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Numero do processo: 11634.000320/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros o colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RESOLVEM os membros o colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .0 00 32 0/ 20 10 -1 8 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI, DEBCAD n. 37.272.8669, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 36 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 276.812,43 (duzentos e setenta e seis mil, oitocentos e doze reais e quarenta e três centavos), referente a contribuições destinadas às entidades e fundos denominados “terceiros” (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE e SESCOOP), previstas na legislação que instituiu cada uma dessas entidades e incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período compreendido entre: 11/2005 a 10/2009. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 22/27, in verbis: “3. Dispõe o art. 55, da Lei 8.212/91, revogado pela Lei n° 12.101, de 27/11/2009, publicada no Diário Oficial da União em 30/11/2009: (...) 3.2. Em consulta ao sistema CONFILAN — Consulta a Entidades Filantrópicas, do Instituto Nacional de Seguridade Social, e Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, conforme extratos anexos, verificase que a contribuinte em questão não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, emitido pelo — CNAS, tendo perdido a condição de Entidade Beneficente de Assistência Social desde 17/10/2005. 3.3. Não consta, também, nenhum pedido de isenção ao INSS em nome da contribuinte.” Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 42/70. Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Acórdão n° 0633.352 de fls. 160/176, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/10/2009 AIOP 37.272.8669 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. IMUNIDADE. AÇÃO JUDICIAL. CEAS COM PRAZO DE VALIDADE EXTINTO. FALTA DE RENOVAÇÃO Extinto o prazo de validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no qual se baseou a sentença judicial que garantia a imunidade tributária ao sujeito passivo, cessaram os efeitos dessa sentença. A falta de renovação do CEAS acarreta a perda da imunidade, sujeitando o contribuinte ao recolhimento das contribuições Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 4 3 previdenciárias patronais a partir do transcurso da data de validade desse certificado. MEDIDA PROVISÓRIA 446/2008. A rejeição da Medida Provisória 446, de 2008, pelo Congresso Nacional afasta a sua aplicação aos casos pendentes de julgamento no Conselho Nacional de Assistência Social, sujeitandose a entidade, para o gozo da imunidade, ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55, da lei 8.212, de 1991, até a edição da Lei 12.101, de 2009. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente eletrônica, ficando disponível na internet para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. PROVA DA CIENTIFICAÇÃO DOS ATOS DO PROCESSO Estando juntado o processo ‘principal’, ao qual se encontra apensado o processo objeto da impugnação em exame, os Avisos de Recebimento comprovantes da cientificação ao sujeito passivo dos atos e termos do processo, não há que se cogitar de nulidade desse processo. PROVAS DO ARBITRAMENTO Não é nulo o processo em que as provas da motivação do arbitramento das contribuições encontramse juntadas ao processo ‘principal’, ao qual se encontram apensados os autos objeto da impugnação em exame. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE válido o agravamento da .multa incidente sobre o crédito objeto de lançamento fiscal, na forma do § 2 °, inciso II, do art. 44 da lei 9.430, de 1996, por falta de apresentação dos arquivos digitais da GFIP. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem As Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestadas no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 5 4 SESCOOP. EXCLUSÃO DO CRÉDITO LANÇADO Constatado lançamento indevido de contribuições ao SESCOOP no processo administrativo fiscal, devese retificar de oficio o crédito para excluir as contribuições indevidamente exigidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 180/194, com os seguintes argumentos, em suma: I. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido Segundo a Recorrente, o relatório da DRJ foi omisso e evasivo, descontextualizando a sua impugnação. O relatório busca dar uma nova interpretação à sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança que reconheceu a imunidade a partir de novembro de 2002, supondo que caberia à AFTN e também à DRJ o “julgamento” do direito da Recorrente à imunidade, mesmo ela tendo sido declarada pelo Sr. Delegado da RFB em Londrina (fl. 81). I.I. Quanto à suposta ausência de comprovação do direito da Recorrente à Imunidade Para a Recorrente, o Relator elaborou uma tese equivocada para averiguar a inexistência do direito da Recorrente à imunidade. Com isso, desviouse do objeto do MPF que, em nenhum momento, teve como objeto a análise da existência ou não do direito à imunidade da Recorrente. Com isso, o Sr. Relator feriu a garantia constitucional do devido processo legal. Segundo a Recorrente, a análise do seu direito à imunidade só poderia ter sido realizada em procedimento fiscal próprio, o que não foi o caso. No AI atacado, a AFRFB ignorou o Ato Declaratório do seu superior hierárquico que reconheceu a imunidade da Recorrente. I.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70,235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 6 5 equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à inexistência de termo de continuidade da ação fiscal Segundo a Recorrente, o Sr. Relator continuou com a mesma linha de proteção corporativa em relação às irregularidades e defeitos praticados pela Sra. AFRFB, vez que considerou irrelevante a inexistência do termo de continuidade de ação fiscal. Para a Recorrente esse entendimento é equivocado e deve ser reformado. Tendo em vista que a Sra. AFRFB não formalizou corretamente os ilegais AI que lavrou, posto que não laborou com atenta observância as elementares regras do devido processo legal, pois, ainda que contenham conexão com outros processos, deve conter todos os elementos e documentos que lhe assegurem plena validade e proporcionem o correto e amplo exercício do direito de defesa do Sujeito Passivo. A Recorrente conclui que se trata de má formação do processo, ensejando o reconhecimento e declaração de sua total nulidade em homenagem ao devido processo legal. I.IV. Quanto à inexistência do CAGED e da prova dos fatos geradores A Recorrente se insurge em face de outro vício insanável, qual seja, a ausência de documento suficiente para embasar o lançamento, vez que juntado apenas em outro AI. Em relação às fundamentações, razões e pedidos vertidos na impugnação, requer o reconhecimento e declaração da nulidade do AI por inexistência de demonstração da materialidade dos fatos geradores do crédito tributário injustamente lançado, para assim, reformar o acórdão recorrido e reconhecer e declarar a total nulidade e insubsistência do AI. I.V. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 7 6 Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.VI. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos III.V e III.VI da impugnação. A Recorrente se insurge em face do argumento utilizado pelo Sr. Relator no sentido de que ela teria demonstrado reconhecer os motivos discriminados no Discriminativo de Débito. Segundo a Recorrente, essa atitude do Sr. Relator é corporativa e visa “justificar” a incauta e desastrosa autuação da Sra. AFRFB e, sem qualquer justo motivo, negar provimento à impugnação da Recorrente. Por esse motivo, pleiteia a nulidade do AI. I.VII. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cautelam de produção de provas formulado com base no seu direito à ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. Por esse motivo, deve o AI ser anulado. I.VIII. Quanto ao Excesso de Lançamento – Enquadramento do FPAS Segundo a Recorrente, o acórdão recorrido reconheceu o excesso de lançamento no AI, justificando que a Sra. AFRB aplicou incorretamente alíquotas do FPAS em desfavor da Recorrente. Por conta disso, determinou o refazimento do cálculo do tributo lançado para excluir a alíquota referente à SESCOOP, majorando o cálculo em mais 2,5%. Para a Recorrente essa análise do Sr. Relator foi equivocada, assim como vem a corroborar as afirmações de que a Sra. AFRFB laborou em completa desatenção à Lei e aos elementares princípios legais quando empreendeu a ilegal fiscalização. Por tais motivos, requer a nulidade do AI. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 179 e 180, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 28, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. DA FALTA DO CAGED A Recorrente pleiteia a nulidade do AI em face da suposta inexistência do CAGED nos autos do processo em tela. Ocorre que este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/201054, conforme consta no Termo de Apensação (2), constante na fl. 177. Analisando o Processo Principal, verifico a presença do CAGED na fl. 92, assim como, nas fls. 93/04 estão os quadros comparativos entre a quantidade de empregados existentes na empresa, informado no CAGED e a quantidade de empregados informado pela empresa nas suas GFIP. Logo, restou demonstrada a materialidade dos fatos geradores. Razão pela qual, não há como prevalecer o pleito da Recorrente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 9 8 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DAS PROVAS Sustenta a Recorrente que da leitura do acórdão, chegase à conclusão de que a DRJ desprezou a documentação juntada em sede de impugnação. Ocorre que não assiste razão à Recorrente, pois, da leitura do acórdão da DRJ, chegase à conclusão de que ela analisou a documentação, contudo, não verificou a presença do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS válido. No que se refere ao argumento de que não houve nenhum ato cancelando a imunidade, o mesmo será devidamente apreciado no mérito. DO EXCESSO NO LANÇAMENTO A Recorrente sustenta que o reconhecimento, por parte da DRJ, no excesso do lançamento e a exclusão da alíquota de 2,5%, destinada ao SESCOOP é causa de nulidade do Auto de Infração pois “o equívoco apontado vem confirmar e corroborar as afirmações da Recorrente de que a Sra. AFRFB laborou em completa desatenção à Lei e aos mais elementares princípios legais quando empreendeu a ilegal fiscalização.” Como se vê, não há como prosperar a alegação da Recorrente, vez que o reconhecimento no excesso do lançamento por parte da DRJ ocorreu em conformidade com o disposto no art. 145, I do CTN, in verbis: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Ou seja, o fato da Fiscalização ter incluído uma contribuição indevida no lançamento, não tem o condão de macular todo o Auto de Infração. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 10 9 DO MÉRITO DA IMUNIDADE ALEGADA A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador (11/2005 a 10/2009), in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 11 10 § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2028 5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedido o gozo da imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91, além de fazer o requerimento da específico ao INSS, nos termos do parágrafo 1o do citado artigo. Contudo, analisando os autos, verifico que o caso em tela traz peculiaridades a serem analisadas com cautela. Em primeiro lugar, constato que assiste razão à Recorrente, quando afirma ter obtido reconhecimento judicial no sentido de que é imune à contribuição previdenciária patronal, nos termos do Acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e da Sentença, constantes nas fls. 217/222 e 223/230, respectivamente. Nesse diapasão, mister se faz destacar a parte final da Sentença (fls. 229/230), que fora ratificada pelo TRF, in verbis: “3 Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido contido na petição inicial, o que faço para declarar, em favor da Impetrante, a imunidade relativa às contribuições para a seguridade social, nos termos do § 7° do art. 195 da Constituição Federal e art. 55 da Lei n° 8.212/91, a partir de 12/11/2002, data em que restou comprovado nestes autos o cumprimento dos requisitos legais exigidos (item 2.2 da fundamentação), bem como para declarar a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09257269, na parte em que determina a fiscalização e apuração de eventual débito em período posterior à referida data.” (destaques nosso) Verifico, portanto, que a concessão dos benefícios da imunidade para a Recorrente está condicionada ao “cumprimento dos requisitos legais exigidos”. Como se viu, os requisitos estão elencados nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, conforme transcrito alhures. A DRJ indeferiu a Impugnação da Recorrente por entender que a mesma perdeu os requisitos para imunidade em 17/10/2005, com o fim da validade da Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social. Logo, tendo perdido o requisito, deveria ter feito um novo Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000320/201018 Resolução nº 2403000.119 S2C4T3 Fl. 12 11 “pedido dirigido ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007, à Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Coaduno em parte com o entendimento da DRJ, pois, a Recorrente, assim como determinado na sentença, só faz jus à imunidade quando reúna todos os requisitos contidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Contudo, discordo do entendimento da DRJ quando diz que, após perder a o requisito da imunidade, a Recorrente precisaria fazer um novo requerimento ao INSS, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Pois, como se vê, apenas o “Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social”, previsto no inciso II do mesmo artigo, precisa de renovação a cada 3 (três) anos, ou seja, todos os outros são definitivos, vez que não precisam ser renovados. Logo, como a Recorrente já tinha se adequava aos pressupostos constitucionais e estando presentes todos os requisitos legais, não se faz necessário um novo requerimento ao INSS ou Secretaria da Receita Federal do Brasil (conforme a época). Analisando o caso concreto, verifico que a Certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social teve validade durante os períodos de 18/10/2002 a 17/10/2005 e 14/06/2006 a 13/06/2009, conforme constam nas fls. 166 e 164, respectivamente. Para que se perca o gozo da imunidade condicionada aos requisitos do art. 55, é necessário que haja um processo administrativo específico que culminará em um Ato Cancelatório de Isenção, assegurado assim o contraditório e a ampla defesa. No entanto, conforme se verifica dos autos, não há qualquer alusão ao citado documento ou mesmo citação de sua ocorrência. Portanto, para a melhor instrução para julgamento do caso em epígrafe, necessário que a Receita Federal do Brasil informe se houve a existência ou não desse referido procedimento e, caso haja, instrua o processo com cópia integral de seus arquivos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar que a Receita Federal do Brasil para que informe a ocorrência de procedimento administrativo próprio para determinar o cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade do contribuinte em razão da não renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social e, caso positivo, instrua o processo com cópia integral do procedimento cancelatório. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13896.903945/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 45 /2 00 9- 36 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 13/1/2006, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Cofins do mês de julho de 2005, no valor de R$ 17.580,21, com débito da Cofins do mês de dezembro de 2005. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 7/9, em razão da inexistência de crédito disponível, a compensação não foi homologada, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de julho de 2005, no valor de R$ 56.530,72. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou (i) equívoco no preenchimento da DCTF e do Dacon, (ii) ausência de retificação do débito da Cofins do mês de julho de 2005, do valor de incorreto de R$ 56.530,72 para o valor correto de R$ 38.950,51, e (iii) que não eram irretratáveis as informações declaradas na DCTF e no Dacon, logo, elas poderiam ser retificadas de ofício, o que foi requerido. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 9ª Turma de Julgamento da DRJ em Capinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base no argumento de que não fora apresentada a documentação adequada que permitisse a verificação da existência do valor do pagamento indevido ou a maior que o devido e, por conseguinte, a certeza e liquidez do crédito compensado. Segundo o voto condutor do julgado recorrido, a contribuinte apresentou apenas uma tabela com a discriminação dos débitos, documento considerado insuficiente para infirmar os débitos informados na DCTF. Em 7/3/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 4/4/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 31/46, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade, em especial, o pedido de retificação de ofício da informação declarada na DCTF e no Dacon. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13896.903945/200936 Acórdão n.º 3102001.878 S3C1T2 Fl. 21 3 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A presente controvérsia limitase à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 2/6, haja vista que o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito utilizado no procedimento compensatório em apreço. No âmbito do procedimento de compensação de iniciativa do sujeito passivo, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, e que era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que já na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de julho de 2005, portanto, necessitava de comprovação com documentos hábeis e idôneos, previstos na legislação tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma simples planilha com a discriminação dos débitos apurados, mas não apresentou nenhum documento contábil e fiscal que corroborasse tais informações. Diante da inexistência de prova do alegado, acertadamente, a Turma de Julgamento de primeiro grau reputou não comprovado o direito creditório pleiteado. Da mesma forma, na atual fase recursal, a recorrente apenas reapresentou a referida planilha, entretanto, mais uma vez, não apresentou os documentos contábil e fiscal necessários à ratificação dos dados consignados na referida planilha. Aliás, sequer uma explicação para origem do suposto indébito foi apresentada pela recorrente. É pertinente ainda esclarecer que a recorrente também não apresentou as DCTF e o Dacon retificadores, embora não houvesse qualquer impedimento para tal procedimento. Com efeito, ao invés de retificar as referidas declarações e apresentar a documentação comprobatória dos alegados equívocos, requereu a retificação de ofício das 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 citadas declarações, com base no inciso IV do art. 149 do CTN, que trata da retificação do lançamento de ofício, evidentemente, matéria estranha ao caso em apreço. Com base nessas considerações, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço, por falta de comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do credito utilizado no presente procedimento compensatório. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 13149.001125/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 49 .0 01 12 5/ 20 10 -0 2 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13149.001125/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.489 S2C2T2 Fl. 62 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 6 a 12, pela qual se exige a importância de R$1.146,87, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2008, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 7, 8, 11 e 12, verificase que foram glosadas as seguintes deduções: 1. despesas médicas declaradas como pagas a GEAP – Fundação de Seguridade Social, Flávia Cristina Sena da Mata, Rodrigo Colla, Patrícia Aparecida Tavares e Fábio Borges Nogueira, nos valores de R$4.835,63, R$3.000,00, R$85,00, R$105,00 e 150,00, respectivamente, por falta de comprovação; 2. dependentes, no valor de R$4.967,64, por falta de comprovação da relação de dependência (não foram considerados como dependentes: Frederico César Dias Martins, Felipe Augusto de Oliveira Paixão Martins e Lorena Cristina Dias Martins); 3. pensão alimentícia, no valor de R$5.040,00, por falta de comprovação. A fiscalização esclarece que o único documento apresentado foi o comprovante de rendimentos emitido pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, que atesta o pagamento de R$18.166,34. