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Numero do processo: 13852.000409/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 2. 00 04 09 /2 00 2- 17 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13852.000409/200217 Acórdão n.º 3402002.171 S3C4T2 Fl. 183 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 164/174) interpostos pela d. PGFN, por suposta omissão no v. Acórdão nº 3402001.967, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 333/348 constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) de minha relatoria que, em sessão de 28/11/13, por maioria de votos (vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Luiz Carlos Shimoyama), deu provimento ao recurso voluntário interporto pelo sujeito passivo para conceder o direito a correção monetária dos créditos presumidos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, aos seguintes fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543 C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Luiz Carlos Shimoyama. (...) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D´ Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.”. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Entende a d. Embargante que, considerando que os precedentes jurisprudenciais citados como precedentes pelo Acórdão embargado apenas concedem o direito quanto há resistência ilegítima da Administração, e apenas houve indeferimento, pela administração, de crédito no valor de R$3.379,00 (três mil, trezentos e setenta e nove reais), de um total pleiteado de R$396.145,09 (trezentos e noventa e seis mil, cento e quarenta e cinco reis e nove centavos), residindo aí a resistência ilegítima de que tratam os precedentes citados, entende que o v. Acordão incorreu em omissão, já que não s pronunciou sobre esse aspecto, e, diante dessa constatação, merece seja excepcionalmente corrigido em seu resultado por ter incorrido em equívoco material. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13852.000409/200217 Acórdão n.º 3402002.171 S3C4T2 Fl. 184 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos. Entendo que a omissão apontada pela Embargante não se materializou no caso concreto, pois que restou claro pela decisão embargada, que a correção monetária pela SELIC incide sobre os créditos pleiteados desde a data do pedido de ressarcimento. Restou consignado que o precedente do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.035.847RS, Representativo de Controvérsia, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C, do CPC), está sendo utilizado por ambas as Turmas de direito público daquele Sodalício, para entender que o direito à correção aplicase inclusive quando o não ressarcimento decorre de mera demora da administração na apreciação do pedido do contribuinte. Demonstrando não haver a omissão apontada, cumpre transcreve o seguinte trecho da decisão embargada: “Portanto, considerando que o pedido de ressarcimento já foi decidido pela autoridade fiscal e parcialmente deferido, no que tange aos valores reconhecidos, merece ser efetuada a correção monetária, pela incidência da taxa SELIC, desde a data do pedido apresentado pelo contribuinte (protocolo do pedido de ressarcimento – 26/09/2002), até a data em que efetivamente efetuada a primeira compensação. Insta ainda frisar, que o reconhecimento do direito, se destina aos valores deferidos pela DRF já mencionada, e não à totalidade do pedido apresentado pelo contribuinte, pois que o valor não reconhecido, não foi objeto de recurso, devendo incidir a correção sobre os créditos efetivamente existentes e deferidos pela Autoridade Pública. Este efeito, aliás, vem a realizar o direito a SELIC, pois que a demora da Administração em apreciar os pedidos de ressarcimento, para bem e cuidadosamente analisar os direitos de créditos, em sendo atualizados pela SELIC, não prejudicarão ao sujeito passivo titular do crédito, pelo espaço de tempo entre o pedido e o efetivo reconhecimento e usufruto de seu direito. Nesse sentido, sendo expresso quando a perda da natureza meramente escritural do crédito objeto de pedido de ressarcimento, em razão da morosidade da Administração no deferimento do direito de crédito, o Superior Tribunal de Justiça, julgando o Recurso Especial nº 1.035.847RS, Representativo de Controvérsia, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C, do CPC), assentou entendimento vasado nos seguintes termos: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ – 1ª Seção – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.6.2009 DJe 03/08/2009) – grifouse. Buscando a aplicabilidade deste julgado para o caso de resistência imposta pela Administração pelo mero decurso do prazo, o mesmo Superior Tribunal de Justiça, por ambas as Turmas de Direito Público, vem reiteradamente aplicando o mesmo julgado, como paradigma para os casos de morosidade da Administração nas analises dos Pedidos de Ressarcimento, de modo que vem decidindo no seguinte sentido: “PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13852.000409/200217 Acórdão n.º 3402002.171 S3C4T2 Fl. 185 7 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco AINDA QUE A DEMORA SEJA EM DECORRÊNCIA DE ANÁLISE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. 3. ´O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária.´ (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). Recurso especial da FAZENDA NACIONAL conhecido em parte, mas improvido. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CRÉDITO ESCRITURAL DE IPI, PIS E COFINS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEMORA DO FISCO. INCIDÊNCIA. TERMO A QUO. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. Não enseja conhecimento a questão referente à possibilidade de optar pela compensação na forma do art. 74 da Lei n. 9.430/96, na redação que lhe deram as leis 10.637/02 e 10.833/03, tudo devidamente acrescido pela variação da taxa SELIC, na forma do § 4º do art. 39 da Lei n. 9.250/95´, em face da ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ). 3. Inexiste interesse recursal quanto aos honorários, uma vez que a decisão monocrática do relator que estabeleceu o percentual de 10% (dez por cento) sobre a condenação não sofreu qualquer alteração pelos julgados que se sucederam embargos de declaração e agravo regimental , permanecendo incólume, portanto. 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido.” (STJ – 2T – REsp 1.268.980SC Rel. Ministro Humberto Martins – j. 19.06.2012 – Dje 22.06.2012) – Grifouse. “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. RESSARCIMENTO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS COM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. (…). 2. Os créditos escriturais são aqueles provenientes do saldo positivo de natureza fiscal obtido pelo contribuinte dentro de cada período de apuração do ICMS ou do IPI. 3. Existência de erro material no acórdão embargado, uma vez que considerou não incidir atualização monetária sobre créditos escriturais de IPI quando, na verdade, se trata de correção incidente sobre os valores devolvidos administrativamente pela Fazenda Nacional a tal título. 4. O tratamento dispensado para os créditos reconhecidos administrativamente e pagos com atraso ao contribuinte não se confundem com créditos escriturais de IPI, pois aqueles configuram créditos reais e efetivos, devendo incidir a correção monetária quando os valores forem devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública, a fim de evitar que o contribuinte fique ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse. 5. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para conhecer do recurso especial e darlhe provimento, a fim de determinar a incidência da correção monetária sobre os valores devolvidos administrativamente pelo fisco a título de IPI, no período compreendido entre a data do pedido de ressarcimento e a do efetivo pagamento.” (STJ/1ª T EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 771.769/RS Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima j. 05/10/2010 DJe 14/10/2010) – Grifouse. Considerando, finalmente, que ao aplicar a SELIC aos créditos do sujeito passivo, ainda que sejam oriundos de anteriores créditos escriturais, mas já vertido a em Pedido de Ressarcimento, se está meramente recompondo o poder aquisitivo da moeda e, ao mesmo tempo, compensando o contribuinte pela demora que o Estado demanda na avaliação dos referidos pedidos, entendendo, inclusive, que é necessário que o faça com todo o cuidado e responsabilidade, sendo certo que não se trata aqui de deferir um direito que não está contido Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13852.000409/200217 Acórdão n.º 3402002.171 S3C4T2 Fl. 186 9 no ordenamento, mas sim, que decorre do sistema como um todo, e que vem sendo deferido pelo Superior Tribunal de Justiça, e que resgata uma jurisprudência já pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste próprio Conselho, ainda quando sob o pálio do hoje extinto Conselho Federal de Contribuintes.” destaques ausentes no original. A premissa do julgado, portanto, é que o Superior Tribunal de Justiça INTERPRETA, reiteradamente, que o Recurso Especial nº 1.035.847RS, Representativo de Controvérsia, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C, do CPC), é um norte, ABRANGE e APLICASE aos pedidos de ressarcimento que, embora deferidos, acabam sendo prejudicados pela demora da apreciação dos mesmos pela Administração, de modo a aplicarlhes O MESMO direito a correção. Ademais, se a Administração já ressarciu ou foi deferida a compensação que tenha sido prolatada pelo contribuinte com o crédito por ela própria reconhecido, resta claro que a SELIC incidirá apenas até aquele momento; do mesmo modo, se ainda esse direito está pendente, deverá ter seu valor adequado, para que a Administração não se locuplete com um crédito que já deferiu ao contribuinte há muitos anos. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando discutir o mérito em sede de Embargos de Declaração, o que em regra não é possível, mas apenas em caso em que tenha havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Assim, não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, ainda mais com efeitos modificativos, como – embora não requerido sugere a Embargante pelas falhas que aponta ter havido no julgamento, as quais, repitase, não restaram materializadas. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903537/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ano calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Numero da decisão: 3802-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 35 37 /2 00 9- 67 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0346.762, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP nº 07509.55108.061205.1.3.04.9913 transmitida em 06/12/2005 (fls. 18/22), com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$132.240,24 (cento e trinta e dois mil, duzentos e quarenta reais e vinte e quatro centavos) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903537/200967 Acórdão n.º 3802001.536 S3TE02 Fl. 112 3 decorrente de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2002. Em 09/04/2009 foi emitido Despacho Decisório nº 831216967 (fl. 30) de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho em 30/04/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/05/2009, na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância em 14/03/2012 (fls. 55/59), o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que o tributo foi pago em 14/09/2001 e a DCOMP foi transmitida em 06/12/2005, ou seja, quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal (fl. 75): Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903537/200967 Acórdão n.º 3802001.536 S3TE02 Fl. 113 5 Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de novembro de 2002 – ou seja, posteriormente à revogação da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900159/2009-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/10/2000
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Relator
(assinado digitalmente)
Solon Sehn Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/10/2000 PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator (assinado digitalmente) Solon Sehn Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2000 PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator (assinado digitalmente) Solon Sehn – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 59 /2 00 9- 68 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarouse impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 11a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 67/75 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/10/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO E DESISTÊNCIA. A declaração de compensação DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. A retificação ou desistência da declaração de compensação somente são admitidas com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridas antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. DÉBITO. EXIGÊNCIA. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que o débito declarado em DCOMP como compensado já estaria confessado em DCTF, e quitado mediante pagamento por DARF, deve vir lastreada com prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, cuja incumbência (ônus processual) compete ao Contribuinte. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 23230.95104.151204.1.7.040595, fls. 01 a 05, na qual a Interessada pretende compensar débito de PIS – código 8109, com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS, no valor de R$ 42.174,68, realizado por meio do DARF de 16/10/2000, código de receita 8109, de mesmo valor do crédito declarado. Consta à página 1 que se trata de PER/DCOMP retificador do de nº 39690.19634.261104.1.3.049814. Transmitida em 15/12/2004, a declaração em tela foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, e foi emitido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 815456028, de fl. 08, que não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, visto que o pagamento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do Contribuinte. Cientificado em 16/01/2009, fl. 09, o Contribuinte, por meio de seu procurador, interpôs tempestivamente, conforme despacho de fl. 50, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 18, com a juntada dos seguintes documentos: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900159/200968 Acórdão n.º 3802001.962 S3TE02 Fl. 145 3 · Doc. 01 – Substabelecimento; cópias autenticadas de Procuração, documentos do patrono, Alteração e Consolidação de Contrato Social, fls. 19/36; · Doc. 02 – Tela do sistema de Comprovante de Arrecadação, fls. 37/38; · Doc. 03 – Cópia da página 40 da DCTF período de apuração setembro/2000, fls. 39/40; · Doc. 04 – Cópias do Acórdão nº 10808.805 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e do Despacho Decisório, fls. 41/49. Apresenta, resumidamente, as seguintes alegações: Síntese dos Fatos Em 26/11/2004, através do PER/DCOMP nº 39690.19634.261104.1.3.049814, a Requerente apresentou pedido de compensação de crédito decorrente de aparente pagamento a maior de PIS, relativo a 09/2000, com débitos de PIS código 8109 e código 6912, também de 09/2000. Entretanto, verificouse equívoco no pedido de compensação, pois em 09/2000 somente haveria débito de PIS código 8109 para ser quitado (Doc. 03), no exato valor anteriormente recolhido através do DARF que sustentava o alegado crédito (Doc. 02). Assim, o Contribuinte retificou o PER/DCOMP anterior nº 39690.19634.261104.1.3.049814 através do PER/DCOMP em epígrafe, nº 23230.95104.151204.1.7.040595, “manifestando seu interesse em compensar somente o débito “PIS” incidente sobre o faturamento, que já havia sido quitado com o próprio “DARF” original de 16 de outubro de 2000 (Doc. nº 02), fonte de seu suposto “crédito” na compensação”. Este segundo PER/DCOMP não deveria ter retificado o PER/DCOMP anterior, mas, sim, têlo cancelado, pois conforme se verifica através da “Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais” DCTF do período (Doc. 03), o PIS código 8109, de setembro de 2000, fora integral e tempestivamente quitado pelo DARF original de 16/10/2000 (Doc. 02), suposta fonte de seu “crédito”. Em virtude dos equívocos, a DERAT de São Paulo, ao analisar os pedidos de compensação apresentados, proferiu decisão no sentido de não homologar a compensação pleiteada, uma vez que o DARF indicado como instrumento representativo do crédito (Doc. 02) já se encontrava vinculado à quitação do suposto débito a compensar. Da análise dos fatos, verificase que os PER/DCOMP´s nº 39690.19634.261104.1.3.049814 e nº 23230.95104.151204.1.7.040595 “sequer deveriam ter sido formulados, eis que os mesmos apenas desejavam quitar “débito” já tempestiva e integralmente adimplido por “DARF” (Doc. nº 02), razão pela qual se impõe sua extinção sem qualquer julgamento de seu mérito.” Do Direito Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Como demonstrado, os presentes autos referemse a “pedido de compensação formulado equivocadamente, em que se desejava quitar “débito” já extinto com o próprio crédito” que o extinguiu (Docs. nºs 02 e 03).” Deste modo, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, os PER/DCOMP´s nº 39690.19634.261104.1.3.049814 e nº 23230.95104.151204.1.7.040595 foram “formulados por erro material, impondose, de imediato, seu não conhecimento e extinção do presente processo administrativo sem resolução de seu mérito”. Transcreve jurisprudência administrativa, inclusive a que foi anexada aos autos, Doc. 04, e conclui que tendo sido os PER/DCOMP´s nº 39690.19634.261104.1.3.049814 e nº 23230.95104.151204.1.7.040595 formulados para extinguir “débito” tributário plena e anteriormente extinto com o próprio pretenso “crédito” apontado, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN, impõese o não conhecimento deste PER/DCOMP e o arquivamento do presente processo administrativo. Dos Pedidos Pelo exposto, pede o provimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reformada integralmente a recorrida decisão da DERAT de São Paulo, no sentido de extinguir sem julgamento de mérito a compensação pleiteada nos PER/DCOMP´s nºs 39690.19634.261104.1.3.049814 e 23230.95104.151204.1.7.040595, pelo fato de objetivarem quitar “débito” anteriormente extinto com o próprio “crédito” que o extinguiu (Docs. 02 e 03), arquivandose os autos do presente processo administrativo. Ao analisar o pleito, a primeira instância de julgamento ressaltou, notadamente, o seguinte: a) que a requerente não questiona a inexistência de crédito em seu favor, pois confirma que o pagamento apontado como indevido, no valor de R$ 42.174,68, está vinculado a débito de PIS, código de receita 8109, do período de apuração de setembro/2000, confessado em DCTF; b) que concernente ao débito alvo da compensação, a manifestação de inconformidade objetiva mostrar sua inexistência pois este já estaria extinto por DARF; c) contudo, nos termos do artigo 74, parágrafo 6º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação do artigo 17 da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, todas as declarações de compensação apresentadas a partir de 31/10/2003 possuem caráter de confissão de dívida, revestindose de instrumentos hábeis e suficientes para a cobrança dos débitos dela constantes; d) que, nos termos do despacho decisório que não homologou a compensação, o pagamento indicado como origem do crédito foi integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte referente ao período de apuração 30/09/2000 e código de receita 8109; e) que, “[...]no presente caso, as provas que foram juntadas, quais sejam, Tela de Comprovante de Arrecadação, e cópia da página 40 de DCTF Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900159/200968 Acórdão n.º 3802001.962 S3TE02 Fl. 146 5 correspondente ao mês de setembro de 2000, não permitem considerar que o débito de PIS, código 8109, do período de apuração de setembro/2000, confessado na DCOMP nº 23230.95104.151204.1.7.040595, no valor de R$ 42.174,68, é parte integrante do débito constituído pela DCTF (Doc. 03), no montante de R$ 45.550,56, que estaria extinto pela via do pagamento mediante os DARF´S nela indicados”; f) que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título de PIS código 8109, apurado em setembro de 2000, embora indispensáveis para comprovar a alegação de que o débito confessado na DCOMP já estaria quitado, não foram acostados aos autos. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 17/06/2011 – uma sextafeira – (fls. 142 do eprocesso). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 19/07/2011, o recurso voluntário de fls. 77/89 onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância e acosta cópia de folhas do Livro Diário referentes a lançamentos registrados no final de setembro e no início de outubro de 2000 (fls. 124/141), que, segundo a recorrente, demonstraria a evidência de que os débitos do PIS código de receita 8109 (PIS faturamento), no valor de R$ 42.174,68, corresponde efetivamente ao débito constituídos pela DCTF e devidamente extinto pelos pagamentos dos DARF nela indicados. Diante do exposto, requer seja provido integralmente o recurso com a consequente extinção, sem julgamento de seu mérito, da compensação objeto dos autos, por ser destinada a quitar débito outrora extinto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Em análise da DCOMP nº 23230.95104.151204.1.7.040595, que cancelou a de nº 39690.19634.261104.1.3.049814 (v. fls. 01/05), constatase que o sujeito passivo, mediante referido pedido de compensação, declarou: a) a título de crédito por pagamento indevido ou a maior o pagamento do PIS (código de receita 8109) realizado em 16/10/2000, correspondente ao período de apuração de setembro de 2000, no montante de R$ 42.174,68 (v. fls. 03); b) a título de débito a ser compensado, o mesmo tributo (mesmo código de receita 8109), também referente ao mês de setembro de 2000, na idêntica quantia de R$ 42.174,68 (v. fls. 4) Segundo o despacho decisório de fls. 08, a “compensação” não foi homologada porque o pagamento no valor de R$ 42.174,68 já havia sido integralmente utilizado para a quitação do débito código de receita 8109, do mesmo período de apuração e no Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 mesmo valor do crédito apresentado (R$ 42.174,68). Assim, o “débito” de R$ 42.174,68 teria sido “indevidamente compensado”. De acordo com a DCTF do 3º trimestre de 2000 (fls. 56) o débito declarado do PIS (código de receita 8109) do PA de setembro/2000, no montante de R$ 45.550,56, fora quitado com três recolhimentos efetuados via DARF nos montantes de R$ 3.236,71 (13/10/2013), R$ 139,17 (15/10/2000) e de R$ 42.174,68 (15/10/2013). Todos os pagamentos, inerentes ao código de receita 8109, correspondem ao PA de setembro de 2000. Aliás, às fls. 54 consta impresso extraído do sítio da Receita Federal que atesta o recolhimento de R$ 42.174,68, no código de receita 8109, referente ao PA de 30/09/2000. Tais fatos demonstram, de forma evidente, o equívoco cometido pelo sujeito passivo ao apresentar a DCOMP, uma vez que inexistia débito a ser compensado, posto que este já fora extinto mediante o correspondente pagamento, como fartamente comprovado nos autos. A questão, aliás, poderia ter sido solucionada com uma simples revisão interna da unidade preparadora, o que dispensaria a instauração do litígio. Da conclusão Diante do exposto, e uma vez caracterizado o erro de fato em que incorreu o sujeito passivo quando do preenchimento da declaração de compensação, voto para dar provimento ao recurso, com o conseqüente cancelamento da exigência decorrente da não homologação da DCOMP objeto dos autos, no valor de R$ 42.174,68. Sala de Sessões, em. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Voto Vencedor Conselheiro Solon Sehn Não obstante o erro material ocorrido, entendese, com a devida vênia ao entendimento do eminente Conselheiro Relator, que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900159/200968 Acórdão n.º 3802001.962 S3TE02 Fl. 147 7 efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, deve ocorrer mediante documento retificador específico, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação: “Art. 87. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB.” Ademais, a apresentação do requerimento de retificação pelo sujeito passivo, de acordo com os arts. 88 e 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, deve ocorrer antes da intimação do despacho decisório: “Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios.” “Art. 107. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso.” Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004163/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/01/2005
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.
