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Numero do processo: 10380.723988/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
ASSUNTO: DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL.
De acordo com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492-RS, submetido à sistemática do art. 543 C do CPC/73, "ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificá-los para fins tributários como lucros e dividendos em razão da diferença de regimes aplicáveis."
Os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa agravada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2202-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP); vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) efetuada em excesso à proporção do capital social; vencido ainda o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a Relatora.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
(Assinado digitalmente)
MARCIO HENRIQUE SALES PARADA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueroa Augusto, Cecilia Dutra Pillar, José Alfredo Duarte Filho e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 39 88 /2 01 3- 38 Fl. 4479DF CARF MF 2 notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ASSUNTO: DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. De acordo com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, submetido à sistemática do art. 543 C do CPC/73, "ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis." Os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa agravada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP); vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) efetuada em excesso à proporção do capital social; vencido ainda o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a Relatora. (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. (Assinado digitalmente) MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueroa Augusto, Cecilia Dutra Pillar, José Alfredo Duarte Filho e Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 4480DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.573 3 Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA): Tratase de impugnação em resistência aos Autos de Infração abaixo relatados, lavrados em face da Interessada, já qualificada nos autos, referentes à incidência de Contribuições Previdenciárias, Contribuições destinadas a outras entidades e fundos e multas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Transcrevese a parte do Relatório Fiscal que descreve o objeto de cada Auto de Infração. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4174 (Período de 01/2009 a 12/2010), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados remunerados por meio de empresa interposta, correspondendo à parcela devida pela empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4204, referente a contribuições devidas aos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados remunerados por meio de empresa interposta. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4190 de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados remunerados por meio de empresa interposta, correspondendo à parcela devida por esses segurados. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4212 (Período de 01/2009 a 12/2010), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondendo à parcela devida pela empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Este Auto Infração referese aos demais fatos geradores apurados na ação fiscal. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4239, referente a contribuições devidas aos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados remunerados por meio de empresa interposta. Este Auto Infração referese aos demais fatos geradores apurados na ação fiscal. Fl. 4481DF CARF MF 4 Auto de Infração (AI) nº 51.037.4220 de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais remunerados por meio de empresa interposta, correspondendo à parcela devida por esses segurados. Este Auto Infração referese aos demais fatos geradores apurados na ação fiscal. (grifo do relator) Também foram lançadas as seguintes multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, relatadas nos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD 51.037.3844 – Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AI DEBCAD 51.037.3852 – Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AI DEBCAD 51.037.4166 – Deixar a empresa de prestar a Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. AI DEBCAD 51.037.4182 – Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas. Noticia a autoridade lançadora que o Relatório Fiscal, fls. 9/97, foi dividido em três partes: PRIMEIRA PARTE relativa aos Autos de Infração pelo descumprimento de obrigação principal normal (quota patronal, segurados e terceiros) pelo pagamento por meio de empresa interposta de segurados empregados caracterizados durante a ação fiscal. SEGUNDA PARTE relativa aos Autos de Infração pelo descumprimento de obrigação principal normal (quota patronal, segurados e terceiros) referente a demais fatos geradores. TERCEIRA PARTE relativa aos Autos de Infração de obrigação acessória. O procedimento fiscal foi aberto com objetivo de averiguar a natureza de despesas com gestão administrativa e assessoria contabilizadas pelo sujeito passivo. Verificouse que os serviços eram prestados por Prática Serviços – Empresa Gestora de Administração e Vendas S/S Ltda., inscrita no CNPJ sob n. 10.683.275/000120, com sede em Valparaíso de Goiás – Goiás e que esta empresa era utilizada para intermediar pagamentos Fl. 4482DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.574 5 efetuados pelo contribuinte a segurados empregados que lhe prestavam serviços. Resumidamente, estes segurados eram admitidos como sócios da Prática com a finalidade de trabalhar para o sujeito passivo e outras empresas do grupo que integra. Deste modo, os rendimentos destas pessoas eram pagos na forma de lucros distribuídos pela Prática e o contribuinte se beneficiava com a redução indevida de encargos tributários e trabalhistas. Informa que foi aberta diligência fiscal junto a alguns (ex) sócios, que possuem domicílio fiscal em Fortaleza da empresa Prática Serviços para prestar esclarecimentos acerca da sua relação funcional com a empresa Smaff.Após transcrever, no Relatório Fiscal, parte dos depoimentos de exsócios conclui, neste ponto, o setor fiscal: “Restaram fartamente evidenciados os indícios de que os serviços de assessoria prestados pela empresa Prática Serviços ao grupo SMAFF, na realidade, tinham como fulcro dissimular uma relação trabalhista envolvendo trabalhadores que prestavam serviços ao grupo Smaff”. A peça fiscal relata a constituição histórica da empresa Prática: Inicialmente, o capital da empresa era dividido em 3 mil quotas de valor unitário igual a R$ 1,00. A sócia Fernanda Acioly Carlos Machado Farah possuía 2.567 quotas, Márcio Antônio Carlos Machado possuía 200 quotas e o sócio Márcio Antônio Carlos Machado Júnior possuía 200 quotas. Notese que os referidos sócios também fazem parte da sociedade da SMAFF. As quotas restantes pertenciam aos demais sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. Da análise das várias alterações contratuais da Prática, pode se chegar a algumas conclusões: os diretores da SMAFF LTDA Márcio Antônio Carlos Machado e Márcio Antônio Carlos Machado Júnior mantiveram o mesmo valor de suas quotas desde a criação da Prática (R$ 200,00 para cada). São frequentes as transferências de uma quota de R$ 1,00 de titularidade da sócia Fernanda Acioly Carlos Machado Farah para sócios que ingressam na sociedade. Do mesmo modo, esta quota unitária é devolvida para a referida sócia quando estes sócios saem da sociedade. Estas transferências são registradas em alterações contratuais. Informa o Relatório que a empresa Prática, a despeito de ter distribuído lucros aos sócios nos exercícios de 2009 e 2010, não efetuou a entrega de DIPJ e DIRF nos citados exercícios. A SMAFF declarou o pagamento efetuado à Prática a título de serviços prestados em assessoria nos valores de R$ 388.212,14 em 2009 e de R$ 878.728,80 em 2010. Entende o setor fiscal que ficou evidenciado que alguns gerentes desempenhavam suas funções, a princípio, como empregados formais da SMAFF. Fl. 4483DF CARF MF 6 Posteriormente, eram demitidos sem justa causa e continuavam a fazer o mesmo serviço sem alteração das atribuições e local de trabalho, agora como sócios da Prática. Observa que após o desligamento dos empregados que se tornaram sócios da Prática, inexistiram empregados formais que ocuparam determinados cargos de gerência. Não foram contratados novos empregados para substituir aqueles que se desligaram da empresa. “A SMAFF LTDA demitia empregados que ocupavam cargos de gerência sem justa causa e dias/semanas depois os mesmos segurados assinaram alteração contratual da Prática em que são admitidos como sócios”. Aduz a peça fiscal que “a simulação jurídica perpetrada pela SMAFF ao remunerar empregados por meio da empresa interposta Prática Serviços foi alvo também de reclamatória trabalhista ajuizada por Fernando Antonio Batista Bino”. O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região em Fortaleza, onde tramitou a referida ação, encaminhou à Receita Federal cópia do Processo 0001586.30.2011.5.07.0014. “Na sua petição inicial, o reclamante alegou que entre ele e a reclamada foi estabelecida uma relação de emprego, por prazo indeterminado, iniciada em 30/04/2008, para exercer a função de gerente de venda de veículos e que foi imposto como condição da relação de emprego, participação como sócio cotista da empresa Prática Serviços, que por sua vez prestaria serviços à reclamada nessa seara”. Após discorrer sobre os elementos fáticos e jurídicos caracterizadores da relação de emprego: pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação o setor fiscal concluiu “que os sócios da Prática detentores de uma quota de R$ 1,00 atuavam como gerentes de departamentos/setores na SMAFF”. “Assim, a Fiscalização caracterizou estes trabalhadores como legítimos empregados da SMAFF LTDA”. Esclarece a autoridade lançadora que “o sujeito passivo foi reiteradamente intimado a relacionar os sócios da Prática que prestaram serviços no período fiscalizado, com indicação do local e período. No entanto, negouse a prestar as informações exigidas”. Em razão disso a apuração da base de cálculo foi realizada por arbitramento. O valor tributável referente aos segurados empregados foi aferido indiretamente pelo valor total pago pela SMAFF a Prática. Foi lançada multa qualificada de 150% no Levantamento SI – Pagamento de salários de empregado por meio de empresa interposta Prática. A apuração dos Autos de Infração referentes às contribuições teve como base os seguintes levantamentos: Auto de Infração (AI) nº 51.037.4174. LEV: SI – SALÁRIO EMPREGADOS PRÁTICA. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4190. LEV: SI – SALÁRIO EMPREGADOS PRÁTICA. Fl. 4484DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.575 7 Auto de Infração (AI) nº 51.037.4204. LEV: SI – SALÁRIO EMPREGADOS PRÁTICA. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4212. LEVANTAMENTOS: AFERIÇÃO DIV RAIS DIRF C GFIP; CO – COOPERATIVA DE TRABALHO; DE – DESPACHANTE TERCEIRIZADO; FP DIVERGÊNCIA ENTRE FOLHA E GFIP; JC – JUROS CAPITAL PRÓPRIO; PF – SERVIÇOS DE PESSOA FÍSICA Auto de Infração (AI) nº 51.037.4220. AFERIÇÃO DIV RAIS DIRF X GFIP; FP – DIVERGÊNCIA ENTRE FOLHA E GFIP; JC – JUROS CAPITAL PRÓPRIO. Auto de Infração (AI) nº 51.037.4239. AF – AFERIÇÃO DIV RAIS DIRF C GFIP e FP – DIVERGÊNCIA ENTRE FOLHA E GFIP. Foram lançadas Contribuições Previdenciárias em razão da remuneração a contribuintes individuais por meio de pagamento irregular de juros sobre capital próprio. A apuração se iniciou com a análise realizada na contabilidade da empresa (conta Juros sobre capital próprio – 5.3.1.10.003). A Contribuinte foi intimada a apresentar documentos relacionados a esta conta, no entanto, apresentou apenas parcialmente. A despeito da existência de vários sócios, fl. 79, “foram efetuados pagamentos, durante todos os meses dos exercícios de 2009 e 2010 a título de “juros sobre o capital próprio” exclusivamente às sócias Fernanda Accioly Carlos Machado Farah – CPF 619.525.59120 e Flávia Accioly Carlos Machado CPF 774.354.60125”.“Notese que os pagamentos realizados às diretoras foram efetuados em franca desproporcionalidade ao capital investido por cada sócio, em desconformidade aos parâmetros legais vigentes, conforme se verifica no ANEXO N”. Diante disso, concluiu a autoridade fiscal pela descaracterização da parte dos pagamentos realizados sob a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP, na parte paga que excedeu o que seria devido pela participação de cada sócio no capital social. Estes pagamentos excedentes foram considerados como remuneração de contribuinte individual, base de cálculo de Contribuições Previdenciárias. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em razão da conduta apurada ser, em tese, considerada crime. Na Impugnação dos Autos de Infração, DEBCAD 51.037.4174, fls. 4.035/4.050; DEBCAD 51.037.4204, fls. 3.938/3.953, e DEBCAD 51.037.4190, fls. 4.002/4.017, a Interessada, por meio de seu advogado, alega, em síntese, que: Tanto o lançamento das contribuições previdenciárias patronais e respectiva multa de ofício “se basearam em meras suposições”. A fiscalização não aprofundou a investigação. Não foram solicitados documentos à empresa Prática Fl. 4485DF CARF MF 8 Serviços – Empresa Gestora de Administração e Vendas S/S Ltda, “para comprovar o seu regular funcionamento”.Não enumera o rol de “trabalhadores que prestavam serviços ao Grupo Smaff”. Cometeu um erro o ilustre autuante “ao vincular suas conclusões em depoimentos de exsócios que deixaram a sociedade por algum desentendimento com os demais”. Portanto, não há provas demonstrando que a autuada incorreu nas infrações de que trata o processo administrativo. Entende que ocorreu a prática de “ato coercitivo de sanção política através da ameaça ao contribuinte da possibilidade de uma ação penal para apurar o crime de sonegação fiscal”. Defende que não ocorreu a interposição pessoal e “sim a terceirização da gestão operacional de uma empresa”, sem nenhuma irregularidade, o que não autoriza a desconsideração do ato jurídico praticado entre as duas empresas. “O fato de que alguns dos integrantes da empresa Prática terem participações societárias pequenas também em nada ajuda a conclusão da fiscalização, pois todos estavam exercendo seu Direito Constitucional de Livre Iniciativa”. Combate o lançamento da multa qualificada, pois não houve comprovação do dolo. “O ônus da prova da simulação cabe à administração pública, pois, como é cediço, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento”. Para reforçar suas teses, a defesa transcreve excertos de julgados administrativos e posicionamentos doutrinários. Requer a improcedência do lançamento, dado que o contribuinte agiu de acordo com a legislação e a improcedência da multa qualificada, posto inexistir evidência de fraude. Na resistência aos Autos de Infração DEBCAD 51.037.3844, fls. 3.971/3.986, e DEBCAD 51.037.3852, fls. 3.907/3.922, a Impugnante mantém a linha de defesa acima relatada e enfatiza, em essência, que descabe qualquer manutenção da presente multa, por absoluta inocorrência do apontado pelo agente fiscal: Foi lavrado o presente auto de infração pela não apresentação/escrituração de documentos relacionados aos sócios da empresa Prática como se os mesmos fossem empregados da autuante e os pagamento feitos à título de prestação de serviços à empresa Prática fossem em verdade remunerações por trabalho empregado, o que digase, não era possível tendo em vista se tratar de pagamento feito à empresa prestadora de serviço e não à empregado. Noticia, fls. 3885/3891, que foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD 51.037.4166 “pela não apresentação de documentos, mesmo que de forma parcial, à fiscalização, havendo sido agravada a multa aplicada sob o manto de que empresa agiu com dolo, o que não se sustenta”. Os demais argumentos apresentados não diferem dos relatados anteriormente. Ao Impugnar os Autos de Infração, DEBCAD 51.037.4212, fls. 4.122/ 4.131; DEBCAD 51.037.4239, fls. 4.068/4.077, e DEBCAD 51.037.4220, fls. 4.095/4.104, a Interessada informa Fl. 4486DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.576 9 que anexa aos autos “todos os documentos relacionados a sua regular operação, em especial aqueles relacionados à remuneração de todos os seus empregados e terceiros prestadores de serviço, confirmando a lisura da apuração das contribuições previdenciárias”. Destaca a regularidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias sobre a remuneração pagas a despachantes terceirizados, serviços profissionais, cooperativas de trabalho, empregados e contribuintes individuais. Requer análise pericial sobre os documentos apresentados. (...). Em relação aos juros sobre o capital próprio sustenta a Impugnante que a legislação não traz limitação ao pagamento desses juros em percentuais desiguais aos sócios: “Podese afirmar que a distribuição desproporcional de Juros Sobre Capital Próprio encontra guarida no Código Civil, e, que, não havendo sua desnaturação, não há incidência de contribuição previdenciárias, vez que não se amolda no fato gerador do tributo”. Requer a improcedência do lançamento e concessão dos pedidos de diligências e perícias, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte: PEJOTIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. EMPRESA INTERPOSTA. EFEITOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS. CONJUNTO PROBATÓRIO. Se o conjunto probatório existente nos autos demonstra que a empresa optou por exigir que os empregados com cargo de gerência se tornassem sócios de outra empresa para a continuidade da prestação de serviços, temse o que costumeiramente se chama de “pejotização”. Para afastar a caracterização de contratação de trabalhadores por empresa interposta e seus respectivos efeitos tributários e previdenciárias, a impugnante deve ultrapassar o campo das alegações e produzir provas que se contraponham as levantadas pelo setor fiscal, mormente aquelas relacionadas à existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. PRÓLABORE. CONVENÇÃO ENTRE OS SÓCIOS. NÃO OPONÍVEL AO FISCO FEDERAL. Os juros sobre o capital próprio, pagos em consonância com as normas, remunera o sócio pela indisponibilidade do dinheiro enquanto investido na empresa. No entanto, se pagos sem levar em conta este investimento, ou seja, a participação societária, Fl. 4487DF CARF MF 10 vinculação ínsita ao conceito de juros sobre o capital próprio, forçoso é o reconhecimento de outra natureza jurídica a tais pagamentos e a conseqüente caracterização como prólabore se o sócio exerce atividades administrativas dentro da empresa. Em outras palavras, a parte que ultrapassa a remuneração do capital assa a ser considerada remuneração de serviços prestados pelos sócios, se as provas existentes nos autos convergem para esta configuração. Neste contexto eventual convenção realizada entre os sócios para pagamento desproporcional de juros sobre o capital próprio não é oponível ao Fisco Federal para alterar a realidade normativa ou fática que exsurge das provas existentes nos autos. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CONJUNTO PROBATÓRIO. Para refutar os lançamentos que relatam o não cumprimento de obrigações instrumentais, a interessada não deve se limitar ao campo das alegações vinculadas às obrigações principais, necessário, também, a produção de provas no sentido de que as obrigações acessórias foram tempestivamente cumpridas, ainda mais quando os autos de infração referentes às obrigações principais foram integralmente mantidos Cientificado da decisão acima (AR fls. 4298), o contribuinte apresentou os Recursos Voluntários de fls. 4.300 à 4317 (DEB/CAD 51.037.4174), fls. 4318 à 4335 (DEB/CAD 51.037.4204), fls. 4336 à 4353 (DEB/CAD 51.037.4190), fls. 4354 à 4371 (DEB/CAD 51.037.0852), fls. 4372 à 4389 (DEB/CAD 51.037.4196), fls. 4390 a 4407 (DEB/CAD 51.037.3844), fls. 4408 à 4389 (DEB/CAD 51.037.4039), fls. 4420 à 4431 (DEB/CAD 51.037.4220 e fls. 4332 à 4443 (DEB/CAD 51.037.4212) nos quais reitera as alegações formuladas quando da Impugnação. Conforme mencionado pela decisão recorrida, o lançamento relativo à apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas (DEB/CAD 51.037.4182) não foi objeto de impugnação. Além disso, o lançamento efetuado por "deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (DEB/CAD 51.037.3852) não foi objeto de recurso. É o Relatório Voto Vencido Conselheira JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. Conforme se verifica pelo Relatório, o trabalho fiscal centrase em 3 questões: Fl. 4488DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.577 11 a) Existência da denominada "pejotização" (contratação de empregado por meio de pessoas jurídicas para reduzir os custos previdenciários e trabalhistas) a.1) Lançamento de obrigações acessórias relativas às contribuições sobre os empregados contratados por meio de pessoa jurídica. a.2) Lançamento da multa agravada de 150% sobre os valores não recolhidos. b) Lançamento de contribuições sociais devida em razão de pagamentos realizados às cooperativas de trabalho. b.1) Lançamento de obrigações acessórias relativas às contribuições sobre os empregados contratados por meio de pessoa jurídica. c) Distribuição de Juros sobre Capital Próprio JCP desproporcional e lançamento de contribuição previdenciária sobre os valores que superam a participação dos sócios no capital social. c.1) Lançamento da multa de 150% sobre esses valores. 1) PRELIMINAR Alega a Recorrente que a recusa da DRJ em autorizar a realização de perícia nos documentos por ela juntado aos autos representa ofensa ao princípio da ampla defesa e da verdade material. Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal, o contribuinte foi intimado no dia 22/06/2012 para apresentar os seguintes documentos listados no Termo de Início de Ação Fiscal: · Balancetes contábeis · Balanços patrimoniais · Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos · Contrato social e alterações · Notas fiscais e contratos de prestação de serviços celebrados com a empresa PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120 · O contribuinte fica intimado a apresentar a apresentar os esclarecimentos a seguir para cada nota fiscal emitida pela PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120: · Relação das pessoas (nome e CPF) que prestaram os serviços, com indicação do período, local e número de horas em que cada pessoa prestou os serviços; Fl. 4489DF CARF MF 12 · Relatórios produzidos pelos sócios/empregados da Prática que prestaram os serviços, com discriminação detalhada dos serviços prestados; o orçamentos e documentos comprobatórios que possam ter dado origem a reembolsos de despesas (passagens aéreas, hospedagem, transporte, alimentação etc.) pagas pela contratante, assim como autorização dessas despesas pela contratante; · demais relatórios produzidos pela contratada ou contratante relacionados à prestação dos serviços em questão. · Com relação ao significativo montante pago à empresa PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120 a título de serviços de consultoria, explicar e comprovar documentalmente a necessidade dos referidos serviços. · Informar os critérios adotados para mensurar o valor dos serviços prestados pela PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120 . · Explicar a racionalidade econômica, na SMAFF NORDESTE VEÍCULOS LTDA, para a contratação da PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120 , demonstrando os efeitos econômicos dos serviços. · Esclarecer como a SMAFF NORDESTE VEÍCULOS LTDA demandava os serviços de consultoria da PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, CNPJ: 10.683.275/000120 , informando inclusive os meios utilizados (reuniões, contratos, correspondências, emails, etc.) e os parâmetros relacionados nas demandas, como qualidade de atendimento, satisfação de clientes, metas de vendas dentre outras que o contribuinte deverá esclarecer. · Documentação comprobatória das demandas de serviços que são objeto de esclarecimento no item anterior. · Esclarecer como os resultados dos serviços de consultoria prestados pela PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTFtAÇÃO E VENDAS S/S LTDA eram acompanhados pela SMAFF NORDESTE VEÍCULOS LTDA. Apresentar documentação comprobatória. · Organograma da empresa e relação de todas as pessoas que ocuparam cargos demonstrados no organograma a partir de janeiro de 2009; · Relação de todas as pessoas que ocuparam cargos de gerência a partir de janeiro de 2009; · Atas de assembleia e de reunião de diretoria e conselho fiscal; · Relatórios de auditoria interna e externa; Fl. 4490DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.578 13 · Atas das reuniões periódicas para definição de metas e acompanhamento de resultados dos serviços prestados pela Prática; · DIRF e recibo de entrega · DIRPJ/DIPJ e comprovantes de entrega · Livro de Inspeção do Trabalho · Livro Diário · Livro Razão · Organograma da empresa · Organograma do grupo empresarial · Plano de contas · Esclarecer sua relação societária com outras empresas do grupo econômico que integra, além de apresentar algumas atas de assembléia; · Informações dos trabalhadores segurados empregados, contribuintes individuais, avulsos e estagiários, em meio digital, de · acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais (IN MPS/SRP n° 12, de 20/06/2006) · Informações contábeis, em meio digital, de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais (IN MPS/SRP n° 12, de 20/06/2006) · O contribuinte deverá realizar a validação do arquivo antes de entregálo ao Auditorfiscal, utilizando o Sistema de Validação Tais documentos, embora formalmente solicitados em mais de uma oportunidade, não foram entregues. Diante das solicitações, a resposta do contribuinte foi no sentido de que não entregaria os documentos, uma vez que não era obrigado a fazer prova contra si mesmo. Diante da mencionada recusa, a fiscalização fez o lançamento por meio de aferição indireta, utilizandose, como base de cálculo, dos valores pagos à empresa Prática (utilizada para "pejotização" dos empregados). Ao impugnar os Autos de Infração, o contribuinte junta uma série de documentos e requer que estes sejam submetidos à perícia, por força do princípio da verdade material. Todavia, conforme descrito, na etapa de apuração das obrigações tributárias (fase de pré lançamento) a contribuinte se recusou a entregar os documentos o que resultou, inclusive, no lançamento de Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Sendo assim, nessa fase processual, cabe a Impugnante o ônus de demonstrar o equívoco do trabalho fiscal. Em outras palavras, não basta contestar de forma genérica o lançamento como fez a Fl. 4491DF CARF MF 14 Impugnante, ora Recorrente. Era imprescindível que ela apontasse a parte do lançamento que discorda, quais levantamentos, competências e respectivos motivos. Ademais, conforme mencionado pela decisão recorrida, o pedido de perícia, previsto do artigo 16, IV, "considerase não formulado quando não houver a indicação do assistente técnico e a formulação dos quesitos". Dessa forma, o pedido de perícia não deve ser conhecido, uma vez que foi formulado sem a obediência dos requisitos essenciais. Em face do exposto, rejeito a preliminar. 2) MÉRITO 2.1) DA "PEJOTIZAÇÃO" Quanto ao mérito, a Recorrente se limita a reiterar as razões expostas quando da Impugnação no sentido de que não houve fraude e que a operação era, na verdade, terceirização lícita, não se desincumbindo do ônus de demonstrar qualquer elemento probatório que pudesse suportar suas alegações. Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixa clara a contratação de empregados da Recorrente sob a roupagem de sócios da pessoa jurídica prática. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: a) Foram analisadas as alterações contratuais onde restou evidenciado a existência de sócios em comum entre as empresas, as transferências de cotas de R$ 1,00 para exempregados da SMAFF que passavam a ser sócios da empresa Prática e continuavam prestando serviços à Contribuinte. b) Foram analisados documentos fiscais e reduzidos a termo os depoimentos de exempregados e exsócios confirmando que a forma de contratação desses funcionários foi alterada do regime celetista para prestação de serviços por meio da Empresa Prática Serviços. c) Foram obtidos documentos junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região em Fortaleza, relativo ao Processo 0001586.30.2011.5.07.0014, movido por um dos sócios minoritário para reconhecimento do vínculo empregatício que reforçam essas constatações. d) A empresa Prática prestava serviços exclusivamente para empresas do próprio Grupo SMAFF; e) Ficou evidenciado que alguns gerentes desempenhavam suas funções, a princípio, como empregados formais da SMAFF. Posteriormente, eram demitidos sem justa causa e continuavam a fazer o mesmo serviço sem alteração das atribuições e local de trabalho. Em relação à alegação da inocorrência de interposição de empresa e “sim a terceirização da gestão operacional de uma empresa”, temse que tal alegação não se sustenta em provas existentes nos autos. Isso porque, conforme corretamente apontado na decisão recorrida, as provas existentes nos autos são no sentido de que a chamada “pejotização” ocorreu nos serviços especializados ligados às atividades fim da Impugnante, portanto, o caso concreto se subsume, também, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: Fl. 4492DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.579 15 A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário. 2.2) DA MULTA AGRAVADA Alega a Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" por parte da Recorrente para se esquivar das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada, porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face do exposto, entendo correta a imputação da multa qualificada 2.3) DA FALTA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA PESSOA JURÍDICA CONTRATANTE DE SERVIÇOS PRESTADOS POR SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DE COOPERATIVA DE TRABALHO A Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, em seu art. 15, I combinado com o parágrafo único assim dispõe: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão Fl. 4493DF CARF MF 16 diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Todavia, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade da mencionada contribuição, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM . NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção.A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Fl. 4494DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.580 17 Embora a Recorrente tenha se limitado a requer a demonstração, por meio de prova pericial, de que tais valores tenham sido devidamente recolhidos, é imperiosa a aplicação do referido julgado ao caso dos autos, em razão do disposto no artigo 62, §1º inciso II, "b " da Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (grifamos) É importante destacar que a própria COSIT, por meio da Solução de Consulta nº 152 de 17 de junho de 2015, acatou a referida decisão e reconheceu o direito dos contribuintes a restituição dos valores indevidamente recolhidos, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na PortariaConjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CAT STF nº 174, de 2015, a Secretaria da Receita Federal do Brasil encontrase vinculada ao referido entendimento. O direito de pleitear restituição tem o seu prazo regulado pelo art. 168 do CTN, com observância dos prazos e procedimentos constantes da Instrução Normativa RFB nº Fl. 4495DF CARF MF 18 1.300, de 20 de novembro de 2012, com destaque, no caso, para os arts. 56 a 59, no que toca à compensação. Dispositivos Legais: Código Tributário Nacional, art. 168; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 10.522, de 2002, art. 19; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014; Nota PGFN/CASTF Nº 174, de 2015; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5, de 2015. Em face do exposto, nesse ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário para excluir os valores lançados em face dos montantes pagos às cooperativa de trabalho, bem como o lançamento das obrigações acessórias respectivas. 2.4) DA DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. O Juros sobre o Capital Próprio "JCP’ foi instituído através do Art. 9º da Lei 9.249/95, nestes termos: "Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...). § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. Fl. 4496DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.581 19 Conforme se observa pelo Relatório Fiscal, os valores pagos a título de Juros sobre o Capital Próprio JCP foram desconsiderados pela fiscalização porque foram distribuídos desproporcionalmente à participação dos sócios no capital social da empresa. A Recorrente alega que não há qualquer vedação legal à distribuição do JCP desproporcional, uma vez que, tendo em vista que esses possuem a natureza de dividendos, tal distribuição estaria expressamente permitida pelo artigo 1007 do Código Civil que assim dispõe: “Art. 1007. Salvo estipulação em contrario, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da media do valor das quotas”(destacamos). Embora a regra seja a distribuição dos dividendos proporcional as respectivas quotas, tendo em vista a natureza contratual das sociedades limitadas, as relações entre os sócios podem pautarse nas disposições de vontade destes, sem maiores rigores. Sendo a sociedade limitada contratual (não institucional), a margem para negociações entre os sócios é maior. Disto se depreende que o Código Civil aceita e legitima a distribuição desproporcional dos dividendos à participação de cada sócio no capital social, desde que todos recebam parcela do lucro. Embora a referida norma conste do capítulo relacionado às sociedades simples, se aplica também às sociedades limitadas, uma vez que, conforme previsto no artigo 1.053 do Código Civil, na falta de normas que disciplinem a sociedade limitada, aplicamse àquelas das sociedades simples. Nesse sentido, importante mencionar a Receita Federal já se manifestou, na Solução de Consulta Disit 6 – nº 46 de 24 de Maio de 2010, sobre a possibilidade de distribuição desproporcional de lucros ao sócio, desde que obedecidas normas de regência quanto a tributação. "SOLUÇÃO DE CONSULTA No 46, DE 24 DE MAIO DE 2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF EMENTA: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. ISENÇÃO. A distribuição de lucros aos sócios é isenta de imposto de renda (na fonte e na declaração dos beneficiários), contanto que sejam observadas as regras previstas na legislação de regência, atinentes à forma de tributação da pessoa jurídica. Estão abrangidos pela isenção os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional à sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Nº 9.249/1995, art. 10; Decreto Nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, art. 39, inc. XXIX; Lei Nº10.406/2002, arts. 997, incs. IV e VII, 1.007, Fl. 4497DF CARF MF 20 1.008, 1.053 e 1.054; IN No 93/1997, art. 48, caput, e §§ 1º a 8º. (grifamos) Dessa forma, se partimos do pressuposto que o Juros sobre Capital Próprio é espécie de dividendo, como defendido pela Recorrente, deveríamos admitir que sua distribuição não precisaria se submeter a regra da proporcionalidade ao capital social dos sócios. A doutrina, ao tratar do JPC, diverge quanto a sua natureza jurídica. Para alguns os dividendos e o Juros sobre Capital Próprio apresentam pressupostos distintos e outros entendem, assim como a Recorrente, que ambos possuem o mesmo pressuposto essencial. De acordo com FABIO ULHÔA COÊLHO: "no plano conceitual, cada espécie remunera o investimento por motivos próprios. Enquanto os juros remuneram o investidor pela indisponibilidade do recurso, os dividendos remuneramno pelo os dividendos remuneramnos pelo particular sucesso do empreendimento social. (...) A limitação dos juros sobre capital próprio a TJLP, estabelecida pelo legislador tributário (Lei.nº 9.249/95,art. 9º, caput), estabelece uma equivalência genérica entre a remuneração do acionista e a que ele normalmente encontraria no mercado, caso destinasse o mesmo recurso a investimento diversos. Os dividendos, representam, por sua vez, a remuneração prestada pelo investimento, pelo sucesso da empresa explorada pela Companhia. (COELHO, Fabio Ulhôa Curso de Direito Comercial, 9ª edição, São Paulo, Saraiva, 2006, vol.2, p. 342343) Para outros, como NELSON EIZIRIK, os Juros sobre o Capital Próprio possuem a mesma natureza jurídica de dividendos pois: "o pagamento de juros sobre o capital próprio e a distribuição de dividendos apresentam o mesmo pressupostos essencial, qual seja, a existência de lucros distribuíveis pela sociedade. Isso significa que os juros sobre o capital próprio e os dividendos possuem a mesma natureza jurídica, qual seja, a distribuição de resultados auferidos pela companhia a seus acionistas. Com efeito, caso os juros sobre o capital próprio não tivessem essa natureza , poderiam ser pagos havendo ou não lucro. (EIZIRIK, Nelson A Lei das S/A Comentada, São Paulo: Quartier Latin, 2011, vol. 4, p. 104) Todavia, independente das discussões doutrinárias sobre o tema, a questão da natureza jurídica dos Juros sobre o Capital Próprio JCP foi analisada pela 1 ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, publicado em 22/02/2016 e submetido à sistemática do artigo 543C. O Recurso recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Fl. 4498DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.582 21 Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011; AgRg no Ag 1209804 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16.12.2010; REsp 1018013 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 08.04.2008; REsp 952566 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18.12.2007; REsp 921269 / RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22.05.2007. Precedentes da Segunda Turma: REsp 1212976 / RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 9.11.2010; AgRg no Ag 1330134 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19.10.2010; REsp 956615 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 13.10.2009; AgRg no REsp 964411 / SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.09.2009. 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003". 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Embora a ementa não trate da natureza jurídica do JCP verificase que a ratio decidendi do referido recurso é a distinção entre a natureza jurídica do JCP e dos dividendos. Conforme relata o Ministro Mauro Campbell: No caso concreto pretende a REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A deduzir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor que destina a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio, invocando: a) o emprego por analogia do art. 9º caput da Lein. 9.249/95, que permite a dedução de tais valores da base de cálculo do lucro real; b)que a natureza jurídica desses valores seria a de lucro e dividendos, o que permitiria a incidência do art. 1º, §3º , V, "b", da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, que retiraram da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas referentes a lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Verificase, assim, que a causa de pedir do referido recurso, era a natureza jurídica do Juros sobre o Capital Próprio JCP que restou assim definida pelo Ministro Mauro Campbell: " Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido, para fins tributários sua semelhança acaba aí, havendo uma série de tratamentos distintos na legislação que evidencia a diferença de sua natureza jurídica, a saber: LUCROS OU DIVIDENDOS: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO: Em relação ao beneficiário: não estão sujeitos ao Em relação ao beneficiário: estão sujeitos à Fl. 4499DF CARF MF 22 imposto de renda na fonte pagadora nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário (art. 10, da Lei n. 9.249∕95). incidência do imposto de renda na fonte na data do pagamento do crédito ao beneficiário (art. 9º, §2º, da Lei n. 9.249∕95). Em relação à pessoa jurídica que paga: não são dedutíveis do lucro real (base de cálculo do imposto de renda). Em relação à pessoa jurídica que paga: quando pagos são dedutíveis do lucro real (art. 9º, caput, da Lei n. 9.249∕95). Obedecem necessariamente ao disposto no art. 202, da Lei n. 6.404∕76 (dividendo obrigatório). Podem, facultativamente, integrar o valor dos dividendos para efeito de a sociedade obedecer à regra do dividendo obrigatório (art. 202, da Lei n. 6.404∕76).' Têm limite máximo fixado apenas no estatuto social ou, no silêncio deste, o limite dos lucros não destinados nos termos dos arts. 193 a 197 da Lei n. 6.404∕76. Têm como limite máximo a variação da TJLP (art. 9º, caput, da Lei n. 9.249∕95). Estão condicionados apenas à existência de lucros (arts. 198 e 202, da Lei n. 6.404∕76). Estão condicionados à existência de lucros no dobro do valor dos juros a serem pagos ou creditados (art. 9º, §1º, da Lei n. 9.249∕95). Desse modo, ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis, de modo que não incidem o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637∕2002 e o mesmo dispositivo da Lei n. 10.833∕2003. Sendo assim, uma vez que o STJ entendeu que os Juros sobre Capital Próprio não tem a natureza jurídica de dividendo, não seria possível aplicar a norma do artigo 1007 do Código Civil que estabelece a distribuição de lucros de forma desproporcional. Na hipótese dos autos, a fiscalização demonstrou que o JCP desproporcional foi pago às sócias que tinham poder de administração. Além disso, a Recorrente não fez qualquer prova no sentido de demonstrar que tais valores tinham relação com os lucros apurados pela empresa e não pelo trabalho prestado pelas sócias. Sendo assim, há que se admitir o lançamento da contribuição prevista no art. 12, V, “f”, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, assim como já decidido no Acórdão 2401.01504, os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. 2.5) DA APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA NA DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPROCIONAL; O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que não foi comprovado o "evidente intuito de fraude". Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. A distribuição do JCP desproporcional encontrase devidamente escriturada. Além disso, divergência doutrinária quanto à natureza do JCP demonstra que sua conduta estava amparada por procedimento defensável. Sendo assim, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Fl. 4500DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.610 S2C2T2 Fl. 1.583 23 Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Em face do exposto, entendo que a multa agravada aplicada em razão da distribuição de JCP desproporcional ao capital social deverá ser reduzida para o percentual de 75%. 5) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento relativo as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias, para excluir os pagamentos efetuados aos sócios no percentual relativo a sua participação societária e reduzir a multa aplicável ao recolhimento de JCP desproporcional para 75%. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Fl. 4501DF CARF MF 24 Conselheiro MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Redator Designado Considerando o que foi registrado em Ata e no Acórdão de julgamento, este Conselheiro foi incumbido de fazer voto vencedor, em parte tendo discordado do voto da ilustre Relatora, Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Meu entendimento proferido nos debates, em Sessão, foi que estando o JCP em desconformidade com a lei, "toda" a distribuição deve ser tributada e não apenas a parcela que excede a proporcionalidade com a participação no capital, de cada sócio. Citei como exemplo, para analogia, meu posicionamento já externado em relação ao PLR, quando são distribuídas mais de duas parcelas ao ano. Entendo que "todo" o PLR está em desconformidade com a lei, devendo ser tributado, e não apenas as parcelas excedentes. Ocorre que no relatório e voto da Relatora restou consignado que o Auditor Fiscal lançou a Contribuição Previdenciária "somente sobre o excedente" à participação proporcional de cada sócio no capital, o que ela reputou correto. Se a Relatora entende que deva ser mantido o lançamento, nessa parte, não haveria divergência a ser levantada, porque mesmo sendo pelo entendimento de que deveria ser desconsiderado todo o JCP, e não apenas a parte excedente, não se pode ir além daquilo que lançou o Auditor Fiscal. Analisando o Voto da Relatora, manifesteime pela necessidade de opor embargos de declaração, pois foi verificada uma contradição entre as razões do voto e sua conclusão, e tratarei da questão e da desnecessidade de elaborar voto vencedor, em sede de embargos, nestes autos. (Assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Fl. 4502DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720561/2009-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-005.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral.