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, instruída com os documentos de fls. 4 a 24, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 40): Em sua impugnação de fls. 02, o sujeito passivo alega, em síntese, que deixou de apresentar os documentos comprobatórios das despesas à fiscalização pois, no seu entender, estes não haviam sido solicitados. Para sanar tal deficiência juntaos em anexo à impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0426.042 (fls. 38 a 44), de 22/09/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS DEPENDENTES Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13149.001125/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.489 S2C2T2 Fl. 63 3 Somente são dedutíveis as despesas com dependentes, quando comprovadas as relações de dependência e não sejam estes pensionistas, consoante a legislação tributária. DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS MÉDICAS PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. A decisão a quo assim se manifestou quanto às glosas das deduções: a) Dependentes: analisandose a documentação apresentada pelo contribuinte à luz da legislação pertinente, restabeleceuse a dedução relativa aos filhos Frederico César Dias Martins e Lorena Cristina Dias Martins. Constatandose que o contribuinte efetuava o pagamento de pensão alimentícia ao filho Felipe Augusto de Oliveira Paixão Martins, foi mantida a glosa em relação a este dependente, uma vez que o alimentado não pode ser considerado, concomitantemente, como dependente (fls. 40 e 41). b) Pensão alimentícia: de acordo com os comprovantes de depósitos apresentados pelo contribuinte, restabeleceuse a dedução relativa a pensão alimentícia paga a Felipe Augusto de Oliveira Paixão Martins, até o limite mensal fixado na decisão judicial, perfazendo um total anual de R$2.230,00 (fls. 41 e 42). c) Despesas médicas: examinandose os recibos apresentados, restabeleceu se a dedução relativa as despesas médicas pagas a Fábio Borges Nogueira, a Flávia Cristina Sena da Mata, e a Rodrigo Colla, nos valores R$150,00, R$3.000,00 e R$ 85,00, respectivamente, no montante total de R$3.235,00 (fl. 43), DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 13/10/2011 (vide AR de fl. 49), o contribuinte apresentou, em 25/10/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 54 e 55, no qual expõe as razões de sua defesa a seguir sintetizadas. 1. O recorrente concorda expressamente com a decisão de primeira instância no que se refere às glosas de dependentes e pensão alimentícia. 2. Quanto às despesas médicas, junta cópia do comprovante de rendimentos do ano calendário 2008, emitido pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, que atesta o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13149.001125/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.489 S2C2T2 Fl. 64 4 valor de R$4.835,63 (fl 56), relativo a despesas médicoodontohospitalares, que o contribuinte alega ter pago a GEAP – Fundação de Seguridade Social. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio digitalizado até à fl. 601. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 34 (fl.36 da digitalização). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13149.001125/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.489 S2C2T2 Fl. 65 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora A questão submetida a apreciação deste Colegiado restringese à glosa de despesas médicas, no valor de R$4.835,63, que o contribuinte alega ter pago a GEAP – Fundação de Seguridade Social. Como se sabe, somente poderão ser deduzidas a título de despesas médicas os valores pagos aos planos de saúde que se referirem ao próprio contribuinte ou a pessoa declarada como seu dependente (art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995). No caso dos autos, no comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora está consignado o valor total pago ao plano de saúde durante o anocalendário, sem identificar quem são os beneficiários. Por todo o exposto, para que se possa formar uma convicção acerca da matéria, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Intime a fonte pagadora a confirmar o valor descontado à título de despesas médicoodontohospitalares, informado no comprovante de rendimentos de fl. 56, indicando os beneficiários do plano de saúde e a parcela correspondente a cada um deles. 2. Caso a fonte pagadora não tenha condições de fornecer as informações solicitadas, intime o recorrente a comprovar os beneficiários do plano de saúde e a parcela correspondente a cada um deles, assim como, cientifiqueo do resultado do item 1 para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919006/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/04/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos
débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser
declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/04/2002
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do
direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta
fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da
compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada
e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma
estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as
alterações posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.056
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 02-28.163, de 16 de agosto de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos que ocorreram até a prolação do referido Acórdão, transcrevo a seguir o relatório do julgador de primeiro grau: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.15/19, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 30/04/2002. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 12) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919006/2008-60 Acórdão n.º 3802-01.056 S3-TE02 Fl. 2 3 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em 08/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 01/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. No final requereu o provimento do citado Recurso, para que fosse declarado nulo o despacho decisório ou homologada as compensações realizadas. Em 20/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de novembro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive no que tange ao limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Em sede de preliminar, o cerne da presente controvérsia limita-se a validade do presente Despacho Decisório, em que o Titular da Unidade da Receita Federal de origem, não homologou a compensação declarada pela Recorrente, com base no argumento que não existia o crédito informado, haja vista que já havia sido integralmente utilizado no pagamento de outro débito da própria Recorrente. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No presente Recurso, a Interessada pleiteou a nulidade do citado Despacho Decisório sob alegação de que houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao contraditório, com base no argumento que não houve exposição das razões de fato e direito que motivaram a referida decisão. Não procede a presente alegação, com a devida vênia. A uma, porque a decisão questionada foi devidamente motivada, conforme reconheceu a própria Recorrente no excerto a seguir transcrito: Como no presente caso, segundo o Fisco, a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, evidentemente que tal alegação é nula, tendo em vista ser completamente vazia e desprovida de fundamentação. De fato, ao afirmar que “a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente”, a Recorrente demonstrou que compreendeu o motivo da não homologação da compensação declarada, que foi consignado no tópico da fundamentação do referido Despacho Decisório, com os seguintes termos, in verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, porque o enquadramento legal nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, representa adequada fundamentação legal para a decisão proferida. Dessa forma, diferentemente do que alegou a Recorrente, entendo que o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a Recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica da decisão proferida, o que descaracteriza a aduzida alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Também não procede a alegação de que houve afronta ao contraditório, haja vista que a Recorrente teve pleno conhecimento do inteiro teor do citado Despacho Decisório, assim como lhe foi oportunizado apresentar manifestação de inconformidade, nos prazos e nos termos dos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, que foi normalmente exercido, sem nenhuma dificuldade, conforme noticiam os autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Da análise do mérito. Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito a existência ou não do crédito utilizado pelo sujeito passivo na quitação do débito confessado na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é requisito necessário, para fim de realização da autocompensação declarada, que sujeito passivo seja titular de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919006/2008-60 Acórdão n.º 3802-01.056 S3-TE02 Fl. 3 5 conforme disposto no art. 170 do CTN, combinado com estabelecido no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. No presente caso, com base nas informações contidas nos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi apurado que não existia o crédito informado na referida DComp, uma vez que alegado pagamento indevido havia sido integralmente utilizado no pagamento de débito da Cofins constituído pela própria Recorrente. Por este motivo, o Titular da Unidade da RFB de origem não homologou o presente procedimento compensatório. É oportuno ainda esclarecer que, no caso em tela, foi a própria Recorrente quem apurou e confessou a existência do débito vinculado ao alegado pagamento indevido, mediante a apresentação da respectiva DCTF, que, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Diante dessa constatação, para reforma da decisão em questão, era imprescindível que a Recorrente apresentasse as provas no sentido de que o dito pagamento era indevido. E tal mister seria facilmente realizado mediante a exibição dos documentos e livros contábeis e fiscais, documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência ou não do faturamento no respectivo mês, que representava, na época, a base de cálculo da referida Contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. No entanto, ao invés de trazer tal documentação aos autos e assim provar a existência do indébito tributário, a Recorrente alegou, nas duas oportunidades em que exerceu o seu direito de defesa, inclusive, incluindo o presente Recurso, que a autocompensação por ela realizada gozava de presunção de validade, não podendo o Fisco indeferi-la com base na alegação de que não existia o crédito declarado. Evidentemente, essa alegação que a autocompensação (declarada) goza de presunção de validade não tem respaldo jurídico. De fato, é comezinho que a presunção de validade ou legitimidade (juris tantum) é uma prerrogativa exclusiva do ato administrativo emanado do Poder Público, em decorrência direta da sujeição da Administração Pública ao princípio da estrita legalidade, explicitamente previsto no caput do art. 37 da CF/1988, que exige que tais atos sejam expedidos com estrita observância do que determina a lei. É oportuno esclarecer que a autocompensação declarada tem natureza de confissão dívida, segundo o disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação que foi atribuída pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da impossibilidade de retificação da DCTF. Na verdade, diversamente do que afirmou, há permissão expressa de alteração dos dados da DCTF, conforme estabelecido no artigo 9º e seus parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, e nas Instruções Normativas anteriores que disciplinavam a matéria, a qual se efetiva mediante a entrega, via Internet, da declaração retificadora gerada a partir do PGD DCTF. É oportuno esclarecer que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e pode ser utilizada para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Porém, a DCTF retificadora não produzirá efeitos quando tiver por objeto: a) reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; (ii) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou (iii) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. b) alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nos presentes autos, nenhum dessas situações impeditivas ocorreram, portanto, inaplicável ao caso em tela tal alegação. Também fica demonstrado a improcedência da alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF, pois, conforme demonstrado precedentemente, a alteração dos débitos declarados na DCTF somente pode ser realizada mediante a entrega da DCTF retificadora. É oportuno ainda ressalta que, além de não ter nenhum amparo legal, no meu entendimento, tais alegações, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do respectivo crédito utilizado na quitação do débito declarado. Com base nessas, considerações estou convencido que o crédito informado pela Recorrente não existe, pois o valor do suposto pagamento indevido foi utilizado integralmente no pagamento do débito da Cofins declarado pela própria Recorrente na DCTF do respectivo período. Dessa forma, se não existe o crédito informado, consequentemente, a compensação declarada reputa-se indevida e, portanto, legítima a sua não homologação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter a não homologação da compensação declarada, em razão da inexistência do crédito informado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919006/2008-60 Acórdão n.º 3802-01.056 S3-TE02 Fl. 4 7 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 13609.000008/2005-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 169177), interposto pelo contribuinte em face do acórdão nº 30239.143 (fls. 149162) da Segunda Câmara, do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido em 7 de novembro de 2007, que, por maioria dos votos, negou provimento mantendo integralmente o Acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL A Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, em seu art. 1º, deu nova redação, entre outros, ao artigo 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Com esta nova redação, a utilização do ADA – Ato Declaratório Ambiental – tornouse obrigatória, para efeito de redução do valor a pagar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Quanto às áreas de preservação permanente, as mesmas, além de constarem do ADA, devem estar devidamente comprovadas, seja por meio de laudo técnico emitido nos termos da lei, seja através de declaração do órgão competente (IBAMA), em obediência ao art. 10, da Lei nº 9.393, de 1996. Para as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal, outro requisito a ser preenchido pelos contribuintes referese à averbação das mesmas à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural, junto ao Registro de Imóveis competente, nos termos da legislação de regência. Esta averbação reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, em especial porque as áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada podem ser exploradas, mediante autorização do órgão ambiental competente, inclusive mediante Projetos de Manejo Sustentado. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE À instância administrativa é vedado se pronunciar sobre ilegalidade/inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Cingese o presente processo sobre a exigência do Imposto Territorial Rural ITR, no valor total de R$ 3.593,87, referente ao exercício de 2002, do imóvel rural denominado Fazenda Pantanal, com área total de 553,0 ha., localizado no município de Paraopeba/MG. No caso, o contribuinte pleiteara a reforma da decisão da 1ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Campo Brasília/DF,que julgou procedente o lançamento impugnado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13609.000008/200591 Acórdão n.º 920202.154 CSRFT2 Fl. 2 3 Em atenção ao disposto no inciso II, do art. 7º do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o contribuinte sustenta que o acórdão recorrido deu interpretação divergente da que lhe deu a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que decidiu que a comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, de acordo com o principio da verdade material: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO NA PARTE CONHECIDA. (Acórdão 30131.640 de 27/01/2005, da 1" Câm CC, Relatora Cons, Atalina Rodrigues Alves). Ementa: ITR/97. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. A teor do artigo 10, ,sS' 7', da Lei n°9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de declaração do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto devido, inclusive dos acréscimos legais no caso de declaração inexata. A averbação de área de utilização limitada (área de reserva legal) no Cartório de Registro de Imóveis competente, em data anterior à ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação, autoriza a validação de sua preexistência para fim de exclusão da base de cálculo 11, do referido tributo. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL — ADA. TEMPESTIVIDADE. A averbação da área de Reserva Legal noRegistro de Imóveis competente é suficiente e supre a apresentação do ADA, inclusive, a apresentação pode ser feita quando solicitada, nos termos do artigo 10, ás' 7", da Lei 9.393/96, modificado pela MP2 . 1667/2001. Recurso especial negado.( Acórdão 30334,104 de 28/02/2007, da 3° Câm. Do CC, Relatora Cons. Nanci Gama). Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência do fato gerador. RECURSO PROVIDO (Acórdão 0305.015 de 22/08/2006, da CSRF, Relator Cons. Otacílio Dantas Cartaxo). Segundo o recorrente, a relatora do voto vencedor do acórdão paradigma demonstrou que o Ato Declaratório Ambiental não é o único meio de se demonstrar a existência de áreas de reserva legal/utilização limitada ou de preservação permanente. Desta forma, pode o contribuinte, valendose de outros meios de prova em direito admitido, provar a existência destes terrenos, os quais, nos termos da lei, podem ser deduzidos da base imponível do ITR. Nesse sentido, o contribuinte alegou que no presente caso consta da matrícula do imóvel a averbação, em 09 de dezembro de 1998, da área de 94,0 ha de terras como de utilização limitada/reserva legal, posteriormente ampliada para 119,0 ha mediante registro efetuado em 25 de janeiro de 2005. Afirmou, ainda, que o terreno foi devidamente vistoriado e aprovado pelo órgão ambiental, tendo havido, ainda, análise do local por profissional que emitiu laudo comprovando a existência de 119,0 há de utilização limitada/reserva legal. Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Segunda Câmara, da Terceira Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao recurso especial por entender que a recorrente demonstrou a divergente interpretação apenas no que diz respeito á área de Reserva Legal, deixando de demonstrála com relação à APP – despacho fls. 208211. Intimado, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 215228) afirmando que as alegações do recorrente não merecem prosperar, tendo em vista que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis, em data anterior à ocorrência do fato gerador e, por isso, não podem ser excluídas da incidência do ITR. Irresignado com o Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial quanto a não incidência tributária da área de preservação permanente, o contribuinte interpôs Agravo [fls. 235241], alegando que também restou demonstrada a divergência jurisprudencial quanto a esta vegetação, devendo o recurso ser conhecido em sua plenitude. Em Despacho às fls. 254256, o Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou o pedido de reexame de admissibilidade do recurso especial por entender que a divergência está adstrita, unicamente, à área de reserva legal. Tal posicionamento foi ratificado pelo Presidente do CARF. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13609.000008/200591 Acórdão n.º 920202.154 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial do contribuinte. Antes de adentrar ao exame do mérito, destaco, por oportuno, que o acórdão recorrido entendeu que não só a averbação era necessária para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR mas também a existência de ADA, apresentado tempestivamente. A meu ver, tendo sido admitida a discussão sobre a necessidade ou não da prévia averbação da reserva legal como condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR cabe a este E. Colegiado apreciar a questão como um todo, manifestandose, inclusive, sobre a obrigatoriedade do ADA. Caso contrário o presente recurso poderia ser inócuo. Assim, com as considerações acima, passo ao exame do mérito. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso comprovado posteriormente a falsidade das declarações. Por seu turno, a Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .................... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13609.000008/200591 Acórdão n.º 920202.154 CSRFT2 Fl. 4 7 a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). .............. Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. No caso dos autos, o contribuinte tomou conhecimento do procedimento fiscal via postal por intermédio a intimação em 11/10/2004. Verifico, por meio da documentação trazida aos autos [fls. 68/86] durante a fiscalização, especialmente as cópias das matrículas do imóvel, Termos de Responsabilidade de Averbação e Preservação de Floresta, que constam da matrícula do imóvel a averbação, em 09 de dezembro de 1998, da área de 94,0 ha de terras como de utilização limitada/reserva legal, posteriormente ampliada para 119,0 ha mediante registro efetuado em 25 de janeiro de 2005. Nada obstante ter a área de 94,0 ha sido averbada antes do fato gerador e, por conseqüência, do Termo de Início Fiscal [11/10/2004, fls. 02/03], posteriormente ampliada para 119,0 ha mediante registro efetuado em 25 de janeiro de 2005. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, DOU PROVIMENTO para excluir do lançamento a área de reserva legal de 119,0 ha. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004372/99-47
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/04/1992
Compensação a Pedido. Regras
Na vigência da Instrução Normativa nº 21, de 1997, editada com base em delegação expressa no art. 66 da Lei nº 8383, de 1991, a realização de compensação baseada em créditos oriundos de processo judicial estava sujeita ao prévio reconhecimento do crédito pela autoridade competente.