A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido.
RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FLUÍDO DE REFRIGERAÇÃO.
O Fluido de Refrigeração contém 5% N-fenil-alpha-naftalamina, além do polialquileno glicol. A quantidade daquela substância não pode ser considerada residual (impurezas) decorrente do processo de obtenção do composto químico, estabilizantes, corantes ou substâncias antipoeira, sendo correta a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização (3820.00.00).
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM.
Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreta classificação fiscal na NCM adotada pelo contribuinte na Declaração de Importação - DI.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração por mudança de critério jurídico. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, em negar provimento ao recurso voluntário: a) por unanimidade de votos, em relação à reclassificação fiscal; e b) por maioria de votos, em relação à exclusão das multas. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Charles Mayer de Castro Souza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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PREVISÃO LEGAL. A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FLUÍDO DE REFRIGERAÇÃO. O Fluido de Refrigeração contém 5% Nfenilalphanaftalamina, além do polialquileno glicol. A quantidade daquela substância não pode ser considerada residual (impurezas) decorrente do processo de obtenção do composto químico, estabilizantes, corantes ou substâncias antipoeira, sendo correta a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização (3820.00.00). MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreta classificação fiscal na NCM adotada pelo contribuinte na Declaração de Importação DI. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 41 63 /2 00 7- 79 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 689 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração por mudança de critério jurídico. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, em negar provimento ao recurso voluntário: a) por unanimidade de votos, em relação à reclassificação fiscal; e b) por maioria de votos, em relação à exclusão das multas. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Charles Mayer de Castro Souza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Autos de Infração (4) lavrados em razão da desclassificação fiscal dos produtos (abaixo listados), importados através de Declarações de Importações registradas de 2002 a 2006 (descritos às tis. 03 a 10 dos autos, no A . I . referente ao Imposto de Importação, descrição que aproveita aos demais A.I.): a) uma (1) Câmera fotográfica digital utilizada para registrar fotograficamente os testes de laboratório e de campo em baterias, câmera essa que não opera incorporada a determinado equipamento (Dl n° 02/02944420 (Adição 004), de 04.04.2002); b) oitocentos (800) litros de Fluído de Refrigeração composição: "polialquileno glicol1 (95%) e nfenilalphanafitilamina (5%), utilizado para refrigerar moldes de fundição de grades de acumuladores elétricos (baterias) (DIs n°s 04/12230253 (Adição 001), 06/04077682 (Adição 001), 06/05862219 e 06/14309292 (Adição 005), registradas em 30.11.2004, 10.04.2006, 22.05.2006 e 24.11.2006, respectivamente). Os quatro Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes: 1º Auto de Infração (fls.01 a 18): para cobrança da diferença do Imposto de Importação ( I I ) , no valor original de R$ 737,70 (setecentos e trinta e sete reais e setenta centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 30.04.2007, no montante de R$ 135,84 (cento e trinta e cinco reais e oitenta e quatro centavos); multa proporcional passível de redução (multa de oficio), no valor de RS 553,28 (quinhentos e cinqüenta e três reais e vinte e oito centavos); multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias, passível de redução, no Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 690 3 valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), além de multa regulamentar, não passível de redução, no montante de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração RS 3.926,82 (três mil, novecentos e vinte e seis reais e oitenta e dois centavos). 2º Auto de Infração (tis. 19 a 34): para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de RS 4.098,60 (quatro mil e noventa e oito reais e sessenta centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 30.04.2007, no montante de RS 671,80 (seiscentos e setenta e um reais e oitenta centavos); e multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de RS 3.073,95 (três mil e setenta e três reais e noventa e cinco centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de infração o valor de RS 7.844,35 (sete mil oitocentos e quarenta e quatro reais e trinta e cinco centavos). 3º Auto de Infração (fls. 29 a 34): para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de RS 385,17 (trezentos e oitenta e cinco reais e.dezessete centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 30.04.2007, no montante de R$ 28,29 (vinte e oito reais e vinte e nove centavos); e multa proporcional, passível de redução (multa de ofício), no valor de R$ 288,88 (duzentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração a soma de R$ 702,34 (setecentos e dois reais e trinta e quatro centavos). 4o Auto de Infração (fls. 35 a 42): para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ 83,63 (oitenta e três reais e sessenta e três centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 6,13 (seis reais e três centavos); e da multa proporcional, passível de redução (multa de ofício), no valor de R$ 62,72 (sessenta e dois reais e setenta e dois centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto de Infração a soma de R$ 152,48 (cento e cinquenta e dois reais e quarenta e oito centavos). Cientificado do auto de infração, o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 176 à 192, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Conclusos os autos com a defesa da contribuinte, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 400 e ss.). O acórdão rejeitou a preliminar de vício do auto de infração, quanto à identificação do auditor fiscal. Eis suas palavras: Quanto ao alegado descumprimento, pela autoridade lançadora, de um dos requisitos obrigatórios, quando da lavratura dos Autos de Infração, previsto no Decreto 70.235, de 1972, carece de fundamento o argumento da defendente, porquanto o cargo da autoridade lançadora está impresso nos formulários eletrônicos dos Autos de Infração, no penúltimo, quadro, onde consta: o nome do "Auditor Fiscal da Receita Federar autuante; a sua matrícula no Ministério da Fazenda; e a sua assinatura (fls.Ol, 19, 29 e 35). Igualmente, a DRJ rejeitou a tese do contribuinte, de que teria havido revisão do critério jurídico na desclassificação tarifária do Fluído de refrigeração, principalmente em relação à primeira DI, submetida ao regime do canal vermelho: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 691 4 No que diz respeito à alegação de mudança de critério jurídico do fisco, em relação à desclassificação tarifária do Fluído de refrigeração constante das DIs. de 2004 e 2006, objeto da autuação, pelo fato da primeira delas (são ao todo quatro DIs) terse sujeitado ao exame completo da fiscalização quando do seu despacho, tendo sido desembaraçada a mercadoria sem qualquer exigência, há que esclarecer que não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN), o reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação do produto importado em código da NCM/TEC eNBM/TIPI diverso daquele informado na declaração. O procedimento pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço, reexamina o despacho aduaneiro é denominado de revisão aduaneira, e deve ser realizado enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, conforme dispõe o CTN, em seu artigo 150, § 42, e 156, inciso V, c/c o artigo 54 do Decretolei n 37, de 1966, alterado pelo artigo 22 do Decretolei n 2.472, de 1988, in verbis: [...] Com efeito, nas hipóteses das quatro DIs registradas em 2004 e 2006, os lançamentos, aperfeiçoados pelas intimações ao sujeito passivo, foram efetuados antes do transcurso do prazo decadencial previsto no artigo 54 do Decretolei n 37, de 1966. Cumpre observar que o artigo 50 do Decretolei n 37, de 1966, não limita o exame da classificação tarifária ao período em que a DI se encontra sob conferência aduaneira, visto que a redação original foi revogada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988. Assim dispõem o Decretolei n 37, de 1966, alterado pelo Decretolei n 2.472, de 1988, combinados com as disposições previstas no Regulamento Aduaneiro de 2002, em vigor nas datas de ocorrência dos fatos geradores, acerca da conferência e da revisão aduaneiras, in verbis: [...] Portanto, uma vez submetido o Fluído de refrigeração à conferência aduaneira e desembaraçado sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro, inclusive no tocante à classificação fiscal das mercadorias, da qual decorre a determinação das alíquotas aplicáveis aos direitos aduaneiros. O reexame do despacho inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da N C M / T E C e NBM/TIPl utilizados. O argumento da clefendente de que a conferência da D I por Auditor da Receita Federal impede novo exame não subsiste, até porque a administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade, nos termos do artigo 53 da Lei n 9.784, de 1999. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 692 5 Na ótica da DRJ, também não procede o argumento da defesa, no sentido de que as N E S H que vigiam à época do fato gerador (registro da D I de 2002), em suas Considerações Gerais ao Capitulo 90, não tratavam da exclusão dos aparelhos fotográficos digitais da Posição 9006 para a Posição 8525. Confirase: No que toca à importação da Máquina fotográfica digital, a alegação da defendente de que as N E S H que vigiam à época do fato gerador (registro da D I de 2002), em suas Considerações Gerais ao Capitulo 90, não tratavam da exclusão dos aparelhos fotográficos digitais, da Posição 9006 para a Posição 8525, é um argumento absurdamente desprovido de legalidade, porquanto a determinação legal para a classificação de determinada mercadoria na N C M e N B M são as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, incorporadas por ambas as nomenclaturas, e as Regras Gerais Complementares, além da Regra Geral do IPI, e NÃO as Notas Explicativas do SH, publicação subsidiária de grande importância, mas que APENAS possui caráter explicativo, tanto no que diz respeito à classificação, quanto à merceologia propriamente dita (especificações técnicas dos produtos), mas que JAMAIS pode ser utilizada como base legal para a classificação das mercadorias, o que será analisado no Mérito, quando da Classificação Fiscal Considerações iniciais.. Porém, o acórdão recorrido acatou a tese da decadência do lançamento em relação ao II e ao IPI incidentes sobre a máquina fotográfica digital: Quanto à preliminar levantada pela defendente de que decaiu o direito do Fisco de promover o lançamento dos tributos e contribuições incidentes sobre a Máquina fotográfica digital ( D I . registrada em 04.04.2002), uma vez que o lançamento do I I e do IPI se dá por homologação, já tendo transcorrido mais de cinco anos (artigo 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN), c/c artigo 668, § 2 o , do Regulamento Aduaneiro) contados do pagamento desses impostos incidentes sobre essa importação (04.04.2002), e do desembaraço do bem (na mesma data), até a ciência pela autuada dos Autos de Infração (09.05.2007), cabe lhe razão. [...] Os impostos de Importação (II) e sobre Produtos Industrializados (IPI) têm seu lançamento por homologação, uma vez que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, de acordo com o artigo 150, caput, do CTN. O pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento (§1°), que deve ocorrer no período de cinco anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Expirado tal prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (§4°). Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 693 6 Quanto ao fato gerador do II, tratandose de mercadoria despachada para consumo, como é o caso da Máquina fotográfica digital, o seu fato gerador ocorreu na data do registro da respectiva DI. (04.04.2002), como estabelece o Decreto lei n° 37/66, em seu artigo 23. Comprovado que o lançamento de oficio desse imposto só se consumou após o decurso de cinco anos (em 04.05.2007) a partir do fato gerador (registro da DI: 04.04.2002), não tendo sido aventadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, evidenciase a ocorrência de decadência Quanto ao JPI, o seu fato gerador só se configura com o desembaraço aduaneiro da mercadoria, consoante o disposto no artigo 46, inciso I, do CTN. No caso sob análise o desembaraço da Máquina fotográfica digital deuse no mesmo dia do registro da DL (04.04.2002). Configurouse, portanto, a decadência do lançamento realizado em 04.05.2007 (Í1.19). Incabíveis, pois, além das diferenças dos tributos (II e IPI) incidentes sobre a Máquina fotográfica digital, objeto da DI. registrada em 2002, as multas de 1% sobre o valor aduaneiro da Máquina fotográfica digital, bem como as multas do ofício de 75% sobre as diferenças lançadas do II e do IPI, além dos juros moratórios. Quanto à reclassificação fiscal do fluído, a DRJ ratificou o entendimento da fiscalização, nos seguintes termos: O Capítulo 29 adotado pelo importador trata de: "Produtos Químicos Orgânicos". O código onde o importador classificou o produto, dentro do Capitulo 29, 2905.31.00, está assim discriminado na N C M e N B M , então vigentes: Posição 2905: "Álcoois acíclicos c seus derivados halogenados, sulfunudos, nitrados ou nitrosados\ Dentro dessa Posição, há os seguintes desdobramentos em Subposições de primeiro nível (até alcançar a Subposição onde ele alocou o Fluído): 2905.1 Monoálcoois saturados'', 2905.2 Monoálcoois não saturados"; e 2905.3 " Móis". Foi esta a Subposição por ele indicada (2905.3 " Dióis") e dentro dela, alocou o Fluído de refrigeração na Subposição de segundo nível 2905.31.00: " Etilenoglicol (etanodiol) (que não apresenta desdobramento em Item e Subitem desdobramentos regionais do Mercosul). Para que se entenda melhor a classificação efetivada pelo importador, transcrevese a seguir parte da N C M / N B M (da Posição 2905 até o desdobramento por ele escolhido, 2905.31.00): [...] O importador não seguiu as diretrizes do Sistema Harmonizado, que deu origem à Nomenclatura regional e à nacional ( N C M e N B M ) . O SH obriga à utilização da RG1 n° l antes das demais Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 694 7 Regras e ele ignorou completamente essa Regra primeira, quando não obedeceu à Nota legal n° 1 do Capítulo 29. A RGI n° 1 determina que o valor legal do enquadramento da mercadoria em Posição está no texto da Posição, nas Notas de Seção e de Capítulo. A Nota legal n° 1 do Capitulo 29 determina que ressalvadas as disposições em contrário, as Posições desse Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas: h) eis mistureis de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27): c) os produtos das posições 29.56 a 29.39, os éteres, acetais e esteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40. e os produtos da posição 29.41. de constituição química definida ou não: d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), h) ou c) acima: e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável. determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos especificas de preferência à sua aplicação geral; f) os produtos das alíneas a), b). c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), h). c). d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tomem o produto particularmente apto para usos especificas de preferência á sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentração!ipo. destinados à produção de corantes azoicos: sais de diazônio. copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Claro está, pois, pelas diretrizes legais da Nota n° 1 do Capítulo 29, nos termos da RGI n° 1, que o Fluído de refrigeração importado (DIs de 2004 e 2006), composto por "poliaquilenoglicol majoritariamente (95%), não se apresenta como um composto orgânico de constituição química definida, apresentado isoladamente, uma vez que, da composição do Fluído, faz parte outra substância, o "nfenilnafilaina em um percentual de 5%, quantidade essa que não pode ser Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 695 8 considerada residual (impurezas) decorrente do processo de obtenção do composto químico, estabilizantes, corantes ou substâncias antipoeira, portanto, a Posição 2905 está descartada para o enquadramento do produto. Então, não será necessário discorrer a respeito dos desdobramentos dessa Posição. Da Posição 3820 (Capítulo 38) indicada pela fiscalização: O Capítulo 38 abrange: Produtos Diversos das indústrias Químicas E o código onde a fiscalização propôs classificar o produto, 3820.00.00, está assim discriminado na N C M e N B M , então vigentes (ressaltando que se trata de uma Posição não desdobrada em Subposições (desdobramentos internacionais) e nem em Item e Subitem (desdobramentos regionais): [...] Nesta hipótese, a base legal para a classificação do Fluído de Refrigeração nesta Posição do SH não desdobrada, 3820.00.00, incorporada pela N C M e pela N B M , é a RGl n° l (texto da Posição 3820), a Nota 1 do Capítulo 29, que dele exclui o produto por conta da mistura existente, e a Nota 1 do Capítulo 38, que determina que nele não se classificam os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, salvo algumas exceções, dentre as quais não está abrangido o produto importado, enquadrandose, consequentemente, o Fluído de refrigeração nesse Capítulo. As NESH da Posição 3820 podem ser utilizadas para esclarecimentos subsidiários, quando dizem que as preparações anticongelantes e os líquidos preparados para descongelação, como, por exemplo, as misturas à base de derivados de glicol (que têm a ver com a composição do produto sob análise) estão abrangidas por essa Posição. Acrescentam, ainda, que certas preparações anticongelantes atuam igualmente como refrigerantes ou permutadores de calor. Da não necessidade de exame químico do Fluído de refrigeração: Sobre a argumentação da defendente de que sem um exame químico do Fluido de refrigeração, ele não poderia ser corretamente classificado, e que por conta dessa dúvida, dever seia aplicar o princípio “in dúbio pro reo” há que esclarecer o seguinte: a) a norma disposta no Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 29, não pode ser olvidada; ela destaca a livre convicção do julgador na apreciação de provas, inclusive no tocante às periciais; b) a defendente não chegou a requerer a realização de exame químico do Fluído de refrigeração, e tão somente apresentou diversas ementas de Acórdãos, sugerindo que sem uma análise química a mercadoria não poderia ser conhecida em sua verdadeira natureza (fls. 127 a 129). Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 696 9 c) a autoridade julgadora, na realidade, não tem a obrigatoriedade de requisitar um laudo químico a respeito da composição de um produto para corretamente classificálo, se a solução do caso depender exclusivamente da interpretação de normas jurídicas. d) In casu, o julgamento tomou como base regras do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, complementadas por suas Notas Explicativas (NESH) e a composição da mercadoria estava claramente descritas nas DIs.analisadas. Tendo entendido correta a reclassificação fiscal do fluído de refrigeração, o acórdão recorrido manteve a multa proporcional ao valor aduaneiro: A multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria constante das DIs de 2004 a 2006 (Fluído de refrigeração), não passível de redução, tem o mesmo fato gerador da infração anterior (mercadoria classificada incorretamente na N C M , multa de 1 % sobre o valor aduaneiro da mercadoria), todavia foi apartada por conta de legislação posterior que deixou de conceder a sua redução, aplicável aos fatos geradores a partir de 30.12.2003. Esta multa será mantida, ao amparo do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinado, nesta hipótese, com os artigos 69 e 8 1 , inciso I V , da Lei n° 10.833, de 2003, a saber: Em suma, o acórdão concluiu manter a seguinte partes da autuação: II) MANTER: c) o Imposto de Importação, correspondente às DIs. registradas em 2004 e 2006 (Fluído de refrigeração), nos valores de R$ 158,21, R$ 191,69, R$ 162,24 e R$ 200,SS, o que totaliza o montante de R$ 713,02 (setecentos e treze reais e dois centavos), acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora; d) o Imposto sobre Produtos Industrializados, correspondente às DIs. registradas em 2004 e 2006 (Fluído de refrigeração), nos valores de R$ 901,80, R$ 1.092,63, R$ 924,70 e R$ 1.145,04, o que totaliza o montante de R$ 4.064,17 (quatro mil e sessenta e quatro reais e dezessete centavos , acrescido da multa de oficio de 75%. e dos juros de mora; e) a Cofins, correspondente às DIs registradas em 2004 e 2006 (Fluído de Refrigeração), no valor de R$ 385,17 (trezentos e oitenta e cinco reais e dezessete centavos), acrescido da multa de ofício de 75%, além dos juros de mora; e f) o PIS/PASEP, referente às DIs registradas em 2004 e 2006 (Fluído de refrigeração), no montante de R$ 83,63 (oitenta e três reais e sessenta e três centavos), acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar improcedente a autuação (fls. 425 e ss.). Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 697 10 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminarmente, deve ser apreciada tese do contribuinte, de que teria havido revisão do critério jurídico na desclassificação tarifária do Fluído de refrigeração. Como se observa da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, a fiscalização concordou com a descrição da mercadoria, divergindo da contribuinte apenas em relação a classificação jurídica da mesma. Confirase (fl. 04): ACUMULADORES MOURA S. A., por meio das Declarações de Importação, abaixo relacionadas, submeteu a Despacho Aduaneiro: [...] b) 800 litros de Fluido de Refrigeração, conforme DI 04/12230253, 06/04077682, 06/05862219 e 06/1430929 2(adição 005), adotando, na Classificação Fiscal para o produto ali especificado, o Código NCM 2905.31.00,0 qual,entre os dióis,enquadra o Etilenoglicol(etanodiol) Intimada a Empresa a apresentar fatura correspondente à mercadoria em exame e a esclarecer emprego e função da Camera Digital; bem como, emprego e composição do Fluido de Refrigeração.Apresentou as faturas solicitadas e informou em sua resposta, datada de 09/03/2007: [...] 2) O Fluido de Refrigeração utilizase para refrigeração de moldes de fundição de grade da bateria; composição: polialquileno glicol(95%) e nfenilalphanaftilamina(5%). Há concordância na descrição da mercadoria, que se lê em cada fatura apresentada, com o informado pelo Importador na correspondente Dl/Adição. [...] Explicitando o texto da Posição 3820, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias(NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435/92 e IN/SRF n° 123/98, esclarecem: Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 698 11 A presente posição abrange as preparações anticongelantes e os líquidos preparados para descongelação (por exemplo, as misturas à base de derivados do glicol). E acrescentam as referidas Notas(NESH) para Posição 3820: Certas preparações anticongelantes atuam igualmente como refigerantes ou como permutadores de calor. Assim, [...] (b) não tendo sido importado o diol Etilenoglicol(etanodiol); sim, polialquileno glicol e amina de núcleo aromático, misturados em proporção conveniente, que atuam na refrigeração de moldes de fundição de grade de baterias; com base na RGI Ia(texto da posição 3820) e os esclarecimentos da NESH, acima transcritos, para essa posição, a qual não se desdobra, inclusive em nível regional(item e subitem) POSICIONAMSE as Mercadorias Importadas: [...] 2) Fluido de Refrigeração(mistura) , no Código NCM 3820.00.00. Em cumprimento ao disposto no art.659,observada a norma contida no art. 669, do Regulamento Aduaneiro, efetuase o Lançamento da Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro da Mercadoria, de um • por cento(1%) e observado o limite mínimo do valor da multa, por classificação incorreta da mercadoria na nomenclatura, prevista no art.636, inciso I, § Io , do Regulamento Aduaneiro, conforme Demonstrativos em anexo. Nesse panorama, caracterizada a existência de mero erro de direito, entendo, na esteira da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, que se trata de revisão de lançamento por erro de direito, vedado pelo art. 149 do CTN, tal como é reconhecido desde a vetusta Súmula TFR nº 227: TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 699 12 aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1347324/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2013, DJe 14/08/2013) ****** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE APRECIA O MÉRITO RECURSAL. PRIMEIRO PARADIGMA NÃO APRECIA O MÉRITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COLACIONADOS COMO DIVERGENTES. SEGUNDO PARADIGMA APLICA IDÊNTICO ENTENDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INDEFERIMENTO LIMINAR DOS EMBARGOS. 1. Acórdão embargado no sentido de que a revisão de lançamento do imposto por erro de classificação operada pelo Fisco, que aceitou as declarações do importador quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo CTN (Súmula 227/TFR). A Primeira Turma considerou que o lançamento suplementar é, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. 2. Acórdãos paradigmas da Segunda Turma, cujas hipóteses cuidam de erro de fato, e não erro de direito; o primeiro aresto aplica a Súmula 7/STJ, e o segundo aplica a mesma jurisprudência do acórdão embargado. 3. A ausência de similitude fática e, bem como a ausência de divergência entre os arestos confrontados ensejam o indeferimento liminar dos embargos de divergência. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EREsp 1112702/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/10/2010, DJe 16/11/2010) Acrescentese que, in casu, o Fluido de Refrigeração foi objeto de quatro (04) Declarações de Importações, citadas no Auto de Infração. Exatamente a primeira delas (04/12230253) foi conferida no "Canal Vermelho", em 14/12/2004 , ou seja, com expressa conferência documental e física da mercadoria pela Fiscalização da Receita Federal, ratificando o entendimento do contribuinte, que baseandose nesse mesmo critério jurídico do Fisco Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 700 13 utilizouse do mesmo Código NCM nas seguintes importações que se deram no "Canal Verde" (11/04/2006, 23/05/2006 e 27/11/2006) . Considerando, portanto, o acolhimento da preliminar do contribuinte, que torna insubsistente os lançamentos dos tributos, anulo também os juros e as multas a eles vinculadas, deixando de apreciar as demais questões recursais, por restarem ipso jure prejudicadas. Forte nessas razões, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar nulo o lançamento. Na hipótese de restar vencido, quanto a preliminar de nulidade do lançamento, por indevida mudança do critério de direito e ofensa ao art. 149 do CTN, aprecio a questão relativa à classificação fiscal. Na visão do contribuinte, o fluído de refrigeração classificase no Código NCM 2905.31.00 (Posição: "Álcoois acíclicos c seus derivados halogenados, sulfunudos, nitrados ou nitrosados”; Subposição: 2905.3 " Dióis"; Subposição segundo nível: 2905.31.00: "Etilenoglicol (etanodiol)”. Já para o Fisco, esse produto se classificaria no Código NCM 3820.00.00 ("Preparações anticongelantes e líquidos preparados para descongelação”). De acordo com o acórdão recorrido, uma vez que o Fluido de Refrigeração contém 5% Nfenilalphanaftalamina, além do polialquileno glicol, a quantidade daquela substância não pode ser considerada residual (impurezas) decorrente do processo de obtenção do composto químico, estabilizantes, corantes ou substâncias antipoeira. Portanto, na exegese da DRJ, a Posição 2905 está descartada para o enquadramento do produto, por conta da Nota legal n° 1 do Capitulo 29: Posições desse Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas: h) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27): c) os produtos das posições 29.56 a 29.39, os éteres, acetais e esteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40. e os produtos da posição 29.41. de constituição química definida ou não: d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), h) ou c) acima: e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável. determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos especificas de preferência à sua aplicação geral; Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 701 14 f) os produtos das alíneas a), b). c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), h). c). d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tomem o produto particularmente apto para usos especificas de preferência á sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentração!ipo. destinados à produção de corantes azoicos: sais de diazõnio. copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotch'eis e respectivos sais. " Em seguida, a DRJ expôs os motivos da classificação no Código NCM 3820.00.00: Nesta hipótese, a base legal para a classificação do Fluído de Refrigeração nesta Posição do SH não desdobrada, 3820.00.00, incorporada pela N C M e pela N B M , é a RGl n° l (texto da Posição 3820), a Nota 1 do Capítulo 29, que dele exclui o produto por conta da mistura existente, e a Nota 1 do Capítulo 38, que determina que nele não se classificam os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, salvo algumas exceções, dentre as quais não está abrangido o produto importado, enquadrandose, consequentemente, o Fluído de refrigeração nesse Capítulo. As NESH da Posição 3820 podem ser utilizadas para esclarecimentos subsidiários, quando dizem que as preparações anticongelantes e os líquidos preparados para descongelação, como, por exemplo, as misturas à base de derivados de glicol (que têm a ver com a composição do produto sob análise) estão abrangidas por essa Posição. Acrescentam, ainda, que certas preparações anticongelantes atuam igualmente como refrigerantes ou permutadores de calor. Contra essas asserções do acórdão recorrido, entendo que a recorrente não apresentou nenhum argumento de mérito consistente, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário nesse ponto. No que diz respeito à multa, a recorrente enfatiza que, como a Administração vinha reiteradamente classificando a mercadoria do mesmo modo que a empresa (art. 100, III, do CTN), deveriam ser exoneradas as penalidades, na forma do art. 112 do CTN. In verbis: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 702 15 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Entendo que esse último argumento do recurso voluntário merece acolhida, para afastar as penalidades cominadas pela fiscalização. Isso porque a Administração não pode se eximir de assumir qualquer responsabilidade pelo seus atos reiterados, particularmente quando a revisão do entendimento de tais atos envolveram o contribuinte autuado. Esse proceder contraria o art. 112 do CTN, que concretiza a segurança jurídica em relação a fatos tributários controvertidos, como é o caso dos autos. O art. 112 do CTN protege o contribuinte de oscilações de procedimento da Administração como um todo, inclusive do Judiciário. Nesse sentido, mutatis mutandi, decidiram o Superior Tribuna de Justiça e Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CPC, ART. 535 – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO – CTN, ART. 43 – IMPOSTO DE RENDA – INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS (IHT) – INCIDÊNCIA – PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO PELA PRIMEIRA SEÇÃO – MULTA MORATÓRIA – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – NÃOCABIMENTO – ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE. [...] 3. À luz do princípio da segurança jurídica, é indevida a incidência da multa moratória na hipótese, dada a polêmica envolvendo a existência ou não do crédito tributário, inclusive as constantes oscilações da jurisprudência desta própria Corte sobre o tema. 4. É legítima a adoção da Taxa Selic como índice de atualização monetária na vigência da Lei n.º 9.250/95, exclusivamente. 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 929.954/RN, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 06/08/2008) ******* Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. AFASTAMENTO COM BASE EM SINGELO APELO À “SEGURANÇA JURÍDICA”. DECLARAÇÃO ESCAMOTEADA DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. NECESSIDADE DESCARACTERIZADA. O acórdãorecorrido afastou a aplicação da multa moratória, na medida em que foi reconhecida a instabilidade da jurisprudência sobre a inclusão do IHT – Indenização por Horas Trabalhadas na base de cálculo do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Essa oscilação jurisprudencial ocorreu no próprio STJ. Esse Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 703 16 afastamento foi justificado com singelo apelo à segurança jurídica. Em relação às multas, a aplicação da segurança jurídica pode decorrer diretamente tanto da Constituição como do Código Tributário Nacional (art. 112). A proteção conferida pelo CTN não é absorvida pelo princípio constitucional, de modo a tornar ocioso o art. 112 do CTN. Os parâmetros de controle se somam, de forma que o acolhimento de qualquer deles pelo Judiciário é suficiente em si para justificar a conclusão pela inaplicabilidade da punição, no caso concreto. Portanto, como não houve declaração oculta de inconstitucionalidade, o art. 97 da Constituição era inaplicável. Agravo regimental ao qual se nega provimento.(RE 601088 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 04/10/2011, DJe203 DIVULG 20102011 PUBLIC 2110 2011 EMENT VOL0261202 PP00207) Ante o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para exonerar as penalidades cominadas. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 704 17 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordo do Il. Relator. No concernente à preliminar, existe norma específica no Regulamento Aduaneiro permitindo que a revisão aduaneira seja realizada no prazo de cinco anos a contar do registro da DI. Vejamos: CAPÍTULO IV DA REVISÃO ADUANEIRA Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (g.n.) Notese que não há, na norma reproduzida, qualquer referência ao canal de seleção de conferência aduaneira a que se submete a DI. Ora, como se sabe, aos julgadores administrativos não compete afastar a aplicação de normas legais vigentes, com considerações de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Pelo mesmo motivo, também não se há de afastar quando a alegada incompatibilidade se dá com o CTN. Já a aplicação da multa em virtude de erro na classificação fiscal, a prevista no art. 84 da MP n.º 215835, de 2001, apenas reclamase, para a sua aplicação, a mera classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria ou, Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.004163/200779 Acórdão n.º 3202000.893 S3C2T2 Fl. 705 18 alternativamente, a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, fato absolutamente inequívoco nos autos. Para que houvesse mudança de critério jurídico, deveria haver pronunciamento expresso da Administração Tributária sobre a classificação fiscal do produto importado. O fato de a própria Recorrente têlo enquadrado em determinada posição tarifária não significa reste o Fisco a ela vinculado, se posteriormente ocorreu o seu desembaraço, ainda que submetido a uma conferência física e documental, porquanto autorizado no dispositivo legal acima reproduzido. Assim, nego provimento ao recurso. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720044/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. EXIGIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de calculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
