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Numero do processo: 13840.000678/2003-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
OMISSÃO. OCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO INEXISTENTE. VÍCIO MATERIAL.
Configurada a omissão apontada pelo Embargante, o acórdão deve ser saneado, para fazer constar a natureza material do vício apontado na decisão embargada, relativo à ausência de motivo do auto de infração.
Numero da decisão: 3803-006.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 OMISSÃO. OCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO INEXISTENTE. VÍCIO MATERIAL. Configurada a omissão apontada pelo Embargante, o acórdão deve ser saneado, para fazer constar a natureza material do vício apontado na decisão embargada, relativo à ausência de motivo do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito. Relatório Cuidase de Embargos de Declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com base no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 06 78 /2 00 3- 01 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 174 2 de 22 de junho de 2009, para se contrapor ao Acórdão nº 3803006.467, de 17 de setembro de 2014, da 3ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INVALIDADE. O lançamento de ofício deve ser motivado, contendo a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancela se o auto de infração fundado em premissa falsa. O auto de infração fora lavrado com fundamento no fato de que a ação judicial informada em DCTF para fins de justificar a compensação declarada não havia sido comprovada, tendo sido constatado pela 3ª Turma Especial que o amplo material probatório presente nos autos demonstrava a sua efetiva existência. De acordo com o Embargante, no acórdão embargado, ocorreu omissão decorrente do fato de que a Turma Especial, ao anular o auto de infração, por ausência de motivação, deixou de se pronunciar quanto à natureza do vício, se vício material ou formal, que supostamente maculara parte do lançamento de ofício. Submetidos os autos ao juízo de admissibilidade, constatouse a efetiva existência da omissão apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de cancelamento do auto de infração por ausência de motivação válida, em relação ao qual a Turma não se pronunciou de forma expressa quanto à natureza do vício ocorrido, se formal ou material, distinção essa necessária à verificação da possibilidade de se aplicar a disciplina do art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No presente caso, conforme constou expressamente do voto condutor do acórdão embargado, temse que “o auto de infração fora lavrado partindose da premissa Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 175 3 equivocada de que o processo judicial informado na DCTF pelo contribuinte, de nº 97.06003533, para fins de justificar a compensação por ele declarada, não havia sido comprovado (“Proc jud não comprovad”), conclusão essa que não se sustenta em razão dos elementos fáticos constantes dos autos, em que, sobre a existência da referida ação judicial, não restaram dúvidas, encontrandose as peças processuais fundamentais acostadas por cópia aos presentes autos. Tratase, portanto, de lançamento de ofício carente de motivação válida, pois o fato em que se sustentava na verdade não existia. Ainda se valendo do teor do voto condutor do acórdão embargado, repisese que a doutrina muito bem trabalha a questão relativa à necessária motivação do lançamento de ofício, merecendo registro os seguintes excertos: A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...). De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 1 (grifei) Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López argumentam que “a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 2. (grifei e sublinhei) Valendose dos excertos supra, destacamse os seguintes requisitos necessários do auto de infração: 1 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 176 4 a) necessária subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, à hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; b) a descrição dos fatos é elemento fundamental do material probatório; c) as conclusões do auto de infração devem estar juridicamente validadas; d) o vício incidente no motivo do ato não é vício formal de descrição dos fatos, mas vício no próprio conteúdo do ato. Tais requisitos encontramse em consonância com o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de fundamentação legal e, por conseguinte, desprovido de motivo. Valendose da doutrina do Direito Administrativo, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 3. Com base nessa classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos (motivo, requisitos procedimentais e causa). Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello4, o motivo “é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. No presente caso, o motivo indicado para a autuação restou descrito como sendo “falta de recolhimento ou pagamento do principal”, em razão de “declaração inexata” 3 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 177 5 (“proc jud não comprovad”), tendo sido o ato administrativo motivado com base em demonstrativos fundados na desconsideração da referida declaração inexata. Bandeira de Mello distingue o motivo do ato administrativo da “motivação” feita pela autoridade administrativa, motivação essa integrante da “formalização do ato, sendo um requisito formalístico dele (...). È a exposição dos motivos, a fundamentação na qual são enunciados (a) a regra de Direito habilitante, (b) os fatos em que o agente se estribou para decidir e, muitas vezes, obrigatoriamente, (c) a enunciação da relação de pertinência lógica entre os fatos ocorridos e o ato praticado” 5 No caso sob comento, consta do auto de infração a regra do Direito (Quadro 10 – Fatos e enquadramento legal), o fato em que o agente se fundamentou para decidir (“proc jud não comprovad”) e a enunciação da relação de pertinência lógica entre os fatos ocorridos e o lançamento (compensação fundada em crédito não comprovado). A motivação do lançamento, portanto, pautouse em um fato inexistente, qual seja, a não comprovação do processo judicial, tendo sido esse o fundamento da decisão ora embargada. Em se tratando de atos vinculados, como o é o lançamento tributário, “o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entredúvida, que o motivo exigente do ato preexistia, dever seá considerar sanado o vício do ato.” 6 Notese que o autor dá relevância à efetiva ocorrência do motivo do ato administrativo obrigatório (no presente caso, o lançamento), dando caráter supletivo ou acessório à motivação, que, mesmo ausente, poderá ser suprida em decorrência de posterior confirmação da existência do motivo. Neste autos, portanto, se controverte sobre um motivo inexistente, qual seja, a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a compensação do crédito tributário declarado, fato esse que, ao contrário, restou comprovado desde a segunda instância administrativa. O que encontra suporte na doutrina e na jurisprudência, a meu ver, é a complementação da motivação a posteriori para fins de seu aclaramento, mas desde que tal providência não se revista de alteração substancial do motivo da autuação, ou seja, dos fatos e do direito. Na hipótese de complementação da motivação, a substância do ato de lançamento deve permanecer íntegra, havendo algum esclarecimento, mas sem alteração da fundamentação de fato e de direito, ou seja, do motivo da autuação, este necessariamente preexistente. 5 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 366367. 6 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 369. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 178 6 “[Os] motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando (...) a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato” 7. Nesse contexto, havendo necessidade de se modificarem as razões de fato e/ou de direito em que se funda o lançamento de ofício, estarseá diante de um erro material e não de um simples erro formal. No presente caso, não se está diante de mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Em Direito Tributário, a matéria é abordada no mesmo sentido, conforme se verifica do excerto a seguir transcrito: Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei. 8 Aqui, também, se discriminam os requisitos configuradores dos vícios formal e material; aquele atinente ao procedimento e ao documento e este relativo à validade da aplicação da norma tributária. Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 do CTN abarcam os elementos essenciais à sua constituição, cuja ausência, ainda que apenas de um deles, acarreta a invalidade da autuação e não a mera anulação por vício formal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se pronunciou nesse sentido, em caso relativo à falta de indicação da origem do crédito tributário, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) A Segunda Seção do CARF também já decidiu na mesma linha, conforme se verifica de trechos das ementas a seguir reproduzidas: 7 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 369370. 8 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 179 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1997 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. (grifei) (Acórdão 2403002.707, de 10/09/2014, Relator: Marcelo Magalhães Peixoto) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROVIMENTO. VÍCIO. MATERIAL. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. A descrição do fato gerador constituise no núcleo do lançamento tributário, sua essência. Quando a descrição do fato gerador não permite a conclusão sobre sua ocorrência o lançamento é improcedente, como no caso do lançamento original em questão. (grifei) (Acórdão 2301004.055, de 15/05/2014, Relator: Marcelo Oliveira) DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (grifei) (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Dessa forma, havendo modificação das razões de fato e/ou de direito (motivo) do lançamento, temse um vício material cuja superação demanda revisão do lançamento, conforme disciplina do art. 149, inciso VIII, do CTN, observados os prazos decadenciais, verbis: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 180 8 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; No presente caso, a DRJ Campinas/SP, tendo detectado a efetiva existência da ação judicial, já transitada em julgado a favor do contribuinte, afastou a premissa que ensejara o lançamento de ofício (declaração inexata em razão da não comprovação do processo judicial) e buscou construir sua decisão com base na ausência de prova do crédito, bem como na inexistência de liquidez e certeza do crédito no momento da transmissão da DCTF, o que, segundo ela, contrariava o art. 170 do CTN. A meu ver, melhor teria agido a autoridade julgadora de primeira instância se tivesse decidido por anular o auto de infração para que outro fosse expedido com base nos novos elementos fáticos então apurados, desde que, logicamente, observado o prazo decadencial. Dessa forma, por ter havido mudança do motivo de fato que ensejara a lavratura do auto de infração, temse que a ação da DRJ Campinas/SP não se constituiu em simples complementação ou aclaramento da motivação do lançamento, tendo havido alteração substancial do ato, procedimento esse que não encontra suporte na legislação definidora de competências no âmbito do Ministério da Fazenda. A Delegacia de Julgamento, nos termos do art. 25, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, é órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo sua competência definida pelo art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos: Art. 203. Às DRJ, nos limites de suas jurisdições, conforme anexo V, compete: I julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria aduaneira, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; e II desenvolver as atividades de tecnologia e de segurança de informação, de programação e logística, e as relacionadas com planejamento, organização, modernização e recursos humanos. Portanto, inexiste preceptivo normativo que autorize a autoridade administrativa julgadora a substituir ou complementar a atividade da autoridade lançadora no mister de constituir o crédito tributário por meio do lançamento, nos termos propugnados pelo art. 142 do CTN acima transcrito. Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para suprir a omissão apontada, no sentido de caracterizar o vício que ensejara o cancelamento do auto de infração como de natureza material, situação em que não se aplica a regra do art. 173, inciso II, do CTN. É como voto. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000678/200301 Acórdão n.º 3803006.906 S3TE03 Fl. 181 9 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15504.018693/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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FATOS GERADORES Recorrente SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 86 93 /2 00 8- 59 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018693/200859 Acórdão n.º 2402004.664 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, nº 37.193.2262, lavrado por ter a empresa deixado de declarar parte da remuneração creditada aos segurados empregados em GFIP, infringindo assim o art. 32, IV, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91. Relatório Fiscal às fls. 06/07. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 30/34, instruída com as assinaturas de ambos os sócios da empresa às fls. 265/269, que restou improcedente em parte às fls. 305/313, sob os seguintes fundamentos: 1) A Base de Cálculo dos valores lançados é relativa à diferença encontrada pela comparação dos valores declarados pelo contribuinte nas GFIP com os valores lançados nas Folhas de Pagamento; 2) O contribuinte deixou de informar parte dos valores da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP,conforme determinam os arts. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 e 225 do RPS; 3) A Fiscalização elaborou uma planilha (fl. 276) informando que não há omissões de fato gerador em relação às competências 01/2005 e 06/2005 e que o valor do Salário de Contribuição não declarado, referente ao CNPJ final n° 000276, relativo à competência 11/2005, deve ser retificado para R$ 27.229,34. Sendo assim, a multa passaria a quantia de R$ 23.352,90; 4) A impugnante deixou de corrigir, no prazo para impugnação, apenas a falta relacionada com estabelecimento CNPJ final n° “000276” referente à competência 13/2005; 5) Apesar de constar no Relatório Fiscal da Multa (fl. 05) que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, constatouse por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (cópias de telas de fls. 280/298), efetuadas após o retomo dos autos deste processo em diligência que o impugnante é reincidente; 6) Nos termos do inciso V, do artigo 292, do citado RPS, vigente na data de lavratura deste AI, a correção da falta até o final do prazo para impugnação poderá ensejar a atenuação da multa em 50%. Assim, o valor desta autuação deve ser retificado, passando a ser de R$ 12.265,35; 7) A infração à legislação mencionada sujeitava o responsável à penalidade administrativa de multa calculada na forma prevista à época pela Lei 8.212/91, artigo 32, § 5°. Contudo, a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, alterou a redação de diversos artigos da Lei nº 8.212, acrescentando os arts. 32A e 35A, que determinam que a multa será aplicada conforme o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, deverá ser Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 160, II, “c”, do CTN; 8) Conforme o artigo 2°, e seus parágrafos e incisos, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, a penalidade mais benéfica será aplicada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, no caso de o contribuinte se subsumir às mencionadas hipóteses, ou de oficio quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação; 9) No presente caso, como também houve imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, este órgão julgador encontrase impossibilitado de aplicar de ofício a penalidade mais benéfica, devendo o comparativo de multa ser realizado quando do pagamento, parcelamento, ou para quando do ajuizamento da execução fiscal, já que os percentuais de multa variam segundo a época da liquidação do débito; 10) Assim, diante das alterações da legislação previdenciária, caso se conclua que a legislação atual seja mais benéfica ao contribuinte, ela deve retroagir, devendo o valor da multa ser revisto, nos termos da citada Portaria Conjunta PGFN/RFB n°. 14, de 04/12/2009; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 318/322, alegando, em síntese: 1) Foi anexada, correspondência enviada ao Auditor Fiscal, em 21/12/2009, para esclarecer o não cumprimento da exigência de alteração e envio de GFlPs relativas aos meses 12/2005 e 13/2005, não acatada pela fiscalização. Não há como proceder às alterações, tendo em vista a divergência de orientação entre os fiscais da própria Receita Federal; 2) Na tabela de incidência do INSS consta que abono pecuniário com mais 1/3 está isento de INSS desde 1998, conforme tabela “doc. 1” no processo. Assim, o valor informado em GFIP com data 01.2005 está correto e não deveria constar deste processo como erro da empresa, passível de multa; 3) Conforme folha de pagamento “doc. 3” no processo, o valor informado em GFIP com data 06.2005 está correto e não deveria constar neste processo como erro da empresa; 4) A GFIP de 10.2005 foi retificada e enviada ao INSS conforme “doc. 28” no processo; 5) A GFIP de 11.2005, com o código 2909, foi enviada com os dados corretos, porém com o código incorreto. Deveria ter sido enviada com o código 2100. A GFIP foi retificada e enviada conforme “doc. 31” no processo; 6) O valor da GFIP de 12.2005 está correto, conforme folha de pagamento “doc. 10” e GFIP “doc. 9” no processo; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018693/200859 Acórdão n.º 2402004.664 S2C4T2 Fl. 4 5 7) A GFIP de 13.2005 foi retificada e enviada conforme “doc. 32” no processo. O valor da parte do segurado, de R$ 192,39, foi recolhido correta e regularmente; 8) A GFIP de 09.2005, relativa à Brasília, foi retificada e enviada ao INSS conforme “doc. 29” no processo. A folha de pagamento é o “doc. 15”; 9) A GFIP de 10.2005 foi retificada e enviada conforme “doc. 30”. Na folha de pagamento foi retido e recolhido o regularmente o valor correto; 10) A GFIP de 11.2005 está com o valor correto, conforme “doc. 19” no processo, sendo a multa indevida; 11) O valor informado na GFIP de 12.2005 está correto, conforme “doc. 20” no processo. Portanto, não deveria constar deste processo como erro da empresa, passível de multa; 12) Em relação à GFIP de 13.2005, informada como “sem movimento”, consta explicação detalhada no “doc. 22” no processo. Os valores apontados pela fiscalização foram lançados na GFIP mês 12/05, conforme “doc. 20”; Por fim, a Recorrente requereu a exclusão das multas e juros aplicados pela fiscalização, uma vez que nunca deixou de informar os valores em GFIP e eventuais erros de soma ou pequenas falhas foram prontamente corrigidos, com o envio de GFlPs retificadoras. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. Mantida em parte a autuação de obrigações principais, passemos à modulação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Da Multa aplicada Não obstante a ausência de alegação em sede de recurso voluntário, quanto à penalidade aplicada, passemos a análise: Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018693/200859 Acórdão n.º 2402004.664 S2C4T2 Fl. 5 7 II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13897.000690/2003-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
DECADÊNCIA. PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN.
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 06 90 /2 00 3- 52 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 17/06/2003 (fls. 33) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 18/07/2003 (fls. 478), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 1.026.798,44, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de janeiro a junho de 1998. Impugnando a exigência, foi protocolizada, em 18/08/2003, a peça de defesa de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10/82, em que o interessado apresenta as razões de defesa a seguir sintetizadas: Argui a nulidade do Auto de Infração por falta de motivação, porque não poderia jamais ter simplesmente desconsiderado o processo judicial expressamente indicado sem qualquer justificativa para tanto ou intimação prévia da ora Impugnante para esclarecimentos. Defende que a compensação declarada em DCTF tem amparo no Mandado de Segurança 97.00621332. Invoca a ocorrência de decadência para exigência dos débitos relativos aos períodos de janeiro a junho de 1998, em face do decurso do prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 150, § 4°, do CTN. Opõese à multa de oficio de 75%, defendendo ser indevida em vista do disposto no art. 63 da Lei 9.430/96. Discorda da utilização da taxa SELIC para cômputo dos juros de mora. Finaliza requerendo a insubsistência da autuação bem como que as intimações sejam dirigidas ao advogado subscritor da defesa. Em decorrência das alegações apresentadas foi o processo encaminhado em diligência por meio do Despacho n° 2.847 de fls. 488, em que, além dos fatos acima relatados, constou: “Para justificar sua alegação, apresentou o contribuinte: cópia da inicial no Mandado de Segurança com pedido de liminar para o fim de assegurar as impetrantes seu direito liquido e certo de compensação de montantes indevidamente pagos a titulo de contribuição ao PIS com débitos da mesma contribuição (fls. 44/69); cópia da decisão que, em 09/01/1998, concedeu a liminar tal como postulado na inicial, a fim de preservar o exercício de direito de compensação integral dos créditos correspondentes aos recolhimentos indevidos referenciados [créditos oriundos do Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 4 3 recolhimento do PIS na forma dos Decretosleis n° 2445/88 e 2449/88, com valores vincendos dessa mesma contribuição] ... (fls. 71/72); cópia da sentença de primeiro grau, datada de 30/09/1999, pela qual foi concedida a segurança nos termos do pedido, sit et in quantum, para garantir os efeitos da compensação mencionados na inicial, entre tributos e contribuições sob administração da mesma Secretaria ... (lis. 73/76). Às fls. 86/87 encontrase pesquisa ao sistema de acompanhamento processual da Justiça Federal indicando a interposição de Recurso de Apelação pela União Federal (Fazenda Nacional) ainda não apreciado — situação que também se verifica na pesquisa atualizada juntada às fls. 485/487. De fls. 88 consta intimação expedida em 25/03/2008 para o contribuinte apresentar planilha descritiva da apuração do excedente de recolhimento do PIS na forma dos DL 2445 e 2449/88 e da utilização em compensação com PIS vincendo, com base na segurança concedida na ação judicial MS 97.0062133 2,1 lª VF/SP, em curso no TRF 3 a Rg. Em grau de apelação. Após vistas aos autos e pedido de prorrogação de prazo, o interessado apresentou, em 01/06/2009, documentos de fls. 105/476, acerca dos quais não consta dos autos manifestação da autoridade preparadora. Do exposto, vêse que o contribuinte efetuou a compensação dos débitos objeto do presente processo (vencidos entre 13/02/1998 e 15/07/1998) com amparo em liminar concedida em Mandado de Segurança que veio a ser confirmada por sentença de primeiro grau. Assim, tendo em conta que o recurso de apelação ainda não foi apreciado, para decidir quanto ã exigibilidade dos débitos declarados e o consequente fundamento de exoneração da multa, impõese determinar se a compensação é suportada pelo crédito calculado segundo os parâmetros estabelecidos na ação judicial. Neste contexto, com vistas a garantir o bom julgamento da lide, SOLICITO o encaminhamento do processo à Delegacia da Receita Federal em Barueri, para que, ratificando a manutenção do amparo judicial à compensação, manifestese acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito alegado para compensa cão com os débitos aqui autuados, considerando também eventuais outros débitos que tenham sido vinculados a mesma ação judicial. Ao final, caso remanesça crédito tributário devido, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindose prazo para complementação de sua defesa, se for de seu interesse. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 5 4 Em atendimento, a autoridade preparadora informou as fls. 518, o que segue: a ação judicial continua em, curso no TRF 3a Região, conforme consulta de 23/04/2010, fls. 516; a contribuinte demonstrou a apuração dos créditos excedentes do PIS e a compensação com o PIS vincendo nos termos da decisão judicial, fls. 94/476; os darf’s de recolhimento do PIS código 3885 foram confirmados no sistema de controle de pagamentos da RFB/SINCOR/TRATAPGTO, fls. 489/514; O crédito apurado mostrouse suficiente para amortização integral dos débitos lançados neste Auto de Infração, restando ainda saldo a compensar com parcelas futuras, conforme relatório do sistema CTIS,fls. 515 e 517; Não houve compensação com outros tributos no período abrangido pelo auto de infração; Em consulta aos sistemas de controle da RFB verificouse que existem compensações em períodos posteriores, que, se forem por conta dessa ação judicial, serão objeto de representação para transferência e controle em outro processo administrativo, até trânsito em julgado da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas, por unanimidade, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para MANTER EM PARTE o lançamento relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Intimada do acórdão supra em 19/07/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Decadência Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 6 5 Compulsando os autos verificase que a matéria controvertida, objeto deste contencioso, referese ao prazo decadencial referente ao presente lançamento. Verifico que houve pagamento por meio de compensação, e que compensação extingue o crédito tributário, e que por isso deve ser considerado para fins de verificarmos a aplicabilidade do art. 150 par. 4º. Versus art. 173, I do CTN A natureza do lançamento tributário é determinada pela legislação do tributo, através da qual é imposto ao sujeito passivo, ocorrido o fator gerador, a obrigação de identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar seu pagamento. Travandose nos autos discussão acerca da exigibilidade do PIS, estamos falando de tributo sujeito a lançamento por homologação (art.150 do CTN), cujo prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos contados da data do fato gerador, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, e não o pagamento propriamente dito. Assim, o contribuinte, ao valorar os fatos nos termos da norma aplicável, identificar a matéria tributável, o sujeito passivo e apurar o imposto devido, chegase a conclusão do valor a ser recolhido, ou não. Neste sentido, entendo deve ser reconhecida a decadência nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, eis que o Auto de Infração, que tem o condão de formalizar o crédito tributário, foi lavrado apenas em 18/07/2003, e as Contribuições ao PIS supostamente devidas, referiamse ao período de janeiro a junho de 1998: Artigo 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos nossos) Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso da PIS. Assim, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. Sob essa ótica, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deve ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN, caso haja comprovação do recolhimento, ou demonstração da compensação realizada. Neste sentido, o seguinte julgado: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 7 6 “DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso especial negado.” (Acórdão 9202002.768. Sessão 06.08.2013) Cumpre salientar que no presente caso a Recorrente não agiu com dolo, fraude ou simulação, bem como quitou o PIS devido através da compensação, autorizada por decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 97.00621332, razão pela qual o prazo decadencial deve ser determinado nos termos do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Assim estando a matéria pacificada neste Colegiado, bem como por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado em 12 de agosto de 2009, cujo acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 8 7 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – Resp 973.733. DJe 18.09.2009) Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13897.000690/200352 Acórdão n.º 3302002.747 S3C3T2 Fl. 9 8 Ademais, conforme bem exposto pelo Recorrente, “...no que tange à prova das compensações realizadas, tratase de fato incontroverso nos autos, tanto que fundamentado na própria decisão recorrida. Ademais, a Recorrente juntou aos autos em 01/06/09 planilhas demonstrativas da composição dos créditos de PIS apurados, seguidas das cópias dos respectivos DARF's que comprovaram os pagamentos indevidos, e ainda, planilha demonstrativa da compensação efetuada justamente com base no Mandado de Segurança n° 97.00621332, de modo que restou inequivocamente evidenciada nos autos.” Assim, deverá ser reconhecida a aplicabilidade do artigo 150, § 4º, do CTN ao presente lançamento para afastar a exigibilidade de parte do crédito tributário referente ao período de janeiro a junho de 1998, haja vista o transcurso de mais de 5 (cinco) anos entre os respectivos fatos geradores e a constituição do crédito tributário. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e, doulhe total provimento para reconhecer a decadência perpetrada nos autos, nos termos da fundamentação supracitada. É como voto (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10480.004107/2002-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA.
DECADÊNCIA. O exercício incorreto da opção pela realização beneficiada do saldo do lucro inflacionário enseja lançamento de oficio pela diferença entre a alíquota favorecida e a alíquota normal. Não exercendo o Fisco o seu direito de lançar no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, a teor do § 4°, artigo, 150 do CTN, ocorre a decadência do mesmo.
MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta
de recolhimento do Imposto de Renda calculado por estimativa, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA MULTA MENOS GRAVOSA. A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que
trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, sendo menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplica-se retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional.
Preliminar de decadência acolhida.
Numero da decisão: 1202-000.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para excluir da tributação o item 01 do auto de infração, intitulado — adições não computadas na apuração do lucro real — lucro inflacionário realizado — realização mínima e, no mérito, pelo voto de qualidade, reduzir a multa isolada ao percentual de 50%.
Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, que limitavam a multa isolada ao imposto de renda apurado na DIPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida 5' TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. DECADÊNCIA. O exercício incorreto da opção pela realização beneficiada do saldo do lucro inflacionário enseja lançamento de oficio pela diferença entre a alíquota favorecida e a alíquota normal. Não exercendo o Fisco o seu direito de lançar no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, a teor do § 4°, artigo, 150 do CTN, ocorre a decadência do mesmo. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do Imposto de Renda calculado por estimativa, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. APLICAÇÃO RETROATIVA DA MULTA MENOS GRAVOSA. A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, sendo menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplica-se retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. Preliminar de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para excluir da tributação o item 01 do auto de infração, intitulado — adições não computadas na apuração do lucro real — lucro inflacionário realizado — realização mínima e, no mérito, pelo voto de qualidade, reduzir a multa isolada ao percentual de 50%. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, que limitavam a multa isolada ao imposto de renda apurado na DIPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. /..-NELSON Ló • Web — Presidente e Relator. _. EDITADO-EM: ‘ 3 O SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi, Valéria Cabral Géo Verçoza, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José de Oliveira Ferraz Corrêa (suplente convocado) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (suplente convocado). Ausentes, justifIcadamente, os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca e Karem Jureidini Dias. Relatório Contra a empresa TV Globo de Recife Ltda., foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls. 14/25, por ter a fiscalização constatado as seguintes irregularidades nos anos- calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, descrita às fls. 15/16: "01- Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real — Lucro Inflacionário Realizado — Realização Mínima — Não foi computado ao lucro líquido o valor do lucro inflacionário realizado, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal em anexo. 2- Falta de Recolhimento/Declaração do Imposto de Renda — Insuficiência de Recolhimento ou Declaração — Insuficiência de recolhimento do imposto de renda devido a título da estimativa mensal, apurado conforme planilhas em anexo e procedimentos descritos no Relatório de Auditoria-Fiscal. 3- Demais Infrações Sujeitas a Multas Isoladas — Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada — Multa Isolada pela falta do recolhimento mensal por estimativa do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, com base em balanços/balancetes de suspensão/redução, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal em anexo." O auditor autuante complementa a descrição dos fatos no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 28/33, de onde extraio o seguinte excerto: "Lucro Inflacionário Realizado — O contribuinte apresentou as Declarações do IRPJ referentes aos anos calendários 1997 e 1998 e DIPJ dos AC 1999 e 2000 com base no Lucro Real, optando pela apuração anual do IRPJ e CSLL. Todavia, deixou de adicionar ao Lucro Líquido o Lucro Inflacionário Realizado. Os valores do IR lançados de oficio, referentes aos anos calendários 1997 a 1999, resultam da falta de adição ao lucro líquido, do percentual de dez por cento do lucro inflacionário acumulado, existente em 31.12.95, conforme previsto nos art. 3a a • ,a et n . .s. . • • . •• • ' :.-•:: . - • • •• cumprimenro dessa obrigação tributária fui corLstatada alija a (.---- 2 Processo n° 10480.004107/2002-03 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.023 Fl. 2 análise nas DIPJ e Livros de Apuração do Lucro Real — LAUR, elementos que compõem o auto de infração. Para o ano- calendário de 1996 a empresa foi autuada nesse parâmetro, através da Operação Malha Fazenda. Compensação Indevida do IRPJ/Multa Isolada elo IRPJ — O contribuinte utilizou de saldo de pagamento irzdevido, apurado no ano-calendário de 1996 e informado na _DLRP.J do exercício 1997, para compensar os valores do imposto de renda mensal por estimativa, do ano-calendário de 1997, calculado com base em balanços/balancetes de suspensão/redução. O IR recolhido a título de estimativa mensal no AC 1996 corresponde a R$ 233.880,30, que deduzido do IR apurado no ajuste, R$ 184.919,43, resulta num saldo de pczgarrzento de R$ 48.960,87. Desse valor foi diminuído o Imposto de Renda Suplementar de R$ 34.728,83, apurado no trabalho de Malha Fazenda, conforme processo n° 10480.0151 78/2001-42, restando, portanto, um saldo de R$ 14. 