Anteriormente, a conselheira Ana Paula Fernandes havia provisoriamente votado por acompanhar o relator, para dar provimento parcial ao recurso, o que implicou na proclamação equivocada do resultado. Em seguida, revendo a decisão, foi identificado o equívoco e, por unanimidade de votos, o colegiado apreciou a situação, deferindo a retificação de seu voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Anteriormente, a conselheira Ana Paula Fernandes havia provisoriamente votado por acompanhar o relator, para dar provimento parcial ao recurso, o que implicou na proclamação equivocada do resultado. Em seguida, revendo a decisão, foi identificado o equívoco e, por unanimidade de votos, o colegiado apreciou a situação, deferindo a retificação de seu voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 61 /2 00 9- 45 Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 491 2 Anteriormente, a conselheira Ana Paula Fernandes havia provisoriamente votado por acompanhar o relator, para dar provimento parcial ao recurso, o que implicou na proclamação equivocada do resultado. Em seguida, revendo a decisão, foi identificado o equívoco e, por unanimidade de votos, o colegiado apreciou a situação, deferindo a retificação de seu voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280202.800, prolatado pela 2a Turma Especial da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de março de 2014 (efls. 257 a 266). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário de forma a se excluir a multa de ofício do lançamento, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 492 3 A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 493 4 rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 11/06/2014 (efl. 309), a autuada apresentou, inicialmente, em 13/06/14 (efl. 275) embargos de declaração de efls. 275 a 288 e anexos, rejeitados através de despachos de efls. 314 a 317. Cientificada da rejeição de seus embargos em 28/01/2015 (efl. 321), a autuada interpôs, em 06/02/2015 (efl. 323) Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 323 a 366 e anexos). Alegavase, no pleito: a) Divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão no. 2102 01.687, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, que teria reconhecido a não incidência do IRPF sobre as verbas recebidas referentes a abono variável pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de uma interpretação extensiva da Resolução STF no. 245, de 2002. A seguir, reproduzse a ementa e decisão deste primeiro Acórdão Paradigma, datado de 30 de novembro de 2011: Acórdão 210201.687 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 494 5 Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na formada Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Nesta seara, defende a contribuinte o caráter compensatório da URV, que no entender da recorrente, não representa qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, possuindo caráter indenizatório, citando, a propósito, a mencionada Resolução STF no. 245, de 2002, que sustentaria seu posicionamento e que, posteriormente, foi objeto de extensão também aos membros do Ministério Público da União, consoante despacho do Sr. Procurador da República. Ainda a propósito, entende que a qualificação jurídica estabelecida pela Lei Complementar no. 20, de 2003, em seu art. 2o. (que define a referida verba como indenizatória), não poderia ser afastada pelo Fisco federal, que deveria, previamente, buscar a inconstitucionalidade do referido dispositivo, o que não ocorreu. Entende que "(...)Se a interpretação conferida às diferenças auferidas pelos Membros do MPF, com base no ar. 2o da Lei n° 10.477/2002, foi de que tais parcelas possuem natureza indenizatória, igual entendimento deve ser adotado em relação às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia, com base na Lei complementar n° 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve necessariamente haver o mesmo direito", sob pena de violação ao princípio constitucional da isonomia, o qual restaria também violado pelo tratamento diferenciado conferido entre os membros da Magistratura Federal e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, como a recorrente. Tece, ao final, longa argumentação acerca da similitude fática entre os membros da Magistratura Federal e do MPF e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia. Rechaça, ainda, que, quando do reconhecimento do caráter indenizatório da verba em questão, se possa cogitar de violação ao princípio da legalidade tributária, uma vez que esta foi reconhecida não por diploma legal, mas por Resolução do Supremo Tribunal Federal. b) Divergência em relação ao estabelecido pela 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento no âmbito do Acórdão 2801003.595, de 17 de julho de 2014 (ementa e decisão a seguir transcritas), no sentido de que, consoante posicionamento firmado pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (de obediência obrigatória neste CARF por força do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho então em vigor), o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deveria ser calculado pelo regime de competência, decorrendo daí, no Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 495 6 entendimento do Colegiado paradigmático (também defendido pela recorrente), a necessidade de cancelamento do auto de infração; Acórdão 2801003.595 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%. c) Finalmente, entende a recorrente estar caracterizada entre o recorrido e o decidido no âmbito do Acórdão no. 2801002.264, de lavra da 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, datado de 12 de março de 2012, de ementa e decisão que se seguem. Acórdão 2801002.264 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 496 7 ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nº s 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Ressalta que, no âmbito do paradigma, a decisão do Colegiado de exclusão dos valores recebidos a título de juros do valor objeto de tributação baseouse também em decisão em sede de recurso repetitivo (sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC) no âmbito do STJ (REsp 1.227.133/RS), de adoção obrigatória por parte deste CARF. Ainda, ressalta seu entendimento no sentido dos juros de mora possuírem caráter indenizatório, destinandose a recompor os danos emergentes pelo não uso, pelo credor, do patrimônio, pela mora do devedor, abarcando tais juros, ainda, com a evolução doutrinária e jurisprudencial, eventuais danos morais suportados pelo mesmo credor. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 497 8 Reproduz voto do Min. do STJ César Asfor Rocha, no âmbito do julgamento do referido REsp, que sustentaria tal posicionamento, ressaltando inexistir qualquer acréscimo patrimonial ou renda decorrente do recebimento de tais juros moratórios. Reitera, ainda, a desnecessidade de verificação da natureza jurídica da verba principal para que se estabeleça a natureza jurídica dos juros em questão, tendo restado tal posição vencida no âmbito do referido REsp, devendo, assim, os juros, serem aferidos de forma autônoma e independente no que diz respeito à necessidade de seu oferecimento à tributação. Assim, entende que, uma vez necessariamente de se adotar o entendimento esposado pelo STJ no âmbito do exaustivamente mencionado REsp 1.227.133/RS, de se excluir a parcela referente aos juros moratórios da tributação, em linha com o realizado pelo Acórdão Paradigma. Resumidamente, destarte, requer que o recurso seja conhecido e provido. para que : a) seja reformado in totum o acórdão recorrido, declarando a não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos pelo ora Recorrente à título de "diferenças de URV", conforme posicionamento exposto no Acórdão no. 210201.687 pela 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF ou, b) caso assim não entenda este Ilustre Conselho, seja reformado o acórdão ora vergastado, para determinar o cancelamento da exigência fiscal, em virtude da adoção de regime de apuração equivocado para o caso concreto, estando o auto de infração maculado por erro de cunho material, em consonância com o exposto no Acórdão no. 2801003.595, proferido pela Ia Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF ou, c) por fim, caso os paradigmas apresentados não sejam acolhidos, requer seja parcialmente reformado o acórdão ora vergastado, para determinar a exclusão da parcela referente aos juros moratórios, em consonância com o exposto no acórdão no. 280102.264 pela 1a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 411 a 419, exclusivamente quanto às seguintes matérias: a) não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória (Acórdão paradigma no. 210201.687) e b) caso se entenda pela incidência, que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora (Acórdão paradigma no. 2801002.264). Entendeuse não ter satisfatoriamente restado demonstrada a divergência para a matéria referente ao cancelamento do auto de infração, consoante excerto de efls. 415/416, verbis: "(...) Com efeito, os acórdãos recorrido e paradigma não discordam quanto à aplicação das tabelas da época aos rendimentos em geral, recebidos acumuladamente. Todavia, no acórdão recorrido entendeuse que tal forma de tributação não seria Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 498 9 aplicável ao caso concreto, em que o recebimento de referida verba pelos Membros do Ministério Público da Bahia teria decorrido diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial. Cumpre ressaltar que a demonstração de divergência é ônus da Contribuinte, de acordo com o previsto no §8º do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, abaixo transcrito: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (Negrito) Ressaltese que tal requisito já estava presente no §6º do art. 67, do Anexo II, do RICARF anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, conforme reproduzido abaixo: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (Negrito) Destarte, no presente caso, a divergência somente estaria demonstrada se a Contribuinte evidenciasse que o paradigma teria tratado da mesma espécie de verba, ou seja, de rendimentos referentes a diferenças de URV, recebidos por membro do Ministério Público da Bahia. Entretanto, a peça recursal não permite que se chegue à conclusão de que o paradigma teria tratado de caso desta espécie. Ressaltase que os trechos do paradigma transcritos pela Contribuinte apenas demonstram a aplicação do recurso repetitivo, sem qualquer apontamento acerca da especificidade do caso concreto. Assim, não tendo sido demonstrada a divergência, o recurso não pode ter seguimento em relação à segunda matéria suscitada pela Contribuinte (necessidade de cancelamento do lançamento, por erro material). (...)" Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 499 10 Encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ciência esta ocorrida em 17/09/2015 (efl. 423), a contribuinte apresentou requerimento de efls. 425 a 431, insurgindose contra a negativa de seguimento de seu pleito no que tange à necessidade de cancelamento do lançamento por erro material, alegando que se tratou das mesmas verbas tanto no Acórdão recorrido como no paradigma e, anda, repisando a argumentação quanto ao tema já trazida em sede de Recurso Especial. Encaminhados os autos à PGFN em 04/11/2015, esta apresentou contrarrazões tempestivas, datadas de 05/11/2015 (efls. 453 a 460), onde: a) Defende que as diferenças objeto de tributação em questão tinham natureza eminentemente salarial, uma vez que se incorporavam à remuneração dos membros do Ministério Pùblico Estadual e seu recebimento extemporâneo não tem o condão de alterar tal natureza. Cita o art. 56 do RIR/99, de forma a concluir que a tributação também de aplica a juros e correção monetária, além dos valores a título de principal; b) Entende que o art. 3o. da Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, não possui qualquer efeito tributário para fins de tributação pelo imposto sobre a renda, uma vez que este é regrado por legislação federal. c) Argumenta que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento auferido e que dependeria a isenção de valores indenizatórios de lei específica, citando o art. 55, XIV do RIR/99 para defender que tanto os juros moratórios como outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, a menos que se refiram a rendimentos isentos ou não tributáveis. Requereu, assim, a Fazenda Nacional que seja mantido o inteiro teor do recorrido, com o não provimento do Recurso Especial da Contribuinte. Submetido o litígio à apreciação desta Turma, achouse por bem, inicialmente, converter o julgamento em diligência para fins de apreciação, por parte da Sra. Presidente da 2a. Câmara desta 2a. Seção, do documento de efls. 425 a 431 (Resolução de e fls. 462 a 471, de 21/06/2016) Apreciado o referido documento restou não conhecido por aquela Presidência, em virtude de absoluta ausência de previsão legal (despachos de efls. 473 a 479) Cientificada a contribuinte em 19/12/2016 (efl. 483), retorna o Recurso Especial da Contribuinte a esta Turma, para análise das matérias que restaram admitidas, na forma de despacho de efl. 484. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 500 11 Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto às matérias para a qual se deu seguimento. Passandose à análise de mérito, as duas matérias que permanecem, assim, sob litígio, serão abordadas na ordem em que trazidas pela recorrente: a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 80, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o Imposto sobre a Renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 501 12 competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 7. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 502 13 de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “ (...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 503 14 "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 7, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 7 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 504 15 Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão oriunda do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos, cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 7, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 505 16 Feita tal digressão, verifico que, no caso em questão, a autoridade fiscal optou por tributar os valores com base nas tabelas vigentes nos meses em que foram recebidos regime de caixa (o recebimento se deu em 36 parcelas mensais, durante os anoscalendário de 2004 a 2006, tendo a autoridade fiscal utilizado a alíquota de 27,5% para todos os anos, consoante efls. 8 a 10) e não consoante a tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001, consoante tabelas detalhadas de efls. 118 a 120) . Chegouse a propor, em sede de julgamento de impugnação, diligência fiscal de forma a se propor a adequação do lançamento a tal sistemática (então referendada pelo Parecer PGFN/CRJ no. 287, de 2009), mas tal diligência não se concretizou pela revogação dos efeitos do referido Parecer (vide efls. 127 e 129). Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo a seguir: Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, vedada a reformatio in pejus. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 506 17 Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 507 18 quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez que entendo que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima não incidirá o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: b.1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; b.2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão, quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte também quanto a esta matéria. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 9202005.371 CSRFT2 Fl. 508 19 Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Contribuinte, para que seja promovida a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, vedada a reformatio in pejus. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 508DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.004927/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/07/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA.EMENTA.PRELIMINAR DE NULIDADE NÃO SUSCITADA.
Caracteriza-se como extra petita a decisão que julga pedido não formulado no recurso.
Comprovado o julgamento de preliminar de nulidade não suscitada no recurso, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa do julgado.
Numero da decisão: 3302-004.275
Decisão: Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 131 1 130 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.004927/200901 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.275 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. COMEX Embargante KUEHNE+NAGEL SERVICOS LOGISTICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/07/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA.EMENTA.PRELIMINAR DE NULIDADE NÃO SUSCITADA. Caracterizase como extra petita a decisão que julga pedido não formulado no recurso. Comprovado o julgamento de preliminar de nulidade não suscitada no recurso, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa do julgado. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 49 27 /2 00 9- 01 Fl. 259DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Recorrente com o objetivo de sanar supostas omissões no Acórdão nº 3803006.929, de 18 de março de 2015, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto perante este E. Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO.SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.(sic). O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art.64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10711.004927/200901 Acórdão n.º 3302004.275 S3C3T2 Fl. 132 3 Cientificada do referido acórdão, tempestivamente, apresentou embargos de declaração, em que alegou vícios de omissão em relação às seguintes matérias trazidas em sede recursal: 1) contradição e obscuridade em relação ao início do despacho aduaneiro; 2) omissão e obscuridade quanto à aplicabilidade do §3º do art. 612 do Regulamento Aduaneiro; e 3) erro de fato quanto à suposta alegação de nulidade formal. O Despacho de Admissibilidade reconheceu parcialmente os embargos de declaração opostos, apenas em relação ao julgamento extra petita referente à nulidade formal do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado erro de fato. Do alegado erro de fato Assiste razão à recorrente, visto que se observa que o acórdão embargado tratou, na ementa, de uma preliminar de nulidade formal do auto de infração, não suscitada no recurso voluntário, portanto não submetida ao colegiado. Observese que por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, principal norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, no âmbito federal, a impugnação tempestiva instaura o litígio na via administrativa, ensejando por consequência a tramitação do processo na via contenciosa administrativa, cuja decisão pelos órgãos que integram o contencioso observará as regras do artigo 31 do referido ato legal: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)(grifei). Notese que as matérias postas em litígio estão emolduradas pela impugnação apresentada, ex vi do art. 17 Decreto nº 70.235, de 1972, portanto à exceção das questões de Fl. 261DF CARF MF 4 ordem pública, os órgãos colegiados que integram a estrutura do contencioso decidem as matérias submetidas a julgamento. No caso em apreço, restou constatado que houve o julgamento de matéria não submetida ao colegiado, visto que não suscitada pelo recorrente em sua peça recursal, houve portanto o julgamento extra petita, que na dicção da doutrina especializada, consiste na decisão proferida fora dos pedidos ou autor. Pontua 1Daniel Amorim que segundo o artigo 460 do CPC, o juiz não pode conceder diferente ou a mais do que for pedido pelo autor. Tratase do princípio da congruência, também conhecido como princípio da correlação ou adstrição. Na mesma linha de raciocínio decidiu a CSRF, no acórdão nº 9303003.394, de 25/01/2016, a seguir ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 JULGAMENTO EXTRA PETITA. VEDAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONCEITO. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA. Incabível o julgamento extra petita segundo a legislação que rege os processos administrativos fiscais, uma vez que cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, considerandose como não impugnada a parte do lançamento não expressamente contestada. Destacase a seguir os seguintes excertos do voto: A decisão administrativa que decide fora dos limites do pedido formulado pelo contribuinte não satisfaz o disposto nos art. 128 e 460 do Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73, que se aplicam subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, nos termos abaixo transcritos: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Nesse sentido, a ementa do acórdão embargado, passa a ter a seguinte redação, com a exclusão da preliminar de nulidade não suscitada no recurso voluntário: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2008 1 Neves, Daniel Amorim Assumpção, Manual de Direito Processual Civil, 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, pág.516. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10711.004927/200901 Acórdão n.º 3302004.275 S3C3T2 Fl. 133 5 COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art.64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Assim, por todo o exposto, voto pelo acolhimento parcial dos embargos de declaração opostos pelo embargante, para rerratificar o acórdão embargado, excluindo da ementa a preliminar de nulidade formal do auto de infração, como acima destacado. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902576/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 25 76 /2 00 8- 83 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13896.902576/200883 Acórdão n.º 1402002.558 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13896.902576/200883 Acórdão n.º 1402002.558 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13896.902576/200883 Acórdão n.º 1402002.558 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13896.902576/200883 Acórdão n.º 1402002.558 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13896.902576/200883 Acórdão n.º 1402002.558 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.727128/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. DIREITO AO CRÉDITO. PIS. COFINS.
Estão aptos a gerar crédito das Contribuições os bens e serviços aplicados na atividade da agroindústria, seja na fase agrícola ou na fase industrial, passíveis de serem enquadrados como custos de produção.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas: a) material de laboratório, equipamento de proteção e segurança. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; b) água para irrigação, óleo diesel e partes e peças de manutenção aplicados na fase agrícola. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; c) Serviços de ensaios laboratoriais, pesquisa e desenvolvimento experimental, locação de equipamentos de topografia e análise de amostras. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; d) Serviços aplicados na atividade cultivo da cana-de-açúcar (aluguel de máquinas, equipamentos e veículos ligados à atividade agrícola [tratores, retroescavadeiras, etc], serviços relativos à manutenção do pivô, responsabilidade técnica no georeferenciamento, montagem de sistema de irrigação, e outros desta natureza). Vencido o Conselheiro Jorge Freire e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula quanto aos aluguéis de veículos; e) Despesa de depreciação relativa aos setores de laboratório e topografia. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; f) Despesa de depreciação de bens do imobilizado utilizados na produção de cana-de-açúcar (manutenção do pivot, área de plantio, corte de cana, adubeira, setor laginha, setor caxangá, garagem de máquinas, garagem veículos leves/pesados, setor estados unidos, setor ipiranga, setor maniçoba, setor pancarauy, caldeiraria agrícola, fabricação de pré-moldados). Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Sustentou pela recorrente o Sr. Sílvio Gomes Cardozo, RG 721.555 -SDS/PE, procurador da recorrente.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. DIREITO AO CRÉDITO. PIS. COFINS. Estão aptos a gerar crédito das Contribuições os bens e serviços aplicados na atividade da agroindústria, seja na fase agrícola ou na fase industrial, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas: a) material de laboratório, equipamento de proteção e segurança. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; b) água para irrigação, óleo diesel e partes e peças de manutenção aplicados na fase agrícola. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; c) Serviços de ensaios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 71 28 /2 01 4- 93 Fl. 3913DF CARF MF 2 laboratoriais, pesquisa e desenvolvimento experimental, locação de equipamentos de topografia e análise de amostras. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; d) Serviços aplicados na atividade cultivo da canadeaçúcar (aluguel de máquinas, equipamentos e veículos ligados à atividade agrícola [tratores, retroescavadeiras, etc], serviços relativos à manutenção do pivô, responsabilidade técnica no georeferenciamento, montagem de sistema de irrigação, e outros desta natureza). Vencido o Conselheiro Jorge Freire e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula quanto aos aluguéis de veículos; e) Despesa de depreciação relativa aos setores de laboratório e topografia. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; f) Despesa de depreciação de bens do imobilizado utilizados na produção de canadeaçúcar (manutenção do pivot, área de plantio, corte de cana, adubeira, setor laginha, setor caxangá, garagem de máquinas, garagem veículos leves/pesados, setor estados unidos, setor ipiranga, setor maniçoba, setor pancarauy, caldeiraria agrícola, fabricação de pré moldados). Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Sustentou pela recorrente o Sr. Sílvio Gomes Cardozo, RG 721.555 SDS/PE, procurador da recorrente. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de COFINS e de PIS tendo em vista que em procedimento fiscalizatório foram glosados créditos, e, refeita a escrita, foram identificados saldos devedores no período. O Termo de Verificação Fiscal (TVC fls. 22/78) relata que foram auditados os créditos dos bens utilizados como insumos (anexo I), serviços utilizados como insumos (anexo II), despesas com energia elétrica (anexo III), bens do ativo imobilizado (anexo IV) e Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.911 3 devoluções de venda (anexo V), sendo que nos anexos de VI a IX constam as notas fiscais dos créditos glosados. No item 17 do relato fiscal (fl. 25) consta as informações prestada pela empresa nas DACON dos meses de 2011. A empresa autuada produz açúcar e álcool, sendo que, entre outras atividades, exerce o cultivo de canadeaçúcar para produção daqueles, pontuando a fiscalização que "são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime nãocumulativo". Após discorrer sobre o conceito de insumos na apuração de PIS/COFINS nãocumulativo, consigna a fiscalização que: Da definição de insumo na produção de bens ou produtos destinados à venda, foram excluídos quaisquer bens que não sofram alterações, tais como: consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no bem ou produto que está sendo fabricado. No que tange aos serviços, apenas consideramse insumos aqueles que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. ... Além disso, frisese, só podem ser caracterizados como insumo os componentes que sejam diretamente utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Com arrimo na Solução de Consulta nº 29 SRRF03/Disit, de 19/10/2012, e Solução de Consulta nº 65 SRRF08/Disit, de 13/03/2013, assevera: Neste ponto, chegase à conclusão que, eventuais custos e despesas com a cultura de canadeaçúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool, não se enquadram no conceito legal de insumo desta fabricação. Concluindo: Dessa forma, no caso da fiscalizada, os desembolsos empregados na atividade de plantio e cultivo da canadeaçúcar não são considerados insumos, para fins de geração de créditos de PIS e Cofins nãocumulativos, na etapa de produção industrial do álcool e do açúcar. Em face de tal, foram glosados créditos decorrentes de I BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (linha 02, ficha 16A): 1 aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero), "caso de aquisições de adubos, fertilizantes, defensivos agropecuários e corretivos de solo de origem mineral, podendo ser citados: herbicidas, bactericidas, leite de cal, gesapax, entre outros"; 2 produtos não enquadrados como insumos, tais como a aquisição de móveis, eletrodomésticos, medicamentos, produtos de uso veterinário, alimentos, suplementos energéticos, material de limpeza, material de informática, material de escritório, fardamento, equipamentos de proteção e segurança, material de laboratório, material de treinamento, Fl. 3915DF CARF MF 4 despesas com aquisição e manutenção de bicicletas, peças para manutenção de rádio transceptor portátil, peças para manutenção de extintores, peças para manutenção de aeronave. Em suporte a essa glosa referese à Solução de Divergência/COSIT nº 43/2008. Esclarece que a previsão constante nas Leis nºs 10.637/2002, e 10.833/2003, diz respeito aos gastos com vales transportes, valesrefeições, fardamentos e uniformes, fornecidos aos empregados, no caso de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de limpeza, conservação e manutenção; 3 água para irrigação valores pagos à Associação dos Usuários do Perímetro Irrigado Tourão, Distrito Irrigado Maniçoba, Distrito Irrigado Tourão, referente ao consumo de água para irrigação. 4 óleo diesel. Tendo em vista que a empresa informou que 5% do consumo desse combustível se dá na fase industrial e 95% na fase agrícola, foi glosado este percentual "vez que não se constitui como hipótese de creditamento previsto em lei (atividade agrícola)"; 5 partes e peças para manutenção esclarece a fiscalização que partes e peças que sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando diretamente no processo de fabricação ou produção dos referidos bens geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tais despesas não estejam obrigadas a ser incluídas no ativo imobilizado, que seria o caso dos dispêndios que acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, consoante estabelece o art. 346 do RIR/99. "Desse modo, referidos dispêndios efetuados deixarão de ser contabilizados como despesas, por caracterizarem imobilização de patrimônio, passando a gerar créditos decorrentes de depreciação futura". Afirma o Fisco que "foi identificado que parte dos bens indicados pela fiscalizada como peças de reposição das máquinas e equipamentos do processo produtivo configuramse como produtos utilizados na formação de bens do Ativo Imobilizado", daí a glosa. Afirma, ainda, que apenas veículos pesados, utilizados apenas na fase agrícola, foram listados como partícipes do processo produtivo da empresa, "por isso, também os gastos com a manutenção de tais veículos não foram considerados no cálculo"; Igualmente foram glosados os créditos decorrentes de custos de manutenção dos veículos relacionados à atividade agrícola, o que enseja a exclusão de tais gastos no cálculo do crédito das contribuições. "De fato, as partes e peças de reposição empregadas nas máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, não atendem ao critério para caracterização como insumos", entende a fiscalização. 6 materiais de construção foram glosados créditos provenientes da aquisição de materiais a serem aplicados em obras de construção civil efetuados em imóveis próprios. Tratase de aquisição de cimento, pedra britada, manilha de concreto, materiais de instalação hidráulica e elétrica, chuveiro, torneira, forro, piso, tinta, pois não se caracterizam como insumo de sua atividade produtiva; A tabela 4, à fl. 48, resume os valores glosados, mês a mês. II SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (linha 3): 1 serviços em geral manutenção de software, educação de adultos, instalação/manutenção de rádios, mãodeobra aplicada na construção civil, passagens e hospedagem em hotel, serviço de atendimento a aeronave, locação de equipamento de topografia, serviços de ensaios laboratoriais, serviço de rastreamento de veículos, confecção de estantes, serviço de controle de pragas urbanas (desinsetização geral) realizado em residências Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.912 5 e clube da Agrovale, pesquisas e desenvolvimento experimental, reforma de móveis, serviços de consultoria, serviços gráficos, locação de tenda, ginástica laboral, análise de amostras, locação de veículos e transporte de pessoal. Afirma o Fisco que "os referidos serviços não podem ser considerados insumos, uma vez que foram aplicados ou consumidos em atividades alheias ao processo produtivo"; 2 atividade agrícola foram glosados gastos com a atividade de cultivo de canadeaçúcar, tais como aluguel de máquinas, equipamentos e veículos ligados à atividade agrícola (tratores, retroescavadeiras, etc), serviços relativos à manutenção do pivô, responsabilidade técnica no georeferenciamento, montagem de sistema de irrigação, e outros desta natureza. A tabela 6, à fl. 52, resume os valores glosados, mês a mês. III Despesas com Energia Elétrica 1 consumo residencial foram glosados os valores do chamado subgrupo B1, conforme denominação dada pela ANEEL e constante das notas fiscais. Anota o Fisco: "Ressaltese, que a própria concessionária faz constar, em algumas faturas, a identificação do consumo como: 'residências da Agrovale', 'residência de trabalhador rural' ou 'núcleo habitacional'. Tais documentos fiscais foram excluídos do cálculo, uma vez que referidas despesas não se referem a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da fiscalizada, não se enquadrando, pois, na hipótese de creditamento prevista em lei"; 2 consumo não vinculado à atividade da empresa foram glosados os valores das notas fiscais nas quais constavam a identificação do consumo como: "grupo escolar" e "estábulo", pois não se trata de consumo de energia elétrica no estabelecimento da empresa; 3 valores referente a "pagamentos interrupção de energia entende a fiscalização que somente valores efetivamente consumidos de energia elétrica (art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, e art. 3º IX, da Lei 10.637/2002) dão azo a creditamento, o que não pode ocorrer em relação aos valores "pagos pelas distribuidoras por transgressão dos indicadores de continuidade", identificado nas faturas de energia elétrica como "pagamento interrupção de energia"; 4 valores referente às despesas de energia elétrica em relação às quais "não foi apresentado o quadro de discriminação de energia elétrica" afirma a fiscalização que "na ausência da discriminação dos itens que compõem a energia elétrica, não é possível a segregação dos valores relativos especificamente ao consumo". Em face de tal, "diante do impedimento de se apurar a correta base de cálculo para a apuração dos créditos" foram "desconsideradas as faturas de energia elétrica não apresentadas e também aquelas para as quais não foi apresentado o quadro de discriminação do consumo"; 5 valores constantes da fatura de energia elétrica que não se referem ao seu consumo afirma o Fisco que o direito ao creditamento de energia elétrica não se dá em relação ao total da fatura emitida pela concessionária de distribuição de energia elétrica. Assim, concluiu "não ser possível ao contribuinte apurar crédito em relação a: demanda contratada, contribuição de iluminação pública, serviço de entrega, uso do sistemafio ou qualquer outra rubrica não prevista em lei"; Fl. 3917DF CARF MF 6 A tabela 9, à fl. 59, resume os valores glosados, mês a mês. IV CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Relata a fiscalização, após discorrer acerca da legislação sobre o creditamento dos encargos de depreciação (Leis e IN SRF 247, de 18/10/2004), que a autuada apresentou planilha em meio digital no qual consta a relação dos bens que respaldaram o crédito sobre aquisições de ativos imobilizados, pontuando que todos bens tinham como data de ativação 01/01/2005. Entende o Fisco que a legislação (art. 6º da Lei 11.488/2007) não permite que integrem o custo das edificações, para fins de crédito sobre as mesmas, "as importâncias relativas aos terrenos, mãos de obra paga à pessoa física e à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições". Assim, averba que não são todos os bens do ativo imobilizado relacionados na planilha apresentada pela fiscalizada sujeitos à depreciação ou amortização, mas somente os seguintes: i) aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e ii) gastos com edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, expressamente previstos na legislação de regência da matéria estão aptos a compor a base de cálculo dos créditos de ressarcimento das referidas contribuições. E desde que não haja vedação. Afirma a fiscalização que em relação à parcela dos bens listados como do ativo imobilizado, a contribuinte "não apresentou elementos necessários à comprovação de suas alegações". Elencou, ainda, quais requisitos devem restar atendidos de modo a permitir crédito com depreciação. São eles: a) Os gastos devem se referir especificamente a aquisições mencionadas nos incisos VI e VII, do art. 3°, das Leis nº 10.833, d e 2003 e 10.637, de 2002; b) As aquisições devem estar sujeitas ao pagamento da contribuição; c) Os gastos não podem referirse a mão de obra paga a pessoa física; d) Observação das vedações do art. 31, da Lei nº 10.865, de 2004 (aspecto temporal). Foram glosados neste tópico: i bens adquiridos até 30/04/2004, nos termos da vedação constante no art. 31 da Lei 10.865/2004, que impede a partir de 01/08/2004 o creditamento de bens e direito adquiridos até aquela data; ii glosa dos seguintes créditos relativos à depreciação, por falta de previsão legal: "setor de segurança patrimonial, salas de treinamento, departamento de topografia, salas de diretores/gerentes/presidência, setor médico, central telefônica, setor financeiro/contabilidade, laboratório, reprografia, escritório de obras civis, escritório de manutenção agrícola, sala CID, sala de desenho, setor pessoal, setor de estatística, gerência de tecnologia, tratamento de animais, e outras localizações desta natureza"; iii alem da identificação dos setores que foram excluídos por sua natureza (elencados no item anterior), também foram excluídos os bens que por sua própria natureza, não se enquadravam como máquinas, equipamentos ou outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda (açúcar e álcool), ou de construções e benfeitorias de imóveis utilizados nas atividades da empresa: relógio de ponto, equipamentos de comunicação (rádio e componentes), câmera digital, câmera de segurança, carregador de bateria, carros para ferramentas, impressoras, notebooks, motos, veículos leves, residências da Agrovale; Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.913 7 iv por fim foram glosados créditos de depreciação de bens do ativo imobilizado utilizados na atividade de produção de canadeaçúcar. São eles: manutenção do pivot, área de plantio, corte de cana, adubeira, setor laginha, setor caxangá, garagem de máquinas, garagem veículos leves/pesados, setor estados unidos, setor ipiranga, setor maniçoba, setor pancarauy, caldeiraria agrícola, fabricação de prémoldados. A tabela 13, à fl. 74, resume os valores glosados, mês a mês. FORAM RECONHECIDOS, DE OFÍCIO, OS CRÉDITOS EM RELAÇÃO ÀS CONTRAPRESTAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL Constatou a fiscalização que a empresa creditouse do valor da depreciação calculada em relação aos bens arrendados (contrato de arrendamento mercantil junto ao Banco Itauleasing S/A, no valor de R$ 1.200.000,00, de "conjunto para clarificar e trata canade açúcar). Consignou o Fisco que a fiscalizada tomou crédito sobre o valor da depreciação calculada em relação aos bens arrendados, enquanto a fiscalização permite crédito sobre o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil pagas com fundamento no contrato. Assim, a fiscalização admitiu crédito dos valores dos lançamento contábeis a débitos relativos a "Contrato de Leasing" no valor de R$ 41.244,00 referentes ao período de janeiro a abril/2011, conforme consta da Tabela 10 (fl. 61). RESUMO A tabela 16 (fl. 77) consolida as glosas dos créditos. Feita tais glosas, constatou a fiscalização "a existência de créditos tributários não constituídos", conforme demonstra às tabelas 17/20 (por contribuição e por semestre), que é o objeto da exação em testilha. Os anexos I a X (fls. 80/571) listam as glosas e respectivo documento fiscal. IMPUGNAÇÃO O lançamento foi impugnado (fls. 3673/3693), alegando a autuada, em síntese: entender que a Impugnante, ao verticalizar sua produção, deve ter tratamento tributário restritivo em relação a outros contribuintes, que simplesmente plantam e colhem canadeaçúcar para venda, constituiria prática antiisonômica, dado que a atividade permanece sendo a mesma, não havendo razão de qualquer ordem para essa discriminação; das decisões do CARF, não resta dúvida, que foi criado naquele Egrégio Tribunal, jurisprudência pacífica no sentido de cancelar as glosas de créditos fiscais do PIS e da COFINS não cumulativo, tendo por base as regras das Instruções Normativas SRF N° 247/02 e 404/04, que se baseiam nas regras do IPI, legitimando, assim, os créditos tributários dos insumos aplicados na atividade agrícola de empresa agroindustrial; na hipótese dos argumentos acima expostos serem superados, o que não é de se esperar, dado a sua consistência jurídica, passa a apresentar alguns equívocos, de ordem material, constatados nos lançamentos tributários, conforme exposição a seguir; no Anexo VI, que relaciona a "Glosa de Bens utilizados como Insumos", em grande parte do mês de fevereiro e em todo mês de março, a autoridade fiscal deixou de informar a descrição do insumo ou caracterização do bem utilizado, o que impede a Fl. 3919DF CARF MF 8 impugnante de contestar a procedência da glosa, caracterizando, assim, cerceamento ao seu direito de defesa; ainda, no Anexo VI, foram glosados créditos de insumos decorrentes da aquisição de diversos bens, tais como: material elétrico, válvulas, manta, tubos galvanizados, rolamentos e outros pequenos materiais, que foram classificados no citado Anexo, como "Bens para Ativo Imobilizado", quando, na realidade, estes insumos foram utilizados na manutenção e conservação de máquinas, aparelhos, equipamentos industriais e prédios, não tendo, portanto, sido imobilizados como afirmado nos lançamentos; a autoridade fiscal, especificamente, na mensuração dos valores recolhidos e informados nas DACON's e DCTF's, incorreu em equívocos inaceitáveis, uma vez que deixou de considerar, em todo período, parte dos recolhimentos, efetivamente, realizados e informados à Administração Tributária, conforme é demonstrado nas planilhas, onde são confrontados, mês a mês, os valores apurados pela fiscalização, com as parcelas informadas nas DACON's e DCTF's apresentadas; no mês de janeiro, tanto na apuração do PIS como na COFINS, inexplicavelmente, a fiscalização considerou créditos nos valores de R$ 18.473,47 e R$ 85.089,90, respectivamente, do PIS e COFINS, uma vez que nesse período de apuração a impugnante não informou nenhum valor no DACON do período, a título de crédito descontado; em fevereiro, na apuração das duas contribuições, a autoridade fiscal não considerou os créditos fiscais do mês de janeiro, nos valores de R$ 40.409,25 e R$ 200.975,94, respectivamente, de PIS e COFINS, que foram, regularmente, informadas na DACON do período; a auditoria fiscal, no período examinado, não considerou os seguintes recolhimentos realizados pela Impugnante, para efeito de abater dos montantes lançados: PIS Código 0906, no valor de R$ 404.074,67 e COFINS Código 0929, na importância de R$ 1.859.120,53, perfazendo o montante de R$ 2.263.195,20; mais uma inconsistência constatada no lançamento, diz respeito a várias divergências nas parcelas glosadas, a título de "Despesas de Energia Elétrica", quando cotejamos os valores inseridos na Tabela 9, do Termo de Verificação Fiscal, com o Anexo VIII Glosa de Despesas de Energia Elétrica; a auditoria fiscal aponta, entre as parcelas glosadas, gastos com energia elétrica de unidades residenciais, assim como de Grupo Escolar e de Estábulo, no entanto, a impugnante discorda da glosa realizada, em razão das peculiaridades da empresa, que é localizada na zona rural da cidade de Juazeiro, onde por força deste aspecto é obrigada a fornecer condições de moradia a parte dos seus colaboradores, sob pena de não conseguir montar equipe de técnico; quanto aos gastos registrados no Estábulo, devese ao fato de ser o local onde são abrigados e mantidos os animais (muares), que são utilizados na atividade agrícola, para o transporte de funcionários que cuidam da irrigação de toda área destinada à cultura da canadeaçúcar (17.000 hectares); a Fatura de Energia cobrada de uma pessoa jurídica é composta de várias parcelas, dentre as quais destacamse: Demanda Ativa, Demanda Reativa Excedente, Consumo Ativo na Ponta, Consumo Ativo Fora da Ponta, Consumo Ativo Reservado, Consumo Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.914 9 Reativo Excedente na Ponta, Consumo Reativo Excedente Fora da Ponta, Consumo Reativo Excedente Reservado, onde, para cada uma destas parcelas, é estabelecido um valor monetário. O somatório dessas parcelas representa o quantum da despesa de energia elétrica que a consumidora irá pagar à empresa concessionária desse insumo; foi esse valor total da Fatura de Energia que a Impugnante registrou como base de cálculo do crédito fiscal não cumulativo, destacando que este mesmo valor é a base de cálculo que a fornecedora de energia, recolhe as contribuições sociais do PIS e COFINS, inclusive, consta na parte inferior da citada fatura, os valores da base de cálculo e da contribuição; em algumas Faturas de Energia Elétrica, consta na composição da mesma, uma parcela denominada "Pagamento Interrupção Energia", que representa um crédito concedido pela fornecedora, motivado por interrupção no fornecimento desse insumo, sendo este valor abatido das demais parcelas, no entanto, a autoridade fiscal incluiu no elenco dos valores glosados, conforme demonstrado no quadro abaixo e cópia anexa da Fatura N° 004792323, emitida pela Companhia de Eletricidade da Bahia; a Nota Fiscal Fatura de energia elétrica N° 003451305 teve o valor líquido de R$ 26.219,05 integralmente glosado pela autoridade fiscal sob a alegação de "Nota Fiscal sem discriminação do Consumo", no entanto, pela leitura da citada Nota Fiscal, são discriminadas as seguintes parcelas: Consumo Ativo na Ponta R$ 407,28; Consumo Ativo Fora da Ponta R$ 16.557,35; Consumo Ativo Reservado R$ 1.100,48; Consumo Reativo Excedente Fora de Ponta R$ 6,32; Consumo Reativo Excedente Reservado R$ 9,48. A DRJ/RJ1, em 15/12/2015, julgou improcedente o lançamento (fls. 3768/3791). Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 3795/3807), no qual repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação. Em resumo, rebelase contra a autuação por entender que, embora glosados pela autoridade fiscal, tenha direito a créditos em relação aos insumos aplicados em sua atividade agrícola. Argumenta ainda ter havido equívocos (1) em glosas constantes do Anexo VI do Termo de Verificação Fiscal (TVF), (2) na consideração dos recolhimentos efetuados, (3) em relação aos valores declarados no DACON, (4) em glosas constantes do Anexo VIII (Energia Elétrica) do Termo de Verificação Fiscal e, ainda, (5) na apuração das glosas constantes do Anexo IX (Imobilizado) do Termo de Verificação Fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire I DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DE PIS/COFINS NÃOCUMULATIVA As contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 Fl. 3921DF CARF MF 10 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). Como contribuições incidentes sobre a receita, na forma do art. 1º destes diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento, alem de algumas incidências "monofásicas" aplicadas a setores econômicos específicos, normalmente por substituição tributária pra frente. Quando fui designado Conselheiro, em fevereiro de 2014, este Colegiado, de forma majoritária, já vinha adotando a interpretação do conceito de insumo considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação que "não é tão ampla como da legislação do imposto de renda, nem tão restritiva como a do IPI", conforme frase que virou brocado. As ementas abaixo transcritas dão o tom dessa interpretação: Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan: INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Com a devida vênia, não sei de onde vem a gênese desse "consagrado" entendimento, pois a meu sentir ele vai de encontro à legislação, a qual não dá azo a tal interpretação absolutamente extensiva, e, portanto, contra legem. Justamente pela falta de delimitação objetiva dessa exegese é que se chega ao absurdo que vemos neste processo em que uma empresa produtora de açúcar e combustível derivado do álcool se credita, em uma regressão ad infinitum, chegando às raias de se creditar do valor da energia elétrica das salas de aula da escola que fica nas cercanias da plantação da canadeaçúcar porque os filhos de seus empregados rurais precisam estudar, e isso passa a ser "custo da produção". Tal entendimento dá margem a uma "indústria de créditos" e incentiva sobremaneira o litígio, justamente pela indefinição de conceitos, em afronta à segurança jurídica, pela qual tanto se pugna em nosso meio políticojurídico. Não é esse meu entendimento, conforme os votos que venho proferindo nesta E. Turma. Passo a fixar algumas premissas hermenêuticas para motivar minha convicção. Vejamos os termos postos pela legislação de regência acerca da possibilidade de creditamento. Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.915 11 Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às Fl. 3923DF CARF MF 12 importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;” Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, a Instrução Normativa SRF no 247, de 21 de novembro de 2002, em seu artigo 66, § 5º, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003, esclarece o conceito de insumo para fins de apuração de créditos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.2) na prestação de serviços; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.916 13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Quanto à Cofins, o referido conceito foi elucidado pela Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em seu artigo 8º: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 7º O aproveitamento de crédito na forma dos §§ 2º e 5º deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 3925DF CARF MF 14 I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004.” Extraise da norma legal, e nesse sentido as normativas em nada alteraram o que foi definido em lei, que apenas se consideram insumo, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para PIS/Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo, o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. Como não extrair do léxico legal "utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços" o pressuposto da imediatidade e da relação direta do bem que dá azo ao crédito (insumo) com o produto que vier a ser produzido e destinado à venda, ou com o objeto da prestação de serviço. Assim, somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros. Portanto, não podem ser considerados como insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. Frisese que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente, e denota a gritante diferença entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação desses tributos, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica vinculados diretamente ao bem produzido ou ao serviço prestado. Sem embargo, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem e nem podem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. Sem olvidarmos que o creditamento diminui a base imponível do tributo, só pelo que já deveria ter sua interpretação conforme à lei, e não subvertendoa com conceitos Fl. 3926DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.917 15 imprecisos e casuísticos, que leva ao absurdo que se constata no caso vertente e, por tal, gerando intermináveis litígios, como se vivencia neste CARF. Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista em nossa Carta. Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. Devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. Bem nos ensina Carlos Maximiliano1 sobre a devida exegese de leis tributárias: Pressupõese ter havido o maior cuidado ao redigir as disposições em que se estabelecem impostos ou taxas, designadas, em linguagem clara e precisa, as pessoas e coisas alvejadas pelo tributo, bem determinados o modo, lugar e tempo do lançamento...assim como quaisquer outras circunstâncias referentes à incidência e à cobrança. Tratamse as normas de tal espécie como se foram rigorosamente taxativas; deve por isso, absterse o aplicador de lhes restringir ou dilatar o sentido. ...Não suportam o recurso à analogia, nem à interpretação extensiva; as suas disposições aplicamse no sentido rigoroso, estrito. Se a norma tributária deve ser interpretada restritivamente para a incidência tributária, igualmente ela há de sêlo para valores que reduzem o crédito tributário, como os crédito que estamos a falar. Outra questão que me chama a atenção é a recorrente e, a meu sentir, equivocada afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Como dito, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes dessa legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. Essa afirmação refoge ao núcleo das leis que emolduram o que dá direito ao crédito para fins de cálculo das contribuições objurgadas. Em verdade, quanto mais misturamse conceitos mais imprecisa se torna sua definição. 