Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13603.900421/2006-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou
ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13603.900421/2006-99
conteudo_id_s : 5844156
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.634
nome_arquivo_s : Decisao_13603900421200699.pdf
nome_relator_s : Antônio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 13603900421200699_5844156.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
id : 7174258
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009089343488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900421/200699 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.634 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de julho de 2011 Matéria DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente TECIDOS E ARMARINHOS MIGUEL BARTOLOMEU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 492DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TECIDOS E ARMARINHOS MIGUEL BARTOLOMEU S/A, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou em parte o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e deferiu parcialmente seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002, no valor de R$ 2.774.711,66. 2. As compensações foram declaradas mediante a apresentação das DCOMP’s abaixo identificadas: DCOMP Data Crédito utilizado Débitos compensados Origem Valor Código Valor Vencimento 28386.0543 8.290803.1. 3.030199 29/08/03 SN CSLL AC 2002 R$ 2.774.711,66 RETIFICADA PELA POSTERIOR 30505.4389 4.270906.1. 7.034802 27/09/06 SN CSLL AC 2002 R$ 2.560.474,11 2484 R$ 391.035,77 28/02/03 2484 R$ 478.345,38 31/03/03 2484 R$ 370.829,06 30/04/03 2484 R$ 379.026,58 30/05/03 2484 R$ 370.988,67 30/06/03 2484 R$ 378.658,44 31/07/03 2484 R$ 416.420,98 29/08/03 21568.5183 3.300903.1. 3.034764 30/09/03 SN CSLL AC 2002 R$ 214.237,52 2484 R$ 248.794,03 30/09/03 3. As DCOMP’s acima identificadas foram cadastradas nos processos 13603.901054/200641 e 13603.901057/200684, enquanto o crédito encontrase controlado por este processo. Considerando que as DCOMP’s identificadas acima utilizam a mesma origem de crédito na extinção de débitos, a análise do procedimento foi efetuada em um mesmo processo, este, de número 13603.900421/200699. DESPACHO DECISÓRIO DRF 4. Verificando as DCOMP’s apresentadas pelo contribuinte a DRF/ContagemMG emitiu em 26/08/2008 o Despacho Decisório anexado às fls. 104 a 109, onde, sinteticamente se manifesta: 4.1 O direito à utilização do crédito está amparado pelos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e atualizações posteriores. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 3 4.2 O crédito utilizado reportase ao Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002, originado nas seguintes antecipações: Pagamentos em DARF no valor de R$ 748.494,80. Compensação pleiteada no processo administrativo de nº 13603.000920/200170, no valor de R$ 845.461,39. Compensação com saldo negativo de períodos anteriores no valor de R$ 2.364.112,03. 4.3 Acerca da composição das antecipações identificadas no subitem anterior, a DRF menciona: Não foram homologadas as compensações constantes do processo 13603.000920/200170, referentes às estimativas mensais apuradas nos meses de setembro e outubro de 2002, no valor de R$ 845.461,39. Quanto à importância de R$ 2.364.112,03, compensada com “Saldo Negativo” de períodos anteriores, a DRF elaborou planilhas demonstrativas, apurando os saldos a compensar no período de 1995 a 2001, concluindo pela insuficiência do crédito utilizado nas compensações no valor de R$ 177.755,54. 4.4 Por fim, a DRF reconhece ao contribuinte o direito à utilização do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002 no valor de R$ 1.751.494,73. 5. Utilizando o crédito reconhecido na homologação das compensações declaradas, a DRF conclui: DCOMP Data Débitos compensados Resultado Código Valor Vencimento Saldo Débito 30505.4389 4.270906.1. 7.034802 27/09/06 2484 R$ 391.035,77 28/02/03 R$ 0,00 Compensação homologada 2484 R$ 478.345,38 31/03/03 R$ 0,00 Compensação homologada 2484 R$ 370.829,06 30/04/03 R$ 0,00 Compensação homologada 2484 R$ 379.026,58 30/05/03 R$ 54.198,08 Compensação parcialmente homologada 2484 R$ 370.988,67 30/06/03 R$ 370.988,67 Compensação não homologada 2484 R$ 378.658,44 31/07/03 R$ 378.658,44 Compensação não homologada 2484 R$ 416.420,98 29/08/03 R$ 416.420,98 Compensação não homologada 21568.5183 3.300903.1. 3.034764 30/09/03 2484 R$ 248.794,03 30/09/03 R$ 248794,03 Compensação não homologada Somas R$ 3.034.098,91 R$ 1.469.060,20 Fl. 494DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 4 Ou seja, a DRF Homologa parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte, utilizando o direito de crédito reconhecido, pelo valor de R$ 1.565.038,72. O saldo devedor dos débitos não compensados (compensação não homologada) importa em R$1.469.060,20 (valor original), acima discriminados. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6 O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 04/09/2008, conforme AR Aviso de Recebimento anexado à fl. 115. Irresignado, o contribuinte apresenta em 01/10/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 116 a 121, onde resumidamente argumenta: 6.1 A tempestividade da impugnação e a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário total”. 6.2 Quanto às estimativas mensais compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, a DRF: não considerou o saldo negativo apurado no ano calendário de 1994–EX1995, no valor de R$ 417.344,33, equivalente a 616.734,64 Ufirs. não computou as compensações pleiteadas e deferidas nos processos administrativos 13603.000160/200281e 13603.000161/200226. 6.2.1 Argumenta que, computado o crédito acima mencionado e as compensações já deferidas pelo fisco, resta ainda a compensar a importância de R$ 30.579,95. Para amparar seus argumentos anexa planilha demonstrativa. 6.3 Quanto à glosa das estimativas mensais referentes aos meses de setembro e outubro de 2002, decorrentes da não homologação das compensações declaradas constantes do processo nº 13603.000920/200170, cujos débitos já estão inscritos na Dívida Ativa da União sob o nº 6060700304378, o impugnante informa que os mencionados débitos encontramse parcelados junto à PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional), “estando os pagamentos religiosamente em dia”. 6.3.1 O manifestante aduz que “em virtude de que os débitos mencionados já estão sendo pagos e, caso não sejam considerados na composição do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002 (exercício de 2003), estaríamos sujeitos a quitar seus respectivos valores duplamente”. 6.4 Propugna pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão neste processo, invocando a Lei nº 9.430, de 1996 e o art. 151 do CTN. 6.5 Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório exarado pela DRF, com o reconhecimento do saldo negativo de CSLL no valor de R$ 2.774.711,66, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos processos administrativos nºs 13603.901054/200641 e 13603.901057/200684. 7. Para amparar seus argumentos apresenta os documentos anexados às fls. 126 a 264. 8. Considerando a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a DRF encaminha o presente processo à DRJ, para julgamento da lide (fl. 267). Fl. 495DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 5 A decisão recorrida está assim ementada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Compensação Homologada em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/01/2009, às fls. 416 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos (verbis): (...) Insurge—se a Empresa Recorrente, contra o Acórdão n° 0219.987 — 3a Turma da DRJ/BHE, que não homologou em sua totalidade as compensações declaradas pelo Recorrente, relativas ao processo n° 13.603.900421/200699, sob a fundamentação de que na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente quanto à sua utilização e homologação. Data máxima vênia, tais alegações não podem subsistir, uma vez que, conforme pleiteado na "MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" protocolada em o6 de outubro de 2008 e plenamente acatada por este douto Conselho, no que diz respeito recomposição do saldo negativo de CSLL ate o ano calendário de 2001 (exercício de 2002); devido a não consideração, nos relatórios apresentados por Vossas Senhorias, do saldo negativo de CSLL verificada no ano calendário de 1994 (exercício de 1995),no valor de R$ 417.344,33, equivalente a 616.734,64 ufirs; a não consideração, nos relatórios apresentados por Vossas Senhorias, de que o debito de estimativa de CSLL do período de apuração julho/2001, no valor de R$ 182.884,58, não fora quitado com saldo negativo de CSLL de período anterior, mas sim com créditos pleiteados administrativamente e deferidos, advindos de Restituição de IRPJ e CSLL relativos ao exercício de 1992, ano base de 1991, processos administrativos n.°s:13603000160/200281 e 13603000161/200226; 0 saldo recalculado até o ano calendário de 2001 (exercício de 2000, absorveu todas as compensações pleiteadas até o ano calendário de 2002, restando ainda um saldo a compensar de R$ 30.579,95. Quando a afirmativa de que as DCOMPs que pleitearam a compensação os débitos de CSLL com vencimento em: 30/06/03, 31/07/03 e 29/08/03, foram homologadas dentro do prazo previsto no parágrafo 5. do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, não está correta, uma vez que a DCOMP utilizada para a compensação dos referidos débitos é a de n.° 28386.05438.290803.1.3.030199, transmitida em 29/08/2003, e não a que consta no acórdão em tela, DCOMP n.° 3505.43894.270906.1.7.034802, transmitida em 27/09/2006. Portanto a homologação da compensação em questão foi efetuada após o prazo determinado pela legislação, configurando homologação tácita das compensações. Quanto ao débito de CSLL com vencimento em 30/09/03, no valor de R$ 248.794,03, sendo reconsiderado no saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002 (exercício 2003), o valor de R$ 845.461,39, certamente o saldo recomposto absorverá sua compensação. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, em litígio a homologação parcial de DCOMPs, cujo crédito seria oriundo do saldo negativo de recolhimentos de CSLL, anocalendario de 2002, no qual a contribuinte pleiteou o valor de R$ 2.774.711,66 (original, fl. 2), tendo sido reconhecido R$ 1.751.494,73 pela DRF (original, fl. 108), a qual foi acrescentado o valor de R$ 177.755,54 pela decisão da recorrida (fl. 401). Vejamos os fundamentos da decisão recorrida. COMPENSAÇÃO – SITUAÇÃO FÁTICA DO CONTRIBUINTE Ao longo dos tempos o contribuinte utilizouse da faculdade prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, normatizada inicialmente pela IN Instrução Normativa DPRF nº 67 de 26.05.1992 e mais tarde, com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, pelo art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, compensando pretensos créditos de IRPJ somente através da informação em DCTF. A partir da vigência da Lei nº 10.637, de 2002, o contribuinte passou a utilizar os créditos de mesma natureza na declaração de débitos através da DCOMP. As DCOMP’s em litígio neste processo utilizaram como “crédito compensável” o Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002. Neste período, a apuração do IRPJ encontravase sob a égide da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações posteriores. Considerando que a homologação da compensação declarada pelo contribuinte está, a priori, condicionada a validade e suficiência do crédito utilizado. ANÁLISE DO CRÉDITO Verificando as declarações apresentadas pelo contribuinte no decorrer do ano calendário de 2002 (DCTF’s) e a DIPJ correspondente, a DRF constatou que as antecipações efetuadas no decorrer do período (estimativas mensais) têm origem em pagamentos e compensações. Os pagamentos foram confirmados pelo fisco e compuseram a apuração da CSLL no final do período. As antecipações referentes às compensações informadas pelo contribuinte, tanto aquelas pleiteadas em processos administrativos quanto aquelas efetuadas nos moldes do lançamento por homologação, amparadas pelo art. 66 da Lei nº 8.383 de 1991 foram computadas em parte. O contribuinte se insurge quanto aos dois procedimentos. Considerando as “compensações com saldos negativos de períodos anteriores” informadas pelo contribuinte em sua DIPJ/2003AC 2002 e nas DCTF’s correspondentes, a DRF verificou as sucessivas compensações efetuadas pelo contribuinte ao longo dos anos, iniciando a sua verificação pelo ano calendário de 1995. Um dos argumentos utilizados pelo impugnante reportase à desconsideração do “saldo negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1994. Vejamos então, a reconstituição da apuração da CSLL a partir do ano calendário de 1994: Fl. 497DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 7 APURAÇÃO DA CSLL – EX 1995/AC 1994 O contribuinte propugna pelo cômputo do Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1994 no valor de 616.734,64 Ufir’s. Para comprovar suas alegações apresenta a DIRPJ/95AC 94, que se encontra anexada às fls. 126 a 144 do processo. As telas da RFB anexadas às fls. 268 a 270 confirmam a recepção da declaração apresentada na impugnação. Extraindo os dados desta declaração temse: Os valores antecipados no decorrer do ano calendário 1994: (...) Confirmadas as antecipações acima identificadas, a apuração anual da CSLL: Apuração anual da CSLL – AC 1994 CSLL apurada (Ufir) 465764,74 Antecipações mensais (Ufir) 1.082.399,38 Saldo a pagar (Ufir) 616.634,64 O demonstrativo acima confirma a apuração do “Saldo Negativo de CSLL” no ano calendário de 1994 no valor de 616.634,64 Ufir’s. A utilização do crédito apurado em períodos posteriores será verificada mais à frente, no período da utilização. A DRF não aferiu os dados informados pelo contribuinte neste período e não considerou o saldo negativo de CSLL apurado no período na verificação das compensações informadas pelo contribuinte em períodos posteriores. Na seqüência: APURAÇÃO DA CSLL – EX 1996/AC 1995 Condensando as informações extraídas da DIRPJ correspondente e os pagamentos localizados nos sistemas da RFB, temse: Quanto às antecipações mensais efetuadas no período: (...) Confirmadas as antecipações acima identificadas, a apuração da CSLL: Apuração anual da CSLL – AC 1995 CSLL apurada R$ R$ 409.893,86 Antecipações mensais R$ R$ 776.484,75* Saldo a pagar R$ R$ 366.590,89 *valor corrigido monetariamente, conforme legislação vigente à época. O demonstrativo acima confirma a apuração do “Saldo Negativo de CSLL” no ano calendário de 1995 no valor de R$ 366.590,89. As antecipações mensais foram efetuadas mediante recolhimento em DARF. Não foram efetuadas compensações com saldo de períodos anteriores neste ano calendário. A utilização do crédito apurado em períodos posteriores será verificada mais à frente, no período da utilização. Fl. 498DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 8 A DRF confirmou o saldo negativo de CSLL apurado neste período e utilizouo na validação das compensações efetuadas pelo contribuinte em períodos posteriores. APURAÇÃO DA CSLL – EX 1997/AC 1996 Condensando as informações extraídas da DIRPJ correspondente e os pagamentos localizados nos sistemas da RFB, temse: Antecipações do período: (...) Apuração Anual: Apuração anual da CSLL AC 1996 CSLL apurada R$ 467.322,68 Antecipações Mensais R$ 910.483,94 Saldo a pagar R$ 443.161,26 O demonstrativo acima confirma a apuração do “Saldo Negativo de CSLL” no ano calendário de 1996 no valor de R$ 443.161,26. As antecipações mensais foram efetuadas mediante recolhimento em DARF. Não foram efetuadas compensações com saldo de períodos anteriores neste ano calendário. A utilização do crédito apurado em períodos posteriores será verificada mais à frente, no período da utilização. A DRF confirmou o saldo negativo de CSLL apurado neste período e utilizouo na validação das compensações efetuadas pelo contribuinte em períodos posteriores. APURAÇÃO DA CSLL – EX 1998/AC 1997 O contribuinte apurou em sua DIRPJ um Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 1.048.101,51. A DRF confirmou este crédito, utilizandoo na validação de compensações efetuadas em períodos posteriores (fl. 101). Verificando os cadastros da RFB, constatase que o contribuinte já pleiteou, a restituição de parte do crédito apurado na DIRPJ através do processo 13603.001975/9930 pela importância de R$ 874.905,96 (fl. 276). O “pedido de restituição” mencionado foi protocolizado em 22/09/1999, na versão original do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e foi apreciado pela DRF em 19/08/2004. O valor pleiteado foi parcialmente reconhecido pela DRF, no valor de R$ 437.545,00 e utilizado na extinção dos seguintes débitos do contribuinte: (...) Contudo, apesar de já objeto de análise pela DRF, cabe verificar os procedimentos executados pelo contribuinte no período, tendo em vista a utilização de saldos negativos de CSLL de períodos anteriores na extinção de estimativas mensais e eventual saldo de crédito a ser utilizado em períodos posteriores. Então vejamos: (...) • Os pagamentos encontramse confirmados pelas telas da RFB anexadas às fls. 283/284 e perfazem a importância de R$ 696.822,20. Fl. 499DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 9 • O “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1994 é suficiente para extinguir as estimativas mensais apuradas no período de agosto a dezembro de 1997, conforme planilhas de cálculos anexadas às fls. 287 a 290. • O “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1994, utilizado nas compensações acima identificadas, importa em 457.222,86 Ufir’s; conseqüentemente, o “Saldo Negativo de CSLL” disponível para utilização após estas compensações importa em 159.411,80 Ufir’s. Diante do acima descrito, confirmamse as seguintes antecipações no decorrer do ano calendário de 1997: Pagamentos em DARF R$ 696.822,20 Compensações com Saldo Negativo de CSLL AC 1994 R$ 558.916,95 Soma R$ 1.255.739,15 Apurando a CSLL do período, temse: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO 1997 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 207.637,64 ()CONTR. SOCIAL S/LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA R$ 1.255.739,15 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A PAGAR R$ 1.048.101,51 SALDO DE CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 1.048.101,51 CRÉDITO JÁ UTILIZADO NO PROCESSO 13603.001975/9930 R$ 437.545,00 CRÉDITO A COMPENSAR EM PERÍODOS POSTERIORES R$ 610.556,51 Ou seja, considerando os dados de apuração informados pelo contribuinte em sua DIRPJ e as antecipações confirmadas no decorrer do período, confirmase o Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997 no valor de R$ 1.048.101,51. Considerando que, deste saldo a DRF já utilizou a importância de R$ 437.545,00, resta ainda a compensar em períodos posteriores a importância de R$ 610.556,51. Resumindo, até 31/12/1997 o “Saldo Negativo de CSLL” a compensar importa em: Ano Calend DIRPJ DRF (fl. 101) DRJ Utilizado Saldo a compensar Utilização 1994 616.634,64 0,00 616.634,64 457.222,86 159.411,78 Compensações estimativas mensais AC 1997 1995 733.424,48 366.590,89 366.590,89 0,00 366.590,89 1996 443.161,26 443.161,26 443.161,26 0,00 443.161,26 1997 1.048.101,51 1.048.101,51 1.048.101,51 437.545,00 610.556,51 Compensações processo 13603.001975/ 9930 Fl. 500DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 10 APURAÇÃO DA CSLL – EX 1999/AC 1998 O contribuinte apurou em sua DIRPJ um Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 823.522,45. A DRF confirmou este crédito, utilizandoo na validação de compensações efetuadas em períodos posteriores (fl. 101). O contribuinte pleiteou através do processo nº 13603.720005/200447 a restituição e compensação do Saldo Negativo da CSLL apurado neste período, pelo valor de R$ 960.144,82. A DRF, em Despacho Decisório exarado aos 23/08/2004, cientificado ao contribuinte em 01/09/2004, reconheceu o direito à utilização da importância de R$ 823.522,45 (fls. 291/292). As compensações homologadas mediante o reconhecimento deste crédito reportam se a (fl. 291): PROCESSO 1360..720005/200447– DÉBITOS COMPENSADOS Código PA Vencimento Valor Estimativa Mensal –2362 IRPJ 01/08/1999 30/09/99 R$ 209.204,33 Estimativa Mensal –2362 IRPJ 01/09/1999 29/10/99 R$ 430.864,87 Estimativa Mensal –2362 IRPJ 01/10/1999 30/11/99 R$ 361.499,73 Contudo, apesar de já objeto de análise pela DRF, tal como no período anterior, cabe verificar os procedimentos executados pelo contribuinte no período, tendo em vista a utilização de saldos negativos de CSLL de períodos anteriores na extinção de estimativas mensais e eventual saldo de crédito a ser utilizado em períodos posteriores. Então vejamos: CSLL Devida CSLL M anteriores CSLL PA Saldo a pagar Janeiro R$ 131.386,07 R$ 0,00 R$ 131.386,07 R$ 0,00 Fevereiro R$ 104.361,04 R$ 104.361,04 R$ 0,00 Março R$ 130.330,35 R$ 130.330,35 R$ 0,00 Abril R$ 113.088,29 R$ 113.088,29 R$ 0,00 Maio R$ 117.684,01 R$ 117.684,01 R$ 0,00 Junho R$ 114.527,24 R$ 114.527,24 R$ 0,00 Julho R$ 130.199,90 R$ 130.199,90 R$ 0,00 Agosto R$ 134.765,17 R$ 134.765,17 R$ 0,00 Setembro R$ 156.691,32 R$ 156.691,32 R$ 0,00 Outubro R$ 151.123,21 R$ 151.123,21 R$ 0,00 Novembro R$ 164.250,33 R$ 164.250,33 R$ 0,00 Dezembro R$ 624.884,48 R$ 1.448.406,93 R$ 823.522,45 Somas R$ 2.073.291,41 R$ 1.448.406,93 R$ 1.448.406,93 R$ 823.522,45 Não foram efetuados pagamentos através de DARF no período. Todas as antecipações informadas pelo contribuinte nas DCTF’s e na DIRPJ reportamse às compensações mediante utilização de “Saldo Negativo de CSLL” apurado em períodos anteriores. Utilizando o crédito disponível para compensação em 01/01/1998, identificado no item 25, temse: Fl. 501DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 11 (..) A memória de cálculos da compensação acima identificada encontrase anexada às fls. 293 a 305 e confirma a suficiência do crédito existente na extinção das estimativas mensais apuradas no período. Assim sendo, confirmadas as antecipações do período pelo valor de R$ 1.448.406,93. Confirmadas as antecipações mensais no decorrer do período, a apuração anual da CSLL no ano calendário de 1998: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO DE 1998 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 624.884,48 ()CONTR. SOCIAL S/LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA R$ 1.448.406,93 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A PAGAR (R$ 823.522,45) SALDO DE CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (R$ 823.522,45) CRÉDITO JÁ UTILIZADO NO PROCESSO 13603.720005/200447 R$ 823.522,45 CRÉDITO A COMPENSAR EM PERÍODOS POSTERIORES R$ 0,00 O demonstrativo acima indica que, considerando os dados de apuração informados pelo contribuinte em sua DIRPJ e as antecipações confirmadas no decorrer do período, confirmase o Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1998 no valor de R$ 823.522,45. Contudo, o crédito apurado já foi pleiteado pelo contribuinte através do processo 13603.720005/200447, reconhecido como válido pela DRF e utilizado integralmente nas compensações já identificadas no item 26.1.1 deste voto. Ou seja, ainda que integralmente reconhecido pela SRF aos 23/08/2004 (fl. 291), inexiste Saldo Negativo de CSLL a compensar em períodos posteriores através de informação em DCTF (art. 66 da Lei nº 8.393, de 1991), uma vez que já totalmente utilizado na extinção de valores apurados a título de estimativa mensal – IRPJ. Considerando o acima apurado e a utilização do crédito existente conforme descrito nos itens 27.1 e 27.2 deste voto, o saldo remanescente a compensar em períodos APURAÇÃO DA CSLL – EX 2000/AC 1999 O contribuinte apurou em sua DIPJ um Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 864.571,78. Verificando a DIPJ e as DCTF’s correspondentes, as antecipações mensais no decorrer do ano calendário correspondem a: (...) O demonstrativo acima indica que, para quitar as estimativas mensais apuradas no decorrer do período, o contribuinte efetuou o pagamento em DARF da importância de R$124.058,59, confirmado pelos sistemas da RFB à fl. 284 e compensações com saldos negativos de períodos anteriores. As planilhas de cálculos anexadas às fls. 316 a 319 confirmam que o saldo disponível para compensação, identificado no item 28 deste voto, correspondente ao Fl. 502DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 12 apurado no ano calendário de 1997 é suficiente para quitação das estimativas mensais identificadas no item anterior, restando ainda a compensar a importância de R$ 125.938,95. Diante do acima descrito, confirmadas as antecipações a título de CSLL no decorrer do ano calendário de 1999 no valor de R$ 740.513,19, correspondente ao pagamento no valor de R$ 124.058,59 e compensações no valor de R$ 740.513,19, restando ainda um saldo a compensar no valor de R$ 42.169,10. 