232,04, que após atualização pela SELIC foi considerado para compensar parte da estimativa do mês de janeiro do AC 1997, demonstrado nas planilhas juntadas ao auto de infração. Do valor remanescente da estimativa de janeiro, foi deduzido ainda o correspondente ao saldo credor apurado no ajuste, ficha 08 da 1.)IRPJ798, R$ 4.688,25. Os valores da estimativa mensal neto recolhidos serão lançados de oficio, juntamente com a Multa Isolada, prevista no art.44, par. 1`; inciso IV, da Lei n°9.430/96. O valor do IR apurado pela empresa na estirnativa do mês de janeiro/98 e informado na DIPJ/99, soma R$ 499_542,63, sendo que R$ 442.644,93 foi recolhido através de DA_RF e R$ 56.897,70 recolhido a título do FINAM ESTIMATIVA no código 6692. Todavia, constata-se que a empresa só poderia utilizar do recolhimento FlNAlvl a parcela do incentivo fiscal, correspondente a R$ 11.721,39, informado na ficha 16 da DIRI. A diferença, valor de R$ 45.175,71, que deixou de ser recolhida em DARF, no código 2362, incide a Multa Isolada. Em maio/98 o contribuinte compensou de forma indevida o valor de R$ 4.688,24, de acordo com os demonstrativos apresentados a SRF, uma vez que a diferença apurada no ajuste da LUPJ/98 já havia sido utilizada na compensação da estimativa de janeiro/97. É devida, portanto, a Multa Isolada, de acordo com o dispositivo legal supra mencionado. No ano-calendário de 1999 foi constatado mais urna vez a compensação indevida do IR, conforme o próprio contribuinte atestou, mediante informação escrita e demonstrativos juntados ao auto de infração. Em anexo, planilhas de compensação elaboradas no trabalho fiscal. Está sendo lançado de oficio o saldo do imposto de renda não recolhido a título de estimativa de dezembro/99, acrescido da Multa Isolada, tendo em vista, no ajuste, a empresa apurar saldo devedor do IR." (11 3 Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 10 de maio de 2002, em cujo arrazoado de fls. 505/508 contesta o lançamento. Em 15 de maio de 2006 foi prolatado o Acórdão n'' 1 1-1 5.261, da 5' Turma de Julgamento da DRJ em Recife, fls. 534/542, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DEC.AD .Ê1VCL4 — Tratando-se de lucro inflacionário, o prazo decadena ial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é contado a partir de cada exercício em que sua tributação deva ser realizada, devendo ser deduzidas, para efeito de determinação do lucro inflacionário a realizar, as parcelas já alcançadas pela decadência. AÇÃO FISCAL. IMPUGNAÇÃO — A impugnação deve limitar-se à infração descrita no auto de infração e somente compreerzder questões pertinentes à matéria objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE. A falta de recolhimento ou recolhimento a menor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada, determinada no artigo 44 ,§ I °, inciso IV, da Lei n°9.439/1996. Lançamento Procedente em Parte." Cientificada em 19 de junho de 2006, AR de fls. 548, e novamente irresignada com o Acórdão de Primeira Instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 19 de julho de 2006, em cujo arrazoado de fls. 550/555, alega, emn apertada síntese, o seguinte: 1- recolheu em 30/06/94 o valor de Cr$ 67.300.809,84 no código 3320, correspondente ao imposto sobre a totalidade do lucro inflacionário diferido; 2- como consequência ficou desobrigada de oferecer à. tributação as parcelas relativas ao lucro inflacionário vincendo, realizado efetiva ou presumidamente; 3- quanto à multa isolada, o imposto pago por estimativa é sempre uma antecipação do valor do tributo efetivamente devido e que necessariamente se apura por ocasião do encerramento do exercício; 4- as eventuais insuficiências que são decorrentes da compensação do que foi recolhido a maior em períodos anteriores, em confronto com o resultado, não podem estar sujeitas à cobrança de mora, qualquer que seja o valor do pagamento, pois ao final a posição se ajusta automaticamente pelo pagamento do imposto sobre o resultado de balanço, pelo cálculo do tributo sobre o fato gerador, definido em lei, ao teor da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 0)70 É o Relatório. 4 Processo n° 10480.004107/2002-03 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.023 Fl. 3 Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias em litígio dizem respeito à realização integral do lucro inflacionário e a multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa. Quanto ao item 01 do auto de infração, a exigência da realização mínima do lucro inflacionário nos anos-calendário de 1997 a 2000, vejo que o demonstrativo de controle do Lucro Inflacionário, SAPLI, juntado aos autos às fls. 528, dá conta que a empresa no mês de junho de 1994 pretendeu realizar integralmente o lucro inflacionário com utilização de alíquota incentivada, conforme previa a Lei n° 8.541/92. Constata-se por esse demonstrativo que o montante realizado, CR$ 1.346.016.197, é inferior ao lucro inflacionário acumulado constante dos controles internos da Receita Federal do Brasil, da monta de CR$ 2.356.924.760. O Fisco teve ciência da pretensão da contribuinte em realizar integralmente o lucro inflacionário por meio de sua Dlit(PJ e pelo recolhimento do tributo em código próprio, portanto, tinha o prazo decadencial de cinco anos para proceder à fiscalização de tal procedimento e exigir a diferença não recolhida. Ultrapassado o prazo quinquenal para o lançamento da diferença não recolhida em junho de 1994, a sua ciência aconteceu em 10/04/2002, fls. 14, é incabível a exigência consubstanciada no auto de infração por realização mínima do lucro inflacionário nos anos-calendário de 1997 a 2000. -A matéria não é nova neste colegiado, tendo o Acórdãõ n° 108-08885, Recurso n° 143.679, da sessão de 26/05/06, ao enfrentar o litígio decidido que cabia ao Fisco questionar dentro do prazo decadencial a insuficiência de recolhimento detectada. Do Acórdão n° 108-08885, voto da lavra do ilustre Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca, extraio o seguinte excerto: "Como visto da leitura dos §§ 3° e 4° retro citados o imposto é de tributação exclusiva e a opção por este regime é irretratável e manifestada através do pagamento. Isto significa que com a opção da tributação exclusiva nasceu o dever do contribuinte de efetuar o pagamento integral e o direito do Fisco de verificar o cumprimento de tal obrigação e, ainda, no caso de constatação de infra ão, de efetuar o lançamento correspondente. Para tanto dispunha o Fisco do prazo de cinco anos (art 150, § 4° do CTN) contados da data do fato gerador (opção pelo regime da tributação exclusiva), 1994. Ocorre que o lançamento foi cientificado ao contribuinte apenas em 2003, quando já transcorrido o qüinqüênio legal estando, portando, decadente. Esta Câmara, já há algum tempo, firmou entendimento neste mesmo sentido como pode ser observado da ementa transcrita a seguir: `IRRI - LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO INCENTIVADA - DECADÊNCIA - O exercício incorreto da opção pela realização beneficiada do saldo do lucro inflacionário enseja lançamento de ofício pela diferença entre a alíquota favorecida e a alíquota normal. Não exercendo o Fisco o seu direito de lançar no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, a teor do § 4 0, artigo, 150 do CTN, ocorre a decadência do mesmo. (Acórdão n° 108-07236, de 05/12/2002, relato do Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior)." Assim, por ter ocorrido a decadência do direito do Fisco efetivar o lançamento, deve ser cancelado o item 01 do auto de infração, denominado - Adições não computadas na apuração do lucro real - Lucro Inflacionário Realizado - Realização Mínima. No que concerne ao item 03 do auto de infração, multa isolada pela insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, verifico que no seu recurso a contribuinte não contesta o procedimento adotado pelo Fisco no que diz respeito à apuração das diferenças detectadas, concentrando seus argumentos apenas na impossibilidade de imposição da multa quando apurado ao final do período montante de imposto de renda inferior ao antecipado pela estimativa mensal. A imposição da multa isolada do Imposto de Renda, em virtude da falta de recolhimento de estimativa, está sustentada no art. 44 § 1° IV da Lei n° 9.430/96. Este dispositivo legal está assim redigido: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Omissis) IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; (Omissis)" Por sua vez, o artigo segundo trata do recolhimento por estimativa, in verbis: "Art. 2°. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do tmpostu, CM cada mês, determinado so •re •ase • e ca cu • • • • • , - • • - • cr 6 Processo n° 10480.004107/2002-03 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.023 Fl. 4 aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. (Omissis)" A Lei n° 9.430/96 alterou para trimestral o período de apuração do Imposto de Renda. Manteve, no entanto, a possibilidade de a empresa sujeita à tributação com base no lucro real continuar efetuando pagamentos mensais por estimativa que, nesse caso, devem ser confrontados com o IRPJ apurado no final do ano. O artigo 1° da citada Lei está assim redigido: "Art. 1 0 A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (Omissis)." A recorrente, optante pela tributação do Imposto de Renda pelo lucro real anual nos anos-calendário de 1997 a 2000, conforme comprovam suas declarações de rendimentos pessoa jurídica, não efetuando integralmente recolhimentos com base na estimativa em relação aos valores do IRPJ, fica sujeita à multa isolada, estando perfeitamente caracterizada a situação prevista no art. 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96, supracitado. O referido enquadramento legal determina a imposição de penalidade quando a contribuinte, sujeita à tributação pelo lucro real anual e ao pagamento mensal do tributo com base no valor estimado, deixa de fazê-lo. Assim, apesar de definida a base de cálculo do imposto após a entrega da declaração de rendimentos, mesmo quando apurado prejuízo fiscal no período, deve ser efetuado o lançamento da multa isolada em relação às parcelas estimadas não pagas, correspondente ao IRPJ não recolhido. Assim sendo, correta a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa. Entretanto, a Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, traz em seu bojo uma redução no percentual da multa isolada imposta no presente caso, de 75% para 50%. Como a Lei n° 11.488/2007 prescreveu multa menor, 50%, que a anteriormente prevista na Lei n° 9.430/1996, 75%, este dispositivo com previsão de multa mais branda retroage em beneficio da pessoa jurídica autuada, de conformidade com o art. 106 do Código Tributário Nacional. ç"--)1 7 — - . Pelos fundamentos expostos, voto no sentido acolher a preliminar de decadência para excluir da tributação o item 01 do auto de infração, denominado Adições não computadas na apuração do lucro real — Lucro Inflacionário Realizado — Realização Mínima, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa isolada ao percentual de 50%. elson Lós o Filp Presidente e Relator. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ./1/ Processo : 10480.004107/2002-03 Recurso : 153.198 Acórdão : 1202-00.023 • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1202-00.023. Brasília - DF, em 30 de setembro de 2009 gLe-À/ )físé Roberto Frar-TW-- Secretári da 2a Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 13683.000043/2002-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. INOVAC¸A~O NA MOTIVAC¸A~O DO DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE DECLARADA DE-OFÍCIO.
A DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade, não pode inovar nos fundamentos do despacho decisório, alterando a motivação da o não-reconhecimento do direito ao crédito. Nulidade declarada de-ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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DECISÃO DA DRJ. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇAÕ DO DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE DECLARADA DEOFÍCIO. A DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade, não pode inovar nos fundamentos do despacho decisório, alterando a motivação da o não reconhecimento do direito ao crédito. Nulidade declarada deofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 3. 00 00 43 /2 00 2- 75 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 877 e ss.): Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de Apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI nº 10.276,de 2001. O direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI com base na Lei nº 10.276, de 2001, se condiciona a que sejam considerados nos cálculos do montante a ressarcir os gastos com combustíveis adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, desde que tenham sofrido a incidência do Pis/Pasep e Cofins. Assim, não integram a base de cálculo os combustíveis adquiridos de pessoas físicas e de não contribuintes que não sofreram a incidência destas contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DECRETO nº 70.235, de 1972. Perícia e diligência. Indeferimento. Prescindibilidade. Indeferemse os pedidos de perícia e diligência uma vez que as conclusões acerca da matéria foram equacionadas à vista dos elementos trazidos ao processo e da legislação e, quando não trazidos aos autos, nem por amostragem, elementos capazes de infirmar a convicção do julgador. Solicitação Indeferida. A manifestação de inconformidade foi limitada ao não reconhecimento do direito ao ressarcimento do PIS/Pasep e Cofins incidentes nas aquisições de lenha e de carvão vegetal, conforme Anexo III (Carvão Vegetal Euc. Grandis Comum, Carvão Vegetal Euc. Saligna Comum, Lenha de Pinnus e Lenha de Eucalipto). De acordo com a informação fiscal de fls. 645 e ss,, a lenha e o carvão são adquiridos na condição de “mata em pé”, contabilizados como ativo imobilizado. A DRJ, por sua vez, entendeu que a pretensão do Recorrente não encontraria amparo no § 1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 e do Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002. Isso porque, embora a participação destes itens no processo produtivo de silício metálico tenha se mostrado evidente, as aquisições de pessoas físicas não sofrem incidência do PIS/Pasep e da Cofins, o que inviabilizaria o reconhecimento do direito ao ressarcimento. Assim, seria irrelevante a forma de contabilização da aquisição de maciços florestais e a entrada dos produtos na empresa. Por fim, no tocante às notas das transportadoras, também não haveria direito ao crédito do frete, porquanto o produto transportado não estaria inserido no conceito de insumo. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13683.000043/200275 Acórdão n.º 3802004.297 S3TE02 Fl. 954 3 O Recorrente, nas razões de fls. 890 e ss., sustenta que a lenha e carvão, adquiridos ainda na condição “mata em pé”, integram o processo produtivo, sendo inaplicável o entendimento do Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002. Aduz que os pagamentos realizados a título de frete no transporte destes insumos integram o respectivo custo, sendo devido o direito ao ressarcimento na forma do art. 1º, § 1º, da Lei nº 10.276/2001. Alega que, não tendo sido deferida a perícia requerida na manifestação de inconformidade, a decisão recorrida seria nula, na forma do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. Requer, por fim, o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 18/11/2008 (fls.889), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 18/12/2008 (fls. 890), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Compulsando os autos, em especial a Informação Fiscal de fls. 645 e ss. e as razões da decisão recorrida (fls. 877 e ss.), notase que houve inovação da fundamentação para o não reconhecimento do direito ao crédito. O despacho decisório de fls. 751 e ss. foi baseado na informação fiscal de fls. 645 e ss., que, por sua vez, afastou o reconhecimento do direito ao crédito porque a lenha e o carvão vegetal adquiridos ainda na condição de “mata em pé” seriam contabilizados como ativo imobilizado: Conforme informado, a empresa adquire de outros a “mata em pé” e a contabiliza no ativo imobilizado, pois o ciclo de produção é de sete anos. Posteriormente, contrata terceiros para realização dos serviços de derrubada, corte, enleiramento e cozimento da lenha (este último somente para produção de carvão vegetal). Em seguida são contratadas transportadoras para efetuar o transporte entre os locais onde se situam os maciços florestais (filiais da Liasa) e a fábrica de silício metálico em Pirapora/MG. Esta operação é acobertada com a emissão pelas filiais de notas fiscais de transferência, sendo expedida uma nota fiscal de entrada pela matriz a cada quinzena englobando todas as entradas oriundas de produtores rurais neste período. Desta forma, como o evento considerado pelo contribuinte como aquisição de matériaprima para compor a base de cálculo do crédito presumido é a obtenção de terceiros da “mata em pé” e como esta operação é classificada pela empresa no Ativo imobilizado, ou seja, contabilizada no Ativo Permanente, concluise que, de acordo com a legislação supracitada, tal aquisição não gera direito a ressarcimento de crédito presumido. 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 955DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A DRJ, por sua vez, entendeu que a pretensão do Recorrente não encontraria amparo no § 1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001, consoante orientação do Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002 (fls. 885 e ss.): Relativamente às exclusões do Carvão Vegetal Euc. Grandis Comum, Carvão Vegetal Euc. Saligna Comum, Lenha de Pinnus e Lenha de Eucalipto, no montante de R$ 2.354.429,15 (Anexo II fls. 627), a linha de defesa apresentada pela empresa assevera que os referidos produtos 'foram utilizados no processo produtivo do silício metálico ”, passando em seguida a descrever as fases desde a aquisição dos maciços florestais até a chegada do carvão vegetal e da lenha no estabelecimento da reclamante. A participação destes itens como 'combustíveis no processo produtivo do silício metálico restou evidente, porém, outros aspectos além deste devem ser sopesados, para que os mesmos possam ser inseridos na base de cálculo do crédito pleiteado. As aquisições de carvão vegetal e de lenha, confonne exemplos das notas fiscais de fls. 599/615, não podem compor a base de cálculo do lucro presumido, eis que não sofreram a incidência das contribuições a que o crédito presumido se propõe a ressarcir Pis/Pasep e Cofins, contrariando o disposto no caput do §1° do artigo 1° da Lei n° 10.276, de 2001, cabendo transcrevêlo: [...] Assim, com relação às exclusões dos valores correspondentes às aquisições de pessoas físicas produtores rurais, no caso e de outros não contribuintes do Pis/Pasep e da Cofins, esclareçase que, pelos termos da legislação de regência do crédito presumido do IPI, somente as aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI), materiais de embalagem (ME), energia elétrica e combustiveis que tenham sofrido a incidência do Pis/Pasep e da Cofins, podem ser incluídos no cálculo do beneficio, como se observa pela redação do art. 19 da Lei ng 10.276, de 2001, acima transcrito. Logicamente que, se o crédito em questão se destina a ressarcir o valor das contribuições que tenham gravado os insumos (MP, PI e ME), não havendo a incidência dessas exações na operação, não haverá o que ressarcir, sob pena de proporcionar o beneficio em dobro. Está expresso na Lei n° 10.276, de 2001, a condição para usufruir o beneficio, ou seja, a incidência das contribuições (Pis e Cofins) na aquisição dos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, bem como nas aquisições de energia elétrica e combustíveis, no caso, carvão vegetal e lenha, vedação que exclui os produtos rurais adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas de produtores no cálculo do crédito presumido de IPI. A propósito do tema, foi editado o Parecer PGFN/CAT n° 3.092, de 2002, esclarecendo que o produtor exportador. tem direito aos valores referentes ao crédito presumido de IPI, somente quando o fornecedor de insumos seja contribuinte do Pis/Pasep e da Cofins. Referido parecer alinha decisões judiciais unânimes no mesmo sentido, proferidas pelo TRF da 5ª Região, nos Agravos de Instrumento n°s 31740 e 32877, ambos pertencentes à Quarta Turma e publicados no Diário do Judiciário em 09/04/2001 e 02/02/2001, respectivamente. Ao referido parecer coube interpretar a legislação sob a égide da Lei n° 9.363, de 1997, pois neste diploma, não se encontrava expressa a necessidade da incidência do Pis/Pasep e da Cofins nas aquisições de pessoas fisicas (produtores rurais) e de cooperativas de produtores no cálculo do crédito presumido de IPI., portanto, tal matéria, à luz da Lei n° 9.363, 1997 precisou ser pacificada, mas, no regime altemativo (Lei n° 10.276, de 2001), se encontra expressa de fonna cristalina e Fl. 956DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13683.000043/200275 Acórdão n.