A razão de dar tratamento distinto à reserva legal deve-se ao fato deste colegiado entender que a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicar-se tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2802-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração e retificar o voto vencedor do Acórdão n º 2802-001.539, de 18 de abril de 2012, sem efeito modificativo na parte dispositiva, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de calculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. A razão de dar tratamento distinto à reserva legal deve-se ao fato deste colegiado entender que a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicar-se tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de calculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. A razão de dar tratamento distinto à reserva legal devese ao fato deste colegiado entender que a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicarse tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração e retificar o voto vencedor do Acórdão n º 2802001.539, de 18 de abril de 2012, sem efeito modificativo na parte dispositiva, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 44 /2 00 8- 91 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 130/132), em face do Acórdão 2802001.539, de 18 de abril de 2012, fls. 121/128, voto vencedor de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia contradição/obscuridade no acórdão. Os fundamentos da denunciada contradição/obscuridade estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: A partir da leitura do inteiro teor do acórdão, concluise que o Colegiado considerou ser desnecessária a apresentação do ADA para fins de reconhecimento da área de reserva legal e, conseqüentemente, da redução do valor a pagar a título de ITR. Ocorre que restou obscura a razão pela qual a Turma considerou necessária a apresentação do ADA para gozo do benefício fiscal em relação à área de preservação permanente e, por outro lado, entendeu ser desnecessária sua apresentação no que toca à área de reserva legal. Tal indagação ganha relevância quando se observa que a base legal para a exigência do ADA é a mesma para ambos os casos, a saber: o art. 17O, § 1º da Lei nº. 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº. 10.165/2000, o qual preceitua que “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça o critério adotado para realizar a distinção apontada e que culminou na exclusão da tributação sobre a área de reserva legal e na sua manutenção em relação à área de preservação permanente. Noutro giro, cumpre apontar contradição observada no acórdão, eis que, apesar de se extrair do inteiro teor do acórdão que o Colegiado considerou desnecessária a apresentação do ADA para gozo do benefício fiscal no que toca à área de reserva legal, lêse, textualmente, no voto vencedor proferido pela Conselheira Dayse Fernandes Leite, ser necessária a apresentação do ADA para redução do ITR a pagar também no que se refere à área de reserva legal.Verbis (fl. 9): Portanto, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal/utilização limitada, interesse ecológico e etc., a partir do exercício de 2001, deve Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10467.720044/200891 Acórdão n.º 2802002.528 S2TE02 Fl. 277 3 apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida). Nesse contexto, a fim de que não pairem dúvidas acerca do resultado do julgamento, bem como das razões adotadas como fundamento, fazse mister que o Colegiado esclareça o que foi efetivamente decidido no que toca à área de reserva legal, explicitando se entende necessária ou não a apresentação do ADA para fins de redução do ITR a pagar. E, caso entenda ser desnecessária sua apresentação para reconhecer a área de reserva legal, excluindoa da tributação, esclareça qual foi o critério utilizado para diferenciála da área de preservação permanente, tendo em conta que a base legal para exigência do ADA é a mesma:art. 17O, § 1º da Lei nº 6.938/81. É o Relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. O embargante denuncia contradição/obscuridade no acórdão embargado que considerou necessária a apresentação do ADA para gozo do benefício fiscal em relação à área de preservação permanente e, por outro lado, entendeu ser desnecessária sua apresentação no que toca à área de reserva legal. De fato houve obscuridade no voto vencedor do Acórdão de nº 2802 001.539, de 18 de abril de 2012, fls. 121/128, razão pela qual entende este colegiado que os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para sanar tal obscuridade. Quanto ao fato de ter constado no parágrafo citado pelo embargante como sendo necessária a apresentação do ADA para redução do ITR a pagar também no que se refere à área de reserva legal, cumpre esclarecer que o voto vencedor divergiu do ilustre Conselheiro Relator, exclusivamente, quanto à exclusão da base de cálculo da área de preservação permanente (195,59 ha.). Assim , o texto correto, do parágrafo em epígrafe é o seguinte: Portanto, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida). É de se ressaltar que a razão de dar tratamento distinto à reserva legal devese ao fato deste colegiado entender que a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicarse tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato. Essa exegese aponta que o Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 §1º, do art. 17 O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000) teve por finalidade esclarecer que o documento não pode ser substituído por outro, ainda que tenha o mesmo conteúdo e seja registrado em órgão de proteção ambiental. Mas essa exigência taxativa se refere ao caput ( benefício de isenção que tenham por base o ADA), como é o caso das áreas de preservação permanente, mas não é no caso de reserva legal. Importa observar que no que toca à área de reserva legal, permanece o decidido no voto vencido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Destarte, registrese aqui o entendimento que esta Segunda Turma Especial da Segunda Seção do CARF decidiu por diversas vezes no sentido de que, constatado que área de reserva legal já está averbada antes do fato gerador do tributo, fica suplantada a necessidade da entrega do ADA, para fins tributários. Esse entendimento foi firmado tendo em vista o alcance do objetivo preconizado pela norma definida no § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771, de 1965. Assim sendo, dou provimento, aos embargos, para retificar o voto vencedor do Acórdão 2802001.539, de 18 de abril de 2012, sem efeito modificativo em sua parte dispositiva. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10670.721369/2011-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. ALÍNEA "H" , INCISO I , ART. 12 ART. 12 DA LEI 8.212/91. SUSPENSÃO.
Na forma da Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005, o comando da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, encontra-se suspenso.
PROVA DE RECOLHIMENTO DOS VALORES A COMPENSAR.
Faz jus às compensações de valores recolhidos na forma da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o contribuinte que fizer prova de que efetivara no conta corrente de seu CNPJ, os recolhimentos informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social - GFIP., até então determinados pela norma suspensa.
LEGITIMIDADE PARA DEMANDAR ADMINISTRATIVAMENTE.
Tratando-se de demanda não em juízo mas na esfera administrativa , descabe falar de personalidade jurídica para pedir reparação de direitos que uma vez reconhecidos serão providos administrativamente.
COMPENSAÇÃO.RETIFICAÇÕES PRÉVIAS DAS GFIPS.
A Portaria MPS 133, de 2/5/2006 (DOU de 3/5/2006), bem como, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/9/2006 (DOU de 18/9/2006), disciplinaram procedimentos a serem adotados acerca da compensação/devolução dos valores recolhidos com base na norma suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005. As instruções supra condicionaram as compensações determinando que se procedessem , previamente, as retificação das Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social - GFIP e ainda, quando envolvesse valores descontados, seria necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que estaria ciente que esse período não seria computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Julio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. ALÍNEA "H" , INCISO I , ART. 12 ART. 12 DA LEI 8.212/91. SUSPENSÃO. Na forma da Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005, o comando da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, encontra-se suspenso. PROVA DE RECOLHIMENTO DOS VALORES A COMPENSAR. Faz jus às compensações de valores recolhidos na forma da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o contribuinte que fizer prova de que efetivara no conta corrente de seu CNPJ, os recolhimentos informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social - GFIP., até então determinados pela norma suspensa. LEGITIMIDADE PARA DEMANDAR ADMINISTRATIVAMENTE. Tratando-se de demanda não em juízo mas na esfera administrativa , descabe falar de personalidade jurídica para pedir reparação de direitos que uma vez reconhecidos serão providos administrativamente. COMPENSAÇÃO.RETIFICAÇÕES PRÉVIAS DAS GFIPS. A Portaria MPS 133, de 2/5/2006 (DOU de 3/5/2006), bem como, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/9/2006 (DOU de 18/9/2006), disciplinaram procedimentos a serem adotados acerca da compensação/devolução dos valores recolhidos com base na norma suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005. As instruções supra condicionaram as compensações determinando que se procedessem , previamente, as retificação das Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social - GFIP e ainda, quando envolvesse valores descontados, seria necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que estaria ciente que esse período não seria computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Ivacir Julio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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ALÍNEA "H" , INCISO I , ART. 12 ART. 12 DA LEI 8.212/91. SUSPENSÃO. Na forma da Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005, o comando da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, encontrase suspenso. PROVA DE RECOLHIMENTO DOS VALORES A COMPENSAR. Faz jus às compensações de valores recolhidos na forma da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o contribuinte que fizer prova de que efetivara no conta corrente de seu CNPJ, os recolhimentos informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP., até então determinados pela norma suspensa. LEGITIMIDADE PARA DEMANDAR ADMINISTRATIVAMENTE. Tratandose de demanda não em juízo mas na esfera administrativa , descabe falar de personalidade jurídica para pedir reparação de direitos que uma vez reconhecidos serão providos administrativamente. COMPENSAÇÃO.RETIFICAÇÕES PRÉVIAS DAS GFIPS. A Portaria MPS 133, de 2/5/2006 (DOU de 3/5/2006), bem como, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/9/2006 (DOU de 18/9/2006), disciplinaram procedimentos a serem adotados acerca da compensação/devolução dos valores recolhidos com base na norma suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 26 , de 21.06.2005. As instruções supra condicionaram as compensações determinando que se procedessem , previamente, as retificação das Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP e ainda, quando envolvesse valores descontados, seria necessariamente precedido de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 13 69 /2 01 1- 81 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 declaração do exercente de mandato eletivo de que estaria ciente que esse período não seria computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Julio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o reproduzi na íntegra: “Tratase de crédito lançado contra o Município de Pai Pedro Prefeitura Municipal que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 11 a 35, referese às contribuições previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes à glosa de compensação de contribuições incidentes sobre os subsídios de exercentes de mandato eletivo nas competências 12/2007 a 09/2008. Conforme conclusão da fiscalização, as compensações são indevidas pelos seguintes motivos: Não ocorreu o trânsito em julgado da decisão proferida no processo judicial 2007.38.07.0033960; Não poderia o município efetuar compensações de crédito de contribuições da Câmara de Vereadores com débitos da Prefeitura Municipal; As GFIPs da Prefeitura relativas às competências 08/2004 e 09/2004 e da Câmara Municipal, competências 11/1999 a 05/2000, 12/2001, 01/2003 a 10/2003 e 01/2004 a 09/2004 não foram retificadas até o início do procedimento fiscal para exclusão dos agentes políticos; Em todas as GFIP apresentadas com informação de compensação de contribuição incidente sobre remuneração de agente político foi informado como período do crédito, 01/1999 a 09/2004. Referida informação é imprecisa. A não discriminação correta da origem do crédito impossibilita a comprovação da existência de crédito correspondente a todas as competências do período creditório. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte também não é possível identificar com precisão quando foi utilizado crédito da Câmara ou da Prefeitura. A glosa efetuada neste procedimento fiscal abrange todas as compensações. Mesmo após retificações procedidas em GFIP pelo Município na Câmara e na Prefeitura, em análise do contacorrente do contribuinte constatase que, em diversas competências compreendidas entre 06/2003 e 09/2004, inexiste sobra de recolhimentos apurada pela diferença entre os valores declarados e os recolhidos, como demonstrado nos itens 86.7, 86.8, 86.9, 86.10, 86.11, fls. 29 e 30. Na apuração dos pretensos créditos o contribuinte apenas considerou os valores constantes das folhas de pagamento de prefeitos, viceprefeitos e vereadores sem se atentar para o fato que o município não efetuou os respectivos recolhimentos. E é Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 justamente este fato, o efetivo recolhimento, que geraria o direito creditório. No Termo de Início do Procedimento Fiscal foi solicitada a apresentação das guias de recolhimento que originaram os créditos compensados. O contribuinte não apresentou todas as guias. Não foi apresentada a guia da prefeitura relativa à competência 06/2003. As guias da Câmara relativas às competências 03/1999 a 05/1999, 09/1999 a 12/1999 apresentadas pelo município não têm autenticação bancária porque não foram recolhidas. Segundo a fiscalização, no relatório “Comparativo Valores Declarados em GFIP x Folha de Pagamento Agentes Políticos”, fls. 348 a 356, ficou demonstrado que não houve declaração, antes das retificações, na maioria das competências. A coluna observação mostra que apenas em algumas competências houve declaração integral das contribuições relativas a agentes políticos, na época da ocorrência dos fatos geradores. Conforme planilhas constantes do Relatório Fiscal, os valores das contribuições correspondentes às compensações não foram recolhidos em sua totalidade. Salienta que no Relatório Fiscal constam apenas as informações de GFIP apresentadas na época da ocorrência dos fatos geradores sem levar em consideração as retificações apresentadas por ocasião das compensações objeto desta auditoria. Ressalta o auditor fiscal que as GFIP de todas as competências foram apresentadas antes da vigência da MP 449/2008 (4/12/2008). Assim, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, na forma do art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei 5.172/1966, foi feita, para se verificar a multa mais benéfica ao contribuinte, a comparação entre as penalidades previstas no art. 32, inciso IV, § 5º, pelo descumprimento da obrigação acessória de não declarar as contribuições em GFIP, acrescida com a do art. 35, inciso I, multa de mora pelo não recolhimento das contribuições, e artigos 92 e 102, todos da Lei 8.212/1991, vigentes à época do descumprimento das obrigações de recolher e declarar as contribuições, com a multa estatuída no art. 35A da mesma lei, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Da análise efetuada, constatou ser mais benéfica ao contribuinte, em todas as competências, a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, sendo esta a aplicada nos autos. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$291.289,40. O contribuinte teve ciência da autuação em 9/9/2011, fls. 358, e apresentou impugnação em 7/10/2011, fls. 362 a 367, com as seguintes alegações: Trânsito em julgado. Em que pese a sentença dos autos 2007.38.07.0033960 ainda não ter transitado em julgado, a compensação foi Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 4 5 operacionalizada administrativamente por força da Lei 8.212/91, uma vez que a Resolução do Senado Federal 26/2003 já havia suspendido a execução da alínea “h” do inciso I do artigo 12 dessa Lei. A Resolução do Senado produz efeitos sobre todos os fatos ocorridos, preteritamente, sob a égide da norma declarada inconstitucional. Limite de 30% para compensação. A auditoria fiscal levou em conta para realizar os cálculos e concluir que o limite de 30% foi ultrapassado somente o valor da parte patronal e não o total do recolhimento das competências incluídos os valores da contribuição dos segurados. Além disso, o § 3º do artigo 89 da Lei 8.212/91 foi revogado pelo inciso I do artigo 79 da Lei 11.491/09, que passou a admitir a compensação de até 100%, por ser óbvia a inconstitucionalidade do dispositivo que vigorava. O Município não fez compensação de valores relativos à contribuição dos agentes políticos. Conforme demonstrado na memória de cálculo, em anexo, os valores compensados relativos ao período de 01/99 a 09/04 referemse somente às contribuições patronais, tendo acumulado um saldo a compensar até o mês de junho/2011 de R$469.299,79. Compensação de valores da Câmara Municipal. As compensações de valores inerentes aos agentes políticos da Câmara Municipal devem ser lançados em favor do Município, e por tal razão, não podem ser alvo de glosa pela auditoria fiscal. As Câmaras Municipais não têm personalidade jurídica. As despesas fixadas e as receitas da Câmara Municipal têm como única fonte as transferências do executivo municipal. Há entendimento jurisprudencial no sentido de que é do município a legitimidade ativa para pleitear devolução de contribuição previdenciária sobre folha de salário da câmara de vereadores. Tratase de recuperação de valores integrantes ao patrimônio municipal. A câmara de vereadores não faz previsão de receitas anuais em seu orçamento. É sustentada exclusivamente com recursos financeiros arrecadados pelo Executivo Municipal. Retificação de GFIP. Diz que os documentos anexados comprovam a retificação e reenvio das GFIPs das competências 08/2004 e 09/2004 da Prefeitura e 11/1999 a 05/2000, 12/2001, 01/2003 a 10/2003 e 01/2004 a 09/2004 da Câmara Municipal.” Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.431, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil EM Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 14 de dezembro de 2011, exarou o Acórdão n° 0236.708 mantendo o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Reiterando as razões colacionadas em sede impugnação, a Recorrente interpôs Recursos Voluntários. Na peça recursal o Contribuinte basicamente reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação . Desta feita, colacionou a Ementa do voto a quo e guerreou aquele resumo alegando a desnecessidade de se observar o trânsito em julgado mas sim a Resolução do Senado que com eficácia ex tunc albergaria seu pleito. Combateu também o não provimento de compensar sem o observar o limite imposto de 30% a cada competência. Na seqüência alegou que a Câmara Municipal não tem personalidade jurídica para propor as compensações e que neste sentido a decisão judicial de primeiro grau proferida nos autos n. 2007.38.070033960 da Vara Cível da Justiça Federal de Montes Claros MG autorizou o município a compensar os valores das contribuições relativas aos vereadores. Alegou , também, que procedera as retificações e reenvio das GFIPs das competências 08/2004 a 09/2004 da Prefeitura e das competências 11/99 a 05/2000, 12/2001, 01/2003 a 10/2003, 01/2004 a 09/2004, da Câmara Municipal. Isto colocado, pediu anulação do auto em comento É o Relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na forma da peça recursal o contribuinte referindose ao descrito na ementa refutou as razões ali descritas sobre o trânsito em julgado alegando valer a determinação da Resolução do Senado que com eficácia ex tunc albergaria seu pleito. Combateu também o não provimento de compensar sem o observar o limite imposto de 30% a cada competência. E , na seqüência alegou que a Câmara Municipal não tem personalidade jurídica para propor as compensações e que neste sentido a decisão judicial de primeiro grau proferida nos autos n. 2007.38.070033960 da Vara Cível da Justiça Federal de Montes ClarosMG autorizou o município a compensar os valores das contribuições relativas aos vereadores. Alegou , também, que procedera as retificações e reenvio das GFIPs das competências 08/2004 a 09/2004 da Prefeitura e das competências 11/99 a 05/2000, 12/2001, 01/2003 a 10/2003, 01/2004 a 09/2004, da Câmara Municipal. Observando verificar a Resolução do Senado Federal n° 26, de 2005, consta que o Ato senatorial , vigendo até o presente, suspendeu, a partir de sua edição, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212/91, verbis: RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL Nº 26 DE 21.06.2005 D.O.U.: 22.06.2005 “ Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências Faço saber que o Senado Federal aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente, nos termos dos arts. 48, inciso XXVIII, e 91, inciso II, do Regimento Interno, promulgo a seguinte RESOLUÇÃO O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, em 21 de junho de 2005 Senador RENAN CALHEIROS” ( grifos de minha autoria) No julgamento do RE 351.7171, decidiuse pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. Em face disto, o Ministério da Previdência Social , fazendo valer efeito “ex tunc” editou a Portaria MPS 133, de 2/5/2006 (DOU de 3/5/2006), bem como, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/9/2006 (DOU de 18/9/2006), disciplinando procedimentos a serem adotados acerca da compensação/devolução dos valores recolhidos com base na norma declarada inconstitucional pelo STF. A Portaria supra, entretanto, condicionou as compensações na forma abaixo: “I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP; II quando envolver valores descontados, será necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste;” PORTARIA MPS Nº 133, DE 2 DE MAIO DE 2006 DOU DE 03/05/2006 “ O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso de suas atribuições legais e regulamentares, especialmente o art. 131 da Lei n 8.213, de 24 de julho de 1991, Considerando a Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, que suspende a execução da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei n° 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, e Considerando que a suspensão da execução determinada pela Resolução nº 26 do Senado Federal produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, de acordo com o § 2º do art. 1º do Decreto n 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Art. 1º A Secretaria da Receita Previdenciária não promoverá a constituição de créditos com fundamento na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 6 9 acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei n° 9.506, de 30 de outubro de 1997. Art. 2º Deverão ser cancelados ou retificados, conforme o caso, todos os débitos oriundos das contribuições referidas nesta Portaria, independente da fase em que se encontram, observadas as disposições referentes às contribuições descontadas. Art. 3º São devidas as contribuições decorrentes de valores pagos, devidos ou creditados ao exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com a alínea “j” do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pela Lei n° 10.887, de 18 de junho de 2004, publicada em 21 de junho de 2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004. Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP; II quando envolver valores descontados, será necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste;e III obedecerá ao prazo prescricional previsto em lei”(grifos de minha autoria) DO DIREITO DE COMPENSAR E DA OBRIGAÇÃO DE RETIFICAR PREVIAMENTE AS GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO E DE INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL – GFIP A Recorrente estaria beneficiada pela sobredita Portaria fazendo jus às compensações caso ela mesma tivesse procedido aos recolhimentos e às retificações PRÉVIAS das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP. Nos itens 54/56 do Relatório Fiscal a Autoridade autuante registrara que o município se louvara em eventuais créditos da Câmara Municipal e não de valores por ele recolhidos: “54. Em assim sendo, a câmara e a prefeitura municipais devem, isoladamente, elaborar e entregar as respectivas GFIP e, por conseguinte, proceder ao recolhimento das contribuições nas guias de arrecadação distintas. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Um recolhimento indevido ou a maior efetuado pela câmara municipal, em sua guia de recolhimento e com utilização de seu CNPJ, não pode vir a ser utilizado pela prefeitura para fins de compensação, pois são “empresas” distintas para efeitos previdenciários. 55. O crédito da câmara municipal não se confunde com o crédito da prefeitura. 56. A esse respeito, o seguinte dispositivo da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que trata da restituição e compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil: Art. 56. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributo administrado pela RFB, com créditos de terceiros”( grifos de minha autoria) DOS FATOS NOVOS Relevante notar que o recurso se resume a contrapor aos registros da Ementa e não trouxe fato novo que eventualmente desconstituísse os argumentos e provas que motivaram a constituição do crédito bem como o lançamento em comento. DA AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO Às fls.89, consta colacionada cópia da ação de restituição de indébito interposta pela Recorrente que alega ser seu o direito às restituições. Extraído parcialmente, transcrevi em síntese o conteúdo da sentença da ação em comento como abaixo se observa: “Tratase de ação ordinária de repetição de indébito , com pedido de tutela antecipada, ajuizada pelo MUNICÍPIO DE PAI PEDRO/MG, inicialmente em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), posteriormente substi tuído pela UNIÃO FEDERAL, em que se pretende provimento jurisdicional no sentido de reconhecer o crédito integral relativo às contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, entre janeiro de 1999 a setembro de 2004, parte patronal, dos exercentes de mandato eletivo (prefeito, vice vereadores) e demais agentes políticos, considerados os secretários municipais. Requer que seja afastada a obrigatoriedade de retificação das GF'Ps. Alega que a ré não reconhecia o crédito relativo às contribuições supramencionadas, porém, com a Resolução n. 26 do Senado Federal, após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal , no julgamento do RE Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 7 11 n. 351.7171/PR, da alinea "h", inciso I, do artigo 12, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pelo § 3o , artigo 13, da Lei n. 9.506/97, o Ministério da Previdência Social baixou a Portaria n. 133, determinando a restituição e compensação dos valores indevidamente pagos. Afirma que não concorda com a exigência relativa à retificação das GFIPs e com a limitação da compensação ao percentual de 30% das contribuições devidas em cada competência. Sustenta que os secretários municipais também se enquadram como agentes políticos. (. . . ) Nesse ponto, já deixo registrado que a norma declarada inconsti tucional se refere apenas ao detentor de mandato elet ivo federal, estadual ou municipal, hipótese que não alcança os secretários municipais, sendo improcedente o pedido nessa parte. (. . . ) Sobre a compensação , consoante nova orientação do STJ (Cf. EREsp 915.338/SP, Rei. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/03/2010, DJe 18/03/2010), entendo que deverá ser mantido o limite à compensação no valor de trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência, determinado pelo § 3o , do artigo 89, da Lei n. 8.212/91 com redação dada pela Lei n. 9.129/95, vigente ao tempo, hoje revogado pela Lei n. 11.941/2009 No tocante à retificação das GFIPS , obrigação constante do art. art. 4 o , I, da Portaria n . 133/2006, decorre do disposto no art . 32, incisa da Lei n. 8.212/91. Ora, se há obrigação de declarar dados relacionados aos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, havendo alteração, em razão da declaração de inconstitucionalidade da exação, não restam dúvidas de que é necessária a retificação da GFIP . III DISPOSITIVO Ante o exposto, julgo procedente, em parte, o pedido para declarar compensáveis as contribuições previdenciárias incidentes apenas sobre os Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 subsídios de detentores de mandato eletivo (prefeito, viceprefei to e vereadores), recolhidos pelo MUNICÍPIO DE PAI PEDRO/MG, no período compreendido entre janeiro de 1999 e setembro de 2004, com contribuições para a seguridade social devidas, vencidas ou vincendas, observado o limite de trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência (art. 89, §3°, Lei n. 8.212/91), a serem corrigidos, exclusivamente, pela taxa Selic, conforme estabelecido no art igo 39, § 4o , 9.250/95, facultado ao contribuinte optar pe de restituição, após o trânsito em julgado... .”(grifos de minha autoria) DAS CONDIÇÕES PARA IMPLEMENTAR AS COMPENSAÇÕES Na forma do sobredito “decisium” o exercício do direito ficou condicionado aos valores RECOLHIDOS , às retificações da GFIPs e que se observassem o limite de 30% a ser recolhido em cada competência, determinado pelo § 3o, do artigo 89, da Lei n. 8.212/91 com redação dada pela Lei n. 9.129/95, vigente ao tempo, hoje revogado pela Lei n. 11.941/2009. DA MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Pesquisa datada de 10/09/2013, revela que ainda não ocorreu o trânsito em julgado. “ APELAÇÃO CÍVEL 2007.38.07.0033960/MG Processo na Origem: 33475720074013807 RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA APELANTE : MUNICIPIO DE PAI PEDROMG ADVOGADO : CARLOS ALBERTO LOPES DE MORAIS APELANTE : UNIÃO (PFN) PROCURADOR : CRISTINA LUISA HEDLER APELADO : AMBAS AS PARTES TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTE POLÍTICO. PRELIMINAR. SECRETÁRIOS MUNICIPAIS. LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. 1. O reconhecimento administrativo da inexigibilidade da contribuição previdenciária prevista no art. 12/I, alínea h, da Lei 8.212/1991 não induz falta de interesse processual (AC 2009.34.00.0111818DF, r. Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, 7ª Turma, e AC 2006.38.12.0089157MG, r. Des. Federal Maria do Carmo Cardoso, 8ª Turma do TRF/1ª Região). 2. É legítima a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos secretários municipais (EDAC 2009.39.01.0012582PA, r. Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, 7ª Turma do TRF/1ª Região). 3. A compensação será realizada de acordo com a lei vigente na época de sua efetivação. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 8 13 4. Proposta a ação depois de 09/06/2005, a prescrição é qüinqüenal (RE 566.621). 5. Apelações das partes parcialmente providas. ” 10/09/2013 08:20:00 160500 FAZENDA NACIONAL INTIMADA PESSOALMENTE DO ACÓRDÃO 23/08/2013 08:00:00 210101 ACÓRDÃO PUBLICADO NO eDJF1 DO DIA 23/08/2013 E DIVULGADO NO DIA 22/08/2013 PAGS. 749/857. 20/08/2013 18:00:00 220380 ACORDÃO REMETIDO / (A SER REMETIDO) PARA PUBLICAÇÃO NO eDJF1 DO DIA 23/08/2013 E DIVULGADO NO DIA 22/08/2013. Nº de folhas do processo: 573. Destino: ARM 16 D Às fls. 100 se registra que a sentença fora exarada em 18/10/2010. Os fatos geradores são datados de 06/2007 a 09/2008. Assim as compensações foram efetuadas pela Recorrente ao desamparo da decisão em apreço que só viria autorizar tempos mais tarde. Em que pese as determinações da sentença dos autos 2007.38.07.0033960 é de se destacar , ainda, que não ocorreu o transitado em julgado. DO LIMITE DE 30 % E DAS CONDIÇÕES PARA IMPLEMENTAR AS COMPENSAÇÕES Na forma da sobredita sentença da ação de RESTITUIÇÃO DO, o exercício do direito de compensar ficou condicionado a efetiva ocorrência de valores RECOLHIDOS, às retificações da GFIPs e que se observassem o limite de 30% a ser recolhido em cada competência, determinado pelo § 3o , do art igo 89, da Lei n. 8.212/91 com redação dada pela Lei n. 9.129/95, vigente ao tempo, hoje revogado pela Lei n. 11.941/2009. AS DECISÕES DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Apenas 7 julgados estão disponíveis na pesquisa jurisprudencial deste E. Conselho. Aduz que não restam pacificadas e tampouco alinhadas às decisões Supremo Tribunal Federal . Em algumas das decisões do gênero, excetuase das contribuições apenas os exercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que viculados aos regimes próprios de previdência social. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 O Acórdão abaixo transcrito representa bem os demais julgados no âmbito deste Conselho, verbis: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20600701 do Processo 35135000280200617 09/04/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/03/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. AGENTES POLÍTICOS. ARTIGO 12, INCISO I, ALÍNEA "J", LEI 8.212/91. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto até o dia dez do mês seguinte ao da competência, de conformidade com o artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei nº 8.212/91. Com fulcro no o artigo 12, inciso I, alínea "j", da Lei nº 8.212/1991 (na redação da Lei nº 10.887/2004), os exercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculados o regime próprio de previdência social, são segurados obrigatórios da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado. DA PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DAS CÂMARAS O Recurso Especial Resp 946676 CE 2007/00978607 abaixo colacionado aduz que as Câmaras Municipais não têm personalidade jurídica para demandar EM JUÍZO. Aduz , ainda, que sejam devolvidas as importâncias pagas a título de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, no que toca às remunerações dos ocupantes de cargos eletivos (vereadores), assim como que não sejam feitas novas cobranças para o recolhimento no pagamento dos agentes políticos referenciados, verbis: STJ – RECURSO ESPECIAL Resp 946676 CE 2007/00978607 (STJ) Data de publicação : 19/11/2007 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VEREADORES. CÂMARA MUNICIPAL. PERSONALIDADEJU RÍDICA E JUDICIAL. INSTITUTOS DISTINTOS. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. CARÊNCIA DE AÇÃO. PRECEDENTES. 1. Cuidase de ação rescisória movida pela Câmara Municipal de Senador Sá/CE objetivando a desconstituição de acórdão em que foi reconhecida a legalidade e constitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o subsídio percebido por agentes políticos. O TRF da 5ª Região (fls. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 9 15 119/131), por unanimidade, julgou procedente a ação, por entender que: a) é cabível a ação rescisória, ainda que ausente a indicação do dispositivo legal violado, por restar claro na exordial que a pretensão autoral é a desconstituição de julgado com base em pronunciamento do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação discutida; b) há inúmeros precedentes deste Tribunal Regional que reconhecem a legitimidade das Câmaras Municipais em ações deste jaez; c) no mérito, desconstituir o acórdão a teor da manifestação da Corte Suprema no Recurso Extraordinário n. 351.7171. Na via especial, o INSS sustenta, em síntese, que em hipóteses semelhantes, há pronunciamento deste STJ favorável a sua tese, no sentido da declaração de ilegitimidade da Câmara Municipal para defender a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre a remuneração de agentes políticos. 2. A jurisprudência desta colenda Corte de Justiça possui entendimento pacífico e uníssono no sentido de que: em nossa organização jurídica, as Câmaras Municipais não têm personalidade jurídica. Tem elas,apenas, pe rsonalidade judiciária, cuja capacidade processual é limitada para demandar em juízo, com o intuito único de defender direitos institucionais próprios e vinculados à sua independência e funcionamento; é do Município a legitimidade, e não da Câmara de Vereadores, para figurar no pólo ativo da ação ajuizada, in casu, com o fito de que sejam devolvidas as importâncias pagas a título de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, no que toca às remunerações dos ocupantes de cargos eletivos (vereadores), assim como que não sejam feitas novas cobranças para o recolhimento no pagamento dos agentes políticos referenciados; a relação processual se estabelece entre os ocupantes dos cargos eletivos e o Município; a ação movida pela Câmara Municipal é carente de condição processual para prosseguir, ante a sua absoluta ilegitimidade ativa. 3. Precedentes mais recentes : REsp 649.824/RN , Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 30/05/2006 e REsp 696.561/RN , Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 24/10/2005. 