. ...................................... 8. Conclusões Face o exposto, podese afirmar que se verifica no caso concreto a ocorrência de: • Confusão de Endereços; • Confusão de Quadro Societário, conexões com parentesco entre sócios; • Uso de “laranjas” e empresas off shore para ocultação do real beneficiário, com procurações conferindo amplos poderes de administração ao Sr. Francisco Longo; • Existência de empresas “de prateleiras” (offshore) como sócias majoritárias (99,5% do capital social) de ambas pessoas jurídicas, Via Itália e Auto Rosso; • Procuradores das off shore são os advogados empregados das duas empresas; • Unidade de Gestão; • Constatação de contratos simulados e/ou forjados entre as empresas; • Despesas de aluguel da Auto Rosso suportadas pela Via Itália; Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.687 9 • Notório conhecimento de que a representante exclusiva das marcas é a Via Itália (Ferrari, Maserati e Lamborghini); e • Ocultação patrimonial com venda de bens com utilização de operações simuladas em triangulação com interpostas pessoas e blindagem do patrimônio na empresa “Ugly”. Com base nessas constatações, podese inferir, com relação à Via Itália e à Auto Rosso, a ocorrência de: • Confusão Patrimonial; • Simulação – duas pessoas jurídicas constituídas apenas formalmente; de fato, uma única empresa; • Fraude; • Liame inequívoco entre a duas, ensejadores de solidariedade tributária; • Abuso da Pessoa Jurídica; • Blindagem Patrimonial. Isto posto, diante dos fortes elementos demonstrados de confusão patrimonial, podese afirmar que a “engenharia” articulada entre as duas empresas VIA ITÁLIA e AUTO ROSSO é mera simulação, portanto, de forma fraudulenta, tratandose, de fato, de uma única empresa. Portanto, para efeitos de constituição do crédito tributário relativo ao IPI assim devem ser consideradas ambas empresas, uma única, para fins tributários, e, por conseguinte, devem ser lançados de ofício os valores que deixaram de ser apurados no “modelo” utilizado pelas duas pessoas jurídicas apenas existentes formalmente. Haja vista a ocorrência de fraude com abuso da pessoa jurídica, devem ser responsabilizados os sócios de ambas empresas bem como o contador que atuou como protagonista em todas as operações fraudulentas. À luz da ocorrência de ocultação patrimonial, por parte dos sócios e contadores, além da responsabilização dos mesmos, deve ser responsabilizada, principalmente, a empresa PATRIMONIAL onde se localizam os BENS. Dessa forma, devese efetuar o lançamento dos valores correspondentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI que deixaram de ser apurados pela VIA ITÁLIA na qualidade de real vendedora final dos veículos importados. 9. Enquadramento Legal Assim dispõe o inciso VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.688 10 (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; ” .......................................... 10. Da Multa Qualificada A multa de ofício qualificada, de 150%, está prevista no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; .......................................... 11. Da Responsabilidade Tributária Reza o artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” .................................. Assim, conforme demonstrado no decorrer deste trabalho, à medida que foi verificada entre as empresas envolvidas a ocorrência de confusão patrimonial, unicidade administrativa (coincidência de administradores de fato), vinculação societária, fraude e blindagem patrimonial, caracterizando, portanto, o abuso da personalidade jurídica, podese afirmar que existe, entre as partes, interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Em se tratando de uma única empresa, ambas devem ser responsabilizadas em face do interesse comum. Nesses termos, procedese à responsabilização de tais pessoas, com base no artigo 124, I do CTN, da Via Itália, da Auto Rosso e da Ugly. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.689 11 ................................... Nesse sentido, consoante as informações constantes dos Contratos Sociais, por um lado, e, a identificação de as fraudes tendentes à ocultação do real beneficiário, bem como atuaram como gestores as seguintes pessoas físicas: Francisco Longo, CPF 053.772.20846; Ricardo Briz Casado, CPF 064.218.52807; Omar Mohamad Marcondes Dib, CPF 104.083.53848. Assim, por força do inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional, os sóciosadministradores, o contador responsável, e os procuradores com reais poderes de administração, todos citados no parágrafo anterior, devem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários constituídos neste procedimento fiscal. A Contribuinte insurgiuse contra o feito fiscal da forma seguinte: 10 – Ademais, temos por certo que os fatos apontados pela fiscalização, além de não servirem para justificar o entendimento que serve de fundamento para a lavratura do Auto de Infração ora impugnado, também, em última análise, não alterariam a sistemática, e, consequentemente, o próprio “quantum debeatur” do Imposto sobre Produtos Industrializados recolhidos. 11 – Isso porque, ao contrário do quanto consignado pela Autoridade Fiscal, os atos praticados pela VIA ITÁLIA junto à empresa AUTO ROSSO são totalmente legais e não visaram exclusivamente a economia do IPI, contrariando assim a afirmação de que as “para efeitos de constituição do crédito tributário relativo ao IPI assim devem ser consideradas ambas as empresas, uma única, para fins tributários, e, por conseguinte, devem ser lançados de ofício os valores que deixaram de ser apurados no modelo utilizado pelas duas pessoas jurídicas apenas existentes formalmente”. 12 – Some se à assertiva acima o fato de que, ainda que se admitam por verdadeiras as conclusões obtidas pela Fiscalização, o modelo de negócio praticado não contraria as disposições legais vigentes, sendo certo que a base de cálculo utilizada para o cálculo e recolhimento do IPI foi a determinada pela legislação, de sorte que não houve qualquer prejuízo ao erário como quer fazer crer a fiscalização. ................................... 23 – A legislação em vigor autoriza a autoridade administrativa a desqualificar atos e negócios praticados pelo contribuinte com o intuito de dissimular seja a ocorrência do fato gerador do Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.690 12 tributo, seja a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 24 – Importante salientar que o ônus da prova da simulação cabe à administração pública, pois, como é cediço, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento. 25 – Com efeito, é indispensável para qualquer lançamento tributário a prova dos fatos e dos atos efetivos, inclusive quando se pretender invalidar uma tentativa de planejamento tributário que possa ser caracterizada como evasão fiscal ilícita. 26 – Destarte, não obstante a pretensão do legislador, visando combater atos ou negócios fraudulentos praticados pelo contribuinte com o intuito de dissimular, que significa ocultar, encobrir, fingir ou disfarçar algo, chegamos à ilação de que tal norma tem o condão e o alcance apenas de combater a evasão fiscal, não alterando a prática de medidas de elisão fiscal. 27 – No caso em tela, há que se considerar que todos os atos praticados pelo contribuinte ocorreram de maneira lícita, sendo certo ainda que as operações realizadas com a empresa AUTO ROSSO não tinham o condão de diminuir a base de cálculo do IPI, mas sim de proteger a ora Impugnante dos efeitos do câmbio, de transferir a possibilidade de realização de negócios que geravam prejuízo (como as operações de venda mediante o recebimento de veículos como parte de pagamento), e, por fim, ocorreram por força de contrato previamente celebrado entre as partes. ............................... 35 – Neste diapasão, a alternativa que se mostrou mais viável à época foi mediante a celebração de um compromisso de compra e venda de veículos importados com a empresa AUTO ROSSO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. 36 – Nos termos do aludido acordo comercial, a AUTO ROSSO seria a responsável por indicar os veículos a serem importados, os quais, posteriormente, seriam por ela adquiridos e revendidos para os consumidores finais, clientes da mesma. 37 – Em outros termos, a partir do ano de 2011, esta peticionária passou a concentrar suas vendas quase que totalmente para a empresa AUTO ROSSO, evitando assim realizar operações que geravam prejuízos em razão do recebimento de veículos usados como forma de pagamento dos produtos importados, ou mesmo da não realização de venda dos mesmos, tudo conforme Instrumento Particular de Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Mercadorias Importadas já apresentado à Fiscalização. 38 – A decisão em adotar o modelo de operação descrita anteriormente se mostrou acertada durante o ano de 2011, pois consoante demonstrado pela planilha elaborada por esta Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.691 13 fiscalização, esta peticionária obteve ganhos expressivos naquele período, além de ter eliminado os riscos inerentes à operação. 39 – Contudo, com o advento do Decreto nº 7.567/2011, houve um aumento significativo da alíquota do IPI incidente sobre os veículos importados não provenientes de países integrantes do Mercosul, fato esse que impactou negativamente as operações realizadas por esta peticionária. ................................. 42 – Ademais, pertinente destacar que naquela época, todo o segmento dedicado ao comércio de veículos importados provenientes de países não pertencentes ao Mercosul sofreu significativos prejuízos, de modo que esta peticionária acredita que além dela, outras empresas do setor tenham apresentado resultados semelhantes. 43 – Percebase que como estratégia de mercado, não seria admissível o repasse integral do aumento do IPI aos consumidores dos veículos em questão, especialmente em se tratando de marcas que, embora de grande destaque em todo o mundo, ainda estavam (como continuam até o presente momento) em busca de uma solidificação de sua posição no mercado. 44 – Por fim, no ano de 2013, com a criação do Programa INOVARAUTO por meio do Decreto nº 7.819/2012, esta peticionária voltou a ter suas operações viabilizadas por conta do crédito presumido de IPI sobre as importações realizadas. 45 – Como comprovação do acima exposto, no ano de 2013 as operações celebradas voltaram a apresentar geração de lucro, novamente sem a “existência de risco” em virtude de uma eventual não venda dos bens importados. .................................. II.2 – DA ILEGALIDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA AUTO ROSSO EM RAZÃO DA INEXISTÊNCIA DE LEI INTEGRADORA ...................................... 51 – Neste diapasão, e segundo a melhor doutrina, a desconsideração da personalidade jurídica só pode ocorrer em razão de uso fraudulento ou abusivo do instituto da personalidade jurídica, da confusão patrimonial, ou de uso que objetiva atingir fins ilegítimos e ilegais, em desvio de sua função social, ainda que o artigo 50 do Código Civil determine como pressupostos para aplicação do instituto somente o abuso de personalidade, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. 52 – Com efeito, transpassandose os ensinamentos acima para o caso em tela, temos que tanto a empresa autuada quanto a Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.692 14 empresa AUTO ROSSO: (i) foram constituídas de maneira legítima e com a devida observância da legislação aplicável; (ii) possuem funcionários, estrutura física e administrativa suficientes para o regular exercício de suas respectivas atividades econômicas; (iii) apuraram e recolheram os tributos devidos, consoante a legislação que lhes era aplicável à época; e, (iv) ambas suportaram seus custos administrativos e apuraram os resultados na forma da legislação fiscal, FATOS ESTES QUE COMPROVAM, DE MANEIRA INEQUÍVOCA, a ausência de (a) uso fraudulento ou abusivo dos institutos da personalidade jurídica; (b) confusão patrimonial; e, (c) uso que objetivasse fins ilegítimos ou ilegais, em desvio de sua função social, urgindo assim o reconhecimento da nulidade da Infração ora impugnada. 