º 3802004.297 S3TE02 Fl. 955 5 inconteste que a incidência das contribuições é requisito indispensável à concessão do incentivo. A decisão recorrida acrescenta ainda que (fls. 886): No trimestre em questão, a empresa apenas adquiriu serviços de terceiros, produtores rurais, que beneficiaram a madeira de propriedade da própria empresa, conforme destacado no corpo da notas fiscais de fls. 599/615, concluindose, portanto, pela procedência das exclusões das aquisições de pessoas fisicas que não tenham sofrido a incidência do Pis/Pasep e da Cofins. E mais, as circunstâncias aventadas pela interessada com relação à fonna de contabilização da aquisição dos maciços florestais no passado e à entrada dos produtos na empresa, não têm nenhuma relevância para a formação de convicção desta julgadora, já que as notas fiscais glosadas se referem à aglutinação quinzenal de notas fiscais de produtores rurais, cujos exemplos se encontram às fls. 599/610 e sobre as quais não restam dúvidas de que foram emitidas para amparar operações que não sofreram a incidência do Pis/Pasep e da Cofins, confonrie observação no corpo dos próprios documentos, que fazem menção às notas fiscais de produtor rural e ao número do processo de desmate. Ou seja, a indicação no corpo das notas fiscais de transferência de que acobeitam as notas de produtor rural, são provas suficientes a respaldar o entendimento na aplicação da legislação. Relativamente às notas das transportadoras (amostras às fls. 611/615), não podem ser aceitas, pois, não há como considerar o transporte se o próprio produto transportado não se insere no conceito legal exigido. Tais argumentos, com a devida vênia, embora relevantes, representam inovação na motivação do ato administrativo fiscal, uma vez que não constaram da informação fiscal que serviu de base para o despacho decisório (fls. 751 e ss. e fls. 645 e ss.). Tanto é assim que o Recorrente, na manifestação de inconformidade de fls. 858 e ss., não apresenta qualquer alegação acerca dessa matéria. Portanto, a decisão recorrida, ao inovar no julgamento da manifestação de inconformidade, violou o direito de defesa do Recorrente, sendo nula de pleno direito, na forma do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mesmo sentido, cumpre destacar os seguintes julgados do Conselho de Contribuintes e do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 A inovação, pela DRJ, na motivacã̧o e fundamentação do lançamento ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido. (CARF. 3ª S. 1ª T.O. 4ª C. Ac. 3401002.842, s. de 27/01/2015. Rel. Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça). No voto do eminente Conselheiro, são destacados ainda: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 3a SJ, 1a TE. Proc. 10480.914180/200953, julgado em 30/01/2013. Rel.José Luiz Bordignon) IRPJ NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ FUNDAMENTO DISTINTO DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA É nula a decisão que mantiver o lançamento com fundamentos distintos dos que basearam o auto de infração, em razão de não permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte em face da inovação após a sua impugnação. (Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo 11020.003043/200467, julgado em 17/08/2006) CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO COM ANÁLISE DE ARGUMENTO QUE NÃO CONSTA NO LANÇAMENTO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumentos presentes no lançamento e no recurso. A inovação de motivação confunde o sujeito passivo, cerceando sua defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância. (Segundo Conselho de Contribuintes. Processo 14041.001182/200749, julgado em 03/12/2008) Assim, por se tratar de matéria que pode ser conhecida deofício, entendo que deve ser anulada a decisão recorrida. Votase pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para anular de ofício da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13683.000043/200275 Acórdão n.º 3802004.297 S3TE02 Fl. 956 7 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13907.000186/2002-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62 A DO RICARF). PRAZO. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005.
PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo é de 10 anos, conforme entendimento externado no RE 566.621.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62 A DO RICARF). PRAZO. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo é de 10 anos, conforme entendimento externado no RE 566.621. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. EDITADO EM: 23/01/2015 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 23/ 01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias). Relatório A Recorrente, Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com o decidido no Acórdão CSRF/02-03.184, proferido na sessão da CSRF de 30/06/2008, apresentou recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, com fulcro no artigo 9 º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pelo Portaria MF nº147/2007, vigente à época da aludida decisão. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega, em suma, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 anos, ocorre com o pagamento indevido, nos termos do art. 168, do CTN. O recurso foi processado em observância ao art. 4º da Portaria MF 256/2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e assim dispõe (redação dada pela Portaria MF 446/2009): ART. 4º OS RECURSOS COM BASE NO INCISO I DO ART. 7º, NO ART. 8º E NO ART. 9º DO REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, APROVADO PELA PORTARIA MF Nº 147, DE 25 DE JUNHO DE 2007, INTERPOSTOS CONTRA OS ACÓRDÃOS PROFERIDOS NAS SESSÕES DE JULGAMENTO OCORRIDAS EM DATA ANTERIOR À VIGÊNCIA DO ANEXO II DESTA PORTARIA, SERÃO PROCESSADOS DE ACORDO COM O RITO PREVISTO NOS ARTIGOS 15 E 16, NO ART. 18 E NOS ARTIGOS 43 E 44 DAQUELE REGIMENTO. (NR) A matéria recorrida alcança o prazo para repetição/compensação de tributos, sendo que o acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: Ac. CSRF 02-03.184 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO – DECADÊNCIA - O termo inicial de contagem do prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em sede de ADIN, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou,modificadora do tributo. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 23/ 01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13907.000186/2002-13 Acórdão n.º 9100-000.970 CSRF-T3 Fl. 6 3 Recurso Especial (Procurador) Negado. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar a observância da semestralidade do PIS entre os períodos de outubro/1995 e fevereiro/1996." A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão CSRF/04-00.810, de 03/03/2008, que na questão em debate traz como ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO INDEVIDO, PAGO ESPONTANEAMENTE, PERECE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, SENDO IRRELEVANTE QUE O INDÉBITO TENHA POR FUNDAMENTO INCONSTITUCIONALIDADE OU SIMPLES ERRO (ART. 165, INCISOS I E II , E 168, INCISO I, DO CTN, E ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA). RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO. Pelo Despacho de nº 9100-00.354 – Pleno, sob o entendimento de terem sido observados os requisitos legais, o recurso foi admitido. Consta do Despacho de admissibilidade: Pois bem, na análise da decisão e dos fundamentos dos arestos confrontados, verifica-se que a divergência está patente: a forma de contagem do prazo na decisão recorrida extrapola 5(cinco) anos do pagamento, já no acórdão paradigma este prazo é rígido, “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. A interessada apresentou contrarrazões onde em apertada síntese pede a manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário de divergência, alegando, em suma, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 anos, ocorre com o pagamento indevido, nos termos do art. 168, do CTN. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 23/ 01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 Trata-se de pedido de restituição/compensação da contribuição para o PIS, relativa aos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Em síntese: - O referido pedido foi protocolizado em 28/05/2002 e se refere ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. - A decisão recorrida – aplicou o início do prazo de 5 anos a contar da ADI 1.417-0/DF. - A Fazenda Nacional – pede o início do pagamento – 5 anos (art. 168, inciso I, do CTN), contados da extinção do crédito tributário. Consta da decisão a quo: Ac. nº 202-17.675 No entanto, o referido art. 15 da MP nº 1.212/95 veio a ter sua inconstitucionalidade declarada em agosto de 1999, estando tempestivo, pela posição majoritária existente hoje nesta Câmara, o pedido de restituição/compensação relativo aos meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, no valor que exceder ao devido, apurado nos termos da LC nº 07/70, considerada a semestralidade da base de cálculo, sem correção da mesma. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à repetição do indébito porventura existente nos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, na parcela que exceder ao devido, nos termos da LC nº 07/70, consoante os fundamentos deste voto. Passo à análise do recurso interposto. A matéria já se encontra pacificada neste Colegiado. De acordo com o art. 62 - A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, em conformidade com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 23/ 01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13907.000186/2002-13 Acórdão n.º 9100-000.970 CSRF-T3 Fl. 7 5 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Assim sendo, considerando que o pleito se refere aos valores pagos a maior relativo aos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 e a data da protocolização do pedido de restituição na via administrativa se verificou em 28/05/2002, aplicando-se a tese dos 5+5 (10 anos) nenhum período encontra-se decaído/prescrito. CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 23/ 01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 11850.000103/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES.
Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida.
Embargos acolhidos parcialmente.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido
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Interessado LUFTHANSA CARGO A.G. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 03 /2 00 8- 41 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 243), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A empresa LUFTHANSA CARGO A.G., opôs os presentes Embargos de Declaração de decisão emanada por esta 2ª Turma Especial, em Acórdão ementado nos seguintes termos: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado No caso em tela, foi negado provimento a Recurso Voluntário no qual o contribuinte arguiu que houve nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal da infração, e que eventual violação de multa por embaraço à fiscalização deveria vir acompanhada de descrição condizente. Percebendo omissão e contradição no julgado, o contribuinte opôs os presentes embargos, alicerçado nos seguintes itens: Questiona que o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94 não estabelece qual o prazo que deve ser observado pelo transportador aéreo, deixando a questão carente de regulamentação, sendo pois não executável para fins de aplicação da multa pelo eventual descumprimento da norma, pois “no momento de sua chegada” não pode ser interpretado como prazo; Que a referida questão foi levantada no oferecimento da impugnação e da interposição do recurso voluntário, porém assevera que deixou de ser analisada objetivamente; Que a questão foi analisada, em caso semelhante, em relação a ausência de regramento disciplinador do prazo para as empresas através de Ação Ordinária, onde foi decidido pela impossibilidade de penalização do contribuinte no caso de não estabelecimento de prazo pelo legislador antes das alterações introduzidas pela IN/SRF nº 510/05, cuja vigência se deu após 14 de fevereiro de 2005; Informa que registrou as informações necessárias conforme Instrução Normativa nº 102/94 e do art. 107, IV, “e” e do DecretoLei nº 37/66; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 3802003.941 S3TE02 Fl. 245 3 Informa obscuridade sobre se a autoridade julgadora reconhece que a embargante, de fato, registrou as informações; e porque o registro espontâneo não é válido, pois, de acordo com o art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66, a providência de registro em denúncia espontânea por parte do contribuinte “(...) exclui a aplicação de penalidade (...)”. Recebidos os autos, incluílos em pauta para apreciação dos aclaratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 243), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, passo à análise dos Embargos. Compulsando os autos, verifico que não há a contradição apontada. Ao contrário, o Embargante pretende se valer dos presentes aclaratórios para rediscutir a matéria mediante reforço dos seus argumentos. Isso porque, nada obstante não ter ocorrido manifestação expressa e exaustiva sobre a interpretação de todas as normas apontadas pelo Recorrente, a conclusão foi bastante clara quanto à possibilidade de se responsabilizar o transportador de carga. O Embargante assevera que a expressão “no momento da chegada” não pode ser determinada como parâmetro de controle de horários para a apresentação de registros de mercadorias, conforme inteligência do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94. Ora, o inconformismo do Embargante quanto à conclusão do Acórdão no sentido de que a autoridade administrativa acertou em sua interpretação da expressão “no momento da chegada”, não é razão suficiente para embargos de declaração. Deve ser explorado na via própria, que é o recurso especial, uma vez superados seus requisitos para admissibilidade. Em relação ao instituto da denúncia espontânea igualmente não assiste razão, uma vez que o contribuinte cometeu infração por obrigações acessórias, com relação às quais descabe o benefício da denúncia espontânea. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará concretizada. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Admitir a denúncia espontânea no caso em tela, seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. De igual modo, a multa a ser aplicada no caso em tela não é feita por provocar prejuízos materiais ao fisco, mas por simples descumprimento de obrigação acessória. Assim é que, uma vez ocorrido o fato gerador, nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo está vinculado ao ente tributante para cumprir com um dever formal diferente do pagamento. Seu descumprimento já é mais do que suficiente para a imputação de penalidade: tratase de multa de caráter formal. Assim, o fato de não haver falta de recolhimento de tributos não pode servir como excusante para aplicação de penalidade pelo sujeito passivo quanto ao descumprimento de suas obrigações acessórias. A rigor, a simples independência entre essas duas obrigações já leva a essa conclusão. Conclusão Ante todo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração para, provendo os parcialmente de modo a colmatar a omissão apontada, sem, no entanto, aplicar os efeitos infringentes objetivados pelo Embargante. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.004465/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS.
Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Numero da decisão: 3102-01.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Almeida Filho – Redator Designado EDITADO EM: 17/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório A recorrente solicitou o ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, com base na Lei n.º 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O pleito foi deferido parcialmente, sendo que a parcela negada deveuse à exclusão, do cálculo do crédito presumido, das compras de bens de pessoas físicas e aquisições de bens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como estabelecido na legislação do IPI. Tempestivamente, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não teria restringido, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo, e que teria direito à atualização dos valores pleiteados. Ampara sua análise da legislação em entendimentos dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 576 3 A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 4 § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não serem relevantes para este julgamento as alegações de que esta norma seria ilegal. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, ressalvadas apenas as hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. Além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 577 5 A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/20022 e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/983, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. 2 Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002). 3 Norma que alterou o Regulamento do IPI de 1985 (RIPI/85), vigente à época dos fatos deste processo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 6 Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 578 7 § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, energia elétrica e combustíveis, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 8 No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96, não reconhecidas pela fiscalização, não estão amparadas na lei 9.363/96, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado . Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o crédito presumido de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu crédito parcialmente reconhecido. Dentre os valores glosados se encontram aqueles referentes às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º4 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seu limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. 4 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 579 9 Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.5 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 5 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 10 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 580 11 intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 12 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima,. que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 581 13 Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10510.003038/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO REFLEXO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO CANCELADO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. EFEITOS.
A tributação lançada como reflexa, decorrente de ato de exclusão do Simples posteriormente cancelado por este Colegiado, merece a mesma sorte.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO REFLEXO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO CANCELADO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. EFEITOS. A tributação lançada como reflexa, decorrente de ato de exclusão do Simples posteriormente cancelado por este Colegiado, merece a mesma sorte. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 30 38 /2 01 0- 18 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 300 3 Relatório Versa o processo de Auto de Infração por falta ou insuficiência de recolhimento de PIS/COFINS, no valor originário de R$ 15.091,70, sendo R$ 4.223,31 referentes ao PIS e R$ 10.868,39 relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A auditora fiscal responsável pelo lançamento descreve como fato gerador da obrigação tributária os seguintes argumentos: a) Que a empresa Albert Einstein Ltda. (alterada para Sistema Educacional Intellectus Ltda.), por ter como objeto a prestação de serviços de ensino (primeiro e segundo grau) estaria impossibilitada de ser optante do SIMPLES; e que houve desmembramento para exclusão de atividades do ensino médio (a fim de se optar pelo simples) originando o Sistema Educacional Intellectus Ltda. Porém, conforme inciso XVII do art. 9º da Lei 9.317/96 há vedação do regime tributário do SIMPLES, resultantes de cisão ou qualquer outro desmembramento; b) Que tais fatos levaram ao Ato Declaratório Executivo nº 40, o qual excluiu do SIMPLES o sujeito passivo nos termos do § 1º, Inciso II, do art. 24, da IN SRF. c) Finaliza alegando que o sujeito passivo não entregou o Livro de Apuração do Lucro Real, procedendo então o lançamento do IRPJ e CSLL, apurados com base no Lucro Real Trimestral, já as contribuições do PIS/COFINS foram pelo regime de apuração cumulativo; DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 17/08/2010, conforme AR de fls. 164 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Impugnação em 10/09/2010, aduzindo que: a) Não omitiu receitas e nem tampouco deixou de recolher os tributos autuados, tendo em vista a pendência de Recurso Voluntário contra o Ato Declaratório 40/2007 que discutia sua exclusão do simples; b) No período fiscalizado (07/2005 a 06/2007) estava regularmente inscrita no Simples, permanecendo nessa condição até entendimento exarado no ADE 40/2007 (25/09/2007), não podendo ser responsabilizada pela morosidade da fiscalização em não ter requerido sua exclusão anteriormente; c) Afirma que qualquer crédito tributário decorrente da referida exclusão não é certo e exigível, estando suspenso nos termos do 151 do CTN até decisão administrativa do recurso voluntário contra o ADE 40/2007; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 d) Teria direito ao tratamento jurídico diferenciado para Microempresas e EPP’s por força do art. 1º e 12 da Lei nº 9.841/99, sendo primeiramente orientada pelo Fisco e somente após autuada (regra da dupla visita nas fiscalizações); e) Haveria decadência com relação à competência 07/2005 com base no art. 150, §4º do CTN, sendo que tal exigência configuraria no confisco proibido pelo art. 150, IV da CF/88; f) Com doutrina e jurisprudências, afirmou que a multa de 75% seria errônea porque acreditava de boafé, recolher tributo como optante do regime Simples. Suscitou ainda a questão da existência de discussão administrativa contra o ADE 40/2007, o que acarretaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sendo que por força do art. 52, §1º da Lei nº 8.078/90, com a redação dada pela Lei nº 9.298/96, a multa estabelecida não poderia ser superior a 2%. Sucessivamente, se desconsiderado este percentual, não poderia ultrapassar 20% em razão de decisão prolatada pelo STF no RE/582.461SP, como repercussão geral, quanto à multa moratória; g) Quanto a taxa de juros, afirmou que deveria ser aplicado o limite percentual de 1%, nos termos do art. 59 da Lei nº 8.383/91, tendo em vista que as leis 9.250/95, 9.430/96 e 11.941/09 não a revogaram; h) A taxa SELIC posteriormente a janeiro/96 seria inconstitucional e feriria o princípio da indelegabilidade tributária e legalidade, por ser regulamentada pelo BACEN, e ainda sustentou que no caso de utilização, segundo STJ não se poderiam acrescer juros maiores que 1% a.m. Por fim requereu a nulidade do ato, e que fosse realizado o julgamento simultâneo dos autos de infração de IR/CSLL/PIS e COFINS e todos pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal n°. 