Apuração de Saldo a Compensar. Decadência. Não Caracterização.
A verificação dos aspectos materiais da obrigação tributária, realizada no exclusivo intuito de apurar o real indébito não se sujeita aos prazos decadenciais próprios do lançamento.
Tratando-se de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, o prazo de homologação é de 5 anos, contados da formulação do pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ÔNUS DA PROVA. O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 30/04/1992 COMPENSAÇÃO A PEDIDO. REGRAS Na vigência da Instrução Normativa nº 21, de 1997, editada com base em delegação expressa no art. 66 da Lei nº 8383, de 1991, a realização de compensação baseada em créditos oriundos de processo judicial estava sujeita ao prévio reconhecimento do crédito pela autoridade competente. APURAÇÃO DE SALDO A COMPENSAR. DECADÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A verificação dos aspectos materiais da obrigação tributária, realizada no exclusivo intuito de apurar o real indébito não se sujeita aos prazos decadenciais próprios do lançamento. Tratandose de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, o prazo de homologação é de 5 anos, contados da formulação do pedido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 43 72 /9 9- 47 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 378 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do pedido de restituição/compensação (fls. 1/2 ),protocolizado em 27 de abril de 1999, referente a valores que a interessada considera ter recolhido a maior que o devido a título de Finsocial dos períodos de apuração de setembro de 1989 a fevereiro de 1991, excedentes à alíquota de 0,5%, conforme planilha de fl. 04 e DARF's originais de fls. 06/12, cujos recolhimentos foram confirmados às fls. 16/19, com débitos de Tributos ou Contribuições vincendos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu pedido foi indeferido pela DRF em Pelotas sob a justificativa de ter ocorrido a decadência de pleitear a restituição, ante o lapso temporal entre o pagamento e o pedido. Tempestivamente a interessada apresentou sua inconformidade alegando que o direito de pleitear restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em lançamentos por homologação, como é o caso do lançamento do Finsocial. Não ocorrendo a homologação expressa, esta ocorre 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador, o que lhe daria o direito de pleitear restituição no prazo de 10 anos a partir do fato gerador. Dentre os elementos juntados estão cópias e informações sobre o Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte, no qual questionou a constitucionalidade da legislação de Finsocial, tendo sido denegada a segurança, tendo efetivado depósitos judiciais, e sobre a Ação Declaratória, na qual requer distribuição por pendência em relação ao Mandado de Segurança, em função dos depósitos judiciais efetivados no transcorrer daquela ação, já que pleiteia ver reconhecida a obrigação tributária da autora no percentual de 0,5% sobre o faturamento mensal a título de Finsocial, cujos Acórdãos transitaram em julgado. Ao analisar o pedido de restituição, a DRF considerou extinto o direito ao pleito já que decorridos mais de 5 (cinco) anos entre o último pagamento realizado e a data do pedido de restituição (Parecer DRF/PEL/148/2001 e respectivo Despacho Decisório de fls. 79/80). Também o Acórdão desta 2a Turma de Julgamento da DRJ/PAE, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade da contribuinte de fls. 86/89, na qual somente foi abordado o tema Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 379 3 da decadência do direito de pleitear a restituição, foi no sentido de indeferir o pedido, pela ocorrência da decadência (fls. 91/95). A interessada interpôs recurso voluntário (fls. 98/103) defendendo não ter ocorrido a decadência. O Acórdão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 108/111) posicionase no sentido de não ter ocorrido a decadência, determinando o retorno do presente à esta Delegacia de Julgamento, para julgamento do mérito. Foi interposto Recurso de Divergência pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 113/122), apresentando o Acórdão n° 30235.782, divergente do Acórdão Recorrido. Aceito o Recurso, e após esgotado o prazo para a manifestação da contribuinte, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou o Recurso, mantendo o entendimento da não ocorrência da decadência por considerar que o prazo para a mesma seria de 5 (cinco) anos a contar da data da publicação da Medida Provisória 1.110, em 31 de agosto de 1995. Portanto, a decadência somente ocorreria se o pedido tivesse sido apresentado após 31 de agosto de 2000, o que não é o caso. Considerando as determinações do Conselho de Contribuintes, o processo foi remetido em diligência à DRF em Pelotas para que esta desse ciência do Acórdão do Conselho de Contribuintes, juntasse elementos da ação judicial impetrada pela interessada e intimasse a empresa para comprovar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Intimada a apresentar os livros fiscais (fls. 255), a empresa respondeu (fls. 256) que não mais dispunha dos livros fiscais e balancetes relativos aos períodos de 09/89 a 02/1991, eis que a legislação desobriga o contribuinte a manter os documentos fiscais por mais de cinco anos. Reintimada (fls. 257), a empresa pronunciouse (fls. 258/259) no sentido de esclarecer que o presente processo trata de compensação e que o presente pedido já teria sido homologado tacitamente pelo decurso de prazo superior a cinco anos , posto que ainda estaria pendente de apreciação por parte da autoridade administrativa, nos termos do art. 74, § 5º , da Lei 9.430/1996. Seu pedido foi indeferido pela DRF em Pelotas (fls. 84/85), sob a justificativa de ter ocorrido a decadência de pleitear a restituição, ante o lapso temporal entre o pagamento e o pedido. Sendo assim, a DRF Pelotas elaborou o relatório fiscal de fls. 260/261 e fls. 270/272 relatando as tentativas infrutíferas de instruir o processo no sentido de respaldar documentalmente o alegado pela empresa e que, no mérito, já havia sido obtido judicialmente. Cientificada novamente quanto a tais pronunciamentos, a empresa manifestouse reiterando as alegações aduzidas nas intimações anteriores (fls. 275/276). Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 380 4 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 Ementa:RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas desde a primeira intimação para apresentação de documentos, anexar cópia do Livro de Apuração do ICMS Modelo 9 e acrescentar que os créditos teriam sido corretamente compensados, nos termos da Lei nº 8.383, de 1991 (créditos do Finsocial com débitos da Cofins), devidamente informada em DCTF. Pleiteia, nessa linha, a homologação do pedido de compensação ou, alternativamente, a realização de diligência com vista à apuração da base de cálculo do Finsocial no período compreendido entre janeiro de 1990 e novembro de 1993. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Homologação Tácita O primeiro ponto relevante para a solução do litígio é a prejudicial de homologação da compensação que, a meu ver, deve ser afastada. Explico. 1.1 Modalidade de Compensação Em primeiro lugar, não há como reconhecer a alegação de que, supostamente amparada no art. 66 da Lei nº 8.383, de 19911, a recorrente teria promovido a regular compensação em sua escrituração e comunicado sua realização por meio de suas DCTF. 1 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 381 5 De fato, não havia respaldo normativo para a sua realização e, consequentemente para a sua homologação. Vejase o que diziam o arts. 14, caput e § 6, e 17 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, editada com base na delegação expressa no § 4ª do art. 66 da Lei nº 8383, de 1991: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Assim, ainda que a recorrente tivesse a percepção de que estava transmitindo comunicação de compensação, de fato, estava formulando um pedido de compensação. O segundo ponto relevante para se afastar esse argumento decorre da legislação invocada pelo próprio sujeito passivo. De fato, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a homologação tácita é consequência da inércia do Fisco em analisar a declaração de compensação, hipótese que não se confunde com a do presente processo. Nessa linha, há que se relembrar que, por força da regra de transição gizada no § 4º do art. 74 da Lei nº 9.4302, de 1996, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002, os pedidos de compensação não analisados até a data da edição daquele dispositivo, hipótese claramente caracterizada no presente processo, seriam convertidos em declaração de compensação. Este julgamento, portanto, parte do pressuposto de que se está analisando uma declaração de compensação. 1.2 Homologação da Compensação § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) 2 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 382 6 Dizem os §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação que vigem desde a sua inclusão, respectivamente, pelas leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Ora, como bem adiantou o órgão julgador a quo o pedido em questão foi analisado muito antes da fluência do prazo quinquenal. Com efeito, a protocolização ocorreu em 09/04/19993 e a comunicação do indeferimento, em 30/07/20014. De se esclarecer que, para esse efeito, não faria qualquer diferença considerar que o contribuinte promoveu regular compensação na escrita, o que, no seu sentimento, deslocaria o início do prazo decadencial para a data de transmissão da DCTF. Conforme extrato às fls. 292 e seguintes (numeração eletrônica) os débitos passaram a ser informados na declaração do 2º trimestre de 1999. Finalmente, não vejo como reconhecer que a homologação dos lançamentos seja fundamento para o reconhecimento da liquidez e certeza do .direito creditório. Para tanto, trago à colação o que diz o art. 165, I e II, do Código Tributário Nacional. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Ora, como se observa na leitura dos incisos I e II, o fundamento da repetição é sempre o pagamento maior que o devido, em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador. Vejase a lição de Alberto Xavier5: “O Código Tributário Nacional distingue dois fundamentos da obrigação de restituir em função das causas que conduziram ao pagamento indevido: pagamento espontâneo por erro (incisos I e 3 Protocolo à fl. 02 (numeração eletrônica). 4 AR à fl. 119 (numeração eletrônica) 5 Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário. Forense, 1998, 2ª ed., p. 371 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 383 7 II do artigo 165) e pagamento em virtude de decisão condenatória (inciso III do mesmo artigo)... Por sua vez, o pagamento espontâneo por erro pode ser objetivamente indevido ou subjetivamente indevido. Nos casos de pagamento objetivamente indevido, o erro tanto pode respeitar à inexistência da obrigação quanto ao seu quantitativo, sem quais forem os fatores que o determinaram (erro na interpretação da lei, erro quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador, erro na determinação da alíquota aplicável ou erro no cálculo do montante do débito). Nas hipóteses de pagamento subjetivamente indevido, o erro respeita apenas a identificação do sujeito passivo.“ Sendo certo que os aspectos (material, pessoal e temporal) que delimitam a obrigação tributária estão sempre previstos em lei, podese concluir, sem sombra de dúvida, que o fundamento da restituição é sempre o descompasso entre o pagamento promovido pelo Sujeito Passivo e a legislação que disciplina aquele tributo. Consequentemente, não se pode pretender que, quando da liquidação do indébito, deixese de aplicar a lei tributária em razão de um suposto prejuízo do sujeito passivo. Dado que o indébito surge da lei, sua apuração seguirá os aspectos (material, pessoal e temporal) que emergem dessa mesma lei. Em assim sendo, não há como apurar a existência de saldo a restituir sem revisitar a obrigação tributária e aferir se o montante autolançado é efetivamente superior ao devido e, em caso de resposta negativa, denegar o pedido de restituição. 2 Liquidez dos Créditos Superada a prejudicial, restaria analisar se, diferentemente do que concluíram os órgãos julgadores, o processo reúne elementos que autorizariam o reconhecimento do indébito nos termos em que foi pleiteado. De se esclarecer, desde já, a opinião deste relator acerca da distribuição do ônus da prova nos processos que tratam de pedido de compensação. Como já destacado em outras oportunidades, diferentemente dos processos envolvendo lançamento de tributos, onde o ônus de provar suas alegações recai sobre o Fisco, nos processos envolvendo pedido de compensação embasado em alegação de pagamento superior ao devido, o “autor da ação” é o contribuinte, pois o indébito surge de fato modificativo ou, conforme o caso, extintivo. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil6, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado7 6 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 7 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 384 8 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Dito isto, não vejo como reconhecer o direito creditório. Em primeiro lugar, em pelo menos duas oportunidades, o Contribuinte foi intimado a apresentar os elementos da sua escrita contábil e fiscal e teve ciência de que a não apresentação desses elementos implicaria indeferimento do pedido de compensação. Em segundo, a juntada do Livro de Apuração do ICMS em fase recursal, por si, não é suficiente para o reconhecimento do pedido ou mesmo para determinar a devolução do processo à primeira instância, para a realização de diligência. Com efeito, em várias oportunidades, defendi que a realização de diligência é providência a ser adotada complementarmente, que não afasta o dever do Fisco e do Contribuinte de promover a necessária instrução do processo. Se a recorrente já havia escriturado o livro anexado na fase recursal, deveria apresentálo na oportunidade em que foi intimada. Se só o escriturou depois, deveria trazer aos autos pelo menos os elementos que dariam respaldo à sua escrituração. Ademais, a exclusiva análise do livro apresentado, imagino, não é suficiente para a demonstração do valor do faturamento e dos ajustes formam a base de cálculo do Finsocial nem, consequentemente, para fixação do valor dessa contribuição recolhido em percentual superior a 0,5% dessa base de cálculo. Nesse aspecto é importante relembrar que este foi apenas um dos elementos solicitados pelo Fisco, conforme se extrai do termo enviado à recorrente8, e que não foi apontado caminho alternativo para a aferição das informações consignadas no Livro de Apuração do ICMS, como, por exemplo, as notas fiscais emitidas. 8 Vide doc. à fl. 217 (numeração eletrônica) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.004372/9947 Acórdão n.º 3102001.630 S3C1T2 Fl. 385 9 Assim. a meu ver, não se logrou êxito em demonstrar a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Peço licença para transcrever a interpretação de James Marins9 acerca do conteúdo do dispositivo acima transcrito: “... cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade.” (os grifos não constam do original) 3 Conclusão Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 9 Direito Processual Tributário. São Paulo. 2005, Dialética, 4ª Edição, p. 279. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007438/2004-87
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de oficio.