1 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 1992, p. 333. Fl. 3927DF CARF MF 16 Nesse sentido, o voto vencido do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Recurso Especial 9303003.477, em julgamento de 25/02/2016, ao discorrer sobre o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS: Nessa linha, não vejo como, em nome da alegada diretriz constitucional, empreender interpretação que alargue o conceito de insumo para além do inciso II do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637, de2002 quanto da Lei nº 10.833, de 2003 ... Como é possível perceber, apesar da grande discussão acerca do tema, é extreme de dúvidas que só serão admitidos como insumo, para efeito da lei, os bens que possuam ligação intrínseca com o processo produtivo, que, evidentemente, não se confunde com a atividade empresarial. Consabido que a matéria no STJ não resta ainda pacificada, o que deverá se dar com o julgamento no Recurso Repetitivo 1.221.170/PR, ainda inconcluso, embora com alguns votos lidos e com pedido de vista. Até então, os julgados que pipocavam na 1ª e 2ª Turma eram em um e outro sentido, embora a tese da interpretação extensiva viesse perdendo espaço. Mas trago à colação um julgado do TRF4 (AC, 500571934.2012.404.7201, Primeira Turma, Relator para o Acordão JOel Ilan Paciornik, hoje Ministro do STJ DE 13/06/2013) que vai ao encontro do que aqui esposamos. Vejase: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/2002, 358/2003 E 404/2004. LEGALIDADE. 1. O regime constitucional da não cumulatividade de PIS e COFINS, à míngua de regramento infraconstitucional, serve, no máximo, como objetivo a ser atingido pela legislação então existente. Não é apropriado como parâmetro interpretativo, visto que a EC nº 42/2003 descurou de estabelecer qualquer perfil ao regime não cumulativo dessas contribuições. Por conseguinte, a expressão "não cumulativas" constitui uma diretriz destituída de conteúdo normativo, ou seja, não é um princípio nem uma regra. 2. Em conformidade com as Instruções Normativas SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004, a Fazenda Nacional defende que apenas os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto são insumos, para fins de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS (art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 3. São razoáveis os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, não somente por levar em conta os parâmetros concretos da legislação do IPI, que oferece a definição exata de insumo, mas também por manter a coerência com os demais incisos do art. 3º. A leitura sistemática do dispositivo legal permite inferir que o legislador pretendeu considerar, para efeito de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, somente os elementos específicos e vinculados à atividade fim do contribuinte, e não a todos os aspectos de sua atividade. Se a intenção fosse permitir Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.918 17 o creditamento de qualquer despesa ou custo de produção, não haveria a preocupação em detalhar as situações que possibilitam os descontos ou aproveitamentos dos créditos nos vários incisos do art. 3º, pois bastaria prever genericamente o abatimento dos custos ou despesas operacionais. (negritei) ATIVIDADE AGRÍCOLA Pois bem, diante de todas as premissas postas, retorno ao caso concreto. A empresa autuada produz açúcar e álcool, o produto final do estabelecimento industrial, sendo que em área agrícola própria cultiva a canadeaçúcar que alimentará suas usinas de açúcar e álcool. A fiscalização entendeu que as despesas, incluindo aí os insumos, necessariamente despendidas nessa atividade agrícola, não podem compor a base de cálculos dos créditos da nãocumulatividade, mas a contribuinte argumenta que não seria lógico que as empresas produtoras de canadeaçúcar destinada a venda tenham o direito de apurar créditos em relação aos insumos aplicados em sua atividade agrícola, enquanto as pessoas jurídicas agroindustriais que produzem a sua própria matériaprima não tenham o mesmo direito. O processo produtivo do etanol e do açúcar é completamente diverso do processo produtivo da canadeaçúcar. O primeiro tratase de um processo industrial; o segundo, de uma atividade agrícola. Ainda que a canadeaçúcar seja matéria prima da fabricação do açúcar e do etanol, a opção da contribuinte por cultivála em vez de comprála não torna esse cultivo parte do processo industrial que resulta na fabricação do açúcar e do etanol. O processo de cultivo é totalmente independente e diverso daquele da industrialização Dessa forma, resta claro que os bens e serviços empregados como insumo na produção da canadeaçúcar não podem ser aproveitados na apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, pois não agem diretamente sobre o produto em fabricação, ou seja, o etanol e o açúcar. Nesse sentido a Solução de Consulta nº 65 SRRF 08/Disit, de 13/03/2013: “ (...) Notese que a atividade agrícola de cultivo de cana de açúcar em nada se confunde com a atividade de fabricação de açúcar e de álcool, isto é, com as operações fabris das quais de fato se originam tais mercadorias. Assim sendo, não ensejam a apuração de créditos as peças e os serviços adquiridos visando à manutenção das máquinas e equipamentos diretamente utilizados no cultivo da cana de açúcar que servirá de matéria prima para a produção de álcool e açúcar, estes sim, vendidos pela consulente.(...)” Dessarte, sem reparos à glosa fiscal e a consequente cobrança das contribuições. Quanto às demais alegações (equívocos em glosas do Anexo VI do TVF, em glosas de energia elétrica Anexo VIII, e erros na apuração das glosas constantes do Anexo IX imobilizado, alem de erros em relação ao valores declarados em DACON, todas foram devida e perfeitamente confrontadas na decisão recorrida (fls. 3.787/3.790), o que denota a natureza procrastinatória da peça recursal, pelo que delas me valho para afastar as alegações da recorrente: Fl. 3929DF CARF MF 18 II Glosas do Anexo VI A Impugnante alega que "em grande parte do mês de fevereiro e em todo mês de março, a autoridade fiscal deixou de informar a descrição do insumo ou caracterização do bem utilizado, o que impede a Impugnante de contestar a procedência da glosa, caracterizando, assim, cerceamento ao seu direito de defesa". Alega ainda que "pequenos materiais, que foram classificados no citado Anexo, como "Bens para Ativo Imobilizado", quando, na realidade, estes insumos foram utilizados na manutenção e conservação de máquinas, aparelhos, equipamentos industriais e prédios". Não prevalecem as alegações, pois simples consulta ao referido anexo demonstra que as "lacunas descritivas" referidas vinculamse expressamente à glosas motivadas por "manutenção de veículos leves/pesados" ou "não utilizado na indústria", sendo os respectivos fornecedores identificados como "Tractor turbo comércio de pecas Ltdaepp", "Rio Vale comércio de motos Ltda, "Mercadão de tratores Rio Preto Ltda" e outros. Além disso, a Fiscalização, no anexo, registrou todos os números das notas fiscais e as datas das compras, sendo, portanto, meramente protelatória a alegação de cerceamento de defesa, pois se supõe que o contribuinte possua todos os documentos fiscais e contábeis de seus próprios negócios a proporcionar a impugnação que entendesse cabível. Assim, se não produziu defesa mais específica, isto não resulta de falta de elementos no relatório fiscal. Quanto à segunda alegação, em relação ao anexo VI, nada indica que os bens classificados no ativo imobilizado, tais como material elétrico, válvulas, manta, tubos galvanizados, rolamentos e outros pequenos materiais, possam ser qualificados como insumo conforme pretende a Impugnante, pois não se vislumbra pela descrição constante do anexo se tratar de "bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação", nem a Impugnante ocupouse de demonstrar tal fato. Assim, entendese correta a glosa também neste ponto, porque os bens citados, considerados do ativo imobilizado, não podem ser qualificados como insumo, dada as restrições legais, para fins de geração de créditos no âmbito da nãocumulatividade. II Glosas do Anexo VI A Impugnante alega que "em grande parte do mês de fevereiro e em todo mês de março, a autoridade fiscal deixou de informar a descrição do insumo ou caracterização do bem utilizado, o que impede a Impugnante de contestar a procedência da glosa, caracterizando, assim, cerceamento ao seu direito de defesa". Alega ainda que "pequenos materiais, que foram classificados no citado Anexo, como "Bens para Ativo Imobilizado", quando, na realidade, estes insumos foram utilizados na manutenção e conservação de máquinas, aparelhos, equipamentos industriais e prédios". Não prevalecem as alegações, pois simples consulta ao referido anexo demonstra que as "lacunas descritivas" referidas vinculamse expressamente à glosas motivadas por "manutenção de veículos leves/pesados" ou "não utilizado na indústria", sendo os respectivos fornecedores identificados como "Tractor turbo comércio de pecas Ltdaepp", "Rio Vale comércio de motos Ltda, "Mercadão de tratores Rio Preto Ltda" e outros. Além disso, a Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.919 19 Fiscalização, no anexo, registrou todos os números das notas fiscais e as datas das compras, sendo, portanto, meramente protelatória a alegação de cerceamento de defesa, pois se supõe que o contribuinte possua todos os documentos fiscais e contábeis de seus próprios negócios a proporcionar a impugnação que entendesse cabível. Assim, se não produziu defesa mais específica, isto não resulta de falta de elementos no relatório fiscal. Quanto à segunda alegação, em relação ao anexo VI, nada indica que os bens classificados no ativo imobilizado, tais como material elétrico, válvulas, manta, tubos galvanizados, rolamentos e outros pequenos materiais, possam ser qualificados como insumo conforme pretende a Impugnante, pois não se vislumbra pela descrição constante do anexo se tratar de "bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação", nem a Impugnante ocupouse de demonstrar tal fato. Assim, entendese correta a glosa também neste ponto, porque os bens citados, considerados do ativo imobilizado, não podem ser qualificados como insumo, dada as restrições legais, para fins de geração de créditos no âmbito da nãocumulatividade. III Dacon e Recolhimentos Efetuados A Impugnante alega que a Fiscalização "deixou de considerar, em todo período, parte dos recolhimentos efetivamente realizados e informados à Administração Tributária". Informa que "no mês de janeiro, tanto na apuração do PIS como na COFINS, inexplicavelmente, a fiscalização considerou créditos nos valores de R$ 18.473,47 e R$ 85.089,90, respectivamente, do PIS e COFINS, uma vez que nesse período de apuração a Impugnante não informou nenhum valor no DACON do período, a título de crédito descontado". E ainda que "em fevereiro, na apuração das duas contribuições, a autoridade fiscal não considerou os créditos fiscais do mês de janeiro, nos valores de R$ 40.409,25 e R$ 200.975,94, respectivamente, de PIS e COFINS, que foram, regularmente, informadas na DACON do período". E, finalmente, que a "auditoria fiscal, no período examinado, não considerou os seguintes recolhimentos realizados pela Impugnante, para efeito de abater dos montantes lançados: PIS Código 0906, no valor de R$ 404.074,67 e COFINS Código 0929, na importância de R$ 1.859.120,53, perfazendo o montante de R$ 2.263.195,20". Na verdade, é inexplicável e injustificável a contestação quanto ao mês de janeiro (créditos descontados), pois a simples observação do Dacon (fls. 3296 e ss), em cotejo com a planilha à fl. 77 do Termo de Verificação Fiscal, demonstra que em 01/11 a contribuinte declarou base de cálculos de crédito no valor de R$2.704.689,20, mas, em razão das glosas efetuadas a Fiscalização reduziu para R$1.119.603,98, valor este que produz os valores de R$ 18.473,47 e R$ 85.089,90, respectivamente, do PIS e COFINS, quando aplicadas as alíquotas de 1,65% e 7,6%. Assim, tais valores (R$ 18.473,47 e R$ 85.089,90, respectivamente, do PIS e COFINS) foram deduzidos (fl. 78) das contribuições apuradas para o fim de obter o saldo a ser Fl. 3931DF CARF MF 20 cobrado ou lançado. No mês de fevereiro foram considerados os valores de créditos de R$17.894,77 e R$82.424,38 (de PIS e Cofins, respectivamente), seguindo a mesma lógica da não cumulatividade aplicada no período anterior. E da mesma forma para todos os períodos subseqüentes. Quanto aos recolhimentos realizados, que não teriam sido considerados, observase na planilha à fl. 78 que todos os valores declarados em DCTF, recolhidos ou não, foram deduzidos a fim de se obter os saldos a ser lançados. Assim, não procede a impugnação no ponto. De qualquer forma, caso algum valor não declarado tenha sido pago a título de PIS/Cofins não cumulativos ainda poderão (e deverão) ser deduzidos por ocasião da cobrança pelo setor de arrecadação da Delegacia de origem. IV Anexo VIII Energia Elétrica & Anexo IX Imobilizado Alega a Impugnante que haver várias divergências "quando cotejamos os valores inseridos na Tabela 9, do Termo de Verificação Fiscal, com o Anexo VIII Glosa de Despesas de Energia Elétrica". A Impugnante discorda da glosa realizada com "gastos com energia elétrica de unidades residenciais, assim como de Grupo Escolar e de Estábulo, em razão das peculiaridades da empresa, que é localizada na Zona rural da Cidade de Juazeiro, onde por força deste aspecto é obrigada a fornecer condições de moradia a parte dos seus colaboradores, sob pena de não conseguir montar equipe de técnico". Alega ainda que gastos com o "Estábulo, devese ao fato de ser o local onde são abrigados e mantidos os animais (muares), que são utilizados na atividade agrícola, para o transporte de funcionários que cuidam da irrigação de toda área destinada à cultura da canadeaçúcar (17.000 hectares)". Inicialmente, quanto às alegadas contradições, o que interessa para a correta apuração do direito de crédito do contribuinte é a definição da base de cálculo dos créditos. E neste sentido não há qualquer contradição entre tabela 9 do TVF e os anexos ao TVF. Por exemplo, observese que no mês de 01/01 da tabela registra se o valor "apurado em auditoria" para a base de cálculo dos créditos de R$452.468,55, que corresponde exatamente ao valor no anexo III apurado diretamente a partir das Notas Fiscais, constante à fl. 265. E assim subseqüentemente para todos os períodos. A estranheza que o Impugnante detecta é apenas uma contradição aparente. Na verdade, a glosa apurada pela Fiscalização no anexo VIII e aquela registrada na tabela 9, em cada período, são alcançadas por vias distintas. A primeira decorre diretamente das notas fiscais, mas a segunda resulta simplesmente da subtração do declarado no Dacon do valor apurado pela auditoria. Há, portanto, dois sentidos distintos para o mesmo termo. Assim, neste contexto, como a contribuinte não apontou qualquer erro específico na apuração da base de cálculo da Fiscalização, nem qualquer erro nas glosas do anexo, deduzse que o próprio valor declarado Dacon contém algum equívoco. De qualquer modo, a discussão se torna irrelevante porque, repitase, o que interessa para a correta apuração do direito de crédito do contribuinte é a definição da base de Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.920 21 cálculo dos créditos, que difere da apresentada no Dacon, e aí a Impugnante não apontou qualquer incoerência ou erro. Exatamente na mesma linha da argumentação acima encontrase a alegada divergência entre as parcelas glosadas da depreciação, quando se compara a Tabela 13 do TVF e as informações constantes do anexo IX. De fato, o que interessa para a correta apuração do direito de crédito do contribuinte é a definição da base de cálculo dos créditos. E neste sentido não há qualquer contradição entre tabela 13 do TVF e os anexos ao TVF. Por exemplo, observese que no mês de 01/01 da tabela registrase o valor "apurado em auditoria" para a base de cálculo dos créditos de R$84.029,40, que corresponde exatamente ao valor no anexo IV apurado diretamente, conforme fl. 235. E assim subseqüentemente para todos os períodos Quanto aos gastos referentes às unidades residenciais, assim como de Grupo Escolar e de Estábulo, as alegações não procedem pelas razões já expostas no item I, porque se trata de gasto em relação à atividade agrícola. Além disso, despesas relativas, direta ou indiretamente, à moradia e transporte e educação de funcionários, ou seus filhos, representam gastos com mãodeobra, salário (in natura) dos funcionários, que são expressamente vedadas de inclusão na base de cálculo dos créditos (art. 3º, § 2º, I). Ainda quanto à energia elétrica, a Fiscalização entendeu que o direito ao crédito "não se estende à totalidade dos valores pagos às empresas distribuidoras de energia, encontrandose estritos aos valores gastos como consumo de energia", mas a Impugnante argumenta que foi o "valor total da Fatura de Energia que a Impugnante registrou como base de cálculo do crédito fiscal não cumulativo, destacando que este mesmo valor é a base de cálculo que a fornecedora de energia, recolhe as contribuições sociais do PIS e COFINS". A norma incidente no caso pende a favor da glosa efetuada pela Fiscalização, pois tanto na Lei nº 10.833/03 quanto na Lei nº 10.637/02, a expressão utilizada deixa claro que a despesa a ser considerada é aquela referente à energia consumida, não aludindo aos serviços associados, tais como: contribuição de iluminação pública, serviço de entrega, uso do sistema fio (gerador exportação). Assim tudo que se refere à consumo fora contemplado no anexo III do TVF (v. fls. 262 e ss). Neste sentido, a Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002, e alterações posteriores, dispõe que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ao contrário do alegado pela Impugnante, os valores devolvidos pela fornecedora porque o fornecimento da energia elétrica fora interrompido, devem ser descontados do montante informado Fl. 3933DF CARF MF 22 como consumo, dado que, neste caso, não houve cumprimento da condição legal imposta de que a energia seja consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica e de que haja valor pago ou creditado à fornecedora domiciliada no País. Não houve, por outro lado, consideração dupla do mesmo valor, como parece ter entendido a Impugnante, pois na forma de apuração do anexo III do TVF (fls. 262 e ss), a cada mês, do somatório dos itens titulados "consumo" é que houve o desconto do item "pagamento interrupção de energia", isto é, o desconto não incidira do total da Nota FiscalFatura. A contribuinte afirma que a Nota Fiscal Fatura de energia elétrica N° 003451305 teve o valor líquido de R$ 26.219,05 integralmente glosado pela autoridade fiscal sob a alegação de "Nota Fiscal sem discriminação do Consumo", mas alega que as parcelas são discriminadas na citada Nota Fiscal. A Fiscalização já havia juntado aos autos a nota citada (vide arquivo não paginável chamado "dezembro") onde não há realmente qualquer discriminação das parcelas, agora a contribuinte apresenta uma segunda nota (mesmo número, mesmo período) (fl. 3727), onde as parcelas se apresentam discriminadas. Curiosamente, a nota agora juntada não se apresenta como retificadora da primeira, nem a contribuinte fornece qualquer justificativa para apresentar duas versões da nota fiscal. Assim, a glosa deve ser mantida. Ante todas essas considerações, não há a necessidade de diligência fiscal, posto que imprestável para acrescer ao que dos autos já consta. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Voto Vencedor Conselheira Thais de Laurentiis Galkowiz Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange ao conceito de insumo para fins de direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, por conseguinte, na manutenção de diversas glosas discutidas no presente processo, conforme procurarei explicitar nos itens abaixo. 1. Do conceito de insumo para a Contribuição ao PIS e a COFINS A questão de mérito discutida nestes autos é amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.921 23 De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469).2 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226).3 Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.4 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 5 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/996 (Acórdão 3402002.881),7 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. 2 AC nº 20312.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007. 3 AC nº 320200.22, Processo nº 11020.001952/200622, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de dezembro de 2010. 4 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. 5 AC nº 3302002.674, Processo nº 13971.720063/200814, rel. Fabíola Cassiano Keramidas, sessão de 19 de agosto de 2014. 6 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação Fl. 3935DF CARF MF 24 Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 7 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição de defesa robusta, não rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. (...). Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.922 25 tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. 2. Do crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS para as agroindústrias Como bem destacado pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no Acórdão n. 3402003.817, julgado por este mesmo Colegiado, haja vista a adoção do conceito de insumo destaco no item precedente, "é natural que, em se tratando de uma agroindústria, exatamente como ocorre no caso decidendo, a fase agrícola da atividade empresarial e, por conseguinte, os insumos ali consumidos, também seja levada em consideração para fins de creditamento de PIS e COFINS." Afinal, sendo rechaçada a aproximação do conceito de insumo de IPI para fins do direito ao crédito, cai por terra a separação normalmente feita pela Fiscalização entre a fase agrícola e a industrial das agroindustrial, sendo que somente a segunda fase (industria propriamente dita) seria capaz de possuir insumos com o respectivo direito ao crédito de PIS e COFINS. Com efeito, esse tem sido o entendimento adotado pelo CARF, como podemos depreender da ementa abaixo colacionada, cujo processo administrativo tratava justamente de direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas na produção de açúcar e álcool: Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo Fl. 3937DF CARF MF 26 ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados como insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede. (...). (CARF; 2a Turma da 4a da 3a Seção; Processo n. 16004.720550/201371; Acórdão n. 3402003.041. j. em 27/04/2016.) (grifei). 3. Do caso concreto Traçadas essas premissas, destaco o objeto social da Recorrente, retirado dos atos constitutivos vigentes à época da autuação fiscal, constantes dos autos (fls 615 e 616): Art 4° A sociedade tem por objeto: 1) a produção, exploração agrícola, industrial e comercial, bem como a importação e exportação: a) da canadeaçútar e seus derivados; b) de hortifrutigranjeiros e outras lavouras; c) da pecuária; d) de máquinas acessórios e produtos químicos; 2) a exploração de pedreiras; 3) venda de energia elétrica e, 4) a participação no capital de outras empresas. Assim é que no seu cartão de CNPJ constam atividades principal e secundária a fabricação de açúcar mascavo bruto e de álcool, respectivamente. Cumpre então passando à aferição dos itens glosados pela Fiscalização, cotejandoos com o objeto social da Recorrente, e, portanto, às atividades que pratica e lhe geram receita, para aferir quais se amoldam ao conceito de insumo (custo de produção) para fins de tomada de crédito na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Pois bem. Pela análise do criterioso relatório formulado pelo Relator do caso, pude observar que os seguintes itens são capazes de gerar o direito ao crédito das Contribuições Sociais, devendo, portanto, serem canceladas as glosa pretendidas pela Fiscalização: a) material de laboratório, equipamento de proteção e segurança; b) água para irrigação, óleo diesel e partes e peças de manutenção aplicados na fase agrícola; c) Serviços de ensaios laboratoriais, pesquisa e desenvolvimento experimental, locação de equipamentos de topografia e análise de amostras; d) Serviços aplicados na atividade cultivo da canadeaçúcar (aluguel de máquinas, equipamentos e veículos ligados à atividade agrícola [tratores, retroescavadeiras, etc], serviços relativos à manutenção do pivô, responsabilidade técnica no georeferenciamento, montagem de sistema de irrigação, e outros desta natureza); e) Despesa de depreciação relativa aos setores de laboratório e topografia; Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 10530.727128/201493 Acórdão n.º 3402004.074 S3C4T2 Fl. 3.923 27 f) Despesa de depreciação de bens do imobilizado utilizados na produção de canadeaçúcar (manutenção do pivot, área de plantio, corte de cana, adubeira, setor laginha, setor caxangá, garagem de máquinas, garagem veículos leves/pesados, setor estados unidos, setor ipiranga, setor maniçoba, setor pancarauy, caldeiraria agrícola, fabricação de pré moldados). 4. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referidas nos itens "a" a "f" delineados no parágrafo acima. Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 3939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905581/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.802
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 81 /2 01 2- 23 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.329, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905581/201223 Acórdão n.º 3201002.802 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720237/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. APURAÇÃO DE LUCRO REAL TRIMESTRAL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR APENAS AO FINAL DO ÚLTIMO MÊS DO TRIMESTRE.
Na apuração trimestral do Lucro Real, não há que se falar em decadência de fatos geradores dos dois primeiros meses do trimestre vez que o fato gerador do tributo ocorre apenas ao final do último mês do trimestre. No caso do 4°trimestre o fato gerador ocorre em 31 de dezembro.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO DEVEDOR SOLIDÁRIO AO FINAL DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O PAF (Decreto nº 70.235/72) que é norma especial que regula o processo administrativo fiscal federal e prevalece sobre a Lei nº 9.784/99 (norma geral), não prevê a obrigação de intimação do devedor solidário ao final da fiscalização.
O exercício da ampla defesa está assegurado no PAF que prevê o prazo de 30 dias para Impugnação e em caso de insucesso, mais 30 dias para apresentação de Recurso Voluntário ao CRF.
O processo fiscalizatório perpetrado pela Autoridade Fiscal representa mero procedimento inquisitório, o que afasta qualquer alegação sobre direito de defesa, direito este que nasce somente a partir da lavratura do auto de infração, que dá início ao contencioso entre Fazenda e Contribuinte.
INCOMPETÊNCIA DA DELEGACIA LOCALIZADA FORA DO DOMICÍLIO DOS CONTRIBUINTES. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO.
Na hipótese em que o MPF-F foi emitido por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil e também contém todas as informações previstas na Portaria RFB nº 3.014/11, não há que se falar em vício no processo fiscalizatório.
NULIDADE DE JULGAMENTO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade.
AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR SOLIDÁRIO. LAVRATURA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
Uma vez lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária não há que se falar em vício por ausência de lançamento contra o devedor solidário.
TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS, PASSIVOS, RECEITAS E DESPESAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. COMPENSAÇÃO DE CONTAS. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ENTIDADE.
Em respeito ao Princípio da Entidade não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos efetuados por outra empresa, sendo certo que cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma.
A ausência de documentação suporte que justifique a ocorrência sistemática de transferências e ajustes entre empresas justifica o lançamento fiscal.
VARIAÇÃO CAMBIAL. ADOÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO DE RECEITA E DESPESA. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA ADOÇÃO DO REGIME DE CAIXA.
Não há que se falar em presunção de liquidação das operações cambiais na hipótese em que ocorre mera adoção do regime de competência por ausência de comprovação por parte do contribuinte da adoção do regime de caixa, conforme previsão do § 1º do art. 30 da MP 2.158.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MULTA E JUROS. POSSIBILIDADE. LEITURA DO ARTIGO 132 DO CTN.
O artigo 132 do CTN ao prever a responsabilidade tributária quanto aos tributos devidos até a data do ato de fusão e incorporação pela pessoa jurídica incorporada ou fusionada, acaba por abarcar toda a obrigação tributária, incluindo principal, multa e juros.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM.
Na hipótese de ocorrência constante e sistemática de ajustes e transferências não justificadas entre a autuada e o devedor solidário que, inclusive, serviram como base para o lançamento, resta evidenciada a ingerência de uma sobre a outra, o que justifica a aplicação do artigo 124, I do CTN.
Numero da decisão: 1201-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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APURAÇÃO DE LUCRO REAL TRIMESTRAL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR APENAS AO FINAL DO ÚLTIMO MÊS DO TRIMESTRE. Na apuração trimestral do Lucro Real, não há que se falar em decadência de fatos geradores dos dois primeiros meses do trimestre vez que o fato gerador do tributo ocorre apenas ao final do último mês do trimestre. No caso do 4°trimestre o fato gerador ocorre em 31 de dezembro. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO DEVEDOR SOLIDÁRIO AO FINAL DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O PAF (Decreto nº 70.235/72) que é norma especial que regula o processo administrativo fiscal federal e prevalece sobre a Lei nº 9.784/99 (norma geral), não prevê a obrigação de intimação do devedor solidário ao final da fiscalização. O exercício da ampla defesa está assegurado no PAF que prevê o prazo de 30 dias para Impugnação e em caso de insucesso, mais 30 dias para apresentação de Recurso Voluntário ao CRF. O processo fiscalizatório perpetrado pela Autoridade Fiscal representa mero procedimento inquisitório, o que afasta qualquer alegação sobre direito de defesa, direito este que nasce somente a partir da lavratura do auto de infração, que dá início ao contencioso entre Fazenda e Contribuinte. INCOMPETÊNCIA DA DELEGACIA LOCALIZADA FORA DO DOMICÍLIO DOS CONTRIBUINTES. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO. Na hipótese em que o MPFF foi emitido por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil e também contém AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 37 /2 01 2- 20 Fl. 12327DF CARF MF 2 todas as informações previstas na Portaria RFB nº 3.014/11, não há que se falar em vício no processo fiscalizatório. NULIDADE DE JULGAMENTO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR SOLIDÁRIO. LAVRATURA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. Uma vez lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária não há que se falar em vício por ausência de lançamento contra o devedor solidário. TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS, PASSIVOS, RECEITAS E DESPESAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. COMPENSAÇÃO DE CONTAS. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Em respeito ao Princípio da Entidade não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos efetuados por outra empresa, sendo certo que cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma. A ausência de documentação suporte que justifique a ocorrência sistemática de transferências e ajustes entre empresas justifica o lançamento fiscal. VARIAÇÃO CAMBIAL. ADOÇÃO DE REGIME DE COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO DE RECEITA E DESPESA. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA ADOÇÃO DO REGIME DE CAIXA. Não há que se falar em presunção de liquidação das operações cambiais na hipótese em que ocorre mera adoção do regime de competência por ausência de comprovação por parte do contribuinte da adoção do regime de caixa, conforme previsão do § 1º do art. 30 da MP 2.158. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MULTA E JUROS. POSSIBILIDADE. LEITURA DO ARTIGO 132 DO CTN. O artigo 132 do CTN ao prever a responsabilidade tributária quanto aos tributos devidos até a data do ato de fusão e incorporação pela pessoa jurídica incorporada ou fusionada, acaba por abarcar toda a obrigação tributária, incluindo principal, multa e juros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM. Na hipótese de ocorrência constante e sistemática de ajustes e transferências não justificadas entre a autuada e o devedor solidário que, inclusive, serviram como base para o lançamento, resta evidenciada a ingerência de uma sobre a outra, o que justifica a aplicação do artigo 124, I do CTN. Fl. 12328DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Em ação fiscal levada a efeito na JBS S/A, na qualidade de responsável tributário pelo contribuinte BERTIN S/A em virtude da incorporação deste por aquela, abrangendo o quarto trimestre de 2007, constatouse que esta deduziu indevidamente, na apuração do IRPJ e da CSLL despesas provenientes de lançamentos contábeis que tiveram contrapartidas na empresa BRACOL HOLDING LTDA. Apurouse, ainda, que a BERTIN S/A excluiu indevidamente da Demonstração de Resultado do Exercício o saldo líquido de Variações Cambiais Passivas transferidas entre ela e a BRACOL HOLDING LTDA. Além disso, a BERTIN S/A excluiu indevidamente na apuração do IRPJ e da CSLL receitas de derivativos escriturados pelo regime de competência e o saldo líquido de variações cambiais ativas. Finalmente, a BERTIN S/A excluiu na apuração do IRPJ valores de IRRF que não foram comprovados. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 11.541 11.552) e de CSLL (fls. 11.55311.563). Fl. 12329DF CARF MF 4 Conforme descrito no “Termo de Verificação de Infração Fiscal” de fls. 11.56411.607, em diligências realizadas junto às empresas JBS S/A, BERTIN S/A e BRACOL HOLDING LTDA, comprovouse que houve sucessão por cisão parcial, ocorrida em 01/10/2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A. Em seguida,foi lavrada representação fiscal para fins de alteração cadastral, a fim de que fosse efetuado, nos sistemas da RFB, o registro da cisão parcial ocorrida, dando origem ao processo administrativo nº 15868.720080/201151, em nome da JBS S/A, tendo em vista que esta incorporou a BERTIN S/A. Inconformada com a intimação para realizar a referida alteração cadastral, a JBS S/A impetrou o mandado de segurança nº 000380565.2011.403.6107, no qual foi proferida sentença reconhecendo o direito de o Fisco constituir crédito tributário contra a BRACOL HOLDING LTDA, imputando à JBS S/A responsabilidade solidária pelos débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da cisão parcial, ocorrida em 01/10/2007. A sentença ressalta, porém, que a Fazenda Pública não pode executálos enquanto não ocorrer o desfecho do processo administrativo nº 15868.720080/201151. Houve interposição de apelação pelas partes nos autos do mandado de segurança, estando os recursos pendentes de julgamento no TRF da 3ª Região. Ressalta a autoridade autuante que a BRACOL HOLDING LTDA tinha o controle acionário da BERTIN S/A, desde a constituição desta empresa até sua incorporação pela JBS S/A, em 31/12/2009. Em 2012, a diligência junto à JBS S/A foi encerrada com a inclusão no MPF F Regional nº 08.1.90.002011034024, em aberto, de diversas operações para constituição de crédito tributário que originou os autos de infração de que trata o presente processo administrativo. Constatou a autoridade autuante que, após a referida cisão parcial, as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A transferiram entre si receitas e despesas, bem como ativos e passivos. Os créditos tributários lançados no presente processo administrativo são fruto da auditoria realizada para a apuração dos reflexos tributários gerados por essas transferências. Relata a autoridade autuante que, no ano de 2007 a BERTIN S/A apurou o IRPJ pelo lucro real trimestral, tendo iniciado os registros contábeis a partir do quarto trimestre (01/10/2007), data em que os livros registram as transferências de patrimônio entre a BERTIN LTDA (atual BRACOL HOLDING LTDA) e a BERTIN S/A, que se deram por meio de contas coligadas e controladas entre ambas as pessoas jurídicas. Nessas mesmas contas continuaram a ocorrer novas transferências. Elaborou a autoridade autuante, com base nos lançamentos contábeis constantes das referidas contas coligadas e controladas, planilhas em que foram listadas, de um lado, os lançamentos relativos à BRACOL HOLDING LTDA e, de outro, os correspondentes à BERTIN S/A. Na elaboração das planilhas foi adotado o valor de R$ 10.000,00 como corte para a amostragem. Ressalta a autoridade autuante que os lançamentos contábeis que atendem a esse critério correspondem a 99,3% do valor de todos os lançamentos na conta c/c c/coligadas e controladas da BERTIN S/A. Por outro lado, esses lançamentos contábeis correspondem a apenas 10,7% do total de lançamentos. Fl. 12330DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 4 5 Intimados a esclarecer os fatos que deram causa a esses lançamentos contábeis, a BRACOL HOLDING LTDA e a JBS S/A informaram que se referiam à regularização de receitas e dispêndios, bem como conseqüência do fato de que clientes e fornecedores não atualizaram seus cadastros. A despeito das reiteradas intimações para tanto, nunca foram apresentados os documentos que comprovassem as alegações. Além disso, a fim de demonstrar a inconsistência dos argumentos manejados por eles, elaborou a autoridade autuante planilhas evidenciando a ocorrência de lançamentos em contas de ativo ou passivo em uma pessoa jurídica que tiveram contrapartida em contas de receitas ou despesas em outra pessoa jurídica. Ademais, a autoridade autuante tece as seguintes considerações: “Também não poderíamos deixar de esclarecer que o Laudo apresentado pela JBS S/A e Bracol Holding Ltda. que foi elaborado pela Pessoa Jurídica AMKS Contadores e Consultores Ltda. se baseou em um Balanço levantado com o fim específico de se transferir o acervo líquido da Bracol Holding Ltda. para a Bertin S/A (por conta da cisão parcial constatada) e nele tratou de todas as contas (de ativo e de passivo) transferidas de uma Pessoa Jurídica para outra, ou seja, não havia mais contas de ativo e de passivo a serem transferidas com base nesse Balanço. Lembramos ainda que o levantamento de um Balanço tem a exata função de encerrar as contas de resultado (receitas e despesas) em um determinado período fazendo com que seu resultado (lucro ou prejuízo) seja transferido para o Balanço, não sendo permitido em hipótese alguma que sejam transferidas receitas e despesas entre duas Pessoas Jurídicas”. No curso da ação fiscal, a JBS S/A e a BRACOL HOLDING LTDA apresentaram diversos argumentos para justificar os lançamentos contábeis constantes das contas coligadas e controladas entre ambas as pessoas jurídicas. A propósito dos lançamentos relativos a movimentação de variação monetária/cambial/correção de empréstimos e financiamentos, alegaram que, por tratarse de operação de separação de bens, direitos e obrigações entre duas empresas em movimento, a geração das despesas, por conta das inúmeras atualizações de cadastros junto às instituições financeiras, ainda ocorriam na empresa inicial, de modo que houve a transferência desses débitos para que o dispêndio fosse realizado na empresa correta. No tocante aos lançamentos referentes a vendas a vista, alegaram que, por falta de agilidade na troca do cadastro do cliente, este fez o pagamento na BRACOL HOLDING LTDA, a despeito de o faturamento ter ocorrido na BERTIN S/A., razão pela qual os recursos foram posteriormente transferidos a esta empresa. A autoridade autuante tece extensas considerações acerca dos argumentos apresentados pela JBS S/A e pela BRACOL HOLDING LTDA nas respostas às intimações, merecendo destaque os seguintes excertos: Item 1) Movimentação de variação monetária... Essa alegação não procede, pois se as dívidas (passivos) tinham sido transferidos da Bracol Holding Ltda para a Bertin S/A, como Fl. 12331DF CARF MF 6 ficou demonstrado no Laudo apresentado já citado – MKS, que são compatíveis com os lançamentos contábeis de transferências de contas de ativo e passivo realizados no dia 01/10/2007 no diário da Bracol Holding Ltda e a da Bertin S/A, era a Bertin S/A quem deveria alocar os juros passivos relacionados aos empréstimos transferidos que se encontram em seu passivo, nunca poderiam essas despesas ter sido lançadas na contabilidade da Bracol Holding Ltda e depois “transferidas” para a contabilidade da Bertin S/A através da conta coligada e controlada. Mas se isso ainda fosse verdade (se fosse um mero erro contábil) caberia a Bracol Holding Ltda estornálos e a Bertin S/A escriturálos totalmente, independente do cadastro da instituição bancária estar ou não atualizado. Observe que se fosse verdade as Pessoas Jurídicas deveriam apresentar comprovantes do estorno total no lado da Bracol Holding Ltda (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração e a Bertin S/A deveria apresentar o comprovante da escrituração total (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração, mas nenhuma delas os apresentou, mesmo porque eles não existem na escrituração. E ainda sim não consta em Lalur algum da Bracol Holding Ltda o estorno de uma despesa indevida de período anterior na apuração do lucro real, que corroborasse com a resposta dada por ambas as Pessoas Jurídicas, e não há escrituração de ajuste de exercício anterior relacionado á resposta alguma na Pessoa Jurídica Bertin S/A. (...) Item 5) Venda a vista – Da mesma forma que nos itens anteriores essa alegação não convence, pois seria simples apresentar a nota fiscal de venda em nome da Bertin S/A, o comprovante de depósito em nome da Bracol Holding Ltda, os lançamentos de CMV (custo de mercadoria – ou produto – vendido), de baixa dos estoques e tributos incidentes, e os lançamentos de receitas e de clientes, bem como os lançamentos de correção quanto ao que alega (só restaria a correção de baixa da conta clientes com o ingresso de recursos transferidos da conta bancos da Bracol Holding Ltda para a Bertin S/A), mas nada disso foi apresentado. Se a venda foi a vista, a Bertin S/A deveria ter lançado a receita (nota fiscal em seu nome) e registro na conta clientes, o CMV e baixa do estoque e tributos incidentes, não havendo óbice à Bertin S/A em efetuar esses lançamentos se o problema foi um pagamento à Bracol Holding Ltda. O não registro do pagamento na Bertin S/A não influencia na conta receita e sim mantém o cliente como devedor, e ao pagar teria que realizar a baixa da dívida contra a conta bancos (por exemplo) mas o recurso seria transferido da conta bancos da Bracol Holding Ltda. (grifado no original) Ressalta a autoridade autuante que os supostos lançamentos de “ajustes” entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A se deram durante todo o período de existência desta empresa (02/10/2007 a 31/12/2009). Fl. 12332DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 5 7 Concluindo ser improcedentes as justificativas apresentadas pelos intimados para os referidos lançamentos de “ajustes” entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, a autoridade autuante expurgou os respectivos reflexos na apuração do lucro real do 4º trimestre de 2007 desta última empresa, bem como os reflexos na apuração da base de cálculo da CSLL. Esses expurgos constituíram a infração 0001 – Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Comprovadas. Nesse sentido, demonstrou (Planilha 08) que houve R$ 99.627.902,43 em lançamentos que aumentaram indevidamente despesas ou reduziram indevidamente receitas no referido período. Além disso, conforme consta da Planilha 10, houve R$ 21.769.846,40 em lançamentos que diminuíram indevidamente despesas ou aumentaram indevidamente receitas no mesmo período. Portanto, os lançamentos líquidos que aumentaram indevidamente despesas ou reduziram indevidamente receitas no período citado perfazem o total de R$ 77.858.056,03 (R$ 99.627.902,43 – R$ 21.769.846,40). A autoridade autuante observou, ainda, que a BERTIN S/A excluiu, na “Demonstração do Lucro Real” e no “Cálculo da CSLL” da DIPJ todo o valor de Variação Cambial Ativa – VCA que constou da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) da DIPJ. Porém, não houve adição de valores correspondentes às operações liquidadas na “Demonstração do Lucro Real” e no “Cálculo da CSLL” da DIPJ, fato esse que afasta a conclusão de que o contribuinte teria optado pelo regime de caixa. Diante disso, a JBS S/A foi intimada a esclarecer a razão pela qual não houve adição de variações cambiais no campo das operações liquidadas, apresentando a respectiva documentação comprobatória. Em sua resposta, o intimado afirmou que nos documentos da empresa incorporada (BERTIN S/A) não há dados e informações suficientes que permitam comprovar documentalmente os valores das operações liquidadas de VCA e VCP. Intimada novamente a apresentar os documentos comprobatórios dos referidos lançamentos, a JBS S/A informou que não havia encontrado dados que a permitissem esclarecer com segurança a razão dos lançamentos e também o contabilista responsável da BERTIN S/A, por ela contatado, informou que não tinha memória de cálculo relativa aos lançamentos. A partir da análise dos lançamentos que ocorreram entre as contas coligadas e controladas da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A, constatou a autoridade autuante que houve transferências de despesas de Variações Cambiais Passivas – VCP da primeira à segunda no total de R$ 135.220.505,70. Além disso, houve transferências de receitas de Variações Cambiais Ativas – VCA de R$ 70.384.208,74 da BRACOL HOLDING LTDA à BERTIN S/A. Em conseqüência, as VCP transferidas da BRACOL HOLDING LTDA à BERTIN S/A em montante superior às VCA também transferidas atingiram o valor de R$ 64.836.296,74 (R$ 135.220.505,70 menos R$ 70.384.208,74). Concluiu a autoridade autuante que essas despesas a maior de VCP também são despesas indevidas escrituradas, advindas de lançamentos que tiveram contrapartidas em outra pessoa jurídica (BRACOL HOLDING LTDA), razão pela qual tais valores integram a infração 0002 dos autos de infração lavrados. Fl. 12333DF CARF MF 8 Ainda no que concerne às variações cambiais, e com base nas razões já expostas, concluiu a autoridade autuante que a BERTIN S/A excluiu indevidamente na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL todos os valores lançados na Demonstração de Resultados do Exercício a título de Variações Cambiais Ativas e adicionou indevidamente os valores lançados a título de Variações Cambiais Passivas, perfazendo ao final uma exclusão líquida (VCA menos VCP) indevida de R$ 34.301.742,45. Essa conclusão deriva do fato de que a JBS S/A, a despeito de intimada a tanto, não comprovou as operações liquidadas (regime de caixa) de VCA e VCP da BERTIN S/A, de modo que esta não poderia ter excluído ou adicionado no Lalur os valores lançados a esse título na DRE do 4º trimestre de 2007. Assim, foi mantido o regime de competência para essas receitas e despesas, revertendose as citadas exclusões e adições realizadas pela BERTIN S/A em seu Lalur. Esses valores integram a infração 0003.0001 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS. Apurou a autoridade autuante que no Lalur foi registrada uma “provisão” de derivativos no valor de R$ 4.210.965,57, declarada como exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa “provisão” se trata na verdade de uma receita que obedeceu ao regime de competência, razão pela qual não há previsão legal para sua exclusão ou para sua tributação pelo regime de caixa. Ademais, o derivativo pode corresponder a diversos tipos de operações e a JBS S/A não demonstrou que a exclusão era permitida. Esses valores integram a infração 0003.0001 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS. Finalmente, a autoridade autuante apurou que a BERTIN S/A deduziu, na apuração do IRPJ, valores a título de IRF que não constavam em DIRFs em nome dela para o 4º trimestre de 2007. Intimada a esclarecer essa constatação, a DBS S/A informou que não localizou as memórias de cálculo a documentação que deu suporte ao preenchimento da DIPJ. Assim, concluiu a autoridade autuante que houve deduções indevidas de IRRF, no valor de R$ 381.908,97, na apuração do IRPJ, compondo esses valores a infração 0004 – DEDUÇÕES INDEVIDAS DE IMPOSTO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES/ANTECIPAÇÕES DO IMPOSTO. Afirma a autoridade autuante, a partir da interpretação sistemática dos arts. 129 e 132 do CTN, que a JBS S/A é responsável não apenas pelos tributos lançados, mas também pela multa de ofício aplicada. Ademais, reproduzindo excertos de relatórios disponibilizados pela JBS S/A em seu sítio na internet, conclui que: 58) Diante do acima exposto, devemos deixar consignado neste termo que a família Bertin atualmente é sócia da JBS S/A, através da FB Participações S/A (holding controladora), e essa participação se deu com a versão do patrimônio da Bertin S/A para a JBS S/A (a atual JBS S/A é = a antiga JBS S/A + a Bertin S/A). Dessa forma, com base na legislação em vigor a JBS S/A responde pelo crédito tributário total, aí incluído o valor Fl. 12334DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 6 9 correspondente à multa de ofício. Frisese mais uma vez que os antigos sócios da Bertin S/A participam da “nova” JBS S/A, o que ocorreu foi uma integração, conforme consta no relatório acima transcrito. O Sr. Natalino Bertin – CPF 250.150.23834, que participou do Conselho Administrativo da Bertin S/A, é atualmente membro do Conselho Administrativo da JBS S/A. 59) Em que pese ter ocorrido uma incorporação (ou fusão, como constou no relatório da administração já citado), no caso concreto o que ocorreu foi uma união de patrimônio e sócios. (grifado no original) Quanto à BRACOL HOLDING LTDA, afirma a autoridade autuante que transferiu ela patrimônio para a BERTIN S/A no período de 02/01/2007 a 31/12/2007, no valor de R$ 48.147.884,20, fato esse que comprova a solidariedade daquela pelos créditos tributários lançados contra esta para o 4º trimestre de 2007. Assevera, ainda, que a análise dos lançamentos contábeis dessas duas pessoas jurídicas revelou a ocorrência de transferências de receitas e despesas entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, ressaltando a interação e dependência entre essas pessoas jurídicas. A imputação de responsabilidade pelos créditos tributários lançados à JBS S/A (art. 132 do CTN) e à BRACOL HOLDING LTDA (art. 124, I, do CTN) se deu por meio do “Termo de Sujeição Passiva Solidária” de fls. 11.53611.539. Inconformada, a JBS S/A apresentou a impugnação de fls. 11.63811.681. Também a BRACOL HOLDING LTDA, irresignada, apresentou as impugnações de fls. 11.97911.996 (IRPJ) e de fls. 12.06712.083 (CSLL). No recurso apresentado pela JBS S/A são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: As empresas BERTIN S/A, JBS S/A e BRACOL HOLDING LTDA têm sede no município de São Paulo/SP, de modo que a autoridade autuante, lotada na DRF de Araçatuba, não tinha competência para realizar o procedimento de fiscalização. O MPF expedido faz referência a suposta “autorização da autoridade competente” para a realização da fiscalização, mas essa “autorização” cingese à possibilidade do reexame de período já fiscalizado, nada dizendo quanto à transferência