53 – E nem se argumente que no caso em tela houve máfé por parte da autuada, que estruturou a operação visando finalidade diversa da expressamente consignada nos documentos fiscais emitidos, pois, ainda que se admita que as empresas fazem parte de um mesmo grupo econômico ou possuam relação de interdependência (fato este evidenciado pelo fato da sócia da autuada ser também sócia da empresa AUTO ROSSO, bem como em virtude do sócio administrador da AUTO ROSSO ser também presidente da VIA ITÁLIA), o fato é que tais situações não ensejam a tributação das operações pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, na forma pretendida pela Fiscalização, conforme será demonstrado no próximo tópico. .............................. II.3 – DA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA À ATACADO DE MERCADORIAS EXCLUSIVAS 55 – Conforme anteriormente mencionado, o lançamento de ofício ora impugnado tem como fundamento o suposto não pagamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, relativamente à produtos importados por esta peticionária, e, posteriormente, comercializados no mercado nacional, notadamente em virtude do fato da quase totalidade das vendas dos veículos importados pela autuada terem sido destinados para a empresa AUTO ROSSO, fato este que, segundo à Fiscalização, evidencia um planejamento tributário visando exclusivamente a diminuição da carga tributária sobre a operação. ............................ 58 – Destarte, temos que o principal alvo do planejamento é sempre a otimização do lucro/resultado econômico, através da economia no valor dos tributos devidos. 59 – Portanto, o planejamento tributário deve ser sempre realizado, não apenas para buscar minimizar ou evitar o Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.693 15 impacto tributário nas relações do contribuinte, mas também para conferir exatidão e certeza quanto ao valor devido pela obrigação principal, e quanto aos procedimentos adotados com relação às obrigações acessórias. 60 – Conforme consignado pela fiscalização, o primeiro aspecto do planejamento proposto consistiu então na segregação das atividades de importação e comercialização dos produtos por meio de entidades juridicamente distintas. 61 – Para viabilizar a alternativa acima mencionada, foi então constituída a empresa AUTO ROSSO (a qual, ainda de acordo com as afirmações da própria fiscalização, faz parte do mesmo grupo econômico da autuada, ou, com ela forma uma relação de interdependência), para atuar exclusivamente no segmento de comercialização. 62 – Pois bem, considerandose que a própria fiscalização assevera que: (i) a VIA ITÁLIA é representante exclusiva das marcas FERRARI, MASERATI e LAMBORGUINI; (ii) A sócia administradora da VIA ITÁLIA é também Sócia da AUTO ROSSO; (iii) o sócio administrador da AUTO ROSSO é também “presidente” da VIA ITÁLIA; e, que, (iv) a quase totalidade de vendas da VIA ITÁLIA foram destinadas à AUTO ROSSO, temos inquestionavelmente a caracterização da relação de interdependência entre a importadora (aqui equiparada à indústria), com a distribuidora, de sorte que a determinação da base imponível do IPI deve ser obtido pela média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente. .................................. 65 – Tendo em vista que os produtos importados por esta peticionária são de representação exclusiva e não possuem similares no mercado, fazse necessário transcrevermos ainda o artigo 196, do RIPI/2010, que versa sobre a aplicação do disposto nos incisos I e II, do artigo 195 acima transcrito: Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.694 16 operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. .................................... 67 – Portanto, de acordo com as assertivas feitas pela própria fiscalização, resta claro que a base de cálculo do Imposto Sobre Produtos Industrializados das operações realizadas pela autuada deve ser obtido mediante a utilização da média ponderada do mercado. 68 – Ora, considerando que os produtos comercializados pela autuada são de representação exclusiva, não existindo similares no mercado temos, por consequência lógica que, a média ponderada das operações é justamente o preço praticado nas operações de venda da VIA ITÁLIA para a AUTO ROSSO, não existindo, portanto, diferenças tributáveis. ................................. 70 – Portanto, temos por certo que o valor tributável mínimo aplicável às saídas dos produtos comercializados pela ora impugnante deve ser o próprio preço praticado nas vendas efetuadas para a AUTO ROSSO, inexistindo, assim, qualquer valor devido à título de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. ..................................... II.4 – DO ERRO QUANTO À ALÍQUOTA DO IPI CONSTANTE DA ACUSAÇÃO 74 – Não obstante os argumentos de mérito tecidos anteriormente, que por si só já justificariam o cancelamento da presente autuação, necessário mencionar também o erro constante na Tabela 15 (página 95 do Relatório da Ação Fiscal) quando da apuração do valor supostamente devido à título de IPI. 75 – Isso porque, ao contrário do quanto consignado Fiscalização, a alíquota vigente do Imposto sobre Produtos Industrializados foi alterada no ano de 2013, por conta do credenciamento desta contribuinte no programa INOVAR AUTO, conforme portaria 170/2013: .............................. 76 – Com efeito, na improvável hipótese de serem superados os argumentos tecidos anteriormente no sentido de reconhecer a nulidade ou a improcedência do presente Auto de Infração, protesta a contribuinte ainda pela retificação do lançamento de ofício, especialmente para correção do quantum debeatur lançado de ofício. III – CONCLUSÃO E PEDIDO 77 – À vista de todo o exposto nos parágrafos anteriores, resta demonstrada a nulidade do Auto de Infração objeto da presente impugnação, uma vez que, Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.695 17 conforme exaustivamente demonstrado, as operações desta peticionária encontramse formalmente válidas e legais, não havendo que se falar em existência de simulação que sirva de fundamento para legitimar a presente exação. 78 – Outrossim, considerando ainda a fundamentação da Autoridade Fiscal para justificar o lançamento de ofício ora impugnado, temos que o procedimento de fiscalização incorreu em erro no tocante ao procedimento de desconsideração da personalidade jurídica da empresa AUTO ROSSO, uma vez que não foram atendidos os requisitos autorizadores para tal ato, na medida em que não houve uso fraudulento ou abusivo dos institutos da personalidade jurídica, confusão patrimonial ou uso que objetivasse fins ilegítimos ou ilegais, em desvio de sua função social, restando mais uma vez imperioso o reconhecimento da nulidade da Infração ora impugnada. 79 – Não obstante o acima exposto, temos ainda que as ilações esposadas pela fiscalização no sentido de que a Autuada (ora Impugnante) se utilizou de expediente de planejamento tributário para não recolher o efetivo montante devido à título de IPI, notadamente em virtude do fato das assertivas no sentido de que: (i) a VIA ITÁLIA é representante exclusiva da FERRARI, MASERATI e LAMBORGUINI; (ii) A sócia administradora da VIA ITÁLIA é também sócia da AUTO ROSSO; (iii) o sócio administrador da AUTO ROSSO é também “presidente” da VIA ITÁLIA; e, que, (iv) 90% do total de vendas da VIA ITÁLIA foram destinadas à AUTO ROSSO, nos remete, por via de consequência, à concluir pela improcedência do trabalho fiscal, uma vez que o lançamento de ofício contrariaria interpretação conferida ao assunto pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. 80 – Por derradeiro, reitera a contribuinte o pedido de retificação do valor lançado de ofício, notadamente em virtude do erro de fato constante da acusação fiscal, que deixou de observar o enquadramento da contribuinte no programa INOVARAUTO. 81 – Assim, uma vez também demonstrada e comprovada a nulidade, a insubsistência e improcedência do auto de infração, requer a contribuinte seja acolhida a presente impugnação, com a anulação ou cancelamento o débito fiscal lançado. 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0964.541, de 19/09/2017 (fls. 1996 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.696 18 IPI. EMPREENDIMENTO DE FATO. UNICIDADE DE OBJETIVO MERCANTIL, PRESENÇA DE AFFECTIO SOCIETATIS E QUEBRA DE IDENTIDADE PATRIMONIAL. Comprovada de forma cabal a quebra de identidade patrimonial de pessoas jurídicas distintas unidas na consecução de objetivo mercantil comum atrelado ao fato gerador do IPI, assomase, comprovada também a affectio societatis, a presença de empreendimento de fato, do qual emerge a solidariedade de todos os partícipes na satisfação do crédito tributário inadimplido. IPI. ALÍQUOTA REDUZIDA. REGIME TRIBUTÁRIO DO INOVARAUTO. FRUIÇÃO CONSIGNADA NA NOTA FISCAL DE SAÍDA. NÃO QUESTIONAMENTO PELO FISCO. LEGITIMIDADE ACEITA JURIS TANTUM. Comprovada a habilitação no sistema INOVARAUTO e a iniciativa de fruição do benefício com redução da alíquota incidente nas operações consignadas nas notas fiscais de saída e sem oposição do Fisco por ocasião da auditoria levada a efeito, é de se aceitar a legitimidade da alíquota aplicada por ausência de oposição e com efeito juris tantum. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte autuada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2070 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega: Preliminar de nulidade A autoridade fiscal entendeu pela desconsideração da personalidade jurídica da empresa Auto Rosso para concluir pela unicidade de estabelecimentos e equiparação entre as empresas Via Itália e Auto Rosso. Ocorre que, ao analisar os cálculos utilizados pela autoridade fiscal para embasar o presente lançamento de ofício, que, como visto, trata de supostas diferenças de imposto sobre produtos industrializados recolhidos à menor, podese constatar que fora utilizado como base de cálculo o valor constante da nota fiscal de saída à consumidor final – emitida pela Auto Rosso, sem considerar os demais impostos já recolhidos pelo contribuinte na operação anterior. Portanto, a Fiscalização apenas aplicou a alíquota do IPI sobre o valor constante da Nota Fiscal de saída emitida pela Auto Rosso, excluindose apenas o IPI recolhido na operação anterior – aquela que fora desconsiderada, o que não se pode admitir. A Fiscalização jamais poderia lançar o presente crédito tributário sobre a diferença apurada entre o custo do produto importado e o valor de sua saída à consumidor final, pois houve, de fato, uma operação intermediária tributada. No Relatório Fiscal, a Autoridade Fiscal afirmou que a Via Itália vendia os produtos que importava à Auto Rosso sem qualquer margem de lucro, utilizandose como base de cálculo do presente lançamento a diferença entre o valor total dos produtos importados e o valor constante da nota fiscal de saída à consumidor final da Auto Rosso, equivocandose ao deixar de mencionar que o Recorrente emitiu nota fiscal na saída de seu estabelecimento, não deixando de recolher nenhum imposto na operação. Acerca dessa afirmação é relevante Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.697 19 mencionar que o Recorrente apresenta, nesta oportunidade, todas as notas fiscais das operações autuadas no presente lançamento, a fim de comprovar que tributou corretamente as saídas de suas mercadorias importadas com destino à Auto Rosso (doc. em anexo), demonstrando que o presente lançamento se equivoca ao tributar a diferença entre o custo das mercadorias por ele importadas e o valor da nota de saída à consumidor final emitida pela empresa Auto Rosso, pois a operação intermediária fora também devidamente tributada e não há questionamentos quanto à isso (oferta exemplos). Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, compete à Autoridade Administrativa proceder com o lançamento do crédito tributário, além de alegar e provar a ocorrência inequívoca da infração, inclusive indicar o valor do crédito tributário exigido. Assim, o lançamento que possui nítido erro de premissa na adoção do critério do cálculo para determinar o saldo do crédito tributário não pode ser convalidado, pois não se trata de mero vício formal, mas material. Mérito Nas razões de mérito, repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. A responsável solidária AUTO ROSSO apresentou, no prazo legal, o recurso de fls. 2387 e ss., com idêntico teor ao apresentado pela VIA ITÁLIA. Os responsáveis solidários FRANCISCO LONGO, OMAR, RICARDO CASADO e UGLY também apresentaram, no prazo legal, os recursos voluntários de fls. 2042 e ss., 2297 e ss.; 2621 e ss. e 2646 e ss., respectivamente. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto O recursos apresentados atendem a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual deles se conhece. A Recorrente teve contra si lavrado auto de infração, para constituir crédito tributário decorrente do IPI, acompanhado de multa de ofício e juros de mora. Todos os responsáveis solidários apontados no lançamento apresentaram impugnação e recurso voluntário. Entretanto, ao tratar do tema, o il. relator do acórdão recorrido, porque entendera que as razões de defesa apresentadas apenas resumiramse às questões antes já enfrentadas no voto – as quais, segundo ele, não contemplavam a sujeição passiva solidária –, equivocadamente consignou que não houvera impugnação específica, relativamente a esta matéria, por parte de qualquer daqueles. Não é, contudo, o que se vê da impugnação apresentada por OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB, conforme registra em seu recurso voluntário, quando afirma que contestou, na impugnação, "os itens do Auto de Infração que lhe imputam responsabilidade pelo crédito tributário discutido nos presentes autos". É o que comprovam os seguintes parágrafos da referida peça de defesa (fls. 1865 e ss.). Vejam: Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.698 20 (...) (...) Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 11065.723215/201630 Acórdão n.º 3201004.398 S3C2T1 Fl. 2.699 21 O fato caracteriza cerceamento ao direito de defesa, levando à nulidade do acórdão recorrido, em vista do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Registrese, ademais, que, no relatório que o integra, nada se disse a respeito das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários. Por fim, e com efeito, conforme sustenta o responsável solidário OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB, não há, nos autos, prova de que tenha sido intimado do acórdão de impugnação, razão pela qual consideramos o seu recurso voluntário tempestivo. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado por OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB, para ANULAR o acórdão recorrido e determinar que outro seja proferido, com a apreciação de todas as razões de defesa apresentadas por todos os sujeitos passivos. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2699DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900397/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO.