DEDUÇÃO DE IRRF.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade rejeitar o reconhecimento da decadência suscitada pelo relator e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes deste julgado. Quanto à decadência, vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello (relator), Eivanice Canário da Silva e German Alejandro San Martín Fernández, este último acompanhou o relator pelas conclusões. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Júnior
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Eivanice Canario da Silva, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de oficio. DEDUÇÃO DE IRRF. Recurso negado.
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INOCORRÊNCIA A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de oficio. DEDUÇÃO DE IRRF. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade rejeitar o reconhecimento da decadência suscitada pelo relator e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes deste julgado. Quanto à decadência, vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello (relator), Eivanice Canário da Silva e German Alejandro San Martín Fernández, este último acompanhou o relator pelas conclusões. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Júnior (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 74 38 /2 00 4- 87 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jaci de Assis Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Eivanice Canario da Silva, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 16/19, relativo ao anocalendário de 1998, exercício 1999, em razão das seguintes supostas infrações: dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, uma vez que não constando informação de imposto de renda retido na fonte para a contribuinte nos sistemas da Receita Federal e intimada a comprovar o IRfonte, não compareceu. Dessa alteração resultou que o valor do imposto de renda a restituir informado na Declaração de Ajuste Anual, fls. 24, entregue em 16/07/1999, foi alterado para imposto a pagar. Frisese que o valor da restituição foi recebido indevidamente. Cientificada a fl. 89, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, fls. 01, alegando, verbis: “desconheço tal demonstrativo de rendimento citado pelos senhores; visto que sou, “senhora do lar”, e não tenho fonte de rendimento compatível com o apontado”; “não tenho fonte de renda própria; desconheço tal fonte pagadora”. Depreendese da impugnação que a contribuinte nega a entrega da Declaração de Ajuste Anual, o recebimento dos rendimentos, e ainda, afirma desconhecer a fonte pagadora apontada nos autos. O processo foi encaminhado à DRF FortalezaCE para se pronunciar sobre a solicitação de cancelamento da Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 1998, exercício 1999, argüida na impugnação de fls. 01. Em atendimento, a DRF/FOR, após as diligencias e as pesquisas realizadas, anexou aos autos os documentos de fls. 32/85. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/FOR, em sessão realizada no dia 04/05/2010, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que o auto de infração foi lavrado após retirarse do sistema para revisão manual a segunda DIRPF retificadora apresentada em 16/07/1999 pela contribuinte, referente ao anocalendário em questão, exatamente um dia após ter resgatado, em 15/07/1999 a restituição supostamente devida, em face da declaração anteriormente apresentada (primeira retificadora), sendo que as modificações feitas nessa segunda oportunidade resultavam em aumento do imposto a restituir de R$ 1.034,02 para R$ 9.939,73; que a restituição foi creditada diretamente em conta corrente de que é titular a contribuinte; que é sócia das sociedades comerciais mencionadas a fls.93; que é proprietária do imóvel referido a fl.93; que a DRF/FOR, à vista de tudo que se apurou nas diligências realizadas e das pesquisas efetuadas nos sistemas da SRF, indeferiu o cancelamento da DIRPF/99, cientificando a contribuinte; que não consta dos sistemas da SRF qualquer informação sobre IRRF para o CPF ou nome da contribuinte; que a contribuinte não trouxe, quer na fase de fiscalização, quer em sua impugnação, qualquer prova de que sofrera retenção de imposto na fonte. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.007438/200487 Acórdão n.º 2802001.807 S2TE02 Fl. 114 3 Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.99, a contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 100, atacando a decisão exarada pela DRJ, aos seguintes argumentos: que na época da DIRPF referente ao anocalendário 1988, não era proprietária de empresa nem possuía propriedade rural ou participação, não lhe sendo possível à época projetar sua vida com relação aos bens adquiridos; que estranha ter havido diligências quanto a seus bens e quanto a sua vida, pois foram adquiridos após o anocalendário 1988, não servindo a sua existência de fundamento válido para a presente decisão; que reportase à impugnação antes apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo. Tratandose de lançamento de ofício correspondente ao anocalendário de 1998, do qual a Recorrente foi intimada em 30 de março de 2004, há que se perquirir acerca da decadência do poder/dever da autoridade lançadora proceder a este ato administrativo de efeitos concretos. Em que pese a discussão circunscreverse à necessidade da comprovação da retenção do IRRF declarado na DIRPF, o que redunda na investigação sobre a existência de recolhimento antecipado pelo contribuinte, o Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no RESP 973.733, julgado no rito do art. 543C do CPC, o que, pelo art. 62A do Regimento Interno do CARF, é de observância obrigatória pelos membros deste Ínclito Colegiado, esclarecer que eventual aplicação do art. 173, I do CTN não implicaria, no caso, em conseqüências diferentes da aplicação do art. 150, §4°, ambos do CTN. No REsp 973.733 há expressa menção à forma de definir o marco inicial do inciso I do art. 173 do CTN, nos exatos termos da Ementa abaixo transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Por outro lado, não é demais pontuar que a discussão se dá em torno da alegada existência de pagamento antecipado (retenção na fonte), o que implica reconhecer que este suposto pagamento antecipado estaria tacitamente homologado, na forma do art. 150, 4° do CTN. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.007438/200487 Acórdão n.º 2802001.807 S2TE02 Fl. 115 5 Em se tratando, pois, de lançamento relativo ao exercício 1999, a decadência contase, segundo as razões acima apontadas, no caso concreto, a partir da ocorrência do fato gerador, isto é, 31 de dezembro de 1998, tendo por termo final o dia 31.12.2003, em muito anterior à data do lançamento. Isto posto, é de se reconhecer, de ofício, a decadência do poder/dever de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício do IRPF relativo ao anocalendário de 1998, cancelandose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no que toca à questão da decadência reconhecida de ofício. O ilustre Relator, ao conduzir seu voto pelo reconhecimento do prazo decadencial, o fez ao argumento de que na decisão proferida no REsp 973.733 há expressa menção de como deve ser definido o marco inicial do inciso I do art. 173 do CTN, qual seja: o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Nesse sentido, considerou que aplicação do art. 173, I do CTN não implicaria, no caso, em consequências diferentes da aplicação do art. 150, §4°, ambos do CTN. Inicialmente, destaco que, esta Turma Julgadora em julgados anteriores já manifestara no sentido da não obrigatoriedade de adoção do entendimento do RESP 973.733. Também nesse sentido, outras turmas deste colegiado se pronunciaram, cabendo aqui destacar, tanto no voto vencido como no vencedor, do Acórdão nº 120100.425, de 24/02/2011, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção deste CSRF, os seguintes entendimentos: Constou do voto vencido: “Pois bem, ainda que o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabeleça que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil devam ser observadas pelos conselheiros do CARF, entendo que, no caso sob exame, os membros desta Turma estão livres para adotar sua própria interpretação sobre o tema. Isso porque, embora a ementa acima transcrita não seja clara a esse respeito, o que foi decidido pelo STJ nos autos do REsp nº 973.733/SC é que a tese do “cinco mais cinco para lançar” não encontra amparo no CTN. Como não é essa a questão de que tratam os presentes autos, não há vinculação.” Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 E no mesmo sentido foi consignado no voto vencedor em referência: “Contudo, a despeito de existir no art. 62A do Regimento Interno do CARF a necessidade de aplicação das decisões do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, entendo que, no caso sob exame, os membros desta Turma estão livres para adotar sua própria interpretação sobre o tema, visto que em momento algum a Corte Maior, em seu julgado no REsp nº 973.733/SC, teceu qualquer análise no sentido da aplicação do artigo 150, § 4° ou artigo 173, inciso I, do CTN, nos casos em que envolvam o início da contagem de prazo de decadência de um tributo anual, como o caso do IRPJ e a CSLL.” Por sua vez, conforme adiante se demonstrará, a interpretação dada pelo ilustre Relator nos presentes autos não se amolda àquela dada pelo Superior Tribunal de Justiça, no referido RESP nº 973.733/SC. Sobre o assunto, vale observar que a situação tratada pelo STJ já ficou esclarecida nos embargos de declaração EDcl no AgRg no Recurso Especial n° 674.497/PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICAT1VOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.01.1995, expirandose em 1º.01.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1° a 31.12.2003, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, l do CTN, o prazo decadencial teve inicio somente em 1°.1.1995, expirandose em 29. 11.1999, tem se por não consumada a decadência, in casu. Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.007438/200487 Acórdão n.º 2802001.807 S2TE02 Fl. 116 7 equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia.” Depreendese, pois, que, após o julgamento do recurso repetitivo, ficou explicitado que a forma correta de contagem do prazo decadencial deverá se adequar literalmente ao texto do art. 173, I do CTN. Por oportuno, recordese que também esta Turma Julgadora, em decisões acerca da matéria, já constatara ser o suprareferido julgamento do STJ posterior ao RESP 973.733 (julgado em 12/08/2009, sob o rito do art. 543C do CPC) e com ele não se conflita. A seguir, destaquese o seguinte entendimento firmado pelo relator Jorge Cláudio Duarte Cardorso, proferido no Acórdão nº 2802001.639, de 19/06/2012: “No Resp 973.733, embora tenha constado menção à forma de definir o marco inicial do inciso I do art. 173 do CTN, essa não foi a matéria submetida ao exercício da jurisdição, bem como não constou da parte dispositiva do julgado, razão pela qual não produz efeitos de coisa julgada. Importa ressaltar, ainda, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em sessão realizada em 01/08/2011, proferiu o Acórdão n° 9101001.109 – 1ª Turma, mediante o qual, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional, decidindo que o termo inicial da decadência, segundo o art. 173, I do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e não ao primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Da leitura do voto vencedor proferido pelo órgão superior de julgamento administrativo, constatase que prevaleceu o entendimento de que, para se aplicar a inteligência firmada no REsp 973.733, tornase necessário verificar o contexto no qual se fundamentou o Ministro relator para proferir a afirmação de que “o ‘primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível”. A esse respeito, abaixo se transcreve os argumentos firmados pelo relator do citado voto vencedor em relação ao conteúdo do Acórdão proferido no Resp 973.733: “(...). Verificase com clareza que a manifestação neste sentido vem em resposta às razões da Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Ministro Luiz Fux, verbis: ‘(...) Nas razões do especial, sustenta a autarquia previdenciárias que o acórdão hostilizado incorreu em violação dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN, uma vez que: 'Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos. Assim, como o prazo para a constituição do crédito tributário se inicia no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo de decadência, nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, inexistente o pagamento, é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco), corno equivocadamente concluiu o Tribunal a quo.’ (destacouse) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 A Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN, somente teria inicio após o decurso dos cinco anos para o lançamento por homologação, o que implicaria considerar o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador. Precisamente ante a esta alegação da Recorrente (INSS), o acórdão do STJ buscou refutar o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de oficio somente se iniciaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: ‘(...) O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, 4 4; e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10' ed. Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199. (destacouse) O que resta claro das partes transcritas e destacadas do teor da decisão é que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponivel, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º; e 173, do Código Tributário. Este é o conteúdo assentado no acórdão, que se torna evidente com a leitura completa do parágrafo. Diante da visão global do contexto em que se fundamentou referido Ministro, o relator do voto vencedor da decisão da CSRF, em referência, assim conclui: “Portanto, à. luz destas considerações, deve ficar assentado o entendimento de que i) a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de oficio; ii) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.007438/200487 Acórdão n.º 2802001.807 S2TE02 Fl. 117 9 situação fática que ensejou a decisão do precedente judicial; e iii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.” Diante disso, no caso específico dos presentes autos, fica claro que, em se tratando de lançamento de competência no anocalendário de 1998, sua exigência somente se concretizaria no exercício financeiro de 1999. Nesse caso, a teor da literalidade do art. 173, inciso I, do CTN, o início do prazo qüinqüenal da decadência ocorreu em 1°/01/2000, findando em 31/12/2004. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 2004, temse por não consumada a decadência, no caso. Quanto às questões de mérito, os integrantes desta Turma Julgadora acompanharam o entendimento firmado no voto proferido pelo Relator. Diante do exposto, a decisão do colegiado é por rejeitar a preliminar de reconhecimento da decadência suscitada pelo Relator e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assi nado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12269.002113/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 13 /2 01 0- 68 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 Data da lavratura do AIOP: 31/08/2010. Data da Ciência do AIOP: 06/09/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.299.1505, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores da obra de construção civil, cuja base de cálculo houvese por apurada mediante aferição indireta, pelo Custo Unitário Básico, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 10/12. Informa a Autoridade Lançadora que, em 21/09/1995, o Contribuinte, pessoa física, efetuou, perante o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a matrícula de obra de construção civil de sua responsabilidade, no qual informa o acréscimo da área de 84,45 m2. Enquadrase nos seguintes códigos fiscais Natureza Jurídica 4065 "CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA FÍSICA •"; CNAE FISCAL 4399103 "OBRAS DE ALVENARIA"; CNAE 45217 " EDIFICAÇÕES (RESIDENCIAIS, INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E DE SERVIÇOS) INCLUSIVE AMPLIAÇÃO E REFORMAS COMPLETAS ". Em 14/10/2005, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Porto Alegre expediu a Carta RFBP/PF/n° 1228/2005 comunicando a emissão de ofício do Aviso de Regularização de Obra ARO e disponibilizando prazo para comprovação do recolhimento do crédito previdenciário devido ou para apresentação de contestação por escrito acompanhada de documentos comprobatórios. Em 03/11/2005, o Contribuinte peticionou perante o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, declarando não ser o proprietário do imóvel e requerendo a concessão de prazo de 10 (dez) dias para juntada de documentos comprobatórios. Entretanto, não apresentou tal documentação. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 82 3 Submetido à ação fiscal, o Contribuinte foi intimado mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal n° 1, a apresentar uma série de documentos. Da mesma forma, também não se pronunciou quanto à intimação lavrada pela auditoria fiscal. Inexistindo comprovação de contratação da obra em tela, bem como a prestação de informações relativas à obra e a prova do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, procedeuse ao arbitramento da remuneração da mãodeobra, consoante disposto no §4º do art. 33 da Lei n° 8.212/91. Aviso de Regularização de Obra a fl. 21. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil em relevo, utilizouse as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON. O enquadramento da obra de construção civil foi realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, nos termos da legislação tributária de regência. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação administrativa a fls. 36/39. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão 1034.547 – 7ª Turma da DRJ/POA, a fls. 56/63, julgando procedente o lançamento fiscal em debate, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo houvese por cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/11/2011, conforme Avisos de Recebimento a fl. 67. Discordando da decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o Notificado interpôs Recurso Voluntário a fls. 68/72, respaldando seu inconformismo nos termos que se vos seguem: · Que a obra foi realizada no ano de 1994 e, por tal razão, já se operou a decadência; · Que, havendo prova cabal dando conta de que efetivamente a obra que originou a cobrança iniciouse antes da data de 21/09/1995 e, pretendendo o Fisco a desconsideração do documento de fls. 12, é de ser invertido o ônus probatório. Ao fim, requer o reconhecimento da decadência arguida e a inexigibilidade das multas lançadas. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/11/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA AFERIÇÃO INDIRETA Alega o Recorrente que a obra foi realizada no ano de 1994 e, por tal razão, na data da formalização do presente lançamento, já havia se operado a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em debate. Acrescenta que, havendo prova cabal dando conta de que efetivamente a obra que originou a cobrança iniciouse antes da data de 21/09/1995 e, pretendendo o Fisco a desconsideração do documento de fls. 12, é de ser invertido o ônus probatório. Tais alegações, todavia, não merecem o abrigo pretendido. O Recorrente elegeu, como prova única de suas alegações, o Certificado de Matrícula e Alterações – CMA, a fl. 17, datado de 21/09/1995, mediante o qual o contribuinte a matricula de obra da obra de Construção Civil em realce. Ora ... Cordão não quer dizer pescoço. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 83 5 O mero fato de a matrícula da obra ter sido efetuada em 21/09/1995 não implica, necessariamente, que a obra tenha se iniciado nessa data, tampouco tenha sido concluída em período alcançado pela decadência tributária. Cumpre destacar que em 14/10/2005, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Porto Alegre expediu a Carta RFBP/PF/n° 1228/2005 comunicando a emissão de ofício do Aviso de Regularização de Obra – ARO, a fl. 21, e disponibilizando prazo para comprovação do recolhimento do crédito previdenciário devido ou para apresentação de contestação por escrito acompanhada de documentos comprobatórios, tais como projetos arquitetônicos, certidão de lançamento do imóvel expedida pela Prefeitura Municipal, declaração de engenheiro responsável sobre percentual de conclusão da obra. A referida carta foi encaminhada via postal mediante Aviso de Recebimento – AR, tendo sido recebida pelo Contribuinte em 24/10/2005. Na sequência, em 03/11/2005, o Contribuinte peticionou perante o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, declarando não ser o proprietário do imóvel e requerendo a concessão de prazo de 10 (dez) dias para juntada de documentos comprobatórios. Entretanto, não apresentou tal documentação. Submetido à ação fiscal, o Contribuinte foi intimado mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal n° 1, a apresentar alvará de concessão de licença para construção, projeto aprovado pela Prefeitura Municipal, Anotação de Responsabilidade Técnica – ART do engenheiro responsável pela obra, habitese ou certidão da Prefeitura Municipal, e Guias de Recolhimento da Previdência Social comprobatórias do recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à obra em apreço. Da mesma forma, nenhum desses documentos foi apresentado, tampouco se pronunciou o Recorrente quanto à intimação lavrada pela auditoria fiscal. Nesse contexto, inexistindo comprovação de contratação da obra em tela, bem como a prestação de informações relativas à obra e a prova do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, procedeuse ao arbitramento da remuneração da mão deobra, consoante disposto no §4º do art. 33 da Lei n° 8.212/91, invertendose em desfavor do proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em sentido contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. Revelase improcedente, portanto, a alegação esposada e exortada pelo Recorrente, sem qualquer comprometimento a substancialidade dos fatos, muito menos com o ordenamento jurídico, de que “havendo prova cabal dando conta de que efetivamente a obra que originou a cobrança iniciouse antes da data de 21/09/1995 e, pretendendo o Fisco a desconsideração do documento de fls. 12, é de ser invertido o ônus probatório”. Conforme já alertado alhures, o simples fato de o Certificado de Matrícula e Alterações – CMA ter sido preenchido em 21/09/1995 não implica, necessariamente, que a obra tenha se iniciado nessa data, tampouco que ela tenha sido concluída em período alcançado pela decadência tributária. Que “prova cabal” é essa? Tal documento somente demonstra que a matrícula da obra houvese por realizada em 21/09/1995. Mais nada !!!! Também não houve desconsideração de tal documento. As informações nele assentadas dão conta de que a matrícula da obra foi realizada em 21/09/1995. Mas a Legislação Tributária não se contenta com a data da matrícula da obra para a fixação do dies a quo do prazo decadencial. Ela exige provas mais contundentes. Assentamentos expressos em documentos adrede, tais como aqueles exigidos pela Fiscalização no Termo de Intimação Fiscal nº 1, a fl. 15, os quais não foram apresentados pelo Recorrente. Aditese que a inversão do ônus da prova em desfavor do Sujeito Passivo decorre ex lege, não possuindo o mero desejo subjetivo do Recorrente força jurídica suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim! Diante de tal cenário, outra alternativa não se abriu à Fiscalização que não a apuração do montante devido, por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 84 7 pelo permissivo legal encartado no §4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados e próprios para o registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. Realmente, o caminho trilhado nos procedimentos fiscais de apuração da base de cálculo tributária por aferição indireta é deveras árduo e hostil, tanto para os agentes do Fisco, que se veem obrigados a dimensionar a matéria tributável a partir de documentos e conjecturas que não aqueles originariamente idealizados pela Legislação Tributária, assim como para o Contribuinte, que passa a arcar com o ônus da contradita eficaz ao lançamento, a qual tem que ser sustentada em pilares documentais idôneos, legítimos e indubitáveis. Não por outra razão o ordenamento jurídico determina que um imenso número de operações regularmente realizadas no cotidiano da sociedade sejam devidamente registradas em documentos oficiais públicos e/ou privados, concebidos e formatados adrede, em conteúdo e forma pela legislação pertinente, os quais possuem, dentre outras funções o poder de se apresentarem como meios de prova dos atos jurídicos praticados pelos sujeitos da relação a que se referem. Tais documentos devem ser mantidos sob a responsabilidade e guarda do interessado, pelo menos enquanto não restarem adimplidas todas as obrigações decorrentes das atividades a eles associadas. Descuidouse, neste particular, o Recorrente, que não disponibilizou à Fiscalização os documentos que lhe foram solicitados mediante termos próprios Projetos Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 arquitetônicos, certidão de lançamento do imóvel expedida pela Prefeitura Municipal, declaração de engenheiro responsável sobre percentual de conclusão da obra, alvará de concessão de licença para construção, projeto aprovado pela Prefeitura Municipal, Anotação de Responsabilidade Técnica (ART/CREA) do engenheiro responsável pela obra, Habitese, certidão da Prefeitura Municipal documentos esses que poderiam revelar e comprovar o real período de realização da obra – início e fim , parâmetros tais que permitiriam o exame preciso da incidência ou não do debatido instituto decadência tributária ao caso ora em análise. Mas assim não ocorreu. A omissão perpetrada pelo Recorrente, consistente na não apresentação dos documentos ilustrados exemplificativamente no parágrafo anterior, motivou e obrigou a Fiscalização, com esteio no §4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a dimensionar, mediante aferição indireta, o montante da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo Sujeito Passivo, transferindo para este, por força de lei, o ônus da prova em contrário, encargo esse que deve, necessariamente, ser cumprido mediante a instrução do processo com meios de prova documental idôneo, por intermédio dos quais reste indubitavelmente demonstrado e comprovado o direito alegado pelo Notificado. No caso em apreciação, tratandose os fatos geradores da remuneração paga a segurados obrigatórios do RGPS, empregados em obra de construção civil, a autoridade fiscal procedeu à apuração do valor da mão de obra utilizada valendose das tabelas do Custo Unitário Básico, conforme determinação expressa assentada nos artigos 429 e 435 da IN SRP nº 3/2005, vigente e eficaz à data de formalização do Aviso de Regularização de Obra. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. §1º Custo Unitário Básico CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) §2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da apresentação da DISO, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. §3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 85 9 III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. §4º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP circunscricionante da obra. §5º Para obras executadas fora da circunscrição da DRP do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. A obra objeto do Aviso de Regularização de Obra subsumiuse ao enquadramento no padrão H042QA, conforme consignado no Relatório Fiscal a fl. 11. Tal encargo probatório, todavia, não foi adimplido pelo Contribuinte, que não honrou trazer aos autos um único sequer documento que desse amparo às suas alegações. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Nesse diapasão, não se mostra suficiente à elisão do lançamento em foco a mera e singela apresentação do Certificado de Matrícula e Alterações – CMA, que apenas demonstra a data em que foi efetuada a matrícula da obra, mas, não, as datas de efetivo início e fim dos trabalhos de execução da obra. Assim, havendo um documento público, consubstanciado em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, com presunção de veracidade, não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. 2.2. DA DECADÊNCIA ARGUIDA Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Atentese que, no caso de aferição indireta, o art. 482 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 atribui ao Sujeito Passivo a responsabilidade pela comprovação do início e/ou do fim da obra em período abrangido pela decadência tributária, elencando, inclusive, os meios de prova documentais hábeis a comprovar tais condições: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 482. O direito de a Previdência Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. §1º Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência, (grifouse) §2 Servirá para comprovar a realização da obra em período decadencial, e apenas para o mês ou os meses a que se referir, um dos seguintes documentos, contanto que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar: I comprovante de recolhimento de contribuições sociais na matrícula CEI da obra; II notas fiscais de prestação de serviços; III recibos de pagamento a trabalhadores; IV comprovante de ligação de água ou de luz; V notas fiscais de compra de material, nas quais conste o endereço da obra como local de entrega; VI ordem de serviço ou autorização para o início da obra, quando contratada com órgão público; VII alvará de concessão de licença para construção. §3º A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; II um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU, em que conste a área da edificação; III certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela SRP; V termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI escritura de, compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial. §4° A comprovação de que trata o §3° deste artigo darseá também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 86 11 II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; IV vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA. §5º As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas à DISO. Registrese que os preceitos normativos acima revisitados foram reproduzidos, sem solução de continuidade, no art. 390 da IN RFB nº 971/2009, publicada no DOU em 17/11/2009, vigente à data do lançamento em debate. Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 390. O direito de a RFB apurar e constituir créditos relacionados a obras de construção civil extinguese no prazo decadencial previsto na legislação tributária. §1º Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. §2º Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial um dos seguintes documentos, contanto que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar, considerandose como data do início da obra o mês de emissão do documento mais antigo: I comprovante de recolhimento de contribuições sociais na matrícula CEI da obra; II notas fiscais de prestação de serviços; III recibos de pagamento a trabalhadores; IV comprovante de ligação de água ou de luz; V notas fiscais de compra de material, nas quais conste o endereço da obra como local de entrega; VI ordem de serviço ou autorização para o início da obra, quando contratada com órgão público; VII alvará de concessão de licença para construção. §3º A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra (CCO); II um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em que conste a área da edificação; III certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela RFB; V termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial; VII contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída. §4º A comprovação de que trata o §3º darseá também com a apresentação de, no mínimo, 3 (três) dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à RFB, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; IV vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA. §5º As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas à DISO. §6º A falta dos documentos relacionados nos §§ 3º e 4º, poderá ser suprida pela apresentação de documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel. Conforme já salientado anteriormente, o Interessado não fez coligir aos autos qualquer dos documentos eleitos pela Legislação Tributária como idôneos para comprovar a ocorrência do início e/ou do fim da obra em período já alcançado pela decadência tributária. Aliás, não apresentou qualquer documento. Ante a inexistência de comprovação do período de realização da obra, há que ser seguida a determinação aviada no §2º do art. 431 c.c. §3º do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005, que estatuem taxativamente que, no cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 87 13 Art. 431. A partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela SRP o ARO, em duas vias, destinado a informar ao responsável pela obra a área regularizada e, se for o caso, o montante das contribuições devidas, tendo a seguinte destinação: (...) §2° No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dois do mês subsequente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dois não houver expediente bancário. Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. (...) §3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; (...) A norma jurídica acima reprisada não discrepa das disposições inscritas no §2º, I do art. 344 da IN RFB nº 971/2009, in verbis: Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 344. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). §1º CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sinduscon de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. §2º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; (grifos nossos) II na competência da emissão das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nesses documentos; III em qualquer competência abrangida pela AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 §3º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo Sinduscon: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da unidade da RFB competente, da jurisdição da obra. §4º Para obras executadas fora da jurisdição da Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do Brasil do estabelecimento matriz da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo Sinduscon ao qual o Município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do §3º. No caso em estudo, o Aviso de Regularização de Obra houvese por formalizado ex officio em 13/10/2005, Ato Jurídico Administrativo do qual tomou ciência o Contribuinte em 24/10/2005, mediante a Carta RFBP/PF nº 1288/2005, fls. 19/20. Nessa prumada, o dies a quo do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em realce assentouse em 1º de janeiro de 2006, circunstância que implica a fixação dies ad quem do lustro decadencial em 31 de dezembro de 2010. Nesse contexto, considerando as condições de contorno do caso em estudo, tão exaustivamente iluminadas nas linhas precedentes, havendo sido a Ciência do Auto de Infração de Obrigação Principal ocorrida em 06/09/2010, há que se reconhecer que o lançamento houvese por realizado em período ainda não alcançado pelo instituto da decadência tributária. Diante de tal panorama, se nos antolha não merecer reparos a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002113/201068 Acórdão n.º 2302002.598 S2C3T2 Fl. 88 15 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10711.007203/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 02/06/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES A DESTEMPO.