de competência para outra região fiscal. O MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização em São Paulo, conforme consta da Portaria nº 212/2001. Porém, conforme consta do próprio documento, a “delegação” para a respectiva emissão se deu com base na Portaria de Delegação de Competência nº 36/2004, publicada sete anos antes da edição da Portaria nº 3.014/2011, que atualmente disciplina a matéria. Considerando que sob a égide da Portaria nº 3.007/2001 foi editada a “Portaria de Delegação de Competência”, delegando a possibilidade de emissão do MPF ao Chefe da Divisão de Fiscalização, o mesmo deve ser feito na atual disciplina da Portaria RFB Fl. 12335DF CARF MF 10 nº 3.014/2011, de modo que é nula a emissão do MPF que ensejou a ação fiscal. Nos termos do art. 6º, § 4º, da Portaria nº 3.014/2011, os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, devem ser autorizados pelo respectivo Superintendente. Essa norma não foi observada, pois a autorização do Superintendente foi apenas para o reexame de período já fiscalizado, não fazendo qualquer referência a procedimentos de fiscalização em outra unidade descentralizada, de modo que somente a DERAT/SP seria competente para realizar a fiscalização. Esse vício não foi sanado com a alteração do MPF promovida, em 30/05/2012, para incluir em seu objeto o IRPJ e a CSLL, pois essa alteração não traduz autorização do Superintendente. A Portaria nº 3.014/2011 é posterior à Lei nº 8.748/1993, que introduziu alterações na redação dos §§ 2º e 3º do Decreto nº 70.235/192, de modo que a norma posterior deve ser observada. Alega o impugnante que houve cerceamento ao direito de defesa por diversas razões. Em primeiro lugar, porque a ação fiscal foi desenvolvida pela DRF de Araçatuba, distante da sede da empresa. Em segundo lugar, pelo fato de que a intimação acerca do lançamento veio acompanhada apenas dos autos de infração, sem qualquer outro documento e mesmo sem o Termo de Verificação Fiscal. Em terceiro lugar, porque no processo eletrônico não há numeração dos documentos. Finalmente, porque nas planilhas elaboradas pela autoridade autuante não é possível discriminar de maneira individualizada os débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A. A autoridade autuante não promoveu qualquer esforço no sentido de obter, junto aos administradores da BERTIN S/A à época dos fatos, os esclarecimentos que buscava. Não se valeu dos instrumentos legais de que dispõe para buscar a verdade real. A autoridade autuante deveria imputar as supostas responsabilidades tributárias a quem de direito com base no art. 135 do CTN. Apresenta a relação dos administradores da BERTIN S/A à época dos fatos e requer a intimação deles para que prestem esclarecimentos e apresentem os documentos necessários à composição dos créditos. Afirma que a acusação que deu fundamento aos autos de infração lavrados é de que, após a operação ocorrida em outubro de 2007, houve transferências irregulares de receitas e despesas entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A. Nesse caso, a conduta praticada à época pelos administradores desta última constitui infração à lei. Ademais, os estatutos da BERTIN S/A previam a necessidade de orientação, controle e fiscalização dos negócios da companhia pelo conselho de administração e pela diretoria. Conclui que há elementos bastantes para a imputação de responsabilidade, com base no art. 135, III, do CTN, aos administradores de então, responsabilidade essa que é pessoal, originária e exclusiva. Foi impetrado o mandado de segurança nº 000380565.2011.403.6107 a fim de afastar a ilegal caracterização, de ofício, como cisão da operação ocorrida, em outubro de 2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A, requerendo a instauração de procedimento próprio para tanto, no qual fosse assegurado contraditório e ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Houve concessão de liminar, posteriormente confirmada em sentença, dando oportunidade de apresentação de recurso administrativo, inclusive com efeito suspensivo. Fl. 12336DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 7 11 Foi noticiado pela impetrante ao Juízo o descumprimento da medida liminar pela autoridade impetrada, tendo sido proferida decisão interlocutória reconhecendo que a lavratura de “Termo de Sujeição Passiva Solidária” caracteriza descumprimento da decisão judicial, já que um dos efeitos do afastamento administrativo da defesa é a atribuição de responsabilidade solidária. O procedimento administrativo para constatação de eventual cisão entre BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A não foi instaurado e já houve o transcurso do prazo decadencial para tanto. Os autos de infração devem ser cancelados, pois não foram lavrados para prevenir decadência. Houve decadência do direito de lançar para os fatos geradores ocorridos em outubro e novembro de 2007, pois o lançamento se deu apenas em 29 de novembro de 2012 e o art. 150, § 4º, do CTN prescreve o prazo de cinco anos nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A BRACOL HOLDING LTDA, em 2007, por meio de uma operação societária comumente designada como “drop down”, substituiu seu acervo por ações de outra empresa (BERTIN S/A). Nesta espécie de operação, não há redução do capital da empresa conferente e, sim, substituição de parte de elementos patrimoniais. Ou seja, a BRACOL HOLDING LTDA deliberou um aumento de capital em sua subsidiária integral, BERTIN S/A, e integralizou tal aumento de capital subscrito mediante entrega de um acervo líquido, constituído de ativos e passivos então contabilizados pela BRACOL HOLDING LTDA. Do ponto de vista patrimonial, portanto, não houve alteração alguma para a BRACOL HOLDING LTDA, donde se conclui de forma inexorável que não houve “cisão parcial”, pois nesse caso deveria haver transferência de parcelas do patrimônio. A autoridade autuante, equivocadamente, afirma que a operação caracteriza se como cisão parcial, ensejando a responsabilidade solidária da BERTIN S/A e também, após a incorporação desta no final de 2009, da JBS S/A, pelos débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A, nos termos do art. 132 do CTN. Não há autorização legal para a desconsideração de ato do contribuinte e imputação de cisão e a situação concreta ora analisada não se ajusta á regra prevista no art. 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011. A operação de fato ocorrida observou os preceitos da Lei nº 6.404/1976. Em 10/10/2007, a BERTIN S/A adquiriu da BRACOL HOLDING LTDA diversos estabelecimentos, via integralização de acervo líquido em aumento de capital subscrito e integralizado por esta empresa. Para a regular operação dos estabelecimentos adquiridos, diversas providências regulatórias e burocráticas foram necessárias, demandando razoável tempo, de modo que foi necessária a continuidade de utilização de documentos fiscais em nome do antigo proprietário, especialmente para fins de cumprimento de contratos, cronograma de abate e aviso dos diversos fornecedores, os quais continuaram emitindo notas fiscais em nome daquele. Fl. 12337DF CARF MF 12 Por essas razões foi necessário o encontro de contas entre aquelas empresas no período de transição. As transferências de ativos e passivos discriminadas no laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA não se deram de maneira automática e instantânea. O valor de R$ 4.210.965,57, excluído indevidamente, para o 4º trimestre de 2007, do Lalur na apuração do IRPJ e da base de cálculo da CSLL, reputado pela autoridade autuante como receita de derivativos auferida pelo regime de competência, foi objeto de estorno no 1º trimestre de 2008, antes de qualquer procedimento fiscal, invalidando totalmente o lançamento. Nos termos do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810/1999, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, eram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando da liquidação da correspondente operação. A autoridade autuante, a despeito de não constar das linhas de variações cambiais liquidadas da DIPJ a indicação R$ 0,00, presumiu que os valores liquidados foram omitidos e considerou como tais todos os valores encontrados nas linhas de variações cambiais (não liquidadas). Ocorre que a presunção, nesse caso, deve ser em sentido favorável ao contribuinte, vale dizer, devese presumir que nenhum valor foi liquidado, salvo se houver prova em contrário. Nos trimestres subseqüentes foram indicados valores nas linhas correspondentes a variações cambiais ativas e passivas liquidadas, razão pela qual devese presumir que somente em um trimestre não houve operações liquidadas. Na ficha 54 da DIPJ relativa ao anocalendário 2007, constatase que o valor de R$ 381.908,97 corresponde a retenção de imposto de renda relativa a rendimento proveniente de aplicação financeira no Banco Votorantim S/A. No Razão Analítico, há o lançamento, em outubro de 2007, de R$ 257.999.771,75, relativo à transferência de aplicação financeira do Banco Votorantim S/A à BERTIN S/A. Também consta do laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA que o referido investimento foi transferido da BRACOL HOLDING LTDA à BERTIN S/A. Assim, a retenção do imposto de renda foi efetuada pelo Banco Votorantim S/A à BRACOL HOLDING LTDA, de modo que improcede a exigência. Caso assim não se entenda, deve ser oficiado o Banco Votorantim S/A para que promova a juntada do comprovante de pagamento de retenção em questão ou, ainda, deve ser verificado junto às retenções contidas em nome da BRACOL HOLDING LTDA se é possível identificar a retenção em questão. Requer a realização de diligência a fim de que sejam analisados os documentos fiscais da impugnante, intimandose, ainda, a BRACOL HOLDING LTDA e seus dirigentes, para que apresentem documentos relativos ao período fiscalizado. A responsabilidade tributária prevista no art. 132 do CTN não alcança a multa e os juros moratórios. O sucessor, nas hipóteses previstas no referido dispositivo, não concorre de nenhuma forma para a prática da infração pelo sucedido. Tampouco a participação da família Bertin no capital social da JBS S/A autoriza a imputação a esta de responsabilidade por multa e juros moratórios. Fl. 12338DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 8 13 Ainda que essa responsabilidade fosse admitida, deveria se dar na proporção da participação dos acionistas integrantes da família Bertin no capital social da JBS S/A. A responsabilidade pela multa deve ser afastada, pois a BERTIN S/A era empresa distinta e tinha controle distinto relativamente à JBS S/A e, ademais, a multa foi formalizada após a incorporação. Por fim, pede que seja provida a impugnação, acolhendo as preliminares de nulidade apontadas, reconhecendose a decadência, ou, ainda, seja julgado, no mérito, totalmente improcedente a autuação. Subsidiariamente, pede que os autos sejam devolvidos à autoridade autuante para a numeração dos documentos, devolvendose o prazo para defesa. Ainda subsidiariamente, requer a realização de diligência para análise dos documentos juntados, que demonstram a insubsistência da autuação, e para que se proceda ao lançamento separado do crédito tributário devido à BRACOL HOLDING LTDA e à JBS S/A, em razão da incorporação da BERTIN S/A. Pede que sejam expedidos ofícios à Corregedoria da Receita Federal do Brasil e ao Ministério Público Federal, para apuração dos crimes de prevaricação e desobediência, bem como para apuração de infrações administrativas cometidas pelos fiscais autuantes. Finalmente, pede que as intimações sejam efetuadas em nome dos procuradores, inclusive para que estejam presentes no julgamento a fim de que realizem sustentação oral. Nas impugnações apresentadas pela BRACOL HOLDING LTDA são invocados, resumidamente, os seguintes argumentos: Os autos de infração devem ser cancelados, pois a ação fiscal foi desenvolvida sem observância dos limites impostos pelo Mandado de Procedimento Fiscal quanto ao período, aos tributos passives de serem fiscalizados e ao local de fiscalização, em afronta ao disposto nos arts. 2º e 7º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Não foi observada a exigência prevista no art. 6º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/2007, segundo o qual a realização de ação fiscal por unidade da RFB distinta da unidade em que está domiciliado o contribuinte, mas na mesma Região Fiscal, depende de emissão de MPF pelo respectivo Superintendente. Não foi observado o prazo de validade de sessenta dias do termo de início de ação fiscal, prazo esse previsto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972. Esta norma tem por fundamento de validade o art. 196 do CTN. A impugnante não foi intimada previamente para se manifestar acerca do encerramento da fase instrutória, de modo que foi violada a regra inscrita no art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Os autos de infração lavrados são inválidos, pois não foram demonstrados os fundamentos jurídicos do lançamento, especialmente as regras que estabelecem a sujeição passiva, a base de cálculo e as alíquotas utilizadas na apuração das exações. Nas autuações não foram apontados os motivos de direito, pois não há demonstração jurídica de forma adequada, precisa e clara dos dispositivos legais necessários para tanto, não bastando a indicação dos dispositivos que apenas tratam de aspectos específicos e operacionais dos tributos. Essas deficiências acarretam, ainda, cerceamento ao direito de defesa. Fl. 12339DF CARF MF 14 Os autos de infração lavrados fundamse em levantamento fiscal precário, lastreado apenas em documentos fiscais apresentados, sem que fossem requisitados esclarecimentos e eventualmente novos documentos. A ciência dos autos de infração lavrados não veio acompanhada dos anexos e de todo o material que fundamentou o lançamento, em ofensa ao disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Os autos de infração devem ser cancelados por não ter constituído crédito tributário e por não ter aplicado penalidade contra a impugnante, em ofensa aos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. A imputação de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN somente poderia se dar mediante a comprovação de que a BRACOL HOLDING LTDA exercia alguma responsabilidade como sócia da BERTIN S/A no momento do fato gerador, prova essa que não foi produzida, razão pela qual houve erro de direito na aplicação da referida norma. A BRACOL HOLDING LTDA era apenas uma sócia com personalidade totalmente diversa da BERTIN S/A. A operação de transferência de estabelecimentos da primeira à segunda não dá azo à aplicação do art. 124, I, do CTN, pois não caracteriza interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores, hipótese que só se verifica nos casos em que as empresas participam como sujeitos passivos da mesma relação jurídica tributária. Por fim, pede sua exclusão do lançamento, por não ser responsável por interesse comum pelo crédito tributário constituído. Requer, ainda, que as intimações sejam dirigidas aos procuradores que subscrevem o recurso. Às fls. 12.18312.191, a JBS S/A apresenta petição na qual alega que transcorreu o prazo decadencial (seja pela regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou pela regra inscrita no art. 173, I, do mesmo diploma normativo) para a apuração de eventual cisão entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, de modo que a imputação de responsabilidade à JBS S/A não pode mais ser apurada. Decisão da DRJ Em julgamento de 17/06/2013, a 1°Turma da DRJ/POR, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as Impugnações apresentadas pela JBS S.A e pela BRACOL HOLDING S.A, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DECADÊNCIA PRINCÍPIO DA ENTIDADE VARIAÇÕES MONETÁRIAS RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A ação fiscal foi desenvolvida com observância das regras pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal. A contagem do prazo decadencial, segundo a regra prevista no art 150, § 4º, do Fl. 12340DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 9 15 CTN, tem por termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Em observância ao princípio da entidade, são descabidos os lançamentos contábeis efetuados em contas de coligadas e controladas relativos a transferências de ativos, passivos e resultados entre duas entidades distintas, máxime quando não são apresentadas provas relacionadas às operações contabilizadas. Para a aplicação do regime de caixa na tributação das variações monetárias, deve o contribuinte comprovar as operações liquidadas. O incorporador responde pelos créditos tributários lançados contra o incorporado, nos termos do art. 132 do CTN. Havendo interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, é cabível a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Recurso Voluntário Inconformadas, as empresas BS S/A e TINTO HOLDING (nova denominação da BRACOL) apresentaram Recurso Voluntário através do quais, ratificam os argumentos trazidos em sede de Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem os demais requisitos legais, assim, devem ser apreciados. Fl. 12341DF CARF MF 16 Preliminar Decadência Alega a Recorrente a ocorrência de decadência em relação aos períodos de outubro e novembro de 2007, tendo em conta que os lançamentos ora em combate se referem ao 4º trimestre de 2007. Conforme consta dos autos, a BERTIN S/A, no ano de 2007, optou pela apuração do lucro real trimestral. Desta forma, para fins de cálculo do prazo decadencial, temos que o fato gerador do IRPJ/CSLL do 4º trimestre de 2007 ocorreu em 31/12/2007; Tendo em vista que se trata de apuração trimestral, não há que se falar em decadências de fatos geradores de outubro e novembro de 2007, pois, o fato gerador ocorre em 31/12/2007. Desta forma, considerando que a ciência acerca das autuações se deu em 29/11/2012, não ocorreu a decadência, pois, não havia ainda sido alcançado o prazo de 05 anos previsto no do art. 150, § 4º, do CTN é de cinco anos, cujo marco inicial de contagem se dá na data da ocorrência do fato gerador. Assim, afasto tal preliminar de decadência. Ausência de Intimação da empresa BRACOL A Recorrente BRACOL (atual TINTO HOLDING) alega vício decorrente da ausência de sua intimação por ocasião do encerramento da fase instrutória, tendo sido, assim, desrespeitado o disposto no art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Pois bem, o PAF (Decreto nº 70.235/72) que é norma especial que regula o processo administrativo fiscal federal e prevalece sobre a Lei nº 9.784/99 (norma geral), não prevê a obrigação de tal intimação. Além disso, temos que o exercício da ampla defesa está assegurado no PAF que prevê o prazo de 30 dias para Impugnação e em caso de insucesso, mais 30 dias para apresentação de Recurso Voluntário ao CRF. É unânime na doutrina que o processo fiscalizatório perpetrado pela Autoridade Fiscal representa mero procedimento inquisitório, o que afasta qualquer alegação sobre direito de defesa, direito este que nasce somente a partir da lavratura do auto de infração, que dá início ao contencioso entre Fazenda e Contribuinte. Assim, não assiste razão à contribuinte. Da Incompetência da DRF/Araçatuba Alega a Recorrente que a DRF/Araçatuba seria incompetente para proceder à fiscalização, tendo em vista que o domicílio fiscal da JBS, BERIN S/A e BRACOL estão todas no Município de São Paulo. Fl. 12342DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 10 17 Aduz ainda a Recorrente que a Superintendência da 8ª Região Fiscal da RFB autorizou tão somente o reexame de período já fiscalizado, sendo omissa em relação à suposta transferência de competência para outra região fiscal. Assim, entende ter sido desobedecido o quanto disposto no art. 6º, § 4º, da Portaria nº 3.014/2011. Também alega que o MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização em São Paulo, tendo por base a Portaria de Delegação de Competência nº 36/2004, que fora publicada sete anos antes da edição da Portaria nº 3.014/2011, que atualmente disciplina a matéria, de modo que, após a publicação desta Portaria, deveria ter sido editado novo ato referente à delegação de competência. A BRACOL também aponta do MPF, afirmando que foram desobedecidos os limites previstos por esse ato quanto ao período, tributos passivos de serem fiscalizados e local de fiscalização, conforme disposto nos arts. 2º e 7º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Alega ainda inobservância do art. 6º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/2007, que prevê depende de emissão de MPF pelo respectivo Superintendente a realização de fiscalização por unidade da RFB distinta da unidade em que está domiciliado o contribuinte mas na mesma Região Fiscal. Conforme já bem destacado pela DRJ, o MPF que autorizou a realização da fiscalização que culminou nas autuações ora em discussão, foi emitido com base na Portaria RFB nº 3.014/11, que dispõe o seguinte: Art. 2° Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I – Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e (...) Art. 4° O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. (...) Art. 6° O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...) III Superintendente da Receita Federal do Brasil; IV Delegado da Receita Federal do Brasil; (...) § 1 As autoridades indicadas nos incisos IV e V somente poderão emitir MPF no âmbito de suas respectivas áreas de competência. Fl. 12343DF CARF MF 18 (...) § 3 Somente será admitida delegação de competência para emissão e alteração de MPF nas seguintes hipóteses: I de Superintendente da Receita Federal do Brasil para Chefe de Divisão de Fiscalização, de Administração Aduaneira ou de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da Superintendência; (...) § 4 Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. (...) § 8 A autorização para reexame em relação ao mesmo exercício poderá ser efetuada pelas autoridades competentes diretamente no MPFF. (...) Art. 7 O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do responsável pela equipe a que está vinculado o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil referido no inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade emitente e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1 O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria. (...) Art. 9 As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou Fl. 12344DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 11 19 supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 . (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Da análise dos autos, vemos que o MPFF nº 08.1.90.002011034024 foi emitido por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal e contém todas as informações necessárias previstas nos normativos acima. Após, o MPFF foi alterado (também por autoridade competente) para inclusão no escopo fiscalização do IRPJ e CSLL, para os períodos de 10/2007 a 06/2009. Assim, entendo que a norma da RFB foi integralmente cumprida, não havendo qualquer vício no processo fiscalizatório, devendo ser afastada tal alegação preliminar. Cerceamento do Direito de Defesa A Recorrente JBS traz argumentos relacionados a cerceamento ao direito de defesa por: i) ter a ação fiscal sido desenvolvida em local distante do domicílio fiscal da empresa; por ter a intimação do lançamento sido acompanhada apenas dos autos de infração; ii) ausência de numeração dos documentos no processo eletrônico; iii) ser inviável a discriminação individualizada, nas planilhas elaboradas pela fiscalização, dos débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A. A BRACOL alega desrespeito ao art. 9º do PAF, vez que por ocasião da ciência das autuações não lhe foram apresentados os anexos e todo o material que fundamentou o lançamento. Pois bem, conforme já mencionado neste voto, as regras relacionadas ao pertinentes ao MPF foram integralmente cumpridas. Fl. 12345DF CARF MF 20 Percebese nos autos do processo que os documentos estão numerados e não existe normativo que determine que o título utilizado no índice aponte com precisão o respectivo conteúdo. Além disso, a formalização da exigência por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo é prevista no art. 9º, § 2º do PAF. Por fim, é indubitável a inexistência previsão legal acerca de obrigatoriedade de que os termos e documentos que integram o processo administrativo tributário sejam remetidos ao sujeito passivo quando da intimação. Em relação às planilhas elaboradas fiscalização, destaco trecho do acórdão da DRJ: " No tocante à alegação de que as planilhas elaboradas pela autoridade autuante não permitem