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1401-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10166.907504/2009-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900397/201082 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.021 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria IRPJ. PERDCOMP Recorrente CLÍNICA PREVILABOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10166.907504/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 03 97 /2 01 0- 82 Fl. 56DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal Brasília (DF), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não ter homologado a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP. Compulsando os autos, percebese que a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio de Despacho Decisório Eletrônico, através do qual não foi homologada a DCOMP sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a DRF/Brasília não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Ciente da autuação, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, tão somente: 1) Que as atividades da Sociedade com base na Legislação pertinente, podem ser consideradas como Atividades Hospitalares; 2) Que o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas enquadradas nestas Atividades têm o beneficio de serem tributadas pelo Lucro Presumido, tendo como base de cálculo para o Imposto de Renda, 8% (oito por cento) sobre seu faturamento; 3) Que sempre calculou e recolheu seu IRPJ tendo como base de calculo 32% (trinta e dois por cento) sobre seu faturamento mensal; 4) Que diante desta possibilidade e consultando tributaristas, chegou a conclusão de que a Empresa poderia ser ressarcida dos valor que foram pagos a maior via do PER/DECOMP. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB ao argumento de que a atividade do sujeito passivo (constante do CNPJ como sendo "atividade médica ambulatorial restrita a consultas" e, no contrato social, que suas atividades não contemplam a internação de pacientes, nem a disponibilidade de serviço de radiologia) não se enquadra no conceito de serviços hospitalares para fins de utilização do coeficiente de presunção de 8% na apuração de IRPJ. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ/BSB, a Recorrente apresentou recurso voluntário em que alega, em resumo: 1) A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatorial, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do ltcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção)"; 2) Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.900397/201082 Acórdão n.º 1401003.021 S1C4T1 Fl. 3 3 3) O art. 23, inc. II, alíneas "a", "b" e "c" da Instrução Normativa SRF nº 306/03, de 12 de março de 2003, publicada no DOU de 03.04.2003, com base no art. 64 da Lei n.° 9.430/96, classifica como serviços hospitalares, por sua vez, o seguinte: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; 4) A Secretaria da Receita Federal emitiu, à época, dois pronunciamentos oficiais, consubstanciados na Solução de Divergência em Consulta n.° 11/2003, proferida pela sua Coordenação Geral do Sistema de Tributação, e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003 (DOU de 24 de outubro de 2003), nos quais fica patente a posição favorável do órgão fazendário, no sentido de enquadramento das clinicas médicas como serviços hospitalares, desde que atendidos os requisitos legais. Eis o teor dos referidos atos administrativos: "SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N.° 11, de 21 de julho de 2003. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO, PERCENTUAIS, SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS POR CLÍNICAS DE ORTOPEDIA, TRAUMATOLOGIA E RADIOLÓGICAS. A prestação de serviços de clinica médica de ortopedia e traumatologia, bem assim, a prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (exames radiológicos), por se enquadrarem dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendo ser aplicado às referidas atividades o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: RIR/99, arts.518, "caput", 519, § 2°, Lei n.° 9.249, de 1995, § 2°, art. 15; PN/ CST n.° 36/77; Portaria GM do Ministério da Saúde n.° 1.884, de 1994; Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS n.° 20, de 18 de fevereiro de 2002 e IN SRF n.° 306, de 12 de março de 2003, art. 23, inciso V." Fl. 58DF CARF MF 4 "Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003. Dispõe sobre a abrangência do conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF' n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de marco de 2003, e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: Art. 1° Para fins do disposto no art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249, 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2° Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo." 5) A Recorrente tem em sua estrutura organizacional médicos sócios e nãosócios, além de desenvolver atividades que transbordam a esfera meramente intelectual, conforme já comprovado pela análise do contrato social, encaixandose pois, perfeitamente, no conceito de "serviços hospitalares", a teor de todo o conjunto de atos normativos acima reproduzidos. 6) No âmbito do Judiciário, os Tribunais manifestaram posição favorável aos Contribuintes, relativamente à abrangência da expressão "serviços hospitalares." 7) Diante do exposto, colocadas as considerações sobre o tema, inaplicável ao caso os arts. 106 do CTN c/c ADI no 19/2007, vez que à época dos atos e fatos, encontravase em vigor a IN SRF n.° 306, de 12 de março de 2003 e ADI n° 18/2003, caso contrário a Contribuinte, sob pena de infringência das próprias normas editadas pela Receita Federal à época. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro Relatar e votar. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.900397/201082 Acórdão n.º 1401003.021 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.020, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.907504/2009 60, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.020): "O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, o presente processo diz respeito a declaração de compensação não homologada por inexistência do crédito informado no PER/DCOMP. O crédito referese a Imposto de Renda Pessoa Jurídica pago a maior em virtude da aplicação do percentual de 32% na apuração da base de cálculo do tributo, quando deveria ter sido adotada a alíquota de 8%. Por entender que, dentre as atividades por ela desempenhadas, existem procedimentos caracterizados como serviços hospitalares, propugna pelo reconhecimento da existência do crédito alegado. Fundamenta seu pleito na Instrução Normativa SRF nº 306/03, de 12 de março de 2003, e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003, que seriam as normas emanadas da Administração Tributária vigentes à época dos pagamentos a maior, segundo a Recorrente. A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ao argumento de que a atividade do sujeito passivo (constante do CNPJ como sendo "atividade médica ambulatorial restrita a consultas" e, no contrato social, que suas atividades não contemplam a internação de pacientes, nem a disponibilidade de serviço de radiologia) não se enquadraria no conceito de serviços hospitalares para fins de utilização do coeficiente de presunção de 8% na apuração do IRPJ. Fundamentou seu raciocínio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 10/12/2007, considerado retroativamente por sua natureza meramente interpretativa. A matéria não é desconhecida do Colegiado. Atualmente, inclusive, não admite mais discussão acerca de qual instrumento normativo deva ser aplicado, haja vista o decidido pelo STJ no REsp 1.116.399/BA (Tema 217 de recursos repetitivos), ao qual este CARF está vinculado no que diz Fl. 60DF CARF MF 6 respeito à sua aplicação, conforme o disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Assim, não importa a discussão sobre a aplicação do ADI nº 19/2007 ou da IN SRF nº 306/2003 e ADI SRF nº 18/2003. Vejamos o que dispôs o acórdão no REsp nº 1.116.399/BA, publicado em 24/02/2010: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10166.900397/201082 Acórdão n.º 1401003.021 S1C4T1 Fl. 5 7 não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos nossos) Apenas para efeito de integração com o conteúdo do acórdão citado, reproduzimos abaixo a matriz legal do benefício pretendido pela Recorrente, o art. 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 62DF CARF MF 8 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Restou patentemente esclarecido no referido Acórdão que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte). Concluiuse que a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Restou assentado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Portanto, para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 1º do artigo 15 da Lei 9.249/95. Assim, o benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorram da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Assim, a resolução de casos tais passa, necessariamente, pela identificação de quais atividades desenvolvidas pela Recorrente atenderiam, de forma objetiva, aos pressupostos delineados pelo STJ. Em outras palavras, deve se segregar as atividades desenvolvidas pela Contribuinte entre aquelas passíveis de receber o benefício de redução de alíquota e aquelas outras que deverão seguir a regra geral (alíquota de 32%). Em seu recurso voluntário, a Contribuinte alega ser empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatorial, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do ltcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção)". Também aduz constar do seu contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10166.900397/201082 Acórdão n.º 1401003.021 S1C4T1 Fl. 6 9 Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local". Comparando as atividades desenvolvidas pela Recorrente, admitidas por ela própria em seu recurso, não consigo vislumbrar, em relação a nenhuma delas, adequação ao disposto no acórdão lavrado quando do julgamento do REsp nº 1.116.399/BA. Nenhuma daquelas atividades citadas se coaduna com o conceito de serviços hospitalares desenvolvido pelo STJ. Percebese, claramente, que a principal atividade realizada pela Contribuinte é de assessoria na área trabalhista/previdenciária, mormente no que diz respeito às condições de trabalho postas à disposição dos trabalhadores (através da definição de programas de prevenção de riscos ambientais, elaboração de laudos de condições ambientais do trabalho e serviços de segurança e medicina do trabalho) e à saúde ocupacional dos trabalhadores, mediante atendimento médico em diversas especialidades que possam, de alguma forma, influenciar ou intervir na continuidade do trabalho desenvolvido pelos empregados de seus clientes. Para que não pairem dúvidas a respeito das atividades desenvolvidas pela Recorrente, reproduzo abaixo uma tela extraída do seu sítio na internet. O endereço eletrônico é www.samdeltaguatinga.com.br (SAMDEL nada mais é do que o nome de Fantasia da Recorrente e pode ser visualizado no próprio timbre do documento utilizado na impugnação e no contrato social). Fl. 64DF CARF MF 10 Do mesmo sítio, extraí a seguinte informação a respeito da Recorrente: Conheça mais sobre a Samdel A Clínica Samdel é um posto avançado do Hospital Dia Samdel. Em Taguatinga há mais de 10 anos a Clínica Samdel proporciona um serviço de Assistência Médica que tem a função de intermediar a relação entre os interesses das empresas e a saúde de seus colaboradores, visando sempre a harmonia, de maneira ética e imparcial. A clínica assiste às empresas nos assuntos ligados a SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO, não só fazendose cumprir as Normas Regulamentadores editadas pelo Ministério do Trabalho, mas buscando o equilíbrio da empresa como um todo, onde a saúde e a satisfação de seus funcionários no ambiente de trabalho refletemse na tranqüilidade, maior produtividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados pela empresa. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10166.900397/201082 Acórdão n.º 1401003.021 S1C4T1 Fl. 7 11 Tais elementos me dão maior segurança em afirmar que a Recorrente não atua na área daquilo que ficou definido como serviços hospitalares, para efeito de aplicação do disposto na Lei nº 9.249/95, em seu art. 15, § 1º. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723498/2017-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Despesas Médicas comprovadas por documentação hábil prospera a irresignação da recorrente.