A regra do artigo 22, inciso III, combinada com o artigo 50 da IN/RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, estabeleceu que, no período de 31 de março de 2008 a 31 de março de 2009, o prazo mínimo para a prestação de informações à RFB, relativas à conclusão da desconsolidação, se encerrava antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico.
Numero da decisão: 3201-000.911
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/06/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES A DESTEMPO. A regra do artigo 22, inciso III, combinada com o artigo 50 da IN/RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, estabeleceu que, no período de 31 de março de 2008 a 31 de março de 2009, o prazo mínimo para a prestação de informações à RFB, relativas à conclusão da desconsolidação, se encerrava antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico.
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MULTA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES A DESTEMPO. A regra do artigo 22, inciso III, combinada com o artigo 50 da IN/RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, estabeleceu que, no período de 31 de março de 2008 a 31 de março de 2009, o prazo mínimo para a prestação de informações à RFB, relativas à conclusão da desconsolidação, se encerrava antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em face de o interessado bem epígrafe ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, informação sobre a carga manifestada no Conhecimento Eletrônico Genérico (MBL) n.° 130805109141623 e que chegou ao porto do Rio de Janeiro, transportada pelo navio 1IS CHOPIN, procedente do porto de Valência (Espanha), no dia 01/06/2008, As 10:34:00h. Segundo descreve a autoridade autuante, A fl. 10 do processo, a informação sobre a carga em relevo deveria ter sido prestada pelo agente de carga (desconsolidador) antes da atracação do navio, ao passo que a desconsolidação da carga, incluindo o Conhecimento Eletrônico Agregado (HBL) n.° 130805110986879, ocorreu somente no dia 02/06/2008, As 15:36:11 h. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 13, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 26/10/2009 (fl. 26 verso), o contribuinte irresignado apresentou, em 25/11/2009, os documentos colacionados As fls. 37 a 88 e a impugnação de fls. 27 a 36, onde, em síntese: Argui a nulidade do auto de infração hostilizado, por entender que o feito desrespeitou a disposição contida no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972, uma vez que ausente a indicação dos dispositivos legais infringidos, não se podendo extrair ao certo qual hipótese do art. 22 da IN RFB n.° 800, de 2007, deu ensejo à autuação; Não obstante isso, argumenta que, por força do art. 50 da IN RFB n.° 800, de 2007, alterada pela IN RFB n.° 899, de 2009, os prazos de antecedência previstos no art. 22 da citada instrução normativa somente tornaramse obrigatórios a partir de 1° de abril de 2009, em razão de que entende não ser possível a aplicação de qualquer penalidade sobre o fato ocorrido em junho de 2008, a teor do que determinam o art. 144 do CTN e os artigos 37 e 150, incisos I e III, alínea "a" da Constituição Federal; Aduz que, originalmente, o art. 50 da IN RFB n.° 800, de 2007, previa que os prazos de antecedência, na prestação de informação, elencados no art. 22 da mesma IN, seriam obrigatórios a partir de 1° de janeiro de 2009, e que as exceções Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10711.007203/200919 Acórdão n.º 320100.911 S3C2T1 Fl. 111 3 a esta regra, contidas no parágrafo único do citado art. 50, só passaram a vigir com a publicação da IN RFB n.° 899, publicada no DOU de 31/12/2008, pelo que alega que a infração de intempestividade na prestação de informações relativas ao conhecimento eletrônico mercante apenas seria passível de autuação se ocorrida após 1° de janeiro de 2009; Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração impugnado. A decisão recorrida manteve a exigência da multa aplicada por entender que, "havendo o navio em questão atracado no porto brasileiro em 01/06/2008, sem que o impugnante prestasse as informações sobre a carga que lhe cabia desconsolidar, incluindo no sistema competente o respectivo conhecimento, o que, aliás, só veio a ocorrer em 02/06/2008, conforme extrato do conhecimento eletrônico colacionado à fl. 23, clara está a intempestividade da prestação da informação em relevo, o que configura a infração tipificada nos termos da alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, que, na redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003". O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Há preliminar de incompletude da descrição e da capitulação do auto de infração, que afasto, pois entendo que o auto de infração detalha claramente o entendimento da autoridade fiscal sobre os fatos e sobre o direito que aquela autoridade entendia aplicável à hipótese, além de enumerar com precisão as repercussões decorrentes desta aplicação normativa, atendendo perfeitamente aos requisitos impostos pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. A recorrente argumenta que o auto de infração é nulo, porque se baseia em legislação sem eficácia no momento em que teria ocorrido a prática considerada passível de penalidade pela autoridade fiscal. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Isto porque, argumenta a recorrente, os prazos previstos no artigo 22 da IN/RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, somente se tornaram eficazes a partir de 1º de abril de 2009, sendo certo, que a embarcação com a carga a ser desconsolidada pela recorrente, atracou no porto em 1º de junho de 2008. Ocorre, entretanto, que a autoridade fiscal não se baseou nos prazos fixados no artigo 22 da mencionada IN/RFB 899/08, mas na combinação das obrigações fixadas naquele artigo com os prazos fixados no parágrafo único do artigo 50 daquela Instrução Normativa. Senão vejamos o que consta do auto de infração neste particular: À luz destes dispositivos normativos, verificamos que a Receita Federal do Brasil delineou dois períodos distintos para validação de prazos: 1. de 31 de março de 2008 a 31 de março de 2009; e 2. a partir de 1° de abril de 2009. No período inicial, com a finalidade de proporcionar a adequação dos intervenientes à nova sistemática, foram estipulados prazos de menor antecedência. Assim, aplicandose a norma mais benéfica do Art. 50 A regra geral do Art. 22, temos que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB, válidos no período de 31 de março de 2008 a 31 de março de 2009, são: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (grifos acrescidos ao original fls. 08). Deste modo, VOTO por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10711.007203/200919 Acórdão n.º 320100.911 S3C2T1 Fl. 112 5 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 16327.001716/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. POSTERGAÇÃO.
Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária (art. 9º da Lei n. 9.430/96). Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores provou-se nos autos que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõe-se a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição, na forma de juros selic, que se deu com a dedução antecipada.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. CABIMENTO.
A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, prestando-se assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse até limite de 30%.
Numero da decisão: 1401-000.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I) Por unanimidade de votos, recompor a base de cálculo da CSLL com o aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, envolvendo no caso todas as infrações; II) Por maioria de votos, cancelar as infrações I, II, II para considerar somente os efeitos da postergação, na forma apenas de juros de mora, calculados até 31/12 do ano em que se deu a postergação. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Victor Humberto da Silva Maizman que davam provimento integral a este item.
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(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. POSTERGAÇÃO. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária (art. 9º da Lei n. 9.430/96). Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores provouse nos autos que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõese a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição, na forma de juros selic, que se deu com a dedução antecipada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. CABIMENTO. A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 16 /2 01 0- 61 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 844 2 prestandose assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse até limite de 30%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I) Por unanimidade de votos, recompor a base de cálculo da CSLL com o aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, envolvendo no caso todas as infrações; II) Por maioria de votos, cancelar as infrações I, II, II para considerar somente os efeitos da postergação, na forma apenas de juros de mora, calculados até 31/12 do ano em que se deu a postergação. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Victor Humberto da Silva Maizman que davam provimento integral a este item. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 845 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, em 23/12/2010, foram lavrados contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, os Autos de Infração a seguir discriminados, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, no valor total de R$ 32.916.506,63, incluindo as multas de ofício (75%) e os juros de mora (calculados até 30/11/2010). a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 309 a 313): Total do Crédito Tributário: R$ 23.039.771,73, sendo R$ 10.073.792,90, a título de IRPJ; R$ 10.073.792,90, a título de juros de mora calculados até 30/11/2010; R$ 7.555.344,67, a título de multa proporcional (75%); e R$ 5.410.634,16, a título de juros de mora (calculados até 30/11/2010); Fato Gerador: 31/12/2005; Enquadramento legal: (001) PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITOS INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS: art. 9° e 10 da Lei n° 9.430/199; art. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 340 do RIR/99. b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 314 a 319) Total do Crédito Tributário: R$ 9.876.734,90, sendo R$ 4.318.453,46, a título de CSLL; R$ 2.319.441,35, a título de juros de mora calculados até 30/11/2010; e R$ 3.238.840,09, a título de multa proporcional (75%); Fato Gerador: 31/12/2005; Enquadramento legal: (001) CSLL (FINANCEIRAS); e (002) CSLL. (perdas em operações de crédito inobservância dos requisitos legais): art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/1988; art. 1° da Lei n° 9.316/1996 e art. 28 da Lei n° 9.430/1996; art. 37 da Lei n° 10.637/2002. 1.1. A ciência da autuação ocorreu na mesma data da lavratura (23/12/2010), conforme indicado às fls. 310 e 315. 2. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 273 a 288, a auditora fiscal autuante, ao descrever os fatos, informa que: em 22/03/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal solicitando à contribuinte apresentar planilha em meio magnético, com o valor das "Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito (Lei n° 9.430/96, art. 9°)", no montante de R$ 3.113.766.347,22, declarados em sua DIPJ/2006, Ficha 09B Linha 29. O arquivo digital solicitado deveria conter as informações necessárias à apuração de sua dedutibilidade, tais como data do vencimento do crédito, data em que considerou a Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 846 4 perda, garantia, situação da cobrança e outras informações necessárias à verificação das condições impostas pela Lei n° 9.430/96; após ter solicitado prorrogação de prazo para atendimento da intimação, a contribuinte, em 16/04/2010 apresentou arquivo magnético (fls. 36/38) demonstrando que considerou dedutível o valor de R$ 3.113.766.347,22, correspondentes às perdas provisórias em operações de crédito consideradas ao longo do anobase de 2005 no recebimento de seus créditos, atendendo as condições e prazos previstos no artigo 9° a 14 da Lei 9.430/96. Tais perdas foram divididas pelo contribuinte em 3 (três) arquivos, a saber: VALORES CONSTANTES NO ATIVO COM PROVISÃO DE 100% DO CRÉDITO ARQUIVO 03 432.460.968, 43¡ [TOTAL GERAL |3.113.766.347,23| Em relação aos arquivos magnéticos apresentados conforme tabela acima e resumo elaborado pelo contribuinte às fls. 37, relativo às perdas "provisórias" consideradas dedutíveis na DIPJ/2006, foram feitas verificações quanto à dedutibilidade das referidas perdas, ou seja, ao atendimento das condições e prazos previstos na Lei n° 9.430/96. 2.1. A autoridade fiscal prossegue descrevendo a investigação fiscal procedida detalhando a respeito de intimações e reintimações feitas para apresentação de cópias de contratos selecionados, bem como para complementar informações contidas no Arquivo 03, posto que os dados apresentavamse insuficientes à análise da dedutibilidade das operações nele listadas. 2.2. Registra a autuante que, segundo a DIPJ/2006, a contribuinte apurou Lucro Real de R$ 336.028.164.88 e base de cálculo da CSLL no valor de R$ 330.188.898,51, e que, no anocalendário de 2005 considerou a dedutibilidade em relação às perdas consideradas "efetivas" no recebimento de seus créditos, na apuração do lucro real, sem o atendimento das condições e prazos previstos na Lei n° 9.430896, amparado pelo MS n° 16327.001494/201087, evitando o instituto da decadência e aguardando decisão final. Assinalou ainda que as perdas em operações de crédito tratadas no presente Termo de Verificação são as perdas consideradas provisórias e não amparadas pela referida Medida Judicial. 2.3. Reportandose às disposições contidas nos artigos 9° a 14 da Lei n° 9.430, de 1996, em que estão estabelecidos as condições e prazos para que as perdas em operações de créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica possam ser deduzidas na apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, a autoridade fiscal explica que, para verificar as operações da contribuinte e o atendimento dos prazos e condições previstos na Lei n° 9.430/1996, foi realizada auditoria nos arquivos digitais apresentados pela contribuinte de contratos selecionados, por critério de amostragem. Em seguida, expõe o resultados da análise dos arquivos digitais, cujas irregularidades constatadas foram assim resumidas: Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 847 5 ARQUIVO1 ARQUIVO 2 ARQUIVO 3 TOTAL IRREG ULARIDADE I Créditos sem garantia de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 (ar. 9°, § 1°, inciso II,b, da Lei n° 9.430/96) 5 contratos fl. 290 63.839,67 481 contratos fls. 290/303 4.441.471,59 4.505.311,26 IRREG ULARIDADE II Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00 (ar. 9°, § 1°, inciso II, c da Lei n° 9.430/96) 8 contratos fl. 304 851.727,77 851.727,77 IRREG ULARIDADE III Créditos com garantia (art. 9°, § 1° inciso III da Lei n° 9.430/96) 28 contratos fl.305 3.151.073,74 35 contratos fl.305/306 3.836.379,53 6.987.453,27 IRREG ULARIDADE IV Contratos com inconsistência de° NOME E CPF fls. 282/283 17.307.032,12 17.307.032,12 TOTAL 29.651.524,42 2.4. A respeito da auditoria dos contratos, a autoridade fiscal explica que a contribuinte foi intimada a apresentar cópias de contratos firmados com os clientes, conforme Intimação Fiscal às fls. 39/41, tendo apresentado a documentação relativa aos contratos em diversas datas. Em 06/10/2010 foi reintimada a apresentar a documentação relativa a alguns contratos cuja documentação ainda não havia sido entregue, apesar da contribuinte ter solicitado prorrogação de prazo até 23/08/10. Sendo assim em face da não apresentação dos contratos listados às fls.284 (página 12 do TVF) foi procedida a glosa no valor total de R$ 15.845.488,03 por falta de apresentação de documentação comprobatória suficiente à apuração da dedutibilidade das perdas. 