29.3 Identificadas as antecipações mensais, a apuração anual corresponde a: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO DE 1999 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 1.015.206,10 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA R$ 1.015.206,10 ()CONTR. SOCIAL S/LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA R$ 864.571,78 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A PAGAR SALDO DE CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (R$ 864.571,78) Ou seja, constatase a apuração do Saldo Negativo de CSLL no ano calendário de 1999 no valor de R$ 864.571,78, restituível ou compensável em períodos posteriores. Considerando o saldo a compensar apurado no item 28, as compensações efetuadas no decorrer do ano calendário de 1999 e o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, o saldo negativo de CSLL a compensável em 31/12/1999 corresponde a: Ano Calend DIRPJ DRJ Utilizado Saldo a compensar Utilização 1994 616.634,64 616.634,64 457.222,86 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1997 159.411,78 Compensações estimativas mensais AC 1998 1995 733.424,48 366.590,89 366.590,89 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1996 443.161,26 443.161,26 443.161,26 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1997 1.048101,51 1.048.101,51 437.545,00 R$ 42.169,10 Compensação processo 13603.001975/9930 R$ 34.828,74 Compensações estimativas mensais AC 1998 R$ 533.558,67 Compensações estimativas mensais AC 1999 1998 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 0,00 Compensação processo 13603.720005/200447 1999 R$ 864.571,78 R$ 864.571,78 R$ 0,00 R$ 864.571,78 Fl. 503DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 13 APURAÇÃO DA CSLL – EX 2001/AC 2000 O contribuinte apurou na DIPJ o Saldo Negativo de CSLL no valor de R$1.532.462,81, integralmente confirmado pela DRF, conforme fl. 101. Verificando a DIPJ apresentada pelo contribuinte e as DCTF’s correspondentes ao período (fls. 324 a 334), temse: (...) O demonstrativo indica que o contribuinte informou a extinção das estimativas mensais apuradas no ano calendário de 2000 mediante pagamento em DARF e compensação com créditos de períodos anteriores (SN CSLL). Os pagamentos encontramse confirmados pelos sistemas da RFB à fl. 284. Utilizando o saldo disponível para compensação/restituição identificado no item 30 deste voto na compensação das estimativas mensais identificadas no demonstrativo do item 31, temse: COMPENSAÇÕES ESTIMATIVAS MENSAIS COM SALDO NEGATIDO CSLL PERÍODOS ANTERIORES ANO CALENDÁRIO DE 2000 Período CSLL apurada Valor compensado Crédito utilizado Origem Valor Janeiro R$ 381.836,77 R$ 63.700,64 SN CSLL AC 1997 R$ 42.169,10 R$ 318.136,13 SN CSLL AC 1999 R$ 314.986,27 Fevereiro R$ 298.790,63 R$ 298.790,63 SN CSLL AC 1999 R$ 291.616,85 Março R$ 215.251,23 R$ 215.251,23 SN CSLL AC 1999 R$ 207.151,61 As planilhas de cálculos anexadas às fls. 335 a 340 indicam que o crédito disponível em 01/01/2000 foi suficiente para extinguir as estimativas mensais identificadas no demonstrativo acima, restando ainda a compensar, a título de Saldo Negativo de CSLL AC 1999 no valor de R$ 50.817,05. Considerando o acima descrito, confirmamse as antecipações de CSLL efetuadas no decorrer do ano calendário de 2000 no valor de R$ 2.771.415,33, consubstanciadas nas compensações no valor de R$ 895.415,33 e nos pagamentos em DARF no valor de R$ 1.875.536,70. Identificadas as antecipações no decorrer do período, a apuração da CSLL: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO DE 2000 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 1.238.952,52 ()CONTR. SOCIAL S/LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA R$ 2.771415,33 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A PAGAR R$ 1.532.462,81 O demonstrativo acima indica a apuração do Saldo Negativo de CSLL no ano calendário de 2000 no valor de R$ 1.532.462,81. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 14 Deduzidas as compensações efetuadas no decorrer do ano calendário de 2000, considerando o saldo a compensar existente em 31/12/1999, identificado no item 30, o saldo disponível para compensação em 31/12/2000: Ano Cld DIRPJ DRJ Utilizado Saldo a compensar Utilização 1994 616.634,64 616.634,64 457.222,86 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1997 159.411,78 Compensações estimativas mensais AC 1998 1995 733.424,48 366.590,89 366.590,89 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1996 443.161,26 443.161,26 443.161,26 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1997 1.048101,51 1.048.101,51 437.545,00 Compensação processo 13603.001975/9930 R$ 34.828,74 Compensações estimativas mensais AC 1998 R$ 533.558,67 Compensações estimativas mensais AC 1999 R$ 42.169,10 Compensações estimativas AC 2000 1998 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 0,00 Compensação processo 13603.720005/200447 1999 R$ 864.571,78 R$ 864.571,78 R$ 813.754,73 R$ 50.817,05 Compensações estimativas AC 2000 2000 R$ 1.532.462,81 R$ 1.532.462,81 0 R$ 1.532.462,81 APURAÇÃO DA CSLL – EX 2002/AC 2001 O contribuinte apurou na DIPJ um Saldo Negativo de CSLL AC 2001 no valor de R$ 2.204.183,82, integralmente confirmado pela DRF. Verificando os procedimentos adotados pelo contribuinte no período, temse: (...) O demonstrativo acima indica que o contribuinte pretendeu extinguir as estimativas mensais apuradas no ano calendário de 2001 mediante o pagamento em DARF, a compensação de Saldos Negativos de períodos anteriores e a compensação pleiteada através de processos administrativos. Os pagamentos encontramse confirmados pelos sistemas da RFB conforme atesta o documento anexado à fl. 284. A soma do valor pago importa em R$ 1.115.521,23. Considerando o informado pelo contribuinte nas DCTF’s e o saldo de CSLL a compensar identificado no item 32, temse: Fl. 505DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 15 (...) As planilhas de cálculos anexadas às fls. 353 a 359 indicam que o crédito disponível é suficiente para extinguir as estimativas mensais compensadas com Saldo Negativo de CSLL de períodos anteriores. Assim sendo, confirmamse as antecipações no valor de R$1.614.103,90. Acrescentese ainda que, após as compensações identificadas no demonstrativo acima, resta ainda a compensar/restituir um saldo de R$ 58.799,24, a título de saldo negativo de CSLL AC 2000. O contribuinte informou ainda a extinção de parte da CSLL estimada no mês de julho/2001 através de pedido de compensação formalizado através de processo administrativo. As telas anexadas às fls. 360 a 364 comprovam a extinção da CSLL Estimativa Mensal apurada no mês de julho/2001 nos valores de R$ 25.622,81 e R$ 100.707,96, através dos processos 13603.000161/200226 e 13603.000160/200281, respectivamente. Considerando o acima apurado, confirmamse as antecipações de CSLL no ano calendário de 2001: ANTECIPAÇÕES MENSAIS – CSLL – ANO CALENDÁRIO 2001 Pagamentos 1.115.521,23 Compensações com SN períodos anteriores 1.614.103,90 Compensações em processo administrativo 126.330,77 Soma 2.855.955,90 Constatadas as antecipações de CSLL no decorrer do período, a apuração da CSLL ao final do período: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO DE 2001 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO R$ 651.772,08 ()CONTR. SOCIAL S/LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA R$ 2.855.955,90 CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A PAGAR R$ 2.204.183,82 O demonstrativo acima confirma a apuração do Saldo Negativo de CSLL AC 2001 no valor de R$ 2.204.183,82, compensável ou restituível em períodos posteriores. Deduzidas as compensações efetuadas no decorrer do ano calendário de 2001, considerando o saldo a compensar existente em 31/12/2000, identificado no item 32 deste voto, o saldo disponível para compensação em 31/12/2001: Ano DIRPJ DRJ Utilizado Saldo a compensar Utilização 1994 616.634,64 616.634,64 457.222,86 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1997 159.411,78 Compensações estimativas mensais AC 1998 1995 733.424,48 366.590,89 366.590,89 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 Fl. 506DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 16 1996 443.161,26 443.161,26 443.161,26 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1997 1.048.101,51 1.048.101,51 437.545,00 R$ 0,00 Compensação processo 13603.001975/9930 R$ 34.828,74 Compensações estimativas mensais AC 1998 R$ 533.558,67 Compensações estimativas mensais AC 1999 R$ 42.169,10 Compensações estimativas AC 2000 1998 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 0,00 Compensação processo 13603.720005/2004 47 1999 R$ 864.571,78 R$ 864.571,78 R$ 813.754,73 R$ 0,00 Compensações estimativas AC 2000 R$ 50.817,05 Compensações estimativas AC 2001 2000 R$ 1.532.462,81 R$ 1.532.462,81 R$ 1.473.663,57 R$ 58.799,24 Compensações estimativas AC 2001 2001 R$ 2.204.183,82 R$ 2.204.183,82 R$ 0,00 R$ 2.204.183,82 APURAÇÃO DA CSLL – EX 2003/AC 2002 37. O Saldo Negativo de CSLL apurado neste período é aquele utilizado na DCOMP. O contribuinte apurou na DIPJ a importância de R$ 2.774.711,66, utilizandoa integralmente na DCOMP em litígio neste processo. A DRF reconheceu ao contribuinte somente o direito à utilização da importância correspondente a R$ 1.751.494,73. O impugnante propugna pela validação total do saldo apurado na DIPJ. Os dados informados na DIPJ e nas DCTF’s correspondentes, acerca das antecipações mensais efetuadas no decorrer do período: (...) Neste período o contribuinte informou nas DCTF’s a quitação das estimativas mensais – CSLL apuradas através de pagamento, compensação com saldo negativo apurado em 2001 e compensações pleiteadas através de processo administrativo. Os pagamentos informados pelo contribuinte encontramse confirmados nos sistemas da RFB conforme tela à fl. 284. Assim sendo, confirmada a antecipação no valor de R$ 748.494,62. O contribuinte informa a extinção das estimativas apuradas nos meses de janeiro a agosto/2002 com o Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2001 (fls. 366 a 373). As planilhas de cálculos anexadas às fls. 374 a 377 confirmam a suficiência do crédito utilizado (SN AC 2001) na extinção dos valores compensados. Confirmada a antecipação no valor de R$ 2.364.112,03. A CSLLestimativa mensal apurada nos meses de setembro e outubro/2002 foram extintas por compensação, sob condição resolutória de ulterior homologação Fl. 507DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 17 através da DCOMP cadastrada no processo 13603.000920/200170. As compensações intentadas neste processo foram indeferidas pelo fisco e os débitos indevidamente foram encaminhados à Dívida Ativa da União aos 02/04/2007 (fls. 378 a 380). O contribuinte propugna pela validação dos valores referentes às estimativas mensais de CSLL em cobrança na PFN (débitos indevidamente compensados), considerando que atualmente encontramse com a exigibilidade suspensa em função de parcelamento. Acerca destas alegações, cabe esclarecer que o “saldo negativo de CSLL” reportase a um “pagamento a maior”, somente constatado ao final do período de apuração, em decorrência de antecipações do imposto ocorridas durante o ano calendário em valor maior que a CSLL devida ao final do período. Este crédito, quando líquido e certo, é passível de restituição ou compensação a partir da sua apuração (ano calendário seguinte). Entretanto, por óbvio, somente podem compor o crédito restituível ou compensável os valores efetivamente quitados pelo contribuinte, quer seja através de pagamentos, retenções na fonte ou compensação. Neste contexto, somente podem ser restituídos, e, por conseguinte, utilizados em compensação, os créditos líquidos e certos, advindos de pagamentos indevidos ou a maior pelo contribuinte. Ou seja, ainda que possam compor o “Saldo Negativo de CSLL”, somente são passíveis de utilização em DCOMP os valores efetivamente pagos pelo contribuinte, pela simples razão de que não se restitui o que não foi arrecadado. Acrescentese ainda por oportuno que, na data da apresentação das DCOMP’s em análise neste processo – 2003 e 2006, os valores correspondentes às estimativas mensais apuradas nos meses de setembro e outubro/2002 não gozavam das características de liquidez e certeza imprescindíveis para compor o valor a restituir/compensar em discussão neste processo. Esclareçase ainda que, quando do efetivo pagamento dos valores inseridos no parcelamento em curso na PFN, não há impedimento para a utilização deste crédito em nova DCOMP, respeitadas as demais regras afetas ao procedimento. Enfim, ainda que componham o “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 2002, os valores ainda não quitados na data da apresentação da DCOMP em função do parcelamento em curso na PFN não podem ser utilizados nas DCOMP’s em litígio neste processo. Diante do acima apurado, as antecipações dedutíveis da CSLL apurada no período em análise correspondem a: ANTECIPAÇÕES MENSAIS – ANO CALENDÁRIO DE 2002 Pagamentos R$ 748.494,62 Compensações com saldo negativo de períodos anteriores R$ 2.364.112,03 Soma R$ 3.112.606,65 Valores parcelados R$ 845.461,39 Dedutíveis, contudo, somente restituíveis ou compensáveis quando efetivamente extintos. Soma a deduzir da apuração anual R$ 3.958.068,04 Fl. 508DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 18 Considerando os dados extraídos do demonstrativo acima e aqueles constantes da DIPJ apresentada pelo contribuinte, temse: APURAÇÃO DA CSLL – ANO CALENDÁRIO DE 2002 36.CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO TOTAL R$ 1.183.356,38 DEDUCOES 38.()CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 3.112.606,65 39.()PARCEL.FORMAL.DE CSLL SOBRE A BASE CALC.ESTIMADA R$ 845.461,39 42.CSLL A PAGAR R$ 2.774.711,66 SALDO NEGATIVO DE CSLL PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO NA DATA DAS DCOMP’S R$ 1.929.250,27 S NEGATIVO CSLL SOMENTE PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO QUANDO EFETIVAMENTE EXTINTO R$ 845.461,39 Diante do demonstrativo do item anterior, constatase que do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s em litígio neste processo, correspondente ao “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 2002, passível de restituição nos termos da lei, e conseqüentemente, utilizáveis em DCOMP importa em R$ 1.929.250,27. Esclareçase ainda que, na apuração do Saldo Negativo de CSLL acima identificado foram computados todas as compensações identificadas pelo contribuinte em suas declarações apresentadas à RFB, resultando no seguinte saldo a restituir/compensar: Ano DIRPJ DRJ Utilizado Saldo a compensar Observações/Utilização 1994 616.634,64 616.634,64 457.222,86 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1997 159.411,78 Compensações estimativas mensais AC 1998 1995 733.424,48 366.590,89 366.590,89 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1996 443.161,26 443.161,26 443.161,26 R$ 0,00 Compensações estimativas mensais AC 1998 1997 1048101,51 1048.01,51 437.545,00 R$ 0,00 Compensação processo 13603.001975/9930 R$ 34.828,74 Compensações estimativas mensais AC 1998 R$ 533.558,67 Compensações estimativas mensais AC 1999 Fl. 509DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 19 R$ 42.169,10 Compensações estimativas AC 2000 1998 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 823.522,45 R$ 0,00 Compensação processo 13603.720005/200447 1999 R$ 864.571,78 R$ 864.571,78 R$ 813.754,73 R$ 0,00 Compensações estimativas AC 2000 R$ 50.817,05 Compensações estimativas AC 2001 2000 R$ 1.532.462,81 R$ 1.532.462,81 R$ 1.473.663,57 R$ 58.799,24 Compensações estimativas AC 2001 2001 R$ 2.204.183,82 R$ 2.204.183,82 R$ 2.090.645,31 R$ 113.538,51 Compensação estimativas AC 2002 2002 R$ 2.774.711,66 R$ 2.774.711,66 R$ 0,00 R$ 1.929.250,27 R$ 845.461,39 somente compensável quando efetivamente extinto SÍNTESE Considerando a análise detalhada efetuada até aqui, onde foram apreciadas todas as alegações apresentadas pelo contribuinte, vislumbramse as seguintes alterações: • Foi computado na validação das compensações efetuadas ao longo do período em análise o “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1994, no valor de 616.634,64 Ufir’s, não considerado pela DRF. • Foram computadas as compensações homologadas através dos processos administrativos nºs 13603.000161/200226 e 13603.000160/200281, não considerados pela DRF. • Foram deduzidas as importâncias utilizadas em compensações espontâneas informadas em DCTF, nos moldes do lançamento por homologação e aquelas também pleiteadas através dos processos administrativos de nºs 13603.720005/2004 47 e 13603.001975/9930. • O Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002, passível de utilização nas DCOMP’s em análise neste processo passou a R$ 1.929.250,27. Considerando o crédito já reconhecido pela DRF quando da análise do procedimento, temse: RESULTADO – CRÉDITO A UTILIZAR NAS DCOMP’S EM ANÁLISE Crédito reconhecido pela DRF R$ 1.751.494,73 Já utilizado nas DCOMP's Crédito reconhecido neste voto R$ 1.929.250,27 Saldo de crédito a utilizar nas DCOMP's R$ 177.755,54 O demonstrativo acima indica o “saldo negativo de CSLL” passível de restituição/compensação na data da apresentação das DCOMP’s, correspondente ao ano calendário de 2002 no valor de R$ 1.929.250,27. Considerando que a DRF já reconheceu ao contribuinte o direito à utilização da importância de R$ 1.751.494,73, cabe ainda reconhecer ao contribuinte o direito creditório no valor de Fl. 510DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 20 R$177.755,54, a ser utilizado na extinção de débitos por via de compensação informada em DCOMP. O demonstrativo acima indica que, considerando o crédito reconhecido neste voto, no valor de R$ 177.755,54, os débitos compensados pelo contribuinte nas DCOMP’s em litígio neste processo, e as planilhas de cálculos anexadas às fls. 378 a 380, constatase que o crédito reconhecido é insuficiente para a extinção total dos débitos compensados. COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As compensações declaradas pelo contribuinte nas DCOMP’s em análise neste processo foram PARCIALMENTE HOMOLOGADAS em função da insuficiência do crédito utilizado pelo contribuinte. Contudo, as DCOMP’s se submetem a legislação específica quanto ao prazo para homologação do fisco. Neste sentido, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003: O § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). (Os grifos não são do original) Neste contexto, tornase imprescindível averiguarmos a data em que foram protocolizadas as DCOMP’S não homologadas neste processo. Então vejamos: DCOMP Data Código Valor Vencimento 30505.4389 4.270906.1. 7.034802 27/09/06 2484 R$ 260.664,66 30/06/03 Compensação não homologada 2484 R$ 378.658,44 31/07/03 Compensação não homologada 2484 R$ 416.420,98 29/08/03 Compensação não homologada 21568.5183 3.300903.1. 3.034764 30/09/03 2484 R$ 248.794,03 30/09/03 Compensação não homologada SSoommaa ddéébbiittooss nnããoo ccoommppeennssaaddooss ((vvaalloorr oorriiggiinnaall)) RR$$ 11..330044..553388,,1111 A DCOMP mais antiga acima identificadas foi apresentada à SRF(atualmente RFB) em 30/09/2003. O contribuinte foi cientificado da invalidação de parte do procedimento pelo fisco aos 04/09/2008, conforme AR à fl. 115, portanto, dentro do prazo previsto pela legislação vigente. (...) Assim sendo, impõese a HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da compensação declarada pelo contribuinte, em análise neste processo. (...)” Fl. 511DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.900421/200699 Acórdão n.º 140200.634 S1C4T2 Fl. 0 21 A transcrição acima revela que a ilustre relatora da decisão recorrida realizou um trabalho minucioso e aprofundado, no qual aponta precisamente o valor do direito creditório do contribuinte acumulado de 1994 a 2002. Por sua vez, a recorrente limitase afirmar, porem se trazer provas aos autos. Também não há que se falar em homologação tácita, pois, conforme asseverado na decisão recorrida, a DCOMP mais antiga apresentada pelo contribuinte foi protocolada em 30/09/2003, sendo que a ciência da invalidação de parte do procedimento pelo fisco aos 04/09/2008, conforme AR à fl. 115, dentro do prazo previsto pela legislação vigente. Portanto, os despacho da DRF de Origem, bem como os fundamentos da decisão de 1a. instância, não merecem qualquer reparo, pelo que devem ser confirmados. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 512DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900332/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900332/2012-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850862
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.214
nome_arquivo_s : Decisao_10865900332201211.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10865900332201211_5850862.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7195660
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009110315008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900332/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.214 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 32 /2 01 2- 11 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900332/201211 Acórdão n.º 3301004.214 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.749. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900332/201211 Acórdão n.º 3301004.214 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900332/201211 Acórdão n.º 3301004.214 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002129/2007-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem apresente informações acerca da sistemática de tributação referente ao ano-calendário de 2005.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10070.002129/2007-67
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856521
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.006
nome_arquivo_s : Decisao_10070002129200767.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JULIO LIMA SOUZA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 10070002129200767_5856521.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem apresente informações acerca da sistemática de tributação referente ao ano-calendário de 2005. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7245640
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009112412160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.002129/200767 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1002000.006 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 07 de março de 2018 Assunto Obrigações acessórias Recorrente MOBILIÁRIA REAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem apresente informações acerca da sistemática de tributação referente ao anocalendário de 2005. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao 2º trimestre do ano calendário de 2005, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 1.446,56 (mil quatrocentos e quarenta e seis reais e cinquenta e seis centavos) (efl. 6). Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/4) alegando a recorrente estar devidamente enquadrada no Simples e que a entrega da DCTF que gerou a incidência da multa contestada, decorreu de um engano de sua parte. Como o equívoco foi informado a RFB, já teria sido devidamente cancelada a entrega. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 02 12 9/ 20 07 -6 7 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10070.002129/200767 Resolução nº 1002000.006 S1C0T2 Fl. 3 2 A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/RJO I proferise o Acórdão nº 1223.121 (efls. 41/43) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 49/51), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação, acrescentando que a exclusão do Simples se sucedeu de forma indevida, tendo retornado à sistemática de recolhimento no anocalendário 2003. Para tanto teria encartado aos autos pedido de revisão da exclusão acatando a solicitação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator De fato, foram encartados aos autos outra decisão em 1º grau na qual acolheu em 2002 pedido de anulação de Ato Declaratório de Exclusão do Simples, diante da insuficiência de motivação, tendo como período de referência o ano de 1999 (efl. 63/66). Considero que a evidência identificada pela recorrente tem força probante relativa, na medida em que não é esclarecedora quanto à forma de tributação adotada no ano calendário de 2005. Diante da falta de outros elementos que possam aclarar a dúvida, voto por sobrestar o presente julgamento, de modo que os autos retornem à origem com a finalidade de que sejam prestadas informações acerca do regime de tributação correspondente ao ano da exigência contestada. É como voto. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954401/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2001
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.954401/2008-32
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5831450
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.164
nome_arquivo_s : Decisao_10880954401200832.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880954401200832_5831450.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128597
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009179521024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954401/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.164 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 44 01 /2 00 8- 32 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.954401/200832 Acórdão n.º 3401004.164 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.779, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.954401/200832 Acórdão n.º 3401004.164 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.954401/200832 Acórdão n.º 3401004.164 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.954401/200832 Acórdão n.º 3401004.164 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000498/2006-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001,2002,2003,2004
RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
Numero da decisão: 9101-003.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001,2002,2003,2004 RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13982.000498/2006-40
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5837829
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.406
nome_arquivo_s : Decisao_13982000498200640.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 13982000498200640_5837829.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7149597
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009230901248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13982.000498/200640 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.406 – 1ª Turma Sessão de 6 de fevereiro de 2018 Matéria CSLL ATOS COOPERADOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE CRÉDITO MAXI ALFA DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001,2002,2003,2004 RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 14751.000133/200782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 04 98 /2 00 6- 40 Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 13982.000498/200640 Acórdão n.º 9101003.406 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), no qual protesta pela tributação de CSLL sobre o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados. A decisão recorrida entendeu incabível tal exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.400, de 06.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 14751.000133/200782. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.400): O recurso especial da PGFN é tempestivo. Contudo, cabem considerações sobre a admissibilidade. Isso porque a decisão recorrida adotou o mesmo entendimento da Súmula CARF nº 83 para resolver o litígio: Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Nesse contexto, o recurso especial não deve ser conhecido, nos termos do § 3º do art. 67, Anexo II RICARF, que se aplica inclusive nos casos em que a súmula foi aprovada posteriormente à interposição do recurso. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 13982.000498/200640 Acórdão n.º 9101003.406 CSRFT1 Fl. 4 3 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001789/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. LEI Nº 9.430/96 E IN N°
460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia destas em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN.