4. Recurso especial provido... DAS DEMANDAS NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Considerando que a Câmara Municipal teve sua inscrição no cadastro Receita Federal como EMPRESA – ÓRGÃO PÚBLICO; Considerando que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP de emissão da Câmara registraria suas obrigações principais e eventuais equívocos que gerando créditos facultarialhe se utilizar na forma de compensação ou de restituição ; Considerando que para levar a termo eventuais compensações ou pedidos de restituições a Câmara teria que provar os recolhimentos efetuados; e Considerando tratarse de demanda não EM JUÍZO mas na esfera ADMINISTRATIVA , descabe falar de personalidade jurídica para propor reparar direitos que uma vez reconhecidos serão providos administrativamente. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 NÚMERO DE INSCRIÇÃO 02.221.027/000130 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 18/09/1997 NOME EMPRESARIAL PAI PEDRO CAMARA MUNICIPAL TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) CAMARA MUNICIPAL DE PAI PEDRO CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 84.11600 Administração pública em geral CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 1066 ORGAO PUBLICO DO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL LOGRADOURO R ALCIDES MENDES DA SILVA NÚMERO 143 COMPLEMENTO CEP 39.517000 BAIRRO/DISTRITO VILA NOVA MUNICÍPIO PAI PEDRO UF MG SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 17/01/1998 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Importa destacar que ao invés de se referir ao resumo na Ementa, a Recorrente deveria ter observado o Relatório e o voto a quo , que fora levado ao seu conhecimento na forma do Acórdão a que se refere a Ementa. Neste sentido cumpre reparar no parágrafo em que a Autoridade Fiscal registra o abaixo transcrito: “ No Termo de Início do Procedimento Fiscal foi solicitada a apresentação das guias de recolhimento que originaram os créditos compensados. O contribuinte não apresentou todas as guias. Não foi apresentada a guia da prefeitura relativa à competência 06/2003. As guias da Câmara relativas às competências 03/1999 a 05/1999, 09/1999 a 12/1999 apresentadas pelo município não têm autenticação bancária porque não foram recolhidas.” Fl. 470DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10670.721369/201181 Acórdão n.º 2403002.252 S2C4T3 Fl. 10 17 É relevante ressaltar que no presente Recurso Voluntário interposto a Recorrente não contrapôs argumentos à luz de elementos probantes sobre as sobreditas afirmações que se fizera constar no Relatórios Fiscal e de primeira instância e , ainda, sobre as abaixo : “(..)Conforme conclusão da fiscalização, as compensações são indevidas pelos seguintes motivos: As GFIPs da Prefeitura relativas às competências 08/2004 e 09/2004 e da Câmara Municipal, competências 11/1999 a 05/2000, 12/2001, 01/2003 a 10/2003 e 01/2004 a 09/2004 não foram retificadas até o início do procedimento fiscal para exclusão dos agentes políticos; Em todas as GFIP apresentadas com informação de compensação de contribuição incidente sobre remuneração de agente político foi informado como período do crédito, 01/1999 a 09/2004. Referida informação é imprecisa. A não discriminação correta da origem do crédito impossibilita a comprovação da existência de crédito correspondente a todas as competências do período creditório. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte também não é possível identificar com precisão quando foi utilizado crédito da Câmara ou da Prefeitura. A glosa efetuada neste procedimento fiscal abrange todas as compensações. Mesmo após retificações procedidas em GFIP pelo Município na Câmara e na Prefeitura, em análise do contacorrente do contribuinte constatase que, em diversas competências compreendidas entre 06/2003 e 09/2004, inexiste sobra de recolhimentos apurada pela diferença entre os valores declarados e os recolhidos, como demonstrado nos itens 86.7, 86.8, 86.9, 86.10, 86.11, fls. 29 e 30. Na apuração dos pretensos créditos o contribuinte apenas considerou os valores constantes das folhas de pagamento de prefeitos, viceprefeitos e vereadores sem se atentar para o fato que o município não efetuou os respectivos recolhimentos. E é justamente este fato, o efetivo recolhimento, que geraria o direito creditório. No Termo de Início do Procedimento Fiscal foi solicitada a apresentação das guias de recolhimento que originaram os créditos compensados. O contribuinte não apresentou todas as guias. Não foi apresentada a guia da prefeitura relativa à competência 06/2003. As guias da Câmara relativas às competências 03/1999 a 05/1999, 09/1999 a 12/1999 apresentadas pelo município não têm autenticação bancária porque não foram recolhidas. Segundo a fiscalização, no relatório “Comparativo Valores Declarados em GFIP x Folha de Pagamento Agentes Políticos”, fls. 348 a 356, ficou demonstrado que não houve declaração, antes das retificações, na maioria das competências. A coluna observação mostra que apenas em algumas Fl. 471DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 competências houve declaração integral das contribuições relativas a agentes políticos, na época da ocorrência dos fatos geradores. Conforme planilhas constantes do Relatório Fiscal, os valores das contribuições correspondentes às compensações não foram recolhidos em sua totalidade. Salienta que no Relatório Fiscal constam apenas as informações de GFIP apresentadas na época da ocorrência dos fatos geradores sem levar em consideração as retificações apresentadas por ocasião das compensações objeto desta auditoria.”( grifos de minha autoria) Assim , ainda que ao município se fizesse valer o teor da sentença na forma do RECURSO ESPECIALResp 946676 CE 2007/00978607 para devolver ou compensar as importâncias pagas a título de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, no que toca às remunerações dos ocupantes de cargos eletivos (vereadores), a condição precípua é de que teria que se fazer provar que os RECOLHIMENTOS foram efetuados. Não obstante sequer ter demonstrado os recolhimentos, também não se observado adimplida as obrigações acessórias de retificar PREVIAMENTE as GFIPs. Portanto, descabe dar provimento às alegações da Recorrente DAS MULTAS Em sede de impugnação já houvera sido enfrentada a questão concluindose em beneficiar o contribuinte com as penalidades menos severas sob o comando do art. 35A da Lei n° 8.22/91 decisão que acompanho pelas conclusões. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para, NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 472DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 35464.001131/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 30/11/2003 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
AFERIÇÃO INDIRETA
O crédito previdenciário será apurado por aferição indireta quando houver deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
TAXA SELIC
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo
Numero da decisão: 2301-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antonio De Souza Correa e Leo Meirelles Do Amaral.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 30/11/2003 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. AFERIÇÃO INDIRETA O crédito previdenciário será apurado por aferição indireta quando houver deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo
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REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. AFERIÇÃO INDIRETA O crédito previdenciário será apurado por aferição indireta quando houver deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. TAXA SELIC AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 31 /2 00 7- 16 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antonio De Souza Correa e Leo Meirelles Do Amaral. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 308 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e ao terceiro, FNDE. Conforme Relatório Fiscal da NFLD (fls. 27), a empresa realizava pagamentos registrados em contas de despesas diversaos, em seu livro Razão, que foram considerados como remuneração dos segurados empregados e de contribuintes individuais (prolabore). A autoridade notificante esclarece que, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não prestou esclarecimentos sobre a que se referiam tais pagamentos, e nem apresentou os respectivos documentos de caixa. Relata ainda que foi constatada a existência de vários lançamentos cuja descrição continha o nome de empregados, que se repetiam todos os meses, sendo que alguns ainda tinham a descrição de “compl salarial”, indicando que se tratava de pagamento de remuneração. Informa que, como não foi entregue folha de pagamento discriminando todos os segurados que prestaram serviços à empresa, não foi possível calcular a contribuição descontada de cada empregado, tendo sido a contribuição devida aferida com a aplicação da alíquota mínima de 8%, e fundamenta o procedimento da aferição no art. 33, da Lei 8.212/91. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do despacho de fls.185, resultando no Relatório de fls. 202, por meio do qual a autoridade lançadora ratifica o débito. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls. 215, e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1623.442, da 11a Turma da DRJ/SP1, (fls. 244), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 2695), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, repete que os valores lançados não constituem salários de contribuição, e sim despesas relativa a ajuda de custo e diária de viagem, com finalidade específica, conforme art. 457, § 2o, da CLT. Reafirma que ajuizou ação judicial para não se submeter a regulamentação do SAT, por meio do Decreto 2.173/97, sendo que referida ação encontrase pendente de julgamento, devendo, portanto, ser acolhida a argüição de inconstitucionalidade da majoração cobrada, ou que seja acolhida a suspensão da exigibilidade até o seu trânsito em julgado. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Insurgese contra a Representação Fiscal para Fins Penais, argumentando que não há fundamento para sua emissão, uma vez que o objeto desta notificação são contribuições devidas ao INCRA. Requer a revisão dos valores em face dos juros e da inaplicabilidade da Taxa SELIC, e frisa que entregou de forma individualizada as folhas de pagamento, discriminando todos os segurados empregados, bem como os contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 309 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, constatase que a recorrente insiste em afirmar que os valores lançados não constituem salários de contribuição, e sim despesas relativas a ajuda de custo e diária de viagem, com finalidade específica, conforme art. 457, § 2o, da CLT. Contudo, não comprova o alegado. Apesar de intimada por meio de TIAD, a recorrente não apresentou a documentação solicitada pela auditoria fiscal, e que poderiam demonstrar a origem de tais pagamentos. Contudo não o fez, se limitando a afirmar que os valores constantes das contas de despesas não constituem salário de contribuição. Ao proceder dessa forma, a recorrente não deu outra alternativa ao agente fiscal, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, a não ser aferir o débito, com amparo no art. 33, § 3o, da Lei 8.212/91, considerando como sendo remuneração os valores registrados nas contas de despesas apontadas no Relatório Fiscal, invertendo o ônus da prova, A fiscalização observou que a recorrente pagava a seu sócio Sérgio Kuba, até 12/2004, um valor de R$9.794,40, registrado corretamente na conta denominada “PRÓ LABORE” e que, a partir de 01/2005, as quantias registradas nessa mesma conta caíram para R$3.000,00, ao tempo que começou a ser registrado o pagamento de um valor de R$6.794,40, na conta “DESPESAS DIVERSAS”. Como a empresa não comprovou a origem desse novo registro, restou claro que houve uma divisão no lançamento contábil de pagamento de prólabore em duas contas distintas. Da mesma forma, contatouse que a empresa lançava mensalmente valores em contas denominadas“despesas diversas”, em cujo histórico consta os nomes dos seus empregados, muitas vezes com o registro de “compl salário”, o que, diante da ausência de documentos comprobatórios, levam à convicção de que tratase de pagamento de remuneração. A recorrente não nega que tenha feito os lançamentos contábeis conforme afirmado pela fiscalização. Ela apenas alega, sem comprovar, que tratase de pagamento de diárias de viagem e de ajuda de custo. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 No entanto, há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Ademais, a Lei 8.212/91 determina que, para não sofrer incidência de contribuição previdenciária, a ajuda de custo deverá ser paga em parcela única, e em decorrência de mudança de local de trabalho, o que não restou comprovado no caso presente. Da mesma forma, a citada Lei apenas isenta, da contribuição previdenciária, os valores de diárias que não excedam 50% da remuneração mensal. Nesse sentido, caberia à empresa comprovar que observou os requisitos previstos no § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, para que não incida contribuição sobre os pagamentos de ajuda de custo e de diária, o que não ocorreu no caso presente. Assim, a fiscalização, ao constatar registros de pagamentos mensais aos segurados a serviço da empresa, e diante da não apresentação dos documentos solicitados, agiu em conformidade aos ditames legais, aferindo indiretamente a base de cálculo da contribuição devida, e lavrando a competente NFLD. A notificada insiste em afirmar que ajuizou ação judicial para não se submeter a regulamentação do SAT, por meio do Decreto 2.173/97, sendo que referida ação encontrase pendente de julgamento, devendo, portanto, ser acolhida a argüição de inconstitucionalidade da majoração cobrada, ou que seja acolhida a suspensão da exigibilidade até o seu trânsito em julgado. Porém, em diligência determinada pela DRJ/SP1, a fiscalização verificou que as ações já transitaram em julgado, com sentença desfavorável ao contribuinte, conforme informações prestadas pela própria recorrente, em resposta à intimação feita durante a diligência fiscal. Com relação aos argumentos contrários à emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, cumpre reiterar o que já foi esclarecido pelo julgador de primeira instância, que em nenhum momento, no processo em tela, houve menção de que seria feita a referida representação fiscal, como também, ao contrário do que afirma a recorrente, não é objeto desta notificação as contribuições ao INCRA. A autoridade notificante deixa claro, em seu relatório, que está sendo exigida, no caso de Terceiras Entidades, apenas contribuição ao FNDE. Nesse sentido, tais argumentos são estranhos ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto da NFLD em discussão, motivo pelo qual não serão objeto de análise. A recorrente insurgese, ainda, contra o valor da multa e juros aplicados. Porém, vale lembrar que a utilização da taxa para atualizações e correções dos débitos apurados e a multa aplicada encontram respaldo nos art. 34 e 35, da Lei 8.212/91 vigentes à época. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 310 7 “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Considerando que o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento da totalidade dos valores devidos à Previdência Social, lavrou a presente NFLD, em observância aos ditames legais. E sobre o valor lançado foram acrescidos os juros e multas, por expressa determinação legal. A cobrança da multa moratória, de caráter irrelevável, é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente. Conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, vigente à época do lançamento, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao princípio da isonomia, pois Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Relativamente à alegação de inconstitucionalidade de lei e da aplicação da taxa SELIC, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ressaltese que tais matérias são objeto das Súmulas nº 02 e 03, do CSRF, transcritas a seguir: Súmula nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Isso posto, constatase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 311 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 312 11 O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 313 13 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35464.001131/200716 Acórdão n.º 2301003.650 S2C3T1 Fl. 314 15 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 11020.915463/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 54 63 /2 00 9- 01 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é de Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP no 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915463/200901 Acórdão n.º 3301001.948 S3C3T1 Fl. 54 3 Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. (MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè,1993, vol. 3, p. 233). A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.o 9.718/98, ARTIGO 3o, § 2o, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.o 1991 18/2000. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3o, § 2o, III, da Lei n.o 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Nesse sentido, já decidiu o CARF, por sua Terceira Seção de Julgamento, em relação ao mesmo contribuinte. Confiramse as seguintes ementas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação. (Processo nº 11020.915469/200970, Rel. Antônio Carlos Atulim, Ac. nº 3403 002.241). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915463/200901 Acórdão n.º 3301001.948 S3C3T1 Fl. 55 5 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. (Processo nº 11020.915457/200945, Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ac. nº 3401002.192). Pelo exposto, em face da preclusão, não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Voluntário, uma vez que inexiste indébito algum em relação ao pagamento efetuado. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000057/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa:
Glosa das deduções de CSLL retidas na fonte feitas nas provisões de contribuição social sobre o lucro líquido (na escrituração contábil), sem acusação quanto a informe de rendimentos e de retenção de CSLL e sem consulta aos sistemas de DIRFs. Precariedade da instrução primária que, de per se, fulmina o lançamento. A contribuinte apurara as CSLL anualmente, e a exigência se dera sob regime de apuração trimestral. Outro vício substancial que, per se, inquina o lançamento.