2.5. Também apurou a fiscalização que foram deduzidos simultaneamente valores a títulos de perdas em operações de crédito e despesa de cessão. Consta do TVF que, em 03/08/2010, atendendo intimação fiscal, o Bradesco apresentou arquivo magnético contendo a relação de todos os contratos que foram objeto do Contrato de Cessão de Créditos entre o Banco Bradesco e a Safira Cia Securitizadora de Créditos Financeiros e, em 11/04/2010 apresentou à fiscalização relação analítica do valor dedutível a título de perdas em operações de crédito para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, no montante de R$ 3.113.766.347,22. Em uma amostragem realizada do confronto entre os dois arquivos entregues pelo Banco Bradesco, foi identificada uma coincidência de contratos, no valor de R$ 2.485.833,87, relacionados às fls. 251 2.6. Assim, concluiu a autoridade fiscal que foram contabilizadas perdas em operações de crédito sem o atendimento das condições previstas na Lei n° 9.430/96 no total de R$ 47.982.816,32 que serão adicionados para fins de apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo não atendimento das condições impostas na legislação fiscal, conforme abaixo discriminado: OTAL Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 848 6 IRREGULARIDADE I Créditos sem garantia de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 (ar. 9°, §1°, inciso II,b, da Lei n° 9.430/96) 4.505.311,26 IRREGULARIDADE II Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00 (ar. 9°, § 1°, inciso II, c, da Lei n° 9.430/96) 851.727,77 IRREGULARIDADE III Créditos com garantia (art. 9°, § 1°, inciso III da Lei n° 9.430/96) 6.987.423,27 IRREGULARIDADE IV Contratos com inconsistência de°NOME E CPF 17.307.032,12 IRREGULARIDADE V Falta de apresentação dos contratos e/ou ações judiciais 15.845.488,03 IRREGULARIDADE VI Coincidência de contratos CESSÂO e PERDAS 2.485.833,87 TOTAL 47.982.816,32 2.7. A recomposição das bases de cálculo do IRPj e da CSLL ficou assim demonstrada: IRPJ ANOCALENDÁRIO 2005 R$ Lucro Real antes da compensação de prejuízos 336.028.164,88 Infrações apuradas 47.982.816,32 Lucro Real após infrações 384.010.981,20 Compensação de Prejuízos Fiscais de períodos anteriores 100.980.330,17 Compensação de Prejuízos Fiscais na autuação (vide doc. de fl. 320) 7.687.644,69 Lucro Real após compensação de prejuízos fiscais 275.343.006,34 CSLL ANOCALENDÁRIO 2005 BC antes da compensação de BC Neg. de períodos anteriores 330.188.898,51 Infrações apuradas 47.982.816,32 BC após Infrações 378.171.714,83 Compensação de Base de Cálculo Negativa 0,00 BC da CSLL após compensação de BC Negativa de per anteriores 378.171.714,83 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (docs. às fls. 344/347), apresentou, em 24/01/2011, a impugnação de fls. 325 a 343, acompanhada dos documentos de fls. 344 a 383. 3.1. Na peça de defesa, a contribuinte de início esclarece que a impugnação está restrita às supostas irregularidades I, II e III, bem como à desconsideração do crédito do artigo 8° da MP 1807/99 no que diz respeito à CSLL, sendo que quanto às irregularidades IV, V e VI efetuou em 24/01/2011 o recolhimento dos valores devidos, deduzindo apenas quanto à CSLL o referido crédito do artigo 8° da M P 1807/99 (doc. 02 fls. 367369). 3.2. Ao discorrer sobre os autos de infração, a impugnante expõe o seu entendimento no sentido de que, em relação às irregularidades I (Créditos sem garantia de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 art. 9°, §1°, inciso II,b, da Lei n° 9.430/96), II (Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00 art. 9°, § 1°, inciso II, c, da Lei n° 9.430/96) e III (Créditos com garantia art. 9°, § 1°, inciso III da Lei n° 9.430/96) apontadas no Termo de Verificação Fiscal, não questiona a fiscalização a dedutibilidade em si das perdas, mas apenas e tão somente o fato de terem sido as Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 849 7 mesmas deduzidas antes do prazo fixado na legislação (a palavra "prazo" aliás, foi sublinhada pelo próprio fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal). 3.2.1. Adverte, assim, que, como a própria fiscalização reconhece que o Impugnante apenas antecipou a dedução de despesas que seriam dedutíveis em anos posteriores, temse como conseqüência imediata a nulidade dos presentes autos de infração, tendo em vista que não poderia jamais o ilustre fiscal autuante ter simplesmente calculado o valor de IRPJ e CSLL devidos sobre as despesas glosadas, devendo adotar as regras de postergação de pagamento de tributo, tal como prescritas pelo artigo 6° , parágrafo 4° do DecretoLei 1.598/77. 3.2.2. Registra ainda que o simples exame das DIPJ's relativas aos anos calendário de 2006 e 2007 evidencia ter sido apurado naqueles anos base de cálculo positiva suficiente para absorver a totalidade das despesas glosadas, tendo ocorrido no caso portanto a postergação integral, a evidenciar a nulidade do lançamento. 3.2.3. Ainda no tópico concernente aos autos de infração, arremata que ainda que assim não fosse e em qualquer hipótese no que diz respeito às irregularidades IV, V e VI, não poderia jamais a fiscalização ter desconsiderado o crédito do art. 8° da MP 1.807/99. 3.3. A impugnante defende a nulidade do lançamento em virtude de mera postergação de pagamento. Nesse sentido alega que: Como se comprova pelas DIPJ's dos anos de 2006 e 2007 (fls. 370/377) a impugnante apurou lucro real (R$ 3.657.308.102,66 em 2006 e R$ 3.660.646,21 em 2007) e base de cálculo de CSLL (R$ 3.618.113.110,05 em 2006 e R$ 3.577.473.908,21 em 2007) mais do que suficiente para absorver os valores das perdas cuja dedutibilidade foi glosada em 2005 (R$12.344.462,30) a totalidade dos valores cuja dedutibilidade foi glosada no ano de 2005 foi posteriormente oferecida à tributação nos anos de 2006 e 2007, nos quais o Impugnante apurou base de cálculo positiva tanto de IRPJ como de CSLL, de modo que os valores acima mencionados, que eventualmente deixaram de ser pagos naquele ano de 2005, já foram devidamente recolhidos apenas de forma postergada; Nessas situações, em que ocorre apenas uma divergência por parte da fiscalização quanto ao período de competência de uma despesa, determina a legislação tributária sejam aqueles valores computados na apuração da base de cálculo do imposto de períodos posteriores, de modo a evitar a sua incidência em duplicidade, como se verifica do artigo 6°, § 4°do DecretoLei 1.598/77, que transcreve; reportando a ementas de acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes e à Súmula 36 que trata da postergação de pagamento em casos de às autuações concernentes à inobservância do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, conclui, que não poderia a fiscalização validamente exigir do Impugnante tributo que entendeu devido sem atentar para o disposto no § 4° do art. 6° do Decretolei n° 1.589/77, que determina o recalculo também dos tributos devidos nos períodos de competência subseqüentes e, também, que são nulos os autos de infração por exigir valores que não deixaram de ser recolhidos, mas, quando muito, foram postergados, em absoluto desatendimento à legislação tributária que determina em casos como o presente apenas o lançamento de eventual diferença de correção monetária e juros moratórios, se o caso. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 850 8 3.4. Sob o tópico "II DA FALTA DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSL DESCONSIDERAÇÃO DO CRÉDITO DE CSLL PREVISTO NO ARTIGO 8° DA MP 1.807/1999", a impugnante argumenta que: • Como se verifica da DIPJdo Impugnante (doc. 04 fls. 378/381), ao apurar o IRPJ e CSLL devidos em 2005 compensou prejuízos fiscais de anos anteriores no limite de 30% do lucro líquido ajustado, bem como quanto à CSLL o crédito de que trata o art. 8° da MP 1.807/99, também observado o limite legal; • ainda que fosse mantida qualquer exigência de CSLL quanto às supostas irregularidades I, II, e III, o que se admite apenas para argumentar, e de qualquer modo no que diz respeito às irregularidades IV, V e VI, deveria a fiscalização necessariamente ter compensado o valor adicional de crédito do art. 8° da MP 1.807/99 a que então teria direito o Impugnante, tendo em vista a existência de saldo remanescente suficientemente para tanto (doc. 04). 3.5. A impugnante reclama da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, entendendo, com base em excertos de votos extraídos de acórdãos do Conselho de Contribuintes que o vocábulo "débitos" referido no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, não estaria a contemplar a multa de ofício, e, assim, não haveria regular cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Defende que somente a penalidade pecuniária decorrente de descumprimento de obrigação acessória (que por si consubstancia ou se converteu emobrigação principal) é que estaria sujeita à incidência de juros de mora. Destaca também que o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 vem evidenciar ainda mais que o artigo 61 da mesma lei prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições. 3.6. Por fim, a interessada contesta a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC como índice para efeitos do cômputo dos juros de mora, defendendo que a taxa SELIC, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 851 9 Data do fato gerador: 31/12/2005 CSLL. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Na determinação da base de cálculo da CSLL, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições específicas impostas pela legislação tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. DESCABIMENTO. A compensação do crédito de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa de CSLL e sobre os valores adicionados temporariamente, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31.12.1998, conforme previsto no art. 8° da MP n° 1.807/99, constitui faculdade a ser tempestivamente exercida pelo contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento do débito da CSLL, não sendo admitida a compensação para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício e muito menos para excluir a penalidade de 75% e os juros de mora devidos. A compensação pretendida é descabida, ainda, porque a contribuinte, à época dos fatos, discutia judicialmente objetivando afastar o pagamento da CSLL pela alíquota majorada prevista para as instituições financeiras, de 18%, percentual este que deu suporte à instituição do referido crédito compensável. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando e reforçando sobremaneira os tópicos trazidos anteriormente na impugnação Dessa feita, a Recorrente trouxe aos autos um farto conjunto probatório contendo vários volumes de provas de forma a contemplar as três irregularidades que pretendeu se defender (Irregularidade I, II e II), cujos argumentos e provas serão minuciosamente detalhados e expostos melhor por ocasião do voto. Reforça também as provas no sentido a tentar confirmar a postergação de imposto não aceito pela DRJ, que declarara insuficiente as provas constante dos autos. É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 852 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Delimitação da Lide Desde a fase impugnatória o contribuinte defendeuse apenas parcialmente da atuação, conforme tabelas abaixo (IRPJ e CSLL). Isso quer dizer que referidas matérias não contestadas não fazem mais parte da lide, tendo sido consolidadas administrativamente. IRPJ Infração Valor Tributável após comp Prej Fisc IR Lançado IR recolhido NÃO CONTESTA DO IR CONTESTADO I prazo art 9° § 1° inc II b Lei 9.430/96 3.783.485,51 945.871,38 0,00 945.871,38 II prazo art 9° § 1° inc II c Lei 9.430/96 715.266,82 178.816,70 0,00 178.816,71 III prazo art 9° § 1° inc III Lei 9.430/96 5.867.921,93 1.466.980,48 0,00 1.466.980,48 IV Contratos com inconsist. Nome CPF 14.534.157,92 3.633.539,48 3.633.539, 48 0,00 V Falta apresentação contrato e/ou ações jud 13.306.777,48 3.326.694,37 3.326.694, 37 0,00 VI Coincidência contratos cessão e perdas 2.087.561,97 521.890,49 521.890,4 9 0,00 Total 40.295.171,63 10.073.792,9 0 7.482.124, 34 2.591.668,57 CSLL INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO da CSLL Lançada CSLL Lançada CSLL Recolhida NÃO CONTESTADA CSLL CONTESTADA I prazo art 9° § 1° inc II b Lei 9.430/96 4.505.311,26 405.478,01 0,00 405.478,01 II prazo art 9° § 1° inc II c Lei 9.430/96 851.727,77 76.655,50 0,00 76.655,50 III prazo art 9° § 1° inc III Lei 9.430/96 6.987.423,27 628.868,09 0,00 628.868,09 IV Contratos com inconsist. Nome CPF 17.307.032,1 2 1.557.632,89 1.090.343,02 467.289,87 V Falta apresentação contrato e/ou ações 15.845.488,0 1.426.093,92 998.265,74 427.828,18 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 853 11 jud 3 VI Coincidência contratos cessão e perdas 2.485.833,87 223.725,04 156.607,53 67.117,51 Total 47.982.816,3 2 4.318.453,46 2.245.216,29 2.073.237,17 Obs.: Como se vê, a Recorrente em relação à CSLL também contesta parte da base de cálculo em função do seu pleito de que se procedesse de ofício com a compensação do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% do lucro líquido ajustado. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa a nulidade do feito por questões que mais se ligam ao mérito da lide. Alega que as infrações I (Créditos sem garantia de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 art. 9°, §1°, inciso II,b, da Lei n° 9.430/96), II (Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00 art. 9°, § 1°, inciso II, c, da Lei n° 9.430/96) e III (Créditos com garantia art. 9°, § 1°, inciso III da Lei n° 9.430/96) apontadas no Termo de Verificação Fiscal, a glosa teria ocorrido unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, e, portanto, deveria receber o tratamento de postergação do imposto. Portanto, segundo, sua ótica o lançamento deveria ser considerado nulo. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e/ou a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como tal será tratado. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 854 12 MÉRITO Como já foi colocado retro, a Recorrente entende que, em relação às infrações I (Créditos sem garantia de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00), (Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00) e III (Créditos com garantia) constantes do Termo de Verificação Fiscal e das tabelas acima, a glosa teria ocorrido unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, e, portanto, deveria receber o tratamento de postergação do imposto. Naquilo que interessa, assim se pronunciou a DRJ para negar provimento a essa matéria: Embora a contribuinte demonstre ter apurado lucro real (R$ 3.657.308.102,66 em 2006 e R$ 3.660.646,21 em 2007) e base de cálculo de CSLL (R$ 3.618.113.110,05 em 2006 e R$ 3.577.473.908,21 em 2007) suficientes para absorver os valores das perdas cuja dedutibilidade foi glosada em 2005 (R$12.344.462,30), fato é que deixou de demonstrar para o anos calendário de 2006 (infrações I e II) e de 2007 (infração III): (1) a manutenção da cobrança administrativa, para o caso das perdas a que se refere o art. 9°, §1°, inciso II,b, da Lei n° 9.430/96; (2) o início e a manutenção da ação judicial, para recebimento da perda para o caso das perdas a que se refere o art. 9°, §1°, inciso II,c, da Lei n° 9.430/96; e (3) o início e a manutenção dos procedimentos judiciais para recebimento da perda ou o arresto das garantias, para o caso das perdas a que se refere o art. 9°, §1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. 7.3. Deste modo, ainda que tenha sido o prazo para dedução da perda o critério utilizado para a glosa das perdas pertinentes às infrações I, II e III do Termo de Verificação Fiscal (contratos listados às fls. 290 a 306), impõese, para considerar que houve pagamento postergado do imposto e da contribuição, que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) tivessem sido observadas nos anos calendário de 2006 e 2007. O que não ficou evidenciado na defesa apresentada. 