Numero da decisão: 1402-000.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. LEI Nº 9.430/96 E IN N° 460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia destas em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10980.001789/2004-15
conteudo_id_s : 5837856
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.252
nome_arquivo_s : Decisao_10980001789200415.pdf
nome_relator_s : Frederico Augusto Gomes de Alencar
nome_arquivo_pdf_s : 10980001789200415_5837856.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
id : 7150397
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009237192704
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-29T18:16:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 9701892; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-09-29T18:16:37Z; Last-Modified: 2010-09-29T18:16:37Z; dcterms:modified: 2010-09-29T18:16:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 9701892; xmpMM:DocumentID: uuid:1a0d89e4-6989-404e-a932-1f6b8b5439b1; Last-Save-Date: 2010-09-29T18:16:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-09-29T18:16:37Z; meta:save-date: 2010-09-29T18:16:37Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 9701892; modified: 2010-09-29T18:16:37Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-09-29T18:16:37Z; created: 2010-09-29T18:16:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-09-29T18:16:37Z; pdf:charsPerPage: 1790; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-09-29T18:16:37Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 228 1 227 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.001789/2004-15 Recurso nº 171.022 Voluntário Acórdão nº 1402-00.252 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de setembro de 2010 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. LEI Nº 9.430/96 E IN N° 460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia destas em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 2 EDITADO EM: 29/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Botica Comercial Farmacêutica Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida: “Trata o processo de Declaração de Compensação de fls. 01/02, em que foi declarado crédito referente a saldo negativo de IRPJ, do ano calendário 1999, no valor originário de R$ 1.454.982,10, a ser compensado com débito de Cofins, do período 11/2003, no total de R$ 2.483.945,44. Conforme Despacho Decisório proferido pela Seort/DRF Curitiba, em 01/07/2005, às fls. 107/112, a autoridade fiscal homologou parcialmente a compensação, até o valor de R$ 1.854.792,82, restando saldo devedor de R$ 629.147,62. Cientificada do Despacho Decisório, por via postal, em 06/07/2005, conforme AR de fl. 114, tempestivamente, em 08/08/2005, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 115/127. À fl. 141 consta despacho proferido por esta DRJ, na data de 11/08/2005, em que a Delegada declarou-se incompetente para a apreciação da manifestação de inconformidade, sob a justificativa de que esta não teve como objeto a homologação parcial de compensação, mas os valores que estavam sendo cobrados. Novo despacho decisório foi elaborado pela DRF/Curitiba, às fls. 142/147, confirmando a decisão anterior, e esclarecendo que, em vista do atraso da entrega da Dcomp, relativamente ao vencimento do débito da Cofins a ser compensado, este foi acrescido de multa moratória de 20% e juros. Cientificada deste Despacho Decisório, por via postal, em 20/09/2005, conforme AR de fl. 152, tempestivamente, em 24/10/2005, a interessada ingressou com a reclamação de fls. 153/185, por meio de seu representante legal, conforme instrumento de fls. 128/129, que se resume a seguir. Preliminar. Competência da DRJ Preliminarmente, a impugnante contesta a declaração de incompetência manifestada pela Delegada da DRJ, alegando que o art. 224 do Regimento Interno da SRF nada trata acerca do mérito ou assunto da manifestação de inconformidade enquanto requisito de procedibilidade para exame do recurso, pois a regra apenas impõe como pressuposto que a manifestação de inconformidade seja apresentada contra a não-homologação ou homologação parcial do pedido de compensação; Afirma que deixou expressamente consignado que a manifestação de inconformidade estava sendo apresentada contra a homologação parcial do Dcomp, Fl. 230DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001789/2004-15 Acórdão n.º 1402-00.252 S1-C4T2 Fl. 229 3 e assim, deveria a DRJ ter-se pronunciado, ainda que fosse para declarar que os cálculos estavam corretos e que a cobrança era devida; Assinala que, se o despacho decisório apenas homologou parcialmente a compensação por entender haver um crédito remanescente a ser pago, sendo este o fundamento do referido ato administrativo, nada obsta que se impugne os referidos cálculos e valores, os quais apenas servem como suporte à argumentação apresentada e não como único “assunto” trazido no bojo da petição; Aduz que a argumentação apresentada na manifestação de inconformidade é, sem dúvida, o questionamento das razões que levaram à homologação parcial do débito, não havendo outra forma para fazê-lo que não através da demonstração de erro nos cálculos realizados pela autoridade fazendária, que a levaram a emitir carta de cobrança fundada na homologação parcial do Dcomp; Mérito. No mérito, questiona a decisão da autoridade fiscal, que entendeu não ser possível excluir multa moratória, em vista de previsão em instrução normativa da SRF, e ressalta que tal entendimento fere o princípio da legalidade, mesmo reconhecendo explicitamente que houve denúncia espontânea; Explica que, em 19/03/2004, a empresa apresentou declaração de compensação de Cofins com IRPJ, não obstante o tenha feito a destempo, já que o prazo para a apresentação da mencionada declaração era 15/12/2003; Justifica que, naquela oportunidade, efetuou a compensação sponte propria, independentemente de atuação do fisco no sentido de cobrar o valor devido, ou seja, antes do início de qualquer procedimento administrativo fiscal. Acrescenta que tal conduta é denominada de denúncia espontânea, e tem como característica intrínseca a dispensa de multa, se efetuada antes do início de qualquer processo administrativo fiscal; Entende que débito espontaneamente confessado é aquele em que o contribuinte informa o valor do imposto antes de verificada qualquer ação tendente a realizar o lançamento de ofício, e recolhe o tributo devido acrescido de juros de mora, ficando excluído o dever de pagar. Afirma que, no caso, o recolhimento do tributo foi realizado nos termos do art. 138 do CTN, e assim fica vedada a incidência de multa de qualquer natureza sobre o valor do débito objeto da compensação; Assevera que a multa de mora não pode ser reclamada no caso de denúncia espontânea, porquanto sua conseqüência jurídica é justamente a exclusão da responsabilidade pela infração; Contesta a interpretação dada pelas autoridades fazendárias, que, em geral, cobram multa moratória naquelas hipóteses, sob alegação de que a mesma não possui caráter punitivo, e cita decisões do STJ, TRF4, Conselho de Contribuintes e doutrina; Sustenta que equivale a denúncia espontânea a hipótese de confissão de dívida como prevista pelo art. 74, §6° da Lei n° 9.430/96, haja vista ser a mesma anterior à realização de qualquer procedimento administrativo, sendo voluntária, devendo portanto ficar afastada a imposição de qualquer penalidade; Princípio da legalidade Fl. 231DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 4 Reclama que a autoridade fazendária infringiu o princípio da legalidade, já que a Instrução Normativa n° 460/04 não merece aplicabilidade, por ser contrário ao disposto no art. 138 do CTN; Cita doutrina comentando o princípio da legalidade; Aponta ser inequívoco que, ao modificar a regulamentação relativa à denúncia espontânea a SRF está extrapolando a sua função exclusivamente regulamentar, para, de forma inadmissível legislar, competência esta exclusiva do Poder Legislativo e com isso ferindo de morte o princípio constitucional da legalidade. Além disso, entende que a instrução normativa encerra antonímia normativa, por conflitar com disposição de norma hierarquicamente superior; Argumenta que, mesmo que a cobrança não fosse insubsistente por estar acrescida de penalidade não prevista na legislação vigente, ainda assim não poderia incidir multa sobre o débito que foi objeto de compensação, mas apenas sobre o valor que deixou de ser compensado, pois em relação ao primeiro ocorreu a denúncia espontânea, a qual afasta a incidência de qualquer penalidade; Observa que a autoridade fazendária fundamenta a cobrança apenas em instruções normativas, e que tal decisão é impertinente em um estado democrático de direito, em que se espera que as autoridades administrativas observem a Constituição Federal, em todos os seus conceitos e princípios, inclusive e especialmente o da legalidade e o da moralidade; Ressalta o dever da administração de imprimir transparência a seus atos, de modo que esta deveria ter apresentado o demonstrativo dos cálculos por escrito para o caso concreto, ainda que a forma utilizada para o cálculo esteja disponível para consulta pela Internet. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06- 18.768 (fls. 188-198), proferido em 31/07/2008, traz a seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DA DRJ. DISCUSSÃO DOS VALORES COBRADOS. Deve ser acolhida preliminar de competência da DRJ, contra decisão em que a autoridade julgadora declarou-se incompetente para apreciar os valores cobrados após homologação parcial, uma vez que a discussão acerca do quantum não homologado confunde-se com o próprio mérito da decisão a ser enfrentada. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. IN N° 460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia desta em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN, e os acréscimos exigidos são previstos em lei. COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTA PUNITIVA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001789/2004-15 Acórdão n.º 1402-00.252 S1-C4T2 Fl. 230 5 Correta a decisão de parcial homologação de débito com vencimento anterior à data de envio da Dcomp, descabendo alegar denúncia espontânea, que é apta a excluir somente as multas de natureza punitiva, não atingindo a multa moratória, de caráter indenizatório, exegese esta que deve prevalecer, sob pena de implicar a absoluta ineficácia da multa de mora.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/08/2008 (A.R. de fl. 199), a recorrente interpôs recurso voluntário em 18/09/2008 (fl. 202-206) onde sustenta ter ocorrido a denúncia espontânea, decorrente da apresentação de PER-DCOMP. Como conseqüência, considera indevida a incidência de multa, seja moratória ou de ofício. Alega, ainda, que a competência para tratar sobre responsabilidade quanto a infrações é do Código Tributário Nacional, não podendo tal matéria ser alterada por normas de inferior hierarquia. Nesse sentido, entende que a decisão recorrida merece reparos já que a incidência da multa moratória tem por base a Lei Ordinária nº 9.430/96 e a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 460/04. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se observar, de plano, que a recorrente tão-somente repisa alguns dos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Dessa forma, e considerando que tais argumentos foram adequadamente enfrentados na decisão de primeira instância, peço vênia para adotar parte dos fundamentos do voto contido naquele Acórdão relativo à matéria aqui discutida. Destaque-se, de início, que o instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Veja-se a fundamentação do voto de primeira instância: “... Não merecem prevalecer os argumentos formulados pela interessada. Ela recorre ao instituto da denúncia espontânea, assim introduzido no ordenamento jurídico, através do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 233DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 6 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A tese da impugnante se funda na premissa de que a denúncia espontânea excluiria toda e qualquer modalidade de penalidade, inclusive as de caráter moratório. Essa interpretação, à primeira vista possível em face da literalidade da redação, a qual não estabelece distinção entre as modalidades de multa, torna-se insustentável quando examinada a partir de uma perspectiva sistemática, que leva em conta a lógica interna do ordenamento jurídico como um todo. Inicialmente, há que se distinguir a multa punitiva da multa moratória, sendo esta indenizatória e aquela punitiva, conforme ensina Paulo de Barros Carvalho, em Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 514: As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. A interpretação que deve prevalecer, quanto aos efeitos da denúncia espontânea, é aquela segundo a qual os benefícios decorrentes da denúncia espontânea circunscrevem-se às multas de natureza punitiva, que são justamente aquelas aplicadas pela autoridade fiscal em procedimento de fiscalização, não se aplicando às penalidades de caráter indenizatório, como a multa de mora. É que, caso a multa moratória fosse também excluída pela denúncia espontânea, seria ela totalmente inócua, já que o contribuinte sempre poderia optar por deixar de recolher o tributo no prazo legal, e escolher um dia qualquer para saldar sua dívida com o fisco, bastando que pague “espontaneamente”, sem qualquer multa pelo inadimplemento. Além disso, na hipótese de o fisco bater a sua porta antes do pagamento, também não poderia exigir a multa de mora, já que a penalidade cabível seria a multa de ofício. Em suma, caso vingasse a tese formulada pela litigante, a multa de mora seria absolutamente desprovida de eficácia, pois jamais seria exigível, nem por ato espontâneo do contribuinte, nem por dever do fisco. Por óbvio que essa conclusão foge ao bom senso, e merece, portanto, ser rejeitada. Não pode o ordenamento jurídico, por um lado, criar um instituto e conferir legitimidade à autoridade fiscal para aplicá-lo visando a determinados fins, e, de outro lado, retirar-lhe totalmente sua eficácia. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou-se) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001789/2004-15 Acórdão n.º 1402-00.252 S1-C4T2 Fl. 231 7 §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) A interpretação no sentido de que a denúncia espontânea é apta a eximir o contribuinte somente das penalidades de natureza punitiva, sendo ineficaz quanto às multas moratórias, é compartilhada por Paulo de Barros Carvalho, ao comentar o art. 138 do CTN, na obra Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 512: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas - juros de mora e multa de mora - por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. (Grifou-se) Na jurisprudência do Conselho de Contribuintes encontram-se diversos julgados em consonância com a presente decisão, conforme se transcreve a seguir: Número do Recurso: 135810 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10746.000330/2005-58 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrida/Interessado: DRJ-BRASÍLIA/DF Data da Sessão: 18/10/2007 15:00:00 Relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis Decisão: ACÓRDÃO 203-12511 Resultado: NPQ - NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mauro Wasilewski (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Fl. 235DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 8 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN refere-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Grifou-se) Recurso negado. ____________________________________________________ Número do Recurso: 151552 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10830.003822/00-15 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 101-96167 Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA- EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA- O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. (Grifou-se) COMPENSAÇÃO- Se a Secretaria da Receita Federal reconhece o valor do crédito integrante do pedido de restituição, e se esse valor é suficiente para comportar todos os débitos cuja compensação foi pleiteada, é de ser homologada a compensação. ...” Quanto ao argumento de que a autoridade fazendária teria infringido o princípio da legalidade, pondera-se que, ao contrário do que pensa a interessada, a Lei nº 9.430/96 encontra-se inserida normalmente no ordenamento jurídico Pátrio e que a Instrução Normativa n° 460/04 foi elaborada em consonância com a norma veiculada pelo art. 138 do CTN e art. 61 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, veja-se a decisão de primeira instância. “A interessada reclama que a autoridade fazendária infringiu o princípio da legalidade, já que a Instrução Normativa n° 460/04 não merece aplicabilidade, por ser contrário ao disposto no art. 138 do CTN. Aponta ser inequívoco que, ao modificar a regulamentação relativa à denúncia espontânea a SRF extrapolou a sua função exclusivamente regulamentar, sendo que a competência para legislar é exclusiva do Poder Legislativo, e com isso feriu de morte o princípio constitucional Fl. 236DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001789/2004-15 Acórdão n.º 1402-00.252 S1-C4T2 Fl. 232 9 da legalidade. Além disso, entende que a instrução normativa encerra antonímia normativa, por conflitar com disposição de norma hierarquicamente superior. Observa que a autoridade fazendária fundamenta a cobrança apenas em instruções normativas, e que tal decisão é impertinente em um estado democrático de direito, em que se espera que as autoridades administrativas observem a Constituição Federal, em todos os seus conceitos e princípios, inclusive e especialmente o da legalidade e o da moralidade. Ressalta o dever da administração de imprimir transparência a seus atos, de modo que esta deveria ter apresentado o demonstrativo dos cálculos por escrito para o caso concreto, ainda que a forma utilizada para o cálculo esteja disponível para consulta pela Internet. Sem razão à impugnante. A contrário do que pensa a interessada, e de acordo com os fundamentos explanados no item anterior, a Instrução Normativa n° 460/04 foi elaborada em consonância com a norma veiculada pelo art. 138 do CTN. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Grifou-se) Os acréscimos legais a que se refere o dispositivo acima são os previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, já citado anteriormente, e que foram corretamente aplicados pela autoridade administrativa. Nos cálculos, foram levados em conta as datas do vencimento da Cofins (15/12/2003) e da entrega da Dcomp (19/03/2004). Assim, foram aplicados multa de 20%, pelo transcurso de mais de sessenta dias, e juros de 3,35%, considerando as taxas de janeiro (1,27%), fevereiro (1,08%) e março (1%). Dessa forma, inexistindo qualquer antinomia entre as disposições da Instrução Normativa n° 460/04 e o CTN, e não tendo o regulamento administrativo exigido nada além do que a lei já estipula, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da legalidade. Finalmente, a aventada falta de transparência não subsiste, já que no segundo despacho, a autoridade fiscal demonstra como chegou aos valores não homologados.” Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 2 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Relator Fl. 237DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 10 Fl. 238DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 29/09/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 30/09/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15943.000107/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002.
O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-004.255
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15943.000107/2009-21
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840352
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.255
nome_arquivo_s : Decisao_15943000107200921.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 15943000107200921_5840352.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7166490
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009259212800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15943.000107/200921 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.255 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. FORNECEDORES INIDÔNEOS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Recorrente VITAPELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, “A”, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/200932. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 01 07 /2 00 9- 21 Fl. 31646DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de PIS não cumulativa. Esse pedido foi indeferido e as compensações transmitidas não homologadas, sob a justificativa de que a apuração de PIS, calculado sobre o faturamento mensal, não estaria correta, pois o contribuinte teria deixado de incluir determinadas receitas e considerado determinados créditos, de forma indevida. De acordo com a Fiscalização, os itens questionados e que acabaram por gerar o indeferimento do pedido de ressarcimento de saldo credor podem ser agrupados da seguinte forma pela: (i) receitas de insubsistência de passivo; (ii) receitas de descontos obtidos; e (iii) utilização de créditos sobre operações comerciais irregulares . Após ter sido cientificada da decisão de indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1460.649. Cientificado desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, no qual requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto de pedido de ressarcimento, pelas seguintes alegações: (i) a Recorrente defende a regularidade das operações de aquisições de insumos que foram glosadas e a necessidade de aplicação do entendimento firmado no Acórdão proferido pela Primeira Seção nos autos do processo nº 10835.721527/201254, por ser o processo em questão, segundo a Recorrente, reflexo do processo que já foi julgado; (ii) com relação aos descontos obtidos, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matéria prima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim; constatado algum problema relacionado a matériaprima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005; (iii) com relação à acusação de omissão de receita por insubsistência de passivo, a Recorrente explica a formação do passivo, que vem do ano de 2000, e defende a inocorrência de fato gerador; e (iv) por último, a Recorrente pede a aplicação da Taxa Selic sobre os valores objeto do pedido de ressarcimento. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e, em 07/11/2017, a Recorrente apresentou petição informando que Fl. 31647DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 4 3 havia ingressado com medida judicial e obtido decisão que deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 500048412.2017.4.03.0000, para determinar à parte agravada, a União, que "aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como o faça com observância do decidido pelo E. STJ no Resp repetitivo nº 1.148.444/MG". É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.248, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 15943.000105/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.248): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recorrente ingressou com medida judicial e obteve decisão a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. Quanto à primeira determinação, observase seu cumprimento com a colocação em pauta do Recurso Voluntário na primeira oportunidade e o seu julgamento nesta sessão. Quanto à segunda determinação, o entendimento firmado no STJ é relativo à legitimidade do direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos. No julgamento em questão, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, o e. STJ afirmou que "o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" e que "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS". Fl. 31648DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 5 4 Este Colegiado já está vinculado ao entendimento em referência, assim como outros expressos em decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e em decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, em outros julgados realizados sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força de dispositivo regimental (artigo 62, inciso II, alínea "b", do Regimento Interno do CARF), de modo que, seja por observação ao Regimento Interno deste orgão, sob pena, inclusive de perda de mandato, conforme artigo 45, inciso VI, do Regimento Interno, seja por observação à determinação judicial, o julgamento aqui ora realizado seguirá o entendimento firmado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.148.444/MG. De toda sorte, essa afirmação não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01, que prevê: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Glosas relativas às aquisições de fornecedores Sobre essa primeira matéria, a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas de nove fornecedores, quais sejam: (1) Curtama Indústria e Comércio Ltda.; (2) Frigorífico Altamira Ltda.; (3) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (4) J A Comércio de Couros Ltda.; (5) José de Carvalho Lima Junior; (6) Lacerda Couros Ltda., (7) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (8) Vanderlei João de Oliveira; e (9) Volmir Sofiatti ME, pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida após exame dos fundamentos de cada glosa e da constatação de que o Recorrente não teria apresentado documentação "comprovando que as referidas pessoas jurídicas (empresas) realmente realizaram atividades econômicas e financeiras, nos períodos de competência objetos do ressarcimento pleiteado. Também não apresentaram as respectivas DIPJs, DCTFs e Dacons, comprovando que operaram regularmente e de conformidade com a legislação tributária vigente, que dispunham de capacidade econômica e financeira e de instalações capazes de suportar as operações de armazenagem e comercialização de couro cru, no volume de operações representadas pelas notas fiscais emitidas no período, objeto do ressarcimento pleiteado". Entretanto, o conjunto probatório exigido na decisão recorrida parece ser além do razóavel para que a Recorrente pudesse fazer jus ao direito de crédito, pois demandaria da Recorrente a obtenção de um conjunto de informações que está sob o domínio do seu fornecedor e não da Fl. 31649DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 6 5 Recorrente, sendo certo que cabe ao Fisco e não à Recorrente a fiscalização de toda a situação econômica e fiscal da fornecedora. Diante disso, sobre a matéria, o parâmetro que deve ser observado é o parâmetro legal, disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços". Logo, em regra, a declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito, mas esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. Em decorrência, a jurisprudência das Turmas de Direito Público do STJ se firmou no sentido de que "o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação"1. Fixadas essas idéias, examinamse os fundamentos apresentados pela Fiscalização para não aceitar o direito de crédito e os argumentos do contribuinte para defender esse direito. Com relação a um grupo de 5 (cinco) fornecedores, composto por Curtama Indústria e Comércio Ltda., J A Comércio de Couros Ltda.; Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida, amparada nas conclusões da Fiscalização, apresenta os seguintes fundamentos para a manutenção da glosa. Em relação a Curtama Indústria e Comércio Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, considerando a omissão na entrega a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2008, ausência de registro contábil e fiscal de pagamentos aos transportadores autônomos, transporte este que teria sido suportado pelo fornecedor, e incompatibilidade entre veículo utilizado, mini van Asia Topic, com a carga e peso transportados. Em relação a J A Comércio de Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, por ter a empresa apresentado para o anocalendário 1 AgRg no AREsp 260.278/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 18/06/2014. Fl. 31650DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 7 6 de 2008 a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) na situação inativa, ausência de comprovação de pagamento por parte do Recorrente e incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Lacerda Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, pois a DIPJ do ano calendário de 2008 informava que não teria sido realizada nenhuma operação e por incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Vanderlei João de Oliveira, a decisão recorrida manteve a glosa apenas com base na incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados. Por último, em relação a Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida aponta omissão na entrega de DIPJ do ano calendário de 2008, que o pagamento pelas aquisições teria sido feito por cessão de crédito bancário e que a empresa foi inabilitada a partir de 21/07/2010, portanto, quase dois anos depois do período das aquisições tratadas nos autos deste processo. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, um conjunto maior de fornecedores foi analisado, reportandose o julgador para análise dos 5 (cinco) fornecedores aqui examinados as conclusões a que já havia chegado em relação aos fornecedores "11. A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda" e "13. Aracouro Comercial Ltda". Nesse sentido, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram. A incompatibilidade entre veículo e carga e peso, por exemplo, é explicada pela colocação de forma equivocada de informações na nota fiscal, como lá demonstrado. Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial Fl. 31651DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 8 7 regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade. Além disso, apesar de indícios levantados, não há informação de que o Fisco tenha declarado a inaptidão dos fornecedores em referência. Apenas um deles, Volmir Sofiatti ME, teve a inaptidão declarada, mas em período posterior ao ano de 2008. Diante disso, naquele processo, os julgadores afirmaram que: "Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%". Para o presente processo, as informações levantadas pelo Fisco e que foram acolhidas pela decisão recorrida não me parecem suficientes para afastar a idoneidade das notas fiscais emitidas e a regularidade das operações em relação a todos os fornecedores, com exceção do fornecedor "J A Comércio de Couros Ltda." em relação ao qual a Fiscalização solicitou a apresentação dos comprovantes de pagamentos, que não foram oferecidos pela Recorrente. Diante disso, proponho ao Colegiado afastar todos as glosas do primeiro grupo, com exceção da relativa ao fornecedor a "J A Comércio de Couros Ltda.". Com relação ao fornecedor "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.", a acusação é dividida em dois motivos: com relação às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, embora intimada, a Recorrente não teria apresentado a comprovação do pagamento; e, com relação às notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055, haveria incompatibilidade entre veículo utilizado e carga e peso transportados. Com relação a esse fornecedor, a Recorrente defende que a única acusação é a questão da incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados, trazendo entendimento da Primeira Seção no processo já referenciado, no sentido de que não poderia haver lançamento em relação a esse fornecedor, conforme a seguir: "De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 419420) restringese ao fato de que, com relação a algumas notas fiscais, o suposto transporte das mercadorias teria sido efetuado em veículo incompatível para o transporte de cargas, e, com relação a outras, que o contribuinte teria deixado de apresentar o comprovante de pagamento. Estas questões já foram anteriormente abordadas, pelo que pedese vênia para não repetir os argumentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Fl. 31652DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 9 8 Realmente, como já afirmado, a acusação de incompatibilidade de veículo e carga/peso transportados não importa concluir, no caso, pela inidoneidade das operações, tendo em vista a possibilidade de colocação errônea de dados nas notas fiscais, como narra a decisão da Primeira Seção. Todavia, de forma diferente do que fora lá decidido, entendo que em processo que decorre de indeferimento de pedido de ressarcimento, no qual há intimação para comprovação de pagamento, para fins de demonstração da idoneidade e regularidade da operação, caberia à Recorrente fazer essa prova. Como não há prova do pagamento nas operações relativas às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, proponho ao Colegiado manter a sua glosa, afastando em relação às demais operações desse fornecedor. Com relação ao fornecedor "Henriques Comércio de Couros Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pela acusação de ausência de pagamento por transporte e incompatibilidade entre veículo e carga/peso transportados, elemento que já se afirmou acima não é suficiente para a conclusão pela inidoneidade. Especificamente em relação às notas fiscais 367 e 369, a decisão recorrida manteve a glosa pois os cheques foram sustados, em razão de desacordo comercial entre as partes. Já as notas fiscais 310; 311; 416; 417; 418; e 419 os pagamentos foram efetuados por terceiros, mediante cessão de crédito bancário. A Recorrente, no que se refere a esse fornecedor, defende a superficialidade da Fiscalização, ausência de acusação de inidoneidade e que as cessões de crédito são operações regulares, citando a decisão da Primeira Seção que assim afirmou: 44. Henriques Comércio de Couros Ltda. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 402404) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Com relação a duas notas fiscais (367, no valor de R$ 5.400,00, e 369, no valor de R$ 14.850,00), destacara o fisco que o cheque 151871 do Banco do Brasil S/A fora, por ordem do emitente, “sustado” em 17/03/2009, em face de “desacordo comercial”. Entretanto, já em sede de impugnação, o contribuinte trouxera aos autos o comprovante da transferência bancária posteriormente efetuada, em 01/04/2009, pelo valor total de R$ 20.250,00, em nome do citado fornecedor (fls. 25510). Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Como se verifica, a matéria foi tratada na sua integralidade naquela decisão e, diante dos fatos e análises ali colocados, proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Fl. 31653DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 10 9 Com relação ao fornecedor "José de Carvalho Lima Junior", a decisão recorrida manteve a glosa, por inabilitação do fornecedor junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, por incompatibilidade de veículo com carga/peso transportados, ausência de registros de pagamentos aos transportadores e ausência de declaração de receitas na DIPJ pelo fornecedor do ano de 2008. A Recorrente defende que esse fornecedor só foi declarado não habilitado a partir de 26/03/2010, data posterior às operações realizadas pela Recorrente, afirmando que, mesmo após o falecimento do Sr. José de Carvalho Lima Junior, a empresa continuou funcionando, sendo administrada pelo Sr. Reginaldo de Carvalho Siqueira, amparandose novamente no que restou decidido no Processo Administrativo nº 10835.721527/201254. Naquele processo, restou decidido que a Recorrente era um típico adquirente de boafé tratado pela doutrina e jurisprudência, pelos motivos a seguir: "De todo o exposto, dúvidas não restam quanto à inidoneidade dos documentos emitidos em nome de José de Carvalho Lima Júnior após o seu falecimento. Contudo, as diligências efetuadas não demonstraram que não houvesse comercialização de couro, antes ao contrário. O Sr. Reginaldo declarou que fazia a administração da empresa de José de Carvalho Lima Júnior, comprando e vendendo couros, e administrando o pessoal. Perguntado sobre seus clientes em 2009, respondeu que “quase 100% Vitapelli”, e que as vendas eram todas a prazo, de até 120 dias. E que, com relação à forma de recebimento pelas vendas, os pagamentos, pela Vitapelli, eram feitos em cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Nos autos há fotos do couro na salgadeira do Sr. Reginaldo, tiradas pelo fisco. A empresa pode até não ter registrado seus funcionários, mas o fisco constatou que havia funcionários no local. Nos documentos anexados pelo fisco relativos ao fornecedor José de Carvalho Lima Júnior (fls. 67697993) e ao fornecedor Reginaldo de Carvalho Siqueira (fls. 1475914871), constam cópias de diversos cheques emitidos nominalmente a ambos (muitos com a aposição da expressão “bom para ...”, indicando uma data bem posterior à de sua emissão), bem como de documentos de cobrança bancária em favor de ambos fornecedores, a confirmar as alegações do Sr. Reginaldo quanto à forma de pagamento. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa / sucessão fraudulenta. Aliás, nem mesmo o contador, que estava mais próximo dos fatos, tinha conhecimento, de acordo com as declarações que prestou ao fisco. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Fl. 31654DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 11 10 Sem procedência, portanto, o lançamento fiscal relativo a este fornecedor". Portanto, por já ter sido demonstrada a regularidade das operações realizadas por esse fornecedor com a Recorrente, devem ser afastadas as acusações que amparam a glosa do direito de crédito da Recorrente, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Por último, com relação ao fornecedor "Frigorífico Altamira Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pelo seguinte motivo: "Intimado a comprovar os pagamentos das notas fiscais referentes as suposta aquisições dos insumos (couro cru), recebida a intimação, o interessado não a atendeu. Também, intimado, não apresentou a planilha de movimentação das mercadorias discriminadas nas notas fiscais". A Recorrente faz referência à decisão da Primeira Seção e que teria juntado no Recurso Voluntário documentação comprobatória dos pagamentos, com a juntada de razão mensal. Embora o conjunto dos elementos não tenha sido suficiente para sustentar o lançamento, no presente processo, entendo que caberia à Recorrente fazer prova do pagamento, que continuou sem amparo. Às fls. 7.339 dos autos, no parecer da fiscalização, há a informação de que foi glosado em relação ao 4ª Trimestre de 2008 a quantia de R$270.000,00. Contudo, não há na documentação contábil oferecida pela Recorrente o registro de pagamentos realizados em favor desse fornecedor. Há, na realidade, pagamentos em favor de outro fornecedor, "Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda.". Além disso, mesmo que existissem pagamentos em favor do fornecedor correto, seria oportuno e necessário, para fins de demonstração do direito pleiteado, que o Recorrente fizesse o cotejo entre valores glosados, notas fiscais e transferências realizadas, a fim de evidenciar e atestar a regularidade do direito de crédito pleiteado. Dessa forma, por carência probatória nesse item, proponho ao Colegiado manter a glosa realizada. Glosas relativas a descontos Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a glosa, pois "os descontos (abatimentos), segundo consta do Parecer às fls. 7.377/7.400, parte integrante do despacho decisório recorrido, não decorreram de antecipações de pagamentos, mas de ato liberatório dos fornecedores a favor do interessado". Assim, a decisão recorrida entendeu que tais abatimentos constituiriam outras receitas operacionais sujeitas à contribuição para o PIS sob o regime não cumulativo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matériaprima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim, constatado algum problema relacionado a matéria Fl. 31655DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 12 11 prima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005. Com razão a decisão recorrida, pois o abatimento ou desconto obtido pela Recorrente não possui natureza jurídica de desconto incondicional, passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso V, “a”, da Lei no 10.637/2002, portanto, não é mero redutor do preço pago pelos seus insumos. Além disso, não possui natureza de receita financeira. Primeiro, pela própria narrativa da Recorrente fica clara a natureza de desconto condicional dos valores por ela recebidos, pois o gatilho para que a Recorrente receba tais valores é justamente evento futuro e incerto a verificação de que existem inconsistências nos produtos entregues , o que configura uma condição, nos termos do artigo 121 do Código Civil. Assim, tais valores não podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Isso porque a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido, quando já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Segundo, não se verifica a natureza de receita financeira, para fins de reconhecimento de aplicação de alíquota zero, pois os valores recebidos não se qualificam como nenhuma das formas de receita financeira prevista no artigo 373 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo qualquer elemento de aproximação que pudesse permitir uma equiparação. Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Glosas relativas ao passivo insubsistente Na decisão recorrida, a glosa relativa a esse item foi mantida, pelos seguintes motivos: "A insubsistência do passivo configura omissão de receitas, mediante simulação de uma suposta aquisição de quotas ou ações do interessado, por parte da Siro Invest S.A., e com isto lograr transferir para o patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado, valores que estavam registrados no seu passivo contábil. Este mesmo interessado (impugnante) foi autuado, em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobre esta mesma matéria, ou seja, por omissão de receita decorrente da insubsistência do passivo. Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram formalizados por meio do processo administrativo nº 10835.721527/201254. No julgamento da impugnação interposta pelo interessado contra estes tributos, a Fl. 31656DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 13 12 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo suas exigências. Assim, levandose em conta que esta matéria (insubsistência de passivo) já foi objeto de julgamento por parte desta DRJ e, ainda, por economia processual e celeridade do processo, adoto o mesmo voto proferido, naquele processo, pelo Ilustre Julgador Antônio Carlos Trevisan, transcrito a seguir: (...)" Como se verifica, a matéria já havia sido julgada de forma contrária à Recorrente naquele mesmo processo, da Primeira Seção, por ela citado, para afastar as glosas deste processo. Em sua defesa, a Recorrente explica a operação societária por ela realizada, informando que acumulou dívidas com uma sociedade denominada Rebel Import and Export Company que, por sua vez, celebrou uma cessão desse crédito com a sociedade denominada Siro Invest S/A. Após, a Recorrente e a Siro Invest S/A decidiram transformar esse passivo em participação societária, mediante a transformação da Recorrente em sociedade por ações e a subscrição, pela Siro Invest S/A, de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil ações) pelo valor de R$ 35.240.000,00. Em seguida, a Recorrente argumenta que em nenhum momento os valores da operação transitaram pelo resultado em 2008, "pois ainda que prevalecesse o entendimento de que o referido montante não tem subsidio para ser registrado como ágio, o valor deveria recompor o passivo originário, nos anos de 2000 a 2007, uma vez que o passivo de fato existe". Com isso, a Recorrente afirma que a liquidação desse passivo no ano de 2008 não constituiu base de cálculo da contribuição e não é fato gerador da contribuição. Contudo, a matéria já foi decidida pelo CARF, tendo efeitos meramente reflexos no pedido de ressarcimento. Naquela oportunidade, a Primeira Seção entendeu que: "Ora, tudo o quanto acima relatado dá pleno respaldo à acusação fiscal de omissão de receitas. Demonstrou o fisco de forma contundente que toda a operação de suposta aquisição de quotas ou ações da fiscalizada pela Siro Invest não passou de mera simulação, bem como que a suposta dívida para com a Siro Invest também não era real, tratandose, portanto, de passivo inexistente. A alegação da recorrente no sentido de que os fatos narrados não se enquadrariam em nenhuma das situações previstas pelo art. 281 do RIR/99, que trata dos casos de “Passivo Fictício” e “Insubsistência do Passivo”, porque não seria possível presumir a existência de obrigações já pagas ou inexistentes, não pode prosperar. O fisco não presumiu a inexistência do passivo, senão antes reuniu um forte conjunto de indícios sérios, graves e convergentes, que apontam para a conclusão quanto à inexistência do alegado passivo. Incumbia à recorrente trazer elementos igualmente fortes e suficientes para infirmar a acusação fiscal, o que não fez". Fl. 31657DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 14 13 Dessa forma, considerando que a Seção competente para julgar a omissão de receitas de IRPJ e CSLL já apreciou a matéria e os efeitos daquela decisão são reflexos ao pedido de ressarcimento que deu origem ao processo ora em julgamento tendo em vista que uma vez decidido que houve simulação e omissão de receitas, a conseqüência é o lançamento das quantias a título de IRPJ e CSLL e a não aceitação da base de cálculo considerada pela Recorrente para fins de PIS/COFINS diante do reconhecimento da omissão de receitas no processo administrativo nº 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Por último, com relação à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento, entendo pela sua impossibilidade, tendo em vista a expressa vedação legal, prevista nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei." Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas relativas aos seguintes fornecedores: Curtama Indústria e Comércio Ltda., Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME; "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda." (apenas notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055); "Henriques Comércio de Couros Ltda."; e "José de Carvalho Lima Junior". " Importante observar que, na solução do presente litígio, serão aplicados os mesmos critérios adotados na decisão do paradigma, que acatou as conclusões a que chegou a Primeira Seção do CARF no julgamento do processo 10835.721527/201254 (Acórdão 1102 001.075), para: afastar as glosas que tiveram por fundamento a realização de pagamentos mediante cessão de créditos; afastar as glosas que tiveram por fundamento a incompatibilidade entre veículo, carga e peso transportado. Todavia, no caso do paradigma, por tratarse de pleito de ressarcimento/compensação, o colegiado decidiu manter as glosas motivadas pela falta de comprovação dos pagamentos. No presente processo as glosas relativas às aquisições de fornecedores englobaram as seguintes empresas: (1) Brasilco Brasileira de Couros Ltda.; (2) Comercial Brasiliano Ltda.; (3) Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda.; (4) Comercial de Couros Lafaiete Ltda.; (5) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda.; (6) Frigorífico Better Beef Ltda.; (7) Frigorífico Irapuru Ltda.; (8) Frigorífico Altamira Ltda.; (9) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (10) J A Comércio de Couros Ltda.; (11) José de Carvalho Lima Junior; (12) Kripton Comércio e Transportes Ltda.; (13) Lacerda Couros Ltda., (14) Leatherpar Comércio e Representação de Couros Ltda.; (15) Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (16) Manos Couro Ltda ME; (17) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (18) Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (19) Sergicouros Comercial de Couros Ltda.; (20) Vanderlei João de Oliveria; e, (21) Volmir Sofiatti ME, conforme Termo de Verificação e Fl. 31658DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 15 14 Constatação Fiscal (TVeCF) às fls. 7.549/7.628, Parecer às fls. 7.632/7.659 Despacho Decisório às fls. 7.660. O presente pleito é relativo ao 1º trimestre de 2009 (01/01/2009 a 31/03/2009). Observandose as planilhas das glosas efetuadas pelo Fisco para cada um dos fornecedores, com as respectivas motivações indicadas em cada uma das planilhas (fls. 7348 7418 do processo digital), constatase que, para os fornecedores relacionados a seguir, não houve glosa motivada por falta de comprovação de pagamento. Frisese: não houve glosa, sob essa motivação, de notas fiscais escrituradas no período de apuração do presente pleito. Desta forma, no presente processo, devem ser afastadas as glosas das aquisições efetuadas em relação aos seguintes fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Comercial Brasiliano Ltda Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda Comercial de Couros Lafaiete Ltda Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Irapuru Ltda; Henriques Comércio de Couros Ltda.; JA Comércio de Couros Ltda José de Carvalho Lima Junior; Kripton Comércio e Transportes Ltda Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representação de Couros Ltda Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda Manos Couro Ltda ME Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda Vanderlei João de Oliveria Volmir Sofiatti ME Por outro lado, da mesma forma que no julgamento do paradigma, serão mantidas as glosas motivadas pela falta de comprovação de pagamento em relação às notas fiscais listadas a seguir (escrituradas no período de apuração deste processo): a) Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda. Nota Fiscal 37 (fl. 7361 processo digital); b) Comercial de Couros Lafaiete Ltda. Nota Fiscal 188 (fl. 7362 do processo digital); c) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda Notas Fiscais nº 416, 422, 427 e 428 (fl. 7366 do processo digital); d) Frigorífico Altamira Ltda Notas Fiscais nº 1449, 1450, 1451, 247329, 247330 e 247332 (fl.7367 do processo digital); Fl. 31659DF CARF MF Processo nº 15943.000107/200921 Acórdão n.º 3401004.255 S3C4T1 Fl. 16 15 e) Frigorífico Better Beef Ltda Notas Fiscais nº 19580, 19739 e 19825 (fl. 7368 do processo digital); f) JA Comércio de Couros Ltda Notas Fiscais nº 6 e 7 (fl. 7376 do processo digital); g) Manos Couro Ltda ME Notas Fiscais nº 464 e 466 (fl. 7406 do processo digital); h) Sergicouros Comercial de Couros Ltda Notas Fiscais nº 1069, 1087, 1095 e 1096 (fl. 7413 do processo digital); i) Volmir Sofiatti ME Nota Fiscal nº 7234 (fl. 7418 do processo digital). Em resumo, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário nas matérias dos descontos obtidos após a realização da operação comercial, do passivo insubsistente, e da aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, e dar parcial provimento quanto às glosas relativas às aquisições de fornecedores, nos seguintes termos: 1) afastar as glosas relativas aos fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Comercial Brasiliano Ltda, Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda, Comercial de Couros Lafaiete Ltda, Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Irapuru Ltda; Henriques Comércio de Couros Ltda.; JA Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Junior; Kripton Comércio e Transportes Ltda, Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representação de Couros Ltda, Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda, Manos Couro Ltda ME, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda, Vanderlei João de Oliveria, Volmir Sofiatti ME. 2) manter as glosas, apenas, em relação às notas fiscais 37 (de Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda.), 188 (de Comercial de Couros Lafaiete Ltda), 416, 422, 427 e 428 (Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda), 1449, 1450, 1451, 247329, 247330 e 247332 (de Frigorífico Altamira Ltda), 19580, 19739 e 19825 (de Frigorífico Better Beef Ltda), 6 e 7 (de JA Comércio de Couros Ltda), 464 e 466 (de Manos Couro Ltda ME), 1069, 1087, 1095 e 1096 (de Sergicouros Comercial de Couros Ltda) e 7234 (de Volmir Sofiatti ME). assinado digitalmente Rosaldo Trevisan Fl. 31660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720178/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
O procedimento fiscal não pode ser dissociado da matéria sob investigação e dos fatos constatados pelo Auditor-Fiscal naquele período fiscalizado, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010).
CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS.
Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75.
Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967.
ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica.
MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. RECURSO ESPECIAL. ATO COATOR DIVERSO. NÃO ABRANGÊNCIA.
A decisão monocrática proferida no Recurso Especial Nº 1.117.887 - SP tem aplicação restrita à matéria discutida no mandado de segurança individual que lhe deu origem, de nº 0005749-64.2004.4.03.6102, qual seja, a apropriação indevida de créditos pela contribuinte em sua escrita fiscal nos períodos de apuração de 1992 a 1997 que resultou no auto de infração nº 00892, objeto do processo nº 10840.002205/97-15, não produzindo efeitos no presente auto de infração, relativo a saldos devedores de IPI resultantes das glosas de créditos apropriados indevidamente nos anos de 2011 e 2012.
EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo Auditor-Fiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido.
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA.
O mandado de segurança, individual ou coletivo, trata-se de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada.
Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2-A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário.
MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN.
O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Julgamento iniciado na sessão de outubro/2017, em que, por maioria de votos, foi rejeitado pelo Colegiado o argumento pela incompetência da RFB para rever ato da SUFRAMA, tendo sido vencida a Relatora; e concluído em 26/02/2018. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15956.720178/2015-43
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846419
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.929
nome_arquivo_s : Decisao_15956720178201543.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 15956720178201543_5846419.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Julgamento iniciado na sessão de outubro/2017, em que, por maioria de votos, foi rejeitado pelo Colegiado o argumento pela incompetência da RFB para rever ato da SUFRAMA, tendo sido vencida a Relatora; e concluído em 26/02/2018. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7181407
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. O procedimento fiscal não pode ser dissociado da matéria sob investigação e dos fatos constatados pelo Auditor-Fiscal naquele período fiscalizado, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010). CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS. Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75. Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. RECURSO ESPECIAL. ATO COATOR DIVERSO. NÃO ABRANGÊNCIA. A decisão monocrática proferida no Recurso Especial Nº 1.117.887 - SP tem aplicação restrita à matéria discutida no mandado de segurança individual que lhe deu origem, de nº 0005749-64.2004.4.03.6102, qual seja, a apropriação indevida de créditos pela contribuinte em sua escrita fiscal nos períodos de apuração de 1992 a 1997 que resultou no auto de infração nº 00892, objeto do processo nº 10840.002205/97-15, não produzindo efeitos no presente auto de infração, relativo a saldos devedores de IPI resultantes das glosas de créditos apropriados indevidamente nos anos de 2011 e 2012. EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO. Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo Auditor-Fiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA. O mandado de segurança, individual ou coletivo, trata-se de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada. Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2-A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009277038592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.751 1 1.750 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.720178/201543 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.929 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria IPI. CRÉDITO. Recorrente RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. O procedimento fiscal não pode ser dissociado da matéria sob investigação e dos fatos constatados pelo AuditorFiscal naquele período fiscalizado, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010). CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS. Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matériasprimas agrícolas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 78 /2 01 5- 43 Fl. 1751DF CARF MF 2 extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto lei nº 288/1967. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. RECURSO ESPECIAL. ATO COATOR DIVERSO. NÃO ABRANGÊNCIA. A decisão monocrática proferida no Recurso Especial Nº 1.117.887 SP tem aplicação restrita à matéria discutida no mandado de segurança individual que lhe deu origem, de nº 000574964.2004.4.03.6102, qual seja, a apropriação indevida de créditos pela contribuinte em sua escrita fiscal nos períodos de apuração de 1992 a 1997 que resultou no auto de infração nº 00892, objeto do processo nº 10840.002205/9715, não produzindo efeitos no presente auto de infração, relativo a saldos devedores de IPI resultantes das glosas de créditos apropriados indevidamente nos anos de 2011 e 2012. EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO. Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo AuditorFiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA. O mandado de segurança, individual ou coletivo, tratase de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada. Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.752 3 restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Julgamento iniciado na sessão de outubro/2017, em que, por maioria de votos, foi rejeitado pelo Colegiado o argumento pela incompetência da RFB para rever ato da SUFRAMA, tendo sido vencida a Relatora; e concluído em 26/02/2018. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 1753DF CARF MF 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma clara síntese do processo até a interposição da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever parte do relatório do Acórdão 0960.017 da 3ª Turma da DRJ/JFA, com destaque para os seus principais pontos: "Trata o presente processo do auto de infração de fls. 1.139 a 1.159 no qual consta a exigência do IPI, cód. 2945, no valor de R$ 77.584.489,86, multa de ofício de 75% no valor de R$ 58.188.367,42, e juros moratórios no valor de R$ 26.932.198,67. O procedimento fiscal do qual resultou a autuação acima referida abrangeu o período de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2012. Preliminarmente, informa a Fiscalização que os fatos geradores abrangidos pela autuação foram praticados pela pessoa jurídica Cia de Bebidas Ipiranga, CNPJ nº 55.960.736/000101, e que esta foi incorporada por Rio de Janeiro Refrescos LTDA em 01/12/2013, passando as atividades até então exercidas pela sede da Cia de Bebidas Ipiranga a ser exercidas pela filial Rio de Janeiro Refrescos LTDA, inscrita no CNPJ 00.074.569/005080. Em conseqüência da incorporação e da aplicação dos arts. 129 e 132 do CTN, a seguir reproduzidos, a sucessora (Rio de Janeiros Refrescos, CNPJ nº 00.074.569/005080) é responsável pelos créditos tributários da sucedida. “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” A autuação se deve a dois fatores: falta de recolhimento em razão do aproveitamento indevido de créditos de IPI; e falta de estorno de crédito (ou estorno a menor). Falta de recolhimento em razão do aproveitamento indevido de créditos de IPI A Impugnante se utiliza de créditos de IPI relativos a insumos isentos (concentrados para bebidas) adquiridos da RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, localizada na Zona Franca de Manaus, e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtos situados na Amazônia Ocidental. Segundo a Impugnante, referido crédito encontraria amparo na legislação: (...) Entretanto, foram levantadas as seguintes irregularidades pela Fiscalização: 1) Não utilização de matérias primas de origem regional: Da leitura dos dispositivos normativos aplicáveis, são vislumbradas duas condições cumulativas para a isenção do produto industrializado na Zona Franca de Manaus, adquirido e utilizado como insumo em produtos onerados pelo IPI em processo industrial em qualquer ponto do território nacional: (1) a utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental (área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 1967), e; (2) a aprovação pelo Conselho de Administração da SUFRAMA de projetos da empresa produtora do insumo passível de isenção nas vendas para o território nacional. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.753 5 A Recofarma afirma que, para a produção de seus concentrados, utiliza açúcar, extrato de guaraná e cafeína, os quais seriam obtidos, respectivamente, das seguintes matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais: canadeaçúcar e semente do guaraná. Estas matérias primas seriam, portanto, as espécies agrícolas e vegetais, de produção regional, exigidas pelo PPB para a concessão da isenção em debate. O exame da documentação apresentada à Fiscalização revela que a Recofarma jamais adquiriu matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica, que comprou diretamente os produtos já industrializados e que grande parte dos produtos industrializados adquiridos, inclusive a cafeína, foi importada. Nas relações de insumos apresentadas pela Recofarma, verificase que esses tratamse de produtos químicos industrializados e não de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; inclusive, grande parte dos insumos utilizados são importados. 