Numero da decisão: 1103-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: Glosa das deduções de CSLL retidas na fonte feitas nas provisões de contribuição social sobre o lucro líquido (na escrituração contábil), sem acusação quanto a informe de rendimentos e de retenção de CSLL e sem consulta aos sistemas de DIRFs. Precariedade da instrução primária que, de per se, fulmina o lançamento. A contribuinte apurara as CSLL anualmente, e a exigência se dera sob regime de apuração trimestral. Outro vício substancial que, per se, inquina o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: Glosa das deduções de CSLL retidas na fonte feitas nas provisões de contribuição social sobre o lucro líquido (na escrituração contábil), sem acusação quanto a informe de rendimentos e de retenção de CSLL e sem consulta aos sistemas de DIRFs. Precariedade da instrução primária que, de per se, fulmina o lançamento. A contribuinte apurara as CSLL anualmente, e a exigência se dera sob regime de apuração trimestral. Outro vício substancial que, per se, inquina o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 57 /2 01 0- 11 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.758 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de CSL, de fls. 66 a 72, no total de R$ 2.242.343,17, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, contemplando valor de principal do tributo mencionado, acrescido de multa de ofício à razão de 75%, bem como de juros de mora. Referido valor se subdivide conforme as tabelas apresentadas às fls. 73 a 76, como se demonstra a seguir: de janeiro de 2005: R$ 251.383,26 de dezembro de 2005: R$ 495.709,80 de novembro de 2006: R$ 182.438,85 de dezembro de 2006: R$ 1.312.811,26 A interessada apresentou arquivos contábeis por meio magnético. Foi apurada irregularidade, então, pela autoridade fiscal, visto que referidos valores foram abatidos de débitos provisionados, porém deixaram de ser declarados em DCTF ou foram declarados a menor. Às fls. 73 a 76 juntaramse planilhas demonstrativas da falta ou insuficiência de pagamentos relativos à CSL. Das planilhas demonstrativas, que integram o auto de infração, vêse que, a bem ver, o que se efetivou foram glosas de CSL na fonte registradas contabilmente como ativo e utilizadas para deduzir as provisões contábeis de CSL. Outra infração acusada no Termo de Verificação Fiscal (TVF) é a de que houve DCTFs retificadoras que majoraram os tributos declarados após o início do procedimento fiscal, de modo que se procede ao lançamento de tais diferenças, por ausência de espontaneidade. Entre os valores objetivados ao lançamento figuram débitos de IRRF de janeiro e novembro de 2006, de maio, agosto, setembro e dezembro de 2008, e de IRPJ de janeiro de 2007. Ainda, em 20/5/2009, a autoridade fiscal intimou a interessada para que apresentasse arquivos contábeis relativos aos anos de 2007 e 2008. A interessada apresentouos, porém, a autoridade fiscal encontrou irregularidades no Planos de Contas e na validação do Sinco. Intimada a interessada para apresentar novos arquivos, esta indicou não haver inconsistências nos arquivos. Entende, portanto, a autoridade fiscal haver a incidência de multa de meio por cento da receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do artigo 12, inciso I, da Lei 8.218/91, conforme tabela transcrita abaixo: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.759 3 RECEITA DECLARADA NA DIPJ (AC 2007) R$ 358.174.627,24 X 005 R$ 1.790.873,14 RECEITA DECLARADA NA DIPJ (AC 2008) R$ 293.307.453,32 X 005 R$ 1.466.537,27 Nem esta como a segunda infração descrita foram materializadas no auto de infração veiculado no presente processo administrativo fiscal. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 88 a 121, requerendo, em síntese, o que segue. Em linhas gerais, a interessada alega ser nulo o Auto de Infração em questão, tendo em vista a superficialidade da busca de informações necessárias ao lançamento, pois a autoridade fiscal deixou de cumprir todas as diligências para apurar as diferenças encontradas entre contabilidade e DCTF, bem como sobre a existência de incorreções na base de cálculo da CSL. Ela indica, inclusive, que não só apurou a CSL devida em valores maiores do que os informados em DCTF, como também quitou os valores devidos. A interessada, ainda, informa cerceamento de defesa e contraditório tendo em consideração que parte da documentação apresentada à autoridade fiscal não foi anexada aos autos nem foi apreciada. Indica, outrossim, que o lançamento teve em consideração provisões contábeis para pagamento de tributos, por serem indedutíveis na apuração do lucro real. Porém, tratase de um indício da ocorrência de fato gerador. Alega, também, que a autoridade fiscal considerou períodos trimestrais para os fatos geradores da CSL. No entanto, a recorrida optou pela apuração anual. Demonstra, ainda, que o montante indicado pela autoridade fiscal como faltante no valor total de R$ 182.438,35, encontrase no Razão Analítico e no Livro Diário. Por fim, entende a interessada que não pode prosperar a cobrança de juros moratórios pela utilização da Taxa Selic, vez que sua fixação visa à remuneração e não à sanção ao atraso no cumprimento de uma obrigação. DA DECISÃO DA DRJ Em 4/8/2011, acordaram os julgadores da 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, dar procedência à impugnação para cancelar a exigência, conforme o entendimento que segue. Primeiramente, afirmouse que, muito embora relevante, a contabilização das retenções não era essencial para legitimar a dedução e, ainda, demonstra que a prova deveria Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.760 4 ter sido buscada no comprovante emitido pelas fontes pagadoras, ou seja, o lançamento não poderia ter ocorrido sem motivação suficiente. Ainda, reconhece que a autoridade fiscal estabeleceu períodos de apuração trimestrais, quando na verdade, a recorrida havia optado pela declaração e apuração anual da CSL. Inclusive, indica que os débito exigidos no lançamento são relativos às estimativas mensais da CSL. Assim, quando não são declaradas ou recolhidas, estas não podem ser exigidas de ofício, mas glosadas dos abatimentos que integram o cálculo do tributo devido anual e, posteriormente, caso necessário, proceder ao lançamento. Outrossim, acentua que a autoridade fiscal não examinou as fichas da DIPJ para apuração anual da CSL para fins verificar se a falta apurada ocasionaria insuficiência de pagamento do referido tributo apurado anualmente. Por fim, indica que a autoridade fiscal não considerou que a recorrida havia apurado e declarado saldo negativo de CSL em 2005 e 2006. DO RECURSO DE OFÍCIO Do acórdão a quo exoneratório da pretensão fiscal, o Presidente da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.761 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Tratase de remessa de ofício, ou de recurso de ofício, conforme o art. 34, I, do Decreto 70.235/72. O recurso de ofício atende ao limite de alçada para tanto, nos termos do art. 1º da Portaria MF 3/08, de modo que dele conheço. Compulsando os autos, noto que, embora o TVF (termo de verificação fiscal), que integra o auto de infração, impute três infrações ao contribuinte (fls. 63 a 65), como já descritos no relatório, o instrumento específico do auto de infração destes autos contém somente a primeira infração – fls. 66 a 72 e 85. As planilhas de fls. 73 e 74 (repetidas nas fls. 75 e 76) especificam a infração, e guardam correspondência com as bases de cálculo da CSL exigida. Conforme o TVF e especificação contida nas referidas planilhas, cuidase de diferenças de CSL retida na fonte constante na planilha do contribuinte, mas não localizada em sua escrituração contábil: de R$ 251.383,26, para janeiro de 2005; de R$ 495.709,80, para dezembro de 2005; de R$ 182.438,85, para novembro de 2006; de R$ 1.312.811,26, para dezembro de 2006. Ora, bem se sabe que o informe de rendimentos e de retenções constitui o documento hábil e bastante para dedução do IRF, conforme o art. 943, § 2º c/c o art. 815, do RIR/99, valendo a mesma força probante para dedução de CSL retida na fonte. Não há no TVF nem na planilha alguma acusação quanto a informe de rendimentos e de retenção de CSL na fonte. Mais. Não há sequer indicação de consulta aos sistemas da Receita Federal de DIRFs relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006, em que o contribuinte figure como beneficiário. É patente a falta de aprofundamento da investigação fiscal, para conclusão da instrução primária que orienta o lançamento. A precariedade da instrução primária do procedimento fiscal, vale dizer, do ônus primário da autoridade fiscal lançadora é inescondível. Isso, de per se, é suficiente para fulminar o lançamento por vício substancial, porquanto, no caso, no mínimo a consulta aos sistemas DIRF da Receita Federal é ônus primário de rigor do autuante, e que, portanto, insuscetível de suprimento pelo órgão julgador. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.762 6 Mais. Segundo a DIPJ/06, a CSL fora apurada anualmente no anocalendário de 2005, com sujeição ao regime de estimativas mensais de CSL, as quais foram apuradas com base em balanço de suspensão ou redução, como se vê da ficha 16 da DIPJ/06 – fls. 13 a 16. Também, conforme a DIPJ/07, a CSL fora determinada anualmente no anocalendário de 2006, sob o regime de estimativas mensais de CSL, igualmente apuradas com base em balanço de suspensão ou redução, como soa da ficha 16 da DIPJ/07 – fls. 1691 a 1698. O lucro líquido antes da CSL e do IRPJ do anocalendário de 2005 informado na ficha 6A é igual ao que consta na linha 1 da ficha 17, da DIPJ/05 (fls. 6 e 17); o mesmo sucede com o lucro líquido antes da CSL e do IRPJ do anocalendário de 2006 (fls. 1686 a 1690 e 1699). Em geral, a base de cálculo e a CSL devida efetivas são coincidentes com a base de cálculo e a CSL devida da estimativa de dezembro apurada com base em balanço de suspensão ou redução. É o que se deu aqui, seja no anocalendário de 2005, como no de 2006 – fls. 16, 17, 1697, 1701 e 1702. Para fins de exigência, tratase, porém, de elemento acidental a referida coincidência. Vale dizer, descabe a cobrança da estimativa de dezembro, ainda que seu valor seja coincidente ao da CSL efetiva (anual). Devese ver o motivo e o fundamento: exigência da CSL efetiva anual ou de estimativa. Não fosse o vício substancial já acusado, seria fundamental a constatação de que a CSL fora apurada pelo contribuinte anualmente, sob regime de estimativas mensais, em ambos os anoscalendário em discussão – 2005 e 2006. A exigência das diferenças de CSL acusadas pelo autuante se deu sob o regime de apuração trimestral, tanto para as diferenças indicadas para o anocalendário de 2005 (de janeiro, com fato gerador para 31/3/05; de dezembro, com fato gerador para 31/12/05, vencimento em 31/1/06), como para o de 2006 (de novembro e dezembro, com fato gerador para 31/12/06, vencimento em 31/1/07)1. É o que vejo do instrumento específico do auto de infração, das fls. 68, 70 e 72. É evidente o vício insanável que inquina o lançamento. Dois vícios substanciais que fulminam o auto de infração em dissídio. É de todo escorreito o acórdão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, ao enfrentar essas questões. De mais a mais, vêse que autuação nos mesmos termos contra a mesma interessada já havia sido rechaçada pela 1ª Turma da DRJRJ I. E ao recurso de ofício se negara provimento por unanimidade, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, sob relatoria do Conselheiro Leonardo Magalhães de Oliveira. Diferenças com a presente autuação são as de que, nos autos daquele feito: todas as infrações foram materializadas no mesmo processo, tendo sido, pois, todas nele enfrentadas; a infração relativa às diferenças em DTCF retificadora limitouse a IRPJ por estimativa. 1 Sabese que o vencimento da quota única da CSL apurada anualmente é o último dia útil de março do ano subsequente, ao passo que o vencimento da CSL trimestral é o último dia útil do mês seguinte ao do encerramento do período de apuração. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000057/201011 Acórdão n.º 1103000.903 S1C1T3 Fl. 1.763 7 Transcrevo a ementa do referido Acórdão nº 140201.062: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVA INADEQUADA. INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE. Indevida a glosa de abatimentos feitos nas estimativas mensais, relativos a retenções na fonte e a estimativas anteriores, sem o exame da legitimidade das quantias abatidas. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE DECLARAÇÃO. No caso de falta de declaração (ou de recolhimento) de estimativa mensal, o lançamento de ofício deve restringirse à multa isolada, e o valor da estimativa deve ser glosado na apuração do imposto devido anual, para verificação de eventual débito. Não é devida a exigência de ofício da estimativa. MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. É indevida a imposição de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos, se o contribuinte apresenta explicações durante a ação fiscal e a fiscalização não diz por que tais explicações seriam invalidadas. Recurso de Ofício Negado. Desnecessárias mais considerações e digressões a respeito da lide. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 6 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takat Relator Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13971.720798/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
PENALIDADE - MULTA ISOLADA- LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA.
Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.
RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. INFRAÇÃO À LEI.
São solidariamente obrigados os sócios com poderes de gestão que tenham agido com infração a lei.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa, caracterizada por sonegação.
DECADÊNCIA. DOLO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1202-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a incidência da multa isolada, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner e, por maioria de votos, afastar a apreciação ex-offício da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguida essa matéria pela Recorrente.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO - Relator.
EDITADO EM: 22/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. INFRAÇÃO À LEI. São solidariamente obrigados os sócios com poderes de gestão que tenham agido com infração a lei. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa, caracterizada por sonegação. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 98 /2 01 1- 35 Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO DECADÊNCIA. DOLO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a incidência da multa isolada, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner e, por maioria de votos, afastar a apreciação exoffício da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguida essa matéria pela Recorrente. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto. 2 Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente em 24/02/2012 (fls.1896/1951 – processo eletrônico), que se insurge contra acórdão (fls.1866/1879), que votou procedente em parte a Impugnação para reduzir os tributos relativos aos meses de novembro de 2006 e novembro e dezembro de 2007. Os autos originaramse de procedimento fiscal no qual fora constatada omissão de receitas em virtude da não comprovação de origem de depósitos bancários que somam R$ 6.814.725,03 (seis milhões, oitocentos e quatorze mil, setecentos e vinte e cinco reais, e três centavos – fls. 1526/1598). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente não conseguiu comprovar com documentação hábil e idônea a origem de diversos créditos não obstante a documentação acostada aos autos, e não houve comprovação pormenorizada de todos os valores indicados pela fiscalização. Houve a indicação de solidariedade passiva do sócio administrador do contribuinte Sr. Laurentino Wehrmeister, CPF n.º 351.464.38991 com fundamento nos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional (fls.1663). Ato contínuo, foram lavrados Autos de Infração nos quais exigese R$ 9.521.439,78 (nove milhões, quinhentos e vinte e um mil, quatrocentos e trinta e nove reais, e setenta e oito centavos) relativos aos seguintes tributos: Imposto sobre a Renda Principal – R$ 1.693.566,66 Juros de Mora – R$ 695.503,61 Multa Proporcional – R$ 2.540.349,98 Multa Isolada – R$ 846.793,33 Juros de Mora exigidos isoladamente – R$ 91.085,29 3 Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Total do crédito apurado R$ 5.867.288,87 Contribuição Sobre o Lucro Principal – R$ 613.325.24 Juros de Mora – R$ 252.025,73 Multa Proporcional – R$ 919.987,85 Total do crédito apurado R$ 1.785.338,82 PIS Principal – R$ 112.442,85 Juros de Mora – R$ 52.248,31 Multa Proporcional – R$ 168.664,23 Total do crédito apurado R$ 333.355,39 COFINS Principal – R$ 517.918,96 Juros de Mora – R$ 240.659,36 Multa Proporcional – R$ 776.878,38 Total do crédito apurado R$ 1.535.456,70 Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls.1753/1766), alegando, em síntese: A decadência do crédito tributário referente aos meses de Janeiro a Julho de 2006; A nulidade do procedimento fiscal quanto à autuação dos demais tributos, já que o termo de início de procedimento fiscal apenas indicou o IRPJ como objeto da fiscalização; A violação dos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva; A irregularidade da presunção de omissão de receita frente a existência de depósitos bancários não contabilizados; 4 Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 A obrigatoriedade em se arbitrar o lucro; A necessidade de se calcular o PIS e a COFINS na sistemática cumulativa; A exclusão de valores considerados como receita, mas que são na verdade transferência entre contas de mesma titularidade; A redução do cálculo do IR e da CSL,e dos valores apurados de COFINS e PIS; O afastamento da multa isolada em razão de haver também a aplicação da multa de ofício; A redução da porcentagem da multa de oficio de 150 para 75%. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto julgou parcialmente procedente a Impugnação apenas no que diz respeito à exclusão dos valores que restaram comprovados por se tratarem de transferência entre contas de mesma titularidade. Manteve também a sujeição solidária passiva. Inconformado, o contribuinte interpôs em 24/02/2012 Recurso Voluntario (fls.1896/1951) requerendo: Seja decretada a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram entre Janeiro a Julho de 2006; Seja considerado o princípio da capacidade contributiva, bem como atestada violação ao principio da razoabilidade por parte da Autoridade Fiscal; A anulação da exigência, uma vez que não se presume a ocorrência da hipótese de incidência do Imposto de Renda com mera presunção pautada em depósitos bancários; A anulação da exigência haja vista que a Autoridade Fiscal agiu de maneira inconstitucional ao atuar com base em conta bancária sem ordem judicial; A ilegalidade na forma de apuração dos tributos ora exigidos, bem como a necessidade de arbitramento do lucro e também a apuração do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa; O afastamento da multa isolada, uma vez que já ocorreu a aplicação da multa de oficio; A redução da multa de oficio do percentual de 150 para 75%; 5 Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Seja decretada a inexistência de responsabilidade solidária do sócio Laurentino Weshrmeister. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas pela Recorrente. I Decadência A Recorrente alega que por se tratar de lançamento por homologação o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS estão sujeitos à aplicação do § 4°do art. 150 do Código Tributário Nacional (“CTN”) e que, por esse motivo, teria ocorrido a decadência dos valores relativos aos meses de janeiro a julho de 2006. Ocorre que referido parágrafo não deve ser aplicado nos casos em que ocorrer dolo, fraude ou simulação. Desse modo, haja vista que reiteradamente a ora Recorrente omitiu receitas relativas a depósitos bancários de origem não comprovadas resta evidenciado o intuito de burlar a fiscalização buscando a sonegação do imposto. Logo, a atitude do contribuinte encaixase no artigo 72 da Lei 4.502/64. Assim, não assiste razão à Recorrente ao alegar a decadência dos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a julho de 2006, eis que afastada a aplicação do parágrafo 4° do artigo 150 em favor do artigo 173, I do CTN. Nesse sentido é o entendimento deste E. Conselho: 6 Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ANOCALENDÁRIO: 2004. DECADÊNCIA. Comprovado que a omissão de receita foi praticada dolosamente, a decadência dos tributos e contribuições integrantes do simples rege se pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferirem os preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão n.