Numero da decisão: 2002-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. Despesas Médicas comprovadas por documentação hábil prospera a irresignação da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 34 98 /2 01 7- 70 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10320.723498/201770 Acórdão n.º 2002000.580 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 38/39) contra decisão de primeira instância (fls. 22/25), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A notificação de fls. 9/14 exige da contribuinte, já qualificada nos autos, o recolhimento do crédito tributário suplementar de R$ 3.390,26. O lançamento originouse da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual(DAA)/2013, mediante a qual se constatou a dedução indevida de despesas médicas na monta de R$ 5.500,00, declarada como paga à Lusiane Alves Albarelli Ferreira, sendo descrito à fl. 12, que: "A contribuinte deduziu indevidamente despesas médicas sem a devida comprovação documental de pagamento não atendendo desta forma a intimação". A notificada ofereceu a impugnação de fl. 3. Para amparo de sua alegação, a interessada colacionou os documentos de fls. 4/6. A parcela não contraditada do lançamento, correspondente à glosa no valor de R$ 2.200,00, que gerou o IRPF suplementar de R$ 605,00 e respectivos consectários, teve sua exigência transferida deste para o processo n. 10320.724180/201714, de acordo com o que orientam os documentos de fls. 17/20. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 22/03/2018 (fl. 29); Recurso Voluntário protocolado em 19/04/2018 (fl. 38), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. O Sr. AFR, relata que “a contribuinte deduziu indevidamente despesas médicas sem a devida comprovação documental de pagamento não atendendo desta forma a intimação”. A r. decisão revisanda, no seu relatório informa que: “A parcela não contraditada do lançamento, corresponde a glosa no valor de R$ 2.200,00, que gerou o IRPF Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10320.723498/201770 Acórdão n.º 2002000.580 S2C0T2 Fl. 4 3 suplementar de R$ 605,00, e respectivos consectários, teve sua exigência transferida deste para o processo nº 10320.724180/201714, de acordo com o que orientam os documentos de fls. 17/20”. Em razão da contribuinte não ter demonstrado a efetividade dos supostos pagamentos, considerouse improcedente a impugnação. Irresignada a recorrente combate a r. decisão revisanda, apresentando novos documentos, pugnando pelo provimento do seu apelo. Alega a recorrente, que o pagamento de R$ 3.300,00, foi feito de uma só vez, que corresponde a tratamento que fez nos meses de outubro, novembro e dezembro, que seria pago ao final do tratamento, quando a mesma viesse receber seu 13º salário. Juntou novamente os três recibos de R$ 1.100,00 e na fl. 43 dos autos, consta um cheque de sua emissão, para a profissional de saúde, datado de 05/12/2012, no valor de R$ 3.300,00, assim ficou satisfeita a controvérsia. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.009566/2007-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/04/2003
ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria importada, implica a ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos exigidos para se ter por configurada a expedição direta.
Numero da decisão: 9303-007.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria importada, implica a ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos exigidos para se ter por configurada a expedição direta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 95 66 /2 00 7- 61 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3803006.011, de 23 de abril de 2014 (fls. 289 a 297 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte de reconhecimento de crédito tributário e restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF n.º 600/05. Desse pedido constou o seguinte: informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 03/03121151, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 14/04/2003; que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA; que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada; Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 4 3 que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO; que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil se deu com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. O Contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício n.º 2006/00263 – COANA, Coordenação Geral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descritas. O Contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 26.694,26, havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 134/2011, sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO353, foram descarregadas em solo americano em 19/12/2001 e no dia 07/01/2002 foi emitida a fatura comercial PC 06049 pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANASONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 02/01/2002, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL), portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 5 4 Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pelo Contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/2011, que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito, para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Ainda, alega o Contribuinte o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894, a título de precedente. A 1ª Turma DRJ/SP2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 6 5 ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria importada, implica a ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos exigidos para se ter por configurada a expedição direta. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 302 a 307, sendo estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 314 a 316. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 322 a 335) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à discussão sobre negativa de reconhecimento de crédito tributário relativa à restituição do imposto de importação que teria sido recolhido a maior em razão de produto produzido em país membro da ALADI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 9303002.038 e 930301.992. A comprovação dos julgados firmou pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas – documentos de fls. 366 a 375 e 390 a 400. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 403 a 405, sob o argumento que o acórdão recorrido estabeleceu que a falta de apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria importada, implica a ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos exigidos para se ter por configurada a expedição direta. Entretanto o acórdão paradigma 930301.992, por seu turno, alerta que a aposição no Certificado de Origem da denominação da empresa de onde a mercadoria foi finalmente faturada, acompanhada de declaração à unidade aduaneira da operação de triangulação, supre os requisitos para concessão do benefício de redução da alíquota do imposto prevista nos Acordos internacionais firmados pelo Brasil no âmbito da ALADI. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 7 6 Com essas considerações, concluiuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 407 a 425, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 403 a 405. Do Mérito A matéria já vem sendo discutida neste Conselho, há muito tempo. A discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. Inicialmente cumpre ressaltar que há várias decisões adotadas pelas turmas julgadoras que caminha no sentido de considerar que a operação realizada pela Contribuinte é legítima, quando se tem apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem e associada à expedição Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 8 7 direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil. Esses procedimentos comprovam o cumprimento do regime de origem da ALADI e impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, senão vejamos: Processo nº 18336.001558/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Processo nº 10209.000087/2003¬93 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102¬001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ¬ II Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 9 8 Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Luis Marcelo Guerra de Castro ¬ Presidente e Relator. Acórdão nº 320100.444: Julg. 30/04/2010. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Acórdão 310200.691 Julg. 01/07/2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 10 9 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Processo n" 10209.000544/200540 Recurso n° 138291 Voluntário Acórdão n° 310200.250 — l a Câmara! 24 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 . Matéria II/IPI FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA TRIANGULAÇÃO COMERCIAL POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Relator Luciano Lopes Processo nº 18336.000160/200201 Recurso nº 3021.279.44 Especial do Contribuinte Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 11 10 Acórdão nº 03006.239 Sessão de 08 de dezembro de 2008 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto e Redator ad hoc Transcrevo, agora, o voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Acórdão nº 310201.338, que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobrás Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 12 11 d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada DF CARF MF Fl. 219 8 pela apresentação da fatura comercial nº 1163480, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 13 12 do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considera¬se como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontrase satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 14 13 NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalidálo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 15 14 desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." Ou seja, não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países Membros da Comunidade Andina). Vale ressaltar que no presente caso o Contribuinte, realizou uma consulta à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Seguindo a orientação contida no ofício supra mencionado o Contribuinte protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 43.997,53. A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 16 15 por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Contribuinte trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Vale ainda, ressaltar que a fruição dos tratamentos preferenciais achase normatizada no art. 4o, da Resolução ALADI/CR n" 78 Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto n" 98.836, de 1990, 4o, in verbis: CUARTO. Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador al país importador. Diante disto, de acordo com o normativo acima a exportação direta do EUA para o Brasil, é suficiente para garantir a redução tarifária, sendo legítimo o beneficio fiscal. Vale ainda ressalta que a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática freqüente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 17 16 mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". Após, foi publicada a Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto nº 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9º da Resolução 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Vale ainda ressaltar o Superior Tribunal de Justiça tem pronunciamento judicial favorável a esses casos de importação: RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.856 PE (2014/03106001) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : TACIANA MATIAS BRAZ DE ALMEIDA E OUTRO(S) PE021487 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 18 17 DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. DECISÃO DO TRIBUNAL A QUO NO SENTIDO DE QUE OS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO BENEFÍCIO FISCAL FORAM ATENDIDOS. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20, §§ 3o. E 4o. DO CPC/1973. REVISÃO DO VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REEXAME DE PROVAS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 1. Tratase de Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 5a. Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. PETROBRÁS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL ASSEGURADO. 1. Hipótese em que se discute a possibilidade da Petrobrás fazer jus às preferências tarifárias do Acordo de Complementação Econômica ACE27, firmado entre Brasil e Venezuela, objeto do Decreto 1.381/95, para fins de redução do montante pago a'titulo de Imposto de Importação de produtos derivados de petróleo. 2. Não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de, que não houve, prova, do recolhimento do tributo e a Juntada de documentos essenciais para fins de fruição do beneficio, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem, que fazem constar a República da Venezuela como pais originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bili of Lading) demonstram que as mercadorias ali consignadas foram Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 19 18 expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4o., a, da Resolução 78/87. 3. O país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as llhas Cayman. 0 que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas llhas Cayman, a Braspetro Qil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. 4. 0 fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas llhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da, ALADI. (AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Canitareíli, TRF5 1 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 Página169 129.) (...) Inicialmente, não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que não houve prova do recolhimento do tributo e a juntada de documentos essenciais para fins de fruição do benefício, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem (fls. 145 e 252), que fazem constar a República da Venezuela como país originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas às fls. 71/74, 126/129, 164/170 e 217/220, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bill of Lading) de fls. 119, 148 e 172 demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4º, a, da Resolução 78/87, como bem ressaltou a juíza de 1º grau. Alega a Fazenda, ainda, que o produto importado tem origem nas Ilhas Cayman, país não signatário do acordo em questão, razão pela qual é indevida a redução do tributo Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 20 19 Ocorre que, como já visto, o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas Ilhas Cayman, a Braspetro Oil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. Essa triangulação comercial, com participação de empresa situada em país não membro do ACE 27, não acarreta a perda da preferência tarifária preconizada no aludido acordo, pois a operação comercial realizada pela Petrobrás é prática frequente no comércio internacional, sendo admitido que o produto seja faturado em outro país, desde que a origem da mercadoria seja preservada, sem descaracterização do acordo cujas preferências se desejar obter (juíza de 1º grau). 12. Como visto, o Tribunal a quo afastou todos os argumentos que seriam óbice ao benefício fiscal requerido. Ou seja, entendeuse ali que os requisitos estavam preenchidos. Assim, os elementos fáticos usados pelo Tribunal local não podem ser alterados nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Ilustrativamente: 15. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial. 16. Publiquese. Intimações necessárias. Brasília (DF), 21 de agosto de 2017. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR (Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, 28/08/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 ¬ CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA¬GERAL DA FAZENDA NACIONAL Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 21 20 RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Trata¬se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. IA PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company ¬ PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 22 21 III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatícios fixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 23 22 Publique¬se. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Frisese, ainda, a jurisprudência exarada pelo TRF: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 24 23 a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 ¬ Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 ¬ Quarta Turma, DJ ¬ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.002359¬3/PA, julg. 07/10/2013. PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 25 24 desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação Latino Americana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossímil Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 26 25 e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importação por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país integrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderia ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Ora, as decisões acima caminham junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 27 26 Assim, entendo que não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com o devido respeito ao entendimento do assunto expresso pela i. Relatora do processo e à solução que propõe, me arrisco a dizer, que, segundo entendo, a questão fulcral do litígio, que, inclusive, deu azo ao improvimento do recurso na instância recorrida, não foi enfrentada. Com efeito, conforme a seguir se lê, no excerto extraído do voto vencedor da decisão recorrida, o direito pleiteado não foi reconhecido pela instância a quo, exclusivamente por que o contribuinte não logrou êxito em comprovar que a mercadoria importada pela recorrente transitou pelos Estados Unidos da América sob controle aduaneiro, se não vejamos. De acordo com o dispositivo supra, constatase que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea “b” do referido artigo. No caso em questão, o contribuinte não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, se dera sob vigilância aduaneira da autoridade competente naquele país. Não consta dos autos o documento alfandegário dos EUA que comprove a vigilância no país de trânsito, fato esse que compromete o argumento do contribuinte, pois tal exigência se mostra necessária à configuração da exportação direta, nos termos do art. 4º, alínea “b”, da Resolução nº 252 da ALADI. Nesse sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso Na mesma direção, a ementa do acórdão sintetiza a decisão tomada e sua motivação. Observese. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/10/2001 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 29 28 ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria importada, implica a ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos exigidos para se ter por configurada a expedição direta. Contudo, como fica claro das transcrições que seguem, que, para maior clareza, volto a reproduzir, as próprias decisões colhidas de outros processos e tomadas como suporte para juízo formado pela Relatora versam sobre situações substancialmente diferentes da que ora se cuida. Observemse os excertos do voto do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, com o qual pretendeuse demonstrar precedentes na jurisprudência deste Conselho. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra¬se satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. (...) Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. (...) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Ou seja, no caso tomado como exemplo, a mercadoria nunca transitou por um terceiro país. No entanto, como está claro, é justamente essa a questão posta nos autos. E vale o mesmo em relação às decisões judiciais a que fez referência a i. Relatora, tanto a que foi proferida pelo Tribunal Regional Federal (sem indicação da Região), quanto a decisão tomada pelo Superior Tribunal de Justiça, recurso especial nº 1.499.856 – PE, que trata, da mesma forma, de operação na qual a mercadoria não transitou por um terceiro país; foi embarcada na Venezuela e expedida diretamente para o Brasil, onde foi descarregada. Esclarecido isso, passase ao exame do direito ao crédito reclamado pela parte. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 30 29 O artigo quarto da Resolução ALADI nº 252 define as condições que devem ser observadas para o reconhecimento do regime de origem nos casos em que a mercadoria transita por um terceiro país. "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; (grifos acrescidos) ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Em sede de recurso especial, efolhas 293, a recorrente afirma que “beira ao absurdo e não pode prosperar” a exigência que deu azo ao improvimento do recurso voluntário. Curiosamente, em recente litígio julgado por este Colegiado, processo nº 11128.006568/0014, acórdão nº 9303004971, da relatoria da i. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no qual litigava a mesma empresa Panasonic do Brasil, com idêntico pedido ao versado nos autos, o recurso especial da Fazenda Nacional foi improvido porque, dentre outras razões, a exigência ora considerada absurda foi satisfeita sem nenhuma dificuldade. Observese a narrativa contida no voto da decisão de segunda instância daquele processo. De outra parte, também não são óbices ao pleito as demais alegações do órgão recorrido, pertinentes à vigilância da autoridade aduaneira dos EUA e a não justificação dos motivos geográficos do trânsito. E isso porque: a) intimada, a recorrente apresentou declarações da Alfândega dos EUA ("TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFEST OF GOODS UBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT — UNITED STATES CUSTOMS SERVICE" – fls. 209 e 211), que demonstram o trânsito das mercadorias vindas Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11128.009566/200761 Acórdão n.º 9303007.395 CSRFT3 Fl. 31 30 do México e tendo como destino final o Brasil; (grifos acrescidos) Outrossim, que também não se diga que esse documento jamais foi solicitado, como argumenta a recorrente. É de amplo conhecimento, que o direito deve ser comprovado por quem o alega, ainda mais se diz respeito, como no caso, a um regime de exceção. Não será demais relembrar que, no âmbito do direito tributário, a outorga do benefício depende da comprovação, por parte do interessado, do cumprimento das condições e requisitos estabelecidos em lei, ex vi, art. 179 do Código Tributário Nacional. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Portanto, cabia à reclamante instruir o processo com todos os documentos necessários à comprovação do direito à redução tarifária. Não o fez. Finalmente, no que concerne à consulta protocolada pelo contribuinte, à Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal e à NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, todas citadas no voto, cumpre apenas anotar que nenhum desses expedientes sequer tangenciou a hipótese de afastar a condição determinada no inciso “b” do artigo quarto da Resolução ALADI nº 252, no sentido de que a mercadoria que transita por terceiro país não signatário do acordo o faça sob a vigilância da autoridade aduaneira competente desse país. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905348/2015-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 48 /2 01 5- 68 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.168 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11020.905348/201568 Acórdão n.º 3402005.778 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930433/2009-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso.