0520100/00095/10, em razão da conexão, e das provas/documentos acostados ao presente processo, conforme determina inclusive o §1° do artigo 9º do Decreto 70.235/72 e a competência do 1º Conselho de Contribuintes. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (DRJ/SDR), houve por bem em considerar procedente em parte a impugnação, proferido Acórdão nº. 1529.764, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 PESSOA JURÍDICA. CISÃO. DESMEMBRAMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 301 5 A pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento não poderá optar pelo SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES em decorrência de ser resultante de cisão ou desmembramento sujeitarse á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. O Código de Defesa do Consumidor não compõe o rol da legislação tributária, pois não versa no todo ou em parte sobre tributos, sendo inaplicável às relações jurídicas a eles pertinentes. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa do SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em síntese a DRJ/SDR, houve por bem em considerar procedente em parte a Impugnação do sujeito passivo, para acatar a arguição de decadência da competência de 07/2005 (tanto na autuação de PIS, quanto de Cofins), em razão de não entender caracterizada a existência de dolo, fraude, ou simulação, contandose o quinquênio legal nos termos do art. 150, §4º do CTN, em razão das antecipações realizadas na sistemática do Simples. Meritoriamente a DRJ acima mencionada entendeu que o sujeito passivo foi constituído através de desmembramento de pessoa jurídica e, que desta forma os efeitos da exclusão do SIMPLES correm desde sua constituição, por força do art. 9º XVII combinado com o art. 15, II, e com o art. 16, da Lei nº 9.317/96, portanto, o pedido para que a exclusão tenha efeitos somente a partir da decisão administrativa ou judicial irrecorrível não pôde ser acolhido por absoluta falta de amparo legal. No que tangem às multas discutidas pelo contribuinte, a DRJ/SDR pontuou a previsão legal para a aplicação da multa no percentual de 75% e esclareceu não se aplicar à esfera tributária a multa de 2% prevista no Código de defesa do Consumidor. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão supracitado em 05/03/2012, conforme AR de fls. 260 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 262/275) em 23/03/2012, a fim de requerer, através da Súmula Vinculante nº 21 a dispensa de fazer depósitos ou arrolamento prévios de dinheiro ou bem como condição para apresentar Recurso Administrativo. No Mérito, repisa os argumentos já levantados em sede de Impugnação, e que por brevidade, não os repetirei, salientando ainda: a) Que ao contrário do que sustenta o Fisco, não se trata de pessoa jurídica resultante de cisão, a qual enseja a exclusão do Simples, mas sim, é, desde sua constituição uma “empresa remanescente”, não existindo vedação legal para que este tipo de empresa adote aquela sistemática; b) Que não pode ser exigida dos tributos autuados enquanto há pendência de apreciação do recurso voluntário que discute o ADE 40/2007; c) Que a multa no percentual de 75% é confiscatória; d) Que o sujeito passivo elencou as diversas ilegalidades praticadas quando da constituição do crédito tributário, sendo necessário destacar o fato da empresa não ter o seu tratamento diferenciado por ser EPP, estando sob a égide da Lei 9.481/99; e) Não foi observado o fato de que a exclusão do Simples estar sendo impugnada administrativamente sendo suspensa por determinação legal a exigência de tais valores (Art. 151, III, CTN); f) Afirma ter direito de não ser caracterizada como resultante de desmembramento ou cisão porque os atos praticados não ocorreram nos termos definidos pelo art. 229 da Lei das S/A; g) Que quem se enquadraria em desmembramento seria a Sistema Educacional Intellectus I LTDA, portanto, só se pode enquadrar a Sistema Educacional Intellectus LTDA como remanescente e não resultante de cisão, não havendo vedação legal para tanto, afirmando ter consultado o Manual de Perguntas e Respostas da RFB, especificamente em sua pergunta 150; h) Que a retirada de algumas atividades de seu objeto social contribuiu para diminuir a receita bruta anual justamente para ser optante do Simples, sistema este incentivado pelo governo pela Lei 10.034/2000, sendo um contra senso sua exclusão deste regime; Ao final a recorrente requereu a reforma do acórdão da DRJ/SDR a fim de se cancelar o auto de infração, e, caso não seja decretada sua nulidade (em razão da decadência dos tributos) que seja decretada a suspensão da sua exigibilidade dos mesmos. DO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 302 7 Em análise aos pontos suscitados pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário, a Primeira Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª Turma), proferiu a o Acórdão 110200.652 , em 16 de janeiro de 2012, dando provimento ao recurso pela comprovação de que a recorrente não agiu de má fé, realizando alteração contratual para se incluir no comando do artigo 1º da Lei 10034/2000, sendo este procedimento lícito, amparado no instituto da elisão fiscal. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Em análise aos pontos suscitados pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário, a Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª Turma), proferiu a Resolução nº 3402000.500 , em 29 de novembro de 2012, a qual determinou a conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Preparadora acostasse a decisão definitiva do processo nº 10510.002435/200777 em que se discute a exclusão ou não do contribuinte do SIMPLES, para que assim seja decidido aqui se existe ou não embasamento para a cobrança do PIS e da Cofins. Às fls. 284 (n.e) foi anexado ao processo a cópia da decisão final proferida no âmbito do PAF 10510.002435/200777, sob despacho de encaminhamento de fls. 296 (n.e), propondose a devolução dos autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Em sendo atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, o que confirmo, deve ser conhecido o recurso. A questão em tela, apesar de delongada em razão dos vários argumentos constantes do recurso do contribuinte a que devo analisar, não merece maiores considerações, pois que existente questão prejudicial a qualquer observação que se possa fazer, desencadeando o cancelamento sumário destes autos de infração, conforme exponho abaixo. É que, de acordo com o relato acima, tratase este processo de autos de infração de PIS e de COFINS, decorrentes da exclusão do contribuinte sujeito passivo do Simples através do Ato Declaratório Executivo nº. 40/2007, ensejando a exigência das autuadas contribuições pretensamente não recolhidas na forma considerada correta pelo Fisco. Ao longo de todo o processo o sujeito passivo alega que estão suspensas quaisquer cobranças de tributos decorrentes de decisão que esteja pendente ainda de julgamento por parte da Autoridade Administrativa, sendo necessário que se decidisse primeiramente sua exclusão do Simples, para depois dar rumo às cobranças fiscais daí decorrentes. Ora, então nada mais óbvio do que, antes de analisar quaisquer aspectos constantes dos autos, verificar qual o destino que tenha sido dado à dita exclusão da empresa autuada do Simples, o que, constato então, no caso em tela, que tenha a mesma sido CANCELADA, e considerado provido o recurso do contribuinte naqueles autos. Do processo verifiquei que a exclusão do Simples do qual decorre a autuação aqui analisada, está consubstanciada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº. 10510.002435/200777, e que o mesmo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho em 16/01/2012, sendo considerada por aquele Colegiado como improcedente a exclusão da ora recorrente do Simples, nos termos do Acórdão nº. 1102 00.652, que restou assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 EMPRESA REMANESCENTE – Desmembramento ocorrido em 01/01/2001 para beneficiarse da tributação simplificada (Lei 10034 de 24/10/2000. art.1o.) incluise no rol da elisão fiscal que era permitida até o advento da Lei Complementar 123 de 14/12/2006, que expressamente proibiu à remanescente de optar pelo SIMPLES. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 303 9 maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Elisa Bruzzi Boechat, nos termos do voto do relatora”. Como se observa, uma vez que a origem na qual se pretende embasar a cobrança do PIS e da COFINS aqui discutida não vigora mais no mundo jurídico, inexiste a falta/insuficiência de recolhimento dos tributos autuados, devendose de plano serem cancelados os autos de infração constantes deste processo. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho acompanha minhas razões: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1999 a 31/03/2005 EXCLUSÃO. CANCELAMENTO DO ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS. O cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES em decisão definitiva devolve à empresa sua condição de optante pelo referido sistema, não sendo exigidas as contribuições previdenciárias”. (ACÓRDÃO 20501.369. 2º Conselho de Contribuintes 5a. Câmara. Data de publicação: 02/12/2008) “[...] LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, pois decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova.” (CARF 1ª. Seção / 2ª. Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.643 em 01/09/2010) Assim, na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, cancelandose as autuações versadas neste processo. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10882.901932/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 32 /2 00 8- 11 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 36764.00220.090304.3.049248,, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.440,15, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração abril de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSP e não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901932/200811 Acórdão n.º 3803006.972 S3TE03 Fl. 161 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 8 de novembro de 2012, quintafeira, conforme AR de fl. 31, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 32/33. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. A data final para apresentação do recurso foi 8 de dezembro de 2012, sábado, estendendo o direito de apresentar o recurso para o dia 10 de dezembro de 2012. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não estampa preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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