° 120100451 do Processo 11444000852200941, Data 31.03.2011)” (não grifado no original). II Violação aos Princípios da Capacidade Contributiva e da Razoabilidade A ora Recorrente alega que não houve por parte do Auditor fiscal razoabilidade no momento de exigir a imputação tributária, eis que o Auto de Infração exige um montante de R$ 12.288.360,29 enquanto o valor total que circulou pela conta bancária do contribuinte monta R$ 6.814.725,03. Desse modo, referida autuação caracterizaria afronta ao princípio da capacidade contributiva, nos termos do que dispõe o parágrafo 1° do artigo 145 da Constituição Federal. Contudo, não assiste razão à Recorrente. É sabido que por ser o lançamento uma atividade vinculada o Auditor Fiscal deve aplicar a lei obedecendo assim o princípio da estrita legalidade. Desse modo, não cabe ao aplicador da lei ponderar se o tributo exigido é proporcional aos rendimentos da empresa, mas sim analisar e contabilizar os valores e receitas omitidos pelo contribuinte para apurar o montante devido. Assim, concordase com os argumentos trazidos pela decisão recorrida no sentido de que tais princípios insculpidos na Constituição Federal são dirigidos ao legislador. Na mesma linha o entendimento do C. Terceiro Conselho de Contribuintes, verbis: “Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2001 Ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Há previsão legal para a exigência de entrega tempestiva das DCTF sob exame. A lei formal vigente nasce com o pressuposto de constitucionalidade que somente pode ser afastada no âmbito do Poder Judiciário. Foram alegadas infrações aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da razoabilidade, da proporcionalidade e da proibição do confisco. Corretas as conclusões expostas na decisão recorrida, tais normas constitucionais são dirigidas ao legislador, e em face da vigência da lei formalmente aprovada no Legislativo e sancionada pelo Executivo, não cabe à instância 7 Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO administrativa confrontar sua pressuposta constitucionalidade. DCTF/2001. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de ofício, observados os limites mínimo e máximo de aplicação. Recurso Voluntário Negado” (3ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão n° 30334940 do Processo 10835001577200592. Data 08.11.2007). (não grifado no original). III A Omissão de Receita A Recorrente requer que a autuação deva ser cancelada por entender que cabe à fiscalização a busca de fatos que embasem sua autuação, uma vez que não se pode considerar depósitos bancários pura e simplesmente como acréscimo patrimonial mas tão somente como um mero indício de renda, receita ou de saída de produto industrializado. Clama também, em sua defesa, pela aplicação da Súmula 182 do extinto Tribunal Regional Federal, segundo a qual “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. Contudo, também não assiste razão à Recorrente neste ponto. Vejamos. A presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, é estabelecida pela própria legislação de regência, no caso o artigo 42 da Lei 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” É incontestável, portanto, a possibilidade de a D. Autoridade Fiscal efetuar o lançamento de tributos baseada na presunção de omissão de receitas nos casos em que forem encontrados valores creditados nas contas correntes do contribuinte sem que este tenha conseguido comprovar as respectivas origens. Cumpre ressaltar que em tais casos o ônus de provar a origem dos valores considerados como omissão de receitas é do próprio contribuinte, de forma que, se não o provar, dará ensejo ao lançamento. Portanto, concordo com a decisão da DRJ pela manutenção dos lançamentos pautados na presunção de omissão de receitas em decorrência dos valores encontrados nas contas correntes da Recorrente, cujas origens não foram devidamente comprovadas. 8 Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 Neste sentido, já decidiu a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “(...) LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito, ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações", hipótese em que existe a inversão do ônus da prova, por lei, que transfere ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, por expressa presunção legal (art. 42 da Lei 9430/1996). Recurso Parcialmente Conhecido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 40400797, data: 03/03/2008) (não grifado no original) “IRPJ LUCRO REAL Cabível a tributação da omissão de receita apurada em separado no ano 1995, conforme prevista nos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92. ARBITRAMENTO ADMISSIBILIDADE Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara deste Conselho. Incabível a configuração da divergência se o aresto tido por divergente verse sobre situação fática e jurídica distinta da apreciada nos autos. OMISSÃO DE RECEITA DE DEPÓSITOS NÃO CONTABILIZADOS Configurada a prática de omissão de receita, é procedente a quantificação da receita omitida com base em depósitos efetuados em conta não registrada na contabilidade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA DA DIFERENÇA ENTRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTOS CONTABILIZADOS ESCRITURAÇÃO FISCAL PRESUNÇÃO SIMPLES os fatos registrados na Contabilidade da pessoa jurídica são presumidamente verdadeiros até que se prove o contrário. É ônus do Fisco indicar quais os lançamentos contábeis presentes nos Livros Fiscais que não mereçam fé. Pela teoria das provas, os autuantes devem reunir elementos que permitam refutar os enunciados produzidos pela pessoa jurídica e emprestar certeza ao fato constitutivo de seu direito. A fiscalização não apresentou um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento e que afaste possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. IRPJ E CSLL OMISSÃO DE RECEITAS APROVEITAMENTO DE CUSTOS Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização com relação direta à apuração da omissão de receitas detectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 40105531, data: 19/09/2006)(não grifado no original) 9 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Ressaltase, inclusive, o acerto da Ilma. Relatora ao proferir o acórdão recorrido, em excluir do lançamento os valores relativos aos meses de novembro de 2006 e novembro e dezembro de 2007, já que para tais valores houve a devida comprovação por parte da ora Recorrente de que os mesmos não seriam rendimentos mas tão somente transferências entre contas. Logo, inegável que houve no curso do processo o devido cumprimento ao princípio da legalidade ao se observar a imposição do art. 42 da Lei 9.430/96, devendo ser mantido neste ponto a decisão recorrida nos moldes como proferida. IV A Inconstitucionalidade de Atuar com Base em Conta Bancária sem Ordem Judicial Como forma de corroborar o cancelamento da autuação, a Recorrente aduz que o fato do Supremo Tribunal Federal ter decidido nos autos do Recurso Extraordinário 389808 pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário de forma unilateral pelo fisco, reforça sua tese de que os depósitos bancários de forma isolada não podem ser base para atuação fiscal. Outrossim, alega que o fato de ter entregue os extratos de forma espontânea não afasta a necessidade de o auditor fiscal solicitar autorização judicial para obter tais extratos. Porém, cumpre esclarecer que a decisão proferida pelo STF no caso acima mencionado referese a controle concentrado de constitucionalidade, e assim os efeitos restringemse às partes. E, como a própria Recorrente alega, os extratos foram por ela fornecidos, não havendo qualquer requerimento de ofício pela Autoridade fiscal. Assim, não há como se falar em quebra de sigilo bancário ante a espontaneidade do contribuinte. Igualmente, vale relembrar que não cabe a este colegiado a análise da constitucionalidade das leis, nos termos do artigo 25 da Lei 11.941/2009 que inseriu o artigo 26A no Decreto n° 70.235/72. V A Ilegalidade da Forma de Apuração dos Tributos Alternativamente, requer a ora Recorrente o cancelamento da autuação por vício formal, por entender que a forma de apuração do IRPJ, CSL, PIS e COFINS estaria em desacordo com a legislação e a jurisprudência do CARF e do STJ. 10 Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 A Recorrente aponta que houve erro por parte do Auditor Fiscal ao apurar o valor dos tributos exigidos no presente processo. Entende o contribuinte que, uma vez constatada omissão de receita, o auditor estaria obrigado a arbitrar o lucro. Fundamenta seus argumentos no artigo 530 do RIR/99. Também neste ponto devese manter na integralidade a decisão recorrida, que acertadamente afirma que o arbitramento “é meio de tributação utilizável apenas diante da impossibilidade absoluta de aferição do conteúdo das operações do sujeito passivo, e sua adoção somente se impõe nos casos em que seja impossível, por outras vias, apurar o lucro.” Essa é, inclusive, a determinação do supracitado artigo 530 do RIR/99 erroneamente interpretado pela Recorrente. Frisase que a documentação apresentada pelo contribuinte não estava imprestável. Tal afirmação fora inclusive atestada pela própria Recorrente em suas razões recursais ao afirmar que, verbis: “O auditor fiscal teve acesso a todos os documentos contábeis e fiscais que requereu e não apontou nenhuma irregularidade nestes ou nas operações realizadas pelo contribuinte, não encontrando nenhum sinal efetivo da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados“(fls. 1910 – não grifado no original). Desse modo, evidente que a Autoridade Fiscal agiu acertadamente em afastar o arbitramento do imposto aplicando os ajustes na base de cálculo conforme determinação dos artigos 249, II, 251, parágrafo único, 282 e 288 do RIR/99 bem como do artigo 24 da Lei 9.249/95 que determina: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão”. Nessa linha podemos citar julgado do Primeiro Conselho de Contribuintes: 11 Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO “DECADÊNCIA O fato gerador do imposto de renda e das contribuições das empresas que declaram o tributo pelo lucro real trimestral (art. 2º da Lei nº 9.430/96) ocorre no último dia do trimestre de correspondência, contandose daí o prazo decadencial para o fisco exercer o direito de constituir o crédito tributário, salvo quando ocorrer dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional), em que a contagem se faz a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS INDICIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS A partir de 1º/01/97, por força do disposto nos artigos 42 e 87, da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de depósitos bancários configuram caso de omissão de receitas, se o titular da contacorrente, devidamente intimado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, com documentos hábeis e idôneos. Por se tratar de regra que inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte infirmar a presunção legal. OMISSÃODE RECEITAS LUCRO PRESUMIDO De acordo com o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, a receita omitida por empresa que declare o imposto com base no lucro presumido, a fiscalização deverá determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com esse regime de tributação no períodobase a que corresponder a omissão. E o valor da omissão, segundo o § 2º do referido artigo servirá de base de cálculo no lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. MULTA AGRAVADA Caracterizado na espécie o evidente intuito de fraude que autoriza o lançamento de multa agravada, como previsto no inciso II, doartigo 44 da Lei nº 9.430/96, impõese a mantença da multa qualificada.” (7ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão n.º 10709189 do processo n.º 11522001236200422. Data 11.10.2007) (não grifado no original). Afastada, portanto, a hipótese de arbitramento do lucro seja para o IRPJ seja para a CSL. No mesmo sentido, também não assiste razão à Recorrente ao requerer que o PIS e a COFINS sejam calculados com alíquota cumulativa. Da leitura dos artigos e da ementa acima colacionada é cristalino que o Auditor deve considerar o regime de tributação base no período de apuração das omissões. Se o contribuinte é sujeito à alíquota não cumulativa é esta alíquota que deve ser utilizada pela Autoridade Fiscal. VI As Multas Isoladas 12 Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 Da analise do Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, constatase que além da multa de 150%, cobrase “Multa exigida isoladamente (Código de Receita 1632) no valor de R$ 846.783,33 e “Juros de Mora Exigidos Isoladamente” (código de receita 6570) no valor de R$ 91.085,29 (fls. 1600/1614). Contudo, a Autoridade fiscal ao lavrar o lançamento também imputou à Recorrente a multa de oficio de 150% tanto sobre o IRPJ como sobre a CSL. Desse modo, constatase que a base de cálculo da multa isolada está inserida na base de cálculo da multa de oficio, exigindo do contribuinte duas punições sobre a mesma falta cometida, o não recolhimento do tributo. Portanto, entendo que deva ser afastada a multa isolada sob pena de penalizar o contribuinte duas vezes pelo não recolhimento do IRPJ e da CSL em relação as receitas omitidas. Referido posicionamento é adotado por este C. Conselho, vejamos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004EMENTA:PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.NÃO CABE A APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFICIO INCIDENTE SOBRE O IRPJ E A CSLL APURADOS, E DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS, PREVISTA NO ART. 44 DA LEI N° 9.430/96, § 1°, INCISO IV, QUANDO CALCULADAS SOBRE OS MESMOS VALORES, APURADOS EM PROCEDIMENTO FISCAL.INCABÍVEL A EXIGÊNCIA DA MULTA ISOLADA.RECURSO DE OFÍCIO. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA DE 75% PARA 50%. RETROATIVIDADE BENIGNA.CORRETA A REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% PARA 50%, FUNDAMENTADA NO ART. 44, II, "B" DA LEI 9.430/96, COM A REDAÇÃO DADA PELO ART. 14 DA LEI 11.488/2007, EM RAZÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO E DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, PARA EXCLUIR A MULTA ISOLADA, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE PASSAM A INTEGRAR O PRESENTE JULGADO.” (1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma. 13 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Acórdão n. 140200377 do Processo 10950002693200693. Data 25.01.2011.) (não grifado no original). Neste sentido também se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. Recurso especial negado.” (1ª Turma. Acórdão n.° 40105675 do Processo 10670001429200336. Data 11.06.2007). (não grifado no original). CSLL MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob baseestimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DEOFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso Especial Negado. (1ª Turma. Acórdão nº 40105552 do Processo 10680005834200312. Data 04/12/2006). (não grifado no original). VII A Multa de Ofício 14 Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 A Recorrente pleiteia, alternativamente, a redução da multa de oficio no percentual de 150% por entender que “evidente intuito de fraude” é um conceito amplo, bem como devese provar a intenção de fraudar. Além disso, sustenta que o cumprimento de todas as intimações da Receita Federal e a entrega da documentação solicitada demonstram que o contribuinte não pretende esconder qualquer informação; caso contrário não as entregaria. Contudo, conforme restou demonstrado nos autos, em especial no Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente, reiteradamente, apresentou valores em suas contas bancarias que não puderam ser explicados à fiscalização, em que pese ter havido diversas oportunidades para tanto, restando assim sem comprovação sua origem. Oportuno frisar os argumentos da Autoridade Fiscal ao embasar a sonegação: “Baseada nas provas acostadas aos autos, afastase completamente qualquer alegação de que houve mero erro ou engano por parte da empresa Wester, ao contrário, vislumbrase uma ação plenamente voluntaria, consciente e contumaz de absterse na escrituração de contas bancarias que foram utilizadas para movimentar recursos financeiros, cuja maior parte não teve a origem comprovada, daí a capitulação legal do lançamento feito pela autoridade fiscal. Para se ter ideia das proporções que assumiram tal pratica de sonegação fiscal, comparandose com uma receita bruta declarada na casa dos 11 milhões de reais, no período 20062007, verificase a ocorrência do recebimento de depósitos bancários não justificados na ordem de quase 7 milhões.” (fls.1531). Logo, no caso em tela, fica evidenciado a conduta do contribuinte em sonegar os tributos ora exigidos, nos moldes do que determina o artigo 71 da Lei 4.502/64. Este C. Conselho também entende no sentido da aplicação da multa qualificada quando resta demonstrado a intenção de fraudar o erário: (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE 15 Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005). (não grifado no original) Assim, concordo neste ponto com a decisão recorrida e voto no sentido de manter a multa de ofício no percentual de 150%. VIII Sujeição Solidária A ora Recorrente discorda da responsabilidade solidária imputada ao sócio administrador,Sr. Laurentino Whermeister, por entender que não houve por parte do Auditor Fiscal prova de que o mesmo teria agido em desacordo com a lei, nos moldes do que determina o artigo 135, III do CTN e, tampouco, poderia ser a solidariedade passiva fundamentada no artigo 124 do mesmo diploma legal. Contudo, conforme restou demonstrado nos autos, e em especial no Termo de Verificação Fiscal, houve sonegação por parte do contribuinte, eis que omitiu receitas que somam aproximadamente 6 milhões de reais. Ademais, destacase que à época da ocorrência dos fatos geradores o responsável solidário era o único sócio responsável pela administração da sociedade. Desse modo, evidente que houve por parte do representante legal infração à Lei, em especial à Lei 4.502/64. De acordo com o posicionamento doutrinário, não é o simples fato de apuração de omissão de receitas com falta do pagamento do tributo que enseja a responsabilização do artigo 135, III, do CTN. Ocorre que, conforme se observa do Termo de Verificação Fiscal, a receita omitida pelo contribuinte é mais da metade da receita bruta declarada no período. Embora a Recorrente alegue que não agiu dolosamente, não há como não considerar que teve a intenção de burlar o Fisco ao omitir mais da metade de sua receita, deixando de contabilizar valores todos os meses dos anoscalendário sob analise. Este também é o entendimento deste E. Conselho: 16 Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.970 (...) SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDARIEDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os sócios, mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS CONFRONTO ENTRE DOCUMENTOS FISCAIS E A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Caracteriza ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas auferidas e espontaneamente declaradas, e aquelas detectadas em procedimento de oficio. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, além de escriturar as notas fiscais com valores diferentes dos faturamentos reais, denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964 (...).(Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110200502 do Processo 10680020328200779, Data: 03/08/2011)(não grifado no original) (...) RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOSGERENTES. Caracterizada a intenção dolosa de sonegar tributos à Fazenda, quer pela prática contumaz de não declarar e/ou declarar de forma inexata os valores devidos, quer não os recolhendo aos cofres públicos, não obstante tenha havido vultosa movimentação de recursos financeiros comprovadamente originários de vendas de mercadorias, correta é a responsabilização dos sócios gerentes. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Mascarada a sucessão da empresa sob a forma de suspensão de atividades e/ou de contrato de arrendamento mercantil cuja comprovação não se deu, correta se mostra a imputação da responsabilidade tributária a quem, de fato, continuou a exercer as atividades industriais e comerciais da autuada. MULTA QUALIFICADA DE 150%. INCISO II DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, ou não os recolher, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. (...) Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária , Acórdão nº 20312654 do Processo 10120001395200659, Data: 12/12/2007) (não grifado no original) 17 Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticara os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10707666 do Processo 10925000150200215, Data: 13/05/2004) (não grifado no original) Desse modo, voto no sentido de manter a sujeição passiva solidária do Sr. Laurentino Wehrmeister. Portanto, em vista de todo o acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente para o fim de afastar a incidência da multa isolada incidente sobre as estimativas mensais do IRPJ, mantendo nos demais itens o teor da decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator 18 Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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