2) Descumprimento do Processo Produtivo Básico: Constatouse que houve, por parte da Recofarma, o descumprimento do Processo Produtivo Básico – PPB, estabelecido na Portaria Interministerial nº 08 – MPO/MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998, em desacordo com o que determina a Resolução nº 298, de 11 de dezembro de 2007, da SUFRAMA, que aprovou o projeto de atualização da empresa. A legislação estabelece que o produto final do Processo Produtivo Básico, denominado como “PPB” do “concentrado”, deve ser algo único e não diversas partes separadas, e todas as etapas do processo produtivo básico deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na ZFM. Constatouse que o produto comercializado como “concentrado” é composto, na verdade, de partes separadas e a mistura destes concentrados é feita na unidade industrial da Impugnante e não na Zona Franca de Manaus, evidenciando que não há, para a totalidade do produto vendido, a ocorrência de mistura de matérias primas. Portanto, segundo a Fiscalização, verificouse que: i) a empresa fornecedora dos insumos não dispõe de amparo legal para dar saída aos produtos denominados concentrados para bebidas não alcoólicas, com a isenção do artigo 95, inciso III do RIPI/2010; ii) a empresa adquirente (a fiscalizada) dos referidos produtos não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse; iii) a contribuinte fiscalizada apropriouse indevidamente, nos períodos de apuração de 2011 e 2012, em sua escrita fiscal (Livro de Registro de Apuração de IPI), de créditos do IPI não permitidos pela legislação aplicável, nas operações de aquisições de matériasprimas isentas do citado imposto, isenção esta condicionada à localização dos fornecedores (Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental). Fato esse que culminou com o não pagamento (recolhimento) do imposto devido e a não declaração/lançamento dos saldos devedores de IPI na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos períodos de apuração de 2011 e 2012. Falta de estorno de crédito (ou estorno a menor) Informa ainda a Fiscalização que em ação fiscal anterior, restou saldo de R$ 3.538,19 que não pôde ser cobrado até 07/2014. Desta forma, o contribuinte foi intimado a proceder a reconstituição da escrita e a promover o estorno do crédito de R$ 3.538,19 conforme consta no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal daquela fiscalização (fls. 1034 a 1067). O contribuinte não estornou o crédito, conforme declaração de fls.1116. Portanto, está sendo cobrado o valor de R$ 3.538,19 nesta ação fiscal. A Impugnante se insurge apenas contra o item 1 da autuação (Falta de recolhimento em razão do aproveitamento indevido de créditos de IPI). Relativamente ao item 2 (Falta de Fl. 1755DF CARF MF 6 estorno de crédito), não foi instaurado litígio, conforme afirma a própria Impugnante: (...) Assim, o litígio abrange apenas a autuação referente à Falta de recolhimento em razão do aproveitamento indevido de créditos de IPI. Quanto a este aspecto, a Impugnante aduziu em sua defesa as razões expostas, em síntese, a seguir: Direito ao Crédito com Base no Art. 6º do DL nº 1.435, de 1975: Segundo a Impugnante, o direito ao crédito de IPI decorre da aquisição de insumos isentos, com base na regra prevista no art. 95, III, do RIPI 2010 e na Resolução do Conselhos de Administração da Suframa nº 298, de 2007 e no Parecer Técnico nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI. Segundo alega, o insumo teria sido produzido com açúcar, álcool, extrato de guaraná ou corante de caramelo, adquiridos de produtores locais da Amazônia Ocidental. Direito ao Crédito de IPI com Base na Coisa Julgada A Impugnante faria jus ao crédito de IPI com base na coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834. Segundo seu entendimento, para fazer jus ao crédito de IPI sob esse fundamento, apenas dois requisitos devem ser observados: aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus e que tais insumos sejam utilizados na fabricação de refrigerantes, produtos sujeitos ao IPI. Direito ao Crédito com Base no entendimento fixado no RE nº 212.484/RS O STF teria firmado o entendimento de que é assegurado ao adquirente de matéria prima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus ao passo que a Fiscalização entende que tal julgado não poderia ser aplicado por não ter efeito erga omnes. Aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779 Para a Impugnante, com a edição do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, passou a existir o direito ao crédito do imposto, porque a interpretação do dispositivo é no sentido de que a aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização dá direito a crédito do imposto sem condicionar tal direito ao pagamento do IPI na operação anterior. Idoneidade das Notas Fiscais Emitidas pela Recofarma O crédito de IPI deveria ser reconhecido pelo fato de serem idôneas as notas fiscais emitidas pelo fornecedor dos insumos isento, sendo certo que a nota fiscal de venda menciona a isenção e sua respectiva base legal. Impossibilidade de exigência de Penalidades Alega que apenas o tributo (principal) poderia ser cobrado da Impugnante. Primeiro porque o art. 132 do CTN, ao tratar da responsabilidade por sucessão, limitou tal responsabilidade ao “tributo” e não à obrigação tributária (que abrangeria multa e juros). Outra razão alegada para a impossibilidade da exigência de penalidades é a existência de jurisprudência administrativa, vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação, em que se reconhece o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos isentos (Acórdão CSRF nº 0202.357). E, por isso, seria de se aplicar o art. 76, inciso II, da Lei nº 4.502/64. Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício A Impugnante alega que não se poderia admitir a incidência de juros sobre a multa de ofício porque isto implicaria uma indireta majoração da penalidade, sem previsão legal. Ao final, a requer o cancelamento do Auto de Infração com a conseqüente extinção dos créditos tributários correspondentes. É o Relatório." (efls. 1.530/1.534 grifei) A Impugnação foi julgada integralmente improcedente, com a manutenção da autuação. A decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.754 7 MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. O art. 100 do CTN restringiu a aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 e, por isso, a exclusão de penalidades para o contribuinte que observe decisão administrativa definitiva da qual não seja parte no processo específico reclama lei que atribua eficácia normativa às referidas decisões administrativas. Impossível a exclusão da penalidade também pelo fato de não mais prevalecer o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que foi seguido pelo contribuinte porque está em discussão no âmbito do Poder Judiciário e o próprio CARF já não mais o adota. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. A aprovação de projeto por parte da Suframa não exclui o poderdever da Receita Federal de verificar a legitimidade dos créditos de IPI escriturados pelo adquirente do produto e não garante, por si só, o direito ao crédito. Somente aqueles produtos de natureza específica, originados de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais é que possuem a aptidão de gerar crédito do IPI para o adquirente. Verificase o descumprimento de Processo Produtivo Básico que aprovou a produção de “concentrado” quando a pessoa jurídica produz na realidade vários produtos distintos que serão “misturados” no estabelecimento DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. Por falta de previsão legal, não cabe o direito ao crédito de IPI como se devido fosse relativamente às aquisições de insumos isentos produzidos na ZFM. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não garante direito ao crédito de IPI se as operações de aquisição são desoneradas do imposto, ante a inexistência de autorização legal para tanto. A idoneidade das notas fiscais emitidas pelo fornecedor dos insumos isentos e a boa fé do adquirente não são suficientes para garantir o direito ao crédito como se devido fosse se ausentes os requisitos legais previstos na norma de regência. A decisão judicial proferida no referido MSC nº 91.00477834 tem efeitos apenas em relação aos associados da ABFCC domiciliados no Estado do Rio de Janeiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 1.5281.529) Intimada desta decisão em 10/06/2016, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 alegando, em síntese: (i) a validade do crédito tomado pela Recorrente com fulcro no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, vez que a fornecedora de concentrados de refrigerantes fabricados na Amazônia Ocidental (RECOFARMA) cumpre os requisitos para o gozo da isenção como atestado pela SUFRAMA em atos administrativos específicos. Sustenta que a RECOFARMA goza de isenção onerosa cujos requisitos foram atestados pela SUFRAMA, órgão competente para tanto, sendo surpreendido pela alteração do entendimento; Fl. 1757DF CARF MF 8 (ii) a necessidade de observância da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834; (iii) a possibilidade da tomada de crédito de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus com fulcro: (iii.1) no julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso extraordinário n.º 212.484, que continuaria sendo aplicável após o julgamento proferido no RE n.º 566.819 enquanto não proferido o julgamento do RE n.º 592.891 em sede de repercussão geral; (iii.2) no art. 11 da Lei n.º 9.779/1999; (iv) o fato da Recorrente ser adquirente de boafé dos produtos da RECOFARMA, por indicar nas notas fiscais que os concentrados por ela comercializados são amparados pela isenção do art. 95, III, do RIPI/2010; (v) a possibilidade da cobrança apenas dos valores dos tributos devidos pela sucedida COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA pela sucessora ora Recorrente com fulcro no art. 132, do CTN, devendo ser afastada a cobrança da multa de ofício e dos acréscimos legais objeto da autuação; (vi) a impossibilidade de cobrança de multa, juros de mora e correção monetária nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN, vez que a Recorrente e a empresa fornecedora observaram atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (SUFRAMA). (vii) a necessidade de se afastar a multa aplicada em face do art. 76, II, 'a' da Lei n.º 4.502/64; (viii) da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, afirma que o valor do crédito que não foi objeto de discussão (R$ 3.538,19) deverá ser somente objeto de ajuste na escrita após o provimento do Recurso Voluntário, vez que com o estorno da glosa realizada remanescerá saldo credor de IPI na escrita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. I DA ISENÇÃO DO ART. 6º DO DECRETOLEI N.º 1.435/1975 E DO CRÉDITO DA RECORRENTE PREVISTO NO §1º DESTE DISPOSITIVO Como relatado, a discussão travada nos presentes autos se refere à glosa dos créditos de IPI tomados pela Recorrente na condição de adquirente de concentrados de refrigerantes fabricados pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., localizada na Zona Franca de Manaus. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.755 9 Como narrado pela fiscalização e como indicado nas notas fiscais emitidas pela referida empresa fornecedora, estes produtos, utilizados como insumos na produção de bebidas pela Recorrente, foram tratados como produtos isentos de IPI, tanto com fulcro nos artigos 7º e 9º do Decretolei n.º 288/67, como no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975. Contudo, no entendimento da fiscalização, a Recorrente não teria adimplido com os critérios ditados pelo referido dispositivo do Decretolei n.º 1.435/1975 e pelo art. 95, III, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n.º 7.212/2010 para a tomada de crédito de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Expressam os referidos dispositivos: Decretolei n.º 1.435/75 "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifei) RIPI/2010 "Art. 95. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e DecretoLei no 1.593, de 1977, art. 34)." (grifei) Como se depreende da disciplina normativa acima transcrita, para o gozo desta isenção, necessário que os produtos sejam produzidos em conformidade com os projetos aprovados pela SUFRAMA, com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. A Recorrente, na condição de adquirente dessas mercadorias utilizadas como matérias primas dos produtos por ela industrializados e comercializados com incidência de IPI (bebidas não alcoólicas), tomou o crédito do IPI na forma autorizada pelo art. 6º, §1º acima em destaque, reproduzido no art. 237 do RIPI/20101. 1 "Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o)." Fl. 1759DF CARF MF 10 Contudo, como dito, no entender da fiscalização, os produtos adquiridos pela Recorrente não estariam abrangidos pela isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, vez que a empresa fornecedora RECOFARMA teria descumprido as condições normativas para o seu gozo. Vejamos a expressão do Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal: "5 DAS IRREGULARIDADES APURADAS 5.1. PARTE I – NÃO UTILIZAÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL NA PRODUÇÃO DOS CONCENTRADOS 5.1.1. O artigo 6º do Decretolei nº 1.435/75 concede isenção do IPI para produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Para dar saída aos produtos, que ora foram industrializados, com a isenção prevista no inciso III do artigo 95 do Decreto 7212/2010, a pessoa jurídica deve utilizar, na elaboração dos concentrados de bebidas não alcoólicas, matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição essencial para fruição do benefício fiscal previsto no dispositivo legal citado. 5.1.2. O caput do artigo 6° do Decretolei n° 1.435/75 , não deixa qualquer dúvida de que estamos frente a uma isenção objetiva, uma isenção em virtude da coisa (res), em razão do produto, quando estatui, expressamente, que estão isentos os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. Não é qualquer produto que está abrangido pela isenção do art. 6º do DecretoLei n° 1.435/75 e sim, um produto específico e de uma determinada natureza, qual seja, que sua composição seja proveniente de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. 5.1.3. A Recofarma afirmou em ação fiscal anterior (documento de fls. 966 a 970) que, para a produção de seus concentrados, utiliza açúcar, extrato de guaraná e cafeína, os quais seriam obtidos respectivamente das seguintes matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais: canadeaçúcar e a semente do guaraná. Estas matérias primas seriam, portanto, as espécies agrícolas e vegetais, de produção regional, exigidas pelo PPB para a concessão da isenção em debate. 5.1.4. Ocorre, entretanto, que como ficará comprovado nos itens a seguir a empresa Recofarma, fabricante do concentrado adquirido pela fiscalizada com isenção de IPI, o qual deveria ser produzido à base de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica: I jamais adquiriu tais matérias primas (canadeaçúcar e semente do guaraná); II – comprou diretamente os produtos já industrializados (açúcar, extrato de guaraná e cafeína) e III – grande parte dos produtos industrializados adquiridos, inclusive a cafeína, foi importada. 5.1.5. CANADEAÇÚCAR 5.1.5.1. A relação dos ingredientes utilizados na fabricação dos concentrados apresentados pela Recofarma, documento (DCRE –Demonstrativo do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação) de fls. 763 a 910 revela a inexistência de aquisições da matériaprima canadeaçúcar. 5.1.5.2. Portanto, concluise que a matériaprima agrícola e extrativa vegetal cana deaçúcar não foi utilizada pela Recofarma na produção de seus concentrados. 5.1.6. SEMENTE DE GUARANÁ 5.1.6.1 A fiscalização procedeu, em seguida, a verificação das aquisições relativas à matériaprima agrícola e extrativa vegetal semente de guaraná utilizada na fabricação de extrato de guaraná e cafeína, conforme informações da própria Recofarma. 5.1.6.2. A relação dos ingredientes utilizados na fabricação dos concentrados apresentados pela Recofarma, documento (DCRE –Demonstrativo do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação) de fls. 763 a 910, revela a inexistência de aquisições da matériaprima semente de guaraná Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.756 11 5.1.6.3. No mesmo documento de fls. 763 a 910, foram localizadas aquisições de terceiros de cafeína, extrato de guaraná e aroma de guaraná (produtos já industrializados). 5.1.6.5. Portanto, concluise que a matériaprima agrícola e extrativa vegetal semente de guaraná (a exemplo do que aconteceu com a canadeaçúcar) não foi utilizada pela Recofarma na produção de seus concentrados. 5.1.7. DOS INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DOS CONCENTRADOS 5.1.7.1 Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal SEFIS nº 022/2015 (fls. 339 a 342), a RECOFARMA apresentou os DCRE (fls. 763 a 910) que contém a relação de todos os insumos utilizados por concentrado. Da simples leitura desta relação, verificouse tratarse de produtos químicos, industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, inclusive grande parte dos insumos utilizados são importados. 5.1.8. Por tudo o que foi exposto, concluise que a empresa Recofarma não utilizou diretamente matériasprimas agrícolas, extrativas vegetais e de produção regional, em seu processo industrial, não podendo, pois, dar saída aos produtos (concentrados para bebidas) com isenção do IPI, conforme previsto no caput do artigo 6º do DecretoLei n°1.435/75 e, consequ entemente a contribuinte não tem o direito de creditarse do IPI como se devido fosse, em razão dos insumos adquiridos da Recofarma. 5.2. PARTE II – DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO 5.2.1. Apurouse, conforme relatado abaixo, que no processo de produção do concentrado, houve o descumprimento do Processo Produtivo Básico – PPB, estabelecido na Portaria Interministerial nº 08 – MPO/MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998, em desacordo com o que determina a Resolução nº 298, de 11 de dezembro de 2007 da SUFRAMA, que aprovou o projeto de atualização da empresa Recofarma Indústria do Amazonas LTDA, no inciso I do art. 4º. 5.2.2. De acordo com estes dispositivos legais, o concentrado tem que ser algo único, não diversas partes separadas, e todas as etapas do processo produtivo básico acima descrito deveriam ser, obrigatoriamente, realizadas na ZFM." (efls. 1.176/1.179 grifei) Assim, a fiscalização entendeu que duas condições impostas pela SUFRAMA à RECOFARMA teriam sido descumpridas, ensejando na afastamento da isenção aplicada: (i) a não utilização de matérias primas agrícolas e extrativistas vegetais (canadeaçúcar e semente de guaraná); e (ii) a impossibilidade dos concentrados serem vendidos em partes separadas (forma líquida e sólida). Entretanto, a fiscalização extrapolou sua competência ao trazer elementos diferentes daqueles delimitados pela SUFRAMA na Resolução n.º 298/2007 e no Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007, este último acostado aos autos às efls. 1.400/1.411. Antes de adentrar especificamente nos dois itens entendidos como descumpridos pela fiscalização, importante primeiramente tecer breves considerações quanto aos limites da Receita Federal para a fiscalização dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus disciplinados pela SUFRAMA. Em seguida, partirei para a análise das exigências indicadas como descumpridas pela Receita Federal à luz das diretrizes fixadas pela SUFRAMA. Fl. 1761DF CARF MF 12 I.1 DA COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL NA FISCALIZAÇÃO DOS INCENTIVOS FISCAIS DISCIPLINADOS PELA SUFRAMA. A Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA é uma autarquia criada pelo Decretolei n.º 288/1967, atualmente vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, à qual foi atribuída a administração da Zona Franca de Manaus ZFM. Atentandose em especial para a disciplina dos incentivos fiscais concedidos nesta área (e, posteriormente, na área da Amazônia Ocidental do Decretolei n.º 291/1967), observase que originariamente a atuação da SUFRAMA exigia o aval do Ministério da Fazenda, que igualmente participava do processo de aprovação dos projetos de industrialização passíveis de serem desenvolvidos naquela área e de gozarem dos incentivos fiscais. A disciplina originária igualmente se preocupava em garantir a competência do Ministério da Fazenda no controle da entrada e saída das mercadorias no âmbito da ZFM. É o que se depreende da disciplina do Decreto n.º 61.244/1967, que originariamente regulamentou o Decretolei n.º 288/1967: "Art 11. Estão isentas do impôsto sôbre produtos industrializados tôdas as mercadorias industrializadas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer a comercialização em qualquer ponto do território nacional. § 1º Os projetos para a produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias que pretendam gozar dos benefícios do Decretolei nº 28867 serão submetidos à aprovação da SUFRAMA, ouvido o Ministério da Fazenda, quanto aos aspectos fiscais, implicando em aprovação tácita a falta de manifestação dêsse Ministério no prazo de 30 (trinta) dias contados do pedido de audiência. § 2º Os projetos serão apresentados de conformidade com critérios e procedimentos estabelecidos pela SUFRAMA, mediante instruções aprovadas pelo Ministro do Interior. § 3º O Superintendente da SUFRAMA poderá rejeitar, de plano, ouvido o Conselho Técnico, os projetos que, visando a obtenção dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 28867, tenham por fim a produção, industrialização ou beneficiamento das mercadorias capituladas no parágrafo 1º do artigo 3º do referido Decretolei, inclusive as alterações supervenientes por Decreto (Decreto lei nº 28867 artigo 3º, parágrafo 2º). Art 12. Tôda entrada de mercadoria nacional ou estrangeira na Zona Franca de Manaus fica sujeita ao contrôle da SUFRAMA, respeitada a competência legal atribuída á fiscalização aduaneira e de rendas internas do Ministério da Fazenda." (grifei) Especificamente quanto à análise de entrada das mercadorias nacional ou estrangeira, referenciada no art. 12 acima transcrito, constatase que o Ministério da Fazenda manteve seu controle na forma indicada no art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.º 203/2012, que disciplina o controle da entrada e saída de mercadorias da ZFM e das áreas da Amazônia Ocidental. Esse dispositivo, inclusive, é o único no regimento interno da Receita Federal que faz referência às essas áreas em específico: "Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.757 13 compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) (...) § 3º Às Alfândegas Porto de Manaus e Aeroporto Internacional Eduardo Gomes compete ainda: I proceder ao despacho de internação de mercadorias da Zona Franca de Manaus para o restante do território nacional; II processar os pedidos de saída temporária para o restante do território nacional de bens ingressados na Zona Franca de Manaus com suspensão de tributos; e III controlar a saída da Zona Franca de Manaus de mercadorias nacionais nela ingressadas. § 4º Às DRF Boa Vista, Porto Velho, JiParaná, Rio Branco e Macapá compete ainda: I proceder ao despacho de internação de mercadorias da Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio para o restante do território nacional; II processar os pedidos de saída temporária para o restante do território nacional de bens ingressados na Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio com suspensão de tributos; e III controlar a saída da Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio de mercadorias nacionais nela ingressadas." (grifei) Por outro lado, no que concerne aos critérios e requisitos para a concessão de incentivos fiscais no âmbito da Zona Franca (referenciada no art. 11 do Decreto n.º 61.244/1967 acima transcrito), observase que com o transcorrer dos anos a influência do Ministério da Fazenda foi afastada por completo, com garantia de plena autonomia à SUFRAMA para tanto. Com efeito, como se depreende das disciplinas regulamentares trazidas nos Decretos n.º 2.566/1998, n.º 4.628/2003, n.º 6.372/2008 e até no atualmente vigente Decreto n.º 7.139/2010, a administração da concessão de incentivos fiscais é atribuída de forma exclusiva à SUFRAMA, independentemente, portanto, de qualquer aval do Ministério da Fazenda. Vejam se pela redação do art. 1º, VI, do Anexo I destes Decretos, todos com redação no mesmo sentido2: Art. 1o A Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, autarquia criada pelo DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tem como finalidade promover o desenvolvimento socioeconômico, de forma sustentável, na sua área de atuação, mediante geração, atração e consolidação de investimentos, apoiado em capacitação tecnológica, visando a inserção internacional competitiva, a partir das seguintes ações: (...) VI administrar a concessão de incentivos fiscais." (grifei) 2 Com excessão do Decreto n.º 2.566/1998, que trazia essa mesma previsão no inciso III do art. 1º do Anexo I. Fl. 1763DF CARF MF 14 Sob essa perspectiva que os referidos Decretos atribuíram ao Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) a competência para aprovar "os projetos das empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais", bem como "estabelecer normas, exigências, limitações e condições" para estes projetos, sem depender de qualquer outro órgão, inclusive do Ministério da Fazenda (art. 3º, I, 'c', do Anexo I do Decreto n.º 2.566/1998 e art. 4º, I, 'c' do Anexo I dos Decretos n.º 4.628/2003, n.º 6.372/2008 e n.º 7.139/2010). Exatamente no exercício de sua competência, o CAS expediu a Resolução CAS n.º 202/2006, posteriormente revogada pela atualmente vigente Resolução CAS n.º 203/2012, com os requisitos para a aprovação dos projetos industriais para a concessão e gozo dos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental, dentre os quais aquele objeto desta autuação do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75. Esta disciplina normativa com os procedimentos de apresentação, análise, aprovação e acompanhamento de Projetos Industriais para fins de concessão dos incentivos fiscais evidenciam a autonomia da SUFRAMA no processo de aprovação e acompanhamento dos projetos, indicando expressamente que, quando comprovado por aquele órgão o inadimplemento dos requisitos para o gozo dos incentivos fiscais, a Receita Federal será devidamente notificada para que tome as providências cabíveis. Vejamos pelo teor da Resolução CAS n.º 202/2006, vigente à época da análise do projeto da RECOFARMA objeto deste processo (cujas disciplinas, nos pontos sob enfoque neste voto, não foram substancialmente alteradas pela Resolução CAS n.º 203/20123): "Art. 1º Os incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, concedidos a projetos industriais que objetivem a industrialização de produtos na Zona Franca de Manaus (ZFM), são os seguintes: I isenção do Imposto de Importação (II), relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo interno na ZFM; II redução do II, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo em outros pontos do território nacional; III isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo a produtos produzidos na ZFM destinados à comercialização em qualquer ponto do território nacional; IV isenção do IPI para os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; V crédito do IPI, calculado como se devido fosse, para o adquirente de produtos de que trata o inciso anterior, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto; e VI isenção do II e do IPI relativo a bens de capital destinados à implantação de projetos industriais. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica a armas, munições, fumo, bebidas alcoólicas, automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou toucador, preparados e preparações cosméticas, salvo quanto a estes se destinados, exclusivamente, a consumo interno na ZFM, ou quando produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais. 3 A previsão de comunicação da Receita Federal do Brasil (RFB) após a comprovação da aferição indevida de incentivos fiscais é trazida no art. 55 desta Resolução CAS n.º 203/2012. Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.758 15 (...) Art. 5º Os projetos submetidos à apreciação da SUFRAMA deverão atender, cumulativamente, aos seguintes objetivos e condições para a concessão e fruição dos benefícios fiscais: I atendimento aos limites anuais de importação de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II incremento da oferta de emprego na região; III concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; IV incorporação de tecnologias e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; V níveis crescentes de produtividade e competitividade; VI reinvestimento de lucros na região; VII investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico; e VIII atendimento ao Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para seus produtos. § 1º No caso de empresas cujo objeto seja a produção de bens e serviços de informática, além do atendimento do disposto neste artigo, deverá ser observada a legislação específica que trata dos investimentos compulsórios em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). § 2º Quando da apresentação de projeto de implantação, deverá ser apresentada cópia autenticada da Licença Prévia emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas IPAAM, órgão ambiental competente, do estado do Amazonas. (...) Art. 8º A SUFRAMA efetuará a análise de todos os projetos que atendam ao disposto no art. 5º desta Resolução devendo dar prioridade àqueles que apresentem: I produção de componentes, partes e peças, subconjuntos e materiais de embalagem destinados principalmente ao adensamento das cadeias produtivas do Pólo Industrial de Manaus; II programa de exportação; III aplicação em programas de Pesquisa e Desenvolvimento; IV maior geração de empregos por unidade de renúncia fiscal projetada; e V Índice de Desenvolvimento Regional IDR superior à média do subsetor ao qual a empresa pertença, de acordo com regulamentação estabelecida pela SUFRAMA, sendo: (...) Art. 10. Compete ao Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) deliberar acerca da aprovação dos projetos que visem o gozo dos incentivos de que trata o art. 1º, apresentados por empresa que se encontre em situação fiscal regular, mediante apresentação da Certidão de Regularidade Cadastral CRC junto à SUFRAMA ou das certidões negativas de débitos ou documento equivalente expedidos pelos órgãos competentes, nos termos da alínea d do art. 38 desta Resolução e cujos produtos possuam PPB previamente aprovado, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 2.891/98. § 1º Excepcionalmente, em casos devidamente justificados, os projetos que não apresentem situação fiscal regular, mas que tenham apreciação favorável do CAS, desde que apresentem comprovação de regularidade no prazo de 60 (sessenta) dias, improrrogáveis, contados da data de apreciação do projeto pelo Conselho, poderão ter seus atos aprobatórios expedidos pela(o) Superintendente. § 2º As empresas que não atenderem ao prazo estipulado no parágrafo anterior somente poderão ter seus projetos incluídos em nova pauta do CAS mediante a regularização prévia de sua documentação e/ou cadastramento junto à SUFRAMA. § 3º A aprovação de projetos somente terá eficácia após a publicação do correspondente ato aprobatório no Diário Oficial da União (DOU). Fl. 1765DF CARF MF 16 (...) Art. 58. A SUFRAMA enviará comunicado a Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre que comprovar que a empresa auferiu indevidamente dos incentivos fiscais administrados pela autarquia, descritos no art. 1º desta Resolução." (grifei) E aqui é importante salientar que a referência à necessidade de aprovação dos projetos pela SUFRAMA é igualmente depreendida da disciplina legal dos incentivos fiscais, tal como aquele objeto de análise nos presentes autos. Vejamos novamente o teor do dispositivo que respalda o incentivo fiscal condicionado sob análise (art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75): "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifei) Portanto, observase que a autoridade competente para identificar as condições para o gozo das isenções deferidas no âmbito da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental, na forma do caput do art. 179, do CTN, é a SUFRAMA, autoridade administrativa com personalidade jurídica própria, e não a Secretaria da Receita Federal do Brasil: "Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...)." (grifei) Em outras palavras, o despacho da autoridade administrativa necessário à concessão das isenções onerosas ou condicionadas relativas à ZFM e à Amazônia Ocidental, a que se refere o art. 179, do CTN, é a SUFRAMA, à quem a legislação atribuiu competência específica. Por conseguinte, cabe aos demais órgãos administrativos, dentre os quais a Secretaria da Receita Federal do Brasil, observar as condições delineadas por aquela autoridade administrativa específica. Em conformidade com a disciplina trazida pelo CAS nas Resoluções n.º 202/2006 e 203/2012, os projetos apresentados pelos sujeitos passivos visando ao gozo dos incentivos fiscais, após a apreciação da Superintendência, são aprovados por ato do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) devidamente publicado no Diário Oficial. No presente caso, à luz da Resolução CAS n.º 202/2006, após solicitação da empresa fornecedora da Recorrente (RECOFARMA) da renovação de seu projeto para o gozo dos incentivos fiscais, foi proferido Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007 pela Superintendência Adjunta de Projetos da SUFRAMA (efls. 1.400/1.411), devidamente aprovado pelo CAS por meio da Resolução n.º 298/2007, com validade até 05/10/2023. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.759 17 Nesse sentido, a fiscalização da Receita Federal quanto aos incentivos fiscais sob análise é restringida pelos despachos administrativos proferidos pela SUFRAMA que o concedem (Parecer Técnico de Projeto e Resolução CAS). Portanto, não pode a fiscalização da Receita Federal se dissociar dos termos identificados pela SUFRAMA nestes documentos. Importante frisar que não se nega de qualquer forma o poderdever da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil de proceder com a análise da validade dos incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA no âmbito da ZFM e da Amazônia Ocidental, com fulcro no art. 37, XVIII da Constituição Federal. Contudo, o que não se admite é que a fiscalização ultrapasse os termos dos despachos administrativos de concessão dos incentivos fiscais, para trazer requisitos outros além daqueles disciplinados pela SUFRAMA, como órgão competente. O próprio dispositivo constitucional mencionado é claro ao limitar a atuação da administração fazendária "dentro de suas áreas de competência"4. E aqui essencial enfatizar que para que seja atestado o descumprimento das condições, a SUFRAMA traz procedimentos administrativos específicos, com a emissão em uma periodicidade de 3 (três) anos dos Relatórios de Acompanhamento de Projetos (RAP) e com a possibilidade de vistorias técnicas a qualquer tempo. É o que se extrai da Resolução CAS n.