7.4. Portanto, não restando provado o atendimento em 2006 e 2007 dos demais requisitos de dedutibilidade das perdas glosadas em 2005 (infrações I, II e III do TVF), não há que se cogitar em postergação de pagamento para 2006 e 2007. Ou seja, acertadamente a DRJ reconhece que o contribuinte apurara lucro real e base de cálculo da CSLL nos anos posteriores (2006 e 2007), suficientes para absorver os valores de perdas glosadas em 2005, mas não havia nos autos prova de que as demais condições de dedutibilidade foram também mantidas. Ou seja, reconheceu ter ocorrido no caso efetiva postergação de pagamento, mas entendeu que não teria seido comprovado o início/manutenção dos procedimentos administrativos/judiciais para o recebimento de seus créditos, conforme legislação de regência. Apesar de a recorrente de fato não ter inicialmente logrado êxito junto à DRJ, mesmo porque junto à fiscalização ela não tinha sido instado a fazêlo, em face do descumprimento peremptório do prazo concessivo do direito à dedutibilidade, a verdade é que ela reforçou seu recurso trazendo a prova exigida pela DRJ. Nesse novo contexto, em relação Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 855 13 ao novo acervo probatório que foi anexado à peça recursal, considero que foi atendido o requisito do art. 16, parágrafo § 4.º, para efeito de não considerar a prova preclusa, na medida em que verifico que se destinou a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (pela Recorrente, alegando postergação e pela DRJ, ao não considerar suficiente a prova dos autos), situação que deve ser considerada normal em um contraditório em que o princípio da verdade material é também um princípio informador relevante do contencioso administrativo. A Recorrente trouxe aos autos um farto conjunto probatório para cada uma das três irregularidades que pretendeu se defender, senão vejamos: 1) Irregularidade I artigo 9o, §1°, inciso II, 'b' da Lei n° 9.430/96 Para o recebimento dos aludidos créditos e conseqüente dedução em caso de perdas o artigo 9o, §1°, inciso II, 'b' da Lei n° 9.430/96 possibilitou que fossem deduzidas nas condições estabelecidas independentemente do início dos respectivos procedimentos judiciais, desde que mantida a cobrança administrativa, desde que vencidas há mais de um ano: Art. 9o As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: II sem garantia, de valor: b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; O valor total envolvido nesta irregularidade monta a R$ 4.505.311,26, cabendo assim ao Recorrente provar que adotou as medidas administrativas voltadas à cobrança de seus respectivos créditos. Para tanto, elaborou a planilha anexa (doc. 02), na qual constam elencadas todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, identificadas pelo nome, CPF/CNPJ, número de contrato e respectivas datas de baixa, vencimento, tipo de operação, tipo de cobrança e valor das perdas. Para robustecer as informações constantes nessa planilha, a Recorrente anexou aos autos ainda cópia de telas de seus sistemas de controle das cobranças administrativas, nas quais estão indicadas as pessoas devedoras pelo CPF/CNPJ, número de contrato e data em que foram expedidos os avisos de cobrança (doc. 03). Em seu recurso, a fim de ilustrar o controle das aludidas cobranças, apresentou os seguintes exemplos: NOME CPF CONTRATO VALOR DE PERDAS DATA BAIXA DATA AVISO DE COBRANÇA ANA CECÍLIA DAS NEVES BUENO 5662874000128 50126 26.344,47 26/01/2005 11/11/2004 RODINEI CARDOSO SERRÃO 137525883000049 41231 24.779,02 30/12/2005 04/01/2005 MENEVAL FERNANDES 6207254000161 50126 23.261,21 30/12/2005 26/11/2004 MARIA ANGELICA 16740109000023 50112 22.732,29 30/12/2005 25/11/2004 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 856 14 PINTOR MOLINA LUIZ ESCOCIO DE GOES 531266292000053 41231 22.186,56 30/12/2005 18/01/2005 Traz ainda em seu recurso o modelo exato de aviso de cobrança com o qual intimava seus devedores. Confrontando os dados indicados na planilha referida (doc.02) com as telas de seu sistema de cobrança (doc.03), doume por satisfeito com esse conjunto probatório que demonstra ser coerente, consistente e convergente. Como se vê, os devedores foram devidamente comunicados do registro de falta de pagamentos nos sistemas do Recorrente, que assim os cientificou acerca das dívidas encontradas, demonstrando ter satisfeito os requisitos da lei, uma vez superado a questão do prazo. Outrossim, a Recorrente trouxe também provas de ter providenciando as restrições perante os órgãos de proteção do crédito, conforme listagem anexa fornecida pelo Boa Vista Serviços S.A., administradora de operações de atendimento judiciário e consumidor do SCPC de São Paulo (doc. 05), demonstrando que possui um conjunto consistente de provas a seu favor. 1) Irregularidade II artigo 9o, §1°, inciso II, 'c' da Lei n° 9.430/96 Para o recebimento dos aludidos créditos e conseqüente dedução em caso de perdas o artigo 9o, §1°, inciso II, 'c' da Lei n° 9.430/96 possibilitou que fossem deduzidas nas condições estabelecidas desde que vencidas há mais de um ano os créditos sem garantias acima de 30.000,00 e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais de recebimento: Art. 9o As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1° Poderão ser registrados como perda os créditos: II sem garantia, de valor: c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; Para tanto, elaborou a planilha anexa (doc. 06), na qual constam elencadas todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, identificadas pelo nome, CPF/CNPJ, número de contrato e respectivas datas de baixa, vencimento, tipo de operação, tipo de cobrança e valor das perdas. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 857 15 Para comprovar a adoção e manutenção das medidas judiciais necessárias das pessoas indicadas na planilha acima mencionadas, o Recorrente junta a este recurso os documentos anexos (doc. 07), conforme tabela exemplificativa abaixo: NOME CPF/CNPJ CONTRATO VALOR DE PERDAS DATA BAIXA TIPO DE PROVA Team Robótica Ind. Com. De Tecnologia 1908893000130 123326 172.235,13 30/12/2005 Extrato de andamento com última movimenta ção em 21/03/2012 Ind. Eletro Mecânica Linsa Ltda. 61142204000151 440648 163.914,99 30/12/2005 Extrato de andamento com última movimenta ção em 09/09/2011 Diagrama Construtora Ltda. 47865431000184 1220668 108.283,58 30/12/2005 Petição datada de 02/08/2010 Ind. Eletro Mecânica Linsa Ltda. 61142204000151 50426 97.664,10 30/12/2005 Extrato de andamento com última movimenta ção em 09/09/2011 Marck Trabalhos Temporários Ltda. 2179635000123 794750 71.441,40 30/12/2005 Extrato de andamento com última movimenta ção em 27/04/2012 Diagrama Construtora Ltda. 47865431000184 1268759 37.251,32 30/12/2005 Extrato de andamento atualizado até 27/10/2010 Ina Livros Discos e Acessórios 3121627000199 1090156 32.111,44 30/12/2005 Petição inicial datada de 16/08/2005 1) Irregularidade III artigo 9o, §1°, inciso III da Lei n° 9.430/96 A terceira irregularidade em que a Recorrente se defendeu tratase de infração relacionada à dedução indevida de perdas no recebimento de créditos no anobase de 2005, mas dessa feita se referindo a situações que envolvem créditos com garantia. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 858 16 Para o recebimento dos aludidos créditos e conseqüente dedução em caso de perdas o artigo 9o, §1°, inciso III da Lei 9.430/96 possibilitou que fossem elas deduzidas nas condições estabelecidas desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou arresto de garantias: Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1º Poderão ser registrados como perda os créditos: III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias. Para tanto, elaborou a planilha anexa (doc. 08), na qual constam elencadas todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, identificadas pelo nome, CPF/CNPJ, número de contrato e respectivas datas de baixa, vencimento, tipo de operação, tipo de cobrança e valor das perdas. Para comprovar a adoção e manutenção das medidas judiciais necessárias das pessoas indicadas na planilha acima mencionadas, o Recorrente junta a este recurso os documentos anexos (doc. 09), conforme tabela exemplificativa de fls. 441 do seu Recurso e com o mesmo formato da tabela mencionada na infração anterior (II). Como se vê, a Recorrente trouxe aos autos um farto conjunto probatório para cada uma das três irregularidades que pretendeu se defender, convencendome pela coerência, convergência e força das informações e sobretudo pelo “conjunto da obra”, demonstrando ter atendido plenamente as condições da Lei n. 9.430/96 e infirmando parcialmente a autuação. É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um conceito de verdade. Pois a verdade pressupõe coerência interna. Na falta de uma verdade absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como por exemplo, o conceito de verdade como correspondência, que se busca normalmente através de diligências. Como se viu, as condições para se dá a postergação foram atendidas. Porém, cabe aqui uma ressalva. Tenho para mim que o caso que se cuida não trata do caso clássico de “inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas”. É que existindo norma específica tratando de condições de dedutibilidade, como é o caso da Lei n. 9.430/96, o auto de infração não padece de vício ab initio em relação à necessidade de o fiscal ter de plano já reconhecido essa postergação. Tenho para mim que o ônus da prova, nesses caso, deve ser invertido e cabe à Recorrente demonstrar a ocorrência efetiva postergação, ou seja, o efetivo pagamento espontâneo do tributo em períodobase posterior, como foi o caso que se cuida. Essa é inclusive, quiçá, a inteligência da Súmula n. mesmo que os votos que a lastrearam não tivessem explicitados essa razão aqui deslindada. Percebese que o caso da tratado na Súmula do CARF nº 36, parelha com o presente caso, também não trata do caso Fl. 858DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 859 17 clássico de “inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas”. Tem ainda em comum com o presente caso também girar em torno de norma específica, não de indedutibilidade, mas de exclusão do lucro real, o que se equivale para os fins aqui traçados. Eis o teor da referida súmula: Súmula CARF n° 36 A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado por sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente." (Destacouse) Em síntese, na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária. Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores verificase que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõese a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição que se deu com a dedução antecipada, , na forma apenas de juros selic , ex vi parágrafo 7ª do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77 Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para considerar os efeitos da postergação em relação nas infrações I, II e III, conforme acima detalhado e cuja documentação probatória encontrase .nos diversos anexos ao recurso voluntário. DA FALTA DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSL DESCONSIDERAÇÃO DO CRÉDITO DE CSLL PREVISTO NO ARTIGO 8° DA MP 1.807/1999 Pelas DIPJs apresentadas pelo contribuinte (doc. 04 fls. 378/381), ao apurar o IRPJ e CSLL devidos em 2005 compensou prejuízos fiscais de anos anteriores no limite de 30% do lucro líquido ajustado, bem como quanto à CSLL o crédito de que trata o art. 8° da MP 1.807/99, também observado o limite lega. Alega então a Recorrente desde sede impugnatória: ainda que fosse mantida qualquer exigência de CSLL quanto às supostas irregularidades I, II, e III, o que se admite apenas para argumentar, e de qualquer modo no que diz respeito às irregularidades IV, V e VI, deveria a fiscalização necessariamente ter compensado o valor adicional de crédito do art. 8° da MP 1.807/99 a que então teria direito o Impugnante, tendo em vista a existência de saldo remanescente suficientemente para tanto (doc. 04). Com razão a Recorrente. Em relação à possibilidade de compensação deste crédito em sede de lançamento de ofício, tratase de situação absolutamente semelhante à compensação de prejuízos fiscais. Tendo o Recorrente efetuado a compensação daquele crédito Fl. 859DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 860 18 no limite do permitido pela MP 1.807/99 (30% da CSL devida), é evidente que entendendo a fiscalização ser o lucro do Recorrente superior àquele por ele apurado deveria assim ter igualmente compensado a parcela adicional correspondente daquele crédito conforme jurisprudência do CARF. É que as naturezas se equivalem. Em ambos os casos, sim, é sabido que se trata direito potestativo do contribuinte, mas nem por isso a jurisprudência se afastou da possibilidade de se fazer essa recomposição de ofício em favor dos contribuintes. De forma semelhante deve acontecer com os referidos créditos de CSLL. Também discordo do argumento utilizado pela DRJ no sentido de que o Recorrente não teria direito à compensação porque não reconheceu a CSLL pela alíquota de 18%. Ora, isso não importa. O que importa é que a lei estipulou esse montante calculado a partir de uma alíquota ficta. Assim, mesmo que o seu cálculo tenha se lastreado em ocorrências passadas nenhuma ilação se pode tirar no sentido de negar o aproveitamento do benefício se os recolhimentos não estiverem estritamente parelha com essa alíquota ficta. Eis o teor do art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99: Art. 8o As pessoas jurídicas referidas no art. Ia, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito da apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. Parágrafo Ia A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. Parágrafo 2o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da lei n° 9718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Parágrafo 3o O direito à compensação de que trata o parágrafo anterior limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. Por concordar com seu teor, trago ainda à baila trecho do recurso que vem corroborar o meu entendimento: (...) Neste contexto, é de se notar, inclusive, que mesmo uma instituição financeira que houvesse apurado unicamente base de cálculo negativa de CSL até 31/12/98, e viesse a apurar lucro só após aquela data, poderia beneficiarse do disposto no art. 8o da MP n° 1.807/1999, tal como prevê a lei, sem nunca ter pago um único valor a título de CSL ! Lembrese ademais que a norma legal determina a apuração do crédito mediante a aplicação, em qualquer hipótese, da alíquota única de 18% sobre a "soma daquelas parcelas", quais sejam, "base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito da apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998" (destaques do Recorrente). Fl. 860DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 861 19 Ocorre que nos períodos de apuração "encerrados até 31 de dezembro de 1998" a alíquota da CSL não foi apenas e sempre de 18%, mas sim variou inúmeras vezes, tendo sido estabelecida ao longo dos anos em 12%, 15%, 23% e 30% !!! Deste modo, não há como se sustentar que aquele crédito teria qualquer relação com a alíquota pela qual foi efetivamente paga a contribuição. Em síntese, a instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, prestandose assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse e obviamente até o limite legal de 30% da base original. Por todo o exposto, dou provimento a este item para considerar a recomposição da base de cálculo da CSLL com o aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, e obviamente até o quantum efetivamente possuído. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial para: I) Recompor a base de cálculo da CSLL com o aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, envolvendo no caso todas as infrações. II) Considerar os efeitos da postergação, na forma apenas de juros de mora, calculados até 31/12 do ano em que se deu a postergação, em relação apenas às infrações I, II e III, tudo isso em conformidade à documentação anexa ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 861DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401000.957 S1C4T1 Fl. 862 20 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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