discriminar, de maneira individualizada, os débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A, cabe esclarecer que a Planilha 29 (fl. 11.608), citada como exemplo no recurso da JBS S/A, é uma planilha de consolidação de dados, elaborada com o fim de demonstrar a representatividade da amostragem utilizada nas demais planilhas. Observase, por exemplo, na planilha 32 (fl. 11.612) que os lançamentos contábeis são individualizados para a BRACOL HOLDING LTDA e para a BERTIN S/A. (...)" Portanto, ausentes os riscos trazidos pelas Recorrentes, afasto também esta preliminar de cerceamento do direito de defesa. Da Ausência de fundamento jurídico dos lançamentos A BRACOL argumenta que os lançamentos são inválidos, vez que ausentes os respectivos fundamentos jurídicos do lançamento e os motivos de direito, pois, não há demonstração jurídica de forma adequada dos dispositivos legais necessários para tanto, não sendo suficiente a simples indicação dos dispositivos que tratam somente de aspectos específicos e operacionais dos tributos. Pois bem, a leitura dos autos de infração não deixa dúvida de que as normas infringidas e respectivas penalidades foram devidamente apontadas. Além disso, há claro apontamento dos fatos que deram origem às infrações, conforme é possível enxergar no TVF. Assim, improcedente também este argumento da Recorrente. Da Nulidade do Julgamento da DRJ Indeferimento de Diligência Alega a Recorrente a nulidade da decisão da DRJ que indeferiu o pedido de diligência e, com isso, cerceou o direito à ampla defesa da Recorrente. Ora, cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade. Fl. 12346DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 12 21 Assim, improcedente tal alegação da Recorrente. Da Ausência de Lançamento contra a BRACOL Aduz a BRACOL HOLDING LTDA que os autos de infração devem ser cancelados por não ter constituído crédito tributário e tampouco ter aplicado multa contra a Recorrente em clara desobediência aos arts. 9º e 10 do PAF. Da leitura do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a BRACOL, não enxergo alegados vícios. Da cisão da empresa BRACOL A JBS S/A informa que impetrou o mandado de segurança nº 0003805 65.2011.403.6107 cujo escopo era o afastamento da indevida caracterização, de ofício, como cisão da operação ocorrida, em outubro de 2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A. No mencionado MS , requerse a instauração de procedimento próprio para tanto, no qual fosse assegurado contraditório e ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Foi concedida liminar, posteriormente confirmada em sentença, dando oportunidade de apresentação de recurso administrativo. Afirma que informou o Juízo, o descumprimento da medida liminar pela autoridade impetrada, tendo sido proferida decisão interlocutória reconhecendo que a lavratura de “Termo de Sujeição Passiva Solidária” caracteriza descumprimento da decisão judicial, já que um dos efeitos do afastamento administrativo da defesa é a atribuição de responsabilidade solidária. Aduz que o procedimento administrativo para constatação de eventual cisão entre BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A não foi instaurado tendo decaído o prazo para tanto. Neste aspecto é importante destacar que a Recorrente JBS é responsabilizada pelos débitos cobrados da BERTIN S/A, em razão de infrações por esta cometida e não por débitos originado na BRACOL. Contudo, na petição inicial do MS em questão, consta o seguinte: "Assim, resumidamente, tendo em vista a incorporação da “BERTIN S/A” pela impetrante, a Autoridade Impetrada pretende atribuir responsabilidade solidária de débitos da “BRACOL” à Impetrante, sob o argumento de que teria havido Fl. 12347DF CARF MF 22 cisão quando da constituição da “BERTIN S/A”, pela aplicação do art. 132 do Código Tributário Nacional. " Aqui me parece que não há congruência entre o fato concreto (JBS é cobrado por débitos da BERTIN S.A) e o fato informado (JBS é cobrado por débitos da BRACOL). Isso fica evidente na decisão interlocutória (fls. 6.8866.889) que deferiu a liminar: " No presente caso, também não se mostra razoável o afastamento da defesa administrativa, devido aos graves efeitos que podem ser originados da medida administrativa, ou seja, a atribuição de responsabilidade solidária à impetrante pelas dívidas tributárias da Bertin Ltda (atual Bracol Holdin Ltda) – fl. 33." Por fim, temos que a sentença proferida nos autos deste MS concedeu em parte a segurança, tão somente para assegurar o direito a que fosse processada a reclamação administrativa da impetrante, com efeito suspensivo, ressalvando ao Fisco o direito de constituir os créditos tributários porventura existentes, inclusive com base na pretensa solidariedade, mas sem poder inscrevêlos em dívida ativa e tampouco executálos até o desfecho do processo na esfera administrativa. Assim, é importante ressaltar que o MS nº 000380565.2011.403.6107 não constitui óbice a que a autoridade fiscal impute responsabilidade por sucessão à JBS por créditos tributários decorrentes de fatos geradores praticados pela BERTIN S/A em razão da incorporação ocorrida. Em suma, o MS foi impetrado com o fim de assegurar o exercício do contraditório antes de que fosse caracterizada como cisão a operação ocorrida entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A. Em suma, em decorrência da incorporação e extinção da BERTIN S/A, a JBS foi responsabilizada por sucessão, com base no art. 132 do CTN. Por outro lado, a responsabilidade solidária atribuída à BRACOL tem por fundamento o art. 124, I, do CTN, tendo em vista a constatação de interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Desta forma, as decisões proferidas nos autos do MS nº 0003805 65.2011.403.6107 não afastam a imposição de responsabilidade por sucessão à JBS por créditos lançados contra BERTIN S/A antes da incorporação. Por fim, não há suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada por decisão judicial no MS, vez que a eventual qualificação da operação ocorrida entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A como cisão, não gera qualquer efeito quanto à validade das autuações vez que as infrações apuradas são independentes de tal qualificação. Mérito Fl. 12348DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 13 23 Das transferências (ativo/passivo/receita/despesa) entre BRACOL e BERTIN S.A A leitura do Recurso apresentado péla Recorrente JBS e a análise dos documentos juntados aos autos, mostram que carecem de explicações razoáveis as transferências de "ajuste" perpetradas entre BERTIN e BRACOL. Os argumentos trazidos na peça recursal e mesmo as respostas apresentadas durante a fiscalização me parecem insuficientes. Vejam, alega a Recorrente JBS que em 10/10/2007, a BERTIN S/A adquiriu da BRACOL HOLDING LTDA diversos estabelecimentos, via integralização de acervo líquido em aumento de capital subscrito e integralizado por esta empresa e que, para a regular operação dos estabelecimentos adquiridos, diversas providências regulatórias e burocráticas foram necessárias, demandando razoável tempo, de modo que foi necessária a continuidade de utilização de documentos fiscais em nome do antigo proprietário, especialmente para fins de cumprimento de contratos, cronograma de abate e aviso dos diversos fornecedores, os quais continuaram emitindo notas fiscais em nome daquele. Diante de tal cenário, justifica a Recorrente que foram necessárias diversas operações de compensação (encontro de contas) entre BERTIN S.A e BRACOL. Os argumentos trazidos são insuficientes para justificar porque tais entidades que possuem cada qual sua personalidade jurídica, CNPJ, ativo, passivo e contas de resultados tenham executado uma troca tão intensa de recursos e, pior, por meio da utilização de meras contas de coligadas e controladas entre ambas, sem maior subsídio documental. Tratase aqui do Princípio da Entidade. Não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos efetuados por outra empresa. Cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma. Não se trata aqui de proibição ou vedação de que tais operações e/ou transferências ocorram entre as empresas, ainda mais quando pertencentes a um mesmo grupo econômico. Isso é por vezes necessários no dinâmico mundo empresarial. Contudo, tais operações, especialmente, quando tão recorrentes e relevantes, devem ser devidamente explicadas com documentação suporte, o que não aconteceu no presente caso. As explicações dadas e documentação apresentada não justificam os efeitos fiscais que resultaram em redução dos tributos devidos pela BERTIN S.A. Ora, se as despesas (dívidas) haviam sido transferidas da BRACOL para a BERTIN, esta última é quem deveria alocar os juros passivos relacionados aos empréstimos transferidos que se encontram em seu passivo,contudo, tais despesas foram registradas na BRACOL e depois transferidas para a contabilidade da BERTIN através da já mencionada conta coligada e controlada. Fl. 12349DF CARF MF 24 Ainda que se tratasse de um erro contábil caberia à BRACOL efetuar o estorno e à Bertin escriturálos, o que não ocorreu, pois, não foram apresentados comprovantes do estorno total pela BRACOL (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração e nem tampouco, o comprovante de escrituração total (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) pela BERTIN. Além disso, não há no Lalur da Bracol o estorno de uma despesa indevida de período anterior na apuração do lucro real, que ratificasse a resposta dada por ambas, bem como, não fora identificada escrituração de ajuste de exercício anterior. Tais observações se aplicam aos lançamento de ajuste anteriores e posteriores à operação societária ocorrida entre BERTIN E BRACOL. Assim, tendo em vista a fragilidade da documentação e das explicações dadas durante a fiscalização e por ocasião da Impugnação e Recurso Voluntário apresentados pela JBS, entendo que não merece reparo a conduta da fiscalização ao apurar o efeito para fins de IRPJ/CSLL dos lançamentos de “ajuste” ocorridos entre BERTIN e BRACOL. Da exclusão indevida de R$ 4.210.965,57 do LALUR Alega a Recorrente JBS ter sido efetuado no 1º trimestre de 2008 e antes de qualquer procedimento fiscal, o estorno do montante de R$ 4.210.965,57 que fora excluído indevidamente no 4º trimestre de 2007. Ainda que a intenção tenha sido boa, tal conduta não afeta o lançamento fiscal, visto que, se tal exclusão fora indevidamente efetuada no 4º trimestre de 2007, o estorno deveria ter ocorrido neste mesmo período. Se isso não aconteceu, correto está o lançamento fiscal. Da Exclusão das Variações Cambiais Alega a Recorrente JBS que " nos moldes do art. 30, da Medida Provisória 1.85810/1999, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, eram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando da liquidação da correspondente operação." Em outras palavras, aduz a Recorrente ter se utilizado do regime de caixa previsto no art. 30 da mencionada MP e que a fiscalização, a despeito de não constar das linhas de variações cambiais liquidadas da DIPJ a indicação R$ 0,00, presumiu que os valores liquidados foram omitidos e considerou como tais todos os valores encontrados nas linhas de variações cambiais (não liquidadas). A este respeito, afirma a Recorrente: " Todavia, a presunção, in casu, deve recair a favor do contribuinte. Ora, se na linha correspondente a variações cambiais liquidadas não se encontra nenhum valor, presumese que nenhum valor foi liquidado, salvo se o fisco colacionar provas em contrário, o que o fez" Fl. 12350DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 14 25 Contudo, pude verificar na leitura do TVF que a fiscalização não presumiu que foram liquidados todos os valores encontrados nas linhas de variações cambiais, mas sim, concluiu que em razão da suficiente comprovação das operações liquidadas, teve que manter o regime de competência para a tributação das receitas e despesas decorrentes de variações monetárias. Em suma, não há que se falar em presunção de liquidação das operações, o que houve foi a mera adoção do regime de competência, face à fragilidade de comprovação por parte do autuado. A tributação pelo IRPJ/CSLL/PIS/COFINS das variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte pelo regime de competência está atualmente prevista no § 1º do art. 30 da MP 2.158. Por outro lado, a adoção do regime de caixa exige que o contribuinte comprove a liquidação das operações, assim, em caso de ausência de tal prova, resta inaplicável a aplicação do regime de caixa. Por fim, totalmente improcedente a alegação de que na hipótese de ausência dessas provas, devese presumir que não foram liquidadas operações. Isso porque, também nas situações em que não houve liquidação, o contribuinte deve provar isso, demonstrando a ausência de pagamentos ou recebimentos sujeitos a variações monetárias no período. Em conclusão, não sendo suficientes as informações e documentações apresentadas pelo contribuinte, correto o lançamento baseado no Regime de Competência, Da dedução indevida do IRRF Com relação ao valor de IRRF de R$ 381.908,97 a título de IRRF, alega a Recorrente JBS que, conforme ficha 54 da DIPJ, tal valor corresponde a retenção de imposto de renda relativa a rendimento proveniente de aplicação financeira no Banco Votorantim S/A. Segundo alega, há no Razão Analítico o lançamento, em outubro de 2007, de R$ 257.999.771,75, relativo à transferência de aplicação financeira do Banco Votorantim S/A à BERTIN, constando a referência à transferência dessa aplicação financeira da BRACOL à BERTIN S/A também do laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA. Afirma que a retenção do imposto de renda foi efetuada pelo Banco Votorantim S/A à BRACOL HOLDING LTDA. As alegações não vieram respaldadas por provas. Não é possível verificar da documentação acostada a existência de tal crédito de IRRF a favor da BERTIN. Há um conjunto de alegações que fazem sentido, mas não há nos autos prova suficientes que permitam a este julgador afirmar com segurança que a existência de tal crédito de IRRF. Assim, não merece reparo a autuação neste ponto. Da Responsabilidade da JBS Multa e Juros Fl. 12351DF CARF MF 26 Defende a Recorrente JBS que não pode ser responsabilizada pela multa e juros, que deveriam ser direcionados aos administradores da BERTIN. Isso porque, o art. 132 é claro no sentido de que o incorporador responde pelos "tributos" relativo aos estabelecimento empresarial, o que exclui a responsabilidade por multa e juros. Entendo que não cabe razão à Recorrente. Isso porque, o artigo 132 do CTN ao prever a responsabilidade tributária quanto aos tributos devidos até a data do ato de fusão e incorporação pela pessoa jurídica incorporada ou fusionada, acaba por abarcar toda a obrigação tributária, incluindo aí, principal, multa e juros. Tal entendimento já resta devidamente pacificado neste Conselho e também encontra guarida no STJ. Assim, entendo deva ser mantida a responsabilidade da Recorrente JBS pelas multas aplicadas. Da Responsabilidade da BRACOL Quanto à responsabilidade solidária baseada art. 124, I, do CTN, afirma a Recorrente BRACOL que tal dispositivo somente pode ser aplicado caso fosse comprovada sua responsabilidade de gerência sobre os tributos não pagos, o que não foi feito. Assim, a aplicação do dispositivo teria sido equivocada. Afirma a BRACOL que era apenas uma sócia com personalidade distinta da BERTIN e que a simples operação de transferência de estabelecimentos a esta não é bastante para ensejar a aplicação do art. 124, I, do CTN, pois não caracteriza interesse comum. Não vejo aqui qualquer incorreção na conduta do fiscal ou no racional dos julgadores de primeira instância. Isso porque, me parece que o interesse comum entre BERTIN E BRACOL restou mais que evidente nos autos. Ora, a BRACOL transferiu patrimônio à BERTIN num montante de quase superior a R$ 48 milhões durante o ano de 2007, além disso, as operações de transferências mútuas de direitos/obrigações ultrapassaram, inclusive, o momento em que houve a operação societária entre tais empresas, aliás, transferências essas que serviram de base para o lançamento fiscal e não foram esclarecidas por nenhuma das empresas. Na realidade, tais ajustes entre BERTIN E BRACOL chegaram muito perto do limite do que seria considerada verdadeira confusão patrimonial, o que só ocorreu em razão de verdadeira ingerência de uma sobre outra. Assim, não me resta dúvida quanto à correta aplicação, neste caso, do art. 124, I do CTN para atribuição de responsabilidade solidária à empresa BRACOL. Conclusão Fl. 12352DF CARF MF Processo nº 15868.720237/201220 Acórdão n.º 1201001.597 S1C2T1 Fl. 15 27 Diante do exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntários para NEGAR LHES PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 12353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000180/2002-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido.
Recurso Especial do Contribuinte provido
Numero da decisão: 9303-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. Recurso Especial do Contribuinte provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 80 /2 00 2- 09 Fl. 463DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 310200.914, de 01/03/2011, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considera se empresa comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto aquela constituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, a denominada trading company. RECEITA DE VENDAS DE PRODUTOS IN NATURA. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13854.000180/200209 Acórdão n.º 9303005.161 CSRFT3 Fl. 464 3 Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de vendas de produtos in natura. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. A contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados. Por meio do recurso especial de fl. 784 e ss., a contribuinte se insurgiu contra o entendimento sobre o termo inicial da incidência da Taxa Selic sobre os créditos indevidamente glosados, se desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, ou apenas a partir da ciência do ato que indeferiu os créditos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9303003.213, de 27/11/2014, e 9303002.622, de 14/11/2014. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 450/452. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 454/461). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. O recurso especial apresentado pela contribuinte assentouse unicamente na atualização, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedido de ressarcimento. O acórdão recorrido entendeu aplicável a correção pela taxa Selic, por força do que decidido pelo STJ no REsp. nº 1.035.847/RS, a partir do ato administrativo que indeferiu, no todo ou em parte, o pleito do contribuinte, em flagrante divergência do entendimento adotado no Acórdão nº 9303003.043, que a admitiu desde o protocolo do pedido. Comprovado o dissídio jurisprudencial, estamos entre os que entendem haver o direito à correção desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, quer pelo fato de que, neste caso, um ato normativo já obstava a concessão ao menos de parte do crédito pretendido (vedava o crédito sobre as aquisições de insumos a não contribuintes do Fl. 465DF CARF MF 4 PIS/Cofins), quanto à parte do crédito que inicialmente não fora reconhecido pela autoridade administrativa competente. Não há confundir aqui a data do ato administrativo que constituiu o óbice ao reconhecimento de parte do crédito pretendido (a data em que proferido o Despacho Decisório), com o momento a partir do qual deve incidir a correção monetária. Embora a resistência tenha se verificado somente naquela, a taxa Selic deve incidir a partir do protocolo. Com relação a este último argumento, sabese que o próprio STJ já decidiu, em julgamento submetido à sistemática dos recurso repetitivos, que tanto para os requerimentos administrativos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457, de 16/03/2007 (dispõe sobre a Administração Tributária Federal), quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável para que seja proferida decisão administrativa é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos. Confiram: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13854.000180/200209 Acórdão n.º 9303005.161 CSRFT3 Fl. 465 5 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 467DF CARF MF 6 (Primeira Seção, REsp nº 1138206/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/09/2010) Ante o exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial da contribuinte, para que, sobre o valor a ser ressarcido, unicamente em face desta decisão, incida a taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000589/2009-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser deferido, desde a data do protocolo do pedido.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser deferido, desde a data do protocolo do pedido. Recurso Especial do Procurador negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JAGUAFRANGOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser deferido, desde a data do protocolo do pedido. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 05 89 /2 00 9- 83 Fl. 233DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procurador da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 340301.571, de 25/04/2012, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerarse em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Recurso voluntário provido. Irresignada a Recorrente insurgiuse contra a incidência da Taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0203.718 e 930300.720. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 191/194. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 201/214). É o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16366.000589/200983 Acórdão n.º 9303005.143 CSRFT3 Fl. 234 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. O recurso especial apresentado pela PFN assentouse unicamente na atualização, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedido de ressarcimento, no caso cumulado com compensação de débito.. O acórdão recorrido entendeu aplicável a correção pela taxa Selic, por força do que decidido pelo STJ no REsp. nº 1.035.847/RS, a partir da formalização do requerimento, em flagrante divergência com o entendimento adotado nos paradigmas, que não a admitiram. Comprovado o dissídio jurisprudencial, estamos entre os que entendem haver o direito à correção desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, quer pelo fato de que, neste caso, um ato normativo já obstava a concessão ao menos de parte do crédito pretendido (vedava o crédito sobre as aquisições de insumos a não contribuintes do PIS/Cofins), quanto à parte do crédito que inicialmente não fora reconhecido pela autoridade administrativa competente. Não há confundir aqui a data do ato administrativo que constituiu o óbice ao reconhecimento de parte do crédito pretendido (a data em que proferido o Despacho Decisório), com o momento a partir do qual deve incidir a correção monetária. Embora a resistência tenha se verificado somente naquela, a taxa Selic deve incidir a partir do protocolo. Com relação a este último argumento, sabese que o próprio STJ já decidiu, em julgamento submetido à sistemática dos recurso repetitivos, que tanto para os requerimentos administrativos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457, de 16/03/2007 (dispõe sobre a Administração Tributária Federal), quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável para que seja proferida decisão administrativa é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos. Confiram: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." Fl. 235DF CARF MF 4 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16366.000589/200983 Acórdão n.º 9303005.143 CSRFT3 Fl. 235 5 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp nº 1138206/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/09/2010) Entendo, pois, caber a incidência da taxa Selic desde o protocolo do pedido, mas apenas sobre a parcela do crédito deferida no julgamento do recurso voluntário. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso especial da PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907927/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 27 /2 01 1- 47 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.618 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907927/201147 Acórdão n.º 3402004.021 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 225DF CARF MF
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