º 203/2012 atualmente vigente: "CAPÍTULO V DA AVALIAÇÃO DOS PROJETOS Art. 42. A SUFRAMA emitirá a cada três anos, ou sempre que necessário, por amostragem, Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP), relativo aos produtos ativos (não cancelados) com projetos aprovados por suas respectivas empresas junto ao Conselho de Administração da SUFRAMA. § 1º O RAP deverá conter a relação de produtos ativos das empresas, com a situação atualizada de cada um no que diz respeito aos Laudos de Operação e de Produção, à entrega do LTAI e dos indicadores de desempenho, à adimplência em relação à Certificação da qualidade, além de dados atualizados de produção, mão deobra, faturamento, investimentos em máquinas e equipamentos, concessão de benefícios sociais aos trabalhadores, investimentos na formação e capacitação de recursos humanos, e, se for o caso, volume de exportações e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. § 2º O RAP deverá conter ainda, a análise dos desvios em relação às metas originais e aos compromissos assumidos pelas empresas quando da aprovação de seus projetos, bem como proposições para cancelamento de projetos e/ou alterações nas resoluções aprobatórias. § 3º A SUFRAMA, quando da emissão do RAP, deverá inspecionar in loco as instalações da empresa, devendo neste momento ser atestado o cumprimento e manutenção das disposições constantes nos Laudos de Operação e de Produção emitidos, além de verificar as informações prestadas nos LTAIs apresentados. § 4º A SUFRAMA deverá submeter à apreciação do CAS na primeira reunião do exercício subseqüente, a consolidação das informações contidas nos RAPs emitidos durante o ano imediatamente anterior. § 5° A SUFRAMA, durante a fase de elaboração do RAP, sempre que houver necessidade, poderá solicitar da empresa dados, informações e/ou documentos 4 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;" (grifei) Fl. 1767DF CARF MF 18 contábeis que venham a comprovar o cumprimento de metas estabelecidas em projeto, devendo a documentação requerida, devidamente assinada pelo contador e pelo representante legal da empresa, ser entregue no prazo previamente estabelecido pelo setor competente. CAPÍTULO VI DA VISTORIA TÉCNICA Art. 43. A qualquer tempo a SUFRAMA poderá realizar vistoria técnica nas empresas com projeto aprovado, com a finalidade de verificar, para fins de manutenção ou cancelamento dos benefícios fiscais, o exato cumprimento dos termos e condições estabelecidos nesta Resolução e demais condições legais pertinentes. Art. 44. A empresa deverá permitir aos servidores da SUFRAMA ou a seu serviço, devidamente identificados e credenciados, amplo, geral e irrestrito acesso a quaisquer de suas instalações fabris, bem como aos livros, demonstrações contábeis, fiscais e sistemas de informações, informatizadas ou não, para efeito de emissão dos Laudos de Operação e de Produção e para realização das vistorias técnicas. Parágrafo único. A empresa deverá manter seus documentos organizados de maneira a facilitar seu manuseio e conferência por ocasião das visitas técnicas ou demais acompanhamentos realizados pela SUFRAMA." (grifei) Dessa forma, a autoridade competente para avaliar o cumprimento das condições das isenções deferidas por meios dos projetos específicos é a SUFRAMA, não cabendo à Receita Federal fugir à esse procedimento e trazer condições diversas àquelas estabelecidas pelo órgão competente. A restrição da atuação fiscal da Receita Federal quanto aos incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA já foi externada em distintas oportunidades pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF e pelas câmara ordinárias5. Vejamos, a título de exemplo, algumas manifestação da CSRF: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/06/1998 a 31/12/1998 IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o DecretoLei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Especial do Procurador Negado." (Número do Processo 10283.009636/200131 Data da Sessão 14/11/2013 Relator RODRIGO CARDOZO MIRANDA Nº Acórdão 9303002.664 Unânime grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 20/10/2004 POSSIBILIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO DA ETAPA PREVISTA NA LETRA “H’” DO ARTIGO 1° DA PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 185/93, PARA EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Não cabe restringir a possibilidade de terceirização à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus e com projeto aprovado pela SUFRAMA, para o gozo do 5 Recomento a leitura da declaração de voto da Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões no Acórdão nº 3301.003.005, que foi contundente nesse sentido (Processo nº 15504.729713/201469. Sessão de 22 de junho de 2016) Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.760 19 benefício de isenção do IPI, quando a norma pertinente não o faz expressamente e o órgão responsável pela concessão do processo produtivo básico autorizou a terceirização da etapa “h” nesses termos. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 10283.007961/200754 Data da Sessão 27/04/2016 Relator(a) VANESSA MARINI CECCONELLO Nº Acórdão 9303003.825 grifei) Nesse sentido, a fiscalização da Receita Federal, quanto à análise de incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA, não possui ampla liberdade para a identificação dos parâmetros de atuação do contribuinte para o gozo dos incentivos, devendo se ater às condições identificadas nos documentos expedidos pela SUFRAMA, quais sejam, Parecer Técnico de Projeto e Resolução CAS de aprovação. Fixada essa premissa, passamos à análise do trabalho fiscal feito nos presentes autos. I.2 OS ATOS DE CONCESSÃO DO INCENTIVO FISCAL PELA SUFRAMA E AS EXIGÊNCIAS DA RECEITA FEDERAL NO PRESENTE CASO Como visto, a fiscalização entendeu que dois requisitos teriam sido descumpridos pela RECOFARMA, empresa fornecedora da Recorrente, para o gozo do incentivo fiscal do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75: (i) a não utilização de matérias primas agrícolas e extrativistas vegetais (canadeaçúcar e semente de guaraná); e (ii) a impossibilidade dos concentrados serem vendidos em partes separadas (forma líquida e sólida). Entretanto, no ato de concessão desse incentivo à RECOFARMA (Resolução CAS n.º 298/2007 e Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007), nenhuma destas duas condições, da forma como apontadas pela fiscalização na presente autuação, foram trazidas pela SUFRAMA. Com efeito, a fiscalização da Receita Federal ultrapassou de sua competência por impor novas condições para o gozo da isenção onerosa sob análise, diferentes daquelas que lhe foram fixadas pelo órgão competente da SUFRAMA. Especificamente quanto às matérias primas regionais utilizadas, afirma a fiscalização que a RECOFARMA: "I jamais adquiriu tais matérias primas (canadeaçúcar e semente do guaraná); II – comprou diretamente os produtos já industrializados (açúcar, extrato de guaraná e cafeína) e III – grande parte dos produtos industrializados adquiridos, inclusive a cafeína, foi importada." (efl. 1.177) Contudo, em atenta análise do Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007, observase que a SUFRAMA, quando da aprovação do Projeto industrial da RECOFARMA, já consignava que as matérias primas regionais a serem utilizadas no processo produtivo seriam em forma de açúcar (cristal ou mascavo) e extrato de guaraná, e não a própria canade açúcar e a semente de guaraná como exigido pela Receita Federal. Vejamos os exatos termos do Projeto (efl. 1.402): Fl. 1769DF CARF MF 20 A menção às "matériasprimas regionais" foi indicada exatamente para o gozo da isenção contestada pela fiscalização nos presentes autos, do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, indicada no item 4 do referido parecer: Mais adiante, ao tratar especificamente do percentual de origem dos insumos, a SUFRAMA indica que os produtos serão compostos por insumos regionais, insumos nacionais e insumos importados (dentre as quais a cafeína referenciada pela fiscalização na autuação sob análise). Naquela oportunidade, indicase uma nota para esclarecer quais seriam os insumos regionais, indicando que "na elaboração do produto CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS para o modero de referencia 'concentrado para bebidas refrigerantes de sabor de cola', será utilizada a matériaprima regional açúcar (cristal e Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.761 21 mascavo) processado no interior do Estado. E para outros tipos do produto utilizase também a maláriaprima regional extrato de guaraná. " (efl. 1.410 grifei): Portanto, vislumbrase com clareza que a fiscalização faz uma restrição que ultrapassa o projeto aprovado pela SUFRAMA, indevidamente exigindo que as matérias primas sejam utilizadas pela RECOFARMA em seu estado natural. Ora, a SUFRAMA identifica com clareza em seu parecer que o açúcar e o extrato de guaraná devem ser admitidos como matérias primas regionais suficientes ao adimplemento do projeto e ao gozo do incentivo fiscal, não cabendo à Receita Federal restringir esse entendimento do órgão competente. Da mesma forma, quanto à forma de comercialização dos concentrados (líquido e sólido), observase que igualmente consta do Parecer da SUFRAMA a informação de que são diversos tipos de concentrados ("passando de 31 tipos" efl. 1.400) que consistem em "preparações químicas" (efl. 1.402), não sendo indicado que os concentrados devem estar necessariamente em meio sólido ou líquido: (...) Fl. 1771DF CARF MF 22 Ademais, a Portaria Interministerial n.º 8/1998, que aprovou o Processo Produtivo Básico dos concentrados, deixa claro que os concentrados poderão ser sólidos ou líquidos, ao evidenciar que após a dosagem das matérias primas deve ocorrer a mistura das matérias primas sólidas OU líquidas: "Art. 1° Estabelecer, para produtos Extratos Aromáticos Vegetais Naturais, Concentrados, Bases e Edulcorantes para Bebidas não Alcoólicas e Corantes Caramelo, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos. (...) II Concentrados, Bases e Edulcorantes para Bebidas não Alcoólicas: a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e c) homogeneização, quando necessário." (grifei) Desta forma, a fiscalização, em contrariedade à orientação ditada pela SUFRAMA, órgão competente para a concessão dos incentivos fiscais sob análise, inova quanto aos requisitos necessários para o gozo da isenção prevista art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, o que não se pode admitir. Considerando os termos definidos pela autoridade administrativa competente no despacho de concessão do incentivo fiscal sob análise (SUFRAMA Resolução CAS n.º 298/2007 e Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007) inexiste qualquer incongruência técnica ou fática suscetível à afastar o gozo da isenção. E esse fato foi atestado pela própria SUFRAMA por meio de ofício de 26 de setembro de 2014, acostado pela Recorrente aos autos à efls. 1.412/1.413, no qual o Superintendente Adjunto de Projetos da SUFRAMA atesta: "1. Em atendimento ao expediente protocolado nesta Autarquia sob o n° 006268, de 24/07/2014, informamos que a RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., com sede nesta cidade à Avenida Buriti, n° 190 — Distrito Industrial, devidarnente habilitada nesta Suframa sob n° 20.0567.012, na presente data ESTÁ REGULAR EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NO PROJETO TÉCNICO ECONÔMICO INDUSTRIAL DE ATUALIZAÇÃO, aprovado peta Resolução do Conselho de Administração da Suframa (CAS) n° 298, de 11/12/2007, nos termos do Parecer Técnico de Projeto N° 224/2007SPR/CGPRUCOAP1 — único em vigência, comprovados de acordo com os seguintes instrumentos, em conformidade com Resolução CAS n° 203, de 10 de dezembro de 2012 (revogou a Resolução CAS n° 202, de 17/05/2006), especificamente: no que se refere aos seguintes parâmetros: Dados do Produto: CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS — Cód. Suframa 0653." (Ofício n.º 3638 SPR/CGAPI/COPIN efl. 1.412 grifei) Assim, a autoridade administrativa competente para a definição das condições para o gozo da isenção sob análise atestou a regularidade da empresa fornecedora da Recorrente RECOFARMA, não cabendo ao fiscal da Receita Federal trazer critérios diversos daqueles previstos pela autoridade para buscar atribuir uma situação de irregularidade da isenção que, de fato, inexiste, em descumprimento do procedimento e da competência regulamentar pertinente para o incentivo fiscal específico sob análise. Aqui importante mencionar que, ao contrário do que pretendeu a fiscalização, as isenções onerosas ou condicionadas não podem ser livremente suprimidas, em conformidade com a Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal. Necessário que se observe a disciplina legal e normativa aplicável à hipótese para que sejam afastadas as condições. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.762 23 No presente caso, ao ignorar o cumprimento das condições atestadas pelo órgão competente (SUFRAMA), a Receita Federal foge ao seu poder regulamentar para trazer exigências não identificadas pelo órgão competente, em clara afronta ao princípio da segurança jurídica, em seu viés subjetivo da proteção da confiança. Nas palavras de Humberto Ávila: "Os atos administrativos individuais. dirigidos a determinados contribuintes, criam uma 'relação de confiança', na medida em que conotam uma 'pessoalidade'. A maior proximidade entre o Poder Público e o cidadão também instaura um compromisso entre eles e, por consequência, gera um dever de lealdade: o descumprimento de um compromisso é causa de deslealdade, a seu turno violadora do princípio da moralidade administrativa. Exatamente em decorrência dessa proximidade é que se fala, no caso dos atos e dos contratos administrativos, em dever de boafé administrativa: a relação de proximidade entre Estado e contribuinte cria deveres recíprocos de lealdade que restringem ou que atenuam as próprias exigências de legalidade e de previsibilidade." (grifei)6 Nesse sentido, à luz do art. 179, do CTN e da disciplina normativa aplicável ao incentivo fiscal do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, entendo que a fiscalização no caso em tela invadiu competência regulamentar atribuída à SUFRAMA, trazendo requisitos diversos para o gozo da isenção, o que não se pode admitir. Desta forma, confirmado o cumprimento das condições pela SUFRAMA, entendo ser válida a isenção da empresa RECOFARMA. Por conseguinte, descabida a glosa dos créditos da Recorrente, que corretamente e com fulcro nos atos administrativos competentes emitidos pela SUFRAMA, tomou o crédito com fulcro no art. 237, do RIPI/2010, devendo ser cancelada a autuação. Neste tópico eu busquei enfrentar o principal fundamento da autuação quanto a glosa dos créditos tomados pela Recorrente em suas aquisições de produtos da Zona Franca de Manaus. Tendo saído vencida nas alegações trazidas acima após a leitura do voto na sessão de 26/10/2017, o processo foi retirado de pauta para a análise dos demais argumentos suscitados pelo Recorrente, o que passo a realizar a seguir. II DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DA RECORRENTE Como mencionado acima, a isenção nas aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus pela Recorrente, além de encontrar amparo no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975 (cujas condições foram acima enfrentadas), era igualmente fundamentada nas notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no art. 81, II, do RIPI/2010, que expressam: Decretolei n.º 288/1967 "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras 6 ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 473474 Fl. 1773DF CARF MF 24 regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)" (grifei) RIPI/2010 "Art. 81. São isentos do imposto (DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9o, e Lei no 8.387, de 1991, art. 1o): (...) II os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (Posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matérias primas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico;" (grifei) Atentandose para a presente ação fiscal, observase que a fiscalização se ateve a verificação dos requisitos do já mencionado art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975, vez que, em seu entendimento, esse seria o único dispositivo normativo aplicável à Recorrente na condição de adquirente dos insumos isentos, para a tomada de crédito de IPI. Esse entendimento foi evidenciado pela fiscalização em especial ao tratar da inaplicabilidade na hipótese da coisa julgada firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834 impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), no qual foi reconhecido o direito ao crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na forma do referido artigo 9º do Decretolei n. 288/67. O provimento, transitado em julgado em 02/12/1999, foi proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região na Apelação n.º 9602060506, ementado nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS MATÉRIA PRIMA PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO PRECEDENTES JUDICIAIS. 1. CABENTE O CREDITAMENTO DO VALOR DO IPI QUE, EM RAZÃO DE ISENÇÃO, DEIXOU DE SER TRIBUTADO EM OPERAÇÃO ANTERIOR, PARA QUE SE DÊ PLENO ALCANCE AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DE NÃO CUMULATIVIDADE, ENUNCIADO SEM RESTRIÇÕES PARA ESSE IMPOSTO. 2. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO." (TRF2, Primeira Turma, Relatora Desembargadora Federal Julieta Lidia Lunz Relator para Acórdão Desembargador Federal Ney Fonseca Data Decisão: 28/04/1998, Data Publicação: 25/08/1998 grifei) Ao tratar desse Mandado de Segurança Coletivo, indicou o Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal: "4.2.2.1. Coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834: 4.2.2.1.1. Nesta ação a impetrante, Associação dos Fabricantes Brasileiros de COCACOLA, pleiteia e vê reconhecido o direito ao crédito do IPI relativo às aquisições de insumos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus. Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.763 25 4.2.2.1.2 O julgamento do Recurso Especial nº 1.117.887 SP, distribuído por prevenção ao processo de nº 2008.01730557, estende os efeitos do Mandado de Segurança Coletivo de nº 91.00477834, ação invocada pela contribuinte, à Cia de Bebidas Ipiranga. 4.2.2.1.3. Ocorre, entretanto, que o direito pleiteado pela fiscalizada, por meio da ação mencionada, já se encontra assegurado pelo Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § único, que reconhece o direito ao creditamento do IPI relativo às aquisições de insumos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus. 4.2.2.1.4. O dispositivo legal, em destaque, foi acolhido pela legislação que o sucedeu e o direito ao crédito do IPI relativo às aquisições de insumos isentos adquiridos da ZFM, atualmente se encontra garantido, em tese, pelo art. 81, inciso II, do Decreto da União de nº 7.212/10 (Regulamento do IPI). 4.2.2.1.5. A presente fiscalização, frisese, não questiona a tese do direito ao creditamento do IPI em relação às aquisições da fiscalizada, correspondentes a insumos isentos provenientes da ZFM; mas visa, tão somente, a comprovar, no exercício de sua competência plena para a fiscalização do imposto, se I – os requisitos básicos para a concessão da isenção, acima referida, foram observados e se II – o direito ao aproveitamento dos créditos do IPI pela fiscalizada se mantém, frente aos fatos apurados quanto à regularidade da mencionada isenção (avaliação do item “I”), quando da aplicação da hipótese normativa ao caso concreto." (efl. 1.167 grifei) Contudo, ao contrário do que aduz a fiscalização, cada dispositivo legal mencionado traz uma hipótese distinta de isenção, com requisitos próprios para admitir como isento um produto proveniente da Zona Franca. Em outras palavras: o Decretolei n.º 1.435/1975 não faz uma remissão aos requisitos do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, devendo ser observados os requisitos de cada um destes dispositivos. Desta forma, a Recorrente possui dois fundamentos autônomos para a tomada do crédito nas aquisições de produtos isentos da Zona Franca de Manaus: (i) a autorização legal trazida no art. 6º, §1º do Decretolei n.º 1.435/1975 nas condições por ele previstas que, no entender da fiscalização, teriam sido descumpridas pela fornecedora da Recorrente (enfrentados no item anterior, mas vencidos por essa turma); e (ii) a autorização judicial firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, considerando a isenção dos produtos provenientes da Zona Franca de Manaus com fulcro no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 (vez que, para esta isenção específica, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI). Como visto, as condições trazidas por este dispositivo não foram enfrentadas pela fiscalização no fundamento da autuação, que faz referência, apenas, ao Decretolei n.º 1.435/1975. Contudo, cumpre aqui confirmar se a autorização judicial de tomada de crédito firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834 se aplica à Recorrente, na condição de incorporadora da empresa Companhia de Bebidas Ipiranga (efls. 282296), que figurava como uma das associadas da AFBCC à época da impetração. Com efeito, os créditos sob discussão foram aferidos pelo estabelecimento filial da Companhia de Bebidas Ipiranga localizado em Ribeirão Preto, na Av. Dom Pedro I, n.º 2.270, Ipiranga, incorporado em 01/12/2013 pela Rio de Janeiro Refrescos, ora Recorrente. Fl. 1775DF CARF MF 26 Entretanto, após o trânsito em julgado da decisão proferida no Mandado de Segurança coletivo admitindo o creditamento, instaurouse uma discussão quando aos efeitos dessa decisão, em especial para os associados que não estavam localizados no Rio de Janeiro, onde a ação foi proposta em razão da previsão do art. 2ºA da Lei n.º 9.494/1997, incluído pela Medida Provisória n.º 2.18035/2001. Atentandose especificamente para o estabelecimento da Recorrente, observase que em 2004 foi interposto mandado de segurança n.º 000574964.2004.4.03.6102, visando garantir os efeitos do referido mandado de segurança coletivo à Recorrente. Naquela ação, impetrada em face do Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto, a empresa pleiteou o cancelamento de uma autuação contra ela lavrada e o seu direito líquido e certo de aproveitar os créditos de IPI incidentes sobre as aquisições de matériaprima isenta de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, com fulcro no princípio da não cumulatividade e no Mandado de Segurança Coletivo. O pedido amplo da Recorrente para o reconhecimento dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo, inclusive para fatos geradores futuros, pode ser evidenciado pelo trecho do acórdão da apelação proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região7: "Analisando os respectivos autos, constatase que a empresa apelante impetrou o presente “writ” alegando ter direito líquido e certo para a utilização de crédito do IPI ante a observância do princípio da nãocumulatividade, conforme decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal. A empresa apelante alega que houve impetração de mandado de segurança coletivo para que certos fabricantes brasileiros de CocaCola não fossem compelidos a estorno, afirmando que também se creditou de IPI relativo a insumos, isto é, aquisições de matéria prima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, utilizada na indústria de produtos (refrigerantes – código 2202.90 TIPI), cuja saída é sujeita ao IPI, impetrando para não serem compelidos a estorno, Mandado de Segurança Coletivo, onde foi denegada a ordem. Inconformada, a Associação representante da classe recorreu ao Tribunal Regional Federal da 2a. Região, que deu provimento ao recurso, sendo interposto Recurso Extraordinário pela União Federal, não conhecido, dando ensejo à interposição de agravo, conhecido, porém improvido. Tal decisão transitou em julgado em 02 de dezembro de 1999. Ocorre que a impetrante, antes do pronunciamento do Tribunal, foi autuada pela Receita Federal, fazendose anotação no referido instrumento a respeito do mandado de segurança coletivo. (...) A impetrante oferece recurso de apelação, requerendo que sejam acolhidos pela sentença recorrida os argumentos expendidos no sentido de que o mandado de segurança coletivo processado na 22a. Vara do Rio de Janeiro e transitado em julgado, abrange a impetrante recorrente, diferentemente da posição abraçada pela MM. Juíza “a quo”. (...) Ademais, também representa argumento da inicial, a defesa de direito líquido e certo quanto aos créditos ainda não lançados, como ressaltou que “o IPI é imposto cujo recolhimento desse ser efetuado antes mesmo do lançamento pela autoridade fiscal, competindo a contribuinte calculálo e recolhêlo nos prazos legais sem qualquer interferência das autoridades fazendárias”. Por outro lado, deve ser considerado que até antes da edição da Medida Provisória 1798 – 1 de 11 de fevereiro de 1999, todas as sentenças proferidas em ações coletivas, com trânsito em julgado possuíam maior alcance do que aquelas 7 Disponível em http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento?processo=200461020057496 Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.764 27 transitadas em julgado após o referido diploma legal que restringiu a abrangência dos efeitos jurídicos apenas aos substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito de competência territorial do órgão prolator, assim, não atinge a impetrante, já que a decisão do indicado mandado de segurança coletivo transitou em julgado em 02.12.1999. A lei processual possui aplicação imediata." (grifei) Este acórdão foi reformado pelo STJ no Recurso Especial n.º 1.117.887, especificamente neste ponto do Mandado de Segurança Coletivo. Com efeito, nesta decisão final proferida pelo STJ, transitada em julgado em 28/05/20138, foi reconhecida a aplicação dos efeitos do mandado de segurança coletivo à Recorrente, como informado à época da fiscalização (efl. 337338). Nos termos do referido acórdão9: "PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA. EXIGÊNCIAS IMPOSTAS PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.781/99 QUE ALTEROU A LEI Nº 9.494/97. AÇÃO AJUIZADA ANTERIORMENTE. IRRETROATIVIDADE. 1. "As nova exigências impostas pela Medida Provisória nº 1.781/99, que alterou a redação da Lei nº 9.494/97, não podem retroagir para alcançar ação ajuizada antes de sua vigência. As normas processuais têm efeitos imediatos, mas não retroativos" (Resp 537620/PB, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 26/10/2004, DJ 29/11/2004, p. 371). 2. Recurso especial provido. (...) Isso estabelecido, a ação coletiva que a recorrente sagrouse vencedora foi ajuizada em data anterior (1991) à edição da MP nº 1.7981 (fevereiro de 1999) que, modificando a redação original da Lei nº 9.494/97, restringiu o alcance das decisões proferidas ao estabelecer: "Art. 2ºA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator". A Corte Regional entendeu que referida norma aplicase ao caso, porque "a decisão do indicado mandado de segurança coletivo transitou em julgado em 02.12.1999" (eSTJ fl. 365). Entretanto, tal tese vai de encontro ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça para quem, embora as disposições processuais tenham aplicação imediata, não se revela possível a retroação da norma que impõe novas exigências para o exercício do direito. (...) Não há como elegerse o trânsito em julgado como marco temporal para aplicação da norma que restringiu o alcance subjetivo das decisões proferidas em ação de caráter coletivo quando a própria lei referese à "data da propositura da ação", que determina a competência. (...) Por fim, cuidase de matéria que poderia ter sido deduzida no processo de conhecimento, na medida em que a edição da MP antecede ao trânsito em julgado do acórdão. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial." (grifei) 8 Conforme consulta no endereço eletrõnico do Superior Tribunal de Justiça, em https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=200901088748&tot alRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea 9 Disponível em https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=MON&sequencial=28644185&num_re gistro=200901088748&data=20130515&formato=PDF Fl. 1777DF CARF MF 28 Existe neste caso, portanto, coisa julgada em favor da Recorrente garantindo lhe a aplicação da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, afastando a restrição subjetiva e territorial do art. 2ºA da Lei n.º 9.494/1997. Ou seja, ainda que o MS coletivo tenha sido impetrado no Rio de Janeiro, o STJ reconheceu que sua decisão é aplicável para a Recorrente, localizada em Ribeirão Preto. Devese, portanto, aplicar exatamente o comando determinado pelo Poder Judiciário, sem qualquer margem de discricionariedade da autoridade administrativa, vez que a decisão que julgou o mérito tem força de lei nos limites da questão decidida (artigo 467, CPC/1973 e art. 503, CPC/2015). E a observância da coisa julgada pela Administração foi bem elucidada pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402002.900: "Consigno, por fim, que a coisa julgada configura instituto próprio do Estado Democrático de Direito, em que o zelo pela segurança jurídica tem papel primordial para a efetivação dos valores jurídicos constitucionais. Na Constituição de 1988, este instituto teve lugar dentre as garantias fundamentais (artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição), possuindo, portanto, o status maior de cláusula pétrea da ordem jurídica, não podendo ser alterada sequer por atividade do constituinte derivado via emenda à Constituição (artigo 60, § 4º, CF/88). Afinal, a coisa julgada possui o condão de trazer a imutabilidade e definitividade aos efeitos da sentença, configurando “uma das mais representativas expressões de segurança jurídica.” O Código de Processo civil determinou, igualmente, que, uma vez configurada a coisa julgada formal, não haverá mais espaço algum para que se discutam os exatos dizeres que foram colocados na sentença, salvo nas estreitas hipóteses em que a lei designa situações para tal afastamento, como decisão fundamentada de revisão proferida pelo próprio juízo ou os casos da ação rescisória (artigo 485, CPC)." (grifei) Assim, tal qual reconhecido por esta turma no acórdão acima transcrito, ainda que inexista previsão legal para a tomada de crédito efetuada pelo contribuinte (na aquisição de insumos isentos na forma do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no art. 81, II, do RIPI/2010), há decisão judicial que lhe dá esse direito, proferida em mandado de segurança coletivo e transitada em julgado em 02/12/1999, cuja aplicação à Recorrente foi reconhecida pelo Judiciário em decisão transitada em julgado em 28/05/2013. Reiterese que a fiscalização em nenhum momento ingressa nos requisitos da isenção do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, por entender que não seria aplicável no presente caso. A fiscalização, portanto, não traz qualquer inconsistência para a isenção dos insumos da Zona Franca de Manaus com base no Decretolei n.º 288/1967, sendo que o correspondente crédito para a adquirente deve ser admitido por força da decisão judicial. E aqui frisese que cabe uma reflexão desta turma quanto à decisão anteriormente tomada quanto ao mesmo contribuinte, proferida em sua composição anterior no Acórdão n.º 3402002.997, de 26/04/2016. Com efeito, naquela oportunidade, a existência da coisa julgada em favor do contribuinte não foi reconhecida por não ter sido proferida em recurso repetitivo, o que não seria necessário na hipótese, vez que o acórdão foi proferido especificamente em ação proposta pela Recorrente (coisa julgada individual). Desta forma, não vislumbro qualquer argumento contrário à aplicação à Recorrente da coisa julgada firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, em especial por contar com coisa julgada individual em seu favor. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.765 29 Assim, com base nesse argumento autônomo de mérito, entendo ser descabida a glosa dos créditos da Recorrente, que corretamente tomou o crédito de IPI na aquisição de insumos isentos na forma do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no art. 81, II, do RIPI/2010, com fulcro na decisão judicial proferida no mandado de segurança n. n.º 0005749 64.2004.4.03.6102, que reconheceu a aplicação a ela do mandado de segurança coletivo e transitada em julgado em 01/12/1999, que deve ser aplicada à Recorrente na condição de associada da Associação impetrante (AFBCC). Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. III DISPOSITIVO Diante do exposto, com fulcro nos argumentos autônomos de mérito acima analisados, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o item do Auto de Infração "CRÉDITOS INDEVIDOS INFRAÇÃO: CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO". É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1779DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. Para que haja alteração de critério jurídico adotado no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar, o que não é o caso. O art. 146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão nº 1401001.649– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos constatados pelo AuditorFiscal naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. Sustenta a recorrente a validade do seu crédito com fulcro no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, vez que a fornecedora de concentrados de refrigerantes fabricados na Amazônia Ocidental (Recofarma) cumpriria os requisitos para o gozo da isenção como atestado pela Suframa, que seria o órgão competente para tanto. A questão da incompetência da Receita Federal para fiscalizar as isenções no âmbito da Zona Franca de Manaus não tem prevalecido neste CARF, conforme demonstram os julgados abaixo: Processo nº 12266.722104/201289 Acórdão nº 3401003.220– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Relator: Rosaldo Trevisan (...) COMPETÊNCIA. ZONA FRANCA DE MANAUS. FISCALIZAÇÃO E CONTROLE. BENEFÍCIOS FISCAIS. A disposição estabelecida artigo 18 do Decreto nº 6.008/2006, sobre competência da SUFRAMA, para "fiscalização da execução dos PPB", deve ser lida à luz do artigo 51 do próprio decreto, e dos comandos normativos que lhe são hierarquicamente superiores, como a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, sendo inequívoca a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar e controlar qualquer benefício fiscal relativo aos tributos federais, no território nacional, que inclui a Zona Franca de Manaus. (...) Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.766 31 VOTO (...) Sobre a alegação de incompetência da autoridade fiscal, temos que resulta de incompreensão das funções de cada uma das autoridades governamentais atuantes na Zona Franca de Manaus. Quando o artigo 18 do Decreto no 6.008/2006 trata da competência da SUFRAMA para "fiscalização da execução dos PPB", por certo não está, e nem poderia, operar tal competência em prejuízo da tarefa constitucionalmente atribuída à Fazenda, no artigo 237 da Constituição Federal, nem das atribuições previstas em normas de estatura superior ao decreto, como o Código Tributário Nacional, no qual o papel do artigo 194 está longe de ser o que lhe empresta a interpretação albergada pela empresa, bastando o cotejo de tal comando, v.g., com os artigos 142 e 179 da mesma codificação, para que se perceba que um decreto não teria o condão de deslocar competência legalmente (e constitucionalmente) estatuída. Isso resta claro na redação do artigo 51 do próprio decreto invocado pela empresa, de no 6.008/2006, que esclarece que as competências da SUFRAMA serão exercidas "sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da administração pública". Assim, a disposição estabelecida no Decreto obviamente deve ser lida à luz dos comandos normativos hierarquicamente superiores, sendo inequívoca a competência da Secretaria da Receita Federal para fiscalizar e controlar qualquer benefício fiscal relativo aos tributos federais, como as quatro espécies que figuram na autuação. Inexistente, por consequência, a segunda nulidade apontada. (...) Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão nº 3301003.006– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2016 Relator: Andrada Márcio Canuto Natal (...) ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. (...) VOTO (...) Neste ponto é importante ressaltar que não é só a SUFRAMA que detém competência para constatar a correção do seu processo produtivo para o fim de usufruir do benefício fiscal em questão. Consta das normas, que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem Fl. 1781DF CARF MF 32 como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. Quanto a isso não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados, conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem, diante dos elementos de prova apresentados se há ou não cumprimento dos requisitos necessários à usufruição de benefícios fiscais. Além disso, a SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo Conselho de Administração da Suframa por ocasião da emissão da portaria ou da resolução autorizativa do projeto. Ainda sobre a competência da fiscalização do IPI, vejase o que reproduz os arts. 505 e 506, do RIPI atual Decreto nº 7.212. de 2010: (...) Para que os produtos adquiridos sejam considerados isentos e daí decorra o direito ao crédito para recorrente/adquirente, nos termos dos arts. 95, III e 237 do RIPI/201010, devem ocorrer cumulativamente as seguintes situações: i. os projetos para a produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias pela fornecedora tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa; ii. os produtos adquiridos pela recorrente devem ter sido elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental; e 10 RIPI/2010 Decreto nº 7.212/2010: Art. 95. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o). Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.767 33 iii. esses produtos adquiridos tenham emprego, no processo industrial da recorrente, como "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto". No caso, a fiscalização identificou que não havia o cumprimento segundo requisito acima (ii.), na elaboração de produtos no estabelecimento da fornecedora, eis que não utilizavam "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Como dito, para que a recorrente tivesse direito ao crédito deveriam ter sido atendidos concomitantemente os três requisitos enumerados. Assim, não obstante a fornecedora da recorrente tenha um projeto de industrialização aprovado pela Suframa, o que não foi contestado pelo Auditor Fiscal autuante, a recorrente/adquirente não faz jus ao direito creditório em face do não atendimento a outro requisito (ii. acima). Quanto à competência da Receita Federal do Brasil (RFB) e do Auditor Fiscal para analisar o cabimento da isenção dos produtos adquiridos pela recorrente e verificar se lhe assiste o direito creditório correspondente, relativamente o requisito ii) acima; bem como para efetuar a reclassificação fiscal dos produtos, ela decorre, dentre outros, dos seguintes dispositivos legais e regulamentares: LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966 Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou Fl. 1783DF CARF MF 34 limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. LEI No 10.593, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2002: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (...) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) DECRETO Nº 7.212, DE 15 DE JUNHO DE 2010 RIPI 2010: Art.505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91, e Lei no 11.457, de 2007, art. 2o). Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art.506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). Art.507.As atividades de fiscalização do imposto serão presididas e executas pela autoridade administrativa competente (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 93). Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.768 35 Parágrafo único. A autoridade administrativa a que se refere o caput é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 93, Lei no 10.593, de 2002, art. 6o, e Lei nº 11.457, de 2007, art. 9º). Assim, é irretocável decisão recorrida que rejeitou o argumento da então impugnante quanto à incompetência da RFB para não conceder a isenção pleiteada, nestes termos: (...) Não assiste razão à Impugnante. Como se vê, tratase de isenção que abrange determinado produto e, nesse sentido, é objetiva. É claro que há requisitos a serem observados, sendo inegável, ainda, que cabe à Suframa aprovar os projetos produtivos e reconhecer o cumprimento dos requisitos para a isenção. Nesse quadro, faz todo o sentido o dispositivo regulamentar do art. 4º do Anexo ao Decreto nº 7.139, de 29 de março de 2010: Art. 4º Ao Conselho de Administração da SUFRAMA compete: I aprovar: (...) c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 7º e no art. 9º do DecretoLei nº 288, de 1967, e no art. 6º do DecretoLei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação, fiscalização e acompanhamento dos referidos projetos; (...) Por outro lado, é certo que isenção se trata de matéria tributária e o reconhecimento de seus efeitos deve ser reservado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em rigor, o que ocorre é que o CAS, ao aprovar o projeto de determinada pessoa jurídica, faz operar o dispositivo legal isentivo que, como já se disse, possui natureza objetiva. Por isso é que o dispositivo regulamentar acima citado se refere à aprovação de projetos. Essa é, eminentemente, a competência dada ao CAS. Em rigor, o despacho administrativo deveria ser, in casu, a provação do projeto e a sua adequação à norma legal isentiva. Outra coisa, muito diferente, é o CAS entender ser de sua competência a concessão da isenção. Nessa linha de raciocínio, são merecedoras de crítica as Resoluções daquele Conselho que parecem regulamentar competência que não lhe foi atribuída por lei. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem entendimento, há muito sedimentado, afirmando de forma clara e insofismável a competência desta Secretaria para fiscalizar e, em termos mais largos, administrar referido benefício. Nos termos do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF nº 203/2012, a competência para executar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária, e também, para orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação e controle dos tributos e demais receitas da União é da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1785DF CARF MF 36 Nessa linha de raciocínio, não compete à Suframa fiscalizar questões tributárias. A aprovação de um projeto por parte da Suframa não exclui o poderdever da Receita Federal de verificar a legitimidade dos créditos de IPI escriturados pelo adquirente do produto e não garante, por si só, o direito ao crédito. No mesmo sentido do entendimento manifestado no presente voto, reproduzse, a seguir, a título ilustrativo, fragmento de recente julgamento realizado pelo CARF através do Acórdão nº 3302001.790, de 25/09/2012: (...) A recorrente não faz jus ao creditamento sobre os produtos adquiridos, como apurou a fiscalização: (...) 5.3. CONCLUSÃO SOBRE AS IRREGULARIDADES APURADAS 5.3.1. Todas as provas acostadas aos autos, ações fiscais anteriores, visita ao processo produtivo da fiscalizada e declarações prestadas pelo Sr. José Valdir Pratali Pioli, coordenador de asseguração da qualidade da contribuinte, deixam evidente que a RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA não cumpriu o Processo Produtivo Básico (PPB) previsto no inciso VIII, artigo 5º da Resolução nº 202, 17 de maio de 2006 e na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8 de 25/02/98. 5.3.2. O produto comercializado como “concentrado”, se apresenta como vários volumes de partes separadas, evidenciando que não há, para a totalidade do produto vendido, a ocorrência de mistura de matériasprimas. Concluindo, a empresa RECOFARMA não cumpre o PPB para o produto que comercializa como “concentrado”. 6 DA CONCLUSÃO 6.1. Em função dos procedimentos fiscais efetuados e do exposto nos itens acima verificouse que: i) a empresa fornecedora de concentrados, identificada nestes autos como Recofarma, não dispõe de amparo legal para dar saída aos produtos denominados concentrados para bebidas não alcoólicas com a isenção do artigo 95, inciso III do RIPI/2010 (Decreto nº 7212/10); ii) conseqüentemente, a empresa adquirente “contribuinte fiscalizada” dos referidos produtos não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse. Bem como tem ciência do efetivo desrespeito ao PPB, haja vista que a mesma realiza a mistura dos insumos para a industrialização dos produtos. iii) A contribuinte fiscalizada apropriouse indevidamente, nos períodos de apuração de 2011 e 2012, em sua escrita fiscal (Livro de Registro de Apuração de IPI), de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não permitidos pela legislação aplicável, nas operações de aquisições de matérias primas isentas do citado imposto, isenção esta condicionada à localização dos fornecedores (Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental). Fato esse que culminou com o não pagamento (recolhimento) do imposto devido e a não declaração/lançamento dos saldos devedores de IPI na Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.769 37 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos períodos de apuração de 2011 e 2012. 7 DA APURAÇÃO FISCAL 7.1. Em virtude da apropriação, em sua escrita fiscal, pela contribuinte de créditos indevidos de IPI cabe a fiscalização a glosa destes créditos. (...) O art. 11 da Lei nº 9.779/99, abaixo transcrito, não pode auxiliar a recorrente, eis que a isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do estabelecimento ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem"): Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. [grifei] No art. 11 da Lei nº 9.779/99, o legislador ordinário utilizou o termo "produto" para designar o bem industrializado que sai do estabelecimento, tanto que, ao mencionar novamente essa palavra, referese a "saída de outros produtos", ou seja, aqueles produtos que não sejam isentos ou tributados à alíquota zero; bem como, de outra parte, fez uso da expressão "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem" para designar os insumos que entram no estabelecimento contribuinte. Dessa forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. Ademais, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental, prevista em norma específica. Quanto ao fato de o direito ao creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos estar sob repercussão geral11, em nada altera o andamento do feito no âmbito deste CARF tomandose por constitucional a norma legal questionada, conforme já decidiu este CARF, sob o Voto Condutor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3401003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017. 11 Tema 844 Possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Relator: MIN. GILMAR MENDES Leading Case: RE 398365 Há Repercussão?Sim Ver descrição [+] Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 150, § 6º, e 153, § 3º, II, da Constituição Federal, a possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. [] Ver tese [+]O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero.[] Fl. 1787DF CARF MF 38 Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à questão de ser adquirente de boafé. Não se trata de caso de notas fiscais inidôneas para eventual aplicação do entendimento do STJ no Recurso Especial nº 1.148.444. Ademais, a boafé da recorrente é irrelevante no presente processo, no qual não houve a exigência de multa de ofício qualificada ou agravada, mas a mera exigência de saldos devedores de IPI e seus consectários legais, decorrentes de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte em face da não comprovação, a seu cargo, do atendimento aos requisitos veiculados pela legislação tributária para a fruição dos créditos registrados em seus livros fiscais. Na sessão de julgamento anterior do presente processo, pedi vistas para analisar a questão abordada pela Conselheira Relatora no sentido de que, mediante a decisão transitada em julgado em 28/05/2013 no Recurso Especial nº 1.117.887SP, teria sido reconhecida a aplicação dos efeitos do mandado de segurança coletivo à recorrente. Ocorre que o Recurso Especial nº 1.117.887SP foi interposto em face do Acórdão do TRF 3ª Região proferido na Apelação em Mandado de Segurança nº 0005749 64.2004.4.03.6102, por unanimidade de votos, sob voto condutor da Desembargadora Relatora nos seguintes termos: (...) VOTO Tratase de apelações interpostas pela impetrante e pela União Federal e remessa oficial tiradas contra decisão concessiva da ordem em mandado de segurança impetrado com o escopo de ser cancelado o lançamento decorrente da lavratura do auto de infração no. 00892, discutido no procedimento administrativo no. 10840002205/9715. A impetrante pleiteia a suspensão dos efeitos da carta de cobrança oriunda do auto de infração supracitado, para os fins do art. 151, inciso V, do CTN, bem como obstar o estorno de eventuais créditos de IPI decorrentes da entrada de mercadorias no período de 1992 a 1997, que gozam de isenção na origem (Zona Franca de Manaus), de acordo com os termos do art. 9o. do Decretolei 288/67. (...) Ocorre que a impetrante, antes do pronunciamento do Tribunal, foi autuada pela Receita Federal, fazendose anotação no referido instrumento a respeito do mandado de segurança coletivo. Consoante afirma a impetrante, o procedimento administrativo foi objeto de impugnação e embora tenham os dois Colegiados que compõem as instâncias finais de julgamento administrativo entendido ser de inteira aplicação da decisão proferida no referido mandado de segurança coletivo, contudo, mesmo assim, a autoridade impetrada, não observando o pronunciamento proferido no julgamento do recurso administrativo, autuou a impetrante, desrespeitando a coisa julgada judicial em favor da empresa, ora impetrante. (...) A impetrante oferece recurso de apelação, requerendo que sejam acolhidos pela sentença recorrida os argumentos expendidos no sentido de que o mandado de segurança coletivo processado na 22a. Vara do Rio de Janeiro e transitado em julgado, abrange a impetrante recorrente, diferentemente da posição abraçada pela MM. Juíza “a quo”. (...) Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.770 39 No que se refere à preliminar relativa à decadência da impetração, também afasto, uma vez que a impetrante teve conhecimento da exigência da autoridade impetrada em 19 de abril de 2004 (doc. 24) e a impetração se deu em 02 de junho do mesmo ano, portanto, muito antes do termo final do prazo previsto pelo art. 18 da Lei 1533/51. O prazo decadencial não se consumou. (...) No que tange ao exame do auto de infração em questão, cumpre ser asseverado que o art. 153, inciso IV, parágrafo 3o. da Constituição Federal, quando estabelece que o tributo constante do inciso IV do mesmo artigo será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, está restringindo a aplicação do princípio supracitado tãosomente com relação ao ICMS, não atingindo, assim tal restrição ao IPI, por se tratar de exceção ao conteúdo do princípio consagrado pela Lei Maior, não sendo expressamente estabelecido, não há que ser aplicado. Desta feita, não tendo o Constituinte incluído o IPI na restrição quanto à aplicação e observância do principio da não cumulatividade, não há que se falar no alcance do disposto no art. 153, inciso IV, parágrafo 3o. do Texto Constitucional sobre o IPI. (...) Ante o exposto, nego provimento à apelação da impetrante, declaro prejudicado o agravo retido interposto por ela e nego provimento ao apelo da União Federal e à remessa oficial. É como voto. CECÍLIA MARCONDES DESEMBARGADORA FEDERAL RELATORA [negritei] No sítio da Justiça Federal12, constam as seguintes informações sobre o mandado de segurança objeto da Apelação acima: Consulta Realizada : 24 de Fevereiro de 2018 (07:19h) PROCESSO000574964.2004.4.03.6102 [Consulte este processo no TRF] NUM.ANTIGA2004.61.02.0057496 DATA PROTOCOLO07/06/2004 CLASSE126 . MANDADO DE SEGURANCA IMPETRANTECIA/ DE BEBIDAS IPIRANGA ADV.SP106455 ANTONIO CARLOS GARCIA DE SOUZA IMPETRADODELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM RIBEIRAO PRETOSP ADV.Proc. PROCURADOR DA FAZENDA ASSUNTOIPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPOSTOS DIREITO TRIBUTARIO AI 00892 PA 10890.002205/9715 SECRETARIA4a Vara / SP Ribeirão Preto SITUAÇÃOBAIXA FINDO (...) Consulta da Movimentação Número : 21 PROCESSO000574964.2004.4.03.6102 12 http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/ Fl. 1789DF CARF MF 40 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 20/08/2004 p/ Sentença S/LIMINAR *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tipo : COM MERITO Livro: 12/04 Reg.: 890 Folha(s) : 182192 Sentença de fls. 182/192: "(...) Isto exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, nos termos do art. 269, inciso I, do CPC, e DEFIRO A ORDEM para determinar o cancelamento do lançamento consubstanciado no auto de infração n. 00892, objeto do processo administrativo n. 10840002205/9715, devendo a autoridade coatora se abster de compelir a impetrante de estornar os créditos de IPI incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus. Custas "ex lege". Sem condenação em honorários, à luz da mansa jurisprudência. Decisão sujeita a reexame necessário. P.R.I. e C." Publicação D. Oficial de sentença em 15/10/2004,pag 154 (...) Dessa forma, ao que se observa do voto condutor do Acórdão do TRF3ª Região e dos extratos acima, o mandado de segurança nº 000574964.2004.4.03.6102 (numeração antiga 2004.61.02.0057496) foi impetrado pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra o Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto em face de ato coator praticado por esta autoridade, qual seja, a emissão de carta cobrança, da qual a impetrante teve ciência em 19/04/2004, relativamente ao processo nº 10840.002205/9715 e auto de infração nº 00892, que trataram da apropriação indevida de créditos pela contribuinte em sua escrita fiscal entre períodos de apuração de 1992 a 1997. O mandado de segurança, como relatado pela Desembargadora Cecília Marcondes, foi objeto dos seguintes pedidos da impetrante: i) suspensão dos efeitos da carta cobrança; ii) óbice à autoridade impetrada efetuar o estorno dos créditos de IPI que gozam da isenção da Zona Franca de Manaus no período autuado (1992/1997); e iii) concessão da ordem para o cancelamento do lançamento objeto do auto de infração nº 00892, discutido no processo nº 10840.002205/9715. Dessa forma, como o Recurso Especial nº 1.117.887SP foi interposto em face da Apelação em Mandado de Segurança nº 000574964.2004.4.03.6102, nos termos do art. 128 do CPC/7313, a sua decisão monocrática transitada em julgado em 28/05/2013 tem aplicação restrita à matéria discutida no referido mandado de segurança, qual seja, a apropriação indevida de créditos pela contribuinte nos períodos de apuração de 1992 a 1997 que resultou no auto de infração nº 00892, objeto do processo nº 10840.002205/9715. Inclusive tal questão já tinha sido mencionada na referida decisão do Recurso Especial na análise do pleito da contribuinte de suspensão do julgamento em face da Reclamação nº 7.778/SP, ajuizada no STF, nestes termos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.117.887 SP (2009/01088748) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA (...) 13 Art. 128. [CPC/73] O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 141. [CPC/15] O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.771 41 PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA. EXIGÊNCIAS IMPOSTAS PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.781/99 QUE ALTEROU A LEI Nº 9.494/97. AÇÃO AJUIZADA ANTERIORMENTE. IRRETROATIVIDADE. 1. "As nova exigências impostas pela Medida Provisória nº 1.781/99, que alterou a redação da Lei nº 9.494/97, não podem retroagir para alcançar ação ajuizada antes de sua vigência. As normas processuais têm efeitos imediatos, mas não retroativos" (REsp 537620/PB, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 26/10/2004, DJ 29/11/2004, p. 371). 2. Recurso especial provido. DECISÃO (...) Distribuídos a este relator, a contribuinte requereu a suspensão do julgamento do presente recurso em face da Rcl nº 7.778/SP, ajuizada na Suprema Corte (eSTJ fl. 940942). O Ministério Público Federal opinou pelo indeferimento da suspensão e não conhecimento do recurso (eSTJ fls. 957963 e 974980). Em nova petição, a recorrente desiste do recurso especial quanto à violação do art. 535 do CPC, "permanecendo a discussão apenas quanto ao alcance da coisa julgada formada no MSC nº 91.00477834" (eSTJ fl. 992). É o relatório. Passo a decidir. De início, como bem ressaltou o Ministério Público Federal, a decisão liminar proferida na reclamação "não faz referência ao presente processo, o Mandado de Segurança nº 2004.61.02.02.0057496, que correu perante o MM. Juízo da 4ª Vara Federal de Ribeirão Preto/SP, baseado em procedimento administrativo diverso, vale mencionar, o de nº 10840 002205/9715 (fl. 362), não havendo motivo para se falar em suspensão do julgamento do presente feito" (eSTJ fl.979). Indefiro o pleito respectivo. [grifei] (...) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimese. Brasília, 09 de maio de 2013. Ministro Castro Meira Relator Assim, a decisão monocrática proferida no Recurso Especial Nº 1.117.887 SP (2009/01088748), que não foi submetida à sistemática dos recursos repetitivos, não se aplica ao presente processo, de número 15956.720178/201543, que trata de outro auto de infração, lavrado em 28/10/2015, não discutido no mandado de segurança individual 0005749 64.2004.4.03.6102, relativo a saldos devedores de IPI resultantes das glosas de créditos apropriados indevidamente pela contribuinte em sua escrita fiscal nos períodos de apuração dos anos de 2011 e 2012. Com relação à tomada de crédito com base no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, entende a recorrente que faria jus à autorização judicial concedida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, vez que figurava como uma das associadas da AFBCC (Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola) à época da impetração. Como elemento novo, argui que as decisões do TRF 2ª Região e da Reclamação nº 7.778 foram reformadas por decisões já transitadas em julgado. Fl. 1791DF CARF MF 42 Em Agravo de Instrumento interposto pela União Federal (processo 2004.02.01.0132984), a controvérsia a respeito da sua aplicabilidade a empresas filiadas à AFBCC domiciliadas em municípios localizados fora da competência territorial do Tribunal da 2ª Região havia sido solucionada, nos termos da ementa abaixo transcrita (DJU de 07/04/2008): PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TUTELA COLETIVA. COISA JULGADA. ABRANGÊNCIA RESTRITA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO JULGADO. COMPETÊNCIA. I A eficácia da coisa julgada, embora erga omnes, fica restrita aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, consoante disposto no art. 16 da Lei n° 7.347/85, na redação da Lei n° 9.494/97, qual seja, este TRF 2ª Região, e apenas no Estado do Rio de Janeiro. II Agravo provido. O referido Acórdão do TRF 2ª Região teve seus efeitos suspensos por medida liminar concedida pelo então Relator Ministro Cesar Peluso na Reclamação nº 7.778, ajuizada pela Companhia de Bebidas Ipiranga (Reclamante), para preservar a autoridade da decisão proferida pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do Agravo de Instrumento nº 252.801RJ, a qual foi posteriormente redistribuída ao Ministro Gilmar Mendes, que negou seguimento à referida Reclamação, sob o fundamento de que esta não seria cabível. Ocorre que o Acórdão do TRF 2ª Região foi depois reformado pelo STJ, por decisão já transitada em julgado em 23/02/2017, no Recurso Especial nº 1.438.361RJ, que conheceu em parte o recurso especial interposto pela Companhia de Bebidas Ipiranga e, nessa extensão, deu provimento para reformar o acórdão recorrido e negar provimento ao agravo de instrumento da Fazenda Nacional. Dessa forma, no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, remanesce a decisão, sem a restrição territorial ou subjetiva expressa, que reconheceu o direito das associadas da impetrante de utilizarem o crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos utilizados na industrialização de seus produtos. Não obstante isso, entendo que há questão de ordem pública, que pode e deve ser suscitada neste momento processual, que é impeditiva da aplicação à recorrente dos efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, conforme mais abaixo se exporá. A possibilidade de aplicação dos efeitos do mandado de segurança coletivo é uma questão prejudicial à análise de mérito da autuação, eis que se tivesse razão a recorrente quanto a esse aspecto, seria desnecessário prosseguir quanto à análise dos demais temas de mérito. Assim, a análise quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pela fiscalização autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido no recurso voluntário (item 3.2.12.iii), como se vê abaixo: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.772 43 Dessa forma passase à análise da prejudicial relativa à aplicação dos efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, partindose dos conceitos básicos, mas essenciais, de mandado de segurança. O mandado de segurança, individual ou coletivo, é remédio constitucional assegurado, como garantia fundamental, no art. 5º, LXIX e LXX da Constituição Federal (CF): LXIX Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. LXX – O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. [negritei] Diante da ausência de especificação diversa no texto constitucional, ou em lei ordinária, também o mandado de segurança coletivo é instrumento para reparar ou fazer cessar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de função pública. A Lei nº 1.533/5114, no caput do art. 1º, vigente à época da impetração, previa também amparo à ameaça de lesão: “Concederseá mandado de segurança para 14 Atualmente vige a LEI Nº 12.016, DE 7 DE AGOSTO DE 2009, que disciplina o mandado de segurança individual e coletivo, e assim dispõe: Fl. 1793DF CARF MF 44 proteger direito líquido e certo, não amparado pode habeas corpus, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais forem as funções que exerça” [negritei e grifei]. Como se vê, também o mandado de segurança preventivo destinase a reparar ato praticado por autoridade pública15. Hely Lopes Meirelles16 traz um conceito único para todas as modalidades do instituto, individual ou coletivo e repressivo ou preventivo no seguinte sentido: "Mandado de segurança é o meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica, órgão com capacidade processual, ou universalidade reconhecida por lei, para a proteção de direito individual ou coletivo, líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, lesado Art. 1o Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1o Equiparamse às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. (...) 15 Ao longo do tempo, o conceito de autoridade coatora no mandado de segurança foi assim delimitado pelas Leis nºs 1.533/51 e 12.016/2009: Lei nº 1.533/51: Art. 1º (...) alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais forem as funções que exerça. § 1º Consideramse autoridade para os efeitos desta lei os administradores ou representantes das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do poder público, somente no que entende com essas funções. § 1º Consideramse autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos dos Partidários Políticos e os representantes ou administradores das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do poder público, somente no que entender com essas funções. (Redação dada pela Lei nº 6.978, de 1982) § 1º Consideramse autoridades, para os efeitos desta lei, os representantes ou administradores das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do Poder Público, somente no que entender com essas funções. (Redação dada pela Lei nº 9.259, de 1996) (...) Art. 2º Considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais. Lei nº 12.016/2009: Art. 1º Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1o Equiparamse às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. § 2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. (...) Art. 2º Considerarseá federal a autoridade coatora se as consequências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada. Art. 6º (...) (...) § 3º Considerase autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática. (...) 