Numero da decisão: 9101-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/200511, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 04 33 /2 00 9- 23 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.930433/200923 Acórdão n.º 9101003.800 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O processo cuida de PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte com o objetivo de quitar, via compensação, débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais de IRPJ/CSLL. É o suscinto relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 19647.004637/200511, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.797, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 19647.004637/200511. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.797: O recurso especial da Fazenda Nacional foi, inicialmente, admitido. Contudo, fazse necessário reanalisar sua admissibilidade neste momento. (...) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.930433/200923 Acórdão n.º 9101003.800 CSRFT1 Fl. 4 3 (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.724754/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 24 75 4/ 20 15 -7 8 Fl. 17293DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.294 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por DIGIBRÁS INDÚSTRIA DO BRASIL S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0661.373, da 2ª Turma da DRJ Curitiba, que, dando parcial provimento à impugnação, manteve contra a recorrente parte do crédito tributário relativo a IRPJ e CSLL constituído por meio de auto de infração. A Fiscalização apurou contra a recorrente, mediante confronto dos dados inseridos na DIPJ com os extraídos das notas fiscais eletrônicas, SPED e Livros de Apuração de ICMS, as seguintes infrações: a) diferença nas vendas em face dos descontos incondicionais concedidos: R$ 27.857.510,46; b) diferença no faturamento bruto (vendas canceladas): R$ 23.769.397,61 (excluída pela decisão da DRJ); c) diferença no valor das compras no período (compras por filiais, custo de industrialização de terceiros e crédito presumido): R$ 41.221.815,92 (excluída parcialmente pela decisão DRJ); e e) diferença no valor do ICMS excluído das vendas (operações com armazéns gerais): R$ 47.827.459,38. Além disso, a Fiscalização apurou exclusão indevida do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL do valor de R$ 125.153.006,13, a título de subvenção para investimento. Pelo lançamento foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL nos montantes respectivos de R$ 117.777.906,27 e R$ 42.162.985,01, compreendendo tributo, multa e juros. Não conformada, Digibrás Indústria do Brasil S/A apresentou impugnação, à qual a DRJ CTB deu parcial provimento, tendo em vista o resultado da diligência que ela mesma havia solicitado. Entendeu o órgão julgador, relativamente à diferença de receita bruta, que a recorrente cometera um mero erro no preenchimento da DIPJ, ao indicar o valor líquido da receita, já excluídas as vendas canceladas, as quais não foram informadas na linha própria. O erro, todavia, não gerou prejuízo à Fazenda, uma vez que não interferiu na apuração reduzindo o lucro tributável. Também entendeu o órgão julgador que havia de restabelecer parte da glosa relativa a compras. Isso porque a Fiscalização não teria considerado R$ 8.742,123,16 de compras realizadas por filiais; e teria ignorado os custos de industrialização feita por terceiros, no valor de R$ 5.106.410,45. Por último, a DRJ, constatando a existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, acolheu a pretensão da recorrente de compensar tais prejuízos até o limite de 30% do lucro líquido ajustado. No restante, manteve o lançamento e indeferiu o pedido subsidiário da recorrente para recompor o lucro da exploração. Fl. 17294DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.295 3 A decisão foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Não se acolhe nulidade do lançamento, por motivo de cerceamento de defesa, quando as infrações são descritas no auto de infração, ainda que de forma sucinta, sobretudo diante de apresentação de defesa desenvolvida com robustez, atacando todos os pontos da acusação, o que contraria o suposto prejuízo no exercício do direito de defesa. NULIDADE. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR JUSTIFICATIVAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO FISCO. NATUREZA INQUISITÓRIA DA AÇÃO FISCAL. Dada a natureza inquisitória do procedimento fiscal, durante o qual o fisco não imputa acusação contra o contribuinte, a fiscalização não tem a obrigação de intimar a empresa para prestar esclarecimentos, quando já dispuser de informações suficientes para efetuar o lançamento, cabendo ao sujeito passivo contestálo na fase litigiosa, que tem início com a interposição da impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DESCONTOS INCONDICIONAIS. NECESSIDADE DE CONSTAR NA NOTA FISCAL. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos, cabendo a glosa de valores abatidos da receita bruta a esse título, não constantes em nota fiscal de venda. DIVERGÊNCIA DE RECEITAS DE VENDAS. VENDAS CANCELADAS. COMPROVAÇÃO. REDUTOR DA RECEITA BRUTA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Cancelase a exigência fundada em diferença de receitas de vendas entre o total informado na DIPJ e o apurado com base em notas fiscais eletrônicas, quando resta comprovado tratarse de vendas canceladas. DIVERGÊNCIA DE COMPRAS. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FILIAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Cancelase a exigência fundada em diferença de compras, com reflexo em custos, entre o total informado na DIPJ e o apurado com base em notas fiscais eletrônicas, quando resta comprovado tratarse de compras feitas por outras filiais não consideradas pela fiscalização. DIVERGÊNCIA DE COMPRAS. INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR TERCEIROS. AGREGAÇÃO DE VALOR. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Cancelase a exigência fundada em diferença de compras, com reflexo em custos, entre o total informado na DIPJ e o apurado com base em notas fiscais eletrônicas, quando resta comprovado tratarse de industrialização efetuada por terceiros, com agregação de valor referente a insumos e/ou serviços. DIVERGÊNCIA DE COMPRAS. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE CUSTO. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Mantémse a exigência fundada em diferença de compras, com reflexo em custos, entre o total informado na DIPJ e o apurado com base em notas fiscais eletrônicas, Fl. 17295DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.296 4 descabendo alegar tratarse de crédito presumido de ICMS, o qual não compõe o custo da mercadoria por inexistência de dispêndio pelo contribuinte adquirente. DIVERGÊNCIA DE ICMS SOBRE VENDAS. REMESSA PARA ARMAZÉM. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Mantémse a exigência fundada em diferença de ICMS sobre venda, quando resta comprovado tratarse de ICMS incidente sobre remessa a armazémgeral, descabendo alegar existência de operação de venda triangular, em que o ICMS sobre a venda é destacado pelo armazém. INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXIGÊNCIA DE PERFEITA SINCRONIA ENTRE SUBVENCIONADOR E SUBVENCIONADO. EXIGÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. Para que um incentivo fiscal seja qualificado como subvenção para investimento, não basta o animus da autoridade estatal concedente, sendo necessária a perfeita sincronia da intenção do subvencionado com a ação do subvencionado, exigindose que o instrumento legislativo que concede a subvenção disponha expressamente sobre a obrigação do beneficiário de alocar os recursos em bens do ativo imobilizado. AJUSTES DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Em caso de lançamento de ofício, não será admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. EXISTÊNCIA DE SALDO A COMPENSAR. DEFERIMENTO. Deferese o pleito de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL, diante da existência de saldos em valor suficiente, até o limite de 30%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra a decisão da DRJ foi interposto recurso. Preliminarmente, arguiuse a nulidade do procedimento fiscal e do lançamento por vício de motivação, e por cerceamento de defesa. A Fiscalização não teria esgotado a possibilidade de obter mais informações sobre a matéria fática, limitandose a presunções superficiais e a entendimentos preconcebidos. Abstevese de aprofundar as investigações, o que ficou evidenciado na diligência determinada pela DRJ. Ademais, no curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa não solicitou esclarecimentos à recorrente, os quais teriam evitado a autuação. Outra causa de nulidade do lançamento estaria no fato de ter sido desconsiderado o benefício do lucro da exploração a que a recorrente faria jus, conforme ato concessivo emitido pela própria Receita Federal. Fl. 17296DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.297 5 No mérito questionou todas as infrações apuradas pela Fiscalização. Em primeiro lugar, a glosa de valores relativos a descontos incondicionais. Afirmou que o montante informado na DIPJ corresponde efetivamente a descontos incondicionais, embora não constassem das notas fiscais. Os valores corresponderiam a descontos decorrentes de acordos comerciais firmados com clientes, e eram absolutamente independentes de qualquer condição, prazo ou forma de pagamento. Porém, por exigência desses mesmos clientes, a contribuinte era obrigada a formalizar o desconto (definido desde a contratação da compra) apenas quando da realização do pagamento. Disse que, devido ao grande volume de aquisições por um determinado cliente, os descontos não eram calculados para cada compra isoladamente, mas considerando o conjunto de compras em determinado período. O valor do desconto relativo a uma quantidade determinada de produtos era utilizado para abater integral ou parcialmente o valor das duplicatas emitidas contra o cliente. A maior parte dos descontos (R$ 26.549.188,56) foi concedida mediante diminuição do valor das duplicatas. A outra parcela (R$ 1.476.328,96) consistiu em bonificações em mercadorias. A segunda infração foi parcialmente afastada pela DRJ. A parte mantida se referia à redução pela autoridade lançadora do custo de aquisição de produtos, que teria sido majorado na DIPJ em razão da soma do montante do crédito presumido. Do custo foi retirado o valor do crédito presumido de regionalização do ICMS, o que acarretou diminuição do custo das mercadorias vendidas CMV, aumentando em consequência o lucro tributável. A recorrente alegou que sempre reconheceu na DIPJ e na EFD ICMS/IPI (Escrituração Fiscal Digital) o custo de suas aquisições pelo valor líquido contido nas notas fiscais. Negou que os créditos presumidos tenham sido somados àqueles valores. Quanto ao ICMS nas operações com armazéns gerais, afirmou que a diferença apurada pelo Fisco se refere ao ICMS das operações que destinam fisicamente os bens vendidos pela recorrente, depositados em armazéns gerais. Eis a explicação: Primeiramente, é preciso observar que, apesar de a Autuada estar localizada na Zona Franca de Manaus, seus produtos são comercializados em todo o território nacional através de redes varejistas. Para garantir a agilidade de entrega, a Recorrente mantém grande parte dos seus estoques de produtos acabados em Armazéns Gerais próximos aos principais clientes. Como qualquer venda, a operação triangular de mercadorias envolvendo armazéns gerais também constitui fato gerador de ICMS. Todavia, em operações interestaduais desta natureza, o ICMS incidente na venda não é destacado na nota fiscal para simples faturamento do produto (CFOPs 6.105 ou 6.106), mas na circulação física da mercadoria (CFOPs 5.923 ou 6.923), que ocorre apenas quando há a remessa do produto pelo armazém geral para o cliente. Ilustremos melhor. Nas operações com armazéns gerais localizados em outro estado, a Autuada precisa, obrigatoriamente, adotar os seguintes procedimentos fiscais (nos termos do Regime Especial conferido à empresa