16 MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de segurança. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 21/22. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.773 45 ou ameaçado de lesão, por ato de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça (CF, art. 5º, LXIX e LXX; Lei n. 1533/51, art. 1º)". [negritei] Dessa forma, seja qual for a modalidade de mandado de segurança, ele será a via adequada para reparar somente os atos comissivos ou omissivos no âmbito da competência da autoridade impetrada, não se prestando a corrigir outros atos da pessoa jurídica à qual pertence essa autoridade. Em nada altera isso o fato de a pessoa jurídica (no caso, a União Federal), ter de suportar os efeitos de ordem patrimonial na correção do ato impugnado, ser intimada do feito ou ter a faculdade de recorrer. O mandado de segurança tratase de um remédio constitucional cuja essência está, portanto, definida na própria Constituição Federal, no sentido de ser um instituto que visa reparar ilegalidade ou abuso de poder no que se refere a ato de responsabilidade de autoridade pública ou a ela equiparada. Assim, tendo sido identificados pela impetrante, por ocasião da impetração do mandamus, o ato coator e a autoridade coatora, é contra eles que se dirige a segurança definitiva concedida ao final do processo. Com relação ao alegado pela recorrente no item 3.2.12.iii, não se conhece uniformização da jurisprudência do STF e do STF em sentido contrário ao entendimento de que a segurança concedida no mandado de segurança destinarse aos atos praticados ou a serem praticados pela autoridade impetrada, não obstante, como dito, será a pessoa jurídica que acabará suportando os efeitos patrimoniais da reparação do ato coator, mas tão somente no que se refere a ato de competência da autoridade impetrada. Tratase de limitação subjetiva constitucional para o mandado de segurança, seja ele individual ou coletivo. Assim, independentemente da questão acerca da abrangência da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2A da Lei 9.494/1997, entendo que a segurança concedida em mandado de segurança, inclusive o coletivo e preventivo, tem seus efeitos restritos aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo, obviamente, expressa ressalva judicial em sentido contrário. Com efeito, no presente caso, tratase de mandado de segurança coletivo preventivo impetrado em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, de forma que não se poderia estender seus efeitos para atos praticados (ou a serem praticados) por outras autoridades federais. Quisessem a impetrante (AFBCC) ou a ora recorrente efeitos tão amplos para a decisão definitiva do processo judicial, aplicáveis a todas as autoridades públicas da Receita Federal, deveriam ter se socorrido das vias ordinárias em ação movida contra a pessoa jurídica da União Federal. Desta maneira, os efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, não se aplicam ao presente lançamento, lavrado por AuditorFiscal subordinado ao Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto. Assim, diante da ausência de autorização legal, nos termos do Acórdão nº 3402002.933 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 24 de fevereiro de 2016, sob a relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, ou decisão judicial nesse sentido, conforme exposto acima, a recorrente também não faz jus ao creditamento na aquisição de produtos isentos com fulcro no art. 9º do Decretolei nº 288/1967. Fl. 1795DF CARF MF 46 Sustenta a recorrente a impossibilidade de cobrança de multa, juros de mora e correção monetária nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN, vez que ela e a fornecedora teriam observado atos expedidos pelas autoridades administrativas (Suframa). No entanto, tais atos, que possuem caráter exclusivo e concreto, não são considerados "atos normativos" a que se refere o art. 100, I do CTN, que são atos gerais e abstratos. Sem se olvidar, como já dito neste Voto, que tais atos não afastam a competência da Receita Federal para a fiscalização do IPI, inclusive no que se refere à verificação do atendimento aos requisitos previstos na legislação para o aproveitamento de direito creditório. No que concerne ao pedido para se afastar a multa aplicada em face do art. 76, II, "a" da Lei n.º 4.502/64, adoto os fundamentos de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, do Acórdão nº 3301003.005 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob voto condutor do Conselheiro Francisco José Barroso Rios, abaixo transcrito: (...) Quanto ao pedido para exoneração da multa de ofício, entendo que o artigo 100, II, do CTN, não recepcionou o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64, de sorte que, não havendo decisão administrativa "a que a lei atribua eficácia normativa", não há como se reconhecer a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado" (redação do artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64). Com efeito, não há como se acolher dispositivo legal em desarmonia com o artigo 100, II, do CTN, norma que, além de ser de natureza complementar, foi editada posteriormente à lei ordinária suscitada pelo sujeito passivo. Lamentavelmente o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 encontrase ainda no Regulamento do IPI ora vigente. Não obstante, penso que tal falha, por ser destituída de alicerce legal, não tem força vinculante. A multa, portanto, é devida. Não há espaço para aplicação do disposto no artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502/64, e sua exigência está fundamentada no artigo 80, caput, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 13 da Lei nº 11.488/07, segundo o qual "a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido". No que diz respeito aos juros de mora sobre a multa de ofício, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.774 47 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento no Decretolei nº 1.736/79, abaixo transcrito, que prevê a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral, conforme entendimentos que se seguem: Decretolei nº 1.736/79: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) (...) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (...) Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) Solução de Consulta Cosit nº 47, de 04 de maio de 2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 1797DF CARF MF 48 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Perguntas e Respostas no sítio da RFB: [http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declarac oesedemonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoes economicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF 4ª Região, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias. Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 15956.720178/201543 Acórdão n.º 3402004.929 S3C4T2 Fl. 1.775 49 Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Fl. 1799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000676/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
Numero da decisão: 1302-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno do processo à DRJ para que seja proferida decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13827.000676/2009-78
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847405
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.562
nome_arquivo_s : Decisao_13827000676200978.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 13827000676200978_5847405.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno do processo à DRJ para que seja proferida decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7184283
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009315835904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.061 1 1.060 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000676/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.562 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria NULIDADE Recorrente TRANSPORTE VALE DO SOL BOTUCATU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno do processo à DRJ para que seja proferida decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 76 /2 00 9- 78 Fl. 1061DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 14 28.083, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 263 a 282), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e O seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, revelando o autuado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITA; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RECEITA. OMISSÃO DE PAGAMENTOS. A falta de registro de pagamentos correspondentes a compra de mercadorias e pagamentos de salários caracteriza omissão de receitas. As notas fiscais, até prova em contrário, são instrumentos hábeis a comprovar as operações ali indicadas, principalmente quando as notas estão acompanhadas de Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.062 3 documentos que comprovam a entrega e o pagamento das mercadorias ou produtos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada da contribuinte de não registrar no livro Caixa a sua movimentação financeira e de declarar como inativo em determinado anocalendário e sem faturamento em outro ano, quando na realidade esteve em atividade e confessadamente auferiu receitas, não deixa dúvida da intenção dolosa da contribuinte de ocultar o conhecimento por parte da Fazenda Pública dos fatos gerados dos tributos e contribuições e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos, o que caracteriza evidente intuito de sonegação, implicando na qualificação da multa de ofício. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento ou quando constatada e comprovada a fraude, a simulação ou o dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados." Para sintetizar a lide, passo a transcrever o relatório constante do Acórdão recorrido, complementandoo, ao final: "Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 335.347,59 (fl. 02), Contribuição para o PIS no valor de R$ 51.911,53 (fl. 17), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 239.592,18 (fl. 30) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 1063DF CARF MF 4 (CSLL) de R$ 86.253,19 (fl. 42, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.186.451,50 (fl. 01). O procedimento fiscal iniciouse em 27/09/2008 com a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal (AR de fl. 111), por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, relativamente aos anoscalendário de 2005 e 2006, o livro Caixa ou o livro Diário e Razão; os extratos das contas bancárias de titularidade da empresa; os talonários de notas fiscais de prestação de serviços; todos os conhecimentos de transportes e os recibos de entrega das declarações (DCTF e IRPJ). Em resposta (fl. 112), a empresa por intermédio de seu procurador Alfredo P. Machado (procuração de fl. 113), informou: (a) não possuir os livros Caixa, Diário e Razão; (b) não ter entregue as DCTF e as DIPJ; (c) não possuir movimentação bancária; (d) não possuir notas fiscais de prestação de serviços, nem conhecimentos de transportes, tendo em vista ser uma empresa de transporte coletivo. Juntou cópia do Contrato Social e suas alterações (fls. 114/144). Em 24/10/2008 a empresa foi novamente intimada (fls. 145/147) para o mesmo fim e, em resposta (fl. 148), informou já ter prestado os esclarecimentos em 26/09/2008. Em 26/12/2008 a empresa foi intimada a (fls. 150/152): (1) apresentar as notas fiscais das compras de combustíveis junto à Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga no valor de R$ 4.362.660,50 nos anoscalendário de 2004 e 2005, informadas à Receita Federal como sendo efetuadas pela filial 000320 da empresa; (2) apresentar os comprovantes de pagamentos das compras de combustíveis acima mencionadas; (3) justificar a movimentação bancária no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 1.953.694,63 no ano calendário de 2005, informadas como sendo da empresa e de suas filiais. Não tendo a empresa apresentados os extratos bancários, os mesmos foram solicitados às instituições financeiras (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), o que foi atendido. Os extratos bancários formam o Anexo II do presente processo. Da análise dos dados recebidos constatouse que a empresa possui a concessão de transporte coletivo de passageiros na cidade de Petrolina (filial CNPJ 67.847.350/000320) e movimentação financeira em nome da filial de Feira de Santana (CNPJ 67.847.350/000240). Intimada em 13/02/2009 (fls. 154/155) a comprovar a origem dos valoíes creditados em suas contas correntes, conforme relação anexa à intimação (fls. 156/182), a contribuinte apresentou os informes de faturamento da empresa fornecidos pela EPTTC Empresa Petrolinense de Trafego e Transporte Coletivo (fls. 184/185), e informou (fl. 183) que a Transporte Vale do Sol possui a sua matriz em Botucatu/SP, mas na realidade opera apenas com a filial de PetrolinaPemambuco. Não se pronunciou sobre a movimentação financeira, nem sobre as compras de combustíveis. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.063 5 Em decorrência de intimação, a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga apresentou cópia das notas fiscais de venda de combustíveis para a empresa fiscalizada acompanhada de uma planilha contendo as datas de vencimento e de pagamento das compras levantadas. As notas fiscais apresentadas formam o Anexo I do presente processo. Após análise dos documentos colhidos em decorrência de diligência efetuada na Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga filial Juazeiro/BA e dos documentos e extratos bancários fomecidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil e das informações constantes nos arquivos da Receita Federal do Brasil, a Fiscalização constatou que a contribuinte entregou a Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004 como inativa e no anocalendário de 2005 apresentou DIPJ como optante pelo lucro presumido, deixando de infonnar qualquer valor de receita em todos os trimestres. Por outro lado, constatou que a empresa efetuou compras de combustíveis nos valores de R$ 1.473.510,00 e R$ 2.889.159,50 nos anoscalendário de 2004 e 2005, respectivamente, e teve uma movimentação bancária nos montantes de R$ 3.762.871,61 e R$ 1.529.160,75 nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, e apresentou a RAIS (Totais de Vínculos e Massa Salarial) nos referidos anos calendário com os valores de R$ 782.545,60 e R$ 860.075,20. Com base nos documentos trazidos aos autos a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Omissão de Receita (fl. 64), no qual relacionou, mês a mês, os valores do faturamento em conformidade com o documento fornecido pela própria contribuinte (fls. 184/185), os valores informados pela contribuinte no RAIS (Totais de Vínculos e Massa Salarial fl. 95/96), os valores das compras efetuadas e os valores dos depósitos/créditos bancários. Para fins de apuração dos valores devidos a Fiscalização considerou como omissão de receita: 1 os valores dos faturamentos informados pela própria empresa através do Ofício 223/08 da EPTTC Empresa Petroliense de Tráfego e Transporte Coletivo, relativamente aos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2005 (Infração 002), com fundamento nos arts 530, III, 532 e 537 do RIR/99; 2 os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada subtraídos os valores relativos aos faturamentos (Infração 003), com fundamento nos arts 532 e 537 do RIR/99 e arts. 27,1, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996; 3 Para os meses em que não se conheceu a movimentação bancária (julho a dezembro de 2005) foi considerada omissão de receita os valores relativos aos pagamentos efetuados a título de salários de funcionários (informados na RAIS) e de compras de combustíveis subtraídos os valores dos faturamentos informados Fl. 1065DF CARF MF 6 pela EPTTC (Infração 001), com fundamento nos arts 532, 537 e 281, II, do RIR/99. Tendo em vista a não apresentação dos livros fiscais e contábeis a Fiscalização arbitrou o lucro, com fundamento no art. 530, III, do RIR/99, mediante a aplicação da alíquota de 19,2% sobre as receitas apuradas conforme explicitado acima, com fundamento no art. 532 e 537, parágrafo único do RIR/99. Sobre os valores dos tributos e contribuições apurados foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 II, da Lei n° 9.430, de 1996, por entender que a contribuinte, ao entregar a declaração de imposto de renda (DIPJ) do ano calendário de 2004 como inativa e a do anocalendário de 2005 com faturamento “zerado”, teria tentado de forma dolosa evitar o conhecimento por parte da Fazenda Pública dos fatos gerados dos tributos e contribuições e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos e contribuições. Cientificada dos autos de infração em 14/07/2009, a contribuinte, inconformada, ingressou em 12/08/2009, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fls. 244/245), com a impugnação de fls. 202/243, alegando, preliminarmente, não terem sido entregues à contribuinte as notas fiscais emitidas pela Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga e os extratos bancários e, citando o art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, art. 25, alegou que os autos de infração devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação ,. do ilícito e que a não entrega ao contribuinte de qualquer elemento que faz parte do auto de infração consiste em descumprimento de expressa disposição legal, acarretando a nulidade da ação fiscal. Quanto ao mérito alegou que quando da lavratura dos autos de infração (08/07/2009) já teria decaído o direito de proceder ao lançamento para exigir os tributos e contribuições relativos a fatos geradores ocorridos até 30/06/2004. Argumentou que deve ser aplicado ao caso o art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN) e não o art. 173, I, do mesmo Código, mesmo que se considere a ocorrência de dolo e a ausência de pagamento de tributo, pois não existe regra específica para contagem do prazo decadencial no caso de fraude, dolo, simulação ou conluio, e, uma vez ocorrido o fato gerador em 30/06/2004, o direito de a Fazenda Pública homologar ou não o procedimento do contribuinte (seja ele qual for) encerrase em 30/06/2009, independentemente de ter ou não havido pagamento. Com relação à omissão de receita alegou que a EPTTC Empresa Petrolinense de Tráfego e Transporte Coletivo é a sua única cliente, portanto seria impossível a autuada omitir receita maior do que recebeu da EPTTC e que todos os desembolsos efetuados (combustíveis, salários, depósitos e tudo o mais) só poderiam ter origem no que recebeu da EPTTC, sendo impossível produzir prova da não omissão, ou seja, prova negativa. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.064 7 Quanto à multa alegou que para aplicar a multa qualificada exige, por parte do Fisco, que ela seja minuciosamente justificada, caracterizada e comprovada nos autos, o que não teria ocorrido no caso, além de que parte da exigência decorreu de presunção legal de omissão de receita (depósitos bancários art. 42 da Lei n° 9.430/96 e pagamentos efetuados art. 280, II, do RIR/99), o que impede a qualificação da multa conforme jurisprudência que transcreve, além de configurar verdadeiro confisco. Também contestou os juros de mora com base na taxa Selic alegando que sua cobrança para fins tributário é inconstitucional." A decisão de primeira instância rejeitou a preliminar de nulidade, por entender que o fato de não haver sido dado conhecimento ao sujeito passivo, antes da lavratura do auto de infração, dos elementos que o embasaram, não constitui cerceamento do direito de defesa; e que todos os elementos que serviram de base para o lançamento constam dos autos, aos quais foi assegurado ao sujeito passivo o direito de acesso. No mérito, foi rejeitada a alegação de decadência, por se entender aplicável o art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a ausência de recolhimentos e a existência de dolo. Foi mantido integralmente o lançamento, posto que comprovada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo; e de pagamentos não escriturados em valor superior às receitas auferidas. A apuração do IRPJ sobre o Lucro Arbitrado, também, foi considerada correta, uma vez que o autuado não apresentou os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. Por decorrência, foram mantidos os lançamentos reflexos. Quanto à multa qualificada, o Acórdão a quo a manteve, tendo em vista que o evidente intuito de fraude ficou evidenciado pelo fato de o sujeito passivo haver entregue a DIPJ do anocalendário de 2004 como inativo e a do anocalendário de 2005, com valores iguais a zero. Por fim, foi mantida a taxa Selic como juros de mora, por expressa previsão legal e na esteira de entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Regularmente cientificado, em 20 de maio de 2010 (fl. 295), o sujeito passivo apresentou, em 1º de junho de 2010, Recurso Voluntário (fls. 302 a 329), no qual: a) sustenta a nulidade do Acórdão recorrido, por não apreciar todos os argumentos e alegações contidos na Impugnação. No seu entender, não teriam sido apreciados os seguintes pontos: a.1) a Autuada ter de pedir cópia do processo diminuiria indevidamente seu prazo de Impugnação, pois tais cópias não seriam entregues no mesmo dia; a.2) fica ao exclusivo critério da fiscalização enquadrar o procedimento do contribuinte como sendo doloso ou não; Fl. 1067DF CARF MF 8 a.3) não cabe a qualificação da multa nos casos de depósitos bancários, por tratarse de presunção legal de omissão, conforme jurisprudência; a.4) não cabe a qualificação da multa nos casos de pagamentos, por tratarse, também, de presunção legal de omissão; a.5) a multa aplicada compromete o patrimônio da empresa; a.6) a Selic, de qualquer modo, não incide sobre a multa, conforme jurisprudência; a.7) a PGFN entende que órgãos administrativos podem decidir com fundamento em inconstitucionalidade; a.8) Inúmeros Acórdãos levam em conta a (in)constitucionalidade da lei. b) repete a alegação de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito defesa, uma vez que documentos integrantes do Auto de Infração não teriam sido entregues ao sujeito passivo; c) repisa a arguição de decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; d) nos mesmos termos da Impugnação, alega que a Empresa Petrolinense de Tráfego e Transporte Coletivo (EPTTC) é a sua única cliente, portanto seria impossível a autuada omitir receita maior do que recebeu da EPTTC e que todos os desembolsos efetuados (combustíveis, salários, depósitos e tudo o mais) só poderiam ter origem no que recebeu da EPTTC, sendo impossível produzir prova da não omissão, ou seja, prova negativa; e) afirma que o lançamento é improcedente pois depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda, que os depósitos não caracterizam disponibilidade econômica e que não foi comprovado o nexo causal entre os depósitos e a omissão; f) afiança que cabe à fiscalização provar que os depósitos bancários constituem omissão de receitas; g) reitera as alegações quanto à qualificação da multa e quanto ao comprometimento do patrimônio empresarial do sujeito passivo; h) quanto aos juros de mora, argui que o Acórdão recorrido está em descompasso com a Impugnação, na qual se sustenta que não são devidos os juros de 1% mencionados no art. 161 do CTN. Aponta, ainda, contradição entre a fundamentação invocada no Acórdão e aquela constante dos autos de infração. Por fim, reitera todas as alegações presentes na Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.065 9 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 20 de maio de 2010 (fl. 295), tendo apresentado Recurso Voluntário em 1º de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procurador, devidamente constituído às fls. 252 e 330. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A Recorrente invoca a nulidade do Acórdão recorrido, uma vez que não teriam sido apreciados todos os argumentos e alegações contidos na Impugnação. Em primeiro lugar, é necessário que se aclare que não é nula a decisão que não aprecia todos os argumentos apresentados pelo recorrente, quando o julgador consegue formar a sua convicção e fundamentar a sua decisão, a partir apenas dos elementos examinados, sendo desnecessários os demais, por não serem capazes de, nem em tese, afastar a conclusão formada. É esse, há tempos, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, reafirmado, após a vigência do novo CPC: "(...) O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (...)" (1ª Seção, EDcl no MS 21315 / DF, Rel. Min. Diva Malerbi [desembargadora convocada], DJe 15 de junho de 2016) O CARF e a Câmara Superior de Recursos Fiscais têm adotado entendimento similar, conforme se observa nos Acórdãos seguintes: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 (...) NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão. Fl. 1069DF CARF MF 10 No presente caso, constatase que o relator do acórdão recorrido apresentou devidamente os motivos e fundamentos pelos quais direcionou sua decisão." (Acórdão nº 9303003.824, 3ª Turma da CSRF, Rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, sessão de abril de 2016) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008 CANCELAMENTO DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE APRECIAÇÃO DE PARTE DOS FUNDAMENTOS DA RECORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. O julgador não tem obrigação de abordar todos os argumentos colocados pelas partes se aqueles que enfrenta já são suficientes para fundamentar seu voto. (...)" (Acórdão nº 1201001.598, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Rel. Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado, sessão de 22 de março de 2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2012 (...) DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO NÃO ENFRENTADA. OMISSÃO INEXISTENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O julgador não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu." (Acórdão nº 1301001.960, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Rel. Conselheiro Paulo Jackson da Silva Lucas, sessão de 22 de março de 203 de março de 2016) Esse entendimento deve ser aplicado com extrema cautela, não podendo servir de salvaguarda para decisões omissas e sem fundamentação. Por outro lado, haverá nulidade, caso se deixe de apreciar matéria veiculada no recurso, de modo a caracterizar o cerceamento do direito de defesa. É necessário, pois, examinar os pontos apontados pela Recorrente, confrontando a peça impugnatória e a decisão de primeira instância. No seu entender, não teriam sido apreciados os seguintes pontos: a) "a Autuada ter de pedir cópia do processo diminuiria indevidamente seu prazo de Impugnação, pois tais cópias não seriam entregues no mesmo dia" Tal alegação estava contida dentro da preliminar de cerceamento do direito de defesa por não lhe haver sido fornecidos notas fiscais e extratos bancários. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.066 11 A decisão recorrida enfrentou adequadamente a preliminar, inclusive com alusões ao direito da autuada de vistas do processo e obter cópias e com o registro da inexistência de comprovação de que sequer foram solicitadas cópias dos documentos. O fundamental para a decisão a quo foi a convicção de que a autuada não foi privada de acesso aos documentos em questão, de modo que não há qualquer nulidade no fato de não rebater explicitamente a especificidade tratada pela Recorrente. b) "fica ao exclusivo critério da fiscalização enquadrar o procedimento do contribuinte como sendo doloso ou não" Este argumento foi inserido pela Recorrente na Impugnação à qualificação da multa. O Acórdão recorrido detalhou os requisitos necessários para a aplicação da multa qualificada, de modo que, ainda que não expressamente, a fundamentação adotada afasta o referido argumento. c) "não cabe a qualificação da multa nos casos de depósitos bancários, por tratarse de presunção legal de omissão, conforme jurisprudência" d) "não cabe a qualificação da multa nos casos de pagamentos, por tratarse, também, de presunção legal de omissão" Por igual modo, a decisão a quo explicita quais as razões que entende suficientes, no caso concreto, para a qualificação da multa, que não está fundamentada nas presunções que suscita a Recorrente. e) "a multa aplicada compromete o patrimônio da empresa" Tal assertiva está inserida na alegação de que a multa aplicada teria efeito confiscatório, sobre a qual a decisão recorrida, expressamente, registrou o entendimento de não ser competente para se manifestar a respeito. f) "a PGFN entende que órgãos administrativos podem decidir com fundamento em inconstitucionalidade" g) "inúmeros Acórdãos levam em conta a (in)constitucionalidade da lei" Também quanto a estas alegações, apesar de não rechaçálas diretamente, a autoridade julgadora de primeira instância as afastou ao, expressamente, afirmar não ser competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de dispositivos legais. h) "a Selic, de qualquer modo, não incide sobre a multa, conforme jurisprudência" Por fim, quanto a este último argumento, há que se reconhecer que a decisão a quo não examinou tal matéria, apesar de destacada em tópico específico da Impugnação, conforme se observa às fls. 236 a 238: "Selic sobre a Multa Fl. 1071DF CARF MF 12 Admitindose, apenas para argumentar, que o lançamento seja mantido, a Receita federal irá, na execução do Acórdão, seja da DRJ seja do Conselho, exigir taxa Selic também sobre a multa. No entanto, desde já, é de se impugnar tal exigência, por falta de amparo legal. (...) Ressaltese: também não são devidos os juros de 1% mencionados no art. 161 do CTN." Não se trata de mais uma alegação para fundamentar a impugnação do sujeito passivo em relação a matéria já abordada pelo julgador, mas de matéria autônoma, que deveria, sim, haver sido enfrentada pela DRJ. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe permite conhecer a fundamentação para que a sua impugnação não seja acatada, de modo a, adequadamente, recorrer à segunda instância. Inclusive, a matéria é reiterada no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, recentemente, decidiu, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017) e Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016). Transcrevo trecho deste último: "Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 13827.000676/200978 Acórdão n.º 1302002.562 S1C3T2 Fl. 1.067 13 inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante." Compartilho da estranheza experimentada pelo Relator da decisão transcrita, mas, entendo, que a anulação parcial é a melhor solução aplicável ao caso, posto que a matéria que deixou de ser veiculada não é central à lide, mas tãosomente um dos efeitos periféricos da decisão proferida, com consequências que não atingem o lançamento em si. Não faz sentido, assim, obrigar o julgador de primeira instância a reapreciar todas as matérias já analisadas no Acórdão recorrido, sem que haja qualquer vício na análise já realizada. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de declarar a nulidade parcial da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908441/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10805.908441/2011-19
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849570
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.271
nome_arquivo_s : Decisao_10805908441201119.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10805908441201119_5849570.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7193260
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009330515968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.908441/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.271 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 84 41 /2 01 1- 19 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.247, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.247, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 19/11/2013 via ARECF de efls. 59 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 61 a 70), conforme protocolo de efl. 61, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908441/201119 Acórdão n.º 1401002.271 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