pela Sefaz/AM e cf. arts. 352 e seguintes do RICMS/AM): Fl. 17297DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.298 6 a) Remessa da mercadoria pela Autuada para o armazém: Recorrente emite nota fiscal de remessa (CFOP 6.905 ou 6.906), com incidência do ICMS em alíquota equivalente à operação interestadual (12%). b) Na venda da mercadoria pela Recorrente para o cliente: Procedimentos da Recorrente emite nota fiscal de venda (para simples faturamento) de mercadoria (CFOP 6.105 ou 6.106), sem destaque do ICMS, mas declarando nos termos legais que o imposto devido nesta operação será destacado na nota fiscal do trânsito físico da mercadoria, emitida pelo armazém geral; Procedimentos do Armazém Geral: (i) na saída física da mercadoria, emitirá nota fiscal para o estabelecimento destinatário (CFOP 5.923 ou 6.923) acobertando o trânsito físico do produto, contendo a indicação da nota fiscal de venda pela Recorrente e o destaque do ICMS, declarando que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto é de responsabilidade do armazém; e (ii) emitirá também uma nota fiscal para a Recorrente, contendo o retorno simbólico da mercadoria, sem destaque do ICMS. (...) Ora, a partir do detalhamento realizado, fica evidente que, nos termos da legislação do ICMS, o custo real do imposto sobre operações desta natureza nunca residirá na nota fiscal para simples faturamento do vendedor (Recorrente), mas na nota fiscal de remessa do armazém (operação por conta e ordem). Aliás, se a Recorrente dependesse dessa premissa equivocada para reconhecer sua despesa de ICMS, jamais haveria valores a deduzir da receita bruta. Por isso, é importante notar também que, neste tipo de operação, o armazém atua como mero responsável pelo recolhimento do tributo, repassando o custo financeiro do imposto para a vendedora. (...) Quanto ao repasse do custo financeiro da venda à Recorrente, observese, primeiramente, que o estado do Amazonas exige o destaque (débito) do ICMS desde a remessa dos produtos da Recorrente até o armazém, localizado em outro estado. (...) Por sua vez, à medida que a Recorrente vai, pouco a pouco, vendendo sua mercadoria armazenada, o armazém, responsável pela entrega física da mercadoria, realiza dois procedimentos: (i) devolve "simbolicamente" a mercadoria para a Recorrente, sem destaque do imposto; (ii) emite também uma nota fiscal para acompanhar a entrega da mercadoria ao cliente da Recorrente, com destaque do ICMS, para reconhecer o débito real do ICMS na operação. A medida que as saídas físicas dos produtos vão sendo atendidas pelo Armazém conforme orientação da Recorrente, os débitos do imposto incidente na nota fiscal de entrega da mercadoria do Armazém Geral para o cliente vão consumindo o saldo credor acumulado de ICMS (lastreados, conforme já ressaltamos, nas notas fiscais emitidas pela Recorrente para o Armazém, para formação dos grandes estoques de mercadoria naquele estabelecimento). Todavia, quando este saldo de crédito não é mais suficiente para cobrir o débito das saídas das mercadorias, o armazém emite uma nota de débito para a Fl. 17298DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.299 7 Recorrente, separada do valor do serviço prestado, de forma a recuperar o custo financeiro do ICMS ocasionado pela saída da mercadoria. (...) Deste modo, a Recorrente apenas registrará sua "despesa de ICMS sobre vendas" no momento da emissão da nota fiscal de venda. Entretanto, uma vez que o imposto na operação é destacado, nos termos da legislação regente, na nota fiscal da remessa física da mercadoria escriturada pelo armazém, este será o documento fiscal que será utilizado como parâmetro para o registro da despesa de ICMS na transação, de maneira a afetar o resultado contábil da empresa. (grifos do original) (fls. 17.221 a 17.226) Por último, contestou a tributação dos valores recebidos como subvenção para investimento, os quais a Fiscalização supôs tratarse de subvenção para custeio, uma vez que o Estado do Amazonas não obrigava o beneficiário das subvenções a aplicar os recursos em bens do ativo imobilizado. Contestou o conceito de subvenção de investimento adotado pelo Fisco, em especial o Parecer Normativo nº 112/1978, cujo conteúdo já teria sido superado pela legislação que lhe sobreveio. Ademais, o próprio parecer teria extrapolado a lei. Ainda sobre o Parecer nº 112, disse a recorrente que ele foi citado de forma expressa apenas na decisão recorrida, que, nesse ponto, acabou por inovar os fundamentos da autuação. A recorrente invocou também os parágrafos 4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973/2014, com a redação da pela Lei Complementar n° 160/2017, que teria posto fim à polêmica acerca das subvenções concedidas pelos Estados, mediante incentivos e benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao ICMS. Ainda sobre a tributação das verbas de subvenção concedida pelo Estado do Amazonas, a recorrente defendeu a impossibilidade de a União tributálas, tendo em vista a imunidade recíproca. Com essas razões, pugnou pelo provimento do recurso. Os autos vieram ao CARF impulsionados não apenas pelo recurso voluntário, mas também pela necessidade de reexame da decisão a quo, na parte contrária à Fazenda, tendo em vista a exclusão de crédito tributário acima do limite de alçada. É o relatório. Fl. 17299DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.300 8 VOTO Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto ao recurso de ofício, é imperioso reconhecer a obrigatoriedade do reexame da decisão da DRJ, na parte contrária à Fazenda Nacional, porquanto o crédito tributário excluído supera o limite de alçada fixado na Portaria MF nº 63/2017, que é de R$ 2.500.000,00. Admitido o recurso, cumpre examinar a alegação de nulidade. No exame dessa preliminar, ressaltase a clara distinção entre duas situações: a primeira é a imputação ao sujeito passivo da prática de um ato ilícito, exigindo, em razão disso, o respectivo crédito tributário; a outra é a comprovação dos fatos imputados àquela pessoa. Primeiro, descrever; depois, comprovar. Vícios na descrição dos fatos e dos fundamentos da autuação induzem nulidade do ato administrativo, a qual deve ser pronunciada em caráter preliminar, sem que seja necessário adentrar o exame da matéria fática. Se os fatos estiverem corretamente descritos, os fundamentos da autuação forem postos de forma inteligível e o enquadramento legal for correto, não gerando dúvida acerca da qualificação jurídica emprestada aos fatos, as questões preliminares básicas estarão superadas, abrindo espaço para o exame das provas. A verificação das provas, por sua vez, é pertinente ao mérito da autuação. Portanto, se não existirem provas ou se forem insuficientes, o resultado será a improcedência do lançamento. No caso concreto, os fatos e fundamentos, embora de forma sucinta, foram postos com clareza suficiente a permitir o exercício do direito de defesa, não obstante algumas acusações não encontrarem respaldo no conjunto probatório reunido pela autoridade lançadora e pela diligência determinada pela DRJ. Por outro lado, não gera nulidade do lançamento a falta de intimação do fiscalizado para esclarecer situações envolvendo a matéria objeto da verificação fiscal. É que, nessa fase, como bem frisou o acórdão recorrido, não se cogita de ampla defesa, porquanto ainda não existe acusação formal contra o contribuinte, o que só ocorre com a lavratura do auto de infração. A partir desse momento, ficam assegurados o contraditório e a ampla defesa. A recorrente também arguiu, como causa de nulidade, a não observância do lucro da exploração a que faria jus. Sobre essa matéria, cabe invocar, como fez a DRJ, o disposto no art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 267/2002, que veda a recomposição do lucro da exploração em lançamento de ofício: Art. 66. No caso de lançamento de ofício, não será admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos de que trata este Capítulo. Fl. 17300DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.301 9 Como se percebe, mesmo que entendesse correto, a autoridade lançadora não poderia acolher a pretensão da recorrente diante do claro óbice levantado pelo ato normativo, ao qual não apenas a autoridade lançadora, como também a DRJ estavam vinculadas. Embora não vincule o CARF, a IN SRF nº 267/2002 expressa uma linha de interpretação correta, já que o benefício do lucro da exploração pressupõe a correção da escrita fiscal e contábil, o que, a toda evidência, não se verifica nos casos de infrações como omissão de receitas, despesas indedutíveis, despesas inexistentes ou deduções indevidas. Portanto, é inviável recompor o lucro da exploração, como quer a recorrente. Em suma, considerando que os fatos estão corretamente descritos; que não existe direito de defesa na fase de investigação; e que, em lançamento de ofício, não se pode recompor o benefício do lucro da exploração, rejeitase a preliminar de nulidade. Resolvida a preliminar, impõese o exame do mérito. O exame das questões centrais, entretanto, depende do esclarecimento de algumas circunstâncias fáticas. A primeira delas diz respeito ao ICMS deduzido das receitas de vendas. O ilícito apurado no auto de infração foi a dedução de R$ 47.827.459,38. A recorrente alegou que esse montante correspondia aos valores do ICMS que ela teve de ressarcir aos armazéns gerais. A recorrente, por uma questão de logística, remetia produtos para armazéns gerais situados nos Estados em que estavam seus principais clientes. As remessas se faziam acobertadas por notas fiscais com destaque de ICMS, calculado à alíquota de 12%. Quando ocorria a venda, os produtos eram retirados pelos clientes no armazém geral, que emitia nota fiscal para acobertar o trânsito das mercadorias, destacando o ICMS, cujo recolhimento era de responsabilidade do próprio armazém geral. No documento fiscal emitido pelo armazém geral, o valor da operação era o mesmo consignado no documento de entrada, emitido pela recorrente. A alíquota, entretanto, era a da operação interna, ou seja, 18%. A diferença entre a alíquota interna (18%) e a interestadual (12%) gerava um saldo que tinha de ser ressarcido pela recorrente. Mesmo o armazém geral se creditando do ICMS, na entrada dos produtos, ao ser obrigado a recolher o ICMS calculado a 18%, surgia a cada operação uma diferença de 6%. De acordo com a recorrente, essa diferença era a origem do valor de R$ 47.827.459,38, que o Fisco entendeu ser uma dedução indevida do lucro líquido. A DRJ determinou a realização de diligência, que não logrou esclarecer esse ponto. Pela alegação da recorrente, as operações triangulares, envolvendo remessas de mercadorias para armazéns gerais, seriam mais onerosas do que as operações diretas, porquanto, além dos custos dos serviços dos armazéns gerais, haveria ainda de ser suportada a despesa com o ICMS em face da diferença entre as alíquotas interna e interestadual. Vale dizer, a operação triangular faz com que a venda interestadual tenha tributação idêntica a de uma venda interna. Sendo verdade o que disse a recorrente, as operações com armazéns gerais localizados em Estado diferente do Estado do depositante, ficariam presumivelmente inviáveis, Fl. 17301DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.302 10 dada a existência de expressivos custos adicionais. O primeiro deles, o custo do serviço prestado pelo armazém geral; o segundo, a diferença das alíquotas do ICMS. Portanto, seria necessário ter um ganho de logística muito grande para compensar o referido custo adicional. Por outro lado, não se ignora que a legislação do ICMS, ao longo dos anos, foi estendendo a sistemática de substituição tributária para quase todos os produtos. É possível, pois, que a diferença encontrada pelo Fisco se deva ao ICMS por substituição tributária. Em vista dessas incertezas, concluise que a situação fática merece verificação complementar, bem como a apresentação de provas pela recorrente, tendo em vista o princípio segundo o qual não se admitem deduções, nem despesas sem lastro documental. Outro ponto que demanda providência específica antes do julgamento é o que se refere à controvérsia relativa à natureza da subvenção. O dissenso, neste item, diz respeito à tributação pelo IRPJ e pela CSLL de valores referentes a incentivos fiscais ligados ao ICMS, já que a Fiscalização entendeu tratarse de subvenção para custeio, enquanto a recorrente sustentou que o benefício se enquadra no conceito de subvenção para investimento. A questão é antiga, mas ganhou nova feição com o advento da Lei Complementar nº 160/2017, que acresceu os parágrafos 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014. Pelo dispositivo legal, toda subvenção materializada na forma de incentivo fiscal relativo ao ICMS passa a ser subvenção de investimento, desde que atendam aos requisitos estabelecidos no próprio artigo e unicamente nele. Fez mais a lei: atribuiu ao novel dispositivo uma natureza interpretativa, emprestando à norma eficácia retrooperante. Todavia sugiram questionamentos quanto ao limite da retroatividade e quanto à necessidade de cumprimento de determinados requisitos por parte da entidade estatal que concedeu benefício. Entendendo ser necessária a comprovação do cumprimento desses requisitos para reconhecer a subvenção como de investimentos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em recente decisão, converteu o julgamento em diligência, conforme se constata do Acórdão 9101000.053. Confirase: O recurso especial trata da identificação de benefício fiscal estadual (Rio Grande do Sul) como subvenção para custeio, quando o acórdão recorrido tratouo como subvenção para investimento. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999): (...) No caso destes autos, tratase de benefício do Estado do Rio Grande do Sul. consistente em créditos presumidos de ICMS, como relatado no acórdão recorrido: (...) Fl. 17302DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.303 11 Ocorre que, como consta das Resoluções n° 9101000.039, 9101000.042 e 9101000.043, foi recentemente aprovada a Lei Complementar n° 160/2017, que alterou a Lei n° 12.973/2014, inserindo os § 4° e § 5° ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: (...) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar n° 160, portanto, têm efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, § 2°, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: (...) A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea "g" do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de inicio de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Art. 3º O convênio de que trata o art. lº desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1º desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1º desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2° A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. lº desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos Fl. 17303DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.304 12 termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados á manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2º deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4º deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazos limites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais: Cláusula segunda. As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios Fl. 17304DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.305 13 fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alinea "g" do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pelas Cláusulas Terceira e Quarta do Convênio: Cláusula terceira. A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta. O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Fl. 17305DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.306 14 Cláusula quinta. A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado. Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. (...) Não obstante isso, não restou comprovado nos autos até o presente momento o cumprimento do artigo 3º, II, da Lei Complementar n° 160, isto é, o "registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais mencionados no inciso I deste artigo". A exigência do registro foi também reproduzida na Cláusula segunda, inciso II, do Convênio ICMS 190/2017, havendo prazo para tanto até 28 de dezembro de 2018, conforme cláusula quarta acima reproduzida. Com efeito, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso, condicionadas ao registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Diante disso, voto por suspender o processo como decidido em julgamentos precedentes desta Turma. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar n° 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da LC 160 e Convênio ICMS acima citados. A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto n° 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: (...) Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018 dia seguinte ao prazo definido pela Cláusula Quarta acima referida , com a remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar desde já o contribuinte para que comprove, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, inciso II, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Posteriormente, sobreveio o Convênio ICMS 51/2018 que, alterando a redação do Convênio ICMS 190/2017, postergou o prazo previsto na cláusula quarta para 31 de julho de 2019. Portanto, na linha do que vem decidindo o CSRF, este processo deve ser sobrestado até aquela data. Conclusão Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendo os autos à unidade de origem, a fim de que sejam adotadas as seguintes providências: a) Intimar a recorrente a apresentar as notas fiscais por ela emitidas para acobertar a remessa de mercadorias para armazéns gerais estabelecidos em outras unidades da Federação; bem como apresentar as notas fiscais emitidas pelos armazéns gerais para acobertar Fl. 17306DF CARF MF Processo nº 10283.724754/201578 Resolução nº 1301000.639 S1C3T1 Fl. 17.307 15 a entrega física das mercadorias vendidas e as notas fiscais emitidas pelos armazéns gerais para formalizar o "retorno simbólico" das mercadorias ao estabelecimento da recorrente. b) Em face dos documentos apresentados, a autoridade fiscal deverá verificar e informar qual a alíquota de ICMS adotada pelos armazéns gerais. c) A autoridade fiscal deverá informar se existe diferença nas alíquotas de ICMS nas operações referidas no item anterior, e se a diferença de alíquotas explica os valores glosados no auto de infração; deverá ainda verificar se tais operações estavam sujeitas à substituição tributária e se o imposto retido por substituição tributária se refletiu na glosa objeto do lançamento. Frisese que a autoridade fiscal responsável pela diligência poderá verificar qualquer outro elemento que entender pertinente ao esclarecimento dos fatos. Ademais, a diligência pode ser realizada por amostragem, desde que a amostra seja definida pela autoridade fiscal, e adotar outras técnicas de fiscalização, desde sejam compatíveis com o fato a ser examinado. Concluída a diligência, deverá ser elaborado relatório conclusivo acerca da dedutibilidade dos valores glosados. Do relatório a recorrente será intimada, assegurandolhe o direito de se manifestar em 30 dias, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.475/2011. Quanto à subvenção, a recorrente deverá ser intimada a fazer prova de que o Estado do Amazonas atendeu aos requisitos estabelecidos no Convênio ICMS 190/2017, com redação dada pelo Convênio ICMS 51/2018, relativamente ao benefício da Lei Estadual nº 2.826/2003. O andamento do processo deve ser sobrestado até 31 de julho de 2019, ou data anterior, na hipótese de as condições do Convênio ICMS serem atendidas pelo Estado do Amazonas, antes do prazo fixado no mesmo convênio. Não caberá sobrestamento do feito, caso haja manifestação inequívoca do Estado do Amazonas no sentido de não atender aos requisitos da lei ou do convênio. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 17307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13794.720092/2011-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DA LIDE. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELO CARF.
A impugnação impõe os contornos da lide. Matéria não questionada na impugnação deve ser tida como definitiva na esfera na administrativa, haja vista que demonstra concordância tácita por parte do contribuinte.
O CARF, na análise do recurso voluntário, não pode apreciar matéria que não foi discutida na impugnação, sob pena de nulidade da decisão, por supressão de instância.
Numero da decisão: 2001-000.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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Numero do processo: 13976.000377/2002-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9363/96. PORTARIA MF 38/97. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. METODOLOGIA DE CÁLCULO.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador.
Numero da decisão: 9303-007.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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LEI 9363/96. PORTARIA MF 38/97. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. METODOLOGIA DE CÁLCULO. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação numerador e denominador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 77 /2 00 2- 53 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13976.000377/200253 Acórdão n.º 9303007.530 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 330200014, proferido em 06/07/2009, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, referentes aos períodos de apuração de 01/04/2001 a 31/12/2001. O recurso especial da Fazenda Nacional pede que os valores referentes às receitas decorrente de produtos adquiridos de terceiros e exportados devem ser incluídos na composição da Receita Operacional Bruta. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Admissibilidade, efls. 552 e seg., pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Regularmente cientificado do acórdão, do recurso especial e de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, efls. 558 e seg, nas quais pede o improvimento do recurso. É o relatório. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13976.000377/200253 Acórdão n.º 9303007.530 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso especial de divergência atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Embora esteja devidamente demonstrada a divergência, esta matéria já foi resolvida no âmbito do CARF, por meio da recente Súmula CARF nº 128, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 128 No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação numerador e denominador. A discussão do presente processo encaixase perfeitamente ao disposto na referida súmula. Pois tratase de receitas com produtos não industrializados pelo contribuinte e exportados por ele. Importante ressaltar que se trata também dos créditos presumidos apurados na vigência da Portaria MF nº 38/97. Todos os precedentes da súmula são decorrentes da aplicação da referida portaria, que teve vigência até a Portaria MF nº 64/2003, de 24/03/2003, a qual alterou a sistemática de cálculo do crédito presumido de IPI. A Fazenda Nacional pede em seu recurso que as referidas receitas componham somente a Receita Operacional Bruta, denominador do coeficiente de exportação. Porém, a determinação da súmula é que essas receitas componham tanto o numerador (Receitas de Exportação) quanto o denominador (Receita Operacional Bruta). Ocorre que no presente caso, a aplicação da súmula implica em piorar a situação da recorrente. O acórdão recorrido decidiu que essas receitas não poderiam compor nenhuma das partes do coeficiente. Portanto incabível o pedido da Fazenda em incluíla somente no denominador. Incluir nos dois lados do coeficiente de exportação, numerador e Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13976.000377/200253 Acórdão n.º 9303007.530 CSRFT3 Fl. 5 4 denominador, significa aumentar o coeficiente de exportação e por consequência o valor do crédito presumido de IPI requerido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 568DF CARF MF
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